Valor Investe - SP 28/04/2026
Resultado do primeiro trimestre de 2026 superou previsões do mercado, impulsionado pela divisão de aço e ganhos de eficiência
As ações da Usiminas (USIM5) fecharam em forte alta nesta segunda-feira (27), com avanço de 6,83%, negociados a R$ 8,13, refletindo a leitura positiva do mercado sobre os resultados do primeiro trimestre de 2026. O desempenho veio acima das expectativas e reforçou sinais iniciais de recuperação da companhia, ainda que com algumas ressalvas.
Segundo análise do BTG Pactual, a empresa reportou um Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 653 milhões, 26% acima do esperado. Em termos simples, esse indicador mede o resultado operacional da companhia, sendo um dos principais termômetros de desempenho das empresas.
O grande destaque foi a divisão de aço que, mesmo com vendas menores no período, a Usiminas conseguiu ganhar mais dinheiro por tonelada vendida, graças a uma combinação de preços melhores e venda de produtos com maior valor agregado.
Além disso, a empresa foi mais eficiente ao conseguir reduzir custos, o que ajudou a elevar a rentabilidade.
A companhia registrou fluxo de caixa livre (indicador que mostra quanto sobra de dinheiro depois de investimentos) de R$ 83 milhões, mesmo enfrentando um impacto negativo temporário ligado ao capital de giro (como estoques e prazos de pagamento).
Por outro lado, conforme aponta o BTG, a operação de minério de ferro teve um trimestre mais fraco, o que já era esperado por fatores sazonais, como chuvas que afetaram a produção e reduziram volumes.
Por que a ação sobe?
O mercado reage principalmente ao resultado melhor que o esperado, aos sinais de melhora na rentabilidade e à disciplina de custos que a companhia conseguiu manter ao longo do primeiro trimestre deste ano.
Na prática, os investidores estão enxergando que a Usiminas pode estar começando a sair de um período mais fraco. Mas o BTG avalia que ainda não se trata de uma recuperação completa.
O banco destaca que ainda é cedo para cravar um sinal de retomada mais forte e sustentado, especialmente porque há incertezas sobre o comportamento dos custos nos próximos trimestres.
A empresa, inclusive, já indicou que espera custos mais altos à frente, o que pode limitar ganhos de rentabilidade, mesmo com preços melhores.
O que esperar?
Para o próximo trimestre, a expectativa da companhia é de volumes estáveis, sem crescimento forte nas vendas, além de preços mais altos, possivelmente apoiados por medidas de proteção contra importações (antidumping), e aumento de custos, o que pode equilibrar parte dos ganhos.
O BTG Pactual tem recomendação neutra para as ações da Usiminas, com preço-alvo de R$ 4,97.
CNN Brasil - SP 28/04/2026
A Gerdau registrou lucro líquido de R$ 1,013 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 33,6% na comparação com o primeiro trimestre de 2025.
O Ebitda ajustado somou R$ 2,958 bilhões no período, avanço de 23,2% ante igual intervalo de 2025. Já a receita líquida foi de R$ 16,716 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 3,8% frente na mesma base de comparação.
A companhia avalia que o período transcorreu em um cenário global volátil e desafiador, marcado por tensões geopolíticas que impactaram os mercados de commodities e as cadeias globais de suprimentos.
"Mesmo nesse contexto, registramos um Ebitda ajustado consolidado de cerca de R$ 3 bilhões no trimestre, com recuperação sequencial em todas as operações da Companhia", afirma a gestão em carta publicada junto aos números do trimestre.
Os investimentos em Capex no período somaram aproximadamente R$ 1,1 bilhão, 23% do total projetado para o ano. Do montante investido no trimestre, 43% foram destinados à Manutenção e 57% destinados à Competitividade. A companhia diz ainda que 84% do Capex investido foi direcionado às operações no Brasil.
A posição de caixa da companhia encerrou o trimestre com R$ 5,6 bilhões disponíveis, resultando em uma Dívida líquida de R$ 8,2 bilhões no período e um indicador Dívida líquida/Ebitda em 0,74 vez, mantendo um patamar financeiro "bastante confortável", na visão da companhia.
O Estado de S.Paulo - SP 28/04/2026
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 aumentou pela sétima semana consecutiva, de 4,80% para 4,86%, distanciando-se ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. O movimento reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços do petróleo.
Considerando apenas as 122 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana passou de 4,85% para 4,89%.
A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 aumentou pela quinta semana consecutiva, de 3,99% para 4,0%. Há um mês, era de 3,84%. Considerando apenas as 118 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, permaneceu em 4,0%.
O Banco Central prevê inflação de 3,9% em 2026 e de 3,3% no acumulado de 12 meses até o terceiro trimestre de 2027, o horizonte relevante da política monetária. A projeção para o IPCA do ano que vem é de 3,3%.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
No Focus desta segunda-feira, a mediana para o IPCA de 2028 passou de 3,60% para 3,61%. Um mês antes, era de 3,57%. A estimativa intermediária para a inflação de 2029 permaneceu em 3,50% pela 34.ª semana consecutiva.
Selic
A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,0%, às vésperas das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira, 29. Um mês antes, era de 12,50%. O mercado vem calibrando as expectativas para a trajetória dos juros, em meio à pressão inflacionária causada pela disparada dos preços do petróleo.
Considerando só as 110 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim de 2026 também permaneceu em 13,0%.
A mediana do Focus para a taxa Selic no fim de 2027 se estabilizou em 11,0%. Um mês atrás, era de 10,50%. Considerando apenas as 107 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana também continuou em 11,0%.
Na última decisão, do dia 18 de março, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, de 15% para 14,75% ao ano. Foi a primeira diminuição dos juros em quase dois anos. Apesar do corte, o colegiado alertou para o aumento das incertezas no cenário, por causa do conflito no Oriente Médio, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse, durante entrevista à imprensa no dia 26 de março, que o “conservadorismo” da autoridade monetária durante 2025 compraria tempo para analisar o cenário e entender os efeitos da alta do petróleo sobre os preços domésticos. “Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom”, ele afirmou.
Na última pesquisa Projeções Broadcast, 33 de 37 instituições financeiras esperavam um novo corte de 0,25 ponto na Selic esta semana, que levaria a taxa a 14,50%. Dois outros respondentes previam uma redução maior, de 0,50 ponto, e dois, manutenção dos juros em 14,75%.
No Focus desta segunda-feira, a mediana para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,0% pela 14.ª leitura seguida. A estimativa para 2029 caiu de 9,88% para 9,75%. Um mês antes, também era de 9,75%.
PIB
A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 oscilou de 1,86% para 1,85%. Um mês antes, era de 1,85%. Considerando apenas as 81 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa passou de 1,89% para 1,87%.
O crescimento esperado pelo mercado é maior do que o previsto pelo Banco Central, de 1,6%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre. O Ministério da Fazenda espera alta de 2,33% para o PIB.
A mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 permaneceu em 1,80% pela 17.ª semana consecutiva. Levando em conta apenas as 78 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária passou de 1,74% para 1,73%.
As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,0%, pela 111ª e 58ª semana seguida, respectivamente.
Dólar
A mediana para a cotação do dólar no fim de 2026 caiu pela terceira semana seguida, de R$ 5,30 para R$ 5,25, em meio à valorização da moeda brasileira frente à divisa americana. Na última sexta-feira, 24, o dólar fechou cotado a R$ 4,9982.
Um mês antes, a mediana para o dólar no fim de 2026 era de R$ 5,40. Considerando apenas as 94 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária passou de R$ 5,25 para R$ 5,24.
A mediana para o dólar no fim de 2027 se estabilizou em R$ 5,35, após duas semanas de queda. Um mês antes, era de R$ 5,45. A estimativa intermediária para o fim de 2028 se manteve em R$ 5,40, enquanto a projeção para 2029 passou de R$ 5,45 para R$ 5,41.
A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.
Portos e Navios - SP 28/04/2026
O Brasil exportou no primeiro trimestre de 2026 cerca de 82,3 bilhões de dólares com aumento de 7,1% em relação ao mesmo período de 2025 e saldo comercial de 14,1 bilhões de dólares, o que representou alta de 47,6% de janeiro a março, informou nesta segunda-feira (27) o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). Segundo a pasta, mais de 95% das exportações foram de cargas de grande volume, como petróleo, minérios e produtos agropecuários.
O resultado foi impulsionado, principalmente, pelas vendas para a China, principal parceiro comercial do Brasil, que cresceram 21,7% no trimestre e somaram 23,9 bilhões de dólares. Já as exportações para a União Europeia cresceram 9,7% e fecharam o trimestre com 12,2 bilhões de dólares.
De acordo com o MPor, os resultados positivos nas exportações têm sido alcançados graças a investimentos na melhoria da infraestrutura logística do país. O ministro de portos e aeroportos, Tomé Franca, informou que, em 2025, foram aplicados R$ 7,8 bilhões em autorizações e contratos no setor portuário, incluindo novos terminais de uso privado, alterações contratuais e reinvestimentos em arrendamentos existentes.
Segundo Franca, esse movimento faz parte de ciclo mais amplo de expansão, e, de 2023 a 2025, os investimentos privados no setor portuário foram de R$ 38,8 bilhões, 400% a mais que no período de 2019 a 2022, quando o montante total foi R$ 7,4 bilhões. Já os aportes públicos no triênio chegaram a R$ 3,1 bilhões, com alta de 121,4%.
Jornal de Brasília - DF 28/04/2026
A China criticou nesta segunda-feira (27) um plano da União Europeia (UE) para resguardar a indústria do bloco contra a forte concorrência do país asiático e prometeu adotar medidas de represálias se a iniciativa for adotada.
A UE apresentou em março suas regras “Made in Europe” para empresas que buscam acesso a fundos públicos em setores estratégicos como automóveis, tecnologia verde e aço, obrigando as companhias a incorporar um mínimo de componentes europeus.
A proposta é parte de um esforço da UE para recuperar sua vantagem competitiva, reduzir o declínio industrial e evitar a perda de empregos.
O Ministério do Comércio chinês informou nesta segunda-feira que enviou comentários à Comissão Europeia para expressar “preocupações sérias” sobre o que qualificou de “discriminação sistêmica”.
“Se a UE ( ) avançar com esta legislação e, portanto, prejudicar os interesses das empresas chinesas, a China não terá outra opção exceto adotar represálias para salvaguardar firmemente os direitos e interesses legítimos de suas empresas”, afirmou o ministério em comunicado.
Várias empresas europeias expressaram preocupação com a concorrência desigual de seus rivais chineses, fortemente subsidiados.
A proposta europeia tem como alvo os fabricantes chineses de baterias e veículos elétricos ao exigir que empresas estrangeiras se associem a companhias europeias e transfiram tecnologia quando se instalam no bloco.
A Câmara de Comércio Chinesa na UE já advertiu que o plano representa uma guinada em direção ao protecionismo, o que afetará a cooperação comercial entre Europa e China.
CNN Brasil - SP 28/04/2026
A guerra no Oriente Médio virou de pernas para o ar os cenários projetados pelo mercado para 2026. E é em meio a um momento de revisões de estimativas que o BC (Banco Central) e o Fed (Federal Reserve System) iniciam suas respectivas reuniões de política monetária nesta terça-feira (28).
As expectativas do mercado giram em torno de um corte mais brando que o esperado anteriormente por aqui, de 0,25 ponto, levando a Selic a 14,5% ao ano; e manutenção dos juros nos Estados Unidos.
"O Copom volta a se reunir nos dias 28 e 29 de abril, com um pano de fundo de incerteza muito elevada sobre a resolução da guerra no Oriente Médio. Desde a sua última reunião, o comitê viu apreciação significativa do real, impulsionada tanto por termos de troca (dada a elevação do preço do petróleo) quanto pela continuidade da entrada de fluxos externos de capital, especialmente para o mercado acionário brasileiro", diz relatório do Itaú BBA desta segunda-feira (27).
"Por outro lado, os dados correntes de inflação trouxeram surpresas importantes e as expectativas de mercado para o IPCA tiveram alta expressiva (consumindo parte do orçamento existente para redução da taxa Selic, por deslocar mecanicamente para baixo as taxas de juros reais)."
As deliberações ocorrem entre este e o próximo dia, de modo que as decisões sobre juros serão anunciadas na quarta-feira (29).
No começo de abril, um relatório do Itaú BBA já alertava que bancos centrais ao redor do mundo deveriam manter juros mais elevados em decorrência do choque causado pela guerra.
Essa posição cautelosa por parte do mercado se reflete nas projeções e posições montadas pelos investidores.
Em 27 de fevereiro, um dia antes de o conflito estourar, 66% do mercado apostava em corte de 0,5 ponto percentual nesta reunião, segundo os contratos de opção de Copom (Comitê de Política Monetária) negociados na B3. Outros 23% previam corte de 0,75 ponto, enquanto 3% acreditavam em queda de 1 ponto. 3,5% eram os que bancavam corte de 0,25.
De lá para cá, o cenário virou: na sexta-feira (24), último dia com informações disponíveis até a publicação da matéria, 86,35% dos investidores colocavam suas fichas na redução mais branda, de 0,25 ponto. Outros 10,5% creem até em manutenção da taxa como está. Menos de 3% previam os cortes de maior magnitude.
O HSBC previa anteriormente corte de 0,5 ponto nesta reunião, e passou a trabalhar com a visão de uma política monetária mais cautelosa após a última reunião do Copom.
"Preços globais excepcionalmente altos do petróleo, incerteza em torno da retomada do fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz e a ausência de uma resolução duradoura para o conflito sustentam essa mudança em nossa perspectiva de taxas de curto prazo. Desde a última reunião, a curva de juros se movimentou em função de notícias relacionadas ao Oriente Médio, mas a precificação para a decisão de 29 de abril permaneceu relativamente estável", escreve o head de Brazil Economics Research do HSBC, Daniel Lavarda.
O economista destaca a postura cautelosa enfatizada pelo Copom para "navegar por este período de grande incerteza".
"Como o BCB observou, o ritmo de novos cortes — e a magnitude geral do processo de flexibilização — dependerá criticamente de novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio", diz Lavarda, ressaltando que pouco se observou de progresso nas negociações sobre o conflito.
Até a metade final de março, a taxa básica Selic estava no maior patamar em duas décadas. Com o corte de 0,25 ponto percentual, a política monetária do BC passou a trabalhar com taxa de 14,75% ao ano.
O time de Research da XP destaca que "o fluxo de dados e notícias desde a última reunião do Copom aumentou os riscos para o cenário de inflação".
"Os preços do petróleo continuam pressionados, o IPCA e suas medidas de núcleo subiram, as expectativas inflacionárias de médio prazo se deterioraram e a atividade doméstica voltou a ganhar tração. A apreciação da taxa de câmbio vem atuando como amortecedor", diz o relatório da XP.
Choque inflacionário
A XP alerta que as "expectativas de médio prazo em alta exigem cautela adicional", ressaltando que os "choques inflacionários são mais preocupantes em uma economia sem ociosidade".
"A inflação continuará pressionada este ano em função do aumento dos custos globais de energia, dos estímulos à demanda doméstica e de condições climáticas possivelmente adversas. A apreciação cambial apenas atenua essas pressões", indica relatório da casa.
"Em particular, no caso dos choques de oferta, a literatura econômica recomenda que os bancos centrais acomodem o efeito inflacionário primário e atuem sobre os efeitos de segunda ordem — isto é, os repasses para preços não diretamente afetados. No atual contexto de hiato do produto positivo, a probabilidade desses efeitos secundários aumenta", pontua.
Nesse sentido, o Itaú avalia que as projeções de inflação do Copom devem subir para 4,4% em 2026 (ante 3,9% anteriormente) e aumentar para 3,4% no horizonte relevante — período futuro que o BC toma como referência para suas decisões de política monetária.
Desse modo, a deterioração das expectativas de inflação e a resiliência da atividade econômica levaram o time de Research do Goldman Sachs a elevar sua projeção da taxa Selic para 13,25% a o final de 2026, um aumento de 0,25 ponto.
"Diante de um choque do petróleo mais prolongado e profundo, o equilíbrio entre as políticas monetárias pode se tornar mais complexo, com o foco potencialmente se deslocando da inflação para o crescimento", diz o banco de investimento norte-americano em nota.
Trajetória dos juros no Brasil
Apurado pelo próprio BC, o boletim Focus aponta que a expectativa mediana do mercado é para corte de 0,25 ponto nesta reunião.
Chama atenção também na pesquisa que, apesar de os investidores verem espaço para mais quedas de juros ao longo do ano, as expectativas têm se deteriorado, com o mercado enxergando cada vez mais os juros básicos do país num patamar maior que o esperado anteriormente.
A XP projeta a taxa Selic em 13,5% ao final do ano, esperando, na sequência do corte desta semana, duas reduções de 0,5 ponto em junho e agosto, "à medida que as tensões no Oriente Médio se dissipem".
Cenário dos EUA
A ferramenta CME Fedwatch aponta que 100% do mercado conta com manutenção dos juros nos EUA.
A inflação continua pressionada, e os efeitos da guerra no Oriente Médio só pressionam ainda mais o Fed, segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
"Os dados de março já mostraram um grande impacto [da guerra]: o impacto de energia, em preços de gasolina, diesel e energia em geral, que geram também efeitos em outros produtos, em outros serviços. Então, se o cenário inflacionário já se mostrava um tanto quanto apertado, ou seja, reduzindo a possibilidade para cortes de juros, o conflito no Oriente Médio só exacerba isso", pontua Castro Alves.
Esta deve ser a última reunião de Jerome Powell à frente do Fed. O atual chairman do banco central norte-americano foi indicado por Donald Trump em seu primeiro mandato, e foi mantido no comando pelo democrata Joe Biden.
O momento é de pressão: Trump vem atacando o Federal Reserve por manter uma política monetária restritiva, enquanto seu indicado para assumir o posto de Powell deve assumir em breve.
O ex-diretor do Fed Kevin Warsh, apontado por Trump à presidência do BC dos EUA, vem prometendo que irá manter a independência da autoridade monetária, mas deixou em aberto sua opinião em relação à trajetória das taxas de juros e afirmou que é "cético" sobre a orientação futura do BC dos Estados Unidos.
Mas o cenário de guerra fez até críticos das altas taxas de juros a repensarem a posição do Fed, como o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, que defendeu que o Federal Reserve deveria "esperar" antes de reduzir as taxas de juros, à medida que o conflito continua.
"Acho que as taxas deveriam ser reduzidas? Eventualmente. Acho que agora temos que esperar para ver", declarou Bessent à Semafor, acrescentando que, em meio à guerra, o Fed está "fazendo a coisa certa ao observar e aguardar".
"É esperado que o tom do último comunicado sob a presidência de Jerome Powell seja de cautela, indicando pausa mais longa. Powell deve usar seu espaço na coletiva de imprensa para reforçar seus feitos na cadeira e relembrar que considera a política monetária atual em território entre neutro e ligeiramente restritivo, reduzindo o espaço de novos cortes agressivo", observa Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad.
Infomoney - SP 28/04/2026
O investidor pode até alimentar uma última esperança de ver um corte de juros nos Estados Unidos na próxima quarta-feira (29), mas essa seria uma decisão perigosa para o banco central mais importante do mundo. A opinião é de Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates, para quem o país já entrou em um ciclo estagflacionário e, por isso, reduzir juros agora seria um erro grave.
“Certamente estamos em um período de estagflação”, disse Dalio em entrevista à CNBC nesta segunda-feira (27). “Por causa das questões que estão postas, em termos de uma inflação mais imediata, mais distante da meta”, falou. A estagflação é um conceito econômico que combina inflação elevada, estagnação econômica e aumento do desemprego.
Fed deve manter juros enquanto Powell se prepara para possível despedida
Comitê deve manter juros entre 3,50% e 3,75% em meio ao impasse no Oriente Médio enquanto Kevin Warsh avança para assumir comando da autoridade monetária dos EUA
O comentário ocorre em meio à sucessão de Jerome Powell no comando do Fed. Dalio citou Kevin Warsh, indicado para ocupar o posto a partir de meados de maio, e afirmou que um eventual corte de juros sob sua gestão colocaria em risco a credibilidade da instituição.
“Certamente você não cortaria os juros agora”, afirmou o investidor. “Você perderia sua credibilidade. O Federal Reserve perderia sua credibilidade, particularmente agora. Se você olhar para as políticas monetárias de outros países, não vai vê-los cortando”, emendou. “Portanto, independentemente dos seus parâmetros, você não vai se inclinar a cortar os juros com as informações de hoje.”
Segundo a ferramenta CME FedWatch, o mercado aposta em 100% de probabilidade de manutenção dos juros na reunião desta semana, e a expectativa predominante é de que a política monetária permaneça estável ao longo do restante do ano.
Infomoney - SP 28/04/2026
A agência de classificação de crédito Moody’s revisou nesta segunda-feira a perspectiva da China de ‘negativa’ para ‘estável’, citando a força econômica e fiscal resiliente apesar das pressões internas contínuas e dos desafios comerciais e geopolíticos.
A agência disse que o crescimento das exportações provavelmente será moderado, mas a competitividade da China deve amortecer a desaceleração, permitindo que o crescimento do PIB diminua apenas gradualmente.
Os lucros industriais da China cresceram no mês passado no ritmo mais rápido em seis meses, destacando uma recuperação desigual com um setor industrial forte mas com um consumo fraco, desaceleração das exportações e riscos crescentes de custos mais altos e tensões no Oriente Médio.
A Moody’s acrescentou que as políticas voltadas para os setores de alta produtividade e uma abordagem controlada para resolver a dívida dos governos regionais e locais ajudarão a melhorar a eficiência do capital, mesmo com o aumento da dívida geral do governo.
IstoÉ Dinheiro - SP 28/04/2026
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,749 bilhão na quarta semana de abril. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda, 27, o valor foi alcançado com exportações de US$ 6,681 bilhões e importações de US$ 4,932 bilhões. O mês de abril acumula superávit de US$ 9,158 bilhões, decorrente de US$ 27,836 bilhões em exportações e US$ 18,678 bilhões em importações.
Até a quarta semana de abril, comparadas a igual período de 2025, as exportações cresceram 16,4%. O desempenho dos setores foi o seguinte: alta de 19,2% em Agropecuária, que somou US$ 7,581 bilhões; crescimento de 15,3% em Indústria Extrativa, que somou US$ 6,477 bilhões; e, por fim, alta de 15,5% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 13,611 bilhões.
Em relação às importações, houve alta de 5,1% na mesma comparação. Houve queda de 28,1% em Agropecuária, que somou US$ 325,5 milhões; crescimento de 7,1% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 932,3 milhões; e, por fim, alta de 5,8% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 17,281 bilhões.
Acumulado do ano
De janeiro até a terceira semana de abril, o ano acumula superávit de US$ 23,333 bilhões (com US$ 110,174 bilhões em exportações e US$ 86,841 bilhões em importações), um crescimento de 42,1% em relação ao mesmo período de 2025, quando o superávit no período somava US$ 17,270 bilhões. A projeção do MDIC é de que o superávit da balança comercial seja de US$ 72,1 bilhões neste ano. O resultado projetado para este ano é decorrente de uma previsão de US$ 364,2 bilhões em exportações e US$ 292,1 bilhões em importações.
Globo Online - RJ 28/04/2026
Os juros vão cair 0,25 pontos percentuais nesta quarta-feira, saindo de 14,75% para 14,50%. Apesar da projeção para a inflação deste ano estar acima do teto da meta, o corte é explicado pelo fato de haver uma gordura na taxa de juros atual. Isto é, a Selic subiu muito e ficou em patamar extremamente elevado, de 15% ao ano durante muito tempo.
Como já escrevi aqui, os juros já poderiam ter caído; o início do ciclo de corte demorou a ser iniciado. A questão é que, quando a taxa começou a ser reduzida, o mundo teve essa enorme complicação de cenário com a guerra no Oriente Médio provocada por Trump e Netanyahu. Essa guerra alterou muito o preço do combustível. Desde a última reunião do Copom, em março, o petróleo subiu e desceu, mas ficou em torno de US$ 100 o barril. Antes do início do conflito no Golfo Pérsico, o valor do barril estava na casa dos US$ 60. Esse salto no preço do petróleo tem um impacto global enorme; aqui não é diferente.
Nesta terça-feira, quando for divulgado o IPCA-15, teremos uma visão mais clara do efeito da guerra na inflação. Economistas ouvidos por Ana Carolina Diniz para o blog projetam que o IPCA-15, que é a prévia da inflação de abril, seja de 0,90%, um avanço de quase um ponto percentual. A projeção para o índice reflete o aumento dos combustíveis em geral e o impacto dessa alta em outros preços, especialmente o dos alimentos.
A perspectiva para a Selic ao fim deste ano era de 12%, mas já vem sendo revisada para cima, tendo sido mantida em 13%, nas duas últimas semanas no Boletim Focus, considerando o atual cenário de incerteza, principalmente quando pensamos na economia internacional. Haverá outros cortes este ano, mas as projeções mostram que a Selic terminará em um nível maior do que se imaginava antes do início da guerra no Irã.
O presidente dos Estados Unidos já anunciou várias vezes que a guerra estava no fim, mas a verdade é que ainda não se sabe quando o conflito vai terminar, muito menos quando vai se normalizar o fornecimento de petróleo, que vem sendo extremamente afetado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa nada menos do que 20% da produção mundial de petróleo e gás. Muitos economistas avaliam que vai demorar seis meses ou mais para se normalizar o abastecimento e os preços caírem.
O nosso problema econômico deste ano está estreitamente ligado ao cenário internacional, escapando totalmente do nosso controle. O Banco Central certamente vai ressaltar no comunicado de encerramento da reunião, nesta quarta-feira, o aumento da incerteza externa e das projeções de inflação de curto prazo feitas pelo mercado financeiro ao explicar a diminuição do ritmo da queda de juros esperada para o ano, com base nos dados de inflação. O BC deve explicar que vai reduzir a taxa de juros porque ela está em um nível altamente contracionista, mas a queda não vai ser a que se esperava no início desse ciclo de cortes.
Investing - SP 28/04/2026
Os preços do minério de ferro fecharam com pouca alteração nesta segunda-feira, já que o movimento de reposição de estoques antes do feriado entre as siderúrgicas da China compensou os embarques maiores vindo da Austrália e as margens fracas do aço.
O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia estável em 786 iuanes (US$115,12) a tonelada.
O minério de ferro de referência para maio na Bolsa de Cingapura subia 0,23%, a US$106,85 a tonelada.
As siderúrgicas chinesas continuaram a reabastecer suas matérias-primas, incluindo o minério de ferro, antes do feriado de 1º a 5 de maio, dando algum suporte aos preços, disseram analistas.
O declínio nos estoques de minério de ferro nos principais portos chineses, que caíram pela terceira semana consecutiva, também sustentou o mercado.
Os estoques caíram 1% em relação à semana anterior, para 163,12 milhões de toneladas em 24 de abril, o menor nível desde 27 de fevereiro, segundo dados da consultoria Steelhome.
Entretanto, os ganhos foram limitados pelo aumento da oferta e pela redução das margens do aço.
Os embarques de minério de ferro da Austrália, maior fornecedora mundial, com destino à China aumentaram 15,8% em relação à semana anterior, para 16,98 milhões de toneladas em 26 de abril, segundo dados da consultoria Mysteel.
O aumento acentuado nos embarques australianos ocorreu depois que a BHP concluiu as negociações do contrato de vendas de minério com o comprador estatal chinês, encerrando uma disputa de meses que havia perturbado o mercado.
Valor - SP 28/04/2026
Produção trimestral de minério de ferro caiu 2%, para 15,2 milhões de toneladas, devido à leve queda na produção de Kumba, na África do Sul, e Minas-Rio, no Brasil
A Anglo American afirmou que manterá suas projeções para o ano todo após um trimestre estável tanto na produção de cobre quanto na de minério de ferro premium.
A mineradora listada em Londres informou na terça-feira que extraiu 170 mil toneladas métricas de cobre no primeiro trimestre, um aumento de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior, beneficiando-se da maior produção em Los Bronces e Collahuasi, no Chile.
A produção trimestral de minério de ferro caiu 2%, para 15,2 milhões de toneladas, devido à leve queda na produção de Kumba, na África do Sul, e Minas-Rio, no Brasil.
A produção de carvão metalúrgico despencou 31%, para 1,5 milhão de toneladas, após a menor produção em Moranbah North, na Austrália, em decorrência de um incidente em março de 2025 e impactos climáticos significativos em Dawson, também na Austrália.
A mineradora acrescentou que o processo de venda de seu negócio de carvão metalúrgico está progredindo bem. "Embora o conflito no Oriente Médio esteja criando uma volatilidade considerável no mercado em geral, nossa cadeia de suprimentos resiliente está atualmente dando suporte à continuidade dos negócios e estamos gerenciando ativamente a situação para lidar com possíveis efeitos adversos, incluindo a inflação de custos", disse o CEO Duncan Wanblad.
Olhando para o futuro, a Anglo American manteve sua previsão de produção para cobre, minério de ferro premium e diamantes.
Valor - SP 28/04/2026
Segundo analistas de bancos, a mineradora deve apresentar uma receita de cerca de US$ 9,8 bilhões, no período
Com forte desempenho de produção e vendas no primeiro trimestre deste ano, a Vale deve aumentar os resultados financeiros, conforme as expectativas de analistas de bancos. A mineradora deve apresentar um aumento de 20% na receita do período, em relação ao primeiro trimestre de 2025, para cerca de US$ 9,8 bilhões, segundo cálculos da reportagem com base em estimativas de quatro casas.
A Vale divulga os resultados na terça-feira (28), após o fechamento dos mercados.
O lucro líquido da Vale deve aumentar 50,3%, para US$ 2,1 bilhões. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado deve ser de US$ 4,02 bilhões, um aumento de 29,5%. Os bancos consultados foram: Itaú BBA, Citi, BTG Pactual e Ativa Investimentos.
A estimativa de receita mais alta é da Ativa, de US$ 10,3 bilhões, e a mais baixa é do Itaú BBA, de US$ 9,4 bilhões. No lucro, a maior projeção é do BTG Pactual, de US$ 2,9 bilhões, e a menor é do Itaú BBA, de US$ 1,2 bilhão. A maior estimativa de Ebitda vem do Itaú BBA, de US$ 4,06 bilhões, e a menor, do BTG Pactual, de US$ 3,9 bilhões.
Segundo a Ativa Investimentos, o desempenho acima do esperado, sobretudo em metais básicos, levou a ajustes positivos nas projeções de receita líquida, Ebitda e lucro líquido para o primeiro trimestre.
“Em cobre, produção e vendas vieram bem acima do que estimávamos, com destaque para a performance de Sossego, onde a companhia intensificou esforços para maximizar volumes antes de uma parada de manutenção de 110 dias no segundo semestre”, afirmou o analista Ilan Arbetman em relatório.
“Esse desempenho, combinado a preços realizados mais altos, deve sustentar um resultado forte da divisão no trimestre. Em níquel, também vimos números acima das nossas expectativas, refletindo melhor desempenho em Voisey’s Bay e Onça Puma, além de preços realizados superiores ao previsto.”
A produção de minério de ferro da Vale no primeiro trimestre foi de 69,675 milhões de toneladas, alta de 3% frente a igual período do ano passado. As vendas totais de minério de ferro somaram 68,713 milhões de toneladas, 3,9% acima dos três primeiros meses do ano passado. O preço médio realizado nos finos de minério de ferro no primeiro trimestre foi de US$ 95,80 por tonelada, alta de 5,5% ante o primeiro trimestre de 2025.
O movimento foi impulsionado pelo novo recorde de produção para um primeiro trimestre do S11D, em Carajás, que atingiu 19,9 milhões de toneladas, impulsionado pelas iniciativas contínuas de confiabilidade dos ativos e pelo maior uso de equipamentos móveis.
Para o Itaú BBA, os números de produção e vendas da Vale do primeiro trimestre ficaram relativamente em linha com as expectativas, mas levou a um ligeiro ajuste para cima das estimativas do Ebitda. “O trimestre foi novamente marcado por números de vendas resilientes e por uma melhoria na realização de preços, principalmente na divisão de metais básicos”, afirmam os analistas Daniel Sasson, Edgard Pinto de Souza e Marcelo Furlan Palhares em relatório.
O UBS BB destaca ainda o desempenho da subsidiária Vale Base Metals (VBM), com o aumento da produção do cobre e do níquel.
O Goldman Sachs afirmou que os dados do relatório de produção da Vale continuaram mostrando a sólida execução da administração em todas as frentes de negócios. “O aumento do prêmio total realizado pela Vale, de US$ 2,60 por tonelada em relação ao trimestre anterior, reflete o aumento do prêmio de mercado para produtos com baixo teor de alumina e a otimização contínua do portfólio da empresa”, disse o banco em relatório.
Outro ponto levantado pelos analistas foi a divulgação pela Vale, no mesmo dia do relatório de produção, da continuidade de negociações de concessões de ferrovias, que envolve a Estrada de Ferro Carajás e a Estrada de Ferro Vitória a Minas. A conclusão da otimização dos contratos, quando aprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), deve dar maior previsibilidade e segurança jurídica, segundo a mineradora, sobre os investimentos associados às duas concessões.
Segundo o BTG Pactual, a manutenção das negociações é vista como um potencial redutor de gargalo regulatório para a Vale, mas que ainda faltam detalhes sobre implicações econômicas.
Automotive Business - SP 28/04/2026
O chairman da GWM é um homem apurado, daqueles que parecem não gostar de perder tempo com nada. Entrou apressado na sala VIP do estande da montadora no Salão de Pequim, na China, e com olhar atento a nós, jornalistas, aguardou ansioso pela primeira pergunta. Aproveitei o momento e levantei a mão: o que o senhor pensa sobre as barreiras que estão sendo impostas às marcas chinesas no mundo?.
Jack Wey esperou a tradução mexendo os pés, ansioso, como se já soubesse do que se tratava. Após ouvir a pergunta em chinês, respirou fundo e olhou para as mãos, reflexivo. As montadoras dos Estados Unidos não teriam como competir conosco sem as barreiras tarifárias, disse o alto executivo da montadora na sexta-feira, 24, no primeiro dia do autoshow. Na Europa também. De forma que temos de ser competitivos também em outros mercados, completou.
Tarifa de 100% fecha mercado dos EUA
No ano passado, o governo do presidente Donald Trump iniciou uma espécie de escalada contra produtos importados, sobretudo os de origem chinesa. Essa espécie de releitura da Guerra Fria resultou em uma manobra tarifária extrema que praticamente fechou o mercado norte-americano às marcas chinesas, que avançam com bons preços na Europa e na América Latina. O imposto de importação cobrado pelos Estados Unidos, no caso daquele que incide sobre veículos elétricos, saltou de 25% para 100%.
O medo dos EUA é de que o pesadelo vivido pelas empresas europeias seja o seu também. Enquanto pode transitar sem barreiras pelo Velho Continente, o carro elétrico chinês cativou o consumidor pelo preço, seus atributos, e os incentivos que os estados europeus concediam àqueles que comprassem modelos eletrificados. Com o tempo, marcas ocidentais como a Volkswagen viram suas fatias de mercado diminuírem, iniciando um processo de crise comercial.
Com um muro alto demais para saltar, restou às montadoras chinesas buscarem mercados com cercas menores. O mercado brasileiro, por ora, se mostra mais parecido com a segunda opção. A tarifa do imposto de importação local, que voltará a ser de 35% em junho, parece não representar um obstáculo intransponível como é o caso do erguido pelos Estados Unidos. As pretensões da GWM para o país nos próximos anos, pelo menos, denotam isso.
Nova fábrica no Brasil entra no radar
Acontece que a empresa quer instalar uma segunda fábrica no Brasil apesar do cerco que se fecha aos importadores de peças, como ainda é o seu caso. O plano é ter uma unidade na cidade de Aracruz, no norte do Espírito Santo. A unidade, pelas suas contas, se faz necessária para suportar o crescimento das vendas projetado para o mercado brasileiro e, também, para os países vizinhos.
Não apenas isso: a GWM quer ter uma estrutura produtiva mais robusta, com mais processos locais, para conseguir atingir o quadro fiscal que justifica tal empreendimento. E isso envolve a instalação de uma estamparia, talvez esse o conjunto de equipamentos mais caro que uma montadora possa ter em casa.
No contexto internacional, o Brasil representa uma oportunidade de ser um hub produtivo na América Latina. Por isso, estamos conversando com o Espírito Santo para instalarmos uma fábrica lá, contou o executivo.
A reportagem de Automotive Business apurou que a montadora dispõe de cerca de R$ 6 bilhões dos R$ 10 bilhões que anunciou para o país em 2022 para custear a unidade produtiva no Espírito Santo até 2032. Este valor, no entanto, poderá ser corrigido uma vez que a GWM estuda a chegada de mais modelos ao mercado local. No Salão de Pequim, por exemplo, a empresa anunciou a chegada do ORA 5 até o final do ano no Brasil e também o Tank 300 híbrido flex.
Motores flex viram peça-chave da estratégia
Há também em curso o desenvolvimento de novos motores que nascerão com forte aderência ao mercado brasileiro, como um conjunto 1.0 flex que está sendo testado pela companhia. Há outro propulsor 1.5 também em testes, além de outro mais potente, 3.0. Ter mais opções de motores é um meio de que a fabricante dispõe para pagar menos impostos no país, e isso, claro, pode demandar uma estrutura produtiva que abarca propulsores flex no Espírito Santo.
Oficialmente a empresa não confirma e também não nega que o projeto da fábrica capixaba terá um complexo de produção de motores. Mas afirma que algo do tipo seria fundamental para dar suporte às suas pretensões comerciais na região.
Além de viabilizar o desconto em impostos previstos em políticas públicas como o Mover, a diversidade de motores na linha GWM no país proporciona margem para que o preço dos seus veículos se mantenha de certa forma estável, considerando que a empresa construiu no Brasil um portfólio cujos modelos se diferenciam entre si mais pela motorização do que pelos pacotes de itens em seu conteúdo.
Ficaria mais caro para nós mexer muito nos carros em termos de conteúdo. Por isso escolhemos manter o nível de equipamento nas versões mudando apenas a motorização, contou Ricardo Bastos, diretor de assuntos institucionais da fabricante.
Essa flexibilidade que a montadora possui para ter margem de manobra nos preços que pratica no mercado talvez seja uma de suas principais armas para competir nos chamados mercados overseas uma condição que as fabricantes ocidentais alegam não ter nessas regiões.
Escala chinesa pressiona concorrentes globais
O que talvez elas não tenham, e isso sobre em montadoras chinesas como a GWM, é uma escala produtiva na China que derruba drasticamente o preço dos componentes que constituem seus veículos. A força é tamanha que, pelo menos até agora, nenhuma das marcas chinesas que desembarcaram no Brasil há mais tempo, como é o seu caso, encerrou as atividades locais ou promoveu algum tipo importante de mudança de rota após a imposição de tarifas mais altas. Pelo contrário.
A GWM mesmo vive um ciclo de evolução de vendas no país. No ano passado, dados do Renavam divulgados pela Fenabrave mostraram que o volume de vendas dos modelos da empresa produzidos em Iracemápolis (SP) os SUVs Haval H6, H9 e a picape Poer P30 chegou a 35.449 unidades. Em 2024, com apenas o H6 à venda, o volume foi de 22.892 unidades.
Ainda falta muito para alcançar a marca das 300 mil unidades/ano que a empresa estipulou para a sua operação comercial na América do Sul, é verdade, mas não se pode negar que os resultados obtidos até agora são interessantes para quem chegou há três anos por aqui. Os volumes tendem a aumentar com a venda de novos modelos e com a exportação do que se fabrica por aqui.
Com o fechamento de outros mercados, o Brasil, portanto, passa a desempenhar um papel ainda mais central no planejamento da montadora. E o chairman Jack Wey sabe disso. Estamos apresentando o projeto do Espírito Santo para que saibam que o Brasil, para nós, integra o nosso plano de expansão de longo prazo, finaliza o executivo.
Valor - SP 28/04/2026
País vira terceiro maior mercado para veículos do gigante asiático no 1º trimestre
De janeiro a março de 2026 a China exportou ao Brasil US$ 2,16 bilhões em veículos, quase o triplo dos US$ 763,8 milhões de iguais meses de 2025, o que inclui carros a combustão que, apesar de ainda serem menos representativos, dobraram de valor, mostrando que o apetite chinês pelo mercado brasileiro não se restringe aos eletrificados. O valor total de carros exportados pela China ao Brasil no primeiro trimestre deste ano também foi maior que o US$ 1,17 bilhão de igual período de 2024, até então recorde para o período.
Com o desempenho, o Brasil saltou de sétimo para o terceiro maior destino de veículos de 2025 para 2026, ainda de janeiro a março, atrás apenas de Rússia e Reino Unido. Nos eletrificados, o que inclui os elétricos puros ou os híbridos, o Brasil saiu do quinto para o terceiro lugar, atrás de Bélgica e Reino Unido. No ranking dos carros a combustão, o Brasil também ganha mais destaque, subindo da 16ª para a sétima posição.
Os dados são da Alfândega chinesa e consideram o que foi embarcado no primeiro trimestre. Parte dos veículos está em trânsito e ainda vai aportar no Brasil. As cargas de automóveis demoram, em média, de 40 a 60 dias para o trajeto desde a China até o desembaraço em terras brasileiras.
Agenda de elevação de tarifas de importação, câmbio favorável e período de lançamentos de modelos são alguns fatores que explicam o ritmo mais intenso de chegada de veículos chineses ao Brasil, segundo especialistas. Eles ressaltam que o espaço conquistado pelo automóvel chinês nas ruas brasileiras mostram a consolidação de marcas num contexto geopolítico de maior protecionismo combinado com incertezas globais e a dificuldade de Pequim para acelerar a demanda doméstica chinesa, fatores que têm contribuído para a maior aproximação das relações comerciais sino-brasileiras.
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), que registram o que já foi desembaraçado no Brasil, mostram parte do impacto dos carros chineses. No primeiro trimestre as importações brasileiras de automóveis origem China atingiram US$ 1,5 bilhão, 552,5% a mais que iguais meses de 2025. Os chineses forneceram 65,6% dos carros que o Brasil importou. Os argentinos vieram em segundo, com 11,3% e US$ 253,2 milhões, com queda de 25,5%, sempre de janeiro a março.
Para Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), o movimento é uma antecipação em relação ao que será o último aumento estabelecido pelo governo brasileiro no atual cronograma de elevação de taxas para importação de veículos elétricos ou híbridos. As alíquotas, lembra, devem atingir 35% em julho deste ano, ante os atuais 28% para híbridos plug-in e 25% para veículos elétricos.
Os relatórios divulgados pela indústria automotiva, destaca André Valério, economista do Inter, mostram que as importações de veículos aceleraram em 2021, mas houve forte inflexão em meados de 2023, quando o debate sobre a atual agenda de elevação de tarifas de eletrificados se intensificou. O calendário foi definido em 2023 e é aplicado desde janeiro de 2024, com alta gradativa de tarifas de importação. As alíquotas começaram em 10% e chegarão ao teto de 35% em julho. Antes disso a importação de elétricos e híbridos era livre da tarifa. Valério destaca que, além desse calendário, o movimento de aumento embarques de veículos da China ao Brasil também reflete um momento de campanha mais agressiva de vendas, em razão do ciclo da indústria automotiva, com lançamento de modelos 2026/2027.
O aumento do volume de importação de carros made in China também reflete, paralelamente, a elevação pela demanda do perfil de carro que os chineses oferecem, diz Cariello, do CEBC. “Muita gente quer comprar carro elétrico, que hoje é sinônimo de carro chinês. As pessoas veem o carro chinês rodando na rua e veem que é um produto de alta tecnologia.” Cariello destaca que a China foi, de longe, o principal fornecedor de carros elétricos do Brasil, com participação de 97%, de janeiro a março. No caso dos híbridos plug-in, o país também liderou com folga, respondendo por 89% das importações.
Segundo a Associação Brasileira de Veículo Elétrico (ABVE), 74,1% das vendas de eletrificados no Brasil em 2025 foram de fabricantes chineses. A liderança foi da BYD, com 50,4% do mercado. As vendas totais de eletrificados somaram 223,9 mil no ano passado, com alta de 26% ante 2024.
Há uma percepção boa sobre o produto chinês, diz Cariello, que também se aplica a carros a combustão. “Os chineses miram o mercado de carros elétricos, mas isso beneficia a China em outros mercados no Brasil também.”
Dados da Anfavea, que reúne a indústria automotiva brasileira, mostram que de janeiro a março deste ano o emplacamento somou 625,2 mil autoveículos, 13,3% a mais que igual período de 2025. Somando 119,1 mil, o emplacamento de importados cresceu 5,6%. Os made in China rodaram em ritmo maior. O emplacamento alcançou 54,3 mil autoveículos e subiu 68,9%. Ao divulgar os dados do primeiro trimestre, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, lembrou que no ano passado, em agosto, a China ultrapassou a Argentina no fornecimento externo de carros ao Brasil e em março completaram-se oito meses consecutivos em que os chineses são os maiores exportadores de veículos ao Brasil.
Nós diminuímos bastante as compras de veículos da Argentina, que era de onde buscávamos os importados. Parte dos consumidores tem preferido os carros elétricos, e a China é muito competitiva e é a grande provedora, globalmente”, diz Valério, do Inter. “E ela entrega um pacote muito bom, um carro tecnológico por preço competitivo. E com a promessa de menor custo com combustível. Caiu por terra a imagem que o carro chinês tinha há dez, 15 anos, de carro barato, mas com problemas de peças de reposição.”
Os dados do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), mostram que o volume de importações brasileiras de bens de consumo duráveis chineses cresceu 204,8% de janeiro a março deste ano ante iguais meses de 2025. Só em março a alta foi de 330,7%. Os preços médios, porém, mostra o Icomex, foram em sentido contrário, com queda de 9,6% de janeiro a março contra igual período de 2025. Pelos dados da Secex, os automóveis representaram 71% do que o Brasil importou em bens de consumo duráveis da China no primeiro trimestre de 2026. Na importação total brasileira de bens chineses a fatia foi de 8,2%.
Os dados da China contrastam com os da Argentina. O volume da importação brasileira de bens de consumo duráveis argentinos caiu 25,8% no primeiro trimestre enquanto os preços médios ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,3%, sempre ante igual período de 2025. “As tarifas impostas pelo Brasil na importação de automóveis não foram suficientes para deter os veículos chineses, porque a China tem grande economia de escala e o preço deles acaba compensando”, diz Lia Valls, professora da UERJ e pesquisadora do FGV Ibre.
O câmbio mais favorável às importações também ajudou a criar um ambiente mais propício às compras externas neste ano, diz Valls. No primeiro trimestre de 2025 o dólar custava, em média, entre R$ 5,80 e R$ 5,90. Em igual período deste ano a média ficou entre R$ 5,20 e R$ 5,30.
Para Welber Barral, sócio da BMJ, os dados do governo chinês mostram que em alguns casos houve também desvio de comércio. Ele destaca o México, que muitas vezes é via para atingir o mercado americano. De janeiro a março de 2025 as exportações chinesas de veículos aos mexicanos somaram US$ 1,4 bilhão. O México era, então, o terceiro maior destino de automóveis chineses. O lugar foi ocupado pelo Brasil e o México caiu para o 12º lugar no ranking. A exportação chinesa de veículos aos mexicanos caiu praticamente à metade de janeiro a março deste ano, para US$ 750,8 milhões.
Para outros destinos, porém, os chineses elevaram ainda mais a exportação de veículos este ano. Para os belgas, no topo do ranking de eletrificados chineses, a exportação total de automóveis do país asiático somou US$ 2,1 bilhões de janeiro a março de 2026, com alta de 47,6% ante iguais meses de 2025. Para o Reino Unido, segundo no ranking, o valor foi de US$ 2,2 bilhões, com alta de 104,3%.
Valls, do FGV Ibre, lembra o contexto geopolítico, com a rivalidade comercial entre Estados Unidos e China, acirrada na gestão do presidente americano, Donald Trump. Há também, diz, ambiente de políticas protecionistas de vários países, ao mesmo tempo em que a China tem grande produção de veículos. “Isso precisa ser absorvido por outros países porque a China está com dificuldade para elevar o consumo doméstico.”
Os automóveis, aponta Valls, ajudam a China a manter a posição de maior origem das importações totais brasileiras. Segundo a Secex, 26,3% de tudo o que o Brasil importou no primeiro trimestre deste ano veio do país asiático. Ao mesmo tempo, ressalta Valls, as relações comerciais entre Brasil e China estão se estreitando, com parcela da exportação brasileira cada vez maior para os chineses. Isso, lembra, se intensificou com a política tarifária de Trump e também com a guerra no Oriente Médio, com um embarque maior de petróleo para a China.
Para Cariello, do CEBC, o atual fluxo de veículos chineses ao Brasil deve continuar intenso nos próximos meses, para aproveitar a janela de oportunidade com tarifas de importação um pouco mais baixas. À frente, em prazo mais longo, diz, a expectativa é que as importações caiam porque deve haver produção mais forte das montadoras chinesas no Brasil. Ao menos cinco delas confirmaram produção local. Além de GWM e BYD, com fábricas próprias, Geely e Leapmotor têm parcerias com Renault e Stellantis, respectivamente. A GAC divulgou que começará a produzir carros no Brasil em 2027.
O Estado de S.Paulo - SP 28/04/2026
Todo mês de abril, os principais executivos e engenheiros automotivos do mundo voam para o principal salão do automóvel da China para avaliar a BYD, a potência dos carros elétricos que ultrapassou a Tesla em vendas globais no ano passado.
Mas no evento Auto China, que está ocorrendo em Pequim, outro nome está chamando a atenção: Zhejiang Geely Holding Group. Em um desdobramento inesperado, a Geely superou a BYD em vendas nos dois primeiros meses do ano e está ampliando rapidamente sua linha de produtos. A Geely está agora avançando no mercado externo, mais do que dobrando as exportações para a Europa, o Oriente Médio e outras regiões no último ano e enfrentando rivais globais em seu próprio território.
A Geely está em ascensão num momento crucial. A guerra no Irã fez os preços da gasolina dispararem, reavivando a demanda dos consumidores por veículos elétricos — um segmento dominado pelas montadoras chinesas. Após anos preparando o terreno para expandir as exportações e escapar de um mercado interno altamente competitivo, as marcas chinesas parecem prontas para aproveitar a oportunidade e alterar o equilíbrio de poder na indústria automotiva global.
A Geely construiu um modelo de negócios projetado para lidar com a volatilidade. É uma das poucas montadoras capazes de competir em todas as quatro principais categorias de motorização: gasolina, híbridos gasolina-elétricos, híbridos plug-in e totalmente elétricos. Essa amplitude permite que ela se adapte rapidamente à medida que as condições mudam.
Quando o governo chinês deixou expirar os subsídios fiscais para carros elétricos este ano e a demanda caiu, a Geely respondeu apostando em seus modelos a gasolina. Então, quando a guerra no Irã fez os preços da gasolina dispararem no mês passado, a Geely voltou a promover híbridos plug-in e carros elétricos.
Com a economia chinesa também em desaceleração, as vendas de carros elétricos a bateria e híbridos plug-in na China caíram 14% nos primeiros 19 dias de abril em relação ao mesmo período do ano passado. Mas as vendas de carros movidos a gasolina despencaram quase 40%.
A versatilidade da Geely “tornou-se uma clara vantagem competitiva”, afirmou David Zhang, diretor de pesquisa em tecnologia automotiva do Instituto de Tecnologia de Energia Nova de Jiangxi.
Com o aumento generalizado dos preços na bomba, a Geely anunciou este mês que está convertendo todos os seus veículos a gasolina restantes em híbridos a gasolina e elétricos.
“Todos os seus veículos serão realmente eficientes em termos de consumo de combustível — essa será outra vantagem”, disse Yale Zhang, diretor-gerente da Automotive Foresight, uma empresa de consultoria de Xangai.
A Zhejiang Geely, de capital fechado e pertencente ao seu fundador e presidente, Li Shufu, 62, controla uma ampla rede de montadoras. Ela divulga poucas informações financeiras, mas estabeleceu a meta de gerar 30% de suas vendas fora da China até 2030.
As ações da maior unidade da Zhejiang Geely, a Geely Automobile Holdings, são negociadas em Hong Kong. A empresa vendeu três milhões de carros no ano passado, um aumento de 39% em relação ao ano anterior. A receita cresceu 25%, à medida que uma guerra de preços na China pressionou para baixo os preços dos veículos.
A Geely começou a fabricar carros em 1998, quando passou a fornecer táxis para frotas chinesas. Em menos de três décadas, a Zhejiang Geely cresceu e se tornou uma montadora global cujas vendas agora se aproximam das da Ford Motor Company, uma empresa com 123 anos de história.
A trajetória de Li foi igualmente improvável. Quando adolescente, ele usou o dinheiro que havia guardado para a faculdade para comprar uma câmera e abrir um pequeno negócio fotografando turistas. Ele então passou a fabricar componentes para geladeiras, motocicletas e carros antes de construir veículos completos em Taizhou, sua cidade natal na província costeira de Zhejiang.
Em 2006, a Geely já vendia subcompactos baratos para compradores de primeira viagem, com designs simples e de baixo custo que pareciam extremamente utilitários para os padrões ocidentais.
Isso não deteve as ambições globais de Li. Em uma entrevista de 2006, ele instou a Ford a vender a Jaguar ou a Volvo — duas das muitas marcas da montadora americana na época — para a Geely. A ideia parecia improvável, mas depois que a Ford enfrentou dificuldades durante a crise financeira global, Li contraiu um grande empréstimo para comprar a Volvo, uma marca sueca, em 2010. Desde então, a Zhejiang Geely revitalizou a Volvo.
Desde o início, Li concentrou-se em dominar a tecnologia automotiva. Em 2006, ele expressou admiração pelas montadoras alemãs DaimlerChrysler e BMW, então líderes em tecnologia de carros híbridos, mas estava determinado a não depender de terceiros. A Geely teria que construir sua própria tecnologia “do zero”.
Em um momento que fechou o ciclo, ele pagou US$ 9 bilhões em 2018 para adquirir uma participação de 9,69% na Daimler, empresa que mudou de nome várias vezes e agora é conhecida como Mercedes-Benz Group.
A Geely construiu um amplo portfólio de marcas nacionais e internacionais. Em 2013, adquiriu a London Taxi Company, fabricante dos icônicos táxis londrinos. Em 2017, comprou uma participação de 51% na fabricante britânica de carros esportivos Lotus, juntamente com uma participação de 49,9% na Proton, montadora da Malásia. No setor de veículos elétricos, criou marcas como a Polestar, uma afiliada da Volvo, e a Zeekr, uma linha premium com forte foco em tecnologia, com carros que chegam a custar US$ 132 mil.
Embora tenha transferido grande parte da produção para a China, a Geely mantém estúdios de design e fábricas na Europa e abriu uma fábrica da Volvo na Carolina do Sul. Isso ajudou a Geely a contornar as barreiras comerciais nos mercados ocidentais.
A Geely ainda enfrenta dois grandes desafios, disse Michael Dunne, consultor de longa data da indústria automotiva chinesa. Seu portfólio de marcas exige vendas elevadas para se manter lucrativo. Ao mesmo tempo, as montadoras estatais na China estão prejudicando o setor, provocando guerras de preços intermináveis e expandindo a capacidade com o apoio de governos locais e bancos estatais.
“Os lucros desapareceram” nas vendas de automóveis na China, afirmou Dunne. A Geely continua lucrativa, em grande medida, como empresa privada graças às suas exportações. Mas, em toda a indústria automotiva chinesa, acrescentou ele, “as empresas estatais são aquelas em que se deve apostar” para serem as últimas a permanecerem no mercado.
O principal concorrente da Geely no mercado interno e no exterior é a BYD, que cresceu saturando o mercado chinês com carros elétricos e híbridos plug-in baratos. Muitos de seus modelos custam menos de US$ 15 mil. A guerra de preços na China tem sido particularmente severa para os carros híbridos plug-in subcompactos, o principal segmento da BYD. Os lucros da BYD caíram drasticamente no ano passado.
Juntamente com as montadoras controladas pelo Estado, SAIC Motor e Chery, a BYD e a Geely estão liderando uma onda de carros chineses no mercado global. A China exportou cerca de um milhão de carros por ano de 2012 a 2020. Esse número saltou para 7,1 milhões no ano passado e está a caminho de atingir 10 milhões este ano, quase tantos carros quanto os Estados Unidos fabricam anualmente.
Com as tarifas que as excluem do mercado americano, as montadoras chinesas estão se concentrando na Europa, Sudeste Asiático, Austrália, América Latina e África.
Para competir nesses mercados, a Geely está apostando na tecnologia. Veja, por exemplo, seu recém-lançado utilitário esportivo Zeekr 8X.
Com o toque de um botão, as cortinas se fecham nas janelas e no teto solar, transformando os bancos traseiros em uma sala de cinema privada com alto-falantes embutidos nos assentos. Quando o proprietário se posiciona na frente do carro e faz um gesto, o veículo consegue sair sozinho de uma vaga de estacionamento apertada. O carro também inclui uma série de recursos avançados de direção autônoma e tem preço inicial de US$ 47 mil.
A Geely informou que a Zeekr planeja iniciar as vendas do veículo no exterior no segundo semestre do ano. Assim como muitos modelos de exportação das montadoras chinesas, o Zeekr 8X é um híbrido plug-in, combinando uma bateria de grande capacidade com um motor a gasolina de reserva.
Esses veículos foram originalmente produzidos para lidar com a “ansiedade de autonomia” em relação aos veículos totalmente elétricos, o medo de que os motoristas ficassem sem energia antes de encontrar um carregador.
Essa preocupação diminuiu no mercado interno, à medida que as empresas estatais de rede elétrica da China adicionaram mais infraestrutura de recarga em todo o país. Como os híbridos plug-in acarretam o custo adicional de um motor a gasolina, a demanda na China está mudando para carros totalmente elétricos.
Em vez disso, montadoras como a Geely e a BYD estão redirecionando os híbridos plug-in para mercados internacionais, onde a infraestrutura de recarga é menos desenvolvida.
A Europa surgiu como um destino privilegiado. A União Europeia impôs tarifas antisubvenção elevadas sobre veículos elétricos chineses no final de 2024, mas isentou os híbridos plug-in, que ainda representavam um segmento pequeno quando a política foi elaborada. Desde então, as importações dispararam.
Em discurso no mês passado na Suécia, Li disse que as tensões geopolíticas estavam remodelando o setor e que o grupo Geely passaria a contar mais com as fábricas europeias da Volvo. “A globalização chegou ao fim, enquanto vemos a tendência de regionalização econômica”, afirmou.
Valor - SP 28/04/2026
As montadoras chinesas estão ultrapassando suas rivais japonesas e europeias com tecnologias avançadas em inteligência artificial e carregamento de veículos elétricos, de olho em uma possível entrada no mercado americano.
O presidente da Volkswagen, Oliver Blume, foi visto no estande da startup chinesa de veículos elétricos Xpeng no primeiro dia do Salão Internacional do Automóvel de Pequim de 2026.
Ele ouvia atentamente o executivo-chefe (CEO) da Xpeng, He Xiaopeng, que falava sobre o recém-anunciado SUV GX, que promete ser capaz de direção autônoma equivalente ao Nível 4.
A Volkswagen adquiriu uma participação de aproximadamente 5% na Xpeng em 2023 e, desde então, desenvolve veículos elétricos em conjunto com a empresa. O ID. UNYX 08 da Volkswagen, um veículo elétrico lançado em 16 de abril, vem equipado com dois chips de inteligência artificial Turing desenvolvidos pela Xpeng.
A Xpeng já incorporou esses chips em veículos de produção em massa para o chamado sistema de assistência ao motorista "de ponta a ponta", que utiliza inteligência artificial para detectar e avaliar o ambiente ao redor do veículo. A Volkswagen busca aprimorar o desempenho da assistência ao motorista adotando a tecnologia da Xpeng.
Em 1985, a Volkswagen foi uma das primeiras empresas a estabelecer uma joint venture na China, enquanto o governo de Pequim trabalhava para fomentar a indústria automobilística nacional. Desde então, a empresa lidera o mercado automotivo chinês.
Quatro décadas depois, um alto executivo da Volkswagen ouvindo atentamente o anúncio de uma startup chinesa de veículos elétricos é um sinal da mudança na dinâmica entre as montadoras chinesas e as empresas estrangeiras que operam no país.
Empresas japonesas como a Toyota e a Nissan também dependem da tecnologia de empresas chinesas, embora em graus variados. A gigante estatal Guangzhou Automobile Group (GAC), que possui joint ventures com a Toyota e a Honda, declarou em 2023 que a "era pós-joint venture" havia chegado para a indústria automobilística chinesa. Três anos depois, fica claro que as montadoras do país não dependem mais de capital estrangeiro.
Com a confiança recém-adquirida, as montadoras chinesas agora miram os mercados estrangeiros.
As vendas de automóveis no mercado interno, entre janeiro e março de 2026, caíram 20% em relação ao ano anterior, enquanto as exportações aumentaram 57%, segundo a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM).
Será cada vez mais crucial para as montadoras conquistarem outros mercados, visto que o total de vendas de veículos novos pelas montadoras chinesas, incluindo as exportações, deverá crescer apenas 1% este ano em relação aos níveis de 2025, devido à fraca demanda interna e às mudanças nos incentivos para veículos de novas energias.
"Começaremos a exportar para a Alemanha, um dos mercados mais competitivos do mundo, em 2027", anunciou Lei Jun, CEO da Xiaomi, importante fabricante de smartphones, no Salão do Automóvel de Pequim. A empresa entrou no mercado de veículos elétricos em 2024.
A Xiaomi estabeleceu um centro de pesquisa e desenvolvimento na cidade alemã de Munique no ano passado e planeja apresentar o YU7 GT no final de maio. O SUV é o primeiro veículo em que o centro desempenhou um papel fundamental.
O estande da BYD, fabricante chinesa líder mundial em veículos elétricos, se destacava no vasto espaço de 380 mil metros quadrados do evento. A empresa exibia diversos veículos elétricos cobertos de gelo em uma sala com a placa "-30 °C".
A sala serve como demonstração da bateria Blade, atualizada em março. A nova versão, segundo a empresa, consegue carregar de 10% a 97% em cerca de nove minutos e em aproximadamente 12 minutos a -30 °C.
A BYD planeja instalar um total de 6 mil pontos de recarga compatíveis com essas baterias fora da China até o final de 2026, expandindo rapidamente sua presença internacional por meio do lançamento de novas tecnologias.
As montadoras chinesas vêm ganhando terreno em regiões como Sudeste Asiático, Europa e América do Sul, mas os Estados Unidos são um mercado no qual elas ainda não conseguiram entrar devido às altas tarifas de importação.
Mas as dificuldades começam a surgir. Pouco antes do Salão do Automóvel de 2026, o ministro do Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu, visitou a província de Guangdong para conhecer escritórios e instalações de empresas como BYD, Xpeng e GAC.
Em janeiro, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciou que as tarifas para veículos elétricos fabricados na China seriam reduzidas condicionalmente para 6,1%, para um limite de 49 mil veículos por ano. O país impôs uma tarifa de 100% sobre veículos elétricos chineses em 2024. Um executivo de uma montadora chinesa afirmou que a empresa está "se preparando para entrar no mercado canadense".
O Canadá pode ser um trampolim para as montadoras chinesas que buscam exportar para os Estados Unidos, já que seus padrões de segurança automotiva são semelhantes aos dos Estados Unidos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez comentários que pareciam permitir que as montadoras chinesas produzissem carros no país, alarmando suas concorrentes nos Estados Unidos, incluindo a General Motors e a Toyota.
"Os Estados Unidos têm sido seu último bastião, mas eles não têm muito tempo", disse Yoshinori Suganuma, diretor da KPMG nos Estados Unidos, referindo-se às montadoras japonesas. Elas precisarão "começar a pensar concretamente em suas respostas caso empresas chinesas comecem a entrar no mercado americano nos próximos três a cinco anos".
Preocupações com a segurança nacional relacionadas à coleta de dados veiculares por veículos elétricos chineses importados levaram muitos países a impor regulamentações rigorosas. As montadoras chinesas precisarão trabalhar com governos e empresas nos mercados-alvo para cumprir as leis locais e permitir que seus veículos utilizem sistemas de assistência ao motorista com inteligência artificial e outros recursos avançados.
IstoÉ Dinheiro - SP 28/04/2026
O Índice de Confiança da Construção (ICST) recuou 1 ponto em abril, para 92,6 pontos, informou nesta segunda-feira, 27, a Fundação Getulio Vargas (FGV). É o menor nível para o índice desde março de 2022 (93,4 pontos), também segundo a FGV. Pela média móvel trimestral, o ICST acumulou queda de 0,4 ponto.
“O otimismo captado no primeiro trimestre do ano não se sustentou. Além da já recorrente dificuldade com a falta de trabalhadores, as obras começam a sofrer os efeitos da alta dos insumos, reflexo da guerra no Oriente Médio”, destacou em nota a coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, Ana Maria Castelo.
Ela destaca que a preocupação de empresas do setor está relacionada ao fato de que as obras de infraestrutura incluídas em programas como o Minha Casa Minha Vida não terem cláusula de reajuste, podendo haver aumento da demanda de reequilíbrio econômico em muitos contratos, em virtude do aumento do preço dos insumos por conta da guerra. “A extensão do conflito pode, em última instância, afetar o ritmo de obras”, salienta.
Nesta leitura do ICST, o índice de situação atual dos negócios caiu 1,7 ponto, a 91,7 pontos, o menor nível desde fevereiro de 2022. Já o índice de expectativas recuou 0,3 pontos na margem, a 93,7 pontos.
Entre os componentes do índice de expectativas, o indicador de demanda para os próximos três meses recuou 2 pontos, chegando a 94,9 pontos, enquanto o indicador de tendência dos negócios nos próximos seis meses avançou 1,4 ponto, para 92,4 pontos.
O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da construção avançou 0,2 ponto porcentual, atingindo 77,8% em abril.
Infomoney - SP 28/04/2026
A ampliação dos limites do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que passou a incluir famílias com renda de até R$ 13 mil e imóveis de até R$ 600 mil, foi bem recebida pelo setor imobiliário. A medida amplia o alcance do crédito, destrava parte da demanda e tende a impulsionar lançamentos. Ainda assim, o sentimento de alguns agentes do segmento é de cautela, não pelas novas regras em si, mas por um fator paralelo que foi ventilado nas últimas semanas: a possibilidade de uso do segundo maior financiador do setor imobiliário, o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), para quitação de dívidas.
Desde a última quinta (22) estão valendo limites maiores no Minha Casa, Minha Vida, que agora abrange famílias com renda mensal de até R$ 13 mil e imóveis de até R$ 600 mil na Faixa 4, a última do programa. Também foram elevados os limites das outras três faixas, que compreendem famílias com renda de até R$ 9.300 e imóveis de até R$ 400 mil, além da uniformização das taxas de juros de todas as faixas em 0,99% ao mês e da extensão do prazo de amortização dos financiamentos de 60 meses para 71 meses.
No pano de fundo, o governo federal desenha uma estratégia para remediar, pelo menos parcialmente, o endividamento do país – que bateu recorde: 49,9% da renda das famílias brasileiras, segundo o Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgado nesta hoje (27). E um dos remédios cogitados pelo Ministério da Fazenda é justamente o FGTS.
A atualização mais recente da discussão foi veiculada na coluna de Mônica Bergamo, no jornal Folha de São Paulo, nesta segunda (27). Segundo a publicação, no âmbito da segunda edição do programa de renegociação de dívidas, o Desenrola 2.0, o FGTS só poderá ser usado para quitar dívidas se o saldo disponível no fundo servir para quitar completamente o débito do cidadão em questão – proposta bem menos ousada do que a anterior, de liberar até 20% do saldo do FGTS para a quitação de dívidas.
O fundo é um dos principais pilares do financiamento imobiliário no Brasil. Em 2025, o fundo respondeu por R$ 138 bilhões dos R$ 324 bilhões em novos financiamentos, considerando todos os segmentos, do comercial ao residencial, o equivalente a cerca de 43% do total, segundo dados da Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). No estoque, são R$ 702 bilhões de uma carteira de R$ 6,23 trilhões, ou 27% do total — atrás apenas da poupança (SBPE), com 29%.
A maior parte dos recursos do FGTS está concentrada na habitação. Em 2026, o orçamento total do fundo soma R$ 160,5 bilhões, dos quais R$ 144,5 bilhões, ou quase 90%, são destinados ao setor. Dentro desse montante, aproximadamente R$ 13 bilhões são voltados a subsídios, que reduzem o valor de entrada e viabilizam a compra para famílias de menor renda.
Esse peso ajuda a explicar por que a possibilidade de liberar saques do FGTS para pagamento de dívidas gera apreensão no setor, especialmente em um momento em que o próprio MCMV amplia sua atuação, incluindo famílias de classe média com renda de até R$ 13 mil, e passa a demandar ainda mais recursos.
Para Anderson Moraes, diretor comercial da BRZ Empreendimentos, construtora especializada no segmento MCMV, o aumento dos limites do programa é positivo, mas não elimina os desafios da demanda e pode se tornar mais complexo se o funding for afetado.
“Mesmo com a ampliação da Faixa 3 do MCMV, os juros e o alto nível de endividamento da classe média continuam limitando o acesso aos imóveis de maior valor. Além disso, a proposta do governo de desviar os recursos do FGTS para o pagamento de dívidas drena recursos que hoje são estruturais para sustentar o programa. Nos nossos empreendimentos, cerca de 28% dos clientes usaram esse recurso na compra do imóvel. O debate, portanto, precisa ir além do estímulo ao crédito e encontrar um equilíbrio entre ampliar o acesso à moradia e preservar o financiamento habitacional no longo prazo”, avaliou.
A leitura de alguns é que, ao mesmo tempo em que o governo amplia o alcance do programa habitacional, também ventila uma frente que pode reduzir a capacidade de financiamento do próprio sistema. Como o FGTS é uma das principais fontes de crédito para o MCMV, qualquer mudança em sua destinação tem impacto direto sobre o setor.
Do lado institucional, a avaliação é de cautela. Filipe Pontual, diretor executivo da Abecip, afirma que ainda é preciso aguardar os estudos técnicos em andamento para avaliar a possibilidade de uso do FGTS na quitação de dívidas sem comprometer sua finalidade principal. Ele destaca que o fundo cumpre um papel estratégico ao mesmo tempo em que funciona como reserva do trabalhador e como base do financiamento habitacional e de projetos de infraestrutura.
Sobre as mudanças no MCMV, Pontual afirma que a entidade vê a revisão dos limites de forma positiva, por ampliar o número de famílias elegíveis ao financiamento com recursos do FGTS e impulsionar o setor imobiliário. Ao mesmo tempo, pondera que a expansão sustentável do crédito depende de uma redução estrutural das taxas de juros, o que reduziria o custo de financiamento e fortaleceria toda a cadeia.
Na prática, o setor vê um cenário de curto prazo favorável, com mais crédito e maior alcance do programa habitacional. Mas a combinação entre expansão do MCMV e possibilidade de novos saques do FGTS introduz uma incerteza relevante: até que ponto o principal motor do financiamento imobiliário conseguirá sustentar esse crescimento no longo prazo.
Um problema estrutural
Do ponto de vista estrutural, essa dependência do FGTS está ligada ao ambiente de juros elevados no Brasil, que limita o desenvolvimento de fontes privadas de financiamento. Para Rodolfo Olivo, professor de Economia e Finanças na FIA Business School, o modelo atual é consequência direta desse cenário.
“Temos no Brasil, um problema estrutural. O sistema financeiro como um todo é financiado pela poupança e FGTS. O que seria ideal para que esse tipo de política não fosse necessária? Taxa de juros menores, para que as construtoras pudessem buscar funding de outras maneiras, como as debêntures. Por mais que aguns desses papéis sejam isentos, é preciso que o emissor remunere o credor com uma taxa de pelo menos CDI mais algum prêmio. Na prática, isso representa um juro ultrapassa 15%. Nesse nível, pensando no financiamento da ponta, para o consumidor final, adicionando risco e spread, cobraria-se 2% de juros ao mês. É impraticável”, explica.
Nesse contexto, o FGTS cumpre um papel central, ainda que apresente limitações. “Olhando para o FGTS, ele tem sim a sua nobreza e o seu papel social. O lado ruim é que remunera muito mal quem tem dinheiro parado lá. O tesouro paga 15% de juros para quem compra títulos públicos. O FGTS é remunerado a 3%, não pagando nem a inflação muitas vezes.”
Além disso, mudanças no mercado de trabalho afetam a capacidade de expansão do fundo. “O que tem corrido nos últimos anos: expansão grande do mercado de trabalho fora da CLT – MEI, aplicativos, informalidade. A base de recolhimento do FGTS não cresce na velocidade do mercado de trabalho, além das questões demográficas de envelhecimento e diminuição da população economicamente ativa.”
Na avaliação de Olivo, uma redução estrutural dos juros seria o caminho para diminuir a dependência do FGTS e permitir que o setor acesse outras fontes de financiamento. “Ou seja, para resolver a questão estrutural, a gente precisaria de uma taxa de juros de 5%, 6%, 7% ao ano – como ocorre no Chile. Aí o setor por si só conseguiria captar crédito pagando 5%, 6%, 7% e emprestar a 12% – que é o valor do juro no financiamento imobiliário atualmente. Isso resolveria a dependência do FGTS, sobretudo quando pensamos em financiamento para a classe média.”
Enquanto esse cenário não se materializa, o fundo segue como o principal motor do crédito imobiliário — mas cada vez mais pressionado por diferentes usos. Olivo lembra que, nos últimos anos, o FGTS passou a ser utilizado em diversas frentes, o que indica uma mudança de visão sobre seu papel. “A partir do temer – que abriu a porta das mexidas no FGTS, com o saque do saldo das contas inativas. Na pandemia houve saque também. Existe o saque aniversário. São atitudes nobres socialmente, mas que apontam para essa tendência de que o FGTS não deve permanecer ali paradinho, como ficamos acostumados. Então entendo o receio das construtoras.”
IstoÉ Dinheiro - SP 28/04/2026
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) acelerou o ritmo de alta a 1,04% em abril, após avanço de 0,36% em março, de acordo com a Fundação Getulio Vargas. Com esse resultado, o índice acumula valorização de 6,28% nos últimos 12 meses. Os dados forma divulgados nesta segunda-feira, 27.
Os preços de Materiais, Equipamentos e Serviços avançaram 1,35% em abril, em comparação com a alta de 0,27% em março, puxados por materiais para estrutura (0,17% para 1,82%). Já o preço dos serviços também acelerou o ritmo de alta, de 0,24% no mês anterior para 0,97% agora, também segundo a FGV.
A Mão de Obra também avançou nesta leitura, a 0,61%, ante expansão de 0,47% na divulgação anterior.
Influências
As principais influências para o aumento no INCC-M derivaram de massa de concreto (0,10% para 4,39%); tubos e conexões de PVC (-0,05% para 5,11%); blocos de concreto (0,50% para 1,48%); cimento portland comum (0,13% para 3,02%); e vergalhões e arames de aço ao carbono (0,03% para 0,91%).
Na outra ponta, puxaram o índice para baixo material para sistema de exaustão (-0,25% para -0,59%) e mármore e granito trabalhados (0,85% para -0,11%).
Valor - SP 28/04/2026
Tráfego vem evitando a região após a escalada das tensões na hidrovia na semana passada, quando lanchas iranianas dispararam contra navios e forças americanas apreenderam dois petroleiros
O Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado à navegação internacional, já que o impacto combinado de bloqueios impostos por Irã e Estados Unidos deixou o principal corredor energético amplamente paralisado.
Apenas um pequeno fluxo de embarcações — em sua maioria com vínculos com o Irã — foi observado nos últimos dias. O tráfego vem evitando a região após a escalada das tensões na hidrovia na semana passada, quando lanchas iranianas dispararam contra navios e forças americanas apreenderam dois petroleiros.
Três embarcações ligadas ao Irã deixaram o Golfo Pérsico pelo estreito na manhã de segunda-feira, segundo dados de rastreamento marítimo compilados pela Bloomberg. Nenhum navio entrando na região foi observado.
A guerra no Oriente Médio, agora em sua nona semana, interrompeu vastos fluxos de petróleo bruto e combustíveis para os mercados globais. O petróleo é negociado acima de US$ 100 por barril após fracassarem os esforços para retomar negociações de paz, tornando Ormuz quase intransitável.
Movimentação de navios
Dois graneleiros e um navio-tanque de gás liquefeito de petróleo, todos ligados a Teerã, deixaram o Golfo na segunda-feira. O movimento ocorreu após um domingo de atividade reduzida, quando as únicas saídas comerciais foram um petroleiro de combustíveis e um graneleiro ligados ao Irã, além de dois cargueiros regionais. Um petroleiro com conexões com a China foi visto entrando no Golfo no domingo.
A maioria dos navios ligados ao Irã que deixou a região nos últimos dias não navegou além do Golfo de Omã. Ainda não está claro se essas embarcações tinham paradas regionais programadas ou se foram obrigadas a aguardar o bloqueio naval americano.
Os navios que transitaram por Ormuz com sinais ativos do Sistema de Identificação Automática (AIS) no último dia ficaram restritos a uma estreita faixa ao norte, próxima às ilhas iranianas de Larak e Qeshm — rota aprovada por Teerã.
O bloqueio americano pode incentivar embarcações ligadas ao Irã a desligarem seus sinais de rastreamento ao entrar ou sair do Golfo Pérsico para evitar detecção, dificultando a obtenção de um retrato preciso do tráfego marítimo. Isso significa que os números de trânsito podem ser revisados para cima posteriormente, quando navios reaparecerem longe das áreas de maior risco.
Mesmo antes das restrições mais recentes impostas pelos EUA, já era comum que navios ligados ao Irã desligassem seus sinais ao se aproximarem de Ormuz para deixar o Golfo Pérsico. Em geral, eles só voltavam a ativá-los no Estreito de Malaca, no Sudeste Asiático, cerca de 13 dias de navegação após deixarem a ilha iraniana de Kharg.
Notas metodológicas
Como embarcações podem navegar sem transmitir sua localização até estarem bem distantes de Ormuz, os sinais automáticos de posicionamento foram compilados em uma ampla área que abrange o Golfo de Omã, o Mar Arábico e o Mar Vermelho, a fim de detectar navios que possam ter entrado ou saído do Golfo Pérsico.
Quando potenciais trânsitos são identificados, o histórico de sinais é analisado para determinar se o movimento é genuíno ou resultado de “spoofing” — interferência eletrônica capaz de falsificar a posição aparente de um navio.
Alguns trânsitos podem não ter sido detectados caso os transponders das embarcações ainda não tenham sido religados. Petroleiros ligados ao Irã frequentemente deixam o Golfo Pérsico sem emitir sinais até alcançarem o Estreito de Malaca, cerca de dez dias após passarem por Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos. Outras embarcações podem estar adotando tática semelhante e, por isso, não aparecem nos sistemas de rastreamento por vários dias.
Este monitoramento será publicado durante períodos de tensão elevada envolvendo o Irã e busca acompanhar o tráfego de todas as categorias de embarcações comerciais.
Valor - SP 28/04/2026
Uma cisão está surgindo dentro do grupo dos sete países mais ricos (G7), com a Europa e o Canadá buscando pressionar os Estados Unidos devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, enquanto o Japão se vê limitado por sua dependência de segurança das forças americanas.
A cúpula do G7 acontecerá em Évian, na França. Tradicionalmente, o grupo — que inclui Canadá, os principais países europeus, Japão e Estados Unidos — se opõe à China, Rússia e outros, enfatizando uma ordem internacional baseada em regras. Mas o conflito no Oriente Médio está alterando essa dinâmica.
Os membros do G7, França e Reino Unido, sediaram uma reunião de líderes em 17 de abril com o objetivo de reabrir o Estreito de Ormuz, que está fechado pelo Irã desde o início da guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel.
Críticos argumentam que o contrabloqueio americano do estreito viola o direito internacional, e os países europeus adotaram uma posição diferente da dos Estados Unidos.
Representando o Japão, o conselheiro de segurança nacional Keiichi Ichikawa participou como observador on-line da reunião de 17 de abril. A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, não compareceu.
Em uma declaração por escrito, Takaichi afirmou: "É essencial que a estabilidade no Estreito de Ormuz seja restaurada o mais rápido possível e que a liberdade e a segurança da navegação para embarcações de todas as nações sejam garantidas."
"O Japão continuará a trabalhar em estreita colaboração com a comunidade internacional, incluindo os países relevantes e as organizações internacionais, e permanece comprometido em tomar todas as medidas possíveis dentro de sua capacidade", diz a declaração.
O Japão também se recusou a aderir à declaração emitida pela França e pelo Reino Unido, que pediu "uma solução diplomática abrangente para o conflito" e enfatizou "a determinação da comunidade internacional em apoiar a liberdade de navegação, defender o direito internacional e proteger a estabilidade econômica global e a segurança energética." Os membros do G7, Canadá, Alemanha e Itália, também assinaram a declaração.
Uma autoridade diplomática japonesa afirmou que a referência a uma "missão multinacional" na declaração representava um obstáculo. A declaração dizia que uma missão seria estabelecida "para proteger navios mercantes, tranquilizar operadores de transporte marítimo comercial e realizar operações de desminagem assim que as condições permitissem, após um acordo de cessar-fogo sustentável".
"O Japão não pode tomar medidas que provoquem uma reação dos Estados Unidos", disse um alto funcionário do governo japonês. Para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma missão multinacional poderia parecer uma tentativa de criar uma ordem que exclua os Estados Unidos.
Desde que Trump retornou à presidência em 2025, os Estados Unidos têm frequentemente entrado em conflito com a Europa e o Canadá, inclusive na resposta à invasão russa da Ucrânia. O governo Trump desconsiderou o direito internacional e adotou uma posição mais favorável à Rússia. O conflito no Oriente Médio complicou ainda mais a situação.
A posição do Japão é singular. Dadas as ameaças que enfrenta da China, Coreia do Norte e Rússia, o risco de uma retirada do apoio americano à segurança é mais sério do que no caso da Europa e de outros lugares. O Japão não possui armas nucleares, e qualquer questão sobre o envolvimento dos Estados Unidos na dissuasão ou na resposta a crises degrada ainda mais o ambiente de segurança japonês.
Por isso, Takaichi tem se alinhado consistentemente com os Estados Unidos em questões do Oriente Médio. Em uma cúpula na Casa Branca, em 19 de março, ela afirmou que "a única pessoa que pode trazer paz e prosperidade ao mundo é Donald".
O Japão tem buscado atrair o interesse de Trump por meio da cooperação econômica. Na cúpula, Takaichi detalhou a segunda rodada de projetos de investimento no âmbito do compromisso de US$ 550 bilhões assumido por Tóquio. Após chegar a um acordo sobre tarifas, o Japão foi o primeiro a avançar com investimentos concretos.
Antes da cúpula bilateral, Trump solicitou a aliados, incluindo o Japão e nações europeias, que enviassem navios de guerra ao Estreito de Ormuz. O Japão, assim como a Europa, adotou uma postura cautelosa. Mas, durante a reunião de líderes, Trump elogiou o Japão, dizendo que o país estava assumindo a responsabilidade, "ao contrário da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte]". Os compromissos de investimento de Tóquio podem ter contribuído para essa avaliação.
O Japão, a Europa e outros aliados dos Estados Unidos dependem do poderio militar esmagador americano para garantir a segurança contra ameaças próximas. Mas seguir cegamente o governo Trump implica o risco de contradizer afirmações sobre o Estado de Direito e princípios semelhantes. Gerir a relação com os Estados Unidos, mantendo-a em perspectiva, está se tornando cada vez mais importante.
A União Europeia está utilizando acordos de livre comércio como alavanca para expandir os laços econômicos para além de suas fronteiras, criando regras comerciais e um ambiente de investimento que pode funcionar sem a participação dos Estados Unidos.
Em janeiro, a União Europeia concluiu as negociações com a Índia e assinou um acordo com o Mercosul, bloco comercial sul-americano. Em março, finalizou as negociações com a Austrália. A União Europeia também busca trabalhar com a Parceria Transpacífica Abrangente e Progressiva (CPTPP), um bloco comercial centrado na região da Ásia-Pacífico.
Na área de segurança, a Europa continua a priorizar as relações com os Estados Unidos por meio da Otan. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, ex-primeiro-ministro holandês que mantém laços estreitos com Trump, desempenhou um papel fundamental na manutenção dessa relação. Os dois se encontraram na Casa Branca em 8 de abril.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, busca manter certa distância dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que tenta unir as "potências médias". O Canadá assinou um acordo de transferência de equipamentos e tecnologia de defesa com o Japão em 2026 e está fortalecendo sua cooperação em segurança com cinco países do norte da Europa, inclusive na defesa do Ártico.
Economicamente, o Canadá parece estar se aproximando da China. Em troca de tarifas mais baixas sobre veículos elétricos chineses, Pequim concordou em reduzir os impostos sobre a canola canadense.
A Austrália está aprofundando seus laços econômicos e de segurança com nações amigas além dos Estados Unidos. Em março, firmou acordos com a União Europeia e o Canadá. Também está expandindo a cooperação em segurança com o Japão e a vizinha Indonésia, construindo estruturas que permitam uma cooperação militar mais eficiente.
A Coreia do Sul encontra-se em uma posição semelhante à do Japão, enfrentando um ambiente de segurança mais severo do que o da Europa. Há uma crescente pressão por uma "defesa autossuficiente" que reduza a dependência das forças americanas estacionadas na Coreia do Sul. Seul está focando no desenvolvimento de sua indústria de defesa e fortalecendo os laços com o Oriente Médio e o Sudeste Asiático por meio da exportação de equipamentos de defesa.
As discussões sobre a aquisição de armas nucleares também estão ganhando força. Em uma pesquisa realizada em 2026 pelo Instituto Asan de Estudos Políticos da Coreia do Sul, 80% dos entrevistados apoiaram o desenvolvimento de armas nucleares em território nacional. Para mitigar as ameaças regionais, a Coreia do Sul também está trabalhando para melhorar as relações com a China, que haviam se deteriorado anteriormente.
O Estado de S.Paulo - SP 28/04/2026
O Irã passou a recorrer a alternativas para escoar sua produção de petróleo diante do bloqueio dos Estados Unidos a seus portos, que tem limitado as exportações e pressionado a capacidade de armazenamento no país. Entre as medidas, está a tentativa de envio de cargas por ferrovia para a China, segundo afirmou Hamid Hosseini, porta-voz da associação de exportadores iranianos, ao Wall Street Journal.
De acordo com o jornal, o transporte ferroviário costuma ser evitado por exportadores por ser menos eficiente e rentável do que o modal marítimo. A restrição logística imposta ao Irã, no entanto, tem levado o país a adotar soluções consideradas atípicas para manter o fluxo de vendas.
Com as restrições ao transporte marítimo, os estoques de petróleo têm se acumulado rapidamente. Sem conseguir embarcar cargas nem liberar navios-tanque vazios, o país recorre ao armazenamento em embarcações ancoradas, prática já utilizada em momentos de crise.
Agora, autoridades iranianas também relatam o uso de soluções menos convencionais para ampliar a capacidade de estocagem. Entre elas, estão contêineres e tanques desativados, descritos como “armazenamento de sucata”, em centros petrolíferos como Ahvaz e Asaluyeh, no sul do país.
Fortemente dependente das exportações de petróleo para sustentar sua economia, o Irã busca evitar a interrupção da produção enquanto enfrenta as limitações logísticas impostas pelo cenário geopolítico.
O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, declarou na última sexta que nenhum navio circula pelo Estreito de Ormuz sem a devida autorização da Marinha dos EUA, endurecendo o controle sobre uma das rotas de petróleo mais importantes do mundo nesta fase do conflito.
Por sua vez, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país não irá negociar um acordo para o fim da guerra “sob pressão, ameaças ou bloqueios”.
Valor Investe - SP 28/04/2026
Tensões no Estreito de Ormuz elevam risco e sustentam alta da commodity
Os preços do petróleo subiram nesta segunda-feira (27), após novo fracasso nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que eram esperadas para o fim de semana. O cancelamento do encontro pelos americanos frustrou as expectativas de avanço diplomático e elevou as incertezas sobre o fim da guerra no Oriente Médio.
O movimento ganhou força depois de relatos de que a Guarda Revolucionária do Irã abordou dois navios cargueiros próximos ao Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo, aumentando a percepção de risco sobre a oferta global.
Nesse cenário, o petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em junho subiu 2,75%, cotado a US$ 108,23 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE), enquanto o WTI (referência americana) com entrega prevista para o mesmo mês valorizou 2,09%, a US$ 96,37 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
A falta de progresso nas negociações reduz as chances de normalização do fluxo de petróleo pela região no curto prazo, o que mantém o mercado mais apertado e sustenta os preços em patamares elevados.
Apesar da escalada nas tensões, ainda há sinais de tentativa de retomada do diálogo. Segundo a CNBC, o Irã apresentou uma nova proposta aos Estados Unidos envolvendo a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do conflito, embora com a sugestão de adiar discussões sobre o programa nuclear.
No fim de semana, o presidente Donald Trump cancelou o envio de representantes americanos para negociar com autoridades iranianas no Paquistão. Do lado iraniano, o chanceler Abbas Araghchi chegou a viajar ao país, mas não houve encontro com integrantes do governo dos EUA.
Assim, sem perspectiva clara de avanço diplomático, o petróleo reage com alta e volta a incorporar um prêmio de risco mais elevado, refletindo as incertezas sobre o fim da guerra.
Valor - SP 28/04/2026
Área negociada, detida pela Shell, ONGC e Brava Energia, refere-se a um setor do campo de Argonauta que abrange 0,86% da jazida compartilhada do pré-sal de Jubarte
A Petrobras celebrou acordo para a aquisição de 100% de uma porção do ‘ring-fence’ (área delimitada) do campo de Argonauta, na Bacia de Campos, detida pela Shell, ONGC e Brava Energia, informou a petroleira nesta segunda-feira (27). O valor total da operação será o somatório de R$ 700 milhões e US$ 150 milhões, cujo pagamento previsto será feito em três parcelas.
A porção adquirida é referente a uma área do campo de Argonauta que abrange 0,86% da jazida compartilhada do pré-sal de Jubarte, relacionada ao Acordo de Individualização da Produção (AIP) vigente desde 1º de agosto de 2025.
Do valor total do negócio, R$ 100 milhões serão pagos no fechamento da operação. Uma segunda parcela, no valor de R$ 600 milhões, será paga em 15 de janeiro de 2027 ou no fechamento do negócio, o que ocorrer mais tarde. Já os US$ 150 milhões serão pagos dois anos após o fechamento. Os valores estão sujeitos a ajustes de preço definidos no contrato.
Após a conclusão da operação, a Petrobras passará a deter 98,11% de participação na jazida compartilhada de Jubarte, enquanto a União, representada pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), manterá sua participação de 1,89% referente à extensão da jazida para áreas não contratadas.
Com o fechamento da transação, será encerrada a negociação para equalização entre Petrobras, Shell, ONGC e Brava, cujo andamento foi divulgado em comunicado em 20 de outubro de 2025, bem como serão encerradas quaisquer negociações, em andamento ou potenciais, referentes à individualização da produção e/ou à equalização de eventuais jazidas compartilhadas entre Jubarte e a porção do “ring-fence” envolvida neste novo acordo.
“A aquisição apresenta condições econômico-financeiras atrativas, simplifica a gestão do ativo e está em consonância com o plano de negócios da Petrobras, fortalecendo nossa atuação na Bacia de Campos e maximizando valor com foco em ativos rentáveis”, declarou a estatal.
A conclusão da operação está sujeita ao cumprimento de condições precedentes previstas no contrato de compra e venda, incluindo a aprovação pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Exame - SP 28/04/2026
O Governo de São Paulo deve anunciar, durante a Agrishow, a liberação de R$ 40 milhões em subvenção para a aquisição de maquinário agrícola. A feira, considerada a maior do setor na América Latina, começa segunda-feira, 27, em Ribeirão Preto (SP) — a expectativa é viabilizar até mil operações por meio do programa Pró-Trator.
Criado pela Secretaria de Agricultura, o Pró-Trator já liberou R$ 140 milhões nos últimos três anos, com foco em pequenos produtores. Na prática, o governo subsidia parte dos juros dos financiamentos, tornando as condições mais acessíveis do que as praticadas no mercado.
A subvenção pode cobrir até 50% da taxa Selic vigente no momento da contratação, com limite de até 8% ao ano e teto de R$ 50 mil por produtor.
Podem acessar a linha produtores rurais do estado de São Paulo enquadrados no FEAP, desde que tenham cadastro ativo e regular no CAR (SICAR-SP), além de DAF ou CAF. O financiamento é voltado à compra de tratores de até 125 cv e implementos agrícolas novos.
As operações são analisadas por cooperativas, que definem prazos e condições de pagamento conforme o perfil do produtor — os recursos são liberados mediante comprovação da aquisição dos equipamentos.
"Ao facilitar o acesso à mecanização, o Estado reduz custos, aumenta a produtividade e melhora a eficiência da produção. É uma política que chega na ponta, que transforma crédito em resultado e garante mais renda e capacidade de crescimento para quem está no campo”, diz o secretário de Agricultura de São Paulo, Geraldo Melo Filho.
Crédito no agro
Neste domingo, 26, durante a abertura do evento, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) anunciou a criação de uma linha de crédito de R$ 10 bilhões para a compra de máquinas e implementos agrícolas. Segundo ele, os recursos devem ser liberados em até três semanas, com taxas de juros reduzidas.
“São R$ 10 bilhões para financiar trator, implementos, colheitadeiras, enfim, toda a parte de máquinas agrícolas, pela própria Finep”, afirmou na abertura do evento.
A iniciativa dá sequência à primeira fase do programa, direcionada ao setor de caminhões, cujos recursos foram totalmente consumidos em cerca de 90 dias, evidenciando a forte demanda por crédito no segmento. Nesta nova etapa, batizada de Move Agricultura, os financiamentos terão taxas de juros em um dígito e serão operacionalizados.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula (PSD), disse que a prioridade do governo é estruturar um Plano Safra robusto, com maior volume de recursos e condições mais acessíveis ao produtor rural. Em 2025, o governo lançou um Plano Safra de R$ 516,2 bilhões.
“Primeiro, buscamos um novo recorde no nosso Plano Safra, mas com a consciência de que, mais importante do que assegurar um valor expressivo de recursos, é conseguir trabalhar com uma taxa compatível, que viabilize o acesso dos nossos produtores a esses recursos”, afirmou o ministro.
Apesar do anúncio, representantes do setor alertaram para os desafios enfrentados pelo agronegócio. O presidente da Agrishow, João Carlos Marchesan, mencionou a pressão sobre os custos de produção e pediu maior previsibilidade nas políticas públicas, além de atenção especial ao desenho do próximo Plano Safra.
Valor - SP 28/04/2026
Avanço foi sustentado sobretudo pelo crescimento da produção agropecuária nacional
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro avançou 12,2% em 2025 sobre o ano anterior, sustentado sobretudo pelo crescimento da produção agropecuária nacional, que também impulsionou os agrosserviços. Os números, divulgados ontem, foram calculados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Segundo o Cepea/CNA, o PIB do agronegócio alcançou R$ 3,20 trilhões no ano passado, sendo aproximadamente R$ 2,06 trilhões no ramo agrícola e R$ 1,14 trilhão no ramo pecuário, a preços do quarto trimestre.
Com esse resultado, a participação do agronegócio na economia brasileira foi de 25,13% em 2025, acima dos 22,9% registrados no ano anterior.
A CNA destacou que, apesar da expressiva expansão registrada no acumulado do ano, o resultado foi impulsionado, principalmente, pela elevação dos preços reais ao longo do período.
“Com a incorporação dos dados referentes ao último trimestre do ano, o desempenho do PIB do agronegócio foi relativamente mais contido do que aquele projetado pelas análises parciais. Mesmo assim, o resultado mostrou um crescimento importante, sustentado tanto pelo aumento da produção quanto pela manutenção de preços reais em patamares superiores aos observados em 2024”, afirmou a entidade em comunicado.
Entre os segmentos do agro, o PIB dos insumos cresceu 5,37%, impulsionado pelos insumos agrícolas, especialmente fertilizantes, defensivos e máquinas. Já os insumos de base pecuária recuaram, influenciados pela queda no valor da produção da indústria de rações.
No segmento primário, o crescimento foi expressivo (17,06%), segundo os cálculos, sustentado tanto pelo aumento da produção agrícola, com destaque para milho e café, quanto pela combinação de preços mais elevados e maior produção na pecuária.
Na agroindústria, o desempenho foi heterogêneo: as atividades de base agrícola recuaram 3,33%, pressionadas pela queda dos preços industriais, enquanto as de base pecuária avançaram 36,54%, influenciadas pela valorização dos preços e pela expansão da produção.
Os agrosserviços também tiveram avanço significativo no ano passado (13,76%), “refletindo principalmente o dinamismo da pecuária”, de acordo com os cálculos do Cepea/CNA.
Canal Rural - SP 28/04/2026
A cena é nova, mas o impacto já é real: o produtor conversa com o trator, a máquina responde, analisa dados e sugere decisões. O que antes parecia futurista virou um dos principais sinais de mudança a ser apresentado pelo grupo ACGO na Agrishow 2026, entre 27 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto, São Paulo.
Isso porque a Valtra apresenta pela primeira vez no Brasil o Talking Tractor, o trator que fala. A novação transforma as máquinas agrícolas em assistentes interativos, visto que por meio de comandos de voz e texto, entre várias interações possíveis, o produtor rural pode perguntar à máquina sobre métricas de desempenho, economia de combustível ou emissões de carbono, recebendo respostas e percepções imediatas em linguagem simples, com apoio de gráficos e informações visuais, para melhorar a gestão financeira e operacional da fazenda.
Com isso, a proposta é simples e disruptiva: transformar dados complexos em conversa. O sistema foi treinado com manuais, dados de telemetria e histórico de operação. Na prática, isso significa que o conhecimento técnico da máquina deixa de estar escondido em documentos e passa a ser acessado em tempo real.
Mais do que uma inovação pontual, o conceito mostra uma mudança de lógica: a máquina não apenas executa, ela orienta. Essa revolução digital encontra um terreno fértil no país. Segundo estudo da McKinsey, 54% dos produtores brasileiros já acreditam que a tecnologia aumenta os ganhos, sendo que mais de 70% usam softwares de gestão.
Autonomia em outro nível
Agora, se o trator que fala chama atenção, o que trabalha sozinho muda o jogo. O sistema OutRun, da PTx, do grupo AGCO, leva a autonomia para outro nível ao permitir que máquinas operem sem condutor na cabine, sob supervisão.
Na prática, o trator passa a atuar como um espelho da colheitadeira, posicionando-se automaticamente para receber o grão, sem falhas ou desperdícios. O impacto direto está na eficiência:
Operações até 60% mais rápidas Funcionamento 24 horas por dia Eliminação de sobreposição e desperdício de insumos
Além disso, a tecnologia pode ser instalada em máquinas já existentes, sem necessidade de troca de frota, fator decisivo em um cenário de custos elevados.
Operação integrada
O grupo AGCO entende que o novo centro de comando da fazenda é digital. Se antes o desafio era coletar dados, agora é conectar tudo. É exatamente essa lacuna que o FarmEngage, da Massey Ferguson, tenta resolver.
A plataforma, desenvolvida pela Ptx, funciona como um cérebro central da operação, integrando máquinas de diferentes marcas e gerações em uma única interface. Assim, onde é comum ter frotas mistas, como na maioria das propriedades brasileiras, essa nova tecnologia muda completamente a gestão.
Com rastreamento em tempo real, relatórios automáticos e integração com outros sistemas, o produtor passa a ter controle total da operação, com decisões mais rápidas e baseadas em dados. Assim, o ganho passa a não estar apenas na produtividade, mas na redução de tempo ocioso e na precisão dos custos.
Máquinas mais inteligentes, operações mais eficientes
A inteligência artificial está embarcada em cada etapa da operação e não aparece apenas nos softwares. Na prática, isso significa máquinas que ajustam o próprio comportamento em tempo real.
Este é o caso do trator MF 9S, da Massey Ferguson, o maior e mais potente da marca, podendo chegar a até 425 cv. O modelo conta com direção autônoma, assistentes de operação e monitoramento remoto em tempo real.
A nova série conta com piloto automático (MF Guide), sistema que mantém o trator na linha com precisão centimétrica. O modelo também realiza manobras praticamente sozinho: com o MF AutoTurn, se alinha à próxima passada, enquanto a função de cabeceira (AutoHeadland) executa comandos de forma automática no fim e início de cada linha, reduzindo a intervenção do operador e aumentando a eficiência operacional.
Outro destaque do MF 9S é a conectividade. Com o MF Connect, o produtor acompanha à distância dados como consumo de combustível, localização e desempenho da máquina, elementos que permitem gestão e diagnóstico remoto em tempo real, em qualquer lugar.
Sistema de piloto automático
Além do trator que fala, o visitante da Agrishow presenciará uma nova evolução na linha de tratores de média potência da Valtra: a Série A5 e A5 Hitech. A quinta geração é uma evolução da consagrada Série A4, trazendo design renovado, atualizações do motor para maior eficiência térmica e um salto tecnológico com a inclusão de novas soluções de agricultura de precisão.
Os modelos contam com uma nova geração de motores AGCO Power (105 a 145 cv), com otimização da eficiência térmica, que garante mais performance com melhor aproveitamento de combustível.
Um importante salto tecnológico da Série A5 é a introdução do sistema de piloto automático Valtra Guide by Trimble hidráulico. Diferente do sistema elétrico anterior, o novo piloto hidráulico oferece respostas mais rápidas e maior precisão no direcionamento, utilizando a mesma tecnologia de piloto global presente nas consagradas séries Q e S.
Entre as novidades tecnológicas presentes na linha também estão recursos como o TaskDoc, ferramenta de gestão automática de dados agrícolas, e o Wayline Assist, funcionalidade que otimiza a criação e o gerenciamento de linhas de orientação no campo, especialmente em áreas irregulares ou de formatos complexos.
Plantadeira dobrável
A Fendt, fabricante alemã de maquinário agrícola do grupo AGCO, entende que os produtores brasileiros são ávidos por tecnologia. Por isso, apresenta na Agrishow a plantadeira dobrável Momentum de 30 e 40 linhas, nova versão que permite ainda mais eficiência, sustentabilidade e lucratividade no campo em tempo real.
A nova geração oferece a mesma qualidade de operação no campo dos modelos da marca já consagrados no mercado, mas com tecnologias exclusivas que contribuem para uma eficiência operacional e produtividade ainda maiores na lavoura. Uma das novidades são as seções de fertilizantes: três para a versão de 30 linhas e quatro para a de 40 linhas. Isso permite a melhora da aplicação do insumo, principalmente nas cabeceiras, e reduz a sobreposição de produtos.
O sistema da Fendt Momentum reduz em até 75% a sobreposição de insumos nas cabeceiras, garantindo o uso racional de produtos. A nova geração da Momentum 30 e 40 linhas conta ainda com um sistema de distribuição de peso pelo chassi, o Weight Transfer, que distribui o peso central da máquina para os módulos laterais, aumentando a emergência em até 7%.
Outra inovação é a melhor capacidade operacional da máquina, com reservatórios maiores que permitem um aumento de 3% a 5% na eficiência da plantadeira devido ao menor tempo de paradas. Além disso, outro grande diferencial da Fendt é o Delta Force, que realiza o controle individual nas linhas de plantio, com até cinco ajustes automáticos por segundo, aplicando a carga correta para melhor construção do sulco.
Trator e plantadeira integrados
O trator MF 9S, da Massey Ferguson, atua de forma integrada à Momentum nas duas versões (30 e 40 linhas). O sistema de chassi inteligente da plantadeira garante maior uniformidade de profundidade de semeadura, fator decisivo para a emergência homogênea das plantas.
Outro diferencial está no controle de insumos. A plantadeira conta com a tecnologia VSet para singulação de sementes e o sistema VDrive, que realiza o controle linha a linha, evitando falhas e sobreposições.
A grande novidade, porém, é a adoção do novo vApply, tecnologia de Precision Planting para controle de fertilizantes, que passa a oferecer monitoramento mais preciso da dosagem e controle de seção, evitando a sobreposição de insumos nas manobras em cabeceiras ou curvas de nível.
Em complemento, o monitor 20/20 de nova geração amplia a visibilidade do operador, com dados em tempo real e integração com câmeras, facilitando a identificação de possíveis falhas e aumentando o controle da operação. Além disso, melhorias no fluxo de palha e no design das linhas reduzem o risco de embuchamento, especialmente em áreas de plantio direto.
Assim, o MF 9S, aliado a Momentum 30 e 40 linhas, representa um novo patamar de eficiência para grandes produtores. Trata-se de uma solução completa que combina potência, inteligência operacional e qualidade agronômica, garantindo mais produtividade e melhor aproveitamento das janelas de plantio.
Em um cenário de custos pressionados, eficiência deixou de ser diferencial e virou necessidade. E é exatamente aí que a nova geração de máquinas do grupo AGCO entrega resultado direto. O campo já entrou na era da decisão automatizada. Não se trata mais de máquinas maiores ou mais rápidas. Agora, o diferencial está na capacidade de interpretar dados e tomar decisões.
A inteligência artificial passa a atuar como uma camada invisível, conectando equipamentos, otimizando processos e reduzindo erros. No fim do dia, o impacto aparece onde mais importa: mais produtividade, menor custo e maior previsibilidade.
IstoÉ Dinheiro - SP 28/04/2026
A JCB, empresa multinacional de equipamentos para construção, anunciou nesta segunda-feira, 27, na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), plano de dobrar o tamanho de sua operação no País até 2030. Em coletiva de imprensa, a fabricante afirmou que a estratégia é amparada por um investimento de R$ 500 milhões anunciado em 2024, do qual R$ 360 milhões são destinados à modernização da fábrica em Sorocaba (SP), que, segundo a JCB, abastece o mercado da América Latina.
O presidente da JCB América Latina, Adriano Merigli, afirmou que a estratégia considera lançamentos e ampliação da produção. “Nosso plano de dobrar de tamanho até 2030 está ancorado em uma estratégia de lançamentos constantes e na expansão da nossa capacidade produtiva”, disse o executivo.
A empresa informou que no primeiro bimestre de 2026, houve um crescimento de 13,8% no total de suas linhas de produtos em comparação ao mesmo período de 2025. A linha de manipuladores telescópicos Loadall teve aumento de 69,4% nas vendas no primeiro bimestre deste ano, mercado em que a JCB detém 80% de participação no Brasil.
O setor de agronegócio representa entre 15% e 20% dos negócios globais e nacionais da marca.
De acordo com o diretor comercial do agronegócio da JCB para a América Latina, Rafael Cardoso, as vendas de escavadeiras para o setor agrícola cresceram 200% no primeiro bimestre de 2026 em relação ao ano anterior.
Eae Máquinas - SP 28/04/2026
A CASE Construction Equipment apresenta durante a Agrishow, entre os dias 27 de abril e 01 de maio, em Ribeirão Preto (SP), um conceito inédito de pá carregadeira movida a etanol, reforçando sua estratégia de inovação e sustentabilidade. Desenvolvida a partir da plataforma da consagrada 721E, a máquina foi adaptada para atender às demandas específicas do setor sucroalcooleiro, aliando eficiência operacional e redução de custos. O equipamento está em fase de testes e será apresentado como conceito, sem previsão imediata de comercialização.
“O setor sucroenergético é central na transição para matrizes mais limpas e exige soluções alinhadas a essa realidade. Com essa iniciativa, ampliamos nossa atuação e, em sinergia com a Case IH, avançamos em uma proposta integrada que conecta campo e construção a partir do uso do etanol”, afirma Henrique Sá, Líder da CASE Construction Equipment para a América Latina.
O projeto da pá carregadeira 721E a etanol utiliza motorização que permite que a carregadeira opere com etanol, combustível já produzido pelas próprias usinas. A proposta é reduzir significativamente a dependência do diesel, que hoje representa entre 16% e 20% dos custos operacionais desse tipo de atividade. Além da eficiência operacional, a solução contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa e fortalece o uso de uma matriz energética renovável no setor.
Com cerca de 400 usinas em operação no Brasil e perspectivas de crescimento com o etanol de milho, trazemos uma solução alinhada à realidade do setor, que aproveita um recurso já presente no processo produtivo. Com isso, reforçamos o papel da CASE na vanguarda da inovação”, afirma Anderson Nascimento, Gerente de Produto da CNH.
Além da inovação energética, a máquina foi configurada para maximizar o desempenho em aplicações com materiais de baixa densidade, como o bagaço de cana. Para isso, conta com uma caçamba de maior capacidade e com pneus especialmente adequados a esse tipo de operação, que favorecem a tração e a estabilidade mesmo em superfícies irregulares e com alto acúmulo de material leve. Essa combinação contribui para maior eficiência no carregamento e melhor desempenho operacional nas rotinas das usinas.
A iniciativa da CASE está alinhada à estratégia da Case IH, marca agrícola da CNH, que vem desenvolvendo um portfólio de máquinas movidas a etanol como parte de seu compromisso com a agricultura regenerativa e a descarbonização do agronegócio. Com projetos desenvolvidos integralmente no Brasil, a Case IH já avança com soluções como a colhedora de cana Austoft 9000 — a primeira de duas linhas com motor ciclo Otto movido a etanol — e o trator Puma 230, que tem entregado desempenho equivalente ao diesel. “Esse movimento conjunto amplia a integração entre as marcas e o potencial de aplicação do etanol em diferentes frentes operacionais, consolidando uma estratégia coordenada dentro da CNH”, afirma Flávio Mazetto, diretor de Marketing de Produto da CNH para América Latina.
Da obra ao campo, soluções que transformam a operação agrícola
Além da 721E movida a etanol, a marca apresenta equipamentos amplamente utilizados no dia a dia das operações agrícolas. A pá carregadeira 621E se destaca pela versatilidade na movimentação de materiais como grãos, silagem e ração, enquanto a escavadeira hidráulica CX220C, uma das mais demandadas do mercado, é aplicada em obras de infraestrutura rural, construção de silos e manejo de materiais.
Entre os destaques, a CASE leva a miniescavadeira CX35D, indicada para operações em condições complexas, com eficiência e segurança. Multifuncional, o modelo permite o uso de diferentes implementos, ampliando suas aplicações no campo. Já a retroescavadeira 580N S2 HD, sinônimo de tradição, se destaca pela robustez e versatilidade. Amplamente utilizada no agronegócio, atende desde atividades de apoio à infraestrutura, como abertura de valas e manutenção de áreas, até operações específicas, como o “caranguejar” no cultivo de arroz, reforçando sua adaptação às demandas do campo.
Outro equipamento em evidência é a motoniveladora 865B Série 2, utilizada na construção e manutenção de estradas rurais e curvas de nível, contribuindo diretamente para a logística dentro das propriedades. Já a minicarregadeira SV300B reforça o conceito de multifuncionalidade, com ampla gama de implementos que permitem sua utilização em diversas atividades, como limpeza, roçagem e apoio à irrigação.
Em comum, todos os equipamentos compartilham atributos valorizados pelo produtor rural, como alta produtividade, baixo consumo de combustível, facilidade de manutenção e robustez para operar em ambientes severos. Outro diferencial é a telemetria embarcada, presente em todas as máquinas, que permite o monitoramento remoto e contribui para uma gestão mais eficiente da frota, com sete anos de gratuidade no serviço.
Com a participação na Agrishow, a CASE reforça seu posicionamento como parceira do agronegócio, oferecendo soluções que vão além da construção e contribuem diretamente para a eficiência e a rentabilidade no campo.
Condições especiais de financiamento do Banco CNH na Agrishow
O Banco CNH, principal parceiro comercial da CASE Construction Equipment, participa da Agrishow com um portfólio completo de soluções financeiras, desenvolvido para atender diferentes perfis de produtores e as atuais demandas do agronegócio.
Como um dos principais repassadores do BNDES, o Banco CNH reforça seu protagonismo na oferta de linhas subsidiadas e segue preparado para atuar com programas com recursos do Tesouro Nacional, como o Moderfrota Pronamp e o Pronaf Mais Alimentos, iniciativas fundamentais para fomentar investimentos, modernização e competitividade no campo.
Outra alternativa oferecida pela instituição financeira é o Crédito Rural – Taxa Fixa BNDES em Dólar (TFBD), voltado à aquisição de máquinas e equipamentos por meio de repasses do BNDES. A linha oferece condições atrativas para produtores com receitas atreladas à moeda estrangeira, com taxa pré-fixada no momento da contratação e prazos mais longos, alinhados à dinâmica do setor. Nesse modelo, o valor das parcelas em Real varia conforme a cotação do dólar no dia anterior ao pagamento.
Durante a feira, o Banco CNH contará com uma equipe especializada para atendimento a clientes e concessionários, reforçando a proximidade e a oferta de soluções personalizadas ao longo de toda a jornada do produtor. Em um ambiente cada vez mais competitivo, essa atuação consultiva se consolida como um diferencial relevante na decisão de investimento e tomada do crédito.
A CASE Construction Equipment comercializa e dá suporte a uma linha completa de equipamentos de construção ao redor do mundo, detentora de um portfólio completo de escavadeiras hidráulicas, motoniveladoras, pás-carregadeiras, tratores de esteiras, minicarregadeiras, rolos compactadores e retroescavadeiras, inclusive a CASE foi a fabricante da primeira retroescavadeira em 1957. Por meio dos revendedores CASE, os clientes têm acesso a um verdadeiro parceiro comercial com equipamentos de classe mundial, líderes de mercado, com suporte de pós-vendas, garantia de qualidade e financiamento flexível. Mais informações podem ser encontradas no site: www.casece.com.
A CASE é uma marca da CNH, líder mundial em bens de capital listada na New York Stock Exchange (NYSE: CNH). Mais informações sobre a CNH podem ser encontradas on-line em www.cnh.com.