Clipping Diário

25 | Maio | 2026

SIDERURGIA

Diário do Comércio - MG   25/05/2026

As vendas internas de aço no Brasil avançaram 7,1% em abril deste ano, ante o apurado em igual mês de 2025, para 1,8 milhão de toneladas. O consumo aparente de produtos de aço no País, por sua vez, foi de 2,1 milhões de toneladas, 2,7% inferior ao apurado no mesmo período de 2025. Os dados são do Instituto Aço Brasil.

A produção brasileira de aço bruto em abril foi de 2,7 milhões de toneladas, crescimento de 1,1% em relação ao apurado no mês correspondente de 2025. Já a produção de laminados foi de 1,9 milhão de toneladas, 7,1% inferior à registrada em igual mês do ano passado. Enquanto isso, a produção de semiacabados para vendas foi de 595 mil toneladas, elevação de 16,8% na mesma base de comparação.

As importações de abril somaram 363 mil toneladas e US$ 356 milhões, redução de 33,3% em volume e de 26,3% em valor na comparação com o registrado em abril de 2025.

Já as exportações do mês foram de 1,1 milhão de toneladas, ou US$ 672 milhões, o que significa aumento de 62,4% em volume e de 40,3% em valor na comparação com o ocorrido no mês correspondente de 2025.

Acumulado

No acumulado de janeiro a abril, a produção nacional de aço bruto foi de 10,7 milhões de toneladas, queda de 2,9% ante igual período do ano anterior. As vendas internas foram de 6,9 milhões de toneladas no período, o que representa expansão de 0,8% quando comparadas com o acumulado de igual período de 2025. Já o consumo aparente foi de 8,7 milhões de toneladas, queda de 1,4% na mesma base de comparação.

As importações alcançaram 2,1 milhões de toneladas no acumulado até abril de 2026, queda de 5% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as importações atingiram US$ 1,9 bilhão e recuaram 5,4%.

As exportações de janeiro a abril, por sua vez, atingiram 3,8 milhões de toneladas, ou US$ 2,4 bilhões. Esses valores representam, respectivamente, crescimento de 23,3% e de 8,3% na comparação com igual período acumulado de 2025.

As vendas internas de aço no Brasil avançaram 7,1% em abril deste ano, ante o apurado em igual mês de 2025, para 1,8 milhão de toneladas. O consumo aparente de produtos de aço no País, por sua vez, foi de 2,1 milhões de toneladas, 2,7% inferior ao apurado no mesmo período de 2025. Os dados são do Instituto Aço Brasil.

A produção brasileira de aço bruto em abril foi de 2,7 milhões de toneladas, crescimento de 1,1% em relação ao apurado no mês correspondente de 2025. Já a produção de laminados foi de 1,9 milhão de toneladas, 7,1% inferior à registrada em igual mês do ano passado. Enquanto isso, a produção de semiacabados para vendas foi de 595 mil toneladas, elevação de 16,8% na mesma base de comparação.

As importações de abril somaram 363 mil toneladas e US$ 356 milhões, redução de 33,3% em volume e de 26,3% em valor na comparação com o registrado em abril de 2025.

Já as exportações do mês foram de 1,1 milhão de toneladas, ou US$ 672 milhões, o que significa aumento de 62,4% em volume e de 40,3% em valor na comparação com o ocorrido no mês correspondente de 2025.

Acumulado

No acumulado de janeiro a abril, a produção nacional de aço bruto foi de 10,7 milhões de toneladas, queda de 2,9% ante igual período do ano anterior. As vendas internas foram de 6,9 milhões de toneladas no período, o que representa expansão de 0,8% quando comparadas com o acumulado de igual período de 2025. Já o consumo aparente foi de 8,7 milhões de toneladas, queda de 1,4% na mesma base de comparação.

As importações alcançaram 2,1 milhões de toneladas no acumulado até abril de 2026, queda de 5% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as importações atingiram US$ 1,9 bilhão e recuaram 5,4%.

As exportações de janeiro a abril, por sua vez, atingiram 3,8 milhões de toneladas, ou US$ 2,4 bilhões. Esses valores representam, respectivamente, crescimento de 23,3% e de 8,3% na comparação com igual período acumulado de 2025.As vendas internas de aço no Brasil avançaram 7,1% em abril deste ano, ante o apurado em igual mês de 2025, para 1,8 milhão de toneladas. O consumo aparente de produtos de aço no País, por sua vez, foi de 2,1 milhões de toneladas, 2,7% inferior ao apurado no mesmo período de 2025. Os dados são do Instituto Aço Brasil.

A produção brasileira de aço bruto em abril foi de 2,7 milhões de toneladas, crescimento de 1,1% em relação ao apurado no mês correspondente de 2025. Já a produção de laminados foi de 1,9 milhão de toneladas, 7,1% inferior à registrada em igual mês do ano passado. Enquanto isso, a produção de semiacabados para vendas foi de 595 mil toneladas, elevação de 16,8% na mesma base de comparação.

As importações de abril somaram 363 mil toneladas e US$ 356 milhões, redução de 33,3% em volume e de 26,3% em valor na comparação com o registrado em abril de 2025.

Já as exportações do mês foram de 1,1 milhão de toneladas, ou US$ 672 milhões, o que significa aumento de 62,4% em volume e de 40,3% em valor na comparação com o ocorrido no mês correspondente de 2025.

Acumulado

No acumulado de janeiro a abril, a produção nacional de aço bruto foi de 10,7 milhões de toneladas, queda de 2,9% ante igual período do ano anterior. As vendas internas foram de 6,9 milhões de toneladas no período, o que representa expansão de 0,8% quando comparadas com o acumulado de igual período de 2025. Já o consumo aparente foi de 8,7 milhões de toneladas, queda de 1,4% na mesma base de comparação.

As importações alcançaram 2,1 milhões de toneladas no acumulado até abril de 2026, queda de 5% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as importações atingiram US$ 1,9 bilhão e recuaram 5,4%.

As exportações de janeiro a abril, por sua vez, atingiram 3,8 milhões de toneladas, ou US$ 2,4 bilhões. Esses valores representam, respectivamente, crescimento de 23,3% e de 8,3% na comparação com igual período acumulado de 2025.

As vendas internas de aço no Brasil avançaram 7,1% em abril deste ano, ante o apurado em igual mês de 2025, para 1,8 milhão de toneladas. O consumo aparente de produtos de aço no País, por sua vez, foi de 2,1 milhões de toneladas, 2,7% inferior ao apurado no mesmo período de 2025. Os dados são do Instituto Aço Brasil.

A produção brasileira de aço bruto em abril foi de 2,7 milhões de toneladas, crescimento de 1,1% em relação ao apurado no mês correspondente de 2025. Já a produção de laminados foi de 1,9 milhão de toneladas, 7,1% inferior à registrada em igual mês do ano passado. Enquanto isso, a produção de semiacabados para vendas foi de 595 mil toneladas, elevação de 16,8% na mesma base de comparação.

As importações de abril somaram 363 mil toneladas e US$ 356 milhões, redução de 33,3% em volume e de 26,3% em valor na comparação com o registrado em abril de 2025.

Já as exportações do mês foram de 1,1 milhão de toneladas, ou US$ 672 milhões, o que significa aumento de 62,4% em volume e de 40,3% em valor na comparação com o ocorrido no mês correspondente de 2025.

Acumulado

No acumulado de janeiro a abril, a produção nacional de aço bruto foi de 10,7 milhões de toneladas, queda de 2,9% ante igual período do ano anterior. As vendas internas foram de 6,9 milhões de toneladas no período, o que representa expansão de 0,8% quando comparadas com o acumulado de igual período de 2025. Já o consumo aparente foi de 8,7 milhões de toneladas, queda de 1,4% na mesma base de comparação.

As importações alcançaram 2,1 milhões de toneladas no acumulado até abril de 2026, queda de 5% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as importações atingiram US$ 1,9 bilhão e recuaram 5,4%.

As exportações de janeiro a abril, por sua vez, atingiram 3,8 milhões de toneladas, ou US$ 2,4 bilhões. Esses valores representam, respectivamente, crescimento de 23,3% e de 8,3% na comparação com igual período acumulado de 2025.

Investing - SP   25/05/2026

A produção global de aço bruto registrou queda de 1,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 153,4 milhões de toneladas em abril, de acordo com dados divulgados na sexta-feira pela World Steel Association.

A China, maior produtora e consumidora de aço do mundo, viu sua produção de aço bruto recuar 2,8%, para 83,6 milhões de toneladas em abril, na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo os dados.

Portal Fator Brasil - RJ   25/05/2026

Representantes de mais de 20 empresas ligadas ao Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Vale do Aço (Sindimiva) participaram da agenda voltada à integração de fornecedores e geração de negócios.

Empresários do setor industrial do Vale do Aço fizeram uma visita à Ternium para ver de perto a operação da companhia, entender os processos produtivos e fortalecer o relacionamento com a empresa. A agenda reuniu industriais de diferentes segmentos para discutir oportunidades de negócios, inovação e integração da cadeia produtiva.

O encontro também contou com a participação da Exiros, empresa de suprimentos do grupo italiano Techint, do qual a Ternium faz parte, representada pelo diretor de suprimentos da empresa no Brasil, German Speranza, e pelo gerente de materiais, Luiz Ramos. Participaram ainda a diretora de Relações Institucionais e com a Comunidade da Ternium Brasil, Fernanda Candeias, além dos representantes de mais de 20 empresas ligadas ao Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Vale do Aço (Sindimiva), — entidade patronal que representa e fortalece as indústrias do setor na região, filiado à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), — ou seja, sindicato atua em parceria com o Sistema Fiemg e integra o Arranjo Produtivo Local (APL) da região.

Durante o encontro, Fernanda apresentou a Ternium Brasil e destacou a importância da aproximação com fornecedores e parceiros estratégicos do Vale do Aço. —Receber empresários da região é uma oportunidade importante para ampliar o diálogo, compartilhar nossa visão de futuro e fortalecer conexões com empresas que desempenham um papel essencial no desenvolvimento da indústria brasileira — afirmou.

German apresentou a atuação global da Exiros e ressaltou o potencial de integração entre fornecedores brasileiros e mercados internacionais por meio da rede de operações da empresa.

—A presença de uma empresa global de suprimentos representa uma oportunidade muito relevante para os fornecedores da região. Além de promover fornecedores ligados à Usiminas na Ternium, e vice-versa, essa conexão pode abrir portas para exportação de soluções e serviços para países como Argentina, México e outros mercados internacionais onde o grupo possui centros industriais —comentou.

Luiz complementou destacando o papel estratégico da Exiros como parceira de negócios. Segundo ele, os empresários devem enxergar a empresa para além de uma prestadora de serviços, mas como uma ponte para novas oportunidades.

—Nosso objetivo é formar parceiros, começando uma relação baseada na confiança, transparência e inovação. Estamos comprometidos em buscar sempre a melhor negociação para podermos acompanhar nossos clientes em todos os processos de expansão— comentou.

O grupo conheceu o centro industrial e visitou a Escola Técnica Roberto Rocca, projeto de R$ 260 milhões do Grupo Techint, construído pela Ternium em Santa Cruz para oferecer formação técnica de excelência aos jovens da região.

José Arinos, coordenador técnico do Sindimiva, espera que essa aproximação possa gerar novas oportunidades para todos os envolvidos. Ele enfatizou o impacto da iniciativa para o fortalecimento do ambiente industrial mineiro.

—Esse encontro foi importante para mais de vinte empresários, que puderam entender melhor a dimensão da operação da Ternium, além de conhecer também o trabalho da Exiros. Esse tipo de aproximação contribui para o fortalecimento da indústria regional e cria caminhos para novas parcerias e negócios —disse.

A iniciativa reforça a estratégia da Ternium de ampliar a integração com fornecedores regionais e fortalecer a competitividade da cadeia industrial brasileira em conexão com mercados internacionais.

Vale do aço —Importante polo industrial e siderúrgico no interior de Minas Gerais, formado principalmente por Ipatinga, Coronel Fabriciano, Timóteo e Santana do Paraíso, entre outras.

Valor - SP   25/05/2026

Produção nacional no mês atingiu 2,7 milhões de toneladas, alta anual de 1,1%; as vendas internas somaram 1,8 milhão de toneladas, alta anual de 7,1%

As exportações de aço no mês de abril somaram 1 milhão de toneladas, montante que representa uma alta de 62,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando totalizaram 647 mil toneladas. Em relação a março, o aumento foi ainda maior, de 81,9%, de acordo com informações do Instituto Aço Brasil.

A produção nacional no quarto mês do ano foi de 2,7 milhões de toneladas, alta anual de 1,1%. Na comparação com março, houve recuo de 3,8% ante o mês imediatamente anterior. Já as vendas internas somaram 1,8 milhão de toneladas, alta anual de 7,1%, mas queda de 5,8% em relação a março.

As importações, por sua vez, caíram 33,3% na comparação anual, para 363 mil toneladas em abril deste ano. Em relação a março, a diminuição foi de 40,3%.

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, a produção de aço bruto somou 10,7 milhões de toneladas, queda anual de 2,9%. Na mesma base de comparação, as exportações subiram 23,3%, para 3,8 milhões de toneladas, enquanto as importações caíram 5%, para 2,1 milhões de toneladas.

O Aço Brasil divulgou também o Índice de Confiança da Indústria do Aço (ICIA), referente ao mês de maio. O indicador cresceu 8,2 pontos para 59,9 pontos e atingiu o maior patamar desde outubro de 2024.

“Todos os componentes do ICIA registraram aumento frente ao mês anterior, embora os indicadores sobre a situação atual e perspectivas sobre a economia brasileira se mantenham abaixo de 50 pontos, o que indica falta de confiança”, afirmou o superintendente de economia do Instituto Aço Brasil, Marcelo de Ávila.

O Estado de S.Paulo - SP   25/05/2026

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) se movimenta para colocar a taxação do governo do Estados Unidos sobre folhas metálicas importadas na pauta das discussões entre o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) do Brasil com os representantes do governo do presidente Donald Trump.

Nas contas da CSN, se a empresa voltasse a exportar aços galvanizados, pré-pintados e folhas metálicas aos EUA, o impacto positivo anual em sua geração de caixa seria de cerca de R$ 400 milhões. Para a companhia, a alta da inflação americana, provocada, inclusive, por tarifas comerciais, dá ao Brasil um bom argumento na defesa da redução de alíquotas para produtos brasileiros.

Desde que a tarifa de 50% passou a ser aplicada a produtos de aço importados pelos EUA, as exportações da CSN para os EUA deixaram de ser viáveis. O diretor executivo responsável pela área comercial e de logística de siderurgia da companhia, Luis Fernando Martinez, conta que a empresa chegou a exportar, entre materiais revestidos, zincados e folhas metálicas, cerca de 300 mil toneladas por ano aos EUA. Destas 40 mil a 50 mil toneladas por ano eram de folhas metálicas, material usado na confecção de latas de alimentos.

No entanto, ele afirma que a empresa tem capacidade para exportar, no curto prazo, 200 mil toneladas. “Temos capacidade de voltar a exportar hoje 200 mil toneladas. Nossa capacidade produtiva é de, praticamente, 800 mil toneladas por ano e vendemos cerca de 400 mil toneladas no mercado interno”, afirmou Martinez à Broadcast.

Para ele, o País tem hoje uma oportunidade de colocar esse produto nas discussões junto ao governo americano sobre a seção 232, pois a economia dos EUA tem sentido o efeito dessas tarifas no aumento de preços de produtos nos supermercados, tema sensível para o presidente Trump.

Em reportagem recente do New York Times, por exemplo, foi mostrado que as latas - feitas com folha metálica - representam cerca de um terço do preço de frutas ou vegetais enlatados. Em março, esses produtos custavam 5,7% a mais do que um ano antes. Para efeito de comparação, o aumento geral de preços de alimentos consumidos em casa nos EUA no período foi de 2%, segundo dados do governo. O ponto é que as importações de folhas metálicas continuaram acontecendo mesmo com a tarifa de 50%, pois a indústria americana ainda não tem condições de atender a toda a demanda.

O diretor geral da CSN LLC, Jerry Richardson, relatou que demanda por esse produto é de 2 milhões de toneladas por ano e que a produção nacional é de apenas 600 mil toneladas. “Falta produto no mercado americano”, disse à Broadcast em entrevista, no escritório em Nova York .

Para os antigos clientes da CSN nos EUA, Richardson diz que o momento é desafiador: eles precisam do produto, não conseguem comprar tudo no mercado doméstico e enfrentam o encarecimento do importado. Com a tarifa “proibitiva” de 50%, Martinez conta que a CSN acabou zerando as exportações. Ele diz que pela ausência de negociações bilaterais do Brasil com os EUA nesse ponto e também em função de custos impostos à indústria nacional, a margem do produto brasileiro não sobreviveu à taxação, nem à competição com alguns dos atuais maiores vendedores do produto aos EUA: Alemanha, Países Baixos e China.

Rentabilidade

Ele calcula que, se a companhia voltasse a exportar, por ano, cerca de 200 mil toneladas de aços galvanizados e pré-pintados, mais 200 mil toneladas de folha metálica - quantidade bem superior à média pré-tarifa, de 50 mil toneladas - o impacto no Ebitda da companhia seria de R$ 400 milhões.

Na última interação entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Trump, as tarifas foram assunto central. Na reunião do dia 7 de maio, eles acertaram um prazo de 30 dias para negociar os termos de um acordo que agrade as duas economias.

Nos EUA, a CSN também se movimenta para destravar a discussão, tendo, inclusive, buscado empresas especializadas em lobby - atividade regulamentada no país - para levar o assunto às autoridades. No entanto, os próprios especialistas sinalizam que sem um movimento do governo brasileiro nesse sentido, qualquer tentativa de pautar o assunto fica mais fraca. A companhia tenta agenda com o MRE e Mdic para a primeira semana de junho.

Fontes do governo brasileiro afirmaram à Broadcast que o tema tem sido tratado com diversos setores produtivos do País e que, com as negociações em curso, não é possível falar de produtos específicos. No entanto, os pleitos têm sido ouvidos e avaliados para, eventualmente, serem pautados nas mesas de negociação.Procurados, o MRE e o Mdic não comentaram até o fechamento desta reportagem.

Diário do Comércio - MG   25/05/2026

A produção de aço bruto em Minas Gerais caiu 2,2% de janeiro a abril de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. Conforme dados divulgados na sexta-feira (22) pelo Instituto Aço Brasil, este ano foram comercializadas 3,2 milhões de toneladas contra 3,3 milhões no mesmo período em 2025.

Com 30,6% de participação no volume produzido no País, o Estado segue liderando a produção nacional apesar do resultado negativo. O Rio de Janeiro, que ocupa a segunda posição no ranking, respondeu por 23,9% da produção, amargando queda ainda maior: 9,3%, ao passar de 3,04 milhões de toneladas produzidas ano passado no período analisado, para 2,75 milhões de toneladas nos quatro primeiros meses deste ano.

O desempenho dos principais estados produtores do Brasil acabaram influenciando o resultado negativo do País, que ficou 2,9% menor e somou 10,6 milhões de toneladas de aço produzidas.

Entretanto, a produção das siderúrgicas mineiras em abril deste ano, em relação ao igual período do ano passado, aumentou 5,4%, somando 845 mil toneladas, e quebrou uma sequência de quedas mensais percebidas nos três primeiros meses do ano. Desempenho que contribuiu para que a produção nacional não apresentasse resultado negativo no mês.

Em abril, as siderúrgicas brasileiras produziram 2,67 milhões de toneladas de aço bruto, aumentando a produção em apenas 1,1% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando foram produzidas 2,64 milhões/t.
Semiacabados e laminados

Quando analisados os números da quantidade de semiacabados para venda e laminados produzidos em Minas Gerais, houve diminuição na comparação entre abril deste ano e o mesmo mês de 2025 quanto no confronto entre o acumulado de cada ano. As quedas foram, respectivamente, de 5,5%, passando para 744 mil/t, e 4,2%, passando para 2,2 milhões/t.

No Brasil, a produção de laminados foi de 1,9 milhão de toneladas, 7,1% inferior à registrada em abril de 2025. A produção de semiacabados para vendas foi de 595 mil toneladas, uma elevação de 16,8% em relação ao ocorrido no mesmo mês de 2025.

No acumulado do ano, a produção de laminados no mesmo período foi de 7,5 milhões de toneladas, redução de 4,8% em relação ao registrado no mesmo acumulado de 2025. A produção de semiacabados para vendas totalizou 2,7 milhões de toneladas de janeiro a abril de 2026, um aumento de 3,5% na mesma base de comparação.

Importações caem e exportações crescem

O Instituto Aço Brasil não disponibiliza dados regionais das negociações externas, mas vale pontuar que nacionalmente, as importações caíram 33,3% em volume em abril e 5% frente ao mesmo período do ano passado. Em contrapartida, as exportações subiram 62,4% em abril, e 23,3% no acumulado do ano.

Responsável por mais de 50% da produção, A China, acusada de realizar negociações desleais, registrou queda na produção do aço bruto, evidenciando que as medidas impostas em janeiro no Brasil e em outros momentos por diversos países do mundo começaram a surtir efeito. Na comparação do acumulado do ano até março, a produção das siderúrgicas chinesas recuaram 8,3% na comparação mensal (mar25xmar26) e na comparação do trimestre em 4,6%
Consumo e vendas

Ainda segundo o Instituto, as vendas internas no País avançaram 7,1% frente ao apurado em abril de 2025 e atingiram 1,8 milhão de toneladas. O consumo aparente de produtos de aço foi de 2,1 milhões de toneladas, 2,7% inferior ao apurado no mesmo período de 2025.

Já no acumulado do ano, as vendas internas foram de 6,9 milhões de toneladas de janeiro a abril de 2026, o que representa uma expansão de 0,8% quando comparadas com igual período do ano anterior. O consumo aparente, no entanto, apresentou queda de 1,4% frente ao registrado em 2025.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   25/05/2026

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vem ampliando sua presença em grandes projetos de infraestrutura, mobilidade urbana, inovação e indústria no Estado de São Paulo, em um movimento que mistura crédito de longo prazo, reindustrialização e atração de investimentos privados.

Nos últimos três anos, as aprovações do banco para São Paulo somaram R$ 152,6 bilhões, alta de 67%. Só em 2025, os desembolsos atingiram R$ 46,3 bilhões, recorde histórico e avanço de 73,6% sobre o ano anterior. A carteira inclui a modernização da Rodovia Presidente Dutra, ligação entre São Paulo e Rio de Janeiro. “Metade do PIB brasileiro passa pela Dutra”, afirmou o presidente do banco, Aloizio Mercadante. “Melhorar essa rodovia significa aumentar a competitividade e a eficiência econômica, além de reforçar o papel logístico do Vale do Paraíba.”

O BNDES também assumiu posição central na modernização do Aeroporto de Congonhas, com financiamento para ampliação do terminal, aumento do número de pontes de embarque e expansão da capacidade de passageiros por ano. O projeto integra um pacote de R$ 4,64 bilhões para 11 aeroportos nacionais.

O banco participa ainda da expansão da Linha 2-Verde do metrô paulistano, além da Linha 6-Laranja que, quando concluída, deve reduzir o trajeto entre Brasilândia e o centro da capital de 1h30 para 23 minutos. Mercadante acrescenta que o projeto deve estimular o desenvolvimento regional e reduzir emissões ao diminuir a dependência do transporte rodoviário.

Há também apoio ao Instituto Butantan para produção de vacinas e os investimentos da Embraer na Eve Air Mobility, braço dedicado ao desenvolvimento de carros voadores elétricos. “O BNDES ajuda a transformar a dinâmica urbana e econômica de São Paulo.”

Jornal de Brasília - DF   25/05/2026

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu as respostas do Brasil ao tarifaço aplicado pelo governo norte-americano e disse que a Europa reagiu de maneira abrupta, em entrevista à revista francesa Le Grand Continent. A entrevista foi concedida no início da última semana, quando Durigan esteve em Paris para participar da Reunião de Ministros de Finanças e Presidentes de Bancos Centrais do G7.

Segundo ele, o Brasil não retaliou os Estados Unidos. “Simplesmente mantivemos nossas posições firmes, rejeitando qualquer tipo de interferência. Em determinado momento, nosso país enfrentava tarifas de 50%: um imposto de 10% aplicado globalmente, mais 40% adicionais”, relembrou. “O que Lula disse a Trump e aos outros líderes na época foi que o Brasil tinha um déficit comercial com os Estados Unidos (importamos serviços, tecnologia e produtos farmacêuticos), assim como os Estados Unidos têm um déficit com a China. Se aplicarmos o mesmo raciocínio à relação entre nossos dois países, deveríamos ter sido nós a impor tarifas sobre as importações americanas no Brasil. Importamos a um preço alto, mas não adotamos essa postura hostil”.

Em seguida, Durigan disse que talvez a diferença em relação à Europa seja que o Brasil demonstrou paciência para responder ao presidente americano Donald Trump. “Embora tenhamos contestado a decisão de nos impor tarifas, não retaliamos; pelo contrário, nos posicionamos politicamente como um país soberano que não merecia tal tratamento. A resposta europeia foi, sem dúvida, muito abrupta: tentar chegar a um acordo rápido com os Estados Unidos pode ter piorado a situação”, sustentou.

Questionado se as tarifas americanas também tinham o objetivo de exercer pressão para obrigar o governo brasileiro a tomar medidas no caso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Durigan assentiu, mas disse que essa estratégia não funcionou.

“O julgamento contra Bolsonaro prosseguiu mesmo com a imposição das tarifas, e Bolsonaro foi condenado apesar da pressão geopolítica”.

Na visão do ministro, isso acabou fortalecendo a autonomia do Judiciário brasileiro, o que enviou um sinal importante para as empresas. “Porque não se trata apenas de política, mas também de previsibilidade jurídica: empresas do mundo todo querem poder levar suas disputas à Justiça e resolvê-las com confiança no sistema. Elas não querem um presidente com poderes excessivos decidindo unilateralmente o que é certo ou errado; por isso foi tão importante para nós deixar o processo legal seguir seu curso”.

Na entrevista, o ministro brasileiro ainda abordou a defesa do multilateralismo, tema recorrente dos discursos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Não apoiamos a adoção de mecanismos unilaterais como os que estão surgindo em todos os lugares neste momento”, afirmou.

Sobre as relações brasileiras com a China e a Europa, disse que o País não tem preconceitos e busca manter boas relações com o mundo inteiro, mas não quer que a China nem nenhum outro país inunde o Brasil com produtos manufaturados.

“Aplicamos esses mesmos princípios aos minerais críticos: priorizar a soberania e não repetir os erros do passado. Se nos limitarmos a exportar matérias-primas não processadas, como fizemos com minério de ferro, soja e cana-de-açúcar, acabaremos por aumentar o preço de um café expresso para os consumidores. É por isso que agora queremos subir na cadeia de valor e industrializar nossos minerais críticos”, disse.

Durigan ainda reforçou que o Brasil se encontra em uma posição de força, com vantagens geopolíticas, uma vez que investe em energia limpa e biocombustíveis, em um cenário de grandes incertezas impostas pela guerra no Irã e pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

CNN Brasil - SP   25/05/2026

O analista internacional da CNN Brasil, Lourival SantAnna, avaliou que o presidente dos EUA, Donald Trump, saiu sem conquistas relevantes de sua cúpula com Xi Jinping, enquanto a Rússia conseguiu, ao menos em parte, estreitar seus laços com a China.

No encontro entre Xi Jinping e Vladimir Putin, realizado uma semana após a cúpula com Trump, China e Rússia assinaram mais de 40 acordos de cooperação. Já no encontro com os Estados Unidos, o resultado foi apenas uma sinalização de possível venda de produtos americanos à China.

O principal objetivo de Trump — obter apoio chinês para a reabertura do Estreito de Ormuz — não foi alcançado. Putin, por sua vez, também não conseguiu finalizar o acordo do gasoduto Power of Siberia 2, que ligaria Rússia e China, devido a divergências sobre o preço do gás.

Para SantAnna, Xi Jinping conduziu ambos os encontros a partir de uma posição de clara superioridade. "O Xi Jinping estava lidando com dois países que estavam numa posição de nações tributárias, como na época do Império do Meio", analisou.

O analista apontou que tanto os Estados Unidos quanto a Rússia estão fragilizados por conflitos mal sucedidos, o que reforça o protagonismo chinês no cenário geopolítico atual.

A análise ocorre em meio a impasses nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que envolvem o programa nuclear iraniano e o controle do Estreito de Ormuz.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, negou na quinta-feira (21) rumores de um avanço diplomático com os Estados Unidos.

Segundo a agência de notícias oficial iraniana Irna, Baghaei declarou que "as alegações sobre questões nucleares — como urânio enriquecido ou níveis de enriquecimento — são mera especulação da mídia e não têm fundamento na realidade".
Impasse nuclear e Estreito de Ormuz

As negociações entre Washington e Teerã enfrentam obstáculos em duas frentes principais: o enriquecimento de urânio e o controle do Estreito de Ormuz. Segundo SantAnna, o Irã demonstra disposição apenas para negociar o fim do conflito e a reabertura do estreito, sem abrir mão de seu programa nuclear.

"Antes de começar o conflito, os Estados Unidos estavam negociando a suspensão do programa nuclear e agora parece que a questão retrocedeu para um ponto anterior", afirmou o analista.

O Irã defende o direito a um programa nuclear pacífico com supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica, conforme prevê o Tratado de Não Proliferação Nuclear, do qual é signatário.

SantAnna destacou ainda a entrada do Catar nas negociações como um elemento de novidade. O país, que historicamente mantinha boas relações com o Irã e intermediava conversas sobre a faixa de Gaza, afastou-se após ser bombardeado pelo Irã, mas agora retornou às tratativas.

"O Qatar pode ajudar bastante", avaliou o analista, ressaltando que o Paquistão também segue atuando como mediador.
Troca de tecnologia e impossibilidade de sanções

A agência de notícias Reuters publicou reportagem revelando que as forças armadas da China teriam treinado secretamente cerca de 200 militares russos no país no final do ano passado.

Questionado sobre a possibilidade de sanções ocidentais contra Pequim, SantAnna foi categórico: "Zero, impossível, esquece, não vai ter sanção nenhuma contra a China.

O mundo está dependente da China." Segundo ele, o abandono dos manufaturados chineses provocaria explosão inflacionária no Brasil, nos Estados Unidos e em toda a Europa.

O analista descreveu uma intensa troca entre os dois países: a China exporta para a Rússia componentes tecnológicos e chips de uso dual, civil e militar, enquanto recebe tecnologia militar russa de alto nível, especialmente no campo de mísseis hipersônicos e de submarinos nucleares. "Há uma troca muito fluida entre esses dois países", concluiu SantAnna.

Exame - SP   25/05/2026

Apenas uma semana após o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim, os governos dos Estados Unidos e da China voltaram a demonstrar que enxergam o futuro da região Ásia-Pacífico por lentes profundamente diferentes.

Se na capital chinesa os dois líderes tentaram projetar uma imagem de aproximação, a 32ª Reunião Ministerial de Comércio da APEC, realizada em Suzhou, na China, trouxe o pragmatismo de volta à mesa.

Enquanto Pequim defendeu o livre comércio e a redução de tarifas, Washington concentrou seu discurso em competitividade, comércio equilibrado e na manutenção da liderança tecnológica americana.

O pragmatismo por trás dos acordos de Pequim

Apesar dos anúncios bilaterais recentes, os comunicados emitidos pelas duas potências revelaram interpretações distintas sobre o real alcance dos acordos:

Setor Aeroespacial: a Casa Branca celebrou o compromisso da China de comprar 200 aeronaves da Boeing — a primeira grande aquisição desde 2017. Pequim confirmou o interesse, mas condicionou o negócio a garantias americanas de fornecimento de motores e peças de reposição. O mercado financeiro reagiu com ceticismo, e as ações da Boeing fecharam em queda de 3,8% após o anúncio. Agronegócio: os EUA afirmaram que a China se comprometeu a importar pelo menos US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas americanos até 2028. Já o lado chinês foi mais vago, mencionando apenas um plano para "melhorar o acesso ao mercado" e cobrando, em contrapartida, maior abertura dos EUA para laticínios, pescados e plantas de bonsai chinesas.
A guerra das tarifas e o peso do superávit chinês

Em Suzhou, a divergência de prioridades macroeconômicas ficou evidente no debate sobre a Área de Livre Comércio da Ásia-Pacífico (FTAAP).

Para a China — que concentra cerca de 28% da produção industrial global —, a consolidação desse bloco é um objetivo estratégico para garantir o fluxo de suas exportações.

O ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, tentou emplacar a FTAAP como a principal entrega do fórum.

Contudo, demonstrando um claro sinal de desconforto político, Wang se ausentou da sessão inaugural do dia 22, sendo substituído pelo vice-ministro Li Chenggang sob a justificativa de "assuntos oficiais urgentes".

O ministro retornou apenas no sábado para a coletiva de encerramento, sem dar explicações sobre o sumiço.

Do lado americano, a postura em relação ao bloco foi de total cautela. Casey K. Mace, representante sênior dos EUA na APEC, minimizou a urgência do acordo.

"A FTAAP é mais uma agenda em construção do que um destino final", disse.

A prioridade de Washington continua sendo a imposição de padrões trabalhistas e o combate a desequilíbrios comerciais.

O argumento ganha força com os dados mais recentes: o superávit comercial da China com o resto do mundo atingiu quase US$ 1,2 trilhão em 2025.

O montante, classificado como "insustentável" por ministros das Finanças do G7, é a principal justificativa de Trump para manter e elevar tarifas.

Inteligência Artificial: a nova linha de frente

A disputa geopolítica oficializou sua transição do comércio de bens de consumo para a tecnologia de ponta.

Embora os ministros da APEC tenham assinado um consenso sobre cooperação em comércio digital e inteligência artificial (IA), a aplicação prática divide as potências.

A China foca em expandir suas plataformas de e-commerce e massificar o uso de IA nas trocas comerciais regionais.

O movimento coincide com uma ofensiva de empresas chinesas, que têm lançado modelos de IA altamente competitivos e gratuitos para contornar as severas restrições impostas por Washington ao acesso de Pequim a semicondutores e chips avançados.

Em contrapartida, os EUA usam a APEC como vitrine política.

O governo americano já prepara uma "semana digital" em Chengdu, em julho, com o objetivo explícito de posicionar suas Big Techs como as líderes tecnológicas incontestáveis da região.

Próximos capítulos

O fórum de Suzhou foi apenas o início de uma longa maratona diplomática. Como anfitriã da APEC, a China sediará cerca de 300 eventos ao longo do ano.

O ápice do calendário ocorrerá em novembro, na Reunião de Líderes Econômicos em Shenzhen, onde Xi e Trump devem se enfrentar novamente. Antes disso, um novo encontro bilateral está previsto para setembro, nos Estados Unidos.

Até lá, a tendência é que nenhum dos lados ceda em suas ferramentas de barganha.

Infomoney - SP   25/05/2026

O aumento do preço do barril de petróleo nos mercados internacionais já está impactando a inflação e o custo de vida no Brasil, pressionando preços de combustíveis e alimentos. Mas, qual o tamanho deste rombo no orçamento do brasileiro? Um estudo do departamento de pesquisa macroeconômica do Itaú estimou este peso. Segundo o banco, um avanço de 10% na commodity resulta em um impacto total de 0,5 a 0,7 ponto percentual (50 a 70 pontos-base) no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Assim, a inflação, que estava estimada em algo abaixo de 4% no início do ano, iria facilmente a algo entre 4,5% e 4,7%. O repasse já é visível na economia real. O Boletim Focus revisou a expectativa de inflação de 2026 para 4,92%, furando o teto das projeções iniciais do ano.

Petróleo próximo a US$ 100: o cenário-base para o próximo ano em meio à guerra do Irã
A análise do Itaú, assinada pelas economistas Julia Gottlieb e Luciana Rabelo, aponta que a alta para a inflação ocorre por duas vias principais. O canal direto é sentido pelos consumidores nos preços dos combustíveis e da energia, o que reflete rapidamente nos índices de preços. De acordo com o documento, cada incremento de 10% no petróleo gera um impacto direto fixo de 20 pontos-base na inflação.

O segundo caminho é o canal indireto, calculado sobre os custos intermediários de produção e de transporte. A análise avalia que este repasse é mais difuso ao longo das cadeias produtivas, e tem defasagens temporais, o que torna o cálculo mais complexo.

Os economistas, então, usaram duas metodologias combinadas de análise. O primeiro método, um modelo econométrico, avalia o repasse histórico efetivo e indica que o choque de 10% no petróleo eleva o IPCA em cerca de 30 pontos-base de forma indireta.

O segundo método utiliza a Tabela de Recursos e Usos (TRU) do IBGE (que mapeia como os insumos circulam entre os setores da economia]) para calcular o impacto sob a hipótese de um repasse integral dos custos. Por essa ótica, o efeito indireto atinge um potencial máximo maior, de 50 pontos-base no índice cheio.

Somando o canal direto e as estimativas do canal indireto, o banco consolida a faixa de impacto total entre 50 e 70 pontos-base.

A decomposição do estudo revela que aproximadamente um terço do efeito indireto total deriva do óleo diesel, refletindo os custos com fretes e transportes.

Os demais derivados de petróleo respondem pela maior parcela da pressão inflacionária, evidenciando a difusão por múltiplos insumos industriais e embalagens. Dados recentes dos Índices Gerais de Preços (IGPs) confirmam que o repasse para o IPCA tem ocorrido com defasagens curtas e transmissão veloz, atingindo os bens de consumo final.
Inflação acima de 5%

O cenário-base traçado pela instituição projeta uma inflação de 5,2% ao final de 2026.

Esta estimativa considera um preço médio do petróleo de US$ 85 por barril e uma taxa de câmbio de R$ 5,15. Nesta sexta, o câmbio operava perto de R$ 5.

“Na prática, os dados mais recentes sugerem que o núcleo reponderado (sem distorções temporárias) já vem incorporando o choque de petróleo na margem, indicando uma transmissão mais visível para o conjunto de itens com maior exposição aos derivados de petróleo”, dizem os analistas. Isso significa que o impacto já não está mais restrito à gasolina, se espalhou para os demais setores e tornou a inflação persistente.

Inflação no radar: como funcionam investimentos atrelados ao IPCA

Os analistas ressaltam que o impacto potencial pode ser ainda mais elevado, configurando um balanço de riscos com viés de alta para a inflação.

Segundo a análise, o quadro atual exige maior cautela do Banco Central na condução do ciclo de cortes da taxa básica de juros.

CNN Brasil - SP   25/05/2026

As decisões do presidente Donald Trump em relação ao Irã são testadas pelo mercado de títulos, algo que está fora do controle do presidente americano. Com a rápida alta dos rendimentos na última semana, um funcionário da Casa Branca afirmou que há grande preocupação entre os funcionários sobre os preços da gasolina e à direção do mercado de títulos.

As taxas de juros mais altas e os custos de empréstimos elevados para empresas e consumidores implicam sobre a inflação dos itens mais consumidos pelos americanos, dentre esses os combustíveis, maior preocupação atual no entorno da Casa Branca.

A combinação de efeitos sobre a economia causa problemas para o Governo dos EUA, que se prepara para as eleições de meio de mandato em novembro. "Os mercados estão lhe causando sofrimento, e ele precisa descobrir como reverter essa situação — e não é tão fácil", disse Greg Faranello, chefe de estratégia de taxas de juros dos EUA, sobre Donald Trump.

Durante a AmeriVet Securities, em Nova York, Faranello destacou os impactos das pressões econômicas a longo prazo. "Já estamos em níveis que, em última análise, afetarão as taxas de hipoteca e, consequentemente, o mercado imobiliário."

No sábado, Trump afirmou que Washington e o Irã têm feito progressos para um acordo de paz sobre a guerra que já dura três meses, embora, no domingo, tenha enfatizado que não há pressa para uma assinatura.

Os mercados se mostraram atentos e otimistas aos comentários mais brandos de Trump sobre o Irã durante o fim de semana. Especialistas afirmam que, mais do que nunca, os preços de mercado reagem aos comentários de Trump sobre uma resolução para a guerra.

"Acredito que, se o governo está preocupado com o aumento dos rendimentos, tentar apaziguar a situação com um discurso mais calmo é algo que eles podem fazer", disse Shawn Snyder, estrategista econômico da Potomac Fund Management.

Nas últimas semanas, os investidores em títulos do Tesouro dos EUA têm se concentrado na dificuldade de se chegar a um acordo e nas consequências de longo prazo da guerra, o que eleva os rendimentos bem acima de 4,5% para o título de referência de 10 anos.

Enquanto isso, buscando conter a inflação, autoridades do Federal Reserve discutem a possibilidade de aumentar as taxas de juros em vez de reduzi-las, como Trump tem defendido.

Por outro lado, alguns republicanos no Congresso estão cada vez mais preocupados com os apelos do presidente por gastos antes das eleições. Trump busca a vitória nas eleições  de meio de mandato, que decidirão se os republicanos manterão o controle, ainda que limitado, da Câmara e do Senado.

O aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro impacta diretamente os custos de empréstimo em toda a economia, incluindo hipotecas, cartões de crédito e empréstimos comerciais, podendo causar problemas de estabilidade financeira.

Investidores em títulos afirmaram que o governo precisa prestar atenção a essa situação o quanto antes. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e a Casa Branca sugeriram que os rendimentos elevados seriam temporários.

Na quarta-feira, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA recuaram um pouco da forte alta, depois que Trump afirmou que as negociações com o Irã estavam em sua fase final.

No início da semana, o rendimento do título de 10 anos atingiu 4,69%, o maior nível desde janeiro de 2025. O produto subiu mais de 50 pontos-base desde o início da guerra entre EUA e Israel com o Irã, e estava em 4,56%. Porém, a reação do mercado aos últimos avanços nas negociações de paz ainda não foi percebida.

Um aumento sustentado nos custos de empréstimo pode arrefecer a procura por habitação, afetar o consumo e até levar a economia à recessão. Esse risco pode ser relevante no período que antecede as eleições intercalares nos EUA.

"A acessibilidade é uma palavra da moda em Washington, e por um bom motivo, porque ela realmente ressoa com um grande número de famílias, e as taxas de juros são um fator determinante", disse John Kerschner, chefe global de produtos securitizados da Janus Henderson em Denver.

Ainda assim, se um acordo de paz for finalmente alcançado, os efeitos poderão ser transitórios. Esta semana, Bessent afirmou que as elevadas taxas de juros, especialmente no longo prazo, estavam sendo impulsionadas pelo choque energético da guerra com o Irã, que se provará temporário .

A Casa Branca também afirmou que qualquer interrupção provavelmente seria de curta duração. "O presidente Trump sempre foi claro sobre as interrupções temporárias no mercado como resultado da Operação Epic Fury", disse o porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, em um comunicado.

Desai afirmou que o governo ainda estava focado na "agenda de longo prazo de Trump de acelerar o crescimento econômico, reduzir a burocracia e combater a fraude nos gastos públicos para restaurar a saúde fiscal dos Estados Unidos".
Opções limitadas

O mercado de títulos tem sido, há muito tempo, uma poderosa força política capaz de moldar as políticas em Washington, que precisa manter a confiança dos investidores para financiar a dívida pública. Quando os investidores perdem a confiança, o aumento dos custos de empréstimo pode pressionar os líderes.

James Carville, ex-conselheiro do presidente Bill Clinton, disse ao Wall Street Journal no início da década de 1990 que gostaria de reencarnar como o mercado de títulos , porque "você pode intimidar todo mundo".

Participantes do mercado alertaram que a capacidade e a disposição de Washington em responder podem ser limitadas, mesmo que os rendimentos disparem para um nível crítico identificado como 5%.

Intervir de forma muito agressiva nesse ambiente pode comprometer a credibilidade das medidas contra a inflação e agravar as pressões que elevam os rendimentos.

Sam Lynton-Brown, chefe de estratégia macro global do BNP Paribas em Londres, afirmou que a alta estava sendo impulsionada menos por temores sobre empréstimos do governo e mais pela inflação persistente, forte crescimento econômico e preços elevados da energia ligados a tensões geopolíticas.

Quando os rendimentos sobem devido à força da economia, os mercados e os formuladores de políticas tendem a considerá-los menos problemáticos, observou Lynton-Brown.

O chefe de estratégia destaca que os mercados de ações e de crédito absorveram as taxas mais altas sem mostrar sinais de estresse. "Você tem rendimentos altos, mas até agora as ações e o crédito estão se saindo bem com esses rendimentos altos", disse.

Diário do Comércio - MG   25/05/2026

O fim da escala 6×1 deve ser colocado em votação na Câmara dos Deputados na próxima quarta-feira (27), sob o argumento de que mais descanso elevaria o rendimento no expediente. Críticos da proposta, porém, alertam para o risco de o efeito líquido ser o oposto: menor produtividade da economia e, com isso, menos capacidade de crescimento do País.

Num Brasil que já terá de enfrentar o envelhecimento da população sem superar gargalos de investimento e de qualificação da força de trabalho, analistas avaliam que será difícil compensar integralmente uma redução de jornada com maior produção por hora. Isso exigiria ajustes justamente no mercado formal, onde os trabalhadores são em geral mais produtivos.

O deslocamento do emprego para a informalidade, bem como sua substituição por vínculos sem carteira assinada, é um efeito colateral citado por economistas caso o fim da escala 6×1 seja aprovado. Na prática, a redução da jornada sem corte de salários elevaria o custo da hora trabalhada. Nesse cenário, empregadores tenderiam a buscar formas de contratação mais baratas – ainda que, em média, menos produtivas -, o que dificultaria ainda mais o desafio do Brasil de sair de um período de estagnação da produtividade que já supera uma década.

Para economistas entrevistados pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), o fim da escala 6×1 ameaça anular avanços trazidos pela reforma trabalhista de 2017, que levou a uma maior formalização do emprego e contribuiu, na visão de alguns analistas, para melhorar o potencial de crescimento da economia.

“A literatura mostra que os países onde houve algum impacto positivo na produtividade tinham informalidade pouco significativa”, comenta o CEO da consultoria Quantivis Analytics, José Ronaldo Souza Júnior, que dirigiu por mais de cinco anos o departamento responsável por estudos macroeconômicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A cautela, acrescentam analistas, decorre do fato de que, onde a experiência foi bem-sucedida, a jornada caiu porque a economia já era mais produtiva – e não o contrário. Ou seja, a redução de horas foi mais resultado de ganhos anteriores, como tecnologia e capital humano, do que sua causa.

No Brasil, reduzir a jornada máxima para 40 horas semanais exigiria ganho de produtividade de 1,4% para evitar queda do PIB, segundo cálculos da 4intelligence, considerando uma redução imediata da jornada média formal do setor privado, hoje em 41,4 horas.

Parece pouco, mas é sete vezes mais do que o avanço da produtividade nas últimas quatro décadas: 0,2% ao ano, conforme cálculo do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas, que leva em conta não somente a produtividade da mão de obra, mas também a eficiência do uso de capital. Se considerada apenas a métrica por hora trabalhada, a produtividade não saiu do nível de 13 anos atrás.

O economista Rodolfo Margato, da XP Investimentos, afirma que é preciso esperar a versão final da proposta de emenda constitucional (PEC) sobre a escala 6×1, mas diz que estimativas preliminares apontam aumento de custos, já que a jornada cairia sem corte de salários – elevando o risco de fechamento de vagas formais e de migração para a informalidade.

“Nos últimos anos, muitos ganhos do mercado de trabalho, para além da taxa de desemprego em níveis historicamente baixos, vieram do aumento da formalização, que ‘conversa’ com maior produtividade e potencial de crescimento. Em razão da redução de margens esperada em muitas atividades, o aumento de informalidade volta a preocupar”, avalia Margato. “Não consigo trazer, por enquanto, uma estimativa. Esperamos mais informações Mas vemos o risco de alguma queda no PIB potencial”, acrescenta o economista da XP.

Um potencial de crescimento menor tende a aumentar pressões inflacionárias em momentos de aquecimento econômico, reduzindo o espaço para o Banco Central cortar juros. Souza Júnior, que também é professor do Ibmec, avalia que uma redução generalizada das horas trabalhadas agravaria o desequilíbrio entre demanda resiliente e oferta restrita, num mercado com desemprego historicamente baixo. “Não se ganha produtividade por restrição determinada por lei”, afirma.

Para Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Ibre que tem feito simulações sobre os impactos econômicos do fim da escala 6×1, o aumento da demanda por mais tempo de lazer é natural à medida que a renda dos brasileiros aumenta.

O grande problema, avalia o economista, é fazer a redução da jornada de trabalho por lei, e num momento em que a economia não apresenta ganhos de produtividade expressivos. “Quando tudo isso é negociado, a coisa funciona melhor. O problema é a legislação obrigar que todos façam, tanto as empresas que conseguem quanto aquelas que não conseguem realizar a mudança.”

Segundo ele, o histórico de produtividade não chega perto do necessário para compensar a redução da jornada. “Vai haver um estímulo à informalidade, vai haver uma perda de produtividade no agregado, e isso tende a gerar uma redução do produto potencial.”

MINERAÇÃO

Investing - SP   25/05/2026

O Bank of America rebaixou na sexta-feira as ações da Rio Tinto e do BHP Group de compra para neutro, citando valuações esticadas, uma virada negativa no impulso de crédito da China e riscos macroeconômicos crescentes ligados ao conflito no Oriente Médio.

"Para ser claro, esta é essencialmente uma decisão de cima para baixo, e não uma análise específica das ações", disseram os analistas liderados por Jason Fairclough sobre os dois papéis.

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A equipe manteve os preços-alvo inalterados A$ 69 por ação para o BHP e 9.300 pence para a Rio Tinto mas afirmou que a relação risco-retorno não justifica mais uma postura otimista. Ambas as ações estão sendo negociadas próximas ao topo da faixa histórica de preço em relação ao valor presente líquido (P/NPV) que mineradoras diversificadas de grande capitalização costumam ocupar ao longo do ciclo.

O ciclo de revisões de lucros para o setor de mineração em geral, iniciado em meados de 2025, também amadureceu, segundo os analistas.

Embora as revisões de lucros ainda sejam positivas, eles afirmaram que os ganhos "fáceis" deste ciclo já foram realizados, observando que ciclos típicos de revisão duram de dois a três anos. "Também consideramos uma pressão crescente sobre os custos a partir daqui", acrescentaram os analistas.

A China é a preocupação mais imediata. O país responde por cerca de 50% da demanda pela maioria dos metais e produtos minerados, e por aproximadamente 70% do mercado global de minério de ferro transportado por via marítima.

Valor - SP   25/05/2026

Presidente afirmou que não aceitará repetir o modelo baseado na extração e exportação de matéria-prima sem agregação de valor no país

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que o Brasil não pretende repetir, na exploração de terras raras, o modelo adotado historicamente com o minério de ferro, baseado na extração e exportação de matéria-prima sem agregação de valor no país. Segundo ele, o governo está aberto a negociar com qualquer parceiro internacional, desde que haja disposição de industrializar no Brasil.

“Não vamos fazer o que fizemos com minério de ferro, de ir cavucando e vendendo”, disse Lula. “Quem estiver disposto a fazer o processo de industrialização aqui no Brasil, estamos dispostos a conversar com todo mundo”, afirmou em entrevista ao programa Sem Censura, da EBC.

O presidente afirmou que há interesse de diferentes países nas reservas brasileiras. “Europa quer, EUA quer, todo mundo quer”, disse. Lula defendeu, porém, que o país tenha cautela para evitar que a exploração dos minerais estratégicos seja conduzida apenas por interesses privados de curto prazo. Segundo ele, é preciso criar um fundo ligado ao tema, porque se trata de uma riqueza nacional. “Isso é propriedade do povo”, afirmou.

Ao ser questionado se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria entendido essa posição, Lula respondeu: “Se não entendeu, vai entender.” Em seguida, disse que tem conversado com frequência com o americano. “Tenho falado muito com ele, até por telefone”, afirmou.

Na entrevista, Lula também tratou da relação política com Trump e disse que o presidente americano o trata “com muito respeito”. Segundo o brasileiro, os dois mantêm uma disputa de narrativa, não uma relação de hostilidade pessoal. “Eu disse pra ele que minha guerra com ele é narrativa”, afirmou.

Lula fez críticas à forma como, em sua avaliação, os Estados Unidos enxergam outros países e regiões. Segundo ele, os americanos têm o hábito de transformar adversários em inimigos e de associar a América Latina ao tráfico de drogas. “A cara da América Latina para eles é droga e tráfico”, disse. Para o presidente, os EUA deveriam se preocupar também com os consumidores de drogas e adotar uma política compartilhada sobre o tema.

O presidente também relatou preocupação em um encontro com Trump na Malásia, quando o americano chamou a imprensa antes da conversa reservada entre os dois. Lula disse ter receado que Trump repetisse com ele o tipo de exposição pública que, segundo afirmou, havia feito com os presidentes da Ucrânia e da África do Sul.

Lula disse ainda ter conversado com o americano sobre a expressão carrancuda do americano. Segundo ele, ao perguntar o motivo da feição fechada, ouviu de Trump que “o eleitor gosta”. Lula afirmou ter respondido que isso poderia funcionar durante a eleição, mas não necessariamente depois dela. “Dê um sorriso”, disse ter afirmado.

Ao falar da posição internacional do país, Lula afirmou que o Brasil atravessa um momento de alta respeitabilidade externa. “Hoje o Brasil vive o melhor momento de respeitabilidade que já teve em qualquer esfera do mundo”, declarou.

Investing - SP   25/05/2026

Os preços do minério de ferro caminhavam nesta sexta-feira para registrar a segunda queda consecutiva em base semanal, em meio a perspectivas de aumento da oferta e enfraquecimento sazonal da demanda, ainda que o consumo resiliente de curto prazo na China tenha reduzido as perdas.

O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian da China encerrou as negociações do dia com queda de 0,13%, a 792 iuanes (US$116,51) a tonelada, registrando uma perda semanal de 2,5%.

Já o minério de ferro de referência de junho na Bolsa de Cingapura subia 0,25%, a US$106,05 a tonelada, mas na semana mostrava uma perda de 2,8%. No início da sessão, o contrato atingiu o nível mais fraco desde 28 de abril, a US$105,45.

O forte salto nos embarques semanais dos principais fornecedores de minério, Austrália e Brasil, sugeriu que mais cargas chegariam aos principais portos chineses nas próximas semanas.

"Há uma ampla expectativa de que a demanda por aço enfraqueça sazonalmente, enquanto a oferta de minério aumentará até o final do segundo trimestre", disse Guiqiu Zhuo, analista da corretora Jinrui Futures.

A coincidência do aumento da oferta e da demanda mais fraca pressionará os preços do minério de ferro, disse Zhuo, embora o sólido consumo atual do principal ingrediente da fabricação de aço esteja limitando as perdas.

A média diária de produção de ferro-gusa, um indicativo da demanda de minério de ferro, aumentou 0,6% em relação à semana anterior, atingindo o maior nível em sete meses, em 2,41 milhões de toneladas, em 21 de maio, segundo dados da consultoria Mysteel.

AUTOMOTIVO

Veja - SP   25/05/2026

As ruas brasileiras ganharam novos protagonistas. Nos últimos anos, carros chineses, que até recentemente eram praticamente desconhecidos do consumidor local, passaram a ocupar vitrines de concessionárias, campanhas publicitárias e o trânsito das grandes cidades. A ofensiva das montadoras da potência asiática embaralhou um mercado que, durante décadas, foi dominado por um grupo restrito de fabricantes tradicionais. A chegada de marcas como BYD, GAC e GWM alterou o padrão de concorrência da indústria automotiva brasileira e acirrou uma disputa sustentada por tecnologia, eletrificação, preços competitivos e grande capacidade de produção. Os números confirmam a velocidade dessa mudança. De janeiro a abril deste ano, 125000 dos 835000 automóveis e comerciais leves emplacados no Brasil estampavam marcas de grupos chineses. As fabricantes da maior potência asiática já respondem por 15% do mercado nacional e por quase metade dos veículos leves importados vendidos no país.

A multiplicação de opções impressiona até executivos veteranos do setor. Só do início de 2025 até agora, marcas como Omoda, Jaecoo, MG Motor, Geely, Leapmotor, Jetour, Denza e Changan Automobile anunciaram a entrada ou início de operações no Brasil. E a onda está longe de terminar. Até o fim do ano, outras fabricantes, como Dongfeng Motor, BAIC Group, Lynk & Co e Lepas, também devem estrear no mercado nacional. Hoje, além de disputar espaço com gigantes tradicionais, as empresas chinesas lideram a corrida tecnológica nos segmentos de carros elétricos e híbridos, combinando veículos mais equipados, preços competitivos e investimentos pesados em marketing e redes de concessionárias. O resultado foi uma ruptura num mercado historicamente dominado por montadoras americanas, europeias, japonesas e coreanas. “É muito difícil uma marca novata alterar a estrutura da indústria automotiva”, afirma Antonio Carlos Diegues, professor de economia da Unicamp e diretor do Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia. “Os chineses entenderam que a eletrificação abria espaço para questionar esse paradigma.”

Nenhuma empresa simboliza melhor a ascensão dos chineses do que a BYD. Apenas quatro anos após vender seu primeiro carro de passeio no Brasil, a companhia alcançou a liderança do mercado automotivo nacional entre pessoas físicas, superando velhas conhecidas como Volkswagen, Fiat e General Motors. O feito ajuda a explicar por que a BYD se tornou o principal símbolo da força chinesa. O divisor de águas veio em 2023, quando a empresa lançou o compacto elétrico Dolphin por menos de 150000 reais, quebrando a percepção de que eletrificados eram artigos restritos à elite. Pouco depois, o Dolphin Mini passou a disputar espaço com modelos populares a combustão. Agora, a companhia tenta avançar também sobre um território historicamente dominado por europeias de luxo, com a chegada da Denza, marca premium criada em parceria com a Mercedes-Benz. “Quando um carro elétrico passa a liderar o varejo brasileiro, isso deixa de ser nicho e passa a representar uma mudança estrutural no comportamento do consumidor”, afirma Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil.

Por trás dessa expansão está uma política industrial meticulosamente orquestrada pelo presidente Xi Jinping na última década. Ao apostar pesado em carros elétricos e híbridos, a China passou a dominar etapas centrais da cadeia automotiva, da produção de baterias e de minerais estratégicos ao desenvolvimento de infraestrutura de recarga, eletrônicos e fabricação de veículos. O país direcionou bilhões de dólares para subsídios, pesquisa e infraestrutura, transformando os eletrificados em prioridade nacional. “A China entendeu antes dos outros que a eletrificação seria a próxima grande transformação da indústria automotiva, e saiu na frente”, afirma Ricardo Bastos, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e diretor de assuntos institucionais da GWM. O resultado é uma indústria que hoje domina a produção, a inovação e a exportação de veículos eletrificados no mundo. Em abril, pela primeira vez, o país exportou mais carros desse tipo do que modelos a combustão: dos 770000 carros enviados ao exterior, 60% eram elétricos ou híbridos. No Brasil, os emplacamentos de elétricos bateram recorde, com quase 40000 unidades de janeiro e abril, segundo a ABVE.

O avanço chinês começa a ser observado também dentro das fábricas. Se a princípio a movimentação estava centrada na chegada de veículos prontos, as montadoras depois passaram a disputar espaço produtivo. A GWM ampliará a operação em Iracemápolis, no interior paulista, enquanto a GAC anunciou investimento de cerca de 7 bilhões de reais para fabricar veículos em Goiás em 2027. Já Leapmotor e Geely optaram por alianças com grupos já instalados no país, como Stellantis e Renault, respectivamente, numa tentativa de acelerar a expansão aproveitando a infraestrutura pronta. A Leapmotor pretende produzir os modelos B10 e C10 em Pernambuco e aposta na adaptação de tecnologias ao mercado brasileiro, incluindo sistemas híbridos flex. O movimento ocorre às vésperas da elevação das tarifas brasileiras para importação de veículos eletrificados, que chegarão a 35% em julho. “O Brasil deixou de ser apenas um mercado consumidor para ocupar um papel estratégico para as montadoras da China”, diz Felipe Daemon, diretor da Leapmotor na América do Sul.
NOVA DIREÇÃO - Baldy, da BYD: a empresa aposta na faixa de luxo (Claudio Gatti/.)

A chegada em massa das montadoras chinesas também impõe um teste de fogo ao Brasil. Ao mesmo tempo que amplia a concorrência, reduz preços e acelera a eletrificação, a nova onda levanta dúvidas sobre quanto dessa transformação ficará de fato no país. O temor é que o Brasil repita um padrão histórico de abertura comercial sem ganhos em inovação, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento da cadeia industrial. Essa é uma preocupação que pesa especialmente sobre fabricantes de autopeças e setores ligados à indústria tradicional, já que veículos elétricos exigem menos componentes e podem reduzir parte da estrutura produtiva hoje instalada no país. Ainda assim, especialistas ponderam que há uma oportunidade difícil de ignorar. “A China nos enxerga como peça crucial de sua estratégia de internacionalização automotiva”, afirma Tulio Cariello, diretor do Conselho Empresarial Brasil-China. A avaliação ganha peso num momento em que Estados Unidos e Europa erguem barreiras comerciais contra Pequim, enquanto o mercado brasileiro segue entre os poucos grandes territórios plenamente abertos ao setor. Nesse tabuleiro geopolítico cada vez mais disputado, o Brasil reúne condições que poucos países têm — e que podem transformá-lo, pela primeira vez em muito tempo, em protagonista de uma revolução industrial, e não apenas espectador dela.

CNN Brasil - SP   25/05/2026

Os emplacamentos de veículos 100% elétricos registraram um crescimento explosivo de 175% no primeiro quadrimestre do ano. Em comparação com o mesmo período de 2025, o salto foi de 17.541 para 48.299 unidades, de acordo com os relatórios da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

Este avanço reflete uma nova realidade competitiva: os elétricos chineses deixaram de ser uma novidade entrante e agora se estabelecem como reais competidores no mercado, travando uma disputa de igual para igual, e frequentemente superando, as fabricantes ocidentais e tradicionais no país.
Os números

A trajetória dos licenciamentos ao longo do período revela um ritmo de aceleração constante e robusto, sem sinais de desaceleração. O ano começou forte em janeiro, registrando mais de 8.100 emplacamentos totais (salto de 125% em relação ao ano anterior), a BYD sendo responsável por 5.113 deles.

Em fevereiro, o mercado manteve o fôlego ao emplacar mais 8.654 unidades. O mês marcou o maior índice de concentração da líder BYD, que colocou 6.759 carros nas ruas sozinha, mais de 78% do total dos elétricos vendidos no Brasil. Enquanto isso, a também chinesa Geely e a norte-americana GM travavam um empate técnico na segunda posição, com pouco mais de 400 unidades cada.

A verdadeira explosão de demanda concentrou-se na segunda metade do quadrimestre, quando o mercado brasileiro rompeu marcas históricas. Em março, as vendas superaram a barreira das dezenas de milhares, atingindo aproximadamente 14 mil emplacamentos, um aumento de 193% sobre o mesmo período do ano anterior.

Em abril, o número de licenciamentos mais que dobrou em comparação com janeiro, registrando 17.468 elétricos emplacados (aumento de 273% ante abril de 2025). Nesse encerramento de período, a BYD isolou-se ao superar a marca de 10 mil emplacamentos mensais, enquanto a Geely atingiu seu melhor resultado com 3.761 unidades, consolidando o volume recorde do setor.
A quebra de paradigma

O avanço rápido das montadoras chinesas transformou a dinâmica das concessionárias brasileiras. As montadoras tradicionais, algumas ativas no país há mais de um século, viram suas estratégias de eletrificação serem desafiadas pela agressividade comercial, pelo volume de entrega e pelo pacote tecnológico oferecido pelas rivais da China.

O consumidor brasileiro, historicamente conservador na troca de marcas, está superando a barreira da desconfiança. Hoje, a briga por market share no segmento de elétricos ocorre em termos de igualdade técnica e de reputação, forçando a indústria tradicional a acelerar investimentos locais e revisar tabelas de preços para não perder competitividade no ambiente urbano.
Hegemonia BYD

É inegável que no epicentro dessa transformação está a BYD. A fabricante não apenas lidera o segmento, mas estabeleceu uma dominância esmagadora sobre todas as suas concorrentes no primeiro quadrimestre de 2026. Do total de 48.299 veículos elétricos emplacados no país de janeiro a abril, a BYD respondeu por 32.198 unidades, o que representa cerca de dois terços de todo o mercado de elétricos no Brasil.

Essa força de branding e capilaridade de vendas ficou evidente em fevereiro, quando a marca atingiu seu pico de participação mensal, abocanhando mais de 78% de todos os emplacamentos do período. A BYD continua se descolando dos concorrentes e ditando o ritmo e o volume de todo o setor nacional.
Um novo desenho do mercado nacional

A eletrificação no Brasil atingiu um ponto de maturação relevante. Enquanto a BYD se isola nas vendas, marcas como Geely expandem seu portfólio consistentemente e gigantes tradicionais como a GM estruturam contraofensivas sólidas com novos lotes e modelos. Para o restante de 2026, a tendência apontada pelos relatórios da Fenabrave é de acirramento na disputa tecnológica, com o mercado nacional consolidado como o principal polo de disputa automotiva da América Latina.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Diário do Comércio - MG   25/05/2026

A participação do crédito imobiliário no Produto Interno Bruto (PIB) atingiu mais de 10% no último ano, segundo dados do Banco Central apresentados pela Caixa Econômica Federal durante o Encontro Internacional da Indústria da Construção (ENIC) 2026. O resultado representa um marco para o país e reforça o papel da política habitacional para o desenvolvimento econômico nacional.

O avanço está diretamente relacionado à retomada dos investimentos em habitação e ao fortalecimento do Minha Casa, Minha Vida. Desde 2023, o programa já alcançou a marca de 2,3 milhões de moradias contratadas, com meta de chegar a 3 milhões de contratações até o fim de 2026.

Antes da implementação MCMV, o crédito imobiliário representava somente 2% do PIB no Brasil. Em 2009, ano de lançamento do programa, o índice subiu para 7,5%. Após a retomada da política habitacional pelo Governo Federal, em 2023, o percentual voltou a crescer, chegando a mais de 10% em 2025, conforme os dados apresentados no encontro.

Os números reforçam que o investimento público em habitação tem impacto direto na economia, ao ampliar o acesso à casa própria, estimular a cadeia produtiva da construção civil, gerar emprego, renda, e contribuir para a redução do déficit habitacional.

Ainda no ENIC, o ministro Vladimir Lima destacou que o MCMV representou mais de metade dos lançamentos de imóveis habitacionais no país em 2025. Para 2026, o orçamento foi reforçado recentemente com R$ 20 bilhões do Fundo Social e atingiu recorde histórico de R$ 200 bilhões. “Isso nos dá a confiança de que vamos bater a meta e chegar a 3 milhões de residências contratadas desde 2023, o que será um recorde”, disse o ministro.
Diálogo com o setor busca garantir continuidade dos investimentos

Diante do avanço do crédito imobiliário e da ampliação dos investimentos em habitação, representantes da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) entregaram ao Governo Federal um documento com propostas relacionadas ao fortalecimento da política habitacional e à sustentabilidade das fontes de financiamento do setor que, segundo o presidente Lula, deverá ser analisado até o final de junho.

A entrega do documento reforça a importância do diálogo permanente entre governo, trabalhadores e cadeia produtiva para manter o ritmo de crescimento da construção civil, ampliar o acesso à moradia e garantir que os investimentos em habitação continuem contribuindo para a geração de emprego, renda e desenvolvimento urbano.

Infomoney - SP   25/05/2026

O mercado de lajes corporativas em São Paulo continua convivendo com um bom volume de novas entregas, mas a percepção entre consultorias e agentes do setor é de que a demanda segue forte o suficiente para absorver boa parte desses espaços. A avaliação foi feita por Sergio Hilário, diretor de growth da Colliers, durante participação no Liga de FIIs.

Ao comentar o pipeline previsto para 2026, Hilário explicou que os cerca de 300 mil metros quadrados projetados estão concentrados principalmente em regiões mais consolidadas da cidade, como Rebouças, Chucri Zaidan e Chácara Santo Antônio.

Segundo ele, o fato de as entregas estarem concentradas em regiões de maior demanda reduz o risco de deterioração mais forte da vacância. “A gente não tem nenhuma entrega em região muito afastada, que não faria muito sentido para o investidor”, afirmou.
Outro ponto que chamou atenção na conversa foi o avanço das pré-locações em lajes corporativas, movimento historicamente mais comum no segmento logístico. Segundo Hilário, parte dos ativos previstos para entrega já possui negociações avançadas antes mesmo da conclusão das obras.

“Hoje você tem empresas que precisam de áreas maiores e não encontram espaços disponíveis no mercado atual. Isso força elas a olhar o mercado futuro e começar a analisar pré-locações”, explicou.

Empresas mudam critérios e retrofit ganha espaço no mercado

Além da localização e do preço, as empresas passaram a considerar novos fatores na hora de escolher um escritório. De acordo com Hilário, infraestrutura urbana, acesso ao transporte público e capacidade de atrair talentos ganharam peso na decisão corporativa.

“Hoje em São Paulo não tem empresa que não olha também como é a infraestrutura de transporte público”, diz. Segundo ele, regiões como Pinheiros e Rebouças ganharam força justamente pela concentração de serviços e maior atratividade para profissionais mais jovens.
Fonte: Colliers

O executivo também destacou que o padrão do prédio deixou de ser o único diferencial competitivo. “A empresa começa a olhar o que esse prédio oferece além do pé-direito, da eficiência de laje e do ar-condicionado. O que eu tenho aqui no térreo? Existe área de descompressão? Tem algum diferencial de transporte?”, pondera.

Outro tema levantado foi o avanço dos projetos de retrofit e reposicionamento de ativos corporativos. Para Hilário, o movimento já aparece com força em mercados como o Rio de Janeiro, onde parte dos prédios corporativos passou a migrar para uso residencial.

“A gente já vê vários ativos que antes eram corporativos mudando a conotação para residencial. O estoque do Rio diminui não porque derrubaram prédios, mas porque eles mudaram de classificação”, conclui.

Confira o episódio completo na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa, que conta com apresentações de Marcos Baroni e Marx Gonçalves, vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas.

Diário do Comércio - MG   25/05/2026

A disparada na liberação do crédito consignado, somada ao endividamento já bastante alto das famílias brasileiras, acendeu o sinal de alerta das construtoras. Há uma preocupação de que uma possível piora na capacidade de pagamento da população atrapalhe não somente as vendas de imóveis, como também os financiamentos concedidos aos consumidores.

Esse fator de risco é mais alto para as construtoras que atuam no segmento de moradias populares, dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV). Nesses casos, é muito comum o cliente não ter uma poupança capaz de arcar com 20% a 30% do valor do imóvel que é pago na entrada da compra.

Esse valor acaba parcelado pelas construtoras – uma espécie de financiamento, que é chamado de pro soluto, no jargão do setor. Embora facilite os negócios, o problema do pro soluto é que ele não tem garantia em caso de inadimplência dos consumidores, pois o imóvel já é usado como garantia para o banco que financia os 70% a 80% restantes.

Com o endividamento crescente da população, turbinado pelo novo consignado, o risco de inadimplência está mais alto. “O valor líquido do salário recebido pelos empregados vem sendo reduzido pelo consignado privado. O risco da carteira de pro soluto está se ampliando”, afirma o consultor de negócios imobiliários José Urbano Duarte, ex-diretor de habitação da Caixa Econômica Federal.

A concessão de consignado no Brasil girava em de R$ 1,6 bilhão por mês, na média, até março de 2025. Aí o governo federal lançou o “Crédito do Trabalhador“, modalidade de consignado que tem o FGTS como garantia, abrindo espaço para taxa de juros menores. Depois disso, o volume de empréstimos saltou para mais de R$ 6 bilhões por mês, atingindo um pico de R$ 10,9 bilhões em março de 2026, conforme levantamento feito por Urbano.

A consequência do crescimento a passos largos do crédito consignado é a “perda de renda” da população nos meses seguintes, uma vez que a parcela dos financiamentos é debitada do contracheque dos trabalhadores para pagar os bancos em primeiro lugar. O resultado é um aumento no risco de inadimplência em outros compromissos já assumidos por essas pessoas, abrangendo desde o pro soluto, até o aluguel, a fatura do cartão de crédito, entre outras.

“A consequência dessa dinâmica é o menor risco do consignado para os bancos e aumento da oferta dessas linhas, porém com uma captura crescente da renda, e ampliação do risco, aumentando a inadimplência nas demais linhas de crédito”, observou Urbano.

O diretor financeiro da MRV, Ricardo Paixão, concorda que o cenário merece das construtoras atenção, bem como de outros setores produtivos. “Isso atrapalha tudo, não só a carteira pro soluto. Afeta desde o aluguel até os gastos nos supermercados”, ressaltou. “O banco é como um credor sênior do consumidor. A vantagem é ser uma dívida mais barata, mas o problema é a população ficar cada vez mais endividada. Pode ser um fator de pressão”. O diretor financeiro acrescentou que a MRV não teve piora na inadimplência dos seus clientes até aqui, mas afirmou que esse é um ponto de atenção para o ano.

A Cury também está de olho nesse quadro. “A inadimplência requer um monitoramento de perto. Impactou nossa carteira? Ainda não. Ela ainda está sob controle, mas estamos realmente muito atentos, devido a famílias estarem mais endividadas”, disse João Carlos Mazzuco, diretor financeiro da Cury. Por sua vez, o copresidente da construtora, Leonardo Mesquita, disse que o endividamento crescente já atrapalha as vendas. “Há muitas pessoas que deixam de comprar um imóvel pelo nome negativado. Nos estandes, dizemos muito mais ‘não’ do que ‘sim’. O endividamento nos atrapalha”, comentou.

FERROVIÁRIO

CNN Brasil - SP   25/05/2026

O grupo Comporte, da família Constantino (controladora da Gol Linhas Aéreas), tem interesse em novos projetos de trens de média velocidade para passageiros no estado de São Paulo.

A empresa, junto com a chinesa CRRC, detém a concessão do Trem Intercidades que será implantado entre a capital paulista e Campinas. Outros empreendimentos estão no radar.

Por enquanto, o maior foco está no projeto São Paulo-São José dos Campos, em estudo pelo governo estadual e ainda sem data para leilão.

"Interessa bastante porque a passagem [dos trens] é perto das linhas 11, 12 e 13", disse à CNN o diretor-presidente da TIC Trens, Pedro Moro, responsável pela implantação do trem São Paulo-Campinas.

No ano passado, o grupo Comporte venceu o leilão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). A operação será assumida no dia 21 de julho.

Já o TIC Sorocaba, previsto para leilão em 2027, é visto pelo grupo como um projeto de implantação mais complexa. Moro não descarta participação, mas reconhece que inspira mais "cuidado".

As explicações foram dadas por Moro durante o programa semanal Conexão Infra.

"O TIC Sorocaba é um projeto extremamente interessante, com demanda que é significativa, mas com uma dificuldade de implantação. Há um trecho que pode fazer todas as obras praticamente greenfield, de Barueri a Sorocaba, que representa quase dois terços do traçado e não tem nenhuma grande interferência", explica o executivo.

"Mas, de Barueri até quase a chegada na estação Água Branca, tem que se trabalhar dentro da faixa de domínio da concessionária da linha 8. Isso cria uma dificuldade muito grande."

"Para termos um negócio viável, a análise tem que passar por muitos outros aspectos além da simples implantação. A obra é dentro da faixa de domínio, com milhares de passageiros por dia. É uma implantação muito mais complexa e, por isso, o grupo olha com um pouco mais de cuidado."

A obra do Trem Intercidades foi iniciada na segunda quinzena. O serviço expresso entre São Paulo e Campinas, com velocidade de até 140 km/h e 64 minutos de duração, será aberto ao público em 2031.

Antes disso, em 2029, deve entrar em funcionamento o serviço metropolitano entre Jundiaí e Campinas -- com três paradas intermediárias. Além deles, a TIC Trens já opera a Linha 7-Rubi da CPTM.

Jornal de Brasília - DF   25/05/2026

O MT (Ministério dos Transportes) chegou a uma proposta final para a renovação antecipada da concessão da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), maior malha ferroviária do país, com 7.220 quilômetros.

A pasta apontou ajustes finais no acordo e encaminhou à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), que deve enviar a minuta da prorrogação ao TCU (Tribunal de Contas da União) na próxima semana. A nova concessão precisa do aval da corte. Há pressa, porque o contrato atual, de 30 anos, vence em 27 de agosto. Se o novo acordo não for chancelado até lá, o ministério terá de recorrer a um novo aditivo para concluir a transação.

Como informou a Folha de S.Paulo, há possibilidade de ampliar o prazo do contrato atual em mais dois anos, embora o ministro dos Transportes, George Santoro, acredite que a aprovação antes de agosto é viável. “Estamos trabalhando com essa data, acredito que não teremos necessidade de ampliar o prazo”, disse.

A proposta do governo foi costurada com a concessionária VLI, formada pela Vale, Brookfield, Mitsui e BNDESPar, além de fundos de investimentos.

Hoje, a FCA tem 7.220 quilômetros de linhas espalhadas por Minas Gerais, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Sergipe, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. Com a renovação, a malha que permanecerá com a VLI cairá para 4.110 quilômetros.

O acordo prevê um investimento total de R$ 27,6 bilhões na ferrovia, sendo R$ 23,4 bilhões obtidos pela própria operação da malha e distribuídos ao longo dos próximos 30 anos de concessão.

Os demais R$ 4,2 bilhões estão relacionados a indenizações pela devolução de 3.110 km de trechos classificados como inativos, deficitários ou sem viabilidade econômica. Parte deles será oferecida ao setor privado, em regime simplificado de autorização.

O plano é que todo valor, inclusive de indenizações, seja direcionado ao aprimoramento e reconstrução da própria FCA, por se tratar de um bem público que pertence à União.

Essa devolução envolve linhas históricas. Entre os trechos que sairão da concessão estão Divinópolis – Engenheiro Bhering (MG), Alagoinhas (BA) -Propriá (SE), Recreio (MG) – Campos (RJ), Itaboraí (RJ) – Vitória (ES), Pirapora -Buritizeiro (MG), Roncador (GO) – Brasília (DF), Engenheiro Bhering – Varginha (MG), Barra Mansa (RJ) – Garças (MG) e Barra Mansa – Angra dos Reis (RJ), além de diversos ramais industriais.

Alguns desses corredores já têm projetos em andamento, como o trecho no Espírito Santo e o trem de passageiros previsto para interligar Brasília e Luziânia (DF).

Os ajustes feitos pelo ministério incluem a manutenção de alguns corredores deficitários dentro da FCA, como é o caso do trecho Corinto – Aratu, entre Minas Gerais e Bahia. A concessionária terá de fazer a substituição integral de trilhos, troca de dormentes e renovação operacional do trecho.

A Bahia virou um dos pontos centrais da negociação, sob a justificativa de se fazer a “recomposição da diretriz de política pública” e o “equilíbrio federativo”. Investimentos originalmente previstos para trechos marcados por problemas de passagem em áreas urbanas no Distrito Federal, por exemplo, foram transferidos para obras ferroviárias na Bahia.

O ministério também mandou reservar cerca de R$ 500 milhões em recursos vinculados a projetos ferroviários considerados prioritários no corredor Minas-Bahia. Entre estes estão o contorno ferroviário de São Félix, o traçado ferroviário de Licínio de Almeida e obras de adequação entre Tocandira, em Minas Gerais, e Brumado, na Bahia.

De maneira geral, houve mudança no perfil dos investimentos. Em vez de priorizar locomotivas e vagões, como feito no contrato original, a nova modelagem concentra recursos na recuperação estrutural dos trilhos e da infraestrutura fixa.

Os investimentos na via permanente dos trilhos somarão cerca de R$ 8,2 bilhões. Já os gastos previstos com os trens em si despencaram de cerca de R$ 12 bilhões em versões anteriores da proposta para R$ 3,1 bilhões.

A modelagem também prevê R$ 452,8 milhões para obras de redução de conflitos urbanos em 46 municípios, incluindo passarelas, viadutos e intervenções para reduzir acidentes ferroviários.

O acordo também obriga a FCA a aceitar novas regras de interoperabilidade ferroviária, especialmente no acesso ao porto de Santos. A concessionária terá de renegociar acordos de entrada de terceiros na malha e poderá sofrer arbitragem direta da ANTT caso não haja consenso.

A renovação também passa a prever espaço para trens de passageiros em determinados trechos da malha. O contrato exige que a FCA ofereça até dois pares diários de trens de passageiros em corredores com densidade mínima de carga.

A Tribuna - SP   25/05/2026

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a afirmar que o Trem Intercidades (TIC) Eixo Sul, projetado para ligar a cidade de São Paulo a Santos e ao resto da Baixada Santista, no litoral paulista, deverá passar pelo ABC e utilizar a descida da Serra do Mar por Paranapiacaba.

A declaração foi dada em entrevista ao Diário do Grande ABC, na qual o governador defendeu a reativação do sistema funicular como a solução mais viável para vencer o trecho de serra.

“Avaliamos o tempo de percurso e o custo do empreendimento. E a conclusão que estamos chegando agora é que a reativação do funicular vai ser a alternativa mais viável, o que de certa forma vai beneficiar o Grande ABC”, afirmou.

O sistema funicular foi utilizado até a década de 1970 para o transporte ferroviário entre o planalto e a Baixada Santista por meio de um mecanismo de contrapesos instalado na Serra do Mar.

O TIC Eixo Sul integra o programa estadual SP nos Trilhos, que reúne mais de 40 projetos ferroviários em todo o Estado de São Paulo, com investimentos estimados em R$ 190 bilhões. Para a ligação entre Santos e São Paulo, o investimento previsto chega a R$ 15 bilhões.

Segundo o Governo do Estado, a viagem entre a Capital e a Baixada Santista poderá ser realizada em até 1h30. A expectativa é beneficiar até 1,8 milhão de pessoas e gerar cerca de 13 mil empregos diretos e indiretos.

Estudo prevê trajeto pelo ABC

Documentos divulgados durante a consulta pública da concessão da Linha 10-Turquesa e da futura Linha 14-Ônix, na Região Metropolitana de São Paulo, detalham um possível trajeto do TIC Eixo Sul utilizando a infraestrutura ferroviária do ABC Paulista.

A proposta preliminar prevê que o trem tenha partida na Estação Palmeiras-Barra Funda, em São Paulo, aproveitando a integração com outros modais e a maior capacidade operacional da estação.

O estudo recomenda ainda a implantação de ao menos uma parada intermediária no ABC, apontando Santo André como principal opção. São Caetano do Sul também aparece como possibilidade para receber áreas de ultrapassagem e embarque.

Entre a Barra Funda e o Brás, o trem utilizaria a via 3 da Linha 11-Coral e a via 2 da Linha 10-Turquesa. Para permitir a convivência com os trens metropolitanos e de carga, o projeto prevê instalação de Aparelhos de Mudança de Via (AMVs).

Já no trecho entre Mauá e Ribeirão Pires, seriam necessárias obras estruturais, incluindo contenção de encostas, remodelação de estações e reorganização da malha ferroviária existente.

Três rotas em análise

Os estudos conduzidos pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) avaliam atualmente três possíveis trajetos para o TIC Eixo Sul.

Uma das alternativas prevê o uso da faixa ferroviária da Serra do Mar, operada pela MRS Logística, considerada a menor distância entre São Paulo e Santos.

Outra opção estudada é o trajeto por Mongaguá, contornando a serra por áreas de menor declividade e ampliando o potencial econômico da Baixada Santista.

Também há um traçado utilizando a faixa de domínio da Rodovia dos Imigrantes, conectado à Ferrovia Santos-Cajati.

O projeto ainda está em fase de estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental. A previsão do Governo do Estado é realizar audiências públicas em 2026 e promover o leilão da concessão em 2027.

Integração com VLT e trem até Cajati

Além da ligação com São Paulo, o Governo do Estado também prevê integração ferroviária entre Santos e o Vale do Ribeira.

Segundo a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), o futuro Trem Intercidades Santos-Cajati será conectado ao TIC Santos-São Paulo e ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da Baixada Santista, criando um corredor ferroviário contínuo entre o litoral, a Capital e o interior paulista.

O projeto entre Santos e Cajati terá aproximadamente 223 quilômetros de extensão e previsão de 13 estações, passando por cidades como São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe, Registro e Cajati.

A estimativa do Governo do Estado é que o serviço expresso entre Santos e Cajati tenha duração aproximada de 2h20. O investimento previsto para o projeto pode chegar a R$ 21 bilhões.

Atualmente, o VLT da Baixada Santista já opera integrado ao sistema municipal de ônibus em Santos e São Vicente, por meio do cartão da BR Mobilidade, contemplando dezenas de linhas municipais e serviços de autolotação.

NAVAL

O Estado de S.Paulo - SP   25/05/2026

Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo preliminar para encerrar a guerra no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, segundo uma autoridade americana ouvida por jornalistas neste domingo, 24.

De acordo com a fonte, o entendimento prevê também o compromisso do Irã de descartar seu estoque de urânio altamente enriquecido. O acordo, no entanto, ainda não foi formalizado e segue sujeito à aprovação final do presidente dos EUA, Donald Trump, e do líder supremo iraniano, o que pode levar alguns dias.

Até o momento, autoridades iranianas e a mídia estatal não comentaram publicamente os termos do possível acordo. Nas últimas 24 horas, representantes dos dois países apresentaram versões divergentes sobre o conteúdo das negociações.

Discussão sobre urânio do Irã continua

Segundo a autoridade americana, o mecanismo para o descarte do urânio ainda está em discussão. Trump tem defendido que os Estados Unidos assumam o controle desse material como parte de sua estratégia para limitar o programa nuclear iraniano.

Em publicação nas redes sociais neste domingo, o presidente americano afirmou que orientou seus negociadores a não se apressarem para fechar um acordo, após ter dito no dia anterior que um entendimento preliminar já estava “amplamente negociado”.

EUA poderão suspender bloqueio a portos iranianos

Caso o acordo seja certificado, os Estados Unidos poderão suspender o bloqueio a portos iranianos, medida usada para pressionar Teerã a reabrir o Estreito de Ormuz.

Autoridades iranianas disseram no sábado, 23, que um eventual acordo trataria inicialmente de um memorando, com as questões nucleares sendo negociadas em um prazo de 30 a 60 dias.

Tanto representantes americanos quanto iranianos indicam que um eventual entendimento inicial serviria como base para negociações posteriores, e não como um acordo definitivo.

De acordo com a autoridade americana, o possível acordo não aborda o programa de mísseis do Irã nem prevê, neste momento, uma moratória sobre o enriquecimento de urânio. Esses temas devem ser tratados em fases futuras das negociações.

Para Trump, um acordo com o Irã pode representar uma saída para o conflito iniciado no fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o país. A guerra já deixou milhares de mortos, abalou os mercados globais de energia e enfrenta resistência dentro dos próprios Estados Unidos.

Diário do Comércio - MG   25/05/2026

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, disse neste sábado (23), que mais 15 leilões de infraestrutura portuária estão previstos para até o fim deste ano, na sequência das concessões, em fevereiro, de três terminais localizados em Santana (AP), Natal (RN) e Porto Alegre (RS).

O cronograma para os próximos meses inclui áreas estratégicas em portos como os do Rio de Janeiro, São Sebastião (SP), Itajaí (SC) e Santos (SP). O leilão mais aguardado é o do superterminal Tecon Santos 10, no Porto de Santos, com previsão de investimentos de R$ 6,4 bilhões para expandir a capacidade em 50%.

Durante participação em fórum da Esfera no Guarujá, litoral de São Paulo, Tomé Franca disse que há otimismo quanto ao sucesso dos leilões, já que, ressaltou, o governo tem apresentado projetos – não apenas em portos, mas também em aeroportos, rodovias e ferrovias – que têm lotado a B3, onde as licitações são realizadas.

Segundo o ministro, o País tem oferecido, além de bons projetos, estabilidade jurídica e institucional para atrair cada vez mais investidores. “O investidor não tem medo de risco, mas tem medo de insegurança jurídica. Ele quer entrar, mas sabendo qual é a regra do jogo. Ele quer jogar com a mesma regra até o fim do jogo”, assinalou o ministro.

PETROLÍFERO

Monitor Digital - RJ   25/05/2026

O aumento de reservas de petróleo no Brasil expõe fragilidade na manutenção da segurança e soberania energética nacional, alerta o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). Em uma década, as reservas provadas de petróleo e gás natural registraram taxa média de crescimento de aproximadamente 3% ao ano. “Em sentido oposto, as reservas provadas da Petrobras recuaram em média de 0,6% ao ano”, compara o Ineep.

Os dados são citados no 10º Boletim de Produção e Exploração de Petróleo e Gás, publicação trimestral do Ineep, que analisa também nesta edição a produção de petróleo e gás no Brasil no primeiro trimestre de 2026, com base nos dados publicados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Em 2015, as reservas do país somavam cerca de 15,7 bilhões de barris de óleo equivalente (boe). Em 2025, o volume alcançado foi de 21,1 bilhões de boe. Em sentido distinto, as reservas provadas da Petrobras recuaram de 13,3 bilhões para 12,5 bilhões de boe no mesmo período. Em 2015, a companhia concentrava cerca de 84,4% das reservas brasileiras de petróleo e gás natural. Em 2025, essa participação caiu para 59,3%.

Segundo o Ineep, em decorrência das mudanças no regime de partilha, em 2016, e da redução da participação da Petrobras nos processos licitatórios, houve avanço do controle de multinacionais e empresas privadas sobre recursos estratégicos do país, “aprofundando o processo de desnacionalização e privatização das reservas petrolíferas brasileiras”.

Além disso, a companhia fez redução dos investimentos exploratórios e em recuperação de reservatórios, alienação de ativos em produção e em fase exploratória e ampliou a atuação em consórcios. Isso permitiu que grandes petroleiras internacionais passassem a deter parcelas relevantes dos principais reservatórios do país.
Resultados da produção de óleo e gás no trimestre

A produção média de petróleo e gás natural no primeiro trimestre de 2026 (1T26) foi de 5,33 milhões de barris de óleo equivalente por dia (MMboe/d), configurando o maior volume já registrado para o período. A produção do pré-sal no período foi de 4,28 MMboe/d, valor que representa 80,2% da produção nacional. A produção do pós-sal e terrestre foi de, respectivamente, 818,3 (15,3%) e 237 (4,4%) mil boe/d. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025 (1T25), a produção nacional apresentou crescimento de 17,6%. Destaque para o aumento da produção no pré-sal que foi de 19,7%. O pós-sal e o onshore apresentaram, no mesmo período, um aumento de 10,1% e 7,7% respectivamente.
FUP: país amorteceu crise internacional de combustíveis graças à Petrobras estatal | Monitor Mercantil
A produção média de petróleo no 1T26 foi de 4,09 milhões boe/d. Este volume representa um aumento de 16,1% em comparação com o 1T25 e 3,7% maior que o verificado no 4T25. No mesmo período, a produção média de gás natural atingiu 1,25 milhão boe/d, volume 22,7% maior que o registrado no 1T25 e 4,1% maior que o observado no 4T25.
Petrobras respondeu por 89% da produção de óleo e gás

No primeiro trimestre de 2026, a Petrobras foi a principal responsável pela produção nacional tanto na posição de operadora como de concessionária. Como operadora, a companhia produziu 4,75 milhões boe/d, o que representa cerca de 89% da produção total do 1T26. As demais petroleiras, nacionais e multinacionais, operaram a produção de aproximadamente 0,59 milhões boe/d, o que correspondeu a 11%. Enquanto concessionária, a Petrobras respondeu por 62,7% do total da produção com uma marca de 3,34 milhões boe/d, as demais petroleiras atingiram 1,99 milhões boe/d, o que corresponde a 37,3% da produção nacional do 1T26.

O Brasil exportou, em média, 2,31 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) no primeiro trimestre de 2026 (1T26). Esse volume foi 51,6 % maior do que o verificado no primeiro trimestre de 2025, quando foram exportados 1,52 milhões de bpd e 11,9% maior que o volume exportado no 4T25. Considerando que a produção média de petróleo do 1T26 totalizou 4,09 milhões de bpd e que, desse volume, 2,31 milhões de bpd foi exportado, observa-se que aproximadamente 56,5% do petróleo produzido no Brasil no período foi destinado à exportação. Por outro lado, a importação de petróleo foi de 0,24 milhões de bpd no 1T26, mantendo-se estável em relação ao mesmo período do ano anterior.

No 1T26, a China manteve-se como o principal destino das exportações brasileiras de petróleo, absorvendo, em média, 57% do volume total exportado. Em seguida aparece a Índia, com 8,4%, e a Espanha, na terceira posição, com 6,3% das exportações no período.

O Estado de S.Paulo - SP   25/05/2026

Os preços do petróleo recuaram na noite deste domingo, 24, com a abertura do mercado asiático em meio à esperança de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã para pôr fim de forma duradoura à guerra no Oriente Médio, mas o entusiasmo permanece moderado nos mercados após Donald Trump pedir cautela e dizer que os termos ainda não estão “totalmente negociados”.

Por volta das 21h25 (horário de Brasília) deste domingo, 24, o preço do barril de Brent do Mar do Norte caiu 4,77%, para US$ 98,60, enquanto o WTI norte-americano caiu 4,72%, para US$ 92,04.

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei subiu 2,32% para 64.810,50 pontos às 00h30 GMT. Sydney avançou 0,1%, enquanto Hong Kong e Seul permaneceram fechadas na segunda-feira, 25, (horário local), assim como Wall Street.

Apesar das informações sobre uma convergência de pontos de vista entre Washington e Teerã, “persistem divergências em questões chave e nenhuma das partes parece ter pressa em alcançar um acordo definitivo, o qual ainda poderá requerer vários dias”, apontam os analistas da Monex.

Trump moderou as expectativas de um acordo para pôr fim à guerra, ao assegurar nas redes sociais neste domingo, 24, que havia dado “instruções” aos seus representantes “para que não se precipitem [...] porque o tempo” estaria do seu lado.

O conflito estourou depois que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã em 28 de fevereiro, e o país islâmica respondeu com ataques de mísseis e drones em toda a região.

Estados Unidos e Irã têm mantido um cessar-fogo desde 8 de abril, enquanto os mediadores pressionam para alcançar um acordo negociado, embora Teerã tenha imposto controles à navegação no Golfo e Washington tenha bloqueado os portos do Irã.

Valor - SP   25/05/2026

A oferta permanente é uma modalidade mais ágil em relação ao modelo tradicional de leilões

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) abriu nesta sexta-feira (22) novos ciclos das ofertas permanentes de concessão e partilha, modalidades de licitação de áreas de petróleo e gás mais simplificadas do que os leilões tradicionais. A agência publicou na edição de hoje do Diário Oficial da União (DOU) os cronogramas do 6º ciclo da oferta permanente de concessão e do 4º ciclo da oferta permanente de partilha.

É com a publicação no Diário Oficial que cada ciclo tem início. As sessões públicas de apresentação de ofertas para a concessão e para a partilha (na prática, o leilão) serão realizadas no dia 7 de outubro.

Serão ofertadas 500 áreas no 6º ciclo da oferta permanente de concessão, sendo cinco com acumulações marginais e 495 blocos exploratórios. Para essa rodada estão inscritas 36 empresas, de acordo com a ANP, mas as companhias ainda não inscritas poderão pedir à agência para participar do certame até o dia 5 de junho.

Os 495 blocos, terrestres (onshore) ou marinhos (offshore) estão localizados nas bacias de Campos, Santos, Ceará, Espírito Santo, Parecis, Parnaíba, Potiguar, Recôncavo, São Francisco, Tacutu e Tucano. O goveno estima arrecadar, no mínimo, R$ 2 bilhões em bônus de assinatura.

Para o 4º ciclo da oferta permanente de partilha, 15 empresas estão aptas a declarar interesse sobre os 23 blocos do pré-sal que serão ofertados. Porém, a ANP receberá novas declarações de interesse para o 4º ciclo da oferta permanente de partilha até o dia 21 de julho.

Na Bacia de Campos, serão colocados em oferta os blocos de Azurita, Calcita, Hematita, Larimar, magnetita, Ônix, Siderita e Turmalina.

Na Bacia de Santos, os blocos colocados para negociação pela ANP são: Ágata, Amazonita, Aragonita, Calcedônia, Cerussita, Cruzeiro do Sul, Granada, Jade, Malaquita, Opala, Quartzo, Rodocrosita, Rubi, Safira Leste e Safira Oeste.

O número final de blocos negociados, tanto na oferta permanente de concessão, quanto na de partilha, será divulgado pela ANP no dia 6 de agosto. Esse total vai considerar os blocos que tiveram manifestação de interesse.

Oferta permanente

A oferta permanente é uma modalidade mais ágil em relação ao modelo tradicional de leilões. Na oferta permanente, as empresas não precisam esperar um novo edital. Quando as petroleiras conseguem se habilitar para a oferta permanente, elas sempre estão aptas para arrematar blocos de petróleo.

No modelo tradicional, as empresas são habilitadas para cada leilão e os blocos incluídos em editais unicamente produzidos para cada certame. Já na oferta permanente, o edital é único e só é alterado para inclusão de novas áreas e exclusão de blocos que foram arrematados por empresas ou que venham a ser excluídos por outros motivos.

Os leilões públicos, nos quais as empresas apresentam ofertas pelas áreas pretendidas, continuam ocorrendo como habitualmente – são as sessões públicas de cada ciclo da oferta permanente. Entre a declaração de interesse e os leilões, decorre um prazo de 120 dias.

Os vencedores das sessões públicas passam a cumprir prazos de entrega de documentos exigidos no edital e a assinatura dos contratos, que podem ser de concessão ou de partilha, entre outras etapas previstas no cronograma da oferta permanente.

A diferença na oferta permanente é que, se for de concessão, as áreas arrematadas são concedidas às empresas. O critério para vencer o leilão de uma área de petróleo sob o regime de concessão é o valor ofertado do bônus de assinatura e o Programa Exploratório Mínimo (PEM).

Na oferta permanente de concessão, vence quem tiver a maior nota, calculada mediante atribuição de pontos e pesos aos critérios de bônus de assinatura e do PEM.

Na oferta permanente de partilha, o critério para definir o vencedor da sessão pública é o maior percentual de excedente em óleo para a União em relação ao valor mínimo estabelecido no edital.

RODOVIÁRIO

Diário do Comércio - MG   25/05/2026

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, anunciou, nesta quinta-feira (21/5), em Teófilo Otoni, um novo pacote de obras de infraestrutura rodoviária para o Vale do Mucuri. As intervenções foram definidas após reunião realizada com prefeitos, vice-prefeitos e deputados da região durante a realização da Praça de Serviços do Governo Presente na cidade, que segue até sexta-feira (22/5), na Praça Tiradentes.

As obras integram o conjunto de investimentos em infraestrutura viabilizados pela desestatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), conduzida pelo Governo de Minas, com recursos destinados a ações estruturantes em diferentes regiões do estado.

Os investimentos incluem intervenções em rodovias estratégicas para o escoamento da produção regional e conexão entre municípios do Vale do Mucuri e do Vale do Jequitinhonha. As obras têm como objetivo ampliar a segurança dos usuários, reduzir o tempo de deslocamento e fortalecer o desenvolvimento econômico.

“Os vales de Minas Gerais, Zona da Mata e a região Norte concentram o volume de investimentos equivalente ao resto do estado inteiro. O orçamento previsto para os cinco próximos anos, a partir da venda da Copasa, será de R$ 150 milhões por ano, totalizando cerca de R$ 850 milhões. A expectativa de Minas Gerais é muito grande porque nós sabemos que onde há logística há desenvolvimento”, destacou o governador.

Obras pela região

Para o ano de 2026, está prevista a execução de obras de reparação de pontos críticos na MG-406/MG-205, no trecho entre Palmópolis e Rio do Prado e na ponte sobre o Ribeirão Ferreira, com investimento estimado em R$ 4,6 milhões.

No mesmo período, estão programados investimentos de R$ 95,4 milhões em serviços de microrrevestimentos em 11 trechos e R$ 24,4 milhões destinados à elaboração de oito projetos de pavimentação e uma ponte entre Almenara e Jacinto.

Para o ano de 2027, está prevista a execução de obras na MG-412, no trecho entre Ataléia e a divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo, abrangendo aproximadamente 19 quilômetros, com investimento estimado em R$ 95 milhões. Também está programada a intervenção na MG-406, entre os municípios de Almenara e Pedra Azul, contemplando cerca de 35 quilômetros, com valor estimado em R$ 175 milhões.

No exercício de 2028, está prevista a realização de obras na MG-105, no trecho entre Pavão e Carlos Chagas, totalizando aproximadamente 70 quilômetros de extensão e investimento estimado em R$ 245 milhões.

Para o ano de 2029, está programado o início de obras na LMG-678, no trecho entre Araçuaí e Novo Cruzeiro, abrangendo cerca de 87 quilômetros, com investimento previsto de R$ 304 milhões. Além disso, está prevista a recuperação da MGC-342, no trecho entre Teófilo Otoni, Frei Gaspar e Ouro Verde de Minas, contemplando aproximadamente 45 quilômetros, com investimento estimado em R$ 38,3 milhões.

Governo Presente

A agenda em Teófilo Otoni integra o programa Governo Presente, iniciativa que transferiu simbolicamente a capital mineira para o município durante esta semana, aproximando a administração estadual das demandas regionais e fortalecendo a articulação com lideranças locais.

Também participaram da agenda o secretário de Estado de Governo (Segov-MG), Castellar Guimarães Neto, e o secretário-geral do Estado, Luiz Otávio Oliveira.

AGRÍCOLA

CNN Brasil - SP   25/05/2026

xiste uma equação silenciosa que determina, em grande medida, o ritmo de crescimento do Brasil: quando o agronegócio vai bem, a economia respira. Quando vai mal, o PIB sente. E quando o setor entra em crise estrutural como está acontecendo agora — a conta aparece alguns anos depois, com juros.

É exatamente esse horizonte que precisa estar no centro do debate sobre o próximo Plano Safra, previsto para julho. Não se trata apenas de mais um instrumento de crédito rural. Trata-se de uma das decisões de política econômica com maior impacto direto sobre o PIB de 2027. Os números falam por si.

O PIB do agronegócio brasileiro alcançou R$ 3,20 trilhões em 2025, representando 25,13% da economia do país, acima dos 22,9% registrados em 2024, segundo o Cepea/USP em parceria com a CNA. Para além da porteira, o setor é também o colchão da balança comercial: o superávit do agronegócio em 2024 foi de US$ 145 bilhões. Enquanto os demais setores (indústria e serviços) foram deficitários em US$ 71 bilhões.

A contribuição recente foi ainda mais expressiva. O PIB da agropecuária cresceu 11,7% em 2025, sendo responsável por aproximadamente um terço de toda a expansão econômica do Brasil no ano, que fechou em 2,3%.

Em outras palavras, sem o desempenho do campo, o crescimento brasileiro teria sido de modestos 1,5%. A coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, destacou que "apesar de ser uma atividade que não pesa tanto no PIB, a agropecuária cresceu tanto que foi a que contribuiu mais para o crescimento".

Isso é o que o setor entrega quando funciona. O problema é o que está acontecendo com ele agora.
A tempestade perfeita já chegou

Enquanto os dados de 2025 celebravam recordes de produção, outra realidade se consolidava nas fazendas brasileiras.

A crise não é conjuntural, é uma sobreposição de fatores estruturais que criou aquilo que produtores, parlamentares e até o próprio governo reconhecem como uma "tempestade perfeita". São cinco vetores simultâneos, e cada um deles, sozinho, já seria capaz de pressionar o setor. Juntos, formam uma combinação explosiva.
1. Juros elevados e crédito inacessível na prática

A Selic em 15% transforma qualquer financiamento em fardo. Embora o Plano Safra 2025/2026 apresente valor nominal superior ao da safra anterior, o impacto positivo não se materializa, pois as taxas de juros elevadas comprometem a viabilidade econômica de muitas lavouras diante de um cenário de custos altos e queda nos preços das commodities. Para quem não se enquadra nas linhas subsidiadas, o produtor que recorre ao crédito livre paga entre 18% e 28% ao ano, em vez dos 8,5% a 14% do Plano Safra. Crédito disponível no papel não é crédito acessível na prática.
2. Alta do custo dos insumos

A estrutura de custos do campo foi radicalmente alterada nos últimos anos e não voltou ao normal. Os fertilizantes representam aproximadamente 30% do custo total de produção e estão 53% acima dos níveis pré-pandemia. O MAP (fosfatado) está 91% mais caro em 2024 do que em 2020, e a tendência para 2026 é de nova alta. O resultado é direto: na safra 2023/24, o custo de produção da soja no Cerrado chegou a R$ 10,59 mil por hectare, enquanto a receita bruta foi de apenas R$ 8,2 mil por hectare e a margem bruta despencou de 62% em 2021 para 13% em 2024.
3. Queda nos preços das commodities

Produzir mais e ganhar menos: essa é a equação perversa que o campo enfrenta. Após o superciclo de preços elevados que impulsionou investimentos e expansão de área, a correção veio com força. Soja, milho e algodão operam em patamares significativamente abaixo dos picos recentes, enquanto os custos de produção permanecem estruturalmente elevados. A combinação destrói margens e inviabiliza o serviço da dívida para produtores que se alavancaram no ciclo anterior.
4. Diesel, frete e logística pressionados

O Brasil produz no interior e exporta pelos portos. Esse trajeto tem custo, e ele não para de subir. O diesel, após os choques recentes, ainda pressiona o custo do transporte de insumos e da produção até os terminais. A infraestrutura logística insuficiente amplifica o problema: o chamado "Custo Brasil" corrói a competitividade do produtor mesmo quando ele é eficiente dentro da porteira.
5. Endividamento crescente e colapso do crédito

É o resultado de todos os elementos anteriores somados ao tempo. A inadimplência no crédito rural subiu de 1,2% em julho de 2024 para 3,3% em novembro de 2025, e ao incluir operações em atraso, prorrogadas e renegociadas, o índice supera 15,2%, equivalente a R$ 123,5 bilhões em situação de estresse. Os pedidos de recuperação judicial explodiram: em 2025 foram 1.990 registros, uma alta de 56% em relação a 2024. Um produtor endividado não acessa novo crédito. Sem crédito, não planta. Sem plantio, não há safra. Sem safra, o PIB de 2027 sente.

O Plano Safra 2025/2026 e seus limites

O governo lançou o Plano Safra 2025/2026 em julho passado com R$ 516,2 bilhões, sendo R$ 414,7 bilhões destinados às linhas de custeio e comercialização e R$ 101,5 bilhões para investimento. No papel, é um programa robusto. Os recursos contratados entre julho de 2025 e fevereiro de 2026 somaram R$ 354,4 bilhões, crescimento de 7% em relação ao mesmo período da safra anterior.

Mas o crescimento nominal esconde uma contradição real: no primeiro semestre do Plano Safra 2025/26, a concessão de financiamentos recuou 15%, em ambiente marcado por juros elevados e maior cautela na originação. O crédito existe no orçamento; chegar até o produtor é outra história.
O elo entre o Plano Safra e o PIB de 2027

As decisões de plantio, compra de insumos, renovação de maquinário e expansão de área que serão tomadas com base nas condições do próximo Plano Safra afetarão diretamente a produção 2026/2027, cujos resultados aparecerão no PIB de 2027. E o cenário é de atenção: a mediana do relatório Focus projeta crescimento do PIB brasileiro de apenas 1,77% para 2027.

O próprio Ministério da Fazenda alerta que a maior probabilidade de ocorrência de El Niño na segunda metade do ano e o prolongamento do choque nos preços de fertilizantes são vetores que podem impactar a safra de 2027 e pressionar a inflação de alimentos.

Isso significa que o próximo Plano Safra não pode ser apenas um instrumento de crédito: precisa ser uma resposta estrutural à crise de endividamento.

O governo reconheceu isso ao incluir no Plano Safra 2025/2026 medidas para facilitar a renegociação de dívidas, oferecendo mais flexibilidade para os produtores reorganizarem seus passivos e retomarem o fluxo produtivo. O próximo ciclo precisará ir mais longe.

O agronegócio não é apenas um setor produtivo, é uma âncora macroeconômica. É ele que equilibra a balança comercial, segura a inflação de alimentos, garante emprego no campo e dinamismo nas cadeias industriais. O setor é responsável por 26% de todos os empregos do país.

Um produtor que entra em recuperação judicial em 2026 não planta em 2027. Uma lavoura sem acesso a crédito adequado neste ciclo não contribui para o PIB do ano que vem. A relação entre política agrícola e crescimento econômico não é metáfora, na verdade é causalidade direta.

O Plano Safra 2026/2027 precisa endereçar a crise de endividamento com inteligência financeira; precisa ofertar crédito que seja efetivamente acessível, não apenas nominalmente disponível; precisa combinar condições adequadas de juros com mecanismos robustos de seguro rural e gestão de risco.

O Brasil cresceu em 2025 puxado pelo agro. Para crescer de forma sustentável em 2027, o país precisa garantir que o campo chegue a essa data com produtores capitalizados, não endividados. O Plano Safra é o instrumento. A janela para acertar está se fechando.

CNN Brasil - SP   25/05/2026

O mercado de máquinas agrícolas costuma antecipar movimentos do agronegócio antes mesmo de eles aparecerem na produção ou nas exportações. Quando produtores deixam de comprar tratores e colheitadeiras, normalmente não é apenas uma questão operacional, é um sinal de cautela econômica.

Em 2026, os números dos Estados Unidos e do Brasil mostram exatamente isso: dois dos maiores polos agrícolas do mundo continuam a reduzir investimentos em mecanização pesada ao mesmo tempo.

Nos EUA, as vendas totais de tratores caíram 9,4% no acumulado até abril. No Brasil, as vendas de máquinas agrícolas recuaram 13,1% no primeiro trimestre. A coincidência não é casual.
O que aconteceu nos Estados Unidos

Os dados da Association of Equipment Manufacturers (AEM) mostram um mercado claramente mais fraco em 2026.

O ponto mais importante não é apenas a queda geral nas vendas, mas onde ela aconteceu. Os tratores acima de 100 HP, usados principalmente pelo agronegócio empresarial de larga escala, registraram retração de 19,7% no acumulado do ano. Já os tratores 4WD, usados em operações gigantescas do Corn Belt americano, despencaram 24,7%.

Isso indica que o produtor grande, altamente capitalizado e dependente de produtividade, está segurando investimentos. E há razões claras para isso: juros elevados; margens agrícolas pressionadas; preços mais fracos de commodities; custo de insumos ainda elevado; incerteza geopolítica e menor previsibilidade sobre exportações.

A própria Deere & Company manteve projeções conservadoras para 2026 mesmo após divulgar resultados trimestrais acima do esperado. A empresa afirmou que a demanda por máquinas agrícolas de grande porte segue fraca por causa da pressão sobre a renda do produtor rural.

O mais relevante é que isso ocorre justamente no maior mercado de mecanização agrícola do planeta. Quando o agricultor americano reduz compra de máquinas, o setor global inteiro presta atenção.
O trator como indicador antecedente

Poucos segmentos refletem tão rapidamente o humor do agro quanto o mercado de máquinas. Um produtor pode postergar troca de trator ou mudança nas colheitadeiras, mas ele não consegue simplesmente parar de plantar. Por isso, a venda de máquinas funciona quase como um “índice de confiança” do agronegócio.

Historicamente, grandes ciclos de queda nas vendas de tratores aparecem quando a rentabilidade agrícola recua e o crédito encarece.  Foi exatamente isso que o executivo Curt Blades, da AEM, chamou de “softness in the equipment market” — uma fraqueza persistente no mercado de equipamentos agrícolas.
O Brasil entrou no mesmo ciclo

O cenário brasileiro tem diferenças estruturais, mas a direção é muito parecida. Dados da Anfavea mostram que as vendas de máquinas agrícolas no varejo caíram 13,1% no primeiro trimestre de 2026, somando 9,8 mil unidades. A entidade também prevê retração de 6,2% no mercado brasileiro ao longo do ano, com vendas estimadas em 46,7 mil unidades.

Os motivos são quase um espelho do mercado americano, juros altos, crédito restrito e queda na rentabilidade

O produtor brasileiro continua produzindo em alto nível, mas está muito mais seletivo nos investimentos.
A grande diferença entre Brasil e EUA

Apesar das semelhanças, há uma diferença importante entre os dois mercados. Nos EUA, a retração está mais concentrada em máquinas pesadas de alta potência, diretamente ligadas ao agronegócio industrial de larga escala.

No Brasil, o comportamento é mais fragmentado. Enquanto produtores de soja e milho enfrentam margens mais pressionadas, alguns segmentos seguem sustentando demanda, como cana-de açúcar ou café.

Além disso, o Brasil vive um fenômeno que hoje preocupa fortemente a indústria local: a explosão das importações. As importações de máquinas agrícolas cresceram 48,4% no primeiro trimestre de 2026. Esse avanço amplia a concorrência sobre fabricantes instalados no país, especialmente com equipamentos vindos da China e da Índia.

Por isso, fabricantes acompanham obsessivamente os próximos meses.

Mesmo com tecnologias avançadas, agricultura digital e automação crescendo, o produtor dos dois maiores mercados agrícolas do continente decidiu pisar no freio ao mesmo tempo.

Isso sugere que o segundo semestre de 2026 não será de expansão agressiva no agro global. Será um ano de eficiência, preservação de caixa e seletividade nos investimentos.

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