Clipping Diário

17 | Abril | 2026

SIDERURGIA

Valor - SP   17/04/2026

As vendas internas anotaram alta de 5%, para 1,923 milhão de toneladas, em março; as exportações caíram 26% no mês

A produção brasileira de aço em março somou 2,811 milhões de toneladas, uma queda de 2,5% na comparação com os 2,882 milhões de toneladas registradas no mesmo mês do ano passado. No primeiro trimestre, a produção somou 8,073 milhões de toneladas, 3,1% a menos que as 8,328 milhões de toneladas dos três primeiros meses de 2025. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (16) pelo Instituto Aço Brasil.

As vendas internas em março somaram 1,923 milhão de toneladas, 4,9% a mais que as 1,833 milhão de toneladas de março do ano passado. No primeiro trimestre, as vendas internas de aço no país atingiram 5,101 milhões de toneladas, 1,1% abaixo das 5,158 milhões de toneladas dos três primeiros meses de 2025.

As exportações caíram 25,8% em março, para 584 mil toneladas, ante 786 mil toneladas em igual mês do ano passado. Entre janeiro e março foram exportadas 2,757 milhões de toneladas, 12,1% a mais que as 2,461 milhões de toneladas do primeiro trimestre do ano passado.

As importações também recuaram em março, para 608 mil toneladas, 8,3% abaixo das 663 toneladas de março do ano passado. No primeiro trimestre foram 1,753 milhão de toneladas compradas do exterior, 4,2% a mais que as 1,683 milhão de toneladas do primeiro trimestre do ano passado.

A utilização da capacidade instalada em março, no país ficou, em 66,2%, 1,7 ponto percentual abaixo dos 67,9% de março do ano passado. No primeiro trimestre, a utilização da capacidade instalada foi de 63,4%, 2 pontos percentuais abaixo dos 65,4% dos três primeiros meses de 2025.

IstoÉ Dinheiro - SP   17/04/2026

A Gerdau apresentou proposta vinculante para adquirir a totalidade da participação acionária detida pela Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) na Dona Francisca Energética (DFESA). A fatia é equivalente a 23,03% do capital social da companhia de geração de energia. Segundo comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a proposta considera um enterprise value de R$ 150 milhões e foi aceita pela Celesc.

Conforme a Gerdau, o pagamento será feito à vista no fechamento, com recursos próprios disponíveis. O valor está sujeito aos termos e condições usuais desse tipo de transação previstos nos contratos, além do eventual exercício de direito de preferência proporcional por outros acionistas da DFESA. A conclusão da operação também depende do cumprimento de condições precedentes usuais, incluindo aprovação pela autoridade concorrencial brasileira.

A DFESA é dedicada à geração de energia elétrica e opera por meio de uma cota de 85% no consórcio da concessão da Usina Hidrelétrica Dona Francisca, localizada no rio Jacuí, no Rio Grande do Sul, entre as cidades de Agudo e Nova Palma. A usina tem capacidade instalada de 125 Megawatts (MW) e garantia física de 72,5 MW médios, com cerca de 66 MW médios destinados à DFESA.

Atualmente, a Gerdau já detém 53,94% do capital social da DFESA, equivalente a 35,6 MW médios de energia. Com a aquisição, a companhia passará a ter 76,97% de participação, totalizando aproximadamente 50 MW médios de energia assegurada.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   17/04/2026

A redução da sobreoferta na China, com inflação dos preços ao produtor rodando em território positivo desde meados de 2025, encerra o período de exportação de deflação do país asiático, sendo mais um complicador para BCs já às voltas com choque do petróleo.

O choque do petróleo na esteira da guerra no Oriente Médio já está provocando pressões inflacionárias globais que complicam a vida dos bancos centrais. Agora, porém, segundo o economista Livio Ribeiro, sócio-fundador da consultoria BRCG e pesquisador associado do FGV-IBRE, há outra fonte de pressão mundial sobre os preços: a China parou de exportar deflação para o resto do mundo.

O analista observa que, a partir do segundo semestre de 2025, parece ter chegado ao fim um longo período na China, que vem desde 2022, de deflação dos preços ao produtor (PPI) e de letargia dos preços ao consumidor (CPI). Isso significa que o país asiático conseguiu em certa medida reduzir a sobreoferta de produtos que pressiona os preços para baixo.

Ribeiro acrescenta que esse fenômeno de redução de sobreoferta ocorreu pela última vez no período 2016-2018, invertendo na época a pressão sobre preços exercida pela China no resto do mundo, de deflacionária para inflacionária.

O consultor aponta que o CPI chinês de março recuou 0,7%, sendo bastante afetado por questões de base, mas o índice acumulado em 12 meses está em 1%. Já o PPI de março foi de 1%, e a inflação ao produtor acumulada em 12 meses está em 0,5%.

Segundo Ribeiro, o PPI de março acendeu a luz amarela para alguns analistas, mas a média móvel trimestral dos índices de inflação já sinalizava o fim do período deflacionário desde o segundo semestre do ano passado. A reversão, portanto, se inicia antes do atual choque da guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo e de outras matérias primas.

O economista assinala ainda que é a primeira vez que se observa a inflação de bens rodando acima da inflação de serviços e dos núcleos desde 2024. Adicionalmente, há um "processo silencioso" de elevação de preços de matérias-primas e de insumos industriais.

O ajuste entre oferta e demanda (que inclui a externa) na economia chinesa vem, de acordo com Ribeiro, do combate do governo ao chamado Neijuan, ou "involução econômica". O Neijuan ocorre quando setores maciçamente incentivados pelo governo acabam tendo tantos players e tanta produção que preços e margens desabam, numa competição tão feroz que provoca distorções e prejuízos à produtividade.

A intervenção do governo, portanto, é no sentido de consolidar o setor, que acaba com um número bem menor de empresas que geralmente se transformam em exportadoras robustas e globais. Nesse processo, a produção tende a cair, pela eliminação de muitas das empresas que tentaram sem sucesso se sobressair naquele setor específico.

Em 2017 e 2018, prossegue o economista, o combate à sobreoferta pelo governo chinês atingiu principalmente a mineração e a siderurgia. Agora, para além do mercado imobiliário (no qual o excesso de oferta se tornou um dos principais problemas econômicos da China), o combate ao Neijuan se dá em setores de tecnologia como carros elétricos, painéis solares, automação, informática, comunicação e outros.

Ribeiro ressalva que a sobreoferta na economia chinesa não foi eliminada pelo governo, mas sim reduzida. Em carros elétricos, por exemplo, há mais de cem empresas na China, o que claramente é excessivo, indicando que o setor deve passar por uma depuração.

O Estado de S.Paulo - SP   17/04/2026

A posição privilegiada do País está relacionada ao comportamento da balança comercial quando se consideram as contas de petróleo e fertilizantes, afirma a economista Iana Ferrão

O Brasil se destaca como um dos países mais bem posicionados entre mercados emergentes para lidar com o choque energético provocado pelo conflito no Oriente Médio. A avaliação é da economista Iana Ferrão, do BTG Pactual, em estudo antecipado ao Estadão/Broadcast.

A posição privilegiada do Brasil, que sustenta o desempenho relativo superior do real entre emergentes, está relacionada ao comportamento da balança comercial brasileira quando se consideram as contas de petróleo e fertilizantes, afirma Ferrão.

O comprometimento do tráfego pelo Estreito de Ormuz com a guerra entre Irã e Estados Unidos levou a uma disparada tanto dos preços do petróleo quanto dos fertilizantes, itens relevantes da pauta comercial do país.

A economista observa que, em 2025, o superávit de petróleo e derivados do Brasil atingiu US$ 32 bilhões, ao passo que o déficit em fertilizantes foi de US$ 15 bilhões. O resultado líquido entre as duas contas foi positivo em US$ 16,4 bilhões, o equivalente a 0,72% do Produto Interno Bruto (PIB).

Além do Brasil, apenas a Colômbia apresentou em 2025 saldo líquido positivo, de US$ 7,1 bilhões (1,6% do PIB), considerando essas duas variáveis. Embora em proporção do PIB o resultado colombiano seja maior, o Brasil apresenta o maior “colchão absoluto” entre emergentes.

“Entre as grandes economias da amostra, com PIB superior a US$ 500 bilhões em 2025 — Brasil, México, Turquia, China, Indonésia, Índia e Coreia do Sul —, o Brasil é o único caso com saldo líquido positivo, o que reforça seu posicionamento relativamente mais favorável no início do choque”, afirma a economista do BTG.

O estudo abrangeu ao todo 13 países:
África do Sul BrasilChile ChinaColômbiaCoreia do SulFilipinasÍndiaIndonésiaMalásiaMéxicoPeruTurquia

Ferrão ressalta que as taxas de câmbio dos países analisados “evoluíram, em geral, de forma consistente com sua exposição ao choque externo”.

“Economias com saldo líquido de energia e fertilizantes mais favorável apresentaram melhor desempenho relativo de suas moedas, enquanto importadores líquidos de energia concentraram a maior parte das depreciações cambiais”, observa Ferrão.

Considerando o comportamento das moedas dos países analisados no período de 27 de fevereiro, véspera da eclosão do conflito no Oriente Médio, a 13 de abril, é possível observar que “a leitura de mercado caminhou na mesma direção da exposição direta capturada pelo canal da balança comercial”, pontual a economia. No intervalo considerado, o peso colombiano apreciou 4,6% frente ao dólar, seguido pelo real, com alta de 2,5%.

A economista ressalta que a posição favorável do Brasil não é atestada apenas pelos resultados de 2025. Quando se considera a média de 2022 e 2025, o ranking pouco se altera: Colômbia e Brasil seguem com saldo positivo (considerando petróleo, derivados e fertilizantes), enquanto todos os outros países da amostra exibem resultados negativos. Nesse recorte, o Brasil tem saldo líquido de US$ 11,7 bilhões (0,46% do PIB), seguido pela Colômbia, com US$ 9,2 bilhões (2,37% do PIB).

Reservas e colchão de liquidez

Apesar do foco no impacto direto do choque energético na balança comercial, Ferrão ressalta que é preciso levar em conta também outros aspectos, como transações correntes e nível de reservas internacionais disponíveis, para avaliar como cada país está posicionado para lidar com os desdobramentos econômicos da guerra no Oriente Médio.

Ela observa que o Brasil, embora tenha exibido déficit em transações correntes equivalente a 3% do PIB em 2025, possui um estoque de reservas internacionais elevado - de US$ 358 bilhões (aproximadamente 15,7% do PIB). Trata-se de um dos maiores estoques da amostra em termos absolutos.

“O País entra no episódio com um colchão relevante de liquidez e com um choque comercial direto que, diferentemente do observado na maior parte dos emergentes, atua na direção de reduzir - e não ampliar - o déficit em transações correntes e a vulnerabilidade externa”, afirma Ferrão.

Além disso, a exposição cambial da dívida pública federal é baixa, com a parcela atrelada ao câmbio em torno de 3,8% no fim de 2025 — bem inferior aos níveis observados no início dos anos 2000. Outro ponto é o colchão de liquidez do Tesouro (de R$ 1,2 trilhão no fim do ano passado), equivalente a cerca de sete meses de vencimentos.

“Em conjunto, esses fatores ajudam a explicar por que o Brasil, mesmo com déficit em transações correntes, entra neste episódio com vulnerabilidade externa baixa”, afirma Ferrão, ressaltando que “o real não vem mostrando depreciação, mas sim apreciação frente ao dólar”.

Veja - SP   17/04/2026

Os Estados Unidos anunciaram a criação de uma zona industrial de alta tecnologia nas Filipinas, em mais um movimento para reduzir a dependência global da China nas cadeias de suprimentos estratégicas.

O projeto, firmado entre Washington e Manila, prevê a instalação de um polo industrial avançado na ilha de Luzon, com foco em inteligência artificial, manufatura automatizada e processamento de minerais essenciais para a indústria tecnológica.
Polo estratégico com status inédito

A área, de cerca de 4.000 acres, será administrada pelos EUA como uma zona econômica especial, com um arranjo jurídico incomum: o território operará sob legislação americana e terá proteções semelhantes às de uma embaixada.

O acordo inicial prevê uso gratuito da área por dois anos, com possibilidade de renovação por até 99 anos, um horizonte que evidencia o caráter estratégico e de longo prazo da iniciativa.

A proposta ainda está em fase inicial, e empresas interessadas deverão apresentar projetos para participar da construção e operação do polo.
Guerra por minerais críticos no centro da disputa

O plano responde diretamente à dependência global de insumos controlados pela China.

Hoje, o país asiático domina cerca de 90% do processamento de terras raras e grande parte da produção de baterias de íon-lítio.

Ao estabelecer uma base nas Filipinas, os EUA buscam acesso a reservas de níquel, cobre, cobalto e cromita, minerais fundamentais para semicondutores, baterias e tecnologias de energia limpa.

A estratégia segue uma tendência mais ampla de reorganização das cadeias globais, acelerada por tensões comerciais, disputas tecnológicas e preocupações de segurança nacional.

Indústria automatizada e foco em defesa

O novo polo deve abrigar fábricas altamente automatizadas, operando com sistemas autônomos e inteligência artificial.

A produção deve atender tanto à indústria civil quanto a setores estratégicos, como defesa e infraestrutura crítica.

A iniciativa também se conecta ao esforço dos EUA de reindustrialização doméstica e de fortalecimento de sua base produtiva, reduzindo vulnerabilidades expostas durante crises recentes, como a pandemia e disputas comerciais.
Aliança geopolítica no Sudeste Asiático

Além do componente econômico, o acordo reforça a aliança entre Estados Unidos e Filipinas em uma região marcada por tensões crescentes.

Nos últimos anos, a China intensificou sua presença militar e disputas territoriais no Mar do Sul da China, aumentando a pressão sobre países vizinhos, incluindo Manila.

Ao aprofundar laços industriais e tecnológicos, Washington amplia sua influência estratégica no Sudeste Asiático.
Cadeias globais em reconfiguração

O projeto se insere em uma reorganização mais ampla da economia global, com empresas e governos buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos de concentração.

Iniciativas semelhantes vêm sendo adotadas por países europeus e asiáticos, que tentam equilibrar eficiência econômica com segurança estratégica.

Ao mesmo tempo, Pequim critica movimentos que considera tentativas de fragmentar o comércio global e criar blocos exclusivos.
Desafios ainda no horizonte

Apesar do potencial, o projeto enfrenta obstáculos. As Filipinas têm histórico de custos elevados de energia e gargalos logísticos, que podem limitar a competitividade do polo.

Além disso, ainda não está claro quais empresas participarão nem qual será o ritmo de implementação.
Nova fase da disputa tecnológica

A criação da zona industrial marca mais um capítulo na disputa entre Estados Unidos e China pela liderança tecnológica global.

Mais do que uma iniciativa isolada, o projeto reflete uma mudança estrutural: cadeias de suprimentos deixam de ser apenas uma questão econômica e passam a ser tratadas como ativos estratégicos centrais na geopolítica do século 21.

Agência Brasil - DF   17/04/2026

Recém-empossado no cargo de ministro das Relações Institucionais, José Guimarães disse que não vê com bons olhos a possibilidade de o governo implementar políticas de desoneração como forma de compensar setores que, eventualmente, possam ser prejudicados pela redução da atual jornada de seis dias de trabalho semanal.

“Sempre se tenta empurrar mais políticas de desoneração no Congresso Nacional. Isso não deu certo em outras situações, como vimos no governo da Dilma. O Brasil não pode seguir esse caminho”, disse nesta quinta-feira (16) o ministro, durante café da manhã com jornalistas.

Para Guimarães, o comprometimento de receitas visando à desoneração de setores pode colocar em risco o equilíbrio federativo.

Ele, no entanto, garantiu que o governo estará sempre disposto a sentar à mesa para negociar, inclusive sobre a possibilidade de haver algum período de transição, desde que seja curto, para a implementação da nova regra.

“Nunca se votou matéria polêmica sem que as partes cedam. É possível discutirmos isso, mas esse debate terá de ser feito no Congresso Nacional”, disse. “Na política, você tem de fazer negociações no fio da navalha, mas sem mudar de lado”, acrescentou.

Jornada desumana

José Guimarães disse que percebe, de forma quase consensual no Congresso, “uma visão de que essa jornada desumana tem de acabar”, possibilitando, ao trabalhador, pelo menos dois dias de descanso semanal.

Segundo ele, o governo pretende aproveitar que maio é o mês do trabalhador para dar ainda mais força ao debate, e que já estão agendadas para os próximos dias reuniões com os presidentes das duas casas legislativas, inclusive para definir se a matéria avançará por meio de PEC ou PL.

“Obviamente o presidente Lula considera que por meio de projeto de lei será mais fácil votar a matéria”, disse.
Pedido de vista

Na avaliação do ministro da SRI, o pedido de vistas feito pela oposição à matéria que prevê o fim da jornada 6 por 1, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, demonstra a falta de compromisso com a aprovação da matéria.

“Se quisessem votar, tinham de deixar votar. Isso mostra que a oposição e Flávio Bolsonaro não têm o compromisso de aprovar [a redução da jornada dos trabalhadores]. Mas vamos sentar com Hugo Motta [presidente da Câmara] para resolver”, complementou.
Prioridades

Durante o encontro com os jornalistas, Guimarães apresentou algumas das prioridades de sua pasta, tanto nas relações com o Legislativo como com os entes federados. Segundo ele, “tudo que for [do Planalto] ao Congresso Nacional” passará antes pela sua secretaria, de forma a dar unidade às propostas e prioridades do governo federal.

Ele lembrou que a SRI tem duas missões centrais: a articulação com o Congresso Nacional e a relação com os entes federados. Disse que o Congresso é a “prioridade das prioridades” e que ninguém governa sem uma relação saudável com o Legislativo.
Bets e endividamento

Guimarães disse que o governo está especialmente preocupado com duas questões que, inclusive, acabam de certa forma relacionadas: o endividamento das famílias e a falta de regulamentação das apostas online – as chamadas bets.

Tendo por base as conversas que já vinha mantendo com parlamentares, o ministro disse que vê uma maioria, no Congresso Nacional, disposta a regulamentar a atividade.

“O governo está preparando um conjunto de medidas para enfrentar este que é um dos piores males da atualidade, até pela relação que tem com o endividamento das famílias. Tributar já pode ser um grande passo”, antecipou o ministro.

Sobre a taxa básica de juros (Selic), algo que na avaliação de Guimarães prejudica ainda mais as famílias endividadas, ele afirmou que o Banco Central “perdeu oportunidades de reduzi-los, diante de um cenário de inflação baixa para os níveis históricos”.
PL dos aplicativos

Guimarães disse que o PL dos aplicativos não avançou no Legislativo por total falta de acordo entre as partes, o que abrange plataformas e entregadores. Segundo ele, ao contrário do que diz a oposição, este é o real motivo de a matéria não ter sido votada.

“Claro que a oposição se aproveita disso para acusar o governo de prejudicar motoristas de aplicativo. Mas a verdade é que quem não quis votar foram as partes envolvidas. Não foi o governo”, afirmou. Segundo o ministro, provavelmente, essa matéria só será votada após as eleições.

Valor - SP   17/04/2026

A prévia do PIB voltou a subir em fevereiro e reforça os sinais de aquecimento da economia no primeiro trimestre, após a desaceleração observada na segunda metade do ano passado. Ainda assim, a intensidade do movimento parece ser apenas moderada, avaliam economistas.

Veja matéria no site:
https://valor.globo.com/brasil/noticia/2026/04/17/ibc-br-reforca-retomada-moderada-da-atividade-no-1o-tri-dizem-analistas.ghtml

IstoÉ Dinheiro - SP   17/04/2026

O diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos e de Política Econômica do Banco Central, Paulo Picchetti, disse nesta quinta-feira, 16, que, apesar de não ter debatido sobre o ambiente macroeconômico doméstico e internacional com os seus colegas do Comitê de Política Monetária (Copom), está claro que a situação ainda é de muita incerteza. “Não conversei com o Comitê, mas as coisas definitivamente não melhoraram desde o Copom de março”, comparou.

As declarações foram realizadas nesta quinta-feira, em participação no Itaú Latam Day, em Washington, DC, nos EUA.

Ele salientou que a economia brasileira tem mostrado algum arrefecimento na margem e que esse movimento é fruto da política monetária mais restritiva adotada pelo Banco Central.

Picchetti comentou, no entanto, que as previsões do mercado no ano passado apontavam para uma queda mais drástica em 2026, incluindo algumas estimativas de recessão econômica, e que esse quadro mais negativo não se confirmou. “Não estamos preocupados com isso no momento”, descartou.

Durante o evento, o diretor foi questionado sobre como o Banco Central poderá se comportar dependendo do resultado da eleição presidencial de outubro. Ele disse que os dirigentes da instituição não se manifestam sobre pontos específicos da política e aproveitou o momento para ressaltar a importância de uma coordenação entre as políticas fiscal e monetária, independentemente de quem sair vitorioso do pleito.

Picchetti falou também sobre a possibilidade de choques originados no exterior chegarem ao mercado brasileiro num momento em que as expectativas para a inflação já estão desancoradas.

Desancoragem

O diretor disse que existe um prêmio, da ordem de 0,5 ponto porcentual, nas expectativas de inflação do mercado. Segundo ele, tem havido um movimento recente de desancoragem, por conta das incertezas com a Guerra no Oriente Médio, mas essa desancoragem não acontece em relação ao centro da meta, de 3,0%, e sim em relação a esse prêmio de risco, que já está no cenário do mercado há bastante tempo.

“Em termos de fundamentos e do tipo de coisa que você consegue colocar em um modelo, é meio difícil apontar de onde vem esse prêmio”, afirmou Picchetti. “Então, se você olhar para a parte um recorte mais recente, verá que, ano a ano, o mercado não espera consolidação fiscal. Então isso pode explicar esse prêmio. E é sempre uma fonte de pressão”, acrescentou.

Mercado de trabalho

Durante sua fala, Picchetti também avaliou o atual cenário do mercado de trabalho. O diretor do BC destacou que o mercado de trabalho tem surpreendido para cima em todo o mundo, mas que, em alguns dados no Brasil, já é possível apontar um movimento de desaceleração.

Assim, Picchetti pontuou que o desemprego tende a voltar a subir, mas muito provavelmente apenas a partir de 2027 e 2028, o que, não necessariamente, será uma má notícia.

Guidance

O diretor do Banco Central disse que a autoridade monetária segue sem qualquer guidance para a próxima decisão sobre o nível da Selic, que acontecerá no final deste mês. Picchetti destacou que o guidance só é bem vindo quando há um nível de confiança forte o suficiente em relação ao cenário econômico, o que não é o caso, sobretudo por conta do conflito no Oriente Médio.

“Para nós, o custo em termos de credibilidade de sinalizar algo que, na prática, acabamos não cumprindo é muito alto. E, claro, isso cria esse tipo de ansiedade, que não é só para vocês; é para nós também”, disse ele.

Na avaliação do diretor do BC, o colegiado optou, em sua última reunião, por não alterar significativamente o balanço de riscos para a inflação, mesmo com a eclosão do conflito no Oriente Médio, justamente porque ainda há dúvidas sobre os reais impactos e, sobretudo, a duração desses efeitos sobre a economia. Essa avaliação, disse Picchetti, não significa dizer que o BC está subestimando os efeitos de segunda ordem de um choque, como o de uma guerra, sobre a inflação.

“Concordamos muito rapidamente que o balanço de riscos estava defasado; ele está lá desde maio de 2025, e muita coisa aconteceu. Mas não tínhamos tanta certeza sobre qual seria uma atualização ideal para ele, por causa, novamente, desse ambiente incerto, e de riscos tanto de baixa quanto de alta serem afetados por essa incerteza quanto à duração, à profundidade e às consequências do conflito”, detalhou o diretor do BC.

Crédito

Durante sua fala, o diretor do BC também fez menção às tendências para a concessão de crédito no País. Segundo ele, tem havido, de fato, um aumento na inadimplência, o que é reconhecido pelo BC. “Temos visto fluxo negativo de empresas e famílias para o setor financeiro há bastante tempo. Isso aumentou, especialmente, para as famílias”, destacou o diretor do BC.

O diretor brincou ainda com a variedade de assuntos sobre os quais um membro do Copom precisa se debruçar: desde questões climáticas, como o entendimento do ciclo do El Niño, até as que envolvem guerras. “Estou me tornando especialista em vários temas, e isso inclui a guerra agora. Tivemos uma conversa com um especialista na Escola de Guerra em Brasília”, relatou.

Ele comentou que leu relatórios de grandes casas e consultorias que a probabilidade era a de que a guerra terminasse em duas semanas. “Não temos uma visão clara sobre isso, e eu acredito que ninguém tem. Dito isso, só podemos ser honestamente dependentes de dados e esperar para ver o que acontece.”

Veja - SP   17/04/2026

O risco de estagflação — combinação incômoda de inflação alta com crescimento fraco — voltou ao radar com o avanço das tensões no mercado de petróleo. Caio Tonet, especialista em petróleo e energia da W1 Inc., lembra que a dependência global do petróleo vai muito além dos combustíveis e atinge fertilizantes, embalagens e uma infinidade de produtos do cotidiano. Para ele, forma-se uma “situação perfeita para o aumento muito grande da inflação devido a uma crise energética”, num momento em que a demanda também cresce com o avanço tecnológico e a expansão dos data centers.

A preocupação se intensifica com o impacto logístico. Segundo Tonet, o fechamento do Estreito de Ormuz altera a dinâmica entre Oriente Médio e Ásia, elevando significativamente o custo do frete com navios parados e rotas mais longas. Ele compara a economia global a um conjunto de engrenagens interligadas, no qual a principal — a energia — está ficando mais cara e contaminando toda a dinâmica econômica.

Nesse ambiente, o cenário típico de estagflação ganha força: crescimento quase nulo com inflação resistente. Tonet vê pouca chance de o barril retornar rapidamente para a faixa de 60 ou 70 dólares, diante de danos à infraestrutura energética e da volatilidade associada ao conflito. O resultado é um horizonte mais incerto, com inflação pressionada e atividade econômica andando de lado.

MINERAÇÃO

Investing - SP   17/04/2026

Os contratos futuros do minério de ferro subiram nesta quinta-feira na esteira de dados econômicos otimistas da China, enquanto a produção doméstica enxuta de aço bruto estimulou as esperanças de alta dos preços do aço e de melhora das margens das siderúrgicas chinesas.

O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China subiu 3,1%, a 782,5 iuanes (US$114,79) a tonelada.

O minério de ferro de referência de maio na Bolsa de Cingapura avançava 1,86%, a US$106,15 a tonelada.

O governo Trump expressou otimismo na quarta-feira sobre a possibilidade de chegar a um acordo para acabar com a guerra com o Irã, ao mesmo tempo em que alertou sobre o aumento da pressão econômica contra Teerã caso o país continue com uma postura desafiadora.

As esperanças do fim para a guerra com o Irã estimularam o sentimento positivo dos mercados de metais na quinta-feira.

Enquanto isso, a economia da China cresceu 5% no primeiro trimestre em relação ao ano anterior, mostraram dados oficiais nesta quinta-feira, superando as expectativas de analistas, à medida que os formuladores de políticas se preparam para as consequências da guerra com o Irã.

Além disso, a produção de aço bruto da China caiu 6,3% em março em relação ao ano anterior, atingindo o nível mais baixo para o mês desde 2020, conforme as margens diminuíram e as exportações caíram em meio ao conflito no Oriente Médio.

A China, maior produtora mundial de aço, fabricou 87,04 milhões de toneladas de aço bruto no mês passado, informou o Departamento Nacional de Estatísticas na quinta-feira.

A menor produção chinesa de aço poderia elevar os preços do produto em nível global, já que os grandes volumes de exportação da China têm historicamente suprimido as cotações, o que prejudicou o lucro das usinas siderúrgicas.

Em março, o país havia se comprometido a reduzir o excesso de capacidade no setor siderúrgico.

IstoÉ Dinheiro - SP   17/04/2026

A Vale informou que a produção de minério de ferro no primeiro trimestre de 2026 somou 69,675 milhões de toneladas, avanço de 3% ante igual período de 2025.

A empresa avalia que o desempenho foi apoiado pelo recorde de produção em S11D e Brucutu, bem como pelo contínuo amadurecimento dos projetos Capanema e VGR1.

A produção de pelotas somou 8,169 milhões de toneladas, avanço de 13,7% na comparação anual. Isso se deu devido ao melhor desempenho das unidades de pelotização de Tubarão.

A Vale afirmou que o desempenho do primeiro trimestre foi marcado por mais um período de “forte produção e vendas, com múltiplos ativos atingindo seus maiores níveis de produção”.

“No minério de ferro, o ramp-up de novos ativos sustentou o crescimento consistente da produção, enquanto as vendas alcançaram o maior nível para um primeiro trimestre desde 2018”, afirma a empresa.

A companhia divulgou a prévia operacional do período após o fechamento do mercado.

AUTOMOTIVO

CNN Brasil - SP   17/04/2026

Representantes de montadoras e fabricantes de autopeças do Brasil e Argentina deram início a uma agenda de convergência para modernizar a política automotiva bilateral, em reunião realizada em Buenos Aires nos últimos dias.

O encontro reuniu as principais entidades representativas do setor nos dois países, a Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores) e a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), pelo lado brasileiro, e a Adefa (Asociación de Fábricas de Automotores) e a Afac (Asociación de Fábricas Argentinas de Componentes), pelo lado argentino.

O objetivo central é adequar e fortalecer a Política Automotiva Bilateral, conhecida como ACE 14, diante de um cenário de transformação tecnológica acelerada, além da crescente competição comercial e tensões geopolíticas.

As entidades esperam que novas regras sejam estabelecidas antes de 2029, com foco na criação de um ambiente favorável ao fluxo de investimentos equilibrados na região.

O acordo acontece em meio ao crescimento das montadoras chinesas na América Latina. Em fevereiro, o Brasil teve pela primeira vez um carro elétrico na primeira colocação em vendas no varejo.

Foram emplacadas 4,1 mil unidades do modelo Dolphin Mini, da BYD, nesse período, conforme informação da própria montadora.

No CNN Talks, o diretor de branding e comunicação da BYD Brasil, Pablo Toledo, confirmou o foco da empresa no Brasil: "Queremos nos tornar top 3 no mercado até 2028, e liderar até 2030".

O setor automotivo binacional movimenta um mercado estimado em 350 milhões de pessoas, com capacidade de produção de 5 milhões de unidades por ano. No último triênio, o conjunto das indústrias realizou investimentos superiores a US$ 22 bilhões.

A participação do setor no PIB industrial é de 20% no Brasil e de 8,40% na Argentina. O comércio intrarregional entre os dois países representa entre 55% e 70% das exportações de produtos industrializados trocados entre eles.

Entre os pontos de convergência definidos na Declaração de Buenos Aires, as entidades comprometeram-se a desenvolver uma estratégia de especialização produtiva voltada à complementação entre os dois países.

A proposta inclui ainda o fortalecimento das cadeias de valor locais, com ênfase na produção de sistemas de autopeças de maior complexidade tecnológica.

As entidades também acordaram avançar na harmonização de regulamentos técnicos automotivos, incluindo normas aplicáveis ao mercado de reposição, e na facilitação dos processos aduaneiros nas fronteiras entre os países.

CNN Brasil - SP   17/04/2026

As vendas de veículos leves no Brasil cresceram em 2025, mas o dado central está na composição desse avanço. Enquanto o mercado total subiu pouco mais de 2%, após um salto de 14% em 2024, os veículos eletrificados ampliaram sua presença de forma desproporcional, alterando o eixo tecnológico do setor.

Foram 2,55 milhões de automóveis e comerciais leves vendidos no ano passado, segundo a Fenabrave — um crescimento modesto que contrasta com a expansão dos eletrificados. No mesmo período, o segmento atingiu 223,9 mil unidades, de acordo com a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), mais que o dobro do volume observado em 2023.

Essa assimetria redefiniu o mercado. A participação dos eletrificados saltou de cerca de 4% para quase 9% em dois anos, uma velocidade de penetração incomum para um setor de elevada inércia tecnológica. O movimento indica que a eletrificação deixou de ser marginal e passou a operar como vetor relevante de mudança estrutural.

O avanço é ainda mais evidente no segmento de veículos com recarga externa. Em 2025, os modelos 100% elétricos superaram 80 mil unidades, com crescimento muito superior ao do mercado total. Embora ainda representem uma fração do volume agregado, sua trajetória sugere a transição para um novo estágio de adoção.

Mais importante do que o volume é o padrão dessa expansão. Veículos elétricos e híbridos plug-in já respondem por mais de 80% dos eletrificados vendidos no país, deslocando progressivamente os híbridos convencionais. O dado sinaliza que o consumidor começa a migrar de soluções intermediárias para tecnologias mais próximas da eletrificação plena.

Essa transição ocorre apesar de restrições conhecidas. A infraestrutura de recarga permanece concentrada em grandes centros, e o diferencial de preço ainda limita a difusão. Ainda assim, a ampliação da oferta e a intensificação da concorrência vêm reduzindo essas barreiras, permitindo ganho gradual de escala.

O Brasil, contudo, segue uma trajetória distinta da observada em mercados mais avançados. A eletrificação local combina múltiplas tecnologias e mantém espaço relevante para soluções híbridas, refletindo tanto limitações de infraestrutura quanto a própria lógica da matriz energética nacional. Trata-se menos de um atraso e mais de um caminho específico de transição.

Sob a ótica de mercado, o país parece ter ultrapassado a fase inicial de adoção e ingressado em um estágio intermediário, no qual o crescimento dos elétricos já não depende apenas de nichos, mas ainda carece de escala para se tornar dominante.

Se essa dinâmica persistir — sobretudo em um cenário de crescimento moderado do mercado total — a eletrificação deixará de ser uma tendência incremental para se consolidar como força estruturante da indústria automotiva brasileira, com impactos que vão da cadeia produtiva à demanda por combustíveis.

FERROVIÁRIO

CNN Brasil - SP   17/04/2026

O governo federal prepara uma nova política de financiamento para o setor ferroviário com prazos de até 60 anos e maior período de carência, afirmou o ministro dos Transportes, George Santoro, à CNN.

A proposta está em discussão entre o ministério e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). No início do ano, o presidente do banco, Aloizio Mercadante, prometeu o lançamento de um "produto específico" para ferrovias, com prazos mais longos, mas não entrou em detalhes.

Ao participar do Conexão Infra, programa semanal da CNN sobre infraestrutura, Santoro falou em empréstimos com duração de até seis décadas para projetos como a Ferrogrão e a EF-118 (Anel Ferroviário do Sudeste). A concessão da EF-118 deve ter 50 anos.

Segundo o ministro, a ideia é criar um modelo mais aderente às características do setor, que exige altos investimentos iniciais e tem retorno de longo prazo.

Entre os mecanismos em estudo está a possibilidade de “waiver” no pagamento da amortização durante a fase de implantação dos projetos, período em que os empreendimentos ainda não geram receita, mantendo apenas o pagamento de juros.

A estratégia também deve permitir maior flexibilidade financeira, com possibilidade de diluir os custos ao longo do tempo e, em alguns casos, integrar operações a instrumentos como o Fundo Clima, ampliando as fontes de financiamento.

A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo para aumentar a participação privada nas ferrovias.

Na avaliação de Santoro, essas novas condições podem ser mais atrativas e consequentemente estimular a entrada de novos players para licitações de "short lines" -- ferrovias de menor porte que alimentam grandes corredores logísticos.

A medida também busca atrair operadores e viabilizar a recuperação de malhas sem uso ou devolvidas. A ideia de licitar ferrovias mais curtas, as chamadas "short lines", é dar a elas maior participação nas concessões. O governo pretende fazer um processo semelhante ao do setor portuário com edital, projeto de referência e análise do TCU (Tribunal de Contas da União).

NAVAL

Portos e Navios - SP   17/04/2026

A movimentação portuária da região Norte cresceu 12,85% no primeiro bimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com os dados do Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), 24,2 milhões de toneladas de cargas passaram pelos portos nortistas, entre janeiro e fevereiro. Os números foram compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).

O desempenho foi alavancado principalmente pelos granéis sólidos, que responderam por 18,4 milhões de toneladas, com expansão de 15,28%, refletindo o avanço da produção agrícola e mineral e a crescente utilização do Arco Norte como alternativa mais eficiente para o escoamento da produção brasileira. A movimentação de contêineres também avançou, alcançando 2 milhões de toneladas, com alta de 15,8%, enquanto a carga geral somou 1 milhão de toneladas, crescimento de 4,5% no período.

Entre as cargas com maior participação, soja e bauxita lideraram a movimentação regional. A soja atingiu 8,6 milhões de toneladas, com crescimento de 8,2%, enquanto a bauxita alcançou 4,1 milhões de toneladas, alta de 7,1%. Juntas, as duas commodities responderam por 52,5% de toda a carga movimentada nos portos do Norte. Outro destaque foi o milho, com 3 milhões de toneladas movimentadas, que registrou crescimento superior a 114% no período, evidenciando o fortalecimento da região como corredor logístico para o agronegócio brasileiro.

As exportações aumentaram 16,9% no primeiro bimestre. Na navegação de longo curso, a movimentação atingiu 9,1 milhões de toneladas, alta de 11,9%. Já a cabotagem movimentou 2 milhões de toneladas, apresentando crescimento de 7,9% na comparação com o mesmo período de 2025.

Para o ministro Tomé Franca, o resultado confirma a transformação da infraestrutura logística da região em um ativo estratégico para o país. “O crescimento dos portos do Norte mostra que o Brasil está avançando na diversificação de suas rotas de escoamento. Com mais eficiência, menor custo logístico e proximidade com mercados internacionais, a região se consolida como eixo estratégico para o desenvolvimento econômico do país”, afirmou.

TUPs
Os terminais privados responderam pela maior parte da movimentação regional, com 17,1 milhões de toneladas, crescimento de 10,4%, representando mais de 70% do volume total movimentado no Norte. Entre os principais destaques do segmento estão o Terminal Graneleiro Hermasa (AM), com 2,2 milhões de toneladas, e alta de 19%; o Terminal Trombetas (PA), com 1,9 milhão de toneladas e crescimento de 5%; e o Porto Chibatão (AM), que movimentou 1,5 milhão de toneladas, avançando 24,6%.

Com forte atuação no escoamento de granéis sólidos, que somaram 12,9 milhões de toneladas e cresceram 14%, os terminais privados impulsionaram a exportação de commodities como soja, bauxita e milho. No segmento, as importações cresceram 14%, enquanto as exportações avançaram 8,37%.

Portos públicos
Nos portos públicos, a movimentação alcançou 7,1 milhões de toneladas, com crescimento de 19,3%, enquanto as exportações subiram 34%, reforçando o papel complementar dessas estruturas no atendimento à demanda regional. Entre os destaques estão o Porto de Vila do Conde (PA), com 3,1 milhões de toneladas movimentadas e alta de 8%, e o Porto de Santarém (PA), que movimentou 2,9 milhões de toneladas e registrou crescimento expressivo de 51,8%.

“O crescimento simultâneo de portos públicos estratégicos, como Vila do Conde e Santarém, e a forte expansão dos terminais privados mostram que estamos no caminho certo. Ao garantir esta sinergia, modernizamos a infraestrutura e integramos o Norte, especialmente a região amazônica, de forma definitiva à rota do desenvolvimento econômico global", destacou o secretário nacional de Portos, Alex Ávila.

Portal Fator Brasil - RJ   17/04/2026

Para o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, a contratação desses três novos gaseiros representa um avanço para a logística nacional de GLP.

A Transpetro, empresa do Sistema Petrobras, celebrou no dia 15 de abril (quarta-feira) a contratação do estaleiro Zhoushan Dashenzhou Shipbuilding Co., da China, para a construção de três navios gaseiros semirrefrigerados, cada um com capacidade para transportar dez mil metros cúbicos de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e derivados. A assinatura do contrato já havia sido formalizada em fevereiro. A encomenda integra o Programa Mar Aberto, iniciativa voltada à renovação e ampliação da frota do Sistema Petrobras.

Os novos navios gaseiros foram contratados, por meio de licitação aberta e internacional, em dois lotes com oito embarcações no total. O outro lote foi vencido pelo estaleiro Rio Grande, contratado em janeiro para construção de cinco navios pressurizados, destinados ao transporte de GLP — três com capacidade de sete mil metros cúbicos e dois com 14 mil metros cúbicos.

Com as novas embarcações para a frota própria, haverá redução da dependência de afretamentos, proporcionando maior flexibilidade e eficiência às operações logísticas de movimentação de gases liquefeitos (GLP) e de outros produtos.

Para o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, a contratação desses três novos gaseiros representa um avanço para a logística nacional de GLP.

—Ao ampliarmos nossa frota própria com embarcações mais modernas, mais eficientes e com menor impacto ambiental, estamos fortalecendo a capacidade do Sistema Petrobras de atender, com segurança e previsibilidade, à crescente oferta de GLP no país, reforçando o nosso compromisso com o abastecimento de milhões de brasileiros —afirma Bacci.

Navios gaseiros — Com as contratações, a frota de gaseiros da Transpetro irá subir de seis para 14, triplicando a atual capacidade de transporte de GLP e derivados.

As encomendas consideram o aumento da produção de gás natural no país e atendem às necessidades da Petrobras, tanto na costa brasileira quanto na navegação fluvial, como já ocorre na Região Norte e na Lagoa dos Patos (RS).

Os novos gaseiros serão até 20% mais eficientes no consumo de energia, reduzirão as emissões de gases de efeito estufa em 30% e poderão operar em portos eletrificados. O lançamento da primeira unidade está previsto até 33 meses após o início das obras, com novas entregas a cada seis meses.

Programa Mar Aberto — O programa Mar Aberto reafirma o compromisso do Sistema Petrobras com a renovação e ampliação da frota nacional e desempenha papel fundamental na logística das operações e no fortalecimento da indústria naval brasileira.

Com aportes estimados em US$ 6 bilhões no período de 2026 a 2030, a iniciativa contempla a construção de 20 navios de cabotagem, além de 18 barcaças e 18 empurradores, bem como a previsão de afretamento de 40 novas embarcações de apoio destinadas à renovação da frota de suporte às atividades de exploração e produção (E&P).

Portos e Navios - SP   17/04/2026

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, assinou na terça-feira (14) o termo de adesão do Estaleiro Mauá ao Refis Municipal do Setor Naval, com perdão de cerca de R$ 450 milhões, em juros e mora, do total de R$ 650 milhões que a empresa deve ao município. Os outros R$ 250 milhões serão parcelados em 25 anos.

Parte da estratégia do município para impulsionar a retomada da indústria naval na cidade, o Refis do Setor Naval de Niterói foi criado por projeto de lei aprovado pela Câmara de Vereadores em 2025. Ele estabelece condições especiais para a regularização de débitos tributários, como descontos de até 100% sobre juros e parcelamento que pode ultrapassar 20 anos.

A expectativa da prefeitura é de que o perdão de parte da dívida e o parcelamento do restante permita ao Estaleiro Mauá retomar atividades e gerar empregos de qualidade, além de contribuir para a formação de novos profissionais. O prefeito Rodrigo Neves disse, na cerimônia de assinatura do acordo, que a adesão da empresa ao Refis vai fazer diferença para milhares de pessoas. “É um dia de profunda emoção para todos nós, pelo que esse ato representa para milhares de famílias”, afirmou.

O secretário municipal de Fazenda, Cesar Barbiero, disse que o Refis é resultado de trabalho conjunto entre poder público e o setor produtivo, com foco na retomada da indústria naval, na geração de empregos, no fortalecimento da economia local e no aumento da arrecadação do município. “Há correlação de cerca de 96% entre o aumento do emprego e o crescimento do ISS. Portanto, uma das melhores políticas para a arrecadação municipal é gerar emprego e elevar a renda das famílias para que possam consumir serviços”, avaliou.

O CEO do Estaleiro Mauá, Miro Arantes, classificou o acordo que perdoa parte das dívidas da empresa como sinal de confiança do governo municipal no potencial econômico da cidade e no impacto direto da atividade naval na geração de empregos. Segundo ele, para cada vaga criada no setor, de três a cinco indiretas são abertas. “Estamos no caminho da recuperação. Enfrentamos muitas dificuldades, mas momentos como esse nos fazem acreditar que é possível”, afirmou Arantes, revelando que espera que também os governos estadual e federal apoiem a retomada da construção naval em Niterói.

A Tribuna - SP   17/04/2026

O Porto de Santos está no topo da lista de visitas oficiais a serem feitas nos complexos brasileiros pelo novo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca. Foi o que ele disse nesta quarta-feira (15), na Intermodal South América, em São Paulo. “Vai ser o primeiro porto que eu vou visitar. Está selado com o (Anderson) Pomini (presidente da Autoridade Portuária de Santos, APS) esse nosso compromisso”.

A expectativa de Pomini é que Tomé Franca esteja presente na inauguração do canteiro de obras do túnel imerso Santos-Guarujá. Ele pretende que isso aconteça até o mês que vem.

Antes de encontrar o ministro, o presidente da APS fez na Intermodal uma palestra sobre o Tecon Santos 10, o megaterminal de contêineres no cais do Saboó, no Porto de Santos, envolto em uma longa demora para ser leiloado. Considerado o maior arrendamento portuário do Brasil, terá investimentos de R$ 6,45 bilhões em 25 anos em área de 621,9 mil metros quadrados (m²).

“O aumento da capacidade será em quase que 100%. Hoje, o Porto de Santos opera ali perto do seu limite. Representa segurança econômica para quem negocia os contratos, para quem opera, previsibilidade e, principalmente, o aumento da capacidade do complexo como um todo”, detalhou Pomini.

Controle de movimentação
Durante a explanação, Pomini disse reiteradas vezes que o edital tem de ser publicado logo e o leilão, realizado o quanto antes, a despeito das discussões sobre o modelo, com ou sem restrições para armadores e as que operam no complexo santista.

“Não temos mais tempo. Esse terminal é de relevância para a navegação mundial. Essa história de que nós não teremos competição com eventuais restrições não para em pé e não se justifica, tendo em vista o número de interessados em participar desse leilão. Aquele que receber a chave do Tecon Santos 10 terá o controle da movimentação de contêineres do Hemisfério Sul”, sentencia.

Pomini lembra que nunca haverá um modelo que atenda a todas as visões, justamente porque cada interessado gostaria de um de sua preferência. “Mas nós temos um ponto de consenso: nós queremos o terminal. É hora de publicarmos esse edital e as adequações poderão ser corrigidas, inclusive com as ferramentas que estão disponíveis para o próprio mercado, através de impugnações que serão apresentadas no Tribunal de Contas da União (TCU), à Justiça Federal e outros órgãos. Esse é o nosso modelo”, explica.

O presidente iria reforçar o pedido nesta quarta-feira (15) ao ministro Tomé Franca para que converse com o Governo Federal e anuncie a data do leilão com brevidade.

APS assina convênio à capacitação
A Autoridade Portuária de Santos (APS) assinou nesta quarta-feira (15) a criação da chamada Universidade do Porto de Santos. A ideia é estabelecer parceria da Fundação Centro de Excelência Portuária (Cenep), que é dedicada à capacita-ção de profissionais que operam no cais, com as universidades da Baixada Santista, para que cedam infraestrutura para esse trabalho.

“Serão oferecidos cursos de pós-graduação e os profissionais do Porto de Santos é que serão convidados a compor o quadro técnico de professores para que o Porto de Santos possa capacitar mão de obra qualificada, não só para o Porto de Santos, mas para o Brasil e para o mundo”, explica o presidente da APS, Anderson Pomini. “Na medida em que as demandas se apresentem, o Porto estará à disposição para qualificar esses profissionais”, emenda.

Também foi assinada uma nova parceria com o Porto de Valência, na Espanha, para estudo de criação e geração de receitas acessórias para o Porto de Santos. A anterior envolvia medidas para descarbonização do Porto de Santos.

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, participou da solenidade. Ele também aproveitou para anunciar medidas envolvendo o controle de acesso, em especial dos passageiros, por intermédio da biometria, no Terminal de Passageiros Giusfredo Santini, administrado pelo Concais.

“Isso vai garantir segurança para que a gente possa identificar quem está embarcando nos portos”, justifica o ministro. “Exclusivamente e inicialmente isso vai ser no terminal de Santos. A ideia é que, depois de funcionado e testado efetivamente, isso seja copiado para outros portos”, acrescenta Pomini.

PETROLÍFERO

Exame - SP   17/04/2026

As exportações brasileiras para a China atingiram US$23,9 bilhões entre janeiro e março de 2026, representando um crescimento de 21,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho foi impulsionado pelo setor de petróleo, cujos embarques para o mercado chinês praticamente dobraram, somando US$7,19 bilhões, segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

Tensões no Oriente Médio e restrições logísticas no Estreito de Ormuz reduziram a oferta de fornecedores tradicionais da Ásia. Diante do risco de desabastecimento, refinarias chinesas ampliaram a busca por origens alternativas, posicionando o petróleo bruto brasileiro como uma solução estratégica.

Em março, o Brasil registrou o segundo maior nível de exportações totais de sua série histórica, com 2,5 milhões de barris por dia. A China respondeu por aproximadamente 1,6 milhão de barris diários, consolidando-se como principal destino do produto.

A expansão da produção no pré-sal e o aumento da demanda asiática por petróleo brasileiro têm sustentado o fluxo bilateral. Com isso, o petróleo ganha espaço na pauta comercial entre os dois países, ao lado de soja e minério de ferro. O avanço, no entanto, traz um ponto de atenção: a concentração das exportações em um único destino. Embora o cenário atual favoreça o Brasil, parte dessa demanda está ligada a fatores conjunturais, que podem perder força com a normalização do mercado global

Petro Notícias - SP   17/04/2026

O Petronotícias abre o noticiário desta quinta-feira (16) com uma entrevista com o presidente da Repsol Sinopec Brasil, Alejandro Ponce. A empresa participa de importantes projetos de produção de óleo e gás no país, nas bacias de Santos e Campos, incluindo Albacora Leste, Lapa e Sapinhoá. A companhia também tem participação em outros empreendimentos ainda em fase de exploração, com destaque para o campo de Raia, que tem potencial para suprir até 15% da demanda nacional de gás natural. “Nossa expectativa com Raia é reforçar a posição do Brasil no panorama energético mundial e destacar o pioneirismo da Repsol Sinopec em uma cadeia inovadora e responsável em projetos de óleo e gás”, disse. O executivo destacou que o Brasil está entre os três países mais estratégicos dentro do Grupo Repsol e, também, o que mais receberá investimentos em 2026. Por fim, Ponce fala sobre os planos para a comercialização de gás natural da Repsol Sinopec e sobre os projetos da empresa relacionados à transição energética e à descarbonização.

Para começar, seria interessante um comentário sobre o recente primeiro óleo de Lapa Sudoeste. Poderia compartilhar conosco a importância desse novo feito para as operações da empresa no Brasil?

O desenvolvimento de Lapa Sudoeste conta com três novos poços conectados ao FPSO Cidade de Caraguatatuba

O primeiro óleo da porção Sudoeste do campo de Lapa ocorreu no início de março. Nesta fase inicial, estimamos que Lapa Sudoeste aumente a produção do campo em 25 mil barris de petróleo por dia, elevando o total para cerca de 60 mil barris diários. Lapa Sudoeste aumentará significativamente a produção diária do nosso portifólio de ativos, que inclui campos do pré-sal de classe mundial, como Sapinhoá, também na Bacia de Santos, e Albacora Leste, na Bacia de Campos.

Conduzido pelo consórcio formado pela Repsol Sinopec Brasil, TotalEnergies (operadora) e a Shell Brasil, o projeto no pré-sal da Bacia de Santos recebeu o investimento de US$ 1 bilhão.

O desenvolvimento de Lapa Sudoeste conta com três novos poços conectados ao FPSO Cidade de Caraguatatuba, já em atividade no campo de Lapa. O início da produção é um marco que reforça nossa capacidade de executar projetos com eficiência, maximizando o uso da infraestrutura existente para otimizar reservas e resultados. É um exemplo claro de como a colaboração entre equipes e a excelência técnica podem impulsionar o desenvolvimento do pré-sal.

Outro importante projeto com participação da Repsol Sinopec é o campo de Raia (BM-C-33). Ele é relevante tendo em vista o potencial de suprir até 15% da demanda nacional de gás natural. Como está a expectativa da empresa com esse projeto, que deve entrar em produção em 2028?

FPSO Raia

Nossa expectativa com Raia é de reforçar a posição do Brasil no panorama energético mundial e destacar o pioneirismo da Repsol Sinopec em uma cadeia inovadora e responsável em projetos de óleo e gás.

Formado pelo consórcio entre a Repsol Sinopec Brasil (35%), a operadora Equinor (35%) e a Petrobras (30%), o projeto Raia, aliado ao seu potencial energético, com reservas recuperáveis de gás natural e condensado de mais de 1 bilhão de barris de óleo equivalente (boe), tem a projeção de gerar 50 mil empregos diretos e indiretos ao longo de sua vida útil, além de apresentar uma concepção de produção segura, eficiente e responsável.

Raia utilizará um FPSO (Floating, Production, Storage and Offloading / Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência, na sigla em inglês) capaz de tratar o gás produzido e especificá-lo para venda, sem a necessidade de processamento em terra. A plataforma ainda conta com a utilização de tecnologia de ciclo combinado, que contribui diretamente para a redução das emissões de CO2 do campo para cerca de 6 kg por barril.

Com investimento de aproximadamente US$ 9 bilhões e inserido no novo PAC do Governo Federal, seu desenvolvimento tem avançado significativamente.

Em dezembro do ano passado, foi instalada a base que vai ligar a produção no mar à estrutura que levará o gás até a costa. Agora, em março, iniciamos a etapa de perfuração. O FPSO Raia já teve todos os seus módulos içados e posicionados, e tem previsão de chegar ao Brasil em 2027.

Ainda falando em gás natural, em 2020, a Repsol Sinopec firmou um acordo com a Petrobras para uso compartilhado da infraestrutura de escoamento e processamento de gás do pré-sal. Poderia fazer um balanço dessa operação, que está completando seis anos em 2026?

Em verdade, a Repsol Sinopec Brasil participa apenas do SIE (Sistema Integrado de Escoamento) de forma integrada na cadeia do gás do pré-sal. Não temos participação no SIP (Sistema Integrado de Processamento). O SIE foi criado com objetivo de maximizar a produção de gás, por meio do compartilhamento da infraestrutura de escoamento, como uma via alternativa.

Neste contexto, eu destacaria o papel dos ativos de escoamento no sentido de assegurar a fluidez do GNL ao longo do sistema (flow assurance), e que é parte fundamental de projetos upstream. Sem esses projetos a produção de muitos campos estaria prejudicada.

Como é feita a comercialização do gás da Repsol Sinopec? A venda é direcionada a outras petroleiras ou há planos para fechar contratos com distribuidoras de gás?

Estamos trabalhando no nosso portfólio e avaliando todas as opções. Dentro dessa estratégia, podem fazer parte as distribuidoras, comercializadoras e consumidor final.

Olhando para o médio/longo prazo, a empresa planeja expandir seu portfólio de ativos de óleo e gás no Brasil ou vai se concentrar no desenvolvimento dos projetos em carteira?

Continuaremos com participação ativa em projetos de produção de petróleo e gás e no mercado de gás natural, avaliando todas as oportunidades de negócio e trabalhando juntamente aos sócios na busca por soluções para a monetização do gás do pré-sal.

Além de óleo e gás, a Repsol Sinopec anunciou, ao longo dos últimos anos, uma série de projetos relacionados à transição energética e descarbonização. Poderia, por favor, nos atualizar sobre os principais planos e iniciativas da empresa nesses segmentos?

Acreditamos que o investimento em inovação e tecnologia é essencial na busca por soluções para superar os desafios da descarbonização e transição energética. Priorizamos a eficiência operacional para tornar a produção de energia mais segura, eficiente e responsável, atendendo às demandas futuras e fomentando o desenvolvimento do país. Tal ideal é refletido em nosso compromisso contínuo com eficiência operacional e desenvolvimento técnico e socioambiental.

Impulsionamos novas soluções tecnológicas para ampliação do potencial do setor e redução de emissões de gases do efeito estufa, como o próprio Projeto Raia, que além de ter sua estrutura planejada para otimização do processo de produção, tem como um de seus pilares centrais o gás natural, combustível da transição.

Além dos investimentos direcionados aos nossos ativos, integram nosso portfólio de PD&I iniciativas como: o “DAC.SI”, voltado à Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono (CCUS); o “CO2CHEM”, pioneiro no Brasil no desenvolvimento de tecnologias de conversão de CO2 em combustíveis renováveis; e o “DAC to Sea”, que busca a integração das tecnologias de captura e conversão de CO2 para produção de combustível marítimo.

Temos um histórico sólido de liderança em inovação no setor, tendo sido reconhecidos cinco vezes como vencedores do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica. Depois da Espanha, sede do grupo Repsol, o Brasil é o maior potencializador de novas tecnologias do grupo, com investimentos que chegaram ao patamar de R$ 225 milhões em pesquisa e desenvolvimento nos últimos anos, sendo mais de 50% do valor aportado em nosso portfólio de descarbonização e transição energética, seguindo a ambição do Grupo de zerar as emissões líquidas até 2050.

Nossas iniciativas não se limitam ao escopo operacional e de pesquisa, dedicamos parte do nosso budget a projetos socioambientais, como o projeto autoral e voluntário Ecos do Amanhã, idealizado em parceria com a UNESCO, que atua na restauração de ecossistemas brasileiros e na valorização da cultura oceânica no Brasil.

Por fim, poderia falar da importância do mercado brasileiro de óleo e gás e das perspectivas de crescimento da presença da empresa no país?

O Brasil é um grande player no setor mundial de energia e está entre os três países mais estratégicos dos vinte em que temos a atuação Grupo Repsol e, também, o que mais receberá investimentos em 2026. Dados do IBP apontam que o setor representa 17% do PIB industrial do país e seguirá contribuindo com o crescimento econômico, por meio de aportes previstos em exploração e produção de O&G, estimados em cerca de US$ 173 bilhões entre 2024 e 2033. Por nossa parte, temos a missão de seguir contribuindo com investimentos no setor, visando atender a demanda da energia da sociedade, de forma segura, acessível e responsável.

Valor - SP   17/04/2026

Estados Unidos sinalizam que manterão o bloqueio a embarcações ligadas ao Irã mesmo fora do Oriente Médio, em um cenário de fluxos já reduzidos pelo Estreito de Ormuz

Os preços do petróleo ampliaram os ganhos e avançam mais de 3%, após os Estados Unidos sinalizarem que manterão o bloqueio a embarcações ligadas ao Irã mesmo fora do Oriente Médio, em um cenário de fluxos já reduzidos pelo Estreito de Ormuz. A alta do petróleo pressiona as bolsas em Nova York, que perderam força e passaram a cair após os recordes da véspera.

Por volta das 11h50, na Intercontinental Exchange (ICE), o petróleo Brent para entrega em junho subia 3,28% a US$ 98,04 por barril. Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio ganhava 2,65% a US$ 93,71.

Em Wall Street, o índice Dow Jones caía 0,20%, a 48.367,93 pontos; o S&P 500 recuava 0,08%, a 7.017,30 pontos e o do Nasdaq Composto tinha queda de 0,14%, a 23.982,67 pontos.

Os Estados Unidos ampliaram seu bloqueio ao Irã para “todos os navios, independentemente da nacionalidade”, e irão persegui-los além do Oriente Médio, se necessário, afirmou o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, em coletiva de imprensa. Na mesma coletiva, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, disse que o bloqueio continuará pelo tempo que for necessário.

“Os preços do petróleo seguem elevados, mas ainda em níveis considerados administráveis pela maioria dos analistas, sem provocar desorganização econômica significativa”, diz o IG, em nota.

“Embora possam pressionar a inflação na margem, os atuais patamares não são vistos como suficientes para comprometer o crescimento ou forçar um aperto monetário mais agressivo, diferentemente de choques extremos, que tendem a afetar o consumo e aumentar o risco de recessão.”

Globo Online - RJ   17/04/2026

A empresa espanhola Repsol anunciou nesta quinta-feira que chegou a um acordo com o governo venezuelano para "retomar o controle das operações" petrolíferas na Venezuela e "aumentar sua produção" em até 50% em um ano.

O acordo "permitirá retomar o controle das operações no ativo de petróleo da Petroquiriquire e aumentar sua produção de petróleo no país", explicou a empresa em comunicado.

A nota afirma que a Repsol está "preparada para aumentar em 50% a produção bruta de petróleo no país em um prazo de 12 meses e triplicá-la nos próximos três anos", caso existam "as condições necessárias". A Repsol opera na Venezuela desde 1993.

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia proibido a operação de empresas estrangeiras no setor de petróleo venezuelano, mas revogou a medida e concedeu novas licenças, uma delas à Repsol, após derrubar Nicolás Maduro em janeiro durante uma operação militar.

Após a queda de Maduro, sua vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o poder e introduziu reformas para revitalizar a indústria petrolífera. Esse setor é o principal ativo do país, com as maiores reservas mundiais de petróleo, mas foi fortemente prejudicado.

A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo e foi uma das principais produtoras de petróleo bruto nos anos 1990, mas má gestão, corrupção e sanções dos EUA fizeram a produção cair para um milhão de barris por dia, abaixo do pico moderno de cerca de 3,5 milhões de barris diários.

Triplicar a produção em três anos

O diretor-geral de Exploração e Produção da Repsol, Francisco Gea, afirmou que o acordo “reforça o compromisso da Repsol com a Venezuela, onde operamos de forma ininterrupta desde 1993”.

A Repsol também afirma que o acordo garante “os mecanismos de pagamento”, sem dar mais detalhes. A Venezuela mantém uma dívida de vários bilhões de dólares com a Repsol e com o grupo italiano Eni.

Até março de 2025, a Repsol vinha recebendo cargas de petróleo venezuelano como pagamento pelo petróleo e gás fornecidos para geração de energia. No entanto, a pressão dos EUA sobre Caracas e a retirada das licenças por Trump interromperam esses pagamentos, aumentando a já significativa dívida do país com a empresa.

O acordo foi firmado com o Ministério de Hidrocarbonetos da Venezuela e a empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) e “se enquadra na licença geral emitida pela Administração dos Estados Unidos”, explicou a companhia.

O acordo faz parte dos esforços apoiados pelos EUA para reconstruir a indústria petrolífera do país após a captura de Maduro por Washington em janeiro. Ele segue um acordo firmado nesta semana entre a Chevron e Caracas, que permite à empresa americana expandir significativamente suas operações no país.

Segundo dados da empresa, a produção de petróleo da Repsol na Venezuela chega atualmente a 45 mil barris por dia. Em 2025, chegou a produzir 1,2 milhão de barris diários, um avanço em relação aos 300 mil barris extraídos em 2020, mas ainda longe dos três milhões alcançados em seu pico histórico no início do século.

“Agora vemos que poderíamos aumentar a produção bruta de petróleo na Venezuela em mais de 50% nos próximos 12 meses”, explicou em fevereiro o diretor-geral da empresa, Josu Jon Imaz, em uma conferência com analistas, celebrando que a nova situação no país abria “uma nova janela de oportunidade”.

“Temos a ambição e vemos muita margem para alcançar esse objetivo de multiplicar por três a produção em três anos”, acrescentou Imaz, embora, por enquanto, a “contribuição inicial será continuar fornecendo gás para estabilizar o país”.

No mês passado, a Repsol e a empresa italiana ENI já haviam assinado outro acordo estratégico com as autoridades venezuelanas e a PDVSA para garantir a sustentabilidade da produção de gás natural durante todo o ano de 2026 da empresa Cardón IV (participada em 50% por ambas as companhias) e reforçar a estabilidade de longo prazo das operações.

RODOVIÁRIO

CNN Brasil - SP   17/04/2026

O Observatório do Clima informou que vai acionar a Justiça contra os editais publicados pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) para a retomada das obras na BR-319, que liga Manaus a Porto Velho.

A organização alega que o projeto viola a Constituição Federal e normas ambientais e pode ampliar o desmatamento na região.

Os editais foram divulgados nesta semana e preveem a pavimentação de 339,4 quilômetros no chamado “trecho do meio” da rodovia, região considerada estratégica para a conexão logística. A retomada das obras já havia sido anunciada pelo governo federal no fim de março.

Segundo o Observatório do Clima, a iniciativa enfrenta entraves no processo de licenciamento. A entidade afirma que o projeto não possui licença ambiental válida para execução e lembra que a Licença Prévia concedida no fim do governo anterior é alvo de contestação judicial, pela própria organização, desde janeiro de 2024, o que paralisou as obras.

Sem intervenções desde julho de 2024, a expectativa do governo é que o trecho do meio seja concluído em três anos. A finalização desse ponto foi prometido pelo presidente Lula no início do mandato.

O presidente pretende promover a repavimentação da BR-319 como uma das marcas do atual governo e tem planos de ir a Manaus com esse intuito. Nas eleições de 2022, o Amazonas foi o estado mais dividido eleitoralmente da região Norte, o que reforça o peso estratégico da obra para o Palácio do Planalto.
Licenciamento ambiental

O Observatório do Clima aponta ainda que o Ibama não emitiu a Licença de Instalação, necessária para o início efetivo das obras e que o Dnit não teria apresentado todos os documentos exigidos para análise ambiental, o que impediria o avanço regular do processo.

A entidade questiona o uso de dispositivos da nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental para justificar a obra sem a necessidade de licenciamento completo.

A nova legislação dispensou a necessidade de licenciamento ambiental para obras de manutenção e melhorias em estruturas já existentes. Na prática, isso permite que intervenções na BR-319 sejam realizadas sem a necessidade de novas autorizações ambientais, por se tratar de uma rodovia já implantada.

Porém, para a organização, a interpretação adotada pelo governo não se aplica ao caso. A avaliação é que, por se tratar de empreendimento com potencial de impacto significativo, o projeto exige um Estudo de Impacto Ambiental.

A organização também afirma que não houve consulta prévia a comunidades indígenas potencialmente afetadas, como determina a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Em nota, o Observatório do Clima argumenta que a pavimentação da rodovia, sem salvaguardas ambientais adequadas, pode comprometer o controle do desmatamento. Estudos técnicos citados pela entidade indicam que o asfaltamento pode ampliar a pressão sobre a floresta e aumentar as emissões de gases de efeito estufa nas próximas décadas.

A BR-319 é alvo de debate há décadas. Defensores da pavimentação argumentam que a estrada é essencial para integrar o Amazonas ao restante do país e reduzir o isolamento logístico da região. Já críticos alertam para os impactos ambientais, como o aumento do desmatamento e da grilagem de terras na Amazônia.

Asfaltada na década de 1970, a rodovia enfrenta hoje longos trechos intransitáveis, especialmente durante o período de chuvas, o que compromete o fluxo de pessoas e mercadorias.

CNN Brasil - SP   17/04/2026

Medidas para conter a alta de insumos nas concessões rodoviárias estão em fase de estruturação, disse o ministro dos Transportes, George Santoro, em entrevista para o Conexão Infra. Ele explicou que a proposta busca lidar com a volatilidade de produtos como asfalto e cimento, que têm sido pressionados por crises geopolíticas e oscilações cambiais.

Atualmente, os contratos de concessão já contam com contas vinculadas, que permitem reservar parte da tarifa para cobrir variações de custos ao longo do tempo. No entanto, o ministro afirmou que esse mecanismo não tem sido suficiente diante de oscilações mais intensas. “Apesar dos contratos hoje terem contas vinculadas [...] ela não é suficiente para cobrir essas flutuações de preços ou cambiais ou de insumos”, disse o ministro.

Diante desse cenário, a ideia é criar um modelo adicional de ajuste, que funcione como uma espécie de “conta corrente” entre concessionárias e poder concedente, com débitos e créditos sendo compensados ao longo do tempo.

O objetivo é suavizar os impactos dessas variações e evitar oscilações mais abruptas nas tarifas pagas pelos usuários, tendo em vista que o valor só será repassado em um eventual reequilíbrio.
Financiamento internacional

Outra iniciativa em preparação foca em ampliar o acesso a financiamento mais barato. Com a taxa básica de juros elevada, o governo busca facilitar a captação de recursos em dólar, como fundos de pensão estrangeiros, para reduzir o custo dos projetos. A avaliação é que, para isso, será necessário oferecer maior proteção contra variações cambiais.

Esse ambiente mais previsível, segundo o ministério, também pode estimular a emissão de debêntures de infraestrutura, ampliando as fontes de financiamento para o setor.

Esse tema gerou desgaste em 2025. Na ocasião, o governo chegou a editar medida provisória que acabou com a isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas na compra de debêntures de infraestrutura. Porém, após mobilização do setor privado, o governo recuou nesse ponto.

AGRÍCOLA

O Estado de S.Paulo - SP   17/04/2026

A projeção de queda nas vendas de máquinas agrícolas em 2026, que pode marcar o quinto ano consecutivo de retração, reforça um movimento de desaceleração no setor. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que apresentou dados do segmento em coletiva de imprensa na quarta-feira, 15, estima a comercialização de 46,7 mil unidades, o que representaria uma queda de 6,2% frente a 2025. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o encolhimento deve comprometer o faturamento em 8%.

O desempenho negativo esperado está ligado à perda de rentabilidade do produtor rural e às dificuldades de acesso ao crédito, segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet. Ele afirma que a taxa básica de juros elevada, atualmente em 14,75% ao ano, é um dos principais entraves à renovação de frota e a novos investimentos no campo.

Além do crédito mais restrito, o cenário internacional pressiona o setor. Tensões geopolíticas, como o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã, têm elevado os custos de insumos essenciais, especialmente fertilizantes e diesel, pressionando as margens dos agricultores.
Otimismo do setor

Apesar desse cenário, o setor não acredita que os fatores vão comprometer os negócios na Agrishow, a maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, marcada para o período de 27 de abril a 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP).

Não tem como a Agrishow ser ruim. O que pode acontecer é a feira espelhar um pouco do momento que estamos vivendo.

Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Abimaq

Para Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Abimaq, a feira, além de funcionar como termômetro do mercado ao longo do ano, concentra esforços de venda, com condições especiais de financiamento, aliadas à busca por novidades tecnológicas.

“Por isso, não tem como ser ruim”, diz. “O que pode acontecer é a Agrishow espelhar um pouco do momento que estamos vivendo. Mas, independentemente dos valores negociados, (a feira) vai continuar relevante para o total de vendas do ano das empresas.”

Na edição de 2025, a Agrishow movimentou R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios, crescimento de 7% na comparação com o ano anterior. Para o evento de 2026, os organizadores, entre eles, a própria Abimaq, preferiram não divulgar expectativas.
Sequência de quedas

Se confirmadas as projeções, o setor chegará ao quinto ano consecutivo de queda nas vendas de máquinas agrícolas (ver gráfico).

Apesar de ainda sustentar volumes relevantes, o setor enfrentou, nesse período, desaceleração nos investimentos, influenciada pela queda nos preços de commodities importantes, como soja e milho, e pela redução na oferta de crédito rural. “Os bancos estão fazendo muitas exigências para emprestar, por causa da inadimplência, em torno de 7%”, diz Estevão.

Programas de financiamento tradicionais, como o Moderfrota, também tiveram menor alcance, contribuindo para frear a demanda por novos equipamentos. Esse cenário limitou a capacidade de crescimento da indústria e preparou o terreno para a retração projetada em 2026.

Como as commodities são cotadas em dólar, à medida em que ele cai, a rentabilidade do agricultor também cai. E, com isso, ele adia investimento em maquinário.

Pedro Estevão, presidente da Câmara Setorial de Máquinas Agrícolas da Abimaq

Apesar da sequência negativa de vendas, o faturamento fechou 2025 no azul, com aumento de 7% sobre 2024, segundo a Abimaq. O resultado foi puxado por um primeiro semestre bastante positivo, quando o crescimento, na comparação com o mesmo período de 2024, chegou a 20%. ]

“Já o segundo semestre não foi tão bom. A virada coincidiu com o tarifaço (de até 50% imposto por Donald Trump sobre vários produtos brasileiros) e com a queda do dólar”, analisa Estevão. “Como as commodities são cotadas em dólar, à medida em que ele cai, a rentabilidade do agricultor também cai. E, com isso, ele adia investimento em maquinário.”

A taxa básica de juros elevada, atualmente em 14,75% ao ano, é um dos principais entraves à renovação de frota e a novos investimentos no campo

Igor Calvet, presidente da Anfavea

No primeiro bimestre de 2026, as vendas de máquinas agrícolas caíram 17%, segundo a Abimaq. “Foi uma redução grande porque a comparação é com os primeiros meses do ano passado, que foram muito bons. Considerando todo o ano, devemos fechar com queda de 8%”, completa Estevão.
Pressão externa e avanço das importações

O aumento da concorrência internacional passou a pressionar a indústria nacional. Em 2025, as importações de máquinas agrícolas, especialmente da China e da Índia, cresceram de forma significativa, o que, segundo Calvet, da Anfavea, agrava o cenário para fabricantes locais, que enfrentam custos de produção mais elevados e perda de competitividade. Produtos estrangeiros chegam ao mercado brasileiro com preços até 27% menores.

Para a Anfavea, a recuperação do mercado dependerá principalmente de uma melhora nas condições de financiamento e da recomposição da rentabilidade no campo. Sem essas mudanças, a tendência é de continuidade do ritmo mais lento de investimentos, tanto por produtores quanto por empresas do setor.

A entidade também defende medidas para fortalecer a indústria brasileira diante do avanço das importações, sob risco de perda de participação no mercado e impactos no emprego e na cadeia produtiva. Tanto que prepara um documento com reivindicações a ser entregue aos futuros candidatos à Presidência da República.

Na visão de Estevão, da Abimaq, a recuperação no curto prazo depende de medidas governamentais que ampliem a disponibilidade de crédito. “Isso porque os preços das commodities não devem melhorar tão logo, o câmbio não me parece que volta ao patamar de R$ 6 e, em razão da guerra, a taxa de juros não deve cair.”

IstoÉ Dinheiro - SP   17/04/2026

As exportações brasileiras de produtos agropecuários alcançaram US$ 38,1 bilhões no primeiro trimestre do ano, informou o Ministério da Agricultura, em nota. O valor é recorde para o período, segundo o ministério. O valor é 0,9% superior ao obtido nos primeiros três meses do ano anterior, o equivalente a uma alta de US$ 342 milhões ante os US$ 37,74 bilhões registrados no primeiro trimestre de 2025. O setor representou 46,3% dos embarques totais do País nos primeiros três meses do ano, em comparação com 49,1% de 2025.

O resultado do setor, segundo a pasta, foi impulsionado pelo aumento de 3,8% no volume de produtos comercializados no exterior, que compensou a queda de 2,8% dos preços médios dos produtos exportados.

“Entre os fatores associados ao recuo está a redução do preço médio das cotações de algumas commodities da pauta exportadora, como açúcar de cana em bruto, algodão não cardado nem penteado, milho e farelo de soja”, justificou a pasta, em nota técnica.

Na análise do ministério, o desempenho das exportações do setor no primeiro trimestre reflete a abertura de mercados para produtos do agronegócio nacional. Entre janeiro e março deste ano, foram 30 novos mercados abertos para produtos do agronegócio brasileiro, ressaltou a pasta. “O resultado do trimestre reflete a competitividade do agro brasileiro, mas também um trabalho permanente de abertura e ampliação de mercado. É esse esforço que permite consolidar destinos já relevantes, ampliar o espaço de produtos brasileiros no exterior e dar mais previsibilidade ao comércio internacional do agro”, disse o secretário de Comércio e Relações Internacionais do ministério, Luis Rua, na nota.

Os seis principais setores exportadores no primeiro trimestre deste ano foram complexo soja, com US$ 12,13 bilhões, 31,8% do total exportado pelo setor; carnes, com US$ 8,12 bilhões; produtos florestais, com US$ 3,94 bilhões; café, com US$ 3,32 bilhões; complexo sucroalcooleiro, com US$ 2,33 bilhões; cereais, farinhas e preparações, com US$ 2,08 bilhões. Juntos, estes setores responderam por 83,8% do total exportado pelo agronegócio no primeiro trimestre deste ano. No período, houve recorde nas exportações de carne bovina e carne suína em valor e quantidade comercializados ao exterior.

Entre os destinos, a China se manteve como a principal importadora de produtos do agronegócio brasileiro nos primeiros três meses deste ano, com US$ 11,33 bilhões comercializados ao país asiático, 29,8% das exportações do setor, 4,7% mais que em 2025. Na sequência, está a União Europeia, com US$ 5,67 bilhões exportados, 14,9% do total, 0,1% menos que em 2025, e Estados Unidos, com US$ 2,24 bilhões, 5,9% do total e 31,2% menos que no primeiro trimestre do ano anterior. Ao longo do último mês, cresceram as exportações de produtos agropecuários brasileiros para Índia, Filipinas, México, Tailândia, Japão, Chile e Turquia ressaltou o ministério.

No primeiro trimestre deste ano, as importações de produtos agropecuários somaram US$ 5,014 bilhões, queda de 3,3% frente aos três primeiros meses de 2025. Em contrapartida, houve aumento de 23,9% nas importações de fertilizantes, para US$ 3,06 bilhões no primeiro trimestre deste ano, enquanto as compras de defensivos recuaram 11,5%, para US$ 891,4 milhões no acumulado dos três primeiros meses do ano.

O saldo da balança comercial do setor no período foi de superávit de US$ 33,073 bilhões, acima dos US$ 32,562 bilhões de igual período de 2025. “O agro brasileiro ocupa hoje uma posição de destaque no comércio internacional porque há produção, há ciência, há sanidade e há capacidade de responder às demandas dos mercados. Quero reafirmar que, na nossa gestão, vamos seguir trabalhando para fortalecer essa base e ampliar as oportunidades para os produtos brasileiros no exterior”, disse o ministro André de Paula, na nota.

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   17/04/2026

Reconhecida por sua atuação ao lado da agricultura familiar, a Agritech escolhe a Agrishow 2026, em Ribeirão Preto, SP, para apresentar, em primeira mão, sua nova linha de tratores.

Em um ano simbólico, em que celebra 25 anos de história, a empresa aposta em inovação aplicada ao campo para marcar mais um capítulo de sua trajetória.
Entre os dias 27 de abril e 1º de maio, a empresa leva à principal vitrine do agronegócio brasileiro uma evolução de seus equipamentos, pensada para atender às demandas reais do produtor.

Os novos modelos AGT-75 Compacto e 1185 Compacto, ambos com versões com e sem cabine, combinam modernização, avanços tecnológicos e melhorias operacionais.

“Os tratores chegam com design renovado e nova padronização de cores, além de uma série de aprimoramentos que elevam a experiência de uso. Entre as novidades estão painel digital, novo eixo dianteiro e aumento de 25% na capacidade do tanque de combustível, ampliando a autonomia das máquinas em campo”, afirma o gerente de Vendas e Marketing da Agritech, Cesar Roberto Guimarães de Oliveira.

Os modelos também incorporam soluções voltadas ao dia a dia do operador, como tomada elétrica de 7 pinos (12V), faróis de trabalho e luz auxiliar em LED, que garantem melhor visibilidade em operações noturnas, além de uma caixa de ferramentas ampliada, suporte para celular e entradas USB e USB-C.

O conjunto técnico mantém atributos já reconhecidos da marca, como o motor Perkins de 75 cv na linha AGT-75 e o motor Yanmar Turbo de 82 cv no 1185, aliados a uma transmissão de 24 velocidades com reversor, redutor, tomada de força econômica e proporcional, comando duplo e válvula de fluxo contínuo.

“Mais do que lançar novos produtos, buscamos entregar soluções que façam sentido na rotina do pequeno e médio produtor, com tecnologia aplicada de forma prática e acessível. Essa nova geração de tratores representa a evolução de um trabalho construído ao longo desses 25 anos”, afirma.

Novo trator AGT 25 Cabinado - Outro destaque na Agrishow é o lançamento do AGT 25 Cabinado, que amplia o portfólio da Agritech com foco em conforto e desempenho em pequenas propriedades e culturas de espaçamento reduzido.

Compacto e versátil, o modelo é equipado com motor Mitsubishi de 3 cilindros, com potência de 24 cv ou 25 cv, transmissão de 9 marchas à frente e 3 à ré, além de tomada de força nas opções 540 e 1000 RPM.

“A Agritech reafirma seu compromisso com a agricultura familiar, segmento no qual consolidou sua reputação. A empresa lança soluções que acompanham a evolução do produtor, contribuindo para ganhos de produtividade, eficiência e qualidade de vida no campo”, conclui Oliveira.

TOP