Exame - SP 27/04/2026
A Usiminas deu início à temporada de balanços no Brasil e apresentou resultados referentes ao primeiro trimestre de 2026 bem melhor que o do ano anterior. O lucro líquido saltou de R$ 129 milhões para R$ 896 milhões. alta de 596%. O número, porém, foi impulsionado por fatores fora da operação.
O real se valorizou cerca de 5% frente ao dólar no trimestre, gerando ganhos cambiais de R$ 101 milhões. Houve ainda um crédito tributário de R$ 412 milhões relacionado a impostos diferidos.
Ebitda caiu 11%
A empresa gerou R$ 653 milhões de Ebitda, indicador mais fidedigno de operação da empresa. O número registrou uma alta de 56% na comparação com o trimestre anterior. Mas em relação ao mesmo período do ano passado, o resultado recuou 11%.
A receita caiu 14%, no mesmo intervalo de tempo, para R$ 5,87 bilhões. A empresa faturou menos e também vendeu menos volume.
Na siderurgia, foram 1,007 milhão de toneladas de aço vendidas, 8% abaixo do primeiro trimestre. Na mineração, a queda foi maior: 1,95 milhão de toneladas, recuo de 12% no mesmo período.
Dois fatores pesaram. No minério, as chuvas atrapalharam a produção. No aço, o mercado brasileiro foi inundado por um volume atipicamente alto de importados. resultado da corrida dos importadores para estocar produto antes da entrada em vigor das tarifas antidumping aplicadas pelo governo em fevereiro. Esse excesso de estoque de material estrangeiro comprimiu a demanda pelo aço nacional no trimestre.
O ponto positivo na comparação anual fica por conta da margem EBITDA ajustada, que avançou de 10,7% para 11,1%, leve melhora de 0,4 ponto percentual. É um sinal de que a empresa está operando com mais eficiência do que há um ano, mesmo vendendo menos volume e faturando menos receita.
Na siderurgia, a receita líquida por tonelada no mercado interno foi de R$ 5.206 por tonelada no primeiro trimestre de 2026, contra R$ 5.570 por tonelada de um ano antes — queda de 6%.
Um ponto que sustentou a margem foi o mix de vendas ligeiramente melhor: a fatia do setor automotivo, que compra aço de maior valor agregado, cresceu de 31,9% para 33% do volume total vendido no mercado interno.
Na mineração, o preço médio de exportação do minério subiu 12% na comparação anual, de US$ 78 por tonelada para US$ 87. O problema da divisão foi volume, já que as chuvas derrubaram a produção e as vendas, impedindo que a alta de preços se traduzisse em resultado melhor.
O custo dos produtos vendidos caiu 15% na comparação anual, de R$ 6,08 bilhões para R$ 5,16 bilhões. A queda, portanto, foi maior que a das receitas e foi essa diferença, ainda que pequena, que permitiu à Usiminas entregar uma melhora de margem Ebitda.
A Usiminas terminou o trimestre com R$ 6,69 bilhões em caixa e aplicações e dívida bruta de R$ 6,30 bilhões, o que deixou a alavancagem negativa.
O que vem pela frente
A empresa espera recuperar volume em mineração após o impacto das chuvas no primeiro trimestre, mas com custos de frete marítimo mais elevados, o que deve limitar a melhora no resultado da divisão.
"O cenário econômico dos próximos trimestres se mostra desafiador, marcado por desafios consideráveis, impulsionados, em grande medida, pelos desdobramentos da Guerra do Irã e seus reflexos tanto na economia global quanto na brasileira. A alta nos preços do petróleo e do gás natural, o avanço da inflação e a redução mais lenta das taxas de juros compõem um ambiente de incerteza, agravado ainda pelo risco de disrupção nas cadeias de suprimentos, principalmente no transporte marítimo de mercadorias", diz o texto da Usiminas que acompanha o balanço.
Portal Fator Brasil - RJ 27/04/2026
Companhia sobe 16 posições e figura entre as 25 empresas mais bem posicionadas no ranking geral, além de liderar a categoria “Mineração, Siderurgia e Metalurgia”.
A Gerdau, maior empresa brasileira produtora de aço, consolidou-se entre as 25 organizações mais bem posicionadas na 12ª edição do Ranking Merco Responsabilidade ESG. Após subir 16 posições, a companhia passou a ocupar a 24ª colocação geral, posicionando-se como a produtora de aço mais bem colocada e se destacando por suas práticas ambientais, sociais e de governança. Além disso, a Gerdau lidera o ranking no setor de “Mineração, Siderurgia e Metalurgia”.
A companhia também figurou entre as 50 melhores empresas nos rankings específicos de cada pilar de sustentabilidade, ocupando a 11ª posição em Ambiental, a 20ª em Social e a 26ª em Governança, o que representa um avanço de 16, 19 e 18 posições, respectivamente, em comparação ao ranking anterior.
Para Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, a posição de destaque da Gerdau no ranking reflete a evolução da jornada de sustentabilidade e o trabalho diário de mais de 30 mil colaboradores. —Esse reconhecimento reforça o compromisso da Gerdau em ser parte das soluções para os desafios da sociedade. No ano em que completamos 125 anos, seguimos focados na construção de um futuro ainda mais sustentável e no desenvolvimento de iniciativas que impactem positivamente as regiões onde estamos presentes —afirma.
A Gerdau lançou recentemente a linha de produtos Gerdau NewEco, uma solução de aço com baixa emissão de carbono desenvolvida para apoiar clientes que buscam avançar em suas jornadas de descarbonização e fortalecer sua competitividade em um cenário de transição para uma economia de baixo carbono.
Ainda neste mês, a companhia anunciou o aumento da participação em uma usina hidrelétrica no Rio Grande do Sul e, em março, a Gerdau inaugurou, juntamente com a Newave Energia, o segundo parque solar do qual é acionista, no município de Barro Alto, em Goiás, com o objetivo de aumentar o seu consumo de energia renovável.
A Gerdau é a maior empresa brasileira produtora de aço e a maior recicladora da América Latina, tendo na sucata uma importante matéria-prima: cerca de 70% do aço que produz é feito a partir desse material. Anualmente, cerca de dez milhões de toneladas de sucata são transformadas em produtos de aço. Como resultado de sua matriz produtiva sustentável, a companhia possui uma das menores médias de emissão de gases de efeito estufa, o que representa metade da média global do setor.
Além dos destaques ambientais, a companhia também possui uma série de iniciativas voltadas para a responsabilidade social, como o Reforma que Transforma, que visa contribuir para a redução do déficit habitacional qualitativo no Brasil. Por meio do programa, 587 cômodos foram reformados em 2025, beneficiando 2.156 pessoas, incluindo colaboradores da Gerdau.
O Merco Responsabilidade ESG Brasil 2025 contou com a participação de 603 pesquisas realizadas junto a conselhos de administração, 60 especialistas em RSC, 69 analistas financeiros, 85 jornalistas, 70 representantes do “Governo”, 72 ONGs, 70 sindicatos, 65 associações de consumidores, 76 gerentes de mídias sociais e 3.200 pesquisas do Merco Sociedade. Juntamente com essas avaliações, é considerada uma análise da reputação no âmbito digital das empresas (Merco Digital) e do talento (Merco Talento). Por fim, a realidade dessas empresas é medida por meio de indicadores objetivos reputacionais por parte de 45 empresas.
Gerdau — Com 125 anos de história, a Gerdau é a maior empresa brasileira produtora de aço e uma das principais fornecedoras de aços longos e de aços especiais do mundo. No Brasil, também produz aços planos e minério de ferro. Com o propósito de empoderar pessoas que constroem o futuro, a companhia é referência de internacionalização no setor industrial brasileiro, está presente em vários países nas Américas e conta com 30 mil colaboradores em todas as suas operações. A empresa possui 29 unidades produtoras de aço, sendo 13 plantas na América do Norte. Maior recicladora da América Latina, a Gerdau tem na sucata uma importante matéria-prima: cerca de 70% do aço que produz é feito a partir desse material. Todo ano, dez milhões de toneladas de sucata são transformadas em diversos produtos de aço. Como resultado de sua matriz produtiva sustentável, a Gerdau possui, atualmente, uma das menores médias de emissão de gases de efeito estufa (CO2e), que representa metade da média global do setor. A companhia possui, inclusive, uma marca destinada a uma linha de produtos com baixa emissão de carbono, chamada Gerdau NewEco. As ações da Gerdau estão listadas nas bolsas de valores de São Paulo (B3) e Nova Iorque (Nyse).
Valor - SP 27/04/2026
“É muito relevante monitorar, trabalhar junto com as autoridades locais para tomar uma medida efetiva de defesa comercial”, diz vice-presidente comercial, Miguel Homes
O vice-presidente comercial da Usiminas, Miguel Homes, afirmou, nesta sexta-feira (24), que a companhia tem observado uma maior importação de aço da Coreia do Sul e do Vietnã, com condições comerciais similares às da China, que, por sua vez, está pressionada para atender seu mercado interno.
“É muito relevante monitorar, trabalhar junto com as autoridades locais para tomar uma medida efetiva de defesa comercial”, disse ele, durante teleconferência sobre os resultados da companhia no primeiro trimestre.
Ele afirmou ainda que a companhia defende a adoção de medidas antidumping sobre as importações de bobinas quentes, dadas as condições do mercado internacional para este produto.
Infomoney - SP 27/04/2026
A CSN (CSNA3) vive hoje um paradoxo incômodo para uma empresa do seu porte: as operações vão bem, mas a estrutura de capital aperta. O grupo, que deixou de ser apenas uma siderúrgica há muitos anos e hoje reúne também mineração, logística e cimentos, tem diante de si um cronograma de dívidas que o obriga a encontrar, com urgência, uma saída estrutural.
A conta da Polo Capital é direta: depois de pagar os vencimentos previstos para este ano, a companhia termina 2026 com cerca de R$ 50 bilhões de endividamento e apenas R$ 9 bilhões em caixa — e o vencimento do ano seguinte é maior do que essa posição.
Para Conrado Rocha, sócio da Polo Capital, o diagnóstico é claro. Diferentemente de casos recentes de empresas em crise operacional, as unidades de negócio da CSN continuam entregando resultados.
O problema é financeiro: a companhia tomou dívida demais durante o ciclo de juros baixos e agora precisa desalavancar. Por isso, o foco da administração deixou de ser crescimento e passou a ser geração de liquidez, seja por venda de participações minoritárias, por entrada de sócios estratégicos ou, em último caso, pela venda do controle de alguma das pernas do grupo.
A análise foi feita no Stock Pickers, podcast comandado por Lucas Collazo. Rocha está há 16 anos na Polo Capital, gestora carioca com 23 anos de história. Entrou em 2010 na área operacional, passou 14 anos analisando ações e, desde o fim de 2024, dedica-se exclusivamente ao time de crédito da casa.
Em janeiro, o controlador e presidente Benjamin Steinbruch, que está há três décadas no comando do grupo, fez uma chamada pública com o mercado e, nas palavras de Rocha, “vestiu o chapéu de vendedor de ativos”.
Anunciou disposição para vender participações minoritárias ou até o controle em quatro frentes distintas — siderurgia, mineração, cimentos e logística — e contratou quatro bancos diferentes para buscar compradores, colocando as instituições para competir entre si. Para se ter ideia, a unidade de cimentos tem entre 10 e 12 interessados.
O choque da Raízen e o contágio estrangeiro
O mercado respondeu inicialmente com certo alívio ao recado do controlador.
A dívida da CSN chegou a negociar a CDI mais 12 pontos percentuais no fim de 2024 — patamar típico de empresa em situação delicada — e caiu para CDI mais 7 depois da chamada de janeiro, sinal de que os credores deram o benefício da dúvida para o plano de venda de ativos.
A expectativa era de que o grupo conseguiria monetizar pedaços do negócio antes que o cronograma de vencimentos se tornasse crítico.
O problema é que fatores externos atrapalharam o enredo. Em fevereiro, a Raízen (RAIZ4) teve sua nota rebaixada pelas agências internacionais de classificação de risco, e seus títulos emitidos no exterior despencaram cerca de 20 pontos em uma janela curtíssima de dias.
O investidor estrangeiro, que já vinha desconfiando das empresas brasileiras alavancadas e expostas a commodities, decidiu reduzir exposição a toda uma cesta de papéis com perfil semelhante. A CSN aparece como candidata natural.
O efeito foi em cadeia. A venda da dívida da CSN no mercado externo contaminou o preço da dívida local dois ou três dias depois, porque existem fundos que fazem justamente a arbitragem entre os dois mercados — quando o título lá fora fica mais barato que o local, esses fundos vendem o papel brasileiro e compram o equivalente emitido em dólar.
A própria Polo faz esse tipo de operação em alguns mandatos. Resultado: os preços convergiram para baixo em ambos os lados.
A dinâmica ilustra um dos aspectos mais complexos do crédito privado no momento atual.
Não bastasse a pressão doméstica, com a taxa básica de juros (Selic) em 15% encarecendo o serviço da dívida, empresas brasileiras exportadoras e ligadas a commodities enfrentam ainda a volatilidade do mercado internacional e o humor do investidor estrangeiro, que quando decide sair, sai de todas as posições parecidas ao mesmo tempo.
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Um déjà-vu de dez anos atrás
Rocha lembra que a história tem um precedente recente. Há dez anos, a própria CSN viveu situação semelhante, quando seus títulos emitidos no exterior chegaram a negociar a 25% do valor de face — ou seja, o mercado precificava que os credores receberiam apenas um quarto do que tinham emprestado.
A Polo foi conferir as matérias da época como exercício de memória e encontrou um roteiro quase idêntico ao atual.
“O Benjamin vestia a capa de vendedor de ativo. Vou vender logística, vou vender uma mina. Era igualzinho e no final ele acabou conseguindo se salvar”, recorda o gestor.
A referência histórica reforça a tese de que o controlador tem experiência em atravessar crises de dívida, mas também eleva a atenção sobre a credibilidade da execução.
É a terceira vez, em pouco mais de uma década, que a CSN precisa vender ativos para se desalavancar.
Cada novo ciclo desses consome tempo da administração, desgasta a relação com investidores e reduz o portfólio do grupo.
A venda de pedaços ou da totalidade da unidade de cimentos, por exemplo, retira uma das apostas que a própria companhia construiu na última década como diversificação.
Selic
Há, porém, um componente macroeconômico que pode ajudar sem que a empresa faça nada. A CSN é extremamente sensível à trajetória da Selic: cada corte de 1 ponto percentual na taxa básica reduz em R$ 500 milhões a despesa anual de juros do grupo.
Em um ciclo de queda consistente dos juros, a pressão sobre o caixa diminuiria naturalmente. A Polo, no entanto, faz questão de frisar que não aposta nesse cenário — a tese precisa se sustentar pela capacidade de venda de ativos, não por fatores externos.
A gestora mantém posição pequena em CSN nos fundos de crédito, atenta sobretudo ao desempenho do controlador na execução do plano.
Para Rocha, o caso da CSN é emblemático do momento mais amplo que o crédito privado brasileiro atravessa: empresas que se financiaram barato na época de juros baixos e agora precisam reestruturar passivos em um ambiente muito mais caro.
“Faz parte de um processo de educação aqui do investidor, de saber separar as coisas, de entender que crédito privado tem risco”, afirma o gestor.
No caso da CSN, a questão não é se a empresa gera caixa operacional — ela gera. É se consegue vender os ativos certos, pelo preço certo, no tempo certo.
O Estado de S.Paulo - SP 27/04/2026
As oscilações no preço do petróleo na última semana, resultado das incertezas provocadas pelo conflito de Estados Unidos e Israel com o Irã, desautorizam qualquer prognóstico sobre o fim do período de ameaça inflacionária, ao menos no médio prazo. Nesse cenário, o Copom tem pouco espaço para reduzir os juros na reunião desta quarta-feira.
Um corte de 0,25 ponto porcentual é esperado por boa parte do mercado. Mas o número importa menos do que o cenário que se apresenta no momento, de um conflito internacional que mexe com preços da energia no mundo em um ano eleitoral no Brasil.
Está fora do alcance do Banco Central, do Fed, do Banco Central Europeu e de qualquer outro mensurar quando acabará o conflito e quando as pressões inflacionárias começarão a ceder. Assim sendo, a cautela é a melhor forma de as autoridades monetárias cumprirem sua missão de proteger as economias de seus países.
Haverá pressões sobre o BC por causa disso, não há dúvida. Pressionado por dados desfavoráveis de pesquisas eleitorais, o governo identificou um problema grave no endividamento das famílias. Decidiu por duas medidas paliativas, de curto prazo: liberar uma parcela do FGTS e reeditar um programa de renegociação de dívidas.
São medidas para o horizonte eleitoral, de seis meses. Podem surtir efeito nas finanças pessoais e na popularidade. Mas a saída estrutural é mais complexa. O endividamento das famílias está relacionado a múltiplos fatores, que envolvem até o crescimento do mercado de apostas online, e são várias as medidas a serem tomadas para atacar o problema em suas diversas faces.
Mas, do ponto de vista macroeconômico, caberia ao governo criar condições favoráveis à redução dos juros. Um ambiente com juros menores não só faz com que dívidas cresçam menos rápido, como gera mais empregos e renda.
Da parte do governo, isso significaria um ajuste fiscal sério, com cortes criteriosos de despesas e o fim da prática de excluir gastos do limite imposto pelo arcabouço fiscal. Contudo, como sabemos, isso parece impossível num ano eleitoral. É uma agenda que terá de esperar por 2027, qualquer que seja o governo.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, que vinha sendo poupado, começou a sofrer críticas de parlamentares da base do governo. Tudo bem, isso faz parte da rotina do presidente do BC. O que precisamos saber é que criticar não vai fazer os juros baixarem significativamente na quarta-feira, 29, nem vai apontar soluções para o endividamento das famílias. O caminho para isso é mais difícil.
Globo Online - RJ 27/04/2026
As contas externas do Brasil registraram déficit de US$ 6 bilhões em março de 2026, pouco mais do dobro dos U$ 2,9 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. Os dados do setor externo foram divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central (BC). Em 12 meses, o rombo é de US$ 64,3 bilhões, maior do que em fevereiro (-US$ 61,2 bilhões).
Segundo o BC, este aumento decorreu, principalmente, de uma redução de US$ 1,6 bilhão no superávit comercial de bens e de déficits maiores em renda primária, US$ 1,1 bilhão, e serviços, US$ 0,6 bilhão.
O saldo positivo na balança comercial — a diferença entre o que o Brasil vende e o que compra de bens de outros países — foi de US$ 5,6 bilhões no terceiro mês deste ano contra US$ 7,2 bilhões no mesmo período de 2025.
A redução é explicada por um crescimento maior das importações em relação às exportações. Os embarques totalizaram US$ 31,7 bilhões, aumento de 9,5%, e as compras de bens do exterior, US$ 26,1 bilhões, elevação de 19,9%.
A balança de serviços, no entanto, segue deficitária neste mês, com resultado negativo de US$ 4,8 bilhões, um aumento de 14,5% em relação ao ano passado (-US$ 4,2 bilhões). O saldo com viagens para o exterior ficou negativo em US$ 1,1 bilhão, com os brasileiros gastando mais lá fora - 27,8% em relação a março do ano passado, de US$ 1,6 bilhão para US$ 2,0 bilhões.
Contribuiu ainda para o aumento do déficit nas contas externas em março o resultado negativo de renda primária, de US$ 7,4 bilhões, contra o saldo deficitário de US$ 6,3 bilhões em igual período de 2025. Houve aumento de pagamentos de juros e com remessas de lucros e dividendos para o exterior.
Investimento
Os dados divulgados pelo BC mostram que o Brasil segue atraindo os investidores estrangeiros. Os Investimentos Diretos no País (IDP) — cujos recursos podem ser aplicados em fábricas, empresas e projetos de longo prazo — somaram US$ 6 bilhões em março, apenas um pouco abaixo dos US$ 6,3 bilhões do mesmo mês em 2025.
No acumulado de 12 meses, os investimentos diretos totalizaram US$ 75,7 bilhões (3,18% do PIB), um pouco abaixo do resultado de fevereiro, de US$ 75,9 bilhões.
Investing - SP 27/04/2026
O economista da UBS, Arend Kapteyn, descobriu que o peso que o Fed atribuiu ao desemprego na definição da política havia convergido com, e marginalmente excedido, seu peso sobre a inflação no início de 2026, mas que um choque de estagflação "emanando do Oriente Médio" está agora mudando o equilíbrio de volta.
"Nossa impressão é que a ênfase está mudando um pouco de volta para a inflação, mas a confirmação terá que esperar pelo Resumo de Projeções Econômicas de junho", disse Kapteyn.
A análise examinou como as mudanças no gráfico de pontos do Fed, a projeção do Comitê Federal de Mercado Aberto para a taxa de política apropriada, responderam às revisões em suas próprias projeções de inflação e desemprego por meio de regressões contínuas de 10 trimestres dos dados do Resumo de Projeções Econômicas.
Os coeficientes rastrearam o peso relativo que o Fed colocou em cada lado de seu mandato ao longo do tempo.
Durante o surto inflacionário pós-pandemia, a prioridade do Fed foi inequivocamente o controle da inflação, uma postura facilitada por um mercado de trabalho em pleno emprego ou próximo disso, o que permitiu o aperto sem violar o lado do emprego do mandato.
À medida que esse episódio inflacionário desaparecia, o Fed ficou cada vez mais preocupado com um mercado de trabalho enfraquecido, e o coeficiente de desemprego na regressão contínua subiu enquanto o coeficiente de inflação caiu.
No início de 2026, os dois coeficientes haviam convergido, com a ponderação do desemprego ficando marginalmente acima da ponderação da inflação, sugerindo um Fed amplamente equilibrado, nem decisivamente hawkish nem dovish em suas prioridades de mandato.
O gráfico que rastreia a evolução da ponderação do Fomc do terceiro trimestre de 2024 até o primeiro trimestre de 2026 mostra o coeficiente de desemprego subindo de perto de zero para acima de um, enquanto o coeficiente de inflação caiu de aproximadamente dois para a mesma faixa. As linhas se cruzaram em algum momento de 2025 antes de se estabelecerem em quase paridade.
A metodologia utilizada é direta: se as projeções de inflação aumentam enquanto as previsões de desemprego permanecem inalteradas, mas a projeção mediana da taxa de juros não se move, isso indicaria que o Fed está colocando menos peso nos riscos de inflação e inclinando-se mais dovish. O inverso sinalizaria uma inclinação hawkish.
Kapteyn observou que o cenário de estagflação que o Fed enfrenta agora é distintamente mais difícil de navegar do que o período pós-pandemia, quando o forte crescimento deu às autoridades espaço para apertar agressivamente.
Um aumento simultâneo na inflação e no desemprego forçaria uma troca direta entre os dois lados do mandato, uma situação que o Fed evitou em grande parte durante seu ciclo de aperto de 2022-2023.
O Resumo de Projeções Econômicas de junho será o primeiro teste formal de como o Fomc resolve essa troca em suas projeções publicadas.
CNN Brasil - SP 27/04/2026
Oferta de commodities, neutralidade geopolítica e juros pressionados em dois dígitos são alguns dos fatores que reforçam a imagem do Brasil como "queridinho" dos investidores internacionais.
Analistas ouvidos pelo CNN Money explicam que a soma dos fatores ajuda o país driblar o cenário de cautela global gerado pelas incertezas com os conflitos no Oriente Médio e no leste europeu, dando gás ao movimento de rotação de carteiras com o maior interesse dos estrangeiros em mercados emergentes.
Por outro lado, conhecidas questões internas podem tirar parte deste apetite nos próximos meses, sobretudo os ruídos políticos com a proximidade das eleições e o sempre citado risco fiscal - ou seja - a capacidade de o país organizar as contas.
"O Brasil tem uma oportunidade única à disposição, pois tem tudo que o investidor estrangeiro busca: escala, liquidez, distância geográfica e riquezas naturais, o que põe o país numa posição estratégica ímpar para captar e usar com inteligência esses recursos para alavancar o seu desenvolvimento econômico", resume Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos.
A percepção de que o Brasil é a bola da vez se traduz em números. Neste ano até 22 de abril, o capital estrangeiro na B3 somou R$ 64,42 bilhões, mais que o dobro do registrado em todo o ano de 2025 (R$ 25,47 bilhões), de acordo com dados da consultoria Elos Ayta.
Esse volume significa que 61,2% de tudo que entrou na bolsa brasileira neste ano veio de fora, uma tendência de elevação do fluxo internacional observada desde 2023.
O Ibovespa não é o único canal que está puxando o capital estrangeiro. Dados do BC (Banco Central) mostram ingressos líquidos de US$ 28,4 bilhões no país nos 12 meses encerrados em março - somando ações, fundos e títulos de dívida.
O número representa uma leve queda ante fevereiro (US$ 29,5 bilhões), mas reitera a tendência de crescimento registrada ao longo de 2025.
Juros, commodities e neutralidade
Solange Srour, analista do CNN Money e head de macroeconomia para o Brasil no UBS Global Wealth Management, aponta o câmbio como ponto de partida para a atração desse capital, resultado da busca por opções em mercados emergentes.
O dólar perdeu força em escala global, já que investidores estão buscando diversificar suas carteiras e diminuir a exposição à moeda americana. Mas, no caso do real, o juro alto intesifica esse movimento, favorecendo operações de carry trade: pegar dinheiro emprestado em um país com taxas mais baixas e aplicar em outro com maior aperto monetário.
O BC (Banco Central) mantém a Selic em dois dígitos desde fevereiro de 2022. Apesar da recente redução para 14,75% e expectativas do mercado por novos cortes, a sinalização da política monetária é de uma distensão dos juros em ritmo de conta gotas.
O quadro de política monetária pressionada também foi apontado por Patrícia Krause, economista-chefe para a América Latina da Coface, como um farol para atrair o dinheiro estrangeiro ao Brasil.
Segundo ela, iisso é reforçado pela expectativa de ainda mais cautela na política monetária com inseguranças na arena global.
"A tendência é que deva cair de forma mais lenta diante deste cenário mais incerto com a inflação em decorrência das tensões dos conflitos no Oriente Médio", diz.
A grande oferta de commodities e a neutralidade do Brasil também foi citada como trunfo em meio ao cenário incerto da arena global e o bloqueio intermitente no Estreito de Ormuz - canal fundamental para o escoamento de petróleo, gás e outros insumos do Oriente Médio.
Além da figura predominante na exportação de produtos agrícolas, o Brasil também tem papel de relevância no abastecimento energético e na disposição de terras raras - a nova fronteira de disputa entre EUA e China.
"A guerra no Irã mostrou que de uma hora para outra o mundo pode ficar sem uma proporção muito grande de commodities energéticas, de fertilizantes - que impacta toda a parte agrícola -, e o Brasil tem tudo isso", diz Srour.
Barros, da ARX Investimentos, cita que os investidores ficaram sem muitas saídas nos últimos meses. Além do Brasil, ele aponta África do Sul e Colômbia como destinos preferenciais dos gringos.
"O investidor estrangeiro tem, hoje, pouca opção de alocação em emergentes. Não aloca na Rússia, o fluxo para a Turquia e China é modesto em razão dos riscos percebidos, de modo que há poucas opções reais de investimento", diz.
Expectativas
Em relatório aos investidores, o Bank of America elevou a projeção para o Ibovespa ao fim deste ano e agora vê o índice na casa dos 210 mil pontos - alta de quase 10% em relação ao fechamento desta sexta-feira (24).
Antes, o BofA enxergava o benchmark da bolsa brasileira encerrando 2026 aos 180 mil pontos.
O relatório do BofA ressaltou o desempenho positivo da América Latina - com destaque para o Brasil - em meio ao conflito no Oriente Médio.
O banco de investimento ainda apontou que um cenário de desescalada da tensão deve manter o fluxo de capital aos mercados emergentes, com espaço para redução das pressões inflacionárias e maior margem para corte de juros pelos bancos centrais.
Pela análise do BofA, a Selic deve encerrar 2026 a 13,25% e 2027 a 12,5%. Atualmente, os juros estão em 14,25%.
"Uma eventual desescalada pode levar à queda do petróleo, aliviar pressões de custo e permitir que o Banco Central do Brasil corte juros", informou o banco.
Na mesma linha, o JPMorgan colocou o Brasil como destaque nos mercados da América Latina. Em nota distribuída aos investidores no mês passado, o banco de investimentos classificou a captação de recursos estrangeiros como "extraordinário".
Eleições e fiscal seguem no radar
Apesar de a situação fiscal do Brasil se manter como ponto fixo na lista de preocupações dos investidores, os investidores ponderam o otimismo com possíveis percalços domésticos, sobretudo eleições e contas públicas.
Segundo Srour, a situação fiscal é vista como sustentável no curto prazo, mas esse quadro pode mudar com a proximidade das eleições em outubro e a possibilidade de mudanças no regime econômico doméstico.
"Se a gente chegar no final do ano sem um plano, esse cenário global, que hoje é favorável, pode se inverter. Porque também, ainda que tenhamos commodities, também temos uma dívida que está em trajetória bastante insustentável e uma inflação que vai estar alta".
Contas públicas e riscos políticos também foram citados pelo BofA, apesar de o momento estar mais favorável pela expectativa de que uma desescalada no Oriente Médio possa dar mais margem para cortes de juros do BC.
"As ações brasileiras já não estão baratas em termos de valuation, e nosso múltiplo-alvo está ligeiramente abaixo dos níveis atuais para refletir esse risco para os lucros e a volatilidade eleitoral, que acreditamos que vai aumentar nos próximos meses", informou o banco.
Investing - SP 27/04/2026
A economia global está enfrentando mais um choque inflacionário, desta vez devido ao bloqueio do Estreito de Ormuz, mas as condições estruturais do mercado de trabalho sugerem que os danos serão limitados, segundo a BCA Research.
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Os swaps de IPC estão precificando uma inflação de 3,2% tanto nos EUA quanto na Zona do Euro nos próximos 12 meses. Se concretizada, os preços ao consumidor terão subido 3,9% anualmente nos EUA e 3,5% na Zona do Euro desde 2020, superando as metas dos bancos centrais em todas as principais economias desenvolvidas, exceto o Japão.
As tarifas dos EUA já estão elevando a inflação do núcleo de bens PCE em aproximadamente três pontos percentuais acima do que seria de outra forma, mostram dados da BCA Research. As expectativas de inflação de curto prazo baseadas no mercado aumentaram, embora as expectativas de longo prazo permaneçam ancoradas.
A ameaça imediata de uma espiral salário-preço, o mecanismo que consolidou a inflação na década de 1970, parece baixa.
O crescimento salarial global desacelerou à medida que os mercados de trabalho retornaram ao equilíbrio, com a lacuna global entre empregos e trabalhadores diminuindo acentuadamente em relação aos picos pós-2019. "O risco de um grande excesso na inflação nos próximos anos é bastante baixo", afirmou o relatório.
Sem aceleração no crescimento salarial, uma inflação mais alta simplesmente corroeria os salários reais, forçando as famílias a cortar gastos discricionários e reduzindo a demanda, uma dinâmica autocorretiva que limita uma maior aceleração dos preços.
Olhando mais adiante, quatro forças estruturais moldam as perspectivas de inflação até o final da década.
A política fiscal apresenta um risco bilateral. A dívida bruta do governo agora excede o PIB nos EUA, Reino Unido, França, Itália e Japão.
O aumento da dívida pode alimentar a inflação por meio de déficits primários maiores ou eventual monetização da dívida, embora a oposição pública à inflação, citada como a questão mais importante por 34% dos entrevistados dos EUA em pesquisa YouGov, restrinja a disposição dos bancos centrais de seguir esse caminho. Se essa aversão se mantiver, os altos níveis de dívida poderiam paradoxalmente tornar-se deflacionários, forçando os governos a aumentar impostos ou cortar gastos.
O vento favorável desinflacionário da globalização está desaparecendo. A integração da China ao comércio global levou os preços de bens duráveis de consumo dos EUA a cair quase 40% entre 1995 e 2020, segundo dados do Bureau of Economic Analysis. Atritos comerciais, disrupções da pandemia e o atual choque do petróleo reverteram essa tendência.
A demografia apresenta um caminho inflacionário em forma de U. O crescimento populacional mais lento inicialmente suprime a demanda por investimentos, o chamado efeito acelerador, mas o envelhecimento da população reduz a proporção de trabalhadores para consumidores ao longo do tempo. As taxas de suporte econômico já começaram a cair globalmente, mais acentuadamente no Japão, apontando para eventual pressão ascendente sobre os preços.
O investimento em IA é atualmente inflacionário. Os gastos dos EUA em software e hardware de TI como parcela do PIB superaram seu pico de 2000.
Somente os hyperscalers estão projetados para desembolsar US$ 678 bilhões em despesas de capital em 2026, ante US$ 412 bilhões em 2025, segundo a Factset. No longo prazo, se os ganhos de produtividade da IA fluírem principalmente para famílias de renda mais alta, que poupam em vez de gastar, o efeito desinflacionário poderia dominar.
A corretora acrescenta que "as perspectivas inflacionárias mais sombrias" são improváveis de se materializar dada a aversão pública à inflação, que caracteriza como a restrição vinculante ao comportamento dos bancos centrais.
Revista Mineração - SP 27/04/2026
A Samarco registrou crescimento de 18% na produção de pelotas e finos de minério de ferro no primeiro trimestre de 2026 (1T26), somando 3,8 milhões de toneladas. O resultado reforça a trajetória de recuperação operacional da companhia após a retomada gradual de suas atividades.
De acordo com a prévia operacional divulgada pela empresa, o desempenho confirma um patamar estruturalmente mais elevado de produção, consolidando o avanço das operações desde a reativação da mineradora.
Na comparação com o 4T25, porém, houve uma leve queda de 3% no volume produzido, reflexo de fatores sazonais típicos do início do ano.
As vendas da companhia atingiram 3,2 milhões de toneladas entre janeiro e março, representando alta de 12% na comparação anual. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, no entanto, foi registrada queda de 37%, após um período anterior marcado por antecipação de embarques.
Segundo a Samarco, esse movimento indica uma normalização do ritmo de exportações, com um perfil mais equilibrado de embarques ao longo do ano, ainda acima do observado em 2025.
O preço médio realizado das pelotas ficou em US$ 130,3 por tonelada no primeiro trimestre, representando queda de 8% na comparação anual. Em relação ao trimestre anterior, houve leve alta de 2%, refletindo melhora sequencial na dinâmica de preços.
Exame - SP 27/04/2026
A mineradora brasileira Vale e a Green Energy Park Global (GEPG) fecharam uma parceria para desenvolver um projeto envolvendo hidrogênio verde na produção de aço, que poderá ser instalado no Maranhão.
A iniciativa se chama Hydeas (Aliança para a Descarbonização de Hidrogênio no Aço, na sigla em inglês) e foi anunciada durante a feira industrial Hannover Messe, na Alemanha.
O projeto, ainda em fase de estudos, prevê construir uma grande plataforma de produção de aço verde (produzido de forma menos poluente), e que inclua também o hidrogênio verde e a produção de ferro de maneira mais sustentável.
Os estudos iniciais apontam que o Maranhão é o estado com maior potencial para receber o projeto, por unir acesso fácil à energia renovável, boa logística e minério de ferro de alta qualidade.
Vale aponta para o futuro: 'Queremos protagonismo no cobre', diz CEO
"O estado oferece estruturas de portos e ferrovias já existentes, o que reduz significativamente o risco do projeto e permite uma escalada industrial rápida", diz o comunicado, divulgado pela GEPG.
O projeto ainda precisa ser aprovado pelas empresas, para depois seguir para a etapa de financiamento e implantação.
“O projeto Hydeas visa construir uma nova ponte industrial entre o Brasil e a Europa, ancorada no hidrogênio, na competitividade e na criação de valor a longo prazo. Não estamos criando um projeto piloto, mas um novo paradigma industrial", disse Bart Biebuyck, CEO da GEPG.
Entenda o que é aço verde
O uso do hidrogênio tornaria a produção de ferro no Brasil mais limpa, assim como a do aço na Europa.
O hidrogênio verde (obtido a partir de energias limpas) seria usado no processo de DRI (Direct Reduced Iron), em que o minério de ferro é aquecido e se torna mais concentrado, para ser enviado às siderúrgicas. O processo pode ser feito com hidrogênio em vez de carvão, o que reduz a poluição emitida no processo.
A produção de aço é uma das atividades que mais geram poluição, pois depende muito da queima de materiais a altíssimas temperaturas. Estudos apontam que 7% das emissões mundiais de gases de efeito estufa são provenientes do setor.
Investing - SP 27/04/2026
Os contratos futuros do minério de ferro não encontraram uma direção definida nas negociações desta sexta-feira, à medida que a demanda estável de aço para construção contrariou as perspectivas de aumento da oferta do insumo siderúrgico.
O contrato mais negociado de setembro do minério de ferro na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China subiu 0,19%, para 786,5 iuanes (US$115,05) a tonelada. Na semana, a alta foi de 1,09%.
O minério de ferro de referência de maio na Bolsa de Cingapura avançou 0,34%, para US$107,05 a tonelada, acumulando alta de 1,18% na semana.
A oferta chinesa de produtos de aço acabados aumentou na semana em 78.900 toneladas, ou 0,9%, enquanto os estoques recuaram em 621.200 toneladas, ou 3,5%, de acordo com dados da consultoria Mysteel.
O aumento do consumo de produtos de aço foi impulsionado principalmente pelo setor de construção, de acordo com a Mysteel, indicando uma demanda constante por aço e matéria-prima.
A reposição de estoques antes do feriado de cinco dias do Primeiro de Maio na China também apoiou os preços.
Pressionando o mercado de minério de ferro, a resolução de uma disputa de meses sobre o contrato de fornecimento da BHP com o China Mineral Resources Group (CMRG) aumentou as perspectivas de mais embarques para o maior consumidor do mundo.
No noticiário corporativo, a mineradora australiana Fortescue registrou um aumento de 5% nos embarques de minério de ferro no terceiro trimestre, impulsionado pelo bom desempenho de suas operações de hematita e pela maior contribuição do projeto Iron Bridge.
A quarta maior mineradora de minério de ferro do mundo embarcou 48,4 milhões de toneladas métricas (mt) de minério de ferro nos três meses encerrados em 31 de março, em comparação com 46,1 mt registrados no ano anterior.
A produção de aço bruto da China, o maior produtor e consumidor mundial do metal, caiu 6,3%, para 87,0 milhões de toneladas em março, segundo dados da Associação Mundial do Aço divulgados na quinta-feira.
Globo Online - RJ 27/04/2026
Com mais veículos elétricos e híbridos nas ruas e a gasolina mais cara, a demanda por postos de carregamento de baterias automotivas cresce no Brasil sem ser acompanhada por essa infraestrutura.
No início deste ano, houve um crescimento explosivo das vendas de carros eletrificados: 100 mil entre janeiro e março, um salto de 90% em comparação aos três primeiros meses de 2025. O período também foi marcado pelos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o petróleo e os combustíveis.
A alta de quase 7,5% no preço médio da gasolina no país desde o início do conflito, no fim de fevereiro, provocou uma mudança de comportamento nos donos de veículos híbridos plug in (aqueles com saída para ligar nos carregadores), que passaram a recorrer à eletricidade para economizar.
O resultado dessa combinação é a maior procura nos eletropostos do país, evidenciando que eles são muito poucos. Até o fim de fevereiro, dado mais recente, havia cerca de 21 mil eletropostos (públicos e semipúblicos) no Brasil, o que significa uma média de um ponto de carregamento para quase 30 veículos. A China, que tem atualmente a maior frota de veículos eletrificados do mundo (40 milhões, sendo 37 milhões puramente elétricos), conta com 16,7 milhões de eletropostos, o que dá um ponto para cada 2,3 veículos.
Um agravante no Brasil é que 80% dos pontos de recarga comerciais ficam no Sudeste. A maioria é de equipamentos lentos, que levam de 1h30 a duas horas para completar a energia da bateria zerada. Os mais modernos, que fazem a tarefa em até 30 minutos, custam mais de R$ 500 mil cada, dificultando o investimento no setor.
Um eletroposto pequeno tem de dois a quatro pontos de carregamento. Os maiores podem ter mais de 30. A vantagem desses estabelecimentos é a possibilidade de recarga rápida em zonas de grande tráfego, diferentemente do carregamento residencial, que pode levar de 6 a 12 horas. A dificuldade de achar um eletroposto no caminho aumenta a resistência de motoristas à compra de um elétrico puro.
— Muita gente opta por ter o carro de duas motorizações (híbrido e combustão) porque não se sente confortável de que a infraestrutura vai funcionar, por exemplo, numa viagem com a família. Se por acaso ficar sem recarga, usa a gasolina e segue — observa Pedro Schaan, CEO da Zletric, empresa gaúcha que já instalou mais de 2,5 mil postos de carregamento em mais de 80 cidades em 15 estados do país. Ele também faz parte da diretoria da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
Improviso para carregar
A empresária Sandra Namba comprou seu primeiro elétrico puro em 2023, mas trocou por um híbrido no ano passado. No prédio onde mora, na Zona Sul de São Paulo, não há carregador. A administração ainda faz um estudo para a instalação sob as normas estabelecidas pelo Corpo de Bombeiros para equipamentos em condomínios, que fica entre R$ 15 mil e R$ 20 mil. A empresária também não tem um ponto no edifício antigo onde trabalha, na Consolação. Então improvisa usando o ponto de um hotel perto da empresa:
— Levo cerca de uma hora e meia. Deixo o veículo lá enquanto resolvo outras coisas.
A eletricidade se tornou mais atraente para donos de híbridos porque com cerca de R$ 40 é possível fazer o carregamento completo da bateria em pouco tempo num eletroposto e ter autonomia de até 150 quilômetros, dependendo do modelo.
Segundo a Zletric, a demanda em alguns de seus eletropostos subiu mais de 30% desde fevereiro. Schaan observa que com a gasolina passando de R$ 7 em muitos estados, a energia elétrica (que custa cerca de R$ 2 por kWh) virou uma forma de economizar.
Os dados das estações de carregamento da empresa mostraram que os híbridos, que têm baterias menores que as dos elétricos puros, lideraram a busca. Para o CEO da empresa, o número de eletrificados rodando pelo país vai crescer ainda mais antes da expansão da infraestrutura de carregamento.
Consultorias estimam que a venda desses carros deve continuar forte, com a adesão dos brasileiros à nova tecnologia e a economia com combustível, bem como benefícios como a isenção do IPVA em alguns estados e, no caso de São Paulo, do rodízio de veículos. Estudo da Bright Consulting, consultoria especializada no setor automotivo, estima 1,4 milhão de veículos elétricos e híbridos leves nas ruas das cidades brasileiras até 2030, mais que o dobro dos atuais 628 mil.
Escassez é oportunidade
Esse movimento deve estimular investimentos bilionários em infraestrutura de recarga, ainda que tardiamente. Os aportes podem chegar a R$ 14 bilhões anuais no Brasil até 2030, segundo estimativa do Instituto Acende Brasil e do movimento Gigantes Elétricos, coalizão de organizações internacionais que tentam comprometer a indústria automotiva com a chamada transição energética justa.
Já o aumento no consumo de eletricidade para carregar veículos, estimado em 3% da demanda nacional em 2040 pela McKinsey, vai favorecer distribuidoras de energia com um adicional de receitas da ordem de R$ 10 bilhões por ano.
Antonio Jorge Martins, professor de cursos automotivos da FGV-SP, observa que esse descompasso existe em outros países, dada a insegurança que ainda ronda a transição energética no setor automotivo e pelo fato de o investimento necessário ser muito alto. Mesmo na Europa, as pessoas se ressentem da oferta insuficiente de carregadores. Martins lembra que, nos EUA, a Tesla, pioneira da eletrificação no país, liderou o investimento para atender seus consumidores, mas o único mercado onde eletropostos acompanharam a frota foi o da China, com forte investimento estatal:
— O país buscou a liderança na eletrificação, e o governo instalou milhões de eletropostos de olho no potencial crescimento desse mercado.
Inspirada num modelo chinês, a Zletric criou no Brasil um eletroposto semelhante a um posto de gasolina, com quatro estações de carregamento. O primeiro foi aberto em Porto Alegre e pode ser replicado com investimento de R$ 400 mil a R$ 500 mil. A empresa também atua em condomínios e vai utilizar a infraestrutura da Estapar, com 800 pontos pelo país, incluindo aeroportos e shoppings.
A Volvo Car Brasil instalou, com investimento próprio de R$ 70 milhões, 75 carregadores em estradas do país, para viabilizar a viagem de um elétrico entre Pelotas (RS) e Jericoacoara (CE), distantes 5 mil quilômetros. Já são 60 mil usuários cadastrados no aplicativo da empresa. Donos de carros Volvo não pagam pelo carregamento, mas os proprietários de outras marcas desembolsam R$ 4 por kWh.
Instalação de carregadores em garagens residenciais tem regras
Em São Paulo, onde circula a maior frota de eletrificados do país (85 mil), o governo estadual sancionou em fevereiro uma lei que assegura a condôminos o direito de instalar estação de recarga individual para veículos elétricos em vagas de garagem privativas de edifícios residenciais e comerciais no estado. O condomínio, segundo a nova lei, não pode impedir a instalação, mas isso não significa que todo mundo pode sair colocando um carregador em sua vaga de garagem: há uma série de regras sobre as instalações elétricas, que precisam ser cumpridas.
Elas são fruto de uma consulta pública iniciada pelo Corpo de Bombeiros paulista em 2024 — e que se nacionalizou quando a Ligabom (Conselho Nacional dos Corpos de Bombeiros Militares do Brasil) criou um comitê especial de “estudos sobre segurança e combate a incêndios em veículos elétricos e acumuladores de energia”.
A legislação definida em São Paulo tende a ser seguida pelos demais estados. Dessa discussão participaram representantes das empresas de administração de imóveis e condomínios, construtoras e do segmento automotivo.
Segundo Lauro Ladeia, coordenador do grupo de sistemas prediais do Comitê de Tecnologia e Qualidade do Sinduscon-SP, a consulta pública recebeu mais de 5 mil sugestões. Mesmo com a definição das regras das instalações elétricas, ainda será preciso detalhar outras normas referentes, por exemplo, à ventilação e aos sprinklers (chuveiros automáticos), usados para detectar e combater focos de incêndio automaticamente em torno das instalações.
— É preciso também um direcionamento de normas para proteção e combate a incêndios considerando a instalação dos carregadores. Por exemplo, em São Paulo, em prédios residenciais não há exigência dos sprinklers, enquanto no Rio isso já é obrigatório — explica Ladeia.
Na parte elétrica, por exemplo, ficou proibido o uso de tomadas comuns para carregamento. É obrigatório o uso dos chamados wallboxes, que são unidades de recarga compactas, projetadas para serem fixadas na parede de casas, garagens ou condomínios.
Elas permitem maior potência e menos aquecimento. No quadro de energia, é preciso ter disjuntores exclusivos para os carregadores, dispositivos específicos para evitar choque e prevenir incêndios, além de fios de espessura compatível com a carga. Todo esse projeto requer um laudo técnico assinado por um engenheiro, além de um estudo de capacidade elétrica do prédio.
O risco de incêndio é maior quando acontece o superaquecimento (sobrecarga de energia) em instalações inadequadas, com fiação fina e falta dos dispositivos de segurança.
CNN Brasil - SP 27/04/2026
A chinesa Dongfeng Motor prepara sua entrada no mercado brasileiro a partir de agosto, como apurou a CNN no primeiro dia do Salão do Automóvel de Pequim.
A montadora já havia sinalizado seus planos para o país, mas agora avançou na estruturação da operação local. A parceria com a Nissan na China, onde compartilha a base da picape Frontier, deverá indicar o caminho para uma futura fabricação de seus modelos no Brasil, em Resende, no Rio de Janeiro.
As primeiras revendas estavam previstas para outubro, mas o planejamento deve ser antecipado, segundo Felipe Amaral, head de desenvolvimento de rede da marca.
O compacto Box e o SUV Vigo serão os dois primeiros modelos elétricos da DFM no país e darão início à estratégia comercial da fabricante. Em 2027 serão mais quatro lançamentos.
A Dongfeng já atua internacionalmente com submarcas e modelos que vão de veículos urbanos a picapes, SUVs premium, off-road e caminhões pesados, como destacou Amaral.
O Dongfeng Box, hatch elétrico compacto, segue a receita chinesa de produto urbano bem resolvido: acabamento simples, mas refinado, banco do motorista com ajustes elétricos, duas telas, carregador por indução, bom espaço interno e foco no uso urbano. O desenho é global e bem acertado para o segmento, com preço estimado numa faixa entre o BYD Dolphin Mini e o Geely EX2, próximo dos R$ 130 mil.
Chamado de Nammi 01 na China, o carro serve de base para o Box, que usa motor elétrico dianteiro de 70 kW (95 cv) e 160 Nm de torque, além de baterias LFP de 31,45 kWh ou 42,3 kWh. A autonomia pode chegar a 430 km no ciclo CLTC. A recarga rápida de 30% a 80% em 30 minutos e a velocidade máxima de 140 km/h completam a ficha técnica.
O Vigo, SUV elétrico com cerca de 130 cv e 230 Nm, não estava exposto no estande da marca, mas será o segundo carro-chefe da operação brasileira. O chinês usa bateria de 51,87 kWh e pode se aproximar de 470 km de autonomia.
Recentemente, a Dongfeng também esteve com sua engenharia de campo visitando plantas da Stellantis em Porto Real, RJ. Vale lembrar que a Peugeot é parceira da fabricante na Ásia. Ainda assim, a avaliação é que as chances de uma operação ligada à Nissan, a partir da fábrica de Resende (RJ), parecem mais fortes neste momento.
Canal Rural - SP 27/04/2026
A classificação deles como linha amarela, está relacionado a cor normalmente usada na pintura escolhida pelos fabricantes desses equipamentos. A Agrishow, principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina, terá exemplares dessas maquinas, mostrando a profissionalização e evolução do setor.
Antes vistas como coadjuvantes no cenário, a linha amarela tem se tornado cada vez mais presente no campo. Dados da Associação Brasileira de Tecnologia e Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), mostram que o agro está entre os principais destinos das 34,5 mil máquinas comercializadas em 2025. Equipamentos que antes eram relacionados a infraestrutura, hoje se tornam ferramentas estratégicas da produção agrícola.
A integração da linha amarela nas propriedades rurais tem expandido a capacidade operacional do setor, afirma João Marchesan, presidente da Agrishow.
A modernização reflete-se diretamente nos indicadores de produtividade, proporcionando ganho de escala e otimização dos custos fixos, complementa Marchesan.
A partir disso, a Câmara Setorial de Máquinas Rodoviárias (Csmr) da Abimaq, começa a ganhar mais importância, conectando a industria de equipamentos com o campo. Com empresas globais, o grupo reforçou como a linha amarela deixou de ser apenas um suporte e hoje é peça estratégica no setor.
O crescimento do uso das máquinas da linha amarela na agricultura reflete a busca constante por eficiência, produtividade e sustentabilidade no campo. A participação ativa na Agrishow reforça nosso compromisso em estar lado a lado com o agricultor, apresentando inovações que transformam desafios em oportunidades e impulsionam o futuro do agronegócio brasileiro, ressaltou Andrea Zámolyi Park, presidente da Câmara Setorial de Máquinas Rodoviárias (CSMR) da Abimaq.
Agrishow
A Agrishow que na próxima segunda-feira (27), em Ribeirão Preto (SP) vem se consolidando em uma vitrine das principais inovações da linha amarela no campo, mostrando em primeira mão escavadeiras, pás-carregadeiras e tratores de esteira, com configurações especificas para as atividades do campo.
Além das máquinas, o evento também apresenta um ecossistema completo de soluções como movimentação de carga, apoio logístico e manutenção de áreas produtivas. Com destaque para equipamentos versáteis e inteligentes que auxiliam desde a construção de silos e sistemas de irrigação até o manejo diário da propriedade.
IstoÉ Dinheiro - SP 27/04/2026
A VLI iniciou um novo ciclo de investimentos para reforçar a logística de escoamento de grãos no Corredor Norte. Com aporte de R$ 80 milhões, a companhia deu início às obras de recapacitação do Terminal Portuário São Luís (TPSL), no Maranhão, com foco em ganhos operacionais e aumento de capacidade, mirando sobretudo a demanda crescente do Matopiba (região formada pelo Estado do Tocantins e partes do Maranhão, Piauí e Bahia), informou a VLI em nota.
O projeto prevê melhorias estruturais relevantes, como a ampliação ferroviária e da linha de embarque. Com isso, a capacidade de expedição marítima do terminal deve saltar de 3 mil toneladas por hora para até 3.700 t/h, avanço de aproximadamente 23%. Já o escoamento interno de grãos, no trajeto entre ferrovia e porto, poderá atingir até 2.000 t/h, um aumento de cerca de 33% em relação ao patamar atual.
A expectativa da companhia é concluir as intervenções no primeiro trimestre de 2027. Segundo a VLI, os investimentos visam elevar a eficiência do terminal e fortalecer a competitividade logística dos clientes da região. “Esses investimentos atendem ao compromisso da VLI de aumentar a capacidade de movimentação de carga no Porto do Itaqui e reforçam nossa missão de apoiar o crescimento do agronegócio brasileiro”, afirmou, na nota, o diretor de Planejamento, Engenharia e Tecnologia da companhia, Alessandro Gama.
O TPSL é peça-chave do Corredor Norte da VLI, estrutura logística que integra ferrovias, porto e terminais para o transporte de grãos, celulose, combustíveis e ferro-gusa. No último ano, o corredor movimentou cerca de 15 bilhões de toneladas por quilômetro útil (TKU), avanço de 4,1% na comparação anual.
Além do terminal em São Luís, o corredor tem três unidades integradoras: Porto Franco (MA), Porto Nacional (TO) e Palmeirante (TO), que dão suporte ao fluxo de cargas oriundas principalmente do Matopiba. Em 2025, o TPSL movimentou quase 5,8 milhões de toneladas apenas pelo Berço 105, crescimento de 4,1% sobre o ano anterior, evidenciando a pressão por maior capacidade logística na região.
Veja - SP 27/04/2026
Aos que indagam por que o trem que ligará as cidades de São Paulo e Campinas não passará dos 160 quilômetros por hora, Pedro Moro, presidente da TIC Trens, recorda que um trem-bala demandaria um projeto bem diferente. “Seria muito mais caro.” A concessionária já iniciou as obras do trem intercidades, com um orçamento estimado de 17 bilhões de reais.
Exame - SP 27/04/2026
Nos próximos anos, dezenas de plataformas de petróleo que operam na costa brasileira devem chegar ao fim da vida útil. Quando isso acontecer, o Brasil precisará fazer uma escolha: desmontar essas estruturas aqui ou exportar esse trabalho para estaleiros no exterior.
Até o momento, o país tem apostado na segunda opção - e não por decisão estratégica, mas por falta de condições. Hoje, não existe nenhum estaleiro habilitado para reciclar grandes embarcações e plataformas offshore no Brasil.
Adicionalmente, o marco legal que estabeleceria as regras tramita no Congresso há cinco anos sem votação e o regime tributário aplicável também segue indefinido. O mercado em jogo, segundo estimativas do setor, pode chegar a R$ 306 bilhões nos próximos 30 anos.
O tamanho do que está em jogo
A Agência Nacional do Petróleo estima que cerca de 35 unidades de produção serão desativadas entre 2025 e 2030, e mais 12 até 2035, a um custo de US$ 1 bilhão por ano. Em 2024, quase 76 plataformas já operavam com mais de 25 anos de uso, sinal de que uma geração inteira de equipamentos se aproxima do limite ao mesmo tempo.
O calendário pode encurtar ainda mais. A Petrobras quer antecipar o descomissionamento da FPSO Cidade de Santos, navio-plataforma previsto para ser desativado em 2027, ainda neste ano. Após 2031, a estatal prevê a saída de 50 plataformas, sendo 43 fixas.
Em declarações públicas recentes, executivos da empresa sinalizaram que o processo já está em andamento e que a destinação das estruturas vai depender de quem estiver melhor preparado para recebê-las.
A pressão vem também de fora. Até 2032, cerca de 15 mil embarcações devem ser recicladas no mundo, o equivalente a 25% da frota mercante atual. Os estaleiros europeus já operam no limite da capacidade.
O pico global está previsto para 2033, quando aproximadamente 2.800 navios por ano deverão ser enviados à reciclagem.
O Brasil aparece em terceiro lugar no ranking mundial da consultoria Wood Mackenzie, com 11% do total global e até US$ 16 bilhões previstos em operações só até 2029. A posição é relevante. A capacidade de aproveitá-la, ainda não.
Em janeiro, o governo federal criou o Grupo de Trabalho de Descomissionamento e Reciclagem de Plataformas Offshore e Navios, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, reunindo Petrobras, Gerdau e os principais estaleiros nacionais.
O grupo mapeou as cadeias produtivas que podem ser ativadas pelo setor, identificou os principais gargalos e produziu recomendações concretas, apresentadas ao ministério neste mês de abril.
Grupos de trabalho são criados com frequência no governo federal e nem sempre resultam em política pública.
O que diferenciará este é o que acontece depois: as mudanças necessárias dependem do Congresso, da Receita Federal e do Ibama, instâncias fora do alcance do grupo. O GT pode mapear, recomendar e pressionar, mas não decide - e a dimensão do problema vai além do debate regulatório.
Por que a reciclagem importa mais do que o desmonte?
Quando uma plataforma encerra a operação, não é só sucata que sobra, mas uma fonte de diversos materiais.
O aço representa entre 70% e 90% do peso de uma embarcação e vai direto para as usinas siderúrgicas. Tubulações, conectores e componentes elétricos contribuem com cobre, alumínio, níquel e crômio, todos com alto valor de mercado.
Motores, geradores, compressores, bombas e guindastes com vida útil remanescente podem ser revendidos ou reaproveitados em outros projetos. Nas plataformas, há ainda tubulações submarinas, cabos umbilicais e equipamentos de perfuração que demandam tratamento especializado.
O outro lado desse inventário são os insumos perigosos: óleos residuais, tintas com metais pesados, amianto e, em algumas unidades, resíduos radioativos de ocorrência natural.
Aqui, a reciclagem se separa do simples desmonte. E tratar esses materiais com segurança e rastreabilidade é o que diferenciará um estaleiro certificado de um pátio de desmanche.
Na indústria siderúrgica brasileira, ter acesso a esse fluxo de sucata de alta qualidade reduz a dependência de matéria-prima importada e contribui para diminuir a intensidade de carbono na produção de aço.
Para o país, fazer esse trabalho internamente significa reter valor que hoje é exportado junto com as estruturas. E permite contabilizar os ganhos ambientais de cada operação, algo que o envio para estaleiros no exterior inviabiliza.
Cinco anos de projeto de lei. E contando
Há cerca de cinco anos, em abril de 2021, foi apresentado o PL 1.584/2021 com objetivo de regulamentar o desmantelamento e a reciclagem de embarcações e instalações offshore em território nacional. Desde então, o texto passou por quatro comissões sem chegar a uma votação final.
Em novembro do mesmo ano foi aprovado pela Comissão de Meio Ambiente. Um ano mais tarde, pela de Relações Exteriores e Defesa Nacional e, em junho de 2025, passou pela Comissão de Viação e Transportes, um dia após a Convenção de Hong Kong - tratado internacional que estabelece os padrões globais para a reciclagem segura de navios - entrar em vigor internacionalmente.
Atualmente, o projeto aguarda votação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, última etapa antes de seguir ao Senado. Não há, contudo, previsão de data.
Além da ausência de marco regulatório, o setor esbarra no REPETRO. O regime tributário, criado para viabilizar a exploração e produção de petróleo, não contempla a reciclagem de ativos que chegaram ao fim da vida útil.
A Receita Federal já sinalizou o entendimento de que sucata não se enquadra no regime, mas a norma que uniformizaria essa interpretação ainda não foi publicada.
Tampouco existem regras para a importação de plataformas estrangeiras destinadas ao desmonte no país. Um conjunto de lacunas que cria insegurança jurídica para quem queira investir em infraestrutura dedicada a essa atividade.
O padrão global mudou
Quando o Tratado de Hong Kong passou a vigorar em junho de 2025, após 16 anos de negociações, países signatários assumiram compromissos concretos: segurança para trabalhadores, gestão de materiais perigosos e rastreabilidade para toda embarcação destinada à reciclagem.
Hoje, praticamente toda a atividade global está concentrada em Bangladesh, China, Índia, Paquistão e Turquia.
À época em que as regras se tornaram obrigatórias, a Índia tinha 110 estaleiros em conformidade com os novos padrões, a Turquia tinha 11, Bangladesh tinha 10 e o Paquistão não tinha nenhum.
O método predominante nesses países ainda é o beaching, o encalhe do navio na praia para desmontagem manual, com alto risco para trabalhadores e para o entorno ambiental.
O Brasil não pratica o beaching, mas também não está dentro do sistema que regula o mercado. O país não ratificou o tratado e não tem estaleiros certificados segundo seus padrões.
Armadores europeus, japoneses e americanos que precisam demonstrar conformidade ambiental ao descartar suas frotas simplesmente não têm como contratar estaleiros brasileiros, mesmo que quisessem.
Agora, com o mapeamento e as recomendações apresentados ao ministério, o grupo de trabalho coloca na mesa o argumento central: o país pode competir não no preço, mas no padrão, construindo uma indústria certificada desde o início, enquanto os atuais líderes globais ainda correm para se adequar às novas regras
Mas para isso, o marco legal precisa existir, os estaleiros precisam ser habilitados e o regime tributário precisa fazer sentido. E nenhuma dessas condições está cumprida hoje.
IstoÉ Dinheiro - SP 27/04/2026
França, Alemanha e Reino Unido lideram esforços para criar uma missão “defensiva” destinada a garantir segurança na região. Especialistas questionam viabilidade da estratégia.Potências europeias se mobilizam para montar uma missão naval multinacional com o objetivo de proteger a navegação no Estreito de Ormuz, depois que os combates no conflito entre Estados Unidos e Irã interromperam o tráfego em uma das rotas comerciais mais estratégicas do mundo.
Em reuniões realizadas em Londres nesta semana, planejadores militares de cerca de 30 países se encontraram para discutir como a operação poderia funcionar na prática e de que forma navios comerciais poderiam ser protegidos. Após uma breve reabertura, Teerã voltou a fechar o estreito e sugere até a cobrança de um “pedágio”.
Correndo por fora das negociações entre EUA e Irã, as nações europeias têm defendido que uma ação naval na região só seja realizada após as negociações de paz avançarem. Ainda assim, países como a Alemanha já indicaram que deslocarão navios ao Mediterrâneo com o objetivo de se antecipar, caso uma eventual operação seja autorizada pelo Parlamento.
O que envolveria uma “missão defensiva”?
No centro das propostas do Reino Unido e da França está uma operação naval multinacional de caráter “estritamente defensivo”, focada em proteger embarcações comerciais contra ataques, sem a realização de ofensivas contra alvos em terra. Segundo os dois países, a missão só seria lançada após um cessar-fogo negociado entre os Estados Unidos e o Irã.
De acordo com Jürgen Ehle, contra-almirante alemão reformado e ex-conselheiro militar sênior da União Europeia, uma missão desse tipo envolveria reagir a agressões, e não atuar de forma ofensiva. Na prática, isso significa proteger navios de mísseis, drones ou embarcações hostis, em vez de atingir infraestrutura militar iraniana ou tropas em terra.
Especialistas disseram à DW que a operação provavelmente exigiria fragatas ou destróieres equipados com sistemas de defesa aérea, além de drones caça-minas, incluindo sistemas não tripulados, para detectar e neutralizar minas navais.
O chamado Trio Europeu — formado por Alemanha, França e Reino Unido — deverá arcar com a maior parte do esforço militar. Berlim indicou que estaria disposta a contribuir com embarcações de remoção de minas e meios de reconhecimento marítimo, desde que haja aprovação do Parlamento. O chanceler Friedrich Merz destacou a necessidade de um mandato legal claro antes de qualquer envio de forças.
Neste sábado, o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, disse que, “para ganhar tempo”, navios da Marinha alemã serão deslocados para o Mar Mediterrâneo, entre eles o caça-minas Fulda. “Decidimos enviar algumas das unidades ao Mediterrâneo antes do previsto, para não perder nenhum tempo assim que tivermos o mandato”, afirmou.
A França já dispõe de ativos navais significativos na região, incluindo oito navios de guerra, um porta-aviões e dois navios de assalto anfíbio. O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que forças atualmente posicionadas no Mediterrâneo oriental e no Mar Vermelho — incluindo o porta-aviões Charles de Gaulle — poderiam ser parcialmente redirecionadas para apoiar a missão.
A contribuição do Reino Unido ainda não foi especificada. O primeiro-ministro britânico Keir Starmer disse que mais de uma dezena de países demonstraram interesse em fornecer meios, mas não afirmou expressamente o que Londres colocaria à disposição.
Embora o Reino Unido tenha destróieres avançados, sua “prontidão e disponibilidade permanecem incertas”, disse à DW Bence Nemeth, professor sênior de estudos de defesa do King’s College London.
Quais são os riscos para a Europa?
O envio de meios navais ao Golfo pode pressionar as capacidades europeias em um momento de tensões elevadas mais próximas do continente. Nemeth alertou que a Europa precisa equilibrar ameaças vindas da Rússia, especialmente no Mar Báltico e no Atlântico Norte.
“Os europeus precisam primeiro de seus ativos navais para manter sua própria segurança”, disse Nemeth, acrescentando que “eles não podem depender dos EUA como antes”.
Os riscos operacionais no Golfo permanecem significativos. Ehle observou que “capacidades de defesa aérea não garantem 100% de segurança”, especialmente contra ataques em larga escala com drones.
Escrevendo para o Royal United Services Institute, o professor do King’s College de Londres, David B. Roberts, destacou um ambiente de ameaças “em camadas”, que vai desde “munições lentas e de baixa altitude, no nível mais baixo, até mísseis antinavio de alta velocidade e minas de contato, no nível mais alto”.
A diplomacia pode garantir estabilidade?
Analistas concordam que deslocamentos navais, por si só, não podem garantir a segurança do estreito. Apenas um acordo diplomático — no qual o Irã tome uma decisão política soberana de recuar — oferece a perspectiva de interromper completamente os ataques”, disse Roberts.
França e Reino Unido buscam ampliar a coalizão para além da Europa, envolvendo países como a Índia e a Coreia do Sul. O objetivo é aumentar a pressão diplomática e viabilizar a retomada do transporte comercial.
Nemeth afirmou que “os países têm razões diferentes para participar dessas negociações”. As mais comuns, acrescentou, “são a liberdade de navegação, o direito internacional e a segurança energética”.
“Esses Estados não querem normalizar uma situação em que uma potência possa usar a força e a geografia para controlar um gargalo marítimo crucial”, disse. “Isso criaria um precedente perigoso para o comércio global.”
Enquanto a Europa trabalha para construir uma coalizão, países como Índia, Paquistão e China também buscam acordos bilaterais com Teerã para manter o fluxo de navegação, embora os volumes “permaneçam marginais”, escreveu Roberts.
Por ora, a Europa se prepara para uma missão naval defensiva limitada, ao mesmo tempo em que pressiona por uma solução política. Ainda é incerto se haverá apoio internacional suficiente para viabilizar essa estratégia.
IstoÉ Dinheiro - SP 27/04/2026
O Ministério de Portos e Aeroportos solicitou à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) a suspensão imediata do processo de arrendamento do Tecon Santos 10 (STS-10), no Porto de Santos (SP), destinado à movimentação e armazenagem de contêineres e carga geral. A decisão ocorre após sucessivos adiamentos do processo.
Segundo o Ministério, o “aperfeiçoamento” do formato de competição do leilão ainda está em debate junto à Casa Civil. Por isso, a necessidade de interrupção do processo. “Nesse sentido, em observância aos princípios da cautela administrativa, da boa governança, da transparência e da segurança do processo decisório, mostra-se recomendável solicitar a essa Antaq o sobrestamento do processo encaminhado por esta Secretaria”, afirmou o secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, em ofício enviado à Antaq e obtido pelo Estadão/Broadcast.
A secretaria pediu que a agência interrompa a análise e devolva os autos ao Ministério, para permitir a reavaliação das premissas e dos parâmetros do arrendamento, antes de eventual retomada do cronograma licitatório.
Estratégico
Na prática, o pedido interrompe a tramitação na Antaq e tende a postergar o calendário do certame, já que a retomada dependerá de nova manifestação do poder concedente com as diretrizes revisadas e, eventualmente, a atualização de estudos e minutas.
O cronograma inicial previa que o leilão do Tecon10 acontecesse em janeiro, mas o prazo foi sendo estendido em meio a questionamentos sobre restrições a participantes na disputa. O terminal é considerado estratégico, já que vai ampliar em 50% a capacidade de movimentação de contêineres do Porto de Santos, o maior da América Latina.
De um lado, empresas que defendem que o edital estabeleça restrições concorrenciais, impedindo, em uma primeira etapa, a participação de companhias já atuantes no Porto de Santos. De outro, as operadoras que já atuam lá sustentam que o leilão não deve impor restrições à concorrência, mas sim exigir o desinvestimento da vencedora que já possua terminais no Porto, caso venha a arrematar o ativo.
Infomoney - SP 27/04/2026
O choque de oferta de petróleo no Estreito de Ormuz ainda não derrubou a demanda, já que o mundo rico recorre a seus estoques e paga mais caro para garantir suprimento. Agora, operadores estão soando o alarme de que um ajuste duro está chegando.
Quanto mais tempo o canal vital de exportação de petróleo permanecer fechado, dizem os traders, maior terá de ser a recalibragem para baixo do consumo, para se alinhar a uma oferta que já caiu pelo menos 10%. E, para que isso aconteça, as pessoas terão de comprar menos — seja porque os preços ficarão proibitivos, seja por intervenção governamental para forçar a redução do consumo.
Uma perda de 1 bilhão de barris de oferta já é praticamente certa — mais que o dobro dos estoques de emergência que governos liberaram pouco depois de o conflito começar, no fim de fevereiro. Os “colchões” de segurança estão sendo usados rapidamente, o que ajuda, por ora, a conter a alta do petróleo. Mas, com o bloqueio entrando na nona semana, a destruição de demanda, que começou em setores menos visíveis, como o de petroquímicos na Ásia, está se espalhando silenciosamente para mercados do dia a dia em todo o mundo.
“A destruição de demanda está acontecendo em lugares que não são centros visíveis de formação de preço”, disse Saad Rahim, economista-chefe da trading Trafigura Group, no FT Commodities Global Summit, em Lausanne, nesta semana. “Esse ajuste já está em curso, mas, se isso continuar, terá de ficar cada vez maior. Estamos em um ponto de inflexão crítico.”
Os setores e mercados mais dependentes — incluindo plantas petroquímicas na Ásia e no Oriente Médio, e carregamentos de gás liquefeito de petróleo (GLP), um combustível de cozinha essencial na Índia — sofreram o impacto imediato quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro.
Agora, com o impasse entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e seus adversários iranianos se arrastando, o impacto está se deslocando cada vez mais para o Ocidente — e para derivados que são centrais para a vida cotidiana dos consumidores.
Companhias aéreas na Europa e nos EUA estão cortando milhares de voos. Analistas alertam para fragilidade no consumo de gasolina depois que os preços atingiram US$ 4 por galão nos EUA, e também de diesel — usado para mover de caminhões a máquinas de construção.
A demanda global por petróleo caminha para o maior tombo em cinco anos neste mês, de acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), que coordenou as medidas emergenciais das grandes economias para reagir ao choque de oferta.
A gigante de trading Gunvor Group estima que a perda possa dobrar no mês que vem, para 5 milhões de barris por dia, ou 5% da oferta mundial, e, junto com outros grandes operadores, vê risco crescente de recessão econômica. Outros analistas e traders dizem que o impacto já chegou perto dos 4 milhões de barris por dia.
Esse custo começa a se materializar. A Alemanha cortou pela metade suas previsões de crescimento econômico, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu as projeções globais, citando a guerra. No cenário mais “severo” de três simulados pelo Banco Central Europeu, os preços do Brent atingem o pico de US$ 145 por barril e cortam pela metade o crescimento da região. O Brent fechou em cerca de US$ 105 por barril na sexta-feira.
A necessidade de ajustar para baixo a demanda por petróleo e a atividade econômica — muito provavelmente por meio de preços que desestimulem o consumo — só aumenta a cada dia em que o estreito permanece fechado.
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Em ondas
A demanda mundial já enfrenta um impacto de 5,3 milhões de barris por dia neste trimestre, e uma interrupção de 12 semanas em Ormuz levaria o Dated Brent, principal referência física do petróleo no mundo, a superar o recorde deste mês e chegar a US$ 154 por barril, segundo a consultoria FGE NexantECA.
“Como ainda não há um ‘desastre visível’ no Ocidente, as pessoas acham que está tudo bem e que preços um pouco mais altos na bomba são o único impacto”, disse Cuneyt Kazokoglu, diretor de transição energética da FGE. Mas a destruição de demanda “virá e está vindo em ondas. A Ásia foi a primeira da fila; a África é a próxima. A Europa já começou a falar sobre a falta de alguns combustíveis e a sentir o impacto dos preços”.
Em última instância, num mercado em que a demanda precisa se ajustar para baixo para se igualar à menor oferta, os preços do petróleo podem ser o fator que força essa recalibragem.
Em cenários extremos, em que apenas o preço faz o mercado se equilibrar, a FGE estima que o petróleo bruto teria de disparar para US$ 250 por barril.
Vários analistas disseram, em caráter privado, que a incerteza extrema sobre o desfecho do conflito torna quase impossível modelar o impacto na demanda. Mas, sem uma resolução rápida, as consequências econômicas podem ser profundas.
“Se não houver qualquer reabertura em três meses, o caso passa a ser um problema macroeconômico em que o mundo está à beira de cair em recessão”, disse Frederic Lasserre, chefe de pesquisa da Gunvor, no FT Commodities Global Summit em Lausanne. A empresa chegou a fazer testes de estresse com a hipótese de o petróleo disparar para US$ 200 ou até US$ 300 por barril.
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Uma área particularmente sensível são os chamados destilados médios, que incluem o diesel. Os preços na Europa ultrapassaram US$ 200 por barril no mês passado, o nível mais alto desde 2022. Na Índia, frotistas de caminhões se preparam para o racionamento de combustível e para os primeiros aumentos significativos no preço do diesel em anos.
“Daqui a poucas semanas, começaremos a ver anúncios de problemas para garantir o abastecimento de diesel — que é a espinha dorsal da economia global para o transporte de bens”, disse Vikas Dwivedi, estrategista do Macquarie Group, em entrevista à Bloomberg Television. “Quando atinge o diesel, é quando todos nós vamos perceber e sentir.”
A aviação também é particularmente vulnerável. Companhias aéreas na Ásia estiveram entre as primeiras a reagir, com empresas do Vietnã e a Air New Zealand cortando rotas. Agora, o impacto está se espalhando: a Deutsche Lufthansa AG cancelou 20 mil voos de curta distância de sua malha de verão na Europa, e a KLM também está reduzindo operações.
Mesmo nos EUA — relativamente protegidos da crise por sua abundância de energia doméstica — a United Airlines Holdings Inc. está reduzindo em cerca de 5% o crescimento planejado, e agora espera que a capacidade, medida em assentos-milha disponíveis, na segunda metade de 2026 fique estável ou suba até 2% em relação a um ano antes.
A gasolina começa a sentir o efeito: motoristas americanos podem estar gastando mais com o combustível, mas, com o preço médio acima de US$ 4, eles estão comprando 5% menos galões do que há um ano, segundo o Barclays Plc.
“Os preços mais altos ao longo do último mês e meio levaram à destruição da demanda de combustível por parte do consumidor dos EUA”, disseram analistas do banco, incluindo Josh Grasso e Amarpreet Singh.
Nas semanas que se seguiram ao início da guerra, países consumidores se mexeram para ganhar tempo.
Nações membros da AIE, como EUA, Alemanha e Japão, anunciaram uma liberação sem precedentes de 400 milhões de barris para tentar tapar o enorme buraco na oferta, e a China também recorreu às suas reservas. Mas esvaziar esses estoques corrói as salvaguardas do mundo, deixando-o, em última instância, mais exposto.
“Tomamos petróleo emprestado do futuro”, disse Russell Hardy, presidente-executivo da Vitol Group, a maior trading independente, no FT Commodities Global Summit em Lausanne nesta semana. “Mas não dá para fazer isso para sempre. Há consequências recessivas ao ter de racionar essa demanda.”
Valor - SP 27/04/2026
Autoridades americanas miram Hengli Petrochemical e 40 empresas de navios por ajudar o Irã a vender petróleo
O governo Trump informou nesta sexta-feira que impôs sanções a uma refinaria independente na China por comprar bilhões de dólares em petróleo iraniano, enquanto Washington e Teerã enfrentam dificuldades para retomar as negociações de paz.
O Departamento do Tesouro teve como alvo a Hengli Petrochemical (Dalian) Refinery Co. Os EUA afirmam que a Hengli está entre os maiores clientes do Irã em petróleo bruto e derivados. O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) do departamento também informou que sancionou cerca de 40 empresas de transporte marítimo e embarcações que operam como parte da chamada frota “fantasma” do Irã.
No ano passado, o governo Trump impôs sanções às refinarias independentes Hebei Xinhai Chemical Group, Shandong Shouguang Luqing Petrochemical e Shandong Shengxing Chemical.
Isso criou obstáculos para essas refinarias, incluindo dificuldades para receber petróleo bruto e a necessidade de vender produtos refinados sob diferentes nomes. Essas refinarias independentes respondem por cerca de um quarto da capacidade da China, operam com margens estreitas — às vezes negativas — e vêm sendo pressionadas recentemente pela fraca demanda doméstica.
As sanções dos EUA, que bloqueiam ativos sob jurisdição americana e impedem cidadãos dos EUA de fazer negócios com os alvos, têm dissuadido algumas refinarias independentes maiores de comprar petróleo iraniano. A China compra mais de 80% do petróleo exportado pelo Irã, segundo dados de 2025 da empresa de análise Kpler.
Especialistas em sanções afirmam há tempos, porém, que as refinarias independentes são relativamente imunes ao impacto total das sanções dos EUA, já que têm pouca exposição ao sistema financeiro americano. Segundo eles, impor sanções a bancos chineses que facilitam essas compras teria um efeito mais significativo sobre as aquisições de petróleo iraniano.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que os EUA estão impondo um “estrangulamento financeiro” ao governo iraniano. “O Tesouro continuará a restringir a rede de embarcações, intermediários e compradores de que o Irã depende para levar seu petróleo aos mercados globais”, afirmou Bessent.
Recentemente, as refinarias independentes da China” passaram a comprar petróleo iraniano mais caro que o Brent internacional, após a flexibilização temporária das sanções americanas sobre o petróleo iraniano no mar elevar as expectativas de que a Índia poderia ampliar suas compras. Na semana passada, os EUA deixaram essa autorização expirar.
O Estado de S.Paulo - SP 27/04/2026
Como a guerra no Irã está espalhando caos no mundo?
Os analistas de futuros de petróleo estão otimistas. Em 17 de abril, após o ministro das Relações Exteriores do Irã declarar o Estreito de Ormuz “completamente aberto”, o preço do petróleo Brent caiu 10%, para US$ 90 o barril. Poucas horas depois, o Irã mudou de posição e atacou um petroleiro indiano. No dia seguinte, a referência global subiu apenas 5%. Desde então, voltou a ultrapassar os US$ 100, mas permanece cerca de US$ 15 abaixo de sua máxima do final de março, mesmo com o bloqueio americano retendo ainda mais petróleo no Golfo.
Cinquenta dias após o início da guerra com o Irã, o mundo perdeu 550 milhões de barris de petróleo bruto do Golfo — quase 2% da produção global do ano passado. A cada mês que o Estreito de Ormuz permanece fechado, o mundo deixa de receber 7 milhões de toneladas de gás natural liquefeito (GNL), o equivalente a 2% de sua oferta anual.
Contudo, nos países ocidentais, que abrigam os maiores mercados futuros, o impacto negativo permanece limitado. A gasolina está um pouco mais cara, mas a maioria das famílias ainda consegue comprar um carro. Os caminhões continuam circulando. Os aviões continuam voando. Os estoques de combustível permanecem próximos aos níveis pré-guerra.
Essa imagem reconfortante é profundamente enganosa. Em 20 de abril, os últimos petroleiros que cruzaram o Estreito de Ormuz antes do início da guerra chegaram aos seus destinos, na Malásia e na Califórnia. Não há mais reservas para proteger o mundo do choque de abastecimento, numa época do ano em que a demanda por viagens de férias começa a aumentar.
Para avaliar o quão próximo o mundo está de uma catástrofe energética, a revista The Economist compilou um painel de indicadores. Ele mostra que danos graves já foram causados. Pior ainda, sem a reabertura do estreito, os custos podem disparar, desencadeando eventos que levariam ao colapso do sistema de abastecimento de combustível. A reabertura do estreito agora evitaria — por pouco — a calamidade. Mas algum sofrimento adicional já é inevitável.
Três fatores estão empurrando o mundo para o abismo. Os estoques de petróleo disponíveis para compra estão se esgotando. As refinarias estão reduzindo drasticamente a produção de combustível. E a demanda permanece artificialmente alta, especialmente na Europa. Algo de grande escala precisa ceder em algum lugar para que os mercados de energia se equilibrem.
Comecemos pelo comércio. Uma das razões pelas quais o maior choque de oferta da história do petróleo não desencadeou pânico global é que uma quantidade quase recorde de petróleo já estava no mar quando a guerra começou. À medida que os navios de guerra americanos zarparam para o Golfo em fevereiro, os países da região aumentaram as exportações.
Após as últimas entregas, esses estoques excedentes no mar já se esgotaram. O mesmo aconteceu com a maioria das cargas de petróleo iraniano e russo, que estavam paradas no mar, mas encontraram compradores depois que os Estados Unidos aliviaram as sanções contra os dois países. Os volumes totais em trânsito caíram a uma velocidade recorde. Para o querosene de aviação e a gasolina, estão bem abaixo dos níveis históricos e possivelmente próximos do mínimo necessário para o funcionamento do comércio marítimo.
Isso deixa a Ásia, que costumava receber quatro quintos das exportações do Golfo, em uma situação particularmente difícil. Os estoques comerciais em alguns outros países asiáticos estão se esgotando. A Coreia do Sul deve reduzir a liberação de suas reservas estratégicas nos próximos dias. As do Japão se esgotarão em maio. Os estoques de petróleo bruto na Ásia, excluindo a China, caíram 67 milhões de barris, ou 11%, no mês encerrado em 19 de abril, segundo a Kayrros, empresa que estima estoques usando imagens de satélite.
A escassez de matérias-primas obrigou as refinarias asiáticas a reduzir a produção em mais de 3 milhões de barris por dia (b/d), ou 10% da capacidade combinada. Essa redução poderá acelerar para 5 milhões de b/d em maio e, caso o estreito permaneça fechado, para 10 milhões de b/d em julho, afirma Neil Crosby, da Sparta Commodities, uma empresa de análise de dados.
A China poderia ajudar liberando parte dos 1,3 bilhão de barris de petróleo bruto que mantém em reserva. Em vez disso, suspendeu as exportações de produtos refinados. Um operador familiarizado com a estratégia energética chinesa acredita que o país não retomará as exportações antes de uma trégua duradoura. Tudo isso agrava a escassez causada pela perda das exportações de combustíveis refinados do Golfo, dos quais a Ásia também depende.
Os preços dos combustíveis refinados já estão altos. Nos mercados à vista asiáticos, a gasolina se aproxima de US$ 120 o barril, o diesel de US$ 175 e o querosene de aviação de US$ 200, contra US$ 80, US$ 93 e US$ 94, respectivamente, antes da guerra. A demanda está se ajustando, em parte por decreto governamental.
Sete países impuseram o trabalho remoto obrigatório e pelo menos cinco estão racionando combustível para veículos. Os preços altos também contribuem para isso. Pequenas mineradoras, empresas de pesca e outras sem estoques adequados de diesel estão operando em regime parcial.
Sem condições de comprar nafta, outro derivado do petróleo, algumas fábricas de plástico fecharam unidades. A combinação do racionamento imposto pelo governo e pelas próprias empresas pode fazer com que a demanda asiática por petróleo bruto diminua em quase 3 milhões de barris por dia em abril, em comparação com fevereiro.
Até o momento, a Europa conseguiu evitar a destruição da demanda, já que os governos tentam preservar o poder de compra dos cidadãos. Dos 27 países da União Europeia, 16 estão usando dinheiro dos contribuintes ou reduzindo os impostos sobre combustíveis para proteger os consumidores de preços mais altos. Assim, as refinarias europeias praticamente não reduziram a produção. Mas, assim como suas contrapartes asiáticas, elas também precisam comprar petróleo bruto a um custo muito maior do que o sugerido pelos contratos futuros do Brent.
Um indicador melhor é o Brent Dated, o preço para cargas reais entregues nas próximas semanas. A diferença entre os dois — geralmente de US$ 1 a US$ 2 — aumentou consideravelmente em abril, refletindo temores de escassez a curto prazo, segundo a Platts, que produz o índice de referência. Essa diferença diminuiu desde então, mas permanece maior do que o normal (e não inclui fretes exorbitantes e outros custos).
O preço da matéria-prima entre US$ 130 e US$ 150 por barril levou as margens das refinarias europeias ao prejuízo, segundo Benedict George, da Argus Media, uma agência de notícias sobre preços. O backwardation extremo — quando os preços à vista de uma commodity são muito mais altos do que os preços futuros — destrói seus lucros: elas precisam pagar caro pelo petróleo bruto agora, mas vendem seus produtos a preços futuros mais baixos. Em breve, precisarão reduzir a produção.
Se a Europa continuar a subsidiar o consumo, os mercados ficarão ainda mais desequilibrados. Para começar, os preços dos produtos continuarão a subir. Os Estados Unidos, onde a procura tende a aumentar durante o período de viagens rodoviárias de verão, irão pressioná-los ainda mais. A concorrência pelo GNL, cuja escassez foi em grande parte absorvida pela austeridade dos consumidores asiáticos e pela substituição do carvão, também aumentará quando a Europa começar a reabastecer seus estoques de gás para o inverno.
A rápida depleção dos estoques agrava ainda mais a situação. As reservas europeias de querosene de aviação cobrem cerca de 50 dias de consumo, seu nível típico. Mas uma modelagem feita por Michelle Brouhard, da empresa de dados Kpler, para a revista The Economist, mostra que os estoques europeus cairão drasticamente se o fluxo pelo Estreito de Ormuz não se normalizar até junho.
Os estoques em outras regiões importadoras podem se esgotar ainda mais rapidamente. A perspectiva pode piorar se os Estados Unidos, buscando conter os preços internos, seguirem o exemplo da China e proibirem as exportações de produtos refinados, que aumentaram quase pela metade desde o início da guerra.
Os mercados futuros estão em negação quanto a tudo isso. Mesmo que o Estreito de Ormuz reabrisse hoje, levaria meses para que a produção de petróleo bruto, o transporte marítimo e o refino no Golfo Pérsico voltassem à plena capacidade. Saad Rahim, da Trafigura, uma empresa de trading, acredita que uma perda acumulada de 1,5 bilhão de barris no Golfo, ou 5% da produção global anual, é praticamente inevitável.
Se o estreito permanecer fechado, esse valor pode facilmente dobrar. A última vez que a demanda por petróleo caiu 10% em um curto período foi durante os lockdowns da covid-19 em 2020, um choque que também provocou uma queda de mais de 3% no PIB mundial. O tempo para evitar uma queda semelhante está se esgotando.
Petro Notícias - SP 27/04/2026
Os preços do petróleo subiram ainda mais na quinta-feira (23) e passaram do patamar de US$ 105 por barril Brent. A elevação no valor da commodity é uma resposta do mercado à indefinição quanto ao desenrolar da guerra no Oriente Médio. Qualquer previsão sobre os próximos passos do confronto e dos efeitos de médio e longo prazo no mercado de óleo e gás precisa ser revista dia após dia. Ainda assim, se esse preço US$ 100 por barril for mantido por bastante tempo, a América do Sul seria uma das regiões mais beneficiadas. É o que aponta uma nova análise da Rystad Energy, que prevê que a região poderia destravar até 2,1 milhões de barris por dia (bpd) de oferta adicional de petróleo bruto até meados da década de 2030 diante do atual cenário de preços.
“O conflito no Oriente Médio fez mais do que elevar os preços do petróleo — ele expôs o quão perigosamente concentradas estão as cadeias globais de suprimento em torno do Estreito de Ormuz. A América do Sul agora está posicionada como a fonte mais relevante de oferta incremental no mundo. A região oferece escala, qualidade geológica e relativa estabilidade política exatamente no momento em que o mundo busca alternativas”, disse a vice-presidente sênior de Pesquisa em Óleo e Gás da Rystad Energy, Radhika Bansal.
FPSO da ExxonMobil na Guiana
Os desenvolvimentos offshore no Brasil, Guiana e Suriname representam a fonte mais imediata de potencial de crescimento. A aceleração de projetos nesses mercados poderia entregar mais de 1 milhão de barris de óleo equivalente por dia (boepd) de produção adicional ao longo da próxima década, apoiada por aproximadamente US$ 33 bilhões em investimentos incrementais em novos projetos até 2035.
Na Guiana, a ExxonMobil mira até 300 mil bpd no projeto Yellowtail, que entrou em operação com produção média inicial de 250 mil bpd, e a Rystad avalia que medidas semelhantes de eliminação de gargalos poderiam liberar mais 80 mil a 90 mil bpd nos campos Errea Wittu, Jaguar e Hammerhead. No entanto, o maior potencial está em decisões finais de investimento (FID) antecipadas para novos projetos, e não na expansão de ativos existentes. Ainda assim, a capacidade limitada dos estaleiros para novas unidades flutuantes de produção, armazenamento e descarregamento (FPSOs) segue como principal restrição.
Fora desses três polos, a Venezuela voltou ao debate global sobre oferta após a captura, em janeiro, do presidente Nicolás Maduro e a redução da disponibilidade de petróleo ácido médio a pesado vindo do Oriente Médio. Em um cenário de US$ 100 por barril, a Rystad Energy estima que a Venezuela poderia adicionar 910 mil bpd até 2035, sendo 57% oriundos de campos existentes nas províncias Leste e Oeste, onde os custos operacionais de petróleo médio giram entre US$ 7 e US$ 8 por barril.
A ExxonMobil, cujo CEO classificou a Venezuela como “não investível” em janeiro, desde então enviou equipes técnicas para avaliar oportunidades. A Shell assinou acordos preliminares com a estatal venezuelana PDVSA no início de março, cobrindo gás offshore e exploração onshore. Todos os cronogramas, porém, continuam dependentes do alívio de sanções e de reformas fiscais. O potencial pode ser significativamente maior se mais empresas seguirem o mesmo caminho, à medida que a confiança dos investidores aumente, impulsionada pela presença de companhias como Chevron, Eni, Repsol e Shell. Maior participação em campos subdesenvolvidos, especialmente por meio de parcerias com a PDVSA, ampliaria ainda mais o potencial adicional de produção.
A formação de Vaca Muerta, na Argentina, é a principal história de crescimento dinâmico da região. A produção de petróleo deve alcançar 1 milhão de bpd até o fim da década, ante cerca de 600 mil bpd atualmente, e 1,5 milhão de bpd até 2035 no cenário padrão de preços. Em um cenário mais otimista, a produção poderia atingir 1,8 milhão de bpd, ponto em que o oleoduto Vaca Muerta Oil Sur (VMOS) se tornaria a principal limitação. A China tende a emergir como principal destino das exportações, com embarques regulares de petróleo a partir de 2027.
“O ritmo de crescimento na América do Sul dependerá menos da disponibilidade de recursos ou da atratividade econômica e mais da capacidade de execução, das restrições da cadeia de suprimentos e do ambiente geral de investimentos. Países que oferecem estruturas fiscais e regulatórias claras estão melhor posicionados para acelerar aprovações de projetos e capturar os ganhos de preços mais altos. Aqueles que hesitarem ou demorarem a agir simplesmente verão o capital fluir para outros lugares”, acrescentou Radhika Bansal.
Valor - SP 27/04/2026
Magda Chambriard se reuniu com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e representantes da estatal mexicana, numa agenda de interesse do presidente Lula (PT)
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, se reuniu, nesta sexta-feira (24), com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e representantes da petroleira estatal mexicana Pemex. Segundo a energética brasileira, em nota, os executivos discutiram possibilidades de colaboração entre as duas empresas em projetos de interesse mútuo. Magda Chambriard cumpre agendas no país desde quarta-feira (22).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem defendendo em agendas públicas a possibilidade de colaboração entre a Petrobras e a Pemex para produção de petróleo em águas profundas. Em março, Lula já havia anunciado a visita de Chambriard a Sheinbaum, neste mês.
Nesta semana, em evento na Alemanha, o presidente voltou a dizer que negocia um acordo com o governo mexicano para a exploração de petróleo em águas profundas, no Golfo do México.
Outra conexão da Petrobras com o México ocorre pela Braskem, empresa em que a petroleira tem participação de 36,1% do capital total e 47% do capital votante. A Petrobras, contudo, não cita a petroquímica entre as pautas debatidas no México.
A Braskem tem uma joint venture sediada no México, a Braskem Idesa, que tem passado por dificuldades financeiras. A companhia estaria estruturando um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11, segundo notícias veiculadas na mídia.
A Braskem tem 75% do controle da subsidiária mexicana. Os demais 25% estão nas mãos do grupo Carso, do bilionário mexicano Carlos Slim.
Em operação desde 2016, a Braskem Idesa nunca chegou à plena capacidade de produção, pela escassez de matéria-prima, fornecida pela estatal mexicana Pemex.
O Estado de S.Paulo - SP 27/04/2026
O Observatório do Clima entrou na Justiça, nesta sexta-feira, 24, para tentar paralisar as obras de asfaltamento da BR-319. A entidade pede a suspensão dos editais de contratação de empresa para pavimentação da estrada.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), responsável pela obra, afirma que os editais “observam integralmente o marco legal vigente aplicável ao licenciamento ambiental no Brasil.”
A BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), atravessa uma das áreas mais preservadas da Amazônia. Ambientalistas argumentam que o asfaltamento da estrada vai atrair a presença de grileiros e madeireiros para o local, aumentando o desmatamento na região. Já os defensores da BR-319 ressaltam a importância da ligação terrestre entre Manaus e Porto Velho, sobretudo para escoar a produção agropecuária.
Para lançar os editais, o Dnit usou como prerrogativa a nova Lei Geral do Licenciamento, que entrou em vigor em fevereiro. O órgão afirma que o licenciamento ambiental para realização da obra é dispensado uma vez que se trata de “serviços de manutenção e/ou melhoramento da infraestrutura em instalações preexistentes ou em faixas de domínio e de servidão, incluídas rodovias anteriormente pavimentadas”. (leia mais abaixo)
Na ação protocolada nesta sexta-feira, a entidade pede uma liminar para paralisar os editais do Dnit que preveem a pavimentação de 339 quilômetros da rodovia, entre o km 250 e km 590, no chamado “trecho do meio”. Esse pedaço, segundo a entidade, é um dos mais sensíveis na região.
A BR-319 foi inaugurada em 1976 e é a única via terrestre nos dois Estados que dá acesso às demais regiões do Brasil. A estrada tem 877 quilômetros de extensão e margeia ou atravessa 42 unidades de conservação ambiental, 69 reservas indígenas e mais de seis milhões de hectares de terras públicas. Atualmente, cerca de 200 quilômetros (no início e no fim da via) são asfaltados.
De acordo com o Observatório do Clima, os editais são inconstitucionais e violam o direito ambiental e administrativo. “Colocam em xeque o controle ambiental exigido na legislação brasileira e representam risco de consolidação de intervenções potencialmente irreversíveis sem a devida avaliação de impactos”, diz a organização em nota.
O DNIT afirma que os editais seguem a Lei Geral de Licenciamento, em vigor no País e que “ atua com estrita observância da legalidade, da segurança jurídica e dos normativos aplicáveis à implantação e à melhoria da infraestrutura rodoviária federal.”
Essa é a segunda ação movida pelo Observatório do Clima para tentar barrar o avanço do asfaltamento na rodovia. A primeira pede que a Justiça declare nula a licença prévia para pavimentação concedida durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“A pavimentação do trecho do meio da BR-319, no contexto de falta de governança que marca a região, de ausência de Estado, gerará uma explosão do desmatamento, como mostram vários estudos produzidos nos últimos anos. Já existem muitos ramais irregulares implantados ao longo da rodovia, reconhecidos pelo próprio DNIT, e eles se multiplicarão”, afirma Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima e presidente do Ibama de 2016 a 2019, durante a gestão de Michel Temer.
Nova lei do licenciamento
Em 2024, o asfaltamento de trecho da BR-319 chegou a ser suspenso na Justiça por risco de degradação ambiental na região
Agora, o Dnit usou como prerrogativa para lançar os editais a nova Lei Geral do Licenciamento, que entrou em vigor em fevereiro. O órgão afirma que o licenciamento ambiental para realização da obra é dispensado uma vez que se trata de “serviços de manutenção e/ou melhoramento da infraestrutura em instalações preexistentes ou em faixas de domínio e de servidão, incluídas rodovias anteriormente pavimentadas”.
O Observatório do Clima argumenta na ação, no entanto, que a Constituição determina que obras de significativo impacto devem exigir Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (Rima). Assim, seria inconstitucional aplicar esse dispositivo da lei geral do licenciamento para esse projeto.
O trecho utilizado pelo Dnit, subordinado ao Ministério dos Transportes, é justamente um dos pontos que tinham sido vetados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na lei. Em novembro, o Congresso derrubou 52 vetos feitos por Lula.
Na época, a Presidência argumentou que esse trecho da lei excluía do processo de licenciamento “empreendimentos anteriormente executados de forma irregular, ratificando a ilegalidade e o dano ambiental”.
Apesar disso, Lula tem defendido a obra publicamente. Em setembro do ano passado, o presidente utilizou a seca recorde na região para justificar a necessidade de uma estrada no local. “Enquanto o rio estava navegável, cheio, a rodovia não tinha a importância que tem, enquanto o Rio Madeira estava vivo. Não podemos deixar duas capitais isoladas”, disse ele, afirmando que seria necessário garantir que a obra não resultaria em alta do desmate.
No fim do mês passado, o Ministério dos Transportes autorizou o início das obras na via. Na ocasião, a medida foi classificada pela pasta como um “passo histórico” para a infraestrutura da região Norte. A pasta prevê um gasto de R$ 678 milhões no projeto.
“Nós vamos iniciar a pavimentação de um trecho muito importante da BR-319. É um trecho desafiador da rodovia e conseguimos garantir não só a manutenção, mas também o melhoramento e a pavimentação. Isso vai tirar as pessoas do Amazonas da lama no inverno e da poeira no verão, além de reduzir o isolamento”, afirmou o então ministro Renan Filho.
Eae Máquinas - SP 27/04/2026
Diante dos desafios crescentes nos custos operacionais no campo, a Massey Ferguson chega à Agrishow 2026, que acontece de 27 de abril a 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP), com um portfólio completo de soluções que integram máquinas, tecnologia e serviços para aumentar a eficiência, reduzir desperdícios e apoiar o produtor em todas as etapas do cultivo.
“O produtor está cada vez mais atento à eficiência de cada operação e ao impacto das decisões ao longo da safra. Nosso papel é entregar máquinas que apoiem esse processo, seja pela simplicidade, pela tecnologia embarcada ou pela qualidade do resultado no campo. Os lançamentos refletem um movimento consistente de evolução do portfólio, guiado pela escuta ativa dos produtores”, afirma Breno Cavalcanti, diretor de Marketing da Massey Ferguson.
Entre os principais destaques está o lançamento do MF 9S, a maior e mais potente série de tratores da marca no Brasil, com modelos que chegam a 425 cv. Desenvolvido para operações de grande escala, o trator combina alta capacidade operacional com tecnologias embarcadas de automação e conectividade, como piloto automático e telemetria, que permitem maior controle das operações, redução de falhas e otimização do consumo de combustível.
Em conjunto com a nova plantadeira Momentum nas versões de 30 e 40 linhas, forma uma solução de alto rendimento para o plantio em grandes áreas, garantindo mais eficiência nas janelas operacionais. O equipamento incorpora tecnologias exclusivas de distribuição inteligente de peso e controle de insumos, que asseguram maior uniformidade na emergência das plantas, ganhos reais de produtividade e redução de desperdícios durante a operação. A logística também é otimizada: a plantadeira pode ser transportada, sem desmontagem, reduzindo o tempo de deslocamento de um dia para uma hora, contribuindo para melhor aproveitamento das janelas de plantio.
A conectividade e a gestão integrada ganham destaque com o FarmENGAGE, plataforma digital que permite ao produtor gerenciar em tempo real toda a frota, inclusive máquinas de diferentes marcas, em um único ambiente. A solução reúne dados agronômicos e operacionais, oferecendo uma visão completa da operação, desde o planejamento até a análise pós-safra, com foco na redução de custos com combustível e insumos e no aumento da eficiência produtiva.
“Nosso objetivo é simplificar a operação do produtor e transformar dados em decisões mais eficientes no campo. Estamos trazendo para a Agrishow um ecossistema completo, que conecta máquinas, tecnologia e serviços para gerar resultados reais na produtividade e na rentabilidade”, destaca Cavalcanti.
Outra novidade da marca nesta edição da feira é a apresentação do motor a etanol, desenvolvido no Brasil. Um dos principais benefícios para o produtor está na diminuição do custo operacional. O etanol também pode reduzir as emissões de CO2 em até 90%, dependendo do seu processo produtivo.
Democratização da tecnologia no campo
A Massey Ferguson também reforça sua estratégia de ampliar o acesso à agricultura de precisão com os tratores das séries MF 5M e MF 6M, que podem sair de fábrica com tecnologias como piloto automático e conectividade, antes restritas a máquinas de maior porte. A proposta é levar mais eficiência operacional para pequenos e médios produtores, contribuindo para a redução de custos e maior previsibilidade nas operações.
Na mesma linha, o MF 3700 se destaca como uma solução versátil para produtores que atuam em culturas como grãos, pecuária, citrus, hortifrúti, arroz e serviços gerais, oferecendo robustez, facilidade de operação e excelente relação custo-benefício, atendendo diferentes realidades do campo brasileiro. A série conta com opções de tração 2WD ou 4WD e versões plataformado ou cabinado, além de modelos com sistemas hidráulicos com controle de descida e trava hidráulica, capacidade de levante de até 3.500 kg.
Colheita e manejo com foco em sustentabilidade
Para a etapa final do ciclo agrícola, a marca apresenta a nova série de colheitadeiras axiais MF 9005S. Focada na sustentabilidade do solo, a máquina traz um novo espalhador hidráulico e picador com acelerador de velocidade variável, que entregam uma palha mais fragmentada e distribuída de forma uniforme, mesmo em plataformas de 45 pés, criando a cobertura ideal para o plantio direto da safra seguinte.
Soluções em pulverização
Na pulverização o destaque é para o pulverizador MF 500R. O modelo reúne tecnologias avançadas de automação e controle, que garantem a aplicação na dose certa e no momento ideal, reduzindo sobreposições e desperdícios de insumos. Com recursos como controle automático de seções, integração com piloto automático e conectividade para monitoramento em tempo real, o equipamento contribui para operações mais sustentáveis, com menor impacto ambiental e maior rentabilidade para o produtor, além de oferecer alto rendimento operacional mesmo em janelas curtas de aplicação.
Nutrição animal
Complementando a gestão, a Massey Ferguson apresenta soluções em fenação, que garantem fardos com alimento de alto valor nutricional, reduzindo o tempo de trabalho no campo e aumentando a rentabilidade da pecuária.
Sobre a Massey Ferguson
A Massey Ferguson, marca pertencente ao grupo AGCO, acumulou mais de 175 anos de experiência global na produção para a indústria agrícola. É a maior exportadora de máquinas agrícolas da América Latina e referência no mercado brasileiro há seis décadas. Os tratores, colheitadeiras, plantadeiras, implementos, pulverizadores, enfardadoras e produtos e serviços de agricultura de precisão Massey Ferguson são comercializados para mais de 80 países, principalmente África do Sul, Arábia Saudita, Argélia, Argentina, Bolívia, Chile e Paraguai. As fábricas na América do Sul ficam localizadas no Brasil – em Canoas/RS (tratores), Santa Rosa/RS (colheitadeiras), Ibirubá/RS (plantadeiras e implementos), Mogi das Cruzes/SP (tratores, motores, pulverizadores e laboratório de controle de emissões) e também na Argentina, General Rodriguez/BUE (tratores, colheitadeiras e motores). Possui uma extensa e estabelecida rede de concessionárias no Brasil, com mais de 200 lojas. Mais: www.masseyferguson.com.br
Sobre a AGCO
A AGCO (NYSE: AGCO) é líder global em máquinas agrícolas e tecnologias de agricultura de precisão. Guiada por uma estratégia que prioriza o agricultor, a AGCO entrega valor por meio de suas marcas líderes e diferenciadas, como Fendt, Massey Ferguson, PTx e Valtra. Seus equipamentos de alto desempenho e soluções inteligentes para o campo — incluindo tecnologias de retrofit independentes de marca e ofertas autônomas — capacitam os produtores a aumentar a produtividade, enquanto alimentam o mundo de forma sustentável. Para mais informações, visite www.agcocorp.com.
GauchaZH - RS 27/04/2026
Mesmo diante do cenário desafiador deste ano, imposto por uma combinação de fatores, a indústria de máquinas agrícolas chega à 31ª Agrishow otimista. A feira realizada em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, um dos grandes eventos do setor, começa na próxima segunda-feira com os números da edição de 2025 no horizonte: R$ 14,6 bilhões em propostas e 197 mil visitantes.
Presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), Pedro Estevão entende que as condições levadas por empresas e bancos são um fator favorável em meio às complexidades do momento:
— A nossa expectativa da feira é sempre boa, porque é uma oportunidade de fazer negócio. Você tem os agricultores, as empresas que estão com os lançamentos e sempre fazem promoções, os bancos para financiar as compras. Ou seja, é um ambiente muito profícuo e conseguimos fazer um bom volume.
Fora das condições de "temperatura e pressão da feira", o mercado reflete uma conjuntura de taxas de juro elevadas, desvalorização de commodities como soja, milho algodão e açúcar, e restrição de crédito. Combinados, traduzem-se em freio de mão puxado.
— Em uma situação dessa, todo o recurso que o agricultor tem dará prioridade para o custeio, porque tem que fazer. O investimento, pode postergar — avalia Estevão.
A projeção mais recente apresentada pela Abimaq indica uma redução de 8% na comercialização do ano de máquinas e equipamentos agrícolas. base para esse prognóstico vem da realidade: no primeiro bimestre, a queda foi de 17%. Em 2025, o faturamento havia fechado com alta de 7%, somando R$ 67 bilhões.
— A feira provavelmente deve espelhar um pouco o mercado, ou seja, não deve ser exuberante em vendas igual aos outros anos, mas o importante é que o percentual (de representatividade dos negócios do evento) continua muito grande, porque as empresas pegam pedidos para 15, 30, até 60 dias.
Valor - SP 27/04/2026
Vendas recuam desde o segundo semestre do ano passado
A indústria de máquinas e equipamentos agrícolas mantém uma previsão menos otimista para o setor ao longo deste ano e teme que os números finais confirmem uma redução de 8% nas receitas líquidas, revertendo o ganho de 7,3% de 2025, avalia Pedro Estêvão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq). Mas a tendência negativa vem sendo observada, de fato, desde a segunda metade do ano passado. Segundo o executivo, o resultado final de 2025 escondeu uma diferença muito grande entre o primeiro e o segundo semestres.
As receitas chegaram a aumentar quase 20% nos seis primeiros meses de 2025, mas caíram em torno de 7% na sequência, numa reversão atribuída por Bastos principalmente à queda do dólar, o que tirou rentabilidade do agricultor. No primeiro bimestre de 2026, dado mais recente da Abimaq, a receita líquida total caiu 17% em termos reais na comparação com igual período de 2025, com tombo de 18,9% no mercado doméstico, compensado parcialmente pela alta de 8,9% nas receitas alcançadas nas exportações.
Às voltas com juros muito elevados, o produtor tem dado prioridade às linhas de custeio, postergando a tomada de crédito para investimentos. “Mesmo assim, o produtor não vai comprar máquinas com menor nível de tecnologia. Ele simplesmente deixa de comprar”, comenta Bastos.
O avanço da inadimplência nas operações do crédito rural contratadas por produtores pessoas físicas, que saltou de 2,9% em fevereiro do ano passado para 7,4% em igual mês deste ano, tornou mais rigorosa a análise de risco e mais restritiva a concessão de empréstimos, diz Paulo Arabian, vice-presidente de vendas para o segmento agrícola da CNH para América Latina. Segundo ele, o desempenho consolidado da companhia em 2025 mostrou-se “sólido e resiliente”, mas a demanda global tende a recuar 5% neste ano.
A CNH tem perseguido ganhos em participação no mercado brasileiro, com suporte de um número recorde de lançamentos em 2025 e 2026. Empresa do grupo, a Case vai apresentar na edição deste ano da Agrishow, entre outros produtos, uma colhedora de cana e um trator de médio porte movidos a etanol, além de uma colheitadeira com novos recursos autônomos embarcados. Já a New Holland, do mesmo grupo, trará para a feira drones para pulverização e uma nova linha de plataformas de corte para colheitadeiras.
A Jacto, por sua vez, espera repetir neste ano os resultados de 2025, conforme o CEO, Carlos Daniel Hahshahn. O câmbio em baixa e as dificuldades para agendamento de navios, um dos efeitos da guerra no Oriente Médio, têm afetado as exportações, destino de 20% a 25% das vendas da empresa, mas Hahshahn avalia que a carteira mais diversificada da companhia, com soluções para produtores de todos os portes, ajudará a compensar impactos mais negativos. A Jacto lidera o segmento de colhedoras de café, segmento que tem tido forte incremento, e neste ano lançou sua primeira colhedora de cana-de-açúcar, fruto de uma década de pesquisas, segundo o executivo.
A tecnologia deixou de ser um luxo para se tornar uma ferramenta vital para blindar a rentabilidade do produtor”
— Claudio Esteves
Neste ano, a companhia lança comercialmente sua primeira colhedora de cana, após mais de uma década de pesquisas, afirma o CEO. Historicamente, a Jacto investe de 3% a 3,5% de seu faturamento em P&D e vai lançar, na Agrishow 2026, um pulverizador autônomo. “Começamos o projeto há 15 anos e já estamos programando a ampliação nos próximos anos de nossa plataforma de produtos autônomos para a agricultura”, antecipa Hahshahn.
Focada no segmento de pequenos e médios produtores, a Agritech aumentou suas vendas de tratores e microtratores para a agricultura familiar em 17,9% no ano passado e projeta incremento de 10% para este ano, arrisca Cesar Roberto Guimarães de Oliveira, gerente de vendas e marketing da fabricante. Isoladamente, as vendas do microtrator saltaram 96% em relação a 2024. Agora a empresa lança uma nova linha de tratores equipados com painel digital mais moderno, novo eixo dianteiro, transmissão com 24 velocidades e aumento de 25% na capacidade do tanque de combustível.
O ano passado, analisa Lucas Zanetti, gerente de marketing de produto da Massey Ferguson, foi marcado por um cenário de maior seletividade por parte do produtor e mudanças no perfil de compra. Em sua observação, o agricultor tem se tornado mais técnico em suas escolhas, dando prioridade a máquinas que podem gerar eficiência operacional, redução de custos e retorno ao longo da safra. A companhia aposta no lançamento de tratores destinados a pequenos e médios produtores, que trazem soluções antes restritas a máquinas de maior porte, como conectividade e piloto automático.
Com crédito mais caro e seletivo, Zanetti tem percebido ainda maior diversificação nas formas de financiamento, com produtores buscando alternativas como o consórcio de máquinas e equipamentos.
Na Valtra, conforme seu diretor comercial Claudio Esteves, as vendas de cotas de consórcio cresceram 30% no ano passado e já respondem por 15% de toda a receita da fabricante no mercado brasileiro. A Valtra, diz ele, tem se dedicado a desenvolver soluções que reduzem o custo diário das operações no campo. “A tecnologia deixou de ser um luxo para se tornar uma ferramenta vital para blindar a rentabilidade do produtor”, afirma Esteves.
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 27/04/2026
O Brasil reforça sua posição como um dos principais pilares da segurança alimentar global, destacando-se não apenas pelo volume de produção, mas pela capacidade de abastecer o mercado mundial de forma sustentável.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), o agronegócio brasileiro registrou o recorde de US$ 169,2 bilhões em exportações em 2025, aproximando o país do posto de maior exportador do setor no mundo.
Atualmente, o país é responsável por atender cerca de 10% da demanda global por alimentos, mantendo presença comercial em cinco continentes. Esses dados são da Secretaria de Política Agrícola (SPA), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Esse protagonismo brasileiro ganha evidência durante a Agrishow, a principal feira de tecnologia agrícola da América Latina, realizada em Ribeirão Preto (SP).
O papel da tecnologia e inovação - Para João Marchesan, presidente da Agrishow, o Brasil ocupa uma posição privilegiada por integrar tecnologia de ponta, escala produtiva e rápida adaptação às normas sanitárias internacionais.
Segundo Marchesan, o investimento contínuo em genética e inovação assegura a competitividade do país no cenário externo.
"A confiança do mercado global na qualidade de nossos produtos não apenas nos permite alimentar boa parte do mundo, mas nos posiciona como estrategistas que definem os rumos do setor globalmente", ressalta o presidente da feira.
A tecnologia exposta no evento foca na eficiência, indo desde o uso de inteligência artificial e automação até sistemas de irrigação e agricultura de precisão - método que utiliza dados detalhados para gerenciar o campo metro a metro, otimizando recursos.
O objetivo central é a redução de custos e o aumento da produtividade em toda a cadeia produtiva, permitindo ampliar a produção sem a necessidade de expansão de novas áreas.
A edição da Agrishow 2026 consolida-se como a principal vitrine das transformações que sustentam o desempenho brasileiro no campo.
Cenário - No entanto, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) prevê queda de 6,2% nas vendas internas de máquinas agrícolas em 2026, o que seria o quinto ano seguido de recuo. A projeção indica 46,7 mil unidades comercializadas até o fim do ano.
“Os juros elevados têm inibido o acesso às linhas de financiamento do setor”, ressalta Igor Calvet, presidente da Anfavea, que lembrou da pequena retração da taxa Selic de juros para 14,75% em março.
“Trabalhávamos com a projeção de fechar o ano com uma Selic de 12,3%, mas a guerra no Oriente Médio deve pressionar o Banco Central a diminuir o ritmo da queda da taxa”, avalia.
O executivo ainda cita as margens de lucro apertadas do produtor, em consequência de baixa nos preços das commodities e de custos em alta, como barreiras para o crescimento das vendas no setor.
No dia 14/04, a Anfavea informou que as vendas internas de máquinas agrícolas caíram 3,6% em 2025, para 49,8 mil unidades.
Segundo Calvet, a queda “drástica” de 22% na comercialização de colheitadeiras foi a principal responsável pelo recuo registrado pelo quarto ano consecutivo.
“É o destaque negativo, porque somos um país cuja safra foi muito boa, mas isso não se traduziu em compra de máquinas”.
Ainda segundo a Anfavea, as vendas de tratores de rodas recuaram 2,1%, de 47,5 mil em 2024, para 46,5 mil no ano passado.
Mercado externo - As exportações do setor apresentaram alta de 2,4% de 2024 para 2025, passando de 6,2 mil para 6,3 mil máquinas. Já as importações alcançaram recorde de 11 mil máquinas em 2025, 9,4% a mais do que as 9,4 mil unidades importadas em 2024.
A Índia, com 6 mil unidades, lidera o ranking de modelos estrangeiros, enquanto a China, com crescimento de 85,7%, representou 3,9 mil unidades importadas no ano passado.
Um estudo do Boston Consulting Group (BCG) encomendado pela Anfavea indica que os produtos chineses e indianos apresentam vantagens em relação aos nacionais em escala, preço do aço e mão de obra, o que reduz o custo de produção em até 27%.
“Isso nos coloca diante de um desafio urgente de apoio à produção nacional, sob pena de perdermos investimentos, empregos, conhecimento estratégico e arrecadação gerada pela indústria de máquinas autopropulsadas, justamente em um país reconhecido pela força do seu agronegócio e da construção civil”, afirma o presidente da Anfavea.