Clipping Diário

20 | Agosto | 2025

SIDERURGIA

Carta Capital - SP   20/08/2025

Os Estados Unidos ampliaram o alcance de suas tarifas sobre o aço e o alumínio, informou o Departamento de Comércio nesta terça-feira 19, em uma decisão que impacta centenas de produtos que contêm esses materiais, como cadeiras para bebês ou maquinaria pesada.

O Escritório de Indústria e Segurança informou em uma nota que acrescentou 407 tipos de mercadorias às listas de itens considerados “produtos derivados” do aço e do alumínio.

Com a medida, as tarifas de 50% que incidem sobre esses dois materiais, impostas pelo presidente Donald Trump no início deste ano, serão aplicadas também aos bens com aço e alumínio na composição.

A norma entrou em vigor na segunda-feira, e o aviso detalhando as mudanças foi publicado no Registro Federal nesta terça-feira.

“A ação de hoje abrange turbinas eólicas e suas partes e componentes; guindastes móveis, tratores e outras máquinas pesadas; vagões, móveis, compressores e bombas, e centenas de produtos mais”, disse o Departamento de Comércio.

A medida “fecha caminhos para a evasão” de tarifas, afirmou Jeffrey Kessler, subsecretário de Comércio para Indústria e Segurança, ao reiterar o objetivo de impulsionar as indústrias de aço e alumínio dos Estados Unidos.

Desde seu retorno à Casa Branca, Trump impôs uma tarifa de 10% para quase todos os parceiros comerciais de seu país, além de taxas mais altas para dezenas de economias, como a União Europeia e o Japão.

No caso do aço e do alumínio, Trump determinou inicialmente uma tarifa alfandegária de 25%, antes de duplicá-la para 50% em junho.

Embora até o momento o impacto das tarifas de Trump sobre os preços para os consumidores tenha sido limitado, economistas alertaram que os efeitos completos ainda estão por vir.

Por enquanto, algumas empresas enfrentaram a situação antecipando a compra de produtos. Outras transferiram os custos adicionais para seus consumidores ou absorveram parte da nova carga tributária.

Mas analistas apontaram ser pouco provável que importadores e varejistas consigam suportar esses custos indefinidamente, e que em algum momento os preços aos consumidores aumentem ainda mais.

Alguns economistas argumentam que o impacto inflacionário será pontual, mas outros são mais cautelosos e temem efeitos mais persistentes.

Valor - SP   20/08/2025

Mineradoras exploram todas as possibilidades, de gêmeos digitais a novos materiais, para ganhar eficiência e reduzir a pegada ambiental de suas operações

As demandas socioambientais exigem das empresas de mineração um esforço inovador crescente. Depois de dez anos de pesquisa, em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a Vale desenvolveu um produto para conter a emissão de poeira das pilhas de minério de ferro, velha conhecida dos profissionais que atuam em campo e dos moradores do entorno dessas operações. Trata-se do supressor sustentável PET, resina que forma uma película protetora na pilha de minério. O Supressor é criado a partir de reciclagem química do plástico. Outra inovação considerada das mais relevantes pela empresa nos últimos anos é o Programa de Mineração Circular Waste to Value (do resíduo ao valor, em tradução livre), que integra princípios de circularidade na cadeia produtiva de minério de ferro.

“Os resultados obtidos com esse programa são expressivos. Em 2024, foram entregues 12,7 milhões de toneladas de minério de ferro provenientes de fontes circulares, o que representou 4% da produção total da companhia no ano”, explica Rafael Bittar, vice-presidente-executivo técnico da Vale, primeira colocada na pesquisa do anuário Valor Inovação Brasil 2025 no setor de mineração, metalurgia e siderurgia. “A produção de coprodutos [areia mais sustentável] somou 1,4 milhão de toneladas, e o conjunto de iniciativas resultou na redução de emissões de CO2e correspondentes a 14 mil carros rodando por um ano.”

A inteligência artificial (IA) também é um importante catalisador nos processos de pesquisa, desenvolvimento e inovação das mineradoras. A tecnologia ajuda a ganhar produtividade na operação, identificar tendências de mercado, entender necessidades do cliente, desenvolver produtos e reduzir custos e prazos. Integrar IA à operação não é mais uma questão de vantagem competitiva, mas um vetor estratégico de transformação, expansão e crescimento. “A IA colocou no radar da Vale não apenas novas tecnologias, mas também uma nova forma de pensar o negócio”, afirma Bittar. “Hoje, é parte da estratégia, da operação e da cultura da empresa.”

O executivo informa que a companhia desenvolveu mais de 45 sistemas de IA, que trouxeram retorno de US$ 67 milhões em 2024. Segundo ele, a Vale destina à área de PD&I 2% de seu faturamento anual. No ano passado, inovações que sustentam as operações da companhia e a preparam para a “mineração do futuro” absorveram globalmente US$ 790 milhões em recursos.

A Gerdau, segunda no ranking do anuário, é outra companhia do setor que lança mão da IA para ampliar a competitividade. Um exemplo disso, segundo Gustavo França, diretor global de TI e digital da empresa, é o uso de “gêmeos digitais”, réplicas virtuais dos processos produtivos existentes que ajudam na tomada de decisões estratégicas. Isso, de acordo com França, permite maior e melhor fluxo na produção e, mesmo assim, redução de custos.

Ele conta que a tecnologia está implementada nas três principais linhas de produção da Gerdau, com ganhos que alcançaram R$ 260 milhões entre 2020 e 2022 e de cerca de R$ 175 milhões em 2023. França diz ainda que o uso de videoanalytics e IA ajudou a empresa a classificar sucata de forma mais precisa, permitindo a identificação e remoção, do meio do aço, de materiais como borracha e plástico, que são redirecionados para a reciclagem adequada.

França lembra que a Gerdau é a maior recicladora da América Latina, com cerca de 10 milhões de toneladas/ano de sucata recicladas e transformadas em aço. “Isso significa que aproximadamente 70% do nosso aço é proveniente de sucata ferrosa”, diz. Ainda entre as inovações recentes, França informa que a Gerdau iniciou, no fim do ano passado, a produção de um vergalhão em rolo que traz ganhos para clientes da construção civil, além de reduzir perdas no processo de corte e dobra. “Combina maleabilidade e soldabilidade, características essenciais para otimizar processos industriais que demandam corte e dobra”, acrescenta.

França informa que a Gerdau tem hoje mais de 259 contratos com startups, com cerca de 20 provas de conceito (POCs) desenvolvidas nessas parcerias. “O AI Innovation Center da empresa executou aproximadamente 15 POCs e há parcerias com startups em 22 áreas da companhia, como supply chain, reciclagem, logística, energia, entre outras”, afirma.

Com uma base de 14 centros de investigação espalhados pelo mundo, onde conta com 1.680 pesquisadores, a ArcelorMittal, terceira do ranking, atua com visão sistêmica: o fomento à inovação precisa fortalecer não somente a empresa, mas toda a cadeia de valor do setor, afirma Rodrigo Carazolli, diretor de transformação do negócio da ArcelorMittal Aços Longos.

“Fomos a primeira empresa da América Latina a ter um processo de produção do aço integrado, a primeira produtora global de placas de aço, a primeira a criar um laboratório de inovação aberta do setor de produção de aço no mundo, o Açolab, e pioneira na produção de carvão vegetal a partir de fontes renováveis”, diz Carazolli. Aumentar a eficiência ambiental é uma das metas da companhia ao testar novos processos.

O executivo explica que, em sua visão, inovação só ocorre se houver encaixe de várias peças complexas: envolvimento das lideranças, fortalecimento da cultura organizacional, estruturação de processos, investimentos em P&D e colaboração interna e externa.

Ele lembra que, em 2019, a ArcelorMittal criou ainda o Programa iNO.VC com objetivo de acelerar a transformação digital de seu segmento de aços planos, integrando colaboradores, startups, universidades e hubs de inovação. “Desde sua criação, contamos com mais de 500 iniciativas no portfólio de transformação digital e uma taxa de conversão de 30%, o que se traduz em ganhos acima de US$ 100 milhões, reforçando o impacto positivo desse programa no nosso negócio e na nossa busca por excelência operacional”, explica o executivo.

A Belgo Arames, quarta classificada, vem concentrando os investimentos em pesquisa e inovação para acelerar sua transformação digital e fortalecer sua posição no setor, explica Rodrigo Archer, CEO da companhia. Ele considera inovação essencial para garantir a sustentabilidade e a perenidade de seus negócios.

Archer explica que projetos como a impressão de peças 3D em arames de aço por meio do processo MADA (técnica de manufatura aditiva que utiliza um arco elétrico para fundir material metálico), desenvolvidos em parceria com o CIT Senai e a ArcelorMittal, refletem a estratégia de inovação colaborativa da companhia.

Segundo ele, a Belgo Arames destina cerca de R$ 37 milhões para investimentos em inovação, o que inclui iniciativas de P&D, digitalização, automação e projetos incentivados pela Lei do Bem. O montante representa cerca de 1% da receita líquida da empresa, que conta com 12 profissionais atuando diretamente na área de pesquisa e inovação e 38 agentes de inovação que atuam como multiplicadores e catalisadores da inovação em diferentes áreas da empresa.

Entre as inovações mais relevantes desenvolvidas recentemente, Archer cita a introdução de uma fibra de aço com geometria e ancoragem avançadas, considerada uma alternativa tecnológica aos métodos tradicionais de reforço de concreto, como telas soldadas, vergalhões e fibras poliméricas. Segundo ele, espera-se resistência à tração quatro vezes maior que a apresentada pelo reforço tradicional, o que permite ganho expressivo em desempenho estrutural em aplicações como túneis, portos, pisos sobre estacas e pavimentos de grandes dimensões.

“No pipeline da empresa estão inovações com foco em produtos que combinam maior resistência mecânica e menor peso. Também estamos avançando com revestimentos que oferecem maior durabilidade em ambientes agressivos, ampliando a vida útil dos produtos e reduzindo custos de manutenção”, informa.

Nos últimos oito anos, a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), quinta do ranking, apostou na transformação digital com o objetivo de acelerar seus programas de inovação. Desse processo, nasceu o Programa DigitALL, que busca melhorar a tomada de decisões e aumentar a eficiência. “A inovação e a transformação digital na CBA ocupam papel fundamental para o desempenho sustentável e a competitividade da empresa”, diz Maria Eugênia Ferreira Meireles, gerente de inovação e transformação digital da CBA.

Segundo ela, a empresa, que destina entre 1% e 5% de sua receita líquida para a área de pesquisa e inovação, possui um portfólio de 35% dos projetos com atributos diretos de sustentabilidade. “A companhia busca cada vez mais soluções que envolvam a circularidade e reciclagem do alumínio, bem como tecnologias que contribuam com o enfrentamento de desafios globais, entre elas a redução de emissões no processo produtivo e o reúso de recursos naturais”, explica Meireles.

Ela aponta que entre as maiores inovações desenvolvidas pela CBA está a tecnologia ReAl (Recycling Aluminium), capaz de separar o alumínio e o polímero das embalagens flexíveis e cartonadas, usadas para acondicionar alimentos, bebidas e cosméticos, entre outros. “A inovação garante a circularidade e a utilização dos dois materiais em novas embalagens. Com capacidade para reciclar 1,3 bilhão de embalagens por ano, a unidade onde está instalada a tecnologia, dentro da fábrica da CBA em São Paulo, está em fase de comissionamento, operando por etapas até atingir a escala industrial total, prevista para este ano”, diz Meireles

No pipeline de inovação, ela diz que a CBA tem dez projetos em andamento que devem absorver R$ 130 milhões em investimentos nos próximos cinco anos. Entre eles estão a melhoria na qualidade dos produtos reciclados, aumento de produtividade, redução de custos, manutenção digital, digitalização de pedidos, mobilidade inteligente e projeção de consumo.

TN Petróleo - RJ   20/08/2025

Para atender a um importante setor que responde por mais de 100 mil empregos no estado do Rio, distribuídos em cerca de 4.200 estabelecimentos, a Firjan SENAI inaugurou nesta segunda-feira (19/08) o Centro de Referência em Metalmecânica e o IST em Engenharia e Design Industrial, em Vila Isabel. A área de 2.500 metros quadrados, na Rua São Francisco Xavier, 601, oferece qualificação, certificação profissional, consultoria e serviços técnicos especializados.

"Ao fortalecer este setor estamos impulsionando a indústria e a economia fluminenses visando a aumento da produtividade e a sustentabilidade", afirmou Luiz Césio Caetano (foto), presidente da Firjan, após destacar que um dos diferenciais do Centro é a interiorização, diante dos presidentes dos sindicatos e representantes das Indústrias Metalúrgicas: Sindmetal CN, Sinmetal - CEM RIO, Metalsul, Simme, Sindmec, Sindmetal NO, Simmec, Sindicer MVP, Singrasul e Simagran.

"Será uma atuação com capilaridade, tendo um núcleo na capital e outros no interior, para atender a um setor que está presente em todo o estado. O Centro irá identificar e prover as competências necessárias ao setor", explicou Caetano.

Com um saldo positivo de 26 mil empregos em 2024, aumento superior a 25% em relação a 2021, o setor metalmecânico enfrenta o desafio de suprir mão de obra em quantidade e qualidade suficientes às demandas das empresas. Diante dessa realidade, o Centro de Referência chega para preencher essa lacuna. Terá uma atuação focada no setor, preocupado em identificar e prover as competências necessárias, por meio de serviços, formação e certificação atualizada.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   20/08/2025

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou na manhã desta terça-feira, 19, que está mantida a meta de superávit em 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) prevista para o ano que vem. Ela explicou que os números de previsão de receitas apresentados até o momento asseguram o cumprimento do alvo fiscal.

“Estamos tendo reuniões todos os dias e a meta vai ser mantida, vamos cumprir a meta. Os números que estão vindo são números da Receita que nos permite cumprir os limites do arcabouço sem precisar cortar gastos, no sentido de não poder cumprir o orçamento em função de não ter receita. Ou seja, as receitas estão comparecendo e isso nos dá tranquilidade que a gente vai levar ao limite máximo da expansão de gastos porque as políticas públicas não podem partir”, disse antes de participar da reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Em relação à agenda de subsídios, a ministra disse que a sugestão de corte linear de 10% é insuficiente, mas representa um “ponto de partida”. “Mas é preciso depois se debruçar nos números a partir de 2026 e, a partir daí, fazer o dever de casa, não só na horizontalidade, ou seja, naqueles subsídios que eram importantes e relevantes a 20, 30 anos atrás, que atendiam o interesse público, mas que hoje não atende, atende apenas alguns interesses privados”, comentou.

A segunda etapa, de acordo com a ministra, seria uma revisão vertical em benefícios como Simples, de forma a averiguar se todos que recebem o benefício contemplam as regras e estão, por exemplo, dentro do teto do rendimento bruto.

Calamidades

Ela afirmou que calamidades, decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e a resistência do Congresso em aprovar medidas de corte de gastos têm feito com o que o governo vez ou outra saia do arcabouço fiscal.

“O somatório disso, calamidades públicas, decisões meteóricas vindas do STF que são absolutamente imprevisíveis. Diante de um arcabouço restrito, em que qualquer medida fora não garantiria o cumprimento do arcabouço (...) Aliado a tudo isso, fez e faz com que, muitas vezes, tenhamos de sair do arcabouço”, declarou Tebet durante audiência pública da CAE do Senado.

Como mostrou o Estadão/Broadcast essa semana, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai totalizar em seu terceiro mandato pelo menos R$ 387,8 bilhões em gastos não contabilizados na meta fiscal, uma das principais regras das contas públicas no País. O número foi atingido com o pacote de socorro às empresas afetadas pelo tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciado na quinta-feira, 13, que vai retirar R$ 9,5 bilhões da meta até 2026.

A ministra afirmou que o arcabouço estava no limite do possível quando foi aprovado: “Quando aprovamos o arcabouço fiscal, colocamos o arcabouço no limite do possível. A partir dali, algumas medidas aconteceram.” Tebet disse que é “preciso compartilhar as responsabilidades” com o Congresso e citou projetos parados na Câmara e no Senado para redução dos gastos públicos, como o que limita supersalários de funcionários públicos.

“Apresentamos dois pacotes, ainda que modestos, de redução de gastos (...) Quando quisemos discutir questões como Fundo do DF e o Fundeb isso foi barrado pelo Congresso. Mas é do jogo político. Como é do jogo político o Congresso não ter avançado sobre os supersalários”, falou.

Simone Tebet citou também o impacto de medidas do que chamou de “Judiciário assistencialista”, como a decisão do STF que reduziu as exigências na concessão do salário-maternidade, que tem estimativa de impacto de R$ 12 bilhões em 2026.

“Estamos abrindo espaço fiscal de R$ 12 bilhões para cobrir um meteoro que caiu nas nossas costas, que não discuto o mérito, de que a mulher, mesmo que não tenha contribuição previdenciária, tenha licença-maternidade. Só que chegou do nada”, declarou.

A ministra afirmou ainda que o governo tem sido “bombardeado para cumprir a meta fiscal”, mas que o governo “tem recebido meteoros” em meio a um Orçamento restritivo. Ela alertou ainda que novos gastos imprevisíveis podem vir no futuro. “As ações que vêm, alheias à nossa vontade, não são R$ 500 milhões, que já seria muita coisa. São R$ 10 bilhões, R$ 12 bilhões, e acho que vêm outras pela frente”.

Globo Online - RJ   20/08/2025

Duas semanas depois da entrada em vigor do tarifaço de Donald Trump de 50% a produtos brasileiros e da profusão de sobretaxas contra outros parceiros comerciais dos Estados Unidos, o cenário que se delineia para a economia global é de mais incerteza e menos crescimento.

Essa perda de fôlego não se restringe ao Brasil. O Banco Mundial reduziu, em junho, a previsão do crescimento global em 2025 por causa das tarifas americanas em 0,4 ponto percentual, de 2,7% para 2,3%. É a menor previsão do ritmo de expansão em 17 anos, excluindo as recessões de 2009, por conta da crise americana, e da pandemia, em 2020.

Segundo o Banco, mercados emergentes como um todo devem registrar média de avanço de 3,8%, ante 4,1% da previsão anterior à imposição do tarifaço.

Compasso de espera

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também já fez um alerta sobre como o baixo patamar de investimento feito pelas empresas deve minar o crescimento econômico global.

O investimento líquido nas economias avançadas caiu de 2,5% para 1,6% do PIB na mediana dos países desde a crise de 2008, e muitos ainda não conseguiram se recuperar dos choques acumulados desde então.

Segundo a entidade, a incerteza política “generalizada” pesa como um dos principais entraves, com empresas sendo impactadas por turbulências sucessivas nos últimos anos. A implementação caótica das tarifas por Trump acrescentou mais um motivo para que decisões importantes de investimento fiquem em compasso de espera, afirmou a OCDE.

O FMI espera crescimento global de 3% este ano. Uma desaceleração em relação aos 3,3% de 2024 e à média de 3,7% antes da pandemia.

Embora os últimos dias tenham sido marcados por tentativas de calcular o impacto do tarifaço contra o Brasil em si, economistas ponderam que o efeito de um ambiente marcado por barreiras ao comércio tende a ser ainda mais forte. A economia brasileira é considerada relativamente fechada. Além disso, Trump institutiu uma lista de 694 exceções ao tarifaço. Ainda assim, haverá impacto setorial e regional.

— Indiretamente, (o efeito virá) via menor crescimento mundial. (...) Além das tarifas, há impactos relacionados à maior incerteza. São elementos que contribuirão para uma desaceleração global neste e no próximo ano — afirma Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria, que calcula expansão do PIB global próxima de 3% neste ano e em 2026.

Impacto no empresariado

Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, avalia que o tarifaço imposto por Trump pressiona o quadro que já era de perda de fôlego do crescimento global, considerando que há em curso uma desaceleração estrutural na China, com esgotamento de mão de obra e crise imobiliária, e uma estagnação na Alemanha, diante da perda de competitividade dos produtores alemães.

O vaivém de Trump em relação às tarifas comerciais é, na visão de economistas, um verdadeiro furacão que impede previsões certeiras sobre o futuro, requisito importante para a tomada de decisões em todos os cantos do mundo.

No começo do mês, após a divulgação de dados fracos do mercado de trabalho, Trump demitiu a chefe da Secretaria de Estatísticas do Trabalho (BLS, na sigla em inglês), afirmando, sem qualquer prova, que os dados eram manipulados.

— Quem pensa em produzir com insumos brasileiros (nos EUA) não sabe como vai ser no dia seguinte. Isso traz um grau de incerteza para a economia americana e pode ser a razão do que está acontecendo com os números do emprego — afirma José Scheinkman, professor da Universidade de Columbia. — Esse tipo de incerteza afeta os empresários no mundo inteiro, aqueles que têm alguma ligação com os EUA, e mesmo aqueles que não têm. A incerteza não é amiga do crescimento do PIB.

No mês passado, a Moody’s também revisou para baixo a perspectiva de crescimento de todos os países diante das incertezas comerciais. Segundo a agência de classificação de risco, a nova política americana afeta condições de crédito, podendo causar “volatilidade e mudanças abruptas” no cenário.

A alteração nas relações comerciais, disse a agência, vai reverberar numa desaceleração mais branda, porém mais prolongada do que o impacto da Covid-19. “Uma mudança fundamental e duradoura nas relações comerciais, custos e fluxos pode desafiar os modelos de negócios no longo do tempo”, diz trecho do relatório.

A tentativa de Trump de robustecer a indústria americana e desvalorizar o dólar pode, na visão dos analistas, acabar provocando um cenário contrário do pretendido.

— A tarifa, antes de tudo, deixa tudo mais caro. Ela pode ser vista com poucos cuidados como uma taxa, um imposto. Bens e serviços param de ser competitivos e param de ser produzidos — afirma Eduardo Grübler, gerente de portfólio da Warren Investimentos.

O tarifaço também colocou à prova, num primeiro momento, o dólar como referência mundial de reserva de valor. Num cenário de incerteza e volatilidade, o consenso entre analistas é que o tarifaço americano pressiona países emergentes, que dependem de capital estrangeiro e sentem primeiro os efeitos dos juros altos lá fora, e freia o crescimento global.

— Seja pelo canal financeiro ou pelo comércio, é um mundo que cresce menos. Esse é o final da história, ainda que os dados (das economias) estejam “poluídos” por estímulos de curto prazo (concedidos pelos governos) — conclui Padovani.

O Estado de S.Paulo - SP   20/08/2025

O economista-chefe da Moody’s Analytics, Mark Zandi, não ficou aliviado com os dados que apontam para uma retomada do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre, depois do recuo no primeiro trimestre. A avaliação dele, na verdade, é que a economia americana “está à beira da recessão”.

Em meio ao tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, setores como indústria, agricultura e construção já estão em território de contração, segundo Zandi. Mais importante: o avanço do emprego “está parando”, diz, após o fraco relatório de julho mudar a avaliação sobre o mercado de trabalho. Para ele, além disso, quando o cenário estiver mais claro, os consumidores arcarão com dois terços do impacto das tarifas.

Essas são opiniões que costumam ser ouvidas de Wall Street a Washington, mesmo quando desagradam. Frequentemente, o economista é chamado para apresentar as perspectivas econômicas ao Congresso. Quando a Moody’s Ratings rebaixou a nota soberana dos EUA em maio, foi Zandi o alvo da ira da Casa Branca - embora a Moody’s Analytics seja um braço de análise econômica que opera de forma independente da divisão de classificação de crédito.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Dados de inflação nos EUA mostraram cenários aparentemente divergentes: o CPI (inflação para o consumidor) veio abaixo do esperado, enquanto o PPI (inflação no atacado) surpreendeu para cima. Isso significa que os produtores estão absorvendo boa parte dos custos tarifários?

Sim, até agora os produtores ou empresas dos EUA estão absorvendo uma parte significativa das tarifas. 60% das tarifas estão sendo absorvidas pelas empresas americanas na forma de menores lucratividade e margens; 20% pelos produtores estrangeiros; e cerca de 20% pelos consumidores. Isso vai mudar daqui para a frente. No fim das contas, digamos daqui a um ano, dois terços dos aumentos tarifários serão arcados pelos consumidores dos EUA, outros 20% pelos produtores ou empresas dos EUA e os 15% restantes pelos produtores estrangeiros. Ao longo do tempo, as empresas se sentirão menos preocupadas com o foco político e mais confortáveis em repassar os efeitos das tarifas.
Quando isso acontecerá?

Os consumidores já estão sentindo, mas sentirão de forma mais significativa até o final do ano, início do próximo ano. O impacto na inflação dos preços ao consumidor estará em seu ápice no segundo trimestre de 2026. O deflator de despesas do consumidor (índice de preços de gastos com consumo, PCE), medida de inflação que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) usa para definir sua meta de inflação, estará próximo de 3,5% ano a ano no segundo trimestre de 2026 (a meta é de 2%). Isso está baseado na suposição de que a taxa efetiva de tarifa atingirá o pico de 15%.
Apesar disso, os mercados parecem confortáveis com o desdobramento dos efeitos das tarifas na inflação, como evidenciado por recordes recentes do S&P 500 (índice da Bolsa de Nova York). Por quê?

Há várias coisas acontecendo. Uma das mais importantes é a inteligência artificial. Empresas de IA estão em alta. Pelo menos metade da alta no S&P 500 desde o início do ano está nessas ações, que operam em dinâmica diferente, não têm nada a ver com as tarifas. A segunda são os cortes de impostos que fizeram parte do “Grande e Belo Projeto de Lei”. Isso adiciona cerca de um quarto do aumento nos preços das ações desde o início do ano, simplesmente os cortes de impostos. Sobra o um quarto restante do aumento, e acho que isso é em grande parte especulação, espuma, impulso. Os mercados estão supervalorizados. Eles estão descontando excessivamente a resiliência da economia dos EUA. Uma vez que fique claro que as tarifas e outras políticas econômicas, como a política de imigração, estão causando danos reais à economia, essa espuma sairá dessa especulação.

É razoável esperar entre dois e três cortes de juros do Fed este ano?

Sim, porque mesmo que a inflação vá acelerar, a economia está enfraquecendo, o crescimento do emprego está parando e os riscos de recessão são muito altos. O Fed está dando mais peso à economia e ao seu mandato de pleno emprego do que à inflação por duas razões. Primeiro, acredita, mais ou menos apropriadamente, que os aumentos tarifários representam um aumento único na inflação, que não será persistente. Não acho que devamos estar excessivamente confiantes sobre isso, mas essa é a visão. E, segundo, os dirigentes do Fed desesperadamente querem evitar uma recessão, no contexto das pressões políticas que enfrentam. Há muita pressão em relação à independência do Fed e há até um movimento no Congresso para aprovar legislação que mudaria o Federal Reserve Act de 1913, que proporciona essa independência. O Fed estaria sob pressão tremenda, pois tais mudanças legislativas teriam probabilidade maior de ocorrer se a economia entrasse em recessão.

Quantos cortes o sr. espera?

Espero corte de juro de 0,25 ponto porcentual na reunião de setembro e, em seguida, 0,25 ponto porcentual a cada trimestre no próximo ano, até que a taxa dos Fed Funds atinja sua taxa de equilíbrio em 3%. Os juros agora estão em 4,25% (no limite inferior da banda), então isso implicaria em cinco cortes de juros entre agora e o final do próximo ano. O cenário base não prevê uma recessão, mas prevê uma economia muito fraca e, portanto, cortes de juros consistentes.

Grandes partes da economia já estão se contraindo. E, mais importante, o crescimento do emprego praticamente parou

O sr. chegou a dizer recentemente que os EUA estão à beira da recessão. O que o levou a dizer isso?

Por causa dos altos e baixos no comércio, dados os aumentos tarifários, o crescimento na primeira metade do ano foi de pouco mais de 1%, muito fraco. O consumo das famílias ficou estagnado. Manufatura, construção, mineração, agricultura, transporte, distribuição já estão em recessão. Grandes partes da economia já estão se contraindo. E, mais importante, o crescimento do emprego praticamente parou. Se os números de empregos se tornam negativos, historicamente, isso sempre foi o início da recessão. Portanto, os riscos de recessão são muito altos. Estamos à beira de uma desaceleração forte. Nossa linha de base ainda não prevê uma recessão real, mas vai ser difícil navegar com toda a incerteza pendendo para o negativo.
Apesar da desaceleração do emprego, as demissões seguem baixas. Por quê?

As empresas estão nervosas em demitir, dado o mercado de trabalho apertado. E elas demitiram durante a pandemia e foram pegas de surpresa quando a economia voltou com força e tiveram de aumentar custos trabalhistas para trazer os trabalhadores de volta. Então, estão relutantes em demitir e se encontrarem em uma situação semelhante. O que fizeram, em vez disso, foi congelar contratações. Mas o próximo passo, se houver mais enfraquecimento na demanda do consumidor, é começar a demitir. E, se eles demitirem, isso é recessão. Esse é outro motivo pelo qual é razoável pensar que a economia está à beira de uma recessão.
Trump trocou o comando do BLS (o escritório de estatísticas trabalhistas) após dados de emprego fracos. Há risco à credibilidade das estatísticas?

Sim. Mesmo antes de tudo isso, eu tinha preocupações, porque o BLS e outras agências tiveram cortes de orçamentos, e isso está afetando a capacidade de fazer o trabalho. O BLS teve reduções na força de trabalho desde o início do ano, e um resultado é que não têm pessoal suficiente para sair e coletar preços. Uma parcela crescente dos produtos no CPI é imputada, não é medida diretamente. Isso é um problema sério para a integridade dos dados. Há uma longa tradição de profissionalismo no BLS, o que nos dá alguma confiança. Mas houve alguma discussão, pelo menos no discurso público, de que o BLS poderia decidir não publicar os dados de emprego a cada mês, mas esperar vários meses. Isso seria um grande erro.

Para o restante do mundo, quais serão os efeitos econômicos das tarifas?

Depende de país para país. Para o Brasil, menos. Para o México, muito mais. O Brasil poderia se beneficiar redirecionando o comércio para outras partes do mundo, como a China, poderia vender suas commodities e outros recursos para os chineses. Mas, de modo geral, é negativo para a economia global.

Diário do Comércio - MG   20/08/2025

Pressionada pelos juros altos e o cenário externo turbulento, a indústria deve crescer menos em 2025. O Informe Conjuntural do 2º trimestre, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), reduz de 2% para 1,7% a estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do setor. Por outro lado, a projeção para a agropecuária é de alta significativa, passando de 5,5% para 7,9%. O setor, somado a um mercado de trabalho aquecido, deve sustentar o crescimento de 2,3% do PIB mesmo em meio ao aumento das tarifas americanas sobre as exportações brasileiras.

O diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, ressalta que a composição do crescimento da economia para 2025 não deve ser tão positiva como no ano passado. “Quando abrimos os números, identificamos um problema: os setores mais próximos do ciclo econômico, como a indústria e os serviços, têm apresentado um dinamismo cada vez menor. Nesse cenário, a projeção para o PIB não mudou porque a safra agrícola foi maior do que imaginávamos e o mercado de trabalho continua bastante aquecido, mas a composição do crescimento não é tão positiva”, avalia.

Embora o volume de exportações tenha crescido 2%, os preços das exportações caíram 2% entre janeiro e julho de 2025. Nesse cenário, as exportações totalizaram US$ 198 bilhões no período, ante US$ 197,8 bilhões entre janeiro e julho de 2024.

Além disso, a imposição de uma tarifa de 50% para parte das exportações brasileiras pode desacelerar o fluxo de vendas da indústria de transformação para os Estados Unidos. Nos sete primeiros meses do ano, o setor exportou US$ 19 bilhões para os EUA, 7% a mais do que no mesmo recorte do ano passado. Parte do resultado positivo se deve à antecipação de importações pelas empresas americanas como resposta à nova política comercial dos EUA.

Em meio ao cenário externo incerto, a CNI diminuiu de US$ 347,3 bilhões para US$ 341,9 bilhões o valor previsto para as exportações brasileiras, uma queda de US$ 5,4 bilhões em relação ao Informe Conjuntural do 1º trimestre.

“Grande parte da redução nas exportações se deve ao aumento das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros. É importante que essas taxas adicionais sejam reduzidas, pois as medidas compensatórias anunciadas pelo governo são positivas, mas não são capazes de substituir o mercado americano para um número grande de empresas e setores”, explica Telles.

Ao preencher e enviar o formulário, você concorda com a nossa Política de Privacidade e Termos de Uso.

Apesar dos riscos de desvio de comércio e do crescimento da compra de bens intermediários e de bens de capital no 1º semestre, as importações devem perder ritmo no restante do ano por causa da desaceleração da atividade industrial. Projeta-se que as importações atinjam US$ 285,2 bilhões e não mais US$ 283,3 bilhões, como previsto.

Com isso, a balança comercial brasileira deve ser superavitária em US$ 56,6 bilhões em 2025, valor 14% menor do que no passado.
Indústria de transformação

Já a indústria de transformação registrou resultados negativos no 1º semestre de 2025, depois de crescer 3,8% em 2024. A demanda por bens industriais não apresenta o mesmo ritmo do ano passado, o que impactou a produção e o faturamento do setor nos últimos meses. A CNI avalia que os juros altos, o ritmo aquecido das importações e a provável queda das exportações – por causa da nova política comercial dos EUA – vão restringir a atividade industrial. Por isso, projeta-se que o PIB da indústria de transformação deve subir 1,5% em 2025. Vale lembrar que a CNI previa crescimento de 1,9% para o setor.

Para o diretor de Economia da CNI, a perda de ritmo da indústria de transformação é preocupante. “Mesmo com várias medidas acertadas, como a Nova Indústria Brasil e o Programa de Depreciação Acelerada, o crescimento da indústria de transformação deve cair muito em comparação ao ano passado. Isso se deve, principalmente, à taxa de juros elevadíssima e ao aumento das importações, em parte por causa da política comercial americana”, destaca.

Embora também sinta os efeitos da desaceleração econômica, a indústria da construção seguirá aquecida graças à continuidade dos projetos iniciados em 2024 e ao bom desempenho do programa Minha Casa, Minha Vida, cujos lançamentos cresceram 31,7% no 1º trimestre. Por isso, a CNI mantém em 2,2% a estimativa de crescimento do PIB do setor.

A indústria extrativa também será um dos destaques positivos do crescimento econômico de 2025. Não à toa, a CNI dobrou de 1% para 2% a expectativa de alta do setor, principalmente pelo aumento da produção de petróleo. Já o segmento de eletricidade e gás, água, esgoto e atividades de gestão de resíduos teve sua previsão de alta mantida em 2,5%.

As condições climáticas favoráveis, a produção animal e a safra recorde impulsionam a agropecuária, que deve liderar o crescimento da economia em 2025, com alta de 7,9%. Além disso, o setor é menos sensível ao ciclo econômico e, por ser voltado principalmente à demanda externa, seu mercado consumidor é bem menos afetado pelos juros elevados.

O setor de serviços deve continuar apresentando ritmo de crescimento modesto ao longo do ano, e o mercado de trabalho aquecido e a expectativa de crescimento robusto do rendimento médio dos trabalhadores devem impedir uma retração do setor, cujo PIB deve subir 1,8% em 2025.

O Estado de S.Paulo - SP   20/08/2025

O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, defendeu, na 26ª Conferência Anual Santander, em São Paulo, a necessidade de ser criada no Brasil a cultura de se produzir superávits primários, ou seja, de o governo gastar menos do que arrecada.

As declarações de Alckmin, nesta terça-feira, 19, são dadas em meio à cobrança do mercado por um controle de gastos e pelo questionamento da eficácia do arcabouço fiscal, mecanismo de controle das contas públicas adotado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva em substituição ao teto de gastos.

Ainda assim, Alckmin afirmou que o governo federal tem compromisso com a responsabilidade fiscal. A questão de saldos positivos no resultado primário, de acordo com o vice-presidente, não deveria ser mais motivo para debates de esquerda ou direita no País, até porque, segundo ele, trata-se de uma questão simples de matemática.

“Gerar superávits primários é a saída para reduzir a relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto), é questão de fazer piscas”, disse. Uma das principais agências internacionais de classificação de risco de crédito, a Fitch, estimou que, se não forem contidos os gastos, a relação entre a dívida e PIB do Brasil deve bater os 79,3% em 2025 e subir a um ritmo anual de 3 pontos porcentuais à frente, enquanto a mediana de outros países com o mesmo nível de crédito é de 53%.

Com o aumento do endividamento, cresce também a percepção de risco de “calote”, e os governos precisam oferecer juros mais altos a investidores ao vender os títulos públicos para financiar o pagamento de suas contas. Com os juros mais altos, toda a economia sofre, tanto consumidores quanto empresas enfrentam crédito mais caro e se retraem, o que ameaça empregos e desestimula investimentos.

Alckmin lembrou que a meta para o ano que vem é de um superávit de 0,25% do PIB e ressaltou que essa meta deveria crescer ano após ano.

“É fundamental termos uma política fiscal rigorosa”, disse Alckmin.

O Estado de S.Paulo - SP   20/08/2025

A União concedeu R$ 678 bilhões em subsídios no ano passado, de acordo com dados divulgados há pouco pelo Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO). O volume foi equivalente a 5,78% do Produto Interno Bruto (PIB) de 2024, uma proporção menor que os 6,10% de 2023.

O documento mostra que 83,1% dos subsídios concedidos em 2024 são tributários, seguidos por 9,6% de financeiros e 7,3% de creditícios. “Esses recursos podem ser aplicados para reduzir preços ao consumidor ou para baratear custos do produtor, bem como para assunção de dívidas de saldos de obrigações de responsabilidade do Tesouro Nacional”, explica a Pasta.

Dentre as três modalidades de subsídios, houve uma redução do total de benefícios creditícios (para 0,42% do PIB em 2024) e tributários (para 4,80% do PIB) e uma alta dos benefícios financeiros (para 0,55% do PIB).

O MPO ressalta que, mesmo com queda no valor global, houve expansão em subsídios para algumas políticas públicas, como o programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que saiu de R$ 0,7 bilhão em 2022 para R$ 9,3 bilhões em 2023 e chegou a R$ 12,9 bilhões no ano passado.

Outro aumento de destaque citado pelo ministério é o de novações contratuais do Fundo de Compensações das Variações Salariais (FCVS), que passou de R$ 14,7 bilhões em 2023 para R$ 33,0 bilhões em 2024. O FCVS foi instituído com o propósito de liquidar saldos devedores residuais ao final do prazo de amortização de contratos firmados com mutuários no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação.

Dentre os subsídios tributários, destacam-se os valores do Simples Nacional (17,4% do total), o apoio à agricultura e agroindústria (11,4%) e a não tributação de rendimentos de pessoas físicas (rendimentos isentos, não tributáveis e deduções de rendimentos somam 14,2%). “No caso dos benefícios tributários, merece destaque o surgimento do benefício tributário da Desoneração da Folha dos Municípios. Essa conta de subsídio atingiu o valor de R$ 10,6 bilhões em 2024, sendo inexistente no ano anterior”, completou o MPO.

Além disso, os subsídios associados ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF) cresceram 11,9% no ano passado, levando a uma expansão nominal de subsídios equivalente a R$ 10,2 bilhões.

Dentre os benefícios creditícios, as principais reduções foram no Fundo da Marinha Mercante (FMM) e no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) — com redução nominal de R$ 20,4 bilhões e R$ 10,7 bilhões, respectivamente.

Dados da Fazenda e Receita Federal

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou que a variação dos números sobre os valores de subsídios tributários são causadas por diferentes metodologias. Segundo ela, porém, a equipe econômica se baseia em dados do Ministério da Fazenda e da Receita Federal.

“Ora, aparece assim: ‘O tamanho dos subsídios é de R$ 600 bilhões’. Ora, assim: ‘O ministro Fernando Haddad falou que é de R$ 700 bilhões. Ué, Haddad e Simone não estão se entendendo?’”, questionou Tebet durante audiência pública da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

“Primeiro, nossos números são da Fazenda, da Receita Federal. Segundo, de acordo com a lei, existem várias metodologias e, quando falamos de subsídios e gastos tributários, precisamos apresentar os demonstrativos de gastos tributários”, acrescentou.

Durante a audiência pública, Tebet voltou a defender o projeto para aumentar a isenção de Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil. Segundo ela, “a maioria dos gastos tributários vão para os 10% mais ricos no Brasil”.

MINERAÇÃO

CNN Brasil - SP   20/08/2025

Os preços futuros do minério de ferro caíram nesta terça-feira (19), pressionados por preocupações com a demanda pelo ingrediente de fabricação de aço, em meio a controles de produção na região norte da China antes de um desfile militar no início de setembro, além do enfraquecimento do mercado siderúrgico.

O contrato de janeiro do minério de ferro mais negociado na DCE (Bolsa de Mercadorias de Dalian) da China encerrou as negociações do dia com queda de 0,64%, a 771 iuanes (US$ 107,35) a tonelada.

O minério de ferro de referência de setembro na Bolsa de Cingapura caiu 0,37%, a US$ 101,05 a tonelada.

Ambos contratos recuaram pela quinta sessão consecutiva, com queda de cerca de 3%.

Algumas usinas siderúrgicas em Tangshan, principal centro de produção de aço da China, receberam instruções para reduzir a produção a fim de garantir uma melhor qualidade do ar em Pequim para um desfile militar em comemoração ao fim da Segunda Guerra Mundial, disse a consultoria Mysteel em nota.

Essas restrições de produção para as usinas siderúrgicas reduzirão o apetite de compra de matérias-primas.

Mesmo em meio aos controles de produção, "os fundamentos do mercado de aço mostraram sinais de abrandamento com a aceleração do aumento dos estoques, enquanto o consumo downstream permaneceu lento", disse Guiqiu Zhuo, analista da corretora Jinrui Futures.

Os índices de referência do aço na Bolsa de Futuros de Xangai perderam terreno. O vergalhão caiu 1,48%, a bobina laminada a quente recuou 0,38%, o fio-máquina perdeu 0,71% e o aço inoxidável retraiu 1,07%.

Essa fraqueza arrastou os preços das matérias-primas upstream, disse Zhuo, da Jinrui.

Valor - SP   20/08/2025

A Vale foi a empresa mais inovadora no setor de mineração, metalurgia e siderurgia, segundo o anuário Valor Inovação Brasil 2025, realizado pelo Valor em parceria com a Strategy&, da PwC, responsável pelo desenvolvimento da metodologia e aplicação da pesquisa e elaboração do ranking.

Depois de dez anos de pesquisa, em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a Vale desenvolveu um produto para conter a emissão de poeira das pilhas de minério de ferro, velha conhecida dos profissionais que atuam em campo e dos moradores do entorno dessas operações. Trata-se do supressor sustentável PET, resina que forma uma película protetora na pilha de minério. O Supressor é criado a partir de reciclagem química do plástico.

Outra inovação considerada das mais relevantes pela empresa nos últimos anos é o Programa de Mineração Circular Waste to Value (do resíduo ao valor, em tradução livre), que integra princípios de circularidade na cadeia produtiva de minério de ferro.

“Os resultados obtidos com esse programa são expressivos. Em 2024, foram entregues 12,7 milhões de toneladas de minério de ferro provenientes de fontes circulares, o que representou 4% da produção total da companhia no ano”, explica Rafael Bittar, vice-presidente-executivo técnico da Vale. “A produção de coprodutos [areia mais sustentável] somou 1,4 milhão de toneladas, e o conjunto de iniciativas resultou na redução de emissões de CO2e correspondentes a 14 mil carros rodando por um ano.”

O anuário Valor Inovação Brasil 2025 aponta quais empresas lideram nesse quesito em 25 setores da economia. A metodologia destaca até cinco organizações em cada área de atividade — neste ano, chegamos a 123 companhias distribuídas pelos setores.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   20/08/2025

Sem fábrica em Indaiatuba, Toyota aposta alto em 2026: com novo complexo em Sorocaba, em uma década, capacidade da montadora aumentará quase três vezes

A Toyota vive um momento de transformação. Quando anunciou, no início de 2024, o fechamento da fábrica de Indaiatuba (SP) e a transferência da operação para Sorocaba (SP), a impressão inicial era de uma simples realocação de linha de produção. Mas o projeto é ambicioso.

A fábrica de Indaiatuba, também no interior de SP, tem capacidade para produzir 70 mil carros por ano e a atual de Sorocaba, inaugurada há 13 anos, mais 155 mil. Espelhada na primeira, uma segunda fábrica está sendo erguida, com capacidade anual inicial de 100 mil unidades.

Quando a obra terminar, em meados de 2026, a Toyota alcançará capacidade de produção anual de 268 mil veículos no país, o que significa quase triplicar o volume em relação a 2016.

Mais do que uma mudança geográfica, a Toyota faz uma aposta estratégica na expectativa de expansão do mercado interno e das exportações, principalmente para vizinhos da América Latina.

O canteiro de obras em Sorocaba impressiona, sobretudo pela rapidez dos trabalhos onde atuam três construtoras e 1.100 operários. A pedra fundamental foi lançada em 31 de outubro de 2024.

Ao caminhar pela obra, Evandro Maggio, presidente da Toyota do Brasil, entusiasma-se com o avanço da construção do prédio da linha de montagem, onde a colocação do telhado está em fase final. Ele aponta todo o espaço que ainda sobra. “A terraplenagem foi pensada no futuro”, diz.

A própria estrutura dos prédios também foi projetada com essa perspectiva. Poderá ser facilmente removida para abrir espaço para a ampliação industrial.

Assim que o processo de montagem dos equipamentos começar, entre dezembro e abril, a quantidade de trabalhadores na obra, prevê Maggio, deverá atingir as 2 mil pessoas.

Com 160 mil metros quadrados de área construída, a nova fábrica é fruto do plano de investimentos de R$ 11,5 bilhões até 2030. Quando a obra terminar, o espaço fabril da Toyota em Sorocaba passará de 145 mil metros quadrados para 305 mil.

Somam-se, ainda, 55 mil metros quadrados de um novo centro de peças. Na área total, existe uma reserva florestal preservada, com 2 milhões de metros quadrados.

À margem da Rodovia Castelo Branco, dentro do parque industrial da Toyota há, ainda, 12 fornecedores numa área de 132 mil metros quadrados. Parte deles planeja expansão para acompanhar a montadora, diz Rafael Cheng, presidente da Toyota na América Latina

Segundo o executivo, tamanha expansão industrial não era um plano concreto quando a Toyota adquiriu o terreno, de 3,7 milhões de metros quadrados em Sorocaba. Mas a companhia já pensava nessa possibilidade.

Nas laterais dos galpões em construção, serão instaladas diversas entradas para facilitar o desembarque de peças e a fluidez do sistema “just-in-time”, uma das marcas da manufatura da marca japonesa no mundo.

Na Toyota, já trabalham 6,5 mil funcionários. A expectativa é que, com a expansão industrial, sejam abertos mais 2 mil postos de trabalho até 2030. Um total de 581 pessoas já foi contratado para iniciar treinamento.

A transferência da linha do Corolla de Indaiatuba para Sorocaba segue o cronograma da obra. Além do sedã, em Sorocaba 2, como é chamada a futura fábrica, será produzido um novo modelo ainda mantido em sigilo. Em Sorocaba 1, continuará a funcionar a linha do Corolla Cross e a do Yaris Cross, modelo que ainda não foi lançado. Todos os carros produzidos no país terão versões híbridas.

Enquanto a ociosidade na indústria automobilística instalada no país passa de 40%, a Toyota está com sua capacidade esgotada, segundo Chang.

Antes da inauguração da nova fábrica o consumidor brasileiro vai conhecer um novo modelo da Toyota, revelado por Chang: o primeiro 100% elétrico vendido pela japonesa no Brasil, chegará, importado, no início de 2026.

Segundo Chang, Sorocaba será uma das maiores e mais modernas fábricas da Toyota no mundo. Existe outra em construção, na Índia, com capacidade para 100 mil. Não é o mesmo tamanho da futura fábrica em Sorocaba? Numa referência aos planos de expansão futura, Chang imediatamente responde: “mas nós devemos chegar a 200 mil”.

Globo Online - RJ   20/08/2025

A montadora chinesa Great Wall Motor (GWM) pode ter acabado de inaugurar sua primeira fábrica no Brasil, mas já está buscando locais para uma segunda unidade de produção enquanto aumenta suas ambições em relação à maior economia da América do Sul.

A unidade de Iracemápolis, em São Paulo, foi inaugurada em 15 de agosto, quatro anos após a Great Wall ter comprado da Daimler AG. Três modelos serão produzidos lá — os SUVs Haval H6 e H9, e a picape Power P30.

Embora tenha capacidade para produzir 50.000 veículos por ano, o CEO da GWM International Parker Shi disse que a empresa pretende eventualmente vender entre 250.000 e 300.000 carros no país, incluindo veículos fabricados localmente e importados.

Estados fazem proposta

A Great Wall vem mantendo conversas e já recebeu propostas de alguns estados, incluindo Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Espírito Santo, disse Ricardo Bastos, diretor de Assuntos Institucionais da GWM Brasil, em entrevista na inauguração da fábrica.

— Podemos eventualmente olhar uma opção de uma fábrica maior pela consolidação, mas existe também a oportunidade de se construir uma fábrica do zero, com alguns benefícios disponíveis nos estados, e não necessariamente pegando estruturas antigas — disse Bastos.

Uma decisão final a respeito de uma segunda fábrica deve ser tomada a partir de meados de 2026, acrescentou.

Uma nova fábrica poderia ser usada como polo de produção de uma nova família de veículos, preenchendo uma lacuna na linha de produtos da GWM no país. Enquanto a maior concentração do ticket médio do setor no Brasil está em modelos com preços ao redor de R$ 150.000 (US$ 27.700), a gama da GWM tem preços acima de R$ 200.000.

— Precisamos ter produtos competitivos nesse segmento, abaixo de 200.000 — disse o diretor.

Os novos veículos podem incluir um SUV menor que o H6 e uma picape compacta, ambos derivados de uma nova plataforma múltipla.

— Estamos falando, com certeza, de um projeto que faz parte do futuro da GWM”, afirmou Bastos ao explicar que a família de produtos não vai se limitar a um ou dois modelos e que a experiência com o mercado brasileiro poderia ser replicada em outras localidades onde a GWM tenha manufatura. — O Brasil tem servido de laboratório de boas experiências, seja de marca, seja de relacionamento com os concessionários.

A antiga fábrica da Mercedes-Benz, em Iracemápolis, a 164 quilômetros da capital paulista foi repaginada e inaugurada na semana passada pela GWM na presença do presidente Lula, é parte dos R$ 10 bilhões que a Great Wall prometeu investir no Brasil, incluindo R$ 4 bilhões até 2026 e os R$ 6 bilhões restantes até 2032.

São 570 funcionários, sendo cerca de 80 chineses, que estão em funções específicas, como programação de robôs, ou em postos de comando.

O que vem pela frente

A segunda fase dos investimentos deve ser direcionada a várias frentes, como a cadeia de fornecedores, a possibilidade de explorar outros negócios —como veículos pesados— e também a montagem dos pacotes das baterias dos veículos, uma iniciativa que Bastos indicou como importante para elevar o nível de localização de componentes.

Se a bateria for considerada nacional, ela aumenta o conteúdo local, permitindo à GWM alcançar o mínimo obrigatório de 35% de localização para poder exportar ao Mercosul. O planejamernto da companhia é que esse nível de 35% seja alcançado ao longo de 2027.

Centro de pesquisa foi anunciado na abertura

A cerimônia de inauguração da fábrica de Iracemápolis contou com a presença do CEO da GWM, Mu Feng, que visitou o Brasil pela primeira vez, e o presidente Lula. Durante o evento, a empresa anunciou a criação de seu primeiro Centro de Pesquisa e Desenvolvimento na América do Sul, que contará com mais de 60 técnicos e engenheiros trabalhando em produtos locais, com foco na tecnologia flex-fuel e na adaptação de veículos globais às condições de rodagem brasileiras.

— Há muito espaço para o que estamos propondo fazer no Brasil: cuidar bem do consumidor, ter uma política de preço único e uma política em que possamos atender os clientes com a nossa rede de forma saudável — pontuou Bastos.

A GWM espera vender 36.000 veículos no Brasil em 2025, um aumento de 23% em relação a 2024 e acima da previsão de 31.000 unidades anunciada no início deste ano.

Mercedes fechou fábrica

A Mercedes fabricou na unidade de Iracemápolis, de 2016 até 2021, o SUV compacto GLA e o sedã médio Classe C. Mas a montadora encerrou a produção alegando que a conjuntura econômica do país, agravada pela pandemia, não estava adequada, causando queda nas vendas. Nesse cenário, fazer novos investimentos na unidade buscando a eletrificação de seusveículos não fazia sentido.

No mês passado, a também chinesa BYD (Build Your Dreams) mostrou a primeira parte de seu complexo industrial de Camaçari, onde no passado funcionou uma unidade da Ford. Lá, a BYD vai produzir o SUV Song Plus, um híbrido plug in, e o elétrico Dolphin Mini. A empresa anunciou que vai produzir pelo menos 50 mil veículos por ano na primeira fase subindo depois para 150 mil. A BYD anunciou investimentos de R$ 5 bilhões no país, sendo que R$ 1,4 bilhão foram desembolsados na unidade baiana, que já emprega quase mil pessoas.

Brasil é alvo das chinesas

O Brasil tornou-se destino de várias marcas chinesas de veículos. De acordo com o professor de cursos automotivos da Fundação Getúlio Vargas, Antônio Jorge Martins, com forte concorrência no mercado interno, a saída para elevar as margens de ganhos é se internacionalizar.

— O mercado chinês deve passar por um processo de consolidação. Enquanto isso, a produção excedente é vendida para países como o Brasil — diz o especialista, lembrando que o mercado chinês passa por uma verdeira guerra de preços, reduzindo a margem de ganho das montadoras. Mas assim como fizeram Europa e Estados Unidos, o imposto sobre veículos elétricos importados no país vem subindo e vai chegar a 35% em 2026.

Além da BYD e da GWM, marcas como a GAC, Omoda e Jaecoo e Geely, estão dispostas a brigar pelo consumidor nacional. Com muita tecnologia embarcada e luxo, elas estão trazendo modelos diferentes da primeira onda de carros chineses que desembarcou no Brasil no final dos anos 2000 e início de 2010. Seja por problemas de qualidade, falta de infraestrutura de pós-venda, ou dificuldades em se adaptar ao mercado local, muitas acabaram saindo do país.

—As marcas chinesas mudaram em relação a 15 anos e hoje entregam qualidade, tecnologia, e itens de segurança, design e, em sua maioria, eletrificação — diz Milad Kalume, da consultoria K. Lume especializada no setor autormotivo.

Mesmo com infraestrutura de carregamento dos veículos elétricos ainda abaixo do que se espera, especialmente no interior do país, as vendas de veículos eletrificados vem crescendo no Brasil. Em julho passado, foram vendidas 23.509 unidades, equivalentes a 10,7% do total de vendas no mês.

O resultado representa uma alta de 56,3% frente a julho de 2024 (15.043). No acumulado do ano, foram 134.664 unidades, um crescimento de 44,3% sobre 2024 (93.326), segundo dados da consultoria Bright Consulting.

O aumento do interesse dos compradores pelos veículos eletrificados, a oferta de novos modelos chineses importados e o início de produção local da BYD e da GWM esquentam a briga entre os veículos eletrificados, e especialistas avaliam que o consumidor pode ser beneficiado com descontos e queda de preços nesse cenário de aumento da concorrência.

Valor - SP   20/08/2025

A empresa anunciou o plano de, até 2027, produzir veículos com 50% de conteúdo nacional

A montadora chinesa BYD reuniu-se nesta terça-feira (19) com representantes do Sindipeças, que representa a indústria de autopeças. A empresa anunciou o plano de, até 2027, produzir veículos com 50% de conteúdo nacional.

O encontro incluiu associados do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). Cerca de 300 representantes de empresas interessadas em fornecer componentes para a BYD participaram da reunião por vídeoconferência.

A reunião contou com o presidente da BYD e o vice, Tyler Li e Alexandre Baldy, respectivamente, além do presidente do Sindipeças, Cláudio Sahad. A lista dos componentes que poderão ser adquiridos no Brasil, segundo a BYD, será apresentada em breve às empresas interessadas.

A BYD também apresentou, na reunião, incentivos fiscais oferecidos pelo governo da Bahia aos interessados em se instalar no Estado, nas proximidades da fábrica que está sendo construída em Camaçari.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Valor - SP   20/08/2025

Quatro centros de P&D, investimentos constantes, cultura de inovação e sistema aberto resultam em recorde de lançamentos de máquinas e tecnologias agrícolas em 2025

Em 2025, a CNH bateu seu recorde histórico ao lançar mais de 30 soluções inovadoras em máquinas e tecnologias para o agronegócio. O ano ainda não terminou, mas as marcas Case IH e New Holland já registraram o maior número de novidades no mercado e renovações relevantes em seus portfólios, que foram apresentadas durante a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), feira considerada a principal vitrine do setor na América Latina. A multinacional avança ainda com a Raven, empresa comprada em 2021 e que tem foco em agricultura digital, de precisão e desenvolvimento de sistemas autônomos.

Fora do campo, a companhia está presente nos segmentos de máquinas e equipamentos para construção com as marcas Case e New Holland Construction e, na área financeira, com o Banco CNH.

“Mais do que tecnologia embarcada, a inovação está ligada ao aumento da produtividade, à redução de custos operacionais e à sustentabilidade tanto no campo quanto no canteiro de obras”, afirma Rafael Miotto, presidente da CNH para a América Latina. Somando essas frentes, a companhia possui 1.508 patentes ativas no país e em torno de 11 mil no mundo, reflexo de sua estratégia de antecipar tendências, evoluir junto com as novas demandas dos clientes e se manter competitiva. Globalmente, os investimentos em P&D superam US$ 900 milhões por ano.

A Case IH lançou no mercado a nova geração de pulverizadores Patriot Série 50, com quatro modelos de 2,5 mil a 4 mil litros, incluindo uma versão para cana-de-açúcar. A linha possui motores mais potentes, transmissão renovada, dispositivo para economia de combustível e suspensão pneumática. O novo monitor, com sistema Android, facilita a operação com navegação intuitiva. Outra inovação é a tecnologia de aplicação. O sistema de pulverização bico a bico permite controle preciso e economia de fertilizantes e defensivos agrícolas.

Segundo Miotto, a CNH fechou também uma parceria com a SaveFarm para fornecer tecnologia de aplicação seletiva e em tempo real. Por meio de sensores com câmeras de alta resolução instalados na barra do pulverizador e utilizando inteligência artificial (IA), é possível identificar ervas daninhas em meio a uma cultura e direcionar as aplicações, o que leva à redução acima de 80% no uso de herbicidas.

Em tratores, entre os destaques da Case IH está o Magnum, que possui transmissão nacional, fabricado para aplicações específicas da agricultura tropical. Já o novo T8 da New Holland combina motores atualizados com novas faixas de potência (410, 430 e 440 cv), transmissão com 21 marchas à frente e cinco à ré e piloto automático. Esses tratores da CNH possuem telemetria vitalícia com suporte remoto, o que permite monitorar a distância o desempenho e a localização.

Miotto informa ainda que a companhia segue com seu projeto de desenvolvimento de máquinas movidas a etanol. A Case IH retomou a iniciativa em 2024, incorporando aprendizados de testes iniciados em 2012, com um motor ciclo diesel adaptado e depois um motor híbrido. Embora os resultados do passado tenham ficado abaixo das expectativas, a experiência pavimentou o caminho para avanços atuais. “Um dos motores está em testes em campo em uma colhedora de cana-de-açúcar de duas linhas. O projeto visa contribuir para a descarbonização”, explica o executivo.

O objetivo é desenvolver um portfólio de máquinas movidas pelo combustível sustentável e amplamente disponível no Brasil — além de ser fabricado por produtores de cana que são clientes da empresa. A CNH prevê ampliar o projeto para outras categorias de máquinas, como tratores e pulverizadores.

Por trás de todo esse dinamismo no Brasil, há uma estrutura robusta. Dos sete mil colaboradores, 446 atuam diretamente em pesquisa e desenvolvimento nos quatro centros localizados nas plantas de Contagem (MG), Curitiba (PR), Sorocaba e Piracicaba (SP).

No entanto, Miotto destaca que a cultura de inovação permeia todas as áreas da empresa: “É um processo transversal, porque acreditamos que a inovação pode surgir em qualquer lugar, a qualquer momento”. Além de manter um ambiente propício para os funcionários apresentarem sugestões, conta com iniciativas específicas como os Programas Go! e Gênio, de capacitação e novas ideias, e o Data League, com foco na agricultura de precisão. “Inovar, inevitavelmente, envolve erros e riscos, mas sempre gera aprendizados. Por isso, os processos são estruturados com critério e responsabilidade.”

Para ampliar o fluxo de ideias e acelerar projetos, a CNH adota o modelo de inovação aberta e colaborativa. São 30 parcerias estratégicas com universidades, institutos de pesquisa e startups, entre outros. Por exemplo, a empresa está integrada aos hubs Habitat Senai e Cubo do Itaú. Em fevereiro, a companhia ampliou a rede ao firmar acordo com o Fiemg Lab, hub que conecta startups com desafios industriais. “As startups, em especial, trazem agilidade e aprendizado, permitindo acesso a tecnologias que levariam mais tempo para serem desenvolvidas internamente”, ressalta Miotto.

Com apetite para investimentos promissores, a empresa adquiriu, no ano passado, participação na startup Bem Agro, que usa IA para transformar imagens aéreas em relatórios de mapeamento agronômico, resultando em decisões mais assertivas no campo, melhoria no desempenho das máquinas e redução de custos operacionais. As soluções já estão integradas às plataformas da Case IH e New Holland no Brasil, na Indonésia e na Tailândia.

Em relação à academia, a marca New Holland firmou uma colaboração recente com Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) para modernizar a Fazenda Experimental Gralha Azul, no município Fazenda Rio Grande (PR). A unidade apoia o ensino e a pesquisa em áreas como agronomia e medicina veterinária.

Outro projeto relevante é a Fazenda Conectada Case IH, no município Água Boa (MT), desenvolvida em parceria com a TIM, Unicamp, Agricef e outras instituições. A iniciativa tem demonstrado, na prática, como a conectividade melhora a produtividade. Na comparação entre safras, o uso da tecnologia resultou em uma redução de 25% no consumo de combustível e de 34% na pegada de carbono.

Ainda nesse âmbito, a CNH fechou, em maio, uma parceria com a Starlink, subsidiária da SpaceX, para levar conectividade via satélite ao campo. “Isso vai proporcionar aos nossos clientes uma conexão acessível e de alta velocidade, ampliando ainda mais os benefícios de uma frota conectada mesmo nas áreas rurais mais remotas”, ressalta Miotto. Com o contrato, a Starlink se integra à plataforma digital FieldOps, da CNH, que combina IA com o monitoramento de máquinas, permitindo aos produtores rurais acessar dados para gestão eficiente.

A CNH considera a IA como aliada da inovação. A tecnologia está embarcada em diversas soluções como as colheitadeiras, que ajustam a operação automaticamente e em tempo real conforme as condições das lavouras. Também lançou um e-commerce inteligente, no qual o cliente pode buscar peças por meio de fotos, facilitando a identificação correta dos itens e reduzindo erros nas compras. Internamente, a empresa usa IA para melhorar a ergonomia nas fábricas, diminuindo afastamentos por problemas ortopédicos. Já o projeto M.A.I.A emprega IA generativa para responder a dúvidas e orientar operadores de máquinas, mesmo off-line, com foco em segurança e manutenção.

Valor - SP   20/08/2025

Pesquisas com etanol e eletrificação de veículos, uso de IA e conectividade integram as apostas dos fabricantes para aumentar produtividade e sustentabilidade

Produzir mais, e de forma sustentável, tem sido uma preocupação constante dos fabricantes de veículos e máquinas agrícolas ou para construção. Para alcançar esses objetivos, as empresas têm estabelecido centros de P&D no país, tornando-os referência e até base mundial para o desenvolvimento de produtos de alta tecnologia.

Inteligência artificial (IA), conectividade, combustíveis alternativos, automação e autonomia lideram as tendências do setor, segundo Alexandre Bernardes, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A conectividade é vista pela Anfavea como base essencial para integrar tecnologias. Hoje, embora diversas máquinas saiam das fábricas prontas para se conectarem à internet, a infraestrutura ainda limita o pleno uso dessas soluções. Apenas 33,9% da área de uso agrícola no Brasil conta com cobertura 4G ou 5G.

Outra tendência muito forte entre os fabricantes é a de descarbonização, conta Gustavo Bonini, também vice-presidente da Anfavea: “Há um esforço conjunto com fornecedores de energia, produtores de biocombustíveis e até governos locais para viabilizar corredores logísticos sustentáveis”.

A CNH, por exemplo — primeiro lugar do setor na pesquisa do anuário Valor Inovação Brasil 2025 —, visa desenvolver um portfólio completo de máquinas movidas a etanol. Um dos destaques é o Case IH, projeto de máquinas movidas a etanol, com um motor já em fase de testes em campo em uma colheitadeira de cana-de-açúcar.

“A inovação é recorrente e estratégica, sustentada por uma cultura que avalia as demandas dos clientes, o conhecimento coletivo e a colaboração”, afirma Rafael Miotto, presidente da CNH para a América Latina. A companhia também atua para tornar essas inovações acessíveis a produtores de todos os portes, oferecendo soluções como financiamento, capacitação e inclusão digital.

Segundo Miotto, todas as inovações são sustentadas pela cultura interna em prol de novas ideias, além de uma estrutura de P&D que conta com 446 colaboradores diretamente envolvidos, quatro centros e 30 parcerias estratégicas com universidades, institutos de pesquisa e startups.

Já a Moura desenvolve baterias e tecnologias em acumulação de energia para diversas aplicações — como carros, motos, caminhões e empilhadeiras. Nos últimos três anos, os investimentos em P&D e inovação somaram R$ 77 milhões, com foco na ampliação de produtos e melhorias nos processos e sistemas.

Neste ano, a Moura lançou baterias de lítio de 12v e 48v para veículos híbridos leves, que alçaram a companhia a um novo patamar de fornecimento de soluções de eletromobilidade. “Eles fazem parte de tratativas que temos com as principais montadoras com operações na América do Sul. A produção e P&D nacionais entregam diferenciais como compatibilidade com os modelos atuais da indústria, garantia de pós-venda e suporte técnico”, afirma Antônio Júnior, diretor-geral de acumuladores Moura.

A empresa tem adotado a IA para otimizar processos industriais, manutenção preventiva e estratégias de precificação com base em análise de dados. Também mantém um ecossistema de inovação ativo, com parcerias com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE). A companhia é a única sul-americana a integrar o Consortium of Battery Innovation (CBI) — principal organização global em pesquisas para evolução das baterias chumbo-ácido.

Com uma estratégia multienergética, a Iveco tem foco na transição sustentável no transporte e se propõe a oferecer um ecossistema de serviços e tecnologias de conectividade para aumentar a eficiência operacional dos clientes. “A matriz energética do Brasil, baseada em fontes renováveis, é uma vantagem que posiciona a Iveco como facilitadora de soluções na região”, afirma o presidente para a América Latina, Marcio Querichelli.

Uma das principais apostas é o eDaily, versão elétrica do Iveco Daily, linha de veículos comerciais leves para entregas urbanas e operações de curta distância. No leque de produtos, também está o S-Way NG, caminhão movido a gás natural e biometano.

Querichelli revela que, até 2026, a Iveco vai investir R$ 100 milhões para o desenvolvimento de tecnologias voltadas à eletrificação de veículos. E irá destinar mais R$ 510 milhões em P&D até 2028 para avanços de tecnologias de propulsão alternativas. No complexo industrial em Sete Lagoas (MG) está o único centro de desenvolvimento de produtos da empresa localizado fora da Europa. São 250 funcionários dedicados a P&D e parcerias com universidades e centros de pesquisa. É o caso, por exemplo, dos acordos com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para explorar o uso de IA e com a Universidade Federal de Itajubá (Unifei) para o desenvolvimento de motores movidos a etanol.

As pesquisas relacionadas aos motores movidos a etanol também fazem parte do escopo da atuação de P&D da Bosch no Brasil. O sistema Dual Fuel Diesel-Etanol permitirá que colheitadeiras, locomotivas e caminhões funcionem com os dois combustíveis. A solução foi 100% desenvolvida por pesquisadores brasileiros e pode substituir até 50% de diesel por etanol, reduzindo as emissões de CO2.

Paulo Rocca, vice-presidente de inovação e novos negócios da Bosch América Latina, diz que a tecnologia está em testes em bancada e será avaliada no campo em 2026, com previsão para comercialização no ano seguinte. Embora a tecnologia do diesel-etanol tenha sido criada há 12 anos, o projeto foi engavetado porque não havia mercado, uma vez que o diesel era subsidiado. “Agora, com a pressão por redução de emissões, tiramos a ideia da gaveta e reativamos. Fica o aprendizado: inovação também depende do timing certo.”

A preocupação com a descarbonização também levou a companhia a desenvolver no Brasil a tecnologia CO2 Tracking, que mensura o uso de biocombustíveis nos veículos. Ela calcula, em tempo real e de forma auditável, a quantidade de CO2 que deixou de ser emitida quando se usa etanol em vez de gasolina, por exemplo.

Para o agronegócio, uma das inovações recentes é o Bosch IPS, uma solução de plantio inteligente, que atua na plantadeira controlando a distribuição de sementes e dosagem de fertilizantes. O agro vem sendo um dos focos da Bosch em P&D: neste ano, a empresa inaugurou um centro de pesquisa dedicado ao campo — com ele, agora são três centros de P&D (os demais enfocam biocombustíveis e mineração). Dos dez mil colaboradores no país, cerca de 1,5 mil trabalham exclusivamente com P&D. Os investimentos em P&D são de cerca de 8% do faturamento anual — que, no Brasil, somou R$ 8,4 bilhões no ano passado.

Além dos centros próprios, a empresa conta com uma rede colaborativa, incluindo instituições como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade de São Paulo (USP), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Instituto Eldorado e o Senai. A cada ano, são cerca de 15 projetos rodando com parceiros externos.

A AGCO, por sua vez, produz e distribui máquinas e tecnologia de precisão para a agricultura como plantadeiras, pulverizadores, tratores e colheitadeiras. “Os agricultores enfrentam desafios climáticos, econômicos e de sustentabilidade. Para aumentar a produtividade sem expandir áreas, soluções inovadoras são essenciais”, afirma Paulo Vilela, diretor de engenharia da AGCO.

Soluções recentes têm contribuído significativamente para as receitas da companhia. Após pesquisa para avaliar as necessidades de agricultores, a AGCO desenvolveu o trator Massey Ferguson 8S, com design que reduz o calor, ruído e vibrações na cabine e com um motor que economiza combustível e diminui as emissões de poluentes ao trabalhar em baixas rotações e alto torque. Outra novidade é o pulverizador Fendt Rogator 900, que recircula o insumo para garantir aplicação uniforme, reduzindo desperdícios, erros na aplicação e custos com manutenção por entupimento. A tecnologia PWM (Modulação por Largura de Pulso) permite ajustar individualmente a taxa de aplicação em cada bico, mantendo o volume constante em diferentes velocidades e nas curvas.

Neste ano, foi inaugurado o Centro de Excelência de Transmissões Reman, em Jundiaí (SP), com investimento de R$ 19 milhões, oferecendo transmissões remanufaturadas que garantem até 30% de economia para produtores e menor impacto ambiental pela reutilização de materiais e redução de recursos naturais. Também foram iniciadas as operações do Centro de Desenvolvimento de Plantadeiras, em Ibirubá (RS), com aporte de R$ 16 milhões.

Dos 4,3 mil colaboradores da AGCO, 530 trabalham em áreas ligadas a P&D, como engenharia e TI. A companhia busca estimular a cultura da inovação e a participação de todos os funcionários por meio do Programa de Ideias. A AGCO também aposta na inovação aberta, com parcerias com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas (RS), e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), entre outras, além de projetos com startups e o Senai. “Temos um planejamento de cinco anos para lançamentos. Nosso plano é lançar ao menos três soluções inovadoras por ano”, diz Vilela.

CONSTRUÇÃO CIVIL

O Estado de S.Paulo - SP   20/08/2025

O leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) da Operação Urbana Faria comercializou um total de 94,8 títulos, equivalente a 57,6% da oferta disponível, de 164,5 mil títulos. O valor médio foi de R$ 17,6 mil, sem ágio em relação ao valor de partida. Com isso, o leilão movimentou um total de R$ 1,668 bilhão, abaixo da expectativa inicial de R$ 2,8 bilhões.

O leilão foi realizado pela Prefeitura de São Paulo, na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo, tendo o BB Investimentos como coordenador-líder da oferta.

O Cepac é um título que permite que as empresas ampliem a área construída em cada terreno, indo além do permitido originalmente na lei de zoneamento de cada bairro. Em troca, a prefeitura usa o dinheiro arrecadado para obras de melhoria da infraestrutura ou oferta de moradias na cidade.

Na Faria Lima, por exemplo, os leilões de Cepacs anteriores financiaram a reforma do Largo da Batata, a construção da ciclovia, o prolongamento da avenida até a Chucri Zaidan, sem contar os túneis que cortam a região.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, considerou “positivo” o leilão de Cepacs, mas disse que o resultado poderia ter sido melhor se não fosse a insegurança causada aos investidores pelo vaivém de ações na véspera. “A gente não pode dizer que não foi um leilão que teve um grande sucesso. Esse foi um valor bastante elevado”, afirmou Nunes, em entrevista à imprensa, na B3, a Bolsa de Valores da Cidade. “Mas talvez pudesse ter sido um resultado até melhor”, acrescentou.

Os títulos foram adquiridos por construtoras e investidores interessados em desenvolver empreendimentos na região da Faria Lima. Entre as corretoras, a maior compradora foi a Ágora, com 3,6 mil títulos adquiridos.

Fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast afirmam a incorporadora Even e a sua investida RFM, além da gestora de recursos Jacarandá Capital, estão entre compradores de Cepacs da Operação Faria Lima. A Even e a RFM são voltadas ao mercado residencial de alto padrão, que se encaixa bem nos entornos da Faria Lima.

A Even também tem apostado em empreendimentos multiúso de grande porte, como foi o caso dos complexos com o Fasano Itaim e o Faena — este último está em obras. Por sua vez, a gestora Jacarandá tem uma área equivalente a dois quarteirões na região do Largo da Batata, onde planeja criar um novo complexo imobiliário.

Outro grupo que arrematou títulos, segundo fontes do mercado, foi a holding de negócios de luxo JHSF. Os títulos devem servir para ampliar a área bruta locável do empreendimento Shops Faria Lima, situado na esquina da Av. Brigadeiro Faria Lima com a Rua Leopoldo Couto de Magalhães. No local haverá restaurantes, cinema, academia e lojas de grifes nacionais e internacionais. O complexo está em obras e tem a inauguração prevista para aproximadamente dois anos.
Insegurança jurídica

Nunes criticou o Ministério Público por ter apresentado um pedido de liminar, na última semana, contestando uma legislação municipal aprovada na metade do ano passado conferindo um bônus aos detentores de Cepacs. “Temos de ter segurança jurídica. A lei foi aprovada em 2024. Naquele momento já houve vários ataques do MP, tiveram decisões colegiadas pelo Tribunal de Justiça que mantiveram a lei do jeito que ela está“, afirmou.

Segundo o prefeito, “não é razoável” questionar a lei tanto tempo depois de aprovada, nas vésperas do leilão. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) derrubou, no fim da tarde de segunda-feira, 18, a liminar emitida na sexta-feira, 15, que suspendia as regras que concedem bônus para os proprietários de Cepacs da Operação Urbana Faria Lima.

A Corte voltou atrás na sua decisão após receber pedidos de reconsideração tanto da Câmara Municipal quanto da Prefeitura. A revisão da Lei da Operação Urbana Faria Lima, aprovada pela Câmara em julho de 2024, estabeleceu que os Cepacs utilizados em imóveis próximos a eixos de transporte poderiam construir 30% a mais do que o potencial construtivo da região, sem a necessidade de pagar impostos por isso.

Mas esse bônus de 30% virou alvo da liminar do TJ-SP, sendo suspensa provisoriamente. A Corte atendeu argumentação do Ministério Público de São Paulo (MP), segundo o qual há inconstitucionalidade na gratuidade. Isso poderia causar um prejuízo de pelo menos R$ 174 milhões aos cofres públicos, segundo o MP.

A Câmara afirmou que o processo de aprovação do ajuste na legislação foi regular, com participação popular e planejamento técnico, sendo mais tarde sancionada pela Prefeitura. Por sua vez, a Prefeitura argumentou que o bônus serve para tornar o Cepac mais atrativo para investidores, que vinham optando por fazer aportes em outros instrumentos urbanísticos, como as Zonas de Estruturação Urbana (ZEUs), cujas outorgas têm um custo muito menor.

“Essa discrepância vinha desviando investimentos para áreas fora dos perímetros das operações, comprometendo a arrecadação”, descreveu. Tanto a Prefeitura quanto a Câmara alegaram também que a liminar afetava a credibilidade das políticas públicas municipais e causava insegurança aos investidores, podendo comprometer o próximo leilão.

Como consequência, isso afetaria as comunidades mais carentes, tendo em vista que todos os recursos dos Cepacs da Operação Faria Lima serão usados para projetos de infraestrutura de habitação de favelas como Paraisópolis, Jardim Colombo, Real Parque, entre outras.

FERROVIÁRIO

Diário do Comércio - MG   20/08/2025

A Ferrogrão, ligação por trilhos entre as cidades de Sinop, no Mato Grosso, e Itaituba, no Pará, com 933 quilômetros de extensão, representará, para o agronegócio brasileiro, redução de até 50% no custo de fretes. Ou uma economia anual estimada em R$ 7,9 bilhões. Deveria ser o bastante para impulsionar o empreendimento, o que não aconteceu até agora, completados dois anos desde o seu lançamento, e por conta de uma sucessão de impedimentos. Resumindo, por enquanto a obra que deveria ser um dos pontos altos da nova versão do Programa de Aceleração do Crescimento permanece na conta dos fiascos.

Talvez por constrangimento, talvez por não ter mesmo o que dizer, o silêncio hoje em Brasília é um tanto diferente do espocar de foguetes acontecido quando o projeto da Ferrogrão, ligação direta e mais curta para os grãos brasileiros alcançarem o mercado externo em melhores condições de competitividade, ninguém se apresenta para esclarecer cabalmente o que está acontecendo. Por outros caminhos que não a informação oficial, cabal e direta, o interessado ficará sabendo que problemas começaram a surgir quando o traçado foi definido e passando por terras indígenas em reserva federal, daí surgindo demandas judiciais, além de questionamentos do Ministério do Meio Ambiente.

São 2 anos perdidos e, consideradas as contas apresentadas, perdas que já somam, diretamente, valor já bem perto dos R$ 16 bilhões. Nada enfim que faça sentido, nada que possa ser bem explicado especialmente aos que enxergam e apontam o espetacular sucesso do agronegócio brasileiro nos últimos anos, mas sabem também que os resultados poderiam ser ainda melhores se a infraestrutura, de transporte especialmente, fosse mais moderna e mais eficiente. Exatamente a motivação dos discursos que puderam ser ouvidos entre o foguetório que marcou o anúncio da construção da Ferrogrão.

Nada de novo afinal, nada que não seja bem sabido, mas de qualquer forma um registro necessário, seja de denúncia aos que foram omissos, seja de alerta àqueles que têm o poder de impedir que os prejuízos apontados continuem crescendo. Sim, o Brasil reúne condições absolutamente favoráveis para assumir e honrar a responsabilidade de alimentar o planeta. E com toda certeza poderá fazê-lo com mais sucesso e melhores resultados para todos se e quando, afinal, ganhos de eficiência puderem ser registrados também fora das cercas das fazendas. A Ferrogrão muito ajudaria nessa virada.

NAVAL

Agência Brasil - DF   20/08/2025

A Petrobras assinou, nesta terça-feira (19), o contrato para início da construção de quatro navios, que fazem parte da estratégia de renovação da frota da companhia.

O comunicado foi feito durante a abertura da Navalshore 2025, maior feira da indústria marítima da América Latina, que é realizada no Rio de Janeiro até quinta-feira (21).

Segundo o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, as obras podem ser iniciadas pela Ecovix, dona do Estaleiro Rio Grande, no Rio Grande do Sul. O acabamento e comissionamento das unidades será feito pelo Estaleiro Mac Laren, de Niterói, região metropolitana do Rio.

“Isso tudo é a riqueza do Brasil, e o desenvolvimento dela só é possível por meio de políticas públicas de Estado. Esse tipo de evento tem papel fundamental para que a sociedade entenda a importância dessas políticas”, disse o secretário nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos, Dino Antunes Dias Batista.

O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha, destacou a demanda crescente por embarcações de apoio marítimo e reciclagem de navios e estruturas offshore no país.

IstoÉ Dinheiro - SP   20/08/2025

A Transpetro vai abrir os envelopes da licitação dos oito gaseiros para sua frota no próximo dia 22 de setembro, informou o presidente da empresa, Sergio Bacci, durante a Navalshore nesta terça-feira, 19, feira do setor naval que está sendo realizada no Rio de Janeiro. O executivo informou que está negociando com a Petrobras a inclusão de mais nove embarcações para serem colocadas no Plano Estratégico 2026-2030 da holding.

“Estamos negociando com a Petrobras o tipo de embarcação, se vai ser Pemax, MR2, está em fase de elaboração; e espero poder, no ano que vem, ter mais uma licitação e perfazer os 25 navios a que a gente se propôs”, disse Bacci após a abertura da Navalshore.

Segundo ele, por pedido da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, na abertura dos envelopes dos gaseiros será anunciada a licitação para os quatro navios MR1 (porte médio). O executivo afirmou que a expectativa é de que essa disputa atraia um bom número de estaleiros.

“A impressão que a gente tem é que tem mais estaleiros interessados, pela quantidade de consultas que fazem no sistema da Petronect (sistema de compras da Petrobras)”, disse Bacci. “Temos consultas de estaleiros chineses no processo. Vamos ficar com a melhor proposta”, explicou, ressaltando que os estaleiros brasileiros têm toda chance de competir com os estrangeiros.

Bacci espera não repetir o que ocorreu na licitação para compra de quatro barcaças, que só teve uma empresa interessada a um preço elevado e, por isso, foi rejeitada. “A gente ainda não soltou a licitação, mas esperamos que tenha mais estaleiros interessados. Vamos apresentar em setembro (a licitação) e, para aumentar a atratividade, subimos de quatro para 20 barcaças”, informou.

Petro Notícias - SP   20/08/2025

Começou hoje (19) no Rio e vai até a próxima quinta-feira, a Navalshore 2025, que abriu as suas portas este ano na ExpoRio Cidade Nova (antigo Expo Mag), com a presença do ministro de Portos e Aeroportos (MPor), Silvio Costa Filho, na cerimônia oficial de abertura que também teve as presenças de líderes da indústria e de entidades do setor, como o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, o presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha, e o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, além de representantes da Abeam, Syndarma, Abac, e da Marinha do Brasil. A expectativa é de receber mais de 15 mil visitantes ao longo dos três dias de realização. Reconhecido como a maior feira da indústria marítima da América Latina, a Navalshore apresenta crescimento expressivo na estrutura e na participação de empresas. A área expositiva foi ampliada de 6 mil para 10 mil metros quadrados, com a presença de 147 expositores, representando mais de 400 marcas nacionais e internacionais da cadeia naval e offshore.

A Conferência Oficial ocorre durante os três dias do evento e reúne especialistas, autoridades e representantes de empresas para debater os desafios e perspectivas da indústria naval e offshore. O painel de abertura abordará temas como o “Financiamento à construção naval” e “Novas construções: desafios para a indústria naval“. Outros assuntos incluem licenciamento ambiental em empreendimentos de infraestrutura, inovações na frota da Transpetro, o papel da Marinha na construção do Núcleo do Poder Naval e a evolução tecnológica na indústria marítima. Paralelamente, o Ciclo de Palestras contará com 38 apresentações técnicas de empresas participantes, que irão compartilhar soluções, cases e inovações diretamente com profissionais e executivos do setor. O programa também permite aos participantes aprofundar conhecimentos sobre tendências do mercado e tecnologias emergentes, oferecendo subsídios estratégicos para a tomada de decisão.

Outro destaque é o programa Rede de Oportunidades (RdO) Fornecedores, que promove encontros presenciais diários entre fornecedores e empresas âncoras, como Transpetro, Wilson Sons, Estaleiro São Miguel, Estaleiro Mac Laren e Marinha do Brasil. Criada pela Firjan/Senai/Sesi, a iniciativa já mapeou mais de 1,5 mil oportunidades e identificou mais de 6 mil potenciais fornecedores desde 2022. Como parte da programação, o Cluster Naval e Tecnológico realizará dois workshops, sempre às 9h30. No dia 20, o tema será bioincrustação marinha, reunindo especialistas da Marinha, Petrobrás, Transpetro e de entidades do setor. Já no dia 21, o encontro abordará as oportunidades no Rio de Janeiro, com foco em financiamentos indenizáveis e não indenizáveis.

Agência Camara - DF   20/08/2025

Em audiência pública na Câmara dos Deputados, representantes do setor portuário defenderam investimentos para melhorar a infraestrutura de acesso aos portos, como rodovias e ferrovias. Eles também pediram a ampliação dos programas de dragagem nos portos.

O debate foi realizado na Comissão de Viação e Transportes, a pedido dos deputados Leônidas Cristino (PDT-CE), Luiz Fernando Faria (PSD-MG) e Flávio Nogueira (PT-PI).

O presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop), Sérgio Aquino, destacou que o acesso é um dos principais problemas enfrentados pelos portos, responsáveis por 95% do comércio exterior do Brasil. “Temos portos no país que nem acesso ferroviário possuem. Isso é um absurdo”, afirmou.

O diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), Mário Povia, alertou para o problema. Segundo ele, os maiores problemas dos portos hoje estão nos acessos. “Não estão, stricto sensu, dentro dos portos”, disse.

Para o deputado Leônidas Cristino, o país precisa corrigir esse problema. Ele afirmou que a falta de vias de acesso adequadas compromete a movimentação de cargas. “Se a carga não chegar devidamente no momento aprazado, aquele porto vai ser ineficiente”, disse o parlamentar.

Dragagem
Além do acesso terrestre, os participantes da audiência cobraram a retomada das dragagens, serviço que remove sedimentos acumulados nos canais e áreas de atracação para garantir a navegabilidade e a segurança das operações. A lei que hoje regula o setor (Lei 12.815/13) transferiu a atividade para o governo federal.

O diretor executivo da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec), Caio Morel, lembrou que a última dragagem de aprofundamento no Porto de Santos ocorreu em 2011, quando o calado passou de 13 para 15 metros. “São mais de 15 anos sem uma nova intervenção de infraestrutura”, disse. O Porto de Santos é o maior do país.

O secretário nacional de Portos do Ministério de Portos e Aeroportos, Alex Ávila, reconheceu o problema e informou que o governo deve anunciar em breve a data do leilão para a concessão da dragagem e a exploração do canal de acesso ao Porto de Paranaguá (PR), o primeiro do tipo no Brasil.

“Eu sei como é custoso você programar um contrato para fazer uma operação, chegar no fim do dia e você não poder usar 100% do potencial do navio. Isso encarece o frete, encarece na ponta, encarece no destino, na origem”, disse Ávila.

Valor - SP   20/08/2025

Enquanto o Japão busca impulsionar o investimento em construção naval nos Estados Unidos, sob o acordo tarifário entre os dois países, os construtores navais locais não estão interessados em investir em um mercado com altos custos de mão de obra e uma rede de suprimentos fraca, ao contrário de seus colegas sul-coreanos.

"Não estamos considerando investir nos Estados Unidos neste momento", disse Yukito Higaki, presidente da Imabari Shipbuilding, uma das principais empresas japonesas, em uma apresentação de resultados em 23 de julho, dia em que o acordo tarifário foi anunciado.

Higaki disse que o Ministério de Terras, Infraestrutura, Transporte e Turismo incentivou a Imabari a trabalhar com os Estados Unidos. "A participação do Japão no volume de construção naval caiu para 13%", disse ele. "Eu disse a eles que não estamos em posição de ajudar os Estados Unidos."

"Construção naval comercial e de defesa, incluindo novos estaleiros e modernização das instalações existentes", foi mencionada como parte do compromisso de investimento de US$ 550 bilhões do Japão no informativo da Casa Branca sobre o acordo tarifário.

Um esboço do Secretariado do Gabinete do Japão pede "estreita cooperação para construir uma cadeia de suprimentos resiliente nos Estados Unidos, da qual tanto o Japão quanto os Estados Unidos possam se beneficiar", com a construção naval como parte desse esforço.

Mas os setores público e privado claramente não estão na mesma página.

Isso se deve, em parte, ao fato de a construção naval ser uma indústria de mão de obra intensiva, o que custa muito nos Estados Unidos. Isso naturalmente eleva os preços dos navios. Os construtores japoneses duvidam que consigam encontrar compradores para embarcações de baixo custo num momento de intensa competição por encomendas com rivais chineses e sul-coreanos.

As cadeias de suprimentos são outro problema. A construção de navios requer uma variedade de componentes, incluindo chapas de aço, motores e hélices. Embora o Japão tenha um polo industrial capaz de fornecer essas peças, os Estados Unidos não.

"A construção naval é uma indústria com uma base ampla", disse Higaki ao “Nikkei Asia” em abril. "Cerca de 100 mil a 200 mil componentes precisariam ser transportados para os Estados Unidos para montagem. Levar peças para um local onde não há cadeia de suprimentos já é difícil por si só. Estabelecer uma rede de suprimentos nos Estados Unidos levaria de cinco a dez anos."

Reparar navios de guerra americanos seria uma maneira mais realista de a indústria naval japonesa contribuir para os Estados Unidos.

A capacidade de construção naval nos Estados Unidos caiu para uma pequena fração da que a China ostenta hoje. Com o reparo se tornando um problema junto com a construção, Tóquio e Washington têm discutido permitir que navios de guerra e outras embarcações navais sejam reparados no Japão.

Mas mesmo nessa área, as empresas japonesas não estão aproveitando a oportunidade.

"Neste momento, não tivemos discussões concretas sobre a expansão do reparo de navios de guerra dos Estados Unidos e não temos recursos disponíveis" para isso, disse Hiroshi Nishio, diretor financeiro da Mitsubishi Heavy Industries. "Nossa empresa fará o possível para cooperar em conformidade com a política do governo."

A indústria de construção naval da Coreia do Sul está adotando uma abordagem diferente.

Como parte de seu próprio acordo tarifário com os Estados Unidos, a Coreia do Sul concordou em investir US$ 150 bilhões somente na cooperação na construção naval. O governo sul-coreano tem incentivado fortemente os construtores navais a se expandirem para os Estados Unidos.

A Coreia do Sul detém cerca de 30% do mercado global de construção naval em volume. Os principais participantes são afiliados a conglomerados como Hyundai, Samsung e Hanwha, o que, segundo uma fonte do setor, significa que eles são "de grande porte e podem tomar decisões rapidamente". Os construtores navais do país estão contratando trabalhadores estrangeiros e robôs para aliviar a escassez de mão de obra.

O governo sul-coreano tem um histórico de forte apoio à construção naval — uma importante geradora de empregos —, apoiando empresas em dificuldades e utilizando um fundo de compra de navios para garantir uma demanda constante por novas embarcações.

O governo planeja usar seus fundos para investimentos nos Estados Unidos, a fim de atender à demanda por embarcações comerciais e navais, bem como desenvolver embarcações autônomas com tecnologia americana.

No Japão, alguns estaleiros não têm trabalhadores suficientes para aproveitar plenamente suas docas. Anos de declínio gradual enfraqueceram a base financeira dos estaleiros. A recuperação do setor tem sido lenta em comparação com a da Coreia do Sul e não possui recursos para investir nos Estados Unidos.

"Queremos investir nosso dinheiro no aumento da capacidade no Japão e no nosso volume de produção atual", disse Higaki, da Imabari.

O governo japonês busca melhorar a competitividade da indústria da construção naval, considerando-a cada vez mais importante para a cooperação com os Estados Unidos, bem como para a segurança econômica. O governo está elaborando um pacote de políticas para revitalizar o setor, incluindo não apenas uma estrutura para o governo construir e adquirir estaleiros a serem administrados pelo setor privado, mas também um fundo de 1 trilhão de ienes (US$ 6,7 bilhões).

Agência Camara - DF   20/08/2025

A Comissão Especial sobre o Sistema Portuário Brasileiro fará uma audiência pública nesta quarta-feira (20) para discutir formas de reduzir a burocracia no setor. O debate será realizado às 14h30, no plenário 6.

A audiência pública foi pedida pelos deputados Paulo Alexandre Barbosa (PSDB-SP), Leo Prates (PDT-BA), Daniela Reinehr (PL-SC), Carlos Zarattini (PT-SP), Gabriel Nunes (PSD-BA), Beto Richa (PSDB-PR) e Adriana Ventura (Novo-SP).

Alexandre Barbosa explica que o operador portuário exerce um papel fundamental no sistema logístico e na economia brasileira, sendo responsável pela movimentação eficiente de cargas nos portos, com reflexos diretos na competitividade do comércio exterior.

"Os operadores portuários são agentes-chave na dinâmica portuária nacional, contribuindo para a integração do Brasil ao mercado global, e desempenhando papel crucial na eficiência e modernização de portos como o de Santos", afirma.

A deputada Daniela Reinehr defende a discussão do Projeto de Lei 733/25, que atualiza as regras do setor portuário. A proposta trata da exploração dos portos, da operação e do trabalho portuário.

"O setor portuário é responsável por mais de 95% do comércio exterior brasileiro em volume e por aproximadamente 85% em valor, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Em 2024, os portos brasileiros movimentaram cerca de 1,3 bilhão de toneladas de cargas", afirma.

Portos e Navios - SP   20/08/2025

A Petrobras assinou, nesta terça-feira (19/8), o contrato de eficácia para início da construção dos quatro navios classe Handy previstos no Programa de Renovação e Ampliação da Frota da companhia. O anúncio foi feito durante a abertura da Navalshore 2025, maior feira da indústria marítima da América Latina, que acontece no Rio de Janeiro, até 21 de agosto.

Segundo o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, com isso, as obras podem ser iniciadas pela Ecovix, dona do Estaleiro Rio Grande, localizado no Rio Grande do Sul: “Os recursos começarão a ser liberados hoje e podemos começar a contratar. Trabalhamos muito para isso”, comemorou. O acabamento e comissionamento das unidades será feito pelo Estaleiro Mac Laren, de Niterói (RJ).

Durante a solenidade, o secretário nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), Dino Antunes Dias Batista, enfatizou que o futuro do Brasil está no mar, o que inclui a indústria naval, a energia eólica e a economia azul. “Isso tudo é a riqueza do Brasil, e o desenvolvimento dela só é possível por meio de políticas públicas de Estado. Esse tipo de evento tem papel fundamental para que a sociedade entenda a importância dessas políticas.”

Para o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Ariovaldo Rocha, este ano está se concretizando a esperada renovação da indústria naval e offshore: “Além dos navios da Petrobras e Transpetro, há também uma demanda crescente por embarcações de apoio marítimo, bem como pelas atividades de desmantelamento e reciclagem de navios e estruturas offshore”. Esse conjunto de oportunidades reforça a importância da indústria naval como vetor de geração de empregos e tecnologia, e, com isso, Rocha acredita que o futuro será promissor.

A Navalshore 2025, que conta com a Transpetro como patrocinadora master, contou ainda com a presença de líderes da indústria e de entidades do setor, como o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, além da representante da Associação Brasileira das Empresas de Apoio Marítimo (Abeam) e do Syndarma, Lilian Schaefer; o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Luiz Césio Caetano; o diretor executivo da Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (Abac), Luis Fernando Resano; o diretor de Portos e Costas da Marinha do Brasil, vice-almirante Carlos André Coronha Macedo; e a diretora da Navalshore, Rosângela Vieira.

Oportunidades

O programa Rede de Oportunidades (RdO) Fornecedores, promovida pela Firjan/Senai/Sesi, foi outro destaque da Navalshore 2025. A iniciativa promove encontros presenciais diários entre fornecedores e empresas âncoras, como Transpetro, Wilson Sons, Estaleiro São Miguel, Estaleiro Mac Laren e Marinha do Brasil. Nesta edição, foram feitas 550 inscrições de empresas interessadas. O programa já mapeou mais de 1,5 mil oportunidades e identificou mais de 6 mil potenciais fornecedores desde 2022.

A Conferência Oficial do evento foi aberta nesta terça-feira com os painéis “Financiamento à construção naval” e “Novas construções: desafios para a indústria naval”. A programação ocorre durante os três dias do evento e reúne especialistas, autoridades e representantes de empresas para debater os desafios e perspectivas da indústria naval e offshore. Nos próximos dias, serão debatidos o licenciamento ambiental em empreendimentos de infraestrutura, inovações na frota da Transpetro, o papel da Marinha na construção do Núcleo do Poder Naval e a evolução tecnológica na indústria marítima.

Paralelamente, será realizado o Ciclo de Palestras, que conta com 38 apresentações técnicas de empresas participantes, compartilhando soluções, cases e inovações diretamente com profissionais e executivos do setor. A programação também permite aos participantes aprofundar conhecimentos sobre tendências do mercado e tecnologias emergentes, oferecendo subsídios estratégicos para a tomada de decisão.

Integrando o evento, o Cluster Naval e Tecnológico realizará dois workshops, às 9h30. No dia 20, o tema será bioincrustação marinha, reunindo especialistas da Marinha, Petrobras, Transpetro e de entidades do setor. Já no dia 21, o encontro abordará as oportunidades no Rio de Janeiro, com foco em financiamentos indenizáveis e não indenizáveis.

PETROLÍFERO

Valor - SP   20/08/2025

No setor de petróleo, gás e petroquímica, o caminho para o futuro exige redução de custos, novos negócios e transição energética

O setor de petróleo e gás vê a inovação como ferramenta estratégica para reduzir custos operacionais, elevar margens e construir o caminho pelo terreno incerto à frente, com tensão geopolítica e transição energética. Aposta, para o sucesso desses esforços, em investimentos crescentes, inovação aberta, parcerias com instituições de pesquisa, universidades, startups e outras empresas, além de programas internos para estimular a cultura inovadora entre os funcionários. É essa a receita seguida pelas empresas que se destacaram na pesquisa do anuário Valor Inovação Brasil 2025, feita em parceria com a Strategy& — consultoria estratégica da PwC. A Petrobras, primeira colocada setorial e uma das dez primeiras no ranking geral, vem aumentando os investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) nos últimos anos.

Seu plano de negócios em vigor — 2025 a 2029 — prevê US$ 4,2 bilhões para a área, ante US$ 3,6 bilhões no planejamento anterior, de 2024 a 2028. Renata Baruzzi, diretora de engenharia, tecnologia e inovação, conta que o foco está nas tecnologias de alto impacto. A ideia é otimizar os ativos atuais, desenvolver o setor de óleo e gás do futuro e criar novos negócios. A executiva reafirma um objetivo complexo: “A Petrobras tem o compromisso de conciliar a liderança na transição energética justa com a exploração e produção de óleo e gás”.

Energia eólica onshore e offshore, energia solar, biocombustíveis — entre eles biodiesel, etanol e biometano —, hidrogênio de baixa emissão de carbono e projetos de captura, armazenamento e uso de carbono (CCUS) estão entre os grandes temas contemplados para os esforços da estatal em PD&I. Conta, para isso, com a expertise de seu Centro de Pesquisas (Cenpes) e uma vasta rede de parceiros, que integra a estatal ao ecossistema de inovação nacional e internacional.

Outra empresa do setor petrolífero, a Vibra, atuante na distribuição de combustíveis, vê o esforço de PD&I como fundamental para acelerar a transformação digital, reduzir custos operacionais e aumentar margens. O pipeline se organiza em horizontes temporais, com inovações incrementais (no curto prazo), novos produtos e serviços (no médio prazo) e novidades com potencial de transformar o modelo de negócios (no longo prazo).

Os recursos da área estão sendo alocados em inteligência artificial (IA) e automação, parcerias com startups e universidades, capacitação interna e infraestrutura. Por meio do Vibra co.lab, um hub de inovação, foi criado um fundo de R$ 150 milhões para apostar em startups e scale-ups. No ano passado, 110 startups participavam do programa.

Um resultado concreto desse esforço conjunto é uma IA conversacional lançada em 2024, treinada para responder a dúvidas operacionais dos frentistas. Também no ano passado, a Vibra desenvolveu o diesel agritop, para maquinário agrícola, que se propõe a oferecer maior proteção de motores com ganho de 5% de eficiência e, assim, menor impacto ambiental.

“A Vibra busca equilíbrio entre inovações que geram ganhos imediatos de eficiência e aquelas que abrem novos caminhos de negócio, com horizonte de realização até 2030”, destaca Aspen Andersen, vice-presidente de gente, tecnologia e ESG da empresa. Internamente, a inovação é estimulada por meio de programas como o Co.laborar e a Academia da Liderança.

O primeiro incentiva ideias dos funcionários e o segundo inclui módulos sobre transformação digital. A Vibra, conta Andersen, também promove hackathons, parcerias com instituições como o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, e Ecole 42, da França, e vinculou 18% das metas de remuneração variável a critérios de inovação e ESG em 2024.

Olivier Wambersie, diretor de tecnologia e inovação da Shell Brasil, conta que a área se dedica a criar caminhos para reduzir emissões de carbono em todos os pontos da operação. Os projetos têm início com a identificação clara de determinado problema ou oportunidade. “E a cultura de inovação é reforçada pela internalização de projetos disruptivos e pelo estímulo ao intraempreendedorismo”, afirma o executivo.

A petroleira investe anualmente cerca de R$ 500 milhões em PD&I e o portfólio atual inclui cerca de cem projetos ativos com temas como engenharia offshore, engenharia de poço, robótica, IA, biocombustíveis e soluções baseadas na natureza.

“A Shell persegue inovações tanto incrementais quanto disruptivas, com horizonte de curto e médio prazos”, diz Wambersie. No próximo ano, a petroleira anglo-holandesa inaugura o quarto centro de pesquisa em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Raízen, para o desenvolvimento de soluções de descarbonização, principalmente etanol de segunda geração.

Diversas iniciativas da Shell, que trabalha com inovação aberta, vêm dando resultado. Um exemplo é uma tecnologia desenvolvida com o Senai Cimatec, Petrobras e Sonardyne para mapear o deslocamento de fluidos em reservatórios de petróleo. Comparada ao sistema convencional, a inovação fornece dados de melhor qualidade, reduz custos e impacto ambiental. Será testada em escala real em um campo do pré-sal ainda neste ano.

Já o projeto que avalia o potencial do agave como fonte de biomassa para etanol, biogás e outros produtos está no início e tem previsão de cinco anos. Trata-se de uma parceria da Shell com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Senai Cimatec. As pesquisas incluem melhoramento genético e instalações-piloto no sertão nordestino para a validação de maquinários, rotas de produção de etanol e coprodutos.

Na Copa Energia, distribuidora de gás, o objetivo da área de PD&I é atuar em redução de custos operacionais, aumento de margens com novos modelos de negócio, avanço na transição energética e fortalecimento da cultura interna de inovação. O valor destinado ao setor aumentou cerca de 50% de 2023 para 2024 e deve crescer mais de 30% no acumulado até 2027. Já o número de colaboradores envolvidos com inovação subiu 12% em relação a 2023.

Os esforços têm valido a pena. Em 2023, a Copa Energia patenteou e lançou comercialmente o Fast Gas Station, um sistema para melhorar o abastecimento de empilhadeiras com GLP. Oferece redução de até 30% no tempo de abastecimento e de 70% no peso manipulado pelo operador. Desde então, já foi implementado em diversos clientes.

Segundo Marcos Mesquita, vice-presidente de estratégia e mercado da Copa Energia, a empreitada, iniciada em 2021, surgiu da demanda de clientes empresariais, que buscavam mais ergonomia, eficiência e segurança nesse abastecimento. “Para a Copa, o projeto gerou um novo modelo de negócio escalável, com impacto direto na fidelização de clientes”, ressalta Mesquita.

A companhia, que abraça a inovação aberta, tem firmado parcerias com universidades, startups e outras empresas e se beneficia, desde 2023, de lei federal que estimula inovação por meio de benefícios fiscais. Há estudos, fruto dessa colaboração, em andamento.

Um deles é sobre rotas de produção de gás liquefeito renovável (GLR), no Hub de Energias Renováveis na USP. Os resultados levaram a Copa a ampliar os investimentos em GLR fechando outra parceria, com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Lá, realiza testes para a produção desse biocombustível a partir de diferentes matérias-primas.

Já a petroleira Repsol Sinopec Brasil dedica mais da metade do portfólio da área de inovação aos segmentos de novas energias e descarbonização, 20% ao descomissionamento sustentável de ativos de óleo e gás e o restante à otimização do segmento de exploração e produção. A empresa investiu, nos últimos três anos, R$ 84 milhões na média anual em PD&I, com variações alinhadas à produção ao preço do barril. “A inovação na Repsol Sinopec Brasil é tratada como ativo estratégico e alavanca para a competitividade de longo prazo”, diz Raquel Mattos Cavalcanti, gerente de portfólio e inovação. A empresa tem, atualmente, cerca de 25% do quadro de pessoal dedicado a inovação e a 30 projetos na área em andamento.

Em 2024, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), a Repsol iniciou testes da primeira planta de captura direta de gás carbônico do ar da América Latina, capaz de remover até 300 toneladas por ano. Em 2025, inaugurou, em parceria com o Senai CETIQT, USP e Hytron, uma unidade-piloto, a CO2 Chem. A instalação, movida a energia renovável, é capaz converter diariamente uma tonelada de gás carbônico capturado em 20 litros de combustível.

Também assinou, em abril de 2025, acordo com o Porto do Açu (RJ) para integrar essas tecnologias à cadeia de combustíveis marítimos. A proposta prevê uma fábrica-piloto para produzir cerca de 300 litros diários de combustível sustentável a partir da captura de até cinco mil toneladas anuais de gás carbônico. O combustível poderá ser testado e validado em embarcações de apoio.

Infomoney - SP   20/08/2025

Os preços do petróleo caíram nesta terça-feira, com os comerciantes apostando que as negociações sobre um possível acordo para legitimar ou acabar com a invasão da Rússia na Ucrânia poderiam aliviar as sanções sobre o petróleo russo, aumentando a oferta global.

Os futuros do petróleo Brent fecharam a US$ 65,79 por barril, com queda de 1,22%. Os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos para entrega em setembro, com vencimento na quarta-feira, fecharam a US$ 62,35 por barril, com queda de 1,69%.

“Mesmo com esse dividendo de paz, temos uma posição vendida recorde”, disse Phil Flynn, analista sênior do Price Futures Group. “Devido ao tamanho da posição vendida, as pessoas estão apostando em um cessar-fogo e, se não conseguirmos um, pode haver um salto.”
Após uma reunião na Casa Branca na segunda-feira com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy e aliados europeus, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em uma postagem na mídia social que havia conversado com o presidente russo, Vladimir Putin.

Trump disse que estavam sendo tomadas providências para uma reunião entre Putin e Zelenskiy, o que poderia levar a uma cúpula trilateral envolvendo os três líderes.

Suvro Sarkar, analista-chefe de energia do DBS Bank, disse que a postura mais branda de Trump em relação às sanções secundárias direcionadas aos importadores de petróleo russo reduziu o risco de interrupções no fornecimento global, aliviando um pouco as tensões geopolíticas.

Jota - DF   20/08/2025

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta segunda-feira (18/8) que será necessário discutir os termos do leilão de gás da União levando em conta as necessidades de parceiros da petroleira. A declaração foi feita durante o podcast Energy Talks, da Agência Eixos.
Informações direto ao ponto sobre o que realmente importa: assine gratuitamente a JOTA Principal, a nova newsletter do JOTA

Você acha sinceramente que uma empresa estatal vai negar acesso a uma empresa pública federal? Isso não vai acontecer, gente. Nós vamos ajudar em tudo que for possível. E esse gás chegará à costa e será leiloado. Isso vocês não podem ter dúvida. O que se discute é em que termos, para que esses termos sejam condizentes tanto com as necessidades da PPSA quanto com as necessidades da Petrobras e seus parceiros, porque nós não estamos sozinhos nessas instalações, e da sociedade brasileira, afirmou Chambriard.

O leilão do gás natural da União segue travado em meio a disputas no Congresso e resistências da indústria.

Em julho, o governo editou a medida provisória 1304/2025, conhecida como MP dos Vetos, que estabeleceu ao CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) determinar as condições de acesso aos sistemas integrados de escoamento, de processamento e de transporte para a comercialização do gás natural da União.

O assunto seria discutido em reunião do CNPE no último dia 5 de agosto, mas o encontro foi cancelado. Ainda não há data definida para a próxima reunião.

Um dos pontos de discórdia que levaram ao cancelamento da reunião do CNPE é a proposta do Ministério de Minas e Energia (MME) de reduzir em até 70% os valores da tarifa do SIE-SIP (Sistema Integrado de Escoamento e Sistema Integrado de Produção). Entre integrantes da Petrobras, há dúvida de que os valores seriam suficientes para garantir investimentos nas infraestruturas.

Além disso, outras empresas do setor que têm acesso aos sistemas temem que os valores mais baixos para o gás da União possa ser repassado de forma indireta. Por isso, empresas como Shell, Repsol e Galp, estudam acionar a Justiça para barrar a redução nas tarifas cobradas pelo uso de suas instalações por terceiros.

Questionada sobre a proposta de redução da tarifa de escoamento e processamento de gás natural, Chambriard afirmou que a saída para baixar preços é investir em tecnologia e infraestrutura para aumentar a eficiência da produção.

Longe de quem acredita que para a Petrobras interessa o preço alto. Não, para a Petrobras o que interessa é vender mais e ganhar na escala, afirmou a executiva. O gás natural será tão mais barato quanto mais gás natural a gente conseguir trazer para a costa.

As condições de acesso ao leilão do gás da União também são objeto de disputas no Congresso, onde uma série de emendas à MP dos Vetos busca redesenhar o modelo do certame.

Integrantes do Ministério de Minas e Energia já admitiram que o leilão do gás da União, previsto inicialmente para o final deste ano, pode atrasar e ficar para o primeiro semestre de 2026.

TOP