Portal Fator Brasil - RJ 21/10/2026
Maior empresa brasileira produtora de aço está é a terceira empresa brasileira mais bem colocada no ranking da revista norte-americana Forbes.
A Gerdau, maior empresa brasileira produtora de aço, é a 3ª colocada entre as empresas do país e a única representante nacional do setor do aço reconhecida como uma das melhores empresas para se trabalhar no mundo, segundo o ranking Forbes das Melhores Empresas do Mundo para Trabalhar em 2026. Realizada em parceria com a Statista, a listagem elegeu 900 companhias, na qual a Gerdau ocupou a 274ª posição global, integrando o seleto grupo de 11 organizações do Brasil reconhecidas na publicação.
—Com mais de 125 anos de história, temos orgulho de ser uma multinacional brasileira que leva ao mundo sua capacidade de inovar e transformar —afirma Gustavo Werneck, CEO da Gerdau. —Compartilho essa conquista com os nossos mais de 30 mil colaboradores e colaboradoras que constroem a Gerdau todos os dias com talento, dedicação e compromisso— complementa.
Para definir a lista deste ano, a Forbes e a Statista entrevistaram mais de 300 mil funcionários em 52 países. A pesquisa avaliou os empregadores sob critérios como salário, oportunidades de avanço na carreira, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, e orgulho de pertencer à companhia.
Money Times - SP 21/10/2026
A dificuldade de transformar seus ativos em valor para os acionistas continua a ser um dos principais fatores de preocupação dos investidores da CSN (CSNA3). Diante da demora para destravar a venda da CSN Cimentos, prometida desde o começo do ano, a Coluna do Broadcast ventilou a possibilidade de uma oferta pública inicial (IPO, em inglês) do braço de cimentos da holding.
Para Luca Vello, analista de ações da Genial Investimentos, a diversificação dos negócios da CSN exige muito capital e, combinada ao elevado endividamento, acaba penalizando a companhia. A empresa atua nos ramos de siderurgia, mineração, cimentos e infraestrutura.
“O principal ponto de ter vários negócios é que você precisa de muito dinheiro para fazer esses negócios rodarem, além de ter uma alavancagem elevada”, afirma o analista.
Nesse cenário, a venda da CSN Cimentos é vista como uma alternativa importante para reduzir a dívida e o custo financeiro. Inicialmente, era esperado que a transação trouxesse de R$ 15 bilhões a R$ 18 bilhões, quantia somada à venda do segmento de infraestrutura. Ao separar as negociações, porém, o valor da divisão de cimentos foi reduzido para perto dos R$ 12 bilhões, explica Vello.
Após meses de expectativas em torno da operação, a possibilidade de um IPO também entrou no radar do mercado.
Contudo, Vello afirmou, em entrevista ao Money Times, que a área de relações com investidores (RI) da empresa, ao ser questionada, informou que a abertura de capital não estava nos planos da companhia.
“Sob essa ótica, é difícil presumir o impacto de um possível IPO. É mais provável ainda que a companhia consiga vender a divisão de cimentos”, avalia. Para o analista, a monetização do negócio pode ajudar a melhorar a estrutura financeira e destravar valor para os acionistas.
O analista da Genial lembra que o valor de R$ 12 bilhões seria pela venda de 100% da CSN Cimentos, enquanto um IPO não seria da totalidade da empresa, o que não representaria o valor completo ou necessário para ajudar na redução da alavancagem da holding.
Um contexto de alternância de poder a partir do próximo ano, no entanto, poderia favorecer um cenário de IPO, afirma Vello.
A mudança no comando executivo também contribuiu para alimentar expectativas de transformação. A saída de Benjamin Steinbruch do comando da companhia como CEO e a chegada de Fábio Schvartsman, ex-Vale, foram recebidas positivamente por parte do mercado, em meio à cobrança por maior agilidade na execução dos desinvestimentos.
Após a publicação deste texto, a CSN divulgou comunicado ao mercado negando a possibilidade de IPO. “A CSN refuta integralmente tais informações e esclarece que permanece conduzindo processo competitivo para a alienação de sua divisão cimenteira, o qual encontra-se em fase final de negociação.”
O que trava as negociações da CSN Cimentos
Ainda assim, Vello considera que a falta de notícias sobre o avanço na venda da CSN Cimentos reflete duas possibilidades: uma contraoferta ou a saída de algum dos possíveis compradores da mesa de negociação.
Havia duas ofertas mais fortes entre as possibilidades sondadas pela CSN: a aquisição pela chinesa Huaxin ou pelo consórcio formado pela Votorantim e pela italiana Cementir.
Contudo, Vello explica que a falta de notícias sobre a transação pelo RI da empresa também é uma “medida estratégica”, para manter ainda certo burburinho no mercado, apesar de um possível esfriamento da venda.
Ativos na Alemanha
No começo de outubro, a CSN anunciou a venda de ativos na Alemanha por € 550 milhões, o equivalente a cerca de R$ 3 bilhões, considerado como um sinal favorável por Vello, da Genial, mas ainda insuficiente para eliminar as preocupações com o endividamento para o mercado.
De acordo com Vello, o negócio representa uma oportunidade de gerar caixa e avançar na desalavancagem, embora o mercado ainda espere medidas de maior impacto.
O desafio da CSN, portanto, vai além de vender ativos: é demonstrar que consegue transformar essas operações em redução efetiva da dívida.
A mudança de gestão pode renovar a confiança, mas a recuperação sustentável das ações dependerá da execução das promessas e da capacidade de entregar resultados concretos aos investidores.
Por dentro dos mercados
Money Times - SP 21/10/2026
A agência de classificação de risco S&P reduziu nesta terça-feira (20) a nota de crédito da CSN (CSNA3) de “B” para “B-“, definindo a perspectiva como negativa, o que implica em potenciais novos cortes nos próximos meses.
Segundo a S&P, o corte na nota do grupo, que afirma estar negociando venda de ativos para reduzir endividamento, ocorreu diante de resultados mais fracos na mineração e alavancagem elevada.
A empresa esta com dificuldade de transformar seus ativos em valor para os acionistas continua a ser um dos principais fatores de preocupação dos investidores. Diante da demora para destravar a venda da CSN Cimentos, prometida desde o começo do ano, se ventilou a possibilidade de uma oferta pública inicial (IPO, em inglês) do braço de cimentos da holding.
Para Luca Vello, analista de ações da Genial Investimentos, a diversificação dos negócios da CSN exige muito capital e, combinada ao elevado endividamento, acaba penalizando a companhia. A empresa atua nos ramos de siderurgia, mineração, cimentos e infraestrutura.
“O principal ponto de ter vários negócios é que você precisa de muito dinheiro para fazer esses negócios rodarem, além de ter uma alavancagem elevada”, afirma o analista.
Nesse cenário, a venda da CSN Cimentos é vista como uma alternativa importante para reduzir a dívida e o custo financeiro. Inicialmente, era esperado que a transação trouxesse de R$ 15 bilhões a R$ 18 bilhões, quantia somada à venda do segmento de infraestrutura. Ao separar as negociações, porém, o valor da divisão de cimentos foi reduzido para perto dos R$ 12 bilhões, explica Vello.
O Estado de S.Paulo - SP 21/10/2026
O gasto público elevado é o mais simples dos três desafios estruturais da economia brasileira e o que ainda persiste; sua superação exige decisão e disciplina
Desde a Independência, a economia brasileira enfrentou três grandes desafios: a dívida externa, a inflação e o gasto público. A dívida nasceu quase com o País, pois o primeiro empréstimo foi contraído para pagar uma indenização a Portugal. Seguiram-se muitos outros. Até que a conta explodiu na década de 1970, com os choques do petróleo e a alta dos juros americanos.
Essa era a questão de solução mais complexa. O País importava bens de capital, insumos industriais, alimentos e, especialmente, petróleo. Por falta de dólares, o Brasil quebrou duas vezes na década de 1980. Só regularizou a situação com os credores em 1994.
O déficit comercial foi superado pelo resultado de três movimentos estruturais que levaram décadas para amadurecer: a abertura das rotas de exportação de minério de ferro para a Ásia, a revolução que transformou o País em potência agrícola e em grande exportador de alimentos e o desenvolvimento de uma indústria de petróleo exuberante, uma das maiores do mundo.
O déficit em conta corrente melhorou. Foram acumuladas reservas acima de US$ 350 bilhões. O real se fortaleceu. O preço dos alimentos, a inflação e a taxa de juros foram contidos. O brasileiro ficou mais próspero.
Quando o crédito externo rareava, a inflação era o mecanismo de ajuste. A alta dos preços foi um desafio em alguns momentos do século 19, mas se tornou persistente a partir dos anos 40.
A causa era o financiamento do déficit através de emissão monetária, processo agravado pela adoção da indexação. Depois de resistir a planos heterodoxos, a inflação elevada foi superada em 1994.
O desequilíbrio fiscal também vem de longa data, mas só se converteu no desafio central da economia depois que o Plano Real eliminou a inflação crônica e o acúmulo de reservas superou a questão da dívida externa.
O excesso de gastos aumenta a dívida interna e o seu custo e limita o crescimento. Gerar superávit primário e impedir que a dívida cresça não exige décadas de transformação do tecido produtivo. É um obstáculo que tem receita conhecida.
O País foi capaz de resolver problemas difíceis. O gasto público elevado é o mais simples dos três desafios estruturais da economia brasileira e o que ainda persiste. Sua superação exige decisão e disciplina.
E, por isso, a conclusão é desconcertante: a falta de vontade política é o que tem impedido a sua solução. A sociedade vem cumprindo o seu papel. Resta eleger governantes que façam a sua parte.
O Estado de S.Paulo - SP 21/10/2026
O controle dos gastos públicos e a recuperação da credibilidade fiscal são fundamentais para reduzir os juros e impulsionar o crescimento econômico brasileiro, de acordo com Pedro Parente, ex-presidente da Petrobras, e Roberto Giannetti, presidente da Kaduna Consultoria. Ambos sugerem propostas criadas coletivamente no Brasil Adiante e no Grupo Parlatório para conter o avanço da dívida pública e melhorar a eficiência do Estado, mas ponderam que a implementação das propostas esbarra em resistências políticas e na rigidez do orçamento.
Os executivos participam do segundo debate de uma série de encontros com empresários e economistas, que o Estadão vai realizar ao longo da semana sobre os desafios econômicos que serão enfrentados pelo próximo governo.
Parente, ex-presidente da Petrobras, da BRF e da Bunge Brasil, foi um dos participantes do Brasil Adiante, série de debates promovidos pelo Estadão, que apresentou soluções para o País em quatro grandes eixos temáticos.
Já Roberto Giannetti é presidente da Kaduna Consultoria e elaborou a carta de compromisso do Grupo Parlatório, com 14 pilares temáticos, e também a apresentou a Lula (PT) e a Flávio Bolsonaro (PL). O Parlatório é composto por 380 empresários, executivos e lideranças da sociedade civil que representam cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
O peso da dívida bruta no PIB
A relação entre a dívida bruta e o PIB é um dos indicadores importantes para avaliar a situação fiscal do País, dizem os executivos. De acordo com Giannetti, o quadro brasileiro não seria tão desfavorável quanto a percepção do mercado sugere, mas a estrutura da dívida e os prazos contribuem para manter os juros em patamares elevados.
Para contornar a situação, o País teria de demonstrar que a relação entre a dívida e o PIB pode melhorar. “A nossa divida se mostra contínua e com prazo indevido, tem que mostrar que o estoque da dívida bruta pode melhorar”, diz. Atualmente, a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) do Brasil está em 82,9% do PIB, totalizando R$ 11,1 trilhões, de acordo com os dados mais recentes divulgados pelo Banco Central.
Parente afirma que um ajuste fiscal equivalente a quatro pontos porcentuais do PIB representaria um corte de despesas da ordem dos gastos com Bolsa Família e seguro-desemprego, por exemplo. A carga tributária brasileira elevada agrava a situação, diz Parente, enquanto a entrega de serviços públicos permanece aquém do esperado.
Giannetti concorda que a redução das despesas é um dos principais desafios do País e avalia que o ajuste precisa conciliar a necessidade de controlar as contas públicas com a manutenção da rede de proteção social. Ele considera improvável uma reversão ampla dos programas sociais, embora admita a possibilidade de ajustes.
A rigidez orçamentária, segundo o executivo, impede que o reequilíbrio fiscal seja feito no curto prazo. “Isso não vai ser feito em passe de mágica, leva tempo”, afirma. Os juros elevados também entram como um dos maiores entraves no País.
O ex-presidente da Petrobras também critica a baixa produtividade do País e o crescimento lento do PIB. “É uma vergonha o que acontece com a produtividade brasileira”, diz. Na avaliação de Parente, o País está preso em um “círculo vicioso” no qual o aumento dos gastos reduz o espaço para investimentos e dificulta a retomada do crescimento.
Além disso, o entrave econômico também esbarra em resistências políticas. “A grande questão é política”, diz Parente, acrescentando que os interesses das bancadas no Congresso acabam se sobrepondo aos interesses mais amplos da sociedade.
Juros elevados retroalimentam a dívida pública
“Estamos vivendo um hospício financeiro no Brasil”, afirma Giannetti ao avaliar que a redução dos juros depende de uma melhora nas expectativas do mercado em relação à sustentabilidade da dívida pública. A perspectiva de deterioração fiscal eleva os juros, encarece o serviço da dívida e retroalimenta o desequilíbrio das contas, avalia.
O economista defende a busca por um juro real de 5%, que considera viável para a economia brasileira, e afirmou que o aumento da carga tributária encontra resistência da sociedade e do Congresso, o que torna necessário enfrentar o crescimento das despesas.
Uma das alternativas citadas por Giannetti é o split payment, mecanismo da reforma tributária que prevê o recolhimento dos tributos no momento da transação financeira. A medida pode reduzir a sonegação e ampliar a base de arrecadação ao dificultar que os recursos destinados aos impostos deixem de chegar aos cofres públicos.
Giannetti também menciona as reservas internacionais brasileiras, estimadas em cerca de US$ 360 bilhões, ao apresentar alternativas para melhorar a percepção de solvência do País e criar condições para reduzir os juros.
Revisão de privilégios e mudanças no funcionalismo
Entre as propostas para melhorar as contas públicas apresentadas ao longo da live, Parente mencionou a revisão das despesas previdenciárias, a discussão sobre os custos das aposentadorias militares e o combate aos supersalários.
O empresário também critica a ausência de uma cultura de avaliação de resultados no Estado brasileiro. “Gestão por resultados é uma coisa que passa longe do governo”, afirmou ao sugerir que a seleção de servidores valorize competências e que os concursos públicos em Estados e municípios sejam modernizados.
Além do ajuste fiscal, Parente indica o elevado custo do crédito como um obstáculo ao crescimento das empresas brasileiras. Ele afirma que a inadimplência e a dificuldade de recuperação de dívidas contribuem para o encarecimento dos empréstimos. “Aqueles que pagam tem que cobrir os que não pagam”, diz.
O empresário defende como alternativa para contornar a situação mudanças nas regras de recuperação de crédito e no Marco Legal das Garantias para ampliar a segurança dos credores e melhoria nas condições de concessão de empréstimos. Na avaliação dele, é necessário enfrentar a resistência a medidas que fortaleçam as garantias e explicar à sociedade como essas mudanças podem contribuir para reduzir o custo do crédito.
O empresário elogia ainda o Pix ao considerar um meio de pagamento importante para pequenas e médias empresas. Giannetti sugere explorar a possibilidade de uma modalidade de crédito consignado associada ao sistema de pagamentos, por exemplo.
Crise de confiança dificulta desentrave da economia
Durante a live, Parente listou as causas raízes dos problemas brasileiros. A desconfiança nas instituições é uma delas. “Como vamos ter líderes inspiradores que possam vender pra sociedade um programa que signifique que haverá perdas para alguns e ganhos para outros, mas que todo o Brasil ganha? Ninguém confia”, diz.
Giannetti afirmou que o Grupo Parlatório pretende selecionar as propostas consideradas prioritárias e cobrar a implementação ao longo dos próximos quatro anos. Ele comparou o desafio atual ao enfrentado pelo País antes do Plano Real, em 1994, ao defender uma iniciativa capaz de recuperar a confiança na economia e reduzir os juros. “Estamos com problema em confiança na economia, os juros altos estão esmagando a economia, assim como a hiperinflação em 94. Só não sei quem será o FHC para dar confiança ao mercado. Temos que conseguir criar o Plano Real dos juros”, diz.
Na quinta-feira, 22, Laura Muller Machado, professora do Insper, e Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre) discutem os desafios da próxima administração federal na área da proteção social e do mercado de trabalho.
Exame - SP 21/10/2026
Alta dos preços da energia pode ser temporária, mas investimentos em inteligência artificial e aquecimento do mercado de trabalho ameaçam prolongar as pressões inflacionárias, diz análise
Publicado em 20 de outubro de 2026 às 14h02.
A inflação nos Estados Unidos acelerou a 3,7% em setembro, ante 3,4% em agosto, e ampliou as dúvidas sobre os próximos passos do Federal Reserve, o banco central americano. Segundo a consultoria Gavekal, energia, investimentos em inteligência artificial e uma possível recuperação do mercado de trabalho podem tornar a alta dos preços persistente.
A inflação nos Estados Unidos acelerou em setembro, reforçando as preocupações sobre a trajetória dos preços e sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed), o banco central americano. O índice de preços ao consumidor subiu 3,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior, contra 3,4% em agosto. Segundo uma análise da consultoria Gavekal, a alta era esperada devido ao encarecimento da energia, mas o principal risco para investidores e autoridades monetárias reside na possibilidade de que essas pressões se espalhem para outros setores da economia.
A trajetória da inflação dependerá, em grande medida, da evolução dos conflitos geopolíticos e dos preços da energia. No entanto, a Gavekal avalia que o comportamento das expectativas inflacionárias de longo prazo será decisivo para determinar se a aceleração atual representa um episódio passageiro ou o início de um período prolongado de preços elevados. Nesse contexto, a consultoria identifica dois cenários possíveis.
No primeiro, a inflação continua subindo nos próximos meses, mas as expectativas de longo prazo permanecem controladas. Esse é o quadro observado atualmente e, segundo a análise, pode persistir enquanto a pressão estiver concentrada nos custos de energia e os mercados mantiverem a confiança no compromisso do Fed com sua meta de inflação.
Nesse cenário, eventuais acordos de paz, ajustes nas cadeias de suprimentos e mudanças na demanda poderiam reduzir as pressões sobre os preços. A Gavekal também destaca que os custos reais do financiamento nos Estados Unidos aumentaram de forma generalizada em 2026, elevando o risco de uma desaceleração econômica.
Caso os preços da energia recuem ou o crescimento econômico perca força, a inflação poderá desacelerar sem comprometer as expectativas de longo prazo. Esse desfecho seria relativamente favorável aos mercados financeiros, pois reduziria a necessidade de uma resposta mais dura por parte do banco central. A ampliação dos chamados spreads de crédito — diferença entre os juros pagos por empresas mais arriscadas e os rendimentos de títulos considerados seguros — de empresas americanas de alto rendimento e a queda de 15% nas ações da CoreWeave em um único pregão são apontadas pela consultoria como sinais de tensões financeiras crescentes.
O segundo cenário, mais preocupante, prevê que a alta dos preços se torne disseminada e persistente, levando investidores e consumidores a esperar uma inflação mais elevada no futuro. A Gavekal aponta dois fatores que podem contribuir para esse movimento: o crescimento dos investimentos em inteligência artificial (IA) e uma eventual retomada do aquecimento do mercado de trabalho americano.
Investimentos em IA e salários entram no radar da inflação
Embora haja preocupações com empresas de infraestrutura de computação em nuvem altamente endividadas, grandes companhias como Microsoft e Alphabet ainda dispõem de capacidade financeira para ampliar seus investimentos.
A continuidade desses gastos pode intensificar a concorrência por recursos escassos, pressionando os preços de bens e serviços relacionados à construção e à operação de infraestrutura tecnológica.
A valorização das ações ligadas à inteligência artificial também pode contribuir para a inflação por meio do chamado efeito riqueza: investidores que se beneficiam da alta dos ativos tendem a ter maior capacidade de consumo, o que sustenta a demanda. Além disso, uma participação maior dos bancos comerciais no financiamento de investimentos em bens de capital poderia acelerar o crescimento da oferta de moeda.
Embora os ganhos de produtividade proporcionados pela IA possam reduzir custos e exercer pressão deflacionária no longo prazo, a avaliação da Gavekal é que, no momento, os efeitos inflacionários dos investimentos podem prevalecer. A intensidade dessa pressão dependerá do ritmo de expansão dos gastos e da capacidade da economia de fornecer os recursos necessários sem gerar novos gargalos.
O mercado de trabalho é o segundo fator de risco. Por enquanto, os sinais de aquecimento são limitados: a criação de empregos permanece moderada, enquanto o crescimento dos salários médios por hora continua a desacelerar. Ainda assim, a Gavekal chama a atenção para a força dos lucros empresariais. Segundo dados das contas nacionais de renda e produto dos Estados Unidos, os lucros corporativos cresceram 20% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, muito acima da taxa mediana de 5,8% registrada nos últimos 20 anos.
Historicamente, o aumento dos lucros costuma preceder uma expansão das contratações nos Estados Unidos em cerca de seis meses, segundo a consultoria. Se essa relação se repetir, as empresas poderão ampliar o quadro de funcionários para sustentar seus negócios, apertando o mercado de trabalho e elevando a pressão sobre os salários. O aumento dos custos trabalhistas poderia, por sua vez, ser repassado aos preços de bens e serviços.
Mudança nas expectativas
Uma inflação persistente poderia levar a uma mudança nas expectativas de longo prazo, como ocorreu em 2021 e 2022. A preocupação da Gavekal é que uma nova ultrapassagem expressiva da meta do Fed, em menos de uma década, convença os mercados de que uma inflação mais alta passou a ser a regra, e não uma exceção. Quando isso ocorre, consumidores, trabalhadores e empresas podem incorporar aumentos mais acentuados de preços e salários às suas decisões, o que torna mais difícil o controle da inflação.
A consultoria cita o período posterior à Segunda Guerra Mundial como exemplo de como essas expectativas podem mudar: em 1947, a inflação americana atingiu 20% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionada pela escassez de oferta e pela demanda reprimida.
Apesar da disparada, as expectativas de inflação permaneceram abaixo de zero, refletindo o histórico recente de preços baixos. Quando a inflação voltou a subir, em 1950, porém, as expectativas se ajustaram rapidamente para um patamar mais elevado.
Para a Gavekal, uma mudança semelhante poderia ocorrer caso a inflação atual se mostre persistente. Nesse contexto, o Fed provavelmente precisaria reagir de forma mais agressiva para retomar o controle dos preços, o que teria repercussões nos mercados financeiros. Juros mais elevados tendem a pressionar os preços dos títulos existentes e podem reduzir a atratividade das ações, sobretudo quando o custo de financiamento aumenta.
O cenário mais benigno, no qual a inflação sobe temporariamente sem contaminar as expectativas de longo prazo, continua possível. Mas, caso os investimentos em inteligência artificial e a recuperação do mercado de trabalho intensifiquem as pressões sobre os preços, o risco de uma espiral entre salários e inflação poderá obrigar o banco central americano a endurecer a política monetária, afetando tanto o mercado de renda fixa quanto o de ações.
'Perguntas frequentes'
Quanto subiu a inflação nos Estados Unidos em setembro?
A inflação nos Estados Unidos subiu 3,7% em setembro na comparação anual, após uma alta de 3,4% em agosto. Segundo a consultoria Gavekal, a aceleração era esperada devido ao encarecimento da energia.
Quais são os possíveis cenários para a inflação americana?
A consultoria Gavekal identifica dois cenários: uma alta temporária, com expectativas de longo prazo controladas, ou uma inflação disseminada e persistente. O segundo cenário poderia levar consumidores, trabalhadores e empresas a incorporar aumentos maiores de preços e salários às suas decisões.
Como os investimentos em inteligência artificial podem aumentar a inflação?
Os investimentos em inteligência artificial podem ampliar a disputa por recursos necessários à construção e à operação de infraestrutura tecnológica, segundo a Gavekal. A valorização das ações de IA também pode sustentar o consumo por meio do efeito riqueza, enquanto o financiamento bancário desses projetos pode acelerar a oferta de moeda.
Por que o mercado de trabalho representa um risco para a inflação?
Uma retomada das contratações pode apertar o mercado de trabalho, elevar salários e aumentar os custos das empresas. Segundo a Gavekal, o avanço dos lucros corporativos costuma anteceder uma expansão do emprego nos Estados Unidos em cerca de seis meses.
Como uma inflação persistente afetaria o Federal Reserve e os mercados?
Uma inflação persistente poderia obrigar o Federal Reserve a elevar os juros ou manter uma política monetária mais rígida para controlar os preços. Segundo a Gavekal, juros mais altos tendem a pressionar os preços dos títulos existentes e a reduzir a atratividade das ações.
O Estado de S.Paulo - SP 21/10/2026
Com o crescimento da dívida externa em ritmo superior ao das reservas internacionais, o Brasil perdeu a posição mantida por 19 anos de credor internacional. Dados do Banco Central (BC) indicam que as reservas, de US$ 402 bilhões (incluindo créditos brasileiros no exterior), já não cobrem todo o endividamento do País com o resto do mundo. Somando setor público, bancos e empresas, a dívida externa alcançou US$ 407,1 bilhões, maior nível em 40 anos de estatísticas.
Com isso, a dívida externa líquida, negativa de 2007 a 2025 — ou seja, deixando o Brasil em posição de credor —, voltou ao terreno positivo: US$ 5,1 bilhões, segundo o balanço mais recente, de junho. O quadro não preocupa, por ora, economistas e agências de classificação de risco, mas é acompanhado com atenção pelo potencial de virar vulnerabilidade caso o déficit em transações correntes siga elevado e haja saídas relevantes de dólares. Um episódio desse tipo ocorreu no fim de 2024, quando o estresse do mercado com a política fiscal obrigou o BC a fazer a maior intervenção da história do regime de câmbio flutuante.
Analistas consultados pelo Estadão/Broadcast consideram improvável a dívida externa líquida voltar a ultrapassar a marca de US$ 70 bilhões, como acontecia duas décadas atrás, mas veem como plausível uma aproximação da marca de US$ 30 bilhões nos próximos dois anos.
Mesmo com exportações ampliando a entrada de dólares e com a desaceleração econômica limitando saídas via importações e remessas de lucros, o déficit em transações correntes ficou estruturalmente mais alto nos últimos anos. Pesam, entre outros fatores, o aumento de gastos com serviços como streaming, investimentos em criptoativos e o pagamento de dívidas a credores internacionais.
No ano passado, US$ 67,4 bilhões deixaram o País por transações correntes, considerando os saldos de comércio de bens e serviços e as transferências de renda ao exterior. O valor é mais que o dobro do déficit de 2023, de US$ 27 bilhões. A entrada de investimento estrangeiro direto ainda tem financiado esse déficit sem consumo de reservas e sem alta proporcional do endividamento, mas com folga menor.
Em 2025, o investimento direto superou o déficit em transações correntes em US$ 17,6 bilhões, bem abaixo do registrado dois anos antes, quando a diferença passava de US$ 38 bilhões. Em 2024, essa folga foi ainda menor, inferior a US$ 9 bilhões.
O economista-chefe da Monte Bravo, Felipe Tavares, avalia que o Brasil não está exposto a uma crise clássica de balanço de pagamentos, mas perdeu margem de manobra para absorver choques mais persistentes. “Acabou o argumento retórico e técnico de ‘país credor líquido’, usado há quase duas décadas junto a agências de rating e investidores estrangeiros”, afirma. “A perda dessa almofada líquida reduz a margem de manobra para absorver choques prolongados sem repasse cambial ou pressão sobre os prêmios de risco soberano”, acrescenta.
Impulsionada por investidores que buscaram diversificação fora dos Estados Unidos, a dívida externa subiu 27,4% no atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acima do aumento de 15,8% das reservas, cuja evolução foi contida por intervenções do BC e pela valorização cambial.
Para Elisa Machado, economista-chefe da KAT Investimentos, o descompasso reforça a avaliação de que o Brasil deveria aproveitar janelas de forte entrada de investimento direto e maior estabilidade cambial para recompor reservas. “Comprar na calma é mais barato.”
Como a dívida externa líquida representa menos de 0,3% do PIB e as reservas cobrem mais de três vezes os vencimentos de curto prazo, as métricas externas ainda apontam um País relativamente protegido do risco de fuga de capitais. Essa avaliação pode mudar se a desaceleração do investimento direto, por fatores como incertezas fiscais ou regulatórias, abrir uma lacuna no financiamento externo.
Para Felipe Kotinda, economista do Santander, o quadro atual não preocupa porque as reservas, embora não cubram integralmente a dívida externa, seguem elevadas e continuam entre os principais amortecedores da economia brasileira.
“A preocupação surgiria se observássemos uma tendência persistente de aumento da dívida externa líquida acompanhada de redução de reservas, ampliação do déficit em conta corrente ou maior dependência de financiamento externo”, comenta. “Em termos históricos, o País continua muito distante dos níveis de vulnerabilidade observados há duas décadas”, completa Kotinda.
Mesmo após o Brasil deixar de ter cobertura total para o endividamento externo, as agências de classificação de risco seguem vendo as contas externas como um ponto forte do crédito soberano. O País é descrito como uma economia com reservas elevadas, baixa exposição a dívidas em moeda estrangeira e fluxos recorrentes de investimento externo. Para as agências, o principal foco de risco permanece o fiscal: o desequilíbrio das contas públicas pressiona os juros e aumenta o custo da dívida do governo.
Agências de rating veem contas externas confortáveis e apontam fiscal como problema
O diretor sênior da Fitch Ratings, Todd Martinez, afirma que a agência não identificou mudança relevante na liquidez externa do Brasil — variável central na avaliação de crédito — nem nas métricas de solvência. Ele ressalta, porém, que o estresse de mercado no fim de 2024, que levou o BC a uma intervenção cambial histórica, evidencia que há risco de deterioração desses indicadores.
“O episódio ressalta a necessidade de um plano fiscal crível no próximo governo, a fim de mitigar riscos à estabilidade macroeconômica”, diz Martinez.
Apesar do aumento da dívida externa nos últimos anos, 73% do total está no setor privado — bancos e empresas —, o que reduz o risco soberano direto. Em geral, essas companhias têm hedge natural, seja via exportações, seja por outras receitas em moeda estrangeira.
A fatia do setor público, próxima de um quarto do total, é formada majoritariamente por títulos emitidos em reais e negociados no mercado doméstico. Quando esses papéis estão nas mãos de não residentes, entram nas estatísticas do BC como dívida externa. Já a dívida pública emitida em moeda estrangeira — que implica exposição cambial — soma R$ 348 bilhões e representa hoje menos de 4% do estoque da dívida pública federal.
Na Fitch, a avaliação é que o governo ainda é credor externo líquido, porque as reservas internacionais superam com folga a dívida pública com o exterior. “O Brasil se destaca como um soberano com colchões externos muito robustos e também com dependência muito baixa dos mercados externos em moeda estrangeira”, afirma Martinez. Segundo ele, essa posição externa é o principal diferencial do País frente a outras economias com a mesma nota.
Martinez observa ainda que países com câmbio flutuante, como o Brasil, não precisam manter reservas tão elevadas quanto economias de câmbio fixo ou fortemente administrado. “O fato de o Brasil ter forte liquidez externa, apesar de contar com uma moeda flexível, torna seu arcabouço macroeconômico particularmente robusto”, diz.
O vice-presidente sênior da Moody’s, William Foster, reforça que a posição externa é, hoje, uma força, e não uma fragilidade. Ele cita a baixa dependência de dívida em moeda estrangeira, o câmbio flexível, o volume de ativos externos, a base exportadora diversificada e a persistência do investimento direto estrangeiro. “Esses fatores continuam sustentando a resiliência externa do País”, afirma.
Para as agências, o maior desafio do perfil de crédito soberano segue sendo fiscal. Juros altos por período prolongado e credibilidade limitada da política fiscal, diz Foster, têm reduzido a capacidade do governo de administrar o custo da dívida.
Na avaliação da Moody’s, a rigidez do Orçamento e a polarização política “profundamente enraizada” seguem como entraves à consolidação fiscal, limitando a flexibilidade de políticas públicas.
Hoje, a Moody’s coloca o Brasil a um degrau do grau de investimento. Já a Fitch, assim como a S&P Global, mantém o País a dois degraus desse grupo. As três agências atribuem perspectiva estável ao rating soberano, sem sinalização de mudança de nota, para cima ou para baixo, nos próximos meses.
Tesouro Nacional mira mais dívida em moeda estrangeira e prioriza captações em dólar
O Tesouro Nacional avalia como “bastante confortável” a cobertura da dívida externa e monitora o mercado para novas emissões no exterior. A captação fora do Brasil integra a estratégia de gestão da dívida, com foco em diversificar fontes de financiamento e melhorar a combinação entre custo e risco, mantendo limitada a exposição cambial.
A meta é elevar para 7% a participação da dívida em moeda estrangeira, hoje abaixo de 4% do estoque da dívida pública federal. Conforme o Plano Anual de Financiamento (PAF), o avanço deve ser gradual e condicionado às condições de mercado, desde que preservado o equilíbrio entre custo, risco e diversificação.
A diferença entre reservas internacionais e dívida do setor público equivale a 6% do Produto Interno Bruto (PIB). Por esse critério, o Tesouro ainda classifica o governo como credor externo e em posição confortável na comparação com países como o México — onde as reservas excedem a dívida soberana em 1% do PIB — e com Colômbia, Uruguai e Chile, que têm mais dívida do que reservas.
A continuidade das emissões de títulos de referência em dólar é tratada como prioridade na gestão da dívida externa. Além disso, o Tesouro planeja novas operações no mercado europeu para construir e consolidar uma curva de referência em euro e acompanha as condições para a primeira emissão em yuan, moeda chinesa já autorizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
A disputa por capital, porém, ocorre em um ambiente de juros mais altos nos Treasuries e de corrida por investimentos em inteligência artificial (IA), que tem drenado dólares do mercado global. Para a economista-chefe da KAT Investimentos, Elisa Machado, esse cenário pode reduzir o apetite por títulos de emergentes. “O efeito mais provável é encarecer e encurtar o financiamento em carteira”, avalia.
Globo Online - RJ 21/10/2026
Autoridades brasileiras estão na China preparando o road show da primeira emissão de panda bonds, que o governo poderá realizar na semana seguinte à eleição presidencial, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.
A operação seria a primeira desse tipo realizada por um país latino-americano e poderia ajudar a estabelecer uma referência para empresas brasileiras, incluindo a Vale, que avalia fazer sua própria emissão denominada em yuans.
O governo pretende captar cerca de 10 bilhões de yuans (US$ 1,5 bilhão), começando com uma emissão inaugural de 5 bilhões de yuans.
O senador Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, levando a disputa para um segundo turno no domingo, 25 de outubro. Pesquisas recentes mostram os dois candidatos tecnicamente empatados antes da votação.
A emissão soberana deverá seguir adiante mesmo se Flávio vencer a eleição, dado o custo e todo o trabalho já realizado para preparar a operação, disse a pessoa. Uma vitória da oposição, no entanto, poderia desacelerar a estratégia mais ampla do governo de ampliar as emissões brasileiras na China, enquanto uma reeleição de Lula provavelmente reforçaria os esforços para aprofundar os laços financeiros com Pequim.
O Tesouro Nacional disse que vem realizando reuniões na China, incluindo um roadshow com investidores, e que ainda não há uma data definida para a emissão. O cronograma dependerá das condições de mercado e da demanda dos investidores, afirmou a secretaria.
A Vale pretende levar adiante sua emissão de panda bonds independentemente do resultado, de acordo com uma pessoa familiarizada com os planos da companhia. A China é a maior compradora do minério de ferro da companhia, e uma operação denominada em yuans é parte importante de sua relação com a China Mineral Resources, compradora estatal de minério de ferro.
É “natural” que a Vale explore o mercado de dívida do país, dada a importância da China para os negócios da companhia, afirmou o diretor financeiro Marcelo Bacci em setembro.
Até agora, a Vale permaneceu em grande parte protegida das tensões que afetaram concorrentes como BHP Group, Rio Tinto Group e Fortescue Ltd., que enfrentaram restrições às vendas de alguns produtos de minério de ferro em meio às negociações com a CMRG.
A empresa não quis comentar além do comunicado de terça-feira sobre o pedido de registro do programa de panda bonds.
O Brasil captou cerca de US$ 10 bilhões nos mercados globais até agora neste ano, em meio aos esforços para diversificar seu financiamento para além do dólar e aumentar gradualmente a participação da dívida externa em seu financiamento total. O governo também busca autorização do Congresso para emitir até US$ 35 bilhões por ano nos mercados internacionais.
A Suzano tornou-se, em 2024, a primeira empresa latino-americana a emitir panda bonds.
Infomoney - SP 21/10/2026
Os contratos futuros de minério de ferro recuaram nesta terça-feira, à medida que um aumento nos embarques globais e o crescimento das chegadas do produto aos portos chineses evidenciaram a oferta abundante no mercado.
O contrato de minério de ferro para janeiro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) na China recuou 0,15%, para 681,50 iuanes (US$102,04) por tonelada.
A referência de minério de ferro para novembro na Bolsa de Cingapura registrava perda de 0,24%, a US$91,35 por tonelada.
Os embarques globais de minério de ferro aumentaram 3,89 milhões de toneladas em relação à semana anterior, chegando a 34,77 milhões de toneladas na semana encerrada em 18 de outubro, segundo dados da consultoria Mysteel. Os embarques provenientes da Austrália e do Brasil subiram 4,79 milhões de toneladas, totalizando 29,82 milhões de toneladas.
As chegadas de minério de ferro em 47 portos chineses aumentaram 2,73 milhões de toneladas, totalizando 28,35 milhões de toneladas durante o mesmo período, segundo os dados.
A produção de minério de ferro trimestral da BHP nas operações da Austrália Ocidental ficou em 71,9 milhões de toneladas, ligeiramente acima dos 70,2 milhões de toneladas produzidos no mesmo período do ano passado. A mineradora está aumentando a produção rumo à meta de 305 milhões de toneladas por ano até o final do ano fiscal de 2028.
A previsão de produção da BHP para o ano fiscal de 2027 permanece inalterada, entre 255 e 265,5 milhões de toneladas com base na fatia da BHP, sinalizando um fornecimento de minério estável para as siderúrgicas globais, afirmaram analistas do Shanghai Metals Market em uma nota.
Revista Mineração - SP 21/10/2026
A Vale deu um novo passo para acessar o mercado financeiro chinês. A mineradora, por meio de sua subsidiária integral Vale Overseas Limited, apresentou um pedido de registro para um programa de emissão de títulos de dívida denominados em renminbi, a moeda oficial da China. A iniciativa prevê um volume de até 10 bilhões de yuans, equivalente a aproximadamente US$ 1,4 bilhão.
Conhecidos como Panda Bonds, esses papéis são emitidos por empresas ou governos estrangeiros no mercado doméstico chinês. O programa proposto pela companhia contempla o período de 2026 a 2028 e ainda precisa ser aprovado pela Associação Nacional de Investidores Institucionais do Mercado Financeiro da China (NAFMII).
De acordo com a mineradora, os títulos que eventualmente forem emitidos contarão com garantia integral e incondicional da própria Vale. A companhia também ressaltou que o pedido de registro não significa que a captação já esteja confirmada. A realização de cada emissão dependerá, entre outros fatores, das condições vigentes no mercado financeiro.
A empresa também programou apresentações a potenciais investidores, conhecidas como roadshow, para divulgar a operação e avaliar o interesse do mercado.
Estratégia de diversificação financeira
A possível emissão representa uma alternativa para diversificar as fontes de financiamento da Vale, ampliando seu acesso a investidores fora dos mercados tradicionais. A busca por recursos em moeda chinesa também ocorre em um contexto de aproximação financeira entre Brasil e China, que inclui iniciativas do governo brasileiro para acessar o mercado de títulos do país asiático.
A China ocupa posição estratégica para a mineradora por ser o principal destino de suas vendas de minério de ferro. Segundo informações divulgadas pela companhia e reproduzidas pela imprensa, o país respondeu por 50,5% da receita líquida da Vale em 2025.
O interesse pelo mercado chinês está relacionado, entre outros aspectos, às condições de financiamento que podem ser oferecidas aos emissores. Entretanto, o custo efetivo de uma operação depende de fatores como prazo, risco de crédito, demanda dos investidores e variações cambiais.
Emissão terá regras específicas
Os Panda Bonds previstos no programa serão negociados exclusivamente no Mercado Interbancário de Títulos da China e estarão sujeitos às normas e à legislação locais. A estrutura anunciada também estabelece restrições à oferta pública dos papéis no Brasil e nos Estados Unidos, ressalvadas as exceções previstas nas respectivas legislações.
Com o pedido ainda em fase de análise, a Vale não confirmou uma captação efetiva nem definiu, com base nas informações divulgadas, o volume de cada possível emissão. A execução do programa dependerá da autorização regulatória e da avaliação das condições de mercado.
Money Times - SP 21/10/2026
Desde o primeiro turno das eleições presidenciais, a Vale (VALE3) perdeu R$ 24,64 bilhões em valor de mercado, em uma queda de aproximadamente 8%. Enquanto isso, o Ibovespa fez festa, subindo cerca de 10% desde o pleito.
Em outubro, a diferença também chama atenção: as ações da mineradora recuam 5%, perdendo R$ 15,13 bilhões em sua capitalização, enquanto o principal índice de ações da B3 avançou 6%. No período, a bolsa braisileira recebeu cerca de R$ 18,5 bilhões em dinheiro gringo.
Embora seja uma das ações de maior peso do Ibovespa, a Vale não acompanhou a alta do índice. Parte do fluxo estrangeiro costuma chegar à bolsa por meio de ETFs que replicam o Ibovespa, o que tende a favorecer empresas com grande participação.
Ainda assim, a mineradora ficou para trás e três fatores explicam isso: o petróleo em alta, a queda do dólar e a preferência de parte dos investidores pela Petrobras (PETR4).
Petróleo caro pressiona a Vale
Na teleconferência de resultados do segundo trimestre, Rogério Nogueira, vice-presidente executivo de Desenvolvimento Comercial da Vale, chamou a atenção para o impacto do petróleo sobre os custos da companhia.
A commodity influencia o preço do bunker, combustível usado nos navios que transportam o minério, e, consequentemente, o custo do frete marítimo.
Com o Brent acima de US$ 100 por barril, o mercado avalia que o transporte mais caro pode pressionar os resultados da mineradora no terceiro trimestre.
O Itaú BBA projeta Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 2,66 bilhões para a divisão de ferrosos, queda de 13% na comparação anual. Segundo o banco, o aumento dos custos de frete deve mais do que compensar a alta de 4% nos embarques, estimados em 82,7 milhões de toneladas.
A mineradora divulga o balanço do terceiro trimestre de 2026 em 29 de outubro. Confira o calendário completo aqui.
Dólar em queda reduz receita em reais
O câmbio é outro fator de pressão. Como parte relevante das vendas da Vale é recebida em dólares, a queda da moeda americana reduz o valor dessas receitas quando convertidas para reais.
O efeito não é isolado — custos e outras linhas do balanço também podem ser afetados pelo câmbio —, mas tende a pesar sobre a receita reportada em moeda local, mantidas as demais condições.
Desde o primeiro turno, o dólar recuou de cerca de R$ 5,20 para R$ 5,00. O movimento reflete a percepção de redução do risco fiscal diante da possibilidade de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além da expectativa de maior entrada de capital estrangeiro no país.
Petrobras ganha espaço nas carteiras
A alta do petróleo, que eleva o custo do frete para a Vale, tende a favorecer a Petrobras. Essa diferença de exposição ajuda a explicar por que investidores têm preferido a petroleira à mineradora. A estatal chegou a se aproximar de R$ 800 bilhões em valor de mercado, enquanto as ações da Vale recuaram.
“Parte do mercado que está comprada em Petrobras tem posição vendida [short] em Vale”, afirma Rodrigo Glatt, sócio-fundador da GTI Administração de Recursos. Nesse tipo de estratégia, o investidor aposta na valorização de uma ação e na queda da outra.
Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, também avalia que alguns investidores podem estar usando as ações da Vale como fonte de recursos para se posicionar em empresas que se beneficiariam mais de uma eventual melhora das perspectivas fiscais.
“Entendemos que alguns investidores podem estar usando os papéis como fonte de recursos: vendem a descoberto as ações da mineradora e direcionam o dinheiro para empresas que poderiam se beneficiar mais de uma eventual melhora das perspectivas fiscais”, afirma Hungria.
Para o analista, a combinação de dólar mais fraco, frete mais caro e minério de ferro em queda deve pressionar os resultados da Vale na comparação anual.
Por Bia Azevedo
Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
Valor - SP 21/10/2026
Presidentes-executivos da Stellantis, da Volkswagen e da Renault pediram com urgência a finalização de novas regras, afirmando que terão mais chances de competir com rivais chinesas
As montadoras europeias estão apostando em versões elétricas acessíveis de modelos retrô para impulsionar as vendas, enquanto buscam enfrentar uma segunda onda de marcas chinesas inundando seus mercados domésticos.
A Citroën, controlada pela Stellantis, está resgatando seu clássico 2CV, da era do pós-guerra, com planos de lançar uma versão elétrica que vai custar 15 mil euros em 2028, enquanto o novo hatchback elétrico ID.Polo, da Volkswagen, com preço de 25 mil euros, foi inspirado no design do Golf, um dos modelos mais vendidos da marca décadas atrás.
O retorno do 2CV, apresentado em uma exposição do setor em Paris, vem após o sucesso da Renault com o relançamento em versão elétrica de pequenos carros clássicos, o R5 e o Twingo, e ocorre em um momento em que as montadoras europeias buscam capitalizar a nostalgia e a tradição que faltam às suas concorrentes chinesas mais recentes para conquistar os consumidores.
“[O 2CV] tem um enorme potencial”, disse Antonio Filosa, presidente-executivo da Stellantis, que também controla a Peugeot e a Fiat, acrescentando que o carro seria construído sobre uma nova plataforma de veículos totalmente elétricos que reduziria os custos. “Ele será 100% fabricado na Europa.”
O peculiar 2CV, com seu teto de lona, atraiu algumas das maiores multidões do salão do automóvel de Paris. Mas as montadoras chinesas tiveram uma presença cada vez mais dominante, representando, pela primeira vez, cerca de um terço dos expositores.
Marcas mais recentes com foco em tecnologia, como Li Auto e Aito, juntaram-se à BYD e a concorrentes mais consolidadas na tentativa de conquistar compradores europeus, ressaltando a crescente pressão exercida por grupos chineses sobre o mercado automobilístico estagnado da região. Esses grupos estão migrando cada vez mais para modelos de luxo para rivalizar com BMW e Porsche.
A AlixPartners estima que as marcas chinesas representarão 16% das vendas na Europa até 2030, em comparação com os atuais 12%, enquanto os fabricantes ocidentais enfrentam dificuldades com custos mais elevados, fechamento de fábricas e perda de empregos na Europa.
Um veículo elétrico de marca chinesa fabricado na China custa cerca de US$ 20.000, em comparação com US$ 31.000 por um equivalente europeu, principalmente devido aos custos mais baixos de baterias e materiais, segundo a consultoria. Esses fatores, somados à demanda estagnada, fizeram com que as fábricas europeias de automóveis operassem com menos de 60% da capacidade e provocaram dezenas de milhares de cortes de empregos em todo o bloco.
Diante das novas restrições às exportações de veículos híbridos e de outras medidas protecionistas destinadas a incentivar a produção de automóveis na UE, a Changan e outras fabricantes chinesas anunciaram planos para produzir seus veículos híbridos e elétricos utilizando cadeias de suprimentos europeias.
Zhao Fei, diretor-geral do grupo Changan, disse que a montadora estatal estava em negociações com vários parceiros na Europa para produzir localmente seu primeiro veículo até meados do próximo ano. O grupo pretende produzir 180 mil unidades na Europa até 2028 e quase dobrar esse número em dois anos.
“Queremos desenvolver nossa capacidade de localização de longo prazo [...] em toda a cadeia industrial”, disse Zhao. O grupo pretende se tornar uma das maiores montadoras do mundo até 2030, com vendas de 1,5 milhão de veículos no exterior.
A Chery, proprietária das marcas Jaecoo e Omoda, começará em breve a produzir veículos na Espanha. A maior exportadora de automóveis da China também está negociando com a Nissan para compartilhar a produção na fábrica do grupo japonês em Sunderland, no Reino Unido. A empresa afirmou que pretende reproduzir o padrão de qualidade da Toyota — a maior montadora do mundo — contratando engenheiros aposentados da companhia.
“Acho que precisamos trabalhar no mesmo ambiente [...] para sermos capazes de competir com a indústria automobilística local”, disse Yin Tongyue, presidente do conselho da Chery.
Os presidentes-executivos da Stellantis, da Volkswagen e da Renault pediram com urgência a finalização de novas regras de “fabricado na Europa”, afirmando que terão mais chances de competir se suas rivais chinesas montarem e adquirirem componentes para seus carros sob as mesmas restrições de produção. As novas regras fazem parte de uma legislação mais ampla destinada a impulsionar a indústria da UE, cuja implementação está prevista para ocorrer gradualmente ao longo dos próximos três anos.
Enquanto isso, as montadoras europeias vêm tentando produzir carros de forma mais barata e rápida. A Renault reduziu drasticamente os custos nos últimos anos, em parte utilizando componentes e engenheiros chineses — reformulando suas cadeias de suprimentos e reduzindo o tempo de desenvolvimento dos veículos para menos de dois anos. O CEO, François Provost, afirmou que acredita que a montadora francesa poderia ser “mais competitiva do que uma fabricante chinesa que produza carros na Europa”.
No entanto, o grupo, que apresentou uma versão conceitual elétrica de sua minivan Renault Espace no salão do automóvel de Paris, também busca conquistar os consumidores por outros motivos além do preço. “O que digo [...] é: não olhem para o preço de compra, [mas considerem] quem vai cuidar da manutenção nos próximos 10 anos? Quem vai garantir que a peça de reposição chega em 24 horas?”, disse Provost.
A montadora não estava buscando “relançamentos por relançar” ao reinventar modelos clássicos em versões elétricas, afirmou Bruno Vanel, diretor de produtos, acrescentando que a empresa queria enfatizar sua história e seu DNA. “As pessoas associam esses carros [a] todo um universo.”
Executivos de montadoras europeias frequentemente afirmam que a falta de disponibilidade de peças de reposição e uma rede de assistência pós-venda insuficiente podem limitar o crescimento das fabricantes chinesas. Mas a BYD afirmou que já tem 15 armazéns, cobrindo cerca de 150 mil metros quadrados, para sua rede europeia de fornecimento de peças.
A fabricante de veículos elétricos também vem recrutando agressivamente profissionais da Tesla, da Toyota e de concorrentes alemãs, tendo nomeado Wolfgang Egger, ex-designer da Alfa Romeo e da Audi, como diretor de design há quase uma década.
“Temos um centro de design em Milão. Nosso chefe de design é um designer alemão que cresceu na Itália, portanto somos tão europeus quanto o espresso”, disse Alfredo Altavilla, ex-presidente da ITA Airways que atua como assessor especial das operações europeias da BYD.
CNN Brasil - SP 21/10/2026
A Lepas prepara a estreia no Brasil em 2027 e terá o SUV L6 como uma das principais apostas de sua linha internacional. O veículo foi desenvolvido em duas configurações eletrificadas: uma totalmente elétrica (BEV) e outra híbrida plug-in (PHEV). Além dele, a marca tem os modelos L4 e o SUV grande L8.
O L6 integra a estratégia internacional da Lepas, marca ligada à Chery e apresentada durante o International User Summit 2026, realizado em Wuhu. A empresa vai operar no Brasil sob responsabilidade da Omoda & Jaecoo. Lembrando que a Chery também atua no país por meio de sociedade com o grupo Caoa e com a Jetour.
A versão elétrica do Lepas L6 utiliza bateria de 65 kWh e motor com potência de 178 kW, equivalentes a aproximadamente 242 cv, além de torque de 275 Nm (28 kgfm). Segundo a empresa, a autonomia chega a 450 km pelo ciclo WLTC, padrão de homologação utilizado em diversos mercados internacionais.
Já a configuração híbrida plug-in combina motor 1.5 turbo a gasolina com sistema elétrico e transmissão identificada como DHT150. A potência combinada declarada é de 205 kW, cerca de 279 cv, com torque de 365 Nm (37,2 kgfm).
A autonomia total indicada é de 1.058 km pelo ciclo WLTC, considerando o funcionamento combinado dos sistemas. Ainda há dados oficiais para homologação brasileira. A Lepas informa ainda eficiência térmica de até 44,5% para o motor 1.5 turbo de quinta geração, desenvolvido para aplicações híbridas. A economia é de 16,9 km/l no ciclo europeu.
Dimensões e espaço interno
As duas versões têm medidas próximas, mas não idênticas. O L6 elétrico mede 4,57 metros de comprimento, 1,85 m de largura e 1,683 m de altura, com entre-eixos de 2,70 m. Na configuração híbrida plug-in, o comprimento é de 4,554 m e a altura, de 1,682 m; largura e entre-eixos permanecem em 1,852 m e 2,70 m, respectivamente.
A fabricante informa aproveitamento de 65,2% da área interna, espaço de 991 mm para a cabeça e 911 mm para as pernas dos ocupantes traseiros. O encosto traseiro pode ser rebatido em proporção 4/6. Com os bancos configurados para essa finalidade, o espaço traseiro pode formar uma superfície de 1,955 m por 1,31 m.
O teto panorâmico tem área declarada de 1,12 m² e mede 1,13 m por 67 cm. O sistema pode ser acionado por comando de voz ou remotamente. O documento não informa a capacidade do porta-malas em litros, o peso em ordem de marcha nem a capacidade de carga.
O L6 utiliza suspensão independente nas quatro rodas, com calibração desenvolvida com participação de equipes europeias. O SUV também estreia globalmente o sistema de frenagem IPB 2.0. Segundo a fabricante, a distância de parada a partir de 100 km/h é de 35 metros. Há seis modos de condução, mas o documento não detalha o comportamento de cada um.
Entre os recursos de assistência estão controle de cruzeiro adaptativo para velocidades de até 160 km/h, frenagem autônoma de emergência, alerta e correção de saída de faixa, monitoramento de ponto cego, assistente de mudança de faixa e alertas de tráfego cruzado traseiro. O pacote inclui ainda câmeras com visão panorâmica de 540 graus, estacionamento automático e estacionamento remoto.
A cabine reúne painel de instrumentos digital de 8,88 polegadas e central multimídia de 13,2 polegadas, com resolução de 2K (1.440 x1.920 pixels) e processador Snapdragon 8155. A tela tem brilho declarado de 1.000 nits e contraste de 1.500:1.
O sistema de climatização é de duas zonas. Há monitoramento da qualidade do ar por sensores AQS, purificação por íons negativos e filtro PM0.3, cuja eficiência declarada supera 95%. A marca também informa a presença de sete airbags e estrutura com 80% de aço de alta resistência, incluindo 18,84% de aço conformado a quente.
Na proteção da bateria, o documento prevê corte de energia em menos de 10 milissegundos após uma colisão e vedação IP68, com resistência declarada à imersão em água a um metro de profundidade por até 48 horas. A parte inferior do conjunto recebe uma placa de aço de 0,8 mm.
Valor - SP 21/10/2026
Paralelamente, a Thai Airways iniciou uma revisão de sua gestão de crises, após chuvas intensas deixarem passageiros e bagagens retidos
As montadoras japonesas Toyota e Honda retomaram a produção na Tailândia à medida que as empresas se recuperam das inundações. Paralelamente, a Thai Airways iniciou uma revisão de sua gestão de crises, após chuvas intensas deixarem passageiros e bagagens retidos.
A Toyota foi forçada a paralisar a produção em três fábricas tailandesas quando as inundações interromperam o fornecimento de componentes. A interrupção, inicialmente prevista para durar até 10 de outubro, foi prorrogada devido às dificuldades contínuas na obtenção de peças.
Com a normalização do abastecimento, a Toyota retomou, na última quarta-feira, a produção da picape Hilux e de outros veículos em sua fábrica de Samrong. Na sexta-feira, a operação foi reiniciada na unidade de Gateway, onde são fabricados os modelos Yaris e Corolla. Na segunda-feira, a montadora retomou as atividades em sua fábrica de Ban Pho, que também produz veículos destinados à exportação.
A Honda reiniciou a produção de veículos na última sexta-feira em suas unidades tailandesas afetadas pelas inundações.
No dia 8 de outubro, o ministro da Indústria da Tailândia, Varawut Silpa-archa, visitou o parque industrial Amata City, na província de Chonburi, que abriga fornecedores de componentes automotivos. O governo está preparando medidas de apoio, como isenções fiscais e auxílio para o reparo de equipamentos, com o objetivo de apresentar um pacote de assistência no prazo de um mês.
A operadora do parque industrial, o conglomerado tailandês Amata, está realizando melhorias, incluindo o reforço de barreiras contra inundações — para lidar com chuvas acima da média — e o aprimoramento dos sistemas de alerta precoce.
Enquanto as atividades comerciais começam a retornar à normalidade, a Thai Airways enfrenta um momento de avaliação. As inundações nos arredores de seu principal centro de operações, o Aeroporto Internacional de Suvarnabhumi, causaram atrasos em voos e no processamento de bagagens.
Não há relatos de pistas de pouso alagadas, mas as inundações nas áreas vizinhas impediram que as equipes de solo chegassem ao aeroporto. "A região é uma área úmida", comentou uma autoridade do setor aéreo sobre a localização do aeroporto.
Os transtornos tornaram-se evidentes em 26 de setembro, quando chuvas intensas na região de Bangcoc provocaram inundações generalizadas em vias importantes, segundo a emissora pública Thai PBS. A equipe de solo, que normalmente conta com 500 funcionários, ficou desfalcada em mais de 200 pessoas; já a equipe especializada em aeronaves foi reduzida a cerca de 20 profissionais — aproximadamente metade do efetivo habitual.
A mídia local informou que a dependência da Thai Airways em relação a prestadores de serviço terceirizados dificultou a garantia de que os funcionários comparecessem ao trabalho durante a enchente. Quase todos os voos sofreram atrasos nos dias 27 e 28 de setembro, e cerca de 5.600 volumes de bagagem ficaram retidos no aeroporto em 29 de setembro.
No dia 1º de outubro, a companhia aérea anunciou planos para retomar todos os voos. Dois dias depois, o ministro dos Transportes, Phiphat Ratchakitprakarn, afirmou que as operações aeroportuárias haviam voltado ao normal, oito dias após o início das interrupções.
A manutenção das operações pela Thai Airways, apesar da capacidade reduzida de serviços em solo, resultou em atrasos generalizados e no acúmulo excessivo de bagagens. Em 29 de setembro, a empresa apresentou um plano para reduzir os voos em cerca de 30%, mas os transtornos poderiam ter sido menores caso a decisão tivesse sido tomada mais cedo.
As autoridades meteorológicas da Tailândia já haviam alertado, em 22 de setembro, sobre a possibilidade de chuvas extremamente intensas em Bangcoc entre os dias 23 e 27 de setembro.
"Definir o momento ideal para reduzir ou cancelar voos é uma tarefa muito complexa. Por isso, é fundamental que tais decisões sejam tomadas com antecedência", afirmou Toru Ogiyama, professor associado da Faculdade de Aviação da Universidade J.F. Oberlin, em Tóquio.
A falha operacional gerou cobranças por responsabilidade da gestão da Thai Airways, que buscava retomar o crescimento após um processo de reestruturação — iniciado em 2020, quando a empresa enfrentou um processo de falência — e que agora visava o ano de 2025. A companhia foi duramente atingida pela pandemia de covid-19.
No dia 2 de outubro, o conselho de administração da empresa decidiu suspender o executivo-chefe (CEO), Chai Eamsiri, além de determinar a realização de uma investigação e uma revisão dos procedimentos de gestão de crises.
O Estado de S.Paulo - SP 21/10/2026
Companhia projeta fazer até 50 mil carros por ano na linha de produção da Pace (CE), incluindo a Captiva híbrida e o aguardado Celta elétrico, a partir de kits importados do país asiático
Ao ver a rápida aceleração das marcas chinesas no Brasil, a veterana General Motors colocou em prática a máxima “se não pode vencê-los, junte-se a eles”. A empresa planeja estreitar cada vez mais a estratégia para o mercado brasileiro com as operações e parcerias que mantém na China. Uma guinada asiática, mas ao seu próprio modo, com a visão de quem conhece bem o mercado consumidor local.
Há 101 anos no País, a empresa tem R$ 10,5 bilhões em investimentos em curso até 2028. Com esse aporte, foi a primeira a montar carros na Pace (Planta Automotiva Cearense), uma fábrica multimarcas instalada em Horizonte (CE). Ao longo de 2026, passou a fazer ali veículos com novas tecnologias de propulsão, como os elétricos Chevrolet Spark EUV e Captiva EV.
Tudo é feito a partir de kits importados da China, assim como fazem algumas das principais concorrentes. “A Pace nos permite trazer novas tecnologias para o Brasil com mais velocidade e, a partir daí, aumentar escala e conteúdo local à medida que o mercado cresce. Em menos de um ano, a operação evoluiu de um para três produtos”, diz Thomas Owsianski, presidente da GM América do Sul, em entrevista exclusiva ao Jornal do Carro.
Com o avanço da produção e o aumento do índice de nacionalização, a montadora aponta que a operação tem potencial para chegar à capacidade de produção de 40 mil a 50 mil veículos por ano.
Primeiro Chevrolet híbrido está a caminho
O terceiro produto citado pelo executivo é o primeiro carro híbrido da Chevrolet a ser oferecido no Brasil: a versão plug-in da Captiva, que entra em linha ainda neste ano. O modelo é simbólico. Mostra a inflexão da companhia após defender, nos últimos anos, que a eletrificação deveria acontecer com transição direta dos carros a combustão para os puramente elétricos, sem passar pelos híbridos. Mais uma vez, a concorrência indicou que valia a pena “se juntar a eles”.
“O que entendemos é que essa transição não vai acontecer da mesma forma nem na mesma velocidade em todos os mercados. Na América do Sul, precisamos considerar a realidade de cada país, a infraestrutura disponível e, principalmente, o que nossos clientes precisam”, afirma Owsianski.
Em maio deste ano, a General Motors lançou o aguardado Sonic, SUV para competir no concorrido segmento subcompacto. O carro chegou apenas em versão a combustão e, por enquanto, mantém volume de vendas modesto. Em setembro, ficou na 31ª posição entre os automóveis mais vendidos, com 2,7 mil unidades.
Mas a companhia tem planos mais ambiciosos para o modelo. No começo de 2027, o carro deve passar a contar com uma configuração híbrida leve. “Ainda não vamos antecipar detalhes, mas o Sonic faz parte de uma ofensiva importante de produto e tecnologia que está só começando”, promete Owsianski.
Em outra frente, a GM estuda montar na fábrica cearense um hatch compacto elétrico inédito — projeto baseado no Wuling Bingo Pro e apelidado pelo mercado de “Celta elétrico” pela proposta urbana que lembra o ícone dos anos 2000. O modelo é fruto da joint venture da companhia com as chinesas Saic Motor e Guangxi Automobile Group.
O presidente da GM para a América do Sul não confirma os detalhes, mas indica a movimentação: “Avaliamos o projeto de um hatch compacto inédito da Chevrolet, que pode ampliar nossa linha de veículos elétricos na região. A produção no Brasil também está entre as possibilidades”, diz.
Mudança nas regras para trazer Escalade e GMC
Enquanto busca velocidade e escala com a China, a GM também trabalha nos bastidores de Brasília para destravar a vinda de modelos de topo de linha da sua matriz norte-americana. A montadora negocia com o governo federal o reconhecimento mútuo dos padrões de segurança automotiva dos EUA (as normas FMVSS) nos processos de homologação brasileiros. A medida é o passaporte necessário para abrir as portas à importação modelos de luxo como o Cadillac Escalade e as picapes pesadas da GMC.
“Para ampliar no Brasil a oferta do nosso portfólio global, é importante avançarmos no reconhecimento dos padrões de segurança norte-americanos. São regras robustas e esse reconhecimento pode abrir espaço para novos produtos por aqui. Estamos avançando nas discussões com o governo e os órgãos reguladores”, explica Owsianski.
Um olho na concorrência, outro nas exportações
Se, de um lado, a GM oxigena a gama de produtos com novas tecnologias e projetos vindos da Ásia e dos EUA, de outro, Owsianski entende que a companhia tem bons ativos para enfrentar a nova concorrência. “Este é um dos ambientes mais competitivos que vi em mais de 30 anos de indústria automotiva. Entrar em um mercado é uma coisa; construir uma relação de longo prazo é outra”, avalia.
O executivo lembra que a empresa tem cerca de 1.000 concessionárias na América do Sul e, assim, segundo ele, conta com a estrutura necessária de pós-venda. Além disso, entende que é preciso olhar além do volume bruto de vendas. “Não estamos buscando volume a qualquer custo. Queremos crescer com qualidade e rentabilidade.”
Nessa toada, a GM fortaleceu outra frente em 2026: as exportações a partir do Brasil, que cresceram 15,5% para países vizinhos. Para 2027, o plano é dar outro salto de 20%. Tudo isso sem tirar os olhos do mercado interno e da transformação rápida nas lojas — e nas ruas.
Infomoney - SP 21/10/2026
O mercado imobiliário de baixa renda em São Paulo apresentou um sinal de alerta para investidores após os lançamentos voltarem a superar com folga as vendas, elevando o estoque de unidades a um nível recorde.
Em relatório, os analistas do Goldman Sachs destacaram que os dados de agosto mostram uma deterioração dos indicadores de velocidade de vendas no segmento econômico, justamente em um momento em que a demanda vem sendo impactada por restrições de crédito da Caixa Econômica Federal.
Segundo o banco, as vendas de imóveis de baixa renda na capital paulista permanecem em patamares saudáveis, somando cerca de 8 mil unidades em agosto, o segundo maior volume do ano. O problema está na oferta: os lançamentos atingiram aproximadamente 14 mil unidades no período, ampliando uma tendência observada desde meados de 2024. No acumulado dos últimos 12 meses, os lançamentos chegaram a 107 mil unidades, enquanto as vendas totalizaram 85 mil. Como consequência, o estoque disponível avançou para 59 mil unidades, o maior nível da série histórica.
O aumento da oferta também elevou o indicador de meses de estoque para 8,4 meses, o maior patamar desde o início de 2023 e acima da média histórica de aproximadamente sete meses. Já a relação entre vendas e oferta recuou para 60%, distante do pico de 68% registrado em meados de 2025.
A pressão está concentrada principalmente nos imóveis com preços entre R$ 275 mil e R$ 400 mil. Nessa faixa, foram vendidas 5,6 mil unidades em agosto, enquanto os lançamentos chegaram a 9,6 mil unidades. O estoque acumulado alcançou 43,7 mil unidades, alta de 85% na comparação anual. Já os imóveis abaixo de R$ 275 mil somam estoque de 24 mil unidades, avanço de 39% em um ano.
Para o Goldman, os números merecem atenção especialmente para incorporadoras com forte presença no segmento econômico de São Paulo, como Cyrela (CYRE3; por meio da marca Vivaz) e Cury (CURY3), embora o banco afirme que ainda monitora se a deterioração dos indicadores terá impacto material sobre as vendas e a rentabilidade das companhias.
O relatório também mostra que setembro foi um mês difícil para boa parte das construtoras listadas, mesmo com a queda dos juros de longo prazo. Na cobertura do Goldman, as ações da Cyrela avançaram 12% no mês, enquanto Cury, Tenda (TEND3) e Direcional (DIRR3) recuaram 15%, 18% e 9%, respectivamente. A MRV (MRVE3) teve desempenho próximo da estabilidade, com queda de 1%, enquanto a EZTEC subiu 18%.
Em outubro, contudo, as ações registram forte disparada por conta do trade eleitoral, com o favoritismo de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa para a presidência da República levando a uma queda dos juros futuros em meio a maior confiança do mercado na adoção de medidas de ajuste fiscal. Cyrela e Cury subiram cerca de 20% no mês, enquanto Direcional avança cerca de 12%.
Apesar da volatilidade recente, o banco segue construtivo com parte do setor. Entre as incorporadoras de baixa renda, as recomendações de compra permanecem para Cury, Direcional e Tenda. Os preços-alvo do Goldman são de R$ 43 para Cury, R$ 18 para Direcional e R$ 33 para Tenda, implicando potenciais de valorização relevantes frente aos níveis atuais.
Crédito como principal variável
Na avaliação do Goldman, o principal fator a acompanhar nos próximos meses será a evolução do crédito habitacional. A combinação de maior estoque de imóveis econômicos e restrições mais rígidas na concessão de financiamento pela Caixa pode limitar a velocidade de vendas, especialmente nas faixas do programa habitacional voltadas à população de menor renda.
Por outro lado, a continuidade da queda dos juros de longo prazo e uma eventual normalização das condições de crédito poderiam ajudar a absorver o excesso de oferta. Por isso, o banco considera que os dados dos próximos meses serão determinantes para avaliar se o aumento dos estoques representa apenas uma acomodação temporária ou o início de uma desaceleração mais consistente do mercado residencial econômico em São Paulo.
Money Times - SP 21/10/2026
A Cosan (CSAN3) chegou ao final do regime de exclusividade para vender fatia da Rumo (RAIL3) sem nenhum acordo.
De todas os modos, a holding, que passa por uma reestruturação financeira, disse que segue avaliando alternativas em todos seus ativos a fim de otimizar sua estrutura de capital, mas “comprometida com a criação de valor aos seus acionistas nesses possíveis movimentos”.
A Cosan tentava vender uma participação de 15% na Rumo, operadora de ferrovias com papel relevante no escoamento da produção do agronegócio. Ao todo, a empresa detém aproximadamente 20% da companhia, avaliada em cerca de R$ 34 bilhões na Bolsa.
Mais cedo, o UOL informou que decidiu concentrar esforços na venda de uma participação minoritária na Compass (PASS3), empresa de distribuição de gás natural que controla a Comgás, após o esfriamento das negociações para alienar uma fatia da Rumo.
Segundo a publicação, as conversas para a venda de uma participação na Compass estão avançadas.
A expectativa seria negociar cerca de 20% da companhia com um investidor estrangeiro, em uma operação de aporte privado conhecida no mercado como private placement.
A Compass é considerada um dos ativos mais estratégicos do grupo de Ometto e tem valor de mercado estimado em aproximadamente R$ 20,37 bilhões.
Nesse cenário, a venda de uma fatia de 20% poderia levantar cerca de R$ 4 bilhões, considerando a avaliação atual, além de um eventual prêmio a ser negociado. Atualmente, a dívida da holding é de R$ 9,2 bilhões (2º trimestre de 2026).
A Tribuna - SP 21/10/2026
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) mandou por água abaixo mais um prazo relacionado ao Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10, no cais do Saboó (STS10), no Porto de Santos. O grupo técnico de trabalho (GTT), criado em julho pela pasta para analisar mudanças na modelagem do leilão do megaterminal ainda não concluiu o parecer.
O quadro contradiz o que havia sido falado pelo secretário nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila, no dia 22 de setembro. Na ocasião, o secretário disse para A Tribuna que a análise do GTT seria concluída ainda em setembro e que o processo seria encaminhado à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) este mês.
“Ainda não temos a conclusão. Estamos aguardando esse grupo de trabalho finalizar efetivamente para que possamos fazer os passos seguintes. O grupo ainda está desenvolvendo os trabalhos”, afirmou o secretário, durante o 2º Encontro do Mulheres a Bordo 2026, realizado na última quinta-feira, no auditório da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em Brasília.
Diante da lentidão para o projeto seguir adiante, Ávila preferiu evitar novas previsões a respeito dessa etapa. Quando foi perguntado se em outubro ainda seria possível a conclusão, em razão da metade do mês já ter sido ultrapassada. “Não consigo responder. Vou ficar devendo cravar a data de quando termina. A gente espera que seja o mais breve possível, mas ainda não temos a conclusão desse trabalho do grupo”, disse, reforçando a absoluta incerteza.
Não anda
A situação envolvendo mais um prazo não cumprido pelo MPor aumenta o suspense referente a um projeto essencial para o País, mas que parece ter travas que impedem o prosseguimento.
Em dezembro de 2025, o Tribunal de Contas da União (TCU) orientou o leilão do Tecon Santos 10 em duas etapas. Pela modelagem, empresas que já controlam terminais de contêineres em Santos e armadores (donos de navios) ficariam impedidos de participar da primeira fase e somente poderiam entrar em uma segunda rodada, caso não houvesse proposta válida inicialmente.
Antes, a Antaq já havia analisado o processo e indicado restrições a empresas que atuam no Porto.
Mesmo depois das decisões da Antaq e do TCU, o Governo Federal não consolidou o edital. A discussão foi reaberta diante de posições diferentes dentro do Executivo. Enquanto a Casa Civil passou a defender uma licitação aberta a todos os interessados, o MPor vinha acolhendo o modelo com restrições. Em abril, o processo foi suspenso para nova discussão e, em julho, surgiu o GTT.
Divergências
A demora na redefinição da modelagem do Tecon Santos 10 se deve à divergência dentro do Governo. O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) acolheu o modelo com restrições ratificado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em 2025, mas a Casa Civil pediu mudanças e passou a defender uma licitação aberta a todos os interessados.
Nos bastidores dessa queda de braço está a pressão de grandes empresas interessadas no ativo do Porto de Santos.
O ativo
O Tecon Santos 10 foi projetado para ocupar 621,9 mil metros quadrados (m²) e terá capacidade para movimentar 3,25 milhões de TEU (unidade de medida de um contêiner padrão de 20 pés) por ano, além de carga geral. O prazo contratual previsto é de 25 anos, com possibilidade de prorrogação.
Os investimentos estimdos superam R$ 6 bilhões. O projeto, que já nasce atrasado, é fundamental para ampliar a capacidade de movimentação de contêineres do complexo portuário santista.
O Estado de S.Paulo - SP 21/10/2026
O Canal do Panamá bateu recorde no trânsito de carga, informou a empresa administradora da rota nesta terça-feira, 20. No último ano fiscal, compreendido de 1º de outubro do ano passado até 30 de setembro deste ano, passaram pela via 521 milhões de toneladas de carga em quase 14 mil navios. O recorde anterior foi registrado no ano fiscal de 2022, com o transporte de 518 milhões de toneladas.
O crescimento foi impulsionado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, apesar das reduções no trânsito de navios causadas pela seca gerada pelo El Niño. Com a rota do Oriente Médio bloqueada, o trânsito no Canal do Panamá subiu de 36 para 41 navios diariamente. O aumento permitiu amortecer a posterior redução no tráfego que a rota panamenha teve de implementar devido à escassez de chuvas.
A via opera com água doce armazenada em dois lagos artificiais, cujo nível diminuiu em razão da seca provocada pelo fenômeno El Niño.
Por conta disso, desde o início de setembro, o número de trânsitos diários foi reduzido de 36 para 32 navios diários, que foi elevado posteriormente para 33, graças a um aumento nas precipitações.
ONU afirma ter recebido apenas 20% da verba solicitada para enfrentar efeitos do El NiñoEl Niño vai se intensificar até atingir pico em dezembro, diz ONU; pode ser o mais forte desde 1950
Mas, segundo a administradora do canal, a engenheira Ilya Espino de Marotta, o “impacto” do El Niño ocorreu só durante os últimos quatro meses do ano fiscal. Apesar do fenômeno climático, “conseguimos apoiar a indústria quando ela precisou, movimentando mais carga pelo Canal”, acrescentou.
Com 80 km de extensão, a via conecta, sobretudo, rotas da China, Japão e Coreia do Sul à costa leste dos Estados Unidos. Os principais segmentos de negócio no último ano fiscal foram o transporte de contêineres, gás liquefeito de petróleo, veículos, grãos e gás natural liquefeito, o segmento que mais cresceu nos últimos meses.
Portal Fator Brasil - RJ 21/10/2026
A Firjan participou de reunião e de uma visita técnica ao Clip Offshore, antigo Estaleiro Inhaúma, no bairro do Caju juntamente com integrantes da Petrobras, — engenheiros, comandados por Wagner Victer. No encontro, no dia 14 de outubro (quarta-feira), o grupo foi recebido pelos atuais administradores do ativo naval, a empresa Clip Offshore, —uma joint venture do Grupo Gávea e da empresa filipina ICTS.
Durante o encontro, a empresa responsável pelo estaleiro apresentou o portfólio de atuação e as ações que têm implementado para a revitalização do ativo. Um primeiro passo foi a dragagem para aumento de calado, chegando a 9,5 metros de profundidade, de forma que ele possa estar apto a receber demandas de manutenção, reparo e desmantelamento de embarcações de grande porte. A previsão é de que, já em janeiro de 2027, o Clip Offshore esteja apto a agregar novos serviços em seu portfólio de atendimento ao mercado.
A gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan SENAI SESI, Karine Fragoso, destacou que —o estaleiro é considerado um importante ativo para a indústria naval do estado, ampliando as condições para que o Rio de Janeiro possa receber demandas relacionadas a todo o ciclo de vida das grandes embarcações—.
—Ao fortalecermos nossa indústria naval, criamos as bases para participarmos das grandes demandas, em especial aquelas do mercado de petróleo e gás, para além de nossas reservas, com agregação de valor— complementou Karine.
— O estaleiro é considerado um importante ativo para a indústria naval do estado— destacou Karine Fragoso, gerente-geral de Petróleo, Gás, Naval e Energias da Firjan SENAI SESI.
Wagner Victer, gerente de programas estruturantes da Petrobras, informou na ocasião da visita que o dique do estaleiro está totalmente seco, que os dois guindastes foram recuperados e que as equipes já trabalham nas instalações. —Até janeiro de 2027, o estaleiro deve estar liberado e licenciado para voltar a operar e realizar reparos navais— avaliou Victer em seu Instagram.
Serviços já contratados — Para tal, o estaleiro conta com dois diques secos de tamanhos distintos. O maior dique seco, por exemplo, já se encontra em etapa avançada para operação, com a porta batel instalada vedando a área que futuramente receberá as embarcações. Nesse sentido, já em curso a chegada da plataforma P-35, que ficará acostada no estaleiro para a realização de alguns serviços.
A empresa informou que intervenções preliminares para a desmontagem controlada do Flare e do Turret da P-35 já foram realizadas, de forma que ela consiga passar sob o vão central da ponte Rio-Niterói e chegar ao estaleiro. Os demais serviços contratados foram acostagem, limpeza de Coral Sol, limpeza e inspeção de tanques, manutenção de classe, retirada e gestão de resíduos, entre outros.
Outro passo importante para que o estaleiro possa atuar em diversas frentes, a obtenção prévia das licenças ambientais está ocorrendo e deve avançar ainda mais nos próximos meses.
Em rede social, ele afirmou que, até janeiro de 2027, o estaleiro deve estar liberado e licenciado para voltar a operar e realizar reparos navais. Consultar Atlas
IstoÉ Dinheiro - SP 21/10/2026
O Estreito de Ormuz pode se tornar “desnecessário” nos próximos cinco anos, na avaliação de Georges Elhedery, presidente-executivo do HSBC. A possibilidade depende da expansão de rotas logísticas alternativas no Golfo Pérsico para reduzir os impactos da guerra com o Irã.
A declaração foi feita nesta terça-feira, durante o HSBC Future Forum, em Dubai. O conflito expôs a dependência internacional da passagem marítima e levou países da região a direcionar recursos para dutos de energia conectados a portos.
“É claro que desejamos e esperamos ver uma resolução para o conflito Mas o Estreito de Ormuz, provavelmente daqui a cinco anos, pode se tornar obsoleto”, afirmou Elhedery.
Rotas alternativas exigem investimentos em infraestrutura
O executivo considera que a construção de alternativas logísticas pode ajudar os países do Golfo a superar as consequências econômicas do conflito.
“Acreditamos que essa região será capaz de se recuperar e, em seguida, continuar crescendo. Isso exigirá muitos investimentos”, declarou.
A avaliação sobre Ormuz representa uma perspectiva do executivo, e não o anúncio de uma substituição já assegurada. A redução da dependência da passagem está vinculada à execução dos projetos.
HSBC aponta carteira de projetos no Oriente Médio
Em relatório divulgado na segunda-feira, o HSBC informou que Oriente Médio, Norte da África e Turquia oferecem US$ 872 bilhões em pacotes de projetos individuais.
Esses projetos fazem parte de uma carteira mais ampla de infraestrutura planejada e ainda não concedida, avaliada em US$ 1,4 trilhão. Os dados são da MEED, plataforma de inteligência de mercado do setor de construção com sede em Dubai.
Os valores abrangem a infraestrutura dessas regiões e não correspondem exclusivamente a iniciativas para substituir o transporte pelo Estreito de Ormuz.
Uma pesquisa do HSBC com líderes empresariais e investidores institucionais indica que o Golfo Pérsico continua sendo considerado um destino atraente para investimentos.
Guerra pressiona perspectivas econômicas da região
Apesar do interesse dos investidores, o Banco Mundial prevê contração econômica em 2026 para a região que reúne Oriente Médio, Norte da África e Paquistão. A projeção citada atribui a retração à guerra e aponta uma recuperação forte, mas desigual, em 2027.
A instabilidade atingiu a agenda de negócios. A principal conferência de investimentos da Arábia Saudita, da qual Elhedery deveria participar na semana seguinte, foi adiada para 2027.
A decisão foi anunciada na segunda-feira, após ataques mortais em Riad atribuídos aos houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, alterando o calendário de encontros entre autoridades e investidores.
Portos e Navios - SP 21/10/2026
O Tecon Imbituba (SC), operado pela Santos Brasil, está recebendo novos equipamentos e passando por um processo de modernização tecnológica e melhoria de infraestrutura. Nos últimos 18 meses, a empresa investiu R$ 36 milhões no terminal de contêineres e carga geral, dos quais R$ 33 milhões aportados em 2026, para ampliar a capacidade operacional, a eficiência e a proximidade com os clientes. Outros R$ 75 milhões serão investidos até 2028, totalizando R$ 111 milhões em cerca de três anos.
No início de outubro, o terminal recebeu um guindaste móvel portuário (Mobile Harbor Crane ou MHC, na sigla em inglês), que vem se somar aos dois portêineres (guindastes de cais do tipo Ship-to-Shore – STS) já existentes, com o objetivo de ampliar a produtividade no cais e permitir mais flexibilidade para que o terminal atenda tanto os serviços regulares quanto as demandas extraordinárias de armadores. Os novos equipamentos também vão viabilizar o acréscimo de um terceiro terno (conjunto de equipamentos e trabalhadores dedicado à movimentação de contêineres) à operação dos navios no terminal.
Os investimentos incluem ainda a aquisição de 12 chassis de caminhões; dois frames de içamento de contêineres; seis reachstackers, para movimentação de contêineres; e uma empilhadeira para contêineres vazios. Também estão previstas a instalação de um novo scanner e a ampliação do número de tomadas para contêineres refrigerados (reefers).
O ciclo de modernização do Tecon Imbituba incluiu ainda o Centro de Controle Operacional (CCO); o software OPUS-TOS, novo sistema operacional; e a atualização do sistema Wireless do terminal, que receberá tecnologia 5G, para maior segurança e agilidade nas operações e nos sistemas de gestão corporativa para auxiliar o acesso de clientes nas plataformas da companhia.
Implantado em 2025, o CCO amplia o controle em tempo real da operação e agrega mais eficiência e segurança às atividades realizadas por meio de telas. Já o TOS, em operação desde julho, é uma plataforma que integra e otimiza as operações de contêineres e os fluxos de pátio, gate e cais, além dos processos de documentação e automação relacionados ao fluxo de cargas e navios, contribuindo para ampliar os níveis de serviço, de produtividade e de previsibilidade operacional.
De janeiro a setembro de 2026, o Tecon Imbituba movimentou 131.263 TEUs, superando, em nove meses, o maior volume já registrado pelo terminal em um ano completo, de 123.681 TEUs em 2024. Além dos quatro serviços marítimos regulares (três de longo curso e um de cabotagem), o terminal tem ampliado o atendimento de extra calls, como são chamadas as escalas que não estão previstas no planejamento da unidade. Apenas neste ano foram dez, representando 11% do volume total até setembro.
Para Charles Thibault, diretor de terminais da Santos Brasil, alcançar um recorde anual de movimentação com três meses de antecedência demonstra a evolução consistente do Tecon Imbituba e reforça a confiança dos clientes na operação. "Nossos investimentos e esforços para elevar o nível de serviço estão trazendo volumes e resultados. Buscamos sempre nos antecipar à demanda, investindo em tecnologia, infraestrutura e eficiência, para tornar o terminal cada vez mais competitivo. Nosso objetivo é acompanhar o crescimento das demandas logísticas da região sul do país e nos consolidarmos como uma solução logística relevante", afirmou.
Com capacidade para movimentar 450 mil TEUs por ano, o Tecon Imbituba está localizado no centro da região sul do país, entre as capitais Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS), e próximo a Florianópolis (SC). O terminal conta com conexão multimodal, com acesso rodoviário (pela BR-101), ferroviário e marítimo, aliada ao fato de operar em um porto de águas profundas e abrigado.
A Santos Brasil destaca que a integração de Imbituba com o Tecon Santos (SP), também operado pela empresa complexo paulista, permite ainda que as cargas movimentadas por Imbituba possam acessar uma ampla rede de rotas internacionais via Santos, conectando a produção do Sul do País aos principais mercados globais.
TN Petróleo - RJ 21/10/2026
A PPSA (Pré-Sal Petróleo) realiza, na próxima quinta-feira (22), o 1º Leilão de Gás Natural da União, com 36 proponentes habilitados para disputar os 110 lotes de gás natural que serão ofertados ao mercado. O certame terá início às 9h, em formato on-line, por meio da plataforma eletrônica da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), e será destinado exclusivamente a cinco setores da indústria de base.
Ao todo, serão ofertados 1,1 milhão de metros cúbicos por dia de gás natural da União, com fornecimento entre março e dezembro de 2027. Esta será a primeira vez que a PPSA oferecerá diretamente aos consumidores o gás natural processado pertencente à União, em uma iniciativa que busca ampliar o número de agentes no mercado de gás, promovendo uma maior liquidez, e contribuir para a competitividade da indústria brasileira.
Nesta terça-feira (20), às 15h, os representantes das empresas habilitadas participarão de um simulado na plataforma eletrônica da CCEE, com o objetivo de se familiarizarem com os procedimentos de apresentação de ofertas e lances. Os proponentes serão divididos em grupos para sessões de treinamento, que utilizarão volumes, preços e demais parâmetros fictícios, sem qualquer efeito sobre a participação ou a classificação das empresas no leilão oficial.
Dinâmica do leilão
O leilão será realizado em cinco etapas sequenciais, cada uma destinada a um segmento da indústria de base. A primeira terá início às 9h, com a oferta total de 100 mil m³/dia (10 lotes) para o setor vidreiro. Na sequência, às 9h50, será a vez do setor ceramista, com 200 mil m³/dia (20 lotes).
Às 10h40, começará a etapa destinada aos setores siderúrgico, metalúrgico e de mineração, com 320 mil m³/dia (32 lotes). O segmento químico e petroquímico participará a partir das 11h30, com oferta de 350 mil m³/dia (35 lotes). A última etapa, prevista para as 12h20, será dedicada ao setor de fertilizantes nitrogenados, com 130 mil m³/dia (13 lotes).
Cada lote corresponderá a 10 mil metros cúbicos de gás natural por dia. Os compradores participarão virtualmente da etapa referente ao seu segmento e poderão adquirir, inicialmente, de um a 16 lotes, respeitando o limite de consumo de sua indústria previamente declarado na fase de habilitação.
As empresas deverão apresentar suas propostas indicando a quantidade de lotes desejada e o prêmio oferecido. Após a abertura das propostas iniciais, terá início a etapa dinâmica, na qual os participantes poderão apresentar novos lances, aumentando o prêmio. Serão vencedoras as propostas que oferecerem os maiores prêmios à União.
O preço do gás natural será calculado com base em uma fórmula que considera 115% da média das cotações diárias do Henry Hub (HH) e a média das taxas diárias de câmbio, ambas apuradas no mês anterior ao fornecimento, acrescidas do(s) prêmio(s) vencedores do leilão para os respectivos volumes. O prêmio inicial para cada lote será de US$ 1,80/MMBtu, com ofertas incrementais mínimas de US$ 0,02/MMBtu durante a sessão.
Caso haja lotes remanescentes ao final das cinco etapas, será realizada uma última rodada, prevista para começar às 13h10. Nessa fase, todas as empresas habilitadas poderão disputar os volumes disponíveis, independentemente do segmento industrial, sem limite máximo de lotes por participante, desde que respeitada sua capacidade de consumo declarada.
Ao final de cada etapa do leilão, a CCEE divulgará, por meio de um link específico, os resultados da rodada, incluindo os vencedores e o preço médio do gás natural comercializado. As informações estarão disponíveis para consulta ao público.
Fornecimento do gás
O gás natural da União será entregue aos compradores na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, da Petrobras, localizada no Complexo de Energias Boaventura, antigo Comperj, no Rio de Janeiro. A partir desse ponto, caberá aos vencedores contratar o serviço de transporte, diretamente ou por meio de uma comercializadora habilitada junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), garantindo a chegada do gás às unidades consumidoras.
O edital do leilão foi publicado em 6 de outubro, após um período de consulta ao mercado, no qual a PPSA recebeu 320 contribuições de 22 agentes. As sugestões resultaram em ajustes nas regras para conferir maior flexibilidade ao processo de habilitação e participação das empresas.
Serviço – 1º Leilão de Gás Natural da União
Data: 22 de outubro de 2026 (quinta-feira)
Horário: A partir das 9h (horário de Brasília)
Local: Plataforma Eletrônica de Leilões da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE)
Volume ofertado: 1,1 milhão de m³/dia, distribuídos em 110 lotes
Programação prevista:
9h: Etapa 1 – Vidreiro
9h50: Etapa 2 – Ceramista
10h40: Etapa 3 – Siderúrgico, Metalúrgico e Mineração
11h30: Etapa 4 – Químico e Petroquímico
12h20: Etapa 5 – Fertilizantes Nitrogenados
13h10: Última rodada, caso haja volumes remanescentes
Mais informações:
Edital e documentos do 1º Leilão de Gás Natural da União
Perguntas e Respostas – 1º Leilão de Gás Natural da União
Money Times - SP 21/10/2026
Os preços do petróleo sobem nesta quarta-feira (21), à medida que o aumento das tensões no Oriente Médio alimentou temores de interrupções no abastecimento, enquanto a queda dos estoques de petróleo bruto e de derivados nos Estados Unidos deu sustentação ao mercado.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiam 92 centavos, ou 0,85%, para US$ 109,700 por barril, às 4h50 (horário de Brasília). O petróleo WTI (West Texas Intermediate), dos Estados Unidos, avançava 82 centavos, ou 0,84%, para US$ 98,64 por barril.
Os preços caíram na sessão anterior, depois que o presidente do Irã discutiu esforços de mediação em uma reunião com o chefe do Exército do Paquistão, em Teerã, embora o Brent tenha atingido a máxima em cinco meses antes de recuar.
“Os preços do petróleo têm apresentado uma trajetória bastante volátil nas últimas sessões”, disse Suvro Sarkar, chefe de pesquisa de energia do DBS.
“Acreditamos que isso seja resultado de uma combinação de realização de lucros e expectativas otimistas de um acordo mediado pelo Catar ou pelo Paquistão, contrabalançadas pela percepção de que qualquer acordo ainda está muito distante, além de dados de estoques do Instituto Americano do Petróleo (API), que mostram que as reduções continuam nos Estados Unidos, tanto para o petróleo bruto quanto para os derivados.”
O Irã informou ao chefe do Exército do Paquistão que não haverá negociações com Washington até que suas exigências sejam atendidas, noticiou nesta terça-feira (20) o veículo de comunicação iraniano Nournews, acrescentando que uma delegação do Catar havia chegado a Teerã. Não houve confirmação oficial dos relatos.
Os riscos à segurança marítima também estão aumentando. A empresa de rastreamento de navios Kpler afirmou que pelo menos 18 ataques a embarcações foram registrados nas últimas duas semanas, enquanto analistas da LSEG alertaram que o Irã estava atacando petroleiros muito além do Estreito de Ormuz, alcançando o Golfo de Omã e colocando em risco os carregamentos de petróleo bruto do Golfo e as transferências entre navios que dão suporte às operações de carregamento na região.
Na Arábia Saudita, os houthis reivindicaram a responsabilidade por ataques a uma instalação da Saudi Aramco em Yanbu, ao campo petrolífero de Shaybah e aos aeroportos sauditas de Riad e Abha.
O número de mortos em um ataque houthi contra forças do governo iemenita na segunda-feira subiu para 73, enquanto os combates se intensificavam.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou em uma entrevista televisiva exibida ontem que o Irã ainda não recebeu uma resposta da Arábia Saudita ou dos houthis do Iêmen à sua oferta de ajudar a intermediar negociações de paz.
Nos Estados Unidos, dois funcionários do Departamento de Energia disseram que estavam trabalhando com refinarias de todo o mundo para aumentar a produção de combustíveis, em meio à alta dos preços provocada pela escassez de diesel.
Segundo fontes do mercado que citaram dados do API, os estoques de petróleo bruto dos Estados Unidos caíram 4,9 milhões de barris na semana encerrada em 16 de outubro.
Valor - SP 01/12/2025
Perspectiva de aumento da oferta e a diminuição da demanda pressionam as cotações de algumas commodities, como suco de laranja, cacau, açúcar e algodão
Em novembro, a procura por soja americana da safra 2025/26 enfim começou a ganhar tração, o que puxou para cima as cotações do grão na bolsa de Chicago. A cotação média dos contratos de segunda posição de entrega, normalmente os mais líquidos, subiu 7,8% no mês passado, para US$ 11,3499 o bushel, segundo o Valor Data.
O encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, que ocorreu no fim de outubro, ajudou a destravar os embarques de soja americana ao mercado chinês, o que deu impulso às negociações da oleaginosa no mercado futuro. Os EUA estavam sem conseguir enviar navios com carregamentos de soja para a China desde setembro.
Segundo cálculos de Francisco Queiroz, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, a China acertou no mês passado a compra de 4 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos. O governo americano estabeleceu a meta de negociar 12 milhões com os chineses ainda em 2025.
“As compras de soja que aconteceram até agora são uma estratégia política, para atender o desejo de Trump, e não por necessidade da China. É difícil acreditar que a China irá mesmo comprar as 12 milhões de toneladas, já que a soja brasileira ainda é mais competitiva que a americana, sobre a qual a China continua cobrando 13% de tarifa de importação. Além disso, a margem das esmagadoras chinesas privadas segue negativa, o que reforça que essa demanda está vindo das estatais”, observa Queiroz.
As cotações de trigo e milho passaram por ajustes técnicos e também subiram em Chicago em novembro. O trigo encerrou o mês em alta de 3,4%, com valor médio de US$ 5,4891 o bushel, e o milho subiu 1,1%, a US$ 4,4466 o bushel.
Na bolsa de Nova York, a boa perspectiva para a oferta mundial de suco de laranja e a baixa demanda pela commodity pressionaram as cotações no mês passado. Segundo levantamento do Valor Data, o preço médio dos contratos de segunda posição do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) caiu 17,7% em novembro, para US$ 1,6546 a libra-peso.
Segundo Andrés Padilla, analista sênior do Rabobank Brasil, o consumo de suco de laranja não está reagindo no mercado internacional neste ano. “Isso se deve principalmente à manutenção de preços elevados no varejo dos Estados Unidos e, em menor medida, na Europa”, afirmou.
Padilla observa que, além disso, há estimativas de recuperação na safra 2025/26 de laranja do Brasil, o maior exportador mundial de suco de laranja. “A reposição de estoques de suco no final do ano safra 2025/26 deve ser considerável, aumentando a disponibilidade do produto”, disse.
A perspectiva de aumento da oferta e a diminuição da demanda também pressionaram as cotações do cacau, que caíram 7% em novembro, para US$ 5.711 a tonelada, em média. Adilson Reis, analista especializado no mercado de cacau, destaca que, com a expectativa de melhora da oferta em 2025/26 e a redução do consumo, muitos fundos ajustaram suas posições no mercado futuro da amêndoa, o que exerceu pressão adicional sobre os preços.
Outro elemento para a baixa foi a decisão do Parlamento Europeu de adiar o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR, na sigla em inglês). Agora, a nova lei deve passar a vigorar apenas em 30 de dezembro de 2026.
“O adiamento da lei tranquilizou o mercado. A Europa, que é o maior consumidor de cacau do mundo, teria muito mais a perder com a exigência de compra de produto certificado. No momento, não existe capacidade de entrega de cacau dentro dessas normas”, afirma Reis.
O açúcar também encerrou o mês em baixa — o recuo dos contratos de segunda posição foi de 6,2%, para a média de 14,16 centavos de dólar a libra-peso. As previsões otimistas para as safras de cana-de-açúcar em produtores importantes, como Brasil e Índia, foram o principal fator para a queda.
O algodão, por sua vez, fechou o mês em queda de 1,1%, para uma média de 64,87 centavos de dólar a libra-peso. Entre as chamadas “soft commodities”, apenas o café valorizou-se na bolsa de Nova York em novembro. Os preços subiram 2,3%, para US$ 3,8183 a libra-peso.