O Estado de S.Paulo - SP 31/03/2026
Inflação será um dos grandes itens importados pelo Brasil em 2026, de acordo com o Banco Central (BC). Projetado em 3,9%, o aumento geral de preços deverá refletir principalmente as cotações do petróleo, afetadas pelo conflito entre Irã e Estados Unidos-Israel, segundo o Relatório de Política Monetária do BC.
Em dezembro, a projeção apontava uma alta de 3,5%. Com as novas pressões, a inflação volta a afastar-se do centro da meta, 3%. No mercado, a mediana das estimativas tem aumentado há várias semanas e chegou a 4,31%, muito perto do limite de tolerância, 4,50%.
A insegurança quanto aos preços é acompanhada, no mercado e também no BC, de incerteza sobre a evolução dos juros. Essa condição foi ressaltada pelo Comitê de Política Monetária ao anunciar, na semana passada, a redução da taxa básica de juros de 15% para 14,75%.
Segundo o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, a autoridade monetária compra tempo para analisar o cenário e avaliar os efeitos da cotação do petróleo na economia brasileira. “Vamos aprender mais até a próxima reunião do Copom”, explicou.
No mercado, a taxa básica de juros projetada para dezembro foi mantida em 12,50%, após três semanas de alta. Há um mês estava em 12%. A estimativa para o fim de 2027 seguiu em 10,50%. pela 59ª semana. A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 28 e 29.
A economia brasileira deverá crescer 1,85% neste ano, segundo projeção do mercado citada no boletim Focus. As expectativas têm mudado lentamente. Há um mês o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) era estimado em 1,82%. Para o próximo ano a expectativa registrada é de 1,80%.
Se o balanço do ano for compatível com esse conjunto de expectativas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva completará o atual mandato como Brasil ainda preso na chamada armadilha dos 2% e sem perspectiva de maior dinamismo no futuro próximo.
O cenário econômico tem sido marcado, nos últimos 15 anos, tanto pela modesta expansão do produto quanto pelo escasso investimento produtivo.
IstoÉ Dinheiro - SP 31/03/2026
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, repetiu nesta segunda-feira, 30, que a “gordura” gerada pelo nível alto da Selic no passado permitiu à autoridade monetária iniciar o processo de calibragem no nível do juro básico. Segundo Galípolo, a avaliação do BC é a de que, mesmo com novos fatos no cenário global, como a recente guerra no Oriente Médio, esse processo de calibragem tende a seguir.
“O que nós estamos comunicando o tempo todo, é o que foi entendido aqui: essa gordura que foi acumulada com uma posição mais conservadora ao longo das últimas reuniões de Copom, permitiu, mesmo diante de novos fatos – e esses novos fatos não alteraram a circunstância como um todo, do ponto de vista da transmissão da política monetária e das incertezas que se tem sobre os efeitos de um choque de oferta com petróleo – para que a gente alterasse a nossa trajetória (de corte na Selic)”, disse Galípolo, durante participação no Macro Day do J. Safra, em São Paulo. “Então a gente decidiu seguir com a nossa trajetória e iniciar o ciclo de calibragem da política monetária”, reforçou.
Neste cenário, o presidente do BC usou novamente a metáfora de que a autoridade monetária é mais um transatlântico do que um jet-ski e, por isso, não faz movimentos bruscos ou extremados.
Galípolo ainda pontuou que a própria governança do BC ajuda no processo de não se tomar posições extremadas. “É por isso que tem um ciclo tão longo do ponto de exposição das apresentações, é por isso que é um colegiado”, disse Galípolo.
Balanço de riscos
No mesmo evento, o presidente do Banco Central disse que, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), foi discutido uma possível mudança no balanço de riscos para a inflação doméstica, dado os últimos acontecimentos geopolíticos, como a guerra no Oriente Médio. Ele pontuou, contudo, que a avaliação final, inclusive com base em choques recentes, foi a de que era preciso aguardar mais 45 dias, até o próximo encontro do colegiado, antes de fazer qualquer alteração mais significativa desses riscos.
“O fato do Banco Central ter aguardado, incorporado gradativamente, parece ter se mostrado mais interessante do ponto de vista de não amplificar e reverberar uma volatilidade que poderia ser gerada. Estamos aprendendo e entendendo como é que vão ser os impactos, mas primeiro momento a nossa visão é essa, crescimento para baixo, inflação para cima”, detalhou Galípolo.
Ainda em relação ao impacto do conflito no Oriente Médio para o Brasil, o presidente do BC pontuou que, em tese, o País pode se beneficiar, por ser um exportador líquido de petróleo.
Outro benefício, acrescentou Galípolo, é o fato do diferencial de juros estar a favor do Brasil hoje, dado o nível já bastante contracionista da taxa Selic.
“Comparativamente a outros bancos centrais que estão mais próximos a uma taxa de juros neutra, acho que também nos coloca em uma posição mais favorável quando comparado com os pares. Era melhor que a gente não tivesse nenhum tipo de conflito, nenhum tipo de impacto como esse, mas estamos só comparando o relativo a partir do impacto”, frisou o banqueiro central.
Produtividade
Galípolo disse ainda que a discussão sobre a produtividade do trabalho no Brasil é uma das mais importantes que precisam ser feitas no País hoje. “O Brasil vem há algum tempo crescendo em um modelo que basicamente tem um estímulo pelo lado da demanda, seja por causa do crédito, seja por causa de ganhos reais da remuneração acima da produtividade, inclusive da população inativa. Com isso, você consegue explicar a maior parte do crescimento, muito mais porque você está utilizando mais força de trabalho, mais mão de obra, do que efetivamente houve qualquer tipo de ganho de produtividade”, explicou.
Para Galípolo é preciso refletir sobre quais políticas podem transformar o País e torná-lo mais atraente para o recebimento de investimentos, o que, ao fim, também irá significar ganho de produtividade.
“Esse é o tema talvez mais relevante e que explica boa parte da dificuldade, tanto na política fiscal, quanto na política monetária”, reforçou o banqueiro central. “Se você ficar produzindo pressões de demanda que decorrem dos dois vetores que eu comentei estímulo à demanda e ganho de renda acima da produtividade, provavelmente você vai chegar num ponto em que terá que subir juros para tentar conter e devolver a inflação para o lugar dela”.
Nesse cenário, o presidente do BC lembrou que o Brasil não foi muito exitoso em se integrar às cadeias de valor global nos últimos anos. Essa situação, pontuou Galípolo, fez com que em momentos recentes, como a adoção de política tarifária agressiva nos Estados Unidos, o Brasil também passasse a ser visto como uma nação que sofreria menos com esses choques.
Money Times - SP 31/03/2026
Diante do cenário global e da deterioração das expectativas para a inflação, o Itaú avalia que existe menos espaço para corte de juros neste ano. Com isso, a equipe de macroeconomia do banco passou a projetar uma taxa Selic terminal em 13% ao ano, em 2026, ante os 12,25%.
O Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou o afrouxamento monetário de forma tímida na última reunião, com um corte de 25 pontos-base, colocando a Selic no patamar dos 14,75% ao ano. Na análise do banco, o ritmo foi “moderado”, dado o contexto em que a decisão foi tomada.
Para a próxima reunião do comitê, que acontece em maio, a expectativa é de um novo corte da mesma magnitude para dar continuidade ao tom mais cauteloso que o Banco Central tem adotado em sua comunicação.
A equipe avalia que a incerteza deve permanecer elevada até a próxima reunião do Copom e adiciona que seu cenário-base é de que a resolução do conflito deva acontecer no fim de abril, enquanto a normalização do Estreito de Ormuz venha apenas em maio.
“A sinalização recente, no entanto, não estabelece uma barra alta para um corte de magnitude maior (-50bps) em abril, caso a normalização da distribuição de petróleo ocorra mais rapidamente”, destacaram os economistas do Itaú no relatório.
Para 2027, a expectativa segue mantida com a expectativa da perpetuação da flexibilização monetária, mas com um ajuste nas projeções. Antes, o banco via uma taxa terminal em 11,25%, agora a expectativa é que finalize o próximo ano em 12%.
Inflação com riscos altistas
As projeções para a inflação, claro, também sofreram alterações. Para 2026, a equipe revisou o Índice de Preços do Consumidor Amplo (IPCA) para 4,5%, ante 3,8% anteriormente, refletindo as últimas leituras pressionadas e aumento de combustíveis diante de um preço médio do petróleo mais alto.
Além disso, após vários meses de assimetria, o Itaú passou a considerar o balanço de riscos altista.
“Consideramos ajustes de preços de combustíveis no médio prazo, refletindo um patamar de equilíbrio do petróleo estruturalmente mais elevado no pós-guerra (US$75/barril no final do ano, ante US$65
anteriormente), com impacto em gasolina, em alimentos e industriais (via aumento dos custos de frete
por alta do diesel) e em passagem aérea (via aumento de QAV)”, explicaram os economistas.
Para 2027, a projeção também foi revisada para cima. As expectativas passaram de 3,9% para 4,1%, incorporando a maior inércia inflacionária. Eles destacam que para o próximo o ano, caso haja prolongamento da guerra, o maior impacto seria nos custos de produção agrícola,
impactando a inflação de alimentos.
Outras projeções do Itaú
Já em relação a taxa de câmbio, as projeções se mantiveram em R$ 5,40 em 2026 e R$ 5,60 em 2027, mesmo diante do cenário mais incerto. Segundo a equipe, o real tem se mostrado resiliente, apoiado pela melhora nos termos de troca e pelo diferencial de juros elevado.
Também foram mantidas as expectativas de crescimento do PIB de 1,9% em 2026 e 1,7% em 2027, sob a justificativa de que a ligeira que apesar da revisão negativa que fizeram para o crescimento econômico mundial e a perspectiva de maior contração monetária serão compensadas pelo efeito positivo da elevação do preço do petróleo e incorporação de um cenário mais positivo para o crédito habitacional.
“Cabe notar, contudo, que o viés de alta que havia para 2026 diminuiu diante de uma eventual desaceleração global mais intensa resultante do conflito”, explicaram no documento.
No mercado de trabalho, também preservaram as estimativas para a taxa de desemprego em 5,7% em 2026 e 6,0% em 2027.
O Estado de S.Paulo - SP 31/03/2026
O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e do Federal Reserve, Jerôme Powell, fizeram nesta segunda-feira, 30, a mesma sinalização ao mercado financeiro: um eventual aumento da taxa de juros é ineficaz para lidar com o choque do petróleo provocado pela guerra no Irã.
Nos Estados Unidos, onde o debate sobre uma possível alta das taxas está mais avançado, Powell foi bem direto.
Em conversas com estudantes na Universidade de Harvard, o presidente do Fed disse que sua tendência é permanecer com as taxas inalteradas enquanto o choque de energia estiver em curso, mas que estará vigilante.
Powell avalia que disrupções no mercado de energia tendem a durar pouco e que a política monetária age muito lentamente para contra-atacar.
“As ferramentas do Fed não têm efeito significativo em choques de oferta”, afirmou.
Aqui no Brasil uma discussão sobre uma possível alta dos juros estava totalmente fora do radar, afinal o Banco Central recém começou a baixar a taxa Selic.
No entanto, a mudança do humor do mercado ficou clara nesta segunda-feira com a divulgação do boletim Focus. Os economistas elevaram suas estimativas para a inflação por causa do impacto da guerra do Irã no preço dos combustíveis. As projeções para o IPCA atingiram 4,31% este ano, 3,84% em 2027 e 3,57% em 2028.
Em evento no Banco Safra, Galípolo disse concordar com outros bancos centrais em relação a um ambiente de inflação mais alta e crescimento menor. “Aqui no BC, temos a visão de que é inflação para cima e crescimento para baixo”, afirmou.
Ou seja, se o aumento dos preços for temporário e não houver uma alta significativa da atividade econômica, não haveria necessidade de subir os juros. Até porque a política monetária não seria eficiente – como disse Powell.
Galípolo também deixou claro seu alinhamento com o chefe do BC americano ao afirmar que a “gordura acumulada diante da posição conservadora adotada anteriormente permitiu o início do corte de juros” e que “a autoridade monetária é mais transatlântico do que jet-ski”, indicando que não deve fazer movimentos extremados.
Ou seja, se o mercado começar a apostar numa alta de juros, vai perder dinheiro.
Não está claro ainda, no entanto, se os juros continuam a cair comedidamente, ou se a atual trajetória de cortes será interrompida.
O Estado de S.Paulo - SP 31/03/2026
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 subiu pela terceira semana consecutiva, de 4,17% para 4,31%, em meio às incertezas causadas pelo conflito no Oriente Médio, que levou a uma disparada dos preços do petróleo no mercado internacional.
A taxa está 0,19 ponto porcentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. Há um mês, era de 3,91%. Considerando apenas as 71 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 4,21% para 4,47% — colada ao limite superior do alvo perseguido pelo Banco Central.
A projeção para o IPCA de 2027 aumentou de 3,80% para 3,84%. Há um mês, era de 3,79%. Considerando apenas as 69 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 3,81% para 3,93%.
O Banco Central prevê que o IPCA vai fechar 2026 em 3,9% e atingir 3,3% no terceiro trimestre de 2027 – horizonte relevante da política monetária – e no fim do ano que vem.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
No Focus desta segunda-feira, a mediana para o IPCA de 2028 aumentou de 3,52% para 3,57%, a segunda alta consecutiva. Um mês antes, era de 3,50%. A estimativa intermediária para o IPCA de 2029 permaneceu em 3,50% pela 30ª semana seguida.
Selic
A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2026 se estabilizou em 12,50%, após três semanas de altas consecutivas, enquanto o mercado recalibra as estimativas sobre o orçamento total do ciclo de cortes de juros, em meio à disparada dos preços de petróleo. Um mês antes, a projeção era de 12,0%.
Considerando só as 81 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano também se manteve em 12,50%.
Na última reunião, do dia 18 de março, o Comitê de Política Monetária (Copom) diminuiu a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, de 15% para 14,75% — a primeira redução em quase dois anos. Apesar do corte, o colegiado alertou para o aumento das incertezas no cenário.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou a baixa visibilidade durante entrevista à imprensa sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), na última quinta-feira, 26. Ele disse que o “conservadorismo” da autoridade monetária em 2025 compra tempo para analisar o cenário e entender os efeitos que a alta do petróleo terá sobre os preços domésticos.
“Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom. O BC tem esse benefício de que só precisa tomar uma decisão a cada 45 dias”, disse Galípolo, reforçando que haverá uma condução cautelosa da política monetária.
A projeção para a taxa básica de juros no fim de 2027 continuou em 10,50% pela 59ª semana seguida. Considerando só as 80 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa caiu de 10,75% para 10,50%.
A mediana para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,0% pela 10ª semana seguida. Já a estimativa para 2029 aumentou de 9,50% para 9,75%, depois de 21 semanas de estabilidade.
PIB
A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 oscilou de 1,84% para 1,85%. Um mês antes, era de 1,82%. Considerando apenas as 36 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa cresceu de 1,85% para 1,91%.
O crescimento esperado pelo mercado é maior do que o previsto pelo Banco Central. No Relatório de Política Monetária (RPM) do 1º trimestre, a autoridade monetária manteve sua projeção de alta de 1,6% para o PIB em 2026.
A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 seguiu em 1,80%, pela 13ª semana consecutiva. Considerando só as 35 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 1,80% para 1,78%.
As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,0%, pela 107ª e 54ª semanas seguidas, respectivamente.
Dólar
A mediana para a cotação do dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,40 pela segunda semana seguida. Um mês antes, era de R$ 5,42. A estimativa intermediária para o fim de 2027 se manteve em R$ 5,45, também pela segunda leitura seguida. Quatro semanas atrás, era de R$ 5,50.
A mediana para o fim de 2028 continuou em R$ 5,50 pela sétima semana consecutiva. A projeção para o fim de 2029 também se manteve em R$ 5,50. Um mês antes, era de R$ 5,50.
A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.
Globo Online - RJ 31/03/2026
Após a reunião do Copom, o mercado financeiro revisou suas projeções para a inflação e para a atuação do Banco Central neste ano. A mediana do Boletim Focus indicou avanço da inflação de 4,17% para 4,31%. Ainda assim, há estimativas de que o índice possa atingir exatamente a meta de 4,5%.
O Itaú elevou sua projeção para 2026 de 3,8% para 4,5%, “refletindo as últimas leituras mais pressionadas e o aumento dos combustíveis diante de um preço de equilíbrio do petróleo mais alto, mesmo com a resolução do conflito nos próximos meses”. Para 2027, a estimativa passou de 3,9% para 4,1%, incorporando maior inércia inflacionária. Segundo o banco, o “balanço de riscos é altista para os dois anos, com destaque para altas adicionais de combustíveis em 2026 e maior inércia inflacionária e preços de fertilizantes em 2027”. O banco revisou a Selic para 13% ao final de 2026 (de 12,25%).
O Banco Pine também ajustou sua projeção para o mesmo patamar do Itaú, de 3,8% para 4,5%, ao incorporar a elevação do preço médio do Brent para US$ 80 no segundo semestre deste ano. “O principal risco segue associado à transmissão do choque de custos via fertilizantes e insumos agrícolas, com potenciais efeitos defasados sobre a inflação, o que pode demandar postura mais cautelosa por parte do Copom diante de efeitos secundários.” Com isso, o banco revisou a Selic para 12,5% ao ano, ante 11,5% no cenário anterior.
O Banco Inter elevou sua projeção de inflação de 3,8% para 4,3%, enquanto a estimativa para a Selic no fim do ano subiu de 12% para 12,50%. Segundo a economista Rafaela Vitória, a expectativa é de um novo corte de 0,25 ponto percentual na reunião de abril, enquanto o Fed deve manter os juros estáveis.
Na semana passada, o Santander afirmou que a revisão de cenário foi influenciada principalmente pelo comportamento do petróleo no curto prazo. “Passamos a incorporar preços mais elevados da commodity, com o Brent permanecendo acima de US$ 100 por barril por um período mais prolongado.” O banco revisou a Selic para 12,50% ao fim de 2026 e 12% em 2027. Já a projeção do IPCA para 2026 subiu para 4,5%, ante 3,9%, refletindo os efeitos diretos e indiretos do petróleo mais alto sobre combustíveis, fretes, custos de produção e a inércia inflacionária.
Infomoney - SP 31/03/2026
Os contratos futuros do minério de ferro foram negociados dentro de uma faixa estreita de preços nesta segunda-feira, com investidores avaliando o impacto do custo dos preços elevados de energia e uma retomada da demanda de aço na China em comparação com os altos estoques nos portos chineses.
O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com alta de 0,06%, a 813 iuanes (US$117,68) a tonelada.
O minério de ferro de maio, referência na Bolsa de Cingapura, subiu 0,26%, a US$106,25 a tonelada.
Os preços do principal ingrediente da fabricação de aço encontraram algum suporte nos custos crescentes alimentados pelo aumento dos preços da energia, estimulados pelo conflito no Oriente Médio.
Além disso, operadores e analistas estão monitorando de perto se a oferta restrita de diesel afetaria a produção dos principais fornecedores de minério, como a Austrália, embora ‘não pareça provável que haja cortes iminentes na produção’, disseram os analistas do JP Morgan em nota na semana passada.
Além disso, as expectativas de melhora na demanda de aço na China incentivaram o reabastecimento de matérias-primas, incluindo o minério de ferro.
No entanto, os estoques de minério nos portos chineses permaneceram altos, reduzindo o espaço para ganhos de preço.
Os estoques de minério de ferro nos 47 principais portos chineses atingiram um recorde de 179 milhões de toneladas no início do mês, antes de caírem para 177 milhões de toneladas na semana até 27 de março, segundo dados da consultoria Mysteel.
O foco do mercado também está voltado para o desenvolvimento das negociações entre o comprador estatal de minério de ferro da China e o terceiro maior fornecedor do mundo, a BHP. O impasse prolongado relacionado ao contrato de fornecimento agrava a volatilidade dos preços.
O Estado de S.Paulo - SP 31/03/2026
A Vale já definiu o próximo passo da guinada que deu em sua estratégia comercial: ampliar, fora do Brasil, a estrutura que permite “customizar” o minério ao gosto do cliente. A aposta na estratégia do portfólio flexível foi adotada há cerca de um ano e meio e agora deve ganhar força com a adoção de mais unidades de concentração e blendagem (mistura).
“Você vai nos ouvir falar mais de criar novas plantas de concentração e pontos de blendagem fora do País; ampliar ‘sourcing’ (fornecimento) de minério de terceiros para blendar o nosso e entregar um produto diferente”, antecipou ao Estadão/Broadcast o vice-presidente executivo comercial e de desenvolvimento da Vale, Rogério Nogueira.
A estratégia busca aproximar a oferta daquilo que o mercado demanda — em qualidade, composição e preço — sem abrir mão da capacidade de produzir minério de alto teor quando houver remuneração. “Temos de ser o player que consegue produzir o ‘high grade’ (minério de alto teor) quando o mercado está demandando e produzir um produto mais simples quando o mercado está buscando”, afirmou. Confira a seguir os principais trechos da entrevista:
A Vale deixou de ter o minério de alto teor como principal característica?
O mantra do alto teor prevaleceu por muito tempo, mas começamos a perceber que nem sempre o mercado paga por esse ‘high grade’. Ele é mais valorizado quando a indústria precisa de mais produção, mais produtividade. Muitas vezes, o nosso sentimento é o de que estamos produzindo um produto que está acima do que o mercado, de fato, deseja e paga por. (...) E cada cliente tem a sua necessidade. Então, há um ano e meio, a gente disse: vamos mudar essa filosofia. Temos de ser o player que consegue produzir o ‘high grade’ quando o mercado está demandando e produzir um produto mais simples quando o mercado está buscando. (...) Para isso, a gente precisava mudar a filosofia e criar flexibilidade.
Como funciona esta flexibilidade do portfólio?
Se tem uma coisa importante, é a cadeia de distribuição, cadeia de valor. É o que dá flexibilidade. Eu consigo tirar um produto na mina, misturá-lo com outro produto em outro ponto e direcionar o minério mais rico para um cliente que demanda isso. (...) É ter mentalidade de atender o cliente e maximizar valor. O meu objetivo não é ser sempre o player de ‘high grade’. É gerar flexibilidade e maximizar valor. Preciso entender muito bem o mercado, as minhas minas e a minha cadeia de valor
Por que a Vale não adotou essa flexibilidade antes?
Viemos, ao longo dos anos, construindo uma cadeia de valor, que foi gradativamente criando corpo (...) e permitindo que a gente exercesse essa flexibilidade. (...) Somos a única mineradora de ferro que vende em todos os continentes. (...) Na China, a gente entrega e blenda produtos de qualidade diferente e consegue entregar o que o cliente quer em 17 portos. (...) Tem estrutura para receber (o minério) e blendar. E tem redistribuição. No porto da Malásia, temos capacidade própria para fazer blendagem. Criamos e construímos capacidade de blendagem no Oriente Médio. Desenvolvemos capacidade nos EUA. (...) Temos uma frota com navios grandes e pequenos. Temos minas de qualidades diferentes. Talvez a nossa maior fortaleza seja ter muitas minas de qualidades diferentes. (...) Além disso, temos plantas de pelotização e conseguimos entregar produtos diferentes.
Como está a adesão do mercado ao produto Mid Grade (médio teor) Carajás, lançado no ano passado?
Este é um exemplo de flexibilidade. Nós percebemos que os clientes queriam um produto mais competitivo. Queriam melhorar suas margens, que estavam num patamar historicamente um pouco mais baixo. Trabalhamos não para tirar o ‘high grade’ do mercado, mas para trazer o Mid Grade Carajás, que é um produto excelente, melhor do que o dos competidores (...). Está sendo bem recebido. Tivemos (vendas de) 35 milhões de toneladas em 2025. Neste ano, vamos chegar perto de 50 milhões.
Para onde a Vale caminha a partir dessa estratégica?
Estamos buscando reforçar muito a cadeia de valor. Você vai nos ouvir falar mais de criar novas plantas de concentração e pontos de blendagem fora do País; ampliar ‘sourcing’ de minério de terceiros para blendar o nosso e entregar um produto diferente. Este tipo de atividade, que a gente por vezes não explorou tanto, passa a ser uma coisa importante; chama-se originação de minério de terceiros. (...) Eu posso comprar o minério que sozinho não nos serve, mas eu uso a minha capacidade (...) para tornar esse produto mais desejado.
Como a Vale está se estruturando para enfrentar as transformações globais?
Estamos nos estruturando com os mega hubs, os briquetes, eles são isso. E estamos começando a construir essas capacitações. Mas não é construir à frente do mercado. É ir construindo à medida que o mercado vai sinalizando essas necessidades de produtos diferentes. O nosso papel é construir essas capacitações, produtos, a cadeia. O hub é parte disso. É um complexo industrial onde a gente vai produzir um produto metalúrgico junto com os nossos clientes. (...) É uma reação rápida criando uma supply chain sofisticada para atender na medida exata o que o cliente necessita.
A descarbonização veio para ficar?
A tendência de descarbonização é irreversível. O mundo pode ter desacelerado um pouco com o conflito no Irã, as políticas dos EUA (...). Mas a gente não viu mudança. A Europa está caminhando firme. Neste ano, entrou em vigência o European Union’s Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM), mecanismo de ajuste de fronteira do bloco. As empresas da Europa (...) já investiram ou seguem investindo na mudança dos processos. Os japoneses, os coreanos (seguem) muito fortes na mudança de rota de processo para produzir um aço mais limpo.
O que o sr. espera da demanda em 2026?
A visão da China e nossa é de que a produção de aço esse ano na China ficará muito estável em relação ao ano passado, na ordem de um bilhão, um pouco acima de um bilhão de toneladas de aço por ano. Por consequência, a demanda de minério de ferro deve ficar estável. A oferta também deve ficar estável. Então, a gente vê um equilíbrio na China. Para o mundo, de forma geral, a gente vê um leve crescimento: Índia crescendo forte, Europa reajustando, também crescendo. A introdução do CBAM tem fortalecido a indústria europeia. A indústria americana crescendo; o Sudeste Asiático crescendo. (...) Esse panorama um pouco antes do conflito (no Oriente Médio). O conflito pode mudar um pouco essa dinâmica global. (...) A nossa visão para 2026 é de estabilidade.
Valor Investe - SP 31/03/2026
Esse fôlego vindo da Ásia serve como um suporte fundamental para as exportadoras brasileiras, após um período de incerteza sobre a demanda chinesa
O setor de mineração e siderurgia apresentou uma alta firme nesta segunda-feira (30), operando em bloco no terreno positivo. O movimento é puxado pela valorização das commodities no mercado internacional, com o minério de ferro registrando alta de 0,49% na Bolsa de Dalian, na China, cotado a 816 yuans (aproximadamente US$ 117,60).
Esse fôlego vindo da Ásia serve como um suporte fundamental para as exportadoras brasileiras, após um período de incerteza sobre a demanda chinesa.
No fechamento, as ações da Vale (VALE3), carro-chefe do setor, registraram uma alta de 0,63%, com os papéis negociados em torno de R$ 79,50. A mineradora se beneficia não apenas do preço do minério, mas também do fluxo de investidores que buscam ativos de valor em um dia de dólar em queda. A CSN Mineração (CMIN3) também subiu 0,21%, a R$ 4,86.
O contexto de guerra no Oriente Médio também atua de forma indireta sobre essas companhias. O mercado observa com atenção a transição de infraestrutura logística em meio às tensões no Estreito de Ormuz, o que pode favorecer mineradoras com cadeias de suprimentos menos expostas a essa rota específica, como as que operam no Atlântico Sul.
A siderurgia, representada por nomes como Gerdau (GGBR4) e Usiminas (USIM5), também pegaram carona nesse rali, subindo 1,27% e 0,61%, respectivamente.
O otimismo é reforçado pelo ambiente de juros globais, onde a sinalização de manutenção ou queda de taxas em economias centrais estimula o setor de infraestrutura e construção civil, grandes consumidores de aço.
O Estado de S.Paulo - SP 31/03/2026
A Iveco vai investir R$ 1 bilhão na fábrica de Sete Lagoas (MG) até 2028. O valor marca o início de um novo ciclo de aportes no país, após o encerramento do programa anterior em 2025.
Segundo a montadora, os recursos serão usados na modernização da fábrica, no avanço de projetos de motores, caminhões e ônibus e em atividades de pesquisa e desenvolvimento.
O anúncio foi divulgado pela Investe Minas, agência de desenvolvimento econômico do estado, e pelo governador Romeu Zema.
O investimento ocorre em momento delicado no mercado brasileiro de veículos comerciais, que tem registrado oscilações desde a entrada em vigor do Proconve P8 (Euro 6), norma que aumentou custos de produção e impactou o ritmo de compras das transportadoras.
Inaugurado em 2000, o complexo de Sete Lagoas é a maior unidade fabril da Iveco no mundo. A planta reúne operações de fabricação de cabines, pintura, montagem final, centro de engenharia e pista de testes.
A estrutura também inclui a fábrica da FPT Industrial, responsável pela produção de motores para veículos comerciais, máquinas agrícolas, equipamentos de construção e geradores de energia.
Veja - SP 31/03/2026
O lucro líquido da montadora recuou 19%, para 32,6 bilhões de yuans, apesar de a receita ainda ter avançado modestos 3,5%. No último trimestre, os resultados vieram ainda mais fracos, com queda de 14% no faturamento e lucro abaixo das estimativas do mercado.
O desempenho reflete uma combinação de fatores que vem reconfigurando o maior mercado automotivo do mundo. A demanda doméstica perdeu fôlego no pós-pandemia, ao mesmo tempo em que a competição se intensificou com a entrada de novas montadoras e a rápida renovação de modelos. O resultado foi uma guerra de preços que corroeu margens em todo o setor.
A participação da BYD no mercado chinês de veículos elétricos caiu de 33% para 24,6% no quarto trimestre, segundo estimativas de analistas, evidenciando a perda de espaço num ambiente mais fragmentado.
A margem da companhia também encolheu, pressionada por descontos agressivos e custos elevados de insumos.
Nos bastidores, o próprio governo chinês passou a intervir de forma indireta, sinalizando desconforto com a competição predatória entre fabricantes, movimento descrito por analistas como uma tentativa de conter a chamada “involução” do setor, quando empresas competem reduzindo preços a níveis que comprometem a sustentabilidade do negócio.
O cenário coloca a BYD diante de um dilema estratégico.
Líder em volume e conhecida por modelos de baixo custo, a empresa precisa preservar participação no mercado doméstico sem sacrificar rentabilidade, ao mesmo tempo em que acelera sua internacionalização para compensar a desaceleração interna.
Essa transição já está em curso. A montadora vem ampliando presença na Europa, América Latina e Sudeste Asiático, mercados onde busca replicar sua estratégia de preços competitivos aliada a escala industrial.
No Brasil, por exemplo, a empresa tem investido em produção local e expansão de rede, de olho no avanço da eletrificação.
Ao mesmo tempo, a aposta tecnológica ganhou centralidade.
Em março, a companhia anunciou uma nova bateria de recarga ultrarrápida, capaz de atingir grande parte da carga em poucos minutos, um movimento alinhado à corrida global por redução do tempo de recarga, hoje um dos principais gargalos da adoção de veículos elétricos.
Modelos mais sofisticados, como os da submarca Denza, também fazem parte da estratégia de subir o ticket médio e disputar segmentos de maior valor agregado, hoje dominados por rivais internacionais e players premium chineses.
Analistas veem o curto prazo ainda desafiador, com vendas pressionadas e custos elevados no início de 2026.
A expectativa, porém, é de melhora gradual ao longo do ano, impulsionada por novos lançamentos, expansão externa e crescimento da divisão de armazenamento de energia, área vista como vetor complementar ao negócio automotivo.
Poder 360 - SP 31/03/2026
A Câmara de Comércio Exterior zerou nesta 2ª feira (30.mar.2026) o imposto de importação para 191 equipamentos industriais e tecnológicos sem produção no Brasil. A medida foi publicada no Diário Oficial da União por meio da Resolução Gecex nº 870.
A decisão foi aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Gecex, presidido pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Os itens passam a integrar o regime de ex-tarifário, mecanismo que permite reduzir temporariamente o imposto de importação para bens de capital e de informática sem fabricação equivalente no país.
Entre os produtos incluídos estão motores diesel de grande potência, baterias industriais de alta capacidade e máquinas industriais com comando numérico computadorizado. A lista também reúne equipamentos científicos e sistemas de sensores usados em pesquisa e automação.
Um dos itens é um motor diesel de 20 cilindros em “V”, com potência entre 2.490 kW e 3.490 kW. O equipamento é utilizado principalmente em geração de energia e aplicações industriais de grande porte.
A resolução também inclui baterias industriais com capacidade superior a 500 kWh, usadas em projetos de armazenamento de energia. A tecnologia é aplicada em sistemas elétricos, data centers e projetos de energia renovável.
Outro grupo de itens envolve equipamentos científicos de alta precisão, como câmeras digitais de alta sensibilidade utilizadas em microscopia e pesquisa laboratorial. Também foram incluídos sistemas de sensores e equipamentos de medição usados em automação industrial. Segundo a resolução, os ex-tarifários foram incorporados aos anexos das resoluções Gecex nº 780 e nº 781, ambas de 2025. As concessões são temporárias e seguem as regras do regime de redução tarifária.
A medida entra em vigor na data de publicação e terá vigência até 27 de julho de 2026.
IstoÉ Dinheiro - SP 31/03/2026
Os investimentos em máquinas e equipamentos no Brasil caíram 14,2% em fevereiro, ante o mesmo mês do ano passado, somando R$ 29 bilhões entre bens de capital nacionais e importados. Na comparação com janeiro, as compras de máquinas subiram 8,5%. O balanço foi divulgado nesta segunda-feira, 30, pela Abimaq, a associação que representa os fabricantes de máquinas e equipamentos.
Segundo a entidade, os números de fevereiro revelam uma inflexão mais clara do ciclo de investimentos no País. No acumulado do primeiro bimestre, as compras de máquinas recuaram 17,9%, para R$ 55,6 bilhões.
A queda dos investimentos foi quase generalizada entre as atividades econômicas, em especial na agricultura e na indústria de bens de consumo duráveis, onde foram registradas as maiores retrações. Infraestrutura e indústria de base, que ampliaram em 3,9% as aquisições de bens de capital produtivo nos dois primeiros meses do ano, são as exceções.
No mês passado, as compras de máquinas nacionais – um total de R$ 15,1 bilhões – recuaram 18,8% no comparativo interanual. Colocando na conta as exportações, que subiram 5,2% quando convertidas para reais, as vendas totais da indústria de máquinas (R$ 20,6 bilhões) encolheram 13,6% em fevereiro, na comparação com o mesmo mês de 2025.
A Abimaq observa que o apoio do mercado externo não foi suficiente para neutralizar a retração nas vendas domésticas. Em paralelo, as importações seguem ganhando espaço, com alta de 5,9% ante fevereiro do ano passado, chegando a US$ 2,6 bilhões, sendo que 36% do total (US$ 919 milhões) veio da China. Apesar da queda de 2,7% no primeiro bimestre, as importações de máquinas e equipamentos já representam praticamente metade (49,7%) das máquinas adquiridas no Brasil.
Conforme a Abimaq, a menor participação dos produtos nacionais sugere um problema de competitividade relacionado a fatores estruturais, como custo de produção, escala e financiamento.
O balanço da entidade mostra ainda que cerca de 3 mil postos de trabalho foram fechados nas fábricas de máquinas e equipamentos na passagem de janeiro para fevereiro. O setor agora emprega 414,8 mil pessoas.
O nível de utilização da capacidade instalada no setor registrou leve melhora em relação a janeiro: alta de 0,4 ponto porcentual, para 78,5%. O indicador, explica a Abimaq, ainda não reflete plenamente a desaceleração em curso porque o ajuste na estrutura de produção tende a ocorrer com defasagem.
Projeções
A Abimaq revisou de 3,5% para 0,5% a expectativa de crescimento da produção do setor neste ano, após os primeiros números de 2026 mostrarem uma inflexão mais clara do ciclo de investimentos produtivos no País.
Em relação às vendas da indústria, na soma de mercado doméstico e exportações, a previsão de crescimento caiu de 4% para 0,3%. No primeiro bimestre, a receita dessa indústria encolheu 15,2%, refletindo a queda dos investimentos em máquinas em meio aos juros altos, endividamento elevado, menor dinamismo da atividade econômica e avanço dos importados, que já são metade do consumo nacional de bens de capital.
Parte da demanda por máquinas e equipamentos deve continuar sendo sustentada por pedidos da indústria extrativa e de infraestrutura. Porém, os resultados mais fracos no início de ano, especialmente em máquinas agrícolas e equipamentos da indústria de transformação, levaram a Abimaq a rever para baixo suas projeções.
Conforme as novas previsões da associação, as vendas de máquinas brasileiras no mercado doméstico tendem a subir 0,7%, enquanto as exportações, quando convertidas para reais, devem recuar 1% em 2026.
Nesta segunda-feira, ao anunciar a revisão do prognóstico, a diretora de Economia da Abimaq, Cristina Zanella, disse que o primeiro corte do Banco Central (BC) na taxa básica de juros – de 0,25 ponto porcentual, para 14,75% ao ano – foi apenas simbólica, quando se pensa em impulso aos investimentos. “Na prática, não tem impacto nenhum nos investimentos. Esperávamos que começasse com pelo menos 0,5 ponto para dar um impulso maior”, comentou a economista, acrescentando que a taxa segue elevada frente às necessidades do Pais.
Para as vendas de máquinas agrícolas, que recuaram 17% no primeiro bimestre, a Abimaq mantém a previsão de queda de 8% neste ano. Além dos juros altos, a projeção se baseia na perda de rentabilidade dos agricultores em razão da queda nos preços internacionais das commodities agrícolas, além da valorização do real, que reduz o valor exportado após a conversão para a moeda brasileira.
Essa rentabilidade pode ser ainda mais comprometida, e levar a novas revisões da Abimaq, a depender da duração dos conflitos no Oriente Médio, que causa aumento nos custos de produtores rurais com diesel e fertilizantes.
“A única coisa positiva é que temos uma boa safra. Mas a queda de preços das commodities agrícolas foi maior do que o aumento da produção. Então, estamos com um ano não muito positivo”, comentou o presidente da câmara setorial de máquinas e implementos agrícolas na Abimaq, Pedro Bastos.
Jornal de Brasília - DF 31/03/2026
Ter onde morar não é um luxo, é o alicerce da dignidade humana, e o Brasil finalmente entendeu que a conta entre o sonho e a realidade não estava fechando. A nova configuração do programa Minha Casa, Minha Vida deixa de ser apenas uma promessa de palanque para se tornar o motor que faltava na economia real. Diante de números de déficit que não caíam, a atualização das faixas de renda e do teto dos imóveis exige uma ação crua e estratégica de quem constrói e de quem governa.
O cenário era de asfixia, com um déficit habitacional que ainda castiga cerca de 6 milhões de famílias brasileiras, a defasagem entre o custo da construção e o poder de compra criou um abismo intransponível nos últimos anos. Em 2025, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou altas que expulsaram a classe média baixa e as famílias de base do mercado imobiliário formal. Agora, com o teto de renda elevado para patamares de R$ 12 mil e imóveis de até R$ 500 mil sendo financiáveis, o setor respira novamente, corrigindo um hiato que travava lançamentos e sonhos de Norte a Sul do país.
No centro dessa engrenagem está Alex Sales, fundador da Alumbra Empreendimentos Design, empresa que, embora consolide sua marca no alto padrão do Litoral Norte catarinense, mantém um olhar aguçado sobre a macroeconomia do setor. Sales, que atua na construção civil desde 2008, carrega a experiência de quem entende que o crescimento sustentável do mercado imobiliário depende de um ecossistema equilibrado. Para ele, não se trata apenas de subir paredes, mas de viabilizar o acesso ao crédito para quem sustenta a força de trabalho do país, garantindo que a base da pirâmide, com renda a partir de R$ 2,6 mil, volte a ser protagonista do próprio teto.
Saímos de um estado de demanda reprimida e estoques parados para um cenário de movimentação agressiva. De famílias invisíveis para o sistema bancário a novos proprietários com capacidade de pagamento finalmente reconhecida pelas novas regras. Sales pontua que essa correção reposiciona o Brasil, permitindo que incorporadoras destravem projetos que estavam na gaveta devido à inflação de materiais e mão de obra. É o salto da passividade de um mercado estagnado para a proatividade de um setor que gera um em cada dez empregos diretos no país.
O impacto dessa mudança ultrapassa, e muito, o canteiro de obras. Ao incluir famílias de menor renda e ampliar o teto para o médio padrão, o governo e a iniciativa privada acionam um efeito multiplicador que atinge toda a cadeia produtiva, da siderurgia ao pequeno fornecedor local. Dados do setor indicam que cada R$ 1 milhão investido em construção civil gera cerca de 7,6 empregos diretos e indiretos. Multiplique isso pela escala de um programa nacional renovado e teremos não apenas moradias, mas renda e um giro financeiro que aquece o comércio em regiões que vão de São Paulo, às crescentes cidades do litoral de Santa Catarina.
Olhando para o futuro, o que vemos é a habitação sendo tratada como estratégia de Estado e não apenas como política assistencialista. A inovação no acesso ao crédito e a segurança jurídica, reforçada por modelos de gestão como o patrimônio de afetação utilizado pela Alumbra, trazem a previsibilidade necessária para o investidor e a segurança para o cidadão. O Brasil de 2026 exige soluções que conectem rentabilidade com impacto social, provando que o desenvolvimento econômico só é real quando é inclusivo e atinge todas as camadas da sociedade, sem exceção.
A moradia é o primeiro passo para a cidadania plena e o ajuste do Minha Casa, Minha Vida é o reconhecimento de que o mercado precisa de fôlego para cumprir seu papel social. Como defende Alex Sales, o setor ganha musculatura para enfrentar os desafios de um país continental que não pode mais esperar por soluções paliativas. Deixamos para trás o tempo da espera para abraçar o tempo da entrega e da dignidade. Afinal, investir em habitação é, invariavelmente, investir no futuro do Brasil.
A Tribuna - SP 31/03/2026
Com o objetivo de ampliar a conexão entre a Capital, o interior e o litoral de São Paulo, o Governo do Estado estruturou o programa SP nos Trilhos, que reúne mais de 40 projetos de linhas de trens, com investimento estimado em R$ 190 bilhões. Entre as iniciativas estão os trens que vão ligar Santos e a Baixada Santista ao Vale do Ribeira e à cidade de São Paulo. (Confira os projetos mais abaixo)
Dentro do programa, ganham destaque os projetos dos Trens Intercidades (TIC), especialmente o eixo São Paulo–Campinas (Eixo Norte), que já foi leiloado. A iniciativa prevê investimento de R$ 14,2 bilhões, geração de mais de 10 mil empregos e tempo de viagem estimado em cerca de 60 minutos, e início das obras programado para 2026. “Trata-se do primeiro trem de média velocidade do Brasil com cronograma definido”, pontua o Governo do Estado, por meio de nota.
Outros trechos também fazem parte do programa SP nos Trilhos. Entre eles está o eixo São Paulo–Sorocaba (Oeste), que já teve as audiências públicas concluídas e tem edital previsto para 2026, com investimento estimado em R$ 12 bilhões e demanda de até 50 mil passageiros por dia.
Já o trecho São Paulo–São José dos Campos (Leste) está em fase de modelagem, com tempo de viagem estimado em 75 minutos e potencial para beneficiar cerca de 2,7 milhões de pessoas.
Trens na Baixada Santista
No eixo São Paulo–Baixada Santista (Sul), ainda em estudo, o trajeto pode variar entre 80 km e 130 km, com duração aproximada de 90 minutos e expectativa de geração de 13 mil empregos, segundo o Governo de São Paulo.
No caso do trem Santos–Cajati, o projeto funcional já foi concluído e, atualmente, está em elaboração o anteprojeto de engenharia. As próximas etapas incluem o licenciamento ambiental e a definição do material rodante, que deve adotar tecnologia híbrida, combinando energia elétrica e combustão.
Estratégia
O programa também prevê a ampliação da malha ferroviária com novos trechos regionais em análise, dentro de uma estratégia de longo prazo voltada à integração do território, à redução do tempo de deslocamento e à diversificação dos modais de transporte no Estado de São Paulo.
CNN Brasil - SP 31/03/2026
Mais navios voltaram a passar pelo Estreito de Ormuz, segundo dados do serviço de rastreamento marítimo Marine Traffic, mas o volume ainda era bem menor do que antes do início do conflito no Oriente Médio.
No fim de semana passado, o Paquistão anunciou que o Irã permitiria a passagem de 20 embarcações com bandeira paquistanesa por essa rota estratégica.
O ministro das Relações Exteriores, Ishaq Dar, afirmou na rede X que dois navios atravessariam por dia e acrescentou: “É um gesto positivo e construtivo do Irã, que merece reconhecimento”.
O Paquistão tem tentado atuar como mediador entre os Estados Unidos e o Irã para ajudar a encerrar o conflito. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse ao Financial Times que o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, “autorizou a passagem dos navios (paquistaneses) para mim”.
O Irã não comentou especificamente essa declaração.
Em paralelo, dois grandes navios porta-contêineres chineses conseguiram cruzar o Estreito na segunda-feira (30), de acordo com o Marine Traffic, e agora seguem em direção ao Porto Klang, na Malásia.
Na semana passada, o serviço informou que várias embarcações conseguiram acessar o Oceano Índico navegando próximas à costa iraniana.
“Aparentemente, o Irã está adotando uma estratégia calibrada no Estreito de Ormuz, permitindo a passagem seletiva de navios como forma de sinalização estratégica, em vez de interromper totalmente o tráfego”, avaliou o Marine Traffic.
Entre os navios que cruzaram o Estreito no fim de semana, segundo o Marine Traffic, estavam dois grandes cargueiros indianos transportando gás liquefeito de petróleo (GLP), produto que tem enfrentado escassez na Índia.
A passagem ocorreu após um acordo firmado entre Irã e Índia, duas semanas atrás, que permitiu a travessia de dois petroleiros indianos pela região. O Irã segue afirmando que o Estreito continua aberto para embarcações que não estejam ligadas a países alinhados aos Estados Unidos ou a Israel.
Infomoney - SP 31/03/2026
Os ataques de Israel e dos EUA eliminaram líderes iranianos de alto escalão e atingiram alvos-chave em todo o país. Mas, após um mês de combates, é possível argumentar que é o Irã quem garantiu a vitória estratégica mais relevante — um controle mais rígido sobre o tráfego pelo Estreito de Ormuz.
Até agora, em março, o primeiro mês completo de guerra, em média, mal seis embarcações por dia têm atravessado a estreita passagem que conecta o Golfo Pérsico ao restante do mundo, em qualquer direção. Em tempos normais, esse número gira em torno de 135 por dia, segundo dados de rastreamento de navios compilados pela Bloomberg.
Nesse período, 80% do pequeno número de petroleiros que saíram do estreito foram iranianos — ou pertencem a países com os quais o Irã mantém relações cordiais, mostram os dados.
Interferências eletrônicas na região de Ormuz atrapalham os sistemas de rastreamento de embarcações, e alguns navios desligam seus transponders, afetando a rapidez e a precisão dos dados. Ainda assim, tudo indica que a capacidade de Teerã de controlar o estreito está aumentando.
Praticamente todos os navios que fazem a travessia hoje seguem rotas aprovadas pelo Irã — navegando próximos à sua costa, e não ao lado omanense do estreito — e muitas vezes só após conversas para garantir passagem segura. Nos últimos dias, Malásia e Tailândia anunciaram acordos bilaterais para liberar petroleiros presos no golfo.
“Ormuz continua sendo um portão fechado para petroleiros”, disse Anoop Singh, chefe global de pesquisa de navegação na Oil Brokerage Ltd., acrescentando que o problema provavelmente não terá solução rápida sem um cessar-fogo. “Mesmo que haja um, isso não significará um retorno rápido dos fluxos e do transporte por Ormuz. Traders de petróleo, refinarias e agentes da cadeia de suprimentos estão sendo forçados a se adaptar.”
O Irã agora se prepara para aprovar uma lei introduzindo um pedágio, que exigiria que qualquer navio que queira passar compartilhe informações detalhadas e pague taxas. Isso formalizaria um sistema que vários armadores já vêm relatando, já que petroleiros vêm sendo solicitados — por meio de intermediários — a fornecer listas de carga e de tripulação e, em alguns casos, a efetuar pagamentos. Talvez como parte dessa tentativa de normalizar o controle, parte da interferência em sinais começou a diminuir, mudança que ajudaria a navegação na área.
O direito marítimo internacional — a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS) — estabelece que a passagem de trânsito deve ser permitida em rotas marítimas críticas como essa, que consiste em águas territoriais sobrepostas de Irã e Omã. Mas nem o Irã nem os EUA ratificaram formalmente a UNCLOS.
A soberania sobre a passagem marítima é uma das cinco condições de paz apresentadas por Teerã aos EUA.
O Irã declarou seu controle sobre esse gargalo logo após EUA e Israel iniciarem ataques no fim de fevereiro, advertindo que nenhum navio americano poderia entrar no Golfo Pérsico. No começo de março, quatro embarcações sem vínculos claros com os EUA foram atingidas por projéteis, resultando em pelo menos três mortes e deixando em alerta tripulações, donos de navios e seguradoras.
O fechamento quase total de Ormuz desde então, por meio de ameaças e ataques, tem se mostrado uma arma assimétrica excepcionalmente eficaz na luta do Irã contra duas das forças militares mais poderosas do mundo. Isso dá a Teerã um meio de impactar diretamente os mercados globais de energia e de infligir dor financeira aguda — de um modo que Washington tem tido dificuldade em neutralizar, apesar de considerar opções que vão de apoio via seguro a escoltas navais.
Das 110 embarcações individuais que deixaram o golfo neste mês, mais de 36% eram navios iranianos sancionados ou parte da chamada “dark fleet” a serviço de Teerã, segundo dados compilados pela Bloomberg. No caso específico de petroleiros, 21 dos 35 que saíram tinham vínculos diretos com o Irã — mas a maioria dos demais se dirigia a nações com as quais Teerã mantém relações amistosas.
Até esta guerra, uma suposição de longa data sobre Ormuz era que o Irã jamais tentaria fechar o estreito, por medo de comprometer suas próprias exportações, um canal econômico vital. Na prática, os dados de rastreamento de navios sugerem que o petróleo iraniano continuou fluindo — quase totalmente para a China — mesmo enquanto outras embarcações permanecem presas e produtores da região correm atrás de alternativas ou são forçados a interromper a produção à medida que os estoques se enchem.
O Irã exportou cerca de 1,8 milhão de barris por dia neste mês, um aumento de quase 8% em relação à média de 2025, de acordo com dados da firma de inteligência Kpler até 26 de março. Isso provavelmente viabilizou centenas de milhões de dólares em receitas de petróleo para Teerã, segundo análise da Bloomberg News.
Em contraste, exportações no mesmo período vindas do Iraque, situado no fundo do Golfo Pérsico, despencaram mais de 80% em relação aos níveis de 2025, enquanto as da Arábia Saudita ficaram mais de um quarto abaixo da média do ano passado — mesmo com a ajuda de um oleoduto que leva seu petróleo até o Mar Vermelho.
O impacto do controle iraniano é visível nos mercados de petróleo, com o Brent acumulando alta de quase 60% neste mês. Isso também está se traduzindo em influência diplomática, especialmente junto a grandes importadores de petróleo. Países como Índia, Turquia, Paquistão e Tailândia buscaram a aprovação de Teerã para liberar navios e aliviar um aperto severo no abastecimento de energia.
Até Washington tem sido forçada a fazer concessões para esfriar os preços, suspendendo temporariamente sanções sobre parte do petróleo iraniano transportado por via marítima. Os compradores permaneceram relutantes, dado o risco de serem pegos quando as restrições retornarem — mas a Índia recebeu sua primeira carga de GLP iraniano em quase oito anos.
Enquanto isso, outros produtores do Golfo correm para redirecionar os fluxos de petróleo por rotas alternativas.
Traders de petróleo, transportadoras e todos os que dependem de normas consolidadas há décadas estão tendo dificuldade para se adaptar.
Da noite para o dia, as avaliações de frete para uma rota de referência Oriente Médio–China despencaram, levando a Baltic Exchange a testar um novo indicador partindo de Omã, à medida que navios desviam para o Golfo de Omã e o Mar Vermelho para captar fluxos redirecionados.
Benchmarks locais de petróleo tornaram-se extremamente voláteis e pouco confiáveis, deixando de oferecer uma função real de descoberta de preços, segundo traders e autoridades. O chefe da Agência Internacional de Energia instou países europeus a considerar o “descasamento” entre preços de gás e eletricidade para limitar os danos da guerra do Irã.
As seguradoras também enfrentam uma ruptura sem precedentes. Praticamente todo o Oriente Médio agora é classificado como zona de guerra pelo Joint War Committee, um grupo de subscritores baseado em Londres. Como resultado, os prêmios para cobrir riscos adicionais de guerra para navios no Golfo Pérsico e em Ormuz dispararam: no golfo, estão em cerca de 1,5% do valor da embarcação, enquanto, para o estreito, chegam em alguns momentos a 10%.
Na teoria, o pedágio proposto por Teerã oferece um arcabouço para retomar o tráfego. Na prática, reforça a realidade de que, mesmo com o fim da guerra, não haverá retorno ao status quo anterior. Muitos grandes armadores e seguradoras dizem que terão dificuldade em aderir a essa opção, mesmo que quisessem, por medo de violar sanções dos EUA.
“Seria uma espécie de ladeira escorregadia”, disse Amanda Bjorn, chefe de sinistros na corretora de seguros marítimos Cambiaso Risso Asia, “se os países puderem decidir que não vão respeitar legislações que estão em vigor há um bom número de anos.”
IstoÉ Dinheiro - SP 31/03/2026
Os preços do petróleo fecharam em alta nesta segunda-feira, 30, com o Brent caminhando para um aumento mensal recorde, enquanto os futuros do petróleo dos Estados Unidos ficaram acima de US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022, depois que os houthis do Iêmen ampliaram a guerra do Irã lançando seus primeiros ataques contra Israel.
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Os futuros do Brent fecharam com alta de 0,2%, a US$ 112,78 por barril. No início da sessão, o Brent havia subido mais de US$ 4, atingindo uma máxima de US$116,89. Os futuros do West Texas Intermediate dos EUA fecharam com alta de US$ 3,24, ou 3,3%, a US$ 102,88, seu maior valor desde julho de 2022.
O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã, um ponto de estrangulamento para cerca de um quinto dos suprimentos globais de petróleo e gás, fez com que os preços do petróleo subissem cerca de 57% este mês, o maior salto mensal nos dados da LSEG desde 1988, superando os ganhos obtidos durante a Guerra do Golfo de 1990. O petróleo dos EUA, por sua vez, subiu 53%, registrando seu maior ganho mensal desde maio de 2020.
O conflito se espalhou pelo Oriente Médio desde que os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã começaram em 28 de fevereiro, aumentando as preocupações com as rotas marítimas ao redor da Península Arábica e do Mar Vermelho.
Os militares de Israel disseram que interceptaram dois drones lançados do Iêmen nesta segunda-feira, dois dias depois que os houthis alinhados ao Irã dispararam mísseis contra Israel pela primeira vez desde o início da guerra. Os houthis ainda não atingiram a navegação no Mar Vermelho, que movimenta cerca de 15% do tráfego marítimo global.
Se os houthis atacarem a navegação e fecharem a entrada sul do Mar Vermelho, isso poderá elevar os preços em US$ 5 a US$ 10 por barril, de acordo com Robert Yawger, diretor de futuros de energia do Mizuho.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse nesta segunda-feira que o mercado global de petróleo está bem abastecido, com mais navios viajando pelo Estreito de Ormuz.
Dois navios porta-contêineres chineses navegaram pelo Estreito de Ormuz em sua segunda tentativa de deixar o Golfo depois de voltarem na sexta-feira, mostraram dados de rastreamento de navios.
Valor - SP 31/03/2026
As declarações do presidente ocorrem enquanto a guerra entre EUA e Israel contra o Irã mergulhou o Oriente Médio em crise e fez o preço do petróleo disparar mais de 50% em um mês
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no domingo ao jornal Financial Times (FT) que poderia “tomar o petróleo iraniano” e está considerando invadir a Ilha de Kharg, no Irã, mesmo com negociações em andamento.
Trump afirmou ao jornal que quer “tomar o petróleo do Irã” e que pode apreender o polo de exportação da Ilha de Kharg, enquanto os EUA enviam milhares de tropas ao Oriente Médio.
O presidente dos EUA declarou que sua “preferência seria tomar o petróleo”, comparando a possível ação à Venezuela, onde os EUA pretendem controlar a indústria petrolífera “indefinidamente” após a captura do líder Nicolás Maduro em janeiro.
As declarações do presidente ocorrem enquanto a guerra entre EUA e Israel contra o Irã mergulhou o Oriente Médio em crise e fez o preço do petróleo disparar mais de 50% em um mês. O petróleo Brent (referência de preço internacional para o combustível) ultrapassou US$ 116 por barril na manhã de segunda-feira na Ásia, próximo do nível mais alto desde o início do conflito.
Trump disse: “Para ser sincero, minha coisa favorita é tomar o petróleo do Irã, mas algumas pessoas estúpidas nos EUA dizem: ‘por que você está fazendo isso?’”
Tal movimento envolveria a tomada da Ilha de Kharg, por onde passa a maior parte do petróleo exportado pelo Irã.
Trump tem reforçado as forças dos EUA na região, com o Pentágono ordenando o envio de 10 mil soldados treinados para tomar e manter o território, segundo o FT.
O jornal afirma que cerca de 3.500 militares chegaram à região na sexta-feira, incluindo aproximadamente 2.200 fuzileiros navais. Outros 2.200 estão a caminho, enquanto milhares de soldados da 82ª Divisão Aerotransportada também foram enviados.
Mas um ataque ao polo de exportação seria arriscado, aumentando as chances de mais baixas americanas e prolongando o custo e a duração da guerra, de acordo com o Financial Times.
“Talvez tomemos a Ilha de Kharg, talvez não. Temos muitas opções”, disse Trump ao FT. “Isso também significaria que teríamos de permanecer lá [na Ilha de Kharg] por um tempo”.
Questionado sobre as defesas iranianas na Ilha de Kharg, ele afirmou: “Não acho que eles tenham qualquer defesa. Poderíamos tomar aquilo muito facilmente”.
O conflito se ampliou nos últimos dias, com um ataque a uma base aérea na Arábia Saudita na sexta-feira, que feriu 12 soldados americanos e danificou uma aeronave de vigilância E-3 Sentry, avaliada em US$ 270 milhões.
Rebeldes houthis no Iêmen também dispararam um míssil balístico contra Israel, sinalizando uma nova fase de escalada que, segundo analistas, pode agravar a crise energética global.
No entanto, apesar das ameaças de tomar a produção de petróleo iraniana, Trump destacou ao FT que negociações indiretas entre EUA e Irã, por meio de emissários do Paquistão, estão avançando bem.
Trump estabeleceu o prazo de 6 de abril para que o Irã aceite um acordo para encerrar a guerra ou enfrente ataques ao seu setor energético.
Questionado pelo jornal se um acordo de cessar-fogo poderia ser alcançado nos próximos dias, que reabrisse o Estreito de Ormuz — por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo mundial — Trump não deu detalhes específicos.
“Temos cerca de 3.000 alvos restantes — já bombardeamos 13.000 alvos — e ainda faltam mais alguns milhares”, disse. “Um acordo pode ser feito relativamente rápido.”
Na semana passada, ele afirmou que o Irã permitiu a passagem de 10 petroleiros com bandeira do Paquistão pelo Estreito de Ormuz como um “presente” à Casa Branca. O número agora teria sido dobrado para 20, disse ele ao Financial Times, algo que não pôde ser verificado imediatamente.
“Eles nos deram 10”, disse. “Agora estão dando 20, e os 20 já começaram a passar e estão indo bem pelo meio do estreito”.
Trump acrescentou que o Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e um dos principais líderes do país em tempos de guerra, teria autorizado os navios adicionais.
“Foi ele quem autorizou os navios para mim”, disse Trump. “Lembra que eu disse que eles estavam me dando um presente? E todos disseram: ‘Qual presente? Besteira.’ Quando ouviram sobre isso, ficaram quietos, e as negociações estão indo muito bem”.
Trump também afirmou que já houve “mudança de regime” no Irã após a morte do líder supremo de longa data Ali Khamenei e de outros altos funcionários no início da guerra e em ataques posteriores.
“As pessoas com quem estamos lidando são um grupo totalmente diferente de pessoas. [Eles] são muito profissionais”, disse.
Ele também reiterou ao jornal que Mojtaba Khamenei, filho de Khamenei e apontado como novo líder supremo, pode estar morto ou gravemente ferido.
“O filho está morto ou em condições extremamente graves”, disse Trump. “Não ouvimos nada dele. Ele desapareceu”.
Já Teerã insiste que o chefe de Estado está seguro, após sua ausência pública alimentar especulações de que teria sido gravemente ferido.
TN Petróleo - RJ 31/03/2026
A BRAVA Energia anuncia o início da campanha de perfuração de quatro novos poços: dois em Papa-Terra, na Bacia de Campos, e outros dois no Campo de Atlanta, na Bacia de Santos. As atividades serão desenvolvidas por meio da sonda submersível de perfuração em águas ultraprofundas, Lone Star, operada pela Constellation, e a previsão é que sejam concluídas no primeiro trimestre de 2027.
O cronograma previsto seguirá da seguinte forma: de março a setembro deste ano, serão perfurados os dois primeiros poços em Papa-Terra. Depois, os poços serão conectados com o primeiro óleo previsto para o quarto trimestre de 2026. Em outubro, será realizada a transferência da sonda para a perfuração dos dois poços de Atlanta, com a conexão dos poços e primeiro óleo previstos para o segundo trimestre de 2027.
A BRAVA planejou um capex otimizado para a campanha integrada dos campos, sendo 65% para Atlanta e 35% para Papa-Terra. Para a realização dessas atividades, a companhia já contará com os fornecedores McDermott, SLB, Baker Hughes, OneSubsea e Prysmian.
"Com a implementação desses novos poços, avançaremos na captura de valor dos nossos ativos aumentando a produção, maximizando a eficiência da infraestrutura existente e reduzindo o custo por barril, o que reforça a resiliência e a competitividade do nosso portfólio", afirma o diretor de operações offshore, Carlos Travassos (foto).
O campo de Papa-Terra é um ativo de produção de petróleo pesado localizado na Bacia de Campos (bloco BC-20), a cerca de 110 km da costa do Rio de Janeiro e 1.200 metros de lâmina d'água. Operado pela BRAVA, o campo produz com uma plataforma TLWP e um FPSO, focando na revitalização da produção.
Já o campo de Atlanta encontra-se em uma lâmina d'água de 1.500 metros e é operado pela BRAVA com 80% de participação, em parceria com a Westlawn Americas Offshore (20%), através do FPSO Atlanta.
Recordes de produção - Em 2025, a BRAVA renovou seu recorde de produção média diária. Foram mais de 81 mil barris por dia de óleo equivalente no ano, um aumento de 46% em relação a 2024, com destaque para Papa-Terra e Atlanta, que registraram os seus melhores resultados anuais históricos de produção e eficiência operacional.
Diário do Comércio - MG 31/03/2026
Cerca de 1,17 milhão de habitantes em 24 cidades deverão ser impactados pela concessão das rodovias BR-116 e BR-251, no trecho conhecido como Rotas Gerais, no Norte de Minas Gerais. A transferência da responsabilidade será decidida em leilão realizado pelo Ministério dos Transportes nesta terça-feira (31). Diversas melhorias são aguardadas após a definição, incluindo a duplicação de trechos (veja abaixo).
De acordo com a pasta, o certame será feito na B3, bolsa de valores oficial do Brasil, e prevê investimentos de R$ 13,16 bilhões ao longo do contrato. Ao todo, o projeto abrange cerca de 735 quilômetros de rodovias federais que conectam polos econômicos do Norte do Estado. A rota comporta 24 municípios, com população estimada em 1,17 milhão de habitantes e Produto Interno Bruto (PIB) conjunto de aproximadamente R$ 26,6 bilhões.
Infraestrutura e intervenções previstas
O contrato estabelece um conjunto de obras de ampliação e modernização da malha viária. Entre as intervenções previstas estão a duplicação de 186,6 quilômetros de trechos rodoviários, a implantação de 160 quilômetros de faixas adicionais, a construção de vias marginais e contornos urbanos, a instalação de passarelas para pedestres e a implantação de dois Pontos de Parada e Descanso (PPDs).
A concessão terá prazo de 30 anos, com execução de melhorias estruturais e operação dos serviços ao longo do período.
Modelo de concessão e estrutura regulatória
A concessão foi aprovada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em dezembro de 2025, com a definição do leilão para março deste ano. O modelo adotado combina menor tarifa com curva de aporte, incluindo mecanismo de reclassificação tarifária para ampliação da capacidade da rodovia.
O projeto incorpora diretrizes da nova etapa de concessões federais, como tarifas diferenciadas entre pista simples e duplicada, desconto para usuários frequentes, previsão de programa de neutralidade de carbono, mecanismos de infraestrutura resiliente e nova modelagem de alocação de riscos contratuais.
Trecho estratégico no Norte de Minas
O lote inclui a BR-116, no segmento entre Governador Valadares e a divisa com a Bahia, e a BR-251, no entroncamento até Montes Claros. Com a concessão, a estimativa é de geração de aproximadamente 127,5 mil empregos diretos, indiretos e por efeito-renda ao longo da execução do contrato.
Gov.br - DF 31/03/2026
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou, nesta segunda-feira (30), a entrega de 158 máquinas e equipamentos agrícolas a 141 municípios do Rio Grande do Sul. A cerimônia ocorreu na sede da Superintendência de Agricultura e Pecuária no Estado (SFA-RS), em Porto Alegre. Até abril, outros 20 equipamentos serão entregues, totalizando 178 máquinas.
A iniciativa integra o Programa Nacional de Modernização e Apoio à Produção Agrícola (Promaq), voltado à modernização do setor agropecuário, ao aumento da produtividade e à redução das desigualdades regionais, por meio da mecanização no campo. O evento também marcou um ano de criação do programa, instituído em fevereiro de 2025 pela Portaria nº 775.
Na ocasião, o subsecretário de Orçamento, Planejamento e Administração do Mapa, Fernando Soares, destacou o caráter estruturante do Promaq e a articulação entre os entes federativos e o Legislativo. “Em 2025, editamos uma portaria que instituiu o Promaq. É um programa que, a princípio, será permanente, com a atuação conjunta entre o Executivo federal e as esferas local, regional e municipal, além dos parlamentares. Essa confluência de interesses é importantíssima”, disse.
Foram entregues basculantes de 12 m³ e 6 m³, escavadeiras hidráulicas, motoniveladoras, pás carregadeiras, caminhões-pipa de 10 mil e 20 mil litros, retroescavadeiras e rolos compactadores. Os equipamentos serão destinados a municípios das regiões Metropolitana de Porto Alegre, Caí/Sinos, Litoral, Vale do Paranhana, Costa Doce/Centro Sul, Zona Sul, Central, Fronteira Oeste, Missões, Celeiro/Frederico Westphalen, Alto Uruguai, Norte do Estado, Planalto, Planalto Médio, Serra, Vale do Rio Pardo, Vale do Taquari e Centro Serra.
Os equipamentos foram adquiridos pelo Mapa com recursos de emendas parlamentares.
Ao abordar a origem da estratégia, o superintendente de Agricultura e Pecuária, José Cleber Dias, destacou o protagonismo do estado. “O Rio Grande do Sul foi o primeiro estado onde se realizaram essas entregas, e essa experiência ajudou a subsidiar a elaboração do Promaq, estruturado a partir de 2025”, evidenciou.
Entre os municípios contemplados, o prefeito de Sete de Setembro, Nelson Palinski, destacou os impactos diretos da iniciativa. “Estamos recebendo uma motoniveladora que vai beneficiar vários produtores rurais do nosso município, melhorando as estradas gerais e vicinais. Nosso município é pequeno, com 1.882 habitantes, e essa máquina chega em boa hora para que os produtores possam usufruir desse equipamento”, afirmou.
Com a nova entrega, os municípios gaúchos já receberam mais de 400 máquinas e equipamentos por meio do programa.
1 ANO DE PROMAQ
Neste primeiro ano do Promaq, mais de 3 mil máquinas foram entregues a cerca de 1.700 municípios brasileiros, impactando aproximadamente 2 milhões de produtores rurais.
O subsecretário Fernando Soares também destacou a importância do uso das máquinas nos municípios. “Nosso compromisso é ser eficiente não para nós, mas para vocês, para que as prefeituras utilizem essas máquinas de forma sustentável, atendam o pessoal do campo e gerem resultados reais. É isso que esperamos”, disse.
A coordenadora-geral do programa, Luciana Kauara, ressaltou o impacto da iniciativa no desenvolvimento dos territórios. “Quando instituímos o programa, tínhamos um propósito claro: transformar a mecanização em um instrumento real de desenvolvimento em todo o território nacional”, afirmou.
Segundo ela, o Promaq vai além da entrega de equipamentos. “Não se trata apenas de um programa de máquinas, mas de transformação territorial. O desenvolvimento não se faz apenas com discurso, mas com estrutura, responsabilidade e presença nos municípios”, destacou. “Os resultados já podem ser observados, com o investimento público se convertendo em benefícios concretos para os produtores do Rio Grande do Sul”, completou.
Globo Online - RJ 31/03/2026
O Banco do Brasil avalia novas medidas de alívio financeiro para produtores rurais afetados pela guerra no Irã, em um movimento que pode pressionar o balanço e reacender a necessidade de venda de ativos ou de um aumento de capital.
Uma das opções em discussão no banco estatal, maior financiador do agronegócio no país, é estender os prazos dos empréstimos, permitindo que os produtores adiem parte dos pagamentos para o fim dos contratos existentes, em vez de suspender as obrigações de forma integral, segundo uma pessoa com conhecimento do assunto.
No ano passado, o Banco do Brasil conseguiu evitar um aumento de capital quando a inadimplência em sua carteira de crédito agrícola disparou, forçando a renegociação de R$ 35,5 bilhões em dívidas de produtores afetados por secas, enchentes e outros eventos climáticos adversos.
A pressão sobre o balanço do banco diminuiu no fim do ano, com o aumento das receitas provenientes de crédito consignado privado, mas o risco de um aumento de capital ainda persiste, segundo três pessoas familiarizadas com a situação. O banco também avalia a venda de ativos para reforçar o capital, de acordo com três diferentes pessoas familiarizadas com o assunto.
As opções incluem mudanças no modelo de negócios de seguros e um possível IPO da sua unidade de cartões, a Elo.
O índice de inadimplência acima de 90 dias do banco subiu para 5,17% ao fim de 2025, ante 3,16% um ano antes, impulsionado principalmente pelas carteiras de agronegócio e cartões de crédito. A inadimplência no setor rural atingiu 6,09%, com alta de 1,25 ponto percentual apenas no quarto trimestre, levando a maiores provisões.
No início deste ano, o Banco do Brasil solicitou ao Ministério da Fazenda o adiamento de pagamentos ao Tesouro. A instituição pediu para postergar R$ 1,8 bilhão devidos em 2026 e 2027 para 2029. A CEO, Tarciana Medeiros, afirmou que a medida faz parte de um plano “prudencial” de gestão de capital.
Impacto da guerra
O Banco do Brasil avalia se as interrupções no transporte marítimo global — especialmente os riscos ao fluxo pelo Estreito de Ormuz — podem elevar os custos para exportadores brasileiros de commodities e eventualmente exigir medidas de alívio, segundo uma pessoa a par do assunto.
Executivos monitoram de perto as próximas 12 semanas como uma janela-chave para avaliar se o conflito irá afetar significativamente as rotas globais de comércio. Por ora, as exportações brasileiras seguem ocorrendo, embora o aumento nos preços do diesel já tenha elevado os custos de transporte.
Novas medidas de alívio poderiam ajudar Lula a reduzir tensões com o agronegócio antes das eleições, mas também podem reacender preocupações sobre o uso de bancos públicos para atingir objetivos de política econômica em detrimento da solidez do balanço.
Todas as fontes falaram sob condição de anonimato devido à sensibilidade do tema. O Banco do Brasil não respondeu imediatamente a pedidos de comentário.
O Banco do Brasil há muito atua como um instrumento-chave do governo para financiar o vasto setor agrícola brasileiro, que responde por quase um quarto do Produto Interno Bruto. Esse papel é especialmente relevante para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que historicamente enfrenta dificuldades para conquistar apoio do agronegócio e agora encara uma disputa eleitoral apertada contra o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O banco também enfrenta um ambiente operacional mais desafiador. Uma regra do Banco Central implementada no ano passado exige que os bancos constituam provisões antecipadas para perdas esperadas e deixem de reconhecer juros sobre créditos inadimplentes.
Embora o Banco do Brasil tradicionalmente seja mais conservador que seus pares, registrando provisões mais elevadas, essa postura foi relaxada mais recentemente na tentativa de sustentar a rentabilidade. A mudança regulatória agravou uma tendência mais ampla de aumento da inadimplência.
GauchaZH - RS 31/03/2026
Na virada de roteiro trazida pela realidade de mercado, a indústria de máquinas agrícolas voltou a revisar, para baixo, as projeções para 2026. Agora, a Abimaq aponta uma retração de 8% na receita das vendas. Três pontos percentuais a mais do que o estimado anteriormente.
Os números projetados e os já consolidados foram apresentados pela entidade nesta segunda-feira (30). No 1º bimestre, a receita do setor recuou 17% na comparação com 2025, com R$ 8,07 bilhões.
Presidente da Câmara de Máquinas Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão afirma que o desempenho negativo está diretamente ligado à perda de rentabilidade no campo. Queda no preço das commodities, taxa de câmbio menor, juros elevados e alta inadimplência no campo são fatores que ajudam a explicar o cenário de dificuldade de investimentos neste ano.
— A única coisa positiva é a safra (no Brasil), que deve ser recorde, com produtividade alta. Mas a queda de preço foi maior do que o ganho de produção — analisa ainda Estevão.
O executivo também alerta para fatores adicionais que podem pressionar o setor ao longo do ano, como os desdobramentos de conflitos internacionais sobre custos de produção.
— No caso da guerra do Oriente Médio, os efeitos só aparecerão a partir (dos dados) de março.