Clipping Diário

26 | Agosto | 2026

SIDERURGIA

Infomoney - SP   26/08/2026

A Usiminas (USIM5) disse, em resposta a questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que a Ternium não aprovou a realização de qualquer operação com o objetivo de cancelar o registro de companhia aberta da Usiminas nem está em tratativas ou negociações visando o fechamento de capital da Usiminas.

A Ternium, porém, afirmou que avalia continuamente alternativas e oportunidades estratégicas relacionadas aos seus investimentos, incluindo sua participação na Usiminas.

A declaração ocorre após o colunista Lauro Jardim, de O Globo, afirmar que a Ternium pretende fechar o capital da Usiminas. Para concluir a operação, no entanto, seria necessária a aprovação dos acionistas minoritários da siderúrgica.

ECONOMIA

Agência Brasil - DF   26/08/2026

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), Jamieson Greer, vão se reunir na próxima segunda-feira (31), às 14h30, no horário de Brasília. O encontro será virtual e foi confirmado pelo ministério à Agência Brasil.

A retomada das tratativas foi acertada durante telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, ocorrido na última sexta-feira (21). A conversa durou cerca de uma hora e 20 minutos e, segundo o Palácio do Planalto, ocorreu de forma cordial. Os dois líderes abriram um novo canal de diálogo entre Brasília e Washington em meio à disputa comercial provocada pelas tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros.

Durante a ligação, ainda de acordo com o Planalto, o presidente brasileiro defendeu a retomada das negociações comerciais e afirmou que as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano para a adoção das novas tarifas são infundadas.

Entre os argumentos utilizados pelos Estados Unidos para fundamentar as medidas estão questões relacionadas a desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados a trabalho forçado.

Lula afirmou que as tarifas prejudicam tanto o Brasil quanto os Estados Unidos e defendeu o diálogo como caminho para preservar a relação comercial entre os dois países.

Trump concordou com a necessidade de manter os vínculos comerciais e sinalizou a retomada do contato entre as equipes dos dois governos.
Tarifaço

Em julho, o USTR impôs uma sobretaxa de 25% sobre vários produtos provenientes do Brasil, após cerca de um ano de análise.

Foram taxados exportadores de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não voltadas ao setor de aviação, além de outros produtos manufaturados.

O USTR justificou suas taxas dizendo que certas práticas adotadas pelo Brasil eram descabidas e oneravam ou restringiam o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores estadunidenses. Uma sobretaxa adicional de 12,5% também foi aplicada na sequência sobre mais produtos nacionais, sob a alegação de que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Com isso, as novas tarifas em vigor desde o fim do mês passado atingem cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras ao mercado norte-americano, segundo levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O governo brasileiro já havia apresentado um pedido de consultas no sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial de Comércio (OMC), argumentando que as tarifas aplicadas são "inconsistentes" com as regras definidas pela entidade. Em resposta, os EUA aceitaram o pedido para participar das consultas no âmbito da OMC.

Desde o início das taxações por parte do governo Trump, o Brasil vem reforçando que na relação comercial entre os dois países, os EUA são superavitários, ou seja, vendem mais do que compram. Na nota em que anuncia a abertura do processo de reciprocidade econômica, o governo brasileiro aponta que seguirá atuando para reduzir os danos causados pelas tarifas à economia e à renda dos brasileiros.

O Estado de S.Paulo - SP   26/08/2026

A indústria brasileira foi protegida da competição internacional por décadas, por meio de subsídios e de ajuda governamental, mas esse sistema “está destruído”, afirma o economista José Roberto Mendonça de Barros, sócio da MB Associados, que com a economista e advogada Elena Landau participou de debate promovido pelo Estadão para tratar dos desafios econômicos do próximo governo.

“A gente não podia ter coisa melhor”, afirma. “Estamos vivendo este ano uma coisa que nunca vi, que é uma competição por desconto de preços entre a indústria estabelecida aqui, de representantes da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), e os chineses que estão chegando. Por que eles ficaram bonzinhos? Não. Porque, senão, não vendem nada.”

Até por essa competição promovida pelos fabricantes de carros elétricos chineses, avalia o economista, a indústria automotiva é um dos dois setores que estão indo bem “mesmo nessa bagunça” da economia brasileira atual, ao lado do setor imobiliário. “Se tirar a indústria de papel e celulose, os setores defendidos pelo governo Geisel, que receberam os troféus de grandes campeões nacionais, desacabaram. O valor deles acabou.”

Um exemplo disso seria a Braskem, empresa que acaba de pedir recuperação extrajudicial. “Ela representa uma petroquímica inviável, movida a nafta e não a gás natural, protegida pelo preço que a Petrobras subsidia e que era totalmente inviável há muito tempo”, diz Mendonça de Barros.

O economista considera que o acidente de afundamento do solo em Maceió foi só um pedaço do problema financeiro da Braskem, não a sua causa, e que se a empresa estivesse saudável poderia pagar com tranquilidade esses prejuízos. “Acabou o sistema de produção. Envelheceu a representação industrial, e hoje ela não faz mais diferença nenhuma”, afirma.

Para Elena Landau, o símbolo da indústria nacional não é mais o setor automobilístico, como foi na segunda metade do século 20, o que seria ”um excelente sinal”. “Quando você falava com orgulho da indústria nacional, antigamente, você falava dos carros. Hoje em dia você olha como grandes empresas brasileiras a Weg e a Embraer, que têm as características de competição internacional. Isso obriga o pessoal que está protegido a mudar. Não quer dizer que os lobbies no congresso não continuem, mas mudaram os ídolos, os heróis.”

O ano de 2027 pode trazer recessão

Quanto às expectativas de Landau e Mendonça de Barros para a economia em 2027, o cenário é de piora. A situação será preocupante, marcada por juros elevados, aumento da dívida pública, endividamento de empresas e famílias, e de risco de recessão. A avaliação é que não há uma solução simples, mas ainda seria possível evitar uma crise mais grave caso o próximo governo consiga recuperar rapidamente a credibilidade econômica.

Um dos principais sinais de alerta está no custo de financiamento da dívida pública. As taxas pagas pelo Tesouro em títulos de longo prazo são apontadas como evidência de que o risco fiscal já foi incorporado aos preços pelo mercado. Nesse cenário, os analistas alertam para o risco de um “calote inflacionário”, no qual a deterioração fiscal acabaria sendo absorvida por uma inflação mais elevada, explica Landau.

A perspectiva para 2027 é considerada pessimista porque parte dos efeitos da política monetária e do elevado endividamento “já estaria contratada”, trazendo um crescimento ainda menor ou uma recessão. O aumento das recuperações judiciais, o endividamento das famílias e a desaceleração da atividade são vistos como sinais da deterioração da economia. Um eventual choque de credibilidade, porém, poderia alterar esse cenário, ou crise já estaria contratada, diz Landau.

A questão será se o próximo presidente terá a capacidade ou o interesse de apresentar um programa fiscal consistente logo no início do mandato. No caso de uma reeleição de Lula, seria necessário um importante ajuste de posição e de medidas consideradas difíceis para serem aceitas pelo PT, como mudanças na Previdência, uma revisão da vinculação de despesas ao salário mínimo e alterações nas regras de gastos com saúde e educação, o que até configuraria um “estelionato eleitoral”. No caso de uma vitória de Flávio Bolsonaro, o resultado positivo dependeria da qualidade e da autonomia da equipe econômica e de sua capacidade de aprovar mudanças no Congresso.

Apesar do pessimismo das expectativas, há uma avaliação de que o Brasil ainda possui capacidade de atrair investimentos quando as condições econômicas melhoram. O setor privado tem respondido por meio de concessões, parcerias público-privadas e investimentos em novas áreas promissoras, como a de terras raras.

IstoÉ Dinheiro - SP   26/08/2026

Combinação de juros elevados, endividamento das famílias e impasse sobre o ajuste fiscal pós-eleitoral de 2026 reforça temores de desaceleração abrupta no próximo ciclo do PIB.

O que aconteceu

Trava no crescimento: Analistas e casas de análise do mercado financeiro intensificaram o alerta para o risco de uma recessão econômica ou forte desaceleração do PIB brasileiro a partir de 2027.

Gargalo fiscal iminente: Estimativas apontam para a necessidade de um choque fiscal rigoroso de até R$ 500 bilhões ou 4% do PIB a partir de 2027 para conter a trajetória da dívida pública.

Política monetária restritiva: A taxa básica de juros (Selic), atualmente fixada em 14,00% ao ano, impõe juros reais elevados por período prolongado, encarecendo o crédito e restringindo os investimentos das empresas.

Estratégia defensiva: Especialistas recomendam rebalanceamento de portfólios para títulos atrelados à inflação (IPCA+) e renda fixa pós-fixada, evitando exposição excessiva ao risco de crédito privado frágil.

A estabilidade macroeconômica do Brasil para os próximos anos enfrenta um horizonte marcado por incertezas crescentes. O acúmulo de efeitos colaterais da política monetária restritiva, aliado ao desgaste do arcabouço fiscal e à postergação de reformas estruturais em ano eleitoral, levou economistas de grandes instituições financeiras a projetar um cenário de elevado risco de recessão técnica ou desaceleração acentuada do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027.

Enquanto o mercado ajusta as projeções do PIB de 2026 para 1,95% e prevê a Selic encerrando o ano em 13,75%, os cenários prospectivos para 2027 começam a incorporar perdas potenciais mais severas. A manutenção do juro básico em patamares elevados tem como objetivo conter as expectativas de inflação — cuja projeção oficial se mantém em 5,02% para este ano, acima da meta de 3,00%. No entanto, a taxa de juros real em níveis restritivos reduz a liquidez das empresas e asfixia a capacidade de consumo das famílias brasileiras, que já lidam com alto nível de endividamento.

O nó fiscal e a ‘crise contratada’ pós-eleições

O ponto focal das preocupações do mercado financeiro repousa sobre a sustentabilidade das contas públicas. Diagnósticos apresentados por consultorias e bancos mundiais de investimentos, como o UBS Global Wealth Management, indicam que o país caminha para uma “crise contratada” em 2027 caso o governo eleito nas urnas de outubro não execute um ajuste fiscal profundo.

O montante necessário para equilibrar o orçamento e restabelecer a credibilidade do regime fiscal a partir de 2027 é estimado em cerca de R$ 500 bilhões. O impasse, no entanto, é de ordem política: debates sobre cortes substanciais de gastos obrigatórios e revisão de pisos constitucionais tendem a ser evitados em períodos de campanha eleitoral devido à sua impopularidade.

Sem a demonstração prática de forte vontade política para conter despesas obrigatórias, a percepção de risco sobre os ativos brasileiros tende a subir, pressionando o dólar e elevando a curva longa de juros. O resultado direto desse processo é o desestímulo aos investimentos privados de longo prazo, reduzindo o crescimento potencial do país.
Concessão de crédito e inadimplência pressionam o setor produtivo

Outro vetor crítico apontado pelo mercado é a deterioração na oferta e demanda de crédito. A despeito de medidas temporárias de alívio e transferências sociais do governo federal, o volume de atrasos nos pagamentos por parte de consumidores e empresas permanece em níveis elevados.

Com o crédito imobiliário, corporativo e pessoal mais caro, as companhias passam a operar de forma defensiva, enxugando quadros operacionais e postergando planos de expansão. Essa perda de ritmo na atividade produtiva do setor privado consolida o diagnóstico de enfraquecimento gradual dos motores de crescimento.
Guia do Investidor: Como proteger o patrimônio diante do risco de 2027

Diante do risco de desaceleração econômica e de incertezas na trajetória das contas públicas, o investidor deve adotar uma postura de preservação de capital e alocação estratégica de ativos.

Fortalecimento da renda fixa atrelada à inflação: Títulos públicos como o Tesouro IPCA+ garantem rentabilidade real e protegem o poder de compra contra eventuais desvalorizações cambiais ou repasses inflacionários derivados do risco fiscal.

Atenção ao risco de crédito privado: Em momentos de crédito restrito e juros elevados por período prolongado, a recomendação é priorizar debêntures e títulos emitidos por empresas com balanços sólidos e de alta classificação de risco (rating triplo A), evitando emissões de menor liquidez ou solvência duvidosa.

Aproveitamento estratégico da Renda Fixa Pós-Fixada: Diante de uma taxa Selic em patamar elevado (14,00% ao ano), papeis atrelados ao CDI mantêm apelo como reserva de oportunidade e ativo de baixo risco relativo para amortecer volatilidades.

Seletividade na Bolsa de Valores (Ações): Para a parcela alocada em renda variável, a preferência deve ser por empresas pagadoras de dividendos perenes e atuantes em setores defensivos — como energia elétrica, saneamento e serviços essenciais —, cujos fluxos de caixa são menos sensíveis às oscilações do PIB.

Diversificação internacional: Reduzir a dependência exclusiva do mercado interno por meio de fundos globais, BDRs ou investimento direto no exterior funciona como uma blindagem natural contra choques domésticos de ordem fiscal ou política.

Globo Online - RJ   26/08/2026

O governo federal prorrogou por um ano o prazo para empresas afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos cumprirem as obrigações previstas no regime aduaneiro especial do drawback suspensão, uma espécie de benefício fiscal. A medida provisória (MP) que permitiu a extensão do prazo foi publicada nesta terça-feira e faz parte do Plano Brasil Soberano 3, lançado pelo Palácio do Planalto para apoiar os exportadores prejudicados pelas taxas da administração Donald Trump.

O drawback suspensão é um regime aduaneiro especial que permite à empresa suspender determinados tributos incidentes sobre a aquisição ou importação de insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação. A empresa assume, em contrapartida, o compromisso de exportar os produtos dentro do prazo estabelecido no ato concessório.

É justamente o prazo para cumprir essa contrapartida que está sendo prorrogado agora. A medida era uma das demandas do setor produtivo para o governo federal. Segundo o governo, a MP não implica impacto orçamentário ou financeiro nem representa nova renúncia de receita, uma vez que os atos de concessão já haviam sido emitidos anteriormente — em 2024 ou, no caso de bens de capital de longo ciclo de fabricação, em 2021.

Poderão estender o prazo as empresas cujo compromisso deveria ser cumprido entre 22 de julho e 31 de dezembro de 2026 e que comprovarem que não conseguiram cumpri-lo devido à aplicação de tarifas adicionais pelos EUA. A Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) publicará nos próximos dias uma portaria estabelecendo o formato do envio de pedidos de prorrogação e os documentos necessários.

Segundo nota do MDIC, o da prorrogação do prazo é preservar a competitividade das empresas brasileiras e evitar que compromissos assumidos no âmbito do drawback sejam prejudicados por uma “alteração superveniente” nas condições comerciais.

“Essa medida dá às empresas brasileiras mais tempo para se adaptar às novas condições de acesso ao mercado americano. Elas poderão continuar buscando oportunidades nos Estados Unidos ou redirecionar sua produção para outros mercados. É mais uma ação do Plano Brasil Soberano para preservar a capacidade exportadora brasileira”, afirma Márcio Elias Rosa, ministro do MDIC.

Segundo o governo, a medida tem alcance transversal e beneficia empresas de diferentes setores, desde segmentos tradicionais até cadeias de maior complexidade tecnológica. Entre os principais produtos exportados aos Estados Unidos com utilização do drawback estão produtos de madeira, pedras trabalhadas, produtos químicos, portas e outros produtos manufaturados, calçados, transformadores, carnes, móveis e máquinas e equipamentos.

A regra também contempla empresas fabricantes-intermediárias, que utilizam o drawback para adquirir insumos e produzir componentes ou outros produtos intermediários destinados a empresas que fabricarão o produto final para exportação.

Globo Online - RJ   26/08/2026

Como chefe de uma associação que representa cidades de toda a Colômbia, Andrés Santamaría Garrido ocupa uma posição privilegiada para observar, no âmbito municipal, a estratégia econômica da China. Sentado em seu escritório no centro de Bogotá, onde há uma maquete do trem vermelho do metrô da cidade — projeto construído por um consórcio liderado por chineses —, Santamaría descreveu a diplomacia comercial de Pequim como agressiva, pragmática e difícil de ignorar.

A recente onda de líderes alinhados a Trump gerou uma retórica pró-EUA, mas “as realidades econômicas neutralizaram de forma consistente as mudanças ideológicas”, afirmou, contrapondo as táticas de pressão de Trump à abordagem “mutuamente benéfica” da China para a região.

Pesquisas de opinião parecem corroborar essa avaliação.

A guinada comercial em direção à China nos últimos anos foi, sem dúvida, expressiva. O comércio de bens com a América Latina cresceu de pouco mais de US$ 14 bilhões em 2000 para mais de US$ 500 bilhões em 2024. A China superou os EUA como principal parceiro comercial da América do Sul, embora Washington continue dominante no México, na América Central e em grande parte do Caribe.

Embora Pequim tenha criticado duramente as intenções dos EUA, a China não está recuando na América Latina em resposta. Isso não significa, porém, que ignore as preocupações americanas.

A China tornou-se mais cautelosa, protege os ativos existentes e adapta a forma como busca novas oportunidades, segundo Christian Reyes, analista de risco político baseado em Pequim e natural do Equador. Isso envolve uma mudança de acordos entre governos, mais expostos, para canais do setor privado.

Também há um afastamento dos grandes projetos de infraestrutura que dominam as manchetes, em favor de avanços por meio de acordos mais discretos em setores que Pequim cultiva há décadas.

A mina de estanho de Pitinga, na Amazônia brasileira, cerca de 320 quilômetros ao norte de Manaus, capital do Amazonas, mostra como a China continua ampliando o controle sobre minerais críticos e terras raras ao se posicionar em ativos técnicos, remotos e mais difíceis de transformar em disputas diplomáticas.

Quando a peruana Minsur concordou em vender a Mineração Taboca, em novembro de 2024, a estatal chinesa CNMC superou as ofertas dos concorrentes e pagou cerca de US$ 340 milhões pela empresa. Além das operações de estanho em Pitinga, a companhia obteve acesso potencial a um conjunto mais amplo de minerais estratégicos e elementos de terras-raras.

Um investidor brasileiro que avaliou a Mineração Taboca e pediu anonimato para discutir negociações confidenciais disse que o ativo parecia pouco atraente pelos critérios convencionais. Ele o descreveu como um negócio de estanho próximo do ponto de equilíbrio, com passivos ambientais significativos, grandes necessidades de investimento e perspectivas limitadas de retorno.

A CNMC estava disposta a assumir o risco. Em janeiro, a mineradora ampliou sua aposta em Pitinga ao anunciar um plano de US$ 100 milhões para modernizar as operações e aumentar a produção.

Em contraste, o governo Trump não tem uma estratégia coerente de engajamento econômico para a região, segundo Margaret Myers, assessora sênior do Programa de Ásia e América Latina do Inter-American Dialogue.

— A influência da China na região deriva de um amplo conjunto de fatores, especialmente do comércio. É claro que os líderes tomam decisões políticas tendo em mente seu principal parceiro comercial — disse.

Chinesas na vida dos brasileiros

No Brasil, a BYD, que tem concessionárias em todos os estados, capitais e grandes cidades, despejou dinheiro em publicidade na televisão no horário nobre, novelas e patrocínios no futebol. Os celulares dos brasileiros também parecem cada vez mais chineses: Shein, AliExpress, Temu e TikTok Shop no comércio eletrônico; a 99, da Didi, no transporte por aplicativo; e 99Food e Keeta, da Meituan, na entrega de comida.

Em última análise, os países latino-americanos enfrentariam “custos econômicos quase insuportáveis” se fossem obrigados a se afastar da relação com a China, disse Carlos Vasquez, embaixador do Peru na China.

— Somos obrigados a manter um equilíbrio em benefício dos nossos interesses nacionais e da nossa população — afirmou, acrescentando que alinhar-se completamente a qualquer uma das superpotências significa que “você vai perder”.

MINERAÇÃO

Diário do Comércio - MG   26/08/2026

A Vale mantém como prioridade para os próximos anos as três commodities nas quais considera ter maior vantagem competitiva e escala: minério de ferro, cobre e níquel. Ao mesmo tempo, a mineradora avalia oportunidades em outros minerais estratégicos, entre eles terras-raras e lítio, embora ainda não tenha tomado qualquer decisão de investimento nesses segmentos.

A estratégia foi detalhada pelo presidente da empresa, Gustavo Pimenta, durante coletiva de imprensa na Exposibram 2026, Feira & Congresso Mineração do Brasil, realizada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Ele afirmou que a companhia estuda o potencial de novas commodities, mas sem deixar de lado a disciplina na alocação de capital.

Segundo Pimenta, o cobre ganhou relevância nos resultados mais recentes da companhia. No último trimestre, a commodity respondeu por quase um terço do resultado da Vale. Apesar do avanço, o executivo ponderou que essa participação ainda é inferior à observada em algumas das grandes concorrentes do setor.

Atualmente, a Vale produz cerca de 380 mil toneladas de cobre por ano e avalia que tem condições de ampliar essa capacidade. Parte importante desse crescimento, segundo o executivo, deverá ocorrer no Brasil. “A Vale acredita que pode dobrar essa capacidade e muito no Brasil”, disse.

A expectativa é que, com o desenvolvimento dos projetos, o cobre aumente gradualmente sua participação nos resultados da mineradora no médio e longo prazo. A expansão da commodity, porém, não significa uma mudança de posicionamento da companhia em relação ao minério de ferro.

Mesmo com o avanço do cobre, o minério de ferro permanece no centro da estratégia da companhia. “O minério de ferro sempre vai ser a Vale. Somos o maior player de minério de ferro do mundo, vamos continuar sendo e a empresa acredita no minério de ferro como solução para a urbanização e o crescimento populacional”, afirmou Pimenta.

A estratégia, portanto, é combinar a expansão da produção de minério de ferro com o crescimento de outras commodities consideradas estratégicas, especialmente cobre e níquel.
Terras-raras ainda estão em avaliação

Questionado sobre a possibilidade de a Vale investir em terras-raras, tema que ganhou espaço nas discussões sobre minerais estratégicos no Brasil, Pimenta confirmou que a companhia acompanha o segmento.

De acordo com o presidente da Vale, terras-raras e lítio estão entre as commodities estudadas pela empresa. No entanto, ele ressaltou que não há, neste momento, decisão de investimento: “Somos uma mineradora: estamos sempre estudando outras commodities, como terras-raras e lítio, mas não tomamos nenhuma decisão de investimento nesse sentido ainda”.

A eventual entrada em uma nova commodity dependeria, segundo o executivo, de uma avaliação sobre o potencial de geração de resultados e a capacidade da Vale de construir uma posição competitiva no mercado. Conforme explicou Pimenta, entre os critérios estão a possibilidade de alcançar escala, a existência de vantagem competitiva e a competência técnica necessária para atuar no segmento.

O foco atual é avaliar se esses mercados podem se tornar relevantes para o portfólio da empresa no médio e longo prazo. “Qualquer investimento em outro mineral que não esteja dentro desses três que a companhia mantém hoje vai ser realizado com a nossa disciplina na alocação de capital. Somos muito prudentes e temos muito cuidado com o que faz sentido para seus investidores”, finalizou.

Money Times - SP   26/08/2026

A Vale vê potencial para expandir a capacidade de produção de minério de ferro em até 50 milhões de toneladas por ano, caso consiga avançar com a exploração do chamado bloco C, na região de Carajás, no Pará, disse o presidente da companhia, Gustavo Pimenta, nesta terça-feira.

Mas ele defendeu que sejam realizadas reformas regulatórias para que o projeto possa deslanchar.

Ao participar do congresso de mineração Exposibram, o executivo disse que há dificuldades para desenvolver novos megaprojetos no Brasil e voltou a defender medidas governamentais, como a publicação de um decreto já prometido pelo governo que trata da proteção de cavidades naturais subterrâneas, que reduziria margens de interpretação e poderia agilizar licenciamentos.

“No minério de ferro, a gente tem várias oportunidades. Talvez uma das grandes seja o corpo C de Serra Sul. Em Serra Sul, a gente hoje desenvolve o S11D, mas você tem o C, o B e o A. Então, avançar naquele corpo minerário que tem muito potencial poderia gerar um grande projeto de mineração, a gente vem discutindo isso”, disse Pimenta, a jornalistas, após participar de um painel no congresso.

“A modernização (das regras com o decreto de cavidades) é importante para isso. A gente ainda não tem o capex fechado (para o bloco C), mas é um projeto relevante de 40 milhões a 50 milhões de toneladas potencialmente.”

Na véspera, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou ter entendido mais a necessidade do decreto, após visitar operações da Vale em Carajás. Segundo ele, as novas regras estão na Casa Civil, passando por “detalhes jurídicos e técnicos”, após já ter sido alcançado um consenso entre a sua pasta e a de Meio Ambiente.

A proximidade de Silveira e Pimenta ocorre após o CEO ter assumido a Vale com missão de reaproximar a mineradora de autoridades federais e regionais, além de comunidades, após a companhia ter manchado sua reputação diante de rompimentos mortais de barragens.

Os rompimentos de barragens trouxeram novas regras para o setor e também atrasaram projetos da Vale, que realizou mudanças em sua gestão.

Pimenta também comentou declarações de Silveira na véspera, de que tinha “absoluta certeza” de que a Vale teria também grandes projetos em terras raras.

“Nosso foco hoje tem sido nas commodities em que a gente tem vantagem competitiva e escala. Mas a gente está sempre estudando outras commodities, terras raras, lítio, são parte de estudo e não tomamos nenhuma decisão de investimento”, ponderou.

“Qualquer outro mineral que não esteja dentro desses três que a gente faz hoje (ferro, cobre e níquel), vai ser feito sempre com a nossa disciplina na alocação de capital.”
Porto Sudeste

Pimenta também reconheceu ver eventual participação no Porto Sudeste como uma oportunidade, após notícias sobre tentativas da companhia de fazer investimentos no ativo.

“Ter alternativas logísticas é sempre positivo, a gente vê valor na opcionalidade e nas alternativas logísticas. Então a gente sempre olha essas oportunidades à luz dessas alternativas e dessas opcionalidades”, afirmou.

Sobre o El Niño, Pimenta disse que a empresa vem preparando um plano robusto para chuvas na região do Sudeste, caso as perspectivas meteorológicas se confirmem, tendo a segurança como prioridade. Para suas operações no Norte, disse ele, a principal preocupação da empresa é com incêndios.

Infomoney - SP   26/08/2026

Os contratos futuros de minério de ferro registraram leve queda nesta terça-feira, já que preocupações com as margens pressionadas de lucro devido ao aumento dos custos do coque superaram as perspectivas de reposição de estoques pelas siderúrgicas antes dos feriados do Dia Nacional da China.

O contrato de minério de ferro para janeiro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou o pregão diurno com queda de 0,28%, a 713,50 iuanes (US$106,13) por tonelada. No início do ano, o contrato atingiu o nível mais alto desde 30 de julho.

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A referência de minério de ferro para setembro na Bolsa de Cingapura registrava queda de 0,39%, para US$97,05 por tonelada.
As principais usinas de coque lançaram uma segunda rodada de aumentos nos preços do insumo, elevando-os em 100 a 110 iuanes por tonelada, com algumas usinas em Hebei e Tianjin aceitando os aumentos a partir de 26 de agosto, de acordo com dados da consultoria Mysteel.

O carvão de coque, ingrediente essencial na produção de aço, tem enfrentado escassez na China desde que uma explosão mortal em uma mina, em maio, desencadeou inspeções de segurança mais rigorosas nas minas de carvão, mantendo a produção de carvão bruto restrita mesmo com o reinício das atividades, afirmaram analistas da corretora Tianfeng Futures em uma nota.

A lucratividade das siderúrgicas continua sendo um fator-chave para a demanda por minério de ferro, afirmaram analistas da corretora Donghai Futures em nota, à medida que as siderúrgicas, que já enfrentam margens reduzidas, avaliam a última rodada de aumentos nos preços do coque.

Os preços do minério de ferro subiram para os níveis mais altos em quase um mês, apoiados pelas perspectivas de que as siderúrgicas reponham seus estoques antes dos feriados do Dia Nacional, afirmaram analistas da ANZ Research em nota.

Diário do Comércio - MG   26/08/2026

A Samarco prevê reconquistar a posição de segundo maior exportador global de pelotas de minério de ferro a partir de 2028, quando atingirá sua capacidade máxima de produção, e vê forte crescimento da demanda por seus produtos nos próximos anos, disse o presidente da companhia, Rodrigo Vilela, à Reuters nesta terça-feira (25).

Joint venture da Vale com a BHP, a Samarco opera atualmente com cerca de 60% de sua capacidade produtiva e comercializou 15,9 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro em 2025. A própria Vale é a maior exportadora de pelotas.

Para atingir 100% da capacidade instalada a partir de 2028, de 26 milhões a 27 milhões de toneladas por ano de finos e pelotas, a empresa prevê investimentos de R$ 13,8 bilhões.

Vilela disse que há grande expectativa para o mercado de pelotas, com impulso da transição energética para uma economia de baixo carbono.

Segundo ele, a demanda por pelotas no mercado transoceânico está por volta de 100 milhões a 120 milhões de toneladas por ano e pode crescer para acima de 300 milhões a partir de 2030.

“Os nossos clientes estão investindo em grandes projetos de descarbonização, principalmente na Europa, no Japão, transformando seus alto-fornos em plantas de redução direta, que vão requerer cada vez mais pelotas, que, sem dúvida nenhuma, é o grande vetor para que eles possam descarbonizar”, afirmou o executivo, durante participação no congresso de mineração Exposibram.

A Samarco vem retomando sua capacidade produtiva desde dezembro de 2020, após ter ficado anos paralisada devido ao rompimento mortal de barragem em Mariana, em Minas Gerais, em 2015.

Vilela disse que atualmente o foco da empresa é cuidar da reparação pelo rompimento e recuperar sua capacidade produtiva, mas que futuramente poderia buscar expandir sua capacidade de produção.

“É claro que, para além disso, nós temos possibilidade de avançar nas nossas vantagens competitivas”, disse o presidente da Samarco, pontuando que a empresa tem modais “extremamente competitivos” do ponto de vista financeiro, social e ambiental e também poderia aumentar a capacidade da mina.

“Muitas dessas vantagens competitivas podem sim ser exploradas no futuro.”

Vilela também afirmou que o mercado de pelotas atualmente está com mais demanda do que oferta, diante da paralisação de grandes produtores na região do Golfo Pérsico, inclusive por influência da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

A empresa também está empenhada em produzir finos de minério de ferro a partir de rejeitos, somando volume de 300 mil toneladas neste ano até agosto. Até 2028, a empresa prevê produzir 2 milhões de toneladas por meio dessa iniciativa, disse o executivo.

AUTOMOTIVO

Auto Industria - SP   26/08/2026

A participação da China nas importações de autopeças não para de crescer. As aquisições no país asiático atingiram US$ 547,9 milhões em julho, alta de 37,2% sobre idêntico mês do ano passado e participação de 25,3% no total das aquisições no exterior.

No acumulado do ano, a China enviou para o Brasil quase US$ 3,2 bilhões em autopeças, alta de 27,4% sobre os US$ 2,5 bilhões dos primeiros sete meses de 2025.

Na sequência vêm os Estados Unidos, com embarques no ano da ordem de US$ 1,25 bilhão, o que representou queda de 11,3% no comparativo interanual.

A expansão das compras de autopeças chinesas acompanha a evolução do mercado automotivo brasileiro, que tem participação crescente de carros vindos do país asiático, com 11 novas marcas desembarcando este ano por aqui.

Certo é que as crescentes compras de componentes automotivos na China têm contribuído para o aumento do déficit da balança comercial do setor.

Valor - SP   26/08/2026

Move Brasil é uma das apostas do presidente Lula para aproximar de um público mais alinhado à oposição

Com dificuldade de os empréstimos do Move Brasil, voltado a motoristas de aplicativos e taxistas, ganharem tração, o governo federal vai ampliar de 72 para 84 meses o prazo máximo de financiamento do programa. A mudança, que busca reduzir o valor das parcelas e será formalizada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), faz parte de ajustes adotados desde o lançamento da linha, à medida que entraves foram identificados. As afirmações foram feitas ao Valor pelo secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Uallace Moreira.

O Move Brasil foi lançado em maio deste ano, junto com uma série de programas com os quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca antes das eleições de outubro se aproximar de um público mais alinhado à oposição. O programa tem, por exemplo, taxas mensais de juros de 0,99% para homens e 0,91% para mulheres.

Apesar das dificuldades nas contratações, que chegaram a motivar cobranças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos bancos públicos na semana passada, Moreira afirma que o Move já teve impacto expressivo sobre as vendas dos veículos alcançados pelo programa. Foram 40 mil carros nos primeiros dois meses, quase cinco vezes os 8,8 mil que esse mercado costuma movimentar no mesmo período. Dos R$ 30 bilhões de recursos disponibilizados pelo Tesouro Nacional para viabilizar a linha, R$ 4 bilhões foram liberados.

Moreira ressaltou, porém, que os R$ 30 bilhões não foram estabelecidos como meta de desembolso. “A gente abriu a possibilidade de atender o público e ter um recurso ali que, se eventualmente avançasse muito, não faltasse”, afirmou.

A medida provisória (MP) que criou o Move Brasil fica válida até 15 de setembro. Caberá ao Congresso decidir se votará o texto antes do fim da vigência, diz o secretário. Segundo ele, o prazo da MP também é relevante para operações que já passaram pela análise dos bancos. Há um volume de financiamentos aprovados que ainda não se transformaram em contratação por falta da emissão da nota fiscal pelas montadoras. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) só libera os recursos após a apresentação do documento, mas alguns veículos têm prazo de entrega de até 60 dias.

As montadoras também não podem antecipar a emissão do documento sem a entrega do veículo devido às regras relacionadas ao Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam). Se a MP perder a validade antes da emissão da nota fiscal, essas operações, mesmo aprovadas, não poderão ser concluídas pelo programa.

O secretário afirma ainda que parte dos problemas de andamento da linha decorreu do caráter inédito da iniciativa e só se tornou evidente com o programa em funcionamento. “Qualquer política pública serve como um processo de aprendizado”, diz.

Um desses problemas foi o início da operação do programa, em 19 de junho, sem o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), que só passou a funcionar em 2 de julho. O secretário afirma que isso provocou um nível elevado de reprovação dos pedidos de crédito nas primeiras semanas. Após a entrada do fundo, as aprovações começaram a crescer. O governo autorizou a possibilidade de até dois aportes, cada um de R$ 2 bilhões, no FGI.

Mas a garantia não elimina a análise de risco dos bancos, e parte da dificuldade para fazer as contratações avançarem permanece justamente nessa etapa. Segundo Moreira, alguns motoristas têm pouco histórico no sistema financeiro e não alcançam o “rating” necessário para o financiamento.

Ele ressalta que estar habilitado para o programa não significa ter o crédito automaticamente aprovado. Para facilitar o processo, a Caixa Econômica Federal, por exemplo, passou a considerar na análise os extratos dos valores recebidos pelos motoristas nas plataformas, rendimentos considerados, até então, informais.

Moreira também diz que, no caso dos mais de 300 mil motoristas que usam carros alugados, a compra do veículo pode melhorar a capacidade de pagamento. Isso porque a diferença entre o valor antes destinado ao aluguel e a prestação do financiamento passa a ficar disponível para o trabalhador.

Além das mudanças voltadas a facilitar o acesso ao crédito, o governo também alterou as condições para os veículos que podem ser financiados. O teto foi elevado de R$ 150 mil para R$ 200 mil. O secretário diz que essa revisão foi necessária após atualização da lista de modelos aceitos por aplicativos de transporte nas categorias Black e Comfort, voltadas a veículos de padrão superior.

O governo também foi atendendo a demandas das instituições financeiras ao longo da execução do programa, na tentativa de dar tração à linha, diz Moreira. Os bancos passaram a ter acesso à base de dados dos trabalhadores cadastrados e foram isentos de taxa pelo uso do FGI. Essa isenção, diz ele, reduz o custo da operação e aumenta o spread dos bancos.

Banco do Brasil, Caixa, Banrisul, PAN e Aymoré, ligada ao Santander, operam o programa. Outras grandes instituições privadas não aderiram, o que o secretário atribui a estratégias de mercado. “Você tem que investir em sistema para fazer essa operação”, explicou. Como mostrou o Valor, o potencial considerado limitado de rentabilização do público do programa pesa na decisão das instituições financeiras.

Sobre as cobranças de Lula aos bancos públicos, Moreira afirma que o pedido do presidente é por “uma atenção especial aos trabalhadores”. O secretário reconheceu, ainda, que há limites para a atuação do governo quando a dificuldade de acesso ao financiamento decorre da avaliação de risco feita pelas próprias instituições.

Por enquanto, não há novos ajustes em discussão a serem feitos no programa. O governo quer avaliar os efeitos das mudanças encaminhadas antes de decidir se será necessária nova alteração.

Moreira ainda diz que o programa não foi criado com objetivos eleitorais, afirmando que o Move faz parte de uma lista de programas que têm o objetivo de elevar os investimentos e, assim, promover “transformações estruturais” da economia brasileira. “Pensar em programas que estimulem o investimento é fundamental para elevar a produtividade”, diz.

Parte das lições aprendidas com a linha de carros já foi incorporada ao braço do Move Brasil destinado às motos, diz. O início da operação foi adiado para que o Fundo Garantidor de Operações (FGO) já estivesse funcionando, por exemplo.

Diário do Comércio - MG   26/08/2026

A lista de carros elegíveis ao programa Move Brasil deve crescer nos próximos dias, à medida que as montadoras pedem ao governo Lula (PT) a inclusão de novos modelos nas condições especiais de financiamento para motoristas de aplicativos e taxistas.

Portaria dos Ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) publicada na última quarta-feira (19) elevou o teto do financiamento de R$ 150 mil para R$ 200 mil, em um aceno de Lula em meio à campanha eleitoral.

A Folha apurou que ao menos quatro montadoras pediram ou devem pedir a inclusão de novos modelos à lista dos carros participantes do programa. Uma delas é a BYD, que trabalha para incluir o híbrido flex Atto2, o sedã King e o SUV Song Pro, todos com preço de até R$ 200 mil, segundo fontes próximas ao assunto. Procurada, a montadora não comentou.

O Mdic diz que está consolidando as informações junto às empresas e que uma nova lista de veículos participantes do programa deve ser publicada em breve.

O Move Brasil tem taxa de juros fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) em 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres. No mercado, a taxa média para financiamento de automóveis é de 28% ao ano, segundo informações monitoradas pelo governo.

Podem buscar financiamento taxistas e motoristas de aplicativos com cadastro ativo há pelo menos um ano e, no mínimo, cem corridas no período na plataforma. O veículo precisa ser de montadora habilitada no programa Mover (Volks, Fiat, Renault, GM, Honda, Hyundai, Nissan, Peugeot, Toyota, BMW, BYD e GWM), além de ser enquadrado como sustentável, ser flex, híbrido ou híbrido a etanol.

Confira a seguir os modelos que já são aptos ao Move Brasil e os que poderão ser elegíveis.
Chevrolet

Além dos modelos já disponíveis, a empresa diz que iniciou o processo de inclusão do Captiva EV, com preço de R$ 199.990.

“Com a novidade, a marca passa a oferecer dois veículos 100% elétricos dentro de um portfólio que contempla diferentes segmentos, com hatch, sedã, SUVs, MPV e picape, ampliando as alternativas para diferentes perfis e necessidades de mobilidade”, afirma a Chevrolet.

Os modelos aptos ao Move Brasil conforme a última lista disponível são:
Montana (versões T, LT, T ALT LTZ, T A PR e T AT RS)
Onix (versões 10MT HB, 10T AT Activ, 10TAT HB, , 10TAT LT1, 10TAT LTZ, 10TAT PR2, 10TAT RS, 10TMT HB, 10TMT NB e 10TAT HB ALC)
Onix Plus (versões 10TAT LT1, 10TAT LTZ, 10TAT NB, 10TAT PR2, 10TMT e TA NB ALC)
Sonic (versões 10T AT PR e 10T AT RS)
Spark EUV (versão Activ)
Spin (versões 1.8L AT, 1.8L AT LT, 1.8L AT LTZ, 1.8L AT LTZ5, 1.8L AT Premier e 1.8L MT LT)
Tracker (versões 12T A PR, 12T A RS, T A, T ALT e T ALT LTZ)
BYD

Até o momento, a montadora participa do programa com dois carros elétricos: Dolphin GS e Dolphin Mini GL.
Segundo fontes, a BYD pediu ao governo a inclusão de outros seis modelos no Move Brasil: Atto2, King (nas versões GL e GS) e Song Pro (versões GL, GS e GL Flex). Procurada, a montadora não comentou.
Renault

Com a ampliação do teto de financiamento, a montadora diz que será possível incluir as versões Techno e Iconic do SUV Boreal para taxistas, com preços sugeridos de R$ 147.674 e R$ 158.480, respectivamente.

Também deverão ser incluídos os modelos Evolution e Techno do SUV Boreal para motoristas de aplicativo, custando R$ 167.990 e R$ 189.990, respectivamente.

Os modelos disponíveis antes do aumento do teto de financiamento são:
Boreal Evolution (apenas para taxistas)
Duster (INTP CVT e INTP MT)
Kardian (EVO AT, ICO AT e TECH AT)
Kwid (Intens 2, Outsid 2 e ZEN 2)
Stellantis

Dona das marcas Citroën, Fiat, Jeep e Peugeot, entre outras, a Stellantis diz que prepara a ampliação do portfólio de veículos e que os novos modelos serão comunicados em breve.
Os veículos já aptos ao programa são:
Citroën
Aircross (versões Feel AUT Turbo, Shine AUT Turbo e XTR AUT Turbo)
Basalt (versões Dark Edition AUT Turbo, Feel AUT Turbo, Feel MEC 1.0 e Shine AUT Turbo)
C3 (versões Feel 1.0 MT, Feel Plus 1.0 MT, Live 1.0 MT, Live Go, Live Pack 1.0 MT, Live Plus, XTR 1.0 MT, You)
Fiat
Argo (versão Drive 1.0 Flex 4P)
Cronos (versões Drive 1.0 Flex 4P, Drive 1.3 AT Flex 4P, Drive 1.3 Flex 4P, Precision 1.3 AT Flex 4P)
Fastback (versões Audace Turbo 200 Hybrid Flex AT, Impetus Turbo 200 Hydrid Flex AT e Turbo 200 Flex AT)
Mobi (versões Like 1.0 e Trekking 1.0)
Pulse (versões Audace Turbo 200 Hybrid Flex AT 4P, Drive 1.3 AT Flex 4P e Impetus Turbo 200 Hybrid Flex AT 4P)
Jeep
Compass (versão Sport T270)
Renegade (versão Longitude T720 MHEV 4X2)
Peugeot
208 (versões Active Turbo Aut., Allure Turbo Aut., GT Turbo Aut. e Style Mec. 1.0)
2008 (versões Active Turbo Aut. e Allure Turbo Aut.)
Nissan

A montadora japonesa afirma que os clientes devem consultar as condições de venda na rede de concessionárias e não se manifestou sobre o teto de R$ 200 mil.
Os modelos que constam na lista mais recente do Mdic são:

Kait (versões Active, Advance, Advance Plus, Exclusive, Sense e Sense Plus)
Kicks (versões Advance e Sense)
Versa (versões Advance, Exclusive e Sense)
Honda

A montadora não respondeu se pretende incluir novos veículos no programa. Os modelos elegíveis ao Move Brasil são:
City Hatchback (versões EX, EXL, LX, Touring e Touring S)
City Sedan (versões LX, EX, EXL e Touring)
HR-V (versões EX e EXL)
WR-V (versões EX e EXL)
Hyundai

Procurada, a Hyundai não se manifestou sobre o novo teto de financiamento. Veja os carros da montadora que estão disponíveis no programa:
Creta (versão Comfort 1.0T AT)
HB20 (versões Comfort MT, Limited AT, Limited MT e Platinum AT)
HB20S (versões Comfort MT, Limited AT, Limited MT e Platinum AT)
Toyota

O único modelo da montadora disponível na lista do Mdic é o Yaris Cross XR. A Toyota não respondeu se pretende incluir outros carros.
Volkswagen

A Volkswagen não se manifestou sobre o limite de R$ 200 mil. Os carros já disponíveis são:
Nivus (versão CL TSI)
Polo (versões HL AB, MB, Sense, Track MA e Track MA RB)
Saveiro (versões CD EX MF, CD RB MF, CS RB MF e CS TL MF)
T-Cross (versões 200 TSI e Sense TSI)
Tera (versões Comfort TSI, High TSI, MPI e TSI)
Virtus (versões AB, CL AC, HL AC, MB e Sense)
Geely

A Geely já oferece no Move Brasil os veículos EX2 MAX e EX2 PRO. A empresa não respondeu até a publicação deste texto se pretende pedir a inclusão de novos carros.

GAC

A GAC participa do programa com o Aion UT Premium. A montadora não respondeu se pretende incluir outros modelos.
GWM

Oferece o carro Ora O3 BEV58 C no programa e não respondeu sobre o novo teto de financiamento.

Veja - SP   26/08/2026

A JAC Motors está passando por uma das maiores mudanças de estratégia desde sua chegada ao Brasil. A montadora chinesa, que desembarcou no país com uma operação agressiva e dezenas de concessionárias, reduziu drasticamente sua estrutura física, tirou modelos de linha e agora concentra seus esforços em picapes e veículos comerciais.

A mudança ocorre em um mercado muito diferente daquele encontrado pela empresa no início da década passada. A JAC chegou ao Brasil em 2011 com uma forte campanha de marketing, tendo Fausto Silva como garoto-propaganda, e abriu dezenas de concessionárias em diferentes regiões do país. Em poucos meses, chegou a vender cerca de 15 mil veículos e alcançou participação próxima de 1% do mercado brasileiro.

Quinze anos depois, a realidade é outra. A rede de vendas foi reduzida a três concessionárias tradicionais, localizadas em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. A companhia também encerrou a comercialização do SUV elétrico E-JS4 e do sedã elétrico E-J7, enquanto o futuro do compacto E-JS1 permanece incerto.

A própria JAC afirma que está passando por um “processo de reposicionamento estratégico” no mercado brasileiro. A nova estratégia concentra esforços no segmento de picapes, com modelos a diesel e 100% elétricos, enquanto a operação de venda passa a depender mais dos canais digitais e de negociações à distância.

Da aposta nos elétricos às picapes

A mudança chama atenção porque a JAC passou justamente por uma transformação na direção oposta nos últimos anos. A partir de 2018, a montadora começou a apostar fortemente nos veículos elétricos e chegou a construir uma das maiores gamas de modelos elétricos disponíveis no Brasil naquele momento. O movimento, porém, aconteceu antes da chegada de uma nova onda de fabricantes chinesas ao país. Com a expansão de marcas como BYD e GWM, a competição no segmento de eletrificados aumentou significativamente, pressionando empresas que não conseguiram alcançar a mesma escala.

Agora, a JAC volta a olhar para um segmento mais tradicional do mercado brasileiro. A Hunter, picape média da marca, passou a ocupar posição central na estratégia. A versão Hunter 4Work parte de 219.900 reais e atende um público diferente daquele dos antigos elétricos de passeio, incluindo produtores rurais, empresas, frotistas e consumidores que buscam veículos com maior capacidade de carga. A companhia também prepara o lançamento do JS8 Pro, SUV de sete lugares com motor 1.5 turbo, previsto para 2026, segundo informações divulgadas pela própria empresa. Ao mesmo tempo, o elétrico E-JS3 segue nos planos, embora ainda sem nova data de lançamento confirmada.

O desempenho comercial ajuda a explicar a mudança. Segundo dados da Fenabrave obtidos pelo UOL, a JAC emplacou 23,7 mil veículos em 2011. Em 2024, foram 2.022 automóveis e comerciais leves; em 2025, o número caiu para 988. Entre janeiro e julho de 2026, foram apenas 346 veículos leves, contra 616 no mesmo período de 2025, uma retração de 43,8%.

A redução da rede física não significa, segundo a JAC, uma saída do Brasil. A empresa afirma que o modelo de vendas digitais e à distância vem sendo desenvolvido há cerca de dois anos e permite atender consumidores de regiões onde não há concessionária. O pós-venda também permanece mais amplo do que a estrutura comercial. A JAC informa ter cerca de 142 oficinas credenciadas espalhadas pelo país, o que permite manter uma rede de assistência mesmo com a redução dos pontos de venda.

O desafio agora é fazer uma operação muito menor voltar a ganhar relevância em um mercado que ficou mais competitivo. A JAC chegou ao Brasil como uma das pioneiras entre as chinesas, mas perdeu espaço justamente quando uma nova geração de montadoras asiáticas começou a disputar o consumidor brasileiro com mais escala, tecnologia e investimento.

Automotive Business - SP   26/08/2026

O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, afirmou que cortes de custos mais profundos serão necessários para manter o grupo competitivo nos próximos anos. O anúncio foi feito em um comunicado interno da empresa, num cenário de reestruturação da marca, que já prevê cortes de até 50 mil empregos em quatro das suas fábricas na Alemanha. As informações foram divulgadas pela agência Reuters.

Blume afirmou que os custos indiretos da montadora alemã permanecem 30% superiores em comparação com outras empresas do setor. Ele argumenta que essa situação precisa ser resolvida para que a empresa se mantenha competitiva.
Custos elevados pressionam competitividade

A Volkswagen não está no seu melhor momento. Pressionada pelo crescimento das montadoras chinesas, a marca registrou queda de 26% nas vendas na China no primeiro semestre de 2026. Outros fatores como as altas tarifas sobre importações de carros para os Estados Unidos e a queda de demanda na Europa também resultaram num impacto para a empresa.

A situação é mais do que crítica, disse Blume no comunicado. Ele acrescentou que, embora a margem operacional abaixo de 4% seja sólida no ambiente atual, ela não é suficiente para gerar fundos a longo prazo para novas tecnologias, novos produtos e nossas instalações.
Cortes podem chegar a 100 mil empregos

O grupo não revelou oficialmente o número de cortes adicionais de empregos, mas fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que a quantidade pode chegar a 50 mil postos de trabalho. Somado aos 50 mil cortes já planejados, a Volkswagen pode chegar a 100 mil cortes em todo o grupo, incluindo nas operações da Porsche e da Audi.

No comunicado, Blume menciona que o número frequentemente citado de cerca de 50 mil empregos em todo o mundo não é uma meta fixa. Ele acrescentou que a quantidade foi derivada do objetivo de custo da empresa em relação à concorrência e serviu como um indicador da escala de ação necessária.
Fábricas alemãs podem operar abaixo da capacidade

Em julho, a Volkswagen revelou planos para reduzir sua linha de modelos e diminuir a capacidade produtiva. No início de agosto, controladoras da VW aumentaram a pressão sobre as partes interessadas e exigiram esforços drásticos de reestruturação.

Oliver Blume prevê que quatro unidades da montadora na Alemanha Hanover, Zwickau, Emden e a fábrica da Audi em Neckarsulm não vão atingir níveis competitivos de utilização da capacidade produtiva em 2030, mas também ressaltou que ainda não há uma decisão oficial sobre o fechamento das unidades.

Segundo o CEO, houve progresso em algumas áreas das operações da Volkswagen, mas não é o suficiente para levantar completamente a montadora, mesmo sem considerar o cenário de pressão dos novos concorrentes da China e a situação de suas fábricas na Europa.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Eae Máquinas - SP   26/08/2026

Escavadeiras, tratores, carregadeiras e motoniveladoras deixam de atuar apenas na construção pesada e ampliam presença em operações estratégicas das mineradoras, impulsionadas pela busca por produtividade, segurança e eficiência operacional

A busca por maior capacidade produtiva, desempenho e segurança está mudando a forma como as mineradoras estruturam suas operações. Nesse cenário, equipamentos associados à construção pesada, como escavadeiras hidráulicas, tratores de esteiras, carregadeiras de rodas e motoniveladoras, vêm ampliando sua participação nas atividades de apoio às minas, assumindo funções cada vez mais estratégicas para a operação.

Antes concentradas principalmente em obras de infraestrutura, essas máquinas passaram a integrar de forma crescente atividades como abertura e manutenção de acessos, apoio à lavra, terraplenagem, drenagem, carregamento complementar, manutenção de pilhas, limpeza de áreas operacionais e conservação das vias internas das minas. O movimento reflete uma nova lógica operacional, na qual diferentes tipos de equipamentos atuam de forma complementar para aumentar a eficiência da operação como um todo.

Segundo Paulo Torres, vice-presidente da Divisão de Equipamentos de Construção da Komatsu, a mineração vem incorporando conceitos já consolidados em outros segmentos, buscando utilizar cada equipamento na atividade em que entrega o melhor desempenho. “As mineradoras passaram a olhar toda a operação de maneira mais estratégica. Hoje existe uma compreensão clara de que diferentes atividades exigem soluções específicas. Em diversas aplicações de apoio, equipamentos tradicionalmente utilizados na construção entregam elevada produtividade, robustez e excelente custo operacional, contribuindo para uma operação mais eficiente como um todo.”

Na prática, esse modelo permite direcionar os equipamentos de mineração de maior porte para as atividades em que sua capacidade é efetivamente necessária, aumentando a disponibilidade da frota e reduzindo custos nas operações de apoio. Outro fator que impulsiona essa transformação é a evolução tecnológica das máquinas. Recursos como telemetria, monitoramento remoto, manutenção preditiva, gestão inteligente de frota e teleoperação passaram a fazer parte das operações de apoio, permitindo maior controle sobre os equipamentos, redução de paradas não programadas e mais segurança para operadores que atuam em áreas críticas.

De acordo com a Komatsu, esse movimento já é percebido na demanda pelos equipamentos da Divisão de Construção destinados ao segmento mineral, especialmente escavadeiras hidráulicas, tratores de esteiras, carregadeiras de rodas e motoniveladoras empregadas nas atividades de infraestrutura e apoio às minas. Para Ricardo Alexandre, vice-presidente da Divisão de Equipamentos de Mineração da Komatsu, a evolução da mineração passa pela integração entre equipamentos, pessoas e tecnologia. “Hoje, eficiência operacional significa combinar diferentes equipamentos e tecnologias para que cada um desempenhe exatamente a função em que oferece o melhor resultado. Máquinas de construção, equipamentos de mineração e soluções digitais passaram a atuar de forma complementar, aumentando a disponibilidade e segurança operacional e reduzindo custos”.

A expectativa da companhia é que essa tendência continue se intensificando nos próximos anos, acompanhando a evolução tecnológica da mineração e a crescente demanda por operações mais eficientes, conectadas e sustentáveis. Esse cenário também acompanha um ciclo positivo para o segmento mineral brasileiro. Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), estão previstos US$ 76,9 bilhões em investimentos no setor até 2030, reforçando a perspectiva de expansão e modernização das operações no País.

Esse movimento está alinhado ao novo ciclo de investimentos da Komatsu no Brasil. Após investir R$ 161 milhões entre 2023 e 2025 na modernização de seu parque fabril em Suzano (SP), a companhia anunciou mais R$ 100 milhões para os próximos dois anos. O plano prevê ampliar a capacidade produtiva em mais de 50% até 2030, fortalecer o portfólio nacional e acelerar a incorporação de tecnologias voltadas à digitalização, automação e eficiência operacional.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   26/08/2026

As parcerias foram firmadas com as construtoras Tenda, MRV e Direcional

O iFood lançou na tarde desta terça-feira (25) um programa para ajudar os entregadores no financiamento de moradia. Uma das pontas é um canal para obterem o documento oficial com seus rendimentos. A outra são parcerias firmadas com as construtoras Tenda, MRV e Direcional para facilitar a entrada, reduzir o custo total, simplificar o pagamento e fornecer auxílio com móveis em alguns empreendimentos.

De acordo com a rede, essa era uma demanda de 72% dos entregadores e será disponibilizada, inicialmente, para aqueles que cumprem 40 horas semanais na plataforma, o que corresponde a cerca de 1,5% do total de 600 mil entregadores inscritos — este total incluiu quem faz pelo menos uma entrega no mês.

O acesso ao programa Rota da Casa Própria se dará pelo aplicativo Entregador iFood, no qual será possível gerar o histórico de ganhos obtidos na plataforma. Com esse documento o entregador deverá buscar os canais oficiais das construtoras para escolher o imóvel e validar a documentação. O iFood não vai conceder crédito, nem comercializar imóveis ou participar da aprovação dos contratos.

“A ideia é dar possibilidade aos que desejam adquirir a compra da casa própria”, afirmou Johnny Borges, diretor de impacto social do iFood, em evento realizado hoje. O financiamento foi lançado no formato de teste há algumas semanas e dois entregadores já assinaram o contrato, segundo o diretor.

Um dos desafios nos financiamentos de entregadores é a comprovação de renda, segundo Borges. A expectativa é que o histórico de ganhos gerado pelo aplicativo possa ser utilizado pelos trabalhadores na análise de crédito feita pelas instituições financeiras.

No contexto do lançamento do Move Brasil, programa do governo federal que oferece linhas de financiamento para a compra de veículos por motoristas de aplicativo e taxistas, a Caixa passou a reconhecer como renda formal os ganhos de profissionais de plataformas de mobilidade e delivery. Desde então, os extratos de recebimentos fornecidos pelas plataformas passaram a ser aceitos como comprovante de renda na análise de crédito do banco, inclusive para financiamento habitacional. Antes, esses rendimentos eram classificados como renda informal.

A Caixa não participa da iniciativa lançada pelo iFood para a compra de imóveis, tampouco tem exclusividade no programa. No entanto, com a mudança na análise de crédito desses trabalhadores e por sua forte atuação no financiamento habitacional, a instituição tende a ser a mais procurada pelos interessados.

De acordo com Debora Gershon, diretora de políticas públicas e economia do iFood, nos testes já realizados foram obtidas taxas de financiamento melhores que as tradicionais. “O desafio é o mesmo do Move Brasil”, apontou. Segundo Debora, a ideia é considerar também outras fontes de renda dos entregadores, além dos ganhos obtidos na plataforma, assim como a renda familiar.

“Consideramos também o limite de endividamento, para garantir que seja compatível com uma renda líquida digna”, afirmou.

FERROVIÁRIO

O Estado de S.Paulo - SP   26/08/2026

ANPTrilhos lança campanha ‘No Trilho Certo’ para pedir aos candidatos a presidente tarifas mais acessíveis e expansão da malha

A Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), que reúne empresas operadoras de metrôs, trens metropolitanos e VLTs no País, vai entregar nesta quarta-feira, 26, uma carta aos presidenciáveis com três demandas do setor de mobilidade urbana.

O principal apelo é o pedido de investimento anual de R$ 20 bilhões para expandir a malha dos transportes sobre trilhos, mais que o dobro do orçamento atual, de R$ 8,6 bilhões. A expectativa é que esse valor venha de recursos da União, do BNDES e de Parcerias Público-Privadas (PPPs).

O setor ressalta o peso econômico e social da pauta. Segundo a ANPTrilhos, metrôs e trens transportam 8,7 milhões de passageiros por dia útil no País e geram R$ 44,6 bilhões em benefícios econômicos, sociais e ambientais.

Com o lançamento da campanha “No Trilho Certo”, a associação também quer pressionar pela criação de uma política nacional e permanente que possibilite tarifas mais justas e acessíveis, através do financiamento e custeio dos sistemas metroferroviários pela União, Estados e municípios, e uma governança metropolitana integrada. A ANPTrilhos não explica, entretanto, qual seria o valor de uma tarifa considerada mais justa.

Um evento em Brasília vai reunir representantes das campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) para apresentar as principais pautas do setor. As equipes de Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) ainda não confirmaram presença.

Valor - SP   26/08/2026

Conflito entre a preservação ambiental e a expansão da fronteira agrícola remete ao debate sobre qual país o Brasil quer ser nos próximos anos

Quatro dos cinco principais candidatos à Presidência da República citam explicitamente a Ferrogrão como prioridade em seus programas de governo. Concebida por tradings do agronegócio, é uma linha de 933 km que ligará Mato Grosso aos portos do Norte do país, barateando o frete. É, porém, um projeto cercado por polêmicas que têm origem numa questão bem mais ampla: o avanço da fronteira agrícola sobre a Amazônia, que provoca resistência dos ambientalistas.

Atualmente, o projeto está em análise na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e a expectativa é que seja enviado nas próximas semanas para o Tribunal de Contas da União (TCU). Correndo tudo como o planejado, a concessão da ferrovia poderá ser leiloada no atual governo.

Estima-se que a Ferrogrão reduzirá em 20% o frete médio das cargas em Mato Grosso e em até 35% o custo do transporte nas regiões mais próximas da linha. O investimento está estimado em R$ 20 bilhões no ativo fixo, e R$ 33 bilhões se for considerado também o “sustaining”, uma espécie de reserva para manter a operação do negócio nos primeiros anos.

A Taxa Interna de Retorno da Ferrogrão foi calculada em 14,4% - patamar considerado elevada, porque considera também que o projeto envolve riscos. Seus defensores registram interesse de investidores canadenses, chineses, árabes e americanos, que entrariam associados a algum operador logístico ou grupo nacional.

“No transporte ferroviário, vamos destravar a Ferrogrão”, diz o programa de Flávio Bolsonaro (PL), que prevê investimentos de R$ 900 bilhões em quatro anos na estruturação de “corredores logísticos inteligentes”.

O programa de Ronaldo Caiado (PSD) fala em “priorizar obras estruturantes de escoamento, como a Ferrogrão, a Ferrovia Norte-Sul, a Fiol, a Malha Norte, a BR-163 e as hidrovias do Centro-Oeste e do Norte”, numa lógica de integrar infraestrutura do campo aos mercados.

Romeu Zema (Novo) cita a ferrovia, ao lado de outras duas, a de Integração do Centro-Oeste (Fico) e a de Integração Oeste-Leste (Fiol), como corredores estruturantes que ajudarão a superar desafios em infraestrutura. Renan Santos (Missão) fala em iniciar de imediato as obras da Ferrogrão. O programa de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não cita a linha especificamente, mas prevê intensificar as concessões de ferrovias.

Assim como é percebido como estratégico, o projeto levanta resistências por causa de seu impacto ambiental. Ficou cinco anos parado enquanto esperava uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em maio passado, a corte decidiu que não houve inconstitucionalidade na forma como foi desafetada a área do Parque Nacional Jamanxim por onde a linha passará: com a edição de uma medida provisória, posteriormente convertida em lei.

Mais do que o debate sobre o processo legislativo, a decisão do Judiciário ocorreu sob o pressão de ambientalistas e representantes de povos originários, por causa do impacto do projeto na floresta e no rio Tapajós, em cuja margem a ferrovia chegará, no porto de Itaituba (PA).

Na visão do ministro dos Transportes, George Santoro, a questão envolvendo indígenas nem é o maior desafio do projeto. “Ele tem uma terraplanagem muito extensa, em área alagada”, disse à coluna. Fontes ligadas ao projeto negam.

Mas, à parte desse debate, o ministro enxerga uma discussão de fundo. “O que o pessoal mais fala contra ela é que vai ampliar a fronteira agrícola”, comentou. “O problema é que, independentemente disso, essa fronteira vai se ampliar, tendo ou não a Ferrogrão.”

A questão, acrescentou, é fazer um debate “de forma estruturada” para buscar uma solução que contemple agronegócio e sustentabilidade. “A Ferrogrão capta mais carbono do que qualquer projeto meu”, argumenta.

O projeto prevê que a linha evitará a emissão de 3,4 milhões de dióxido de carbono equivalente na atmosfera por ano. Além disso, toda a carga de soja que transitar por lá será rastreada. A linha será ainda uma forma de conectar a bioeconomia da Amazônia aos centros consumidores.

O ministro cita um exemplo de conciliação entre a obra de infraestrutura e a sustentabilidade. “A Fiol estava parada havia 18 anos por causa de um conflito com quilombolas”, exemplificou. “O acordo para destravar a obra custou R$ 160 milhões, e o que são R$ 160 milhões num projeto de R$ 20 bilhões?”

Santoro aponta alternativas ao projeto. “Tem gente que adora a Ferrogrão, mas eu acho que é melhor fazer a Açailândia (MA) a Barcarena (PA), que eu resolvo o mesmo problema.” Ele se refere a uma linha que liga a Ferrovia Norte-Sul ao porto paraense de Vila do Conde.

O conflito entre a preservação ambiental e a expansão da fronteira agrícola remete ao debate sobre qual país o Brasil quer ser nos próximos anos. Hoje, é uma potência exportadora de commodities, cujo volume de embarques aumentará 300% nos próximos 15 anos. Se o caminho continuará sendo este, é bom considerar que a demora em expandir a infraestrutura joga e jogará contra a competitividade dos produtos brasileiros.

Lu Aiko Otta é repórter especial em Brasília. Escreve às quartas-feiras.

E-mail: lu.aiko@valor.com.br

NAVAL

Portos e Navios - SP   26/08/2026

Cerimônia realizada no estande da Belov na 20ª edição da feira marcou parceria para construção das novas embarcações destinadas às operações da Saam Towage Brasil

O grupo Belov e a Saam Towage Brasil realizaram, na última quarta-feira (19), durante a 20ª edição da Navalshore, uma cerimônia para formalizar publicamente o contrato para a construção de quatro novos rebocadores azimutais de apoio marítimo e portuário. O encontro aconteceu no estande do Grupo Belov, na ExpoRio Cidade Nova, no Rio de Janeiro (RJ).

O acordo prevê a construção de quatro rebocadores azimutais, com 70 toneladas de bollard pull (BP), desenvolvidos para atender às demandas operacionais da Sam Towage Brasil. A cerimônia reuniu representantes e lideranças das duas companhias e do setor naval.

Para o diretor da Belov, Sérgio Belov, formalizar publicamente este contrato durante a Navalshore tem um significado especial por representar a materialização de uma parceria construída sobre confiança, capacidade técnica e visão de longo prazo.

A Belov destacou que o projeto também reflete o momento de expansão do Estaleiro do grupo, que vem ampliando sua estrutura, capacidade produtiva e investimentos em tecnologia para atender projetos cada vez mais complexos.

“Esses quatro rebocadores representam um novo desafio para o nosso estaleiro e, ao mesmo tempo, mostram o quanto estamos preparados para atender projetos de alta complexidade e contribuir para o fortalecimento da indústria naval brasileira”, afirmou o diretor.

Valor - SP   26/08/2026

Gustavo Pimenta destacou ainda que a empresa adotou medidas para enfrentar possíveis impactos de um El Niño em grande escala, e defendeu a ampliação da produção de minério de ferro de alto teor

O diretor-presidente da Vale, Gustavo Pimenta, disse nesta terça-feira (25) a jornalistas que a mineradora avalia a possibilidade de participar da disputa pelo Porto Sudeste, em Itaguaí (RJ), mas ainda não tem “nenhuma decisão a respeito”.

“É uma oportunidade, obviamente, de a gente seguir tendo uma participação relevante dentro do mercado de minério. Logísticas são sempre positivas. A gente sempre olha essas oportunidades”, afirmou Pimenta.

O Valor adiantou que a Vale avalia participar da disputa sem desembolso direto de caixa para adquirir o terminal. A alternativa seria um contrato de longo prazo no modelo “take-or-pay”, no qual a mineradora se comprometeria a garantir volumes mínimos de minério de ferro ao terminal, mesmo sem usar a capacidade contratada integralmente.

A Vale apoiaria a proposta liderada pela Global Infrastructure Partners (GIP), gestora controlada pelo BlackRock, e pela Gerdau.

Sustentabilidade

Pimenta defendeu a ampliação da produção de minério de ferro de alto teor, como medida para ajudar a descarbonizar a cadeia siderúrgica, que responde por 8% das emissões de gases de efeito estufa no mundo.

“Temos capacidade de acelerar a descarbonização. E o minério de ferro de alto teor é fundamental para isso. O Brasil tem esse minério de ferro. Na Austrália, esse minério é considerado estratégico. Vamos articular para que o minério de ferro de alto teor seja considerado estratégico no Brasil”, afirmou o executivo.

O CEO da Vale também defendeu mudar a legislação brasileira para agilizar os processos de licenciamento, que hoje levam até 15 anos para serem avaliados e aprovados, e aumentar as equipes que avaliam os projetos.

Pimenta disse que a Vale também estuda desenvolver no Brasil o HBI (Hot Briquetted Iron) usando fontes renováveis de hidrogênio, o que permitiria exportar um produto com valor agregado maior.

“Poderíamos produzir no Brasil se a gente tivesse gás natural barato ou se a gente tivesse hidrogênio competitivo. O hidrogênio está em uma jornada ainda de eficiência. Pode ser que em algum momento passe a ser uma solução já com emissão zero, mas não é hoje”, ponderou.

El Niño

O presidente da Vale disse ainda que a empresa adota medidas para enfrentar possíveis impactos de um El Niño em grande escala. Ele observou que há expectativa de um período mais seco no Norte do país e mais chuvoso no Sul, podendo ter reflexos também no Sudeste.

“No Norte, estamos trabalhando muito no combate a incêndios e, por enquanto, temos conseguido gerenciar isso bem”, afirmou Pimenta.

Já para as operações do Sul e Sudeste, a mineradora prepara um plano para enfrentar as chuvas. “Estamos preparando um plano de chuvas muito robusto para estarmos preparados para, eventualmente, mais chuvas na região. Porque afeta a produção e também aumenta o risco de barragens. Segurança é a nossa prioridade, sempre, em primeiro lugar.”

CNN Brasil - SP   26/08/2026

Apenas dois navios-tanque atravessaram o importante ponto de estrangulamento energético do Estreito de Ormuz nesta segunda-feira (24), o menor número diário de embarcações de commodities desde o início de maio, com os dois entrando no Golfo, mostraram dados de navegação.

O número também ficou bem abaixo da média de 14 embarcações nos últimos dez dias. Um transportador de gás e um transportador de petróleo bruto entraram no estreito vindos do Golfo de Omã, segundo a plataforma de rastreamento de navios Kpler, na manhã desta terça-feira (25).

Embora o número tenha caído em relação às sete embarcações de todos os tipos registradas no domingo, os dados podem mudar, já que alguns navios desligaram os transponders de navegação durante a passagem.

Dados provisórios separados da plataforma de rastreamento Vortexa mostraram que o trânsito de petróleo na segunda-feira foi de 5 milhões de barris por dia. Na média móvel de sete dias, o fluxo pelo Estreito de Ormuz estava em cerca de 6 milhões a 7 milhões de barris por dia no último domingo (23).

O Irã informou que colocou 45 navios-tanque em uma lista negra por violarem suas regras de passagem pelo estreito e ameaçou tomar medidas contra embarcações que realizem transferências de carga entre navios com essas embarcações, aumentando a pressão sobre a importante via marítima seis meses após o início da guerra com o Irã.

“Ainda é preciso ver como a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico do Irã poderá exigir o cumprimento das regras por essas embarcações ‘não conformes’”, disse Xavier Tang, analista sênior de mercado da Vortexa.

“Se o conflito na região se intensificar ou embarcações forem atacadas no ponto de estrangulamento, o trânsito pelo Estreito de Ormuz poderá ser afetado.”

Antes do conflito, o estreito era responsável por cerca de um quinto do fluxo global de petróleo bruto e gás natural liquefeito.

O Irã também prometeu retaliar contra sanções ampliadas dos EUA destinadas a cortar sua fonte de sustentação econômica, enquanto demonstrava confiança de que seus principais parceiros comerciais resistiriam à campanha de pressão de Washington.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou as medidas na segunda-feira, mas não chegou a impor as sanções mais severas. Ele alertou que países que continuarem negociando com o Irã correm o risco de perder acesso ao sistema financeiro baseado no dólar.

Na segunda-feira, 30 embarcações atravessaram Bab el-Mandeb, outro importante ponto de estrangulamento no lado oposto da Península Arábica, segundo dados da Kpler. O número ficou amplamente em linha com a média de dez dias e se compara a 28 travessias no domingo.

PETROLÍFERO

Valor - SP   26/08/2026

Nova presidente da petroleira no país, Nina Koch reforça importância do Brasil nos negócios globais e diz que empresa não recuará na transição energética

Terceira maior petroleira do Brasil, atrás da Shell e da Petrobras, a norueguesa Equinor mira a expansão do portfólio da empresa no país. A estratégia passa por desenvolver ativos recém-adquiridos e buscar novas oportunidades, como as rodadas da oferta permanente de concessão e partilha da Agência Nacional do Petróleo (ANP), previstas para outubro. No momento, a empresa concentra esforços em Raia, um dos principais projetos de gás do país, no pré-sal da Bacia de Campos (RJ), e no desenvolvimento de novas áreas, disse Nina Koch, nova presidente da Equinor no país.

A Equinor Brasil executa um programa de US$ 25 bilhões em investimentos de 2009 até 2030 - pouco mais de US$ 1 bilhão por ano. “É o país mais importante para nós fora da Noruega, temos um portfólio amplo. Vamos prestar atenção nas oportunidades no Brasil”, disse a executiva, na primeira entrevista desde que assumiu o cargo, em 17 de agosto.

No campo de Raia, a Equinor é operadora com 40% de participação e tem a Petrobras e Repsol Sinopec como sócias. A área deve começar a produção comercial em 2028. No total, Raia produzirá 120 mil barris/dia de petróleo e 16 milhões de metros cúbicos por dia (m3 /dia) de gás natural.

A Equinor também desenvolve os campos de Jaspe e Itaimbezinho, na Bacia de Campos, obtidos em leilão de áreas em 2025, e os blocos S-M-1378 e S-M-1617, na Bacia de Santos, arrematados em 2023 e 2025, respectivamente. Há ainda o campo de Bacalhau, também em Santos, que opera desde outubro do ano passado e está em fase de crescimento da produção, para até 220 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/dia).

Com mais de 30 anos na Equinor, Koch assumiu a presidência da subsidiária brasileira na semana passada com a missão de conduzir, como ela mesmo diz, “a maior e mais estratégica operação da Equinor fora da Noruega”, condição que se configurou a partir de um amplo portfólio de projetos de petróleo, gás natural e energias renováveis.

Koch chega ao país depois de atuar como vice-presidente sênior da Equinor na África, que abrange uma área de Angola à Tanzânia e também inclui o Reino Unido. A executiva substitui Veronica Coelho, que após cinco anos deixa a Equinor Brasil para assumir as operações da empresa em Angola. O país africano, disse Koch, cresceu em relevância para a petroleira e vem tentando adaptar o arcabouço fiscal e regulatório para atrair investimentos, inclusive em campos de petróleo de menor volume.

Vamos prestar atenção nas oportunidades no Brasil. Temos um portfólio amplo por aqui”

— Nina Koch

Na visão dela, o Brasil compete globalmente pelos investimentos em petróleo e um dos desafios é a necessidade de garantir estabilidade e previsibilidade para projetos de longo prazo, como os de óleo e gás. A ausência desses requisitos pode levar a indústria a olhar para outros locais com regras mais estáveis.

O imposto de exportação sobre o petróleo, instituído pelo Brasil este ano, é um dos pontos que preocupam a indústria. “Toda vez que fazemos grandes investimentos, vamos compará-los com nosso portfólio internacional”, observou. Além de Angola, a Equinor entrou em projetos na Namíbia, em parceria com a Chevron, e trabalha em um grande projeto de gás na Tanzânia, com Shell e ExxonMobil.

Em um cenário geopolítico conturbado, com volatilidade nas cotações do petróleo e recuo da transição energética, a Equinor não vai retroceder nos planos de investimentos em energias renováveis, disse a executiva. Segundo Koch, a empresa atua em duas frentes: estender a produção de óleo e gás por mais tempo e investir em renováveis, como eólicas marinhas (offshore), terrestres e fontes solares, a depender do potencial e da competitividade de cada região.

“Não é fácil fazer um projeto renovável lucrativo. Com o tempo, vai se tornar mais competitivo, mas isso vai ser feito combinando com nossa base de petróleo e gás”, afirmou. O Brasil, segundo ela, é um país-chave neste quesito, com usinas solares e eólicas. Esse negócio é explorado no país pela Rio Energy, braço de renováveis da Equinor, e pela Scatec, da qual os noruegueses são sócios. A aposta da Equinor recai sobre projetos híbridos, quando eólicas e solares são construídas no mesmo local.

Os preços instáveis do petróleo como resultado da geopolítica desafiam a indústria e levam a empresa a monitorar o quadro e ajustar projetos. Neste caso, explicou, a palavra-chave é robustez. “Não é como se pudéssemos entrar e sair de investimentos de curto prazo. Temos que ser consistentes e acreditar no que fazemos a longo prazo. Temos planejamento sobre o que fazer se as coisas mudarem.”

Koch disse ainda que, no segundo dia de trabalho no Brasil, visitou a Petrobras e manteve reunião com Sylvia Anjos, diretora de exploração e produção da estatal, e com a equipe da executiva. Ela disse estar entusiasmada com o Brasil e com o Rio, onde fica a sede da petroleira no país. “Há oportunidades enormes a se explorar no Brasil. Estou muito feliz por estar aqui.”

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