Clipping Diário

20 | Maio | 2026

SIDERURGIA

Veja - SP   20/05/2026

A 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 6ª Região condenou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) ao pagamento de 39 milhões de reais em multas judiciais pelo atraso no cumprimento da ordem de desinvestimento na Usiminas. A decisão, que corre sob sigilo, reconheceu que a empresa descumpriu o prazo fixado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que determinou a redução da participação acionária para menos de 5% até julho de 2024. A operação só foi concluída em agosto de 2025.

O valor foi calculado com base na multa diária de 100 mil reais prevista originalmente, aplicada durante os 391 dias de mora. O acórdão, assinado pela desembargadora federal Mônica Sifuentes, afastou a majoração da multa para 1 milhão de reais por dia, determinada em primeira instância.

Monitor Digital - RJ   20/05/2026

O Parlamento Europeu aprovou nesta terça-feira o novo quadro para proteger a indústria siderúrgica europeia contra o impacto da superprodução global, que reduzirá em 47% o volume de aço que pode entrar isento de tarifas na União Europeia e aumentará para 50% as taxas sobre as importações que excederem esse limite.

Com 606 votos a favor, 16 contra e 39 abstenções, o plenário do Parlamento Europeu aprovou o acordo previamente alcançado entre os negociadores do Parlamento e do Conselho para substituir as atuais salvaguardas comerciais, em vigor desde 2018 e que expirarão em 30 de junho de 2026.

A nova regulamentação fixa, assim, em 18,3 milhões de toneladas anuais o volume de importações de aço que poderá entrar no mercado comunitário isento de tarifas, enquanto as quantidades que excederem essa cota estarão sujeitas a uma tarifa de 50%, contra os atuais 25%.

Uma medida que, segundo os eurodeputados, permitirá fazer face aos efeitos do excesso de produção mundial que – alertam – já provocou a perda de cerca de 100 mil empregos no setor desde 2008.

O texto, que ainda deverá receber a aprovação formal do Conselho antes de entrar em vigor, introduz também novos requisitos para reforçar a rastreabilidade das importações, de modo que a origem do produto será determinada pelo país onde foi fundido e moldado pela primeira vez, com o objetivo de evitar que países terceiros contornem as restrições por meio de transformações mínimas.

Da mesma forma, a Comissão Europeia deverá levar em conta essa proveniência ao distribuir as cotas nacionais e revisar antecipadamente o alcance da regulamentação para analisar se convém ampliar o número de produtos abrangidos.

O acordo prevê, além disso, um tratamento específico para a Ucrânia na distribuição dessas cotas, uma vez que a UE considera que sua indústria siderúrgica foi especialmente afetada pela guerra com a Rússia.

Reciclabilidade infinita do metal reforça protagonismo industrial no Brasil

Dados da última pesquisa com informes do mercado brasileiro de aço no país, divulgada pelo Instituto Aço Brasil, mostram que o consumo aparente de produtos de aço no país atingiu 26,1 milhões de toneladas em 2024, retomando patamares relevantes após oscilações recentes. O avanço está alinhado ao desempenho da economia brasileira, que cresceu 3,4% no período, com destaque para a indústria e a construção civil.

Entre os principais setores consumidores de aço, a construção civil lidera com 37,3% do total, seguida pelo setor automotivo (24,8%) e pelos bens de capital (19,2%). O desempenho desses segmentos ajuda a explicar a relevância do aço como base para diferentes cadeias produtivas e sua presença em aplicações que vão de estruturas metálicas a bens duráveis.

Além da escala de consumo, a reciclagem do aço também representa ganhos diretos no uso de insumos industriais. Para cada tonelada reciclada, evita-se o consumo de cerca de 1.400 kg de minério de ferro, 740 kg de carvão e 120 kg de calcário, reduzindo a dependência de outras matérias-primas ao longo da cadeia produtiva.

Para o diretor de Operações da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração, Valdomiro Roman, a reciclabilidade do aço é um dos pilares que sustentam sua relevância histórica e atual.

“O aço reúne atributos técnicos que garantem longevidade ao material dentro da indústria. A possibilidade de reaproveitamento contínuo, sem perda de desempenho, contribui diretamente para a eficiência dos processos produtivos”, afirma.

Segundo ele, o comportamento do mercado brasileiro reforça esse papel estratégico.

“Os dados mais recentes mostram uma demanda consistente, puxada por setores estruturais da economia. Isso evidencia como o aço permanece essencial para atender diferentes segmentos com escala, qualidade e competitividade”, completa.

O Estado de S.Paulo - SP   20/05/2026

O ano passado funcionou como um exercício de amadurecimento para a indústria brasileira. Diante de uma demanda mais contida, custos voláteis e competição acirrada, 2025 reforçou a importância da eficiência, da boa gestão e da leitura qualificada do cenário econômico.

No caso da indústria processadora de aço, um dos fenômenos mais marcantes foi o avanço das importações em diversos segmentos, muitas vezes em condições que não refletem as mesmas exigências regulatórias, técnicas, ambientais e trabalhistas impostas à produção local.

O impacto sobre margens, volumes e utilização da capacidade instalada foi direto, o que escancara a urgência do debate sobre a defesa da indústria nacional. Esse cenário se agrava após quatro anos de contração da produção, enquanto as importações cresceram 94,9% em relação ao período pré-pandemia.

O comércio exterior é essencial à economia, mas exige isonomia concorrencial e previsibilidade. Enquanto EUA, União Europeia, Japão e Coreia do Sul adotaram políticas industriais para fortalecer as cadeias produtivas, um ambiente doméstico mais aberto no País amplia os desafios a setores intensivos em capital, deslocando o foco do volume para a sustentabilidade econômica.

É nesse contexto que 2026 se desenha para a indústria. A demanda deve permanecer moderada, com pressão competitiva elevada nos mercados interno e externo. A sustentabilidade dos negócios dependerá menos de expansão e mais de fazer escolhas precisas, priorizar investimentos com retorno, fortalecer a gestão e basear decisões em dados, inteligência de mercado e planejamento.

O ano é decisivo para o futuro. A reforma tributária, a agenda regulatória e a modernização produtiva aumentam a complexidade dos negócios: num setor de margens ajustadas e ciclos longos de investimento, a previsibilidade sustenta a capacidade de investir, sem espaço para decisões mal calibradas.

O debate sobre competitividade precisa superar as circunstâncias conjunturais e se concentrar nas condições estruturais que orientam as decisões de investimento. Para a indústria, não se trata de buscar proteção, mas de operar num ambiente de regras equilibradas que assegurem planejamento e estratégias de longo prazo em setores intensivos em capital e tecnologia.

Os aprendizados recentes mostram que prudência não é imobilismo, mas estratégia. O desafio vai além de administrar um ambiente complexo a curto prazo; trata-se de criar bases consistentes para o futuro, garantindo que a indústria mantenha capacidade de investir, inovar e contribuir de forma estruturada para o desenvolvimento econômico do País.

Valor - SP   20/05/2026

Transação permitirá que a ArcelorMittal devolva os recursos aos acionistas por meio de um programa contínuo de recompra de ações, informou a empresa

A ArcelorMittal informou ter arrecadado cerca de US$ 667 milhões com a venda parcial de sua participação na Vallourec, com planos de repassar os recursos aos acionistas por meio de um programa de recompra de ações.

A siderúrgica com sede em Luxemburgo afirmou nesta terça-feira (19) que vendeu cerca de 23,9 milhões de ações da Vallourec – o equivalente a 10% de seu capital social – após adquirir a participação em 2024. Na época do acordo inicial, a ArcelorMittal concordou em comprar 65,2 milhões de ações, representando uma participação de 28,4% na Vallourec.

Em 2024, a Vallourec era um negócio atraente no setor de tubos, com polos de produção nos EUA e no Brasil – que, segundo a ArcelorMittal, desempenharia um papel fundamental na transição energética, em um cenário de crescimento contínuo.

A ArcelorMittal informou que vendeu o capital social por meio de um processo acelerado de bookbuilding para investidores institucionais. A transação permitirá que a ArcelorMittal devolva os recursos aos acionistas por meio de um programa contínuo de recompra de ações.

"A transação reflete a abordagem disciplinada da ArcelorMittal em relação à alocação de capital e à gestão de portfólio", afirmou a empresa.

A ArcelorMittal continuará detendo cerca de 17,3% do capital social da Vallourec e uma cadeira no conselho de administração da Vallourec. A conclusão do negócio está prevista para ocorrer por volta de 21 de maio, informou a empresa.

Money Times - SP   20/05/2026

As ações da Usiminas (USIM5) subiram mais de 82% desde a última elevação da recomendação e do modelo do Itaú BBA para a companhia, em outubro do ano passado. Apesar da forte valorização, de 60 pontos percentuais acima do Ibovespa (IBOV) no período, o banco ainda vê espaço para novas altas.

Para os analistas do Itaú BBA, há um “tesouro” escondido que pode impulsionar o Fluxo de Caixa Livre (FCF) nos próximos meses: os benefícios fiscais retroativos de Juros sobre Capital Próprio (JCP).

Em janeiro, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) definiu que as empresas podem deduzir, para fins de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição sobre Lucro Líquido (CSLL), os valores de JCP referentes a exercícios anteriores — conhecido também como JCP retroativo.

Ou seja, a empresa pode pagar ou registrar JCP “atrasado” de anos passados e ainda assim usar esse valor como despesa dedutível para reduzir impostos. No caso de Usiminas, retroativos a 1996.

“Embora o timing permaneça incerto, estimamos entre R$ 1,7 bilhão e R$ 3,6 bilhões em benefícios fiscais, equivalente a 15% a 32% do valor de mercado atual”, afirmou a equipe liderada por Daniel Sasson em relatório divulgado nesta terça-feira (19). “Isso poderia melhorar substancialmente a geração de FCF, caso monetizado”, acrescentou.

A equipe avalia como a medida como uma opcionalidade não precificada pelo mercado, com um “upside relevante” e “potencialmente de alto valor”, ainda que não esteja incorporado no modelo do banco para a companhia.

O Itaú BBA tem recomendação de compra para USIM5. O banco elevou o preço-alvo das ações de R$ 9 para R$ 11 no final deste ano, o que representa um potencial de valorização de 21,8% sobre o preço de fechamento de ontem (18).

Nesta terça-feira (19), USIM5 lidera os ganhos do Ibovespa, em dia de forte aversão a risco doméstica. Por volta de 11h45 (horário de Brasília), as ações subiam 1,99%, a R$ 9,21. Acompanhe o Tempo Real.

Mais motivos para comprar USIM5

Além da questão do JCP retroativo, os analistas do Itaú BBA avaliam que o mercado doméstico de aço já mostra condições “mais firmes” com recentes aumentos de preços, apoiados por fretes mais altos e preços globais do aço mais fortes em meio ao conflito no Irã.

“Acreditamos que o impacto mais significativo das medidas antidumping ainda não foi refletido nos preços domésticos. À medida que as importações começarem a cair, esperamos maior aperto no mercado, abrindo caminho para um ambiente de preços mais construtivo a partir do terceiro trimestre deste ano”, diz o relatório.

O Itaú BBA também considera que o valuation de USIM5 permanece ‘atrativo’, especialmente considerando o efeito positivo dos repasse dos preços mais altos do aço para 2027 – “o que deve impulsionar significativa expansão de Ebitda e geração de FCF”, na visão dos analistas.
O que esperar de Usiminas?

Com a visão otimista para a companhia, o banco revisou as estimativas para a mineradora após os resultados do primeiro trimestre (1T26) – que os analistas classificaram como “melhores do que o esperado”. O Ebitda, por exemplo, ficou R$ 150 milhões acima das estimativas do banco, com a melhora nos custos.

De olho na melhoria nos custos no primeiro semestre deste ano e a perspectiva positiva para os preços de aço a partir do terceiro trimestre, o banco projeta um Ebitda de R$ 3 bilhões em 2026, 31% maior do que a estimativa anterior.

Para 2027, O bancoprevê Ebitda de R$ 3,6 bilhões, alta de 15% em relação à projeção anterior.

Os números também estão acima do consenso do mercado.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   20/05/2026

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, teve reunião nesta terça-feira, 19, com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, às margens do encontro de ministros do G7.

Segundo ele, ambos conversaram sobre a agenda estabelecida pelos presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, avançando no diálogo sobre comércio bilateral.

“Demos seguimento à agenda estabelecida pelos presidentes Lula e Trump, discutimos os impactos econômicos do conflito no Estreito de Ormuz e as medidas adotadas pelos dois países, além de avançarmos nas tratativas sobre o comércio bilateral”, afirmou em sua conta no X.

Ele também destacou o acordo firmado com os EUA contra o crime organizado, com foco em combate ao tráfico de drogas e armas entre os dois países.

Diário do Comércio - MG   20/05/2026

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,39% na segunda quadrissemana de maio, acelerando levemente ante a alta de 0,37% na primeira quadrissemana, segundo dados publicados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) nesta terça-feira, 19.

Na segunda leitura de maio, três dos sete componentes do IPC-Fipe ganharam força: Habitação (de 0,00% na primeira quadrissemana para 0,20% na segunda), Alimentação (de 0,76% para 0,82%) e Despesas Pessoais (de 0,22% para 0,28%).

Por outro lado, houve desaceleração de um período para o outro em Transportes (de 0,51% para 0,18%), Saúde (de 0,68% para 0,43%), Vestuário (de 0,13% para 0,04%) e Educação (de 0,00% para -0,01%).

Veja abaixo como ficaram os componentes do IPC-Fipe na segunda quadrissemana de maio:
Habitação: 0,20%
Alimentação: 0,82%
Transportes: 0,18%
Despesas Pessoais: 0,28%
Saúde: 0,43%
Vestuário: 0,04%
Educação: -0,01%
Índice Geral: 0,39%

Infomoney - SP   20/05/2026

A Organização das Nações Unidas reduziu nesta terça-feira sua previsão de crescimento econômico global, dizendo que a crise no Oriente Médio havia reacendido as pressões inflacionárias e aumentado a incerteza.

Um comunicado de imprensa da ONU, resumindo a atualização de meio de ano do relatório ‘Situação Econômica Mundial e Perspectivas’ do órgão global, disse que a previsão de crescimento do PIB global é de 2,5% em 2026, em comparação com uma estimativa de 3,0% em 2025, 0,2 ponto percentual abaixo da projeção de janeiro e bem abaixo das taxas de crescimento pré-pandemia.

A projeção para 2027 é de uma recuperação modesta, com um crescimento de 2,8%.
A expectativa é que mercados de trabalho sólidos, demanda resiliente dos consumidores e comércio e investimento impulsionados pela IA ofereçam suporte, mas o corte da previsão ressalta um enfraquecimento adicional de uma perspectiva global moderada.

O aumento nos preços da energia proporcionou ganhos inesperados para as empresas de energia, mas intensificou as pressões de custo para famílias e empresas, disse a ONU.

Nas economias desenvolvidas, a previsão é de que a inflação aumente de 2,6% em 2025 para 2,9% em 2026 e, nas economias em desenvolvimento, de 4,2% para 5,2%.

Os danos mais graves estão na Ásia Ocidental, onde o crescimento deverá cair de 3,6% para 1,4%, exacerbado pelos danos à infraestrutura, ao comércio e ao turismo.

Já os Estados Unidos devem permanecer comparativamente resilientes, com um crescimento projetado de 2,0% em 2026, praticamente estável em relação à expansão de 2025, devido à forte demanda doméstica e ao investimento em tecnologia.

A Europa, por sua vez, está mais exposta, com a dependência de energia importada pressionando as famílias e as empresas. A ONU projeta que o crescimento da UE diminua de 1,5% para 1,1% e, no Reino Unido, de 1,4% para 0,7%.

No caso da China, o mix diversificado de energia, as consideráveis reservas estratégicas e o apoio político estão proporcionando um amortecedor, com a projeção de crescimento passando de 5,0% para 4,6%. Já na Índia, a expectativa é que o crescimento seja de 6,4% contra 7,5%.

O Estado de S.Paulo - SP   20/05/2026

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entrou em 2026 acelerando o crédito em ritmo raro desde a década passada — e sem deteriorar a qualidade da carteira.

O primeiro trimestre fechou com desembolsos de R$ 36,2 bilhões, alta de 44% sobre o mesmo período de 2025, enquanto as aprovações avançaram 37%, para R$ 45,7 bilhões. A inadimplência permaneceu em apenas 0,046%, muito abaixo da média do sistema financeiro.

A expansão ajuda a explicar por que a carteira de crédito do banco alcançou R$ 678,2 bilhões, maior patamar desde 2016, e por que os ativos totais superaram a máxima histórica, se aproximando de R$ 1 trilhão. O lucro recorrente do trimestre, de R$ 3,1 bilhões, cresceu 17% na comparação anual.

Mais do que o volume, os números revelam a atual estratégia do banco: ampliar o alcance do crédito em diferentes frentes — da infraestrutura à inovação tecnológica, do agronegócio às pequenas empresas, passando por projetos voltados ao clima e à transição energética. “O mais importante é esse crescimento com qualidade”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, durante a apresentação dos resultados em São Paulo, no último dia 12.

Os desembolsos para a indústria cresceram 67% no trimestre, chegando a R$ 8 bilhões. Em infraestrutura, o avanço foi de 51%, para R$ 13,4 bilhões. A agropecuária recebeu R$ 9,1 bilhões, alta de 40%.

Nas micro, pequenas e médias empresas, as aprovações somaram R$ 29 bilhões — aumento de 120% sobre o primeiro trimestre do ano passado. Considerando também as garantias oferecidas por fundos garantidores, o apoio total ao segmento alcançou R$ 49,8 bilhões.

Mercadante atribuiu parte dessa evolução à entrada de novos clientes e à maior procura por linhas ligadas à inovação e à nova política industrial. “As consultas vão continuar crescendo”, disse. O banco busca reforçar o financiamento a projetos considerados estratégicos, como biotecnologia, minerais críticos, fertilizantes, biocombustíveis e infraestrutura verde. Entre os exemplos citados pela direção, está o apoio à vacina da dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan.

Ao mesmo tempo, o BNDES ampliou seu papel em respostas emergenciais. A instituição abriu linhas após as enchentes no Rio Grande do Sul, lançou programas para empresas afetadas pelo aumento de tarifas dos Estados Unidos e prepara R$ 10 bilhões em crédito para iniciativas de segurança pública.

A avaliação dentro do banco é que a combinação entre expansão da carteira, lucro elevado e baixa inadimplência reforça o BNDES como instrumento central de financiamento de longo prazo da economia brasileira. “O BNDES entrega, responde e faz com transparência”, afirmou Mercadante.

Diário do Comércio - MG   20/05/2026

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro recuou 0,6% em março ante fevereiro, segundo o Monitor do PIB, apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). Na comparação com março de 2025, o PIB cresceu 2,5% em março de 2026.

No primeiro trimestre de 2026, o PIB subiu 0,9% em relação ao quarto trimestre de 2025.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, houve elevação de 1,5% no primeiro trimestre de 2026.

A taxa acumulada em 12 meses até março foi de 1,9%.

“O crescimento de 0,9% do PIB foi disseminado entre as atividades. Além da contribuição positiva nas três grandes atividades econômicas (agropecuária, indústria e serviços), na análise mais desagregada, em doze atividades, a maioria apresentou crescimento, sendo os transportes a única exceção”, ressaltou Juliana Trece, coordenadora do Núcleo de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.

O Monitor do PIB antecipa a tendência do principal índice da economia a partir das mesmas fontes de dados e metodologia empregadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial das Contas Nacionais.

“Pela ótica da demanda, o desempenho também foi bastante positivo, com o consumo e os investimentos (formação bruta de capital fixo) apresentando bons resultados. Nesta ótica, apenas as exportações caíram. Após três trimestres consecutivos de crescimentos modestos, próximos à estabilidade, a economia voltou a crescer mais fortemente no primeiro trimestre de 2026, apesar do contexto externo conturbado com o avanço dos conflitos no Oriente Médio”, completou Trece.

Pela ótica da demanda, no primeiro trimestre de 2026 ante o mesmo período do ano anterior, o consumo das famílias subiu 1,4%, “sinalizando um maior ritmo de contribuição desse componente para o desempenho da economia”.

“Todos os componentes do consumo contribuíram positivamente para esse crescimento, sendo o consumo de serviços e o de produtos duráveis os principais destaques”, apontou o relatório do Monitor do PIB.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB) subiu 0,9% no primeiro trimestre ante o mesmo trimestre do ano anterior.

“O segmento da construção e de outros produtos da FBCF cresceram e explicam o resultado positivo do componente. Embora o segmento de máquinas e equipamentos tenha retraído no trimestre, o fato de haver diminuído suas quedas ao longo dos trimestres móveis também foi importante para que sua contribuição negativa na FBCF tenha reduzido em magnitude”, informou a FGV.

As exportações tiveram elevação de 6,5%. A FGV frisa que houve crescimento nas exportações de diferentes grupos de produtos, tendo como destaque a extrativa mineral, sobretudo o petróleo. Foram registradas retrações em bens intermediários e produtos da agropecuária.

Já as importações caíram 1,3% no primeiro trimestre de 2026 ante o primeiro trimestre de 2025, segundo resultado consecutivo negativo. As importações de bens de consumo subiram, com impacto de 3,0 pontos porcentuais para o total do componente, mas as de bens intermediários influenciaram em -4,4 pontos porcentuais.

“Além dessa retração, as importações de produtos agropecuários, extrativa mineral e bens de capital também caíram no trimestre”, acrescentou a FGV.

Em termos monetários, o PIB alcançou R$ 3,443 trilhões no primeiro trimestre de 2026, em valores correntes. A taxa de investimento da economia foi de 19,1% no primeiro trimestre.

Exame - SP   20/05/2026

Pela primeira vez, a indústria brasileira ganhou um espaço próprio e estratégico dentro da Brazil Week, em Nova York. No The Glasshouse, em Manhattan, mais de 400 executivos, investidores, autoridades e representantes de algumas das maiores companhias brasileiras e americanas participaram da primeira edição do Brasil–U.S. Industry Day para discutir como aprofundar uma relação econômica que já movimenta mais de US$ 80 bilhões por ano.

Promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a U.S. Chamber of Commerce, o encontro aconteceu em um momento no qual inteligência artificial, data centers, transição energética e minerais críticos passaram a redefinir prioridades globais de investimento, competitividade e segurança econômica.

O evento também marcou os 50 anos do Conselho Empresarial Brasil–Estados Unidos, criado para aproximar o setor privado dos dois países. Hoje, os EUA seguem como principal destino das exportações brasileiras de maior intensidade tecnológica e maior origem de investimentos estrangeiros diretos no Brasil. Na direção oposta, os investimentos brasileiros em território americano cresceram 80,7% na última década e já alcançam 23 estados.

A relevância da parceria aparece também nos efeitos sobre a economia brasileira. A cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para os Estados Unidos, são gerados cerca de 24,3 mil empregos, além de R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

"“O Brasil não será mais um único e exclusivo exportador de commodities. Nós vamos agregar valor com os parceiros, buscando complementariedade"Ricardo

Os desafios pós-tarifaço

Apesar do clima de otimismo predominante no encontro, os impactos recentes das medidas tarifárias americanas apareceram de forma recorrente nas conversas entre empresários e executivos.

Em 2025, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 6,7%, somando US$ 37,7 bilhões, em um movimento pressionado principalmente pela queda de preços e pelos efeitos das novas tarifas sobre setores industriais.

Presidente da CNI, Ricardo Alban destacou que a indústria brasileira precisou reagir rapidamente às mudanças no cenário comercial. Segundo levantamento da confederação, 53% das empresas afetadas buscaram negociações diretas com parceiros, fornecedores e clientes americanos para reduzir os impactos das tarifas, enquanto 47% recorreram à articulação institucional. “Esses episódios reforçam a necessidade de avançarmos na construção de uma relação bilateral mais previsível, equilibrada e com maior integração produtiva”, afirmou Alban.

O presidente da CNI também defendeu que a próxima etapa da relação bilateral dependa menos da lógica tradicional de exportação de commodities e mais da construção conjunta de cadeias industriais sofisticadas e de maior valor agregado. “Definitivamente, o Brasil não será mais um único e exclusivo exportador de commodities. Nós vamos agregar valor com os parceiros, buscando complementariedade”, disse.

"A cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil para os Estados Unidos, são gerados cerca de 24,3 mil empregos"

John Murphy, vice-presidente e diretor internacional da U.S. Chamber of Commerce, afirmou que a relação entre os dois países atravessa um momento de reorganização, mas ressaltou que o setor privado continuará exercendo papel central na manutenção da integração econômica. “Se os 50 anos do Conselho Empresarial Brasil–Estados Unidos nos ensinaram alguma coisa, é que tanto os bons quanto os maus momentos exigem a participação do setor privado.”

Minerais críticos, IA e infraestrutura

O primeiro painel do Brasil–U.S. Industry Day mostrou como minerais estratégicos, inteligência artificial e infraestrutura passaram a ocupar posição central na disputa econômica global.

Sami Arap, vice-presidente executivo da Vale, defendeu que a mineração deixou de ser apenas um tema industrial para se tornar uma questão de segurança nacional diante da explosão de demanda provocada por eletrificação, data centers, inteligência artificial e transição energética.

A companhia destacou ainda o potencial brasileiro em minério de ferro de alta qualidade, cobre e níquel — insumos considerados essenciais para infraestrutura energética, baterias, IA e tecnologia avançada. “Não estamos procurando apenas compradores. Estamos procurando parceiros de longo prazo”, disse Arap.

O painel também deixou claro que a expansão da inteligência artificial dependerá não apenas de software e chips, mas de uma enorme cadeia física envolvendo energia, aço, cobre, infraestrutura e capacidade industrial.

A digitalização apareceu como um eixo transversal do debate. “A tecnologia digital está transformando toda a cadeia de valor”, afirmou Athina Kanioura, CEO da PepsiCo Latin America Foods.

Segundo a executiva, sustentabilidade, produtividade e tecnologia passaram a caminhar juntas dentro da indústria global de alimentos. Nesse contexto, agricultura regenerativa, rastreabilidade e eficiência operacional deixaram de ser apenas metas ambientais para se tornarem fatores de competitividade industrial. “Não existe indústria alimentícia responsável sem cuidado com o meio ambiente”, disse.

Kanioura também defendeu regulações mais previsíveis e alinhadas à ciência para estimular investimentos de longo prazo e integração produtiva entre os países.

A área de saúde apareceu como outro eixo importante da cooperação bilateral. Jenelle Krishnamoorthy, vice-presidente sênior da Merck, afirmou que inovação farmacêutica e biotecnologia dependem cada vez mais de colaboração internacional entre governos, universidades e empresas privadas. “Não queremos atrasar a inovação. Precisamos de uma abordagem regulatória baseada em risco, que permita acesso rápido a medicamentos e vacinas.”

Capital privado, indústria verde e o desafio da previsibilidade

O segundo painel do encontro teve como foco financiamento, infraestrutura e neoindustrialização verde. A percepção compartilhada entre executivos, bancos multilaterais e investidores foi a de que existe capital global disponível para projetos ligados à transição energética, indústria e infraestrutura — mas ainda faltam mecanismos capazes de reduzir riscos e ampliar a previsibilidade para destravar investimentos de longo prazo.

Foi nesse contexto que Ilan Goldfajn, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), defendeu um novo modelo de financiamento para projetos estratégicos. “Não há recursos públicos suficientes para financiar o desenvolvimento. Precisamos usar recursos públicos para multiplicar capital privado”, afirmou.

Segundo Alexandre Bettamio, global co-head de Investment Banking do Bank of America, o Brasil reúne vantagens estratégicas relevantes — como mercado consumidor, matriz energética limpa e uma base industrial diversificada —, mas ainda enfrenta desafios ligados à credibilidade fiscal e à volatilidade econômica. “O investidor compra o futuro. E isso começa pela credibilidade”, afirmou.

Já José Gordon, diretor do BNDES, defendeu que o atual cenário global abre uma oportunidade histórica para o Brasil liderar a chamada neoindustrialização verde. Segundo ele, o banco aprovou mais de R$ 300 bilhões para o setor industrial desde 2023, com foco em inovação, biocombustíveis, motores híbridos e descarbonização. “A indústria voltou ao centro da agenda de desenvolvimento.”

Ao longo do painel, porém, ficou claro que a competitividade industrial hoje depende não apenas de acesso a capital, energia ou tecnologia, mas também da oferta de estabilidade regulatória e segurança jurídica para projetos de longo prazo.

Nesse contexto, Vital do Rêgo, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), defendeu a segurança jurídica como elemento central para ampliar investimentos no país. “Não há investimento sem segurança jurídica”, afirmou.

O ministro chamou atenção para o excesso de judicialização e para o volume de processos que hoje travam projetos estratégicos no Brasil. Segundo ele, milhares de obras e contratos acabam paralisados por disputas regulatórias e insegurança institucional, afetando diretamente a capacidade do país de atrair capital de longo prazo.

Vital do Rêgo afirmou ainda que o TCU vem ampliando mecanismos de mediação e consensualismo para reduzir o chamado “apagão decisório”, que paralisa gestores públicos e investimentos privados. O tribunal, segundo ele, já ajudou a destravar cerca de R$ 180 bilhões em projetos ligados à infraestrutura, logística e concessões.

Diplomacia econômica ganha protagonismo

Nas considerações finais, a embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, afirmou que o encontro ocorreu em um momento particularmente importante da relação bilateral, poucos dias após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos.

Segundo a diplomata, a reunião entre Lula e Donald Trump aconteceu em “ambiente amistoso” e abriu espaço para o avanço das negociações comerciais e industriais entre os dois países. “Os resultados da visita foram muito positivos e nos dão motivos para otimismo”, afirmou.

Viotti destacou ainda que as equipes técnicas dos governos devem intensificar as negociações nas próximas semanas para ampliar comércio, investimentos e cooperação industrial, além de evitar novas barreiras econômicas.

Um prêmio para quem fortalece a relação Brasil-EUA

Além dos debates econômicos, o encontro também marcou a primeira edição do Brasil–U.S. Industry Award, criado para reconhecer empresas, executivos e instituições que contribuíram para fortalecer a integração econômica entre os dois países.

Ao todo, 18 homenageados receberam reconhecimento em três categorias: Integração Econômica Brasil–Estados Unidos, Inovação e Transformação Industrial e Diplomacia Institucional.

Entre os premiados estavam Embraer, Bank of America, JBS, Amazon Web Services, Gerdau, Stefanini, Merck, WEG, BID e Embrapii, além de ex-embaixadores e representantes de instituições ligadas à diplomacia econômica bilateral.

“Não estamos fazendo nada mais, nada menos do que reconhecer o valor de cada empresa aqui homenageada. Vocês vão nos ajudar a construir novos encadeamentos produtivos e cadeias de valor”, afirmou Ricardo Alban. Confira, a seguir, a lista completa dos homenageados:

O Estado de S.Paulo - SP   20/05/2026

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira, 19, que é fato que o Brasil sustenta taxas de juros sistematicamente e historicamente mais altas do que os seus pares. Apesar disso, a inflação tem sistematicamente superado a meta no País.

“Quando a gente olha o resultado da política monetária, estou comparando desde 2020, percebemos que só não houve uma carta aberta — que é quando o Banco Central tem que comunicar ao Ministério da Fazenda que não conseguiu cumprir a meta — em 2020 e em 2023. Ou seja, nesses seis anos, em quatro anos, o Banco Central não cumpriu a meta”, pontuou, durante participação em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Segundo Galípolo, a convivência desses dois fatores levanta uma questão de ordem estrutural: “Por que no Brasil é necessário fazer um esforço maior de política monetária para se conseguir o mesmo efeito que se consegue em outros países?”

Ele emendou que, entre os temas relevantes para essa questão, está o debate sobre os núcleos de inflação. Galípolo mencionou que hoje o BC analisa os núcleos de inflação e observou que a média desses núcleos atualmente já roda no mesmo nível que a inflação cheia.

Busca por crédito

Ao comentar os choques de oferta recentes, Galípolo relembrou que, em 2020, em função da pandemia, houve uma queda muito grande na atividade econômica no mundo e que os BCs colocaram as taxas de juros em níveis também historicamente baixos.

“Lá fora chegaram em patamares negativos e aqui no Brasil chegou próximo de 2%”, disse. Nesse cenário, afirmou, faz sentido imaginar que quem perdeu renda em função da queda da atividade econômica busque sustentar o consumo com algum tipo de financiamento.

“Tem vários estudos internacionais mostrando que a relação das pessoas com o cartão de crédito subiu de dois, três para cinco cartões de crédito ao longo desse período, o que envolve um financiamento maior relativo a cartão de crédito. Esse fenômeno global é acentuado no Brasil, curiosamente, por um processo de bancarização que se relaciona inclusive com o Pix”, mencionou.
Choques de oferta

O presidente do Banco Central observou que o misery index, que considera o nível de desemprego e de inflação, está no menor valor da série histórica no Brasil, mas que os choques de oferta recentes levaram a uma queda de correlação com o bem-estar.

“Após quatro choques de oferta, o nível de preço subiu. Raramente você vai perguntar para alguém e ele vai saber qual é a inflação daquele mês ou qual é o núcleo de inflação daquele mês, mas a pessoa sabe quanto custa a carne, quanto custa o leite, quanto custa o ovo”, disse.

Galípolo afirmou que essa questão tem levantado uma questão em nível internacional, que vem sendo chamada de affordability. “É difícil para os bancos centrais porque a função do BC é justamente não deixar que essa elevação de preço vire uma espiral preço-remuneração que propague a inflação e faça uma inflação perder controle”, disse.

Galípolo repetiu que os últimos quatro grandes choques de oferta — a covid-19, a guerra da Ucrânia, as tarifas americanas e, agora, a guerra do Oriente Médio — aumentaram os níveis de preços e colocaram novos desafios para as autoridades monetárias do mundo.

Ele disse que os aumentos sequenciais dos níveis de preços levam a um desconforto da população. O BC, por outro lado, só pode reagir à inflação, que é a variação nos preços, e isso causa uma “dissonância”, porque as pessoas percebem o custo de vida mais alto.

“A cada choque de oferta desse, você mudou o nível de preço, e o Banco Central trabalha com um sistema de metas de inflação; ele está olhando variação. Então você pode ter tido uma mudança no nível de preço em um ano e, no ano seguinte, a variação cair de volta para dentro do centro da meta. Porém, as pessoas convivem com o nível de preço”, disse.

Hoje, segundo Galípolo, dois choques de oferta estão atuando nas economias: o aumento dos preços do petróleo, por causa da guerra no Irã, e a possibilidade de um El Niño mais forte. “Qual é o principal desafio para nós aqui, no Banco Central? É conseguir segregar o que é uma elevação de preços decorrente desses choques de oferta e o que são efeitos de segunda ordem”, disse.

Ele destacou que a economia brasileira está aquecida, com o menor desemprego da história e forte crescimento da renda, o que aumenta a complexidade na reação do BC à desancoragem das expectativas. Galípolo chamou atenção para o aumento das expectativas para 2028, que já estavam parcialmente desancoradas e têm avançado mais depois do choque de oferta.

Real e petróleo

O presidente do Banco Central afirmou que o câmbio vem se comportando bem, com o real sendo a moeda que mais tem se apreciado em comparação não só aos pares, mas aos países avançados.

Do ponto de vista doméstico, ele destacou que o real tem se apreciado pelo fato de o Brasil ser exportador líquido de petróleo e pelo diferencial de juro. Do ponto de vista regional, ressaltou que as moedas latino-americanas recentemente têm se apreciado em momentos de aversão a risco.

“É algo relativamente novo a gente ver a aversão a risco subir e as moedas de países latino-americanos se apreciarem; geralmente costumava ser o contrário”, ponderou.

Em relação ao comportamento do dólar, Galípolo observou que, embora a curva futura de juros norte-americana venha se comportando bem, diante do otimismo do mercado com os ganhos de produtividade relacionados à inteligência artificial, o dólar tem registrado desvalorização frente à maior parte das moedas.

Esse cenário, afirmou, tem beneficiado o Brasil. “Quando o conflito se intensifica, o Brasil é visto como um porto seguro por ser exportador líquido de petróleo. Quando arrefece o conflito, também se vê o Brasil como uma boa oportunidade em função da situação em que eles se encontram. Então, o real vem se beneficiando duplamente nesse processo”, afirmou.

Dívida pública

Galípolo disse que a discussão sobre os impactos da política monetária na dívida pública é principalmente brasileira, por causa da emissão de títulos indexados à Selic.

O banqueiro central citou as Letras Financeiras do Tesouro (LFT) como um fator que levou à indexação da dívida pública à Selic. Por serem indexados à taxa básica, esses papéis aumentam a renda dos seus detentores sempre que os juros sobem, ao contrário do que acontece no restante do mundo.

“Se o Tesouro decidiu ligar 50% da dívida pública à Selic e 20% ao IPCA, é porque essa taxa era a mais barata que ele encontrava para rolar a sua dívida”, disse o presidente do BC. “Essa discussão sobre relação entre taxa de juros e evolução da dívida pública é uma discussão bastante brasileira, é uma coisa muito particular do Brasil.”

O Estado de S.Paulo - SP   20/05/2026

O Brasil permanece como um dos principais destinos de investimento estrangeiro direto do mundo, mas o perfil desses recursos vem mudando gradualmente, à medida que o funcionamento da economia doméstica também se altera.

Dados do Banco Central (BC) sobre o Investimento Direto no País (IDP) apontam direcionamento maior desses recursos para o setor de serviços e queda da participação relativa da indústria e do setor primário — que inclui agropecuária e extração mineral — nos últimos anos.

Em 2025, o País recebeu US$ 77 bilhões em investimentos estrangeiros diretos, alta de 23% em relação ao ano anterior, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O volume colocou o Brasil como o terceiro principal destino global de investimento estrangeiro, atrás só de Estados Unidos e China.

Considerando apenas o investimento na participação no capital das empresas — que desconsidera aplicações em carteira e tende a refletir melhor os investimentos produtivos —, o IDP somou US$ 44,366 bilhões em 2025, conforme dados do BC. Desse total, US$ 25,398 bilhões, o equivalente a 57,2%, tiveram como destino o setor de serviços.

Na média dos últimos cinco anos, os serviços concentraram 60,7% do fluxo anual de IDP, participação cerca de 10 pontos porcentuais superior à registrada nos cinco anos anteriores, de 2016 a 2020 (50,18%). O movimento foi acompanhado pela redução da fatia da indústria (30,9% para 27,25%) e do setor primário (18,5% para 11,20%).

A mudança acompanha transformações no funcionamento da economia brasileira, cada vez mais apoiada no setor de serviços. Para o sócio e economista sênior da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto, o movimento é natural diante do peso crescente da prestação de serviços no Produto Interno Bruto (PIB). “À medida que o País melhora seu nível de renda média, o setor de serviços é o que mais se beneficia disso. E o investidor externo está de olho nesse movimento”, afirma.

Segundo ele, a transformação tecnológica também ajuda a explicar esse avanço, por conta da demanda crescente por serviços ligados à Tecnologia da Informação (TI). Os dados do BC mostram que a média anual de IDP destinada aos serviços de TI cresceu cerca de 70% em valores nominais na comparação do quinquênio de 2016 a 2020 (US$ 1,026 bilhão) com o de 2021 a 2025 (US$ 1,717 bilhão).

Entre as categorias de serviços que mais viram o fluxo estrangeiro aumentar, porém, o principal destaque são os serviços financeiros. Nesta atividade, segundo o BC, o IDP anual médio praticamente dobrou, saindo de US$ 930 milhões entre 2016 e 2020 para US$ 1,89 bilhão nos cinco anos seguintes.

“Houve uma expansão enorme desse setor”, destaca o coordenador de Relações Internacionais e Integração do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), André Pineli. “Hoje, o banco com o maior valor de mercado no Brasil é o Nubank, que nem existia há 10 anos e tem uma participação estrangeira grande no capital”, exemplifica.

O pesquisador do Ipea ainda avalia que, nos demais setores, as mudanças no fluxo de IDP têm sido mais sutis e ligadas a ciclos ou eventos conjunturais. Na indústria, Pineli diz que boa parte da perda relativa no IDP total acompanhou a dinâmica da produção automobilística.

Ele lembra que, na década passada, o governo federal lançou o “Inovar Auto” para incentivar a produção nacional, diante do avanço de importados. “Atraiu investimentos, mas o fluxo se esgotou com o fim do programa e depois com a pandemia”, destaca.

No setor primário, ele diz que a redução da participação relativa no IDP total está ligada ao ciclo de investimentos em petróleo, que ganhou tração na década passada após a descoberta do pré-sal. “Com o pré-sal já em maturação, esses investimentos caíram”, justifica.

Brasil bem posicionado

Especialistas avaliam que o Brasil continua bem posicionado para atrair capital estrangeiro, a despeito de mudanças no perfil dos investimentos. Fatores históricos, como o tamanho do mercado consumidor e infraestrutura, se somam a elementos como maior previsibilidade institucional e à percepção de que o Brasil oferece segurança em um cenário global cada vez mais fragmentado.

O sócio e economista sênior da Tendências Consultoria, Silvio Campos Neto, diz que o País convive com baixa taxa de poupança doméstica, o que amplia a necessidade de capital externo.

Para o coordenador do Ipea, André Pineli, embora o Brasil seja aberto ao investimento estrangeiro, mantém tarifas elevadas para diversos produtos importados. Na prática, isso incentiva multinacionais a instalarem produção local para acessar o mercado consumidor brasileiro.

Em nota enviada ao Estadão/Broadcast, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) reforçou que o momento é favorável ao Brasil para o fluxo de capital estrangeiro, citando condições de powershoring (produção de energia abundante e barata), neutralidade geopolítica e estabilidade democrática.

“Novos investimentos demonstram a confiança nos fundamentos econômicos e capacidade do País honrar contratos, com estabilidade regulatória e mercado que propicia escala suficiente para justificar a expansão produtiva”, argumentam.

Se o cenário já é positivo, o Brasil pode se tornar ainda mais atrativo ao combinar vantagens em agendas que tendem a ganhar peso na economia global, como energia limpa, data centers e minerais críticos. A leitura de analistas e do setor produtivo é que o País reúne atributos difíceis de replicar, como escala de mercado, abundância energética e base relevante de recursos minerais. O desafio maior, portanto, é estabelecer marcos regulatórios e viabilizar a agregação de valor a essas novas cadeias.

Também em nota, o Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) destacou que as políticas adotadas pelo governo federal buscam adensar tanto as cadeias de bens como as de serviços, sendo a transformação digital uma das missões prioritárias. “Sobre minerais críticos e terras raras, em alguns casos o Brasil se posiciona entre as maiores reservas do planeta, sendo natural o aumento do interesse do investidor externo nesse setor. Ao Brasil interessa não apenas a exploração do minério, mas o desenvolvimento de cadeias produtivas associadas, com agregação de valor”, preveem.

Na última semana, a Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, conhecido como PL das Terras Raras, que estabelece os primeiros marcos regulatórios da atividade e definições de políticas de crédito e incentivo ao setor.

O governo também tenta, desde o ano passado, aprovar o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), que incentiva a instalação de data centers em território nacional.

CNN Brasil - SP   20/05/2026

O crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil deve desacelerar a 2,0% em 2026, de 2,3% em 2025, segundo projeções da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgadas em relatório semestral sobre perspectivas para economia global. Para 2027, a projeção é de uma expansão de 2,3%.

As estimativas não foram revisadas em relação ao relatório anterior, divulgado em janeiro.

A ONU afirma que o crescimento brasileiro deve perder força ao longo deste ano por causa de "condições monetárias ainda restritivas" - uma referência à taxa Selic em nível muito superior ao da inflação. No entanto, ressalta que há elementos de apoio á demanda doméstica.

"Medidas expansionistas, incluindo aumentos do salário mínimo e elevação dos limites de isenção do imposto de renda para famílias de menor renda, darão algum apoio à demanda interna", afirma a ONU.

O relatório também observa que vários países registram um mercado de trabalho resiliente em 2026, entre eles o Brasil, e que o país avança com políticas industriais.

"Alguns países estão avançando com estratégias ambiciosas - por exemplo, o Brasil com a Nova Indústria Brasil, com apoio de financiamento ao desenvolvimento e suporte setorial direcionado", explica o documento.

*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

MINERAÇÃO

Valor - SP   20/05/2026

Contrato futuro com vencimento em setembro, o mais negociado, fechou cotado a US$ 117,4

O preço do minério de ferro voltou a recuar nesta terça-feira (19) na China, com analistas chamando atenção para uma diminuição do apetite por risco.

O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na Bolsa de Dalian, fechou em baixa de 0,87%, cotado 798,50 yuans (US$ 117,4).

“O apetite por risco do mercado diminuiu, exercendo pressão negativa sobre o desempenho mais amplo das commodities”, afirmaram analistas da Nanhua Futures em um relatório.

O sentimento de mercado no curto prazo esfriou significativamente depois que o Produto Interno Bruto da China no primeiro trimestre superou as expectativas, deixando o banco central com espaço limitado para implementar medidas amplas de estímulo, como cortes de juros, no curto prazo, acrescentaram os analistas.

Money Times - SP   20/05/2026

A Vale (VALE3) segue como a principal preferência do Bradesco BBI no setor de mineração e siderurgia, mesmo após a queda recente do minério de ferro em meio à piora dos dados econômicos da China.

O minério de ferro recuou US$ 4 na semana, para US$ 108 por tonelada, pressionado principalmente pela frustração com os indicadores chineses de abril. Após um começo de ano mais forte, o investimento em ativos fixos entrou em contração na comparação anual, enquanto as vendas no varejo tiveram o pior desempenho desde dezembro de 2022. Já a produção industrial desacelerou para o menor ritmo de crescimento anual desde agosto de 2023.

Apesar desse cenário de curto prazo mais desafiador, o Bradesco BBI avalia que os fundamentos do setor continuam oferecendo sustentação relevante para os preços do minério de ferro. A casa destaca que a utilização dos altos-fornos na China permaneceu próxima de 90%, enquanto a parcela de usinas lucrativas avançou para 64%.

Além disso, os estoques de aço e minério de ferro ao longo da cadeia seguiram em queda. Nos portos chineses, os estoques da commodity recuaram pela sexta semana consecutiva, para 160,3 milhões de toneladas.
Vale é favorecida por minério de ferro de maior qualidade

Na visão do Bradesco BBI, o atual ambiente continua favorecendo produtoras expostas ao minério de maior qualidade, caso da Vale. O banco afirma que a combinação entre elevada utilização das usinas, estoques enxutos e melhora na rentabilidade das siderúrgicas sustenta a demanda pelo produto premium.

O Bradesco BBI também ressalta que o avanço recente nos preços de carvão, frete e margens das siderúrgicas tende a ampliar os prêmios por qualidade nas próximas semanas, beneficiando empresas com portfólio mais concentrado em minério de maior teor.

Enquanto isso, o cenário para as siderúrgicas domésticas segue mais desafiador, segundo o Bradesco BBI. Embora os preços do aço no Brasil tenham permanecido estáveis na semana, as companhias continuam tentando repassar a alta dos custos energéticos e lidam com menor disponibilidade de aço importado.

Para o banco, boa parte da melhora operacional recente das siderúrgicas brasileiras já está refletida nos preços das ações.

Valor - SP   20/05/2026

Representantes dos setores público e privado discutiram desafios do país na área

O Brasil tem uma grande oportunidade no setor de minerais críticos, mas depende para avançar de um tripé que envolve políticas públicas, ambiente de negócios e instrumentos de financiamento. Essa foi uma das conclusões do evento “Energia e soberania: a posição do Brasil”, parte do projeto Transição Energética, iniciativa do Valor e do jornal O Globo, com patrocínio da Vale.

Executivos e especialistas presentes no evento também apontaram soluções para o Brasil se tornar protagonista global na atração de investimentos em energias renováveis, com destaque para o aprimoramento do ambiente regulatório e a segurança jurídica.

O primeiro painel do evento, realizado nesta terça-feira (19) no auditório da Editora Globo,  no Rio, teve como tema “Minerais críticos, tecnologia e novas dependências globais”. Os participantes destacaram que os recursos minerais serão cada vez mais demandados para a transição energética e que o Brasil está em posição geopolítica internacional estratégica.

Em um contexto em que os Estados Unidos e a Europa têm buscado reduzir a dependência da China, o país pode sair na frente, afirmou Aline Nunes, gerente de assuntos minerários do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). "Os países precisam do fornecimento desses materiais e boa parte desses países não detém essas reservas em quantidade suficiente. O Brasil tem oportunidade de ser protagonista”, afirmou.

A executiva ressaltou que o Brasil tem uma série de vantagens competitivas, como diversidade mineral, cadeias produtivas desenvolvidas, infraestrutura e histórico de conhecimento da mineração, além de um arcabouço regulatório em desenvolvimento.

Também integrante do painel, Rafaela Guedes, CEO da RG Impact e consultora do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), avaliou que uma regulamentação adequada é que vai garantir previsibilidade para atrair o capital estrangeiro necessário aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento no setor: "O grande desafio é como transformar essas oportunidades em reserva. Como transformo os minerais que estão debaixo da terra em uma cadeia da política industrial?”, afirmou.

O governo federal, por sua parte, está atuando para avaliar o risco dos projetos e acelerar investimentos via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), afirmou o diretor de desenvolvimento produtivo, inovação e comércio Exterior do BNDES, José Luis Gordon. Na visão do executivo, os minerais críticos estão entre as agendas estratégicas da Nova Indústria Brasil (NIB).

Ele ressaltou que os minerais críticos são fundamentais não só para a descarbonização, mas também para digitalização da economia: "Não queremos ser apenas exportadores de minerais. Queremos que a transformação, o beneficiamento e a geração de empregos sejam feitos aqui. Pode ser com União Europeia, EUA ou Japão. Quem tiver interesse de agregar valor, o Brasil vai aceitar o investimento e trabalhar junto".

O diretor informou que o banco estruturou uma estratégia em etapas para o setor. A primeira fase envolveu a criação de um Fundo de Investimento em Participações (FIP)  com a Vale, voltado para companhias em estágio inicial. Depois, o BNDES lançou junto com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) uma chamada pública que selecionou 56 projetos com potencial de investimento de R$  50 bilhões.

Executivos também apontaram soluções para o Brasil se tornar protagonista em investimentos em energias renováveis

Agora, a instituição estuda ampliar o uso de participações acionárias, via BNDESPar, para destravar investimentos. Gordon ressaltou que um dos gargalos enfrentados por empresas em estágio inicial é a oferta de garantias. Nesse contexto, citou a criação de um fundo garantidor previsto no projeto de lei sobre minerais críticos em discussão no Congresso.

O segundo painel, intitulado “Autonomia energética e estratégia industrial para o século XXI”, discutiu a estratégia industrial e o papel do país na reorganização das cadeias globais de valor. Apesar de o Brasil ter uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, o país vem sofrendo com cortes de energia, que afetam os investimentos em energia renovável e criam  uma distorção entre oferta e demanda.

Sérgio Romani, CEO da Genial Energy, destacou a importância de se investir na digitalização das redes elétricas, assim como ocorre nos países da Europa, com a abertura do mercado livre para todos os consumidores, que podem escolher o fornecedor de eletricidade. "A transição energética no setor elétrico é feita com a descarbonização, a descentralização e a digitalização. Não adianta trazer tecnologia e inteligência artificial para melhorar o consumo e não ter acesso ao dado do cliente."

Leonardo Euler, vice-presidente de assuntos governamentais da Vestas para a América Latina e ex-presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), lembrou que é preciso mais do que uma matriz elétrica verde para o Brasil protagonizar a nova onda de investimentos globais. Para ele, há potencial de geração de valor com a digitalização do setor de energia.

"A eletricidade 4.0 está muito relacionada a uma energia mais conectada, mais inteligente e muito mais bem controlada. Dados, elétrons verdes e conectividade digital são a nova economia." Euler destacou ainda que é preciso avançar no arcabouço regulatório envolvendo a criação de diferentes faixas de preços para a energia com base no horário de consumo.

Nivalde José de Castro, coordenador-geral do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da UFRJ, afirmou que os problemas atuais de “curtailment” (gargalos na transmissão) refletem a dinâmica do crescimento das fontes renováveis, gerando distorções no setor. Além de citar iniciativas como a construção de fábricas de baterias químicas, ele defende a construção de usinas hidrelétricas reversíveis como uma das soluções.

AUTOMOTIVO

Exame - SP   20/05/2026

A China levou menos de uma década para fazer um movimento que outros países não conseguiram em meio século: sair de uma posição secundária na indústria automotiva e assumir a liderança global justamente no segmento que deve definir o futuro do setor.

Em 2025, o país respondeu por cerca de 60% das vendas globais de veículos elétricos, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), e superou o Japão como maior exportador de automóveis do mundo. O resultado reflete uma estratégia industrial iniciada ainda nos anos 2000 e ampliada ao longo das duas décadas seguintes.

Ao invés de competir diretamente no motor a combustão, segmento em que Estados Unidos, Alemanha e Japão já tinham vantagem consolidada, a China priorizou o desenvolvimento de veículos elétricos em estágio inicial de mercado. Essa decisão reduziu a defasagem tecnológica em relação aos líderes tradicionais e permitiu a entrada das fabricantes locais em um segmento ainda em formação, apoiadas por políticas públicas e um ambiente doméstico protegido.

Uma estratégia industrial de longo prazo

A eletrificação passou a integrar o planejamento do governo chinês ainda nos anos 2000 e ganhou escala a partir de 2009, com a adoção de subsídios diretos e incentivos fiscais. A segurança energética teve papel relevante nesse movimento, já que o país é o maior importador global de petróleo. Além disso, fatores como poluição urbana, desenvolvimento industrial e posicionamento tecnológico também influenciaram a estratégia.

Entre 2009 e 2022, os incentivos diretos ao setor somaram pelo menos US$29 bilhões, segundo estimativas da MIT Technology Review. Quando se consideram subsídios locais, crédito subsidiado e políticas de compras públicas, o volume total de apoio é significativamente maior, de acordo com diferentes análises do setor.

O mercado doméstico funcionou como uma alavanca de escala. Como maior mercado automotivo do mundo, a China gerou demanda suficiente para acelerar a produção, reduzir custos e encurtar o ciclo de aprendizado industrial. Empresas como BYD e Geely cresceram nesse ambiente, combinando apoio estatal com forte competição interna. Ao longo do tempo, a política industrial foi sendo ajustada conforme o mercado amadurecia.

Baterias no centro da disputa global

Um dos pontos mais relevantes dessa trajetória está na cadeia de baterias. A China concentra mais de 70% da capacidade global de produção de baterias de íons de lítio, segundo a IEA, e abriga a maior fabricante do mundo, a CATL, com cerca de um terço do mercado global.

O país lidera etapas críticas de processamento e refino de minerais como lítio, cobalto e níquel, mesmo quando a extração ocorre em outros países. Essa posição mantém uma dependência relevante da indústria global de veículos elétricos em relação à cadeia chinesa.

A liderança nas baterias tem impacto direto no custo. Esses componentes representam entre 30% e 40% do valor de um veículo elétrico. Ao concentrar produção e processamento, a China reduziu preços em ritmo mais acelerado que concorrentes, o que já se reflete na competitividade internacional de suas montadoras. Em alguns mercados, veículos elétricos chineses chegam com preços próximos ou inferiores aos modelos a combustão.

Reação internacional e disputa industrial

O avanço da China no setor já provoca respostas em outras economias. Estados Unidos e União Europeia ampliaram subsídios e impuseram tarifas a veículos elétricos chineses, com o objetivo de proteger suas indústrias e reduzir dependências externas. Ainda assim, a diferença de escala e custo permanece relevante.

Montadoras ocidentais enfrentam o desafio de competir em um segmento no qual a China não apenas lidera em volume, mas opera com uma cadeia produtiva integrada. A disputa, nesse contexto, ultrapassa o setor automotivo e passa a envolver política industrial, segurança energética e reorganização das cadeias globais de produção.

Money Times - SP   20/05/2026

Uma das dez maiores montadoras do mundo aprendeu, na prática, como os automóveis podem ser melhor construídos em 2025. Esse foi o caso da Ford, que encontrou algumas respostas após analisar a estrutura dos carros elétricos atuais.

Ao desmontar modelos elétricos de diversas montadoras — inclusive chinesas, como a Xiaomi — a Ford se surpreendeu ao descobrir que está atrasada, sobretudo em termos de custo, eficiência e integração de software.

“Todas as montadoras tradicionais estão muito atrasadas, mas a Ford ainda tinha mais terreno a recuperar. Foi uma jornada muito humilhante em termos de qualidade e custo. Esses são aspectos básicos para uma empresa industrial”, disse o CEO da Ford, Jim Farley, ao podcast Office Hours: Business Edition.

A empresa afirma estar repensando suas estratégias, especialmente diante da pressão da Tesla e das novas montadoras do mercado. Uma das soluções, segundo a Ford, seria escolher a tecnologia adequada para seus veículos elétricos, deixando de seguir a lógica aplicada aos carros a combustão.

O próprio CEO da Ford admitiu utilizar o Xiaomi SU7 no dia a dia. O que estaria por trás dessa escolha?

O que falta a uma fábrica tradicional?

Após desmontar o Tesla Model 3 e compará-lo ao Mustang Mach-E, da Ford, os engenheiros descobriram algo interessante: o modelo da montadora americana pesava 32 kg a mais e tinha uma montagem muito mais complexa.

Eles também encontraram 1,6 km adicionais de fiação elétrica, o que ajudaria a explicar essa diferença entre os dois veículos. Por trás disso, está a aplicação da lógica dos modelos a combustão aos carros elétricos — algo que as novas empresas do segmento evitam fazer.

Isso convenceu Jim Farley de que a Ford estava ainda mais atrasada do que imaginava e de que algumas abordagens precisariam mudar — como o próprio sistema industrial da companhia, que passou por transformações nos últimos cinco anos.

O CEO afirmou ainda que a montadora deveria passar a tratar os veículos elétricos como dispositivos digitais, agregando mais serviços ao negócio. A Ford começou a colocar esse pensamento em prática em 2022, ao separar suas operações elétricas em outra divisão, chamada “Model E”.

Farley concluiu afirmando que a decisão foi importante para a companhia, pois expôs aos investidores as perdas financeiras da operação de veículos elétricos. Segundo ele, o prejuízo foi estimado em US$ 5 bilhões anuais.

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   20/05/2026

A BYD já testa dez cavalos mecânicos elétricos pesados 62 no Brasil em uma operação realizada dentro da fábrica de Camaçari, na Bahia, movimento que antecipa os planos da montadora chinesa para ampliar presença no transporte rodoviário de cargas e acelerar sua entrada no segmento de veículos pesados eletrificados.

Revelada pela Agência Transporte Moderno, a iniciativa mostra que a empresa começou a avançar além dos ônibus e dos caminhões leves e médios, apostando em um mercado considerado mais complexo devido às exigências de autonomia, capacidade operacional e infraestrutura de recarga.

Ainda em fase de validação, os veículos não possuem previsão oficial de lançamento comercial no país.

De acordo com Bruno Paiva, diretor de vendas de caminhões e chassis de ônibus da BYD, os modelos são utilizados atualmente na movimentação interna de cargas dentro da unidade baiana, sem adaptação definitiva às necessidades específicas do mercado brasileiro.

Ao escolher a configuração 62, a montadora passa a atuar em uma das áreas mais desafiadoras da eletrificação, já que caminhões pesados exigem baterias maiores, elevada robustez operacional e uma estrutura de recarga preparada para reduzir o tempo de parada durante as operações logísticas.

Nesse contexto, os testes funcionam como uma espécie de laboratório operacional para avaliar desempenho, autonomia e viabilidade prática em aplicações reais, enquanto a companhia redefine prioridades e amplia gradualmente o foco no transporte de cargas.

Depois de consolidar presença no segmento de ônibus elétricos em cidades como São Paulo, Salvador, Goiânia e São José dos Campos, a BYD passou a direcionar mais atenção ao mercado de caminhões, considerado estratégico para os próximos anos.

Segundo o executivo, a estratégia foi definida por etapas porque a companhia não poderia avançar com a mesma intensidade em todos os segmentos ao mesmo tempo.

Primeiro, a prioridade ficou nos ônibus elétricos; agora, a aposta passa pelos caminhões, em um mercado que ainda busca escala e previsibilidade no Brasil.

Caminhões elétricos da BYD avançam no transporte de cargas - Hoje, a linha de caminhões da BYD disponível no Brasil permanece concentrada nos segmentos leve e médio, com modelos voltados principalmente à distribuição urbana e operações de última milha realizadas em trajetos com retorno diário às bases logísticas.

Nessas aplicações, a autonomia próxima de 220 quilômetros atende demandas urbanas e regionais com menor necessidade de recarga ao longo do dia, característica considerada essencial para empresas que trabalham com rotas programadas e alta previsibilidade operacional.

A próxima etapa da estratégia prevê a ampliação dessas operações para trajetos de média distância, incluindo rotas entre fábricas, centros de distribuição e polos logísticos regionais que exigem maior autonomia e disponibilidade contínua dos veículos.

Para que esse avanço ocorra de forma competitiva, será necessário ampliar a eficiência das baterias, expandir a infraestrutura de carregamento e reduzir significativamente o tempo de recarga, ponto considerado decisivo por transportadoras que operam com janelas rígidas de entrega.

Nesse cenário, a possível adoção de tecnologias derivadas dos automóveis da BYD aparece como ponto central da estratégia.

A companhia apresentou, em 2026, uma nova geração da bateria Blade e sistemas de carregamento ultrarrápido, com recarga de 10% a 70% em cinco minutos em aplicações automotivas específicas.

Para caminhões, a expectativa é que futuros modelos possam usar sistemas capazes de reduzir a recarga para cerca de dez minutos.

Caso avance para veículos pesados, essa solução pode alterar a operação de frotas elétricas, principalmente em rotas com alta utilização diária.

O Estado de S.Paulo - SP   20/05/2026

O crescimento da produção brasileira de veículos nos próximos anos virá das montadoras chinesas, não das empresas tradicionais. Um estudo da Bright Consulting mostra que as fabricantes de veículos já instaladas localmente alcançaram o pico de volume em 2025, com 2,42 milhões de unidades feitas aqui. A partir de agora, esse número vai diminuir, dando espaço para as chinesas.

A expectativa é de que, em 2032, as montadoras tradicionais façam 2,25 milhões de carros no Brasil. “Com a nova concorrência, as empresas já instaladas aqui têm o desafio de lançar produtos ainda mais adequados ao mercado e nem todas têm conseguido fazer isso”, diz Cássio Pagliarini, CMO da consultoria.

Como exemplo positivo, ele cita a Volkswagen, que em meados de 2025 lançou o Tera, modelo de grande aceitação do consumidor e, portanto, com bom resultado de produção e vendas.

Impacto na indústria de autopeças

A consultoria alerta que a expansão das chinesas não terá efeito negativo apenas na produção das montadoras tradicionais, mas também nas fabricantes de autopeças brasileiras. “Essas novas empresas trazem seus próprios fornecedores da China e costumam pagar de 20% a 30% a menos por componente”, diz Murilo Briganti, COO da Bright Consulting.

Segundo ele, por causa disso, é um desafio para essas indústrias menores se associarem às novas montadoras, o que pode fazer com que muitas delas acabem fechando as portas nos próximos anos.

Mais lançamento de carros

Esse cenário de grande competição e mudanças no setor automotivo vai se refletir, naturalmente, nos carros. Briganti conta que, nos próximos anos, o segmento vai passar por uma grande renovação. “A partir deste ano, 90% dos lançamentos serão de veículos totalmente novos, não simplesmente atualizações.”

O primeiro motivo para isso está na concorrência com as chinesas. O especialista diz que essas empresas têm ciclos de desenvolvimento de produtos que variam de 12 a 24 meses. Nas marcas tradicionais, o intervalo varia de 48 a 60 meses, mas há uma corrida para encurtar esse tempo e trazer novidades ao consumidor.

Outro fator que estimula a renovação dos carros é o Mover, política automotiva que incentiva a eletrificação e o uso de biocombustíveis. O programa, inclusive, estimula o lançamento de carros 100% a etanol, sem o sistema flex que permite o abastecimento também com gasolina.

Por fim, o Proconve, legislação de emissões, impõe regras cada vez mais rígidas a cada dois anos. Isso faz com que projetos mais antigos acabem saindo de linha. “Em 2029, entra uma fase muito importante, com grande impacto em veículos diesel”, conta Briganti.

Segundo ele, a regulamentação fará com que o lançamento de picapes e SUVs que usam o combustível precise também ter algum nível de eletrificação — o que acaba por encarecer o preço. “Por isso, as marcas já começaram a investir em projetos que deixam o diesel de lado e adotam motores flex”, observa.

A briga entre montadoras novas e tradicionais será intensa nos próximos anos, com impactos importantes na indústria automotiva local. Nesse cenário, quem sai vitorioso é o consumidor, que ganha mais opções de compra e, de quebra, com tecnologias menos poluentes.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Money Times - SP   20/05/2026

As construtoras listadas em bolsa iniciaram 2026 com um cenário ainda positivo em termos de rentabilidade, mas com sinais de perda de fôlego na atividade operacional, segundo avaliação do JP Morgan.

Em relatório, o banco norte-americano apontou que o grande destaque do setor segue sendo o segmento de baixa renda, que continua apresentando crescimento mais forte e maior previsibilidade quando comparado ao médio e alto padrão.

Segundo a casa, no nicho econômico, as receitas das companhias avançaram entre 21% e 43% no primeiro trimestre (1T26) na comparação anual, com margens brutas próximas de máximas históricas, variando entre 27% e 41%.

O lucro também cresceu na maior parte das incorporadoras, sustentado por demanda ainda resiliente, repasses de preços indexados ao INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) e ganhos de eficiência.
Os destaques do 1T26, na visão do JP Morgan

Entre os principais destaques do primeiro trimestre, o relatório cita Tenda (TEND3) e Cury (CURY3) na habitação popular. A primeira foi apontada como um dos nomes mais fortes da baixa renda, com melhora consistente de resultados, avanço de margens e geração de caixa robusta.

Entre janeiro e março, a Tenda teve lucro líquido consolidado de R$ 183,4 milhões, mais que o dobro do resultado positivo de um ano antes e acima dos R$ 130 milhões esperados pelo mercado.

O banco destaca a postura conservadora da construtora em relação à inflação e o nível muito baixo de estoque concluído, equivalente a cerca de 1% das vendas dos últimos 12 meses.

Já a Cury, na avaliação do JP Morgan, segue como referência operacional dentro do nicho econômico, também combinando crescimento de lucro, vendas em ritmo elevado e margens sustentadas em patamar alto.

De acordo com a casa, a companhia registrou avanço anual de receita e lucro líquido, de 33% e 42%, respectivamente, mantendo-se como uma das empresas com maior velocidade de comercialização.

Baixa renda: outras companhias

A Direcional (DIRR3) também aparece no relatório como um dos destaques da baixa renda, apoiada em estrutura de custos eficiente e alavancagem controlada.

A construtora, que também tem um pé no médio padrão por meio da marca Riva, registrou, no 1T26, crescimento anual de 30% tanto na receita quanto no lucro líquido.

Por outro lado, o banco apontou que a Plano&Plano (PLPL3) teve desempenho mais pressionado, com queda de 39% no lucro líquido frente ao 1T25.
Médio e alto padrão

No segmento de média e alta renda, o cenário no primeiro trimestre foi mais heterogêneo. Segundo o JP Morgan, em alguns casos, até houve avanço relevante de lucro, mas, em outros, quedas expressivas, refletindo a maior sensibilidade desse grupo ao ambiente de juros elevados.

Na avaliação da casa, Moura Dubeux (MDNE3) apresentou o maior crescimento de lucro líquido entre as companhias analisadas, com alta de 121% na comparação anual, além de expansão de 6,3 pontos percentuais na margem bruta.

Em sentido oposto, a Helbor (HBOR3) registrou queda de 75% no lucro líquido, evidenciando a assimetria de desempenho dentro do segmento.
Desafios no horizonte

O JP Morgan também destacou que as construtoras e incorporadoras seguem monitorando fatores que podem pressionar os resultados nos próximos meses. Entre eles, estão:
Inflação de custos: as projeções para o INCC em 2026 subiram para a faixa de 7% a 9%, impulsionadas pelo impacto da alta do petróleo devido ao conflito no Irã; Mão de obra: a escassez de trabalhadores e a baixa produtividade foram citadas como preocupações primordiais por diversas companhias, como Cyrela, Lavvi e Moura Dubeux.

No caso da baixa renda, porém, as empresas indicaram que a inflação projetada para 2026 está abaixo do que vem sendo observado na prática, além de contarem com mecanismos de proteção via contratos corrigidos e reajustes de preços.

“As companhias sinalizaram que a inflação atual é muito menos severa do que a da época da pandemia, quando o INCC atingiu 20%. A escassez de mão de obra, no entanto, continua sendo uma preocupação”, disse o banco.
Campo operacional

O relatório aponta ainda sinais de desaceleração operacional como um dos pontos de atenção. De acordo com a casa, tanto lançamentos quanto vendas perderam ritmo quando observados em base de 12 meses em ambos os segmentos.

O volume de lançamentos ficou praticamente estável em R$ 14 bilhões, alta de apenas 1% na comparação anual. Já a velocidade de vendas (VSO) agregada ficou estável em 19,4%

Por fim, o JP Morgan afirma que a alavancagem do setor permanece em “níveis administráveis”, com média próxima de 29% sobre patrimônio, contra 26% no 1T25 e 32% no 4T25.

O banco norte-americano até aponta o leve aumento em relação ao ano anterior, mas sem sinais de deterioração relevante nos balanços das companhias.

Valor - SP   20/05/2026

No geral, companhias apresentaram avanço de indicadores, mas mercado precifica risco com alta de insumos

O primeiro trimestre terminou com crescimento de indicadores financeiros para as incorporadoras de capital aberto, na comparação com o início de 2025, de acordo com levantamento feito pelo Valor Data com 27 companhias. Isso não impediu que, entre aquelas que são listadas, houvesse uma queda média de 39,46% no preço das ações, desde o início do ano até o começo desta semana.

A explicação para a diferença entre resultados e percepção do mercado está no receio de que o aumento do petróleo, consequência da guerra no Irã, pode fazer - e já está fazendo - com a inflação da construção civil.

O Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) avançou 1,04% em abril, para um acumulado de 6,28% em 12 meses, e a projeção é que o efeito da guerra possa fazê-lo chegar perto dos 10%. Isso poderia afetar as margens das companhias, principalmente daquelas que atuam no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), e alarmou investidores.

“Acaba trazendo o baixa renda, que era queridinho do mercado, para a dinâmica de percepção de risco que conversa com o problema da média e alta renda”, afirma Bruno Mendonça, líder de análise de real estate do Bradesco BBI. O problema é que os resultados mostram “uma visão de retrovisor”, afirma. Por causa dos juros altos, é esperada uma queda de vendas - que não tem acontecido na proporção esperada - e essas empresas sofrem desconfiança do mercado.

Não ter acontecido, explica Mendonça, não resolve a situação, porque a percepção de risco continua. Ele dá um exemplo: “não importa se a Cyrela está vendendo muito, porque tudo indica que vai desacelerar. Tem três anos que a conversa é que a Cyrela surpreendeu, que a média e alta renda está indo bem, mas todos continuam com medo.”

As empresas do MCMV são mais penalizadas porque os imóveis vendidos não têm o preço atualizado pela inflação durante a obra, diferentemente do que ocorre nos demais padrões.

“O mercado está precificando uma queda de margens que a gente não vai ver”, afirma Fanny Oreng, que lidera a equipe de analistas de mercado imobiliário do Santander, de acordo com a expectativa atual de aumento de custos. “O que estamos escutando das empresas é que elas vêm conseguindo repassar preço e não estão perdendo velocidade de venda de forma relevante”, reforça. Mendonça concorda que as empresas estão em “momento operacional positivo”.

O Santander segue colocando empresas do MCMV como as preferidas do setor, por acreditar na capacidade de repasse de custos de companhias como Cury e Direcional, afirma Oreng.

Essa capacidade das companhias de manterem suas margens e os patamares de lançamentos e vendas incide sobre a capacidade dos clientes de comprar imóveis mais caros. Na média e alta renda, o bolso é maior, mas há o desafio dos juros ainda altos e em ritmo de queda menor do que o previsto no início do ano.

No MCMV, o programa tem ajudado a dar margem de manobra para as empresas, com aumentos recentes no teto das faixas de renda e do preço dos imóveis, o que permite que os incorporadores mirem rendas mais altas.

Executivos do setor imobiliário reclamaram de uma reação “exagerada” sobre o risco inflacionário e os efeitos nas empresas. “O mercado está com preocupação acima do necessário com essa realidade”, disse Ricardo Gontijo, CEO da Direcional, em teleconferência com analistas.

As empresas se esforçaram em detalhar o que já chegou de inflação e as revisões de custo que estão fazendo, na tentativa de mostrar que não devem repetir o estouro de custos que ocorreu durante a pandemia e que deixou marcas até hoje em alguns negócios.

Até características lidas como problemas foram levantadas como pontos positivos no cenário atual. Na MRV, um estoque de unidades em construção, mas que não foram vendidas, é oportunidade para ganhar preço com menos risco inflacionário, afirmou o co-presidente Rafael Menin, porque a maior parte dos custos de obra já aconteceu.

Na Direcional, uma velocidade de venda “inferior ao que maximizaria o retorno” significa que a empresa tem menos projetos em fase inicial de obra, passíveis de sofrerem um impacto inflacionário maior, destacou Gontijo.

Repassar preço é uma saída, mas não é algo tão simples, lembrou o co-presidente executivo da Cury Leonardo Mesquita. “A gente não vende petróleo”, disse, respondendo a uma analista sobre reajustes em projetos já lançados. Segundo ele, o melhor momento de subir o valor das unidades é “dentro da pressão de lançamento, criando sensação de urgência no cliente”, e não de forma automática em todo o estoque ao ser avisado de reajustes de fornecedores.

Se o projeto foi lançado e não foi vendido, afinal, talvez haja uma dificuldade maior de encaixá-lo com o público comprador.

Por isso, afirma Oreng, ter uma equipe própria de vendas tem feito diferença no resultado das companhias. Empresas como Cyrela, Cury e Eztec, que estão com bom ritmo de vendas, investem em corretores próprios, dedicados a todo o estoque da empresa, e não apenas aos lançamentos.

Para quem aceita risco, é oportunidade de comprar nomes que figuram entre as principais escolhas do setor a um valor 30% menor do que antes da guerra, lembram os analistas. “Tem empresas que sofreram demais recentemente [no preço da ação], estão dando oportunidade para quem tem paciência”, afirma Oreng.

Os resultados do segundo trimestre podem trazer mais clareza sobre o impacto do petróleo, já que, até março, o período de guerra foi curto. No entanto, Mendonça alerta que mesmo se o próximo trimestre for bom, a “nuvem” de incertezas e de percepção de risco deve continuar.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   20/05/2026

O Metrô de São Paulo obteve a aprovação, por parte do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), do projeto da Linha 22-Marrom, conforme oficializado no Diário Oficial do Estado, nesta segunda-feira, 18.

O futuro empreendimento, que irá transportar passageiros entre São Paulo e Cotia, passando pela região sul de Osasco, teve o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/RIMA) analisado pelo órgão de preservação do patrimônio histórico. Com o sinal verde concedido, o projeto avança para novas etapas que antecedem o início das obras.

A análise do Condephaat teve atenção especial ao entorno do Instituto Butantã e da Universidade de São Paulo (USP). No campus da Cidade Universitária, inclusive, o projeto foi desenvolvido com participação da comunidade acadêmica, que colaborou na formulação de soluções de baixa interferência urbana, novos conceitos arquitetônicos como o da estação USPPraça do Relógio, com inserção paisagística integrada e medidas voltadas à redução do número de canteiros de obras na região.

Segundo o Metrô, os editais de licitação para elaboração do Projeto Básico foram publicados em março deste ano. Ainda nesta semana, as propostas comerciais de construtoras e empresas interessadas em participar do empreendimento deverão ser entregues, em um processo que seguirá até junho.

A Linha 22-Marrom já conta com anteprojeto de engenharia e EIA/RIMA concluídos. Além disso, a Licença Ambiental Prévia foi solicitada à CETESB, órgão ambiental paulista. O ramal deverá ser o primeiro metrô convencional de São Paulo a operar com trens de cinco carros característica presente também na Linha 17-Ouro, embora ela utilize o sistema de monotrilho, e não o metrô pesado.

A escolha por uma frota no chamado modelo asiático representa uma redução nos custos de construção, permitindo estações com plataformas menores e túneis de aproximadamente dez metros de diâmetro cerca de 13% inferiores em área, quando comparados aos modelos convencionais. Ainda assim, a expectativa é atender uma demanda estimada em 678 mil passageiros por dia.

As composições também deverão ser concebidas com layout longitudinal, alimentação por terceiro trilho e capacidade para transportar até 1.274 passageiros por viagem.

Outra novidade prevista para o novo ramal é a adoção de elevadores de alta capacidade para facilitar o deslocamento entre plataformas, mezaninos e áreas de bloqueios na superfície. Em algumas estações, esses equipamentos poderão substituir escadas rolantes, em um conceito inspirado em sistemas metroviários utilizados nos Estados Unidos e na Europa.

Conforme o projeto atual, a Linha 22-Marrom terá 29,75 quilômetros de extensão operacional e 19 estações, sendo 10 em São Paulo, duas em Osasco e sete em Cotia. O trajeto entre as estações Cotia e Sumaré deverá ser realizado em cerca de 42 minutos, reduzindo significativamente o tempo de deslocamento e criando uma alternativa ao transporte por ônibus pela Rodovia Raposo Tavares.

O investimento estimado para a implantação completa do empreendimento supera R$ 28 bilhões. No entanto, os valores ainda poderão ser revisados após a conclusão do Projeto Básico.

Revista Ferroviaria - RJ   20/05/2026

As obras da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), executadas pela Vale, entraram em uma etapa oficial do período seco, fase que marca o início da instalação de trilhos, dormentes e lastro ao longo do traçado.

O empreendimento tem 292 quilômetros de frentes simultâneas de trabalho, 71 milhões de metros cúbicos de terraplanagem executados e 32 pontes construídas ou em construção, segundo a companhia.

A meta do projeto é concluir até outubro toda a plataforma ferroviária até o quilômetro 290, etapa considerada necessária para ampliar o ritmo da estrutura. A Vale informou que já recebeu 200 quilômetros de trilhos, possui 118 quilômetros equivalentes em dormentes preparados e mantém armazenadas 34 mil toneladas de lastro ferroviário.

De acordo com a empresa, uma operação mecanizada de lançamento de trilhos tem capacidade para instalar até 1,3 quilômetro de trilhos por dia.

Com previsão de conclusão em 2028, a FICO é considerada pela Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT) estratégica para integrar o Centro-Oeste à malha ferroviária nacional e conexão com a Ferrovia Norte-Sul, para elevar a capacidade de escoamento da produção agrícola e mineral.

A Infra S.A., estatal responsável pela supervisão das obras, informou que mantém negociações com comunidades indígenas Xavante para viabilizar os cerca de 80 quilômetros finais do projeto, cuja liberação depende da conclusão do Plano Básico Ambiental do Componente Indígena (PBA-CI).

NAVAL

Monitor Digital - RJ   20/05/2026

A Petrobras assinou oito contratos que somam no total R$ 11 bilhões para a construção de quatro embarcações. As projeções são alcançar até 80% de conteúdo local na etapa de construção das embarcações e 90% durante a operação dos navios, afirmou a companhia. Outro ponto é que é um projeto que ajuda fortalecer a indústria naval brasileira e o setor comemora a iniciativa.

As informações foram destaque no site do Sinaval, instituição que representa os estaleiros brasileiros instalados em diversas regiões do país. Os navios serão construídos no estaleiro NavShip, em Navegantes, Santa Catarina. As embarcações serão utilizadas em atividades de inspeção, manutenção, reparo e abandono de sistemas submarinos em águas profundas. Os navios devem começar a operar em 2030.

A contratação foi por meio de licitação para atender o Plano Estratégico 2026-2030 da Petrobras. Ela visa ampliação da capacidade operacional, fortalecimento da cadeia de fornecedores no país e redução de poluentes. Os contratos de afretamento de longo prazo foram assinados na última quinta-feira (15), em uma parceria da Petrobras com a multinacional norueguesa DOF Subsea Serviços LTDA.

O Navship, responsável pela construção dos quatros navios, é parceiro da DOF.

“Considero essa licitação exitosa, em linha com as demandas do plano de negócios da companhia. Essa parceria demonstra mais uma vez a união entre Petrobras e mercado fornecedor local”, disse Alexandre Gomes Alves, gerente executivo de Suprimentos da Petrobras. “A construção de quatro embarcações no Brasil se traduz em geração de emprego e menor dependência do mercado internacional”.

Sistemas de posicionamento dinâmico (DP2), veículos operados remotamente com capacidade de operação em grandes profundidades e soluções de propulsão híbrida estão no escopo dos projetos das embarcações. As soluções de propulsão híbrida combinam diferentes fontes de energia e armazenamento por baterias, seguindo diretrizes de eficiência energética e redução de emissões. Segundo a Petrobras, a iniciativa faz parte da estratégia da companhia para ampliar e modernizar a frota de apoio às operações submarinas no Brasil. O número de ocupação que isso deve gerar pode ultrapassar 7 mil novos empregos diretos e indiretos nas fases de construção e operação. Desses, serão 1,5 mil diretos e 5,6 mil indiretos.

Indústria naval

“A gestão atual da Petrobras ampliou o número de fornecedores por meio da simplificação de especificações, aumentando a competitividade e aquecendo o mercado naval, com maior volume de propostas qualificadas”, destacou o gerente executivo de Sistemas Submarinos da Petrobras, Flavio Bretanha. Segundo ele, esse movimento faz parte de uma nova postura da companhia, de maior aproximação e escuta ativa do mercado fornecedor. A companhia sustenta que essa abordagem tem contribuído para projetos mais competitivos, eficientes e alinhados à realidade do setor;

Outro destaque dessas novas embarcações é que elas serão equipadas com sistemas de propulsão híbrida, combinando baterias, motores elétricos e combustíveis de menor impacto ambiental. A tecnologia permitirá maior eficiência energética, redução no consumo de combustível e menor emissão de gases de efeito estufa. A medida faz parte das metas de descarbonização da companhia.

“Estamos investindo em embarcações tecnológicas, com redução de emissões de carbono, construindo novos barcos no Brasil, o que beneficia a criação de empregos diretos e indiretos. Com essa parceria estamos mantendo, ao lado da Petrobras, a indústria naval cada vez mais aquecida”, afirmou Mario Fuzetti, CEO da DOF.

Além deste novo projeto, indústrias navais do litoral de SC estão construindo outras embarcações relevantes. A Thyssenkrupp, Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí, está construindo quatro fragatas para a Marinha no valor atual de aproximadamente R$ 12 bilhões. E o Estaleiro Detroit está construindo oito embarcações para operações offshore, um investimento total de R$ 2,5 bilhões.

CNN Brasil - SP   20/05/2026

O TCU (Tribunal de Contas da União) aprovou, nesta terça-feira (19), a concessão do canal de acesso aquaviário ao Porto de Itajaí, em Santa Catarina. O projeto prevê contrato de 25 anos, com possibilidade de prorrogação por até 70 anos, e investimentos estimados em cerca de R$ 300 milhões.

A concessão será a segunda do tipo no país. O primeiro canal de acesso concedido no Brasil foi o do Porto de Paranaguá, leiloado no ano passado. A expectativa do governo e do setor portuário é que o novo modelo traga mais previsibilidade para a gestão da dragagem e para a manutenção da profundidade operacional da região.

O projeto é visto como estratégico após uma sequência de interrupções na dragagem do canal de acesso aos portos de Itajaí e Navegantes. Em abril, a profundidade operacional da região caiu cerca de 30 centímetros após quase dois meses sem serviços de dragagem, segundo atualização feita pela Capitania dos Portos.

A expectativa é que, com a concessão, a profundidade do canal, que hoje está em 13,5 metros, seja ampliada para até 16 metros, permitindo a entrada de navios maiores e aumentando a competitividade dos portos de Itajaí e de Navegantes - que ficam localizados um na frente do outro.

Na prática, a perda de profundidade impacta diretamente a logística portuária, especialmente no transporte de contêineres, principal tipo de carga movimentada pelos portos de Itajaí e Navegantes. A restrição dificulta a atracação de embarcações de maior porte e pode gerar impactos de até 10% na movimentação de cargas da região, segundo estimativas do setor.

O serviço de dragagem chegou a ficar interrompido no início do ano e só foi retomado em abril por meio de um contrato emergencial. A mesma coisa aconteceu no início de 2025, porém, daquela vez por falta de pagamento à empresa Van Oord, responsável pela execução da dragagem e que voltou a atuar no contrato emergencial atual.

O cenário operacional se soma a um histórico recente de instabilidade administrativa no Porto de Itajaí. Após dificuldades financeiras e operacionais da superintendência local, a gestão do porto foi transferida, em janeiro de 2025, para a Autoridade Portuária de Santos, por decisão do Ministério de Portos e Aeroportos.

Porém, a mudança acabou intensificando disputas políticas na região. O então gestor indicado para a administração do porto, João Paulo, era ligado ao PT e chegou a ser pré-candidato à prefeitura de Itajaí, o que gerou atritos com o então prefeito da cidade, filiado ao PL. Diante do impasse, o governo federal decidiu transferir novamente a gestão, desta vez para a Codeba.
Concessão do terminal

Além da concessão do canal de acesso, o governo federal ainda prepara a modelagem definitiva para a concessão do terminal do Porto de Itajaí. Os estudos do projeto foram aprovados em 2025.

Inicialmente o projeto foi estruturado tanto com a concessão definitiva do terminal, quanto com o canal de acesso. Essa modelagem foi revista pelo governo federal, que decidiu desmembrar os dois ativos.

Atualmente, a operação do terminal está sob gestão temporária da JBS, cujo contrato vai até o fim de 2026. A empresa já manifestou interesse em disputar o leilão definitivo. O presidente da JBS Terminais, Aristides Russi Jr., afirmou publicamente que a companhia pretende participar da futura concessão permanente do terminal.

O Porto de Itajaí passa por instabilidades e mudanças desde a gestão anterior. Durante o governo Bolsonaro, a proposta em discussão era a privatização do porto, o que chegou a ser aprovado pelo TCU. Com a troca de governo, a estratégia foi alterada e passou a priorizar concessões específicas de ativos e serviços portuários, como o canal de acesso e o terminal.

Infomoney - SP   20/05/2026

A OTAN está discutindo a possibilidade de ajudar navios a atravessar o bloqueado Estreito de Ormuz caso a passagem não seja reaberta até o início de julho, segundo um alto funcionário da aliança militar.

A ideia conta com o apoio de vários membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte, mas ainda não obteve o respaldo unânime necessário, disse um diplomata de um país da OTAN. Ambos os funcionários falaram sob condição de anonimato. Líderes dos países da OTAN se reunirão em Ancara nos dias 7 e 8 de julho.

“A orientação política vem primeiro, e o planejamento formal acontece depois disso”, disse Alexus Grynkewich, comandante supremo aliado da OTAN na Europa, ao ser questionado sobre a possibilidade em uma coletiva de imprensa na terça-feira. “Estou pensando nisso? Absolutamente.”
Um movimento desse tipo representaria uma mudança na estratégia da aliança militar em relação à guerra EUA–Israel no Irã. Até agora, os aliados insistiam que só se envolveriam no estreito depois que os combates fossem encerrados e que pudessem formar uma ampla coalizão que incluísse muitos países de fora da OTAN.

Mas os problemas econômicos estão se aprofundando, com o fechamento do estreito fazendo os preços de energia dispararem e as projeções de crescimento desabarem.

Irã: nova proposta inclui fim de sanções e direito a enriquecimento nuclear

Plano apresentado no Parlamento de Teerã mantém enriquecimento de urânio e pede retirada de tropas americanas da região; Trump cita “negociações sérias”

Ainda não está claro exatamente como os países da OTAN poderiam garantir a passagem segura de navios comerciais pelo estreito. Uma tentativa recente dos EUA de fazer isso foi interrompida poucos dias após ser lançada, apesar das consideráveis capacidades militares de Washington.

Um porta-voz da Organização do Tratado do Atlântico Norte não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O Irã inicialmente bloqueou o Estreito de Ormuz — por onde transita cerca de um quinto do suprimento global de petróleo e gás natural liquefeito — depois que EUA e Israel começaram a bombardear o país no fim de fevereiro.

A passagem se tornou, desde então, fonte de tensão entre os EUA e seus aliados europeus na OTAN, que se recusaram a atender às exigências do presidente Donald Trump para que ajudassem a reabrir o estreito.

Trump reclamou repetidamente sobre essa reação, e Washington anunciou recentemente que retiraria 5.000 soldados da Alemanha.

O alto funcionário da OTAN disse que, embora alguns aliados ainda se oponham a autorizar uma missão da aliança para o estreito, eles se alinhariam à ideia se o bloqueio persistir.

O diplomata da OTAN afirmou que vários aliados apoiam uma intervenção para ajudar a reabrir o estreito, mas alertou que outros continuam relutantes em serem arrastados para o conflito.

Grynkewich disse que é do interesse dos aliados fazer com que os navios comerciais voltem a atravessar o estreito, observando que o Irã disparou vários mísseis contra território da aliança.

“A paralisação”, disse ele, “está afetando todas as nossas economias de maneira muito negativa — e afetar nossas economias afeta nossa capacidade industrial militar no longo prazo.”

Embora os aliados da OTAN estejam unificados no desejo de reabrir o estreito, eles têm adotado abordagens ligeiramente diferentes em relação à guerra.

Alguns países, como a Espanha, têm sido inequívocos em sua oposição ao conflito. Madri chegou a proibir os EUA de usar seu espaço aéreo e suas bases para atacar o Irã. A maioria dos aliados, porém, concedeu discretamente acesso às suas bases para fornecer apoio logístico.

Uma coalizão liderada pela França e pelo Reino Unido também está desenvolvendo um plano para ajudar a garantir a navegação no Estreito de Ormuz assim que os combates arrefecerem. Alguns países chegaram a posicionar ativos na área em preparação.

Isso não tem bastado para acalmar Trump, cuja ira tem se concentrado especialmente na Alemanha. Até agora, porém, os EUA não fizeram nenhum pedido formal para o envolvimento da OTAN no estreito, conforme noticiou anteriormente a Bloomberg.

PETROLÍFERO

Valor - SP   20/05/2026

O petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em julho teve queda de 0,73% e o WTI (a referência americana) com entrega prevista para o mesmo mês caiu 0,82%

Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda nesta terça-feira (19), mas seguem acima de US$ 100 o barril, em meio a sinais mistos sobre as negociações entre os Estados Unidos e o Irã para acabar com a guerra no Oriente Médio. Os investidores reagiram positivamente ao anúncio do presidente americano, Donald Trump, de que havia suspendido uma ofensiva militar ao Irã e via progresso nas negociações. No entanto, Trump depois voltou a fazer ameaças e os EUA anunciaram novas sanções sobre o Irã, reacendendo as tensões geopolíticas.

No fechamento, o petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em julho teve queda de 0,73%, cotado a US$ 111,28 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (a referência americana) com entrega prevista para o mesmo mês caiu 0,82%, a US$ 107,77 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).

Trump ameaçou o Irã novamente nesta terça-feira, dizendo que os Estados Unidos podem precisar atacar o país persa novamente, e afirmou que está dando tempo limitado para fechar um acordo, “porque não podemos permitir que eles tenham uma arma nuclear.”

Mais cedo, o Tesouro americano também anunciou novas sanções ao Irã. Uma matéria do Wall Street Journal mostrou que mediadores regionais e pessoas próximas ao assunto veem pouco progresso nas conversas, levantando dúvidas sobre a viabilidade de uma saída para o conflito em breve. Segundo as fontes ouvidas pela reportagem, a posição do Irã nas negociações pouco mudou em relação às rodadas anteriores, que fracassaram em chegar a um consenso.

Antes, o anúncio de que Trump havia suspendido um ataque militar animou os mercados, e levou os preços do petróleo a caírem mais de 1%. Trump também sinalizou mais cedo que tinha uma “chance muito boa” de chegar a um acordo com os iranianos sobre o programa nuclear. A notícia de que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) discute a possibilidade de ajudar navios a atravessar o Estreito de Ormuz, caso a rota não seja reaberta até o início de julho, também contribuiu para a queda nos preços do petróleo durante o pregão desta terça.

TN Petróleo - RJ   20/05/2026

A produção total de petróleo em regime de partilha, envolvendo a União e os consórcios, bateu recorde, atingindo 1,57 milhão de barris por dia (bpd) em março. O aumento, de 7% em relação ao período anterior, se deu pela entrada do terceiro poço produtor de Bacalhau e pelo retorno operacional das unidades P-70, em Atapu, e P-76, em Búzios após paradas programadas para manutenção. O maior produtor foi Búzios, com 654,89 mil bpd, seguido de Mero, com 633,67 mil bpd. O pico de produção havia se dado em outubro de 2025, quando atingiu 1,54 milhão de barris por dia.

Os dados integram o Boletim Mensal da Produção, divulgado nesta terça-feira (19) pela PPSA (Pré-Sal Petróleo).

A parcela de petróleo da União atingiu 184 mil bpd em março, considerando os contratos de partilha de produção (CPPs) e os acordos de individualização da produção (AIPs), resultado 1% superior ao de fevereiro.

Nos contratos de partilha, a parcela de petróleo da União foi de 164 mil bpd, com destaque para Mero, que respondeu por 78% da produção, com 128,08 mil bpd.

Desde o início da série histórica, em 2017, a produção acumulada em regime de partilha soma 1,66 bilhão de barris, sendo 127,71 milhões de barris destinados à União.

Exportação de gás natural

A parcela de gás natural exportada da União foi de 244 mil m³/dia em cinco contratos de partilha produção e nos AIPs de Tupi e Jubarte.

No gás natural, o resultado mensal da parcela da União nos CPPs atingiu 150 mil m³ por dia, um aumento de 25% em relação à fevereiro. Isso se deu devido ao retorno das operações da unidade P-76, em Búzios, e apesar da redução de 21% na exportação de Espadim, pelo início de parada programada de produção.

Valor - SP   20/05/2026

Aumento das receitas com petróleo está na mira do governo, que pretende usar tais recursos para financiar subvenções de combustíveis para amenizar impactos de alta de preços para o consumidor final

A União arrecadou até maio 80% da receita prevista com a venda de óleo do pré-sal prevista para 2026, disse nesta terça-feira (19) Samir Awad, diretor de administração, finanças e comercialização da Pré-Sal Petróleo (PPSA). Até este mês, a estatal gestora dos contratos de partilha do pré-sal repassou cerca de R$ 18 bilhões em recursos de venda da parcela de óleo da União contratada em leilões passados.

A receita incluiu recursos de leilões de curto prazo (“spots”) e a venda de direitos da União em áreas não contratadas no pré-sal (campos não licitados que têm jazidas compartilhadas com áreas que já foram licitadas).

A previsão da PPSA era de uma receita de R$ 22 bilhões em 2026. A alta arrecadação se deu por causa da elevação da cotação do petróleo no mercado externo por causa da guerra no Oriente Médio.

A estatal previa um barril de petróleo do tipo Brent na casa de US$ 50, mas, com o início do conflito, os preços escalaram para uma faixa de US$ 100, situando-se em alguns momentos em patamares acima de US$ 120.

Caso as cotações se mantenham na faixa de US$ 100 até o fim do ano, conforme vem projetando consultores e especialistas do mercado de petróleo, é possível que a União tenha uma receita acima de R$ 30 bilhões este ano, estimou o executivo.

“Dependendo do preço do petróleo, você pode chegar confortavelmente a R$ 30 bilhões, R$ 35 bilhões”, afirmou Awad.

Ele ressaltou que a PPSA entregará aos vencedores dos contratos cerca de 80 milhões de barris em 2026, volume considerado recorde pela estatal.

Em 2025, explicou Awad, a União arrecadou R$ 30 bilhões com a venda de cargas de óleo pela PPSA. O montante, porém, incluiu cerca de R$ 8 bilhões com a venda de direitos da União nas chamadas áreas não licitadas – campos de petróleo cujas jazidas estão compartilhadas com áreas vizinhas que já foram licitadas, independente do regime (concessão ou partilha). Desconsiderando essa receita, extraordinária, a União teve R$ 22 bilhões com a venda de óleo.

O aumento das receitas com petróleo está na mira do governo, que pretende usar tais recursos para financiar subvenções de combustíveis para amenizar impactos de alta de preços para o consumidor final.

A PPSA vai realizar em agosto um leilão de cargas de óleo da União, com previsão de comercializar 106 milhões de barris. O volume, ressaltou Awad, pode ser maior, podendo chegar a uma faixa entre 115 milhões e 117 milhões de barris, a depender de ajustes de produção nos campos do pré-sal.

Awad disse ainda que não há indicação do governo, até o momento, de um novo leilão de áreas não licitadas. Segundo o executivo, além de uma parcela localizada no campo de Tupi que não foi negociada no certame do ano passado, há duas áreas pequenas que poderiam ser colocadas em negociação, ainda que não representem “muito valor”.

AGRÍCOLA

O Estado de S.Paulo - SP   20/05/2026

O próximo Plano Safra talvez seja o mais desafiador da trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República. Não apenas pelos limites fiscais do governo ou pela dificuldade de reduzir os juros num ambiente ainda pressionado pela inflação, mas porque o programa será lançado num momento particularmente delicado para a relação entre o Palácio do Planalto e o agronegócio, uma das peças mais valiosas no xadrez das disputas eleitorais brasileiras.

Historicamente refratário ao PT, o agro voltou a ganhar peso ainda maior na eleição deste ano. Lula aparece em cenário apertado nas pesquisas e precisa reduzir resistências em setores produtivos relevantes se quiser ampliar suas chances de reeleição. Do outro lado, havia quase como fato consumado o alinhamento do agronegócio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), movimento que ajudaria a consolidar um palanque robusto da direita no campo.

Mas as turbulências recentes, após a revelação do pedido de dinheiro feito por Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro, embaralharam esse cenário e abriram espaço para uma disputa mais fragmentada pelo apoio do setor, inclusive com o avanço das articulações em torno da candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). A Frente Parlamentar da Agropecuária deve anunciar em breve seu apoio formal a uma candidatura presidencial e há sinais de que o alinhamento automático do setor à direita bolsonarista já não é tão líquido quanto parecia meses atrás.

É nesse momento que Lula chega ao Plano Safra. E chega diante de um setor que descreve o momento atual como uma “tempestade perfeita”. A expressão foi repetida pela ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS), pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, o deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), e até pelo novo ministro da Agricultura, André de Paula. Os motivos são conhecidos: juros elevados, crédito caro e escasso, alta do custo dos insumos, diesel e frete pressionados, preços mais baixos das commodities, dificuldades no seguro rural e um nível crescente de endividamento dos produtores. Os números ajudam a dimensionar o problema. Dados da Serasa Experian mostram que o agronegócio registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, alta de 56,4% em relação ao ano anterior e o maior volume da série histórica iniciada em 2021. A inadimplência rural também avançou. No terceiro trimestre do ano passado, 8,3% da população do campo estava inadimplente.

A renegociação das dívidas rurais, por isso, passou a ser tratada pelo próprio governo como condição para o funcionamento do próximo plano, previsto para julho. Em entrevista ao Estadão, André de Paula reconheceu que, “sem uma atenção especial ao endividamento, teremos menos produtores que podem se habilitar ao Plano Safra”. O diagnóstico parece correto, mas a dúvida é se o governo resistirá à tentação de recorrer justamente às fórmulas que ajudaram a ampliar esse ambiente de endividamento.

O governo Lula vem recorrendo, cada vez mais, a políticas de expansão de crédito e estímulos artificiais para tentar sustentar atividade econômica, consumo e popularidade. Foi assim com novas etapas do Desenrola, com linhas subsidiadas e com sucessivas iniciativas para facilitar empréstimos. O efeito político imediato dessas medidas costuma ser sedutor. O econômico, no entanto, habitualmente aparece mais adiante, na forma de maior pressão fiscal, inflação e aumento do custo do dinheiro.

No agro, esse risco é ainda maior. Um Plano Safra robusto será inevitável. De pouco adiantará um programa bilionário se parcela crescente dos produtores já estiver fora do mercado de crédito ou sem capacidade de assumir novos financiamentos. O desafio está justamente em evitar que uma resposta emergencial a uma crise conjuntural se transforme em novo ciclo de alavancagem excessiva, empurrando produtores já fragilizados para uma situação ainda mais delicada no médio prazo. Crédito rural não pode virar anestesia eleitoral.

O desafio de Lula será precisamente evitar que a tentativa de reconstruir pontes políticas com o agronegócio produza, adiante, uma conta ainda mais cara para o próprio setor que pretende seduzir.

Valor - SP   20/05/2026

Consultoria que o Brasil pode deixar de exportar bilhões de dólares em produtos do setor para o mercado chinês

A China planeja reduzir a dependência de importações para garantir a sua segurança alimentar. É o que indica o 15º Plano Quinquenal do país (2026-2030). A posição traz riscos ao agronegócio do Brasil, que pode deixar de faturar bilhões de dólares em exportações.

“Estamos falando de mais ou menos entre US$ 50 e US$ 60 bilhões por ano em exportações do agro para a China”, afirma Patrícia Ellen, sócia-presidente da Systemiq na América Latina e ex-secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo. “Não é uma perda imediata. Pode ser gradual, deve ter ajustes de mercado, mas a ordem de grandeza do impacto é essa”, diz.

O 15º Plano Quinquenal, aprovado em março, menciona a segurança alimentar e a autossuficiência como prioridades para o governo chinês. A intenção é garantir a capacidade produtiva, basear o fornecimento no mercado interno, moderar importações, e diversificar a oferta de produtos à população.

“A consideração crítica é se a China vai continuar a impulsionar o crescimento da demanda global”, aponta a Systemiq, no relatório China’s Food Future, que produziu com a Gordon and Betty Moore Foundation.

O estudo destaca que, nos últimos 40 anos, a China foi um “motor” da demanda agrícola global. “Remodelou” cadeias de suprimentos quando conciliou suas prioridades à sua capacidade industrial.

A situação, agora, é diferente. A relação com os mercados agrícolas vai depender da forma como o país pretende garantir seu próprio abastecimento.

Não é um choque pontual. É uma mudança estrutural. A pergunta não é ‘se’ e ‘como’ [será o impacto da política chinesa], mas ‘quando’ e ‘com qual intensidade’. E mais importante: como o agro brasileiro pode se reorganizar?”

— Patrícia Ellen, sócia-presidente da Systemiq na América Latina

Exportações de soja e carne bovina estão entre as que mais podem ficar expostas a riscos de queda na demanda chinesa. Na carne, o país impôs uma salvaguarda e estabeleceu uma cota de embarque com tarifa mais baixa.

O volume do Brasil com benefício tarifário é de 1,1 milhão de toneladas, quase 600 mil a menos do que o embarcado em 2025. Dados do governo chinês apontam que 50% se cumpriram. A indústria ainda aposta na força do país asiáticos, mas a avaliação é de que a cota veio para ficar.

Na soja, além da substituição de parte das importações por produção local, o Brasil tende a enfrentar maior concorrência com países como Estados Unidos e Argentina.

Na semana passada, os presidentes Donald Trump e Xi Jinping se reuniram, na tentativa de destravar tensões políticas e comerciais. Os dois presidentes falaram em resultados positivos, mas não detalharam eventuais acordos.

Posteriormente, o governo dos Estados Unidos anunciou que os chineses comprarão produtos agrícolas americanos. E recebeu do governo chinês a informação de que 77 frigoríficos exportadores de carne bovina foram habilitados para o comércio bilateral.

O Departamento de Agricultura americano (USDA) estima, para a safra 2025/26, uma produção de 20,90 milhões de toneladas do grão pela China e importações de 112 milhões. Para 2026/27, projeta uma colheita de 21 milhões de toneladas e importações de 114 milhões.

Em seu relatório, a Systemiq lembra que os chineses compram, em média, 71% da soja brasileira e 54% da americana. Na carne bovina, responde por mais da metade do que o Brasil exporta. Na Argentina, a proporção chega a 75%.

A empresa calcula que o cumprimento do Plano Quinquenal pode significar uma redução de 23,5 milhões de toneladas nas importações chinesas de soja, 25% em comparação com os níveis atuais.

“Reduções significativas nas importações de carne bovina, carne suína, laticínios e ovos também são projetadas, enquanto a demanda por milho aumenta modestamente com o ajuste nas reformulações de alimentos”, pontua o relatório.

A Systemiq destaca ainda que o plano do governo chinês inclui o desenvolvimento de proteínas alternativas e o fortalecimento de uma indústria de base biológica. E que os próximos 12 a 18 meses serão decisivos para acompanhar o cumprimento dessa agenda.

Patrícia Ellen avalia que, embora os resultados para a economia chinesa possam vir mais a longo prazo, o agro brasileiro deve se mobilizar de imediato para evitar seus efeitos.

Ela pontua que, dos principais produtos que o Brasil exporta para a China – soja, milho, carne bovina e carne de frango – o país é o principal comprador de quase todos.

Em um cenário conservador, explica Patrícia, o Brasil deixaria de exportar de 10 milhões a 20 milhões de toneladas de soja para a China até 2030. Seria algo como US$ 5 bilhões a US$ 20 bilhões por ano, a depender da reorganização do mercado.

“Não é só o volume. A redução da demanda chinesa tende a pressionar os preços internacionais e aumentar a concorrência, reduzindo margens ao longo da cadeia”, diz. “E atinge valor de terra, decisões de investimento, demanda por insumos, infraestrutura. Tem um efeito dominó”, acrescenta.

O agro brasileiro precisará se reorganizar, afirma Patrícia. É uma estratégia de defesa, mas também uma agenda de oportunidades: vender uma variedade cada vez maior de produtos e chegar a mercados que, embora não comprem nos mesmos volumes que os chineses, paguem valores mais elevados.

A executiva avalia que acordo comerciais, como Mercosul-União Europeia, Mercosul-EFTA (Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein), Mercosul-Cingapura tendem a trazer resultados positivos. Não substituem a China, mas ajudam a diluir riscos e a reduzir a exposição a movimentos da política chinesa.

Agregar valor às cadeias produtivas, posicionar-se como fornecedor de insumos para novos ramos de produção – como proteínas alternativas – e aumentar a aposta na bioeconomia, agropecuária de baixo carbono e biocombustíveis devem integrar essa estratégia de diversificação de mercados.

O agro também precisa ficar atento à China como fornecedor. O país está entre as principais origens de fertilizantes para o mercado brasileiro e, recentemente, decidiu restringir suas vendas externas do insumo.

A situação, junto com as guerras no Leste Europeu e no Oriente Médio, coloca ainda mais urgência à execução de uma política que reduza a dependência do Brasil de fertilizante importado.

“Não é um choque pontual. É uma mudança estrutural. A pergunta não é ‘se’ e ‘como’ [será o impacto da política chinesa], mas ‘quando’ e ‘com qual intensidade’. E mais importante: como o agro brasileiro pode se reorganizar?”, questiona Patrícia.

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