IstoÉ Dinheiro - SP 25/07/2025
O presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, afirmou que o entendimento do instituto é de que exportações de aço brasileiras para os Estados Unidos não receberão sobretaxação além dos 50% que esses produtos já receberam.
“Nosso entendimento é de que não haverá sobretaxa. Tanto é que as vendas para os Estados Unidos não caíram em julho”, disse Loureiro. Ele explica que esse tipo de contrato é fechado com planejamento e antecedência e que as compras de julho devem chegar ao destino já em agosto. A taxa de 50% sobre os produtos brasileiros anunciada pelo presidente Donald Trump deve passar a valer em 1º de agosto.
Ele disse ainda que o mercado interno de aço, afetado ao seu ver pela alta de importações, deve ter um segundo semestre pressionado. Entre outros pontos, ele cita clientes já com dificuldades de crédito.
Valor - SP 25/07/2025
Comercialização somou 313,8 mil toneladas em junho, queda de 4,6% em relação a maio, de acordo com dados divulgados
As vendas de aços planos por distribuidores do Brasil somaram 313,8 mil toneladas em junho, queda de 4,6% em relação a maio, de acordo com dados divulgados, nesta quinta-feira (24), pelo Inda. Os números contrariam expectativa de alta de 4% divulgada anteriormente pela entidade que representa o setor no país.
Na comparação anual, houve declínio de 7,3%, fazendo com que as vendas no acumulado do primeiro semestre somassem 1,93 milhão de toneladas, ficando no zero a zero ante os mesmos seis meses de 2024.
“Nós continuamos achando que podemos chegar a 1,5% (de crescimento no ano), mas esse número do primeiro semestre faz com que a gente se preocupe um pouco com essa nossa previsão”, afirmou o presidente-executivo do Inda, Carlos Jorge Loureiro, em coletiva de imprensa.
Ele atribuiu boa parte do resultado à disputa de preços com produtos importados. “Você eventualmente briga um pouco, em algum caso, mas tem uma hora que você não tem condição de acompanhar os preços, por isso que a nossa venda caiu”, afirmou.
No mês passado, as importações totalizaram 371,3 mil toneladas, queda de 11,2% em relação a maio, mas aumento de 75,8% em comparação com junho de 2024. Dos produtos acabados, a China representou 55,1% das importações totais. Na sequência, aparece a Coreia do Sul, com 31,7%, e Egito, com 5,2%.
Juros e crédito
Loureiro também citou as taxas de juros elevadas e que estão aparecendo algumas dificuldades de crédito. “A gente está tendo que ter muito cuidado com alguns pedidos para clientes que você não conhece muito bem, porque já está havendo problema de crédito. Também é uma das coisas que estão segurando um pouco a nossa venda.”
Para julho, a expectativa da entidade é que as vendas cresçam 5% ante junho, para 329,5 mil toneladas. Tal melhora, de acordo com o presidente do Inda, deve decorrer de uma acomodação no mercado, enquanto, do ponto de vista macroeconômico, o cenário é de “mais dificuldade”.
Ainda de acordo com os dados divulgados nesta quinta-feira pelo Inda, o setor terminou junho com estoques de 1,068 milhão de toneladas, declínio de 0,3% na base mensal e um crescimento de 14,9% sobre um ano antes. Esse volume equivale a 3,4 meses de comercialização, nível considerado elevado pela entidade.
O Estado de S.Paulo - SP 25/07/2025
Sete Lagoas, município de 227 mil habitantes a 74 quilômetros de Belo Horizonte, é um dos maiores polos industriais de Minas Gerais, em setores como metalurgia, siderurgia, alimentos, bebidas e têxteis. Concentra 21 das 53 usinas produtoras de ferro-gusa do Estado e a maior capacidade de produção da matéria-prima. Das exportações da commodity metálica por usinas mineiras, Sete Lagoas responde por cerca de US$ 600 milhões, ou R$ 3,3 bilhões pela cotação do dólar nesta quinta-feira, 24.
As divisas brasileiras com exportação de ferro-gusa no ano passado atingiram US$ 1,65 bilhão, o equivalente a R$ 9,1 bilhões. As exportações de siderúrgicas de Minas representaram 70% desse valor (US$ 1,15 bilhão). Em volume, os EUA importam 86,9% (de Minas Gerais, 85%), o correspondente a 3,3 milhões de toneladas, conforme dados de 2024 do Sindifer, entidade que reúne os produtores de ferro-gusa em Minas Gerais, além de empresas de Mato Grosso do Sul e Espírito Santo.
A tarifa de 50% para exportações de produtos brasileiros aos EUA, se confirmada a partir de 1º de agosto, terá um grande impacto na economia da cidade mineira, disse Fausto Varela Cançado, presidente do Sindifer.
“Não há como redirecionar essas vendas em pouco tempo para outros mercados”, diz Varela, lembrando que 68% dos embarques de Minas Gerais têm como destino portos dos EUA.
O dirigente admite que algumas siderúrgicas de gusa poderão paralisar usinas já a partir de agosto, se não for adiada ou suspensa a tarifa, e conceder férias coletivas.
Ferro-gusa é uma liga de ferro e carbono obtida com minério de ferro e carvão vegetal ou coque, produzida em altos-fornos e utilizada como matéria-prima na fabricação de aço e autopeças e componentes automotivos.
“Somos o maior fornecedor do mercado americano. Há siderúrgicas de gusa no País que dependem 90% das vendas para os EUA”, informa Varela.
Depois do Brasil, com volume bem menor, vêm Ucrânia e Índia. A Rússia, que era o segundo maior fornecedor, sofre sanções americanas desde 2022 em razão da guerra com a Ucrânia.
O executivo, que preside o Sindifer desde o final de 2010, diz não ver uma situação tão preocupante como essa. Por ora, afirma, não se percebe evolução nas negociações conduzidas pelo governo.
“Estamos em diálogo com clientes nos EUA, que dependem do nosso produto, na tentativa de reverter a tarifa para o ferro-gusa”, diz Varela. “Caso seja mantida, vemos a paralisação de muitos fornos nas siderúrgicas de gusa.”
Embarque suspenso
Com duas operações, uma em Sete Lagoas e outra e Divinópolis, a SDS Siderúrgica, comandada pelo empresário Frederico Henriques Lima e Silva, já teve suspenso embarque programado para agosto. O cliente pediu que a carga fosse suspensa até uma definição da aplicação da tarifa de 50% a produtos brasileiros.
Da produção de Sete Lagoas da SDS, em dois altos-fornos, cerca de 40% vai para usinas de aço (25%) e fabricantes de autopeças (15%) dos EUA, informou Lima e Silva. Uma parcela um pouco maior, de 45%, é destinada a produtoras de autopeças da Europa, que demanda ferro-gusa tipo nodular, que tem especificação para essa aplicação, de maior sofisticação em qualidade. O restante é comercializado no no mercado interno.
Há cerca de um ano, a SDS adquiriu a unidade de Divinópolis e investiu R$ 25 milhões na reforma da usina, que passou a ter capacidade de 12 mil toneladas por mês. A medida do presidente dos EUA, Donald Trump, pegou o empresário no contrapé: a retomada das operações estava prevista para este mês de julho.
“Entre 60% e 70% da produção dessa usina seria destinada a usinas de fabricação de aço americanas. Havia uma perspectiva de expansão da demanda no país com base na competitividade do gusa brasileiro, que contribui para descarbonizar a indústria do aço, pois é produzido uso de carvão vegetal”, afirma o empresário.
Uma alternativa, diz Lima e Silva, é adiar o religamento da usina de Divinópolis, até uma solução para a tarifa. Nessa usina, estavam previstos 160 trabalhadores na atividade direta, sem considerar os das florestas plantadas para produzir carvão vegetal. A unidade de Sete Lagoas, de maior capacidade, emprega 380 pessoas.
O cenário é semelhante para o grupo mineiro Ferroeste, dono de uma siderúrgica de ferro-gusa em João Neiva, no Espírito Santo. A operação é tocada pela empresa controlada CBF Indústria de Gusa, que vai fazer 40 anos em 2026, e conta com capacidade de 260 mil toneladas por ano em dois altos-fornos. Do que exporta, 55% a 60% vai para o mercado americano.
“A situação é grave. Muita insegurança para esse setor. E também para os clientes americanos, que dependem do fornecimento do Brasil. Se a tarifa for mesmo aplicada a partir de 1° de agosto, teremos de tomar medidas. Nosso fôlego vai, no máximo, até o final do mês. Uma das medidas é paralisar o alto-forno menor e conceder, inicialmente, férias coletivas para parte dos funcionários", afirma Silvia Nascimento, presidente da CBF.
A executiva, uma das acionistas do grupo Ferroeste, fundado pela família Nascimento, também preside a fabricante de aços longos Aço Verde do Brasil (AVB), situada em Açailândia (MA), que atua no mercado nacional. “Até o momento não enxergamos um sinal de negociação que leve à volta da tarifa atual de 10%, que já era difícil para nós, pois as margens de ganho no negócio são baixas e até negativas”.
Para o setor siderúrgico de gusa, a situação é caótica, diz Silvia, que não se lembra, desde quando está nesse negócio, de uma situação tão difícil. “A insegurança de fornecimento está também nos EUA, nas companhias que necessitam dessa matéria-prima, caso de Nucor, Big River, Steel Dynamics, North Star e outras”, afirma.
Segundo a executiva, os clientes americanos, que dependem de ferro-gusa brasileiro para suas operações, vêm absorvendo os 10% nos contratos de venda. “Porém, 50%, já disseram, que não há condições. Daí a suspensão de uma carga prevista para meados de agosto. No caso, de 15 mil toneladas.”
Os embarques da CBF, vários ao longo do ano, são feitos em navios que levam 45 mil toneladas. Para obter redução no frete, são feitos de forma compartilhada com a SDS e outra siderúrgica.
Segundo Sílvia, os clientes têm feito pressão junto às autoridades de comércio americanas, uma estratégia que pode ter maior peso de pressão. “Mostrar para o governo a relevância de ter essa matéria-prima. São mais de 3 milhões de toneladas que o Brasil exporta aos EUA por ano”, afirma.
‘Será um desastre’
“Para nós, da CBF, será um desastre. São entre 80 mil e 100 mil toneladas que vendemos lá. Vai atingir a economia do município de João Neiva”, ressalta a executiva. No ano passado, a CBF teve receita líquida de R$ 590 milhões, com venda total de 232 mil toneladas, mas auferiu prejuízo. Desse volume, 84,5% foi para exportação. Outro mercado no exterior é a Europa.
No todo, considerando a siderúrgica e operações florestais próprias, para produção do carvão vegetal, a CBF tem quase mil profissionais, sendo metade em João Neiva. “Produzimos um gusa verde, buscado pelos clientes, com biorredutor vegetal e energia renovável, gerada na operação”.
No mercado internacional, a matéria-prima é negociada entre US$ 450 e US$ 500 a toneladas. O preço da matéria-prima vive cenário de alta em razão da potencial alta da tarifa e problema no fornecimento. A substituição por sucata de ferro e aço não traz a mesma qualidade na aplicação, garante Varela, do Sindifer, além de levar a uma escalada na cotação da sucata.
Globo Online - RJ 25/07/2025
A Justiça subiu o tom com o Cade e intimou individualmente seus conselheiros no caso das ações da CSN na Usiminas. Todos os conselheiros estão sendo intimados pessoalmente, por carta precatória. Recebem o aviso do risco de responsabilização diante da omissão da autarquia, que há quase 12 anos não conclui o processo que obriga a saída da siderúrgica de Benjamin Steinbruch do capital da concorrente mineira.
A nova decisão foi tomada há uma semana pela desembargadora Mônica Sifuentes, do TRF-6, que declarou que a medida adotada pelo Cade na reunião de 25 de junho cumpriu apenas parcialmente a determinação judicial.
Na ocasião, última reunião do então presidente Alexandre Cordeiro, a autarquia deu um prazo extra de 60 dias para que a CSN apresentasse um plano de venda de suas ações na Usiminas.
A juíza afirmou que a medida é incompatível com o “objetivo de romper com o ciclo de inércia institucional” e que o Cade deveria ter adotado providências concretas.
A sentença intima, ainda, o MPF a se manifestar sobre a conduta omissiva.
O Cade terá uma nova oportunidade de cumprir com a obrigação judicial na sessão deliberativa do dia 6 de agosto.
Exame - SP 25/07/2025
As siderúrgicas dos Estados Unidos aumentaram os preços do aço após o presidente republicano Donald Trump dobrar a tarifa sobre as importações do metal, de 25% para 50%. A Cleveland-Cliffs e a Steel Dynamics relataram alta nos valores cobrados no segundo trimestre, o que elevou os custos para fabricantes de veículos, equipamentos e bens duráveis.
Empresas como a Daimler Truck North America afirmaram que tentaram repassar parte do aumento ao consumidor, mas enfrentam resistência no mercado atual. A fabricante adicionou aproximadamente US$ 3.500 ao preço de um ônibus escolar quando as tarifas estavam em 25%. Com a alíquota em 50%, o impacto pode ser ainda maior.
O presidente-executivo da Daimler, John O'Leary, disse que os fabricantes americanos de aço passaram a ter maior liberdade para definir os preços. A empresa também informou a demissão de cerca de 2 mil trabalhadores em cinco unidades na América do Norte.
Aumento nas tarifas e impacto nos preços internos
No segundo trimestre de 2025, a Steel Dynamics vendeu aço a um preço médio de US$ 1.134 por tonelada, contra US$ 998 no trimestre anterior. Já a Cleveland-Cliffs comercializou a US$ 1.015 por tonelada, acima dos US$ 980 dos três primeiros meses do ano. Segundo dados oficiais do governo, o preço do aço nacional subiu 16% no acumulado do ano.
Lourenço Gonçalves, presidente da Cleveland-Cliffs, afirmou que as tarifas ajudaram a sustentar a indústria siderúrgica interna. Ele criticou concorrentes estrangeiros por receberem subsídios e pagarem salários mais baixos.
As importações de aço caíram 6,2% até maio, segundo o Instituto Americano de Ferro e Aço. Canadá, Brasil, Coreia do Sul e México seguem entre os principais exportadores para os EUA. As tarifas, que começaram em 2018 com base em um dispositivo legal de segurança nacional, foram ampliadas com o retorno de Trump à presidência.
Além de elevar as tarifas, o governo encerrou isenções a países exportadores e incluiu na taxação itens como fios, tubos e eletrodomésticos. Em junho, a Nippon Steel, do Japão, aceitou ceder participação acionária ao governo dos EUA ao adquirir a US Steel.
O governo afirma que as medidas são estratégicas para garantir fornecimento à indústria de defesa. Mas memorandos do Departamento de Defesa indicam que as necessidades militares representam cerca de 3% da produção nacional de aço.
Apesar de o aço americano ser o mais caro do mundo, as tarifas ainda não atingem as importações de minério de ferro e ferro-gusa, matérias-primas essenciais para o setor. Uma possível tarifa de 50% sobre todos os produtos vindos do Brasil poderia alterar esse cenário. O executivo da Cleveland-Cliffs defendeu a inclusão do ferro-gusa na lista tarifária.
Money Times - SP 25/07/2025
As ações da Gerdau (GGBR4) driblaram a forte aversão ao risco dos investidores nesta quinta-feira (24) e foi uma das poucas empresas que operaram na ponta positiva do Ibovespa (IBOV) desde a abertura do pregão.
GGBR4 subiu 0,35%, a R$ 17,28. As ações da Metalúrgica Gerdau (GOAU4) “pegaram carona” e fecharam estáveis, a R$ 9,63.
Os papéis são impulsionados pela visão otimista da XP. Em relatório divulgado hoje (24), os analistas reiteraram a recomendação de compra e a preferência por Gerdau no setor de Mineração e Siderurgia.
A corretora também atualizou o preço-alvo de R$ 23 no final de 2025 — o que representa um potencial de valorização de 34% sobre o preço de fechamento de ontem (23).
Por que comprar Gerdau?
Para os analistas da XP, o ano de 2025 deve ser “um ponto de inflexão” para o Fluxo de Caixa Livre (FCF, na sigla em inglês) e que isso ainda não foi precificado pelo mercado. Nas contas da corretora, o rendimento do FCF de 2026 e 2027 deve ser de 9% a 12%.
O valuation da Gerdau continua descontado e “atrativo” por meio de várias métricas, na visão da equipe.
De um lado, as operações na América do Norte devem sustentar a estabilidade do Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) da Gerdau por, pelo menos, três motivos:
“Usando uma abordagem de ‘soma das partes’, acreditamos que a exposição aos EUA implica espaço para os múltiplos serem reavaliados, considerando o custo médio ponderado de capital da Gerdau”, escreveram os analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano.
Por outro lado, a siderúrgica deve se beneficiar de uma potencial redução de custos no Brasil, mesmo diante das pressões comerciais.
“Embora não esperemos melhorias de curto prazo nos preços do aço brasileiro, os atuais baixos preços do vergalhão e os níveis de paridade fornecem pouco incentivo para quedas de preços, em nossa opinião, com a desaceleração do preço do aço se aproximando do fim”, diz o relatório.
Além disso, a companhia tem avançado na execução de investimentos estratégicos, o que, na avaliação da XP, pode reduzir a necessidade de capex nos próximos dois anos.
“A combinação de recuperação do Ebitda no Brasil, níveis de rentabilidade sustentável nos EUA e a redução dos compromissos de investimento a partir de 2026 impulsiona o lado positivo assimétrico que vemos no FCF e no valuation.”
O Estado de S.Paulo - SP 25/07/2025
O tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil ameaça exportações e empregos em diferentes setores no País, do café às aeronaves, mas também pode afetar indústrias e consumidores norte-americanos com inflação, conforme relatório da consultoria legislativa do Senado entregue aos parlamentares da comitiva que irá aos EUA na próxima semana.
Os senadores agendaram reuniões com lideranças empresariais e autoridades norte-americanas. Conforme estudo da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) citado no relatório, os setores mais impactos pelo tarifaço no Brasil no curto prazo, de um a dois anos após a imposição das tarifas, são equipamentos de transporte, como aviões (-22,9%), siderurgia/ferro gusa (-12,3%) e produtos de madeira (-7,7%).
No longo prazo, de cinco a dez anos, as perdas permanecem concentradas nesses segmentos do elo exportador, mas se expandem para setores voltados ao consumo e aos serviços, como saúde e educação, pois o choque de renda alcança o mercado interno, com a queda da economia e dos empregos.
O Brasil pode sofrer uma perda de R$ 175 bilhões em dez anos, com retração de 1,49% do PIB e com 1,3 milhão a menos de postos de trabalhos, caso a tarifa de 50% para as exportações brasileiras entre em vigor, segundo o estudo da FIEMG.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por sua vez, estima uma redução de R$ 19,2 bilhões no PIB, puxada pela queda de R$ 52 bilhões nas exportações, impactando principalmente as exportações de tratores e máquinas agrícolas, com redução de 23,61% nas vendas e 1,86% na produção; aeronaves, com diminuição de 22,33% na exportação e 9,19% na produção; e carnes de aves, com queda de 11,31% na exportação e 4,18% na produção.
O relatório cita o caso da Embraer, que estima um custo adicional por avião decorrente da tarifa de R$ 50 milhões. A empresa está no momento com 181 aviões comerciais encomendados para seis companhias aéreas estadunidenses.
Na agricultura, os EUA não produzem café e o Brasil é o maior fornecedor, suprindo cerca de 30% do café vendido no mercado americano. Outro caso é o da laranja. Os EUA importam 90% do suco de laranja que consomem e, desse total, 60 a 80% é do Brasil.
São Paulo é o Estado que mais perderia com a tarifa, em termos nominais, mas outros Estados brasileiros podem ser ainda mais prejudicados em termos proporcionais. Enquanto São Paulo tem perdas estimadas de US$ 4,4 bilhões, o que representa 19% das exportações do Estado, o Ceará, com perdas estimadas de US$ 659 milhões, teria 44,9% de suas exportações atingidas, em função dos pescados e crustáceos vendidos para os EUA.
Inflação nos EUA
Nos Estados Unidos, a indústria e os consumidores podem sofrer com a inflação. Os principais destinos das exportações brasileiras são Califórnia, Flórida e Texas. Em 2024, quase a metade do comércio brasileiro para os EUA foi absorvida por esses três estados. “A tendência é de aumento do preço ao consumidor estadunidense”, diz o relatório do Senado.
O documento destaca ainda que a inflação de março nos EUA estava desacelerando (2,4%), mas os efeitos das tarifas devem reverter essa tendência nos próximos meses.
“A aplicação de tarifas pode ser contraproducente porque aumenta custos para indústrias americanas consumidoras desses insumos e agrava a inflação doméstica nos EUA em um momento sensível”, afirma o texto.
Investigação comercial contra o Brasil
Os consultores do Senado também apontam que a investigação com base na Seção 301, iniciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), pode resultar em uma nova nova rodada de aumento tarifário a ser aplicada em desfavor do Brasil além dos 50%.
Na carta em que Trump anunciou a tarifa, a imposição da taxação se daria em razão de suposta perseguição judicial no âmbito de processos judiciais em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Portanto, tais tarifas não teriam correlação com a investigação a ser promovida pelo USTR, o que significaria uma nova rodada de aumento tarifário a ser aplicada em desfavor do Brasil.”
CNN Brasil - SP 25/07/2025
Para cada R$ 1 bilhão que o Brasil exportou aos Estados Unidos em 2024, foram gerados 24,3 mil postos de trabalho entre os brasileiros, segundo estudo divulgado nesta quinta-feira (24) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Em meio à tensão provocada pelo tarifaço de Donald Trump, que deve levantar uma alíquota de 50% contra os produtos brasileiros no dia 1º de agosto, a entidade vem buscando reforçar, por meio de estudos, que "Brasil e Estados Unidos sustentam uma relação econômica robusta e estratégica, alicerçada em comércio, investimentos e integração produtiva".
"Essa parceria contribui diretamente para o crescimento e a geração de empregos nas duas economias", afirma na análise desta quinta.
A CNI reforça que a relação gerou, a cada R$ 1 bilhão de vendas, R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção no Brasil.
Os Estados Unidos são, além de o 3º principal parceiro comercial do país — atrás de China e União Europeia —, o principal destino para exportações da indústria de transformação brasileira, investimentos diretos do Brasil e parceiro no comércio de serviços.
"Na última década, a indústria de transformação representou, em média, 82% das exportações brasileiras para os Estados Unidos e 90,3% das importações vindas do parceiro norte-americano. As economias brasileira e americana são complementares. Isto é, o comércio bilateral é composto por fluxos intensos de insumos produtivos. Na última década, esses bens representaram, em média, 61,4% das exportações e 56,5% das importações brasileiras", pontua a CNI.
Sobre aportes feitos entre os dois países, a entidade destaca que o parceiro norte-americano foi o principal destino de investimentos brasileiro no mundo nos últimos anos, com 142 projetos anunciados.
O dado é do Mapa Bilateral de Comércio e dos Investimentos Brasil-Estados Unidos, elaborado pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil).
"A presença significativa de empresas atuando bilateralmente reforça a forte integração econômica entre as duas economias, com cerca de 3.662 empresas americanas investindo no Brasil e 2.962 empresas brasileiras investindo nos EUA", ressalta a CNI.
Os brasileiros investiram US$ 22,1 bilhões no território norte-americano em 2023 — ganho de 52,3% na comparação com 2014. Quando investem lá, as empresas do Brasil buscam os setores de alimentos e bebidas; plásticos; produtos de consumo; software e serviços de TI; e metais.
Olhando para os últimos cinco anos, entre 2020 e 2024, 70 marcas brasileiras anunciaram projetos nos EUA, destacando-se:
JBS: US$ 807 milhões; Omega Energia: US$ 420 milhões; CSN (Companhia Siderúrgica Nacional): US$ 350 milhões; Bauducco Foods: US$ 200 milhões; Embraer: US$ 192 milhões.
Em contrapartida, em 2023, foram investidos US$ 357,8 bilhões no Brasil pelos Estados Unidos — alta de 228,7% ante 2014. Comunicações; montadoras de automóveis; carvão, petróleo e gás; serviços financeiros; e energias renováveis estão entre os principais interesses dos EUA no nosso país.
De 2020 a 2024, 186 empresas norte-americanas anunciaram projetos em terras tupiniquins. Entre os principais destaques estão:
Bravo Motor Company: US$ 4,3 bilhões; Microsoft: US$ 3 bilhões; CloudHQ: US$ 3 bilhões; Amazon.com: US$ 2,8 bilhões; New Fortress Energy: US$ 1,6 bilhão.
O Estado de S.Paulo - SP 25/07/2025
Como investimentos e acertos nos negócios têm de ser feitos a partir de certas apostas, a hora é de perguntar como fica a economia, levando-se em conta que as ameaças do tarifaço de 50% devem se cumprir.
A primeira consequência será o impacto sobre o crescimento econômico. Antes do anúncio do tarifaço, as projeções eram de um avanço do PIB do Brasil de 2,2%. As exportações para os Estados Unidos giram em torno dos 2% do PIB. Como começam apenas em agosto, as perdas para este ano não devem ser superiores a 0,5 ponto porcentual, já levando-se em conta que a maioria dos exportadores prejudicados terá diversificado seus fornecimentos para outros países ou para o mercado interno.
O PIB mundial também pode ser beneficiado com o acerto comercial dos Estados Unidos com o Japão e, possivelmente, com a União Europeia. Ou seja, parte das enormes incertezas globais que pairam sobre a economia pode ser dissipada. Isso significa que será preciso revisar as projeções do PIB para alguma coisa abaixo dos 2% neste ano.
Na área da inflação, as avaliações parecem mais otimistas. Boa parte da produção que não poderá ser despachada para os Estados Unidos acabará escoada aqui dentro. Por aí, espera-se certo recuo nos preços dos alimentos, especialmente do café, carne, ovo e certos pescados.
É preciso conferir também o que acontecerá com o câmbio. A tendência é a de que o dólar continue perdendo valor em relação às outras moedas, inclusive em relação ao real. É consequência não apenas de certa rejeição global ao dólar, a partir da deterioração fiscal nos Estados Unidos, mas também pela própria política do presidente Trump, que vem favorecendo certa desvalorização do dólar, com objetivo de aumentar as exportações do made in USA.
A queda das cotações do dólar em reais também ajuda a conter a inflação do Brasil. Esses fatores juntos não devem ser suficientes para empurrar a inflação para a meta, que é de 3% em 12 meses, com 1,5 ponto porcentual de tolerância (o que dá o teto de 4,5%), mas poderão segurar nova esticada.
Nada disso atuará para redução dos juros básicos (Selic) ainda neste ano. Deverão continuar à altura dos 15% ao ano, nas reuniões do Copom previstas para 30 de julho, 17 de setembro, 5 de novembro e 10 de dezembro.
Enfim, a aposta principal para a tomada de decisões da vida econômica é a de que o tarifaço terá lá seu impacto – mais duro para os setores mais atingidos –, mas não a ponto de desarrumar ainda mais a economia.
O problema é que nada garante que tudo irá parar por aí, porque o chefão dos Estados Unidos sempre poderá achar algum pelo em ovo para voltar a castigar a economia brasileira.
Diário do Comércio - MG 25/07/2025
A arrecadação do governo federal teve alta real de 6,62% em junho sobre o mesmo mês do ano anterior, somando R$ 234,594 bilhões, nível recorde para meses de junho da série histórica iniciada em 1995, informou a Receita Federal nesta quinta-feira (24).
No acumulado de janeiro a junho, a arrecadação foi de R$ 1,426 trilhão, 4,38% acima do registrado nos primeiros seis meses de 2024, já descontada a correção pela inflação. O dado acumulado também é recorde para períodos equivalentes.
Em junho, os recursos administrados pela Receita, que englobam a coleta de impostos de competência da União, avançaram 7,28% em termos reais frente a um ano antes, para R$ 226,634 bilhões. No período de janeiro a junho, o ganho real foi de 5,04%, totalizando R$ 1,365 trilhão.
As receitas administradas por outros órgãos, que têm peso grande de royalties sobre a exploração de petróleo, caíram 9,09% em junho frente ao mesmo período de 2024, para R$ 7,959 bilhões. No acumulado de janeiro a junho, esses recursos tiveram perda real de 8,60%, totalizando R$ 60,747 bilhões.
Segundo a Receita, o desempenho positivo de junho foi influenciado pelo comportamento de indicadores macroeconômicos, pela arrecadação adicional após o governo ter elevado alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e pela maior arrecadação de Imposto de Renda sobre ganhos de capital, em razão da alta da taxa Selic.
Outro fator foi o adiamento do pagamento de tributos em junho de 2024 por contribuintes do Rio Grande do Sul após as enchentes no Estado, o que gerou uma distorção de R$ 3,7 bilhões na base de comparação entre os dois períodos.
Entre os destaques de junho, no recorte por tributo, a arrecadação de Imposto de Renda sobre ganho de capital registrou crescimento real de 19,19%, para R$ 25,044 bilhões. A Receita ainda computou ganhos de 6,61% em receitas previdenciárias e de 38,83% na arrecadação de IOF.
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No período de janeiro a junho, o fisco destacou ganhos reais de 4,95% na arrecadação com PIS/Cofins e de 26,48% em Imposto de Importação, além de altas de 3,8% em receitas previdenciárias e de 24,55% em Imposto de Renda sobre rendimentos de residentes no exterior.
Déficit zero
Os dados positivos da arrecadação ajudam na busca pelo déficit zero pela equipe econômica neste ano.
Na terça-feira (22), o governo anunciou que reduzirá de R$ 31,3 bilhões para R$ 10,7 bilhões a contenção de verbas de ministérios implementada para respeitar regras fiscais, diante de perspectivas melhores para as receitas.
A maior parte dessa melhora na projeção, no entanto, virá de um leilão de áreas da União no pré-sal ainda não contratadas, uma arrecadação não recorrente.
O Estado de S.Paulo - SP 25/07/2025
Os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantiveram “conversas reservadas”, nos últimos dias, e negociaram caminhos para evitar que o tarifaço de 50% sobre as exportações brasileiras entre em vigor no dia 1.º de agosto.
Foi a primeira vez que o tom do diálogo saiu do “perde-perde” para o “ganha-ganha”, sem nenhum tipo de implicação no campo jurídico, como definiu o vice-presidente Geraldo Alckmin ao Estadão.
Alckmin se reuniu no sábado, por videoconferência, com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick. “Foi uma conversa longa, de aproximadamente 50 minutos. Destaquei que o presidente Lula tem orientado a negociação, sem contaminação política nem ideológica”, disse Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
A promessa de sobretaxa que surpreendeu o Palácio do Planalto e o Itamaraty foi feita em 9 de julho pelo presidente dos EUA, Donald Trump, misturou dados comerciais equivocados com o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e decisões contra empresas americanas de tecnologia.
O julgamento de Bolsonaro, no entanto, não entrou nas negociações entre Alckmin e o representante dos EUA.
Ampliar relação comercial e investimentos
Acordo de bitributação
Exploração de minerais críticos
Ampliar relação comercial e investimentos
O Brasil ofereceu acenos para ampliar “significativamente” os laços comerciais e de investimentos entre os dois países.
Alckmin disse que uma das propostas apresentadas por empresários para dar “materialidade” ao objetivo de expansão dos negócios com os americanos foi dobrar a relação bilateral de comércio nos próximos cinco anos.
Os EUA são o segundo parceiro comercial para o qual o Brasil mais exporta, atrás apenas da China. A balança comercial do País com os norte-americanos teve déficit de US$ 590 milhões em junho e de US$ 1,67 bilhão no primeiro semestre deste ano. Isso significa que a economia brasileira importa mais do que exporta para os EUA.
Assim como na lista das exportações, os EUA também ocupam o segundo lugar entre os países dos quais o Brasil mais importa, atrás somente da China.
Assim como na lista das exportações, os EUA também ocupam o segundo lugar entre os países dos quais o Brasil mais importa, atrás somente da China.
Acordo de bitributação
O governo Lula também defende que seja firmado um acordo de bitributação, a fim de reduzir insegurança jurídica e facilitar investimentos recíprocos.
Reivindicação antiga do setor privado, esse tipo de acordo tem o objetivo de evitar que a mesma renda seja tributada duas vezes, uma em cada país. Ou seja: ele define em qual país um determinado imposto é pago e como esse valor pode ser compensado em outra nação.
Atualmente, dos dez produtos mais vendidos pelos Estados Unidos ao Brasil, em oito a tarifa é zero. Os norte-americanos tentam ampliar essa vantagem.
Exploração de minerais críticos
Questionado sobre possíveis negociações com os EUA envolvendo minerais críticos brasileiros, Alckmin afirmou que a pauta de mineração “é muito longa e pode ser explorada e avançada”. O vice-presidente evitou, porém, cravar qualquer cenário de negociação sobre o tema.
“Trata-se de outro setor que exporta para os Estados Unidos apenas 3%, mas importa em máquinas e equipamentos em mais de 20%, o que mostra, de novo, enorme superávit na balança comercial (do lado dos EUA)”, disse o vice-presidente.
Nesta quinta-feira, 24, o encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Gabriel Escobar, voltou a manifestar o interesse norte-americano nos minerais críticos e estratégicos do País, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
Solicitada pelo representante norte-americano, a reunião teve a participação do presidente do Ibram, Raul Jungmann, e do vice-presidente do instituto, Fernando Azevedo, em Brasília.
Minerais críticos são aqueles considerados essenciais para setores estratégicos, como tecnologia, defesa e transição energética. Incluem elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras, fundamentais para baterias de veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores.
A oferta desses recursos está sujeita a riscos de escassez ou dependência de poucos fornecedores.
O Estado de S.Paulo - SP 25/07/2025
A Europa pretende ser um elemento de estabilização para o comércio internacional, segundo o presidente da Comissão de Comércio Internacional (Inta, na sigla em inglês) do Parlamento Europeu, Bernd Lange. Para fazer isso, há um interesse em reviver a Organização Mundial do Comércio (OMC), que tem suas decisões paradas desde 2019, quando os Estados Unidos começaram, no primeiro mandato do presidente Donald Trump, a bloquear as nomeações para o órgão de apelações.
Para conseguir isso, o parlamentar alemão, do partido social-democrata, afirma que há discussões até sobre buscar formas de expulsar os EUA da OMC — embora admita que ainda não há certeza sobre a viabilidade jurídica da medida. Ele falou sobre esse tema para o Estadão, e sobre como o comércio global está mudando com o novo mandato de Trump. Também comenta sobre as dificuldades de negociações com o governo americano.
A seguir, leia trechos da entrevista.
As ameaças tarifárias de Trump vão redefinir o comércio global, mesmo que acordos sejam fechados nas próximas semanas, com organismos multilaterais enfraquecidos e perda de confiança em parceiros comerciais importantes, como os EUA?
De fato, o mundo mudou. Não será como era antes do Trump. Isso com certeza. Então, precisamos ser muito cuidadosos para proteger o sistema multilateral de comércio. É claro que os Estados Unidos são importantes. Mas apenas a Europa é responsável por 15% do comércio global. E estamos comprometidos com a Organização Mundial do Comércio e queremos reformar essa organização e a estabilizar. Em março do próximo ano, teremos um grande encontro em Camarões. Então, seria importante termos um bom sinal para isso.
O que é possível se fazer, já que o mecanismo de apelações está parado desde 2019, quando os EUA começaram a bloquear as nomeações para o órgão de apelações e, assim, nenhuma decisão é colocada em vigor?
Há algumas discussões agora acontecendo se devemos expulsar os EUA da OMC. Não tenho certeza se será legalmente possível, mas agora eles bloquearam, no último mês, pela 86ª vez a indicação para o mecanismo de apelações. E, então, ele continua sem juízes. Além disso, não pagam há cerca de dois anos o dinheiro que deviam dar para a OMC. Temos 165 países no órgão e devemos construir em cima disso. Países como Indonésia e Índia podem ter um papel proativo na organização.
O que mais pode ser feito para o comércio internacional responder a Trump?
Além de reformar a OMC, em um segundo ponto, queremos criar uma rede de parceiros confiáveis, e sermos um elemento de estabilização e dar previsibilidade para investimentos. Isso é crucial, ou o comércio global vai ficar parado. Espero que consigamos ter uma frente comum contra a política ilegal e injustificável do presidente Trump. O Brasil, especificamente, está sendo atacado neste momento. Trump está usando as tarifas não como uma medida econômica, mas como arma de pressão política. Há esta nova investigação, por meio da seção 301, dos EUA contra o Brasil, sobre regulação digital e com outros elementos, em que está claro que é um uso coercitivo das tarifas.
Como a Europa pretende se defender dessas ameaças?
Na União Europeia, melhoramos a nossa caixa de ferramentas de medidas defensivas, especificamente depois da experiência com o primeiro mandato de Trump. Quando ele mencionou que, se nós fossemos estabelecer um imposto digital para aquelas ‘pequenas’ empresas do Vale do Silício, ele colocaria 50% de tarifas para os carros europeus, e já estava usando tarifas comerciais como instrumentos de coerção. Então, nós estabelecemos uma nova legislação, o instrumento anticoerção.
Essa é aquela regra chamada de ACI, na sigla em inglês, aprovada em 2023?
É exatamente essa. Agora, temos toda uma cesta de medidas possíveis para reagir se o senhor Trump usar um caminho similar desta vez. Também tivemos problemas com a China, em que eles usaram medidas coercitivas. Temos uma solução para isso, agora. Mas também creio que seja um elemento que devemos evitar, e de se usar comércio e investimentos como arma política. Então, esses três elementos (OMC, rede de parceiros e ACI) estão sendo pensados firmemente como formas de estabilizar o sistema global baseado em regras.
Então, o ACI só será acionado se falharem as negociações das próximas semanas, até o dia 1º de agosto, quando Trump disse que entrarão em operação as tarifas?
Sim, logo antes dessa entrevista, eu estava no telefone com o Maros Sefcovic, o nosso comissário de comércio (comissário de comércio e de segurança econômica, relações institucionais e transparência da Comissão Europeia). E discutimos exatamente isso.
O Brasil também aprovou recentemente uma Lei de Reciprocidade Econômica, que busca defender o País de ameaças comerciais, que o presidente Lula ameaçou usar contra os EUA. Esse tipo de regra pode ser necessária como forma de dissuasão?
Nós já deixamos prontas contramedidas tarifárias para tarifas ilegais para o aço, que somam um volume de € 22 bilhões em produtos americanos. Como um segundo passo, contra tarifas ilegais contra nossos carros, estabelecemos tarifas para € 72 bilhões em produtos americanos. Há também um novo elemento de taxas de exportações para sucata de aço, já que os EUA precisam disso e importam bastante sucata da Europa para a produção de aço. Então, é uma pressão ter essas taxas. O terceiro passo da escalada seriam taxas digitais, porque as gigantes de tecnologia dos EUA geram um terço de suas receitas na Europa. Só então, a força de escalada da disputa chega no ACI.
Por meio dele, vocês acionam barreiras não tarifárias, como derrubar patentes e propriedade intelectual?
Sim, ele permite isso, além de compras governamentais. É realmente uma cesta grande.
Já houve uma análise sobre que medidas usar?
Estamos olhando o que é viável usar para realmente atingir os EUA e que medidas acabariam prejudicando os nossos cidadãos e a nossa indústria também, para não usarmos essas.
Então, deve ser um esforço bem focado?
É um pouco estratégico e tático.
Alguns produtos a serem taxados poderiam ser a soja da Louisiana, o Estado do presidente da Câmara, o republicano Mike Johnson, e o bourbon?
Temos um conjunto de tarifas para atingir uma grande quantidade de produtos como esses. Mas, sem prejudicar a nossa indústria. Um exemplo proeminente são tarifas para motos acima de 500 cilindradas, para direcionar as tarifas para a Harley-Davidson. Mas na Europa você poderá comprar BMW, Ducati ou Honda, o que quiser. E nessa lista temos muitos produtos agrícolas e alcoólicos, além produtos industriais ligados ao aço e ao alumínio. Também envolve têxteis, que eu não sabia que importávamos tanto dos EUA.
Mas esse cenário de retaliação não é o ideal, não?
No fim das contas, os dois lados perdem, e queremos evitar uma negociação extensa. Também está claro que a consciência dos danos também acontece nos EUA. Falei com muitos senadores em Washington, de vários Estados, e governadores, e eles sabem que a cadeia de suprimentos está rompida. Empresas precisam demitir trabalhadores, e há uma grande pressão também da Câmara de Comércio dos EUA. Agora que os preços dos carros europeus e os produtos da China estão subindo mais e mais, muitas pessoas na sociedade americana estão pensando nisso.
O que Trump deseja, ao infligir esse dano para o próprio país?
Acredito que essa pressão para negociar, primeiramente até julho e agora até o dia 1º de agosto, também esteja motivada por ele querer resolver isso tudo o mais rapidamente possível, porque as consequências agora estão aumentando. E também a preparação para as eleições de metade de mandato, no próximo ano, está começando agora. Então, ele precisa resolver isso logo.
Existem mais motivações econômicas para todas essas tarifas?
A minha convicção para tudo isso é que eles precisam das tarifas como forma de receita para o orçamento. Além das tecnicalidades sobre as tarifas aqui e ali, eles precisam financiar o projeto aprovado pela Câmara americana, há alguns dias, o ato que chama de One Big Beautiful Bill, (que adicionaria US$ 3,3 trilhões à dívida pública americana na próxima década). Isso cria um grande problema para o orçamento, e eles querem esse dinheiro. No momento, a União Europeia está pagando € 7 bilhões em tarifas para os EUA. E, com essa tarifa-base nova e as tarifas para carros, crescerá para € 100 bilhões por ano. Então, é claro para mim que esse é o objetivo de toda essa operação.
Mas, no fim, quem paga essas tarifas não são os consumidores, que comprarão produtos mais caros, que darão dinheiro para o governo financiar esse projeto?
Sim, e isso sem o governo precisar aumentar os impostos.
Para fazer tudo isso, Trump usa argumentos de comércio e até políticos, como no caso do Brasil? Tudo isso torna as negociações mais imprevisíveis e tudo menos racional?
Na minha experiência, isso acontece. Os negociadores americanos dizem que podemos enviar propostas, mas a decisão é tomada somente pelo presidente. Nós chegamos a discutir um acordo possível, e depois o presidente Trump decidiu que não era suficiente. E recebemos uma carta com a pressão do aumento da tarifa-base de 20% para 30%, quando a gente achava que a carta seria propondo o fechamento de um acordo.
Então, os próprios negociadores americanos não têm autonomia?
A grande diferença para o primeiro mandato do Trump é essa. Era possível realmente conversar com o secretário de Comércio e outras autoridades de comércio e achar soluções, de uma forma normal. Isso acabou totalmente agora. Temos uma cesta em que tudo está dentro, e ninguém sabe exatamente qual será a decisão do presidente. Ele também tem como consultor para as tarifas o (economista) Peter Navarro, mas ele é inacreditável. Às vezes, Trump telefona para alguns amigos e pergunta para eles o que pensam sobre certa coisa, e isso é a base para a decisão.
Infomoney - SP 25/07/2025
Mapeamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que ao menos 70 empresas brasileiras mantêm investimentos produtivos em 23 dos 50 estados americanos. Segundo os dados divulgados nesta quinta-feira (24) os investimentos brasileiros em solo norte-americano alcançaram um estoque de US$ 22,1 bilhões em 2024, uma alta de 52,3% em relação a 2014. Os números mostram ainda que, entre 2020 e 2024, empresas brasileiras anunciaram mais de US$ 3,3 bilhões em novas operações no território americano.
Alimentos e bebidas, com 28%; plásticos, com 12,4%; produtos de consumo, com 9,8%; software e serviços de TI, com 9,6%; e metais, com 9,3% são os setores que lideram os investimentos brasileiros nos EUA.
Entre os estados americanos com maior número de empresas brasileiras com plantas produtivas estão a Flórida, com 12; a Georgia, com sete; Michigan, Minnesota, Missouri, Nova York, aparecem depois com seis empresas cada; e o Tennessee e o Texas, com cinco.
“O estudo revela que nos últimos cinco anos (2020-2025), 70 empresas brasileiras anunciaram projetos nos EUA, com destaques para JBS (US$ 807 milhões), Omega Energia (US$ 420 milhões), Companhia Siderúrgica Nacional (US$ 350 milhões), Bauducco Foods (US$ 200 milhões) e Embraer (US$ 192 milhões)”, informou a CNI.
Investimentos
O documento traz também informações sobre investimentos anunciados por nove empresas brasileiras nos primeiros cinco meses de 2025.
Entre os destaques estão a Embraer, com a implantação de um centro de manutenção no Texas, com investimentos previstos de US$70 milhões e geração de 250 empregos. A JBS, que anunciou uma nova planta em Iowa, com aporte de US$ 135 milhões e 500 empregos diretos, e a Sustainea, parceria da Braskem com a japonesa Sojitz, com um investimento previsto de US$ 400 milhões no estado de Indiana.
O mapeamento mostra que 2.962 empresas brasileiras têm investimentos diversos nos EUA. Na avaliação da confederação, os números reforçam a forte integração econômica entre as duas economias.
“Essa é a prova de que o setor produtivo brasileiro vê na integração com os Estados Unidos muito mais que comércio: vê parceria. O avanço dos investimentos de ambos os lados, ao longo dos anos, reforça o caráter complementar e os benefícios mútuos dessa relação”, afirmou o presidente da CNI Ricardo Alban.
Por outro lado, o mapeamento mostra que, no mesmo período, 186 empresas norte-americanas anunciaram novos negócios no Brasil. Entre as principais companhias estão Bravo Motor Company (US$ 4,3 bilhões), Microsoft (US$ 3 bilhões), CloudHQ (US$ 3 bilhões), Amazon.com (US$ 2,8 bilhões) e New Fortress Energy (US$ 1,6 bilhão).
“No que se refere a investimentos anunciados, de 2015 a 2025, os setores mais atrativos para os investidores dos EUA em território brasileiro foram: comunicações (31,0%), montadoras de automóveis (13,5%), carvão, petróleo e gás (11,4%), serviços financeiros (10,9%) e energias renováveis (7,1%)”, disse a CNI.
Valor - SP 25/07/2025
No Brasil, empresa registrou avanço de 4% na produção em Minas-Rio, para 6,6 milhões de toneladas de minério
A Anglo American produziu 15,9 milhões de toneladas de minério de ferro no segundo trimestre, 2% superior ao produzido um ano antes, apoiada pelo avanço de 4% na produção em Minas-Rio, no Brasil, que chegou a 6,6 milhões de toneladas de minério. As operações em Kumba, na África do Sul, registraram produção de 9,2 milhões de toneladas da commodity, representando uma alta de 1% no ano.
O volume de vendas do minério de ferro caiu 1% no comparativo com o segundo trimestre do ano passado, para 16,4 milhões de toneladas, devido o recuo de 2% das vendas nas operações brasileiras, a 6,6 milhões de toneladas, levemente compensado pelo aumento de 1% das vendas em Kumba, a 9,7 milhões de toneladas.
A mineradora inglesa manteve sua meta de produção anual de 57 a 61 milhões de toneladas de minério — 35 a 37 milhões de toneladas de Kumba e 22 a 24 milhões de toneladas de Minas-Rio.
Em outros metais, a Anglo American teve baixa de 11% na produção de cobre, para 173 mil de toneladas, e alta de 109% na produção de manganês, para 746 mil toneladas. Já nos negócios de venda, a empresa reportou perdas de 51% em carvão, 47% em platina, 36% em diamantes e 5% em níquel.
“Continuamos a avançar com a simplificação do nosso portfólio, à medida que reformulamos nossos negócios para o longo prazo — e nossos programas de reorganização e redução de custos estão em andamento. Olhando além deste ano de transição, emergiremos como um negócio altamente diferenciado, com margens mais altas e maior geração de caixa, preparando-nos para realizar o excelente potencial de nossos ativos e recursos de classe mundial”, disse o presidente da companhia, Duncan Wanblad.
CNN Brasil - SP 25/07/2025
Os preços futuros do minério de ferro na bolsa de Dalian fecharam em queda nesta quinta-feira (24), pressionados pelo aumento da oferta das grandes mineradoras Vale e Fortescue e pelos maiores estoques de aço nas usinas chinesas.
O contrato mais negociado de setembro do minério de ferro na DCE (Bolsa de Mercadorias de Dalian) da China encerrou as negociações do dia com queda de 0,55%, a 811 iuanes (US$ 113,40) a tonelada métrica.
O minério de ferro de referência de agosto, na Bolsa de Cingapura avançava 0,44%, a US$ 104,9 a tonelada.
Os sinais de maior oferta enfraqueceram os preços do minério de ferro na bolsa de Dalian, disseram analistas do ANZ em nota.
A mineradora brasileira Vale reportou um aumento de produção no segundo trimestre, com crescimento de 3,7% em relação ao ano anterior, enquanto a australiana Fortescue registrou recorde de embarques de minério de ferro no quarto trimestre, com custos mais baixos, superando as expectativas dos analistas.
A produção diária de aço das principais empresas também aumentou 2,1% em relação ao mês anterior, enquanto os estoques subiram 3,9%, segundo dados da Associação de Ferro e Aço da China.
Além disso, as exportações de tarugos de aço da China atingiram recorde de janeiro a maio, com 4,72 milhões de toneladas, quase igualando o total do ano inteiro de 2024, de acordo com dados da consultoria chinesa Mysteel.
Ainda assim, o sentimento tem sido amplamente positivo nesta semana, após o anúncio de que a China seguirá com a construção da maior usina hidrelétrica do mundo, o que deu suporte aos preços do aço.
IstoÉ Online - SP 25/07/2025
A BHP alcançou produções recordes de minério de ferro e cobre no ano fiscal encerrado em junho, com 263 milhões de toneladas de ferro e 2,07 milhões de toneladas de cobre. O bom desempenho, especialmente no trimestre final, foi impulsionado pela retomada após impactos climáticos na Austrália e pelo ramp-up do segundo concentrador da Samarco, em Minas Gerais.
O resultado fez as ações da mineradora abrirem em alta na sexta-feira (18), mesmo após o anúncio de adiamento do megaprojeto de potássio Jansen, no Canadá. A primeira fase do empreendimento, agora 68% concluída, teve o cronograma de produção adiado para meados de 2027, retornando à previsão original após tentativa frustrada de antecipação.
O investimento estimado em Jansen também subiu de US$ 5,7 bilhões para entre US$ 7 bilhões e US$ 7,4 bilhões, um aumento de até US$ 1,7 bilhão. A empresa atribuiu o estouro de custos à inflação, mudanças no escopo do projeto e menor produtividade durante a construção.
Segundo o CEO da BHP, Mike Henry, a demanda global por commodities segue resiliente, com destaque para o papel da China no consumo interno e nas exportações. Ele afirmou que o crescimento mais lento e o cenário comercial fragmentado ainda representam riscos, mas os estímulos econômicos devem sustentar o mercado no curto prazo.
O Estado de S.Paulo - SP 25/07/2025
A Agência Nacional de Mineração (ANM) elevou o nível de emergência da barragem B1-A para nível 2, em Brumadinho, no interior de Minas Gerais. Conforme a agência, foram identificadas condições de estabilidade marginal na estrutura da barragem.
A medida é preventiva, visando resguardar as pessoas que ocupam o entorno da barragem, diz a ANM, em nota. Isso porque os estudos conduzidos por auditores e projetistas não foram conclusivos sobre a segurança da estrutura. A Emicon Mineração e Terraplenagem, responsável pela barragem, foi procurada e ainda não deu retorno.
A ANM considerou que houve insuficiência nas investigações geotécnicas. “Apesar da realização de novas investigações, tais dados ainda não foram integrados às análises por questões contratuais pendentes. Diante desse cenário, a ANM determinou a contratação de uma empresa independente para realizar nova análise, considerando as informações disponíveis”, diz o comunicado.
O objetivo seria garantir de forma segura a retirada de ao menos dez famílias de comunidades do entorno. “Não foram registradas anomalias que indiquem risco iminente de rompimento e a decisão foi tomada durante o período de estiagem, o que reduz os riscos hidrológicos. A medida visa garantir que a evacuação da população ocorra de forma segura e organizada”, diz.
Conforme a agência, a decisão se deu com articulação prévia com o Ministério Público Federal, o Estado de Minas Gerais e a Fundação Estadual do Meio Ambiente, além da Defesa Civil e prefeitura de Brumadinho. A agência acionou também o acordo de cooperação técnica com a Defesa Civil de Minas e realizou sobrevoo conjunto na área da barragem e da zona de salvamento (entorno). A agência informou que continua acompanhando a situação da B1-A “de forma rigorosa e transparente”.
Família já deixam área crítica
A barragem que passou do nível 1 para o 2 está localizada na Serra da Conquista, na sub-bacia do Córrego dos Quéias. A escala vai de 1 a 3, em ordem crescente de risco. Depois de ser notificada pela agência, a prefeitura de Brumadinho deu início à notificação dos cerca de 40 moradores da necessidade de evacuação para áreas mais seguras.
Conforme o município, a previsão é que a retirada das famílias comece nesta sexta-feira, 25, e se complete em cinco dias. A maioria vai para a casa de parentes.
Na tarde desta quinta-feira, uma parte dos moradores já tinha deixado a área. Foi criada uma comissão estratégica no município para acompanhar as medidas preventivas em relação à barragem.
A barragem B1-A está na mira do Ministério Público de Minas Gerais desde 2022, quando a Emicon firmou um termo em que se comprometeu a melhorar as condições de segurança desta e de outras barragens – Quéias, Dique B3 e Dique B-4, localizadas em Brumadinho. Em outubro do ano passado, uma nota técnica da ANM alertava para a ausência de atividade humana na mina do Quéias e indícios de descaracterização dessas estruturas.
Tragédia em 2019 matou 272
A barragem B1-A não tem relação com a B-1, a barragem da Vale também localizada em Brumadinho, que rompeu em 2019, causando a morte de 272 pessoas e um grande desastre ambiental. O volume total do represamento da Emicon é de 914 mil metros cúbicos de sedimentos, 13 vezes menos do que o volume acumulado na B1.
Com o rompimento da barragem da Vale, 12 milhões de metros cúbicos vazaram, atingido vilas, estradas e rios.
No vazamento ocorrido na barragem do Fundão, em Mariana, em 2015, também em Minas, vazaram 43 milhões de metros cúbicos de rejeitos. A área era menos habitada e 19 pessoas morreram, mas o desastre ambiental foi sem precedentes, contaminado a Bacia do Rio Doce.
Infomoney - SP 25/07/2025
A duas horas de carro além dos engarrafamentos de São Paulo, passando pelos vastos vales de cana-de-açúcar, uma das primeiras fábricas de carros elétricos movidos a bateria das Américas está prestes a ser inaugurada.
O objetivo é reinventar a forma como o Brasil dirige e, em última instância, o restante da América Latina, assim como as montadoras chinesas já fizeram em grande parte da Ásia e querem fazer na Europa.
Até recentemente, essa fábrica era operada pela Mercedes-Benz, o gigante alemão da inovação automotiva do século 20, que produzia carros movidos a gasolina. Hoje, ela pertence à Great Wall Motor, uma das principais exportadoras chinesas de veículos elétricos estilosos e acessíveis.
A mudança de mãos reflete uma profunda transformação em uma das indústrias mais vitais do mundo. Se antes os carros americanos e europeus, movidos a combustíveis fósseis, dominavam gostos e tendências globais, essa era parece estar rapidamente se voltando a favor da China.
Hoje, a China não só fabrica e exporta mais carros de todos os tipos do que qualquer outro país, como suas empresas dominam a fabricação global de veículos elétricos do futuro. Elas também controlam a cadeia de suprimentos de praticamente tudo que compõe esses carros.
Os veículos elétricos chineses estão entre os mais avançados do mundo. Alguns percorrem, com uma única carga, distâncias equivalentes aos modelos topo de linha da Tesla, mas a preços mais baixos. Uma montadora chinesa, a BYD (Build Your Dreams), desenvolveu tecnologia capaz de carregar totalmente a bateria em apenas cinco minutos.
Não é de se espantar que as vendas da Tesla na China estejam em queda, e que os Estados Unidos, sob as administrações de Joe Biden e Donald Trump, tenham praticamente proibido a importação de carros chineses.
Para a China, sobra o resto do mundo.
Seus fabricantes de veículos elétricos e híbridos já instalaram ou estão instalando fábricas na Hungria, Indonésia, Rússia, Tailândia e Turquia. Esses esforços, incluindo a fábrica da Great Wall no Brasil, fazem parte de uma campanha global da China para conquistar uma fatia significativa da indústria automotiva mundial, uma poderosa fonte de receitas, empregos e prestígio nacional.
Os gigantes ocidentais do setor automotivo estão preocupados.
“Estamos em uma competição global com a China”, disse Jim Farley, CEO da Ford Motor, na conferência Aspen Ideas em junho. “Não é só sobre veículos elétricos. E se perdermos essa disputa, não teremos futuro na Ford.”
A Great Wall Motor assumiu a fábrica da Mercedes na cidade industrial de Iracemápolis, perto de São Paulo, após a montadora alemã fechar as portas em 2021, culpando a queda nas vendas de carros de luxo. A BYD assumiu uma fábrica da Ford depois que anos de vendas fracas e prejuízos forçaram a gigante americana a encerrar sua longa história de produção no Brasil.
Na época, Farley chamou os fechamentos de “ações difíceis, mas necessárias”. A Ford montava carros no Brasil há um século, começando com o Modelo T.
“Pela primeira vez em décadas, vemos um desafio real à dominância das marcas americanas e europeias, não apenas em participação de mercado, mas na definição do futuro da mobilidade”, afirmou Natalie Unterstell, presidente do Talanoa Institute, organização de pesquisa e defesa climática sediada no Rio de Janeiro.
O Brasil, sexto maior mercado automotivo do mundo, tenta aproveitar essa oportunidade, em vez de ser atropelado. O país incentiva empresas, independentemente da origem, a produzirem carros em solo brasileiro, preferencialmente menos poluentes, enquanto impõe tarifas crescentes sobre importações.
Nem tudo tem sido fácil. Houve conflitos sindicais relacionados às práticas trabalhistas chinesas. Mas a mensagem geral do governo é clara: se quiserem acesso aos consumidores brasileiros, venham criar fábricas e empregos aqui.
“Não queremos ser apenas importadores de tecnologias produzidas em outros países”, disse Rafael Dubeux, assessor especial do Ministério da Fazenda, em entrevista em Brasília. “Queremos também aproveitar essa mudança profunda no mundo, nas instalações industriais, para que o Brasil tenha participação nas cadeias de valor que acreditamos que prevalecerão.”
Pelo menos três empresas chinesas estão abrindo fábricas de montagem no Brasil. Além da Great Wall Motor e da BYD, outra montadora chinesa, a Chery, firmou parceria com a brasileira Caoa para produzir carros no centro do estado de Goiás.
Ainda assim, Márcio Lima Leite, presidente da associação brasileira de montadoras, permanece preocupado. As novas fábricas chinesas no Brasil montam principalmente carros com componentes importados da China, incluindo o componente mais valioso, as baterias. Segundo ele, isso não vai impulsionar a indústria nacional.
“É muito importante termos competitividade no Brasil, produzindo a nova tecnologia aqui”, afirmou.
As montadoras chinesas tiveram que se adaptar a necessidades locais importantes. No Brasil, isso significa atender à poderosa indústria do etanol. O etanol é produzido a partir da enorme safra de cana-de-açúcar do país, e a legislação brasileira exige que cada litro de gasolina contenha um pouco mais de 25% de etanol.
Assim, as montadoras não produzem apenas carros totalmente elétricos no Brasil, mas também híbridos que funcionam parcialmente com a mistura de gasolina e etanol e parcialmente com baterias. “Precisamos produzir o que os clientes procuram”, disse Márcio Renato Alfonso, brasileiro que trabalhou muitos anos em uma montadora americana e hoje é diretor de pesquisa e desenvolvimento da Great Wall no Brasil. “Alta tecnologia com preço acessível.”
A chegada da BYD em Camaçari
Na Avenida Henry Ford, na cidade industrial de Camaçari, o que antes era uma fábrica da Ford está se tornando uma fábrica da BYD.
Essa foi a fábrica mais nova da Ford. Todos os dias, desde 2001, produzia centenas de carros movidos a gasolina. Empregava cerca de 5 mil trabalhadores. Também acumulava enormes prejuízos.
Em 2021, a fábrica da Ford fechou.
“Foi um choque”, disse Júlio Bonfim, que era presidente do sindicato dos metalúrgicos da fábrica. “Eu imaginava que meu filho também trabalharia lá. Não aconteceu.”
O governo estadual ofereceu à BYD um pacote de incentivos para assumir a fábrica. Mas quase logo após a chegada da empresa chinesa, ela se envolveu em um escândalo trabalhista.
Em dezembro, autoridades brasileiras acusaram a empreiteira da BYD, Jinjiang Construction Group, de manter 163 trabalhadores chineses em “condições análogas à escravidão” e em violação das leis trabalhistas brasileiras. O caso simboliza o desafio que as empresas chinesas enfrentam ao expandir no Brasil, país com sindicatos fortes.
Os trabalhadores foram enviados de volta para a China. A construção desacelerou. Representantes da empresa disseram esperar iniciar a produção ainda este ano. Quando isso acontecer, o sindicato de Bonfim insiste que brasileiros devem ser contratados para trabalhar na linha de produção. A entidade ameaçou greve caso trabalhadores chineses sejam trazidos.
Alexandre Baldy, principal executivo da BYD no Brasil, afirmou que a empresa tomou medidas para corrigir as irregularidades. Em maio, o Ministério Público do Trabalho apresentou denúncias contra a montadora e suas empreiteiras por tráfico de pessoas. A empresa disse que pretende contestar as acusações.
Enquanto isso, a fábrica da Great Wall em Iracemápolis deve estar praticamente em operação plena. Uma cerimônia de inauguração está prevista para agosto. Os carros devem começar a sair da linha de montagem logo em seguida.
A fábrica planeja inicialmente produzir um modelo híbrido e três híbridos plug-in.
Valor - SP 25/07/2025
Na indústria de pneus, SP é um dos Estados mais afetados pela medida tarifária de Trump, aponta o setor, pois lidera a produção nacional voltada ao mercado externo
A imposição de uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, prevista para 1º de agosto, acendeu o sinal de alerta na indústria automobilística nacional.
Embora não haja certeza de que a tarifa adicional atingirá o setor de autopeças, fabricantes temem um impacto ainda maior sobre uma indústria que tem os EUA como o segundo principal destino das exportações e um universo extenso de produtos.
Desde 3 de maio, o setor já opera com tarifas de 25%. Algumas peças para veículos pesados têm tarifa de 10%, o que já provocou uma perda de 20% nos negócios, segundo Cassio Pagliarini, CMO da Bright Consulting, consultoria especializada no setor automotivo.
Em tese, as sobretaxas de 50% não se aplicariam sobre produtos que já sofrem tarifas setoriais, como autopeças, automóveis, aço e alumínio. Porém, há muita incerteza sobre o que de fato será cobrado pelos americanos, e o setor teme que tanto os itens atualmente tarifados em 10% quanto os que já enfrentam alíquota de 25% possam ter suas alíquotas elevadas para 50% ou até receber sobretaxa sobre os percentuais já em vigor.
“A tarifa é devastadora”, resume Pagliarini. Com passagens por grandes montadoras, ele diz que não se trata apenas de perder espaço nos EUA. O mercado, na prática, seria fechado.
“Com 50% de tarifa, [o setor exportador de] autopeças perde 100% dos negócios realizados e isso pode demorar até o tempo de conseguir um mercado equivalente”, afirma.
As exportações brasileiras de autopeças tradicionalmente contavam com isenção tarifária nos EUA, o que ajudava a sustentar economias de escala na produção nacional. Para o mercado americano, a produção brasileira é considerada irrisória, mas é relevante para a indústria brasileira, especialmente em componentes ligados à cadeia do aço, como freios, suspensão e chassi. Partes eletrônicas, nas quais o país tem pouca presença, são menos afetadas.
Concorrência chinesa
Para o setor de autopeças, reposicionar as exportações para outros mercados é considerado extremamente difícil, especialmente diante da concorrência chinesa. “Alemanha ou China? Impossível competir nos custos”, diz Pagliarini.
De acordo com dados da Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores), as exportações de autopeças para os Estados Unidos somaram cerca de US$ 1,4 bilhão (R$ 7,7 bilhões) em 2024. O valor representa 17,5% do total exportado no ano passado.
Já as importações de autopeças dos EUA atingiram aproximadamente US$ 2,3 bilhões (R$ 12,7 bilhões). Um déficit comercial de US$ 900 milhões (R$ 4,9 bilhões). Em junho, um mês após a aplicação da tarifa de 25%, a desaceleração se intensificou.
Como reflexo, no acumulado do primeiro semestre, as exportações para os Estados Unidos registraram queda de 4,9%, contrastando com o desempenho mais favorável observado em outros mercados como a Argentina.
Risco de cancelamentos de contratos
Edison da Matta, diretor fiscal, tributário e jurídico da Abipeças (Associação Brasileira da Indústria de Autopeças) e do Sindipeças, diz que há riscos de que contratos sejam cancelados e novos não sejam fechados, pois o alcance da sobretaxa no setor de autopeças só será realmente conhecido após a publicação da legislação americana.
Segundo Milad Kalume Neto, diretor executivo da K.Lume Consultoria, especializada na indústria automotiva e na mobilidade no Brasil, uma eventual migração parcial da produção para a Argentina é limitada. O país vizinho tem capacidade equivalente a apenas um quinto da brasileira.
Já o redirecionamento para Europa e Ásia exigiria acordos comerciais que não são simples de costurar. O mercado doméstico também não absorve o impacto da perda.
Contudo, Kalume Neto diz que o setor de autopeças brasileiro não deve ser excluído da cadeia global. O país, diz, tem papel importante na produção de veículos no Mercosul. A expectativa é que, após um período conturbado, a situação melhore no médio prazo.
Edison da Matta afirma que o setor deve permanecer atento às oportunidades. “Autopeças não são produtos de prateleira e seguem projetos desenvolvidos pelas montadoras. Acredito que ainda não é possível definir exatamente quais serão as mudanças no comércio global”.
Impactos em investimentos e contratos de trabalho
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, Weller Gonçalves, também expressa preocupação com os efeitos da medida.
Ele teme que a insegurança causada pela sobretaxa afete os planos de investimento anunciados por montadoras para o Brasil, muitos deles voltados à modernização de linhas e produção de novos modelos nos próximos anos.
Miguel Torres, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, afirma que as montadoras ainda não falam em férias coletivas ou redução de contratos, mas o risco existe. “Estamos conversando com o empresariado, e o que estão dizendo é que, se realmente se confirmar [os 50%], o impacto será muito forte, até porque arrumar outro mercado leva tempo”.
Indústria de pneus
A indústria de pneus também sente o impacto. Segundo Rodrigo Navarro, presidente da Anip (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos), os volumes de exportações equivalem à produção de uma fábrica de médio porte.
A associação se reuniu na semana passada com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, para defender a prorrogação da nova tarifa “para que haja tempo para o diálogo entre os dois países e defender uma negociação técnica e baseada em dados”.
“Uma tarifa de 50% trará prejuízos para os dois mercados e afetará empresas que investiram em linhas de produção no Brasil exclusivamente para exportação para os EUA”, afirma Navarro.
Pneus: SP é um dos Estados mais afetados
De janeiro a junho deste ano, as exportações responderam por 22% das vendas do setor, somando 5,5 milhões de unidades – das quais 1,9 milhão (35,3%) foram enviadas aos Estados Unidos, o principal destino.
Navarro afirma que São Paulo é um dos Estados mais afetados pela medida tarifária do governo Trump, pois lidera a produção nacional de pneus voltada ao mercado externo. A Bahia aparece em segundo lugar. Outros Estados que também abrigam plantas industriais com operações relevantes em exportação são Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná.
A esperança do setor é um adiamento de 90 dias para a aplicação da sobretaxa e uma negociação entre Brasil e Estados Unidos que reduza o imposto de 50% para 10% ou 15%, que, segundo os especialistas, dificulta, mas não impede o comércio. “Com 50%, não tem jogo”, diz Pagliarini.
Infomoney - SP 25/07/2025
Elon Musk alertou para tempos difíceis à frente da Tesla, após um dos piores períodos da montadora desde que começou a produzir sedãs elétricos há mais de uma década.
Segundo o CEO, a Tesla passará por um período de transição de pelo menos um ano, perdendo incentivos a veículos elétricos (EVs) nos Estados Unidos e precisando de tempo para lançar seus veículos autônomos.
“Provavelmente teremos alguns trimestres difíceis”, disse Musk. “Mas, uma vez que alcancemos a autonomia em escala na segunda metade do próximo ano — certamente até o final do ano que vem —, ficarei surpreso se os fundamentos econômicos da Tesla não forem muito atrativos.”
As ações da Tesla caíram após o pronunciamento de Musk no pós-mercado. A queda continuou na quinta-feira, com os papéis recuando até 9,5% pouco após a abertura dos mercados.
Os comentários foram os mais diretos até agora sobre o impacto da nova legislação tributária sancionada pelo presidente Donald Trump neste mês. Além de eliminar gradualmente o crédito fiscal de US$ 7.500 para compra de EVs, a lei revogou normas federais de eficiência energética que há anos geravam receita significativa para a Tesla.
Musk criticou duramente a nova lei, chamando-a de “aberração nojenta”, o que reforçou seu afastamento do governo Trump, dias após deixar um cargo de destaque na administração.
Na quarta-feira, a Tesla divulgou lucro ajustado de US$ 0,40 por ação, abaixo das estimativas já reduzidas de Wall Street. A receita caiu 12%, para US$ 22,5 bilhões — maior queda desde 2012. As entregas de veículos recuaram e o preço médio dos carros Tesla diminuiu.
Perspectiva incerta
Segundo William Stein, analista da Truist Securities, os resultados foram “barulhentos”, com desafios claros no curto prazo e ausência de diretrizes formais para além disso.
“A empresa ofereceu pouquíssimos detalhes sobre fatores importantes”, afirmou, citando o modelo mais acessível e o robô humanoide. Isso faz com que “nossa perspectiva dependa mais da imaginação do que de metas realistas”.
A Tesla também relatou queda nas vendas do segmento de geração e armazenamento de energia, além de um impacto adicional de US$ 300 milhões com tarifas. O CFO Vaibhav Taneja disse que o peso dessas taxas deve crescer nos próximos trimestres.
A unidade de veículos da empresa enfrenta dificuldades diante do aumento da concorrência e dos efeitos contínuos das posturas políticas de Musk. Até agora, investidores vinham ignorando a queda nas vendas, apostando nas promessas relacionadas a inteligência artificial, robôs e tecnologia de direção autônoma.
Mas neste trimestre, Musk destacou mais as turbulências que impedem a Tesla de começar a colher os frutos desses investimentos. “Há dores iniciais ao se fazer a transição de um mundo pré-autonomia para um pós-autonomia”, disse.
Durante a teleconferência, os executivos falaram pouco sobre o negócio de EVs e focaram em planos de expansão do serviço de robotáxis, a abertura de um novo restaurante em Los Angeles e a possibilidade de investir na xAI, startup de IA de Musk.
“Sem enlouquecer”
Musk também reiterou o desejo de aumentar sua participação acionária para ter maior controle da Tesla, o que considera necessário para impedir tentativas de destituí-lo por investidores ativistas. Seu pacote multibilionário de remuneração foi anulado por um juiz de Delaware no ano passado, o que levou a Tesla a mudar sua sede para o Texas e recorrer da decisão.
“Acho que meu controle deve ser suficiente para garantir que a Tesla siga um bom rumo, mas não tanto que eu não possa ser removido caso enlouqueça”, afirmou.
A marca Tesla tem se tornado mais polarizadora desde o apoio explícito de Musk a Trump. Durante sua breve participação no governo, as tentativas de cortar gastos públicos geraram críticas de consumidores tradicionalmente progressistas, enquanto investidores temiam uma distração para os negócios da empresa.
A receita com créditos regulatórios de emissões — que a Tesla vende a concorrentes — caiu para US$ 439 milhões no segundo trimestre, queda de 26% em relação ao primeiro trimestre e de 51% em um ano. Essa fonte de receita está ameaçada pela nova lei, que eliminou penalidades para montadoras que não cumprem padrões federais de eficiência energética. O governo também planeja revogar a exigência de vendas de EVs na Califórnia e os limites federais para emissões veiculares.
Novo modelo mais barato
Executivos da Tesla disseram que a produção de um modelo elétrico mais acessível começou em junho, mas que o lançamento comercial só ocorrerá após o fim dos incentivos em setembro. Musk afirmou que o modelo será semelhante ao Model Y — e é considerado essencial para alavancar as vendas.
Sobre o robotáxi, a Tesla pretende expandir o serviço, lançado neste verão em Austin, para outras regiões. A empresa busca aprovação regulatória para atuar na região da Baía de São Francisco, Nevada, Arizona, Flórida e outras áreas, segundo Musk.
“Provavelmente teremos serviço de transporte autônomo cobrindo metade da população dos EUA até o fim do ano”, disse. “Esse é nosso objetivo, dependendo da aprovação dos reguladores.”
Gene Munster, sócio da Deepwater Asset Management, afirmou que, embora os comentários sobre direção autônoma e robotáxis tenham sido positivos, os investidores esperavam mais clareza de curto prazo.
“Todos os olhos estão voltados para Austin, e não ouvimos nada de concreto”, disse. “Os investidores esperavam alguma notícia — e não tiveram.”
Valor - SP 25/07/2025
Desde os anos 1980, as marcas do país asiático mantêm um robusto parque industrial em diversos Estados americanos
Os fabricantes de veículos têm, por princípio, instalar fábricas em todos os países onde os volumes de vendas são grandes. Isso inclui o Brasil, com 2,6 milhões de veículos vendidos em 2024, Reino Unido (2,3 milhões), Canadá (1,9 milhão) e Turquia (1,2 milhão), por exemplo, além dos próprios países de origem dessas multinacionais, como Alemanha, França, Itália, Estados Unidos, Coreia do Sul, Japão e China.
Na década de 1980, as montadoras japonesas decidiram investir na construção de fábricas no então maior mercado de veículos do mundo, os Estados Unidos, e disputar aquele espaço com os próprios fabricantes americanos. Mas não se instalaram no berço das montadoras americanas, em Detroit, no extremo norte do país. Para aproveitar incentivos em outras regiões e, ao mesmo tempo, escapar do reduto sindical forte do setor, foram para o Sudeste e Sul do país.
Toyota, Honda, Nissan, Mazda, Subaru e Mitsubishi construíram fábricas em regiões como Alabama, Mississippi, Tennessee e Texas. As marcas japonesas têm 18 fábricas em solo americano. Somente a Toyota, 11, segundo a empresa.
É fácil entender, portanto, que essa força fabril, com milhares de postos de trabalho em território americano, contribuiu para o governo japonês conseguir fechar, nesta semana, um dos melhores acordos tarifários com o governo de Donald Trump. Os importadores americanos pagarão tarifas recíprocas de 15% sobre produtos japoneses.
Mesmo com fábricas nos Estados Unidos, as montadoras japonesas continuam exportando para lá. Em 2024, o Japão embarcou 1,3 milhão de veículos para os americanos, o que representou 8% do mercado, segundo dados da Associação dos Fabricantes de Veículos do Japão (JAMA, na sigla em inglês).
Os EUA representam, de longe, o maior mercado de exportação da indústria automobilística japonesa. Em 2024, para a Europa, seguiram 662,8 mil veículos e em toda a América Latina foi vendido o total de 85 mil carros fabricados no Japão, segundo a associação.
Apesar do elevado volume exportado, é dentro dos EUA que as marcas japonesas produzem a maior parte dos carros vendidos naquele mercado. Segundo informações da JAMA, em 2024, a produção das fábricas japonesas nos EUA totalizou 3,2 milhões. O mercado americano é o segundo maior do mundo, com 16,4 milhões de veículos em 2024, depois da China, com 31,4 milhões.
As fábricas de marcas japonesas são, na maioria, de grande porte, também produzem motores, têm centros de pesquisa e avançam no desenvolvimento de baterias para carros elétricos. Dos EUA também exportam em pequenos volumes. Mas é no mercado interno que fica a maior parte dos veículos.
Se o acordo fechado com Trump agradou às japonesas, provocou a ira nas montadoras americanas. Por meio da entidade que as representa, a American Automotive Policy Council (AAPC), General Motors, Ford e Stellantis se opuseram ao entendimento.
Com o acordo, a alíquota do Imposto de Importação dos carros japoneses baixou de 25% para 15%. Ao mesmo tempo, a tarifa anunciada para México e Canadá, onde há grande quantidade de fábricas de montadoras americanas, ficou em 25%.
É um mau negócio para a indústria e os trabalhadores automotivos dos Estados Unidos”
— Matt Blunt
Além disso, argumenta a AAPC, as fábricas de carros no Canadá e México usam mais componentes produzidos nos EUA do que as do Japão.
“Qualquer acordo que cobre uma tarifa menor para importações japonesas com praticamente nenhum conteúdo americano do que a tarifa imposta a veículos fabricados na América do Norte com alto conteúdo americano é um mau negócio para a indústria e os trabalhadores automotivos dos EUA”, disse Matt Blunt, presidente da AAPC à imprensa americana.
A entidade já havia se pronunciado contrária ao acordo fechado com o Reino Unidos, com taxa de 10%, e que beneficia a entrada de carros de luxo de marcas como Rolls Royce, Bentley, Land Rover e Jaguar.
“A indústria automotiva dos Estados Unidos é altamente integrada ao Canadá e ao México; o mesmo não acontece com os EUA e o Reino Unido”, destacou Blunt, em nota publicada no site da AAPC.
Com parque industrial gigante, é bem possível que a indústria automobilística faça parte do futuro plano de investimento de US$ 500 bilhões nos EUA, prometido pelo Japão a Trump.
É pouco provável, no entanto, que veículos fabricados pelas montadoras americanas sejam exportados para o Japão, como anunciou Trump. O país asiático sempre se mostrou mais fechado a automóveis importados. Dos 4,2 milhões de veículos vendidos no país, em torno de 5% não foram de marcas japonesas, segundo a JAMA. Somente a Toyota é dona de 30% do mercado local, com 1,35 milhão de unidades vendidas no ano passado.
O consumidor japonês gosta de modelos compactos, que não são especialidade dos americanos. E dá preferência a marcas japonesas. Basta andar em qualquer cidade japonesa para constatar.
Valor - SP 25/07/2025
Lucro operacional da montadora no segundo trimestre caiu de 5,43 bilhões de euros para 3,83 bilhões de euros, enquanto a receita caiu 3%, para 80,81 bilhões de euros
A Volkswagen reduziu sua projeção financeira após os lucros serem afetados por US$ 1,5 bilhão em custos tarifários durante o primeiro semestre do ano.
A montadora alemã havia evitado alterar a perspectiva divulgada no início do ano, aguardando mais clareza sobre o cenário comercial em evolução, mas alertou que a incerteza e a volatilidade dos mercados corriam o risco de empurrar algumas métricas de projeção para o limite inferior de suas previsões.
A empresa afirmou na sexta-feira que 1,3 bilhão de euros (US$ 1,53 bilhão) em custos tarifários e 700 milhões de euros em encargos de reestruturação na Audi, Volkswagen, unidade de automóveis de passageiros e software Cariad prejudicaram o lucro operacional nos primeiros seis meses do ano, enquanto as despesas relacionadas à regulamentação de emissões também prejudicaram os resultados.
O presidente Donald Trump impôs uma tarifa de 25% sobre as importações globais de automóveis para os EUA no início de abril, além da tarifa de 2,5% já existente, aplicada à maioria dos países. Embora o Reino Unido e o Japão tenham fechado acordos que reduzem a taxa para 10% e 15%, respectivamente, a União Europeia ainda não conseguiu um acordo.
O “The Wall Street Journal” informou que a UE e o governo Trump estão negociando um esboço de acordo comercial que levaria o bloco a aceitar tarifas de 15% sobre a maioria de suas exportações para os EUA, incluindo automóveis.
"Há grande incerteza sobre os próximos desenvolvimentos em relação às tarifas, seu impacto e quaisquer efeitos recíprocos", afirmou a empresa.
As tarifas são o mais recente obstáculo para uma indústria que já enfrentava um mercado de veículos elétricos instável, uma regulamentação mais rigorosa sobre emissões de carbono e desafios de longa data na China, onde a concorrência intensa desencadeou uma guerra de preços.
A empresa agora projeta um crescimento nas vendas este ano em linha com o ano passado, com um retorno operacional sobre as vendas do grupo entre 4,0% e 5,0%. Isso se compara à projeção anterior de crescimento de vendas de até 5% e um retorno operacional sobre vendas de 5,5% a 6,5%.
O fluxo de caixa líquido da divisão automotiva agora é estimado entre 1 bilhão e 3 bilhões de euros, ante 2 bilhões a 5 bilhões de euros anteriormente, com a liquidez líquida da divisão estimada entre 31 bilhões e 33 bilhões de euros, ante 34 bilhões a 37 bilhões de euros anteriormente.
A Volkswagen afirmou que a extremidade inferior das faixas de previsão pressupõe que as atuais tarifas de importação dos EUA, de 27,5%, continuarão em vigor no segundo semestre de 2025. A extremidade superior pressupõe que essas tarifas serão reduzidas para 10%.
O diretor financeiro da Volkswagen, Arno Antlitz, afirmou que a empresa viu um cenário contrastante no primeiro semestre, com forte sucesso de produtos e progresso no realinhamento da empresa, mas com uma queda acentuada no lucro operacional devido às tarifas e à reestruturação, bem como ao aumento nas vendas de modelos totalmente elétricos com margens mais baixas.
"O que realmente importa é o dinheiro no banco", disse ele em um comunicado. "É por isso que devemos prosseguir com nossos programas em andamento para melhorar os lucros e acelerar o ritmo onde necessário."
A empresa prevê desafios contínuos no restante do ano, com incertezas políticas, restrições comerciais e tensões geopolíticas, concorrência acirrada, mercados voláteis e requisitos de emissões mais rigorosos.
O lucro operacional da montadora no segundo trimestre caiu de 5,43 bilhões de euros para 3,83 bilhões de euros, enquanto a receita caiu 3%, para 80,81 bilhões de euros.
Uma pesquisa com analistas da FactSet esperava um lucro operacional de 3,94 bilhões de euros sobre uma receita de 82,16 bilhões de euros.
A Tribuna - SP 25/07/2025
Elas já foram sinônimo de status doméstico. Geladeiras duplex, com duas portas verticais, dominaram as cozinhas brasileiras por décadas. Mas esse reinado está chegando ao fim. O novo objeto de desejo da vez são os refrigeradores do tipo French Door, modelos sofisticados que unem alta tecnologia, design premium e preços que podem ultrapassar os R$ 20 mil.
Esses eletrodomésticos vêm ganhando espaço no mercado de luxo e se tornaram tendência nas casas de quem busca conforto, eficiência energética e um visual moderno. Não é à toa que, segundo um levantamento recente da GfK Brasil, as vendas desses modelos cresceram mais de 30% nos últimos 12 meses, mesmo com o valor elevado.
Mas afinal, o que faz essas geladeiras custarem tanto — e por que elas estão se tornando símbolo de status e sofisticação?
O que é uma geladeira French Door?
Originadas nos Estados Unidos e amplamente adotadas na Europa, as geladeiras French Door têm como principal característica as duas portas na parte superior (refrigerador) e uma ou duas gavetas na parte inferior (freezer e compartimentos extras).
Além da aparência imponente e acabamento em aço inox escovado, o diferencial está na organização interna, nos recursos tecnológicos avançados — como telas sensíveis ao toque, conectividade Wi-Fi, controle de temperatura por zonas e até câmeras internas — e na capacidade total, que pode ultrapassar 600 litros.
Por que custam mais de R$ 20 mil?
Segundo especialistas do setor, o alto custo se deve à importação de peças, ao uso de tecnologias embarcadas e à segmentação de mercado. Marcas como LG, Samsung, Panasonic, Brastemp e Electrolux lideram a produção e venda dos modelos no Brasil, com linhas exclusivas.
Entre os recursos que justificam o valor estão:
Tela touchscreen e inteligência artificial
Dispenser de água com filtragem tripla e gelo automático
Compartimentos com controle independente de temperatura
Alerta de abertura de portas por aplicativo
Modo economia programado por rotina do usuário
Quem está comprando?
Apesar do preço elevado, as geladeiras French Door não se restringem apenas à elite. Uma nova geração de consumidores da classe média alta, principalmente entre os 30 e 50 anos, está disposta a investir em conforto e modernidade na cozinha, especialmente com a valorização da casa após o período da pandemia.
Para o arquiteto Marcelo Diniz, especializado em projetos de interiores contemporâneos, esse tipo de eletrodoméstico deixou de ser apenas utilitário: “Virou peça de decoração e símbolo de bom gosto”, afirma.
Luxo, praticidade e Instagram
Outro fator que impulsiona o sucesso dessas geladeiras é o apelo visual nas redes sociais. Influenciadores de lifestyle, decoração e maternidade frequentemente exibem seus modelos nos bastidores das cozinhas modernas — com portas abertas, prateleiras organizadas e iluminação embutida que valoriza cada detalhe.
Para quem busca praticidade, os compartimentos específicos também agradam: há gavetas com controle de umidade para verduras, espaços ajustáveis para garrafas grandes e até modos silenciosos que reduzem o ruído em até 40%.
Vale a pena investir?
Especialistas recomendam que o investimento em uma French Door só seja feito se o consumidor realmente busca mais espaço interno, organização e recursos inteligentes. “Se for apenas pelo design, modelos Side by Side continuam sendo uma boa alternativa — e mais acessíveis”, diz a consultora de consumo doméstico Júlia Menegazzo.
Contudo, para quem valoriza durabilidade, tecnologia e estética, o modelo premium pode ser um upgrade duradouro. “É o tipo de eletrodoméstico que pode durar mais de 10 anos e agrega valor à casa”, conclui a especialista.
O Estado de S.Paulo - SP 25/07/2025
companhando a alta da expectativa de vida dos brasileiros, incorporadoras começam a desenvolver projetos exclusivos para idosos. Com a oferta de serviços específicos e adaptações na arquitetura, esses empreendimentos se espalham pelo País para atender a demanda de um público de alta renda e movimentar cifras milionárias.
Em construção na cidade de Palhoça, região metropolitana de Florianópolis, o LOMA Pedra Branca by DOM Senior Living terá 110 unidades, mas apenas pessoas com mais de 60 anos poderão morar. O prédio terá apartamentos de 35 a 90 metros quadrados e é resultado de uma parceria entre a incorporadora Hurbana e a DOM Senior Living, empresa de gestão de residências sênior de alto padrão.
Com investimento inicial de R$ 70 milhões, o residencial tem entrega prevista para 2026 e se apoia na promessa de garantir bem-estar aos moradores na terceira idade. Desta forma, os principais diferenciais vão além da infraestrutura com academia, spa, piscina térmica e até um restaurante. “O empreendimento precisa olhar para a esfera biossocial dos inquilinos”, diz Renata Stringhini, CEO e fundadora da DOM Senior Living.
Ao se mudar para o edifício, o morador passa por uma avaliação e se integra a um programa de longevidade, desenvolvido por um médico, um fisioterapeuta, um psicólogo e um terapeuta ocupacional. A partir daí, começa a ter a saúde monitorada e é incentivado a participar de iniciativas disponibilizadas pelo próprio condomínio, como atividades físicas e ações de estímulos à memória.
Entre essas ações estão oficinas, passeios e eventos planejados para integrar os residentes. O LOMA conta, ainda, com serviços de home care, sistema de administração de medicamentos, ambientes monitorados com sensores inteligentes, ambulatório e equipe de saúde preparada para emergências.
“Se uma pessoa vem morar com a gente com 80 anos, a chance dela viver até os 100 é enorme. Queremos encher esses 20 anos de propósito”, afirma Stringhini. Todo esse cuidado, no entanto, exige um investimento elevado. O pacote básico na LOMA Pedra Branca by DOM Senior Living, que inclui o aluguel do apartamento de 30 m², o condomínio e os serviços, começa a partir em R$ 11.900.
Economia prateada
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil já é a sexta nação com mais idosos no mundo. Dados do Censo revelam que, de 2010 a 2022, o número de brasileiros com 60 ou mais saltou 52% e chegou a aproximadamente 33 milhões. Atualmente, a expectativa de vida do brasileiro é de 75,5 anos, mas a projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é que, daqui a 45 anos, os idosos sejam mais de 35% da população.
Na esteira da mudança na pirâmide etária, a chamada “economia prateada” tenta combater um sentimento comum aos mais velhos: a solidão. “É um problema ainda mais acentuado em grandes metrópoles, onde as pessoas têm dificuldades para sair de casa”, contextualiza Martin Henkel, CEO da consultoria SeniorLab. “Nesses novos empreendimentos imobiliários, existe uma grande preocupação em estimular a independência”, comenta.
“Já consolidado nos Estados Unidos, o mercado de senior living está crescendo no Brasil. São pessoas que, ao envelhecer, preferem morar nestes residenciais do que ir viver com os filhos, por exemplo”, ilustra. Henkel aponta que os preços variam conforme o nível de dependência dos idosos e a importância dos serviços assistenciais a sua rotina.
Idosos muito dependentes, portanto, tendem a pagar mais do que idosos que não precisam de tanto auxílio. “O preço do aluguel em uma moradia sênior começa em R$ 5 ou 6 mil e pode chegar a até R$ 30 mil por mês, a depender dos serviços contratados”, diz. Em meio a uma revolução do setor, a própria arquitetura é alvo das mudanças.
Arquitetura adaptada
Enquanto asilos e casas de repouso tradicionalmente são instalados em casas adaptadas, estes empreendimentos já são construídos com adaptações para o público de terceira idade. Entre elas estão a construção de mais rampas para cadeiras de rodas, salas para instalar equipamentos de saúde e abrigar a equipe médica, corredores mais largos, banheiros maiores, ajustes na altura das prateleiras e novos espaços para encontros.
A arquiteta Flávia Ranieri, especializada no segmento, afirma que os cuidados vão desde a curadoria de mobiliário seguro e confortável até a escolha de sinalizações de alta legibilidade, iluminação noturna pensada para evitar quedas e espaços que favorecem o dia a dia. “Hortas, varandas com jardineiras, salas de leitura, áreas silenciosas para contemplação e ambientes para receber amigos e familiares fazem parte da proposta”, sugere.
Por outro lado, é importante que os projetos incentivem o movimento. O consultor Caio Calfat afirma que é importante criar alternativas para o residente se manter ativo. “O quarto deprime. Quanto mais atividades este idoso tiver para fazer fora do seu quarto, melhor”, justifica.
Calfat participa do desenvolvimento da linha sênior da incorporadora ABF Developments em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Lançado em 2020, o Magno Três Figueiras se apresenta como primeiro residencial sênior living do Brasil e está em operação desde abril de 2025. “É um produto novo. O arquiteto, o incorporador e os compradores ainda precisam se adaptar”, comenta o executivo.
O segundo empreendimento da linha está sendo construído no bairro Moinhos de Vento, com previsão de entrega para o segundo semestre de 2026. O Magno Menino Deus, terceiro projeto da marca para este perfil, foi apresentado em abril e tem conclusão estimada para 2027. “Ainda estamos descobrindo como vai se desenrolar, mas é um mercado imenso e cada vez mais empresas se interessam pelo setor”.
Novas marcas
Um dos símbolos deste interesse é a parceria entre a Housi e Vitacon para o lançamento de um residencial para idosos em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo. O Sênior Living by Housi vai permitir que familiares consigam acompanhar em tempo real as atividades do morador, além de contar com profissionais de saúde in loco e espaços para relaxamento e bem-estar.
Com 400 unidades de 27 m² a 85 m² e um VGV de R$ 400 milhões, o custo inicial do pacote com aluguel em condomínio deve ser de cerca de R$ 10 mil. O preço médio das unidades menores para venda está avaliado em aproximadamente R$ 1 milhão. Outros dois projetos já estão em desenvolvimento para o ano que vem nos bairros de Perdizes e Jardins.
“Buscamos alcançar quem quer viver plenamente, sem se preocupar com questões de segurança ou cuidados que não deveriam recair sobre os familiares, e sim ser parte de uma estrutura funcional e economicamente viável”, diz Alexandre Frankel, CEO da Housi.
Para ele, a maior vantagem e o maior desafio deste tipo de produto é romper paradigmas culturais. “Como nunca houve algo semelhante no Brasil, e considerando que esse público possui uma base financeira mais estável e uma demanda crescente, temos uma oportunidade única de lançar um produto com alto potencial de valorização e aderência”, acrescenta.
Globo Online - RJ 25/07/2025
Para manter o ritmo de contrações no Minha Casa, Minha Vida, o governo vai aportar mais R$ 10 bilhões do FGTS no programa. A medida foi aprovada pelo Conselho Curador do FGTS nesta quinta. Com isso, o volume total de recursos para política habitacional subirá de R$ 126,8 bilhões para R$ 136,8 bilhões.
A verba adicional será destinada à produção de novas unidades pelas construtoras. Os recursos destinados a essa linha praticamente se esgotaram, segundo o Ministério das Cidades.
De acordo com o Ministério, o Minha Casa Minha contratou 302.281 unidades habitacionais entre janeiro e 18 de julho deste ano, totalizando R$ 50,5 bilhões. Entre junho e dezembro estão reservados R$ 52,55 bilhões, verba a se destinada às famílias.
O orçamento do FGTS para habitação neste ano prevê ainda R$ 15 bilhões para financiamentos às famílias de classe média; R$ 12 bilhões de subsídios (descontos a fundo perdido) para famílias de baixa renda e R$ 3,3 bilhões destinados a empréstimos para trabalhadores que têm conta no FGTS (linha Pró-Cotista).
A Tribuna - SP 25/07/2025
O governo brasileiro e a China formalizaram em 7 de julho de 2025 um memorando de entendimento para iniciar estudos técnicos da chamada Ferrovia Bioceânica, uma ambiciosa linha ferroviária que pretende ligar o litoral da Bahia ao porto de Chancay, no Peru. A Infra S.A., vinculada ao Ministério dos Transportes, e o China Railway Economic and Planning Research Institute serão os responsáveis por elaborar os estudos que avaliarão a viabilidade técnica, econômica e ambiental do projeto.
O trecho em estudo tem aproximadamente 3 000 a 4 400 km, integrando trechos já em construção como a FIOL (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), partindo de Ilhéus (BA), e a FICO (Centro-Oeste), que passa por Goiás, Mato Grosso e alcança Lucas do Rio Verde. A proposta prevê cruzar Rondônia e Acre até atingir a fronteira com o Peru, seguindo até o moderno porto de Chancay, inaugurado recentemente com aporte chinês e situado a cerca de 70 km de Lima.
Trem promete mudar o jogo
Durante a visita oficial à China em maio de 2025, o presidente Lula e a ministra Simone Tebet reforçaram que o projeto pode reduzir em cerca de dez dias o tempo de transporte de produtos brasileiros até a Ásia, com queda dos custos logísticos e ganho de competitividade. Segundo o secretário de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, a ideia é criar um corredor que conecte toda a produção agrícola e mineral do Matopiba ao Pacífico, evitando rotas tradicionais como o Canal do Panamá.
Além de agilizar o fluxo de soja, minério de ferro e outras commodities, o projeto deve impulsionar o interior do país, atraindo investimentos e fomentando novos polos industriais nas regiões afetadas.
O que está definido e o que ainda depende de estudo
O memorando assinado não representa compromisso contratual, mas marca o início da fase de estudos aprofundados, que deverão avaliar questões como traçado, interoperabilidade com outros modais (rodovias, portos e hidrovias), e impactos socioambientais.
Importante destacar que o governo do Peru afirmou em 9 de julho que ainda não autorizou investimentos, ressalvando que a iniciativa está em fase preliminar e depende de avaliação própria por parte do país vizinho.
Ainda não há prazo definido para conclusão da obra, mas estimativas preliminares apontam para um horizonte de 5 a 8 anos, dependendo da aprovação dos estudos e da agenda de investimentos. O custo total estimado varia de acordo com o trajeto final, mas valores entre US$ 12 bilhões e US$ 72 bilhões são mencionados em estudos recentes sobre infraestrutura transcontinental.
Como acompanhar o projeto de perto?
- Acesse o portal gov.br e consulte as publicações do Ministério do Planejamento e Orçamento, Infra S.A. e Ministério dos Transportes. - Fique atento a relatórios sobre as Rotas de Integração Sul-Americana, programa lançado em 2023 e foco estratégico da política logística nacional.
Revista Ferroviaria - RJ 25/07/2025
Com o contrato assinado com o Metrô de São Paulo, a fabricante CRRC Sifang terá agora que correr com a produção dos 44 trens da Frota R, que reforçarão as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha.
E o documento assinado nesta terça-feira, 22, também faz a contagem regressiva do prazo ser iniciada. Com isso já é possível saber quando o primeiro trem deverá ser entregue à companhia.
Segundo o contrato, a CRRC Sifang tem 21 meses a partir da assinatura para disponibilizar a primeira composição. Com isso, o prazo para a chegada do trem cabeça de série é abril de 2027.
Trata-se do ano em que a primeira etapa de expansão da Linha 2-Verde será entregue, entre Vila Prudente e Vila Formosa, com quatro novas estações.
Ou seja, há algo na conta que não fecha. Isso porque quando um trem inédito é incorporado pelo Metrô, passa por meses de testes e comissionamento.
Se de fato a CRRC cumprir o prazo, sobrariam apenas oito meses para que esse processo seja concluído e permita iniciar a operação do novo trecho.
Expansão gradual?
Não está claro, contudo, se o Metrô pode abrir as quatro estações em obras apenas com uma operação assistida limita, feita pela sua atual frota. É uma possibilidade, porém, significa que os usuários irão demorar mais tempo ara de fato usufruir do serviço.
A fabricante chinesa pode adiantar o cronograma, por outro lado, mas difícil crer que isso possa influenciar o quadro de forma significativa.
E há ainda a hipótese que as obras da Linha 2 tenham novos atrasos. O trecho tinha previsão de entrega em 2026 e foi postergado tempos atrás pela companhia.
O cenário mais provável é que a extensão da Linha 2 seja entregue de forma limitada e aos poucos passe a ganhar oferta e desempenho, afinal trata-se de um dos ramais mais movimentados da malha metroferroviária.
De qualquer forma, os 44 trens da Frota R só deverão chegar ao país até meados de 2030, o que já sugere que a expansão será gradual.
Fonte: https://www.metrocptm.com.br/primeiro-trem-da-frota-r-do-metro-de-sp-deve-ser-entregue-ate-abril-de-2027/
VÁ ALÉM DA MANCHETE
O setor ferroviário é complexo e as notícias do dia a dia são apenas a ponta do iceberg. Para entender o cenário completo, é preciso de contexto e a visão de quem cobre o setor desde 1940.
A cada edição, a Revista Ferroviária traz reportagens aprofundadas, estudos de mercado e entrevistas exclusivas sobre os temas que realmente importam: de novos VLTs e projetos privados a desafios de manutenção, o futuro da tecnologia e muito mais.
Grandes Construções - SP 25/07/2025
O Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte, que vai ligar São Paulo a Campinas por linha férrea, tem um desafio em sua implantação, que é a instalação dos quatro trilhos no traçado onde, hoje, existem apenas dois – além de realizar as obras em um trecho urbanizado e sem precisar paralisar a circulação dos passageiros e cargas.
Segundo a assessoria da TIC Trens, empresa responsável pela ferrovia, atualmente, a linha existente sai da capital e vai até Campinas, passando por Jundiaí, Vinhedo e Valinhos, boa parte do trajeto pela linha 7-Rubi, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), onde também opera o trem de carga.
O desafio do empreendimento é construir a linha do TIC Eixo Norte entre a cidade do interior e a estação Água Branca.
O projeto prevê pontos de ultrapassagem na linha. Chamados de sidings ou desvios, eles vão permitir o cruzamento entre os trens durante toda a circulação do TIC, sendo usados não só no horário de pico, mas também durante a operação comercial. Além disso, deverão ser feitos túneis na região de Botujuru.
Além de percorrer 101 quilômetros a uma velocidade média de 96 km/h até a Estação Campinas, em uma viagem direta de 64 minutos, o projeto vai contar com três estações.
As obras do trem intercidades estão previstas para começar em 2026 e devem durar cinco anos. O investimento total para a implantação do TIC é de R$ 14,2 bilhões.
A empresa que 15 milhões de pessoas das regiões de 11 municípios paulistas sejam atendidas.
As estimativas apontam que, após a consolidação, serão 49 mil pessoas por dia e passagem com valor médio de R$ 50, mas o preço poderá variar de acordo com a categoria do serviço.
Novo ponto de partida do trem – Planejado inicialmente para sair da Estação Barra Funda, na zona oeste da capital, o governo do estado de São Paulo estuda alterar o ponto de partida do trem intercidades para a Estação Água Branca, da linha 7–Rubi da CPTM.
As duas estações ficam na mesma região, com a diferença de que, enquanto a Barra Funda conecta a linha 3-Vermelha do metrô e as linhas 7-Rubi e 8-Diamante da CPTM, a Água Branca está em fase de ampliação.
De acordo com a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), a mudança faria parte do projeto de expansão da Estação Água Branca, que seria transformada em um dos principais “hubs de mobilidade do estado”.
Além do trem de Campinas, a ideia é que a Água Branca também seja integrada com a nova Linha 6-Laranja do metrô, com as Linhas 8-Diamante, 9-Esmeralda da CPTM, além da Linha 3-Vermelha e o trem intermunicipal de Sorocaba.
Para isso, a SPI prevê um investimento de R$ 1,3 bilhão e as obras serão realizadas pela concessionária TIC Trens.
Leilão com apenas um interessado – A construção do trem intercidades para Campinas foi arrematada em fevereiro de 2024 pelo C2 Mobilidade, consórcio formado pela fabricante de trens chinesa CRRC e a empresa Comporte Participações. A empresa foi a única a se interessar pelo projeto durante o leilão na B3.
O grupo fez a única proposta do leilão, com desconto simbólico de apenas 0,01% no valor da contrapartida que o governo ofereceu para a operação dos serviços.
Dos R$ 14,5 bilhões de investimento, o governo arcará com cerca de R$ 8,5 bilhões, com recursos próprios e financiamento do BNDES. O consórcio terá de gastar outros R$ 5 bilhões.
Contudo, o governo previu repassar ainda uma contraprestação para a operação da linha, ao longo dos 30 anos de concessão, de R$ 8 bilhões.
Venceria o leilão quem desse o maior desconto em relação a esse valor. Como foi o único interessado, o C2 Mobilidade ofereceu o desconto mínimo, 0,01%.
Valor - SP 25/07/2025
Empresa entrou em recuperação judicial em 2016, na esteira da Operação Lava Jato, e somou dívida de R$ 8 bilhões, que com a reestruturação, caiu para cerca de R$ 1,5 bilhão
A Ecovix, empresa da Engevix que controla o Estaleiro Rio Grande, encerrou sua recuperação judicial. A decisão judicial foi concedida na terça-feira (22) e publicada nesta quinta-feira (24) no Diário Oficial. Com isso, a companhia entra em uma nova etapa de retomada por meio de contratos de construção naval e de operação portuária, afirmou ao Valor o presidente da companhia, Robson Passos.
A empresa entrou em recuperação judicial em 2016, na esteira da Operação Lava Jato e da crise do setor de construção naval, após o fim dos incentivos do governo federal à indústria nacional. A dívida da companhia somava R$ 8 bilhões.
Com a reestruturação, os créditos tiveram um corte significativo, e a dívida caiu para cerca de R$ 1,5 bilhão. Até o momento, apenas R$ 100 milhões foram quitados.
Pelo plano de recuperação judicial, que ao longo dos últimos anos teve aditivos, o restante dos créditos deverão ser convertidos em debêntures, com prazo de pagamento de 25 anos. Os títulos serão remunerados a uma taxa de TR + 0,5%.
Além disso, o plano prevê a venda do ativo em um prazo de 13 anos — 15 anos contados a partir da assinatura do último aditivo, o que se deu há dois anos. Quando houver a troca de controle, os debenturistas poderão optar por receber uma parte dos recursos arrecadados com a venda ou manter o título até o vencimento.
“Hoje não tem um plano de busca de sócios. Esse tempo para vender teve o objetivo de buscar a diversificação das atividades, implementar o plano de negócios e agregar valor ao ativo para que possa ser vendido”, afirmou o presidente.
Segundo ele, com a volta dos incentivos do governo federal à indústria nacional, a Ecovix tem conseguido uma recuperação acima do esperado, com a volta de oportunidades no setor de construção naval.
Em fevereiro, a empresa firmou um contrato com a Transpetro, no valor de US$ 278 milhões (R$ 1,5 bilhão, na cotação atual) para a construção de sete navios, e já mira novas concorrências.
“O que a gente previu está se mostrando diferente da prática. Nossa previsão de receita era diversificar bastante, inclusive a atividade portuária seria a receita mais importante, mas o apoio do governo à indústria trouxe uma receita importante que não estava considerada. Então hoje a receita desse setor tem se mostrado como a principal dentro do plano, pelo menos nos próximos quatro anos”, disse Passos.
Hoje a Ecovix está se preparando para uma nova concorrência da Transpetro, que deverá licitar no fim de agosto dois contratos, para a construção de oito novas embarcações no total. Cada lote deverá ter valor entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões (entre R$ 1,6 bilhão e R$ 2,2 bilhão, na cotação atual).
Além disso, a Petrobras deverá licitar plataformas com uma regra de 25% de conteúdo local, e a Ecovix já tem arranjos com estaleiros internacionais para participar da disputa em parceria. A empresa também tem buscado conversas com armadores interessados em disputar licitações de afretamentos de navios offshore da petroleira.
Já no setor portuário, o plano da Ecovix é conseguir autorização para operar como Terminal de Uso Privado (TUP), com foco em construção naval e operação offshore. Hoje a empresa já tem feito movimentação portuária como um arrendamento do porto público, porém, com o fim da recuperação judicial, Passos afirma que não faz sentido que uma área privada fique dentro da poligonal do porto e sim que atue como ativo privado. Segundo ele, já está em discussão a retirada da área da poligonal do porto.
Segundo o executivo, o fim da recuperação judicial tem um peso grande junto a parceiros do setor privado. “A primeira mudança é o aspecto comercial. Ter o carimbo da recuperação judicial no CNPJ sempre traz dificuldade para obter contratos. O segundo aspecto crucial é o acesso que passa a ter ao mercado financeiro e a contratação de seguros.”
Petro Notícias - SP 25/07/2025
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Transpetro assinaram, nesta quarta-feira (23), um acordo de cooperação técnica voltado à elaboração de um estudo estratégico sobre o setor de construção naval e sua inserção no processo de transição energética. A cerimônia aconteceu na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, com a presença do diretor de Planejamento e Relações Institucionais do Banco, Nelson Barbosa, do diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, Jones Alexandre Barros Soares, e do gerente executivo de Engenharia e Manutenção de Navios da estatal, Flávio Gabina.
O estudo terá como foco central as “Oportunidades da descarbonização e da transição energética para a reestruturação da indústria naval”, com o objetivo de identificar caminhos para o fortalecimento da cadeia naval brasileira diante dos compromissos de redução de emissões na construção e operação de embarcações.
A iniciativa prevê o mapeamento da indústria naval nacional, o monitoramento de mercados e políticas industriais voltadas ao setor em outros países, além da análise de fatores produtivos e tecnológicos relacionados aos desafios da descarbonização e às novas dinâmicas geopolíticas. A modernização da infraestrutura portuária também será avaliada, com a apresentação de propostas de aperfeiçoamento e sugestões para a formulação de novas políticas públicas.
“A Transpetro entende seu papel como estatal na contribuição para o desenvolvimento da sociedade brasileira. Como a Transpetro tem grande interface com essa indústria, entendemos que estudos como esse com o BNDES são muito importantes. Adicionalmente, como vivemos num mundo cada vez mais dinâmico, duas grandes prioridades podem ser aprimoradas com os marcos desse estudo: descarbonização e digitalização das nossas operações”, afirmou Jones Alexandre Barros Soares, diretor de Transporte Marítimo da Transpetro.
Já o diretor Nelson Barbosa ressaltou o alinhamento do estudo com a missão do BNDES de fomentar setores estratégicos da economia nacional. “A construção naval pode ganhar novo dinamismo a partir das transformações trazidas pela transição energética, e nosso objetivo é contribuir com propostas concretas para o fortalecimento sustentável dessa indústria no Brasil”, destacou.
Petro Notícias - SP 25/07/2025
A Petrobrás avança em seu programa exploratório na Bacia de Campos com o início da perfuração do poço 4-BRSA-1402-RJS, localizado no bloco de Alto de Cabo Frio Central. A operação está sendo realizada em lâmina d’água de 2.524 metros, com o navio-sonda West Polaris.
Em fevereiro deste ano, conforme noticiamos, a estatal já havia perfurado outro poço no mesmo bloco (3-BRSA-1398-RJS), onde anunciou, em junho, a descoberta de indícios de petróleo.
O bloco de Alto de Cabo Frio Central foi arrematado pela Petrobrás em outubro de 2017, durante a 3ª Rodada de Licitações da ANP. A companhia é operadora da área e possui 50% de participação, em consórcio com a bp, que detém os outros 50%.
Em julho de 2022, a estatal brasileira concluiu o teste de formação do poço pioneiro do bloco (1-BRSA-1383A-RJS), que avaliou um espesso intervalo de reservatórios carbonáticos do pré-sal, com confirmação de boa produtividade. Durante o teste, também foram coletadas amostras de óleo para análise laboratorial.
Diário do Comércio - MG 25/07/2025
A diretoria da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) aprovou nesta quinta-feira (24) revisão do cálculo do preço de referência que define os royalties cobrados sobre a produção de petróleo brasileira.
A medida eleva a arrecadação de governos federal, estaduais e prefeituras de estados produtores, principalmente na região do pré-sal. O MME (Ministério de Minas e Energia) estima receita adicional de R$ 5 bilhões entre 2025 e 2026.
O debate sobre o preço de referência se arrasta na agência desde 2022, ainda no governo Jair Bolsonaro (PL), sob o argumento de que o petróleo do pré-sal tem características que o tornam mais valorizado por empresas que buscam reduzir emissões.
Com menor teor de enxofre, o petróleo do pré-sal passou a ser buscado por empresas que produzem, por exemplo, combustível de navegação adequado às regras mais rígidas de emissões implantadas pela IMO (sigla para Organização Marítima Internacional) em 2020.
Nesta quinta, a ANP decidiu que a fórmula de cálculo para precificar o petróleo de cada campo brasileiro passará a considerar também o óleo combustível com 0,5% de enxofre, que atende às especificações da IMO.
Como resultado, o preço final deve subir, elevando também o valor arrecadado com royalties e participações especiais cobradas sobre campos de elevada produtividade. A nova fórmula passa a vigorar em setembro.
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A proposta da ANP era criticada pelas petroleiras, que terão aumento de custos com o pagamento de royalties. Elas reclamam que a revisão só estava prevista para 2026 e que primeira minuta da ANP previa carência de 180 dias para início da vigência.
Na outra ponta, refinarias privadas brasileiras pedem uma revisão mais ampla, que considere não só o baixo teor de enxofre, mas outras características físico-químicas do petróleo brasileiro, como acidez e teores de nitrogênio.
Em respeito a decreto do governo federal, a ANP manterá a fórmula antiga, que considera óleo combustível com 3,5% de enxofre, para o cálculo de royalties de campos de menor porte operados por pequenas petroleiras.
Em nota, a agência disse que o objetivo da revisão do preço de referência foi “aprimorar a regulação, de modo a torná-la mais aderente ao cenário dos preços praticados no mercado internacional”.
Nesta semana, a agência também aprovou outra medida do pacote fiscal apresentado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para ajudar a compensar o recuo com o aumento do IOF.
Foi a renegociação de contrato de concessão do campo de Jubarte, no pré-sal da Bacia de Campos, que ampliou a fatia da União na produção. Com essa medida, o MME espera arrecadação adicional de R$ 2 bilhões. Ao todo, o pacote previa R$ 35 bilhões extras entre 2025 e 2026.
Valor - SP 25/07/2025
Medida foi tomada em paralelo às negociações de troca de prisioneiros entre os dois países
O governo dos voltou a autorizar a Chevron de explorar petróleo na Venezuela, revertendo uma decisão tomada há apenas dois meses, quando o governo de Donald Trump buscava exercer mais pressão sobre o regime de Nicolás Maduro.
Não há detalhes sobre a autorização, confirmadas por pessoas familiarizadas com o assunto. A decisão foi tomada em pararelo à negociação entre Washington e Caracas que resultou num acordo para a libertação de 10 americanos detidos na Venezuela, enquanto 250 venezuelanos presos em El Salvador foram devolvidos ao seu país natal.
A chave do acordo com a Chevron é a garantia de que royalties ou impostos beneficiarão o governo de Maduro, de acordo com pessoas com conhecimento do assunto.
A questão forçou o presidente Donald Trump a lidar posições geopolíticas e energéticas conflitantes. O republicano adotou uma postura dura contra Maduro, mas também está tentando controlar os preços do petróleo, mesmo pressionando o Irã a encerrar seu programa nuclear e a Rússia a pôr fim à guerra contra a Ucrânia.
Assim como a Venezuela, Irã e Rússia são grandes produtores de petróleo, e Trump ameaçou intensificar as sanções contra a Moscou em um ultimato para que Vladimir Putin aceite um cessar-fogo de 60 dias na Ucrânia.
Um porta-voz da Casa Branca não comentou a decisão, que foi noticiada inicialmente pelo "The Wall Street Journal".
A Chevron, que está presente na Venezuela há mais de um século, é a única grande empresa petrolífera dos EUA ainda a operar no país e tem sido uma tábua de salvação em meio à crise econômica venezuelana.
Em 2022, o governo de Joe Biden concedeu uma licença autorizando a Chevron a continuar produzindo e a retomar as exportações de petróleo bruto, mas limitando a expansão da operação.
Após a reeleição de Trump, essa licença se tornou uma moeda de troca nas relações do país com os EUA. O enviado especial da Casa Branca, Ric Grenell, e outros membros do governo pressionaram por uma relação mais pragmática com Maduro, enquanto o secretário de Estado, Marco Rubio, incentiva que o governo americano adote uma postura dura.
Os defensores da licença argumentam que, sem a presença da Chevron no país, o petróleo bruto venezuelano beneficiaria a China. Além disso, a segurança energética e o controle dos preços do petróleo são prioridades para Trump, e quaisquer novas sanções contra países que compram o combustível fóssil russo poderiam elevar as cotações no mercado.
Ainda assim, a linha-dura prevaleceu em maio, quando os EUA revogaram a licença da Chevron para explorar petróleo. Dias depois, o governo americano emitiu uma autorização limitada, que permite à empresa a permanecer no país e a realizar uma manutenção mínima em seus equipamentos.
Não está claro como a Venezuela permitirá que a Chevron retome a produção e os embarques sem pagar impostos. Em abril, a PDVSA, a estatal venezuelana, ordenou que a companhia americana devolvesse quase 1 milhão de barris de petróleo bruto devido ao que descreveu como "impossibilidade e restrições" em pagar o governo de Maduro.
Infomoney - SP 25/07/2025
Os preços do petróleo subiram 1% nesta quinta-feira, uma vez que uma queda de estoques nos Estados Unidos e os cortes esperados nas exportações de gasolina da Rússia ofuscaram as notícias de que a petroleira Chevron obterá aprovação dos EUA para renovar a produção na Venezuela.
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam a US$69,18 por barril, com alta de 0,98%. Os preços futuros do petróleo West Texas Intermediate dos EUA (WTI) fecharam a US$66,03 por barril, com alta de 1,20%.
O petróleo caiu nas negociações do início da tarde, com notícias de que a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, estava se preparando para permitir operações de petróleo limitadas na Venezuela.
No início da sessão, o WTI havia subido mais de US$1 e o petróleo Brent chegou perto desse nível.
“As notícias sobre a possibilidade de a Chevron voltar à Venezuela e fazer com que o petróleo volte a funcionar tirou o chão do mercado”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital LLC.
Mesmo assim, Kilduff disse que o mercado não esperava que o governo Trump abrisse a Venezuela para outras empresas de petróleo dos EUA.
“Trata-se de uma situação única”, acrescentou.
O petróleo se recuperou no final da sessão com a notícia de que a Rússia estava planejando cortar as exportações de gasolina para todos os países, exceto alguns aliados e nações como a Mongólia, com os quais tem acordos de fornecimento.
“A Rússia, que planeja cortar as exportações de gasolina, deu um impulso ao mercado”, disse Phil Flynn, analista sênior do Price Futures Group. “O mercado estava procurando um motivo para subir.”
O relatório do dia anterior sobre a redução dos estoques de petróleo dos EUA e as esperanças de um acordo comercial entre os EUA e a União Europeia que reduziria as tarifas também elevaram os futuros.
Monitor Digital - RJ 25/07/2025
O agronegócio brasileiro pode enfrentar uma das maiores perdas da última década. A nova tarifa imposta pelos Estados Unidos tem potencial para cortar quase pela metade o valor das exportações do setor, com uma retração estimada em até 48%. Isso significaria uma redução de US$ 5,8 bilhões nas vendas para o mercado norte-americano, afetando diretamente cadeias como citricultura, carnes, madeira, celulose e açúcar.
O impacto deve ser sentido do campo à indústria, comprometendo empregos, renda e a saúde financeira de regiões inteiras que dependem da produção agropecuária.
Produtos com maior grau de processamento, como o suco de laranja, estão entre os mais prejudicados. Com a tarifa, esses itens deixam de ser competitivos frente a países que possuem acordos comerciais mais favoráveis com os Estados Unidos. “A tarifa imposta pelos EUA tira completamente a competitividade do suco de laranja brasileiro. Com esse custo extra, exportar para o mercado americano se torna inviável e o Brasil perde espaço para outros países que têm acordos comerciais mais vantajosos com os EUA. Esse risco de zerar as exportações pode trazer um impacto direto sobre o emprego no campo e na indústria, principalmente em regiões do interior paulista que dependem fortemente da citricultura”, afirma Volnei Eyng, CEO da Multiplike.
O prejuízo, porém, vai além da laranja. O Brasil pode perder participação em setores nos quais é líder mundial, como o setor de carnes bovina e suína, além de enfrentar restrições no escoamento de produtos florestais e derivados do açúcar. A consequência é uma pressão sobre os preços internos, queda na geração de divisas e maior dificuldade para financiar o ciclo agrícola. A tarifa age como um bloqueio comercial e afeta diretamente a base exportadora que sustenta boa parte do superávit comercial do país.
Mais do que uma crise pontual, a medida expõe a fragilidade de um modelo ainda muito concentrado em poucos compradores. “A perda desse mercado afeta o saldo da balança comercial brasileira em 2025, porque o agronegócio é responsável por uma parte importante das exportações do país. É um alerta claro sobre a necessidade de diversificar mercados e reduzir a dependência de poucos compradores, e também para o governo que deve ter extrema cautela e visão para negociar com os EUA e buscar caminhos diplomáticos para que venham diminuir estes efeitos”, completa Volnei Eyng, CEO da Multiplike.