Clipping Diário

21 | Julho | 2026

SIDERURGIA

Valor - SP   21/07/2026

A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a operação.

A Gerdau adquiriu, nesta segunda-feira (20), os 23,03% da Dona Francisca Energética (Dfesa) que pertenciam à Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc). A aquisição foi realizada com um valor de empresa (patrimônio + dívidas) de R$ 150 milhões.

Considerando o caixa consolidado proporcional, a Gerdau desembolsou um total de R$ 154 milhões, pagos à vista. Mais cedo, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a operação.

A Gerdau, que detinha 53,94% da Dfesa até o início do ano, havia adquirido outra parcela, de 23,03%, da Copel, e agora passará a deter 100% da empresa.

Exame - SP   21/07/2026

Desde 1º de janeiro de 2026, importar aço, alumínio, cimento ou fertilizantes para a União Europeia passou a exigir a compra de certificados de carbono — um custo que se acumula a cada trimestre e será pago em setembro de 2027.

No segundo trimestre de 2026, o certificado CBAM foi fixado em € 75,28 por tonelada de CO. O Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM), peça central do pacote legislativo "Fit for 55", saiu do papel e está em operação plena, com tendência de alta à medida que o teto de emissões do EU ETS (Emissions Trading System) se contrai e as permissões gratuitas para a indústria europeia são eliminadas.

Para os exportadores brasileiros de aço e alumínio, o mecanismo já não é um exercício de cenários. É uma realidade financeira que passa a ser calculada em cada tonelada embarcada.

Dados oficiais do Comex Stat (MDIC) mostram que as exportações brasileiras de produtos diretamente cobertos pelo CBAM para a União Europeia somaram US$ 2,2 bilhões em 2025:

Capítulo NCM Descrição Valor (US$ FOB) % do Total CBAM
72 Ferro e aço (ferro fundido, semiacabados, laminados, ferroligas) US$ 1.734.164.965 78,8%
76 Alumínio e suas obras US$ 258.249.941 11,7%
73 Obras de ferro e aço (tubos, estruturas, perfis) US$ 209.165.608 9,5%
Total Capítulos 72 + 73 + 76 US$ 2.201.580.514 100%
Fonte: Comex Stat — MDIC. Exportações do Brasil para a União Europeia, jan-dez 2025.

O valor total das exportações brasileiras para o bloco no período foi de US$ 49,77 bilhões. Os produtos hoje cobertos pelo CBAM representam 4,4% de tudo o que o Brasil vende à UE — fatia que pode crescer com a expansão do mecanismo para produtos downstream a partir de 2028.

A siderurgia responde por mais de três quartos da exposição brasileira ao CBAM. Em 2025, as exportações de aço para a Europa dobraram, saltando de 686 mil para 1,38 milhão de toneladas, segundo o Instituto Aço Brasil, impulsionadas pelo redirecionamento causado pelas tarifas americanas (Section 232).

Os principais embarques de ferro e aço para a UE em 2025 incluíram ferro-nióbio (US$ 466 milhões), ferro-níquel (US$ 359 milhões), semimanufaturados de aço (US$ 339 milhões), ferro fundido bruto (US$ 161 milhões) e ferroligas diversas (US$ 262 milhões), segundo o Comex Stat.

O que determina o custo real do CBAM sobre o aço brasileiro é a intensidade de carbono de cada rota tecnológica. A média nacional é de 1,7 tCO2 por tonelada de aço, bem abaixo da média global de 1,92 tCO2/t reportada pela World Steel Association. Mas a heterogeneidade interna é grande:

Rota Tecnológica % da capacidade brasileira Intensidade (tCO2/t aço) Custo CBAM (€/t aço)
BF-BOF com carvão mineral ~65% 2,10 € 158
BF-BOF com carvão vegetal (se aceito como renovável) ~11% 1,55 € 117
EAF (forno elétrico a sucata) ~24% 0,86 € 65
Média nacional 100% ~1,7 € 128
Média global — 1,92 € 145
A grande incógnita para a siderurgia brasileira é o aceite do carvão vegetal na metodologia do CBAM. O Brasil é o maior produtor mundial de aço a carvão vegetal — cerca de 11% da produção nacional.

No EU ETS, a biomassa sustentável certificada pode ser zero-rated (fator de emissão zero), desde que comprove critérios de sustentabilidade da Diretiva de Energia Renovável (RED II).

Se esse princípio for aplicado ao CBAM para o carvão vegetal de florestas plantadas, a intensidade do aço BF-BOF brasileiro cairia para 1,55 tCO2/t — a mais baixa entre os grandes produtores. Caso contrário, ou sem certificação, o valor sobe para 2,10 tCO2/t.

O problema é que o CBAM ainda não possui regra explícita sobre o tema, e o ônus da prova recai integralmente sobre o produtor brasileiro.

Produtores sem certificação pagarão o valor-padrão como se usassem carvão mineral. A definição dessa classificação pela Comissão Europeia terá impacto direto sobre a conta anual do CBAM para a siderurgia brasileira.

Para o volume de 1,38 milhão de toneladas exportado à UE em 2025, a conta potencial agregada do CBAM situa-se entre € 90 milhões e € 218 milhões por ano, a depender do mix de rotas tecnológicas e da classificação do carvão vegetal. Vale ressaltar que esse é o valor máximo da exposição futura, quando o mecanismo estiver 100% implementado em 2034.

Nos primeiros anos, o CBAM factor — que reflete a eliminação gradual das permissões gratuitas do EU ETS — reduz significativamente o custo efetivo: em 2026, a alíquota incidente é de 2,5%, subindo progressivamente até 100% em 2034.

Os mesmos dados do Comex Stat mostram que o alumínio brasileiro exportado para a UE somou US$ 258 milhões em 2025, com destaque para o alumínio não ligado em formas brutas (US$ 199 milhões) e folhas e tiras finas (US$ 26 milhões).

A indústria brasileira do alumínio possui uma vantagem competitiva que poucos concorrentes podem replicar. Segundo o estudo Aluminum Climate Impact 2025, da Global Efficiency Intelligence, a intensidade total de CO2 do alumínio primário brasileiro é de 3,7 toneladas por tonelada:

País tCO2/t alumínio primário Fonte de eletricidade
Brasil 3,7 Hidrelétrica
Noruega 3,8 Hidrelétrica
Canadá 3,2 Hidrelétrica
Islândia 2,9 Hidrelétrica + geotérmica
China 13,5 Carvão
Índia 16,3 Carvão
Média global ~16,7 —

Traduzindo para o CBAM: a € 75,28/tCO, o custo estimado para o alumínio brasileiro é de € 279 por tonelada, contra cerca de € 1.257/t para a média global — uma vantagem competitiva de aproximadamente € 978 por tonelada no mercado europeu.

Uma diferença que, comunicada e auditada, pode se traduzir em prêmio de preço e preferência de compra junto a importadores europeus que buscam descarbonizar suas cadeias de suprimento. Vale lembrar que esses valores representam a exposição máxima quando o CBAM estiver plenamente implementado, em 2034. Nos primeiros anos, vale também a redução do CBAM factor.

Segundo o mesmo estudo, a eletrólise — etapa que responde por cerca de 72% das emissões do alumínio primário — tem intensidade de apenas 0,6 tCO/t no Brasil, contra 10 tCO/t na China e 12 tCO/t na Índia.

A vantagem brasileira não se limita à matriz elétrica. O país também possui uma das maiores taxas de reciclagem de alumínio do mundo: cerca de 35% a 40% de todo o alumínio produzido no Brasil vem de sucata reciclada, segundo o mesmo estudo da Global Efficiency Intelligence. Na produção de latas de bebida, o índice chega a aproximadamente 84% — o mais alto do planeta.

O dado é relevante porque a reciclagem reduz as emissões de carbono em 90% a 95% em relação à produção primária. Isso significa que o alumínio brasileiro já nasce com uma pegada de carbono estruturalmente menor em múltiplas frentes — da geração de energia ao reaproveitamento de material —, o que amplia a vantagem competitiva frente a concorrentes asiáticos e europeus no contexto do CBAM.

Dois pontos de atenção, no entanto, permanecem. Primeiro, as emissões de processo (que geram os perfluorcarbonos, ou PFCs) independem da matriz energética e continuarão sendo precificadas.

Segundo, os mecanismos de MRV precisam ser estruturados para adequar os relatórios ao CBAM. Para isso, a ABAL e o MDIC lançaram em abril de 2025 uma parceria para desenvolver uma metodologia de verificação de GEE para toda a cadeia do alumínio — da bauxita à reciclagem. Os resultados dessa iniciativa serão a fonte mais precisa quando estiverem disponíveis.

O cenário regulatório, além disso, se complicou: em junho de 2026, a UE trouxe más notícias para os exportadores brasileiros de aço. A UE aprovou novas regras de salvaguarda que reduzem em 47% o volume de aço que entra sem tarifas no bloco e dobram a tarifa penalidade para 50% sobre os volumes excedentes.

O CBAM se soma a esse cenário restritivo — e ao contrário das tarifas, que podem ser contestadas na OMC, o CBAM é um mecanismo climático com lastro no Acordo de Paris e no Green Deal europeu.

Para agravar o quadro, a extensão do CBAM a mais de 180 produtos downstream deve entrar em vigor em 2028, após o Conselho da UE ter aprovado sua posição em junho de 2026.

Os US$ 209 milhões correspondentes a obras e produtos manufaturados (chamado de capítulo 73 na Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM) podem ser apenas o começo de uma exposição muito maior para a indústria brasileira de transformados metálicos.

Nesse cenário, o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), criado pela Lei nº 15.042/2024, poderá no futuro permitir que os exportadores abatam o preço do carbono pago no Brasil do custo do CBAM.

O problema é o descompasso de cronogramas: os leilões onerosos de CBEs — os únicos que geram preço reconhecível — só devem ocorrer a partir de 2029 (Fase V da lei). Como o CBAM só permite abater o preço do carbono efetivamente pago, e não o gratuito, o custo será integral nos primeiros anos.

Há também o desafio diplomático e negocial. A UE levou cerca de uma década para negociar a equivalência do sistema ETS com o sistema suíço — e a Suíça, não membro do bloco, tinha um mercado maduro e operacional.

A janela de oportunidade para o Brasil negociar equivalência começa agora, mas os efeitos práticos só devem aparecer a partir de 2030 no melhor cenário.

Por isso, é crucial avançar nos mecanismos de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV): quem mede paga menos. Empresas que já possuem inventários de carbono auditados (GHG Protocol, ISO 14064) e conseguem comprovar sua eficiência pagarão menos CBAM do que aquelas que nunca mediram.

Na ausência de dados auditados, o CBAM aplica valores-padrão que tendem a ser mais altos. Essa é a hora de avançar na aplicação dos inventários e gerar um MRV robusto.

Esperar significa menos demanda e mais pressão sobre os preços. Empresas que ainda não iniciaram inventários auditados têm até setembro de 2027 para se preparar — o relógio corre!

ECONOMIA

Agência Brasil - DF   21/07/2026

As expectativas do mercado financeiro para a inflação em 2026 mantêm a trajetória de queda observada nas últimas semanas. Segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Banco Central (BC), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano em 5,15%.

Na semana passada, o mercado projetava que o IPCA, índice que corresponde à inflação no país, fecharia o ano em 5,16%. Há quatro semanas, a expectativa era uma inflação de 5,33%. Para os anos 2027 e 2028, o boletim projeta inflação em 4,20% e 3,78%, respectivamente.

Nos demais indicadores (PIB, Câmbio e Selic), as projeções do mercado se mantiveram estáveis, também na comparação com as últimas semanas.
PIB e dólar

Com relação ao Produto Interno Bruto, (PIB - soma de todos os bens e serviços produzidos no país), as projeções do mercado financeiro são as mesmas há 3 semanas: crescimento de 1,99% em 2026. Há quatro semanas, as projeções eram de que a economia brasileira cresceria 1,98% no ano.

Para 2027, o mercado projeta um crescimento de 1,65% para o PIB. Para 2028, 2%.

As projeções para o câmbio ao final de 2026 estão estáveis há cinco semanas. A cotação prevista pelo mercado está em R$ 5,20 para o ano; em R$ 5,28 para 2027; e em R$ 5,30 para 2028.
Taxa Selic

A projeção da taxa básica de juros (Selic) para 2026 se manteve em 14% pela quarta semana consecutiva.

A taxa atual, estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC em 17 de junho, é 14,25%. Com isso, há expectativa de pelo menos uma redução na atual taxa até o final de 2026.

A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 4 e 5 de agosto.

As previsões da Selic para 2027 e 2028 se mantiveram estáveis, em 12% e 10,5%, respectivamente.

De junho de 2025 até março de 2026, a Selic estava em 15% ao ano – o maior nível desde julho de 2006, quando foi fixada em 15,25% ao ano.

De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes.
Copom

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, incentivando produção e consumo no país – o que acaba por estimular a atividade econômica.

Por outro lado, segundo os especialistas que costumam ser consultados pelo BC para a elaboração do boletim Focus, créditos mais baratos tendem a aumentar pressões inflacionárias.

Ao aumentar a taxa Selic, o Copom faz com que o crédito no país fique mais caro, o que estimula, em vez de consumo, a aplicação de recursos em poupanças ou em renda fixa.

Na avaliação do mercado, taxas mais altas de juros acabam por dificultar a expansão da economia, uma vez que, ao desestimularem o consumo, reduzem demandas – ajudando a conter pressões inflacionárias.

Para definir as taxas de juros que cobram de seus clientes, os bancos consideram, também, outros fatores. Entre eles, risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Infomoney - SP   21/07/2026

“O Brasil é irrelevante, e eu entendo o porquê.” A frase é de Marcio Appel, gestor à frente da Adam Capital, que tem sob gestão cerca de R$ 3 bilhões, e resume sua leitura pessimista sobre a economia brasileira. Para ele, não há saída de longo prazo que não passe pela inflação.

O executivo classifica as contas públicas como delicadas, presas a gastos difíceis de cortar, como saúde e educação, e diz sentir “um friozinho na barriga”. “Não consigo ver outro caminho para o Brasil que não seja resolver o problema da despesa via inflação”, afirma, atribuindo o impasse à dificuldade política de reduzir gastos.

A avaliação foi feita no programa Stock Pickers, comandado por Lucas Collazo. Para Appel, a fronteira da geração de riqueza está nos Estados Unidos, enquanto o Brasil é, na prática, “o lugar para não perder dinheiro”. Ele diz gostar do país, mas critica o arcabouço fiscal e o avanço do Estado sobre a economia.
Essa leitura se traduz em apostas na alta da bolsa americana e na queda do Ibovespa, estratégia que, segundo o gestor, “há 30 anos dá dinheiro”. No fundo de previdência, a casa está comprada no índice Nasdaq, que considera barato.

O gestor também contesta a ideia de que os juros brasileiros seriam altos o bastante para frear a economia. “Não é contracionista”, diz, apontando o desemprego em queda como sinal de que o país cresce acima do próprio potencial. Na sua conta, o Banco Central erra ao cortar juros.

Ele faz uma ressalva: o real valorizado, puxado pela entrada de dinheiro em busca de juros altos, ajudou a segurar a inflação e seria, sozinho, motivo para o corte. Ainda assim, duvida que a meta de 3% seja atingida e vê mais risco de a inflação subir do que cair.

O maior alerta, porém, está no crédito. Appel cita a forte expansão dos fundos de crédito e dos títulos incentivados como sinal de que os juros ficaram baixos demais no passado. Se estourar uma crise nesse mercado, diz, o crescimento pode desabar e o câmbio, desvalorizar.

Nesse cenário, ele aposta na receita de sempre. “O Brasil sendo o Brasil, a solução vai ser injetar dinheiro”, afirma, prevendo socorro a empresas. Critica ainda a “maluquice” de perseguir a meta de 3%, já que qualquer número, na prática, daria no mesmo.
E também: Gestora que lucrou com queda de ações vê mercado atual difícil para estratégia Virada no ouro e aposta contra o petróleo

No ouro, o gestor mudou de lado. A Adam ganhou dinheiro com o metal no ano passado, impulsionada por juros baixos e pelo medo gerado pelo confisco das reservas russas. Agora, Appel projeta o movimento inverso e vê espaço para uma correção de pelo menos 30%.

No petróleo, a visão é de queda. Para ele, a pressão da guerra é passageira, e novas fronteiras de produção, incluindo a Venezuela, devem inundar o mercado. Soma-se a isso o avanço dos carros elétricos, que ele resume sem rodeios: “O carro elétrico é melhor.”

O gestor avalia que a demanda por petróleo deve migrar para o transporte pesado e a aviação, enquanto o gás natural segue abundante nos Estados Unidos. Projeta ainda que, em dez anos, boa parte da demanda marginal de energia virá do espaço, reforçando sua tese de centrais de dados em órbita.

Sobre o desempenho da casa, ele conta que voltou a investir em ações individuais depois de elas renderem muito mais que os índices em 2025. Cerca de 80% do resultado veio do exterior; o restante, de apostas na queda do ouro, da bolsa brasileira e do euro.

CNN Brasil - SP   21/07/2026

Uma nova tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros imposta pelos Estados Unidos entra em vigor na quarta-feira (22), às 00h01 no horário da Costa Leste americana, o que equivale a 01h01 no horário de Brasília.

Com a medida, o Brasil passará a figurar entre os países mais taxados pelos Estados Unidos, ficando atrás apenas da China no ranking de nações mais afetadas pelas tarifas americanas.

De acordo com um levantamento internacional que analisa o comércio entre países, o Brasil ocupava a 13ª posição nesse ranking antes da nova tarifa. Com a entrada em vigor da medida, o país saltará para a segunda colocação, pelo menos até o dia 25 de julho, quando uma tarifa específica de 10% aplicada contra o Brasil deixará de valer conforme a legislação americana.

A tarifa média cobrada dos chineses é atualmente de 27%, enquanto a nova taxa aplicada ao Brasil ficará um pouco acima dos 18%.
Origem e justificativas da medida

A aplicação da tarifa havia sido anunciada inicialmente em 1º de junho. Desde então, houve intensa mobilização do setor produtivo brasileiro e a realização de audiências públicas nos Estados Unidos, conduzidas pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), responsável pela investigação com base na Seção 301 — trecho da legislação americana sobre comércio internacional que permite aos Estados Unidos implementar tarifas contra países quando identificam práticas comerciais consideradas injustas.

Entre as acusações que embasam a nova tarifa, os Estados Unidos citam a criação do Pix, que, segundo o governo americano, teria prejudicado o comércio de bandeiras de cartões de crédito americanas no Brasil.

Também é mencionado o desmatamento brasileiro, que, na visão americana, permitiria aos fazendeiros brasileiros operar com custos menores do que os produtores americanos, que precisam seguir uma legislação ambiental mais rigorosa.

O governo brasileiro rebateu todas essas acusações, inclusive com dados: apontou que o desmatamento na Amazônia e no Cerrado vem diminuindo nos últimos anos, que as bandeiras americanas continuaram crescendo no Brasil durante o período de implementação do PIX, e que os Estados Unidos têm superávit na balança comercial com o Brasil.

Impactos esperados pelo setor produtivo

O setor produtivo brasileiro acompanha a situação com grande preocupação. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), 20 dos 27 estados brasileiros já registraram queda nas exportações para os Estados Unidos no primeiro trimestre deste ano, e a tendência é de piora com a entrada em vigor da tarifa de 25%.

A entidade que representa a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, a Amcham Brasil, estima que mais de US$ 11 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos podem ser afetadas — o equivalente a 26% de tudo que o Brasil vende ao mercado norte-americano.

A Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) alertou que o impacto vai além da venda direta para os americanos.

Segundo a entidade, a nova tarifa aumenta a insegurança no comércio internacional, desestimula o planejamento de investimentos, reduz a competitividade das empresas e pode gerar consequências negativas sobre a produção e os empregos no Brasil.
Reação do governo brasileiro

Desde a confirmação das tarifas, na madrugada de quarta-feira (15) para quinta-feira (16) da semana passada, o governo brasileiro mudou de postura. Inicialmente, ainda durante a madrugada, chegou a falar em acionar imediatamente os mecanismos previstos na lei da reciprocidade econômica.

Ao longo do mesmo dia, o discurso foi sendo suavizado, com o governo passando a defender que a resposta seria estudada com cautela. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, chegou a afirmar que não se deve falar em retaliação, mas sim em reciprocidade, e que o assunto seria avaliado com calma.

O setor produtivo é contrário a qualquer tipo de medida retaliatória por parte do governo brasileiro, temendo que isso faça a situação escalonar ainda mais.

O próprio resultado da investigação do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) indica que, se o Brasil retaliasse com tarifas contra produtos americanos, isso seria interpretado como sinal de que a tarifa extra de 25% não teria sido suficiente para fazer o país abandonar o que os americanos chamam de práticas comerciais abusivas.

Para os próximos dias, aguarda-se o início de novas reuniões entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e o setor produtivo, com o objetivo de definir tanto uma possível resposta do governo brasileiro quanto formas de apoio aos setores mais afetados pela nova tarifa.

Agência Brasil - DF   21/07/2026

O tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve provocar efeitos limitados sobre a balança comercial do Brasil. No entanto, setores da indústria sentirão o impacto, embora as medidas do governo Donald Trump afetem apenas 18% das exportações nacionais para o mercado estadunidense.

Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, as áreas que sofrerão mais com perdas de competitividade são segmentos que exportam bastante aos Estados Unidos e têm dificuldades para remanejar mercados. Entre os setores afetados, estão máquinas, aço, alumínio, calçados e automóveis.

No primeiro semestre de 2026, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o Brasil importou US$ 1,5 bilhão do mercado estadunidense a mais do que exportou. O déficit do Brasil e superávit para os Estados Unidos mantém-se, apesar do encolhimento do comércio bilateral desde o ano passado.
Comércio recua

As trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos somaram US$ 36,4 bilhões no primeiro semestre, queda de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

As exportações brasileiras recuaram 13%, para US$ 17,4 bilhões, enquanto as importações de produtos americanos caíram 12,5%, totalizando US$ 19 bilhões. Com isso, o Brasil encerrou o período com déficit comercial de US$ 1,5 bilhão.

Em junho, as exportações cresceram 3,7%, alcançando US$ 3,47 bilhões, mas o resultado foi sustentado pela alta de 11% nos preços médios. O volume embarcado caiu 6,6%.
Efeito concentrado

Pesquisadora associada do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas e professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), Lia Valls afirma que o tarifaço dificilmente alterará o desempenho agregado da balança comercial brasileira, já que os Estados Unidos respondem hoje por uma parcela menor das exportações nacionais.

"Alterar o saldo da balança, em termos macroeconômicos, é pouco provável. O nosso grande mercado realmente é a Ásia, principalmente a China. A participação das exportações para os Estados Unidos caiu para cerca de 9,4%", diz.

Segundo ela, os efeitos devem ser sentidos principalmente por empresas e setores industriais mais dependentes do mercado americano.

"Você pode ter efeitos mais microeconômicos sobre empresas, principalmente dos setores de máquinas, equipamentos, madeira e calçados", enumera.

O presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, também descarta um efeito relevante sobre o superávit comercial.

“O superávit comercial brasileiro é derivado exclusivamente das commodities [bens primários com cotação internacional]. O tarifaço poupou justamente commodities com as quais o Brasil compete com os Estados Unidos, como soja, suco de laranja e carnes”, explica.
Indústria perde

Para José Augusto de Castro, o maior prejuízo será para a indústria nacional, responsável pela produção de bens de maior valor agregado.

"Nós temos um superávit comercial grande, mas um déficit comercial de manufaturados gigantesco. Esse déficit é que preocupa, porque é o setor manufatureiro que gera emprego no Brasil."

Castro afirma que as novas barreiras tendem a favorecer concorrentes internacionais.

"Como a sobretaxa atingiu diretamente os produtos manufaturados, abre mercados para outros países que antes não exportavam esses produtos e agora passam a ocupar esse espaço."
Motivações políticas

Na avaliação de Lia Valls, a escalada das tarifas deixou de seguir critérios econômicos e passou a incorporar argumentos políticos. Principalmente porque, diferentemente da maioria dos países, o Brasil tem déficit comercial com os Estados Unidos.

"Quando ele [Trump] aumentou para 40%, os argumentos realmente eram muito mais de caráter político. Não tinha muito argumento econômico nessa história", diz.

Segundo a economista, temas como decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), a regulamentação das plataformas digitais, o Pix e políticas ambientais passaram a ser utilizados como justificativas para ampliar as sanções comerciais.
Retaliação divide

O governo federal estuda recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica para responder ao tarifaço americano. Os especialistas, porém, veem poucos benefícios em uma retaliação.

Lia Valls avalia que o Brasil não dispõe de capacidade para impor perdas relevantes aos Estados Unidos.

"O problema é que a gente não tem capacidade de retaliação contra os Estados Unidos. Se você não consegue causar um dano efetivo ao outro, acaba revertendo contra você. O ganho seria pequeno. O caminho é denunciar a medida e levar o caso à Organização Mundial do Comércio", sugere.

José Augusto de Castro também considera que uma resposta tarifária tende a ser ineficaz.

"Não acredito em retaliação. O comércio internacional é feito de negociações, não de retaliações. O Brasil não tem cacife para retaliar os Estados Unidos. Temos tudo a perder e nada a ganhar. Na teoria, a reciprocidade parece adequada, mas, na prática, é muito difícil implementá-la", adverte.
Produtos afetados

As tarifas foram impostas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para aplicar medidas comerciais unilaterais.

Embora a alíquota-padrão seja 25%, em 24% dos produtos atingidos, chega a 50%. Isso porque o tarifaço, nesses casos, somou-se a tarifas impostas anteriormente pelos Estados Unidos.

Entre os setores mais afetados estão aço, alumínio, automóveis, máquinas, equipamentos, calçados e produtos de madeira. Já aeronaves, componentes aeroespaciais, petróleo, soja, café, carne bovina e suco de laranja ficaram de fora das sobretaxas.

Globo Online - RJ   21/07/2026

O governo federal inicia nesta segunda-feira uma rodada de reuniões com representantes dos setores mais afetados pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Os encontros, que serão coordenados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), têm como objetivo dimensionar os prejuízos provocados pela medida e servirão de base para a definição do pacote de apoio às empresas exportadoras. As tarifas dos EUA entram em vigor na quarta-feira.

A orientação do governo é ouvir individualmente os segmentos atingidos para mapear perdas de contratos, riscos para a produção, impactos sobre empregos e necessidade de crédito. A partir desse diagnóstico, a equipe econômica pretende calibrar o alcance das medidas de socorro, que deverão respeitar as limitações fiscais e priorizar os setores mais vulneráveis.

As reuniões ocorrem poucos dias após o anúncio de que o Executivo estruturará um programa de apoio às empresas afetadas pela decisão do presidente americano Donald Trump. Entre as alternativas em estudo estão a ampliação de instrumentos já existentes do Plano Brasil Soberano, novas linhas de financiamento, reforço às ações de promoção comercial e iniciativas para acelerar a abertura de mercados alternativos às exportações brasileiras.

A avaliação do governo é que ainda não há um retrato preciso dos impactos da sobretaxa sobre cada cadeia produtiva. Por isso, a estratégia será construir as medidas em conjunto com representantes do setor privado antes de anunciar o volume de recursos e os mecanismos que serão utilizados.

Na última semana, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo não deixará empresários, agricultores, caminhoneiros e trabalhadores "na mão", mas ressaltou que qualquer ação será tomada de forma criteriosa e em consonância com o compromisso fiscal. Segundo ele, a prioridade é proteger os setores atingidos sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.

Entre os segmentos que deverão participar das reuniões estão indústrias mais dependentes do mercado americano, como máquinas e equipamentos, madeira, móveis, papel, calçados, plásticos e outros setores exportadores. O governo pretende identificar quais cadeias sofrerão os maiores impactos para definir a intensidade das medidas de apoio.

Paralelamente ao diálogo com o setor produtivo, o Brasil mantém conversas com autoridades americanas e estuda os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e na Organização Mundial do Comércio (OMC), embora a avaliação seja de que uma eventual reação comercial dependerá da evolução das tratativas bilaterais.

MINERAÇÃO

O Estado de S.Paulo - SP   21/07/2026

A possibilidade de a Petrobras voltar à mineração, mais de três décadas após abandonar o setor, divide opiniões e gera polêmica entre os especialistas, além de abrir nova frente de debate sobre o papel da estatal na economia brasileira.

Os críticos a essa possibilidade afirmam que, ao entrar no setor, o foco da empresa será comprometido e o movimento vai na contramão do mercado global. Eles argumentam que a entrada na mineração pode desviar recursos do petróleo, ampliar a influência política sobre a empresa e exigir mudanças no estatuto da companhia, além de gerar questionamentos de governança.

Há, porém, quem defenda que o retorno da estatal ao setor de mineração faz sentido porque a empresa de energia atuaria em áreas que podem ampliar o escopo da empresa num momento de transição energética.

Após o Congresso enterrar a proposta de criação da Terrabras, integrantes do governo passaram a considerar a companhia como alternativa para liderar projetos ligados a terras raras, potássio e urânio — minerais considerados estratégicos para a transição energética e para reduzir a dependência brasileira de importações.

A ideia ganhou força depois de sucessivas manifestações da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, favoráveis à exploração de minerais críticos. “Eu gosto da ideia de explorar potássio. Gosto da ideia de explorar minerais críticos. Gosto da ideia de fazer urânio. Gosto da ideia de ser uma empresa de energia cada vez maior”, disse a executiva em Sergipe, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o anúncio de investimentos no Estado.

O sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Pedro Rodrigues, vê a ideia da entrada da empresa na mineração como um movimento na direção oposta à adotada pelo mercado global. Para ele, isso pode afastar investimentos estrangeiros e desviar recursos de seu principal negócio. “Nós temos a terceira maior reserva de terras raras e isso não tem nada a ver com o core business da Petrobras; alguma coisa (dos investimentos da Petrobras) vai ficar para trás”, disse Rodrigues.

Segundo ele, a ideia surgiu após a derrota da tentativa do governo de criar uma estatal com essa finalidade no Congresso. “O governo não tem mais a Vale e por uma via transversa, quer empurrar a Petrobras para a mineração de terras raras, mas a Petrobras não tem nenhuma expertise no assunto”, afirmou.

Para a advogada especialista em mineração Mayra Mega Itaborahy, sócia do Murayama, Affonso Ferreira e Mota Advogados, esse movimento também teria entraves burocráticos, já que exigiria mudanças em seu estatuto. Como controladora da empresa, a União também teria de demonstrar o interesse público e a viabilidade econômica da iniciativa, conforme determina a Lei das Estatais.

“Entretanto, para o urânio, como o objeto social já alcança todas as formas de energia, a atuação para fins energéticos é juridicamente mais defensável no estatuto atual do que a de potássio, por exemplo, que não é energia e exigiria claramente a reforma estatutária”, explicou.

Para Mayra, a decisão precisa ser amparada por indicadores objetivos sobre os recursos que seriam destinados à atividade e seus impactos econômico-financeiros. Caso contrário, a companhia corre o risco de repetir o histórico de entrar e sair do setor conforme as mudanças de governo, agora sob obrigações para com os acionistas minoritários, Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e Tribunal de Contas da União (TCU).

O ex-senador e ex-presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, diz que a estatal deve preservar sua vocação de empresa integrada de energia, com responsabilidades em petróleo e gás, refino, combustíveis, fertilizantes, petroquímica, logística energética e transição energética, “e evitar se transformar em uma mineradora generalista, uma Vale estatal 2”. Para ele, uma eventual entrada no setor de mineração precisaria ser feita com muita cautela, se essa for a decisão, para não virar “dispersão de foco”.

Segundo ele, o que faria mais sentido, neste caso, seria a Petrobras concentrar sua atuação em áreas com clara sinergia com seus negócios, como fertilizantes — ligados à produção de gás, amônia, ureia, potássio e fosfato —, baterias e sistemas de armazenamento conectados à transição energética, grafita sintética, estudos geológicos offshore e tecnologias de processamento, reciclagem, logística e infraestrutura, além de participações minoritárias em consórcios ou fundos estratégicos.

Entre os especialistas simpáticos à ideia está o presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Abdan), Celso Cunha, que vem conversando com a estatal sobre o uso de pequenos reatores nucleares (SMRs) no longo prazo. Para ele, a empresa teria todas as condições de voltar à exploração mineral e faria isso “com os pés nas costas”.

“Seria bom. A Petrobras tem expertise geológica e temos a sexta maior reserva de urânio do mundo, que pode ser muito mais. Ela tem recursos para isso e poderia fazer parcerias para a pesquisa de urânio, mineral que vai faltar no mundo”, disse Cunha.

O professor da PUC-Rio, Edmar Almeida, é outro que vê com bons olhos a volta da empresa para o setor. “Uma eventual entrada da Petrobras no segmento de minerais críticos representa uma oportunidade estratégica para diversificar o portfólio da empresa e fortalecer sua atuação como empresa integrada de energia na transição energética”, avaliou.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse recentemente que cabe à própria Petrobras decidir se projetos ligados a minerais críticos têm viabilidade técnica, financeira e estratégica. A eventual atuação da petroleira no setor, afirmou, não significaria a criação de uma estatal mineral nem uma tentativa de concentrar no governo o controle sobre ativos privados.
Petromisa, a subsidiária de mineração

A discussão resgata a história da Petromisa, subsidiária de mineração extinta em 1990. A empresa foi criada no governo do general Ernesto Geisel. Em 1963, enquanto explorava petróleo, a Petrobras descobriu a jazida de cloreto de potássio de Taquari-Vassouras, no município de Rosário do Catete, em Sergipe.

Em 1979, foi iniciado pela Petromisa o projeto de exploração das jazidas. Em setembro de 1985, começou a produção no complexo mina/usina. A empresa foi extinta em 1990, no governo Fernando Collor. Em 1991, a mina foi arrendada pela Companhia Vale do Rio Doce. E, em 2017, a Vale Fertilizantes foi vendida para a Mosaic pelo valor agregado de US$ 2,5 bilhões.

CNN Brasil - SP   21/07/2026

Os contratos futuros de minério de ferro caíram nesta segunda-feira (20), já que a fraqueza sazonal na demanda chinesa por aço e a redução das margens das siderúrgicas superaram o efeito da oferta restrita de algumas cargas de minério de menor teor, após Pequim limitar as importações de determinados produtos da Fortescue.

O contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na DCE (Bolsa de Mercadorias de Dalian) da China encerrou o pregão diurno com queda de 0,39%, a 758 iuanes (US$ 111,94) por tonelada.

A referência de minério de ferro para agosto na Bolsa de Cingapura registrou queda de 0,15%, para US$100,05 por tonelada.

A taxa de utilização da capacidade dos altos-fornos em 247 siderúrgicas pesquisadas caiu para 89,78% na semana passada, enquanto a lucratividade recuou 3,03 pontos percentuais em relação à semana anterior, para 37,23%, segundo dados da consultoria Mysteel.

As chuvas persistentes no sul da China e as temperaturas altas no norte reduziram a atividade de construção e enfraqueceram o interesse de compra de minério pelos usuários finais, afirmaram analistas do Shanghai Metals Market em uma nota.

A autoridade meteorológica chinesa emitiu no domingo um alerta de chuva forte para partes do sul da China e um aviso de desastre geológico para áreas que incluem partes de Chongqing, onde 34 pessoas continuam desaparecidas mais de dois dias após um deslizamento de terra provocado pela chuva.

Ainda assim, a oferta de minério de menor teor continuou escassa.

Os estoques de "Super Special Fines" da Fortescue, um minério de ferro de menor teor, mantidos nos portos chineses caíram 16,5%, atingindo o menor nível em quatro meses na semana até 14 de julho, disseram traders, à medida que as siderúrgicas se apressaram em receber as cargas antes que as restrições impostas por Pequim entrassem em vigor.

O Estado de S.Paulo - SP   21/07/2026

A Vale (VALE3) não perdeu a sua atratividade como ação para renda passiva, mas entrou no segundo semestre de 2026 com um panorama híbrido. De um lado, a perspectiva é de que o preço do minério de ferro se mantenha quase estável, mas sem espaço para disparar. Do outro, custos pressionados pelo câmbio, frete e combustíveis podem afetar a geração de caixa da companhia.

Já a unidade de metais básicos ganha cada vez mais peso na formação do lucro da mineradora. A dúvida dos investidores é se ainda vale a pena se posicionar na mineradora para receber dividendos robustos nos próximos 12 meses.

O E-Investidor consultou analistas e traz os detalhes a seguir.

Minério de ferro deve se acomodar próximo dos US$ 100

O consenso entre os analistas consultados é de que o minério de ferro deve seguir em patamar elevado, mas sem espaço para grandes altas.

Lucas Lima, analista-chefe da VG Research, projeta a commodity em torno de US$ 95 a tonelada, próximo do nível atual de US$ 98/t, com alta limitada pela demanda por aço na China, atualmente pressionada pelo setor imobiliário.

“Por outro lado, também enxergamos um downside [queda do ativo] limitado, pois a produção de aço permanece elevada, sustentada por taxas altas de utilização dos altos-fornos, próximas de 88% a 90%, além das exportações de aço, que continuam em níveis historicamente elevados”, afirma.

Já Sergio Biz, sócio e analista do GuiaInvest, prefere trabalhar com um intervalo para o minério de US$ 90 a US$ 100 a tonelada e destaca que o suporte de preços vem do custo marginal de produção chinês e da reposição de estoques nas siderúrgicas, não de uma retomada estrutural de demanda.

Na Meraki Capital, o sócio e analista de renda variável Gustavo Poladian projeta o minério de ferro 61% em US$ 100/ton no segundo semestre, apesar da sazonalidade mais fraca do terceiro trimestre.

“A utilização de altos fornos na China continua elevada e o aumento de custos que a indústria teve recentemente, como frete elevado, apesar da redução do preço do brent, deveria ajudar a manter o preço próximo a US$ 100/ton”, avalia.

Em relação a custos, que também pesam na lucratividade da companhia, Biz calcula um C1 próximo de US$ 24 a tonelada e custo total ao redor de US$ 65/t no segundo trimestre, pressionado pelo frete, pelo diesel e pelo conflito no Oriente Médio.

Poladian reforça que os custos devem exercer pressão relevante no segundo trimestre, superando o guidance de extração do minério. Apesar do impacto, o analista da Meraki ainda espera uma geração de caixa robusta e crescimento do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) entre 5% a 10% ano contra ano.

Cobre ganhando espaço

A unidade Vale Base Metals (VBM), com produção de cobre e níquel, é um fator que anima os analistas. Para Lima, da VG Research, a VBM deve responder por quase 30% do EBITDA consolidado da Vale em 2026, fatia que pode chegar a 30%-35% até 2035.

O analista lembra que empresas focadas exclusivamente em cobre negociam a múltiplos bem mais esticados, perto de 10 vezes EBITDA, ante os 4,5 vezes da Vale.

“Existe potencial para uma reprecificação da companhia à medida que o mercado reconheça a maior relevância dos metais de transição dentro do portfólio”

Lucas Lima, analista-chefe da VG Research

Sergio Biz enxerga fatores positivos para o cobre no curto prazo. Ele destaca que a Vale Base Metals possui uma das carteiras de projetos mais competitivas do setor em intensidade de capital, com Bacaba e expansão de Salobo como próximos gatilhos. “No níquel, o cenário é mais desafiador, com excesso de oferta puxado pela produção indonésia, motivo pelo qual o foco ali deve ser produtividade, não expansão”, observa.

Poladian projeta expansão de EBITDA de 40% a 50% ao ano para a VBM, puxada pela alta de cobre, níquel e subprodutos como ouro e prata. Sobre o níquel, historicamente deficitário, a expectativa do analista é que a operação volte para o ponto de equilíbrio (breakeven) da geração de caixa, puxada principalmente pela melhora da operação, pela redução dos investimentos e pelo aumento dos preços.

Sobre a redução de tarifas de Trump para aço, alumínio e cobre feita em junho, o efeito é considerado neutro pelos três analistas consultados pelo E-Investidor. O motivo, segundo Poladian, é que a Vale usa como referência de preços a LME e não a Comex, ambas bolsas de commodities.

Biz completa que a flexibilização recaiu mais sobre produtos derivados, como maquinário agrícola e não sobre o minério de ferro ou cobre bruto exportado para a China. “A exposição da Vale aos EUA é baixa”, comenta.
O que esperar da Vale no 2TRI26

Nos próximos dias, a Vale deve ficar no radar dos investidores pela divulgação de dados trimestrais. Na terça-feira (21), a mineradora divulga seu relatório de produção e vendas do segundo trimestre. A expectativa dos analistas é de uma produção de minério de ferro em torno de 85 milhões de toneladas, alta de cerca de 2% na comparação anual. E vendas de 79 milhões de toneladas, com um preço realizado para a commodity próximo a US$ 95.

“Devemos ter uma recuperação sazonal típica no 2º trimestre. O investidor deve monitorar também o volume e preço realizado do cobre, que tem sido destaque positivo ultimamente, além de sinais do ritmo de produção em Carajás e no S11D”, afirma Biz, do GuiaInvest.

Já em relação ao balanço do 2º trimestre, que será divulgado em 30 de julho, Biz espera um lucro de aproximadamente US$ 2 bilhões e um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) entre US$ 3,5 e US$ 4 bilhões.

Para Poladian, da Meraki Capital, um ponto de atenção está nos custos que podem se acentuar, chegando a US$ 25 por tonelada de minério, ante US$ 22,2 no ano passado. O gestor destaca um maior nível de pressão no custo de frete pelo bunker “A Vale tem o frete quase todo contratado em contratos de longo prazo”, afirma ele.

Nas projeções do gestor da Meraki, o Ebitda da mineradora deve ser de US$ 3,7 bilhões no segundo trimestre, com US$ 2,8 bilhões vindos do minério de ferro e US$ 1,15 bilhão de metais básicos. “A geração de caixa fica perto de US$ 1 bilhão, o que deve se traduzir em um dividendo mais fraco no trimestre”, avalia Poladian.

Mais barata que concorrentes

Quando comparada com outras mineradoras, principalmente as gigantes australianas Rio Tinto e BHP, a Vale aparece como uma ação mais barata. Lima, da VG, estima que a Vale negocie a 4,5 vezes EV/EBITDA até o fim de 2026, ante 6 a 7 vezes dos pares australianos.

Já observando o dividend yield (retorno em dividendos) de 2026, Lima enxerga a Vale em 9%, com uma média de 5% das concorrentes.

Biz tem uma visão parecida, com a Vale negociando a 4 vezes EV/EBITDA em 2026 e yield (rendimento) de fluxo de caixa livre superior ao de BHP e Rio Tinto. “O carrego segue favorável à Vale”, avalia o analista do GuiaInvest.

Vale a pena para dividendos?

Embora não seja a oportunidade mais atrativa do momento, os analistas ainda recomendam a compra das ações da Vale (VALE3) para quem busca renda passiva no segundo semestre, mas fazem a ressalva de que se trata de uma companhia cíclica com forte dependência da volatilidade das commodities.

Lima destaca o múltiplo descontado de negociação do papel, a dívida controlada da companhia e o crescimento da Vale Base Metals como fatores que sustentam a tese da empresa.

Já Biz destaca a política de pagamento semestral de proventos e o fluxo de caixa livre de dois dígitos como pontos positivos, que se contrapõem à volatilidade do minério e à alavancagem em normalização.

Para os próximos 12 meses, as projeções de dividend yield dos analistas para VALE3 oscilam entre 8% e 10%, apenas com dividendos ordinários e pouco espaço para extraordinários.

Lima, da VG, espera proventos entre 8% e 10% para os próximos 12 meses e lembra que a Vale já distribuiu cerca de R$ 3,58 por ação em 2026, referentes à distribuição aprovada no fim de 2025, com espaço teórico para novos pagamentos próximos de R$ 3,00 por ação nos meses seguintes.

Biz vê o retorno em caixa mais próximo de 9% a 10% somando proventos e recompras, mas pondera que há espaço para a mineradora pagar um bom dividendo ordinário, mas com baixa probabilidade de extraordinários.

Poladian, da Meraki, é mais conservador e projeta um dividend yield de 8%. Ele espera US$ 1,9 bilhão de dividendos ordinários no segundo semestre e chance de entre US$ 1 bi e US$ 1,5 bilhão de extraordinários no começo do próximo ano.

O preço-teto indicado para compra da Vale é unânime entre os três analistas, de até R$ 80 por ação VALE3. Veja abaixo
Dividendos da VALE3

Deslize para ver o conteúdo RecomendaçãoDividend yield projetado próximos 12 mesesPreço-teto de compraQuem recomendaCompra8% até 10%R$ 80VG ResearchNeutra8%R$ 80Meraki CapitalCompra9% até 10%R$ 80GuiaInvest

Fonte: levantamento E-Investidor com analistas
Governança está em risco?

Recentemente, a saída do presidente do Conselho de Administração da Vale, Daniel André Stieler, derrubou as ações da mineradora, mas, para os analistas consultados pelo E-Investidor, trata-se mais de um ruído de curto prazo do que uma ameaça estrutural aos fundamentos da empresa.

Para Lima, da VG, o risco de uma eventual intervenção do governo na companhia é baixo, considerando que a Vale não possui um controlador definido ou majoritário.

Biz, do GuiaInvest, acredita que o desligamento de Stieler encerra a disputa aberta com a Previ e não altera os demais itens da pauta da assembleia de 22 de julho.

“É importante acompanhar a eleição do novo presidente do conselho, mas sem impacto direto esperado em operação, custos ou fluxo de caixa da mineradora”

Sergio Biz, sócio e analista do GuiaInvest

Já para Poladian, o receio sobre interferência estatal na Vale não seria tão exagerado, afinal a renúncia envolve um conselheiro ligado à Previ, presente na companhia desde 2021, antes da mudança de governo. “Apesar de um potencial risco adicional de governança, não deveria alterar em nada a estratégia da Vale, que vem sendo bem executada com a nova gestão”, pondera.

AUTOMOTIVO

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   21/07/2026

Embora protótipos da nova geração de cabines circulem em testes pelo país, a DAF garantiu que não trabalha com este lançamento no curto prazo.

Em vez disto seu plano concentra investimentos na ampliação da linha de caminhões vocacionais e no fortalecimento da família CF, especialmente semipesados.

Segundo Carlos Fraga, diretor de vendas da DAF Caminhões Brasil, a decisão está alinhada à filosofia da companhia de validar exaustivamente qualquer novo produto antes de colocá-lo à disposição dos clientes.

“A DAF conquistou espaço no Brasil pela robustez e confiabilidade dos seus caminhões. Antes de lançar qualquer produto nós testamos muito, em condições extremamente severas, para garantir que ele entregue exatamente aquilo que o cliente espera”, disse o executivo.

Por isso, apesar das especulações em torno da nova cabine, Fraga confirma que ela ainda não faz parte do planejamento imediato da operação brasileira. Desta forma não será lançada na Fenatran. “O caminhão novo virá, mas não agora”.

Crescimento virá fora das estradas - Enquanto o mercado aguardava novidades no segmento rodoviário, a DAF voltou sua atenção para outro movimento. Ou seja, aumentar sua presença em aplicações vocacionais.

Para a empresa este segmento representa a principal oportunidade de expansão nos próximos anos.

“O mercado brasileiro é muito diferente do europeu. Aqui existem nichos muito específicos. Caminhão para mineração, construção, cana, floresta, coleta de resíduos etc. Cada aplicação exige uma configuração própria. É justamente aí que enxergamos espaço para crescer.”

Segundo ele a marca já consolidou sua posição nos pesados rodoviários com a linha XF, hoje responsável pelo segundo caminhão extrapesado mais vendido do Brasil.

Agora o objetivo passa a ser ampliar a operação onde a empresa ainda tem menor participação.

“O crescimento da DAF virá principalmente nos veículos vocacionais e nos semipesados.”

Além disso, Fraga confirmou que a expansão começará a ganhar novos capítulos ainda este ano, com a ampliação da oferta de configurações dedicadas a operações fora de estrada e a aplicações específicas.

Juros elevados mudam o perfil do mercado - O plano também acompanha uma mudança importante no mercado brasileiro.

Com a alta das taxas de juros o segmento de extrapesados perdeu participação nas vendas, enquanto os semipesados passaram a responder por uma fatia maior dos emplacamentos.

Segundo Fraga este novo cenário reforçou a necessidade de diversificar o portfólio. “As montadoras mais concentradas em pesados sentiram esta mudança de mix. Por isso entendemos que precisamos estar presentes em mercados que hoje crescem mais.”

Além do ambiente econômico programas públicos de renovação de frota e compras governamentais também aumentam a demanda por caminhões destinados à construção civil, coleta de resíduos, caminhões-pipa e outras aplicações especiais.

Na prática este movimento já começou com a evolução da linha CF. Segundo Alekson Felício, gerente de planejamento de produto e engenharia de vendas da DAF Caminhões, a família passou de uma gama concentrada em motores de 7 litros para oferecer também versões de 9 e 13 litros. Ampliando, significativamente, sua versatilidade.

“O CF tornou-se nossa carta coringa. Hoje conseguimos atender desde operações urbanas até aplicações extremamente severas.”

O executivo destacou que o motor Paccar PX-7 abriu portas principalmente no segmento dos semipesados. Além de conquistar novos clientes ajudou a romper a imagem de que a DAF fabricava apenas extrapesados:

“Conseguimos levar para os semipesados atributos que sempre diferenciaram nossos caminhões pesados, como conforto, acabamento, ergonomia e robustez”.

Mineração abre nova frente de negócios - Um dos maiores avanços da DAF é a entrada definitiva na mineração. A fabricante lançou o CF 84 equipado com motor Paccar MX-13 de 480 cv e capacidade técnica para 58 toneladas de PBT.

Com capacidade técnica para 58 toneladas o CF 84 reforça projeto da DAF no segmento de mineração

Segundo Felício entrar neste mercado representou um desafio, já que se trata de um segmento extremamente tradicional: “Ninguém chega na mineração e torna-se líder de imediato. Os clientes costumam testar o produto durante bastante tempo”.

Mesmo assim a resposta inicial superou as expectativas da empresa. Além do mercado brasileiro o modelo começou a ser exportado para Chile e Peru, dois dos principais mercados latino-americanos de mineração. O que comprova a aceitação do produto em mercados desafiadores.

Transporte Moderno - SP   21/07/2026

Enquanto o mercado brasileiro de caminhões atravessa um período de retração, as montadoras chinesas começam a consolidar uma estratégia de expansão baseada em rede de concessionárias, pós-venda e diversificação do portfólio. O desempenho da Foton no primeiro semestre de 2026 é um dos sinais mais recentes desse movimento.

Entre janeiro e junho, a Foton emplacou 1.745 veículos no Brasil, crescimento de 138% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho foi registrado em um semestre de retração do mercado brasileiro de caminhões no semestre, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), e reforça o avanço das novas entrantes em segmentos historicamente dominados por Mercedes-Benz, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Iveco, Volvo e Scania.

A tendência já havia sido apontada pela Transporte Moderno na edição de abril, em reportagem que mostrou como marcas como Foton, JAC Motors, XCMG e outras fabricantes chinesas iniciavam uma segunda fase de expansão no Brasil, deixando de competir apenas por preço para investir em estrutura comercial, serviços e presença de longo prazo no mercado brasileiro.

Mais do que ampliar vendas, as fabricantes chinesas passaram a disputar mercado por meio da expansão acelerada da rede de concessionárias, do fortalecimento do pós-venda e de investimentos em disponibilidade de peças — fatores que, durante anos, foram apontados como barreiras à consolidação dessas marcas no País.
Distribuição urbana impulsiona crescimento

O principal destaque da Foton no semestre foi o caminhão semileve Aumark S 315. O modelo registrou alta de 144% nos emplacamentos, alcançando cerca de 500 unidades comercializadas. Um dos diferenciais do veículo é a possibilidade de ser conduzido por motoristas habilitados na categoria B, característica que amplia seu potencial de utilização em operações urbanas de distribuição e logística de última milha.

Outro destaque foi o caminhão médio Aumark S 1217, cujos licenciamentos cresceram 77% em relação ao primeiro semestre de 2025, superando 300 unidades.

Segundo Mauricio Santana, diretor nacional de Vendas e Pós-Vendas da Foton, o desempenho reflete a estratégia de expansão da marca no mercado brasileiro. “Os números do primeiro semestre mostram que a estratégia adotada pela Foton gera resultados consistentes. Temos um portfólio completo e, paralelamente, investimos na expansão da nossa rede de concessionárias em todo o Brasil”, afirmou.
Rede e serviços

O avanço da Foton acompanha uma transformação mais ampla na estratégia das montadoras chinesas. Nos últimos meses, marcas como JAC Motors e XCMG anunciaram planos de expansão da rede de concessionárias, ampliação da oferta de peças e estudos para nacionalização parcial da produção, em movimentos voltados à consolidação de suas operações no Brasil.

A análise do consultor Gregori Boschi, publicada pela Transporte Moderno na edição de abril, já apontava que o principal desafio das novas entrantes deixaria de ser apenas oferecer caminhões competitivos em preço. A consolidação dessas marcas dependeria, sobretudo, da capacidade de construir uma rede robusta de concessionárias, ampliar o pós-venda e oferecer serviços capazes de reduzir o custo operacional dos clientes.

Na mesma análise, Boschi observou que montadoras tradicionais como Scania, Volvo e Volkswagen Caminhões e Ônibus vêm fortalecendo plataformas que combinam manutenção, conectividade, telemetria, peças e serviços financeiros, transformando o pós-venda em uma importante ferramenta de fidelização. Para o consultor, as fabricantes chinesas precisariam seguir a mesma estratégia para ampliar participação de mercado de forma sustentável.

Os movimentos anunciados pelas fabricantes nos últimos meses indicam que essa mudança já está em curso. Se, em um primeiro momento, as montadoras chinesas buscaram espaço por meio de preços mais agressivos, agora o foco passa a incluir serviços, disponibilidade de peças, conectividade e suporte técnico — atributos considerados decisivos por transportadoras que dependem da elevada disponibilidade operacional da frota.

A própria Foton encerrou o primeiro semestre com mais de 70 concessionárias no País, com o abastecimento de peças sendo realizado pelo centro de distribuição de Itajaí (SC), responsável por manter mais de 165 mil itens destinados ao mercado de reposição.

Além da linha de caminhões a diesel, a fabricante também mantém no Brasil um portfólio de veículos comerciais eletrificados, composto por vans, mini truck e caminhões elétricos, estratégia voltada tanto às operações urbanas quanto ao avanço da descarbonização do transporte.

O desempenho da Foton reforça o cenário antecipado pela Transporte Moderno: depois de uma primeira tentativa de entrada no mercado brasileiro baseada principalmente em preço, as fabricantes chinesas passaram a investir em rede, pós-venda, disponibilidade de peças e relacionamento com o cliente.

A competição no mercado brasileiro de caminhões começa a migrar do preço para a capacidade de oferecer disponibilidade operacional, qualidade no atendimento e uma estrutura de serviços capaz de sustentar o relacionamento de longo prazo com os clientes.

Exame - SP   21/07/2026

Depois de bater recorde de vendas em 2025, o setor automotivo na China pode enfrentar o pior desempenho do mercado desde 2021. As vendas de veículos de passeio caíram 20,2% no primeiro semestre na base anual, e a China Passenger Car Association (CPCA) revisou para baixo sua estimativa de crescimento.

Analista e chefe de pesquisa industrial para Hong Kong e China na Citic CLSA, Xiao Feng vê que as fabricantes dos Estados Unidos não devem sobreviver à concorrência acirrada no país, restando no mercado nomes como as chinesas BYD, Geely e Leapmotor, além da alemã Volkswagen e da japonesa Toyota.

Entre as grandes chinesas, a BYD liderou com 1,8 milhão de vendas no primeiro semestre, seguida por Geely, com 1,4 milhão, e Leapmotor, com 356 mil unidades. Do lado estrangeiro, a Volkswagen somou 973 mil entregas no período e a Toyota, 579 mil, considerando janeiro a maio.

A CPCA espera fechar 2026 com 20,4 milhões de unidades entregues, abaixo dos 23,7 milhões vendidos no ano passado. Até o momento, as vendas acumuladas do primeiro semestre somam 8,7 milhões de unidades, enquanto Feng projeta um cenário ainda mais duro, com queda acumulada de 20% no ano.

Ele projeta alguma resiliência apenas nos veículos elétricos e híbridos, cujas vendas devem cair entre 5% e 6%.

Combustível caro e menor subsídio travam demanda

Dois fatores puxam o consumo para baixo neste ano. O primeiro é o custo da energia usada em transporte, que subiu 15,3% em junho na comparação anual, segundo dados do departamento nacional de estatísticas da China.

Esse encarecimento derrubou a procura por carros a combustão, cujas vendas no varejo caíram 39% em junho, com os modelos puramente a gasolina recuando 42% e respondendo sozinhos por 78% de toda a queda do mês no segmento de passeio.

O segundo fator é a retirada dos incentivos fiscais a veículos elétricos por parte de Pequim, que vinha sustentando artificialmente a demanda nos últimos anos. Para Feng, o desempenho baixo das vendas em 2026 pode ser, ainda, um reflexo de antecipação da demanda que ocorreu em 2025.

Margem apertada ameaça tirar montadoras do jogo

O analista acredita que a combinação de custo alto e margem baixa vai forçar uma consolidação do setor, reduzindo o mercado fragmentado de elétricos da China a apenas sete ou oito grandes players até 2030.

A margem de lucro do setor está em 3,4% entre janeiro e maio deste ano, com o lucro da indústria caindo 20%, conforme o secretário-geral da CPCA, Cui Dongshu, em declaração repercutida pela CNBC. Já o preço médio dos veículos de passeio caiu mais de 1% em junho.

Exportações podem puxar a virada em 2027

Feng mantém a expectativa de que o segmento volte a crescer em 2027, apoiado por melhora na demanda. Isso porque o mercado automotivo chinês é, na sua visão, um segmento cíclico, em que o envelhecimento da frota tende a puxar naturalmente a troca de veículos e, com isso, novas vendas.

"Com uma perspectiva econômica mais favorável, poderia se esperar um crescimento ainda maior [no mercado de veículos elétricos]", acrescentou.

E parte dos consumidores estrangeiros já migram para os elétricos chineses por causa do baixo custo operacional, de acordo com dados coletados pela CNBC. As vendas externas de veículos de passeio cresceram 11,5% em junho ante maio e saltaram 82,3% na comparação com igual mês do ano passado.

CONSTRUÇÃO CIVIL

InfraRoi - SP   21/07/2026

Uma análise publicada pelo Banco Safra aponta que, apesar da queda recente das ações de construtoras na Bolsa, os fundamentos do setor de construção residencial permanecem sólidos, especialmente entre empresas ligadas ao Minha Casa Minha Vida (MCMV). Segundo os analistas do banco, os papéis de construtoras chegaram a recuar entre 30% e 35% desde os picos recentes, em meio à reprecificação de riscos globais e a um ambiente ainda marcado por preocupações inflacionárias.

Ainda assim, a avaliação é que o movimento de queda não reflete necessariamente uma piora estrutural da demanda por moradia. O principal ponto de sustentação está no Minha Casa Minha Vida, que, de acordo com a análise, segue como uma importante fonte de retorno para o setor, com menor sensibilidade aos juros, níveis elevados de acessibilidade e mercado endereçável ainda amplo.

Embora o relatório do Safra tenha como foco companhias listadas na Bolsa, a leitura ajuda a explicar um movimento mais amplo da construção residencial no Brasil: a habitação popular continua apoiada por fatores estruturais, como déficit habitacional, necessidade de moradia em regiões urbanas consolidadas e busca por condições de financiamento mais compatíveis com a renda das famílias.
Com MCMV, habitação popular ganha força em meio à volatilidade da construção civil

A análise do Safra também chama atenção para riscos que seguem no radar do setor, como inflação de custos, endividamento das famílias, inadimplência, disponibilidade de funding e desafios de execução diante do aumento de lançamentos. Ainda assim, os analistas indicam que o cenário exige seletividade, mas mantém uma leitura construtiva para empresas bem posicionadas.

No segmento de moradia acessível, essa seletividade se traduz em uma busca maior por projetos com proposta clara de valor, boa localização, plantas funcionais e aderência às necessidades reais das famílias. Mais do que estar dentro dos limites do programa, os empreendimentos precisam responder a uma demanda objetiva: moradia viável financeiramente, conectada à rotina urbana e com potencial de melhorar a qualidade de vida dos compradores.

Com o MCMV consolidado como um dos principais motores da construção residencial, o setor tende a permanecer no radar de investidores, incorporadoras, agentes financeiros e consumidores. Para empresas que atuam diretamente com habitação acessível, o momento representa uma oportunidade de reforçar a relevância da moradia popular não apenas como tema de mercado, mas como vetor de desenvolvimento econômico e social.
Incorporadora aponta otimismo com MCMV

Para Eduardo Pompeo, CEO da Mundo Apto, a demanda por moradia continua muito consistente. Líder de uma incorporadora focada em empreendimentos residenciais acessíveis em São Paulo que já tem 6,5 mil unidades lançadas em menos de dez anos, ele diz que, para quem busca o primeiro imóvel, a decisão está muito mais ligada à possibilidade de conquistar a casa própria com condições acessíveis do que às oscilações de curto prazo do mercado financeiro.

O momento também coincide com mudanças recentes no Minha Casa Minha Vida. Em abril de 2026, passaram a valer novas condições do programa, com atualização dos limites de renda familiar e dos valores máximos dos imóveis financiáveis. Entre as mudanças, a faixa 4 passou a contemplar famílias com renda de até R$ 13 mil, enquanto o valor máximo dos imóveis nessa faixa subiu para R$ 600 mil.

Pompeo diz que esse cenário amplia o universo de famílias elegíveis e fortalece a procura por empreendimentos enquadrados no programa. Para quem busca sair do aluguel ou comprar o primeiro imóvel, a decisão tende a ser menos influenciada pelo comportamento da Bolsa e mais conectada a fatores como localização, valor de entrada, parcela mensal, acesso ao crédito e segurança no processo de compra.

Infomoney - SP   21/07/2026

O Banco Safra divulgou balanço das prévias operacionais das construtoras listadas na B3 do segundo trimestre de 2026 nesta segunda-feira (20). Em relatório, os analistas do Safra apontam que as incorporadoras registraram um desempenho abaixo do previsto, pressionadas por um cenário macroeconômico mais adverso, pela inflação e pelo impacto sazonal da Copa do Mundo em junho.

De acordo com o documento, as empresas focadas no mercado popular sentiram os reflexos mais expressivos do período. Apesar dos parâmetros de acesso do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) terem apresentado avanços, as restrições impostas nos financiamentos concedidos pela Caixa Econômica Federal atrapalharam a velocidade das negociações das companhias.

“A redução de cerca de 300 pontos-base no comprometimento máximo de renda para financiamento imobiliário contribuiu para vendas abaixo do esperado”, diz o relatório, explicando que essa medida reduziu a capacidade de compra das famílias e levou o volume total de vendas do segmento popular a ficar 7% abaixo do projetado pelo banco.
Os lançamentos agrupados de baixa renda registraram queda de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior e terminaram 5% abaixo do que estimavam os analistas do Safra.

Os analistas reforçam que parte desse movimento foi influenciada pelo ritmo menor de lançamentos na cidade de São Paulo após uma suspensão temporária na concessão de alvarás de construção, somada ao foco na precificação perante a inflação.

Com isso, a Relação de Vendas sobre Oferta (VSO) caiu para 24,2%, acumulando retração de 0,5 ponto percentual (p.p.) sobre o primeiro trimestre e de 2,2 pontos percentuais em 12 meses.

Desempenho das companhias populares

No universo das companhias analisadas pelo Safra, a Tenda (TEND3) liderou a desaceleração no indicador de VSO ao recuar para 24,4%, acumulando queda de 3,2 pontos percentuais frente ao trimestre imediatamente anterior.

A Direcional (DIRR3), embora tenha registrado avanço na geração de caixa, apresentou vendas 12% inferiores às projeções do Safra, refletindo a divisão de resultados com parceiros nos empreendimentos e a perda de tração da subsidiária Riva.

Apesar do período fraco, a análise do Safra enxerga potencial de recuperação para o segmento popular nos meses seguintes.

O banco destaca que a Caixa Econômica Federal pode amenizar os limites de crédito vigentes e lembra que o Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) se reunirá em 28 de julho para debater a redução dos juros cobrados nas faixas superiores do MCMV.

Média e alta renda enfrentam acúmulo de estoques

Nas construtoras dedicadas à média e alta renda, a apresentação de novos projetos mostrou força ao avançar 3% no comparativo anual e superar em 5% as previsões do Safra.

Por outro lado, o volume de vendas líquidas caiu 2% e perdeu ligeiramente o ritmo previsto pelos analistas. O relatório descreve que, se por um lado os novos empreendimentos mantiveram uma taxa de absorção firme (com VSO próxima de 36%), por outro, o escoamento das unidades prontas e lançadas anteriormente perdeu força, registrando Vendas sobre Estoque (VSE) de aproximadamente 10%.

A desaceleração acumulada no giro das unidades em estoque elevou os volumes guardados pelas companhias listadas sob cobertura do Safra.

Os inventários somaram R$ 25,6 bilhões no encerramento do trimestre, o que representa um crescimento de 8% em relação ao trimestre anterior e um salto de 23% frente ao segundo trimestre do ano passado.

“O aumento dos inventários reforça as preocupações do mercado com uma desaceleração mais persistente das vendas de estoque, especialmente em um ambiente de juros elevados”, afirmam os analistas do Safra.

Contrastes operacionais entre as incorporadoras

Segundo o documento do Safra, o desempenho individual das companhias no segundo trimestre expôs uma clara divergência dentro do setor: enquanto algumas empresas conseguiram superar os desafios macroeconômicos e fechar o período com números acima das projeções, outras registraram uma deterioração expressiva em seus indicadores operacionais.

Entre os destaques positivos do período, a Moura Dubeux (MDNE3) e a Cyrela (CYRE3) registraram um volume de vendas superior às estimativas dos analistas. A Moura Dubeux superou em 13% as projeções de comercialização do Safra, alcançando a maior VSO entre as empresas do segmento, ao atingir a marca de 21%.

A Cyrela, por sua vez, reportou uma expansão sequencial de 18% em suas vendas líquidas frente ao primeiro trimestre de 2026. A instituição financeira explica que o desempenho da companhia foi impulsionado pelo forte ritmo de escoamento das unidades prontas, com o volume de vendas performadas de estoque registrando um salto de 24% no período.

Em contrapartida, a Even (EVEN3) apresentou o resultado operacional mais fraco dentro do grupo de incorporadoras acompanhadas pelo banco. O relatório aponta que o volume de vendas da empresa ficou cerca de 45% abaixo das estimativas traçadas pelo Safra, resultando em um indicador de VSO trimestral de apenas 4%, o patamar mais baixo do setor no período.

Monitor Digital - RJ   21/07/2026

O mercado imobiliário brasileiro vive um paradoxo que 2026 escancarou. A frustração com o ritmo mais lento dos cortes da Selic trava decisões de compra no médio e alto padrão, segmentos historicamente sensíveis ao custo do dinheiro, nos quais cada reunião do Copom vira termômetro do plantão de vendas. Ao mesmo tempo, a habitação de interesse social atravessa o ciclo monetário praticamente ilesa, batendo recordes de contratação e sustentando a produção de quem entendeu cedo onde estava a demanda real do país.

Não se trata de retórica de incorporador otimista. A carteira habitacional da Caixa Econômica Federal cruzou a marca de R$ 1 trilhão, com ritmo diário na casa dos 3 mil contratos e mais de R$ 1 bilhão liberado por dia em financiamentos. O banco projeta crescer cerca de 30% no crédito concedido neste ano, somando pessoa física e jurídica, e deve elevar o financiamento à produção, que é a ponta que interessa diretamente às construtoras e incorporadoras, de R$ 69 bilhões para R$ 80 bilhões. Enquanto isso, os demais grandes bancos mal arranham a superfície da baixa renda.

A explicação para essa resiliência é estrutural, não conjuntural. As taxas do Minha Casa, Minha Vida são definidas pelas regras do FGTS e não flutuam com a Selic. Quando a própria Caixa classifica o programa como o grande porto seguro do setor, está descrevendo uma blindagem de funding que nenhum outro segmento do mercado possui. O comprador de médio padrão adia a decisão esperando juros menores. O comprador do MCMV assina o contrato porque a parcela cabe no orçamento hoje e continuará cabendo amanhã.

Existe, porém, uma fronteira ainda em construção nesse cenário: a Faixa 4, voltada à classe média. Entre janeiro e maio, foram 20,9 mil imóveis contratados e R$ 6 bilhões em crédito, um crescimento de 40% sobre uma base ainda pequena. O gargalo aqui não é demanda, mas oferta. Existe hoje um contingente enorme de famílias com renda entre R$ 10 mil e R$ 13 mil que se qualifica para o programa, mas simplesmente não encontra produto disponível dentro do teto de preço. É um descompasso clássico: a política pública correu na frente, e a produção precisa alcançá-la.

Para quem incorpora, essa é a leitura mais importante do momento. O ciclo atual não premia quem espera a Selic ceder para relançar produtos de médio padrão. Premia quem domina a engenharia fina do MCMV: desenhar tipologia, área privativa, mix de unidades e custo de obra que fechem a equação dentro dos limites de enquadramento, sem abrir mão da qualidade percebida, porque o comprador das Faixas 3 e 4 compara, pesquisa e exige.

Vale registrar também um dado que costuma passar despercebido. A inadimplência acima de 90 dias na habitação da Caixa está em 1,56%, patamar de extrema estabilidade histórica. Moradia é o último compromisso que a família brasileira deixa de honrar. Para o investidor e para o incorporador, isso significa previsibilidade de recebíveis e um risco de crédito que o mercado de capitais ainda subprecifica.

O recado de 2026 é claro. Enquanto parte do setor olha para Brasília esperando o Copom mudar o humor do mercado, a habitação de interesse social segue entregando volume, velocidade e segurança. O Minha Casa, Minha Vida deixou de ser um nicho de quem atua no mercado popular para se tornar o eixo central da indústria imobiliária brasileira. Quem ainda o trata como plano B vai assistir, da margem, ao maior ciclo de produção habitacional da história recente do país.

Valor - SP   21/07/2026

No raio de 120 quilômetros da cidade de São Paulo, a parcela de condomínios logísticos vagos é menor que 5%.

A disponibilidade de condomínios logísticos no país tem caído a cada trimestre e já atinge um nível considerado “preocupante”, segundo Fernando Terra, vice-presidente de industrial e logística da consultoria CBRE. A oferta de espaços é ainda mais restrita no mercado paulista.

A taxa de vacância desses condomínios, que são galpões de alto padrão usados por empresas de varejo virtual e de outros setores da economia, como farmacêuticas e de produtos automotivos, ficou em 6,3% no país no segundo trimestre, queda de quase 2 pontos percentuais sobre o final do ano passado.

O raio de 120 quilômetros da cidade de São Paulo reúne 46% dos condomínios logísticos do país e apresenta uma taxa de vacância ainda menor, de 4,5%. Chama a atenção o rápido recuo da disponibilidade de espaço, que caiu 3,6 pontos percentuais desde o final de 2025.

“O ritmo de produção está menor do que o ritmo de demandas”, afirma Terra. Segundo ele, isso é causado por um descompasso entre o crescimento da necessidade de espaço e o tempo de aprovação dos projetos de logística, somado ao custo de capital alto para investimentos desse tipo e ao custo de construção também elevado.

Essa situação faz com que os maiores ocupantes busquem fechar contratos antes da entrega dos projetos, reservando espaço futuro. A CBRE afirma que, no raio de 120 quilômetros de São Paulo, estão previstos mais 1,8 milhão de m2 de novo estoque de galpões, mas, desse total, 1,2 milhão já está pré-locado. “Vai demorar para a vacância voltar a ficar acima de 5%”, analisa Terra.

A maior demanda ainda está concentrada no raio de até 30 quilômetros da capital, onde serão feitos 1,6 milhão daqueles metros quadrados previstos.

Edson Ferreira, diretor sênior de capital markets da CBRE, destaca que, com os juros ainda em patamar elevado e com perspectiva de queda mais lenta, a “régua de remuneração” de quem banca o desenvolvimento dos projetos também subiu. É mais um fator que colabora para a escassez de projetos “especulativos”, que são feitos sem ter um ocupante já pré-definido, e para a falta de galpões fora da região mais próxima de São Paulo.

A vacância em outras regiões também está caindo. De acordo com a consultoria, passou de 10,6% para 7,7% no raio de 60 km do Rio de Janeiro, entre o fim de 2025 e junho deste ano. Em Minas Gerais, recuou de 6,4% para 6,1% no mesmo intervalo.

A maior desenvolvedora de galpões em nível nacional, sem se concentrar em São Paulo, é a Log CP, empresa da família Menin, listada na bolsa. “Tem uma falta de ‘players’ nacionais no mercado”, afirma Terra, o que gera falta de oferta.

Embora fazer os galpões em outras regiões seja mais difícil, não falta interesse de fundos de investimento e institucionais de comprar esses condomínios logísticos, destaca. “O problema é produzir, aí é que está o nó do nosso mercado”, diz o vice-presidente da CBRE.

Ainda assim, Terra vê uma tendência de interiorização desses ativos, conforme a vacância reduzida pressione os preços de aluguel e de terrenos, e torne viáveis projetos mais distantes do epicentro do consumo no país.

De olho nisso, a boutique de investimentos Primaz & Co montou um pipeline de dez terrenos para desenvolver galpões logísticos, conta o CEO Luiz Viotti. As áreas estão em fase de ajustes finais, para irem ao mercado em busca de locatários.

A aposta é por regiões “não muito óbvias”, como em áreas do Norte e Sul do país, para capturar uma demanda que não tem sido atendida pelos grandes desenvolvedores e pelo capital institucional. Assim, a empresa também não compete com esses negócios, que são seus clientes em outros serviços da Primaz, lembra Viotti.

“E são áreas que têm muito interesse das empresas de comércio virtual”, ressalta. Os terrenos são para condomínios logísticos de, em média, 40 mil m2.

A alta velocidade de absorção dos galpões pelos grandes varejistas virtuais não tem gerado preocupação no setor. A percepção é que o segmento de comércio pela internet ainda tem muito a avançar no país. “A profundidade de mercado é o que garante essa expansão geográfica”, afirma Marcel Lieban, diretor de estruturação e consultoria da Primaz.

FERROVIÁRIO

O Estado de S.Paulo - SP   21/07/2026

O governo de São Paulo adiou para o 1º semestre de 2027 a publicação do edital de concessão do Trem Intercidades (TIC) Eixo Oeste, que vai ligar São Paulo a Sorocaba. O lançamento estava previsto para ocorrer até o fim de 2026. Segundo a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), o novo cronograma faz parte de um processo de aprimoramento técnico do projeto. A previsão de operação da linha está mantida para 2031.

Ainda segundo a SPI, após as consultas e audiências públicas realizadas em 2025, o adiamento foi necessário para a análise das contribuições recebidas dos interessados neste primeiro semestre do ano. “Como ocorre em projetos de infraestrutura de grande porte, os cronogramas são previsões e podem ser ajustados conforme a evolução dos estudos”, diz.

O investimento previsto é de R$ 12 bilhões ao longo de 30 anos de concessão. Conforme a pasta, até o momento, permanecem as diretrizes já apresentadas para o projeto, que segue sendo estruturado por meio do modelo de diálogo competitivo.

Esse modelo de licitação permite que empresas previamente selecionadas participem de uma fase de discussões com o governo, contribuindo para as soluções técnicas antes da apresentação das propostas finais. O modelo substitui a modalidade de concorrência internacional utilizada até agora para obras de porte.

Já o TIC Eixo Norte, que já teve aval para obras, prevê a ligação entre São Paulo e Campinas em um trajeto de aproximadamente 101 quilômetros, com tempo estimado de 64 minutos e velocidade de até 140 km/h. O início da operação é previsto para 2031.

Viagem de 60 minutos

O trajeto de 88,7 km será percorrido em cerca de 60 minutos. Atualmente, o transporte de passageiros entre a cidade do interior e a capital é feita por ônibus, em viagens entre 90 e 120 minutos.

O trem expresso fará o percurso direto entre as estações de Sorocaba e Água Branca, na capital. Haverá também um trem parador, com paradas em São Roque, Amador Bueno (Itapevi) e Carapicuíba, que ficam no percurso. A passagem no expresso vai custar R$ 45, valor compatível com a do ônibus. No serviço parador, o valor será calculado de forma quilométrica, ou seja, o passageiro pagará conforme a distância percorrida.

A estimativa é de atender 50,2 mil passageiros por dia útil até 2050. Em Sorocaba, haverá ainda nova conexão com o futuro Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). O projeto do VLT de Sorocaba é do governo estadual e deve ter 25 km de rede conectando as zonas leste e oeste, com 13 estações planejadas. O leilão deve acontecer em 2028.
Ferrovia Campos do Jordão

Outro projeto de mobilidade sobre trilhos do governo estadual também teve adiamento, mas por prazo indeterminado. O leilão para a concessão da histórica Estrada de Ferro Campos do Jordão (EFCJ), que estava marcado para 12 de junho, acabou não acontecendo.

O edital para concessão da ferrovia foi publicado em janeiro deste ano, com previsão de leilão no dia 29 de abril. Houve um primeiro adiamento para junho e depois a suspensão do leilão. Na ocasião, a alegação foi de que o projeto seria revisto para se tornar mais atrativo aos investidores e ao público potencial.

O projeto previa investimentos de R$ 315 milhões em 24 anos para reativar e modernizar a ferrovia centenária, que liga o município de Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, a Pindamonhangaba.

O plano de concessão inclui a modernização dos 47 quilômetros de trilhos e no restauro de trens históricos, como a Maria-Fumaça e bondes elétricos. Além de reformar estações existentes e o pátio ferroviário, o projeto previa a criação de duas novas paradas: uma no portal de entrada de Campos do Jordão e outra, na Vila Jaguaribe, melhorando o acesso dos turistas e a logística local.

O edital previa também a construção de uma ciclovia paralela aos trilhos.

A SPI informou que o leilão da concessão da Estrada de Ferro Campos do Jordão será remarcado para uma nova data. A medida considera contribuições e solicitações apresentadas por potenciais interessados no certame e permitirá a avaliação de aprimoramentos à modelagem, reforçando o compromisso do Estado com a competitividade, a transparência e a segurança jurídica do processo. A nova data da sessão de entrega e abertura dos envelopes será divulgada oportunamente.

Veja - SP   21/07/2026

A concessionária Trivia Trens assume a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade (Expresso Aeroporto incluído) a partir desta terça (21). A transição será gradual, com supervisão da CPTM, e promete investimentos de R$ 14,3 bilhões e expansão da Linha 13. A gestão inicia em um momento desafiador, com vandalismo e superlotação.
Principais Tópicos

Trivia Trens assume operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade (Expresso Aeroporto). Transição gradual: 12 meses sob supervisão da CPTM, total em julho de 2027. Investimento de R$ 14,3 bilhões em 25 anos, com expansão da Linha 13-Jade. Concessionária enfrentará desafios como vandalismo e superlotação no Expresso Aeroporto. Linha 10-Turquesa será a única ainda sob gestão estatal.

Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

A partir da madrugada desta terça-feira (21), quem utiliza as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade (incluindo o Expresso Aeroporto) do trem metropolitano vai notar uma mudança nos bastidores.

De acordo com a reportagem da Folha de S. Paulo, a concessionária Trivia Trens assume oficialmente a operação desses ramais, que interligam o centro da capital à Zona Leste e a cidades da região metropolitana como Suzano, Mogi das Cruzes e Guarulhos.

A mudança, no entanto, não será abrupta. Pelos próximos doze meses, a empresa privada operará os três ramais sob a supervisão direta da CPTM, assumindo os trabalhos de forma integral apenas em julho de 2027.

O início desta fase acontece após um período de 60 dias de transição e treinamento das equipes. Além de operar as vias, a Trivia Trens passa a responder pela manutenção de 92 composições — com a promessa de incorporar outros 15 trens à frota gradualmente.

Para garantir a segurança, funcionários da CPTM seguirão atuando nas linhas por até 180 dias, com ressarcimento financeiro feito pela empresa privada.

Momento desafiador

A nova gestão assume o controle em um momento desafiador. Na última sexta-feira (17), as composições da Linha 12-Safira operaram com velocidade reduzida por mais de 12 horas devido a um ato de vandalismo que danificou cabos de sinalização entre as estações Engenheiro Goulart e Tatuapé, provocando caos e plataformas lotadas.

Outro nó a ser desatado pela concessionária, liderada pelo novo CEO Cláudio Andrade, é o Expresso Aeroporto.

O serviço, crucial para ligar o centro paulistano a Cumbica, sofre com a saturação e a superlotação nos horários de pico, além de ter registrado um descarrilamento neste ano.

O contrato de concessão prevê a expansão da Linha 13-Jade com cinco novas estações, estendendo o trajeto até o bairro de Bonsucesso, em Guarulhos.

Vencido pelo grupo Comporte Participações (ligado à família fundadora da companhia aérea Gol) em março do ano passado, o leilão prevê investimentos de R$ 14,3 bilhões ao longo de 25 anos de contrato — a empresa afirma já ter contratado 62% desse valor para aplicar em infraestrutura, energia e sinalização.

Com a virada de chave desta terça, a Linha 10-Turquesa passa a ser a única do sistema de trens metropolitanos ainda sob gestão exclusivamente estatal.

NAVAL

Exame - SP   21/07/2026

Os rebeldes Houthis, do Yemen, anunciaram nesta segunda-feira, 20, um bloqueio à navegação no Mar Vemelho , ampliando a crise no Oriente Médio para uma das principais rotas marítimas do comércio internacional.

A ação dos aliados ao Irã ocorre em resposta ao retorno de ataques norte-americanos na região de Ormuz., intensificando confrontos envolvendo aliados de Teerã na região.

Segundo o porta-voz militar dos Houthis, Yahya Saree, o grupo passou a impor um "embargo marítimo" contra a Arábia Saudita em resposta ao que classificou como um bloqueio imposto por Riad aos portos e aeroportos localizados em áreas sob controle da organização no norte e oeste do Iêmen.

Embora o grupo não tenha detalhado como pretende executar a medida, integrantes da estrutura de comunicação dos Houthis afirmaram que o objetivo é impedir a passagem de embarcações sauditas pelo estreito de Bab al-Mandab, corredor marítimo que liga o Golfo de Áden ao Mar Vermelho e serve de acesso ao Canal de Suez.

A Arábia Saudita condenou poucas horas depois o anúncio feito pelos Houthis. Com o bloqueio, os rebeldes ameaçam a capacidade do maior exportador de petróleo mundial de contornar o Estreito de Ormuz.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da monarquia do Golfo afirmou "expressar a mais veemente condenação do Reino da Arábia Saudita às declarações feitas pelo suposto porta-voz militar da milícia terrorista Houthi... impondo um bloqueio marítimo ao Reino", acrescentando que Riad "continua a apoiar o povo iemenita irmão e seu governo legítimo".

Corredor marítimo ganhou importância estratégica

O Bab al-Mandab tem cerca de 32 quilômetros de largura em seu trecho mais estreito e conecta o Golfo de Áden ao Mar Vermelho. Desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, em outubro de 2023, os Houthis passaram a lançar drones, mísseis e ataques contra navios mercantes que cruzavam a região, afirmando agir em apoio aos palestinos.

Os ataques reduziram drasticamente o fluxo de embarcações pelo corredor marítimo, levando empresas de navegação a desviarem suas rotas para o extremo sul da África, pelo Cabo da Boa Esperança, o que elevou custos de transporte e aumentou o tempo das viagens.

Mesmo após uma pausa nas ofensivas durante um cessar-fogo em Gaza, o tráfego pelo estreito ainda não retornou aos níveis anteriores.

Dados de empresas de monitoramento marítimo indicam que aproximadamente 7,4 milhões de barris de petróleo e derivados passaram diariamente pelo Bab al-Mandab em junho, volume equivalente a cerca de 7% da produção mundial.

Mercado acompanha risco de nova interrupção

A possibilidade de um bloqueio no Mar Vermelho elevou novamente as preocupações sobre o abastecimento global de energia.

Analistas destacam à BBC que a Arábia Saudita vem utilizando intensamente a rota do Mar Vermelho justamente para contornar as restrições impostas no Estreito de Ormuz.

Estimativas apontam que mais de 3,5 milhões de barris diários de petróleo e combustíveis têm sido exportados por Yanbu, principalmente para mercados asiáticos como China, Índia, Japão e Coreia do Sul.

Trégua no Iêmen também entrou em colapso

O anúncio dos Houthis ocorre poucos dias após a deterioração da trégua informal que vigorava desde 2022 entre o grupo e a Arábia Saudita.

Na semana passada, os Houthis acusaram Riad de bombardear o aeroporto de Sanaa para impedir o pouso de uma aeronave iraniana. Em resposta, lançaram mísseis contra o aeroporto de Abha, no sul saudita.

A guerra civil no Iêmen começou em 2014, quando os Houthis tomaram a capital, Sanaa. No ano seguinte, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita passou a apoiar militarmente o governo reconhecido internacionalmente.

Segundo estimativas da ONU, o conflito já deixou mais de 150 mil mortos e provocou uma das maiores crises humanitárias do mundo, com mais de 22 milhões de pessoas necessitando de algum tipo de assistência.

Nova frente em uma guerra regional

O anúncio ocorre enquanto o conflito entre Estados Unidos e Irã continua se intensificando. Também nesta segunda-feira, o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM) informou ter iniciado uma nova rodada de ataques contra alvos iranianos.

Segundo os militares americanos, as operações começaram às 16h (horário de Brasília) e têm como objetivo "degradar ainda mais as capacidades militares iranianas utilizadas para atacar a navegação comercial no Estreito de Ormuz".

O Estreito de Ormuz, por onde tradicionalmente passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo, já vinha sofrendo forte impacto desde a retomada dos confrontos entre Washington e Teerã. Com isso, a Arábia Saudita passou a redirecionar grande parte de suas exportações de petróleo para o porto de Yanbu, na costa do Mar Vermelho, utilizando o estreito de Bab al-Mandab como rota alternativa.

Caso os Houthis coloquem o bloqueio em prática, especialistas avaliam que a alternativa logística saudita também poderá ser comprometida.

A Tribuna - SP   21/07/2026

O debate sobre infraestrutura portuária no Brasil costuma associar relevância econômica ao tamanho dos portos e ao volume de cargas movimentadas. Embora compreensível, essa lógica já não responde às necessidades de um sistema logístico moderno, integrado e resiliente.

A competitividade brasileira depende não apenas de grandes complexos portuários, mas de uma rede diversificada e complementar, capaz de atender diferentes cadeias produtivas e regiões. Nesse contexto, os portos de pequeno e médio porte exercem papel estratégico.

Sistemas excessivamente concentrados são mais vulneráveis. Quando um elo é interrompido, os impactos se espalham rapidamente pela economia. Por isso, países que buscam fortalecer sua logística investem também em redes portuárias distribuídas, ampliando eficiência e capacidade de resposta.

Os portos regionais não concorrem com os grandes terminais: eles os complementam. Em cidades de menor porte, geram empregos, atraem investimentos, fortalecem cadeias produtivas e conectam economias locais aos mercados nacional e internacional.

O Porto de São Sebastião representa esse modelo. É estratégico para cadeias produtivas paulistas e há diferença entre ser grande em volume e ser indispensável em função.

Os benefícios vão além da movimentação de cargas. Investimentos portuários impulsionam mobilidade, segurança viária, qualificação profissional e novos empreendimentos, tornando-se vetores de desenvolvimento econômico e social.

Essa agenda ganha ainda mais importância diante da descarbonização da economia. Fortalecer os portos regionais deixou de ser apenas uma política de infraestrutura para se tornar uma estratégia de competitividade nacional.

Além disso, trata-se de uma agenda alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Ao promover emprego e crescimento econômico, estimular investimentos em infraestrutura resiliente, reduzir desigualdades regionais e fortalecer comunidades locais, os pequenos portos demonstram que eficiência logística e desenvolvimento sustentável podem caminhar juntos.

O Brasil precisa adotar uma visão integrada do seu sistema portuário. A expansão dos grandes complexos continuará essencial, mas a competitividade dependerá da integração entre modais, da diversificação dos corredores logísticos e do fortalecimento dos portos regionais. Ampliar a capacidade operacional do Porto de São Sebastião significa fortalecer não apenas um terminal, mas toda a logística brasileira.

Valor - SP   21/07/2026

Os rebeldes houthis afirmaram que vão impor um bloqueio marítimo ao reino saudita, que, segundo eles, estaria promovendo um cerco ao povo do Iêmen.

A Arábia Saudita condenou, nesta segunda-feira (20), as alegações do grupo dos houthis de que o reino estaria promovendo um cerco ao povo iemenita. Mais cedo, os houthis afirmaram que vão impor um bloqueio marítimo ao país vizinho. O grupo, aliado do Irã, tem controle sobre parte do Iêmen.

Caso os houthis de fato estabeleçam o bloqueio, seria uma nova frente no conflito entre EUA e Irã, que se arrasta desde o fim de fevereiro sem solução à vista.

Em comunicado, os houthis prometeram uma ação de “olho por olho” aos sauditas, a se efetivar de forma imediata, em resposta ao que consideram um “cerco injusto e opressivo” imposto ao Iêmen pelos sauditas, que apoiam o governo local, ao sul.

Tais alegações foram rejeitadas pelo Ministério de Relações Exteriores saudita, que acrescentou, em comunicado, que o reino tomará “todas as medidas necessárias” para proteger seus navios.

A Arábia Saudita se envolveu diretamente na guerra civil do Iêmen em 2015, após a capital, Sanaa, ter sido tomada pelos houthis. O governo apoiado pelos sauditas tem sede na cidade de Aden.

PETROLÍFERO

Valor - SP   21/07/2026

Os preços do petróleo recuaram nesta terça-feira (21), enquanto os mercados avaliavam os relatos de esforços de mediação entre Estados Unidos e Irã diante da continuidade dos ataques entre os dois países e das ameaças dos houtis do Iêmen de impor um bloqueio naval à Arábia Saudita.

Os contratos futuros do petróleo Brent (LCOc1) recuaram 78 centavos, ou 0,9%, para US$ 88,44 por barril, às 04h15 GMT. O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos (CLc1) caiu 73 centavos, ou 0,9%, para US$ 82,50 por barril, enquanto o contrato mais negociado, com vencimento em setembro (CLc2), recuou 41 centavos, ou 0,5%, para US$ 82,07 por barril.

“Há alguma esperança de uma redução das tensões entre os EUA e o Irã. Há relatos de que mediadores estão propondo um cessar-fogo de 10 dias, o que poderia colocar o Memorando de Entendimento (MoU) de volta nos trilhos”, disseram analistas do ING em nota, em referência ao acordo provisório firmado em junho.

No entanto, o processo não será simples, diante das grandes divergências entre Washington e Teerã. O presidente Donald Trump também alertou para uma possível retaliação após a morte de soldados americanos, acrescentou o ING.

Um alto funcionário iraniano disse à Reuters que Teerã recebeu uma proposta dos mediadores para um cessar-fogo de 10 dias, em uma tentativa de preservar o acordo assinado em 17 de junho, que buscava abrir caminho para um entendimento duradouro e encerrar a guerra iniciada em 28 de fevereiro, após ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã.

A iniciativa diplomática ocorreu após mais uma noite de ataques americanos contra cidades iranianas e ofensivas da Guarda Revolucionária do Irã contra instalações militares dos EUA na região. Mais tarde, na segunda-feira, o Comando Central dos Estados Unidos informou ter iniciado uma nova rodada de ataques contra o Irã.

Um navio-tanque no Estreito de Ormuz relatou ter sido atingido por um projétil não identificado, levando a tripulação a abandonar a embarcação e seguir para um bote salva-vidas, informou nesta terça-feira a Agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido. O tráfego de navios pelo estreito também diminuiu ainda mais diante da cautela crescente após os novos ataques entre EUA e Irã.

Além disso, os houtis do Iêmen, aliados do Irã, afirmaram na segunda-feira (20) que pretendem impor um bloqueio naval à Arábia Saudita, abrindo uma nova frente potencial no conflito e ampliando os riscos para o fornecimento global de energia e o comércio além do Golfo.

“As ameaças de um bloqueio naval à Arábia Saudita pelos houtis são significativas porque aumentam o risco de interrupções envolvendo outro grande exportador de petróleo”, afirmou Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade.

Enquanto isso, os estoques de petróleo bruto dos Estados Unidos devem ter recuado na semana passada, assim como os de gasolina, enquanto os estoques de destilados provavelmente aumentaram, segundo uma pesquisa preliminar da Reuters divulgada na segunda-feira.

O Estado de S.Paulo - SP   21/07/2026

A guerra no Oriente Médio ainda não alterou o ritmo dos investimentos da Petrobras, segundo a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da estatal, Renata Baruzzi. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, ela diz que os impactos têm se concentrado no aumento dos custos de frete e seguro, sem mudanças nos cronogramas dos principais projetos.

Enquanto revisa o Plano de Negócios 2027-2031, a companhia mantém o foco na perfuração da Margem Equatorial, na expansão da atuação na África, no avanço do pré-sal, na ampliação de refinarias e na retomada do segmento de fertilizantes.

À frente da área responsável por viabilizar esses projetos, Baruzzi, que entrou na Petrobras quatro décadas atrás como estagiária, quando a estatal ainda produzia cerca de 500 mil barris de petróleo por dia, acompanha desde obras em centros de pesquisa até plataformas capazes de produzir 225 mil barris por dia, ajudando a definir os rumos da próxima fase de crescimento da estatal.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista:
Como está sendo o impacto da guerra no Oriente Médio nos preços de insumos e equipamentos comprados pela Petrobras?

O que nós (Petrobras) percebemos, na verdade, é que o impacto maior tem sido no custo logístico, com os fretes e seguros mais caros, porque o risco é maior. Nós vimos o impacto no custo de materiais químicos que você usa, por exemplo, para perfurar ou fazer a estimulação de poço. Então, em alguns produtos químicos, nós vimos o preço subir, até por conta da alta do petróleo. Mas, em termos de equipamentos, nós não vimos nenhum reflexo ainda.

Algum projeto terá que ser adiado por conta de impactos da guerra?

Por enquanto, não. Porque os nossos projetos já estão em andamento, aprovados, já estão contratados. Nós temos poucos ainda em contratação: Albacora, agora, que nós vamos receber dia 10 de agosto, e Búzios, que nós adiamos mais um pouquinho.

Por que a entrega de propostas de Búzios 12 foi adiada em 180 dias?

Nós estamos sempre olhando o nosso portfólio, as nossas prioridades, as nossas questões financeiras. Chamamos de planejamento dinâmico. Antigamente, nós fazíamos o planejamento uma vez por ano, que era o planejamento estratégico, e ele ficava estático até o próximo ano. Mas, neste mundo maluco, não dá para ficar um ano sem revisitar. Então, agora, praticamente todo mês, estamos revisitando e olhando qual é o próximo projeto, qual nós vamos segurar um pouquinho mais. E algumas empresas também pediram um pouco mais de tempo.
E como está sendo o desafio de explorar a Margem Equatorial em uma região que não tem a mesma infraestrutura que a região Sudeste?

Nós temos que levar tudo daqui. Criamos um hub e levamos do Sudeste para Belém (PA). Armazenamos tudo lá e temos um barco que fica levando material para a sonda. Foi a forma que achamos de ter uma logística melhor. Porque, realmente, é difícil. É bem complicado, mas está dando certo.
E como está a previsão do fim dos trabalhos no poço de Morpho na Margem Equatorial?

Eu falo que está só no sapatinho, porque nós estamos indo com muito cuidado. Todo mundo está de olho em Morpho; nós não podemos ter um erro. Nós vamos indo, aos pouquinhos, muito mais devagar do que iríamos normalmente, até porque nós não conhecemos a geologia. Os geólogos fazem as previsões, mas nós vamos lá aprendendo. A Magda (Chambriard, presidente da Petrobras) me falou que queria os melhores profissionais nesse projeto. Nós colocamos. O acompanhamento é 24 horas por dia, nos sete dias da semana. Nós estamos acabando de colocar o revestimento da sexta fase. E nós esperamos que, na semana que vem, iniciemos a sétima fase, que é chegar ao reservatório, e eu espero que seja a última.

A sonda ODN II vai sair da locação? Como serão perfurados os outros poços?

A sonda vai sair porque precisa fazer a docagem (manutenção). Mas a ODN III já está pronta e já está também licenciada. O Ibama já deu OK para usar a ODN III. Assim que acabar Morpho, nós podemos, tendo as outras licenças, começar com a ODN III. A previsão que nós demos para o Ibama era a sonda sair de lá na primeira quinzena de agosto, mas tudo depende de como nós vamos encontrar daqui para frente.
Este ano a Petrobras recebe mais alguma plataforma?

Tem, sim, a P-80 e talvez a P-82 também. Em meados de setembro começa a navegação, a partir de Singapura, da P-80 e, até o final de setembro, sai a P-82. São dois meses e pouquinho de navegação.
Como está o desenvolvimento do projeto HiSep, tecnologia submarina inédita patenteada pela empresa?

Nós assinamos o contrato com a TechnipFMC no início de 2024 e a previsão é instalar em 2028, em Mero 3. Ele já está em estágio de começar a fazer alguns testes de partes isoladas. Há umas três semanas, nós inauguramos o Centro Tecnológico do Pré-Sal, lá em Itajubá (MG), e uma das bombas já vai fazer teste em agosto, como se fosse situação do pré-sal, com as mesmas pressões, a mesma temperatura. No ano que vem, já vai outro para testes, que é um conjunto de duas bombas. Mas só em 2028 nós prevemos instalar. O HiSep separa o óleo do gás lá embaixo e já reinjeta o gás rico em CO2 no reservatório, sem precisar levar para a plataforma, como é hoje.

Quando você chegou à diretoria, uma das suas metas era aumentar o conteúdo nacional, prestigiar o fornecedor brasileiro. Houve alguma evolução?

Quando nós chegamos aqui, nós estávamos bem assustados, porque havia mais de 30 processos de contratação para o downstream, principalmente para o Complexo de Energias Boaventura, a Rnest, a UFN III, e fora várias pequenas obras nas refinarias. Nós estamos retomando, depois de mais de dez anos em que essas obras ficaram paradas. E aí teve toda aquela estratégia de dividir em pacotes menores, nós conversarmos muito com o mercado, para entender quais eram as dificuldades que eles tinham para prestar o serviço para nós, porque eles não estavam vindo para as licitações. Nós entendemos, adequamos condições contratuais, e aí nós tivemos sucesso.
Aumentou a participação nacional dos projetos da Petrobras?

Nós assinamos 127 contratos desde junho de 2024. Foram mais 82 fornecedores. Em dois anos, nós contratamos 82 empresas diferentes das que nós já tínhamos contratado.

E para a área offshore, a dinâmica é a mesma?

Na parte subsea, sempre foi um case de sucesso. Nós temos as fábricas fazendo árvore de Natal molhada para exportação aqui do Brasil. Nas fábricas, tanto da OneSubsea quanto da TechnipFMC, 50% da produção é para exportação, ou seja, é competitiva, consegue fazer com qualidade, com preço, com prazo. As linhas flexíveis também. Isso pela experiência que elas adquiriram com a Petrobras. E, na parte dos FPSOs, nós também estamos fazendo uma grande abordagem junto ao mercado.

Geralmente o que se fala é que as plataformas no exterior saem mais baratas. Como isso está mudando?

Primeiro, tentando fazer o casamento. Nós falávamos do “Tinder das empresas”, para ver se ajudávamos os estaleiros locais a pegar algum parceiro que os ajudasse a se reerguerem. Nós estamos com uma aproximação muito grande com a Abimaq. Inclusive, nós vamos lançar na Rio Oil & Gas, a ROG 2026, o primeiro protótipo, que é o seguinte: nós temos uma plataforma, por exemplo, Búzios 12, e vamos mostrar para os fornecedores, no detalhe, a “rebimboca da parafuseta”. Os fornecedores tinham uma grande crítica, de que não se viam nos nossos projetos. Assim, todos os nossos projetos vão estar na plataforma no detalhe do detalhe para eles saberem o que eles podem fornecer.
O tarifaço anunciado pelo governo norte-americano para o Brasil afeta a Petrobras de alguma maneira?

Nós não estamos vendo nenhum impacto, na parte da engenharia, porque nós não exportamos muito para lá. Poderia ter nas árvores de Natal, mas, pelo que eu sei, eles (fabricantes) exportam mais para a África, para a Guiana e para o Mar do Norte.
Mas, no caso de ter reciprocidade por parte do Brasil, poderia respingar nas importações da Petrobras?

Nós não importamos diretamente. Vai para Singapura ou vai para a China, e depois vem para cá.

A alta do preço do petróleo com a guerra no Oriente Médio acelerou decisões?

Sempre que nós fazemos a avaliação de um projeto, nós não olhamos apenas o preço do petróleo do momento. Avaliamos o preço no longo prazo. O fato de o Brent ter aumentado gerou um pouco mais de caixa, mas não é o que decide se o projeto vai ser aprovado ou não. O que aprova é a projeção de longo prazo. Para o ano que vem, nós vemos o Brent a US$ 70 e, depois, um pouco mais baixo.
A Petrobras já tem a visão de longo prazo do Brent para o próximo Plano de Negócios 2027-2031?

Nós ainda estamos discutindo, ainda não temos. Ainda estamos construindo as premissas de como vai ser a nossa curva de produção e de quais recursos vamos precisar.
Recentemente, você celebrou 40 anos de Petrobras e lembrou que entrou como estagiária. Como é olhar para toda essa trajetória?

É outra empresa. Eu entrei em 1986. Eram cerca de 500 mil barris por dia; já havia a Bacia de Campos. Teve várias crises no petróleo, mas a refinaria sempre foi um ambiente de margem muito pequena. Computador, na época, nem tinha um para cada um quando eu cheguei; tinha que mostrar a caneta vazia para trocar por uma nova. Mudou muito. Hoje são 7 mil pessoas na minha diretoria, só em empregados diretos. É muito legal (ver) essa revolução.

Petro Notícias - SP   21/07/2026

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) emitiu na última semana as licenças de instalação das plataformas P-80 e P-82, que serão destinadas ao campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos.

A P-80 e a P-82 vão figurar entre as maiores plataformas do Brasil. Cada uma terá capacidade para produzir até 225 mil barris de petróleo por dia (bpd), processar até 12 milhões de metros cúbicos de gás por dia e armazenar mais de 1,6 milhão de barris. As duas unidades estão em construção em Singapura.

A P-80 será interligada a 14 poços, sendo sete produtores de óleo e sete injetores, e tem previsão de início das operações em 2026. Já o projeto da P-82 prevê a interligação de 16 poços, sendo 9 produtores e 7 injetores.

AGRÍCOLA

Infomoney - SP   21/07/2026

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 526,3 milhões na terceira semana de julho. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), divulgados há pouco, o valor foi alcançado com exportações de US$ 6,113 bilhões e importações de US$ 5,587 bilhões.

O mês de julho acumula superávit de US$ 4,950 bilhões, resultante de US$ 19,383 bilhões em exportações e US$ 14,433 bilhões em importações.

Nova tarifa dos EUA mira manufaturados e expõe São Paulo e o Sul
Até a terceira semana de julho, na comparação com o mesmo período de 2025, as exportações cresceram 6,7%. O desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de 6,5% em Agropecuária, que somou US$ 4,308 bilhões; crescimento de 17,2% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 4,919 bilhões; e, por fim, crescimento de 1,4% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 9,987 bilhões.

Em relação às importações, houve alta de 1,6% na mesma comparação. Houve queda de 16,3% em Agropecuária, que somou US$ 236 milhões; crescimento de 37,7% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 784 milhões; e, por fim, crescimento de 0,4% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 13,327 bilhões.
Acumulado do ano

De janeiro até a terceira semana de julho, o ano acumula superávit de US$ 47,308 bilhões, crescimento de 36,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando o superávit no período somava US$ 37,184 bilhões.

A projeção do MDIC é de que o superávit da balança comercial seja de US$ 90,0 bilhões neste ano, crescimento de 32,3% em relação a 2025. O resultado projetado para este ano é decorrente de uma previsão de US$ 394,4 bilhões em exportações e US$ 304,4 bilhões em importações.

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