Clipping Diário

19 | Junho | 2026

SIDERURGIA

Veja - SP   19/06/2026

Pressionada pelo mercado a acelerar a redução do endividamento, a CSN colocou um número oficial em seu plano de desinvestimentos. Em nota, a companhia informou que o programa em curso pode gerar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões para o caixa do grupo. Esta semana, o Radar Econômico informou que apenas a venda da fatia de infraestrutura poderia irrigar de R$ 5 a R$ 8 bilhões os cofres da holding.

A estratégia de desalavancagem virou prioridade para a companhia controlada pela família Steinbruch em um momento em que investidores cobram maior disciplina financeira e simplificação do portfólio.

O ativo mais avançado no processo é a CSN Cimentos, segunda maior fabricante de cimento do país. Segundo a companhia, a expectativa é receber as propostas vinculantes na primeira metade de agosto. A assinatura do contrato de venda está prevista para o terceiro trimestre.

A disputa pelo negócio tem sido acompanhada de perto pelo mercado, diante do apetite de grupos brasileiros e de empresas estrangeiras pelo setor. A CSN não revela nomes, em razão de cláusulas de confidencialidade, mas afirma que o processo de due diligence atraiu “players relevantes” do Brasil, da Ásia e – uma outra novidade – da Europa.

A venda da divisão de cimento é tratada como a principal peça do plano de desalavancagem no curto prazo. O negócio ganhou escala nos últimos anos e passou a ser visto como um ativo capaz de destravar valor relevante para a holding.

Já na área de infraestrutura, a CSN busca conter as especulações sobre uma venda ampla dos ativos. A companhia esclareceu ao Radar Econômico que não está vendendo sua operação de transportes e logística, que inclui participações na MRS e terminais portuários em Itaguaí, no Rio de Janeiro.

O que está em análise, segundo a empresa, é um potencial processo de alienação de participação minoritária. Nesse desenho, um eventual investidor compraria uma fatia diretamente na holding de infraestrutura do grupo, sem alterar o controle operacional dos ativos, que permaneceria com a CSN.

Leia abaixo a nota completa enviada à coluna:

Nota à imprensa

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informa que a expectativa é receber as propostas vinculantes do processo da CSN Cimentos na primeira metade de agosto. A previsão de assinatura do contrato de venda é no terceiro trimestre deste ano.

Por questões de confidencialidade, a CSN não comenta sobre estimativas de valores e nem sobre potenciais compradores ou participantes específicos do processo de due diligence. Vale destacar, contudo, que o grupo é diverso e reúne players relevantes do Brasil, Ásia e Europa, o que reforça a natureza competitiva.

Com relação aos ativos de infraestrutura, a CSN esclarece que não está vendendo, e sim avaliando um potencial processo de alienação de participação minoritária na holding de infraestrutura do Grupo CSN.

Conforme divulgado ao mercado no início do ano, o programa de desinvestimentos está relacionado ao processo de desalavancagem, com potencial de geração de recursos entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, considerando todos os movimentos em curso.

O Estado de S.Paulo - SP   19/06/2026

O Safra elevou o preço-alvo das ações preferenciais da Gerdau (GGBR4) para o fim de 2026 de R$ 25,50 para R$ 30, e reiterou a recomendação Outperform (equivalente à compra). O novo preço representa um potencial de valorização de 29,6% ante o fechamento do papel no pregão de ontem.

Segundo o banco, aumentos recentes de preços nos EUA e as conclusões sobre um possível acordo no âmbito do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA, na sigla em inglês) mais do que compensam o efeito de um real mais forte.

Em relatório, os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro explicam que a visão positiva para a Gerdau se apoia em potencial de alta ante o consenso de 2027 para a Gerdau na América do Norte, com melhora das perspectivas de fluxo de caixa livre (FCF), reforçadas por menores despesas de capital (capex), impostos pagos em dinheiro e despesas com juros, embora os rendimentos se tornem mais atraentes após 2026.

O banco estima Ebitda (Lucro antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) de R$ 12,6 bilhões para a empresa em 2026 e de R$ 14,5 bilhões em 2027 e calcula que a ação da empresa é negociada com múltiplo de 4,1 vezes o Ebitda estimado para 2026 e de 3,3 vezes o de 2027, em linha com a média de cinco anos, de 4,1 vezes, e abaixo de pares de siderurgia nos EUA, de 9,7 vezes em 2026 e de 9,1 vezes em 2027.

Sobre o USMCA, o Safra afirma que as negociações apontam cada vez mais para um desfecho com acordos bilaterais e tarifas estruturalmente mais altas substituindo uma redefinição trilateral completa. Nesse quadro, o banco calcula que o risco de queda do Ebitda da Gerdau América do Norte, ponderado por probabilidade, seria de apenas 7% a 9%, abaixo da normalização de cerca de 19% implícita no consenso até 2029.

O relatório diz ainda que o mercado superestima o risco de uma normalização completa das tarifas e subestima a chance de as margens do aço nos EUA permanecerem estruturalmente mais altas por mais tempo.

Com essas premissas, o Safra elevou a estimativa para a margem de Ebitda para 2026-2027 na América do Norte para cerca de 24% e a margem de longo prazo para 21%, de 1 a 2 pontos porcentuais acima do consenso.

Para o Brasil, o banco manteve uma leitura cautelosa, com margem de Ebitda de 9,5% em 2026 e de cerca de 15,5% no longo prazo, citando demanda fraca e estoques ainda elevados na cadeia como fatores que limitam novas altas de preços no curto prazo.

O Safra aponta que pode haver expansão incremental de Ebitda e rentabilidade com o projeto Miguel Burnier e que um cenário de proteção comercial, com medidas antidumping - especialmente nas investigações em andamento de bobina laminada a quente e fio-máquina - poderia reduzir importações da Ásia e permitir maior utilização, diluição de custos fixos e melhora adicional de preços.

Valor - SP   19/06/2026

Desde que adquiriu a U.S. Steel há um ano, a Nippon Steel descobriu que, embora a "golden share” (ação de ouro) do governo federal possa ocasionalmente forçar a empresa japonesa a tomar decisões, estabelecer conexões com autoridades e se comunicar com o público são mais importantes.

A U.S. Steel reiniciou um alto-forno em sua usina de Granite City, no estado de Illinois, no Meio-Oeste americano, em março deste ano. O forno estava inativo há cerca de três anos devido à queda na demanda.

Havia rumores de que a antiga usina estaria prestes a ser fechada definitivamente. Acredita-se que essa possibilidade tenha sido evitada graças a uma intervenção verbal do secretário de Comércio, Howard Lutnick.

A ação de ouro da U.S. Steel concede ao governo federal poder de veto sobre o fechamento de usinas. Acredita-se que a existência dessa ação tenha levado a Nippon Steel a decidir não fechar a usina.

Não se tratava necessariamente de um caso em que a Nippon Steel tivesse decidido fechar a fábrica e sido impedida pelo governo dos Estados Unidos. A Nippon Steel comentou que "não há verdade na alegação de que estávamos considerando fechar toda a fábrica".

É provável que o governo dos Estados Unidos tenha pressionado implicitamente a Nippon Steel para manter a fábrica aberta, usando a ação preferencial como moeda de troca — e então usado o resultado para dizer que impediu o fechamento da fábrica.

"A Nippon Steel provavelmente julgou que, em vez de piorar seu relacionamento com o governo Trump, seria mais vantajoso deixar que eles levassem o crédito", disse Takashi Imamura, executivo-chefe (CEO) do Instituto Marubeni, com sede em Tóquio.

Questionado em 8 de junho sobre a ação preferencial, Lutnick disse que a chave para o envolvimento dos Estados Unidos é "manter o nariz dentro, sem interferir".

"Isso significa que os deixamos administrar seus negócios; esse é o negócio deles", acrescentou.

O CEO da U.S. Steel, David Burritt, declarou ao “Nikkei Asia” que "na verdade, não há nada nessa ação preferencial que impeça a Nippon de fazer o que deseja ou o que a U.S. Steel deseja".

O que ficou claro no ano que se seguiu à aquisição, concluída em 18 de junho de 2025, é que, embora a ação preferencial dê ao governo dos Estados Unidos alguma influência, a Nippon Steel ainda possui um certo grau de liberdade administrativa, desde que evite ultrapassar quaisquer limites impostos pela administração, como cortes de empregos ou fechamento de fábricas.

Para a Nippon Steel e a U.S. Steel, ficou evidente que outros fatores são mais importantes do que a ação preferencial, como construir relacionamentos e manter um diálogo contínuo com a administração, além da impressão geral transmitida aos moradores e funcionários locais.

"Por meio dessa aquisição, percebemos que a capacidade de compreender figuras-chave da administração e entender seu pensamento impacta significativamente o sucesso de nossos negócios no exterior", afirmou Takahiro Mori, vice-presidente do conselho e vice-presidente executivo da Nippon Steel. Na verdade, a Nippon Steel alterou significativamente sua abordagem e estratégias de comunicação em relação ao governo dos Estados Unidos antes e depois da aquisição.

Durante as negociações, a empresa assumiu a liderança na construção de um relacionamento com o senador Dave McCormick, da Pensilvânia, garantindo seu apoio para persuadir o presidente Donald Trump, e também contratou lobistas americanos próximos à equipe de Trump.

Mas, após a aquisição, a maioria desses contratos de lobby foi transferida para a U.S. Steel para melhorar a eficácia das atividades de lobby.

Durante o processo de integração pós-fusão, a U.S. Steel foi posicionada como a principal responsável pelos esforços de lobby da empresa, enquanto a Nippon Steel desempenhou um papel de apoio nas relações externas.

Um exemplo disso: quando investimentos adicionais em uma importante siderúrgica da U.S. Steel foram anunciados no início deste mês, a informação foi divulgada não pela Nippon Steel, mas em um comunicado à imprensa e um relatório da U.S. Steel, que comunicavam os benefícios do investimento para a região.

O relatório foi preparado por uma consultoria contratada diretamente pela U.S. Steel. O fato de a U.S. Steel liderar esses esforços de comunicação facilita o acesso da administração Trump a eles e aumenta seu impacto.

As contas oficiais da U.S. Steel nas redes sociais agora apresentam postagens diárias de executivos e funcionários mostrando seu trabalho.

Empresas que investem nos Estados Unidos devem "estar atentas às tendências industriais e políticas americanas atuais, explicando como seus planos de negócios fortalecem as prioridades industriais, os trabalhadores e a segurança nacional dos Estados Unidos", afirmou William Chou, pesquisador sênior e vice-diretor da cátedra de estudos sobre o Japão no Hudson Institute, em Washington.

Jornal de Brasília - DF   19/06/2026

O governo do Reino Unido informou nesta quinta-feira (18) que já destinou cerca de 555 milhões de libras à siderúrgica British Steel para financiar capital de giro, incluindo a compra de matérias-primas e o pagamento de salários, enquanto mantém medidas especiais para garantir a continuidade das operações da empresa.

Em comunicado enviado ao Parlamento, o governo reiterou que sua prioridade é preservar a operação segura dos altos-fornos da unidade de Scunthorpe. Segundo a nota, autoridades seguem prestando apoio no local para assegurar a produção doméstica ininterrupta de aço e monitorar o uso dos recursos públicos.

O Executivo afirmou que os recursos destinados à companhia serão financiados por verbas já previstas no orçamento, dentro do limite de gastos estabelecido na Declaração de Primavera de 2025 Os desembolsos serão registrados nas contas do Departamento de Negócios e Comércio dos exercícios fiscais de 2025-26 e 2026-27

O governo também destacou que o projeto de lei que abre caminho para a nacionalização da British Steel já concluiu sua tramitação na Câmara dos Comuns e está em análise na Câmara dos Lordes.

De acordo com o comunicado, as autoridades estão “fortemente inclinadas” a utilizar os poderes previstos na legislação para levar a empresa ao controle estatal no futuro. A decisão, porém, dependerá da avaliação do interesse público e da análise das informações disponíveis no momento.

O Estado de S.Paulo - SP   19/06/2026

Bobinas, chapas e tiras de aço inoxidável laminado a frio com adição de níquel exportadas a ‘preços injustamente baixos’ serão atualizadas no próximo mês

O Japão vai impôr tarifas sobre alguns produtos siderúrgicos importados da China e de Taiwan a partir do próximo mês para combater a concorrência desleal, anunciou nesta sexta-feira, 19, o Ministro do Comércio, Ryosei Akazawa.

“Bobinas, chapas e tiras de aço inoxidável laminado a frio com adição de níquel” de Pequim e de Taipei estão sendo exportadas para Tóquio “a preços injustamente baixos”.

As tarifas serão de “até aproximadamente 45% para produtos chineses e até aproximadamente 21% para produtos taiwaneses”, afirmou Akazawa.

A Federação Japonesa de Ferro e Aço estima que as importações da China representam cerca de 20% dos produtos siderúrgicos que entram no Japão, enquanto as de Taiwan representam 17%.

A Coreia do Sul é o principal exportador do país, respondendo por aproximadamente 62% das mercadorias do tipo que entram no país.

Diário do Comércio - MG   19/06/2026

A francesa Vallourec, uma das líderes mundiais em soluções tubulares premium, vai instalar uma linha de produção na usina do Barreiro, em Belo Horizonte, dedicada ao cleanwell, um revestimento livre de graxa aplicado nas conexões dos tubos, que substitui tanto os compostos de armazenamento quanto de montagem. As obras deverão começar até o início de 2027, com a entrada em operação prevista para o primeiro trimestre de 2028.

Quem revela a novidade ao Diário do Comércio é o CEO da Vallourec América do Sul, André Lacerda. Sem informar valores, ele diz que o projeto, a ser desenvolvido na área de antigos galpões de estocagem da planta, demandará um investimento significativo.

Conforme explica o executivo, o cleanwell envolve a eletrodeposição de um lubrificante seco, da cor azul, nas conexões dos tubos, uma tecnologia de propriedade intelectual da Vallourec. Segundo a companhia, não existe empresa no Brasil atualmente capaz de produzir com essa solução para o mercado de óleo e gás.

A Vallourec realça que esse revestimento oferece propriedades anticorrosivas e de lubrificação e possibilita operações mais limpas e eficientes. Lacerda destaca que a logística em termos de manuseio do tubo é facilitada, a segurança e velocidade da operação melhoram e, por ser livre de graxa, o produto previne contaminações no meio ambiente.

Usina de Jeceaba recebe linha de produção de luvas

O CEO da Vallourec América do Sul também revela, sem detalhar o investimento, que, ainda em 2026, entrará em operação na usina de Jeceaba, na região Central de Minas Gerais, uma linha de produção de luvas Large OD – abreviação de Large Outer Diameter, que na tradução literal significa grande diâmetro externo.

O executivo pontua que, em 2024, a planta passou por uma expansão voltada para Large OD, ou seja, para produzir tubos de grande diâmetro. Porém, de acordo com ele, as luvas – usadas para conectar tubos – seguiram sendo importadas da Vallourec no exterior.

“O objetivo da Vallourec América do Sul, como hub de exportação do Grupo Vallourec, é conseguir fazer todos os produtos no Brasil, de A a Z”, afirma Lacerda.

Cabe mencionar que aproximadamente metade da produção da Vallourec no Estado é destinada para fora do País. A siderúrgica exporta para 35 países na Ásia (incluindo o Oriente Médio), Europa, América do Norte, América do Sul e Oceania.

Também é válido dizer que na unidade do Barreiro são produzidos tubos de aço sem costura de até sete polegadas para os setores petrolífero, industrial, automotivo, de energia e da construção civil. E na unidade de Jeceaba são fabricados tubos de aço sem costura acima de sete polegadas até 185/8 polegadas para o setor de petróleo e gás.

“As duas usinas são complementares. Elas têm que coexistir para a gente ter o portfólio de oferta completo para o mercado”, salienta o CEO.
Companhia investe em operações brasileiras visando novos contratos

Desde que decidiu, em 2022, fechar algumas fábricas na Europa e transferir parte da produção para o Brasil, a Vallourec vem investindo fortemente nas unidades brasileiras para ganhar novos contratos e atendê-los. A estratégia parece que tem dado certo.

Em janeiro, a empresa assinou contrato para fornecer produtos e serviços físicos e digitais, tanto onshore quanto offshore, para as operações da Shell no projeto petrolífero de águas profundas Orca, localizado na área do pré-sal da Bacia de Santos. Conforme informado anteriormente, mais de 95% dos tubos a serem fornecidos sairão das usinas mineiras.

Em maio, a companhia fechou dois novos contratos com a ExxonMobil Guyana Limited (EMGL) para o fornecimento de tubos revestidos aos projetos offshore Hammerhead e Longtail, localizados no Bloco Stabroek, na Guiana. Os tubos também serão produzidos em Minas Gerais e enviados para o Espírito Santo antes de serem entregues ao cliente.

Na unidade capixaba, parte dos tubos será coberta com resina Proxxima™ e isolamento submarino GDLX™, tecnologias desenvolvidas pela ExxonMobil para as quais a Vallourec tornou-se a primeira empresa licenciada a utilizá-las. O complexo na Grande Vitória passará por uma modernização para viabilizar a operação.

Também em maio foi assinada outra parceria. A siderúrgica e a Syngular Solutions, empresa de engenharia e consultoria especializada em projetos de Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono (BECCS) e Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono (CCUS) firmaram um memorando de entendimento (MoU) para colaboração em iniciativas de captura e armazenamento geológico de carbono no Brasil.

“É importante dizer que toda a tubulação que vai servir para a injeção do CO2 nas formações geológicas é produzida no Barreiro e em Jeceaba”, realça Lacerda.

Todos esses acordos foram fechados somente neste ano. Entre os mais antigos, vale destacar o que foi firmado em setembro de 2025 para fornecimento de tubos e serviços para operações offshore da Petrobras entre 2026 e 2029, contrato que pode gerar receita total de até US$ 1 bilhão para a Vallourec. Os tubos também são produzidos em Minas Gerais.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   19/06/2026

Contenção diplomática tem sido tradição nos comentários do Copom sobre ações do governo; recado mais severo é traduzido, habitualmente, por especialistas do mercado e imprensa

Com projeções de inflação em alta e bem acima da meta neste ano e nos dois seguintes, o Banco Central (BC) decidiu avançar com cautela na redução da Selic, a taxa básica de juros, cortada de 14,5% para 14,25% na reunião do Copom, o Comitê de Política Monetária, encerrada na quarta-feira, 17. Com mais esse corte, o terceiro dessa magnitude, os juros básicos se mantiveram entre os mais altos do mundo, complicando o crédito, impondo mais dificuldades às famílias já endividadas e encarecendo uma dívida pública já muito pesada para o Tesouro e para os pagadores de impostos.

A inflação projetada para este ano e para os dois seguintes – 5,30%, 4,10% e 3,68%, segundo a pesquisa Focus – supera com folga o centro da meta, fixado em 3% para períodos de 12 meses. A insegurança global, agravada pelos conflitos no Oriente Médio, pelas tensões entre Rússia e Europa Ocidental e pelos desmandos do presidente americano, Donald Trump, tem afetado os preços internacionais. Sem mencionar detalhes, o informe distribuído pelo Copom menciona as incertezas causadas pelas disputas externas e defende cautela por parte dos emergentes num ambiente de maior volatilidade de preços.

As pressões inflacionárias internas, como o câmbio depreciado, o crescimento econômico acima do potencial produtivo, os estímulos ao consumo e a condução da política fiscal, são mencionadas adiante. Não há, no entanto, referência mais direta e aberta à gastança federal e aos custos fiscais da busca da reeleição pelo presidente da República. Um dos efeitos desse quadro, a famosa “desancoragem” das expectativas, é mencionado, como tem sido em muitos comunicados do Copom.

Nos próximos dias, alguns desses pontos poderão ser examinados com mais detalhes num comunicado mais amplo do BC. Mas o essencial está transmitido. Dificilmente os membros do Copom avançarão em críticas mais explícitas e mais duras ao Executivo. A contenção diplomática tem sido uma tradição nos comentários de membros do Comitê sobre ações do governo. O recado mais severo é traduzido, habitualmente, por especialistas do mercado e pela imprensa.

Jornal de Brasília - DF   19/06/2026

A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China (NDRC, na sigla em inglês) informou nesta quinta-feira (18) que já liberou duas parcelas de recursos para o programa de substituição de bens de consumo, totalizando 125 bilhões de yuans (US$ 18,49 bilhões), como parte das medidas de estímulo à demanda doméstica.

Durante coletiva de imprensa, o porta-voz da NDRC, Li Chao, afirmou que, entre janeiro e maio, os recursos destinados ao programa de troca de bens de consumo já impulsionaram vendas superiores a 820 bilhões de yuans (US$ 121,3 bilhões) e beneficiaram mais de 110 milhões de pessoas.

Segundo Chao, as políticas conhecidas como “Duas Novas” (“Liangxin”), que combinam incentivos à renovação de equipamentos e à substituição de bens de consumo, tiveram forte impacto sobre a atividade econômica no primeiro semestre. “O efeito de impulso é forte”, disse.

O dirigente destacou que também foram liberados, em duas parcelas, 185,1 bilhões de yuans (US$ 27,4 bilhões) para projetos de atualização de equipamentos, apoiando mais de 11 mil iniciativas e investimentos totais superiores a 840 bilhões de yuans (US$ 124,3 bilhões).

A NDRC anunciou ainda que pretende ampliar o alcance do programa nos próximos meses. De acordo com Chao, até o fim de junho será liberada uma terceira parcela de 62,5 bilhões de yuans (US$ 9,2 bilhões) para a renovação de bens de consumo, enquanto a lista completa dos projetos contemplados pelos 200 bilhões de yuans (US$ 29,6 bilhões) previstos para atualização de equipamentos neste ano também será divulgada até o final do mês.

Segundo o porta-voz, o governo continuará aperfeiçoando os mecanismos de supervisão para garantir que os subsídios cheguem aos consumidores de forma “mais justa, conveniente e padronizada”, além de reforçar o combate a fraudes e irregularidades na concessão dos incentivos.

O Estado de S.Paulo - SP   19/06/2026

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quinta-feira, 18, ver espaço para novos cortes da taxa básica de juros pelo Banco Central. Na noite de quarta-feira, 17, o Comitê de Política Monetária (Copom) diminuiu a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,50% para 14,25%, conforme esperado pela maioria do mercado.

“Eu sigo achando que tem espaço para novos cortes, mas isso, sem dúvida nenhuma, é uma competência do Banco Central”, disse o ministro da Fazenda, durante entrevista ao portal Metrópoles. “No curto prazo, o que o governo puder ajudar (para controlar a inflação), o governo fará.”

Durigan repetiu que a Fazenda tem atuado para controlar a inflação no curto prazo, citando dois esforços: as medidas para impedir a alta dos preços de combustíveis, diante da guerra do Irã; e ações de responsabilidade fiscal, com o bloqueio de R$ 23 bilhões no orçamento, mesmo às vésperas das eleições.

“A gente atuando com responsabilidade fiscal para ter uma ajuda pontual durante o período da guerra certamente pode ajudar o tema dos combustíveis. A política monetária não deve olhar para essas intercorrências de curto prazo, como foi a guerra”, disse.

O ministro negou que o governo estude qualquer medida de controle de preços diante da escalada da inflação de alimentos às vésperas da eleição presidencial.

“Não há que se falar em controle de preços; esse tema é estranho aos meus objetivos no Ministério da Fazenda”, disse Durigan, lembrando que as ações recentemente adotadas pelo governo — como as medidas para impedir uma alta forte dos combustíveis — não lançaram mão desse expediente.

Ele repetiu, também, que a inflação está controlada quando comparada ao histórico brasileiro, embora haja um descontentamento sobre o nível de preços. Segundo Durigan, tanto o Banco Central quanto o governo têm feito seus papéis para tentar controlar o ritmo de aumento dos preços da economia.

“Este é um ano de eleição e nós estamos fazendo um bloqueio de R$ 23 bilhões no orçamento, em grande medida para sinalizar que tem uma trajetória fiscal contratada, projetando um superávit para o ano que vem, que deve ajudar a política monetária, para que ela cumpra o seu papel de maneira mais eficiente”, disse.

Governo quer fortalecer BC, mas sem criar distorções, diz Durigan

O ministro repetiu que o governo pode adotar uma postura favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65, que garante autonomia financeira e orçamentária ao Banco Central, desde que haja ajustes para impedir que o texto “extravase” para outros temas.

“O governo concorda em avançar com a PEC, desde que a gente não transborde para outras questões que não são a principal, que é o fortalecimento do Banco Central, para que não volte a acontecer o caso Master, para que a gente fortaleça o Pix”, disse.

A PEC 65 foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no último dia 10, em um resultado que foi lido como vitória do BC sobre o Executivo. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), chegou a apresentar uma proposta alternativa à do relator, Plínio Valério (PSDB-AM), mas não conseguiu avançar.

A equipe econômica do governo vem afirmando que, da maneira como está, a PEC criaria dificuldades para a contabilidade pública. Como o BC deixaria de ser uma autarquia federal, qualquer fluxo financeiro entre autoridade monetária e Tesouro passaria a ser contabilizado no resultado primário, e não mais no financeiro, como é hoje.

A cúpula do BC, em contrapartida, nega que isso vá gerar impacto. Recentemente, em uma entrevista coletiva, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, defendeu que o BC poderia absorver os resultados positivos e negativos, sem precisar de transferências para o Tesouro.

Durigan também defendeu a possibilidade de incluir o Pix na Constituição, um artigo que foi incluído por Valério na PEC. “O que nós não podemos é mexer em contabilidade pública nesse momento, a pretexto de dar força ao Banco Central”, disse.

Diário do Comércio - MG   19/06/2026

O economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto de Almeida Júnior, afirmou nesta quinta-feira (18), que o Produto Interno Bruto (PIB) deve terminar 2026 com crescimento por volta de 2%, resultando em uma expansão média anual de 2,7% nos quatro anos do governo Lula.

Apesar dos juros altos pesando sobre a economia brasileira, o resultado pode ser considerado uma surpresa, mas isso tem muito a ver com as reformas estruturais ocorridas na última década, que destravaram investimentos, avaliou.

“O Brasil teve reformas importantes ao longo dos últimos anos. Isso explica a surpresa do crescimento desde a pandemia”, declarou, ao participar de painel no evento GRI Fundos Imobiliários 2026, realizado hoje em São Paulo.

Ele citou reformas previdenciária e trabalhistas, além de marcos setoriais. Como exemplo, apontou o marco do saneamento, que trouxe mais segurança para investidores e fomentou a estruturação de fundos e debêntures para esse fim. “O mercado de capitais mudou e cresceu absurdamente nos últimos dez anos”.

Mansueto disse que o mercado de capitais tem potencial para aumentar ainda mais a sua participação no financiamento de projetos de infraestrutura e do mercado imobiliário, mas isso ainda depende muito da redução da inflação e dos juros no País.

Com um ajuste fiscal, o juro real no País poderia cair de 8% para 4%, estimulando investidores migrarem da renda fixa para aplicações relacionadas ao financiamento de projetos.

Mansueto elogiou a resiliência do mercado imobiliário, com a expansão dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais anualmente, desde a pandemia. Mas ponderou que o motor nesse caso foi o Minha Casa Minha Vida, com juros subsidiados pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Outra parte do crescimento ficou concentrada no setor de alta renda, que não depende de financiamento.

Já os imóveis típicos de classe média sumiram do mercado, pois as taxas do crédito imobiliário subiram muito e esfriaram as vendas, espantando as incorporadoras do segmento. “A classe média está espremida”, notou.

Agência Brasil - DF   19/06/2026

Mesmo em um cenário de juros elevados e choque de preço do barril do petróleo, a economia brasileira cresceu 0,1% na passagem de março para abril. Já na comparação com abril de 2025, houve avanço de 1,8%.

As estimativas fazem parte do Monitor do PIB, estudo mensal elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV (Fundação Getulio Vargas), divulgado nesta quinta-feira (18).

No trimestre móvel terminado em abril (fevereiro/março/abril), houve crescimento de 1,8% em relação ao mesmo período do ano passado. No acumulado de 12 meses, a expansão foi de 2%.

A pesquisa reúne dados da indústria, comércio, serviços e agropecuária e apresenta estimativas sobre o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), indicador do conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país.

A economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, aponta que a alta de 0,1% mostra uma economia estável, embora tenha enfrentado obstáculos internos e externos.

“A maior parte dos componentes da economia teve desempenho positivo, indicando certa resiliência em meio ao cenário de juros elevados e aumento do preço do barril do petróleo, como uma das consequências da guerra no Oriente Médio”, disse.

Juros e guerra

Em praticamente todo o mês de abril, a Taxa Selic, taxa básica de juros da economia, esteve em 14,75%. O patamar elevado é uma estratégia do Banco Central (BC) para conter inflação. Quanto maior o juro, menor o incentivo ao consumo, forçando queda ou elevação mais suave dos preços.

No fim do mês, o BC cortou 0,25 ponto percentual (p.p.) da taxa. Movimento repetido na quarta-feira (17), deixando a Selic em 14,25%.

A cautela do BC na velocidade dos cortes de juros tem a ver com o cenário externo citado pela economista do Ibre. A guerra no Irã elevou o preço do barril do petróleo em todo o mundo, o que se refletiu no encarecimento de combustíveis como o óleo diesel e a gasolina.

O governo brasileiro tomou medidas para tentar conter o aumento de preços, como corte de tributos e subsídio a produtores e importadores de combustível.
Setores do PIB

O Monitor do PIB estimou que, no trimestre móvel terminado em abril, o consumo das famílias cresceu 2,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, atingindo o maior patamar de alta desde o trimestre terminado em fevereiro de 2025.

As exportações tiveram crescimento de 9,3%, com cerca de 60% desse desempenho devido “ao bom desempenho das exportações de produtos da indústria extrativa, que cresceram 27,8% no trimestre móvel findo em abril”.

A chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede o investimento na economia, como compras de máquinas e equipamentos, teve expansão de 0,7% no trimestre móvel. Foi a primeira expansão depois de recuo nos quatro trimestres móveis imediatamente seguidos.

O estudo estima que a taxa de investimento da economia em abril foi de 18%.

De acordo com a FGV, em termos monetários, o PIB acumulado no ano até abril, em valores correntes, é estimado em R$ 4,376 trilhões.
Resultado oficial

O Monitor do PIB é um dos estudos que servem como termômetro da economia brasileira. Outro levantamento é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na última quarta-feira (17), que indicou expansão de 0,5% na passagem de março para abril e de 1,6% em 12 meses.

O resultado oficial do PIB é apresentado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No primeiro trimestre, a economia cresceu 1,1%.

A próxima divulgação será em 1º de setembro, com dados do segundo trimestre de 2026.

MINERAÇÃO

Valor - SP   19/06/2026

China divulgou dados econômicos aquém das expectativas, e Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo para encerrar a guerra, derrubando o preço do petróleo, que dava sustentação ao minério

O preço do minério de ferro voltou a recuar nesta quinta-feira (18), em meio a pressões pelo lado da oferta e também da demanda.

O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em queda de 1,13%, cotado a 747 yuans (US$ 110,5).

A consultoria ANZ Research aponta, em relatório, que a notícia de que os embarques da commodity a partir do principal porto ligado à mina de Simandou, na Guiné, tiveram um aumento repentino já vinha pressionando a cotação do minério nos últimos dias.

Juntando-se a isso, nesta semana, a China divulgou dados econômicos aquém das expectativas, e Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo para encerrar a guerra, derrubando o preço do petróleo, que dava sustentação ao minério.

AUTOMOTIVO

O Estado de S.Paulo - SP   19/06/2026

Em menos de três anos, nenhum carro novo poderá ser vendido no Brasil sem frenagem autônoma de emergência (AEBS). Pelo menos essa é a expectativa do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), que vem incentivando o desenvolvimento de um sistema nacional.

O Senai Pernambuco é quem encabeça o projeto. Em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade de Brasília (UnB) e montadoras como Volkswagen e Stellantis, o sistema será desenvolvido no Senai Park, em Suape (PE), com investimento de R$ 44 milhões, segundo a Agência Brasil.

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Para melhor compreensão do que é o AEBS, entenda que o sistema funciona como um “segundo par de olhos”. Equipamentos instalados na frente do veículo monitoram o trânsito constantemente e, se houver detecção de risco e a pessoa na direção não reagir a tempo, o carro assume o controle e aciona os freios automaticamente para evitar ou reduzir o impacto do acidente.

No projeto desenvolvido pelo Senai, a frenagem autônoma de emergência utilizará câmeras e radares, atuando em uma faixa de velocidade entre 10 e 60 km/h, conforme determina o Contran. O sistema será capaz de detectar obstáculos e veículos a diferentes distâncias, podendo ser aplicado ao assistente de permanência em faixa.

Também serão utilizadas tecnologias como inteligência artificial e gêmeos digitais (digital twins), que são réplicas virtuais do veículo e permitem simular situações de risco e acelerar testes e validações sem a necessidade de depender exclusivamente de protótipos físicos.

“Na prática, os sistemas de frenagem automática combinam radar e câmera para tomar decisões mais seguras. O radar é responsável por detectar objetos à frente e medir, com precisão, a distância e a velocidade, enquanto a câmera complementa essas informações ao identificar o tipo de objeto, como um carro ou pedestre. Com essas duas informações integradas, o sistema consegue avaliar o risco de colisão de forma mais completa e tomar, de maneira autônoma, a decisão de acionar a frenagem automaticamente”, explica o diretor de Inovação e Tecnologia do SENAI-PE, Oziel Alves.

A produção local pode reduzir a dependência de fornecedores internacionais e ajudar a baratear a adoção da tecnologia, especialmente nos carros de entrada, que também serão obrigados a contar com o sistema.

“O SENAI vem fazendo esse papel de construir parcerias e buscar esse posicionamento junto ao setor automotivo, pois sabemos da importância dele para o Brasil. Agora temos um parque tecnológico, o SENAI Park, para implantar todos esses projetos. É lá que a bateria de lítio vai ser desenvolvida e é lá que também vamos colocar o Projeto ADAS, que tenho certeza, vai ser um sucesso”, pontua a diretora regional do SENAI-PE, Camila Barreto.

O cronograma do Contran

O Contran elaborou uma série de medidas para aumentar a segurança automotiva. Desde 1º de janeiro deste ano, já está em vigor a obrigatoriedade da frenagem autônoma de emergência para todos os novos projetos que tenham recebido código de marca/modelo/versão junto ao órgão máximo de trânsito da União.

A partir de 1º de janeiro de 2029, essa obrigatoriedade será ampliada para todo veículo produzido ou importado para o Brasil. Já em 2031, os sistemas também deverão ser capazes de detectar e reagir a carros e objetos parados na pista.

Estão isentos da regra veículos militares, especiais, artesanais, fabricantes de pequena série, buggies, unidades destinadas à exportação e alguns tipos específicos de caminhões e ônibus.

Automotive Business - SP   19/06/2026

Na correria das montadoras chinesas para ocupar espaços produtivos no Brasil, Piracicaba (SP) aparece como mais um destino que pode ter uma fábrica de veículos controlada por capital asiático.

Presente na inauguração da Gestamp, Hélio Zanatta, prefeito do município, revelou que dialoga intensamente há um ano com uma empresa de origem chinesa que pretende manter atividades produtivas na cidade.

O setor automotivo responde por 30% da receita de Piracicaba e a perspectiva futura é de dobrar isso, contou Zanatta. Ele mencionou, ainda, que o município disputa essa montadora com outras cidades do interior de São Paulo, como Campinas, São José dos Campos e Sorocaba.

Os atrativos do parque automotivo da cidade incluem as isenções de Imposto sobre a Transição de Bens Imóveis (ITBI), Imposto sobre Serviços (ISS) e do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) por até duas décadas.

Enquanto isso não acontece, a cidade comemora a chegada da nova fábrica da Gestamp, instalada ao lado da Hyundai. Segundo o presidente do sindicato dos metalúrgicos da região, Wagner Silveira, a unidade também fornecerá componentes para a fábrica da Honda em Itirapina (SP).

Há também a possibilidade de fornecer componentes também para a fábrica da Stellantis em Betim (MG).

Globo Online - RJ   19/06/2026

Começa hoje a fase mais esperada do Move Brasil: a contratação do financiamento de carros novos por motoristas de aplicativo e taxistas.

A partir desta sexta-feira, os profissionais que já tiveram o cadastro aprovado pelo governo federal podem procurar concessionárias e bancos para pedir o crédito, com taxas de juros menores do que as praticadas no mercado.

O ponto de corte é uma tentativa do governo de restringir o crédito a quem realmente trabalha na atividade, e não a interessados apenas em pegar um empréstimo mais barato.

Quais bancos vão operar o crédito

O C6 Bank confirmou que vai operar a linha e informou que começa a receber pedidos em 26 de junho. As taxas serão as do teto do programa — 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres —, e a exigência de entrada e de documentos vai depender da análise de crédito de cada cliente.

"Feita de forma on-line, a análise de crédito, na maior parte dos casos, ocorre em até um minuto", disse o banco em nota.

O Santander também vai operar o crédito, por meio da Santander Financiamentos, e deve começar a receber propostas na próxima semana, seguindo o calendário do programa. As condições serão apresentadas na simulação. Já a contratação ficará sujeita à elegibilidade do cliente e do veículo, à análise de crédito e ao envio da documentação exigida.

"As condições serão apresentadas durante a simulação, e a contratação estará sujeita à elegibilidade do cliente e do veículo, à análise de crédito e ao envio da documentação exigida na jornada, incluindo documentos pessoais, comprovação de elegibilidade ao programa e documentação do veículo", esclareceu o Santander em nota.

O Itaú Unibanco informou que não vai aderir a esta linha. O banco alegou questões de cronograma operacional e afirmou que seu teto de garantias no FGI já está integralmente alocado e consumido pelo fluxo de outras modalidades de crédito — como o Renova Frota, o FGI Capital de Giro, o Pronampe e o Desenrola.

"Em relação à nova linha voltada a motoristas de aplicativo e taxistas, o banco optou por não aderir a este desenho específico por questões de cronograma operacional e pelo fato de seu teto de garantias do FGI já estar integralmente alocado e consumido pelo fluxo atual de outras modalidades", afirmou a instituição financeira

O Bradesco preferiu não se manifestar. Procurados, Nubank, BTG Pactual, Banco Inter, Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal não responderam até o fechamento desta reportagem.

A esperança é a última que morre

Motorista de aplicativo há dez anos e dono de um salão de festas, Carlos Coutinho, de 39 anos, é um dos que pretendem aproveitar o programa logo na largada. Morador de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, ele usa os aplicativos como complemento de renda e hoje roda com uma Chevrolet Spin 2015, de sete lugares. A ideia é trocá-la por um elétrico.

— Com esse programa do governo, estou vendo a possibilidade de trocar o meu carro por um veículo elétrico, que é o BYD Dolphin — conta.

Carlos já fez o cadastro e foi aprovado pelo governo em poucos dias. A aprovação do governo, porém, é só a primeira etapa. Falta a parte mais incerta: a análise de crédito do banco.

Carlos tem o nome negativado e conta com o fundo garantidor para conseguir o financiamento mesmo assim.

— Tenho negativação no meu nome, mas não é nada muito grave, alguns cartões de crédito. Não regularizei porque existe uma luz no fim do túnel: muita gente falando que vai liberar para negativado — afirma. — A esperança é a última que morre.

Para tentar reduzir o valor financiado, ele e três amigos do bairro vão juntos a uma concessionária de carros elétricos nesta sexta. Dos quatro, diz ele, só um está com o nome limpo.

— A gente vai ver se consegue dar os nossos carros de entrada para financiar um valor menor — explica.

O que pesa na escolha pelo elétrico é a economia, segundo Carlos:

— A gente gasta de R$ 3 mil a R$ 3.500 por mês com combustível, fora a manutenção. Com o elétrico, fica em torno de R$ 800 a R$ 1.000 de recarga, e a manutenção é menor — compara.

Com o BYD, ele também poderia rodar na categoria Black da Uber, a mais bem paga — mas já sabe que, para esse modelo, o acesso à categoria vai até o fim de 2027.

— Todo mundo foi pego de surpresa com essa informação que a Uber soltou, um dia antes de todo mundo comprar o carro — diz.

Quem está com o nome negativado pode conseguir?

A aprovação no cadastro do governo é apenas a primeira etapa e não garante o financiamento. A análise de crédito é feita pelo banco, caso a caso, depois do pedido — e cada instituição decide se aprova ou recusa, segundo suas próprias regras.

Para ampliar as chances de quem tem renda informal e pouca garantia a oferecer, a medida provisória incluiu taxistas e motoristas de aplicativo no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI-PEAC), do BNDES, que pode cobrir até 80% do risco de cada operação. Na prática, o fundo protege o banco em caso de calote — o que torna o crédito mais acessível —, mas a dívida continua sendo do motorista.

O que diz o especialista

Para quem vive de renda variável, o maior risco não é o juro, e sim o tamanho da parcela. É o que avalia Rodolfo Takashi, CEO da Gooroo Crédito, fintech especializada em crédito para o trabalhador.

— Para um motorista sem renda fixa, a pergunta principal não deveria ser "quanto o banco aprova?", mas sim "qual carro o meu faturamento consegue sustentar, mesmo nos meses mais difíceis?" — afirma.

Takashi lista alguns cuidados. O primeiro é fazer a conta pela pior semana, não pela melhor: se a renda líquida oscila entre R$ 3.500 e R$ 7.000 por mês, a parcela precisa caber confortavelmente no cenário de R$ 3.500. Como regra geral, ele recomenda que a prestação não passe de 15% a 20% da renda líquida média.

O segundo é não financiar o valor máximo só porque ele está disponível. O programa permite financiar veículos de até R$ 150 mil, mas, segundo o especialista, um carro de R$ 100 mil pode render praticamente o mesmo nos aplicativos.

— Um veículo de R$ 100 mil pode gerar praticamente a mesma receita em aplicativos como Uber e 99 do que um veículo de R$ 150 mil. O custo adicional não necessariamente se traduz em maior rentabilidade — diz.

Takashi orienta ainda a encarar a prestação como um aluguel, um custo fixo da atividade, e a não confundir faturamento com renda: é possível faturar R$ 10 mil por mês e ter renda líquida bem menor depois de descontar combustível, manutenção, lavagem e seguro.

— O risco está em assumir uma parcela baseada nos meses de maior faturamento e descobrir, nos meses mais fracos, que o carro pertence mais ao banco do que ao motorista — resume.

Para ele, o Move Brasil pode valer a pena sobretudo para quem hoje gasta muito com aluguel de veículo, desde que a escolha seja pelo carro mais econômico capaz de gerar a mesma receita.

Quantos já se inscreveram

O governo não respondeu ao pedido da reportagem sobre o número atualizado de cadastrados e de aprovados no programa.

O dado mais recente divulgado é do dia 3 de junho, quando o presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que as inscrições no Move Brasil já chegavam a 600 mil.

Atenção ao prazo

As contratações precisam ocorrer até 22 de julho de 2026, data final de vigência da medida provisória que sustenta o programa. Procurados, MDIC e BNDES não esclareceram o que acontece com o motorista que pedir o financiamento dentro do prazo, mas tiver a análise de crédito concluída pelo banco depois dessa data.

Como faço para solicitar o financiamento?

Confira abaixo o passo a passo:

A primeira etapa é acessar a plataforma gov.br/movebrasil e rolar até encontrar a opção de fazer o cadastro a partir do Gov.br.

Insira seu CPF e depois sua senha gov.br

Ao abrir a próxima página, clique em "Solicitar adesão".

Informe se é taxista, motorista 99 ou motorista Uber. Depois é só ler e aceitar o termo de consentimento e clicar em "Solicitar adesão".

Com isso, seu perfil já ficará em análise. O governo federal irá validar consultar a plataforma para validar seu cadastro.

Em seguida, é necessário esperar até 5 dias úteis para ser informado se está apto ou não a participar do programa Move Brasil. O motorista receberá a resposta via caixa postal do gov.br e via mensagem de WhatsApp.

No caso de motoristas de aplicativo, o governo irá checar uem está apto diretamente com a plataforma.

No caso de motorista de táxi, o governo irá chegar por meio da Receita Federal. Eles devem autorizar que o órgão envie às instituições financeiras a confirmação do registro como taxista e autorize a instituição financeira a praticar as condições de financiamento do programa.

Por fim, os motoristas que receberam a confirmação de participação no programa podem procurar as concessionárias e instituições financeiras participantes do programa para análises de crédito e de avaliação de viabilidade de concessão do financiamento.

Valor - SP   19/06/2026

As conversas envolvem concessão de apoio financeiro em troca de um compromisso de longo prazo e de investimentos na fábrica

O governo britânico está em negociações avançadas com a montadora japonesa Nissan sobre a concessão de apoio financeiro em troca de um compromisso de longo prazo e de investimentos em sua fábrica localizada em Sunderland, disseram cinco fontes com conhecimento das discussões.

Qualquer financiamento para a montadora, que enfrenta dificuldades, estará vinculado ao compromisso de produzir novos modelos ou versões e de preservar empregos na maior fábrica de automóveis do país, disseram duas das fontes. O apoio poderá assumir a forma de subsídios, incentivos fiscais ou outras ajudas governamentais, acrescentaram, sem revelar valores.

A Nissan, maior fabricante de automóveis do Reino Unido, está promovendo uma ampla reestruturação global que inclui a venda ou o fechamento de outras fábricas, a redução de 15% de sua força de trabalho e o enxugamento de sua linha de produtos.

Isso aumentou as dúvidas sobre as perspectivas de sua única unidade de montagem remanescente na Europa, que emprega cerca de 6 mil trabalhadores no nordeste industrial da Inglaterra.

Ampliando as incertezas, a Nissan informou neste mês que assinou um acordo com a Chery para estudar a fabricação de veículos da montadora chinesa em uma das duas linhas de produção de Sunderland.

A fábrica respondeu por mais de 35% dos automóveis produzidos no Reino Unido no ano passado, segundo a Sociedade de Fabricantes e Comerciantes de Automóveis (SMMT, na sigla em inglês), tornando-se a espinha dorsal de uma indústria automotiva doméstica em retração.

A Nissan concordou, em 2023, em investir 1,12 bilhão de libras (US$ 1,49 bilhão) em Sunderland, com apoio do governo, para fabricar mais veículos elétricos, mas a demanda por esses modelos ficou abaixo das expectativas do setor.

O novo compromisso da Nissan é esperado para este verão (no Hemisfério Norte) e deverá ser anunciado junto da confirmação dos planos do Reino Unido de flexibilizar regras que obrigam as montadoras a produzir mais veículos elétricos, atualmente em consulta pública, disseram duas das fontes.

Representantes do governo britânico e da Nissan se reuniram no último fim de semana, em Londres, em meio à visita da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi ao Reino Unido, disse uma das fontes. Todas as fontes pediram anonimato devido à sensibilidade do assunto e ressaltaram que os termos finais ainda estão sendo definidos.

A Nissan se recusou a comentar as discussões, mas afirmou, em comunicado enviado por e-mail, que mantém “um relacionamento forte e colaborativo com o governo do Reino Unido” e que espera continuar trabalhando em conjunto.

Um porta-voz do governo britânico também se recusou a comentar as negociações, mas afirmou que a montadora é “uma parceira importante e de longa data”.

O Reino Unido segue comprometido com seu chamado mandato de veículos de emissão zero (ZEV, na sigla em inglês), que prevê a eliminação gradual dos carros movidos a gasolina e diesel, mas está aberto a revisar as regras para garantir “uma abordagem pragmática e equilibrada”, acrescentou o porta-voz.

Flexibilização das regras para veículos elétricos

O Reino Unido está consultando as montadoras sobre planos para flexibilizar as regras do ZEV, que exigem o cumprimento de metas de vendas de veículos elétricos sob pena de multas pesadas, disseram duas das fontes.

Essas mudanças dariam à Nissan mais espaço para produzir veículos híbridos na fábrica, em linha com as preferências dos consumidores.

O presidente-executivo da Nissan, Ivan Espinosa, apresentou em abril o novo utilitário esportivo elétrico Juke, que será produzido em Sunderland, e também se comprometeu a ampliar as opções de motorização da marca.

Pelas regras atuais, os veículos elétricos deverão representar 33% das vendas de carros novos das montadoras no Reino Unido em 2026, embora as empresas possam utilizar créditos e mecanismos de flexibilização para cumprir a meta. Até o momento neste ano, os veículos elétricos representam pouco menos de 24% das vendas de carros novos, bem abaixo do objetivo estabelecido.

Até 2030, os veículos elétricos deverão responder por 80% das vendas, uma meta que a indústria automobilística deseja reduzir para 50%.

A revisão das regras do ZEV pelo Reino Unido ocorre seis meses após a União Europeia propor o abandono da proibição de veículos movidos a combustíveis fósseis prevista para 2035, sob pressão das montadoras, que argumentaram que a meta era excessivamente ambiciosa.

O Reino Unido e sua indústria automobilística também pressionam a União Europeia para serem incluídos na proposta “Made in EU”, que estabelece requisitos de conteúdo local para veículos elétricos. Cerca de 60% dos automóveis produzidos no Reino Unido são exportados para a União Europeia.

A SMMT argumenta que ficar de fora do programa “Made in EU” representa uma ameaça para a indústria automotiva britânica.

CONSTRUÇÃO CIVIL

O Estado de S.Paulo - SP   19/06/2026

Banco destaca que o segmento de baixa renda combina demanda mais previsível e maior resiliência operacional em comparação aos demais nichos do setor

O Citi avalia que a principal mensagem da 18ª Brazil Equity Conference do banco foi a retomada das construtoras de baixa renda como “porto seguro” relativo, com empresas e investidores locais mais otimistas com o setor. Segundo o relatório assinado por Andre Mazini, Piero Trotta e Kiepher Kennedy, as companhias indicaram um segundo trimestre de 2026 mais forte (2T26) e um cenário de custos potencialmente mais benigno do que o embutido nos orçamentos de abril e maio.

Para o Citi, o ambiente de custos mais favorável reduz a necessidade de novos repasses de preço no segundo semestre de 2026 e ajuda a mitigar riscos para margens brutas e velocidade de vendas.

O banco também afirma que o setor tende a funcionar como hedge (proteção para tentar diminuir os efeitos da volatilidade do mercado financeiro sobre seus ativos) para o cenário eleitoral, porque uma nova administração Lula provavelmente seria positiva para as empresas, enquanto um candidato alternativo “não necessariamente” seria negativo.

Em valuation (valor do ativo), o Citi diz ver o setor negociando a cerca de 6 vezes preço/lucro (P/E) para 2027, nível considerado atrativo.

“Nesse contexto, os players de baixa renda se destacam” por maior visibilidade de demanda e tendências operacionais mais resilientes do que empresas focadas em média e alta renda, afirma o relatório.

Entre as empresas, o Citi destaca que, na Cury (CURY3), a demanda segue resiliente apesar de leve moderação na velocidade de vendas após aumentos de preços, com margem bruta esperada em 39% a 40%.

A administração também teria indicado que o pior da pressão de custos de construção provavelmente ficou para trás, e que pode haver espaço para economias se os orçamentos estiverem conservadores demais.

No caso da Cyrela (CYRE3), o Citi aponta que a administração descreveu um ambiente mais desafiador, com estoques mais altos e menor margem para erro no segmento de média e alta renda, dado o nível de juros e a incerteza macro.

Ainda assim, o relatório diz que lançamentos recentes tiveram desempenho saudável, embora com demanda mais seletiva nos segmentos de maior renda. O Citi cita a Vivaz como destaque, com “+50%” de vendas sobre oferta (SoS) e trajetória de lançamentos em torno de R$ 5 bilhões, apoiada por pipeline de 2027 e 2028.

Para a Direcional (DIRR3), o Citi afirma que a empresa espera um segundo trimestre sólido, com lançamentos e vendas crescendo na comparação trimestral, além de melhora na velocidade de vendas apesar de aumentos de preço. O relatório também aponta mudanças regulatórias no Minha Casa Minha Vida (MCMV), sobretudo melhorias de acessibilidade nas faixas 3 e 4, como potencial vetor positivo, dado o grau de exposição da companhia ao programa.

Sobre a MRV (MRVE3),o Citi diz esperar um segundo trimestre com transferência de clientes mais forte e melhora da velocidade de vendas trimestre a trimestre, com junho como pico de lançamentos. O relatório afirma que a operação no Brasil tem bom desempenho, com foco em geração de caixa e inflação de custos contida. Em contrapartida, a Resia deve registrar nova rodada de impairments (baixas contábeis por perda de valor) até o fim do ano, em um cenário “pior” do que o esperado anteriormente, e a gestão estaria focada em sair da operação para concentrar esforços no MCMV no Brasil.

Já para a Tenda (TEND3), o Citi afirma que a companhia vê melhora do momentum de lançamentos no 2T26, com vendas resilientes apesar de aumentos anteriores e SoS em torno de 25%. O banco diz que um cenário de inflação mais fraca é chave para margens, por potencialmente reduzir a necessidade de novos reajustes no segundo semestre e permitir recuperação do SoS para 27% a 28%.

Para a Alea, o Citi afirma que a empresa mira margem bruta de dois dígitos baixo até o fim do ano e projeta expansão para 3 mil unidades em 2026 e 4 mil a 5 mil em 2027.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   19/06/2026

A concessionária Transnordestina Logística, controlada pela CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), apresentou ao governo uma proposta de mudança de traçado para ligação de sua ferrovia com a malha da Norte-Sul.

Conforme informações obtidas pela Folha, a concessionária sugere que a conexão da Transnordestina, atualmente prevista para se conectar à Norte-Sul no Maranhão, seja trocada pela Tocantins.

A ideia é que o ponto inicial da ferrovia, hoje localizado em Eliseu Martins (PI), no sul do Piauí, não avance mais para Porto Franco (MA), mas desça ainda mais e siga para Guaraí (TO), integrando a malha à espinha dorsal ferroviária do país.

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A Transnordestina Logística sustenta que o traçado maranhense é marcado por dificuldades operacionais, questões fundiárias e socioambientais. A rota atravessaria áreas urbanas mais consolidadas, com maior potencial de conflitos ligados a desapropriações, por exemplo.

Já a alternativa de seguir para Tocantins, segundo a CSN, evitaria áreas de proteção ambiental, terras indígenas, comunidades quilombolas e regiões de relevo mais complexo, reduzindo a necessidade de construção de túneis e pontes.

O novo trecho teria 654 quilômetros, pouco acima dos 620 km previstos para chegar ao Maranhão.

À Folha o ministro dos Transportes, George Santoro, confirmou que recebeu a sugestão da concessionária e que a alternativa é bem avaliada pela pasta, que agora vai contratar um estudo de viabilidade técnica e econômica para definir quais das duas rotas é, de fato, a mais viável.

Vamos contratar os estudos para confirmar a melhor alternativa. Internamente, nós já vínhamos considerando essa possibilidade de mudança. A futura conexão com a Norte-Sul viabiliza um corredor logístico completo, capaz de conectar a produção agrícola, rodovias, terminais e portos. Nossa expectativa é atrair cargas da região do Matopiba (fronteira agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), além de produtos industriais e minerais destinados aos portos do Nordeste, disse Santoro.

Confirmada a escolha do traçado, ele deverá ser alvo de pedido de licenciamento ambiental e, então, submetido a leilão ou autorização. Questionada, a CSN declarou que não iria se manifestar.

A discussão sobre a ligação com a Norte-Sul está diretamente relacionada ao futuro do ramal pernambucano da Transnordestina. Quando o projeto foi criado, no início dos anos 2000, ele previa a construção de 1.728 km de ferrovias. A ideia era que o traçado funcionasse como um grande Y.

Partindo de Eliseu Martins (PI), a ferrovia seguiria até Salgueiro (PE) e dali se dividiria em dois braços, um para o porto de Pecém, no Ceará, e outro para o porto de Suape, em Pernambuco.

Uma série de complicações com as obras, porém, resultou em atrasos de décadas, até que, em 2022, houve a repactuação da concessão e o trecho entre Salgueiro e Suape foi retirado do contrato. A concessionária passou a se concentrar apenas no corredor cearense.

Atualmente, a obra entre Eliseu Martins e Pecém, com seus 1.206 quilômetros de extensão, está com 81% de execução física. A previsão é de que, até o segundo semestre do ano que vem, pelo menos 1.050 sejam entregues, ligando o porto cearense ao município de Paes Landim. Faltariam apenas 150 km adicionais para chegar a Eliseu Martins.

Paralelamente, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu retomar o projeto em Pernambuco, com recursos públicos. O traçado entre Salgueiro e o porto de Suape tem 544 km. Desse total, cerca de 180 km já foram concluídos, o equivalente a 40% da obra.

Vamos o trecho como obra pública e depois transferir a operação para a iniciativa privada. Isso reduz os riscos financeiros do empreendimento, comentou o ministro.

A ligação com a Norte-Sul também aparece como resposta aos questionamentos feitos pelo TCU (Tribunal de Contas da União) sobre a viabilidade econômica do ramal pernambucano. O tribunal tem discutido se faz sentido investir recursos públicos em um trecho que, isoladamente, teria baixa atratividade econômica.

O governo sustenta que a análise não pode ser feita apenas sobre um pedaço da ferrovia e que a projeção de demanda muda completamente quando toda a malha estiver integrada à Norte-Sul.

NAVAL

Petro Notícias - SP   19/06/2026

A Transpetro assinou hoje (18) um contrato com Estaleiro Rio Grande para a construção de quatro navios de médio porte da classe MR1 (Medium Range), no valor total de US$ 427 milhões. Com 40 mil toneladas de porte bruto (TPB) cada, as embarcações serão destinadas ao transporte de petróleo e derivados ao longo da costa brasileira. A encomenda integra o Programa Mar Aberto, iniciativa voltada à renovação e ampliação da frota própria do Sistema Petrobras.

Os novos navios foram contratados por meio de licitação pública internacional, lançada no final de 2025. A estimativa é que a primeira embarcação seja entregue em até 33 meses, após período de eficácia contratual, quando é concluída toda análise documental do estaleiro. A contratação integra o conjunto de 16 navios de cabotagem previstos pela Transpetro no Programa Mar Aberto, além de 18 barcaças e 18 empurradores. A iniciativa já assegurou a encomenda de 52 embarcações.

A construção das novas embarcações amplia a capacidade de atendimento da Transpetro à Petrobras e contribui para reduzir a exposição ao custo dos afretamentos.

“A contratação dos navios de médio porte reforça a estratégia de crescimento da capacidade logística da Transpetro para atender o aumento de produção e refino da Petrobras. Considerando as aquisições que fizemos na nossa gestão, a frota própria da companhia aumentará de 26 para 42 navios até 2030. Essa é a nossa missão, fazer a Transpetro crescer e ajudar no desenvolvimento econômico e social do país, porque a maior parte dessas construções será realizada no Brasil”, afirma o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci.

O Estado de S.Paulo - SP   19/06/2026

Os Estados Unidos suspenderam nesta quinta-feira, 18, o bloqueio naval que haviam imposto aos portos do Irã, que impedia a navegação de embarcações com destino ou procedência da República Islâmica, informou o Exército americano.

“Hoje, as forças americanas suspenderam o bloqueio de todo o tráfego marítimo que entra e sai dos portos iranianos e das zonas costeiras”, informou em sua conta no X o comando militar dos Estados Unidos para o Oriente Médio (Centcom).

Os navios de guerra americanos “permanecerão na área geral para garantir que todos os aspectos do acordo sejam cumpridos”, acrescentou.

A suspensão do bloqueio naval ao Irã está prevista no memorando de entendimento para encerrar a guerra no Oriente Médio, assinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira, 17. A Casa Branca confirmou que a assinatura ocorreu no Palácio de Versalhes, durante encontro de Trump com o presidente francês Emmanuel Macron após a cúpula do G-7.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, também indicou que o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, assinou “digitalmente” o documento.

Ainda na quarta-feira, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, confirmou a assinatura do memorando e disse que o documento entra em vigor “imediatamente”. Ele ainda afirmou que os dois países mediadores, Paquistão e Catar, iriam organizar uma cerimônia oficial de assinatura, prevista para a próxima sexta-feira, 19, na Suíça.

O Ministério das Relações Exteriores da Suíça confirmou nesta quinta a realização do encontro entre os quatro países em um hotel de luxo em Bürgenstock, uma região montanhosa na região central do país, para as primeiras negociações sobre a aplicação do acordo.

Valor - SP   19/06/2026

De acordo com os termos do acordo, o Irã negociará com Omã e outros Estados do Golfo a futura administração e os serviços marítimos no estreito

Executivos do setor de transporte marítimo temem que o acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã tenha aberto caminho para a introdução de cobranças pelo uso do Estreito de Ormuz após 60 dias, estabelecendo um novo regime para a hidrovia, que anteriormente era de uso gratuito, noticiou o Financial Times nesta quinta-feira (18).

O setor de transporte marítimo está preocupado com o fato de que essa redação abre a possibilidade de o Irã cobrar pelo uso da hidrovia ou criar um fundo semelhante ao do Estreito de Malaca, localizado entre a Malásia, a Indonésia e Singapura.

“A conclusão dessas discussões deve reforçar o princípio fundamental de que o Estreito de Ormuz deve permanecer livre de cobranças”, afirmou Philip Belcher, diretor marítimo da Intertanko, associação da indústria de navios-tanque.

John Stawpert, diretor marítimo da Câmara Internacional de Navegação, afirmou que a referência a “serviços marítimos” sugere “algo equivalente ao modelo de Malaca”. “É importante destacar que [em Malaca] existe um fundo voluntário para o qual os Estados contribuem, e não a indústria”, disse ele, acrescentando que o fundo financia auxílios à navegação e respostas a possíveis derramamentos de petróleo.

“Isso não existia antes [em Ormuz], portanto surge a questão de por que, de repente, há necessidade disso nesta região”, acrescentou.

Ormuz tornou-se uma peça central de negociação para o Irã durante seu conflito com os EUA e Israel. Após os ataques dos Estados e Israel em março, Teerã efetivamente fechou a hidrovia ao tráfego, exigindo uma taxa de US$ 2 milhões em bitcoin e alegando ter minado as principais rotas de navegação de entrada e saída do Golfo.

O presidente americano Donald Trump mencionou anteriormente a possibilidade de os EUA administrarem o estreito por meio de uma sociedade com o Irã durante o conflito, enquanto a Casa Branca também considerou tentar criar uma faixa “VIP” para embarcações dispostas a pagar uma taxa. Em outras ocasiões, Trump e sua administração argumentaram que seria inaceitável que o Irã cobrasse tarifas obrigatórias pela passagem.

J.D. Vance, vice-presidente dos EUA, afirmou na quinta que as hidrovias internacionais “devem ser livres de pedágios”. Ele acrescentou que o acordo prevê que Omã, o Irã e os países do Golfo estabeleçam “uma estrutura de segurança adequada para o estreito no futuro”. “Não se trata de cobrar pedágios, mas de garantir que o estreito nunca mais seja usado como um ponto de estrangulamento da economia global”, afirmou.

Em vez de pagar um pedágio, os países cujas embarcações utilizam o Estreito de Malaca contribuem voluntariamente para um fundo destinado a compensar danos ambientais e financiar estudos sobre temas como rotas de navegação. O Japão é um dos maiores contribuintes desse fundo.

O Estreito de Ormuz, significativamente mais largo que o de Malaca, deverá ser reaberto ao tráfego na sexta como parte do acordo de paz com o Irã, que se comprometeu a não cobrar taxas de trânsito por pelo menos 60 dias. Apesar de alertas das autoridades iranianas nesta quinta, alguns navios já retomaram a travessia, enquanto mais de 550 embarcações permanecem retidas no Golfo.

O Irã já fez declarações que sugeriam a possibilidade de discutir com Omã futuras cobranças por “serviços marítimos”. Omã rejeita pedágios, mas admite avaliar cobranças por serviços ligados à segurança, navegação e proteção ambiental.

Agência Brasil - DF   19/06/2026

Três petroleiros com bandeira saudita, transportando 6 milhões de barris de petróleo, atravessaram o Estreito de Ormuz nesta quinta-feira (18), poucas horas depois que o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, assinou um acordo para pôr fim à guerra que tem prejudicado o abastecimento global de energia.

No Líbano, no entanto, onde mais de 1 milhão de pessoas estão deslocadas devido aos combates, as forças israelenses lançaram novos ataques aéreos na manhã de hoje, levantando dúvidas sobre até onde Trump irá para forçar seus aliados de guerra a interromper uma ofensiva que ele agora se comprometeu a encerrar.

Trump assinou, nessa quarta-feira (17), o “memorando de entendimento” para encerrar a guerra, assim como o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fazendo com que o acordo entrasse em vigor dois dias antes do previsto. O acordo prevê a abertura imediata do Estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio dos EUA aos portos iranianos.

Embora as empresas de transporte marítimo afirmem que ainda levará algum tempo para que o tráfego pelo estreito retorne aos níveis pré-guerra — já que ainda é preciso garantir o acesso seguro e remover as minas —, houve sinais imediatos de um impacto.

Navios que antes poderiam ter ocultado suas posições desligando os transponders agora estavam transmitindo suas localizações, prontos para atravessar o estreito.

Os preços de referência dos futuros do petróleo Brent caíram mais 2%, ficando abaixo de US$ 78 o barril, o menor nível desde o início dos ataques.

O memorando entre EUA e Irã dá início a um período de negociação de 60 dias para se chegar a um acordo definitivo para a guerra, que Trump iniciou em fevereiro ao lado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Memorando

Mas Israel, que lançou uma invasão do Líbano em março - e, desde então, tomou grande faixa do sul do Líbano em sua perseguição aos militantes do Hezbollah que abriram fogo por meio da fronteira em apoio ao Irã - foi excluído das negociações.

O Irã sempre afirmou que qualquer acordo de paz precisa abranger também o Líbano. Em aparente concessão significativa ao Irã, o memorando assinado por Trump exige explicitamente o “fim definitivo” da guerra no Líbano e que sua “integridade territorial e soberania” sejam garantidas.

Com o Líbano entre as questões mais delicadas dos esforços de paz, Trump, nos últimos dias, passou a criticar abertamente as operações de seu aliado no país, acusando Israel de destruir desnecessariamente prédios inteiros para atingir combatentes do Hezbollah.

Duas autoridades israelenses, incluindo uma de alto escalão próxima a Netanyahu, disseram à Reuters que Israel mantém negociações com os Estados Unidos, pois busca continuar com o destacamento de tropas no sul do Líbano.

Embora os combates no Líbano tenham diminuído no início desta semana, quando Trump anunciou pela primeira vez que o acordo havia sido alcançado, eles se intensificaram nos últimos dias e continuaram na manhã de hoje, após a assinatura de Trump.

A mídia estatal libanesa noticiou ataques aéreos e fogo de artilharia atingindo cidades no sul, matando pelo menos uma pessoa dentro de um carro. Repórteres da Reuters ouviram um drone israelense voando baixo sobre Beirute e seus subúrbios ao sul.

“O Irã e os norte-americanos chegaram a um acordo. Tudo bem. No Líbano, ainda não acabou”, disse Mohammed Doghman, um homem deslocado da cidade de Nabatieh, no sul, para Beirute, que estava sentado do lado de fora de sua barraca, forçando a vista no celular para ler as notícias.

“Eles deveriam nos dar uma resposta definitiva: a guerra acabou de vez ou vamos voltar a ela novamente?”

CNN Brasil - SP   19/06/2026

O governo federal desistiu de enviar ao Congresso Nacional um texto substitutivo ao PL dos Portos. A informação foi dada pelo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, ao programa Conexão Infra.

A possibilidade de um novo texto do Executivo chegou a ser considerada no início das discussões da proposta na comissão especial da Câmara. Naquele momento, tanto representantes dos trabalhadores portuários quanto empresários do setor manifestavam forte insatisfação com o conteúdo do relatório em debate.

A avaliação predominante era de que a proposta havia se afastado dos objetivos originais da modernização do setor e continha dispositivos considerados prejudiciais para diferentes segmentos da atividade portuária.

Diante das críticas, o relator da matéria, Arthur Maia (União-BA), assumiu o compromisso de promover ajustes no texto. Com isso, o governo optou por segurar a proposta alternativa até um novo relatório e passou a aguardar a evolução das negociações dentro da própria comissão.

Posteriormente, uma nova versão do relatório chegou a circular entre os envolvidos nas discussões. O documento, no entanto, nunca foi oficialmente protocolado e segue passando por alterações.

Apesar de ainda haver resistência de parte do setor, o entendimento nos bastidores passou a ser de que não seria mais necessário o envio de um substitutivo pelo Executivo. Agora, o ministro confirmou que o governo não pretende mais apresentar uma proposta alternativa.

O novo parecer deveria ter sido divulgado em maio. No entanto, a forte reação dos trabalhadores portuários levou ao adiamento da apresentação. Nas últimas semanas, o texto voltou a ser discutido após ameaças de paralisação por parte dos estivadores, o que motivou novas rodadas de negociação e a inclusão de ajustes adicionais no relatório.

A principal divergência continua concentrada nos dispositivos relacionados às relações de trabalho nos portos. Pelo relatório preliminar, foi mantida a contratação de trabalhadores fora do OGMO (Órgão Gestor de Mão de Obra) nos portos públicos.

Com a mudança, seria permitido contratações com vínculo por meio da carteira de trabalho, como acontece hoje nos terminais privados, desde que comprovada qualificação profissional. Os trabalhadores receiam que essa abertura retire direitos adquiridos da categoria há anos e baixe os salários pagos.

Por outro lado, os portos públicos pedem essa retirada pois o número de trabalhadores cadastrados no OGMO tem diminuído e é incapaz de suprir a demanda do mercado atualmente.

O tema é o principal entrave para o avanço da proposta. Em meio às negociações, representantes dos trabalhadores intensificaram a pressão sobre parlamentares e lideranças envolvidas na construção do texto.

A insatisfação permanece elevada. Recentemente, integrantes da categoria passaram a criticar publicamente o presidente da Frente Nacional dos Estivadores, responsável por representar os trabalhadores nas negociações com o Legislativo, chegando a classificá-lo como “traidor” por aceitar acordos que incluem a retirada da obrigação da contratação via OGMO nos portos públicos.

Diante desse cenário, cresce a avaliação entre agentes do setor de que o projeto dificilmente será votado ainda neste ano. Além das divergências não resolvidas entre trabalhadores, empresários e governo, interlocutores avaliam que a proximidade do período eleitoral tende a reduzir o espaço político para a tramitação do tema.

PETROLÍFERO

O Estado de S.Paulo - SP   19/06/2026

Movimento será liderado por Brasil, Catar, Argentina e Canadá, além de novos produtores africanos, diz entidade; produção brasileira deverá continuar crescendo com avanço dos projetos do pré-sal

Improviso com os combustíveis mostra que o governo não tem plano estrutural para a alta do petróleo

O Brasil deverá figurar entre os principais responsáveis pela expansão da oferta global de petróleo nos próximos anos, segundo o relatório Perspectivas Mundiais de Petróleo (WOO, na sigla em inglês), divulgado nesta quinta-feira, 18, pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). A entidade aponta o País ao lado de Catar, Argentina e Canadá como um dos motores do crescimento da produção fora da Declaração de Cooperação (DoC), grupo que reúne integrantes da Opep e aliados.

De acordo com o relatório, a oferta de líquidos dos produtores fora da DoC deverá crescer cerca de 4,1 milhões de barris por dia (bpd) até 2030, alcançando 58,2 milhões de bpd. A expansão será liderada principalmente por Brasil, Catar, Argentina e Canadá, além de novos produtores africanos.

A maior relevância atribuída ao Brasil ocorre em meio a uma revisão da perspectiva para os Estados Unidos. A Opep afirma que reavaliou para baixo o potencial de crescimento da produção americana de petróleo de xisto e agora considera que o segmento pode ter atingido seu pico em 2025. No relatório do ano passado, a expectativa era de continuidade da expansão até 2030. A organização destaca que, enquanto os EUA eram vistos no WOO 2025 como o principal impulsionador do crescimento da oferta fora da DoC no médio prazo, sua contribuição foi reduzida significativamente na edição deste ano.

Segundo a Opep, a produção brasileira de líquidos deverá continuar crescendo com o avanço dos projetos do pré-sal. A oferta de petróleo bruto do País é projetada para subir de 3,7 milhões de bpd em 2025 para 4,4 milhões de bpd em 2030, apoiada pela entrada em operação de novas plataformas e pelo desenvolvimento de campos em águas ultraprofundas.

A entidade projeta que o Brasil será o segundo maior contribuinte para o aumento da oferta entre os produtores fora da DoC no período entre 2025 e 2050. No horizonte de longo prazo, a produção brasileira de líquidos deverá atingir um pico próximo de 5,8 milhões de bpd no início da década de 2040, antes de recuar moderadamente para 5,6 milhões de bpd em 2050.

O relatório também destaca a importância crescente da América Latina para o abastecimento global. Segundo a Opep, a região deverá responder por quase 75% do aumento líquido da oferta entre os produtores fora da DoC até 2050, impulsionada principalmente por Brasil e Argentina.

Opep aumenta estimativa de demanda global por petróleo

A demanda global por petróleo deverá alcançar 124,1 milhões de barris por dia (bpd) em 2050, ante 105,1 milhões de bpd em 2025, segundo o relatório da Opep. A projeção reforça a avaliação do cartel de que não há um pico de consumo da commodity no horizonte.

A nova estimativa é superior à apresentada no relatório do ano passado. Em 2025, a Opep previa que a demanda mundial atingiria 122,9 milhões de bpd em 2050. A projeção para 2030 também foi elevada, de 112,3 milhões para 113,3 milhões de bpd, e o consumo deve continuar avançando nas décadas seguintes, sustentado por mudanças recentes em políticas energéticas, preocupações com segurança energética, crescimento econômico e expansão populacional nos países em desenvolvimento.

A Opep afirma que a maior parte do avanço virá das economias não pertencentes à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A demanda desses países deverá aumentar em 26,9 milhões de bpd entre 2025 e 2050, enquanto o consumo nas economias da OCDE tende a recuar no longo prazo, após uma expansão modesta até o fim da década.

Segundo o relatório, a Índia será o principal motor do crescimento da demanda global de petróleo nas próximas décadas, com incremento de 8,1 milhões de bpd até 2050. Outros avanços expressivos são esperados em regiões emergentes da Ásia, no Oriente Médio, na África e na América Latina.

A Opep também destaca que os derivados ligados ao transporte e à atividade industrial devem liderar a expansão do consumo. A maior alta projetada é a do querosene de aviação e do combustível de jato, cuja demanda deve aumentar em 4,2 milhões de barris por dia (bpd) até 2050. Na sequência, aparecem diesel e gasóleo, com avanço de 3,8 milhões de bpd, além de GLP/etano (3,5 milhões de bpd), nafta (3,2 milhões de bpd) e gasolina (2,4 milhões de bpd).

No cenário traçado pela organização, o petróleo seguirá como a principal fonte individual da matriz energética mundial em 2050, respondendo por cerca de 30% da demanda total de energia. A Opep sustenta que o crescimento econômico e demográfico das economias emergentes continuará garantindo a expansão do consumo de petróleo nas próximas décadas.

TN Petróleo - RJ   19/06/2026

A Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP) manifestou em nota, nesta quinta-feira (18/6), sua firme oposição à tributação das exportações de petróleo bruto prevista na Medida Provisória nº 1.340/2026. Para a Organização, a medida representa um sinal negativo para investidores nacionais e internacionais justamente em um momento em que o Brasil reúne condições excepcionais para ampliar sua produção de petróleo, fortalecer sua indústria fornecedora e consolidar sua posição entre os principais produtores globais de energia.

"Mais do que um debate tributário, trata-se de uma questão de política industrial e de visão estratégica para o país. O setor de petróleo e gás responde por uma das mais importantes cadeias produtivas da economia brasileira, sustentando investimentos bilionários, empregos qualificados, inovação tecnológica e oportunidades para milhares de empresas fornecedoras distribuídas em todas as regiões do país", avalia Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, Presidente do Conselho da ONIP, na nota. "Cada projeto postergado, redimensionado ou cancelado em decorrência do aumento da carga tributária repercute diretamente sobre estaleiros, fabricantes de equipamentos, empresas de engenharia, prestadores de serviços especializados e toda a base industrial associada ao setor", acrescenta.

A ONIP considera particularmente preocupante que uma medida concebida para ampliar a arrecadação no curto prazo possa comprometer investimentos que garantiriam arrecadação, emprego, renda e desenvolvimento tecnológico por décadas.

"O Brasil não pode defender simultaneamente a reindustrialização, a ampliação do conteúdo local, a geração de empregos qualificados e a atração de investimentos produtivos, ao mesmo tempo em que aumenta a carga tributária sobre um dos setores mais competitivos e estratégicos de sua economia. A experiência internacional demonstra que investimentos em exploração e produção de petróleo são altamente sensíveis à previsibilidade regulatória e à estabilidade das regras econômicas. Em um ambiente global no qual diferentes países disputam os mesmos recursos financeiros, qualquer aumento artificial de custos reduz a competitividade relativa do Brasil e desloca investimentos para outras jurisdições", afirma a Organização, em nota.

De acordo com a ONIP, a medida também ignora uma realidade estrutural do setor: parte significativa da produção nacional precisa ser exportada em razão das características do parque de refino brasileiro e do perfil do petróleo produzido no país. Para a Organização, penalizar as exportações significa penalizar a própria produção nacional. "Se o objetivo é ampliar a participação da indústria brasileira nos investimentos previstos para o setor de óleo e gás, fortalecer a Cláusula de Preferência Nacional, gerar empregos e aumentar a competitividade do país, o caminho deve ser o da estabilidade regulatória, da segurança jurídica e do incentivo à produção, e não o da elevação de custos para uma atividade que já contribui de forma expressiva para a arrecadação pública", diz a nota.

"O Brasil dispõe de uma oportunidade histórica para transformar sua riqueza energética em desenvolvimento industrial. Medidas de caráter arrecadatório e de curto prazo não podem comprometer essa agenda estratégica", conclui a Organização.

Globo Online - RJ   19/06/2026

O petróleo chegou a cair 3% nesta quinta-feira e bateu US$ 77, aproximando-se do período pré-guerra, após a assinatura de um acordo preliminar entre EUA e Irã para pôr fim à guerra. O acerto libera o Estreito de Ormuz, por onde passavam cerca de 20% do petróleo mundial antes do conflito. A expectativa é que a retomada do fluxo de petroleiros derrube os preços da commodity, que atingiram mais de US$ 120 durante os bombardeios.

De acordo com o documento divulgado, Irã e EUA terão 60 dias para alcançarem termos finais do acordo. O Estreito de Ormuz fica liberado sem cobrança de pedágio por esse período.

A movimentação dos navios mostra os primeiros sinais de progresso. Três superpetroleiros carregados controlados pela empresa saudita Bahri, que estavam retidos dentro do Golfo Pérsico, deixaram Ormuz nesta manhã. Um navio transportando gás natural liquefeito do Catar e um petroleiro chinês também deixaram a região, segundo dados de monitoramento marítimo.

— A probabilidade de o Estreito de Ormuz permanecer aberto é agora maior do que em qualquer outro momento durante a crise — afirmou Aldo Spanjer, chefe de estratégia de energia do BNP Paribas SA.

No entanto, “mesmo em um cenário ideal, serão necessários vários meses para que os fluxos de petróleo voltem à normalidade”, ressaltou.

O Irã havia declarado o fechamento do estreito depois que o país foi atacado pelos Estados Unidos e por Israel em 28 de fevereiro, interrompendo efetivamente essa rota. Posteriormente, os EUA também impuseram um bloqueio à passagem em uma tentativa de aumentar a pressão sobre a República Islâmica.

A crise levou os contratos futuros do Brent a ultrapassarem US$ 126 por barril em abril, o maior nível desde 2022. No entanto, à medida que o processo diplomático ganhou força e os produtores encontraram alternativas para escoar cargas do Golfo, a alta começou a perder fôlego.

Os contratos futuros do Brent já acumulam queda de cerca de 11% nesta semana, caminhando para a segunda perda semanal consecutiva. Com a nova queda registrada nesta quinta-feira, o petróleo de referência global, o Brent, está apenas pouco mais de US$ 5 acima do preço do início da guerra.

A cotação de US$ 77 é o menor nível desde 2 de março. Por volta das 8h, o barril do Brent ainda estava em queda, mas já era negociado a um valor um pouco maior, de US$ 78,07, de queda de 1,9%. O WTI, referência para o mercado americano, para entrega em julho recuava 2,5%, para US$ 74,85 por barril.

Ontem, a Agência Internacional de Energia divulgou relatório em que prevê a volta da produção de petróleo com mais força após o fim da guerra, levando a um cenário com excedende de oferta em 2027. Isso deve manter os preços em patamares mais baixos que os vistos nos últimos dias, dando alívio à inflação.

Valor - SP   19/06/2026

“O foco crescente na segurança e na acessibilidade energética alterou o cenário das políticas energéticas em todo o mundo”, afirmou o grupo

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) segue sem prever um pico para a demanda global de petróleo e mantém a expectativa de crescimento robusto do consumo nos próximos anos, à medida que governos dos Estados Unidos, da Europa e de outras regiões buscam equilibrar segurança energética, preços acessíveis e metas climáticas.

“O foco crescente na segurança e na acessibilidade energética alterou o cenário das políticas energéticas em todo o mundo”, afirmou a Opep. “Em muitos casos, essas mudanças refletem a reversão, o adiamento ou o cancelamento de metas e compromissos ambiciosos anteriores, que visavam reduzir a demanda por petróleo.”

A demanda por petróleo deverá subir para 113,3 milhões de barris por dia em 2030 e para 124,1 milhões de barris por dia em 2050, ante 105,1 milhões de barris em 2025, segundo o relatório anual da Opep com perspectivas para a commodity. O crescimento da demanda global nas próximas décadas será liderado por Ásia, Oriente Médio, África e América Latina, projeta a Opep. A Índia deve acrescentar 8,1 milhões de barris por dia no período de projeção.

A Opep avalia ainda que a produção de petróleo não convencional dos EUA já atingiu seu pico e projeta expansão limitada da oferta de produtores rivais, que deverão responder por cerca de metade do crescimento da demanda global nos próximos anos. Por fim, o cartel reiterou a necessidade de mais investimentos no setor de petróleo e estimou que a indústria demandará US$ 17,7 trilhões em aportes até 2050.

AGRÍCOLA

CNN Brasil - SP   19/06/2026

O crescimento da produção agrícola brasileira na próxima década dependerá menos da abertura de novas áreas e mais da capacidade do país de expandir sua infraestrutura logística. A avaliação consta de relatório divulgado nesta semana pelo adido do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em Brasília, que identifica gargalos em armazenagem, transporte e escoamento como os principais fatores capazes de limitar a expansão do agronegócio brasileiro até 2034.

O documento destaca que a agricultura brasileira avançou para novas fronteiras produtivas no Centro-Oeste e no Norte do país em ritmo superior ao da expansão de rodovias, ferrovias, portos, hidrovias e estruturas de armazenagem. Como resultado, ineficiências logísticas já representam aproximadamente 30% dos custos de produção agrícola no país. Mais de 60% da malha rodoviária apresenta algum tipo de deficiência operacional.

Segundo o USDA, o impacto econômico dessas limitações alcançou cerca de US$ 14 bilhões em 2025, refletido em custos adicionais de frete, congestionamentos portuários, restrições de armazenagem e prêmios logísticos cobrados ao longo da cadeia.

A preocupação surge em um momento de forte expansão da agricultura brasileira. Em 2025, o país exportou US$ 169 bilhões em produtos agropecuários, com a China respondendo por 33% desse total, equivalente a US$ 55,2 bilhões. União Europeia e Estados Unidos vieram na sequência, com participações de 15% e 7%, respectivamente.

As exportações do complexo soja cresceram de 19 milhões de toneladas em 1997 para 133 milhões de toneladas em 2025. No mesmo período, as exportações de milho e derivados avançaram de 379 mil toneladas para 41 milhões de toneladas.

O relatório aponta, porém, que a infraestrutura não acompanhou essa expansão. A capacidade de armazenagem de grãos cobre apenas entre 60% e 70% da produção nacional. Nos Estados Unidos, a capacidade equivale a cerca de 150% da produção anual.

O déficit nacional de armazenagem alcança  134 milhões de toneladas, segundo o USDA, com dados de 2024.

O órgão americano cita dados da Cogo Consultoria que calcula que seriam necessários cerca de R$ 140 bilhões em investimentos para eliminar essa diferença.

A situação é particularmente crítica no Centro-Oeste. A região projeta déficit de armazenagem de 87 milhões de toneladas em 2026. No Matopiba — fronteira agrícola formada por áreas de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — o déficit se aproxima de 60%. Em Rondônia, pode chegar a 70%.
Dependência das rodovias pressiona custos

No que diz respeito ao transporte, o relatório do órgão americano observa que uma frota de cerca de 130 mil caminhões seria suficiente para transportar a safra brasileira durante a maior parte do ano. Nos períodos de pico, porém, limitações de armazenagem e congestionamentos em portos, ferrovias e hidrovias elevam a necessidade para mais de 200 mil veículos.

Mais de 95% dos armazéns brasileiros dependem prioritariamente do transporte rodoviário para recebimento e expedição de cargas.

O documento cita dados da EsalqLog e da CNA que indicam menos de 20% da capacidade de armazenagem do país dentro das propriedades rurais.
Licenciamento e burocracia atrasam projetos

Apesar do interesse privado, o USDA aponta dificuldades para transformar investimentos anunciados em infraestrutura operacional. "O processo de autorização de novos terminais envolve licenciamento ambiental, cessão de áreas, aprovações navais, licenças estaduais e autorizações municipais. Entre 2013 e 2019, 70 autorizações para terminais foram concedidas. Dessas, 21 não entraram em operação dentro do prazo legal de cinco anos," diz o texto.

Os principais obstáculos identificados foram questões ambientais, responsáveis por 27% dos casos, seguidas por dificuldades financeiras e entraves jurídicos, cada um com 14%.

O relatório também menciona atrasos em licenciamentos ambientais, ineficiências administrativas e gargalos regulatórios como fatores que continuam limitando a expansão dos terminais privados.
Ferrovias avançam, mas participação ainda é limitada

O USDA considera a expansão ferroviária um dos principais instrumentos para redução dos custos logísticos brasileiros. Segundo o órgão, o transporte ferroviário de longa distância reduz os custos de frete entre 15% e 25% em comparação com o transporte rodoviário.

A rede ferroviária concedida soma atualmente 30.808 quilômetros. Embora o minério de ferro responda por 72% da carga transportada, soja e farelo já representam 8%, enquanto o milho responde por 6%.

Entre os projetos considerados estratégicos pelo USDA estão a Ferrovia de Mato Grosso, a Nova Ferroeste, a Ferrovia Norte-Sul e a Ferrogrão. Esta última, em fase de estudos, prevê uma ligação de 933 quilômetros entre Sinop (MT) e Miritituba (PA), criando uma alternativa à BR-163 para acesso aos portos do Arco Norte.
Hidrovias enfrentam restrições climáticas

O documento dedica atenção especial às hidrovias amazônicas, consideradas fundamentais para a competitividade das exportações brasileiras. Entre 2010 e 2023, a participação do transporte hidroviário na movimentação de produtos agrícolas passou de 8% para 13%.

Os rios Madeira, Amazonas e Tapajós se consolidaram como corredores logísticos relevantes para o escoamento da produção do Centro-Oeste. No entanto, períodos de seca, restrições de calado e dificuldades de navegação vêm gerando custos adicionais.

O USDA cita a cobrança de sobretaxas de estiagem por empresas de navegação e menciona limitações estruturais na hidrovia Barra Norte, responsável por grande parte das cargas que saem de Barcarena, no Pará.

Em fevereiro deste ano, caminhões chegaram a enfrentar filas de até 40 quilômetros nos terminais fluviais de Miritituba, em razão de limitações de acesso e gargalos operacionais.

Canal Rural - SP   19/06/2026

Segundo Meza, o país ocupa posição de liderança tanto na produção quanto na exportação de commodities agrícolas estratégicas, como soja, café, açúcar, suco de laranja e carne bovina. O representante chamou atenção para o forte direcionamento da produção brasileira ao mercado internacional.

Na soja, por exemplo, mais de 60% da produção é exportada em grão, enquanto parte do processamento nacional gera farelo e óleo destinados ao comércio exterior. Meza destacou ainda que, na safra 25/26, o Brasil alcançou cerca de 360 milhões de toneladas de grãos, sendo aproximadamente metade composta por soja.

No café, a expectativa para 2026 é de produção de 66,7 milhões de sacas beneficiadas (alta de 18% em relação ao ciclo anterior), com mais de 70% do volume destinado às exportações.

Outro destaque foi a laranja, segundo os dados apresentados, o Brasil produziu 13 milhões de toneladas em 2025, volume equivalente à soma da produção da China e da União Europeia e mantém liderança global na exportação de suco.

Laranjas brasileiras estão presentes em oito de cada dez copos de suco consumidos no planeta, afirmou.

De acordo com Meza, no caso do açúcar, cerca de 80% da produção nacional é destinada ao mercado externo. Já na carne bovina, aproximadamente um terço do volume produzido atualmente é exportado, com previsão de aumento de 15% nos próximos dez anos.
Meta alcançada

Meza relacionou o desempenho brasileiro à meta estabelecida pela FAO em 2005, que previa crescimento de 70% na produção mundial de alimentos até 2050 para atender uma população estimada em 9,1 bilhões de pessoas.

Segundo ele, apenas na produção de grãos o Brasil já superou esse objetivo. Entre 2005 e 2025, o volume produzido passou de aproximadamente 100 milhões para mais de 350 milhões de toneladas. Isso quer dizer que de longe, o Brasil já alcançou aquela meta que tinha estabelecido com a FAO de 70% de crescimento até 2050, destacou.
Segurança alimentar

Apesar dos resultados, Meza alertou que produzir mais alimentos não é suficiente para garantir segurança alimentar global. Só produzir alimentos e vender alimentos, não é só isso segurança alimentar e nutricional no mundo. Tem outros eixos importantes, afirmou.

Ele explicou que o conceito envolve quatro pilares: disponibilidade, estabilidade, acesso físico e econômico e qualidade nutricional dos alimentos.
Riscos

Entre os principais riscos apontados para o Brasil estão a elevada dependência de fertilizantes importados e os efeitos das mudanças climáticas. Segundo os dados apresentados, cerca de 88,2% dos fertilizantes consumidos no país vêm do exterior, o que representa vulnerabilidade para a estabilidade da produção agrícola.

Além disso, projeções climáticas indicam aumento significativo das temperaturas na América Latina ao longo do século, o que pode reduzir a capacidade de adaptação da agricultura.

A agricultura do Brasil já não tem ganhos pelo clima, ela já chegou no seu limite em sentido de ganhos pelo clima. Agora, somente ganhos por tecnologia, afirmou.

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