Clipping Diário

28 | Agosto | 2025

SIDERURGIA

Globo Online - RJ   28/08/2025

Enquanto o aço exportado para os EUA enfrenta a sobretaxa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump, o aumento das importações do produto no Brasil tira espaço da produção nacional no mercado interno e pode causar uma perda de até 37,6 mil empregos nas siderúrgicas brasileiras.

A projeção é do Instituto Aço Brasil, entidade que representa as indústrias do setor no país, que empregam 117 mil pessoas.

Presidente do Conselho Diretor da entidade, André Gerdau Johannpeter destacou, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, que, somente entre janeiro e julho deste ano, o volume de importações de aço subiu 40%, variando de 457 mil toneladas a 3,6 milhões de toneladas. O volume representa 30% do consumo interno.

— Entendemos que a importação faz parte, mas dentro de um número razoável, que é o histórico de 10% a 12% (do consumo interno). E há ainda 6,1 milhões de toneladas em produtos que contêm aço, como máquinas e veículos, que poderiam estar sendo fabricados no Brasil — afirmou o executivo, que também é presidente do Conselho de Administração da siderúrgica Gerdau.

Alta capacidade ociosa

Johannpeter também apontou que, atualmente, a indústria siderúrgica nacional opera com 66% da capacidade, "muito abaixo" dos 80% esperados para o setor. Nesse cenário, o Aço Brasil estima que, se as importações continuarem em trajetória ascendente, o uso da capacidade produtiva pode baixar a 40%, forçando as siderúrgicas a eliminar cerca de 37 mil empregos.

Em contrapartida, caso as indústrias consigam alcançar 80% de capacidade, 17 mil vagas poderiam ser abertas, estimou o executivo.

O cenário é ainda mais pressionado com as tensões entre os Estados Unidos e o Brasil, desde a imposição pelo presidente americano de tarifas de 50% sobre exportações brasileiras. A indústria do aço, porém, enfrenta taxas específicas. Em março, passaram a valer 25%. Em junho, o percentual alcançou 50%.

— A situação não está sustentável. Nosso maior desafio é com a importação, com risco de desemprego e investimentos, que podem ser postergados ou até cancelados, a depender da empresa — afirmou o executivo.

Exportadores de gusa articulam clientes nos EUA

Enquanto isso, os produtores de ferro-gusa do Brasil que exportam o aço semi-acabado para os EUA têm mantido conversas com compradores americanos à medida em que as tensões comerciais aumentam as preocupações sobre os embarques dessa commodity essencial para a produção de aço em solo americano.

Até o momento, o ferro-gusa tem sido poupado das tarifas americanas mais pesadas impostas a alguns produtos brasileiros. Mas conversas entre produtores e compradores estão em andamento e provavelmente haverá negociações contratuais caso a commodity enfrente tarifas mais altas, disse Silvia Nascimento, sócia da produtora de metais Grupo Ferroeste e diretora-executiva da siderúrgica Aço Verde do Brasil.

— É perfeitamente compreensível que esse imposto (de importação) seja de responsabilidade do cliente americano. Mas, se as coisas mudarem, eles vão querer sentar e negociar (preço) — disse ela às margens de uma conferência do setor em São Paulo.

Enquanto o presidente americano Donald Trump impôs tarifa de 50% sobre alguns produtos brasileiros, o ferro-gusa ficou na lista de exceções, com uma taxa de 10%. O Brasil é o maior fornecedor do material para os Estados Unidos.

Cerca de um terço das exportações de ferro-gusa do país no primeiro semestre deste ano teve como destino o mercado americano, segundo dados do governo.

Mesmo que o ferro-gusa tenha sido favorecido por enquanto, Silvia Nascimento ainda teme que as relações entre os dois países possam “se deteriorar”.

A executiva viajará em outubro para se reunir com clientes e discutir a inclusão de uma cláusula contratual para tratar da questão tarifária. A Ferroeste exporta 140 mil toneladas de ferro-gusa por ano para os Estados Unidos.

Valor - SP   28/08/2025

Tarifa menor reduziu risco de paralisações em fábricas e trouxe alívio às exportações, mas companhia alerta que compradores norte-americanos já falam em renegociação de contratos

O setor de ferro-gusa brasileiro respira com mais tranquilidade após a decisão do governo americano de aplicar apenas 10% de tarifas sobre as importações do insumo, em vez dos 50% definidos para outros produtos minerais. A medida reduziu o risco de paralisações de plantas e trouxe um alívio imediato às exportações, mas a Aço Verde Brasil alerta que compradores nos Estados Unidos já manifestaram a intenção de renegociar contratos, caso haja uma revisão da alíquota.

A avaliação foi feita por Silvia Nascimento, presidente da companhia e uma das acionistas do grupo Ferroeste, durante o congresso Aço Brasil, em São Paulo. Segundo a executiva, a indústria americana depende fortemente do ferro-gusa brasileiro, o que teria sido determinante para a diferenciação da tarifa.

“Ficamos fora das tarifas mais altas em função da dependência das usinas americanas do ferro-gusa brasileiro. Eles [os clientes] que foram junto ao governo e pediram a isenção. E a gente ouviu isso de todo mundo, quem tem que defender o importador é o cliente americano. Ele tem poder perante o governo americano de pedir essa isenção para não prejudicar a cadeia de produção. Então, ficou muito clara a importância e a dependência que as usinas americanas têm do gusa brasileiro”, disse.

A Aço Verde Brasil exporta cerca de 240 mil toneladas de ferro-gusa por ano, das quais 140 mil têm como destino os Estados Unidos e 100 mil vão para a Europa. Entre os principais clientes do segmento, estão empresas como Nucor, NorkStar, Steel Dynamics e Big River.

Segundo Nascimento, hoje o setor considera pacificado que o custo da tarifa de 10% recai sobre o importador, ou seja, sobre os clientes americanos, que se mostraram dispostos a absorver o impacto. No entanto, o risco de uma escalada nas tensões entre Brasil e Estados Unidos preocupa, e os parceiros estudam incluir cláusulas nos contratos em futura negociação.

A empresária pondera que, embora não haja um risco imediato, qualquer deterioração no relacionamento entre os países poderia trazer “um revés”, forçando rodadas de negociação. “Hoje, supostamente, não existe risco, mas vai que o relacionamento Brasil-Estados Unidos deteriore mais? A gente teria, na minha opinião, um revés, os clientes vão querer sentar conosco para renegociar”, afirmou.

Outro ponto de atenção é o nível de preços internacionais. Atualmente, o ferro-gusa é negociado a US$ 400 por tonelada (FOB), valor considerado insuficiente para remunerar os custos de produção. “Essa média não justifica a operação”, explicou a presidente da Aço Verde.

No caso da companhia, os embarques são realizados a cada dois meses pelo Espírito Santo, em contratos de dois anos indexados à fórmula da Fast Market.

Já na produção de aço, a Aço Verde enfrenta o mesmo cenário de ociosidade da siderurgia nacional. A capacidade instalada é de 600 mil toneladas por ano, mas a empresa deve fechar 2025 com algo em torno de 480 mil toneladas.

“Tomamos a decisão de não aumentar a produção porque não há demanda. O pouco crescimento que existe está sendo todo atendido por importados”, disse Nascimento.

A produção da companhia é voltada totalmente ao mercado doméstico, com 70% da demanda ligada à construção civil e 30% à indústria.

Petro Notícias - SP   28/08/2025

A 35ª edição do Congresso Aço Brasil, que está sendo realizado em São Paulo no Hotel Unique, confirma que ele é o mais importante evento da cadeia do aço no Brasil. Promovido pelo Instituto Aço Brasil, o evento que termina anda hoje (27) reúne lideranças empresariais, executivos e especialistas nacionais e internacionais para debater os rumos da indústria do aço em um cenário marcado por incertezas econômicas e geopolíticas. E o cenário que se apresenta nada de bom e nem tem o que se comemorar. Debaixo das tarifas americanas e ainda com a forte concorrência das importações chineses, que destroem as siderúrgicas brasileiras, o setor atravessa um calvário neste momento, ainda sem perspectivas favoráveis. A fala de diálogo do governo brasileiro com o governo dos Estados Unidos, só agrava o problema. O ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Conselheiro Emérito da Confederação Nacional da Indústria, Armando Monteiro, lembrou a resiliência da indústria brasileira do aço. “A indústria do aço é resultado do esforço de gerações. Esse patrimônio não pode ser ameaçado pelo atual surto de importações. É hora de proteger o que construímos e valorizar os ativos nacionais.”

Marco Polo de Mello Lopes, Presidente-Executivo do Aço Brasil, disse que “Estamos no limite, mas esperamos que, juntos, possamos superar essa crise e construir um futuro mais sólido para a indústria do aço no Brasil“, a mesma opinião de André Gerdau Johannpeter. O 1º painel da 35ª edição do Congresso Aço Brasil, discutiu os rumos do comércio internacional e seus reflexos sobre a indústria do aço brasileira. Sob o tema “Aço – Os Novos Desafios do Comércio Global: Fronteiras e Estratégias“, o debate foi moderado por André Gerdau, Presidente do Conselho Diretor do Aço Brasil e do Conselho de Administração da Gerdau: “É um dos anos mais conturbados das últimas décadas, marcado por conflitos Christopher Garman apresentou a visão da Eurasia sobre o cenário internacional, afirmando que estamos vivendo uma verdadeira “recessão geopolítica. Vivemos o que chamamos de policrise: vários choques simultâneos, da guerra comercial entre Estados Unidos e China aos conflitos na Europa e no Oriente Médio. Esse novo ambiente tem impacto direto sobre países emergentes como o Brasil e, naturalmente, sobre setores estratégicos, como o do aço.”

A “Conferência Especial: Brasil – Cenário Econômico e Político”, durante a O ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Armando Monteiro e o cientista político Murilo de Aragão alertaram, principalmente, para os riscos da instabilidade política, da condução ideológica da diplomacia e da falta de previsibilidade para o setor produtivo. “Temos hoje uma política monetária que pretende corrigir as disfunções da política fiscal, e isso impõe ao setor produtivo um custo elevadíssimo que se expressa na taxa de juros que o Brasil pratica. O país precisa encarar verdadeiramente essa agenda“, declarou Armando Monteiro. Aragão destacou que o Brasil vive em um estado quase permanente de crise desde 2013. “O Brasil tem vivido crises em série: fiscal, inflacionária, política e judicial. Entramos em um ciclo de rupturas e instabilidades que se prolonga até hoje. A pandemia gerou um impacto fiscal enorme, trouxe ainda mais populismo à política e intensificou a judicialização, algo que já vinha se desenhando. Esse conjunto de fatores se soma à tomada pelo Congresso de maior fatia do orçamento, que reduziu o espaço de decisão do Presidente da República”. Ele disse ainda que O Brasil foi jogado na arena da geopolítica e vai ter que se virar nesse novo jogo. Finalizou dizendo que “a falta de diálogo com os Estados Unidos e a ausência de presença em espaços de lobby internacional enfraquecem a posição do Brasil.”

Valor - SP   28/08/2025

A Câmara de Comércio Exterior aprovou também a aplicação de direito antidumping definitivo sobre as importações de fibras de poliéster da China, Índia, Tailândia e Vietnã

O governo, por meio da Câmara de Comércio Exterior (Camex), aprovou duas medidas para a proteção da indústria nacional. Foi aprovada a aplicação de direito antidumping definitivo sobre as importações de folhas metálicas de aço carbono da China e de fibras de poliéster da China, Índia, Tailândia e Vietnã.

O colegiado também decidiu pela aplicação de antidumping provisório, por até seis meses, sobre as importações de resinas de polietileno dos Estados Unidos e do Canadá.

"Todos os casos promovem a proteção da indústria nacional contra o comércio desleal", diz o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), em nota.

A Camex aprovou, ainda, a imposição de limites à importação de itens relativos a papel e vidro, a partir de valores propostos pelo Fórum Nacional de Economia Circular e pelo Comitê Interministerial para Inclusão Socioeconômica de Catadoras e Catadores de Materiais Reutilizáveis e Recicláveis. Questionado, o Mdic não informou sobre quais seriam esses limites. A Pasta diz que o documento com as informações completas ainda será divulgado.

Na mesma reunião, foram aprovadas reduções tarifárias para sete produtos, dentre eles insumos para a indústria de saúde, com redução a zero de alíquota de importação. A lista também não foi disponibilizada até o momento.

Por fim, o colegiado decidiu alterar a Resolução Gecex nº 633/2024, para incluir a Política de Subscrição de Riscos do Fundo Garantidor de Exportações (FGCE), remodelado pelo Plano Brasil Soberano, que foi lançado semana passada para fornecer garantia em linhas de crédito a empresas afetadas pelo tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros.

Valor - SP   28/08/2025

Novo presidente do conselho cita juros altos, economia fraca e importações como fatores de risco, e cobra previsibilidade

Em sua primeira entrevista como presidente do conselho de administração da Gerdau, André Gerdau Johannpeter soou um sinal de alerta para o setor siderúrgico brasileiro: a expectativa de desaceleração do consumo de aço no segundo semestre de 2025.

Eleito “chairman” da Gerdau em 10 de abril, André é graduado em administração de empresas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), faz parte da quinta geração da família fundadora do grupo e sucedeu um de seus primos, Guilherme Chagas Gerdau Johannpeter, que ocupava a posição desde 2020 - há um rodízio entre primos na presidência do colegiado.

Segundo o executivo, embora o mercado nacional opere em patamar de consumo historicamente elevado, com cerca de 26 milhões de toneladas anuais, já é perceptível uma retração da demanda entre os principais clientes industriais. “A preocupação é daqui para a frente. Já vemos, de alguns clientes, a redução do consumo no segundo semestre”, afirmou.

O executivo atribui várias causas a essa virada de tendência no consumo, como a elevada taxa de juros, o arrefecimento da economia doméstica, com projeções de crescimento menor do PIB, encarecimento do crédito e contenção dos investimentos. Esse cenário tende a se espraiar e atingir até mesmo setores que são grandes consumidores de aço, como automotivo, máquinas e equipamentos e eletroeletrônicos.

Soma-se a isso a projeção do Instituto Aço Brasil, que prevê uma leve queda de 0,8% na produção de aço bruto para o ano de 2025. Ao mesmo tempo, a entrada crescente de material importado, sobretudo da China, pressiona preços internos e aumenta os estoques, comprometendo as encomendas das usinas locais.

Nossa internacionalização já foi feita há muito tempo. Nosso foco é nas Américas”

— André Gerdau

André já passou pelo cargo de CEO da empresa por uma década. Em 2018, foi eleito vice-presidente do conselho de administração. Os tempos eram outros e o “fantasma chinês” do aço importado não assombrava o setor.

Hoje, a combinação de tensões comerciais e a enxurrada de importações coloca o setor siderúrgico brasileiro em meio a uma crise. As siderúrgicas brasileiras operam com 35% de capacidade ociosa, acima do que ele considera ideal, de 15% a 20%. Qualquer aumento nesse nível de ociosidade pode tornar o negócio inviável. “Estamos em um ponto de quase insustentabilidade”, disse.

Entre os pleitos do setor, está a demanda de que o governo federal sinalize algum tipo de ajuste na política de tarifas e benefícios fiscais, buscando equilibrar competitividade e proteção às indústrias.

As próximas semanas podem ser decisivas para revelar até que ponto o governo conseguirá alinhar suas ações às expectativas do setor siderúrgico. Também é cedo para medir os impactos sobre a desaceleração no consumo de aço no segundo semestre, embora qualquer sinal de reação positiva já seria celebrado em meio ao pessimismo de um segmento que atribuir parte dos males à “invasão” de produtos chineses.

Hoje, a companhia enfrenta momentos contrastantes entre Brasil e Estados Unidos. Enquanto amplia lucros e reduz capacidade ociosa no mercado americano, encolheu no Brasil, demitindo cerca de 1,5 mil trabalhadores apenas entre janeiro e julho. “São ciclos. Já houve períodos em que os melhores resultados vieram do Brasil. Agora, os melhores vêm da América do Norte”, disse.

Ele conta que a estratégia de internacionalização se mostrou acertada, já que as tarifas de importação de aço implementadas por Donald Trump beneficiam a empresa, que tem operações nos EUA.

Com cerca de metade do Ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) vindo do mercado americano, o plano é olhar para as Américas. “Nossa internacionalização foi feita há anos. Nosso foco é nas Américas”, disse. Outras geografias, por enquanto, estão fora dos planos.

Além da presidência do conselho da Gerdau, André acumula posições em entidades como o Instituto Aço Brasil e a Alacero (Associação Latino-americana do Aço). Reconhece que a interlocução com o governo é permeada por divergências internas entre ministérios, mas insiste na necessidade de uma política industrial que busque pontos em comum.

“A pior coisa para o empresário é a incerteza”, afirma. Ele diz que a siderúrgica, com 124 anos de história, está disposta a dialogar com qualquer governo, independentemente do espectro ideológico.

O estilo remete ao de seu pai, Jorge Gerdau, conhecido pela capacidade de transitar entre esferas de poder e pela proximidade com lideranças políticas. André parece querer seguir o mesmo caminho: manter influência, mas com foco na previsibilidade de regras, incentivos à inovação e carga tributária sustentável.

“Falando como [dirigente do instituto] Aço Brasil, trabalhamos em conjunto, como setor. Vamos ao governo, apresentamos as pautas, mostramos por que precisamos das defesas comerciais. Em algumas coisas, somos atendidos; em outras, não ou parcialmente”.

O executivo sabe que dentro da Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), há vários interesses e opiniões que nem sempre convergem. Apesar das contradições, a postura é de prudência e conciliação, esperando que as negociações avancem.

Outra questão envolve segmentos industriais parceiros: de um lado, as siderúrgicas pedem medidas mais rígidas contra a “invasão” do aço estrangeiro; de outro, consumidores defendem acesso a insumos mais baratos. Antes da pandemia, as importações giravam em torno de 2,2 milhões de toneladas (10% de penetração). Hoje, alcançam 6,3 milhões de toneladas, ou 22% do mercado.

Ele defende uma união das cadeias produtivas em defesa da indústria, já que os setores de máquinas e equipamentos e veículos, por exemplo, também sofrem os mesmos efeitos da penetração de produtos asiáticos a preços baixos.

Ainda dentro do campo político, ele vê avanços na reforma tributária, mas mantém a preocupação com o peso da carga, que pode chegar a 27% ou 28%. “Uma taxa sustentável estaria na casa de 18% a 20%”, estima.

Na agenda setorial, reforça a defesa por medidas contra importações predatórias, estímulo à inovação e crédito de longo prazo.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   28/08/2025

Nas conversas que tenho mantido com empresários e, principalmente, com professores universitários de Direito e Economia, há um consenso de que o presidente Lula perdeu as condições de negociar o “tarifaço” com o presidente Trump, como fizeram outros países.

A essa altura, parece que o melhor caminho é a sociedade brasileira encontrar uma solução, pois o presidente Lula acredita estar crescendo politicamente por “defender a soberania brasileira”. Ora, no caso do Brasil, soluções para reduzir os efeitos negativos do “tarifaço” devem ser negociadas, segmento por segmento, com empresários americanos que têm acesso à Casa Branca.

Essa ação se faz necessária, já que a política do governo de “dobrar a aposta” de forma permanente está trazendo sérios problemas para todos.

Em outras palavras, o povo, a sociedade, empresas, economistas e professores universitários precisam abrir um caminho fora da esfera do poder público para conseguir mitigar os efeitos negativos sobre a economia brasileira. É preciso defender o bem-estar do povo, os empregos, combater a inflação e permitir o desenvolvimento.

A impressão que tenho é de que, desse modo, algo será conquistado. Há setores que estão melhorando. Percebe-se que a indústria de carne e café são capazes de conseguir redução das tarifas. Outras empresas e setores já conseguiram o mesmo, o que serve de precedente. Além disso, a redução de tarifas também afeta a economia americana, o que pode facilitar um acordo.

É certo que a estratégia do presidente Trump de criar uma tarifa para depois acordar sua diminuição pode ter provocado negociações com todos os países. A ideia não era punir as outras nações, mas sim obrigá-las a reduzir suas tarifas.

No nosso caso, porém, a intenção pareceu ser a de punir. Temos uma das mais altas tarifas alfandegárias do mundo, superando inclusive a Índia. Em última análise, o Brasil é uma nação que impõe muitos tributos, mas não quer que os mesmos lhe sejam impostos.

A solução deve, portanto, vir do setor privado, do povo e da sociedade. Isso porque o governo perdeu as condições de diálogo com a sua política de “dobrar a aposta”.

Estou convencido de que, apesar do momento complicado que enfrentamos, teremos que manter os juros em um patamar elevadíssimo; em 10% ao ano, em termos reais. E temos esse juro real elevado porque não se confia que o Brasil, com o endividamento que segue crescendo no governo do presidente Lula, terá condições de pagar a dívida. Juro real é o ganho que, de fato, se obtém sobre a aplicação do dinheiro.

Embora a dívida brasileira ainda seja inferior a dos Estados Unidos, a economia deles é a mais forte do mundo. No entanto, a dívida do Brasil é, talvez, a maior entre os países em desenvolvimento.

Ora, se eu tenho dinheiro e não confio em um país, só vou arriscar meu capital se houver juros elevados. Ao dar juros altos, o país amplia a atração de investimentos. Por isso, os juros reais de 10% no nível do sistema financeiro são elevadíssimos, até porque o Brasil, em vez de ser um país de investimento, é um país de especulação.

Os países são divididos em investidores e especulativos. Nós, por exemplo, estamos em terceiro grau em nível especulativo. As pessoas percebem que a má administração da política econômica prejudica o povo, a nação, o desenvolvimento e o crescimento.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, está realizando uma política econômica de certo modo adequada. Ele é o verdadeiro responsável por segurar a inflação, enquanto o presidente Lula aumenta a pressão sobre ela.

Por isso, me parece fundamental que os setores privados, com acesso a empresários estadunidenses, que tenham trânsito na Casa Branca, trabalhem intensamente, setor por setor, conforme a necessidade de cada um, para conseguir a redução de tarifas, o que algumas empresas já obtiveram e que outras estão em vias de conseguir. Isso seria bom para o Brasil e aliviaria um pouco a situação.

Não tenho esperança de que o governo Lula mude de atitude, pois parece que ele ganhou alguma aprovação ao “defender a soberania nacional” contra os Estados Unidos, além da divulgação da narrativa dos “pobres contra os ricos” e de que os ricos devem ser punidos pelos pobres.

Fato é que todos os países que negociaram, conseguiram baixar as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. O Brasil é o único que não consegue negociar, pois o discurso político está influenciando diretamente o discurso econômico.

IstoÉ Dinheiro - SP   28/08/2025

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta quarta-feira que a convergência da inflação à meta de 3% está ocorrendo de maneira lenta, com projeções da autoridade monetária e do mercado para os preços nos próximos anos ainda fora do alvo.

Em evento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em São Paulo, Galípolo afirmou que esse cenário tem demandado do BC uma política monetária mais restritiva, ressaltando que a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, deve permanecer por período prolongado nesse patamar.

“A gente está num cenário de ter descumprido a meta e com expectativas e projeções do Banco Central e do mercado que ainda (mostram que) essa convergência está se dando de uma maneira lenta para a meta de inflação”, disse.

Galípolo enfatizou que o alvo perseguido pelo BC é o centro da meta de 3%, ressaltando que a banda de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos tem o objetivo de amortecer efeitos de eventuais surpresas.

Agentes de mercado têm melhorado gradualmente as expectativas para a inflação, mas ainda esperam que o índice de preços fique acima da meta neste e nos próximos anos, prevendo altas de 4,86% em 2025, 4,33% em 2026 e 3,97% em 2027, segundo o mais recente boletim Focus.

O BC, por sua vez, projetou em julho que a inflação ficará em 4,9% neste ano e 3,6% em 2026.

No evento, Galípolo disse que o mercado de trabalho no Brasil segue forte, mesmo diante dos juros elevados, e a economia está resiliente.

O presidente do BC afirmou que a inflação começou a dar alguns sinais positivos com ajuda da valorização do real frente ao dólar, mas ponderou que a autarquia observa o cenário com parcimônia e não pode se emocionar com um dado pontual.
As incertezas diante do BC

No mesmo evento, Galípolo disse que o real vem se apreciando a um ritmo mais forte do que seus pares ao longo deste ano e o mercado de câmbio tem se comportado muito bem do ponto de vista de liquidez e funcionalidade.

O presidente do BC reafirmou que o câmbio flutuante é uma das principais linhas de defesa da economia do país. Acrescentou que investidores globais continuam em busca de ativos no mercado dos EUA, mas os agentes buscam mitigar riscos de desvalorização do dólar, crescendo posições de hedge, algo que não era tão comum.

Nesse ambiente, segundo ele, fica ainda mais difícil prever o que vai acontecer com o câmbio.

O Estado de S.Paulo - SP   28/08/2025

O presidente americano, Donald Trump, mantém os seus ataques à economia americana, sob a omissão do Poder Judiciário e a complacência do mercado financeiro internacional. A dúvida é se apenas os Estados Unidos pagarão a conta pelos seus erros ou se ele provocará tanta instabilidade que levará o mundo à reboque.

Trump já subiu tarifas, desorganizou o comércio externo, ofendeu aliados históricos, expulsou imigrantes, demitiu a presidente do órgão responsável pelas estatísticas econômicas e agora, após meses de insultos e pressões sobre Jerome Powell, o presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), executou uma ordem de demissão ilegal contra Lisa Cook, a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira no conselho de diretores da autoridade monetária.

Isso para ficar apenas em uma pequena lista de barbaridades cometidas por Trump em poucos meses de mandato. O que mais impressiona sobre a situação americana é a complacência da Justiça e a incapacidade de o mercado financeiro enxergar esse risco.

Trump quer mandar no Fed para que os juros caiam pela sua vontade, ainda que a inflação esteja acima da meta, e ainda que todas as suas políticas coloquem pressão sobre os preços. Ao perseguir imigrantes, ele diminui a oferta de mão de obra. Ao subir tarifas, encarece produtos importados. Ao colocar o Fed sob a sua mira, enfraquece o dólar e afeta as expectativas de inflação.

O Brasil conquistou a independência do BC a duras penas, após anos de forte resistência do Partidos dos Trabalhadores e de outros partidos de esquerda. A proposta, aprovada pelo Congresso na gestão de Jair Bolsonaro, se mostrou crucial para a estabilidade monetária durante a transição entre os dois governos e a tentativa de golpe de Estado do 8 de janeiro.

Nos EUA, é a extrema direita trumpista que coloca a independência sob risco. Resta saber qual seria a reação dos investidores se um presidente democrata tivesse audácia semelhante. Ao que parece, há dois pesos e duas medidas com a precificação de risco pelo mercado.

Como apontou o economista Paul Krugman, Trump aproxima os EUA da economia da Turquia, onde o autocrata Recep Tayyip Erdogan interveio no BC e levou o país a uma inflação de 85%. Ninguém espera que o nível de preços nos EUA chegue a esse patamar, mas a simples desconfiança já pressionou as curvas de juros de longo prazo.

Lisa Cook disse que sua demissão é ilegal e prometeu brigar na Justiça para permanecer no cargo. Sua luta será decisiva não só para os EUA, mas para toda economia mundial.

IstoÉ Dinheiro - SP   28/08/2025

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Nova York, John Williams, afirmou, em entrevista à CNBC nesta quarta-feira, 27, que todas as reuniões a partir de agora “estão na mesa” para um possível corte de juros, a depender dos dados disponíveis. Segundo ele, os riscos para os mandatos de inflação e de emprego estão ficando mais equilibrados, o que torna “apropriado eventualmente normalizar a política monetária”.

Williams notou que a redução das taxas de juros para uma instância mais neutra poderá depender de uma desaceleração maior da inflação ou de uma deterioração na economia, embora tenha evitado estimar qual seria o nível R* – em que os juros não estimulam ou apertam a atividade.

O dirigente ponderou que, no momento, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA sinaliza uma desaceleração mais forte, conforme a economia se ajusta ao ambiente pós-pandemia e mudanças nas políticas comerciais. Contudo, ele descarta preocupações sobre uma estagnação ou deterioração significativa.

Já o mercado de trabalho segue sólido, com arrefecimento suave em alguns índices. Williams notou que a taxa de desemprego continua oscilando em níveis historicamente baixos e que a contratação mais lenta reflete menos demanda, mas também menos oferta devido a novas políticas de imigração. “O avanço salarial, por outro lado, continua com crescimento consistente e é um bom indicador de solidez”, disse.

Ao ser questionado sobre preocupações com o payroll, Williams afirmou que podem existir outros indicadores melhores para avaliar a economia e o mercado de trabalho, citando como exemplo os pedidos semanais de auxílio-desemprego.

Sobre a inflação, o dirigente ressaltou que os preços continuam em queda gradual, mas em ritmo muito lento. Williams disse que ainda monitora de perto a inflação de serviços e que viu certo alívio em preços de moradias, mas ponderou que é difícil estimar o quanto as tarifas estão afetando outros setores.

Williams reiterou que a política monetária segue moderadamente restritiva e que um corte de juros não necessariamente irá alterar esse quadro no futuro.

O dirigente defendeu a cautela ao calibrar as taxas, lembrando que o Fed pode ser surpreendido pelos dados e precisa ser guiado por eles ao tomar decisões.

Monitor Digital - RJ   28/08/2025

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desenvolveu três novos produtos com o objetivo de trazer soluções inovadoras para o financiamento de grandes projetos de infraestrutura no país. “Eles compõem o chamado Pacote de Estabilização de Funding para Infraestrutura (PEFI) e foram elaborados levando em conta o atual cenário de alta de juros”, explicou em nota nesta quarta-feira (27) o banco de fomento.

“O país está num super ciclo de infraestrutura. É duplo dígito: cresceu 20% em 2023, cresceu 16% no ano passado. Porém, com as taxas de juros no patamar atual, custo de capital é um elemento central na tomada de decisão do investidor”, observa Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES.

Os três novos produtos – Taxa Flexível, Pré-Anuência para Cancelamento e Mini-Perm – buscam mitigar os riscos que os juros altos trazem para a viabilidade dos projetos. Poderão ser operacionalizados tanto por meio de financiamento como por subscrição de debêntures estruturadas. O objetivo é afastar as incertezas sobre a capacidade das empresas captarem os recursos financeiros necessários para levar seus projetos até o fim.

“Como conseguimos esse pacote de estabilização? Permitindo uma flexibilização. Quando a taxa de juros cair, a gente oferece a possibilidade de repactuações ao longo do financiamento”, explica Luciana Costa.

Taxa Flexível

A Taxa Flexível contará com uma dotação orçamentária de R$ 5 bilhões. Ela é mais indicada para setores que tenham um longo ciclo de CapEX (Capital Expenditure – despesas de capital de uma empresa para adquirir, melhorar ou manter ativos físicos de longo prazo).

Nesse caso, o BNDES financia o projeto e, na integralização, a empresa poderá escolher entre custo financeiro pactuado no contrato, referenciado na Taxa de Longo Prazo (TLP), ou o custo financeiro vigente no momento, referenciado no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Pré-Anuência

Já a Pré-Anuência para Cancelamento envolve um aval prévio do BNDES para cancelamento de um subcrédito para dar lugar a uma futura emissão de títulos. Dessa forma, passados ao menos dois anos da contratação, a empresa poderá optar por captar recursos no mercado para substituir integralmente ou parcialmente o crédito ainda não desembolsado.

Essa substituição é limitada à 60% do valor total do financiamento e a nova emissão de títulos pode ser ancorada pelo próprio BNDES. Sem limite de dotação orçamentária, a Pré-Anuência é voltada para os setores de logística e transporte; mobilidade urbana; energia; e saneamento.

Mini-Perm

Diferente dos dois primeiros produtos, no Mini-Perm, o desembolso ocorre na fase inicial do projeto. É um empréstimo de médio prazo para até 5 anos, indicado para projetos cujo ciclo de CapEX é mais curto. A dotação orçamentária é de R$ 10 bilhões e o valor mínimo do financiamento é de R$ 40 milhões.

De forma concomitante, será dada uma garantia firme de longo prazo para a emissão de debêntures: o BNDES se comprometerá a comprar os títulos na totalidade, assumindo o risco de vendê-los posteriormente ao público. Dessa maneira, já fica definida a taxa de juros máxima que o projeto vai ter no refinanciamento. No vencimento do Mini-Perm, a empresa vai ter a opção de exercer essa garantia firme de longo prazo ou fazer uma nova opção a mercado, com as taxas e as condições vigentes naquele momento.

“A gente incentiva o cliente a acessar o mercado de capitais para refinanciar o projeto. Colocamos o incentivo no produto. É uma forma do BNDES cumprir o papel de estar no projeto quando ele está começando e tem mais risco. No final do Mini-Perm, o projeto provavelmente já está concluído ou está mais perto da conclusão. E aí o risco é menor, portanto, a tendência é que o acesso ao mercado de capitais seja maior”, explica Luciana Costa.

O Mini-Perm do BNDES foi desenhado observando as experiências internacionais. No entanto, foi preciso fazer adaptações para a realidade nacional. “Ele é um produto muito comum fora do Brasil. Mas lá fora, os bancos que dão o Mini-Perm têm apetite para correr o risco do refinanciamento. Aqui, a gente não podia desenhá-lo com esse risco, porque o nosso mercado de capitais é muito volátil. Então a gente dá garantia firme para não faltar o funding para o projeto até o final. O Mini-Perm do BNDES é um aperfeiçoamento do Mini-Perm que tem no mercado internacional”, avaliou a diretora do banco.

Receptividade

Os três produtos já estão sendo apresentados e discutidos com clientes e com agente do mercado. Segundo o superintendente da Área de Infraestrutura do BNDES, Felipe Borim Villen, a receptividade tem sido positiva. Ele destaca que os produtos foram pensados para operações estruturadas envolvendo grandes projetos.

“Alguns players têm postergado a decisão de investimento. Por isso, esse pacote de inovações é muito importante. Acho que pode ter impacto grande no mercado porque busca enfrentar esse cenário e permitir que os financiamentos de longo prazo sejam contratados, que o funding dos projetos seja equacionado de maneira completa”, afirma.

Investimentos em expansão – Até 2022, os financiamentos do BNDES para infraestrutura eram realizados com participação de 100% de recursos subsidiados. Essa lógica se alterou a partir de 2023, quando essa participação caiu para apenas 10%. Mesmo com essa mudança, a média anual de aprovações para projetos de infraestrutura dobrou, saltando de R$ 38 bilhões entre 2015 e 2022 para R$ 76,5 bilhões em 2023 e 2024.

Esse desempenho tem sido possível graças às inovações introduzidas pelo BNDES. “Crescemos muito fazendo Project Finance non-Recourse [modalidade de financiamento em que as únicas garantias são as receitas futuras do próprio projeto]. Antigamente a gente fazia tudo com a Finem [linha de crédito do BNDES para financiar empreendimentos]. Agora fazemos mais com debêntures. Então a gente coinveste com o mercado de capitais e com mercado privado”, explica Luciana Costa.

Os dados revelam uma ampliação do investimento em infraestrutura no país. Segundo o Livro Azul da Infraestrutura, publicado anualmente pela Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Indústrias de Base (ABDIB), foram R$ 260,6 bilhões em 2024. É o maior valor já registrado, superando em 15,3% o registrado no ano anterior. Diante da alta demanda por projetos de infraestrutura, os esforços do BNDES por inovação têm contribuído de forma decisiva para mobilizar maior participação o setor privado, oferecendo condições de financiamentos atrativas, com prazos adequados e condições seguras para a conclusão dos projetos.

CNN Brasil - SP   28/08/2025

A confiança da indústria do Brasil caiu em agosto para o menor patamar desde outubro de 2023 e registrou a maior queda mensal desde a pandemia de Covid-19, disse a Fundação Getúlio Vargas nesta quarta-feira 27.

O Índice de Confiança da Indústria caiu 4,4 pontos em agosto sobre o mês anterior, para 90,4 pontos, de acordo com a FGV, puxado tanto por uma queda na avaliação sobre a situação atual quanto nas expectativas para o futuro.

"A combinação entre a contração da política monetária e o aumento da incerteza, intensificada pelas novas taxações sobre produtos brasileiros, configura um cenário desafiador para o setor", disse o economista do FGV IBRE Stéfano Pacini.

"A queda da confiança da indústria em agosto reforça a tendência de insegurança entre os empresários", completou.

De acordo com a FGV, o ISA (Índice de Situação Atual) caiu 3,9 pontos, para 93,4 pontos, evidenciando a preocupação de alguns setores com o acúmulo de estoques, segundo Pacini.

Já o IE (Índice de Expectativas) teve queda de 4,9 pontos, para 87,6 pontos, com pessimismo do setor em todas as categorias de uso, principalmente em relação às perspectivas para um horizonte de tempo maior, de seis meses, disse ele.

"O resultado da sondagem está em linha com a complexidade da macroeconomia para o setor industrial no segundo semestre. Um cenário de contração da política monetária e de aumento da incerteza, em virtude das questões externas envolvendo Brasil e EUA, pode intensificar a desaceleração que já era esperada para o setor", disse Pacini.

O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, impôs tarifa comercial de 50% sobre uma série de importações brasileiras ao país.

Na cena local, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central manteve no final de julho a taxa básica de juros Selic em 15% ao ano, alertando que antecipa uma manutenção da taxa por período bastante prolongado, também pregando cautela diante de incertezas geradas pela tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros.

Agência Brasil - DF   28/08/2025

Impulsionada pelos juros, a Dívida Pública Federal (DPF) ultrapassou pela primeira vez a barreira de R$ 7,9 trilhões, apesar do vencimento de papéis prefixados. Segundo números divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Tesouro Nacional, a DPF passou de R$ 7,883 trilhões em junho para R$ 7,939 trilhões no mês passado, alta de 0,71%.

Em julho de 2024, o indicador superou pela primeira vez a barreira de R$ 7 trilhões. Mesmo com a alta no mês passado, a DPF continua abaixo do previsto. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado no início de fevereiro, o estoque da DPF deve encerrar 2025 entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões.

A Dívida Pública Mobiliária (em títulos) interna (DPMFi) subiu 0,66%, passando de R$ 7,581 trilhões em junho para R$ 7,631 trilhões em julho. No mês passado, o Tesouro resgatou R$ 31,04 bilhões em títulos a mais do que emitiu, principalmente em papéis prefixados. Apesar disso, a dívida interna subiu por causa da apropriação de R$ 80,94 bilhões em juros.

Por meio da apropriação de juros, o governo reconhece, mês a mês, a correção dos juros que incide sobre os títulos e incorpora o valor ao estoque da dívida pública. Com a Taxa Selic (juros básicos da economia) em 15% ao ano, a apropriação de juros pressiona o endividamento do governo.

No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 118,26 bilhões em títulos da DPMFi. No entanto, com o alto volume de vencimentos de títulos em julho, os resgates foram maiores e somaram R$ 149,29 bilhões.

A Dívida Pública Federal externa (DPFe) subiu 1,96%, passando de R$ 302,12 bilhões em junho para R$ 308,05 bilhões em julho. O principal fator foi a alta de 2,66% do dólar no mês passado, impulsionada pelo tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Colchão

Após uma alta em junho, o colchão da dívida pública (reserva financeira usada em momentos de turbulência ou de forte concentração de vencimentos) voltou a cair em julho. Essa reserva passou de R$ 1,03 trilhão em junho para R$ 988 bilhões no mês passado. O principal motivo, segundo o Tesouro Nacional, foi o resgate líquido (resgates menos emissões) no mês passado.

Atualmente, o colchão cobre 7,75 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,296 trilhão em títulos federais.
Composição

Com a concentração de vencimento de títulos prefixados, típica do primeiro mês de cada trimestre, a composição da DPF variou da seguinte forma de junho para julho:
Títulos vinculados à Taxa Selic: 48,16% para 49,25%; Títulos corrigidos pela inflação: 26,45% para 26,72%; Títulos prefixados: 21,57% para 20,16%; Títulos vinculados ao câmbio: 3,82% para 3,87%.

O PAF prevê que os títulos encerrarão o ano nos seguintes intervalos:
Títulos vinculados à Selic: 48% a 52%; Títulos corrigidos pela inflação: 24% a 28%; Títulos prefixados: 19% a 23%; Títulos vinculados ao câmbio: 3% a 7%.

Normalmente, os papéis prefixados (com taxas definidas no momento da emissão) indicam mais previsibilidade para a dívida pública, porque as taxas são definidas com antecedência. No entanto, em momentos de instabilidade no mercado financeiro, as emissões caem porque os investidores pedem juros muito altos, que comprometeria a administração da dívida do governo.

Em relação aos papéis vinculados à Selic (juros básicos da economia), esses títulos estão atraindo o interesse dos compradores por causa das recentes altas promovidas pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). A dívida cambial é composta por antigos títulos da dívida interna corrigidos em dólar e pela dívida externa.
Prazo

O prazo médio da DPF subiu de 4,14 para 4,16 anos. O Tesouro só fornece a estimativa em anos, não em meses. Esse é o intervalo médio em que o governo leva para renovar (refinanciar) a dívida pública. Prazos maiores indicam mais confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar os compromissos.
Detentores

A composição dos detentores da Dívida Pública Federal interna ficou a seguinte:
Instituições financeiras: 31,26% do estoque; Fundos de pensão: 23,49%; Fundos de investimentos: 21,73%; Não residentes (estrangeiros): 9,86% Demais grupos: 13,7%.

Mesmo com a tensão no mercado financeiro por causa do tarifaço, a participação dos não residentes (estrangeiros) oscilou para cima em relação a junho, quando estava em 9,84%. Em novembro do ano passado, o percentual estava em 11,2% e tinha atingido o maior nível desde junho de 2018, quando a fatia dos estrangeiros na dívida pública também estava em 11,2%.

Por meio da dívida pública, o governo pega dinheiro emprestado dos investidores para honrar compromissos financeiros. Em troca, compromete-se a devolver os recursos depois de alguns anos, com alguma correção, que pode seguir a Selic, a inflação, o dólar ou ser prefixada.

MINERAÇÃO

Valor - SP   28/08/2025

Novo executivo-chefe implementou mudanças dois dias após assumir o posto

O novo executivo-chefe da Rio Tinto reestruturou a liderança e as operações da mineradora, visando adotar uma “abordagem mais disciplinada”, apenas dois dias depois de assumir o comando da mineradora.

Simon Trott, um veterano da empresa que assumiu após a saída inesperada de Jakob Stausholm, reorganizou os negócios da companhia em três unidades principais, unindo as operações de alumínio e lítio em uma única divisão.

Trott também consolidou em uma única unidade os ativos de minério de ferro, que estavam distribuídos entre diferentes subsidiárias. As operações de cobre continuarão como a terceira linha independente.

A Rio Tinto vem sendo pressionada a cortar custos e Trott disse que as mudanças ajudarão a empresa a ter “um foco mais nítido nas maiores oportunidade que temos”.

Operações menores, como as de boratos (que abastece a indústria de detergentes) e de titânio, foram colocadas em análise para uma possível venda.

A Rio Tinto disse que a reorganização tem como objetivo melhorar os retornos para os acionistas, ao concentrar melhor suas operações e buscar oportunidades de sinergia entre diferentes linhas de negócios, como o processamento de alumínio e lítio.

Em um e-mail interno ao qual o “Financial Time” teve acesso, o novo presidente disse que há “oportunidades claras para fazer melhor”, acrescentando que as medidas criarão uma organização mais enxuta. “Somos uma companhia com uma história de orgulho e fundações sólidas. Agora é hora de liberar todo o potencial dos nossos ativos e da nossa equipe”, disse ele.

A Rio Tinto e suas concorrentes BHP e Fortescue estão enfrentando um crescimento mais lento na demanda das siderúrgicas chinesas, o que reduziu os preços do minério de ferro nos últimos dois anos.

Sob Stausholm, o CEO anterior da companhia, a Rio Tinto investiu bastante em lítio, incluindo a compra da Arcadium Lithium por US$ 6,7 bilhões.

A chefe de minerais da companhia, Sinead Kaufman, que chegou a ser cotada para o cargo de CEO, deixará a Rio Tinto em outubro. Kellie Parker, executiva-chefe na Austrália, que liderou os esforços da companhia para recuperar sua reputação após a destruição de um sítio indígena sagrado em 2020, também sairá.

Dentro dessas mudanças, Matthew Holcz foi nomeado chefe da unidade de minério de ferro anteriormente comandada por Trott, que inclui ativos na Austrália Ocidental, Canadá e Guiné.

Uma das primeiras tarefas de Trott será viajar para a Guiné, após a morte de um trabalhador na mina de minério de ferro de Simandou, em um acidente ocorrido na semana passada.

Jerome Pecresse, outro candidato interno ao cargo de CEO, continuará liderando a operação de alumínio, mas também ficará responsável pelo desenvolvimento das operações de lítio da empresa - um dos principais motores de seu crescimento -, que antes fazia parte da unidade de Kaufman.

CNN Brasil - SP   28/08/2025

Os preços do minério de ferro caíram nesta quarta-feira (27), pela segunda sessão consecutiva, com o aumento da oferta superando a forte demanda de curto prazo pelo ingrediente de fabricação de aço.

O contrato de janeiro do minério de ferro mais negociado na DCE (Bolsa de Mercadorias de Dalian) da China encerrou as negociações do dia com queda de 0,64%, a 777,5 iuanes (US$ 108,70) a tonelada.

O minério de ferro de referência de setembro na Bolsa de Cingapura ficou estável em US$ 102,35 a tonelada.

As margens saudáveis do setor siderúrgico fizeram com que a produção diária de metais quentes ficasse em torno de 2,4 milhões de toneladas, gerando uma demanda firme por matérias-primas, inclusive minério de ferro, e interrompendo a queda nos preços.

Os lucros das siderúrgicas chinesas aumentaram 5175%, chegando a 64,4 bilhões de iuanes nos primeiros sete meses, de acordo com dados do Escritório Nacional de Estatísticas, enquanto os lucros industriais da China caíram pelo terceiro mês consecutivo em julho.

Enquanto isso, analistas disseram que a oferta de minério de ferro deve aumentar no restante do ano, pressionando ainda mais os preços.

Os embarques da Austrália, importante fornecedor mundial de minério de ferro, não atenderam às expectativas no primeiro semestre do ano, após interrupções causadas por ciclones no início do ano.

Além disso, o consumo de aço downstream mostrou sinais de abrandamento com a queda da demanda do setor industrial, disse a corretora Galaxy Futures.

Os estoques de aço aumentaram para 15,67 milhões de toneladas de 11 a 20 de agosto, 4% a mais do que no período anterior de 10 dias, segundo dados da Associação de Ferro e Aço da China.

AUTOMOTIVO

Diário do Comércio - MG   28/08/2025

Apesar de um cenário com alta taxa de juros, o setor automotivo brasileiro prevê um crescimento de aproximadamente 6,2% em 2025, segundo informações do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet. A projeção foi divulgada nesta quarta-feira (27) na 33ª edição do Congresso & Expo Fenabrave.

Mesmo com o cenário positivo as autoridades presentes no evento destacaram que o setor poderia crescer mais, caso a taxa de juros e o ‘custo Brasil’ fossem menores. No entanto, uma das medidas que ajudou a mitigar o cenário desfavorável, segundo Calvet, foi a implementação do programa “Carro Sustentável”, em julho deste ano, que reduz o Imposto sobre produtos Industrializados (IPI) para veículos econômicos e eficientes.

Na prática, a medida foi um dos fatores influenciou no aumento de 9,13% nos emplacamentos em julho de 2025, quando comparados com mesmo mês de 2024.

Dessa forma, neste ano, até o fim de julho, foram registados 2.798.699 emplacamentos, representando um crescimento de 7,33% sobre o mesmo período do ano passado. “Estamos remando no sentido de um objetivo único que é promover o desenvolvimento do nosso País. E percebemos isso com o Projeto Carro Sustentável, que já representa um aumento de 16% na venda dos veículos abarcados pelo programa”, comentou Calvet.

A iniciativa também é bem vista pelo Secretário de Projetos Estratégicos do Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos. “O carro sustentável dá oportunidade de reunir o que é produzido no agro e o que é produzido no mercado, além da oportunidade dos consumidores de adquirirem um bem”, comentou.

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Desafios do setor automotivo

Mesmo com o cenário favorável, a taxa de juros alta impactou diretamente o setor na categoria de veículos pesados como caminhões – que fechou o semestre com uma retração de 7%.

“A redução está associada à menor renovação de frotas, que acontece em função do alto custo de financiamento, impactado pelas taxas de juros e pelo movimento de cautela vivido por alguns setores econômicos”, avalia o presidente da Fenabrave, Arcélio Junior.

Valor - SP   28/08/2025

Mandatos legais e penalidades não impulsionariam a transição, escreveram o diretor-presidente da Mercedes-Benz, Ola Kaellenius, e Matthias Zink, presidente da fabricante de chassis Schaeffler

As metas da União Europeia (UE) para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) de veículos, incluindo uma redução de 100% para carros até 2035, não são mais viáveis, disseram os chefes das associações europeias de fabricantes de automóveis e de fornecedores automotivos nesta quarta-feira (27).

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve receber executivos do setor automotivo em 12 de setembro para discutir o futuro do setor, que enfrenta as ameaças duplas da concorrência chinesa em veículos elétricos e das tarifas dos Estados Unidos.

Em uma carta a von der Leyen, o diretor-presidente da Mercedes-Benz, Ola Kaellenius, e Matthias Zink, presidente da fabricante de chassis Schaeffler, disseram que estão comprometidos em alcançar a meta de emissões líquidas zero da UE em 2050.

No entanto, eles afirmaram que os fabricantes da UE agora enfrentam uma dependência quase total da Ásia para baterias, bem como uma infraestrutura de recarga desigual, custos de fabricação mais altos e as tarifas dos EUA.

O bloco precisava ir além das metas para veículos novos, argumentaram eles, como as reduções de emissões de CO2 de 55% em relação aos níveis de 2021 para carros e 50% para vans até 2030, e de 100% para ambos até 2035.

Os carros elétricos têm uma participação de mercado de cerca de 15% dos carros novos da UE, com as vans em 9%.

“Cumprir as rígidas metas de CO2 para carros e vans para 2030 e 2035, no mundo de hoje, simplesmente não é mais viável”, escreveram eles.

Mandatos legais e penalidades não impulsionariam a transição, escreveram eles.

“Os veículos elétricos liderarão o avanço, mas também deve haver espaço para híbridos, extensores de autonomia, veículos com motor a combustão interna altamente eficientes, hidrogênio e combustíveis descarbonizados”, afirma a carta.

A regulamentação de CO2 para caminhões e ônibus pesados também deve ser revisada, disseram os dois chefes de associação.

Em março, a Comissão concordou em dar às montadoras tempo extra para cumprir as metas de redução de emissões de CO2 inicialmente estabelecidas para 2025. Membros do grupo de centro-direita de von der Leyen também pediram que a UE retire sua proibição de 2035 para motores a combustão.

Valor - SP   28/08/2025

Segundo presidente da Fenabrave, se as vendas de veículos continuarem a crescer no ritmo atual, em torno de 5% ao ano, em 2032 o mercado brasileiro terá tamanho igual ao de 2012

Se as vendas de veículos continuarem a crescer no ritmo atual, em torno de 5% ao ano, em 2032 o mercado brasileiro terá tamanho igual ao de 2012. “É um gap de 20 anos”, afirma Arcelio Junior, presidente da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave), que representa os 8,22 mil concessionários do país.

Para o dirigente, aliado a um cenário econômico favorável, com crescimento econômico, as vendas de carros crescem quando os preços baixam ou quando as taxas de juros caem.

Arcelio aproveitou a abertura de um congresso do setor para mostrar, com números, como o consumidor reage à queda de preços. No início de julho, o governo federal zero o IPI dos carros que se enquadram no programa chamado Carro Sustentável. Têm direito ao benefício modelos mais acessíveis, menos poluentes e feitos no Brasil.

Segundo a Fenabrave, na primeira quinzena de agosto, a venda desses veículos cresceu 23,01% na comparação com julho e 14,09% em relação a agosto de 2024.

Concessionários de todo o país que participaram ontem de evento do setor, que termina nesta quinta-feira (28), encheram o auditório para ouvir o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Mas se frustraram quando ele explicou por que a taxa básica de juros tende a continuar elevada.

As palestras do 33º Congresso da Fenabrave, o segundo maior do mundo, tratam sobre temas ainda novos para o setor, como inteligência artificial. E na feira realizada junto com o congresso, que ocupa 25 mil metros quadrados, visitantes lotam os estandes de cerca de 200 empresas - de bancos e consultorias a fabricantes de carregadores para veículos elétricos, além das associações de marcas.

Segundo Arcelio Junior, representantes de bancos lhe contaram que nesse tipo de evento conseguem, em dois dias, mais contatos do que conseguiriam em um ano. A aglomeração dos revendedores no pavilhão da São Paulo Expo facilita encontros num país de dimensão continental, que tem concessionários espalhados em centenas de cidades. Até as novas marcas chinesas estão representadas. À Fenabrave já se juntaram as associações de revendedores da BYD, GWM e, recentemente, da GAC.

O evento também serve para mostrar o cenário do setor em tempos de crise geopolítica. Uma das palestras mais marcantes do primeiro dia foi a de Tom Castriota, chairman da NADA, associação dos concessionários dos Estados Unidos, que, claro, incluiu o “tarifaço” de Donald Trump, que elevou a taxa dos veículos importados do México pelos EUA.

Para Castriota, é preciso encontrar “um balanço justo”, porque muitos veículos são produzidos nos EUA com peças fabricadas no México e vice-versa. “Trata-se de um assunto discutível, porque o presidente quer que a indústria volte para os Estados Unidos. Mas, ao mesmo tempo, México e Canadá são parceiros de longa data.”

Ele cita o exemplo da Equinox, modelo da Chevrolet. “Produzimos a Equinox no Canadá, no México e nos Estados Unidos. Portanto, eles podem até transferir mais produção para os EUA, mas ainda vão precisar das outras fábricas para produzir os veículos vendidos em outras regiões do mundo”. Segundo Castriota, mudanças nessa indústria requerem um prazo de pelo menos dois anos.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

IstoÉ Dinheiro - SP   28/08/2025

A sobretaxa dos Estados Unidos a produtos brasileiros deve levar as empresas de máquinas a parar de exportar para o mercado norte-americano a partir de setembro, segundo a diretora de competitividade, economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Cristina Zanella.

“A gente está vendo o agravamento da desaceleração (nas vendas) por causa das tarifas extras de 40% sobre máquinas e equipamentos anunciadas pelo governo Trump (que se somam à taxa mínima de 10%). Vai ter impacto principalmente a partir do próximo mês em exportações. Elas devem tender a zero para aquele mercado. Houve perda grande de competitividade por causa da sobretaxa”, disse Zanella em entrevista coletiva nesta quarta-feira, 27.

Os Estados Unidos recebem aproximadamente 26% das exportações de máquinas do Brasil, o que equivale a aproximadamente US$ 300 milhões mensais, de acordo com dados da Abimaq.

Zanella também descartou uma grande melhora na competitividade dos produtos brasileiros em função da decisão do governo dos Estados Unidos de taxar qualquer produto com aço ou alumínio sob os termos da Seção 232 da Lei de Expansão Comercial americana, que permite tarifas específicas a produtos para promover a segurança nacional.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também responde pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), havia dito na semana passada que isso deixaria os produtos brasileiros com uma desvantagem relativamente menor, mas Zanella ressaltou que, ainda assim, será muito difícil concorrer com outros fornecedores de máquinas dos Estados Unidos.

“Quando se olha para todas as sobretaxas anunciadas, o Brasil tem uma das maiores, só tem a Índia de equivalente. Se a gente pega a proporção da máquina, aquela que não é especificamente relacionada ao aço e ao alumínio vai ser taxada pela tarifa recíproca. Vai diminuir a diferença (em relação a outros países, exceto a Índia) por causa da proporção de aço e alumínio, mas produtos dos EUA, Canadá e México têm tarifa zero”, acrescentou.

O efeito das medidas de socorro ao setor

Todas as medidas anunciadas pelo governo para conter os prejuízos das tarifas dos Estados Unidos são importantes e ajudam a mitigar os problemas trazidos pelas sobretaxas, afirmou Zanella.

Ela destacou o Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários (Reintegra). O programa devolve aos exportadores parte dos tributos pagos ao longo da cadeia produtiva, na forma de crédito tributário.

O plano do governo é antecipar os efeitos da reforma tributária, que entrará em vigor em 2027, desonerando a atividade exportadora aos Estados Unidos. Sob o plano de contingência do governo, o porcentual de imposto que será devolvido às empresas que exportarem aos EUA aumenta em 3 pontos porcentuais. Assim, grandes e médias empresas passam a contar com até 3,1% de alíquota, e micro e pequenas, com até 6%. As novas condições valerão até dezembro de 2026.

Zanella, porém, afirma que a proposta seria mais eficaz se fosse mais abrangente do que o anunciado. “Anúncio foi de que o crédito seria dado somente para empresas que exportam aos EUA. Provavelmente as empresas vão deixar de exportar. O que a gente espera é que governo coloque o Reintegra para todos os exportadores, independentemente do mercado em que atua, porque consegue dar competitividade para atuar em qualquer outro mercado do mundo”, afirmou.

As medidas de estímulo à ‘Indústria 4.0’

Sobre as linhas de financiamento anunciadas recentemente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o desenvolvimento da Indústria 4.0, a Abimaq ainda não tem estimativas sobre o impacto do programa. No entanto, considera que o efeito pode ser menos positivo do que aparenta.

“A expectativa é que haja substituição de investimentos com taxa (de juros) mais alta por outra mais baixa, que é o que está sendo oferecido agora. Vai ter pouco reflexo no resultado geral. Se fossem agregar investimentos, o que é pouco provável, os R$ 12 bilhões em recursos conseguiriam suprir com folga o que a gente venderia para os EUA. Mas o receio é que os investimentos sejam substituídos, não adicionados. Empresas que já iriam investir com taxa de 20% a 22% vão conseguir investir com taxa menor”, afirmou.

Receita da indústria de máquinas cresceu 7,3% em julho

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos encerrou julho com uma receita líquida total de R$ 26,716 bilhões. Este valor representa um aumento de 0,3% em relação a junho e um crescimento de 7,3% comparado a julho do ano passado. Nos 12 meses até julho, o setor acumulou um aumento de 7,4% na receita.

No mercado interno, a receita líquida foi de R$ 19,700 bilhões, indicando uma retração de 5,1% em relação ao mês anterior. No entanto, o desempenho anual foi positivo, com um crescimento de 14,5%.

O consumo aparente somou R$ 36,374 bilhões, registrando um crescimento de 1,2% em relação ao mês anterior e de 8,9% em relação a julho do ano passado.

No cenário internacional, as exportações de julho contabilizaram US$ 1,269 bilhão, ou 20,7% a mais em relação a junho, mas uma queda de 4,8% na comparação com julho de 2024.

As importações somaram US$ 2,905 bilhões, com um crescimento de 11,3% em relação ao mês anterior e 8,6% na comparação anual. O saldo da balança comercial do setor em julho foi negativo, com um déficit de US$ 1,636 bilhão.

Em termos de emprego, o setor tinha 424,903 mil funcionários no final de julho, marcando um aumento de 1,1% em relação a junho e de 9,1% em comparação com julho de 2024.

Carteira de pedidos

A carteira de pedidos cresceu 0,6% em julho, após recuar 2,7% em junho. “Houve melhora nas carteira dos setores relacionados aos fabricantes de bens de consumo, obras de infraestrutura e componentes”, disse a Abimaq em relatório. O setor está com carteira de pedidos igual à de dezembro de 2024, mas inferior em 1,2% à observada em julho do mesmo ano.

O nível de utilização da capacidade instalada cresceu 0,1% em relação a junho ao atingir 78%, valor 2,5% superior ao do mesmo mês de 2024. Em média o setor atuou em 2025 com 77,6% da sua capacidade, 3,4 pontos porcentuais acima do nível de 2024 (74,2%).

Máquinas agrícolas

O segmento de máquinas e implementos agrícolas registrou receita líquida total de R$ 6,624 bilhões, um aumento de 4,7% em relação ao mês anterior e 7,7% em comparação com o mesmo período do ano passado. Nos últimos 12 meses, o crescimento acumulado foi de 5,5%.

A receita líquida interna somou R$ 5,847 bilhões, registrando aumento de 5,1% ante junho e de 10,9% comparado a julho do ano passado.

No comércio exterior, as exportações de máquinas agrícolas totalizaram US$ 140,71 milhões, caindo 7,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As importações ficaram em US$ 102,48 milhões, recuo de 13,5% na mesma comparação.

Valor - SP   28/08/2025

O desempenho foi puxado pela maior aquisição de bens importados e também daqueles produzidos localmente

O setor de máquinas e equipamentos somou R$ 26,7 bilhões em receita líquida em julho deste ano, alta de 7,3% na comparação com julho de 2024 e de 0,3% ante junho, mostram dados divulgados nesta quarta-feira (29) pela Abimaq, entidade que representa os fabricantes. O desempenho foi puxado pela maior aquisição de bens importados e também daqueles produzidos localmente.

Segundo o levantamento, a receita interna em julho foi de R$ 19,7 bilhões, alta de 14,5% na comparação com julho de 2024 e queda de 5,1% ante junho. No acumulado de janeiro a julho, somou R$ 133,8 bilhões, alta de 18,2% na comparação com o mesmo período de 2024.

O consumo aparente (total produzido no Brasil somando importações e excluindo exportações) somou R$ 36,3 bilhões em julho, alta de 8,9% na comparação com o mesmo período de 2024 e de 1,2% ante junho. A Abimaq diz que parte do resultado se dá em razão do aumento das importações, que, de janeiro a julho, “representam 46% do mercado nacional em 2025 ante 45,7% no mesmo período de 2024”, diz o levantamento da instituição.

Em julho, as importações somaram US$ 2,9 bilhões em receita, alta de 8,6% na comparação com julho de 2024 e de 11,3% ante junho. No acumulado de janeiro a julho, somou US$ 18,6 bilhões, alta de 10,5% na comparação com o mesmo período de 2024.

Já as exportações somaram US$ 1,2 bilhão no mesmo mês, queda de 4,8% na comparação com o mesmo período de 2024 e alta de 20,7% ante junho. No acumulado de janeiro a julho, somou US$ 7 bilhões, queda de 4,4% na comparação com o mesmo período de 2024. Segundo a Abimaq, parte importante do resultado das exportações neste ano é explicada pelo recuo nos preços de máquinas no mercado internacional.

O principal mercado no exterior, de janeiro a julho, foi a América do Sul, que respondeu por 34% das exportações e teve alta de 15,9% na comparação com o mesmo período de 2024. Em segundo lugar aparece a América do Norte, respondendo por 33,3% das exportações, mas com queda de 11,6%. Na sequência aparece Europa, que respondeu por 12,2% das exportações e teve alta de 10,7%. Os demais continentes somaram 20,2% das exportações.

Ainda segundo a Abimaq, a Argentina foi destaque na América do Sul, com alta de 52,4% nas exportações de janeiro a julho, seguida por Peru (18,5%) e Chile (12,1%). Já os EUA, que responderam por 26,1% das exportações, tiveram queda de 10,6% nas vendas, puxada pela queda de 21,1% na demanda por máquinas para construção civil.

IstoÉ Dinheiro - SP   28/08/2025

A receita de vendas da indústria de máquinas e equipamentos atingiu R$ 174,5 bilhões nos sete primeiros meses do ano, 13,9% acima do registrado no mesmo período de 2024. Os dados, divulgados nesta quarta-feira (27), são da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

“No ano ( de janeiro a julho) o setor registrou expansão na receita, mas diminuiu a taxa de crescimento de 15,1% em junho de 2025 para 13,9% em julho de 2025. O desempenho de 2025 foi favorecido pela base de comparação fraca, mas também pela ampliação dos investimentos na agricultura e nas áreas da construção civil”, disse a entidade, em nota.

De janeiro a julho, a receita das vendas internas do setor somou R$ 133,8 bilhões, 18,2% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Já as exportações do setor totalizaram US$ 7,05 bilhões nos sete primeiros meses de 2025, uma queda de 4,4% na comparação com o mesmo período de 2024. No mês de julho, antes do início do tarifaço estadunidense contra o Brasil, o setor exportou US$ 1,2 bilhão, uma diminuição de 4,8% em relação ao resultado de julho de 2024.

“Apesar da queda, houve, entre os grupos de produtos exportados, incremento nas vendas de máquinas agrícolas e de máquinas para bens de consumo não duráveis. O maior crescimento ocorreu nas vendas para os países da América do Sul e em maior escala na Argentina, Chile e Peru”, destacou a Abimaq em nota.

Segundo a entidade, no acumulado de 2025, houve mudanças importantes nos principais destinos das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos. As vendas para a América do Norte caíram 11,6%, enquanto para a Europa e para a América do Sul as exportações cresceram 10,7% e 15,9%, respectivamente.

Na América do Sul, o destaque foi a Argentina, com aumento de 52,4% nas exportações brasileiras, puxado pela ampliação das vendas de máquinas para agricultura (+104%) e para construção civil (+87%). Para os Estados Unidos, que representam 26,1% das exportações do setor em 2025, houve queda de 10,6% nas vendas, principalmente devido à retração na demanda por máquinas para construção civil (-21%).

Já as importações mantiveram a trajetória de crescimento, somando US$ 18,6 bilhões de janeiro a julho, alta de 10,5% em relação a 2024.

“As importações crescentes de máquinas e equipamentos, em praticamente todas as atividades da economia brasileira, refletem a perda de competitividade do setor. Em 2025 a participação de bens importados no consumo nacional de máquinas e equipamentos atingiu 46%”, destacou a Abimaq.

De acordo com a entidade, os dados do setor mostram clara ampliação da presença de máquinas importadas no mercado brasileiro, e de forma mais intensa vindas do mercado chinês. Em dez anos, a China quase dobrou a sua participação no total de máquinas importadas pelo Brasil (de 16,6% em 2015 para 32% em 2025).

CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   28/08/2025

Indicador da IPC-Maps projeta aumento de 12,5% no potencial desses gastos em relação a 2024

Entre as 22 categorias da economia pesquisadas pelo indicador de potencial de consumo da IPC-Maps, o de aquisição de imóveis e material de construção tem a maior previsão de crescimento para o ano.

O indicador projeta um aumento de 12,5% no potencial desses gastos, em relação a 2024. Os valores devem atingir R$ 417 bilhões.

Outros segmentos analisados pela empresa ficam com alta de 10% a 11% neste ano.

Para Marcos Pazzini, diretor da IPC, o que explica o momento mais favorável do segmento de construção é a situação do emprego, que gera um “círculo virtuoso”. A construção civil é grande geradora de novas vagas de trabalho com carteira assinada. “Quando o trabalhador está com carteira assinada, com garantia de dinheiro no final do mês, tem mais segurança para fazer dívida de longo prazo, para comprar material ou adquirir imóvel”, afirma. “Vai se auto alimentando”.

Isso também ajuda a explicar, diz Pazzini, o motivo da queda de 1,7% no número de microempreendedores individuais (MEIs) no setor da construção. Um recuo no número de MEIs é pouco usual no geral da economia brasileira, e ainda mais em um setor que terá crescimento de 2,2% no número total de negócios, neste ano, para 2,2 milhões de empresas.

O diretor considera essa queda positiva para a economia, já que o MEI não costuma gerar outros empregos para além da sua própria ocupação.

Acomodação à vista

A boa disposição dos brasileiros para investir em imóveis tem aparecido nos dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), que abrangem 221 cidades. As vendas de imóveis novos cresceram 9,6% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2024. No recorte apenas do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o aumento foi de 25,8%.

Começa a haver uma acomodação, no entanto, nos lançamentos de projetos, reflexo de uma dificuldade maior do setor produtivo em colocar novos produtos no mercado, com a taxa de juros elevada. “O primeiro trimestre foi muito forte, mas sentimos que o mercado vai dando uma ‘afofada’, existe uma tendência de acomodação”, afirmou o economista Celso Petrucci em coletiva de imprensa da entidade, na semana passada.

A oferta final de unidades novas caiu 4,1% no semestre. Petrucci alertou que o preço das unidades tem subido acima da inflação do setor, o Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), e que a dinâmica de redução de oferta tende a acentuar isso.

Para a Cbic, é hora de pensar em rever as faixas de renda e o teto de preço dos imóveis do MCMV, para que ele não perca fôlego nos próximos meses. A última grande atualização foi em 2023, embora ajustes tenham sido realizados neste ano, como a criação da faixa 4 e a expansão da renda máxima da faixa 3, de R$ 8 mil para R$ 8,6 mil. “Seria interessante analisar novos parâmetros, fazer uma revisão de dois em dois anos”, disse Renato Correia, presidente da Cbic.

A faixa 4, criada para abranger parte da classe média, mais pressionada pelos juros altos, ainda não está no ritmo esperado de contratações, segundo Clausens Duarte, vice-presidente de habitação de interesse social da Cbic.

Em dois meses de operação, foram pouco menos de 10 mil unidades compradas, metade do ritmo esperado. Para os representantes das entidades, no entanto, é uma questão de tempo. “Esse produto foi uma surpresa positiva, mas como o setor não esperava, estava com oferta reduzida”, disse Duarte.

Grandes Construções - SP   28/08/2025

O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) registrou alta de 0,70% em agosto, porém abaixo da taxa de 0,91% observada no mês anterior.

A tendência de aumento nos custos do setor de construção é reforçada pela taxa acumulada em 12 meses, que atingiu 7,49%. Esse resultado representa um avanço expressivo em comparação com agosto de 2024, quando o índice acumulava alta de 4,84% no mesmo período.

O grupo de Materiais, Equipamentos e Serviços subiu 0,59% em agosto, contra alta de 0,86% no mês anterior. A taxa de variação da categoria de Materiais e Equipamentos passou de 0,84% em julho para 0,56% em agosto, marcando uma desaceleração.

Esse movimento reflete uma tendência de alta menos intensa nos preços desses insumos, crucial para a execução de projetos de construção. Nesta apuração, três dos quatro subgrupos que compõem essa categoria exibiram recuos em suas taxas de variação. O principal destaque foi o subgrupo "materiais para instalação", que viu sua taxa diminuir de 3,81% para 2,47%.

No âmbito do grupo de Serviços, observou-se uma alta moderada em sua taxa de variação, que passou de 1,06% em julho para 0,82% em agosto. Esse decréscimo foi reflexo do item "aluguel de máquinas e equipamentos", que viu sua taxa diminuir de 0,79% para 0,04%.

A variação do índice de Mão de Obra foi de 0,85% em agosto, marcando um recuo quando comparada ao valor de 0,99% observado em julho.

O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) apresentou comportamento distinto em várias cidades brasileiras no mês de agosto. Cidades como Salvador, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo observaram desaceleração em suas taxas de variação.

Em contraste, apenas Porto Alegre experimentou aceleração em sua taxa de variação, refletindo um avanço nos custos de construção nessa localidade.

FERROVIÁRIO

Agência Camara - DF   28/08/2025

Em audiência pública na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados na terça-feira (26), debatedores apontaram entraves para usar o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima em projetos ferroviários. O fundo financia ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

O secretário nacional de Mudança do Clima, Aloisio Lopes Pereira de Melo, disse que o comitê gestor do fundo recebe anualmente pedidos para ampliar o uso dos recursos, inclusive pelo setor ferroviário. Mas ponderou que é preciso avaliar os impactos de forma ampla, porque a abertura de novas áreas também pode gerar efeitos indiretos, como a expansão urbana e a atração de atividades econômicas com reflexos ambientais.

Por outro lado, o secretário nacional de Transporte Ferroviário do Ministério dos Transportes, Leonardo Cezar Ribeiro, afirmou que as ferrovias trazem benefícios ao meio ambiente. “Nós temos estudos do Banco Mundial que mostram que transportar toda essa carga da região central para os portos por rodovias promove desmatamento e danos ao meio ambiente muito superiores aos da infraestrutura ferroviária.”

Entre as estratégias do governo, Ribeiro citou parcerias com a iniciativa privada, como investimentos em novos trechos a partir da renovação de concessões. Ele mencionou obras retomadas na Transnordestina, na Ferrovia de Integração Centro-Oeste e na Ferrovia de Integração Oeste-Leste.

Financiamento
O diretor-presidente da Associação Nacional de Transporte Ferroviário, Davi Barreto, lembrou que o setor movimenta 20% da carga nacional, incluindo 95% do minério exportado. Segundo ele, desde a desestatização do setor nos anos 1990, os investimentos somam R$ 200 bilhões, sendo os públicos apenas 2% do total.

Barreto disse que a alta taxa de juros dificulta novos projetos e defendeu a busca de alternativas de financiamento. “Um quilômetro de ferrovia custa entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões; uma locomotiva custa R$ 20 milhões; e um vagão custa R$ 1 milhão. Fazer uma ferrovia nova exige investimentos de dezenas de bilhões de reais, com retorno só em cinco ou dez anos. Com uma taxa Selic anual de 15%, esse investimento é inviável. Temos que buscar novas formas de financiamento.”

O representante do BNDES, Tiago Ferreira, informou que os financiamentos ferroviários são os de maior prazo do banco, chegando a 34 anos para amortização. Ele acrescentou que o Fundo Clima passou a financiar projetos ferroviários em 2024, inicialmente restritos a ferrovias elétricas. No plano de 2025, a abrangência foi ampliada para o transporte híbrido e a biocombustíveis.

Redução de emissões
O deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO), que presidiu a audiência, disse que aumentar em 1% a participação das ferrovias na matriz de transporte reduz a emissão de 2 milhões de toneladas de CO2. Segundo ele, isso equivale ao replantio de uma área de floresta do tamanho da região metropolitana de São Paulo.

Ayres ressaltou ainda que os trens emitem até sete vezes menos que os caminhões. “Daí a necessidade de alcançarmos com o Fundo Clima os investimentos para esse importante setor da economia brasileira, que merece toda a nossa consideração.”

Dados da Associação Nacional de Transporte Ferroviário mostram que, desde 1997, a produção ferroviária cresceu 158% e o transporte de grãos passou de 4% para 25%. O custo do frete caiu mais de 20%, tornando o Brasil o terceiro país com menor tarifa ferroviária do mundo, atrás apenas da Rússia e da China. A associação informou ainda que os acidentes caíram 90% no período e que, a cada 1% de migração do transporte rodoviário para o ferroviário, 20 vidas são poupadas nas estradas.

NAVAL

A Tribuna - SP   28/08/2025

O edital para o leilão do canal de acesso do Porto de Paranaguá, no Paraná, foi publicado na segunda-feira pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). O certame é inédito no País e servirá de modelo para a concessão à iniciativa privada do canal de acesso do Porto de Santos.

Um dos propósitos do leilão é fazer com que as empresas concorrentes apresentem descontos na taxa Inframar, que as embarcações pagam para acessar os portos. A expectativa é que a redução seja de 12,63% do valor atual. A taxa tem a finalidade de cobrir, por exemplo, os custos das dragagens, que atualmente é feita pela Autoridade Portuária. Com a concessão, a concessionária terá de fazer esse trabalho.

A empresa vencedora ficará responsável por ampliar a profundidade do canal de 13,1 metros para 15,5 metros. O leilão está marcado para 22 de outubro, na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo. O investimento previsto é de R$ 1,23 bilhão. O valor terá que ser executado nos cinco primeiros anos de contrato, que terá vigência de 25 anos.

O processo para a definição do leilão de Paranaguá foi aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no mês de março.

Valor - SP   28/08/2025

O tráfego marítimo está aumentando entre a China e o Peru com a inauguração de um porto perto da capital Lima, majoritariamente de propriedade chinesa. A instalação tem a mais recente tecnologia chinesa, reduzindo o tempo de transporte e alarmando os Estados Unidos.

A cidade de Chancay fica a cerca de 80 quilômetros ao norte de Lima. Seu porto, inaugurado em novembro, fica além de um túnel de 1,8 quilômetro sob a cidade.

Antes de entrar, os visitantes são solicitados a se registrar em um sistema de reconhecimento facial, semelhante ao que existe na China. O porto conta com rede sem fio 5G de alta velocidade da Huawei Technologies, que, segundo representantes, agiliza os procedimentos de entrada e saída de caminhões.

O porto de Chancay é operado pela Cosco Shipping Ports Chancay Peru (CSPCP), que é 60% controlada pela China Cosco Shipping, a maior empresa de transporte marítimo estatal da China.

A instalação permite que cargas da América do Sul viajem diretamente para a Ásia, em vez de precisar passar pela América Central ou do Norte, reduzindo o tempo de transporte de 35 para 23 dias.

O projeto portuário foi desenvolvido sob os auspícios do governo chinês como parte fundamental da iniciativa chinesa de infraestrutura transfronteiriça Rota da Seda, para a América do Sul. O presidente chinês, Xi Jinping, participou da cerimônia de inauguração do porto por videoconferência.

Entre os principais recursos de Chancay está o uso da tecnologia de automação chinesa de ponta.

Durante uma visita em um dia de semana no final de julho, o porto foi recriado em um grande display interno, mostrando o status dos contêineres e veículos autônomos nas instalações em tempo real, juntamente com dados detalhados.

Chancay é "um dos portos mais avançados do mundo", disse o vice-gerente geral da CSPCP, Gonzalo Rios. É semelhante a uma versão em miniatura do porto de Xangai, com avanços ambientais, como a reciclagem de água do mar.

Em uma sala repleta de monitores, os funcionários observavam guindastes carregando e descarregando cargas. Embora eles possam assumir o controle dos guindastes, se necessário, o equipamento funciona sem qualquer intervenção humana. Quase nenhum trabalhador era visto ao redor do porto, mesmo com o fluxo de carros e contêineres fabricados na China.

A drástica melhoria na conveniência oferecida pelo novo porto impulsionou a demanda. Após seis meses de operação experimental, o porto entrou em operação plena em junho. Durante o período experimental, cerca de US$ 1 bilhão em transações passaram pelo porto, com o governo peruano arrecadando cerca de 500 milhões de soles (US$ 140 milhões) em receita, de acordo com Rios.

A capacidade anual de Chancay deve atingir 1,5 milhão de unidades equivalentes a vinte pés (TEUs), conforme planejado.

"Este pode se tornar um porto hub para a América Central e do Sul", disse Rios. "Prevemos um crescimento ainda maior com a expansão da produção e o desenvolvimento de infraestrutura nos países sul-americanos."

O porto também está transportando produtos sul-americanos para os mercados asiáticos, além da China, incluindo mirtilos cultivados no Peru para a Indonésia e a Índia.

A Cosco investiu cerca de US$ 1,3 bilhão no porto até o momento, com planos para um total de US$ 3,5 bilhões em gastos. A meta é expandir de quatro para 15 berços.

Chancay tem o potencial de transformar o comércio entre a América do Sul e a Ásia, possibilitando a realização do sonho de longa data de uma rota marítima direta da costa atlântica para a Ásia. O Brasil — um fornecedor global de alimentos cada vez mais importante — e a China estão discutindo a construção de uma ferrovia transcontinental entre Chancay e o leste do Brasil.

Cerca de 30% das exportações brasileiras vão para a China. O comércio com os Estados Unidos aumentou em um múltiplo de 68 entre 2000 e 2023, enquanto o comércio entre 12 países sul-americanos e a China cresceu 40 vezes nesse período.

O envolvimento do governo chinês no porto de Chancay tem sido uma preocupação para os Estados Unidos há muito tempo. Quando foi inaugurado, a general Laura Richardson, então comandante do Comando Sul do Exército dos Estados Unidos, expressou preocupação de que ele pudesse ser usado pela Marinha chinesa.

Um relatório divulgado em junho pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais observou o envolvimento chinês em 37 portos na América Latina e no Caribe, classificando Chancay como de alto risco.

"O interesse da China nos portos da América Latina e do Caribe é mais amplo e o risco mais variado do que se sabia anteriormente", afirmou o relatório, acrescentando que esses investimentos "abrem a porta para Pequim obter vantagem estratégica, coletar dados sensíveis e expandir sua influência geopolítica para mais perto da costa dos Estados Unidos".

Rios, do CSPCP, desconsiderou essas preocupações. "Somos uma empresa privada e operamos apenas para fins comerciais", disse ele.

Como a lei peruana exige procedimentos rigorosos para navios de guerra estrangeiros atracando em portos, "operações militares seriam impossíveis", disse ele.

Empresas no Japão, por exemplo, hesitam em usar o porto de Chancay por receio de contrariar os Estados Unidos, um aliado de longa data. Rios disse que isso não deve ser motivo de preocupação.

"O Peru é um dos países mais abertos do mundo a negócios e investimentos estrangeiros", disse ele.

27/08/2025 20:49:14

PETROLÍFERO

Infomoney - SP   28/08/2025

O simulado de emergência realizado pela Petrobras (PETR3;PETR4) na Bacia da Foz do Amazonas, em águas profundas do Amapá, pode ser concluído nesta quarta-feira e, até o momento, não há registro de intercorrências, disseram duas fontes da Petrobras à Reuters na tarde desta quarta-feira.

O exercício começou na noite de domingo e é considerado pela Petrobras como a última etapa antes de o órgão ambiental federal Ibama decidir se concederá uma licença para a Petrobras realizar um poço exploratório na região.

Procurado, o Ibama afirmou que o simulado, chamado de Avaliação Pré-Operacional (APO), continua em andamento.

“Ainda não temos notícia do simulado ter acabado e a última informação é que não tem um prazo determinado para finalizar”, disse o órgão à Reuters, adicionando que informações adicionais sobre o transcorrer ou a conclusão da APO poderão vir a ser fornecidas depois do fim da atividade.

A Petrobras busca há anos autorização para realizar um poço na região e investiu milhões de reais em infraestrutura, centros de tratamento de fauna e flora e outras medidas exigidas pelo órgão ambiental.

“Sem dúvida, é o maior investimento já feito por uma empresa no país para obter um licenciamento”, disse uma das fontes sob condição de anonimato.

A Petrobras mobilizou cerca de 400 profissionais para o exercício em curso, além de aeronaves, embarcações e a sonda para futura perfuração.

O último simulado semelhante foi realizado pela Petrobras em 2023, na Bacia Potiguar, no litoral do Nordeste.

“A expectativa é que o simulado termine hoje. Está tudo correndo bem, mas quem determina o fim é o Ibama”, disse uma fonte. Outra acrescentou: “O simulado está seguindo conforme o planejado”.

A indústria de petróleo acredita em um amplo potencial para novas descobertas de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, podendo proporcionar a abertura de uma nova fronteira exploratória, após os países vizinhos Guiana e Suriname terem feito amplas descobertas em áreas com geologia semelhante.

Entretanto, o avanço na região gera forte resistência de alguns setores da sociedade e do governo, diante de enormes desafios socioambientais.

“Estamos falando de um processo complexo, em uma área nova e sensível do ponto de vista ambiental”, disse o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Roberto Ardenghy, durante um evento recente.

“É uma região promissora, com geologia interessante. Como houve descobertas em países vizinhos, é lícito supor que há hidrocarbonetos, mas isso só será confirmado com a perfuração.”

O plano energético brasileiro prevê crescimento da produção de petróleo até o início da próxima década, seguido por um declínio. A indústria defende a necessidade de avançar em novas descobertas para manter o nível de produção.

Valor - SP   28/08/2025

Empresa firmou em junho um acordo com a chinesa Furui para fornecer equipamentos diante de potencial de descarbonização do transporte pesado

A Eneva vai elevar em 50% a produção de gás natural liquefeito (GNL) no Complexo Parnaíba, no Maranhão. A empresa instalará um terceiro terminal para transformar gás natural em líquido e acondicioná-lo em carretas. Em março, a empresa decidiu pela nova unidade e firmou em junho um acordo com a chinesa Furui para fornecer equipamentos e serviços avançados. O negócio consolida a atuação da Furui no mercado brasileiro de GNL, onde atua desde 2017.

O complexo da Eneva possui dois terminais com capacidade de 600 mil metros cúbicos por dia (m3 /dia). Com a expansão, terá capacidade de processar 900 mil m3 /dia. O novo terminal deve entrar em operação até 2027. A Eneva decidiu ampliar o terminal devido ao potencial de descarbonização do transporte pesado com a substituição do óleo diesel pelo gás natural. Os valores dos investimentos não foram revelados.

O Complexo Parnaíba reúne quatro térmicas que usam gás natural dos campos próximos ao parque de usinas. Esse modelo é chamado de “gas-to-wire”. A Eneva entrou na venda de gás natural transportado por carretas em estado líquido e regaseificado no destino (“small scale”) a partir da produção de Parnaíba. O modelo é ideal para locais sem rede de gás.

Em 2023, a Eneva firmou dois contratos de suprimento de gás natural, um com a Suzano e outro com a Vale. A empresa tem uma joint venture com a VirtuGNL para a gestão da cadeia de “small scale”, que inclui fornecimento das carretas de transporte de GNL e pontos de abastecimento.

“ Com a terceira unidade, a comercialização de gás ‘off-grid’ [fora da malha de gasodutos] vai ficar mais relevante na companhia”, disse Marcelo Lopes, diretor de marketing, comercialização e novos negócios da Eneva. Segundo Lopes, entre a decisão e a operação de um terminal de GNL há um prazo de dois anos. Estudos de mercado da companhia projetam aumento do uso de gás pela frota pesada. Há espaço para a construção de um quarto terminal de GNL, tão logo o mercado indique a necessidade de nova expansão. “É a demanda que vai sinalizando”, disse Lopes.

Em paralelo, a VirtuGNL firmou contratos para atender grandes clientes, comprou caminhões e está instalando postos de abastecimento. José de Moura Jr, fundador e presidente da VirtuGNL, afirmou que o GNL permite redução de 20% nas emissões de CO2 no transporte de carga. “A transição energética do transporte de carga de longa distância passa pelo GNL e pela garantia firme do gás na sazonalidade do biogás, que ainda está longe das redes de distribuição”, disse Moura.

O presidente do conselho de administração do Grupo Furui, Huang Feng, disse que a empresa observou um enorme potencial para aplicações de gás natural e GNL em todo o país à medida que se familiarizou com o mercado brasileiro. Além do mercado de gás natural, a Furui atua nos segmentos de biogás e aterros sanitários, entre outros. “A Furui tem acompanhado de perto o desenvolvimento da indústria de gás natural do país e as políticas relacionadas”, disse Feng.

Money Times - SP   28/08/2025

O Santander projeta que a Petrobras (PETR4) seguirá entregando aumento de produção no terceiro trimestre de 2025, após registrar em julho cerca de 2,5 milhões de barris por dia (MMbpd) na produção doméstica de petróleo — alta de 6% em relação ao mês anterior.

No entanto, o banco destacou que a visibilidade ainda baixa sobre o fluxo de caixa livre (FCF) leva a uma postura mais cautelosa em relação às ações. A instituição manteve a recomendação neutra para os papéis da Petrobras, segundo relatório assinado por Rodrigo Almeida e Eduardo Muniz.

Em julho, a produção total de óleo e gás chegou a 3,25 milhões de barris de óleo equivalente (MMboe), segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O desempenho reflete o aumento de produção em áreas-chave, especialmente Jubarte, que ganhou 38 mil barris/dia e chegou a 165 mil; Búzios, com alta de 26 mil, atingindo 688 mil; Mero, que adicionou 25 mil, alcançando 243 mil; e Roncador, que subiu 12 mil, somando 71 mil barris/dia.

Para agosto, os dados preliminares da ANP (1º a 19) já indicam novo crescimento sequencial da produção, com destaque para Búzios e Jubarte, avalia o banco.

Petrobras no caminho para entregar guidance

O Santander manteve a estimativa de produção doméstica em 2025 em 2,3 MMbpd — o que representa alta de 8% frente a 2024.

Segundo a instituição, a companhia está no caminho para alcançar o limite superior do guidance para o ano (2,3 MMbpd, com variação de ±4%), desde que não ocorram grandes interrupções operacionais.

No segundo trimestre, a Petrobras produziu 2,9 milhões de barris por dia, alta anual de 8%, com lucro líquido de R$ 26,65 bilhões no 2T25.

RODOVIÁRIO

Exame - SP   28/08/2025

A construção do primeiro túnel imerso do Brasil, que ficará entre os municípios de Santos e Guarujá, deve gerar 9 mil empregos diretos e indiretos, segundo estimativa do governo do Estado de São Paulo.

A avaliação da gestão estadual é que a obra beneficiará de forma direta os mais de 720 mil moradores de Santos e Guarujá, além de milhares de turistas que visitam as duas cidades.

O leilão está marcado para o dia 5 de setembro de 2025, às 16h, na B3, em São Paulo. A entrega das propostas das empresas interessadas no projeto será no dia 1º de setembro, às 10h.

Além do impacto no emprego, a previsão é que o túnel imerso reduza a travessia entre Santos e Guarujá de até 1 hora para até 5 minutos.

Hoje, a ligação entre os municípios é feita principalmente por balsa, cuja travessia dura em média 18 minutos, mas que pode levar bem mais tempo por conta das filas. Outra alternativa é a estrada, onde o trajeto pode chegar a 1 hora.

Dados do governo federal apontam 21 veículos utilizam o trajeto atual, além de 7,7 mil ciclistas e 7,6 mil pedestres.

Com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, o projeto terá aporte público de até R$ 5,1 bilhões, dividido igualmente entre Estado e União. O contrato de 30 anos abrangerá construção, operação e manutenção.

A estrutura terá 1,5 km de extensão, sendo 870 metros sob o canal portuário, ligando Santos e Guarujá. A estrutura contará com três faixas por sentido, sendo uma delas reservada ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), passagem para pedestres e ciclistas e galeria de serviços. A obra também vai impulsionar o turismo, dinamizar a economia regional e diminuir a histórica dependência das balsas.

Como vai ser o túnel Santos-Guarujá?

Segundo o projeto, o túnel de 870 metros de extensão deve levar três anos para ser construído, com expectativa de conclusão no final de 2028. Com 1,5 km de extensão, sendo 870 metros submersos, o projeto contará com três faixas por sentido, uma delas exclusiva para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de passagens para pedestres e ciclistas.

Diferente dos túneis escavados – como os usados no metrô – o túnel imerso será formado por módulos de concreto pré-moldados, construídos em uma doca seca.

Esses módulos serão então transportados por flutuação até o local, onde serão submersos com precisão, encaixados no leito do canal e ancorados com camadas de lastro.

Também integra o portfólio a concessão das travessias litorâneas e fluviais, que prevê a operação, modernização e gestão de 14 linhas aquaviárias por 20 anos. O edital está previsto para o primeiro semestre de 2025 e a estimativa é de R$ 1 bilhão em investimentos, com manutenção da política tarifária atual, gratuidades preservadas e aquisição de 48 embarcações, incluindo modelos elétricos, que ampliarão a eficiência e a sustentabilidade do sistema.

A ligação Santos-Guarujá é esperada por toda comunidade da região portuária e população do entorno, com perspectiva para melhorar o fluxo de pedestres que transitam entre as duas cidades, além de permitir mais segurança às embarcações que escalam o Porto de Santos para realizar operações.

Segundo o Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, há planos para a construção de uma ligação seca entre as duas cidades ao menos desde 1927, quando se cogitava a escavação de um túnel para a passagem de um bonde elétrico. Em 1948, a proposta era fazer uma ponte levadiça no local. Já em 1970, a alternativa discutida previa uma ponte com acesso helicoidal, que permitia a passagem de navios.

Segundo fontes envolvidas no assunto ouvidas pela EXAME, quatro consórcios estão interessados no projeto:

A OEC (Odebrecht Engenharia e Construção) com a EGTC (antiga Queiroz Galvão) e uma terceira companhia, que viabilizaria a parte financeira do consórcio.

Valor - SP   28/08/2025

Portarias foram publicadas no Diário Oficial da União e incluem dois lotes

O ministro dos Transportes, Renan Filho, aprovou os estudos de viabilidade técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para a concessão de lotes de rodovias em Santa Catarina.

Segundo portarias publicadas nesta quarta-feira (27) no Diário Oficial da União, foram aprovados os estudos para a concessão do Lote 1 de Santa Catarina, que compreende as rodovias BR-153/SC, entre o entroncamento com a BR-282/SC e a divisa SC/RS, BR-282/SC, entre o entroncamento a BR-470/SC e o entroncamento da com a BR-153/SC e a BR-470/SC, entre o entroncamento com a Rua Fco. de Paula Seara (Navegantes) e a divisa SC/RS.

Também tiveram parecer favorável do ministro os estudos para a concessão do Lote 3 de Santa Catarina, rodovias BR-153/SC, entre a divisa PR/SC até o Entroncamento BR-282 (P/ Ponte Serrada); BR-282/SC entre o Entroncamento da BR153/SC (P/ Pirani) até o Entroncamento com a BR480(A)/SC-480 (P/ Bom Jesus); e BR-480/SC do Entroncamento BR-282(B)/SC-157 (P/ Chapecó) até Entroncamento com a Av. Leopoldo Sander.

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