Clipping Diário

20 | Outubro | 2026

SIDERURGIA

IstoÉ Dinheiro - SP   20/10/2026

Preços menores do minério de ferro e pressão de custos devem limitar os resultados de mineradoras e siderúrgicas no terceiro trimestre de 2026. As prévias dos bancos, porém, apontam diferenças entre as companhias: Gerdau e Aura Minerals devem apresentar crescimento do Ebitda, enquanto Vale, CSN, CSN Mineração e Usiminas enfrentam perspectivas de retração.

A demanda fraca na China e a expectativa de maior oferta pressionam o minério. Na siderurgia, custos mais elevados tendem a absorver parte dos ganhos com preços ou volumes vendidos.

Calendário dos balanços de mineração e siderurgia

Pelas datas informadas, Gerdau e Metalúrgica Gerdau abrem a temporada em 26 de outubro. A Vale divulga seus números três dias depois.

Companhia Código Divulgação prevista

Gerdau GGBR4 26 de outubro de 2026
Metalúrgica Gerdau GOAU4 26 de outubro de 2026
Vale VALE3 29 de outubro de 2026
Usiminas USIM5 30 de outubro de 2026
CSN Mineração CMIN3 10 de novembro de 2026
Aura Minerals AURA33 12 de novembro de 2026
CSN CSNA3 12 de novembro de 2026

Vale: minério mais barato e frete pressionam resultado

O Itaú BBA projeta Ebitda proforma de US$ 3,502 bilhões para a Vale, abaixo do trimestre anterior. A métrica exclui os efeitos dos acordos de Brumadinho e Mariana.

A principal pressão deve vir da divisão de ferrosos. Preços realizados menores e frete mais caro tendem a limitar o benefício do aumento dos embarques.

Nos metais básicos, a parada de Sossego deve afetar os volumes de cobre. Preços menores do níquel e custos de manutenção mais elevados completam o cenário desfavorável.

O Safra considera a Vale um dos destaques negativos da temporada. O JPMorgan apresenta leitura semelhante e chama atenção para custos caixa C1 elevados.
CSN Mineração: combinação de preços e volumes menores

A CSN Mineração deve registrar um dos resultados mais pressionados do setor, na avaliação do Itaú BBA. A estimativa é de Ebitda de R$ 469 milhões.

O banco espera queda dos preços realizados e dos volumes vendidos, acompanhada de aumento do custo caixa por tonelada. O Safra compartilha a avaliação de que o ambiente de preços e custos deve prejudicar o desempenho da mineradora.
CSN: mineração deve pesar no consolidado

Para a CSN, o Itaú BBA prevê retração do Ebitda e da margem consolidada. A operação de mineração deve sofrer com preços e volumes menores, somados a despesas mais altas com frete.

Na siderurgia, o aumento dos custos por tonelada tende a superar os ganhos com vendas domésticas. O JPMorgan avalia que a estratégia de priorizar volume em detrimento de valor, em um período de custos crescentes, deve pressionar o resultado do aço.
Usiminas: custos limitam ganhos na siderurgia

O Itaú BBA espera queda do Ebitda da Usiminas frente ao trimestre anterior. Na divisão de aço, custos maiores devem neutralizar os efeitos positivos do aumento dos embarques e dos preços domésticos.

A mineração terá contribuição menor, refletindo o fechamento de parte da capacidade produtiva em setembro e despesas operacionais mais elevadas. O Safra classifica o trimestre como desafiador para a companhia.
Aura Minerals: produção maior deve sustentar crescimento

A Aura aparece entre as expectativas mais favoráveis. O Itaú BBA projeta avanço do Ebitda, apoiado pelo aumento da produção e pela redução do custo caixa por unidade equivalente de ouro.

A melhora operacional deve compensar preços realizados mais fracos para o metal. O JPMorgan destaca a expansão da produção nas minas e a confiança da companhia em suas metas operacionais, com perspectiva de evolução adicional no quarto trimestre.
Gerdau: América do Norte concentra expectativa positiva

O Itaú BBA estima Ebitda de R$ 3,65 bilhões para a Gerdau, acima do trimestre anterior. A operação norte-americana deve liderar o desempenho, beneficiada por maior receita por tonelada e expansão de margem.

Esses ganhos tendem a compensar a redução dos embarques provocada por paradas de manutenção em Midlothian. No Brasil, o BBA espera estabilidade.

O JPMorgan aponta a América do Norte como principal vetor do resultado. Para a operação brasileira, prevê custos maiores e volumes mais fracos, sem eliminar a expectativa de crescimento do Ebitda consolidado.

As projeções indicam uma temporada desigual, na qual preços realizados, frete e eficiência operacional devem determinar a capacidade de cada companhia de preservar margens.

Valor - SP   20/10/2026

Diretor-presidente, o brasileiro Lourenço Gonçalves classificou os resultados como o melhor trimestre em três anos e afirmou que as perspectivas da companhia para 2027 melhoraram nos últimos meses

A Cleveland-Cliffs obteve lucro no terceiro trimestre deste ano, impulsionado pelo aumento dos volumes comercializados de produtos siderúrgicos e pela alta dos preços.

O diretor-presidente da siderúrgica com sede em Cleveland, nos Estados Unidos, o brasileiro Lourenço Gonçalves, classificou os resultados como o melhor trimestre em três anos e afirmou que as perspectivas da companhia para 2027 melhoraram nos últimos meses.

Por volta das 8h14 desta segunda-feira (19), as ações da empresa subiam 12,3%, para US$ 13,65, nas negociações do pré-mercado de Nova York.

A Cleveland-Cliffs registrou lucro de US$ 152 milhões no terceiro trimestre, ou US$ 0,26 por ação, revertendo o prejuízo de US$ 251 milhões, ou US$ 0,51 por ação, registrado no mesmo período do ano passado.

O lucro ajustado por ação foi de US$ 0,28, acima da estimativa de US$ 0,21 dos analistas, segundo a FactSet.

A receita avançou para US$ 5,61 bilhões, ante US$ 4,73 bilhões um ano antes. Os analistas projetavam US$ 5,7 bilhões.

A Cleveland-Cliffs vendeu mais produtos siderúrgicos e a preços maiores. O volume de vendas externas de produtos de aço alcançou 4,2 milhões de toneladas líquidas, ante 4 milhões de toneladas líquidas no mesmo período do ano passado, enquanto o preço médio líquido de venda por tonelada líquida subiu de US$ 1.032 para US$ 1.177.

Para o quarto trimestre, a Cleveland-Cliffs projeta lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado de aproximadamente US$ 715 milhões.

Olhando para 2027, a companhia espera registrar Ebitda ajustado superior a US$ 4 bilhões no acumulado do ano.

Gonçalves afirmou que as perspectivas da empresa para 2027 melhoraram desde a teleconferência de resultados realizada em julho. Segundo ele, vários fatores de crescimento identificados pela companhia evoluíram de maneira mais favorável do que o inicialmente previsto.

“O ambiente comercial continua favorecendo uma indústria siderúrgica americana saudável. As importações permanecem bem abaixo dos níveis históricos, os prazos de entrega estão mais longos e nossos clientes reconhecem cada vez mais o valor de uma cadeia de suprimentos doméstica confiável”, afirmou o executivo.

CNN Brasil - SP   20/10/2026

O governo federal identificou preliminarmente a prática de dumping nas importações de dois insumos utilizados pela siderurgia brasileira: eletrodos de grafite, provenientes da China e da Índia, e materiais refratários, importados da China.

As conclusões constam de duas circulares da Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, publicadas no Diário Oficial da União desta segunda-feira (19).

Apesar de identificar prejuízos à indústria nacional provocados pelas importações, o governo decidiu não recomendar, neste momento, a aplicação de sobretaxas antidumping.

O dumping ocorre quando um produto é exportado por preço inferior ao seu valor considerado normal, segundo critérios de defesa comercial. A prática pode justificar a aplicação de tarifas adicionais quando comprovado dano à indústria do país importador.

No caso dos eletrodos de grafite, utilizados em fornos elétricos para a produção de aço e ferroligas, a investigação foi solicitada pela GrafTech Brasil.

Segundo o governo, as importações de eletrodos de grafite da China e da Índia cresceram 268,9% ao longo dos cinco anos analisados, entre abril de 2020 e março de 2025.

Já a investigação sobre materiais refratários, utilizados no revestimento de fornos industriais e equipamentos submetidos a altas temperaturas, foi solicitada pela Associação Brasileira de Fabricantes de Refratários.

O governo identificou crescimento de 119,8% nas importações chinesas desses produtos entre outubro de 2019 e setembro de 2024.

Enquanto isso, as vendas das fabricantes nacionais recuaram 1,7% e o resultado operacional caiu 80,5% nesse último intervalo.

As investigações consideraram indicadores de empresas instaladas no Brasil, como a GrafTech, a RHI Magnesita e a Ibar.

Nos dois casos, o Departamento de Defesa Comercial concluiu preliminarmente que as importações a preços de dumping contribuíram significativamente para o prejuízo das fabricantes brasileiras.

“Verificou-se que as importações da origem investigada a preços de dumping contribuíram significativamente para a existência de dano à indústria doméstica constatados no item 6 deste documento”, diz o governo.

O órgão, no entanto, optou por aprofundar a análise das informações e das manifestações das partes envolvidas antes de recomendar eventuais medidas provisórias.

As investigações continuam em andamento, e as conclusões definitivas poderão resultar na aplicação de direitos antidumping sobre os produtos investigados.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   20/10/2026

Com sobretaxas de até 37,5%, Brasil terá de responder a exigências comerciais dos EUA que vão além da relação entre os presidentes

A tarifa que o próximo presidente vai negociar com Washington já não é aquela de julho de 2025. A sobretaxa de 40%, anunciada por carta e justificada pelo julgamento de Jair Bolsonaro, caiu em 20 de fevereiro, quando a Suprema Corte americana decidiu, por seis votos a três, que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência não dá ao presidente o poder de cobrar tarifa.

A substituta provisória, os 10% da Seção 122 (que permite ao presidente americano impor tarifas temporárias em determinadas situações), venceu pelo prazo legal em 24 de julho. Sobrou outra coisa. E, para o investidor, entender essa outra coisa vale mais do que saber quem ganha no domingo, 25 de outubro.

O que ficou de pé tem base jurídica mais firme e uma lista de exigências bem mais comprida. Desde 22 de julho, os produtos brasileiros pagam 25% adicionais, resultado de um ano de investigação do escritório do representante comercial americano sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 (que permite aos EUA reagir a práticas comerciais estrangeiras consideradas injustas).

Dois dias depois vieram mais 12,5%, fruto de uma segunda investigação, sobre falhas no controle de importações feitas com trabalho forçado.

Nos produtos sem isenção, a conta fecha em 37,5%. Por cima disso seguem as tarifas setoriais da Seção 232 (dispositivo que permite aos EUA impor restrições comerciais por razões de segurança nacional) sobre aço, alumínio, cobre e automóveis.

A Suprema Corte não encostou em nenhuma delas, e nenhuma depende de um decreto de emergência que um telefonema resolva.

A investigação da 301 mirou seis frentes: comércio digital e pagamentos eletrônicos, com o Pix no centro da reclamação das bandeiras de cartão; tarifas preferenciais dadas a parceiros como México e Índia; aplicação das regras anticorrupção; propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal.

Pela lei americana, a tarifa só é modificada ou retirada quando a prática investigada deixa de existir ou quando um acordo satisfaz o representante comercial. Isso anda com papel, prazo e verificação. Simpatia ajuda pouco. O processo é administrativo, tem clientela própria, e as redes de cartão, os produtores de etanol de milho do Meio-Oeste e as farmacêuticas que brigam por patente não votam no Brasil.

O Brasil já viu esse filme. Em junho de 1987, a associação dos laboratórios americanos levou ao mesmo escritório uma queixa contra a lei brasileira, que desde 1945 não concedia patente para remédio. Ronald Reagan declarou a prática injusta em julho de 1988 e, em outubro, impôs tarifas de 100% sobre 39 milhões de dólares em papel, medicamentos e eletrônicos brasileiros.

O Brasil chegou a pedir um painel no GATT (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, que antecedeu a Organização Mundial do Comércio). Não adiantou. A sobretaxa só caiu em julho de 1990, poucos dias depois de Fernando Collor anunciar publicamente, em 26 de junho, a intenção de aprovar patentes farmacêuticas. Bastou o compromisso com uma mudança de regra; a lei mesmo só sairia em 1996, já com Fernando Henrique.

Quem acha que afinidade com Trump resolve, deveria olhar a lista da investigação sobre trabalho forçado. Os 12,5% atingem quarenta economias, Argentina, Chile, Peru, Colômbia, Costa Rica e Uruguai entre elas. Nessa camada, a Argentina de Javier Milei, o presidente mais próximo de Donald Trump no hemisfério, paga o mesmo que o Brasil de Lula.

A Jordânia conseguiu alíquota menor porque assumiu compromissos num acordo recíproco, e não por alguma intimidade com a Casa Branca. O mecanismo premia quem muda a regra em casa. No caso brasileiro, a regra que derrubaria os 12,5% é uma proibição legal de importar bens feitos com trabalho forçado, e quem vota isso é o Congresso, que já foi eleito no dia 4 e não muda no segundo turno.

Economicamente, o estrago é menor do que a manchete faz parecer, só que bem concentrado. Depois das audiências públicas, a lista de isenções da 301 cresceu e passou a incluir café, carne bovina, suco de laranja, aeronaves civis e componentes, petróleo e terras raras.

Pelas contas da Allianz, a tarifa efetiva média sobre o Brasil subiu de 14% para 20%, e a perda de exportações fica em torno de 0,2% do PIB em doze meses. Quem sente é a manufatura do Sudeste e do Sul (máquinas, autopeças, madeira processada, calçados), exatamente onde a decisão de investimento depende de prazo. Para ter a escala: entre janeiro e setembro, os Estados Unidos ficaram com 9,6% das exportações brasileiras, e a China com 29,7%.

A mesa de negociação já está montada e tem calendário próprio. Em 30 de setembro, em Milwaukee, Márcio Elias Rosa (Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Mauro Vieira (Ministro das Relações Exteriores) sentaram com Jamieson Greer (Representante Comercial dos Estados Unidos) e saíram de lá com um grupo de trabalho.

O Brasil pediu a retirada das três camadas, a 232, os 12,5% e os 25%. Washington ficou de mandar, nas semanas seguintes, uma proposta com o escopo da negociação, tarifário e não tarifário. E é esse papel que vai cair na mesa de quem for eleito.

Lula disse à CNN International que não irá acionar a lei de reciprocidade enquanto houver conversa; o Brasil, de todo modo, já tinha aberto consultas na Organização Mundial do Comércio em julho. Em Milwaukee, Rosa ainda deixou uma porta aberta. Minerais críticos podem entrar na negociação, desde que venham acompanhados de investimento em processamento aqui.

É nessa porta que os dois candidatos se encontram. Flávio Bolsonaro foi à CPAC em março oferecer o Brasil como saída para a dependência americana de minerais chineses, e em julho sua campanha mandou ao representante comercial uma lista que incluía limitar a conexão do Pix a redes de pagamento de fora do mundo ocidental e flexibilizar regras do Mercosul.

O governo Lula põe os mesmos minerais na mesa, com a exigência de processamento local. Ninguém mais discute se terras raras viraram moeda de troca. Discute-se quanto cobrar por elas e o que se entrega primeiro.

Com Flávio, o capital político na Casa Branca deve encurtar a resposta ao escopo americano e baratear cada rodada. A lista, porém, é a mesma. E cada concessão nela tem custo doméstico bem concreto.

Mexer no desenho do Pix passa pelo Banco Central e pelos bancos que operam o sistema; baixar a tarifa do etanol compra briga com o setor sucroenergético; um acordo tarifário bilateral esbarra na Decisão 32/00 do Mercosul, que obriga o bloco a negociar junto.

Com Lula, o discurso de soberania sustenta a recusa em tratar o Pix como tema comercial e a defesa da tarifa do etanol como política industrial. O processo se alonga, e a lei de reciprocidade fica na gaveta, ao alcance da mão. Quem arbitra, num caso ou no outro, é o mesmo escritório em Washington.

Para quem precifica ativo, a primeira consequência é desconfiar de qualquer rali de alívio tarifário no dia 26, para o lado que for, porque ele estará antecipando algo que o instrumento jurídico não entrega rápido.

A Seção 301 tem procedimento de revisão, prazo para comentário público e exigência de verificação, e ninguém tira os 25% por decreto na semana da posse.

A outra é que o risco que interessa mora nas camadas setoriais. O aço da 232 pega Gerdau, CSN e Usiminas, e já vinha com regime de cotas antes de tudo isso.

O Pix mexe com adquirentes, com fintechs e com o modelo de receita das bandeiras no Brasil. O etanol, com a competitividade do milho do Centro-Oeste.

São esses os preços que a negociação vai mexer, e eles vão reagir ao texto do acordo muito mais do que à foto do aperto de mão.

A tarifa que o Brasil carrega desde julho saiu de um processo que sobreviveu à Suprema Corte e vai sobreviver à eleição. Quem ganhar no domingo herda a mesma lista de seis itens, o mesmo escopo prometido por Washington e o mesmo grupo de trabalho de Milwaukee. Pode mudar o tom das reuniões, talvez o ritmo. Em 1990, a tarifa de Reagan só caiu quando Collor prometeu mudar a lei, e o próximo presidente vai ter de passar pelo mesmo caminho.

O Estado de S.Paulo - SP   20/10/2026

A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 seguiu em 5,22%, depois de quatro leituras de alta. A estimativa está 0,72 ponto porcentual acima da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. Considerando apenas as 71 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana permaneceu em 5,19%.

A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 subiu de 4,30% para 4,32%. Um mês antes, era de 4,30%. Considerando apenas as 71 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, aumentou de 4,26% para 4,32%.

Por outro lado, a mediana do Focus para a inflação de 2028 caiu de 3,79% para 3,75%. Há um mês, era de 3,80%. Para 2029, seguiu em 3,50%, mesmo nível em que estava há um mês, embora tenha oscilado no período.

O Banco Central projeta alta de 5,2% para o IPCA em 2026 e 3,9% em 2027. As estimativas constam no comunicado da reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom). O colegiado projeta a inflação acumulada em 3,2% em 12 meses no 1º trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária.

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
Selic

A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 seguiu em 13,25%. Considerando só as 60 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano também permaneceu em 13,25%.

Já a estimativa intermediária do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2027 ficou em 12,00% pela 18ª semana consecutiva. Levando em conta apenas as 59 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana aumentou de 11,75% para 12,00%.

Em 16 de setembro, o Copom reduziu a Selic em mais 0,25 ponto porcentual, de 14,00% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo dos juros.

A Selic já caiu 1,25 ponto porcentual desde março, quando o BC começou um “ciclo de calibração” da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã na cadeia global de suprimentos, nos preços de commodities e na própria inflação.

“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, disse o Copom na ata da reunião.

A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 ficou em 10,50% pela 16ª semana seguida. A estimativa para 2029 continuou em 10,00% pela 24ª semana consecutiva.
PIB

A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 caiu de 1,85% para 1,83%. Um mês antes, era de 1,88%. Considerando apenas as 51 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa seguiu em 1,81%.

O crescimento esperado pelo mercado está em linha com o previsto pelo Banco Central, de 1,8%, segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) do terceiro trimestre.

A mediana do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 caiu de 1,40% para 1,32%. Levando em conta apenas as 51 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária saiu de 1,35% para 1,31%.

A mediana para o crescimento do PIB de 2028 caiu de 1,83% para 1,81%. Há um mês, era de 1,87%. Para 2029, permaneceu em 2,00% pela 83ª semana seguida.

Dólar

A mediana para a cotação do dólar no fim de 2026 diminuiu de R$ 5,15 para R$ 5,13. Considerando apenas as 46 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária permaneceu em R$ 5,05.

A mediana para a cotação da moeda americana no fim de 2027 caiu de R$ 5,26 para R$ 5,22. Há um mês, era de R$ 5,28.

A projeção para o fim de 2028 oscilou de R$ 5,30 para R$ 5,29. Há quatro semanas, era de R$ 5,30.

A estimativa para 2029 seguiu em R$ 5,30. Há um mês, era de R$ 5,36.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

Infomoney - SP   20/10/2026

A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 2,661 bilhões na terceira semana de outubro. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 19, o valor foi alcançado com exportações de US$ 8,232 bilhões e importações de US$ 5,572 bilhões.

O mês de outubro acumula superávit de US$ 5,959 bilhões, resultante de US$ 21,038 bilhões em exportações e US$ 15,079 bilhões em importações.

Até a terceira semana de outubro, comparado ao mesmo período do mês de 2025, as exportações cresceram 33,5%.
O desempenho dos setores foi o seguinte: crescimento de 21% em Agropecuária, que somou US$ 4,09 bilhões; crescimento de 70,7% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 6,40 bilhões e, por fim, crescimento de 20,9% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 10,32 bilhões.

Em relação às importações, houve alta de 21,5% na mesma comparação. Houve alta de 23,3% em Agropecuária, que somou US$ 30 milhões; alta de 47,9% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 79 milhões e, por fim, crescimento de 20,2% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 13,89 bilhões.

Acumulado do ano

De janeiro até a terceira semana de outubro, o ano acumula superávit de US$ 68,355 bilhões, um crescimento de 36,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando o superávit no período somava US$ 52,985 bilhões.

A projeção do MDIC é de que o superávit da balança comercial seja de US$ 84,4 bilhões neste ano, crescimento de 24,0% em relação a 2025. O resultado projetado para este ano foi revisado para baixo no começo de outubro – a estimativa anterior era de superávit de US$ 90 bilhões neste ano.

Veja - SP   20/10/2026

O ministro dos Transportes, George Santoro, trabalha em uma proposta de mudança regulatória para ampliar o acesso de investidores institucionais às debêntures de infraestrutura. A intenção é atrair recursos de longo prazo de seguradoras e entidades de previdência para financiar concessões e outros projetos de infraestrutura, reduzindo entraves e custos de intermediação.

Em entrevista ao Radar Econômico, Santoro estimou que a iniciativa poderia mobilizar um mercado superior a R$ 100 bilhões. O valor representa o potencial vislumbrado pelo ministro, e não uma previsão de captação assegurada ou recursos já comprometidos pelos investidores.

A proposta está sendo discutida com a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), instituições financeiras e participantes do mercado de capitais. Santoro afirmou que já manteve uma conversa inicial com o Ministério da Fazenda e que pretende aprofundar as discussões técnicas para construir uma proposta dentro do governo.

O objetivo é ampliar as possibilidades de aplicação direta de reservas de seguradoras e recursos previdenciários em debêntures incentivadas e de infraestrutura. Na avaliação do ministro, estruturas intermediadas por fundos podem adicionar custos de administração e gestão que, em determinadas operações, poderiam ser reduzidos.

A situação regulatória, porém, varia conforme a categoria de investidor. Desde 2025, as entidades fechadas de previdência complementar, conhecidas como fundos de pensão, já contam com autorização expressa para adquirir diretamente debêntures de infraestrutura, observados os limites e requisitos prudenciais.

Por isso, o alcance da iniciativa dependerá de quais outras categorias de investidores e modalidades de recursos poderão ter suas possibilidades de aplicação ampliadas. O universo de previdência aberta e seguradoras segue regras próprias, e nem todas as restrições decorrem de uma proibição geral à aquisição desses títulos.

A proposta ainda precisa avançar na definição dos instrumentos financeiros elegíveis, das condições de investimento e das salvaguardas para os recursos administrados pelas instituições.

A possibilidade de direcionar mais dinheiro ao setor não depende apenas de mudanças nas normas. Investidores de longo prazo também consideram a remuneração oferecida, a qualidade das garantias, os riscos de construção e a liquidez dos papéis. A simples ampliação da elegibilidade regulatória não significa, necessariamente, aumento equivalente da demanda.

Santoro considera que a medida poderia aproximar o financiamento brasileiro da prática internacional, em que fundos previdenciários e seguradoras são importantes financiadores de ativos de longo prazo.

A discussão ocorre em meio ao esforço do governo para ampliar a participação do mercado de capitais no financiamento de rodovias, ferrovias e outros empreendimentos. As debêntures incentivadas oferecem benefícios tributários aos investidores, enquanto as debêntures de infraestrutura criadas em 2024 concedem incentivos fiscais às empresas emissoras.

A iniciativa é diferente de outra mudança já adotada pelo Ministério dos Transportes, que permite a reemissão de debêntures vinculadas a projetos de infraestrutura para refinanciar dívidas anteriores, respeitadas as condições da regulamentação.

No novo projeto, a intenção não é apenas permitir que empresas substituam dívidas existentes. O objetivo é ampliar a base de compradores dos títulos e criar condições para que uma parcela maior da poupança institucional seja direcionada ao financiamento de investimentos.

Santoro reconhece que as discussões ainda não estão concluídas. A medida depende de articulação regulatória e de consenso entre órgãos e participantes do mercado, sem decisão final anunciada.

O desafio será transformar um mercado potencial estimado em mais de R$ 100 bilhões em demanda efetiva por papéis de infraestrutura.

MINERAÇÃO

CNN Brasil - SP   20/10/2026

Os contratos futuros de minério de ferro subiram nesta segunda-feira (19), depois que dados mostraram que o crescimento econômico da China superou as expectativas e que a produção de aço aumentou, embora os fracos fundamentos subjacentes do mercado do minério de ferro tenham limitado os ganhos.

O contrato de minério de ferro para janeiro mais negociado na DCE (Bolsa de Mercadorias de Dalian) da China fechou a sessão com alta de 1,26%, a 682,5 iuanes (US$ 102,16) por tonelada.

A referência de minério de ferro para novembro na Bolsa de Cingapura subia 0,41%, para US$ 91,6 por tonelada.

O crescimento econômico da China se recuperou para 4,5% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, superando a previsão de 4,4% de uma pesquisa da Reuters e melhorando em relação à mínima de mais de três anos, de 4,3%, registrada no segundo trimestre, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo NBS (Escritório Nacional de Estatísticas).

A produção diária de aço bruto da China em setembro subiu 1,9% em relação a agosto, para 2,45 milhões de toneladas, o primeiro aumento mensal desde junho, segundo dados do NBS.

O aumento foi impulsionado pelas fortes exportações e pelas expectativas de melhora sazonal na demanda doméstica.

Dados sobre os estoques portuários apontam para um enfraquecimento gradual da demanda no mercado à vista, com as siderúrgicas comprando apenas conforme a necessidade e demonstrando pouco interesse em reabastecer seus estoques, afirmaram analistas da Shanghai Metals Market.

Os estoques de minério de ferro nos principais portos chineses aumentaram 0,26% em relação à semana anterior, chegando a 153,06 milhões de toneladas na sexta-feira, segundo dados da consultoria Steelhome.

A produção de metal quente caiu ligeiramente, enquanto as margens de lucro das siderúrgicas subiram um pouco, mas permaneceram baixas, sem que o apoio da demanda apresentasse melhora significativa, afirmaram analistas da corretora Everbright Futures em nota.

A taxa de operação dos altos-fornos entre 247 siderúrgicas caiu 0,06 ponto percentual em relação à semana anterior, para 87,74% até sexta-feira (16), enquanto a lucratividade das siderúrgicas subiu 1,3 ponto percentual, para 8,23%, segundo dados da consultoria Mysteel.

O Estado de S.Paulo - SP   20/10/2026

Ações da mineradora acumulam perdas em 2026 e seguem na contramão do Ibovespa, que disparou após o primeiro turno das eleições

As ações da Vale (VALE3) seguem na contramão do rali eleitoral que impulsionou a Bolsa brasileira nas últimas sessões. Os papéis da mineradora recuam 4,56% em outubro e acumulam perdas de 5,05% no ano, com a cotação no menor nível desde dezembro de 2025.

O Ibovespa, por sua vez, acumula ganhos de 10,82% no mês e de 28,16% no ano. Em agosto, o índice renovou um recorde histórico, ao superar o patamar de 209 mil pontos.

Para analistas, o desempenho negativo da Vale, em contraste com a alta da Bolsa brasileira, pode ser explicado por um combo de motivos: preço do minério de ferro em queda, custos mais altos de frete e expectativa de baixa do dólar.

Em janeiro, o contrato mais negociado do minério de ferro na China operava no patamar de US$ 112 por tonelada. Atualmente, a commodity negocia próxima de US$ 100 por tonelada. Quanto aos custos de frete, a pressão vem do combustível marítimo, diante do conflito geopolítico no Oriente Médio e dos impasses nas negociações entre Irã e Estados Unidos.

As premissas mais altas para os custos, inclusive, foram um dos fatores que motivaram o UBS a reduzir, no final de setembro, o preço-alvo das ações da Vale de R$ 85 para R$ 77. O preço-alvo dos American Depositary Receipts (ADRs) da mineradora também foi cortado, passando de US$ 16,50 para US$ 15.

O banco citou ainda previsões menores de embarques ao longo do segundo semestre de 2026 e de 2027. “Embora a Vale continue apresentando boa geração de caixa e retorno aos acionistas, vemos uma relação mais equilibrada entre riscos e potenciais retornos nos níveis atuais”, destacou, reiterando recomendação neutra.

Em uma simulação com base em taxa de câmbio de R$ 5,00 por dólar, minério de ferro a US$ 90,50 por tonelada, cobre a US$ 6,60 por libra-peso e níquel a US$ 15.700 por tonelada, o BTG Pactual projeta um custo médio de frete para a Vale entre US$ 25 e US$ 27 por tonelada em 2027.

O banco avalia que a mineradora conta com instrumentos para reduzir o impacto da alta dos custos, como contratos de longo prazo e operações para se proteger de oscilações nos preços dos combustíveis marítimos.

Em seu cálculo, o BTG considera que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da Vale poderia ficar em torno de US$ 13 bilhões em 2027, o que representaria um resultado aproximadamente 15% a 20% inferior às estimativas anteriores.

Além da pressão dos custos e do minério, a mineradora também fica exposta ao dólar, já que sua receita está atrelada à moeda americana. No ano, a divisa cai mais de 8% em relação ao real, o que desperta mais um fator de atenção para a Vale. Nas mínimas de outubro, o dólar chegou a ceder abaixo do patamar de R$ 5.
Vale fica de fora do rali eleitoral

No pregão em que o Ibovespa disparou 7,7%, após o primeiro turno das eleições, a Vale foi pelo caminho contrário e ficou entre as poucas baixas do dia, cedendo 0,97%.

Arthur Bonifácio, analista da Eleven Financial, explica que o rali recente está concentrado em empresas mais expostas à dinâmica de consumo doméstico e à curva de de juros futura, como companhias dos setores de varejo, transporte e infraestrutura. “A Vale não se beneficiou diretamente do movimento e segue pressionada por fundamentos específicos do seu setor”, diz.

Em relatório, o Morgan Stanley sinalizou ter reduzido a exposição à mineradora, sob a justificativa de estar privilegiando empresas domésticas em detrimento dos nomes ligados a commodities, diante da possibilidade de mudança econômica no Brasil a partir de 2027.

O BTG também vê os investidores à procura de oportunidades de investimento em outros setores. “A Vale continua apresentando fundamentos sólidos, mas o ritmo de evolução dos resultados está caminhando na direção errada e temos dificuldade em identificar um catalisador convincente para a valorização das ações no curto prazo”, afirma o banco, que, ainda assim, tem recomendação de compra para VALE3 com preço-alvo de R$ 90.

Para os próximos meses, fatores como os custos de frete e a atividade econômica da China devem ficar no radar dos investidores. Eventuais surpresas negativas na segunda maior economia do mundo afetam diretamente a Vale.

Apesar dos desafios no curto prazo, a avaliação é que parte dos riscos já está refletida no preço do papel. “Entendemos que há oportunidade para o investidor na ação, pois já existe uma precificação bastante pessimista”, observa João Daronco, analista da Suno Research.

Outro ponto que jogo a favor do papel é o dividend yield – DY, o retorno em dividendo –, atualmente estimado em 9% ao ano, de acordo com os cálculos de Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank.

O DY mede a relação entre os dividendos distribuídos por uma empresa e o preço de suas ações. Quanto mais o preço da ação cai, mais o DY sobe, mantida a mesma distribuição de proventos.

“A esse preço, não se vende Vale. A recomendação é manter as ações e esperar uma oportunidade de saída a um preço mais alto. Enquanto isso, o investidor continua recebendo os dividendos”, afirma Bresciani.
O que esperar do balanço do 3T26?

A empresa divulgará o seu balanço do terceiro trimestre de 2026 (3T26) no dia 29 de outubro, após o fechamento do mercado. A teleconferência de resultados será no dia 30 no período da manhã.

A partir deste trimestre, os dados operacionais, de vendas e financeiros passarão a ser consolidados num único documento, denominado Relatório de Desempenho. Como parte dessa mudança, as informações anteriormente divulgadas em um Relatório de Produção e Vendas independente passarão a integrar o Relatório de Desempenho.

Bonifácio, da Eleven Financial, espera um resultado mais pressionado na divisão de minério de ferro, diante dos preços realizados mais baixos e da desvalorização do dólar em relação ao mesmo período do ano passado.

Por outro lado, o analista avalia que o desempenho da divisão de metais de transição pode ajudar a compensar essa pressão, impulsionado pela valorização do cobre e pela redução dos custos operacionais na comparação anual.

A área de metais de transição, que reúne as operações de cobre e níquel, vem sendo considerada a “joia da coroa” da Vale. Isso porque, apesar dos resultados recentes positivos, o potencial desses negócios ainda não estaria totalmente refletido no preço das ações.

AUTOMOTIVO

CNN Brasil - SP   20/10/2026

No programa "Valor de Marca", do CNN Money, apresentado por Muriel Porfiro, Alessandra Souza, CMO da Omoda & Jaecoo Brasil, comenta como a empresa trabalha para construir sua reputação no país em um mercado automotivo tradicional e cada vez mais competitivo.

Segundo Souza, um dos principais desafios é estabelecer a identidade da empresa em meio à expansão das montadoras chinesas no Brasil.

Embora a origem chinesa esteja cada vez mais associada à inovação e à tecnologia no setor automotivo, a executiva destaca a importância de mostrar o que diferencia a marca das demais fabricantes e de aproximá-la do público brasileiro.

"Cada vez mais, na era digital, esse olho no olho, mesmo que digital, faz a diferença. A brasilidade dessas pessoas e o quanto a gente se identifica com o nosso país são elementos que emprestamos da marca para nós e de nós para a marca", afirma a CMO.

Além disso, a presença de outras montadoras chinesas no mercado contribui para esse processo. Para ela, empresas que chegaram antes e investiram no país ajudaram a superar os estigmas sobre uma indústria automotiva chinesa.

"Essas marcas que chegaram e desbravaram de forma muito significativa o mercado brasileiro ajudaram a construir e entregar o que é a nova indústria automotiva chinesa em tecnologia e qualidade. Isso quebra barreiras e antigos preconceitos”, ressalta.

Por outro lado, o avanço dessas fabricantes também aumenta a necessidade de se diferenciar diante de tantas marcas.

A estratégia não deve se concentrar em diminuir a concorrência, mas em fortalecer a própria proposta de valor, avalia Alessandra.

De acordo com a executiva, o marketing precisa estar conectado aos objetivos do negócio.

"Você nunca pode deixar de fazer marketing, mas precisa fazer um bom marketing. Se não gera conversas genuínas nem atrai a atenção do consumidor corretamente, de alguma forma é um desperdício de recurso", observa.

Brasilidade e diferenciação na marca

A construção da identidade da empresa também envolve diferenciar as duas marcas que compõem a operação no Brasil. Enquanto a Omoda busca se associar à modernidade, ao futurismo e ao design, a Jaecoo tem um posicionamento voltado ao universo outdoor e a uma ideia de status menos ostensivo.

Outro desafio é garantir que a experiência prometida pela comunicação seja reproduzida nas concessionárias. Como a rede é independente da montadora, a consistência do atendimento depende de processos, gestão, treinamento e acompanhamento.

Com cerca de um ano e meio de operação no país, a empresa já alcançou 150 concessionárias. Por isso, a expansão precisa acontecer junto à consolidação dos fundamentos da marca.

"Costumo falar que a Omoda & Jaecoo é sobre borogodó. É uma marca chinesa, mas com valores brasileiros, acolhedora. Como as pessoas vão chegar à concessionária e encontrar aquele acolhimento brasileiro que é todo nosso? Isso requer muito treinamento e presença na rede", destaca.

Diante de tudo isso, acompanhar o custo por venda é importante para garantir que o crescimento seja acompanhado por ganhos de eficiência. Assim, a continuidade desse trabalho depende de uma experiência que vá além da comunicação e permaneça presente no próprio produto.

"O consumidor precisa entrar no carro e sentir um bem-estar real dentro dele. Mas, se essa sensação de bem-estar não sair de dentro do produto, não vou ter essa marca viva e funcional daqui a dez anos", conclui.
Valor de Marca

O "Valor de Marca" é um novo programa do CNN Money apresentado por Muriel Porfiro, que reúne líderes de marketing para discutir as estratégias por trás da construção de grandes marcas. O programa vai ao ar às segundas-feiras, às 19h, no CNN Money.

A atração também marca a estreia da editoria Valor de Marca no portal da CNN Brasil, com participação de Fernando Miranda, estrategista de marketing e negócios do CNN Money, e parceria com o Nosso Meio, portal especializado em marketing, comunicação e negócios.

IstoÉ Dinheiro - SP   20/10/2026

A Volkswagen planeja congelar os salários de seus 660 mil funcionários no mundo até 2030, afirmou nesta segunda-feira (19) o Conselho Global de Trabalhadores. A montadora não confirmou a proposta e se recusou a comentar o que classificou como “especulações”.

O conselho declarou ter recebido informações internas sobre os planos da diretoria executiva, confirmando uma reportagem do jornal alemão Sueddeutsche Zeitung. Representantes dos trabalhadores anteciparam resistência à medida.

Volkswagen aponta negociações como fórum para propostas

Um porta-voz da companhia afirmou que a nova rodada de negociações, prevista para esta semana, será o espaço para discutir propostas relacionadas aos custos trabalhistas.

O conselho classificou a abordagem da administração como “absurda” e descreveu a implementação do plano como “bastante irrealista”.

“Na Volkswagen, a evolução salarial é decidida na mesa de negociações, não por decreto da diretoria executiva”, afirmou um porta-voz do sindicato alemão IG Metall.
Congelamento pode reduzir poder de compra

A ausência de reajustes poderia provocar uma perda de renda real de cerca de 10%, em razão da inflação, de acordo com o Sueddeutsche Zeitung.

A estimativa se refere à redução do poder de compra dos salários, e não a um corte equivalente no valor nominal pago aos funcionários.

O jornal informou que as novas diretrizes globais de gestão, previstas para vigorar a partir do quarto trimestre, incluem reduções na remuneração variável e nos pagamentos especiais. Benefícios e postos de trabalho estariam entre os alvos dos cortes.

Reestruturação amplia tensão com sindicatos

As relações entre a administração e os representantes dos trabalhadores se deterioraram nos últimos meses. O presidente-executivo Oliver Blume conduz uma ampla reestruturação do grupo automotivo alemão.

A divulgação dos planos aumentou o conflito, levando os sindicatos a reforçar a defesa da negociação coletiva. A próxima rodada de conversas será o fórum indicado pela Volkswagen para apresentar eventuais propostas sobre custos trabalhistas.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   20/10/2026

A Volvo está criando uma nova unidade de negócios dedicada exclusivamente ao setor de mineração para capturar oportunidades de crescimento no segmento.

A fabricante sueca de caminhões informou nesta segunda-feira (19) que a recém-criada unidade Volvo Mining tem como objetivo reunir as capacidades técnicas e o portfólio de produtos do grupo sob uma estrutura comercial única e integrada voltada a clientes mineradores.

A Volvo Mining comercializará caminhões da marca, equipamentos de construção pesada e soluções autônomas tanto para mineradoras quanto para suas empreiteiras terceirizadas.

“À medida que a mineração entra em uma nova fase de expansão e transformação, a Volvo Mining fornecerá o foco necessário para ajudar os clientes a atender à crescente demanda por produtividade, segurança e resiliência”, destacou a companhia.

A nova unidade entrará em operação oficialmente em 1º de janeiro de 2027, ficando alocada sob a divisão de negócios Volvo Construction Equipment.

Inicialmente, a unidade terá foco de atuação voltado a clientes de mineração e terceirizadas na Suécia, Noruega e Finlândia, com planos de expansão gradual para outros mercados internacionais nas fases seguintes.

Per-Erik Lindström, atual diretor da Volvo Trucks International, foi nomeado para liderar a Volvo Mining como principal executivo a partir de 1º de janeiro de 2027

CONSTRUÇÃO CIVIL

Grandes Construções - SP   20/10/2026

Com a aprovação do fim da escala 6x1 no Senado, as associações que representam as construtoras reiteraram os seus alertas de que a medida trará aumento de custos significativos na produção de imóveis.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) estima que a redução da jornada poderá exigir a contratação de aproximadamente 288 mil trabalhadores adicionais a partir de 2027, pressionando os custos de produção e comprometendo o ritmo de execução de obras.

O quadro agrava a situação do setor, que já convive com escassez de trabalhadores qualificados, desinteresse dos mais jovens em ingressar nos canteiros e competição por mão de obra com serviços de transporte por aplicativos.

"Na prática, o encarecimento das obras poderá significar menos investimentos, atrasos nas entregas e redução do alcance de políticas públicas", afirmou a CBIC, em nota, citando impactos em projetos residenciais e de infraestrutura.

No Minha Casa, Minha Vida, as projeções da CBIC indicam que a redução da jornada poderá resultar em cerca de 30 mil unidades habitacionais financiadas a menos por ano devido ao encarecimento da produção.

Isso corresponde a cerca de 6% da média de contratações anuais do programa no atual mandato.

Já a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias ( Abrainc) acredita que haverá elevação de 5,5% no preço final dos imóveis com a redução da jornada e aumento nos custos de produção, segundo estudo feito em parceria com a consultoria Ecconit.

"A necessidade de ampliar equipes em um setor que enfrenta escassez de mão de obra qualificada pode pressionar custos e cronogramas, comprometendo a viabilidade de projetos e a oferta de moradias", alertou a associação empresarial.

FERROVIÁRIO

Porto Gente - SP   20/10/2026

O Brasil prepara uma nova tentativa de aproveitar a infraestrutura ferroviária que perdeu operação ao longo das últimas décadas. Em setembro, o Ministério dos Transportes apresentou, no roadshow da carteira de leilões e terminais logísticos realizado na B3, uma estratégia que pode alcançar cerca de 10 mil quilômetros de ferrovias subutilizadas, desativadas ou em processo de devolução, com participação da iniciativa privada na retomada desses trechos.

A carteira inicial reúne sete projetos de shortlines, linhas de menor extensão ligadas aos corredores estruturantes. Entre eles está o Corredor Minas-Rio, com cerca de 700 quilômetros e potencial para cargas como café e produtos siderúrgicos.
~10 mil km
de ferrovias ociosas ou em devolução

7
projetos de shortlines na carteira inicial

99 anos
de prazo dos contratos de autorização

30,7 mil km
de malha concedida operacional regulada pela ANTT

Como será a retomada

O modelo prevê chamamentos públicos para selecionar empresas interessadas em recuperar e operar os trechos por meio de contratos de autorização, com duração de 99 anos. A referência é a estrutura desenhada para o Corredor Minas-Rio, validada pelo Tribunal de Contas da União em agosto e passível de replicação em outros segmentos da malha.

As vencedoras terão até dois anos para elaborar um Plano de Requalificação da Malha (PREC), que detalhará os investimentos necessários. A recuperação poderá usar recursos exclusivamente privados ou contar com aportes públicos, e o autorizatário original será ressarcido pelos estudos caso outra empresa assuma a execução.
Atenção ao número

Os 10 mil km não correspondem à construção de novos trilhos, mas a trechos existentes que poderão ser reativados. Segundo o ministério, parte da lista contempla vocação para cargas, passageiros ou turismo, como a ligação Campina Grande–Cabedelo (PB). Em etapa anterior, a pasta chegou a trabalhar com cerca de 20 trechos curtos, de 50 a 60 km em média, e a cogitar o traçado turístico Ouro Preto–Mariana (MG).

Um século de idas e vindas

O primeiro trecho do país foi inaugurado em 1854, com cerca de 14 quilômetros, no Rio de Janeiro. Em 1922, a rede somava aproximadamente 29 mil quilômetros e, na década de 1950, chegou a cerca de 37 mil. Sete décadas depois, a malha concedida operacional regulada pela ANTT soma 30,7 mil quilômetros, abaixo do patamar dos anos 1950.

Para a Fundação Memória do Transporte (FuMTran), que completa 30 anos de pesquisa e preservação da história dos modais, a explicação está nos fluxos de carga: boa parte da malha foi erguida para ciclos econômicos e regiões produtoras específicas e perdeu demanda com o surgimento de novos polos e a maior participação das rodovias a partir da segunda metade do século XX.

“Uma ferrovia precisa estar ligada à atividade econômica que sustentará sua operação. É necessário analisar de onde virá a carga, para onde ela seguirá e de que forma esse trecho se conectará aos demais modais.”
Antonio Luiz Leite, presidente da FuMTran
Segundo a entidade, cada trecho deve ser avaliado pela demanda atual e futura, pelo estado da infraestrutura, pelos investimentos necessários e pela conexão com rodovias, portos, terminais e outros corredores. Em alguns casos, recuperar uma linha existente pode custar menos e levar menos tempo do que construir do zero, desde que haja uma nova função econômica para sustentá-la.
A carteira maior: oito leilões e R$ 140 bilhões

As shortlines convivem com a maior carteira ferroviária já apresentada pelo governo: oito leilões que, segundo o Ministério dos Transportes, podem alavancar R$ 656 bilhões em recursos para o setor, dos quais R$ 140 bilhões em investimento direto na malha. Em junho, governo e BNDES anunciaram uma linha de financiamento de até 40 anos para ferrovias, com estimativa de até R$ 600 bilhões em investimentos pelo modelo.
Principais projetos ferroviários
Ferrogrão (EF-170)

933 km entre Sinop (MT) e Itaituba (PA), para levar grãos do Centro-Oeste aos portos do Arco Norte

Corredor Leste-Oeste (Fico-Fiol)

1.647 km entre Caetité (BA) e Água Boa (MT); leilão reprogramado para dezembro de 2026

Corredor Minas-Rio

Primeiro a usar o modelo de autorização que servirá de referência às shortlines

Malha Oeste

Ferrovia em Mato Grosso do Sul/Mato Grosso, quase inoperante, que exige reforma total

Malha Sul

Corredores Rio Grande, Mercosul e Paraná-Santa Catarina, com leilões previstos para o fim de 2026; ligam-se a Paranaguá, São Francisco do Sul e Rio Grande

Anel Ferroviário do Sudeste

EF-118, projeto na carteira federal

Extensão Norte da Norte-Sul

Prolongamento da espinha dorsal ferroviária do país em direção ao Norte

O cronograma, porém, escorrega: segundo levantamento da imprensa regional, todos os oito leilões acumulam atrasos em relação ao calendário original, e parte dos projetos foi remanejada para 2027. O ministério também apresentou o leilão de terminais logísticos integrados à Ferrovia Norte-Sul, sob o novo marco regulatório para terminais, pátios e áreas de armazenagem ferroviárias.
O elo com os portos

A conexão com portos é o fio condutor da carteira. A Ferrogrão foi desenhada para entregar grãos a Miritituba e Itaituba, de onde seguem por barcaças até portos como Itacoatiara e Santarém. A Malha Sul abastece três portos do Sul, e a Fico-Fiol liga o interior baiano ao litoral. Hoje, a participação das hidrovias na movimentação nacional de grãos subiu de 8% para 15% entre 2010 e 2025, segundo a Conab, enquanto o Arco Norte já respondeu por 39,5% das exportações de soja e milho em 2025.
Análise Portogente

A estratégia das shortlines é pragmática: custa menos, depende menos de subsídio e transfere a decisão de investimento a quem enxerga a carga. O risco está no que o próprio setor aponta, o de recuperar trilhos sem volume que os sustente. Para os portos, o valor de cada trecho dependerá de chegar a um terminal, e a história recente mostra que cronogramas de leilão ferroviário costumam ser mais lentos do que as apresentações de roadshow. Vale acompanhar quais dos sete projetos terão carga âncora definida e quais prazos serão efetivamente cumpridos.

NAVAL

Monitor Digital - RJ   20/10/2026

A construção de 40 barcaças em São Paulo, a modernização naval no Rio de Janeiro e um terminal portuário no Espírito Santo estão entre as 55 obras do Sudeste aprovadas na 64ª reunião do Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM), realizada em 8 de outubro. As iniciativas somam R$ 2,29 bilhões e preveem a geração de 1.700 empregos diretos.

A carteira também contempla serviços em 14 embarcações e unidades de apoio e perfuração, a modernização do Estaleiro Aliança, em Niterói, e infraestrutura portuária em Aracruz.

As iniciativas na região atendem às demandas do transporte ligado à celulose, a movimentação portuária e as operações de petróleo e gás. A execução envolve estaleiros e empresas especializadas na construção, manutenção e modernização naval.

O maior valor, R$ 1,119 bilhão, corresponde ao projeto da Hanseatic Global Terminals Aracruz, no Espírito Santo. O empreendimento prevê 750 metros de cais e profundidade de 17 metros no canal de acesso, nos berços e na bacia de manobra.

A estrutura foi projetada para receber navios porta-contêineres de até 366 metros de comprimento. A proposta informa 243 empregos diretos e prazo de execução de 18 meses.

No Rio de Janeiro, 15 obras somam R$ 1,02 bilhão. Entre eles está a modernização do Estaleiro Aliança, em Niterói, com R$ 288,9 milhões, estimativa de 345 empregos diretos e prazo de execução de 24 meses.

A proposta contempla dragagem, expansão dos cais, instalação de equipamentos e adequação de áreas operacionais e administrativas. As intervenções permitirão ampliar os serviços prestados aos mercados de petróleo e gás, apoio marítimo e reparo naval.

Dois projetos da Commodore Marine somam R$ 532,3 milhões. Serão destinados R$ 229,4 milhões à modernização do navio-sonda Carolina e R$ 302,9 milhões à unidade semissubmersível de perfuração Victoria.

As intervenções preparam as unidades para contratos com a Petrobras, com atividades previstas na Baía de Guanabara. O projeto do Carolina terá 220 empregos diretos e prazo de cinco meses. Para a Victoria, são 250 empregos diretos e sete meses de execução.

A GranEnergia teve aprovados R$ 104,5 milhões para docagem, reparos e manutenção da CSS Venus. A unidade semissubmersível compacta oferece alojamento e apoio a trabalhadores de plataformas de petróleo. O projeto prevê 50 empregos diretos e prazo de nove meses.

A Camorim contará com R$ 11 milhões para manutenção, reparo e docagem de quatro embarcações, em Niterói. A proposta reúne serviços concluídos e intervenções a realizar, voltados à segurança e à continuidade operacional da frota.

Três projetos da OceanPact somam R$ 81,9 milhões e abrangem seis embarcações. Os serviços incluem manutenção e reparo de unidades utilizadas na resposta a derramamentos de óleo, além de modernização de embarcações de apoio marítimo. Conforme a documentação apresentada, essas intervenções já foram concluídas.
Barcaças

Em São Paulo, foram aprovados R$ 155,8 milhões para a construção de 40 barcaças da MSFC Florestal, empresa responsável pelo suprimento parcial de madeira para a fábrica de celulose da Bracell no estado.

A produção será realizada na unidade do estaleiro Rio Maguari em Araçatuba, com estimativa de 66 empregos diretos e prazo de execução de 20 meses. Cada barcaça terá porões com volume de 2.406 metros cúbicos e integrará comboios compostos por um empurrador e quatro barcaças.

A propriedade das unidades será da MSFC Florestal, enquanto a operação da navegação será contratada de outra empresa.

Com o apoio à construção de embarcações, à modernização de estaleiros e à infraestrutura portuária, o Fundo da Marinha Mercante contribui para ampliar a capacidade de transporte e melhorar as condições das operações aquaviárias.

Valor - SP   20/10/2026

Estaleiro será responsável por fabricar dois navios de patrulha oceânica de 96 metros e duas embarcações de apoio a mergulhadores de 43 metros

A Rheinmetall fechou um acordo em conjunto com a Mediterranean Shipping Company (MSC) para comprar o estaleiro romeno Mangalia por 138 milhões de euros.

O grupo de defesa alemão informou que o estaleiro será desenvolvido como uma instalação de uso duplo, abrangendo atividades de construção naval civil e militar voltadas tanto para o mercado doméstico quanto internacional.

A Rheinmetall e a empresa suíça de navegação venceram a disputa pelo ativo após a realização de um leilão. O valor da transação será desembolsado conjuntamente, e a expectativa é que o negócio seja concluído em poucas semanas.

Localizado ao sul de Constança, na região de Dobruja, o estaleiro desempenhará um papel central nos planos da Rheinmetall para a construção de quatro embarcações navais encomendadas pelo governo da Romênia, informou a companhia.

O estaleiro será responsável por fabricar dois navios de patrulha oceânica de 96 metros e duas embarcações de apoio a mergulhadores de 43 metros.

A estrutura também funcionará como um polo para outros projetos de construção naval militar, acrescentou a Rheinmetall.

“Após a conclusão da aquisição, planejamos expandir e modernizar o estaleiro de forma abrangente. Nosso objetivo é desenvolver ainda mais a infraestrutura existente, aprimorar as condições de produção e adequar a capacidade fabril para atender às demandas futuras”, afirmou Tim Wagner, presidente da divisão de sistemas navais da Rheinmetall.

PETROLÍFERO

TN Petróleo - RJ   20/10/2026

A parcela de petróleo da União foi de 313 mil barris por dia (bpd) em agosto, considerando a produção em nove Contratos de Partilha de Produção (CPPs) e em quatro Acordos de Individualização da Produção (AIPs).

Desse total, 285 mil bpd correspondem à parcela da União nos contratos em regime de partilha, com destaque para o Campo de Mero, responsável por 75% da produção, igual a 213,7 mil bpd.

Os dados são do Boletim Mensal de Produção, divulgado nesta segunda-feira (19) no site da PPSA (Pré-Sal Petróleo S.A.).

A produção total de petróleo nos Contratos de Partilha de Produção (União e consórcios) atingiu uma média de 1,9 milhão de barris por dia. O resultado é 3% superior ao período anterior, devido à entrada de novo poço produtor no FPSO Bacalhau e ao retorno de parada programada para manutenção da P-71, em Itapu.

Desde 2017, a produção acumulada em regime de partilha de produção é de 1,93 bilhão de barris. A parcela acumulada da União nesse período é de 167,22 milhões de barris de petróleo.

Produção de gás natural da União atinge 627 mil m³ por dia em agosto

A parcela de gás natural da União atingiu 627 mil m³ por dia em agosto, considerando cinco Contratos de Partilha de Produção e os Acordos de Individualização da Produção (AIPs) de Tupi e de Jubarte. O valor representa um aumento de aproximadamente 11% em relação ao mês de julho.

A exportação de gás natural nos Contratos de Partilha de Produção (União e consórcios) foi de 10,689 milhões de m³ por dia nesse período. O Campo de Búzios foi o maior exportador, com 9,056 milhões de m³ por dia, respondendo por 85% do total.

Petro Notícias - SP   20/10/2026

A plataforma P-82 já está navegando para o Rio de Janeiro. Ela deixou o estaleiro Tuas Boulevard Yard, em Cingapura, rumo ao campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, segundo informou a Petrobrás. A plataforma deixou o estaleiro dias depois da plataforma P-80, também para o campo de Búzios. O navio-plataforma (FPSO) terá capacidade de produzir 225 mil barris/dia de petróleo e processar 12 milhões de metros cúbicos por dia (m³/dia) de gás natural. A plataforma é uma das “seis gigantes” da estatal que estavam em construção. Outra notícias importante foi o adiamento do acostamento da Plataforma P-35 no Estaleiro Inhaúma, onde fará manutenção e modernizações. Tudo estava sendo previsto para esta segunda-feira(19), mas o pessoal responsável da Petrobrás passou considerar o dia 1º de novembro. O dia seguinte será feriado e haverá mais margem de manobras para que o navio acoste no estaleiro, pelo que determinaram as pessoas responsáveis.

Em relação a P-82 é importante dizer que ela tem 345,3 metros de comprimento, 60 metros de largura e pesa mais de 100 mil toneladas. Segundo a Petrobrás, a P-80 e a P-82 devem entrar em operação em 2027. Outras três plataformas semelhantes, P-83, P-84 e a P-85, irão, respectivamente, para os campos de Búzios, Atapu e Sépia, também no pré-sal da Bacia de Santos. Elas estão em construção, mas em etapas anteriores. A primeira das “seis gigantes” foi a FPSO Almirante Tamandaré, que já alcançou produção de até 270 mil barris/dia. Ainda de acordo com a Petrobrás, os módulos de processo da P-82 foram fabricados no Brasil, no estaleiro Seatrium Aracruz, no Espírito Santo. A construção das P-82, assim como ocorreu com a P-80, foi contratada pela Petrobás pelo modelo EPC (Engineering, Procurement, Construction and Commissioning), segundo o qual a empresa contratada é responsável pela engenharia, suprimentos, construção e comissionamento da unidade até sua entrega para operação no Brasil.

Valor - SP   20/10/2026

Os contratos da commodity oscilaram entre altas e baixas durante o dia, em meio a novos ataques no Oriente Médio

Os contratos futuros do petróleo fecharam em leve queda nesta segunda-feira (19), após a decisão dos Estados Unidos de suspender sanções sobe os combustíveis russos, ampliando a oferta nos mercados e diminuindo a pressão sobre os preços. No entanto, os contratos da commodity oscilaram entre altas e baixas durante o dia, com o Brent chegando a superar o nível de US$ 110 por barril na máxima da sessão, diante da persistência das tensões no Oriente Médio, em meio a novos ataques e com o Irã afirmando não haver "outra escolha" a não ser assumir o controle do Estreito de Ormuz.

No fechamento, porém, o petróleo tipo Brent (referência mundial) com vencimento em dezembro teve queda de 0,31%, cotado a US$ 109,55 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). Já o WTI (referência americana) com entrega prevista para o mesmo mês subiu 2,25%, a US$ 103,66 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).

O movimento de queda visto nesta segunda-feira devolveu uma pequena parte da forte valorização vista na última sexta-feira (16), quando ambos os contratos subiram mais de 3%. A decisão dos Estados Unidos de suspender sanções sobre os combustíveis russos contribuiu para aliviar a pressão sobre os preços do petróleo.

No entanto, apesar dos esforços da Casa Branca para conter a disparada dos custos de produtos refinados, o acordo de fornecimento de diesel da Rússia anunciado por Trump ainda enfrenta forte resistência de parlamentares americanos, que apresentaram um projeto de lei para bloquear as compras do combustível, sob a justificativa de que a receita poderia contribuir para financiar a guerra na Ucrânia.

As tensões no Oriente Médio também permanecem elevadas, o que chegou a fazer com que os preços do petróleo apresentassem breve alta durante esta segunda-feira. O Irã afirmou que não havia "outra escolha" a não ser assumir o controle do Estreito de Ormuz. Além disso, os rebeldes houthis disseram ter realizado novos ataques contra instalações de energia, aeroportos e estruturas militares da Arábia Saudita nesta segunda.

Valor - SP   20/10/2026

Conflito no Irã ajudou não só no aumento do preço do barril como afetou a compra de derivados da commodity

O superávit comercial da balança de petróleo e derivados atingiu US$ 31,22 bilhões de janeiro a setembro, 40% a mais que o de iguais meses de 2025 e recorde de toda a série para o período. O valor equivale à metade do superávit da balança comercial total e na verdade foi ligeiramente superior ao saldo positivo de US$ 31,18 bilhões dos demais produtos que integram a pauta brasileira de exportação e de importação.

O petróleo bruto tornou-se desde setembro o principal item exportado pelo país e, segundo analistas ouvidos pelo Valor, deve se manter como carro-chefe do superávit comercial, tanto por aumento de volumes exportados quanto pela manutenção de preços relativamente elevados. Até agosto, era a soja que liderava a pauta de exportação.

José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), estima que a exportação de petróleo este ano atinja US$ 59,96 bilhões, com aumento de 34,2% contra 2025. A soja deve vir em segundo, com US$ 53,25 bilhões, com alta de 22,3%, mostrando importante contribuição também do grão nos US$ 85,26 bilhões de superávit total da balança comercial projetado para este ano. Em 2025 o saldo foi de US$ 68,07 bilhões.

Historicamente deficitária, a balança de derivados de petróleo teve saldo negativo de US$ 6,54 bilhões de janeiro a setembro. O déficit foi 9,3% mais profundo que o de iguais meses de 2025. O superávit em petróleo bruto, porém, alcançou US$ 37,76 bilhões, com valor recorde para o período e 33,5% maior que o de 2025, sempre nos mesmos nove meses. O desempenho do petróleo, portanto, mais do que compensou o déficit acentuado em derivados. Os dados são do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), no âmbito do Indicador de Comércio Exterior (Icomex).

O aumento de preços, em razão do conflito no Oriente Médio, afetou tanto exportações e importações de petróleo bruto como também de derivados da commodity, diz Lia Valls, coordenadora do Icomex e pesquisadora associada do FGV Ibre.

Além de impacto de preços, houve aumento do volume exportado de petróleo bruto em razão das consequências do conflito, diz André Valério, economista do Inter. “A Petrobras está extraindo cada vez mais petróleo. Há uma combinação da maturação do pré-sal com o ambiente externo”, diz.

Os dados do Icomex mostram que os preços médios de exportação de petróleo bruto de janeiro a setembro deste ano subiram 17% ante iguais meses de 2025. A alta de preço foi acompanhada por aumento de 12,1% no volume embarcado. A combinação resultou em crescimento de 28,6% na receita de exportação da commodity.

As altas cotações de petróleo e a restrição de oferta de derivados refinados tiveram impacto em preços de combustíveis importados pelo Brasil, com alta média de 35,1%, em igual período. O volume desembarcado caiu 8,1%, o que amenizou o efeito do aumento de preços, resultando em crescimento de 23,2% no desembolso com importações.

Para Valério, o petróleo bruto deve terminar como o principal produto da exportação brasileira. “Neste momento do ano não há mais tanta competição do agro porque o grosso das exportações já foi feito. E não vemos nenhum grande sinal de que essa dinâmica do petróleo será alterada no curtíssimo prazo. Será difícil vermos o preço do barril cair muito, porque deve haver a recomposição das reservas estratégicas que estão bastante depletadas.”

Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, lembra que já se esperava aumento de produção de petróleo para 2026. Segundo o Plano Anual de Produção (PAP) divulgado pela Agência Nacional de Petróleo, diz, a produção da commodity prevista para este ano é de média de 4,19 milhões de barris por dia, com alta de 24,5% ante média de 2025.

O aumento da produção de petróleo no país, nota Cordeiro, atende também a demanda interna. “As refinarias estão produzindo mais, principalmente diesel e querosene de aviação, para conseguir abastecer o mercado doméstico. A Agência Internacional de Energia já projetava que o Brasil era um dos ofertantes secundários, aqueles produzem até 5 milhões de barris por dia, que mais cresceria em termos de produção. O Brasil está conseguindo abastecer mais o mercado doméstico, mas também ampliando os volumes de escoamento para fora.”

No caso do petróleo, o conflito no Oriente Médio trouxe uma restrição de oferta, atingindo muito os consumidores do golfo Pérsico, nota. E há uma crise de refino no caso dos derivados, aponta. “Houve ataques ucranianos contra centros de refino da Rússia e dos houthis, grupo aliado ao Irã, contra refinarias na Arábia Saudita, além do atraso das entregas do petróleo. Isso tudo vem contribuindo para uma redução da produção global de combustível e, consequentemente, uma restrição de oferta que atinge não só o petróleo, mas também os combustíveis. Por conta disso, as refinarias brasileiras começaram naturalmente a consumir mais petróleo.”

Há uma combinação da maturação do pré-sal com o ambiente externo”

— André Cordeiro

A estimativa atual da StoneX, diz Cordeiro, é que a cotação do barril de petróleo no último trimestre de 2026 se mantenha acima de US$ 100. Ele explica que é preciso cautela com a estimativa, porque considera que o desfecho para a liberação do estreito de Ormuz deve acontecer após as eleições legislativas nos EUA, marcadas para 3 de novembro.

A projeção atual do Inter para o superávit comercial da balança total brasileira é de US$ 89 bilhões em 2026, bem maior que os cerca de US$ 70 bilhões a US$ 75 bilhões do que os estimados no início do ano. Boa parte do aumento, explica Valério, vem do aumento maior que o esperado da exportação de petróleo.

Em setembro, a exportação de petróleo bruto atingiu US$ 6,5 bilhões, com aumento de 77,3% ante igual mês de 2025. A fatia da commodity chegou a 18,9% dos embarques totais do país no mês. Com esse desempenho, a commodity alcançou participação de 15,1% das exportações de janeiro a setembro e tornou-se líder na pauta brasileira de embarques.

Para Cordeiro, uma explicação possível para o aumento de embarques em setembro foi o calendário de paralisação programada de refinarias domésticas, para manutenção. Essa parada aconteceu em parte em setembro e prossegue em outubro. Com essa paralisação, explica, há redução de demanda interna de petróleo, o que torna o volume disponível para exportação maior.

O contexto internacional tem possibilitado também diversificação de destinos para o petróleo brasileiro, diz Valério. “Estamos exportando mais para o Sudeste Asiático. A Índia tem comprado bastante. A China comprou muito logo no início do conflito, perdeu um pouco o ritmo, embora ainda esteja acima do que importou no ano passado”, diz.

Dados do Mdic mostram que a China é o principal comprador da commodity brasileira, com fatia de 50,7% de janeiro a setembro de 2026. Em igual período do ano passado a fatia era de 43,9%. Pelas estatísticas do governo chinês, o Brasil é este ano o terceiro maior fornecedor de petróleo bruto, no período de janeiro a agosto, atrás de Rússia, o líder, e Arábia Saudita.

Na exportação brasileira da commodity, um destino em destaque é a Índia, que elevou a participação de 3,4% em 2025 para 7% este ano. A Ásia, tirando o Oriente Médio, aumentou o quinhão de 57,5% para 66,5%. Os Estados Unidos foram em sentido oposto e caíram de 11,6% para 5,8%, sempre de janeiro a setembro. A venda de petróleo aos americanos caiu 35,8% no período. Para a União Europeia houve perda de fatia também, de 23,9% para 21,1%, mas os embarques da commodity para esses países europeus subiram 13,5%.

Em setembro, destaca Valls, a venda de petróleo brasileiro ao bloco europeu avançou. Segundo dados do Mdic, esse embarques somaram US$ 2,4 bilhões contra US$ 1,4 bilhão de igual mês de 2025. A União Europeia absorveu 36,4% de toda a commodity exportada pelo Brasil no mês.

Não há dúvidas, diz Valls, de que o petróleo ajudou o superávit comercial e as contas do setor externo brasileiro este ano. Ela lembra, porém, que, mesmo com a perspectiva de exploração da Margem Equatorial, a commodity está sujeita às mudanças da transição energética. Além disso, diz, é preciso fazer com que parte dos seus recursos sejam direcionados para gerar maior dinamismo econômico local, inclusive dentro da própria atividade relacionada à exploração do petróleo. “Temos esse bônus da natureza, mas esse é um recurso finito”, ressalta.

Infomoney - SP   20/10/2026

As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) tiveram queda de cerca de 3% na última segunda-feira (19), mas ainda assim acumulam ganhos de cerca de 100% em 2026: PETR3 dispararam 109,41% (R$ 64,54) e PETR4 saltaram 99,04% (R$ 58) até dia 19 de outubro. As máximas históricas foram alcançadas na última sexta-feira (16), quando a estatal bateu um valor de mercado de R$ 820 bilhões.

Ainda que tenham saltado no ano, analistas de mercado veem espaço para as ações subirem ainda mais, reforçando visão positiva para os papéis.

Em relatório da última semana, o Bradesco BBI reforçou a Petrobras entre as suas preferidas (top picks) do setor de petróleo, com preço-alvo de R$ 62 para os ativos PETR4 e reforçando visão outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra).
Os analistas do banco consideram a combinação de um menor risco político percebido, a continuidade de um desempenho de produção acima das expectativas e a perspectiva de margens de refino (crack spreads) potencialmente mais elevadas em 2027 — fatores que podem sustentar novas revisões nos resultados e até mesmo uma reavaliação (re-rating) das ações.

Cabe ressaltar que dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) indicaram que a produção de petróleo da Petrobras alcançou 2,96 milhões de barris por dia em setembro de 2026, alta de 1% em relação a agosto. No 3T26, a produção média de petróleo da companhia atingiu 2,89 milhões de barris por dia, avanço de 6% em relação ao trimestre anterior. O volume ficou acima dos 2,77 milhões de barris por dia considerados pelo consenso.

Para os analistas, o desempenho reforça a expectativa de que as estimativas de produção do mercado continuem sendo revisadas para cima e pode resultar em projeções maiores de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), lucro e geração de caixa para o 3T26.

“Ainda é cedo para concluir que o patamar de 2,96 milhões de barris por dia será mantido nos próximos meses”, avaliam, mas o fato de a companhia já ter alcançado um nível mensal superior à projeção anual de 2027 adiciona conforto à tese, embora não deva ser extrapolado de forma direta.

Em relatório da última semana, o Bank of America destacou esperar que a Petrobras bata os R$ 900 bilhões de valor de mercado ao elevar o preço-alvo das ações ON e dos papéis PN a R$ 70.

A principal mensagem dos analistas sobre Petrobras é que o mercado continua subestimando os ganhos estruturais dos campos do pré-sal. Segundo o banco, os investidores tendem a tratar os ativos do pré-sal de forma semelhante aos campos convencionais do pós-sal, ignorando características geológicas que permitem recuperação maior do petróleo, produção mais elevada por poço, platôs de produção mais longos e declínio mais lento da produção.

O BofA argumenta que os reservatórios do pré-sal possuem óleo mais leve, reservatórios gigantescos e elevada permeabilidade horizontal, fatores que favorecem produtividade superior e ajudam a explicar por que campos como Búzios, Tupi e Mero continuam surpreendendo.

Com isso, o banco elevou suas projeções de produção para 2,94 milhões de barris por dia em 2027 e 3,08 milhões de barris por dia em 2028. Os números ficam acima das metas do próprio plano de negócios da Petrobras, que trabalha com cerca de 2,6 milhões e 2,7 milhões de barris por dia, respectivamente.

Outro ponto central da tese é a capacidade de geração de caixa, com o banco estimando para Petrobras, com FCFE yield (rendimento de fluxo de caixa do acionista) de 18,4% em 2027 e FCFE yield de 12,5% em 2028. Além disso, projeta dividend yield (dividendo em relação ao preço da ação) de 11,2% em 2027 e 8,3% em 2028. Segundo a instituição, esses níveis permanecem superiores aos observados entre as maiores petrolíferas do mundo.

O Itaú BBA também reforçou recomendação outperform para PETR4, com preço-alvo de R$ 64 para os ativos, destacando que as ações continuam no centro das conversas dos investidores sobre petróleo, gás e distribuição de combustíveis. A combinação de produção mais forte, margens elevadas no refino e melhora das perspectivas para o mercado brasileiro também sustenta a preferência do banco.

O BTG Pactual também reiterou a Petrobras como sua Top Pick em Petróleo & Gás, sustentada pelo forte crescimento da produção e pela rentabilidade atrativa de petróleo e combustíveis, que deve se traduzir em um robusto fluxo de caixa ao acionista e em dividendos.

“Estimamos um yield de fluxo de caixa ao acionista de aproximadamente 11% em 2027 e um dividend yield de aproximadamente 9%, assumindo Brent de US$ 70/barril e crack spreads médios de gasolina e diesel de aproximadamente US$ 35/bbl”, aponta.

De acordo com compilado da Reuters com 9 analistas que cobrem as ações PETR4, 8 possuem recomendação de compra e apenas 1 de manutenção, ainda que com preço-alvo médio de R$ 60,94, um “modesto” potencial de valorização de 5% em relação ao fechamento de segunda-feira.

RODOVIÁRIO

Diário do Comércio - MG   20/10/2026

A BR-262 vai passar por uma série de obras de melhoria e ampliação da rodovia nos próximos cinco anos. A intervenção será custeada graças a um apoio de R$ 2,74 bilhões aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à concessionária Way-262. O trecho, chamado de Rota do Zebu, tem 438,9 km de extensão e conecta Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), a Uberaba, no Triângulo Mineiro.

O pacote de intervenções foi estruturado e coordenado pelo próprio BNDES e inaugura o uso de debêntures de infraestrutura em uma rodovia. O banco gerou R$ 2,511 bilhões em títulos. Os outros R$ 229 milhões vêm de um financiamento pela linha BNDES Finem. O dinheiro será aplicado até 2032 em melhorias, aumento de capacidade e recuperação da via.

O projeto prevê 44,3 km de duplicações, 168,9 km de faixas adicionais e 3,6 km de vias marginais. Também estão previstas 11 correções de traçado, 40 dispositivos e interseções entre novos e remodelados, 17 passarelas para pedestres, uma área de escape, duas novas praças de pedágio, 17 barreiras antirruído e três passagens de fauna, além de um ponto de parada para descanso de caminhoneiros. A expectativa é que as obras criem 1.286 empregos diretos e indiretos.

Segundo a diretora de Infraestrutura e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa, o objetivo é elevar a qualidade e a segurança da rodovia, que integra um corredor logístico importante para Minas Gerais.

Para Hebert Quirino, CFO da Way Brasil, a operação dá impulso ao plano de investimentos da concessionária. Ele avalia que o financiamento de longo prazo reforça a capacidade de cumprir o contrato de concessão com planejamento e segurança financeira, o que contribui para a modernização da BR-262.

AGRÍCOLA

Agrolink - RS   20/10/2026

O consórcio de máquinas agrícolas registrou queda no volume financeiro, mas ganhou participantes, com os tratores à frente da preferência nas compras. Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o segmento movimentou R$ 15,48 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, recuo de 9,5% em relação ao mesmo período de 2025.

O número de participantes ativos cresceu 3,8% em 12 meses, chegando a 477,55 mil consorciados. Os tratores concentraram 87% da preferência nas aquisições.

Para o gerente de Vendas e Marketing da Agritech, Cesar Roberto Guimarães de Oliveira, a modalidade permite que pequenos e médios produtores planejem investimentos em mecanização diante dos juros elevados e das restrições de crédito rural. “Diferentemente de uma compra financiada, o Consórcio Nacional Agritech funciona por meio de contribuições mensais dos participantes, com acesso ao crédito condicionado à contemplação por sorteio ou lance, conforme as regras do grupo. Por isso, a aquisição depende do planejamento em cada propriedade”, pontua.

O acesso ao crédito depende da contemplação por sorteio ou lance, conforme as regras do grupo. Por isso, a aquisição exige organização financeira e avaliação das necessidades da propriedade. Na Agritech, o 1155 Plus é o trator mais adquirido pelos consorciados, enquanto o AGT-20, lançado no início de 2026, também aparece entre os destaques.

“Em um cenário de crédito mais restrito, o produtor precisa avaliar com cuidado como vai investir na mecanização. O Consórcio Nacional Agritech permite organizar a compra de um trator ao longo do tempo. Com planejamento, ele analisa a modalidade de acordo com a realidade da propriedade e as demandas de sua lavoura”, afirma Oliveira.

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