Clipping Diário

20 | Fevereiro | 2026

SIDERURGIA

Valor - SP   20/02/2026

Tendo já se desfeito de mais de 80% de suas participações acionárias, a Nippon Steel poderia vender mais 300 bilhões de ienes (US$ 1,94 bilhão). Isso ofereceria uma fonte de financiamento para grandes investimentos, como a modernização dos altos-fornos da U.S. Steel, além de melhorar a eficiência de capital da siderúrgica japonesa.

O diretor financeiro da Nippon Steel, Takahiko Iwai, mencionou essa possibilidade em entrevista ao “Nikkei Asia” sobre as finanças da empresa.

A Nippon Steel possuía cerca de 440 bilhões de ienes em participações acionárias ao fim de março de 2025. "Trabalhamos muito e vendemos uma quantidade considerável de ações", disse Iwai. "Temos cerca de 300 bilhões de ienes em ações negociadas em bolsa com alta liquidez, e o potencial de arrecadar esse valor se as vendermos."

Entre o ano fiscal de 2012 — quando a Nippon Steel foi formada por meio de uma fusão — e o ano fiscal de 2024, a empresa reduziu seus ativos em aproximadamente 2,1 trilhões de ienes, principalmente em participações acionárias. Para este ano fiscal, a previsão é de novos cortes de 100 bilhões de ienes, incluindo 50 bilhões de ienes referentes à sua participação na Nippon Steel Kowa Real Estate.

A Nippon Steel precisa de um capital considerável para financiar a aquisição da U.S. Steel e futuros investimentos.

Até junho deste ano, a empresa deverá refinanciar 2 trilhões de ienes em empréstimos de megabancos e outras instituições financeiras, contraídos para a aquisição.

Seu próximo plano de médio prazo, com término previsto para o ano fiscal de 2030, prevê investimentos de 6 trilhões de ienes ao longo de cinco anos. Isso inclui a modernização de altos-fornos obsoletos nos Estados Unidos — inclusive nas instalações da U.S. Steel — e a construção de novas siderúrgicas no país, além de investimentos na Índia e no Japão.

Entretanto, a eficiência do capital diminuiu constantemente, com o retorno sobre o patrimônio líquido caindo de mais de 20% no ano fiscal de 2021 para 6,9% no ano fiscal de 2024. A Nippon Steel prevê prejuízo líquido para o ano fiscal de 2025.

A empresa não considera a contribuição da U.S. Steel, levando em conta as incertezas no mercado americano, incluindo o impacto do rigoroso inverno no transporte.

Esses fatores levaram a empresa a otimizar seus ativos por meio de medidas como a venda de participações estratégicas, a fim de gerar lucro de forma mais eficiente. A empresa planeja outras medidas para esse fim, incluindo o ajuste de estoques.

Com uma demanda tão alta por recursos, a classificação de crédito da empresa é uma preocupação. A S&P Global Ratings rebaixou a classificação da Nippon Steel em julho passado de BBB+ para BBB, com potencial para novos rebaixamentos caso a empresa demonstre dificuldades em reduzir sua dívida com juros para menos de quatro vezes o seu ebitda (resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização) anual.

A empresa está considerando uma série de métodos para atender às suas futuras necessidades de capital. Além do endividamento, busca acelerar a alienação de ativos para gerar caixa de forma eficiente, sem prejudicar sua classificação de crédito.

O próximo plano de médio prazo da Nippon Steel prevê a redução da relação dívida/ebitda para menos de 3,5. "Queremos, na verdade, elevar nossa classificação", com vistas a futuras captações de recursos, afirmou Iwai.

"Quero argumentar que o acordo com a U.S. Steel e outros investimentos não se tratam apenas de expandir a escala, mas sim de aumentar nossos lucros", disse Iwai. "A indústria siderúrgica é vulnerável às flutuações econômicas. Precisamos garantir que nosso poder de geração de lucro seja superior ao de outras empresas."

A Nippon Steel tomou medidas para reduzir drasticamente o ponto de equilíbrio de seus negócios siderúrgicos no Japão, onde sua lucratividade é alta em comparação com as empresas estrangeiras. Em lucro operacional não consolidado, a empresa obteve 7.597 ienes por tonelada métrica de aço bruto produzido no ano fiscal de 2024, um aumento de 40% em relação à década anterior.

"Temos espaço para melhorar o ponto de equilíbrio se fabricarmos produtos mais avançados", disse Iwai.

Infomoney - SP   20/02/2026

A agência â  de classificação de risco Moody’s reduziu â  nesta quinta-feira (19) a nota de crédito da CSN (CSNA3) para B2 e definiu a perspectiva em negativa, o que significa que novos cortes podem ocorrer no curto prazo.

A agência reduziu a nota citando a estrutura de capital altamente alavancada da CSN e a necessidade da companhia de ‘implementar iniciativas de desalavancagem para reduzir níveis de endividamento, ônus dos juros e aumentar a geração de â  fluxo de caixa livre, a fim de evitar riscos â  de refinanciamento’.

Segundo a Moody’s, enquanto a CSN não conseguir executar o plano de levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões com a venda de ativos, ‘os indicadores de crédito permanecerão fracos e os riscos de liquidez elevados, principalmente durante períodos de volatilidade de mercado e maior aversão ao risco’.

A redução da nota pela Moody’s de Ba3 para B2 ocorreu depois que a agência Fitch cortou no início de fevereiro a recomendação da CSN de ‘BB’ para ‘BB-‘, colocando os ratings em observação negativa.

A CSN anunciou em meados de janeiro planos para vender o controle da sua operação de cimento, a segunda maior cimenteira do Brasil, e participações minoritárias em uma empresa a ser criada que reunirá â  seus ativos em infraestrutura logística.

Com as vendas, a CSN afirmou que conseguirá reduzir sua dívida líquida de R$ 37,5 â  bilhões em 50%.

Para a Moody’s, a liquidez da CSN é adequada, mas a queima de caixa e as necessidades vindouras de refinanciamento podem ‘criar risco de refinanciamento no médio prazo’.

A agência afirmou no comunicado sobre o corte do rating que a CSN tem R$ 16,5 â  bilhões em caixa, que a maior parte das próximas necessidades de refinanciamento â  são relacionadas a dívidas bancárias e que o próximo vencimento relevante de título de dívida da empresa está previsto para 2028. ‘Entretanto, com a atual queima de caixa, o risco de refinanciamento aumentou’, afirmou a Moody’s.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   20/02/2026

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação, tende a chegar, em meados deste ano, a seu nível mais próximo do centro da meta inflacionária de 3% para o acumulado em 12 meses, informou recente reportagem do Estadão com base em estimativas do mercado financeiro. Especialistas ouvidos consideram a tendência consistente e concordam que pode servir à exploração eleitoral, embora as opiniões se dividam sobre o peso que a economia terá na campanha.

De fato, o monitoramento do Banco Central (BC), que traça o paralelo entre a meta de inflação ao longo do tempo e o IPCA efetivamente registrado, lista também as tendências futuras no horizonte de um ano, captadas pelo boletim Focus, e mostra a inflação ao redor de 3,3% de março a julho deste ano. O mais próximo que o IPCA chegou da meta de 3%, em vigor desde janeiro de 2024, foi em abril daquele ano, com 3,69% – e por pouco tempo, já que no mês seguinte voltou a se aproximar dos 4%, numa escalada que levou a taxa aos 5,53% em abril de 2025.

Durante todo esse período, o Banco Central resistiu à pressão incessante do Planalto e do PT para afrouxar a política monetária, enfrentamento que foi ainda mais intenso nos dois primeiros anos do mandato de Lula da Silva, quando o banco ainda era presidido pelo indicado da gestão anterior, como manda a lei da autonomia. Foi a austeridade do BC que criou as condições para a atual expectativa de queda consistente da inflação, apesar da política de gastos crescentes do governo.

Mas, por óbvio, não será a imagem que o lulopetismo irá explorar na campanha eleitoral. Por certo, deve tentar surfar uma onda que não escalou, mas que não restem dúvidas: a busca pelo controle da inflação está sendo um esforço solitário do Banco Central.

Diante do alívio do cenário, o Comitê de Política Monetária (Copom) adiantou que pretende iniciar na reunião de março o ciclo de queda da taxa básica de juros, hoje em exorbitantes 15% ao ano. Mas fez questão de reafirmar “o firme compromisso” de trazer a inflação à meta. Há quem considere a meta de inflação irreal, mas, como o próprio presidente do BC, Gabriel Galípolo, declarou, o debate mais importante é sobre por que o País tem dificuldade de fazer a inflação convergir para a meta mesmo com juros tão altos.

Este jornal, mais uma vez, defende que a política fiscal tem de acompanhar o esforço da política monetária. Por mais restritivos que sejam os juros, a linha econômica do lulopetismo é incompatível com o controle inflacionário. Ao irrigar a economia com recursos públicos, com incentivo ao crédito, subvenções em série e simultâneos programas de distribuição de renda, Lula ao mesmo tempo fragiliza as contas do governo, que gasta muito mais do que arrecada, e gira o motor do consumo além do que a produção nacional é capaz de sustentar.

O quadro mais tranquilo da inflação neste início de 2026 ainda embute riscos e, como destaca o economista André Braz, da FGV, é preciso entender o que está por trás dos preços, como eles se formam e quais forças estão em jogo a cada momento.

Agrolink - RS   20/02/2026

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 5,136 bilhões entre janeiro e a segunda semana de fevereiro, com corrente de comércio de US$ 72,625 bilhões. O resultado decorre de US$ 38,88 bilhões em exportações e US$ 33,744 bilhões em importações. Os dados preliminares foram divulgados nesta quinta-feira (19) pela Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Apenas na segunda semana de fevereiro de 2026, a balança apresentou superávit de US$ 1,501 bilhão e corrente de comércio de US$ 12,403 bilhões, com exportações de US$ 6,952 bilhões e importações de US$ 5,451 bilhões. No acumulado do mês, as exportações somam US$ 13,727 bilhões e as importações, US$ 12,934 bilhões, gerando saldo positivo de US$ 793 milhões e corrente de comércio de US$ 26,661 bilhões.

Na comparação das médias diárias até a segunda semana de fevereiro de 2026 com igual período de 2025, as exportações cresceram 20,7%, passando de US$ 1,1 bilhão para US$ 1,3 bilhão. As importações avançaram 11,4%, de US$ 1,16 bilhão para US$ 1,29 bilhão.

No acumulado até a segunda semana de fevereiro, frente ao mesmo mês do ano anterior, as exportações registraram aumento médio diário de US$ 121,93 milhões na Indústria Extrativa, alta de 57,2%; de US$ 107,5 milhões na Indústria de Transformação, crescimento de 15,9%; e de US$ 3,41 milhões na Agropecuária, elevação de 1,4%.

Nas importações, na mesma base de comparação, houve crescimento médio diário de US$ 9,49 milhões na Indústria Extrativa, avanço de 20,0%; de US$ 127,78 milhões na Indústria de Transformação, alta de 11,8%; e retração de US$ 3,56 milhões na Agropecuária, queda de 13,4%.

Até a segunda semana de fevereiro de 2026, as exportações somaram US$ 2,46 bilhões na Agropecuária, US$ 3,35 bilhões na Indústria Extrativa e US$ 7,84 bilhões na Indústria de Transformação. O avanço foi impulsionado, principalmente, por produtos como milho não moído, frutas e nozes frescas ou secas, café não torrado, minério de ferro, minérios de cobre, óleos brutos de petróleo, carne bovina, produtos semiacabados de ferro ou aço e ouro não monetário. Por outro lado, houve redução nas vendas de trigo e centeio, soja, sementes oleaginosas, outros minerais em bruto, minérios de metais preciosos, sucos de frutas, óleos combustíveis e produtos laminados planos de ferro ou aço.

No mesmo período, as importações totalizaram US$ 0,23 bilhão na Agropecuária, US$ 0,57 bilhão na Indústria Extrativa e US$ 12,09 bilhões na Indústria de Transformação. O crescimento foi influenciado pelo aumento nas compras de animais vivos, cacau, soja, pedra, areia e cascalho, carvão, óleos brutos de petróleo, óleos combustíveis, fertilizantes químicos e plataformas e embarcações. Em contrapartida, recuaram as importações de trigo, milho, látex e borracha natural, outros minerais em bruto, minérios de metais de base, gás natural, compostos químicos, defensivos agrícolas e motores e máquinas não elétricos.

IstoÉ Dinheiro - SP   20/02/2026

O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira, 19, que o governo está otimista com a queda da taxa Selic a partir da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que será realizada entre os dias 17 e 18 de março. Segundo Alckmin, os juros atuais não se justificam pelos números brasileiros de inflação e de desemprego.

“Estamos otimistas com a queda dos juros. Não há razão mais para manter os juros nesse patamar. Então já há uma sinalização que a próxima reunião do Copom deve ter queda de juros. Nós estamos com a menor taxa chamada de desconforto. O que é a taxa de desconforto? É a soma da inflação, a taxa de inflação e desemprego”, declarou o presidente em exercício.

Alckmin participou nesta quinta-feira da 35ª Festa Nacional da Uva e Feira Agroindustrial, em Caxias do Sul (RS).

Ele comanda o Executivo até a semana que vem, tendo em vista que Lula está em viagem internacional para Índia e, no sábado, 21, irá para a Coreia do Sul onde ficará até a próxima terça-feira, 24.

Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), fez referência a uma conversa com representantes do setor do leite em pó, que está enfrentando um problema de importação, em razão da prática de dumping pela Argentina e pelo Uruguai. “Não adianta aumentar o imposto de importação, porque é área de livre comércio, é Mercosul. Então, o que nós estamos fazendo é um processo antidumping. Esse processo está em curso, ele deve ser concluído no próximo mês de março ou início de abril”, sustentou.

O Estado de S.Paulo - SP   20/02/2026

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), conhecido como uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), fechou 2025 com alta de 2,45% em relação a 2024, na série sem ajuste sazonal, informou a autarquia nesta quinta-feira, 19.

Considerando a métrica acumulada em 12 meses, o resultado representou uma aceleração em relação ao mesmo período até novembro, quando o avanço era de 2,39%.

O índice ex-agropecuário, que exclui os efeitos do setor, encerrou o ano com alta de 1,80% — também acelerando em relação ao mesmo intervalo de tempo até novembro, quando avançava 1,72% (revisado, de 1,71%).

O indicador da agropecuária acumulou alta de 13,05%, contra 13,22% (revisado, de 13,20%), no mesmo período até o mês anterior.

Na mesma base de comparação, a taxa acumulada pelo IBC-Br da indústria passou de 1,26% (revisado, de 1,24%) para 1,45%. O índice de serviços passou de 2,00% (revisado, de 2,02%) para 2,06%. O indicador de impostos — equivalente, em linhas gerais, à rubrica de impostos líquidos sobre produtos do PIB — passou de 1,23% (revisado, de 1,17%) para 1,24%.
Trimestre

O IBC-Br total cresceu 0,4% no trimestre móvel encerrado em dezembro, na série com ajuste sazonal e na comparação com os três meses anteriores. O índice ex-agro teve alta de 0,3%, e o específico do agro cresceu 2,8%. A indústria caiu 0,2%; os serviços aumentaram 0,5%; e os impostos subiram 0,3%.

Considerando o trimestre até dezembro, mas frente ao mesmo período de 2024 e na série sem ajuste sazonal, o IBC-Br total cresceu 1,69%. O índice ex-agropecuária teve alta de 1,62%, e o específico do agro, de 4,41%. A indústria avançou 0,81%; os serviços, 2,09%; e os impostos ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,58%.

Dezembro

O IBC-Br caiu 0,18% em dezembro, na comparação com novembro e na série com ajuste sazonal. No mês anterior, o índice subiu 0,59% (revisado, de 0,68%).

O recuo em dezembro foi menos intenso do que previa a mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava para uma queda de 0,40%. As estimativas do mercado iam de contração de 0,60% a expansão de 0,10%.

O IBC-Br ex-agropecuária, que exclui os efeitos do setor da conta, caiu 0,31%, após uma alta de 0,60% no mês anterior (revisado, de 0,71%). O indicador próprio da agropecuária subiu 2,26%, após alta de 0,07% em novembro (revisado, de -0,27%).

O índice de serviços recuou 0,26%, após alta de 0,59% no mês anterior (revisado de 0,64%); o da indústria aumentou 0,32%, após avanço de 0,58% em novembro (revisado, de 0,79%); e o de impostos diminuiu 0,17%, após alta de 1,01% (revisado, de -1,13%).
Interanual

Na comparação com dezembro de 2024, o IBC-Br total aumentou 3,05% na série sem ajuste sazonal — acima da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de alta de 2,30%. As estimativas do mercado, todas positivas, iam de 1,10% a 3,50%.

O índice ex-agropecuária cresceu 2,94% na comparação interanual, após alta de 1,23% no mês anterior (revisado, de 1,18%). O da agropecuária teve alta de 6,35%, após ter crescido 3,10% em novembro (revisado, de 3,59%).

O indicador de serviços cresceu 3,08%, após alta de 1,98% (revisado, de 2,04%). O da indústria subiu 2,26%, depois de ter caído 0,17% (revisado, de -0,26%). O índice de impostos subiu 2,59%, após alta de 0,08% (revisado, de -0,30%).

Exame - SP   20/02/2026

O mais recente relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a economia da China, divulgado nesta quinta-feira, 19, aponta uma desaceleração moderada do crescimento, com projeção de expansão do PIB de 4,5% em 2026. Em 2025, a alta foi de 5%.

Segundo a instituição, a redução reflete os efeitos prolongados das tarifas comerciais, especialmente as dos EUA, e das incertezas relacionadas às políticas de comércio exterior. O relatório também prevê a continuidade de pressões deflacionárias, com a inflação apresentando apenas recuperação gradual em um cenário de atividade econômica enfraquecida.

No longo prazo, o FMI avalia que o potencial de crescimento do país tende a ser limitado por fatores estruturais, como problemas demográficos, refletidos no envelhecimento da população, na redução da força de trabalho, em retornos decrescentes do investimento e um avanço mais lento da produtividade.

O estudo destaca ainda que a economia chinesa enfrenta desafios tanto internos quanto externos, associados a políticas domésticas e a um ambiente geopolítico incerto. A fraqueza persistente da demanda interna pode consolidar o quadro de baixa inflação, enquanto as exportações devem ter menor capacidade de sustentar o crescimento nos próximos anos. O conselho do Fundo também projeta desaceleração do crescimento potencial no médio prazo, em razão do envelhecimento demográfico e de baixos níveis de produção.

Mercado imobiliário em encolhimento

No plano doméstico, um dos principais focos de preocupação é a contração do mercado imobiliário, que tem reduzido a atividade econômica, elevado os níveis de endividamento e enfraquecido a demanda interna. Esse cenário aumenta a dependência das exportações — um tema que está sendo abordado no atual plano de cinco anos que busca fortalecer o mercado consumidor interno.

Para enfrentar esses desafios, o FMI recomenda a transição para um modelo de crescimento mais orientado ao consumo interno, apoiado por políticas fiscais expansionistas e estímulos fiscais. Entre as medidas sugeridas estão ajustes no setor imobiliário, incluindo financiamento do governo central para concluir imóveis pré-vendidos e inacabados, com o objetivo de restaurar a confiança dos consumidores.

O fortalecimento da rede de proteção social também é apontado como forma de reduzir a poupança por precaução e estimular o consumo.

O conselho executivo do fundo avalia que a sustentabilidade da dívida pública exigirá, no longo prazo, um processo significativo de consolidação fiscal, que deverá ser implementado apenas após uma recuperação econômica consistente.

Apesar dos desafios, os diretores do Fundo destacaram a resiliência da economia chinesa diante de sucessivos choques nos últimos anos, além de ressaltar os benefícios da integração do país ao comércio multilateral e os avanços em políticas climáticas.

Globo Online - RJ   20/02/2026

O déficit comercial dos Estados Unidos aumentou em dezembro de 2025, encerrando um ano turbulento marcado pela política tarifária do presidente Donald Trump. O déficit de bens e serviços se ampliou em relação ao mês anterior, chegando a US$ 70,3 bilhões, mostraram dados do Departamento de Comércio divulgados nesta quinta-feira.

O resultado culminou em um déficit anual de US$ 901,5 bilhões no comércio exterior dos EUA, ainda um dos maiores da série histórica iniciada em 1960, mesmo com a política protecionista adotada pelo republicano.

Ao mesmo tempo, a China, principal alvo da guerra comercial de Trump, terminou o ano passado com um recorde no seu superávit comercial, superando US$ 1 trilhão com a melhor marca que um país já alcançou na História. Os números são um indicativo de que o país liderado por Xi Jinping, cujas vendas para os EUA caíram muito, encontrou rotas de escoamento de sua produção para a maior economia do mundo por meio de outros mercados asiáticos, driblando as tarifas de Trump.

“Depois de todas as manchetes sobre tarifas e das oscilações nos dados, o déficit comercial praticamente não se alterou em 2025”, afirmou Oren Klachkin, economista de mercados financeiros da Nationwide, em nota. “Com o impacto máximo das tarifas provavelmente já tendo ficado para trás, esperamos que o comércio entre em um ritmo mais previsível”.

Os dados comerciais foram particularmente voláteis em 2025, mês a mês, à medida que importadores dos EUA reagiam a um persistente bombardeio de anúncios de tarifas pelo presidente Trump. As importações de ouro e de produtos farmacêuticos foram especialmente instáveis, enquanto as empresas corriam para antecipar-se a tarifas mais elevadas.

O déficit de dezembro — mais amplo do que todas as estimativas, exceto uma, em pesquisa da Bloomberg com economistas — refletiu um aumento de 3,6% no valor das importações, incluindo ganhos em acessórios de informática e veículos automotores. As exportações de bens e serviços recuaram 1,7%, refletindo em grande parte menores embarques de ouro para o exterior.

Antes da divulgação dos números, a projeção GDPNow, do Federal Reserve Bank de Atlanta, indicava que as exportações líquidas adicionariam cerca de 0,6 ponto percentual ao crescimento do quarto trimestre, agora estimado em 3,6%. Mas, após o relatório, vários economistas passaram a prever um impulso menor do comércio — ou até mesmo um efeito negativo — antes do relatório de sexta-feira sobre o Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre.

Após o ajuste pelas variações de preços, que entram no cálculo do PIB real, o déficit comercial de mercadorias aumentou para US$ 97,1 bilhões em dezembro, o maior desde julho. O comércio de ouro, salvo quando destinado a usos industriais, como na produção de joias, é excluído do cálculo do PIB pelo governo.

“Com o relatório comercial de dezembro em mãos, podemos estimar que as exportações líquidas contribuíram pouco para o crescimento real do PIB no quarto trimestre. Em linha com outros dados recentes, as importações de bens de capital — lideradas por produtos relacionados à IA — continuaram a sinalizar um forte investimento doméstico no fim do ano”, diz, em nota, Troy Durie, analista da Bloomberg Economics.

Trump tem recorrido às tarifas como parte de sua estratégia para reduzir a dependência de bens estrangeiros, incentivar o investimento doméstico e reverter décadas de queda no emprego industrial. Ele e sua equipe econômica têm criticado pesquisas que concluem que os americanos arcaram com os custos das tarifas.

Uma das maiores incógnitas para o comércio é se a Suprema Corte confirmará a autoridade de Trump para impor tarifas abrangentes por meio de uma lei de emergência. Uma decisão pode sair já na sexta-feira, embora o tribunal nunca anuncie com antecedência quais decisões serão divulgadas.

No ano passado, as empresas dos EUA importaram quase US$ 145 bilhões a mais em computadores e acessórios do que em 2024. A aceleração da demanda refletiu o maciço investimento em curso em inteligência artificial.

Por país, o déficit com a China diminuiu acentuadamente — chegando a cerca de US$ 202 bilhões, o menor em mais de 20 anos e reflexo das tarifas mais altas que Trump impôs às importações chinesas. O comércio, por sua vez, foi em grande parte redirecionado por meio de outros países, como México e Vietnã, onde os déficits atingiram níveis recordes.

Enquanto isso, o déficit com Taiwan no ano passado aumentou para um recorde de US$ 146,8 bilhões, enquanto o saldo negativo anual com o Canadá diminuiu.

Dados separados divulgados nesta quinta-feira mostraram que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA caíram na semana passada, na maior queda desde novembro.

Infomoney - SP   20/02/2026

O diretor do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) Stephen Miran reduziu suas expectativas sobre o quanto o BC dos Estados Unidos deve cortar as taxas de juros este ano, dizendo que os dados recentes refletem uma economia mais forte do que ele esperava.

Os últimos números sugerem que o emprego se manteve melhor do que Miran antecipava, enquanto a inflação de bens pareceu mais teimosa, disse ele em uma entrevista ao The Peg, um blog do Substack administrado pela jornalista Izabella Kaminska. Como resultado, Miran afirmou que não acredita mais que o banco central deva planejar cortar juros tanto este ano quanto pensava há dois meses.

“O mercado de trabalho veio um pouco melhor do que eu esperava nos últimos meses”, comentou na entrevista. “Há alguns sinais de ainda mais firmeza na inflação de bens. E então essas duas coisas combinadas me fariam desfazer o que fiz em dezembro”.
No gráfico de pontos trimestral do Fed no fim do ano, Miran havia projetado que as taxas caíssem para abaixo de 2,25% até o final de 2026; agora ele prefere retornar à posição menos agressiva que manteve em setembro, o que colocaria as taxas abaixo de 2,75% em dezembro deste ano.

A nova posição, que implica um corte total de um ponto porcentual, ainda o deixa entre os oficiais mais dovish do Fed, contrastando fortemente com a projeção mediana dos oficiais de que o BC deve cortar as taxas em apenas um quarto de ponto este ano.

Anteriormente, o diretor havia alertado que a falha em cortar profundamente os juros poderia prejudicar a economia e rejeitou preocupações sobre a inflação de bens.

Na entrevista, Miran não comentou sobre como planeja votar na próxima reunião do Fed em março, onde os traders esperam amplamente que o BC norte-americano mantenha as taxas estáveis, estendendo a pausa decidida no mês passado.

IstoÉ Dinheiro - SP   20/02/2026

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) fechou 2025 com alta de 2,45% em relação a 2024, na série sem ajuste sazonal, informou a autarquia nesta quinta-feira, 19.

Considerando a métrica acumulada em 12 meses, o resultado representou uma aceleração em relação ao mesmo período até novembro, quando o avanço era de 2,39%.

O índice ex-agropecuário, que exclui os efeitos do setor, encerrou o ano com alta de 1,80% – também acelerando em relação ao mesmo intervalo de tempo até novembro, quando avançava 1,72% (revisado, de 1,71%).

O indicador da agropecuária acumulou alta de 13,05%, contra 13,22% (revisado, de 13,20%), no mesmo período até o mês anterior.

Na mesma base de comparação, a taxa acumulada pelo IBC-Br da indústria passou de 1,26% (revisado, de 1,24%) para 1,45%. O índice de serviços passou de 2,00% (revisado, de 2,02%) para 2,06%. O indicador de impostos – equivalente, em linhas gerais, à rubrica de impostos líquidos sobre produtos do Produto Interno Bruto (PIB) – passou de 1,23% (revisado, de 1,17%) para 1,24%.

Trimestre

O IBC-Br total cresceu 0,4% no trimestre móvel encerrado em dezembro, na série com ajuste sazonal e na comparação com os três meses anteriores. O índice ex-agro teve alta de 0,3%, e o específico do agro cresceu 2,8%. A indústria caiu 0,2%; os serviços aumentaram 0,5%; e os impostos subiram 0,3%.

Considerando o trimestre até dezembro, mas frente ao mesmo período de 2024 e na série sem ajuste sazonal, o IBC-Br total cresceu 1,69%. O índice ex-agropecuária teve alta de 1,62%, e o específico do agro, de 4,41%. A indústria avançou 0,81%; os serviços, 2,09%; e os impostos ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,58%.

IstoÉ Dinheiro - SP   20/02/2026

O fluxo cambial está positivo em US$ 6,556 bilhões em 2026 até o dia 13 de fevereiro, segundo dados preliminares divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira, 19.

O canal financeiro apresenta entradas líquidas de US$ 6,041 bilhões. Já o fluxo comercial é positivo, somando US$ 514 milhões no ano.

O segmento financeiro tem compras de US$ 91,038 bilhões e vendas de US$ 84,996 bilhões no período. Esse canal inclui investimentos diretos e em carteira, remessas de lucro, pagamento de juros e outras operações.

O canal comercial tem importações de US$ 28,894 bilhões e exportações de US$ 29,409 bilhões. Nas exportações, estão inclusos US$ 3,798 bilhões em adiantamento de contrato de câmbio (ACC), US$ 5,344 bilhões em pagamento antecipado (PA) e US$ 20,267 bilhões em outras operações.

Fevereiro até dia 13

O Pais registrou fluxo cambial positivo de US$ 1,488 bilhão em fevereiro até dia 13, segundo dados preliminares divulgados pelo Banco Central. Em janeiro, houve entrada líquida de US$ 5,067 bilhões.

O canal financeiro registrou saída líquida de US$ 181 milhões. Isso é o resultado de compras no valor de US$ 26,097 bilhões e vendas no total de US$ 26,277 bilhões.

No comércio exterior, o saldo do mês foi positivo em US$ 1,669 bilhão, com importações de US$ 8,116 bilhões e exportações de US$ 9,785 bilhões. Nas exportações, estão incluídos US$ 1,449 bilhão em Adiantamento de Contrato de Câmbio, US$ 1,615 bilhão em Pagamento Antecipado e US$ 6,722 bilhões em outras operações.

MINERAÇÃO

CNN Brasil - SP   20/02/2026

A Rio Tinto registrou lucro líquido de US$ 9,97 bilhões em 2025, o que representou uma queda de 14% ante o ganho de US$ 11,55 bilhões registrado no ano anterior, segundo balanço divulgado nesta quinta-feira (19).

A mineradora, no entanto, manteve o nível da distribuição de dividendos, já que os ganhos subjacentes - um indicador que exclui alguns itens não recorrentes - permaneceram praticamente estáveis, em US$ 10,87 bilhões. Analistas esperavam lucros subjacentes de US$ 11,03 bilhões, de acordo com estimativas compiladas pela Visible Alpha.

Os diretores da companhia declararam um dividendo final de US$ 2,54 por ação, o que elevou o pagamento total da mineradora no ano para US$ 4,02 por ação - mesmo valor do ano anterior. O consenso da Visible Alpha projetava dividendo anual de US$ 3,97.

A Rio Tinto ganhou 7,6% a menos com o minério de ferro de suas minas australianas em 2025 em comparação com o ano anterior. Por outro lado, as cotações do cobre e do alumínio das operações globais subiram.

As minas de minério de ferro australianas ainda representaram mais da metade dos lucros, mas a Rio Tinto tem buscado diversificar as operações com investimentos em outras commodities, como o cobre e o lítio.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   20/02/2026

Montadoras definiram o desenvolvimento conjunto de quatro modelos para América do Sul

O presidente de mercados globais da General Motors, Rory Harvey, trabalha na montadora americana há 36 anos e afirma ter presenciado mais mudanças no setor nos últimos cinco anos do que nos 31 anteriores. “E haverá ainda mais nos próximos dois”, diz. Para acelerar a adaptação, a companhia aposta na parceria com a coreana Hyundai, que começou a ganhar corpo na segunda metade de 2025 e terá na América do Sul, segundo Harvey, seu principal foco de sinergias.

“Buscamos sempre oportunidades para desenvolver produtos de forma eficiente. Poder fazer isso com um parceiro neste cenário é benéfico para nós, para a Hyundai e para o consumidor”, disse Harvey ao Valor, durante recente visita ao Brasil.

O compartilhamento de plataformas de veículos é o eixo do acordo entre as montadoras americana e coreana, celebrado em 2024 e que começou a ser detalhado há seis meses. Para a América do Sul, foi definido o desenvolvimento conjunto inicial de quatro modelos, entre carros e SUVs compactos e picapes.

Com a fábrica da Hyundai em Piracicaba (SP) e mais quatro da GM, em São Caetano do Sul (SP), São José dos Campos (SP), Gravataí (RS) e Joinville (SC), o Brasil desponta como o principal polo de produção dessa união na região.

Para Harvey, escala é o caminho para a indústria automobilística atravessar tempos voláteis. “Diante de toda essa volatilidade, todo o mundo está buscando escala, eficiência e como fazer as coisas da maneira mais econômica possível. Às vezes, surgem oportunidades de fazer parcerias que permitem alcançar objetivos que talvez não fossem possíveis de outra forma”, afirma.

A conversa com Harvey e a pausa para as fotos aconteceram no intervalo de uma agenda que envolveu desde compromissos locais a tomadas de decisões globais. Na noite anterior à entrevista, ele teve encontros com concessionários brasileiros; no dia da conversa com o Valor, pela manhã, já havia revisado normas regulatórias na região do Pacífico.

São os ossos do ofício do executivo que está no comando das operações da segunda maior montadora do mundo, com vendas anuais de 6,18 milhões de veículos, faturamento de U$ 185 bilhões (2025), presente em 140 países e uma estrutura industrial que emprega 150 mil pessoas.

Nascido em Brighton, cidade turística na costa sul da Inglaterra, Harvey tem formação em engenharia mecânica e sua história com a GM começou na Europa, quando a montadora ainda era dona da marca britânica Vauxhall e da europeia Opel, posteriormente adquiridas pela Stellantis. Harvey ocupou cargos de comando em ambas.

Mais tarde, chefiou a Cadillac, marca icônica do grupo GM, entre outras funções nas áreas de vendas na América do Norte. Lidera, agora, as operações da América do Norte, China e mercados internacionais.

Ao lado do alemão Thomas Owsianski, que acaba de assumir a presidência da GM na América do Sul, Harvey diz que a instabilidade econômica da região serve de aprendizado para outros mercados. “Acho que se você conseguir se adaptar a algumas das mudanças, e às diferentes circunstâncias que existem na América do Sul, é uma ótima prova de que pode aplicar alguns desses aprendizados em outras partes do mundo, porque a complexidade aqui é bastante significativa e, em outras regiões, nem sempre é tão complexa”, destaca.

Harvey faz uma pausa no raciocínio, com o cuidado de evitar ser mal-entendido. “Não quero que isso seja interpretado erroneamente como se fosse difícil fazer negócios aqui. Mas existe um certo grau de variabilidade na América do Sul. E acho que isso é uma vantagem para podermos dar o nosso melhor, sermos capazes de nos adaptar, e aplicar essas lições em outros lugares.”

“Precisamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir um futuro sustentável nesta região e acredito que temos todas as condições para isso”, completa o executivo.

Se temos uma industrialização profunda, deveria haver alguma forma de reconhecimento”

— Rory Harvey

A América do Sul se insere nas discussões em torno da eletrificação, um dos temas mais polêmicos na indústria automobilística hoje. Para Harvey, a realidade não é a mesma em todos os países. “E nisso precisamos ser ágeis. A quantidade de carros elétricos é significativa na Noruega, por exemplo, onde a infraestrutura (de recarga) também é”, diz.

“Já nos Estados Unidos, havia regulamentações de emissões que precisavam ser cumpridas e a venda de elétricos progredia rapidamente. Mas havia um incentivo [do governo] de US$ 7,5 mil em cada carro que terminou em setembro. Obviamente, alguns anteciparam as compras para aproveitar o incentivo”, afirma. Então, diz, a adoção de novas energias depende de regulamentações, da demanda do consumidor e da infraestrutura.

O executivo lembra que os custos da tecnologia dos veículos elétricos em relação aos motores a combustão têm diminuído e continuarão a cair à medida que a escala continuar a crescer e a tecnologia de baterias evoluir.

Para ele, a eletrificação ainda é o “objetivo final”. Resta saber qual caminho seguir. “E esse caminho não é uniforme em todos os países”, destaca.

Além da eletrificação, outro desafio nessa indústria hoje é a direção autônoma, a evolução do carro que dispensará o motorista. Segundo Harvey, o setor trabalha com diferentes tecnologias. “Já utilizamos o ‘supercruise’ em diversos países”, diz. Trata-se de um sistema de reconhecimento que permite ao motorista tirar as mãos do volante por períodos limitados, mas sem tirar os olhos dele e do caminho. Se o sistema detectar que o condutor não está prestando atenção, ele receberá alertas e terá que assumir o controle.

Como outras montadoras veteranas no Brasil, a GM, que completou 100 anos no país em 2025, está atenta ao aumento da concorrência chinesa. No ano passado, a marca manteve-se em terceiro lugar no mercado brasileiro de carros e comerciais leves, com 10,82%. Entretanto, enquanto o mercado cresceu 2,1% e as fatias de algumas marcas chinesas dispararam, as vendas da GM recuaram 12,45%.

Harvey está atento ao debate em torno de um dos temas mais discutidos no setor no Brasil hoje: a expectativa sobre eventuais reivindicações de marcas chinesas ao governo brasileiro para garantir cotas de veículos importados semimontados livres de impostos.

O executivo diz que não é possível saber se as regras vão mudar. Por isso, ele não pode dizer o que a GM faria nesse caso.

“Acredito que, se temos uma industrialização profunda, deveria haver alguma forma de reconhecimento”. A GM do Brasil está em meio a um plano de investimentos de R$ 7 bilhões que abrange o período de 2024 a 2028. O programa prevê modernização de fábricas e desenvolvimento de tecnologias de eletrificação.

“Se estivermos ajudando a promover o PIB do país e gerando empregos significativos, eu gostaria de pensar que essas coisas são dignas de reconhecimento, sim”, diz.

O Estado de S.Paulo - SP   20/02/2026

Medida ainda não é oficial, mas UE prevê série de regras na produção de futuros modelos eletrificados no bloco

Não é só no Brasil que há discussões sobre a importação de componentes para montar carros elétricos e híbridos - especialmente sobre marcas e carros chineses. Agora, a União Europeia prepara uma medida para proteger a região de mais domínio do país oriental.

De acordo com o Financial Times, que teve acesso ao esboço do projeto, o bloco quer que pelo o menos 70% dos componentes dos veículos eletrificados vendidos no continente sejam fabricados dentro dos países membros. A porcentagem é calculada com base no custo das peças.

A Comissão Europeia ainda não oficializou o índice de 70%, mas a mídia estrangeira fala que a estrutura política para a aprovação do projeto está em construção. A porcentagem, por sua vez, poderá ser ajustada no documento final.

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Baterias ficam de fora

Ainda segundo o texto, a bateria estaria excluída desse movimento, mas as principais peças da bateria deverão ser feitas dentro da UE. O FT fala que este última medida encontrou forte resistência dentro da indústria automobilística europeia devido a dependência de alguns componentes e matérias-primas provenientes justamente da... China.

O projeto prevê mais restrições. Para serem elegíveis a subsídios governamentais ou contratos públicos, os novos veículos elétricos, híbridos e movidos a células de combustível (hidrogênio) terão de ter uma porcentagem mínima de peças, como janelas e portas, construídas com 25% de alumínio e 30% de plásticos produzidos na UE.

Segundo o Financial Times, a Europa busca essa medida para proteger umas das principais bases industriais do continente, avaliada em 2,6 trilhões de euros.

Stellantis e VW apoiam; BMW faz alerta

A publicação aponta ainda que o projeto traz opiniões divergentes em relação às fabricantes. VW e Stellantis querem o chamado programa “Made in Europe”, que incentive as montadoras a utilizarem conteúdo local em seus veículos. Já a BMW diz que as novas regras, se confirmadas, acarretariam “custos e burocracias desnecessárias”.

Há também quem sugira algumas “brechas” no regulamento. Fabricantes querem que componentes vindas de outros países, como Turquia, Reino Unido e até Japão, também façam parte da cota.

Brasil também debate a importação de peças da China

No Brasil há uma disputa parecida. O país definiu aa aplicação de cota temporária de isenção de imposto de importação de kits SKD e CKD (semidesmontados e desmontados) no valor de US$ 463 milhões por seis meses.

O prazo se encerrou em janeiro e não foi renovado. Atualmente, esses conjuntos de peças para montar carros aqui são taxados com alíquotas que vão de 18% e 20%.

A batalha entre montadoras não é de ontem. À época da deliberação da isenção fiscal, fabricantes tradicionais como Volkswagen, General Motors, Toyota e Stellantis divulgaram carta contra o pedido da BYD, que clamava pela redução das tarifas de importação de kits semidesmontados e montados.

FERROVIÁRIO

O Estado de S.Paulo - SP   20/02/2026

Neste ano, os paulistanos devem ganhar duas novas linhas de transporte sobre trilhos. Uma delas é a 17-Ouro, monotrilho que irá ligar a estação Morumbi, da Linha 9-Esmeralda, ao aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. A outra é a Linha 6-Laranja do metrô, que irá unir, quando finalizada, a região da Brasilândia, na zona norte, à estação São Joaquim, na Linha 1-Azul, na região central.

Essa linha ficou parada vários anos devido a problemas que atingiram os consórcios inicialmente responsáveis por sua construção até ser assumida em outubro de 2020 pela empresa espanhola Acciona.

“Quando começamos, havia apenas cerca de 2% da obra finalizados. Eram só alguns poços escavados e canteiros”, afirma André De Angelo, CEO da Acciona no Brasil. “Atualmente, temos mais de 11 mil funcionários trabalhando em três turnos para manter o cronograma e iniciar a operação ainda este ano.”

Com investimento total de R$ 19,1 bilhões, o projeto da Linha 6-Laranja é uma parceria público-privada (PPP) do governo do Estado com a concessionária Linha Universidade (Linha Uni). Quando pronta, a Linha 6 terá 15,3 km de extensão, 15 estações e estimativa de transportar 633 mil passageiros por dia. Confira mais detalhes na entrevista a seguir.

Quando a primeira fase da Linha 6-Laranja será entregue?

Mais de 77% da obra toda está finalizada. Devemos iniciar a operação do tramo sul da linha em outubro. Essa primeira fase está com 87,56% das obras finalizadas. Esse primeiro trecho inclui a entrega de oito estações: Brasilândia, Itaberaba-Hospital Vila Penteado, João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Sesc-Pompeia e Perdizes. A estação Maristela, entre Brasilândia e Itaberaba, porém, ficará para o final de 2027. Ali encontramos alguns problemas com relação à geologia que atrasaram o cronograma de entrega.

O que a Acciona tem feito para manter esse cronograma de entrega?

Atualmente, temos mais de 11 mil funcionários trabalhando nas obras. É muita gente. Uma das providências é intensificar o trabalho nas oito estações com a inclusão do terceiro turno. Isso, aliás, já aconteceu outras vezes também como forma de manter o cronograma da obra. De noite, procuramos evitar movimentos externos que tragam muitos ruídos e incomodem a vizinhança. Nesse período, procuramos focar em obras relacionadas ao acabamento interno das estações. Mas tudo é muito dinâmico e também há outras atividades a fazer. Os trens, por exemplo, só podem ser testados durante a noite. É justamente nesse horário que é possível energizar a linha para fazer os testes necessários. Depois de tudo feito, é preciso desenergizar a via. São, no mínimo, 6 horas de trabalho. Depois, mais duas para desenergizar tudo - que é preciso fazer para segurança dos operários. E tudo isso a cerca de 30, 40 metros de profundidade ou mais, dependendo do local.

O que os usuários irão encontrar de novidade em relação às demais linhas de metrô de São Paulo?

É bom lembrar que o projeto inicial dessa linha é de 2013, 2014. Mas o que foi possível adaptar, dentro dos limites da licitação havia sido feita, foi atualizado e modernizado. Assim, os passageiros irão encontrar tudo o que há de mais moderno e atual em termos de mobilidade urbana. As estações são amplas, têm excelente acessibilidade e já serão entregues com portas nas plataformas, o que dará mais segurança aos usuários. Muito diferente do que acontece com algumas linhas atuais que tiveram que adaptar as portas em estações antigas. Também haverá muitos espaços para comércio, o que irá oferecer mais conforto aos usuários. Os trens são supermodernos, confortáveis e com condução 100% autônoma, como nas linhas 4 e 5.
Quando finalizada, o ramal terá 15,3 km de extensão e 15 estações630 mil passageiros devem usar a linha por diaPrimeira fase será entregue em outubro deste ano com 8 estações: Brasilândia, Itaberaba, João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Sesc-Pompeia e Perdizes A estação Maristela (entre Brasilândia e Itaberaba) ficará para 2027Segunda fase será entregue no final de 2027 com 6 estações: PUC-Cardoso de Almeida, Faap-Pacaembu, Higienópolis-Mackenzie, 14 Bis-Saracura, Bela Vista e São Joaquim66,91 metros é profundidade da estação Itaberaba, a maior da linhaR$ 19,1 bilhões é o total de investimento previsto

A Tribuna - SP   20/02/2026

Brasil e o Reino Unido ampliarão a cooperação técnica no setor ferroviário. O Ministério dos Transportes firmou um memorando de entendimento com a Crossrail International Limited, ligada ao Departamento de Transportes britânico, para promover intercâmbio e colaboração em eficiência logística.

“Sinalizamos que nosso país está comprometido com boas práticas, planejamento responsável e ambientes regulatórios estáveis, elementos essenciais para atrair investimentos e viabilizar projetos estruturados”, destacou o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro.

O acordo, assinado na semana passada, em Brasília, estabelece diretrizes para a troca de conhecimento, experiências e boas práticas em áreas como planejamento, governança, regulação, sustentabilidade, segurança operacional e desenvolvimento de modelos de financiamento de infraestrutura.

O documento também prevê a criação de um canal de interlocução com outras instituições públicas britânicas, entre elas a UK Export Finance, o Office of Rail and Road, a Transport for London (TfL) e a Network Rail.

Segundo o diretor de desenvolvimento da Crossrail International, Mark Lench, a iniciativa marca o início de uma nova fase de parceria entre os dois países. “Nosso compromisso é assegurar que nosso conhecimento e experiência estejam disponíveis ao governo brasileiro. Vemos este memorando como o início de uma parceria de longo prazo na malha ferroviária brasileira”, afirmou.

Expansão

A aliança é firmada em um momento de expectativa para a ampliação dos investimentos ferroviários no País. A Política Nacional de Concessões Ferroviárias, lançada em novembro de 2025, estruturou uma carteira de projetos que soma mais de 9 mil quilômetros de ferrovias.

A previsão é realizar oito leilões, com expectativa de atrair cerca de R$ 140 bilhões em investimentos e potencial estimado em até R$ 600 bilhões ao longo dos contratos. Entre os empreendimentos previstos estão o Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), a Ferrogrão, o Corredor Leste-Oeste, a Malha Oeste e corredores da Malha Sul.

“O setor ferroviário de carga passa por um excelente momento, com recorde de produção, redução de acidentes e maior eficiência operacional”, afirmou o diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), Davi Barreto.

NAVAL

IstoÉ Dinheiro - SP   20/02/2026

O Porto de Santos (SP), o maior da América Latina, movimentou recorde de 12,7 milhões de toneladas de cargas em janeiro de 2026. O número é 9,5% maior em comparação com igual mês de 2025 (11,6 milhões de t) e 6,8% maior que o recorde anterior (2024, quando foram 11,9 milhões de t). Em contêineres, o resultado também é histórico: foram 467 mil TEU (medida padrão internacional utilizada para calcular a capacidade de carga em navios), marca 1,4% maior ante janeiro de 2024 e melhor resultado para o mês.

O levantamento é da Autoridade Portuária de Santos (APS) e foi divulgado nesta quinta-feira, 19.

Conforme comunicado da APS, empresa pública, vinculada ao Ministério dos Portos e Aeroportos, janeiro é, historicamente, o mês do ano de menor movimentação de cargas, por causa de fatores climáticos e mercadológicos. No entanto, “2026 começou com marcas históricas”.

Os recordes de janeiro de 2026 foram puxados mais uma vez pelo agronegócio. Os destaques foram o açúcar, que reverte a tendência de queda observada em 2025 e registra no mês crescimento de 36,8% em relação ao ano anterior, com embarque de 1,57 milhão de toneladas.

O complexo soja (grãos e farelo), com disponibilidade do produto e demanda externa aquecida, teve aumento de 79,6% em relação a 2025, com embarque de 1,56 milhão de toneladas.

A movimentação de contêineres cresceu de 460.786 TEU em janeiro de 2024 para 467.223 neste ano. O número de atracações foi de 446, aumento de 2,5% em relação a janeiro de 2025 (quando foram 435 atracações). A participação de Santos na corrente comercial brasileira teve leve recuo em relação ao fechamento do ano de 2025, de 29,6% para 29,5%.

O presidente da APS, Anderson Pomini, disse no comunicado: “acabamos de receber do governo do presidente Lula a aprovação da ampliação da área do Porto de Santos, o que vai garantir que os recordes continuem sendo quebrados”.

PETROLÍFERO

Exame - SP   20/02/2026

Aproveitando a alta na renda trazida pela exploração de petróleo, a Guiana está se preparando para investir em outras áreas-chave para potencializar sua economia, incluindo gás natural.

O país vem se consolidando no setor do petróleo. Ao explorar reservas no mar, se tornou a nação que mais cresce no mundo e chegou a "premiar" os moradores com pagamentos em dinheiro.

A Guiana constrói atualmente um novo gasoduto, que levará gás natural dos campos de petróleo em águas profundas até a costa, onde o produto será usado para gerar energia e em outros projetos de desenvolvimento.

O projeto em Berbice, será finalizado “muito em breve”, disse o presidente Irfaan Ali na Conferência de Energia da Guiana, em Georgetown, na terça-feira, 17.

No evento, a Guiana também anunciou a construção de uma hidroelétrica de 165 megawatts na cachoeira de Amaila Falls.

Segundo o presidente da Guiana, Irfaan Ali, a Guiana deve investir nas áreas de energia, gás natural e gás de cozinha para atender as demandas das indústrias de petróleo e gás que continuam se expandindo.

De acordo com Ali, o país busca investimento para dois novos aeroportos internacionais, além de realizar tratativas com o Suriname para um projeto de integração de petróleo em alto-mar.

Parceria com ExxonMobil

O crescimento na Guiana chamou a atenção de empresas como a ExxonMobil, que se declarou comprometida com o acelerado desenvolvimento de gás natural da Guiana, mas desde que o governo do país se comprometa com projetos industriais.

O governo da Guiana pressiona há tempos a Exxon a elaborar e construir projetos que utilizem gás natural, incluindo plantas petroquímicas e possíveis data centers, em um esforço para diversificar o setor de energia do país além do petróleo.

A Exxon lidera o consórcio de petróleo responsável pela operação do Bloco Stabroek no país, que é operado com a também americana Chevron e a chinesa CNOOC.

O presidente de exploração e produção de petróleo da Exxon, Dan Ammann, também falou na conferência na última terça-feira, 17. Segundo relatou a Reuters, Ammann disse que um gasoduto construído pela empresa estava pronto para fornecer gás à Guiana e aguardava a conclusão das usinas de energia ainda este ano.

Em entrevista à Reuters, Ammann afirmou que a oferta e a demanda de gás natural precisam ser desenvolvidas em conjunto e que a Exxon mantém discussões próximas com o governo guianense sobre o desenvolvimento de usos industriais de gás onshore, dizendo que podem "atender as demandas" da Guiana.

Alta do petróleo na Guiana

A Guiana se tornou uma das economias de maior crescimento do PIB nos últimos anos, devido à sua exploração de petróleo. A alta foi de 63,3% em 2022, 33,8% em 2023, 43,8% em 2024 e de 19,3% em 2025.

Embora a promessa do petróleo da Guiana venha gerando expectativas há anos, os acontecimentos na Venezuela intensificaram a atenção na região. Desde a invasão pelos Estados Unidos na Venezuela, o presidente norte-americano Donald Trump pediu US$ 100 bilhões em investimentos para reativar o setor petrolífero da Venezuela.

Esse desdobramento tem o potencial de suavizar uma disputa fronteiriça de longa data que levou o governo guianense e um consórcio petrolífero liderado pela Exxon Mobil a interromper a exploração em cerca de 30% do Bloco Stabroek.

Henry Ziemer, pesquisador associado do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, disse na Conferência de Energia da Guiana que as chances de conflitos políticos entre os dois países, pelo menos por enquanto, são muito baixas e classificou a Guiana como o país que pode tirar o maior proveito da remoção de Nicolás Maduro do poder da Venezuela.

O CEO da Exxon, Darren Woods, disse no mês passado que a captura e remoção de Maduro pelos EUA pode levar a melhores condições operacionais na Guiana.

CNN Brasil - SP   20/02/2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (19) que 50 milhões de barris de petróleo venezuelano estão a caminho de Houston, no Texas.

“Vocês já ouviram falar sobre a Venezuela, e estamos ajudando muito com o petróleo deles... Pegamos 50 milhões de barris de petróleo. Eles estão navegando muito bem em navios extremamente grandes rumo a Houston”, disse ele.

IstoÉ Dinheiro - SP   20/02/2026

Os preços do petróleo subiram cerca de 2% nesta quinta-feira, 19, atingindo seu nível mais alto em seis meses, com os operadores preocupados com a escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã, que intensificaram suas atividades militares no Oriente Médio, região produtora de petróleo.

Os futuros do petróleo Brent fecharam com alta de US$ 1,31, ou 1,9%, a US$ 71,66 o barril, enquanto o petróleo West Texas Intermediate dos EUA (WTI) fechou com alta de US$ 1,24, ou 1,9%, a US$ 66,43.

Após avançar mais de 4% na quarta-feira, o Brent fechou em seu nível mais alto desde 31 de julho, enquanto o WTI fechou em seu nível mais alto desde 1º de agosto.

Os preços do petróleo receberam um impulso das “tensões geopolíticas e da preocupação de que os EUA vão atacar (o Irã) em um futuro próximo”, disse Andrew Lipow, presidente da consultoria Lipow Oil Associates. “O mercado continuará em alta na expectativa de que algo aconteça.”

O Irã planejou um exercício naval conjunto com a Rússia, informou a agência de notícias semioficial iraniana Fars, dias depois de fechar o Estreito de Ormuz por algumas horas para exercícios militares. O estreito é uma ligação vital para o comércio, com cerca de 20% do abastecimento global de petróleo passando por ele.
Trump adverte o Irã

O presidente dos EUA, Donald Trump, advertiu o Irã nesta quinta-feira que ele deve chegar a um acordo sobre seu programa nuclear ou “coisas ruins” acontecerão, e pareceu estabelecer um prazo de 10 dias antes que os EUA possam tomar medidas.

Os EUA enviaram porta-aviões, navios de guerra e jatos para a região, com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, dizendo que Washington estava considerando se deveria continuar o envolvimento diplomático com Teerã ou buscar outra opção.

O Irã emitiu um aviso aos pilotos de que planejava lançar foguetes em áreas do sul do país nesta quinta-feira, de acordo com o site da Administração Federal de Aviação dos EUA.

Alguns países pediram a seus residentes que deixassem o Irã.

Infomoney - SP   20/02/2026

Mesmo antes das tensões geopolíticas entre Irã e EUA eclodirem nesta semana e fazerem o petróleo brent bater os US$ 71 o barril, a commodity já mostrava resiliência mesmo em um cenário de oferta alta.

Isso porque, na visão do Goldman Sachs, o petróleo sancionado acumulado no mar tem distorcido o equilíbrio global entre oferta e preços, sustentando o Brent mesmo diante de um expressivo superávit.

O banco estima que, em 2025, o mercado global teve excedente de 1,5 milhão de barris por dia. Entretanto, ao contrário do que seria esperado, os preços não recuaram de forma consistente. A explicação, segundo o banco, está no local onde o petróleo está sendo estocado.
“Grande parte desse superávit não chegou aos centros de precificação; está preso no mar”, aponta o documento. Enquanto isso, os estoques terrestres da OCDE — os indicadores mais relevantes para a formação de preços — permanecem praticamente estáveis.

O estudo revela que Rússia, Irã e Venezuela acumulam hoje 375 milhões de barris de petróleo sancionado em navios, um salto de 130 milhões em 12 meses. Esse volume representa cerca de um terço de todo o aumento dos estoques globais visíveis no período. O fenômeno decorre de uma combinação de oferta elevada e demanda enfraquecida por barris sancionados, especialmente no final de 2025.

A queda de demanda tem origem em fatores geopolíticos: novas sanções e riscos diplomáticos elevaram o custo indireto dessas compras, enquanto margens de refino elevadas favoreceram petróleo não descontado. Além disso, refinarias independentes da China esgotaram suas cotas de importação no fim de 2025, reduzindo as compras de petróleo russo e iraniano.

A Rússia viu seus volumes no mar atingirem 160 milhões de barris após a retração das importações indianas, embora o fluxo tenha se estabilizado com a retomada das compras chinesas. O Irã viveu dinâmica semelhante, também com cerca de 160 milhões de barris acumulados. Já a Venezuela segue um caminho oposto: seus estoques flutuantes estão diminuindo graças ao aumento das importações autorizadas, que superam as exportações em até 0,4 milhão de barris por dia.

Para 2026, o Goldman Sachs prevê que o acúmulo no mar deve perder força, representando 21% dos estoques adicionais globais, ante 47% em 2025. Ainda assim, o banco alerta para riscos significativos: pressões geopolíticas, mudanças na postura da China e da Índia e eventuais negociações envolvendo Rússia e Irã podem alterar drasticamente o comportamento desses fluxos.

O relatório também apresenta estimativas claras para o impacto nos preços. Caso 1 milhão de barris por dia de petróleo sancionados permaneçam no mar durante um ano, o Brent pode subir até US$ 8. Por outro lado, uma redução de 100 milhões de barris nos estoques marítimos, impulsionada por eventuais alívios de sanções, poderia derrubar os preços entre US$ 3 e US$ 4.

Assim, o petróleo no mar está criando uma “escassez artificial” em terra, sustentando preços que normalmente cairiam diante do excesso de oferta – e a evolução das tensões geopolíticas será decisiva para definir se esse petróleo continuará navegando sem destino.

RODOVIÁRIO

CNN Brasil - SP   20/02/2026

As obras de duplicação da BR-381, no trecho de cerca de seis quilômetros em Antônio Dias (MG), serão antecipadas, segundo informou o diretor-presidente da Nova 381, Marcelo Boaventura.

Segundo o executivo, a decisão de antecipar as obras, que estavam previstas apenas para 2027, "integra o planejamento estratégico" da empresa para enfrentar, "de forma preventiva e estruturada, os desafios geológicos característicos" da região por onde passa a rodovia.

As intervenções estão previstas para até abril.

Ainda segundo a concessionária, o plano de intervenção proposto tem como objetivo reduzir a extensão de trechos com retenções e operações de pare-e-siga, preservando a segurança viária e minimizando os impactos para o usuário durante a utilização da rodovia, tendo a maior fluidez possível ao longo da execução das obras.

Neste mês, a empresa completou um ano à frente da concessão do trecho de 303 quilômetros que conecta Governador Valadares a Belo Horizonte.

Já os 28 quilômetros localizados na Grande BH até a capital seguem sob responsabilidade do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

"Nossa estratégia em 2025 foi antecipar o cronograma para entregar uma pista mais segura e resiliente antes do período chuvoso. Neste ano, o foco é reduzir os impactos das intervenções na fluidez da rodovia e ampliar ainda mais os níveis de segurança”, afirmou Boaventura.

Ainda em dezembro do ano passado, a Nova iniciou a instalação de 68 radares ao longo do trecho concedido da BR-381.

Exame - SP   20/02/2026

A concessionária Via Raposo, do fundo Pátria Investimentos, assume nesta quinta-feira, 19, a operação de 285 quilômetros de rodovias do Lote Paranapanema, no interior de São Paulo, com previsão de R$ 5,8 bilhões em investimentos ao longo do contrato.

A empresa passa a administrar trechos das rodovias SP-270 (Raposo Tavares), SP-189 (Engenheiro Lauri Simões de Barros), SP-278 (Mello Peixoto), além dos acessos SPA-204/270 (Angatuba) e SPA 245/270 (Rodovia Engenheiro Edson Martins de Lara).

Antes da concessão, o lote era administrado pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e não tinha cobrança de pedágio. Com a concessão, a tarifa será implementada a partir de 2027 por meio do Free Flow.

O projeto prevê a duplicação de cerca de 150 quilômetros, além da implantação de 29 novas passarelas, 84 pontos de ônibus, 56 quilômetros de acostamentos, vias marginais e novos dispositivos de acesso.

Também estão previstas iluminação em LED em áreas urbanas, câmeras de monitoramento (CFTV), painéis de mensagens variáveis, conectividade ao longo do trecho e postos de pesagem.

O contrato será fiscalizado pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). A empresa receberá R$ 274,2 milhões de contrapartida do Estado por ano.

A concessionária deverá manter monitoramento 24 horas, com inspeção de tráfego, guinchos e ambulâncias para atendimento médico. O contrato estabelece metas de desempenho e indicadores de qualidade, que condicionam parte da remuneração da empresa.

Segundo o governo paulista, o projeto recebeu mais de 250 contribuições em audiências e consulta pública. Desse total, 53% foram incorporadas total ou parcialmente. O desenho final incluiu intervenções de drenagem, medidas de controle de enchentes e passagens de fauna.

A concessão abrange os municípios de Angatuba, Bernardino de Campos, Buri, Campina do Monte Alegre, Canitar, Chavantes, Ipaussu, Itaí, Itapetininga, Ourinhos, Paranapanema, Piraju e Tejupá.

Com a duplicação integral da Raposo Tavares no trecho concedido, o governo projeta criar uma alternativa à Rodovia Castello Branco (SP-280), ampliando a ligação do interior paulista e da região Centro-Oeste ao Porto de Santos.

A ideia é criar uma nova rota para o escoamento da produção agrícola e industrial do estado.

Free flow previsto para 2027

A cobrança eletrônica no modelo free flow, sistema de pedágio sem praças físicas, será implementada por meio do sistema Siga Fácil. O modelo identifica os veículos por placas ou TAGs e permite pagamento proporcional ao trecho percorrido.

A instalação e o início da operação dos pórticos dependem da entrega das obras previstas em contrato e de autorização da Artesp, com previsão até o fim do primeiro semestre de 2027.

AGRÍCOLA

CNN Brasil - SP   20/02/2026

A prévia do PIB divulgada pelo BC (Banco Central) nesta quinta-feira (19) mostra que a agropecuária acumula alta de 13,05% em 12 meses, encerrados em dezembro, sendo um dos principais fatores do avanço da atividade econômica geral que alcançou 2,45% no período.

Os números, que constam no IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), ainda indicam que o setor cresceu acima da média da economia brasileira no último ano.

O índice mostrou um crescimento mais moderado dos outros setores em 2025, com indústria registrando crescimento de 1,45% e os serviços, de 2,06%, o que evidencia a diferença de ritmo entre os setores medidos pelo BC.

Acumulado em 12 meses (IBC-Br):
* Agropecuária: +13,05%
* Indústria: +1,45%
* Serviços: +2,06%
* Índice geral: +2,45%

Na comparação mensal com o mesmo período do ano anterior, o agro também mantém desempenho superior. O setor avançou 6,35% em dezembro, enquanto serviços cresceram 2,88%, e indústria, 2,31%. Já o índice geral da atividade econômica subiu 3,05%, segundo o BC.

O IBC-Br reúne estimativas mensais para agropecuária, indústria, serviços e impostos e é considerado uma prévia do PIB. Embora não substitua o dado oficial do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o indicador funciona como um termômetro da atividade econômica.

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