O Dia - RJ 26/05/2026
O Rio de Janeiro produziu, nos primeiros quatro meses do ano, 2,7 milhões de toneladas de aço bruto, volume equivalente a 25,9% do total produzido no país, consolidando o estado como um dos principais pólos siderúrgicos do país. Em abril, a produção fluminense foi de 640 mil toneladas, com participação de 23,9% da produção nacional. Os dados são do Instituto Aço Brasil, que representa as empresas brasileiras produtoras de aço.
De acordo com o Instituto Aço Brasil, em abril a produção brasileira de aço bruto foi de 2,7 milhões de toneladas, um crescimento de 1,1% frente ao apurado no mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a abril de 2026, a produção do país foi de 10,7 milhões de toneladas, que representa uma queda de 2,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Valor - SP 26/05/2026
Setor sofre com o excesso de oferta global, câmbio, competição asiática e custos elevados de fretes e combustíveis
A política tarifária implementada nos EUA pelo presidente Donald Trump agravou um cenário já bastante desafiador para a indústria siderúrgica brasileira. Segundo maior fornecedor de produtos semiacabados de aço para os EUA, o Brasil exportou no ano passado 3,4 milhões de toneladas para aquele país, o que representou uma queda de 1,3% em relação a 2024. Neste ano, o quadro segue piorando: os embarques de janeiro a abril recuaram 52% na comparação com igual período de 2025.
O faturamento dessas vendas já vinha em queda: de aproximadamente US$ 2,6 bilhões em 2023, baixou para US$ 2,2 bilhões em 2024, atingindo, no ano passado, US$ 1,9 bilhão. Os semiacabados são o principal item da pauta e os EUA são os maiores clientes do Brasil lá fora para estes produtos.
O tarifaço de Trump se somou ao excesso de oferta, forte competição global e outros fatores que já derrubaram em 18% os preços do aço desde dezembro de 2023.
Logo após tomar posse, Trump assinou um decreto elevando a tarifa sobre as importações de produtos de aço e alumínio para 25%. Ele também cancelou isenções e cotas para grandes fornecedores, como Brasil, Canadá e México.
O alcance das restrições é ainda mais amplo para o Brasil se considerado o efeito indireto sobre as exportações de aço mexicanas. Empresas como a Ternium e a ArcelorMittal exportam do Brasil para suas fábricas no México para acessar o mercado americano. O México é o segundo maior destino do aço brasileiro (3,2 milhões de toneladas em 2025). As duas empresas foram procuradas, mas não quiseram se pronunciar.
O mercado financeiro tem acompanhado os movimentos do setor com cautela. Na última semana de abril, quando as empresas divulgaram os balanços do primeiro trimestre, gestores e corretoras como BTG Pactual e Goldman Sachs usaram as expressões “ceticismo” e “início fraco” em suas análises em relação às perspectivas de recuperação do setor.
Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil, lamenta que a Casa Branca tenha colocado fim a um sistema de cotas negociado em 2018 e que, em sua visão, era benéfico para todos. Pelo acordo, o Brasil tinha uma a cota de cerca de 3,5 milhões de toneladas de semiacabados e em torno de 600 mil toneladas de produtos acabados (laminados) com tarifa zero. A lógica era que os EUA precisam das placas semiacabadas por não serem autossuficientes nessa matéria-prima.
“Isso dava previsibilidade para as indústrias siderúrgicas brasileiras e ao mesmo tempo as siderúrgicas americanas também tinham previsibilidade no recebimento de uma matéria-prima de qualidade e com garantias. Quer dizer, era um fornecedor de confiança para a indústria americana”, avaliou Lopes.
No caso dos laminados, a queda nas vendas aos EUA após o fim das cotas foi ainda mais expressiva, quase 45% - de 639 mil toneladas previsto no acordo de cotas para 346 mil toneladas em 2025.
Lopes não vê outra saída senão a diplomacia para solucionar o problema. “A gente tem que esperar para ver como é que vão ficar as relações Brasil-Estados Unidos, se há clima para que se restabeleçam os canais de negociação”, afirmou. Mas ele reconhece a dificuldade de interlocução quando o Brasil tem toda a balança comercial afetada por tarifas, não apenas os siderúrgicos. “O que queremos é restabelecer um acordo que funcionou muito bem durante seis anos”, disse o presidente do Aço Brasil.
“O setor de siderurgia sempre foi muito protegido”, comentou a economista Lia Valls Pereira, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) onde coordena o relatório mensal sobre comércio exterior (Icomex). Valls Pereira não vê muitas mudanças no cenário à frente devido aos problemas estruturais que atingem o setor siderúrgico mundial.
A expectativa é que os governos recuperem o acordo de cotas, o que será positivo para o Brasil. “Mas essa temática do excesso de capacidade vai continuar para os EUA”, concluiu Valls Pereira.
Money Times - SP 26/05/2026
“Barata”, em melhora e cheia de opcionalidades. É assim que o Itaú BBA vê a Ternium (TX) neste momento e, por isso, o banco elevou a recomendação das ações da companhia negociadas na Bolsa de Nova York (NYSE) de neutra para compra nesta segunda-feira (25).
O Itaú BBA também revisou para cima o preço-alvo para US$ 59 no fim deste ano, o que representa um potencial de valorização de 25,6% sobre o preço de fechamento da última sexta-feira (22). O número também está 25% acima do consenso da Bloomberg. O preço-alvo anterior era de US$ 39.
Para a equipe de analistas liderados por Daniel Sasson, a companhia siderúrgica apresenta melhoras significativas nos preços no México, além do risco positivo adicional de uma potencial redução das tarifas de importação dos Estados Unidos devido à renegociação do Acordo EUA-México-Canadá (USMCA).
Além disso, os analistas projetam números “mais fortes” no Brasil neste ano, com uma competição menos intensa com produtos importados graças às medidas antidumping. Há também “ventos favoráveis” da Argentina, na visão do banco.
Todos os olhos no USMCA
Em relatório, o banco afirma que a Ternium está otimista em relação a um acordo comercial entre EUA e México dentro da estrutura do USMCA, ainda que uma resolução antes de 1º de julho seja “improvável” – visão que, de acordo com os analistas, é compartilhada por outras empresas do setor como ArcelorMittal, Gerdau (GGBR4) e Nucor.
“A Ternium está bem posicionada para se beneficiar de um potencial novo acordo, já que sua planta de Pesquería mira regras de origem mais rígidas para o setor automotivo e a iniciativa ‘Plano México’ está estruturalmente alinhada ao crescimento regional de longo prazo da companhia”, afirmaram os analistas.
Para a equipe, os preços do México podem diminuir a diferença em relação aos preços norte-americanos se as tarifas de importação forem reduzidas pelo governo Trump, beneficiando a Ternium.
Mais ventos favoráveis
O Itaú BBA também considera que após trimestres marcados por competição acirrada com produtos importados no Brasil, a perspectiva é de uma melhora nos números no segundo semestre deste ano.
“Após as medidas antidumping para aço plano implementadas no 1T26, a indústria brasileira vem observando uma queda significativa nas exportações de aço da China e da Coreia do Sul para o Brasil, o que nos deixa confiantes de que os próximos meses serão marcados por um ambiente mais favorável para as siderúrgicas brasileiras — isto é, preços e volumes maiores”, destacaram os analistas.
Além disso, o banco espera uma melhora do mercado siderúrgico argentino devido a um cenário macroeconômico mais favorável – inflação sob controle, juros menores e crescimento resiliente do PIB – e iniciativas de investimento lideradas pelo governo, como o programa Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI).
Novas estimativas para Ternium
Com a revisão das estimativas, o Itaú BBA passou a projetar um Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 2,7 bilhões neste ano, 59% maior do que o projetado anteriormente.
“Revisamos nossa projeção de Ebitda, incorporando os resultados do primeiro trimestre (1T26), a estimativa da Ternium de nova alta do Ebitda no segundo trimestre (impulsionada por maiores embarques no México e na Argentina, além de preços mais altos no México e no Brasil) e nossas expectativas de um cenário mais favorável no segundo semestre de 2026 no Brasil e no México”.
O banco espera que o Ebitda alcance aproximadamente US$ 3,2 bilhões em 2027, alta de 19% na comparação anual e de 34% ante o modelo anterior, após incorporar os benefícios de Pesquería e um carregamento (“carryover”) para 2026 mais forte do que o antecipado.
O banco também vê 2026 como “o fundo do poço” para o Fluxo de Caixa Livre (FCF), com “um ponto claro de inflexão” após o ramp-up de Pesquería.
Os analistas destacam que, embora o FCF estimado para esse ano permaneça levemente negativo em 2%, esperam uma “forte” recuperação a partir de 2027, à medida que o Ebitda aumente e os investimentos normalizem.
Nas contas do banco, o capex deve cair de aproximadamente US$ 2 bilhões em 2026 para cerca de US$ 1,2 bilhão no próximo ano, após a conclusão e o ramp-up do projeto Pesquería.
Isso deve impulsionar a recuperação da geração de caixa livre, traduzindo-se em um atrativo rendimento de FCF de cerca de 9% a 10% a partir de 2027, sustentado tanto por maiores lucros quanto por um ciclo estruturalmente menor de reinvestimentos.
O Estado de S.Paulo - SP 26/05/2026
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 aumentou pela décima primeira semana consecutiva, de 4,92% para 5,04%, distanciando-se ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. O movimento reflete a escalada das incertezas com a guerra no Oriente Médio, que provocou uma disparada nos preços do petróleo.
Considerando apenas as 115 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana passou de 5,04% para 5,07%.
A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 subiu de 4,00% para 4,01%, depois de ficar estável por três semanas. Um mês antes, era de 4,00%. Considerando apenas as 112 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, passou de 4,00% para 4,04%.
A mediana do Focus para a inflação de 2028 ficou estável em 3,65%, depois de ter subido na divulgação anterior. Na ata da sua última reunião, de abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) destacou a preocupação com a desancoragem das expectativas para esse horizonte, que já pode refletir efeitos de segunda ordem do choque de oferta do petróleo.
“A duração do conflito até esse momento pode ter sido suficiente para materializar alguns riscos, sendo o mais evidente a desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028. Nesse contexto, o comitê reafirma seu compromisso no combate dos efeitos de segunda ordem do choque de oferta do petróleo e seus derivados, e serenidade para reunir mais informações ao longo do tempo, em cenário de incerteza elevada”, disse.
A estimativa intermediária para a inflação de 2029 permaneceu em 3,50% pela 38.ª semana consecutiva.
A trajetória prevista pelo mercado segue acima da esperada pelo Banco Central, mesmo depois da revisão das estimativas do Copom na reunião de abril.
Na ocasião, o colegiado aumentou a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, de 3,9% para 4,6%, e para o IPCA de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, de 3,3% para 3,5%.
A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
Selic
A mediana para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 13,25%. Considerando só as 97 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano subiu de 13,25% para 13,50%.
A estimativa intermediária do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2027 permaneceu em 11,25% pela segunda semana consecutiva. Um mês atrás, era de 11%. Levando em conta apenas as 94 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana passou de 11,50% para 11,38%.
O Copom já promoveu cortes de 0,25 ponto porcentual dos juros nas duas primeiras reuniões de 2026, que levaram a Selic a 14,50% ao ano. Mas alertou, na ata da sua última reunião, que a magnitude e duração do ciclo vão ser determinadas ao longo do tempo, à medida que houver novas informações sobre o conflito.
O Copom destacou que segue com “cautela e serenidade” na condução da política monetária, para que os seus próximos passos possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos, além dos seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços.
“Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”, informou o colegiado.
A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,0% pela 18ª semana seguida. A estimativa para 2029 continuou em 10,0%. Um mês antes, era de 9,75%.
PIB
A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 subiu de 1,85% para 1,89%. Um mês antes, era de 1,85%. Considerando apenas as 76 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa passou de 1,88% para 1,90%.
O crescimento esperado pelo mercado é maior do que o previsto pelo Banco Central, de 1,6%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre. O Ministério da Fazenda espera alta de 2,33% para o PIB.
A mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 caiu de 1,77% para 1,70%. Levando em conta apenas as 74 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária passou de 1,80% para 1,70%.
As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,0%, pela 115.ª e 62.ª semanas seguidas, respectivamente.
Dólar
A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 caiu de R$ 5,20 para R$ 5,17. Um mês antes, era de R$ 5,25. Considerando apenas as 85 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária passou de R$ 5,10 para R$ 5,20.
A mediana para a cotação da moeda americana no fim de 2027 caiu de R$ 5,27 para R$ 5,26. Quatro semanas atrás, era de R$ 5,35. A projeção para o fim de 2028 oscilou de R$ 5,34 para R$ 5,30, na quarta baixa seguida. A estimativa para 2029 permaneceu em R$ 5,40 pela terceira semana consecutiva.
A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.
CNN Brasil - SP 26/05/2026
O diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou no domingo (24) que um acordo entre Estados Unidos e Irã pode reabrir o Estreito de Ormuz, passagem por onde circula parcela relevante do petróleo mundial.
Hasset disse que objetivo é provocar queda nos preços de energia suficiente para aliviar a inflação e abrir caminho para o Fed (Federal Reserve) reduzir os juros.
Em entrevista à Fox News, ele disse que a Casa Branca já vê sinais de cautela no mercado, com compradores evitando novas aquisições de petróleo à vista, na expectativa de queda forte dos preços.
O diretor evitou antecipar um anúncio, mas disse que o presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, já falaram de forma clara sobre a proximidade de um desfecho.
A fala ocorreu no mesmo dia em que Trump afirmou em rede social que as negociações com Teerã avançavam de forma "ordenada e construtiva".
A negociação ocorre enquanto os americanos pagam mais de US$ 4,50 por galão na gasolina e mais de US$ 5,50 por galão no diesel, com o petróleo próximo a US$ 100, segundo dados citados na entrevista.
Segundo o assessor de Trump, há volume de petróleo represado na região e capacidade adicional de produção pronta para entrar em operação, especialmente na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos.
"Assim que houver um acordo, os estreitos serão abertos e o petróleo voltará a fluir", afirmou. Ele disse que a normalização pode liberar uma oferta relevante. "Há uma quantidade muito grande de petróleo que pode chegar ao mercado", acrescentou.
Hassett lembrou que, no início da crise, havia previsões de que o barril superaria US$ 150 se o estreito fosse fechado, mas a cotação permaneceu abaixo de US$ 100.
"O petróleo surpreendeu para baixo de forma significativa. Espero que a gasolina também surpreenda para baixo assim que os estreitos forem abertos", disse.
Na avaliação de Hassett, a energia é o principal vetor de pressão sobre os preços, mas não o único.
Desregulação, iniciativas para reduzir preços de alimentos, avanço da inteligência artificial e aumento dos investimentos atuam na direção oposta, disse ele.
O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, "quase não se mexeu" nos últimos relatórios. "Muita gente trata a energia como se fosse toda a história. Mas não é. E nem é a parte mais importante da história", afirmou.
Com a energia cedendo, disse Hassett, seria possível ver "inflação negativa" por causa da queda dos preços de energia. "Quando os preços de energia voltarem a cair, a inflação pode ficar negativa por esse efeito", disse.
Nesse cenário, acrescentou, haveria "bastante espaço para o Fed fazer a coisa certa e reduzir os juros".
As declarações foram feitas após Kevin Warsh tomar posse como presidente do Fed, sucedendo Jerome Powell.
Hassett elogiou a experiência do novo dirigente, que, em 2008, se tornou o mais jovem governador do Fed da história, e ressaltou que Trump espera uma atuação independente e baseada em dados.
"Respeito a independência do Fed e a capacidade intelectual de Kevin Warsh. Tenho certeza de que ele vai lidar com isso olhando para os dados", afirmou.
Globo Online - RJ 26/05/2026
A crise com as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump abalou a relação comercial histórica entre Brasil e Estados Unidos. O desejo é restaurar os laços com o parceiro tradicional, mas empresários seguem cautelosos sobre novas taxas.
Nos primeiros quatro meses deste ano, as exportações aos EUA somaram US$ 10,9 bilhões, queda de 16,7% em relação a 2025, ou US$ 2,2 bilhões. Com isso, o período de janeiro a abril registrou o valor mais baixo de exportações aos EUA em três anos. As importações caíram pelo 5º mês consecutivo. No acumulado de janeiro a abril, o déficit comercial atingiu US$ 1,3 bilhão e se ampliou em 35%, comparado ao mesmo período de 2025.
— Este ano começou com uma retração bastante forte das exportações — alerta Abrão Neto, CEO da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).
A queda ocorreu mesmo com a decisão da Suprema Corte que derrubou as tarifas abrangentes em 20 de fevereiro. O executivo lembra que, nesse período, em grande parte do tempo, as sobretaxas de até 50% em relação ao Brasil estavam vigentes. Contribuiu para o resultado negativo neste ano, segundo ele, a redução das vendas de petróleo bruto e combustíveis brasileiros para os EUA, reflexo de uma menor demanda das refinarias locais.
Se for considerado apenas o ano de 2025, o tombo nas exportações foi de 6,6%.
— O impacto das sobretaxas foi mais sentido nos produtos que estiveram sujeitos a tarifas mais elevadas, de 40% a 50%. São sobretudo itens industriais, da indústria de transformação, máquinas e equipamentos, produtos derivados de madeira, da indústria siderúrgica — pontua.
Novo alento
O resultado traz receio com a queda no patamar de participação dos EUA como destino de exportações brasileiras.
— É uma trajetória que, obviamente, dependerá do cenário tarifário daqui para frente, mas é um ponto de atenção na relação bilateral — afirma.
Apesar desse receio, houve alta das importações em 2025 e aumento da corrente comercial (que atingiu US$ 82,8 bilhões, volume superior ao de 2024). No momento, a apreensão é com o anúncio de novas tarifas. Há duas investigações contra o Brasil sob a chamada seção 301. A principal, de 2025, aborda itens como Pix, pirataria, etanol e desmatamento ilegal. A outra, deste ano, é sobre práticas desleais e trabalho forçado em 60 países. Além disso, há taxas específicas sobre produtos como aço e alumínio brasileiros.
O encontro dos presidentes Lula e Donald Trump, em 7 de maio, trouxe um alento contra um novo tarifaço, depois de um período de críticas crescentes do brasileiro à guerra no Irã. A Amcham elogiou a iniciativa e diz que a expectativa é que abra caminho para resultados concretos em termos de tarifas, minerais críticos, economia digital e energia.
O CEO da entidade ressaltou que será fundamental avançar com pragmatismo e celeridade nas reuniões de trabalho anunciadas, que têm prazo de 30 dias. Onze dias depois do encontro Lula-Trump, o grupo de trabalho bilateral ainda não tinha se reunido em função da visita do americano à China. A Amcham espera que o setor empresarial tenha voz ao longo do processo.
A aposta do Palácio do Planalto é que a aproximação dos presidentes vá afastar o risco de novas tarifas, conforme o presidente brasileiro declarou ao jornal “Washington Post” no último dia 17. O sinal importante de distensão, porém, não implica que não ocorrerá novo estresse, ressalta Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.
Pesquisa realizada pela Amcham em abril com seus associados mostrou que 86% das empresas estão preocupadas com novos aumentos. Se o governo Trump optar por novas tarifas, a torcida é para que não coloquem o Brasil em desvantagem em relação aos demais parceiros americanos.
— Esse é um cenário de possível recuperação das exportações brasileiras — diz o CEO da Amcham, alertando que, se o Brasil receber tarifas mais elevadas que os competidores, “pode haver uma retração ainda mais forte das exportações”.
Para o dirigente, neste momento as negociações são fundamentais.
— Essa equação passa tanto pelo setor empresarial quanto pela atuação dos governos. O lado empresarial não substitui o que pode haver de potencial entendimento entre os governos e vice-versa.
Revisão de planos
As negociações também podem ser impactadas pelo pleito presidencial no Brasil e pelas eleições de meio de mandato nos EUA, em novembro.
— O ideal é que essas conversas [comerciais] possam avançar ainda nesse primeiro semestre. Depois, as atenções ficam mais voltadas para o cenário político interno. Isso é um fator de preocupação — diz Abrão Neto.
Nesse panorama, empresas brasileiras reveem seu planejamento. Há diversificação de parceiros comerciais, revisão de estratégias aduaneiras e até participação mais ativa no mercado americano. Esse “advocacy empresarial” está mais ativo, segundo Abrão Neto, e é feito em conjunto na interlocução entre os dois governos.
Exame - SP 26/05/2026
Responsável por 23,4% do PIB nacional em 2025, segundo dados da CNI/IBGE, a indústria brasileira vive um ciclo de transformação marcado por investimentos em inovação, eficiência operacional e descarbonização.
Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 72% das empresas da indústria de transformação investiram em suas operações no último ano, principalmente em modernização tecnológica e eficiência energética.
O movimento acompanha a chamada neoindustrialização, em que setores estratégicos buscam equilibrar competitividade, sustentabilidade e expansão produtiva.
Da petroquímica à logística, passando por metalurgia, farmacêutica, agronegócio e alimentos, empresas instaladas no Brasil vêm ampliando investimentos em tecnologias limpas, automação e economia circular.
Modernização e sustentabilidade no setor químico
Na petroquímica, a Braskem mantém investimentos voltados à eficiência energética, eletrificação de processos e uso de fontes renováveis. Atualmente, cerca de 85% da eletricidade adquirida pela companhia já tem origem renovável.
A empresa também comercializou mais de 82 mil toneladas de produtos com conteúdo reciclado por meio do portfólio Wenew e mantém capacidade anual de produção de 275 mil toneladas de bioeteno, matéria-prima do plástico renovável I'm green bio-based.
No setor químico, a Unipar executou em 2025 o maior ciclo de investimentos de sua história, com mais de R$ 1 bilhão direcionados à modernização industrial, expansão operacional e eficiência energética.
Entre os destaques está a conclusão da modernização tecnológica da fábrica de Cubatão (SP), que passou a operar exclusivamente com tecnologia de membrana, considerada mais eficiente e de menor impacto ambiental.
“Com mais de R$ 1 bilhão em investimentos, a modernização de Cubatão nos posiciona em um novo patamar de eficiência e sustentabilidade”, afirma Rodrigo Cannaval, CEO da companhia.
A agenda de descarbonização também avança na Dow. Globalmente, a empresa projeta reduzir 5 milhões de toneladas métricas de emissões líquidas até 2030 por meio da estratégia Path2Zero.
No Brasil, desde 2025 todas as unidades operam com 100% de eletricidade renovável, após investimentos em contratos de energia solar e eólica na Bahia e em Minas Gerais.
Economia circular, infraestrutura e expansão logística
Na indústria de alumínio, a Novelis reforça o protagonismo brasileiro em economia circular. Em 2024, a companhia reciclou cerca de 20 bilhões de latas de alumínio pós-consumo, equivalente a aproximadamente 60% do total comercializado no país, contribuindo para que o índice nacional de reciclagem atingisse 97,3%.
A empresa opera no Brasil o maior complexo integrado de laminação e reciclagem de alumínio do mundo, em Pindamonhangaba (SP), onde investiu mais de R$ 7 bilhões nos últimos 12 anos.
Já a Sotreq destaca sua atuação histórica em projetos estruturantes da infraestrutura brasileira.
Ao longo de 85 anos, participou de obras como Belo Monte, Ferrovia Norte-Sul e Gasoduto Urucu-Coari-Manaus, consolidando-se como fornecedora de soluções para mineração, logística, energia e agronegócio.
A eficiência logística também ganha relevância nesse novo ciclo industrial. A Ultracargo, uma das principais empresas de armazenagem de granéis líquidos do país, possui capacidade superior a 1 milhão de m³ distribuídos em nove terminais estratégicos.
Em 2025, movimentou cerca de 7 milhões de toneladas de produtos e vem ampliando investimentos em infraestrutura, segurança operacional e integração multimodal.
“Nosso papel vai além da armazenagem. A Ultracargo atua como um elo estratégico para a competitividade do país”, afirma Fulvius Tomelin, CEO da companhia.
Avanços tecnológicos em saúde, nutrição e agronegócio
Na área farmacêutica e de ciência aplicada, a Merck reforça sua presença industrial no Brasil por meio das divisões de Healthcare e Life Science.
Em 2025, a empresa celebrou os 50 anos da fábrica de Jacarepaguá (RJ), responsável pela produção do medicamento Glifage® (metformina). A unidade recebeu cerca de R$ 130 milhões em investimentos nos últimos quatro anos para ampliação da capacidade produtiva.
Já a divisão de Life Science ampliou investimentos em pesquisa e inovação, incluindo € 20 milhões destinados à expansão do centro logístico de Cajamar (SP) e novas parcerias com universidades brasileiras para pesquisas em bioimpressão 3D, nanotecnologia e desenvolvimento de terapias.
No setor de alimentos e nutrição, a Danone destaca os investimentos em inovação científica e sustentabilidade industrial.
A fábrica de Nutrição Especializada em Poços de Caldas (MG), que completa dez anos, opera com 100% de eletricidade renovável e tornou-se referência global da companhia em segurança, qualidade e neutralidade ambiental.
A transformação digital também marca a operação da Ajinomoto do Brasil. As quatro plantas da empresa no interior paulista estão entre as mais avançadas globalmente em automação e análise de dados.
Em Limeira (SP), uma inovação implementada no processo produtivo permitiu otimizar o uso de recursos naturais e ampliar ganhos de eficiência.
No agronegócio, a AGCO transformou a fábrica de Ibirubá (RS) em referência global no desenvolvimento de plantadeiras.
O centro de engenharia brasileiro criou soluções utilizadas pelas marcas Fendt, Massey Ferguson e Valtra em diferentes mercados, reforçando o protagonismo do país em tecnologia agrícola.
Gargalos estruturais e o impacto do Custo Brasil
Para o Movimento Brasil Competitivo (MBC), o fortalecimento da indústria é essencial para sustentar o crescimento econômico brasileiro. Segundo a diretora-executiva da entidade, Tatiana Ribeiro, desafios estruturais ainda impactam a competitividade nacional.
“O Brasil possui uma indústria resiliente e com enorme potencial de crescimento, mas ainda enfrenta gargalos importantes relacionados ao Custo Brasil”, afirma.
Segundo o MBC, as ineficiências estruturais somam cerca de R$ 1,7 trilhão por ano e seguem como um dos principais entraves à expansão da produtividade e dos investimentos no país.
CNN Brasil - SP 26/05/2026
O projeto que cria um novo marco regulatório para concessões e PPPs (Parcerias Público-Privadas), parado há um ano no Senado Federal, prevê uma ampla reformulação das regras atuais para contratos de infraestrutura no Brasil. O texto muda a Lei 11.079, de PPPs, que têm 22 anos e a Lei 8.987, de Concessões, que tem mais de 30 anos.
O texto, relatado na Câmara pelo deputado Arnaldo Jardim, reúne 20 pontos considerados estratégicos pelo setor privado e pelo governo para modernizar os contratos de concessão e reduzir inseguranças jurídicas em projetos de longo prazo.
Entre as principais mudanças previstas é a definição de prazos realizar reajustes tarifários. A intenção é impedir que reajustes previstos contratualmente sejam travados por decisões políticas, especialmente em anos eleitorais.
Nas PPPs, a proposta prevê autorização para interrupção de serviços em casos de inadimplência do poder público, desde que existam regras previamente estabelecidas em contrato.
O projeto também altera regras para caducidade, relicitação e transferência de concessões, temas que vêm gerando disputas judiciais e questionamentos no STF (Supremo Tribunal Federal).
Entre as mudanças mais sensíveis está a proibição do uso da recuperação judicial por concessionárias em dificuldades financeiras. O texto também cria regras para prestação temporária de serviços públicos enquanto novos contratos definitivos são estruturados.
O projeto ainda pretende regulamentar o uso de fundos constitucionais como garantia para PPPs e ampliar os limites da arrecadação real que estados e municípios podem comprometer com contratos de parceria. Hoje, a Lei de PPPs estabelece um teto de 5% dessa arrecadação para esses projetos. A proposta prevê ampliar esse percentual, embora o novo limite ainda não tenha sido definido.
O texto também amplia mecanismos alternativos de resolução de conflitos, regulamenta acordos tripartites - modelo que permite a financiadores assumirem concessões em caso de dificuldades financeiras das operadoras - e cria regras específicas para prorrogações emergenciais de contratos.
Também está prevista a regulamentação do compartilhamento de riscos em contratos de infraestrutura. Esse ponto tem como objetivo avançar na regulação após o aumento de eventos climáticos extremos e as dificuldades para contratação de seguros.
O projeto também cria a possibilidade de concessões multimodais ou integradas, permitindo que diferentes ativos sejam licitados conjuntamente. A proposta abre espaço, por exemplo, para projetos envolvendo ferrovias e portos em um mesmo contrato ou concessões associadas a empreendimentos turísticos.
Outro ponto considerado relevante pelo setor é a regulamentação do chamado “reequilíbrio cautelar”. O modelo já vem sendo utilizado por alguns poderes concedentes e prevê a antecipação parcial de reajustes tarifários às concessionárias enquanto discussões técnicas mais complexas sobre reequilíbrio econômico-financeiro seguem em andamento.
O texto também altera regras sobre receitas acessórias. Atualmente, parte dos ganhos obtidos com essas receitas precisa ser revertida para garantir tarifas módicas - que equilibram o menor valor sem comprometer o volume investimento adequado. A proposta busca permitir que esses recursos sejam destinados às concessionárias como forma de incentivar novos investimentos e modelos de exploração econômica.
A proposta também cria prazos obrigatórios para decisões administrativas relacionadas aos contratos. Enquanto relatava o projeto, o deputado Arnaldo Jardim explicou que a intenção desse dispositivo é evitar demora excessiva em análises de pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro e outros processos regulatórios que hoje podem levar anos para serem concluídos.
Outro eixo importante do projeto é a ampliação dos critérios de seleção em licitações de concessão e PPPs. O texto pretende consolidar novos modelos já utilizados em alguns projetos, como disputas pelo menor prazo de gestão de ativos.
A proposta cria ainda regras para contratos por adesão, permitindo que estados e municípios possam aderir a editais já estruturados por outros entes públicos, como em licitações de iluminação pública.
Valor - SP 26/05/2026
Contrato futuro com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa, fechou cotado a US$ 115,2
O preço do minério de ferro avançou levemente na China nesta segunda-feira (25). Analistas afirmam que siderúrgicas chinesas segue com margens pressionadas, mas a produção global de aço bruto desacelerou o ritmo de queda em abril.
O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em alta de 0,06%, cotado a 783 yuans (US$ 115,2).
O analista Vivek Dhar, do Commonwealth Bank of Australia, destaca em nota que produção global de aço bruto caiu em abril, na comparação anual, mas de forma menos acentuada do que em março, à medida que o ritmo de contração da produção de aço da China desacelerou.
Na avaliação dele, a queda mais forte em março provavelmente ocorreu devido a cortes na produção de aço motivados por políticas governamentais.
As margens de siderúrgicas na China, entretanto, seguem pressionadas, refletindo os obstáculos enfrentados pelas atividades de infraestrutura e construção imobiliária no país, acrescenta Dhar.
Automotive Business - SP 26/05/2026
A indústria automotiva local passa por um momento de transformação sem paralelo em sua história. De todos os aspectos que dão cara a esse período, chama a atenção um que nada tem a ver com novos métodos de produção, inéditas tecnologias ou requalificação dos quadros. A bola da vez é a ocupação da capacidade ociosa do parque fabril.
Grandes players globais estão procurando espaço para produzir localmente em mercados estratégicos. Hoje, se em algum canto do mundo existir uma fábrica operando a duras penas com um turno, ou uma instalação inativa, é provável que alguma montadora chinesa esteja de olho para iniciar os trabalhos ali.
Nesse contexto, a indústria brasileira, que comemora o seu dia na segunda-feira, 25, se mostra de certa maneira como terreno propício para tal estratégia e não é de hoje. Segue em curso um movimento que começou não faz muito tempo, com a ocupação por parte de BYD e GWM das instalações que, durante algum tempo, era ocupadas respectivamente por Ford (Camaçari, BA) e Mercedes-Benz (Iracemápolis, SP).
Ocupação chinesa: de Ford e Mercedes a BYD e GWM
A chegada de outros nomes na sequência, como a Geely na fábrica da Renault em São José dos Pinhais (PR) e a Leapmotor na fábrica da Stellantis em Goiana (PE), mostram que a tendência, de certa forma, tem tudo para seguir ganhando proporção. Sobretudo porque há espaço para ser ocupado.
Pelas projeções da consultoria Bright Consulting, atualmente as montadoras utilizam 56% da capacidade instalada para produzir veículos no país, configurada para uma produção total de 4,6 milhões de unidades por ano, em jornada de três turnos. Ou seja, as montadoras hoje podem produzir no máximo cerca de 2,6 milhões de unidades/ano.
Projeção: produção pode chegar a 2,86 milhões de unidades até 2030
O movimento de ocupação da capacidade por parte das chinesas deverá ser responsável pela elevação desse volume para 2,86 milhões de unidades até 2030, ainda segundo a consultoria. Nessa conta não entram apenas os volumes de produção divulgados pelas montadoras até o momento, como também envolve o de outras que ainda não estabeleceram manufatura no país.
Nessa onda, chegam a GAC, por meio de parceria produtiva com a HPE em Catalão (GO). Outra chinesa, a Changan, terá seus veículos produzidos na fábrica da Caoa em Anápolis (GO). Omoda Jaecoo ainda busca uma instalação pronta para produzir no país, assim como a Dongfeng. Todas de olho na parcela ociosa de 44% da indústria automotiva nacional.
Espaço disponível em fábricas de JLR, Nissan e Stellantis
Uma fatia que existe não apenas no espaço vago na jornada de algumas fabricantes, como é o caso da Jaguar Land Rover em Itatiaia (RJ), da Nissan em Resende (RJ) ou da Stellantis em Porto Real (RJ), mas também no espaço disponível de algumas unidades, como a fábrica inativa da Chery em Jacareí (SP). Chery que, inclusive, controla a Omoda Jaecoo.
Essa busca por unidades produtivas pelos chineses é vista como algo positivo para a indústria local, e também como algo que demanda acordos fechados entre matrizes na esfera global.
É uma tendência essa chegada de outras montadoras, mas não vejo como algo acordado localmente. As próximas marcas chegam por meio de parcerias como a da Renault com a Geely, ou como a da Leapmotor com a Stellantis. É algo positivo para a indústria desde que haja produção de fato e não apenas montagem, comentou o consultor Fernando Trujillo, da S&P Global.
Para David Wong, da Alvarez & Marsal, o movimento não é algo visto apenas no Brasil, como em outras partes do mundo. A Stellantis vai reduzir sua força de produção na Europa, assim como fez na América do Norte, e isso poderá servir às pretensões de montadoras chinesas que buscam produção local para driblar as barreiras protecionistas impostas aos produtos importados nessas localidades, contou.
Em seu Investor Day, a Stellantis informou que vai reduzir sua capacidade em 800 mil unidades. No Canadá, a empresa deixou de utilizar a fábrica de Brampton, em Ontário, na qual especula-se que será ocupada por linhas de veículos da Leapmotor. Na Alemanha, a Volkswagen, em caso mais extremo de ocupação de capacidade, estuda converter a fábrica de Osnabrück em uma unidade que produz armas.
Brasil como destino seguro para investimentos
Não é apenas a ociosidade que torna o Brasil atraente. De acordo com Caio Megale, economista-chefe da XP Investimentos, o país hoje oferece um certo cenário de segurança que é interessante ao investimento estrangeiro. Não somos afetados por questões geopolíticas que afetam produção e oferecemos segurança energética, por exemplo, disse. Temos um petróleo que não passa por nenhum estreito.
Hoje, o Brasil tem 53 fábricas de 26 montadoras de veículos espalhadas por 9 estados. A disputa pelos espaços vagos nas linhas de montagem mostra que, em vez de erguer novas fábricas, a nova lógica da indústria é reaproveitar estruturas prontas. E o parque fabril brasileiro, hoje em parte subutilizado, pode se transformar em protagonista dessa nova fase. Pelo menos é o que a indústria nacional quer.
Eae Máquinas - SP 26/05/2026
Os investimentos contínuos nas áreas de infraestrutura viária e saneamento têm impulsionado o mercado de máquinas de linha amarela, especialmente, as retroescavadeiras, que são fundamentais para viabilizar obras em todo o território nacional. Durante o 2º Encontro Sobratema de Conexões e Negócios, especialistas reforçaram a evolução tecnológica desse equipamento e apresentaram o cenário para os próximos anos para a universalização do tratamento de água e coleta de esgoto e um panorama das concessões.
Uma realização da Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos (Sobratema), o evento reuniu, no dia 21 de maio, em São Paulo, 150 empresários e profissionais de locadores, usuários de máquinas, fabricantes e parceiros estratégicos, que tiveram a oportunidade de ampliar conexões qualificadas, disseminar conhecimento sobre o mercado de retroescavadeiras e realizar negócios.
O avanço do saneamento básico no Brasil, os impactos positivos do novo marco legal do setor e os desafios e das oportunidades para a universalização dos serviços de água e esgoto foram mostrados por Romário Júnior, coordenador técnico da Associação Brasileira das Empresas de Saneamento (ABCON), que apontou que, desde a aprovação do marco legal, o setor já contabiliza 67 leilões realizados, abrangendo 1.821 municípios e somando R$ 205,1 bilhões em investimentos contratualizados. Outros 27 projetos estão em andamento, representando cerca de R$ 35 bilhões em investimentos previstos e 655 municípios a serem beneficados.
“O setor está mobilizado e empenhado em cumprir as metas de universalização. Os investimentos já começaram a gerar impactos econômicos importantes, com aumento do emprego, da renda e do desenvolvimento da cadeia produtiva”, afirmou Júnior.
O volume de investimentos no setor vem crescendo de forma consistente. De acordo com o coordenador da ABCON, em 2024, os aportes atingiram R$ 29,1 bilhões, e a projeção para 2025 é chegar a R$ 44,5 bilhões. “O novo marco permitiu um avanço de cerca de 30% nos investimentos anuais em saneamento”, pontuou. Os municípios que já possuem contratos estruturados apresentam evolução mais acelerada nos indicadores de atendimento. Atualmente, 780 municípios já atingiram a meta de universalização da água e 321 alcançaram as metas relacionadas à coleta e tratamento de esgoto.
Concessões em rodovias
O setor de concessões vem passando por transformações importantes, com a entrada de fundos de investimento e de grupos internacionais. Para Daniel Cardozo Daneluz, superintendente da Via Appia Concessões, o país precisa desses investimentos para superar gargalos produtivos e impulsionar o desenvolvimento da infraestrutura.
A Via Appia é responsável pelo projeto do Rodoanel Norte, com 44 quilômetros de extensão, conectando municípios como Arujá, Guarulhos e São Paulo. “O empreendimento utiliza tecnologias modernas de pavimentação, como o asfalto SMA, que oferece maior resistência ao calor, ao sobrepeso e às deformações estruturais, além de outros equipamentos de segurança viária”, afirma Daneluz. O segundo trecho do Rodoanel Norte deve ser entregue até o final deste ano.
A palestra ainda tratou da importância da manutenção e conservação contínua das rodovias, enfatizando o papel da gestão de ativos e da sustentabilidade na preservação dos investimentos em infraestrutura, e como as retroescavadeiras e implementos específicos têm sido fundamentais para serviços de limpeza, contenção de erosões, movimentação de cargas e rápida liberação de acidentes. “Máquina boa é aquela que entrega capacidade operacional, disponibilidade e adequação ao tipo de serviço executado”, resumiu Daneluz.
Competitividade das retroescavadeiras
Felipe Siqueira, gerente da HBSP Locações de Máquinas e Equipamentos, empresa coligada à Passarelli, comentou sobre a atuação da companhia e as prncipais áreas de atuação, inclundo as obras do Piscinão Jaboticabal (SP), Hospital Universitário do Ceará e a ETA Guandu (RJ), e reforçou a importância da retroescavadeira como um dos equipamentos mais versáteis, especialmente por sua mobilidade, multifuncionalidade e baixo custo operacional.
“O equipamento atende diferentes demandas em um mesmo canteiro e oferece excelente relação entre produtividade e rentabilidade”, afirmou Siqueira, que trouxe exemplos de aplicações como o “kit vala limpa”, que permite a retirada da camada superficial do pavimento, com redução signinficativa de valor escavado, gerando economia, produtividade e quantidade menor de resíduos.
Ele destacou ainda que a retroescavadeira tem se tornado uma importante ferramenta de inclusão profissional, em meio aos desafios relacionados à escassez de mão de obra qualificada no setor. “Por ser um equipamento de entrada, permite capacitar novos profissionais e ampliar a mão de obra disponível no mercado”, explicou.
Para o engenheiro Afonso Mamede, presidente da Sobratema, as retroescavadeiras são dos equipamentos mais versáteis e emblemáticos da linha amarela, com maior presença e relevância do mercado brasileiro e atuando em todos os segmentos. “Durante o 2º Encontro Sobratema de Conexões e Negócios falamos sobre algo maior do que máquinas, evidenciamos produtividade, tecnologia, eficiência operacional e, sobretudo, de desenvolvimento econômico, pois o setor proporciona exatamente isso”.
O evento contou ainda com a apresentação de Rolf Pickert, CEO da Messe Muenchen do Brasil, que falou sobre a Arena M&T, que acontecerá de 21 a 23 de outubro, na Fazenda Rio Grande (PR), e com as palestras técnicas sobre as tecnologias e inovações das retroescavadeiras ministradas por Carlos Alves Junior (BMC Hyundai), Laura Stumpf (Case Construction), Flavio Schimanski (Forza), Carlos França (JCB), Tony Belizario (John Deere) e Daniel Cristóvão (Sotreq/Caterpillar), que ressaltaram a versatilidade, eficiência, produtividade desse equipamento.
Valor - SP 26/05/2026
Indústria de equipamentos de engenharia civil exporta para os EUA US$ 473,5 milhões nos quatro primeiros meses de 2026
Após a retração sofrida no ano passado, em parte por conta das sobretaxas impostas pelo governo de Donald Trump, a indústria de equipamentos de engenharia civil, componente da chamada “linha amarela”, recupera terreno e volta a ampliar suas exportações para os Estados Unidos - foram US$ 473,5 milhões nos quatro primeiros meses de 2026, alta de 32,2% sobre igual período do ano passado, segundo dados da Amcham Brasil.
O valor indica uma retomada após a retração de 5,8% em 2025 - a maior queda dos últimos cinco anos -, interrompendo o dinamismo do comércio bilateral observado desde a recuperação pós-pandemia. Composta por máquinas pesadas para construção e mineração, como carregadeiras, escavadeiras e retroescavadeiras, a “linha amarela” representa quase metade de todas as máquinas e equipamentos exportados pelo Brasil para os EUA.
“A economia americana segue sustentando investimentos relevantes em infraestrutura, energia e digitalização, o que tende a impulsionar importações desses segmentos como equipamentos de construção, máquinas elétricas e soluções industriais”, destaca o diretor de políticas públicas e relações governamentais da Amcham Brasil, Fabrizio Panzini.
A recuperação em 2026, na avaliação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, reflete a atuação do governo para reduzir os impactos do tarifaço sobre a indústria exportadora brasileira, principalmente com o Plano Brasil Soberano, que disponibilizou R$ 40 bilhões em crédito em 2025 para linhas de financiamento de capital de giro, investimentos e diversificação de mercados, com recursos do Fundo Garantidor de Exportações (FGE) e do BNDES. Em março, o governo federal anunciou R$ 15 bilhões adicionais ao programa, que, segundo o Mdic, permitiu diversificar mercados diante da política protecionista americana, e contribuiu para a retomada das vendas àquele país após a reversão parcial das tarifas.
“Quando a taxação entrou em vigor em agosto de 2025, o volume de exportação foi reduzido. Mas, com o recuo nas taxas ao longo dos meses, houve um movimento natural de recuperação dos volumes”, aponta Wladimir Garcia, head de operações industriais da Volvo Construction Equipment, que exporta 29% da produção aos EUA, por meio da fábrica em Pederneiras (SP). Neste ano, o foco das vendas são os caminhões articulados, com previsão de 80% da produção direcionada ao mercado americano. Em 2025, foram exportadas 1.088 unidades (ante 1.100 unidades em 2024), com receita de US$ 300 milhões. “No médio prazo, as exportações tendem a acompanhar o nível de investimento em infraestrutura, mineração e construção pesada nos Estados Unidos”, diz Garcia.
Na avaliação de Leandro Lecheta, head do segmento de construção da CNH para as Américas, o impacto das tarifas foi menos intenso do que o projetado inicialmente. “Muitas empresas conseguiram se reorganizar operacional e comercialmente para preservar sua presença no mercado americano”, afirma. Nos últimos anos, por meio da marca CASE Construction Equipment, a multinacional tem aumentado suas exportações de tratores de esteira compactos para os EUA a partir da fábrica de Contagem (MG). Em 2024, a unidade se tornou o polo mundial de fabricação do item, que é amplamente utilizado na construção e possui forte demanda por parte da economia americana. “Mesmo que cautelosa, a expectativa é de que seja possível recuperar parte de eventuais perdas pontuais, mas com atenção ao ambiente externo, especialmente à possibilidade de adoção de novos instrumentos tarifários direcionados”, diz Lecheta.
Especialistas apontam que, para retomar as vendas externas em patamares como o observado em 2024, é preciso intensificar a negociação bilateral e melhorar a competitividade doméstica. Para a diretora de competitividade, economia e estatística da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Cristina Zanella, no médio prazo, o cenário vai depender muito menos do ciclo econômico e mais das condições de acesso ao mercado americano. “Se as barreiras persistirem, o crescimento tende a ser limitado. Se houver avanço em negociações ou maior integração comercial, o setor pode voltar a crescer de forma mais consistente.”
O economista e professor do curso de administração da ESPM Jorge Ferreira dos Santos Filho avalia que há sinais de estabilização no setor de engenharia civil, e a perspectiva para o médio prazo é “moderadamente positiva”, desde que algumas condições sejam atendidas: redução das incertezas tarifárias, a retomada dos investimentos em construção e infraestrutura nos Estados Unidos e a manutenção da competitividade brasileira em preço, prazos de entrega, assistência técnica e financiamento. “Apesar de algumas tarifas terem sido revogadas no início de 2026, o ambiente ainda é marcado por volatilidade”, pondera.
No plano interno, a Amcham Brasil considera que a retomada depende de ganhos de competitividade, principalmente o fortalecimento de instrumentos de apoio às exportações, como a plena implementação do Plano Brasil Soberano. “Em síntese, o crescimento exigirá a combinação entre melhor acesso ao mercado americano e maior eficiência doméstica, em um ambiente de competição global mais intensa”, afirma Panzini
Terra - SP 26/05/2026
A francesa Loxam, maior empresa de locação de equipamentos da Europa, adquiriu a brasileira Mills, do mesmo segmento, por R$ 3,8 bilhões. A Mills é a maior empresa de locação de plataformas elevatórias da América Latina e uma das 25 maiores de locação de equipamentos do mundo, com receita de R$ 1,8 bilhão no ano passado. Segundo comunicado ao mercado, a empresa europeia comprará a participação dos controladores e será obrigada a fazer uma oferta pública de aquisição (OPA) das demais ações.
Os controladores venderam sua participação na companhia — equivalente a 50,3% do capital social — por R$ 16 cada ação. Esse valor representa um prêmio de 22% sobre o preço de fechamento dos papéis da Mills na sexta-feira, 22.
O preço será corrigido, a partir do 31.º dia contado de hoje e até o efetivo fechamento da operação, por 70% do CDI. O pagamento integral será feito à vista no fechamento.
Após a implementação da operação, a Loxam fará a OPA para as demais ações da Mills, pelo mesmo preço por ação pago aos acionistas controladores. Segundo o comunicado, esse valor será atualizado pela taxa Selic, a partir da data de fechamento da alienação de controle até a data de liquidação da oferta.
O fechamento da operação está sujeito ao cumprimento de condições suspensivas usuais para esse tipo de transação, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Gigantes da locação
Fundada em 1952 pela família Nacht, a Mills atende atualmente mais de 10 mil clientes, em 65 filiais em todo o País. Em 2025, a empresa registrou geração de caixa de aproximadamente R$ 940 milhões, quando tinha mais de 2,5 mil funcionários.
A companhia abriu capital na B3 em 2010 e passou por um período de reestruturação em meados daquela década. Um dos trabalhos foi diminuir a dependência do segmento de construção, diversificar clientes e buscar receitas mais previsíveis. Hoje, os equipamentos disponíveis no segmento de locação vão desde empilhadeiras até escavadeiras e tratores agrícolas.
De 2019 até o primeiro trimestre, a receita da companhia acumula um crescimento de 31%, para R$ 460 milhões nos três primeiros meses deste ano. No período, a companhia também fez aquisições importantes: a JM Empilhadeiras, em 2024, e a Next Rental, em 2025, voltada para a área de locação e manutenção.
O Grupo Loxam, por sua vez, é uma empresa de locação de equipamentos fundada na França, em 1967. A companhia se apresenta como líder europeia e o quinto maior grupo de locação de equipamentos do mundo. O grupo opera em 28 países e tem cerca de 11,6 mil empregados em uma rede de aproximadamente 1,1 mil filiais.
Em 2025, a Loxam registrou receita consolidada de aproximadamente 2,5 bilhões de euros (cerca de R$ 14,7 bilhões). No Brasil, onde está presente desde 2015 por meio da Loxam do Brasil e da A Geradora, as duas operações tiveram receita líquida combinada de R$ 580 milhões em 2025.
No contexto da operação, a Mills e os vendedores foram assessorados por Lazard, Trindade Sociedade de Advogados e Lefosse Advogados, enquanto a Loxam foi assessorada por Euro Latina Finance, Spinelli Advogados e Demarest Advogados.
Infomoney - SP 26/05/2026
A indústria da construção civil prevê um aumento nos lançamentos do segundo trimestre ante os três primeiros meses do ano, após represamento criado pela expectativa das mudanças no programa Minha Casa Minha Vida entre final de março e início de abril, afirmaram representantes do setor nesta segunda-feira.
‘Tenho impressão de que houve represamento de lançamentos para (as construtoras) já aproveitarem os novos valores de teto’, disse o economista do Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de São Paulo (Secovi-SP), Celso Petrucci, em apresentação dos números do setor no primeiro trimestre pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).
‘Provavelmente, no segundo trimestre, vamos ter mais lançamentos do que no primeiro’, acrescentou.
No primeiro trimestre, os lançamentos de imóveis residenciais caíram 4,9% sobre o mesmo período do ano passado e desabaram 32,1% sobre os três últimos meses de 2025, segundo dados apresentados pela Cbic.
Petrucci afirmou que o setor não tem preocupação sobre o desempenho diante da sazonalidade, em que os lançamentos do final de cada ano costumam ser maiores do que os do início do ano seguinte.
Money Times - SP 26/05/2026
A indústria da construção civil prevê um aumento nos lançamentos do segundo trimestre (2T26) ante os três primeiros meses do ano (1T26), após represamento criado pela expectativa das mudanças no programa Minha Casa, Minha Vida entre final de março e início de abril, afirmaram representantes do setor nesta segunda-feira (25).
“Tenho impressão de que houve represamento de lançamentos para as construtoras aproveitarem os novos valores de teto”, disse o economista do Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de São Paulo (Secovi-SP), Celso Petrucci, em apresentação dos números do setor no primeiro trimestre pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).
“Provavelmente, no segundo trimestre, vamos ter mais lançamentos do que no primeiro”, acrescentou.
No primeiro trimestre, os lançamentos de imóveis residenciais caíram 4,9% sobre o mesmo período do ano passado e desabaram 32,1% sobre os três últimos meses de 2025, segundo dados apresentados pela Cbic.
Petrucci afirmou que o setor não tem preocupação sobre o desempenho diante da sazonalidade, em que os lançamentos do final de cada ano costumam ser maiores do que os do início do ano seguinte.
As vendas de imóveis residenciais no primeiro trimestre caíram 2,6% sobre o final do ano passado, mas subiram 4,1% na comparação com os três primeiros meses de 2025, segundo os números da Cbic. Enquanto isso, o estoque recuou 3,5% na comparação trimestral, mas cresceu 8,2% na relação anual.
Do total vendido no primeiro trimestre, 49% (54.510) corresponderam a imóveis do MCMV ante 47% no mesmo período do ano passado. “As vendas estão resistindo à Selic”, afirmou Petrucci.
Já o vice-presidente financeiro da Cbic, Eduardo Aroeira, disse que, se não fosse o MCMV, o setor “provavelmente estaria falando apenas de mercado de alto padrão por causa da taxa de juros”.
Aroeira, que assume a presidência da Cbic em 1º de julho, afirmou que a redução da jornada de trabalho para um regime de 5x2 sem redução de salários deve elevar os custos da construção de projetos do MCMV em cerca de 10%.
“A preocupação é a forma como se vai fazer. É necessário ter prazo para as empresas ganharem na produtividade para que possamos compensar esse aumento de custo com ganho de produtividade”, disse o executivo, citando que o setor vai precisar de cerca de 288 mil trabalhadores adicionais para suprir a redução da carga sem atrasar a entrega de obras.
Exame - SP 26/05/2026
O avanço da proposta que prevê o fim da escala 6x1, a alta nos custos de insumos em meio às tensões no Oriente Médio e a indefinição sobre a regulamentação da Reforma Tributária entraram no radar de preocupação do setor imobiliário brasileiro. Apesar dos resultados positivos do mercado no 1° trimestre de 2026, representantes do setor e da construção civil alertaram nesta segunda-feira, 25, que esses fatores podem pressionar preços, atrasar entregas de empreendimentos e comprometer novos lançamentos a partir de 2027.
As preocupações foram apresentadas durante a divulgação do estudo Indicadores Imobiliários Nacionais, realizado trimestralmente pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) em parceria com a Brain Inteligência Estratégica, com apoio técnico do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP) e correalização do Serviço Social da Indústria (Sesi).
O levantamento, que completa dez anos de série histórica, monitora o mercado imobiliário em 221 cidades, incluindo todas as capitais e principais regiões metropolitanas do país.
À imprensa, os representantes do setor afirmaram que os impactos inflacionários da crise internacional já começam a atingir a cadeia da construção. As entidades calculam que o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), acumulado em cerca de 6% nos últimos 12 meses, pode alcançar 9% diante da alta nos preços de materiais como cimento, concreto, argamassa e PVC.
"O mercado vai muito bem, mas isso não nos tira a obrigação de falar das preocupações", afirmou Eduardo Aroeira, presidente executivo da Cbic.
Segundo Aroeira, a guerra iniciada no dia 28 de fevereiro após ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, e que completa nesta quinta, 28, três meses, "já provou aumento relevante nos custos de insumos básicos da construção, pressionando diretamente o setor".
Redução da jornada pode elevar em até 10% o custo total de imóveis do MCMV, dizem representantes
O mercado imobiliário e de construção também vê com preocupação o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas e o fim da escala 6x1.
Segundo Petrucci, atualmente há entre 800 mil e 1 milhão de unidades em produção no país, a maioria já comercializada com preço e prazo de entrega definidos em contrato. Para o conselheiro do Cbic e economista, uma eventual implementação rápida da mudança trabalhista poderia comprometer cronogramas e elevar custos dos empreendimentos.
Aroeira afirmou que estudos realizados pela entidade apontam que a redução da jornada poderia elevar em até 10% o custo total de imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida. Segundo o presidente da Câmara Brasileira, o impacto não se limitaria ao setor habitacional, mas também poderia atingir obras de hospitais, creches e outros projetos de infraestrutura social ligados à construção civil.
"O nosso estudo aponta que seriam necessários cerca de 288 mil novos trabalhadores para compensar a redução da carga horária na construção civil. O problema é que a mão de obra já está pressionada. Nos últimos dois meses, o custo do trabalho no setor subiu o dobro da inflação medida pelo IPCA", afirmou.
Setor é contrário à redução do INSS para compensar fim da escala 6x1
Outro ponto de preocupação envolve propostas em discussão no Congresso que sugerem reduzir de 8% para 4% a alíquota da contribuição patronal ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como forma de compensar os custos da mudança na jornada de trabalho.
Representantes do setor imobiliário se posicionaram contra a medida. Segundo Aroeira, a redução da contribuição poderia enfraquecer justamente o fundo responsável por financiar programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida, além de projetos de saneamento básico.
"O FGTS já sofre ataques constantes para outros tipos de despesa. Precisamos preservar o FGTS", afirmou.
Vice-presidente da Cbic, Ely Wertheim, também criticou a proposta e afirmou que qualquer mecanismo compensatório já reconhece, na prática, que haverá aumento de custos para as empresas.
Segundo o também presidente executivo do Secovi-SP, além da falta de mão de obra treinada, parte dos trabalhadores da construção recebe por produtividade e poderia sofrer perda de renda com a redução da jornada.
"O trabalhador brasileiro não quer trabalhar menos não, ele quer viver melhor, como todo mundo. O que ele não quer é ficar duas horas dentro de um ônibus, ele quer morar perto do trabalho. E isso é um outro tema mais complexo", afirmou Wertheim.
A regulamentação da Reforma Tributária também apareceu entre os principais pontos de atenção do setor. Segundo os representantes da Cbic, a ausência de regras claras dificulta a modelagem financeira de novos empreendimentos, especialmente aqueles previstos para lançamento a partir de 2027.
Wertheim afirmou que o problema não é apenas regulamentar a reforma, mas garantir uma regulamentação "clara, objetiva e factível". Segundo o vice-presidente, o mercado ainda não dispõe sequer de sistemas e softwares adaptados ao novo modelo tributário.
Estudo mostra mercado imobiliário resiliente
Apesar das preocupações, os dados do estudo mostram um mercado imobiliário ainda resiliente, sustentado principalmente pelo programa Minha Casa, Minha Vida, mesmo em um cenário de juros elevados.
No primeiro trimestre de 2026, foram vendidas 110.722 unidades residenciais no país, alta de 4,1% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado de 12 meses, as vendas somaram 438.012 unidades.
Já os lançamentos totalizaram 97.802 unidades no trimestre, queda de 4,9% na comparação anual e retração de 32,1% frente ao último trimestre de 2025 — movimento considerado sazonal para o início do ano. O Valor Geral de Vendas (VGV) movimentado pelo setor atingiu R$ 65,9 bilhões no período, leve alta de 0,5% sobre o primeiro trimestre do ano passado.
O estoque disponível encerrou março em 350.891 unidades, avanço de 8,2% em relação a 2025, com tempo médio estimado de escoamento de dez meses.
Principal motor da atividade, o Minha Casa, Minha Vida respondeu sozinho por 49% de todas as vendas realizadas no país no trimestre, com 54.510 unidades comercializadas. O programa também apresentou ritmo de vendas mais acelerado, com prazo médio de escoamento de estoque de 7,6 meses.
O levantamento também mostrou que 49% dos entrevistados declararam intenção de comprar um imóvel nos próximos 24 meses. A preferência é por casas de rua, escolhidas por 47% dos consumidores, enquanto apartamentos aparecem com 35%. Entre os principais motivos para a compra estão deixar de pagar aluguel, citado por 38% dos entrevistados, sair da casa dos pais (12%) e a busca por imóveis maiores ou upgrade habitacional (12%).
CNN Brasil - SP 26/05/2026
O Brasil convive, há décadas, com um paradoxo no setor ferroviário: possui dimensão territorial, demanda potencial e vantagens naturais para o transporte de cargas por trilhos, mas mantém um sistema pouco integrado, fragmentado e excessivamente dependente de fluxos de exportação. A expansão do mercado doméstico ferroviário de cargas passa, inevitavelmente, por dois pilares estruturantes ainda subdesenvolvidos no país: interoperabilidade e intermodalidade.
A ferrovia brasileira, hoje, não funciona como rede. Opera, na prática, como um conjunto de corredores isolados, verticalizados e com baixa interação entre si. Cada concessionária gerencia sua malha com foco em seus próprios fluxos, frequentemente vinculados a cargas específicas, como minério e grãos. Esse modelo pode ser eficiente para exportação, mas é claramente insuficiente para atender à lógica da carga geral, que exige flexibilidade, capilaridade e integração logística.
A interoperabilidade — entendida como a possibilidade de circulação de trens entre diferentes malhas — deveria ser elemento central desse sistema. No entanto, no Brasil, ela permanece restrita a poucos casos e com baixa representatividade no volume total transportado. O direito de passagem e o tráfego mútuo, instrumentos fundamentais para viabilizar essa integração, ainda são pouco explorados, seja por limitações regulatórias, seja por desincentivos econômicos ou mesmo pela resistência natural de operadores estabelecidos.
Esse quadro contrasta fortemente com o observado em países como os Estados Unidos, onde a ferrovia opera de forma integrada, com elevado grau de compartilhamento de infraestrutura. A uniformidade de bitolas, a padronização de sistemas operacionais e a consolidação do setor ao longo das últimas décadas criaram um ambiente favorável à circulação contínua de cargas em longas distâncias, garantindo escala e eficiência. No Brasil, ao contrário, ainda se convive com entraves básicos, como a pluralidade de bitolas e a ausência de padronização tecnológica.
A fragmentação do sistema ferroviário brasileiro não é apenas um problema técnico — é, sobretudo, institucional. Falta coordenação entre os agentes, falta clareza regulatória em alguns aspectos e, principalmente, falta uma decisão estratégica de tratar a ferrovia como um sistema nacional integrado, e não como ativos isolados concedidos à iniciativa privada.
Outro aspecto crítico é a elevada ociosidade da malha ferroviária. Uma parcela significativa dos trilhos existentes no país encontra-se subutilizada ou sem tráfego relevante. Esse é um dos maiores contrassensos do setor: enquanto se discute a necessidade de expansão da infraestrutura, boa parte do que já foi construído permanece economicamente inerte. A reativação desses trechos, associada a modelos mais flexíveis de acesso por terceiros, pode representar um caminho mais eficiente e menos oneroso para ampliar a capacidade do sistema.
Nesse contexto, a Ferrovia Norte-Sul se destaca como um ativo estratégico. Mais do que uma linha ferroviária, ela pode cumprir o papel de eixo estruturante da integração nacional, conectando diferentes regiões e permitindo maior fluidez operacional entre malhas. No entanto, para que esse potencial se concretize, é necessário que sua operação esteja inserida em uma lógica de rede, com conexões efetivas e incentivos claros à interoperabilidade.
A criação do Agente de Transporte Ferroviário de Cargas (ATF-C) também representa um avanço conceitual importante, ao permitir a entrada de operadores independentes no sistema. Em tese, trata-se de um instrumento capaz de ampliar a concorrência, aumentar a eficiência e dinamizar o mercado. Na prática, porém, sua implementação ainda é incipiente. Barreiras como a falta de escala, a ausência de um mercado de serviços ferroviários estruturado e a resistência das concessionárias dificultam o avanço desse modelo.
No campo da intermodalidade, os desafios são igualmente relevantes. A integração entre ferrovia e rodovia — fundamental para o transporte de carga geral — ainda é limitada por gargalos logísticos, deficiência de terminais intermodais e elevada burocracia documental. O transporte de cargas no Brasil continua sendo pensado de forma segmentada, por modal, quando deveria ser estruturado a partir de cadeias logísticas integradas.
A implantação do Documento Eletrônico de Transporte (DT-e) surge como uma iniciativa promissora para simplificar processos e reduzir custos transacionais. No entanto, sua efetividade dependerá da capacidade de integração entre diferentes órgãos e agentes do setor, algo que historicamente representa um desafio no país.
Além disso, há espaço para soluções mais pragmáticas e adaptadas à realidade brasileira. O transporte piggyback, por exemplo, embora tenha perdido relevância em outros mercados, pode encontrar nichos de viabilidade no Brasil, especialmente diante das limitações da infraestrutura rodoviária, dos elevados índices de roubo de carga e das características específicas da malha ferroviária nacional.
O ponto central, contudo, permanece o mesmo: o Brasil não carece de diagnósticos. Os problemas são conhecidos, assim como as soluções. O que falta é implementação em escala, coordenação entre agentes e, sobretudo, uma decisão política clara de transformar a ferrovia em um sistema integrado e competitivo.
Sem interoperabilidade, não há rede. Sem intermodalidade, não há eficiência logística. E sem esses dois pilares, a ferrovia continuará desempenhando um papel secundário na matriz de transportes, restrita a poucos fluxos e distante do potencial que poderia alcançar.
O futuro do transporte ferroviário de cargas no Brasil dependerá menos de novos projetos e mais da capacidade de integrar, modernizar e utilizar melhor as ferrovias que já existem. A questão que se impõe, portanto, é simples: o país está disposto a fazer essa transformação ou continuará administrando um sistema fragmentado e subaproveitado.
Infomoney - SP 26/05/2026
A Petrobras e a Transpetro anunciam na manhã da próxima quarta-feira, 27, investimentos que ultrapassam os R$ 2,8 bilhões no estado do Amazonas até 2030. O evento contará com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e do presidente da Transpetro, Sérgio Bacci.
A cerimônia será realizada no Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, responsável pela construção de 18 barcaças encomendadas pela Transpetro, que vão garantir maior eficiência logística no fornecimento de combustível marítimo nos portos do País.
Na ocasião, também será anunciada a retomada de investimentos da Petrobras na produção de Urucu, destinando cerca de R$ 2,5 bilhões para perfuração de novos poços.
Globo Online - RJ 26/05/2026
O Irã anunciou na segunda-feira que começará a cobrar taxas de navegação de navios que transitam pelo estratégico Estreito de Ormuz, em meio às negociações em curso com os Estados Unidos para encerrar a Guerra do Golfo.
"Os serviços prestados, ou seja, os serviços de navegação, bem como as medidas necessárias para proteger o meio ambiente do Estreito de Ormuz, do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã, exigem a cobrança de certas taxas", afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baqai, durante sua coletiva de imprensa semanal. No entanto, ele assegurou que o Irã "não pretende cobrar pedágio".
Valor - SP 26/05/2026
Parceria trilateral quer descarbonizar rotas de navios graneleiros entre a América do Sul e a Europa; Custos são altos, mas regulação internacional quer acelerar escala até 2040
O Brasil, a Noruega e a Holanda apresentam nesta segunda-feira (25) o resultado de mais de um ano de cooperação para viabilizar os primeiros corredores marítimos de baixa emissão do Atlântico. Em evento realizado na Embaixada da Noruega em Brasília, os três países tornaram público um estudo de viabilidade técnica e econômica elaborado pela consultoria DNV e encomendado pelo Conselho de Pesquisa da Noruega, que mapeou rotas, combustíveis e custos para a descarbonização do transporte marítimo intercontinental entre o Brasil e a Europa.
O estudo da DNV mapeou três rotas prioritárias entre o Brasil e a Europa e avaliou três combustíveis alternativos — biodiesel, amônia verde e metanol verde — em cenários técnicos e econômicos projetados até 2040. O objetivo foi dar transparência a que caminhos podem ser tecnicamente e economicamente possíveis, ainda que eles envolvam um grande esforço para serem implementados. A rota entre o porto de Vila do Conde, no Pará, e Karmøy, na Noruega, é emblemática por ser a mais movimentada entre os dois países e responder por 66% de todas as emissões de CO₂ nas rotas bilaterais. A segunda rota avaliada liga Santos a Rotterdam, maior porto da Europa e segundo maior polo mundial de abastecimento de combustíveis a navios.
O transporte marítimo entre Brasil e Europa emitiu cerca de 4,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) em 2023. Só nas rotas entre Brasil e Noruega, 88 viagens de grandes navios cargueiros responderam por mais de 116 mil toneladas de emissões. Os navios graneleiros, que transportam commodities como soja, minério e celulose, concentram 77% das viagens e 74% das emissões nesse corredor bilateral, o que os tornou o foco do estudo.
"O estudo nos dá algo mais valioso do que um simples sim ou não. Ele oferece ao Brasil, à Noruega e aos Países Baixos uma base de evidências compartilhadas, não apenas sobre onde as rotas se tornam plausíveis, mas onde os custos permanecem desafiadores, onde a infraestrutura precisa de preparação, onde as parcerias industriais importam e onde a incerteza ainda requer atenção. Isso não reduz a ambição. Pelo contrário, a fortalece”, comenta William Nygaard, coordenador do projeto de colaboração entre Noruega e Brasil para o desenvolvimento de corredores marítimos verdes.
Apesar de ser uma transição viável, ela ainda é cara. Dependendo do combustível, operar navios de emissão zero custa entre 43% e 109% a mais do que a operação convencional a combustível fóssil, de acordo com a DNV. O biodiesel é a alternativa mais competitiva no curto prazo — 43% acima da linha de base —, mas é a amônia que concentra as maiores apostas de longo prazo, especialmente para navios novos com motores bicombustíveis. O metano. O metanol verde, apesar de ser o mais caro das três opções, abre uma janela relevante para a rota Santos–Rotterdam, onde o Brasil tem vantagens específicas ligadas à produção de etanol.
“No curto prazo, podemos desenvolver projetos-piloto, implantar novos combustíveis e tecnologias e estabelecer acordos de longo prazo que reduzam riscos e viabilizem investimentos. No médio prazo, podemos construir corredores verdes plenamente operacionais, conectando nossos mercados. E no longo prazo, podemos contribuir para a realização de um transporte marítimo transatlântico de emissão zero”, explica a ambição com o acordo o embaixador da Noruega no Brasil, Kjetil Elsebutangen.
A iniciativa tem origem em um Memorando de Entendimento (MoU) assinado em fevereiro de 2025 entre o Ministério do Clima e Meio Ambiente da Noruega e o Ministério de Portos e Aeroportos do Brasil. A Holanda aderiu à parceria em janeiro de 2026, possibilitando conectar as cadeias de valor marítimas nos três países. Desde março deste ano, portos estratégicos dos dois lados do Atlântico — entre eles Santos, Rio Grande do Sul e Rotterdam (Holanda) passaram a se reunir formalmente em um grupo de trabalho do projeto. "A inclusão dos Países Baixos no início deste ano reforçou ainda mais esse esforço, reunindo três países que desempenham papéis-chave em toda a cadeia de valor marítima, comenta Elsebutangen.
Para Astrid Hoem, secretária de Estado do Ministério do Clima e Meio Ambiente da Noruega, o que torna esta parceria diferente de outros acordos climáticos é a complementaridade concreta entre os três países envolvidos. "Juntos, temos produtores de energia sustentável, portos com visão de futuro, armadores de vanguarda, fornecedores de tecnologia marítima e donos de carga com o objetivo de tornar verde o comércio entre nossos países", disse. Ela reitera que não é uma coalização improvisada, mas o Brasil entra com matriz renovável e potencial de produção de combustíveis verdes em escala; a Noruega, com tecnologia marítima e experiência regulatória; e os Países Baixos, com a infraestrutura logística de Rotterdam — o maior porto da Europa e um dos principais centros mundiais de abastecimento de navios.
"Fazer um corredor de navegação descarbonizado entre o Brasil e a Europa se tornar realidade é também um investimento em nosso futuro comum", disse. "Nossa cooperação precisará abrir caminho para investimentos reais em combustíveis verdes reais, infraestrutura portuária e navios que viabilizem o comércio sustentável entre nossos países." A frase resume bem o que o projeto pretende ser: não um estudo a mais sobre descarbonização, mas o começo de uma cadeia de decisões concretas — de capital, de infraestrutura e de política — que tornem a travessia verde do Atlântico não apenas possível, mas inevitável.
Aldrik Gierveld, embaixador dos Países Baixos no Brasil, relembra que o framework da Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) já existe e exige que o setor de transporte marítimo se descarbonize nas próximas décadas. O Quadro de Emissões Líquidas Zero da IMO estabelece metas decrescentes para a intensidade de gases de efeito estufa (GEE) de ponta a ponta (abordagem well-to-wake), com foco inicial em navios acima de 5.000 toneladas brutas. Navios que ultrapassam os limites de emissão pagam taxas de conformidade, enquanto embarcações com baixa emissão acumulam e podem negociar créditos.
O cronograma de implementação, contudo, sofre atrasos por divergências nas negociações e questionamentos sobre desafios técnicos e econômicos, especialmente envolvendo a produção em larga escala de combustíveis alternativos, como hidrogênio, metanol e amônia, e o receio de custos repassados à cadeia logística. Ainda assim, a expectativa é de adesão voluntária neste momento e, em breve, de um acordo para dar início à obrigatoriedade.
“Há um framework de IMO e agora o que temos que fazer é fazer isso implementá-lo. E isso precisa ser feito com parcerias. Não é apenas algo para políticos, diplomatas ou ministérios, mas sim para todo o negócio, ou seja, deve envolver o setor público e também o privado”, destaca o embaixador holandês. Os embaixadores da Noruega e Países Baixos concordam que o avanço da colaboração para viabilizar corredores verdes entre Brasil e Europa é um sinal positivo de que a cooperação climática continua sendo uma força unificadora. “Um sinal de que parcerias entre continentes podem entregar soluções concretas, reitera Elsebutangen.
O ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas e incerto foi citado como pano de fundo que torna ainda mais relevante iniciativas do tipo. "O que estamos demonstrando aqui hoje é que a cooperação construtiva e voltada para o futuro ainda é possível. Que países podem se unir em torno de interesses e desafios compartilhados e podemos alcançar progresso tangível, mesmo em tempos complexos”, reitera o embaixador norueguês.
No evento desta segunda-feira, o representante do Ministério de Portos e Aeroportos do Brasil, Tetsu Koike, diretor de Programa de Políticas Setoriais, Planejamento e Inovação, rebateu antecipadamente um argumento que costuma travar esse tipo de debate. "A questão não é investimento. A questão não é regulamentação e legislação adequada — porque nós as temos", afirmou, listando em sequência as leis brasileiras já em vigor: o mercado de crédito de carbono, a produção de hidrogênio de baixo carbono, a geração de energia eólica offshore e o Programa Nacional de Aceleração da Transição Energética, o Patem.
Para Koike, o que falta não é arcabouço jurídico — é coordenação. "Se conseguirmos influenciar nos requisitos para que as embarcações, os portos e os terminais que façam parte de um corredor verde tenham preferência na obtenção de financiamentos, isso não é difícil. É uma questão de coordenação e de tomada de decisão em âmbito político, institucional e técnico."
Koike também chamou atenção para um instrumento pouco conhecido fora do setor, mas central para a viabilidade financeira da transição no lado brasileiro: o Fundo de Marinha Mercante. "O Brasil possui um instrumento de financiamento muito forte, que é o Fundo de Marinha Mercante. Ele financia a indústria naval brasileira, e essa indústria está se preparando para fazer exatamente a conversão de motores e novas tecnologias. Os navios verdes já estão incluídos entre os requisitos de priorização", disse.
O diretor admitiu, contudo, que existe uma lacuna legislativa relevante na lei do combustível do futuro, recém-aprovada, que deixa de fora o transporte marítimo e o combustível sustentável de navegação. "Estamos discutindo no Congresso Nacional uma lei específica que abranja também essa questão", afirmou.
Ao encerrar sua fala, Koike reiterou a importância de avançar na agenda independente dos mandatos da IMO. "Podemos ser o grupo que vai implantar o primeiro corredor verde entre a Europa e o Brasil. Isso não é pouca coisa. Está nas nossas mãos — e temos capacidade para fazer."
O MoU entre os países também prevê o lançamento ainda este semestre de um edital conjunto de pesquisa e desenvolvimento voltado à descarbonização do transporte marítimo. Os recursos previstos superam 90 milhões de coroas norueguesas, aproximadamente R$ 450 milhões na cotação atual. Esta é uma das maiores iniciativas de financiamento científico transatlântico já articuladas para o setor. O edital, que está sendo estruturado como uma chamada conjunta de propostas (joint call for proposals), será administrado pelo Conselho de Pesquisa da Noruega em coordenação com instituições parceiras nos outros dois países. O objetivo é financiar projetos colaborativos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) que unam competências dos três lados do Atlântico: produção de combustíveis renováveis no Brasil, tecnologia marítima norueguesa e expertise logística e de inovação holandesa.
Sobre os próximos passos do MoU do lado brasileiro, Rafaela Gomes, coordenadora Geral de Sustentabilidade do Ministério dos Portos e Aeroportos, pontua que um marco importante nos próximos 12 meses seria expandir a cooperação atual para novas oportunidades práticas envolvendo rotas adicionais, novas rotas tecnológicas de combustíveis e um engajamento mais amplo entre os atores envolvidos no Brasil e na Europa. "O estudo de viabilidade já representa um importante ponto de partida. O próximo passo é construir sobre essa base, explorando como diferentes soluções de combustíveis sustentáveis, infraestruturas portuárias e fluxos comerciais podem ser testados e ampliados em condições operacionais reais", comenta ao Valor.
Nesta terça-feira, o Porto de Santos receberá um grupo de noruegueses e holandeses que aproveitarão a visita ao Brasil para fazer uma visita técnica aos terminais e ao canal de navegação.
Valor - SP 26/05/2026
Antes da guerra, o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz variava entre 125 e 140 passagens diárias
Três navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL) cruzaram o Estreito de Ormuz nos últimos dias com destino ao Paquistão, China e Índia, segundo dados de rastreamento de embarcações citados pela Reuters´nesta segunda-feira (25). Um superpetroleiro com petróleo bruto iraquiano também seguiu para a China após permanecer retido por quase três meses, ainda de acordo com a agência.
Segundo os dados, os embarques recentes incluem uma série de superpetroleiros que deixaram o Golfo neste mês por uma rota de passagem determinada pelo Irã. Na semana passada, três Very Large Crude Carriers (VLCCs) transportaram cerca de 6 milhões de barris de petróleo com destino à China e à Coreia do Sul.
O navio-tanque de GNL Fuwairit cruzou o Estreito de Ormuz e deve descarregar sua carga no Paquistão na terça-feira, segundo dados de navegação da LSEG e da Kpler. A embarcação, que navega sob bandeira das Bahamas, carregou GNL no porto de Ras Laffan, no Qatar, por volta de 28 de março.
Outro navio, o Al Rayyan, também passou pelo estreito com carga embarcada em Ras Laffan e deve descarregar na China em 27 de junho, conforme dados da LSEG e da Kpler citados pela Reuters.
Um petroleiro administrado pela Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) também cruzou o estreito. O Al Hamra foi visto pela última vez em 19 de abril a leste do estreito. Ele reapareceu nos dados de rastreamento em 23 de maio, na costa da Índia, segundo a Kpler.
A Reuters acrescenta que um petroleiro operado pela Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC), o Al Hamra, foi visto pela última vez em abril a leste do estreito e reapareceu em maio na costa da Índia.
Separadamente, o VLCC Eagle Verona, afretado pela Unipec, braço comercial da Sinopec, deve chegar ao porto de Ningbo, na China, em 12 de junho, com carga de cerca de 2 milhões de barris de petróleo de Basra, segundo dados citados pela Reuters.
Antes da guerra, o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz variava entre 125 e 140 passagens diárias. Ainda segundo a Reuters, cerca de 20 mil marítimos permanecem presos em centenas de embarcações na região do Golfo.
CNN Brasil - SP 26/05/2026
Os preços do petróleo caíram quase 6% nesta segunda-feira (25), atingindo mínimas de duas semanas.
A queda teve como motivo o aumento do otimismo de que os Estados Unidos e o Irã estejam se aproximando de um acordo de paz, embora ainda discordem sobre questões-chave, como o bloqueio do Estreito de Ormuz.
Às 11h25 GMT, os contratos futuros do petróleo Brent recuavam US$ 6,01, ou 5,8%, para US$ 97,53 o barril, e os contratos futuros do petróleo bruto West Texas Intermediate dos EUA caíam US$ 5,65, ou 5,9%, para US$ 90,95.
Ambos os contratos estavam sendo negociados em seus menores valores desde 7 de maio.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou no sábado que Washington e o Irã haviam negociado, em grande parte, um entendimento sobre um acordo de paz que reabriria a rota comercial do Estreito de Ormuz, responsável por um quinto das remessas globais de petróleo e gás natural liquefeito antes do conflito.
No entanto, várias questões difíceis permanecem, com Trump afirmando no domingo que havia instruído seus representantes a não se precipitarem em nenhum acordo.
"O déficit de oferta subjacente de 10 a 11 milhões de barris de petróleo bruto por dia não desaparece imediatamente e fará com que os mercados continuem a reduzir os estoques até que a produção de petróleo bruto do Oriente Médio volte a funcionar, o que levará meses", disse June Goh, analista da Sparta Commodities.
Na segunda-feira (25), ambos os lados minimizaram as expectativas de um avanço iminente. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que ou haverá um bom acordo ou Washington lidará com o Irã de "outra maneira".
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou na segunda-feira que o Irã está negociando o fim da guerra e que não está discutindo questões nucleares no momento.
Os analistas preveem que o retorno ao fluxo normal de petróleo pelo estreito levará meses, enquanto as instalações de petróleo e gás danificadas são reparadas.
"Continuamos acreditando que os principais fatores a serem observados pelo mercado de petróleo devem ser os fluxos físicos de petróleo; e até o momento, os fluxos através do Estreito permanecem restritos", disse o analista da UBS, Giovanni Staunovo.
Na segunda-feira, dois navios-tanque carregados com gás natural liquefeito estavam saindo do Estreito, rumo ao Paquistão e à China.
Já no sábado (23), um superpetroleiro com petróleo bruto iraquiano deixou o Golfo em direção à China, após ficar retido por quase três meses, segundo dados de navegação.
As empresas de energia dos EUA responderam ao aumento dos preços locais da energia adicionando plataformas de petróleo e gás natural pela quinta semana consecutiva, algo inédito desde fevereiro de 2025.
O número de plataformas de perfuração, um indicador antecipado da produção futura, aumentou em sete, chegando a 558 na semana encerrada em 22 de maio, o maior número desde junho de 2025.
Mesmo assim, a Baker Hughes afirmou que o total ainda está oito plataformas abaixo, ou 1%, em comparação com o mesmo período do ano passado.
Valor - SP 26/05/2026
Tarifaço de Trump e a guerra do Irã levam a um aumento das exportações para a Ásia, especialmente a China
Maior produtor de petróleo do mundo, os EUA têm peso relevante nas exportações brasileiras da commodity e derivados, respondendo por cerca de 11%. Em 2025, essas vendas, lideradas pela Petrobras, renderam US$ 6,3 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
No entanto, o tarifaço - que acabou isentando o petróleo, mas criou incertezas comerciais - e a guerra do Irã, reconfiguraram os fluxos comerciais brasileiros, que passaram a ter a Ásia como foco, especialmente a China.
Já no primeiro trimestre de 2026, as exportações de petróleo brasileiro para os EUA foram de US$ 632,3 milhões, cerca de 40% a menos do que no mesmo período do ano passado, com ausência da Petrobras e o espaço ocupado por petroleiras independentes.
Especialistas acreditam que o crescimento das vendas de petróleo e derivados aos EUA depende de oportunidades, uma vez que o mercado americano é visto como secundário. Isso porque, além dos recordes da produção estadunidense, há o apetite asiático crescente, especialmente da China, pelo petróleo brasileiro.
Por outro lado, o mercado dos EUA é o maior consumidor mundial do energético e o Brasil conta com a vantagem da proximidade logística. De forma que manter a perspectiva de mais vendas para lá, dizem os especialistas, serve para diversificar destinos, reduzindo a dependência da Ásia.
A Petrobras, principal exportadora de petróleo e derivados brasileiros, vendeu aos Estados Unidos em 2025, um total de 21,5 milhões de barris de petróleo cru, óleo combustível e gasolina. Em 2024, a venda total chegou a 32,5 milhões de barris. Não houve exportação de óleo bruto no primeiro trimestre de 2026, mas no mesmo período do ano passado, 1,9 milhão de barris brasileiros aportaram nos EUA. A estatal considera os EUA um mercado “de grande relevância, favorecido pela proximidade geográfica com o Brasil, o que assegura custos de frete competitivos”.
Pedro Souza, líder de óleo e gás da consultoria BIP, avalia que os EUA, embora relevantes, são também um mercado altamente competitivo, com fornecedores consolidados. “O Brasil vende para os EUA quando o preço, o frete, a qualidade do óleo e a demanda das refinarias fazem sentido.”
O óleo exportado para os Estados Unidos é do tipo pesado (“heavy oil”), lembra Manuel Fernandes, sócio-líder de energia e recursos naturais da KPMG. É, acrescenta ele, um tipo de menor demanda na Ásia - onde a preferência é pelo óleo de baixo enxofre. Por isso, as vendas para os estadunidenses têm uma importância crítica. “O Brasil não tem capacidade interna para processar todo o óleo pesado que produz. Além disso, precisar diversificar, reduzindo a forte concentração na Ásia”, diz.
A insegurança em rotas marítimas - especialmente pelo conflito no Oriente Médio - favorece fornecedores mais próximos geograficamente dos EUA. Isso porque reduz o custo com frete marítimo e oferece maior estabilidade de suprimento. Esse é um aspecto, observa João Victor Marques Cardoso, pesquisador da FGV Energia, que poderia alavancar a inserção do petróleo brasileiro nos EUA.
Os Estados Unidos, aponta ele, embora respondam por 11%, em média, das exportações nacionais de petróleo, têm uma dependência menor do Brasil. Apenas 3,2% do total importado pelos estadunidenses é brasileiro. “Outros players possuem maior penetração no mercado americano. O Canadá representa 63%, países do Golfo Pérsico, 8%; o México, 6% e Guiana, 3,4%”, diz Cardoso.
Em outra frente, grandes petroleiras americanas demonstram interesse em atuar em novas fronteiras exploratórias no Brasil. A ExxonMobil e a Chevron, por exemplo, adquiriram, em 2025, ativos na bacia da foz do Amazonas, na Margem Equatorial.
A primeira ficou com dez blocos, em parceria com a Petrobras, e a segunda arrematou nove, em consórcio com a chinesa CNPC. A atuação dessas empresas na exploração e produção no Brasil não necessariamente representa mais vendas ao seu país de origem. De modo geral, elas atuam pela lógica global de trading e otimização de portfólio.
“Olhando para a Opep [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] e a situação geopolítica, além da geoeconomia atual, é bem provável que os Estados Unidos vejam o petróleo brasileiro como forma de diversificação”, diz o professor Roberto Dumas, do Insper.
O Brasil, afirma o professor, sendo um território sem guerras, pode fazer com que as petroleiras americanas se sintam propensas a investir aqui. “Mas ainda é cedo para dizer que há uma revoada desses investimentos”, avalia.
CNN Brasil - SP 26/05/2026
Três grupos apresentaram propostas para o leilão da Rota dos Sertões, concessão rodoviária que abrange trechos na Bahia e em Pernambuco, segundo apurou a CNN.
Uma das ofertas é da Odebrecht, por meio da Nova Infra Invest, o que marca o retorno da empreiteira às disputas por leilões federais no setor.
A empresa participa do certame em consórcio com a portuguesa Mota-Engil -- responsável pela construção do Túnel Santos-Guarujá e que negocia a aquisição da Bamin, atual concessionária da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) --, além da Galápagos.
A Mota-Engil tem participação acionária da gigante chinesa CCCC. A Galápagos também se juntou ao consórcio.
Os envelopes foram entregues nesta segunda-feira (25), na sede da B3, e o leilão está previsto para quinta-feira (28).
Essa não é a primeira tentativa recente da Odebrecht de voltar ao setor. Em outubro do ano passado, a companhia também apresentou proposta para o Lote 6 de rodovias do Mato Grosso, mas acabou derrotada por outro grupo.
Antes de vender seus ativos rodoviários, após os desdobramentos da Operação Lava Jato, a Odebrecht chegou a operar duas concessões em Pernambuco e uma na Bahia.
O segundo envelope entregue foi o da Yvy Capital, fundo criado em 2023 pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes e pelo ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) Gustavo Montezano, após deixarem o governo federal.
O fundo participa do leilão em consórcio com a Infra Brasil Investimento e com o grupo Houer, que é responsável pela gestão de diversas concessões e PPPs e com ligação com o agronegócio.
A terceira proposta foi apresentada pelo grupo Aspen em parceria com o grupo DMDL. A Aspen atua nacionalmente nas áreas de engenharia civil, locação de máquinas pesadas, manutenção e fornecimento de insumos. Por meio da divisão de mineração, a companhia fornece asfalto e concreto para obras públicas e privadas.
Já o grupo DMDL atua principalmente nos segmentos de engenharia, arquitetura e gestão de infraestrutura e grandes eventos, com projetos voltados para os setores corporativo, esportivo e governamental.
A Rota dos Sertões possui mais de 500 quilômetros de extensão. O projeto inclui cerca de 429 quilômetros da BR-116 na Bahia, outros 66 quilômetros em Pernambuco e um trecho de 7,2 quilômetros da BR-324, também na Bahia, que integra o anel viário de Feira de Santana.
O critério do leilão será o menor valor de tarifa de pedágio associado a aportes financeiros conforme o deságio ofertado. O contrato terá duração de 30 anos e prevê aproximadamente R$ 4,3 bilhões em investimentos.
Os recursos deverão ser destinados à recuperação do pavimento, duplicações e ampliação da capacidade da rodovia. O vencedor também terá que implantar um contorno viário no trecho da travessia urbana de Serrinha, na Bahia.
Portos e Navios - SP 26/05/2026
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, garantiu que a construção do túnel submerso ligando as cidades de Santos e Guarujá, em São Paulo, será iniciada no primeiro trimestre de 2027 e que há possibilidade de que comecem já em janeiro. Em audiência pública Comissão de Viação Transportes (CVT) da Câmara dos Deputados, na última semana, ele afirmou que todo o processo para o início das obras já foi feito e não há risco de adiamento.
“Não há contestação. É hora de botar a pedra fundamental”, declarou. Na sessão, Franca explicou que o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o modelo de governança firmado entre a Autoridade Portuária de Santos (APS), que administra o Porto de Santos, e o governo do estado de São Paulo, que vão arcar com os custos do empreendimento. Disse ainda que as obras serão monitoradas pela APS e pela Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp).
O edital foi publicado em fevereiro de 2025 e o leilão realizado em setembro daquele ano. Franca ressaltou que o contrato com a empresa vencedora já está assinado e que está mantida a previsão de que o túnel será usado a partir de 2030. “Os aportes já foram feitos pela APS e pelo governo de São Paulo e, em 24 meses, teremos o túnel em funcionamento”, afirmou.
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 26/05/2026
A Massey Ferguson participa da Agroactiva 2026, realizada de 3 a 6 de junho, em Armstrong, Santa Fe, na Argentina, com foco em conectividade, automação e eficiência operacional no campo.
Durante o evento, a marca apresentará os tratores MF 5M, MF 7S e MF 9S, além da plataforma digital FarmENGAGE, solução desenvolvida para integrar dados agronômicos e operacionais em um único ambiente de gestão agrícola.
“Nosso objetivo é ampliar a oferta de soluções voltadas à agricultura de precisão e à mecanização conectada, atendendo desde pequenos e médios produtores até operações agrícolas de larga escala”, afirma Lucas Zanetti, gerente de Marketing de Produto da Massey Ferguson.
Entre os destaques está o lançamento do trator MF 9S, o maior e mais potente da Massey Ferguson, com potência de até 425 cv. A série foi desenvolvida para operações de alta performance e reúne soluções avançadas de automação, conectividade e conforto.
Equipado com piloto automático MF Guide, sistema de manobras automáticas MF AutoTurn e gestão remota via MF Connect, o modelo também se integra à nova plataforma FarmENGAGE, ampliando o gerenciamento de dados operacionais e agronômicos.
“O MF 9S representa um novo patamar em potência, conectividade, conforto e eficiência operacional. É uma solução desenvolvida para atender às demandas da agricultura moderna, com foco em automação, desempenho e gestão inteligente das operações”, destaca Zanetti.
A série traz o motor AGCO Power de seis cilindros e transmissão continuamente variável Dyna-VT, que proporciona maior rendimento operacional e menor consumo de combustível. O design exclusivo Protec-U também contribui para redução de ruído e vibração na cabine, oferecendo mais conforto ao operador durante longas jornadas de trabalho.
Já a nova série MF 5M reúne potência entre 105 cv e 145 cv e mantêm características reconhecidas pelo mercado, como robustez e simplicidade operacional, agora associadas a mais tecnologia embarcada, conectividade e conforto.
“A nova série MF 5M representa uma evolução de linhas que já são referência no mercado. Mantivemos a robustez e a confiabilidade já conhecidas pelos produtores, incorporando novos recursos em design, conforto, eficiência e acesso à tecnologia”, afirma o executivo.
A série conta com transmissão 12x12, opções de reversor mecânico ou Power Shuttle e versões plataformadas ou cabinadas. Entre os diferenciais estão as opções com piloto automático MF Guide e o sistema de telemetria MF Connect, que permitem maior precisão operacional e monitoramento remoto das máquinas.
Outro lançamento apresentado na Agroactiva será o MF 7S, desenvolvido para atender diferentes perfis de operação agrícola. A série combina eficiência, facilidade de operação e redução de custos operacionais, podendo ser configurada com diferentes opções de transmissão, sistemas hidráulicos, cabine e tomada de força.
Projetado para atividades como agricultura mista, cultivo de grãos e prestação de serviços, o MF 7S incorpora tecnologias voltadas ao aumento da produtividade e à melhoria da experiência operacional no campo.
Com a chegada do novo MF 7S, a Massey Ferguson oferece um portfólio robusto de tratores de média e alta potência, que já conta com o MF 8S Dyna-VT, lançado em 2025, além do novo modelo da linha MF 9S, apresentado este ano.
CNN Brasil - SP 26/05/2026
A combinação de juros elevados, margens apertadas e incertezas geopolíticas ainda deve manter o agronegócio brasileiro em um cenário desafiador em 2026. Mas, para a John Deere, o setor continua sólido no longo prazo e o Brasil segue como um dos mercados mais estratégicos da companhia no mundo.
Em entrevista à CNN, Cristiano Correia, vice-presidente global da John Deere no Brasil, afirmou que o setor ainda deve enfrentar “mares revoltos” neste ano, embora exista expectativa de melhora gradual a partir de 2027.
“Este ano ainda é de dificuldade. O ano que vem pode ser melhor, mas isso vai depender de alguns fatores, principalmente margem, preço dos produtos agrícolas, demanda e produção. Também precisamos evitar novos eventos-surpresa no cenário global, como conflitos geopolíticos”, afirmou.
Segundo ele, o Brasil enfrenta um agravante importante em relação a outros mercados: o alto patamar das taxas de juros, que pressiona o investimento do produtor rural e encarece o crédito.
Apesar disso, Correia avalia que o cenário é cíclico e tende a se normalizar.
“O agricultor brasileiro precisa entender que esse é um momento que vai passar. O Brasil é um dos países de destaque no mundo, responsável por uma parcela muito relevante da produção global de alimentos. Além disso, produzimos fibra e energia limpa para o mundo”, disse.
Com 189 anos de história, a John Deere afirma já ter atravessado diferentes ciclos econômicos e agrícolas ao longo das décadas. “Já vimos todos os cenários possíveis. Assim como tivemos anos extremamente positivos, também já enfrentamos momentos difíceis. E sabemos que isso passa”, destacou o executivo.
Tecnologia como principal estratégia
Diante de um mercado mais cauteloso, a estratégia da companhia tem sido ampliar investimentos em soluções capazes de “destravar valor” para o produtor rural.
Segundo Correia, a aposta envolve desde novos softwares até máquinas de última geração e tecnologias embarcadas para diferentes perfis de clientes — produtores de soja, milho, pecuária e silvicultura.
“Estamos vendo muitas oportunidades em tecnologia. E não estamos falando apenas de software novo, mas também de máquinas novas e de soluções capazes de aumentar eficiência e produtividade”, afirmou.
Entre as iniciativas destacadas está o avanço da agricultura de precisão. A empresa vem investindo em kits tecnológicos que permitem modernizar máquinas já existentes, sem que o produtor precise necessariamente adquirir um equipamento novo.
“Quem não consegue comprar uma máquina nova pode atualizar o maquinário atual com tecnologia moderada ou avançada. Isso amplia eficiência e reduz custos”, explicou.
Outro foco estratégico da companhia é o fortalecimento da rede de concessionárias e da assistência técnica remota.
Hoje, segundo a empresa, cerca de 85% dos atendimentos iniciais já são realizados de forma virtual, o que reduz o tempo de resposta e o custo operacional para o produtor.
“O cliente quer apoio instantâneo. O atendimento remoto trouxe avanços importantes na solução de problemas e na redução de custos”, afirmou.
Crédito e expansão no Brasil
A área financeira também aparece como peça importante na estratégia da companhia. O banco da John Deere e a joint venture com o Bradesco têm sido utilizados para ampliar alternativas de financiamento ao produtor rural.
Para a companhia, o Brasil continua sendo o principal foco de crescimento global.
“O Brasil é a menina dos olhos da John Deere. É um mercado extremamente representativo para a empresa e precisamos continuar investindo em pesquisa e desenvolvimento”, disse Correia.
A companhia afirma ter lançado cerca de 20 novidades ao mercado apenas neste ano e pretende manter o ritmo de inovação nos próximos ciclos.
Competição global
Ao comentar o ambiente internacional, o executivo citou o avanço de concorrentes asiáticos, especialmente da China e da Índia, mas afirmou que o Brasil ainda lidera em eficiência agrícola e adoção de tecnologia.
“A China produz muito, mas a demanda também é enorme. A Índia vem investindo fortemente em tecnologia no curto prazo”, avaliou.
Correia também destacou o novo ambiente econômico da Argentina, que reduziu impostos e tributações sobre o setor agrícola, estimulando investimentos locais e retomando a confiança do produtor rural.
“A Argentina tem solo muito bom e o agricultor voltou a acreditar mais na agricultura. Mas o Brasil continua liderando na ponta, principalmente em eficiência e tecnologia”, concluiu.
Exame - SP 26/05/2026
No Dia da Indústria, celebrado em 25 de maio, é importante refletirmos sobre o papel estratégico da indústria brasileira no desenvolvimento de soluções capazes de atender aos desafios atuais e futuros do agronegócio.
Em um cenário marcado por mudanças climáticas, crescimento da agricultura tropical e necessidade crescente de eficiência operacional, o Brasil tem se consolidado como um dos principais polos globais de engenharia agrícola.
A agricultura brasileira opera em um ambiente extremamente dinâmico, com diferentes tipos de solo, relevo, clima e sistemas produtivos.
Essa diversidade transforma o país em um laboratório natural para o desenvolvimento de tecnologias mais robustas, versáteis e adaptadas às condições severas de operação.
Não por acaso, muitas soluções criadas aqui passam a atender produtores em diferentes regiões do mundo.
Estrutura industrial e soluções integradas
O Brasil abriga uma importante estrutura industrial e de inovação voltada ao desenvolvimento de máquinas agrícolas, sistemas e tecnologias agrícolas.
As operações instaladas no país desempenham papel estratégico na criação de soluções focadas em produtividade, sustentabilidade e eficiência no campo.
Resposta rápida à variabilidade climática
Os projetos desenvolvidos nacionalmente têm como foco equipamentos cada vez mais eficientes, conectados e preparados para operar em cenários de alta variabilidade climática.
Fenômenos como El Niño e La Niña vêm alterando o comportamento das safras e reduzindo as janelas ideais para operações agrícolas.
Isso exige máquinas capazes de entregar maior rendimento operacional, precisão e confiabilidade em períodos mais curtos de trabalho.
A engenharia agrícola tem papel fundamental para apoiar o produtor rural na tomada de decisões mais rápidas e eficientes.
O desenvolvimento tecnológico passa, necessariamente, pela proximidade com o campo.
Ouvir produtores, entender os desafios operacionais das lavouras e acompanhar as diferentes realidades agrícolas faz parte do processo de criação de soluções mais alinhadas às necessidades do mercado.
Transição energética e biocombustíveis no campo
Outro tema que vem ganhando protagonismo na indústria agrícola é a transição energética.
O setor de máquinas agrícolas tem avançado no desenvolvimento de soluções compatíveis com biocombustíveis e novas matrizes energéticas, buscando reduzir emissões sem comprometer desempenho e produtividade.
Entre os avanços recentes, destaca-se o desenvolvimento de motores movidos a etanol, resultado de anos de pesquisas, testes e validações conduzidos no Brasil em parceria com produtores rurais, usinas e concessionários.
As soluções contribuem para uma redução significativa das emissões de CO2 e reforçam o potencial dos biocombustíveis na agricultura.
Modernização e investimentos estratégicos
Paralelamente ao desenvolvimento de novas tecnologias, a modernização industrial também vem avançando.
Nos últimos anos, o setor ampliou investimentos em engenharia, manufatura e centros de desenvolvimento no Brasil, reforçando a importância estratégica da operação brasileira para a evolução da agricultura global.
A indústria brasileira tem demonstrado sua capacidade de liderar transformações relevantes para o futuro do agronegócio.
Desenvolver tecnologias no Brasil significa criar soluções em um dos ambientes agrícolas mais exigentes do mundo, e isso impulsiona a inovação de forma consistente.
Mais do que acompanhar as mudanças do setor, a indústria nacional tem contribuído ativamente para construir uma agricultura mais eficiente, sustentável e preparada para os desafios das próximas décadas.