Clipping Diário

19 | Agosto | 2025

SIDERURGIA

Valor - SP   19/08/2025

Companhias, como Gerdau e Usiminas, já haviam indicado a possibilidade de cortar pessoal ou reduzir os aportes nas operações brasileiras

A temporada de resultados do segundo trimestre de 2025 mostrou um ponto de inflexão no setor siderúrgico, com a decisão formal das empresas de reduzir investimentos no Brasil. O movimento ocorre em meio ao aumento das importações, especialmente da China, e à percepção de que as medidas de proteção ao mercado interno não são suficientes para neutralizar a concorrência externa.

Entre os fatores que acentuam a pressão está a recente decisão do governo americano de elevar para 50% as tarifas sobre o aço importado, medida anunciada pelo presidente Donald Trump. A taxação afeta as exportações brasileiras para os EUA e força a indústria a escoar parte dessa produção no mercado interno, aumentando a competição doméstica e pressionando mais os preços.

A Gerdau anunciou que fará uma revisão dos aportes previstos para o Brasil, citando a “ineficácia” do sistema de cotas e tarifas e a “concorrência desleal” do aço importado. O CEO, Gustavo Werneck, em conversa com jornalistas, destacou que a penetração do produto estrangeiro no mercado nacional atingiu níveis “inaceitáveis” e que a situação já levou a cortes significativos no quadro de funcionários, além de impacto na arrecadação tributária.

A siderúrgica vive realidades opostas nos mercados brasileiro e americano: enquanto lucra e expande sua atuação nos EUA diminuindo a capacidade ociosa, enxugou sua presença no Brasil, demitindo cerca de 1.500 trabalhadores entre janeiro e julho deste ano. A companhia não descarta novas dispensas nos próximos meses.

Se o governo não quer se indispor com a China, que venha algum socorro à indústria”

— Haroldo Filho

A Usiminas também reduziu a previsão de investimentos para 2025, de um intervalo anterior de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,6 bilhão para uma faixa entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão. A empresa justificou a revisão com base nas condições de mercado e em fatores que fogem ao seu controle, reforçando que as previsões refletem o cenário atual e podem ser alteradas conforme a evolução da conjuntura.

As empresas são categóricas ao afirmar que a recente renovação do sistema de cotas de importação de produtos de aço pelo governo federal, prorrogado até maio de 2026, não surtiu efeito. Dados do Instituto Aço Brasil mostram que, em junho, as importações cresceram 39,2%, para 596 mil toneladas, enquanto a produção nacional ficou praticamente estável, em 2,84 milhões de toneladas. O governo, contudo, já reconheceu que há um desafio e, além da cota-tarifa, iniciou uma investigação antidumping, a maior já aberta, sobre 25 produtos de aço importados da China.

Artur Bontempo, analista de minério de ferro e aço da consultoria WoodMackenzie, destaca que o setor é intensivo em capital, com investimentos de longo prazo. Nesse contexto, embora as medidas de controle das importações possam gerar algum impacto sobre o fluxo de mercadorias e os preços do aço, elas também têm o potencial de sinalizar um ambiente mais previsível e favorável, incentivando a continuidade dos investimentos necessários para reforçar a competitividade da indústria brasileira.

Na CSN, a preocupação é semelhante. O presidente da companhia, Benjamin Steinbruch, defendeu em teleconferência uma ação direta do governo para conter o avanço das importações, classificadas como “desordenadas e exageradas”. Segundo a empresa, a proximidade política com a China pode ser um obstáculo para medidas mais incisivas, mas, tecnicamente, o setor já teria justificativa para acionar todos os mecanismos de defesa comercial disponíveis.

A indústria de processamento de aço no Estado do Rio (Aproaço) fala em congelar investimentos. O presidente da entidade, Haroldo Filho, alerta que as demissões podem chegar a 30% da cadeia produtiva do aço até o fim do ano. “O Rio é o segundo maior produtor de aço. De outubro a dezembro, podemos ter demissões em massa. Empresas já estão dando férias coletivas. Se o governo não quer se indispor com a China, que venha algum socorro à indústria”.

O professor de relações internacionais do Ibmec-RJ, José Niemeyer, lembra que a entrada de aço chinês no Brasil, mesmo subsidiado, faz parte de uma lógica maior do comércio internacional. O mesmo ocorre com outros países, como os EUA, que subsidiam sua agricultura. Mesmo assim, o Brasil continuou a exportar produtos do agronegócio até a era Trump. Entretanto, há mecanismos que poderiam ser feitos para preservar a indústria nacional.

“O Brasil poderia fazer uma denúncia à Organização Mundial do Comércio (OMC), mas, no momento, o referencial político-institucional deve se sobrepor ao referencial econômico-comercial, simplesmente porque a China continua sendo nossa principal parceira comercial e um país aliado dentro de uma perspectiva dos Brics. Num sistema internacional tão fragmentado, o melhor é aguardar. É mais estratégico para o país as empresas brasileiras de aço continuarem a tentar se adaptar”.

No cenário interno, os desafios também se acumulam: os juros permanecem elevados, a campanha eleitoral de 2026 já se aproxima e as projeções para o PIB indicam desaceleração da economia doméstica. A CEO da Aço Verde do Brasil, Silvia Nascimento, conta que a empresa também vai ajustar sua estratégia. A companhia captou até R$ 300 milhões em debêntures para reforçar o caixa e garantir liquidez nos próximos 18 meses, período que a direção classifica como de instabilidade.

Com investimentos no setor reduzidos e estratégias de preservação financeira, a executiva diz que o ciclo é de cautela. A medida, segundo ela, busca assegurar capital de giro e maior resiliência frente a juros elevados, a tarifas sobre exportações impostas por outros países e à presença crescente do aço chinês no mercado doméstico.

“O preço médio do aço teve queda em junho, se estabilizou em julho e, em agosto, registrou uma leve alta. Ainda assim, no acumulado do ano, a tendência é de queda, impulsionada principalmente pela maior entrada de aço importado da China”, diz Nascimento.

Já a ArcelorMittal frisa que a “capacidade siderúrgica da China continua insustentável” e suas exportações elevadas seguem pressionando os fundamentos do mercado fora do país asiático.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   19/08/2025

O mercado financeiro reduziu a projeção de inflação para este ano para menos de 5%. Segundo os dados do boletim Focus, do Banco Central, divulgados nesta segunda-feira, 18, a projeção para 2025 caiu de 5,05%, na semana passada, para 4,95%. Essa foi a 12ª redução seguida nessa previsão. A projeção para o IPCA de 2026, por sua vez, caiu pela quinta vez consecutiva, de 4,41% para 4,40%.

Com essa queda, o indicador se aproxima um pouco mais do teto da meta, mas ainda fora do objetivo perseguido pelo Banco Central. A partir deste ano, a meta de inflação é contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos.

Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo. Isso aconteceu após a divulgação do IPCA de junho, no dia 10 de julho. A autoridade monetária publicou uma carta aberta informando que espera queda da taxa abaixo de 4,50% no fim do primeiro trimestre de 2026.

A mediana do Focus para a inflação de 2027 permaneceu em 4,0% pela 26ª semana consecutiva. A projeção para o IPCA de 2028 continuou em 3,80%. Um mês antes, era também de 3,80%.

Taxa de juros

A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2025, por sua vez, permaneceu em 15% pela oitava semana consecutiva, após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter mantido os juros neste nível na mais recente reunião, em 30 de julho.

No seu comunicado, o Copom afirmou que a incerteza demanda “cautela” na condução da política monetária. E informou que antecipa uma “continuação na interrupção do ciclo de alta de juros”, para avaliar se a manutenção da Selic em 15% por período “bastante prolongado” é suficiente para fazer a inflação convergir à meta.

“O comitê enfatiza que seguirá vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado”, disse o Copom.

A mediana para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,5% pela 29ª semana consecutiva. Já a projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 27ª semana seguida, enquanto a mediana para o fim de 2028 se manteve em 10% pela 34ª semana consecutiva.

Globo Online - RJ   19/08/2025

A equipe econômica anda preocupada com a desaceleração da atividade e espera que o Copom inicie o ciclo de corte de juros até o final do ano. E este dado do IBC-br de junho, mesmo que seja “olhar pelo retrovisor”, mostra que a atividade já vem perdendo fôlego.

Essa tendência começou no segundo trimestre e tende a se aprofundar nos próximos meses. A economia está perdendo velocidade e capacidade de crescer. Neste dado do Banco Central, os números ainda não refletem o impacto das tarifas de 50% de Donald Trump, mas nas próximas divulgações aparecerão.

Fontes da equipe econômica avaliam que houve uma superdosagem do Banco Central ao manter os juros tão altos. O entendimento é que não tem sentido manter a Selic em 15%, o maior patamar em quase 20 anos, com a inflação despencando e a economia desacelerando.

A expectativa é que o Banco Central "acorde" logo, porque a pancada na economia foi forte, com as sete altas consecutivas de juros, e que o Copom tem "muita gordura" na Selic para queimar. A avaliação é que, se não houver cortes ainda neste ano, o crescimento pode ser duramente comprometido. Já no BC, a preocupação é que a inflação volte para o intervalo de flutuação e depois alcance à meta, de 3%.

A queda de 0,1% do IBC-Br em junho acende o alerta na equipe econômica, porque a previsão era de uma alta de 0,5% no mercado financeiro. Foi a segunda queda seguida do indicador. No acumulado do primeiro semestre, a economia ainda cresceu 1,8%, mas concentrada no desempenho forte do primeiro trimestre. O segundo trimestre mostrou perda de ritmo.

Em junho, os setores tiveram desempenhos distintos: enquanto os serviços ficaram praticamente estáveis, a indústria e a agricultura caíram. No trimestre, o setor agropecuário teve retração de 3%. Esse resultado já era esperado devido à forte sazonalidade, pois o agro costuma crescer muito no primeiro trimestre e ter variações menores (ou negativas) nos seguintes.

No caso da indústria, a situação é mais preocupante daqui para frente. O tarifaço faz com que muitos itens exportados (produtos industrializados, como máquinas, motores, peças e até aviões) para os Estados Unidos percam a competitividade.

Ninguém - governo, economistas, analistas, Banco Central - tem dúvida que o segundo semestre será de crescimento ainda mais fraco. A pergunta é quando os juros começarão a cair. No mercado financeiro, há quem aposte em cortes de juros ainda neste ano, com reduções ao longo de 2026 (O Boletim Focus aponta que a Selic deve fechar em 2026 em 12,5%). Por sua vez, o Banco Central evita dar sinalizações, administrando as expectativas.

No evento Warren Day, na tarde desta segunda-feira, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Diogo Guillen, disse que o BC ainda está analisando se essa é a taxa de juros apropriada para levar a inflação para a meta.

- Em relação ao ciclo de corte, o mercado fica debatendo para cá e para lá. O nosso ponto é o seguinte: na última reunião, a gente quis continuar a interrupção. Ou seja, a gente ainda está avaliando se essa é a taxa de juros apropriada para levar a inflação para a meta. Uma vez determinada essa taxa de juros, ela vai ficar parada por um período bastante prolongado. Então tem sido essa a comunicação que a gente tem expressado e eu acho que reflete bem assim como a gente está enxergando esse momento.

IstoÉ Dinheiro - SP   19/08/2025

A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 1,090 bilhão na terceira semana de agosto. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 18, o valor foi alcançado com exportações de US$ 6,632 bilhões e importações de US$ 5,542 bilhões.

O superávit acumulado no mês de agosto é de US$ 3,048 bilhões.

No ano, o superávit soma um total de US$ 40,030 bilhões.

Exportações e importações

Até a terceira semana de agosto, comparado ao mesmo período de agosto de 2024, as exportações cresceram 7,2% e somaram US$ 15,40 bilhões. O resultado se deu devido a um crescimento de 14,9% em Agropecuária, que somou US$ 3,536 bilhões; crescimento de 12,0% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 3,655 bilhões e, por fim, crescimento de 1,8% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 8,096 bilhões.

As importações também cresceram 2,0% nas primeiras três semanas de agosto e totalizaram US$ 12,35 bilhões na mesma comparação, com queda de 1,9% em Agropecuária, que somou US$ 215 milhões; crescimento de 23,5% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 858 milhões e, por fim, crescimento de 0,8% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 11,206 bilhões.

Globo Online - RJ   19/08/2025

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu de 2% para 1,7% a estimativa de crescimento da indústria em 2025, em meio aos efeitos dos juros altos e ao agravamento do cenário externo. O Informe Conjuntural divulgado nesta terça-feira mostra que, apesar do corte, a projeção para o PIB brasileiro foi mantida em 2,3%, sustentada pelo avanço da agropecuária, cuja alta prevista subiu de 5,5% para 7,9%, e pelo mercado de trabalho aquecido.

Um dos principais fatores de incerteza é o tarifaço do governo dos Estados Unidos, que impôs alíquota de 50% a parte das exportações brasileiras. A CNI calcula que a medida deve reduzir em mais de US$ 5 bilhões o valor exportado neste ano, levanto a uma queda da projeção para US$ 341,9 bilhões. Com isso, o superávit comercial deve cair 14% em relação a 2024, para US$ 56,6 bilhões.

Segundo do diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, a política comercial americana ameaça o desempenho da indústria nacional.

— Grande parte da redução nas exportações se deve ao aumento das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros. É importante que essas taxas adicionais sejam reduzidas, pois as medidas compensatórias anunciadas pelo governo são positivas, mas não são capazes de substituir o mercado americano para um número grande de empresas e setores.

A indústria de transformação deve avançar apenas 1,5% em 2025, após crescer 3,8% no ano passado. Já a construção deve ter alta de 2,2%, puxada pelo Minha Casa, Minha Vida, e a indústria extrativa deve crescer 2%, impulsionada pela produção de petróleo. O setor de serviços, por sua vez, deve registrar expansão modesta de 1,8%.

Monitor Digital - RJ   19/08/2025

A economia brasileira cresceu 0,5% na passagem do primeiro para o segundo trimestre. O resultado mostra desaceleração, uma vez que, no primeiro trimestre, a alta tinha sido de 1,3%.

As estimativas são do Monitor do PIB, estudo mensal do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado hoje.

Na passagem de maio para junho, houve expansão também de 0,5%, segundo a FGV. Esses dados são dessazonalizados, ou seja, foram excluídas variações típicas da época do ano, para que efeitos do calendário (por exemplo, diferença no número de dias úteis) não distorçam a comparação entre períodos diferentes.

O Monitor do PIB aponta que a economia brasileira cresceu 2,4% no segundo trimestre ante o mesmo período de 2024. No acumulado de 12 meses, a expansão é de 3,2%. Em termos monetários, a FGV estima o PIB do primeiro semestre em R$ 6,109 trilhões.

Juliana Trece, economista do Ibre, explicou que o crescimento do segundo trimestre se deve aos desempenhos dos setores de serviços e da indústria. Nos serviços, detalha ela, “este crescimento foi disseminado na maior parte das atividades”.

Já na indústria, o desempenho positivo foi concentrado na atividade extrativa, “o que mostra maior fragilidade do setor”.

Segundo ela, a “relevante desaceleração” do crescimento no segundo trimestre pode ser atribuída tanto por não ter havido a forte contribuição positiva da agropecuária que houve no primeiro trimestre, quanto pelo “efeito defasado do elevado patamar dos juros na atividade econômica”.

O levantamento evidencia que o consumo das famílias, apesar de mostrar crescimento, apresenta números declinantes desde o fim de 2024. No quarto trimestre daquele ano, a expansão foi de 3,7%. No primeiro trimestre de 2025, 2,6%; e no segundo trimestre, 1,5%. Todas as comparações são em relação ao mesmo período dos anos anteriores.

A escalada dos juros começou em setembro do ano passado, quando a taxa Selic saiu de 10,5% ao ano e, gradativamente, chegou aos atuais 15%, maior nível desde julho de 2006 (15,25%).

A taxa Selic é decidida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e consiste na principal forma de a instituição fazer a inflação convergir para a meta estipulada pelo governo – de 3% ao ano com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desde setembro de 2024, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está acima do teto da meta (4,5%).

Uma face do juro alto é o efeito contracionista, que combate a inflação. A elevação da taxa faz com que empréstimos fiquem mais caros – seja para pessoa física ou empresas – e desestimula investimentos, uma vez que pode valer mais a pena manter o dinheiro investido, rendendo juros altos, do que arriscar em atividades produtivas.

Esse conjunto de efeitos freia a economia. Daí vem o reflexo negativo: menos atividade tende a ser sinônimo de menos emprego e renda. De acordo com o Banco Central, o efeito da Selic na inflação leva de seis a nove meses para se tornar significativo, coincidindo com a percepção do Monitor do PIB.

Outro levantamento é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado também nesta segunda-feira, que indicou expansão de 0,3% na passagem do primeiro para o segundo trimestre. Em 12 meses, o IBC-Br sobe 3,9%.

CNN Brasil - SP   19/08/2025

Grandes empresas e associações do setor privado nos Estados Unidos levaram ao USTR (Escritório de Representação Comercial da Casa Branca) pedidos de novas exclusões do tarifaço aplicado por Donald Trump sobre produtos brasileiros e a intensificação de negociações comerciais com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Além de demonstrar o risco de encarecimento de produtos finais no mercado interno americano, elas recorreram a argumentos de caráter geopolítico e alertaram o USTR sobre uma possibilidade de aproximação crescente do Brasil com a China.

Uma das advertências mais efusivas veio da Daimler Truck North America, que detém cerca de 40% do mercado de caminhões pesados e superpesados nos Estados Unidos.

A companhia diz ter 19 fornecedores diferentes de peças e componentes do Brasil. Parte desses fornecedores, segundo a Daimler, são empresas americanas que estabeleceram operações internacionais no país e agora se veem prejudicadas pelo tarifaço.

A Daimler acrescenta, então, a questão geopolítica: "Adotar uma postura mais agressiva com o Brasil reforçará seu engajamento com outros países como forma de contrabalancear o prejuízo provocado por uma resposta dura dos Estados Unidos. Entre esses riscos está uma presença mais ampla da China no Brasil".

Por isso, conclui a Daimler, trabalhar com o Brasil em áreas que o USTR identifique como passíveis de melhoria comercial "serviria melhor aos interesses americanos na região" do que aplicar mais tarifas.

As contribuições foram registradas no âmbito da consulta pública aberta pelo USTR para a aplicação da Seção 301, que pode resultar em novas punições. O prazo para a apresentação dos comentários termina nesta segunda-feira (18).

O National Care Products Council, que representa fabricantes de cosméticos e produtos de cuidados pessoais, também ressaltou a importância de fornecedores brasileiros para sua cadeia produtiva.

"Esses insumos são essenciais para manter nossa qualidade, inovação e competitividade global", afirma a vice-presidente do conselho, Natalie Obermann.

A executiva pede que a Casa Branca "negocie ativamente" com o governo brasileiro para resolver questões regulatórias e comerciais.

"Se medidas comerciais [tarifas[ forem realmente necessárias, nós respeitosamente conclamamos o USTR a adotar remédios proporcionais que excluam cosméticos, produtos de cuidados pessoais e seus insumos", diz Obermann, em ofício às autoridades americanas.

"Ações generalizadas correm o risco de restringir ainda mais o acesso ao mercado e podem provocar tarifas recíprocas que prejudicam desproporcionalmente os exportadores dos EUA".

Outro que pediu exclusões setoriais foi o presidente da Popp Forest Products, Stephen Popp, que importa e distribui madeira de origem tropical.

O empresário cita as acusações do USTR sobre o avanço do desmatamento ilegal no Brasil. Segundo ele, os fornecedores brasileiros adotam protocolos de certificação e verificação independente de origem da madeira.

"As madeiras tropicais que importamos são utilizadas por serrarias nacionais e em setores de infraestrutura dos EUA, em que desempenho, durabilidade e sustentabilidade são essenciais", diz Popp.

Ele prossegue: "A aplicação de tarifas generalizadas a esses produtos interromperia relações comerciais responsáveis e limitaria a disponibilidade de material de origem legal nos mercados onde ele é mais necessário".

"Se o USTR prosseguir com ações retaliatórias, apoiamos fortemente uma isenção total para o código HTS 4407.29.02, que abrange as madeiras nobres que importamos. Isso ajudaria a garantir que as cadeias de suprimentos legais verificadas permaneçam viáveis. No mínimo, um mecanismo de exclusão direcionado para produtos específicos e produtores verificados ajudaria a preservar o comércio legal e a proteger empresas que operam de boa-fé e investem em due diligence, auditoria e sustentabilidade".

O Estado de S.Paulo - SP   19/08/2025

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou uma queda de 0,1% em junho, na comparação com o mês anterior, informou o BC nesta segunda-feira, 18. O resultado ficou abaixo da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, que apontava uma alta de 0,05%.

No trimestre móvel encerrado em junho, o IBC-Br cresceu 0,3% e, no acumulado em 12 meses, o indicador ficou em 3,9%. É uma desaceleração frente ao mesmo período até maio, quando a alta era de 4,04%. O índice do Banco Central é considerado como uma prévia do PIB.

Segundo o economista Rodolfo Margato, da XP, a leitura do IBC-Br mostra que a maioria dos setores, em particular os mais sensíveis ao ciclo econômico, desacelerou nos últimos meses, em linha com o objetivo da política monetária contracionista do Banco Central.

“A maior parte dos setores perdeu fôlego recentemente”, disse ele, mencionando o segmento agropecuário - que recuou 3,1% no segundo trimestre em relação ao anterior, após um salto de 7,6% no primeiro trimestre. “Ainda assim, o setor primário continua a exercer importante contribuição para o crescimento da atividade doméstica no curto prazo - avançou 5% na comparação anual em junho e 16,4% no acumulado do ano”, disse Margato.

O economista mencionou também o segmento de serviços, que foi o destaque positivo ao avançar pelo nono trimestre consecutivo, subindo 0,7% no segundo trimestre.

Segundo ele, em 2025 o PIB deve aumentar 2,2%, com o aperto nas condições de crédito, negativo para a atividade, sendo contrabalançado pelo crescimento da renda. “O mercado de trabalho segue robusto, com a taxa de desemprego renovando mínimas históricas e os salários reais avançando de forma consistente.

Para André Valério, economista sênior do Inter, a queda do IBC-Br em junho está atrelada ao recuo de 2,3% da agropecuária. “De todo modo, vemos um desempenho tímido das outras atividades”, acrescenta.

Com os dados de atividade do segundo trimestre consolidados, o Inter estima um crescimento de 0,4% para o PIB do segundo trimestre. “Esperamos que a atividade continue perdendo força ao longo do segundo semestre”, afirma Valério.

Ainda assim, o economista prevê crescimento de 2% para o PIB em 2025, influenciado positivamente pelo forte crescimento do primeiro trimestre. / Célia Froufe, Gustavo Nicoletta e Anna Scabello.

O Estado de S.Paulo - SP   19/08/2025

O presidente Trump tem um plano duplo para os lucros de seu regime tarifário. Primeiro, ele diz que o plano vai pagar a dívida nacional americana de US$ 37 trilhões. Segundo, ele está considerando dividir os lucros com o público.

“O objetivo do que estou fazendo é principalmente pagar dívidas, o que acontecerá em grande escala”, disse Trump à imprensa no início deste mês. “Mas acho que também existe a possibilidade de estarmos recebendo tanto dinheiro que podemos muito bem gerar dividendos para o povo americano.”

O plano parece bem-vindo, em teoria. Mas há apenas um problema. Atualmente, as receitas tarifárias não cobrem nem os juros da dívida — muito menos reduzem seu valor total.

De acordo com dados do Tesouro vistos pela Fortune, a despesa com juros acumulada em notas do Tesouro somente em julho foi de US$ 38,1 bilhões. Some-se a isso US$ 13,9 bilhões em juros sobre títulos do Tesouro, US$ 2,85 bilhões em notas do Tesouro de taxa flutuante (FRN) e um total de US$ 6,1 bilhões em ativos do Tesouro protegidos contra a inflação (TIPS). A conta é impressionante: o total chega a US$ 60,95 bilhões no mês.

Em contrapartida, as declarações do Tesouro mostram que as tarifas só renderam US$ 29,6 bilhões para compensar. Um número impressionante, mas ainda insuficiente para rivalizar com os pagamentos de juros.

É claro que a Casa Branca poderia quitar parte de sua dívida e reduzir o pagamento de juros, aplicando as receitas tarifárias diretamente nos lucros. Os governos têm várias maneiras de quitar dívidas, seja quitando títulos no vencimento, em vez de renová-los, ou lançando um programa de recompra para resgatar os títulos e reduzir a dívida total pendente.

Parece que a Casa Branca ainda não está promulgando um plano para esta última opção. Um cronograma provisório de operações de recompra para agosto de 2025 mostra que o Tesouro pretende gastar quase US$ 40 bilhões na recompra de diversos tipos de títulos e faixas de vencimento. No entanto, em comparação com um cronograma semelhante de agosto do ano passado , esse valor é US$ 10 bilhões a menos do que o governo Biden havia previsto.

Olhando para o futuro, se a equipe de Trump pretender repassar cerca de US$ 30 bilhões por mês para compensar a dívida nacional, terá acumulado um pagamento gigantesco de US$ 360 bilhões ao longo de um ano. Esse valor representa menos de 1% da dívida nacional dos EUA, no momento da redação deste texto.

É claro que aqueles que estão no extremo otimista da escala econômica não se preocupam com a ideia de pagar a dívida nacional porque a) o mercado de títulos constitui uma parte essencial da economia, b) os EUA poderiam crescer e sair de qualquer inadimplência ou crise de dívida, e c) a nação está no controle de seu próprio destino porque seu banco central tem a capacidade de aliviar o custo dos empréstimos.

No entanto, alertas vêm de alguns dos setores mais importantes da economia . No setor privado, o CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, acredita que os Estados Unidos estão caminhando para uma crise previsível; no setor público, o presidente do Fed (Federal Reserve), Jerome Powell, acredita que é hora de ter uma “conversa adulta” sobre dívida.

E o próprio presidente está claramente ciente do problema, pressionando pela eficiência e pelo corte de custos para reduzir os déficits. O único problema é que os economistas não conseguem entender bem a matemática dele.

A Casa Branca disse à Fortune : “A relação dívida/PIB dos Estados Unidos na verdade diminuiu desde que o presidente Trump assumiu o cargo — e à medida que as políticas pró-crescimento do governo, como cortes de impostos, desregulamentação rápida, gastos governamentais mais eficientes e acordos comerciais históricos, continuam surtindo efeito e a recuperação econômica dos Estados Unidos acelera, essa relação continuará caminhando na direção certa.

“Isso se soma à receita recorde que as políticas tarifárias do presidente Trump estão gerando para o governo federal e à inflação desacelerada, abrindo caminho para cortes nas taxas de juros.”
Compensação, não reembolso

Pelos cálculos de João Gomes, o regime tarifário do presidente Trump está zerando seus gastos em vez de melhorar o balanço patrimonial.

O professor de finanças e economia da Wharton, na Universidade da Pensilvânia (alma mater do presidente Trump), acredita que a receita tarifária compensará os custos do “One Big Beautiful Bill Act” do Salão Oval — estimado pelo Congressional Budget Office para adicionar US$ 3 trilhões à dívida até 2030 — e não irá muito além disso.

Eles deixam o quadro da dívida nacional similar”, disse Gomes à Fortune em entrevista exclusiva. “A ideia de que (as tarifas) vão reduzir a dívida nacional é, obviamente, um exagero.”

Dito isso, o professor Gomes afirmou que as tarifas provavelmente terão alguns efeitos benéficos de contenção na velocidade com que a dívida nacional dos EUA está se acumulando. A Casa Branca afirmou esperar que seu projeto de lei reduza a tão aguardada relação dívida/PIB de 121% para 94%, impulsionando o crescimento econômico.

“Não há como pagarmos a dívida”, acrescentou o Professor Gomes. “Todos os anos, o governo precisa de US$ 1,8 trilhão em novos empréstimos líquidos, então esse número pode cair, mas antes de termos qualquer dúvida sobre o pagamento, precisamos primeiro fechar essa lacuna — e US$ 1,8 trilhão é impossível de fechar... o melhor que podemos esperar é que as tarifas gerem enormes quantias de receita (e) reduzam essa lacuna orçamentária anual, o que faria a dívida crescer mais lentamente.”

A ideia de que, de alguma forma, a dívida vai diminuir, vamos começar a recomprar coisas e assim por diante, reduzindo a dívida em dólares é simplesmente inimaginável. Nunca teremos tanta receita assim.

O professor Gomes foi apoiado pelo Dr. Desmond Lachman, membro sênior do American Enterprise Institute. Ele disse à Fortune em entrevista exclusiva: “(Para Trump) dizer que vai levantar talvez US$ 300 bilhões é uma gota no oceano em relação à quantidade de dinheiro perdido que eles têm. O país está em uma trajetória de dívida realmente perigosa.”

Sinais para os mercados

O grau de problema que a dívida nacional representa depende, em última análise, dos investidores estrangeiros e de sua confiança na capacidade do governo americano de pagar suas contas. Aproximadamente 26% da dívida americana é detida por países estrangeiros, de acordo com o Conference Board, o que representa problemas significativos caso esses investidores decidam fugir.

Lachman acredita que, embora o presidente Trump possa estar enquadrando as tarifas como uma forma de trazer de volta empregos ou pagar dívidas para torná-las mais politicamente palatáveis, os investidores perceberão a retórica. “Os mercados não são burros. Eles podem fazer as contas e perceber que isso é um absurdo”, disse ele.

O ex-diretor adjunto do Departamento de Desenvolvimento e Revisão de Políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) acrescentou que a fuga contínua para o ouro (os preços subiram 27% no ano passado) é um indicativo de que os mercados não veem mais os títulos do Tesouro dos EUA como o porto seguro definitivo.

“As pessoas estão preocupadas que este governo não leve a sério a política econômica”, disse Lachman. “Trump pode dizer o que quiser. Um comentário que acho ótimo é: uma coisa sobre os mercados de títulos é que eles não podem ser controlados por primárias. No mercado de títulos, o dinheiro vai se movimentar. As pessoas só querem proteger seu dinheiro, não têm medo de serem intimidadas por Trump se os números não baterem.”

O que contraria o ponto de Lachman é o fato de que os rendimentos dos títulos do Tesouro permaneceram relativamente estáveis nos últimos dois anos. O de 10 anos está em torno de 4,3% e era o mesmo no final de outubro de 2022, enquanto o de 30 anos está em torno da marca de 4,8% desde 2023.

Por isso, o professor Gomes acredita que o mercado não está alarmado com os métodos pouco ortodoxos da equipe de Trump para equilibrar a dívida. Ele disse: “Há coisas interessantes e peculiares sobre isso que todos nós notamos. Por exemplo, a notícia no início desta semana de que a Nvidia vai efetivamente aplicar um imposto de 15% ao governo federal sobre qualquer exportação para a China certamente traz uma fonte extra de receita para o governo que não será pequena.”

“A capacidade deste presidente e desta administração de encontrar maneiras estranhas” de gerar receita pode convencer os mercados da sinceridade do Trump 2.0 no que diz respeito à dívida, acrescentou o professor Gomes. “Não tenho certeza se eu descartaria essa capacidade de continuar a fazer coisas que eu não apoiaria, e não acho que sejam grandes ideias, mas, no final das contas, não se pode negar que elas trazem formas estranhas de receita que mudam o quadro da dívida.”

E embora existam dois extremos do espectro sobre quem acabará pagando pelas tarifas (de um lado, Trump, dizendo que serão nações estrangeiras, do outro, empresas como Goldman Sachs dizem que a maioria dos preços será paga pelos consumidores dos EUA), o governo está provando que pode “extrair receitas”.

“Independentemente do que você pense sobre os métodos”, acrescentou o professor Gomes, “se for um problema, eles podem encontrar maneiras de fazer isso”.
Um ponto de virada?

A dívida nacional é frequentemente descrita como um jogo de galinha jogado por uma administração e depois pela outra, aumentando a dívida e arriscando uma crise em vez de introduzir uma política potencialmente impopular para lidar com ela (austeridade).

A abordagem incomum de Trump para a geração de receita não deve ser vista como o fim desse jogo, disse o professor Gomes, mas apenas como um adiamento de qualquer ajuste de contas. “Parece claro que, por mais desconfiados que (os mercados) estejam das políticas, eles se sentem confiantes de que isso não vai acontecer no momento”, disse o economista. “Precisaríamos de algo, algum outro evento de algum tipo — uma guerra ou conflito sério — as coisas que realmente mudam paradigmas” para desencadear tal crise, acrescentou.

O Conference Board não está tão convencido. “A crise da dívida chegou”, afirmou em nota compartilhada com a Fortune, delineando um programa de seis etapas para reduzir a relação dívida/PIB para 70% em 20 anos. Isso inclui, entre uma série de ideias, a criação de um comitê bipartidário de responsabilidade fiscal, a promulgação de uma reforma tributária para aumentar a arrecadação de forma justa e o desenvolvimento de um pacote de reformas para a previdência social.

IstoÉ Dinheiro - SP   19/08/2025

A economia brasileira cresceu 0,5% na passagem do primeiro para o segundo trimestre. O resultado mostra desaceleração, uma vez que, no primeiro trimestre, a alta tinha sido de 1,3%.

As estimativas são do Monitor do Produto Interno Bruto (PIB), estudo mensal do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta segunda-feira (18), no Rio de Janeiro.

O levantamento apresenta estimativas sobre o comportamento do PIB, conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país, e serve como prévia do dado oficial, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na passagem de maio para junho, houve expansão também de 0,5%, segundo a FGV. Esses dados são dessazonalizados, ou seja, foram excluídas variações típicas da época do ano, para que efeitos do calendário (por exemplo, diferença no número de dias úteis) não distorçam a comparação entre períodos diferentes.

O Monitor do PIB aponta que a economia brasileira cresceu 2,4% no segundo trimestre ante o mesmo período de 2024. No acumulado de 12 meses, a expansão é de 3,2%. Em termos monetários, a FGV estima o PIB do primeiro semestre em R$ 6,109 trilhões.
Freio dos juros altos

Juliana Trece, economista do Ibre, explicou que o crescimento do segundo trimestre se deve aos desempenhos dos setores de serviços e da indústria. Nos serviços, detalha ela, “este crescimento foi disseminado na maior parte das atividades”.

Já na indústria, o desempenho positivo foi concentrado na atividade extrativa, “o que mostra maior fragilidade do setor”.

Segundo Trece, a “relevante desaceleração” do crescimento no segundo trimestre pode ser atribuída tanto por não ter havido a forte contribuição positiva da agropecuária que houve no primeiro trimestre, quanto pelo “efeito defasado do elevado patamar dos juros na atividade econômica”.

O levantamento evidencia que o consumo das famílias, apesar de mostrar crescimento, apresenta números declinantes desde o fim de 2024. No quarto trimestre daquele ano, a expansão foi de 3,7%. No primeiro trimestre de 2025, 2,6%; e no segundo trimestre, 1,5%. Todas as comparações são em relação ao mesmo período dos anos anteriores.
Por que juros altos?

A escalada dos juros começou em setembro do ano passado, quando a taxa básica (Selic) saiu de 10,5% ao ano e, gradativamente, chegou aos atuais 15%, maior nível desde julho de 2006 (15,25%).

A taxa Selic é decidida a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e consiste na principal forma de a instituição fazer a inflação convergir para a meta estipulada pelo governo - de 3% ao ano com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desde setembro de 2024, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está acima do teto da meta (4,5%).

Uma face do juro alto é o efeito contracionista, que combate a inflação. A elevação da taxa faz com que empréstimos fiquem mais caros – seja para pessoa física ou empresas - e desestimula investimentos, uma vez que pode valer mais a pena manter o dinheiro investido, rendendo juros altos, do que arriscar em atividades produtivas.

Esse conjunto de efeitos freia a economia. Daí vem o reflexo negativo: menos atividade tende a ser sinônimo de menos emprego e renda. De acordo com o Banco Central, o efeito da Selic na inflação leva de seis a nove meses para se tornar significativo, coincidindo com a percepção do Monitor do PIB.
PIB oficial

O Monitor do PIB é um dos estudos que servem como termômetro da economia brasileira. Outro levantamento é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado também nesta segunda-feira (18), que indicou expansão de 0,3% na passagem do primeiro para o segundo trimestre. Em 12 meses, o IBC-Br sobe 3,9%.

O resultado oficial do PIB é apresentado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A divulgação referente ao segundo trimestre será no dia 2 de setembro.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   19/08/2025

O Itaú BBA atualizou seu modelo para a Vale (VALE3) após os resultados do 2T25, mantendo a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra) e o preço-alvo para o final de 2026 em R$ 70 por ação, equivalente a um potencial de valorização de 31%.

O banco projeta que o equilíbrio entre oferta e demanda de minério de ferro deve se manter nos próximos trimestres, com demanda ainda sólida da China e do Sudeste Asiático. O início de novos projetos, como Simandou, será parcialmente compensado pelo aumento das taxas globais de esgotamento.

Os analistas do banco projetam preços do minério de ferro entre US$ 95 e 100 por tonelada (ton) na segunda metade de 2025, elevando a média anual prevista para 2025 para US$ 99/ton (ante US$ 95/ton anteriormente). Para 2026, a estimativa foi elevada para US$ 95/ton, de US$ 90/ton anteriormente.
Apesar da revisão para cima nos preços do minério de ferro, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) estimado para 2025 foi ajustado para US$ 14,1 bilhões, 3% abaixo da previsão anterior, devido a uma dinâmica mais fraca no mercado de pelotas, que levou a Vale a reduzir a produção diante da queda nos prêmios de mercado.

Para 2026, a projeção é de US$ 15,5 bilhões, aumento de 10% ano a ano, mas 2% abaixo da estimativa anterior, já que a alta esperada nos preços do minério é mais que compensada por uma visão cautelosa sobre os prêmios de qualidade e o volume total de embarques.

O banco estima que a Vale encerrará 2025 com dívida líquida expandida de US$ 16 bilhões, ligeiramente acima do ponto médio da meta da companhia de US$ 10 e 20 bilhões.

Caso os preços do minério de ferro permaneçam próximos de US$ 100 por tonelada, a mineradora deve ter conforto para geração futura de caixa e poderá distribuir dividendos ou recompras adicionais, sendo que a gestão tende a favorecer recompra de ações diante do nível atual de preços.

O banco destaca que a ação negocia a 3,8 vezes Valor da Firma (EV)/EBITDA para 2026, múltiplo considerado atrativo, e projeta rendimento de fluxo de caixa (FCF yield) médio de 8% para o perído de 2026 a 2028.

Infomoney - SP   19/08/2025

Os contratos futuros do minério de ferro foram negociados em baixa nesta segunda-feira, influenciados pelo aumento dos estoques e pelas preocupações com a demanda desencadeadas pelos rumores recentes sobre controle da produção de aço no norte da China.

O contrato de janeiro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com perda de 0,64%, a 772 iuanes (US$107,52) a tonelada, o menor valor desde 16 de julho.

Prévia do PIB, Guillen, reunião entre Trump e Zelensky e outros destaques desta 2ª

Confira o que mexe com os mercados hoje

O minério de ferro de referência para setembro na Bolsa de Cingapura caiu 0,25%, para US$101,65 a tonelada, depois de atingir mais cedo o valor mais baixo desde 4 de agosto, a US$101.
Um dos pontos de pressão sobre os preços foi o aumento nos estoques portuários, que subiram 0,7% na semana para 131,05 milhões de toneladas em 15 de agosto, o maior patamar desde 25 de julho, segundo dados da consultoria Steelhome.

Além disso, há rumores de que as siderúrgicas de Tangshan, principal centro de produção de aço na China, receberam instruções para cortar a produção de 31 de agosto a 3 de setembro, dia de um desfile militar em comemoração ao fim da Segunda Guerra Mundial, para melhorar a qualidade do ar em Pequim.

A Reuters não conseguiu verificar a autenticidade da restrição de produção.

Os contratos de minério registraram ganhos nas negociações da manhã em meio à demanda firme no curto prazo, com a média diária de produção de metais quentes subindo 0,1% na semana, para 2,41 milhões de toneladas, em 14 de agosto, segundo dados da consultoria Mysteel.

Além disso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou planos de tarifas adicionais sobre o aço nas próximas semanas, embora agentes do mercado tenham minimizado o impacto potencial.

Infomoney - SP   19/08/2025

A Vale reduziu o nível de emergência de sua barragem Forquilha III, na mina Fábrica, de 3 para 2 e, com isso, não tem mais estruturas em seu portfólio no mais alto patamar de risco em seu portifólio, informou a mineradora nesta segunda-feira em comunicado ao mercado.

Diversas barragens da companhia haviam sido classificadas em altos níveis de emergência a partir de uma ampla revisão em métodos de segurança depois que uma barragem da empresa se rompeu em Brumadinho (MG), em 2019, deixando 270 mortos, além de ter atingido comunidades, rios e florestas.

O rompimento de Brumadinho ocorreu poucos anos após o rompimento de barragem da Samarco — joint venture da Vale com a BHP — em Mariana, com a morte de 19 pessoas e um amplo impacto socioambiental até o mar do Espírito Santo.
“Alcançamos nosso compromisso de não ter barragens em nível de emergência 3 no ano de 2025, reforçando a segurança das pessoas e do meio ambiente”, disse o presidente da companhia, Gustavo Pimenta, no comunicado.

A companhia adicionou que implementou com sucesso e no prazo previsto o Global Industry Standard on Tailings Management (GISTM), para todas as nossas barragens de rejeitos.

“Continuaremos avançando na implementação do Programa de Descaracterização de Barragens a Montante e na melhoria contínua de nossa gestão de barragens”, disse Pimenta.

Forquilha III é uma das barragens que integra o Programa de Descaracterização de Barragens a Montante da Vale.

A estrutura está em fase de obras preparatórias para o início do processo de descaracterização, previsto para começar em 2026, segundo a companhia.

“Desde 2019, 17 das 30 estruturas que integram o Programa de Descaracterização já foram descaracterizadas. A Companhia tem feito investimentos significativos em governança e em tecnologia, que permitem ter informações mais seguras e precisas sobre a condição de cada estrutura”, disse o vice-presidente Executivo Técnico da Vale, Rafael Bittar.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Globo Online - RJ   19/08/2025

O processo de revitalização da Zona Portuária do Rio, iniciado há cerca de 15 anos com a construção e o retrofit de prédios residenciais e comerciais pelo projeto Porto Maravilha, começa agora a expandir seus limites para São Cristóvão. Será lançado nas próximas semanas, ainda na planta, o Residencial Cartola, em um terreno na Rua Francisco Eugênio, onde ficava a antiga sede da Ipiranga, com mil apartamentos. O condomínio é o primeiro projeto que aproveitará a extensão para o Bairro Imperial, em 2024, de regras urbanísticas mais flexíveis e incentivos fiscais da legislação do Porto Maravilha.

— O local é excelente para um residencial devido à oferta de serviços no entorno. Fica próximo da estação de trens de São Cristóvão, onde também há uma conexão com a Linha 2 do metrô, do Hospital Quinta D’Or e de um dos principais acessos à Quinta da Boa Vista — avalia o vice-presidente comercial da construtora Cury, Leonardo Mesquita, responsável pelo projeto.

A previsão é iniciar as obras, que devem levar 36 meses, no início do ano que vem. Cerca de 90% das unidades devem ser de dois quartos, com área média de 40 metros quadrados. Os apartamentos serão vendidos por preços entre R$ 270 mil (um quarto) e R$ 450 mil (dois quartos), sendo que apenas 25% das unidades terão vaga de garagem.

Isenção de ITBI

Os apartamentos serão distribuídos por torres com 11 andares, e o condomínio terá piscina, salão de festas, academia e um minimercado. Os valores mais altos serão de apartamentos com dois quartos, sendo um deles suíte, e vaga de garagem. Com base na legislação do Porto Maravilha, os futuros moradores terão isenção de ITBI na compra dos apartamentos.

— Essa região de São Cristóvão escolhida para construir o condomínio Cartola já tem boa infraestrutura no entorno. Com esse projeto, a gente chega a mais de 19 mil unidades residenciais licenciadas no Centro e em bairros vizinhos nos últimos anos. Dessas, 13.861 (incluindo o novo projeto) são na região com benefícios do Porto Maravilha e 5.236 do programa Reviver Centro — diz Osmar Lima, presidente da Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPAR) e secretário municipal de Desenvolvimento Econômico.

O imóvel também será vizinho da futura Fábrica do Samba, conjunto de galpões que a prefeitura constrói na Francisco Eugênio em um dos lotes da antiga Estação de Trens da Leopoldina, para ser a sede das escolas de samba da Série Ouro, a segunda divisão do carnaval carioca, a ser inaugurada em cerca de dois anos.

O condomínio será construído em terrenos da antiga sede da distribuidora de combustíveis Ipiranga, que se transferiu em abril deste ano para lajes corporativas do Edifício Ventura, na Avenida Chile, no Centro do Rio. A demolição do prédio em São Cristóvão, que contava ainda com lojas e um posto de gasolina em anexo, começou há quatro meses.

O segundo projeto no Bairro Imperial ainda em fase de licenciamento na prefeitura com base nas novas regras do Porto Maravilha também será da Cury. A construtora comprou um terreno com 15 mil metros quadrados na Avenida São Cristóvão, na vizinhança do Terminal Gentileza. No imóvel, há antigos galpões que serão restaurados para preservar a memória da antiga Companhia de Luz Estática. A empresa foi fundada no século XIX, pelo Barão de Mauá, para fornecer velas e combustível para a iluminação pública da então capital do Império. Em 2022, o prefeito Eduardo Paes chegou a estudar a desapropriação do terreno antes de optar por construir a Fábrica do Samba na Rua Francisco Eugênio.

— Lá, o projeto será maior. O plano é construir cerca de 1,7 mil apartamentos de um a três quartos, distribuídos por quatro torres com 18 pavimentos. A obra vai durar três anos — explica Leonardo.

No caso desse terreno, a construtora vai recorrer a outro recurso da legislação do Porto Maravilha. A empresa usará uma espécie de título conhecido no mercado como Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), para ter direito a erguer um prédio mais alto no local. Sem as Cepacs, os edifícios poderiam ter no máximo seis pavimentos.

Torres de até 36 andares

As regras aprovadas em 2024 para São Cristóvão preveem, em alguns pontos do bairro, a possibilidade de construir torres com até 36 andares — o equivalente a 108 metros de altura, com o uso de Cepacs. Até então, o gabarito máximo era de 12 andares. Entre as áreas com gabarito maior, está o prédio da atual sede da Guarda Municipal, também na Rua Francisco Eugênio, onde foram gravadas cenas do filme “Ainda Estou Aqui”, produção brasileira que ganhou o Oscar de melhor filme internacional.

Com a extensão para São Cristóvão, a área sob influência do Porto Maravilha passou de 5 milhões para 8,7 milhões de metros quadrados. Outra mudança foi a prorrogação dos incentivos urbanísticos para a região, até 2054. Originalmente, expirariam em 2029.

IstoÉ Dinheiro - SP   19/08/2025

O aumento no custo de materiais de construção, aliado a uma manutenção nos reajustes da mão de obra, acelerou a inflação do setor dentro do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de agosto, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10) passou de uma elevação de 0,57% em julho para uma alta de 0,82% em agosto. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 18.

O Índice que representa o custo de Materiais, Equipamentos e Serviços saiu de um aumento de 0,31% em julho para um avanço de 0,83% em agosto. Os gastos com Materiais e Equipamentos tiveram alta de 0,81% em agosto, enquanto os custos dos Serviços tiveram elevação de 0,95% no mês.

Já o índice que representa o custo da Mão de Obra passou de um aumento de 0,94% em julho para uma elevação de 0,81% em agosto.

Globo Online - RJ   19/08/2025

A Justiça de São Paulo revogou uma decisão que havia suspendido trechos de uma lei que preveem um bônus para quem comprou ou vai comprar títulos que dão direito a construir prédios mais altos na Avenida Faria Lima e arredores.

A suspensão havia sido determinada por uma liminar do desembargador José Carlos Ferreira Alves, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), na última sexta-feira (15). Na tarde desta segunda-feira (18), o mesmo desembargador voltou atrás na decisão e manteve a eficácia da lei.

O leilão que vai ofertar Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepac) que permitirão novas construções na área será realizado na manhã desta terça-feira (19), na B3, e tem a expectativa de arrecadar ao menos R$ 2,8 bilhões.

A Faria Lima e trechos de avenidas que abrigam os escritórios de grandes empresas e alguns dos residenciais mais caros da cidade faz parte de uma Operação Urbana Consorciada, que são instrumentos urbanísticos criados em áreas cujo desenvolvimento é incentivado. Para construir prédios altos nesta região, é preciso comprar Cepacs. Cada Cepac dá direito a construir uma determinada área, que varia a depender do local.

O recurso arrecadado no leilão será usado pela prefeitura para melhorias nas favelas do Real Parque e de Paraisópolis, além de obras na própria região da Faria Lima. No leilão previsto para o segundo semestre, a área de maior interesse do mercado deve ser a região do Largo da Batata, que abriga muitas casas e comércios em imóveis de poucos andares. Muitos deles já foram comprados por incorporadoras, que aguardam a disponibilização dos novos Cepacs para tocar seus projetos. Nessa área, há demanda tanto para escritórios quanto para residenciais.

Bônus de 30% questionado

Em julho de 2024, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou uma nova lei para a Operação Urbana Faria Lima. Uma das mudanças feita pela lei foi a ampliação, em 30%, da área construída equivalente a cada Cepac.

Na Avenida Faria Lima, entre as avenidas Rebouças e Cidade Jardim, por exemplo, cada Cepac para construções residenciais dava o direito de construir 0,8 metros quadrados. Se a construção fosse comercial, cada Cepac era equivalente a 0,5 metros quadrados. Com a alteração, cada Cepac passou a equivaler a 1,04 metros quadrados nos imóveis residenciais e 0,65 metros quadrados nos comerciais.

Só que esse bônus não vale apenas para os certificados que serão leiloados a partir da nova lei, mas também beneficia as construtoras que já haviam comprado certificados anteriormente, mas que ainda não os haviam utilizado.

É este bônus que o Ministério Público de São Paulo (MPSP) questionou, em ação ajuizada na quinta-feira (14). No processo, os promotores alegaram que o município perderá R$ 174 milhões com essa mudança, e que não houve estudo de impacto financeiro nem urbanístico e ambiental antes da sanção da lei.

Na decisão da sexta, o desembargador havia acolhido os argumentos do MPSP. Mas nesta segunda, ele reconsiderou a liminar e afirmou que a prefeitura apresentou atas de audiências públicas que demonstram que a lei foi discutida previamente com a população. Além disso, ele reconhece que houve estudos técnicos antes da aprovação da norma.

"Assim, com o objetivo de assegurar a celeridade processual e mitigar a insegurança jurídica e o desestímulo aos investidores, causados pela decisão liminar ora retificada, acolhem-se os pedidos de reconsideração. Em consequência, revoga-se a decisão monocrática de concessão de medida liminar, ratificando-se a validade do 1º Leilão da 6ª Distribuição de CEPACs da Operação Urbana Consorciada Faria Lima, a ser realizado amanhã", destacou o juiz.

O leilão desta terça vai oferecer 164.509 títulos, e tem a expectativa de arrecadar ao menos R$ 2,8 bilhões. O valor dos certificados foi questionado pelo Tribunal de Contas do Município (TCM-SP), que pediu que o valor de cada Cepac fosse reajustado em 21% — dos atuais R$ 17.601,00 para R$ 21.350 por título.

Gerentes de fundos de investimento imobiliário afirmam ao GLOBO que esses questionamentos podem afastar alguns investidores e reduzir as ofertas no leilão, mas acreditam que mesmo assim haverá grande interesse do mercado nesses títulos porque quem tem terrenos na região “precisa comprar Cepac, não tem saída”.

FERROVIÁRIO

Veja - SP   19/08/2025

Alguns pedaços de obras que se estendem há anos na região metropolitana de São Paulo devem ser inaugurados entre este ano e o próximo, conforme detalhou o governador do estado, Tarcísio de Freitas, um dos participantes do VEJA Fórum Infraestrutura, que acontece na manhã desta segunda-feira, 18, em São Paulo, com a presença de autoridades e empresários do setor.

Entre as inaugurações previstas para 2026, estão os primeiros trechos da Linha 17-Ouro – o monotrilho que vai ligar o aeroporto de Congonhas ao Morumbi – e também da Linha 6-Laranja, nova linha do Metrô interligando a Brasilândia ao centro da capital. “A Linha 17, na avenida Roberto Marinho, já está testando os trens e, ano que vem, aquela superestrutura que está ali parada vai ter sentido, porque ela vai estar concluída”, disse Tarcísio. “Ano que vem também começa a operação da Linha 6, a Linha Laranja, primeiro no trecho que vai de Brasilândia a Perdizes e, até o segundo semestre, com o restante até a estação São Joaquim [onde será interligada à Linha Azul, no bairro da Liberdade]”.

Rodoanel

O Trecho Norte do Rodoanel é outro que está na agenda das próximas inaugurações. Ainda para este ano está prevista a inauguração do primeiro pedaço, ligando as rodovias Presidente Dutra (BR-116) e Fernão Dias (BR-381), informou Tarcísio. No ano que vem deve ser entregue a parte final, entre a Fernão Dias e a avenida Raimundo Pereira de Magalhães – onde o trecho norte do anel rodoviário chegará ao trecho oeste, já em funcionamento.

A conclusão do trecho Norte, que foi leiloado em 2023 depois de seis anos de obras paradas, fecha, finalmente, o anel que circunda a região metropolitana de São Paulo e que foi iniciado ainda no fim dos anos de 1990. “As pessoas falavam tanto do Rodoanel – ele finalmente via acabar”, afirmou o governador.

Valor - SP   19/08/2025

Projeto da FCA ainda terá que ser analisado por ANTT e TCU

O projeto de renovação antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), da VLI, teve aprovação do governo federal e seguiu para análise técnica da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), segundo fontes. A proposta ainda terá que ser submetida ao Tribunal de Contas da União (TCU). A empresa tem como acionistas a Brookfield (36,5% das ações), a Vale (com 29,6%), o FI-FGTS (15,9%), a Mitsui (10%) e o BNDESPar (8%).

Hoje, a percepção é que a extensão do contrato por mais 30 anos está mais perto de se concretizar, porém o prazo curto para concluir o processo ainda é visto como um problema. A concessão atual venceria em agosto de 2026.

Segundo fontes, a proposta aprovada pelo governo federal inclui a permanência da rota entre Minas Gerais e Bahia na concessão. Haverá previsão de investimentos na malha, mas uma parte deles dependerá do atingimento de gatilhos.

Esse trecho vinha sendo considerado sensível para a aprovação da renovação antecipada. A solução para a malha era uma demanda principalmente do governo da Bahia e da Casa Civil, chefiada por Rui Costa (PT), segundo fontes. Ao mesmo tempo, a rota é vista pelo setor privado como pouco rentável, o que vinha dificultando o acordo.

A discussão sobre a renovação antecipada da FCA se iniciou há cerca de dez anos. Após diversas idas e vindas, o processo voltou a ganhar tração em 2024, com uma proposta de R$ 24 bilhões de investimentos adicionais e R$ 5 bilhões em outorgas pagas à União.

NAVAL

Veja - SP   19/08/2025

Os estaleiros chineses COOEC, CSSC, Cosco e CIMC, que recentemente assinaram um memorando de entendimento para buscar parcerias com a Petrobras, só devem investir de fato no Brasil se houver garantia de contratos robustos. E, ao que tudo indica, essa condição dificilmente será atendida.

Já a sul-coreana Hanwha busca parceiros para instalar, em Niterói (RJ), uma base de apoio aos projetos offshore da Petrobras. A aposta é cumprir as exigências de conteúdo local — que determinam que parte da fabricação de plataformas ocorra no país — e, assim, se credenciar a contratos da estatal.

Portos e Navios - SP   19/08/2025

As concessões no setor portuário chegarão ao fim de 2026 com investimentos de R$ 30 bilhões acumulados desde 2023, anunciou o ministro de Portos e Aeroportos (MPor), Silvio Costa Filho, em evento em São Paulo. Segundo ele, serão, no período, mais de 60 leilões, entre eles o do Túnel Santos-Guarujá, marcado para o dia 5 de setembro e que prevê aportes de R$ 6 bilhões, em obra com em parceria com o governo de São Paulo, e o do terminal de contêineres do Porto de Santos, o Tecon Santos 10, com previsão de R$ 5,6 bilhões e que ampliará em 50% a capacidade de operação do complexo portuário santista.

Além disso, informou Costa Filho, ainda este ano será feita a primeira concessão para dragagem de um canal de acesso, do Porto de Paranaguá (PR), na qual será investido R$ 1 bilhão, e também para o canal de Santos. O ministro ressaltou ainda que o Ministério concederá também a hidrovia do Rio Paraguai, a primeira concessão de hidrovia no País, e que estão em estudo as do Madeira, Lagoa Mirim, Tocantins e Tapajós.

Segundo o ministro, em 2024, o Brasil registrou o maior volume de investimentos em concessões de sua história, com projetos para melhorar e ampliar a infraestrutura em portos, aeroportos, rodovias, ferrovias, hidrovias, poligonais, incluindo as com participação de governos estaduais. O total em investimentos em concessões no ano passado superou R$ 200 bilhões.

Valor - SP   19/08/2025

Embarcações vão atuar na inspeção de estruturas, manutenções preventivas e corretivas, instalação e remoção de equipamentos, entre outras atividades nas unidades marítimas da Petrobras

A OceanPact anunciou nesta segunda-feira (18) que assinou quatro novos contratos com a Petrobras, totalizando aproximadamente R$ 3,2 bilhões, para o afretamento de navios de apoio (RSV, na sigla em inglês) por um período de quatro anos.

As embarcações Parcel do Bandolim, Parcel das Timbebas, Parcel das Paredes e Parcel dos Reis serão empregadas em operações submarinas com veículos operados remotamente (ROV, na sigla em inglês).

Segundo a empresa, os navios vão atuar na inspeção de estruturas, manutenções preventivas e corretivas, instalação e remoção de equipamentos, entre outras atividades nas unidades marítimas da Petrobras.

A OceanPact será responsável pela operação integral das embarcações e dos veículos remotos, que contam com capacidade de atuação em até 3 mil metros de profundidade e um amplo conjunto de ferramentas para diversas atividades submarinas.

Em dezembro, a empresa já havia anunciado a assinatura de um contrato de R$ 697 milhões, também com a Petrobras, para o afretamento do navio Ilha do Mosqueiro, do tipo apoio pra plataformas off-shore, igualmente por quatro anos.

PETROLÍFERO

IstoÉ Dinheiro - SP   19/08/2025

A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, definiu como uma “luta diária” a obtenção da autorização para explorar o primeiro poço no processo de licenciamento do bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial.

“Nossa batalha é diária até conseguirmos furar o primeiro poço na Margem Equatorial. Quero deixar mensagem importante para a sociedade: temos um histórico de perfurações no Estado do Amapá sem nenhum acidente. Esse novo poço está a 500 quilômetros da Foz do Amazonas. As correntes marinhas são paralelas à costa. Há um conjunto de questões que evitam que os manguezais sejam afetados num eventual acidente”, enfatizou a diretora.

A Petrobras espera para a semana de 24 de agosto uma “janela de realização” dos testes de confiabilidade do seu plano de emergência.

A estatal tem reiterado que entregou para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o maior plano de emergência individual da indústria do petróleo em águas profundas no mundo.

Indústria naval

A executiva ressaltou que o atual estágio da produção brasileira de petróleo “não permite que haja estaleiros vazios no País”. “Temos um portfólio exploratório com mais 50 novos poços para o período de cinco anos do atual plano estratégico 2025-29. Já tivemos três descobertas esse ano. Isso mostra que temos vigor para novas plataformas e que há um mar potencial de oportunidades onde a parceria com a indústria naval é absolutamente necessária.”

Sylvia participou do 1º Mac Laren One-Stop-Shop Day, evento em parceria com a FGV Energia, que reúne clientes, parceiros estratégicos, empresas e entidades do setor, como a Marinha do Brasil e o Sinaval, a Petrobras e a Transpetro.

No evento, será lançado o Núcleo Naval, baseado no conceito de One-Stop-Shop, que reúne, em um único local, serviços integrados de reparo e construção naval.

O Estado de S.Paulo - SP   19/08/2025

A Petrobras poderá atuar na distribuição de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) para o consumidor final (gás de cozinha), se esse mercado se mostrar lucrativo. A ideia é aproveitar o aumento de margem que tem sido observado nos últimos anos, “às vezes maior do que (o retorno) do pré-sal”, disse a presidente da estatal, Magda Chambriard, nesta segunda-feira, 18.

“O mercado (de GLP) está começando a se desorganizar de novo, por isso a Petrobras pode ir para distribuição”, disse Magda, em entrevista à agência eixos, ressaltando que a estatal está estudando separar novamente o preço do GLP industrial do preço do gás de cozinha.

A estatal era dona da Liquigás até 2020, quando vendeu essa operação para um consórcio formado pela Copagaz, Itaúsa e Nacional Gás por R$ 4 bilhões. A volta da Petrobras à distribuição de GLP foi aprovada pelo conselho de administração da estatal na quinta-feira, 7,

A reação de analistas de mercado foi de desaprovação. “Trata-se de um segmento com margens historicamente mais apertadas, o que tende a reduzir a eficiência da alocação de capital e pressionar o rendimento anualizado do caixa livre”, afirmou, em nota, Ilan Arbetman, da Ativa Investimentos.

Esse movimento da estatal acontece em um momento no qual o governo tenta lançar o programa Gás para Todos, que pretende distribuir botijões de graça para famílias de baixa renda.

Na entrevista, nesta segunda-feira, 18, Magda afirmou que o papel da Petrobras é disciplinar o mercado de GLP, um produto importado, e que poderia ser substituído pelo gás natural. “O GLP está se transformando em negócio altamente lucrativo e nós queremos participar. Temos de participar do mercado de GLP faturando e ajudando a discipliná-lo”, disse a executiva.

Segundo Magda, o setor do agronegócios está pensando em usar GLP para secar grãos no interior do País. “O que acho uma incongruência”, afirmou. “Sai mais caro importar o GLP do que colocar o gás natural. Temos melhorado a logística do gás natural e reduzimos o preço para as distribuidoras em quase 40%, mas ao mesmo tempo o GLP avança no preço no industrial, é uma indisciplina do mercado”, avaliou. “A Petrobras tem um papel de otimização desse mercado de gás”, acrescentou.

Magda afirmou que a Petrobras quer levar gás natural para os setores químico e siderúrgico, e que, para reduzir ainda mais o preço do gás natural, só com mais gás natural. “Vamos trazer gás para a costa”, informou.

‘Quem apostou contra a Petrobras vai perder’

Magda afirmou que quem apostou contra a Petrobras vai perder, já que a produção tem crescido mais do que esperado, inclusive com recordes como o registrado pelo campo de Búzios no último fim de semana. Ela comemorou o aumento da produção da estatal e lembrou que ele se dá, entre outros pontos, pela conexão de poços.

“Ao longo deste ano até agora conectamos mais poços do que todo ano passado. Antes levava mais de um ano para conectar um poço, hoje são sete meses. Isso aumenta nossa produção, e vamos continuar fazendo isso”, afirmou.
Sonda rumo à Margem Equatorial

A Petrobras tem a expectativa de perfurar pelo menos seis poços na bacia Foz do Amazonas na Margem Equatorial brasileira, informou a presidente da Petrobras,às vésperas de a estatal participar da Avaliação Pré-Operacional (APO) na região, no próximo dia 24.

Segundo ela, a companhia está “à beira de um consenso para perfuração do primeiro poço”, referindo-se à concessão de licença ambiental pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para exploração.

Ela observou que o resultado da exploração pode não sair do primeiro poço perfurado, no caso, o poço Morpho, e por isso já enviou pedido de licença para as demais perfurações.

A Petrobras está há anos aguardando a licença para explorar o poço Morpho, que pode abrir uma nova fronteira que vai recompor as reservas da companhia após o declínio do pré-sal.

A sonda ODN II sairá da costa de Belém nesta terça-feira, 19, rumo ao poço Morpho, informou a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, nesta manhã. A APO levará até quatro dias e se trata de uma simulação para o caso de um vazamento de petróleo durante a operação.

TN Petróleo - RJ   19/08/2025

O campo de Búzios, operado pela Petrobras, bateu seu recorde e superou, nesse fim de semana, a produção diária de 900 mil barris de petróleo. Localizado no pré-sal da Bacia de Santos, a cerca de 180 quilômetros da costa do Rio de Janeiro, Búzios foi descoberto pela Petrobras em 2010 e entrou em operação em 2018. Com esse novo marco, o campo se aproxima um pouco mais da produção do campo de Tupi, também na Bacia de Santos, e pode se tornar o maior produtor de petróleo do Brasil ainda em 2025.

Búzios possui os poços mais produtivos do país, localizados a mais de 2 mil metros de profundidade no leito marinho. A espessura de seu reservatório tem a mesma altura que o Pão de Açúcar – e sua extensão corresponde a mais que o dobro da Baía de Guanabara. O campo tem seis unidades produtoras em operação: as plataformas P-74, P-75, P-76, P-77 e os FPSOs Almirante Barroso e Almirante Tamandaré.

“No primeiro semestre deste ano colocamos mais poços em produção do que em todo o ano passado, dentre eles poços de Búzios com resultados expressivos que nos permitiram atingir mais um recorde, superando a marca de 900 mil barris por dia. Cada recorde alcançado reforça o acerto das estratégias adotadas pela empresa. Nosso pessoal tem trabalhado duro para aumentar a produção e ao mesmo tempo reduzir custos. São ações em prol de simplificação de projetos e diversificação de fornecedores que têm como resultados mais óleo e gás em projetos mais eficientes. E estamos fazendo tudo isso sem esquecer as reduções de emissões e nosso compromisso com uma transição energética justa”, ressalta a Presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

“A magnitude do campo de Búzios, um gigante cuja extensão corresponde a duas vezes a área da Bacia de Guanabara, nos permitiu superar esse excepcional patamar de produção, com a entrada do quinto poço do FPSO Almirante Tamandaré. Em breve uma nova unidade, a P-78 , que já está a caminho do Brasil, iniciará a produção nesse campo", destaca a Diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos.

O campo de Búzios é operado pela Petrobras e tem como parceiras as empresas CNOOC e CNPC, além da PPSA.

Infomoney - SP   19/08/2025

Os preços do petróleo fecharam com alta de 1% nesta segunda-feira, após conversas entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu colega ucraniano, na sequência de uma cúpula inconclusiva entre os EUA e a Rússia no Alasca na sexta-feira.

Os contratos futuros do petróleo Brent subiram 1,14%, a US$66,60 por barril. O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA subiu 0,99%, para US$63,42.

Na semana passada, o Brent caiu 1,1%, enquanto o WTI caiu 1,7%.
Trump e o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy se reuniram nesta segunda-feira na Casa Branca para discutir um caminho para acabar com a guerra da Rússia na Ucrânia.

Falando aos repórteres no Salão Oval com Zelenskiy sentado ao seu lado, Trump expressou esperança de que a cúpula desta segunda-feira poderia eventualmente levar a uma reunião trilateral com o presidente russo Vladimir Putin, acrescentando que ele acredita que Putin quer que a guerra termine.

Trump disse à Ucrânia nesta segunda-feira para desistir das esperanças de recuperar a Crimeia anexada ou de se juntar à Otan, emergindo mais alinhado com Moscou na busca de um acordo de paz em vez de um cessar-fogo primeiro após sua reunião com Putin na sexta-feira.

“Não tento especular sobre o resultado”, disse o analista do UBS Giovanni Staunovo. “Agora, o foco do mercado é saber se uma data para a reunião trilateral será anunciada.”

A cúpula do Alasca terminou sem nenhum acordo para resolver ou pausar a guerra, embora Trump tenha saído das conversas mais alinhado com Moscou na busca de um acordo de paz em vez de um cessar-fogo primeiro.

TN Petróleo - RJ   19/08/2025

A PetroReconcavo deu um passo estratégico para transformar sua logística de escoamento de petróleo no Rio Grande do Norte. A Companhia firmou contrato com o Grupo Dislub Equador para a construção e operação de uma estrutura dedicada de tancagem no Terminal de Líquidos da Dislub, no Porto do Pecém (CE), com capacidade para 40 mil m³ — o equivalente a cerca de 250 mil barris.

A iniciativa fortalece a atuação da empresa no midstream, amplia suas opções de comercialização e consolida sua posição como operador de referência no onshore brasileiro.

O projeto marca um avanço relevante na estratégia logística e comercial da PetroReconcavo, ampliando sua presença no midstream e diversificando as rotas de comercialização. O contrato, com prazo de 13 anos, inclui coinvestimento em infraestrutura de medição e descarregamento de carretas, conectando de forma integrada as instalações das partes por meio do modal rodoviário.

Segundo o CEO da PetroReconcavo, José Firmo, "desenvolvemos uma solução pioneira com os parceiros certos, que aumentará nossa resiliência operacional e nos permitirá capturar o melhor valor para nosso petróleo. Este é um passo acertado rumo à excelência, permitindo-nos continuar a desenvolver nossas reservas e criar oportunidades de negócios".

O grupo Dislub, reconhecido pela excelência na gestão de terminais de líquidos — como o Porto de Itacoatiara (AM) —, reforça, com este acordo, uma parceria de longo prazo pautada por qualidade e eficiência.

Com essa operação, a PetroReconcavo reafirma sua robustez, flexibilidade e capacidade de inovação, assegurando ganhos sustentáveis nas margens de comercialização e consolidando sua posição como operador de referência em eficiência e resiliência no onshore brasileiro.

Money Times - SP   19/08/2025

A Petrobras (PETR4) está estudando aumentar a capacidade de produção de seu maior navio-plataforma em operação, o Almirante Tamandaré, no Campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, para 250 mil barris por dia de petróleo, disse nesta segunda-feira (18) a diretora-executiva de Exploração e Produção, Sylvia dos Anjos.

A unidade, que entrou em operação em fevereiro, atingiu sua capacidade máxima de 225 mil barris por dia três meses antes da data prevista, conforme anunciou a empresa na semana passada, citando a elevada produtividade do campo, que deverá ser em breve o maior produtor de petróleo do Brasil, superando Tupi.

Em momento em que os preços do petróleo estão mais baixos, a companhia busca alternativas para fazer “mais com menos”, disse a diretora, durante sua apresentação em um evento do setor naval no Centro Cultural da FGV.

Além de Almirante Tamandaré, a Petrobras também avalia a possibilidade de aumentar a produção de outras unidades, como o navio-plataforma Duque de Caxias, que opera no campo de Mero (Bacia de Santos) – unidade afretada junto à Modec.

Outros executivos da estatal presentes no evento, como a diretora de Engenharia, Tecnologia e Inovação da companhia, Renata Baruzzi, e o gerente de Programas Estratégicos, Wagner Victer, ponderaram que o projeto de Almirante Tamandaré permitiria uma elevação na capacidade para 270 mil barris por dia.

Baruzzi citou que empreendimentos como esse são elaborados para ter folga de capacidade. “A SBM (afretadora) já está trabalhando para levar para 270 mil. Então, assim, sempre tem folgas que a gente pode dar uma alavancada”, comentou ela.

A diretora acrescentou que a Petrobras precisaria do aval do órgão ambiental federal Ibama e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para expandir a produção.

“Sim, está pronto. É só ter licença do Ibama e ajustar o contrato com a SBM. A lógica, o racional, é que há espaço”, afirmou.

Anjos, diretora de E&P, preferiu mais cautela ao falar do aumento da capacidade do projeto. “270 mil é meio exagerado, mas 250 achamos que dá. Trabalhamos para ampliar nessa, mas também em Duque de Caxias”, acrescentou.

Ela disse que a empresa também avalia aumentar a capacidade de uma terceira plataforma, mas não revelou qual seria este ativo.

RODOVIÁRIO

Valor - SP   19/08/2025

Crédito será destinado para a Way 112 realizar obras de recuperação, operação e implementação de melhorias nas rodovias MS-112, BR-158 e BR-436

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 694 milhões para a concessionária de rodovia Way, responsável por vias em Mato Grosso do Sul.

O crédito será destinado para a Way 112 realizar obras de recuperação, operação e implementação de melhorias nas rodovias MS-112, BR-158 e BR-436, no Estado.

Do total aprovado, R$ 650 milhões se darão a partir da emissão de R$ 1 bilhão em debêntures, coordenada por BNDES, Daycoval e BTG Pactual. Os demais R$ 44 milhões serão desembolsados por meio da Finem, linha de crédito para desembolso direto do banco.

O investimento total do projeto é estimado em R$ 1,97 bilhão. As obras devem gerar 2.159 empregos diretos e indiretos, e a previsão de conclusão é até 2032.

Os recursos do BNDES serão destinados para implementação de 59 acessos nas três rodovias e adequações e implantações de acostamentos em 369,13 quilômetros das vias. Também está prevista a construção de 53,38 quilômetros em faixas adicionais em pista simples, além de dois contornos: o de São Pedro (MS-112), com 1,5 quilômetro, e o de Cassilândia (BR-158), com 6,6 quilômetros.

“O BNDES atua para garantir a melhoria das rodovias, trazendo mais segurança e conforto para a população, além de contribuir com o escoamento da produção agrícola”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota enviada ao Valor.

AGRÍCOLA

O Estado de S.Paulo - SP   19/08/2025

A norte-americana AGCO, fabricante de máquinas agrícolas, está otimista com a retomada dos investimentos dos produtores brasileiros na renovação de frotas. Dona das marcas Massey Ferguson, Valtra, Fendt e PTx, a AGCO estima vender 6% a 8% mais no País neste ano, em linha com o mercado. “A boa produção na safra ajudou a compensar os preços estáveis de commodities e os produtores retomaram parte das compras não efetivadas em 2024”, diz Rodrigo Junqueira, gerente-geral para a América do Sul. Para ele, as feiras agrícolas no 1.º semestre já sinalizavam tal reação. O impulso deve vir dos setores de grãos e cana-de-açúcar. O Brasil perfaz 12% das vendas globais da AGCO. Em 2024, faturou US$ 11,7 bilhões globalmente.
Café, citros e boi impulsionam tratores

O avanço das vendas das máquinas de pequeno e médio porte deve ser maior do que as de grande porte, diz Junqueira. “Pecuária, citros e café estão em bom momento e puxam o setor de tratores.” A AGCO quer abrir 11 lojas até o fim do ano. Hoje tem 389 concessionárias.
Investimento garante a expansão

Neste ano, a AGCO investiu R$ 16 milhões em um centro de desenvolvimento de plantadeiras em Ibirubá (RS) e outros R$ 19 milhões em seu primeiro centro de excelência de transmissões Reman da América do Sul, em Jundiaí (SP). A multinacional possui quatro fábricas de maquinário agrícola no Brasil.

Monitora

A AGCO acompanhando “de perto” a escalada tarifária dos Estados Unidos sobre produtos do Brasil e seus efeitos sobre o mercado de máquinas e equipamentos agrícolas. Mas agora o foco está em entregar aos produtores o que foi vendido nas feiras para iniciar a nova safra. “Tudo caminha como o planejado”, afirma Junqueira.
Apetite

A EuroChem, dona da Fertilizantes Tocantins e da Fertilizantes Heringer, acaba de concluir a estruturação de um Fundo de Investimento em Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) de direitos creditórios. Na operação, R$ 450 milhões foram captados. Do montante, R$ 120 milhões já foram alocados no fundo, revela Cristiano Greve, head de estruturação da Integral Investimentos, responsável pela estruturação e gestão do fundo. A Kinea Investimentos atuou como investidor âncora.

Leva mais

A Tereos realizou em julho seu maior embarque de açúcar VHP (com alto teor de sacarose). Foram 70 mil toneladas enviadas em um único navio para a China, superando as 60 mil toneladas embarcadas para a Indonésia no ano passado. A operação foi feita no Terminal Integrador Luiz Antônio Mesquita (Tiplam), da VLI, na Baixada Santista.
De olho lá fora

A brasileira Novara, consultoria especializada no mercado de capitais, acaba de se associar ao banco de investimentos americano Boustead & Company, com atuação em bolsas no exterior. Ivan de Souza, o CEO da Novara, diz que o objetivo é estimular companhias de médio porte, principalmente do agro, com faturamento anual entre R$ 300 milhões e R$ 1 bilhão, a abrirem capital na bolsa de Nova York ou na Nasdaq. A parceria consiste em apontar o melhor caminho para o IPO, detectando potencialidades para atrair investidores e “formatar” as companhias às bolsas no exterior.

Impulso

No agronegócio, a Novara foca nos segmentos de insumos, como biofertilizantes; equipamentos e tecnologia, como agricultura de precisão associada à inteligência artificial, e bioenergia, sobretudo biodiesel. “Ao menos 30% das médias empresas do agronegócio brasileiras teriam condições de abrir capital lá fora”, detalha Souza, com base em estudo interno. “Privilegiamos médias empresas porque este é um nicho menos atendido em suas necessidades de crescimento”, justifica. “Em um cenário de dinheiro caro no Brasil, abrir capital no exterior pode ser uma saída para se financiar”, acredita.
Gilson Bittencourt assume frente de agro do BB

Em um momento em que a inadimplência do setor pressiona os resultados do Banco do Brasil, Gilson Alceu Bittencourt passa a ocupar a vice-presidência de Agronegócios e Agricultura Familiar da instituição financeira. Ele assumiu o cargo na última semana e estará à frente da maior carteira de crédito rural do País, de R$ 404,9 bilhões.
Decisão sobre BRF-Marfrig do Cade sai este semestre

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica deve julgar até o fim do ano o caso de fusão da BRF-Marfrig, disse o presidente interino do órgão, Gustavo Augusto Lima de Freitas, ao Estadão/Broadcast. O prazo era abril de 2026. Nesta semana, o tribunal deve decidir se o processo seguirá em rito sumário ou ordinário.

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