Clipping Diário

24 | Outubro | 2025

INDA

Diário do Comércio - MG   24/10/2025

Assim como havia ocorrido em agosto, as importações de aços planos caíram 16,6% em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, para 241,4 mil toneladas, conforme dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) divulgados nesta quinta-feira (23). Além de o mercado estar mais fraco, a expectativa de implementação de um antidumping contra a China também influenciou o resultado, de acordo com o presidente-executivo da entidade, Carlos Jorge Loureiro.

Segundo ele, a expectativa é que o Brasil anuncie, entre dezembro e fevereiro, a adoção de medidas antidumping contra laminados a frio e revestidos provenientes da China. Com isso, os produtos comprados agora estariam sujeitos à aplicação do mecanismo, devido ao tempo de transporte entre os países.

“Isso tem feito com que os importadores se retraiam um pouco em relação ao fechamento de novos negócios, enquanto não ficar devidamente esclarecido se teremos ou não o antidumping”, afirmou Loureiro ao apresentar os dados do setor no mês.

O executivo avalia que, sem a implementação do antidumping, as importações de aços planos poderão voltar a subir, ainda que em volumes menores que os registrados anteriormente. Ele acredita que os desembarques não serão “zerados”, pois há produtos que o país consome em quantidade superior à que produz, tornando a importação necessária.

“O galvalume, por exemplo, é um produto cujo consumo brasileiro gira em torno de 80 mil toneladas por mês, enquanto a produção nacional é de cerca de 45 mil toneladas. Ele continuará sendo importado, independentemente de qualquer medida antidumping”, ressaltou.

“É claro que, se houver um antidumping contra a China, o galvalume passará a ser importado não mais dos chineses, mas de outros países, como a Coreia do Sul. O que pode ocorrer é uma mudança na origem das importações, para nações que também praticam preços competitivos, embora não em níveis de dumping”, explicou.

Conforme Loureiro, também está prevista a implementação de medidas antidumping contra laminados a quente provenientes da China. A medida, porém, deve ser adotada apenas em meados de maio ou junho de 2026.

No acumulado de janeiro a setembro, em relação ao mesmo período do ano passado, as importações de aços planos subiram 25,9%, para 2,6 milhões de toneladas. No entanto, o ritmo de crescimento dos desembarques diminuiu consideravelmente em comparação ao pico alcançado no primeiro semestre (46,5%).

Tarifa dos Estados Unidos não trouxe impacto às exportações

De acordo com o Inda, as exportações de aços planos no nono mês de 2025 totalizaram 667,3 mil toneladas. O volume de produtos acabados para o mercado externo foi baixo: do total vendido, 576,4 mil toneladas foram de placas, com os Estados Unidos (EUA) comprando 457,4 mil toneladas.

Para o presidente-executivo do instituto, o resultado mostra que o “tarifaço” dos EUA contra o Brasil não afetou as negociações. “O problema da tarifa dos Estados Unidos não está diminuindo a exportação de placas, devido a necessidade que eles têm, com a ausência de produção local”, esclareceu.

Reuters - SP   24/10/2025

O setor de distribuição de aços planos no Brasil pode ver ainda neste fim de ano um novo aumento nos preços cobrados pelas usinas siderúrgicas nacionais, em meio a um ambiente em que o consumo segue morno, mas as importações mostram recuo, afirmou o presidente da associação de distribuidores, Inda, nesta quinta-feira.

"Está se falando de eventualmente mais uma perna (de reajuste) em novembro ou dezembro. As usinas estão muito firmes... Existem algumas conversas de haver um novo aumento", disse o presidente do Inda, Carlos Loureiro, em entrevista a jornalistas sobre o desempenho do setor em setembro.

Segundo ele, os aumentos de 7% a 8% em laminados a quente e de 3% a 4% nos laminados a frio e zincados anunciados no final de setembro para outubro foram "realmente implantados pelas usinas" e a grande maioria dos associados do Inda conseguiram repassá-los aos clientes integralmente ou "uma boa parte" deles.

"Acredito que em novembro o novo aumento será repassado. As margens estão muito ruins. Não repassar aumento de preço hoje é cortar na carne", acrescentou.

As vendas dos distribuidores de aços planos em setembro somaram 361,7 mil toneladas, um crescimento de 10,6% sobre um ano antes e expansão de 7,2% ante agosto.

Mas Loureiro afirmou que o aumento das vendas ocorreu em meio à expectativa dos aumentos de preços que viriam em outubro. Tanto que as compras dos distribuidores de material das usinas no período subiram 10% ante agosto e 5,4% na comparação anual, a 360 mil toneladas.

Com isso, os estoques do setor no mês passado ficaram praticamente estáveis ante agosto e saltaram 11,2% sobre setembro de 2024, a 1 milhão de toneladas.

"O mercado não está brilhante, mas está com certo consumo", disse Loureiro. "A demanda que se tem com ou sem aumento (de preços) vai acontecer porque o consumo é inelástico. Não se deixa de produzir um carro porque subiu R$500 o preço da tonelada de aço."

E com a antecipação vista em setembro, o Inda espera que as vendas de aços planos pelos distribuidores em outubro fiquem estáveis ante o mês anterior.

Os movimentos no mercado interno coincidem com uma redução no fluxo das importações de aços planos ao país. Em setembro, o volume importado caiu quase 17% sobre um ano antes, para 241,4 mil toneladas, reduzindo a alta no acumulado do ano para 25,9%, segundo os dados do Inda.

Loureiro afirmou que essa redução no fluxo é sentida na principal porta de entrada de material siderúrgico importado ao país, o Porto de São Francisco do Sul (SC). Segundo o executivo, o volume de aço em navios esperando liberação e descarregado no porto baixou para cerca de 500 mil toneladas ante picos de meses atrás que chegaram a passar de 1 milhão de toneladas.

"O que incentiva importação é mercado...Mas também temos tido informações sobre essa perspectiva de entrada de dumping em laminados a frio e revestidos entre dezembro e fevereiro", disse Loureiro citando expectativa do setor siderúrgico sobre novas medidas de defesa comercial do Brasil contra aço chinês.

O presidente do Inda explicou que essa expectativa de adoção de medidas antidumping cria risco aos importadores que estejam negociando a chegada de novas cargas ao Brasil, dado o tempo do transporte da carga até o país. "Qualquer fechamento hoje de contrato de importação está sujeito (ao risco) de sofrer dumping quando chegar...por isso os importadores estão se retraindo um pouco", comentou.

Não à toa, as importações de laminados a frio em setembro despencaram 61,3% sobre um ano antes, a 20,7 mil toneladas, reduzindo o acumulado do ano para alta de 22,2%, segundo os dados do Inda.

Segundo Loureiro, enquanto a expectativa sobre a medida antidumping para os laminados a frio e revestidos é de que seja adotada pelo governo entre dezembro e fevereiro, para laminados a quente a espera é para "provavelmente maio ou junho". O executivo acrescentou que a medida do dumping deveria ser "nunca menor do que US$150 a US$200".

SIDERURGIA

IstoÉ Dinheiro - SP   24/10/2025

A Comissão de Desenvolvimento Urbano (CDU) da Câmara dos Deputados fez nesta quinta-feira (23) uma reunião com representantes da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). A empresa foi denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF) há duas semanas, por crimes de poluição e destruição ambiental em Volta Redonda, no Sul Fluminense.

A deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) esteve à frente do encontro e disse que os dados apresentados pela CSN contradizem estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e de universidades, e relatos dos moradores do município sobre impactos socioambientais. Ela entende que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deve assumir a fiscalização no lugar do Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea).

“Nós vamos trabalhar para que seja seguida a orientação do MPF, que é o acompanhamento, mesmo que de forma suplementar, do Ibama do cumprimento das regras ambientais por parte da CSN. O Inea tem sido completamente omisso”, disse a deputada.

“Os impactos que os rejeitos da CSN podem ter no Rio Paraíba do Sul, que é um rio federal, e os riscos às saúde das pessoas justificam federalizar a fiscalização. Há uma responsabilidade compartilhada entre a empresa e o órgão fiscalizador, que é o Inea”, complementou.

Segundo o MPF, o pátio de armazenamento de escória da CSN acumula mais de 5 milhões de toneladas de resíduos, formando pilhas de até 30 metros de altura. O depósito, sem impermeabilização, contaminou o lençol freático com metais pesados e fenóis. Em alguns pontos, o pH da água subterrânea chegou a 13,04, nível letal para a fauna aquática.

A CSN também é acusada de impedir a regeneração da flora ao ocupar irregularmente uma Área de Preservação Permanente (APP) e a Faixa Marginal de Proteção (FMP) do Rio Paraíba do Sul, dentro do Refúgio de Vida Silvestre do Médio Paraíba (Revismep), unidade de conservação estadual.

A deputada Talíria Petrone disse a Comissão não conseguiu realizar uma diligência nesta quinta-feira nas instalações da CSN, por conta de um acidente na estrada que atrasou o cronograma. Mas que a empresa havia anteriormente negado o acesso da Comissão ao pátio de armazenamento de escória, o que, para ela, é sinal de que há irregularidades.

“No início do ano que vem, vamos fazer uma audiência pública em Volta Redonda, com a presença dos ministérios, do Ibama, da ministra Marina Silva. Queremos trabalhar para que a empresa funcione respeitando o meio ambiente e a saúde pública. Não somos contra a CSN, sabemos que a vida econômica do município gira em torno dela. Mas é preciso ter ações concretas sobre poluição do ar e outros riscos à saúde”, disse Talíria.
Relatos de problemas e perseguição

Em uma reunião com moradores e movimentos sociais locais, a deputada e líderes de organizações ambientais ouviram reclamações sobre problemas respiratórios, aumento de índice de câncer e locais em que há contaminação do solo. Também foi relatada perseguição a ativistas de direitos humanos que apontam os problemas da CSN.

“Precisamos reunir os estudos da Fiocruz, ter outros mais atualizados, para saber o impacto público real das fuligens e materiais particulados sobre a saúde dos moradores”, disse gerente de transição energética do Instituto Arayara, John Wurdig.

“Um morador, que pediu para não ser identificado, porque tem medo, tem mais de 12 processos da CSN contra ele. Em virtude das denúncias que ele faz contra a empresa. Ele está incluído no programa defensores da Arayara para ativistas ambientais”, complementou.

A siderúrgica está sem licença ambiental válida desde 2018 e já foi alvo de seis Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) firmados com o Ministério Público. Ela está em operação graças aos prazos prorrogados pelo Inea.

Segundo relatório técnico do Instituto Arayara, o primeiro TAC foi firmado em 1994, com foco na redução das emissões atmosféricas e gestão de resíduos sólidos. Em 2010, foi celebrado um segundo TAC, em que se ampliou o escopo para o tratamento de efluentes líquidos e áreas contaminadas.

Em 2016, um terceiro ajuste buscou consolidar ações pendentes e introduzir instrumentos de monitoramento contínuo. O TAC atual, de 2018, foi pensando como um instrumento “definitivo” para a regularização ambiental da usina, já em operação há mais de 70 anos, com 40 condicionantes específicas e previsão de acompanhamento técnico pelo Inea.

Segundo o Instituto Arayara, nenhum dos TACs anteriores resultou no cumprimento integral das obrigações ambientais assumidas. A organização entende que a estratégia da empresa é substituir sanções efetivas por novos acordos, sem de fato corrigir os problemas ambientais provocados por ela.
Notas de posicionamento

Em nota, o Inea informou que “a estocagem de resíduos no local, que é anterior às normas ambientais atuais, vem sendo tratada com o Ministério Público Federal, visando a possível celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC)”.

O instituto destacou que “exige medidas de controle de poeira, como a aplicação de polímero verde sobre as pilhas, para reduzir a dispersão de material particulado”.

“Importante ressaltar que vistorias técnicas não constataram risco de desabamento do material. O local possui sistema de drenagem que encaminha os percolados à Estação de Tratamento de Despejos Industriais, e as medidas de controle e condicionantes seguem sendo fiscalizadas pelo Instituto”, diz o Inea.

Procurada pela reportagem, a CSN não se pronunciou até o momento sobre a reunião desta quinta-feira. Em nota enviada no momento da denúncia pelo MPF, a siderúrgica disse que “estudos independentes comprovam a segurança, estabilidade e inexistência de contaminação ambiental no local”.

Portal Fator Brasil - RJ   24/10/2025

Companhia foi destaque nas categorias “Marca” e “Memória Organizacional”, com os cases dos óculos de aço para o Rock in Rio Brasil 2024 e do filme que celebra a sua trajetória centenária.

A Gerdau, maior empresa brasileira produtora de aço, conquistou duas categorias regionais do Prêmio Aberje 2025, promovido pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje). A companhia venceu na categoria “Marca”, na região Espírito Santo e Rio de Janeiro, com o case “O aço é POP: os óculos de aço que uniram a Gerdau à Chilli Beans no Rock in Rio”, e na categoria “Memória Organizacional”, na região Sul, com o case “Moldados como aço: 124 anos de Gerdau contados nas telas”.

Reconhecida como uma das mais prestigiadas premiações do setor de comunicação corporativa, o Prêmio Aberje celebra a excelência da comunicação empresarial no Brasil. A iniciativa reconhece empresas, instituições, veículos e profissionais que se destacam pela capacidade de unir criatividade e estratégia para gerar impacto real nos negócios e na sociedade.

—Por mais um ano, a Gerdau tem projetos destacados na maior premiação de comunicação empresarial do país. Estamos muito orgulhosos com esses reconhecimentos, que reforçam o impacto e caráter inovador das nossas iniciativas, voltadas a fortalecer a imagem e a marca da Gerdau junto aos nossos públicos de interesse e à sociedade em geral, contando histórias e oferecendo experiências únicas—afirma Pedro Torres, diretor global de Comunicação e Relações Institucionais da Gerdau.

O projeto vencedor na categoria Marca destaca a parceria da companhia com a Chilli Beans para o lançamento de uma linha de óculos em aço, com design inédito que homenageia o Palco Mundo do Rock in Rio Brasil 2024, construído com 200 toneladas de aço Gerdau 100% reciclável. A iniciativa reforça a estratégia da marca em evidenciar aspectos de sustentabilidade e inovação junto ao público final.

Já na categoria Memória Organizacional, o projeto vencedor conta sobre o filme “Moldados como Aço”, que retrata a jornada centenária da companhia, entrelaçada com os grandes acontecimentos mundiais e com o processo de desenvolvimento industrial e de modernização do Brasil. A produção, realizada pela Giros Filmes, estreou em cinemas selecionados do País e está disponível gratuitamente no canal da Gerdau no YouTube.

Os projetos vencedores nas categorias regionais avançam para a próxima etapa, o Painel de Cases, que acontece no dia 6 de novembro, quando serão avaliados pela Comissão Julgadora do prêmio. Os ganhadores das categorias nacionais serão divulgados no dia 8 de dezembro.

Com 51 edições de história e credibilidade, o Prêmio Aberje é referência no setor de comunicação corporativa. Ao reunir cases relevantes e profissionais de destaque, o prêmio oferece uma visão estratégica sobre os caminhos e transformações da comunicação organizacional no país.

Gerdau — Com 124 anos de história, a Gerdau é a maior empresa brasileira produtora de aço e uma das principais fornecedoras de aços longos nas Américas e de aços especiais no mundo. No Brasil, também produz aços planos, além de minério de ferro para consumo próprio. Com o propósito de empoderar pessoas que constroem o futuro, a companhia está presente em vários países e conta com mais de 30 mil colaboradores em todas as suas operações. Maior recicladora da América Latina, a Gerdau tem na sucata uma importante matéria-prima: cerca de 70% do aço que produz é feito a partir desse material. Todo ano, 10 milhões de toneladas de sucata são transformadas em diversos produtos de aço. A companhia também é a maior produtora de carvão vegetal do mundo, com mais de 230 mil hectares de base florestal no estado de Minas Gerais. Como resultado de sua matriz produtiva sustentável, a Gerdau possui, atualmente, uma das menores médias de emissão de gases de efeito estufa (CO2e), de 0,85 t de CO2e por tonelada de aço, o que representa aproximadamente a metade da média global do setor, de 1,92 t de CO2e por tonelada de aço (worldsteel). Para 2031, a meta da Gerdau é diminuir as emissões de carbono para 0,82 t de CO2e por tonelada de aço. As ações da Gerdau estão listadas nas bolsas de valores de São Paulo (B3) e Nova Iorque (Nyse).

Consultor Jurídico - SP   24/10/2025

A desembargadora Mônica Sifuentes, do Tribunal Regional Federal da 6ª Região, surpreendeu seus pares ao inovar sobre o que seja o Direito Concorrencial. Em uma disputa destinada a ser decidida pelo Conselho de Defesa da Atividade Econômica, o Cade, ela obrigou os conselheiros a aplicar uma multa de R$ 128 milhões à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

O pivô do entrevero é a disputa entre o grupo ítalo-argentino Ternium e a brasileira CSN. Na fase atual, como se viu, discute-se se o Cade exerceu devidamente seu papel fiscalizador.

O Conselheiro Victor Fernandes ressaltou que não cumpre ao Cade opinar sobre as deliberações do Poder Judiciário. “A competência para revisar as decisões dos Tribunais Regionais Federais é do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, cortes que poderão se debruçar sobre esta matéria, se provocadas”. Ele observou que o pronunciamento impôs uma “exegese judicial vinculante”.

Outra fricção da decisão foi com decisão anterior do próprio tribunal, que já havia reconhecido a competência exclusiva do Cade para declarar inadimplemento e aplicar sanções. Tanto que a pretendida multa estava suspensa.

A julgadora presumiu desobediência da CSN quando estava em curso o prazo de 60 dias para que a empresa comprovasse o cumprimento da ordem de reduzir sua participação na Usiminas a menos de 5% — o que foi demonstrado nos autos, segundo a siderúrgica.

Para a CSN, a determinação judicial presumiu o descumprimento do acordo mesmo diante de documentos técnicos que atestavam sua execução, o que configuraria violação ao devido processo legal.

Também ficou caracterizado para a siderúrgica o reformatio in pejus — situação em que o agravo apresentado pela própria empresa teria resultado em uma punição mais severa.

A empresa reiterou que não houve qualquer inadimplemento que justificasse sanções e que o Cade havia reconhecido formalmente o cumprimento das obrigações assumidas. Até a intervenção de Sifuentes.
Decisão questionável

Na opinião de um especialista distante do caso, “a decisão judicial é mesmo questionável, pois restringe a esfera de decisão do Cade sobre o tema — já que os conselheiros foram forçados a aplicar parâmetros definidos, sem que possam revisitar a própria decisão ou reformatar o acordo”.

O especialista até admite a hipótese de o Judiciário determinar que haja o julgamento, “em cumprimento ao princípio da duração razoável do processo ou mesmo de prazos processuais de processos administrativos específicos”. Mas não “determinar o enquadramento da decisão administrativa antes que ela seja tomada”.

O TRF-6 não quis se manifestar sobre o caso, alegando que ele está sob sigilo. Já o Cade enviou a seguinte nota:

O Cade esclarece que sempre cumpre integralmente as decisões judiciais, nos termos da Constituição e da legislação em vigor. Em situações dessa natureza, as determinações do Poder Judiciário são encaminhadas à Presidência do Cade.

No caso específico mencionado, observa-se que, de forma incomum, houve uma determinação que, além de ordenar o julgamento de um processo administrativo, também pareceu indicar previamente os contornos de seu conteúdo, bem como determinou a intimação pessoal de conselheiros, ainda que a representação judicial do Cade seja exercida formalmente por sua Presidência, autoridade responsável por promover as providências cabíveis para seu cumprimento.

Reafirmamos, por fim, que o Cade não se opõe ao cumprimento de decisões judiciais e atua sempre pautado pelo diálogo institucional e pelo cumprimento rigoroso do ordenamento jurídico.

Investing - SP   24/10/2025

Os investidores não estão otimistas com o balanço do terceiro trimestre de 2025 de Usiminas, que será divulgado amanhã (24). Há uma expectativa de recuo da receita e do lucro por ação (LPA) em relação ao trimestre ao ano anterior.

A projeção de receita é de R$ 6,4 bilhões entre julho e setembro, queda de 2,7% ante três meses anteriores. O recuo do LPA deve ter sido de 62,5%, de R$ 0,08 por ação para R$ 0,03. O consenso do mercado estima um lucro líquido de R$ 33 milhões no período para a siderúrgica.

Segundo o InvestingPro, ferramenta premium de análise fundamentalista do Investing.com, a projeção do LPA sofreu uma retração de 102% nos últimos 12 meses. A Usiminas enfrenta dificuldade ante a invasão de aço chinês a preços mais baixos no mercado brasileiro.

Apesar das estimativas de retorno à lucratividade da companhia em 2025, ela deve ocorrer em meio à margem bruta fraca, além de contínuas revisões baixistas do LPA, de acordo com o WarrenAI, consultor de investimentos de inteligência artificial do Investing.com. A mediana do preço-alvo das ações de Usiminas entre 13 analistas é de R$ 5,47 nos próximos 12 meses, uma fraca valorização potencial de 9%.
Ações de Usiminas negociadas a múltiplos baixos

O WarrenAI informa que os múltiplos de valuation de Usiminas estão baixos, com os papéis sendo negociados a um Preço sobre Lucro (P/L) de 7,2x.
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Mesmo em meio a revisões baixistas sobre o lucro da siderúrgica nos próximos trimestres, a mediana de 11 modelos de valution do InvestingPro calcula um preço-justo de R$ 6,02 para as ações de Usiminas, com potencial valorização de 20,1% nos próximos 12 meses.

O preço-justo apontado pelo InvestingPro pode ser uma oportunidade de entrada para as ações de Usiminas, embora a projeção tenha um grau de incerteza média. Para que esta valorização comece a se concretizar, o WarrenAI listou algumas condições para que ela possa ocorrer:
Expectativas positivas sobre custos, demanda interna e dinâmica global do aço pelos executivos da siderúrgica Possíveis medidas antidumping contra o aço chinês podem melhorar margens à frente. Lucro líquido do terceiro trimestre vier amanhã acima de R$ 40 milhões.

As ações da Usiminas operam em alta nesta quinta-feira (23) na B3. Os papéis avançavam 1% a R$ 4,99 às 16h44.

Brasil Mineral - SP   24/10/2025

Apenas a China produziu 76,5 milhões de toneladas, 4,6% a menos que em setembro do ano passado, enquanto a Índia produziu 13,6 milhões de toneladas no mês, um incremento de 13,2% sobre o mesmo mês do último ano.

A worldsteel divulgou que a produção mundial de aço bruto alcançou 141,8 milhões de toneladas em setembro de 2025, uma queda de 1,6% em relação ao mesmo mês do último ano. A Ásia e a Oceania produziram 102,9 milhões de toneladas em setembro, um recuo de 2,1% sobre setembro de 2024. Apenas a China produziu 76,5 milhões de toneladas, 4,6% a menos que em setembro do ano passado, enquanto a Índia produziu 13,6 milhões de toneladas no mês, um incremento de 13,2% sobre o mesmo mês do último ano. Japão e Coreia do Sul produziram 6,4 milhões de toneladas e 5 milhões de toneladas de aço bruto em setembro, respectivamente, com quedas de 3,7% e 2,4% na comparação com o mesmo mês de 2024.

Os países do Bloco Europeu produziram 10,1 milhões de toneladas de aço em setembro de 2025, ou 4,5% a menos que no mesmo mês de 2024, sendo que a Alemanha produziu 3 milhões de toneladas e viu a produção cair 0,6% no mês. Países europeus, como Bósnia-Herzegovina, Macedônia, Noruega, Sérvia, Turquia e Reino Unido, produziram 3,6 milhões de toneladas, um crescimento de 1,4% sobre setembro de 2024. A Turquia produziu 3,2 milhões de toneladas, 3,3% a mais que em setembro do ano passado. A África – Egito, Líbia e África do Sul – produziu 2 milhões de toneladas de aço bruto em setembro, 8,2% superior na comparação com setembro do último ano. Já os países da CIS produziram 6,2 milhões de toneladas, 5,3% a menos que no mesmo mês de 2024, com destaque para a Rússia, que teve um volume de produção estimado de 5,2 milhões de toneladas, o que representa decréscimo de 3,8% sobre setembro de 2024.

Os países do Oriente Médio - Irã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos – registraram produção de 4,6 milhões de toneladas de aço bruto, 9,6% a mais que em setembro de 2024, com o Irã produzindo 2,3 milhões de toneladas no mês, uma alta de 6% na comparação com setembro de 2024.

A produção na América do Norte cresceu 1,8% em setembro de 2025, somando 8,8 milhões de toneladas. Apenas os Estados Unidos produziram 6,9 milhões de toneladas, 6,7% a mais que em setembro de 2024, enquanto a produção na América do Sul alcançou 3,5 milhões de toneladas, 2,7% a menos do que em setembro de 2024. O Brasil teve produção de 2,8 milhões de toneladas e caiu 3,2% em setembro de 2025 na comparação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano até setembro, a produção mundial de aço bruto somou 1.373 bilhão de toneladas, o que representa um recuo de 1,6% em relação ao mesmo período do último ano.

CNN Brasil - SP   24/10/2025

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na noite desta quinta-feira (24) que todas as negociações comerciais com o Canadá foram encerradas após o que ele acusar o país de utilizar uma "propaganda fraudulenta" com um suposto anúncio do ex-presidente Ronald Reagan falando negativamente sobre tarifas.
Trump impôs tarifas sobre aço, alumínio e automóveis canadenses no início deste ano, levando Ottawa a responder da mesma forma. Os dois lados estão em negociações há semanas sobre um possível acordo para os setores de aço e alumínio.

"Com base em seu comportamento flagrante, TODAS AS NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS COM O CANADÁ ESTÃO ENCERRADAS", escreveu Trump no Truth Social.

O primeiro-ministro de Ontário, Doug Ford, disse no início desta semana que o anúncio de sua província com mensagens anti tarifárias chamou a atenção de Trump.

O anúncio mostrava Reagan, um republicano, criticando tarifas sobre produtos estrangeiros, enquanto dizia que elas causavam perdas de empregos e guerras comerciais.

"Ouvi dizer que o presidente ouviu nosso anúncio. Tenho certeza de que ele não ficou muito feliz", disse Ford na terça-feira (21).

A Fundação Presidencial Ronald Reagan emitiu um comunicado na noite de quinta-feira afirmando que o anúncio do governo de Ontário estava "usando áudio e vídeo seletivos" de Reagan e que a fundação estava revisando suas opções legais.

"O anúncio deturpa o Discurso Presidencial de Rádio (de Reagan, em 1987), e o Governo de Ontário não solicitou nem recebeu permissão para usar e editar os comentários", afirmou a fundação em seu comunicado.

O governo canadense não comentou de imediato.

Trump tem usado tarifas como alavanca contra muitos países ao redor do mundo.

A guerra comercial de Trump elevou as tarifas dos EUA aos seus níveis mais altos desde a década de 1930, e ele tem ameaçado regularmente impor mais tarifas, gerando preocupações entre empresas e economistas.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, disse a repórteres na quinta-feira que o Canadá não permitirá o acesso injusto dos EUA aos seus mercados se as negociações sobre vários acordos comerciais com Washington fracassarem.

No ano que vem, os EUA, o Canadá e o México devem revisar seu acordo continental de livre comércio de 2020.

ECONOMIA

IstoÉ Dinheiro - SP   24/10/2025

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 23, que as expectativas ainda estão fora da meta, mas que há um processo de desaceleração da inflação. Reiterou, na sequência, que, para produzir essa convergência, o cenário atual demanda que a taxa de juros permaneça em um nível elevado e restritivo por um período prolongado. Ele participou do Fórum Econômico Indonésia Brasil, promovido pela ApexBrasil, em Jacarta, na Indonésia.

Galípolo também disse que a inflação brasileira está relativamente controlada, mas frisou que o Banco Central está “bastante incomodado pelo fato de que ela ainda não está na meta”.

“A inflação e as expectativas seguem fora do que é a meta. Isso é um ponto de bastante incômodo para o Banco Central, mas estamos falando de uma inflação que está em um processo de redução e retorno para a meta, em função de um Banco Central que vem se mostrando sempre bastante diligente e tempestivo no combate a qualquer tipo de processo inflacionário. Como eu comentei, ainda as expectativas estão fora da meta, mas num processo de desaceleração da inflação”, afirmou.

O banqueiro central detalhou que houve um repique da inflação no início do ano, associado a um processo de desvalorização cambial e mercado de trabalho e consumo bastante aquecidos, mas ponderou que o núcleo da inflação de alimentos está gradativamente caindo. “Quando a gente olha para esse tipo de medidor, que é uma média trimestral dessazonalizada, a gente percebe um processo de desinflação bastante acentuado e rápido, já devolvendo a inflação para níveis mais em torno da meta, quando a gente compara com o que a gente tinha no começo.”

Galípolo também enfatizou que esse processo ocorre em um cenário no qual a economia brasileira passa por um ciclo de crescimento contínuo, com revisões sistemáticas das previsões dos economistas para o crescimento econômico. Ressaltou ainda que em 2025, o País deve registrar seu melhor índice de bem-estar econômico desde que foi iniciado o sistema de metas de inflação.

“Estamos com um nível de inflação que, apesar de fora da meta, o que demanda o Banco Central permanecer com uma taxa de juros num patamar elevado e restritivo por um período prolongado para que a gente possa produzir essa convergência, mas conseguindo combinar um nível baixo de desemprego, crescimento positivo e uma inflação que está, olhando para níveis históricos, dentro de um patamar baixo, quando a gente compara com níveis históricos do Brasil.”

Infomoney - SP   24/10/2025

O governo federal acumula déficit primário de R$ 100,9 bi, de janeiro até setembro. O valor, embora menor se comparado ao mesmo período do ano passado, acende um alerta sobre o cumprimento da meta orçamentária.

Isso porque o último trimestre trará desafios, como a necessidade de um esforço fiscal adicional de R$ 27,1 bilhões, para cumprir o limite inferior da meta e fechar as contas dentro da tolerância legal. Para chegar ao déficit zero (centro da meta), seriam necessários R$ 58,1 bilhões.

A estimativa considera a perda de arrecadação após a MP 1303 “caducar”, e ao resultado das empresas estatais, que ficou abaixo do esperado, segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal de outubro da Instituição Fiscal Independente (IFI).

Dívida pública do Brasil atingirá 82% do PIB em 2026, aponta projeção do IFI

“O alcance das metas previstas nas diretrizes orçamentárias (LDO 2025) demandará um esforço fiscal adicional estimado pela IFI em R$ 27,1 bilhões no último trimestre do ano, consideradas as deduções legais previstas (precatórios e outros abatimentos) e a tolerância de 0,25% do PIB em relação ao centro da meta, como prevista na Lei Complementar nº 200. Pesaram neste quadro desafiador a perda de eficácia da Medida Provisória nº 1.303, de 2025, e a piora no déficit primário das empresas estatais”, diz o relatório, assinado pelos diretores da IFI, Marcus Pestana e Alexandre Andrade.
Queda da MP 1303 e R$ 10 bilhões a menos

De acordo com o relatório, o governo federal esperava recolher R$ 10,6 bilhões ainda este ano com a MP 1303, que ficou vigente entre 11 de junho e 8 de outubro, mas “caducou” no Congresso porque os deputados não quiseram votar o texto, levando à derrubada da norma.

Essa perda de arrecadação pode ser compensada com a imitação da execução das despesas discricionárias, apontam os diretores, mas representa um risco adicional para o cumprimento da meta deste ano e de 2026, de acordo com o texto.

Menor arrecadação e déficit nas estatais

O relatório do IFI destaca o risco frente à desaceleração da economia, que pode implicar em queda de arrecadação.

Outro risco é o resultado das empresas estatais, que estão com déficit primário desde abril de 2024. No acumulado de 12 meses até agosto de 2025, o déficit somou R$ 8,9 bi, e a projeção é que feche o ano em R$ 9,2 bi. Caso o resultado fosse positivo, ele poderia ajudar a compor a receita do governo para cumprir a meta.

A projeção para o resultado das empresas no quarto trimestre teve um significativo impacto dos Correios. O déficit da empresa, estimado em R$ 0,7 bi, foi a R$ 2,4 bi. Com isso, o déficit primário das estatais aumentou, de R$ 6,5 bilhões para R$ 9,2 bilhões, entre julho e setembro.

Para os diretores do IFI, embora o déficit primário das estatais “não represente um prejuízo contábil, a sequência de déficits primários dessas empresas indica uma tendência preocupante”. Isso porque, se as estatais não conseguirem gerar receitas próprias, eles vão demandar ajuda do governo.

“O aumento do déficit das estatais pode demandar uma intervenção do Tesouro Nacional com aportes que garantam o funcionamento das empresas, o que aumentaria o esforço fiscal necessário no último trimestre do ano”, dizem os diretores no documento.

Globo Online - RJ   24/10/2025

A inflação acima da meta tem sido um incômodo para o Banco Central, afirmou Gabriel Galípolo, presidente da autoridade monetária, durante sua participação no Fórum Econômico Indonésia-Brasil, em Jacarta.

Galipolo acrescentou, também no evento, que, de forma gradual, já é possível perceber um movimento de desinflação no Brasil, fruto da política monetária mais restritiva.

— A inflação e as expectativas seguem fora do que é a meta. Isso é um ponto de bastante incômodo para o Banco Central, mas estamos falando de uma inflação que está num processo de redução e retorno para a meta em função de um Banco Central que vem se mostrando sempre bastante diligente e tempestivo no combate a qualquer tipo de processo inflacionário — disse.

O presidente do Banco Central disse ainda que a instituição deve manter a taxa de juros em 15% ao ano por mais um tempo, em prol de garantir que a inflação volte gradualmente ao centro da meta, sem prejudicar o desempenho da economia.

Segundo Galípolo, a inflação fora da meta leva a autoridade monetária a “permanecer com uma taxa de juros num patamar elevado e restritivo por um período prolongado para que a gente possa produzir essa convergência”.

Haddad critica alta dos juros

Recentemente, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem elevado o tom sobre a política monetária do BC. Em entrevista à GloboNews esta semana, o ministro voltou a afirmar que a taxa de juros está em um nível excessivamente restritivo diante do atual cenário econômico, com inflação que o ministro considera controlada e cortes de preços administrados, como o da gasolina pela Petrobras.

— A inflação está se comportando cada vez melhor, e as projeções do mercado já apontam para um índice abaixo de 4% em 2027. O FMI disse que o Banco Central do Brasil é o mais hawkish, o mais duro do mundo. E o FMI sabe o que está falando — afirmou Haddad, acrescentando:

— Historicamente, o nosso BC sempre foi duro, mas o atual é o mais duro do mundo, muito duro, é uma inflação que já está beirando a banda superior da meta, e você tem mais de 10% de juro real, então é duro mesmo, não é pouco o que está sendo feito — afirmou o ministro.

O termo “hawkish”, usado por Haddad, se refere à postura mais agressiva de bancos centrais no combate à inflação, geralmente com manutenção de juros altos por longos períodos.

O ministro, no entanto, evitou críticas diretas à diretoria do BC, sob comando de Galípolo —indicado pelo governo Lula —, e disse que é cedo para avaliar o desempenho da atual gestão.

Apesar das divergências, Haddad ressaltou que mantém respeito à autonomia da instituição e que emitir opinião não significa desrespeitar a autoridade monetária.

— Eu tenho o maior respeito pelo BC, mas emitir uma opinião não é pecado. Eu tenho dito que penso que a taxa de juros está restritiva demais. Aliás, o presidente (Lula) disse isso ontem. É uma opinião, não deveria ser confundido com desrespeitar a institucionalidade, porque o mercado emite opiniões todos os dias — declarou.

O Estado de S.Paulo - SP   24/10/2025

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira, 23, que este é um momento favorável para investidores entrarem no mercado de consumo no Brasil. Ele detalhou que, após ter atingido um pico durante a pandemia, a taxa de desemprego no País está em queda e chegou ao menor índice de toda a série histórica, em 5,8%. Ao mesmo tempo, disse, há uma máxima histórica da renda.

“Isso, obviamente, mostra um mercado de trabalho que está bastante aquecido, de uma economia que vem crescendo acima de 3% e próxima de 4% já há quatro anos, surpreendendo, vindo de várias revisões das projeções dos economistas, crescendo acima dessas projeções e crescendo acima daquilo, inclusive, que os economistas imaginam ser o PIB potencial, o crescimento potencial do PIB para o País”, disse, ao discursar no Fórum Econômico Indonésia Brasil, promovido pela ApexBrasil, em Jacarta, na Indonésia.

O banqueiro central emendou que não só o PIB brasileiro está avançando, mas que o consumo está crescendo acima dele. Além disso, enfatizou que o País está registrando crescimento do investimento, com destaque para o investimento em infraestrutura.

“O investimento em infraestrutura, que é muito relevante tanto para importadores quanto exportadores ou para quem pretende se instalar no País, também deve atingir, no ano de 2026, a máxima da série histórica”, pontuou Galípolo, que chamou a atenção para o crescimento significativo registrado na participação do investimento privado na área.

O presidente do Banco Central afirmou que as expectativas continuam fora da meta, mas que há um processo de desaceleração da inflação. Reiterou, na sequência, que, para produzir essa convergência, o cenário atual demanda que a taxa de juros permaneça em um nível elevado e restritivo por um período prolongado.

Galípolo também disse que a inflação brasileira está relativamente controlada, mas reforçou que o Banco Central está “bastante incomodado pelo fato de que ela ainda não está na meta”.

“A inflação e as expectativas seguem fora do que é a meta. Isso é um ponto de bastante incômodo para o Banco Central, mas estamos falando de uma inflação que está em um processo de redução e retorno para a meta, em função de um Banco Central que vem se mostrando sempre bastante diligente e tempestivo no combate a qualquer tipo de processo inflacionário. Como comentei, ainda as expectativas estão fora da meta, mas num processo de desaceleração da inflação”, afirmou.

O banqueiro central detalhou que houve um repique da inflação no início do ano, associado a um processo de desvalorização cambial e mercado de trabalho e consumo bastante aquecidos, mas ponderou que o núcleo da inflação de alimentos está gradativamente caindo. “Quando a gente olha para esse tipo de medidor, que é uma média trimestral dessazonalizada, a gente percebe um processo de desinflação bastante acentuado e rápido, já devolvendo a inflação para níveis mais em torno da meta, quando a gente compara com o que a gente tinha no começo.”

Galípolo também enfatizou que esse processo ocorre em um cenário no qual a economia brasileira passa por um ciclo de crescimento contínuo, com revisões sistemáticas das previsões dos economistas para o crescimento econômico. Ressaltou ainda que em 2025, o País deve registrar seu melhor índice de bem-estar econômico desde que foi iniciado o sistema de metas de inflação.

“(Estamos) com um nível de inflação que, apesar de fora da meta, o que demanda o Banco Central permanecer com uma taxa de juros num patamar elevado e restritivo por um período prolongado para que a gente possa produzir essa convergência, mas conseguindo combinar um nível baixo de desemprego, crescimento positivo e uma inflação que está, olhando para níveis históricos, dentro de um patamar baixo, quando a gente compara com níveis históricos do Brasil.”
Ganho de produtividade

Galípolo afirmou que o Brasil passa por um ciclo de crescimento contínuo, mas que esse movimento se deve muito mais à inserção de novos fatores de produção na economia do que efetivamente a um ganho de produtividade disseminado no sistema econômico brasileiro. Na sequência, defendeu que o aumento dos ganhos de produtividade é o caminho para que o País possa crescer de maneira mais sustentável, por um prazo mais longo.

“É possível, sim, a gente observar ganhos de produtividade em uma série de setores, como foi dito aqui antes, especialmente no setor agro e no setor de commodities. O Brasil consegue observar e enxergar ganhos de produtividade, mas, ainda, o crescimento se dá predominantemente por um aumento da participação na força de trabalho e uma redução do desemprego”, ponderou.

Galípolo afirmou que o crescimento como ocorre hoje no País é desejável, mas afirmou ser difícil sustentá-lo, uma vez que haverá um momento de esgotamento da inclusão desses novos fatores de produção.

“O caminho para que a gente possa crescer de maneira sustentável, por um prazo mais longo, é que a gente possa assistir ganhos de produtividade na nossa economia. Que o crescimento se dê, não simplesmente pelo emprego de mais fatores de produção, mas porque os fatores de produção conseguem produzir mais”, emendou. Esse movimento, disse o banqueiro central, depende de o País ter mais parcerias com outros países, de pesquisa, tecnologia, desenvolvimento e investimento.

Ao encerrar sua fala, pontuou ainda que Brasil e Indonésia têm muitas semelhanças nesse sentido. Disse que são dois países que estão em busca de aumentar a complexidade de suas cadeias produtivas, que têm vantagens “bastante especiais” quando comparadas ao resto do mundo, em termos de população e recursos naturais.

MINERAÇÃO

Brasil Mining - SP   24/10/2025

O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais, que é a soma de todas as riquezas produzidas no estado, chegou a R$ 305,4 bilhões entre abril e junho de 2025. Isso representa um crescimento de 1,2% em relação aos três primeiros meses do ano, segundo dados da Fundação João Pinheiro (FJP).

Entre os setores que mais contribuíram para o resultado está a indústria extrativa mineral, que cresceu 2,9% no período.  Esse avanço está ligado ao aumento das operações de empresas como Mineração Usiminas, CSN Mineração e Anglo American. A mineração segue sendo uma das principais forças da economia mineira, ajudando a movimentar outros setores e gerando empregos em diversas regiões.

O estudo também mostrou que o setor de serviços cresceu 0,3%, enquanto a agricultura teve alta de 8,3%, impulsionada pela produção de soja, milho e algodão.

A participação de Minas Gerais na economia brasileira ficou em 9,6%, o que mostra a importância do estado para o desenvolvimento do país, e o papel fundamental da mineração nesse resultado.

Portal Fator Brasil - RJ   24/10/2025

A economista-chefe do escritório da IInvestSmart, Mônica Araújo, comentou os dados operacionais divulgados pela Vale referentes ao terceiro trimestre desse ano. A executiva aponta que a empresa surpreendeu positivamente o mercado, apresentando dados acima do esperado.

—A Vale divulgou ontem seus dados operacionais referentes ao terceiro trimestre de 2025, que vieram no consolidado, acima da expectativa média dos analistas, em especial na produção de minério de ferro alcançada no trimestre e na recuperação do prêmio do minério produzido pela mineradora. Esses dados devem resultar em ajuste positivo na expectativa dos resultados financeiros da mineradora, que serão divulgados em 30 de outubro de 2025, após o fechamento do mercado.

A produção de minério de ferro no trimestre totalizou 94,4 mil tons, representando um avanço de 3,8% no comparativo com o terceiro trimestre de 2024 e 12,9% sobre o segundo trimestre de 2025. De acordo com a empresa esse foi o maior nível desde 2018, que junto com a melhoria no nível de preço explicam a performance melhor que a esperada.

Importante destacar que a surpresa positiva do terceiro trimestre de 2025 para o mercado de minério de ferro não pode ser considerada como tendência para o médio prazo. O desafio de equilibrar oferta e demanda para a commodity, principalmente diante dos conflitos comerciais entre regiões produtoras importantes e consumidoras, o estável crescimento econômico global e, principalmente, as novas ofertas de minério de ferro devem manter os investidores atentos a trajetória do preço do minério de ferro em 2026. A estratégia da Vale em ajustar o seu portfólio de produtos de acordo com a demanda e manter custos controlados parece estar sendo vencedora— conclui o comentário, Mônica Araújo, economista-chefe da InvestSmart.

Infomoney - SP   24/10/2025

Os preços futuros do minério de ferro subiram nesta quinta-feira pela terceira sessão consecutiva, impulsionados por esperanças de medidas de estímulo e dados otimistas sobre o aço do principal consumidor, a China.

A expectativa gira em torno de uma reunião a portas fechadas de quatro dias da liderança do Partido Comunista, que começou na segunda-feira. Espera-se a divulgação de um esboço de sua próxima política de cinco anos.

Ainda há esperanças de que a China possa revelar algum estímulo para impulsionar o crescimento econômico e reforçar a confiança do consumidor após uma série de dados pessimistas e em meio a enormes incertezas decorrentes do atrito comercial com os Estados Unidos.
O vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, manterá conversações comerciais com os EUA na Malásia, de 24 a 27 de outubro.

O contrato janeiro na bolsa de Dalian encerrou as negociações diurnas com alta de 0,39%, a 777 iuanes (US$109,08) a tonelada métrica.

Dados melhores do que o esperado sobre o aço, que apontaram para uma demanda firme de minério no curto prazo, também ajudaram os preços, disseram um trader e dois analistas.

Os estoques totais de alguns dos principais produtos siderúrgicos caíram 1,7% na semana de 23 de outubro, e a produção de aço aumentou 1%, segundo dados da consultoria Mysteel.

AUTOMOTIVO

Globo Online - RJ   24/10/2025

A Europa pode enfrentar uma nova crise de semicondutores nos próximos dias, com impacto direto sobre a indústria automotiva, após a escalada de um conflito diplomático entre a Holanda e a China envolvendo a fabricante de chips Nexperia.

De acordo com a Bloomberg, tensão começou quando o ministro holandês da Economia, Vincent Karremans, de 38 anos, decidiu vetar a influência dos acionistas chineses na empresa, sediada em Nijmegen, alegando riscos à segurança nacional. A decisão foi tomada após pressões dos Estados Unidos, que vêm impondo restrições comerciais à Nexperia por sua ligação com a chinesa Wingtech Technology, controlada parcialmente por entidades ligadas ao Estado chinês.

A reação de Pequim foi imediata: o governo chinês bloqueou a comunicação entre a Nexperia e sua fábrica na China, o que já começou a afetar o fornecimento de chips para clientes do setor automotivo no Japão e na Europa. A empresa alertou que não poderá garantir a entrega de componentes essenciais a fabricantes como Volkswagen e Stellantis caso a situação não se normalize rapidamente.

A intervenção holandesa, inédita desde a Guerra Fria, foi possível graças à aplicação de uma lei de 1952 sobre a disponibilidade de bens essenciais, que permite ao Estado assumir controle temporário de empresas estratégicas em caso de emergência. O caso levou à destituição do executivo Zhang Xuezheng, fundador da Wingtech, acusado de transferir operações da empresa para fora da Europa e firmar contratos suspeitos avaliados em até US$ 130 milhões.

Segundo o Ministério da Economia da Holanda, as medidas foram necessárias para evitar que “a expertise europeia da Nexperia desaparecesse completamente”, o que teria consequências “incalculáveis” para o setor de semicondutores europeu.

Analistas alertam que as montadoras europeias podem ser forçadas a interromper linhas de produção em até 10 dias se o fornecimento não for retomado.

— Dada a escala das operações da Nexperia, qualquer interrupção pode ter efeitos dramáticos nas cadeias de suprimento industriais — disse Chris Miller, autor do livro “Chip War”.

A crise ocorre num momento de fragilidade do setor automotivo europeu, que já enfrenta queda na demanda, aumento de custos e tensões comerciais globais. A guerra na Ucrânia também dificultou o transporte de insumos entre a Ásia e a Europa.

Karremans, que assumiu o ministério interinamente após a saída da coligação de direita liderada por Geert Wilders, afirmou que “não é mais possível ficar de braços cruzados em relação à política industrial”. Ele anunciou ainda investimentos de €700 milhões em centros de inteligência artificial e competitividade tecnológica.

Enquanto isso, a China acusa a Holanda de comprometer a estabilidade da cadeia global de suprimentos. O ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, advertiu que a tomada de controle da Nexperia “afetou seriamente a confiança e a previsibilidade do mercado internacional”.

O Estado de S.Paulo - SP   24/10/2025

Muita gente pergunta se os carros elétricos vão dominar a frota nacional. A resposta é, clara: não. Pelo menos no futuro próximo. Afinal, além de todo um jogo de interesses por trás dos motores a combustão (desde plantações de cana-de-açúcar, à exploração de petróleo e postos de combustíveis), tem ainda o fato da infraestrutura longe do ideal e, também, o alto custo. Para se ter ideia, o carro elétrico mais barato do Brasil (Renault Kwid E-Tech) ainda custa salgados R$ 21.300 a mais do que o modelo mais em conta com motor flex, o Renault Kwid. Mas o aumento gradual nas vendas de modelos eletrificados (termo que engloba propulsão elétrica e as híbridas convencional e plug-in), sim. Isso já é notável, e tende a crescer ainda mais.

De acordo com projeção realizada pela Strategy&, consultoria estratégica da PwC Brasil, o Brasil terá 35 milhões de veículos eletrificados no Brasil até 2040. A empresa afirma que, a partir de 2027 (com a ampliação da produção local, já encabeçada por BYD e GWM, e a entrada de mais fabricantes no Brasil), o crescimento em ritmo acelerado deve registrar aumento anual médio de 106% - pelo menos até 2029.

Alguns números

As vendas de eletrificados no acumulado do ano (janeiro a setembro) tiveram aumento de 20,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. No total, foram 147.602 emplacamentos de elétricos, híbridos e híbridos plug-in em todo o País.

De acordo com o último balanço, de setembro, modelos elétricos, HEV e PHEV responderam por 9,3% das vendas totais de veículos zero-km do mês. E a tendência de crescimento é certa, afinal, leis de emissões e poluentes vêm obrigando as fabricantes a utilizarem motores mais eficientes, e a saída tem sido a eletrificação. Ou seja, com mais oferta, a procura aumentou. Afinal, o consumidor está cansado dos altos preços dos combustíveis, e carro menos beberrão significa menos visitas aos postos de abastecimento o que, consequentemente, gera menos gasto.

Por conta dessa redução na procura, a pesquisa aponta impacto direto no consumo de combustíveis fósseis (gasolina e diesel). De acordo com o estudo, até 2030 serão 8 bilhões a menos de litros de gasolina e 6 bilhões a menos de diesel consumidos no Brasil. Até 2040, no entanto, o número sobe para, respectivamente, 37 bilhões e 41 bilhões de litros a menos - retração equivalente a 59% e 66% das demandas atuais.

Infomoney - SP   24/10/2025

A Ford registrou um lucro líquido de US$ 2,4 bilhões no terceiro trimestre de 2025, com um ganho por ação diluída de US$ 0,60, acima dos US$ 0,35 previstos por analistas consultados pela FactSet. No mesmo período de 2024, a montadora havia registrado um lucro de US$ 900 milhões.

No terceiro trimestre, o lucro ajustado antes de impostos permaneceu estável em US$ 2,6 bilhões, refletindo um impacto adverso líquido de US$ 700 milhões devido a tarifas.

Casas Bahia e Mercado Livre: como parceria fez BHIA3 saltar e MGLU3 desabar na B3?

A expectativa é que a parceria aumente a participação de mercado do Mercado Livre em segmentos como eletrônicos e eletrodomésticos no Brasil, ao mesmo tempo que impulsiona as vendas da Casas Bahia

A receita superou as expectativas, passando de US$ 46,2 bilhões para US$ 50,5 bilhões, acima dos US$ 47,05 bilhões projetados pelos analistas.
“A Ford apresentou mais um trimestre forte, alcançando mais de 50 bilhões de dólares em receita, impulsionada por nossos incríveis produtos e serviços, a durabilidade da Ford Pro e nosso foco disciplinado em custo e qualidade”, afirmou o presidente e CEO da Ford, Jim Farley.

Agora, a empresa busca compensar o impacto do incêndio na fábrica de alumínio de um fornecedor, que deverá gerar um custo de até US$ 2 bilhões durante o restante do ano, levando a montadora a reduzir suas projeções de lucro e fluxo de caixa para 2025.

Para mitigar esse revés, a Ford planeja aumentar a produção de picapes da Série F movidas a gasolina em 50 mil unidades em 2026, contratando até 1.000 funcionários para apoiar o esforço.

Às 17h30 (horário de Brasília), as ações da Ford subiam 3,7% no after hours em Nova York.

CONSTRUÇÃO CIVIL

O Estado de S.Paulo - SP   24/10/2025

O programa Reforma Casa Brasil, lançado na segunda-feira, 20, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem potencial para adicionar R$ 52,9 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Além disso, a arrecadação de impostos pela demanda gerada pela medida pode aumentar em quase R$ 20 bilhões. O cálculo é de um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), antecipado com exclusividade para o Broadcast.

Voltado para a classe média — e uma aposta do governo Lula para a eleição presidencial de 2026 —, o Reforma Casa Brasil prevê R$ 40 bilhões em crédito habitacional destinados a reformas e ampliações de residências de famílias que já têm casa própria, mas enfrentam problemas estruturais ou de inadequação nas edificações. Caso esses R$ 40 bilhões fossem liberados em um único ano, o impacto total sobre o PIB da construção, que engloba tanto as empresas quanto o segmento de autoconstrução, foi estimado em R$ 17,7 bilhões.

“Esse valor corresponde a 4,9% do PIB setorial estimado para 2024. Considerando a economia como um todo, esse efeito poderia acrescentar 0,38 ponto porcentual ao PIB por conta da soma dos efeitos diretos (construção), indiretos (seus fornecedores) e induzidos (gasto da renda resultante dos dois primeiros)”, escreveram os autores do estudo Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção no Ibre/FGV, e os consultores do instituto Marco Brancher e Robson Gonçalves.

Os efeitos indiretos se referem ao aumento na demanda da indústria e do comércio de materiais, totalizando outros R$ 35,2 bilhões, o equivalente a 4,8% da produção desses elos da cadeia produtiva da construção.

“O setor da construção em si, que é o que produz as edificações, a infraestrutura, que faz as reformas, ele demanda outros bens e serviços de outros setores da economia para fazer esse produto”, afirmou Ana Maria Castelo. “Então ele demanda o tijolo, demanda o cimento, contrata mão de obra, serviços, ele fornece alimentação para essa mão de obra. Ele movimenta a indústria de materiais, movimenta o comércio atacadista e varejista. Essa movimentação, por sua vez, gera mais emprego e mais renda. Uma coisa é o próprio setor que contrata mão de obra para fazer a sua produção, outra coisa são os outros setores que também contratam mão de obra, movimentam a atividade, para entregar para a construção os insumos necessários para eles fazerem as obras e as reformas. Tem uma cadeia.”

O programa levaria ainda a um aumento significativo na arrecadação de impostos: considerando os efeitos diretos, indiretos e induzidos, o Reforma Casa Brasil elevaria o montante de tributos arrecadados em R$ 19,6 bilhões, o equivalente a quase metade do valor de crédito anunciado, ressaltaram os pesquisadores.

Segundo o estudo, o avanço na arrecadação é explicado, principalmente, pelos “fortes efeitos de encadeamento produtivo que o setor da construção é capaz de gerar, beneficiando o conjunto da economia”.

“No final, tudo vai depender de como o recurso vai ser operacionalizado, de como ele vai ser liberado”, ponderou Castelo.

Segundo ela, o programa tem potencial para suprir uma lacuna importante relativa às carências habitacionais do País, mas é necessário que o governo acompanhe e corrija a tempo eventuais distorções, para que os efeitos não se diluam. Castelo menciona dados da Fundação João Pinheiro, apontando que, em 2023, 27,6 milhões de domicílios apresentavam algum tipo de inadequação, o equivalente a 40,8% das moradias urbanas duráveis do País.

“Hoje, o maior gargalo está justamente na questão da mão de obra”, explicou Castelo. “Se eventualmente as pessoas tiverem dificuldade de contratar mão de obra, isso pode já gerar de cara uma dificuldade de contratação do crédito. Então o governo vai ver necessariamente um atendimento aquém do que estava esperando, e aí precisa agir no sentido de treinar mais pessoas voltadas para isso, ver como pode resolver essa questão”, exemplificou.

O governo federal tem adotado diferentes medidas para estimular o setor da construção, mas o empresariado do segmento já relatava dificuldades para contratar trabalhadores. Nesse cenário, a construção sustenta atualmente o maior salário médio de admissão com carteira assinada entre as principais atividades econômicas do País, de acordo com o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), do Ministério do Trabalho. O salário médio de admitidos na construção foi de R$ 2.462,70 em agosto, ante R$ 2.295,01 na média global de todos os contratados.

“O setor de construção é o que tem apresentado o maior salário médio em relação aos demais setores”, ressaltou Janaína Feijó, pesquisadora do Ibre/FGV. “A gente sabe que está ocorrendo uma escassez de mão de obra na construção civil. Os empregadores têm buscado mão de obra, mas não tem. A forma como eles encontram de atrair essa mão de obra é oferecendo maiores salários. E mesmo oferecendo maiores salários, às vezes não encontram mão de obra para suprir os seus cronogramas de atividade.”

Embora o setor vivencie um momento de forte escassez de mão de obra, a Sondagem da Construção da FGV sugere que as empresas do segmento operam com relativa ociosidade e níveis de estoque considerados, majoritariamente, adequados, o que tende a reduzir o impacto inflacionário do programa via preços de material de construção.

O Índice Nacional de Custo da Construção – Disponibilidade Interna (INCC-DI), apurado pela FGV, acumulou alta de 6,78% nos 12 meses encerrados em setembro. Enquanto o componente Mão de Obra respondeu por 4,06 pontos porcentuais dessa taxa de inflação em 12 meses, Materiais, Equipamentos e Serviços contribuíram com 2,72 pontos porcentuais, ou seja, a inflação da construção já vem sendo pressionada pelo custo do trabalho.

NAVAL

InfraRoi - SP   24/10/2025

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) promoveu uma série de leilões de concessões na última quarta-feira (22/10) na B3, em São Paulo. Na ocasião, foram leiloados a concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá (PR) e de dois terminais portuários — para movimentação de passageiros, em Maceió (AL), e para operação offshore de petróleo, no Rio de Janeiro. O total de investimentos garantidos no leilão é de R$ 1,32 bilhão.

O Porto de Paranaguá vai concentrar quase todo o investimento. O Consórcio Canal Galheta Dragagem (CCGD) venceu o leilão e vai investir R$ 1,22 bilhão, sendo responsável pela dragagem e ampliação do calado dos atuais 13,5 metros para 15,5 metros. A obra vai permitir o acesso de navios de grande porte e ampliação da capacidade operacional do porto, elevando a movimentação de cargas e o escoamento da produção.

O aprofundamento do canal possibilitará a operação de navios de contêineres de grande porte, de até 366 metros, e de graneleiros com capacidade para 120 mil toneladas. A previsão é de que cada centímetro a mais no calado do canal de acesso corresponde a um aumento de 60 toneladas de carga no porão do navio.
Dinâmica do certame do Porto de Paranaguá

Neste leilão, a disputa se iniciou com quatro competidores e lances de desconto sobre o valor da tarifa, chegando a 12,63%. Na sequência, a disputa evoluiu para a disputa de viva-voz, com 20 lances realizados sobre o valor da outorga, que chegou a R$ 276 milhões. O CCGD terá que investir R$ 1,22 bilhão nos cinco primeiros anos de concessão, além do valor de outorga pelo prazo de 25 anos. O consórcio CCGD é formado pelas empresas FTSPar e Grupo Deme.

O modelo de leilão de Paranaguá inaugura um novo formato de concessão que servirá de modelo para futuras concessões já previstas para os portos de Santos (SP), Itajaí (SC), Salvador (BA) e Rio Grande (RS).
Concessões de portos

Já nos leilões de concessão dos terminais, o Terminal do Rio de Janeiro teve valor de R$ 104 milhões de outorga, oferecido pela Petrobras, e terá investimentos de R$ 99,4 milhões. Com área de 56.832 m², o Terminal RDJ07 é destinado à movimentação de cargas de apoio logístico offshore, voltadas às atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural.

O plano para o RDJ07 contempla demolição de estruturas antigas e construção de um novo galpão com área mínima de 3.500 m², além da implantação de áreas administrativas e operacionais, portarias e cercamento. As vias internas de acesso também receberão intervenções de melhoria.

Entre os investimentos previstos estão a aquisição de equipamentos de grande porte, como seis guindastes, dez empilhadeiras e vinte carretas, além da instalação de um novo sistema de combate a incêndio e de uma subestação elétrica. As intervenções compõem o conjunto de ações voltadas à modernização da infraestrutura e ao aumento da capacidade operacional do terminal.
Porto de Maceió deve fomentar turismo

Já o Porto de Maceió teve oferta de R$ 50 mil pela outorga, oferecido pelo Consórcio Britto-Macelog II, vencedor do certame. O TMP Maceió é um dos principais pontos de recepção de cruzeiros do Nordeste e terá investimentos estimados em R$ 3,75 milhões. A iniciativa tem como objetivo transformar o terminal em um polo estratégico do turismo marítimo nacional fortalecendo a economia local e melhorando a experiência dos passageiros.

Localizado em uma das capitais mais turísticas do país, o Porto de Maceió movimenta mais de 100 mil passageiros por temporada. Com as obras e melhorias previstas, a expectativa é de ampliação gradual da capacidade de atendimento, hoje limitada a 612 passageiros por dia, além da atração de novas rotas e companhias marítimas.

Com uma área total de 5.678,23 metros quadrados, o projeto de modernização do TMP Maceió contempla diversas melhorias estruturais e operacionais. Está prevista a construção de um novo estacionamento com 112 vagas, pavimentação e sistema de drenagem em uma área de 3.050 metros quadrados. A concessionária deverá também adquirir novos mobiliários e equipamentos de apoio, incluindo cadeiras, mesas, sofás e sistemas de controle de passageiros e bagagens.

Serão ainda implantados novos equipamentos de segurança e combate a incêndio, que integrarão o conjunto de bens reversíveis ao poder público ao término da concessão, garantindo padrões de qualidade e conforto compatíveis com os principais destinos de cruzeiros internacionais.

PETROLÍFERO

Globo Online - RJ   24/10/2025

Grandes empresas petrolíferas estatais da China suspenderam as compras de petróleo russo transportado por via marítima após a imposição de sanções dos Estados Unidos contra as gigantes Rosneft e Lukoil, principais produtoras de petróleo da Rússia. A informação foi confirmada por diversas fontes comerciais à agência Reuters nesta quinta-feira.

A decisão marca um novo golpe nas exportações de Moscou, que já enfrentam pressão com as refinarias da Índia — atualmente o maior comprador do produto transportado por mar — prestes a cortar drasticamente suas importações de petróleo bruto da Rússia. A medida atende às sanções impostas pelos Estados Unidos após o fracasso das negociações para encerrar a guerra na Ucrânia.

De acordo com as fontes ouvidas pela Reuters, empresas petrolíferas nacionais chinesas como PetroChina, Sinopec, CNOOC e Zhenhua Oil vão se abster de negociar petróleo russo transportado por via marítima pelo menos no curto prazo, devido à preocupação com as sanções americanas.

A China, que importa cerca de 1,4 milhão de barris de petróleo russo por dia por via marítima, compra a maior parte do volume por meio de refinarias independentes, geralmente pequenas operadoras. Já as compras de empresas estatais variam muito.

A Unipec, braço comercial da Sinopec, interrompeu as compras de petróleo russo na semana passada, depois que o Reino Unido incluiu a Rosneft, a Lukoil e diversos navios de frota paralela — além de entidades chinesas, incluindo uma grande refinaria — em sua lista de sanções.

A Rosneft e a Lukoil, que antes mantinham relações comerciais diretas com clientes asiáticos, passaram a vender a maior parte de seu petróleo por meio de intermediários, para tentar contornar as restrições ocidentais.

Enquanto isso, ainda segundo a Reuters, refinarias independentes chinesas devem interromper temporariamente as compras para avaliar o impacto das novas sanções, mas não devem encerrar totalmente o comércio.

Rússia diz ser imune a sanções dos EUA

Também nesta quinta, a Rússia afirmou que as novas sanções impostas pelos Estados Unidos à sua indústria petrolífera colocam em risco os esforços diplomáticos para encerrar a guerra na Ucrânia. Para o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a decisão de Washington envia uma "mensagem forte" ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, para que acabe com a guerra. O Kremlin acrescentou, no entanto, que o país está imune a essas medidas.

O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na quarta-feira as sanções contra as companhias petrolíferas russas Rosneft e Lukoil, que juntas respondem por mais de 5% da produção global de petróleo, após lamentar que as conversas com Putin para pôr fim ao conflito na Ucrânia não estejam avançando. O republicano vinha resistindo há meses à imposição de restrições contra Moscou, mas sua paciência esgotou depois do fracasso de uma cúpula prevista com Putin em Budapeste.

"É uma mensagem forte e necessária de que a agressão não ficará sem resposta", escreveu Zelensky no X.

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Ao revelar as sanções ao petróleo, Scott Bessent, o secretário do Tesouro dos EUA, deixou claro que Washington estava mirando a capacidade da Rússia de financiar o que se tornou a maior guerra terrestre da Europa desde a Segunda Guerra Mundial e estava pronto para tomar novas medidas.

As sanções dos EUA incluem o congelamento de todos os ativos da Rosneft e da Lukoil nos Estados Unidos, assim como a proibição de todas as empresas americanas de fazer negócios com essas duas gigantes petroleiras russas.

TN Petróleo - RJ   24/10/2025

A PPSA (Pré-Sal Petróleo) deu início, nesta quinta-feira (23), ao processo para a realização do 5º Leilão Spot de Petróleo, marcado para o dia 10 de dezembro de 2025. O certame prevê a comercialização de quatro cargas de 1 milhão de barris de petróleo da União cada, provenientes do campo de Bacalhau, com previsão de embarque entre fevereiro e agosto de 2026.

Esta será a primeira venda de petróleo da União do campo de Bacalhau, que iniciou sua produção no último dia 2025. Os preços ofertados serão referenciados pelo Brent datado e só serão abertos em reunião com a participação de todos os participantes.

Serão convidadas a participar todas as empresas que já operam no pré-sal, além da PRIO e da Refinaria de Mataripe. Este modelo tem sido adotado para a comercialização de cargas spot e os preços ofertados serão referenciados pelo Brent datado.

Petro Notícias - SP   24/10/2025

O pré-sal ainda tem muitas áreas a serem descobertas. A afirmação é da diretora da Agência Nacional do Petróleo (ANP) Symone Araújo, após a realização do 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha, nesta quarta-feira (22), no Rio de Janeiro. O certame foi concluído com cinco áreas arrematadas, localizadas nas bacias de Santos e Campos.

Ao todo, o edital da Oferta Permanente de Partilha poderá atingir, no futuro, o número de 26 blocos do pré-sal disponíveis para irem a leilão (oito deles já estão no edital e podem entrar em futuros certames, outros dois já possuem manifestação conjunta aprovada, enquanto outros 16 ainda aguardam a manifestação conjunta).

“O que vamos observar ao longo dos próximos anos é o aumento gradual do número de áreas ofertadas. Quando você traz 26 blocos, naturalmente traz também blocos com características diferentes. Por exemplo, o bloco Mogno será o primeiro bloco do pré-sal além das 200 milhas náuticas”, afirmou a diretora.

Symone apontou que há uma mudança gradual no perfil dos ativos ofertados nos leilões da ANP. Nas licitações de anos anteriores, os blocos eram descobertas praticamente asseguradas, ainda que com riscos envolvidos. Agora, os próximos certames vão oferecer novas fronteiras exploratórias.

“Os blocos de Ametista e Citrino [que foram arrematados hoje] exemplificam muito bem essa nova fronteira do pré-sal, por assim dizer. É uma área onde avançamos em direção a novas descobertas. Se tudo correr bem e as manifestações conjuntas forem aprovadas, teremos em um novo ciclo da Oferta Permanente uma diversidade ainda maior de blocos, o que também deve atrair empresas com perfis diferentes — inclusive independentes”, acrescentou.

Symone observa um movimento de expansão do centro para as bordas do polígono do pré-sal. Por isso, blocos com essas novas características são esperados. No próximo dia 27 de outubro, será realizado um seminário de avaliação geo-econômica do polígono do pré-sal sob a ótica da ANP. Durante esse evento, serão apresentados novos blocos da camada do pré-sal, entre eles: Rubi, Granada, Mogno, Malaquita, Rodocrosita, Cerusita, Aragonita, Calcedônia, Quartzo, Opala, Siderita, Limonita, Magnetita, Hematita, Calcita, Azurita e Dolomita.

“Esses 16 novos blocos, que ainda aguardam manifestação conjunta, formam um novo conjunto de oportunidades. São áreas que se aproximam mais da borda do pré-sal e pertencem a plays geológicos diferentes, como é o caso de Ametista e Citrino”, afirmou. “Esse movimento é natural e reforça a evolução do nosso conhecimento sobre o polígono do pré-sal. Também é importante destacar o esforço realizado na elaboração dos editais, ajustando-os às características específicas desses blocos exploratórios”, concluiu a diretora da ANP.

Valor - SP   24/10/2025

Segundo o gerente-executivo de programas estratégicos da petroleira, foi uma discussão técnica acirrada, com a qual "todo mundo aprendeu"; ele elogiou a atuação “pacificadora” da ministra Marina Silva no processo

No processo de licenciamento para exploração na Bacia da Foz do Amazonas, “não houve vencedores e derrotados, foi uma discussão técnica acirrada e que todo mundo aprendeu”, disse o gerente-executivo de programas estratégicos da Petrobras, Wagner Victer, a jornalistas, após evento na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), nesta quinta-feira (23).

Ele também elogiou a atuação “pacificadora” da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Marina Silva, que, em entrevista na quarta-feira (22), defendeu que a licença ambiental foi uma decisão técnica do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Victer avaliou que o processo de perfuração para pesquisa exploratória “está indo muito bem” e que se trata de uma atividade padrão para a empresa, que domina a tecnologia e realiza operações semelhantes em outras bacias. “É uma atividade normal que a empresa faz bem”, disse Victer.

O processo de exploração, que se iniciou logo após o Ibama conceder licença para a Petrobras na segunda (20), é a fase de pesquisa para avaliar se existe óleo no local e não inclui produção de petróleo. A estimativa da estatal é que estudos na região devem durar cinco meses.

A Foz do Amazonas é uma das cinco bacias que compõem a Margem Equatorial, região que vai desde o Amapá até o Rio Grande do Norte.

Globo Online - RJ   24/10/2025

A Petrobras pediu ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) para diminuir o valor a ser pago em compensação ambiental para perfurar um poço exploratório na Foz do Rio Amazonas, na costa do Amapá. A estatal quer que o valor saia de R$ 39 milhões para cerca de R$ 3,9 milhões.

Em documento que o GLOBO teve acesso, a estatal pede a revisão de algumas das 29 condicionantes impostas pelo Ibama, entre elas o pagamento de R$ 39 milhões como compensação ambiental.

“Conforme carta, o Valor de Referência da Atividade corresponde a R$ 793.291.133,22. Aplicando o percentual de 0,5% sobre esse valor, o montante final devido à Compensação Ambiental seria de R$ 3.966.455,66”, escreve a empresa.

A Petrobras recebeu nesta segunda-feira a licença de operação no Ibama para perfuração de um poço exploratório no bloco FZA-M-059, localizado em águas profundas do Amapá, a 500 quilômetros da bacia da Foz do Rio Amazonas em sim e a 175 km da costa, na Margem Equatorial brasileira. A discussão sobre o licenciamento ambiental se estende desde 2020.

Com isso, se inicia a fase pesquisa exploratória. Agora, a estatal busca obter mais informações geológicas e avaliar se há petróleo e gás na área em escala econômica. Não há produção de petróleo nessa fase.

A licença Licença de Operação emitida pelo Ibama lista 29 “condições específicas” para a Petrobras. Além do valor a ser pago pela compensação ambiental, a Petrobras também pede mudança das coordenadas do poço a ser explorado, e de artigos que versam sobre diretrizes no descarte de cascalhos no mar, e abandono da exploração.

O licenciamento de poços na Margem Equatorial é importante para a Petrobras, que prevê uma queda na produção de petróleo nos próximos anos. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) prevê que a exploração da porção noroeste da Bacia da Foz do Amazonas, pode produzir 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente (boe). Como base de comparação, as reservas provadas da Petrobras somam 11,4 bilhões de boe.

TN Petróleo - RJ   24/10/2025

A Equinor arrematou, nesta quarta-feira (22), duas áreas exploratórias durante o 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha (OPP), realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Itaimbezinho e Jaspe, que integram o Polígono do Pré-sal, estão localizadas na Bacia de Campos, onde a companhia iniciou suas operações no Brasil com o campo de Peregrino e onde desenvolve o Projeto Raia.

"Nosso resultado positivo nessa rodada, garantindo duas novas oportunidades de exploração no Brasil, nos enche de orgulho. Esse é mais um marco que reforça o nosso compromisso com o Brasil, um país-chave em nosso portfólio internacional. Estamos adicionando longevidade ao nosso portfólio, ao mesmo tempo em que provamos que somos capazes de executar projetos complexos e de larga-escala, como fizemos com Bacalhau na última semana", afirma Veronica Coelho (foto), presidente da Equinor no Brasil.

Na Oferta Permanente de Partilha, os consórcios que ofertarem maior percentual de excedente em óleo para a União são considerados vencedores. Desta forma, a Equinor (100% e operadora) arrematou o bloco de Itaimbezinho com um percentual ofertado de 6,95%. Já em Jaspe, o consórcio formado pela Petrobras (60% e operadora) e Equinor (40%) venceu o certame ao oferecer um percentual de excedente em óleo de 32,85%.

Além das mais de duas décadas de operação na área, período no qual a companhia adquiriu capacidade técnica e conhecimento local, os blocos arrematados apresentam possíveis sinergias com infraestruturas em desenvolvimento pela companhia na Bacia de Campos.

Itaimbezinho, por exemplo, está a cerca de 15 quilômetros de Raia, projeto com previsão de entrada em operação em 2028, capaz de escoar 16 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. O volume será o equivalente a 15% da demanda nacional de gás brasileira à época.

O Estado de S.Paulo - SP   24/10/2025

Oito organizações e redes dos movimentos ambientalistas, indígena, quilombola e de pescadores artesanais entraram na quarta-feira, 22, com uma ação na Justiça Federal no Pará contra o Ibama, a Petrobras e a União, pedindo anulação do licenciamento do bloco FZA-M-59, que permitiu à Petrobras iniciar a perfuração de petróleo na bacia sedimentar da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira.

A ação foi protocolada na 9ª Vara da cidade de Belém pela Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), a Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), a Conaq (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas), a Confrem (Comissão Nacional para o Fortalecimento das Reservas Extrativistas e dos Povos Extrativistas Costeiros e Marinhos), o Greenpeace Brasil, o Instituto Arayara, o Observatório do Clima e o WWF-Brasil também pedem liminar suspendendo imediatamente as atividades de perfuração, sob risco de danos irreversíveis ao meio ambiente.

Segundo a ação, não foi realizado o Estudo de Componente Indígena nem o Estudo de Componente Quilombola no licenciamento. Também não teria sido apresentado um estudo de modelagem que apontasse o que aconteceria com o óleo em caso de acidente, e o licenciamento ainda teria ignorado os impactos climáticos.

Condicionantes

A licença de operação foi liberada para a Petrobras pelo Ibama com 29 condicionantes. Entre elas estão a implementação do Plano de Emergência Individual, Projeto de Monitoramento de Impactos de Plataformas e Embarcações sobre a Avifauna (PMAVE), Plano de Prevenção e Controle de Espécies Exóticas (PPCEX), Projeto de Educação Ambiental dos Trabalhadores (PEAT), Projeto de Controle da Poluição (PCP), dentre outros.

O documento técnico também ressalta que a licença não exime a companhia da obtenção de autorizações junto a outros órgãos e instituições, se eventualmente exigíveis.

Quando o licenciamento foi autorizado, a Petrobras afirmou em nota que a pesquisa exploratória tem por objetivo obter “informações geológicas e avaliar se há petróleo e gás na área em escala econômica” e esclarece que “não há produção de petróleo nessa fase”.

O bloco FZA-M-59, que abriga o poço de Morpho (onde os trabalhos de perfuração já começaram, segundo a Petrobras), é apenas o primeiro de uma série na bacia da Foz do Amazonas. Há outros oito blocos em licenciamento e 19 arrematados no leilão da ANP em junho.

“A abertura de uma nova fronteira exploratória do petróleo via liberação do bloco FZA-M-59 implicará, em plena crise climática, aumento na produção de combustíveis fósseis, que, por sua vez, elevará as emissões de gases de efeito estufa no país e no mundo”, argumentou o Instituto Arayara em nota.

RODOVIÁRIO

Diário do Comércio - MG   24/10/2025

O ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB-AL), projeta R$ 200 bilhões de investimentos contratados em rodovias cedidas à iniciativa privada até o final do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em dezembro de 2026.

Ele esteve na B3 para o leilão do lote quatro de rodovias do Paraná, realizado, em São Paulo, nesta quinta-feira (23). O certame foi vencido pelo Consórcio Infraestrutura PR, composto por EPR Participações e o fundo de investimento Perfin.

Segundo o ministro, até o fim de 2025 vai acontecer um novo leilão rodoviário a cada semana. No próximo dia 30, será licitado mais um lote de estradas paranaenses.

“É um conjunto de leilões muito arrojado. É algo muito significativo que o país tenha feito 24 leilões desde o início de concessão, em 1998, até 2022 e nós vamos terminar este ano com 22 leilões e faremos mais 14 no ano que vem”, disse Renan Filho.

A última concessão deste ano será, de acordo com o Ministério dos Transportes, a Fernão Dias (BR-381), ligando São Paulo a Belo Horizonte.

Pelos números da pasta, as rodovias são responsáveis por R$ 200 bilhões dos R$ 300 bilhões de investimentos contratados por concessões no governo Lula. Os outros leilões são portuários, de aeroportos e conservação de florestas.

Em todos os certames na B3 com participação de ministros, eles têm batido na tecla de que a queda dos juros vai melhorar a condição para investimentos. Renan Filho disse isso nesta quinta-feira da mesma forma que o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos-PE), o fez na quarta-feira (22), na concessão do canal de acesso do porto de Paranaguá.

“Se a taxa de juros cair, facilita mais ainda, melhor. Mas não atrapalha decisivamente os projetos com esse novo arranjo que a gente tem feito. Debêntures de infraestrutura têm garantido que a gente eleve em muito o investimento a custos menores do que a taxa de juros de curto prazo. A leitura que o mercado faz é de uma taxa de longo prazo e são contratos de 30 anos”, completa.

Renan Filho citou o caso da empresa Pátria, que venceu o primeiro lote de rodovias do Paraná e conseguiu investimentos dos fundos soberanos de Singapura e Arábia Saudita. Estes são remunerados a taxas de 2% ao ano, menor do que a Selic atual no Brasil (15%).

Exame - SP   24/10/2025

O consórcio da EPR com um fundo de investimentos da Perfin venceu o leilão do Lote 4 de Rodovias Integradas do Paraná. A empresa ofereceu um desconto de 21,3% em relação ao valor da tarifa de referência estipulada no edital. A disputa foi acirrada com quatro participantes e disputa em viva-voz.

Essa é a terceira concessão que a plataforma da Equipav e Perfin vence só no Paraná. O grupo já opera o Lote 2 e Lote 6.

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Segundo o edital, o critério para a escolha do vencedor foi a maior porcentagem de desconto em relação ao valor da tarifa de pedágio. Além do vencedor, participaram do certame a Motiva (ex-CCR), a portuguesa Mota-Engil e a Reune Rodovias, da Pátria.

Com investimentos previstos de R$ 18,17 bilhões, o contrato terá duração de 30 anos e abrangerá 627,5 quilômetros.

Serão administradas pela iniciativa privada as BRs-272/369/376 e PRs 182/272/317/323/444/862/897/986.

Este é o 4° lote da série de seis concessões que o ministério dos Transporte e o governo do Paraná promovem. Os investimentos em mais de 3 mil quilômetros de estradas irão ultrapassar R$ 60 bilhões, ao longo de 30 anos de contrato.

Quais são as obras previstas para o Lote 4?

O projeto contempla mais de 231 km de duplicações, 87,11 km de faixas adicionais, 39,49 km de contornos, 4 correções de traçado, além da implantação de 74 passarelas, 174 pontos de ônibus, 8 passagens de fauna, 18 barreiras acústicas, 28 caixas para contenção de produtos perigosos, entre outras obras de arte especiais e intervenções voltadas à modernização e segurança da malha rodoviária.

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