Valor - SP 16/07/2025
Na visão dos segmentos consultados pela gestão petista, qualquer tipo de contramedida será a "pior saída" para o Brasil diante do clima político conturbado.
A primeira reunião do comitê interministerial do "tarifaço" serviu para que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ouvisse um recado explícito dos empresários brasileiros: o setor industrial é contra qualquer medida de retaliação aos norte-americanos neste momento. Na visão dos segmentos consultados pela gestão petista, qualquer tipo de contramedida será a "pior saída" para o Brasil diante do clima político conturbado.
A mensagem foi passada durante reunião, nesta terça-feira (15), na sede do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Este foi o primeiro encontro promovido pelo chamado comitê interministerial do "tarifaço", grupo liderado pelo vice-presidente e ministro do Mdic, Geraldo Alckmin.
Participaram da reunião representantes do segmento têxtil, indústria de árvores, calçadista, alumínio, aço, autopeças, madeira, máquinas e equipamentos. Do lado do governo, marcaram presença nomes como o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e da Fazenda, Fernando Haddad, entre outros integrantes do primeiro escalão da Esplanada.
Sobre o pleito do setor produtivo, de que não haja retaliações, o Valor apurou que a gestão petista está de acordo. Segundo interlocutores, o próprio ministro Rui Costa, garantiu que a ordem no governo petista é caminhar pela seguinte orientação: serenidade, cautela e negociação.
Neste mesmo sentido, o chefe da Casa Civil esclareceu não está no horizonte do governo fazer bravatas diplomáticas. Em vez disso, o Brasil tem que se reposicionar no mundo assim como os outros países estão fazendo, defendeu o ministro.
Na mesma reunião, os empresários teriam relatado também que encontraram dificuldade para dialogar diretamente com seus respectivos compradores, após o anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Apesar disso, o setor privado se comprometeu com o Palácio do Planalto em continuar fazendo a interlocução com setores congêneres do lado norte-americano.
Especialistas na área de direito internacional ouvidos pelo Valor concordam que, assim como alertado pelo setor produtivo, o melhor caminho para o governo brasileiro é o da "cautela". O motivo é que ainda não se sabe ao certo qual será o impacto que o tarifaço de 50% terá sobre a economia brasileira a partir de 1º de agosto.
"A cautela é necessária, pois ainda desconhecemos o impacto efetivo que as tarifas terão no setor produtivo. Neste momento, defender a prudência é escolher a resolução e não o agravamento da questão”, afirmou Benny Spiewak, advogado, mestre em Propriedade Intelectual pela George Washington University e especialista direito internacional.
IstoÉ Dinheiro - SP 16/07/2025
O secretário de Comércio americano, Howard Lutnick, afirmou nesta terça-feira, 15, que China, Japão e Coreia do Sul “despejam” aço nos Estados Unidos e, dessa forma, prejudicam as empresas domésticas. Por isso, Washington anunciou tarifas sobre o produto, uma vez que subsídios do governo “estão fora da mesa”, de acordo com ele.
“Se tudo o que fazemos é importar aço, alumínio e cobre, como vamos lutar uma guerra? Precisamos que aço seja produzido domesticamente, afirmou, em entrevista à CNBC.
Lutnick disse ainda que já negociou uma série de acordos comerciais com outros países, mas que a decisão final sobre quais serão fechados cabe ao presidente dos EUA, Donald Trump. Segundo o secretário, o objetivo de Trump é “esmagar” as barreiras comerciais que vigoraram por muitas décadas.
Lutnick também comentou o acordo que Trump anunciou nesta terça com a Indonésia. Conforme o secretário, o pacto zera as tarifas impostos aos americanos, enquanto os indonésios pagarão sobretaxa. Ele disse ainda que os EUA querem seguir “um passo à frente” da China para que os chineses comprem os chips americanos.
Portal Fator Brasil - RJ 16/07/2025
Companhia recebe reconhecimento pelo compromisso com a sustentabilidade em suas operações logísticas.
A Gerdau, maior empresa brasileira produtora de aço, conquistou o Selo Ouro do Programa de Logística Verde Brasil (PLVB), um dos mais importantes reconhecimentos voltados à promoção de práticas sustentáveis no setor logístico, concedido pelo Instituto Brasileiro de Transporte Sustentável (IBTS). O selo reconhece empresas que se destacam por iniciativas como transporte eficiente, redução de emissões e uso consciente de recursos.
—A conquista do Selo PLVB representa o fortalecimento do nosso compromisso com a sustentabilidade e o reconhecimento público pelas boas práticas logísticas que temos implementado em nossas operações. É o reflexo do trabalho técnico das nossas equipes e do nosso compromisso com soluções inovadoras e ambientalmente responsáveis —destaca Carlos Rabito, gerente de supply chain e ferrovias da Gerdau. Além disso, essa certificação consolida a atuação da companhia alinhada aos princípios de sustentabilidade e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e reafirma o papel da logística como um vetor estratégico para a construção de uma cadeia mais sustentável.
Com o Selo Ouro PLVB, a Gerdau passa a integrar um ecossistema de empresas e especialistas comprometidos com logística sustentável, tendo acesso a treinamentos, capacitações técnicas, publicações de guias e manuais, além da promoção de boas práticas no setor. Uma das iniciativas da Gerdau é o cálculo das emissões de gases de efeito estufa (GEE) provenientes de parte de seus transportes no Brasil. Iniciada em 2022, com o uso da calculadora de emissões de GEE, a ação evidencia, por exemplo, os benefícios ambientais do transporte multimodal.
A Gerdau possui, atualmente, uma das menores médias de emissão de gases de efeito estufa (CO2e), de 0,85 t de CO2e por tonelada de aço, o que representa aproximadamente a metade da média global do setor, de 1,91 t de CO2e por tonelada de aço (worldsteel). Para 2031, a meta da Gerdau é diminuir as emissões de carbono para 0,82 t de CO2e por tonelada de aço.
Gerdau — Com 124 anos de história, a Gerdau é a maior empresa brasileira produtora de aço e uma das principais fornecedoras de aços longos nas Américas e de aços especiais no mundo. No Brasil, também produz aços planos, além de minério de ferro para consumo próprio. Com o propósito de empoderar pessoas que constroem o futuro, a companhia está presente em vários países e conta com mais de 30 mil colaboradores em todas as suas operações. Maior recicladora da América Latina, a Gerdau tem na sucata uma importante matéria-prima: cerca de 70% do aço que produz é feito a partir desse material. Todo ano, 10 milhões de toneladas de sucata são transformadas em diversos produtos de aço. A companhia também é a maior produtora de carvão vegetal do mundo, com mais de 230 mil hectares de base florestal no estado de Minas Gerais. Como resultado de sua matriz produtiva sustentável, a Gerdau possui, atualmente, uma das menores médias de emissão de gases de efeito estufa (CO2e), de 0,85 t de CO2e por tonelada de aço, o que representa aproximadamente a metade da média global do setor, de 1,92 t de CO2e por tonelada de aço (worldsteel). Para 2031, a meta da Gerdau é diminuir as emissões de carbono para 0,82 t de CO2e por tonelada de aço. As ações da Gerdau estão listadas nas bolsas de valores de São Paulo (B3) e Nova Iorque (Nyse).
Valor - SP 16/07/2025
Em reunião com governo, marcada por apreensão e busca de consenso, executivos pedem adiamento das taxas de 50%.
Representantes de diversos setores da indústria pediram que o governo federal negocie o adiamento na aplicação da tarifa de 50% anunciada pelo presidente Donald Trump e se manifestaram contra a retaliação das taxas por parte do Brasil, com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
As entidades se reuniram em Brasília com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic), Geraldo Alckmin, na manhã de terça-feira (15), para discutir o tema. Participaram do encontro associações de diferentes setores afetados pelas tarifas, como os de máquinas, tecidos, calçados, siderurgia, entre outros, além da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e de executivos de companhias impactadas, como a Embraer (veja mais no texto Na Embraer, impacto pode ser igual ao da pandemia), a Weg e a Tupy.
“O mais importante [na condução das discussões entre EUA e Brasil], em que se pese a reciprocidade, é exaurir todos os canais possíveis de negociações”, disse ao Valor Rafael Lucchesi, presidente da metalúrgica Tupy.
As associações rechaçaram de forma enfática a ideia de retaliação das tarifas pelo governo brasileiro. “Ninguém acha que deva haver a aplicação da reciprocidade neste momento”, afirmou o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Fernando Pimentel, que participou da reunião ontem. Segundo ele, há consenso sobre a necessidade de prevalecerem as negociações.
“Se um país retaliar, a consequência será o fim do comércio e uma derrota para todos”, disse também o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso.
Em publicação na rede social X, o presidente-executivo da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), Paulo Hartung, afirmou que, neste momento, “é fundamental evitar bravatas e apostar na negociação e na diplomacia”.
Segundo os executivos, outra unanimidade entre o setor industrial na reunião foi o pedido, apresentado pela CNI, para que o governo tente adiar em ao menos 90 dias a aplicação das tarifas. A princípio, a cobrança deverá começar em 1º de agosto, caso não haja um acordo.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, disse que o ideal é resolver a situação antes desse prazo. “A imprevisibilidade não ajuda nada. Produtos perecíveis já estão com problemas. Se tivermos uma prorrogação de 90 dias e não evoluir, teremos os mesmos problemas”, disse ele à imprensa, após a reunião com o governo.
Sobre o pedido, Alckmin afirmou que o prazo para o início da cobrança tarifária é “exíguo”, mas que o governo vai trabalhar para avançar ao máximo a negociação dentro do período estabelecido. No entanto, se houver necessidade, a gestão federal irá trabalhar pela prorrogação. “Queremos resolver o problema, o mais rápido possível. Se houver necessidade de mais prazo, vamos trabalhar nesse sentido”, disse.
“O governo brasileiro está empenhado em resolver esta questão e queremos ouvir as sugestões e propostas do setor privado, e trabalhar juntos para rever essa questão”, afirmou, após o encontro com a indústria, que ele classificou como “proveitoso”.
Segundo Lucchesi, da Tupy, o clima durante o encontro com o governo foi de busca de consenso e serenidade, dada a situação diplomática, mas também de apreensão por parte do setor privado.
No caso da metalúrgica, produtora de blocos e cabeçotes fundidos, 70% do faturamento vem de exportações. “Cerca de 30% das nossas exportações vão para os EUA. Isso representa 14% da nossa receita”, disse o presidente.
“Se o país retaliar, a consequência será o fim do comércio e a derrota para todos”
— José Velloso
Há temor de impactos graves em diversos segmentos, dado o peso do mercado americano para as indústrias. “Uma alíquota de 50% representa, na prática, um bloqueio comercial. É uma penalização. Não existe comércio possível nessas condições”, afirmou Velloso, da Abimaq.
No setor de máquinas e equipamentos, o Brasil exporta anualmente cerca de US$ 3,6 bilhões aos EUA. A maior parte das vendas é de componentes, que são utilizados por fabricantes americanos. “Muitas empresas ali comercializam produtos com a marca do importador. O prejuízo seria grande e não teríamos como redirecionar para outros mercados”, explicou Velloso. O executivo destacou que mais de quatro mil empresas americanas operam no Brasil como base exportadora, o que reforça a interdependência entre os dois mercados.
A dificuldade de desviar a carga a outros mercados também é uma preocupação citada por Fausto Varela Cançado, presidente do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer), que participou da reunião de ontem.
Segundo ele, os EUA representaram 89% do volume de ferro-gusa exportado pelo Brasil no primeiro semestre de 2025. “A maior parte do ferro-gusa consumido nos Estados Unidos vem do Brasil e da Ucrânia. Antigamente, os americanos também compravam da Rússia, mas, com as sanções, precisaram parar”, disse. “Vai ser muito difícil fazer o redirecionamento, tanto para os americanos buscarem fornecedores quanto para nós encontrarmos outros mercados.”
Cançado afirmou que os clientes americanos têm demonstrado preocupação com a sobretaxa de 50% e também têm buscado os órgãos de governo dos Estados Unidos para negociar sua anulação. “Esse aumento dos preços gera um maior custo para eles. Há interesse entre as partes.”
A presidente-executiva da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Janaina Donas, também afirmou que as tarifas terão impacto para as duas economias. No setor do alumínio, os americanos dependem da importação de insumos estratégicos brasileiros para sustentar sua produção primária, disse. “Não necessariamente vão alcançar os objetivos do governo americano em termos de revitalização da sua indústria, sobretudo se eles ainda têm uma dependência de determinados insumos.”
Para a indústria de calçados, os EUA são o principal destino das exportações. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), entre janeiro e junho foram exportados US$ 111,8 milhões ao país, alta de 7,2% em relação ao primeiro semestre do ano passado.
As tarifas poderão inviabilizar as vendas da Grendene no país, afirmou o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Alceu Albuquerque.
Ele diz que a empresa, cuja principal marca nos EUA é a Melissa, está acelerando o envio de mercadorias ao país, cujo prazo de entrega é de no máximo duas semanas. Já os demais embarques ainda aguardam o desenrolar do impasse diplomático. Hoje, o mercado americano responde por 4% dos volumes internacionais da fabricante. A participação está abaixo da média do setor, porém a companhia vinha negociando contratos para expandir as vendas aos Estados Unidos - plano que agora entra em compasso de espera.
Na indústria têxtil, as exportações brasileiras para os EUA cresceram 14% no primeiro trimestre, em função das sanções impostas à China, mas as importações americanas também avançaram 13%. “Historicamente, a balança comercial do setor têxtil e de confecção tem déficit com os EUA. Nem por isso defendemos tarifas”, afirmou Pimentel.
Exame - SP 16/07/2025
A regulamentação da Lei da Reciprocidade Econômica foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) nesta terça-feira, 15. A lei, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estabelece medidas para o Brasil responder a práticas econômicas prejudiciais de outros países ou blocos econômicos.
A publicação não cita diretamente os Estados Unidos, mas deve ser usada pelo governo como uma forma de contramedida às tarifas de 50% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada.
O que é a Lei da Reciprocidade Econômica
O decreto define dois tipos de contramedidas: provisórias e ordinárias. As medidas provisórias, que podem ser aplicadas imediatamente, são analisadas diretamente pelo Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais.
O comitê pode, inclusive, alterar ou revogar essas medidas a qualquer momento. Já as contramedidas ordinárias exigem um processo mais formal, com consulta pública de até 30 dias e análise final do Conselho Estratégico da Camex.
Além de estabelecer os tipos de contramedidas, o decreto cria o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O comitê tem a função de deliberar sobre a adoção de contramedidas e de acompanhar as negociações diplomáticas para reverter ações que prejudicam o Brasil, como no caso do tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
O principal objetivo da Lei da Reciprocidade Econômica é garantir que o Brasil possa agir de forma proporcional e imediata contra ações discriminatórias de outros países. Isso inclui a possibilidade de suspender concessões comerciais, investimentos e direitos de propriedade intelectual quando ações prejudiciais forem identificadas. A medida também pode ser aplicada a outros aspectos, como investimentos e emissão de vistos, sempre com base na reciprocidade de tratamento.
O impacto da regulamentação é amplo, com empresas brasileiras podendo se beneficiar de maior proteção contra práticas desleais, mas com o risco de aumento nos preços de produtos importados e possíveis retaliações comerciais em cadeia.
O Comitê Interministerial será presidido pelo Ministro do MDIC e contará com a participação dos ministros da Casa Civil, da Fazenda e das Relações Exteriores. Outros ministros poderão ser convocados conforme a relevância do tema a ser tratado. O comitê tem a competência de deliberar sobre as medidas provisórias e acompanhar as negociações para superar as medidas unilateralmente impostas, como as dos Estados Unidos.
Qual será o efeito das tarifas?
O consenso entre especialistas é de que as tarifas terão consequências significativas para o crescimento econômico dos EUA e para as economias globais.
O JP Morgan foi um dos primeiros a revisar suas projeções econômicas após o anúncio das tarifas. Michael Feroli, economista-chefe do banco, ajustou a previsão do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA para 2025, reduzindo-a para 1,6%, uma queda substancial em comparação com estimativas anteriores. Feroli justificou essa revisão com a crescente incerteza comercial que as tarifas geram, além da pressão adicional sobre os preços, que, segundo ele, deverá resultar em uma aceleração da inflação.
A equipe do JP Morgan também destacou que a imposição dessas tarifas criaria um aumento nos custos de consumo, uma vez que os preços dos produtos importados tendem a subir, impactando diretamente os consumidores americanos.
Feroli alertou ainda que, com o aumento dos custos devido às tarifas, a inflação ao consumidor deve subir 0,2 pontos percentuais, o que afetaria especialmente as classes média e baixa dos EUA. Além disso, as tarifas retaliatórias que podem ser impostas pelos países afetados também são um ponto de preocupação, já que elas poderiam limitar o crescimento das exportações dos EUA, afetando negativamente a balança comercial e as empresas que dependem de mercados internacionais. Essas projeções foram divulgadas em um relatório detalhado do J.P. Morgan Research, que reforçou o impacto negativo das tarifas sobre a atividade econômica, especialmente nos gastos de capital das empresas.
Jamie Dimon, CEO do JP Morgan, fez declarações sobre os efeitos das tarifas em um evento promovido pelo Ministério das Relações Exteriores da Irlanda.
Dimon, conhecido por sua abordagem pragmática e cética em relação a políticas econômicas abruptas, alertou que o mercado está subestimando os riscos associados às tarifas. Em sua fala, Dimon reconheceu que, sob certas circunstâncias, as tarifas poderiam ser uma estratégia válida para proteger a indústria nacional e corrigir desequilíbrios comerciais. No entanto, ele também enfatizou que o mercado financeiro, por enquanto, parece estar complacente quanto aos riscos inflacionários e às possíveis consequências de um aumento nas taxas de juros, que poderiam ser necessárias para conter o impacto inflacionário causado pelas tarifas.
Dimon foi enfático ao dizer que, embora alguns aspectos da política de Trump possam ser justificados, o mercado precisa estar mais atento ao efeito que a guerra comercial terá sobre a estabilidade econômica global. "Eu detesto usar a expressão 'Taco trade' porque acho que ele fez a coisa certa ao dar um passo atrás, mas, infelizmente, acho que o mercado está complacente", afirmou Dimon, referindo-se ao risco de que as tarifas aumentem os custos operacionais das empresas e exacerbem as pressões sobre os consumidores.
Tarifas mais altas, como as de 50% sobre o Brasil, podem ter um impacto desproporcional em determinadas economias, segundo a Bloomberg.
No caso do Brasil, que já enfrenta desafios econômicos internos, o aumento das tarifas sobre commodities como cobre pode exacerbar uma recessão, gerando uma pressão adicional sobre a indústria e as exportações. Além disso, a análise da Bloomberg destacou que, mesmo com a moderada reação dos mercados, as tarifas forçarão ajustes nas cadeias produtivas globais. Empresas em todo o mundo terão que se adaptar a uma nova realidade comercial, em que os custos de importação são mais altos, e as tarifas retaliatórias de outros países podem criar uma dinâmica comercial mais complexa e volátil.
A projeção da Bloomberg para os setores mais afetados inclui a indústria automotiva, que já sofre com os altos custos de produção devido às tarifas sobre o aço e o alumínio. A indústria alimentícia também está no radar, com aumentos de preços para os consumidores podendo reduzir a demanda por certos produtos. Além disso, as empresas do setor de metais, como aquelas que dependem do cobre, sofrerão impactos diretos com as novas tarifas, principalmente no Brasil. A análise da Bloomberg conclui que, embora a reação inicial do mercado tenha sido moderada, o cenário futuro depende da implementação das tarifas e das respostas dos países afetados, que podem buscar retaliações ou ajustes nos acordos comerciais com os EUA.
Quais estados serão mais afetados pelas tarifas?
Os estados mais impactados pelas tarifas de 50% incluem aqueles com maior volume de exportações para os EUA. Estados como São Paulo, Minas Gerais e Paraná, que têm forte presença no setor agropecuário e aeronáutico, poderão sentir de forma mais intensa os efeitos econômicos dessas tarifas.
A estimativa é que a tarifa possa reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em até 1,2%, de acordo com análises do JP Morgan.
O Estado de S.Paulo - SP 16/07/2025
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) deixou inalteradas as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil nos próximos dois anos, prevendo alta de 2,3% em 2025 e de 2,5% em 2026. No entanto, o cartel alertou que o aumento inesperado das tarifas dos Estados Unidos poderá pesar sobre a atividade e diminuir o PIB brasileiro em 0,4 ponto porcentual no curto prazo, em relatório publicado nesta terça-feira, 15.
A Opep ainda considera que é possível um crescimento mais forte do Brasil no segundo semestre de 2025 do que o esperado, a depender do desempenho da agricultura. Por outro lado, as tarifas americanas podem eliminar esse suporte se não houver uma solução entre os dois países.
“O Brasil poderá tentar mitigar esse impacto por meio de negociações contínuas com os Estados Unidos e redirecionando exportações para mercados alternativos, o que é factível para commodities amplamente comercializadas, como produtos agrícolas, metais e combustíveis”, apontou o relatório.
O cartel também manteve previsão de que a inflação ficará elevada em torno de 5% ao longo do ano, levando o BC do Brasil a manter a taxa Selic em nível alto por tempo prolongado para controlar as pressões inflacionárias.
A Opep ainda espera que um impacto positivo de reformas fiscais, relaxamento monetário e aumento do consumo e investimentos domésticos apoiem a aceleração da economia a partir do próximo ano, embora os riscos tarifários também permaneçam no horizonte de 2026.
PIB global
A Opep manteve a previsão para a alta do PIB global em 2025, em 2,9%. Para 2026, a projeção de avanço da economia global também ficou inalterada, em 3,1%.
No caso do PIB dos EUA, a Opep reiterou estimativas de expansão de 1,7% neste ano e de 2,1% no próximo.
As projeções de crescimento da China em 2025 e 2026 também foram mantidas, em 4,6% e 4,5%, respectivamente.
Para a zona do euro, as previsões de alta também não sofreram ajustes, permanecendo em 1% em 2025 e 1,1% em 2026.
Produção de petróleo
A Opep estima que a produção total de petróleo do Brasil subiu 47 mil barris por dia (bpd) em maio, a 3,7 milhões de bpd. O cartel também notou aumento de 43 mil bpd na produção total de combustíveis líquidos no mês, a 4,5 milhões de bpd.
Contudo, a Opep manteve a expectativa para a oferta de combustíveis líquidos do Brasil neste ano e no próximo. Em 2025, o cartel prevê crescimento de cerca de 200 mil bpd, a uma média de 4,4 milhões de bpd. Para 2026, a Opep ainda projeta aumento na oferta de 200 mil bpd, a 4,5 milhões de bpd.
O Brasil continua como um dos quatro países de fora da Opep que mais deverão impulsionar o avanço da oferta global de combustíveis líquidos em 2025 e em 2026, lista que inclui EUA, Canadá e Argentina.
Money Times - SP 16/07/2025
A taxação de 50% sobre importação de produtos brasileiros nos EUA, anunciada em 9 de julho, causou espanto em todo o mundo e desperta enorme preocupação do governo e do empresariado nacional, particularmente nos setores com volumes de exportação relevantes para o mercado norte-americano, como o agronegócio, mineração e metais, além de segmentos com maior valor agregado, como aeronaves.
Este cenário seria considerado improvável em qualquer planejamento para 2025, dado o caráter inusitado que o provocou, misturando elementos econômicos, políticos e jurídicos de forma bastante questionável e, por vezes, equivocada. Assim, ainda deve haver negociações e mudanças nas tarifas anunciadas antes que entrem em vigor, em 1º de agosto.
Como pano de fundo, observando a realidade da balança para o Brasil, no mês de junho, as exportações totalizaram US$ 29,1 bilhões e as importações, US$ 23,3 bilhões, resultando num saldo positivo de US$ 5,9 bilhões, segundo divulgação pela SECEX (Secretaria de Comércio Exterior), órgão do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Este é o superávit mais baixo para os meses de junho em seis anos, já que o menor patamar recente no período se deu em 2019, quando ficou em US$ 4,4 bilhões. O valor também ficou abaixo das expectativas do mercado financeiro, que esperava um superávit em torno de US$ 6,5 bilhões no mês. Entre as principais razões para tal resultado, destacam-se a queda no preço de diversas commodities (como soja, petróleo e minério de ferro, bens primários com cotação internacional), e pelo maior consumo de importados.
Nas exportações do mês de junho, as de soja caíram 12,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, em função da queda de 9,0% dos preços médios e do recuo de 3,9% no volume vendido. Por sua vez, o milho registrou queda de 56,6%, apesar da alta de 29,7% no preço médio.
As exportações de petróleo recuaram 2,1%, motivadas pela redução de 15,2% nos preços e aumento de 15,5% em volume. As de minério de ferro recuaram 8,6%, com preços caindo 16,7% e as quantidades subindo 9,8%.
A alta no preço do café ajudou a sustentar a balança, assim como a da carne bovina. As vendas de veículos, ouro e produtos semiacabados de aço também subiram, compensando a diminuição na exportação dos demais produtos.
Do lado das importações, dentre os itens com crescimento em relação a 2024, destacam-se aquisições de motores e máquinas não elétricos, compostos inorgânicos, aeronaves e componentes de aeronaves e inseticidas.
Em particular, o comércio com os Estados Unidos registrou um déficit de US$ 595 milhões em junho, sendo que as exportações brasileiras aos EUA somaram US$ 3,36 bilhões (alta de 2,4%), enquanto as importações brasileiras de produtos americanos somaram US$ 3,95 bilhões (alta de 18,5%).
Dentre os itens exportados para o EUA, aço, alumínio e derivados foram os que mais sofreram com o tarifaço anterior. As taxas aplicadas a estes produtos, que eram de 25% desde 12 de março, passaram a ser de 50% em 4 de junho. Como o Brasil é o segundo exportador de aço aos EUA (atrás apenas do Canadá), com volume de 4,1 milhões de toneladas em 2024, espera-se uma redução de exportações, sendo parcialmente substituídas por produção siderúrgica norte-americana.
No acumulado de seis meses no ano, as exportações somam US$ 165,8 bilhões (aumento de 1% em relação ao mesmo período em 2024) e as importações, US$ 135,8 bilhões (10% acima do ano passado), com saldo positivo de US$ 30,1 bilhões (queda de 27,6% em relação ao ano passado).
Diante deste cenário, a Secex revisou para baixo a previsão de superávit comercial em 2025, divulgando uma expectativa de US$ 50,4 bilhões no ano, considerando que as exportações brasileiras somem US$ 341,9 bilhões (1,5% acima de 2024) e que as importações cheguem a US$ 291,5 bilhões, alta de 10,9% na comparação com o ano passado.
Para compor tais projeções, assume-se que a demanda mundial venha enfraquecendo, derrubando preços de commodities, ao mesmo tempo em que a economia brasileira continua demandando insumos e bens de capital importados em níveis crescentes.
Em suma, ainda não foi apurada uma mudança drástica no perfil da balança comercial brasileira nos últimos meses, apesar de uma deterioração do superávit. As causas vão além do tarifaço dos EUA, incluindo particularmente a desaceleração da demanda de commodities exportadas pelo Brasil, como soja e minério de ferro. Ainda assim, esforços intensivos de negociações do Brasil com seus principais parceiros comerciais continuam essenciais e urgentes para evitar perdas com incertezas e desequilíbrios nas tarifas de comércio internacional.
Embora o novo tarifaço dos EUA pareça insustentável, considerando o histórico de relacionamentos, acordos e transações envolvendo os dois países, o ponto de equilíbrio a curto prazo ainda é incerto, daí a prioridade e urgência na busca por definições mais ponderadas e acordos que estabilizem a ordem nas relações entre Brasil e EUA, com maior racionalidade técnica e respeito institucional.
CNN Brasil - SP 16/07/2025
O Brasil responder as tarifas dos Estados Unidos com reciprocidade é um cenário temido por alguns especialistas ouvidos pela CNN.
O governo brasileiro conta com mais essa carta na manga em meio à tensão comercial com Donald Trump após o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ter assinado o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Econômica na segunda-feira (14).
Contudo, o que se observa é que o "efeito rebote" de uma escalada deve ser mais impactante do que eventuais restrições que o Brasil possa levantar contra os norte-americanos.
"Não tem como entrar numa batalha comercial com os Estados Unidos, dependemos muito mais deles do que eles da gente. É uma batalha econômica que o Brasil não tem como vencer, só tem a perder. Querer usar a reciprocidade é uma estratégia não muito inteligente também porque vai bater de frente invés de negociar, o que aparenta ser o que Trump quer ao dar tempo antes da tarifa entrar em vigor", avalia Leonardo Neves, analista da Constância Investimentos.
Neves reforça que, além do efeito negativo estrutural para a balança comercial, o Brasil deve sofrer com a perda de investidores estrangeiros, uma vez que a alíquota aplicada contra o país já destoa do resto do mundo, e só tende a piorar em caso de contra-ataque.
A Lei da Reciprocidade estabelece critérios de proporcionalidade para o governo brasileiro reagir a ações externas unilaterais que afetem negativamente a competitividade internacional do país.
Pela norma, o Brasil pode oferecer a cidadãos e governos estrangeiros o mesmo tratamento que eles conferem ao país, seja em questões comerciais, concessão de vistos, relações econômicas ou diplomáticas.
Na última quarta-feira (9), o presidente dos EUA anunciou que irá aplicar, a partir do dia 1º de agosto, uma tarifa de 50% contra os produtos importados do Brasil.
Em carta enderaçada a Lula, Trump apontou discordâncias políticas por trás de sua decisão - como o andamento do julgamento contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a regulação das big techs e redes sociais no país -, além de afirmar que o Brasil tem sido ruim com os EUA quanto a uma relação comercial desproporcional.
Trump aponta para barreiras comerciais não tarifárias que o país impõe contra os produtos que entram por aqui, ponto destacado por Simão Silber, professor doutor da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo), especialista em economia internacional.
"O Brasil tem um espaço muito pequeno para retaliar os Estados Unidos. É redundante falar em lei de reciprocidade. Nós já temos uma tarifa de importação muito elevada, o espaço não existe, o Brasil não pode fechar mais sua economia, tem um efeito sobre sua produtividade, que já é baixíssima, uma das piores do mundo", afirma.
De janeiro a junho, os brasileiros exportaram US$ 20 bilhões em produtos aos norte-americanos, enquanto importaram cerca de US$ 21,7 bilhões, numa balança desfavorável para nós em US$ 1,675 bilhão.
Nesse sentido, Daniel Teles, analista da Valor Investimentos, avalia que um dos primeiros efeitos a ser sentido com uma escalada entre as duas nações "é inflação, a gente pode ter aumentos do IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo] porque temos demanda de importação americana".
Petróleo, produtos de aço e ferro, café, aeronaves e carne estão entre os produtos mais vendidos para os EUA. Enquanto isso, o Brasil importa motores e máquinas não elétricos, óleos combustíveis, peças para indústria aeronáutica e outros da indústria de transformação.
Apontar o impacto setor a setor ainda seria preliminar, segundo Carlos Eduardo Carvalho, professor de economia da PUC-SP e da pós-graduação em economia da UFABC. Ele defende, contudo, uma postura firme mas cautelosa por parte do governo.
"O pior cenário seria não contra-atacar. Seria a desmoralização do país, do capital político que o Brasil acumulou no exterior em tanto tempo, além de criar fraturas internas difíceis de resolver. Esse é o objetivo maior de Trump: desmoralizar o país, reduzir o Brasil à vassalagem", avalia Carvalho.
"O contra-ataque tem que ser feito, com moderação, cautela, cálculo cuidadoso. Não avançar demais, não recuar. E avaliar os efeitos rebote, procurar reduzir os danos internos e as divisões de interesses do país", conclui.
Negociação e ampliação
"O cenário menos pior - e menos pior porque não vejo um cenário no qual as tarifas voltem para zero - para nós é se o governo brasileiro sentar na mesa de negociações invés de tentar comprar essa guerra comercial e negociar algo que não fizesse a tarifa do Brasil destoar do resto do mundo", pontua Leonardo Neves.
Nessa trilha, da negociação, alguns pontos de atenção ainda são destacados pelos analistas no que tange a postura errática de Trump, que chegou a ameaçar levantar tarifas de mais de 200% contra a China.
Encabeçando esta frente da política brasileira está o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), que vai liderar um grupo com empresários contra a tarifa de Trump.
Na segunda, o vice de Lula afirmou que o Brasil ainda não pediu a redução da tarifa aos EUA, mas reforçou que sua equipe atua para tornar a situação favorável ao país e que irá conversar com empresas norte-americanas.
"A única coisa que tem é tentar conversar. Mas Trump foi muito claro que só conversa com Lula no dia que tiver vontade, caminho que não parece estar aberto agora e depende da vontade soberana, imperial e briguenta de Trump", indaga Simão Silber.
Assim, Carlos Eduardo Carvalho aponta para a alternativa de o Brasil trabalhar, em paralelo, o laço com outras nações que possam se fortalecer juntas ante as restrições de Trump.
"O cenário mais positivo para o país inclui: ampliar relações comerciais externas e parceria diplomáticas; reduzir a dependência dos mercados do EUA, que se revelam agora um parceiro não confiável; evitar que divergências internas conduzam a rupturas; e isolar os que preferem agir contra o país."
"Ampliar parcerias com outras vítimas do trumpismo é um caminho óbvio e promissor. O Brasil já tem essas parcerias, convém aprofundá-las com o cuidado de não criar novas dependências, sem hostilizar ninguém, mas dar passos calculados. Não é tarefa simples, mas é a exigência da hora."
IstoÉ Dinheiro - SP 16/07/2025
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a inflação está muito baixa no país, dentro das margens, e o Federal Reserve deveria reduzir imediatamente as taxas de juros.
Trump afirmou que a inflação ficou dentro do antecipado. “Não imagino trabalho pior do que o que está sendo feito pelo Powell”, disse Trump em referência ao presidente do Banco Central americano, Jerome Powell.
Os comentários foram feitos em entrevista antes de o presidente partir da Casa Branca para Pittsburgh, onde participará de um encontro de energia e inteligência artificial.
O Estado de S.Paulo - SP 16/07/2025
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) iniciou uma investigação sobre o Brasil, nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, de acordo com comunicado distribuído pelo órgão na noite desta terça-feira, 15. A medida vem menos de uma semana após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar tarifa de 50% para o Brasil — cuja entrada em vigor, em 1º de agosto, o governo e o setor produtivo tentam evitar.
A investigação buscará determinar “se atos, políticas e práticas do governo brasileiro são irracionais ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos EUA”, diz o documento.
Entre os focos da investigação estão o comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, as tarifas preferenciais injustas, a interferência anticorrupção e a proteção da propriedade intelectual.
Outro ponto que será investigado é o acesso ao mercado de etanol. A investigação também abordará a questão do desmatamento ilegal.
“Sob a orientação do presidente Trump, estou iniciando uma investigação nos termos da Seção 301 sobre os ataques do Brasil às empresas americanas de mídia social, bem como outras práticas comerciais desleais que prejudicam empresas, trabalhadores, agricultores e inovadores tecnológicos americanos”, disse o atual representante comercial, Jamieson Greer, no comunicado.
A investigação também tratará do acesso ao mercado de etanol do Brasil. Na visão do escritório americano, o Brasil abandonou sua disposição de fornecer tratamento praticamente isento de impostos para o etanol dos EUA e, em vez disso, agora aplica uma tarifa substancialmente mais alta às exportações americanas do produto.
Sobre o foco da investigação do desmatamento ilegal, o USTR cita que “o Brasil parece não estar conseguindo aplicar efetivamente as leis e regulamentações destinadas a impedir o desmatamento ilegal, prejudicando assim a competitividade dos produtores norte-americanos de madeira e produtos agrícolas”.
Sobre comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, o objetivo será determinar se o Brasil pode prejudicar a competitividade de empresas norte-americanas envolvidas nesses setores.
Entre os potenciais prejuízos, o departamento cita a possibilidade de retaliação contra essas companhias por não censurarem o discurso político ou a aplicação de restrições à capacidade de fornecer serviços no país.
O comunicado do órgão de comércio dos EUA
Leia tradução da íntegra do comunicado do USTR sobre a abertura de investigação sobre o Brasil.
Hoje, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos iniciou uma investigação sobre o Brasil, nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A investigação buscará determinar se atos, políticas e práticas do Governo Brasileiro relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; interferência anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irracionais ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos EUA.
“Sob a orientação do Presidente Trump, estou iniciando uma investigação nos termos da Seção 301 sobre os ataques do Brasil às empresas americanas de mídia social, bem como outras práticas comerciais desleais que prejudicam empresas, trabalhadores, agricultores e inovadores tecnológicos americanos”, disse o Embaixador Greer. “O USTR detalhou as práticas comerciais desleais do Brasil que restringem a capacidade dos exportadores americanos de acessar seu mercado há décadas no Relatório Nacional de Estimativa de Comércio (NTE). Após consultar outras agências governamentais, assessores credenciados e o Congresso, determinei que as barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil merecem uma investigação completa e, potencialmente, uma ação corretiva.”
Contexto
A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, conforme alterada (Lei de Comércio), foi elaborada para abordar práticas estrangeiras desleais que afetam o comércio dos EUA. A Seção 301 pode ser usada para responder a práticas injustificáveis, irracionais ou discriminatórias de governos estrangeiros que onerem ou restrinjam o comércio dos EUA. De acordo com a Seção 302(b) da Lei de Comércio, o Representante Comercial pode, por conta própria, iniciar uma investigação nos termos da Seção 301.
Uma investigação nos termos da Seção 301(b) examina se os atos, políticas ou práticas são irracionais ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos EUA. Considerando a orientação específica do Presidente e o parecer do Comitê Interinstitucional da Seção 301, o Representante Comercial dos Estados Unidos iniciou uma investigação. O Representante Comercial dos EUA deve buscar consultas com o governo estrangeiro cujos atos, políticas ou práticas estão sob investigação. O USTR solicitou consultas com o Brasil em relação à investigação. O USTR realizará uma audiência relacionada a esta investigação em 3 de setembro de 2025. Para garantir a consideração, as pessoas interessadas devem enviar comentários por escrito, solicitações para comparecer à audiência, juntamente com um resumo do depoimento, até 18 de agosto de 2025. O USTR realizará uma audiência relacionada a esta investigação em 3 de setembro de 2025.
Conforme estabelecido no aviso do Registro Federal, a investigação se refere a uma série de práticas comerciais, incluindo:
Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico: o Brasil pode prejudicar a competitividade de empresas americanas que atuam nesses setores, por exemplo, retaliando-as por não censurarem discursos políticos ou restringindo sua capacidade de prestar serviços no país;Tarifas preferenciais injustas: o Brasil concede tarifas preferenciais mais baixas às exportações de certos parceiros comerciais globalmente competitivos, prejudicando assim as exportações dos EUA;Aplicação anticorrupção: a falha do Brasil em aplicar medidas anticorrupção e de transparência levanta preocupações em relação às normas relativas ao combate ao suborno e à corrupção;Proteção da propriedade intelectual: o Brasil aparentemente nega proteção e aplicação adequadas e eficazes dos direitos de propriedade intelectual, prejudicando trabalhadores americanos cujos meios de subsistência estão vinculados aos setores norte-americanos impulsionados pela inovação e criatividade;Etanol: O Brasil abandonou sua disposição de oferecer tratamento praticamente isento de impostos para o etanol dos EUA e, em vez disso, agora aplica uma tarifa substancialmente mais alta às exportações de etanol dos EUA; eDesmatamento ilegal: O Brasil parece não estar aplicando efetivamente as leis e regulamentações destinadas a impedir o desmatamento ilegal, prejudicando assim a competitividade dos produtores americanos de madeira e produtos agrícolas.
Infomoney - SP 16/07/2025
A inflação de bens em categorias essenciais nos Estados Unidos começou a mostrar os esperados eleitos da incerteza trazida pela nova política tarifária da administração de Donald Trump. Segundo economistas, bancos e casas de investimentos, os sinais de elevação ainda são incipientes e localizados, mas suficientes para inflar tanto as expectativas indicador do consumo (PCE) quanto para reforçar apostas de que o Fed vai continuar algum no modo “espera” antes de começar a cortar os juros.
O CPI de junho divulgado hoje veio em 0,3%, ligeiramente abaixo das expectativas, enquanto o núcleo da variação de preços foi de 0,23% na comparação mensal. Em 12 meses, a inflação ao consumidor está em 2,7%, enquanto o núcleo está em 2,9.
Em sua análise, a equipe do Morgan Stanley comenta que, como esperado, o núcleo dos bens voltou ao território positivo, mostrando nítidos sinais de um impulso tarifário nos preços. Mas o banco de investimentos pondera que ainda há bens que serão fortemente tarifados e que não têm sinais de pressões significativas até o momento, como os carros. “Esperamos mais aceleração no restante do verão, com leituras mensais atingindo o pico em agosto”, prevê.
Para o banco, as projeção de leituras de inflação mais fortes pela frente e uma taxa de desemprego relativamente baixa no restante do ano vão atrasar os cortes de juros pelo Fed até 2026. “Esperamos que o Fed comece a cortar as taxas em março de 2026. No entanto, pode se inclinar para cortes mais cedo se a inflação estiver mais contida durante o restante do verão”, pondera.
O Morgan Stanley comenta ainda que as tarifas serão muito mais evidentes na divulgação do PCE, a inflação do consumo. “Incorporando dados do CPI, agora projetamos que a inflação do núcleo do PCE aumentou 0,35% mês a mês em junho, levando o ritmo de 12 meses para 2,81% ano a ano.
Para Scott Helfstein, chefe de estratégias de investimentos da Global X ETFs, esse é um tipo de relatório de inflação perfeito para o Fed, e quente o suficiente para justificar a política de manter as taxas estáveis, porém sem refletir preços descontrolados. “A questão agora é se o mercado de trabalho se manterá firme durante o verão, e provavelmente se manterá. Se vierem resultados corporativos fortes no segundo trimestre, as previsões de crescimento para os EUA podem ser revisadas para cima”, comenta.
Na opinião de Andressa Durão, economista do ASA, esses primeiros sinais de pressão inflacionária associados às tarifas, ainda que incipientes, ocorrem em um contexto de economia sólida e mercado de trabalho ainda resiliente, cenário que reduz a necessidade imediata de cortes de juros.
“Por outro lado, permanece o risco de deterioração nos próximos dados, especialmente diante do retorno da incerteza política nas últimas semanas”, afirma, com a estimativa de que o Fed manterá a taxa inalterada em julho e seguirá monitorando atentamente os indicadores de inflação e atividade até a reunião de setembro.
Seema Shah, estrategista-chefe da Principal Asset Management, por sua vez, comenta que a capacidade do Fed para cortar as taxas de juros dependia fortemente da inflação de hoje.
“Com os dados mais suaves do que o esperado pelo quinto mês consecutivo, pode parecer que ainda há poucos sinais do impacto das tarifas para a inflação que o Fed vinha esperando. No entanto, com os aumentos em categorias como setor imobiliário doméstico, lazer e vestuário, as taxas de importação estão impactando os bens essenciais.”
Ele faz a ressalva que os impactos aduaneiros demoram normalmente vários meses para chegar aos dados da inflação e que, e embora qualquer aumento da inflação induzido por tarifas seja provavelmente de curta duração, seria sensato que o Fed aguardasse durante mais alguns meses antes de pensar em reduzir os juros.
Olho no emprego
Esse é o mesmo raciocínio de Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research. “Embora os dados tenham vindo dentro do esperado, o qualitativo ligeiramente pior mantém a postura cautelosa do banco central norte-americano. Vale destacar que o índice já reflete, mas não completamente, os efeitos das novas tarifas comerciais impostas em abril. Os impactos dessa política comercial devem ser sentidos com mais força nos próximos meses”, reforça.
Nesse contexto, a Suno avalia que o banco central norte-americano terá espaço mais limitado para cortar juros. “Acreditamos que a inflação pesará mais no balanço de riscos do que a desaceleração da atividade econômica. Passado o choque das tarifas, esperamos o primeiro corte na taxa de juros no final de 2025”, diz.
Por outro lado, caso o mercado de trabalho mostre sinais mais claros de enfraquecimento, indicando uma perda de dinamismo da economia, Sung diz que o Fed poderá intensificar os cortes de juros ao longo do ano.
Para o Bradesco, o movimento de aceleração da inflação de bens mostra os primeiros sinais de pressão de preços ao consumidor proveniente das tarifas de importação e deve se amplificar nos próximos meses. “Esperamos aceleração dos preços dos veículos usados em julho, considerando os valores observados nos leilões. Para o Fed, o dado divulgado hoje apenas reforça a necessidade de manutenção dos juros enquanto aguarda novas informações e avalia o impacto das tarifas sobre a inflação”, comenta.
Na opinião de Claudia Rodrigues, economista do C6 Bank, a perspectiva de uma inflação mais alta à frente deve manter o Federal Reserve cauteloso, à espera de sinais mais claros sobre os impactos da nova política comercial para definir os rumos da política monetária. “Diferentemente do consenso do mercado, não descartamos a possibilidade de os juros serem mantidos no patamar atual, de 4,25% a 4,5%, até o fim de 2025.”
IstoÉ Dinheiro - SP 16/07/2025
A economia chinesa cresceu 5,2% no segundo trimestre do ano, segundo dados oficiais publicados nesta terça-feira (15) que coincidem com as previsões, graças ao bom desempenho das exportações e apesar da guerra comercial com os Estados Unidos.
O governo da segunda maior economia mundial trava uma batalha em várias frentes para manter o crescimento econômico, um desafio que se viu dificultado pela ofensiva tarifária do presidente americano Donald Trump.
O presidente americano impôs tarifas à China e aos principais parceiros comerciais dos americanos desde que retornou ao cargo em janeiro, ameaçando as exportações chinesas justamente quando Pequim está mais dependente delas para estimular a atividade econômica.
Washington e Pequim vêm tentando desescalar a disputa comercial após terem chegado a um marco de acordo em negociações realizadas em Londres no mês passado, mas observadores alertam sobre uma incerteza persistente.
Trump aumentou as apostas na segunda-feira, ao avisar aos parceiros comerciais da Rússia que imporá tarifas “muito severas”, chegando a 100%, se Moscou não acabar com sua guerra na Ucrânia dentro de 50 dias.
Os países ocidentais pedem repetidamente à China – um aliado comercial importante da Rússia – para exercer sua influência e fazer com que Vladimir Putin pare sua guerra de três anos contra a Ucrânia.
Os dados oficiais divulgados nesta terça-feira mostram que a economia chinesa cresceu 5,2% no segundo trimestre, o que corresponde à previsão de uma pesquisa da AFP realizada com analistas na semana passada.
As vendas no varejo – indicador-chave de consumo – subiram 4,8% em relação ao ano anterior, abaixo da previsão de 5,3% em uma pesquisa da Bloomberg com economistas, o que sugere que os esforços para reativar o consumo interno não conseguem decolar.
Contudo, a produção industrial aumentou 6,8%, acima da estimativa de 5,6%.
“A economia nacional resistiu à pressão e mostrou uma melhora constante apesar dos desafios”, disse o vice-diretor do Departamento Nacional de Estatísticas, Sheng Laiyun, em coletiva de imprensa.
“A produção e a demanda cresceram de forma constante, o emprego manteve-se geralmente estável, a renda das famílias continuou a aumentar, os novos motores de crescimento testemunharam um desenvolvimento robusto e o desenvolvimento de alta qualidade alcançou novos avanços”, afirmou.
– “Diálogo” –
Alimentando ainda mais o otimismo, dados da Administração Geral de Alfândega da China divulgados na segunda-feira mostraram que as exportações aumentaram muito mais que o esperado em junho (5,8% em termos anuais e 32,4% na comparação com o mês anterior), com ajuda da trégua comercial entre Washington e Pequim.
As importações também subiram 1,1%, acima do avanço previsto de 0,3%, o que representa o primeiro crescimento deste ano.
O oficial da alfândega Wang Lingjun afirmou em coletiva de imprensa na segunda-feira que Pequim esperava “que os Estados Unidos continuassem a trabalhar juntos com a China na mesma direção”, relatou a emissora estatal CCTV.
A trégua tarifária foi “duramente conquistada”, disse Wang. “Não há saída por meio de chantagem e coerção. Diálogo e cooperação são o caminho certo”, frisou.
Muitos analistas, no entanto, preveem um crescimento mais lento nos próximos seis meses, com uma demanda interna frágil como principal obstáculo.
Os dados publicados na semana passada mostraram que o índice de preços ao consumidor registrou leve alta na China em junho, rompendo uma sequência de deflação de quatro meses.
O índice de preços ao produtor, que mede o valor dos produtos no atacado quando saem das fábricas, caiu 3,6% em termos anuais no mês passado, o que prolongou uma sequência negativa que já dura vários anos.
Os economistas afirmam que a China precisa mudar para um modelo de crescimento mais impulsionado pelo consumo interno do que pelos motores tradicionais de investimentos em infraestrutura, indústria manufatureira e exportações.
Infomoney - SP 16/07/2025
O diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Jefferson de Oliveira Gomes, afirmou nesta terça-feira, 15, que a maior preocupação do grupo sobre as tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros se concentra nos impactos a longo prazo.
“Essa questão de 50% praticamente inviabiliza uma grande quantidade de negócios industriais feitos entre empresas e pessoas. Teremos uma redução de empregos e negócios, mas o efeito de longo prazo é o que mais nos preocupa”, disse.
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As declarações foram feitas durante audiência da Comissão de Relações Exteriores do Senado para debater os efeitos das tarifas anunciadas na semana passada. Gomes defendeu que o Brasil mantenha diálogo para reduzir as taxas impostas pelos Estados Unidos. “Nossa preocupação é de muita negociação. Sem grandes percalços. Conversar, conversar, conversar”, declarou.
Infomoney - SP 16/07/2025
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve uma elevação de 0 3% em maio ante abril, impulsionado pelo setor de serviços, segundo o Monitor do PIB, apurado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV). Na comparação com maio de 2024, a atividade econômica teve expansão de 3,9% em igual mês de 2025. Ao fim do trimestre encerrado em maio, a atividade havia avançado 3%. Em 12 meses, chegou a 3,4%.
“O desempenho do setor de serviços é o principal responsável pelo crescimento de 0,3% da economia em maio, em comparação a abril, com registro de taxas positivas em praticamente todas as atividades, à exceção do comércio”, afirmou Juliana Trece, coordenadora do Monitor do PIB – FGV, em nota oficial. O avanço do setor foi de 2,1% no trimestre móvel findo em maio.
“Apesar deste crescimento, o desempenho das outras duas grandes atividades econômicas, a agropecuária e a indústria, registraram queda no mês.”
Conforme Juliana Trece, notou-se resiliência no crescimento do consumo das famílias, que cresceu pelo quinto mês consecutivo, avançando 2,1% no trimestre móvel findo em maio e o retorno do crescimento na formação bruta de capital fixo (FBCF), após dois meses seguidos de retração. A FBCF registrou alta de 6,9% no trimestre móvel findo em maio.
Pelo terceiro mês consecutivo as exportações cresceram em torno de 1%. As importações cresceram 5,1%, mas estão em trajetória de desaceleração das importações, que é explicada, principalmente, pela redução das taxas de crescimento dos bens de capital e bens de consumo.
Em termos monetários, estima-se que o PIB em valores correntes, no acumulado até maio de 2025, tenha sido de R$ 5,084 trilhões. A taxa de investimento em maio foi de 19,6%.
O Monitor do PIB antecipa a tendência do principal índice da economia a partir das mesmas fontes de dados e metodologia empregadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), responsável pelo cálculo oficial das Contas Nacionais.
Valor - SP 16/07/2025
Executivo trabalha na mineradora há mais de duas décadas e sucederá Jakob Stausholm em 25 de agosto, que anunciou planos para um novo presidente em maio, surpreendendo investidores.
A Rio Tinto anunciou nesta terça-feira (15) que o chefe de minério de ferro, Simon Trott, será seu próximo presidente, optando por sua experiência na administração das operações mais lucrativas da gigante mineradora, enquanto a empresa busca fortalecer seus negócios em expansão.
Trott, que trabalha na Rio Tinto há mais de duas décadas, sucederá Jakob Stausholm em 25 de agosto, disse a mineradora, que anunciou planos para um novo presidente em maio, surpreendendo investidores.
Trott era visto como o favorito para o cargo após passar os últimos quatro anos à frente das gigantescas operações de minério de ferro da Rio Tinto no remoto noroeste da Austrália, que no ano passado representaram cerca de 80% do lucro da empresa.
A Rio Tinto, a segunda maior mineradora do mundo em valor de mercado, buscou recentemente construir um negócio mais forte e diversificado, com investimentos em cobre, minério de ferro e lítio. A empresa espera aumentar sua produção em cerca de 3% ao ano na década até 2033.
Ao anunciar Trott como o próximo presidente da Rio Tinto, o presidente Dominic Barton disse que o veterano da empresa possui profundo conhecimento em mineração e um histórico de excelência operacional.
“Simon e o conselho estão alinhados de que a próxima fase da Rio Tinto é desbloquear valor significativo para os acionistas a partir de nosso portfólio, impulsionado pelo desempenho operacional e pela disciplina de custos e financeira”, disse Barton em comunicado.
No início deste ano, a mineradora adquiriu a Arcadium Lithium por US$ 6,7 bilhões, como parte de um plano para depender menos do minério de ferro, matéria-prima usada na siderurgia, para obter lucro.
Como muitos de seus rivais, a Rio Tinto também buscou se consolidar como um grande fornecedor de cobre, um metal industrial considerado possivelmente o mais importante para a transição energética devido ao seu papel como condutor de eletricidade. Stausholm, que se tornou presidente em 2021, estabeleceu a meta de produção anual de cobre em 1 milhão de toneladas métricas até o fim desta década, cerca de 40% a mais do que a produção do ano passado.
Enquanto isso, a empresa se prepara para iniciar um grande desenvolvimento de minério de ferro na África e também trabalha no desenvolvimento de uma série de novas minas na Austrália para substituir jazidas antigas.
A nomeação de Trott provavelmente será bem recebida pelos investidores, disse o gerente de portfólio da Wilson Asset Management Matthew Haupt. “A Rio precisa de foco operacional, já que seu portfólio está praticamente definido agora, então ele é o candidato perfeito”, disse Haupt.
Trott assumirá o cargo num momento em que a Rio Tinto está navegando por novos desafios e oportunidades advindos da agenda política do presidente Trump.
A Rio Tinto é um dos maiores produtores mundiais de alumínio, que ficou sob os holofotes logo no início da ofensiva de Trump para remodelar o comércio global. Nos EUA, a Rio Tinto é um grande produtor de cobre, então pode se beneficiar dos planos para uma tarifa de 50% que Trump prometeu impor às importações a partir de 1º de agosto.
Como chefe de minério de ferro da Rio Tinto, Trott foi “fundamental na reconstrução da cultura, no fortalecimento das relações externas e no estabelecimento de um caminho para o crescimento”, disse Barton.
Trott também tem experiência em vários outros commodities e em diferentes países, disse a empresa. Antes de se tornar chefe das operações de minério de ferro, Trott foi diretor comercia da Rio Tinto.
Como presidente, Trott disse que buscará melhorar o desempenho da Rio Tinto. “À medida que avançamos em ritmo acelerado, estarei ouvindo atentamente nossos acionistas, clientes, funcionários, comunidades e outras partes interessadas para moldarmos juntos nosso próximo capítulo”, disse.
Revista Mineração - SP 16/07/2025
A CSN Mineração, subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), e a empresa de energia e commodities Vitol firmaram um acordo de pré-pagamento de US$ 240 milhões para a aquisição de seis milhões de toneladas de minério de ferro ao longo de quatro anos, até 2029. O acordo reflete os objetivos mais amplos da Vitol de diversificar seu portfólio e fortalecer a presença nos mercados globais de mineração e metais.
Para o diretor global de matérias-primas siderúrgicas da Vitol, Derek Wilson, o acordo amplia o relacionamento com a CSN utilizando as capacidades financeiras, logísticas e comerciais da Vitol no mercado de minério de ferro. “Estamos ansiosos para expandir nossa presença neste importante mercado e em toda a cadeia de valor da siderurgia”, afirmou.
No início deste mês, a Vitol, juntamente com a Breakwall Capital, empresa de investimentos em crédito especializada no setor de energia, anunciaram a criação da Valor Mining Credit Partners (VMP) para se concentrar em investimentos em crédito estruturado e oportunidades de financiamentos em mineradoras nas Américas, incluindo refinanciamento de dívidas, financiamento para aquisições e capital de desenvolvimento.
Em novembro de 2024, a empresa japonesa Itochu fechou acordo com a CSN para adquirir uma participação de 10,74% na CSN Mineração por R$ 4,42 bilhões (US$ 769 milhões). O acordo amplia a participação indireta de 7,15% da Itochu na empresa de minério de ferro, detida desde 2008.
Valor - SP 16/07/2025
Segundo o setor, clientes americanos da indústria têm demonstrado preocupação com a sobretaxa de 50% a todos os produtos brasileiros anunciada por Donald Trump.
Os produtores de ferro-gusa de Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul pediram que o governo federal mantenha a negociação com os EUA para ampliar o prazo antes de possível imposição da tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras, anunciada para 1º de agosto. O ferro-gusa é matéria-prima para a produção de aço e para ferro fundido, obtido por processo de redução do minério de ferro.
Representados pelo Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer), industriais do grupo pedem para que o Brasil busque chegar a bom termo nas negociações e evite a aplicação de tarifas recíprocas.
Presente na reunião com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, nesta terça-feira (15), em Brasília, Fausto Varela Cançado, presidente do Sindifer, disse ao Valor que, do volume de ferro-gusa exportado pelo Brasil no primeiro semestre deste ano, 89% foram para os Estados Unidos.
Em 2024, foram produzidos 5,1 milhões de toneladas de ferro-gusa no Brasil, sendo 3,8 milhões em Minas Gerais. Do total, 73,3% foram exportados no ano passado.
“A maior parte do ferro-gusa consumido nos Estados Unidos vem do Brasil e da Ucrânia. Antigamente, os americanos também compravam da Rússia, mas, com as sanções, precisaram parar”, disse Cançado. “Vai ser muito difícil fazer o redirecionamento, tanto para os americanos buscarem fornecedores quanto para nós encontrarmos outros mercados”.
Conforme o executivo, os clientes americanos da indústria têm demonstrado preocupação com a sobretaxa de 50% a todos os produtos brasileiros anunciada por Donald Trump, na semana passada.
“Nós queremos que o governo brasileiro negocie. Não queremos reciprocidade, seria um risco”, disse Cançado. “A taxa dos americanos tira competitividade do Brasil no mercado global. Nós pedimos que inicialmente seja prorrogado o prazo para a tarifa entrar em vigor, que é 1° de agosto. Depois de prorrogado, queremos que se negocie uma reversão da tarifa”.
Ferro-gusa de carvão vegetal
O ferro-gusa produzido pela indústria representada pela Sindifer é feito a partir do carvão vegetal obtido de florestas plantadas, e não de mata nativa. Conforme Cançado, isso dá uma vantagem ao produto brasileiro no mercado global, em um contexto de busca por redução de emissões de gás carbônico. Outra alternativa é produzir o ferro-gusa tendo como um dos insumos o carvão metalúrgico.
“O uso de carvão vegetal é um diferencial do produto brasileiro no mundo. Nós temos uma baixa pegada de carbono e isso nos dá prioridade de venda para os Estados Unidos”, disse o executivo. Ele acrescentou que, caso os americanos precisem mudar a origem das compras, podem escolher um fornecedor que entregue produtos mais poluentes.
Money Times - SP 16/07/2025
As ações da Vale (VALE3) caem 2,67% nesta terça-feira (15) e figuram entre as principais perdas do Ibovespa, pressionando o índice, que titubeia e opera no patamar dos 135 mil pontos.
A queda ocorre mesmo com o minério de ferro em alta de 0,13%, na bolsa de Dalian, na China.
A queda da mineradora, que tem peso superior a 10% na carteira teórica do índice, ocorre após os Estados Unidos anunciarem novas tarifas comerciais contra diversos países.
A União Europeia já respondeu com uma segunda lista de retaliações, que pode atingir US$ 84 bilhões em produtos americanos, como aviões da Boeing, carros e bebidas alcoólicas.
Além da preocupação com escalada das tensões comerciais, o mercado reage à desaceleração da economia chinesa no segundo trimestre deste ano.
O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 5,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, abaixo dos 5,4% registrados no primeiro trimestre, segundo dados divulgados pelo Departamento Nacional de Estatísticas (NBS).
Vale destacar que a China é o maior parceiro comercial do Brasil no setor de mineração e metais. Com isso, o cenário acende o sinal de alerta para a demanda global por minério de ferro e aço, o que penaliza todo o setor metálico.
Confira as principais quedas por volta das 16h (horário de Brasília).
“Hoje era um dia em que tudo jogava a favor da Vale, mas o fluxo venceu. Nem sempre a notícia explica o movimento. Tem dia que é mais fluxo do que fundamento”, disse o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, durante a sua participação no Giro do Mercado.
Para ele, a mineradora está certa ao buscar diversificação além do minério de ferro.
“A Vale está cada vez mais posicionada na agenda de eletrificação de veículos e transição energética. Ela não é mais só minério de ferro, e isso é positivo para o médio e longo prazo”, avalia.
O Estado de S.Paulo - SP 16/07/2025
O governo Lula da Silva decidiu lançar, pela enésima vez, um programa para incentivar a fabricação e a compra do “carro popular”. Desta vez, ele será chamado de “Carro Sustentável”, e garantirá descontos, por meio da redução da carga tributária, para veículos menos poluentes e que forem produzidos no Brasil. É isso mesmo. Em meio a uma disputa figadal com o Congresso sobre a validade do decreto que elevou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), sem o qual o Executivo alega que não cumprirá a meta fiscal, o governo achou que era uma boa ideia abrir mão de mais um naco de tributos em favor da indústria automotiva.
O governo até tentou disfarçar o apelo da proposta com uma pegada ambiental, mas não passa de pretexto para ajudar as empresas já instaladas no País. Terão direito a alíquota zero no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) os veículos compactos que combinarem redução de emissões e mais de 80% de itens recicláveis. Não haverá limite de preços para enquadramento no programa, e a expectativa é de que eles caiam entre 5,27% e 10%, o equivalente às alíquotas de IPI em vigor para modelos compactos. Pessoas físicas, locadoras de veículos e frotistas poderão usufruir do programa.
Só quem não conhece o governo Lula ainda acredita no discurso em defesa do corte dos gastos tributários. O Carro Sustentável é parte do Mover, que segue essencialmente o mesmo modelo de protecionismo comercial que o País repete há anos. Se antes o argumento era a atração de investimento e a geração de empregos, agora recorre-se à agenda verde, uma roupagem mais palatável do que a tentativa de frear o galopante avanço dos carros chineses no mercado interno. Carros 100% elétricos – que, não por acaso, não são produzidos no País – foram excluídos do programa, mesmo sendo menos poluentes que qualquer modelo com motor a combustão.
A medida, supostamente, é neutra sob o ponto de vista fiscal, pois veículos mais potentes, luxuosos ou movidos apenas a gasolina terão as alíquotas majoradas. Taxa-se, assim, os mais ricos e estimula-se os mais pobres a se endividar, bem ao estilo do lulopetismo, com direito a elogio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que esteve no Palácio do Planalto para prestigiar a cerimônia. Providencialmente, os descontos valerão somente até o fim de 2026, ano eleitoral.
Seria um bom momento para o Congresso cobrar coerência entre o discurso e a prática do governo, não fosse o fato de que seria o roto falando do rasgado. A Câmara, afinal, acaba de aprovar a urgência de um projeto de lei que cria incentivos fiscais para a indústria química. Se a proposta for aprovada, o setor terá direito a créditos tributários que custarão R$ 5 bilhões ao ano aos cofres da União entre 2027 e 2029.
Na mesma sessão, alguns minutos depois, os deputados aprovaram o texto que promove a redução linear dos benefícios fiscais em 5% neste ano e 5% no ano que vem e que proíbe a criação de novos subsídios sem que outros com custo equivalente sejam cortados. Como um projeto se compatibiliza com o outro e com as premissas da reforma tributária, é algo que este jornal não conseguiu compreender.
Exigir alguma lógica das ações do governo e do Congresso é perder tempo, mas ao menos serve para mostrar que a guerra entre os dois Poderes serve apenas a seus próprios interesses, e nada tem a ver com justiça social, como defende a esquerda, ou com a redução da carga tributária, como cobra a direita.
Independentemente do espectro político, tanto o Executivo quanto o Legislativo querem ter a prerrogativa de agradar quem lhes interessa fazendo cortesia com o chapéu alheio – que, nesse caso, é o suado dinheiro do contribuinte. Quando falta verba para arcar com as benesses, um exige do outro que corte seus gastos, mas ninguém dá um passo na direção de reduzir suas próprias despesas.
A essa altura, ninguém sabe se o decreto do IOF é ou não constitucional e se a meta fiscal será ou não cumprida, mas nada disso importa. As montadoras e a indústria química estão satisfeitas, e as emendas parlamentares, inclusive as de comissão, que não são obrigatórias, têm sido liberadas. A festa continua.
Valor - SP 16/07/2025
Montadoras japonesas planejam lançar veículos equipados com o novo software até 2029.
A Honda Motor e a Nissan Motor iniciaram discussões para padronizar o software básico que controla seus veículos, numa tentativa de alcançar os fabricantes de veículos elétricos chineses e a americana Tesla, segundo apurou o "Nikkei Asia".
As duas montadoras japonesas planejam lançar veículos equipados com o novo software até 2029. Em dezembro de 2024, as empresas iniciaram conversas para formar a terceira maior aliança automotiva do mundo. Embora as negociações sobre a fusão tenham fracassado por divergências nos termos, a colaboração continuou.
Desde agosto de 2024, Honda e Nissan conduzem pesquisas conjuntas sobre tecnologia de software e haviam declarado que uma decisão sobre produção em massa dependeria dos resultados. Agora, com um objetivo comum de integração de software, a parceria avança.
Nos veículos de próxima geração, melhorar o desempenho por meio de atualizações de software será fundamental para a competitividade. A colaboração em um sistema operacional pode permitir que as montadoras cobrem dos clientes por atualizações, transformando o modelo tradicional baseado em vendas únicas de veículos.
Honda e Nissan vão trabalhar juntas no desenvolvimento de veículos definidos por software (SDVs). Enquanto os veículos tradicionais dependem principalmente de hardware como motores e peças, os SDVs podem oferecer mais desempenho e novos recursos por meio de atualizações pela internet.
Atualmente, cada empresa trabalha em suas próprias plataformas de software, com lançamento previsto em veículos a partir de 2026. Agora, planejam desenvolver juntas uma plataforma mais fácil de usar e personalizável, semelhante ao iOS da Apple ou Android do Google, a ser incorporada em veículos lançados no final da década.
As empresas também pretendem padronizar componentes como chips de alto desempenho e motores elétricos. Quanto mais áreas compartilharem no desenvolvimento, maiores serão as economias em custos.
Honda e Nissan decidiram unir forças também por preocupação com a disputa por dados, um recurso essencial para os SDVs. Como a concorrência nos carros de nova geração envolverá principalmente condução autônoma e experiências a bordo, o acesso e controle de grandes volumes de dados será um diferencial. Usar software de terceiros poderia limitar o uso desses dados.
Os custos de desenvolvimento devem chegar a trilhões de ienes (1 trilhão de ienes equivale a cerca de US$ 6,8 bilhões). A quantidade de linhas de código nos softwares automotivos deve aumentar seis vezes entre 2020 e 2030. Quanto mais código, maior o custo. Desenvolver a plataforma em conjunto ajudará Honda e Nissan a controlar essas despesas.
Para reduzir os custos de produção, a Honda adotará o gigacasting (processo de fundição de alumínio para grandes peças da carroceria) a partir de 2026. A Nissan também usará a tecnologia em certos modelos a partir do ano fiscal de 2027.
Segundo a canadense Precedence Research, o mercado global de veículos definidos por software chegará a US$ 301 bilhões em 2034, um aumento de sete vezes em relação a 2023.
A Tesla já possui seu próprio software básico e resolve cerca de 40% dos recalls com atualizações remotas. Na China, gigantes de tecnologia como a Huawei estão liderando o desenvolvimento de software veicular.
Montadoras tradicionais vêm enfrentando dificuldades para contratar engenheiros de software, o que complica o desenvolvimento de plataformas próprias.
A Toyota Motor também está desenvolvendo uma plataforma de software em parceria com a Mazda Motor. Em junho, 11 montadoras e fornecedoras europeias anunciaram o desenvolvimento conjunto de software automotivo.
Valor - SP 16/07/2025
Para CEO da Mercedes-Benz Trucks, impostos afetarão competitividade em todo o mundo.
O grupo alemão Daimler tem uma forte conexão com o mercado dos Estados Unidos, onde tem fábricas de caminhões e para onde também exporta tanto componentes fabricados na Europa como caminhões produzidos no México. Por isso, as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump preocupam, segundo Achim Puchert, CEO global da Mercedes-Benz Trucks, uma marca do grupo Daimler. Mas, segundo ele, nada inquieta mais do que as incertezas que pairam no ar nesse momento.
“O que vemos em todo o mundo é a incerteza aumentando. Não é possivel prever o que vai acontecer. Porque hoje é assim, mas amanhã você tem outra situação. E, principalmente para nosso negócio, nossos clientes que estão investindo em caminhões, essa incerteza não ajuda, porque dependemos muito do desenvolvimento econômico”, destaca o executivo.
Para Puchert, elevações de impostos costumam ser uma medida de curto prazo, para alterar os fluxos comerciais. “Obviamente, preferimos um regime comercial liberal, porque acredito que os impostos, a médio prazo, têm grande impacto na competitividade”, afirma o executivo alemão.
No caso da Mercedes-Benz, as tarifas dos EUA não têm impacto porque a marca não vende naquele país. Mas, no mercado americano, o grupo Daimler atua com a Freightliner. Tem fábricas dessa marca tanto nos EUA como no México, que atendem ao mercado interno e exportam para o Canadá e EUA. Além disso, a Daimler também exporta motores da Alemanha para os EUA.
A fábrica de caminhões e ônibus da Mercedes no Brasil não vende para os EUA. No mercado brasileiro, a maior preocupação é com a alta dos juros, que tem provocado retração nas vendas, principalmente no segmento de pesados. No primeiro semestre, enquanto o mercado total de caminhões caiu 3,5%, no segmento de pesados, a retração chegou a 16%.
Mesmo assim, Puchert considera que a situação no Brasil ainda é melhor do que na Europa, principalmente na Alemanha. “Assistimos à alta dos juros (no Brasil). Mas não vemos um grande risco no momento. Então, estamos bastante positivos em relação ao mercado no Brasil. Obviamente, acompanhando sempre como evolui o equilíbrio entre inflação, taxas de juros e câmbio. Mas, comparado à Europa, o Brasil ainda está muito forte”, completa.
Segundo o executivo, a demanda está em queda na Alemanha em razão da alta de custos, como os de energia, e das incertezas devido aos conflitos entre a Rússia e a Ucrânia.
Por isso, é bem provável, segundo o executivo, que neste ano a operação brasileira da Mercedes-Benz ultrapasse a da Alemanha e assuma o primeiro lugar dentro da marca. Segundo Puchert, também em termos de lucratividade, a operação brasileira tem se destacado depois de uma recente reestruturação.
Ao contrário de todas as outras montadoras instaladas no país, nos últimos anos, a Mercedes-Benz deixou de divulgar programas de investimentos. Mas, agora, segundo Puchert, o grupo deve voltar a fornecer esse tipo de informação, que deverá envolver um programa planejado para o quinquênio entre 2025 e 2030 e voltado a produtos e serviços. O último ciclo divulgado foi o de R$ 2,4 bilhões para o período entre 2018 e 2022.
A missão de divulgar os próximos investimentos ficará a cargo de Denis Güven, o novo presidente da Mercedes no Brasil e América Latina, um alemão que estava no comando da marca na Ásia e assumirá a posição em agosto, em substituição a Puchert, que ficou no posto entre 2022 e 2024.
Isso não quer dizer que a montadora não esteja investindo no país, destaca Puchert. O mais recente projeto é o do caminhão extrapesado Axor, que voltou ao mercado depois de dois anos e foi apresentado nesta terça-feira (15).
Puchert veio da Alemanha especialmente para o evento, realizado na fábrica em São Bernardo do Campo (SP). “Eu queria estar aqui porque esse é também o meu bebê”, diz o executivo, referindo-se à época em que ele foi o responsável por iniciar o projeto.
O Axor chega para a marca alemã tentar reforçar presença no segmento de extrapesados mais baratos. Segundo Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas da Mercedes-Benz do Brasil, a ideia é atender aos caminhoneiros ou donos de dois ou três caminhões, que representam em torno de 45% do mercado.
Lançado a preços entre R$ 698 mil a R$ 738 mil, o modelos custará em torno de 15% menos que a versão mais simples do Actros, a linha de extrapesados mais sofisticada da marca alemã.
Puchert estava animado com o novo caminhão. Tanto que decidiu vir ao Brasil por apenas um dia, já que terá um compromisso com clientes nesta quarta-feira na Alemanha. Ele chegou na terça de manhã e partiu na noite do mesmo dia. Puchert lamentou não ter tido tempo de visitar os avós, imigrantes alemães da década de 1950 que vivem no interior de São Paulo. “É bom ter uma base aqui. Se a Alemanha não funcionar mais, eu venho para cá”, afirma.
Valor - SP 16/07/2025
Unidade em Oppama, que produziu quase 18 milhões de veículos desde 1961, terá sua produção transferida das proximidades de Tóquio, em 2028, para instalações da empresa na região Fukuoka, no sul do país.
A Nissan planeja encerrar a produção em uma fábrica perto de Tóquio que produziu mais de 17,8 milhões de veículos desde 1961, como parte dos esforços de reestruturação global para reduzir capacidade e cortar custos.
A montadora japonesa informou na terça-feira (15) que encerrará a produção em sua fábrica de Oppama, em Yokosuka, ao final de março de 2028 e transferirá a produção para as instalações da unidade da empresa na região Fukuoka, no sul do Japão.
A Nissan afirmou que cerca de 2,4 mil funcionários trabalham na fábrica de Oppama. A empresa estabelecerá políticas sobre o futuro dos funcionários e os comunicará aos trabalhadores afetados, informou a companhia.
O diretor-presidente, Ivan Espinosa, acredita que a medida é um passo vital para superar os desafios atuais. “A Nissan tomou uma decisão dura, mas necessária”, afirmou.
A Nissan está avaliando os custos relacionados e os divulgará quando anunciar os resultados trimestrais.
Espinosa substituiu Makoto Uchida como executivo-chefe da empresa em abril, poucas semanas depois de a Nissan ter descartado uma proposta de fusão com a rival Honda.
A Nissan anunciou que cortará 20 mil postos de trabalho ao longo dos quatro anos até março de 2028, como parte dos esforços de redução de custos para reverter as vendas fracas.
A montadora teve um prejuízo de mais de US$ 4,5 bilhões no trimestre encerrado em março, após registrar despesas de reestruturação e realizar a baixa contábil do valor de ativos de produção na América do Norte, América Latina, Europa e Japão.
Sob seu plano de reestruturação, a Nissan visa reduzir sua capacidade de produção global de 3,5 milhões para 2,5 milhões de unidades, excluindo a China. Para alcançar essa meta, a empresa tem considerado a consolidação de suas 17 unidades de produção para 10.
Outras instalações e operações no complexo de Oppama, como um centro de pesquisa, pista de testes, instalação de testes de colisão e cais, continuarão a operar após março de 2028, informou a empresa.
As ações da Nissan fecharam em queda de 0,53% na Bolsa de Tóquio.
Valor - SP 16/07/2025
Para José Velloso, retaliações do Brasil com base na Lei da Reciprocidade Econômica não trariam ganhos: “Se um país retaliar, a consequência será o fim do comércio e uma derrota para todos”.
O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, afirmou, nesta terça-feira (15), que os setores industriais foram unânimes em apoiar o pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI) por um prazo de 90 dias ao governo dos Estados Unidos, com o objetivo de negociar a suspensão das tarifas de 50% anunciadas pelo presidente Donald Trump. As tarifas estão previstas para entrar em vigor em 1º de agosto.
Segundo Velloso, não há alternativa viável para redirecionar, no curto prazo, o impacto de US$ 40 bilhões em exportações afetadas, caso a medida seja mantida. “Uma alíquota de 50% representa, na prática, um bloqueio comercial. É uma penalização. Não existe comércio possível nessas condições”, afirmou.
No segmento de máquinas e equipamentos, o Brasil exporta anualmente cerca de US$ 3,6 bilhões para os Estados Unidos, sendo a maior parte composta por componentes industriais utilizados na fabricação local — muitas vezes sob marca do próprio importador. “Muitas empresas ali vendem produtos com a marca do importador. O prejuízo seria grande e não teríamos como redirecionar para outros mercados”, disse.
Lei da Reciprocidade Econômica
O executivo destacou que mais de quatro mil empresas americanas operam no Brasil como base exportadora, o que reforça a interdependência entre os dois mercados. Ele ainda explicou que, nessa reunião, não foi abordada uma medida de resposta mais incisiva por parte do governo brasileiro. Segundo Velloso, o governo deve prezar pela “insistência na negociação e no campo diplomático”.
Para ele, retaliações por parte do Brasil, com base no princípio da Lei da Reciprocidade Econômica não trariam ganhos: “Se um país retaliar, a consequência será o fim do comércio e uma derrota para todos”, avaliou. Ele defendeu que o Brasil mantenha os canais abertos para negociação.
O Estado de S.Paulo - SP 16/07/2025
Qual é o valor dos incentivos que a Prefeitura de São Paulo concedeu a empreendimentos privados com apartamentos para baixa renda? Um novo estudo feito pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) com a Fundação Tide Setubal calcula em ao menos R$ 1 bilhão o valor que o Município deixou de arrecadar com o modelo, que ganhou força a partir de 2014.
A política pública tem sido alvo de questionamentos na Justiça após o Ministério Público apontar suspeitas de que parte dessas unidades foi alugada ou vendida por construtoras para um público de maior poder aquisitivo. Isso pode ser um desvio, portanto, da finalidade do incentivo construtivo, que era de dar descontos para as construtoras em troca da oferta de moradia à população mais pobre.
Procurada, a gestão Ricardo Nunes (MDB) afirma ter “compromisso com a transparência na execução da política habitacional”. E destaca ter publicado decreto recente para ampliar o controle e a fiscalização do incentivo à produção de habitação popular (leia mais abaixo).
As empresas têm dito que seguiram a legislação em vigor no período de licenciamento dos empreendimentos. Já as principais entidades do mercado, como o Secovi, têm apontado que eventuais “desvios” são exceções e defendido a importância da política habitacional.
O estudo descreve a estimativa de R$ 1 bilhão como “conservadora”, diante de dados considerados insuficientes (principalmente nos últimos quatro anos) e pelo fato de considerar apenas um dos 16 benefícios construtivos municipais desse tipo.
Os pesquisadores destacam que a cifra envolve um dos principais benefícios, não apenas as suspeitas de fraudes. Além disso, o tamanho do valor não é necessariamente um problema - desde que usado corretamente para a finalidade prevista, que é a de aumentar a moradia na cidade.
Segundo o relatório, o montante bilionário reforça, , portanto, a necessidade de mais fiscalização sobre os incentivos construtivos para que os objetivos da política pública sejam de fato atendidos.
O estudo do Cebrap em parceria com a Fundação Tide Setubal identificou 2.146 empreendimentos com apartamentos criados pelo mercado imobiliário com benefícios para a Habitação de Interesse Social (HIS). Foram dados incentivos construtivos, fiscais e tributários para criar unidades para famílias com renda mensal de até seis salários mínimos.
A Promotoria identificou, porém, casos suspeitos que envolvem o uso do benefício. Entre eles, estão a compra ou a venda para público de renda mais alta até em bairros valorizados, como Pinheiros, Itaim Bibi e Vila Leopoldina.
A Justiça apontou que a Prefeitura foi “negligente” na fiscalização de quem compra e vive nesses imóveis. Não há monitoramento oficial sobre o montante de incentivos e perfil dos moradores. Ainda não se sabe qual é a proporção de imóveis com suspeita de desvios.
Nessa política pública, diferentemente de condomínios da Cohab, por exemplo, a venda é feita diretamente pela construtora ou incorporadora. Ocorria sem a participação do poder público - formato parcialmente alterado desde maio, após a divulgação das suspeitas de desvios.
Neste ano, depois das denúncias, as duas primeiras empresas foram multadas, em um total de R$ 31 milhões. Além disso, ocorreram despachos de sanção e notificações de algumas centenas de suspeitos, o que pode resultar em novas multas.
O que diz o relatório?
Coordenadora da pesquisa e professora de Direito Urbanístico, Bianca Tavolari destaca que o montante em si não é um problema, mas sim como ocorre a destinação de fato. “Nem é questão de dizer se é muito ou pouco dinheiro. Se fosse mesmo para pessoas mais pobres, talvez precise até de mais”, diz.
Para ela, no entanto, essa política municipal tem uma “estrutura que desincentiva o cumprimento”, de modo que faltam mecanismos de monitoramento e há histórico de brechas que facilitaram possíveis irregularidades.
Ao longo do estudo do Cebrap com a Fundação Tide Setubal, a equipe de pesquisa se deparou com dados insuficientes mesmo para uma estimativa completa dos incentivos de isenção de outorga onerosa para HIS.
A outorga onerosa é a principal taxa cobrada para a verticalização na cidade, mas não foram encontrados dados completos de área total construída e, principalmente, de empreendimentos aprovados desde 2021.
Por não ser exatamente um tributo, contudo, a especialista ressalta que incentivos de “outorga zero” não precisam de aprovação por lei orçamentária. Isto é, são como um “dinheiro infinito” e não calculado pelo poder público.
“A gente quis fazer cálculo mesmo com grande quantidade de intransparência e informação faltante para ter ideia do montante que se deixou de arrecadar”, afirma Bianca.
“É uma lacuna informacional para a gente, como sociedade e governo, avaliar se a política faz sentido. Se não sei quanto custa, não consigo nem avaliar. A gente fica no escuro”, acrescenta.
No relatório do Cebrap, são apontadas “red flags” (“sinais de alerta”) em apartamentos com possíveis problemas destinação. Tais como:
unidades compradas à vista (o que é pouco provável no caso de baixa renda, que tenderia a financiar);pessoas que compram mais de uma unidade;empreendimentos que não informam que unidades são HIS em placas, por meio de seus corretores e na internet.
Além disso, parte dessas unidades foi encontrada em anúncios de hospedagem e aluguel de curta temporada (“short stay”).
Prefeitura limitou valores de venda, mas alterou multas
Em junho, a gestão Nunes publicou novas restrições para coibir desvios da política pública. O decreto reitera a proibição de aluguel de “curta temporada” (como no Airbn), permitindo apenas a locação no modelo tradicional (para quem deseja morar no imóvel).
Também determinou os limites de valores de venda de unidades para HIS e Habitação de Mercado Popular (HMP). São eles:
HIS 1 (renda mensal familiar de até três salários mínimos): R$ 266 milHIS 2 (renda mensal familiar de três a seis salários mínimos): R$ 369 milHMP (renda mensal familiar de seis a 10 salários mínimos): R$ 518 mil
Além disso, a gestão Nunes sinalizou que vai propor um projeto de lei que proibirá o aluguel dos novos apartamentos para baixa renda que tiverem recebido benefícios municipais. A proposta ainda não foi remetida aos vereadores.
Ao Estadão, a Prefeitura destaca colaborar com a investigação do Ministério Público e diz que notificou 440 empreendimentos este ano. Também afirma que novas multas seguirão os trâmites legais, “respeitando prazos para defesa e análise”, os quais não foram informados.
Em outra frente, a Procuradoria Geral do Município definiu recentemente que eventuais multas serão aplicadas por unidade irregular, não mais para todo o empreendimento.
Na prática, isso deve reduzir consideravelmente o valor das penalidades, visto que inicialmente eram calculadas para todo o condomínio, independentemente do número de unidades irregulares. O novo entendimento segue reivindicação defendida por advogados do mercado imobiliário.
HIS é maioria no mercado imobiliário
Segundo levantamento do Secovi-SP (entidade ligada ao setor imobiliário) com base em dados municipais, 66% dos apartamentos em empreendimentos aprovados pela Prefeitura no ano passado são HIS - 135 mil unidades. Outros 9% são HMP. Isto é, os benefícios municipais atingem 75% da produção prevista pelo mercado imobiliário.
Os incentivos a HIS foram majoritariamente criados a partir do Plano Diretor de 2014, com novos benefícios e ampliações nos anos seguintes. O MP-SP tem destacado a falta de estimativa sobre a renúncia fiscal resultante dessas políticas.
A destinação para o público-alvo é de responsabilidade das empresas e, desde 2018, não tinha a necessidade de atendimento a cadastros sociais da Cohab e afins, por exemplo. Nesse caso, o compromisso era de que as unidades fossem destinadas às faixas de renda previstas em lei.
Isso foi parcialmente alterado em decreto de maio, mas apenas para HIS 1 e por um período de 30 dias. Depois desse prazo, não há mais mais priorização de venda de indicados por listas de demanda habitacional.
A renda mensal máxima do público atendido é atualizada anualmente, a partir dos reajustes do salário mínimo. Em 2025, o HIS-1 é voltado para famílias com renda mensal de até R$ 4.554 (ou até R$ 759 per capita), isto é, até três salários.
O HIS-2 é para o público de até seis salários, ou seja, R$ 9.108 (ou até R$ 1.518 per capita). Já o HMP é voltado à renda de até dez salários mínimos, hoje de até R$ 15.180 (ou até R$ 2.277 per capita).
Quando anunciou as primeiras multas, a gestão Nunes disse que as empresas “se beneficiaram de isenção de impostos para construir unidades habitacionais à população de baixa renda, mas desvirtuaram o processo comercializando moradias a pessoas que não se encaixavam na modelagem”.
Mesmo assim, a gestão tem defendido a política habitacional e afirmado que as irregularidades são “pontuais”.
Portal Fator Brasil - RJ 16/07/2025
Com fábrica em São José, na região da Grande Florianópolis, a Armatti Yachts somou 20 negociações do modelo 310 Spyder e dez negociações do modelo 400 Sport Coupé, ambos lançados durante o maior evento náutico do Sul do Brasil. Os modelos de 34 e 37 pés também atraíram compradores no evento, que reuniu mais de 22 mil visitantes e movimentou o setor em Itajaí.
O estaleiro catarinense Armatti Yachts, de São José, na região da Grande Florianópolis, encerrou sua participação no Marina Itajaí Boat Show com resultados expressivos. O destaque da marca foi o modelo Armatti 310 Spyder, lançado no evento, e que atraiu grande atenção do público e rendeu mais de 20 negociações. Outro modelo que conquistou os visitantes foi a Armatti 400 Sport Coupé, também lançamento e que teve mais de 10 negociações registradas. Os modelos custam a partir de R$ 1 milhão e R$ 2,5 milhões, respectivamente.
Outros modelos da marca também se destacaram no evento, como é o caso da Armatti 340 Solarium, apresentada pela primeira vez no evento e que registrou duas negociações, e a Armatti 370 Solarium, com três negócios iniciados. Esta é a segunda vez que o estaleiro participa do Marina Itajaí Boat Show.
—Acredito que o sucesso da nossa marca no Marina Itajaí Boat Show se deve, em parte, ao fato de que a comunidade local vive e respira o universo náutico. Nosso modelo de 31 pés seria enviado aos Estados Unidos, mas optamos por mantê-lo aqui para expor no evento, o que deu muito certo, considerando o volume de negociações— comentou Fernando Assinato, CEO da Armatti Yachts. —Além das negociações, o evento nos proporciona um importante ponto de encontro com nossos amigos e clientes da região, tendo em vista que nossa fábrica está localizada em Santa Catarina —completou.
Considerado o maior evento náutico do Sul, o Marina Itajaí Boat Show foi realizado de 03 a 06 de julho, em Itajaí, principal polo náutico do Brasil, e recebeu mais de 80 marcas, 60 embarcações e público superior a 22 mil visitantes.
Os modelos da Armatti Yachts que fizeram sucesso no evento: . Armatti 310 Spyder — Evolução da consagrada linha Spyder, a nova Armatti 310 traz ainda mais amplitude e funcionalidade em todos os seus ambientes. Com 9,45 metros de comprimento e quase 3 metros de largura, o modelo possui um cockpit projetado para o convívio a bordo, com assento em formato semicircular, chaise lateral, sofá na popa e teto rígido. As linhas orgânicas, inspiradas no design internacional, não apenas garantem elegância, mas também seguem uma tendência global. No interior, o barco surpreende pelo pé-direito de 1,90 metro e pela distribuição inteligente dos espaços. São duas camas: uma localizada na meia-nau e outra na proa, que pode ser convertida em mesa para refeições. O modelo mantém os diferenciais que consagraram sua versão anterior, como o espaço gourmet na popa, o uso de materiais nobres no mobiliário e banheiro.
. Armatti 400 Sport Coupé — Projetada para oferecer conforto, amplitude e sofisticação, a Armatti 400 Sport Coupé é um dos grandes destaques da linha premium do estaleiro. Com 3,3 metros de largura e um dos maiores cockpits da categoria, o modelo chama atenção pela integração entre as áreas externas e internas, além de contar com duas cabines totalmente fechadas, incluindo uma demi-suíte na meia-nau. O layout interno privilegia a praticidade, com sala equipada com banheiro à esquerda, com box fechado, além de um quarto privativo com sofá de ponta a ponta, baú lateral e cama de 2 metros, o mesmo padrão do modelo de 42 pés da marca. As cabines, com quase dois metros de altura, oferecem excelente circulação, com acesso lateral à cama e espaços bem distribuídos. Entre os diferenciais da embarcação está a chaise posicionada no cockpit. A embarcação conta ainda com hard top elétrico que permite maior conexão com o ambiente externo e uma experiência premium a bordo.
. Armatti Yachts — A Armatti Yachts trouxe para o mercado náutico brasileiro um novo nível de qualidade de embarcações – e tem como desafio manter a tradição de qualidade e inovação além das linhas inconfundíveis da marca. Hoje a Armatti Yachts é composta por modelos entre 30 e 52 pés, atende ao mercado nacional e internacional e está constantemente implementando novos processos na construção das embarcações e nos materiais utilizados para garantir que o seu produto possa estar sempre à frente de seu tempo. | www.armatti.com.br e, redes sociais.
A Tribuna - SP 16/07/2025
A dragagem do Porto de São Sebastião, no Litoral Norte, deve começar neste mês. A Companhia Docas de São Sebastião (CDSS), que administra o complexo, conseguiu autorização final do serviço junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), a empresa Dratec Engenharia foi a contratada.
O investimento é de R$ 6,3 milhões e serão retirados 57.571,99 metros cúbicos de sedimentos para restabelecer a capacidade operacional do berço de atracação e da bacia de manobra, para aumentar o calado operacional dos navios, permitindo o transporte de maior volume de cargas no local. A última dragagem foi feita em 2022.
A operação utilizará uma draga hopper, com prazo estimado de cinco meses, sendo 45 dias destinados à remoção efetiva dos materiais. O monitoramento ambiental é feito pela empresa Salt Engenharia, contratada por R$ 1,38 milhão.
O canal de acesso ao Porto de São Sebastião possui um dos maiores calados do Brasil, chegando a 25 metros de profundidade. É um atrativo para embarcações de grande porte e permite operar volumes maiores de carga. Já a profundidade na área de atracação, porém, é menor por estar perto da costa. Atualmente, chega a 8,70 metros. O serviço deve restabelecer a profundidade mínima de dez metros.
Estratégia e competitividade
Devido à localização próxima à costa, a área de atracação do Porto de São Sebastião sofre assoreamento natural provocado por chuvas, ventos e correntes marítimas, exigindo intervenções periódicas para garantir a segurança e a eficiência das operações.
“Esta dragagem é estratégica não apenas para a operação segura do Porto, mas também para manter a competitividade e a eficiência logística de São Paulo. É uma obra com impacto direto no desenvolvimento regional”, afirma Ernesto Sampaio, diretor-presidente do Porto de São Sebastião.
TN Petróleo - RJ 16/07/2025
A União teve direito a uma média de 128 mil barris de petróleo por dia (bpd) em maio, somando os volumes da produção nos contratos de partilha de produção – CPPs (117 mil bpd) e dos acordos de individualização da produção – AIPs (11 mil bpd). O resultado representa um aumento de 13,2% em relação ao mês anterior, influenciado principalmente pela elevação da produção no Campo de Itapu. Os dados fazem parte do Boletim Mensal da Produção divulgado nesta terça-feira (15/7) pela PPSA – Pré-Sal Petróleo S.A.
A produção total dos campos em regime de partilha de produção chegou a 1,25 milhão de barris de petróleo por dia. Desse montante, a União teve direito a uma parcela de 117 mil bpd, com destaque para Mero, responsável por 81% da parcela da União no mês. Desde 2017, início da série histórica, a produção acumulada dos contratos de partilha de produção soma 1,21 bilhão de barris, sendo 80,28 milhões de barris relativos à fatia da União.
A exportação de gás natural nos contratos de partilha foi de 4,94 milhões de m³ por dia, com 99,4 mil m³/dia destinados à União. O campo de Búzios foi responsável por 95% do total exportado no mês.
Acordos de Individualização da Produção
Nos AIPs, a parcela de óleo da União se manteve estável acima de 11 mil bpd, com destaque para o campo de Mero, responsável por 87% do volume. Desde 2017, a produção acumulada de petróleo da União nos AIPs é de 7,89 milhões de barris.
No gás natural, a União teve direito a 6 mil m³/dia, provenientes exclusivamente do AIP de Tupi. O volume acumulado da parcela da União chega a 82 milhões de m³.
Valor - SP 16/07/2025
A lista contém 15 empresas com inscrição ativa e aptas a participar do 3° Ciclo de Oferta Permanente de Partilha de Produção; a sessão ocorrerá no dia 22 de outubro.
A Agência Nacional de Petróleo e Gás Natural (ANP) divulgou nesta terça-feira (15) a relação das 15 empresas com inscrição ativa e aptas a participar do 3° Ciclo de Oferta Permanente de Partilha de Produção. A sessão pública está agendada para 22 de outubro.
Conforme a ANP, as 15 companhias aptas têm até 6 de agosto para apresentar declaração de interesse acompanhada de garantia de oferta para um ou mais blocos.
O edital da oferta permanente de partilha tem 13 blocos disponíveis nas bacias de Campos e Santos. A ANP divulga até 20 de agosto quais dos blocos receberam declaração de interesse por parte das empresas e serão ofertados na sessão pública.
As empresas aptas a participar do 3° Ciclo são:
Veja - SP 16/07/2025
Três meses após o lançamento do programa SP Pra Toda Obra, o número de intervenções viárias em execução no estado de São Paulo cresceu 40%, passando de 208 em abril para 290 neste mês. O programa, considerado o maior pacote de obras rodoviárias da história paulista, já soma mais de 30,5 bilhões de reais em investimentos, com foco na pavimentação, recapeamento e duplicação de rodovias.
A promessa do governo é destravar o trânsito, aliviar gargalos logísticos no médio prazo e estimular a cadeia produtiva da construção civil, mas o impacto econômico real dependerá do ritmo das entregas e da eficiência das intervenções. A gestão do governo Tarcísio de Freitas lançou nesta semana uma campanha publicitária sobre o impacto do SP pra Toda Obra, criada pela agência Ogilvy Brasil.
Entre as principais frentes em andamento estão o recapeamento do Sistema Anhanguera-Bandeirantes, com 2,1 mil quilômetros e investimento de 1 bilhão de reais, e o trecho Norte do Rodoanel, que prevê investimento de 3,4 bilhões de reais para conectar a região metropolitana às principais rodovias estaduais e federais. O governo também cita a pavimentação da Estrada Municipal José Theotônio Silva (SBS-371), em São Bento do Sapucaí (com 37milhões de reais de investimento), e as vicinais Sete Voltas (16,9milhões de reais) e Rio das Antas (4,9milhões de reais) em Taubaté.
“Estamos fortalecendo a infraestrutura viária, gerando emprego, ampliando a mobilidade e impulsionando o desenvolvimento regional com responsabilidade e transparência”, diz a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado, Natália Resende.
Números
Atualmente, o programa inclui 1.546 obras em diferentes fases: 36% já concluídas, 19% em execução e 38% contratadas, mas ainda não iniciadas. A gestão das intervenções é dividida entre o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e as concessionárias fiscalizadas pela Artesp.
O governo estima que as obras gerem cerca de 252,6 mil empregos ao longo da execução dos projetos, com 86,7 mil postos já vinculados às entregues. As intervenções devem beneficiar 34 milhões de pessoas em mais de 500 municípios, segundo as projeções oficiais.
Entre as obras previstas, estão quatro novos lotes em fase de licitação, com investimentos que superam 1 bilhão de reais. A expectativa é que esses projetos entrem em execução nos próximos semestres, ampliando a movimentação no setor de infraestrutura e construção pesada.
O Estado de S.Paulo - SP 16/07/2025
O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, disse que já há “de certa forma” impacto nas exportações agropecuárias da tarifa de 50% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
“Buscamos algumas alternativas e entender as dores do setor privado brasileiro, que é quem vai sofrer caso as tarifas venham a ser aplicadas em 1º de agosto. Ainda se mantém tudo como está, mas no comércio internacional, os tempos são diferentes porque envolve o tempo dos navios. E já há, de certa forma, impacto dessas ações anunciadas pelo presidente Trump”, afirmou Rua, em audiência pública sobre o tema na Comissão de Relações Exteriores do Senado nesta terça-feira, 15.
Nos últimos dias, contêineres de pescados e de frutas já deixaram de ser exportados ao mercado norte-americano porque as embarcações chegariam nos Estados Unidos após 1º de agosto. “Os seis setores mais afetados pela tarifa dos Estados Unidos são café, carne bovina, suco de laranja, frutas, pescados e couros. Também há impactos no caso do cacau”, acrescentou Rua.
O secretário lembrou que o mercado norte-americano respondeu por US$ 12 bilhões das exportações de produtos do agronegócio no ano passado e são um dos três principais destinos das exportações do Brasil, representando 7,4% de tudo que foi exportado pelo setor em 2024.
“É uma situação que pega todos de surpresa e a qual estamos avaliando com muito cuidado. Temos uma pauta bastante diversificada com destaque para café, celulose, carne bovina, suco de laranja, couro e açúcar e os EUA são um dos principais mercados de exportação para uma série de produtos”, detalhou.
Rua afirmou, ainda, que o governo brasileiro buscará soluções consensuais com os Estados Unidos, trabalhando sempre com soberania. “Lucidez, equilíbrio e sabedoria devem estar presentes no vocabulário. Entendemos os impactos ao setor produtor exportador e trabalharemos sempre em linha de respeito e negociação”, afirmou.
O secretário admitiu que a negociação com os Estados Unidos é “complexa”, mas disse entender que o País pode alcançar “bons resultados” com técnica e lucidez. “Estamos falando com empresários e buscaremos nossa forma de negociação. É importante neste momento a união do setor produtivo, do governo e do Legislativo. Tenho certeza que poderemos sair melhor dessa situação do que entramos”, projetou.
Além do apoio ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e ao Ministério das Relações Exteriores na negociação, Rua destacou que, em paralelo, o Ministério da Agricultura vai tentar abrir novos mercados e ampliar as relações comerciais com mercados já com fluxo comercial existente.
“Pedimos aos 40 adidos brasileiros que busquem novas oportunidades e que falem com importadores e busquem oportunidades. Buscaremos novas habilitações para carne bovina, ampliaremos promoção comercial e intensificaremos aberturas de mercado a partir da discussão com o setor produtivo”, observou, em referência à reunião que ocorre na tarde desta terça-feira no Mdic no âmbito do comitê interministerial que discute a estratégia de resposta aos Estados Unidos.