Diário do Aço - MG 15/07/2025
Morreu nesta segunda-feira (14) o ex-presidente da Usiminas, Sergio Leite de Andrade, aos 71 anos. A família confirmou que o velório e o sepultamento do engenheiro serão no Cemitério Bosque da Esperança, no bairro Jaqueline, em Belo Horizonte. A cerimônia fúnebre está agendada para as 12h de terça-feira (15). O sepultamento ocorrerá às 16h.
Conforme noticiado mais cedo pelo Diário do Aço, Sergio Leite estava em uma sua residência, um apartamento em um condomínio, em Nova Lima, Região Metropolitana de Belo Horizonte, e foi encontrado sem vida no começo da manhã.
Formado em Engenharia Metalúrgica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Engenharia Metalúrgica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sergio Leite foi escolhido presidente da Usiminas em 2016,conforme divulgado pelo Diário do Aço na época. Em 19 de maio de 2022, deixou o cargo de presidente da empresa e foi para o Conselho de Administração da companhia.
Leite também atuou no Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil e no Conselho de Administração da Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais (ABM).
O engenheiro atuou por cerca de 50 anos anos na Usiminas. Ao longo de sua carreira na empresa, o engenheiro ocupou mais de uma dezena de cargos executivos na siderúrgica ipatinguense.
Sergio Leite também também tinha forte ligação com Ipatinga. A ex-esposa, com quem teve um casal de filhos, reside em Ipatinga. Os filhos são, Maitê (médica em Belo Horizonte) e Sergio Leite Filho (administrador e consultor empresarial com atuação, inclusive, em Ipatinga).
Em uma recente entrevista, quando perguntado sobre a Usiminas em sua vida, o executivo resumiu da seguinte forma: “A Usiminas é uma empresa icônica, de mais de 60 anos. Trabalhei e continuo trabalhando na companhia em que tive todas as oportunidades da minha vida e onde construí minha carreira técnica e executiva e onde a base de tudo são as pessoas”, concluiu.
Nota da Usiminas
Por meio de nota, a Usiminas informou que Sergio Leite era, atualmente, vice-presidente de Assuntos Estratégicos da companhia. "Muito relevante sua trajetória institucional, atualmente era presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil e membro do Conselho Estratégico da Fiemg, sendo reconhecido por sua atuação ética, respeitosa e por sua visão estratégica", afirma a nota.
O presidente da Usiminas Marcelo Chara, que trabalhou com Sergio desde 2012, declarou por meio da nota divulgada no fim da manhã desta segunda-feira, que “Sergio deixa um legado de compromisso, competência e uma total dedicação às pessoas da Usiminas e às comunidades onde atuou, começando por Ipatinga, em Minas Gerais. Agradeço imensamente por tudo que aprendi com ele”, concluiu.
Autoridades políticas lamentam a perda
Já o prefeito de Ipatinga, Gustavo Nunes (PL), em uma postagem nas mídias sociais, apontou que Sergio Leite era uma das "maiores lideranças da história da Usiminas e referência nacional no setor do aço. Ele marcou gerações com sua visão estratégica e conduziu a empresa a resultados históricos, ajudando a impulsionar Ipatinga e a economia de toda a região. Seu nome é parte inseparável da trajetória da nossa cidade".
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, publicou que Sergio era “um homem do bem que construiu grandes relações, nome importante da indústria e da siderurgia em nosso Vale do Aço, Minas e no Brasil. Meus sentimentos à família e amigos. Que Deus conforte a todos”.
Amigos despedem-se do engenheiro e relembram feitos
Sob comoção, amigos de Sergio Leite prestaram suas homenagens em entrevista ao Diário do Aço. José Osmir foi presidente da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Prestação de Serviços de Ipatinga (Aciapi) e atuou na Secretaria de Assistência Social da prefeitura. “Nós nos encontrávamos sempre. Também convivemos no Rotary Club. Ele tinha um bom relacionamento com toda a cidade, era de muitos amigos. Foi uma pessoa muito dinâmica, gentil, boa de papo e dedicada ao trabalho. Tínhamos boas conversas”, relatou.
Já Elísio Cacildo foi o primeiro presidente da Agência de Desenvolvimento de Ipatinga (ADI) devido à indicação do ex-presidente da Usiminas. Elísio se emocionou ao lembrar da indicação. “A reunião para a criação da ADI ocorreu na casa dele, que morava no Castelo na época. Os diretores da Aciapi estavam todos presentes. Meu nome surgiu por meio disso. Nosso convívio começou quando ele foi trabalhar na Usiminas, na minha área de engenharia. Ele é o modelo dos engenheiros que passaram por lá, um dos maiores. Quem trabalhou na companhia por 40 anos, como eu, fica muito sentido com a perda”, afirmou.
O empresário Valter Oliveira o conheceu na década de 1970, quando trabalhou na Usiminas, e também relembrou da criação da agência. “Éramos do time fantástico do doutor Rinaldo (Campos Soares, ex-presidente da Usiminas), com José Osmir, Sebastião Gonçalves e Amarildo Assis. Foi um grande amigo, frequentei a casa dele e tive convívio com os filhos. Era um cara polivalente. O Sergio foi e sempre será um destaque”, apontou.
O ex-presidente da Associação dos Técnicos Industriais em Ipatinga (ATII) e diretor da Associação dos Metalúrgicos Aposentados e Pensionistas de Ipatinga (AAPI), Eli Monteiro, foi um parceiro do engenheiro no Centro de Pesquisas da Usiminas. “Quando eu estava na presidência da associação dos técnicos, Leite me ajudou muito, dando ideias e apoio. Além de tudo, era meu amigo. Era uma pessoa muito dinâmica, extrovertida e inteligente. Vai deixar muitas saudades”, contou.
Valor - SP 15/07/2025
Empresa afirmou que o fechamento da operação deficitária de aço longo sul-africana não poderá mais ser adiado além de 30 de setembro, a menos que uma solução seja encontrada em breve.
As conversas com o governo sul-africano até agora obtiveram pouco progresso para evitar o fechamento das operações deficitárias de aço longo da ArcelorMittal South Africa, disse a empresa nesta segunda-feira (14).
A unidade sul-africana da segunda maior siderúrgica do mundo afirmou inicialmente em novembro de 2023 que planejava fechar as duas usinas, citando demanda doméstica fraca, tarifas elevadas de eletricidade, logística ferroviária precária e concorrência de miniusinas locais de reciclagem de sucata metálica e importações da China.
“Lamentavelmente, houve progresso limitado até o momento para corrigir os principais obstáculos estruturais”, disse a ArcelorMittal South Africa em uma atualização de resultados. A empresa afirmou que o fechamento não poderá mais ser adiado além de 30 de setembro, a menos que uma solução seja encontrada em breve.
O ministro sul-africano do Comércio e Indústria, Parks Tau, disse aos legisladores em 4 de julho que o governo está em “modo de combate a incêndio” enquanto tenta evitar o fechamento das operações da ArcelorMittal em KwaZulu Natal e próximo a Joanesburgo.
O fechamento das usinas, que fornecem trilhos ferroviários, barras para rodovias e componentes para os setores de construção, mineração e manufatura, bem como peças para a indústria automotiva, já foi adiado duas vezes enquanto a empresa e o governo buscavam salvar os 3.500 empregos diretamente ameaçados.
Em março, a siderúrgica adiou o fechamento para 30 de setembro depois que a estatal Industrial Development Corporation injetou 1,683 bilhão de rands (US$ 94,22 milhões) em dinheiro.
As importações inundaram o mercado interno, ocupando mais de 35% da demanda local de aço, enquanto o serviço ferroviário de carga “deteriorou-se para seus níveis mais baixos de todos os tempos, resultando em risco operacional significativamente elevado”, disse o comunicado da siderúrgica.
A ArcelorMittal South Africa espera reportar um prejuízo por ação entre 0,89 rand e 0,99 rand (US$ 0,0498 a US$ 0,0554) para o semestre encerrado em 30 de junho, reduzindo sua perda em relação ao prejuízo de 1 rand por ação registrado no mesmo período do ano passado.
Os volumes de vendas caíram cerca de 10% no primeiro semestre de 2025 em comparação ao ano passado, disse a empresa.
A ArcelorMittal South Africa divulgará seus resultados financeiros do semestre em 31 de julho.
Valor - SP 15/07/2025
Analistas da agência explicaram que as notas refletem a forte posição de negócios da companhia, sua consistente geração de caixa, além de estrutura de capital conservadora e forte perfil de liquidez.
A Fitch Ratings reiterou as notas de crédito em moedas estrangeira e local da Gerdau em “BBB”, além da nota nacional em “AAA(bra)”, mantendo também perspectiva estável para as classificações.
Os analistas Hector Collantes, Débora Jalles e Martha Rocha escrevem que as notas refletem a forte posição de negócios da Gerdau, sua consistente geração de caixa, além de estrutura de capital conservadora e forte perfil de liquidez.
“A diversificação geográfica das operações da empresa e sua flexível estrutura operacional de produção de aço em fornos elétricos a arco proporcionam vantagens competitivas”, comentam.
A agência de classificação de riscos afirma que todos esses fatores permitem que a Gerdau adapte rapidamente suas operações e permaneça entregando resultados positivos ao longo dos ciclos econômicos.
Valor - SP 15/07/2025
“Nós mal começamos”, disse o presidente dos EUA, ao comentar sobre o montante.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (14) que o governo americano arrecadou US$ 188 bilhões com as tarifas sobre os setores automobilístico e siderúrgico (aço e alumínio). “Nós mal começamos”, disse ele, ao refletir sobre o montante anunciado.
Na sexta-feira (11), o Departamento do Tesouro americano anunciou uma arrecadação recorde proveniente de tarifas alfandegárias no acumulado do ano fiscal até junho, de US$ 113 bilhões. Naquele mês, o governo de Trump registrou US$ 27 bilhões em receitas oriundas de tarifas alfandegárias.
Atualmente, as taxas em vigor sobre a indústria automotiva estão fixadas em 25%, enquanto, desde o mês de junho, as tarifas sobre aço e alumínio vigoram no patamar de 50%.
Já as tarifas “recíprocas”, anunciadas em abril, estão congeladas após Trump adiar a data limite da pausa, de 9 de julho para 1º de agosto. Essa imprevisibilidade coloca em xeque a continuidade do ritmo dessa receita tarifária.
O Estado de S.Paulo - SP 15/07/2025
O avanço de 0,24% da inflação em junho elevou para 5,35% o acumulado em 12 meses e inaugurou o estouro inflacionário sob o sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro. Por esse modelo, o comportamento da inflação apurado em um ano é observado mês a mês, e a meta é considerada descumprida quando o resultado ficar acima do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos. Durante todo o primeiro semestre, o acumulado do IPCA ficou bem acima de 4,5%, o limite máximo permitido para a meta de 3% ao ano.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central (BC), teve de escrever ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mais uma carta detalhando que o banco não conseguiu conter a inflação em razão de fatores como o sobreaquecimento da economia, que roda com demanda acima da capacidade de produção. Até março do ano que vem, o banco espera trazer a inflação para dentro do limite máximo e, ao final de 2026, chegar aos 3%.
A carta é uma formalidade, mas carrega a importantíssima função de reafirmar o compromisso do BC com o controle da inflação, razão para o ciclo de aperto monetário iniciado em setembro do ano passado que incorporou, desde então, 4,5 pontos porcentuais à Selic. O pacto ratificado pelo BC ganha mais relevância diante da leviandade explícita do presidente Lula da Silva, que não perde a oportunidade de vaticinar uma iminente queda dos juros, insistindo que os preços estão “razoavelmente controlados”.
Não é o que mostra o aumento de preços em sete dos nove grupos do IPCA em junho. Em audiência na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, Galípolo destacou que mais de 70% dos itens que compõem o índice estão acima da meta e que essa é a principal justificativa para a taxa de juros de 15% ao ano. Não são altas pontuais, neste ou naquele produto ou serviço, e sim um encarecimento espalhado dos preços.
De quebra, o presidente do BC expôs aos deputados que, ao contrário de outros países, no Brasil os subsídios cruzados distorcem e barateiam o custo do crédito para as empresas e esvaziam a Selic como trava inflacionária. Seria essa a explicação para a demora nos efeitos dos juros sobre os preços.
Inflação não é brincadeira, e embora Lula tenha dito que os brasileiros levam a alta de preços “muito a sério”, o contínuo estouro da meta preocupa – e muito. O sistema atual, com aferição mês a mês, confirma que os juros não conseguem frear a inflação justamente porque outros fatores, inclusive incentivos do próprio governo, continuam empurrando os preços para cima.
Nas últimas semanas causou apreensão a retomada da pressão de Lula da Silva e do PT pelo corte dos juros a qualquer custo, sob pretexto de fomentar o desenvolvimento econômico mesmo com “um pouco de inflação”. Em junho, duas semanas antes de o Copom elevar de 14,75% para 15% a Selic, Lula chegou a dizer que “logo, logo” o Banco Central tomaria a “atitude correta” de começar a baixar os juros.
A pressão petista andava arrefecida desde a passagem de bastão na presidência do BC, em 1.º de janeiro. Indicado no governo Bolsonaro, Roberto Campos Neto continuou no cargo nos dois primeiros anos do governo atual, para só então ser substituído por Galípolo, indicado de Lula. A não coincidência dos mandatos, imposta pela lei da autonomia do banco, tem se revelado crucial para a política monetária.
Em sua ida à Câmara, em meio à pressão revigorada de parte do governo pela queda de juros, Galípolo reafirmou que o papel do Banco Central é o de defensor do poder de compra da moeda. Com todas as letras, o indicado de Lula declarou que o banco não vai se desviar desse objetivo nem mediar a busca por outra meta.
“Ninguém quer baixar os juros para ter uma inflação lá em cima. Você quer conviver com uma taxa de juros que produza o mesmo efeito, do ponto de vista de conter a inflação”, explicou aos deputados. Ou seja, se o governo quer que os juros caiam, precisa trabalhar para acabar com os fatores que fazem a inflação subir, sobretudo os gastos públicos em excesso.
Globo Online - RJ 15/07/2025
A imposição de uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos, anunciada pelo presidente americano Donald Trump, pode causar um freio adicional no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país este ano. Economistas calculam que o impacto pode chegar até 0,5 ponto percentual no PIB este ano, com as projeções que vão de 2% a 2,4% para o desempenho em 2025.
O Santander calcula que o real teria que se desvalorizar 5,5%, de R$ 5,40 para R$ 5,75, para compensar a queda nas exportações. Ainda assim, o banco não prevê dólar acima de R$ 5,70 de forma sustentada até o fim do ano, o que limitaria o impacto inflacionário.
A estimativa é de efeito inicial de queda de 0,10 ponto percentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com dissipação ao longo do ano. A projeção de inflação para 2025 segue em 5,1%. Só haveria revisões para cima caso o câmbio ficasse acima de R$ 5,70 por tempo prolongado. Nesse cenário, o IPCA poderia subir entre 1,5 e 2 pontos percentuais.
Incerteza no câmbio
Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências, vê impacto de até 0,3 ponto percentual no PIB, embora setores como aço e máquinas devam sentir mais. Para ela, o câmbio será variável-chave. Ela afirma que, como as tarifas têm motivação política, pode haver temor de novas medidas dos EUA, o que deixaria investidores mais cautelosos com o Brasil e faria o dólar subir. Mas se o protecionismo de Trump enfraquecer a economia americana, o dólar pode perder força:
— Não está claro se o câmbio vai entrar numa trajetória de depreciação.
Parte da produção destinada aos EUA pode ser redirecionada ao mercado interno, o que tende a conter os preços de itens como carne, café e aço. O Brasil também pode buscar novos parceiros comerciais.
— O Brasil pode perder receita, mas consegue achar outros clientes. O café e a carne estão super demandados. A gente consegue achar comprador — diz Kotinda.
Para Claudio Considera, pesquisador do FGV Ibre, a incerteza sobre a resposta brasileira torna difícil prever os efeitos exatos:
— O Brasil importa muito bens intermediários dos EUA. Uma saída pode ser taxar só os produtos finais importados e não os intermediários.
O Estado de S.Paulo - SP 15/07/2025
A sobretaxa absurda de 50% sobre os produtos exportados pelo Brasil terá impacto nos preços dos alimentos e de outros bens no Brasil? Talvez, mas não é bom apostar nisso. Se realmente Donald Trump não voltar atrás, o que tem feito com frequência, é possível que café, carne e suco de laranja fiquem mais baratos. O quanto, dependerá da disposição dos produtores de reduzir o lucro para vender mais no mercado brasileiro.
Uma medida contracíclica que poderia ajudar seria a redução temporária de impostos, a fim de estimular ainda mais as vendas para os brasileiros.
Por que, na abertura do texto, coloquei em dúvida a queda dos preços? Pelo fato de que o corte de preços dependerá das cotações do dólar. Caso continuem subindo, isso pressionará a inflação. E, como sabemos, adiaria o corte da taxa Selic, mantendo os juros muito elevados.
No caso de outros produtos químicos, aço e máquinas, a situação é ainda mais complicada, pois o Produto Interno Bruto (PIB) deveria crescer muito mais para absorver alguma parte do que não será exportado. E grandes quedas de exportações também podem prejudicar a geração de empregos, com demissões em algumas áreas.
É lamentável que isso ocorra depois de um período em que o mundo sofreu com a pandemia de coronavírus. E ainda mais lastimável que a decisão de Trump tenha sido motivada por pressão indevida sobre a justiça brasileira, a fim de evitar as penalidades a que o ex-presidente Jair Bolsonaro está sujeito. É óbvio que as autoridades brasileiras dos três poderes não devem se dobrar às sandices que passam pela cabeça de Trump.
Em curto prazo, há mesmo um forte cheiro de crise econômica, exceto se Trump recuar. Em médio e longo prazos, o Brasil precisa fortalecer o mercado interno, para não ficar à mercê do bom ou péssimo humor de governantes como o presidente norte-americano.
Se conseguirmos incluir metade dos brasileiros que estão fora da classe média, cerca de 50 milhões de pessoas, teremos um mercado muito maior para todos os produtos do Brasil e de outros países. A concentração de renda, além de iníqua, é um péssimo negócio.
O relator na Câmara dos Deputados do projeto que amplia a isenção do Imposto de Renda (IR), Arthur Lira, elevou a isenção de R$ 5.000,00 (proposta do governo federal) para R$ 7.350,00. Caso seja aprovada, será uma medida que contribuirá efetivamente para aumentar o consumo da população.
Seria um bom começo na virada de um país com alta concentração de renda para uma nação com mais pessoas em condições de comprar alimentos e outros bens de primeira necessidade.
IstoÉ Dinheiro - SP 15/07/2025
Ao longo dos anos, os Estados Unidos perderam relevância na pauta de comércio do Brasil. De 2001 a 2024, a participação americana no total de exportações brasileiras regrediu de 24,4% para 12,2%, ou seja, caiu praticamente à metade.
Os números que mostram esse comportamento fazem parte do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), estudo mensal do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta segunda-feira (14).
Enquanto a participação americana nas nossas exportações caiu 51%, a da China, atualmente o principal parceiro comercial do Brasil, aumentou mais de oito vezes, indo de 3,3% para 28% no período de 2001 a 2024.
A União Europeia com menos 44% e a América do Sul, menos 31%, também perderam espaço para o gigante asiático no intervalo de 23 anos. Mesmo com esses dois grupos de países perdendo participação, ainda ficam na frente dos Estados Unidos.
Participação nas exportações brasileiras:
China: 28% União Europeia: 14,3% América do Sul: 12,2% Estados Unidos: 12%
O Ibre FGV elaborou o ranking com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
O Icomex faz análises sobre comércio exterior, como o comportamento da balança comercial, a diferença entre exportação e importação, e provê atenção especial nesta edição ao tarifaço prometido pelo presidente americano Donald Trump, que anunciou taxação de 50% de produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos a partir de 1º de agosto.
O levantamento aponta também a perda de relevância americana nas nossas importações. Em 2001, vinham dos Estados Unidos 22,7% do que o Brasil comprava de outros países. Em 2024, esse patamar foi reduzido a 15,5%. Essa diferença significa recuo de 32%.
No mesmo período, a participação chinesa saltou mais de dez vezes, indo de 2,3% para 24,2%. A União Europeia viu a participação nas nossas importações cair 31% e a América do Sul, recuar 45%.
Participação nas importações brasileiras:
China: 28% União Europeia: 18% Estados Unidos: 15,5% América do Sul: 10,2%Exportações diversificadas
O estudo aponta que as exportações para os americanos têm um perfil diversificado. Para efeito de comparação, quando se trata de China, apenas três produtos respondem por 96% do que o Brasil vende: petróleo, soja e minério de ferro.
Já no caso dos Estados Unidos, 10 produtos representam 57% das exportações brasileiras.
Participação dos principais produtos da pauta de exportação para os EUA:
Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus: 14% Produtos semi-acabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço: 8,8% Aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes: 6,7% Café torrado: 4,7% Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos e pó de ferro ou aço e ferro-ligas: 4,4% Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos): 4,3% Celulose: 4,1% Demais produtos – Indústria de Transformação: 3,8% Instalações e equipamentos de engenharia civil e construtores, e suas partes: 3,6% Sucos de frutas ou de vegetais: 3%
O Ibre/FGV aponta também que conjuntos de produtos siderúrgicos, aeronaves, sucos vegetais e escavadeiras seriam os mais atingidos pela ação americana, pois dependem bastante da maior economia do mundo:
ferro fundido bruto e ferro spiegel: 86% das exportações vão para os EUA; produtos semimanufaturados de ferro ou aço não ligado: 72,5%; veículos aéreos (helicópteros e aviões): 63%; pás mecânicas e escavadeiras: 53%; sumos de frutas: 34%Busca por mercados
A pesquisadora associada do Ibre/FGV Lia Valls, consultora do Icomex, avalia que alguns produtos brasileiros, como carnes e sucos, podem prospectar nossos destinos.
“Essa parte das commodities [produtos primários comercializados em grandes quantidades] pode ser que consiga”, acredita.
No entanto, ela avalia que não é simples buscar novos países compradores de produtos que ficarão inviáveis para entrar nos Estados Unidos com o aumento de preço.
“O país não consegue, em um prazo curto, desviar as exportações. Tem alguns tipos de produtos, principalmente da indústria de manufatura, muitos deles que são fabricados pelas multinacionais americanas, em que talvez já não seja tão simples colocar em outros mercados. Além do que, tem uma concorrência muito grande com a própria China”, explica.
Trump
O boletim da FGV lembra que o presidente americano já recuou algumas vezes sobre o tarifaço. O estudo mostra que no dia 2 de abril deste ano, que ficou conhecido como Liberation Day (Dia da Liberação), Trump ameaçou países parceiros com taxação.
À época, a tarifa brasileira seria de 10%. Foi desencadeada uma guerra tarifária contra a China, na qual as tarifas chegariam a 145%. Após promessas mútuas de retaliação, os dois países chegaram a um acordo, reduzindo a 30%.
Nos últimos meses, alguns países anunciaram acordos com os americanos, mas o Brasil foi surpreendido na semana passada com a taxa de 50%.
A FGV destaca que, diferentemente da ameaça de abril, quando o motivo para taxar itens brasileiros era puramente comercial, a intenção atual envolve questões políticas, incluindo processo no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe e decisão recente contra gigantes de tecnologia, as big techs.
“Foi a única [carta] que explicitou motivações políticas, o que limita a margem de negociação do governo brasileiro por tratar de questões que são da alçada exclusiva do Estado brasileiro”, diz trecho do estudo.
Apesar de a carta de Trump apontar déficit comercial – comprar mais do que vende – dos Estados Unidos no comércio com o Brasil, a FGV reforça o inverso, o Brasil não registra superávit com os Estados Unidos desde 2009.
“No primeiro semestre de 2025, a balança bilateral Brasil-Estados Unidos foi de menos US$ 1,7 bilhão”, ou seja, nós compramos deles mais do que eles compraram do Brasil.
O estudo avalia que há chance de o governo americano voltar atrás na taxação, seja pelo histórico de decisões de Trump, seja por pressão de empresas americanas também prejudicadas.
“No momento, é esperar que negociações sejam possíveis, que Trump siga o comportamento Trump Always Chickens Out (Taco), que em tradução livre significa Trump amarela ou volta atrás”, escreve o Ibre.
“Além disso, parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos são de empresas multinacionais estadunidenses, que poderão pressionar o governo Trump, da mesma forma que empresas nos Estados Unidos que utilizam os bens intermediários [serão transformados em produtos finais] do Brasil na sua produção”, completa.
Reações
O governo brasileiro tem buscado caminhos para reverter a taxação americana. Além de negociação, o Brasil sinaliza com a Lei da Reciprocidade Econômica, que encareceria as importações dos Estados Unidos.
Fora do governo, o próprio STF se manifestou, por meio de carta assinada pelo presidente da Corte, Luís Roberto Barroso. O magistrado afirma que não há perseguição política no país, e que Trump teve como fundamento uma “compreensão imprecisa dos fatos”.
Agência Brasil - DF 15/07/2025
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta segunda-feira (14) o decreto que regulamenta a Lei da Reciprocidade Comercial. A informação foi confirmada pelo ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, em declaração à imprensa após um evento no Palácio do Planalto.
O teor do decreto será publicado em edição regular do Diário Oficial da União (DOU).
A norma autoriza o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países que imponham barreiras unilaterais aos produtos do Brasil no mercado global. A medida poderá ser usada para responder à imposição da tarifa de 50% sobre todas as exportações brasileiras para os Estados Unidos (EUA), a partir do dia 1º de agosto, conforme anunciado na semana passada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
Segundo Rui Costa, o decreto não menciona especificamente nenhum país e estabelece os mecanismos necessários para dar cumprimento à lei.
"A denominação 'reciprocidade' pode responder de um formato também rápido, se outro país fizer medidas semelhantes a essa que foi anunciada pelos Estados Unidos", explicou.
Histórico
Aprovada em março pelo Congresso Nacional e sancionada em abril, a nova lei é justamente uma resposta à escalada da guerra comercial desencadeada por Donald Trump contra dezenas de países.
No caso do Brasil, a tarifa inicialmente imposta pelos EUA foi de 10% sobre todos os produtos exportados para o mercado norte-americano. A exceção nessa margem de tarifas são o aço e o alumínio, cuja sobretaxa imposta pelos norte-americanos está em 25%, afetando de forma significativa empresas brasileiras, que constituem os terceiros maiores exportadores desses metais para os norte-americanos.
A Lei da Reciprocidade Comercial estabelece critérios para respostas a ações, políticas ou práticas unilaterais de país ou bloco econômico que "impactem negativamente a competitividade internacional brasileira".
A norma valerá para países ou blocos que "interfiram nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil".
No Artigo 3º do texto, por exemplo, fica autorizado o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligado ao Executivo, a "adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços", prevendo ainda medidas de negociação entre as partes antes de qualquer decisão.
Comitê de emergência
Para discutir como reagir às tarifas dos EUA, o governo também instalou um comitê de trabalho interministerial, com participação de setores empresariais da indústria e do agronegócio.
As primeiras reuniões do colegiado ocorrerão nesta terça-feira (15), sob liderança do vice-presidente Geraldo Alckmin.
O Estado de S.Paulo - SP 15/07/2025
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2025 caiu de 5,18% para 5,17%, a sétima baixa seguida. A taxa está 0,67 ponto porcentual acima do teto da meta, de 4,50%. Considerando apenas as 59 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 5,16% para 5,17%.
A projeção para o IPCA de 2026 permaneceu em 4,50% pela nona semana consecutiva, colada ao teto da meta. Considerando apenas as 58 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana oscilou de 4,47% para 4,49%.
O Banco Central espera que o IPCA some 4,9% em 2025 e 3,6% em 2026, conforme a trajetória divulgada no último ciclo de comunicação do Comitê de Política Monetária (Copom). O fim do próximo ano é o horizonte relevante do colegiado.
Na última decisão, o Comitê aumentou a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,75% para 15,0%, e afirmou que “antecipa uma interrupção no ciclo de alta de juros”, para examinar os impactos do ajuste que já foi realizado.
A partir deste ano, a meta de inflação é contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos.
Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo. Isso aconteceu após a divulgação do IPCA de junho, na última quinta-feira, 10. A autoridade monetária publicou uma carta aberta informando que espera queda da taxa abaixo de 4,50% no fim do primeiro trimestre de 2026.
A mediana do Focus para a inflação de 2027 permaneceu em 4,0% pela 21ª semana consecutiva. A projeção para o IPCA de 2028 continuou em 3,80%. Um mês antes, era de 3,85%.
Juros
A mediana para a Selic no fim de 2025 permaneceu em 15,0% pela terceira semana consecutiva, após o Copom ter afirmado que espera manter a taxa parada por período “bastante prolongado.”
“Em se confirmando o cenário esperado, o comitê antecipa uma interrupção no ciclo de alta de juros para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado, ainda por serem observados, e então avaliar se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou o Copom, no último comunicado.
Considerando apenas as 47 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano também se manteve em 15,0%.
A mediana para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,50% pela 24ª semana consecutiva. Considerando apenas as 47 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a estimativa intermediária passou de 12,0% para 12,50%.
A projeção para o fim de 2027 continuou em 10,50% pela 22ª semana seguida. A mediana para a Selic no fim de 2028 se manteve em 10,0% pela 29ª semana consecutiva.
Dólar
A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2025 caiu de R$ 5,70 para R$ 5,65. Um mês antes, era de R$ 5,77. A estimativa intermediária para a moeda americana no fim de 2026 passou de R$ 5,75 para R$ 5,70. Quatro semanas atrás, era de R$ 5,80.
A projeção para o dólar no fim de 2027 caiu de R$ 5,75 para R$ 5,71. Um mês antes, era de R$ 5,80. Já a mediana para o fim de 2028 recuou de R$ 5,80 para R$ 5,76, após cinco semanas de estabilidade.
A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não mais no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.
PIB
A mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2025 continuou em 2,23%. Um mês antes, era de 2,20%. Considerando apenas as 32 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, caiu de 2,26% para 2,23%.
O Banco Central aumentou a sua estimativa de crescimento da economia brasileira este ano, de 1,9% para 2,1%, no Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre. Segundo a autarquia, a atividade continua resiliente, embora já seja possível observar “certa moderação” no ritmo de expansão.
A estimativa intermediária do Focus para o crescimento da economia brasileira em 2026 oscilou de 1,86% para 1,89%. Um mês antes, era de 1,83%. Considerando só as 30 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, permaneceu em 2,0%.
A mediana para o crescimento do PIB de 2027 continuou em 2,0% pela 15ª semana seguida. A estimativa intermediária para 2028 ficou estável, em 2,0%, pela 70ª semana seguida.
IstoÉ Dinheiro - SP 15/07/2025
A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 1,097 bilhão na segunda semana de julho. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta segunda-feira, 14, o valor foi alcançado com exportações de US$ 6,472 bilhões e importações de US$ 5,375 bilhões. O superávit acumulado no mês de julho é de US$ 2,277 bilhões. No ano, o superávit acumulado é de US$ 32,370 bilhões.
Até a segunda semana de julho, comparado com o mesmo período do ano passado, as exportações cresceram 1,9% e somaram US$ 12,301 bilhões. O resultado se deu devido a uma queda de 13,3% em Agropecuária, que somou US$ 2,431 bilhões; crescimento de 5,8% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 2,964 bilhões e, por fim, crescimento de 7,1% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 6,859 bilhões.
Já as importações cresceram 10,0% e totalizaram US$ 10,023 bilhões na mesma comparação, com crescimento de 6,7% em Agropecuária, que somou US$ 201 milhões; queda de 22,4% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 437 milhões e, por fim, crescimento de 12,4% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 9,326 bilhões.
O Estado de S.Paulo - SP 15/07/2025
Enquanto explorava a seleção de iPhones da Apple em uma loja de eletrônicos em Tianjin, no leste da China, Zhan Demi mencionou os motivos pelos quais precisava trocar seu aparelho. Fotos e vídeos de seu filho pequeno estavam rapidamente consumindo o armazenamento do celular.
Um dos professores de seus filhos pediu para ela baixar vários aplicativos, novamente forçando os limites de seu aparelho. Mas o fator que a levou à loja foi um programa governamental de troca, que visa estimular o consumo, que permanece estagnado na China.
Enfrentando uma guerra comercial com os Estados Unidos, o governo chinês injetou US$ 42 bilhões neste ano em um programa de troca para consumidores, o dobro do valor do ano passado.
O objetivo era impulsionar um aumento muito necessário nos gastos em um momento delicado para a economia, subsidiando descontos para uma ampla variedade de bens de consumo, de máquinas de lavar a veículos elétricos.
O programa provou ser tão bem-sucedido que várias cidades o suspenderam ou reduziram nas últimas semanas para evitar que o dinheiro acabasse prematuramente.
Em maio, as vendas no varejo cresceram surpreendentes 6,4%, superando as expectativas dos economistas, impulsionadas pela forte demanda por smartphones e eletrodomésticos.
Zhan disse: “Queremos tosar a ovelha”, usando uma expressão popular chinesa para aproveitar uma oportunidade. Ela já havia tirado proveito do programa para comprar um ar-condicionado com baixo consumo de energia e outros eletrodomésticos com descontos de até 20%. “Se pudermos atualizar tudo de uma vez quando há uma boa oferta, nós faremos”, diz.
Consumo fraco preocupa China
O consumo fraco tem sido uma preocupação de longa data para a economia chinesa. Os consumidores chineses poupam mais e gastam menos do que os da maioria dos países desenvolvidos, mesmo quando a economia está crescendo a um ritmo acelerado.
Mas agora que o crescimento está desacelerando, empregos bem remunerados estão desaparecendo e o declinante setor imobiliário — um motor fundamental da economia e um destino de investimento para a poupança — não mostra sinais de recuperação, impulsionar os gastos é fundamental para sustentar o crescimento econômico.
A estratégia usual da China para impulsionar a economia pode não funcionar desta vez. O país não pode gastar tão generosamente em infraestrutura como no passado. Seus governos locais estão afundados em dívidas após décadas de construção de aeroportos, estações de trem e pontes.
A contínua disputa comercial com os Estados Unidos e uma crescente preocupação global com a enxurrada de produtos chineses baratos limitam sua capacidade de acelerar as fábricas do país para aumentar as exportações.
Em um reflexo dos desafios enfrentados pelos formuladores de políticas, Zhan disse que, apesar de gastar por meio do programa de troca, ela também estava cortando despesas.
Quando sua cafeteria preferida aumentou os preços de US$ 1,40 para US$ 2 por xícara, ela decidiu comprar grãos e fazer café em casa. Ela disse que era natural fazer tais escolhas quando a economia não estava boa.
“Muitas pessoas estão até desempregadas, são forçadas a parar de trabalhar ou seus salários são cortados”, disse Zhan. “Então, em vez de ficarem sem dinheiro, as pessoas tendem a comparar e fazer escolhas com mais cuidado.”
Autoridades reforçam estímulo ao consumo
Embora o Partido Comunista tenha dado apenas apoio superficial à importância de impulsionar o consumo por anos, as declarações recentes de altos funcionários estão se tornando mais enfáticas.
No mês passado, o primeiro-ministro da China, Li Qiang, disse que o país estava “intensificando os esforços” para expandir a demanda doméstica com iniciativas especiais.
Falando em Tianjin, no Fórum Econômico Mundial, uma reunião de executivos de negócios, líderes governamentais e especialistas, ele prometeu fazer da China “uma potência de consumo gigantesca, além de ser uma potência de manufatura”.
Xi Jinping, o líder máximo da China, prometeu neste ano “estimular totalmente” os consumidores do país para combater o impacto de uma guerra comercial com os Estados Unidos.
O atual programa de troca — semelhante à iniciativa americana “dinheiro por carro velho” — começou no final do ano passado.
Inicialmente, aplicava-se a oito categorias de eletrodomésticos e automóveis. Os descontos variam de 15% a 20%, com maiores economias reservadas para produtos mais eficientes em termos de energia.
A China, que emitiu títulos especiais do Tesouro para financiar o programa, alocou o dobro do dinheiro para ele em 2025 e estendeu os produtos cobertos para incluir smartphones, tablets e smartwatches.
No mês passado, o governo municipal de Chongqing, junto com algumas outras regiões, suspendeu os subsídios. Chongqing, uma cidade com mais de 30 milhões de habitantes, afirmou que a pausa não era um cancelamento completo, mas sim uma preparação para uma segunda rodada de subsídios que estaria disponível em uma data posterior.
Apesar do sucesso do programa de troca, economistas temem que seu impacto no consumo seja de curta duração e possa levar a um declínio no segundo semestre do ano e no primeiro semestre do próximo ano.
O Nomura, um banco de investimento japonês, estima que as vendas no varejo no segundo semestre de 2025 diminuirão 0,4 ponto porcentual em relação ao mesmo período do ano passado, e quase um ponto porcentual no primeiro semestre do próximo ano.
O governo está explorando opções de políticas alternativas. A partir deste ano, a China planeja fornecer pagamentos anuais de US$ 500 por criança com menos de 3 anos para famílias que têm filhos, de acordo com a agência de notícias Bloomberg.
Zichun Huang, economista da China na consultoria Capital Economics, disse que os pagamentos em dinheiro foram uma “mudança de mentalidade” e lançaram as bases para outras medidas de apoio ao consumo.
Outro fator que contribui para as altas taxas de poupança na China é sua rede de segurança social pouco financiada. Embora a maioria dos cidadãos chineses esteja inscrita em seguros médicos e de pensão, os benefícios são limitados e os pagamentos do próprio bolso são significativos.
A maioria das pessoas não está coberta por seguro-desemprego ou de acidentes de trabalho, incluindo muitos dos 200 milhões de trabalhadores informais da China.
Aumento modesto na venda de carros
Zhang Dylan, vendedor da montadora BYD, disse ter testemunhado um aumento modesto nas vendas de carros devido ao programa de troca.
Enquanto esperava a chegada de potenciais clientes, ele observou que a demanda, no entanto, não era nada como havia sido há dois ou três anos, quando os pedidos chegavam em massa e havia uma lista de espera de seis meses para compradores interessados.
Como muitos consumidores chineses, Zhang disse ter sofrido dificuldades financeiras devido à queda do mercado imobiliário. Ele e sua esposa compraram uma casa em 2019 por cerca de US$ 265 mil. Desde então, seu valor caiu quase pela metade.
Questionado por que ele achava que os consumidores chineses não estão gastando mais, Zhang disse que as pessoas estão economizando porque “é muito difícil ganhar dinheiro”.
Consumo de celulares
Dentro de um shopping em Tianjin, Wang Mingke, vendedor em uma loja da fabricante chinesa de smartphones Xiaomi, disse que o programa de troca impulsionou a compra de smartphones da empresa.
Ele disse que a loja vendia mais de 30 smartphones por mês, em comparação com 20 por mês antes dos subsídios. Alguns meses atrás, nos primeiros meses da iniciativa, a loja vendeu 50 telefones em um mês.
Wang, de 35 anos, disse que o subsídio deu um pequeno empurrão para que os consumidores preocupados gastassem.
“Todo mundo está falando sobre a desaceleração econômica, e ganhar dinheiro é realmente mais difícil”, afirma. “Como sua renda fica um pouco menor, quando se trata de gastos supérfluos, você pode simplesmente optar por não comprar por enquanto.”
O Estado de S.Paulo - SP 15/07/2025
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do PIB, caiu 0,74% em maio, na comparação com abril e na série com ajuste sazonal, informou a autarquia nesta segunda-feira, 14. O resultado ficou abaixo do piso da pesquisa Projeções Broadcast, de queda de 0,50%. A mediana indicava baixa de 0,02%, e o teto, alta de 0,54%.
O BC revisou os resultados do índice em abril (0,16% para 0,05%) e março (0,71% para 0,61%), e manteve a taxa de fevereiro em 0,60%. Mudanças na série com ajuste sazonal são comuns, normalmente refletindo a adição de um novo mês ao conjunto dos dados, mas a autarquia também revisou os números sem ajuste.
O IBC-Br ex-agropecuária, que exclui os efeitos do setor sobre a atividade, caiu 0,31% em maio, após alta de 0,07% em abril (dado revisado). O indicador da agropecuária caiu 4,25%, após uma baixa de 0,93% no mês anterior (revisado), informou o BC.
O índice de serviços aumentou 0,01%, depois de ter crescido 0,39% no mês anterior (revisado); o da indústria recuou 0,52%, após baixa de 1,24% em abril (revisado); e o de impostos — equivalente, em linhas gerais, à rubrica de impostos líquidos sobre produtos do Produto Interno Bruto (PIB) — cedeu 1,02%, após uma alta de 0,20% (revisado).
Interanual
Na comparação com maio de 2024, o IBC-Br total cresceu 3,16% na série sem ajuste sazonal — abaixo da mediana da pesquisa Projeções Broadcast, de 4,10%. As estimativas do mercado iam de 2,10% a 5,20%. O BC revisou o resultado de abril, de alta de 2,46% para crescimento de 2,37%.
O índice ex-agropecuária subiu 2,86% na comparação interanual, após alta de 0,86% no mês anterior (revisado de 0,97%). O da agropecuária avançou 8,43%, depois de ter crescido 18,15% em abril (revisado de 17,99%). O indicador de serviços cresceu 2,86%, após alta de 1,12% (revisado de 1,21%), e o da indústria avançou 3,25%, depois de ter subido 0,57% (revisado de 0,76%). O índice de impostos aumentou 2,30%, após alta de 0,20% (revisado de 0,29%).
Avanço em 12 meses
O IBC-Br acumula alta de 4,04% nos 12 meses encerrados em maio, na série sem ajuste sazonal. É uma aceleração frente ao mesmo período até abril, quando a alta era de 3,94% (revisado, de 4,0%).
O índice ex-agropecuária, que exclui os efeitos do setor, cresce 3,46% – também acelerando frente ao mesmo intervalo de tempo até abril, quando avançava 3,38% (revisado de 3,44%). O indicador da agropecuária acumula alta de 12,68% nos 12 meses até maio, contra 12,13% no mesmo período até o mês anterior (revisado de 12,09%).
Também no acumulado de 12 meses, o IBC-Br da indústria acelerou de 2,74% (revisado de 2,77%) para 3,03%. O índice de serviços passou de 3,36% (revisado, de 3,44%) para 3,39%. A alta do indicador de impostos – equivalente, em linhas gerais, à rubrica de impostos líquidos sobre produtos do Produto Interno Bruto (PIB) – passou de 4,67% (revisado, de 4,72%) para 4,62%.
De janeiro a maio de 2025, o IBC-Br total cresce 3,36% na comparação com o mesmo período de 2024. O índice ex-agropecuária avança 2,31%, enquanto o indicador próprio do agro tem alta de 17,05%. A indústria sobe 2,62%; os serviços, 2,20%; e os impostos, 2,40%.
Trimestre
No trimestre móvel encerrado em maio, na série com ajuste sazonal e frente aos três meses anteriores, o IBC-Br total cresceu 1,28%. O índice ex-agropecuária teve alta de 1,0%, e o específico do agro, de 1,97%. A indústria avançou 1,51%; os serviços, 0,89%; e os impostos, 0,05%.
Considerando o mesmo período, mas frente ao trimestre móvel de março a maio de 2024 e na série sem ajuste sazonal, o IBC-Br total cresceu 3,0%. O índice ex-agropecuária teve alta de 1,77%, e o específico do agro, de 17,51%. A indústria avançou 2,40%; os serviços, 1,73%; e os impostos, 1,03%.
Infomoney - SP 15/07/2025
Após o tarifaço anunciado por Donald Trump semana passada, o Brasil trabalha com cenários de negociações com EUA e pode pedir redução das tarifas de 50% para 30%, de acordo com Gustavo Uribe, colunista da CNN.
Um outro cenário seria um pedido de adiamento da imposição da nova tarifa, que entraria em vigor a partir do dia 1º de agosto, por 60 ou 90 dias. Além disso, pode propor a criação de cotas de exportação para, pelo menos, café e laranja.
Em conversas reservadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria instruído a equipe ministerial do governo que as negociações com os Estados Unidos devem ser pautadas por “firmeza” e “sobriedade”.
O petista ainda avaliou que, pelo histórico de negociações, o presidente Donald Trump só respeita um negociador que demonstre firmeza.
Por este motivo, a diplomacia brasileira e o segmento empresarial devem manter postura de defesa do país, sem ceder a críticas dos negociadores americanos, ressalta a CNN.
Infomoney - SP 15/07/2025
As exportações da China cresceram 5,8% em junho na comparação anual, enquanto as importações avançaram 1,1% no mesmo período, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (14) pelo órgão alfandegário do país, o GACC.
Analistas consultados pela FactSet previam uma expansão menor das exportações, de 5,3%, e um avanço maior das importações, de 1,3%.
Houve aceleração no crescimento das exportações e importações em relação a maio, quando as exportações tiveram alta de 4,8% e as importações, queda de 3,4%.
Em junho, a China acumulou superávit comercial de US$ 114,78 bilhões, acima dos US$ 112,1 bilhões projetados pelos analistas da FactSet. O valor também é superior ao registrado em maio, quando o saldo foi de US$ 103,22 bilhões.
Infomoney - SP 15/07/2025
Os contratos futuros do minério de ferro subiram nesta segunda-feira, impulsionados por fortes dados comerciais da China, embora os ganhos tenham sido limitados por restrições à produção em importantes regiões siderúrgicas da segunda maior economia do mundo.
O contrato de setembro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com alta de 0,26%, a 766,5 iuanes (US$106,92) a tonelada.
O minério de ferro de referência de agosto na Bolsa de Cingapura avançava 0,37%, a US$99,65 a tonelada.
Os preços do minério de ferro foram impulsionados por notícias macroeconômicas que estão estimulando a demanda, disse a corretora Everbright Futures.
Em junho, as importações de minério de ferro pela China aumentaram 8% em relação ao mês anterior, conforme algumas mineradoras ampliaram os embarques para cumprir metas trimestrais após uma queda no primeiro trimestre causada por ciclones na principal fornecedora, a Austrália.
A demanda de aço mais forte do que o esperado também aumentou o apetite por minério de ferro.
As exportações da China ganharam impulso em junho, enquanto as importações se recuperaram, já que os exportadores aceleraram os embarques para aproveitar a frágil trégua tarifária entre Pequim e Washington antes do prazo final de agosto.
O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, afirmou na segunda-feira seu compromisso de trabalhar com a China para combater o excesso de capacidade global de aço e promover um setor sustentável e orientado para o mercado.
O Estado de S.Paulo - SP 15/07/2025
A Volkswagen anunciou que lançará mais três modelos no mercado brasileiro ainda em 2025. Dois deles já estão confirmados: o Jetta GLI reestilizado e a volta do Golf GTI. O terceiro nome não foi revelado oficialmente, mas tudo indica que será o Taos atualizado. Todos chegam no segundo semestre, sendo que os dois esportivos devem estrear juntos no último trimestre do ano.
Golf GTI 8,5: o retorno do hatch médio ao Brasil
A oitava geração do Golf GTI marca seu retorno ao Brasil em um momento de renovado interesse por hatches médios esportivos. Para enfrentar rivais como o Honda Civic Type R e o Toyota GR Corolla, o GTI aposta em um conjunto já conhecido: motor 2.0 turbo EA888 com 265 cv e 41,5 mkgf, acoplado ao câmbio DSG de sete marchas. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 5,9 segundos.
Entre os destaques estão os faróis IQ Light Matrix, lanternas com efeito 3D, rodas aro 19 e detalhes aerodinâmicos na carroceria. O interior traz central multimídia MIB4 de 12,9”, comandos por voz com integração ao ChatGPT, quadro de instrumentos digital e opção de bancos com tecido xadrez.
Embora sem preço oficial, o modelo deve chegar por menos de R$ 400 mil, para se posicionar abaixo dos rivais japoneses.
Novo Jetta GLI tem visual renovado e motor conhecido
O sedã esportivo passou por um facelift de meia-vida e mantém o motor 2.0 TSI de 231 cv e 35,7 mkgf, aliado à transmissão DSG de sete marchas com dupla embreagem e banho de óleo. A versão com câmbio manual, disponível nos EUA, não será oferecida por aqui.
Visualmente, o modelo traz novo aplique na cor da carroceria sobre a grade, faróis de LED redesenhados e detalhes vermelhos na parte inferior do para-choque. A traseira recebe novo friso com a sigla GLI que interliga as lanternas, além de manter as duas saídas de escape.
Por dentro, os bancos em couro preto com costuras vermelhas reforçam o apelo esportivo, mas ainda não há saídas de ar ou portas USB para os passageiros traseiros. O volante combina aço escovado e detalhes em vermelho, enquanto o painel digital exibe informações como hodômetro e histórico de manutenção. A central multimídia VW Play de 10,1” tem conectividade sem fio com Android Auto e Apple CarPlay.
O Jetta GLI atual (linha 2024) custa R$ 250.990, mas a nova versão deve chegar entre R$ 270 mil e R$ 280 mil.
Novo Taos: modelo renovado pode fechar a trinca de novidades da Volks
Ainda não oficialmente confirmado, o novo Taos deve ser o terceiro lançamento da marca. O SUV médio passará por mudanças visuais e mecânicas, mantendo o motor 1.4 TSI flex de até 150 cv e 25,5 mkgf. A grande novidade será o câmbio automático de oito marchas (AQ300), substituindo o atual de seis velocidades.
Na parte externa, o modelo terá faróis mais estreitos, nova grade e para-choque redesenhado com tomadas de ar ampliadas. Atrás, as lanternas serão interligadas por uma barra luminosa com acabamento preto brilhante, seguindo o estilo do T-Cross. As rodas poderão variar entre 17 e 19 polegadas.
O interior será atualizado com novos materiais, painel redesenhado, central VW Play Connect de 10”, ar-condicionado digital e maior isolamento acústico.
Atualmente, o Taos é vendido nas versões Comfortline, por R$ 206.990, e Highline, por R$ 231.990. O modelo 2025 continuará vindo do México e deverá ter preços mais altos que os praticados atualmente.
Valor - SP 15/07/2025
Montadora prepara 20 novos modelos, que serão desenvolvidos em menos de dois anos, e está desmontando veículos da BYD e outras chinesas, contratando engenheiros chineses e aprendendo com suas parcerias locais.
A Renault está preparando mais de 20 novos modelos, que serão desenvolvidos em menos de dois anos, em um dos projetos mais ambiciosos já feitos por uma montadora ocidental, num momento em que o setor recorre à redução de componentes e à inteligência artificial para acompanhar a velocidade de engenharia das montadoras chinesas.
O grupo francês e outros fabricantes tradicionais como Volkswagen (VW), Nissan e Stellantis, estão desmontando veículos da BYD e outras montadoras chinesas, contratando engenheiros chineses e aprendendo com suas parcerias locais para enfrentar uma enxurrada de novos modelos que chegam ao mercado com preços mais baixos e ainda assim equipados com os softwares mais avançados.
O diferencial da Renault é sua capacidade de usar sua escala menor como vantagem, ganhando agilidade para se adaptar às mudanças no mercado e lançar um fluxo contínuo de veículos elétricos em metade do tempo que tradicionalmente levava para desenvolver um carro. Embora outras montadoras não chinesas tenham anunciado ambições parecidas, nenhuma conseguiu colocá-las em prática, até agora, com a mesma velocidade prometida pela Renault.
“Temos a oportunidade, na Renault, de sermos pequenos em volume, muito focados em nossos mercados... e mais rápidos do que gigantes como Volkswagen e Stellantis”, diz Cédric Combemorel, vice-diretor de tecnologia da montadora.
A Renault lançará no ano que vem um Twingo totalmente elétrico, após um ciclo de desenvolvimento de apenas dois anos – metade do tempo que ela costumava levar. Depois do Twingo, há mais de 20 projetos em andamento, incluindo o novo minicarro Dacia, previsto para 2027.
O Dacia foi desenvolvido em apenas 16 meses, um recorde entre as marcas ocidentais e até mais rápido do que a média chinesa, que varia de 18 a 20 meses. Os dois veículos serão produzidos em sua fábrica na Eslovênia.
A estratégia foi desenvolvida por Luc de Meo, que assumirá o comando do grupo de artigos de luxo Kering, mas executivos afirmam que a Renault continuará a encontrar maneiras de executar seus planos mesmo depois de sua saída.
Apesar do otimismo da Renault em relação à execução de sua estratégia, executivos rivais questionam se o grupo francês, e outras montadoras tradicionais que o seguem, conseguirão produzir um fluxo contínuo de novos veículos que igualem os chineses em velocidade e custo.
Segundo Alexandre Marian, sócio da consultoria AlixPartners, as montadoras chinesas não apenas conseguem lançar novos modelos com o dobro da rapidez, como também fazem isso com até 50% menos investimentos, utilizando peças que são cerca de 30% mais baratas do que as usadas por suas concorrentes ocidentais.
Prazos mais apertados, decisões mais ágeis, desenvolvimento de software e fabricação interna de componentes estão entre os fatores que tornam isso possível. “Em todos os aspectos, isso os coloca em vantagem”, acrescenta Marian.
Combemorel disse que o ciclo mais rápido de desenvolvimento também exigiu peças mais simples e em números menores. Por exemplo, incluindo o número de cores dos veículos, a Renault também costumava oferecer até 2020 opções aos consumidores – em comparação com apenas 15 de algumas marcas chinesas.
“Francamente, os chineses aprenderam muito com os europeus e agora estamos invertendo essa situação para aprender algo com eles”, disse Guido Haak, diretor de programas da Renault.
Um desafio maior para a Renault é “mudar a cultura interna” e entre seus fornecedores, que precisarão demonstrar que seus componentes não são apenas essenciais, mas também podem ser desenvolvidos mais rapidamente.
Para acelerar a mudança, a Renault investiu 26 milhões de euros na construção de um centro de simulação nos arredores de Paris, que abriga um módulo de fibra de carbono de 8 toneladas para testar protótipos de futuros veículos em estradas virtuais, economizando tempo e dinheiro.
Para cada novo modelo, um chamado “gêmeo digital” é criado para que projetistas e engenheiros de todas as partes do mundo possam trabalhar juntos no desenvolvimento de veículos virtualmente, e os problemas possam ser corrigidos antes da criação de um protótipo físico.
A Renault também usa a inteligência artificial para monitor quaisquer riscos que possam provocar interrupções em suas cadeias de abastecimento – o que, segundo a empresa, também ajudou a reduzir o tempo de entrega dos veículos em 60%.
Como as montadoras ocidentais usam os mesmos métodos para fabricar veículos que as chinesas, alguns analistas alertam para o risco de os produtos finais começarem a parecer semelhantes.
Haak enfatizou que a Renault ainda poderá diferenciar seus carros pelo design exterior, bem como pela experiência interna. “Com os chineses, você tem muitos carros que são muito parecidos. A coisa mais importante é entender as necessidades dos nossos clientes, e é isso que deve nos diferenciar. Se não fizermos isso, perderemos o mercado”.
Globo Online - RJ 15/07/2025
Uma das principais fabricantes de TVs e ar-condicionado no país, atrás de Samsung e LG, a multinacional chinesa de eletroeletrônicos TLC Semp quer ampliar sua atuação no Brasil. Em entrevista ao GLOBO, o CEO da companhia, Eason Cai, revela que a empresa vai abrir sua terceira fábrica no país, que deve ficar perto de São Paulo, para a produção de itens de linha branca, como geladeiras. “Já estamos iniciando os estudos e o processo de investimento.”
Com faturamento global anual de US$ 40 bilhões, a companhia também mira no Brasil o acirrado mercado de smartphones, monitores para games e outros dispositivos, para tornar a TCL uma marca premium em eletrônicos de consumo e eletrodomésticos no Brasil.
Quais os planos para o Brasil?
Temos uma estratégia de longo prazo para crescer no país. Vamos investir para tornar a TCL Semp uma marca premium em eletrônicos de consumo e eletrodomésticos no Brasil. Por isso, traremos cada vez mais categorias para cá. Não apenas TVs.
No ano passado, trouxemos aparelhos de ar-condicionado e também eletrodomésticos como máquinas de lavar e refrigeradores. E estamos considerando trazer celulares. Talvez também incluamos soundbars, monitores e negócios B2B (para empresas), como energia solar e sistemas de ar-condicionado comerciais. Há muitos produtos em vista. O próximo passo será subir de nível.
Há planos para novas fábricas?
Até o momento, temos duas fábricas, uma de TVs e outra de ar-condicionado. Ambas estão localizadas em Manaus. O primeiro passo será ampliar a capacidade das fábricas já existentes, pois o nosso negócio está crescendo muito rapidamente, e a capacidade atual de produção já está próxima do limite. O segundo passo envolve a produção de novos produtos, como máquinas de lavar e refrigeradores.
Hoje, esses itens são importados da China prontos, mas as tarifas de importação são muito altas, cerca de 20%. Por isso, estamos buscando locais estratégicos para instalar uma nova fábrica dedicada à linha branca no Brasil, e já estamos iniciando os estudos e o processo de investimento. Portanto, a próxima fábrica deve ser focada em eletrodomésticos, como geladeiras e lavadoras.
O local já está decidido?
Acreditamos que será próximo a São Paulo. Manaus é uma opção cara para produção de linha branca. Produtos como geladeiras e máquinas de lavar são mais viáveis em regiões como Sul ou Sudeste, por isso, não deve ser em Manaus.
Qual é a importância estratégica de fabricar localmente?
Eu destacaria dois pontos principais. Um deles é a logística. Hoje, quando enviamos produtos da China, o transporte leva mais de dois meses, o que é um processo muito demorado e ineficiente. Outro é a tributação. Há tarifas de importação em torno de 20% para TVs, ar-condicionado e linha branca. Entendemos que essa política busca proteger a produção local. Por isso, para sermos competitivos, precisamos fabricar no Brasil.
Além disso, nossos principais concorrentes, como Samsung, LG e Electrolux, já têm fábricas no país. Isso reduz significativamente os custos deles. Se não produzirmos aqui, perdemos competitividade em preço. Por tudo isso, produzir no Brasil é uma decisão estratégica de longo prazo.
A TCL é uma das maiores fornecedoras de telas no mundo. Como crescer nesse mercado?
Esperamos expandir para monitores gamers. Temos muita tecnologia avançada em painéis Mini LED aplicados a monitores. Neste ano, vamos trazer essa categoria para o Brasil. Esse será o primeiro novo produto. O negócio número um da TCL no Brasil é o de televisores, onde já alcançamos participação de mercado de mais de 20%, chegando a 23% ou 24%.
No ano passado, o segmento de telas grandes, de 70 polegadas ou mais, cresceu 33% no mercado total brasileiro, mas no caso da TCL o crescimento foi de 180% no segmento. Estamos realmente acelerando e apostando no aumento das telas, porque o consumidor está demandando isso.
Hoje, com o avanço da tecnologia, conseguimos manter a imagem extremamente nítida mesmo em TVs de 85 polegadas, mesmo quando vistas de perto. Também é uma questão de eficiência na produção.
A eficiência de produção dos painéis maiores é maior, e o custo, proporcionalmente, é menor. Por isso, as fábricas preferem produzir painéis maiores — o que também atende à demanda crescente do consumidor. Do ponto de vista do varejo, também há uma tendência clara: nos últimos três ou quatro anos, os preços médios caíram significativamente, mesmo para telas em torno de 55 polegadas.
Então, os modelos maiores são mais rentáveis?
Se o mix de produtos não mudar, a receita média das lojas continuará caindo. E aí entra a solução: apostar em telas maiores, que têm valor agregado mais alto e atendem tanto à demanda do consumidor quanto à necessidade de rentabilidade do varejo.
É possível ir além de TVs, monitores e linha branca?
Outra área que estamos estudando é o desenvolvimento dos óculos de realidade aumentada. Estamos em fase de pesquisa e faz parte da nossa estratégia futura. Esses óculos terão, por exemplo, função de tradução automática.
Se eu estiver falando algo e a outra pessoa não entender, os óculos captam o áudio e exibem a tradução em tempo real para chinês, inglês ou outro idioma, diretamente nas lentes. É uma tecnologia muito interessante.
Outro produto em desenvolvimento é um miniprojetor portátil. Um modelo bem compacto, que já está sendo vendido nos Estados Unidos, especialmente via e-commerce. O preço, se não me engano, é de US$ 499. A ideia é começar a comercialização no Brasil também, provavelmente primeiro por vendas on-line.
São produtos inovadores que em breve estarão disponíveis ao consumidor brasileiro. Então, em breve você verá que temos muitos novos produtos chegando, incluindo também o tablet com tela grande.
O Estado de S.Paulo - SP 15/07/2025
A Britânia Eletrodomésticos, dona da marca Philco, demitiu 800 trabalhadores da fábrica de Manaus (AM), onde são produzidos fornos de micro-ondas, televisores e aparelhos de ar condicionado.
A companhia confirmou os cortes e informou, por meio de nota, que, devido à queda nas vendas durante o período sazonal, não alcançou o crescimento projetado para esses itens em 2025. “Diante desse cenário, foi necessário realizar um ajuste no quadro de colaboradores”, escreveu, em nota.
De acordo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Estado do Amazonas e presidente da Central Única dos Trabalhadores do Amazonas, Valdemir Santana, as 800 demissões correspondem a cerca de 30% dos trabalhadores empregados na unidade de Manaus (AM) da empresa.
O motivo do corte em massa citado pela companhia ao sindicato foi a queda nas vendas de televisores e fornos de micro-ondas, especificamente.
“Foi um caso meio atípico”, disse Santana. Ele ponderou que empresas concorrentes na produção de TVs e fornos de micro-ondas não fizeram demissões em massa como a Philco, apenas ajustes pontuais. “Tem estoque de TVs, e o produto não está vendendo como vendia antes, mas não houve demissão assim.”
Segundo a Eletros, associação que reúne a indústria de eletroeletrônicos, as vendas de televisores apresentaram, no período de janeiro a maio de 2025, um discreto aumento de 0,3% em relação ao mesmo intervalo de 2024.
A expectativa para o encerramento do primeiro semestre é de um crescimento de 1% frente ao ano anterior, mantendo a constância do segmento.
A Philco está entre as dez maiores indústrias empregadoras do polo de Manaus (AM). A empresa disse ainda, em nota, que a última demissão de um grande número de trabalhadores ocorreu na pandemia da covid-19 no Brasil, quando houve queda de vendas em produtos sazonais.
Demissão em massa
Santana destacou que atualmente o polo industrial está em nível recorde de emprego, com 132 mil trabalhadores empregados. Fazia três anos que não havia demissões em massa na indústria da região, que enfrenta problema de falta de mão de obra qualificada. Diante desse cenário, o dirigente sindical acredita que não será difícil para esses trabalhadores se recolocarem.
As homologações das demissões começaram nesta segunda-feira, 14, na sede do sindicato. De acordo com a empresa, o pacote negociado para os trabalhadores demitidos inclui a continuidade dos planos de saúde até o final de agosto, além do recebimento de três cestas básicas por trabalhador.
Aqueles com mais de dois anos de casa terão o direito de quatro cestas básicas. Em caso de a empresa voltar a recontratar, o sindicato acordou que os demitidos terão prioridade nas admissões.
Além a unidade de Manaus, a Britânia Eletrodomésticos, com sede em Curitiba (PR), tem uma fábrica e um centro de distribuição em Joinville (SC). A empresa informou, em nota, que “os cortes não irão envolver outras áreas da empresa”.
Por questões estratégicas, a companhia disse que não divulga o número exato de trabalhadores por unidade e acrescentou que “segue comprometida com a valorização de suas equipes e as recentes movimentações fazem parte de um processo de reestruturação pontual compatível com a produção na região”.
IstoÉ Dinheiro - SP 15/07/2025
A Petrobras anunciou, nesta segunda-feira (14), que o navio-plataforma P-78 deixou ontem Singapura, na Ásia, em direção ao campo de petróleo de Búzios, localizado na área do pré-sal da Bacia de Campos, litoral do Sudeste brasileiro. A P-78 será a sétima plataforma a operar no pré-sal.
Para antecipar o início da operação da produção de petróleo, o navio-plataforma já conta com a tribulação brasileira, que adiantará procedimentos e treinamento da equipe. A última vez que a Petrobras adotou a prática de transportar a tripulação foi em 1999.
A P-78 é uma plataforma modelo FPSO (Floating Production Storage and Offloading, em português, Unidade Flutuante de Produção, Armazenamento e Transferência), com capacidade de produção de 180 mil barris de óleo, além de comprimir 7,2 milhões de metros cúbicos (m³) de gás diários.
A estrutura terminou de ser construída no estaleiro Benoi da empresa Seatrium e deve chegar ao Brasil na segunda quinzena de setembro. Fazer o deslocamento com a tripulação embarcada permite adiantar em duas semanas a entrada em operação, prevista para dezembro.
Segundo a Petrobras, a presença da tripulação durante o deslocamento permite que diversos sistemas complexos do FPSO sejam mantidos em condição operacional, além da continuidade do processo de comissionamento (verificação, inspeção e testes) e do treinamento das equipes nesses sistemas.
Pré-sal
Com a entrada em operação, a estatal estima aumentar em 18% a capacidade de produção instalada no campo de Búzios, para aproximadamente 1,15 milhão de barris diários.
Búzios fica a 180 quilômetros da costa do Rio de Janeiro. As seis plataformas que produzem atualmente em Búzios são P-74, P-75, P-76, P-77, Almirante Barroso e Almirante Tamandaré.
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), órgão regulador do setor, a produção do pré-sal corresponde a cerca de 80% do total de petróleo e gás produzido no Brasil.
Descoberto em 2006, o pré-sal contribuiu para a soberania energética do país, possibilitando que o país se mantivesse sem necessidade de importar óleo. Além da alta produtividade, os poços armazenam um óleo leve, considerado de excelente qualidade e com alto valor comercial.
O início da produção foi no campo de Jubarte, localizado na Bacia de Campos, litoral do Sudeste, em 2008. Ao lado da Bacia de Santos, é ali que se encontram os reservatórios, perfurados a uma profundidade de 5 mil a 7 mil quilômetros.
Construção
O casco da plataforma foi construído em estaleiros nas cidades Yantai e Hayang, na China, e em Ulsan, na Coréia do Sul. Os blocos foram integrados na Coreia do Sul, antes de seguir para Singapura, onde houve o comissionamento dos módulos, incluindo um construído no estaleiro da Seatrium, em Angra dos Reis, litoral fluminense.
Portos e Navios - SP 15/07/2025
A Equinor anunciou, nesta segunda-feira (14), que recebeu do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) licença de instalação para o trecho offshore do gasoduto do Projeto Raia, na Bacia de Campos. O documento foi emitido no sábado (12) e, assim, a empresa já pode iniciar a instalação marítima da estrutura de 200 quilômetros que conectará o FPSO Raia a Cabiúnas, em Macaé. Veronica Coelho, presidente da Equinor no Brasil, classificou a colaboração com o Ibama como essencial para o desenvolvimento do Projeto Raia.
O empreendimento, informou Verônica, deve suprir 15% da demanda brasileira de gás natural quando entrar em operação, em 2028, contribuindo para a segurança energética e o desenvolvimento nacional. “Agradecemos ao Instituto pela sua contribuição para um projeto que colaborará com a segurança energética do país, podendo gerar até 50 mil empregos diretos e indiretos ao longo de seu ciclo de vida útil”, disse.
Raia, um dos principais projetos de gás natural do Brasil, é operado pela Equinor (35%), em parceria com a Repsol Sinopec (35%) e a Petrobras (30%). O projeto, que tem potencial de escoar 16 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, tem reservas recuperáveis de óleo/condensado superiores a 1 bilhão de barris de óleo equivalente (boe).
O projeto do gasoduto Raia, de acordo com a Equinor, usará conceito de desenvolvimento inovador, baseando-se na produção por poços conectados a um FPSO capaz de tratar o óleo/condensado e especificar o gás produzido. O gás será escoado por meio do gasoduto offshore até Cabiúnas, na cidade de Macaé, enquanto os líquidos serão descarregados por meio de navios aliviadores.
Segundo a empresa, a indústria nacional ocupa lugar de destaque no projeto. Em março de 2024, foram cortadas no estaleiro SeatriumFELS, em Angra dos Reis, as primeiras placas de aço que serão usadas no FPSO. E em Pindamonhangaba, em São Paulo, foram fabricados os tubos para o gasoduto. Cerca de 20 mil toneladas de aço foram usadas, com mais de 99% do total sendo produzidos por empresas brasileiras.
O Projeto Raia integra o novo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. As reservas foram descobertas pela Repsol Sinopec em 2010 e, em 2016, a Equinor se tornou a operadora do bloco, localizado na área do pré-sal da Bacia de Campos, a 200 quilômetros da costa, em lâminas d’água de até 2.900 metros de profundidade. Contém gás natural e condensado recuperáveis acima de 1 bilhão de barris de óleo equivalente (boe). A capacidade do FPSO é de aproximadamente 126 mil barris por dia (bpd).
Infomoney - SP 15/07/2025
Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa nesta segunda 14, com destaque para a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com relação à Rússia. As ameaças de impor tarifas aos compradores de energia do país foram destaque, com potenciais efeitos para o mercado, enquanto o conflito com a Ucrânia prossegue, sem sinalizações de intensificações na coampo diplomático.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para agosto fechou em queda de 0,77% (US$ 0,53), a US$ 66,98 o barril. Já o Brent para setembro, negociado na Intercontinental Exchange (ICE), recuou 1,63% (US$ 1,15), a US$ 69,21 o barril.
Trump anunciou que “tarifas secundárias sobre Rússia podem chegar a 100%” caso não haja um acordo sobre um cessar-fogo na guerra da Ucrânia nos próximos 50 dias. Em encontro com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, Trump reafirmou a disposição de aplicar “tarifas severas sobre Rússia” e reforçou o compromisso dos EUA com o apoio militar à Ucrânia e à aliança atlântica.
Trump afirmou estar “muito infeliz com a Rússia” e lembrou que “já gastamos US$ 315 bilhões com essa guerra na Ucrânia, que é de Joe Biden, não minha”. O presidente também expressou desapontamento com o presidente russo, Vladimir Putin. “Estou desapontado com Putin pois pensei que teríamos um acordo sobre Ucrânia há 2 meses”, acrescentou, e pontuou que assuntos de comércio são “ótimos para resolver guerras”.
Segundo o The Hill, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, tentou esclarecer a ameaça de Trump de impor “tarifas secundárias” contra a Rússia caso não haja um cessar-fogo na guerra da Ucrânia, após o uso do termo gerar certa confusão. “Então, é uma sanção econômica, não uma sanção no sentido técnico”, disse Lutnick a repórteres, após Trump ameaçar impor tarifas “severas” à Rússia. “Você pode usar tarifas ou pode usar sanções. São duas ferramentas à disposição dele”, acrescentou Lutnick.
Para a Capital Economics, se Trump cumprir sua ameaça, levando a uma queda acentuada nos fluxos de energia russos, isso invariavelmente resultará em preços globais de energia mais altos. O impacto provavelmente seria maior nos preços do gás natural do que no petróleo, dependendo de até que ponto a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+) interviesse para suprir o déficit no fornecimento de petróleo. “Isso poderia causar graves tensões fiscais para a Rússia, mas as ações de Putin até o momento sugerem que os gastos militares podem ser priorizados em relação a outros gastos”, conclui.
O Estado de S.Paulo - SP 15/07/2025
Na terceira tentativa do ano, o governo federal conseguirá realizar o leilão da ponte binacional São Borja - Santo Tomé, que liga Brasil e Argentina,. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, três grupos entregaram envelopes formalizando suas propostas que serão conhecidas na quarta-feira, 16. As concorrentes são duas brasileiras e uma argentina.
Inicialmente, o leilão para a troca da gestora atual estava previsto para 31 de janeiro, mas acabou suspenso por determinação do Tribunal de Contas da União (TCU). Conforme a representação acatada no TCU, havia dúvidas sobre requisitos de habilitação do edital e o cumprimento de etapas obrigatórias.
Com ajustes, a disputa foi marcada para 4 de abril, mas não pôde ser realizada por não atrair nenhuma proposta. Na ocasião, o governo informou que o projeto seria reavaliado na comissão formada pelos dois países.
Com 15,62 quilômetros de extensão, a ponte é fruto de um acordo assinado entre Brasil e Argentina em 1989. O prazo da concessão é de 25 anos e a empresa será responsável por realizar um conjunto de intervenções técnicas e operacionais na estrutura.
A expectativa é de que o trecho receba investimentos de aproximadamente US$ 99 milhões durante os 25 anos de contrato. O critério do leilão será o maior valor de outorga fixa oferecido pelo participante.
Segundo dados da Receita Federal, a Ponte São Borja - Santo Tomé responde por 20,1% do comércio entre Brasil e Argentina, com 27,5% das exportações e 12,6% das importações e por 39,98% do comércio entre Brasil e Chile.
IstoÉ Dinheiro - SP 15/07/2025
As exportações brasileiras de produtos agropecuários alcançaram em junho US$ 14,615 bilhões, informou o Ministério da Agricultura, em nota da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais da pasta. O valor é 3,6% inferior ao obtido em junho de 2024, o equivalente a uma redução de US$ 540 milhões ante os US$ 15,155 bilhões registrados um ano antes. O setor representou 50,1% dos embarques totais do País no último mês, em comparação com 52,7% de junho de 2024.
A retração foi influenciada, principalmente, pelo índice de preço dos produtos exportados, que recuou 2,9% na comparação anual, explicou a secretaria. Além da queda nos preços médios de exportação, houve redução de 0,6% no volume embarcado. “A queda nos preços internacionais assim como no volume de exportação de alguns dos principais produtos de exportação explica o desempenho negativo da balança comercial do agronegócio nesse mês de junho de 2025”, justificou a secretaria na nota.
No último mês, os cinco principais setores exportadores do agronegócio brasileiro foram: complexo soja (US$ 6,204 bilhões, -12,9%); carnes (US$ 2,431 bilhões, +20,8%); complexo sucroalcooleiro (US$ 1,519 bilhão; -4,1%); produtos florestais (US$ 1,425, -7,4%) e café (US$ 1,024 bilhão, +17,7%). Juntos, estes setores responderam por 86,2% do total embarcado pelo agronegócio em junho ante 86,7% do ano passado. “Ou seja, houve uma pequena desconcentração da pauta exportadora no período. A queda ocorreu em grande parte em virtude da redução das vendas externas do complexo soja, sendo em parte compensada pelo crescimento das exportações das carnes”, observou a secretaria.
Entre os destinos, a China se manteve como a principal importadora de produtos do agronegócio brasileiro em junho, seguida por União Europeia e Estados Unidos. Os embarques brasileiros à China recuaram 2,2% em junho, com as vendas externas atingindo US$ 5,88 bilhões. A China respondeu por 40,3% dos embarques de produtos agropecuários brasileiros no último mês, aumento de 2 pontos porcentuais na comparação anual, sendo a soja em grãos o principal produto da pauta.
Em junho, o País desembolsou US$ 1,545 bilhão com a importação de produtos agropecuários, queda de 0,9% ante igual mês de 2024. Os principais produtos agropecuários importados pelo Brasil no último mês foram trigo, papel, óleo de palma e salmões. “Houve, também, importações de diversos insumos necessários à produção agropecuária no Brasil: fertilizantes (US$ 1,45 bilhão; +10,7%); defensivos agropecuários (US$ 562,48 milhões; +50,2%); nutrição animal (US$ 279,67 milhões; +20,0%)”, destacou a pasta na nota técnica.