Diário do Comércio - MG 17/08/2026
Duas das maiores multinacionais do País, ArcelorMittal e Belgo Arames, marcam presença na 31ª edição da CASACOR Minas, que começa neste sábado (15) na sede da PUC Minas, no bairro de Lourdes, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Ambas levam materiais para dentro dos ambientes da mostra que fazem parte do portfólio das empresas no mercado siderúrgico, como aço e arame.
Em parceria com o escritório BCMF Arquitetos, a ArcelorMittal trouxe o aço XCarb® para a temporada. A solução reciclável produzida com 100% de sucata metálica e energia renovável é o componente principal do Pavilhão Oca. A estrutura aberta, de 160 metros quadrados, 20 metros de comprimento e quatro metros de altura, é composta por 80 arcos principais de vergalhões, que remontam à oca indígena brasileira como símbolo de abrigo e convivência.
Instalada nos jardins tombados da PUC Minas Lourdes, a construção permanecerá integrada ao campus, servindo como auditório aberto, espaço para aulas ao ar livre, eventos culturais e convivência diária para a futura Escola de Arquitetura da instituição.
Para a gerente-geral de Marca, Comunicação Corporativa e Relações Institucionais da ArcelorMittal Brasil, Juliana Machado, o pavilhão traduz, de forma tátil, a versatilidade do aço e suas inúmeras aplicações no cotidiano e na construção do Brasil.
“A obra reforça nosso posicionamento de marca, que busca evidenciar a relevância do aço para a vida das pessoas, ao mesmo tempo em que celebra a parceria longeva da ArcelorMittal com a CASACOR Minas”, afirma.
Gabião Belgo Easy compõe ambiente
Já a Belgo integra o ambiente “Refúgio Entre Lastros”, assinado pela Arquitetura Lara, dos arquitetos Caio Oara e Gustavo Ladeira, em parceria com o designer Bernardo Barcellos. A empresa leva para o espaço o gabião Belgo Easy (estrutura em forma de gaiola feita de arame, preenchida com pedras naturais ou britadas), que assume papel central na concepção do projeto ao dar forma a duas paredes estruturantes do ambiente. O projeto conta ainda com a colaboração das lighting designer Mariana Novaes e Priscila Ribeiro, da PS Reformas.
Reconhecida como uma das mais importantes mostras de arquitetura, paisagismo, arte e design de interiores do País, nesta temporada a CASACOR Minas vai apresentar ao público 40 ambientes conectados, assinados por um time formado por mais de 50 profissionais da área. Segundo o diretor executivo do evento, Eduardo Faleiro, a produção é estimada em R$ 5 milhões.
A mostra estará aberta à visitação de terça-feira a domingo, com encerramento da temporada em 6 de outubro. Os ingressos estão disponíveis no site oficial da CASACOR.
Portal Fator Brasil - RJ 17/08/2026
Alta de 22% ante o mesmo período em 2025. Ebitda ajustado atingiu R$116 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 39% em comparação com o segundo trimestre de 2025, acompanhando o aumento do volume de vendas e menores custos das matérias primas, efeitos parcialmente compensados pelo aumento das despesas com vendas, gerais e administrativas (DVGA).
A Aço Verde do Brasil S.A. (“AVB” ou “Companhia”) divulgou seus resultados do segundo trimestre de 2026, e as comparações são relativas ao primeiro trimestre de 2026 e ao segundo trimestre de 2025, no dia 11 de agosto (terça-feira).
Entre alguns destaques A venda total de laminados de aço no segundo trimestre de 2026 apresentou crescimento de 15,8% em relação ao segundo trimestre de 2025, impulsionado principalmente pelo maior volume de vendas na região Nordeste, com destaque para a demanda oriunda do setor da construção civil e para a maior penetração comercial da companhia na região. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, as vendas avançaram 7,6%, refletindo o fortalecimento da demanda nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, que concentraram parcela relevante da expansão do volume comercializado no trimestre.
Vendas — A venda total de laminados de aço no segundo trimestre de 2026 apresentou crescimento de 15,8% em relação ao segundo trimestre de 2025, impulsionado principalmente pelo maior volume de vendas na região Nordeste, com destaque para a demanda oriunda do setor da construção civil e para a maior penetração comercial da companhia na região. Na comparação com o primeiro trimestre de 2026, as vendas avançaram 7,6%, refletindo o fortalecimento da demanda nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, que concentraram parcela relevante da expansão do volume comercializado no trimestre.
Receita líquida — A receita líquida do segundo trimestre de 2026 apresentou aumento de 22,0% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 17,4% em comparação com o primeiro trimestre de 2026, acompanhando o rescimento do volume de vendas em ambos os períodos comparativos. A evolução da receita reflete o maior nível de atividade comercial da
companhia, com manutenção de um ambiente de preços relativamente estável no período.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, sigla em inglês) ajustado atingiu R$116 milhões no segundo trimestre de 2026, aumento de 39% em relação ao segundo trimestre de 2025 acompanhando o aumento do volume de vendas e menores custos das matérias primas, efeitos parcialmente compensados pelo aumento das despesas com vendas, gerais e administrativas (DVGA). Já a margem Ebitda ajustada foi de 26,5%, aumento de 3,2 pontos percenteuais (p.p.). Em relação ao primeiro trimestre de 2026, o Ebitda ajustado apresentou aumento de 15,1%, acompanhando o aumento das vendas. A margem Ebitda ajustada registrou redução de 0,5 p.p., refletindo principalmente o aumento das DVGA como percentual da receita líquida.
O lucro líquido atingiu R$7,2 milhões no segundo trimestre de 2026, correspondendo a uma margem líquida de 1,6%. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o desempenho foi beneficiado pela redução dos custos das matérias-primas e das despesas financeiras, além do crescimento da receita líquida, efeitos parcialmente compensados pelo aumento das despesas com vendas e das perdas sobre ativo biológico. Em relação ao primeiro trimestre de 2026, a melhora do resultado decorreu principalmente da redução das despesas financeiras e do aumento da receita líquida, tendo em contrapartida a elevação das despesas com vendas no período e das perdas sobre ativo biológico.
Capex — A companhia investiu o montante de R$78,2 milhões em Capex no segundo trimestre de 2026, sendo (i) R$21,6 milhões em ativo biológico, (ii) R$49,0 milhões em projetos de melhoria da usina e (iii) R$7,6 milhões em outros investimentos.
Caixa e equivalentes a caixa — A companhia encerrou o segundo trimestre de 2026 com uma posição de caixa de R$524,3 milhões. As principais variações no caixa e equivalentes de caixa no período decorreram, principalmente, da geração de caixa operacional de R$148,6 milhões, compensada pelos desembolsos de R$78,1 milhões em capex e de R$173,8 milhões referentes a amortizações e pagamento de juros de dívidas bancárias.
O Estado de S.Paulo - SP 17/08/2026
Desde 2023 as projeções de inflação ficam acima da meta; analistas preveem redução da Selic maior do que seria apropriado para produzir a convergência no horizonte relevante
Explorei há algumas semanas neste espaço uma tese sobre a postura do BC em termos da velocidade de convergência da inflação à meta. Naquele momento, havia me chamado a atenção a mudança relativamente brusca do padrão das projeções de inflação do Copom divulgadas trimestralmente.
Até 2022 as projeções para o chamado “horizonte relevante” (o período 18 meses à frente, quando a política monetária teria seu efeito máximo) ficavam em torno da meta para a inflação, por vezes até abaixo dela. A partir de 2023, contudo, observamos o contrário: na imensa maioria dos casos as projeções do Copom ficam acima da meta.
Como não parece haver nenhuma alteração “estrutural” na economia que leve a inflação a ficar mais persistente por si só, minha interpretação foi no sentido de atribuir tal mudança a uma nova postura do BC, que preferiria convergência mais lenta, de modo a reduzir o custo associado ao processo.
Nova investigação sobre o assunto trouxe evidências adicionais neste sentido.
As projeções do BC são construídas sobre determinada trajetória esperada da taxa Selic. Concretamente, o Copom toma a previsão dos analistas compilada pela pesquisa Focus na sexta-feira anterior à sua reunião e a utiliza para projetar a inflação no horizonte relevante e nos 12 meses subsequentes.
Dado que as projeções de inflação desde 2023 ficam acima da meta, a conclusão natural é que a trajetória suposta de juros é inadequada: analistas tipicamente preveem redução da Selic maior do que seria apropriado para produzir a convergência no horizonte relevante.
Feita tal consideração, caso o BC estivesse em busca de convergência tempestiva da inflação, o Copom não deveria seguir a trajetória do Focus. Todavia, quando observamos o comportamento do BC notamos que em apenas 2 das 29 reuniões do Copom realizadas desde janeiro de 2023 a decisão se desviou do previsto; nas demais 27 o BC sancionou uma trajetória que sabia ser inadequada.
Vale dizer, a relativa lentidão da convergência ocorre de forma intencional. Como os observadores percebem tal padrão, obviamente ajustam as expectativas de inflação considerando tal informação. Assim, estas não só permanecem acima da meta para horizontes distantes, como 2028, mas também aumentam quando a inflação corrente sobe.
O BC se declara incomodado com este fenômeno e tem debatido suas causas. Não precisaria ir muito longe: se conduzisse a política monetária no lugar de ser conduzido pelo consenso de mercado, muito provavelmente não enfrentaria este problema.
Globo Online - RJ 17/08/2026
Apesar da abertura formal do processo de reciprocidade contra os Estados Unidos por causa do tarifaço, o governo Luiz Inácio Lula da Silva deve ter cautela na aplicação efetiva de taxas equivalentes a produtos americanos. Auxiliares do presidente entendem que a medida não pode significar um tiro no próprio pé com prejuízo para as empresas do Brasil.
Em nota divulgada nesta quinta-feira, o governo informou ter notificado os Estados Unidos sobre o início do processo de reciprocidade. O Brasil foi atingido por duas tarifas pela gestão de Donald Trump: uma de 25%, específica para o país, e outra de 12,5%, que afeta também outras nações. As taxas se somam, embora haja exceções para determinados produtos da pauta exportadora
Integrantes do governo disseram que a abertura formal do processo de reciprocidade ocorreu agora por causa dos trâmites burocráticos. O anúncio de que a gestão Lula recorreria a esse expediente já havia sido feito no momento em que os EUA comunicaram que aplicariam as novas tarifas.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Celso Amorim, se reuniram com Lula no começo da noite desta quinta-feira para informar que a nota com a comunicação da notificação aos americanos seria divulgada.
O Planalto avalia que colocar a Lei de Reciprocidade na mesa é fundamental para dar andamento às discussões sobre a questão tarifária e inibir a adoção de novas medidas contra o país.
Em entrevista ao GLOBO, o ministro do Desenvolvimento, da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou que o movimento não significa que há uma decisão tomada e disse que o procedimento precisa estar à disposição se for necessário.
— É negociação a qualquer momento e reciprocidade só quando necessário.
Segundo Elias Rosa, o processo, que começa com as consultas diplomáticas do Itamaraty, é longo.
— A gente tem 60 dias para fazer um relatório, lá para novembro, e aí eventualmente aplicar alguma medida. Se houver alguma urgência, pode até aplicar antes. Mas o processo precisa estar em andamento para que isso aconteça
Antes de impor tarifas a produtos americanos, a ideia do governo é ouvir os empresários. Em julho, depois de se reunir com o vice-presidente Geraldo Alckmin para discutir o tarifaço de 25%, o setor de máquinas e equipamentos, se posicionou contra o uso da Lei da Reciprocidade, com a defesa de que a saída para o impasse comercial passa pela negociação e não pela revanche.
A taxação aos produtos americanos só seria imposta agora para o caso de haver similares produzidos por outros países. Outra opção levantada por membros do governo brasileiro, prevista na Lei de Reciprocidade, é suspender obrigações de propriedade intelectual de produtos americanos, com o bloqueio de remessas de royalties.
Jornal de Brasília - DF 17/08/2026
Em um ambiente de tensões geopolíticas e incertezas ligadas ao “efeito Trump”, a recomendação recorrente de especialistas de diversificar mercados e a pauta exportadora segue no centro do debate. Ainda assim, os dados do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostram que a variação das exportações permanece relativamente concentrada: os cinco principais produtos responderam por 46,7% das exportações totais do Brasil no acumulado de janeiro a julho de 2026, ante 43,3% no mesmo período de 2025.
Em julho, os volumes exportados e importados recuaram em relação a igual mês de 2025. No entanto, o aumento dos preços assegurou crescimento em valor dos fluxos de comércio e melhora do superávit na comparação interanual.
No acumulado do ano, a principal ajuda para as exportações é do petróleo (33,2%), seguido da soja (22,44%), com destaque também para a carne bovina. Em julho, carne bovina e minério de ferro registraram influências negativas, enquanto petróleo, soja e óleo combustível tiveram contribuições positivas. O relatório ressalta que o volume exportado de petróleo caiu 8,2%, mas os preços aumentaram 35,2%, o que levou a uma contribuição positiva
O saldo da balança comercial de julho foi de US$ 7,1 bilhões, levando o superávit acumulado no ano a US$ 49,0 bilhões, US$ 11,8 bilhões superior ao de igual período de 2025. Entre os principais parceiros, houve melhora no saldo comercial com a China, com ganho de US$ 8,1 bilhões, e com a União Europeia, de US$ 2,9 bilhões. Os Estados Unidos registraram aumento do déficit (de US$ 2,1 bilhões para US$ 2,3 bilhões) e, com a Argentina, o superávit recuou de US$ 3,5 bilhões para US$ 1,2 bilhão.
Em valor, as exportações totais do Brasil aumentaram 6,2% e as importações, 7,6% em julho. No mês, o volume exportado caiu 4,0%, enquanto os preços de exportação avançaram 10,7%; nas importações, os preços subiram 8,0%, com recuo de volume. No acumulado até julho, as exportações cresceram 10,5% (volume +2,8%; preços +7,1%) e as importações 5,5% (volume +0,2%; preços +5,2%).
CNN Brasil - SP 17/08/2026
Kevin Warsh assumiu o cargo de presidente do Federal Reserve em maio em um momento em que a política monetária se encontrava em uma encruzilhada: as autoridades estavam divididas quanto à necessidade de aumentar as taxas de juros para controlar a inflação, enquanto o presidente Donald Trump exigia taxas mais baixas para estimular a economia.
Dados recentes, no entanto, podem levar o banco central dos EUA a adotar uma postura prolongada de inércia.
O mercado de trabalho não está em alta. Os salários caíram nos últimos seis meses em termos reais e o crescimento do emprego tem sido, na melhor das hipóteses, moderado, mas a taxa de desemprego de 4,1% é historicamente baixa.
A inflação — que disparou nos primeiros meses de 2026 devido à guerra entre os EUA, Israel e o Irã — permanece significativamente acima da meta de 2% do Fed, mas diminuiu nos últimos dois meses, enfraquecendo argumentos de que não diminuirá a menos que os juros subam.
Como a economia não está se inclinando claramente para um desemprego mais alto ou para uma alta da inflação, a motivação dos formuladores de política monetária do banco central para esperar só se fortaleceu.
“O nível atual das taxas de juros, segundo muitos, ainda é restritivo o suficiente para reduzir a inflação”, afirmou na quinta-feira o presidente do Fed de Richmond, Thomas Barkin.
Ele observou que grande parte da aceleração da inflação decorreu de choques como aumento das tarifas, preços elevados do petróleo e um boom de investimentos em inteligência artificial — fatores que “devem passar” em algum momento.
O contra-argumento é que permitir que a inflação permaneça alta demais por muito tempo acarreta o risco de uma mudança para cima nas expectativas de preços dos consumidores e das empresas, o que se torna uma profecia autorrealizável.
Barkin, no entanto, disse que a tendência dos mercados financeiros e do público de se concentrarem na recente desaceleração das pressões sobre os preços poderá amenizar a necessidade de aumentar os juros, apesar de a inflação ter permanecido acima da meta do Fed por mais de cinco anos.
“Quanto mais as manchetes falarem que ‘a inflação está caindo’, acho que isso mantém as expectativas sob controle”, disse ele.
Os mercados certamente reagiram a essas manchetes, com operadores abandonando apostas em um aumento dos juros na reunião do Fed de 15 e 16 de setembro, após relatórios recentes que mostraram perdas inesperadas de empregos e uma inflação dos preços ao consumidor e ao produtor mais fraca do que o esperado em julho.
Ao mesmo tempo, os investidores estão precificando uma chance de mais de 90% de um aumento da taxa de juros de referência do Fed até o final do ano, com base nas probabilidades agregadas calculadas pela ferramenta FedWatch do CME Group.
As autoridades monetárias do Fed atualizarão suas próprias perspectivas com novas projeções divulgadas após a reunião do próximo mês.
Em meados de junho, a maioria considerava que a inflação, medida pelo Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês) que o Fed utiliza para definir sua meta, terminaria 2027 em algum ponto entre 2,2% e 2,5%. O PCE atingiu 4,1% em maio, após três meses de aumentos nos preços da energia induzidos pela guerra, mas recuou para 3,7% em junho, o dado mais recente.
Para atingir essa faixa no final de 2027, apenas metade dos pares de Warsh considerava que as taxas de juros precisariam subir pelo 0,25 ponto percentual até o final deste ano, e todos os demais, com exceção de um, consideravam que o apropriado seria nenhuma alteração.
Riscos e expectativas
Christopher Waller e Lisa Cook, ambos membros do conselho de diretores do Fed, afirmaram recentemente que apoiariam aumentos nas taxas de juros, a menos que a inflação esfrie em breve, e os dados mais recentes sugerem que esse cenário está se concretizando.
O Departamento do Trabalho informou na quinta-feira que os preços ao produtor permaneceram inesperadamente inalterados em relação ao mês anterior em julho.
Um dia antes, o departamento havia informado que os preços ao consumidor subiram apenas ligeiramente em relação ao mês anterior em julho, após uma queda em junho.
Esses dados favoráveis podem não ser suficientes para tranquilizar aqueles que defendem um aumento dos juros.
Há uma preocupação específica de que cinco anos de inflação acima da meta possam desencadear um aumento nas expectativas inflacionárias — e tornar qualquer futura batalha contra a inflação mais difícil e mais cara de se resolver.
“A questão é: com que rapidez precisamos atingir essa meta de 2%, e talvez chegaremos lá, mas se levarmos mais três ou quatro anos para chegar lá — isso está tudo bem?”, disse a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, na quinta-feira.
Hammack foi uma das três autoridades que se opuseram à decisão do Fed no mês passado de manter a taxa básica de juros inalterada na faixa de 3,50% a 3,75%, preferindo aumentá-la imediatamente.
Desde então, dois presidentes de bancos do Fed sem direito a voto afirmaram que também desejavam aumentar as taxas.
A presidente do Fed de Cleveland citou um varejista em Cincinnati que está aumentando os preços “porque não sabe de onde virá a próxima pressão sobre os preços, mas sabe que ela virá de algum lugar”.
“Acho que precisamos agir agora porque acredito que precisamos trazer a inflação de volta à meta de 2% mais rapidamente do que uma trajetória de longo prazo indicaria com as taxas de juros neste nível”, disse Hammack.
Trump, por sua vez, continua pedindo taxas de juros muito mais baixas e culpa os pares “hostis” de Warsh por bloquearem os cortes nas taxas. Warsh permaneceu em silêncio sobre seus planos, evitando qualquer tipo de orientação.
Embora haja poucos dados que mostrem o tipo de fraqueza que exigiria os cortes nas taxas previstos por Trump, os argumentos a favor de um aumento podem também se basear menos em indicadores econômicos e mais na percepção dos formuladores de política monetária sobre os riscos relacionados às expectativas do público.
A preocupação é que, quanto mais tempo o Fed permitir que a inflação permaneça acima da meta de 2%, mais provável será que o público perca a confiança e comece a agir como se a inflação fosse permanecer alta — uma dinâmica que pode alimentar pressões sobre os preços e tornar a batalha para contê-las mais difícil e mais cara.
“Quanto mais tempo a inflação permanecer neste nível, mais provável se torna que ela se consolide, o que significa que a desinflação não se concretiza, o que significa que a meta de 2% não é credível, e restaurar os 2% exige mais esforço quanto mais a inflação estiver consolidada”, disse Tim Duy, economista-chefe para os EUA da SGH Macro Advisors.
“A meta são as expectativas reais do público”, disse Duy, acrescentando que os preços cada vez mais altos causam sofrimento aos norte-americanos comuns.
A alternativa, no entanto, é impor um custo de outro tipo por meio de custos de financiamento mais altos, com o objetivo de desacelerar a atividade econômica e, potencialmente, aumentar o desemprego, em um momento em que a inflação pode estar caindo de qualquer maneira.
“Todas as reuniões do Fed no futuro próximo precisarão levar em conta a possibilidade de uma surpresa, mas continuamos a acreditar que o Fed será capaz de evitar por pouco um aumento (dos juros) diante de uma queda lenta e gradual em direção à meta de inflação, um setor de consumo em desaceleração e perspectivas de emprego mais precárias”, disse Christopher Hodge, economista-chefe para os EUA da Natixis.
O Estado de S.Paulo - SP 17/08/2026
A decisão do governo brasileiro de iniciar o processo de aplicação da Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos amplia o risco de tarifas ainda mais altas sobre produtos do Brasil, na avaliação do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. “Aplicar a reciprocidade a um país com falta de racionalidade econômica na guerra tarifária pode fazer com que as atuais tarifas de 25% sobre produtos brasileiros virem 50%”, afirmou. Para ele, o risco merece ainda mais atenção, uma vez que os EUA “não estão aplicando boas práticas de comércio”.
Vale considera que é possível uma reação “bastante negativa” por parte dos americanos, na esteira de um cenário político desafiador. “Não é um processo simples e as saídas não serão positivas no final. Vemos um comércio entre Brasil e EUA maculado durante um bom tempo”, diz.
O economista ainda avalia que o contexto é difícil para novas negociações entre os países. “Falta boa vontade do outro lado”, resume. A percepção, segundo ele, é que tentativas diplomáticas não devem ter avanços expressivos. Já o setor privado segue reunindo esforços para tentar reverter os efeitos das tarifas. “Na conta, temos o processo eleitoral, o que deve fazer com que toda essa tensão continue.”
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nesta quinta-feira, 13, o processo para aplicar a Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos, em razão da aplicação da tarifa de 25% contra o Brasil por supostas práticas comerciais desleais.
“Em cumprimento ao artigo 16 do referido decreto, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) está notificando o governo dos Estados Unidos sobre o início do processo e solicitando a realização de consultas diplomáticas”, informou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), em nota.
Ainda de acordo com a nota, a consulta à diplomacia dos Estados Unidos antes da aplicação da reciprocidade tributária mostra o empenho do Brasil em privilegiar o diálogo com a Casa Branca.
Reflexos negativos no mercado financeiro
A avaliação de Juliana Inhasz, economista e professora do Insper, é que a decisão anunciada pelo governo brasileiro tende a ter reflexos diretos no mercado financeiro nos próximos dias. Esse impacto, segundo ela, é esperado porque a decisão reabre o risco de escalada comercial e contamina a leitura de risco do país, em um momento em que o mercado local já opera pressionado.
“Existe a possibilidade de ter um efeito nos próximos dias, no desenrolar dessa história”, afirma. Para ela, o ponto que o investidor tende a colocar na conta é a possibilidade de a disputa sair do estritamente econômico e virar um evento político, ampliando incerteza e prêmio de risco. “Ainda que não estejamos retaliando diretamente, estamos sinalizando uma possibilidade de retaliação. Isso pode levar a uma turbulência um tanto maior”, diz.
A economista contextualiza que esse anúncio chega num momento em que o mercado já vinha mais sensível a risco, com a bolsa em queda e sinais de menor apetite por ativos locais. Ela também menciona movimentos de fluxo e reprecificação de risco por diferentes fatores domésticos, que já vem provocando uma saída líquida de recursos em agosto, uma deterioração de condições financeiras e maior incerteza.
“Bancos estão classificando os ativos brasileiros como um pouco mais arriscados, por conta de crescimento potencial mais fraco, por conta da deterioração do mercado doméstico, especialmente do crédito e a persistência de um juro elevado por mais tempo, além, claro, do próprio ambiente eleitoral”, destaca.
Na leitura dela, se o investidor passar a interpretar a reciprocidade como fator de piora na relação bilateral e risco adicional, o efeito pode se materializar em preços de ativos por meio de câmbio, inflação implícita e juros, com impacto também sobre crédito. “O grande problema pode ser que o mercado comece a entender esse cenário como diminuição do espaço para cortar juros, afetando, inclusive, a possibilidade de crédito para as empresas.”
Ao mesmo tempo, a economista separa os efeitos imediatos - mais ligados a risco e expectativas - dos impactos efetivos sobre setores, que só apareceriam se a reciprocidade virar uma medida concreta à frente. “Todo o efeito que provavelmente aparece agora é muito mais um efeito de internalização, expectativas e risco do que um efeito efetivo sobre a economia da medida em si”, diz.
Ela ressalta que o rito tem prazos e que uma eventual aplicação ficaria mais adiante. “Quando você vai ver, temos aí, pelo menos, 120 dias até que alguma coisa de fato seja feita.”
Jornal de Brasília - DF 17/08/2026
A desvantagem da tarifa paga por produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos em relação aos seus principais concorrentes cresceu de apenas 0,8 ponto percentual, antes da rodada mais recente de taxações, para 7,5 pontos percentuais.
Esse salto coloca o Brasil como o segundo colocado no ranking de países com pior acesso ao mercado americano, atrás apenas da China, mostra cálculo do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.
A conta foi feita com base no volume de produtos exportados pelo Brasil aos EUA em 2024 e na alíquota paga por cada um deles, descontando-se as reduções ou isenções concedidas pelos americanos, para chegar à tarifa média que é efetivamente paga pelos bens brasileiros.
No final do mês passado, entraram em vigor novas tarifas de 25% impostas pelo presidente americano, Donald Trump, que são exclusivas aos produtos brasileiros e aplicadas com base em investigação em torno de práticas comerciais consideradas injustas.
Passaram a valer também alíquotas entre 10% a 12,5% aplicadas a diversos países, incluindo o Brasil, por acusações de negligência nas importações de bens feitos com trabalho forçado. Na prática, elas substituíram as tarifas de 10% impostas pelos EUA ao mundo, que expiraram no mês passado.
Antes dessas novas sobretaxas, a taxa efetiva média brasileira era de 10,3%, ante 9,5% dos concorrentes.
Depois delas, a tarifa brasileira aumentou a 16,6%, enquanto no caso dos outros países a sobretaxa efetiva média se reduziu a 9,1%.
“A tarifa que entrou no lugar da sobretaxa global de 10% tem isenções tão amplas que dois terços do comércio mundial ficaram de fora. Para quase todos os países, a troca foi um alívio. Para o Brasil não, porque carregamos em cima uma tarifa exclusiva de 25%”, diz Vale.
O governo Lula estima que 47,3% das exportações brasileiras hoje são atingidas pelas tarifas de Trump, considerando as rodadas recentes e a sobretaxa aplicada ao aço e ao alumínio em 2025.
“O Brasil ficou numa situação bem pior do que os outros países, não só pelo aumento da tarifa nominal, mas também quando se considera a tarifa efetiva, que pondera o volume de comércio com os EUA”, diz Constanza Negri Biasutti, gerente de política comercial da CNI (Confederação Nacional da Indústria). “A situação é crítica e preocupa muito a indústria.”
A tendência é que as tarifas mais altas tirem competitividade do Brasil no mercado consumidor da maior economia do mundo, afirma o economista da MB Associados. “Esse aprofundamento da diferença entre as tarifas efetivas do Brasil e dos concorrentes significa que o comprador americano tem 7,5 pontos de incentivo para trocar o fornecedor brasileiro”, diz.
Com base nos efeitos da tarifa de 50% ao Brasil que vigorou no ano passado, Vale estima que as exportações aos EUA podem cair entre US$ 1,7 bilhão e US$ 3,6 bilhões no primeiro ano, em um efeito que deve se intensificar à medida que o importador americano for revendo contratos e fechando novos com fornecedores alternativos.
No ano passado, o Brasil exportou US$ 37,6 bilhões aos americanos, segundo dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), uma queda de 6,7% ante 2024.
No limite, diz Vale, a perda anual pode chegar a US$ 10 bilhões daqui a quatro anos. “O Brasil teve um experimento quase de laboratório, porque a tarifa de 50% do ano passado atingiu parte dos produtos e poupou outra parte, e deu para comparar os dois grupos. O efeito no primeiro ano foi uma queda de cerca de 13% nas exportações atingidas.”
Ele aponta ainda que, quatro meses depois de a Justiça americana derrubar a tarifa de 2025, em fevereiro deste ano, o grupo que tinha sido tarifado ainda vendia 28% a menos do que os isentos.
“Ou seja, mercado perdido não volta sozinho”, diz Vale, para quem há risco de efeito prolongado do choque no comércio com os EUA. “O comprador pode olhar o exportador brasileiro com desconfiança, por temer que seja tarifado novamente. Essa incerteza é mortal para o comércio que, no caso da indústria, depende de contratos mais longos.”
Welber Barral, sócio do Barral Parente Pinheiro Advogados e ex-secretário de comércio exterior, lembra que as exportações para os EUA já vêm em queda desde o ano passado. No caso de muitos produtos, diz, houve diversificação das vendas a outros países, o que ajudou a amortecer o choque.
Barral afirma que há dois tipos de exportadores mais prejudicados pelo novo tarifaço.
“Um é o de commodities industriais, como produtos químicos, onde a margem é muito pequena e esses 7 pontos de desvantagem fazem bastante diferença”, aponta. “O outro tipo são os setores em que há muita concorrência estrangeira, como móveis, calçados, têxteis e confecções, onde a concorrência no mercado americano já é muito difícil por causa da competição com países asiáticos.”
Os especialistas explicam que a chance de diversificar mercados como reação às tarifas varia muito de acordo com o tipo de produto exportado. “O produto pesado e padronizado, como pedras, madeira, açúcar e sebo, perdeu volume rapidamente com as tarifas, mas também é mais fácil de redirecionar para outros mercados”, afirma Vale.
Por outro lado, produtos manufaturados de elevado valor, como máquinas, correm um risco no médio prazo, já que os contratos são de longa duração.
“As exportações de máquinas de alto valor quase não se moveram no primeiro ano do tarifaço, porque estão presas a contratos e homologação. Mas são justamente elas que não têm para onde ir se esse regime tarifário durar”, exemplifica o economista da MB Associados.
Lia Valls, pesquisadora associada do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), da FGV, aponta que as pequenas e médias empresas são as mais afetadas pela perda de competitividade brasileira.
“O comércio exterior é extremamente competitivo. Se você é uma grande empresa, uma multinacional global, já está em vários mercados, é mais fácil diversificar. Para as pequenas e médias, o custo para direcionar o produto para outros mercados é mais alto.”
Money Times - SP 17/08/2026
O Citi mudou sua leitura para a política monetária brasileira após a última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). O banco, que até então esperava que a taxa Selic permanecesse em 14,25% na reunião de agosto, passou a projetar mais um corte de 0,25 ponto percentual em setembro, levando a taxa básica de juros para 13,75%.
A mudança ocorre depois de o Banco Central reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, na última reunião. Para o Citi, a decisão mostrou que o Copom deu mais peso ao comportamento recente da inflação do que à piora das expectativas para os preços no médio e longo prazo.
“O último Copom revelou um peso maior dos formuladores de política para a inflação corrente baixa em relação às expectativas de inflação mais elevadas no médio e longo prazo”, avalia o banco.
Na visão do Citi, apesar de o Copom ter mantido sua projeção de inflação acima da meta e o balanço de riscos assimétrico para cima, a ausência de uma sinalização para os próximos encontros deixou espaço para uma nova redução dos juros.
Inflação e atividade podem abrir espaço para novo corte
O cenário para os próximos meses também reforçou a mudança de projeção do banco. O Citi espera que a combinação de uma possível continuidade da deflação de alimentos comercializáveis e uma queda temporária nos preços de energia elétrica ajude a produzir uma inflação negativa em agosto.
Ao mesmo tempo, dados recentes de atividade, serviços e varejo reforçaram a expectativa de desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre. O banco estima crescimento de cerca de 0,4% na comparação trimestral.
Segundo o Citi, esse conjunto de fatores pode ajudar a reduzir, ao menos no curto prazo, o processo de desancoragem das expectativas de inflação.
“Essas condições podem desacelerar o processo contínuo de desancoragem das expectativas de inflação no curto prazo”, afirma o banco.
Com isso, o Citi agora considera um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de 16 de setembro como o cenário mais provável.
E depois de setembro?
A mudança na projeção não significa, porém, que o Citi espere uma sequência contínua de cortes. O banco prevê que o Copom interrompa o ciclo de flexibilização monetária no segundo semestre de 2027.
A expectativa é que um fortalecimento da política fiscal no primeiro semestre daquele ano dê condições para o Banco Central retomar os cortes no terceiro trimestre de 2027. Com isso, o Citi projeta a Selic em 12,75% ao ano no fim de 2027.
O Estado de S.Paulo - SP 17/08/2026
Quando veio o choque de energia, descobriu-se que políticas que pareciam separadas formavam uma espécie de seguro econômico nacional
Em meio a toda a incerteza que temos vivido, temos nos perguntado como agir. A China tem encontrado caminhos interessantes, e isso nos coloca uma pergunta: o que esse país aprendeu que o restante do mundo ainda não aprendeu? Uma resposta possível é que a segurança econômica não consiste apenas em produzir mais; consiste em reduzir a capacidade dos outros de afetar fortemente sua economia.
Ao longo de anos, a China seguiu uma estratégia de construir simultaneamente: estoques estratégicos gigantescos, produção doméstica de energia, fornecedores e rotas alternativas, eletrificação do transporte, liderança em baterias, veículos elétricos, solar e redes e capacidade industrial doméstica em setores considerados estratégicos.
Quando veio o choque de energia, descobriu-se que essas políticas, que pareciam separadas, formavam uma espécie de seguro econômico nacional. O primeiro ensinamento foi comprar quando ninguém precisa, não quando todos precisam.
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), a China acumulou 111 milhões de barris de “crude oil” somente em 2025. Quando havia petróleo abundante, a China transformou preço baixo em segurança futura. Então, veio a guerra e aconteceu o inverso. Quando todos precisam comprar, a China pode parar de comprar.
Antes da guerra, a China importava 11,99 milhões de barris/dia. Já a média junho-julho de 2026, ficou em 7,78 milhões b/d. A Reuters estima que os estoques chineses podem chegar a 1,7 bilhão de barris. Dependendo da duração e intensidade da interrupção, isso colocaria a China em condições muito melhores de enfrentar uma crise prolongada do que outras grandes economias.
A melhor reserva de petróleo chinesa talvez não esteja nos tanques – está na tentativa de precisar de menos petróleo. A China está buscando algo ainda mais sofisticado: troca dependências. No petróleo, depende de produtores externos.
Em baterias, solar, refino de minerais, veículos elétricos e diversas cadeias industriais, procura ocupar justamente a posição contrária: fazer os outros dependerem dela. Mas a estratégia chinesa tem uma contrapartida.
A mesma política que tornou o país mais resistente aos choques externos pode estar transferindo parte de seus desequilíbrios para o restante do mundo.
Com o consumo interno insuficiente para acompanhar a expansão da produção, a China precisa colocar no exterior parcela crescente do que fabrica. O resultado são produtos baratos que ajudam a conter a inflação mundial, mas também pressionam indústrias concorrentes, comprimem margens, provocam tarifas e ampliam tensões comerciais.
A China está construindo resiliência dentro de suas fronteiras, mas parte da conta dessa resiliência está sendo exportada para o restante do mundo.
Diário do Comércio - MG 17/08/2026
Economistas afirmam que a possibilidade de o Produto Interno Bruto (PIB) crescer acima de 2% no Brasil em 2026, como preveem o Ministério da Fazenda e o Fundo Monetário Internacional (FMI), ficou mais difícil e parece menos provável no momento.
A avaliação ocorre após a divulgação dos resultados mais recentes de varejo, serviços e indústria. Para os analistas, parte das atividades que compõem esses setores mostrou novos sinais de perda de ritmo sob impacto dos juros altos para conter a inflação.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) disse na quinta-feira (13) que o volume de vendas do varejo cresceu 0,5% em junho frente ao mês anterior, após leve variação positiva em maio (0,3%) e queda de mais de 1% em abril (-1,5%).
Já o varejo ampliado, que inclui atividades de veículos, material de construção e atacado de produtos alimentícios, teve baixa de 1% em junho. Foi o quarto mês consecutivo de taxas negativas.
Ainda de acordo com o IBGE, o setor de serviços ficou estável em junho (0%), após ter registrado leve recuo em maio (-0,2%), enquanto a produção industrial caiu 1,8% no sexto mês do ano. As fábricas tiveram o segundo resultado negativo em sequência.
O IBGE divulgou os dados de serviços na quarta-feira (12) e da indústria na primeira semana de agosto.
“Os juros começam a ter o seu efeito esperado. Era natural que a economia começasse a desacelerar com mais intensidade. Isso reforça a ideia de que PIB acima de 2% este ano está ficando cada vez mais difícil”, afirma o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale.
Ele prevê alta de 1,7% para o indicador em 2026. “Para um crescimento acima de 2%, precisaríamos ver uma aceleração da economia ao longo do ano. Não é o cenário que a gente está vendo no segundo trimestre e definitivamente não é o mais provável até o final do ano”, acrescenta.
Na mediana, as projeções do mercado financeiro indicam expansão de 1,98% para o PIB em 2026, conforme o boletim Focus mais recente, divulgado na segunda (10) pelo Banco Central (BC). A estimativa teve leve recuo frente à semana anterior (1,99%).
Em 2025, o PIB cresceu 2,3%. É a mesma taxa prevista pelo Ministério da Fazenda para o indicador em 2026. A projeção de 2,3% foi mantida pela pasta em julho. O FMI, por sua vez, passou a projetar no mês passado expansão de 2,4% para o Brasil neste ano.
Na avaliação do economista André Valério, do banco Inter, é “pouco provável” que o crescimento se sustente acima de 2% em 2026. O Inter prevê alta de 1,8% para o ano e de 0,5% para o segundo trimestre em relação ao primeiro.
Nos três meses iniciais de 2026, a economia cresceu 1,1% com auxílio da safra. O PIB do segundo trimestre será divulgado pelo IBGE em 1º de setembro.
“A gente vê sinais cada vez mais claros de perda de dinamismo [da atividade econômica], mesmo com todas as medidas que o governo implementou ao longo deste ano de incentivo fiscal”, diz Valério.
Caso as projeções dos analistas se confirmem, 2026 será o primeiro ano com variação do PIB inferior a 2% desde 2020, quando a economia amargou queda de 3,3% sob efeito da pandemia.
O economista Rodolpho Sartori, da consultoria Buysidebrazil, avalia que a desaceleração da economia ficou mais “homogênea” nos últimos meses, ao aparecer em diferentes atividades.
O movimento, diz, é esperado devido ao aperto dos juros e ao efeito da base de comparação elevada dos últimos anos.
Por ora, a Buysidebrazil tem uma previsão de alta de 1,9% para o PIB de 2026 e de variação positiva de 0,1% para o segundo trimestre frente ao primeiro, conforme Sartori.
“É natural que a gente veja uma desaceleração. É saudável que isso aconteça, porque, se a economia continuasse crescendo no mesmo ritmo em que estava, provavelmente a gente teria [mais] inflação.”
No início de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros para 14% ao ano, com um corte de 0,25 ponto percentual na Selic pela quarta vez seguida.
O colegiado do BC, porém, disse que a inflação continua pressionada pela demanda e que esse cenário requer juros em um nível alto o suficiente para frear a economia.
Ao comentar os dados do varejo divulgados pelo IBGE, o economista Alexandre Maluf, da XP, afirmou em relatório que o consumo das famílias perdeu fôlego no segundo trimestre, após um primeiro trimestre “forte”.
Isso, conforme Maluf, é “consistente” com a visão de desaceleração gradual da demanda doméstica ao longo de 2026.
O economista disse que a renda segue em trajetória de alta e que as medidas de estímulos do governo devem continuar sustentando o consumo no curto prazo, mas há um contraste com a política de juros e o endividamento das famílias, que pesam sobre atividades sensíveis ao crédito.
A XP espera que o PIB cresça 2% em 2026 e 1% em 2027.
Diário do Comércio - MG 17/08/2026
Desde 2025, a política comercial protecionista do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, reorganizou o mapa das trocas globais. Tarifas amplas sobre produtos brasileiros, inclusive sobretaxas que já chegaram a 50% no ano passado, e agora uma nova “leva” anunciada, com mais 35% de taxas extras sobre produtos nacionais.
Esses movimentos do país norte-americano vieram atrelados a motivações políticas, não apenas econômicas, gerando preocupação e apreensão em setores estratégicos como aeronaves, energia, suco de laranja, ferro-gusa, metais preciosos, celulose e fertilizantes.
O resultado prático aferido até o momento é ambíguo para o Brasil e para Minas Gerais: parte dos setores produtivos mineiros sente o custo do tarifaço, mas o mesmo movimento de imposição tarifária pode trazer compradores internacionais, sobretudo europeus, que buscam fornecedores alternativos com credenciais ambientais mais sólidas. É nesse vácuo que Minas Gerais desponta como candidata natural.
CBAM: o filtro que valoriza quem já é limpo
Enquanto os EUA fecham portas com tarifas políticas, a União Europeia abre uma porta técnica. O Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), que passou a vigorar em 2026, taxa importações conforme o conteúdo de carbono embutido no produto. Estudos citados no debate público apontam que, sem adaptação, setores como aço, ferro e alumínio podem sofrer queda superior a 30% nas exportações na década seguinte.
Por outro lado, o mecanismo funciona como um “filtro competitivo global”: fornecedores com matriz energética mais limpa tendem a virar alternativa preferencial dos importadores europeus, deslocando concorrentes mais intensivos em carbono. Para a siderurgia mineira, isso transforma a menor pegada de carbono em argumento comercial concreto na disputa por espaço no mercado europeu.
Empresas como a Gerdau, que possui plantas fabris nos EUA e no Brasil, entendem que o momento exige ter todas as certificações e práticas ambientais em dia, o que pode significar mais do que um “respiro” para o planeta: a própria sobrevivência do negócio.
Exemplo prático disso é que a Gerdau assumiu o compromisso de reduzir emissões de 0,93 para 0,83 tonelada de CO2 equivalente por tonelada de aço até 2030. Para o CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, a agenda ambiental é condição de sobrevivência do negócio: “Se não construímos um relacionamento com todos os stakeholders, fica muito difícil operar. O modelo de negócios seria questionado pela sociedade”, disse.
Aço verde: da commodity ao produto diferenciado
A siderurgia mineira, uma das maiores do País, também entendeu que, se não ficar mais próxima das boas práticas ambientais, dificilmente vai conseguir atrair novos mercados para seus produtos em tempo de tarifaço dos Estados Unidos.
A Aperam South America, que opera na região do Vale do Aço, hoje atua com 100% de carvão vegetal renovável nos altos-fornos, substituindo o coque mineral, uma das maiores fontes poluentes do setor.
A empresa criou um ciclo de renovação de autofornecimento a partir de florestas plantadas e certificadas no Vale do Jequitinhonha.
O resultado é o “Aço Verde Aperam”, vendido como produto de ciclo sustentável integrado, com uma das menores pegadas de carbono da siderurgia mundial. A Gerdau, maior produtora de aço do País, lançou a linha NewEco, de baixa emissão, produzida a partir de sucata metálica e fontes renováveis; a empresa é a maior recicladora de sucata da América Latina, com cerca de 70% da produção baseada nesse insumo.
A companhia também investe R$ 3,2 bilhões em uma plataforma de mineração sustentável ligada à unidade de Ouro Branco, na região central do Estado, e aportou R$ 1,5 bilhão em energia limpa para produzir aço com até 58% menos emissões.
Outro peso-pesado do aço em Minas, a Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais (Usiminas), sob novo controle da Ternium desde março de 2026, também correu para estruturar um plano de descarbonização apoiado em eficiência energética, gás natural e maior uso de sucata, pressão que ganhou urgência depois de decisão judicial em Minas Gerais relacionada à poluição atmosférica na unidade de Ipatinga (Vale do Aço).
“A descarbonização não é apenas uma prioridade ambiental, mas também uma oportunidade para impulsionar a inovação, a competitividade e o crescimento sustentável de longo prazo”, diz o CEO da Usiminas, Marcelo Chara.
A ArcelorMittal Brasil, por sua vez, concluiu R$ 5,8 bilhões em investimentos em duas usinas solares e uma eólica para abastecer suas operações com energia renovável.
Janela de investimento verde
A combinação de tarifas americanas, CBAM europeu valorizando baixo carbono, matriz elétrica mineira quase 100% limpa e siderúrgicas já em processo avançado de descarbonização configura o que se pode chamar de janela de investimento verde: um período em que capital internacional, especialmente fundos e compradores industriais europeus, tende a priorizar fornecedores com credenciais ambientais verificáveis.
Aí entra mais um diferencial estrutural de Minas Gerais no contexto de oportunidades diante do tarifaço de Trump: segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o Estado atingiu 99,4% de sua matriz energética proveniente de fontes renováveis (hídrica, solar, eólica e biomassa) em 2025, com a geração solar crescendo 94,4% entre 2023 e 2025.
Minas lidera o País em energia solar fotovoltaica, com 8.661 MW já instalados e mais de 22 mil MW em construção, à frente de estados tradicionalmente associados ao setor, como Bahia e Ceará. Projetos como o Pirapora Solar Complex (mais de R$ 2 bilhões investidos, 321 MW de capacidade) e o megaprojeto híbrido eólico-solar de mais de R$ 5 bilhões, apoiado pela Agência de Promoção de Investimento e Comércio Exterior de Minas Gerais (Indi), ilustram como o Estado já atrai capital internacional antes mesmo de qualquer “efeito Trump”, mas esse efeito pode acelerar o fluxo.
Em nota, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) diz que o tarifaço pode ter como reflexo positivo “a disponibilidade maior de equipamentos e produtos ao mercado brasileiro, que antes seriam destinados aos EUA e agora se tornaram menos competitivos naquele país, devido às tarifas aumentadas”. Ou seja, o mercado, que está prestes a crescer com a regulamentação do mercado de energia livre de baixa tensão, pode beneficiar o consumidor interno.
Riscos e acordo Mercosul-UE
Nem tudo é oportunidade automática para Minas e para o País. Análises recentes alertam que credenciais ambientais nem sempre blindam o Brasil de decisões políticas: o próprio tarifaço de Trump ocorreu mesmo com dados de queda recorde no desmatamento amazônico, mostrando que, quando a métrica de avaliação é política e não técnica, indicadores ambientais positivos não garantem proteção comercial automática.
Ainda assim, o acordo Mercosul-União Europeia (UE), em vigor provisório, e a estruturação do mercado regulado de carbono brasileiro (SBCE), que deve incluir o setor de ferro e aço já na primeira fase, reforçam a tese de que a competitividade ambiental tende a pesar cada vez mais nas relações comerciais de longo prazo, mesmo que decisões de curto prazo sigam sujeitas à volatilidade política.
Conforme destaca a coordenadora de facilitação de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Verônica Winter, a expectativa da entidade e dos empresários mineiros é que o acordo Mercosul-UE possa ser um novo caminho, com acesso simplificado ao novo bloco comercial. A medida deve abrir portas para novas oportunidades, reforçando que a diversificação é indispensável para atender às exigências do consumidor europeu.
“Um dos impactos que a gente espera com esse acordo é justamente que a indústria consiga acessar mais facilmente o mercado da União Europeia e que amplie sua presença. A diversificação da nossa pauta é importante porque, apesar de a União Europeia ser um mercado muito expressivo, nosso segundo parceiro comercial, só atrás da China, é fundamental que tenhamos essa diversificação. E com o acordo, isso tende a acontecer”, disse.
A indústria como um todo também precisará se adaptar. Produzir e exportar dentro do bloco exigirá respeito constante às regulamentações sociais, ambientais e econômicas de quem deseja entrar e se manter nesse mercado.
“A indústria mineira vai estar mais exposta à concorrência da produção da União Europeia aqui. Então, temos a preocupação em melhorar a competitividade, em fortalecer e modernizar a produção. Temos feito orientações, capacitando, elaborando levantamentos e estudos, justamente para auxiliar as empresas com informações sobre as exigências regulatórias, como ambientais e sanitárias, porque é um mercado muito exigente”, finaliza Verônica Winter.
Valor - SP 17/08/2026
Contrato futuro com vencimento em janeiro de 2027, o mais negociado, fechou cotado a US$ 105,3
O minério de ferro avançou levemente nesta sexta-feira (14) na China, em uma recuperação temporária, segundo analistas da consultoria Galaxy Futures.
O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em janeiro de 2027, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em alta de 0,42%, cotado a 710,5 yuans (US$ 105,3).
Segundo a Galaxy Futures, a demanda por aço no mercado externo aumentou em junho, mas esse impulso dificilmente será sustentado, uma vez que a demanda chinesa por minério de ferro continua fraca tanto nos setores de construção quanto de manufatura.
A commodity usada na produção de aço provavelmente não conseguirá superar os fundamentos fracos no terceiro trimestre, acrescentam os especialistas.
Exame - SP 17/08/2026
Os veículos eletrificados alcançaram um marco histórico no mercado brasileiro em julho de 2026, respondendo por 23,3% dos emplacamentos de carros zero-quilômetro no País. Segundo levantamento da consultoria Bright Consulting, foram comercializadas 61.781 unidades no mês, elevando o acumulado do ano a 303.831 veículos — um crescimento de 123% em relação ao mesmo período de 2025.
Enquanto o mercado tradicional de veículos a combustão apresenta sinais de estabilização, a eletrificação se consolida como um motor de transformação da indústria automotiva nacional. O avanço é capitaneado tanto pela expansão agressiva de fabricantes asiáticos — com destaque para BYD e GWM, que registraram recordes de vendas e impulsionaram a presença de marcas chinesas a 23% do mercado em julho — quanto pela diversidade de tecnologias disponíveis para o consumidor.
Guia das tecnologias: conheça os tipos de veículos eletrificados
As diferenças mecânicas e operacionais de cada categoria são:
BEV (Battery Electric Vehicle - Elétrico puro): Veículos movidos exclusivamente por eletricidade e baterias recarregáveis em tomadas, wallboxes ou eletropostos. Não utilizam nenhum combustível fóssil. Em julho, os elétricos puros puxaram a dianteira com mais de 25 mil unidades vendidas, impulsionados por modelos populares como o BYD Dolphin Mini.
PHEV (Plug-in Hybrid Electric Vehicle - Híbrido plug-in): Combinam um motor a combustão e um motor elétrico acoplado a baterias maiores, que podem ser recarregadas externamente na tomada. Permitem rodar dezenas de quilômetros apenas no modo elétrico, oferecendo alta autonomia (como o BYD Song Pro e o GWM Haval H6).
HEV (Hybrid Electric Vehicle - Híbrido convencional): Contam com motores térmicos e elétricos que operam em conjunto para mover as rodas, mas não possuem tomada para recarga externa. A energia é recuperada pelas frenagens regenerativas e pelo próprio motor a combustão (exemplos clássicos incluem o Toyota Corolla Cross e o Honda Civic).
MHEV (Mild Hybrid Electric Vehicle - Híbrido leve): Representam o nível mais básico de eletrificação. O motor elétrico não traciona as rodas sozinho; ele atua apenas como um pequeno gerador e auxiliar momentâneo para aliviar o esforço do motor a combustão em saídas e retomadas, gerando ganhos moderados de eficiência.
REEV/EREV (Range Extended Electric Vehicle - Elétrico com extensor de autonomia): Sistema em que as rodas são movimentadas exclusivamente por um motor elétrico, enquanto um motor a combustão interna atua estritamente como gerador para recarregar a bateria quando necessário, eliminando a "ansiedade de autonomia" em viagens longas.
Tendências e perspectivas do setor
O avanço dos eletrificados no Brasil ocorre em meio a debates sobre a política de importação e a produção local, com alertas de instituições como a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) de que o uso predominante de montagem em regime SKD — onde o veículo importado chega parcialmente desmontado em grandes blocos, exigindo apenas a montagem final — resulta em um menor aproveitamento da cadeia de fornecedores nacionais, diferentemente do sistema CKD, em que o veículo chega fragmentado e exige uma linha de produção local mais complexa com soldagem e pintura.
Apesar dessas discussões na indústria automotiva e das preocupações com o impacto na fabricação nacional, a preferência do consumidor brasileiro por frotas mais eficientes e limpas cresce, impulsionada por opções que vão desde os híbridos até os elétricos puros. Embora ainda não representem a maioria absoluta do mercado, os carros eletrificados registram um crescimento expressivo e já pavimentam o caminho para se tornarem uma presença cada vez mais comum nas ruas e garagens do País.
Globo Online - RJ 17/08/2026
A Stellantis está reavaliando a estratégia tecnológica que havia definido para a América do Sul três anos atrás à medida que a empresa perde terreno para os concorrentes chineses, o que a força a ajustar seus planos de eletrificação, disse Herlander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul.
— O mercado mudou, a gente sabe que mudou, e precisamos ser competitivos — disse o executivo responsável pela região, em conversa com jornalistas em São Paulo.
A mudança ocorre após a Stellantis ter visto uma de suas joias da coroa na região, a Jeep, perder consumidores para montadoras chinesas que oferecem novas tecnologias na mesma faixa de preço.
Agora, a Stellantis está avaliando alternativas de eletrificação para reconquistar os motoristas, incluindo uma versão flex da tecnologia de extensor de alcance da parceira Leapmotor, chamada de REEV, que a empresa já começou a desenvolver para a região, disse ele.
A montadora também está mantendo outras opções em aberto, incluindo veículos movidos exclusivamente a etanol, dependendo de possíveis incentivos governamentais, afirmou Zola.
A Stellantis prevê apresentar a revisão de seu olhar tecnológico para região, chamada originalmente de Bio-Hybrid, ainda este ano.
— O plano não mudou, mas precisa de adaptações, de ajustes — afirmou Zola, acrescentando que a velocidade das mudanças no mercado está forçando a empresa a agir rapidamente.
A urgência está se manifestando em mercados como o Brasil e o Uruguai. Zola disse que a Jeep perdeu terreno no Brasil por não ter conseguido renovar sua oferta de produtos e tecnologias com a rapidez necessária para acompanhar a expansão das montadoras chinesas.
A empresa também perdeu participação de mercado no Uruguai em meio ao crescimento dos veículos elétricos, que saltaram de cerca de 2% para 30% do mercado em um ano. Essa divergência no ritmo de adoção significa que a Stellantis precisará de soluções diferentes em toda a América do Sul, incluindo opções elétricas e híbridas, disse ele.
A Jeep é talvez uma das marcas que mais sofra com o avanço chinês e a adoção de novas tecnologias naquela faixa de preço onde a Jeep atua, por isso precisamos responder, afirmou Zola, acrescentando que o lançamento do SUV compacto Avenger é o primeiro passo:
— Não tenho dúvidas de que o Avenger é uma arma poderosíssima para que a gente volte a responder, com a marca, dentro de um segmento onde a gente perdia espaço, e tenho certeza de que começaremos a recuperar.
O Estado de S.Paulo - SP 17/08/2026
O mercado brasileiro de veículos vive um paradoxo em 2026. Por um lado, produção, vendas e exportações de carros estão em crescimento. O País a ultrapassar a marca de 3 milhões de unidades vendidas pela primeira vez desde 2014. Por outro, uma onda inédita de veículos importados — em sua maioria vindos da China — entupiu os pátios e instalou um clima de apreensão entre as montadoras nacionais.
Vendas de carros aquecidas: em julho, foram 279,5 mil unidades emplacadas — maior volume do ano (+2,6% sobre junho e +14,9% sobre julho de 2025). No acumulado, já são 1,7 milhão de veículos licenciados (+17,9%).Exportações: somaram 39,3 mil unidades em julho (+6,8% ante junho), embora ainda acumulem recuo de 20,8% no ano.
O que o estoque de carros chineses significa para o seu bolso?
Quando a oferta nos pátios cresce mais rápido do que a capacidade do mercado de absorver os carros, o cenário para o comprador se divide entre oportunidades imediatas e cuidados de longo prazo:
Oportunidade de descontos no carro novo e taxas baixas
Para desovar o grande volume estocado antes da alta do imposto, a tendência é de maior pressão por promoções. “No curto prazo, essa combinação favorece o consumidor e eleva a concorrência, aumentando a pressão por ações comerciais, descontos e condições de financiamento mais competitivas”, aponta Briganti.
Atenção à desvalorização do seminovo
Por outro lado, políticas agressivas de preços no carro zero podem refletir diretamente no mercado de usados. “Se a pressão por estoques elevados persistir, pode pressionar margens e ter efeitos sobre o valor residual dos veículos”, complementa o especialista da Bright Consulting.
Rede pode ter problema no pós-venda
Com mais veículos nas ruas em tempo recorde, a capacidade de atendimento torna-se um fator decisivo de compra. Para Milad Kalume Neto, da K.Lume Consultoria, além da atenção à depreciação, o comprador precisa observar a infraestrutura das marcas: “As chinesas precisarão de um pós-venda robusto para dar conta de tantos carros vendidos”.
CNN Brasil - SP 17/08/2026
A indústria automotiva chinesa está em franca expansão no exterior, conquistando mercados da Europa ao Sudeste Asiático e exercendo forte pressão sobre montadoras tradicionais como a Toyota Motor e a Volkswagen .
Mas a situação é diferente no mercado interno, onde as vendas de carros vêm caindo constantemente desde o final do ano passado, já que a fraca demanda dos consumidores e anos de intensa concorrência de preços deixaram o maior mercado automotivo do mundo saturado com excesso de capacidade.
Embora grandes montadoras chinesas como a BYD , a Geely e a Chery há muito aspirem se tornar pesos pesados globais, a rápida expansão do setor é agora impulsionada tanto pela necessidade econômica quanto pela ambição, afirmam analistas e especialistas do setor.
Diante da demanda interna fraca, as montadoras chinesas têm um incentivo cada vez mais forte para acelerar a expansão no exterior, que já estava bem encaminhada.
Isso só aumentará a pressão sobre os rivais europeus e japoneses, que já enfrentam dificuldades para competir com os veículos elétricos chineses, tecnologicamente avançados e de baixo custo.
“As montadoras chinesas têm excesso de capacidade de produção, cadeias de suprimentos altamente competitivas, produtos cada vez mais sofisticados e um forte incentivo econômico para buscar crescimento fora da China”, disse Bill Russo, presidente-executivo da Automobility, empresa de consultoria com sede em Xangai.
A internacionalização “está se tornando uma necessidade estratégica” para as principais montadoras chinesas, acrescentou ele.
As vendas de carros na China caíram um quinto, para 1,47 milhão de veículos em julho, em comparação com o mesmo mês do ano anterior, marcando o décimo mês consecutivo de queda, segundo dados divulgados na terça-feira (11) pela Associação Chinesa de Veículos de Passageiros.
As exportações, por sua vez, dispararam 88%, para 923 mil veículos.
Embora os dados incluam marcas estrangeiras produzidas na China, a tendência de quedas de dois dígitos no mercado interno e de crescimento de dois dígitos nas exportações se mantém entre as montadoras nacionais.
Cui Dongshu, presidente da associação de automóveis de passageiros, atribuiu a recente fraqueza aos preços elevados dos combustíveis, que prejudicaram a demanda por veículos movidos a gasolina, e à persistente desaceleração no segmento de sedãs básicos.
De maneira mais ampla, a indústria automotiva reflete a dinâmica que se desenrola atualmente na segunda maior economia do mundo.
Fábricas em expansão e exportações estão impulsionando o crescimento, enquanto um mercado imobiliário fraco e gastos do consumidor em baixa estão restringindo a demanda interna.
Os formuladores de políticas chineses enfrentam o desafio de lidar com uma economia que produz mais do que consegue vender no mercado interno. Para as montadoras, os mercados externos representam um canal de escoamento cada vez mais importante.
No primeiro semestre deste ano, as vendas domésticas de automóveis na China caíram 2,3 milhões de veículos em relação ao ano anterior, uma queda de 20%.
Isso equivale ao total de registros de carros novos no Japão, o quarto maior mercado automotivo do mundo, durante o mesmo período. Enquanto isso, as exportações de carros da China aumentaram 71% no primeiro semestre.
De acordo com a analista do HSBC, Yuqian Ding, a demanda doméstica por carros provavelmente se estabilizará e poderá começar a se recuperar a partir do final de agosto até setembro, à medida que o ciclo de novos modelos comece a ganhar impulso. Ainda assim, uma recuperação em forma de V parece improvável, disse.
A BYD, por exemplo, compensou uma queda de 35% nas vendas no mercado interno durante os primeiros sete meses do ano com um aumento de 79% nas vendas no exterior em relação ao mesmo período do ano anterior.
O Brasil e o Reino Unido emergiram como seus maiores mercados individuais fora da China em 2026.
A crescente presença da China no exterior representa um desafio específico para o Japão. Desde 2023, a China é a maior exportadora mundial de veículos, título que por muito tempo foi detido por seu rival asiático.
“A ascensão do Japão como exportador automotivo baseou-se na eficiência de fabricação, na qualidade e na economia de combustível”, disse Russo.
A vantagem da China hoje é mais ampla, acrescentou ele, abrangendo “eletrificação, baterias, software, recursos inteligentes, escala da cadeia de suprimentos e desenvolvimento de produtos muito rápido”.
“Essa combinação pode tornar a globalização da China consideravelmente mais disruptiva.”
Exame - SP 17/08/2026
Ao monitorar a web fica claro que o brasileiro quer usar combustível e energia elétrica. Segundo pesquisa da Taboola, as buscas por “sistema híbrido leve” dispararam 6167%, acumulando 4,3 mil visualizações de páginas desde a chegada da chinesa BYD no país.
O mercado automotivo está mais atento para o que o consumidor deseja. termos técnicos como “híbrido plug in” avançaram 1008% e o brasileiro quer entender cada vez melhor os híbridos.
“Essa ascensão reflete a maturidade do mercado brasileiro. A forte concorrência das fabricantes chinesas somada à reação das marcas tradicionais transformou a eletrificação em pauta de massa, criando um consumidor muito mais informado e atento às opções reais do mercado”, analisa José Luiz de Genova, Managing Director LATAM da Taboola.
Consumidor mais informado e mais curioso sobre os elétricos
Essa virada de chave no comportamento também se refletiu diretamente no consumo de conteúdo digital.
Segundo um levantamento exclusivo da Taboola, a expressão “versão híbrida” registrou um crescimento de 1.333% em atenção (21 mil pageviews), enquanto, no período, o termo “híbrido plug in” avançou 1.008% (19 mil pageviews), registrando pico de acessos no início de agosto.
O motorista demonstra um perfil técnico e engajado, buscando compreender a fundo a mecânica dos veículos. O topo de volume de leitura é liderado por expressões mais abrangentes e explicativas sobre o funcionamento desses veículos:
- o termo “motor híbrido” lidera com 33 mil pageviews e alta de 67% em atenção,
- Em seguida, temos o “sistema híbrido”, que somou 31 mil pageviews e crescimento de 27%.
A procura está provocando mudanças profundas
À medida que o público avança na pesquisa e passa a mapear opções reais de garagem, o termo “carro híbrido” se consolidou com 20 mil pageviews e uma expansão de 817% no interesse.
Os segmentos de carroceria dividiram os holofotes entre “sedã híbrido” (18 mil pageviews e alta de 744%), “suv híbrido plug in” (16 mil pageviews e alta de 389%), “suvs híbridos” (16 mil pageviews e alta de 139%) e “picape híbrida” (13 mil pageviews e avanço de 60%).
“No todo, há uma mudança profunda no funil de consideração do consumidor automotivo. A escolha por um eletrificado deixou de ser motivada apenas por status ou curiosidade e passou a ser altamente analítica, técnica e pautada por educação tecnológica.
As montadoras precisam olhar para essa transição e perceber que posicionar a mensagem adequada, no exato momento em que a audiência investiga autonomia e motorização, é o que garante inserção orgânica na jornada de compra e constrói relevância real”, finaliza Genova.
InfraRoi - SP 17/08/2026
Dados do Rental Market Report 2025 Brasil, elaborado pela KPMG para a Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Equipamentos, Máquinas e Ferramentas (Analoc), apontam que o setor movimentou R$ 49,4 bilhões em 2025. Este mercado, que reúne cerca de 50 mil empresas e emprega diretamente mais de 200 mil pessoas, projeta alcançar R$ 52,9 bilhões em 2026 e R$ 56,7 bilhões em 2027.
O estudo também indica que a penetração média da locação em relação à propriedade já chega a aproximadamente 40% no país. A construção responde por 60% do mercado, enquanto os demais 40% estão ligados a setores como indústria, mineração, agro, energia e logística.
Vantagens da locação mostram potencial do setor
Para Renan Camargo, gestor da De Amorim Locadora, os números mostram uma mudança de mentalidade que perdurou durante muito tempo, quando comprar máquina era o caminho natural. “Hoje, a empresa olha para prazo, custo, manutenção, disponibilidade e utilização real do equipamento. Quando essa conta é feita com planejamento, a locação aparece como uma decisão estratégica”, afirma.
Segundo Renan, a locação permite adequar máquinas a cada etapa da operação.“Na obra, máquina parada custa caro. A locação ajuda a ter o equipamento certo, no momento certo, com suporte técnico e mais previsibilidade para o cronograma”, destaca.
Locação de elétricos ainda é exceção no setor
No segmento de equipamentos elétricos, a questão é diferente e o mercado cresce devagar. A Armac, uma das principais locadoras de equipamentos do País, diz que os principais interessados nessas máquinas são players do setor da mineração e do agro. Não à toa a empresa levou pás-carregadeiras elétricas para exposição na Agrishow 2026. Para Vinícius Marino, diretor de Marketing da Armac, o modelo elétrico ainda é uma solução de nicho para operações específicas porque não ter versatilidade o suficiente para atender todos os cenários.
Mesmo assim, isso não impediu que a locadora desenvolvesse uma estratégia específica para os elétricos, oferecendo os equipamentos apenas no formato de prestação de serviço, onde o operador da máquina é empregado da própria Armac. Ele diz que essa oferta, que foi criada no final de 2025, também é construída com um cálculo de economia de acordo com a perspectiva do cliente, com a aposta em diferentes fabricantes e modelos, sendo que as pás-carregadeiras são os principais equipamentos.
GauchaZH - RS 17/08/2026
Indústria austríaca com sede brasileira em Caxias do Sul, a Palfinger fará um investimento de R$ 68 milhões com recursos para inovação liberados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A empresa produz equipamentos para movimentação de cargas e pessoas, que vão de guindastes a gruas e plataformas.
Gerente de Controladoria, Patrícia Bevilaqua Correia explica que uma parte irá para modernizar a fábrica com tecnologia 4.0, que permite comunicação entre as máquinas para mais produtividade e qualidade. Novas tecnologias serão usadas para corte, solda e usinagem.
— Por exemplo, o corte a laser permitirá usar materiais mais espessos, que hoje enviamos para corte externo. Reduziremos tempo de fabricação e teremos mais precisão. Na solda, tecnologias inteligentes se comunicam com equipamentos, que operam robotizados. Já na usinagem, substituiremos movimentos manuais de peça por operações automatizadas, permitindo contornos detalhados —diz Patrícia.
Outra parte do investimento irá para produzir na serra gaúcha um modelo de guindaste para clientes dos setores florestal e de sucata. Hoje este equipamento é importado. Por fim, o recurso também irá para desenvolvimento de guindastes de menor porte.
— São "produtos de entrada" — pontua a executiva.
No Brasil, a Palfinger também tem fábrica em Sorocaba (SP). Emprega 500 pessoas no país. Foi fundada em 1932 e está com 31 unidades pelo mundo.
Grandes Construções - SP 17/08/2026
O SindusCon-SP realizou no dia 12 de agosto, em conjunto com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), a Reunião de Conjuntura Econômica de agosto, que acompanha o desempenho da construção civil e reúne indicadores de atividade, emprego, custos, crédito e mercado imobiliário.
Na abertura, o presidente-executivo da entidade e responsável pela área econômica, Eduardo Zaidan, comentou que tem a sensação de que o país está entrando em um “inverno econômico”, com vários indicadores mostrando que o nível de atividade está baixando.
PIB da construção - Na apresentação do balanço do primeiro semestre, Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da FGV IBRE, apontou que a estimativa do crescimento do PIB da Construção Civil para o 1º semestre de 2026, sobre igual período do ano passado, é de 0,6%.
O resultado veio acompanhado de alta no emprego da construção, no rendimento médio e no consumo de cimento. Na outra ponta, a produção física de materiais recuou e o volume de vendas no varejo caiu no período.
Emprego cresce - O emprego na construção cresceu 3% no Brasil entre dezembro de 2025 e junho de 2026. Em São Paulo, o número de trabalhadores com carteira assinada avançou 2,1% no mesmo período.
Entre as regionais do SindusCon-SP, o desempenho também foi desigual. Lideraram o crescimento as regionais de Santos, Sorocaba e São José do Rio Preto. Também fecharam o período com crescimento São Paulo (capital), Mogi das Cruzes e Santo André.
Na outra ponta, houve retração em Ribeirão Preto, Campinas, Bauru, São José dos Campos e Presidente Prudente.
Consumo de cimento avança 2,3% - No primeiro semestre, o consumo de cimento no Brasil cresceu 2,3%. Todas as regiões registraram aumento, com exceção do Sudeste, principal mercado consumidor do país, que ficou estável no período.
INCC - O Índice Nacional de Custo da Construção - INCC-DI acumulou alta de 4,91% no Brasil e de 5,19% em São Paulo no ano, até julho. Em 12 meses, as variações foram de 6,44% e 6,97%, respectivamente. Entre os componentes, o maior aumento no país foi o de tubos e conexões de PVC e, no estado, o de condutores elétricos.
Mercado imobiliário mantém expansão em São Paulo - O mercado imobiliário residencial da cidade de São Paulo apresentou crescimento entre janeiro e maio. Os lançamentos aumentaram 10,6% e as vendas cresceram 3,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Mão de obra qualificada lidera preocupações das empresas - A Sondagem da Construção mostrou que a escassez de mão de obra qualificada continua entre os principais fatores que limitam a melhora dos negócios.
Na série mais recente, de julho de 2026, o item foi apontado por 37,9% das empresas, seguido pelo custo de mão de obra (24,0%), demanda insuficiente (23,3%), competição no próprio setor (22,9%) e custo de matéria-prima (16,7%).
Para o presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, o cenário também se reflete nas decisões de investimento. “Para o futuro, se a Caixa Econômica Federal não entrar no crédito para habitação de média renda, vamos continuar praticamente no mesmo lugar ou ter uma evolução muito gradativa, que fica dependendo da queda dos juros”.
Money Times - SP 17/08/2026
A Cyrela (CYRE3) deve ter pouco espaço para crescimento da margem bruta e permanecerá por algum tempo no patamar atual de 34,4%, disse nesta sexta-feira (14) o diretor financeiro (CFO) da construtora, Miguel Mickelberg.
Em apresentação dos resultados do segundo trimestre (2T26), Mickelberg destacou que a margem pode ter pressão da volatilidade causada pela inflação ou pelo impacto dos volumes de lançamentos nas vendas de estoque.
“O patamar em que a gente chegou agora conversa bastante com as nossas últimas safras de lançamento. Por outro lado, tirando a questão da volatilidade, a gente pode, sim, ver períodos um pouco mais longos com margem bruta próxima a esse patamar”, disse.
O executivo afirmou que a geração de caixa operacional no primeiro semestre (1S26) foi bem acima do esperado, e que o grupo pode ter bastante espaço tanto para otimizar estrutura de capital como para dar retorno aos acionistas.
“Vamos olhar todas essas oportunidades. Ainda não temos qualquer definição sobre isso, mas realmente a direção de caixa no ano está boa, então nos dá mais confiança”, afirmou o CFO.
A Cyrela registrou lucro líquido de R$ 452 milhões e receita líquida de R$ 2,5 bilhões no segundo trimestre, em linha com as expectativas do mercado segundo dados da LSEG.
De acordo com analistas do Itaú BBA, o principal destaque do balanço foi a forte geração de caixa de R$ 272 milhões, bem acima das expectativas.
Segundo Elvis Credendio e equipe, se a Cyrela conseguir manter esse nível de desempenho, junto com a conclusão da venda de carteira imobiliária para a TRXF11, o índice de alavancagem no final do ano poderia ficar muito abaixo de expectativas atuais e abrir espaço para dividendos e recompra de ações.
As ações CYRE3 subiam 0,7% às 12h45 (horário de Brasília), a R$ 21,15.
Globo Online - RJ 17/08/2026
Dois grupos fizeram ofertas vinculantes para comprar o Porto Sudeste, pertencente ao Grupo Trafigura e ao Mubadala Capital, ofertando valores entre US$ 3 bilhões e US$ 3,5 bilhões, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. De acordo com as fontes, o Global Infrastructure Partners, da BlackRock, formou um grupo com a Vale e a siderúrgica Gerdau e fez uma oferta pelo Porto Sudeste. A I SquaredCapital fez outra oferta, disseram as pessoas que pediram para serem mantidas no anonimato.
As fontes, no entanto, não quiseram especificar qual dos dois grupos interessados fez a maior proposta.
O Stonepeak em conjunto com a M Resources, uma empresa de logística com sede em Brisbane, na Austrália, acabou não apresentando proposta vinculante, disseram as pessoas.
A Trafigura, o Stonepeak e o GIP não quiseram comentar. Mubadala, Gerdau, I Squared e M Resources também não responderam a mensagens solicitando comentários.
A Vale disse que “avaliações de oportunidades de investimento são exercidas no curso regular de suas atividades, à luz de suas prioridades estratégicas,” se referindo a um comunicado de abril e acrescentando que “seguirá mantendo o mercado informado tempestivamente sobre qualquer fato relevante resultante dessa prospecção ou a respeito de seus negócios.”
O Porto Sudeste movimentou um recorde de 27,8 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, um aumento em relação aos 21,9 milhões de toneladas do ano anterior. Esse volume ainda está abaixo de sua capacidade de cerca de 50 milhões de toneladas, de acordo com seu balanço financeiro.
O porto é um importante centro logístico que oferece às mineradoras brasileiras uma rota para os mercados internacionais, especialmente no Sudeste Asiático. Possui capacidade ociosa para aumentar suas exportações de minério e está conectado por ferrovia ao estado de Minas Gerais, uma das principais regiões produtoras de minério de ferro.
A Trafigura e a Mubadala, braço de investimentos de um fundo soberano de Abu Dhabi, adquiriram uma participação majoritária no porto do Rio de Janeiro em 2014 da MMX Mineração & Metálicos, um dos empreendimentos de mineração do ex-bilionário Eike Batista.
Petro Notícias - SP 17/08/2026
A BR Offshore apresentou à Firjan Norte Fluminense o planejamento para instalar um estaleiro focado em reciclagem de embarcações e estruturas offshore em Barra do Furado, na divisa entre Campos dos Goytacazes e Quissamã. A expectativa é iniciar as obras entre o fim deste ano e o começo de 2027.
Com cerca de 6 milhões de metros quadrados, o complexo foi concebido para oferecer suporte logístico e abrigar uma área dedicada à reciclagem de componentes, equipamentos e estruturas de embarcações e plataformas de petróleo e gás. O projeto foi apresentado pelo CEO da empresa, Ricardo Vianna, a empresários de Campos, São João da Barra e Macaé durante reunião do Conselho da representação regional, realizada nesta semana.
De acordo com Vianna, o projeto atende a uma demanda crescente, tanto no Brasil quanto no exterior, por serviços especializados de reciclagem e descomissionamento. “Existe uma demanda mundial por serviços de reciclagem de embarcações. No Brasil, teremos nos próximos anos um volume significativo de unidades flutuantes que precisarão ser descomissionadas e a capacidade hoje é insuficiente para atender a demanda. Barra do Furado reúne características estratégicas para esse tipo de operação”, destacou.
O empreendimento também está ligado ao aumento da demanda da indústria siderúrgica por sucata metálica. Conforme Vianna, a siderurgia brasileira utiliza aproximadamente 2,5 milhões de toneladas de sucata por ano e importa cerca de 5 milhões de toneladas do material.
“A reciclagem de estruturas provenientes da indústria de óleo e gás pode contribuir para ampliar a oferta de matéria-prima para a siderurgia e, consequentemente, para os esforços de descarbonização do setor”, pontuou o CEO da BR Offshore. Segundo informações apresentadas pela companhia à Firjan Norte Fluminense, a reciclagem de embarcações de óleo e gás movimentou aproximadamente 9 milhões de toneladas de material na última década.
Para o presidente da Firjan Norte Fluminense, Francisco Roberto de Siqueira, a localização de Barra do Furado, a disponibilidade de mão de obra e a proximidade de ativos relevantes da indústria de óleo e gás fortalecem o potencial do empreendimento para transformar a região em um polo de apoio, logística, descomissionamento e reciclagem da cadeia offshore. “A implantação do projeto Barra do Furado representa uma oportunidade estratégica para o desenvolvimento do Norte Fluminense. É um empreendimento que vai atrair investimentos, gerar empregos, movimentar a economia e agregar ainda mais valor à vocação industrial e energética do nosso território”, afirmou.
No Brasil, a projeção é de que a reciclagem de embarcações e estruturas da indústria de óleo e gás possa representar 1,5 milhão de toneladas de aço reciclado nos próximos dez anos, com receita estimada em R$ 5 bilhões proveniente da comercialização do material.
Valor - SP 17/08/2026
Primeiro serviço regular de transporte de contêineres entre a Europa e a Ásia reduzirá significativamente os tempos de viagem
O Ártico está surgindo como uma alternativa viável às tradicionais rotas de navegação do mundo, à medida que o derretimento do gelo polar encurta a viagem entre a Europa e a Ásia e os navios buscam evitar gargalos estratégicos no transporte marítimo.
A Sea Legend, empresa chinesa de transporte de contêineres com foco nos mercados da Turquia e norte da África, lançará esta semana o primeiro serviço regular de transporte de contêineres pelo Ártico.
O serviço semanal contornará a costa norte da Rússia na rota entre Ningbo, na costa leste da China, e Felixtowe, no Reino Unido. A companhia batizou o serviço de “Rota da Seda do Gelo” em referência à antiga rota comercial que ligava a China à Europa.
A rota reduzirá à metade, aproximadamente, o tempo normal de navegação de 40 dias entre os dois portos, dependendo das condições no Círculo Polar Ártico. A iniciativa ocorre depois de um recorde de 23 travessias pela Rota Marítima do Norte no verão passado, ante 15 viagens em 2024.
No verão, o gelo marinho derrete o suficiente para permitir a passagem de navios sem a necessidade de eles terem capacidade para navegar em condições de gelo ou do acompanhamento de navios quebra-gelo.
Apesar da rivalidade geopolítica em torno do controle da região, as empresas de navegação estão cada vez mais interessadas na rota como uma forma de evitar gargalos como o Estreito de Bab al-Mandab, no Mar Vermelho, onde os houthis, grupo militar apoiado pelo Irã, renovaram suas ameaças no mês passado.
Militantes houthis disseram em 23 de julho que atacaram dois navios petroleiros da Arábia Saudita no Mar Vermelho, o que levou os preços do barril de petróleo para mais de US$ 100.
“Sem dúvida, houve um aumento do tráfego pelo Ártico e pela Rota do Mar do Norte”, diz Rahul Khanna, chefe global de consultoria de riscos da seguradora Allianz. “As embarcações e os armadores agora veem a rota como mais uma oportunidade, primeiro para economizar muito tempo e dinheiro”, mas também para “eliminar todos os gargalos geopolíticos e zonas de conflito”, afirmou.
A Rota do Mar do Norte é dividida em 28 trechos com diferentes regras estabelecidas pela administração da rota, controlada pela estatal russa Rosatom, de acordo com as condições do gelo em cada área. A empresa russa emite as autorizações para a navegação na região.
Apesar de a Maersk ter enviado o primeiro navio porta-contêineres pela rota ártica entre Vladivostok e São Petersburgo em 2018, a companhia dinamarquesa e várias outras empresas europeias se comprometeram a não usar a rota, temendo causar danos ao delicado ecossistema do Ártico.
O gelo marinho do Ártico durante o pico do inverno recuou 5,8% entre 2025 e 2025 – a maior queda já registrada, segundo um estudo recente de pesquisadores da Universidade de Southampton. A extensão máxima do gelo marinho se recuperou ligeiramente este ano, mas ainda foi a segunda menor já registrada, segundo o estudo.
“O impacto do aquecimento global no Ártico é impressionante”, diz o ex-ministro do Meio Ambiente do Canadá Steven Guilbeault, que está navegando pelo Ártico para conscientizar sobre os problemas que afetam o extremo norte. “As mudanças climáticas aumentarão os riscos de segurança no Ártico, especialmente se houver cada vez mais embarcações na região que não sejam necessariamente de nações árticas.”
Entre os motivos pelos quais as companhias europeias estão evitando a rota estão as relações com a Rússia e as mudanças climáticas, segundo Malte Humpert, um especialista em transporte marítimo no Ártico da “High Norte News”, publicação mantida pela Universidade Nord, da Noruega.
O interesse em usar a região ártica para o transporte marítimo também se reflete no aumento das encomendas de navios com classificação para navegação em águas congeladas. No ano passado, foram construídas 167 embarcações desse tipo, o maior número em mais de uma década, enquanto outras 164 devem ser construídas neste ano, segundo dados da empresa de informações marítimas Veson Nautical.
Entretanto, o Ártico ainda apresenta grandes desafios para os profissionais da navegação, que precisam ter experiência para atravessar campos de gelo, muitas vezes sem GPS, que pode deixar de funcionar em latitudes tão elevadas.
“Há sempre o risco de derramamento de petróleo ou poluição, e você está longe de operações de busca e salvamento. Por outro lado, pode-se argumentar que a rota mais curta reduz as emissões de CO2, diz Humpert.
Os navios também precisam cumprir o Código Polar da Organização Marítima Internacional (IMO), que estabelece padrões rigorosos de segurança e proteção ambiental para as embarcações.
“Há uma grande possibilidade de as embarcações ficarem presas se não houver quebra-gelos disponíveis”, diz Khanna, acrescentando que o número de consultas sobre a utilização da Rota do Mar do Norte aumentou nos últimos cinco anos. “Se tivermos um acidente no Ártico, dispomos de recursos limitados para salvamento, assistência, combate a incêndios ou resgate. Lidar com uma emergência ou acidente no Ártico é muito mais difícil.”
Uma análise da Allianz mostra que foram registrados mais de 500 incidentes envolvendo embarcações no Círculo Polar Ártico nos últimos dez anos. Problemas ou falhas em máquinas responderam por quase metade do total.
A Tribuna - SP 17/08/2026
O leilão do canal de acesso ao Porto de Santos deverá ser o principal teste para esse modelo de concessão do Governo Federal. Por envolver o maior complexo portuário do Brasil em movimentação de cargas, o certame será decisivo para medir o apetite dos investidores e balizar os próximos projetos.
Também estão em preparação as concessões dos canais de Itajaí (SC) e do Rio Grande do Sul. O modelo começou a sair do papel com Paranaguá (PR), leiloado em 2025, e transfere à iniciativa privada a responsabilidade pela manutenção da navegabilidade, incluindo dragagem, sinalização náutica, monitoramento hidrográfico e gestão operacional.
Um dos receios durante a estruturação do modelo era criar uma espécie de “indústria da dragagem”, com a remuneração do concessionário associada ao volume de sedimentos retirado. Para o CEO do MoveInfra, Ronei Glanzmann, esse risco foi reduzido porque o contrato exige a garantia da navegabilidade.
“O ideal da dragagem é você dragar o menos possível. Primeiro porque é uma atividade muito cara. Segundo porque tem toda a questão ambiental de achar um local para depósito. O compromisso de quem vence é para garantir a navegabilidade. Como ele vai fazer é uma questão de engenharia”.
Parte do mercado considera elevados os riscos transferidos à iniciativa privada. Assoreamento, eventos hidrológicos extraordinários, dragagens adicionais e mudanças no fluxo de embarcações podem elevar os custos sem aumento proporcional das receitas. Há ainda diferenças físicas, ambientais e operacionais entre os canais.
Por isso, agentes defendem mecanismos de reequilíbrio para situações extraordinárias. Nesse cenário, Santos é considerado um termômetro da confiança do mercado no modelo.
A consultora de infraestrutura do Instituto Livre Mercado (ILM), Simone Mayara, questiona a aplicação da mesma lógica a canais distintos. “Esperamos ver como o Governo vai fazer para esse novo modelo funcionar. Não consigo ver uma forma disso avançar”, afirmou.
A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) afirma que as empresas têm demonstrado “muito” interesse nos certames desde o Porto de Paranaguá. Segundo a agência, já há interessados no leilão de Itajaí, próximo na fila do Governo Federal, com edital previsto para agosto.
O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) diz que os projetos passam por consultas e audiências públicas e são estruturados com matrizes de risco para garantir modicidade tarifária, equilíbrio econômico-financeiro e viabilidade comercial.
Audiência
A audiência pública sobre a concessão do canal de navegação do Porto de Santos será no dia 1o de setembro, às 14 horas, em sessão híbrida (presencial e on-line). O evento será transmitido ao vivo pela internet..O projeto envolve um fluxo financeiro de R$ 23,4 bilhões ao longo do contrato de 25 anos, prorrogável até 70 anos. O investimento mínimo obrigatório em infraestrutura, até o oitavo ano de contrato, é de R$ 688,1 milhões.
O Estado de S.Paulo - SP 17/08/2026
A descoberta de petróleo na Margem Equatorial, divulgada nesta sexta-feira, 14, foi recebida por autoridades e especialistas como uma oportunidade de levar o Brasil a um novo patamar no setor energético. A Petrobras atingiu o reservatório do poço de Morpho, identificando a descoberta de óleo. Veja, a seguir, como diferentes atores do mercado avaliaram o anúncio.
A descoberta vai mudar a geopolítica nacional se a região virar realmente uma nova província petrolífera do País, avalia o professor do Instituto de Energia da PUC Rio e ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), David Zylbersztajn.
Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Zylbersztajn afirma que a incidência de petróleo no local é uma grande notícia mesmo que ainda não se saiba qual o tamanho da reserva, até porque a descoberta veio muito rápida. Ele lembra que a Exxon precisou perfurar 64 poços para encontrar petróleo na Margem Equatorial, do lado da Guiana.
O diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, colunista do Estadão, afirmou ao Estadão/Broadcast: “Não temos nenhum número da Petrobras, portanto não dá para falar se é uma descoberta relevante, ou não. Mas é uma boa notícia que mostra a importância do Ibama agilizar as licenças ambientais”.
Vai ‘reposicionar o Brasil na geopolítica global’, diz Silveira
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, disse que a descoberta pode “reposicionar o Brasil na geopolítica global”.
“Foram mais de três anos intensos em defesa da nossa economia e soberania energética (...) Não foi sorte achar petróleo na Margem Equatorial, foi o resultado do árduo trabalho do nosso governo e da implementação responsável de suas políticas públicas”, comentou Silveira pelas redes sociais.
As operações de perfuração continuam. A atual fase é de avaliação exploratória no bloco FZA-M-59. A Petrobras detém 100% de participação na área. O bloco foi adquirido sob o regime de concessão. O ministro de Minas e Energia fez um agradecimento público à Advocacia-Geral da União (AGU) e às equipes da Petrobras.
“Podemos criar novas divisas e garantir que toda essa nossa potencialidade traga centenas de bilhões em investimentos, empregos e renda para brasileiras e brasileiros, combatendo as desigualdades e levando desenvolvimento, principalmente, nas regiões Norte e Nordeste do país, em absoluta harmonia com a transição energética nacional”, afirmou.
IBP: descoberta reforça segurança energética
O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) afirmou que a descoberta nas águas ultraprofundas da Margem Equatorial brasileira, confirma que o Brasil tem perspectivas muito positivas para a produção de petróleo e gás natural em outras regiões, reforçando a segurança energética nacional no médio e no longo prazos.
“O IBP vê como extremamente importante a confirmação da presença de hidrocarbonetos no poço exploratório, na bacia da Foz do Amazonas. A notícia divulgada pela Petrobras na data de hoje é significativa não apenas pela identificação da presença de petróleo, mas por indicar a possibilidade de exploração e produção em uma nova fronteira no extremo norte do País”, disse a entidade em nota.
Segundo a companhia, por ser uma profundidade expressiva (2.886 metros) e em uma região pouco conhecida, o trabalho foi realizado com cautela para que o resultado fosse alcançado. As operações de perfuração permanecem em curso, visando à continuidade da avaliação exploratória.
‘Pode abrir nova fronteira para a Petrobras’, diz Fábio Lemos
Para o sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, a descoberta “reduz o risco geológico” da Margem Equatorial e “abre caminho” para que a região se consolide como uma nova fronteira de produção da Petrobras.
“Se os próximos poços confirmarem escala e qualidade, aí sim podemos estar diante de uma nova fronteira capaz de ter importância estratégica para a Petrobras na próxima década”, afirmou Lemos. Para o especialista, o potencial da região também pode se refletir positivamente nas ações da companhia.
A relevância da descoberta, segundo Lemos, está justamente na redução do risco geológico de uma região considerada estratégica pela Petrobras para a reposição de reservas. A Margem Equatorial é vista como uma potencial nova fronteira de exploração e produção depois do pré-sal, embora ainda não haja dados suficientes para dimensionar o tamanho da descoberta, o volume recuperável ou a viabilidade econômica da produção.
Para Lemos, a comparação com o pré-sal deve ser feita pelo potencial de abertura de uma nova fronteira, e não como uma equivalência já comprovada em reservas. “Isso aqui é sério. Ponto de virada para a Petrobras”, afirmou.
Descoberta no Morpho é transformacional para a Petrobras
A descoberta de óleo no poço Morpho é um passo importante para pressionar pelo desenvolvimento da Margem Equatorial e pode ter impacto transformacional para a Petrobras e para o setor, avalia Hugo Queiroz, gestor de portfólio da Soho Capital. Segundo ele, o avanço reforça a necessidade de investimentos na região, que também pode se tornar um importante motor econômico.
“É um importante passo para oficializar que essa fronteira precisa ser desenvolvida e vai pressionar para que isso ocorra”, afirmou Queiroz.
Apesar da relevância da descoberta, os efeitos sobre a produção da Petrobras ainda devem levar anos para aparecer. “Isso deve levar no mínimo seis a oito anos para sair a primeira gota”, disse o gestor, que considera o horizonte de desenvolvimento da região como algo próximo do longo prazo.
Para Queiroz, o avanço é importante para a Petrobras principalmente pela possibilidade de recompor reservas e ampliar a produção no futuro. “Importante para trazer recomposição de reservas para a Petrobras e também crescer produção”, afirmou.
O desenvolvimento da Margem Equatorial também pode levar a Petrobras a iniciar um novo ciclo de desinvestimentos, na avaliação do gestor. Segundo ele, a estatal poderia vender ativos em águas rasas para direcionar recursos à exploração da região. “Eu vejo como transformacional para o setor e empresas”, afirmou.
Jornal de Brasília - DF 17/08/2026
O preço do petróleo está oscilando nesta sexta-feira (14) com a indefinição nas negociações entre EUA e Irã, que mantém o tráfego paralisado no estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás.
O barril Brent, referência mundial, começou a sessão em queda e caiu 1,21%, a US$ 86,02 (R$ 446,62).
Porém, aos poucos, a cotação passou a subir e chegou a US$ 88,68 (R$ 460,44), alta de 1,85%, por volta das 5h (horário de Brasília). Depois disso, o preço baixou e estava a US$ 88,40 (R$ 458,98), por volta das 15h.
O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, refletia a mesma variação e era negociado a US$ 82,28 (R$ 427,21), valorização de 1,27% em relação ao dia anterior.
A oscilação ocorre pela estagnação nas negociações pela paz na região, após a semana ter iniciado com os mediadores Paquistão e Qatar tendo anunciado que um acordo estava próximo, o que não se tornou realidade. Somado a isso, navios que tentam atravessar o estreito de Hormuz foram atacados em toda a semana, causando a diminuição do tráfego na região e impedindo o escoamento da produção de petróleo.
Na quinta-feira, nove embarcações passaram pela estreita via navegável na entrada do Golfo, abaixo da média do mês, que está em 12, segundo a empresa de rastreamento de navios Kpler. A agência de notícias estatal dos Emirados Árabes Unidos WAM divulgou que dois navios da estatal Abu Dhabi National Oil Company foram atacados enquanto atravessavam o estreito na noite de quinta.
“Além da ameaça à infraestrutura energética da região, a capacidade do Irã de restringir a navegação pelo estreito é sua principal fonte de vantagem nas negociações”, comentou Torbjorn Solvedt, analista-chefe para o Oriente Médio da empresa de inteligência de risco Verisk Maplecroft.
Os ataques levaram os EUA a endurecer novamente o discurso contra o regime iraniano. “Vamos aplicar medidas como nunca se viu na história do isolamento econômico de um país”, ameaçou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em entrevista ao programa “Rob Schmitt Tonight”, da Newsmax.
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que as Forças Armadas do país têm capacidade para manter uma presença naval na região a fim de fazer valer seu bloqueio retaliatório contra o Irã que causou graves prejuízos econômicos ao país.
Valor - SP 17/08/2026
Guerra dos EUA contra Irã compromete oferta; China, no entanto, vem reduzindo demanda
À medida que a guerra entre EUA e Irã se prolonga sem um fim à vista, operadores do mercado de petróleo e governos enfrentam uma questão crucial: os estoques globais de petróleo são suficientes para compensar o que pode se tornar a maior interrupção de oferta já registrada?
A resposta está longe de ser clara, pois depende não apenas de quanto petróleo permanece armazenado, mas também de quanto dele pode ser realmente liberado. A duração das reservas só pode ser determinada ao se calcular a dimensão da atual interrupção.
O chefe da estatal Saudi Aramco, Amin H. Nasser, acredita que o mundo perdeu 2,6 bilhões de barris de petróleo desde o início da guerra, o que faria desta a maior interrupção de oferta da história em termos acumulados, excetuando-se a Revolução Iraniana de 1979, segundo cálculos da Reuters.
Isso equivale a expressivos 25 dias de consumo mundial, com base na demanda global de petróleo de antes do início da guerra, em fevereiro, de 103 milhões de barris por dia.
No entanto, a China reduziu a demanda nos últimos meses, o que significa que o mundo está consumindo menos petróleo.
A maioria dos analistas acredita que o déficit diário de oferta para atender à demanda global é de 5 milhões de barris por dia, embora a Aramco diga que o mundo está perdendo diariamente 11 milhões de barris provenientes do Golfo Pérsico.
A lacuna pode ter aumentado em julho, depois que drones ucranianos interromperam o oleoduto CPC, do Cazaquistão, que transportava 1,8 milhão de barris por dia.
A Agência Internacional de Energia (AIE), que coordena os países ocidentais, anunciou em março a liberação de 400 milhões de barris de reservas de emergência e afirma que a economia global ainda dispõe de estoques substanciais. A entidade foi criada em 1974 em resposta a outra grande crise do petróleo -- o embargo árabe.
Os estoques da AIE são compostos por reservas mantidas pelos governos e estoques comercias. Juntos, somam 1,5 bilhão de barris, o suficiente para cobrir por 300 dias o atual déficit estimado de oferta, de 5 milhões de barris por dia.
No entanto, a AIE pode não ordenar a liberação de estoques comerciais, como os mantidos por refinarias, por questões operacionais.
Isso deixa apenas 0,9 bilhão de barris em reservas governamentais - o suficiente para cobrir o déficit de oferta por 180 dias.
A AIE afirmou estar pronta para liberar mais petróleo se a crise piorar, mas não divulga a composição exata dos estoques.
Das reservas governamentais restantes, um terço está nos EUA. Os estoques de petróleo da Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA caíram ao nível mais baixo desde janeiro de 1983.
O Escritório de Responsabilidade Governamental dos EUA alertou em maio que a infraestrutura da Reserva Estratégica de Petróleo está se deteriorando rapidamente e que um quarto das reservas já não está disponível.
Se os EUA tiverem apenas 200 milhões de barris acessíveis restantes na Reserva Estratégica de Petróleo, eles poderão cobrir somente 40 dias do atual déficit de oferta.
Uma nova liberação da AIE é improvável, pois muitos países têm estoques limitados restantes, disse Christian Egeland, da Energy Aspects.
A redução dos estoques diminuiu a proteção contra choques de oferta, deixando o mercado de petróleo vulnerável a fortes altas de preços, disse Hamad Hussain, da Capital Economics. Os estoques globais de diesel e combustível de aviação estão atualmente na parte inferior de sua faixa dos últimos cinco anos, segundo o Morgan Stanley.
As guerras danificaram refinarias do Oriente Médio e da Rússia e atingiram especialmente o diesel e o combustível de aviação, disse Survo Sarkar, do DBS Bank.
Os estoques globais totais de petróleo, incluindo todos os tipos - como estoques comerciais, a Reserva Estratégica dos EUA, os estoques chineses e as cargas em trânsito marítimo - parecem bastante confortáveis, segundo a AIE.
Mas uma grande parcela deles não constitui uma reserva real de oferta, pois os estoques em trânsito marítimo, por exemplo, frequentemente representam petróleo e combustíveis já vendidos.
A China não divulga suas reservas, mas A Energy Aspects estima que Pequim detinha quase 1,7 bilhão de barris de petróleo bruto em julho. No entanto, as estimativas de outras consultorias variam entre 1 bilhão e 1,7 bilhão de barris.
Com uma reserva de 1,7 bilhão de barris, a China poderia cobrir por quase um ano suas importações anteriores à guerra através do Estreito de Ormuz - cerca de 5,5 milhões de barris por dia -, um dos níveis mais confortáveis entre as grandes economias, ao lado do Japão.
O Estado de S.Paulo - SP 17/08/2026
A Petrobras (PETR3;PETR4) anunciou na noite de sexta-feira (14) que identificou sinais de petróleo na Margem Equatorial. Analistas do mercado financeiro classificaram a notícia como positiva para a empresa, mas ainda prematura para justificar mudanças na tese de investimento da companhia.
A petroleira estatal localizou a presença de hidrocarbonetos em poço exploratório em perfuração no bloco FZA-M-59, em águas profundas do Amapá, na bacia sedimentar da Foz do Amazonas. “As operações de perfuração permanecem em curso, visando a continuidade da avaliação exploratória”, afirmou a empresa em comunicado ao mercado.
Em entrevista ao jornal O Globo, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a operação mostra um sistema petrolífero ativo, mas ainda é necessário delimitar a descoberta, para saber quanto de óleo tem na região. “É uma descoberta, mas ainda não é uma descoberta comercial. Agora, nós vamos continuar furando o poço até o fundo”, afirmou.
Segundo Chambriard, o trabalho nesse poço deve terminar no fim de agosto ou início de setembro. Ela citou que a Petrobras possui outros três poços no bloco FZA-M-59, nos quais aguarda licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para perfurar.
Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, observa que a reação dos investidores à descoberta da petroleira deve vir no pregão da próxima segunda-feira (17).
Segundo ele, o movimento inicial deve ser de otimismo, seguido de acomodação, porque o potencial da Margem Equatorial já era discutido pelo mercado e está embutido no preço de PETR3 e PETR4.
Quem opera no curto prazo deve tratar a notícia como evento de volatilidade, não como mudança de valor.
Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital
A identificação de petróleo na Margem Equatorial foi anunciada após o fechamento da Bolsa de Valores. Na sessão de sexta-feira, as ações da Petrobras fecharam em alta: as ordinárias tiveram ganho de 0,21%, enquanto as preferenciais registraram valorização de 0,45%. O Ibovespa, por outro lado, emendou a nona sessão de perdas.
Notícia não altera imediatamente projeções da companhia
Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, avalia que a leitura inicial do mercado financeiro tende a ser positiva, porque uma das principais preocupações de longo prazo da empresa está na reposição de reservas.
Ele avalia que o pré-sal continuará sendo o principal motor da companhia nos próximos anos, mas deverá atingir o pico de produção em 2034 ou 2035, para depois começar a declinar. “Encontrar novas áreas potencialmente produtivas é, portanto, fundamental para sustentar a produção e a geração de caixa no longo prazo”, destaca Praça.
O analista, porém, afirma ser importante separar descoberta exploratória de descoberta comercial. Até agora, a Petrobras confirmou a presença de hidrocarbonetos, mas ainda precisa determinar o tamanho do reservatório, a qualidade do petróleo, o volume recuperável e, principalmente, se a produção será economicamente viável.
A descoberta não altera imediatamente as projeções de produção da companhia. “Se os próximos estudos confirmarem uma reserva comercial relevante, aí sim podemos estar diante de um ativo capaz de aumentar as reservas da Petrobras, prolongar seu horizonte de produção e justificar novos investimentos na Margem Equatorial”, afirma.
Para o investidor, Praça classifica a notícia como positiva para a tese de longo prazo da Petrobras, mas ainda prematura para justificar uma revisão significativa das estimativas de produção, lucro ou preço das ações. “O próximo grande gatilho será justamente a divulgação dos dados sobre o tamanho e a viabilidade econômica dessa descoberta.”
Impacto sobre dividendos ainda é incerto
Na visão de Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra, a notícia sobre a descoberta não tem efeito “tão grande”, mas representa mais um “tijolo” na tese positiva da Petrobras. “No curto prazo, a direção da ação ainda será determinada pelo conflito no Oriente Médio. Para o longo prazo, quando a empresa quantificar melhor a descoberta, aí sim teremos mais impactos”, diz.
Cruz também afirma não ser possível projetar o quanto a notícia afeta os dividendos no longo prazo, pois a estatal sofre pressão política e mudança de direção conforme seu presidente. “Mas, confirmando as expectativas positivas da Margem Equatorial, espera-se um bom desempenho adiante”, avalia.
Em agosto, a companhia aprovou o pagamento de R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) aos acionistas. Ao mesmo tempo, divulgou um lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), alta de 96,8% em um ano. Veja aqui a reação de analistas ao resultado da Petrobras.
Trevisan, da Gravus Capital, explica que a política de remuneração da petroleira distribui aos acionistas um porcentual, atualmente de 45%, do fluxo de caixa livre, indicador calculado a partir da geração operacional menos o volume de investimentos da companhia.
Segundo o especialista, isso significa que, se a Margem Equatorial se confirmar como uma oportunidade comercial, a primeira consequência serão mais investimentos, não mais dividendos.
“Desenvolver um campo em águas profundas numa área sem infraestrutura exige plataformas, dutos e logística, e esse ciclo de investimento tende a comprimir a distribuição por alguns anos. O efeito positivo em dividendos vem depois, quando a produção entra”, explica.
Descoberta abre nova fronteira de produção, mas efeitos devem demorar
Para o sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, a descoberta “reduz o risco geológico” da Margem Equatorial e “abre caminho” para que a região se consolide como uma nova fronteira de produção da Petrobras. O especialista aponta que o potencial da região pode se refletir positivamente nas ações da companhia.
“Se os próximos poços confirmarem escala e qualidade, aí sim podemos estar diante de uma nova fronteira capaz de ter importância estratégica para a Petrobras na próxima década”, afirma Lemos.
Já Hugo Queiroz, gestor de portfólio da Soho Capital, pondera que, apesar da relevância da descoberta, os efeitos sobre a produção da petroleira ainda vão demorar anos para aparecer. “Isso deve levar no mínimo seis a oito anos para sair a primeira gota.”
Para o gestor, o avanço é importante para a Petrobras principalmente pela possibilidade de recompor reservas e ampliar a produção no futuro.