Clipping Diário

18 | Maio | 2026

ECONOMIA

Globo Online - RJ   18/05/2026

O Santander Brasil revisa nesta sexta-feira suas projeções para a economia brasileira em 2026 diante da expectativa de um petróleo mais caro por mais tempo, mercado de trabalho ainda aquecido e inflação mais persistente. Em entrevista ao blog, o economista da instituição, Marcus Caruso, afirmou que o banco elevou a projeção de crescimento do PIB deste ano de 1,5% para 1,8%. E passou a trabalhar com uma inflação de 5,1%, acima dos 4,5% estimados anteriormente, por conta do aumento dos bens industriais e alimentos.

Segundo Caruso, a principal mudança nas projeções veio da revisão das premissas para o preço do petróleo, que está sendo negociado acima dos US$ 100, impactos pelo fechamento do estreito de Ormuz por conta da guerra no Oriente Médio. banco passou a considerar um barril do tipo Brent mais elevado tanto neste ano quanto em 2027.

- Estamos trabalhado com um Brent na casa dos US$ 90 no segundo semestre e US$ 80 no ano que vem. É mais alto do que a gente contemplava antes.

O economista explicou que o cenário reflete um prêmio de risco geopolítico mais persistente, além de uma recomposição mais lenta dos estoques globais de petróleo. Para ele, embora o choque externo traga desafios inflacionários, o Brasil também tende a se beneficiar por ser exportador da commodity.

- O lado positivo é o ganho balança comercial, um déficit em conta corrente menor, atividade mais forte pelo lado das exportações e alguma melhora de arrecadação.

Por conta do cenário de incerteza, o Santander também revisou a trajetória da taxa básica de juros, hoje em 14,5%. O banco passou a projetar Selic de 13,25% no fim de 2026, acima da expectativa anterior de 12,5%. Segundo Caruso, o Banco Central deve manter um ritmo gradual de cortes, de 0,25 ponto percentual por reunião, diante da combinação de atividade forte, inflação elevada e incertezas externas.

O Estado de S.Paulo - SP   18/05/2026

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) começa a receber nesta sexta-feira, 15, as solicitações de crédito da nova fase do Plano Brasil Soberano. Nesta rodada, estarão disponíveis R$ 21 bilhões para financiar empresas de setores estratégicos que tenham sido afetadas pela instabilidade geopolítica e conflitos internacionais. Além dos R$ 15 bilhões previstos na Medida Provisória 1.345/2026 publicada em março, o BNDES adicionará mais R$ 6 bilhões em recursos para atender às companhias elegíveis.

O crédito será destinado ao financiamento de capital de giro; capital de giro destinado à produção para exportação; aquisição de bens de capital; e investimentos para ampliação da capacidade produtiva ou o adensamento da cadeia de produção, adaptação de atividade produtiva, e em inovação tecnológica ou adaptação de produtos, serviços e processos.

O plano contempla empresas dos setores de siderurgia, fertilizantes, móveis, automotivo, têxtil, farmacêutico, equipamentos eletrônicos, informática e minerais críticos, entre outros.

“O BNDES está, novamente, pronto para apoiar as empresas brasileiras neste momento de instabilidade por severas restrições no comércio internacional, adicionando R$ 6 bilhões ao apoio já anunciado. O governo do presidente Lula entende que a ampliação do crédito e de instrumentos financeiros emergenciais é fundamental para proteger empresas, pois cabe ao Estado agir para preservar empregos, sustentar a produção nacional e garantir competitividade no mercado global”, declarou Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, em nota distribuída à imprensa.

A linha chamada Giro Exportação possui taxa de 1,2% ao mês, com prazo de pagamento de 60 meses, sendo até 12 de carência, com valor máximo de R$ 50 milhões. A linha de capital de giro prevê taxa de 1,35% ao mês para grandes empresas e de 1,2% ao mês para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), com prazo de 60 meses para pagamento e até 12 meses de carência, tendo valor máximo de R$ 50 milhões. A linha de bens de capital tem taxa de 1,18% ao mês, prazo de 60 meses e 12 de carência, com valor máximo de R$ 50 milhões. Já a linha de investimento tem taxa de 1,06% ao mês, prazo de 240 meses, com até 48 meses de carência, e valor máximo de R$ 50 milhões.

A nova etapa do Brasil Soberano tem como objetivo o apoio a empresas brasileiras exportadoras e relevantes para a balança comercial do País, que tenham sido afetadas pelas tensões geopolíticas, como a guerra no Oriente Médio, e medidas tarifárias impostas pelo governo dos Estados Unidos, lembrou o BNDES.

Para verificar a elegibilidade, as empresas exportadoras e fornecedores podem acessar o site, clicando aqui.

Agência Brasil - DF   18/05/2026

O Ministério do Comércio da China descreveu neste sábado como "preliminares" os acordos tarifários, agrícolas e aeronáuticos firmados durante a visita do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, nesta semana.

Trump deixou Pequim nessa sexta-feira (15), depois de dois dias de conversas com o presidente Xi Jinping, que se caracterizaram pela pompa e pela retórica calorosa, mas com detalhes limitados sobre resultados concretos em termos de comércio e investimento.

Em declaração em seu site, o ministério informou que os dois lados concordaram em estabelecer um conselho de investimentos e um conselho de comércio para negociar reduções tarifárias recíprocas e específicas de produtos, bem como cortes mais amplos em produtos não especificados, incluindo os agrícolas.

Também com relação à agricultura, Pequim disse que os dois lados trabalhariam para resolver barreiras não tarifárias e questões de acesso ao mercado.

"O lado norte-americano promoverá ativamente a resolução das preocupações de longa data da China com relação à detenção automática de produtos lácteos e aquáticos, às exportações de bonsai em meios de cultivo para os EUA e ao reconhecimento da província de Shandong como área livre de gripe aviária", disse o ministério.

"O lado chinês também promoverá ativamente a resolução das preocupações dos EUA em relação ao registro de instalações de carne bovina e às exportações de carne de aves de alguns estados norte-americanos para a China", acrescentou.

O ministério não identificou as empresas, nem forneceu detalhes sobre volumes, valores ou cronogramas.

O Estado de S.Paulo - SP   18/05/2026

Ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio-fundador da Gávea Investimentos, Armínio Fraga disse nesta sexta-feira, 15, que o País atravessa um período “para lá de preocupante”, ao avaliar que o cenário atual “mostra o país meio perdido e sem caminho claro” para se desenvolver. Para ele, o Brasil vive uma crise que “merece ser chamada de institucional” - e “vem frustrando nossos sonhos há bastante tempo”, diz.

Fraga afirmou que, desde 1995, com o Plano Real “a pleno vapor”, o País registrou taxa média de crescimento per capita de 1,3%, inferior à dos Estados Unidos. “Em tese, país mais pobre tem mais espaço para crescer”, disse. Ele acrescentou que, nesse contexto, os retornos deveriam ser mais elevados do que em economias mais maduras, “mas isso não tem acontecido”.

Armínio Fraga participa de evento realizado pelo RenovaBr, escola de formação política criada em 2017 pelo empresário e investidor Eduardo Mufarej, visando à formação de novas lideranças políticas no País.

Apesar do diagnóstico, Fraga disse que o País tem potencial para acelerar. Segundo ele, o Brasil pode crescer “a taxa três vezes mais rápida por duas décadas”, desde que consiga enfrentar gargalos políticos e institucionais e organizar prioridades.

O ex-presidente do BC afirmou ainda que “não há experiência de país que tenha se desenvolvido sem um ‘Estado bom’”. Na sua avaliação, o momento internacional também impõe desafios adicionais. “Hoje vemos democracias ameaçadas de várias formas”, disse.
‘Captura do Estado por grupos de interesse’

Ele observou que países com padrão mais alto e desigualdade baixa “são todos ou quase democracias” e lembrou que “não faz muito tempo que vivemos uma ameaça à democracia”. Para ele, o Brasil ainda tem “desafios enormes na área política institucional”.

No campo doméstico, Fraga disse que o Estado brasileiro vive um “gravíssimo problema de prioridades” e avaliou que o País enfrenta “situação de captura do Estado por grupos de interesse”. Segundo ele, “o que o Estado deveria fazer não ocorre por questões quantitativas”. Ele também chamou atenção para o peso do gasto previdenciário. “A Previdência, da forma como se encontra, é inviável”, afirmou.

Fraga defendeu ainda que “hoje é preciso um ajuste fiscal para repensar as prioridades do governo”. Segundo ele, o ajuste a ser feito precisa ser “maior do que o necessário para ter juros menor”. Ele também citou questões de segurança pública e integridade institucional.

“A segurança é um problema gigantesco; o nível de corrupção é intolerável”, disse. Ao comentar a dinâmica política, afirmou: “Todo político precisa vender seu peixe, mas não precisa vender peixe que não vai entregar”.
Política monetária ‘esquizofrênica’

Armínio Fraga disse que, na sua avaliação, a política monetária tem operado em um ambiente de falta de coordenação com outras frentes. “O BC está tirando água do convés e outros estão jogando para dentro, fica uma política monetária esquizofrênica”, afirmou.

Armínio comentou ainda que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, “está lidando com circunstâncias muito adversas”. Segundo ele, a atuação do BC tem hoje uma moldura institucional de “independência operacional”, mas esse desenho perde potência se não houver coordenação macroeconômica.

O ex-presidente do BC afirmou que, no debate público, a autoridade monetária tem sido alvo de críticas intensas. “No geral, BC está apanhando muito, merecidamente, porque tem foco de corrupção, que não é grande”, afirmou.

Infomoney - SP   18/05/2026

O superávit da balança comercial do Brasil em 2026 deve ficar entre US$ 72 bilhões e US$ 75 bilhões, segundo projeção do FGV/Ibre no boletim do Indicador de Comércio Exterior (Icomex) de abril. Segundo o estudo, essa estimativa pressupõe que o conflito no Oriente Médio não se estenda para o segundo semestre do ano e que o presidente Donald Trump não traga novas surpresas para o cenário mundial.

O Icomex destaca que o saldo da balança comercial de abril foi de US$ 10,5 bilhões, fazendo com que o superávit acumulado no ano chegasse a US$ 24,8 bilhões, valor US$ 7,5 bilhões superior ao de igual período de 2025.

Entre os principais parceiros no mês, registraram melhora no saldo comercial: a China, com ganho de US$ 7,3 bilhões, e a União Europeia, com ganho de US$ 1,4 bilhão.
O superávit com a China, de US$ 11,6 bilhões, representou 47% do superávit total da balança de janeiro a abril. Os Estados Unidos registraram aumento do déficit, de US$ 1,0 bilhão para US$ 1,4 bilhão, enquanto, no caso da Argentina, o superávit reduziu de US$ 1,9 bilhão para US$ 815 milhões.

Na comparação do acumulado do ano até abril, as exportações para o Oriente Médio aumentaram 2,3% e as importações, 11,6%. Na comparação entre os meses de abril de 2025 e 2026, as exportações recuaram 3,5% e as importações, 1,0%.

“Nos próximos meses, os resultados mostrarão qual tendência deverá prevalecer, a depender do conflito na região. A guerra do Irã, além dos reflexos no mercado de petróleo mundial e no Brasil, tende a afetar as vendas brasileiras para a região, em especial de carnes de frango e bovina e de milho, além das compras de adubos, fertilizantes e óleos combustíveis”, diz o estudo do FGV/Ibre.

Balança comercial tem superávit de US$10,537 bi em abril com exportações mais fortes
Exportações em valor e volume

As exportações totais do Brasil aumentaram 14,3% e as importações, 6,2%, em valor, na comparação do mês de abril entre 2025 e 2026. Na comparação entre os acumulados do ano até abril, em valor, as variações foram de 9,2% para as exportações e 2,5% para as importações.

No acumulado do ano, a variação do volume superou o aumento dos preços nas exportações; já na comparação mensal, a variação dos preços, de 7,6%, superou a do volume, de 6,2%. No caso das importações, os preços subiram na comparação do acumulado, enquanto o volume recuou 0,4%. No mês de abril, preços (3,7%) e volume (2,5%) aumentaram.

O boletim destaca ainda que o comportamento dos preços das commodities influenciou o resultado global e o comércio com a China, em especial nas exportações. Os preços das commodities exportadas subiram 0,5% no acumulado até abril, mas, na comparação mensal de abril, o aumento foi de 7,6%.

Nas importações, o comportamento se repete em termos de tendência, mas os preços das commodities importadas aumentaram 40,2% em abril. Os preços dos produtos não commodities exportados aumentaram mais do que os dos produtos não commodities importados. Não está claro qual tendência irá predominar: o aumento nos preços das commodities exportadas ou das importadas.

Jornal de Brasília - DF   18/05/2026

A indústria de transformação prevê um agravamento da perda de espaço dos produtos nacionais no mercado brasileiro em 2026 e cobra do governo federal medidas mais duras de defesa comercial contra importações, sobretudo chinesas.

A coalizão atribui o cenário ao que chama de “importações predatórias” e à perda de competitividade sistêmica da indústria brasileira. De acordo com a entidade, o problema não é a importação em si, mas a entrada de produtos estrangeiros em condições consideradas desleais, muitas vezes beneficiados por subsídios, custos menores de produção e diferenças tributárias.

A preocupação da coalizão ocorre em meio ao contexto da derrubada, pelo governo Lula (PT), do imposto de importação sobre compras internacionais de pequeno valor, popularmente conhecido como “taxa das blusinhas”. A medida desencadeou reação negativa do varejo nacional e mais pressão por parte da indústria brasileira, que alega desigualdade tributária no comércio eletrônico.

Segundo estimativa apresentada pela Coalizão Indústria em entrevista coletiva realizada na última terça-feira (12) em São Paulo, o déficit da balança comercial de manufaturados deve atingir US$ 146,4 bilhões em 2026, acima do saldo negativo de US$ 134 bilhões registrado em 2025, o que é preocupante dada a correlação histórica entre o desempenho da indústria de transformação e a expansão do PIB brasileiro.

“O excedente da produção chinesa tem sido direcionado ao mercado global, encontrando espaço em países nos quais os mecanismos de defesa comercial não fazem frente ao ataque predatório”, afirma a entidade.

A Coalizão Indústria reúne entidades dos setores de aço, alimentos, automotivo, brinquedos, calçados, cimento, comércio exterior, construção civil, elétrico e eletrônico, farmacêutico, máquinas e equipamentos, têxtil e transformados em plástico. Juntos, os setores representados pela coalizão respondem por 44,8% do PIB industrial brasileiro, o equivalente a cerca de R$ 1,1 trilhão, além de 60,6% das exportações da indústria manufatureira, 48,6 milhões de empregos diretos e indiretos e R$ 500 bilhões em tributos pagos por ano.

De acordo com a entidade, dos 12 setores que a compõem, oito deverão registrar crescimento na produção abaixo de 4% em 2026 e dois deles terão retração. Em 2025, dos 12 setores, 6 registraram expansão abaixo de 4% e cinco sofreram retração.

“A perspectiva de 2026 é sobreviver. Não é possível se a gente não conseguir competir de igual para igual”, afirmou Synésio Batista da Costa, presidente da Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos). “A indústria nacional não fica pedindo vantagens para ninguém. Mas precisamos que as condições de competitividade de fabricação aqui sejam iguais às dos concorrentes”, disse.

O grupo apresentou no evento um balanço negativo de 2025 e projeções pouco otimistas para 2026.

Segundo a coalizão, o desempenho médio dos setores representados ficou em torno de 1,2% no ano passado, abaixo do crescimento de 2,3% do PIB brasileiro. As entidades demonstraram preocupação também com a perda de participação da indústria brasileira na economia mundial.

“A constatação é de que 2025 não foi bom e 2026 também não será”, disse Marco Polo de Mello Lopes, coordenador da Coalizão Indústria e presidente executivo do Instituto Aço Brasil, que afirmou também que as importações predatórias tomaram um terço do mercado brasileiro de aço em 2025.

Para 2026, a expectativa média da coalizão é de crescimento da produção industrial abaixo de 2%, enquanto as importações devem avançar aproximadamente 6%. “Significa dizer que a indústria nacional não está conseguindo acompanhar o aumento do mercado interno, que está sendo ocupado pelas importações”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

As entidades defendem o fortalecimento de instrumentos de defesa comercial, como medidas antidumping e salvaguardas contra importações consideradas desleais. Também cobram redução dos juros, controle das contas públicas e diminuição do chamado custo Brasil — conjunto de entraves estruturais que encarecem a produção nacional, como carga tributária, burocracia, logística e energia.

José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), afirmou que os juros elevados têm comprometido investimentos, consumo e crescimento econômico.

“Um quarto do que o Brasil gasta, algo entre 25% e 28%, é com pagamento de juros. Nós estamos com as empresas muito endividadas pagando esses juros altos e as famílias também muito endividadas, boa parcela dos brasileiros negativada, que não têm nem como consumir ou usar crédito para consumir”.

Para a coalizão, o desempenho da indústria de transformação tem ligação direta com o crescimento econômico do país. “Nos últimos 76 anos, o PIB cresceu 32 vezes acima de 4%. Em 80% das vezes que o PIB cresceu acima de 4%, a indústria de transformação cresceu numa velocidade superior. Ou seja, nessas 32 vezes, sem dúvida nenhuma, foi a nossa indústria que fez esse crescimento acontecer”, afirmou Roriz.

Apesar das críticas ao cenário econômico, a coalizão afirma que os setores representados mantêm previsão de R$ 1,1 trilhão em investimentos entre 2026 e 2030.

Durante a coletiva, a entidade divulgou um “manifesto pela aceleração do crescimento sustentado do Brasil”, defendendo que o país alcance um “patamar de crescimento sustentado do PIB de, pelo menos, 3,5% ao ano” nos próximos cinco anos sob pena de “comprometer de maneira irreversível os próximos anos”.

MINERAÇÃO

Valor - SP   18/05/2026

Apesar de os custos de frete permanecerem elevados e oferecerem algum suporte aos preços do minério de ferro, o ritmo de redução dos estoques nos portos desacelerou, sinalizando fraqueza nas perspectivas de demanda

O preço do minério de ferro recuou nesta sexta-feira (15), na China, com analistas apontando para uma redução do ritmo de redução de estoques do insumo em portos do país asiático.

O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em queda de 0,67%, cotado a 809,5 yuans (US$ 119,30).

Para analistas da consultoria Nanhua Futures, os riscos associados à busca pela alta do minério de ferro aumentaram. Apesar de os custos de frete permanecerem elevados e oferecerem algum suporte aos preços do minério de ferro, o ritmo de redução dos estoques nos portos desacelerou, sinalizando fraqueza nas perspectivas de demanda, escreveram em relatório.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   18/05/2026

Produção dos veículos Peugeot e Jeep fabricados na China está prevista para começar em 2027

A Stellantis fechou mais um acordo com uma montadora chinesa, desta vez em parceria com o Grupo Dongfeng para produzir veículos elétricos das marcas Peugeot e Jeep na China.

A parceria de US$ 1,17 bilhão destaca uma mudança mais ampla na indústria automobilística global, que está impulsionando uma colaboração mais profunda entre montadoras ocidentais e suas contrapartes chinesas.

Conforme o acordo, a Stellantis fabricará em conjunto dois veículos Peugeot de nova energia com a Dongfeng em sua fábrica conjunta em Wuhan, na China. As empresas também planejam produzir dois Jeep NEVs — uma categoria que inclui variantes totalmente elétricas e híbridas plug-in.

As companhias, que trabalham juntas há mais de três décadas, disseram que o projeto compreende um investimento de cerca de 1 bilhão de euros, equivalente a US$ 1,17 bilhão. A Stellantis contribuirá com cerca de 130 milhões de euros.

A produção dos veículos Peugeot e Jeep fabricados na China está prevista para começar em 2027, e os modelos serão vendidos tanto no mercado interno quanto no exterior.

Os avanços das montadoras chinesas em veículos elétricos — em baterias, tecnologia de direção e recursos internos — impulsionaram uma mudança discreta entre as marcas automotivas ocidentais, que passaram a fazer mais parcerias com empresas locais, em vez de tentar competir diretamente com elas.

A Stellantis foi uma das primeiras grandes montadoras ocidentais a adotar a experiência e a tecnologia das empresas chinesas.

Na semana passada, anunciou planos para aprofundar sua parceria com outra fabricante chinesa de veículos elétricos, a Leapmotor, inclusive com a fabricação de carros na Espanha. Isso marca a primeira vez que uma grande montadora ocidental oferece capacidade de produção europeia a uma marca chinesa.

A Stellantis detém uma participação de 21% na Leapmotor, adquirida em 2023, e possui uma joint venture com a empresa sediada em Hangzhou, Zhejiang.

O Estado de S.Paulo - SP   18/05/2026

A Mercedes-Benz do Brasil e a Bosch inauguraram oficialmente o Centro de Testes Veiculares de Iracemápolis (CTVI), no interior de São Paulo, complexo de engenharia automotiva que recebeu investimentos de R$ 130 milhões e já está em operação com montadoras e fornecedores do setor.

Instalado m área próxima à antiga fábrica de automóveis da Mercedes-Benz, encerrada em 2020 e posteriormente ocupada pela GWM, o centro foi criado para desenvolvimento, testes e homologação de veículos leves, caminhões, ônibus e máquinas agrícolas.

O empreendimento fica a cerca de 170 quilômetros da capital paulista e ocupa área de 400 mil metros quadrados. Segundo as empresas, o objetivo ali é acelerar no Brasil o desenvolvimento de tecnologias ligadas à segurança veicular, assistência ao motorista, eficiência energética e condução autônoma.

Bosch e Mercedes-Benz apontam que, embora a inauguração oficial tenha ocorrido nesta semana, o centro já vinha operando comercialmente e fechou cerca de 20 contratos no primeiro ano de funcionamento, incluindo acordos com fabricantes e fornecedores nacionais e estrangeiros.
Pistas para caminhões, ônibus e sistemas autônomos

O CTVI reúne cinco pistas especializadas e sete oficinas independentes. Duas delas foram desenvolvidas exclusivamente para veículos comerciais pesados, com capacidade para receber caminhões e ônibus de diferentes portes.

Entre as estruturas disponíveis estão uma pista oval de alta velocidade com 2,6 quilômetros, uma área de dinâmica veicular com 88 mil metros quadrados de asfalto plano, pistas de conforto com diferentes tipos de pavimento e superfícies irregulares, além de áreas específicas para frenagem em diferentes condições de aderência.

Segundo as empresas, o centro poderá ser utilizado para validação de sistemas de estabilidade, frenagem automática de emergência, radares, sensores ultrassônicos e tecnologias de condução semiautônoma.

Diferentemente de estruturas voltadas à performance esportiva, o complexo foi projetado para reproduzir situações comuns das ruas e rodovias brasileiras, permitindo testes em cenários próximos das condições reais de uso.

O presidente da Bosch América Latina, Gastón Diaz Perez, afirma que o objetivo do centro é reduzir custos e acelerar o desenvolvimento automotivo no país. “Antes era preciso levar os veículos para estruturas no exterior, em processos que demandavam, além de dinheiro, muito tempo. Agora oferecemos essa estrutura no Brasil”, explica o executivo.

As empresas também apostam na flexibilidade comercial da operação. Tanto as pistas quanto os boxes podem ser alugados sob demanda ou por períodos fixos, permitindo que montadoras e sistemistas utilizem a infraestrutura para testes, homologações, simulações e validação de componentes.

CVTI garante sigilo com oficinas isoladas

O complexo foi estruturado para permitir operações simultâneas de diferentes fabricantes sem compartilhamento de informações técnicas. As oficinas são isoladas entre si e contam com escritórios, salas de reunião, internet, ar-condicionado, copa, banheiro, TV e controle individual de acesso, garantindo confidencialidade aos projetos conduzidos pelas empresas.

Corrida tecnológica da indústria automotiva

A consolidação do CTVI ocorre em meio ao avanço da eletrificação, conectividade, inteligência artificial e automação no setor automotivo global.

Com a pressão por ciclos mais rápidos de desenvolvimento e validação de tecnologias, a expectativa das empresas é que o complexo ajude a ampliar a capacidade nacional de engenharia automotiva e fortaleça a participação do Brasil em projetos globais ligados à mobilidade inteligente, segurança veicular e veículos comerciais avançados.

O Estado de S.Paulo - SP   18/05/2026

A indústria brasileira de veículos pesados encerrou o primeiro quadrimestre de 2026 em ritmos opostos entre caminhões e ônibus. Enquanto a produção de caminhões acumulou queda de 17,2% entre janeiro e abril, a fabricação de ônibus avançou 5,9% no mesmo período, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Foram produzidos 35.411 caminhões nos quatro primeiros meses do ano, contra 42.751 no mesmo intervalo de 2025. Apenas em abril, saíram das linhas de montagem 9.672 unidades, retração de 13,1% frente a março e de 12,2% na comparação anual.

O desempenho acompanha a desaceleração do mercado de caminhões em 2026. Os emplacamentos do segmento somaram 30.700 unidades no quadrimestre, queda de 17,2% sobre o mesmo período do ano passado. Em abril, o mercado ficou praticamente estável frente a março, com 8.802 licenciamentos.

A Anfavea avalia que o setor começou o ano pressionado pela forte retração registrada em janeiro, quando os emplacamentos chegaram a cair 31,5%. Ao longo do quadrimestre, o programa Move Brasil 1 ajudou a reduzir parte das perdas, especialmente por meio do financiamento para renovação de frota. Os modelos pesados lideraram as vendas de caminhões em abril. A categoria de veículos com capacidade acima de 45 toneladas respondeu por 3.643 unidades no mês, seguida pelos semipesados, com 2.941 licenciamentos.

Volkswagen Caminhões e Ônibus liderou o mercado de caminhões no acumulado do ano, com 8.155 unidades emplacadas entre janeiro e abril. Na sequência aparecem Mercedes-Benz, com 7.771, e Volvo, com 5.605.

Outro dado que evidencia o perfil ainda tradicional do transporte rodoviário brasileiro é a predominância do diesel. Em abril, 99,3% dos caminhões e ônibus emplacados utilizavam esse combustível. Os modelos elétricos representaram apenas 0,5% do total, enquanto os veículos a gás responderam por 0,2%.

Produção de ônibus cresce

Na contramão dos caminhões, a indústria de ônibus registrou avanço na produção em 2026. Foram fabricadas 10.641 unidades no primeiro quadrimestre, acima das 10.046 produzidas no mesmo período do ano passado. Em abril, a produção ficou em 3.044 chassis, praticamente estável frente a março, mas 5,9% superior ao volume de abril de 2025.

Mesmo com a alta na produção, os emplacamentos de ônibus ainda operam em queda. O segmento acumulou 6.494 licenciamentos entre janeiro e abril, recuo de 16% na comparação anual.

A Mercedes-Benz liderou o mercado de ônibus no quadrimestre, com 2.683 unidades emplacadas, seguida pela Volkswagen Caminhões e Ônibus, com 1.787, e Agrale, com 747.

As exportações também perderam ritmo nos dois segmentos. Os embarques de caminhões caíram 14% no acumulado do ano, enquanto os ônibus registraram retração ainda maior, de 31,1%.

Move Brasil 2 mira retomada dos pesados

A expectativa do setor agora está voltada para o Move Brasil 2, anunciado pelo governo federal com R$ 21,2 bilhões destinados ao financiamento de caminhões, ônibus e implementos rodoviários.

A nova etapa do programa deve priorizar caminhoneiros autônomos e renovação de frota, além de estimular a compra de veículos mais modernos e eficientes. “Esperamos eliminar esse gap e voltar aos volumes normais de emplacamento com o Move Brasil 2”, explicou Igor Calvet, presidente da Anfavea.

A avaliação do setor é que a combinação entre crédito direcionado, renovação de frota e redução do custo financeiro será decisiva para sustentar uma recuperação mais consistente da indústria de pesados ao longo do segundo semestre.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Globo Online - RJ   18/05/2026

O coração histórico e financeiro do Rio voltou ao centro das atenções do mercado imobiliário. Enquanto o Porto Maravilha segue acelerado nos lançamentos residenciais, a expansão do programa Reviver Centro começa a transformar também o entorno da Avenida Rio Branco. Tapumes, andaimes e canteiros de obras já fazem parte da paisagem de uma região que, por décadas, perdeu moradores — e agora volta a atrair investidores, incorporadoras e compradores em busca da vida urbana pulsante do Centro da cidade.

Com poucos terrenos disponíveis na região, o retrofit virou a grande aposta do momento atual. Prédios icônicos, antes esvaziados ou subutilizados, passaram a despertar a cobiça do setor imobiliário. Um dos exemplos mais emblemáticos é o antigo edifício do Jockey Club, na Avenida Almirante Barroso — joia modernista projetada por Lúcio Costa nos anos 1950.

Garimpar áreas livres virou desafio. Na Rua da Quitanda, o terreno da antiga Veplan, com dois mil metros quadrados, já foi desapropriado pela prefeitura. Outros endereços estratégicos, como os terrenos da Santa Casa, na Rua Santa Luzia, e da Policlínica Geral do Rio de Janeiro, na Avenida Nilo Peçanha, também despertam interesse.

Para Claudio Castro, diretor da Sérgio Castro Imóveis, especialista em imóveis na região, as construtoras estão começando a buscar oportunidades no grande centro financeiro do Rio, porque é uma área que tem muito apelo.

— As pessoas perguntam: tem apartamento perto da Praça XV ou da Sete de Setembro? O metro quadrado de um compacto no Centro já chegou a R$ 16 mil. Quando o Reviver Centro foi lançado, era em torno de R$ 9 mil. A chegada de novos projetos vai se intensificar ainda mais — avalia.

A Nigri prepara seu terceiro residencial no Centro após adquirir a antiga sede da Caixa, na Avenida Rio Branco, para lançar o que promete ser o maior retrofit da cidade. O projeto terá entre 700 e 800 unidades, de estúdios a apartamentos de dois quartos, além de oito mil metros quadrados de lazer, mercado e shopping integrados. No rooftop, a piscina se destaca com vistas para a Baía de Guanabara e o Cristo Redentor.

— Trabalhamos com o conceito de cidade de cinco minutos: a ideia é ter casa, trabalho, serviços e lazer a uma caminhada curta. O residencial surge em uma região com infraestrutura, mobilidade e a maior coleção de patrimônio histórico do Rio. O carioca tem um carinho especial pelo centro financeiro da cidade — destaca o CEO, Raphael Nigri.

Na esquina das ruas Sete de Setembro e Quitanda, a Calçada prepara, em parceria com a Montserrat, o retrofit do antigo Shopping Vertical, com 182 unidades e rooftop voltado para a Baía de Guanabara. A aposta é repetir o sucesso doBueno Studios Life style, na Saara, vendido em apenas quatro horas.

— Escolhemos a região da Sete de Setembro porque ela nunca para. A chegada de novos moradores ao Centro aumenta a circulação de pessoas e movimenta setores como comércio, gastronomia, serviços e academias, fortalecendo a dinâmica econômica da região durante todos os dias da semana — diz João Paulo Matos, CEO da Calçada.

O movimento de revitalização avança também rumo à Rua Uruguaiana. Em parceria com a paulista Benx, o Grupo CTV lança ali o Lumière Studios Boutique, com 130 estúdios compactos voltados para um público que busca praticidade e mobilidade.

Guilherme Mororó, diretor Comercial e de Marketing do Grupo CTV, acredita que o Lumière é apenas o começo de um movimento importante de reposicionamento dessa região histórica da cidade.

— O Centro voltou ao radar dos investidores e das incorporadoras, principalmente pela combinação de mobilidade, infraestrutura consolidada, patrimônio arquitetônico e forte demanda por locação e moradia compacta — resume Mororó.

Valor - SP   18/05/2026

As vendas da empresa, em geral, estão seguindo o esperado para o ano, disse o diretor financeiro da incorporadora,

O fato de a Cyrela ter seus lançamentos divididos entre o alto padrão, o médio padrão e o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) ajuda a balancear os efeitos do aumento de insumos, que a empresa já tem sentido, por causa da alta do petróleo, disse o diretor financeiro da incorporadora, Miguel Mickelberg. Ele falou com analistas em teleconferência nesta sexta-feira (15).

Essa distribuição cria um “hedge natural”, disse. Isso acontece, explicou, porque empreendimentos de média e alta renda têm seu preço corrigido pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) durante a fase de obra. O INCC acompanha os aumentos de insumos e de mão de obra no setor.

Já os lançamentos do MCMV não incluem essa proteção, e a incorporadora precisa embutir prováveis aumentos de inflação de obra já no valor do lançamento. A Cyrela trabalha com um INCC de 6% ao ano, embora Mickelberg tenha dito que já se espera o indicador entre 7% e 9% em 2026.

Ainda assim, segundo ele, a Cyrela tem uma diferença positiva de R$ 2,6 bilhões entre os recebíveis líquidos de permuta financeira, excluindo os projetos do MCMV, e o custo de obra a incorrer no ano, com a inclusão do MCMV.

“No curto prazo, o INCC mais alto tende até a ser positivo para o nosso resultado”, afirmou, citando que a margem bruta mais alta da companhia nos últimos anos ocorreu em 2021, quando o INCC também atingiu um pico, por causa da operação de média e alta renda — o segmento de MCMV pode ter redução de margem no curto prazo, pontuou.

Tudo isso, no entanto, só funciona se a empresa conseguir repassar preços em seu estoque, ressaltou, o que é “incerto”.

Raphael Horn, coCEO da incorporadora, descartou que a Cyrela esteja praticando uma política mais agressiva de descontos para vender estoques. Segundo ele, o desempenho positivo nessa área se deve à força de vendas própria da companhia, da empresa Seller. “Quando você trabalha com imobiliária de terceiros, que são competentes, [os corretores] estão com você no lançamento e depois está com o próximo incorporador que estiver lançando”, disse. “Por isso, há 30 ou 40 anos, o seu Elie [Horn, fundador da Cyrela] montou a Seller, para não sermos reféns disso”.

As vendas da empresa, em geral, estão seguindo o esperado para o ano, disse Mickelberg, e, se continuarem assim, podem fechar 2026 no mesmo patamar ou acima de 2025, o que poderia fazer com que a receita suba. “Acreditamos que vamos ter crescimento da receita”, afirmou o diretor-financeiro.

Já os lançamentos devem ficar um pouco abaixo do volume do ano passado, com exceção da vertical do MCMV, onde a Cyrela espera ver crescimento em novos projetos.

Mickelberg afirmou que a empresa espera uma geração de caixa de zero a R$ 200 milhões em 2026.

Horn destacou que o ano atual está parecido com 2025, o que significa que o mercado segue desafiador, na sua visão, mas com oportunidades.

Seria uma situação diferente, e mais difícil, daquela encontrada entre 2018 e 2024, quando “estávamos na Suíça”. “Agora estamos em mercado bom”.

Horn afirmou ainda que para quem está pensando em começar uma incorporadora de médio e alto padrão, “é um momento difícil”. “Mas para quem é profissional, dá para ganhar um bom dinheiro”.

FERROVIÁRIO

Portal Fator Brasil - RJ   18/05/2026

A MRS Logística S.A., uma das principais operadoras de logística do Brasil, divulga hoje seus resultados consolidados do primeiro trimestre de 2026. Reafirma a força de seu modelo de negócio e a eficácia de sua gestão financeira e estratégica. Em investimentos estratégicos, por exemplo, a empresa aportou R$ 753,6 milhões, um aumento de 19,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Esses recursos foram direcionados à modernização e manutenção da malha, além de aquisições que visam fortalecer a infraestrutura e a capacidade operacional. No que tange ao transporte de todo o tipo de carga, a MRS registrou um volume total de 46,3 milhões de toneladas, um crescimento de 2,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025.

A MRS reportou os seguintes destaques financeiros do primeiro trimestre de 2026 no dia 14 de maio (quinta-feira), resultados comparados ao primeiro trimestre de 2025, tais como a receita líquida de serviços, que totalizou R$ 1,7 bilhão, mantendo-se em um patamar elevado e consistente, com uma variação de -0,1% frente ao período anterior.

Ebitda estável e eficiente: o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, sigla em inglês) atingiu R$ 858 milhões, apresentando um crescimento de 0,5% e garantindo uma sólida margem Ebitda de 51,2%. Este resultado reflete a disciplina na gestão de custos e despesas, que tiveram uma redução de 5,3% no trimestre, impulsionada pela otimização de variáveis como o custo do diesel.

Solidez financeira e alongamento da dívida: a companhia encerrou o trimestre com uma robusta posição de caixa de R$ 4,9 bilhões e uma dívida líquida de R$ 6,2 bilhões. O índice de alavancagem (dívida líquida/Ebitda) de 1,6x está bem distante dos limites contratuais, demonstrando um equilíbrio financeiro saudável. A recente 14ª emissão de debêntures, que captou R$ 1,2 bilhão, reforçou a liquidez e alongou o perfil da dívida, otimizando a estrutura de capital da MRS para projetos de longo prazo.

Com estes resultados do primeiro trimestre de 2026, a MRS demonstra capacidade de navegar em um cenário econômico dinâmico. A Companhia mantém um crescimento sólido no volume de produtos transportados e preserva a eficiência operacional.

Os investimentos e a gestão proativa da estrutura de capital são provas do compromisso com a expansão de longo prazo, buscando constantemente a otimização das operações e a sustentabilidade dos resultados financeiros.

Agenda ESG — No seu Relatório de Sustentabilidade 2025, a MRS reportou o alcance do melhor resultado histórico em emissões específicas da companhia, com 8,70 gCO2e/TKU (Tonelada por Quilômetro Útil), uma redução de 2,5% em relação ao ano anterior, mesmo com o aumento do volume transportado. Isso sublinha a busca por ganhos estruturais em eficiência energética e a modernização da frota.

Adicionalmente, a MRS demonstrou seu papel ativo na sociedade ao mobilizar mais de R$ 1,1 milhão em apoio às comunidades afetadas por eventos climáticos na Zona da Mata Mineira.

MRS Logística — A MRS é uma operadora logística que administra uma malha ferroviária de 1.643 km nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, região que concentra cerca da metade do PIB brasileiro. A Companhia está entre as melhores ferrovias de carga do mundo, com produção quase quatro vezes superior àquela registrada na década de 90. A malha ferroviária conecta regiões produtoras de commodities minerais e agrícolas a alguns dos principais parques industriais do país aos maiores portos da região Sudeste, o que gera uma operação de transporte diversificada, como contêineres, siderúrgicos, cimento, bauxita, agrícolas, coque, carvão e minério de ferro. Aproximadamente 20% de tudo o que o Brasil exporta e um terço de toda a carga transportada por trens no país passam pelos trilhos da MRS.

Portos e Navios - SP   18/05/2026

A Rumo e a Olfar realizaram os primeiros embarques, em fase de comissionamento, a partir do novo terminal rodoferroviário de Porangatu (GO). A estrutura fortalece a conexão do norte de Goiás e do sul do Tocantins com o corredor ferroviário até o Porto de Santos (SP). A parceria entre a operadora ferroviária de cargas e um dos principais grupos industriais de biodiesel e processamento de soja do Brasil foi estruturada para apoiar o escoamento de grãos e o atendimento da produção agroindustrial de uma área com crescente relevância no Centro-Norte.

O novo terminal tem capacidade de transbordo de 1,5 milhão de toneladas de grãos e operação de carga e descarga de até 1.000 toneladas por hora. A entrada de Porangatu ocorre em um momento de avanço da Rumo em Goiás. Em 2025, a companhia movimentou cerca de 5,7 milhões de toneladas de grãos no estado e alcançou 28% de participação na exportação estadual, acima dos 25% registrados em 2024. A empresa avalia que o resultado acompanha a ampliação de sua presença e do fortalecimento da infraestrutura ferroviária em Goiás. A estrutura está está instalada próximo ao acesso à BR-153 e tem conexão direta à Malha Central.

“Porangatu amplia a presença da Rumo em uma região estratégica para o agro e reforça a capacidade da Malha Central de atender a produção do norte de Goiás e do sul de Tocantins com mais previsibilidade e competitividade. A conexão ferroviária com Santos encurta distâncias logísticas, amplia as alternativas de escoamento e fortalece a integração da produção regional aos principais mercados do país”, disse o diretor comercial da Rumo, Diogo Velloso.

O presidente do grupo Olfar, José Carlos Weschenfelder, acrescentou que esse projeto fortalece a produção local, impulsiona a integração da cadeia produtiva e cria novas condições para o desenvolvimento regional. “A operação ferroviária em Porangatu consolida um avanço estratégico para a Olfar, para a região e para o estado de Goiás”, comentou Weschenfelder.

Em Porangatu, a Olfar vem ampliando sua atuação desde 2021, quando reativou a usina de biodiesel, e avançou com a estruturação de um complexo industrial de soja, concluído em 2026. A partir da nova operação ferroviária, esse movimento ganha escala, com um terminal que possui volume contratado de 3 mil toneladas por dia de farelo de soja e amplia a infraestrutura disponível para uma região cada vez mais estratégica ao agronegócio brasileiro.

A Rumo administra cerca de 14 mil quilômetros de ferrovias nos estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás e Tocantins. A estrutura industrial da Olfar reúne três usinas de biodiesel localizadas no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Goiás, além de duas indústrias de esmagamento de soja nos estados do RS e GO. O grupo conta com mais de 60 unidades de recebimento de grãos, distribuídas estrategicamente nessas regiões.

NAVAL

A Tribuna - SP   18/05/2026

A empresa Wilson Sons entregou na última quarta-feira o rebocador WS Capella, segundo da nova série de três embarcações com grande potência construídas no estaleiro da companhia, em Guarujá. Com capacidade para atender navios New Panamax, ele se junta ao WS Halcyon, batizado em janeiro deste ano, e vai operar no Porto de Santos.

O WS Capella é da classe ASD 2312, com 23 metros de comprimento e 12 metros de boca. Com propulsão azimutal e tração estática de 70 toneladas, ele tem capacidade para apoiar os maiores navios em operação no Brasil, tanto em manobras de atracação quanto de desatracação.

De acordo com a empresa, o rebocador possibilita uma redução no consumo de combustíveis, contribuindo para a diminuição de emissões e reforçando a estratégia de renovação e ampliação da frota da Wilson Sons, que passa a contar com 83 embarcações ao longo da costa brasileira.

“Com sua potência, o WS Capella atenderá plenamente os requisitos necessários para o atendimento com segurança de navios cada vez maiores, gerando renda, fortalecendo a infraestrutura portuária, o que contribui diretamente para a economia brasileira”, afirma o diretor-executivo da divisão rebocadores da Wilson Sons, Márcio Castro.

Outro rebocador da classe ASD 2312 está sendo construído no estaleiro em Guarujá, com entrega prevista para o terceiro trimestre do ano. Com a nova série, a Wilson Sons alcançará a marca de 156 embarcações construídas em seu estaleiro em Guarujá, que possui mais de 80 anos de trajetória.

Globo Online - RJ   18/05/2026

Vários países europeus negociam com o Irã para obter autorização para atravessar o Estreito de Ormuz, via estratégica para o tráfego de petróleo que está bloqueada desde o início da guerra no Oriente Médio, informou no sábado a televisão estatal.

"Após a passagem de navios provenientes de países do leste da Ásia, em particular da China, do Japão e do Paquistão, hoje recebemos informações de que há europeus que iniciaram negociações com a Marinha da Guarda Revolucionária" para cruzar o estreito, anunciou a emissora, sem especificar os nomes desses países.

O bloqueio imposto pelo Irã nessa importante via marítima, pela qual antes do conflito costumavam transitar cerca de 20% dos hidrocarbonetos consumidos em nível mundial, perturba os mercados globais e confere a Teerã um instrumento de pressão estratégico. Desde o início da guerra entre EUA e Irã, em fevereiro, a travessia da passagem está fechada, com poucos navios tendo conseguido salvo conduto para navegar ali até agora.

O presidente da Comissão Parlamentar de Segurança Nacional, Ebrahim Azizi, afirmou que o país implementou "um mecanismo profissional de gestão do tráfego" no Estreito de Ormuz, que em breve estará operacional.

— Serão beneficiados (pelo mecanismo) apenas os navios comerciais e as partes que cooperarem com o Irã — enfatizou, antes de afirmar que "serão cobradas as taxas correspondentes pelos serviços especializados".

Washington mantém um bloqueio aos portos iranianos, apesar do precário cessar-fogo que entrou em vigor em 8 de abril. Na quinta-feira, o Irã anunciou que suas forças navais haviam autorizado a passagem de "mais de 30 navios" chineses pelo estreito, dias após a visita do presidente americano, Donald Trump, a Pequim. A China é a principal importadora de petróleo iraniano.

O Estado de S.Paulo - SP   18/05/2026

A China defendeu nesta sexta-feira, 15, a continuidade do cessar-fogo envolvendo o Irã e afirmou que o conflito “nunca deveria ter acontecido”. A posição foi divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores chinês após conversa entre o presidente Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizada na quinta-feira, 14, em Pequim.

Segundo a emissora estatal CCTV, um porta-voz da chancelaria chinesa afirmou que a guerra “não precisa continuar” e defendeu uma solução rápida para o conflito. Para o governo chinês, o avanço das negociações pode beneficiar tanto EUA e Irã quanto os demais países da região e a economia global.

Pequim também pediu a reabertura das rotas marítimas “o mais rápido possível”, em referência às tensões no Estreito de Ormuz, considerado estratégico para o transporte internacional de petróleo. Segundo o ministério, a retomada da circulação é importante para preservar a estabilidade das cadeias globais de abastecimento e da atividade econômica internacional.

A declaração foi divulgada após Xi e Trump discutirem a guerra durante uma conversa bilateral. Segundo o governo chinês, os dois líderes trataram de “questões importantes que dizem respeito aos dois países e ao mundo”.

Horas depois, Trump afirmou a jornalistas a bordo do Air Force One que Xi foi “categórico” ao dizer que o Irã não pode possuir armas nucleares e que o país deveria reabrir o Estreito de Ormuz. Em entrevista à Fox News, o presidente norte-americano também declarou que Xi teria se oferecido para ajudar na construção de um acordo envolvendo Teerã.

A Tribuna - SP   18/05/2026

Com destaque no segmento de granéis líquidos, a Ageo Terminais e Armazéns Gerais prepara uma expansão de sua capacidade, que deve subir de 525 mil metros cúbicos para 599 mil metros cúbicos, com entrega a partir de junho, após investimento de R$ 154 milhões. É o que afirma o vice-presidente comercial e de novos negócios da empresa, Aquiles Dias. Ele visitou nesta sexta-feira (15) o Grupo Tribuna, com outros membros da diretoria.

Segundo Aquiles, a Ageo, que opera três terminais na Margem Esquerda do Porto de Santos (Ilha Barnabé), vive um momento importante, contribuindo de forma significativa para o aumento das oportunidades de movimentações de granéis líquidos.

“Ainda que sejamos uma empresa relativamente jovem, com praticamente 22 anos de vida, hoje a gente já representa aproximadamente 37% da capacidade instalada do Porto de Santos. Consequentemente, tem evoluído de forma importante na contribuição do crescimento das movimentações”, afirma.

Aquiles entende que um dos diferenciais da companhia é acolher diversos tipos de produtos, como químicos, corrosivos, especialidades, fármacos, combustíveis, aquecíveis e refrigerados. “Entregamos uma performance em um nível de segurança operacional e de governança como qualquer empresa de primeiro mundo”, avalia.

Píer privado e sustentabilidade

A Ageo conta, atualmente, com um píer privado, o que oferece, na visão do executivo, um importante elemento competitivo. “Somos fruto de três concessões públicas dentro do Porto Organizado de Santos. A empresa procura investir seguidamente em ações de segurança e, obviamente, nas suas ampliações”, observa.

Uma nova expansão está no horizonte da empresa, visando chegar a 648 mil metros cúbicos (m³). “Estamos projetando essa nova expansão, que ainda está sendo discutida, mas que deve ocorrer, provavelmente, para janeiro de 2028”, argumenta.

O vice-presidente da Ageo acrescenta que o segmento de granéis líquidos representa, aproximadamente, 12% da movimentação total de cargas do Porto de Santos. “A atividade de granel líquido é fundamental para o desenvolvimento da indústria brasileira e pela parte de movimentação de produtos de energia. O Porto de Santos transporta 32% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e grande parte das indústrias de transformação do mercado brasileiro estão instaladas na Região Sudeste do País, mostrando a relevância da nossa participação”.

Além disso, em 2024, a Ageo expandiu sua atuação para a região Norte, com a aquisição de um terminal de granéis sólidos, Novo Remanso, em Itacoatiara (AM). A iniciativa conectou a produção nacional aos mercados internacionais por meio da Hidrovia do Rio Madeira–Amazonas.

PETROLÍFERO

Globo Online - RJ   18/05/2026

A Petrobras anunciou hoje um pacote de investimentos de R$ 37 bilhões destinados ao Estado de São Paulo para o período entre 2026 e 2030. O montante, apresentado pela presidente da estatal, Magda Chambriard, abrange desde a exploração de uma nova descoberta no pré-sal paulista, na área de Aram, até a ampliação da capacidade logística no Porto de Santos, passando pela expansão do parque de refino no estado e avanços no setor de biocombustíveis.

O anúncio do pacote reforça o peso do estado na operação da Petrobras, mas chama a atenção pelo montante anunciado no maior colégio eleitoral do país, faltando cinco meses para as eleições. Na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará em São Paulo ao lado da presidente da estatal em visita à Replan, a refinaria de Paulínia, para anunciar “oficialmente” os investimentos, já previstos no plano de negócios da companhia.

A novidade de maior impacto estratégico do pacote paulista é o início do desenvolvimento na área de Aram, uma descoberta recente que representa uma nova fronteira no pré-sal. O campo, localizado na Bacia de Santos, ainda não tem nome comercial definido, mas já mobiliza diversas áreas da companhia.

— A minha encomenda para a equipe é de cara termos pelo menos um, dois poços produtores até 2030 — afirmou Magda Chambriard em entrevista.

Do total de R$ 37 bilhões, R$ 9 bilhões estão reservados para a área de exploração e produção (E&P) no estado. O maior pedaço do pacote, estimado em R$ 17 bilhões, vai para o setor de refino, que engloba as quatro refinarias paulistas da Petrobras. Só a Replan, em Paulínia, absorverá R$ 6 bilhões. Na última quinta-feira, Lula e Magda Chambriard estiveram na Bahia e anunciaram investimentos no estado, principalmente na fábrica de fertilizantes da estatal em Camaçari, e em Sergipe.

A novidade de maior impacto estratégico do pacote paulista é o início do desenvolvimento na área de Aram, uma descoberta recente que representa uma nova fronteira no pré-sal. O campo, localizado na Bacia de Santos, ainda não tem nome comercial definido, mas já mobiliza diversas áreas da companhia.

— A minha encomenda para a equipe é de cara termos pelo menos um, dois poços produtores até 2030 — afirmou Magda Chambriard em entrevista.

Do total de R$ 37 bilhões, R$ 9 bilhões estão reservados para a área de exploração e produção (E&P) no estado. O maior pedaço do pacote, estimado em R$ 17 bilhões, vai para o setor de refino, que engloba as quatro refinarias paulistas da Petrobras. Só a Replan, em Paulínia, absorverá R$ 6 bilhões.

Na área de logística, a Petrobras anunciou que em breve assinará um novo contrato para uma segunda área de atuação no Porto de Santos. No total, R$ 3,3 bilhões serão aplicados na expansão e modernização de duas áreas do Terminal Aquaviário de Santos.

A estimativa, segundo a empresa, é gerar cerca de 3 mil postos de trabalho diretos e indiretos. A expansão inclui a construção de um novo píer para movimentação de derivados e de novos tanques dedicada ao abastecimento de navios com bunker renovável.

Valor - SP   18/05/2026

Um novo modelo de contrato estabelece condições para que a PDVSA trabalhe com empresas estrangeiras para reativar poços de petróleo, perfurar novos e comercializar a produção venezuelana

A estatal petrolífera da Venezuela começou a circular um aguardado modelo de contrato para empresas de energia interessadas em operar no país latino-americano, um passo importante para reativar a produção de petróleo.

O documento revisado pela Bloomberg estabelece condições para que a Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) trabalhe com empresas para reativar poços de petróleo, perfurar novos e comercializar a produção. A companhia estatal começou a compartilhar o contrato-modelo no fim da semana passada com executivos do setor, assessores e outros participantes da indústria.

O contrato-modelo, provavelmente, representa uma posição inicial maximalista da PDVSA, dizem pessoas do setor familiarizadas com o documento, que pediram para não ser identificadas ao discutir termos confidenciais.

Empresas de petróleo que já têm acordos preliminares de produção com a PDVSA aguardavam há semanas por esse modelo para iniciar as negociações. Mas, à medida que advogados e assessores analisam o documento de 90 páginas, a reação do setor sugere que transformar esses acordos em contratos operacionais pode levar mais tempo do que o esperado.

Um modelo de joint venture favorável a investidores, estabelecido por um acordo de 2022 entre a PDVSA e a Chevron, havia elevado as expectativas da indústria de que a Venezuela deixaria para trás um histórico de nacionalismo dos recursos naturais e passaria a atrair mais investimento estrangeiro após anos de sanções severas. Em vez disso, este novo contrato operacional favorece o Estado venezuelano, especialmente em temas como arbitragem, impostos e rescisão de contratos, ao mesmo tempo que contorna regras de sanções dos Estados Unidos, segundo pessoas familiarizadas com o documento.

Em caso de disputa contratual, o documento prevê mediação pela Organização Internacional de Mediação, com sede em Hong Kong. Se isso não resolver a questão, a disputa será encaminhada a um painel arbitral em Paris, administrado pelo Bureau Internacional da Corte Permanente de Arbitragem.

A cláusula de arbitragem contradiz as licenças do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que tem regido o alívio de sanções à Venezuela desde o início do ano, porque as regras americanas exigem que os acordos sejam regidos pela lei e pela arbitragem dos EUA.

“Atos de desestabilização política”

O contrato também determina que a Venezuela poderá rescindir unilateralmente um contrato se qualquer pessoa associada à empresa operadora se envolver em “atos de desestabilização política”, com indenização limitada caso o contrato seja rescindido unilateralmente por “razões de interesse público” nos primeiros seis anos.

Outra cláusula concede ao Estado ampla discricionariedade sobre impostos e royalties. Embora não seja surpreendente que empresas de petróleo reclamem das condições tributárias, no caso da Venezuela os interesses comerciais são ampliados por considerações políticas e econômicas mais amplas, enquanto o governo Trump pressiona para acelerar investimentos em um país com algumas das maiores reservas de petróleo e gás do mundo.

O modelo está repleto de linguagem contrária às sanções, referindo-se a elas como “medidas coercitivas unilaterais”. O documento é assinado pelo presidente da PDVSA, Héctor Obregón, um integrante remanescente do governo de Nicolás Maduro e alvo de sanções internacionais.

Nem a PDVSA nem o Ministério da Informação da Venezuela responderam a pedidos de comentário. O Departamento do Tesouro dos EUA também não respondeu a um pedido de comentário.

O contrato-modelo da PDVSA surge em um momento de preços elevados do petróleo e crescente pressão doméstica sobre o atual governo venezuelano, apoiado pelos EUA, por parte de remanescentes nacionalistas do regime anterior, de Maduro, que foi capturado por forças americanas em janeiro.

Infomoney - SP   18/05/2026

A Petrobras (PETR3;PETR4) decidiu que desenvolverá a descoberta da área de Aram, no pré-sal da Bacia de Santos, afirmou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, nesta sexta-feira, ao citar investimentos em São Paulo.

“A minha encomenda para a equipe é de termos pelo menos dois poços produtores até 2030”, disse Chambriard, em vídeo publicado antes de uma coletiva com executivos da companhia, convocada nesta sexta-feira para falar sobre investimentos da estatal no Estado.

O bloco Aram foi adquirido em março de 2020, por um bônus de assinatura de R$5 bilhões, na sexta rodada de licitação da reguladora ANP, sob o regime de Partilha de Produção.
A Petrobras é a operadora do bloco e detém 80% de participação, em parceria com a chinesa CNPC (20%).

Durante a coletiva, o gerente-geral de Concepção e Implantação de Projetos de Águas Ultraprofundas, João Gizzi, afirmou que a concepção em estudo para a área demandará uma nova plataforma e ponderou que uma declaração de comercialidade ainda está em avaliação na companhia.

Exame - SP   18/05/2026

O petróleo ampliou os ganhos nesta sexta-feira, 15, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um possível acordo para que a China passe a comprar petróleo estadunidense.

O contrato futuro do Brent para julho avançava 3,71%, cotado a US$ 109,64 por barril por volta das 6h51 (horário de Brasília). Já o West Texas Intermediate (WTI) para junho subia 4,05%, negociado a US$ 105,27.

A alta ganhou força depois que Trump afirmou, em entrevista à Fox News, que Pequim concordou em comprar petróleo dos EUA após reunião com o presidente chinês Xi Jinping.

"Eles concordaram que querem comprar petróleo dos Estados Unidos, vão para o Texas, e nós vamos começar a enviar navios chineses para o Texas, para a Louisiana e para o Alasca", detalhou.

Até o momento, a China ainda não confirmou oficialmente qualquer novo acordo de compras.

Bloqueio de Ormuz

Além da expectativa de aumento da demanda chinesa por petróleo dos EUA, o mercado também reagiu a sinais de redução das tensões em torno do Estreito de Ormuz, rota responsável por cerca de 20% do fluxo global de petróleo.

Um funcionário da Casa Branca afirmou que Xi Jinping demonstrou oposição à militarização da região e a qualquer tentativa de impor taxas para a passagem de navios pelo Estreito.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse à CNBC que a China deve atuar nos bastidores para ajudar a manter a rota aberta. "É do grande interesse deles que o Estreito seja reaberto".

Globo Online - RJ   18/05/2026

A Shell Brasil informou nesta sexta-feira que Cristiano Pinto da Costa deixará a presidência da companhia após quatro anos no cargo e quase 30 anos de atuação na empresa. O executivo será substituído por João Santos Rosa, atual presidente da Shell na Itália, que assumirá a função em 1º de agosto. Ele também acumulará o cargo de vice-presidente executivo para o Brasil na área global de exploração e produção de petróleo e gás natural.

Segundo a companhia, durante a gestão de Cristiano, a produção da Shell no Brasil cresceu cerca de 25%, superando 500 mil barris diários em março de 2026. O executivo também liderou a decisão final de investimento do projeto Orca, no pré-sal da Bacia de Santos, cujo primeiro óleo está previsto para 2029.

No período, a empresa ampliou de cerca de 30 para mais de 70 contratos de exploração e produção no país, incluindo áreas no Sul de Santos e Pelotas. A Shell destacou ainda o avanço dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, hoje em cerca de US$ 120 milhões anuais, além da expansão dos aportes sociais e em patrocínios.

Nascido em Portugal, João Santos Rosa está na Shell desde 2002 e já atuou no Reino Unido, Austrália, Holanda e Estados Unidos, com passagens pelas áreas de upstream, trading, estratégia, marketing e desenvolvimento de novos negócios. A transição entre os executivos será concluída em 1º de agosto.

Protagonismo nas operações globais

Em 2025, a Shell registrou forte queda nos pagamentos feitos a governos de países onde atua na área de exploração e produção de petróleo e gás, com o Brasil ultrapassando a Nigéria como principal destino desses recursos.

Os pagamentos a governos somaram US$ 23,8 bilhões no ano passado, uma queda de 15% em relação ao ano anterior, informou a gigante de energia sediada em Londres em relatório divulgado nesta quinta-feira. O recuo foi puxado principalmente pela Nigéria, onde os pagamentos caíram mais da metade, para cerca de US$ 2 bilhões, à medida que a Shell reduziu sua produção em áreas terrestres no país.

Os pagamentos da Shell ao Brasil cresceram cerca de 15% em relação ao ano anterior, para aproximadamente US$ 4,25 bilhões, impulsionados pelo aumento da produção em campos offshore de alta produtividade. O movimento reflete a estratégia das grandes petroleiras de priorizar ativos mais rentáveis e com maior estabilidade operacional.

Outras empresas também ampliam presença no país. A TotalEnergies aumentou recentemente sua participação no campo de Lapa, enquanto a Exxon Mobil expande a produção do projeto Bacalhau. Já a BP firmou ter realizado sua maior descoberta em 25 anos em águas brasileiras.

AGRÍCOLA

Globo Online - RJ   18/05/2026

A China concordou em comprar pelo menos US$ 17 bilhões em produtos agrícolas dos Estados Unidos por ano até 2028, informou a Casa Branca em um documento detalhando a cúpula de dois dias do presidente Donald Trump na China.

Um dia antes, o Ministério do Comércio da China divulgou seu próprio comunicado sobre a reunião, afirmando que os EUA e a China adotarão uma série de medidas, incluindo a redução mútua de tarifas sobre diversos produtos. A China não forneceu detalhes específicos e acrescentou que equipes dos dois países ainda negociavam os termos, enquanto o comunicado da Casa Branca não mencionou tarifas.

Trump já havia sugerido anteriormente que as tarifas não foram tema de suas reuniões com o presidente chinês, Xi Jinping.

-- Não discutimos tarifas -- disse Trump a jornalistas na sexta-feira a bordo do Air Force One. -- Eles estão pagando tarifas substanciais, mas não discutimos isso.

A visita de Trump a Pequim foi a primeira de um presidente dos EUA à China em quase uma década, e ambos os líderes adotaram um tom positivo em relação às relações entre os dois países.

Tentativas anteriores de Trump de fazer a China comprar mais produtos americanos não tiveram o resultado esperado, levantando dúvidas sobre o cumprimento das novas promessas. A China não conseguiu cumprir os compromissos assumidos em um acordo negociado por Trump em 2020, que previa a compra adicional de US$ 200 bilhões em produtos agrícolas, energéticos e manufaturados dos EUA ao longo de dois anos. A pandemia de Covid-19 dificultou esse esforço, mas críticos afirmaram que as metas eram irreais.

Segundo a Casa Branca, os US$ 17 bilhões anuais em compras chinesas de produtos agrícolas seriam adicionais aos compromissos de compra de soja assumidos no outono passado.

Recentemente, a China passou a recorrer à soja brasileira, mais barata, após cumprir um volume inicial de compras dos EUA acordado na trégua comercial firmada no ano passado entre Washington e Pequim.

Após a cúpula, a China restabeleceu o acesso da carne bovina americana ao mercado ao renovar os registros expirados de mais de 400 instalações frigoríficas, segundo a Casa Branca. O país também trabalhará com reguladores americanos para restabelecer as importações de carne de aves dos Estados Unidos.

O resultado demonstra que os dois países “podem encontrar soluções para os problemas por meio do diálogo e da cooperação”, afirmou o Ministério do Comércio da China no sábado, acrescentando que os termos foram discutidos durante negociações comerciais realizadas na Coreia do Sul antes do encontro entre Xi Jinping e Trump.

No sábado, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, havia dito anteriormente que os dois países discutiram a criação de um “Conselho de Comércio” que reduziria tarifas sobre pelo menos US$ 30 bilhões em produtos não essenciais.

Um exemplo dado pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, foi o de fogos de artifício, que ele classificou como o tipo de “bem de consumo de baixo valor que continuará vindo da China aconteça o que acontecer”.

A China acrescentou que os EUA irão tratar das preocupações de Pequim sobre a retenção automática de produtos lácteos e pescados chineses, da exportação de plantas ornamentais para os EUA e da designação da província de Shandong como zona livre de gripe aviária altamente patogênica.

Atualmente, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA retém produtos lácteos da China devido à presença de substâncias derivadas de melamina, além de alguns produtos aquáticos por causa do uso de medicamentos não aprovados. Na prática, isso significa que os produtos terão a entrada barrada, a menos que os importadores consigam comprovar a regularidade da mercadoria.

Os EUA também afirmaram que a China atenderá às preocupações americanas relacionadas à escassez de oferta e às restrições de exportação ligadas às terras raras e a outros minerais críticos.

No documento divulgado pela Casa Branca, o governo americano afirmou que ambos os líderes “concordaram que o Irã não pode ter uma arma nuclear, defenderam a reabertura do Estreito de Hormuz e concordaram que nenhum país ou organização deve ser autorizado a cobrar pedágios”. Os dois líderes também “confirmaram seu objetivo comum de desnuclearizar a Coreia do Norte”.

Durante o voo de volta aos EUA vindo da Ásia, Trump afirmou ter discutido a possibilidade de suspender sanções contra empresas chinesas de petróleo que compram petróleo iraniano.

A Tribuna - SP   18/05/2026

A incerteza na cadeia de insumos diante dos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia gera forte oscilação sobre os defensivos agrícolas e os fertilizantes - neste último caso, o Brasil importa cerca de 80% do que é consumido. Planos nacionais buscam reduzir essa vulnerabilidade até 2050, mas o fato é que possuímos uma dependência crítica. Barreiras comerciais internacionais, como as tarifas propostas pelos Estados Unidos, desafiam a expansão das exportações e o futuro promete uma guerra tarifária ainda maior em nome da proteção da indústria dos países desenvolvidos.

Tensões geopolíticas geram volatilidade extrema no câmbio, afetando a previsibilidade financeira dos produtores. Os riscos de recessão mundial e choques energéticos pressionam os índices inflacionários na ponta final, tanto que já estamos vivendo a inflação global de alimentos. Soma-se a tudo isso os conflitos armados que alteram as rotas marítimas e encarecem fretes, sobrecarregando a infraestrutura portuária nacional.

A combinação de choques energéticos com a quebra de cadeias de suprimento mantém elevado o risco de inflação persistente. Além disso, a falta de consenso geopolítico internacional reduz a previsibilidade dos mercados e afeta diretamente as projeções de crescimento global com incertezas nos acordos. A volatilidade extrema gerada pelo conflito no Oriente Médio impacta as moedas emergentes e encarece as commodities, pressionando o câmbio.

O preço do petróleo bruto segue afetado pela ameaça física às rotas logísticas e de extração, a menor oferta de fertilizantes encarece os custos de produção da safra e a alta dos custos operacionais e logísticos se traduz em inflação de alimentos na ponta final. Resultado: energia em escalada, insumos agrícolas caros e insegurança alimentar. O impacto dos conflitos geopolíticos sobre os fertilizantes e defensivos agrícolas desenha para a safra 2026/27 um cenário de forte pressão operacional e financeira. Uma prova é que o custo operacional direto para a safra 2026/27 já se projeta 10% maior em comparação com o ciclo anterior.

Consultorias estimam uma redução de até 15% na oferta de fertilizantes voltados ao mercado brasileiro para o próximo ciclo. Não à toa, produtores rurais recuaram nas negociações. Até o fim de abril, a aquisição de fertilizantes estava 50% abaixo do projetado para a safra de verão. Enquanto isso, o preço da ureia registrou altas de até 35% devido às tensões que afetam a cotação do gás natural e o mercado de defensivos agrícolas — como o glifosato — lida com pressões inflacionárias. Um reflexo disso tudo é que o custo total estimado por hectare apresenta alta média próxima a 5%, reduzindo drasticamente as margens de lucro.

No Porto de Santos, as discussões sobre os impactos da crise global e a alta do petróleo giram em torno de uma forte contradição: o porto bate recordes históricos de movimentação de cargas, com 42,8 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, mas opera sob o risco iminente de um apagão logístico devido às tensões internacionais e aos custos de combustíveis. Hoje, cerca de 70% dos navios que atracam em Santos utilizam combustível originário do Oriente Médio. Além disso, o conflito nessa região ameaça diretamente o fluxo de grãos, já que, por exemplo, 31% de todo o milho exportado por Santos tem como destino o Irã. Como se não bastasse, o custo do transporte internacional subiu de forma acentuada, onerando a importação de insumos e a competitividade das exportações. Estaria o porto santista próximo do fim dos recordes?

O elemento com maior impacto imediato na economia brasileira e no agronegócio é a explosão no preço do óleo diesel no mercado doméstico. Embora o frete marítimo e a instabilidade de rotas preocupem o comércio exterior, o diesel atua como um vetor inflacionário interno avassalador devido à dependência da malha rodoviária e os impactos diretos incluem um prejuízo bilionário. Só a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul estima um custo extra de R$ 11,2 bilhões para os produtores rurais apenas neste ciclo de safra devido à explosão do petróleo. Dessa forma, as margens de lucro estão esmagadas, elevando em até 40% o custo operacional por hectare em culturas vitais como soja, milho, arroz e cana-de-açúcar.

Como se não bastasse, estamos com um efeito dominó na inflação. Como o transporte nacional é majoritariamente feito por caminhões, a alta do diesel é repassada integralmente ao consumidor final. Isso mantém a inflação brasileira pressionada na casa dos 4,4% em 2026, forçando debates urgentes no Congresso por subsídios ou projetos de lei de compensação tributária. Em ano eleitoral, a agenda que se coloca no mercado internacional e nacional prejudica qualquer tentativa de reeleição. Pode favorecer quem se planejou e contingenciou suas demandas e necessidades, o que não é o caso do Brasil.

Os impactos efetivos dessas três forças combinadas redesenham o comércio global e criam um ambiente de alta pressão. Diante desse cenário complexo, o agronegócio brasileiro — que vem do forte crescimento de quase 12% em 2025 — vive um momento de transição de margens e reposicionamento estratégico. A escalada de tarifas entre EUA e China beneficia diretamente o Brasil no curto prazo. Os compradores chineses tendem a concentrar suas ordens de compra de soja, milho e carnes no mercado brasileiro para evitar o produto norte-americano. O Brasil consolida sua posição como o fornecedor mais confiável de alimentos à Ásia, preenchendo o espaço deixado pelas restrições comerciais impostas a outros players. Porém, embora os volumes exportados sigam altos, a rentabilidade do produtor está espremida.

A vulnerabilidade externa força o agro a acelerar a transição para tecnologias de matriz nacional, como biofertilizantes, inoculantes e defensivos biológicos, reduzindo a dependência da importação tradicional. O setor portuário e as tradings priorizam contratos de longo prazo e hedge cambial rigoroso para blindar as operações contra novos choques nas rotas marítimas internacionais. Já a recente aprovação de projeto de lei na Câmara Federal que insere os fertilizantes na Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos representa o avanço regulatório mais importante para o setor desde o lançamento do Plano Nacional de Fertilizantes 2050. Com base nas diretrizes dessa nova lei e na realidade geológica do país, o Brasil pode reduzir significativamente a sua dependência externa, embora o conceito de "ser competitivo globalmente" exija distinções profundas entre cada tipo de nutriente. A meta oficial não é a autossuficiência total, e sim reduzir a dependência externa de mais de 80% para cerca de 50% até 2050.

O Brasil tem plenas condições de reduzir sua vulnerabilidade geopolítica externa e garantir sua soberania alimentar. A competitividade nacional não virá da disputa direta de preços de balcão de minérios brutos, mas sim do menor custo logístico interno combinado com a transição tecnológica para uma matriz de nutrição vegetal sustentável. Contudo, o foco ainda está na venda da commodity e não na solução da infraestrutura portuária do País.

Devido à alta volatilidade do comércio exterior em 2026, precisamos de um acompanhamento intensificado, com autoridades portuárias locais analisando o ritmo de embarques nos boletins mensais e o Ministério de Portos e Aeroportos atuando em conjunto com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) na consolidação de balanços estatísticos mensais sobre a movimentação de cargas, podendo assim medir a eficiência e direcionar investimentos de dragagem e infraestrutura de acesso. A celeridade nos investimentos não pode mais sucumbir ao modelo de contratação atual, que desfavorece o avanço em qualquer setor.

Há uma forte e coordenada movimentação entre o Governo Federal, as autoridades portuárias e a iniciativa privada para blindar o escoamento da safra recorde (estimada em 354,4 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26) frente às instabilidades geopolíticas globais. Para reduzir a extrema dependência dos portos das regiões Sudeste e Sul (mais expostos à saturação física), o setor agrícola consolidou uma grande virada logística. Em 2026, os portos do Arco Norte superaram o Porto de Santos, passando a escoar 40,8% do milho e 38,4% da soja produzidos no País. Além disso, a rota de exportação pelas hidrovias e portos do Norte (como Barcarena e Itaqui) reduz o custo do frete rodoviário em até 30% para os produtores do Centro-Oeste e do Matopiba (região que engloba parcialmente os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), acelerando a saída das cargas do País antes de qualquer gargalo global.

Nos terminais do Porto de Santos, o avanço dos conflitos no Oriente Médio fez operadores adotarem importantes medidas de flexibilização de armazenamento:

• Armazenagem preventiva: empresas compradoras do Oriente Médio já emitem pedidos oficiais para que cargas de grãos fiquem retidas temporariamente nos armazéns portuários ou aguardem na área de fundeio (ancoragem) antes do embarque.

• Desvio de portos de conflito: a estratégia impede que navios fiquem presos ou congestionados em portos de destino afetados pela crise, como os terminais do Marrocos e do Golfo Pérsico.

Além disso, empresas privadas de logística e tradings estão ativando planos de fluxo contínuo para evitar que greves ou a escassez de caminhões (provocada pela alta do diesel) parem o escoamento. Isso passa, entre outros pontos, pela aposta na cabotagem. Grandes operadoras integraram frotas rodoviárias ao transporte marítimo. Dessa forma, os grãos são levados de portos menores regionais para os grandes hubs de exportação em navios costeiros, otimizando o fluxo e blindando os prazos contratuais de entrega. Destaco também o uso de contratos antecipados, com o produtor travando preços e custos logísticos por meio de cédulas de produto rural (CPR) e travas de balcão (barter), garantindo a reserva de espaço em navios internacionais com meses de antecedência.

No âmbito público, precisamos atuar em duas frentes temporais. A primeira delas envolve ações de curto prazo, com investimentos emergenciais em dragagem de aprofundamento nos canais de Santos e Paranaguá para permitir a entrada de navios graneleiros ainda maiores, otimizando o volume despachado por viagem. Outra é o acionamento do Plano Nacional de Logística Integrada 2035, que foca no balanceamento de modais, expandindo ferrovias e ferrovias de grãos para que a competitividade do produto brasileiro não dependa da volatilidade internacional do petróleo.

TOP