Clipping Diário

22 | Agosto | 2025

INDA

Safras & Mercado - RS   22/08/2025

As vendas de aços planos aumentaram 10,1% em julho deste ano em relação ao mesmo período de 2024, ficando em 345,5 mil toneladas, segundo dados do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda). Sobre o mesmo mês do ano passado, quando foram vendidas 335,7 mil toneladas, registrou alta de 2,9%.

As compras do mês de julho registraram alta de 20,4% perante a junho, com volume total de 373,7 mil toneladas contra 310,1 mil. Frente a julho do ano passado (349,5 mil t), apresentou alta de 6,8%.

Em número absoluto, o estoque de julho obteve alta de 2,6% em relação ao mês anterior, atingindo o montante de 1.096,0 mil toneladas contra 1.068,2 mil. O giro de estoque fechou em 3,2 meses.

As importações encerraram o mês de julho com queda de 31,1% em relação ao mês anterior, com volume total de 256,0 mil toneladas contra 371,3 mil. Comparando-se ao mesmo mês do ano anterior (219,2 mil ton.), as importações registraram alta de 16,8%. A China foi o país com maior participação nas importações brasileiras, seguida pela Coréia do Sul.

Para agosto, a expectativa do Inda é de que as compras e vendas tenham uma queda de 2,5% em relação a julho.

Os EUA foram o principal mercado das exportações de aço, com participação de 58,6% no total em julho, sendo o principal mercado de placas e aços planos.

SIDERURGIA

Portal Fator Brasil - RJ   22/08/2025

O aumento do uso de cabos sintéticos em operações de carga tem remodelado discussões técnicas nos setores offshore, logístico e industrial. O que antes era um domínio absoluto do aço começa a dividir espaço com materiais ultraleves, como o polietileno de alto módulo (HMPE). Isso tem sido impulsionado por avanços em engenharia de fibras, novas exigências operacionais e uma busca constante por eficiência. A escalada desses cabos reflete mudanças reais nas formas de içar, amarrar e movimentar cargas em ambientes cada vez mais complexos, e levanta uma questão inevitável para o setor: até que ponto os sintéticos substituem o aço, e onde ele ainda é insubstituível?

Segundo projeções da Global Growth Insights, o mercado global de cabos HMPE foi avaliado em US$ 323,7 milhões em 2024, com previsão de atingir US$ 354,5 milhões em 2025 e US$ 732,6 milhões até 2033. A taxa de crescimento anual composta (CAGR) projetada para o período entre 2025 e 2033 é de 9,5%, reflexo direto da busca por soluções mais leves, seguras e eficientes em setores como offshore, mineração, logística e portos.

Um estudo de 2023 da Market Research Future revelou que os cabos sintéticos já representavam mais de 55% da receita global do mercado de cabos de amarração, especialmente em plataformas e embarcações que operam em águas profundas. Isso é resultado da leveza e resistência das fibras sintéticas, que têm transformado operações de alta complexidade, facilitando manobras, reduzindo esforço operacional e minimizando o risco de acidentes.

Leveza, durabilidade e eficiência: os trunfos do HMPE —Os benefícios das cordas sintéticas são expressivos. Um cabo HMPE pode ser até 90% mais leve que seu equivalente em aço, mantendo carga de ruptura semelhante. Isso reduz o esforço físico das equipes, melhora a ergonomia, facilita o transporte e eleva a eficiência energética das operações.

Outro ponto favorável é a resistência à água salgada e diferentes agentes químicos, o que torna o HMPE uma opção atraente para ambientes marinhos e regiões com alta umidade. Diferentemente do aço, que exige reaplicação constante de graxa ou revestimentos anticorrosivos, os cabos sintéticos demandam manutenção mais simples, o que representa uma vantagem operacional relevante, sobretudo em locais de difícil acesso.

Limites técnicos que mantêm o aço em destaque — Apesar de suas vantagens, o HMPE tem limitações técnicas que precisam ser consideradas com critério. A fluência — deformação gradual sob carga constante — pode comprometer o desempenho em operações de longa duração com peso estático elevado. Além disso, os cabos sintéticos não devem ser submetidos a temperaturas acima de 70 °C por períodos prolongados, o que restringe seu uso em ambientes industriais de alta temperatura ou em contato com componentes metálicos superaquecidos.

É nesse cenário que o aço segue imbatível. Seu comportamento previsível, a elevada resistência térmica e a capacidade de suportar abrasão intensa o tornam indispensável em operações como içamento em fundições, frenagens por atrito, manuseio de peças cortantes ou sob calor extremo. Guindastes industriais de grande porte, por exemplo, ainda dependem da robustez e rigidez dos cabos de aço para garantir segurança e durabilidade.

Outro fator decisivo é o custo total ao longo do ciclo de vida. Embora o HMPE possa ser mais vantajoso em aplicações de alta rotatividade ou onde a redução de peso resulta em economia de combustível, o investimento inicial ainda é significativamente mais alto do que o dos cabos de aço convencionais. Em cenários com menor frequência de troca ou exigência estrutural elevada, o aço costuma apresentar melhor desempenho técnico e econômico.

Equilíbrio e estratégia: o futuro das operações mistas — A perspectiva que se consolida no setor é a de uma convivência estratégica entre os dois materiais. Em vez de uma substituição absoluta, o que se observa é uma segmentação inteligente das aplicações. Em sistemas de ancoragem offshore, as chamadas linhas longas — que podem ultrapassar mil metros de extensão —, já é possível projetar trechos de aço nas regiões de maior atrito, como curvas de desvio e bases metálicas, enquanto o HMPE pode ser aplicado nos segmentos suspensos ou mais difíceis de acessar. Essa configuração híbrida permite combinar a robustez do aço com a leveza e durabilidade dos sintéticos, otimizando o desempenho geral da linha.

Para este uso híbrido ou em qualquer cenário de substituição de um pelo outro, é essencial que a escolha entre aço e HMPE leve em consideração uma análise técnica detalhada das condições de operação. Temperatura, abrasividade, tipo de carga, frequência de uso, ambiente externo e capacidade de manutenção são fatores que impactam diretamente o desempenho e a vida útil dos cabos. Além disso, a capacitação das equipes segue sendo um fator essencial. Diferentes materiais exigem critérios de inspeção próprios, técnicas específicas de emenda ou trancagem dos olhais e conhecimento sobre sinais de fadiga.

A inovação trazida pelos cabos sintéticos é inegável. Mas o protagonismo do aço, com sua confiabilidade comprovada em milhares de aplicações críticas, permanece firme. O mais importante é entender que a escolha entre aço e sintético não é binária, mas estratégica, pois a técnica precisa ser sempre baseada em dados, contexto e, sobretudo, segurança.

• Por: Fernando Fuertes, Engenheiro e Desenvolvedor de Novos Negócios da Acro Cabos.|Acro Cabos — Especialista em soluções para elevação, amarração e movimentação de cargas, a Acro Cabos atua no mercado há mais de 25 anos. A empresa é reconhecida pela excelência de seus produtos e serviços, que atendem às mais rígidas exigências do mercado com certificações que atestam seu compromisso com a segurança e a qualidade. | www.acrocabo.com.br

Valor - SP   22/08/2025

Na terça, o departamento havia incluído as turbinas eólicas em uma lista de 407 itens 'derivados' de aço e alumínio sujeitos às tarifas de 50%

O Departamento de Comércio dos Estados Unidos informou nesta quinta-feira (21) a abertura de uma investigação de segurança nacional sobre as importações de turbinas eólicas e seus componentes.

Na terça, o departamento havia incluído as turbinas eólicas em uma lista de 407 itens sujeitos às tarifas setoriais de 50% sobre aço e alumínio.

A lista abarca produtos considerados como “derivados” de aço e alumínio.

A investigação, que ocorre no âmbito da seção 232 da Lei de Expansão Comercial dos EUA, foi iniciada na última semana, mas ainda não havia sido divulgada publicamente.

Revista Mineração - SP   22/08/2025

Com um investimento total de US$ 5,7 bilhões no estado da Bahia, o Projeto Ferro Verde promete ser um marco para a transformação da indústria siderúrgica. O projeto prevê o beneficiamento do minério de ferro, a construção de um ramal ferroviário de 120 km e a instalação de plantas siderúrgicas, com previsão de gerar mais de 55 mil empregos diretos e indiretos.

Em encontro promovido pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), prefeitos e vereadores dos municípios envolvidos no Projeto Ferro Verde foram apresentados aos detalhes do empreendimento desenvolvido pela inglesa Brazil Iron, que combina inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento socioeconômico.

A empresa já aportou R$ 1,7 bilhão na Bahia, valor que não está incluso no capital estimado para o projeto. Além do impacto econômico, o projeto posiciona o estado como referência nacional na produção de aço verde e fortalece a cadeia produtiva do setor e contribui de forma decisiva para a descarbonização da indústria siderúrgica brasileira.

Para o vice-presidente de Relações Institucionais da Brazil Iron, Emerson Souza, a apresentação detalhada do Projeto Ferro Verde aos gestores locais reforça o compromisso da empresa com as relações transparentes.

“Acreditamos que um projeto de sucesso se constrói com diálogo e parceria. Nos próximos passos, faremos o mesmo com as lideranças comunitárias e com a população, garantindo que a participação de todos seja a base do nosso projeto”, afirmou.

Considerado um insumo essencial para a transformação da indústria mundial do aço, o Ferro Verde consiste na produção de Ferro Briquetado a Quente (HBI). A tecnologia possibilita a substituição de fornos a carvão, altamente poluentes, por fornos elétricos, capazes de reduzir em até 99% as emissões de dióxido de carbono. A utilização de minério de ferro de alta qualidade e 100% de energia renovável coloca o projeto na fronteira da transição energética do setor.

O presidente da CBPM, Henrique Carballal, ressaltou o impacto do empreendimento para a Bahia. “O Projeto Ferro Verde coloca nosso estado na vanguarda da transição energética na indústria do aço. Não se trata apenas de um investimento econômico, mas de um passo estratégico para gerar empregos, impulsionar a tecnologia e transformar um recurso mineral em uma solução industrial de ponta, sustentável e eficiente”, declarou.

O evento, realizado no município de Piatã, contou ainda com a presença do prefeito do município, Marcos Paulo; do prefeito de Abaíra, Wellington Barbosa; e do prefeito de Jussiape, José Luz. Também estiveram presentes os vice-prefeitos e vereadores dos municípios; o assessor especial da Casa Civil, Marcelo Emerenciano; o ex-deputado federal e presidente estadual do Avante, Ronaldo Carletto; e os deputados estaduais Júnior Muniz, Niltinho, Fabíola Mansur e Eduardo Salles.

ECONOMIA

Globo Online - RJ   22/08/2025

O Brasil foi o segundo país que mais recebeu investimentos diretos da China no primeiro semestre deste ano, atrás apenas da Indonésia, em meio a um avanço dos aportes chineses nos mercados emergentes, segundo o China Global Investment Tracker, plataforma de monitoramento mantido pelo think tank americano American Enterprise Institute (AEI).

O Brasil já era o quarto maior destino no acumulado desde 2005, quando os aportes do gigante asiático ainda privilegiavam os países desenvolvidos. Rico em matérias-primas, carente em infraestrutura e dono de um grande mercado consumidor, o país tenderá a seguir com destaque no radar do investimento chinês mesmo com o avanço em cima dos emergentes, que já vem de alguns anos.

A guerra comercial deflagrada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, poderá reforçar o movimento, disseram especialistas ouvidos pelo GLOBO.

De janeiro a junho, as empresas chinesas aplicaram US$ 22 bilhões mundo afora. No topo, US$ 2,6 bilhões foram para a Indonésia e US$ 2,2 bilhões vieram para o Brasil. O valor representa aumento de 5% ante a primeira metade de 2024.

Agro e mineração

Em um dos projetos mais recentes, a Cofco, gigante do agronegócio que no Brasil atua na fabricação de açúcar e etanol e na comercialização de grãos, está terminando de investir num terminal de granéis sólidos no Porto de Santos, concessão que ganhou em 2022.

A chinesa investiu R$ 1,2 bilhão na aquisição de 979 vagões e 23 locomotivas para a infraestrutura ferroviária de acesso ao terminal, anunciou em janeiro a Rumo, operadora ferroviária que firmou parceria com a Cofco. Segundo uma nota da Rumo, o terminal portuário recebeu mais R$ 1 bilhão em aportes.

Antes de as incipientes negociações com a Embaixada dos EUA no Brasil colocarem na mesa a produção de minerais estratégicos — lítio, cobre, níquel, nióbio, terras-raras, entre outros, mais demandados pela alta tecnologia e pela transição para uma economia de baixo carbono —, como revelou O GLOBO, empresas chinesas já vinham ampliando investimentos na indústria de mineração nacional.

Na virada do ano passado para este, foram pelo menos quatro transações: a MMG, subsidiária da estatal China Minmetals, anunciou investimento de até US$ 500 milhões (R$ 2,7 bilhões) para ficar com todas as minas de níquel da mineradora Anglo American no Brasil; a China Nonferrous comprou a Mineração Taboca, produtora de estanho refinado, com mina no Amazonas e usina em São Paulo, por US$ 340 milhões (R$ 1,8 bilhão, segundo o China Global Investment Tracker; e a Huaxin Cement pagou US$ 186 milhões (em torno de R$ 1 bilhão) pela Embu, que fornece pedras para construção civil, com pedreiras na Região Metropolitana de São Paulo.

Em abril foi concluída a compra da Mineração Vale Verde, que produz cobre em Alagoas, pela mineradora Baiyin Nonferrous, um negócio de US$ 420 milhões (R$ 2,4 bilhões). Após a aquisição, a Vale Verde passa por “um momento de revisão, priorização e detalhamento de estudos, para que posteriormente possam ser implementados” novos investimentos, mas sem novos aportes no radar, informou a empresa por escrito.

Apesar da posição de destaque do Brasil entre os destinos do investimento chinês no exterior, a média anual está inferior a de anos anteriores, seguindo uma tendência de diversificação já captada em outros mapeamentos, como o feito anualmente pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

Essa diversificação — saindo de projetos bilionários na infraestrutura, principalmente elétrica, e na indústria extrativa para chegar à indústria e aos serviços, com foco em alta tecnologia — vem com projetos menores e aparece na variedade dos setores alvos dos investimentos, que passaram a ir além de projetos de infraestrutura e matérias-primas.

Nos serviços, chama a atenção a ofensiva no mercado de entregas: a 99, controlada pela chinesa Didi, está se expandindo do transporte de passageiros para o delivery e a Keeta, marca da também chinesa Meituan — que em maio anunciou plano de investimentos de R$ 5,6 bilhões —, está chegando ao mercado.

Até na novela

Na indústria automotiva, a GWM inaugurou este mês sua fábrica em Iracemápolis (SP) — parte de um plano de investimentos de R$ 10 bilhões até 2032. A GAC, sexta maior da China, começou a vender seus elétricos no país em maio, enquanto isso, a BYD, maior produtora global de elétricos, com fábrica na Bahia, segue investindo na conquista do mercado brasileiro — esta semana fez inserções publicitárias nos intervalos da novela Vale Tudo, no horário nobre da TV Globo, em que o veículo aparecia como carro da família Roitman.

“Minério de ferro, soja, petróleo: o Brasil é abençoado com o que a China precisa. Em troca, a China ajudará a construir infraestrutura de energia e outras”, Derek Scissors, pesquisador do AEI e autor do China Global Investment Tracker

Já a Geely inaugurou sua primeira concessionária este mês e lançou campanha na TV com o casal de apresentadores Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert. Em maio, a montadora anunciou a aquisição de 26% da subsidiária brasileira da francesa Renault, replicando parceria semelhante já feita na Coreia do Sul, para compartilhar a rede de vendas e a fábrica no Paraná.

A plataforma do AEI registrou um aporte de US$ 720 milhões (R$ 3,9 bilhões) no Brasil em junho — procurada, a Geely não comentou.

— Temos a questão das matérias-primas, que ainda é importante, mas o foco no mercado consumidor é muito evidente quando se fala do carro elétrico e, agora, nos investimentos em aplicativos de entrega — afirmou Tulio Cariello, diretor de Conteúdo e Pesquisa do CEBC e autor do relatório anual da entidade, cuja edição de 2025 deverá ser divulgada no início de setembro.

A diversificação ajuda a explicar por que o Brasil seguirá no radar mesmo com mudança no perfil de seus investimentos no exterior.

— Os investidores chineses permanecem intensamente interessados nas commodities do Brasil. Minério de ferro, soja, petróleo. O Brasil é abençoado com o que a China precisa. Em troca, a China ajudará a construir infraestrutura de energia e outras — disse ao GLOBO, por escrito, o economista Derek Scissors, pesquisador do AEI e autor do China Global Investment Tracker.

Os dados publicados pelo AEI mostram a mudança de perfil no investimento chinês. Embora Reino Unido e França ainda tenham figurado entre os principais destinos dos investimentos da China no exterior em 2024 e 2025, Hungria, Malásia, Cazaquistão e República Democrática do Congo também figuraram nas listas, ao lado de Indonésia e Brasil.

Restrições dos ricos

Segundo Scissors, esse avanço rumo aos emergentes tem a ver com restrições dos próprios países desenvolvidos às empresas chinesas, especialmente a partir do primeiro governo Trump.

E esse avanço se dá também no comércio. Ano passado, as exportações da China para o chamado Sul Global somaram US$ 1,584 trilhão, mais de 50% acima do US$ 1,046 trilhão vendido para os EUA e a Europa Ocidental somados, segundo relatório da agência de classificação de risco Standard & Poor’s (S&P).

“As elevadas incertezas sobre as tarifas dos EUA e a desaceleração da economia doméstica da China continuarão a motivar as empresas chinesas a avançar para o Sul Global. O resultado poderá ser uma nova ordem do comércio global, na qual as trocas Sul-Sul se tornem o novo centro de gravidade, e as multinacionais chinesas emerjam como novas protagonistas”, diz o relatório, publicado na terça-feira.

Ao se manter em destaque mesmo na nova configuração, o Brasil poderá se beneficiar, mas Renato Baumann, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que foi secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), alerta para os riscos do aprofundamento do padrão atual do comércio bilateral Brasil-China, em que exportamos matérias-primas e importamos manufaturados.

— Ficamos dependendo de quem fornece, da assistência técnica. Sobretudo, o que preocupa mais é a questão dos padrões técnicos — afirmou Baumann. — Um padrão produtivo chinês bem diferente do que é aceitável na Europa ou nos EUA pode vir a complicar a exportação de algum produto para lá.

Segundo o pesquisador, não se trata de vetar a importação de componentes ou maquinário mais baratos e de alta tecnologia, mas ter uma atenção a isso. E o mesmo vale para os investimentos, especialmente quando se destinam para infraestrutura e insumos estratégicos, como o sistema elétrico ou os minerais críticos.

Baumann defende, no mínimo, uma política de monitoramento dos investimentos, já que as carências da infraestrutura, a falta de espaço no Orçamento público e a escassez de poupança interna impedem que o Brasil recuse totalmente os aportes.

IstoÉ Dinheiro - SP   22/08/2025

A presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Cleveland, Beth Hammack, afirmou nesta quinta-feira, 21, que, com os dados econômicos atuais do país, optaria por manter a taxa de juros nos níveis atuais na reunião de setembro. A dirigente é integrante suplente do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês).

Segundo Hammack, leva de três a quatro meses para que a economia comece a perceber os efeitos da aplicação de tarifas. “Estamos no começo dessa janela. Estamos começando a ver o impacto das tarifas dos EUA”, declarou, em entrevista ao Yahoo! Finance.

Ela apontou que os preços aos produtores estão subindo, mas que ainda não necessariamente estão sendo repassados aos consumidores.

“Nós não veremos efeito tarifário completo até o próximo ano. Aquela teoria econômica sobre um impacto tarifário único pode não se sustentar”, acrescentou Hammack.

Para a presidente da distrital de Cleveland, a maior preocupação é de que a inflação esteja muito alta e indo para a direção “contrária”. “Nós estamos próximos à meta no lado do emprego, mas não na inflação. A demanda por mão de obra pode estar caindo, mas a oferta também está. Drasticamente.”

Sobre as tensões entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e a diretora do Fed Lisa Cook, Hammack ecoou o discurso de defesa da importância da independência dos bancos centrais. “Eu a conheço Cook muito bem e eu sei de sua alta integridade”, concluiu.

O Estado de S.Paulo - SP   22/08/2025

O economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, afirmou que o aumento das tarifas de importação dos Estados Unidos para o Brasil deve ter um impacto agregado pequeno, de 0,1% no PIB brasileiro em 2025. Em 2026, essa perda pode chegar a 0,2%, segundo ele. “O que machuca a economia é o juro muito alto”, acrescentou.

Mansueto destacou que houve recuo para vários setores na taxa de 50% imposta inicialmente, mas lembrou que alguns segmentos ainda vão sofrer, como exportadores de frutas e frigoríficos — salvo os que têm unidades de produção fora do Brasil e podem redirecionar as exportações.

Apesar das tarifas e da taxa de juros elevada, ele afirmou que o Brasil vai crescer neste ano e em 2026. A expectativa é de que o PIB avance 1,9% em 2025 e 1,5% em 2026, lembrando se tratar de uma consequência da elevada taxa de juros.

Ele observou que, com um juro real de 10%, como o brasileiro, haveria recessão em qualquer país do mundo. “Mas aqui será diferente, o Brasil vai crescer e será crescimento muito desigual”.

“As empresas que estão alavancadas vão sofrer e a recuperação judicial vai aumentar, enquanto as pequenas e médias empresas vão sofrer mais”, porque têm dificuldade de captação no mercado e o custo de financiamento é mais elevado, disse.

Infomoney - SP   22/08/2025

Pela última vez desde que o presidente Donald Trump o nomeou para liderar o banco central dos Estados Unidos no final de 2017, o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, atravessará na sexta-feira o amplo lobby do Jackson Lake Lodge, e entrará em um salão iluminado para fazer um discurso no simpósio global de banqueiros centrais em Wyoming.

Em seus sete discursos anteriores em Jackson Hole, Powell abordou uma série de questões, desde conceitos econômicos esotéricos e lições de história da política monetária até promessas de apoio à política durante a pandemia da Covid-19 e a determinação do banco central em vencer a guerra da inflação que se seguiu.

Cada discurso também incluiu alguma medida de previsão para os próximos movimentos da taxa de juros do Fed e, acima de tudo, é por isso que Powell terá a atenção do mundo na sexta-feira.

Veja a seguir o que ele disse anteriormente e o que aconteceu depois:

2018: ESTRELAS E AUMENTOS DE TAXAS À FRENTE

O primeiro – e mais longo – discurso de Powell em Jackson Hole definiu sua abordagem para a formulação de políticas, com foco em “navegar pelas estrelas” — a abreviação do mundo econômico para conceitos como a taxa natural de desemprego e a taxa de juros neutra. No entanto, ele ofereceu uma visão sobre o que estava por vir.

O que Powell disse: “Permitam-me concluir voltando à questão de navegar entre os dois riscos que identifiquei — ir rápido demais e encurtar desnecessariamente a expansão, versus ir devagar demais e correr o risco de um superaquecimento desestabilizador Considero a atual trajetória de aumento gradual das taxas de juros como a abordagem do FOMC para levar a sério esses dois riscos.”

O que o Fed fez: Após os dois aumentos de um quarto de ponto percentual na primeira metade do ano, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do banco central norte-americano, que define a política monetária, realizou mais dois aumentos de um quarto de ponto percentual antes do final do ano.

2019: TARIFAS DE TRUMP 1.0 E CORTES NAS TAXAS

Parte como lição de história e parte como dissecação das medidas de política comercial no primeiro mandato de Trump na Casa Branca que estavam começando a obscurecer as perspectivas, o discurso de Powell em 2019 foi recebido em poucas horas pelo presidente dos EUA que perguntou nas mídias sociais “quem é nosso maior inimigo” – Powell ou o líder chinês Xi Jinping?

O que Powell disse: “Temos monitorado três fatores que estão pesando sobre essa perspectiva favorável: desaceleração do crescimento global, incerteza quanto à política comercial e inflação baixa agiremos conforme apropriado para sustentar a expansão, com um mercado de trabalho forte e a inflação próxima de seu objetivo simétrico de 2%.”

O que o Fed fez: Após um corte de um quarto de ponto percentual na taxa de juros em julho, o Fed fez mais duas reduções nos custos de empréstimos em setembro e outubro, muito menos do que Trump havia exigido. Então, a pandemia chegou e tudo mudou.

2020: EMPREGO “INCLUSIVO”, INFLAÇÃO MÉDIA DE 2%

Feito remotamente por causa da pandemia, o discurso de Powell em 2020 definiu uma nova abordagem para a política monetária que deu mais peso à defesa do mandato de emprego do Fed.

O que Powell disse: “Nossa declaração revisada enfatiza que o emprego máximo é uma meta ampla e inclusiva O nível de emprego pode ser igual ou superior às estimativas em tempo real de seu nível máximo sem causar preocupação, a menos que seja acompanhado de sinais de aumentos indesejados na inflação ou do surgimento de outros riscos que possam impedir a realização de nossas metas Após os períodos em que a inflação estiver abaixo de 2%, a política monetária adequada provavelmente terá como objetivo alcançar uma inflação moderadamente acima de 2% por algum tempo.”

Schmid diz que não há urgência para Fed cortar juro, mas que mais dados estão por vir

“Acho que estamos em uma situação muito boa e acho que realmente temos que ter dados muito definitivos para mudar essa política agora”, disse presidente do Fed de Kansas

O que o Fed fez: Em setembro, adotou um novo teste de três partes, visto na época como uma consequência da nova estrutura, para aumentar as taxas de juros: a obtenção de emprego máximo e inflação de 2%, além de indicações de que a inflação “excederá moderadamente 2% por algum tempo”. A promessa ajudou a apoiar a recuperação da economia após o choque da pandemia, mas o rigoroso obstáculo para reiniciar o aumento das taxas foi posteriormente responsabilizado por retardar a resposta do Fed à inflação no ano seguinte.

2021: NÃO É NECESSÁRIO AUMENTAR AS TAXAS POR ENQUANTO

Em uma segunda aparição virtual consecutiva, Powell descartou os sinais da próxima onda de inflação como “transitórios” — uma palavra que ele se arrependeu de ter pronunciado.

O que Powell disse: “É provável que as atuais leituras de inflação alta sejam transitórias Se um banco central apertar a política em resposta a fatores que se revelam temporários, é provável que os principais efeitos da política cheguem depois que a necessidade tiver passado Hoje, com a folga substancial que permanece no mercado de trabalho e a continuação da pandemia, esse erro pode ser particularmente prejudicial.”

O que o Fed fez: Começou a desacelerar suas compras de ativos em novembro e manteve a taxa de juros estável em um nível próximo de zero até março de 2022. Os críticos na época, e a maioria dos formuladores de política monetária do Fed desde então, disseram que a avaliação da inflação como “transitória” foi um erro que atrasou o início dos aumentos das taxas necessários para combater a inflação.

2022: AUMENTOS NAS TAXAS E DOR À FRENTE

Sem poupar palavras em seu discurso mais curto em Jackson Hole, Powell deixou clara a intenção do Fed de controlar a inflação, independentemente da dor que isso pudesse causar.

O que Powell disse: “Embora as taxas de juros mais altas, o crescimento mais lento e as condições mais brandas do mercado de trabalho reduzam a inflação, eles também causarão algum sofrimento às famílias e às empresas Em algum momento, à medida que a orientação da política monetária se tornar mais rígida, provavelmente será apropriado diminuir o ritmo dos aumentos. A restauração da estabilidade de preços provavelmente exigirá a manutenção de uma postura de política restritiva por algum tempo.”

O que o Fed fez: O Fed realizou mais dois aumentos de 75 pontos-base na taxa de juros, seguindo os dois aumentos que havia feito nas reuniões anteriores ao discurso de Powell, e depois aumentou a taxa de política monetária em incrementos menores até atingir a faixa de 5,25% a 5,50% em julho de 2023.

2023: AUMENTOS DAS TAXAS AINDA SÃO POSSÍVEIS

Em comentários menos severos do que os feitos no ano anterior, Powell manteve a possibilidade de mais aumentos nas taxas, ao mesmo tempo em que reconheceu os sinais de progresso na contenção da inflação.

O que Powell disse: “Procederemos com cuidado ao decidirmos se aumentaremos ainda mais o aperto ou, em vez disso, manteremos a taxa de juros constante e aguardaremos mais dados. Restaurar a estabilidade de preços é essencial para atingir os dois lados de nosso duplo mandato Continuaremos trabalhando até que o trabalho seja concluído.”

O que o Fed fez: Manteve a taxa de política monetária na faixa de 5,25% a 5,50%, definida poucas semanas antes do discurso de Powell, por pouco mais de um ano.

2024: CORTES NAS TAXAS EM BREVE

Os riscos agora haviam se deslocado da inflação para o emprego, e Powell enviou um sinal claro de que os cortes nas taxas de juros estavam chegando.

O que Powell disse: “Minha confiança aumentou no fato de que a inflação está em uma trajetória sustentável de volta a 2% Não buscamos nem aceitamos um esfriamento adicional nas condições do mercado de trabalho Chegou a hora de ajustar a política.”

O que o Fed fez: Ele encerrou a retenção de um ano da taxa de política monetária cortando-a em meio ponto percentual em setembro de 2024 e em mais meio ponto percentual nas duas últimas reuniões de 2024.

Money Times - SP   22/08/2025

O início do ciclo de cortes da Selic dependerá da combinação de três condições: inflação projetada pelo Banco Central (BC) próxima da meta no horizonte relevante, reancoragem mais nítida das expectativas e sinais de desaceleração da atividade econômica. A avaliação foi feita por Samuel Pessôa, chefe de pesquisa econômica do BTG Pactual, na 26ª Conferência Anual do Santander.

Na visão dele, esses fatores devem se materializar em janeiro de 2026, quando a autarquia iniciaria a flexibilização da política monetária.

Pessôa, contudo, não descarta a possibilidade de um corte já em dezembro deste ano, se a inflação apresentar novas surpresas positivas, acompanhadas de uma reancoragem adicional das expectativas.

Ele espera que a Selic feche o ano de 2026 em 12%, mas admite espaço para quedas mais intensas caso a atividade econômica se enfraqueça.

Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, destacou a importância do ganho de credibilidade dos modelos do BC para sustentar os cortes, diante da influência das incertezas fiscais sobre as expectativas de inflação.

Segundo ele, as expectativas não devem convergir para 3% por não estarem ligadas apenas à política monetária, mas também ao risco fiscal, o que reforça a necessidade de apoio nos modelos para calibrar a política monetária.

Honorato diz que a comunicação dura dos diretores da autarquia mudou sua projeção de cortes para janeiro, embora o fluxo de dados ainda possa abrir espaço para uma antecipação em dezembro. Ele estima a taxa de juros em 11,75% ao final de 2026.

Já Cassiana Fernandez, economista-chefe do JP Morgan na América Latina, vê espaço para cortes, mas aposta em reduções no ritmo de 0,50 ponto percentual, levando a Selic para 10,75% no próximo ano.

MINERAÇÃO

Valor - SP   22/08/2025

Contratos mais negociados, com entrega em janeiro, fecharam cotados a US$ 107,64 por tonelada

Os futuros do minério de ferro são impulsionados por uma melhora na demanda que se mostra resiliente, apesar de ser improvável de continuar no longo prazo, comentam os analistas da Baocheng Futures, citados pelo Dow Jones Newswires.

Os contratos do minério mais negociados, com entrega em janeiro, fecharam com alta de 0,98% na Bolsa de Dalian, cotados a 772,50 yuan (US$ 107,64) a tonelada.

AUTOMOTIVO

Veja - SP   22/08/2025

As instituições financeiras que pertencem a montadoras instaladas no Brasil liberaram 127 bilhões de reais em financiamentos de veículos no primeiro semestre deste ano. O volume se manteve estável em relação ao registrado no mesmo período de 2024. A Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), que compilou o dado, considera que a estabilidade no volume de financiamento liberado é positiva em face da alta da taxa básica de juros, a Selic, que hoje está fixada em 15% ao ano — o maior nível desde 2006. “A expectativa é de um desempenho moderado até o fim do ano”, diz Enilson Sales, presidente da Anef. O saldo total das carteiras de veículos cresceu de 450 bilhões de reais para 510 bilhões de reais nos seis primeiros meses de 2025, uma alta de 13%. O Crédito Direto ao Consumidor (CDC) continua sendo a modalidade com maior representatividade na carteira, representando 126,5 bilhões de reais nos recursos liberados.

Exame - SP   22/08/2025

A Xiaomi anunciou que pretende comercializar veículos elétricos na Europa até 2027, mirando competir diretamente com Tesla e BYD. A fabricante chinesa de smartphones vem consolidando seu negócio de carros elétricos na China, que completou um ano, e agora busca expansão internacional.

O presidente da Xiaomi, Lu Weibing, destacou que o aumento de 31% na receita do segundo trimestre foi impulsionado pelo lançamento bem-sucedido do SUV YU7, que já registra alta demanda. Esse crescimento ajudou a compensar a desaceleração nas vendas de smartphones, que caíram 2,1% no período.

A empresa almeja se tornar uma das cinco maiores montadoras do mundo nos próximos 15 a 20 anos. A forte demanda pelo YU7 e a aceleração da segunda fábrica de veículos elétricos devem contribuir para aumentar a margem e alcançar o ponto de equilíbrio até o final de 2025, segundo análise da Bloomberg Intelligence.

Desafios tarifários

Embora a Europa seja vista como um mercado lucrativo para fabricantes chineses, a Xiaomi está diante de enfrentar tarifas de até 48% na exportação, incluindo 10% de imposto básico e taxas compensatórias adicionais de 35% a 38%, impostas pela União Europeia devido a subsídios estatais considerados injustos. Nos Estados Unidos, as tarifas podem chegar a 100%, tornando o mercado praticamente inacessível.

Apesar desses desafios, a demanda pelo SUV YU7 — lançado em junho e parte da aposta de US$ 10 bilhões da Xiaomi em veículos elétricos — continua alta, com tempo de espera para entrega superior a um ano. Lu Weibing afirmou que o modelo de negócios aplicado na China poderá ser replicado na Europa, embora ainda não haja um plano de produto específico para o mercado externo.

Resultados

No trimestre encerrado em junho, a receita da Xiaomi atingiu 116 bilhões de yuans (US$ 16,2 bilhões), com 81.302 veículos entregues, elevando o total do primeiro semestre para mais de 157.000 unidades — caminho para superar o volume de 2024.

A empresa projeta entregar 175 milhões de smartphones em 2025, com crescimento anual de 1% na participação de mercado chinesa.

A divisão de veículos elétricos reduziu suas perdas para cerca de 300 milhões de yuans, e a Xiaomi espera torná-la lucrativa ainda no segundo semestre de 2025. A empresa investiu também em tecnologia de IA e semicondutores, incluindo o chip Xring O1 de 3 nanômetros, com investimento de US$ 7 bilhões previsto para esta década.

O sucesso no mercado de veículos elétricos ajudou a elevar o valor de mercado da Xiaomi em cerca de US$ 120 bilhões no último ano, superando rivais de smartphones e consolidando sua entrada na indústria automotiva global.

Valor - SP   22/08/2025

Estados Unidos e o Japão concordaram em julho em reduzir a tarifa geral para 15%, mas o momento da mudança ainda não está claro

As montadoras japonesas estão repassando parte dos custos das tarifas sobre exportações para os compradores americanos de carros, uma mudança em sua estratégia inicial de absorver o impacto, mostram novos dados.

A queda nos preços unitários de automóveis com destino aos Estados Unidos começou a se estabilizar em julho em comparação com junho, mostram dados preliminares do comércio divulgados pelo Ministério das Finanças do Japão na quarta-feira.

O valor das exportações de automóveis para os Estados Unidos em julho caiu 28,4% no ano, para 422 bilhões de ienes (US$ 2,86 bilhões), enquanto o volume exportado recuou 3,2%, para 123.531 veículos.

Isso resulta em um preço unitário médio de 3,41 milhões de ienes, uma queda de 26% em relação ao mesmo mês do ano passado.

O preço unitário médio em junho foi de 3,38 milhões de ienes. O aumento de cerca de 30 mil ienes em relação ao mês anterior em julho sinaliza a interrupção do que vinha sendo um declínio constante desde janeiro.

Uma tendência semelhante aparece no Índice de Preços de Bens Corporativos do Banco do Japão, indexado a 2020.

Em julho, os preços de exportação em ienes de automóveis de passageiros enviados para a América do Norte subiram 2,2 pontos em relação a junho, o primeiro aumento mensal em seis meses. Mesmo considerando a moeda contratada, que é menos afetada pelas oscilações da taxa de câmbio, os preços aumentaram pela primeira vez em cinco meses, sugerindo que atingiram o fundo do poço.

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impôs em abril uma tarifa adicional de 25% sobre as importações de automóveis. Combinada com a tarifa existente de 2,5%, os carros exportados do Japão enfrentam uma tarifa de 27,5%.

As montadoras japonesas responderam inicialmente reduzindo os preços de exportação para manter os valores de varejo nos Estados Unidos estáveis. A queda nos preços médios também foi influenciada por uma mudança no mix de produtos — menos veículos grandes e caros e uma maior participação de carros pequenos e médios.

Mas havia dúvidas sobre a sustentabilidade dessa abordagem. As montadoras não podem continuar a arcar com os custos das tarifas sem prejudicar sua lucratividade.

Agora, mais montadoras estão repassando parte do custo das tarifas para os preços no varejo. A Toyota aumentou os preços nos Estados Unidos em julho, em US$ 270 na média de todos os modelos, o que é menos do que o custo total da tarifa.

"Se houver um momento apropriado em que os clientes aceitem novos aumentos de preços, nós o faremos", disse um executivo da Toyota.

A Subaru, que depende dos Estados Unidos para cerca de 70% de suas vendas globais, aumentou os preços americanos para alguns modelos em junho. A marca estima que a tarifa terá um impacto negativo de 210 bilhões de ienes nos lucros do ano fiscal a ser encerrado em março de 2026.

"Consideramos estabelecer preços justos que reflitam o valor dos nossos veículos", disse o presidente da Subaru, Atsushi Osaki, em uma conferência de resultados em 7 de agosto.

Os Estados Unidos e o Japão concordaram em julho em reduzir a tarifa geral para 15%, mas o momento da mudança ainda não está claro.

"Nossa posição permanece firme", disse Ryosei Akazawa, principal negociador comercial do Japão, em uma entrevista coletiva na sexta-feira. "Continuaremos a pressionar por tarifas mais baixas sobre carros e autopeças."

Infomoney - SP   22/08/2025

A União Europeia se esforçará para garantir que tarifas mais baixas dos Estados Unidos sejam aplicadas retroativamente às suas exportações de automóveis, disse o chefe de comércio da UE, Maros Sefcovic, nesta quinta-feira, quando os parceiros definiram os detalhes de seu acordo comercial assinado em julho.

Em uma declaração conjunta de três páginas e meia, os dois lados explicaram que as tarifas de 15% dos EUA se aplicarão à maioria das importações da UE e listaram os compromissos assumidos, incluindo a promessa da UE de eliminar as tarifas sobre os produtos industriais dos EUA e de conceder acesso preferencial ao mercado para uma ampla gama de frutos do mar e produtos agrícolas norte-americanos.

Washington tomará medidas para reduzir as atuais tarifas americanas de 27,5% sobre carros e peças automotivas, o que representa um enorme ônus para as montadoras europeias, quando Bruxelas apresentar a legislação necessária para promulgar os cortes tarifários prometidos sobre os produtos norte-americanos, afirmou a declaração.
Segundo o comunicado, a redução das tarifas norte-americanas sobre automóveis e autopeças entrará em vigor no primeiro dia do mês em que a UE apresentar a legislação.

Sefcovic disse que a Comissão Europeia tem a “firme intenção” de apresentar propostas até o final do mês, o que significa que a redução da tarifa de automóveis dos EUA seria aplicada a partir de 1º de agosto.

Um funcionário sênior do governo dos EUA, que falou sob condição de anonimato porque não estava autorizado a falar publicamente, disse que as montadoras europeias poderiam obter alívio das atuais tarifas dos EUA dentro de “semanas”.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciaram o acordo em 27 de julho no luxuoso campo de golfe de Trump em Turnberry, Escócia, após meses de negociações.

Os dois líderes se reuniram novamente esta semana como parte das negociações que visam acabar com a guerra da Rússia na Ucrânia, e ambos elogiaram seu acordo comercial como uma realização histórica. A declaração conjunta disse que o acordo pode ser expandido ao longo do tempo para cobrir áreas adicionais e melhorar ainda mais o acesso ao mercado.

A declaração conjunta foi “uma jogada para responsabilizar um ao outro” e garantir que ambos os lados cumpram as promessas anunciadas no mês passado, disse o funcionário.

A declaração conjunta observou que os EUA concordaram em aplicar somente tarifas pré-existentes de Nação Mais Favorecida abaixo de 15% a partir de 1º de setembro sobre aeronaves e peças da UE, produtos farmacêuticos genéricos e ingredientes, precursores químicos e recursos naturais indisponíveis, incluindo cortiça.

Essa isenção foi aplicada para incluir vinho ou bebidas alcoólicas, uma demanda importante da UE, mas os dois lados concordaram em considerar outros setores e produtos para inclusão.

“Portanto, essas portas não estão fechadas para sempre”, disse Sefcovic, embora reconhecendo que não será fácil garantir uma isenção para bebidas alcoólicas.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

O Estado de S.Paulo - SP   22/08/2025

Um dos setores mais atingidos pelo tarifaço dos EUA, a indústria de máquinas e equipamentos estima perder cerca de 16 mil postos de trabalho, caso a taxação de 50% sobre os produtos brasileiros seja mantida. Apenas em São Paulo, o Estado mais industrializado do País, podem ser cortadas 11 mil vagas, segundo levantamento da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro vêm na sequência, com perdas menores, mas importantes para o setor localmente (veja tabela abaixo).

“A indústria de máquinas foi particularmente atingida porque a maior parte das exportações é feita entre companhias do mesmo grupo, que complementam sua produção em diferentes partes do mundo”, diz Maria Cristina Zanella, diretora executiva de competitividade, economia e estatística da Abimaq. Em áreas como máquinas e equipamentos para construção civil, por exemplo, as vendas chamadas intercompany chegam a 80%.

Além disso, diz ela, máquinas e equipamentos são feitos sob encomenda, com uma série de especificações técnicas e expertises que atendem a cada um dos mercados. Assim, é praticamente impossível substituir os compradores no exterior de maneira imediata.

Na ponta do lápis, com a exclusão da lista de produtos isentos, máquinas e equipamentos responderão por cerca de 20% de todos os itens que receberam a taxação extra dos EUA. Para Cristina, haverá um período de adaptação, sobretudo nas regiões Sul e Sudeste.

O impacto em empregos, porém, deverá demorar a acontecer. De acordo com Cristina, historicamente, com crises que resultam em queda imediata em produção e vendas, as empresas buscam reter mão-de-obra, que é altamente qualificada e escassa no setor. “Demissões são a última alternativa, até que não tenham mais possibilidade de corte de gastos em outras frentes”, afirma.

Evidentemente, as empresas menores e com fluxo de caixa mais apertado já partiram para essa alternativa como forma de redução de custos. Como mostrou o Estadão, a Engemasa, de São Carlos (SP), cortou 10% de suas vagas. Com 80% da receita anual de R$ 250 milhões proveniente de exportações, sendo metade vinda dos EUA, a fabricante de equipamentos para indústria pesada parou de receber encomendas daquele país assim que Donald Trump ameaçou diferentes países com tarifas mais elevadas.

Segundo João Baroni, diretor-geral da Engemasa, a incerteza no custo final provocou esse movimento inicial, ainda no primeiro semestre. Com o anúncio do tarifaço de 50% sobre os produtos brasileiros, a empresa ficou completamente fora do mercado americano. Como tem encomendas que permitem à fábrica ter mais capacidade ocupada somente até o mês de outubro, fez as contas e resolveu enxugar pessoal.

Os pacotes de socorro não chegaram a tempo de evitar os cortes. “Aplicamos para todas as formas de financiamento para capital de giro que pudemos, sem retorno”, diz Baroni. O programa de ajuda do governo estadual ainda não estava disponível a quem o procura na SP Desenvolve. O Plano Brasil Soberano, do governo federal, foi anunciado há pouco mais de uma semana e deve levar tempo até chegar na ponta. Sua implementação pode levar semanas, prazo que muitos fabricantes não têm.

Peso nos Estados

Apesar de São Paulo ser o Estado mais afetado em termos nominais pelo impacto do tarifaço, há outros em que a participação das exportações para os EUA têm maior peso. É o caso de Sergipe, que obtém quase 74% de suas vendas ao exterior provenientes daquele país, seguido por Pernambuco (72,4%), Alagoas (67,2%) e Pará (62,2%).

Levantamento feito pelo Estadão mostrou que dos dez municípios mais afetados pelo tarifaço, quatro ficam em São Paulo. Entre as cidades mais impactadas estão Piracicaba (máquinas agrícolas, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes, segundo descrição do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio), São Paulo (caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes), Guarulhos (máquinas agrícolas, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos, e suas partes) e Pederneiras (veículos automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres, suas partes e acessórios).

Já nos Estados do Norte e Nordeste mais afetados, as empresas do setor que exportam para os EUA são da indústria automotiva (veículos e partes em Pernambuco), de plástico (Alagoas) e transporte (equipamentos navais e offshore no Pará).

CONSTRUÇÃO CIVIL

O Estado de S.Paulo - SP   22/08/2025

O leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) realizado nesta semana pela prefeitura de São Paulo deve trazer uma mudança importante para a Faria Lima, principal avenida de escritórios da cidade. Segundo especialistas ouvidos pelo Estadão, o leilão deve estimular a construção de prédios de uso misto na região.

Os prédios de uso misto são aqueles que têm tanto residências quanto áreas comerciais, como lojas, escritórios e hotelaria. “Não acredito que vão ter empreendimentos puramente residenciais”, afirma Ivana Bomfim, sócia da área imobiliária do escritório Cescon Barrieu.

“Talvez comercial com residencial, hotel com residencial. Ou empreendimentos com uma parte de lojas de varejo, não lojas pequenas”, completa. Para Ivana, o que é possível prever sobre os novos projetos é que serão mistos e potencialmente mais altos do que os prédios existentes.

O Cepac é um título que permite que as empresas ampliem a área construída em cada terreno, indo além do permitido originalmente na lei de zoneamento de cada bairro. Em troca, a prefeitura usa o dinheiro arrecadado para obras de melhoria da infraestrutura ou oferta de moradias na cidade.

Ivana afirma, entretanto, que os certificados não dão liberdade irrestrita de aumentar a área construída dos edifícios, mas adicionam um potencial importante para viabilizar empreendimentos novos ou mesmo mudar o caráter de projetos.

“Eu imagino que sejam prédios mais altos, como o Faria Lima Plaza, construído no Largo da Batata, e que já é um prédio bem mais alto do que os outros da região”, diz.

Avaliado em R$ 1,2 bilhão, o Faria Lima Plaza abriga escritórios de multinacionais, como Shopee e Uber, as maiores locatárias. Em breve, a Klabin deve transferir a sede para o edifício, com o qual já tem contrato de locação fechado por 10 anos. Com as três empresas, o edifício tem ocupação de mais de 90% das suas lajes.

O leilão de Cepacs da Operação Urbana Faria foi realizado na terça-feira e comercializou um total de 94,8 títulos, equivalente a 57,6% da oferta disponível, de 164,5 mil títulos. O valor médio foi de R$ 17,6 mil, sem ágio em relação ao valor de partida. Com isso, o leilão movimentou um total de R$ 1,668 bilhão, abaixo da expectativa inicial de R$ 2,8 bilhões.

Prédios mais altos em terrenos menores

A advogada especializada em direito urbanístico Marcella Martins Montandon, sócia do escritório Duarte Garcia, Serra Netto e Terra, também chama a atenção para o fato de que terrenos menores poderão ser explorados pelas construtoras.

“Antes da legislação de 2024, só era possível comprar Cepacs e construir acima do coeficiente básico se o terreno tivesse mais de 1 mil m². Esses terrenistas (donos de terrenos) ficaram por anos no limbo. Com a alteração da lei, agora o lote mínimo é de 500 m², o que abre uma janela de oportunidade para novos projetos”, diz.

Montandon observa que a legislação abre janela para desenvolvimento de terrenos onde hoje funcionam, por exemplo, agências bancárias. “São agências localizadas em regiões super nobres e que, com o avanço da digitalização, perderam um pouco o apelo. Vejo muitos incorporadores de olho nestes terrenos.”

No entanto, de acordo com o diretor de transações e negócios imobiliários da consultoria Binswanger, Sergio Belleza, só comprou Cepac quem já tinha terreno e precisava resolver essa questão. “O preço de R$ 17,6 mil, aprovado nesse leilão, é caro”, disse Belleza.

Ele entende que o leilão foi realizado em um cenário adverso, o que afastou incorporadoras, resultando na venda de pouco menos de 60% dos Cepacs oferecidos.
Projetos em execução na Faria Lima

Entre as empresas que já têm terrenos e projetos na região está a HBR Realty, subsidiária de propriedades comerciais da família Borenstein, dona da incorporadora Helbor.

A companhia adquiriu 1.857 títulos durante o leilão para erguer uma torre de 10 andares e 4 mil m² em um terreno de 800 metros quadrados na Faria Lima.

O empreendimento será misto, com lajes corporativas de 500 a 600 metros quadrados voltadas a clientes de pequeno e médio porte e 14 ou 16 unidades residenciais de alto padrão, que serão negociadas com amigos e familiares. No térreo, a fachada ativa terá uma loja e no rooftop, um restaurante.

Localizado no encontro da rua Chipre com a Faria Lima, o terreno foi adquirido pela HBR em 2024, seguindo a estratégia da companhia de abrir mão de grandes lajes corporativas para focar em espaços menores. A previsão de entrega do empreendimento é para daqui a três anos.

“Antes da pandemia, o ‘crème de la crème’ do setor corporativo eram as áreas grandes. Hoje vemos que a demanda por essas áreas tem diminuído. Nossa ideia é alugar as lajes do novo edifício para gestoras de ativos e advogados cujos clientes estão na região”, diz Alexandre Nakano, o CEO da HBR Realty. “Eles precisam estar próximos das grandes empresas, mas com um ticket menor”, complementa.

A companhia também é dona do HBR Corporate Faria Lima, prédio de escritórios com 18 pavimentos e um terreno de 3,9 mil m² na Faria Lima. Atualmente, o prédio está à venda como estratégia da construtora de mudar o foco para o desenvolvimento de “prédios boutique”, com lajes de 400 m² a 600 m².

“Continuamos acreditando nos corporativos, principalmente em regiões nobres, como o Itaim, Pinheiros e Faria Lima. O segredo deste segmento é ter um bom projeto numa boa localização”, acrescenta.

Outra construtora que adquiriu Cepacs na Faria Lima é a São José, que tem um prédio de apartamentos de luxo embargado no Itaim Bibi desde 2023. Localizado na rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, no número 1.246, o edifício tem 20 apartamentos com tamanhos que variam de 382 metros quadrados (m²) a 739 m².

Em 2019, a São José comprou R$ 64 milhões em Cepacs que foram usados para regularizar outro empreendimento na mesma região. A empresa começou a erguer o edifício St. Barths em dezembro do mesmo ano, mesmo sem o alvará de execução de obra.

Segundo dados da plataforma imobiliária Loft, baseados em informações do ITBI da capital paulista, a rua onde o empreendimento foi construído é uma das mais caras da cidade e o preço médio por metro quadrado é de mais de R$ 20 mil.

No caso da JHSF, a companhia prepara um empreendimento chamado Shops Faria Lima. De acordo com o descritivo do projeto, a área terá restaurantes, cinema, academia e lojas de marcas selecionadas, tanto nacionais quanto internacionais.

O shopping ficará no número 3477 da Faria Lima e terá como vizinhos os prédios corporativos mais caros da cidade, como a sede do Itaú e o Complexo Victor Malzoni.

Nas ruas Fernão Dias e Martim Carrasco, a gestora Jacarandá comprou 29 imóveis e construiu uma espécie de shopping a céu aberto, que abriga lojas, restaurantes e cafés. Chamado Lapi, o espaço tem inquilinos como Vans, Pingado e Livraria Cultura.

A Even confirmou que participou do leilão, porém não informou em quais projetos eles serão aplicados. O mercado antecipa um projeto residencial de alto padrão desenvolvido em parceria com a RFM Construtora.

Outras empresas apontadas como participantes do leilão são a Partage, a Stan e a Lúcio Incorporadora.

Uma fonte ouvida pelo Estadão também questiona se o próprio Itaú, corretora responsável pela compra de 24.447 Cepacs, teria interesse direto nesses títulos, com o objetivo de ampliar o prédio da instituição.

Adquirido no ano passado por R$ 1,46 bilhão, o Edifício Faria Lima 3500 abriga a sede do banco no endereço mais valorizado de São Paulo e possui área de cerca de 25 mil m².

Projetado pela Tishman Speyer para o Itaú e vendido à Brookfield em 2014, o edifício apresenta hoje uma relação terreno/área bruta locável considerada limitada, já que não houve aquisição de Cepacs durante sua incorporação.
Análise do leilão

A Ágora, casa de investimentos do Banco Bradesco, foi a corretora mais ativa na intermediação de compra e venda de Cepacs neste leilão. Ao todo, foram 37.857 títulos negociados. Apesar do preço alto, Ricardo Barbieri, diretor da companhia, defende que o resultado do certame foi positivo. “Foi um leilão tranquilo e bem desenhado”, pontua.

IstoÉ Dinheiro - SP   22/08/2025

O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) revisou para baixo a projeção de crescimento do setor da construção em 2025. Com isso, a estimativa da entidade passou de um crescimento de 3% para uma alta de 2,2%.

Os dados, divulgados nesta quinta-feira (21), são baseados em levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV Ibre).

A nova projeção é uma média das estimativas de crescimento do desempenho das construtoras (2,5%) e das atividades informais, como autoconstrução e pequenos empreiteiros (1,5%).

Segundo o vice-presidente de Economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, a conjuntura interna do Brasil tem mais peso na projeção do que o cenário externo.

“Estamos com uma taxa de juros muito alta há muito tempo, e só agora a inflação está começando a ceder, mas ainda está elevada, com os juros penalizando muito as famílias e as empresas”, disse.
Tarifaço

De acordo com Sinduscon-SP, o impacto potencial do tarifaço estadunidense sobre o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro poderia chegar a 1,8 pontos percentuais nos próximos dois anos.

No entanto, considerando medidas de compensação do governo brasileiro, busca de novos mercados e revisões de contratos, os impactos poderão ser reduzidos a cerca de 0,3 p.p. em 2025 e 0,5 p.p. em 2026.

FERROVIÁRIO

Grandes Construções - SP   22/08/2025

A estação Palmeiras-Barra Funda passará por mudanças e será ponto central do transporte sobre trilhos em São Paulo, a partir do dia 28 de agosto.

Presente nas linhas 3-Vermelha, 7-Rubi, 8-Diamante, 11-Coral e Expresso Aeroporto, a parada ainda será incluída na Linha 10-Turquesa, ligando, assim, passageiros do ABC Paulista, Alto Tietê, interior, região metropolitana e as zonas leste, oeste e central da capital.

A inclusão da parada na Linha 10-Turquesa é uma alternativa da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) ao fim da operação do Serviço 710, que ligava os passageiros da linha à 7-Rubi.

De acordo com a CPTM, para seguir sentido Jundiaí ou Rio Grande da Serra, os passageiros farão a transferência no mesmo nível nas plataformas 5 e 6, “garantindo mais segurança, eficiência operacional e comodidade para os passageiros”.

Além da solução ao extinto Serviço 710, a companhia anunciou que, a partir do dia 25 de agosto, a operação assistida da Linha 11-Coral, que ligava o Alto Tietê e a zona leste até a estação Palmeiras-Barra Funda aos sábados, conectará os passageiros da linha até a zona oeste de São Paulo todos os dias da semana.

Com isso, a estação será terminal para três linhas da CPTM: a 7-Rubi, a 10-Turquesa e a 11-Coral. Além das linhas e do Expresso Aeroporto, a estação Palmeiras-Barra Funda recebe também as linhas 3-Vermelha do Metrô e 8-Diamante da ViaMobilidade.

A CPTM afirma que a transformação visa melhorar a fluidez da operação e oferecer mais agilidade e conforto aos passageiros.

NAVAL

Valor - SP   22/08/2025

Recomendação do Ministério da Fazenda foi preparada pela Subsecretaria de Acompanhamento Econômico e Regulação, da Secretaria de Reformas Econômicas

O Ministério da Fazenda recomendou que o leilão do megaterminal de contêineres Tecon Santos 10 seja realizado em uma única etapa, com a exigência de desinvestimento caso a empresa vencedora já tenha operações no Porto de Santos (SP). A avaliação é que a proposta da Agência Nacional de Transporte Aquaviários (Antaq), de um leilão faseado, embora bem intencionada, pode acarretar entraves processuais e riscos jurídicos que potencialmente atrasariam a implementação do projeto.

A recomendação do ministério foi preparada pela Seae (Subsecretaria de Acompanhamento Econômico e Regulação) da Secretaria de Reformas Econômicas. No documento, a secretaria aponta que a imposição de desinvestimento de empresas já operantes em caso de vitória em uma primeira etapa, visando garantir um ambiente concorrencial menos concentrado em terminais portuários, já se configura como uma medida “robusta e eficaz”.

A diretoria da agência reguladora propôs a realização do certame em duas etapas, com restrições para a participação de empresas que já operam na região numa primeira fase. Essas só poderiam concorrer se não houver interessados na primeira etapa do certame.

O governo aguarda parecer do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o assunto. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, vem sinalizando a intenção de realizar o leilão ainda neste ano.

A avaliação da Fazenda é que as preocupações manifestadas pela agência reguladora se relacionam à potencial elevação da concentração de mercado no porto pós-certame, mas a pasta aponta que o efetivo desinvestimento do ativo já detido por eventual vencedor seria suficiente para prevenir esse cenário. Assim, considera que a realização do leilão em duas fases aparenta ser “excessivamente gravosa” e ultrapassar o necessário para mitigar o risco identificado.

“Permitindo-se a realização do leilão em etapa única, mas condicionando-se a vitória de incumbente à alienação de ativos ou participações no Complexo de Santos, a administração pública alcança o objetivo de desconcentrar o mercado portuário santista sem incorrer em aumento dos riscos de judicialização do certame, o que, tendo em vista a baixa capacidade ociosa da localidade, pode produzir efeitos negativos severos ao comércio exterior brasileiro e à política portuária nacional a curto e médio prazos”, diz o parecer.

A Fazenda ainda aponta que a adoção de licitação em fase única, com participação de todos os interessados no ativo, aliada à exigência de desinvestimento para eventual incumbente vencedor, “proporciona maior concorrência”.

PETROLÍFERO

TN Petróleo - RJ   22/08/2025

A Diretoria da ANP aprovou hoje (21/8) a consulta pública das propostas tarifárias e das propostas de valoração da base regulatória de ativos (BRA) apresentadas pelos operadores de gasodutos de transporte, referentes à revisão tarifária periódica quinquenal para o ciclo tarifário 2026-2030.

As propostas recebidas, bem como a documentação técnica que as fundamentaram, serão disponibilizadas para consulta pública para participação social e obtenção de subsídios dos agentes interessados.

A BRA determina qual o valor de um ativo (neste caso, gasodutos de transporte) trazido aos dias atuais, com base no custo histórico depreciado corrigido pela inflação desde sua construção. Esse valor inclui o duto em si, estações de compressão e pontos de entrega, entre outras instalações.

A BRA é um dos critérios utilizados para calcular a tarifa máxima que as transportadoras irão cobrar das empresas que utilizarem os seus gasodutos, junto com o valor da prestação do serviço em si. A BRA só pode ser considerada no cálculo da tarifa enquanto não ocorrer a depreciação total do ativo, ou seja, enquanto os investimentos realizados para sua construção ainda não tiverem retornado à empresa. Caso esses investimentos já tenham sido pagos, a tarifa considera apenas a prestação do serviço.

A utilização do gasoduto pelas empresas pode ser feita após contratação de parte da sua capacidade. A tarifa máxima que pode ser cobrada, aprovada pela ANP, é divulgada no sítio eletrônico do operador do gasoduto.

O cálculo da BRA e da tarifa máxima utiliza os critérios da Resolução ANP nº 15/2014, considerando a vida útil do ativo. A utilização de critérios estabelecidos em norma traz segurança jurídica e dá previsibilidade ao mercado, o que fortalece a disposição dos agentes em continuar investindo no segmento de transporte de gás.

TN Petróleo - RJ   22/08/2025

Artur Watt Neto, indicado para a Diretoria-Geral da ANP, e Pietro Mendes, indicado para a Diretoria 4, foram aprovados ontem (19/08) pelo Senado Federal.

Eles passaram por sabatina na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) e, em seguida, tiveram seus nomes aprovados no plenário.

Os novos diretores poderão tomar posse na Agência após a publicação de sua nomeação no Diário Oficial da União.

Arthur Watt Neto atualmente é consultor jurídico da Pré-Sal Petróleo S.A (PPSA) e Procurador Federal da Advocacia-Geral da União de carreira, onde ingressou por concurso público em 2006. Ao longo de sua trajetória profissional na AGU, destaca-se a atuação na Procuradoria Federal junto à ANP por 12 anos (2010 -2022), como Assessor Técnico do Procurador-Geral, Coordenador-Geral de Assuntos Estratégicos, Procurador-Geral Substituto e Subprocurador-Geral; e na Procuradoria Federal junto à ANTAQ (2022-2023), como Procurador-Geral. Na ANP, participou das comissões especiais das licitações de concessão e de partilha (pré-sal). Integrou, ainda, a Equipe Nacional de Arbitragens (ENARB/PGF), com atuação em mais de 20 procedimentos arbitrais nas áreas de petróleo & gás, energia, transportes e telecomunicações. Também ocupou o cargo de Diretor de Gás Natural no Ministério de Minas e Energia (2023). Bacharel em Direito pela UERJ, Especialista em Direito Público pela UNIDERP, Mestre em Direito Internacional pela UERJ, Fellow do Chartered Institute of Arbitration com sede em Londres (FCIARB), foi Energy Law Scholar na Universidade de Houston. É autor do livro Direito Econômico - Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, pela editora Saraiva.

Pietro Mendes é Secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME) e Presidente do Conselho de Administração da Petrobras, Ex-Assessor da Presidência da Infra S.A. com atuação principal no processo de incorporação da EPL pela VALEC, Ex-Secretário-Adjunto de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis e ex-Diretor do MME. Especialista em Regulação concursado da ANP com mais de 16 anos de experiência, tendo exercido a função de assessor do Diretor-Geral e de Superintendente Adjunto de Biocombustíveis e Qualidade de Produtos. Diretor de Assuntos Jurídicos da União Nacional dos Servidores de Carreira das Agências Reguladoras Federais (UnaReg) de agosto de 2015 até fevereiro de 2018. Professor substituto das disciplinas de Planejamento e Avaliação de Projetos e Metodologia Científica para cursos de Engenharia da Escola de Química/UFRJ (2015-2016). Estágio pós-doutoral na Beddie School of Business na Simon Fraser University (SFU), no Canadá, no laboratório TCOS de incertezas da inovação do professor Jeremy Hall (outubro/2013 até março/2014). Doutor em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Tecnologia de Processos Químicos e Bioquímicos da Escola de Química/UFRJ (2012). MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios pela FGV (2020). Pós-Graduação Executiva em Petróleo e Gás na COPPE (2008). Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - Unirio (2013), aprovado no VIII Exame da OAB. Licenciado em Química (2005) e Bacharelado em Química pela Universidade Federal Fluminense (2004). Autor do livro Sustentabilidade na Produção e Uso do Biodiesel. Revisor dos periódicos Energy Policy e Environmental Progress Sustainable Energy. Coordenador do 1 e II Fóruns Técnicos das Agências Reguladoras Federais.

RODOVIÁRIO

CNN Brasil - SP   22/08/2025

Às vésperas do leilão do túnel Santos-Guarujá, marcado para o dia 5 de setembro, uma decisão do TCU (Tribunal de Contas da União) e um novo impasse do governo federal com a administração paulista ameaçam atrasar o processo.

O certame tem atraído o interesse de investidores privados, com dois grupos despontando como favoritos — a construtora portuguesa Mota-Engil (com capital da chinesa CCCC) e um consórcio da Odebrecht com a EGTC (antiga Queiroz Galvão).

As obras do túnel são estimadas em R$ 6,8 bilhões.

Nos últimos dias, entretanto, surgiram duas incertezas e autoridades diretamente envolvidas no processo se empenham para evitar o comprometimento do leilão.

A primeira está em um relatório, obtido pela CNN, concluído na terça-feira (19) pela Unidade de Auditoria Especializada em Infraestrutura Portuária e Ferroviária do TCU.

O documento prevê a necessidade de ajustes no convênio de delegação de competências firmado entre a União e o estado de São Paulo. Esse convênio define as responsabilidades de cada um no projeto, que tem aportes federais e estaduais, além de recursos do setor privado.

Para os auditores do TCU, há pontos que seguem pendentes e precisam estar claros antes do leilão: uma matriz de riscos sem considerar as especificidades de um túnel imerso (tecnologia inédita no país), fragilidade na governança interfederativa do projeto, indefinição sobre a titularidade do ativo ao término da concessão, um instrumento jurídico específico que discipline a transferência de verbas federais.

"Observa-se que os vícios detectados são passíveis de correção sem prejuízo ao cronograma global do projeto, desde que as medidas corretivas sejam adotadas antes da assinatura do contrato de concessão", diz a conclusão do relatório.

Uma série de determinações de ajustes foi proposta ao ministro Bruno Dantas, relator do processo no TCU, que assinou despacho na manhã desta quinta-feira (21) dando cinco dias de prazo para o MPor (Ministério de Portos e Aeroportos) e para a APS (Autoridade Portuária de Santos) se manifestarem.

A avaliação de pessoas envolvidas é que dá corrigir esses pontos sem um adiamento do leilão, mas trata-se de uma corrida contra o tempo para não gerar insegurança aos investidores interessados.

"Saliento que esta determinação não implica em qualquer juízo de valor desta corte quanto à necessidade de alteração do cronograma ou modificação do edital já publicado", afirmou Dantas, em letras grifadas e caixa alta.

A segunda incerteza envolve uma troca de ofícios com propostas de ajuste do mesmo convênio de delegação entre a União e São Paulo.

O MPor levou ao Palácio do Bandeirantes a intenção de mudanças que incluem diversos pontos levantados pelo TCU. O governo de São Paulo discorda.

Uma das divergências das autoridades paulistas é quanto à responsabilidade pela fiscalização das obras do túnel. O ministério gostaria de repassar essa atribuição à APS.

"O Estado de São Paulo entende que o Convênio de Delegação vigente assegura, de forma equilibrada e suficiente, a repartição de competências e mecanismos de cooperação necessários para execução do projeto", afirma o secretário estadual de parcerias em investimentos, Rafael Benini.

Segundo ele, não se justificam as alterações propostas, "especialmente considerando que as alterações sugeridas já se encontram endereçadas no Convênio vigente e eventuais modificações em tal documento licitatório no prazo de 35 dias úteis anteriormente à data do leilão podem acarretar republicação e atrasos no processo".

Nota

Em nota enviada à CNN, a Secretaria de Parcerias em Investimentos de São Paulo fez as seguintes observações:

"O Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), informa que o projeto do túnel Santos-Guarujá foi desenvolvido em diálogo e de forma transparente, com base em estudos técnicos robustos e nas melhores práticas internacionais."

"O acompanhamento de órgãos de controle, como o TCU, é parte natural desse processo e contribui para o aperfeiçoamento do projeto. O anexo contratual estabelece expressamente que o túnel conviverá com infraestruturas e serviços de titularidade da União e do Estado de São Paulo, o que demandou interação e alinhamento entre os dois entes ao longo da estruturação deste marcante projeto."

"Questões pontuais levantadas estão sendo tratadas em conjunto com a União, sem impacto no cronograma. O leilão está confirmado para o dia 5 de setembro e será um marco histórico para a mobilidade e integração da Baixada Santista."

"As condições contratuais, incluindo a matriz de riscos, a governança interfederativa e a cláusula de reversão do ativo, estão sendo definidas em conformidade com a legislação e em diálogo permanente com a União, garantindo segurança jurídica e equilíbrio entre as partes."

Exame - SP   22/08/2025

Mais de um ano depois da maior catástrofe climática de sua história, que deixou 183 mortos e 27 desaparecidos, o Rio Grande do Sul entrou em uma nova etapa do Plano Rio Grande, programa de recuperação estadual, marcado pela atração de capital privado.

Metade do montante de cerca de R$ 40 bilhões destinado para investimentos locais são oriundos da carteira de concessões e Parceria Público Privadas (PPPs) e contemplam rodovias, saneamento, mobilidade, saúde e educação, segundo o secretário da Reconstrução gaúcha, Pedro Capeluppi.

“Plano Rio Grande foi o nome que demos a essa grande estrutura, esse grande portfólio de projetos, bastante abrangente, que envolve ações em diversas áreas, mas que tem o objetivo de tornar o Estado mais adaptado”, afirmou o titular da pasta para o EXAME INFRA.

Capeluppi, 16º convidado do programa realizado pela EXAME, em parceria com a empresa Suporte, detalhou os projetos estruturados pela secretaria da Reconstrução, que surgiu da transformação da antiga Secretaria de Parcerias e Concessões.

O objetivo foi aproveitar a experiência da pasta em gestão de projetos integrados e parcerias público-privadas, garantindo que os investimentos pudessem ser implementados de forma ágil, independentemente de mudanças de governo.

O plano contempla um volume total de investimentos públicos diretos de cerca de R$ 20 bilhões, distribuídos em diversos projetos estratégicos.

Entre eles, estão a recuperação de rodovias afetadas pelas enchentes, construção de habitações, implantação de sistemas de proteção contra cheias, aquisição de radares meteorológicos e outras medidas para ampliar a capacidade preditiva do estado frente a desastres climáticos. Boa parte desses recursos deve ser aplicada nos próximos dois a três anos.

Leilões rodoviários no RS

Paralelamente, o governo do estado estruturou uma carteira robusta de parcerias e concessões que soma aproximadamente mais R$ 20 bilhões em Capex, quase metade destinada a rodovias.

O governo do Rio Grande do Sul deverá lançar nas próximas semanas o edital do leilão do Bloco 2 de rodovias do Estado, que inclui trechos fortemente afetados pelas enchentes, em maio de 2024, na Vale do Taquari, no norte gaúcho. O modelo ainda aguarda aprovação do Tribunal de Contas estadual (TCE-RS).

O projeto prevê R$ 5,8 bilhões de investimentos e inclui 415 quilômetros de estradas, de Erechim até Venâncio Aires, passando por cidades como Passo Fundo, Muçum e Lajeado.

“A expectativa é lançar nas próximas semanas esse edital para ter leilão ali por volta de outubro desse ano ainda. Esperamos, sim, ter um leilão disputado. Estamos trabalhando com o mercado, com potenciais investidores, há algum tempo”, diz Capeluppi.

Entre as inovações nos contratos, estão a implementação de sistemas de cobrança via free flow, camadas drenantes em trechos críticos, alteamento de pontes e exigência de planos de monitoramento e mitigação de riscos geotécnicos, medidas que incorporam diretamente a experiência da tragédia climática.

O bloco 1, que contempla rodovias na região metropolitana de Porto Alegre até o litoral norte do estado, terá investimentos de cerca de R$ 6,5 bilhões. A expectativa é que a consulta pública para este projeto ocorra em setembro, seguindo estudos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), parceiro estruturador do projeto, e adotando também o sistema de cobrança free flow.

“Esse projeto previa a instalação de praças físicas, com aqueles pedágios mais altos, em alguns pontos específicos. Agora migramos ele para o sistema Free Flow, como no Bloco 2, para ter uma cobrança mais justa também. Esse leilão deve ficar ali para o primeiro semestre do ano de 2026”, afirma o secretário.

R$ 7 bilhões em Saneamento

Além de rodovias, a carteira de concessões inclui grandes projetos de saneamento, com previsão de investimentos de R$ 7 bilhões, abrangendo municípios que não estavam sob gestão da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), privatizada em 2023 com a aquisição da Aegea Saneamento.

Em mobilidade urbana, estão previstas concessões do transporte metropolitano por ônibus, com Capex de aproximadamente R$ 3 bilhões, e o projeto com a Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre (Trensurb), em parceria com a União, que receberá cerca de R$ 1,5 bilhão.

Agenda de PPPs sociais

No setor social, o estado aposta em duas PPPs estratégicas. Na educação, 99 escolas em áreas socialmente vulneráveis receberão revitalização e gestão predial, sem interferência na parte pedagógica, garantindo que professores e diretores possam focar no ensino.

“O Estado todo tem duas mais de 2.300 escolas estaduais. Nós estamos selecionando apenas 99 para esse primeiro projeto. Como que fizemos essa seleção? Nós usamos um programa que o Estado desenhou, que é o programa RS Seguro, que é a base, inclusive, para que o Estado tenha conseguido alcançar uma melhoria importantíssima nos indicadores de criminalidade”, afirma Capeluppi.

“Nós pegamos e usamos essa mesma delimitação, pegamos os pontos em que a criminalidade era mais alta no estado, para poder selecionar essas escolas. Ou seja, nós estamos indo às áreas mais vulneráveis socialmente do estado para garantir que escolas naquelas localidades tenham uma infraestrutura de ponta, para que os nossos alunos daqueles locais possam ter vontade, querer e se sentir bem dentro dessa infraestrutura e aí facilitar a vida dos nossos educadores que estão ali”, complementa.

O projeto de infraestrutura escolar terá investimento inicial de R$ 1,4 bilhão, com reinvestimentos ao longo do tempo.

Na saúde, um hospital será construído em Viamão, região metropolitana de Porto Alegre, com Capex de R$ 800 milhões, oferecendo alta e média complexidade, incluindo neurocirurgia, neurologia e ortopedia. O projeto conta com apoio técnico e consultoria do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Leilão aeroportuário em setembro

O setor aeroportuário também está no radar do Plano Rio Grande. Os aeroportos de Passo Fundo e Santo Ângelo terão investimentos de cerca de R$ 100 milhões, com contrato de 30 anos, e leilão previsto para 26 de setembro de 2025 na B3, a Bolsa de Valores brasileira.

Esses projetos visam ampliar a conectividade regional, fomentando o agronegócio e o turismo local. O Rio Grande do Sul já conta com aeroportos concedidos como o Salgado Filho, na capital gaúcha, Bagé, Pelotas e Uruguaiana.

“Temos um conjunto de aeroportos concedidos, que nos garante uma infraestrutura aeroportuária boa, mas nós temos que avançar. Olhando para a região mais a norte do estado, com os dois aeroportos de Passo Fundo e Santo Ângelo, teremos uma capacidade maior até para viabilizar um conjunto ainda maior de voos regionais para o estado”, disse o secretário.

“Esse é um trabalho de Estado, não é um trabalho de governo. Veja que tudo isso aconteceu faltando dois anos e meio para o fim de um mandato, e muitos dos projetos que nós temos em andamento aqui vão levar mais tempo para serem de fato executados. Então para isso tínhamos que ter uma estrutura muito robusta que tivesse essa capacidade de implementar os projetos e garantir que essa execução possa acontecer independentemente de trocas de governo”, finalizou Capeluppi.

Valor - SP   22/08/2025

Na pesquisa, a entidade constatou que o impacto das obras sobre o PIB do setor se dá ao longo do tempo

O investimento privado em rodovias têm um efeito mais rápido do que o público sobre a atividade econômica do setor de transportes, segundo estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT).

Na pesquisa, a entidade constatou que o impacto das obras sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do setor não é imediato, ou seja, não se dá no mesmo trimestre em que os investimentos são realizados, mas sim ao longo do tempo. “Para se construir ou fazer a recuperação de um pavimento não é tão rápido, em três meses não se faz muita coisa”, afirmou Fernanda Schwantes, gerente-executiva de economia da CNT.

No curto prazo, o estudo aponta que o efeito é baixo nos dois casos. Pela projeção da entidade, diante do aumento de 1% nos investimentos privados em rodovias, haveria um efeito de 0,09% de aumento no PIB do transporte no mesmo trimestre. No caso das obras públicas, esse impacto imediato é ainda menor, de 0,02% de alta no PIB do setor.

Já na análise dos efeitos nos trimestres seguintes, o cálculo indica que os investimentos privados demoram menos tempo para gerar impacto no PIB do transporte, em comparação com os públicos. Além disso, o efeito é maior, embora com uma diferença pequena.

Dessa forma, a projeção indica que o mesmo aumento de 1% dos investimentos privados gera um crescimento de 0,17% no PIB do setor, em um prazo de três trimestres. Já no caso dos investimentos públicos, o efeito é de 0,15%, após período de seis trimestres.

O motivo dessa discrepância é a dinâmica de contratação das obras públicas e das privadas, feitas por meio de concessões, afirmou a diretora-executiva interina da CNT, Fernanda Rezende.

“Os contratos privados são de 25, 30 anos, e as concessionárias têm obrigações contratuais, grande parte delas têm que fazer a maior parte das obras nos cinco anos iniciais do contrato, isso leva a melhorias mais rápidas do que as obras sob gestão pública, que são mais morosas, muitas vezes há uma dinâmica de parada e retomada”, disse.

Além disso, as restrições fiscais demandam que, muitas vezes, as obras sejam diluídas ao longo do tempo. Adicionalmente, o atual cenário de crise gera cortes, afirmou Schwantes. “A capacidade de investimento do Estado é cada vez mais reduzida, e a primeira área de corte são as despesas discricionárias.”

Diante desse quadro, as concessões têm se mostrado necessárias para o desenvolvimento do setor de transportes, disse.

Apesar disso, elas destacam a necessidade de manutenção das duas modalidades de investimento. “O público e o privado se complementam, não são excludentes.”

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