Clipping Diário

15 | Outubro | 2025

SIDERURGIA

Money Times - SP   15/10/2025

A Gerdau (GGBR4) deve apresentar queda no lucro líquido do terceiro trimestre. Para a XP Investimentos, a última linha do balanço deve alcançar R$ 1,023 bilhão, o que implicaria em uma baixa anual de 18%, ao passo que a receita deve permanecer estável a R$ 17,4 bilhões.

Já o Ebitda deve cair 12%, a R$ 2,66 bilhões, com a margem recuando 2 pontos percentuais, a 15,3%. A XP segue recomendando a compra do papel da companhia, a um preço-alvo de R$ 23.

O resultados, programados para o dia 30 de outubro, serão divulgados depois de no trimestre passado a empresa ter apresentado uma operação na América do Norte mais do que compensando os desafios nas unidades de negócios do Brasil e da América do Sul.

Analistas, do modo geral, esperam que a companhia seja beneficiada em 2026 pela redução dos investimentos (capex), anunciada recentemente, e por uma recuperação de margens na divisão Brasil.

Por ora, a XP fala em volumes de vendas maiores, mas considerando a base trimestral (+9% t/t), principalmente em função do aumento das exportações, compensando preços realizados menores (-9% t/t) na divisão Brasil. A XP também destaca a melhora no controle de custos, com redução de 9% no custo em caixa por tonelada, o que deve sustentar margem Ebitda entre 10% e 11%.

Na América do Norte, a corretora espera um avanço nos preços (+US$ 35/t) e custos levemente menores, levando as margens Ebitda de volta ao patamar de 19% a 20%, apoiadas pelos reajustes anunciados ao longo do trimestre. Já na América do Sul, a XP projeta um trimestre positivo, com volumes sazonalmente mais altos e preços realizados em recuperação.

Em relatório recente o Itaú BBA colocou a Gerdau na ponta negativa de expectativas para mineração e siderurgia, citando também uma queda no lucro, de 26,4%, a R$ 999 milhões. No futuro, o foco permanece em equilibrar o efeito positivo dos preços do aço nos EUA com a sazonalidade mais fraca na região no 4T25, disse.

Valor - SP   15/10/2025

Segundo o acordo conjunto, os dois parceiros transatlânticos devem considerar a proteção de seus produtos de aço, alumínio e derivados contra excesso de capacidade

A Comissão Europeia está pressionando os Estados Unidos a remover tarifas sobre produtos feitos de aço, enquanto Bruxelas busca avançar em partes do acordo tarifário UE-EUA que ainda não entraram em vigor, disse nesta terça-feira (14) o comissário de Comércio da União Europeia (UE), Maros Sefcovic.

Segundo o acordo conjunto, os dois parceiros transatlânticos devem considerar a proteção de seus produtos de aço, alumínio e derivados contra excesso de capacidade, com tarifas de 50% nos EUA possivelmente substituídas por cotas livres de tarifas ou com tarifas reduzidas.

A Comissão, que supervisiona a política comercial em nome dos 27 países da UE, acredita ter cumprido sua parte do acordo ao propor elevar suas tarifas sobre o aço para 50%, reduzir pela metade as cotas atuais e esclarecer melhor a origem do aço. A proposta, que ainda precisa da aprovação dos governos da UE e do Parlamento Europeu, teria contornos “muito semelhantes” à abordagem que os EUA desejavam para proteger sua indústria doméstica de aço contra excesso de capacidade, disse Sefcovic.

“Uma vez que estamos protegendo nossos mercados de maneira muito semelhante, é hora de discutir os derivados do aço, porque acho que devemos acabar com a prática de ter que calcular quanto aço há em uma geladeira ou lava-louças”, afirmou em entrevista coletiva ao final de uma reunião de ministros do Comércio da UE na Dinamarca. Ele acrescentou que já havia proposto isso em uma carta aos seus colegas norte-americanos.

As tarifas dos EUA não se limitam apenas ao aço e ao alumínio, mas se estendem a uma série de produtos “derivados” feitos a partir desses metais. Em agosto, os EUA adicionaram 407 categorias de produtos à sua lista de derivados, com tarifa de 50% sobre o conteúdo de aço e alumínio, além da tarifa universal sobre o conteúdo não metálico — para a UE, de 15%. As categorias incluem turbinas eólicas, tratores, vagões ferroviários, motocicletas, sistemas de escape automotivos, geladeiras, freezers e secadoras.

ECONOMIA

IstoÉ Dinheiro - SP   15/10/2025

O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou a projeção de crescimento do Brasil este ano, mas passou a ver uma desaceleração mais intensa em 2026, citando o impacto das tarifas dos Estados Unidos e apontando sinais de moderação da atividade, mostrou relatório divulgado nesta terça-feira, 14.

O relatório Perspectiva Econômica Global mostrou que o FMI prevê agora expansão de 2,4% do Produto Interno Bruto Brasileiro (PIB) este ano, 0,1 ponto percentual a mais do que na projeção feita em julho. Mas para 2026 a conta foi reduzida em 0,2 ponto, a 1,9%.

“No Brasil, sinais de moderação estão aparecendo em meio às políticas monetária e fiscal apertadas”, ressaltou o FMI.

A projeção do FMI para a economia brasileira este ano é ligeiramente melhor do que a do governo, que prevê uma expansão de 2,3%. Para 2026, entretanto, o Ministério da Fazenda está mais otimista, com uma estimativa de crescimento de 2,4%.

No segundo trimestre, a atividade econômica do Brasil cresceu 0,4% sobre os primeiros três meses do ano, de acordo com dados do IBGE, um resultado que confirmou as expectativas de enfraquecimento em meio à política monetária restritiva. O IBGE divulgará os dados do PIB no terceiro trimestre em 4 de dezembro.

Em agosto, Trump impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, justificando a medida em parte pelo que chamou de “caça às bruxas” do governo brasileiro contra o ex-presidente Jair Bolsonaro no processo por tentativa de golpe de Estado.

Posteriormente, alguns produtos ficaram isentos dessa super tarifa e o governo brasileiro vem buscando negociar com os EUA. Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump conversaram por telefone no início do mês e a expectativa é de haja um encontro entre os dois.

Vem pesando sobre a atividade econômica brasileira a taxa básica de juros em um nível restritivo de 15%, e o Banco Central disse que entrou agora em um novo estágio da política monetária que prevê a Selic inalterada por longo período para buscar a meta de inflação.

No relatório, o FMI calculou uma inflação média anual no Brasil de 5,2% este ano e de 4,0% — o centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

O Fundo também inclui o Brasil entre os países que devem apresentar um aumento “significativo” da dívida como proporção do PIB em 2025, ao lado de China, França e Estados Unidos, considerando os resultados dos saldos primários projetados para o ano para essas economias.

O FMI ajustou a perspectiva de crescimento para as Economias de Mercados Emergentes e em Desenvolvimento, dos quais o Brasil faz parte, passando a ver crescimento de 4,2% este ano, contra 4,1% antes, e mantendo a perspectiva para 2026 em 4,0%.

O Fundo ponderou que a atividade nesse grupo, excluindo a China, foi mais forte do que o esperado no primeiro semestre deste ano, graças em parte a uma produção agrícola recorde no Brasil, forte expansão do setor de serviços na Índia e demanda doméstica resiliente na Turquia.

“No entanto, condições externas estão se tornando mais desafiadoras e, em alguns casos, o ímpeto doméstico está desacelerando”, ponderou o relatório.

“Tarifas mais altas impostas pelos Estados Unidos estão reduzindo a demanda externa, com profundas implicações para várias grandes economias orientadas para a exportação, enquanto a incerteza na política comercial está afetando o apetite das empresas por investimentos”, completou.

“Ao mesmo tempo, o espaço fiscal restrito está reduzindo a capacidade do governo de estimular a demanda doméstica onde necessário.”

Na América Latina e Caribe, o FMI vê crescimento de 2,4% em 2025 e de 2,3% em 2026, ajustes respectivamente de 0,2 ponto percentual para cima e de 0,1 ponto para baixo em relação a julho.

A melhora na projeção deve-se principalmente ao México, cuja estimativa de expansão este ano foi elevada em 0,8 ponto percentual em relação a julho, a 1,0%.
Focus

A melhora na projeção para o crescimento da economia brasileira também vem sendo apontada pelo Boletim Focus, documento semanal do Banco Central do Brasil (BCB) com levantamento de projeções feitas pelos agentes de mercado. Para o Produto Interno Bruto, a mais recente projeção do Focus projeta crescimento de 2,16% em 2025 e de 1,80% em 2026.

Infomoney - SP   15/10/2025

O ano de 2026 será “um pesadelo” para o Banco Central (BC) na condução da política monetária, já que os impactos positivos sentidos na economia deste ano poderão arrefecer, de acordo com Reinaldo Le Grazie, o sócio da Panamby Capital, e ex-diretor de política monetária do BC.

Para ele, a inflação deste ano está caindo devido a fatores externos, como a influência do câmbio devido à desvalorização do dólar, impactado pelo tarifaço de Donald Trump. Na avaliação de Le Grazie, é muito provável que estas forças econômicas poderão não se repetir em 2026.

“O ano que vem será um pesadelo para o BC. O que arrastou a inflação deste ano foi o câmbio. Para o ano que vem, se imaginarmos que o dólar vai [fechar o ano] a R$ 5,40, será que desvaloriza mais? Se a ecomomia americana não desacelerar, ele não desvaloriza”, afirmou.
A afirmação foi dada durante o evento Global Voices, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em São Paulo.

Ano eleitoral deve inflar gastos

Segundo Le Grazie, será difícil fechar o ano de 2026 com uma inflação menor que a de 2025, embora isso esteja na projeção de algumas casas de investimentos. Isso porque 2026 deve ser um ano com mais gastos públicos devido à dinâmica que se estabelece em anos eleitorais.

A consequência é uma injeção de dinheiro na economia, o que pressiona a inflação, quando se espera que ela fique sob controle para o ciclo de corte de juros.

“Todos os anos eleitorais teve gasto fiscal acelerado, com exceção de Temer, que não era candidato. Ano que vem vamos ter fiscal expansionista, com inflação em alta, população endividada, inadimplência alta, comprometimento de renda”, afirmou.

O Estado de S.Paulo - SP   15/10/2025

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, indicou, nesta terça-feira, 14, que ainda há espaço para reduzir os juros neste ano, numa tentativa de sustentar o mercado de trabalho, mesmo diante da recente reaceleração da inflação.

Em um evento da Associação Nacional de Economia Empresarial, Powell manteve a linha de seus mais recentes discursos: o Fed precisa reagir à desaceleração da criação de empregos e a outros sinais de fraqueza no mercado de trabalho.

Embora tenha reconhecido que a atividade econômica segue “numa trajetória um pouco mais firme do que se esperava”, Powell alertou que “os riscos negativos para o emprego parecem ter aumentado”. A avaliação reforça a expectativa de que o Fed promova novos cortes de juros em suas duas reuniões restantes de 2025 — nos dias 28 e 29 de outubro e em dezembro.

Powell admitiu a intenção de seguir reduzindo os juros mesmo sem dados completos do governo, já que a paralisação orçamentária em Washington atrasou a divulgação de estatísticas, como o relatório de empregos de setembro. O índice de preços ao consumidor, por exemplo, que deveria sair nesta quarta-feira, 15, só será publicado em 24 de outubro.

Powell disse que a falta de estatísticas é um problema, mas destacou que o Fed conta com diversas fontes de informação públicas, privadas e uma “rede nacional de contatos” que fornecem “informações valiosas”. Mas frisou que os dados governamentais são o “padrão-ouro” e insubstituíveis.

A escassez de dados complica ainda mais a tarefa do Fed, que já enfrenta o que Powell chama de “um caminho sem risco zero”: proteger o emprego pode agravar a inflação, e conter preços pode enfraquecer demais a economia.

Powell e outros dirigentes, como John C. Williams, presidente do Fed de Nova York, veem a recente alta inflacionária como um fenômeno temporário, impulsionado pelo tarifaço, que teria efeito pontual sobre itens como alimentos e móveis. Williams disse não enxergar “efeitos de segunda ordem” dos impostos sobre os preços, mas apontou riscos maiores ao mercado de trabalho.

Nem todos os formuladores de política monetária concordam. Alguns estão mais preocupados com a inflação, especialmente após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar aplicar tarifas de 100% sobre todos os produtos chineses se Pequim não aliviar restrições sobre minerais críticos.

Além da política de juros, Powell comentou o balanço patrimonial do Fed, hoje em torno de US$ 7 trilhões. Ele admitiu que a instituição demorou para encerrar a compra de títulos públicos após a crise da pandemia e defendeu mais agilidade no uso desse instrumento. Atualmente, o Fed vem reduzindo o balanço de forma “deliberadamente cautelosa”, já que alguns indicadores mostram sinais de aperto gradual de liquidez no sistema bancário.

IstoÉ Dinheiro - SP   15/10/2025

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, acusou a China de ter a intenção de prejudicar a economia mundial depois que Pequim instaurou novas restrições às exportações no setor estratégico de terras raras.

“Isto é um sinal do quão fraca é sua economia e querem arrastar todos os outros com eles”, afirmou Bessent durante uma entrevista ao jornal Financial Times na segunda-feira (13).

A declaração é uma resposta à decisão de Pequim de impor novos controles às exportações de terras raras, um setor dominado pela China e fundamental para produzir metais necessários para as indústrias de automóveis, equipamentos eletrônicos e defesa.

Para Bessent, a medida revela as dificuldades na economia chinesa: “Eles estão em meio a uma recessão/depressão e tentam sair disso através das exportações”, disse.

Em retaliação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou que estabelecerá tarifas adicionais de 100% aos produtos chineses a partir de 1º de novembro. Além disso, colocou em dúvida a reunião com seu homólogo Xi Jinping durante a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), que começa no fim do mês.

Nesta terça-feira (14), Pequim garantiu que lutará “até o fim” na guerra comercial contra Washington.

“No que diz respeito às guerras tarifárias e comerciais, a postura da China continua sendo a mesma”, disse um porta-voz do Ministério do Comércio em um comunicado.

“Se quiserem lutar, lutaremos até o fim; se quiserem negociar, nossa porta permanece aberta”, acrescentou.

A partir desta terça-feira, Pequim impõe tarifas especiais aos navios americanos que entrarem em seus portos em resposta a medidas semelhantes de Washington que devem entrar em vigor neste mesmo dia.

No domingo, Trump pareceu recuar em sua retórica combativa em uma publicação em sua plataforma Truth Social, na qual afirmou que “tudo ficará bem” e que seu país quer “ajudar” a China.

Infomoney - SP   15/10/2025

O economista britânico-americano James Robinson afirmou nesta terça-feira (14) que a economia mundial será diferente em 10 anos, reflexo dos efeitos do tarifaço imposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, aos seus parceiros comerciais.

Robinson teve seu trabalho reconhecido pelo Nobel de 2024, ao lado de Daron Acemoglu e Simon Johnson, por estudos que mostram como as instituições afetam a prosperidade de um país.

Para ele, os EUA passam por profundo processo de desgaste da democracia e divisão cultural, o que não poderá ser revertido. “Em relação aos EUA, eles não vão voltar à mentalidade do [Joe] Biden [ex-presidente dos EUA], não. Esta é a nova realidade dos EUA”, disse.

A afirmação foi dada durante o evento Global Voices, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em São Paulo.

“Se você pensar bem, a economia mundial será bem diferente daqui 10 anos. Os EUA estão solapando tudo que havia lá”, disse, explicando que isso acontece com o apoio da população norte-americana que não viu benefício próprio nos anos de desenvolvimento do país.

“O mundo vai mudar, as relações diplomáticas vão mudar. No Brasil, vocês têm 12% de exposição [à economia americana], e já se ajustaram. Eu tenho meus comentários sobre o Brics, mas pelo menos é uma reorganização”, disse Robinson.

Ruína da democracia nos EUA

Robinson abordou as raízes do atual desmoronamento da democracia nos EUA, com a ascensão do governo Donald Trump. Ele fala que, sem confiança, as pessoas não vão lutar para garantir que a democracia prevaleça.

“Teve uma pesquisa em que perguntaram às pessoas se os políticos se importavam com pessoas como eles, e 85% das pessoas disseram que não. Como você pode ter uma democracia assim? Isso faz com que o resultado das eleições vá abaixo”, diz.

“Outra pesquisa, sobre como as pessoas descreveriam a política nos EUA apontou as palavras mais usadas, que foram divisiva, corrupta, ruim, caos, polarizada, triste, disfuncional”.

Patentes guiam criatividade e inovação

Ele disse, ainda, que a democracia impulsiona o desenvolvimento econômico ao investir em serviços, e que as patentes estimulam a criatividade e a inovação.

Ele explica que a pesquisa que desenvolvou apontou que a democracia impacta positivamente nos investimentos do poder público, como em saúde e educação, o que eleva matrículas em escola, acesso ao ensino médio, o que beneficia a produtividade.

Canal Rural - SP   15/10/2025

“Os dados disponíveis mostram que o aumento dos preços de bens reflete principalmente tarifas, e não pressões inflacionárias mais amplas”, afirmou Powell. Ele destacou também que as medidas protecionistas recentes estão contribuindo para o encarecimento de produtos importados.

A observação ocorreu durante discurso no encontro anual da National Association for Business Economics (Nabe), nesta terça-feira (19).
Economia firme, porém com ressalvas

Apesar do atraso na divulgação de parte dos indicadores oficiais em razão da paralisação do governo norte-americano, o chamado shutdown, o presidente do Fed disse que o banco central continua acompanhando informações públicas e privadas, além de relatos regionais que serão resumidos no Livro Bege divulgado na quarta-feira (15).

Ele acrescentou que o crescimento da economia “pode estar em trajetória um pouco mais firma do que o esperado”, mas alertou que não há “um caminho isento de riscos” ao equilibrar as metas de emprego e inflação.

Diante desse cenário, segundo Powell, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) avaliou como apropriado “dar mais um passo em direção a uma postura mais neutra” na reunião de setembro. Ele reiterou ainda que o Fed seguirá calibrando sua política, conforme a evolução das perspectivas econômicas e do balanço de riscos, sem seguir um caminho predeterminado.

Infomoney - SP   15/10/2025

O consenso do mercado de que haverá queda de juros em 2026 poderá mudar com os gastos fiscais em ano de eleição e com o impacto da inflação, afirmou nesta terça-feira (14) Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head do Research da XP.

Para Ferreira, o Brasil vive uma “onda” que “levou nossos ativos para cima”, porque o “mercado passou por cima do que está acontecendo no Brasil”, disse, se referindo às contas públicas.

A afirmação foi dada durante o evento Global Voices, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em São Paulo.
“Se este impulso fiscal, de fato, amarrar as mãos do BC e não conseguir cortar, ou cortar menos que o esperado, isso vai ser uma notícia ruim porque está todo mundo esperando o corte”, afirmou.

A projeção da XP é de que os juros cheguem a 12% ao fim de 2026.

Ferreira alerta que, caso os juros não caiam, isso será um risco para os investidores que já trabalham com essa projeção.

Além do contexto brasileiro, há o risco de o Federal Reserve (FED, o Banco Central dos EUA) também não conseguir cortar os juros, o que vai impactar a economia nacional.
Pesadelo para o Banco Central

No mesmo evento, Reinaldo Le Grazie, sócio da Panamby Capital e ex-diretor de política monetária do BC, afirmou que o ano de 2026 será “um pesadelo” para o Banco Central (BC), que não terá as mesmas condições favoráveis deste ano em relação ao controle da inflação.

Para ele, a inflação deste ano está caindo devido a fatores externos, como a influência do câmbio devido à desvalorização do dólar, impactado pelo tarifaço de Donald Trump.

“O ano que vem será um pesadelo para o BC. O que arrastou a inflação deste ano foi o câmbio. Para o ano que vem, se imaginarmos que o dólar vai a R$ 5,40, será que desvaloriza mais? Se a ecomomia americana não desacelerar, ele não desvaloriza”, afirmou.

‘Legado da eleição vai ser horrível’

Gabriel Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, afirmou no mesmo evento que a eleição de 2026 deixará “um legado horrível” para o Brasil. Parafraseando uma frase da ex-presidente Dilma Rousseff, ele disse que, ao final, todos perderão.

“A eleição de 2026 deixará um legado horrível, vai ser como aquela frase da Dilma: ‘Nem quem ganhar nem perder vai ganhar ou perder, vai todo mundo perder’”, afirmou, tirando risos da plateia.

Para ele, a estratégia do governo de começar elevando a receita para cobrir as contas públicas cria uma “fadiga no processo político”. Ele avalia que a melhor estratégia seria começar cortando gastos para, depois, pedir a contribuição do setor produtivo, por meio da retirada dos benefícios fiscais.

“A agenda é correta, mas como ela vem com uma estratégia unilateral [elevar a arrecadação], e não tem nada pelo lado do gasto, você cria um problema de condução de estratégia”, avalia.

“O mais estrutural é começar pelo gasto. Entrega corte concreto na despesa, e depois pode pedir para setor produtivo dar a sua contribuição [via corte de benefícios tributários]”, afirmou.

O Estado de S.Paulo - SP   15/10/2025

O CEO do BNP Paribas no Brasil, Ricardo Guimarães, demonstra otimismo em relação à demanda por projetos de infraestrutura no País. Apesar das incertezas sobre a economia brasileira e do cenário eleitoral ainda indefinido — ao menos por ora —, ele avalia que o setor deve evoluir nos próximos anos.

“Dificilmente vamos ver um leilão de infraestrutura em que não tenha investidor interessado nos próximos dois anos”, afirma o executivo. “Independentemente do ciclo político, a pauta de infraestrutura do Brasil vai evoluir.”

Em agosto, o BNP Paribas anunciou um aporte de R$ 773 milhões na operação brasileira. O maior valor desde 2019. “Neste ano, identificamos que havia essa necessidade de reforçar o capital do banco, à luz do que estamos vendo de demanda”, diz Guimarães.

No cenário traçado pelo BNP Paribas, o setor de infraestrutura deve ser estimulado, entre outros motivos, pela redução dos juros nos Estados Unidos e pela expectativa de queda também no Brasil. “Acreditamos que, durante 2026, a partir de março, teremos cortes (na Selic), terminando o ano entre 11,75% e 12%”, afirma Guimarães.

Uma continuidade da queda de juros, avalia o executivo, passa por resolver um dos principais desafios econômicos do Brasil, que é a questão fiscal. “A próxima administração não vai conseguir escapar de fazer algum tipo de consolidação fiscal.”

A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Estadão.
O banco anunciou recentemente um reforço na operação brasileira. Poderia detalhar essa decisão?

Nós sempre costumamos fazer um plano plurianual de capital, no qual pedimos a cada linha de negócio qual seria a demanda que ela está vendo de operações de clientes — e isso é até uma exigência regulatória do Banco Central. Neste ano, identificamos que havia essa necessidade de reforçar o capital do banco, à luz do que estamos vendo de demanda. E é lógico que isso está casado com o apetite de risco do banco para o Brasil. Lembrando que eu sempre posso atender esse cliente usando tanto o balanço Brasil como o balanço de Paris, dependendo do tipo de necessidade que ele tem. E também identificamos uma demanda maior de balanço do Brasil. Quer dizer, tem um pouco das duas coisas: um aumento de atividade e um aumento de necessidade mais do mercado onshore.
Em qual área o banco enxerga esse crescimento no Brasil?

Independentemente do ciclo político, a pauta de infraestrutura do Brasil vai evoluir nos próximos anos. Estamos vendo um aumento que ocorre há um tempo, como os projetos de infraestrutura em mobilidade, tanto urbana quanto rodoviária, portos, logística. Em São Paulo, várias linhas e projetos de metrô estão sendo destravados e indo para a execução. Portos também. Tem uma nova rodada de licitação e um grande interesse dos players privados em entrar em portos. Temos várias concessões de rodovia chegando ao final e sendo renovadas com novos investimentos. Tem toda parte de tecnologia, de fibra, de torre, de datacenter. Tem uma nova economia verde, ainda incipiente, mas com plantas de hidrogênio, de aço verde e de cimento verde. Essa infraestrutura toda — e ainda há outras — que o Brasil está precisando vai acontecer independentemente do ciclo político. E ela vai se beneficiar desse momento em que a gente vê a taxa de juros nos Estados Unidos começando a refluir e uma perspectiva de que o Brasil comece a entrar num ciclo de easing (flexibilização) monetário. Isso cria condições para termos uma expansão dessa atividade de infraestrutura.

Por que você acha que esse cenário de infraestrutura independe do quadro político?

Há uma confiança maior na questão regulatória brasileira. A pandemia foi um teste importante. As agências regulatórias do Brasil estão funcionando. É lógico que elas sempre podem melhorar, mas têm uma independência. Conversando com alguns clientes, a gente compara como foi o processo reativo do Brasil em termos de readequar contratos vis-à-vis a queda de tráfego na pandemia. O Brasil se saiu muito bem nesse cenário. A gente não fala muito nisso, mas o Brasil teve uma resposta ótima e isso trouxe mais confiança para esses players de que têm uma governança boa para investir no Brasil. Com isso, a gente vê o interesse desses investidores estrangeiros de continuar aqui. A gente fez algumas parcerias, e vou citar um caso em que a gente trabalhou bastante. O da Acciona. O primeiro grande investimento dela aqui foi a Linha 6 do Metrô de São Paulo. Ela está executando (a obra) e vai inaugurar a partir do ano que vem. A partir da experiência que tiveram, ficaram confortáveis em testar outros processos até fora de metrô. Estão testando rodovia, testando linhas de transmissão. São coisas que trouxeram conforto para o investidor.
E do lado do gestor público? Mudou algo?

Do lado do gestor público, a gente não vê uma oscilação muito grande nos últimos anos em relação a essa agenda de infraestrutura, seja via concessão e via Parceria Público-Privada. Eu acho que as duas coisas andam em paralelo e os modelos vão coexistir. A discussão passou para o que a gente precisa fazer para a infraestrutura no Brasil, e isso vai acontecer. E o ente público — pode ser o governo federal ou estadual — vai ter de suportar por meio de uma parceria, porque sozinho não consegue dar conta. Eu acho que há uma prospecção, independentemente do espectro político, de botar isso para funcionar. É lógico que as condições políticas vão definir a taxa de juros, a taxa de retorno. Pode haver um apetite maior ou menor, mas acho que a agenda está posta.
E como o investidor olha o Brasil em relação a seus pares?

Primeiro, olhando para a América Latina. A gente tem um viés de olhar para o nosso umbigo e entender muito mais os problemas que temos, e não as vantagens comparativas. O licenciamento ambiental no Brasil é difícil, mas é muito mais rápido do que em qualquer outro lugar da América Latina. As agências reguladoras têm uma independência, talvez, não tão grande quanto a que a gente queria, mas elas realmente funcionam. Vemos várias empresas que tinham investimentos em outros países da América Latina, como Chile, Peru, Colômbia e México, olhando muito mais para o Brasil. O Brasil tem uma vantagem enorme, que é um mercado consumidor de 220 milhões de habitantes. A comparação, talvez, mais próxima seria o México em termos de oportunidade por conta da proximidade com os Estados Unidos.

E, globalmente, há uma competição com a China e a Índia em termos de mercados emergentes. Cada um tem a sua dinâmica. A China tem um processo regulatório e decisório único. A Índia, em termos de valuation, é mais cara que o Brasil. Então, o Brasil ainda oferece um pouco mais de oportunidade. O Brasil está bem posicionado globalmente nesse sentido. O ReData, que foi anunciado há algumas semanas, também traz uma oportunidade grande em infraestrutura digital que coloca o Brasil como um bom competidor.

Como a eleição presidencial do ano que vem pode impactar esse cenário?

Os projetos que têm leilão com data marcada vão acontecer naturalmente. O que acontece, dada essa incerteza, é, talvez, um escrutínio maior no processo de decisão do investidor em termos de socializar mais esse risco. Mas lembrando que esses projetos geralmente são de 20, 30 anos. Eles não estão olhando para o próximo ciclo político. Estão num prazo muito mais longo. É também um pouco a nossa cabeça. Não estamos olhando para o próximo ciclo político. Eu acho que ele acelera ou diminui um pouco a velocidade do investimento ou o que você vai exigir em termos de retorno, mas acho que vai acabar acontecendo. O que está na agenda de leilão vai vir. Dificilmente vamos ver um leilão de infraestrutura em que não tenha investidor interessado nos próximos dois anos. Vai haver demanda para qualquer setor de infraestrutura que o governo local ou federal trouxerem.
E qual é o cenário do banco para a taxa de juros no Brasil?

A gente acredita que, durante 2026, a partir de março, teremos cortes, terminando o ano entre 11,75% e 12%. Depende das condições. E aí o Banco Central daria uma parada. E é onde entra o cenário político, principalmente como vai ser endereçada a questão fiscal a partir de 2027 para ver qual será o novo ciclo de juros a partir dali. É um cenário que ainda tem muita incerteza. A gente também vê a inflação terminando 2025 em 4,8% e, mesmo com o relaxamento monetário, ela caminhando para 4,1% em 2026. E, depois, talvez, ainda de uma maneira não tão rápida quanto o Banco Central deseja, caminhando para a meta.
O País vem de aumento de endividamento crescente preocupante. Como vê a questão fiscal?

A próxima administração não vai conseguir escapar de fazer algum tipo de consolidação fiscal. Eu acho que a gente vai ter uma eleição muito diferente da de 2022, na qual vimos todos os espectros políticos prometendo um reforço em programas sociais. Eu acho que dificilmente a gente vai ver um candidato propondo o aumento de programas sociais. Não que não seja justificado, mas eu acho que vai ter uma preocupação muito maior com o lado das contas públicas, de como financiar isso. Vai haver um questionamento muito maior.

A gente tem a reforma tributária começando a ser aplicada a partir de 2026, acelerando a partir de 2027. Acho que a agenda da reforma administrativa que foi proposta, apesar de potencialmente não ser discutida nesta legislatura, vai ser um tema para a próxima legislatura. Todas essas combinações vão vir para uma discussão mais séria em termos de consolidação fiscal. E esse governo sendo reeleito não faz sentido ter uma PEC de transição, mas eu acho que, dificilmente, se houver uma troca de comando de governo, a gente vai ter uma discussão de uma PEC de transição igual foi feita lá atrás. Eu acho que vai ser muito mais uma PEC que dê as condições para começar a tentar controlar um pouco mais o Orçamento. E acho que isso é chave e vai acontecer de qualquer maneira. A eleição define a intensidade desse ajuste fiscal, dessa consolidação fiscal.

E deve ser um ajuste fiscal duro ou tem tempo para fazer de forma gradativa?

A gente costuma olhar muito para eleição presidencial, mas a eleição do Congresso tem um peso super-relevante nisso. Eu acho que é uma combinação dos dois. Talvez, o Congresso reflita mais a realidade da eleição local, da eleição municipal, e a tendência é a gente ter um Congresso que se mantenha de centro-direita. É um Congresso que vai ser extremamente refratário a qualquer aumento de imposto, e que vai demandar um ajuste de despesa. Eu acho que é uma consolidação fiscal que vai exigir um pouco de aperto na economia, de aperto nas condições. E idealmente é melhor que se faça isso de uma vez só, não tentar “fasear” isso ao longo do tempo. Com o teto de gastos e o arcabouço fiscal, o Brasil comprou esse tempo para fazer essa consolidação fiscal. E ele fez alguma coisa já. O País saiu do déficit estrutural para uma coisa perto do equilíbrio, mas esse próximo passo vai ter de ser feito mais rápido, na minha opinião.
Sobre o cenário externo, com o que já foi anunciado, qual é o impacto do tarifaço dos EUA para o Brasil?

O que a gente analisou com a tarifa de 50% é que o impacto econômico é razoavelmente pequeno. Primeiro, porque 45% da pauta de exportação ficou isenta dessa tarifa logo na largada. E, depois, os outros produtos, que representam a maior parte do restante que não ficou isento, são commodities e estão extremamente demandadas mundialmente. Se a gente olhar para o café e para a carne, que, talvez, tenham dificuldade de entrar no mercado americano, esses produtos vão acabar sendo direcionados para outro mercado. Pensando no café, o americano vai comprar café da Colômbia, o Brasil vai vender café para a Colômbia e para quem a Colômbia estava vendendo, porque não tem um excesso de produção no mundo para reter esse café aqui, no Brasil. O impacto final vai ser muito pequeno na economia. É lógico que alguns setores vão sofrer mais, mas não são tão representativos em termos da economia brasileira. A nossa estimativa é de um impacto de 0,1 ponto porcentual no PIB.
E agora tem novos avanços nas discussões entre os dois países...

Eu acho que o Brasil nunca foi uma prioridade em termos de negociação com os Estados Unidos, por conta de ter um déficit com os EUA. Agora, conforme o governo americano vai negociando as outras coisas, acho que vai criando uma visão de que alguma dessas tarifas está sendo prejudicial para a própria economia americana. E o Brasil volta nessa vantagem. Do outro lado, essa pressão vinda dos Estados Unidos, facilitou a discussão em relação ao acordo comercial Mercosul e União Europeia. Eu acho que destravou um pouco essa discussão dentro da União Europeia. Até a França hoje se coloca mais próxima de aceitar o acordo. É lógico que vão ter todas as salvaguardas que estão sendo discutidas, mas eu estou otimista de que esse acordo vai avançar. O Brasil está bem posicionado nesse momento mundial. O principal risco que eu vejo hoje no mundo é o geopolítico. Além dessa guerra comercial que os Estados Unidos começaram, existem as guerras efetivamente no Oriente Médio e na Europa que precisam ser endereçadas e que podem escalar rapidamente para uma situação que não é boa para ninguém.

MINERAÇÃO

Valor - SP   15/10/2025

Contratos futuros com entrega para janeiro, os mais negociados, fecharam cotados a US$ 109,68 por tonelada

Os futuros do minério de ferro caem em meio de incertezas comerciais, seguindo o desenvolvimento do comércio no curto prazo. O preço da commodity pode subir, apesar da fraca demanda devido às quedas de margens, se as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China diminuírem, comentam os analistas da Nanhua Futures, segundo o Dow Jones Newswires.

Os contratos futuros do minério com entrega para janeiro, os mais negociados, recuaram 2,07% na Bolsa de Dalian para 782 yuans (US$ 109,68) a tonelada.

AUTOMOTIVO

Portal Fator Brasil - RJ   15/10/2025

Prefeito do Rio de Janeiro anuncia um novo centro de pesquisa em direção autônoma ao lado do fundador da montadora chinesa. Investimentos na ordem de 38,6 milhões de yuans, (cerca de R$30 milhões).

A BYD Co. Ltd. (HKG: 1211) está aprofundando sua presença no Brasil. A montadora chinesa, que recentemente inaugurou uma fábrica de veículos elétricos de grande porte em Camaçari, Bahia, agora estabelecerá um centro de pesquisa e desenvolvimento (P&D) no Rio de Janeiro com foco em direção autônoma e tecnologias de combustível inteligente.

O anúncio foi feito pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, ao lado do fundador e presidente da BYD, Wang Chuanfu, e da vice-presidente Stella Li. A nova instalação ficará localizada perto do Aeroporto do Galeão, dando aos visitantes internacionais um primeiro vislumbre da crescente presença industrial da China no Brasil.

— Teremos toda a P&D da BYD para direção autônoma sediada aqui no Rio de Janeiro — disse Paes no dia 11 de outubro (sábado). —É um grande passo para a inovação em nossa cidade.

— Toda a parte de pesquisa e desenvolvimento de veículos autônomos será aqui no Rio de Janeiro. O investimento é totalmente privado. Esse é um namoro antigo. Aquela área fica próxima a instituições de qualidade como a Coppe e o Parque Tecnológico do Fundão. E faz parte de uma estratégia para revitalizar e desenvolver o Galeão — complementou Paes.

O laboratório, que contará inclusive com uma pista de testes que se assemelha a um miniautódromo, ficará num terreno do Aeroporto Internacional Tom Jobim/Galeão.

O complexo terá 183,8 mil metros quadrados com acesso pela Avenida Rio de Janeiro. Ao lado do prédio de escritórios, será construída uma pista de testes, projetada com nove curvas. Será montada ainda uma espécie de showroom, com cerca de 1,5 mil metros quadrados para que visitantes conheçam os carros fabricados pela montadora.

A ideia é que esse showroom tenha de cinco a sete modelos por dia. Em parte da área será construída uma espécie de piscina para simular a circulação dos automóveis em caso de chuvas, com a água chegando ao capô da linha de luxo da montadora (séries Yangwang). Passarelas cobertas serão instaladas para que os técnicos e convidados possam observar os testes de desempenho.

Em outra parte do complexo, será possível simular o desempenho do carro por estradas não asfaltadas. O custo do projeto chega a 38,6 milhões de yuans, ou cerca de R$ 30 milhões.

Além do centro de pesquisas, a montadora estuda implantar um segundo showroom, provavelmente na Ilha do Governador. Lá seria apresentado o modelo Denza, a linha de luxo de utilitários esportivos (SUVs).

A área já tem um conglomerado com vários centros tecnológicos — A área fica próximo a instituições de qualidade como a Coppe e o Parque Tecnológico do Fundão. Também do Centro de Pesquisa e Inovação da L’Oréal, que fica na Cidade Universitária (Fundão), dentro do Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele é voltado para o desenvolvimento de produtos cosméticos adaptados ao mercado brasileiro e sul-americano, com foco em sustentabilidade, e é um dos seis centros globais da empresa.

Contexto Global — A mudança ocorre poucos dias após a BYD inaugurar sua fábrica em Camaçari (BA). Construído no antigo terreno da Ford, o complexo representa um investimento de US$ 620 milhões e marca a principal base de produção da montadora na América Latina.

A vice-presidente Stella Li disse que o laboratório no Rio de Janeiro adaptará os sistemas híbridos flex-fuel e de “combustível inteligente”, o chamado ‘combustível flex’, mais avançados da BYD às condições locais, em colaboração com universidades brasileiras. —Traremos a tecnologia automotiva mais avançada da China e a desenvolveremos em conjunto com as equipes locais de P&D —disse ela.

A escolha do Rio também tem um peso simbólico. Paes trabalhou na BYD durante seu período fora da prefeitura — um detalhe que ressalta o alinhamento entre a política municipal e a diplomacia industrial. A parceria ilustra como o investimento chinês está remodelando o mapa automotivo do Brasil.

Para a BYD, a capacidade de pesquisa local é fundamental para sua expansão na América Latina. O novo centro poderá servir como um laboratório de testes para sistemas de direção autônoma projetados para ambientes de mercados emergentes, onde os padrões de tráfego e a infraestrutura diferem bastante da China e da Europa.

Valor - SP   15/10/2025

Montadora é o maior cliente da Novelis, que ficará paralisada até o início do próximo ano

A Ford Motor está reduzindo temporariamente a produção de pelo menos cinco modelos, incluindo SUVs populares, após um incêndio devastador na fábrica de um fornecedor crucial de alumínio.

A partir desta semana, a Ford não produzirá seus lucrativos SUVs de três fileiras, o Expedition e o Lincoln Navigator, em sua fábrica de caminhões em Kentucky devido às dificuldades com o fornecimento de alumínio, disse um representante do United Auto Workers (UAW) aos membros da planta na semana passada. A paralisação da produção dos SUVs deve durar uma semana, segundo um memorando enviado pela empresa aos funcionários e visto pelo The Wall Street Journal. O memorando não especificou o motivo da medida.

Ford se recusou a fornecer detalhes sobre os ajustes de produção. A empresa disse na semana passada que estava trabalhando em estreita colaboração com a Novelis, o fornecedor de alumínio cuja fábrica no norte do Estado de Nova York pegou fogo no mês passado, enquanto explorava “todas as alternativas possíveis para minimizar quaisquer potenciais interrupções”.

As montadoras geralmente programam períodos de paralisação ao longo do ano. Neste caso, a Ford antecipou um período de folga que estava previsto para mais tarde em 2025, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto.

O incêndio de grandes proporções paralisou a fábrica da Novelis até o início do próximo ano. A planta fornece cerca de 40% das chapas de alumínio usadas pela indústria automotiva nos EUA, de acordo com analistas do setor.

A Ford é o maior cliente da fábrica. Sua picape F-150, o veículo mais vendido nos EUA e o principal gerador de lucro da montadora, é um dos maiores consumidores de alumínio da indústria.

Após o incêndio, analistas alertaram que a Ford corria o risco de perder até US$ 1 bilhão em lucro operacional se a produção das picapes da série F fosse interrompida. Até o momento, a Ford conseguiu manter a produção desses veículos — incluindo as altamente lucrativas picapes F-series Super Duty — na fábrica em Kentucky.

“Eles estão concentrando toda a energia em garantir que todas as F-150 sejam produzidas”, disse Sam Fiorani, analista da consultoria AutoForecast Solutions.

No entanto, um representante do UAW disse aos membros, em uma publicação no Facebook na segunda-feira (13), que a fábrica de Kentucky que produz as picapes Super Duty “pode ficar sem material hoje, esta noite e possivelmente nos próximos turnos”.

A Ford já enfrenta custos de US$ 2 bilhões relacionados às políticas tarifárias do presidente americano, Donald Trump, e perdas de US$ 5 bilhões em sua divisão de veículos elétricos neste ano. Enquanto a operação da Novelis no norte de Nova York pretende retomar a produção de chapas de alumínio para automóveis no início do próximo ano, alguns analistas projetam que isso ocorrerá apenas entre março e abril. Enquanto isso, a empresa busca importar alumínio de outros países.

As ações da Ford subiram cerca de 20% até agora neste ano. Apesar dos ventos contrários, a montadora está se beneficiando do afrouxamento das regulamentações de economia de combustível, que lhe permite focar em caminhonetes grandes em vez de veículos elétricos que geram prejuízo.

Para preservar o fornecimento de alumínio, a Ford também interrompeu o trabalho em sua outra fábrica de montagem em Louisville, Kentucky, na semana passada, retomando as operações nesta semana com apenas um dos dois turnos em funcionamento.

Essa operação está nos meses finais de produção do SUV Escape e de seu equivalente de luxo, o Lincoln Corsair. A produção do Escape será encerrada em dezembro, disse o representante, enquanto a Ford se prepara para fabricar uma nova picape elétrica na fábrica de Louisville.

Nesta semana, a Ford também está paralisando sua fábrica em Dearborn, Michigan, que produz sua atual picape elétrica, a F-150 Lightning, devido ao problema com o alumínio, informou a Reuters na semana passada.

A Novelis, sediada em Atlanta, disse que estava trabalhando para determinar se o alumínio automotivo de suas fábricas no exterior e das fábricas de concorrentes pode atender aos padrões da Ford. O processo de qualificação para uma montadora normalmente leva vários meses. Mas, como a Novelis já fornece montadoras em outros países e seus concorrentes também produzem alumínio automotivo, a empresa espera que o processo de qualificação seja mais rápido para a Ford e outras montadoras que eram atendidas pela planta de Nova York.

A Toyota, outra cliente da Novelis, vem trabalhando para obter alumínio de fontes alternativas para suas fábricas na América do Norte, disse um porta-voz. A montadora não sofreu interrupções de produção, mas “ainda não está completamente fora de perigo”, acrescentou.

A Ford mudou os exteriores das picapes da série F de aço para alumínio há uma década, para torná-las mais leves e melhorar a eficiência de combustível.

As caminhonetes da série F são vitais para a lucratividade da Ford. Analistas do Wells Fargo disseram, em relatório divulgado na semana passada, que uma redução de 20% nas vendas da série F no quarto trimestre poderia reduzir o lucro operacional da Ford em US$ 800 milhões. Analistas da Evercore ISI estimaram que cerca de 20 mil a 50 mil caminhonetes da série F poderiam deixar de ser produzidas, de um total de cerca de 130 mil esperadas para os dois últimos meses do ano, segundo o banco.

IstoÉ Dinheiro - SP   15/10/2025

A Abraciclo, entidade que representa as montadoras de motos do polo industrial de Manaus (AM), informou nesta terça-feira, 14, que o tarifaço do presidente dos EUA, Donald Trump, afetou as exportações de motocicletas aos Estados Unidos. Porém, esse impacto foi compensado pela recuperação dos embarques para Argentina e a Colômbia, além de vendas a novos mercados como Austrália e Canadá.

Durante apresentação à imprensa dos resultados do setor em setembro, o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, disse que espera a volta das tarifas anteriores nas negociações entre os governos dos dois países, de modo que o setor possa restabelecer os fluxos aos Estados Unidos, terceiro destino das motos exportadas pelo Brasil.

“Tivemos uma pequena retração no mercado americano devido às tarifas”, comentou Bento para, na sequência, explicar que as perdas nas vendas aos Estados Unidos foram compensadas por embarques a outros países. “O mercado americano é importante para nós, não só pela participação, mas também para demonstrar a outros países a capacidade que a Zona Franca tem de exportar a países de primeiro mundo”, acrescentou.

Em setembro, as exportações de motos, considerando todos os países, alcançaram as 5,3 mil unidades, o triplo do volume do mesmo período do ano passado (1,7 mil). Na comparação com agosto, quando entrou a tarifa de 50% no mercado americano, o crescimento foi de 78,7%.

No mercado interno, Bento destacou que a demanda segue consistente em todas as regiões do País, sendo que as vendas feitas via sistema de consórcios têm ajudado a compensar os juros mais altos no crédito.

Após revisar para cima as previsões de produção e vendas deste ano, o presidente da Abraciclo pontuou que a expectativa também é positiva para 2026, embora a entidade ainda não tenha traçado projeções para o ano que vem.

Valor - SP   15/10/2025

Decisão definitiva sobre a operação, que deve ser tomada antes do fim do ano, precisará ser aprovada pelos reguladores da China

A maior montadora da China, BYD, considera a Espanha sua principal candidata para sediar uma terceira fábrica de automóveis voltada para o mercado europeu, disseram duas pessoas familiarizadas com o assunto à Reuters, enquanto a empresa busca ampliar suas vendas no continente.

Uma fábrica de montagem da BYD, que se somaria a outras duas planejadas na Hungria e na Turquia, representaria um impulso significativo para a montadora que compete com a Tesla, além de reforçar o objetivo da Espanha de se tornar um importante polo de produção de veículos elétricos.

Uma das fontes afirmou que a Espanha é favorecida pela BYD devido aos seus custos de fabricação, relativamente baixos, e à rede de energia limpa.

Embora já fosse conhecido que a BYD procurava uma terceira planta para atender ao mercado europeu, o surgimento da Espanha como favorita ainda não havia sido divulgado anteriormente.

Decisão precisa de aprovação na China

O gerente nacional da BYD para Espanha e Portugal, Alberto De Aza, disse à Reuters, no mês passado, que a Espanha seria um local ideal para uma nova expansão da presença de fabricação da BYD na Europa devido à sua infraestrutura industrial e eletricidade barata.

Uma terceira fonte alertou que a empresa ainda não comunicou nenhuma decisão final e continua considerando outros países além da Espanha. A decisão definitiva sobre a operação, que deve ser tomada antes do fim do ano, precisará ser aprovada pelos reguladores chineses.

A Reuters informou em março que a BYD havia analisado outros países, incluindo a Alemanha, embora essa opção tenha sido debatida internamente por causa dos altos custos de mão de obra e energia.

Tanto o Ministério da Indústria da Espanha como a BYD se recusaram a comentar. A BYD pretende produzir todos os carros para a Europa localmente em três anos

Vendas saltaram 280%

As vendas da BYD na Europa aumentaram 280% nos primeiros oito meses do ano em relação ao mesmo período de 2024, após a montadora começar a vender híbridos “plug-in” e veículos totalmente elétricos.

A Reuters informou, em abril, que a BYD havia reformulado suas operações europeias para impulsionar as vendas, contratando mais gerentes e adicionando concessionárias.

Laços fortalecidos

Os laços diplomáticos e comerciais entre Espanha e China se fortaleceram consideravelmente nos últimos anos. No ano passado, a Espanha se absteve em uma votação da União Europeia sobre tarifas aplicadas a veículos elétricos fabricados na China.

O governo chinês informou reservadamente às montadoras que interrompessem investimentos em países europeus que apoiaram essas tarifas, relatou a Reuters no ano passado. A Alemanha votou contra as tarifas.

A Espanha, a segunda maior produtora de automóveis da Europa, atraiu grandes investimentos, incluindo da alemã Volkswagen e das chinesas Chery e CATL, desde que anunciou um plano de 5 bilhões de euros (US$ 5,8 bilhões) em 2020 para atrair a fabricação de veículos elétricos e baterias, utilizando fundos de alívio da pandemia da UE.

Produção local

A BYD pretende produzir todos os veículos elétricos destinados à venda na Europa localmente dentro de três anos, o que ajudaria a empresa a evitar tarifas da UE.

A fábrica planejada na Hungria está atualmente em construção, embora fontes tenham dito à Reuters, em julho, que a BYD adiou o cronograma para o início da produção em massa na planta para o próximo ano. A fábrica na Turquia deve ser inaugurada em 2026.

Valor - SP   15/10/2025

A Stellantis planeja investir US$ 13 bilhões de dólares para fabricar mais modelos Jeep, picapes e SUVs Dodge nos Estados Unidos, no que a montadora global descreve como o maior investimento individual de sua história.

A Stellantis anunciou na terça-feira que investirá US$ 13 bilhões até o fim da década, com o lançamento de cinco novos veículos e um novo motor de quatro cilindros, criando mais de 5 mil empregos em fábricas no Meio-Oeste do país.

Fornecedores das peças para esses modelos podem gerar 20 mil empregos, disse o presidente, Antonio Filosa, em entrevista. "O objetivo mais importante e relevante que temos com este investimento é crescer neste mercado", disse Filosa.

O plano pode ajudar uma das maiores montadoras do país a reduzir os custos das tarifas impostas pelo governo do presidente Donald Trump. A empresa afirmou que espera um impacto tarifário total de US$ 1,5 bilhão para o ano.

A Stellantis, montadora holandesa que também inclui as marcas europeias Opel, Peugeot e Fiat, foi criada no início de 2021 por meio da fusão da Fiat Chrysler Automobiles com o Grupo PSA da França. A montadora depende muito da América do Norte, que historicamente gerou a maior parte dos lucros.

Na semana passada, a Stellantis afirmou que as remessas de veículos na América do Norte aumentaram 35% no terceiro trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior, com o início das entregas de picapes Ram 1500 com motores Hemi V-8.

Sob o comando de Filosa, a Stellantis vinha elaborando um plano para reduzir o excesso de oferta não vendida nos Estados Unidos, um subproduto de tropeços anteriores sob o comando do ex-presidente Carlos Tavares. A Jeep, uma das marcas mais relevantes da empresa nos Estados Unidos, viu as vendas caírem drasticamente. O conselho da empresa demitiu Tavares no fim de 2024.

"Acelerar o crescimento nos Estados Unidos tem sido uma prioridade desde o meu primeiro dia", disse Filosa em um comunicado. "O sucesso nos Estados Unidos não é bom apenas para a Stellantis nos Estados Unidos — ele nos torna mais fortes em todos os lugares."

Em 2024, a Stellantis importou cerca de 45% dos carros vendidos nos Estados Unidos.

Os planos de investimento incluem uma mistura de veículos movidos a gasolina e modelos eletrificados em fábricas em Michigan, Indiana, Illinois e Ohio. Na entrevista, Filosa disse que planos adicionais serão anunciados no futuro para outras marcas americanas importantes da empresa, incluindo Chrysler e Dodge. Ele não quis fornecer detalhes.

Uma picape média que a empresa planejava construir em uma fábrica desativada em Belvidere, Illinois, será produzida no complexo de montagem da Stellantis em Toledo, Ohio.

Mais de US$ 600 milhões serão gastos para reabrir a fábrica de Belvidere para produzir o SUV médio Jeep Cherokee e o SUV Compass nos Estados Unidos. Ambos os Jeeps são atualmente montados no México. A produção está prevista para começar em 2028.

A empresa desistiu de projetos de veículos elétricos, tendo recentemente descontinuado a tão aguardada picape elétrica Ram. Mas o plano de investimento mais recente prevê um novo modelo elétrico com autonomia estendida e também movido a gasolina, que será produzido em uma fábrica na região metropolitana de Detroit. A empresa espera adicionar mais de 900 empregos a essa unidade.

Alguns dos investimentos incluídos já foram anunciados anteriormente. A Stellantis afirmou que ainda espera gastar US$ 130 milhões para reformar uma fábrica em Detroit para a construção de um novo SUV Dodge Durango, a partir de 2029.

A empresa afirmou que os investimentos estão sujeitos a negociações bem-sucedidas e à aprovação final dos pacotes de desenvolvimento com os governos estaduais e locais.

A Stellantis, juntamente com a Ford e a General Motors, tem lidado com as tarifas impostas pelo governo Trump no início deste ano sobre veículos acabados e autopeças. Uma tarifa adicional de 25% sobre caminhões médios e pesados, que pode impactar a Stellantis, é esperada para 1º de novembro.

A montadora apostou em uma grande reviravolta para a Jeep reverter os problemas nos Estados Unidos, onde viu sua participação de mercado despencar nos últimos anos. Mais de 80% das remessas totais da Stellantis no varejo em 2024 nos Estados Unidos foram picapes e SUVs maiores.

Filosa afirmou que uma decisão anterior de descontinuar sete modelos nos Estados Unidos impulsionou o recente declínio da empresa no país.

"Agora temos uma estratégia clara para a recuperação", disse ele.

Infomoney - SP   15/10/2025

A General Motors disse nesta terça-feira que assumirá uma despesa de US$1,6 bilhão no terceiro trimestre, à medida que reformula sua estratégia de veículos elétricos após a eliminação de um importante incentivo federal nos Estados Unidos que provavelmente reduzirá a demanda.

A divulgação da GM é uma das indicações mais claras de que as montadoras norte-americanas estão se apressando para adaptar seus planos de produção em resposta à desaceleração da demanda por veículos elétricos.

O mercado de veículos elétricos também enfrenta uma nova pressão depois que o governo Trump eliminou um crédito fiscal federal de US$7.500 para veículos elétricos, um apoio importante do setor, com executivos do setor automotivo alertando para uma queda acentuada a curto prazo nas vendas de carros a bateria antes de uma eventual recuperação.
Em um documento, a GM disse que espera que “a taxa de adoção de veículos elétricos diminua” após as recentes mudanças, incluindo o término de certos incentivos fiscais ao consumidor e a redução do rigor das regras de emissões.

“A despesa é um item especial motivado pela nossa expectativa de que os volumes de veículos elétricos serão inferiores ao planejado devido às condições do mercado e às mudanças no ambiente regulatório e político”, afirmou a GM em comunicado à Reuters.

As montadoras também estão trabalhando para amortecer o impacto das tarifas do presidente Donald Trump, que levaram a GM a registrar um prejuízo de US$1,1 bilhão no trimestre anterior.

A empresa estimou um impacto no resultado final de US$4 bilhões a US$5 bilhões este ano devido aos desafios e disse que poderia tomar medidas para compensar pelo menos 30% desse impacto.

FERROVIÁRIO

A Tribuna - SP   15/10/2025

O projeto funcional do futuro trem regional, com trajeto de 223 km, que ligará Santos e o restante da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, a Cajati e ao Vale do Ribeira, no interior do estado, vai entrar em nova fase no fim do ano, sob responsabilidade da área de Desenvolvimento e Expansão de Transporte da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Para A Tribuna, a empresa detalhou informações do projeto.

No momento, está em andamento o levantamento topográfico aerofotogramétrico, que deve ser concluído ainda este ano. “E em dezembro iniciaremos o anteprojeto de engenharia”, pontuou a CPTM.

O projeto do novo trem prevê 13 estações: Santos, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém, Peruíbe, Itariri, Pedro de Toledo, Miracatu, Juquiá, Registro, Jacupiranga e Cajati. As vias existentes no trajeto passarão por análise e as que forem possíveis serão recuperadas. O tempo total de percurso previsto, no serviço expresso, será de aproximadamente 136 minutos de viagem.

Além do serviço expresso, haverá dois trens paradores: um saindo de Santos em direção a Peruíbe, com tempo médio de viagem de 48 minutos, e outro indo de Peruíbe a Cajati, com percurso de duração média de 114 minutos.

“O projeto Santos-Cajati prevê benefícios sociais, econômicos e ambientais, como a inclusão e mobilidade justa para o Vale do Ribeira, a redução de congestionamentos e acidentes em rodovias, além da diminuição de emissões e da indução ao desenvolvimento urbano e territorial sustentável”, destacou a CPTM.

Valor - SP   15/10/2025

Construção de ferrovias para passageiros nas capitais da região visa fomentar o turismo

O governo federal está estudando a criação de uma rede de trens de passageiros entre capitais do Nordeste para fomentar o turismo na região. Segundo o presidente da estatal Infra S.A., Jorge Bastos, o início da integração ferroviária regional deve começar pela construção de uma linha de cerca de 110 km de extensão entre Recife e João Pessoa.

“A Infra tem estudado trechos com potencial de viabilidade de transporte de passageiros. O primeiro trecho que o Ministério [dos Transportes] deu para a gente estudar é uma ligação entre as capitais que têm a menor distância entre elas. Mais tarde, tendo viabilidade, a linha pode ir até Maceió, Natal e assim vai”, disse Bastos, no evento “Logística no Brasil”, série de debates promovido pelo Valor, em parceria com a Infra S.A. e o Ministério dos Transportes. Nesta edição, realizada em Fortaleza, o foco é a região Nordeste e contou com a mediação de Marina Falcão, correspondente do Valor no Recife.

Os estudos mencionados por Bastos integram o trabalho de elaboração do Plano Nacional de Logística 2050 (PNL 2050), coordenado pelo Ministério dos Transportes e executado com ajuda da Infra. O plano começou a ser debatido em 2024, por determinação de um decreto presidencial. Uma primeira versão do PNL deve estar concluída ainda em 2025.

É preciso acelerar o crescimento do NE. Infraestrutura é fundamental nisso”

— Flavio Ataliba

Segundo Bastos, o PNL definirá projetos de longo prazo para a melhoria do transporte de cargas e passageiros do país. Será, portanto, uma ferramenta importante para ampliar o potencial de crescimento econômico. “Para crescer, é preciso planejamento de longo prazo”, disse. “O Nordeste é um território de grandes potencialidades. Mas, para que esse potencial se converta em desenvolvimento, é preciso investir na infraestrutura.”

Flavio Ataliba, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), lembrou no evento que o Nordeste concentra 27% da população do país, mas produz o equivalente a 14% do Produto Interno Bruto (PIB). Ressaltou também que a região, nos últimos dez anos, cresceu mais que a média nacional. Ainda assim, no atual ritmo de crescimento, demoraria 180 anos para conseguir elevar sua participação no PIB ao mesmo patamar de sua participação populacional. “É preciso acelerar o crescimento do Nordeste. Infraestrutura é fundamental nisso”, afirmou Ataliba.

George Santoro, secretário-executivo do Ministério dos Transportes, disse que o governo federal aposta na ampliação da rede ferroviária nordestina para dinamizar a economia da região. Segundo ele, pelo menos R$ 60 bilhões em investimentos estão previstos em ferrovias que beneficiarão o setor produtivo do Nordeste. Ele citou como exemplo a criação de um corredor logístico interligando o Centro-Oeste ao Porto do Sul, em Ilhéus (BA), por meio da conexão da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) com a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol).

O secretário afirmou que o projeto será um dos maiores da área de transporte do país. Ele deve começar a ser licitado no primeiro semestre de 2026. “O projeto do corredor Leste-Oeste está passando por alguns ajustes. Até dezembro, ele estará na ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres] para, no início do ano, ser enviado ao TCU [Tribunal de Contas da União]. Provavelmente, o edital será publicado no primeiro semestre do ano que vem”, detalhou.

Para Santoro, a criação do corredor beneficiará, sobretudo a mineração e a agricultura nacional, mas também vai criar condições para que cargas industriais sejam transportadas de forma mais eficiente - o que tende a incentivar o investimento industrial no Nordeste.

Outro projeto visto como estratégico é a ferrovia Transnordestina. Tufi Daher Filho, diretor-presidente da Transnordestina Logística, que constrói a linha férrea e que vai operá-la, disse que ela iniciará seu funcionamento em 2027. Em outubro deste ano, ela passará por seus primeiros testes. Serão feitos transportes de cargas, como soja, milho, farelo de soja e calcário, entre Bela Vista do Piauí (PI) e Iguatu (CE).

Fabiano Chaves, subsecretário de Planejamento de Longo Prazo do Ministério do Planejamento e Orçamento, disse que o investimento em transporte pode consolidar o Nordeste como grande produtor e exportador de energia limpa do mundo, por meio do hidrogênio verde. Cloves Benevides, subsecretário de Sustentabilidade do Ministério dos Transportes, afirmou que o planejamento da logística também reduzirá as emissões de carbono com uso mais racional dos diversos modais.

Já José Arlan Silva Rodrigues, presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Nordeste (Fetranslog-NE), ressaltou que as rodovias não podem ter sua importância subestimada no planejamento da logística nordestina. Ele lembrou que a Pesquisa de Rodovias da CNT (Confederação Nacional do Transporte) indicou que 1.017 dos 2.446 pontos críticos identificados em estradas do país ficam no Nordeste.

Revista Ferroviaria - RJ   15/10/2025

A gigante chinesa CRRC passou a ocupar oficialmente sua fábrica no Brasil nesta segunda-feira, 13. A informação foi compartilhada por um funcionário no Linkedin, mostrando o interior da unidade localizada em Araraquara (SP).

As imagens também mostram funcionários em reunião, entre brasileiros e chineses, e uma tela onde se lê “CRRC Brasil”.

A decisão de montar instalações no país ocorreu após a empresa vencer a concorrência para fornecer 44 trens da Frota R para o Metrô de São Paulo.

As composições, que serão as mais modernas da companhia, serão usadas na extensão da Linha 2-Verde até Penha e também reforçarão as frotas das linhas 1-Azul e 3-Vermelha.

Parte do trabalho de montagem será feito em Araraquara, embora espere-se que a fabricação seja quase toda ela realizada na China.

O investimento na fábrica brasileira, no entanto, deve render mais frutos em breve já que a CRRC tem vários contratos fechados para outros sistemas.

Além de já produzir os novos trens do Metrô BH, a fabricante vai montar também as composições do Trem Metropolitano e Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas.

Recentemente, a CRRC também foi anunciada como vencedora de uma disputa para fornecer seis novos trens para a Linha 4-Amarela.

Com futuras aquisições previstas para a Linha 10-Turquesa e Linha 5-Lilás, além da expansão da Linha 6-Laranja, as perspectivas para a maior fabricante de trens do mundo são bastante otimistas.

Fonte: https://www.metrocptm.com.br/fabrica-de-trens-da-crrc-no-brasil-comeca-atividades/
VÁ ALÉM DA MANCHETE

O setor ferroviário é complexo e as notícias do dia a dia são apenas a ponta do iceberg. Para entender o cenário completo, é preciso de contexto e a visão de quem cobre o setor desde 1940.

A cada edição, a Revista Ferroviária traz reportagens aprofundadas, estudos de mercado e entrevistas exclusivas sobre os temas que realmente importam: de novos VLTs e projetos privados a desafios de manutenção, o futuro da tecnologia e muito mais.

NAVAL

CNN Brasil - SP   15/10/2025

De olho no novo superterminal de contêineres em Santos (SP) e brigando pelas regras do leilão, o grupo filipino ICTSI cobra as taxas portuárias mais altas do país e tem índices de produtividade abaixo da média nacional, segundo estudo da FGV Transportes obtido pela CNN.

O Tecon Santos 10, tido por setores do governo como "última oportunidade" de ampliar a concorrência no maior porto da América Latina, tem sido alvo de intensa disputa empresarial e depende de uma palavra final do TCU (Tribunal de Contas da União) para ser leiloado.

O estudo da FGV Transportes analisa o desempenho do Tecon Suape, operado pela ICTSI em Pernambuco, na comparação com mais de 20 outros terminais de contêineres brasileiros.

Ele indica que o preço médio para a movimentação de cargas em Suape chega a R$ 2.075 para contêineres secos e a R$ 2.084 para contêineres refrigerados.

Essa taxa é conhecida no mercado pela sigla em inglês THC (terminal handling charge). No caso de Suape, ela fica quase 50% acima dos preços registrados em Paranaguá (PR) e praticamente no dobro do patamar verificado em Navegantes (SC).

Um dos principais indicadores de eficiência operacional no setor também coloca o Tecon Suape em posição desfavorável. O terminal pernambucano teve, em uma média de 2020 a 2024, produtividade de 57 TEUs (contêineres-padrão de 20 pés) movimentados por hora.

O estudo da FGV Transportes, assinado pelos pesquisadores Julio Favarin e Raphael Bombo, aponta que a média nacional no último quinquênio ficou em 62 TEUs/hora.

Os números sobre produtividade alcançam 90 TEUs/hora na Santos Brasil, 83 na BTP e 69 na DPW -- os três terminais de contêineres já em funcionamento no Porto de Santos.

"O Tecon Suape é um monopolista que cobra o quanto quer, no porto mais importante do Nordeste, com baixa eficiência", afirma Favarin.

Segundo ele, não falta demanda para o terminal pernambucano, mas ele opera com equipamentos antiquados e tem pouco interesse em um aumento da movimentação para evitar o acionamento de cláusulas contratuais que o obrigariam a fazer mais investimentos em caso de mais cargas.

Entre 2010 e 2024, a participação do Tecon Suape no mercado brasileiro de contêineres diminuiu de 6% para 4,5% das cargas.

"Se tivesse preços competitivos, o terminal poderia certamente dobrar o volume de movimentação, mas ele joga com a regra debaixo do braço", diz o pesquisador e engenheiro naval, que também é sócio-fundador da consultoria especializada em infraestrutura Garín Partners.

Os dados no estudo da FGV Transportes têm como base dados levantados pela estatal de planejamento Infra S.A. junto às principais companhias de navegação.
Outro lado

A ICTSI, que assinou suas operações no Tecon Suape em 2001 e tem contrato vigente por 30 anos, contesta veementemente os números.

O grupo filipino argumenta que, diferentemente dos dados apresentados no estudo, o terminal pernambucano tem crescido acima da média nacional.

Entre 2004 e 2024, segundo a ICTSI, o Tecon Suape passou de 168 mil para 649 mil TEUs -- aumento médio anual de 7%. No mesmo período, a expansão em volume foi de 5,3% ao ano no Porto de Santos e de 4,8% no Brasil como um todo.

"Este crescimento acontece mesmo diante do fato de o Tecon Suape ser operado pela ICTSI, uma operadora de terminais independente, em um mercado onde os armadores [companhias de navegação] dão preferência a seus portos próprios, integrados verticalmente (Navegantes, Itapoá, BTP, Pecém, etc.)", rebate a empresa.

Com 33 terminais em 19 países, a ICTSI é considerada a maior operadora "bandeira branca" do mundo, sem pertencer a nenhum armador. No Brasil, também movimenta contêineres no Porto do Rio.

Quanto aos preços praticados em Pernambuco, o grupo filipino observa que é "muito simplista" atribuir taxas mais altas a uma suposta ineficiência.

"Qualquer operador de terminal necessita de um determinado retorno sobre seu investimento, e um fator importante deste cálculo são os encargos pagos ao governo na forma de taxas portuárias/de concessão. A taxa portuária é individual, definida por contrato de concessão, e estabelecida no momento da licitação pública de cada concessão", afirma a ICTSI.

"Este valor [em Suape] representa 13,5 vezes mais, em taxas portuárias por contêiner, do que os dois maiores terminais do Porto de Santos".

As alegações de baixa eficiência operacional no terminal pernambucano são contestadas pelos filipinos.

" A produtividade por embarcações do Tecon Suape, quando comparada ao Porto de Santos e respeitadas as devidas proporções, é significativamente melhor, considerando uma variável de movimentação de embarcações por escala de navio porta-contêineres no terminal", justifica a empresa.

"Considerando o total de permanência no porto, Suape está bem posicionado em termos de movimentação portuária por hora, com números ainda melhores do que o Porto de Santos, apesar de ter uma contagem de movimentação (número de contêineres carregados/descarregados) significativamente menor por operação de embarcação".

Para a ICTSI, o estudo "pretende se passar por imparcial", mas é enviesado porque seus autores têm "notória parceria comercial" com a Maersk -- companhia de navegação dinamarquesa que declara interesse no Tecon Santos 10 e defende regras diferentes.

Favarin diz que sua empresa, a Garín, de fato presta serviços à Maersk. No entanto, segundo ele, jamais se envolveu com os dinamarqueses nas discussões sobre o novo terminal de contêineres em Santos.
Santos

O estudo da FGV Transportes ganha importância diante da proximidade do leilão do Tecon Santos 10, que o governo pretende oferecer à iniciativa privada na segunda quinzena de dezembro e é o maior arrendamento da história do setor portuário.

O novo terminal deve receber mais de R$ 6 bilhões em investimentos e ampliar em 50% -- o equivalente a 3,5 milhões de TEUs por ano -- a capacidade de movimentação de contêineres em Santos, que está à beira da saturação.

Há forte disputa empresarial em torno das regras do leilão, que ainda dependem de uma decisão do TCU e já levaram a uma "guerra de pareceres" jurídicos entre as principais companhias interessadas no ativo.

A ICTSI (sigla para International Container Terminal Services Inc.), fundada pelo bilionário filipino Enrique Razon Jr. e com sede em Manila, contratou o jurista Carlos Ari Sundfeld.

Um dos profissionais mais renomados do direito administrativo e "pai" da LGT (Lei Geral de Telecomunicações), Sundfeld apresentou um parecer no tribunal em que defende modelo de leilão com restrições à concorrência, na linha do proposto pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) e endossado pelo MPor (Ministério de Portos e Aeroportos).

A Antaq e o MPor propuseram um leilão em duas etapas e com restrições aos atuais operadores de terminais em Santos.

Na primeira fase, os incumbentes não poderiam participar. Na segunda, só poderiam entrar se não tiver surgido nenhuma proposta na fase anterior.

Para a agência e o ministério, é uma forma de desconcentrar o mercado de contêineres em Santos.

A área técnica do TCU concluiu pela "ilegalidade" da proposta e sugeriu um leilão aberto, sem restrições, com uma cláusula de desinvestimento: se um incumbente arrematar a concessão, teria vender seus ativos atuais em Santos.

O Ministério da Fazenda, por meio da Seae (Subsecretaria de Acompanhamento Econômico e Regulação), já havia se pronunciado nessa mesma linha.

A companhia de navegação suíça MSC, que opera o terminal de contêineres BTP junto com a dinamarquesa Maersk, apresentou ao TCU um parecer do ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Carlos Ayres Britto em defesa do leilão aberto e em fase única.

O ministro Antonio Anastasia, relator no TCU, ainda aguarda manifestação do Ministério Público de Contas para pautar o processo em plenário.

Valor - SP   15/10/2025

Os Estados Unidos e a China começaram nesta terça-feira a cobrar taxas portuárias adicionais de empresas de transporte marítimo, tornando o alto mar uma frente importante na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Um retorno a uma guerra comercial total parecia iminente na semana passada, depois que a China anunciou uma grande expansão de seus controles de exportação de terras raras e o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou aumentar as tarifas sobre os produtos chineses para três dígitos.

Porém, após o fim de semana, ambos os lados procuraram tranquilizar operadores e investidores, destacando a cooperação entre suas equipes de negociação e a possibilidade de encontrarem um caminho a seguir.

A China disse que começou a cobrar taxas especiais sobre navios de propriedade, operados, construídos ou com bandeira dos EUA, mas esclareceu que os navios construídos na China estarão isentos das taxas.

Em detalhes publicados pela emissora estatal CCTV, a China definiu disposições específicas sobre isenções, que também incluem navios vazios que entram em estaleiros chineses para reparos.

As taxas portuárias extras impostas pela China serão cobradas no primeiro porto de entrada em uma única viagem ou nas cinco primeiras viagens em um ano, seguindo um ciclo de cobrança anual que começa em 17 de abril.

No início do ano, o governo Trump anunciou planos de cobrar taxas dos navios ligados à China para afrouxar o controle do país sobre o setor marítimo global e reforçar a construção naval dos Estados Unidos.

Uma investigação durante o governo do ex-presidente Joe Biden concluiu que a China usa políticas e práticas injustas para dominar os setores marítimos, logísticos e de construção naval globais, abrindo caminho para essas penalidades.

A China revidou na semana passada, dizendo que iria impor suas próprias taxas portuárias aos navios vinculados aos EUA a partir do mesmo dia em que as taxas dos EUA entrassem em vigor.

Analistas preveem que a transportadora de contêineres Cosco, de propriedade da China, será a mais afetada, arcando com quase metade do custo esperado de US$3,2 bilhões desse segmento com essas taxas em 2026.

Na terça-feira, o Ministério do Comércio chinês pediu aos EUA que "retifiquem suas práticas errôneas" e, em vez disso, busquem o diálogo e a consulta.

"Se os EUA optarem pelo confronto, a China o levará até o fim; se optarem pelo diálogo, a porta da China permanecerá aberta", afirmou.

"Essa simetria retaliatória trava ambas as economias em uma espiral de tributação marítima que corre o risco de distorcer os fluxos globais de frete", disse a Xclusiv Shipbrokers Inc, com sede em Atenas, em uma nota de pesquisa.

Um consultor sediado em Xangai que assessora empresas globais no comércio com a China disse que as novas taxas podem não ser muito perturbadoras para o setor e que qualquer aumento de custos provavelmente será capturado em preços mais altos.

"O que vamos fazer? Parar de enviar? O comércio já está bastante prejudicado com os EUA, mas as empresas estão encontrando uma maneira", disse o consultor, pedindo para permanecer anônimo pois não está autorizado a falar com a mídia.

A Tribuna - SP   15/10/2025

O leilão que trata da concessão do canal de acesso aos portos do Paraná foi confirmado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) para o próximo dia 22, na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo. Pelo menos sete empresas se interessaram pelo certame.

Trata-se da primeira iniciativa do gênero no País - e que servirá de base para o pregão envolvendo o do Porto de Santos, que deve ser o próximo da lista. A previsão é de que seja realizado no primeiro semestre do próximo ano, a partir de fevereiro.

Os valores de investimentos envolvendo as concessões dos dois canais de acesso, porém, são muito diferentes. No paranaense, o total será R$ 1,2 bilhão. Já no do complexo santista, o maior do Hemisfério Sul, o valor alcança em torno de R$ 6,45 bilhões. Os tempos de contrato são iguais: 25 anos e prorrogáveis para até 70 anos.

A dragagem é outro ponto importante. No canal de acesso de Paranaguá, entre as melhorias previstas, está o aumento da profundidade, a partir do quinto ano da concessão, para 15,5 metros - atualmente o acesso aquaviário tem 13,3 metros. No de Santos, a intenção é aprofundar gradualmente para 17 metros e manter a profundidade, de modo a receber maiores navios e o máximo de suas cargas.

Pedido de impugnação
A DTA Engenharia, empresa brasileira do setor, protocolou uma impugnação formal ao edital. A solicitação aconteceu na última sexta-feira, data final para pedidos dessa natureza, segundo o cronograma do pregão divulgado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). A empresa é responsável pelos projetos e pela dragagem de aprofundamento do Porto de Paranaguá.

“A análise demonstrou que o edital não considerou o mercado brasileiro de dragagem, nem avaliou os riscos à soberania, à segurança e ao desenvolvimento nacional. Em escala global, o setor é dominado por apenas cinco grandes grupos), que são sustentados por financiamento e subsídios estatais de seus países de origem”, argumenta o gerente jurídico da empresa, Renan Beloto.

Estatais
A atual modelagem, segundo o gerente jurídico da DTA, pode “transferir o controle de infraestrutura aquaviária estratégica e essencial a grupos estatais estrangeiros (como China, Bélgica, Holanda e Luxemburgo)”.

“A manifestação da DTA também evidencia a ausência de análise sobre os conflitos concorrenciais decorrentes da verticalização entre operadores portuários e empresas de dragagem pertencentes ao mesmo grupo econômico. A verticalização culminaria em possível restrição de acesso de terminais concorrentes à infraestrutura essencial, priorização de embarcações vinculadas às suas operações e distorção da competição intraporto”, observa Beloto.

O edital do leilão do canal de acesso aponta que, para fins de qualificação técnica, é necessário que a proponente se enquadre como uma empresa de dragagem. Caso seja integrante de um consórcio, deverá deter, pelo menos, 15% de participação.

Analisando
Procurada, a Antaq informou em nota que a área técnica do órgão “analisará e decidirá sobre todas as impugnações apresentadas, publicando as informações correspondentes no site da Agência, nos prazos e condições previstos no edital”.

Já a Portos do Paraná disse que o leilão é de responsabilidade da Antaq e que, por esse motivo, não recebeu nenhum comunicado oficial a respeito da impugnação.

Detalhes
Além do aumento da profundidade, foram definidos a ampliação e o alargamento do canal de acesso de Paranaguá, o alargamento da bacia de evolução e o aprofundamento da área de fundeio, entre outras melhorias. O futuro concessionário executará, também, investimentos que incluem serviços de dragagem, derrocagem, sinalização náutica, batimetria, programas e monitoramentos ambientais.

O valor de investimento no canal de acesso paranaense será de R$ 1,2 bilhão ao longo dos 25 anos de contrato — prorrogáveis até 70 . Para efeito de comparação, no futuro leilão do canal do complexo santista, o maior do Brasil e do Hemisfério Sul, as cifras chegam a R$ 6,45 bilhões no mesmo tempo de vínculo. No mesmo certame, será leiloado o terminal RDJ07, no Porto do Rio de Janeiro, para movimentação de carga de apoio offshore. A previsão de investimentos, ao longo dos 25 anos, é de R$ 99,4 milhões. Outro incluído no certame é o Terminal Marítimo de Passageiros (TMP) do Porto de Maceió, em Alagoas. Serão investidos R$ 3,7 milhões em concessão de igual período. O local contará com estação de passageiros e estacionamento.

PETROLÍFERO

IstoÉ Dinheiro - SP   15/10/2025

Os contratos futuros de petróleo fecharam em queda nesta terça-feira, 14, após uma breve recuperação na véspera, com o mercado voltando a sentir o peso das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, reacendidas pela imposição mútua de taxas portuárias sobre embarcações. Além das disputas entre as duas potências, persistem preocupações com o excesso de oferta da commodity.

O petróleo WTI para novembro, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou em queda de 1,33% (US$ 0,79), a US$ 58,70 o barril. Já o Brent para dezembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), recuou 1,47% (US$ 0,93), a US$ 62,39 o barril.

Uma nova escalada do conflito comercial entre Washington e Pequim ameaça enfraquecer a demanda global e pressionar os preços do petróleo.

Ao mesmo tempo, crescem temores de excesso de oferta após a Agência Internacional de Energia (AIE) aumentar previsão de superávit, além de apontar acúmulo de barris em estoques flutuantes e em trânsito, o que em breve deve chegar aos principais centros de armazenamento.

O relatório mensal da AIE foi “inusitadamente pessimista”, reforçando a tendência de baixa, disse a Ritterbusch. “Embora os gráficos possam sugerir uma nova queda do WTI para a faixa dos US$ 55, uma reversão acentuada pode ocorrer caso surjam sinais da Casa Branca de que as conversas do presidente Donald Trump com o presidente chinês, Xi Jinping, seguirão conforme o previsto”, disse a Ritterbusch.

Pequim ainda anunciou sanções contra cinco subsidiárias americanas de um estaleiro sul-coreano, em resposta à ameaça dos EUA de impor uma tarifa de 100% sobre produtos chineses. “A indústria do petróleo continua a navegar por questões geopolíticas”, segundo o ANZ Research. Enquanto isso, os países da Opep+ seguem ampliando a produção, alimentando o receio de um superávit ainda maior, que tende a manter os preços sob pressão, aponta o ANZ.

Valor - SP   15/10/2025

Segundo Nicola Miccione, um estudo encomendado à Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre o valor da concessão está em vias de ser concluído

O governo do Rio espera definir até o fim do ano o destino da concessão estadual de distribuição de gás, informou, nesta terça-feira (14), o secretário da Casa Civil, Nicola Miccione. Atualmente, o serviço está a cargo da Naturgy.

Segundo Miccione, um estudo encomendado à Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre o valor da concessão está em vias de ser concluído. A partir do resultado, que deve ser entregue ainda este mês, o governo vai avaliar se renova por mais 20 anos a concessão atual da distribuição de gás ou realiza uma nova licitação até 2027.

“A gente acredita que ainda no mês de outubro deve ter números mais precisos. Aí a gente vai entrar no mês de novembro e levar essas informações ao governador para que ele possa dar os encaminhamentos necessários. Ainda este ano nós temos uma decisão de renovação, ou de decisão de uma nova licitação”, afirmou ao Valor, após participar do evento “Diálogos RJ”, organizado pelo jornal “O Globo”, no centro do Rio.

No painel, o secretário explicou que a decisão vai levar em conta o valor de outorga e o compromisso de investimentos.

“Olhando o cenário econômico de que é possível renovar, obviamente isso se dará na economicidade devida, ou seja, com a empresa pagando a outorga que o mercado pagaria, com os investimentos necessários para o desenvolvimento econômico do Estado colocados na mesa com um cronograma rigoroso de cumprimento e uma modernização contratual, porque é uma renovação que demandaria mais vinte anos”, disse.

Caso a renovação não seja considerada a melhor opção, será dado início a um novo processo de concessão que precisa acontecer no prazo de dois anos. “Caso a renovação não seja o melhor cenário, a gente parte com uma licitação porque essa renovação precisa ocorrer até 2027. Isso trará, em qualquer das hipóteses, algum valor de outorga para o estado que será utilizado para novos investimentos em infraestrutura”, continuou.

Segundo o chefe da Casa Civil, o impacto da tarifa será considerado para não afetar a competitividade da indústria fluminense, nem aumentar o custo residencial.

Petro Notícias - SP   15/10/2025

A PetroReconcavo concluiu a venda de 50% de sua participação e a transferência da operação em sete concessões no Rio Grande do Norte para a Mandacaru Energia. O acordo, formalizado em 10 de outubro, envolve os campos de Acauã, Baixa do Algodão, Fazenda Curral, Fazenda Malaquias, Pajeú, Rio Mossoró e Três Marias.

Segundo a empresa, o valor total da transação é de US$ 5 milhões, estruturados em etapas. Do total, 20% foram pagos na data de fechamento, 15% serão pagos daqui a seis meses e 65% restantes correspondem à contrapartida da PetroReconcavo em investimentos destinados ao desenvolvimento da produção das concessões, a serem realizados ao longo de até dois anos.

Com o fechamento do negócio, foi criado um consórcio entre as duas empresas, regido por um Joint Operating Agreement (JOA) que define as regras de operação conjunta. A Mandacaru Energia já atua como operadora das concessões de Cardeal e Colibri, também em parceria com a PetroReconcavo. Desde que assumiu a operação dessas áreas, a empresa registrou aumento significativo nos níveis de produção. Com a nova operação, o número de concessões compartilhadas entre as duas companhias chega a nove.

“A conclusão desta Transação reforça a estratégia da Companhia de otimização do portfólio e alocação eficiente de capital, com foco em ativos de maior atratividade econômica e potencial de retorno, reafirmando o compromisso com a geração sustentável de valor a longo prazo e a disciplina financeira“, escreveu o Vice-Presidente Financeiro e de Relações com Investidores da PetroReconcavo, Rafael Procaci da Cunha, em comunicado ao mercado.

Valor - SP   15/10/2025

Expectativa é de que o órgão libere a perfuração antes de vencer contrato com a sonda, no dia 21

Depois de o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) fazer mais um pedido de ajustes à Petrobras no processo de licença da Foz do Amazonas na manhã desta terça-feira (14), a presidente da petroleira, Magda Chambriard passou a ter outra preocupação. Segundo a executiva, a maior questão para a companhia neste momento é o prazo de vencimento do contrato da sonda designada para a perfuração da área, na Margem Equatorial. O navio-sonda ODN II, da Foresea, está contratado com a Petrobras até a próxima terça (21).

Segundo Chambriard, a Petrobras paga R$ 4,2 milhões por dia para manter o navio no local. A sonda está na área da perfuração desde 18 de agosto. Caso a licença do Ibama não seja concedida até o fim do contrato, a Petrobras teria que contratar um novo equipamento para realizar a perfuração. Conforme a executiva, essa sonda é um tipo raro da ferramenta, com muita demanda, o que dificulta uma renegociação.

“Minha preocupação agora é com o dia 21, que é o limite de contrato com a sonda. Se a gente não começar a perfurar até dia 21, essa sonda pode ser retirada da locação e pode ser preciso que seja substituída por outra no futuro”, disse a executiva, após participar de reunião do conselho empresarial de petróleo e gás da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan).

Procurada pelo Valor, a Foresea, fornecedora da sonda, disse que cumpre as regras contratuais e está à disposição do cliente, a Petrobras.

Em 24 de setembro, o Ibama aprovou o resultado da simulação da Petrobras na Foz do Amazonas, a última etapa antes da licença ambiental, mas com pedidos de ajustes. O simulado, chamado de avaliação pré-operacional (APO), é uma forma de a petroleira comprovar capacidade de resposta em caso de vazamento de óleo.

Dois dias depois, em 26 de setembro, a Petrobras enviou o plano de atendimento à fauna e o plano de emergência para o Ibama com os ajustes pedidos. Desde então, o órgão ambiental só se manifestou nesta terça-feira, com novo pedido de adaptações. O Ibama propôs à Petrobras uma reunião na quinta-feira (16), às 14h, para esclarecer os pontos que ainda faltam. A Petrobras informou em nota que irá responder às demandas do Ibama.

Para a presidente da petroleira, é possível sair dessa reunião já com a licença aprovada e evitar a possível perda da sonda. “Esperamos sair da reunião com tudo resolvido. A sonda está na locação e a broca apontada na direção do poço.”

Acredito que a licença da Foz do Amazonas tende a sair depois da COP30”

— Suely Araújo

Segundo Chambriard, os pedidos de ajustes do Ibama pegaram a companhia de surpresa. “Nós fomos pegos de surpresa no primeiro pedido de ajuste depois do simulado, que dirá no segundo.”

Para o ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e presidente da Gasmar, Allan Kardec, a Petrobras está preparada para fazer a perfuração. “A Petrobras está pronta. O que o Ibama está fazendo é forçar o Estado brasileiro a gastar mais dinheiro em um negócio que está autorizado politicamente. Não tem sentido protelar. Lamento que o Ibama esteja fazendo uma chicana para atrasar a perfuração e se fortalecer durante a COP30, usando o evento para inviabilizar a atividade com pressão internacional.”

A ex-presidente do Ibama e coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, afirma que não é possível estabelecer uma data para a aprovação da licença. “Acredito que tende a sair depois da COP30. Infelizmente, porque os problemas de expandir a exploração e produção de petróleo na bacia da Foz do Amazonas vão muito além das pendências que estão sendo analisadas atualmente pelo Ibama. O grande sistema recifal amazônico ainda não foi estudado como deveria e a modelagem de dispersão do óleo em caso de acidentes adotada no processo tem fragilidades. A lista é grande e inclui a decisão totalmente equivocada do governo de expandir fósseis em plena crise climática.”

A APO da Petrobras na Foz do Amazonas foi concluída em 27 de agosto e teve quatro dias de duração. Com a sonda, a estrutura de respostas a emergências da Petrobras teve ainda seis embarcações de contenção e recolhimento de óleo, seis embarcações para monitoramento, resgate e atendimento à fauna e três aeronaves, além do centro de fauna construído pela companhia em Oiapoque (AP).

Valor - SP   15/10/2025

O Ibama emitiu um ofício em que pede novos ajustes no plano de emergência e no plano de atendimento à fauna da Petrobras

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse, nesta terça-feira (14), que a maior preocupação da companhia neste momento quanto ao processo de licenciamento ambiental para perfuração na Foz do Amazonas é com o contrato da sonda. Designada para perfuração na locação desde 2023, a ODN II, da Foresea, tem contrato a vencer com a estatal no próximo dia 21.

“Minha preocupação agora é com o dia 21, que é o limite de contrato com a sonda. Se a gente não começar a perfurar até dia 21, essa sonda pode ser retirada da locação e pode precisar ser substituída por outra no futuro”, disse a executiva a jornalistas, após participar de reunião do Conselho Empresarial de Petróleo e Gás da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Na manhã desta terça, o Ibama emitiu um ofício em que pede novos ajustes no plano de emergência e no plano de atendimento à fauna da Petrobras. Essa é a segunda vez que o órgão ambiental pede ajustes à Petrobras nesses documentos depois de aprovar o resultado do exercício simulado da companhia, o que é considerado a última etapa dentro do processo de licenciamento.

Na divulgação desta terça, o Ibama pede uma reunião com a Petrobras na quinta-feira (16), às 14h, para esclarecer os pontos necessários.

Segundo Magda Chambriard, a expectativa é que a companhia saia do encontro com o Ibama já com a autorização para perfuração: “Esperamos sair da reunião com tudo resolvido. A sonda está na locação e a broca apontada na direção do poço.”

Segundo a executiva, a Petrobras paga R$ 4,2 milhões por dia no contrato da sonda. “Nós fomos pegos de surpresa no primeiro pedido de ajuste depois do simulado, que dirá no segundo”, disse Chambriard.

RODOVIÁRIO

Diário do Comércio - MG   15/10/2025

O Grupo EPR, administradora de seis concessões rodoviárias em Minas Gerais, avalia a participação nos próximos leilões de rodovias federais no Estado. Formada com a parceria do grupo de infraestrutura Equipav com o fundo de investimento Perfin, a empresa acredita que os próximos três certames possuem projetos atrativos para o setor.

Em entrevista exclusiva ao Diário do Comércio, durante a apresentação do balanço de um ano de administração da concessão da BR-040 entre Belo Horizonte e Juiz de Fora (Zona da Mata), pela EPR Via Mineira, subsidiária do grupo, o diretor-presidente do Núcleo MG Federal da EPR, Luciano Louzane, não descartou a possibilidade de a empresa disputar mais um leilão no Estado, após vencer o certame da BR-040 há pouco mais de um ano.

“Nós estamos avaliando sim todas as oportunidades que estão surgindo, não só em Minas Gerais, mas em outros estados da federação”, disse. “Essa avaliação leva em conta uma série de dados e não é possível afirmar com relação à participação, mas que sim, estamos avaliando todas as oportunidades que estão surgindo com relação a leilão de rodovia”, disse.

Além das estradas em Minas Gerais, o Grupo EPR administra duas concessões de lotes de mais de 600 quilômetros (km), cada, formado por rodovias federais e estaduais no Paraná.

As próximas concessões de rodovias federais alvo de leilões da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) neste ano são a Rota Sertaneja, trecho de 530,6 km do lote das BR-153 e BR-262, que perpassa os estados de Goiás e Minas Gerais, previsto para seis de novembro; e a otimização contratual da Fernão Dias, segmento rodoviário de 569 km da BR-381 entre Belo Horizonte e São Paulo, previsto para 11 de dezembro.

O leilão da Rota das Gerais, lote de rodovias em Minas Gerais das BR-116 e BR-251, entre Montes Claros, no Norte do Estado, e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, ainda não tem data definida, mas previsão de ser realizado no início do próximo ano. Com aproximadamente 751,1 km, será o maior trecho de rodovias federais a ser concedido ao setor privado em todo o Estado.

Entre investimentos em obras de melhorias, ampliação de capacidade e serviços operacionais, as três concessões contam com aportes da ordem de R$ 10 bilhões a R$ 15,3 bilhões. O diretor-presidente do Núcleo MG Federal da EPR considera que os três projetos são atrativos para as concessionárias de rodovias e tem potencial de destravar investimentos em uma infraestrutura rodoviária deficitária.

Louzane ressalta ainda a concorrência que tem marcado os leilões de rodovias mais recentes, com novos entrantes, inclusive internacionais. “É importante destacar que nos últimos anos o número de players cresceu consideravelmente. Tem espaço para todos. O projeto sendo bom e atrativo para os grupos, com certeza haverá um avanço na entrega de propostas com os possíveis leilões futuros”, finaliza.

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