Valor - SP 18/08/2026
Para descarbonizar, empresas buscam eficiência energética, usam mais tecnologias digitais e apostam em mineração circular
Na mineração e na siderurgia, descarbonizar e reduzir custos deixaram de ser agendas paralelas. A pressão por competitividade transformou eficiência energética, reaproveitamento de resíduos, redução do uso de insumos e digitalização em instrumentos para cortar, ao mesmo tempo, despesas e emissões. O movimento une as cinco líderes do setor de mineração, metalurgia e siderurgia do ranking Valor Inovação Brasil 2026: Vale, CBMM, ArcelorMittal, Belgo Arames e Gerdau. Em todas, a inovação passou a ser medida pela capacidade de elevar a produtividade com menos matéria-prima, energia e carbono.
A convergência tem explicação econômica. As importações de aço somaram 6,4 milhões de toneladas em 2025, e os produtos importados chegaram a 21% do mercado brasileiro, ante um patamar histórico de 9,7%, segundo o Instituto Aço Brasil. A produção nacional caiu 1,6%. Na mineração, ampliar a oferta também ficou mais demorado e caro. Uma jazida leva de oito a dez anos entre a descoberta e a primeira produção, enquanto a queda do teor das minas antigas exige movimentar mais rocha para extrair a mesma quantidade de metal. A inovação tornou-se decisiva para recuperar recursos, elevar a produtividade e reduzir o custo de cada tonelada produzida.
A Vale lidera a categoria em 2026, como faz desde 2020. Em vez de concentrar a inovação em uma diretoria, mantém 16 hubs em seus negócios para identificar desafios. Em 2025, pequenas melhorias sugeridas por colaboradores — de um ajuste que torna a tarefa mais segura a uma mudança que reduz o consumo de insumos — passaram de 300 mil, cerca de seis ideias por trabalhador. Para Rafael Bittar, vice-presidente-executivo técnico da Vale, essa capilaridade dá vantagem competitiva à empresa. Ele também aponta a reputação como um desafio do setor. “A sociedade tem uma imagem ruim da mineração, de ser um grande buraco, com grandes montanhas de resíduos, e que gera dano ambiental”, diz.
Uma das respostas da companhia é o programa de mineração circular, lançado há três anos. Atualmente, 70% da produção da Vale não gera rejeito. De barragens e pilhas antigas, a empresa extraiu 26,5 milhões de toneladas de minério em 2025, cerca de 7% da produção, sem abrir novas frentes de lavra e evitando 54 mil toneladas de CO2. As barragens erguidas pelo método a montante, o mesmo usado na estrutura que se rompeu em Brumadinho em 2019, vêm sendo eliminadas desde então, em parte por máquinas operadas remotamente a quilômetros da frente de trabalho. A inovação também dá retorno: um sistema de inteligência artificial (IA) que otimiza a frota marítima economizou US$ 66 milhões em um ano.
Na CBMM, a inovação gira há mais de 70 anos em torno do nióbio, do qual a empresa é a maior produtora mundial. Criado em 1977, o Programa de Tecnologia reúne mais de 200 projetos de cooperação com clientes, universidades e centros de pesquisa, com investimentos anuais entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões. O portfólio de inovação da CBMM tem três frentes: a siderurgia, principal mercado da companhia; tecnologias com uso comercial mapeado, como baterias; e apostas de prazo mais longo em agronegócio, tintas e cosméticos. “Desenvolver tecnologia só faz sentido quando ela contribui para solucionar desafios reais da indústria e gerar valor para clientes, sociedade e mercado”, diz Leonardo Silvestre, gerente-executivo de inovação.
Em 2026, a CBMM enviou mais de 500 amostras de nióbio para pesquisas com parceiros no Brasil e no exterior e espera chegar a mil até dezembro. A estratégia mudou o perfil da receita: a siderurgia, antes responsável por cerca de 90% do faturamento, responde hoje por 75%. “Entendemos que, para expandir o mercado do nióbio no longo prazo, era necessário também desenvolver novas aplicações e reduzir a dependência de um único segmento”, afirma Silvestre. Uma das apostas é o ônibus elétrico desenvolvido com a japonesa Toshiba e a Volkswagen Caminhões e Ônibus. Suas baterias de íons de lítio com nióbio prometem recarga completa em dez minutos e durabilidade que pode ser até três vezes maior que a das convencionais.
A ArcelorMittal opera em Tubarão (ES) um dos 14 centros de pesquisa do grupo, parte de uma rede de cerca de 1.650 pesquisadores, e exporta automação de processos, coprodutos e tecnologia ambiental às outras unidades. Em 2025, 23 produtos e soluções para montadoras e outros 15 para construção sustentável, infraestrutura e energia saíram dessa estrutura. Contudo, o tempo é um desafio. “O ritmo das transformações tecnológicas mundiais ultrapassa a capacidade de qualquer estrutura corporativa isolada”, afirma Paulo Wanick Mattos, diretor de finanças, tecnologia da informação e riscos da ArcelorMittal Aços Planos América Latina. “Desenvolver soluções digitais dentro de casa é mais lento e custoso do que testar e plugar uma startup que já validou a tecnologia no mercado.” Esse raciocínio deu origem ao Açolab, aberto em Belo Horizonte em 2018 e apresentado como o primeiro laboratório de inovação aberta do aço no mundo. A companhia divulga seus desafios, e as startups selecionadas ganham acesso às fábricas, aos dados e aos especialistas para desenvolver projetos-piloto.
Na operação, um dos resultados da inovação foi a digitalização dos altos-fornos. Réplicas digitais alimentadas por dados em tempo real simulam o comportamento interno dos equipamentos e antecipam reações. Câmeras inteligentes inspecionam placas, pontes rolantes são comandadas de salas remotas e sensores acústicos antecipam falhas. O programa XCarb reúne iniciativas de baixa emissão, com aço feito em forno elétrico a partir de sucata e energia renovável. Montadoras, fabricantes de eletrodomésticos de luxo e obras que buscam certificação ambiental aceitam pagar mais. “O mercado brasileiro está deixando de ser guiado apenas pela boa vontade ecológica e passando a ser impulsionado por uma necessidade de sobrevivência regulatória e financeira”, diz Mattos.
Na Belgo Arames, a inovação contribuiu para uma redução de 4,85% na estrutura de custos da companhia em 2025, com aumento da produtividade, otimização de processos e melhoria da eficiência operacional. Cerca de 14% da receita líquida vem de produtos lançados nos últimos anos, sustentados por um investimento anual de cerca de R$ 37 milhões. “A inovação é um dos pilares estratégicos e um importante vetor de competitividade”, diz o presidente da empresa, Rodrigo Archer.
Lançada em 2025, a fibra de aço Dramix 4D tem até quatro vezes mais resistência à tração que as soluções convencionais e pode reduzir em até 25% o consumo de materiais. Segundo Archer, o produto mostra como a inovação gera valor em diferentes frentes: o desempenho do produto, o custo do cliente e a sustentabilidade. A Belgo mantém ainda um acordo com o Fiemg Lab para ampliar o acesso a startups e a tecnologias emergentes.
A Gerdau criou a Value Factory para acelerar as transformações do negócio que dependem de tecnologia. “Seu papel é conectar estratégia, negócio, tecnologia e pessoas”, diz Gustavo França, diretor global de tecnologia. Em 2026, a área reúne sob um mesmo comando os projetos digitais do grupo no mundo, define ritos de decisão e incorpora inteligência artificial como critério de decisão e execução. Ideias captadas dentro e fora da empresa são testadas em ambiente controlado e só recebem recursos se funcionarem.
Em Ouro Branco (MG), maior unidade do grupo, uma rede 4G/5G conecta cerca de 500 aparelhos, e câmeras inteligentes monitoram equipamentos em tempo real. Réplicas digitais dos processos industriais simulam cenários de fabricação e sequenciamento, com ganhos no consumo de matérias-primas. Em março, a companhia lançou a linha NewEco, de aços de menor pegada de carbono, feitos de sucata reciclada e energia renovável. “O principal desafio da indústria do aço é a descarbonização”, afirma França. A Gerdau faz cerca de 70% de seu aço a partir de sucata, e cada tonelada reciclada evita 1,5 tonelada de CO2. A média da empresa é de 0,85 tonelada de CO2 equivalente por tonelada de aço, ante 1,92 tonelada da média global.
Os recursos minerais ajudaram a construir a sociedade contemporânea e serão indispensáveis para as transformações que virão. “A mineração nunca foi tão necessária quanto agora e para o futuro. Quando olhamos para a transição energética, por exemplo, não há transição sem mineração”, afirma Bittar, da Vale. Inteligência artificial, operações remotas, reaproveitamento de rejeitos, reciclagem e materiais de menor emissão fazem parte de uma indústria historicamente associada a grandes impactos ambientais. Dos metais presentes em computadores e smartphones ao aço usado em carros, edifícios e equipamentos, a vida cotidiana depende dessa produção. Com resultados e transparência, a inovação não apenas eleva a eficiência, mas também torna a atividade mais compatível com as exigências ambientais e sociais dos novos tempos.
Exame - SP 18/08/2026
Os sinais de fraqueza da economia chinesa se espalharam em julho, colocando mais pressão sobre Pequim para reforçar o apoio à atividade no segundo semestre. O investimento urbano aprofundou a queda, o consumo quase parou de crescer e a produção industrial desacelerou, enquanto o desemprego subiu.
Para o professor de economia da Universidade Tsinghua, Li Daokui, ouvido pelo canal americano, a intensidade da retração dos investimentos é "sem precedentes". Ele considera essa queda dos investimentos e o elevado desemprego entre jovens os maiores obstáculos para a China atingir suas metas de crescimento.
O investimento em ativos fixos urbanos, que inclui imóveis e infraestrutura, recuou 6,7% nos primeiros sete meses do ano, na comparação com igual período de 2025. A retração superou a queda de 6% projetada em pesquisa da Reuters e foi maior que a de 5,7% registrada no primeiro semestre.
Já a produção industrial e as exportações ligadas ao ciclo global de investimentos em inteligência artificial (IA) vinham ajudando a compensar a fraqueza do consumo e do investimento privado. Os números de julho, contudo, sugerem que esse suporte pode estar perdendo força, segundo a CNBC.
Consumo e crédito perdem força
A produção industrial cresceu 4,5% em julho, abaixo dos 4,8% esperados e dos 5,3% de junho. A atividade fabril e a construção perderam impulso no mês, depois de o índice oficial de gerentes de compras da indústria manufatureira ter registrado contração pela primeira vez desde fevereiro.
As vendas no varejo também cresceram 0,6% em julho na base anual, abaixo da expectativa de 1,5% em pesquisa da Reuters e do avanço de 1% de junho. O Goldman Sachs vê que o programa de subsídios para troca de produtos, que antecipou parte das compras, passou a pesar sobre o ritmo das vendas.
Neste cenário, a inflação ao consumidor desacelerou para 0,5% em julho, menor nível em seis meses, enquanto o núcleo do índice, que exclui alimentos e energia, avançou 0,9%.
O crédito também mostrou sinais de deterioração. Os novos empréstimos bancários concedidos em julho tiveram a maior queda mensal já registrada, conforme o Barclays. Os empréstimos às famílias, incluindo hipotecas, diminuíram depois de uma breve recuperação em junho.
Mercado de trabalho preocupa
Enquanto isso, a taxa oficial de desemprego urbano passou de 5% em junho para 5,2% em julho. Uma pesquisa privada, porém, aponta uma taxa ampla de desemprego ainda maior, de 10,2% no mês.
A pesquisa inclui pessoas que estão sem trabalho há até dois anos e deixaram de ser contabilizadas no levantamento oficial da força de trabalho. Mais da metade dos cerca de 24 milhões de desempregados de longo prazo identificados pelo estudo têm entre 16 e 24 anos.
No dado oficial mais recente, o desemprego entre jovens estava em 14,9% em junho, maior nível para o mês desde que o governo retirou estudantes universitários da amostra, há mais de dois anos.
Pressão por estímulos aumenta
O conjunto dos indicadores reforçou as expectativas de uma resposta mais forte do governo. Presidente e economista-chefe da Pinpoint Asset Management, Zhiwei Zhang vê que os dados apontam para "riscos adicionais de baixa" e aumentou sua expectativa de um corte de juros pelo Banco Popular da China.
Já o porta-voz do Escritório Nacional de Estatísticas, Fu Linghui, disse que as pressões geopolíticas externas e as altas temperaturas dentro da China afetaram a economia em julho, mas acredita que as exportações, novos motores de crescimento e políticas macroeconômicas devem sustentar a economia.
A economista-sênior da Oxford Economics, Sheana Yue, também espera que a aceleração dos gastos fiscais ajude a atividade. Ela, porém, prevê apenas uma recuperação modesta no segundo semestre e mantém a projeção de crescimento da China em 4,8%.
Globo Online - RJ 18/08/2026
Em meio à abertura do processo de reciprocidade do governo brasileiro ao tarifaço dos Estados Unidos, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, se reúne nesta segunda-feira com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).
Uma das prioridades do governo de Luiz Inácio Lula da Silva é ouvir as preocupações do empresariado local e americano sobre eventuais medidas de retaliação ao longo do processo, que foi aberto na quinta-feira passada.
Na sexta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan afirmou que esse processo será tratado com “muita cautela e muita responsabilidade”. O empresariado brasileiro era contra ao acionamento da lei de reciprocidade por entender que poderia incentivar uma postura ainda mais protecionista do governo de Donald Trump contra o Brasil, e não ao contrário.
Mas o Palácio do Planalto entende que é um mecanismo importante para se ter na mesa na difícil negociação que tem pela frente com a Casa Branca.
Ao GLOBO, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que não há expectativa de reversão integral das novas tarifas de 25% e 12,5% impostas por Trump a diversos exportadores brasileiros, mas que o objetivo é aumentar a lista de isenção.
Atualmente, pelos cálculos do MDIC, 47,3% da pauta exportadora para os Estados Unidos está sujeita a alguma tarifa imposta pelo governo Trump. Elias Rosa ainda destacou que o pleito de reciprocidade não significa que já há uma decisão sobre alguma medida de retaliação. O processo ordinário para adoção de alguma retaliação é bastante longo e o ministro também disse que não é simples.
Formalmente, a consulta aos Estados Unidos é a primeira etapa do processo, após a distribuição do pleito aos membros do órgão executivo (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex).
Depois da consulta, a Camex fará uma análise de aderência ou não do pleito à lei de reciprocidade, cujo prazo é de 30 dias, prorrogáveis pelo mesmo período, em uma das sessões do colegiado, que em regra acontecem na última semana de cada mês.
Caso haja enquadramento, poderá ser criado um grupo de trabalho para elaborar propostas de contramedidas aplicáveis. Neste momento, o setor privado pode ser chamado formalmente a participar do processo, mas a ideia é que a interlocução com os empresários ocorra a todo tempo.
As propostas sugeridas pelo grupo serão submetidas pelo comitê-executivo de gestão da Camex à consulta pública, que terá até 30 dias para coletar manifestações de partes interessadas e parceiros comerciais potencialmente afetados.
Depois, o comitê-executivo e o conselho estratégico da Camex deliberaram sobre as propostas. Segundo a regulamentação, o último terá até 120 dias (60 dias prorrogáveis por igual período) para decidir sobre a adoção das medidas.
A adoção ainda pode ser adiada a depender da evolução das negociações diplomáticas. Além disso, o comitê-executivo da Camex poderá propor a qualquer tempo ao conselho estratégico a alteração ou suspensão de contramedida definitiva.
A qualquer tempo, porém, o governo pode fazer um pleito de adoção de contramedidas provisórias, mas teria que fundamentar a excepcionalidade que justificaria o atalho em relação ao processo completo. Nesse caso, o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais avalia o pleito. Caso seja aprovado, na sequência, a medida é implementada e abre-se um processo ordinário para, se for o caso, transformá-la em definitiva.
Jornal de Brasília - DF 18/08/2026
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,3% no segundo trimestre na comparação com o primeiro trimestre de 2026. Em relação ao segundo trimestre de 2025, houve expansão de 1,7% no segundo trimestre de 2026. A taxa acumulada em 12 meses até o segundo trimestre foi de 1,8%. Os dados são do Monitor do PIB, apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV).
No mês de junho, o indicador apontou para queda de 1,1% ante maio. Na comparação com junho de 2025, a atividade econômica teve expansão de 1,9% em junho de 2026.
“O crescimento de 0,3% da economia no segundo trimestre mostra desaceleração da atividade econômica em relação ao forte desempenho de 1,0% registrado no primeiro trimestre do ano. Essa dinâmica também foi observada nas três grandes atividades econômicas (agropecuária, indústria e serviços) e na maior parte dos componentes da demanda. Apenas o consumo não desacelerou no trimestre, mantendo o ritmo de crescimento do início do ano”, afirmou a coordenadora da pesquisa, Juliana Trece, em nota.
Segundo a FGV, a manutenção do crescimento do consumo deveu-se, principalmente, ao bom desempenho do consumo de serviços e de produtos duráveis, que foi influenciado pelo aumento das importações de automóveis no trimestre.
Apesar da desaceleração da economia no segundo trimestre, a instituição ressaltou que este é o vigésimo resultado consecutivo de taxas positivas da atividade. “Isso demonstra que, embora a taxa possa ser baixa, a economia segue com resultados positivos em meio ao contexto externo e interno que tem se mostrado desafiador com a elevação do preço do barril do petróleo, juros em patamares elevados e alto endividamento da população”, disse Trece.
O Monitor do PIB antecipa a tendência do principal índice da economia a partir das mesmas fontes de dados e metodologia empregadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial das Contas Nacionais.
Na análise desagregada dos componentes da demanda, a FGV informou que o consumo das famílias cresceu 2,6% no segundo trimestre, com contribuições principalmente do consumo de bens duráveis e de serviços.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB) teve crescimento de 1,6% no segundo trimestre. Segundo a FGV, o segmento de máquinas e equipamentos voltou a apresentar queda, apesar do aumento das taxas de crescimento de construção e de outros componentes.
A exportação de bens e serviços registrou crescimento de 4,5% no segundo trimestre, com desaceleração em relação ao ritmo observado desde meados de 2025. Já a importação cresceu 5,7% no segundo trimestre, impulsionada por serviços e bens de consumo.
Em termos monetários, estima-se que o PIB no primeiro semestre de 2026, em valores correntes, tenha sido de R$ 6,557 trilhões. A taxa de investimento no segundo trimestre foi de 18,5%.
Jornal de Brasília - DF 18/08/2026
A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 seguiu em 13,75% nesta segunda-feira, 17. Considerando só as 80 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano também continuou em 13,75%
A estimativa intermediária do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2027 permaneceu em 12,00%. Levando em conta apenas as 79 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana aumentou de 12,00% para 12,25%.
No início de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu a Selic em mais 0,25 ponto porcentual, de 14,25% para 14% ao ano. Foi o quarto corte consecutivo.
Os juros já caíram um ponto porcentual desde março, quando o BC começou um “ciclo de calibração” da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã sobre a cadeia global de suprimentos, os preços de commodities e a própria inflação.
“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou o colegiado na ata da reunião.
A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 seguiu em 10,50%. A estimativa para 2029 continuou em 10,00%.
Infomoney - SP 18/08/2026
O atual ciclo da política monetária é mais explicado por questões internas do Brasil do que por temas globais, disse nesta segunda-feira o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ressaltando que a demanda vem crescendo mais que a oferta no país.
Em conferência promovida pelo Santander, Galípolo afirmou que o BC atua para que os juros estejam em patamar contracionista, em meio a um trabalho para equilibrar os dois fatores.
“Tem vários indicadores ali de que essa é uma economia onde que a demanda vem crescendo de maneira mais acelerada do que a oferta”, disse.
“Quando você olha para a política monetária, é óbvio que o mandato é você conseguir reequilibrar a oferta e demanda, e é por isso que a gente coloca a taxa de juros no patamar restritivo.”
Para Galípolo, também é preciso buscar avanços estruturais no país para que a oferta seja ampliada por meio de uma maior produtividade, o que geraria um ciclo de crescimento sustentável da economia.
O Banco Central cortou neste mês a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,00% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto em meio a uma melhora no cenário corrente, argumentando que manterá “a restrição adequada” para assegurar a convergência da inflação à meta.
Em suas comunicações oficiais recentes, o BC chamou atenção para o lado da demanda, apontando medidas de estímulo do governo como fator de pressão com potencial para impactar a curva de juros do país e a inflação.
Na apresentação desta segunda, porém, Galípolo não atribuiu diretamente ao governo as causas para essas pressões na demanda, citando crescimento do consumo puxado por uma alta da renda do trabalho e do crédito.
Jornal de Brasília - DF 18/08/2026
O ministro da fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta segunda-feira, 17, durante a 27ª Conferência Anual Santander, que o País adote com a política fiscal a mesma postura de repúdio que consolidou nas últimas décadas contra a inflação alta. “A mesma intolerância que nós temos para a inflação alta, a gente tem que ter com a irresponsabilidade fiscal”, afirmou, ao sustentar que a construção de consensos no ambiente político atual depende de uma bandeira comum de responsabilidade nas contas públicas.
Ao mencionar a experiência da hiperinflação e das trocas de moeda nos anos 1980, Durigan disse que a estabilidade monetária representou um “ganho civilizacional” e que o Brasil não pode abrir mão desse avanço.
Para ele, o próximo passo é ampliar esse padrão de intolerância para decisões fiscais sem lastro.
Segundo o ministro, o governo tem atuado para levar ao debate público, no Congresso, tribunais e entre governadores e prefeitos, a necessidade de evitar medidas sem fonte de receita e de barrar a ampliação de privilégios.
Durigan avaliou que a discussão fiscal só se sustenta com um ambiente institucional estável e previsível, capaz de projetar expectativa para o futuro.
Ele citou como boas práticas o arcabouço fiscal que, segundo ele, busca garantir crescimento das despesas em ritmo inferior ao da receita e a exigência de estimativas de impacto e projeções plurianuais para proposições no Legislativo e iniciativas do Executivo, em linha com a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Reforma tributária
No diagnóstico de Durigan, a reforma tributária também é parte do esforço de organização das contas no médio e longo prazos.
Ele disse ainda que o governo trabalha para conter o crescimento dos gastos obrigatórios e que foram incluídas na legislação duas travas importantíssimas que, segundo ele, devem reduzir a pressão dessas despesas em cerca de R$ 10 bilhões no próximo ano, com efeito crescente nos exercícios seguintes.
Endividamento
Ao tratar do endividamento, Durigan apontou a dívida pública como foco, mas citou também o aumento do endividamento de empresas e famílias, além de segmentos como agronegócio e Santas Casas. Nesse contexto, ele destacou que o “desafio do juro do Brasil” é, na sua avaliação, o principal desafio nacional por representar um custo permanente tanto para o Tesouro quanto para a sociedade.
Apesar de reconhecer fatores que ajudam a explicar juros elevados, Durigan voltou a enfatizar que a trajetória fiscal do Estado é determinante e precisa continuar sendo aprimorada.
“Como aconteceu com a inflação, nós não vamos tolerar irresponsabilidade fiscal no futuro”, concluiu Durigan, ao defender que a agenda de consolidação das contas públicas deve caminhar com discussões sobre estratégia de desenvolvimento e competitividade do País em áreas como setor elétrico, biotecnologia, minerais críticos e inteligência artificial.
CNN Brasil - SP 18/08/2026
A BHP anunciou que obteve lucro líquido de US$ 9,3 bilhões no ano completo encerrado em 30 de junho de 2026, o que representou um aumento de 9% sobre o ano anterior, com o cobre se tornando o principal propulsor do resultado, de acordo com balanço divulgado na Bolsa de Valores da Austrália na terça-feira (18) (horário local).
O lucro por ação diluída foi de US$ 1,932 no ano, ante US$ 1,774 em 2025. A receita da mineradora totalizou US$ 58,8 bilhões, um salto de 15% no comparativo anual.
O lucro subjacente foi de US$13,2bilhões, um crescimento de 30% no comparativo anual. Analistas previam lucro subjacente de cerca de US$12,7bilhões, de acordo com a Visible Alpha.
O lucro antes de juros, tributos, depreciação e amortização (Ebitda) subjacente totalizou US$32,95bilhões, ante US$ 25,98 bilhões em 2025.
A companhia informou que o cobre contribuiu para mais da metade de seu Lucro antes de juros, tributos, depreciação e amortização (Ebitda) subjacente (54%) pela primeira vez, superando a representatividade do minério de ferro em seu desempenho.
A empresa produziu cerca de 2 milhões de toneladas métricas de cobre pelo segundo ano consecutivo.
"O cobre é o motor que impulsiona o crescimento da BHP", disse o CEO Brandon Craig. "Pela primeira vez, o cobre contribuiu com mais da metade do nosso EBITDA subjacente e gerou um fluxo de caixa livre significativo, o que significa que o nosso crescimento no segmento de cobre se autofinancia."
A BHP anunciou um dividendo final de 99 centavos por ação. Isso eleva o pagamento anual total para US$ 1,72 por ação, o valor mais alto em quatro anos. Esse montante superou a expectativa do mercado de US$ 1,54 por ação.
Samarco
A BHP informou que a produção na Samarco aumentou 25% para 7,8 milhões de toneladas métricas de minério de ferro - a parte da mineradora australiana - em razão da performance melhor do que a planejada de seu concentrador. A Samarco é uma joint venture de participação igualitária de 50% entre a BHP e a Vale
A companhia projetou que a produção da Samarco no ano fiscal de 2027 deve ficar entre 7,5 milhões de toneladas métricas e 8 milhões de toneladas métricas - a parcela equivalente da BHP.
Valor - SP 18/08/2026
Contrato futuro com vencimento em janeiro, o mais negociado, fechou cotado a US$ 104,7
O preço do minério de ferro recuou nesta segunda-feira (17) na China, em meio à perspectiva de demanda fraca pela commodity, dizem analistas.
O contrato futuro do minério com vencimento em janeiro, o mais negociado na Bolsa de Dalian, fechou em queda de 0,70%, cotado a 706,50 yuans (US$ 104,7).
Especialistas da consultoria ANZ Research afirmam, em relatório, que o cenário mais amplo de demanda pelo minério continua fraco, em meio ao enfraquecimento do consumo interno na China e estoques elevados.
“Acreditamos que apenas medidas direcionadas de apoio na China, concentradas em infraestrutura e em iniciativas industriais seletivas, sustentariam o mercado, com pouca perspectiva de reverter o declínio estrutural da demanda por aço”, acrescentam.
Infomoney - SP 18/08/2026
Um porto brasileiro controlado pela Trafigura Group e pela Mubadala Capital recebeu duas propostas de compra, uma de cerca de US$ 3 bilhões e outra de aproximadamente US$ 3,5 bilhões, segundo a Bloomberg, citando pessoas com conhecimento sobre o assunto.
A Global Infrastructure Partners (GIP), da BlackRock, formou um grupo com a produtora de minério de ferro Vale e a siderúrgica Gerdau para apresentar uma oferta pelo Porto Sudeste, afirmaram as fontes, que pediram anonimato por tratarem de negociações privadas. A I Squared Capital apresentou uma segunda proposta, segundo essas pessoas. Não ficou imediatamente claro qual dos grupos apresentou a oferta mais alta.
Um terceiro grupo, formado pela Stonepeak Partners e pela empresa de logística australiana M Resources, com sede em Brisbane, decidiu não avançar com uma proposta, disseram as fontes.
Um representante da Vale afirmou à Bloomberg que a companhia avalia oportunidades de investimento “à luz de suas prioridades estratégicas” e manterá o mercado informado sobre quaisquer “fatos relevantes decorrentes dessa análise ou relacionados aos seus negócios”. Os demais envolvidos no negócio não teceram comentários, segundo a Bloomberg.
O Porto Sudeste movimentou um recorde de 27,8 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, ante 21,9 milhões de toneladas no ano anterior. O volume, porém, continua abaixo de sua capacidade de cerca de 50 milhões de toneladas, de acordo com suas demonstrações financeiras.
Bom para Vale, neutro para Gerdau
A visão do Morgan Stanley é que o ativo é estratégico para a mineração, o que explica o interesse da Vale no terminal. O porto permitiria que produtores menores de minério de ferro no Brasil tenham acesso ao mercado internacional.
O terminal é um importante centro logístico que oferece às mineradoras brasileiras acesso aos mercados internacionais, especialmente ao Sudeste Asiático. O porto possui capacidade ociosa para ampliar as exportações minerais e é conectado por ferrovia ao estado de Minas Gerais, uma das principais regiões produtoras de minério de ferro do país.
Caso a participação da Gerdau seja confirmada, isso pode sinalizar a intenção da companhia de ampliar sua atuação no negócio de minério de ferro para terceiros, além das operações atuais.
“Essa possibilidade está alinhada com comentários feitos pela administração da empresa nas duas últimas reuniões anuais da Apimec”, afirmam os analistas do Morgan Stanley.
Ainda assim, os analistas não acreditam que esse cenário hipotético contribuiria para uma reprecificação positiva das ações da Gerdau. Embora o investimento possa gerar mais EBITDA e oferecer retornos atrativos, empresas ligadas à mineração de minério de ferro costumam negociar a múltiplos inferiores aos de companhias siderúrgicas nas Américas.
A Trafigura e a Mubadala, braço de investimentos de um fundo soberano de Abu Dhabi, adquiriram o controle do porto fluminense em 2014 da MMX Mineração e Metálicos, uma das empresas de mineração do ex-bilionário Eike Batista.
Brasil Mining - SP 18/08/2026
A Samarco registrou forte recuperação nas vendas de minério de ferro no segundo trimestre de 2026 (2T26), com avanço de 23% em relação aos três primeiros meses do ano. Os resultados divulgados nesta sexta-feira (14) mostram também que a empresa manteve a produção em patamar elevado, reforçando o processo de retomada gradual de suas operações.
Entre abril e junho, a produção da companhia alcançou 3,9 milhões de toneladas (Mt) de pelotas e finos de minério de ferro, crescimento de 4% na comparação com o 1T26. Na comparação anual, o volume ficou em linha com o registrado no 2T25.
No acumulado do primeiro semestre de 2026 (1S26), a produção chegou a 7,7 milhões de toneladas, alta de 8% sobre o mesmo período de 2025.
As vendas também apresentaram recuperação. A Samarco comercializou 3,9 milhões de toneladas no 2T26, alta de 23% sobre o trimestre anterior. Segundo a companhia, o resultado está relacionado à normalização dos embarques depois do menor volume registrado nos primeiros três meses do ano.
No primeiro semestre, as vendas totalizaram 7,1 milhões de toneladas, crescimento de 4% em relação ao mesmo período de 2025.
Samarco mantém projeção para 2026
Para todo o ano de 2026, a Samarco prevê uma produção entre 14,7 milhões e 15,4 milhões de toneladas.
Na área de segurança, a companhia informou que manteve indicadores abaixo dos referenciais do setor e não registrou fatalidades durante o trimestre.
A Fase 3 da retomada operacional também segue conforme o cronograma previsto. De acordo com a empresa, as licenças necessárias já foram obtidas, a etapa de engenharia foi concluída e o avanço físico do projeto atingiu 10,8%.
Reparação recebe US$ 1,9 bilhão no semestre
Os resultados operacionais ocorrem paralelamente ao avanço das ações de reparação. No 1S26, foram destinados US$ 1,9 bilhão à reparação, integralmente financiados pelos acionistas da Samarco, sem desembolso de recursos pela companhia.
Para o diretor Financeiro, de Estratégia e Suprimentos da Samarco, Gustavo Selayzim, o desempenho do segundo trimestre demonstra equilíbrio entre produção e comercialização.
“A recuperação das vendas após um primeiro trimestre de menor volume reflete a normalização dos embarques ao longo do período. Mantivemos a produção em níveis elevados e consistentes, enquanto seguimos acompanhando atentamente a dinâmica dos preços do minério de ferro no mercado internacional”, afirmou.
O desempenho registrado no trimestre reforça a estabilidade das operações da Samarco e a continuidade do processo de recuperação da capacidade produtiva instalada.
Auto Informe - SP 18/08/2026
A primeira quinzena de agosto fechou com 101.457 unidades vendidas, uma queda de 4,4% sobre o mesmo período de julho (106.172) e um pequeno crescimento em relação à primeira quinzena de agosto de 2025 (99.786). No acumulado do ano, o crescimento é de expressivos 18,1% em relação a igual período de 2025
Mas o que vale destacar é o crescimento das marcas chinesas, que conquistaram 25% do mercado, ou seja: de cada quatro carros vendidos no Brasil, um é chinês.
O balanço da quinzena mostra ainda o avanço dos carros eletrificados, que já representam 26% do total
Apesar da queda no volume total em relação a julho, o resultado melhora quando se considera o número de dias úteis. Foram 10 dias úteis na primeira quinzena de agosto, contra 11 em julho. A média diária passou de 9.652 para 10.146 veículos, alta de 5,1%. Na comparação com agosto de 2025, o avanço chega a 11,8%.
O avanço das marcas chinesas aparece com força no ranking das montadoras. A BYD foi a terceira colocada, com 10.454 unidades e 10,3% de participação, atrás apenas de Fiat e Volkswagen. GWM ficou com 3,5%, Geely alcançou 3% e Chery, 2,7%. A Omoda, que estreou no ranking, registrou 1,3%.
Entre os modelos, a presença chinesa também chama atenção. O BYD Dolphin foi o quarto carro mais vendido da quinzena, com 3.461 unidades, enquanto o Dolphin Mini somou 3.221. O Geely EX2 chegou a 2.332 unidades e o GWM Haval H6, a 2.178.
Os eletrificados somaram 26.370 unidades, o equivalente a 26% de todos os veículos vendidos na primeira quinzena. O número é mais que o dobro dos 11.029 registrados no mesmo período de 2025. No acumulado do ano, já são 330.258 unidades, alta de aproximadamente 125%.
Nos automóveis, a participação é ainda maior: 31,9% das vendas já correspondem a modelos eletrificados. Os elétricos puros (BEV) responderam por 44,2% desse mercado, seguidos pelos híbridos plug-in (29,9%), híbridos convencionais (15,1%), mild hybrids (9,8%) e modelos com extensor de autonomia (1%).
A BYD domina os elétricos e os híbridos plug-in. A Fiat lidera entre os MHEV, enquanto a Toyota aparece na frente nos híbridos convencionais. Já a Leapmotor responde sozinha pelos modelos REEV, com o C10.
Mesmo com o avanço das chinesas, a Fiat continua na liderança, com 17.607 emplacamentos e 17,4% de participação. Volkswagen vem em segundo, com 14.394 unidades e 14,2%.
No ranking de modelos, a Fiat Strada segue isolada na primeira posição, com 5.441 unidades. O Hyundai Creta aparece em segundo, com 3.761, seguido pelo Volkswagen Polo, com 3.548. A lista também mostra a força dos SUVs e dos novos modelos: o VW Tera, Geely EX2, Hyundai i20 e Toyota Yaris Cross estão entre os 15 mais vendidos.
Outro movimento importante está nos canais de comercialização. A venda direta caiu para 41,6% do mercado, contra 43,7% em julho e 48,1% na primeira quinzena de agosto de 2025. Na comparação anual, o recuo foi de 12,2%.
Enquanto isso, as vendas em showroom seguem sustentando o crescimento. O canal respondeu por 59.290 unidades na quinzena e acumula alta de 22,5% no ano, contra 13,8% da venda direta.
Os SUVs continuam como principal escolha dos consumidores, com 43,9% das vendas. O segmento, porém, perdeu espaço em relação a julho, quando representava 45,3%.
Quem ganhou participação foi o hatchback, que passou de 20,5% para 23,6%. Já sedãs e crossovers continuam em queda: os sedãs ficaram com 5,2% do mercado, contra 10% na primeira quinzena de agosto de 2025, enquanto os crossovers recuaram de 10,4% para 5,5%.
Na distribuição regional, São Paulo aparece com 23,4% dos emplacamentos, bem à frente de Minas Gerais, com 17,4%. Paraná ficou em terceiro, com 8,2%, seguido por Santa Catarina (5,1%) e Rio Grande do Sul (5%).
Os dados da Bright Consulting mostram, portanto, um mercado ainda aquecido, mas em transformação. As vendas diretas perderam força, os eletrificados avançam rapidamente e as marcas chinesas já deixaram de ser coadjuvantes: com 25% de participação, elas já respondem por uma em cada quatro vendas de veículos leves no país.
Exame - SP 18/08/2026
Um caminhão parado é mais do que um problema mecânico. Para uma transportadora, significa um ativo que deixou de gerar receita. É com essa conta em mente que a Scaniaacaba de investir R$ 78 milhões na expansão de seu centro logístico de peças em Vinhedo, no interior de São Paulo.
A unidade, conhecida como LPC (Latin Parts Center), teve a área de armazenagem ampliada em 62%, de 15.000 para 24.400 metros quadrados. O investimento faz parte do ciclo de R$ 6 bilhões previsto pela montadora entre 2016 e 2028 no Brasil.
Com a expansão, a companhia reforça uma estrutura que já ocupa uma posição de destaque dentro da operação global: Vinhedo é o segundo maior centro logístico de peças da Scania no mundo, atrás apenas da unidade da Bélgica. A ampliação aumenta ainda mais a distância da operação brasileira em relação aos demais centros da companhia.
Por trás dos metros quadrados adicionais há uma estratégia que vai além de armazenar mais componentes. A companhia quer reduzir o tempo entre a necessidade de manutenção e a volta do veículo à estrada.
“Há 70 anos, nós nunca vendemos preço, nós sempre vendemos valor”, afirma Christopher Podgorski, CEO da Scania América Latina, em entrevista exclusiva à EXAME. “O Brasil é o nosso mercado número um, é o lugar do mundo em que a Scania mais vende.”
Não à toa a Scania tem o hub industrial em São Bernardo e 9 fábricas que se complementam com o centro de distribuição de peças, que está localizado de forma bem estratégica no Brasil.
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Por que os maiores centros logísticos da Scania ficam na Bélgica e no Brasil
A localização dos dois maiores centros logísticos de peças da Scania no mundo acompanha a geografia da própria operação da montadora.
Na Bélgica, onde está o maior deles, pesam a posição estratégica dentro da Europa, a proximidade dos fornecedores e das unidades produtivas da companhia e o acesso à infraestrutura portuária.
“A Bélgica é considerada um centro estratégico de logística na Europa. Ali temos Antuérpia e os demais portos de onde saem os despachos, com grande frequência também para a América Latina”, afirma Podgorski.
No Brasil, Vinhedo exerce papel semelhante deste lado do Atlântico. A cidade está na região de Campinas, próxima das principais rodovias do país e do Aeroporto Internacional de Viracopos, além de fazer parte de um ecossistema que concentra empresas e profissionais especializados em logística.
“A própria infraestrutura, a localização geográfica, a proximidade do aeroporto de Viracopos e a conexão com as principais rodovias e regiões são fatores preponderantes”, diz Podgorski.
A escolha também está ligada ao peso do Brasil dentro da Scania. O país é atualmente o maior mercado da montadora no mundo em volume e abriga o hub industrial de São Bernardo do Campo, que se complementa com a distribuição de peças a partir de Vinhedo.
Mais espaço, mas não necessariamente mais estoque
Hoje, o LPC mantém mais de 40.000 itens em estoque e funciona como o principal hub de distribuição de peças da Scania para a América Latina, com exceção do México, abastecido diretamente pela operação europeia.
A expansão, porém, não significa simplesmente encher o novo espaço com componentes. Segundo Alessandro Silvério, gerente do LPC, a prioridade foi redesenhar os fluxos internos para aumentar a velocidade e a disponibilidade das peças.
“Não foi só um armazém onde a gente vai ter mais espaço para armazenar mais peças. Fizemos todo um ajuste no nosso fluxo interno para fazer com que a peça esteja disponível mais rápido e seja despachada o mais rápido possível.
A Scania monitora diariamente os estoques das concessionárias por meio de um sistema chamado Dealer Stock Management (DSM). Os pedidos de reposição recebidos em um dia são separados para despacho no dia seguinte.
“Quando há uma solicitação urgente, a peça pode sair do centro ainda no mesmo dia. Nos casos considerados “superurgentes”, a gente utiliza até entrega porta a porta”, diz Silvério.
Com a nova estrutura, a meta de disponibilidade de peças sobe de 95,5% para 96,5%. Em outras palavras, a companhia pretende ter imediatamente em estoque mais de 96 de cada 100 itens solicitados pela rede. Em uma operação com cerca de 40.000 referências diferentes, um ponto percentual representa uma diferença relevante.
IA ajuda a decidir quais peças ficam no estoque
Parte dessa eficiência passa pela inteligência artificial. A Scania utiliza a tecnologia para analisar históricos de vendas, sazonalidade e comportamento da frota e, assim, prever quais componentes precisam estar disponíveis em Vinhedo.
“Hoje a gente está usando muito a IA para nos auxiliar nas análises do histórico e do que estamos vendendo, para entender quais peças precisamos ter e disponibilizá-las o mais rápido possível para os clientes,” diz Silvério.
O desafio está na diversidade. Segundo Podgorski, os veículos da montadora atendem 36 aplicações diferentes, de transporte de cana e madeira a mineração, construção, cargas refrigeradas e longa distância.
“A situação ideal é que a gente tivesse todas as peças em tempo real, mas não é viável, não fecha a conta”, afirma o CEO.
É justamente nessa equação que entra a IA: cruzar as diferentes aplicações e padrões de demanda para tornar o estoque mais assertivo.
A estratégia também prepara a operação para uma frota mais diversificada. À medida que veículos elétricos, a gás e a biometano ganham espaço, novos componentes precisarão entrar no estoque. O espaço adicional dá margem para incorporar essas peças sem abandonar a eficiência logística.
Concorrência asiática aumenta a disputa
A expansão ocorre em um momento de aumento da competição no mercado brasileiro de veículos comerciais, com a chegada de novos fabricantes, inclusive asiáticos. Para Podgorski, porém, a disputa não será definida apenas pelo preço de aquisição do caminhão.
A aposta da Scania está justamente na estrutura construída ao longo de quase sete décadas no país: produção local, engenharia, fornecedores, concessionárias e pós-venda. O Brasil é atualmente o maior mercado da Scania no mundo em volume de caminhões e ônibus, segundo o executivo.
“Há 70 anos, nós nunca vendemos preço, nós sempre vendemos valor”, diz Podgorski.
Para ele, os novos competidores podem usar o excesso de capacidade de seus países de origem para entrar no Brasil com preços agressivos, mas terão de construir uma estrutura capaz de sustentar os veículos depois da venda.
O executivo também argumenta que caminhões desenvolvidos para outros mercados precisam ser adaptados às condições brasileiras. A Scania mantém cerca de 400 engenheiros no país justamente para validar os veículos para diferentes aplicações e condições de infraestrutura.
Brasil no centro dos investimentos
A ampliação de Vinhedo demorou cerca de 1 ano e meio e integra um ciclo de investimentos bilionário anunciado em 2016.
“Os recursos já anunciados seguem sendo direcionados principalmente à fábrica e à transição energética”, diz o CEO.
A empresa já iniciou no país a produção de chassis de ônibus elétricos e aposta em soluções a biometano. Para Podgorski, a combinação entre produto e pós-venda será uma das principais armas da Scania nos próximos anos.
“Diferentemente de automóvel, veículo comercial é dinheiro no bolso e se não operar, é prejuízo garantido”, afirma. “Se o cliente não for bem-sucedido, eu não tenho cliente amanhã. Não é retórica, é modelo de negócio.”
É esse histórico que a Scania quer continuar mantendo no Brasil, após quase 30 anos na liderança, segundo o CEO.
“Nos últimos 30 anos, o Brasil foi 28 vezes o mercado número 1 da Scania no mundo, em termos de volumes. Hoje, seguimos nessa liderança e temos condições e qualidade para continuar neste lugar.”
Valor - SP 18/08/2026
Setor atende às demandas da mobilidade urbana, das fazendas e das mineradoras com equipamentos mais eficientes e limpos
A grande novidade nas ruas brasileiras é o avanço dos veículos elétricos ou eletrificados, que já representam mais de um quinto dos emplacamentos. Fora delas — nas estradas, fazendas e portos, nas áreas de mineração e dentro das fábricas —, a alta no preço do óleo diesel pressionou as margens das empresas, acelerando a adoção de biocombustíveis, como o etanol, nas máquinas que fazem o trabalho pesado no país.
As cinco empresas mais bem colocadas do setor automotivo na pesquisa do anuário Valor Inovação Brasil 2026 se destacam pelas tecnologias que desenvolvem para atender às demandas do setor — e, muitas vezes, antecipar-se a elas. CNH e AGCO fabricam maquinário para o agronegócio. Robert Bosch e Baterias Moura, tradicionais fornecedoras de peças e sistemas para carros de passeio com motor a combustão, investem em sistemas para eletrificação e em novas fronteiras dos motores. Maior fabricante de automóveis do país, o grupo Stellantis — dono de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e RAM — chegou ao quinto lugar com inovações brasileiras para a mobilidade híbrida. O empenho em atender à necessidade dos clientes por mais eficiência, além de fazer avançar a criação de uma economia menos intensiva em carbono, levou o setor a colocar nada menos que três empresas entre as dez mais inovadoras do Brasil.
Campeã do setor, a CNH opera num momento adverso. “Nossa indústria está bastante afetada pela crise da agricultura, que é o maior negócio da nossa companhia”, diz Rafael Miotto, presidente da empresa na América Latina. A crise a que o executivo se refere decorre de uma superposição de fatores ruins para os produtores rurais: juros altos, preços de insumos em alta, cotação da soja em baixa, barreiras comerciais e um grande atraso na adaptação do setor à crise climática. A resposta da CNH, segundo Miotto, foi o oposto do que o senso comum sugeriria. Em vez de cortar despesas, o time propôs projetos de inovação para reduzir o custo fixo.
Um exemplo de inovação guiada por eficiência e pragmatismo é a aposta da CNH em drones de pulverização — tecnologia que, até 2024, estava fora do escopo tradicional de trabalho da companhia. A CNH firmou aliança com uma fabricante chinesa especializada em agricultura, codesenvolvendo sistemas que integram as pequenas aeronaves à sua linha de máquinas e incorporam plataformas de agricultura de precisão e inteligência artificial. “A gente poderia ter entendido o drone como uma ameaça aos nossos pulverizadores terrestres — ou como um fenômeno que interessa ao nosso cliente”, diz Miotto. A segunda alternativa prevaleceu. A iniciativa faz parte de uma mudança cultural mais ampla na empresa, que eliminou processos manuais em planilhas e investiu em software de agricultura de precisão para facilitar o acesso dos agricultores a dados mais confiáveis.
A Robert Bosch, segunda colocada, se faz presente em praticamente todas as frentes de transformação do setor. No segmento de veículos de passeio, a empresa lidera o desenvolvimento de motores híbridos flex — que combinam propulsão elétrica com motores a combustão capazes de rodar com etanol. A exemplo da CNH, a fornecedora recebe de braços abertos o avanço de marcas chinesas no mercado brasileiro. “Somos uma referência global, com presença na China. Temos ganhado praticamente todos os projetos do mercado para transformar híbridos em híbridos flex”, afirma Gastón Diaz Perez, presidente e CEO da Bosch na América Latina.
A aposta mais relevante da Bosch vai além do carro de passeio. A filial brasileira tornou-se o hub global de inovação em agronegócio da companhia. A posição foi conquistada por uma razão objetiva: o Brasil representa apenas 3% a 4% da produção mundial de automóveis, mas quase 20% da exportação global de grãos. Entre os produtos desenvolvidos no Brasil para o mundo estão plantadeiras inteligentes e sistemas de pulverização com câmeras que, percorrendo o terreno a 20 quilômetros por hora, distinguem ervas daninhas de plantas cultivadas e aplicam agroquímicos apenas onde necessário.
No segmento de veículos pesados, a Bosch lançou neste ano uma tecnologia diesel-etanol que permite substituir entre 35% e 40% do consumo de diesel por etanol em motores de caminhões, tratores e colheitadeiras — com picos de até 60% em determinadas condições, sem perda de potência. Há poucos anos, considerava-se o etanol inadequado para movimentar máquinas pesadas. A chegada ao mercado ganhou aceleração com uma estratégia via retrofit: em vez de projetos longos com montadoras, a Bosch adaptou motores já existentes, comprovou a tecnologia na prática e agora expande para diferentes motorizações.
A Moura, terceira colocada, produz anualmente cerca de 12 milhões de baterias — atualmente, seis em cada dez veículos fabricados no Brasil e na Argentina saem de fábrica com seus produtos. Com o avanço dos modelos eletrificados, a empresa decidiu não apenas adaptar seu portfólio, mas também estruturar uma cadeia nacional para sustentar a mudança. Nos últimos dez anos, investiu R$ 3,6 bilhões em crescimento industrial, novas unidades fabris e expansão tecnológica.
O projeto mais emblemático desse ciclo é o desenvolvimento de baterias de lítio de 12V e 48V para veículos híbridos, conduzido em aliança com montadoras, fabricantes de autopeças, startups e instituições como Senai, universidades públicas e o seu Instituto Tecnológico Edson Mororó Moura (ITEMM). O esforço resultou numa linha híbrida de desenvolvimento e validação de baterias, num sistema nacional de gerenciamento de baterias (BMS) e em ambientes de experimentação tecnológica voltados à indústria do futuro. “A Moura garante espaço para a inovação quando conecta o investimento tecnológico à estratégia de longo prazo dos negócios”, afirma Elisa Correia, diretora-presidente da Rede Moura. A companhia mantém ainda o Programa Ambiental Moura (PAM), que responde atualmente pela reciclagem de 140 mil toneladas de baterias anualmente. A iniciativa foi reconhecida neste ano como destaque pela Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI).
A AGCO, quarta colocada, aumentou seus investimentos em engenharia e P&D em 60% desde 2020, com aproximadamente 65% dos recursos direcionados para máquinas inteligentes e combustíveis alternativos. No Brasil, a engenharia local praticamente dobrou de tamanho nos últimos três a quatro anos e passou a ser referência para as operações do grupo na Argentina, no México, na Índia e na China. “Inovação deixa de ser uma opção e passa a ser uma necessidade estratégica”, diz Fabricio Natal, vice-presidente de engenharia para a América Latina e APA (Ásia, Pacífico e África) da AGCO.
Dois produtos recentes ilustram a abordagem. Plantadeiras inteligentes da empresa incorporam sensores, controle embarcado e ajuste automático em tempo real para corrigir problemas como profundidade inconsistente e compactação do solo — os resultados em campo mostram ganhos de produtividade de 4,5% em soja e de 2,3% a 2,5% em milho, o que pode representar cerca de 180 quilos a mais por hectare. O pulverizador de barra longa, desenvolvido com materiais metálicos e fibra de carbono para garantir estabilidade em 42 metros de extensão, registrou ganhos de 40% em produtividade operacional e redução de quase 25% no consumo de combustível. A AGCO também mantém parcerias com ITA, Unesp e universidades federais do Sul do país, e criou um programa interno de geração de patentes — o Inova AGCO — que neste ano identificou cerca de 70 ideias com potencial de registro.
A Stellantis, quinta colocada na pesquisa, é a empresa com maior número de depósitos de patentes de invenção no Brasil, segundo o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Em 2025, foram 225 depósitos – crescimento de 21,6% sobre o ano anterior. A montadora participa do programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover) e fabrica modelos com tecnologia MHEV – híbrido leve, em que um motor elétrico auxilia o motor a combustão em partidas e acelerações, com redução de consumo de combustível que pode superar 20%. “Cada patente retrata o conhecimento desenvolvido localmente e amplia a competitividade da indústria brasileira em um cenário de transformação da mobilidade”, afirma Toshizaemom Noce, gerente de engenharia avançada da Stellantis.
Globo Online - RJ 18/08/2026
O BNDES e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) aprovaram R$ 18,6 bilhões em crédito para o setor automotivo entre janeiro de 2023 e junho de 2026. De acordo com levantamento das instituições, a cifra representa um crescimento de 235% na comparação com o período de 2019 a 2022, quando o valor foi de R$ 5,4 bilhões.
O levantamento abrange toda a cadeia. No caso do BNDES, foram R$ 10,2 bilhões em crédito para montadoras e mais de R$ 4,7 bilhões para autopeças. Já a Finep contratou R$ 2,7 bilhões para a cadeia de autopeças, R$ 1 bilhão para montadoras, além de R$ 94 milhões para ICTs (instituições científicas, tecnológicas e de inovação).
— O setor automotivo é estratégico no Brasil porque funciona como uma grande plataforma industrial, conectando diversos outros setores, como siderurgia, eletrônica e biocombustíveis, por exemplo, empregando diretamente 1,3 milhão de pessoas — diz o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Já o presidente da Finep, Luiz Antonio Elias, afirma que o Brasil oferece oportunidade especial para soluções automotivas associadas aos biocombustíveis, como etanol, biodiesel e biometano em veículos, caminhões e ônibus.
Valor - SP 18/08/2026
Avanços tecnológicos do setor têm repercussão em diversas cadeias da economia brasileira
A indústria de máquinas e equipamentos atua como vetor de difusão tecnológica na economia. De equipamentos médicos a componentes para caminhões, tratores e colheitadeiras, suas soluções ampliam a produtividade em diversas cadeias. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), cada R$ 1 de demanda adicional pelo setor gera R$ 3,30 em produção na economia brasileira, evidenciando seu efeito multiplicador.
“No setor de máquinas e equipamentos, inovar é desenvolver soluções adaptadas a fatores como clima, matérias-primas, novos materiais, escala produtiva, logística e normas técnicas”, diz Cristina Zanella, diretora de competitividade, economia e estatística da Abimaq.
Em 2025, o setor faturou R$ 299 bilhões, alta de 7,3%, e exportou US$ 14 bilhões para 210 países. Para 2026, a Abimaq projeta retração de 3,2%, pressionada sobretudo pelos juros elevados, endividamento e menor atividade doméstica, além de incertezas externas.
A Embraer ocupa o primeiro lugar do ranking Valor Inovação Brasil 2026 na categoria bens de capitais. “É preciso ofertar valor aos clientes, na forma de aeronaves mais leves, eficientes e seguras”, afirma Leonardo Garnica, líder de inovação corporativa da Embraer.
A companhia tem investido, em média, 5% do faturamento ao ano em pesquisa, desenvolvimento e inovação. “Nos últimos anos, entre 40% e 50% da receita foi gerada por produtos inovadores de anos anteriores”, ressalta Garnica.
Ocupando a segunda posição do ranking, a Siemens Healthineers desenvolve tecnologias médicas para diagnóstico, terapias e apoio à decisão clínica. Seu portfólio conta com ressonâncias magnéticas, tomógrafos computadorizados, sistemas de raios X, arcos cirúrgicos, aceleradores lineares de radioterapia e linhas de diagnóstico laboratorial.
A operação brasileira já representa 45% dos negócios da empresa na América Latina, apoiada por uma estrutura que inclui a fábrica em Joinville (SC) e o centro de treinamento em Jundiaí (SP), com foco na capacitação de profissionais de radioterapia e radiologia.
Segundo Adriana Costa, presidente da Siemens Healthineers no Brasil, inovação significa desenvolver soluções sob medida. “É muito difícil apresentarmos um produto de prateleira. Buscamos entender as dores de cada organização para, então, cocriar soluções”, explica.
Em 2025, a empresa destinou R$ 15 milhões a P&D. Desde 2013, os investimentos em projetos superaram R$ 120 milhões. A área de inovação reúne 12 profissionais, que são responsáveis por coordenar mais de 70 pesquisadores em instituições parceiras como Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal do Ceará (UFC) e Hospital Israelita Albert Einstein.
Entre as inovações destacadas por Manuel Coelho, head de pesquisa e inovação da Siemens Healthineers para a América Latina, está a tecnologia de contagem de fótons na tomografia computadorizada, lançada em 2021. Em vez de converter os raios X em luz e depois em eletricidade, ela utiliza semicondutores diretamente para medir cada partícula de raios X, produzindo imagens de altíssima resolução. Na analogia do executivo, é como se o equipamento “não precisasse mais de um intérprete”, ou seja, de uma etapa intermediária, para gerar as imagens.
A filial brasileira lançou, em 2022, uma tecnologia de operação remota de máquinas de ressonância magnética, desenvolvida no país durante a pandemia e, posteriormente, incorporada à linha global de produtos.
Na terceira posição do ranking, está a Nidec Global Appliance, detentora da marca Embraco. No país, são três unidades em Santa Catarina, sendo duas em Joinville e uma em Itaiópolis, produzindo mais de 20 soluções divididas em compressores de velocidade fixa, de velocidade variável (inverter) e sistemas complexos de refrigeração, como unidades condensadoras. Assim, atende fabricantes de equipamentos de refrigeração para varejo, supermercados, cozinhas profissionais e segmento médico-científico, incluindo soluções para preservação de medicamentos e vacinas.
A empresa investe anualmente entre 2% e 4% da receita líquida em P&D. O centro de pesquisa no país conta com uma equipe de 250 engenheiros e 16 laboratórios. A Nidec mantém parcerias com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), além de Montan Universität e TU Graz, na Áustria.
Entre as inovações recentes, segundo Claudio de Pellegrini, chief technology & quality officer da Nidec, está o VLT, um compressor de velocidade variável para refrigeração comercial que usa o fluido refrigerante natural R290. Compacto, com menos de 4 kg, menos da metade do peso dos modelos anteriores, reduz consumo de matérias-primas e gera ganhos logísticos. “O projeto surgiu do desafio de superar as limitações de espaço interno dos refrigeradores comerciais, sem aumentar os custos e mantendo o desempenho necessário para aplicações como expositores de bebidas e de congelados”, explica o CTO.
No quarto lugar no ranking de inovação setorial está a Tupy, multinacional brasileira que nasceu no mercado de conexões hidráulicas e ferro fundido maleável, ainda existentes no portfólio, mas que passou a concentrar seus negócios na produção de componentes estruturais, como blocos e cabeçotes de motores, utilizados em caminhões, máquinas de construção usadas em obras de saneamento básico e energia, além de tratores e colheitadeiras. Hoje, 70% das receitas vêm do mercado externo, sendo que a companhia atende grandes fabricantes como Volvo, Scania, Ford e Paccar.
A meta da empresa é investir até 1% da receita líquida anualmente. No ano passado, a companhia faturou R$ 9,7 bilhões e destinou R$ 46 milhões a inovação. “Mas nosso indicador não é de volume investido, mas da eficiência que isso pode levar para a companhia”, pondera Gueitiro Genso, vice-presidente de novos negócios e inovação da Tupy. Para evoluir em soluções inovadoras, a empresa inaugurou no ano passado o Centro Avançado Tupy de Inteligência Artificial, mantém um polo de P&D de motores a biocombustíveis, que é o maior da América Latina, e uma planta-piloto de reciclagem de baterias. Além disso, conta com mais de 350 startups conectadas em sua aceleradora ShiftT e mantém parcerias com universidades e com o Senai.
A inovação é fundamental para atender às novas exigências de descarbonização e redução das emissões de poluentes dos motores, como as regulamentações na Europa, que começaram com Euro 1 e chegaram a Euro 7, e a EPA 27, nos Estados Unidos. Desse modo, os blocos e cabeçotes precisam atender a essas regras e demandas das grandes montadoras globais. Avançando na escala de valor, a Tupy comprou em 2022 a fabricante de motores MWM para complementar seu portfólio com motores a combustão, especialmente com tecnologias de menor emissão como biometano e etanol.
Quinta colocada no ranking, a Schulz atua na frente automotiva, com componentes fundidos e usinados para caminhões, máquinas agrícolas e equipamentos de construção, e na área de compressores, com soluções de ar comprimido.
Em 2025, a companhia investiu R$ 33,1 milhões em PD&I, o equivalente a 1,71% da receita líquida consolidada. As prioridades são projetos ligados à indústria 4.0, descarbonização e inteligência de dados aplicada à mobilidade. “Ao reutilizar recursos, estudar ligas metálicas com menor pegada de carbono e otimizar processos internos, como a eficiência térmica dos fornos e o uso adequado de ar comprimido, buscamos uma posição de destaque em comparação ao mercado global”, afirma Sandro Trentin, CEO da Schulz.
A companhia mantém articulação com o ecossistema de inovação, por meio de parcerias com instituições como Senai-SC, UFSC, Udesc, Univille e UFPR, além de startups, hubs de inovação e empresas de base tecnológica.
Um dos exemplos dessa estratégia é a Schulz Tech, criada para desenvolver soluções de predição veicular e segurança viária. A startup monitora, em tempo real, indicadores como temperatura e pressão dos pneus, além das condições do sistema de freios de caminhões e carretas, emitindo alertas. A solução já tem resultados comprovados ao evitar acidentes e incêndios, reduzindo em até um terço o número de estouros de pneus e contribuindo para diminuir em cerca de 3% o consumo de combustível da frota.
A Schulz também desenvolve soluções para valorização de resíduos industriais, como a areia de descarte de fundição, transformada em insumo para a construção civil por meio de rotas técnicas desenvolvidas com parceiros.
Veja - SP 18/08/2026
A riqueza produzida pelo agronegócio começa a aparecer também no skyline de Mato Grosso. Sinop, um dos principais polos econômicos do norte do estado, ganhará seu primeiro arranha-céu: uma torre residencial de 42 pavimentos, 154 metros de altura e Valor Geral de Vendas estimado em R$ 500 milhões.
O número dá uma dimensão do mercado que se formou em uma cidade de pouco mais de 200 mil habitantes. Serão apenas 132 apartamentos, o que representa um VGV médio próximo de R$ 3,8 milhões por unidade. As plantas começam em 194 metros quadrados e chegam a 766 metros quadrados nas coberturas duplex.
Por trás da torre está uma mudança na geografia da riqueza brasileira. O PIB do Centro-Oeste avançou 6,6% em 2025, três vezes o crescimento de 2,2% registrado pelo país. Ao mesmo tempo, o segmento private, formado por clientes com mais de R$ 5 milhões investidos, cresceu em média 20,9% ao ano nos últimos três anos na região, segundo a Anbima — o maior ritmo do Brasil.
É esse dinheiro que começa a alterar também o mercado imobiliário das cidades ligadas ao agro. Em 2024, foram vendidas 24.923 unidades residenciais no Centro-Oeste, crescimento de 22% em um ano, segundo a CBIC. A expansão abre espaço para um padrão de empreendimento que antes ficava concentrado principalmente nas grandes capitais.
O Raízes, como foi batizado o projeto de Sinop, está sendo construído pela São Benedito, incorporadora de Cuiabá que projeta movimentar R$ 630 milhões em VGV em 2026. Só a torre de Sinop terá uma estrutura de aproximadamente 200 metros quando considerados os cerca de 50 metros de fundações subterrâneas. A obra consumirá mais de 15 mil metros cúbicos de concreto e 350 toneladas de aço apenas nessa etapa.
O movimento não está restrito a Sinop. Em Cuiabá, a própria São Benedito ergue o Baalbek, torre de 183 metros que a companhia afirma que será a mais alta do Centro-Oeste. Depois de transformar terras e grãos em algumas das maiores fortunas do interior do país, o agro começa agora a transformar também a altura das cidades.
Valor - SP 18/08/2026
Utilização de IA, drones, robôs e óculos inteligentes começa a modificar um segmento caracterizado pela “baixa maturidade digital”
Gestão digital das obras, drones, robôs nos elevadores, inteligência artificial: o setor de construção e engenharia tem diversificado as armas para mitigar riscos e acidentes em uma área onde a segurança das pessoas e dos equipamentos é especialmente sensível. As ferramentas tecnológicas também têm garantido maior produtividade em um momento em que os recursos são escassos e os prazos para entrega dos projetos, cada vez mais apertados.
“A inovação nasce da combinação entre a necessidade de eficiência operacional e a busca por diferenciação em um setor que ainda tem baixa maturidade digital”, diz Caroline Machado de Abreu, gerente de tecnologia e inovação da MPD, que figura pela primeira vez entre as cinco primeiras colocadas no setor de construção e engenharia.
Ela cita uma pesquisa do BIM Fórum Brasil 2025 que aponta que 70% das construtoras brasileiras seguem em estágio tradicional ou iniciante no uso de tecnologia. “Para a MPD, inovar significa reduzir retrabalho, acelerar decisões, aumentar a rentabilidade dos projetos e entregar mais valor ao cliente final.”
Há ainda um motivador estrutural do setor: a escassez de mão de obra qualificada em um segmento em que a população mais jovem não se sente atraída para trabalhar. Por isso, parte da estratégia de inovação da MPD está voltada a destravar produtividade e a qualificar pessoas.
“Estamos trabalhando para tornar o canteiro de obras mais digital”, diz Abreu. Além de trazer mais eficiência, o canteiro digital acaba sendo “sexy” para as novas gerações, que querem trabalhar com tecnologia, diz a executiva.
A companhia quer que os canteiros digitais produzam informações cada vez mais confiáveis e rastreáveis. “Estamos pensando em captura de dados de maneira mais eficiente, seja por drones, capacetes [com câmeras] e até óculos da Meta”, que permitem o compartilhamento dos dados em tempo real por WhatsApp, por exemplo.
Envolver os funcionários nas iniciativas tem sido uma estratégia adotada por boa parte das empresas para estender os ganhos e ampliar o comprometimento, mesmo porque as equipes dedicadas à inovação, na maioria das empresas, são de pequeno porte.
A Andrade Gutierrez , líder do setor de construção e engenharia na pesquisa Valor Inovação Brasil 2026, instituiu o Prêmio Soberano, uma iniciativa aberta a funcionários de qualquer nível hierárquico. Já em sua terceira edição, o prêmio destaca projetos que comprovem ganhos de segurança e produtividade e que possam ser replicados em outras obras da companhia.
No caso da MPD, há o programa Embaixadores da Inovação para multiplicar internamente as iniciativas e o Prêmio de Inovação, em que cada colaborador pode sugerir melhorias. “A MPD tem trabalhado para que a inovação não fique restrita a uma área, e sim para que cada colaborador se torne agente de transformação e protagonista de melhorias, usando a inovação como ferramenta para buscar novos patamares de eficiência e resolução de problemas no dia a dia”, diz Abreu.
De acordo com a gerente, o potencial de economia mapeado pelo Prêmio de Inovação saltou de R$ 4,5 milhões em 2024 para R$ 8,8 milhões em 2025. A 10ª edição do prêmio, no ano passado, mobilizou 167 colaboradores diretamente, 81,5% a mais que no ano anterior. Os bônus dos funcionários também estão atrelados aos ganhos promovidos pela inovação.
O grupo Patrimar também busca engajar o capital humano com programas internos de inovação e empreendedorismo, como o Semeando Ideias, que premia colaboradores cujas propostas geram impacto concreto para o negócio.
“A empresa estabelece metas e indicadores específicos, monitora os resultados das iniciativas e incentiva uma cultura baseada em experimentação, colaboração e no uso de dados para apoiar decisões e identificar oportunidades de melhoria”, diz Patrícia Veiga, diretora-executiva de inovação e ESG da Patrimar.
O argumento mais forte para justificar o investimento em inovação é o resultado palpável. Na Patrimar, por exemplo, a implementação da modularização de paredes reduziu o tempo de execução de um pavimento de aproximadamente 20 para 10 dias úteis, enquanto a equipe necessária encolheu de 12 a 14 para cerca de 8 profissionais.
Em 2025, mais de 80% das metas previstas na estratégia foram alcançadas, “evidenciando a efetividade das ações implementadas e a maturidade da agenda de inovação da empresa”, segundo Veiga.
Na MPD, o programa Construção Inteligente e Design Exponencial monitora o avanço das obras em tempo real com visão computacional e gêmeo digital dinâmico. A expectativa é reduzir em até 40% o ciclo de medição e liberação de crédito junto a bancos financiadores. O uso de design com inteligência artificial generativa já reduziu de cerca de 15 dias para poucas horas o tempo de geração de alternativas de fachada e layout e tem o potencial de reduzir em até 70% os custos iniciais de concepção, segundo Abreu.
Na Andrade Gutierrez, o uso de uma ferramenta de inspeção que envolve óculos digitais acoplados ao capacete garantiu uma redução de mais de 40% no tempo de inspeção da obra de retomada de uma refinaria. O projeto foi um dos vencedores do Prêmio Soberano da companhia, segundo João Martins, CEO da Consag, empresa de construção e engenharia da Andrade Gutierrez no mercado privado. “A opção por inovação na nossa empresa está enraizada por uma questão de ganho de produtividade, competitividade e excelência operacional”, diz Martins.
“Estruturamos um ambiente integrado que conecta modelos BIM, planejamento, custos, suprimentos, produção e dados capturados em campo, permitindo decisões baseadas em dados ao longo de todo o ciclo da obra”, complementa o vice-presidente de inovação, Guilherme Pinto.
As necessidades específicas dos clientes também são um forte estímulo à inovação. Foi para atender à demanda de uma grande mineradora brasileira que a Construtora Barbosa Mello (CBM) desenvolveu o britador de compactos, que é considerado o maior da América Latina, com 55 metros de altura, destinado a processamento de minérios de alta dureza.
Entregue em fevereiro à mineradora, que não pode ter seu nome revelado por acordo de confidencialidade, o britador usa topografia digital, drones e gestão 360º para acompanhar o fluxo de valores e resultados. Para o cliente, ter essa demanda atendida significou aumentar a produção em uma mina já em operação, segundo Alícia Figueiró, vice-presidente corporativa da CBM — companhia que figura desde 2020 entre as cinco vencedoras do anuário Valor Inovação Brasil. Os clientes desse segmento demandam sistemas que garantam produtividade e questões de segurança para mitigar riscos, segundo a executiva.
Para aliar modernidade à segurança e gestão de tráfego de pessoas, a Atlas Schindler tem investido em inovações na linha de elevadores. Um deles, o Schindler Ahead, conecta os elevadores à internet por meio de IoT (internet das coisas). Os equipamentos são monitorados continuamente na nuvem, o que permite reduzir as interrupções no funcionamento. O sistema identifica e corrige falhas automaticamente. Quando isso não é possível, ele gera um diagnóstico e abre uma ordem de serviço automatizada.
Também foi implentado um sistema de gestão de tráfego que planeja viagens nos elevadores de acordo com as necessidades de cada usuário. Em um terminal com tela touch, sensor de presença e leitor de QR Code, os passageiros são identificados automaticamente e atendidos de maneira personalizada.
A Atlas Schindler também desenvolveu uma plataforma que integra elevadores a robôs autônomos e sistemas prediais, independentemente do fabricante ou da tecnologia utilizada. A solução permite que robôs utilizem os elevadores de forma totalmente autônoma para tarefas como entrega de refeições, medicamentos e outros serviços internos.
“O elevador deixou de ser só um meio de transporte. Hoje ele virou uma interface entre o usuário e o edifício”, diz Thaize Schmitz, CTO para a América Latina do grupo Schindler. A gestão de tráfego de pessoas permite que os edifícios não fiquem “engarrafados” nos horários de pico, com filas nas portas dos elevadores, e a conectividade de alguns modelos com o celular do usuário permite que as telas internas do elevador divulguem informações personalizadas, explica a executiva.
Revista Ferroviaria - RJ 18/08/2026
A Randon, empresa da vertical Montadora da Randoncorp, realizou a entrega do primeiro lote de 40 vagões ferroviários referentes ao contrato firmado com a Arauco Brasil para o fornecimento de 721 unidades. Os equipamentos serão utilizados no transporte da celulose produzida pela futura fábrica da companhia em Inocência (MS) com destino ao Porto de Santos (SP), integrando a estruturação da operação logística do Projeto Sucuriú.
Os vagões são do modelo Sider FLT e foram produzidos na unidade da Randon em Araraquara (SP). O modelo foi desenvolvido para atender às exigências do transporte ferroviário de cargas com elevados padrões de eficiência operacional, segurança e preservação dos produtos transportados.
Entre as características técnicas das unidades estão sistema de abertura lateral total, que permite carregamento e descarregamento por ambos os lados, lonas com tramas de aço antivandalismo, sistema de tensionamento reforçado, divisórias internas e barrotes com tecnologia de redução de absorção de umidade. O conjunto de recursos visa garantir a manutenção da qualidade da celulose durante o transporte.
Cada vagão possui capacidade bruta total de 130 toneladas e capacidade líquida de 98 toneladas, equivalente a mais de 390 fardos de celulose. As dimensões das unidades são de 23 metros de comprimento, 3,3 metros de largura e 4,28 metros de altura.
Essa entrega reforça a trajetória de sucesso da Randon nos mercados ferroviário e rodoviário de cargas. Nossas equipes reúnem sólida expertise técnica e ampla experiência no desenvolvimento e fabricação de vagões ferroviários, o que nos permite oferecer soluções alinhadas às necessidades e aos mais elevados padrões de qualidade e eficiência, afirmou o Executive Vice President (EVP) América do Sul das verticais Autopeças e Montadora da Randoncorp, Ricardo Escoboza.
O cronograma prevê a entrega dos equipamentos em lotes mensais de 40 unidades até novembro de 2027. Conforme forem produzidos, os vagões serão enviados diretamente ao canteiro de obras da fábrica da Arauco em Inocência.
O diretor de Logística e Suprimentos da Arauco Celulose, Alberto Pagano, destacou a importância dos equipamentos para o início das operações da fábrica. O alto nível dos vagões adquiridos reafirma o compromisso da companhia com a preservação da qualidade da celulose produzida, garantindo que chegue aos nossos clientes de forma íntegra. Além disso, a produção dos equipamentos segue o cronograma estabelecido para que tenhamos toda a infraestrutura necessária para o transporte da celulose no início das operações da fábrica, declarou.
Ao longo de 77 anos de atuação, a Randon já fabricou mais de 13 mil vagões para os principais operadores ferroviários do Brasil e do exterior.
CNN Brasil - SP 18/08/2026
Especialistas no setor portuário e em defesa da concorrência questionam a tese de que há risco de concentração de mercado em Santos caso alguma empresa que já possui ativos no porto vença o leilão do novo superterminal de contêineres.
O engenheiro Luis Claudio Montenegro, sócio-diretor da Neowise Consultoria, afirma que tem havido "erro" em análises sobre o assunto ao desconsiderar a "hinterlândia" do Porto de Santos.
Hinterlândia é o termo usado no setor para identificar a zona de influência de um porto, ou seja, a origem e destino das cargas que passam por seus terminais.
No caso de Santos, segundo Montenegro, os três terminais de contêineres já em operação movimentam 61,7% das cargas da zona de influência que atendem -- São Paulo, Minas Gerais, Centro-Oeste, Sul e até parcelas do Norte e do Nordeste de forma secundária.
Isso significa que quase 40% dessa hinterlândia não é atendida por Santos, mas por portos do Rio de Janeiro, do Espírito Santo, do Paraná e de Santa Catarina, que disputariam cargas entre si.
"Ao tratar Santos como mercado fechado, a análise [sobre concentração] atribui aos terminais santistas cerca de 40 pontos percentuais de participação de mercado que eles não detêm", diz o consultor.
A partir dessa ressalva, Montenegro refaz os cálculos de participação de cada empresa: "Um terminal que responderia por 45% da carga movimentada dentro do Porto de Santos responde, na verdade, por cerca de 28% da carga quando se contabilizam também os portos concorrentes que atendem a mesma hinterlândia".
Com isso, o consultor chega à conclusão de que o índice de concentração de mercado em Santos é "irrelevante" em caso de vitória da suíça MSC ou da dinamarquesa Maersk no leilão do Tecon 10, mediante desinvestimento na BTP (Brasil Terminal Portuário).
As duas empresas são sócias na BTP, com 50% cada, e têm demonstrado forte interesse pelo novo terminal de contêineres.
Elas assumiram o compromisso, perante o Cade, de vender sua parte no ativo uma à outra caso vençam o leilão. O órgão antitruste ainda avalia o caso.
O advogado Luiz Hoffmann, diretor jurídico do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e ex-conselheiro do Cade, argumenta que há uma "visão deturpada" na tese de concentração de mercado e destaca a existência de opções concorrenciais.
"Caso um operador já estabelecido venha a vencer, existem mecanismos proporcionais, como o desinvestimento, capazes de mitigar riscos potenciais sem eliminar concorrentes antes mesmo da disputa. Essa foi, inclusive, a alternativa considerada suficiente por diversos órgãos técnicos que analisaram a matéria", afirma Hoffmann.
"Da mesma forma, a integração entre armadores e terminais não pode ser tratada como um problema em si. É um modelo amplamente difundido nos principais portos do mundo e que já foi analisado recentemente pelas autoridades brasileiras de defesa da concorrência em operações envolvendo o Porto de Santos, sem que se concluísse pela necessidade de proibição desse formato", acrescenta.
A referência apontada por Hoffmann foi a compra da Santos Brasil, um dos três terminais de contêineres em operação no porto, pela companhia de navegação francesa CMA CGM em 2024 -- a terceira maior do mundo em transporte marítimo.
Valor - SP 18/08/2026
Descoberta confirma estudos que apontavam existência de grande potencial de petróleo na região, diz Magda Chambriard
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou, na segunda-feira (17), a descoberta de petróleo na bacia da Foz do Amazonas, no Amapá. “Tem petróleo, não sabemos o quanto. Estamos extremamente otimistas”, disse a executiva, ao participar, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de visita à sonda de perfuração que faz os primeiros trabalhos no bloco FZA-M-59, na costa do Estado.
Chambriard destacou que a descoberta confirma os estudos que apontavam a existência de grande potencial de petróleo na região. O bloco FZA-M-59 teve a perfuração do poço Morpho iniciada em 2025. A previsão é que os trabalhos durem entre 15 e 20 dias. Na apresentação, Chambriard exibiu uma amostra de petróleo retirada do local, confirmando a existência do produto.
Na sexta-feira (14), a empresa havia comunicado haver “indícios de hidrocarbonetos”, sem especificar se a descoberta era de petróleo ou de gás natural.
O anúncio na Bacia da Foz do Amazonas mostra a continuidade da Petrobras como produtora relevante de petróleo no país, disse Chambriard. Segundo ela, a descoberta ainda não tem valor comercial. “O anúncio de descoberta é diferente de uma descoberta comercial. Ainda temos uma sequência de estudos para saber sobre a produção de petróleo”, afirmou.
Segundo a executiva, a empresa precisa repor reservas após o pico de produção do pré-sal, previsto para ocorrer entre 2034 e 2035.
Chambriard disse ainda que, após o fim da perfuração do primeiro poço, a empresa vai entender quanto petróleo há na área. A companhia tem mais três poços a serem perfurados no bloco FZA-M-59 e outros seis em áreas distintas na região. Para a perfuração dos demais poços, a estatal aguarda novas licenças do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama).
Os investimentos realizados pela Petrobras na perfuração do poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, somam US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) até o momento, disse Clarice Coppetti, diretora de assuntos corporativos da companhia. Segundo ela, em entrevista coletiva após visita ao navio-sonda no Amapá, só no complexo de defesa ambiental e na proteção à fauna o investimento é de R$ 150 milhões. A perfuração tem um custo diário de US$ 1 milhão.
Sobre a licença para três outros poços no bloco FZA-M-59, Coppetti disse que o Ibama enviou, em 10 de agosto, parecer no qual solicitou ações adicionais, como aumento do número de embarcações e atendimento no centro de fauna no Oiapoque (AP) de peixes-boi no Norte. Ela destacou que a estatal e o Ibama estão em “processo de diálogo constante”, acompanhado pela Casa Civil.
Magda Chambriard afirmou que todas as etapas dos estudos na Margem Equatorial confirmam o otimismo da companhia sobre o potencial. Destacou que a oferta pelo bloco, em leilão realizado em 2013, foi parte de um processo de descentralização do investimento exploratório em direção ao Norte e Nordeste: “Quando isso acontece, a produção vem atrás.”
A divulgação da descoberta se deu depois de uma semana de reconciliação entre Lula com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que esteve presente no evento ontem. Também coincidiu com o início da campanha eleitoral. A comunicação da descoberta na Foz do Amazonas ocorreu ainda dias depois de o governo publicar decretos com a regulamentação de mercados ligados à transição energética, como hidrogênio verde, captura e armazenamento de carbono e combustível sustentável de aviação.
A Margem Equatorial, em especial a Bacia da Foz do Amazonas, é considerada uma das últimas fronteiras petrolíferas do país. É também uma região sensível do ponto de vista socioambiental, o que levou a uma discussão, nos últimos anos, sobre a viabilidade de se explorar petróleo na região.
A descoberta na Foz do Amazonas não foi a primeira anunciada pela Petrobras na Margem Equatorial. Em 2024, a estatal encontrou indícios de hidrocarbonetos no poço Pitu Oeste, na Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte. No mesmo ano, a companhia encontrou “acumulação de petróleo” em águas ultraprofundas no poço Anhangá, na mesma bacia. Na ocasião, a Petrobras vinha recorrendo da negativa do Ibama sobre a licença do bloco na Foz do Amazonas. A licença só foi concedida em outubro de 2025.
Money Times - SP 18/08/2026
A presidente da Petrobras (PETR4), Magda Chambriard, afirmou nesta segunda-feira (17) que a estatal está “extremamente otimista” com a descoberta de petróleo no poço pioneiro de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira.
Segundo a executiva, a perfuração deve ser concluída em cerca de 15 dias. Depois disso, a Petrobras avançará para a avaliação da descoberta, etapa que permitirá estimar a extensão e o volume recuperável do reservatório.
“Tudo indica que vai ser bom, nós estamos extremamente otimistas. Tem petróleo, tem descoberta. Ainda não sabemos quanto. Vamos continuar investindo, explorando e o futuro vai dizer quanto o Amapá pode nos oferecer”, afirmou Chambriard durante coletiva de imprensa em Oiapoque (AP).
Chambriard acompanhou a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao navio-sonda ODN II, responsável pela descoberta anunciada pela companhia na última sexta-feira (14). Segundo ela, o achado é “extremamente relevante” e reforça a perspectiva de continuidade do Brasil como um dos principais produtores mundiais de petróleo.
A executiva destacou que cerca de 80% da produção brasileira de petróleo atualmente vem do pré-sal, região que deve atingir seu pico de produção por volta de 2034 ou 2035. Diante desse cenário, a executiva defendeu a necessidade de repor reservas para preservar a posição do país entre os maiores produtores globais.
“Hoje, nós produzimos 80% do petróleo do Brasil do pré-sal. Esse pré-sal vai ter um pico de produção mais ou menos em torno de 2034, 2035 e, a partir daí, nós precisamos repor reservas para que a gente não perca a posição de um dos dez maiores produtores de petróleo do planeta”, disse.
A presidente da estatal também alertou para o risco de o Brasil voltar a ser importador de petróleo caso não amplie a exploração e a reposição de reservas. “A partir do pico, se não agirmos, seremos importadores de petróleo como no passado”, afirmou, acrescentando que “não tem futuro para uma empresa de petróleo sem exploração”.
A Petrobras ainda aguarda licenças para perfurar outros três poços no mesmo bloco exploratório. Além deles, a companhia prevê perfurações em outras cinco áreas, ampliando sua campanha exploratória na Margem Equatorial.
Jornal de Brasília - DF 18/08/2026
O preço do petróleo disparou na tarde desta segunda-feira (17) e voltou a ultrapassar a casa dos US$ 90 com o temor pela retomada do conflito entre EUA e Irã.
O prazo do cessar-fogo para chegar a um acordo acabou nesta segunda-feira e o presidente dos EUA, Donald Trump, descartou prorrogá-lo. O Irã afirmou estar pronto para responder a qualquer ofensiva.
A situação levou o barril Brent, referência mundial, a subir por volta das 13h (horário de Brasília) e atingir o ápice às 14h45, quando alcançou US$ 91,19 (R$ 473,91), alta de 3,01% em relação ao fechamento na sexta-feira (14).
Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, estava cotado a US$ 83,67 (R$ 434,83), valorização de 2,7%, por volta das 16h.
O dia foi marcado pelo fim do prazo de 60 dias, que foi estabelecido em 17 de junho quando os dois países anunciaram uma interrupção nos ataques. No início de julho, o cessar-fogo chegou a ser suspenso com bombardeios que duraram duas semanas até uma nova interrupção.
Neste período, Trump anunciou diversas vezes que chegaria a um acordo e também que causaria um impacto econômico sem precedentes no Irã, que, por sua vez, sempre negou uma negociação direta com os norte-americanos, impôs condições para reabrir o estreito de Hormuz e manteve as conversas através de intermediários.
Paquistão, Omã e Qatar tentaram articular um acordo e chegaram a divulgar que estavam próximos de um acerto que nunca ocorreu. O temor é que os ataques voltem a ser retomados, o que poderia levar novamente a uma alta do preço do petróleo.
O tráfego pelo estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás, continua bem abaixo da média. Uma autoridade de alto escalão do Irã ouvida pela agência de notícias Reuters afirmou que o país mudou sua política de defensiva para “totalmente ofensiva” com os militares prontos para escolhas difíceis.
Os dois países seguem disputando o controle de Hormuz e o Irã ganhou o reforço dos houthis, grupo do Iêmen, que passou a atacar embarcações que cruzavam o estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico e era usado como alternativa para navios da Arábia Saudita transportarem petróleo.
Sem o acordo, Trump afirmou que pode atacar o Omã, que vem negociando com o Irã para dividir o controle de Hormuz. “Se Omã atrapalhar, vamos bombardeá-los até acabar com tudo”, afirmou o republicano em entrevista nesse sábado (15).
Um dia antes, Trump alertou os norte-americanos para que se preparassem para a manutenção dos preços elevados dos combustíveis em decorrência da guerra, ao mesmo tempo que afirmou que, “depois que terminarmos de derrotar o Irã muito em breve declararei o estreito de Hormuz território dos Estados Unidos”.
“O presidente está pensando no longo prazo. Ele quer deixar a próxima geração de norte-americanos bem abastecida de energia e livre da ameaça existencial de um Irã com armas nucleares”, declarou o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright.
Valor - SP 01/12/2025
Perspectiva de aumento da oferta e a diminuição da demanda pressionam as cotações de algumas commodities, como suco de laranja, cacau, açúcar e algodão
Em novembro, a procura por soja americana da safra 2025/26 enfim começou a ganhar tração, o que puxou para cima as cotações do grão na bolsa de Chicago. A cotação média dos contratos de segunda posição de entrega, normalmente os mais líquidos, subiu 7,8% no mês passado, para US$ 11,3499 o bushel, segundo o Valor Data.
O encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, que ocorreu no fim de outubro, ajudou a destravar os embarques de soja americana ao mercado chinês, o que deu impulso às negociações da oleaginosa no mercado futuro. Os EUA estavam sem conseguir enviar navios com carregamentos de soja para a China desde setembro.
Segundo cálculos de Francisco Queiroz, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, a China acertou no mês passado a compra de 4 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos. O governo americano estabeleceu a meta de negociar 12 milhões com os chineses ainda em 2025.
“As compras de soja que aconteceram até agora são uma estratégia política, para atender o desejo de Trump, e não por necessidade da China. É difícil acreditar que a China irá mesmo comprar as 12 milhões de toneladas, já que a soja brasileira ainda é mais competitiva que a americana, sobre a qual a China continua cobrando 13% de tarifa de importação. Além disso, a margem das esmagadoras chinesas privadas segue negativa, o que reforça que essa demanda está vindo das estatais”, observa Queiroz.
As cotações de trigo e milho passaram por ajustes técnicos e também subiram em Chicago em novembro. O trigo encerrou o mês em alta de 3,4%, com valor médio de US$ 5,4891 o bushel, e o milho subiu 1,1%, a US$ 4,4466 o bushel.
Na bolsa de Nova York, a boa perspectiva para a oferta mundial de suco de laranja e a baixa demanda pela commodity pressionaram as cotações no mês passado. Segundo levantamento do Valor Data, o preço médio dos contratos de segunda posição do suco de laranja concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) caiu 17,7% em novembro, para US$ 1,6546 a libra-peso.
Segundo Andrés Padilla, analista sênior do Rabobank Brasil, o consumo de suco de laranja não está reagindo no mercado internacional neste ano. “Isso se deve principalmente à manutenção de preços elevados no varejo dos Estados Unidos e, em menor medida, na Europa”, afirmou.
Padilla observa que, além disso, há estimativas de recuperação na safra 2025/26 de laranja do Brasil, o maior exportador mundial de suco de laranja. “A reposição de estoques de suco no final do ano safra 2025/26 deve ser considerável, aumentando a disponibilidade do produto”, disse.
A perspectiva de aumento da oferta e a diminuição da demanda também pressionaram as cotações do cacau, que caíram 7% em novembro, para US$ 5.711 a tonelada, em média. Adilson Reis, analista especializado no mercado de cacau, destaca que, com a expectativa de melhora da oferta em 2025/26 e a redução do consumo, muitos fundos ajustaram suas posições no mercado futuro da amêndoa, o que exerceu pressão adicional sobre os preços.
Outro elemento para a baixa foi a decisão do Parlamento Europeu de adiar o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR, na sigla em inglês). Agora, a nova lei deve passar a vigorar apenas em 30 de dezembro de 2026.
“O adiamento da lei tranquilizou o mercado. A Europa, que é o maior consumidor de cacau do mundo, teria muito mais a perder com a exigência de compra de produto certificado. No momento, não existe capacidade de entrega de cacau dentro dessas normas”, afirma Reis.
O açúcar também encerrou o mês em baixa — o recuo dos contratos de segunda posição foi de 6,2%, para a média de 14,16 centavos de dólar a libra-peso. As previsões otimistas para as safras de cana-de-açúcar em produtores importantes, como Brasil e Índia, foram o principal fator para a queda.
O algodão, por sua vez, fechou o mês em queda de 1,1%, para uma média de 64,87 centavos de dólar a libra-peso. Entre as chamadas “soft commodities”, apenas o café valorizou-se na bolsa de Nova York em novembro. Os preços subiram 2,3%, para US$ 3,8183 a libra-peso.