Clipping Diário

13 | Maio | 2026

SIDERURGIA

Infomoney - SP   13/05/2026

A CSN recebeu ofertas não-vinculantes para a venda de sua divisão de cimento na sexta-feira passada, informaram duas fontes familiarizadas com o assunto nesta semana.

A venda da segunda maior fabricante de cimento do Brasil é parte de uma estratégia mais ampla da CSN para reduzir a dívida. O grupo nomeou o Morgan Stanley como seu consultor financeiro para o processo de venda.

A venda do controle da CSN Cimentos pode render mais de R$10 bilhões, informou a Reuters em abril.

Entre os interessados no processo, segundo informações da Reuters publicadas em abril, estavam grupos locais e internacionais, incluindo Votorantim e J&F; e as companhias chinesas Anhui Conch Cement, Sinoma e Huaxin Cement.

Representantes de CSN, Votorantim, J&F e Morgan Stanley não quiseram comentar. Conch, Sinoma e Huaxin não se manifestaram.

De acordo com as fontes, Votorantim e Conch estavam planejando fazer ofertas, embora as fontes não tenham confirmado se isso aconteceu na sexta-feira, prazo definido pela CSN para receber propostas.

Uma quarta fonte disse à Reuters que a Huaxin, que adquiriu uma empresa brasileira de insumos para construção em 2024, ainda está ativa no processo.

Uma quinta fonte disse que a J&F não planejava apresentar uma proposta na sexta-feira. Uma das fontes familiarizadas com a apresentação de ofertas disse que o interesse do grupo diminuiu depois que a CSN rejeitou uma oferta antecipada da J&F.

O diretor financeiro da CSN, Marco Rabello, disse à Reuters no mês passado que a fase vinculante começaria logo após o recebimento das propostas não vinculantes e definição das empresas que iriam para a próxima etapa.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   13/05/2026

Custo de vida elevado, juros altos e contas em atraso seguem ofuscando a melhora no mercado de trabalho, com desemprego em 6,1% no primeiro trimestre, o menor para esse período na série iniciada em 2012.

Com inflação de 2,60% até abril, o Brasil já acumulou mais da metade da alta de preços admitida oficialmente como limite para um ano, 4,50%. A taxa registrada em 12 meses, 4,39%, ficou pouco abaixo do teto fixado para o período, mas superou a variação até março, 4,14%.

Famílias pobres e de renda média têm sido as mais afetadas pela alta de preços. O custo de vida tem sido inflado principalmente pelos preços de comida e bebida, itens com alta de 1,34% em abril e 3,44% nos primeiros quatro meses do ano. Os juros básicos anuais são de 14,50%.

A taxa real, isto é, descontada a inflação, tem sido estimada em cerca de 9,33%. Esta é a segunda mais alta do mundo, superada apenas pela da Rússia, na faixa de 9,67% a 9,88%.

O custo médio do crédito em março, de acordo com o Banco Central (BC), chegou a 33,1%. Mas essa taxa média é superada com folga em várias operações. Nos financiamentos a pessoas físicas, o custo para o tomador chegou a 38,4%.

Com inflação ainda elevada e perspectiva de resultado anual próximo de 5% (a projeção registrada no boletim Focus de 8 de maio chegou a 4,91%), o BC pode ser mais cauteloso na redução de juros.

A taxa básica estimada para o fim deste ano ainda ficou em 13% no boletim Focus de 8 de maio, mas aquela projetada para 2027 foi elevada de 11% para 11,25%. Quatro semanas antes estava em 10,50%.

Na ata de sua última reunião, publicada na semana passada, o Comitê de Política Monetária do BC, o Copom, indicou novos cortes até o fim do ano, mas empregou linguagem especialmente cautelosa e deixou dúvidas sobre o ritmo do afrouxamento.

Com tanta incerteza quanto à evolução dos juros, fica especialmente difícil apostar em maior dinamismo da economia, apesar do interesse do governo em expandir negócios e empregos num ano de eleições.

Essa incerteza realça, no entanto, pelo menos um fato positivo. O governo tem procurado respeitar a autonomia do BC, sem forçar — pelo menos até agora — a sujeição da política monetária aos objetivos pessoais do presidente da República e de seus ministros mais influentes. Se esse padrão se mantiver, o Brasil poderá contabilizar um avanço político-administrativo.

Veja - SP   13/05/2026

A secretária de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento do Ministério da Fazenda, Débora Freire, afirmou nesta terça-feira, 12, durante o Fórum VEJA Brazil Insights Nova York, que o Brasil está em uma posição “robusta” para enfrentar os efeitos econômicos da escalada de tensões no Oriente Médio.

Segundo ela, o fato de o país ser exportador líquido de petróleo desde 2016 ajuda a amortecer parte dos impactos externos provocados pela alta das commodities energéticas.

Freire destacou que o aumento do preço do petróleo tende a gerar efeitos positivos para as exportações brasileiras e para a arrecadação pública, mas reconheceu que o país continua vulnerável à alta dos derivados importados, especialmente no impacto sobre inflação e combustíveis. “Nossa preocupação central é aliviar esse efeito do choque na inflação e nas famílias”, afirmou. Segundo a secretária, o governo tem atuado para mitigar possíveis aumentos de preços sem abandonar o compromisso com a neutralidade fiscal.

A economista também ressaltou que a diversificação da balança comercial brasileira ajuda o país a enfrentar turbulências internacionais com mais resiliência. Ela lembrou que o Brasil possui baixa dependência comercial do Oriente Médio e destacou a importância da matriz energética brasileira, considerada uma das mais limpas do mundo. “Cerca de 50% da nossa matriz energética é renovável, muito acima da média internacional”, afirmou. Ainda assim, alertou que um prolongamento do conflito pode afetar parceiros comerciais importantes e gerar novos desafios para a economia global.

Infomoney - SP   13/05/2026

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,67% em abril na comparação com março, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (12). Na base de comparação anual, o IPCA teve alta de 4,39%.

Expectativas em pesquisa da Reuters eram de altas de 0,69% na comparação mensal e de 4,4% frente abril de 2025.

Com taxa de 1,34%, o grupo alimentos e bebidas respondeu por 0,29 ponto percentual (p.p.), enquanto no grupo saúde e cuidados pessoais, a alta foi de 1,16% e o impacto 0,16 p.p. no índice do mês. O subitem com maior impacto individual foi a gasolina, que desacelerou de 4,59%, em março, para 1,86%, em abril, e representou 0,10 pp do indicador.
Em abril, a alimentação no domicílio registrou variação de 1,64%, com influência das altas da cenoura (26,63%), do leite longa vida (13,66%), da cebola (11,76%), do tomate (6,13%) e das carnes (1,59%). No lado das quedas destacaram-se o café moído (-2,30%) e o frango em pedaços (-2,14%). A alimentação fora do domicílio registrou alta de 0,59%, com o lanche saindo de 0,89% em março para 0,71% em abril e a refeição, de 0,49% para 0,54%, no mesmo período.

“Alguns alimentos, de forma geral, apresentam uma restrição de oferta, o que provoca um aumento no nível de preços. No caso do leite, com a chegada do clima mais seco, sazonal no período, há redução de pasto, necessitando da inclusão de ração para os animais, o que eleva os custos. Não podemos deixar de mencionar a elevação no preço dos combustíveis, que afeta o preço final dos alimentos por conta do custo do frete”, explicou o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves.

No 1º quadrimestre de 2025, o acumulado no grupo Alimentação e bebidas foi de 3,70%, 0,26 p.p. acima do resultado de 2026 (3,44%) no mesmo período. O gerente do IPCA destaca que “em 2025 ainda havia o efeito das altas do café e do tomate. Já desde julho de 2025 o café vem registrando queda nos resultados mensais.”

Em Saúde e cuidados pessoais (1,16%), tiveram destaque os produtos farmacêuticos (1,77%), após a autorização do reajuste de até 3,81% nos preços dos medicamentos, a partir de 1° de abril, e os artigos de higiene pessoal (1,57%), com destaque para o perfume (1,94%). No 1º quadrimestre de 2025, o acumulado no grupo Saúde e cuidados pessoais foi de 2,83%, 0,08 p.p. abaixo do resultado de 2026 (2,91%) no mesmo período. Fernando Gonçalves compara os períodos e explica a queda:

“O movimento de preços é semelhante nos dois períodos, com influência, de forma geral, do plano de saúde e dos artigos de higiene pessoal. Destaca-se o reajuste dos medicamentos, aprovado a partir de abril, com limite de até 5,09% em 2025 e 3,81% em 2026. Importante salientar, também, que a desvalorização do Real frente ao dólar nos primeiros meses de 2025 estava maior do que agora em 2026, e a moeda estrangeira regula insumos importados utilizados na indústria farmacêutica.”

Já no grupo Habitação, a variação de 0,63% em abril teve influência do gás de botijão, com alta de 3,74%, e da energia elétrica residencial (0,72%), que incorpora os seguintes reajustes: 6,92% e 14,66% nas concessionárias no Rio de Janeiro (4,83%), ambos com vigência a partir de 15 de março; 12,36%, em Campo Grande (2,27%), a partir de 24 de abril; 4,78%, em Salvador (2,23%), desde de 22 de abril; 3,86% em Recife (1,05%), vigente desde de 29 de abril; 5,91% em Aracaju (0,89%), e 5,59% em Fortaleza (0,44%), ambos a partir de 22 de abril. Ainda em Habitação, a taxa de água e esgoto (0,22%) reflete o reajuste de 4,80% nas tarifas em Goiânia (4,80%), a partir de 1º de abril.

O grupo Transportes desacelerou, na passagem de março (1,64%) para abril (0,06%), em razão, especialmente, da queda de 14,45% no subitem passagem aérea. Combinado a ele, o ônibus urbano variou -1,13% dada a apropriação de gratuidades ou reduções de tarifa aos domingos em São Paulo (1,10%) e Salvador (0,55%) e, também, nos feriados, em Fortaleza (-0,57%), Vitória(-0,60%), Curitiba (-3,05%), Brasília (-6,58%), Belém (-6,60%) e Belo Horizonte (-6,72%). A redução de 0,38% no metrô foi devido à incorporação das gratuidades nas tarifas aos domingos e feriados em Brasília (-6,58%).

No lado das altas, no grupo Transportes, destacam-se os combustíveis com 1,80% de variação. A gasolina desacelerou de março (4,59%) para abril (1,86%), ainda se posicionando como o principal impacto individual no índice do mês (0,10 p.p.). Também se destacam as altas no óleo diesel, 4,46%, e no etanol (0,62%). O gás veicular recuou 1,24%. No ônibus intermunicipal (0,55%) está contemplado o reajuste de 8,18% nas tarifas em Porto Alegre (3,52%), desde 8 de abril, e o subitem táxi (0,26%) reflete o reajuste de 7,72% em Recife (5,81%), vigente desde 12 de fevereiro, não captado anteriormente.

Quanto aos índices regionais, a maior variação ocorreu em Goiânia (1,12%), influenciada pela alta da gasolina (5,77%) e da taxa de água e esgoto (4,80%). A menor variação ocorreu em Brasília (0,16%), por conta do recuo da passagem aérea (-10,88%) e da gasolina (-1,03%).

O Estado de S.Paulo - SP   13/05/2026

Donald Trump desembarcará em Pequim nesta semana para a primeira visita de Estado de um presidente americano à China em quase uma década. A viagem anterior havia sido feita por ele mesmo, em 2017, em seus primeiros dias no controle da Casa Branca.

Há 9 anos, Xi Jinping orquestrou para Trump uma visita pra lá de especial, com direito a um jantar privado na Cidade Proibida, um desfile pela Praça da Paz Celestial, uma cerimônia no Grande Salão do Povo e US$ 250 bilhões em acordos anunciados.

Agora, a relação parece ter se invertido. Xi recebe Trump convencido de que o Ocidente está em declínio.

Essa inversão é o ponto de chegada de um movimento que vinha sendo construído havia duas décadas.

Em setembro de 2005, Robert Zoellick, número 2 do Departamento de Estado do governo Bush, proferiu um discurso emblemático, que formularia a doutrina americana na China nos anos seguintes. Zoellick defendeu que a China havia emergido e se juntado ao mundo; e que era hora de empurrá-la a se tornar um “responsible stakeholder” do sistema internacional.

Havia três premissas otimistas para Washington:

1. o sistema era americano e permaneceria americano;

2. a China aceitaria operar dentro dele;

3. o crescimento econômico chinês acabaria produzindo liberalização política.

As três premissas falharam categoricamente. E o segundo mandato de Trump representa uma ruptura nessa trajetória.

A visita de Trump a Pequim, nesse momento, ocorre após o presidente americano atacar repetidamente o sistema internacional desenhado pelos próprios americanos.

No ano passado, Washington anunciou a retirada de diferentes agências da ONU e do seu Conselho de Direitos Humanos. Iniciou o desligamento da OMS, aprofundou a paralisia da OMC e abandonou, na nova Estratégia de Segurança Nacional, a expressão “ordem internacional baseada em regras”.

Há cinco meses, um memorando presidencial ampliou, em Washington, a retirada de tratados e convenções que, segundo o governo, contrariam os interesses americanos.

A isso precisamos acrescentar a sequência de movimentos contra aliados históricos – como canadenses, mexicanos e europeus – e o voto contra a resolução da ONU que condenava a invasão russa na Ucrânia.

Trump faz a presidência mais pró-Moscou da história americana – e a menos pró-União Europeia.

A cúpula dessa semana estava marcada para o início de abril. Foi adiada por causa da guerra no Oriente Médio. Em fevereiro deste ano – como acompanhamos nas páginas do Estadão – Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, matando o líder supremo do regime, Ali Khamenei. Teerã respondeu fechando, na prática, o Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos retaliaram bloqueando os portos iranianos. O resultado foi a maior interrupção da história do mercado global de petróleo.

Na semana passada, Trump suspendeu a operação militar que escoltava navios americanos pelo Estreito. No mesmo dia, em Pequim, o chanceler iraniano foi recebido pelo seu colega chinês. E a China pressionou Teerã a aceitar um cessar-fogo e reabrir Ormuz.

Foi a primeira vez que Pequim se posicionou publicamente como mediadora de uma guerra do Oriente Médio com participação americana.

A China não entrou nessa disputa por vocação. Entrou porque construiu, ao longo de duas décadas, uma rede de dependências materiais que limita o espaço de manobra americano. E a face mais visível dessa rede, hoje, são as terras raras.

As terras raras são um grupo de minerais sem os quais simplesmente não se fabrica tecnologia militar moderna. Estão no caça F-35, nos submarinos americanos de propulsão nuclear, nos mísseis de cruzeiro, nos drones de combate, nos radares. A China extrai 60% das terras raras do mundo e, mais importante, refina mais de 90%. Os Estados Unidos importam 70% das suas terras raras da China. É uma dependência que ninguém reverterá no curto prazo.

Em outubro do ano passado, Pequim apertou o parafuso, editando novas regras de exportação – as mais severas até então – virando contra Washington uma manobra jurídica que os próprios americanos haviam criado, anos antes, para travar a venda de chips à China. Trump retaliou a decisão como sabe: com tarifa.

Numa única sexta-feira, os mercados americanos perderam 2 trilhões de dólares. Até que o presidente americano recuou: aceitou reduzir as tarifas em troca da suspensão, por um ano, das restrições chinesas – suspensão que vai até o próximo mês de novembro.

Como ler esse momento? Os paralelos com a Guerra Fria, hoje dominantes no debate americano sobre a China, dão conta apenas de uma parte do que se passa. A ferramenta analítica mais útil vem, ironicamente, do mesmo homem que desenhou a abertura americana à China na década de 1970.

Antes de se tornar estrategista da Casa Branca, Henry Kissinger defendeu em Harvard uma tese de doutorado sobre o Congresso de Viena de 1815 – a reunião em que as monarquias europeias, depois da derrota de Napoleão, tentaram reconstruir a ordem internacional que a Revolução Francesa havia abalado. O argumento que Kissinger desenvolveu no livro é uma das ferramentas mais úteis da teoria das relações internacionais.

Kissinger distingue dois tipos de estadista.

O primeiro aceita a ordem internacional existente como legítima e atua dentro dela. É o estadista que negocia, realiza concessões e busca o equilíbrio.

O segundo tipo rejeita essa legitimidade e atua para refundar o sistema. É Napoleão, no livro. E é, em outros lugares e momentos, qualquer líder que considere a ordem vigente uma armadura a ser quebrada.

A tese central de Kissinger é contraintuitiva. A estabilidade do sistema internacional, ele argumenta, não depende de paz. Depende de que as grandes potências aceitem a legitimidade do sistema. Quando uma potência se converte em revolucionária – quando passa a achar que a ordem é ilegítima e precisa ser substituída – o sistema entra em crise, mesmo quando não há uma guerra aberta.

O sintoma da estabilidade é a espontaneidade com que se opera dentro das regras; o sintoma da crise é a consciência aguda de que aquelas regras são apenas um arranjo, e um arranjo que inevitavelmente será desfeito.

Os critérios de Kissinger se aplicam a Trump com uma precisão cirúrgica. O que Trump deseja não é uma competição entre grandes potências. É um conluio entre grandes potências – um “concerto” parecido com aquele que governou a Europa do século 19, em que algumas poucas nações dividiam o mundo entre si e impunham as suas vontades ao resto. Um mundo administrado por homens fortes que trabalham juntos não para preservar regras, mas para impor uma visão compartilhada sobre os demais. A lei da selva.

Por isso, Trump é inegavelmente um revolucionário. Talvez o maior, desde a fundação desse país.

E Xi? Xi não ocupa um papel diferente.

Os dois são revolucionários: um pela negação do sistema, outro pela construção de uma arquitetura paralela que, no limite, tem grandes chances de substituí-lo.

A configuração desse momento é, portanto, inédita. Dois revolucionários sendo empurrados pela própria estrutura material do mundo – terras raras, semicondutores, petróleo, Ormuz – a co-administrar o sistema que ambos rejeitam.

A cúpula dessa semana certamente produzirá acordos. Haverá anúncios sobre o tráfico de fentanil, sobre o ritmo das restrições às terras raras, talvez sobre a estabilização do Estreito de Ormuz. A coreografia chinesa será impecável. Trump voltará a Washington dizendo que foi a maior cúpula da história.

O paradoxo é que a estrutura material do mundo – a mesma que empurra Trump a Pequim e Xi a recebê-lo – impõe um regime de cooperação tática a dois projetos de fundo incompatíveis, enquanto os dois lados já trabalham, em paralelo, para tornar o outro dispensável.

Por isso, na China, nesta semana, não se enterrará apenas uma doutrina americana que pautou o século 21 até aqui. Será inaugurada a primeira tentativa de gerir conjuntamente um sistema internacional por dois líderes que não acreditam nele.

Eis um experimento sem precedente moderno.

O Estado de S.Paulo - SP   13/05/2026

Favorecido pela exportação de petróleo em meio às restrições no Oriente Médio em guerra, o superávit comercial em abril foi de US$ 10,5 bilhões, quase 38% a mais do que igual mês de 2025

As contas externas passaram a ser uma das principais âncoras da economia brasileira desde que a guerra no Irã aumentou a tensão nos mercados globais, fazendo disparar os preços do petróleo e de outras matérias-primas.

Com uma das taxas de juros mais elevadas e um dos mais baixos déficits de conta corrente entre os países emergentes, o Brasil atraiu um grande fluxo do capital estrangeiro em busca de refúgio, em meio à turbulência geopolítica, levando à valorização do câmbio.

A balança comercial tem sido crucial para a melhora nas contas externas do Brasil. Em abril, o superávit comercial foi de US$ 10,5 bilhões, quase 38% a mais do que igual mês de 2025. Também em abril, as exportações atingiram o recorde histórico para o mês: US$ 34,1 bilhões.

Esse desempenho foi influenciado não somente pela alta nos preços do petróleo, como também pelo aumento das vendas do produto pelo Brasil, favorecido pela restrição de oferta com a interrupção do fluxo de petroleiros no Estreito de Ormuz. Também contribuíram para o maior superávit comercial os embarques de soja. Aliás, petróleo e soja representam quase 40% das exportações brasileiras.

Não à toa, os analistas vêm revisando para cima tanto o saldo da balança comercial, quanto o déficit de conta corrente do Brasil em 2026. Antes do início da guerra no Irã, o consenso das estimativas para o superávit comercial era de US$ 68,4 bilhões, conforme a pesquisa Focus. Agora, está em US$ 75 bilhões.

O banco Itaú projeta um saldo de US$ 80 bilhões, enquanto o BTG Pactual prevê US$ 90 bilhões em 2026 — e o risco é de o número final superar esse patamar, com a possibilidade de o preço do barril do Brent permanecer em nível elevado por um período mais longo e a perspectiva de maior produção de petróleo pelo Brasil.

O reflexo sobre as contas externas do País seria relevante. Os economistas da XP estimam redução do déficit de conta corrente de 3% do PIB em 2025 para 2,1% neste ano.

“Embora a balança comercial já esteja mostrando aceleração relevante na margem, essa melhora ainda não se refletiu integralmente no fluxo comercial”, explicaram os analistas do BTG, em nota a clientes, ao revisarem a projeção para o dólar no fim do ano de R$ 5,20 para R$ 4,90. “À frente, há espaço para fortalecimento adicional do fluxo cambial à medida que o segmento comercial incorpore de forma mais plena a melhora da balança.”

Se o risco fiscal piorou nos últimos meses, com a proximidade da eleição presidencial, a melhora das contas externas vem compensando esse estresse do mercado.

Agência Brasil - DF   13/05/2026

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (12) ser “radicalmente contra” qualquer tipo de compensação financeira ou indenização a empresas em caso de aprovação de propostas que reduzam a jornada de trabalho e acabem com a escala 6x1 no Brasil. A declaração foi dada durante audiência pública na comissão especial da Câmara dos Deputados que discute mudanças nas regras trabalhistas.

Segundo o ministro, o debate sobre redução da jornada faz parte de uma transformação mundial nas relações de trabalho e não deve ser tratado como um prejuízo a ser compensado pelo Estado.

“Muita gente fala em indenização, em compensação. Eu sou radicalmente contra isso”, afirmou Durigan.
Debate no Congresso

A comissão especial da Câmara analisa atualmente duas propostas de emenda à Constituição (PECs) sobre o tema.

Uma delas, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), prevê jornada semanal de quatro dias de trabalho e prazo de 360 dias para implementação das novas regras.

A segunda proposta, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), reduz gradualmente a jornada para 36 horas semanais ao longo de dez anos.

Paralelamente, o governo federal enviou ao Congresso um projeto de lei propondo redução da carga horária semanal para 40 horas e diminuição da escala de seis para cinco dias trabalhados por semana.

Sem indenização

Durigan argumentou que a hora de trabalho pertence ao trabalhador e não às empresas.

“A titularidade da hora do trabalho não é do empregador”, declarou.

Segundo ele, mudanças nas relações trabalhistas ocorreram historicamente em vários países sem que houvesse compensações financeiras ao setor produtivo.

“Não cabe indenização. Quando a gente reconhece ganhos geracionais, isso não é só Brasil que faz, isso é um debate mundial”, afirmou.

O ministro disse ainda que outros países implementaram jornadas menores há décadas e conseguiram elevar produtividade e qualidade de vida dos trabalhadores.
Produtividade

Representantes do setor produtivo demonstram preocupação com possíveis aumentos de custos, impactos sobre competitividade e perda de produtividade em caso de redução da jornada.

Estudo da Confederação Nacional da Indústria citado durante o debate estima que uma redução para 40 horas semanais poderia provocar impacto negativo de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a cerca de R$ 76,9 bilhões.

Durigan, porém, afirmou que a mudança pode estimular ganhos de eficiência tanto para empresas quanto para trabalhadores.

“Se a gente tem hoje uma dinâmica de trabalho na empresa, é preciso otimizar essa dinâmica de trabalho. É preciso corrigir gargalos de eficiência”, disse.

Segundo o ministro, jornadas menores tendem a pressionar empresas e empregados a buscarem maior produtividade.
Pequenos negócios

Apesar de rejeitar indenizações, Durigan afirmou que o governo está disposto a discutir medidas de apoio para pequenas empresas durante eventual transição.

O ministro citou a possibilidade de ampliação de linhas de crédito, programas de capacitação e incentivos à digitalização de negócios.

“Acho que o Estado precisa ter linha de crédito, o Estado precisa ajudar na transformação digital, na transformação ecológica”, afirmou.

Durigan também mencionou a possibilidade de programas semelhantes ao Desenrola voltados para pequenos empreendedores.

Segundo ele, mecanismos já existentes, como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Simples Nacional, ajudam a reduzir custos para empresas de menor porte.
Negociação coletiva

O ministro defendeu ainda que acordos coletivos continuarão sendo importantes mesmo com eventuais mudanças na legislação trabalhista.

“Para essa acomodação, para esses ajustes, é muito importante que a gente siga tendo espaço de negociação coletiva entre o setor patronal e o setor trabalhista”, declarou.

Durante a audiência, o relator da proposta, o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), afirmou que o Brasil possui uma das maiores jornadas de trabalho do mundo, mas baixa produtividade.

“Nós temos a quarta maior jornada do mundo, 44 horas semanais, e temos uma das piores produtividades do mundo”, disse o parlamentar.

Segundo o cronograma da comissão, o parecer sobre a PEC deve ser apresentado ainda em maio.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   13/05/2026

Os contratos futuros do minério de ferro interromperam um rali de seis dias nesta terça-feira, conforme a China luta para digerir estoques elevados do produto enquanto os altos-fornos operam perto dos níveis máximos de produção.

O contrato mais negociado de setembro do minério de ferro na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) caiu 0,98%, para 812,5 iuanes (US$119,57) por tonelada.

O contrato de referência do minério de ferro para junho na Bolsa de Cingapura recuava 1,39%, para US$110,15 por tonelada.

As taxas de operação dos altos-fornos monitoradas pela consultoria Mysteel diminuíram 0,10 ponto percentual em relação à semana anterior, mas permaneceram próximas aos níveis de pico, indicando pouco espaço para o crescimento da produção de ferro-gusa e da demanda de minério de ferro.

No entanto, as margens das usinas siderúrgicas aumentaram 9,09 pontos percentuais em relação à semana anterior, de acordo com dados da Mysteel. A melhora nas margens pode incentivar as siderúrgicas a sustentar a produção alta de minério de ferro.

O aumento acentuado dos preços do minério de ferro na semana passada também deixou as usinas siderúrgicas mais relutantes em comprar grandes volumes, preferindo ‘comprar conforme necessário’, disse uma nota do Shanghai Metals Market.

Além disso, os estoques de minério de ferro da China continuam altos, pesando sobre os preços.

Os estoques de minério de ferro nos portos chineses, monitorados pela consultoria SteelHome, caíram para 161,4 milhões de toneladas na semana até 8 de maio.

Embora abaixo do recorde de 166,9 milhões de toneladas registrado em meados de março, o nível atual ainda segue elevado e 14,2% acima dos 141,3 milhões de toneladas da mesma semana do ano passado.

Valor - SP   13/05/2026

Recentes mudanças nas condições de mercado, impulsionadas pelo conflito no Oriente Médio, terão um impacto substancial e positivo nos resultados da empresa

A Vale anunciou nesta terça-feira (12) uma atualização em suas projeções financeiras, revelando que as recentes mudanças nas condições de mercado, impulsionadas pelo conflito no Oriente Médio, terão um impacto substancial e positivo em seus resultados.

A mineradora estima agora um incremento de aproximadamente US$ 1,5 bilhão no fluxo de caixa livre para o ano em sua unidade de minério de ferro, sustentado principalmente por um aumento previsto de US$ 1,2 bilhão no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, da sigla em inglês) do segmento e por uma geração de US$ 425 milhões advinda de programas de proteção cambial e de combustível.

A companhia agora projeta um minério de ferro a US$ 112 por tonelada no fim do ano, ante US$ 102 por tonelada anteriormente, o barril de petróleo Brent a US$ 104, contra US$ 67 na projeção anterior, e o dólar a R$ 4,90, ante R$ 5,27 na antiga estimativa onde baseava suas premissas.

Além do minério de ferro, a Vale abriu cenários de sensibilidade para a sua divisão de metais básicos, com foco específico nas operações de níquel, apontando que a rentabilidade do segmento dependerá fortemente das cotações do metal utilizado em novas tecnologias.

Para 2026, caso o preço do níquel se posicione em US$ 16 mil por tonelada, o Ebitda estimado é de US$ 1,15 bilhão, gerando um fluxo de caixa livre quase neutro, de US$ 5 milhões.

No cenário mais otimista traçado pela Vale, com o níquel alcançando US$ 20 mil por tonelada, o Ebitda saltaria para cerca de US$ 2 bilhões, alavancando o fluxo de caixa livre para US$ 700 milhões no ano.

Para 2027, as projeções da mineradora seguem a mesma dinâmica, com potencial para o Ebitda atingir até US$ 2,45 bilhões e o fluxo de caixa chegar à marca de US$ 1 bilhão no melhor cenário de preços.

A diretoria da Vale manteve inalterada outras estimativas e reiterou que os números divulgados constituem apenas estimativas baseadas em premissas de mercado fora de seu controle direto.

AUTOMOTIVO

Automotive Business - SP   13/05/2026

O CEO da Stellantis, Antonio Filosa, afirmou que as parcerias serão uma parte fundamental da estratégia futura da montadora e isso inclui montadoras e outras empresas chinesas.

Segundo a Reuters, o executivo disse na terça-feira, 12, que a Stellantis agora reconhece a força das parcerias e que, por isso, elas serão parte da estratégia daqui para frente.

A montadora se prepara para apresentar um novo plano de negócios no dia 21 de maio, no qual a estratégia de marca também deverá ser um ponto-chave.
Stellantis expande parceria com a chinesa Leapmotor

Um dos movimentos que confirma isso é o aprofundamento da parceria com a montadora chinesa Leapmotor. Na semana passada, a Stellantis anunciou planos para iniciar a produção conjunta de carros na Europa.

A chinesa avalia produzir o C-SUV B10 na planta de Zaragoza, na Espanha, ainda este ano, e a produção de um novo modelo em Madri, em 2028.

A parceria também prevê integração de cadeias de suprimentos e compras para aumentar competitividade, reduzir custos e acelerar o lançamento de novos modelos no mercado europeu.

Para as chinesas, parcerias com fabricantes locais ou uso de fábricas já existentes têm se tornado uma alternativa atrativa para driblar as tarifas da União Europeia aos carros elétricos da China.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Grandes Construções - SP   13/05/2026

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) acaba de registrar sua maior alta mensal em quase quatro anos e pressiona o mercado imobiliário a antecipar a revisão de tabelas.

Com avanço de 1,04% em abril, o indicador rompeu um teto que se mantinha desde julho de 2022. A inflação setorial, que acumula 6,28% em 12 meses segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), é impulsionada pelo salto de 39% no preço dos tubos de PVC, reflexo do encarecimento do petróleo em meio à crise no Oriente Médio.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também mostra que o índice que mede o custo médio de insumos subiu 6,8 pontos no primeiro trimestre do ano.

Em Santa Catarina, onde o mercado imobiliário figura entre os mais aquecidos do país, com quatro das cinco cidades mais valorizadas, conforme o índice FipeZap, e com mais de 6,7 mil vagas formais criadas no setor apenas nos dois primeiros meses de 2026 (Caged), sindicatos da indústria da construção já relataram aumentos entre 20% e 30% em materiais.

Para o especialista em mercado imobiliário Bruno Cassola, a alta dos insumos ocorre após um ciclo de juros elevados que reduziu o ritmo de compras no alto padrão e manteve os preços dos imóveis praticamente estáveis por mais de um ano.

“Desde o fim de 2024, com a Selic em alta, muitos investidores deixaram o dinheiro na renda fixa buscando rentabilidade. As construtoras seguraram os preços para manter as vendas aquecidas, mas agora, com a alta dos materiais, esse impacto deve chegar ao mercado”, afirma.

Segundo Cassola, o novo cenário exige uma mudança na estratégia de compra. “Quem conhece o ciclo entende que o momento é de reposicionamento. O investidor que compra agora pode travar preço antes dos reajustes, mas precisa fazer uma operação bem planejada, comprando à vista ou com prazos menores, já que parcelamentos muito longos tendem a sofrer mais com correções como INCC e CUB”, explica o fundador e sócio-diretor da IBC Imobiliária em Balneário Camboriú.

Apesar da pressão de preços, o especialista acredita que o setor seguirá com demanda consistente.

“A construção civil é uma cadeia longa e sensível a variações de custo, mas também é um dos motores da economia. Mesmo com esse cenário, o imóvel é a maior proteção contra crises e quem está bem posicionado no mercado tende a continuar comprando, até porque o imóvel, no caso do litoral de SC, supera a inflação no médio e longo prazo”, completa Cassola.

Infomoney - SP   13/05/2026

As ações das construtoras MRV (MRVE3) e Direcional (DIRR3) operam em direções opostas nesta terça-feira (12), após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), refletindo a leitura distinta do mercado para os balanços das companhias.

Enquanto investidores repercutem os prejuízos e pressões operacionais da MRV, a Direcional é impulsionada por números acima das expectativas e manutenção de margens elevadas.

Por volta das 11h20, os papeís MRVE3 caíam 2,02%, a R$ 6,29, enquanto DIRR3 subia 2,26%, a R$ 13,14.

O Goldman Sachs já esperava uma a reação negativa das ações da MRV aos resultados do primeiro trimestre, diante do desempenho fraco de três das quatro linhas de negócios da companhia.

Segundo o banco, Resia, Luggo e Urba registraram prejuízo líquido no período, enquanto a operação principal de incorporação residencial apresentou lucro líquido considerado razoável, de R$ 45 milhões.

Com isso, a MRV reportou prejuízo líquido consolidado de R$ 78 milhões no trimestre, ou perda ajustada de R$ 14 milhões. O resultado veio melhor que a projeção do Goldman Sachs, que estimava prejuízo de R$ 131 milhões, e também acima do consenso da Bloomberg, de perda de R$ 85 milhões.

Braskem: JPMorgan eleva recomendação com aposta em recuperação e margens; BRKM5 sobe

Elevação reflete melhora dos fundamentos de mercado, oferta mais restrita e fortalecimento da governança corporativa após a reestruturação societária

O banco destaca que a inflação dos custos de construção segue como uma das principais preocupações dos investidores, devido ao potencial impacto sobre as margens da MRV Inc, principal operação de incorporação da companhia.

Na avaliação do banco, uma das principais questões é entender como a companhia pretende lidar com a aceleração dos custos de construção, especialmente diante dos impactos que o ciclo anterior de inflação teve sobre o desempenho operacional da empresa.

O Goldman também destacou que a Resia foi o principal fator por trás do prejuízo consolidado, com perda de R$ 95 milhões, pressionada por perdas em vendas e efeitos tributários.

O Goldman mantém recomendação neutra para as ações da MRV.

O Bradesco BBI também considera fraco o desempenho da construtora no 1T26, com destaque para o prejuízo líquido consolidado de R$ 78 milhões, bem abaixo do lucro de R$ 12 milhões previstos pelo banco.

A equipe do BBI ainda destaca a deterioração da alavancagem, com a dívida líquida sobre patrimônio atingindo 41,2% e a relação dívida líquida mais contas a pagar por terrenos sobre patrimônio chegando a 0,58 vezes, ainda dentro do covenant de 0,65 vezes.

O JPMorgan avalia que MRV reportou resultados mistos, com desempenho operacional da operação principal em linha com suas estimativas, mas pressionado pelo forte prejuízo da Resia nos Estados Unidos.

O JPMorgan e BBI mantêm recomendação de compra para MRV, com preço-alvo de R$ 11 e R$ 14, respectivamente.
Direcional (DIRR3)

A Direcional reportou resultados considerados sólidos pelo JPMorgan no primeiro trimestre, com lucro líquido recorrente de R$ 200 milhões, alta de 27% na comparação anual e acima das estimativas do banco e do consenso do mercado.

Segundo o JPMorgan, o resultado ficou 7% acima de sua projeção e 2% superior ao consenso compilado pela Bloomberg, impulsionado pelo forte crescimento da receita e pela manutenção de margens elevadas.

O JPMorgan destaca ainda a margem bruta ajustada recorde de 42,9%, alta de 1,3 ponto percentual na comparação anual e levemente acima da estimativa da instituição. Segundo os analistas, o desempenho reforça a confiança da companhia em sua execução operacional e na capacidade de gestão dos projetos, mesmo diante das pressões inflacionárias no setor de construção.

O JPMorgan mantém classificação neutra e preço-alvo de R$ 18,50.

Para o Goldman, o principal destaque do balanço foi a manutenção das margens brutas, diante das preocupações do mercado com os impactos da inflação de custos da construção civil.

A construtora conseguiu preservar a rentabilidade, com margem bruta em linha em 40,7% e margem bruta ajustada de 42,9%, o maior patamar já registrado pela companhia.

O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para as ações da Direcional, com preço-alvo de R$ 20.

Para o BBI, a Direcional entregou um conjunto de resultados positivo no 1T26, em linha com as expectativas e com sinais consistentes de sustentação das margens. A receita líquida atingiu R$ 1,16 bilhão, alta de 30% em base anual e queda de 5% no comparativo trimestral, levemente abaixo da estimativa do Bradesco BBI, mas em linha com o consenso.

A geração operacional foi positiva em R$ 35 milhões, enquanto o fluxo de caixa contábil ficou negativo em R$ 76 milhões, “impactado principalmente por efeitos não operacionais ligados à amortização de cessão de recebíveis”, explica BBI.

O Bradesco BBI reitera classificação de compra, com preço-alvo de R$ 21.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   13/05/2026

Nesta segunda-feira, 11 de maio, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP) divulgou novos detalhes sobre o andamento da implantação do ramal, destacando a evolução dos testes pré-operacionais realizados com os trens que irão compor a frota da linha.

Ao todo, a Linha 6-Laranja contará com 22 composições de seis carros cada, fabricadas pela Alstom na unidade de Taubaté, no interior paulista. Atualmente, dez trens já estão à disposição da concessionária Linha Uni, responsável pela operação do sistema, passando por diferentes fases de avaliação técnica e operacional.

Somente neste mês de maio, os testes acumulam mais de 1,2 mil horas de operação no trecho entre Perdizes e Brasilândia, além de aproximadamente 3 mil quilômetros percorridos.

Segundo a ARTESP, os procedimentos têm como objetivo validar desempenho, segurança, integração dos sistemas e conformidade técnica do material rodante antes do início da operação comercial.

Batizada pela concessionária como Série 600, a nova frota contará com tecnologia de operação automática, dispensando a presença de condutor. Os trens serão totalmente conectados ao Centro de Controle Operacional (CCO) por meio do sistema de sinalização CBTC, considerado um dos mais modernos do setor metroferroviário.

As composições foram concebidas em aço inoxidável, com vida útil estimada em cerca de 40 anos, além de oferecer salão contínuo para circulação interna dos passageiros, favorecendo maior conforto e fluidez durante as viagens. Conforme as demais unidades são entregues, os mesmos processos avaliativos serão empregados.

Cada trem terá capacidade para transportar até 2.044 passageiros entre usuários sentados e em pé. A expectativa é de que a linha atenda cerca de 630 mil pessoas por dia, promovendo significativa redução no tempo de deslocamento entre as zonas Norte e Oeste da capital.

Atualmente, o trajeto entre Brasilândia e São Joaquim pode ultrapassar 1h30 em determinados horários. Com a nova linha em operação, a viagem deverá ser realizada em aproximadamente 23 minutos.

O cronograma do Governo de São Paulo prevê a entrega inicial do trecho entre Brasilândia e Perdizes ainda neste ano, sem a estação Maristela. Já a conclusão total até São Joaquim, incluindo as integrações com as linhas 4-Amarela, na estação Higienópolis-Mackenzie, e 1-Azul, em São Joaquim, permanece prevista para 2027.

Valor - SP   13/05/2026

A melhoria, segundo a companhia, deve ampliar em até 30% a capacidade operacional

A companhia de logística VLI concluiu a construção de uma linha férrea adicional no Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita (Tiplam), em Santos, no litoral de São Paulo. A estrutura de dois quilômetros de extensão demandou um investimento de R$ 38 milhões e foi adaptada para possibilitar o aumento do volume de carregamento ferroviário de fertilizantes, que irão abastecer as cadeias produtivas no interior do país, principalmente para as regiões de Mato Grosso.

A melhoria, segundo a companhia, deve ampliar em até 30% a capacidade operacional, com mais flexibilidade e redução no tempo de espera.

O Tiplam integra o Corredor Sudeste da companhia, que conecta o Centro-Oeste brasileiro à Baixada Santista por meio da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). Além do fluxo de importação de fertilizantes, o terminal também exporta cargas de soja, milho farelos e açúcar.

Segundo Marcelo Cardoso, diretor de Operações da VLI no Corredor Sudeste, a construção tem foco na integração da cadeia logística da empresa “Com essa ampliação vamos garantir mais fluidez, previsibilidade e competitividade no abastecimento de insumos essenciais para a produção brasileira”.

Aumento do calado

No primeiro semestre de 2025, o terminal passou por obras de aumento do calado dos berços 2, 3 e 4, além do próprio canal Piaçaguera. A ampliação elevou o calado máximo – que é a distância entre a linha de flutuação e o fundo da embarcação – de 13,35 metros para 14,1 metros, o que aumentou em cerca de 10% a capacidade de cargas dos navios que operam no local.

NAVAL

Petro Notícias - SP   13/05/2026

A Braskem avança na estratégia de modernização logística e descarbonização das operações marítimas com a incorporação de duas novas embarcações à frota da Braskem Trading & Shipping (BT&S). Batizados de Beautiful Future e Blooming Future, os navios-tanque combinam tecnologia de ponta, eficiência e redução de aproximadamente 30% de emissões de CO2, em relação à média dos navios atualmente operados pela companhia, o que representa uma redução estimada de cerca de 6.500 toneladas de emissões por ano. As novas embarcações são do tipo LR1 (Long Range 1) e foram desenvolvidas para o transporte de nafta, matéria-prima essencial para a produção de itens do cotidiano, como embalagens, suprimentos médicos e produtos domésticos, em rotas de longa distância entre a Costa do Golfo dos Estados Unidos e o Brasil.

Os navios foram oficialmente apresentados em uma cerimônia realizada na China e representam um novo passo da Braskem em direção a operações logísticas mais eficientes. Projetados com tecnologias avançadas de eficiência energética e controle de emissões, as embarcações contam com motores de última geração, design de casco otimizado para redução do consumo de combustível e sistemas que superam os requisitos regulatórios atuais da indústria marítima. “Estamos ampliando nossa frota com embarcações mais modernas e eficientes, alinhadas ao compromisso da Braskem com operações cada vez mais sustentáveis e competitivas. Esses navios representam um avanço importante na evolução logística da companhia e reforçam nossa visão de longo prazo para um transporte marítimo mais eficiente”, afirma Hardi Schuck, diretor da Braskem Trading & Shipping.

Em uma viagem típica, os navios percorrem mais de 5.500 milhas náuticas entre os Estados Unidos e o Brasil, de modo a transportar nafta para abastecer operações industriais da Braskem. As novas embarcações operam em velocidade otimizada, o que contribui para a redução do consumo de combustível e de emissões associadas ao transporte marítimo. O Beautiful Future e o Blooming Future são os primeiros navios LR1 entregues à Braskem Trading & Shipping, em 2026, mas outros dois navios já estão em construção e devem integrar a frota da companhia até o início de 2027. Silvia Migueles, diretora de Logística da Braskem, disse que “A iniciativa acompanha um movimento global da indústria marítima voltado à modernização de frotas e à redução das emissões de CO2 do setor, sendo impulsionado por novas metas internacionais de eficiência energética e descarbonização do transporte marítimo.”

PETROLÍFERO

Petro Notícias - SP   13/05/2026

A Petrobrás avançou com seus investimentos em Exploração e Produção (E&P) no primeiro trimestre do ano. Ao todo, a companhia aplicou US$ 4,5 bilhões durante o período, valor que representa um aumento de 27,4% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. O crescimento foi impulsionado por maiores investimentos em projetos do pré-sal da Bacia de Santos, especialmente nos novos sistemas de produção dos campos de Búzios e de Sépia, devido ao avanço nas obras de construção das unidades, bem como nos projetos da Bacia de Campos, com o ramp-up da revitalização de Marlim.

Em seu material de apresentação dos dados financeiros do trimestre, a Petrobrás destacou que o aumento nos investimentos foi impulsionado por todas as frentes operacionais, com destaque para as atividades submarinas, que saltaram de US$ 700 milhões para US$ 1,23 bilhão; e a construção de plataformas, que recebeu um aporte de US$ 1,10 bilhão no trimestre.

Em termos de avanço físico, a companhia intensificou suas operações marítimas no primeiro trimestre, com a perfuração de 10 poços e a conclusão de outros 12. No segmento submarino, foram realizadas 14 interligações, sendo três delas localizadas no campo de Búzios, além do avanço nos trabalhos de ancoragem da plataforma P-79. O investimento direto na perfuração de poços somou US$ 1,11 bilhão no período.

Para o biênio 2026-2027, o foco da estatal está voltado para o campo de Búzios e para a ampliação da capacidade produtiva. Após a entrada em operação das unidades P-78 e P-79 (com capacidade de 180 milhões de barris por dia cada), a Petrobrás prioriza a construção dos FPSOs P-80, P-82 e P-83, projetados para adicionar 225 milhões de barris por dia. O cronograma de entregas prevê ainda campanhas robustas de interligação de poços nos projetos Búzios 6, 7 e 8, além de Mero 4, ao longo de 2026, seguidas pelos módulos de Búzios 8, 9, 10 e 11 em 2027.

Apesar dos investimentos recentes e do lucro de R$ 32 bilhões no primeiro trimestre, a Petrobrás reafirmou que quer manter a disciplina com os gastos. A empresa disse que a recente volatilidade e o aumento dos preços do petróleo no mercado internacional não alterarão a estratégia de gestão. A petroleira afirmou que mantém o compromisso com a disciplina de capital e com a responsabilidade na execução dos investimentos previstos, assegurando que as decisões financeiras permaneçam desvinculadas de oscilações conjunturais de preços.

O foco operacional da estatal continua centrado na expansão da produção, sustentado pelo aumento da eficiência e pela gestão estratégica de ativos. Segundo a Petrobrás, a governança corporativa permanece como um pilar fundamental para a geração de valor, servindo como base para os planos de crescimento e para a manutenção da sustentabilidade financeira do negócio diante dos desafios do setor de energia.

O Estado de S.Paulo - SP   13/05/2026

A quantidade de gás natural liquefeito (GNL) russo importado para a União Europeia aumentou 16% no primeiro trimestre deste ano, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Com a marca, esse tipo de importação atinge um nível recorde pela primeira vez desde 2022, ano em que começou a guerra na Ucrânia. As informações são do Instituto de Economia Energética e Análise Financeira (IEEFA), segundo um relatório publicado nesta quarta-feira, 13.

O crescimento foi impulsionado principalmente pela França, Espanha e Bélgica. Foram importados cerca de 6,9 bilhões de metros cúbicos. A tendência foi semelhante em abril, quando as importações europeias do GNL russo cresceram em 17% em relação ao ano anterior.

Paris “importou mais GNL russo que qualquer outro país europeu no primeiro trimestre de 2026”, atingindo uma marca recorde em janeiro, segundo o centro de estudos.

O documento apontou ainda a dependência do continente europeu do gás de Moscou, num momento em que o conflito no Oriente Médio afeta o fornecimento mundial de hidrocarbonetos.

Desde a invasão russa à Ucrânia em 2022, a Europa, em busca de diversificação, impulsionou as importações de GNL para reduzir a dependência histórica do gás russo transportado por gasodutos.

O segundo maior fornecedor de GNL para o continente, no entanto, ainda é a Rússia. O país assume o posto mesmo após a Comissão Europeia aprovar a proibição de todas as importações de combustível russas até o final de 2027, com o objetivo de privar Moscou dos recursos que financiam a guerra.

Ao mesmo tempo, a Europa aumentou a importação de GNL vindo EUA, a ponto do país estar a ponto de se tornar “o principal fornecedor de gás do continente até 2026”, detalha o relatório.

No primeiro trimestre, a Noruega seguiu o principal fornecedor da União Europeia, com uma cota de 31%, mas seguida de cerca pelos Estados Unidos (28%) e Rússia (14%), no conjunto de suas importações (gasodutos e GNL), segundo dados da Comissão Europeia.

Jornal de Brasília - DF   13/05/2026

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicou nesta terça-feira, 12, uma nova versão do edital da Oferta Permanente de Concessão (OPC), com a inclusão de 45 novos blocos exploratórios. Com a atualização, passam a estar disponíveis para próximos ciclos 495 blocos exploratórios e cinco áreas com acumulações, além da revisão de parâmetros técnico-econômicos dos blocos.

As áreas listadas no edital estão distribuídas por 11 bacias sedimentares: Campos, Ceará, Espírito Santo, Parecis, Parnaíba, Potiguar, Recôncavo, Santos, São Francisco, Tacutu e Tucano. Dos 45 blocos acrescentados agora, 26 ficam na bacia de Campos (mar), 11 na bacia de Santos (mar) e oito na bacia Potiguar (terra).

Segundo a ANP, todos os blocos e áreas disponíveis no edital têm parecer favorável quanto à viabilidade ambiental emitido pelos órgãos competentes e contam com Manifestação Conjunta dos ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente e Mudança do Clima. As regras do edital e as minutas dos contratos de concessão permanecem inalteradas.

Com a publicação, os 45 novos blocos passam a poder receber declarações de interesse de empresas inscritas, com as respectivas garantias de oferta, o que viabiliza a abertura do 6º ciclo da OPC.

A ANP destacou que a Oferta Permanente é hoje a principal modalidade de licitação para exploração e produção de petróleo e gás no Brasil por permitir oferta contínua de áreas, com liberdade para as empresas apresentarem propostas quando considerarem mais adequado.

Até agora, já foram realizados cinco ciclos no regime de concessão (2019, 2020, 2022, 2023 e 2025) e três no regime de partilha (2022, 2023 e 2025).

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