IstoÉ Dinheiro - SP 23/02/2026
A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de considerar inadequado o uso de tarifas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês) reduzirá parcela relevante das sobretaxas atualmente aplicadas às exportações brasileiras, avalia a Amcham Brasil, acrescentando que isso deve melhorar as condições de competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.
Contudo, a entidade destaca que seguem em vigor tarifas aplicadas às exportações brasileiras com fundamento em segurança nacional (Seção 232), incluindo setores como aço e alumínio. Também permanece em curso a investigação amparada na Seção 301, relativa a políticas e práticas comerciais brasileiras, que poderá resultar na adoção de novas medidas comerciais.
A Amcham Brasil ressalta ainda que “permanece a possibilidade de adoção de novas medidas tarifárias pelos Estados Unidos com base em instrumentos jurídicos distintos da legislação de emergência econômica”.
Diante desse cenário, a Amcham Brasil reforça que o momento exige intensificação do diálogo bilateral e avanço em negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, com foco na redução de barreiras e na ampliação do comércio e dos investimentos entre as duas economias. “Para a Amcham, o anúncio de um encontro próximo entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos representa uma janela estratégica para alcançar esse objetivo.”
IstoÉ Dinheiro - SP 23/02/2026
A Fitch Ratings rebaixou os ratings Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) diante da alavancagem bruta e líquida persistentemente alta, do fluxo de caixa livre negativo contínuo e do elevado risco de refinanciamento no nível da holding.
Em decisão anunciada nesta sexta-feira, 20, a agência rebaixou o rating de inadimplência do emissor (IDRs) de longo prazo em moeda estrangeira e local da CSN de ‘BB-‘ para ‘B’ e seus ratings nacionais de longo prazo de ‘AA-(bra)’ para ‘BBB-(bra)’.
A Fitch também rebaixou as notas seniores não garantidas da CSN Inova Ventures e da CSN Resources S.A., garantidas pela CSN, de ‘BB-‘ para ‘B’, e atribuiu um rating de Recuperação de ‘RR4’. Os ratings nacionais de longo prazo e as notas seniores não garantidas da CSN Mineração S.A. também foram rebaixados de ‘AA-(bra)’ para ‘BBB-(bra)’. A observação para possível rebaixamento permanece negativa.
Para a Fitch, a observação para possível rebaixamento reflete os desafios da CSN na execução de sua estratégia de desalavancagem por meio da venda de ativos no médio prazo. Também reflete a incerteza quanto à capacidade da companhia de obter financiamento oportuno em condições competitivas para implementar sua estratégia de desinvestimento e amortizar sua dívida.
Na quinta-feira, o Estadão revelou que a holding de negócios J&F Investimentos, dos irmãos Batista (Joesley e Wesley), dona da multinacional JBS, está analisando a aquisição do controle da CSN Cimentos, da CSN.
Diário do Comércio - MG 23/02/2026
A pesquisa reúne dados da indústria, comércio, serviços e agropecuária e é considerada uma prévia do produto interno bruto (PIB), indicador do conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país.
O resultado de 2025 representa o quinto ano seguido de alta, mesmo com perda de ritmo nos últimos meses. Em 2024, o avanço tinha sido de 3,4%.
Em dezembro, o PIB teve variação nula (0%) na comparação com novembro, e, no quarto trimestre, também ficou estável em relação ao terceiro.
Setores
Ao detalhar o comportamento setorial da economia, o Monitor do PIB estima que o consumo das famílias cresceu 1,5% em 2025.
A chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que reflete o nível de investimento da economia, como compras de máquinas e equipamentos, teve expansão de 3,6% no ano.
No comércio exterior, as exportações avançaram 6,2% em 2025, enquanto as importações, 5,1%.
O estudo estima que a taxa de investimento da economia foi de 17,1%, a maior dos últimos três anos.
Recordes
De acordo com a FGV, em termos monetários, o PIB brasileiro em valores correntes atingiu R$ 12,63 trilhões, o maior valor da série histórica.
Já o PIB per capita - valor do PIB dividido pelo tamanho da população do país - alcançou R$ 59.182, também um patamar recorde.
Análise
De acordo com a coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre, a economista Juliana Trece, os juros altos foram um dos motivos que levaram à perda de força no crescimento da economia em 2025.
“Nota-se evidente perda de fôlego do PIB ao longo de 2025, com a taxa, na série ajustada sazonalmente [ajuste que permite a comparação entre meses e trimestres imediatamente seguidos], tendo iniciado o ano com forte crescimento e terminado estável no quarto trimestre de 2025”.
Efeito dos juros
Juliana Trece assinala que 2025 foi “um ano de forte aperto monetário e imposição de tarifas ao Brasil”.
O aperto monetário se refere à alta taxa de juros. Em setembro de 2024, preocupado com a trajetória da inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou uma escalada da taxa básica de juros da economia, a Selic, então em 10,5% ao ano, elevando-a até 15% em junho de 2025, assim permanecendo até os dias atuais.
A meta de inflação do governo é de 3% no acumulado de 12 meses, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para mais ou para menos.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o número oficial da inflação, chegou a ficar 13 meses fora do intervalo de tolerância, o que inclui praticamente todo o ano de 2025.
A Selic influencia todas as demais taxas de juros do país e, quando elevada, age de forma restritiva na economia, ou seja, encarece operações de crédito e desestimula investimentos e consumo.
O impacto esperado é a menor procura por produtos e serviços, esfriando a inflação. O efeito colateral é que a economia em marcha lenta tende a diminuir a geração de empregos.
Apesar da pressão restritiva, 2025 terminou com o menor percentual já registrado na taxa de desemprego, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Tarifaço
O outro efeito citado pela economista é o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciado em agosto de 2025. A aplicação de taxas adicionais sobre o Brasil levou à redução das vendas externas aos americanos.
O governo dos Estados Unidos afirma que a medida pretende proteger a economia americana, já que, com a taxação, o país tende a fabricar produtos localmente em vez de adquiri-los no exterior. Nesta sexta-feira, uma decisão da Suprema Corte dos EUA derrubou a política tarifária de Trump.
Em novembro, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, calculou que 22% das exportações para os Estados Unidos estavam sujeitas às sobretaxas.
Resultado oficial
O Monitor do PIB é um dos estudos que servem como termômetros da economia brasileira. Outro levantamento é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na última quarta-feira (19), que indicou expansão de 2,5% em 2025.
O resultado oficial do PIB é aferido e apresentado pelo IBGE. O comportamento de 2025 será divulgado no próximo dia 3 de março.
O Estado de S.Paulo - SP 23/02/2026
A economia dos Estados Unidos cresceu 2,2% em 2025, em comparação com 2,3% no ano anterior. Os números são preliminares e serão revisados pelo menos duas vezes nos próximos meses.
No final do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) americano — a produção nacional de bens e serviços — desacelerou, encerrando um ano volátil. Em 2025, o crescimento da economia se manteve firme, já que consumidores resilientes e um boom de investimentos em inteligência artificial ajudaram a manter o crescimento nos trilhos, apesar das tarifas, da incerteza e da mais longa paralisação do governo da história.
O PIB ajustado pela inflação cresceu a uma taxa anual de 1,4% nos últimos três meses do ano, segundo informou o Departamento de Comércio dos EUA nesta sexta-feira, 20. Isso representou uma queda acentuada em relação à taxa de 4,4% no terceiro trimestre (de julho a setembro) e de 3,8% no trimestre anterior, em parte devido à paralisação prolongada.
Uma desaceleração nos gastos do governo e dos consumidores contribuiu para a desaceleração do crescimento no quarto trimestre, informou o governo.
O crescimento no período foi prejudicado pela paralisação do governo federal de 43 dias, que deixou centenas de milhares de funcionários públicos temporariamente sem salários. Os trabalhadores afastados acabaram recebendo seus salários atrasados, e os economistas acreditam que o impacto de longo prazo da paralisação no PIB será pequeno. Mas o episódio pode ter reduzido o crescimento em cerca de 1 ponto percentual no final de 2025; a recuperação subsequente deve elevar o crescimento em uma quantidade semelhante no início de 2026.
Os gastos dos consumidores aumentaram apenas 2,2%, uma desaceleração significativa em relação ao ganho de 3,5% do terceiro trimestre. O relatório destaca um aspecto curioso da economia dos EUA: ela cresce constantemente, mas sem criar muitos empregos.
Um relatório do governo divulgado na semana passada mostrou que os empregadores criaram menos de 200 mil vagas no ano passado — o menor número desde o início da pandemia da covid, em 2020.
Economistas apontam várias razões possíveis para essa diferença: a repressão da administração Trump à imigração desacelerou drasticamente o crescimento populacional, reduzindo o número de pessoas disponíveis para ocupar empregos.
Essa é uma das razões pelas quais a taxa de desemprego subiu apenas ligeiramente — de 4% para 4,3% — no ano passado, mesmo com a contratação quase inexistente. Algumas empresas também podem estar evitando criar empregos devido à incerteza sobre se a inteligência artificial lhes permitirá produzir mais sem precisar contratar novos funcionários. Além disso, o custo das tarifas reduziu os lucros de muitas empresas, possivelmente levando-as a cortar contratações.
A economia também atravessa um momento incomum, pois o crescimento é sólido, a inflação desacelerou um pouco e o desemprego está baixo, mas pesquisas mostram que os americanos estão, em geral, pessimistas em relação à economia.
Em janeiro, um indicador de confiança do consumidor caiu para seu nível mais baixo desde 2014, mas os consumidores continuaram gastando. Parte desses gastos pode ser impulsionada desproporcionalmente por consumidores de renda mais alta. No entanto, dados de grandes bancos sugerem que os consumidores de renda mais baixa ainda estão aumentando seus gastos, mesmo que em menor intensidade./Com AP e NYT
IstoÉ Online - SP 23/02/2026
Após Suprema Corte derrubar "tarifaço", presidente busca bases legais para manter ofensiva comercial. Sobretaxa de 50% a produtos brasileiros serão substituídas por nova alíquota.Um dia após anunciar uma tarifa global comum de 10% sobre importações, o presidente dos EUA, Donald Trump, elevou o percentual da sanção para 15%. As decisões ocorrem após a Suprema Corte americana considerar ilegal grande parte do tarifaço anteriormente imposto por ele, o que obrigou a Casa Branca a recalibrar sua política comercial.
Trump afirmou em sua plataforma Truth Social que, após uma análise detalhada da "decisão extraordinariamente antiamericana" tomada na sexta-feira pela Corte para limitar seu programa tarifário, o governo aumentaria as tarifas "para o nível totalmente permitido e já testado legalmente de 15%".
As novas tarifas se apoiam em uma legislação separada, ainda não testada, conhecida como Seção 122, que permite barreiras comerciais de até 15%. Elas são válidas por 150 dias e precisam de aprovação do Congresso para serem prorrogadas. Nenhum presidente havia recorrido antes ao dispositivo, e seu uso pode gerar novos questionamentos legais.
Segundo um informativo da Casa Branca, continuam valendo isenções para setores que estão sob investigações separadas, incluindo o farmacêutico, minerais críticos e energia, e para bens que entram nos EUA sob o acordo Estados Unidos-México-Canadá. Já tarifas específicas adicionais para o aço e alumínio continuam em vigor.
Na sexta-feira, o governo afirmou que parceiros que firmaram acordos tarifários separados com os EUA também estarão sujeitos à nova tarifa global.
Suprema Corte derruba tarifas "recíprocas"
Por 6 votos a 3, os magistrados rejeitaram o uso de uma lei de poderes de emergência para impor as amplas tarifas "recíprocas" de Trump, aplicadas a quase todo o mundo em abril do ano passado – chegando, em alguns casos, a 50%.
Na prática, a decisão estabelece limites ao poder do presidente para impor tarifas sem a aprovação do Congresso, afetando diretamente as sobretaxas adotadas contra o Brasil.
Nesse caso, caem as "tarifas recíprocas" de 10% anunciadas contra o Brasil em abril de 2025 e a sobretaxa de 40% que retaliava o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na prática, a nova alíquota de 15% passa a ser somada às tarifas que já estavam em vigor antes das medidas de Trump para cada conjunto de produtos brasileiros.
O republicano alegou que a maioria de seis juízes, incluindo dois indicados durante seu primeiro mandato, teria sido "influenciada por interesses estrangeiros". "Acho que interesses estrangeiros estão sendo representados por pessoas que, na minha visão, têm influência indevida", afirmou.
A decisão marcou uma reprimenda da Suprema Corte, que em grande parte vinha apoiando o presidente desde seu retorno ao cargo, e representou um revés político significativo ao derrubar a política econômica mais emblemática de Trump.
Trump procura alternativas
No entanto, a medida deste sábado indica que o presidente republicano não deve recuar de sua guerra comercial, usada por ele para pressionar e punir países, aliados e adversários.
Especialistas em comércio e assessores do Congresso duvidam que o Legislativo, de maioria republicana, prorrogue as tarifas, especialmente diante de pesquisas que mostram um número crescente de americanos culpando os tributos pelo aumento dos preços.
O presidente também indicou que usará o período de 150 dias para trabalhar na emissão de outras alíquotas "legalmente permitidas". O governo pretende recorrer a dois outros dispositivos legais que autorizam tarifas sobre produtos ou países específicos com base em investigações sobre segurança nacional ou práticas comerciais desleais.
As ações em Wall Street subiram modestamente na sexta-feira após a decisão da Corte, enquanto grupos empresariais celebraram amplamente o veredito. A Federação Nacional do Varejo dos EUA afirmou que a decisão "traz a previsibilidade tão necessária" para as empresas.
Nos argumentos apresentados à Corte, o governo Trump havia dito que as empresas receberiam reembolsos caso as tarifas fossem consideradas ilegais. Mas o despacho não abordou essa questão.
Merz propõe resposta coordenada; Brasil vota Mercosul-UE
O chanceler alemão Friedrich Merz apresentará uma posição europeia coordenada sobre as políticas tarifárias americanas quando visitar Washington dentro de cerca de uma semana.
Ele chamou a decisão da Corte de "interessante" e disse que tentará mostrar a Trump que tarifas não prejudicam apenas os parceiros comerciais dos Estados Unidos.
"Vou tentar deixar claro ao governo americano que tarifas prejudicam a todos", enfatizou Merz. "Tarifas prejudicam principalmente o país que as impõe, porque são os consumidores domésticos que acabam pagando por elas."
No Brasil, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que pautará a validação do acordo Mercosul-UE já na próxima semana, com o objetivo de "lutar pela previsibilidade nas relações internacionais" em meio às "incertezas acerca da imposição de tarifas pelos Estados Unidos", disse.
Globo Online - RJ 23/02/2026
O Brasil será o principal beneficiado pelas novas tarifas globais de 15% impostas pelo presidente Donald Trump neste sábado. Segundo o Global Trade Alert, organização independente que monitora políticas comerciais, o país terá, em média, uma redução de 13,6 pontos percentuais nas tarifas. Aliados históricos dos EUA, como Reino Unido, Japão e União Europeia, serão os principais prejudicados com a nova taxa. A análise completa foi reportada pelo jornal Financial Times.
Já o chefe de comércio do Parlamento Europeu irá propor o congelamento do processo de ratificação do acordo comercial da União Europeia com os Estados Unidos até que recebam detalhes do governo do presidente Donald Trump sobre sua política comercial.
As novas tarifas afetam os principais aliados dos EUA, pois suas exportações são dominadas por aço, alumínio e automóveis, setores taxados sob outros regimes que permanecem em vigor após a decisão de sexta-feira.
Brasil foi bastante afetado pelo primeiro tarifaço
Em abril de 2025, Trump havia anunciado as chamadas tarifas recíprocas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA, na sigla em inglês). Isso incluiu uma tarifa global de 10% sobre importações de parceiros e taxas adicionais a certos países. O que a Suprema Corte derrubou na sexta-feira foi justamente o uso dessa lei para embasar a aplicação das tarifas.
A nova taxa anunciada por Trump no sábado tem como base outro marco jurídico, a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite ao presidente impor tarifas por até 150 dias sem aprovação do Congresso. O instrumento nunca foi acionado por um governante americano.
No caso brasileiro, a sobretaxa total chegou a 50% (10% da tarifa universal imposta em 2025 mais 40% extra) para alguns produtos. Depois, um grupo de itens foi completamente isento, como carne e café. Não está claro se essas mercadorias que gozavam de isenção passarão a ser taxadas com a nova alíquota de 15%.
Mas os produtos brasileiros que não entraram na lista de isenções serão beneficiados com a substituição da tarifa anterior pela nova. De acordo com documento divulgado em novembro pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), 22% do que é exportado para os EUA ainda estavam sujeitos ao tarifaço de 50% no fim do ano passado.
Há ainda produtos brasileiros que estão enquadrados em outra regra, como aço e alumínio. Esses itens estão sujeitos à chamada seção 232, instrumento legal que autoriza o presidente dos Estados Unidos a impor tarifas e outras restrições sobre importações que possam ameaçar a segurança nacional. Eles representavam em novembro passado, 27% das exportações brasileiras para os americanos. Para estes, nada muda.
O Estado de S.Paulo - SP 23/02/2026
Os números de leilões realizados no âmbito da B3 apresentam uma crescente constante. Dos 27, em 2020, passou por 38 em 2023 até chegar aos 75 no ano passado. De acordo com Guilherme Peixoto, chefe de Leilões da B3, 2026 será ainda melhor. Para o executivo, além de o investidor internacional sentir-se seguro com o ambiente criado para as PPPs e concessões no Brasil, a pauta está cada vez menos ideológica e mais técnica.
Os principais avanços e gargalos do setor estarão em debate no evento P3C — PPPs e Concessões — Investimentos em infraestrutura no Brasil. O evento será realizado nos dias 23 e 24 de fevereiro no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo. Mais informações sobre inscrições e programação pelo site https://www.evento.p3c.com.br . Acompanhe o evento nas redes sociais do Estadão e no portal estadao.com.br.
A seguir, trechos da entrevista.
O País já atingiu seu potencial máximo em concessões e PPPs?
O Brasil ainda está longe do seu potencial máximo. Somos um País com enorme carência de infraestrutura e uma janela de oportunidades que pode durar décadas. Países europeus, por exemplo, já têm cerca de 95% da infraestrutura pronta. Ainda assim, estamos em uma trajetória claramente ascendente. Ano após ano, batemos recordes. Em 2024, realizamos 64 leilões. Em 2025, foram 75. Para 2026, já temos 39 leilões agendados e a expectativa é fechar o ano com um novo recorde.
Questões como ESG e sustentabilidade são parte estrutural dos projetos mais recentes?
O poder público tem sido protagonista nessa agenda. A maioria esmagadora dos projetos já nasce com critérios ESG incorporados desde a concepção. Projetos rodoviários incluem compensações de carbono; saneamento é ESG por definição, com impacto direto na saúde pública; portos também incorporam critérios ambientais. Além disso, temos projetos de concessão florestal, que colocam o Brasil no caminho de se consolidar como uma potência verde, levando renda e desenvolvimento para a floresta ao mesmo tempo em que se preserva o meio ambiente.
A agenda das privatizações está devidamente amadurecida?
O Brasil de 2026 é um país maduro para promover concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs). A agenda de infraestrutura é hoje incontestável. Ela atravessa governos, ideologias e ciclos políticos. E esse é um dos maiores avanços institucionais que o País construiu nas últimas décadas.
O ambiente hoje, em termos gerais, é mais técnico e menos ideológico?
Os números mostram isso com clareza. A agenda de infraestrutura no Brasil hoje não é ideológica. Ela é pragmática. Concessões e PPPs se tornaram uma das bases do crescimento econômico do País, atraindo bilhões em investimentos. Dez anos atrás, era difícil imaginar que as PPPs seriam um dos principais motores da economia brasileira. Hoje, isso é uma realidade consolidada.
Qual é, afinal, o papel da B3 nos processos de concessões e parcerias público-privadas no Brasil?
A atuação da B3 no apoio aos processos licitatórios do governo para grandes projetos de infraestrutura nasce ainda na década de 1990, com o ciclo de privatizações. Naquele momento, as vendas de empresas estatais eram, em sua maioria, realizadas em Bolsa, o que criava uma conexão direta entre o papel da Bolsa de Valores e esses processos. Foi assim em operações como CSN, Usiminas, bancos estaduais e o sistema Telebrás. A partir do início dos anos 2000, com o apagão energético e o avanço das concessões no setor elétrico, o governo entendeu que esses novos processos também precisavam ocorrer em um ambiente reconhecido internacionalmente por boas práticas de governança, transparência e neutralidade. A partir daí, a Bolsa passou a apoiar concessões de energia e, mais tarde, rodovias, portos e aeroportos. Em especial após os projetos ligados à Copa do Mundo e às Olimpíadas, a atuação da B3 se expandiu para praticamente toda a agenda federal de concessões de infraestrutura.
Como essa atuação evoluiu ao longo do tempo, especialmente com a expansão das PPPs no país?
Essa trajetória acompanha a própria ampliação da agenda de infraestrutura no Brasil. Em 2017, com a criação do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), o país passou a ter um centro de governo dedicado a olhar estrategicamente para concessões e PPPs. Esse fortalecimento institucional ampliou também a nossa atuação junto aos estados. No início da década de 2010, trabalhávamos basicamente com dois estados, Bahia e São Paulo. Hoje, mantemos relacionamento constante com mais de 20 estados que já têm carteira estruturada de projetos. De forma objetiva, só não atua com a B3 quem ainda não tem projetos prontos para ir a mercado.
Onde exatamente vocês entram no ciclo de uma PPP?
A B3 atua no momento crucial em que o projeto sai do papel e vai a mercado. O poder público estrutura o projeto com apoio de consultores técnicos, financeiros, jurídicos e ambientais. Quando esse projeto está maduro e aprovado, é preciso conduzir o leilão com governança, rigidez e melhores práticas. É nesse ponto que a B3 entra como assessora do processo licitatório, conduzindo o leilão — que é o momento em que o setor público e o privado se encontram.
Na prática, o que isso significa em termos de governança e segurança jurídica?
Significa blindar o processo contra interferências políticas, pressões locais ou questionamentos indevidos. A B3 revisa o edital, faz a custódia dos documentos, garante que nenhuma proposta seja acessada antes do momento correto, conduz a abertura pública, analisa a documentação e emite pareceres independentes. Também fazemos a gestão das garantias apresentadas pelos licitantes, o que protege o processo contra aventureiros e assegura que as regras sejam cumpridas. A B3 acompanha o processo desde o lançamento do edital até a assinatura do contrato. Depois disso, a gestão passa a ser do poder concedente. Além de conduzir tecnicamente os leilões, a B3 exerce um papel mais amplo no ecossistema de PPPs ao fomentar a disseminação de melhores práticas. A instituição atua como um espaço de aprendizado coletivo, promovendo debates sobre desafios recorrentes, dificuldades operacionais e lições acumuladas ao longo dos anos. A premissa é que a evolução desse ambiente não ocorre de forma unilateral: ela depende de diálogo, troca de experiências e amadurecimento conjunto entre setor público, investidores e demais agentes envolvidos nas parcerias público-privadas no Brasil.
Isso ajuda a afastar riscos como insegurança jurídica e desconfiança do mercado?
O mercado reconhece rapidamente quando as melhores práticas estão sendo adotadas — e também quando não estão. Projetos conduzidos em um ambiente de governança robusto, com acompanhamento da B3, tendem a ser “premiados” pelo mercado, seja por maior competição, seja por melhor precificação. Quando essas práticas não são observadas, o mercado reage com desconfiança: participa menos ou precifica pior. Há players relevantes que afirmam abertamente que só participam de projetos conduzidos com apoio da B3, porque sabem que ali existe previsibilidade e neutralidade.
Então a B3 funciona como uma espécie de selo de credibilidade?
A B3 é vista como esse agente neutro que garante que o projeto será conduzido dentro das melhores práticas. Atuamos em prol do projeto, criando um ambiente em que todos os participantes — poder público, investidores e operadores — se sintam seguros quanto à lisura e à qualidade do processo.
E eventos como o P3C ajudam a fortalecer esse ecossistema?
O P3C é um espaço de diálogo onde participam representantes de todos os governos, setores e áreas técnicas. É ali que se discutem aprendizados, desafios e caminhos futuros. Esse debate é fundamental para o amadurecimento contínuo das PPPs no Brasil — e a B3 entende que fomentar esse ambiente também faz parte do seu papel institucional.
IstoÉ Dinheiro - SP 23/02/2026
Pequim foi o parceiro comercial mais importante do país europeu de 2016 a 2023, mas perdeu o posto em 2024. Em 2025, retomou a posição, com 251,8 bilhões de euros em trocas comerciais.A China ultrapassou os Estados Unidos e voltou a figurar como principal parceiro comercial da Alemanha, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (20/02) pelo Departamento Federal de Estatísticas da Alemanha (Destatis).
A soma das exportações e importações entre o país europeu e o asiático totalizou 251,8 bilhões de euros (R$ 1,5 trilhão) em 2025, um aumento de 2,1% em relação ao ano anterior.
Pequim havia sido o parceiro comercial mais importante da Alemanha de 2016 até 2023. Em 2024, os EUA assumiram brevemente a liderança.
O chanceler federal alemão Friedrich Merz também deve visitar a China na próxima semana, onde discutirá comércio e outros temas. Ele também tem viagem marcada a Washington.
Importações chinesas pressionam Alemanha
No ano passado, a Alemanha importou da China bens no valor de 170,6 bilhões de euros (R$ 1 trilhão), um aumento de 8,8% em relação ao ano anterior. As importações chinesas consistiram principalmente em equipamentos de processamento de dados e equipamentos elétricos, além de máquinas.
Como a DW mostrou, Pequim vem ganhando peso também no setor de veículos elétricos e baterias, e pressiona a economia alemã.
Enquanto isso, as exportações alemãs para a China totalizaram 81,3 bilhões de euros (R$ 497 bilhões), uma queda de 9,7% em relação ao ano anterior.
Os EUA foram o segundo maior parceiro comercial da Alemanha no ano passado, com um volume total de comércio exterior de 240,5 bilhões de euros (R$ 1,4 trilhão), queda de 5% em relação ao ano anterior.
As exportações alemãs para os EUA diminuíram após o presidente dos EUA, Donald Trump, introduzir tarifas globais sobre produtos importados. Com isso, as empresas alemãs venderam aos EUA 146,2 bilhões de euros (R$ 896 bilhões )em bens no ano passado, uma queda de 9,4% em comparação com os 12 meses anteriores. Entre os setores mais afetados estavam automóveis e autopeças, com perdas de 17,8%.
IstoÉ Dinheiro - SP 23/02/2026
A decisão da Suprema Corte americana que derrubou o tarifaço do presidente Donald Trump beneficia US$ 21,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos. O cálculo foi feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em comentário sobre a suspensão das tarifas recíprocas de até 50% para a entrada de produtos brasileiros no mercado americano.
Apesar do impacto significativo, a entidade diz, no entanto, que acompanha a decisão com atenção e cautela. Presidente da CNI, Ricardo Alban disse que a instituição seguirá monitorando os desdobramentos para avaliar com mais precisão os impactos para o Brasil.
A CNI frisa que, desde que as tarifas foram aplicadas, tem mobilizado o setor e contrapartes americanas para abrir caminhos de negociação. Esse esforço incluiu uma missão empresarial a Washington com a participação, em setembro, de cerca de 130 empresários. Foram realizadas também reuniões, encontros com empresas e autoridades norte-americanas em defesa da indústria brasileira.
A CNI lembra que a decisão divulgada hoje não derruba tarifas específicas, que atingem aço e alumínio. Além disso, acrescenta, investigações de práticas consideradas desleais, dentro da seção 301, permanecem abertas e podem resultar em novas medidas dos EUA sobre produtos do Brasil.
Diário do Comércio - MG 23/02/2026
Em 2025, a Anglo American ampliou os investimentos no Sistema Minas-Rio em 44% sobre um ano antes, para US$ 603 milhões, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (20). Por outro lado, o capex global da empresa diminuiu 16%, totalizando US$ 3,3 bilhões.
Conforme a mineradora britânica, os aportes no complexo de minério de ferro foram direcionados, principalmente, para a conclusão do projeto da planta de filtragem de rejeitos, que teve o ramp-up iniciado em dezembro, além da substituição planejada de equipamentos.
A companhia também havia aumentado o valor investido no Minas-Rio em 2024 ante 2023 em 13%. À época, foi informado que o crescimento estava relacionado, sobretudo, ao começo da fase de montagem da nova instalação, considerada essencial para a continuidade da operação, localizada em Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas Gerais.
Como informado anteriormente, a planta de filtragem permite à Anglo evitar o lançamento de até 85% dos rejeitos do sistema na barragem, reaproveitar a água no processo produtivo e eliminar a necessidade de uma segunda estrutura de contenção na mina do Sapo. O projeto recebeu um investimento total de aproximadamente R$ 5 bilhões.
Colunas de flotação de relimpeza
Outra iniciativa estratégica para o Minas-Rio é a implementação das colunas de flotação de relimpeza, revelada um ano atrás e prevista para ser concluída em 2028. No ano passado, a Anglo American investiu US$ 100 milhões no projeto, que custará US$ 300 milhões.
Em junho, a CEO da companhia no Brasil, Ana Sanchez, explicou que há uma tendência de queda no teor de ferro nos próximos anos e, com isso, a empresa precisa aumentar a capacidade de flotação, que possibilita a separação das partículas de sílica do minério.
Neste sentido, a mineradora disse no documento que o projeto “visa permitir maior capacidade de processamento mantendo a qualidade do produto”. E afirmou que o impacto médio na produção do sistema com a implementação dos recleaners esperado é de cerca de 2,5 milhões de toneladas (t) até 2040, mas ressaltando que a estimativa está “sujeita a alterações conforme os estudos e autorizações para a Serra da Serpentina avancem”.
Ebitda do complexo minerário sobe 6%
Ainda de acordo com o relatório, a Anglo registrou um EBITDA subjacente de US$ 1,1 bilhão no Sistema Minas-Rio em 2025. O resultado foi 6% maior que o de 2024, impulsionado por um preço médio realizado mais alto – de US$ 89/t, contra US$ 84/t.
Na direção oposta, a empresa reportou uma leve queda de 1% na receita da operação em Conceição do Mato Dentro, que somou US$ 2,7 bilhões. Em linha com a projeção de ficar entre 23 e 25 milhões/t, a produção totalizou 24,8 milhões/t de minério de ferro e também teve uma pequena retração de 1%, como noticiado no início do mês.
Globalmente, o EBITDA subjacente subiu 2%, para US$ 6,4 bilhões, mas a mineradora sofreu um prejuízo líquido de US$ 3,7 bilhões, principalmente em razão de uma baixa contábil no negócio de diamantes De Beers. Já a receita cresceu 5% e chegou a US$ 18,5 bilhões.
O Estado de S.Paulo - SP 23/02/2026
A Vale convive, em vários estágios, com a presença de tecnologias digitais em suas operações de mineração no Sudeste e Norte do País, principalmente na produção de minério de ferro. Uma referência global na commodity do aço, com produção anual de 330 milhões de toneladas, a companhia deu os primeiros passos na Mineração 4.0 em 2017 ao criar um Centro de Inteligência Artificial. No ano passado, a Vale inaugurou o quarto centro de IA em Belém.
Também grande produtora mundial de cobre e níquel, a companhia fez em 2024 seu maior investimento em novas tecnologias para suas minas. A Vale fechou a compra de um lote grande de caminhões autônomos para ampliar sua atual frota, de 14 veículos fora de estrada autônomos, na produção do minério de ferro na região de Carajás, no Pará.
Esses veículos mastodontes — com capacidade de até 400 toneladas — prescindem de motoristas para circular dentro das minas: todo o controle é feito em uma central de operações, em ambiente refrigerado.
A expansão da frota será gradual, até 2028, somando 90 caminhões autônomos nas unidades de produção da Serra Norte e Serra Sul de Carajás. A empresa busca maior eficiência operacional, padrões de segurança e de sustentabilidade. Ao mesmo tempo, vai desenvolver e preparar um grupo de empregados para atuar em funções no ambiente digital.
Essa é uma das frentes de transformação digital dentro da companhia, disse em entrevista ao Estadão o diretor de tecnologia e engenharia da Vale, Carlos Eduardo Boechat. O executivo acompanha desde 2011 a evolução da indústria digital, quando fazia seu mestrado na Alemanha. “Há uma lista grande de ganhos que as mineradoras estão buscando ao aplicar os princípios da 4ª revolução industrial, a Indústria 4.0 no negócio de mineração”, afirma.
Como as concorrentes — BHP, Rio Tinto, companhias chinesas e outras gigantes do setor no mundo —, a mineradora brasileira almeja ter operações mais inteligentes usando ferramentas de inteligência artificial (IA), internet das coisas (IoT), drones, sistemas de análise de dados, conectividade, frotas de caminhões autônomos, centrais de operação à distância, instalações de beneficiamento de minério integradas por IA, ferrovias e portos conectados. “As tecnologias transformam a mina em organismo inteligente e conectado”, afirma Boechat.
Há dois anos na Vale, o executivo diz que a empresa tem buscado inspiração na implantação das tecnologias digitais na Austrália, país que é o maior produtor de minério de ferro, e na China, gigante no consumo e um grande produtor de minerais. “É onde esses processos na mineração estão mais avançados”, afirma, acrescentando que na transformação digital do setor a Vale sobressai como uma companhia benchmarking (referência).
A Vale, informa o executivo, já obtém resultados relevantes. O foco está em segurança, competitividade e sustentabilidade, lastreado por uma série de iniciativas que vão sendo implantadas nas operações da companhia. A Vale também opera fora do Brasil — no Canadá (níquel e cobre), Ásia (China, Indonésia e Malásia, em minério, níquel e logística) e Oriente Médio (Omã, em operações de logística e portuária).
Com os caminhões autônomos, a companhia já conseguiu ganho de 15% em rendimento operacional e redução de 7,5% em consumo de combustível. Os primeiros veículos autônomos estrearam no Sistema Norte, em 2019.
Toda essa frota, diz o executivo, vai conviver com o sistema truckless (sem caminhões), formado por uma rede de correias transportadoras de longa distância (17 km na mina S11D) que leva o minério de um ponto a outro sem gasto de combustível e redução de emissões de carbono.
Segundo a Vale, o programa de caminhões autônomos teve início em 2018 com os primeiros veículos na mina de Brucutu, em Minas Gerais. Inaugurada em 2006, essa mina está situada no município de São Gonçalo do Rio Abaixo, com capacidade de produzir mais de 30 milhões de toneladas por ano. É a maior mina de ferro no Estado e a segunda do País, só perdendo para Carajás.
Do centro de operações em Brucutu a Vale opera também os caminhões autônomos da mina Capanema, que fica na região central de Minas, entre os municípios de Santa Bárbara, Ouro Preto e Itabirito, não muito distante de Brucutu. Até o ano passado, diz a empresa, sua frota de equipamentos autônomos em operação, incluindo caminhões, perfuratrizes e máquinas de pátio, passava de 70 unidades no Brasil.
A mineração 3.0 trouxe a automação industrial, robótica e conectividade, destaca Boechat, e a 4.0, as tecnologias digitais. “Começamos a viver, na Vale, uma nova era, que vai além da 4.0, com inteligência artificial, ESG e as pessoas no centro da transformação”, afirma. Na companhia, acrescenta, há locais (das operações) já nesse estágio e algumas caminhando para a 4.0. “Dificilmente, há alguma mineradora na América Latina com o nosso nível de maturidade tecnológica.”
CNN Brasil - SP 23/02/2026
A Vale, maior mineradora do Brasil, assinou neste sábado (21) um MoU (memorando de entendimento) com a estatal indiana NMDC Limited e a Adani Gangavaram Port Limited para criar uma instalação em regime de zona econômica especial no Porto de Gangavaram, na Índia, destinada à blendagem e à venda de finos de minério de ferro.
O acordo prevê a cooperação entre as empresas para estruturar uma plataforma conjunta de processamento e comercialização de minério no país asiático.
O projeto tem valor estimado em cerca de US$ 500 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 2,6 bilhões.
Por se tratar de um memorando de entendimento, o acordo não é definitivo e estabelece apenas a intenção de cooperação entre as partes.
O MoU terá validade inicial de 12 meses, renovável por mais 12, período em que serão detalhados os aspectos técnicos e comerciais do projeto.
Pelos termos do memorando, a Vale fornecerá minério de ferro de alto teor, enquanto a NMDC será responsável pelo fornecimento de minério de baixo teor. A mistura dos materiais permitirá a produção de um blend com especificações comerciais adequadas ao mercado local, voltado principalmente ao atendimento das siderúrgicas indianas.
Já a Adani Gangavaram Port Limited será responsável pela infraestrutura portuária e pelas operações logísticas, incluindo a área de mistura, descarga e carregamento de minério, gestão do pátio, obtenção de licenças e execução do processo de blending conforme os requisitos técnicos definidos pelas empresas.
A iniciativa deve permitir padronizar a qualidade do produto destinado ao mercado indiano, reduzir custos logísticos e adaptar as características do minério às necessidades das siderúrgicas locais, fortalecendo a presença comercial da Vale em um dos mercados de aço que mais crescem no mundo.
Demanda de ferro na Índia
Como noticiado pela CNN, apesar da assinatura de acordos e da atenção recente em torno das terras raras, a prioridade prática das negociações entre Brasil e Índia no setor mineral tem sido a ampliação das vendas de minério de ferro e cobre ao mercado indiano.
As terras raras e outros minerais críticos, como o lítio, aparecem como temas relevantes nas conversas bilaterais e nos planos de cooperação de longo prazo, mas ainda envolvem cadeias industriais incipientes nos dois países e têm impacto comercial limitado no momento.
No curto prazo, porém, o impacto econômico e comercial do minério de ferro e do cobre brasileiros para a indústria indiana é significativamente maior. Manganês, níquel e nióbio, ligados à cadeia do aço, também estiveram entre os temas das conversas.
Em 2025, as exportações brasileiras de minério de ferro para a Índia saltaram de praticamente zero em 2024 para cerca de US$ 440 milhões, recorde histórico.
Em 2024, o país não havia realizado compras relevantes do produto, e o valor exportado em 2025 supera, sozinho, o total acumulado das vendas brasileiras ao mercado indiano entre 2017 e 2024. As exportações brasileiras de minério de ferro bateram recorde em 2025 e ultrapassaram, pela primeira vez, a marca de 400 milhões de toneladas embarcadas.
O aumento da demanda indiana está ligado à expansão acelerada da indústria siderúrgica do país, que tem ampliado a produção de aço para atender ao crescimento da infraestrutura, da construção civil e do setor industrial.
Além disso, políticas do governo indiano voltadas à urbanização, obras públicas e transição energética têm elevado o consumo de aço, impulsionando a demanda por minério de ferro de maior qualidade.
Neste sábado (21), o Ministério do Aço da Índia e o MME (Ministério de Minas e Energia) assinaram um memorando de entendimento para ampliar a cooperação na área de mineração e no fornecimento de minerais necessários à produção de aço.
Portos e Navios - SP 23/02/2026
As fortes chuvas que vêm sendo registradas no Brasil durante o verão, principalmente nos estados do Rio de Janeiro, do Espírito Santo e de São Paulo podem comprometer a qualidade do minério de ferro e afetar as exportações do produto, alertou nesta quinta-feira (19) a seguradora NorthStandard, correspondente da P&I no país. Segundo a empresa, as condições climáticas, influenciadas pela Zona de Convergência do Atlântico Sul, representam riscos para as vendas brasileiras porque o aumento da umidade nos finos de minério de ferro gera preocupações quanto à possibilidade de não conformidade da carga nos principais portos de exportação, incluindo Itaguaí, Sudeste e Tubarão, todos na Região Sudeste, a mais atingida pelos temporais.
Por isso, a NorthStandard emitiu comunicado destacando que as implicações do clima para as cargas a granel e que os finos de minério de ferro e outros materiais do Grupo A são particularmente suscetíveis à liquefação, condição que pode levar a falhas catastróficas durante o transporte. O informativo enfatiza a importância do monitoramento rigoroso das condições da carga, especialmente considerando os padrões climáticos atuais.
Para reduzir os riscos associados ao aumento das chuvas, os expedidores e operadores estão sendo aconselhados a adotar medidas de precaução, como monitorar as condições meteorológicas e os níveis de precipitação antes e durante o processo de carregamento. Segundo a NorthStandard, é necessário observar a data do último teste de teor de umidade e fazer um novo caso tenha ocorrido precipitação após a testagem.
Além disso, explica a seguradora, a certificação do Limite de Umidade Transportável (TML) deve ter menos de seis meses na data do teste. E os operadores devem avaliar a exposição dos estoques de minério à chuva e adotar medidas operacionais para minimizar a absorção de umidade, mas, ressalta a NorthStandard, o acesso aos estoques pode ser restrito por motivos de segurança, o que dificultaria as providências.
Por isso, esclarece a empresa, testes regulares devem ser feitos para identificar sinais de carga de alto risco, e os operadores devem ficar atentos a sinais visíveis de umidade na carga, como respingos nas anteparas do porão ou afundamento e achatamento do minério. Esses indicadores podem sinalizar que a carga corre risco de liquefação, que é uma das principais causas de perdas fatais em navios graneleiros em todo o mundo.
Exame - SP 23/02/2026
O clima segue desfavorável para o mercado global de minério de ferro. A commodity enfrenta sua sequência mais longa de quedas semanais desde 2022, com os preços recuando e se distanciando do patamar dos US$ 100.
Os contratos futuros de referência negociados em Singapura caíram pelo oitavo dia consecutivo, enquanto os preços recuaram 0,4%, para US$ 95,20 por tonelada nesta sexta-feira, 20, acumulando perda semanal de 1,6%.
O movimento reforça a percepção de que a oferta abundante segue pressionando as cotações internacionais, indicam especialistas ouvidos pela Bloomberg.
Oferta abundante e estoque alto
É justamente a combinação de oferta abundante aliada aos estoques em alta nos principais polos de consumo que tem movimentado o cenário de preços, segundo as fontes consultadas pela agência.
Um exemplo disso é visto no porto australiano de Port Hedland, maior terminal de embarque de minério do mundo, que registrou recorde de exportações em janeiro, com 49,2 milhões de toneladas enviadas.
As grandes mineradoras também seguem comprometidas com planos de expansão. A Rio Tinto já até afirmou que mantém investimentos significativos para sustentar a produção na Austrália.
Pressão sobre cotações internacionais
Nota-se, ainda, a percepção do excesso de oferta no curto prazo, mantendo pressão sobre as cotações internacionais mesmo em um ambiente de liquidez reduzida, de acordo com os especialistas.
Os portos chineses também têm operado com os estoques elevados, o que significa que a demanda doméstica não está conseguindo absorver todo o volume que chega aos locais.
Além disso, o enfraquecimento sazonal no setor de aço, principal destino do minério, pode limitar ainda mais a capacidade de reação dos preços nesse universo do curto prazo.
Feriado chinês e a incerteza nos preços
O volume de negociações, ademais, tem sido relativamente baixo nas últimas sessões, porque os mercados na China permanecem fechados devido às comemorações do Ano Novo Lunar.
Mesmo com menos participantes operando, a tendência de queda é evidente, para especialistas consultados pela Bloomberg.
O Estado de S.Paulo - SP 23/02/2026
A fusão entre Honda, Nissan e Mitsubishi, anunciada no final de 2024, não deu certo. Apesar do acordo inicial, as fabricantes romperam o negócio que criaria o terceiro maior grupo automotivo do mundo. Mas, de acordo com o site Automotive News, as marcas ainda mantêm conversas para uma futura parceria.
Porém, a palavra fusão ainda não voltou à mesa. As três montadoras japonesas discutem formas práticas de cooperação e sinergia para enfrentar as dificuldades encontradas em mercados mais competitivos e difíceis - além também de tentar conter o avanço das chinesas.
Em vez disso, há evidências de que as conversas, embora não estejam mais centradas em uma fusão estrutural, passaram a abordar formas práticas de cooperação que poderiam trazer benefícios mútuos em um mercado muito mais dividido e difícil.
CRETA Comfort Safety 25/26 por R$ 139.990 à vista + taxa zero em até 18x.
Quem testa, vai de Hyundai. Compare os concorrentes e aproveite nossas ofertas. Preencha seus dados abaixo e em breve um consultor Hyundai entrará em contato.
Durante a apresentação de resultados financeiros da Nissan, o CEO da marca, Ivan Espinosa, afirmou que a companhia continua a ter conversas com a Honda e que há um empenho para encontrar parceiros. O foco, no entanto, não é dividir o mesmo teto, mas trabalhar em projetos conjuntos.
Parceria no desenvolvimento de produtos, motores e software
Segundo a Reuters, Honda e Nissan estão em discussões de colaboração para o desenvolvimento e produção de carros e motores na América do Norte. O objetivo é dar mais competitividade às marcas em um mercado em que elas têm volumes de vendas significativos, mas encontram dificuldades financeiras para investir - principalmente em tecnologia.
Do lado da Honda, o vice-presidente executivo, Noriya Kaihara, diz que as conversas não envolvem somente produtos, mas também desenvolvimento de softwares para veículos.
Teste: Nissan Kait Exclusive tem alma de Kicks Play, mas vale como novidade?
Fusão foi por água abaixo
Honda e Nissan chegaram a anunciar, em 2024, um acordo de fusão que criaria uma empresa avaliada em quase US$ 60 bilhões. As companhias iriam operar por meio de uma holding, mas com a Honda assumindo o papel principal.
O acordo criaria o terceira maior grupo automotivo global, com quase 8 milhões de carros vendidos ao redor do planeta.
A estrutura inicial era uma participação mais equilibrada entre empresas, mas com as novas diretrizes a Nissan seria uma “mera” subsidiária.
Para a Nissan, que enfrenta uma grave crise, a parceria pode significaria uma reviravolta nas contas. A marca vem lutando para recuperar os lucros e as vendas em declínio na última década. Já para a Honda, a vantagem seria utilizar a experiência da futura parceira em tecnologia para carros elétricos.
Á época, o CEO da Honda, Toshihiro Mibe, disse que a intenção do negócio não era “salvar” a Nissan, e sim fazer uma adaptação drástica no ambiente da empresa.
CRETA Comfort Safety 25/26 por R$ 139.990 à vista + taxa zero em até 18x.
Quem testa, vai de Hyundai. Compare os concorrentes e aproveite nossas ofertas. Preencha seus dados abaixo e em breve um consultor Hyundai entrará em contato.
Auto Informe - SP 23/02/2026
O Brasil parece viver um eterno Carnaval e os resultados da Fiat, que fechou mais um ano na liderança do mercado nacional, escondem a gravíssima crise e o prejuízo colossal que a Stellantis gigante ítalo-franco-norte-americana com sede na Holanda e dona da própria Fiat, da Jeep, da Peugeot e da Citroën, além de outras dez marcas espera para o balanço financeiro de 2025. As perdas, estimadas em até 22 bilhões de euros (o equivalente a R$ 135 bilhões), são de tal magnitude que, no início deste mês, o presidente-executivo (CEO) Antonio Filosa veio a público adiantar aquilo que nem os mais pessimistas analistas projetavam: Superestimamos o ritmo da virada da eletromobilidade e nos distanciamos das necessidades e das preferências dos consumidores, justificou Filosa, que assumiu o cargo no final de junho do ano passado. Analisamos todos os números para chegarmos neste montante e, agora, faremos uma reestruturação estratégica, completou. Um dia após a declaração bombástica, as ações do grupo caíram 25%, fazendo com que a capitalização de mercado da companhia encolhesse 70%, desde o pico de valorização de 2024.
Por aqui, onde a Fiat é líder de mercado, tende-se a achar que o maremoto chegará como uma marolinha, mas 2025 registrou um recorde no envio de remessas de lucro para as matrizes e isso, pelo visto, não salvou a Stellantis do rombo o problema é que estas remessas começaram a ser taxadas em 10%, desde janeiro, o que vai inflacionar os preços dos veículos novos em geral, ao mesmo tempo que enxugará os envios. No Canadá, a companhia cedeu o controle de sua joint venture para produção de baterias à sua parceira sul-coreana, a LG Energy Solutions, depois de contabilizar prejuízos de 700 milhões de euros (R$ 4,2 bilhões), e reservou mais de 4 bilhões de euros (R$ 24,5 bilhões) para contratos de garantia, já que a perda de qualidade nos automóveis, atribuível a escolhas que não atingiram o nível esperado, nas palavras do próprio Filosa, terá que ser corrigida por uma nova equipe de gestão.
Hoje, a Stellantis vale US$ 21,6 bilhões (o equivalente a R$ 132,5 bilhões), ou seja, menos do que o prejuízo anunciado e menos da metade da Ambev, que é uma empresa brasileira do setor de bebidas. Apenas para o leitor ter uma ideia, só na última quinta-feira, os papéis do grupo tiveram uma desvalorização de 4,4%, enquanto as ações da SsangYong subiram 7% isso, sublinhamos, num único dia. A companhia, simplesmente, cancelou o pagamento de dividendos para seus acionistas, em 2026, conta o colunista da agência Thomson Reuters, ex-editor do jornal francês Libération, do Le Monde, e da rádio pública francesa, a Radio France, Pierre Briançon.
Traduzindo, os investidores da Stellantis não só terão que entubar o prejuízo, como vão ficar sem remuneração neste ano o que, na prática, dobra as perdas. Embora dois terços da baixa contábil não envolvam desembolso de caixa, a empresa tem pagamentos direitos de 6,5 bilhões o equivalente a R$ 40 bilhões que vencem nos próximos quatro anos, isso enquanto o lucro operacional e o fluxo livre de caixa serão menores do que o previsto, enumera Briançon. Aproveitando a flexibilização das regulamentações sobre emissões, a Stellantis relança, discretamente, versões turbodiesel de pelo menos sete modelos, na Europa, escolhendo um caminho que pode mantê-la viva, mas que é irreversível, pontua.
Diante do fato de a Stellantis entrar na contramão da virada da eletromobilidade e das incertezas sobre a capacidade de recuperação do grupo, naquilo que é classificado, na Europa e nos Estados Unidos, como um desastre estratégico e industrial, Antonio Filosa prometeu uma inflexão na curva de perdas, que se converteriam em ganhos, já a partir deste mês. Temos 46 bilhões de euros o equivalente a R$ 282 bilhões em ativos líquidos no nosso balanço patrimonial, destaca o executivo a companhia também pode contratar 16 bilhões de euros (quase R$ 100 bilhões) de linhas de crédito bancário, recorrendo à agiotagem. A promessa, feita há 15 dias, ainda não se concretizou e, para completar, os já citados 6,5 bilhões de euros serão liberados para encerrar o balanço da era Tavares o português Carlos Tavares, antecessor de Filosa, ficou na cadeira entre 2021 e 2024, quando renunciou ao cargo depois de embolsar mais de 100 milhões de euros (R$ 610 milhões) em salários e prêmios.
Além de culpar seu antecessor, Filosa divide a conta conjuntural com a virada da eletromobilidade. É que o grupo, formado pela fusão da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) e da PSA Peugeot-Citroën, em 2021, tem nas marcas norte-americanas Jeep, RAM e Dodge com seus motorzões a combustão interna sua principal fonte de receitas. Sob a liderança de Tavares, iniciou-se a eletrificação da linha norte-americana, todavia, os incentivos para novas energias foram eliminados por Donald Trump, que também flexibilizou as obrigações dos fabricantes em relação à redução de emissões.
Agora, a Stellantis está puxando o freio de mão, suspendendo suas versões híbridas plug-in e o lançamento de novos EVs para se concentrar em seus modelos mais lucrativos, principalmente nos Estados Unidos, onde espera aumentar rapidamente seus ganhos, detalha a setorista Sophie Fay, que cobre o mercado financeiro e a indústria automotiva para o jornal Le Monde. No papel, essa guinada representaria mais da metade das perdas anunciadas e também chamadas, pomposamente, de correção financeira para não espantar os investidores. A queda de curto prazo no mercado de ações estaria, então, dentro da estratégia de reestruturação, completa a especialista.
Multas à vista!
No último mês de dezembro, a Comissão Europeia flexibilizou a meta de emissões para 2035, que obrigaria todos os modelos zero-quilômetro à neutralidade. Agora, apenas 90% dos veículos novos deverão ter emissão zero, daqui nove anos, mas a flexibilização impõe condições como o uso de aço verde, o lançamento de híbridos plug-in e EVs com extensores de autonomia. No entanto, há coisas que não estão sendo ditas: as regulamentações vigentes para comerciais leves impõe uma meta de eletrificação para 25% dos modelos novos, percentual que a Stellantis, com seus atuais 11%, está longe de alcançar. Em face disso, a companhia já reservou 500 milhões de euros (o equivalente a R$ 3,05 bilhões) para futuras multas, caso sua intensa pressão para mudanças também desta legislação específica não tenha sucesso.
Enquanto outras montadoras optaram pelo desenvolvimento de EVs puros, as marcas da Stellantis optaram por projetos de modelos a combustão interna que também seriam disponibilizados em versões elétricas, híbridas leves ou plug-in, se protegendo das incertezas inerentes à transição, cita Sophie Fay. É provável que, dentro dessa estratégia, o grupo não tenha investido o suficiente na renovação de suas plataformas multi energéticas. Não há oferta, por exemplo, da arquitetura de 800 volts, que permite um carregamento muito mais rápido, lembra ela.
O problema é que, descapitalizada, a Stellantis precarizará ainda mais seus produtos, se descolando cada vez mais das novas marcas chinesas, que estão anos-luz à frente em tecnologia.
Valor - SP 23/02/2026
Há rumores de que companhias da China estariam se mobilizando para pedir volta de cotas ou redução do Imposto de Importação
Dirigentes de montadoras instaladas no Brasil comemoraram o encerramento do prazo para importar carros híbridos e elétricos semimontados, por meio de cotas, sem Imposto de Importação. O benefício, utilizado por marcas como a chinesa BYD, expirou em 31 de janeiro.
Mas paira no setor o temor de que o pleito volte a ser encaminhado ao governo. Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), disse, há poucos dias, que, caso surja nova solicitação de redução de alíquotas ou cotas de importação, a Anfavea “manterá sua posição em defesa da produção nacional”.
Há rumores de que as chinesas estariam se mobilizando para pedir o benefício. Nos bastidores do setor, executivos que trabalham ou já estiveram à frente das montadoras veteranas dizem que essas empresas certamente vão rever planos de investimentos e produção local se houver qualquer estímulo à entrada de veículos semimontados. O que prevalece hoje no Brasil é a fabricação total dos veículos, com altos índices de componentes fornecidos pelas autopeças locais.
Outro motivo de celebração no setor nas primeiras semanas de 2026 foi o lançamento do programa Move Brasil, que disponibiliza R$ 10 bilhões em linhas de crédito do BNDES para a compra de caminhões novos e seminovos produzidos no país.
Do total de recursos, R$ 1 bilhão será destinado exclusivamente a caminhoneiros autônomos e cooperativas, segmento que concentra parte significativa da frota mais antiga em circulação no país.
O programa foi resultado de meses de investidas dos fabricantes de veículos, principalmente os da linha mais pesada, que expuseram ao governo as sucessivas quedas de vendas provocadas por juros elevados.
O governo usou o programa para mostrar à sociedade que a ajuda ao setor representa, também, uma forma de reduzir emissões, estimular a eficiência logística, ampliar a segurança nas rodovias e acelerar a substituição de veículos com mais de 20 anos de uso.
Quem utilizar o programa, cujas inscrições se encerram em 25 de maio, poderá financiar até R$ 50 milhões, com prazo máximo de cinco anos e carência de seis meses.
As taxas anuais variam entre 13% e 14% e são menores caso um veículo com mais de 20 anos que esteja rodando entre na troca para posteriormente ser sucateado. Serão aceitos apenas caminhões fabricados a partir de 2012, com comprovação de conteúdo local e cumprimento de critérios ambientais.
A indústria automobilística produziu e vendeu menos em janeiro, tanto na comparação com dezembro quanto em relação ao mesmo mês do ano passado.
Foram produzidos, no mês passado, 159,6 mil carros, comerciais leves, caminhões e ônibus, uma queda de 13,5% em relação a dezembro e de 12% frente ao mesmo mês de 2025. Segundo a Anfavea, a comparação anual é influenciada por uma base elevada, já que janeiro do ano passado registrou o maior volume para o período em seis anos.
No mercado interno, a venda de 170,5 mil unidades representou queda de 39% frente a dezembro e recuo de 0,4% na comparação anual. Na prática o volume se manteve, já que houve um dia útil a menos neste ano.
O mercado de carros híbridos e elétricos, no entanto, mantém dinamismo. Os chamados eletrificados responderam por 16,8% dos emplacamentos em janeiro, um recorde histórico. Dentro desse grupo, 35% foram híbridos produzidos no Brasil — também o maior percentual já registrado.
As exportações, por outro lado, diminuíram. Foram embarcados 25,9 mil veículos no primeiro mês do ano, recuo de 18,3% na comparação anual. A principal razão foi a queda de 5% nas vendas para a Argentina, principal destino dos veículos brasileiros.
O primeiro mês do ano é atípico nesse setor porque trata-se de um período de retorno de férias coletivas nas fábricas. Raramente serve para indicar tendências. Mas as previsões em geral indicam que o ritmo de produção não deve se alterar significativamente em relação a 2025.
Jornal de Brasília - DF 23/02/2026
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 5,2 bilhões em financiamentos para o setor automotivo no País no ano de 2025. Nos últimos três anos, de janeiro de 2023 a dezembro de 2025, o total de crédito aprovado pelo banco de fomento para o segmento somou R$ 11,9 bilhões.
O montante representa um aumento de 144% em relação ao crédito aprovado nos quatro anos anteriores, entre 2019 e 2022, quando totalizaram R$ 4,9 bilhões.
Segundo o BNDES, toda a cadeia produtiva foi contemplada pelo volume de crédito aprovado nos últimos três anos, desde montadoras ao segmento de autopeças, “incluindo apoio para inovação e para impulsionar as exportações”.
Do total aprovado de 2023 a 2025, mais de R$ 8,3 bilhões em crédito foram destinados a montadoras e cerca de R$ 3,5 bilhões para o ramo de autopeças.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, lembra que o fomento ao setor automotivo mira o incentivo à mobilidade sustentável.
“Ao apoiar a descarbonização e estimular a produção de veículos híbridos, fortalecemos nossa base industrial, geramos empregos qualificados e reduzimos emissões, transformando capacidade produtiva em liderança ambiental. Investir nessa agenda é garantir competitividade hoje e soberania tecnológica amanhã”, justificou Mercadante, em nota.
De acordo com o banco, o avanço no fomento ao setor automotivo no Brasil é consequência do plano Nova Indústria Brasil e do Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), voltados ao apoio à descarbonização de veículos, ao desenvolvimento tecnológico para veículos híbridos, aumento da competitividade da indústria brasileira no cenário global e expansão de investimentos em eficiência energética na fabricação de veículos.
CNN Brasil - SP 23/02/2026
O governo federal decidiu elevar o imposto de importação de mais de 1.200 produtos, em uma medida que mira principalmente máquinas, equipamentos industriais e itens de tecnologia e é vista internamente como uma resposta ao avanço das importações e à perda de espaço da indústria nacional.
As mudanças foram formalizadas pela resolução Gecex nº 852, de 4 de fevereiro de 2026, e inclui 1.252 códigos de produtos com novas alíquotas, com vigência a partir de fevereiro e março deste ano.
A reação mais forte à medida veio principalmente de entidades ligadas ao setor de tecnologia, que depende fortemente de equipamentos e componentes importados.
Itens como servidores de processamento de dados, switches, roteadores e outros equipamentos de tecnologia tiveram a alíquota de importação aumentada com a medida.
“Esta medida não afeta apenas o setor de tecnologia, mas toda a economia nacional, uma vez que a tecnologia da informação constitui hoje a infraestrutura transversal que sustenta e viabiliza todos os demais setores econômicos”, diz a Associação Brasileira das Empresas de Software em nota.
A decisão ocorre em um momento em que o governo avalia que o aumento das importações passou a representar um risco estrutural para a indústria brasileira.
Em 2025, as compras externas de bens de capital e tecnologia somaram cerca de US$ 75 bilhões, com crescimento expressivo nos últimos anos.
A leitura dentro da equipe econômica é que o país atravessa um processo de aumento da dependência de produtos importados, especialmente em setores intensivos em tecnologia e investimento.
Uma nota técnica do Ministério da Fazenda classificou o movimento como uma ameaça à estrutura produtiva nacional e defendeu a recomposição das tarifas para evitar a perda de capacidade industrial.
Segundo o documento, os importados já representam cerca de 45% do consumo de máquinas e equipamentos no país e mais de 50% dos bens de informática e telecomunicações, níveis considerados elevados para uma economia do porte do Brasil.
A avaliação é que a recomposição tarifária pode ajudar a “reequilibrar preços relativos” entre produtos nacionais e importados e estimular investimentos na indústria doméstica.
Antes, uma parcela relevante desses produtos entrava no país com imposto muito baixo ou até zerado, especialmente por meio de reduções tarifárias e regimes especiais.
Em alguns casos, máquinas e equipamentos tinham alíquota de 0% ou inferior a 7%, o que barateava a importação e ampliava a competitividade dos fornecedores estrangeiros frente à indústria nacional.
Com a mudança, as tarifas passam a ficar mais concentradas em níveis próximos de 7%, 12,6% e 20%, substituindo a estrutura anterior, marcada por muitos itens com imposto zero ou alíquotas reduzidas.
O impacto deve ser mais forte em setores intensivos em investimento, como mineração, petróleo e gás, energia, infraestrutura e agronegócio, que dependem fortemente de equipamentos importados.
Apesar disso, o governo avalia que o efeito sobre a inflação tende a ser limitado, já que os produtos atingidos são majoritariamente bens de produção e não itens de consumo final.
A medida faz parte de uma estratégia mais ampla de política industrial que busca ampliar a produção doméstica de máquinas e tecnologia, em linha com os objetivos da Nova Indústria Brasil.
Na avaliação de técnicos do governo, o movimento segue uma tendência internacional, com países desenvolvidos e emergentes adotando tarifas e políticas industriais para proteger setores considerados estratégicos.
“Destaque-se, também, que essa proposta se alinha internacionalmente. Vários países elevaram proteção setorial ou por remédios comerciais em subgrupos de máquinas, sinalizando que instrumentos tarifários continuam sendo usados para corrigir choques externos e dumping”, diz a nota técnica da Fazenda.
Apesar da elevação das tarifas, a medida mantém exceções importantes para produtos sem fabricação nacional, principalmente por meio de mecanismos como o ex-tarifário e regimes especiais de importação.
Esses instrumentos permitem reduzir ou zerar o imposto de importação para máquinas e equipamentos considerados essenciais para investimentos produtivos, o que tende a limitar o impacto efetivo das novas alíquotas sobre projetos industriais e de infraestrutura.
Também permanecem válidos regimes específicos usados por setores intensivos em investimento, como petróleo e gás, mineração e indústria exportadora, incluindo mecanismos como Repetro, Recof e drawback, que reduzem a carga tributária sobre equipamentos importados.
Na prática, essas exceções funcionam como um amortecedor, permitindo elevar a proteção à indústria nacional sem interromper investimentos que dependem de tecnologia estrangeira.
CNN Brasil - SP 23/02/2026
O setor de máquinas e equipamentos brasileiro recebeu com satisfação a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou ilegal a imposição unilateral de tarifas abrangentes em todo o mundo por Donald Trump. Em entrevista ao Agora CNN, José Velloso, presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), destacou que o setor foi um dos mais afetados pelas tarifas americanas.
"Nós recebemos a notícia com bastante alegria, porque o setor de máquinas e equipamentos é o setor que foi mais afetado pelo tarifaço", declarou Velloso.
Segundo ele, o segmento não havia sido incluído nas exceções concedidas anteriormente por dois motivos: por não compor diretamente o índice de inflação americana e por concorrer com fabricantes locais dos Estados Unidos.
Apesar da comemoração inicial, Velloso alertou para a instabilidade das políticas comerciais americanas. "Veja só a insegurança jurídica que os Estados Unidos têm hoje. Começou o dia de ontem e tínhamos tarifa de 50%. No final do dia de ontem, tínhamos uma tarifa de 10%. E hoje, temos uma tarifa de 15%. Então, todos os dias, isso está mudando", explicou.
Impactos práticos e insegurança no comércio
O presidente da Abimaq destacou que, mesmo com a redução das tarifas de 50% para 15%, a insegurança jurídica permanece como um obstáculo para os exportadores brasileiros.
"No mundo real, o exportador vai continuar inibido a exportar para os Estados Unidos. Porque, veja, hoje a tarifa é 15%. Eu embarco minha mercadoria no navio, ela vai chegar daqui a 45 dias nos Estados Unidos. Quem me garante que daqui a 45 dias a tarifa é 10%?", questionou.
Velloso também mencionou que os Estados Unidos podem utilizar outros mecanismos para elevar novamente as tarifas contra produtos brasileiros, como a seção 301, que investiga práticas comerciais consideradas desleais.
"Se o Brasil perder essa disputa, e na minha previsão o resultado da 301 vai ser em maio, ou um pouquinho para frente, entre maio e junho, deve sair o resultado, aí os Estados Unidos poderá elevar a tarifa do Brasil novamente", alertou.
Expectativas para negociações
O presidente da Abimaq ressaltou a importância do encontro previsto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente americano, Donald Trump, programado para a segunda quinzena de março. Segundo ele, a decisão da Suprema Corte pode criar um ambiente mais equilibrado para as negociações.
"Eu acredito que com essa decisão da Suprema Corte, eu prefiro olhar o copo meio cheio. Eu acho que é um facilitador para uma negociação, porque antes dessa decisão, o Brasil colocou uma condição: só sentamos para negociar qualquer coisa se tirar as tarifas. Agora, as tarifas já foram retiradas", explicou.
Velloso enfatizou que, apesar das diferenças ideológicas entre os líderes, o pragmatismo pode prevalecer. "A relação entre o Trump e o presidente Lula parece ser boa em cima do pragmatismo e não da ideologia de ambos", avaliou.
Ele acrescentou que o Brasil tem vantagens em fazer um acordo com os Estados Unidos, removendo "essa espada da cabeça da indústria brasileira" e potencialmente aumentando o comércio bilateral.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN.
Veja - SP 23/02/2026
O Governo de São Paulo marcou para o dia 29 de abril, na B3, o leilão de concessão da histórica Estrada de Ferro de Campos do Jordão (EFCJ). O projeto, elaborado pela Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), visa modernizar a operação e ampliar as opções turísticas na Serra da Mantiqueira, preservando o charme das locomotivas.
A proposta de concessão estrutura o passeio em três modalidades principais. O primeiro é o Maria-fumaça, clássico trajeto entre as estações Emílio Ribas (Capivari) e Abernéssia que faz o percurso de 30 minutos com locomotivas a vapor e vagões históricos.
Além dele, inclui o Turístico Curto, um sistema de embarque e desembarque livre entre as paradas Emílio Ribas e Nova Portal, ideal para quem quer circular pelos pontos turísticos da cidade. E o Turístico Médio, um trajeto de 12,4 km que conecta Campos do Jordão à estação Eugênio Lefèvre, em Santo Antônio do Pinhal, atravessando as paisagens serranas.
A futura concessionária poderá implementar serviços extras para atrair o público, como venda de alimentos e bebidas a bordo, guias turísticos, reserva de assentos e categorias premium.
O contrato também estabelece contrapartidas sociais e operacionais: as tarifas terão valores máximos para dias úteis, manutenção das leis de gratuidade vigentes e parcerias para viagens gratuitas a alunos da rede pública local e a empresa será responsável por manter a identidade visual histórica de todo o complexo ferroviário.
A operação será fiscalizada pela Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos), que garantirá o cumprimento das regras de transporte de bagagens, bicicletas e animais de estimação.
O Estado de S.Paulo - SP 23/02/2026
O trem que conecta a linha 13-Jade da CPTM aos terminais do Aeroporto de Guarulhos iniciou, nesta sexta-feira, 20, uma nova fase de operação. Agora, o público em geral pode usar o transporte das 17h30 até 00h. De acordo com o AeroGRU, consórcio responsável pela operação do trecho, a capacidade de transporte é de cerca de 500 pessoas por dia.
O funcionamento com capacidade reduzida está previsto no planejamento realizado pelo AeroGRU em conjunto com o GRU Airport, Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e os órgãos reguladores. O Estadão entrou em contato com a Anac e aguarda retorno.
Antes do anúncio, passageiros que chegassem pela Estação Aeroporto-Guarulhos da CPTM dependiam somente de ônibus disponibilizados pelo aeroporto.
O transporte entre a estação e os terminais é gratuito.
Em nota, o AeroGRU afirma que o avanço para o público geral representa mais uma etapa da implantação, “que inclui verificações progressivas, acompanhamento das equipes técnicas e ajustes contínuos conforme previsto nos marcos de certificação”.
O “Peoplemover” – como o equipamento foi apelidado na época do seu lançamento – foi submetido a mais de 15 mil testes de desempenho e segurança, e, desde dezembro de 2025, operava diariamente com funcionários do aeroporto, “demonstrando plena capacidade técnica para sua evolução até a operação final”.
Atrasos no início das operações
O início das operações vinha sendo adiado desde 2024. Mudou de fevereiro para outubro, depois para fevereiro de 2025 e, mais tarde, para agosto do mesmo ano.
Em reunião com a Anac em 28 de novembro do ano passado, a AeroGRU estimava que, em 16 de janeiro deste ano, a população já poderia usar o trem, ainda que com limitações. A concretização vem com mais de um mês de atraso. Ainda não há previsão de novas ampliações.
Aeromóvel
Construída a 11 metros do solo, a linha possui 2.700 metros de extensão. Quando estiver em plena capacidade de funcionamento, será operada com três trens projetados para acomodar 200 usuários cada um.
O sistema terá capacidade para transportar até 2 mil passageiros por hora, de forma gratuita, em viagens de cerca de 6 minutos até o último terminal.
A Tribuna - SP 23/02/2026
O leilão do Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10, no Porto de Santos, anteriormente previsto para acontecer em abril, conforme o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e posteriormente cogitado para maio, agora não tem mais data certa. O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) disse para A Tribuna que o certame “será realizado em 2026, com data a ser definida em acordo, após análise da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários)”.
De acordo com o MPor, “a Secretaria Nacional de Portos (SNP) e a Antaq estão conjuntamente dando prosseguimento à implementação das recomendações aprovadas pelo Plenário do Tribunal de Contas da União (TCU)”. Além disso, disse que o edital está sendo elaborado “conforme rito regular dos arrendamentos portuários”.
Durante um evento na semana passada, Costa Filho afirmou que a expectativa era de que “nos primeiros dez dias de março, tenha a publicação de edital para que em maio possamos fazer o grande leilão. Estamos modelando ainda o edital para, ao lado da Antaq, apresentar ao presidente (Luiz Inácio) Lula (da Silva, PT) no pós-Carnaval e, a partir daí, tomar decisão conjunta para efetivamente fazer o (leilão) do Tecon Santos 10”.
Impasse
Um impasse sobre o megaterminal tem gerado incerteza sobre o cronograma do leilão. A decisão de impedir que armadores — empresas proprietárias de navios — participem do leilão, conforme recomendação do TCU e já sinalizada como aceita pelo MPor, gerou insatisfação na armadora chinesa Cosco, que demonstrava interesse no empreendimento. A companhia, vinculada ao governo da China — maior parceiro comercial do Brasil —, mantém relação próxima com a gestão do presidente Lula.
No início do mês, Costa Filho esteve com os ministros do TCU Bruno Dantas e Antônio Anastasia, que apresentaram posições diferentes quanto ao formato da licitação do Tecon Santos 10 durante a análise do processo na Corte. Além de barrar armadores, o TCU também determinou que empresas que já operam terminais de contêineres em Santos não poderão participar da disputa.
Com o Tecon Santos 10, a capacidade anual de movimentação do Porto de Santos vai chegar a 9 milhões de contêineres. Pelo projeto, serão construídos quatro berços de atracação de navios para embarque e desembarque. Pelos critérios definidos, vencerá o leilão quem apresentar o maior valor de outorga, partindo do piso de R$ 500 milhões.
Ainda de acordo com o MPor, o leilão do Tecon Santos 10 “segue como o projeto mais importante da carteira de leilões do Governo Federal e vem sendo tratado com a devida prioridade”.
O projeto
O megaterminal é considerado o maior arrendamento portuário do Brasil, com investimentos de R$ 6,45 bilhões em 25 anos. Projetado para ficar no cais do Saboó (STS10), na Margem Direita do Porto de Santos, ocupará uma área de 621,9 mil metros quadrados.
Com a entrada em operação do novo terminal, projeta-se que o País salte da atual 45ª para a 15ª posição no ranking mundial de movimentação de contêineres. O empreendimento consolidará Santos como o maior hub do Hemisfério Sul, vital para o escoamento da produção nacional.
Concais
O Tecon Santos 10 é peça-chave para permitir a transferência do Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini, operado pelo Concais, para a região do Valongo.
Caberá à empresa vencedora implantar as estruturas off-shore (na água), que serão instaladas ao lado da área arrendada, em frente ao Parque Valongo. A saída do terminal de cruzeiros de Outeirinhos e sua instalação na área central têm como objetivo impulsionar a revitalização do bairro.
No Cade
A solicitação da estatal chinesa Cosco ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, em oposição à proibição da participação de armadores (donos de navios) no leilão do Tecon Santos 10, foi rejeitada pelo colegiado.
Em decisão publicada no último dia 3 de fevereiro, a auditora-chefe Bruna Casarotto Lima Sucha pondera tratar-se de análises de mérito a respeito de pontos específicos do edital de licitação do Tecon Santos 10 “cuja atribuição de competência do certame é da Antaq e está sendo devidamente assistido pelo TCU e por esta autarquia naquilo que lhe competia se manifestar. Portanto, o assunto está sendo acompanhando e, por isso, não há no momento a necessidade de atuação”. Dessa forma, o Cade encerrou o processo sem analisar o mérito das alegações.
Portal Fator Brasil - RJ 23/02/2026
CSN Mineração, braço da Companhia Siderurgica Nacional, vai investir cerca de R$ 400 milhões na ampliação e modernização do píer do Tecar, terminal de granéis sólidos localizado no Porto de Itaguaí, em Itaguapi (RJ). Informações de representantes do governo municipal e das empresas envolvidas, após reunião que aconteceu no dia 12 de fevereiro (quinta-feira).
Segundo as autoridades de governo e empresas, a obra será executada pela Andrade Gutierrez, cujo contrato assinado prevê. Início da obra para para agosto de 2026 e o prazo estimado de execução é de oito anos.
Tecar ampliado — O Tecar opera na exportação de minério de ferro e mantém ligação com a malha ferroviária da MRS Logística. A ampliação do píer deve aumentar a capacidade operacional do terminal. A estimativa apresentada aponta a geração de cerca de 600 empregos ao longo do período de obras.
— O investimento reforça o perfil portuário e industrial do município e defendeu a contratação de serviços e fornecedores locais durante a execução do projeto— afirmou o secretário municipal de Portos e Logística Ronaldo Fucci.
Valor - SP 23/02/2026
A agência autorizou a retirada dos blocos Limonita e Dolomita, ambos na Bacia de Campos, e, com isso, foi feita uma atualização do edital da oferta permanente de partilha
A diretoria da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou a exclusão de dois blocos do quarto ciclo da oferta permanente de partilha de produção, um processo mais simplificado de licitação de área de petróleo, para áreas localizadas no pré-sal.
A agência autorizou a retirada dos blocos Limonita e Dolomita, ambos na Bacia de Campos, alegando "necessidade de ajustes decorrentes das recomendações da Manifestação Conjunta MME-MMA nº 01/2026". Com a medida, a ANP prevê uma atualização do edital da oferta permanente de partilha, com a inclusão de 23 áreas no leilão, voltado para o pré-sal.
Como parte do processo, a ANP determinou a realização de uma audiência pública, por videoconferência, no dia 13 de março, para receber contribuições de agentes do setor para a atualização do edital.
Oito áreas já tinham sido incluídas no quarto ciclo da oferta permanente, cujo leilão ainda não tem data definida: os campos de Larimar, Ônix e Turmalina, todos na Bacia de Campos, e as áreas de Ágata, Amazonita, Jade, Safira Leste e Safira Oeste, localizadas na Bacia de Santos.
Para todas essas áreas, a Petrobras já havia declinado do exercício do direito de preferência: por lei, a estatal deve manifestar ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) interesse em deter participação nos blocos localizados no pré-sal.
Em 2022 e em 2024, a Petrobras enviou manifestações sobre essas áreas. Isso não significa que a Petrobras não possa apresentar propostas para esses campos, apenas desobriga uma participação nessas áreas.
Com a exclusão de Limonita e Dolomita, a ANP prevê a inclusão de 15 novos blocos no edital da oferta permanente de partilha, totalizando 23 áreas: Cruzeiro do Sul, Rubi, Granada, Cerussita, Aragonita, Rodocrosita, Malaquita, Opala, Quartzo, Calcedônia, Siderita, Hematita, Magnetita, Calcita e Azurita. Todos esses blocos já haviam sido autorizados pelo CNPE para inclusão em licitações, entre 2021 e 2025.
Segundo dados públicos da oferta permanente, disponíveis no site da ANP, 15 empresas estão inscritas para participar da licitação das áreas.
Oferta permanente
A oferta permanente é uma modalidade mais ágil em relação ao modelo tradicional de leilões. Na oferta permanente, o edital é único e só é alterado para inclusão de novas áreas e exclusão de blocos que foram arrematados por empresas ou que venham a ser excluídos por outros motivos.
Da mesma forma, as empresas não precisam esperar por um novo edital para se habilitar aos certames. Quando as petroleiras conseguem se habilitar para a oferta permanente, elas sempre estão aptas para arrematar blocos de petróleo.
Os leilões públicos, nos quais as empresas apresentam ofertas pelas áreas pretendidas, continuam ocorrendo como habitualmente: os certames são as sessões públicas de cada ciclo da oferta permanente.
Entre a declaração de interesse e os leilões (ou sessões públicas), há um prazo de 120 dias. A oferta permanente de partilha envolve apenas áreas de petróleo localizadas no polígono do pré-sal. O critério para definir o vencedor da sessão pública é o maior percentual de excedente em óleo para a União em relação ao valor mínimo estabelecido no edital.
TN Petróleo - RJ 23/02/2026
A União teve direito a 55,5 milhões de barris de petróleo da produção do pré-sal em 2025, incluindo as parcelas dos contratos de partilha (CPPs) e dos acordos de individualização da produção (AIPs). O volume é quase o dobro daquele registrado em 2024, de 27,9 milhões de barris. O aumento significativo é decorrente, principalmente, do crescimento da produção do FPSO Marechal Duque de Caixas, em Mero, e do FPSO Tamandaré, em Búzios.
O campo de Mero foi o maior produtor no ano, com um total de 36,44 milhões de barris, seguido de Sépia (6,49 MMbbl) e de Búzios (2,85 MMbbl). O ano também foi marcado pela entrada em operação do FPSO Bacalhau no Campo de Norte de Carcará.
"A curva de produção da União cresceu conforme previsto em nossos estudos. Isso mostra a consistência e relevância do pré-sal para o país e a importância de realizarmos a gestão destes contratos de modo a garantir os melhores resultados para a União. Os próximos anos serão de crescimento acelerado, podendo chegar a 2033 com mais de 500 mil barris por dia. Estamos fortalecendo a empresa para absorver o crescimento da demanda e entregar resultados cada vez mais robustos", disse o Diretor-Presidente da empresa, Luis Fernando Paroli.
Em 2025, a União também teve direito a um total de exportação de 137 milhões de m³ de gás natural, considerando sua participação em CPPs e AIPs. O volume é mais do que o dobro registrado no ano anterior (58 milhões de m³).
O maior exportador foi o campo de Sépia, com 76,17 MMm³. Na sequência, estão os campos de Tupi (18,45 MMm³) e de Sapinhoá (13,08 MMm³).
O aumento expressivo é resultado da boa performance do FPSO Carioca, em Sépia, e do FPSO Almirante Barroso, em Búzios; complementada pela melhoria do sistema de tratamento de gás de Búzios nos FPSO P-76 e P-77.
Desde 2017, a União acumula um total de 124,73 milhões de barris de óleo produzidos. A parcela acumulada exportada de gás natural da União é de 426 MMm³.
Os dados fazem parte do Encarte Anual de Produção de 2025.
Petróleo e gás natural no regime de partilha
Em 2025, os contratos em regime de partilha registraram uma produção total de óleo de 488,84 milhões de barris, um crescimento de cerca de 30% em relação a 2024 (370,58 MMbl). O campo de Búzios foi o principal produtor neste regime, com 203,17 milhões de barris de óleo, seguido de Mero (193,99 milhões) e Sépia (33,19 milhões).
Com relação ao gás natural, os contratos de partilha exportaram 2 bilhões de m³, uma alta de aproximadamente 55% em relação ao ano anterior. O maior produtor de gás nesse regime foi o campo de Búzios (1,67 bilhão de m³), seguido de Sépia (346,84 milhões) e de Sapinhoá (28,02 milhões).
Dezembro: recorde na produção de petróleo da União
A União encerrou o ano de 2025 com recorde de produção. No mês de dezembro de 2025, a parcela de petróleo da União somou 186 mil barris por dia (bpd) nos nove contratos de partilha de produção e nos AIPs das áreas não contratadas de Atapu, de Mero, de Tupi e de Jubarte. No mesmo mês, a União teve direito a uma produção de 624 mil m³ de gás natural por dia em cinco contratos de partilha produção e nos AIPs de Tupi e Jubarte.
A produção total média de petróleo em regime de partilha foi de 1,5 milhão bpd, 3% superior ao período anterior. O aumento deve-se ao retorno operacional das unidades do campo de Búzios, após paradas programadas da produção. Mero foi o maior produtor, com 612,91 mil bpd, seguido de Búzios com 599,52 mil bpd.
Em relação ao gás natural, a produção total no mês de dezembro foi de 6,31 milhões de m³ por dia, resultado 3% inferior ao período anterior, devido à menor exportação de gás para o campo de Sépia. Búzios foi o maior exportador com 4,75 milhões de m³ por dia, respondendo por 75% do total.
Petro Notícias - SP 23/02/2026
Depois de ser autorizada a retomar a perfuração no poço de Morpho, no bloco FZA-M-059, na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá, a Petrobrás acredita que precisará de um mês a mais do que o previsto inicialmente para concluir a atividade. Segundo a diretora de Exploração e Produção da companhia, Sylvia dos Anjos, a sonda ODN-II, utilizada na perfuração, deve alcançar os 7 mil metros em abril — a previsão inicial era atingir essa profundidade entre fevereiro e março.
A declaração foi dada pela executiva em entrevista ao jornal O Globo. De acordo com a diretora, ao atingir os 7 mil metros, caso seja constatada a presença de óleo, isso indicará que os modelos utilizados pela companhia estão corretos. Caso contrário, a petroleira pretende revisá-los e ajustá-los. Sylvia afirmou que a Petrobrás tem mapeados cinco plays (áreas potenciais) no bloco.
Para lembrar, a perfuração do poço estava suspensa desde o dia 4 de janeiro, após uma perda de fluido de perfuração no navio-sonda ODN-II. Ontem (19), conforme noticiamos, a Petrobrás disse que já estava realizando os preparativos necessários para continuar com a atividade.
Ainda durante a entrevista, Sylvia afirmou que foi “uma novela” a trajetória para obter a licença, o que acabou complicando um pouco os planos da Petrobrás para a sonda. A ideia inicial era manter a ODN-II na Bacia da Foz do Amazonas. Contudo, devido à demora do Ibama em autorizar a atividade, o navio será deslocado para a perfuração do poço Mãe de Ouro, na costa do Rio Grande do Norte.
A diretora também fez ressalvas ao movimento contrário ao aumento da produção de petróleo no Brasil. Para ela, se o país deixar de produzir o insumo, precisará voltar a importá-lo. Ela reconheceu que o licenciamento ambiental no Brasil continua sendo “o maior desafio” e destacou que o petróleo é o principal produto da pauta de exportações. “Qual país do mundo cria leis contra sua própria força? Eu não conheço”, afirmou.
Ainda ao Globo, Sylvia disse que a Petrobrás pode avaliar oportunidades na Venezuela, mas reconheceu que há um risco elevado em investir no país, apesar de seu potencial petrolífero. A executiva acrescentou que a companhia busca oportunidades na África, citando Gana, Costa do Marfim e Namíbia, onde a empresa assinou recentemente um acordo para adquirir uma licença de exploração.
Folha On-Line - SP 23/02/2026
Aparente rede de empresas usando o mesmo servidor inclui grupo pouco conhecido que se tornou o maior exportador de petróleo do país
UE considera usar descobertas como evidência para impor novas sanções contra a rede
Londres, Bruxelas e Berlim | Financial Times
Uma falha de TI revelou uma aparente rede de contrabando que movimentou pelo menos US$ 90 bilhões (cerca de R$ 467 bilhões) em petróleo russo e desempenha um papel central no financiamento da guerra do Kremlin na Ucrânia.
O FT identificou 48 empresas aparentemente independentes, operando em diferentes endereços físicos, que parecem estar trabalhando juntas para disfarçar a origem do petróleo russo, particularmente da Rosneft, controlada pelo Kremlin.
A rede foi descoberta porque todas compartilham um único servidor de e-mail privado.
Rotear o petróleo por meio de terceiros pode mascarar entidades na lista negra envolvidas nas negociações e os preços pagos. O incentivo para esconder as origens precisas do petróleo russo se intensificou em outubro de 2025, quando os Estados Unidos colocaram a Rosneft e a Lukoil —as duas maiores exportadoras do país— sob sanções.
Desde que essas sanções foram impostas, uma empresa até então desconhecida na rede, "Redwood Global Supply", tornou-se a maior exportadora individual de petróleo russo. As empresas estão ligadas a um grupo de empresários azerbaijanos com fortes vínculos com a Rosneft.
Baiba Braže, ministra das Relações Exteriores da Letônia, disse: "Esses contrabandistas tornam a aplicação do teto de preço do petróleo quase impossível ao dificultar a identificação do preço real das transações — e agora estão ajudando a disfarçar produtores russos sancionados".
"É por isso que todo o ecossistema precisa ser sancionado para salvar vidas de ucranianos."
Três funcionários da UE disseram que as descobertas poderiam ser usadas como evidência para impor novas sanções. Entidades nesta rede, disse um deles ao FT, já estavam "bem no nosso radar".
"Vemos padrões cada vez mais complexos e novos atores surgindo que tentam contornar nossas medidas. O que tentamos fazer com cada pacote de sanções é tornar a evasão mais difícil, menos previsível, menos confiável e mais cara", disse David O'Sullivan, enviado de sanções da UE.
O FT conseguiu identificar 442 domínios da web cujos registros públicos mostram que todos usam um único servidor privado para seus e-mails, "mx.phoenixtrading.ltd", demonstrando que compartilham funções de back-office.
O FT então conseguiu identificar empresas comparando os nomes nos domínios com os de entidades que aparecem em registros alfandegários russos e indianos como envolvidas no transporte de petróleo russo.
Por exemplo, a Foxton FZCO, uma entidade sediada em Dubai listada como compradora de US$ 5,6 bilhões em petróleo em registros de exportação russos, corresponde a "foxton-fzco.com". Da mesma forma, a Advan Alliance, uma entidade listada em registros indianos como tendo vendido US$ 1,5 bilhão (R$ 7,78 bilhões) de petróleo russo para o país, pode ser vinculada a "advanalliance.ltd".
Registros vinculados pelo FT à lista de domínios mostram exportações de petróleo da Rússia totalizando mais de US$ 90 bilhões.
O valor total movimentado por essas empresas provavelmente é significativamente maior. Os registros alfandegários estão incompletos e o FT adotou uma abordagem conservadora tanto para incluir potenciais membros da rede quanto para evitar contagem dupla de carregamentos.
O grande número de entidades é consequência de suas curtas vidas úteis: registros alfandegários sugerem que elas ficam ativas em média por cerca de seis meses. Esse rápido abandono de cada entidade complica a tarefa dos funcionários de sanções. Oito entidades na lista de domínios já estão diretamente sujeitas a sanções da UE, EUA ou Reino Unido.
A rede envolve traders ligados à Coral Energy, uma empresa fundada em 2010 pelo empresário azerbaijano Tahir Garayev, que foi incluído na lista de sanções pelo Reino Unido. Um dos domínios que usa o serviço de e-mail é "TahirQarayev.com", um domínio usado por Garayev.
Dois domínios no conjunto —"bellatrix-energy.com" e "nord-axis.com"— correspondem a duas empresas, Bellatrix Energy e Nord Axis, que foram acusadas nas listas de sanções da UE de fazer parte de uma rede em torno da Coral.
Uma figura-chave nesta rede é Etibar Eyyub, um empresário azerbaijano que funcionários da UE acreditam ser um associado próximo de Igor Sechin, diretor-executivo da Rosneft. Outro domínio da web que envia e-mails para o servidor é "EEOffice.com", que foi usado anteriormente por Eyyub.
Eyyub foi incluído na lista de sanções pelo Reino Unido no ano passado por "possuir ou controlar direta ou indiretamente ou trabalhar como diretor" na Coral e Nord Axis. Sua listagem na UE o acusou de permitir "embarques e exportações de petróleo russo, notadamente da Rosneft, ao ocultar a origem real do petróleo".
Em novembro de 2024, o último mês para o qual dados russos completos estão disponíveis, mais de 80% das exportações de petróleo por navio da Rosneft foram movimentadas através da aparente rede de empresas identificada pelo FT.
Embora Garayev tenha sido o fundador da Coral, traders que negociaram com os dois homens disseram que Eyyub estava claramente no comando. "Do ponto de vista comercial, o poder real sempre esteve nas mãos de Etibar", disse uma pessoa. Ele parecia "muito orgulhoso de si mesmo", acrescentou a pessoa, "sempre fazendo questão de que todos saibam que ele voa de jato particular".
Os dois homens deixaram a Coral, agora conhecida como 2Rivers, que está sob nova propriedade. Os atuais proprietários da 2Rivers disseram que a empresa está inativa, não tem conexão atual com Eyyub e Garayev, e não tem envolvimento atual ou conhecimento de quaisquer redes.
Sergey Vakulenko, pesquisador do Carnegie Russia and Eurasia Centre e ex-chefe de estratégia da estatal petrolífera Gazprom Neft, disse: "Usar um labirinto de 50 empresas é um truque antigo dos anos 1990. Foi assim que fortunas foram feitas e impostos sonegados pelos que logo se tornariam oligarcas."
"Mas é uma grande surpresa que uma rede tenha se tornado tão grande e importante para a Rosneft. Eu esperaria mais empresas de fachada."
A relação jurídica precisa entre as entidades na rede não está clara. Mas as empresas parecem desempenhar papéis distintos. A rede usa um conjunto de empresas para comprar cargas e outro conjunto para vendê-las em mercados como Índia e China. Apenas duas das empresas apareceram em documentos tanto da Índia quanto da Rússia.
Em alguns casos, os carregamentos são roteados por um terceiro local, como os Emirados Árabes Unidos. A maior parte do petróleo foi listada sob nomes genéricos como "blend de exportação" em vez de um grau preciso que ajudaria a rastrear os carregamentos até sua origem.
As empresas também são difíceis de rastrear: a maioria não tem sites ou detalhes de contato em seus domínios da web.
Algumas das entidades —a maioria das quais sediadas nos Emirados Árabes Unidos— têm nomes compartilhados, pelo menos em parte, com empresas não relacionadas baseadas ao redor do mundo.
Uma das empresas da rede atraiu alguma atenção, no entanto. A Kpler, plataforma de dados e análises, listou um declínio acentuado nas exportações da Lukoil e Rosneft desde sua inclusão na lista de sanções em outubro —com uma empresa anteriormente desconhecida tomando seu lugar.
A maior exportadora individual de petróleo russo agora é a Redwood Global Supply. Esta entidade, incorporada em Ras Al Khaimah nos Emirados Árabes Unidos, foi sancionada pelo Reino Unido em dezembro.
O FT vinculou a empresa ao nome de domínio "redwoodgroup.ltd" —outro domínio que compartilha o mesmo servidor de e-mail. O momento do registro da empresa coincide com o do domínio da web, e ela compartilha um número de telefone com outra entidade dentro da rede.
Dois traders familiarizados com o mercado de petróleo russo disseram ao FT que acreditava-se que a Redwood era um veículo comercial de Eyyub.
Executivos russos do setor de energia, atuais e antigos, disseram ao FT que exportadores de petróleo sancionados redirecionaram o fornecimento através de empresas não sancionadas e intermediários obscuros.
"Isso cria custos extras e inconveniências. Mas no final das contas, o show deve continuar", disse um alto executivo russo do setor de energia.
"A Rosneft está exportando menos petróleo e vendendo mais no mercado doméstico. [Empresas não sancionadas] estão exportando mais petróleo de repente. Faça as contas."
A verdadeira escala e alcance da rede não estão claros. Várias outras empresas interagem com a rede de maneiras que sugerem que fazem parte dela, enquanto os quase 400 domínios na lista que não foram vinculados a cargas de petróleo sugerem que a rede pode estar fazendo mais do que apenas comercializar petróleo.
Dos 448 domínios identificados pelo FT, 19 estão ligados a empresas russas, incluindo empreendimentos de energia e imobiliários, vários administrados por cidadãos azerbaijanos.
Na lista de sanções da UE para a Coral, a empresa foi acusada de controlar "uma grande proporção dos navios na chamada 'frota sombra' da Rússia".
Análises de padrões de navegação mostram que empresas na lista de domínios frequentemente dependem de navios conectados à Rosneft, como aqueles anteriormente operados pela Gatik Ship Management, uma empresa registrada na Índia que surgiu brevemente em 2023 como proprietária de 58 petroleiros da frota fantasma.
Michelle Wiese Bockmann, especialista marítima da Windward, uma empresa de inteligência marítima, disse: "É bastante óbvio que a Rosneft e a Lukoil estão usando as mesmas redes de comercialização de petróleo e petroleiros para contornar sanções e manter o petróleo fluindo.
"As mudanças frequentes de nomes de navios, gestores e empresas de comercialização de petróleo . . . são práticas de navegação enganosas de longa data projetadas para obscurecer o destino, origem e propriedade das cargas e sua logística."
Vakulenko, do Carnegie Centre, disse: "Todos os participantes deste comércio devem saber do que se trata. Eles são bem pagos por isso e a documentação os cobre na medida em que podem fingir que estão agindo de boa-fé."
O FT buscou comentários de todas as empresas da rede por e-mail.
Garayev disse ao FT: "Nego categoricamente que eu seja, ou tenha sido, um 'ator-chave' em qualquer rede ligada ao transporte, comercialização ou exportação de petróleo russo".
Em resposta a um e-mail enviado para um domínio na lista da rede, ele também negou "qualquer papel direto ou indireto nas empresas mencionadas em sua correspondência... Nunca participei ou facilitei qualquer atividade destinada a violar regimes de sanções aplicáveis ou estruturas de teto de preço".
Não foi possível contatar Eyyub para comentar. Quando foi sancionado pela UE em dezembro, Eyyub descreveu a ação como "infundada", dizendo ao FT: "Nunca fiz nada ilegal ou errado". Seu e-mail foi enviado de um endereço na lista de domínios.
A Rosneft foi procurada para comentar.
Chris Cook , Tom Wilson , Verity Ratcliffe , Laura Dubois e Max Seddon
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 23/02/2026
O avanço das negociações do Acordo Mercosul-União Europeia representa um marco importante para o agronegócio brasileiro, principalmente para a indústria de máquinas e equipamentos agrícolas.
A expectativa é que a abertura comercial, com redução de tarifas e acesso ampliado a mercados internacionais, gere uma corrida por eficiência, produtividade e modernização tecnológica dentro do setor.
Com consumidores europeus cada vez mais atentos à origem dos alimentos, ao impacto ambiental e à rastreabilidade dos produtos, as empresas brasileiras precisarão investir em soluções mais modernas, como tratores e colheitadeiras inteligentes, além de tecnologias voltadas para agricultura de precisão e redução de desperdícios.
Acordo acelera transformação tecnológica já em curso no setor - De acordo com Thiago Savian, diretor comercial da Unifisa, o acordo tende a acelerar uma mudança que já estava em andamento.
“A indústria agro já vinha avançando em tecnologia, mas esse novo cenário internacional acelera ainda mais esse processo. Isso acontece porque, para acessar mercados mais exigentes, é necessário investir em maquinário moderno”, afirma o executivo.
Savian destaca que o grande desafio está em viabilizar esses investimentos sem comprometer o equilíbrio financeiro das empresas, especialmente diante de taxas de juros elevadas e restrições de crédito.
Consórcio ganha destaque - Com o custo do financiamento ainda alto, o consórcio tem se tornado uma alternativa viável para renovação e ampliação do maquinário agrícola.
“O consórcio, por não contar com juros e envolver apenas taxas administrativas, passou a ser uma ferramenta estratégica para renovar o maquinário e ampliar a capacidade produtiva, mantendo o equilíbrio do fluxo de caixa”, explica Savian.
Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) confirmam essa tendência: entre 2020 e 2025, o número de novas adesões a consórcios de máquinas agrícolas cresceu 110,9%, passando de 32,27 mil para 68,05 mil cotas.
Crescimento sustentável e competitividade global - O aumento na procura por consórcios reforça uma mudança estrutural no setor: a busca por crescimento sustentável e planejado em um ambiente de competitividade internacional crescente.
“Quem consegue planejar esses investimentos com antecedência sai na frente, especialmente nesse contexto de abertura comercial e de exigências cada vez maiores por eficiência e sustentabilidade”, conclui Savian.
Com o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia, o agronegócio brasileiro tende a fortalecer ainda mais sua base industrial, investindo em tecnologia, inovação e práticas sustentáveis para consolidar sua posição nos mercados globais.
Exame - SP 23/02/2026
A John Deere está otimista com a retomada do agro em 2026. A empresa de maquinários agrícolas projeta lucro líquido entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhões no ano fiscal de 2026, reforçando a aposta de que o próximo ano marcará o ponto mais baixo do ciclo atual do agronegócio.
A sinalização ao mercado veio acompanhada de revisão positiva das estimativas e desencadeou uma reação imediata nas ações. Na quinta-feira, 19, os papéis da companhia chegaram a subir até 13%, renovando o recorde de março de 2020 — a ação da empresa acumula valorização de 44% em 2026.
Parte do otimismo está ancorada na retomada das exportações americanas de soja para a China neste ano. A projeção é de que os EUA embarquem 26 milhões de toneladas para o país asiático.
A estimativa vem na esteira de um 2025 decepcionante para o agro dos EUA. No ano passado, os embarques do grão dos EUA para o país asiático caíram em razão da guerra tarifária do presidente Donald Trump. Com isso, a soja brasileira ganhou espaço em relação ao grão americano.
Além da retomada da soja, o governo dos Estados Unidos anunciou um pacote de apoio de US$ 12 bilhões aos agricultores, reforçando a liquidez no curto prazo. Os EUA são um dos principais mercados para a John Deere, uma vez que o país é um dos maiores produtores agrícolas do mundo, principalmente de milho, com 400 milhões de toneladas.
Para John May, presidente do conselho e CEO da companhia, embora o setor agrícola global em larga escala continue enfrentando desafios, há sinais de melhora.
“Estamos encorajados pela recuperação contínua da demanda tanto nos segmentos de construção quanto de agricultura de pequeno porte”, disse, em nota.
Segundo o executivo, 2026 deve representar o piso do ciclo atual, criando base para um crescimento acelerado nos próximos anos.
Em novembro, a John Deere estimou um lucro líquido entre US$ 4 bilhões e US$ 4,7 bilhões. Na nova projeção, inclusive, o lucro ajustado por ação no primeiro trimestre fiscal superou amplamente as previsões dos analistas.
Segundo Josh Beal, diretor de relações com investidores, a estabilização dos fundamentos deve estimular a reposição de máquinas nos EUA.
Para o executivo, a idade média da frota americana de tratores e colheitadeiras está elevada, após anos de postergação de investimentos — a expectativa é de retorno gradual da demanda por substituição de equipamentos.
Outro vetor potencial é a política de biocombustíveis nos Estados Unidos. O setor aguarda maior clareza regulatória em 2026, com possível elevação das metas de mistura de combustíveis renováveis.
A ampliação do uso de etanol, inclusive com a eventual liberação da venda anual da mistura com 15% de etanol na gasolina, pode impulsionar a demanda por milho e soja — movimento já observado no Brasil, onde cresce a destinação do milho para etanol.
O otimismo da companhia contrasta com a visão dos produtores americanos. Segundo levantamento da Universidade Purdue, em parceria com o CME Group, a proporção de agricultores que esperam enfrentar dificuldades financeiras neste ano subiu de 47%, em dezembro, para 59%, em janeiro.
O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que a dívida agrícola total aumentará 5,2%, atingindo o recorde de US$ 624,7 bilhões em 2026.
Uma pesquisa do Federal Reserve (Fed) mostra que os empréstimos agrícolas cresceram 40% no último trimestre de 2025.
Além disso, o valor médio desses financiamentos foi 30% maior do que no ano anterior, indicando que os produtores estão tomando empréstimos mais elevados para cobrir custos operacionais, segundo o banco central americano.
Resultado 1º tri
No primeiro trimestre fiscal encerrado em 1º de fevereiro de 2026, a Deere & Company registrou lucro líquido de US$ 656 milhões, queda de 24,5% em relação aos US$ 869 milhões apurados no mesmo período do ano anterior — o lucro por ação recuou de US$ 3,19 para US$ 2,42.
Apesar da retração no resultado, as vendas líquidas e a receita global cresceram 13%, totalizando US$ 9,611 bilhões no trimestre. Considerando apenas as vendas líquidas, o montante foi de US$ 8,001 bilhões, alta de 17,5% na comparação anual.
O principal segmento da companhia, produção e agricultura de precisão — voltado aos grandes produtores — segue sob pressão.
As vendas de máquinas agrícolas e soluções de agricultura de precisão avançaram 3%, para US$ 3,163 bilhões, refletindo efeitos positivos do câmbio. Ainda assim, o lucro operacional da divisão caiu 59%, para US$ 139 milhões, impactado por tarifas mais elevadas e maiores despesas com garantias.
Em contraste, a área de agricultura de pequeno porte e gramados apresentou desempenho mais robusto. As vendas líquidas somaram US$ 2,168 bilhões no trimestre, crescimento de 24% em relação ao ano anterior.
O lucro operacional da divisão subiu 58%, para US$ 196 milhões, impulsionado pelo maior volume de embarques e pela realização de preços, parcialmente compensados por custos tarifários.
Para 2026, a empresa projeta queda de 5% nas vendas de tratores e colheitadeiras na América do Sul — revisão frente à expectativa de estabilidade divulgada em novembro de 2025.
Nos Estados Unidos e no Canadá, a previsão é de retração entre 15% e 20% nas vendas de máquinas agrícolas de grande porte, enquanto a comercialização de equipamentos para agricultura de pequeno porte e gramados deve variar entre estabilidade e alta de até 5%.