Investing - SP 22/04/2026
A Steel Dynamics Inc. (NASDAQ:STLD) reportou lucros do primeiro trimestre de 2026 que atenderam às expectativas dos analistas, enquanto a receita superou as estimativas, impulsionada por embarques recordes de aço e preços mais altos. As ações permaneceram inalteradas no after hours após os resultados, mas fecharam em alta de 4,51% na segunda-feira.
A empresa registrou lucro por ação ajustado de US$ 2,78, igualando o consenso dos analistas de US$ 2,78. A receita atingiu US$ 5,2 bilhões, superando a estimativa de US$ 5,08 bilhões e representando um aumento em relação aos US$ 4,8 bilhões do primeiro trimestre do ano anterior. O lucro líquido totalizou US$ 403 milhões, ante US$ 217 milhões no primeiro trimestre de 2025. A empresa alcançou embarques recordes de aço de 3,6 milhões de toneladas durante o trimestre.
A receita operacional aumentou US$ 228 milhões, ou 73%, em comparação com o quarto trimestre de 2025, impulsionada por embarques recordes e expansão do spread metálico, já que os preços do aço subiram mais do que os custos da sucata ferrosa. O preço médio de venda de produtos externos para operações de aço aumentou US$ 86 sequencialmente para US$ 1.193 por tonelada, enquanto o custo médio de sucata ferrosa por tonelada aumentou US$ 22 para US$ 396 por tonelada.
"As equipes executaram bem, entregando um forte desempenho no primeiro trimestre de 2026 em todas as nossas plataformas, com a receita operacional aumentando US$ 228 milhões, ou 73%", disse Mark D. Millett, presidente e diretor executivo. "A melhoria nos lucros foi impulsionada por embarques recordes de aço combinados com preços mais altos do aço."
As operações de fabricação de aço da empresa reportaram receita operacional de US$ 90 milhões, com a carteira de pedidos de clientes mais de 38% maior do que há um ano. As operações de reciclagem de metais viram a receita operacional aumentar 155% para US$ 47 milhões em comparação com o quarto trimestre.
A Steel Dynamics gerou fluxo de caixa das operações de US$ 148 milhões durante o trimestre, após financiar a distribuição anual de participação nos lucros para aposentadoria em toda a empresa de US$ 120 milhões. A empresa manteve liquidez de US$ 2,0 bilhões em 31 de março de 2026, enquanto investiu US$ 138 milhões em despesas de capital e retornou US$ 187 milhões aos acionistas por meio de dividendos e recompras de ações.
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Exame - SP 22/04/2026
O JPMorgan Chase revisou para cima os riscos para sua projeção para o crescimento da economia brasileira em 2026, destacando um início de ano mais forte do que o previsto, mas com sinais claros de desaceleração nos próximos trimestres.
Segundo o relatório semanal do banco, a atividade econômica em fevereiro veio forte, ainda que abaixo do esperado.
Os economistas do JP Morgan apontam que, de forma acumulada, a produção industrial avançou 3%, as vendas no varejo 2% e a atividade de serviços 0,2% nos dois primeiros meses do ano. Além disso, os serviços às famílias, que têm maior peso no PIB do que no relatório mensal de serviços, cresceram cerca de 1% em janeiro e fevereiro.
"Esse desempenho dos serviços às famílias, combinado com dois meses de fortes vendas no varejo, sugere que o consumo se recuperou no primeiro trimestre após três trimestres de fraqueza”, diz o relatório.
O desempenho acumulado de janeiro e fevereiro indica um primeiro trimestre robusto. “Esse cenário de indicadores de atividade sólidos aponta para riscos de alta em nossa estimativa de crescimento do PIB do primeiro trimestre, de 2,8%.”, diz o banco.
O que está puxando o crescimento
O banco atribui a melhora da atividade a dois fatores principais. O primeiro é o efeito retardado de estímulos fiscais adotados no segundo semestre de 2025.
O segundo vetor é a retomada do crédito, após um período prolongado de fraqueza. “Após trimestres de fraqueza, novos originações de crédito aceleraram na viradado ano”, diz o relatório.
Além disso, o mercado de trabalho resiliente e a recuperação do consumo das famílias também contribuíram para o desempenho mais positivo no início do ano.
Apesar do começo forte, o JP Morgan mantém a expectativa de uma desaceleração relevante à frente. “Continuamos a esperar uma forte desaceleração daqui para frente”, afirmam os analistas.
Indicadores mais recentes já apontam nessa direção. Segundo o banco, dados preliminares sugerem queda disseminada em marçoem setores como indústria, varejo e serviços.
A avaliação é que o crescimento deve voltar a um ritmo abaixo do potencial já no segundo trimestre, pressionado por margens corporativas mais fracas e condições financeiras mais apertadas.
O peso do cenário externo
O banco também destaca riscos adicionais vindos do cenário internacional, especialmente a guerra no Oriente Médio e seus efeitos sobre energia e inflação.
"No lado negativo, na medida em que o conflito no Oriente Médio eleve os custos de insumos e de crédito, somando-se ao aumento da incerteza e à erosão da renda real, isso pode provocar um período de fraqueza na atividade econômica mais intenso do que o previsto em nosso cenário-base", diz o relatório.
Por outro lado, apontam os economistas do JP Morgan, o governo está antecipando parte dos gastos previstos no orçamento, ao mesmo tempo em que implementa uma série de medidas para amortecer o impacto do choque do petróleo sobre os preços domésticos, ampliar o crédito a exportadores e reduzir o endividamento das famílias.
"O efeito líquido do conflito e do estímulo de políticas sobre a economia poderá, em última instância, determinar o ritmo de crescimento no segundo e no terceiro trimestres", afirmam.
Fiscal segue como principal preocupação
Mesmo com a recuperação de curto prazo, o quadro fiscal continua sendo um dos principais pontos de atenção.
"O cenário fiscal deve permanecer desafiador além das eleições, como indica o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, apresentado em 15 de abril", diz o documento.
Para o banco, as dificuldades para cumprir as metas persistem, com a manutenção do objetivo de superávit primário de 0,5% do PIB, em linha com as diretrizes anteriores, assim como em 2026.
A instituição avalia que, mesmo com metas ambiciosas, o resultado primário deve continuar deficitário, diante de premissas consideradas otimistas para receitas e despesas.
No cenário-base, o JP Morgan projeta crescimento de 1,3% para o PIB brasileiro em 2026.
Infomoney - SP 22/04/2026
O Boletim Focus mostra deterioração nas expectativas para 2026, com alta nas projeções de inflação e da taxa Selic, enquanto o câmbio foi revisado para baixo e o crescimento do PIB permaneceu praticamente estável.
Selic
A projeção para a taxa Selic em 2026 subiu para 13,00% ao ano, em alta pela primeira semana. Para 2027, a estimativa também avançou pela primeira semana, para 11,00%. Já para 2028, a projeção segue estável em 10,00% há 13 semanas consecutivas. Para 2029, a expectativa subiu pela primeira semana, passando de 9,75% para 9,88% ao ano.
Inflação
As projeções para o IPCA em 2026 subiram pela sexta semana consecutiva, passando de 4,71% na semana anterior para 4,80%. Para 2027, a estimativa também avançou, atingindo 3,99%, em alta pela quarta semana seguida. Já para 2028, a projeção permaneceu estável em 3,60% pela segunda semana consecutiva, enquanto para 2029 segue inalterada em 3,50% há 33 semanas.
No caso do IGP-M, a projeção para 2026 subiu pela sétima semana consecutiva, chegando a 4,66%, ante 3,86% na semana anterior. Para 2027, a estimativa permaneceu estável em 4,00% pela nona semana seguida. Em 2028, houve estabilidade em 3,82%, enquanto para 2029 a projeção também ficou inalterada em 3,70%.
As expectativas para os preços administrados em 2026 avançaram pela segunda semana consecutiva, para 4,90%. Para 2027, a projeção ficou estável em 3,80%. Já para 2028 e 2029, as estimativas seguem inalteradas em 3,50%, acumulando 21 e 40 semanas de estabilidade, respectivamente.
PIB
A projeção de crescimento do PIB para 2026 subiu pela primeira semana, passando de 1,85% para 1,86%, ante 1,84% há quatro semanas. Para 2027, a estimativa permanece estável em 1,80% há 16 semanas consecutivas. Já para 2028, o mercado mantém a projeção em 2,00% há 110 semanas, enquanto para 2029 a estimativa também segue em 2,00%, estável há 57 semanas.
Câmbio
A expectativa para o dólar em 2026 recuou pela segunda semana consecutiva, passando de R$ 5,37 para R$ 5,30, abaixo dos R$ 5,40 projetados há quatro semanas. Para 2027, a projeção também caiu pela segunda semana seguida, para R$ 5,35. Em 2028, houve nova queda, também pela segunda semana consecutiva, para R$ 5,40. Já para 2029, a estimativa recuou para R$ 5,45.
Monitor Digital - RJ 22/04/2026
O Conselho Empresarial Brasil-China reuniu no mês passado representantes do agronegócio, mineração, energia e comércio para analisar os desafios e as oportunidades da relação econômica bilateral num cenário internacional marcado por conflitos geopolíticos, mudanças tecnológicas e reorganização das cadeias globais.
O webinário “O Futuro do Comércio Brasil-China” aconteceu em um momento de forte dinamismo nas trocas entre os dois países. Em 2025, a corrente de comércio Brasil-China atingiu US$ 171 bilhões, com a China mantendo-se como principal destino das exportações brasileiras e maior origem das importações do país.
No agronegócio, Marcos Jank, coordenador do Centro Insper Agro Global, destacou que o setor brasileiro tem demonstrado grande capacidade de adaptação e competitividade, mesmo em um cenário internacional marcado por conflitos e novas barreiras comerciais.
“A diversificação e o avanço tecnológico das commodities brasileiras são um triunfo do Brasil. Temos uma capacidade produtiva muito elevada e, em muitos casos, estamos nos saindo melhor que os Estados Unidos, justamente por essa competitividade”, afirmou. O próximo passo, segundo ele, é ampliar a agregação de valor às exportações agrícolas. “Existem várias cadeias dentro do agro que permitem isso, especialmente na carne”.
O especialista alertou, no entanto, para a vulnerabilidade do Brasil em relação ao fornecimento de fertilizantes, especialmente os nitrogenados, cuja cadeia global depende fortemente do Oriente Médio e da China.
No campo da mineração, Luciana Brum, gerente de Relações Externas da Vale, ressaltou que a transição energética tende a ampliar significativamente a demanda por minerais estratégicos. e o Brasil tem vantagem devido a sua diversificação mineral.
Segundo ela, o avanço dos planos chineses de eletrificação da frota de veículos e descarbonização deve ampliar ainda mais esse mercado: “À medida que a China avança em seus planos de transição energética, esse mercado se expande.”
Brum também destacou o potencial brasileiro em minerais utilizados na indústria siderúrgica e em cadeias industriais associadas à transição energética: “O Brasil tem grande potencial em minerais estratégicos, especialmente no minério de ferro de alto teor, no qual já possui volume, capacidade produtiva e vantagens competitivas relevantes. À medida que a China avança em seus planos de eletrificação e transição energética, há uma oportunidade importante para o Brasil fortalecer seu papel nesse fornecimento e buscar formas de agregar mais valor a essa cadeia”, afirmou.
CNN Brasil - SP 22/04/2026
Existe hoje um problema silencioso — mas cada vez mais relevante — na economia brasileira: o custo da indefinição.
Ele não aparece nos indicadores tradicionais, como inflação ou PIB (Produto Interno Bruto). Mas está presente na forma como instituições-chave vêm operando: com lacunas, atrasos e, principalmente, sem direção clara.
Três casos ajudam a entender esse movimento.
Autonomia do Banco Central do Brasil
O primeiro é a tramitação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da autonomia financeira do BC (Banco Central), que voltou a travar no Senado.
Em discussão há anos, a proposta tenta corrigir uma distorção relevante: hoje, diferentemente do que ocorre em grande parte das economias, o BC brasileiro ainda depende do Orçamento da União para funcionar.
O texto atual da PEC 65/2023 foi ajustado ao longo da tramitação e deixou de lado pontos mais sensíveis — como a transformação da instituição em empresa pública ou mudanças no regime dos servidores. O Banco Central permanece como entidade pública, com funcionários estatutários e estabilidade.
A mudança central é permitir que a autoridade monetária tenha orçamento próprio, aproximando o Brasil do padrão internacional de funcionamento dos bancos centrais.
Na prática, isso amplia a capacidade de investimento em tecnologia, supervisão e combate a crimes financeiros, além de reduzir o risco de interferência indireta por meio de contingenciamento de recursos.
O texto também preserva — e até reforça — mecanismos de controle, com supervisão do Congresso e exigência de prestação de contas.
A lógica por trás da proposta é dar sustentação material à autonomia operacional já existente, especialmente em um sistema financeiro mais amplo e complexo.
Mesmo assim, o avanço é lento. Segundo o senador Plínio Valério (PSDB-AM), o relatório foi incluído no sistema do Senado na semana passada e a leitura na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) deve ficar para a quarta-feira seguinte ao feriado — o que, na prática, empurra mais uma vez a discussão.
A preocupação com esse tema é crescente porque, paralelamente, o PT também colocou na sua pauta mudanças relevantes no modelo econômico.
O novo programa partidário fala em rever o regime fiscal, mudar as prerrogativas do BC, construir um novo arranjo institucional e até revisar o modelo de metas de inflação.
Ninguém acredita hoje que a proposta vá avançar no Congresso. Mas, sem dúvida, gera ruído.
O segundo ponto cego na economia está dentro do próprio Banco Central.
Diretorias indefinidas
Hoje, duas diretorias seguem sem definição: Política Econômica e Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.
Hoje, o diretor de Assuntos Internacionais e Gestão de Riscos Corporativos, Paulo Picchetti, é quem acumula a função de Política Econômica, considerada central na condução da política monetária.
É esse diretor, inclusive, quem redige os documentos oficiais, como o comunicado e a ata do Copom (Comitê de Política Monetária).
Gilneu Vivan, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, acumula a posição de Organização do Sistema Financeiro.
Essa concentração não passa despercebida pelo mercado. Há uma leitura crescente de que o acúmulo de funções pode estar, inclusive, afetando a comunicação formal. Justamente em um momento em que as incertezas geopolíticas tornam o cenário tão desafiador, e é tão importante oferecer alguma previsibilidade.
CVM
O terceiro caso é o mais visível: a situação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
A autarquia está há meses sem presidente efetivo e opera com a diretoria incompleta. E isso já se traduz em efeitos concretos.
O número de julgamentos de processos sancionadores caiu cerca de 50%, enquanto o estoque de casos cresce. Neste ano, nenhum processo relevante foi julgado. Ao mesmo tempo, o mercado de capitais brasileiro segue em expansão, com maior participação de investidores e aumento do fluxo estrangeiro.
O descompasso é evidente: um mercado mais sofisticado sendo acompanhado por um regulador enfraquecido.
A combinação desses três fatores tem como resultado o aumento da incerteza. E incerteza, na economia, tem custo.
Ela aparece no prêmio de risco, na cautela dos investidores e na postergação de decisões. Em um país que tenta atrair capital e sustentar crescimento, esse tipo de ruído pesa mais do que parece.
Globo Online - RJ 22/04/2026
Quatro em cinco famílias brasileiras relatam ter dívidas a vencer. A proporção é inédita. O endividamento tem crescido em todas as faixas de renda. Pelas projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o problema deverá continuar avançando, apesar de o Banco Central (BC) ter reduzido juros na última reunião do Comitê de Política Monetária. Com a taxa básica em 14,75% ao ano, o país continua com um dos maiores juros reais do mundo — quase 10%, descontada a inflação. O Brasil é uma anomalia quando se trata do preço do dinheiro.
É difícil para as famílias pagar suas dívidas. Empresas também vivem reclamando do juro alto, e são frequentes os programas de refinanciamento do crédito. Tal situação deveria provocar no Executivo e no Legislativo reflexão profunda. É preciso encarar a questão com a mesma seriedade com que a inflação foi combatida na época do Plano Real. No início dos anos 90, o índice mensal ultrapassava 80%. Em 30 dias, o poder de compra dos salários era reduzido quase à metade. Para quem tinha passado a vida com reajustes diários, parecia normal. Não era. Tratava-se de aberração. O mesmo pode ser dito sobre o patamar atual dos juros.
O problema tem várias causas, nenhuma delas intratável. A primeira — e mais importante — é o desequilíbrio das contas públicas. Ainda que o risco de calote seja baixo, quanto maior o endividamento público, mais alto é o retorno exigido pelos investidores para comprar títulos emitidos pelo governo. Nesse quesito, o histórico do governo Luiz Inácio Lula da Silva é vergonhoso. Quando Lula assumiu, a dívida bruta equivalia a 73,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje está em 79%, e a previsão é de 86% já no ano que vem. Há ainda um segundo efeito nefasto do desequilíbrio das contas públicas. Ao elevar o gasto, o governo aquece a demanda, pressiona a inflação e força o BC a aumentar ainda mais a taxa básica, a Selic.
A segunda causa é o excesso de crédito dirigido. Linhas especiais para determinados setores, via programas do governo, fazem com que 43% do mercado de crédito fique imune, de forma parcial ou completa, às variações da Selic. Em razão disso, quando o BC é forçado a aumentá-la, o nível precisa ser bem mais alto para ter o impacto desejado na oferta de crédito.
A terceira causa é a insegurança jurídica. Contratos firmados dentro da lei nem sempre são garantidos pelos tribunais. Muitos juízes tendem a favorecer uma das partes em detrimento do pactuado. Não faltam exemplos. Na década passada, contratos de financiamento de veículos foram desconsiderados para beneficiar inadimplentes. Onde faltam garantias para recuperar ativos, a saída para quem empresta é aumentar os juros de todos.
Por fim, a poupança é baixa, reduzindo a oferta de dinheiro e aumentando seu custo. Falta também mais competição no mercado bancário, apesar de a expansão recente das fintechs e de o compartilhamento de dados de clientes via Open Finance terem contribuído para reduzir as taxas em alguns segmentos. Ainda há muito a avançar. Alguns problemas têm solução mais rápida, outros no longo prazo. Porém todos devem ser tratados com a mesma urgência para que o país deixe de conviver com uma aberração que inibe o crescimento da economia e corrói os recursos de todos os brasileiros.
O Estado de S.Paulo - SP 22/04/2026
O indicado à presidência do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, sinalizou que o banco central americano necessita de “reformas políticas fundamentais”, em audiência na Comissão de Bancos, Habitação e Assuntos Urbanos do Senado americano, nesta terça-feira, 21. Na avaliação de Warsh, o Fed precisa de um novo quadro de inflação, bem como novas ferramentas e comunicações. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou ao Senado em março o nome de Warsh para o comando do Fed por um mandato de quatro anos.
Warsh destacou que, se for confirmado para a sucessão de Jerome Powell, utilizará as atuais ferramentas de maneira “diferente”, sem fornecer muitos detalhes. “Precisamos de uma mudança de regime na condução da política do Fed”, acrescentou Warsh. Dentre outras críticas, ele citou que a instituição monetária “mantém suas previsões por mais tempo do que deveria”.
Durante a audiência, Warsh teve um diálogo acalorado com a senadora democrata Elizabeth Warren. Na ocasião, ela questionou se há algo na agenda econômica do presidente dos Estados Unidos com o qual o indicado discorde, considerando que o republicano disse anteriormente que “jamais” indicaria alguém com opiniões divergentes às suas para a chefia do Fed. Warren também perguntou se o possível futuro presidente possui investimentos em veículos criados por Jeffrey Epstein. “Esses bens serão vendidos se minha nomeação for confirmada”, respondeu Warsh, após desviar da resposta em outras tentativas.
Trajetória das taxas de juros em aberto
Ele deixou em aberto sua opinião em relação à trajetória das taxas de juros e afirmou que é “cético” sobre a orientação futura do banco central americano. “A política monetária opera com defasagens. O Fed terá de se empenhar bastante nas próximas reuniões”, ponderou. Questionado sobre os comentários de Trump, a favor de uma política monetária mais frouxa, Warsh defendeu o presidente americano dizendo que chefes de Estado costumam ser favoráveis a cortes de juros e que a única diferença é que Trump externaliza esse desejo. Analistas de mercado questionam se Warsh conseguirá uma solução diferente das atuais práticas do Fed.
O presidente americano voltou a criticar Powell ao dizer que o chefe do BC americano é “muito atrasado” em relação à sua abordagem sobre as taxas de juros, durante entrevista para a CNBC nesta terça-feira. Para ele, o país deveria ter as taxas mais baixas em todo o mundo. “Eu vou ficar muito desapontado se o novo presidente do Fed não reduzir as taxas de juros”, afirmou. Apesar de demonstrar ser favorável a uma política monetária mais frouxa, Trump disse que aumentos nas taxas de juros para conter a inflação são “relativamente eficazes”. “Tenho sido a favor do aumento das taxas de juros para combater a inflação”, ponderou.
Em relação à macroeconomia, Warsh avaliou que o lado da oferta da economia está mudando drasticamente e disse não concordar que a inflação acima do esperado se deva às tarifas impostas pela atual administração. Para ele, é importante verificar qual é a taxa de inflação real e há “tempo limitado” para reduzir os preços. “Os dados utilizados para avaliar a inflação são bastante imperfeitos. O que mais me interessa é a taxa de inflação subjacente, minha impressão geral é que o risco de inflação melhorou um pouco. Acredito que a tendência da inflação seja bastante favorável”, detalhou, ao acrescentar que a missão do Fed em relação à inflação pode diminuir com o tempo.
Os dados utilizados para avaliar a inflação são bastante imperfeitos. O que mais me interessa é a taxa de inflação subjacente, minha impressão geral é que o risco de inflação melhorou um pouco. Acredito que a tendência da inflação seja bastante favorável
Kevin Warsh, indicado à presidência do banco central americano
O indicado ao comando do Fed disse que prefere usá-los como “a força dominante” e, se fossem reduzidos, uma gama mais ampla de pessoas se beneficiaria. “Muitos funcionários do Fed opinam antecipadamente sobre a trajetória dos juros, mas os juros precisam ser baseados em dados melhores e em perspectivas futuras”, defendeu, ao pontuar a importância de permanecer “aberto a todos os tipos de dados”. O possível sucessor de Jerome Powell destacou que a economia dos EUA está melhorando e pode melhorar ainda mais, ainda com espaço para crescimento. “A economia americana está perto do pleno emprego”, disse.
Reforma em dados e menor balanço patrimonial
Warsh mencionou que uma das primeiras reformas do Fed deveria ser um projeto de dados e defendeu que, por conta dos impactos da inteligência artificial (IA), é crucial rever os modelos do Fed. “Há também uma questão sobre o que a IA significa para os empregos”, comentou.
Na avaliação dele, um balanço patrimonial grande alimenta o papel político do Fed, mas o BC deve colaborar com o governo além da política monetária. E esse pode ser um dos pontos centrais do provável mandato do ex-diretor do Fed como chefe da instituição monetária. Warsh destacou que um balanço patrimonial menor significa taxas de juros mais baixas, inflação menor e economia mais forte. “O balanço patrimonial do Fed tem desempenhado um papel prejudicial no cumprimento do duplo mandato. É necessária uma redução gradual e cuidadosa dele”, ressaltou, ao mencionar uma colaboração com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, para trabalhar na redução.
Investing - SP 22/04/2026
No acumulado do ano, a Vale avança 35%, enquanto os preços do minério de ferro permaneceram relativamente estáveis. Para os analistas, essa divergência deixou o valuation mais exigente.
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O desconto em EV/EBITDA frente aos pares (entre eles Rio Tinto, Fortescue e KIO) caiu para 10%, o menor nível desde 2020. Segundo o Barclays, após a expressiva performance no ano, a Vale deixou de negociar com desconto relevante frente às concorrentes australianas, após um período prolongado de outperform.
O banco elevou o preço-alvo para US$ 17, ante US$ 16,50, potencializando parte da recuperação operacional da companhia e a redução dos riscos ESG. O valuation passou a considerar múltiplo de 1,1x preço/valor patrimonial, acima dos 0,9x anteriores.
Esse ajuste positivo, contudo, foi parcialmente neutralizado por uma queda de 12% no valor patrimonial líquido estimado, reflexo da alta do petróleo e do fortalecimento do câmbio BRL/USD, fatores que pressionam custos operacionais e elevam passivos em reais ligados a Samarco e Brumadinho.
No preço atual de US$ 17,43 por ADR, a Vale negocia com yield de fluxo de caixa livre de 5% em 2026, 7,6% em 2027 e 9,2% em 2028. Os múltiplos EV/EBITDA projetados são de 5,2x, 4,8x e 4,6x, respectivamente.
O Barclays observa que a cotação atual da Vale embute preço implícito de minério de ferro em torno de US$ 130 por tonelada, com base em correlações históricas desde 2015. O número está acima do spot atual, em US$ 107/t, e também das projeções da própria casa: US$ 102/t em 2026, US$ 95/t em 2027 e US$ 85/t em 2028.
O banco reduziu suas estimativas de lucro por ação da Vale em 8% para 2026, para US$ 2,20, e em 12% para 2027, para US$ 2,15.
As projeções de EBITDA também foram cortadas em 6%, para US$ 16,4 bilhões em 2026 e US$ 16,6 bilhões em 2027, refletindo principalmente premissas de petróleo mais caro e real mais forte, que pressionam o custo caixa C1.
Segundo guidance da própria companhia, cada alta de US$ 10 por barril no Brent adiciona cerca de US$ 0,2 por tonelada ao C1 e US$ 1 por tonelada ao frete marítimo, via bunker fuel.
Outro ponto de atenção está na sazonalidade do minério de ferro. O Barclays destaca que, historicamente, os preços da commodity tendem a enfraquecer entre abril e julho, o que pode limitar o momentum do papel no curto prazo.
A instituição revisou marginalmente para cima sua projeção de minério para 2026, para US$ 102/t, ante US$ 100/t anteriores, mas manteve a estimativa de US$ 95/t para 2027.
No campo positivo, o Barclays avalia que os principais catalisadores da Vale estão concentrados em 2027. Entre eles, a possibilidade de retomada de recompras de ações e pagamento de dividendos extraordinários, caso a dívida líquida expandida recue para abaixo de US$ 15 bilhões, ajudada pela redução gradual dos desembolsos ligados à Samarco.
Outro potencial gatilho de reprecificação seria uma eventual listagem separada de participação minoritária na Vale Base Metals, também esperada para 2027.
Os analistas também destacaram melhora gradual no perfil de volumes e custos, além de disciplina em capex, fatores favoráveis à expansão do fluxo de caixa livre no médio prazo.
No macro, o quadro segue misto. Embora a Vale tenha se beneficiado recentemente da queda dos juros americanos e de um dólar mais fraco, petróleo em alta e avanço dos yields globais podem reverter parte desses vetores positivos.
O Barclays pondera ainda que o Brasil, como exportador líquido de petróleo, possui alguma proteção parcial nesse ambiente. Além disso, desdobramentos políticos antes das eleições de outubro de 2026 podem atrair fluxo adicional para ativos locais, considerando o peso relevante da Vale nos índices Ibovespa e MSCI Brasil.
Na conclusão do relatório, o banco afirma que voltar a adicionar posição em Vale com minério negociando próximo ao piso de custo e com preços implícitos mais deprimidos representaria ponto de entrada mais atrativo.
IstoÉ Dinheiro - SP 22/04/2026
A Rio Tinto informou que produziu mais minério de ferro, cobre e alumínio no primeiro trimestre do ano, enquanto tranquilizou os investidores sobre os impactos limitados até o momento do conflito no Oriente Médio.
A segunda maior mineradora do mundo em valor de mercado relatou um aumento de 13% na produção de minério de ferro na região de Pilbara, na Austrália, para 78,8 milhões de toneladas métricas. Esse foi seu segundo melhor resultado para o primeiro trimestre desde 2018.
As remessas das operações, que representam a maior parte dos lucros da Rio Tinto, foram afetadas por dois ciclones durante o trimestre. As vendas aumentaram 2% em relação ao ano anterior, totalizando 72,4 milhões de toneladas.
A produção de cobre aumentou 9%, chegando a 229.000 toneladas, informou a empresa.
Veja - SP 22/04/2026
O maior mercado automotivo do mundo deixou de ser território confortável para tradicionais montadoras ocidentais.
Na China, onde veículos elétricos e híbridos já representam mais da metade das vendas de carros novos, gigantes do setor automotivo enfrentam perda acelerada de relevância diante da ascensão de fabricantes locais como BYD, Geely e Xiaomi.
Dados de consultorias do setor indicam que a participação de montadoras estrangeiras no mercado chinês caiu de cerca de 64% em 2020 para pouco mais de 30% em 2026.
O movimento marca uma inversão histórica: por décadas, empresas chinesas aprenderam com joint ventures com ocidentais. Agora, são estas que correm atrás da inovação desenvolvida no país asiático.
A mudança estratégica
Diante desse cenário, grupos como Volkswagen, Toyota e BMW passaram a adotar uma tática mais agressiva.
A lógica é simples: desenvolver veículos dentro da China, com tecnologia chinesa, para atender consumidores locais. E, eventualmente, exportar esses modelos para outros mercados.
A BMW, por exemplo, aposta em novos modelos elétricos desenvolvidos com softwares e sistemas de empresas chinesas como Huawei e Alibaba.
Já a Volkswagen planeja lançar dezenas de híbridos e elétricos adaptados ao gosto do consumidor chinês, incluindo versões com mais conectividade e integração digital.
A virada do jogo: software e velocidade
Se antes a vantagem competitiva estava no motor e na engenharia mecânica, hoje o diferencial está no software. E é justamente aí que as montadoras ocidentais mais sofrem.
A China concentra um volume massivo de engenheiros de software e desenvolvedores, capazes de lançar atualizações e novos sistemas em ritmo muito mais rápido do que concorrentes europeus ou japoneses.
Recursos como direção assistida por inteligência artificial, integração com apps e sistemas operacionais próprios tornaram-se padrão no mercado local.
Analistas apontam que o desafio não é mais apenas tecnológico, mas estrutural: competir na velocidade chinesa exige mudanças profundas na cultura corporativa das montadoras tradicionais.
Dependência estratégica e risco global
A aproximação com parceiros chineses levanta, ao mesmo tempo, oportunidades e riscos. Por um lado, permite que empresas estrangeiras mantenham presença no maior mercado automotivo do planeta.
Por outro, amplia a dependência de cadeias produtivas e tecnologias concentradas na Ásia, em um momento de tensões geopolíticas crescentes.
Além disso, há o risco de “canibalização”: veículos desenvolvidos na China, mais baratos e tecnologicamente avançados, podem reduzir a demanda por modelos produzidos na Europa ou nos Estados Unidos.
China como novo hub global da indústria automotiva
Apesar das incertezas, o movimento já redefine o mapa da indústria. Executivos do setor começam a ver a China não apenas como mercado consumidor, mas como centro global de inovação e exportação de veículos elétricos.
Empresas como a Nissan já estudam usar o país como base para exportar modelos para América Latina e Sudeste Asiático.
A tendência reforça uma mudança estrutural: a indústria automotiva global passa a orbitar cada vez mais em torno do ecossistema tecnológico chinês.
No fim, a equação é direta e desconfortável para o Ocidente: para continuar relevante no futuro dos carros elétricos, será preciso competir, e ao mesmo tempo depender, da China.
Diário do Comércio - MG 22/04/2026
O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, comemorou neste sábado, 18 de abril, os resultados do programa Carro Sustentável, lançado pelo Governo do Brasil em julho de 2025. Segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), a venda de carros de entrada subiu 32,9% nos dez meses do programa.
O Carro Sustentável faz parte do programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) e prevê a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a zero para carros de entrada flex fabricados no Brasil, com 80% de reciclabilidade e baixa emissão de CO2. Alckmin visitou duas concessionárias em Valparaíso (GO), que registraram aumentos de 31% e 50% nas vendas desse tipo de veículo desde a implementação do programa.
“Com IPI zero, sem imposto, seis montadoras se adequaram e estão habilitadas, com carros mais baratos, descontos nas concessionárias e nas montadoras. Com isso, a indústria produz mais, o comércio vende mais, só concessionárias são mais de 8 mil no Brasil. De outro lado, tem a importância social, nós não estamos zerando imposto para carros de 200 mil reais, estamos zerando para o carro de entrada; e ambiental, carro que polui menos e com alta reciclabilidade”, explicou.
BRASIL SOBERANO – Na conversa com jornalistas, o presidente em exercício também ressaltou o anúncio, feito no meio da semana, de mais verbas para empresas brasileiras afetadas por fatores externos graves, como o tarifaço promovido meses atrás pelo governo dos Estados Unidos e o conflito no Oriente Médio, que travou uma das mais importantes rotas comerciais do planeta.
“Há três dias, com o presidente Lula, lançamos mais R$ 15 bilhões do Brasil Soberano para quem foi afetado nas exportações na época do tarifaço norte-americano e quem é afetado na exportação para a região do conflito no Estreito de Ormuz. A indústria automotiva e de autopeças está incluída. Estamos falando de R$ 15 bilhões em créditos com juros de pouco mais de 1% para investimentos, capital, máquinas e exportações”, disse Alckmin.
AGENDA INTERNACIONAL – O presidente em exercício também destacou a agenda internacional do presidente Lula na Europa. Lula está na Espanha para uma visita oficial e depois passará por Alemanha e Portugal. Alckmin falou sobre a oportunidade de mercado que o Brasil terá no continente europeu em um futuro próximo.
“Esses três países foram fundamentais para o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, que no próximo dia 1º de maio entra em vigência provisória. É o maior acordo entre blocos do mundo, estamos falando de US$ 22 trilhões de mercado, 720 milhões de pessoas, isso é uma oportunidade impressionante para o Brasil atrair mais investimento europeu, vender mais para a União Europeia, fazer integração produtiva. Vamos ter perto de 5 mil bens com imposto zerado para a União Europeia. Eles já são o segundo maior comprador de produtos brasileiros”, afirmou.
Diário Catarinense - SC 22/04/2026
A gigante chinesa Sany vai usar um modelo industrial comum, mas pouco conhecido, para iniciar a operação de sua nova fábrica na região de Campinas, no interior de São Paulo. A unidade está prevista para começar a funcionar em 2026.
Como vai funcionar o modelo da Sany em Campinas
A operação inicial será baseada no sistema conhecido como Completely Knocked Down (CKD). Nesse modelo pouco conhecido, as máquinas chegam ao Brasil desmontadas, com peças enviadas diretamente da China, e são montadas na fábrica instalada no país.
Esse formato permite reduzir custos com impostos de importação e, ao mesmo tempo, utilizar mão de obra local. A estratégia também contribui para impulsionar a produção nacional e gerar empregos na região.
A estratégia amplamente utilizado no Brasil, especialmente no setor automotivo e de motocicletas. Marcas como BMW, Bajaj, Caoa Chery e GWM importam veículos totalmente desmontados e os montam localmente.
Foco inicial da produção
A unidade deve começar as atividades com a montagem de caminhões e equipamentos da chamada “linha amarela”, que inclui máquinas pesadas utilizadas principalmente em obras de infraestrutura e construção civil. O termo faz referência à cor padrão desses equipamentos, associada à segurança em canteiros de obras.
Estrutura e estratégia da empresa
A escolha de Campinas leva em conta a infraestrutura e a localização estratégica da região, considerada um dos principais polos industriais e tecnológicos do Brasil.
Além de iniciar a operação com o modelo CKD, o plano da empresa prevê expansão no futuro. A ideia é começar com uma estrutura mais ágil e, posteriormente, avançar para projetos maiores no país, com possibilidade de uma fábrica mais completa.
Investimento e impacto
A chegada da nova unidade reforça o interesse de empresas globais no mercado brasileiro, especialmente em cidades do interior com forte vocação industrial.
Entre os principais pontos do projeto estão:
início das operações previsto para 2026instalação na região de Campinasmontagem de máquinas pesadas no Brasilgeração de empregos diretos e indiretosestratégia de expansão na América Latina.
CNN Brasil - SP 22/04/2026
Sob a perspectiva do interesse público, o transporte ferroviário é estratégico para um país de dimensões continentais como o Brasil, sobretudo para cargas de grande volume e longa distância, o que justifica o investimento de verbas públicas nos projetos. Nesse sentido, o Ministério dos Transportes tem afirmado corretamente que o modal ferroviário possui o potencial de reduzir custos logísticos, aumentar a eficiência do escoamento e oferecer uma alternativa mais sustentável para os deslocamentos, tanto de carga quanto de passageiros.
Assim, as ferrovias se encaixam no conceito de projetos cuja relevância econômica e social são superiores à sua atratividade privada imediata, o que justifica o investimento público para viabilizar a sua implantação no Brasil, com o objeto de melhoria da infraestrutura nacional.
A Política Nacional de Concessões Ferroviárias apresenta um dado adicional importante. Não se está falando apenas de implementar novas ferrovias, mas de recuperar trechos que se encontram abandonados ou inoperantes, para depois iniciar uma fase de operação e manutenção. Isso aproxima esses empreendimentos do modelo conhecido no mercado como yellowfield, projetos apoiados em infraestrutura pré-existente, que necessitam de renovação substancial, reforma relevante ou expansão expressiva.
Trata-se de um modelo diferente dos projetos greenfield, nos quais a lógica é de implantação de estrutura nova, a partir do zero. Nos yellowfields, há um ativo anterior, mas que precisa receber investimento pesado para readquiria funcionalidade econômica, como os trechos desativados.
Em projetos de concessão ou PPP, especialmente de infraestrutura, é comum que a receita do empreendimento, isoladamente considerada, não seja suficiente para suportar todos os custos de implantação, operação, manutenção e remuneração adequada do capital privado. Nesse contexto, tem-se a chamada lacuna de viabilidade. Em termos econômicos, trata-se da diferença entre o que o projeto consegue gerar e o que ele precisa receber para se tornar contratável e financiável. Importante destacar que esse investimento público não desnatura a ideia de concessão, mas viabiliza projetos que são social e logisticamente relevantes e que não se sustentariam apenas com receitas tarifárias ou comerciais.
* Leonardo Bruno Pereira de Moraes é bacharel e mestre em Direito pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e doutor em Direito Constitucional pela USP (Universidade de São Paulo). Atua em direito administrativo, com ênfase em licitações, contratos administrativos, direito sancionador e agentes públicos. Possui expertise também em concessões, permissões, autorizações e parcerias público-privadas, além de vasta experiência acadêmica e no contencioso estratégico.
Valor - SP 22/04/2026
Centenas de navios e 20.000 marinheiros permanecem retidos dentro do Golfo, incapazes de navegar
O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz permaneceu amplamente interrompido nesta terça-feira, com apenas três embarcações passando pela via navegável nas últimas 24 horas, mostraram dados de navegação.
Um bloqueio dos Estados Unidos aos portos iranianos enfureceu Teerã, levando o país a manter suas próprias restrições sobre o estreito, que normalmente responde por cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
O petroleiro de produtos Ean Spir, que não tinha bandeira ou proprietário conhecidos, atravessou Ormuz nesta terça-feira após ter feito escala anteriormente em um porto iraquiano, mostraram dados de rastreamento da plataforma MarineTraffic.
O cargueiro Lian Star, que também não tinha bandeira ou proprietário conhecidos, navegou pelo estreito a partir de um porto iraniano, segundo os dados.
Separadamente, o navio-tanque de gás liquefeito de petróleo Meda, que havia feito escala em um porto dos Emirados Árabes Unidos no Golfo e também não tinha bandeira ou proprietário conhecidos, cruzou o estreito na segunda-feira em sua segunda tentativa de deixar o Golfo após ter retornado anteriormente, segundo análise por satélite da empresa de análise de dados SynMax.
Esses navios representam apenas uma fração dos cerca de 140 que atravessavam diariamente o estreito antes do início da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.
Mais de uma dezena de petroleiros atravessaram o estreito após o Irã declará-lo brevemente aberto na sexta-feira, antes de Teerã anunciar no sábado que ele estava fechado e disparar contra embarcações.
“Mesmo embarcações que aparentemente cumprem os critérios conhecidos publicamente para uma travessia bem-sucedida por ambos os bloqueios podem se encontrar em perigo e incapazes de passar”, disse a corretora marítima BRS em uma nota nesta semana.
Um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã parecia em risco nesta terça-feira, com Teerã não se comprometendo a participar de novas negociações de paz e os militares americanos afirmando ter apreendido um petroleiro ligado ao Irã em águas internacionais.
Centenas de navios e 20.000 marinheiros permanecem retidos dentro do Golfo, incapazes de navegar.
“Não podemos colocar em risco a vida dos marinheiros”, disse Arsenio Dominguez, secretário-geral da agência marítima da ONU, a repórteres à margem da semana marítima de Cingapura nesta terça-feira.
“Vimos o que aconteceu no fim de semana passado: na sexta-feira, quando alguns navios começaram a navegar, houve então um anúncio de que o estreito estava fechado, e algumas embarcações foram de fato alvo. Felizmente, não tivemos vítimas e não houve danos aos navios”.
O Exército do Irã informou que um petroleiro iraniano entrou em suas águas territoriais vindo do Mar Arábico na segunda-feira com ajuda da Marinha iraniana, apesar do que descreveu como repetidos avisos e ameaças da força-tarefa naval dos EUA.
A corretora marítima BRS estimou que 61 superpetroleiros não ligados ao Irã estão atualmente presos dentro do Golfo, dos quais 50 estão carregados com cargas de até 2 milhões de barris cada.
“Em um momento em que o mundo está desesperado por petróleo bruto, a saída adicional de 2 milhões de barris do Golfo do Oriente Médio seria muito bem-vinda”, afirmou a BRS.
Portos e Navios - SP 22/04/2026
Manaus será o centro das decisões estratégicas da logística brasileira entre os dias 22 e 24 de abril de 2026, com a realização da NN Logística, maior feira da indústria fluvial da América Latina. O evento, sediado no Centro de Convenções Vasco Vasques, deve reunir mais de sete mil visitantes, 100 expositores e cerca de 400 marcas nacionais e internacionais.
Inserido na programação, o temário “Diálogos Hidroviáveis” ocorre nos dias 22 e 23 de abril e se consolida como um dos principais fóruns técnicos e institucionais do país voltados à navegação interior, reunindo representantes do setor público, lideranças empresariais e especialistas para discutir soluções estruturantes para o Brasil.
Com curadoria da Agência de Desenvolvimento Sustentável das Hidrovias e dos Corredores de Exportação (ADECON) e da Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior (Abani), o encontro abordará temas estratégicos como políticas públicas, modernização da frota, transição energética, impactos climáticos e o papel da indústria naval no desenvolvimento regional.
“Os Diálogos Hidroviáveis consolidam um espaço qualificado de articulação entre governo, iniciativa privada e comunidade técnica, essencial para avançarmos em uma agenda estruturante para o país, especialmente na Amazônia, onde as hidrovias são eixo fundamental de integração e desenvolvimento”, afirma o presidente da ADECON, Adalberto Tokarski.
A abertura contará com representantes do Ministério de Portos e Aeroportos, Agência Nacional de Transportes Aquaviários, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes e Infra S.A., reforçando o papel estratégico das hidrovias para o escoamento da produção e a competitividade logística nacional.
Entre os destaques da programação estão debates sobre: Indústria naval como vetor de desenvolvimento; Regulação e financiamento do setor; expansão e modernização da frota; sustentabilidade e eficiência energética; impactos da crise climática na navegação; Projeto Manaus Moderna, dentre outros.
O evento reúne ainda nomes relevantes como Otto Burlier, Murillo Barbosa e Marcello Di Gregorio, além de executivos da indústria naval, logística e engenharia.
Investimentos, inovação e protagonismo empresarial
Entre os protagonistas da edição está o Super Terminais, patrocinador master e expositor, que anuncia um plano de investimento de R$ 400 milhões em 2026. A empresa aposta na modernização de ativos, expansão operacional e transição energética.
Um dos projetos mais relevantes é a implantação da primeira usina de gás natural para operações portuárias da região Norte, com investimento de
R$ 30 milhões e potencial de reduzir cerca de 17 mil toneladas de CO? por ano.
“Essa iniciativa busca aumentar a previsibilidade energética e reduzir custos operacionais, além de alinhar a operação às exigências de descarbonização do setor logístico”, destaca Marcello Di Gregorio.
A companhia também avança com a implantação de um novo porto em Itacoatiara, ampliando sua atuação no Arco Norte e fortalecendo o escoamento da produção agrícola.
Multinacionais reforçam inovação no setor
A presença de grandes players internacionais reforça o posicionamento da NN Logística como hub estratégico da indústria fluvial.
A AkzoNobel, também patrocinadora Master, apresentará soluções avançadas em revestimentos navais da marca International, incluindo o lançamento do Interzone® 954GF, voltado à proteção anticorrosiva de alta performance.
“A NN Logística é um ambiente estratégico para apresentarmos soluções que respondem diretamente aos desafios da região”, afirma Gustavo Gomes.
Já a Yanmar destaca seu crescimento no setor marítimo, com aumento de 73% no faturamento em 2025, e apresenta motores de alta performance voltados às operações na Amazônia.
“Enxergamos a feira como uma oportunidade de fortalecer relacionamentos e expandir nossa atuação em um mercado estratégico”, ressalta Igor Cabral.
A feira também contará com gigantes como Caterpillar, Cummins, Mitsubishi e Volvo Penta.
Hub estratégico da América Latina
Resultado da fusão entre Navegistic Manaus e Navalshore Amazônia, a NN Logística consolida-se como a principal plataforma de negócios, inovação e articulação institucional da indústria fluvial latino-americana.
O evento reforça o protagonismo da Amazônia no debate logístico global e evidencia o papel das hidrovias como solução sustentável para o futuro do transporte no Brasil.
Serviço
O que? NN Logística 2026
Onde? Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques – Av. Constantino Nery n.º 5001, Flores, esquina com Av. Pedro Teixeira - Zona Centro-Sul
Quando? 22 a 24 de abril de 2026 - 14h às 21h
Programação e outras informações: https://nnlogistica.com.br
Credenciamento para visitação (gratuito): https://nnlogistica.com.br/credenciamento/
Organização: NN Eventos Ltda
A Tribuna - SP 22/04/2026
A cabotagem (navegação entre portos dentro do Brasil) no Sudeste brasileiro registrou forte expansão no primeiro bimestre deste ano, com movimentação de 27,1 milhões de toneladas e alta de 19,06% em relação ao mesmo período em 2025. O desempenho consolida a região como principal eixo da navegação costeira no País, impulsionada sobretudo pelo transporte de petróleo e derivados.
Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), mostram que o crescimento está concentrado nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, responsáveis pela maior parte da movimentação nacional.
O Rio de Janeiro lidera com ampla margem, ao registrar 15,8 milhões de toneladas no período. São Paulo aparece na sequência, com 9,9 milhões, seguido pelo Espírito Santo, com 1,38 milhão de toneladas.
O petróleo bruto respondeu por 21,2 milhões de toneladas transportadas no mês, evidenciando o peso do setor energético. Já os derivados somaram 1,78 milhão de toneladas, enquanto a carga conteinerizada alcançou 2,21 milhões, garantindo o abastecimento de bens industrializados e de consumo.
Para o MPor, o crescimento do setor reflete a consolidação de políticas públicas, como o Programa BR do Mar, que ampliou a segurança jurídica e incentivou investimentos. Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, a tendência é de continuidade. “É resultado de uma política pública consistente, que vem estruturando o setor com previsibilidade regulatória, estímulo à concorrência e ampliação da oferta de transporte. Isso permite reduzir custos logísticos, aumentar a eficiência da cadeia de suprimentos e garantir maior equilíbrio no abastecimento entre as regiões, com impacto direto para a população e para a competitividade da economia brasileira”, destacou.
Segundo o MPor, a ampliação da frota, maior previsibilidade regulatória e os investimentos em infraestrutura portuária também têm contribuído para esse avanço, ao permitir ganhos de escala e maior competitividade no transporte de cargas.
Sustentável
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) apresentou, na última quarta-feira (15), avanços na proposta de regulamentação sustentável do BR do Mar durante workshop realizado em Brasília. O texto foi atualizado com base nas contribuições recebidas em consulta pública. Entre as principais alterações está a definição de que as exigências passam a se aplicar às embarcações e não às empresas brasileiras de navegação (EBNs). A proposta também exclui obrigações fora do escopo legal e revisa critérios relacionados à indústria naval. As mudanças reduzem custos regulatórios, aumentam a segurança jurídica e ampliam a competitividade da cabotagem. O texto prevê ainda a adoção de soluções como biocombustíveis e sistemas dual-fuel, que permitem o uso de dois tipos de combustível, com ganho de eficiência e redução de emissões.
Valor - SP 22/04/2026
Destaque no ano passado foi o segmento industrial, com aumento de 5,3% em relação ao consumido em 2024, ao somar 29,903 milhões de m³/dia
O consumo de gás natural no Brasil cresceu 3,8% em 2025, na comparação com 2024, ao registrar 54,464 milhões de metros cúbicos/dia (m³/dia) contra 52,456 milhões de m³/dia, informou a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás).
De acordo com a Abegás, o destaque no ano passado foi o segmento industrial, com aumento de 5,3% em relação ao que foi consumido em 2024, ao somar 29,903 milhões de m³/dia.
"Esta expansão na indústria é uma notícia que aponta uma recuperação, decorrente de uma maior atividade econômica, estimulada, também, pelo ganho de competitividade no preço da molécula como desdobramento dos movimentos de migração em direção ao mercado livre de gás", afirma o diretor-executivo da Abegás, Marcelo Mendonça.
Geração termelétrica
Outro segmento com alta mais expressiva de consumo foi o de geração termelétrica, com demanda 4,5% maior no ano passado, para 15,327 milhões de m³/dia. O motivo é o maior acionamento de termelétricas durante o ano passado.
O segmento residencial aumentou a demanda de gás natural em 8,8% em 2025, atingindo 1,585 milhão de m³/dia em 2025, reflexo dos investimentos das distribuidoras na expansão da rede de gás canalizado e da base de clientes. Por outro lado, o setor automotivo apresentou queda de 11,5% no consumo de gás natural, para 4,044 milhões de m³/dia.
A Abegás destacou ainda que o número de clientes conectados a redes de gás canalizado superou, pela primeira vez, a marca de 5 milhões de consumidores, fechando um total de 5,022 milhões de clientes qualificados, que são contabilizados pela existência de medidores de consumo. Além disso, o país contabiliza 47 mil quilômetros de redes em 516 municípios das cinco regiões do país.
"A expansão das redes de distribuição e a agregação de usuários trazem uma dinâmica para os custos de expansão que se refletem em uma redução tarifária a longo prazo para todos os usuários, incluindo indústrias e o setor residencial", disse Mendonça.
O Estado de S.Paulo - SP 22/04/2026
Em meio ao conflito no Oriente Médio, o aumento da demanda global pelo petróleo brasileiro tem sido fundamental para ampliar as exportações do País e colocá-las num patamar recorde no início deste ano.
No primeiro trimestre de 2026, as exportações totais do Brasil somaram US$ 82,3 bilhões, acima dos US$ 76,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025. É o maior valor já apurado para os três primeiros meses de um ano. Entre janeiro e março, as vendas de petróleo bruto cresceram 31%, para US$ 12,562 bilhões.
“Vemos essa melhora nas exportações desde o final do ano passado. E é uma melhora que veio principalmente pelo volume de exportação, não de preço”, afirma Julia Marasca, economista do Itaú. “A produção de petróleo brasileiro tem crescido e, como temos uma capacidade de refino limitada no País, todo excedente acaba virando exportação.”
Em 2025, a produção foi de 3,770 milhões de barris por dia, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Foi o maior valor já apurado. Em 2024, a produção havia sido de 3,358 milhões de barris por dia.
“As empresas já estão operando numa capacidade máxima de produção. E esse aumento é tão forte que tende a esbarrar nessa incapacidade. É positivo no curto prazo, mas um ganho mais relacionado a isso depende da capacidade de produção do País”, acrescenta Marasca.
Segundo a economista do Itaú, o aumento do preço do petróleo nas exportações deve começar a aparecer com mais força a partir dos dados de abril da balança comercial. “O valor do Brent bate com uma defasagem de mais ou menos um mês no preço de exportação de petróleo”, diz.
Os números de exportação de petróleo têm sido puxados sobretudo por uma maior demanda dos países asiáticos por causa da redução de tráfego de navios petroleiros no Estreito de Ormuz — por onde passa 20% da produção global de petróleo. Com a guerra no Oriente Médio, que envolve Estados Unidos, Israel e Irã, o preço da commodity disparou e chegou a superar a barreira de US$ 110.
Na sexta-feira, 17, o Irã anunciou que a passagem de navios comerciais foi “totalmente aberta” no estreito no período de cessar-fogo entre Israel e Líbano, que começou à meia-noite de sexta. O fim do conflito entre os israelenses e integrantes do grupo Hezbollah tem sido uma exigência dos negociadores iranianos. No sábado, 18, porém, o Irã voltou a bloquear o Estreito de Ormuz, segundo a Guarda Revolucionária
“Há um cenário de diversificação dos ofertantes por causa do fechamento do Estreito de Ormuz e das questões relativas às hostilidades no Oriente Médio”, afirma Lívio Ribeiro, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre) e sócio-fundador da consultoria BRCG. “Na verdade, eu diria que está se ampliando uma tendência que estava sendo observada anteriormente.”
No primeiro trimestre, as vendas de petróleo bruto para a China saltaram de US$ 3,702 bilhões para US$ 7,192 bilhões, e, para a Índia, as exportações passaram de US$ 577,4 milhões para US$ 1,027 bilhão.
“A China aumentou consideravelmente a demanda por combustível brasileiro. E esse crescimento mascarou algumas quedas, como a exportação de combustível para os Estados Unidos”, diz Daiane Santos, professora de economia da UERJ e consultora da Fundação Centro de Estudos do Comércio (Funcex).
Para os Estados Unidos, as vendas de petróleo bruto recuaram de US$ 1,065 bilhão para US$ 632,3 milhões entre o primeiro trimestre do ano passado e 2026.
Daiane também chama a atenção para os últimos números da Agência Internacional de Energia (AIE). No relatório de abril, o órgão passou a prever uma queda na demanda global de cerca de 80 mil barris por dia neste ano. Essa queda, no entanto, não é disseminada. Os países da Ásia ainda devem ter um aumento da demanda do produto, de 141 mil barris por dia, segundo a AIE.
“No geral, há uma queda de demanda por petróleo. Mas, se eu colocar uma lupa, eu vejo que não são todos os países com uma queda de demanda”, diz a consultora da Funcex. “Os países da Ásia têm uma visão de crescimento maior neste ano.”
Novas projeções
O desempenho das vendas brasileiras neste primeiro trimestre tem levado boa parte dos analistas e o próprio governo a revisarem as projeções para as exportações brasileiras e para o saldo comercial.
Na divulgação do resultado da balança comercial de outubro, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) ampliou a projeção de exportação deste ano de US$ 348,3 bilhões para US$ 364,2 bilhões, e a do superávit comercial subiu de US$ 68,1 bilhões para US$ 72,1 bilhões.
Se os novos números do governo se confirmarem, a economia deve voltar a colher um resultado recorde nas exportações. Até hoje, o melhor resultado foi registrado no ano passado, quando o País exportou US$ 348,7 bilhões.
Os economistas apontam que o superávit só não deve ser maior porque o Brasil, se por um lado se beneficia da alta de preços no mercado internacional, por outro deve sofrer com produtos importados mais caros.
“Não podemos olhar só para o efeito de curto prazo. Houve um ganho na largada, mas os preços de importação de outros produtos também vão crescer num ambiente em que há mais inflação global de maneira geral”, diz Livio.
Um desempenho mais claro da balança em 2026 só deve ficar claro com o desenrolar da guerra — qual será a duração do conflito e, quando encerrado, qual será o prejuízo nas cadeias globais diante do cenário atual de destruição.
“Depender das exportações de commodities significa que não temos nenhum controle, porque sobem ao sabor dos acontecimentos”, afirma José Augusto de Castro, presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
CNN Brasil - SP 22/04/2026
Um comandante militar iraniano alertou, nesta quarta-feira (22), os países vizinhos do sul que, se suas terras ou instalações forem usadas por inimigos para atacar o Irã, "eles devem dar adeus à produção de petróleo na região do Oriente Médio", segundo a mídia estatal.
“Este alerta surge num momento em que alguns países do Golfo Pérsico já haviam permitido que seus territórios fossem usados por inimigos do Irã”, informou a agência de notícias estatal Fars News, citando o comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica.
“Agora, se isso continuar, a sua principal fonte de renda estará em sério risco”, acrescentou, sem especificar a quais países se referia.
O comandante também anunciou que a "lista de alvos" do Irã se expandiu para além das instalações militares e que agora inclui importantes campos de petróleo e refinarias em todo o Oriente Médio, citando locais específicos nos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait, Catar e Bahrein, de acordo com a agência de notícias Fars.
Muitas dessas nações do Golfo são aliadas dos Estados Unidos, e algumas delas abrigam bases militares americanas.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um "grande erro". Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria "inaceitável" para a liderança do Irã.
Valor - SP 22/04/2026
Com conflito no Oriente Médio, China acelera compras e já responde por 57% das exportações do produto brasileiro
A balança de petróleo e derivados do primeiro trimestre teve superávit de US$ 9,52 bilhões, recorde da série histórica e valor que equivale a 67,2% do resultado comercial total da balança brasileira do período. Em 2024 e 2025, quando o petróleo liderou os embarques anuais brasileiros, o saldo no primeiro trimestre em petróleo e derivados foi de US$ 7,2 bilhões e US$ 6,4 bilhões, nessa ordem. O Brasil tem superávit nessa balança desde 2016, quando a produção do petróleo foi impulsionada pelo pré-sal, mas segue com déficit em derivados de petróleo.
Os dados parciais de abril da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) mostram que o petróleo deve continuar importante na balança. A média diária até a segunda semana de abril mostra alta de 101% na receita com exportação do óleo bruto de petróleo ante a média diária de abril de 2025. Em igual critério, o volume embarcado subiu 74,5% e os preços avançaram 15%, sob reflexo das cotações mais altas da commodity em razão da guerra no Oriente Médio.
Para analistas, mesmo que a guerra acabe em breve, as cotações de petróleo devem se manter relativamente altas até o fim do ano, o que pode elevar o superávit comercial total de 2026, com efeitos que podem se manter favoráveis também para o câmbio médio do ano.
Os dados de balança comercial e derivados são do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), no âmbito do Indicador de Comércio Exterior (Icomex). “Uma guerra nunca é positiva, mas o aumento do preço do petróleo tem um lado que é favorável à balança brasileira, na exportação de petróleo. Tivemos o ciclo da soja e, antes, o do minério de ferro. Agora o que tem puxado as exportações brasileiras é o petróleo, embora no conjunto todos os três itens continuem importantes”, diz Lia Valls, professora da UERJ e pesquisadora do FGV Ibre.
Em março, quando eclodiu a guerra no Oriente Médio, a exportação de óleo bruto de petróleo alcançou US$ 4,8 bilhões, com 70,4% de aumento contra igual mês de 2025. O volume embarcado subiu 75,9%, mas os preços caíram 3,1%. Foi a soja, com US$ 5,9 bilhões, que trouxe a maior receita de exportação do mês ao Brasil. Com base de comparação alta, porém, o valor exportado do grão cresceu 4,3% ante março de 2025. Com crescimento maior, o petróleo respondeu por 68,5% do aumento do valor total exportado pelo Brasil em março contra igual mês do ano passado.
Do aumento de US$ 1,9 bilhão em petróleo exportado em março ante igual mês de 2025, a China absorveu US$ 1,6 bilhão. Foram destinados aos chineses, em março, US$ 3,1 bilhões da commodity, 64,6% de todo o petróleo bruto exportado pelo Brasil, com alta de 111,2%. O segundo maior mercado em março foram os EUA, com fatia de 6,8%.
“A China comprou um volume recorde de petróleo do Brasil no mês passado, o que reflete esse cenário de que o mercado asiático é o que vem mostrando o balanço mais estressado devido ao conflito no golfo Pérsico”, diz Bruno Cordeiro, especialista em inteligência de mercado da StoneX. Essa pressão de alta é tanto por volume, o que já veio desde março, quanto por preços, impacto que ficou mais claro nos dados de abril, observa.
Para Cordeiro, houve efeito do conflito no aumento do volume de petróleo embarcado em março. Isso, diz, pode ter acontecido de várias formas, como antecipação de embarques com valores já negociados anteriormente, para atender demanda de entrega física do produto. Ele também aponta que pode ter havido redirecionamento de cargas. O petróleo originalmente destinado a determinado local pode ter sido redirecionado para a China, por exemplo. Cordeiro lembra que a China já tem sido, mesmo antes da guerra, destino importante do petróleo brasileiro. Pelos dados da Secex, o país asiático absorveu 45% de todo o petróleo que o Brasil exportou em 2025. No primeiro trimestre deste ano a fatia foi de 57,3%, seguida pela Índia, com 8,2%. Tanto os chineses quanto os indianos ampliaram suas compras de petróleo de janeiro a março, com alta respectiva de 94,2% e de 77,9% ante iguais meses de 2025.
Em março, o Brasil respondeu por 10% do petróleo importado pela China, ante 6% no mesmo período do ano passado. Com isso, o país saltou uma posição e se tornou o quinto maior fornecedor do produto para os chineses. Nesse período, a China reduziu a compra de países da vizinhança do Irã como Arábia Saudita e Iraque e ampliou a importação de Rússia e Malásia, além do Brasil.
Luiza Pinese, economista da XP, explica que desde o início do ano a expectativa era de maior quantidade exportada de petróleo em 2026. “Esse volume aumentou 18,5% em 2023, 9,5% em 2024 e 10% em 2025.” Com a guerra, diz, houve uma elevação de preços da commodity acima da expectativa. “Nossas projeções para o superávit comercial de 2026, que estavam em US$ 68,4 bilhões, saltaram para US$ 85 bilhões por causa da alta no preço.”
Para ela, o movimento de preços não apareceu nos dados de março da balança comercial porque o petróleo é um dos itens com maior diferença entre o que é embarcado e o que é desembaraçado. Como o item só é contabilizado na balança após desembaraçado, o impacto de preços veio em abril, diz.
Cenário atual pode ser oportunidade para Brasil adotar estratégia para combustíveis e fertilizantes”
— Lia Valls
Antes da guerra, a estimativa da XP era de preço médio do Brent a US$ 60 o barril em 2026. Depois do conflito, a projeção é de média de US$ 90 o barril. Para cada aumento de US$ 10 no preço médio do petróleo, diz, o saldo comercial aumenta em cerca de US$ 8,5 bilhões. “É claro que existem ponderações. Estamos no meio do conflito e exportamos, por exemplo, itens relevantes para o Irã, como milho, soja, açúcar, frango. Há também o aumento de preços de fertilizantes e de combustíveis derivados de petróleo. Mas o efeito líquido na balança comercial é positivo.” Ela ressalta também que o petróleo se destacou em março, mas o aumento de exportação foi relativamente disseminado, com alta também em itens como carne bovina e ouro não monetário.
A China, nota Pinese, tem alcançado parcela cada vez maior das exportações brasileiras não só no petróleo, mas também de outras commodities. “A perspectiva é que isso provavelmente se mantenha. Há o conflito geopolítico entre a China e os EUA e isso faz com que ela tenda a mudar os mercados do quais ela compra.”
O impacto do conflito e do fechamento do estreito de Ormuz cria um gargalo muito grande de oferta de petróleo de uma região que é responsável por um quinto da produção mundial, destaca Andreá Valério, economista do Banco Inter. A China, segunda economia do mundo e que depende da importação de petróleo, busca alternativas e o Brasil é um caminho óbvio, aponta.
Em abril, diz Cordeiro, da StoneX, há um impacto adicional do conflito. “O monitoramento mostra que as cargas do golfo Pérsico que saíram da região antes do fechamento de Ormuz terminaram de chegar ao mercado asiático na primeira ou segunda semana de abril. Então até esse período havia cargas do golfo chegando à Ásia. Agora teremos uma pressão adicional no mercado asiático, porque não haverá mais cargas desembarcando.”
Em webinar promovido pelo Conselho Empresarial Brasil-China na semana passada, David Daokui Li, professor da Universidade Tsinghua, disse que a crise do Oriente Médio traz risco que pode ser imediato ao país asiático. Ele lembra que 73% do óleo bruto de petróleo consumido na China vem de fora, sendo que 50% do que é importado é fornecido pela região do estreito de Ormuz. Se a crise na região durar mais dois meses, diz, a economia chinesa terá problemas. “Teremos racionamento de gasolina. Teremos racionamento para o diesel de caminhões.” A fatia de fornecimento de petróleo da Rússia, diz, é de 15% e, portanto, não é suficiente para suprir o fornecimento da região do golfo.
Mesmo que a guerra termine em breve, diz Cordeiro, da StoneX, devemos seguir observando preços mais altos do petróleo frente ao observado no período pré-guerra. “No mundo inteiro se observam estoques mais baixos de petróleo e a adaptação logística toma mais tempo do que a resposta do acordo de paz.”
Apesar de recuo da cotação do petróleo nos contratos futuros, os preços do físico seguem muito alto”
— Bruno Cordeiro
Apesar de recuo dos preços nos contratos futuros, por causa do avanço das negociações entre EUA e Irã, diz Cordeiro, os preços do físico seguem muito alto. O Dated Brent (preço do petróleo para entrega imediata), exemplifica, chegou a operar ao fim da última semana em torno de US$ 130 o barril enquanto o mercado futuro já tinha preço abaixo dos US$ 100 o barril.
“O mercado físico precifica o estresse do balanço do momento, que é muito nítido. O futuro trabalha agora com um cenário de resolução ou de amenização do conflito e por isso o preço é mais baixo”, afirma.
Além de plantas produtivas atacadas, Cordeiro lembra que há as interrupções feitas por causa da suspensão dos fluxos de escoamento de cargas na região do golfo. “O Iraque, por exemplo, reduziu em 80% a sua produção de petróleo. A Arábia Saudita tem capacidade tecnológica e técnica de ampliar a sua oferta em 1 milhão de barris por dia, de um mês para outro. Mas outros países do golfo não têm a mesma facilidade.”
Os dados do Icomex mostram que, enquanto o superávit comercial de petróleo bruto aumentou de US$ 7,9 bilhões de janeiro a março de 2025 para US$ 11,03 bilhões em iguais meses deste ano, o déficit em derivados manteve-se em US$ 1,5 bilhão nos dois períodos. Para Valls, do FGV Ibre, um grande desafio para o Brasil é aumentar a capacidade de refinamento de petróleo e também a produção de fertilizantes, para reduzir o grau de dependência das importações desses itens. “O Brasil tem que ter estratégia. Há também o potencial do biodiesel. O cenário atual pode ser oportunidade para acelerar isso.”
Valério, do Inter, ressalta que, mesmo registrando alta de preços de importação em março, os óleos combustíveis de petróleo representaram 5,6% das importações totais do país no primeiro trimestre deste ano, ante 5,4% no ano passado. “Subiu um pouco, mas não de forma tão representativa quanto o petróleo.” Pelos dados da Secex, a fatia do óleo bruto na exportação total brasileira subiu de 12,5% a 15,3% em igual período.
Os derivados, diz Valério, devem ter maior impacto na inflação. O diesel no IPCA de março, lembra, saltou 13,9%. A inflação cheia subiu 0,88%. Na balança comercial, afirma, o efeito do petróleo deve predominar, com preços também melhorando os termos de troca e com impactos positivos também na apreciação do real frente o dólar.
Pinese, da XP, lembra que o movimento de apreciação do real frente ao dólar vem acontecendo desde 2025. “Não é só por causa do conflito. Estamos com rotação de fluxos globais para países emergentes que tem impactado bastante o Brasil de forma positiva. Ao longo dos meses vimos fluxos fortes para o Brasil, que têm ajudado na nossa taxa de câmbio. Mas é claro que o Brasil está sendo visto como vencedor relativo de todo esse conflito que está acontecendo lá fora. Primeiro pelo fato de nós sermos exportadores líquidos de petróleo e também por temos arrecadação federal forte com o aumento de preços. Além disso, estamos localizados longe de onde está todo o conflito.”
Exame - SP 22/04/2026
A manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz acendeu um alerta para o agronegócio brasileiro, já que boa parte dos agricultores iniciou a compra de fertilizantes para a safra 2026/27, que começa em 1º de julho.
Segundo analistas ouvidos pela EXAME, a tendência é de que os produtores reduzam a área plantada com soja e milho, optando por outras culturas, já que os preços dos fertilizantes devem subir ainda mais. Cerca de 34% do nitrogênio e da ureia globais são provenientes do Oriente Médio, e, no ano passado, esse volume foi exportado pelo Estreito de Ormuz.
“Estamos falando de milhões de toneladas e, como o gás natural é a principal matéria-prima para a produção de nitrogênio, enfrentamos um problema de escala global. Não se trata de uma questão isolada, mas de um desafio de distribuição decorrente das decisões tomadas após o início do conflito”, diz Marcelo Altieri, CEO da Yara Brasil.
Depois de o Irã anunciar na sexta-feira, 17, que liberaria o Estreito de Ormuz, o país voltou atrás no sábado, 18, e reimpôs restrições à via navegável. A decisão foi comunicada inicialmente por um porta-voz militar à agência estatal iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária.
O aumento dos preços dos fertilizantes e o risco de interrupção no fornecimento estão levando produtores a rever planos em pleno início das decisões para a safra 2026/27, segundo estudo da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos.
O impacto da crise segue uma cadeia clara: tensão geopolítica, gargalos logísticos e, por fim, alta de custos no campo. Os preços dos fertilizantes já subiram mais de 50% e superam médias históricas, de acordo com o levantamento.
No Brasil, esse efeito chega mais rápido do que em outros países, já que o calendário agrícola coloca os produtores no centro da turbulência neste momento. “As decisões usuais sobre fertilizantes para soja estão sendo tomadas agora”, diz a pesquisa.
Há ainda um agravante estrutural: a dependência externa. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza. Na prática, isso significa que o produtor está exposto tanto à volatilidade de preços quanto ao risco de desabastecimento.
Essa dependência varia por nutriente: o nitrogênio é importado principalmente na forma de ureia, com forte presença de Rússia e China; o fosfato depende de países como Marrocos e Rússia; e o potássio vem sobretudo de Canadá, Rússia e Bielorrússia.
Para o milho, o impacto imediato é menor, já que a safra atual já foi plantada. Ainda assim, os preços da ureia e do fosfato também se aproximam de máximas históricas, o que pode influenciar as decisões para 2027.
Para Marcos Rubin, CEO da Veeries, consultoria agrícola, o cenário é de uma “tempestade perfeita” para o produtor. A guerra elevou ainda mais os custos, especialmente dos fertilizantes — com destaque para o nitrogênio e, depois, os fosfatados.
“O movimento funcionou como um freio no ânimo do produtor, que já vinha pressionado e agora vê os custos da próxima safra subirem além do que consegue absorver. O diesel também encareceu e, em algum momento, esse aumento tende a chegar aos defensivos agrícolas. Com isso, o produtor passou a adotar uma postura mais cautelosa e colocou o pé no freio para o próximo ciclo”, afirma.
Liberação de Ormuz
Mesmo com uma eventual retomada das navegaçõe no Estreito de Ormuz o cenário segue incerto. Segundo John Ollett, analista de fretes da Argus na Europa, ainda não está claro se haverá mudanças efetivas nas condições de navegação na região.
O impacto logístico já aparece nos custos de transporte. Dados da Argus mostram que o frete de navios do tipo VLCC do Golfo do Oriente Médio para o leste asiático saltou para US$ 15,71 por barril, ante US$ 6,14 antes do início da guerra. Embora as tarifas tenham recuado nas últimas semanas, há risco de nova alta com a recomposição de estoques na Ásia.
“O frete pode subir ainda mais se a passagem livre pelo estreito for implementada, já que compradores correrão para formar estoques”, diz Ollett.
Segundo Tomás Pernías, analista de fertilizantes da StoneX, existe um represamento logístico relevante na região.
"Ainda que o fluxo de navegação pelo Estreito de Ormuz seja retomado, é esperado que o mercado global permaneça enfrentando dificuldades, em razão dos constrangimentos logísticos acumulados pelo setor nas últimas semanas. O cessar-fogo reduz a tensão, mas não resolve os desequilíbrios estruturais no curto prazo, diz Pernías.
Eae Máquinas - SP 22/04/2026
A LiuGong participa da Agrishow 2026, uma das principais feiras do agronegócio da América Latina, com o lançamento de quatro equipamentos voltados ao aumento da produtividade, eficiência operacional e previsibilidade no campo.
Com foco em qualidade, tecnologia e aplicação prática, a LiuGong leva à feira um portfólio desenvolvido para atender diferentes desafios do agronegócio. O destaque do estande é o lançamento do trator de esteiras TD14N, desenvolvido a partir das necessidades do mercado nacional. De acordo com Diego Zolezi, Head de Produto & BID da LiuGong Latin America, o equipamento materializa a estratégia de regionalização da LiuGong, ao reunir desempenho consistente, robustez e aderência às aplicações típicas do agronegócio brasileiro.
Entre os lançamentos da LiuGong na Agrishow estão ainda o manipulador telescópico LTH0735A e a empilhadeira RT14 com tração 4×4, soluções voltadas à movimentação de materiais e às operações logísticas no campo, ampliando a versatilidade de aplicação no agronegócio.
Complementando os lançamentos na Agrishow, a LiuGong apresenta a pá-carregadeira elétrica 838TE, reforçando o avanço da eletrificação no setor. Desenvolvido para aplicações severas, o equipamento alia eficiência energética, redução de custos operacionais e menor impacto ambiental, mantendo níveis elevados de produtividade.
“Na Agrishow, queremos mostrar que a eletrificação já faz parte da rotina das operações com equipamentos pesados no Brasil. É uma solução que entrega ganhos reais de eficiência e custo. A 838TE chega para ampliar ainda mais nosso portfólio voltado ao agro”, afirma Zolezi.
Com presença nacional e uma rede de 12 distribuidores, a companhia combina proximidade com o cliente e suporte contínuo às operações, assegurando maior previsibilidade e eficiência ao longo do ciclo de uso dos equipamentos. Na prática, essa estrutura se traduz em uma cobertura ampla, com 48 pontos de atendimento distribuídos pelo País, garantindo mais agilidade no suporte e segurança nas operações em campo.
“A evolução da nossa rede de distribuidores permite oferecer um atendimento mais eficiente e alinhado às necessidades de cada cliente. Isso se reflete em maior previsibilidade, redução de paradas e melhor performance dos equipamentos em campo”, afirma Chrystian Garcia, Head de Marketing e Desenvolvimento de Rede da LiuGong Latin America.
A atuação integrada entre fábrica, distribuidores e clientes é sustentada por uma estrutura de pós-venda robusta, com equipes capacitadas e processos orientados à máxima disponibilidade dos equipamentos ao longo de todo o ciclo de vida.
A conectividade tem seu protagonismo nesse contexto. Por meio do sistema de telemetria iLink, a LiuGong oferece monitoramento contínuo da operação, permitindo acompanhamento em tempo real do desempenho das máquinas, além da emissão de alertas preventivos de manutenção. A tecnologia contribui para maior previsibilidade operacional, da gestão de frota e integração direta com o suporte técnico.
A proposta de valor da LiuGong também contempla soluções financeiras que ampliam o acesso aos equipamentos, como o consórcio LiuGong. A modalidade permite planejamento de aquisição sem a necessidade de financiamento tradicional, com flexibilidade para o cliente e alinhamento com diferentes perfis de investimento no agronegócio.
Em seu quarto ano consecutivo na Agrishow, a LiuGong demonstra uma atuação consolidada que combina desenvolvimento de equipamentos, tecnologia aplicada e suporte ao cliente. A eletrificação da frota ganha destaque nesse contexto, traduzindo essa integração em ganhos concretos de eficiência e desempenho no campo.
A Agrishow 2026 (31ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação) será realizada de 27 de abril a 1º de maio de 2026, em Ribeirão Preto (SP). A fabricante estará no estande H17B.
Informações complementares
Local: Rodovia Prefeito Antônio Duarte Nogueira – Subsetor Oeste – 9 (O-9), Ribeirão Preto – SP, 14031-800 Estande: H17B Data: 27 de abril a 01 de maio Horário: 8h às 18h
Sobre a LiuGong
Fundada em 1958, a LiuGong Machinery Corporation é uma fabricante global de equipamentos para construção, mineração e infraestrutura, reconhecida por sua engenharia robusta e foco em inovação.
Em 2002, a LiuGong lançou sua estratégia de globalização. Desde então, a empresa passou a contar com mais de 30 subsidiárias e escritórios no exterior, 4 fábricas fora da China e 17 centros globais de P&D. Mais de 500 distribuidores ao redor do mundo fornecem produtos e serviços LiuGong a clientes em mais de 180 países e regiões.
Orientada pela transformação para se tornar uma empresa de classe mundial com competitividade global, a LiuGong continuará a desenvolver ativamente parcerias estratégicas globais integradas em toda a cadeia de valor, promovendo de forma consistente a estratégia de “Solução Total, Inteligência Total e Globalização Total”.
Sobre a LiuGong Latin America
Responsável pelas operações da LiuGong no Brasil e na América Latina, a subsidiária atua desde 2008 no desenvolvimento do mercado regional de equipamentos para construção, mineração, pavimentação e indústria. Com estrutura industrial própria e rede de distribuidores em expansão, a companhia mantém infraestrutura e centro de treinamento em Mogi Guaçu (SP), escritórios em Campinas (SP) e em Belo Horizonte (MG). A operação regional tem como foco ampliar a proximidade com clientes, fortalecer o pós-venda e sustentar o crescimento da marca no continente.
Exame - SP 22/04/2026
Em Apodi, no interior do Rio Grande do Norte, um projeto de cooperação entre Brasil e China introduz mecanização na agricultura familiar e altera a dinâmica de produção no campo. A ação integra a “Residência Tecnológica de Mecanização da Agricultura Familiar Brasil-China”, que conecta estudantes chineses a produtores locais.
Estudantes da Universidade Agrícola da China atuam em Apodi (RN) desde 2024 para implementar máquinas agrícolas de pequeno e médio porte. A iniciativa já beneficiou quase 2 mil famílias, elevou a produtividade de culturas como alface e coentro em até sete vezes e ampliou a renda local.
A iniciativa partiu da professora Yang Minli, da Universidade Agrícola da China, após identificar a limitação de acesso a máquinas no campo brasileiro. Segundo ela, a falta de mecanização impõe restrições à produção e exige esforço físico elevado. A proposta foi adaptar equipamentos chineses de menor porte às condições locais, com custo reduzido e operação simplificada.
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Implementação e adesão local
A primeira residência tecnológica foi inaugurada em novembro de 2024. Desde então, produtores locais passaram a testar os equipamentos em atividades como preparo do solo, plantio e colheita. O projeto avançou com apoio de autoridades locais, após rápida adesão dos agricultores.
Até abril de 2026, cinco grupos de estudantes participaram da iniciativa. Ao todo, foram realizadas 15 sessões de treinamento técnico. O programa distribuiu 62 máquinas agrícolas, que passaram a operar em diferentes áreas produtivas da região.
Em Apodi, a produção de hortaliças como alface e coentro registrou aumento de seis a sete vezes. A renda dos agricultores praticamente dobrou.
No Ceará, a adoção de técnicas de plantio de precisão no cultivo de milho reduziu o uso de sementes pela metade e elevou a produtividade em 40%.
Segundo Yang, casos de abandono da atividade por exaustão física começaram a ser revertidos com a redução do trabalho manual. A mecanização encurtou ciclos produtivos e ampliou a capacidade operacional das propriedades.
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Cooperação industrial e expansão
O projeto avança para além da transferência de tecnologia. No início de 2026, a estatal chinesa Sinomach firmou acordo com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para construir uma fábrica de tratores no Brasil. A unidade terá capacidade anual de 5 mil máquinas e início das obras previsto para maio.
A estratégia busca estruturar uma cadeia produtiva local, com fabricação, manutenção e adaptação de equipamentos às condições brasileiras. A meta inclui ampliar a presença de empresas chinesas no setor agrícola nacional.
Intercâmbio e continuidade
Além dos resultados produtivos, o programa fortalece o intercâmbio entre brasileiros e chineses. Estudantes que participaram da residência relatam integração com as comunidades locais e continuidade das relações após o término das atividades.
Um novo grupo deve chegar ao Brasil ainda neste mês. A coordenação do projeto prevê, nos próximos dois anos, consolidar modelos técnicos e operacionais voltados à agricultura familiar. Também está prevista a ampliação da participação de estudantes brasileiros nas atividades de cooperação.
IstoÉ Dinheiro - SP 22/04/2026
O Valor Bruto da Produção agropecuária (VBP) deve recuar 4,4% neste ano, para R$ 1,416 trilhão ante R$ 1,481 trilhão registrados no ano passado, estima a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). De acordo com a confederação, a recuperação lenta dos preços dos produtos agrícolas neste ano mantém a projeção de queda do VBP.
“Esse resultado ainda reflete a combinação da redução dos preços reais na comparação com 2025, embora se verifique uma recuperação nos preços de algumas commodities agrícolas em 2026, associada a variações positivas na produção agropecuária”, explicou a confederação em nota técnica.
A previsão de faturamento para a agricultura é de R$ 917,8 bilhões, retração de 5,2% ante 2025. Produtos com participação relevante no total do VBP devem registrar recuo no faturamento bruto neste ano, como o café robusta (-21,2%), seguido do algodão em pluma (-16,6%), da cana-de-açúcar (-4,1%) e do milho (-5,7%).
“Para o algodão e o milho, espera-se redução tanto nos preços quanto na produção na comparação anual, enquanto, para o café robusta e a cana-de-açúcar, projeta-se aumento na quantidade produzida”, observou a CNA.
Em contrapartida, entre as culturas com crescimento no VBP, destacam-se o café arábica, com alta de 8,2%, impulsionada pelo forte avanço da produção (23,3%), apesar da queda nos preços (-12,3%), e a soja, com crescimento marginal de 0,1%, sustentado pelo aumento de 3,7% na produção, frente a uma redução de 3,4% nos preços, apontou a confederação.
Já a pecuária deve registrar receita de R$ 498,0 bilhões, queda anual de 2,8%, projeta a CNA, em nota técnica. “Com exceção da carne bovina, para a qual se espera um crescimento de 7,6% no VBP, mesmo diante de uma redução de 1,45% na produção, os demais produtos devem apresentar queda em seus VBPs. Esse resultado decorre de recuos superiores a 10% nos preços, apesar do aumento esperado nas quantidades produzidas, insuficiente para compensar a queda de preços na comparação anual”, detalhou a CNA. A entidade projeta reduções de 18,7% no VBP do leite, de 12,7% na carne suína, de 9,8% na carne de frango e de 6,9% nos ovos.
O valor bruto da produção é o faturamento bruto dentro dos estabelecimentos rurais, considerando as produções agrícolas e pecuárias, com base na média dos preços reais recebidos pelos produtores de todo o País.