Clipping Diário

20 | Janeiro | 2026

SIDERURGIA

CNN Brasil - SP   20/01/2026

A produção do setor siderúrgico brasileiro registrou queda de 1,9% em dezembro na comparação com o mesmo período do ano anterior, somando 2,559 milhões de toneladas, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (19) pela entidade que representa as usinas, Aço Brasil.

Enquanto isso, as vendas de aço no mercado interno foram de 1,592 milhão de toneladas, alta de 2,5% na comparação anual.

As exportações avançaram 64,8% em dezembro na base anual, somando 1,2 milhão de toneladas. Por sua vez, as importações registraram alta de 16,2% no período, acumulando 383 mil toneladas.

No acumulado de 2025, a produção teve queda de 1,6%, a 33,3 milhões de toneladas, enquanto as vendas internas mostraram recuo de 0,4%, a 21,2 milhões de toneladas.

Diário do Comércio - MG   20/01/2026

Em 2025, o Brasil registrou a importação de 5,7 milhões de toneladas de aço laminado, o que representa o maior volume em 15 anos – em 2010, chegou a 5,8 milhões de toneladas. Na comparação com 2024, o ingresso desses produtos cresceu 20,5%.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (19) pelo Instituto Aço Brasil. Os resultados vão ao encontro das projeções que a entidade informou à imprensa em dezembro.

Ao somar laminados e semiacabados, o mercado brasileiro importou 6,4 milhões de toneladas de aço no ano passado. Nesse caso, o acréscimo anual foi de 7,4%.
China é líder nas vendas

Acusada pelo setor de práticas predatórias, a China liderou as vendas para o Brasil, com quatro milhões de toneladas de aço, ou 61,9%. As exportações do gigante asiático subiram 19,1% e a participação no total importado, cresceram 6,1 pontos percentuais (p.p.).

Outro país da Ásia que se destacou, ocupando a segunda posição do ranking de fornecedores, foi a Coreia do Sul, com o envio de 732,36 mil toneladas, ou 11,4%. Os embarques dos sul-coreanos aumentaram 237,3%, enquanto a participação avançou 7,8 p.p.

Em contrapartida, a quantidade de aço enviado pela Europa ao Brasil retraiu 59,8%, totalizando 525,8 mil toneladas, e a participação dos europeus caiu 13,8 p.p, para 8,2%.

Dentro do continente, a União Europeia vendeu 394,7 mil toneladas, ou 6,2%; outros países, 131 mil toneladas, ou 2%; a Rússia, 74,5 mil toneladas, ou 1,2%; e a Turquia, 53,6 mil toneladas, ou 0,8%. Os volumes recuaram 25,1%, 83,2%, 89,6% e 11,5%, respectivamente. Já as participações diminuíram 2,6 p,p, 11,1 p.p., 10,9 p.p. e 0,2 p.p.
Dados de dezembro

No recorte do mês de dezembro do ano passado, os resultados também foram negativos. O Brasil importou 383 mil toneladas de produtos de aço, volume 16,4% maior que o observado no mesmo período do ano imediatamente anterior. Excluindo semiacabados, somente de laminados foram 368 mil toneladas, alta de 24,7%.

Nesse comparativo, a China enviou 230 mil toneladas (60,1% do total importado) e a Coreia do Sul, 67 mil toneladas (17,5%). Os chineses aumentaram os embarques em 0,7%, mas perderam 9,3 p.p. de participação, enquanto os sul-coreanos expandiram as vendas em 521,6% e ganharam 17,5 p.p. de participação. Já a Europa exportou 36,4 mil toneladas (9,5%) e teve recuos tanto na quantidade, de 13,7%, quanto em participação, de 3,3 p.p.

Com desembarques históricos, País perdeu investimentos e empregos

Vale lembrar que, no fim de 2025, o Aço Brasil informou que, por reflexo das importações de aço, o setor siderúrgico cancelou R$ 2,5 bilhões em investimentos no Brasil. A entidade também disse que as siderúrgicas demitiram 5.100 colaboradores e paralisaram quatro altos-fornos, uma aciaria e cinco usinas semi-integradas (mini mills).

À época, o instituto ainda revelou números que demonstram o impacto da importação nos resultados financeiros das produtoras de aço. Em razão do avanço dos desembarques, o Ebitda de suas associadas caiu 51,7% no terceiro trimestre do ano passado em relação ao quarto trimestre de 2024 e a margem Ebitda recuou 7,7 p.p.

Exame - SP   20/01/2026

Aos 125 anos, a Gerdau chega a 2026 combinando três forças que definirão o seu futuro: uma cultura organizacional que coloca pessoas no centro da estratégia, oportunidades ligadas à transição tecnológica e à sustentabilidade — e uma “prova de fogo” no Brasil, onde a concorrência do aço importado pressiona resultados e investimentos.

“O aço muitas vezes chega no Brasil mais barato que a matéria-prima que a gente manda para fora. Está faltando o Brasil defender um pouco mais a indústria”, afirma Gustavo Werneck, CEO da Gerdau, em entrevista ao podcast De Frente com o CEO, da EXAME.

Hoje, mais de 30% do aço consumido no país é importado. Na avaliação do executivo, o problema não é competição — mas competição desigual, sustentada por subsídios públicos em outros mercados.

“A gente compete de igual para igual com qualquer produtor do mundo. O que não dá é competir com aço que vem com dinheiro público”, diz.

A decisão que mudou o jogo

A disparidade aparece com clareza quando se olha para os números. Embora tenha nascido no Brasil, em 1901, a Gerdau vê mais de 60% da sua geração bruta de caixa vir da América do Norte. Segundo Werneck, isso não é fruto de uma escolha recente.

“Essa decisão de ir para a América do Norte tem mais de 40 anos. A gente entendeu lá atrás que ter uma receita forte em dólar seria fundamental”, afirma.

O fato de produzir localmente nos Estados Unidos e no Canadá também ajudou a companhia a atravessar um período de maior rigor comercial.

“Nos EUA, a indústria é defendida de fato — e é lá que a gente tem conseguido os resultados mais robustos da nossa história.”

No Brasil, o cenário é outro, segundo o CEO. “A penetração desleal do aço importado tem corroído os nossos resultados e os investimentos no futuro”.

Ainda assim, Werneck afirma que a demanda doméstica segue firme. “O consumo de aço no Brasil é resiliente. O problema não é falta de demanda, é quem está suprindo essa demanda.”

'Não vamos mais usar o dólar em nossos negócios com a China', diz CEO da Chilli Beans

Investimentos e sustentabilidade no centro da estratégia

Mesmo em um ambiente desafiador, a Gerdau mantém um patamar elevado de investimentos, neste ano será de R$ 4,7 bilhões, com foco especial no Brasil e nos Estados Unidos. O principal projeto hoje é uma plataforma de mineração sustentável em Minas Gerais, que abastecerá a usina de Ouro Branco.

“A competitividade do aço passa por ter uma fonte própria de minério. É uma questão de sobrevivência”, afirma Werneck.

O projeto segue padrões ambientais rigorosos e rendeu à empresa a certificação IRMA, uma das mais exigentes do mundo para atividades minerárias.

Outro pilar estratégico é a economia circular.

“Mais de 70% da nossa capacidade produtiva vem da sucata metálica”, diz o CEO.“Aquilo que para muitos é descartável, como uma bicicleta velha ou um fogão velho, para nós é a principal matéria-prima.”

A Gerdau é hoje a maior recicladora de sucata da América Latina — uma operação que, além do impacto ambiental, movimenta uma cadeia social relevante.

“O Brasil tem cerca de 1 milhão de pessoas que tiram o sustento da reciclagem. Quando a gente tira a sucata da rua, também gera renda e desenvolvimento.”

Inteligência artificial como vantagem competitiva

A tecnologia aparece como uma das principais oportunidades para os próximos anos — desde que usada com disciplina.

“Transformação digital não é moda para nós, é questão de sobrevivência”, afirma Werneck.

A empresa já utiliza algoritmos e inteligência artificial nas usinas, com ganhos concretos de produtividade e redução de custos de manutenção.

“É muito fácil se encantar com a tecnologia e perder o foco. Se ela não gera resultado no final do mês, ela não faz sentido”, diz o CEO que afirma que é preciso ter foco inclusive no uso da IA.

Para sustentar essa agenda, a Gerdau criou até uma escola interna de formação de cientistas de dados, capacitando profissionais para aplicar IA diretamente nas áreas de negócio — e não apenas na área de tecnologia.

Cultura como vantagem invisível

Ao longo da conversa, Werneck volta diversas vezes ao mesmo ponto: cultura. Para ele, esse é o ativo menos visível — e mais decisivo — da companhia centenária.

“A gente levou a sério aquela ideia de que cultura vem antes da estratégia. As pessoas são a nossa estratégia”, afirma.

Essa visão se traduz em temas como diversidade, saúde mental e desenvolvimento de lideranças.

“Quando você cria um ambiente onde as pessoas conseguem usar o melhor do seu potencial, a performance vem como consequência”, diz.

É essa combinação — cultura forte, investimentos direcionados e capacidade de adaptação — que, segundo o CEO, permitirá à Gerdau atravessar 2026 com sustentabilidade.

“O que me tiraria o sono não são as eleições, nem a volatilidade global. Seria não ter uma empresa preparada para mudar rápido”.

O tamanho da Gerdau no mundo

A Gerdau surgiu em 1901, em Porto Alegre (RS), como uma pequena fábrica de pregos. A partir daí, cresceu ao longo do século 20 até se tornar uma das maiores siderúrgicas do país e do mundo. Hoje, produz açõ para diferentes setores como construção civil, indústria, agronegócio, setor automotivo, energia e infraestrutura

Conhecida como gigante de aço, a Gerdau já teve filiais em 13 países, mas atualmente está presente em 7 (Brasil, Estados Unidos, Canadá, México, Argentina, Uruguai e Peru), empregando cerca de 30 mil funcionários, sendo aproximadamente 15 mil no Brasil.

Valor - SP   20/01/2026

Exportações tiveram aumento de 14,7%, para 10,9 milhões de toneladas, conforme o Instituto Aço Brasil

A produção de aço bruto no Brasil recuou 1,6% em 2025 na comparação com o ano anterior, para 33,3 milhões de toneladas, segundo o Instituto Aço Brasil. As vendas internas de aço no ano passado recuaram 0,4%, conforme os dados do instituto divulgados nesta segunda-feira (19), para 21,2 milhões de toneladas.

As importações de aço fecharam o ano de 2025 com aumento de 7,4% em relação ao ano anterior, para 6,4 milhões de toneladas. As exportações também tiveram aumento, de 14,7%, para 10,9 milhões de toneladas, conforme o Aço Brasil.

A utilização da capacidade instalada do país recuou 1,1 ponto percentual em 2025, para 65,4%.

Dados de dezembro

No mês de dezembro, a produção de aço bruto recuou 1,9% em relação a igual mês do ano anterior, para 2,5 milhões de toneladas.

As vendas internas em dezembro aumentaram 2,5%, para 1,5 milhão de toneladas. A utilização da capacidade instalada recuou 1,2 ponto percentual no mês, para 60,3%.

As importações aumentaram 16,2% no último mês de 2025, para 383 mil toneladas. Já as exportações subiram 64,8%, para 1,2 milhão de toneladas.

ECONOMIA

IstoÉ Dinheiro - SP   20/01/2026

A balança comercial brasileira registrou déficit comercial de US$ 243,7 milhões na terceira semana de janeiro. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 19, o valor foi alcançado com exportações de US$ 5,167 bilhões e importações de US$ 5,411 bilhões.

Mesmo com o resultado negativo da terceira semana, o mês de janeiro acumula superávit de US$ 3,757 bilhões.

A projeção do MDIC é de que o superávit da balança comercial fique entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões neste ano. Para as exportações, a expectativa é de um valor entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões, e para as importações, entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões.

Até a terceira semana de janeiro, comparado ao mesmo período de 2025, as exportações cresceram 18,0% e somaram US$ 14,987 bilhões. O desempenho dos setores nas três semanas do ano foi o seguinte: crescimento de 16,6% em Agropecuária, que somou US$ 2,209 bilhões; crescimento de 32,6% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 4,852 bilhões e, por fim, crescimento de 10,9% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 7,845 bilhões.

Já as importações caíram 2,6%, até a terceira semana de janeiro na mesma comparação, totalizando US$ 11,231 bilhões. Houve queda de 26,0% em Agropecuária, que somou US$ 227,9 milhões; queda de 8,0% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 508,7 milhões e, por fim, queda de 1,7% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 10,414 bilhões.

Globo Online - RJ   20/01/2026

Às vésperas da primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2026, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira que o principal fator de pressão sobre a dívida pública é o patamar elevado dos juros reais, e não o resultado fiscal do governo.

A taxa de juros está em 15% ao ano e deve ser mantida neste patamar, na semana que vem. Segundo ele, mesmo considerando todas as exceções fiscais, o déficit do ano passado ficou em 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB).

— Quanto foi o déficit do ano passado considerando todas as exceções? 0,48% do PIB considerando tudo. Plano Brasil Soberano (resposta ao tarifaço de Trump), a questão do INSS (ressarcimento dos descontos indevidos), considerando tudo — disse Haddad ao UOL. — O problema da dívida tem a ver com o juro real, não tem a ver com o déficit, que está caindo — completou.

O ministro destacou que o resultado fiscal vem apresentando melhora ao longo dos últimos anos, apesar das pressões sobre o endividamento. Segundo ele, o comportamento da dívida está mais associado ao custo dos juros do que ao desempenho do resultado primário.

Na semana passada, Haddad havia informado que os cálculos preliminares da equipe econômica indicavam um déficit primário de cerca de 0,1% do PIB em 2025 — levando em conta apenas as despesas incluídas na contabilidade fiscal regular —, resultado que permanece dentro da margem de tolerância da meta fiscal, que prevê déficit zero, com intervalo de até 0,25% do PIB.

— Se nós considerarmos aquilo que o Congresso excepcionalizou, ou a Justiça, no caso da indenização do INSS, nós estamos falando de alguma coisa em torno de 0,17% de déficit, e já considerados precatórios, ou seja, o pagamento do calote que o Bolsonaro deu, nós vamos fechar o ano em 0,48% de débito — disse o ministro na semana passada.

De acordo com as regras fiscais, o resultado primário considera apenas receitas e despesas recorrentes, excluindo o pagamento de juros da dívida. Quando são incorporados gastos excepcionais autorizados pelo Congresso ou por decisões judiciais, como precatórios e indenizações a aposentados do INSS, o déficit sobe para os 0,48% do PIB citados pelo ministro.

O discurso do ministro ganha peso às vésperas da reunião do Copom, marcada para a próxima terça e quarta-feira, quando a expectativa majoritária é de manutenção da taxa básica de juros.

O Estado de S.Paulo - SP   20/01/2026

A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 caiu de 4,05% para 4,02%. A taxa está 0,48 ponto porcentual abaixo do teto da meta contínua de inflação, de 4,50%. Há um mês, era de 4,06% Considerando apenas as 51 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida subiu de 4,00% para 4,02%.

A projeção para o IPCA de 2027 permaneceu em 3,80%, pela 11ª semana seguida. Considerando apenas as 44 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida também seguiu em 3,80%.

O IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme trajetória divulgada no comunicado da reunião de dezembro do Comitê de Política Monetária (Copom), o Banco Central prevê que o IPCA irá encerrar 2026 com alta de 3,5% e espera que a inflação em 12 meses chegue a 3,2% no horizonte relevante, atualmente localizado no segundo trimestre de 2027.

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos.

Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo. Isso aconteceu após a divulgação do IPCA de junho. Em novembro, a inflação acumulada em 12 meses caiu a 4,46%, abaixo do teto. No último Relatório de Política Monetária (RPM), o BC reafirmou seu compromisso com a convergência da inflação ao centro da meta, de 3%.

“O reenquadramento da inflação dentro dos limites estabelecidos para a faixa de tolerância é uma etapa natural do processo de convergência à meta”, diz o texto.

No Focus desta segunda-feira, as projeções para o IPCA de 2028 e 2029 permaneceram em 3,50%, pela 11ª e pela 20ª semana consecutiva, respectivamente.
Selic

A mediana para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,25%, pela quarta semana seguida. Considerando só as 51 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana seguiu em 12,00%.

A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 49ª semana seguida. A mediana para a Selic no fim de 2028 subiu de 9,88% para 10,00%. Há um mês, estava em 9,75%.

Para o fim de 2029, a mediana permaneceu em 9,50%, pela 12ª semana consecutiva.

Em dezembro, o Copom decidiu manter a Selic em 15% pela quarta vez seguida. A decisão veio em linha com a mediana do Focus para a Selic no fim de 2025, que permaneceu estável nesse nível por 24 semanas seguidas.

Na ata, o colegiado afirmou que “a estratégia em curso, de manutenção do nível corrente da taxa de juros por período bastante prolongado, é adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”.

PIB

A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 permaneceu em 1,80%, pela 6ª semana seguida. Considerando apenas as 39 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa caiu de 1,87% para 1,78%.

O Banco Central aumentou sua estimativa de crescimento da economia brasileira neste ano, de 2,0% para 2,3%, no Relatório de Política Monetária (RPM) do quarto trimestre. Segundo a autarquia, a elevação refletiu a revisão nas séries históricas das Contas Nacionais Trimestrais (CNT), que afetou, especialmente, o crescimento da agropecuária no primeiro semestre, e um resultado do terceiro trimestre ligeiramente acima do esperado.

A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2027 também seguiu em 1,80%. Um mês antes, era de 1,81%. Considerando só as 30 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, permaneceu em 1,80%.

As medianas para o crescimento do PIB de 2028 e 2029 permaneceram em 2,00%, pela 97ª e pela 44ª semana seguida, respectivamente.

Dólar

A mediana para a cotação do dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,50 pela 14ª semana consecutiva. A projeção para a moeda no fim de 2027 também continuou em R$ 5,50 pela 12ª leitura seguida.

Para o fim de 2028, se manteve em R$ 5,52. Um mês antes, era de R$ 5,51. Já para 2029, seguiu em R$ 5,57. Quatro semanas atrás, era de R$ 5,56.

A moeda americana fechou 2025 cotada em R$ 5,4840, com perda acumulada de 11,18% frente ao real. A apreciação da divisa brasileira foi motivada pelo enfraquecimento global do dólar e pela atratividade das operações de carry trade, na esteira do forte ciclo de aperto monetário conduzido pelo Banco Central, que levou a Selic a 15% ao ano.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

IstoÉ Dinheiro - SP   20/01/2026

O Fundo Monetário Internacional (FMI) aumentou sua previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) das duas maiores economias do mundo em 2026, mas reduziu estimativas para o próximo ano citando fatores domésticos. Os números integram a atualização trimestral das Perspectivas Econômicas Globais da instituição, divulgada hoje.

Segundo o FMI, o crescimento econômico dos EUA deve acelerar de 2,1% no ano passado para 2,4% em 2026, ambas as estimativas acima do previsto no relatório de outubro, quando a instituição previa alta de 2% e de 2,1%, respectivamente. Em 2027, no entanto, o desempenho deve desacelerar a 1,9%.

No caso da economia americana, o relatório apontou que investimentos e gastos em tecnologia foram responsáveis por adicionar 0,3 ponto porcentual para a média anualizada do PIB dos três primeiros trimestres de 2025, compensando parte dos efeitos do shutdown no quarto trimestre. Para o próximo ano, os incentivos fiscais da “Big Beautiful Bill” devem oferecer suporte no curto prazo junto a gastos mais moderados de tecnologia, se sobrepondo à redução na imigração e no consumo.

Já a economia da China deve desacelerar a 4,5% neste ano e a 4% no próximo, ante avanço de 5% em 2025. Em outubro, as estimativas eram de 4,2% para ambos os anos de 2026 e 2027, com alta de 4,8% em 2025. Pequim continua enfrentando demanda doméstica fraca e problemas no setor imobiliário, equilibrados em parte com exportações resilientes. O FMI ponderou que essas dificuldades devem se ajustar no próximo ano, ao mesmo tempo em que a inflação ganha tração.

Para economias desenvolvidas, o Fundo projetou avanço de 1,8% em 2026 e 1,7% em 2027. Na zona do euro, o PIB deve avançar 1,3% neste ano, ante projeção anterior de 1,2%, e acelerar a 1,4% em 2027. No Japão, o PIB também teve previsão elevada a 0,7% em 2026, mas a projeção de desaceleração a 0,6% em 2027 permaneceu, assim como estimativas de moderação da inflação neste ano e conversão para a meta de 2% no próximo.

O FMI destacou ainda que o aumento de gastos com defesa devido a tensões geopolíticas teve poucas repercussões claras no último ano e deve se materializar apenas nos próximos anos, em ritmo gradual até 2035. Na Europa, gastos públicos da Alemanha e desempenho forte da atividade na Irlanda e na Espanha devem acelerar o crescimento econômico já em 2027.

Infomoney - SP   20/01/2026

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e União Europeia deve alterar de forma relevante o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu.

Segundo a entidade, mais de cinco mil itens exportados pelo Brasil passarão a ter tarifa de importação zerada na União Europeia já no início da vigência do tratado.

Segundo a CNI, 54,3% dos produtos incluídos no escopo do acordo terão eliminação imediata do imposto de importação do lado europeu. A avaliação da confederação é que a medida cria um salto na inserção internacional da indústria brasileira e amplia de forma expressiva o alcance do país em acordos preferenciais de comércio.
Hoje, os acordos dos quais o Brasil participa cobrem cerca de 8% das importações globais de bens. Com a incorporação do acordo com a União Europeia, esse percentual tende a subir para 36%, considerando que o bloco europeu respondeu por aproximadamente 28% do comércio mundial em 2024, segundo dados citados pela entidade.

No sentido inverso, a abertura do mercado brasileiro ocorrerá de forma mais gradual. A CNI destaca que o Brasil terá entre 10 e 15 anos para reduzir tarifas de 44,1% dos produtos negociados, o equivalente a cerca de 4,4 mil itens. Para a confederação, o cronograma mais longo dá previsibilidade à indústria nacional e permite adaptações produtivas e tecnológicas antes da plena concorrência externa.

A indústria é o principal eixo da relação comercial entre Brasil e União Europeia. Em 2024, bens industriais responderam por 46,3% das exportações brasileiras destinadas ao bloco.

Do lado das importações, a concentração é ainda maior: 98,4% dos produtos comprados da União Europeia foram manufaturados, segundo a CNI. Considerando apenas insumos industriais, esses itens representaram 56,6% das importações e 34,2% das exportações no ano.

Os números também evidenciam o peso do bloco europeu no comércio exterior brasileiro. Em 2024, a União Europeia foi destino de US$ 48,2 bilhões em exportações, o equivalente a 14,3% do total vendido pelo Brasil ao exterior, mantendo-se como o segundo principal mercado do país. No mesmo período, as importações provenientes do bloco somaram US$ 47,2 bilhões, ou 17,9% do total adquirido pelo Brasil.

As negociações entre Mercosul e União Europeia tiveram início em 1999 e atravessaram mais de duas décadas de avanços, impasses e revisões técnicas e políticas. O acordo prevê a redução ou eliminação de tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral, com prazos diferenciados para setores considerados sensíveis.

A expectativa, segundo a CNI, é de que os impactos econômicos se materializem de forma gradual, à medida que o tratado seja ratificado e suas etapas implementadas.

MINERAÇÃO

Valor - SP   20/01/2026

A maior mineradora do mundo em valor de mercado produziu 490,5 mil toneladas de cobre e 69,7 milhões de toneladas de minério de ferro no período encerrado em 31 dezembro de 2025

A BHP, maior mineradora do mundo por valor de mercado, teve uma produção de cobre no segundo trimestre fiscal ― encerrado em 31 dezembro de 2025 ― de 490,5 mil toneladas, queda de 1% em relação ao trimestre anterior e de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A produção de minério de ferro, por sua vez, chegou a 69,7 milhões de toneladas, alta trimestral de 9% e anual de 5%, segundo dados de produção divulgados nesta segunda-feira (19). Segundo a companhia, a WAIO (unidade de minério de ferro na Austrália Ocidental) atingiu recorde de produção e embarques no primeiro semestre fiscal.

A BHP também elevou sua projeção anual de produção de cobre. A mineradora, agora, espera produzir entre 1,9 milhão e 2,0 milhões de toneladas métricas de cobre em seu ano fiscal até junho, em comparação com a estimativa anterior de entre 1,8 milhão e 2,0 milhões de toneladas.

De acordo com Mike Henry, diretor-presidente da BHP, a revisão se deve a uma entrega mais forte dos seus ativos. “Nossa principal operação de cobre, Escondida [no Chile], atingiu recorde de processamento nos concentradores e ampliamos a faixa de projeção de produção para o ano fiscal de 2026, diz em carta aos acionistas.

Projeto Jansen

Adicionalmente, a BHP atualizou o mercado sobre o seu projeto de potássio Jansen, no Canadá. O início da produção está previsto para meados de 2027. “Jansen será um ativo de longa vida, baixo custo e escalável, que adicionará uma nova commodity, voltada para o futuro, ao portfólio da BHP, e esperamos que gere valor para os acionistas por muitas décadas”, diz Henry.

A mineradora forneceu uma nova estimativa de custo para a fase 1 do projeto Jansen. A empresa, agora, espera que a primeira etapa custe US$ 8,4 bilhões, incluindo contingências, ante a faixa anteriormente estimada de US$ 7,0 bilhões a US$ 7,4 bilhões (incluindo contingências) anunciada em julho de 2025, e à estimativa inicial de US$ 5,7 bilhões para a fase 1 do Jansen quando o projeto foi aprovado em agosto de 2021.

Segundo a BHP, esses aumentos de custo foram impulsionados por pressões inflacionárias e de escalonamento real de custos, desenvolvimento de projeto e mudanças de escopo, além de resultados de produtividade inferiores.

“A maior parte do aumento de custo desde a faixa estimada anunciada em julho de 2025 decorre de horas de construção e quantidades de materiais que não estavam incluídas nas estimativas anteriores de custo de execução. Esses custos de construção foram identificados após a revisão abrangente do orçamento e cronograma da fase 1 do Jansen”, explicou a mineradora.

A fase 1 do Jansen está 75% concluída. A BHP espera que esta etapa entregue aproximadamente 4,15 milhões de toneladas por ano de produção.

Exame - SP   20/01/2026

O Ibovespa encerrou a sessão desta segunda-feira, 19, estável, após oscilar ao longo do dia entre leves perdas e ganhos. O principal índice da B3 fechou com alta marginal de 0,03%, aos 164.849 pontos, em um pregão marcado por baixa liquidez, diante do feriado nos Estados Unidos, e por maior cautela no exterior.

O volume financeiro somava R$12,6 â  bilhões ante uma média diária de quase R$31 bilhões no mês até agora puxada principalmente pelo pregão da última quarta-feira, 14, com vencimento de opções sobre o Ibovespa.

A pressão negativa veio principalmente das ações ligadas ao setor de mineração e siderurgia. A Vale (VALE3) caiu 0,39%, acompanhada por Usiminas (USIM5), que recuou 0,93%, CSN Mineração (CMIN3), com baixa de 0,18%, e CSN (CSNA3), que liderou as perdas entre as grandes, ao cair 3,15%.

O movimento acompanha o recuo dos preços do minério de ferro no exterior, impactados pelo aumento das preocupações com a oferta global da commodity.

Os contratos mais negociados para maio na Bolsa de Dalian, na China, fecharam em baixa de 2,88%, cotados a 794 yuans (US$ 113,94) por tonelada, em meio à expectativa de que o projeto Simandou, na Guiné, aumente a oferta global nos próximos meses. O efeito se estende a outras siderúrgicas, como Usiminas (USIM5), com queda de 0,78%, e CSN Mineração (CMIN3), que cai 0,90%.

Segundo Felipe Sant’Anna, especialista do grupo Axia Investing, esse carregamento expressivo do minério vindo da Guiné, combinado com expectativa de enfraquecimento do mercado imobiliário chinês, explicam a queda da Vale. "Isso ajuda a derrubar o preço do minério de ferro no mercado global e puxa nossas mineradoras e siderúrgicas para baixo", afirma.

O cenário externo também contribuiu para a cautela no mercado local. "Hoje é um dia de feriado nos Estados Unidos, sem liquidez, o que reduz o apetite ao risco. Toda a situação envolvendo os EUA e a Europa enfraquecida prejudica os investidores. A bolsa está numa lateralidade complicada, sem alta nem queda clara", complementa Sant’Anna.

Ramon Coser, da Valor Investimentos, reforça que a volatilidade global aumenta com as tensões comerciais entre EUA e União Europeia, especialmente após o presidente Donald Trump anunciar tarifas de 10% sobre produtos de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro, podendo subir para 25% em junho caso não haja acordo sobre a Groenlândia.

Além disso, a expectativa sobre a política monetária americana e possíveis mudanças no Federal Reserve (Fed, o banco central americano) também mantém os investidores cautelosos.

Natura é a maior queda do dia, enquanto serviços avançam

Entre as maiores baixas do dia, destaque para a Natura (NATU3), que caiu 3,41%, em um movimento de correção após a valorização registrada na semana passada.

"O papel caiu forte em movimento de correção após subir quase 4% na semana passada", diz Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.

"Natura é um papel bem problemático, que já vem com bastante problema há muito tempo, me atrevo a dizer, há anos. Esse é um papel que ainda não encontrou um investidor firme, que vá comprar para longo prazo, tem muita gente especulando ainda", acrescenta o especialista do grupo Axia Investing.

Por outro lado, segundo Perri, o mercado repercutiu de forma positiva a entrevista do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao UOL, especialmente pelo apoio institucional ao Banco Central na condução da política monetária e no processo de intervenção e liquidação do Banco Master.

Pelo lado positivo do pregão, ações cíclicas e utilities reagiram bem ao fechamento da curva de juros. A Hapvida (HAPV3) liderou os ganhos do dia, com alta de 3,85%. Também avançaram IRB (IRBR3), com ganho de 3,59%, Cury (CURY3), que subiu 2,94%, recuperando parte das perdas da sexta-feira, e Direcional (DIRR3), que avançou 2,67%, revertendo o desempenho negativo das últimas sessões.

Jornal de Brasília - DF   20/01/2026

A BHP Billiton, mineradora anglo-australiana condenada pelo desastre de Mariana (MG), a maior tragédia ambiental da história do Brasil, sofreu nova derrota na Justiça britânica. Nesta segunda-feira (19), a juíza do caso, Finola O’Farrell, recusou à empresa a possibilidade de apresentar recurso ao mesmo tribunal que conduziu seu julgamento.

“A apelação não tem nenhuma perspectiva real de sucesso. Não há outro motivo convincente para que a apelação seja apreciada”, escreveu a magistrada na sentença.

“Embora a decisão possa ser de interesse para outras partes em outras jurisdições, trata-se de uma decisão sobre questões de direito brasileiro estabelecidas como fato nesta jurisdição, juntamente com provas factuais e periciais.”

No julgamento sobre a responsabilidade do episódio, encerrado em novembro do ano passado, a sequência de eventos que levou à morte de 19 pessoas e espalhou lama tóxica por quase 700 km de Minas Gerais até o oceano Atlântico foi tratada à luz da legislação brasileira.

A responsabilidade sobre a tragédia ficou determinada a partir de provas de que a Samarco, uma joint-venture da BHP com a brasileira Vale, não interrompeu o aumento de altura da barragem do Fundão, que colapsou no dia 5 de novembro de 2015. Segundo a sentença da Justiça britânica, proferida dez anos mais tarde, a BHP deve ser considerada como agente poluidor, conforme prevê a legislação ambiental brasileira, e por conduta culposa nos termos do Código Civil.

Especializada em casos transnacionais, a corte de O’Farrell baseia suas decisões nas legislações dos países envolvidos. Além das partes e de especialistas em meio ambiente e mineração, o tribunal ouviu juristas do Brasil e do Reino Unido. A lei ambiental brasileira é considerada uma das mais avançadas do mundo.

A BHP agora tem 28 dias para tentar um recurso na Corte de Apelação britânica. Até lá, ficou em suspenso o pagamento de parte das custas do processo, no valor de 43 milhões de libras (R$ 302,6 milhões). Os advogados dos quase 620 mil litigantes, do escritório britânico Pogust Goodhead, haviam pedido antecipação do pagamento das custas do processo, o que a juíza atendeu parcialmente
“A BHP apresentará seu recurso contra o julgamento de responsabilidade à Corte de Apelação e, em paralelo, continuará com sua defesa nas fases remanescentes do processo inglês. O Brasil é o local mais adequado para assegurar uma reparação justa e integral às pessoas atingidas”, declarou a mineradora em nota.

“Em seu julgamento proferido em novembro de 2025, a Corte inglesa reconheceu os programas indenizatórios implementados no Brasil e validou os acordos firmados desde 2015. Aproximadamente 240 mil autores da ação em trâmite no Reino Unido -assim como municípios e outras instituições- já assinaram acordos de quitação plena e foram indenizados no Brasil.”

A expectativa da mineradora, com isso, é diminuir o número de litigantes pela metade.

“Samarco, BHP Brasil e Vale seguem implementando o Novo Acordo do Rio Doce, firmado com entes públicos brasileiros em outubro de 2024, no valor aproximado de R$ 170 bilhões. Desde o rompimento da barragem, mais de 610 mil pessoas já receberam indenização e/ou auxílio financeiro emergencial no Brasil”, completa a nota.

Jonathan Wheeler, sócio do Pogust Goodhead e líder do caso Mariana, afirmou que a decisão desta segunda-feira (19) “reforça a robustez das conclusões do tribunal e aproxima centenas de milhares de autores da reparação pelo imenso dano que sofreram”.

“O pedido da BHP por autorização para recorrer mostra que ela continua tratando este caso como algo a ser ‘administrado’, e não como um desastre humanitário e ambiental que exige um desfecho justo. Cada nova manobra processual significa mais atraso, mais custos e mais prejuízos para pessoas que já esperam há mais de uma década por uma indenização adequada.”

Passada a atual fase de recursos, o tribunal já tem datas reservadas a partir de outubro deste ano para começar a decidir quem poderá receber indenização e quanto. Estima-se que o volume de compensações possa chegar a R$ 260 bilhões e todo o processo de pagamento leve anos para ser concluído.

Valor - SP   20/01/2026

Minério de ferro caiu 2,88% na Bolsa chinesa de Dalian fechando o dia em US$ 113,94 por tonelada

Preocupações com o aumento da oferta global de minério de ferro e dados mais fracos de produção de aço na China contribuíram para reduzir, nesta segunda-feira (19), os preços da commodity. O minério de ferro caiu 2,88% na Bolsa chinesa de Dalian, fechando o dia em US$ 113,94 por tonelada.

Apesar da queda, o nível de preços ainda é considerado bom por investidores. Outro fator que pode ter contribuído para a queda de ontem é a formação de estoques.

A relação entre oferta e demanda de minério de ferro no mercado transoceânico é determinante para os preços da commodity, usada como matéria-prima na produção de aço. E a China, maior importador mundial da matéria-prima, é ator central nesse jogo.

Ontem também surgiram duas notícias com efeitos nas expectativas dos agentes econômicos. Pelo lado da demanda, os dados não foram animadores. A Bloomberg informou que a produção de aço na China caiu 4% em 2025, para cerca de 961 milhões de toneladas. Além disso, o Fundo Monetário Internacional (FMI) indicou que a China deve crescer 4,6% este ano, alta de 0,3 ponto percentual ante a previsão anterior. Para 2027, a previsão é de crescimento de 4%.

Pelo lado da oferta, circularam informações sobre a chegada à China dos primeiros carregamentos de minério de ferro do megaprojeto de Simandou, na Guiné.

Simandou é um projeto antigo, rico em reservas de alto teor de ferro que a Vale tentou desenvolver no passado, mas não foi adiante. O projeto é composto de quatro blocos, dos quais dois são desenvolvidos por um consórcio entre a anglo-australiana Rio Tinto, o governo da Guiné e a chinesa Chalco. Outros dois blocos são de responsabilidade do grupo sino-singapuriano Winning Consortium Simandou (WCS). Ao todo, Simandou foi projetado para produzir até 120 milhões de toneladas de minério por ano.

Em comentário a clientes, Leonardo Correa e Marcelo Arazi, do BTG Pactual, dizem que a oferta esperada para Simandou, em 2026, é de cerca de 16 milhões de toneladas, o equivalente a 1% do mercado transoceânico. Os analistas projetam que Simandou vai se tornar uma oferta mais relevante, com possíveis efeitos negativos para o mercado, a partir de 2027.

“A China recebeu o primeiro carregamento de minério de ferro da mina de Simandou, registrando um marco no esforço de Pequim para diversificar o fornecimento de minério de ferro, reduzindo a dependência da Austrália e do Brasil, que juntos representam cerca de 80% das importações chinesas. Um navio transportando quase 200 mil toneladas de minério de alta qualidade chegou ao porto de Majishan, em Zhejiang, em 17 de janeiro, após uma viagem de 46 dias, segundo a China Baowu. Um segundo carregamento partiu da Guiné no fim de dezembro, reforçando o bom momento inicial das exportações”, informa a nota do BTG.

O banco considera, porém, que Simandou terá impacto praticamente nulo nos preços do minério de ferro neste ano. “Reduzimos nossas projeções de volume para Simandou devido aos crescentes desafios logísticos e operacionais, incluindo atrasos na entrega de infraestrutura, disputas de propriedade e legais e a complexidade de construir e operar uma ferrovia de mais de 600 quilômetros e um porto de águas profundas.”

O analista do Itaú BBA Daniel Sasson considera que a queda de ontem é mais especulativa e pode ter relação com níveis de estoques. “Existem questões sazonais que influenciam. Entre novembro e janeiro, costuma haver maior busca por formação de estoques como preparação para o ano novo chinês [entre o fim de fevereiro e início de março].” Na visão de Sasson, o nível de preço atual está saudável para o mercado.

Analistas da ANZ Research vão na mesma linha. Dizem que, além do navio de Simandou que chegou à China, o aumento dos estoques chineses é um fator de pressão. Dados da consultoria Steelhome mostram que os estoques nos 35 principais portos chineses voltaram a subir na comparação semanal, reforçando temores de excesso de oferta. (Colaborou Yasmim Tavares, do Valor Investe)

AUTOMOTIVO

Money Times - SP   20/01/2026

A Tesla (TSLA) está bem posicionada para ser uma das primeiras montadoras a se beneficiar da decisão do Canadá de remover tarifas de 100% sobre veículos elétricos (EVs) fabricados na China, graças aos seus esforços iniciais para enviar carros de sua fábrica em Xangai para o país e à sua rede de vendas já estabelecida no Canadá, dizem especialistas.

Pelo acordo anunciado na sexta-feira (16), o Canadá permitirá a importação anual de até 49 mil veículos provenientes da China, com tarifa de 6,1% nos termos de nação mais favorecida. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que a cota poderá aumentar para até 70 mil veículos em cinco anos.

No entanto, uma cláusula do acordo reserva metade da cota para veículos com preço inferior a 35 mil dólares canadenses (US$ 25.189). Todos os modelos da Tesla custam acima desse valor.

Embora muitas montadoras chinesas estejam ansiosas para aproveitar a oportunidade à medida que expandem suas exportações, a Tesla tem vantagem porque, já em 2023, equipou sua fábrica de Xangai, sua maior e mais eficiente unidade em termos de custos no mundo, para produzir e exportar uma versão do Model Y específica para o Canadá.

Naquele mesmo ano, a montadora americana começou a enviar o modelo de Xangai para o Canadá, elevando as importações canadenses de automóveis provenientes da China para seu maior porto, Vancouver, em 460% na comparação anual, chegando a 44.356 unidades em 2023.

Mas a empresa foi forçada a interromper essas remessas em 2024 e passou a enviar veículos a partir de suas fábricas nos Estados Unidos e em Berlim, depois que Ottawa impôs tarifas de 100%, alegando o desejo de combater o que chamou de política estatal chinesa intencional de excesso de capacidade.

Atualmente, a Tesla envia ao Canadá Model Ys produzidos em Berlim, mas outras variantes, como o Model 3 mais barato, são majoritariamente fabricadas na China.

“Este novo acordo pode permitir a retomada dessas exportações com relativa rapidez”, disse Sam Fiorani, vice-presidente da empresa de pesquisa AutoForecast Solutions.

A Tesla possui uma rede de 39 lojas no Canadá, enquanto rivais chinesas como BYD e Nio ainda não têm presença de vendas no país. Além disso, a empresa provavelmente consegue avançar mais rápido com planos de marketing, já que possui apenas quatro modelos principais, bem menos que seus concorrentes chineses.

“A Tesla de fato tem vantagem por oferecer poucos modelos, versões e linhas de produção simples, o que lhe dá flexibilidade para vender carros produzidos em qualquer país para qualquer mercado, buscando a melhor eficiência de custos”, disse Yale Zhang, diretor-gerente da consultoria AutoForesight, sediada em Xangai.

A Tesla não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.

Outras marcas que exportavam carros fabricados na China para o Canadá antes das tarifas incluíam Volvo e Polestar, ambas pertencentes ao grupo automotivo chinês Geely.

Volvo e Polestar também não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Oportunidades para marcas chinesas

Ainda assim, a cláusula de preço provavelmente dará algum fôlego às marcas chinesas.

“Os beneficiados provavelmente serão as montadoras chinesas e os consumidores canadenses em busca de um veículo de entrada”, disse Fiorani.

John Zeng, chefe de previsão de mercado para a China na consultoria GlobalData, sediada em Londres, afirmou que a cota também deve oferecer às montadoras chinesas a oportunidade de “testar o mercado” no Canadá, onde há uma grande população de sino-canadenses.

O Canadá pretende analisar joint ventures e investimentos com empresas chinesas nos próximos três anos para construir um veículo elétrico canadense com conhecimento chinês, informou a emissora pública CBC, citando um alto funcionário canadense.

A maior fabricante de EVs da China, a BYD, já possui uma fábrica de montagem de ônibus elétricos em Ontário, no Canadá.

Autoridades do governo Trump criticaram a decisão do Canadá. A antiga administração Biden quadruplicou as tarifas sobre EVs chineses para 100% em 2024, praticamente bloqueando essas exportações para os Estados Unidos.

Exame - SP   20/01/2026

A corrida pela infraestrutura da mobilidade elétrica acaba de ganhar um novo capítulo — e ele começa no Sul do Brasil.

Até março de 2026, Porto Alegre vai receber o eletroposto mais potente do país, capaz de carregar um carro elétrico em apenas 15 minutos.

O projeto é da Esquina do Futuro, rede de eletropostos criada pelo Grupo Farroupilha, holding gaúcha com faturamento de R$ 500 milhões e mais de 20 mil atendimentos diários.

A empresa acaba de firmar uma parceria com a fabricante catarinense WEG e com a integradora Tupi para trazer ao país sua primeira High Power Charger, carregadora ultrarrápida de 480 kW — potência nunca antes instalada no Brasil.

O movimento marca uma nova fase da Esquina do Futuro, que vem crescendo com foco em recarga rápida, operação própria e padrão de conveniência. Agora, a empresa mira também o avanço tecnológico e a interiorização.

“Essa é uma entrega inédita no país. Nenhuma outra empresa está operando um carregador com essa potência e padrão de infraestrutura”, afirma Eduardo Costa, fundador da rede.

A novidade chega num momento estratégico. Em 2025, a expectativa é que o Brasil ultrapasse 330.000 veículos eletrificados vendidos. Isso representa mais do que o dobro do volume registrado dois anos antes — e pressiona montadoras, redes e governos a acelerar os investimentos em recarga.

“Hoje, o consumidor ainda não tem confiança de que vai encontrar um ponto disponível e funcional. Essa é a principal trava do mercado. A gente está enfrentando esse problema com operação, e não só com equipamento”, diz Costa. Segundo ele, os pontos da Esquina mantêm disponibilidade acima de 99%.

A aposta de R$ 1,5 milhão para liderar o setor

O novo carregador de 480 kW será instalado no Complexo do Futuro, um centro multisserviço que a empresa está construindo em Porto Alegre. O espaço terá café, conveniência, banheiros, Wi-Fi gratuito, áreas de descanso e expositores para montadoras testarem lançamentos elétricos.

O investimento na unidade será de 1,5 milhão de reais, com capacidade de carregar até quatro carros ao mesmo tempo. De acordo com o fabricante, o tempo de recarga pode variar, mas alguns modelos terão carga completa em até 15 minutos, dependendo da bateria.

Ao todo, a Esquina do Futuro já adquiriu mais de 50 carregadores rápidos e ultrarrápidos, e agora acelera a segunda fase de expansão.

Porto Alegre será laboratório de carregamento público nas ruas

Além da parceria com a WEG, a Esquina do Futuro também fechou um acordo com a prefeitura de Porto Alegre para testar carregamento rápido em vias públicas, algo inédito no país.

A iniciativa, parte do programa Living Lab POA, vai começar com oito pontos estratégicos, incluindo locais como a Praça da Encol, o Parque Germânia e a avenida 24 de Outubro.

Os carregadores terão potência de 40 kW, apropriada para baixa tensão, e serão equipados com câmeras com inteligência artificial, sensores de presença e Wi-Fi gratuito. A meta é garantir segurança e confiabilidade para incentivar a adoção do carro elétrico urbano.

“O desafio não é só infraestrutura. É confiança. O motorista só vai trocar de carro se souber que não vai ficar na mão”, afirma Costa.

Como nasceu a ideia de eletrificar o futuro

A história da Esquina do Futuro começa longe do Brasil — mais precisamente, no trajeto entre Los Angeles e Las Vegas. Entre 2014 e 2018, Eduardo Costa morou na Califórnia com a família. Depois de vender a rede de postos que operava no Rio Grande do Sul, decidiu tirar um tempo para estudar, acompanhar o crescimento do filho e observar o que o futuro da mobilidade reservava.

Foi nesse período que ele testemunhou o que chama de “o ponto de virada da Tesla”. “Eles perceberam que só vender carro não bastava. Precisavam entregar infraestrutura. E aí começaram a instalar carregadores rápidos em lugares estratégicos”, diz. O exemplo mais simbólico, segundo ele, foi a instalação de um ponto de recarga em Primm, no meio do deserto de Nevada. “Ali virou o marco zero da revolução elétrica. Não era só tecnologia. Era logística, conveniência, visão de longo prazo.”

De volta ao Brasil, a ideia ganhou nome, projeto e endereço. A Esquina do Futuro seria mais que um eletroposto. Seria um ponto de recarga rápida com operação completa: loja de conveniência, banheiros, café, espaço de convivência e um ambiente para testar produtos sustentáveis — batizado de Lançamento do Futuro.

A inspiração veio no momento certo. A frota de veículos elétricos no Brasil, que ainda engatinhava em 2018, deu um salto nos últimos anos. Só em 2024, as vendas de carros eletrificados cresceram 113%, impulsionadas pela entrada de novas montadoras, queda nos preços e benefícios fiscais.

“Hoje a gente vê muito carregador lento em supermercado ou estacionamento. Isso não resolve. O motorista precisa de estrutura, de uma boa experiência. E isso ninguém está entregando ainda com consistência”, afirma Costa.

Como funciona a Esquina do Futuro

A proposta da Esquina do Futuro vai na contramão dos grandes players que tentam ganhar o mercado pela quantidade. Enquanto algumas empresas espalham milhares de carregadores em estacionamentos e supermercados, a Esquina aposta em locais com operação ativa, atendimento humano e padrão de conveniência.

“Ninguém quer sentar no meio-fio enquanto o carro carrega. A gente vê carregador instalado na frente de lavanderia, sem banheiro, sem cobertura, sem nada. Isso é um desserviço”, diz. Em Porto Alegre, por exemplo, a unidade da Avenida Nilo Peçanha já virou ponto de encontro. Outras foram instaladas em bairros como Menino Deus e Santa Cecília, com novas chegando na zona sul e em cidades vizinhas.

Cada ponto precisa cumprir três critérios: segurança, conveniência e estrutura operacional. Se não tiver os três, não entra. “Nem tudo vira Esquina do Futuro. Às vezes a gente só instala o ponto, mas ele precisa estar no lugar certo. Um bom posto é como um bom restaurante. Tem que ser onde as pessoas querem estar”, afirma.

O custo para montar uma unidade completa pode passar de 10 milhões de reais. Mas o retorno, segundo Costa, já é positivo: “Está se pagando. Melhor do que eu esperava, inclusive. Mas eu sei que isso vai mudar. Vai vir concorrência. Vai ter guerra de preço. E aí só quem operar bem vai sobreviver.”

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Cenário Energia - RJ   20/01/2026

Visita do ministro Alexandre Silveira à gigante chinesa reforça estratégia do governo Lula para gerar empregos, internalizar tecnologia e acelerar a transição energética no país

A agenda internacional do governo brasileiro na China ganhou um capítulo relevante para o futuro do setor energético e industrial do país. Em visita institucional realizada nesta segunda-feira (19/1), o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, esteve na sede do Grupo SANY, um dos maiores conglomerados industriais do mundo, com atuação destacada em máquinas pesadas, mineração, eletrificação industrial, sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS) e tecnologias para a produção de hidrogênio de baixa emissão de carbono.

A movimentação integra a estratégia do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de reposicionar o Brasil como um polo industrial, tecnológico e energético sustentável. Essa diretriz está ancorada em três eixos centrais: o Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), a Política Nacional de Transição Energética e o programa Nova Indústria Brasil. Em conjunto, essas iniciativas buscam atrair investimentos produtivos, fortalecer cadeias industriais nacionais e ampliar a geração de emprego e renda em setores estratégicos.
Cooperação Brasil–China e foco em investimentos produtivos

Durante a visita, Alexandre Silveira foi recebido por Chen Jiayuan, membro do Conselho de Administração do Grupo SANY, e por Alex Xiao, presidente da SANY Brasil. O encontro teve como foco a identificação de oportunidades concretas de cooperação bilateral, especialmente a possibilidade de instalação de uma nova unidade industrial da companhia chinesa em território brasileiro.

A proposta em análise envolve a produção, montagem e distribuição de equipamentos voltados para setores como construção pesada, mineração, óleo e gás, geração de energia e armazenamento elétrico. Caso se concretize, o projeto poderá transformar o Brasil em um hub industrial e tecnológico da SANY para a América Latina, ampliando o papel do país na cadeia global de fornecimento de equipamentos de alto valor agregado.

Além do impacto direto em investimentos, o governo destaca o potencial de transferência de tecnologia, capacitação de mão de obra especializada e fortalecimento da indústria nacional, elementos considerados centrais para um processo de reindustrialização sustentável.
Armazenamento de energia ganha protagonismo na agenda

Um dos pontos centrais da reunião foi a apresentação, por parte da SANY, de suas soluções avançadas em sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS). A tecnologia é vista como estratégica para o futuro do sistema elétrico brasileiro, especialmente diante do crescimento acelerado da geração renovável intermitente, como solar e eólica.

Os sistemas de baterias desempenham papel fundamental na segurança do fornecimento, no equilíbrio entre oferta e demanda e na estabilidade da matriz elétrica. As soluções apresentadas pela SANY dialogam diretamente com o leilão de baterias anunciado pelo governo brasileiro e previsto para os próximos meses, iniciativa que busca criar um mercado estruturado para o armazenamento de energia no país.

A previsibilidade regulatória associada a esse leilão foi destacada como um fator decisivo para aumentar a atratividade do Brasil aos olhos de investidores internacionais, sobretudo em um cenário global marcado por competição acirrada por capital e tecnologias limpas.
Confiança nas políticas públicas e no ambiente de negócios

Durante o encontro, a direção do Grupo SANY manifestou confiança nas políticas públicas conduzidas pelo governo Lula. Segundo os executivos da companhia, a coordenação entre política energética, política industrial e investimentos em infraestrutura, materializada no Novo PAC, na Política Nacional de Transição Energética e no programa Nova Indústria Brasil, cria um ambiente mais seguro e previsível para decisões de longo prazo.

Essa sinalização é relevante para o setor energético, uma vez que projetos industriais e de infraestrutura exigem horizonte de planejamento estendido e estabilidade regulatória. A leitura positiva da SANY reforça a percepção de que o Brasil volta a ocupar espaço no radar de grandes grupos globais interessados em expandir operações em mercados emergentes.
Próximos passos e desdobramentos institucionais

Como encaminhamento da visita, ficou acordado o agendamento de reuniões institucionais do Grupo SANY com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. A expectativa é aprofundar as discussões sobre investimentos, incentivos e integração da companhia às estratégias industriais do país.

Também foi debatida a participação da SANY em um evento voltado à indústria de óleo, gás e mineração no Vale do Aço, em Minas Gerais, previsto para fevereiro. A região é considerada estratégica tanto pela tradição industrial quanto pela proximidade com polos logísticos e energéticos relevantes.
Brasil busca protagonismo na transição energética global

Ao avaliar a visita, o ministro Alexandre Silveira destacou o simbolismo da aproximação com a SANY no contexto mais amplo da relação Brasil–China e da agenda de desenvolvimento nacional. Para ele, o interesse da companhia chinesa reflete o reconhecimento internacional de um novo ciclo econômico e energético em curso no país.

“Estamos criando um ambiente seguro e previsível para investimentos, que gera emprego, renda e desenvolvimento sustentável, com o Brasil assumindo protagonismo na indústria global e na transição energética”, afirmou o ministro de Minas e Energia.

A agenda com o Grupo SANY evidencia como a política energética passou a ser também um instrumento de política industrial e de inserção internacional. Em um momento em que a transição energética redefine fluxos de capital e cadeias produtivas, o Brasil busca se posicionar não apenas como fornecedor de recursos naturais, mas como plataforma industrial e tecnológica de soluções para a economia de baixo carbono.

Página Rural - RS   20/01/2026

A entidade reconhece a importância do Acordo como instrumento para ampliar o acesso a mercados, integrar o Brasil às cadeias globais de valor e criar oportunidades para o Brasil e para o setor de máquinas e equipamentos. O acordo é uma grande oportunidade para os produtores de bens e serviços brasileiros atingirem um universo de aproximadamente 720 milhões de consumidores e 22 trilhões de dólares de PIB.

No caso da indústria de transformação, cuja estrutura europeia é mais competitiva do que a do Mercosul, a Abimaq destaca que a simples assinatura do Acordo não garante o aumento das exportações brasileiras de bens manufaturados. Sem ganhos efetivos de competitividade, existe o risco de aumento do saldo negativo da balança comercial de manufaturados entre o Brasil e a União Europeia. Se a balança comercial total entre o Brasil e a União Europeia é neutra, próximo de zero, a balança comercial de manufaturados é altamente negativa ao Brasil, superando os 25 bilhões de dólares de déficit anual.

A observância das regras de origem assume papel central para assegurar que os benefícios do Acordo sejam direcionados às indústrias efetivamente instaladas nos países do Mercosul e da União Europeia.

Os prazos de desgravação, isto é, para a redução progressiva das tarifas de importação, previstas no Acordo, para o setor industrial é longo. O prazo para máquinas e equipamentos, varia entre 10 e 15 anos. Os vários prazos para os setores da indústria devem ser compreendidos como uma janela estratégica para a implementação de reformas estruturais. Esse período oferece ao Brasil a oportunidade de mitigar os fatores que aumentam o custo de produção no País: implementar reformas, buscar o equilíbrio macroeconômico, diminuir a complexidade e a carga tributária, melhorar o ambiente jurídico e regulatório, criar condições para a redução estrutural das taxas de juros e fortalecer a competitividade da indústria nacional.

A Abimaq defende que a abertura comercial deve caminhar de forma equilibrada com uma agenda consistente de reformas internas e de competitividade. O aprimoramento do ambiente econômico é fundamental para atrair investimentos, elevar a produtividade, gerar empregos de qualidade e permitir que o país deixe de ser apenas fornecedor de produtos primários, avançando na agregação de valor e no fortalecimento de sua base industrial.

Tendo em vista que seus efeitos serão percebidos a médio e longo prazo, a entidade reforça que o Acordo Mercosul–União Europeia representa uma grande oportunidade, mas seu sucesso dependerá diretamente da capacidade do Brasil de realizar mudanças internas e transformar o período de transição em uma oportunidade para ganhos concretos de competitividade para a indústria brasileira.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Jornal de Brasília - DF   20/01/2026

A Advocacia-Geral da União (AGU) obteve uma vitória no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao impedir o pagamento de R$ 2 bilhões em indenizações ao Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) e a construtoras como Sultepa S/A, Sulcatarinense, STE Serviços Técnicos de Engenharia e Pedrasul Construtora. As empresas cobravam o valor alegando desequilíbrio financeiro em contratos firmados com o extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) para construção e recuperação de estradas.

A indenização havia sido reconhecida pela 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), após tramitação na 17ª Vara Federal de Brasília. No entanto, a União ajuizou ação rescisória para desconstituir o acórdão, argumentando nulidades processuais e erros factuais.

Entre os pontos levantados pela AGU, destacam-se a ausência de intimação da Advocacia-Geral e a falta de legitimidade do Banrisul, que atuava como mero detentor de créditos da Sultepa S/A com interesse econômico, não jurídico. Além disso, a União contestou a inclusão de lucros cessantes, juros compensatórios e a fixação equivocada do marco inicial da mora, sem comprovação de prejuízos.

O relator no STJ, ministro Francisco Falcão, acolheu o recurso da AGU. Ele enfatizou que o interesse do Banrisul era puramente econômico, assumindo risco lucrativo na aquisição dos créditos por deságio. O acórdão da 2ª Turma do STJ declarou a nulidade das decisões a partir do ingresso do banco no processo, reformou o julgado do TRF-1 e julgou procedente a ação rescisória por erro de fato.

A decisão também concluiu pela ausência de dívida em desfavor da União, pois não foram comprovadas datas de medição, aprovação de faturas ou constituição em mora. Pleitos como indenização por pagamento a destempo, correção monetária, juros, lucros cessantes e danos por mobilização foram rejeitados por falta de base fática.

De acordo com Fernando Filgueiras de Araújo, advogado da União da Coordenação de Atuação Estratégica da Procuradoria Nacional de Políticas Públicas, a vitória evita uma condenação bilionária sem provas suficientes de irregularidades ou ilícitos. “A União demonstrou a insuficiência dos indícios, poupando recursos para políticas públicas de interesse nacional”, afirmou ele.

O processo refere-se ao Recurso Especial nº 1.792.019 no STJ.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   20/01/2026

A governadora de Pernambuco Raquel Lyra e o ministro das Cidades, Jader Filho, anunciaram nesta sexta-feira (16) um pacote de investimentos imediatos de R$ 500 milhões para o Metrô do Recife, em meio à deterioração do sistema e às recorrentes queixas de usuários e trabalhadores sobre falhas operacionais e riscos à segurança. Os recursos, segundo o governo federal, já estão alocados e começam a ser liberados nos próximos dias, com obras previstas para iniciar em até 30 dias.

O anúncio foi feito durante visita técnica às estações Joana Bezerra e Central, no Centro do Recife, após a assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Governo de Pernambuco e a União.

A promessa de investimento imediato antecede um plano mais amplo de reestruturação do metrô por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), que prevê concessão de 30 anos e aporte federal estimado em R$ 4 bilhões nos cinco primeiros anos, com estudos conduzidos pelo BNDES.
Recursos imediatos e primeiras intervenções

De acordo com o ministro Jader Filho, os R$ 500 milhões anunciados para esta primeira etapa serão destinados à recuperação da infraestrutura do metrô, à reforma das estações, à substituição de composições em operação e à aquisição de 100 ônibus elétricos para o sistema metropolitano.

Segundo Jader, as intervenções mais urgentes incluem troca de telhados, melhorias estruturais, instalação e reforma de banheiros e requalificação das plataformas.

Essas obras precisam acontecer no máximo dentro de seis meses. Não pode ultrapassar isso. É um compromisso que estamos assumindo aqui, afirmou o ministro, ao destacar que a prioridade inicial é garantir condições mínimas de segurança e dignidade aos usuários.

Jader também afirmou que técnicos da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) avaliaram previamente os trens que serão transferidos para o Recife, assegurando que estão em melhores condições do que os atualmente em circulação no sistema local.
Trens seminovos e cronograma de chegada

Durante a coletiva, foi confirmado que o Recife receberá 11 composições seminovas, sendo cinco vindas de Belo Horizonte e seis de Porto Alegre. A governadora Raquel Lyra detalhou que os primeiros trens, oriundos da capital mineira, devem começar a chegar já em fevereiro, com o cronograma de entregas se estendendo até junho deste ano.

Segundo Raquel, a substituição da frota em Belo Horizonte permitiu uma liberação mais rápida dos vagões, enquanto os trens de Porto Alegre seguirão um calendário próprio de envio. Ela ressaltou que a chegada das novas composições faz parte de um esforço para reduzir o tempo de espera e aumentar a velocidade operacional do metrô, hoje limitada em vários trechos devido ao desgaste dos trilhos e dormentes.

Em muitos pontos, os trens precisam rodar a 17 km/h por falta de investimento na infraestrutura. Isso impacta diretamente o tempo de deslocamento da população, afirmou a governadora.
Ônibus elétricos e mobilidade metropolitana

Além do metrô, o pacote anunciado inclui a compra de 100 ônibus elétricos com ar-condicionado para operar na Região Metropolitana do Recife. O investimento, estimado em cerca de R$ 300 milhões, será feito com recursos federais, enquanto o governo estadual ficará responsável pela operacionalização do processo de compra.

Segundo Raquel Lyra, a expectativa é que a aquisição siga prazos semelhantes aos de outras compras públicas de grande porte, com entregas ocorrendo em cerca de seis meses após a conclusão dos trâmites administrativos. A governadora afirmou que o Estado já iniciou contatos com fabricantes para tentar acelerar o cronograma.
Manutenção dos empregos e críticas à frota atual

Questionados por representantes do sindicato dos metroviários sobre a segurança das composições, a compatibilidade técnica dos trens seminovos e o impacto das mudanças sobre os trabalhadores da CBTU, a governadora Raquel Lyra e o ministro Jader Filho reforçaram que a reestruturação do sistema não afetará postos de trabalho.

Em relação aos funcionários da CBTU, quero deixar uma palavra a todos eles: nós preservaremos todos os empregos. Ninguém será prejudicado. A nossa intenção não é prejudicar ninguém, é preservar os empregos e, acima de tudo, garantir um transporte digno e seguro para a população, afirmou Jader Filho, ao responder às preocupações levantadas pelo sindicato.

O ministro também disse que a escolha das composições seminovas foi baseada em avaliações técnicas feitas por profissionais da própria CBTU.

Não cometeríamos a irresponsabilidade de trazer trens que não estivessem em melhores condições do que os que operam hoje. Técnicos da CBTU estiveram em Porto Alegre e em Minas Gerais e atestaram que essas composições oferecem mais segurança do que as atuais, declarou.

Raquel Lyra reforçou o compromisso com o diálogo permanente com os trabalhadores e anunciou que haverá uma reunião específica com o sindicato para tratar das dúvidas técnicas e operacionais.

Aqui já firmei o compromisso de fazermos um encontro com o sindicato, junto com a CBTU e o Ministério, para esclarecer todas as dúvidas. Os empregos estão garantidos. Se não fosse dessa forma, nem o presidente da República nem eu assinaríamos qualquer tipo de intervenção dessa natureza, afirmou a governadora.

Ainda de acordo com a governadora, a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica dá ao governo estadual legitimidade para participar das decisões e mediar o processo, mesmo sem assumir formalmente a responsabilidade pela operação do metrô neste momento.

Nós estamos colocando luz sobre um problema que por muito tempo foi silenciado. Somos parte da solução, completou.
Concessão e próximos passos

O Acordo de Cooperação Técnica assinado entre o Estado e a União estabelece as bases para a futura concessão do Metrô do Recife à iniciativa privada. O processo prevê consulta pública e conclusão dos estudos até o fim deste ano, respeitando o cronograma definido pelo BNDES.

Segundo Jader Filho, os R$ 500 milhões anunciados representam apenas a primeira etapa de um processo mais longo de recuperação do sistema.

Isso é o início. Ainda há muita coisa a ser feita, mas era preciso dar o primeiro passo para que a população volte a acreditar que o metrô do Recife pode funcionar de forma digna, afirmou.

Globo Online - RJ   20/01/2026

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 350 milhões, com recursos do Fundo Clima, para a Rumo - operadora privada de ferrovias de carga - adquirir seis locomotivas híbridas e pelo menos 160 vagões-tanque. O investimento tem como objetivo ampliar a logística ferroviária de biocombustíveis, especialmente para o etanol de milho, no Centro-Oeste.

Com o projeto, a capacidade de transporte será ampliada em 928 mil metros cúbicos por ano, um aumento de 32% em relação ao volume de biocombustíveis transportado pela companhia em 2024. As locomotivas híbridas combinam motor a combustão e motor elétrico, permitindo maior eficiência energética.

Segundo o banco, com a substituição do transporte rodoviário pelo ferroviário e o uso da tecnologia híbrida, o projeto estima a redução de 62,3 mil toneladas de CO2 por ano.

“A adoção da tração híbrida representa a alternativa tecnológica mais viável para a descarbonização da matriz ferroviária no curto e médio prazo, por ter menor custo de implementação e menor dependência de obras civis complexas, o que reforça o caráter inovador da iniciativa”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota.

Para a vice-presidente da Rumo, Natália Marcassa, o investimento no modal ferroviário é crucial para que o país avance na descarbonização da matriz de transporte no longo prazo e consolide sua liderança global em cadeias produtivas que requerem logística competitiva e sustentável, com vocação para transportar grandes volumes a longas distâncias.

“Ampliar o investimento na ferrovia, com acesso competitivo a linhas de financiamento, como o Fundo Clima, é uma forma de reconhecer e valorizar os atributos de sustentabilidade deste modal e sua contribuição estratégica para a economia nacional. Demos um passo muito importante”, destacou, em nota.

NAVAL

Portos e Navios - SP   20/01/2026

Ativos serão construídos pelos estaleiros ERG, Beconal e INC. Investimentos de R$ 2,8 bilhões serão firmados em evento do programa Mar Aberto nesta terça-feira (20), em Rio Grande

A Petrobras e a Transpetro assinam, nesta terça-feira (20), os contratos para a construção de embarcações do ‘Mar Aberto’, programa voltado à renovação e ampliação da frota do sistema Petrobras. Ao todo, a holding e sua subsidiária estão contratando cinco navios gaseiros, além de 18 barcaças e 18 empurradores, num investimento total de R$ 2,8 bilhões. De acordo com a companhia, os investimentos somados são da ordem de R$ 2,8 bilhões. A cerimônia será realizada em Rio Grande (RS) e tem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Todas as embarcações serão operadas pela Transpetro e construídas em estaleiros de três estados. No Rio Grande do Sul, o Estaleiro Rio Grande (ERG), da Ecovix, será responsável pela obra dos cinco gaseiros. No Amazonas, o estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia (Beconal), construirá as 18 barcaças. Em Santa Catarina, o estaleiro Indústria Naval Catarinense, vai construir os 18 empurradores.O potencial de geração nessas encomendas é de mais de 9.000 empregos diretos e indiretos.

Gaseiros
Os gaseiros foram contratados por meio de licitação aberta e internacional, em dois lotes com oito embarcações no total — o resultado do outro lote não foi homologado. O ERG foi contratado para construir cinco navios pressurizados destinados ao transporte de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e de derivados: três com capacidade de 7 mil m³ e dois com 14 mil m³. O investimento total nessas construções totaliza R$ 2,2 bilhões. Com isso, a frota de gaseiros da Transpetro irá subir de seis para 14, triplicando a atual capacidade de transporte de GLP e derivados.

As encomendas consideram o aumento da produção de gás natural no país e atendem às necessidades da Petrobras, tanto na costa brasileira quanto na navegação fluvial, incluindo a região Norte e a Lagoa dos Patos (RS). De acordo com a Petrobras, os novos gaseiros serão até 20% mais eficientes no consumo de energia, reduzirão as emissões de gases de efeito estufa (GEE) em 30% e poderão operar em portos eletrificados. O lançamento da primeira unidade está previsto até 33 meses após o início das obras, com novas entregas a cada seis meses.

Comboio hidroviário
A encomenda das 18 barcaças e 18 empurradores representa um investimento de R$ 620,6 milhões, fortalecendo a operação da Transpetro na navegação interior. A presença em águas abrigadas ou parcialmente abrigadas, como rios, lagos, canais, baías e lagoas tem objetivo de consolidar a empresa como uma das principais operadoras de transporte de derivados de petróleo e de biocombustíveis no modal fluvial.

O novo modelo de negócio viabilizará a verticalização da operação de bunkering, permitindo à Transpetro dispor de uma frota própria para abastecimento em polos como Belém (PA), Rio de Janeiro (RJ), Santos (SP), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS). A estratégia da empresa com essa integração é assegurar maior controle operacional, otimização de custos e ganhos de eficiência logística.

O estaleiro Beconal, de Manaus (AM), será responsável pela construção das 18 barcaças, com a entrega da primeira unidade prevista três meses após o início da obra. Do total contratado, 10 terão capacidade de 3.000 toneladas de porte bruto (TPB) e 8, de 2.000 TPB. O estaleiro INC, localizado em Navegantes (SC), construirá os 18 empurradores, com a entrega inicial programada para 10 meses após o início da fabricação.

O Mar Aberto tem aportes estimados em US$ 6 bilhões no período de 2026 a 2030, abrangendo a construção de um total de 20 navios de cabotagem, além de 18 barcaças e 18 empurradores, além da previsão de afretamento de 40 novas embarcações de apoio destinadas à renovação da frota de apoio marítimo. A Petrobras afirma que o programa reforça compromisso com a renovação e ampliação da frota nacional, contribui com a logística das operações e com o fortalecimento da indústria naval brasileira, em alinhamento com os objetivos da Transição Energética Justa.

A Petrobras defende que essa estratégia de renovar a frota reduzirá a dependência de afretamentos, proporcionando mais flexibilidade e eficiência às operações logísticas de movimentação de GLP e dos demais produtos. “Com essas contratações, estamos deixando a Petrobras preparada para o crescimento da nossa produção nos próximos anos e alavancando a retomada da indústria naval nacional”, declarou em nota a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Ela acrescenta que o investimento em encomendas para indústria naval e offshore estimula um ciclo de novos negócios e oportunidades, fortalecendo a cadeia produtiva industrial brasileira.

Para o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, a renovação e ampliação da frota permite à empresa atender ao crescimento da produção do país com mais eficiência, reduzindo custos e fortalecendo a soberania energética. “Os contratos assinados têm potencial para gerar mais de 9.000 empregos diretos e indiretos, revitalizar a indústria naval e mobilizar a cadeia produtiva desse segmento do país. Ver os polos navais nacionais sendo retomados, sem dúvida, é motivo de orgulho para todos nós brasileiros", salientou Bacci.

Novo TUP em Rio Grande
Durante o evento, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, anunciará o contrato de adesão do terminal de uso privado (TUP) vinculado ao projeto da nova fábrica de celulose da CMPC, que integra o 'Projeto Natureza' e prevê investimentos de R$ 24 bilhões. Segundo o MPor, esse empreendimento é considerado estratégico para o fortalecimento da infraestrutura logística e para o escoamento da produção destinada à exportação. O TUP será implantado no complexo portuário de Rio Grande e contará com capacidade de movimentação de até 9 milhões de toneladas por ano no 11º ano de operação, sendo 4,5 milhões de toneladas na descarga de barcaças e 4,5 milhões no carregamento de navios.

PETROLÍFERO

Money Times - SP   20/01/2026

Os preços do petróleo caem nesta segunda-feira (19), após terem subido na sessão anterior, à medida que a instabilidade civil no Irã diminuiu, reduzindo a chance de um ataque dos Estados Unidos que poderia interromper o fornecimento do grande produtor do Oriente Médio.

O petróleo Brent era negociado a US$ 63,85 o barril às 07h34 GMT, em queda de 28 centavos, ou 0,44%.

O West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos para fevereiro caiu 36 centavos, ou 0,61%, para US$ 59,08 o barril. Esse contrato vence na terça-feira, e o contrato mais negociado, de março, estava a US$ 59,10, com queda de 24 centavos, ou 0,40%.

A repressão violenta do Irã aos protestos motivados por dificuldades econômicas, que teria matado 5 mil pessoas, conteve a instabilidade.

O presidente dos EUA, Donald Trump, pareceu recuar de ameaças anteriores de intervenção, dizendo nas redes sociais que o Irã havia cancelado enforcamentos em massa de manifestantes, embora o país não tivesse anunciado tais planos.

Isso pareceu reduzir as chances de uma intervenção dos EUA que poderia ter interrompido os fluxos de petróleo do quarto maior produtor entre os países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

A queda sinalizou uma nova retração em relação às máximas de vários meses alcançadas na semana passada, embora os preços ainda tenham fechado em alta na sexta-feira. A movimentação militar dos EUA no Golfo, no entanto, ressalta a preocupação contínua.

“O recuo seguiu-se a um rápido desmonte do ‘prêmio Irã’ que havia levado os preços a máximas de 12 semanas, acionado por sinais de alívio na repressão do Irã aos manifestantes”, disse o analista de mercado da IG, Tony Sycamore, em nota.

Isso foi acentuado por dados de estoques dos EUA que mostraram um aumento substancial de petróleo bruto, reforçando as pressões baixistas de oferta, acrescentou ele.

Os mercados dos EUA estão fechados na segunda-feira devido ao feriado do Dia de Martin Luther King Jr.

Os estoques de petróleo bruto aumentaram em 3,4 milhões de barris na semana encerrada em 9 de janeiro, informou a EIA na semana passada, em comparação com a expectativa de analistas consultados pela Reuters de uma redução de 1,7 milhão de barris.

Os mercados acompanham de perto os planos para os campos petrolíferos da Venezuela, depois que Trump disse que os Estados Unidos administrariam a indústria de petróleo do país após a captura de Nicolás Maduro.

Os Estados Unidos estão avançando o mais rápido possível para conceder à Chevron uma licença ampliada de produção no país, disse o secretário de Energia dos EUA à Reuters na sexta-feira.

Mas os mercados mostraram menos confiança nas perspectivas de um aumento significativo da produção venezuelana.

“Venezuela e Ucrânia permanecem em segundo plano”, disse Vandana Hari, fundadora da empresa de análise do mercado de petróleo Vanda Insights.

“Espere um movimento dentro de uma faixa limitada pelo resto do dia, com os mercados dos EUA fechados”.

O processamento de petróleo nas refinarias da China em 2025 aumentou 4,1% em relação ao ano anterior, enquanto a produção de petróleo bruto cresceu 1,5% em comparação com 2024, com ambos atingindo níveis recordes, mostraram dados do governo divulgados na segunda-feira.

Por Reuters

A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.

Petro Notícias - SP   20/01/2026

A distribuidora de gás natural GNLink terminou o ano de 2025 com avanços em sua estratégia de interiorização. Em três anos de operação, a empresa concluiu a implantação de três plantas de produção de gás natural liquefeito (GNL) e gás natural comprimido (GNC). A unidade mais recente foi inaugurada em Assú, no Rio Grande do Norte, marcando o encerramento do primeiro ciclo de investimentos da companhia, que totalizou R$ 450 milhões.

Com a entrada em operação da nova unidade no Rio Grande do Norte, a GNLink alcança capacidade instalada total de 300 mil m³/dia. Além de Assú, a empresa também concluiu as obras das plantas de Itabuna (BA) e Barra Bonita (PR).

“Encerrar 2025 com todas as nossas plantas concluídas é mais do que uma meta alcançada, é a confirmação de que estamos no caminho certo para democratizar o acesso ao gás natural no Brasil”, disse o CEO da GNLink, Marcelo Rodrigues. “Em apenas três anos, estruturamos uma rede robusta, eficiente e capaz de levar energia competitiva a regiões aonde o gás natural não chega“, acrescentou.

O executivo afirmou que a empresa entra em 2026 com projetos importantes para consolidar a nossa operação com a implantação de unidades de regaseificação em indústrias e, especialmente, junto às distribuidoras estaduais de gás natural canalizado. “Além disso estamos estruturados para um novo ciclo de investimentos, com a ambição de dobrar nossa capacidade e ampliar nossa presença para novas regiões do país”, afirmou.

Com a conclusão das plantas do primeiro ciclo e a implantação de unidades de regaseificação em andamento, a GNLink inicia uma nova etapa de crescimento a partir de 2026. A estratégia prevê dobrar a capacidade total de produção, com foco na ampliação das operações no Nordeste e na entrada nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, fortalecendo a atuação em municípios e polos industriais.

ATUAÇÃO NO NORDESTE

O ano de 2025 também foi marcado por resultados comerciais que reforçaram a presença da GNLink no fornecimento de gás natural no país. A empresa venceu a chamada pública da Cegás para o suprimento de 79,3 milhões de m³ de gás natural ao polo Crajubar, que engloba os municípios de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, atendendo cerca de 520 mil habitantes.

Em parceria com a distribuidora cearense, a GNLink implantou uma unidade de regaseificação em Juazeiro do Norte, com capacidade de 50 mil m³/dia, e será responsável pelo transporte rodoviário do gás para áreas ainda não conectadas à rede de gasodutos.

Na Bahia, a empresa firmou contrato com a Bahiagás para atendimento ao município de Vitória da Conquista, dentro do modelo de redes locais aprovado pela Agerba. O acordo prevê o fornecimento de 54,7 milhões de m³ de gás natural e inclui a implantação de uma unidade de regaseificação no município, ampliando a oferta do energético no interior do estado.

Marcelo Rodrigues destaca que os projetos desenvolvidos em conjunto com as distribuidoras estaduais são relevantes para acelerar a expansão do gás natural. “Temos outros negócios em andamento em chamadas públicas vigentes que esperamos ter êxito para ampliar ainda mais a oferta de GNL e GNC pelo Brasil. Nossa empresa está direcionada e preparada para atender as demandas de GNL e GNC de forma rápida, diferente de outros supridores, desenvolvemos internamente os projetos de unidades de regaseificação e descompressão para atendimento aos clientes e fabricamos os equipamentos no Brasil, assim implantamos as unidades rapidamente para atendimento ao mercado”, concluiu.

AGRÍCOLA

Eae Máquinas - SP   20/01/2026

A AGCO, líder global em fabricação e distribuição de máquinas agrícolas, anuncia uma reestruturação em sua liderança. Como parte de uma estratégia global, Rodrigo Junqueira assume a vice-presidência da Massey Ferguson para toda a América Latina, incluindo o México, país que desempenha papel relevante para o crescimento da marca.

A nomeação reforça o foco da AGCO em fortalecer a presença da Massey Ferguson em mercados estratégicos. Junqueira, que anteriormente atuava como vice-presidente da Massey Ferguson América do Sul e diretor da AGCO América do Sul, agora passa a liderar a operação da Massey Ferguson em toda a região latino-americana.

No México a AGCO tem uma operação dedicada à Massey Ferguson com grande representatividade através dos seus 16 grupos de concessionários mais de 106 lojas de atendimento, além da fábrica de tratores localizada em Querétaro região central do país com cerca de 200 funcionários.

A reestruturação também amplia a atuação de Marcelo Traldi. Atual vice-presidente de Fendt e Valtra na América do Sul, o executivo passa a responder pelas operações da AGCO em toda a América Latina, assumindo o cargo de vice-presidente de Fendt e Valtra América Latina e diretor-geral AGCO América Latina.

Trajetória de Rodrigo Junqueira

Com uma sólida carreira de mais de 30 anos em grandes multinacionais do agronegócio, Rodrigo Junqueira possui uma vasta experiência técnica e estratégica para o novo desafio. O executivo é Engenheiro Agrônomo formado pela Universidade de São Paulo (USP), possui MBA em Marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e especialização pelo Programa para Desenvolvimento de Executivos da Fundação Dom Cabral e da Kellogg School of Management. Em 2026, Rodrigo Junqueira assume nova posição de vice-presidente Massey Ferguson América Latina.

Trajetória de Marcelo Traldi

Marcelo Traldi possui 30 anos de uma sólida trajetória voltada para o desenvolvimento de estratégias de Pós-Venda e a criação de experiências sustentáveis para o cliente. Com passagens por multinacionais do setor, Traldi ingressou na AGCO em 2017 como diretor da área de peças para a América do Sul, posteriormente assumindo a vice presidência do pós-vendas e por último a liderança das marcas Fendt e Valtra na América do Sul. O executivo é formado em Administração de Empresas pela FMU e possui MBA em Marketing pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com certificação pela Ohio University. Em 2026, Marcelo Traldi assume nova posição de vice-presidente Valtra e Fendt América Latina e diretor geral AGCO América Latina.

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