Clipping Diário

18 | Julho | 2025

SIDERURGIA

Infomoney - SP   18/07/2025

Com a temporada de balanços do segundo trimestre prestes a começar, os holofotes se voltam para os principais nomes da mineração e siderurgia listados na B3. Usiminas (USIM5), CSN (CSNA3), Gerdau (GGBR4) e Vale (VALE3) enfrentaram o segundo trimestre de 2025 (2T25) em contextos operacionais distintos — o que deve se refletir diretamente nos resultados.

De um lado, o recuo nos preços do minério de ferro pressiona margens de gigantes como Vale e CSN Mineração. Do outro, empresas do aço lidam com demanda enfraquecida, concorrência externa e dificuldades em repassar custos.

Mas entre quedas de margem, ajustes de custo e variações de volume, qual empresa deve sair na frente neste trimestre? A seguir, um panorama consolidado com as estimativas de analistas para os resultados de cada companhia.
A Usiminas divulgará seus resultados do segundo trimestre de 2025 no dia 25 de julho, antes da abertura do mercado. O Bradesco BBI avalia que os resultados devem vir mais fracos nas divisões de siderurgia e mineração. A expectativa é de um EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 489 milhões no segundo trimestre de 2025 — abaixo dos R$ 733 milhões registrados no 1T25, mas acima dos R$ 295 milhões no 2T24 — e significativamente inferior à estimativa de consenso de R$ 680 milhões.

Segundo os analistas, os volumes consolidados de aço devem recuar 1,0% em relação ao trimestre anterior, para 1,1 milhão de toneladas, enquanto a realização de preços também deve cair 1,5% no comparativo trimestral, devido a um mix menos favorável. Para os próximos trimestres, a tendência é de continuidade na queda dos preços realizados, refletindo o ajuste em curso nos preços domésticos do aço acabado.

Quanto aos custos, o BBI projeta um aumento de 1% no CPV (custo produto vendido) por tonelada, mesmo com a queda no custo das matérias-primas e a valorização do real. Na divisão de mineração, a projeção é de um EBITDA de R$ 136 milhões, 34% abaixo do trimestre anterior, impactado por preços realizados 9% menores, ainda que parcialmente compensado por volumes 4% maiores.

A Genial Investimentos também projeta um trimestre fraco para a Usiminas, graças à deterioração dos principais indicadores operacionais, refletindo um ambiente mais desafiador tanto na divisão de aço quanto na de mineração.

A expectativa é de que a receita líquida consolidada fique em R$ 6,5 bilhões, o que representa queda de 5,6% em relação ao trimestre anterior e alta de 2,0% na comparação anual. O recuo no faturamento e o aumento dos custos da divisão de aço, associados à forte queda nos preços da mineração, são os principais fatores por trás desse desempenho.

Um ponto que chamou a atenção da Genial foi o fato de que, mesmo com um cenário supostamente favorável à queda do custo por tonelada (COGS/t) no trimestre, a Usiminas não deve apresentar redução. A corretora estima um COGS/t de R$ 5.196, alta de 2,3% em relação ao primeiro trimestre e queda de 3,2% frente ao segundo trimestre de 2024. O aumento seria pressionado por fatores como fretes mais altos, maiores despesas com manutenção e maior utilização de placas de terceiros.

Segundo estimativa da Genial, o EBITDA ajustado consolidado deve atingir R$ 446 milhões, o que representa uma forte retração de 39,2% em relação ao trimestre anterior e de 80,2% na comparação anual, refletindo a perda de rentabilidade nas duas divisões da companhia. O lucro líquido estimado é de R$ 103 milhões, uma queda de 69,5% em relação ao trimestre anterior, mas revertendo o prejuízo registrado no mesmo período do ano passado. A margem líquida também deve encolher, pressionada pela piora no desempenho operacional.

A Genial manteve recomendação neutra e cortou o preço-alvo de R$ 6 para R$ 4,75.

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Gerdau (GGBR4)

A Genial Investimenos acredita que o 2T25 reforçará o contraste entre as operações da Gerdau na América do Norte e no Brasil. O cenário mais favorável nos EUA deve elevar a contribuição da região para 69% do EBITDA consolidado ante 50% no 1T25, enquanto o Brasil deve recuar de 44% para 27%. No Brasil, a pressão vem de preços mais fracos para vergalhão e custos ainda elevados após o início da linha BQ2 em Ouro Branco (MG).

Enquanto a margem no Brasil deve cair 4,8 p.p., para 9,2%, a da América do Norte deve subir 5,8 p.p., atingindo 19,4%, sustentando o crescimento do consolidado.

A Genial Investimentos projeta que, apesar de um avanço sequencial do EBITDA da Gerdau no segundo trimestre de 2025, ainda deverá haver uma queima de caixa livre (FCF) de aproximadamente R$ 740 milhões, melhor do que a observada no primeiro trimestre.

O time da Genial ressalta que a disciplina financeira será ainda mais relevante na segunda metade do ano, com menor margem para desvios no cronograma de execução. Com a expectativa de suavização do efeito caixa do CAPEX, liberação de capital de giro e melhora sequencial do EBITDA, a Genial acredita que a companhia deve voltar a gerar caixa livre apenas a partir do terceiro trimestre de 2025.

A Genial ainda vê exagero na queda de 8% das ações no ano e acredita em melhora no 2º semestre, com reajustes de preços nos EUA e redução de custos no Brasil. Com isso, a corretora reiterou recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 19, representando um potencial de valorização de 14,9%.

Seguindo a opinião da Genial, o Bradesco BBI projeta que a Gerdau apresentará um desempenho positivo na América do Norte, o que deve compensar, ao menos parcialmente, os resultados mais fracos no Brasil. A estimativa da casa é de um EBITDA de R$ 2,5 bilhões no segundo trimestre de 2025, o que representaria um avanço de 4% em relação ao trimestre anterior, mas ainda uma queda de 9% na comparação anual.

No Brasil, o BBI prevê uma deterioração de 3,6 pontos percentuais nas margens, que devem recuar para 10,5%, o menor nível recente. Em contrapartida, a operação da América do Norte tende a ser o principal destaque positivo do trimestre, com margens projetadas em 17,3% — alta de 3,6 p.p. frente ao trimestre anterior.

Para a divisão América Latina (LatAm), o cenário deve seguir desafiador, especialmente diante das dificuldades enfrentadas na Argentina. O BBI lembra que a Gerdau deve divulgar seus resultados no dia 31 de julho.

Segundo projeções do BBI, o lucro líquido da Gerdau deve crescer 3,8% na comparação anual, para R$ 900 milhões.

Para BBA, os números da Gerdau devem ser ajudados pela melhora no desempenho na América do Norte, enquanto o BTG disse que sua preferência relativa por Gerdau em relação a Usiminas e CSN permanece inalterada, com expectativa de desempenho superior da empresa devido à sua presença nos EUA.
CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3)

Com resultados previstos para o próximo dia 31 de julho, o BBI projeta que os resultados da CSN (CSNA3) e da CSN Mineração (CMIN3) devem ser impactados principalmente pela menor realização dos preços do minério de ferro. A estimativa é de um EBITDA consolidado de R$ 2,4 bilhões para a CSN, representando queda de 4% em relação ao trimestre anterior e de 8% na comparação anual.

No segmento de mineração, o banco espera que o EBITDA da CSN Mineração recue 20% frente ao trimestre anterior, para R$ 1,15 bilhão, reflexo de uma queda de 17% nos preços realizados do minério de ferro. Esse efeito deve ser parcialmente compensado por um aumento de 12% nos embarques e por custos estáveis, com o custo C1 estimado em torno de US$ 21 por tonelada.
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Já a divisão siderúrgica da CSN deve apresentar crescimento de 15% no EBITDA em relação ao trimestre anterior, alcançando R$ 558 milhões. Esse desempenho seria sustentado por uma realização de preços estável, volumes ligeiramente menores (queda de 2%) e uma melhora nos custos, com redução de 5% em relação ao trimestre anterior.

No setor de cimento, o BBI projeta um EBITDA de R$ 283 milhões, alta de 18% frente ao trimestre anterior, impulsionada por embarques sazonalmente mais fortes. Ainda assim, o banco destaca que os maiores desembolsos de investimentos devem continuar pressionando o fluxo de caixa das empresas até o fim de 2025.

Na última linha, o BBI prevê prejuízo líquido de R$ 709 milhões no 2T25, um aumento de 34% em relação ao prejuízo de R$ 529 milhões de um ano antes.
Vale (VALE3)

O BBI projeta que os resultados da Vale (VALE3) no segundo trimestre devem ser impactados por preços menores de minério de ferro. A estimativa é de um EBITDA ajustado de US$ 3,2 bilhões, queda de 1% em relação ao trimestre anterior e de 20% na comparação anual.

A produção de minério de ferro deve atingir 82 milhões de toneladas, o que representaria um crescimento de 2% frente ao mesmo período do ano passado e de 22% em relação ao primeiro trimestre, impulsionada pelos volumes adicionais de Capanema e Vargem Grande. Ainda assim, o BBI estima que as vendas de minério de ferro e pelotas recuem 3% na base anual (mas subam 17% na trimestral), totalizando 77 milhões de toneladas, refletindo a estratégia da companhia de concentrar mais volumes na China.

Quanto aos preços realizados do minério de ferro, a projeção é de queda de 14% na comparação anual e de 6% frente ao trimestre anterior, para US$ 85 por tonelada, seguindo a tendência dos índices de referência. Já os preços das pelotas também devem cair, diante da redução contínua dos prêmios.

Do lado dos custos, o BBI espera um desempenho sólido, com o custo C1 (excluindo compras de terceiros) caindo 9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas subindo 8% em relação ao trimestre anterior, para US$ 22,6 por tonelada.

Na divisão de Metais Básicos, o BBI prevê um EBITDA de US$ 515 milhões, ante US$ 554 milhões no 1T25, com a queda sendo atribuída principalmente ao aumento nos custos, ainda que parcialmente compensado por maior produção e preços realizados. A Vale deve divulgar seus resultados no dia 31 de julho.

O Itaú BBA, por sua vez, projeta que os impactos negativos dos mecanismos de precificação e preços de referência mais baixos do minério de ferro provavelmente pesarão sobre os resultados da Vale, apesar de serem compensados por maiores volumes.

Já o BTG continua vendo uma fraca geração de lucro e caixa, o que limita a
atratividade do yield.

Grandes Construções - SP   18/07/2025

As exportações de sucata ferrosa, insumo usado na fabricação de aço, continuaram a aumentar em junho e já alcançaram no primeiro semestre deste ano 417.709 toneladas, uma alta de 21,3% em relação ao mesmo período de 2024, quando atingiram 344.324 toneladas.
Apenas em junho deste ano, as exportações chegaram a 84.207 toneladas, uma expansão de 23,8% em comparação ao mesmo mês de 2024, conforme dados divulgados pelo Ministério da Economia, Secex.

O crescimento das vendas externas de sucatas ferrosas no ano – que se referem apenas aos volumes excedentes não consumidos internamente – se deve principalmente ao baixo interesse na aquisição por parte das usinas siderúrgicas no Brasil, devido à retração na produção de aço, ocasionada pela política de tributação do governo dos EUA, segundo o Instituto Nacional de Reciclagem (Inesfa), órgão de classe que representa mais de 5,5 mil empresas recicladoras que praticam a economia circular, reinserindo insumos no ciclo da reciclagem para transformação.

“A nossa expectativa é de que, em julho e nos próximos meses, o quadro não se altere e as exportações continuem sendo uma alternativa das empresas às dificuldades internas”, afirma Clineu Alvarenga, presidente do Inesfa.

De acordo com informações de pesquisa semanal realizada pela S&P Global Platts, agência americana especializada em fornecer preços-referência e benchmark para o mercado de commodities, “as siderúrgicas mantiveram compras muito fracas (de sucata) e os recicladores reduziram as aquisições por conta dos estoques cheios”.

“O aumento da importação de aço, de países como China, Índia, Egito e Turquia, aliada as dificuldades de exportação para os EUA, com as tarifas impostas pelo governo Trump, vem desestabilizando todo o ciclo da transformação, com forte redução da produção interna de aço das usinas siderúrgicas e, consequentemente, queda na demanda por sucata ferrosa”, diz Alvarenga.

O Estado de S.Paulo - SP   18/07/2025

A agência de classificação de riscos Moody’s listou 15 empresas brasileiras que mais podem ser afetadas pelo volume de exportação aos Estados Unidos. A liderança é da Embraer, com uma classificação de “alta exposição” ao mercado americano. Entre as empresas com “moderada exposição”, estão Votorantim e Suzano. Nas de “baixa exposição”, aparecem Petrobras e CSN (veja a lista completa no fim deste texto).

Na semana passada, a XP também fez uma estimativa de impacto nas empresas brasileiras, e a Embraer estava igualmente na primeira posição (veja aqui).

Em relatório enviado a clientes nesta quinta-feira, 17, a Moody’s avalia que as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, previstas para valer a partir de 1º de agosto, aumentariam as incertezas comerciais entre os dois países bem como reduziria a competitividade dos produtos domésticos que chegam ao mercado americano.

De acordo com a classificadora, uma tarifa de 50% aumentaria os custos da Embraer entre aproximadamente US$ 250 milhões e US$ 300 milhões. Porém, cláusulas contratuais permitiriam à fabricante de aeronaves repassar as tarifas de importação aos compradores de seus jatos E1.

“A Embraer teria de assumir custos adicionais para seus jatos executivos Praetor, que são produzidos no Brasil mas montados nos EUA, ainda assim poderia repassar o aumento de preço aos clientes com base em negociações individuais dentro desse pequeno mercado”, disse a Moody’s.

Adicionalmente, continuou a classificadora, os acordos de serviço e suporte da Embraer contêm cláusulas de repasse que aliviariam os efeitos de tarifas adicionais.

“Os jatos Phenom são totalmente produzidos nos EUA e no Canadá, e seus jatos E2 e operações de defesa e segurança não possuem exposição ao mercado dos EUA”, afirmou a Moody’s.

A lista completa das empresas está abaixo, dividas em três categorias (alta, moderada e baixa exposição ao comércio dos EUA):

Alta exposição

Embraer (aeroespacial e defesa)
Moderada exposição

Votorantim (metais e mineração)
Suzano (papel e embalagens
)Prio (petróleo e gás)
Gerdau (siderurgia)
JBS (proteína e agricultura)

Baixa exposição

Inversiones CMPC (papel e embalagens)Petrobras (petróleo e gás)
CSN (siderurgia)Usiminas (siderurgia)Raízen (proteína e agricultura)
Marfrig (proteína e agricultura)Adecoagro (proteína e agricultura)
FS Indústria (química)Cosan (conglomerado)

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   18/07/2025

Exportadores insistem com o governo sobre uma negociação com os Estados Unidos para a dilatação de prazos do início da entrada em vigor da sobretarifa de 50% para o Brasil, apurou o Estadão/Broadcast comintegrantes do setor privado e do Executivo.

Ainda que a postergação não seja vista atualmente como o plano A do Palácio do Planalto, de acordo com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, a pressão é grande por um adiamento para tentar salvar negócios já fechados.

Pelo cronograma informado pelo presidente americano, Donald Trump, a nova alíquota entrará em vigor em 1º de agosto, o que ainda depende da publicação de um Ato Executivo da Presidência dos Estados Unidos.

O pedido foi reforçado em videoconferência de Alckmin na manhã desta quinta-feira, 17, com representantes de setores potencialmente afetados pela tarifa, de aeronaves, carne bovina, celulose, sucroenergético a suco de laranja. Participaram do encontro representantes da Stefanini Group, Embraer, Weg, Suzano, Citrosuco, Aeris Energy, Prumo Logística, JBS e Raízen.

Enquanto industriais temem ver seus produtos voltarem para trás caso aportem nos EUA após a data, o agronegócio está preocupado especialmente com as cargas perecíveis - sobretudo pescados, suco de laranja e carne bovina.

Na avaliação do governo, obter um prazo de 90 dias para a incidência da nova taxa não sana o problema criado por Trump porque novos acordos comerciais privados tendem a ficar em suspenso até que haja uma definição mais fechada entre os dois países. Esta foi, no entanto, a tática usada pela China, que travou um duelo de tarifas com os EUA que chegaram a superar os 100%.

Sem perspectivas para novos negócios, empresários querem ao menos tentar que o comércio já feito até aqui não se transforme em estoque indesejado ou mercadoria perdida por prazo de validade. Por isso, voltaram a solicitar aumento de prazos ao governo por vários canais - em novas reuniões por videoconferência e presencial e e-mails, por exemplo. Para eles, em três meses é possível entregar, ao menos, encomendas já feitas pelos EUA desde o início deste ano sem maiores riscos.

‘Bill of Landing’

A prioridade dos exportadores é maior prazo para entrada em vigor da tarifa, mas, caso não seja possível, um dos pleitos na mesa é que a aplicação da alíquota de 50% considere a data de embarques dos produtos após 1º de agosto. A data base seria a emitida na Bill of Landing, documento para o transporte marítimo de cargas.

A demanda dos exportadores é para que seja aplicada a alíquota de 50% somente para BLs emitidas após 1º de agosto. A medida visa ao cumprimento de contratos já acordados com importadores e a garantia de envio de cargas embarcadas em portos ou já a caminho dos Estados Unidos.

Uma das cadeias mais afetadas pela dificuldade de desembaraço de cargas enviadas é o setor de perecíveis. Importadores americanos relataram aos exportadores brasileiros que podem rejeitar cargas caso cheguem com imposto de 50%. A indústria de carnes é uma das que relataram eventuais impactos ao governo.

Estima-se que cerca de 30 mil toneladas de mercadoria com destino aos Estados Unidos estão paradas em portos ou em alto-mar após o anúncio do governo norte-americano de imposição de tarifa adicional de 50% sobre produtos importados brasileiros. A carga é equivalente entre US$ 150 milhões e US$ 160 milhões.

Além dos prazos, exportadores e indústria voltaram a pedir cautela na reação do governo aos Estados Unidos nesta quinta-feira. Em comum, os apelos manifestaram a urgência da retomada das negociações e que a negociação seja contínua.

IstoÉ Dinheiro - SP   18/07/2025

A diretora do Federal Reserve (Fed) Adriana Kugler considerou “apropriado” manter as taxas de juros no nível atual “por algum tempo”, em discurso preparado para o Housing Partnership Network Symposium, nesta quinta-feira, 17. Ela justificou a posição considerando a estabilidade do lado do emprego no mandato, com a taxa de desemprego ainda em níveis historicamente baixos, expectativas elevadas de inflação de curto prazo e inflação de bens em alta “devido à pressão de alta das tarifas”.

“Essa postura política ainda restritiva é importante para manter as expectativas de inflação de longo prazo ancoradas”, disse, ao reiterar que tomará as próximas decisões de política monetária com base nos dados econômicos, na evolução das perspectivas e na sua avaliação dos riscos para ambos os lados do mandato duplo do BC americano, que prevê estabilidade de preços e pleno emprego.

Kugler estimou que, com base nos dados divulgados nesta semana, o índice de preços PCE suba 2,5% em 12 meses em junho, número que representa um ganho um pouco mais forte do que os 2,3% registrados em maio. O núcleo da inflação, por sua vez, deve atingir 2,8% em junho, também superior ao de maio.

“Tanto a inflação principal quanto a subjacente não apresentaram progresso nos últimos seis meses”, ponderou. Para ela, outros choques imprevistos, como os geopolíticos, podem impulsionar ainda mais a inflação em breve. “A inflação permanece acima da meta de 2% e enfrenta pressão de alta devido às tarifas implementadas. Acredito que a inflação provavelmente aumentará ainda mais à medida que os efeitos das tarifas se acumularem durante o restante do ano”, acrescentou, ao falar dos riscos da política comercial.

A diretora do Fed também disse que vê o mercado de trabalho “estável e resiliente”, e a atividade econômica “em alguma moderação”. “Sigo a política monetária que acredito que alcançará nossos objetivos de duplo mandato: máximo emprego e estabilidade de preços para todos os americanos”.

Money Times - SP   18/07/2025

O Banco Central (BC) brasileiro precisa que a atividade econômica desacelere para iniciar a flexibilização da política monetária até o final deste ano, avalia o JP Morgan.

As tarifas comerciais recentemente anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, no entanto, aumentam a incerteza quanto às perspectivas de desaceleração.

O anúncio de uma taxa de 50% eleva a tarifa efetiva em quase 30 pontos percentuais, o que pode impactar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil entre 0,6% e 0,9%. No entanto, o banco mantém suas projeções inalteradas, pois está cético quanto à implementação de taxas tão altas.

Ainda assim, os economistas do JP destacam que os dados de atividade já divulgados corroboram a visão de desaceleração prevista.

Depois de um relatório fraco da produção industrial, as vendas no varejo subiram apenas 0,3% em maio, após uma queda de quase 2% em abril, e a produção de serviços cresceu 0,1% no mês.

“Os dados econômicos mais recentes se alinham com os contornos gerais da nossa projeção de crescimento mais lento ao longo do primeiro semestre do ano, abrindo caminho para um segundo semestre de 2025 mais fraco”, dizem Cassiana Fernandez, Mirella Sampaio e Vinicius Moreira.

Eles apontam ainda que as pressões inflacionárias também parecem estar desacelerando, impulsionadas pela apreciação cambial.

Os preços no atacado caíram 2,7% em junho, após uma queda de 1,4% em maio, com os produtos agrícolas recuando 6% e os produtos manufaturados caindo 0,5% cumulativamente nos últimos meses.

Já os dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de junho sugerem uma desaceleração das elevadas pressões inflacionárias subjacentes.

O núcleo do IPC subiu 4,4%, levando a média trimestral para 4,3% em três meses, o menor nível desde junho de 2024. Embora os serviços básicos tenham sido mais altos do que o previsto, eles ainda desaceleraram para 6,2%.

“Isso reforça nossa visão de que o pior da inflação já passou e, embora deva permanecer em um nível relativamente alto por um tempo, o processo de desinflação já começou”, dizem.

O Estado de S.Paulo - SP   18/07/2025

O Fundo Monetário Internacional (FMI) detalhou, em nota divulgada nesta quinta-feira, 17, que projeta crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2025, desacelerando em relação à alta de 3,4% observada em 2024. Na avaliação do conselho, a moderação deverá refletir as condições monetárias e financeiras apertadas, redução do impulso fiscal do governo e o aumento da incerteza política global. A nota foi publicada ao fim da missão do FMI ao Brasil, realizada no mês passado, no âmbito da Consulta do Artigo IV de 2025.

A expectativa do Fundo é que o crescimento médio do País fique estabilizado em cerca de 2,5% nos próximos anos, com a normalização da política monetária e os efeitos de reformas recentemente aprovadas, como o novo Imposto de Valor Agregado (IVA) e o Plano de Transformação Ecológica (PTE).

Para o FMI, porém, o balanço de riscos para o crescimento brasileiro está inclinado para baixo, muito por conta da crescente incerteza na política global. “Os riscos de baixa decorrem externamente de uma desaceleração nas principais economias em meio a tensões comerciais globais crescentes e incerteza política; e internamente dos efeitos maiores do que o esperado do aperto da política monetária e da possibilidade de um esforço fiscal menor do que o previsto”, dizem.

Em relação à inflação, o Fundo projeta um Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,2% em 2025 e um processo gradual de convergência à meta de 3% que deverá ser concluído somente no fim de 2027.

No relatório, o FMI destaca que seus diretores elogiaram o compromisso do Banco Central com a estabilidade de preços e consideraram que a retomada do ciclo de altas na Selic no ano passado foi “apropriada e consistente” com a convergência da inflação à meta. “Os diretores também observaram que a contínua credibilidade dos quadros de política fiscal e monetária será importante para ancorar as expectativas de inflação”, acrescentaram.
Reformas no IR

Diretores do FMI elogiaram o esforço recente de autoridades brasileiras de melhorar continuamente a posição fiscal do País. Segundo eles, isso abre caminho para a queda de juros e a retomada de investimentos prioritários.

“Os diretores elogiaram os esforços das autoridades e recomendaram novos passos para colocar a dívida pública em uma trajetória firmemente descendente, facilitar um caminho para taxas de juros mais baixas e abrir espaço para investimentos prioritários”, descrevem.

A avaliação é que mudanças recentes na mobilização de receitas, incluindo a “racionalização de gastos tributários ineficientes” e o enfrentamento da rigidez orçamentária apoiam esses esforços. Os diretores também pontuaram que a reforma tributária sobre o consumo aumentará a produtividade do País e recomendaram reformas no Imposto de Renda pessoal “para melhorar a progressividade do sistema tributário e a mobilização de receitas domésticas”.

“Um quadro fiscal aprimorado com um forte âncora de médio prazo reforçaria a credibilidade e a sustentabilidade”, avaliam.
Sistema financeiro

Os diretores do FMI saudaram ainda o fato de que o sistema financeiro brasileiro permanece “resiliente”, com bancos altamente líquidos e “adequadamente capitalizados”.

“Embora elogiem a implementação pelas autoridades de mudanças regulatórias destinadas a fortalecer ainda mais a resiliência do setor financeiro, os diretores incentivaram o monitoramento e a supervisão dos riscos de crédito ao consumidor, incluindo o programa de empréstimo consignado recentemente aprimorado”, detalharam.

O FMI também ponderou que fornecer ao Banco Central brasileiro maior autonomia financeira e administrativa apoiaria “o progresso contínuo com inovações tecnológicas”.

O Estado de S.Paulo - SP   18/07/2025

No ano corrente, o governo precisa cumprir uma meta fiscal (receitas menos despesas) igual a zero; os instrumentos de que dispõe devem ser suficientes. Desafio muito menos trivial apresenta-se para 2026. No ano que vem, o déficit é estimado em R$ 108,9 bilhões e a meta proposta, um superávit de R$ 34,5 bilhões. Nem mesmo os descontos contábeis e as bandas legais darão conta de tapar um buraco tão grande.

Em 2025, a saída dos efeitos do decreto do IOF precisará ser coberta. A Medida Provisória (MPV) n.º 1.303, que tributa os títulos isentos (a exemplo das LCI e LCA) e providencia certo aperto de cintos em benefícios sociais e auxílios, é fundamental. A já aprovada MPV n.º 1.291, que permitirá ao governo rifar receitas futuras de petróleo, também ajuda.

O governo deve conseguir um déficit primário de R$ 76,3 bilhões, suficiente para garantir o cumprimento da meta legal em 2025. Lembro que a meta é zero, mas a banda inferior é R$ 31 bilhões. Além disso, parte dos precatórios pode ser desconsiderada para fins de checagem da meta fiscal, no valor de R$ 45,3 bilhões.

Também está na mesa um possível contingenciamento adicional de despesas discricionárias, que já estão em nível bastante baixo, vale dizer. Cada vez mais, essa parcela do Orçamento vai sendo espremida pelas gigantescas emendas parlamentares. Contra isso, nada. A farinha é pouca? Então, todos os pirões do Congresso por primeiro.

A questão de 2026 é muito grave. O déficit de R$ 108,9 bilhões, que considera razoável crescimento para a receita, em linha com as estimativas de PIB, não poderá ser resolvido por meio do tradicional mecanismo de contingenciamento. Nas nossas contas, na Warren Investimentos, calculamos que o corte necessário é de R$ 58,8 bilhões. O problema é que as despesas discricionárias já circundam o patamar de 1,5% do PIB, extremamente reduzido. Metade desse montante compõe-se de gastos incomprimíveis, a exemplo das parcelas a cumprir os mínimos constitucionais da Saúde e da Educação e a financiar as emendas. Seria possível cortar, sem levar a máquina pública a bater pinos em pleno ano eleitoral, apenas R$ 5 bilhões.

A meta fiscal do ano que vem é um superávit de 0,25% do PIB ou, R$ 34,5 bilhões. O limite inferior, espécie de lambuja prevista em lei, é zero. O desconto dos precatórios excedentes está em R$ 55,1 bilhões para 2026. Tudo isso já está na conta. Ainda assim, a necessidade de corte é de mais de cinco dezenas de bilhões.

A saída é obter receitas adicionais derivadas das duas MPV mencionadas e promover mudanças nas despesas públicas obrigatórias. Contudo, é preciso ser realista: não há mais qualquer espaço político para providenciar tais ações de ajuste fiscal. O governo perdeu o bonde, em que pese ter sido boicotado pelo Congresso, em diversas ocasiões, como na tentativa de conter os supersalários do serviço público, reformar a previdência dos militares e promover ajustes de maior envergadura.

Outra carta na manga diz respeito ao corte de benefícios tributários. O bom projeto do deputado Mauro Benevides ganhou força. Seus efeitos fiscais anuais poderiam superar a marca de R$ 40 bilhões. Uma bela ajuda, ao menos no papel. Tirá-lo do mundo das planilhas dos economistas e levá-lo ao debate, no Congresso, já é outra história.

Cada benefício tributário tem um dono (ou mais de um). As forças presentes no Parlamento se levantam contra iniciativas dessa natureza ao menor sinal de tesouradas sobre seus quinhões.

A vantagem do projeto é a abrangência. Os cortes são calculados em cima de todo o montante de subsídios tributários, financeiros e creditícios. Fato é que isso pode salvar a lavoura no ano que vem.

De todo modo, a proximidade das eleições gerais e o quadro externo conturbado, pautado pelo tarifaço político anunciado pelos Estados Unidos sobre o Brasil, tornam a vida da equipe econômica ainda mais difícil.

Não vejo outra saída, neste momento, a não ser uma revisão coordenada da meta fiscal de 2026. Melhor que seja feita por profissionais, e não por amadores, como acaba ocorrendo em situações de estresse e desespero, para evitar o descumprimento da lei. A Fazenda e o Planejamento precisarão comandar esse processo, no âmbito do envio do Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa) para 2026, cujo prazo constitucional é 31 de agosto.

Em paralelo, a agenda da reforma tributária da renda, a partir do novo relatório do deputado Arthur Lira, ex-presidente da Câmara, é positiva e está caminhando. As resistências são múltiplas, já que as mexidas são significativas sobre o queijo dos andares de cima. Mas isso é pouco. Fato é que o Brasil combina, hoje, o que tem de pior em matéria de justiça tributária com o que existe de mais retrógrado na condução do gasto público.

Essa discussão de maior fôlego, a mais importante de todas para a agenda econômica do País, ficará para depois. Refiro-me à necessidade de uma reforma orçamentária e fiscal digna desse nome. A retomada de superávits primários é urgente e só ocorrerá por meio da contenção do crescimento do gasto obrigatório e da redução sistemática de isenções, benefícios e benesses em geral.

IstoÉ Dinheiro - SP   18/07/2025

Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a partir de fontes oficiais e estudos econômicos, traçou um panorama das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e estimou o impacto das tarifas norte-americanas sobre a produção brasileira.

Levantamento da UFMG apontou que caso as tarifas de 50% sejam confirmadas, 110 mil empregos podem ser impactados. O levantamento também aponta que a economia brasileira pode ver uma queda no PIB de R$ 19,2 bilhões (-0,16%) e nas exportações, de R$ 52 bilhões.

A estimativa aponta que os setores mais afetados serão: tratores e máquinas agrícolas, com redução de 23,61% na exportação e de 1,86% na produção; aeronaves, embarcações e outros equipamentos de transporte, com diminuição de 22,33% na exportação e de 9,19% na produção; e de carnes de aves, com queda de 11,31% na exportação e 4,18% na produção.
‘Perde-perde’ para todos, diz CNI

Os estados brasileiros que mais vão sentir o impacto no PIB são: São Paulo (R$ 4,4 bilhões), Rio Grande do Sul (R$ 1,9 bilhão), Paraná (R$ 1,9 bilhão), Santa Catarina (R$ 1,7 bilhão) e Minas Gerais (R$ 1,66 bilhão).

“Os números mostram que esta política é um perde-perde para todos, mas principalmente para os americanos. A indústria brasileira tem nos EUA seu principal mercado, por isso a situação é tão preocupante. É do interesse de todos avançar nas negociações e sensibilizar o governo americano da complementariedade das nossas relações. A racionalidade deve prevalecer”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Tarifas são desproporcionais

A CNI também aponta que as tarifas de 50% anunciadas pelo presidente norte-americano Donald Trump ao Brasil são desproporcionais. De acordo com a Receita Federal, o Brasil aplicou tarifa real média de 2,7% às importações de produtos americanos em 2023,

Já a balança comercial dos EUA frente ao Brasil marcou representativo superávit na última década: US$ 43 bilhões em bens e US$ 165 bilhões em serviços.
Economia norte-americana tem mais a perder

O PIB americano pode cair 0,37% a partir das barreiras tarifárias impostas a Brasil, China e 14 outros países, além das taxas impostas à importação de automóveis e aço de qualquer lugar.

Já o tarifaço pode reduzir em 0,16% o PIB do Brasil e da China, além de provocar uma queda de 0,12% na economia global e uma retração de 2,1% no comércio mundial (US$ 483 bilhões).

Os EUA são o 3º maior parceiro comercial do Brasil, sendo o destino de 12% das exportações brasileiras e a origem de 16% das importações. O país também é o principal destino das exportações da indústria de transformação, correspondendo a 78,2% das exportações em 2024.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   18/07/2025

“É muito difícil imaginar que o valuation de hoje reflita a companhia. Isso me deixa muito otimista”. Esta fala é do CEO da Vale (VALE3), Gustavo Pimenta, que faz as contas e aponta que as ações da mineradora estão desvalorizadas.

Pimenta participou do último episódio do programa Expert Talks – Na Mesa com CEOs, da XP, com apresentação de Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP, e Lucas Laghi, head do setor de mineração da XP.

O executivo apoia a afirmação nas perspectivas à frente da Vale, que inclui produzir 350 milhões/toneladas (t) de minério de ferro, ter o C1 (custo de produção e frete da mina ao porto) no valor de US$ 19, além de aumentar a produção de cobre de 350 mil/t para 700 mil/t.
“Está na nossa mão entregar uma companhia mais valiosa. Se avançarmos nessa pauta e no portfólio que está colocado para 2030, tenho muita confiança que conseguiremos destravar valor”, diz ele.
: Como analisar os resultados trimestrais das empresas da B3? Veja exemplo com a Vale
China

Para o executivo, a China é o maior mercado e seguirá sendo. “Talvez tenha alcançado o pico e aconteça uma redução. Mas a nossa visão é de que essa redução será gradual. Isso porque é uma economia com muita necessidade de desenvolvimento e de muita oportunidade”, explica.

O executivo avalia que outros grandes mercados, como a Índia, podem suprir uma possível queda de demanda chinesa. “A gente vê um futuro onde outros mercados possam surgir como produtores de aço”, afirma.

A Vale quer continuar crescendo na produção de minério de ferro. Em 2024, a mineradora fechou a produção em 328 milhões/t e tem um plano de chegar entre 340 a 360 milhões/t em breve.

Nos metais de transição, Gustavo Pimenta diz tratar-se da pauta que mais pode transformar o futuro da companhia. “A gente já é muito grande em níquel, que passa por um momento desafiador. Mas o cobre tem potencial de crescimento muito grande”, ressalta.

Cobre

O CEO aponta que os projetos de cobre estão concentrados em Carajás, no Pará. “Uma das prioridades é avançar nessa pauta”, destaca. “A gente tem muitos projetos na região. A grande vantagem competitiva está em destravar o que a gente tem conhecimento técnico”, pontua.

O executivo diz também que a empresa tem focado no C1 e que em 2024, em relação a 2023, houve redução no índice, e esse ano deve cair de novo. “Temos dito que a nossa visão para 2030 é para chegar em um C1 entre US$ 18 a US$ 19,5. É uma posição extremamente competitiva”, diz.

Gestores dizem que valorização do Ibovespa continua no 2º tri, mostra relatório da XP

Ações

Sobre os investimentos, ele afirma que “não está deixando de fazer nada que não seja relevante para o futuro da companhia”.

“Os projetos estão sendo financiados, tem recursos alocados. Não estamos deixando passar nada que seja estrategicamente importante para gente”, pontua, afirmando que esses investimentos cabem no orçamento previsto de US$ 6 bilhões para 2025.

“Temos sido muito prudentes e disciplinados de retornar ‘o que sobra’ para o investidor. A gente recomprou quase 20% das ações ao longo dos últimos 3 a 5 anos e entendia que era a melhor forma de alocar e dar retorno aos nossos acionistas”, comenta.

“Continuamos achando que a recompra é uma bela alocação de capital. Então renovamos o programa com o Conselho [de Administração]”, complementa.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   18/07/2025

Montadora japonesa lança Yaris e Corolla GLI híbridos neste semestre e prepara mais projetos.

A Toyota já é a maior fabricante de carros híbridos do Brasil e planeja ampliar ainda mais a vantagem em relação às demais. Os passos lentos, mas precisos, dessa jornada começaram em 2019, com o Corolla, primeiro produto nacional desse tipo. O segundo veio dois anos depois. Mas, agora, o ritmo de lançamentos vai acelerar. Dois novos híbridos serão lançados neste semestre e, a partir de 2026, dois outros começarão a ser produzidos na nova fábrica que está sendo construída em Sorocaba (SP).

Na Toyota desde 2005 e há um ano como primeiro presidente brasileiro da montadora no país, Evandro Maggio assimilou bem a discrição que sempre marcou a montadora japonesa. “Vamos de passinho em passinho”, afirma, ao explicar, depois, a estratégia de ampliar a oferta de híbridos nacionais sem fazer alarde. “Não foi uma decisão tomada para atender a uma demanda regulatória; foi uma construção com o cliente”.

Tudo começou em 2013, bem antes de carros híbridos e elétricos se tornarem um sonho de consumo do brasileiro. Naquele ano, a Toyota do Brasil começou a importar o Prius, seu primeiro híbrido global. O carro começou a chamar atenção num programa que a montadora fechou com taxistas de São Paulo, sob o argumento da busca por um transporte individual mais limpo.

O teste serviu para a montadora começar a pensar em um projeto de híbrido nacional que também pudesse ser abastecido com etanol. E foi assim que as fábricas da Toyota no Brasil entraram nesse segmento, com o Corolla, em 2019. Dois anos depois, foi lançado o Corolla Cross híbrido, um SUV médio.

Em outubro, será apresentado o Yaris Cross híbrido flex, aguardado lançamento do SUV compacto da Toyota e cujo projeto absorveu parte do ciclo de investimentos de R$ 11,5 bilhões, até 2030, anunciado no ano passado. A empresa não informou os preços desse carro, que hoje é produzido na versão a combustão apenas para exportação.

Antes disso, a Toyota fará um novo teste. Vai tentar atrair o cliente que deseja um híbrido mas não pode ou não está disposto a gastar R$ 200 mil no Corolla híbrido atual. A partir de setembro, a tecnologia híbrida estará disponível também no Corolla mais barato, o GLI, que a combustão custa R$ 167,5 mil. A ideia, segundo o diretor comercial da Toyota, José Ricardo Gomes, é atrair frotistas e taxistas.

Os híbridos que a Toyota produz no Brasil são do tipo convencional. Ou seja, o carro tem dois motores - um a combustão e outro elétrico -, que se alternam conforme a situação. Esse tipo de híbrido oferece a experiência da condução elétrica, já que o motor elétrico também serve para a tração do veículo.

Já no tipo híbrido leve, que começou a ser oferecido em dois modelos produzidos pela Fiat (Fastback e Pulse) e está em desenvolvimento em montadoras como Volkswagen, os dois motores funcionam sempre combinados. Ou seja, o elétrico ajuda o motor a combustão, o que reduz consumo e emissões. Mas não oferece a experiência da condução elétrica. O híbrido leve, por outro lado, é mais acessível que o convencional.

“O híbrido não foi uma demanda regulatória; foi construído”

— Evandro Maggio

Maggio aproveitou o encontro com jornalistas, na quinta-feira (17), no qual anunciou as novidades da linha híbrida, para exibir também um vídeo que mostra o ritmo das obras da segunda fábrica da montadora em Sorocaba. A construção é uma das maiores desse setor hoje. A nova unidade terá 160 mil metros quadrados de área construída num total de 400 mil metros de área.

Além de projetos ainda mantidos em segredo, para essa fábrica, que fica ao lado de outra inaugurada em 2012, será transferida a linha de produção do Corolla e parte dos funcionários que hoje estão na fábrica em Indaiatuba, também no interior de São Paulo, que será desativada.

Na nova obra de construção de Sorocaba trabalham hoje 1,2 mil operários. A inauguração está marcada para o primeiro semestre de 2026. Até 2030, a nova fábrica terá 2 mil trabalhadores. Do total, 554 já foram contratados para iniciar o treinamento. Metade são mulheres.

Segundo Maggio, a decisão de mudar de cidade foi tomada porque, além de a área em Sorocaba oferecer mais espaço que Indaiatuba, a empresa busca conceitos de construção e de manufatura mais modernos.

Vizinha a essas duas unidades de produção de veículos, na divisa com outra cidade, Porto Feliz, está a fábrica de motores da Toyota, uma das poucas das montadoras instaladas no país que será afetada pela decisão anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de elevar o Imposto de Importação de produtos brasileiros para 50%.

Essa unidade exporta motores a gasolina para a linha Corolla produzida pela Toyota nos Estados Unidos. “É claro que seremos prejudicados”, afirma o executivo. Segundo ele, a própria fábrica da montadora nos EUA não tem como absorver a produção de motores porque o grupo costuma trabalhar “no limite da capacidade”. A fábrica de Sorocaba opera em três turnos. “Além disso, uma mudança dessas (do Brasil para outro lugar) levaria um ano pelo menos”, diz.

A Toyota está fora do programa chamado Carro Sustentável, anunciado pelo governo federal na semana passada e que isenta de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a linha de carros mais populares. Mas a direção da empresa não parece preocupada com isso. Seu objetivo é atuar na linha de veículos voltados ao consumidor de maior poder aquisitivo.

A montadora japonesa tem 7% do mercado brasileiro. Mas não faz planos de dar nenhum grande salto além disso. “Pensamos sempre no crescimento sustentável; assim, não deixamos a cadeia (de fornecedores) maluca”, afirma Maggio.

Automotive Business - SP   18/07/2025

O primeiro semestre do mercado brasileiro de veículos registrou movimentações interessantes. Enquanto as vendas de leves entram em compasso de espera, marcas novatas ganharam espaço e outras tradicionais sentiram o efeito de suas estratégias.

Fabricantes japonesas como Nissan e Toyota, por exemplo, encolheram em participação no mercado de veículos no primeiro semestre. Já a BYD avançou mais uma vez, enquanto a Fiat consolidou sua liderança.

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No setor de caminhões, a tradição e o portfólio da Mercedes-Benz falaram mais alto. Enquanto montadoras que atuam em subsegmentos mais de pesados e extra-pesados perderam pontos percentuais importantes no mercado de veículos no primeiro semestre.

No novo episódio do Radar Podcast, a equipe da Automotive Business analisa os fatores que levaram algumas marcas a ganharem participação no mercado de veículos no primeiro semestre. E também a perderem.

Valor - SP   18/07/2025

A Mitsubishi Motors começará a vender modelos híbridos nos Estados Unidos e no Canadá pela primeira vez no fim deste ano, anunciou a montadora japonesa na quinta-feira (17). A mudança inclui a transição do SUV Outlander, atualmente movido a gasolina, para uma versão híbrida a partir do modelo 2026.

A decisão reflete a desaceleração do mercado de veículos elétricos (EVs) e o crescimento da popularidade dos híbridos.

No segundo trimestre deste ano, a Mitsubishi vendeu 7.821 unidades do Outlander a gasolina nos EUA, o que representou cerca de 30% de suas vendas no país. A versão híbrida plug-in já está disponível no mercado norte-americano, e os modelos 2026 devem ser lançados entre janeiro e março de 2026.

Enquanto os veículos 100% elétricos ainda enfrentam dificuldades de adoção ampla na América do Norte — devido a preços elevados, preocupação com a autonomia e infraestrutura de recarga limitada — os híbridos e híbridos plug-in vêm ganhando espaço por serem mais acessíveis.

O plano de negócios da Mitsubishi para os EUA, anunciado no ano passado, prevê dobrar a oferta de modelos de quatro para oito até o ano fiscal de 2030, incluindo uma linha mais ampla de veículos eletrificados.

A partir do segundo semestre de 2026, a Mitsubishi começará a receber veículos elétricos fornecidos pela Nissan — sua maior acionista — com base no novo modelo Leaf, para serem vendidos sob a marca Mitsubishi.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   18/07/2025

Vendas subiram em patamar inferior aos novos projetos; MCMV entrega o esperado, sem surpreender.

As prévias operacionais de 15 incorporadoras que já divulgaram os resultados do segundo trimestre mostram que o setor imobiliário continua com desempenho forte, com lançamentos e vendas em alta, apesar de as vendas terem crescido em ritmo menor do que a chegada de novos projetos.

No segmento que atende ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), os lançamentos atingiram R$ 9,1 bilhões em valor geral de venda (VGV) no segundo trimestre, alta de 28% sobre o mesmo período de 2024. O resultado também foi positivo no semestre, com crescimento de 43%, para R$ 17,2 bilhões em VGV.

Enquanto isso, as vendas líquidas subiram 10% e 14%, a R$ 7,96 bilhões no segundo trimestre e R$ 15 bilhões de janeiro a junho.

Fanny Oreng, responsável pelas análises de real estate do Santander, afirma que as empresas do segmento entregaram resultados, em média, em linha com o esperado pelo mercado. “Mas esse ‘em linha’ já está bem puxado, com revisões de projeções para cima”, observa. “As expectativas já estão bastante elevadas”.

A MRV, que tem a ação mais descontada entre os principais players do setor, teve resultados afetados por atrasos no pagamento de programas regionais de habitação social, o que fez com que parte das vendas não fosse reconhecida no período. Sem isso, o trimestre teria sido melhor do que o esperado, afirma Oreng, o que aponta para uma melhora da empresa.

A dinâmica do MCMV tem ajudado as incorporadoras, inclusive com a nova faixa 4, que abrange rendas de até R$ 12 mil. Esse momento positivo deve continuar, segundo a analista. “Há demanda muito sólida pelo programa e o mercado de trabalho continua apertado”, diz, o que deve favorecer o ganho de margem das construtoras, embora exista “menos espaço para surpresas”, como ganhos muito acima do projetado.

As surpresas, boas e ruins, têm vindo do setor de média e alta renda. No segundo trimestre, a Moura Dubeux obteve resultados operacionais classificados como “impressionantes” pelos analistas do Itaú BBA, com lançamentos 102% acima das estimativas do banco e vendas 14% além do esperado.

Oreng analisa que a empresa tem se beneficiado dos lançamentos em sistema de condomínio fechado (também chamado de obras por administração), uma particularidade da Moura entre as incorporadoras listadas, e que atende clientes de renda mais alta. A empresa também lança na faixa 4 do MCMV com a linha Mood, o que a ajuda a não depender dos consumidores de renda média. No terceiro trimestre, deve estrear uma outra linha, para a faixa 3.

Esse também tem sido um dos segredos do bom desempenho da Cyrela, responsável por 47% de todos os lançamentos de média e alta renda no primeiro semestre, em VGV.

Um grupo de dez incorporadoras de média e alta renda que já divulgaram seus resultados teve alta de 58% nos lançamentos no semestre, para R$ 13,2 bilhões. No trimestre, o aumento foi ainda maior, de 67%, para R$ 7,8 bilhões. Já as vendas líquidas cresceram 13% no semestre e 23% no trimestre, para R$ 11,2 bilhões e R$ 6,4 bilhões, respectivamente.

A Cyrela tem lançado projetos vistos pelo mercado como “diferenciados”, para a alta renda, enquanto aumenta sua exposição ao MCMV, com a marca Vivaz.

A divisão popular da Cyrela ajudou a empresa a elevar suas vendas neste ano. A participação da Vivaz nas vendas líquidas da companhia dobrou do primeiro semestre de 2024 para o de 2025, atingindo 40% do total comercializado. A divisão respondeu por 26% dos lançamentos no período.

Outras incorporadoras de médio e alto padrão enfrentam mais dificuldade e estão lançando com mais cautela. “As perspectivas macroeconômicas para incorporadoras de média e alta renda continuam desafiadoras”, afirmaram os analistas do BTG Pactual em relatório sobre a Trisul, que teve resultados classificados como “neutros”. A dificuldade está no financiamento imobiliário mais caro e no preço dos imóveis, que estão “machucando a capacidade de compra” no segmento, de acordo com o banco.

Para Oreng, “o sentimento do mercado está pior do que os números” do setor, mas isso não deve mudar até que haja sinalização de queda da taxa de juros.

Enquanto isso, a capacidade de alguns construtores de média e alta renda de financiar suas obras pode ser um problema, já que os bancos estão reservando o crédito mais “barato” para o comprador das unidades e utilizando mais recursos “livres” no financiamento à construção.

O resultado pode ser um recuo do patamar de lançamentos e uma concentração maior do mercado nas mãos das incorporadoras com balanços “fortes”, que continuam tendo acesso ao crédito mais favorável. “Por isso gostamos da Cyrela”, afirma a analista.

FERROVIÁRIO

Exame - SP   18/07/2025

A agenda de infraestrutura ferroviária brasileira permanece aquém do seu potencial. Em um país de dimensões continentais e com demandas logísticas crescentes, é inquestionável que o modal ferroviário deve ser um eixo estruturante de desenvolvimento econômico e regional. Temos avançado no transporte ferroviário de cargas, mas ainda engatinhamos no transporte ferroviário de passageiros. Para avançar nessa pauta, precisamos integrar os debates sobre uso do solo urbano e mobilidade por ferrovia.

O Brasil tem hoje apenas dois serviços interestaduais de transporte ferroviário regular de passageiros, ambos operados em malhas predominantemente de cargas – a Estrada de Ferro Vitória a Minas e a Ferrovia dos Carajás.

Há oportunidade para avançar: o Ministério dos Transportes tem estudos em andamento para a identificação de trechos ferroviários que podem ser aproveitados para o transporte de passageiros. Esses estudos identificaram, preliminarmente, seis pares de cidades que podem ser conectados com investimento relativamente baixo, e alta viabilidade de tráfego. É hora, portanto, de mudar o cenário dos trens de passageiros no Brasil. Para isso, precisamos atuar com criatividade e visão de longo prazo, e aprender com quem já acertou.

Um dos casos mais bem-sucedidos no mundo vem de Hong Kong, onde a MTR Corporation adota o modelo “Rail + Property”. Lá, a concessão ferroviária não é apenas uma questão de trilhos e trens. O operador recebe do governo os direitos de uso e desenvolvimento imobiliário em áreas estratégicas no entorno das estações. Esses empreendimentos — residenciais, comerciais e de uso misto — são altamente valorizados pela integração ao transporte público.

Com isso, mais da metade da receita da MTR vem do setor imobiliário, e não da tarifa. É um exemplo robusto de como o valor urbano gerado por uma ferrovia pode financiar a própria infraestrutura que o criou.

Shenzhen seguiu caminho semelhante na Linha 4 do seu metrô, com uma concessão de 30 anos que incluiu direitos imobiliários sobre quase 3 milhões de metros quadrados. Em Copenhague, a prefeitura criou uma empresa de propósito específico para desenvolver terrenos públicos adjacentes ao novo metrô.

Essa empresa tomou empréstimos garantidos pela valorização futura dos imóveis, quitando a dívida com a venda dos terrenos. Até mesmo cidades norte-americanas adotaram modelos de captura de valor urbano para viabilizar projetos ferroviários, como na renovação da Union Station de Denver.

No Brasil, temos experiência com a exploração de receitas acessórias por concessionárias de serviço público.

A exploração de receitas não tarifárias derivadas de exploração imobiliária já foi inclusive usada para viabilizar concessões de infraestrutura. As concessões para os aeroportos de Jacarepaguá e Campo de Marte, por exemplo, previram a possibilidade de exploração econômica de espaços no complexo aeroportuário como fator relevante (e até preponderante) das receitas das concessionárias.

Para viabilizar nossos projetos de trens de passageiros, precisamos considerar e ir além dessas experiências, e criar um modelo alinhado à prática internacional.

O desenvolvimento urbano e ferroviário se potencializam. Toda nova linha ou estação ferroviária transforma profundamente seu entorno, gerando valorização imobiliária e novas oportunidades econômicas. Esse valor deve ser capturado e reinvestido no próprio sistema, potencializando o benefício coletivo gerado pelo projeto ferroviário.

O Brasil ainda trata a ferrovia, até mesmo as ferrovias urbanas e intercidades, como um investimento isolado. Isso precisa mudar.

A Tribuna - SP   18/07/2025

O Trem Intercidades (TIC) – Eixo Sul, que terá como objetivo conectar São Paulo à Baixada Santista e a outras áreas do litoral paulista por meio de uma linha ferroviária, já está em fase de estudos. Ao mesmo tempo, o TIC – Eixo Leste, que ligará São Paulo ao Vale do Paraíba também se encontra em andamento. O Governo do Estado estima um investimento de R$ 10 bilhões para o Eixo Leste, valor R$ 5 bilhões inferior ao previsto para o Eixo Sul. A conclusão de ambos os projetos está prevista para os próximos 30 anos.

Os projetos do TIC – Eixo Sul e do TIC – Eixo Leste estão avançando e seguem um cronograma dividido em seis etapas iniciais. A primeira fase, referente à qualificação no Programa de Parcelamento Incentivado (PPI), já foi concluída. Atualmente, está em curso a etapa de estudos, com previsão de término para o primeiro semestre de 2027. As próximas fases envolvem audiência pública, elaboração do edital, realização do leilão e, por fim, a assinatura do contrato.

Trem Intercidades (TIC) Eixo Sul
Com extensão prevista entre 80 km e 130 km, o trajeto deve ser percorrido em cerca de 90 minutos. O projeto prevê a criação de aproximadamente 13 mil empregos e tem como objetivo aliviar o tráfego no Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI).

Entre as rotas analisadas para o Trem Intercidades ir da Baixada Santista para a Capital estão três opções. A primeira sugere a Estação Brás como ponto final, passando pela Via ABC e pelo trecho de Paranapiacaba, que corresponde à faixa de domínio da cremalheira. Contudo, essa rota enfrenta atualmente concorrência com o transporte de cargas, o que dificulta sua implementação.

A segunda alternativa propõe a Estação Pinheiros, utilizando a Linha 9 e o trecho de Parelheiros, seguindo o trajeto utilizado pelos trens até a década de 1970. Já a terceira opção considera a Estação Santos-Imigrantes, aproveitando a faixa de domínio da Rodovia dos Imigrantes até o ponto de conexão com a Ferrovia Santos-Cajati, permitindo que os trens cheguem diretamente à cidade de Santos.

Trem Intercidades (TIC) Eixo Leste
O Trem Intercidades (TIC) Eixo Leste vai conectar, por meio de uma linha férrea, a cidade de São Paulo e sua Região Metropolitana ao Vale do Paraíba, com término em São José dos Campos, no interior de São Paulo. O percurso terá duração estimada de 75 minutos, atravessando quatro municípios e beneficiando aproximadamente 2,7 milhões de habitantes.

A extensão total da ferrovia deve variar entre 80 km e 130 km, sendo que o traçado definitivo será divulgado após a conclusão dos estudos de viabilidade.

NAVAL

A Tribuna - SP   18/07/2025

Esperado há mais de três anos pelo setor portuário, o decreto que regulamenta a Lei da Cabotagem (14.301/2022), a chamada BR do Mar, foi assinado nesta quarta (16) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Brasília. A expectativa do Governo Federal é incentivar o modal no Brasil, reduzindo custos.

As empresas que operam com cabotagem, que é o transporte de mercadorias por navios entre os portos dentro do País, aguardavam a medida para expandir operações. Os custo logístico no transporte de cargas por esse meio é 60% mais barato do que por caminhões e 40% menor do que por trens.

“A cabotagem é uma alternativa eficiente e sustentável. Um país continental como o Brasil precisa de todos os modais para crescer. Esse é mais um passo no rumo de um Brasil mais competitivo e preparado para o futuro”, afirma Lula.
A regulamentação foi elaborada pela Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), e prevê ainda a redução do valor do frete e do impacto ambiental do transporte de cargas no País.

Ampliação
Com o programa, o governo pretende também ampliar a oferta de embarcações para a navegação, criar novas rotas e aumentar empregos no setor. A BR do Mar também estimula o desenvolvimento e inovação da indústria naval e implementa quesitos de sustentabilidade para permitir o aluguel de embarcações estrangeiras.
Para as Empresas Brasileiras de Navegação (EBNs), o programa incentiva a formação e capacitação de marítimos nacionais, operações para novas cargas, rotas e mercados, além de otimizar emprego dos recursos do Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM).

Um dos instrumentos estipulados no decreto prevê ainda que uma empresa poderá ampliar em até 50% a tonelagem de sua frota própria com afretamento de embarcação estrangeira. Ou seja, se hoje tem dois navios próprios, poderá alugar mais um semelhante em capacidade. Este percentual sobe para 100%, caso a embarcação afretada seja sustentável.
De acordo com a Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, há dois tipos básicos de contratação de embarcações previstas em lei: afretamento a casco nu, quando a empresa aluga a embarcação sem tripulação, assumindo os custos de operação e manutenção; e o afretamento a tempo, quando o armador coloca a disposição do afretador o navio completo, com tripulação, por tempo determinado.

Atualmente, a cabotagem representa 11% da carga total transportada por navios e o Plano Nacional de Logística (PNL) projeta um crescimento de 15% nos próximos dez anos, devido à tendência de redução de custos.

Frete
Segundo estudos da Infra S.A., as modificações vão estimular a concorrência no setor e podem reduzir o frete em até 15%, o que representa uma economia de até R$ 19 bilhões anuais nos custos logísticos.

Em 2024, a cabotagem movimentou 213 milhões de toneladas no Brasil. Cerca de 77% da carga transportada foi em petróleo, especialmente das plataformas offshore até o porto na costa. A BR do Mar deve estimular o transporte de carga em contêiner e carga geral, que hoje respondem por 11% e 2% respectivamente do total transportado por cabotagem.

Lei estimula a indústria naval, diz ministro
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, disse que o decreto de regulamentação do BR do Mar vai estimular a indústria naval brasileira, com a priorização do Fundo da Marinha Mercante (FMM) para a construção de embarcações no País.

O ministro ainda garantiu que a regulamentação do programa “vai reduzir custos logísticos de 20% a 60%, potencializando ainda mais o setor portuário brasileiro”.

Silvio Costa Filho destacou que a regulamentação foi construída “ao lado do sindicato, das entidades, do setor produtivo, de todos que fazem o setor portuário, mas sobretudo da indústria naval brasileira”.

Fortalecer
Segundo ele, o programa terá impacto importante no fortalecimento da cabotagem no Brasil. “Vai fazer com que a gente possa utilizar nossos mares e rios, mas sobretudo os 8 mil km de litoral brasileiro para transformar numa grande BR, para ampliarmos a cabotagem no Brasil. Saímos de 1,2 milhão de contêineres para 2 milhões de contêineres em movimentação”, disse o ministro.

O chefe da pasta explicou que, atualmente, 65% do transporte no Brasil é feito por rodovias. “Quando tivermos outros modais consolidados, e no 2º semestre vamos lançar a BR dos Rios, estaremos preparando novas rotas de integração, gerando competitividade e fortalecendo quem produz no Brasil”.

A BR dos Rios deve ser lançada até outubro, com a agenda de concessões hidroviárias.

Rios
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, disse que a BR dos Rios deve ir em outra direção em relação à cabotagem marítima. O objetivo, segundo ele, continuará sendo de fortalecer a indústria naval, mas com foco em “dialogar com a agenda hidroviária brasileira”.

“Nunca houve concessão hidroviária no Brasil, vamos fazer neste ano. Já foi autorizado pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), em breve deve ser aprovado no TCU (Tribunal de Contas da União), a concessão do Rio Paraguai”.

PETROLÍFERO

O Estado de S.Paulo - SP   18/07/2025

Um possível retorno da Petrobras ao mercado de varejo de combustíveis é visto como negativo tanto do ponto de vista de negócios quanto do de governança, dizem analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast. A avaliação é que a estatal deve concentrar esforços em exploração e produção de petróleo, como faz na Bacia de Santos. Além disso, concorrentes como Ultrapar, Cosan e até mesmo a Vibra já têm presença relevante, dado o tamanho do mercado.

O Estadão/Broadcast apurou que o Conselho de Administração da companhia deve avaliar se incluirá no Plano de Negócios 2026-2030 a volta da estatal ao setor de distribuição.

Rodrigo Glatt, sócio da GTI Administração de Recursos, destaca que, ainda que a estatal seja um nome “de peso”, o desenvolvimento de novos postos seria menos rentável do que os já existentes. “É um business de capital intensivo e de retornos muito mais baixos do que os investimentos que ela tem em exploração de petróleo, que é onde ela devia focar”, diz.

Segundo pessoas a par do assunto, a Petrobras cogita voltar ao setor por meio de um projeto greenfield — ou seja, começando do zero, como foi há décadas com a criação da BR Distribuidora. A intenção não seria o controle de preços, mas garantir que não haverá represamento de cortes do valor das refinarias da empresa ao consumidor final.

A BR Distribuidora foi privatizada entre os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro e recebeu o nome de Vibra, mas ficou com direito de usar a marca Petrobras nos postos por um período. O contrato vence em 2029 e não deve ser renovado.

Apesar de a estatal ter reduzido o preço da gasolina em 5,6% no início de junho, os postos de abastecimento praticamente não repassaram a queda, o que trouxe descontentamento ao governo Lula.

“Para montar uma rede como da Ultrapar, da Ipiranga, ou da Cosan, com a Shell, leva-se muito tempo, e o mercado já está ocupado. A saída seria desenvolver novos postos ou comprar redes pequenas de bandeira branca, o que exigiria muito trabalho e levaria tempo para a Petrobras se tornar relevante”, complementa Glatt.

Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, a notícia sinaliza pressão negativa sobre o segmento de distribuição. “Os postos ganham pela variação de preços ao longo do tempo, e os retornos já estão ruins porque a Petrobras não acompanha a cotação internacional. Me parece que, se a estatal assumir postos, será ruim para todo o setor, ao criar distorção difícil de reverter.”

A Ativa avalia que, no longo prazo, a medida é potencialmente destrutiva de valor tanto para a estatal, que deveria focar em E&P, quanto para a Vibra. “Ainda que a proposta possa gerar reação positiva de curto prazo nas ações da distribuidora, apoiada em dispositivos de proteção acionária, temos dúvidas quanto à capacidade de execução sob uma nova gestão Petrobras”, diz a casa.

Para Cruz, mesmo que a ideia não seja a de controlar preços, o movimento reforça a percepção de maior intervenção estatal. “Acho que o passo seguinte ainda não foi dado porque as contas públicas estão deficitárias, e a Petrobras vem sendo solução, ano após ano, por meio dos dividendos”, afirma.

Monitor Digital - RJ   18/07/2025

De abril de 2020 a julho de 2025, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) notificou 29 empresas a retomar a produção de campos de petróleo e/ou de gás natural.

Dados atualizados até julho de 2025 indicam que além de 61 campos retomados, 8 passaram por cessão de direitos;4 campos foram formalmente devolvidos; e3 campos foram anexados a outros campos.

O ano de 2023 destacou-se com o maior número de retomadas (19), refletindo o impacto direto das ações regulatórias da agência. As Bacias do Recôncavo e Potiguar concentram a maior parte das notificações e ações subsequentes. A Bacia Potiguar localiza-se na porção mais oriental da região nordeste do Brasil, estendendo-se pelos estados do Rio Grande do Norte e do Ceará. A Bacia do Recôncavo fica na porção Leste do Estado da Bahia e tem uma área de aproximadamente 11.000 km.

“Graças ao acompanhamento e à atuação da agência, foi possível assegurar a retomada da produção de campos que estavam inativos e, consequentemente, o retorno do pagamento das participações governamentais”, destacou a ANP. Essa ação da agência atende às Resoluções do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sobre medidas de incentivo à exploração e à produção de petróleo e gás natural e sobre medidas de estímulo ao desenvolvimento e produção de campos ou acumulações de hidrocarbonetos de economicidade marginal.

Segundo a ANP, ambas as resoluções trouxeram diversas determinações, dentre as quais, notificar operadoras de campos que não tenham apresentado produção nos últimos 6 meses para que restabeleçam a produção no prazo de 12 meses. As empresas podem ainda, nesse período, transferir os direitos sobre esses campos para outras empresas que se comprometam e tenham capacidade de cumprir a produção.

Em caso da extinção do contrato de concessão e sendo identificada ainda alguma viabilidade de produção, o campo pode, ainda, ser incluído, pela ANP, na Oferta Permanente, para ser licitado novamente como “área inativa com acumulações marginais”.

Segundo a ANP, 15 dos campos notificados entre 2024 e 2025 ainda estão dentro do prazo regulamentar para a adoção de medidas pelas empresas. A ANP esclareceu que segue monitorando esses casos, avaliando cronogramas para a retomada da produção, propostas de cessão e eventuais devoluções.
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Valor - SP   18/07/2025

O petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em setembro fechou em alta de 1,46% e o WTI (a referência americana) com entrega prevista para agosto subiu 1,75%.

Os contratos futuros de petróleo fecharam esta quinta-feira (17) em forte alta, após começarem o dia com ganhos contidos, interrompendo um movimento de três dias consecutivos de queda. A volta do prêmio de risco geopolítico, devido aos conflitos no Oriente Médio, deu suporte aos preços.

O petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em setembro fechou em alta de 1,46%, a US$ 69,52 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). Já o WTI (a referência americana) com entrega prevista para agosto subiu 1,75%, a US$ 67,54 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).

Os preços são sustentados pelo ressurgimento do prêmio de risco no Oriente Médio após ataques de drones à infraestrutura petrolífera na região do Curdistão iraquiano, afirma Quasar Elizundia, da Pepperstone, em nota. Nenhum grupo reivindicou a responsabilidade pelos ataques, que pioraram as tensões entre o governo central em Bagdá e as autoridades curdas.

A resiliência econômica em importantes países consumidores de petróleo, como EUA e China, também contribuem para a alta. Ainda assim, o mercado permanece sensível aos impactos da política comercial americana e as eventuais decisões sobre a produção de petróleo pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+).

Globo Online - RJ   18/07/2025

A Petrobras vai buscar intensificar a venda de derivados para países da Ásia após a imposição de uma tarifa de 50% anunciada pelo presidente americano Donald Trump para as exportações brasileiras. De acordo com fontes da companhia, a intenção é elevar os negócios com traders asiáticos, hoje os principais parceiros internacionais da empresa.

Atualmente, os americanos respondem por 37% das exportações de derivados (como gasolina, diesel e outros combustíveis) produzidos pela estatal. Cingapura lidera, com 53% dos embarques da Petrobras. Segundo fontes da estatal, haverá um esforço maior para vender esses derivados caso se torne inviável a venda para os EUA.

Segundo essa fonte, a busca por novos compradores diante da recusa americana não chega a representar uma grande preocupação, pois haverá muita demanda internacional, já que parte dos países do Hemisfério Norte começará, nas próximas semanas, a fazer estoque para o inverno.

Diferentemente dos derivados, a exportação de petróleo bruto da Petrobras para os EUA responde por apenas 4% do total dos embarques da estatal. A China é o maior comprador, com 36% do total, seguida pela Europa (27%) e por outros países da Ásia (33%).

Procurada, a Petrobras não comentou. O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) disse, em nota, que defende o diálogo aberto entre as lideranças brasileiras e americanas, a fim de encontrar uma solução diplomática para a questão e preservar a estabilidade institucional e o fluxo comercial entre as duas maiores economias do continente.

RODOVIÁRIO

A Tribuna - SP   18/07/2025

O projeto do túnel imerso Santos-Guarujá recebeu o primeiro aval ambiental. O parecer técnico favorável ao Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) foi emitido pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A proposta segue agora para deliberação do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).

O leilão, inicialmente marcado para 1º de agosto, foi adiado para 5 de setembro. A justificativa oficial é de que o novo prazo permitirá maior maturação das propostas.

O projeto prevê R$ 6,8 bilhões em investimentos. O valor foi ampliado em cerca de R$ 800 milhões na nova versão do edital, publicada no mês passado. Esse dinheiro será dividido entre Estado e União, sendo o Governo Paulista responsável pela licitação.

Já há interessados confirmados para a disputa. A construtora brasileira Marquise Infraestrutura se uniu à italiana WeBuild para formar um consórcio que disputará o certame. A multinacional China Communications Construction Company (CCCC) também afirmou ao governo brasileiro que vai participar, segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

O prazo da concessão será de 30 anos, abrangendo a construção, operação e manutenção do túnel, que terá 1,5 km de extensão (sendo 870 metros submersos).

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