CNN Brasil - SP 26/01/2026
As vendas de aços planos por distribuidores no Brasil este ano devem subir 1,5%, o terceiro ano seguido de fraco crescimento, com um desempenho melhor no segundo semestre ante a primeira metade do ano, afirmou a Inda (Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço) nesta quinta-feira (22).
"O crescimento do ano (2025) foi muito fraco. Prevíamos 1,5% (de alta) e cresceu 1,3%", afirmou o presidente do Inda, Carlos Loureiro, nesta quinta-feira ao comentar o volume de 3,89 milhões de toneladas vendidas por distribuidores no ano passado. "Foram dois anos muito fracos, 1,1% em 2024 e agora 1,3%", acrescentou, citando como fator de pressão a importação de aço em grandes volumes pelo Brasil.
A venda dos distribuidores de aço plano em dezembro caiu 20,4% ante novembro e recuou 0,4% na comparação anual, para 248,3 mil toneladas. Para janeiro, a expectativa é de expansão de 15% ante o mês anterior, para 285,6 mil toneladas, mas isso representa uma queda de 10,8% na comparação com janeiro de 2025.
E depois de terem repassado aumentos de preços de 5% a 8% aos distribuidores em janeiro, as usinas estão indicando novos reajustes, de mesma intensidade, em fevereiro, disse Loureiro.
Mas a força de imposição deste segundo reajuste, disse o presidente do Inda, dependerá da decisão do governo de adotar ou não neste mês medidas antidumping contra importações de aço laminado a frio.
O assunto do antidumping está sendo uma ameaça, mas não uma realidade", disse Loureiro, citando que desde o final do ano passado o setor siderúrgico tem aguardado as medidas de defesa comercial pelo governo, expectativa que em parte ajudou nas compras dos distribuidores em dezembro, que subiram 5,7% ante um ano antes.
"Todas as usinas garantiram que implantaram o aumento para todo mundo... Nós (distribuidores) é que não conseguimos implantar (aos clientes)", disse Loureiro, citando que, com isso, o estoque dos distribuidores terminou 2025 em nível "muito alto": a 1,129 milhão de toneladas, 11,4% acima do final de 2024 e equivalente a 4,5 meses de vendas.
O Inda espera uma queda nas importações de aço plano pelo Brasil este ano, em parte decorrente da expectativa sobre a adoção de sobretaxas pelo governo por conta dos processos antidumping, que além de laminados a frio e galvanizados incluem laminados a quente.
Segundo a entidade, as importações de aços planos no Brasil em dezembro subiram 66,6%, para 205,7 mil toneladas, encerrando o ano em alta de 24,1%, para 3,33 milhões. Loureiro afirmou que a partir do segundo trimestre deve ocorrer uma redução das importações, diante da queda nas filas de desembarques nos portos do país, notadamente no Sul, onde está a principal porta de entrada de aço no Brasil, o porto de São Francisco do Sul (SC).
"O último lineup deu menos de 500 mil toneladas, já chegou acima de 1 milhão de toneladas", afirmou.
Nas contas do Inda, no ano passado, a participação das importações em relação à produção nacional de aços planos chegou a 29,5%, maior nível dos últimos 10 anos. Já ante as vendas de aços planos no mercado interno a importação foi equivalente a 32,5%, também maior nível em 10 anos. Já considerando apenas as vendas dos distribuidores, as importações de aço no ano passado foram equivalentes a 85,5% do volume comercializado pelo setor. Em 2020, essa proporção era de cerca de 26%.
No ano passado, o maior exportador de aço ao Brasil foi a China, com 2,32 milhões de toneladas, 0,6% acima do volume de 2024, segundo os dados do Inda. O destaque das origens ficou com Coreia do Sul, que elevou as exportações de aços planos ao Brasil em quase cinco vezes em 2025, para cerca de 650 mil toneladas. O Egito também foi destaque, com crescimento das vendas ao Brasil que passaram de 40,7 mil toneladas em 2024, para 141,4 mil em 2025.
O Estado de S.Paulo - SP 26/01/2026
A China continua a liderar, com folga, o ranking de maior produtor mundial de aço, com mais da metade do volume de metal bruto produzido. É também o país onde mais se consomem produtos siderúrgicos. O segundo colocado, a Índia, está vários degraus abaixo, porém em contínuo ritmo de expansão anual (ver os dez maiores fabricantes em tabela abaixo).
Os números foram divulgados nesta sexta-feira, 23, em Bruxelas (Bélgica), durante a publicação anual do balanço da Associação Mundial do Aço (Worldsteel).
A indústria siderúrgica chinesa, apesar da sua pujança, parece ter batido no teto e começa a refluir. Depois de ter superado a barreira de 1 bilhão de toneladas fabricadas em plena pandemia, em 2020, a China encerrou o ano passado com recuo de 4,4%, em 960,8 milhões de toneladas de aço bruto. Em dezembro, o recuo foi de 10,3%.
O volume global de aço bruto fabricado foi de 1,804 bilhão de toneladas, com retração de 2% sobre 2024. A China representou 53% do volume total.
O resultado chinês é decorrente da desaceleração econômica do país, cujo Produto Interno Bruto (PIB) ficou na casa de 5% de alta na comparação com 2024.
O mercado imobiliário, grande consumidor de aço na China, regrediu nos últimos anos — saiu de 30% a 35% do volume consumido para cerca de um quinto do total da demanda, conforme informações de publicações especializadas.
Em seu relatório de outubro, de perspectivas de curto prazo (Short Range Outlook-SRO), a Worldsteel informou que previa continuidade da trajetória de queda na demanda por aço na China em 2025, com redução da ordem de 2%. Isso se refletia no volume de aço ofertado pelas siderúrgicas do país.
“Essa previsão representa uma moderação na tendência de baixa observada desde 2021, impulsionada principalmente pela retração contínua do mercado imobiliário. Para 2026, projetamos que a queda desacelere mais, para 1%, à medida que o mercado imobiliário se estabilize”, destacou a entidade.
Mesmo com barreiras em diversas partes do mundo, em especial nos Estados Unidos, onde tem uma tarifa de 70% e não tem vendido praticamente nada, a China exportou no ano passado um recorde de 119,02 milhões de toneladas, alta de 7,5% frente a 2024, de acordo com a Associação Chinesa de Ferro e Aço (CISA). As vendas ao exterior cresceram para tentar compensar (parcialmente) a retração do mercado doméstico, avaliam especialistas.
A força da Índia
Ao mesmo tempo, conforme a Worldsteel, a siderurgia da Índia manteve seu ritmo de crescimento anual de 8% a 9%. “Nossas projeções indicam que a demanda por aço na Índia continuará a crescer, com aumento de cerca de 9% entre 2025 e 2026, impulsionada pelo crescimento contínuo em todos os setores consumidores de aço”.
Nesse cenário, a Índia encerrou 2025 com produção de 164,9 milhões de toneladas, o que representou expansão de 10,4% na comparação com 2024. O plano do governo indiano é de, até o fim desta década, superar a marca de 250 milhões de toneladas de produção de aço bruto para atender à demanda interna da economia do país mais populoso do mundo.
O país conta com reservas abundantes de minério de ferro para dar suporte à sua indústria de aço. “Em 2026, a demanda por aço no país deverá ser quase 75 milhões de toneladas maior do que a registrada em 2020", destacou a Worldsteel.
Surpresas de EUA e Turquia
O ranking da associação mundial do aço trouxe duas mudanças de posições: os Estados Unidos saltando para a terceira posição, tradicionalmente ocupada pelo Japão, e a Turquia superando a Alemanha, saltando para o sétimo lugar.
A siderurgia americana, que ganhou tração com imposição de tarifas de 50% na importação de aço por Donald Trump, encerrou 2025 com produção de 82 milhões de toneladas, representando aumento de 3,1% contra 2024.
A produção de aço na Turquia vem se destacando ao longo de uma década. Inicialmente, passou a figurar entre os dez maiores países produtores. Depois superou o Brasil e, agora, a Alemanha, onde essa atividade está estagnada.
A Turquia cresceu 3,3% (para 38,1 milhões de toneladas) enquanto a Alemanha teve tombo de 8,6% (para 34,1 milhões de toneladas).
O Brasil aparece em nono lugar do ranking da Worldsteel, repetindo a posição dos últimos anos. A produção em 2025 ficou em 33,3 milhões de toneladas, recuo de 1,6% frente ao ano anterior. O país já chegou a fabricar 36 milhões, volume máximo que a indústria atingiu em sua história.
O Instituto Aço Brasil afirma que o setor no País poderia estar produzindo mais não fosse a forte entrada de aço importado no mercado local — 5,78 milhões de produtos laminados em 2025 —, principalmente da China. O setor tenta estancar as importações com ações antidumping levadas ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
Domínio das companhias chinesas
A Worldsteel publica também, a cada ano, a lista das 50 maiores fabricantes de aço. A liderança é chinesa. Nas dez maiores, seis são companhias da China, que, em geral, têm a presença do Estado na sua estrutura de capital. O grupo Baowu, fruto de uma série de fusões de siderúrgicas, é a número 1, com 130 milhões de toneladas de produção em 2024 (ver lista das dez maiores). O ranking referente a 2025 deve ser publicado ao longo do ano.
A ArcelorMittal, com sede oficial em Luxemburgo, e corporativa em Londres, é a segunda da lista, com metade do volume produzido pela Baowu. A empresa, que já foi a líder global, é controlada pela família do empresário indiano Lakshmi Mittal, No ranking das 50, aparecem quatro americanas: Nucor (16ª), Cleveland-Cliffs (23ª). U.S. Steel (29ª) e Steel Dynamics (43ª).
Somente duas companhias latino-americanas figuram entre as 50 maiores do mundo. O grupo ítalo-argentino Techint, dono da Ternium e que pertence ao empresário Paolo Rocca, na 28ª posição. No 33º lugar está a brasileira Gerdau, comandada pela dinastia familiar Johannpeter Gerdau.
A Worldsteel estimou, para 2026, em seu relatório (SRO) de outubro — em abril haverá uma atualização — uma leve recuperação de 1,3% na demanda global de aço, para 1,77 bilhão de toneladas.
Money Times - SP 26/01/2026
O BTG Pactual rebaixou a recomendação das ações da Gerdau (GGBR4) de compra para neutra nesta sexta-feira (23).
O banco, porém, revisou para cima o preço-alvo de R$ 20 para R$ 25 no final de 2026 – o que implica em um potencial de valorização de 8,3% sobre o preço de fechamento de ontem (22), quando a ação encerrou cotada a R$ 23,08.
Em relatório a clientes, os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Bruno Henriques afirmam que a visão de “que a siderúrgica é a melhor operação no setor no Brasil permanece inalterada”.
No entanto, apesar do otimismo, a relação risco-retorno das ações GGBR4 está “menos atrativa do que antes”, após a valorização de 40% nos últimos seis esses. “É prudente realizar parte dos lucros nesses níveis”, avaliam os analistas.
“Para ser claro, esta é principalmente uma decisão de valuation, uma vez que estamos fazendo apenas mudanças marginais em nosso modelo”, acrescentaram.
O trio de analistas também continuam a ver um “ambiente de duas histórias”: “desempenho muito forte nos Estados Unidos” e fundamentos “fracos” no Brasil.
Além disso, os rendimentos (yields) de geração de caixa estão mais limitados, na visão do BTG Pactual. “Os yields de fluxo de caixa comprimindo para 6% a 7%, ante 10% a 11%, acreditamos que a margem de segurança se estreitou.”
O banco também não vê benefícios tangíveis para a Gerdau em 2026 decorrentes dos processos antidumping em andamento no Brasil, “o que tempera nosso otimismo em relação a qualquer formação de piso no mercado doméstico no curto prazo.”
Com a revisão da recomendação, as ações da siderúrgica operam em queda nesta sexta-feira (23), figurando entre as maiores perdas do Ibovespa (IBOV), com recuo de mais de 2%. Na mínima intradia, GGBR4 recuou 2,64% (R$ 22,47).
Na última hora do pregão, os papéis inverteram o sinal e subiram, encerrando o dia com alta de 0,74%, a R$ 23,25.
Em 2026, as ações da companhia já acumulam valorização de cerca de 14,03%.
EUA já precificado
O BTG Pactual avalia que o “bom momento” nas operações nos Estados Unidos já está “em grande parte” precificada.
“A dinâmica na divisão dos EUA permanece tão forte quanto sempre, mas acreditamos que o potencial de alta proveniente de revisões de lucro já está, em grande parte, precificado neste momento”, afirmaram os analistas.
O banco também considera a revisão do acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) como um fator de risco para a companhia.
Os analistas destacam que México e Canadá estão sujeitos à tarifa “recíproca”, anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump em abril do ano passado, de 50%.
“Uma possível mudança para um sistema baseado em cotas ou isenções plenas sob um acordo renovado provavelmente levaria a uma convergência dos spreads regionais a partir dos níveis atualmente elevados.”
O que esperar do 4T25?
Para o quarto trimestre (4T25), o BTG Pactual espera números mais fracos, principalmente devido a um ambiente mais suave no Brasil e à sazonalidade.
A divisão dos EUA deve continuar sendo o principal destaque positivo do último trimestre de 2025, com margens atingindo 21% e respondendo por mais de 70% da geração de Ebitda (lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização) da Gerdau.
Por outro lado, o Brasil deve apresentar um dos níveis de rentabilidade mais fracos da história, com margens de Ebitda em torno de 6% a 7%.
“É importante lembrar que isso já inclui o segmento de aços especiais, que normalmente ajuda a melhorar os níveis de margem”, afirmam os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Bruno Henriques, que assinam o relatório.
Há também a expectativa de uma geração positiva de fluxo de caixa no trimestre, mas majoritariamente relacionada a uma forte liberação de capital de giro (capital de giro), “usualmente associada a esta época do ano”.
O Estado de S.Paulo - SP 26/01/2026
O Grupo Açotubo, empresa industrial e de distribuição de aço, encerrou 2025 com faturamento superior a R$ 2 bilhões e iniciou 2026 com uma reorganização societária que unifica os CNPJs de suas empresas em uma única estrutura comercial. O movimento estabelece um capital social de R$ 600 milhões e um ativo total acima de R$ 1 bilhão.
Segundo a companhia, a reorganização busca simplificar e integrar as operações hoje dispersas entre diferentes empresas do grupo, capturar sinergias operacionais e reduzir redundâncias administrativas.
Como parte da estratégia de crescimento, o grupo anunciou um plano de investimentos de cerca de R$ 30 milhões para este ano, valor 25% superior aos R$ 24 milhões investidos no ano anterior. Os recursos devem ser direcionados principalmente à renovação da frota de veículos e a iniciativas ligadas à expansão internacional, incluindo preparativos para entrada no mercado dos Estados Unidos e o reforço das operações na América Latina.
Receita pode crescer até 8%
Com isso, a empresa projeta crescimento de receita de até 8% neste ano, apoiado na expansão para novos mercados e no avanço em segmentos como papel e celulose, mecânico e metalúrgico, automotivo e máquinas agrícolas.
Infomoney - SP 26/01/2026
O crescimento da atividade empresarial dos Estados Unidos â permaneceu quase inalterado em janeiro, quando a melhora no volume de novos pedidos foi compensada por um mercado de trabalho fraco e por preocupações persistentes entre as empresas em relação aos custos mais elevados devido às tarifas de importação, segundo uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira.
A S&P Global informou que o seu Índice de Gerentes de Compras (PMI) Composto preliminar dos EUA, que acompanha os setores industrial e de serviços, subiu ligeiramente para 52,8 neste mês, de 52,7 em dezembro. Uma leitura acima de 50 indica expansão no setor privado. Os PMIs preliminares de serviços e de manufatura tiveram pouca alteração este mês.
A S&P Global disse que o PMI Composto foi consistente com uma moderação no crescimento econômico na virada do ano.
O governo informou na quinta-feira que a economia cresceu a um ritmo anualizado de 4,4% no terceiro trimestre, impulsionada por fortes gastos de consumidores e empresas com produtos de propriedade intelectual, provavelmente relacionados à inteligência artificial, bem como por um déficit comercial menor.
A pesquisa continuou a mostrar um quadro de estagnação do mercado de trabalho, o que, segundo a S&P Global, reflete as preocupações com o aumento dos custos e o crescimento mais fraco das vendas nos últimos meses. A medida de emprego no setor â privado subiu de â 50,3 no mês passado para 50,5 em janeiro.
O indicador de preços solicitados pelas empresas para mercadorias e serviços caiu para 57,2, ainda entre os mais altos registrados nos últimos três anos, em comparação com 57,3 em dezembro. Uma medida de preços pagos por insumos recuou para 59,7, de 61,9 no mês passado.
As medidas de preços elevados sugerem que a inflação pode permanecer alta por algum tempo. As empresas absorveram algumas das tarifas do presidente Donald Trump, o que ajudou a evitar um grande e temido aumento da inflação.
O Federal Reserve deve deixar a taxa de juros inalterada na próxima semana, enquanto as autoridades observam a inflação e o mercado de trabalho.
O Estado de S.Paulo - SP 26/01/2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltou indicadores econômicos em discurso no Rio Grande do Sul esta semana. Disse que terminará o seu terceiro mandato com a inflação média mais baixa da história, o desemprego na mínima, e recordes de crescimento da massa salarial e do total exportado. O problema é que tudo isso também vem acompanhado de um forte aumento da dívida pública. O modelo econômico atual não é sustentável, e Lula insiste em não enxergar o óbvio.
Os números mostram que a dívida bruta no terceiro mandato de Lula saltou de 71,68%, em dezembro de 2022, para 79%, em novembro deste ano, último dado disponível. Um crescimento de 7,32 pontos percentuais em apenas três anos. Quando os economistas projetam o que vem pela frente, caso tudo fique constante, chega-se à constatação de que o Brasil terá problemas com as contas públicas, o que em última análise vai se transformar em disparada do dólar, da inflação e dos juros.
Lula 3 só ganha do período Dilma/Temer em termos de crescimento da dívida, desde que a série histórica atual do Banco Central teve início, em 2006. Entre 2015 e 2018, a dívida subiu 19 pontos percentuais, refletindo a hecatombe econômica provocada pelo governo da ex-presidente, que perdeu as condições políticas de terminar o mandato. Ainda que o crescimento agora seja menor, o seu ritmo de alta é claramente inviável.
Em seu segundo mandato, entre 2007 e 2010, Lula reduziu a dívida em 3,71 pontos porcentuais. No governo Bolsonaro também houve queda, de 3,59 pontos. Agora, esse forte aumento de 7,32 pontos em apenas três anos.
A equipe econômica culpa as despesas com juros para explicar essa alta, e afirma que vem reduzindo o déficit primário ano a ano. A questão é que esse ajuste lento vai exigir um superávit primário ainda mais alto para reequilibrar a dívida: quem deve mais precisa economizar mais para voltar ao azul.
O Brasil hoje só não vive uma crise aguda de desconfiança porque vários países do mundo estão ampliando gastos e aumentando também as suas dívidas. Isso atenua a nossa piora em termos relativos. E o mercado financeiro acredita que um governo de oposição vá vencer as eleições de outubro e reequilibrar as contas. Uma aposta arriscada dos investidores, já que Lula continua favorito.
Esses dois fatores podem se esvair rapidamente e levar a economia a passar por uma forte correção nos preços dos ativos, em caso de continuidade do governo. A pergunta que fica é: nesse cenário, Lula vai corrigir o rumo ou dobrar a aposta? Essa é a dúvida que paira na cabeça de empresários e investidores.
O Estado de S.Paulo - SP 26/01/2026
A atuação errática de Donald Trump produziu um efeito que vai muito além de disputas comerciais pontuais: governos ao redor do mundo estão sendo forçados a repensar o grau de dependência que mantêm em relação aos Estados Unidos. Governos europeus, latino-americanos e asiáticos, principalmente, discutem como reduzir vulnerabilidades estratégicas diante de um parceiro cada vez mais imprevisível. O caso da Alemanha, um dos países mais dependentes de Washington, é especialmente instrutivo — inclusive para o Brasil.
Em Berlim, onde sucessivos governos erraram ao tratar ameaças americanas, durante o primeiro mandato Trump, como um desvio temporário, ignorando os sinais de alerta daquele período —, a postura intimidatória de Trump em relação à Groenlândia teve um efeito catalisador. Ela reforçou uma percepção que já vinha se consolidando: a Alemanha se tornou excessivamente dependente dos Estados Unidos em áreas críticas para sua soberania. Isso é visível na defesa, com a recente encomenda de caças F-35 sem alternativa europeia equivalente; no espaço e nas comunicações, com a crescente dependência da rede Starlink; e, sobretudo, no setor digital. A economia alemã opera majoritariamente sobre infraestrutura controlada por empresas americanas, como Amazon, Microsoft e Google.
Como relata Julia Löhr do Frankfurter Allgemeine Zeitung, pesquisas recentes indicam que 51% das empresas alemãs se consideram fortemente dependentes dos EUA em tecnologias digitais, enquanto 60% afirmam confiar pouco ou nada em Washington — um nível de desconfiança que já se aproxima daquele associado à China. As dependências se estendem ainda às finanças e à energia: cartões de crédito, sistemas de pagamento e, após o corte do gás russo, a maioria do gás natural liquefeito importado pela Alemanha passou a vir dos Estados Unidos. Trata-se de uma nova vulnerabilidade estratégica, criada para substituir outra.
Por que os experimentos de tutela americana na América Latina fracassaram
A resposta que ganha força no debate alemão é o chamado de-risking: incorporar soberania como critério explícito em compras públicas e decisões estratégicas. Isso significa priorizar alternativas europeias em áreas como nuvem, inteligência artificial, software e meios de pagamento, mesmo que isso implique custos e dificuldades no curto prazo. A migração do governo estadual de Schleswig-Holstein para softwares de código aberto mostra que o processo é complexo, mas viável.
Para o Brasil, a lição central é clara. Autonomia estratégica não significa romper com os Estados Unidos – uma ruptura seria economicamente inviável e geopoliticamente contraproducente. O desafio é reduzir dependências críticas e ampliar margens de manobra em setores sensíveis, em um mundo no qual interdependência pode rapidamente se transformar em instrumento de coerção.
O Brasil apresenta vulnerabilidades próprias, muitas vezes subestimadas. Na infraestrutura digital, por exemplo, a dependência de serviços americanos é profunda. A Starlink tornou-se a principal fornecedora de internet via satélite no país, com centenas de milhares de usuários e uso crescente em comunicações estratégicas. Uma eventual suspensão desses serviços — por decisão política em Washington — poderia gerar apagões em áreas remotas e comprometer comunicações cruciais. Além disso, uma parte relevante dos dados brasileiros, inclusive de bancos, do Pix e de serviços públicos, está hospedada em data centers nos Estados Unidos. Reduzir a dependência brasileira nessa área será caro, mas se tornou imprescindível.
No campo militar, a situação não é muito diferente. Sistemas de comando, controle e inteligência das Forças Armadas dependem de softwares, licenças e atualizações americanas. A aviação de combate opera com sensores e componentes sob controle estrangeiro, e a cooperação em treinamento e inteligência permanece concentrada nos EUA. Qualquer interrupção abrupta nesse fluxo teria impactos imediatos.
A resposta brasileira, no entanto, não deve ser a substituição de uma dependência por outra, nem a adoção de um discurso de confronto. O caminho mais promissor é a diversificação combinada com fortalecimento de capacidades domésticas. Isso envolve ampliar parcerias com países europeus, Índia, Coreia do Sul, Canadá, Turquia e outros atores em áreas como defesa, conectividade e tecnologia, ao mesmo tempo em que se investe em pesquisa, desenvolvimento e indústria nacional.
É nesse ponto que a cooperação seletiva com os Estados Unidos continua sendo não apenas possível, mas desejável. O debate em torno dos minerais críticos — especialmente as terras raras — ilustra bem essa lógica. O Brasil detém uma das maiores reservas do mundo, ainda largamente inexploradas, e pode se tornar um parceiro relevante para Washington em sua tentativa de reduzir a dependência da China nesse setor estratégico. Para o Brasil, acordos desse tipo fazem sentido, mas precisam ser acompanhados de transferência de tecnologia, investimentos em processamento local e fortalecimento da cadeia produtiva nacional — e não apenas de exportação de matéria-prima.
Preservar laços com os EUA e, simultaneamente, construir alternativas são uma estratégia de seguro geopolítico. A experiência alemã mostra que ignorar dependências até que elas se tornem um problema geopolítico é um erro grave.
CNN Brasil - SP 26/01/2026
A cúpula do BC (Banco Central) realiza nesta semana a primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 2026, com investidores já antecipando a decisão de juros estacionados no atual patamar de 15% — o mais elevado em quase 20 anos.
Termômetros do mercado e análises reforçam que o esperado movimento de afrouxamento da Selic deve ficar para março, diante de dados difusos da atividade doméstica e o acirramento das tensões globais.
O Sistema Expectativas de Mercado, apurado semanalmente pelo BC, mostra que a mediana dos agentes econômicos aposta em manutenção dos juros de 15% nesta quarta-feira (28).
As estimativas apontam que os juros fecham o ano em 12%, e não devem ficar abaixo de dois dígitos antes do final de 2027.
Contratos de opção de Copom negociados na B3 apontam para a mesma direção, com 83% dos investidores enxergando novamente os juros inalterados.
A expectativa de mais uma manutenção do BC é respaldada pelas indicações do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, da dependência dos dados para a tomada de decisões.
Números recentes do mercado de trabalho mostram que o desemprego segue nas mínimas históricas, indicando uma economia ainda aquecida.
Por outro lado, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) segue gradualmente para o centro da meta, enquanto o dólar mantém sinais de arrefecimento no mercado doméstico.
Em nota, analistas do Santander reforçam que o cenário desde início de 2026 está bastante semelhante ao de dezembro, quando o Copom realizou a última reunião de 2025 e optou por deixar os juros em 15% pela quarta decisão seguida.
Com esses sinais ainda apontando caminhos diferentes, é esperado que o BC siga na toada de manutenção da Selic nesta semana.
"A desinflação avançou, a inflação dos serviços e o mercado de trabalho mantêm-se firmes, e a atividade econômica demonstra uma moderação heterogênea, consistente com a manutenção de uma postura contracionista", afirma o time de analistas.
O fator externo também corrobora com a percepção de postergação do corte de juros.
Desde a última reunião do Copom, o cenário geopolítico ficou mais desafiador com a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela e o acirramento das tensões com as investidas de Donald Trump contra aliados europeus.
Além disso, desde o fim do ano passado já é esperada a pausa no ciclo de cortes do Fed (Federal Reserve), após três cortes consecutivos ao longo de 2025.
Outro fator que pesa para o adiamento da decisão de corte agora é a reestruturação do quadro de diretores do BC.
O primeiro Copom de 2026 terá dois lugares a menos com as saídas de dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diogo Guillen.
Ambos são os últimos indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a cúpula da autoridade monetária. Agora, cabe ao presidente Lula (PT) apresentar novos nomes para preencher as vagas.
Mudança de discurso
Apesar da esperada manutenção, analistas apontam que o BC pode começar a dar sinais de afrouxamento monetário no comunicado publicado com a decisão desta quarta-feira.
Ao longo dos últimos meses, o Copom adotou uma postura mais "hawkish" — jargão do mercado para discurso mais duro —, reforçando em diversas vezes o mantra de manter os juros altos por "período bastante prolongado", e sempre deixando claro que "não hesitará" em retomar o ciclo de alta "caso julgue apropriado".
O Goldman Sachs projeta um ajuste no tom do comunicado, embora sem um sinal claro de forte de flexibilização da política monetária.
A mudança, escreveram os analistas, pode vir com a indicação em texto de que os juros ficaram restritivos por um período razoavelmente longo, e a estratégia está funcionando como o esperado.
"Ao fazê-lo, o Copom manteria a flexibilidade para avaliar a possibilidade de um corte das taxas na reunião de março, empregando uma linguagem cautelosa que evite assumir compromissos definitivos em relação a tal medida".
O time de análise do Santander aponta para uma direção semelhante, apesar de mostrar mais cautela com mudanças no tom do comunicado.
"Embora não seja o nosso cenário principal, o Copom pode introduzir alguma flexibilidade para reuniões futuras, sem sinalizar explicitamente um ciclo de afrouxamento monetário iminente."
Infomoney - SP 26/01/2026
Em 2026, Jerome Powell deixará a presidência do Federal Reserve, abrindo espaço para a escolha do próximo chairman pelo governo Trump. A definição do novo líder é acompanhada de perto por políticos, economistas e mercados, dada a influência global do Fed sobre juros e política monetária.
Os principais candidatos ao comando têm perfis distintos: alguns mais dovish, inclinados a estímulos e tolerância à inflação, e outros mais hawkish, focados em contenção de preços e postura conservadora. A decisão impactará diretamente a trajetória dos juros nos EUA e o cenário econômico global nos próximos anos.
Acordo Mercosul-União Europeia: impactos para o Brasil
Após mais de 25 anos de negociações, Mercosul e União Europeia assinaram um acordo comercial histórico. Especialistas avaliam que, apesar de moderados no curto prazo, os efeitos econômicos para o Brasil tendem a ser positivos no médio e longo prazo.
Setores como agronegócio, calçados, metais não ferrosos e produtos de madeira devem ser os maiores beneficiados. O pacto abre portas para integração comercial mais ampla e pode fortalecer a presença brasileira na economia global.
AmBev deve apresentar resultado fraco no 4º trimestre
Em relatório de prévia, a XP projeta para a Ambev um desempenho fraco no 4T25, com desempenho pressionado por menores volumes de vendas, custos mais altos e aumento das despesas financeiras. O cenário reforça uma avaliação de cautela para investidores.
Com um valuation atual considerado pouco atrativo, analistas reiteram recomendação de venda das ações, destacando que perspectivas de crescimento de resultados permanecem tímidas.
Trump processa JPMorgan e Jamie Dimon por encerramento de contas e pede US$ 5 bilhões
Ação em corte de Miami alega motivação política no fechamento de contas pessoais e empresariais; banco nega discriminação, fala em “risco legal e regulatório” e diz que processo “não tem fundamento”
Calendário de balanços: empresas brasileiras em foco
A temporada de resultados traz transparência sobre o desempenho das empresas listadas na Bolsa. O 4º trimestre de 2025 começa a revelar números que podem movimentar o mercado e orientar decisões de investidores.
O acompanhamento das datas de divulgação das companhias é estratégico para investidores, oferecendo insights sobre setores mais promissores e potenciais ajustes em carteiras.
Natura: atualização estratégica
A Natura (NTCO3) inicia 2026 com um ciclo de crescimento orgânico e foco em devolução de capital aos acionistas. A companhia aposta em uma operação mais enxuta, reforçando sua visão de longo prazo.
Analistas mantêm recomendação de compra para os papéis, destacando a capacidade da empresa em equilibrar crescimento, eficiência e retorno para investidores.
Mercado de carbono: padrão mais elevado
O mercado global de créditos de carbono vem ganhando maturidade, com maior demanda por créditos de qualidade. A evolução indica um movimento de consolidação e profissionalização do setor.
Especialistas apontam que a busca por ativos mais confiáveis pode estimular investimentos em projetos sustentáveis e tornar o mercado de carbono uma alternativa relevante para empresas e investidores.
Mercado Livre: aumento de custos para vendedores
O Mercado Livre (MELI34) anunciou reajuste de tarifas para vendedores, refletindo o crescimento de volumes e a necessidade de equilibrar lucro e expansão. Ajustes incluem custos de envio e armazenagem.
O movimento acompanha a pressão competitiva no e-commerce e evidencia que a empresa busca sustentabilidade operacional, sem comprometer seu crescimento sólido no mercado brasileiro.
FIIs: Capitânia Securities com recomendação de compra
O FII CPTS11 segue com recomendação de compra, sustentado por gestão eficiente, carteira diversificada e desconto no valor de mercado. O yield de 13,8% reflete estabilidade e retorno atrativo para investidores.
A perspectiva positiva do fundo é reforçada por resultados recorrentes e potencial de ganhos de capital, tornando o ativo uma opção sólida para quem busca renda fixa ligada ao mercado imobiliário.
Planejamento financeiro: pagar ou parcelar?
IPVA, IPTU e mensalidades escolares desafiam o orçamento no início do ano. Planejamento financeiro é a chave para evitar dívidas e manter equilíbrio entre despesas fixas e investimento pessoal.
Dicas práticas incluem avaliar juros de parcelamento, priorizar pagamentos estratégicos e organizar o fluxo de caixa para atravessar o período sem apertos financeiros.
Copom: como funcionam as reuniões para definir a Selic
O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne oito vezes ao ano para decidir a taxa básica de juros, a Selic. Cada encontro avalia cenários econômicos e ajusta a política monetária para controlar inflação e estimular crescimento.
Investidores acompanham de perto essas reuniões, que impactam rendimentos, custos de crédito e decisões estratégicas de investimento em todo o país.
Infomoney - SP 26/01/2026
Um verdadeiro “conto de duas economias” está movimentando o mercado acionário chinês, levando investidores a aumentar apostas nas empresas que se beneficiam do boom de exportações industriais, em detrimento de companhias presas a uma desaceleração do consumo.
A segunda maior economia do mundo mostra um quadro em que setores sensíveis ao comportamento do consumidor ficam cada vez mais para trás em relação às indústrias ligadas à manufatura e à tecnologia. Esse cenário tem deixado bancos de Wall Street, como Morgan Stanley e JPMorgan Asset Management, mais otimistas com ações de empresas chinesas que vão de fabricantes de máquinas a construtoras de redes elétricas.
Essas companhias vêm surfando o apetite global por manufatura avançada e a forte demanda por infraestrutura ligada à inteligência artificial.
A economia chinesa ficou ainda mais dividida no último ano: novas forças industriais ajudaram a sustentar exportações surpreendentemente robustas, que resistiram até mesmo às tarifas impostas pelo ex-presidente Donald Trump. Ao mesmo tempo, o consumo doméstico segue fraco em meio à prolongada crise no setor imobiliário. Para investidores, essa cisão está redefinindo estratégias, premiando apostas seletivas em campeãs industriais voltadas ao mercado externo em vez de uma recuperação ampla puxada pelo consumo interno.
“Claramente existem duas Chinas muito diferentes neste momento”, escreveu William Bratton, chefe de pesquisa em ações à vista na Ásia-Pacífico do BNP Paribas Exane, em relatório. “Temos uma preferência clara por setores e subsetores de materiais, industriais e tecnologia, em relação aos seus pares voltados ao consumidor — preferência que se reflete nas tendências de lucros e nos dados econômicos recentes.”
Grande parte da força das exportações do país vem de fabricantes de equipamentos, componentes eletrônicos e mineradoras de metais ligados à demanda global por infraestrutura de IA. A China XD Electric, importante contratada em projetos de linhas de transmissão de ultra-alta tensão, já subiu 75% no ano, enquanto a fabricante de componentes elétricos TBEA acumula alta de cerca de 28%.
O Morgan Stanley foi o mais recente a se somar ao coro otimista, destacando um grupo de ações que inclui Sany Heavy Industry, Jiangsu Hengli Hydraulic, Han’s Laser Technology Industry Group e Wuxi Lead Intelligent Equipment.
“O setor de máquinas para construção está entrando em um ciclo de melhora, com a recuperação doméstica em curso ao lado da demanda externa”, escreveram analistas do banco, entre eles Sheng Zhong, em relatório que aponta “um bom momento de crescimento” nas exportações.
Na direção oposta, ações ligadas ao consumo vêm ficando para trás: os papéis da Fuyao Glass Industry Group caem 5,4% no ano, enquanto os da montadora Great Wall Motor recuam 4,6%.
“Conversas recentes com investidores indicam que gestores institucionais seguem cautelosos em relação à recuperação doméstica, preferindo focar no potencial de crescimento de lucros do tema ‘going global’”, escreveu o estrategista de mercados globais Chaoping Zhu, do JPMorgan Asset Management, em nota.
“Formuladores de política têm destacado a manufatura avançada e a tecnologia como novos motores de crescimento, com o mercado de ações desempenhando um papel-chave no apoio à formação de capital e à alocação de riqueza das famílias”, acrescentou Zhu.
Claro que o cenário para as empresas industriais chinesas pode azedar se crescer a reação de países preocupados com um influxo de produtos baratos. Ao mesmo tempo, como Pequim estabeleceu a retomada do consumo como prioridade máxima de política econômica neste ano, alguns analistas argumentam que as valutations do setor já podem estar atraentes o suficiente para investidores em busca de barganhas.
Por ora, o impulso dessa economia em “duas velocidades” segue firme: projeções de lucro para o índice CSI 300 Industrials subiram 10% nos últimos seis meses, contra alta de apenas 5% no seu equivalente de consumo, segundo dados compilados pela Bloomberg.
“Acho que a outperformance do setor industrial vai continuar, porque é ali que está acontecendo boa parte do crescimento estrutural”, disse Min Lan Tan, chefe do escritório do CIO para Ásia-Pacífico do UBS Group AG. “Ninguém pode se dar ao luxo de ficar para trás nessa corrida da IA, então acreditamos que isso continuará impulsionando o segmento industrial.”
Veja - SP 26/01/2026
Um dique da Vale transbordou em Minas Gerais, paralisando operações da CSN e evacuando 200 trabalhadores. Lama e água atingiram instalações, sem registro de feridos. O incidente, na divisa de Pires e Congonhas, reacende o alerta sobre a segurança de barragens na região, cinco anos após Brumadinho.
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
O transbordamento de um dique da Vale, empresa global de mineração, provocou a paralisação de atividades da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a retirada preventiva de cerca de 200 trabalhadores neste domingo. A água e a lama atingiram escritórios, oficinas e o almoxarifado da companhia vizinha, provocando um alagamento de aproximadamente 1,5 metro de altura, o que levou à interrupção da captação de água e à suspensão das operações no local. O incidente ocorreu durante a madrugada, na divisa dos municípios de Pires e Congonhas. Equipes da Defesa Civil e da Secretaria do Meio Ambiente foram acionadas para monitorar a situação e avaliar os danos. Elas já estão no local, mas ainda não possuem informações detalhadas. Até agora não houve registro oficial de feridos.
O dique que transbordou está localizado em uma área próxima às instalações operacionais da CSN, que foi construída em um nível mais baixo do terreno que a concorrente. As duas empresas não operam juntas nem compartilham estruturas. Foi a proximidade física e o desnível de terreno entre os empreendimentos que permitiu que a lama escorresse, atingindo a CSN, que atua no local com instalações industriais próprias. A estrutura de contenção envolvida no incidente é de responsabilidade exclusiva da Vale.
O episódio reacende o alerta em torno da segurança de estruturas de contenção de rejeitos em Minas Gerais e traz à memória o desastre de Brumadinho, ocorrido em janeiro de 2019. Na ocasião, o rompimento de uma barragem da Vale liberou uma avalanche de rejeitos — descrita por especialistas como um “tsunami de lama” — que matou 272 pessoas e causou devastação ambiental e social sem precedentes. Embora Brumadinho não seja vizinha imediata de Congonhas, os dois municípios estão relativamente próximos no contexto regional, separados por pouco mais de 50 quilômetros, o que reforça a sensibilidade da população local a qualquer novo incidente envolvendo estruturas da mineração.
Desde a tragédia de 2019, barragens e diques da Vale permanecem sob monitoramento permanente de órgãos reguladores, e novos episódios, mesmo sem vítimas, reforçam a pressão por fiscalização rigorosa, transparência e revisão dos riscos associados a essas estruturas em regiões industrializadas e densamente ocupadas.
Leia a íntegra da nota divulgada pela Vale:
“A Vale esclarece que, na madrugada deste domingo (25), houve extravasamento de água com sedimentos de uma cava da mina de Fábrica, em Ouro Preto (MG). O fluxo alcançou algumas áreas de uma empresa na região. Pessoas e a comunidade da região não foram afetadas. Como é praxe nessas situações, a Vale já comunicou os órgãos competentes e prioriza a proteção das pessoas, comunidades e meio ambiente. As causas do extravasamento de água estão sendo apuradas. A Vale reforça que o ocorrido não tem qualquer relação com as barragens da empresa na região, que seguem sem alterações nas suas condições de estabilidade e segurança e monitoradas 24 horas por dia, 7 dias por semana”.
Money Times - SP 26/01/2026
O Bank of America (BofA) projeta que a Vale (VALE3) deverá produzir entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas de minério de ferro em 2026 e atingir 360 milhões de toneladas em 2030, segundo relatório desta semana. O banco manteve recomendação de compra para o papel, com preço-alvo de US$ 17 para as ADRs.
De acordo com o BofA, a divisão de minério de ferro, que responde por cerca de 80% da receita líquida da Vale, deve representar aproximadamente 20% do mercado global de exportações marítimas nesses níveis de produção. O banco ressalta que a companhia é a principal defensora da estratégia de “valor acima de volume”, destacando a flexibilidade do portfólio como diferencial frente aos concorrentes.
Na área de metais básicos, o Bank of America lembra que a Vale produz atualmente entre 350 mil e 380 mil toneladas por ano de cobre, equivalente a cerca de 9% da receita, e diz que a empresa busca dobrar esse volume até 2035, alcançando 700 mil toneladas.
Para o níquel, cuja participação na receita é de aproximadamente 7%, o banco aponta produção de 175 mil a 200 mil toneladas por ano, com foco em estabilização operacional e em atingir equilíbrio de caixa até 2027.
O BofA também destaca avanços na agenda de ESG, citando a continuidade dos pagamentos de reparação e indenização relacionados aos rompimentos de Mariana e Brumadinho, além do progresso no processo de descaracterização de barragens de rejeitos e da redução dos níveis de emergência, fatores que vêm melhorando o perfil de risco da Vale.
Por Equipe Money Times
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Investing - SP 26/01/2026
Os contratos futuros do minério de ferro registraram alta nesta sexta-feira, interrompendo uma sequência de seis dias de perdas, já que os preços persistentemente baixos de alguns ingredientes da fabricação de aço aliviaram preocupações sobre custos das siderúrgicas, permitindo que as usinas adquirissem mais matéria-prima.
O contrato de maio do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou a sessão do dia com alta de 1,21%, a 795 iuanes (US$114,16) a tonelada. O contrato perdeu 2,82% esta semana.
O minério de ferro de referência de fevereiro na Bolsa de Cingapura avançava 0,97%, a US$104,65 a tonelada. Na semana, o contrato caía 1,59% em relação à semana anterior.
A queda contínua dos preços do minério de ferro ajudou a aliviar o pessimismo do mercado, permitindo que as siderúrgicas adquirissem mais minério e mantivessem as margens de lucro antes do Ano Novo Lunar Chinês, de acordo com uma nota do Shanghai Metals Market em 22 de janeiro.
As margens de lucro do aço ainda estão aceitáveis devido aos preços consistentemente baixos das matérias-primeiras, carvão metalúrgico e coque, disse à Reuters um trader familiarizado com o assunto.
Com isso, a expectativa é de que a produção de metais quentes ainda aumente e que os estoques das usinas siderúrgicas tenham espaço para crescer, acrescentou.
Várias siderúrgicas de processo curto em Guangxi e Guangdong planejam suspender a produção no final de janeiro, antes dos feriados do Ano Novo Lunar Chinês, com a produção prevista para ser retomada em março, de acordo com uma nota da Mysteel.
Embora a retração no mercado imobiliário chinês deva continuar, o aumento dos investimentos em infraestrutura de ativos fixos deve atenuar a queda na demanda relacionada à construção em 2026, de acordo com o relatório de commodities da ANZs Research, divulgado em 23 de janeiro.
É provável que os investimentos relacionados à energia aumentem à medida que as pressões de financiamento diminuam, permitindo a retomada dos investimentos em infraestrutura, acrescentou o relatório.
IstoÉ Dinheiro - SP 26/01/2026
Durante rápida conversa com jornalistas em Ribeirão Preto, na Concessionária Rodonaves, da Iveco, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse que o governo está colocando R$ 10 bilhões para reduzir a taxa de juros na renovação da frota de caminhões no País.
Além da Rodonaves, o ministro que tem acompanhado de perto o andamento dos programas Carro Sustentável-Mover e Move Brasil, também visita nesta sexta-feira a concessionária Santa Emília, da Volkswagen, também em Ribeirão Preto.
“Nós queremos renovar a frota de caminhões no país, então o governo está colocando R$ 10 bilhões para reduzir a taxa de juros, que estava entre 22% e 25%, para 13% a 14%. Vamos financiar caminhões novos, para a indústria automotiva de caminhões crescer ainda mais, gerar mais emprego, mais renda, melhorar a logística no país, reduzir custos, melhorar a competitividade”, disse ele.
Alckmin também falou sobre a importância dos novos caminhões para o meio ambiente. “Um caminhão desses, Euro 6, polui 40 vezes menos que um caminhão velho, caminhão com mais de 20 anos. É um importante programa social, emprego, econômico, desenvolvimento da economia e ambiental. Queremos atender o caminhoneiro, o cooperado da cooperativa, o frotista e a empresa. Então,vamos financiar também o seminovo, um caminhão a partir de 2012”, disse.
Com o apoio do governo, disse o ministro, o caminhoneiro vai poder trocar um veículo de 15 anos de uso por um de 5 anos de uso, ou de 6, 7 anos.
“Ele vai para o seminovo e o do seminovo, para o zero quilômetro. Vai fazer diferença para a gente renovar a frota do Brasil e dar uma oportunidade para o caminhoneiro poder ter um caminhão mais novo, que dá menos oficina. A mensalidade precisa caber no orçamento do caminhoneiro. Então, se o juros é 25% ao ano, a mensalidade ficava muito alta e ele não conseguia trocar o caminhão”, disse.
O caminhoneiro, de acordo com Alckmin, terá seis meses de carência para pagar a primeira prestação do financiamento de um novo caminhão. E para garantir a oferta de crédito, 80% do financiamento tem o fundo garantidor. “Já está valendo. Podem procurar as concessionárias, todas as montadoras, tem os bancos que vão financiar e o banco das próprias montadoras”, disse.
Valor - SP 26/01/2026
A montadora chinesa Zhejiang Geely Holding Group, de capital fechado, pretende elevar suas vendas globais para mais de 6,5 milhões de unidades em 2030, alta de 60% em relação a 2025, com o objetivo de se tornar uma das cinco maiores empresas do setor no mundo.
A empresa também almeja uma receita superior a 1 trilhão de yuans (US$ 143 bilhões) em 2030. Todas as três metas estão incluídas em um plano quinquenal anunciado nesta quinta-feira.
A Geely fortalecerá o desenvolvimento de sete tecnologias-chave que determinam sua competitividade, incluindo baterias e sistemas de propulsão "super híbridos". Utilizando suas empresas do grupo, a ideia é construir um novo ecossistema de mobilidade até 2030, com o uso de satélites, aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical e robôs-táxi.
As vendas da Geely aumentaram 26% em relação ao ano anterior, atingindo 4,11 milhões de unidades em 2025. Além das fortes vendas de veículos elétricos de baixo custo na China, a Geely também expandiu seus negócios de veículos elétricos no exterior. O plano inclui gerar mais de um terço de suas vendas no exterior em 2030.
O presidente Eric Li Shufu fundou a Geely em 1986 como fabricante de peças para refrigeradores. A empresa passou a produzir motocicletas e, em 1997, entrou de vez no setor automotivo.
A Geely foi uma das primeiras empresas chinesas a se globalizar. Investiu e adquiriu marcas automotivas internacionais, como a sueca Volvo e a inglesa Lotus.
Money Times - SP 26/01/2026
O BTG Pactual mantém uma perspectiva otimista para o setor de construção civil em 2026, com destaque para as companhias voltadas ao segmento de baixa renda.
Em relatório, o banco avalia que o forte impulso do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) deve continuar, apoiado por possíveis atualizações nas condições do programa e por um orçamento robusto dentro do FGTS.
Segundo a casa, esses fatores, juntos, tendem a sustentar margens e retornos elevados por mais tempo, o que deve ajudar os resultados das empresas.
O forte desempenho do MCMV
De acordo com o BTG, de maneira geral, as construtoras focadas em baixa renda apresentaram um desempenho saudável ao longo de 2025.
“Com demanda sólida, impulsionada pelas condições do MCMV, e financiamento abundante, já que o MCMV é uma prioridade do governo, as companhias conseguiram expandir suas operações de forma satisfatória”, escreveu a instituição.
O relatório destacou que os lançamentos do segmento cresceram cerca de 15% em relação a 2024, com uma velocidade de vendas de 53%, bem acima dos 43% observados nas faixas de média e alta renda.
Além disso, os estoques permaneceram em níveis baixos, equivalentes a aproximadamente nove meses de vendas, o que deve permitir às empresas uma rápida rotação de ativos.
Média e alta renda
Já com relação à média e alta renda, o banco ressaltou que o segmento continuou enfrentando um ambiente macroeconômico desafiador em 2025, marcado por juros elevados, que pressionaram a capacidade de compra dos consumidores.
Apesar disso, o relatório apontou que os números operacionais permaneceram sólidos. Entre as companhias listadas em bolsa, por exemplo, os lançamentos avançaram 35% na comparação anual, enquanto as vendas líquidas cresceram 6%.
Isso resultou em uma velocidade de vendas de 43% no ano — ainda considerada saudável, embora 5 pontos percentuais abaixo do observado em 2024.
“Podemos observar um perfil interessante. Os lançamentos continuaram a vender muito bem, mas as vendas de estoque já começaram a apresentar alguma desaceleração, especialmente no segundo semestre de 2025, e devem ser nossa principal preocupação para 2026”, alertou o BTG, defendendo uma postura mais seletiva no segmento.
Números operacionais no 4T25
O banco também apontou oscilações nos números operacionais das construtoras no quarto trimestre de 2025 (4T25), divulgados nas últimas semanas.
Entre as empresas focadas em média e alta renda, a casa observou uma desaceleração generalizada na velocidade de vendas, acompanhada de algum aumento de estoques ao final do ano.
Já no Minha Casa, Minha Vida, o desempenho seguiu saudável, apesar de quedas pontuais na velocidade de vendas.
Entre os destaques do período, o BTG citou a Eztec (EZTC3), no segmento de média e alta renda, e a Plano&Plano (PLPL3), na faixa de baixa renda. No acumulado de 2025, a casa elogiou a performance da Cury (CURY3).
Por Igor Grecco
Jornalista formado e com MBA em Planejamento Financeiro e Análise de Investimentos. Passou pelas redações da TV Band, UOL, Suno Notícias e Agência Mural, e foi líder de conteúdo no 'Economista Sincero'. Hoje, atua como repórter no Money Times.
Valor - SP 26/01/2026
A incorporadora EZTec planeja lançar um total de R$ 2,5 bilhões a R$ 3,5 bilhões em empreendimentos ao longo deste ano. A projeção foi divulgada pela empresa em um comunicado ao mercado, nesta sexta-feira (23).
Segundo a EZTec, a previsão considera o desempenho comercial e de entregas recentes da companhia, além da qualidade dos projetos planejados.
A companhia é uma das principais construtoras e incorporadoras de médio e alto padrão do Brasil, com sede em São Paulo.
Revista Ferroviaria - RJ 26/01/2026
A Greenbrier Maxion passou a operar sob a marca GBMX, adotando um novo nome, identidade visual e slogan. A mudança marca uma nova etapa da empresa, que atua há mais de oito décadas no setor ferroviário e é responsável por mais de 50% da frota de vagões em operação no Brasil.
Segundo a companhia, a nova marca está alinhada ao posicionamento estratégico voltado à inovação e à sustentabilidade no transporte ferroviário de cargas. A reformulação acompanha investimentos em automação, padronização e aumento da capacidade de transporte dos vagões, com o objetivo de elevar eficiência, qualidade, produtividade e segurança, além de fortalecer o papel do modal ferroviário na logística nacional.
O novo slogan, Movendo o que é importante, foi adotado para reforçar a cultura organizacional da empresa e o papel do transporte ferroviário na movimentação das riquezas do país por meio de produtos, processos e pessoas.
Com cerca de 1.000 funcionários, a GBMX atua na concepção, produção e serviços relacionados a mais de 30 modelos de vagões, atendendo concessionárias ferroviárias e usuários finais. A empresa também é referência na produção de truques e na prestação de serviços ferroviários.
De acordo com Eduardo Scolari, presidente da GBMX, a mudança representa a visão de futuro da companhia. Com essa nova fase, consolidamos nossa posição como uma empresa preparada para os desafios e investimentos no modal ferroviário, mantendo nossa relevância e contribuição para uma indústria competitiva, afirmou. Segundo o executivo, a nova marca preserva a qualidade e o pioneirismo reconhecidos pelo mercado.
Vagões, truques e serviços
Os vagões desenvolvidos pela GBMX têm como foco inovação em operação, manutenção, durabilidade e confiabilidade. Os projetos utilizam designs mais leves e aerodinâmicos, que contribuem para a redução do consumo de combustível e das emissões de poluentes. Todos os projetos são produzidos no Brasil e incluem estudos de fadiga e desgaste, com o objetivo de ampliar a vida útil e a confiabilidade dos produtos.
Entre os principais critérios técnicos adotados no desenvolvimento dos vagões estão a redução da tara (peso sem carga), o aumento da capacidade de carga e melhorias na eficiência do transporte e nos terminais de descarga. A nova geração de vagões também incorpora componentes que reduzem riscos de descarrilamento e permitem aumento da velocidade operacional, ampliando a eficiência dos trens.
Na linha de vagões hopper, composta por dez modelos para transporte de grãos, açúcar, milho, soja, farelo e fertilizantes, o destaque é o modelo HTT, que possibilita uma redução anual de 151 mil litros de diesel e de 400 toneladas de CO‚ em emissões.
Na família de vagões fechados, o destaque é o modelo FLT, destinado ao transporte de celulose. O vagão reduz o consumo anual de combustível em 38 mil litros de diesel e as emissões de CO‚ em 100 toneladas. O modelo apresenta redução da tara, aumento da capacidade de carga por vagão e por trem, melhorias na ergonomia operacional e maior estanqueidade, evitando a perda de carga por entrada de água durante períodos de chuva.
Para o transporte de cargas siderúrgicas e contêineres alinhados ou empilhados, a família de vagões Plataforma conta com oito modelos. Entre eles está o vagão double stack, desenvolvido para operação com contêineres de 20 e 40 pés, o que permite otimizar a capacidade de transporte dos trens em até 40%. O modelo também possibilita o carregamento de contêineres de 53 pés na parte superior, sobre dois contêineres de 20 pés ou um de 40 pés.
Na linha de vagões Gôndola, a empresa possui oito modelos destinados ao transporte de minério de ferro, bauxita e carvão. O destaque é o vagão GDU, de maior capacidade já produzido pela companhia e o primeiro desse tipo direcionado ao mercado brasileiro, com aumento de 5 m² no volume efetivo sem alteração das dimensões externas.
Já a linha de vagões Tanque conta com quatro modelos voltados ao transporte de derivados de petróleo, cimento e ácido sulfúrico. No último ano, a empresa desenvolveu e produziu o modelo TCT, com capacidade de 105 mil litros, carregamento superior e descarregamento inferior. O vagão é equipado com engate tipo E Double Shelf com haste F, sistema antidesacoplamento, operação rotativa inferior e válvula sensora de carga. A família inclui ainda o maior vagão tanque TCT do mundo, com estrutura autoportante e capacidade de 118 mil litros.
Os truques, responsáveis pela estabilidade e dinâmica dos vagões, são produzidos em parceria com a Amsted Rail. A GBMX comercializa modelos de truques de aço fundido para todas as bitolas e capacidades, em conformidade com os padrões da Associação Americana de Ferrovias (AAR). Entre as inovações está o truque Motion Control®, equipado com adaptadores de rigidez controlada (Adapter Plus), que melhoram a dinâmica de vagões com alta carga por eixo e permitem ajustes de suspensão e amortecimento conforme a lotação.
A empresa também atua no segmento de serviços ferroviários, com estrutura dedicada à revisão, manutenção, reforma e transformação de vagões. Entre os serviços oferecidos estão troca de assoalho e lona, automação de carga e descarga, modernização de vagões com substituição de caixa e componentes, rebitolagem, projetos antivandalismo, recuperação de vagões acidentados e retrofit de truques.
Sustentabilidade e governança
No eixo social do ESG, a gestão de capital humano inclui programas de desenvolvimento e sucessão. Um dos principais é o Programa Formare, voltado a jovens de famílias de baixa renda, com duração de 10 meses. Com 22 anos de existência na empresa, o programa já formou 360 alunos em Hortolândia (SP). A companhia também mantém os programas Aprendiz do SENAI e Escola de Solda, voltados à capacitação de mão de obra industrial.
No aspecto ambiental, a empresa adota uma política específica para gestão de resíduos, efluentes líquidos e emissões atmosféricas. Entre as ações está o projeto Aterro Zero, que eliminou o envio de resíduos para aterros sanitários. A companhia também realizou o plantio de mais de 1.000 árvores nativas, compensando mais de 150 toneladas de CO‚ por ano. Desde 2017, a empresa possui o Certificado de Destaque Ambiental Selo Verde, concedido pelo Jornal do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.
Na área de governança, a GBMX mantém programas de Compliance e Due Diligence, canais de denúncia e participação no pacto empresarial de integridade e contra a corrupção do Instituto Ethos.
Valor - SP 26/01/2026
Segundo a apuração da Folhapress, o assunto, contudo, não está definido e depende dos termos do edital ainda não publicado
"Os nossos concorrentes estão ali do outro lado. Não podemos relaxar."
Aristides Russi Jr aponta para a outra margem do rio Itajaí-Açu, o canal de acesso ao porto de Itajaí, em Santa Catarina. É onde está a Portonave na vizinha cidade de Navegantes, terminal que é investimento da TiL (Terminal Investment Limited), braço da multinacional MSC, sediada na Suíça.
A possível participação da JBS Terminais, companhia da qual é o CEO, no leilão do Tecon 10, em Santos, domina as discussões sobre a empresa. Mas sobre isso, ele escapa pela tangente.
O executivo diz que o assunto não está definido. Depende dos termos do edital ainda não publicado. Vale mais a pena se concentrar, no momento, na operação da companhia no porto de Itajaí e no novo processo de licitação. A JBS Terminais tem a concessão provisória há 14 meses.
"Está provado que temos capacidade de retomar [uma operação] muito rápida, de ser um terminal com crescimento exponencial, de estar performando em 93% do nosso compromisso. É um terminal com dez linhas de navegação, o que não acontecia, muito provavelmente, desde os anos 2012 ou 2013 em Itajaí", diz Russi Jr.
Ele é ex-diretor da APM Terminais, braço de contêineres da dinamarquesa Maersk, antiga concessionária de Itajaí. Portêineres utilizados no porto são herança da operação da APM. Tratam-se de guindastes usados para carregar e descarregar carga dos navios.
A palavra "compromisso" significa atingir a meta contratual de 44 mil TEUs por mês. Cada TEU representa um contêiner de 20 pés. A movimentação atual, segundo a empresa, está em cerca de 41 mil.
O porto ficou um ano e meio sem atividades a partir do final da concessão para a APM. Enfrentou um turbulento processo de leilão, em que os dois primeiros colocados foram eliminados. Mas a segunda, Mada Araújo, entrou na Justiça e ganhou. Passou a ser concessionária, mas não movimentou cargas e repassou, com a autorização da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), os direitos para a JBS Terminais.
"O desafio foi no início, de restabelecer a confiança do mercado. O terminal parado, com contrato transitório de dois anos e o mercado preocupado. Nós provamos que somos capazes de responder a isso de uma forma muito rápida e eficiente", completa.
Ele afirma que foram investidos cerca de R$ 150 milhões para retomar a operação do porto. A folha de pagamento dos quase 600 funcionários, entre efetivos e avulsos, está em R$ 50 milhões por ano. A JBS Terminais é a maior arrecadadora de ISS (Imposto Sobre Serviços) do município, com R$ 7 milhões.
Apesar de dizer que espera concorrência no novo leilão em Itajaí, a JBS Terminais é a favorita para ter a operação do ativo de forma definitiva. O histórico de certames portuários no Brasil é de pouca concorrência e mais da metade, desde 2016, aconteceu com oferta de apenas uma empresa.
O TCU (Tribunal de Contas da União) recebeu uma denúncia anônima no ano passado. Um dos questionamentos era a Mada ter ficado com a operação apesar de ter apresentado uma proposta de movimentação que seria irrealizável. O mesmo número que a JBS projeta atingir só em 2026. E não teria pago multas previstas em contrato por não ter atingido número mínimo de contêineres.
A empresa contesta os termos da denúncia. Afirma atuar em total conformidade com suas obrigações contratuais e que o assunto já havia sido examinado anteriormente pelo TCU. Ela diz também não estar inadimplente e que a anexação aconteceu de forma regular.
"Se nós formos olhar, nós já estamos 11% acima do momento melhor de 2022, quando parou. Então, a gente já tá acima do que se fazia. De fato, o mais difícil já passou", afirma Russi Jr.
Há problemas a serem resolvidos. Um dos principais é o calado do canal do porto, que tem média de 13 metros. Isso o torna incapaz de receber navios de maior porte, que necessitam de mais de 16 metros de profundidade. Dentro da política de privatizações do governo federal, também deve ser feito o leilão de concessão do canal.
Por causa das limitações de calado, de dragagem deficiente e do pouco espaço, navios precisam girar antes de entrarem no canal e atracarem a ré, invertendo o sistema de propulsão.
Também existem queixas quanto ao acesso. As rodovias BR-101 e BR-470 estão, nas palavras de executivos do setor, à beira do colapso.
"A 101 está estrangulada há bastante tempo. A gente tem dialogado bastante [com o governo catarinense], tentando encontrar soluções. Nos preocupa a acessibilidade porque você não tem uma acessibilidade rodoviária adequada, o que impacta a performance do terminal", finaliza o CEO.
*O repórter viajou a convite da JBS Terminais
Money Times - SP 26/01/2026
Os preços do petróleo aceleraram os ganhos nesta sexta-feira (23) com a escalada das tensões no Oriente Médio.
Os contratos mais líquidos do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para março, fecharam com alta de 2,84%, a US$ 65,88 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI), também para março, registraram avanço de 2,88%, a US$ 61,07 barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA.
De acordo com a Reuters, o governo Trump ameaçou políticos de alto escalão do Iraque com sanções direcionadas ao Estado iraquiano, caso grupos armados apoiados pelo Irã sejam incluídos no próximo governo.
As sanções podem incluir, potencialmente, sua fonte crítica de receita petrolífera canalizada por meio de unidade regional do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) de Nova York.
Essa ação dos EUA é o exemplo mais contundente até agora da campanha do presidente norte-americano, Donald Trump, para conter a influência de grupos ligados ao Irã no Iraque.
O alerta foi transmitido repetidamente nos últimos dois meses pelo encarregado de negócios dos EUA em Bagdá, Joshua Harris, em conversas com autoridades iraquianas e líderes xiitas influentes, incluindo alguns chefes de grupos ligados ao Irã, por meio de intermediários, ainda segundo fontes à agência de notícias.
“Os Estados Unidos apoiam a soberania iraquiana e a soberania de todos os países da região. Isso não deixa absolutamente nenhum espaço para milícias apoiadas pelo Irã que perseguem interesses malignos, causam divisões sectárias e espalham o terrorismo pela região”, disse um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA à Reuters.
Ontem (22), Trump afirmou que o país norte-americano tem uma tropa militar a caminho do Irã “por precaução”. De acordo com um oficial do governo, navios de guerra, incluindo um porta-aviões e destroieres de mísseis guiados, chegarão ao Oriente Médio nos próximos dias.
Vale lembrar que os EUA realizaram ataques contra o Irã em junho do ano passado. O país persa é um dos principais exportadores para a China, o segundo maior consumidor de petróleo do mundo.
Jornal de Brasília - DF 26/01/2026
Localizada a 120 quilômetros do Rio de Janeiro, Araruama chegou em 2025 ao clube das cidades bilionárias do petróleo. Até novembro, havia recebido R$ 920 milhões em royalties pela produção no campo de Mero, um dos maiores da Petrobras.
Esse clube tem hoje quatro cidades: Maricá, Macaé, Saquarema e Niterói, todas no Rio. Juntas, elas receberam em 2024 quase R$ 11 bilhões em royalties e participações especiais cobradas sobre campos de grande produtividade.
O valor equivale a 44% da renda do petróleo distribuída a todos os municípios brasileiros, segundo análise feita pelo Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás e Biocombustíveis).
A elevada concentração de recursos em poucos municípios é alvo de uma campanha da CNM (Confederação Nacional dos Municípios) em defesa de mudança na distribuição dos recursos, alvo de uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) desde 2012.
“Isso é um patrimônio da nação brasileira, não é de um município ou outro”, diz o presidente da entidade, Paulo Ziulkoski. “Pode haver até alguma compensação ambiental, mas não deveria haver tanta disparidade.”
Em 2025, a Petrobras bateu recorde de produção no pré-sal, com 2,45 milhões de barris de óleo e gás por dia.
Atualmente, os royalties e participações especiais são distribuídos de acordo com a lei 9478/1997, que beneficia cidades confrontantes com campos produtores ou que sediam instalações industriais relacionadas ao petróleo.
A ideia seria garantir a esses municípios recursos para lidar com pressões sobre sua infraestrutura provocadas pelo aumento da população ou com eventuais impactos ambientais.
Em 2012, o Congresso aprovou nova lei com distribuição igualitária dos recursos entre todos os municípios, mas a mudança foi derrubada por liminar do STF a pedido do governo do estado do Rio de Janeiro, altamente dependente da receita.
Fora Macaé —sede das operações na bacia de Campos, onde nasceu a indústria do petróleo marítima no país— as outras quatro cidades bilionárias têm poucas ou nenhuma instalação ligada ao setor.
São “novas ricas” do petróleo, beneficiadas por campos gigantes do pré-sal da bacia de Santos, que começaram a operar desde meados da década passada e hoje representam 80% da produção nacional de petróleo e gás.
Maricá é a maior beneficiada, tendo recebido quase R$ 4 bilhões em 2024 —os dados de 2025 ainda não foram finalizados. Saquarema ficou com R$ 2,1 bilhões e Niterói, com R$ 1,2 bilhão.
Araruama ainda era emergente naquele ano, ficando com R$ 525 milhões, mas a entrada e operação de duas novas plataformas em Mero fizeram a renda dobrar em 2025.
A situação tende a continuar confortável nos próximos anos, mesmo com a queda nas cotações internacionais do petróleo e o declínio da produção de alguns dos campos da região.
Segundo estimativa da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), Maricá e Saquarema receberão R$ 3,7 bilhões em 2029. Niterói ficará com R$ 1,6 bilhão e Araruama seguirá com receita acima dos R$ 800 milhões até lá.
A riqueza repentina cria desigualdades regionais. Em 2024, Saquarema foi a cidade com a quinta maior receita per capita do país, com R$ 32.196,40 por cidadão. Maricá veio logo depois, em sexto lugar, com R$ 31.552,20, segundo o portal Multicidades, da consultoria Aequus.
As vizinhas Itaboraí e Tanguá, por exemplo, ocupam a 5.308ª e 3.073ª posições, com R$ 4.256,66 e R$ 6.273,09, respectivamente.
“Essa desigualdade acaba gerando um processo migratório, muitas vezes muda muito o cenário regional”, diz Paula Araújo, coordenadora do Programa Macrorregional de Caracterização de Rendas Petrolíferas (PMCRP). “O ideal era que fosse uma distribuição mais equitativa.”
O programa é financiado pela renda do petróleo para estudar os impactos dos royalties sobre os municípios beneficiados. Constatou, por exemplo, que as cidades bilionárias são extremamente dependentes da receita do petróleo.
Em Maricá e Saquarema, ela responde por dois terços da receita municipal. Na análise feita, o Ineep diz que a dependência gera preocupação, dada a volatilidade dos preços e o caráter finito do petróleo.
Em acórdão de 2024, o TCU (Tribunal de Contas da União) classificou o critério atual de distribuição dos royalties como “obsoleto”. Disse ainda que gera uma “loteria geográfica”, ao garantir PIB per capita de países desenvolvidos a municípios que tiveram a sorte de estar em frente às reservas.
Cria ainda insegurança jurídica, diz o tribunal, com diversas ações judiciais pedindo participação na bonança. Recentemente, Maricá e Rio de Janeiro anunciaram acordo para encerrar uma dessas ações, oferecendo repasses às vizinhas Magé, Guapimirim e São Gonçalo.
“Maricá não pode crescer sozinha enquanto os municípios vizinhos ficam sufocados financeiramente. Repassar parte dos royalties é uma decisão justa do ponto de vista social”, disse o prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT).
“Royalties não são privilégio, são instrumento de equilíbrio regional e justiça social. São também um recurso finito, que precisa ser tratado como uma oportunidade para estruturar economias locais sólidas e reduzir dependências, preparando as cidades para um futuro além do petróleo”, completou.
A secretária de Governança e Sustentabilidade de Saquarema, Manoela Peres, disse que a prioridade do município é com a “governança responsável”.
“Estamos blindando o futuro de Saquarema ao converter a riqueza do petróleo em ativos permanentes: uma educação que gera mão de obra qualificada e um turismo de escala mundial. Nosso foco é garantir que, quando o ciclo do petróleo terminar, o ecossistema de prosperidade das famílias saquaremenses já tenha muito mais autonomia, com alicerces em infraestrutura e sustentabilidade econômica.”
Ziulkoski, da CNM, pede que o STF inicie o debate do tema por seu núcleo de solução de conflitos, para que as partes envolvidas tentem chegar a acordo, ou leve o tema para julgamento. “É incompreensível que, 13 anos depois, uma liminar com essa envergadura ainda não tenha sido julgada.”
Exame - SP 26/01/2026
A Venezuela planeja elevar sua produção de petróleo em 18% até o fim de 2026, impulsionada por uma proposta de reforma legal que amplia o acesso de empresas privadas ao setor energético. O anúncio foi feito neste sábado, 24, pelo presidente da estatal PDVSA, Héctor Obregón.
A medida ocorre após a queda do ex-presidente Nicolás Maduro e em meio à forte pressão internacional.
Segundo Obregón, a produção atual da PDVSA, estimada em 1,2 milhão de barris por dia, deve crescer ainda mais com o novo marco regulatório. O Parlamento venezuelano já aprovou a proposta em primeira votação e deve concluir a tramitação na próxima semana.
Projeções da IEA indicam mercado com excesso de oferta
A iniciativa venezuelana contrasta com o cenário projetado pela Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em ingl§es) para 2026.
Segundo relatório da entidade, divulgado na última quarta-feira, 21, o crescimento da demanda global será de apenas 930 mil barris por dia, enquanto a oferta deve aumentar em 2,5 milhões de barris por dia, ampliando o já existente superávit global.
Em 2025, a produção mundial subiu 3 milhões de barris por dia, com destaque para países não pertencentes à OPEP+, como Estados Unidos, Canadá, Brasil, Guyana e Argentina. A IEA afirma que, mantidas as atuais políticas de produção, os estoques elevados — tanto em terra quanto no mar — formarão um colchão de segurança no mercado global, mantendo os preços sob controle.
Segundo a agência, estoques observados cresceram 470 milhões de barris em 2025, com destaque para China e Estados Unidos. Em novembro, o aumento foi de 75 milhões de barris, impulsionado por volumes de petróleo transferidos para terra firme.
A recuperação da demanda por petroquímicos deverá ser parcialmente compensada pela desaceleração do consumo de gasolina. A expectativa é de que os países fora da OCDE respondam por todo o crescimento da demanda em 2026.
Impacto geopolítico e risco de exportações venezuelanas
A IEA também alerta para novas incertezas relacionadas às exportações de Venezuela e Irã, devido a tensões regionais.
No início de janeiro, os preços do petróleo Brent subiram cerca de US$ 6 por barril com os conflitos envolvendo os dois países, mas voltaram a recuar à medida que o risco geopolítico foi absorvido.
As exportações venezuelanas recuaram de 880 mil barris por dia em dezembro para cerca de 300 mil no início de janeiro, impactadas por sanções e bloqueios a navios-tanque. Ainda assim, a estratégia da PDVSA mira na reativação da indústria nacional com apoio estrangeiro direto — uma equação que ainda enfrentará pressões políticas e logísticas para se concretizar.
O Estado de S.Paulo - SP 26/01/2026
Após ver seu Produto Interno Bruto (PIB) crescer próximo de 9% em 2025 – um desempenho inferior apenas ao do agro, cujas estimativas indicam alta de mais de 10% no ano passado –, a indústria extrativa deve repetir o desempenho positivo em 2026. Projeção do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) aponta para uma expansão de 9,6% no PIB do segmento neste ano.
O bom desempenho da indústria extrativa será puxado pelo petróleo, que deve registrar aumento na produção superior a 10%. O minério de ferro, outro componente do segmento, deve avançar cerca de 4%.
A indústria extrativa deverá se contrapor ao agro, que estagnará em 2026 após um 2025 de recordes. Também será o segmento da economia com maior crescimento no ano. O Ibre estima alta de 0,4% no PIB do agro, de 1,6% no de serviços e de 2,3% na indústria (sendo 2,2% na indústria da construção civil e 0,5% na de transformação).
Os números expressivos do petróleo decorrem de decisões de investimento feitas há mais de cinco anos, de acordo com o economista Walter de Vitto, da Tendências Consultoria. Apesar de a pandemia ter derrubado a cotação do barril em 2020, os preços se recuperaram em 2022 com a guerra na Ucrânia e os projetos de investimento em novas plataformas foram confirmados à época.
No ano passado, três novas plataformas entraram em operação – duas delas da Petrobras e uma da Equinor –, ampliando a produção do País em 625 mil barris por dia. Outras duas, que somam mais 280 mil barris diários, haviam começado a produzir no fim de 2024.
Também em 2024, houve paralisações de plataformas que operam no País para manutenção, o que diminuiu a produção daquele ano. Com uma base de comparação fraca e com praticamente seis novas plataformas operando, 2025 registrou uma expansão na produção importante (11,4% até outubro). Em 2026, o desempenho deverá continuar avançando.
O resultado da indústria petroleira brasileira surpreende quando se considera que a demanda global tem crescido timidamente, na casa de 1,2%. “Há uma bolha de produção aqui”, diz Vitto.
A bolha ocorre porque a produção brasileira de petróleo é muito competitiva. A exploração nacional é viável até se o preço do barril estiver ao redor de US$ 30 – hoje, a cotação está em cerca de US$ 65.
A média de viabilidade financeira no mundo é de US$ 60. “O Brasil é muito competitivo e rentável. Mas tem países, como o Canadá, sofrendo com os preços atuais do barril”, acrescenta o economista da Tendências.
Nas estimativas do economista Bráulio Borges, diretor da LCA Consultores, a produção de petróleo no País deverá aumentar 40% até 2032. Para 2026, ele também estima alta de 10%. “O segmento tem avançado bastante nos últimos anos. Só em 2024 ficou mais estagnado, porque a entrada de novas plataformas atrasou e elas começaram a operar só no fim do ano.”
Mineração
Apesar de não registrar números como os do petróleo, a mineração também deve crescer em 2026, ajudando o PIB da indústria extrativa a avançar. Exportado principalmente para a China, que o utiliza na produção de aço, o minério de ferro brasileiro deve ter um aumento de 4,2% em sua produção em 2026 – depois de uma alta de 3% em 2025 –, de acordo com dados da Tendências.
A fabricação de aço chinesa, entretanto, tem recuado. Ainda assim, com sua alta competitividade, o minério de ferro do Brasil tem tido desempenho positivo.
“O minério de ferro daqui é de excelente qualidade, diferentemente do da Austrália, por exemplo”, diz a economista Yasmin Riveli, da Tendências. “Quanto maior a qualidade, menos carvão é preciso na produção de aço. Isso torna o minério brasileiro mais atrativo, principalmente com a China tentando produzir aço de forma mais sustentável.”
Segundo Riveli, a partir de 2027, porém, o segmento pode começar a enfrentar desafios. Isso porque a produção de minério de ferro deve aumentar na Guiné, acirrando a competição no mercado e podendo reduzir os preços.
O Estado de S.Paulo - SP 26/01/2026
Apesar do crescimento esperado de mais de 10% na produção em 2026, o petróleo não tem um peso muito significativo no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. A indústria extrativa (composta sobretudo pelos segmentos de petróleo, mineração e madeira) é responsável por cerca de 3,5% da atividade econômica do País.
A importância do petróleo está principalmente na arrecadação do setor público e na balança comercial, afirma a economista Silvia Matos, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV). Ela lembra que, até 2015, o Brasil dependia da importação de combustível. Hoje, ainda que o País tenha dificuldade no refino, virou um exportador na área. “Um quarto do nosso saldo comercial está vindo do petróleo.”
Matos acrescenta ainda que o segmento também tem impulsionado os investimentos. Segundo seus cálculos, do crescimento de 4% nos investimentos no Brasil no ano passado, metade corresponde a plataformas de petróleo.
Levantamento do economista Bráulio Borges, diretor da LCA Consultores, aponta que, de 2011 a 2019, a arrecadação do governo federal com o petróleo foi de 0,9% do PIB. Com o crescimento da produção, esse número está agora em 1,7%. “Acho que pode se aproximar de 2,5% na próxima década”, diz.
Assim como Matos, Borges também destaca que o produto ganhou relevância na balança comercial. “Sempre fomos deficitários em petróleo, mas hoje temos superávit. O petróleo passou a ter importância para gerar divisas para o pagamento de dívida. Isso é relevante para um país com déficit em conta corrente como o Brasil.”
A relevância do petróleo para a economia do País é destacada por Matos diante das críticas atuais à exploração da foz do Rio Amazonas e à necessidade de abandonar o uso de combustíveis fósseis para controlar o aquecimento global. “Ela (a Margem Equatorial) é muito importante para o País.”
Fundador do Centro de Energia, Finanças e Desenvolvimento (CEFD), o economista Nicolas Lippolis diz, no entanto, que a dependência arrecadatória hoje é localizada em alguns Estados, como o Rio de Janeiro. Ele afirma também ser possível abrir mão de forma gradual desses recursos. “A receita do petróleo é mal distribuída e mal aproveitada. Não acho que dependamos tanto dela.”
Segundo Lippolis, em relação à segurança energética, seria possível deixar o petróleo conforme novos investimentos fossem feitos em fontes renováveis. “Agora, do ponto de vista estratégico, parece difícil abdicar unilateralmente da exploração”, afirma ele. “É preciso que que países busquem um acordo internacional para limitar a produção. Esse é o único caminho para alcançar as metas climáticas.”
IstoÉ Online - SP 26/01/2026
O Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu um contrato de R$ 2,1 bilhões, assinado pela Prefeitura da capital com a empreiteira espanhola Acciona, que prevê a construção de um complexo viário que ligará a Avenida Jornalista Roberto Marinho e a Rodovia dos Imigrantes, na zona sul da cidade.
A decisão, tomada em segunda instância e após uma ação movida pela construtora Álya, foi assinada na última quinta-feira, 22, pelo desembargador José Helton Nogueira Diefenthäler Júnior, relator do caso. A Acciona e Álya informaram que não vão comentar a decisão. Procurada, a Prefeitura não se manifestou até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.
A medida é um desdobramento de um processo licitatório que foi parar na Justiça, que envolve três concorrentes: a Acciona, o consórcio Expresso Roma (formado pelas empreiteiras brasileiras Odebrecht e Álya – antiga Queiroz Galvão), e o consórcio Nova Roma (que une as empresas Construbase, FM Rodrigues e Uranpres).
Inicialmente, o vencedor da licitação havia sido o consórcio Expresso Roma, com uma proposta de R$ 1,8 bilhão. A Acciona, que ficou em terceiro lugar e com uma proposta de R$ 2,1 bilhões, entrou com recurso para desqualificar as concorrentes sob a justificativa de que o projeto apresentado pela Álya não incluía dois viadutos, um túnel linear e obras de macrodrenagem exigidas no projeto original da Prefeitura. O Expresso Roma se defendeu afirmando que o plano das construtoras previa soluções que substituiriam os empreendimentos ausentes. A administração municipal acatou o recurso da empresa espanhola e assinou o contrato com a Acciona. Em nota ao Estadão no começo da semana, a Prefeitura disse que os viadutos e as demais intervenções eram “essenciais” para a obra e afirmou que o processo foi transparente.
Em resposta à sua desqualificação, a Álya acionou a Justiça com o objetivo de reverter a situação por meio de liminar. Após ter o pedido indeferido na primeira instância, a construtora recorreu e conseguiu, nesta quinta, suspender o contrato firmado entre a Prefeitura e a Acciona de forma temporária.
A decisão foi tomada pelo desembargador Nogueira Diefenthäler, que, ao analisar o pedido, considerou não ser possível fazer, por ora, uma avaliação técnica sobre o cumprimento, ou não, das exigências do projeto por parte da Álya. Além disso, por entender que o certame envolve uma alta quantia financeira e uma obra de grande porte de interesse público, decidiu pela suspensão do contrato “por prudência”.
“A concessão do efeito suspensivo, portanto, liga-se exclusivamente ao exercício do poder geral de cautela, e, neste passo, considerei o estágio avançado do procedimento licitatório, a relevância econômico-financeira do ajuste e as repercussões sociais da obra objeto do contrato”, afirmou o desembargador.
O magistrado destacou e reforçou ainda que não se trata de uma decisão definitiva. “( ) sem que isso implique, no presente tempo deste processo, a expressão de um juízo conclusivo ( ). Tudo será objeto a ser a posteriori apreciado na apreciação dos elementos substanciais e prejudiciais introduzidos no presente recurso”, ponderou. Questionada para comentar a decisão, a Álya também informou que não vai se manifestar.
O consórcio Nova Roma (formado pela Construbase, FM Rodrigues e Uranpres), que havia ficado inicialmente em segundo lugar, também na frente da Acciona, com uma proposta de R$ 2 bilhões, teve a sua nota rebaixada após reanálise técnica e foi ultrapassado pela empresa espanhola. O grupo também entendeu ter sido prejudicado e acionou a Justiça na última quarta, 21, para suspender o contrato de forma temporária – o pedido foi indeferido.
Ligação deve se estender por 4,8 quilômetros
O prazo de execução das obras do complexo é de 48 meses, contados da data fixada na Ordem de Serviço, com vigência contratual de até 51 meses. A previsão é de que a ligação entre a Roberto Marinho e a Imigrantes se estenda por 4,8 quilômetros. O novo viário inclui três faixas de rolamento em ambos os sentidos, além de 2 km com ciclovia e faixa exclusiva para motociclistas.
Também são previstas intervenções de drenagem, como a canalização de 1,3 km de extensão do Córrego Água Espraiada, e a implementação de um parque linear de 314 mil metros quadrados ao longo do curso d’água. Conforme a Prefeitura, as obras devem beneficiar cerca de 700 mil moradores da cidade.
Monitor Digital - RJ 26/01/2026
A China registrou mais uma colheita abundante de grãos no ano passado, elevando a produção a um novo nível apesar de períodos de seca, inundações e chuvas prolongadas em algumas partes do país, segundo dados oficiais divulgados nesta quinta-feira.
A produção de grãos atingiu cerca de 714,9 milhões de toneladas em 2025, um aumento de 8,4 milhões de toneladas em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais. A produção permaneceu acima de 700 milhões de toneladas por dois anos consecutivos.
Essa conquista foi atingida com esforço, disse o vice-ministro da Agricultura e Assuntos Rurais, Zhang Xingwang, em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira.
Zhang atribuiu a maior parte do aumento da produção às colheitas de outono, que representaram mais de 90% do crescimento anual da produção de grãos.
O crescimento da produção foi registrado principalmente nas três províncias do nordeste da China, além da Mongólia Interior e Xinjiang. Ao todo, essas regiões responderam por quase 70% do aumento nacional. Por cultura, o milho teve um papel dominante, com a produção representando cerca de 75% do crescimento total.
De acordo com a coletiva de imprensa, a produção de soja atingiu 20,91 milhões de toneladas no ano passado, permanecendo acima de 20 milhões de toneladas pelo quarto ano consecutivo. A produção combinada de carne suína, bovina, carneiro e aves subiu para 100,72 milhões de toneladas, um aumento de 4,2% ano a ano.
A adoção mais rápida da tecnologia agrícola continuou aumentando a produtividade, disse Zhang, citando avanços em máquinas agrícolas e aplicações de agricultura inteligente, além do uso crescente de tecnologias de baixa altitude.
Em 2025, a taxa de contribuição do progresso científico e tecnológico agrícola ultrapassou 64%, enquanto a taxa abrangente de mecanização do cultivo e colheita das culturas atingiu 76,7%. A frota chinesa de drones agrícolas ultrapassou 300.000 unidades, com cobertura operacional anual superior a 460 milhões de mu, ou 30,67 milhões de hectares.
O desenvolvimento agrícola constante também tem apoiado o crescimento da renda rural e a revitalização rural.
Dados oficiais mostram que, em 2025, a produção de valor agregado das principais processadoras agrícolas e de alimentos paralelos aumentou 5,6% em relação ao ano anterior, enquanto novas indústrias como turismo rural e comércio eletrônico continuaram a se expandir, impulsionando o emprego local. A renda disponível per capita dos moradores rurais registrou um aumento real de 6%.
Além disso, as condições de vida nas áreas rurais também melhoraram, com a cobertura sanitária de banheiros subindo para cerca de 77%, além de aprimoramentos contínuos na infraestrutura e nos serviços públicos, incluindo educação, saúde e cuidados aos idosos.
Notavelmente, a China continuou a consolidar os ganhos da redução da pobreza, com 832 distritos que saíram da pobreza cultivando duas a três indústrias líderes com fortes efeitos colaterais. O emprego entre pessoas que saíram da pobreza permaneceu estável, com mais de 30 milhões de trabalhadores empregados por cinco anos consecutivos.
Olhando para o futuro, Zhang disse que o ministério acelerará a modernização agrícola e rural e avançará na revitalização rural, com esforços focados na estabilização do fornecimento de grãos e produtos agrícolas essenciais, no fortalecimento da inovação em ciência e tecnologia agrícola e aplicação tecnológica, no aumento da renda dos agricultores, na melhoria dos ambientes de vida rural e na prevenção de recaídas em larga escala na pobreza.
Reformas rurais também serão promovidas para liberar mais impulso ao desenvolvimento, como a expansão de programas-piloto para estender os prazos dos contratos de terras rurais por mais 30 anos.