Clipping Diário

11 | Setembro | 2026

SIDERURGIA

Money Times - SP   11/09/2026

As ações da Usiminas (USIM5) dispararam nas últimas semanas, mas o Banco Safra acredita que o movimento pode ter ido longe demais.

Em novo relatório, a instituição reduziu o preço-alvo da siderúrgica de R$ 9,20 para R$ 8,30, o que implica um potencial de valorização de 9%, e manteve recomendação neutra para os papéis.

A avaliação do analista Ricardo Monegaglia é de que a valorização de cerca de 26% desde meados de agosto não foi acompanhada por uma melhora equivalente nos fundamentos do negócio. Na prática, o cenário operacional da companhia continua pressionado por fatores como a queda dos preços do aço e o aumento dos custos de matérias-primas importantes para a produção.

“Em nossa visão, a ação tem negociado com base em notícias sobre um potencial fechamento de capital e muito mais alinhada ao desempenho do Ibovespa do que aos fundamentos de seu mercado, uma vez que não houve revisões positivas de resultados que justificassem essa reprecificação”, afirma o Safra.

Com isso, o analista do banco considera que a ação da Usiminas tem se comportado mais como uma aposta ligada ao mercado brasileiro do que como um reflexo dos fundamentos do setor.

Por volta das 12h09 (horário de Brasília), USIM5 aparecia como segunda maior queda do Ibovespa, com queda de 3,28% (R$ 7,38).

O que está por trás do novo preço-alvo

A revisão para baixo do preço-alvo decorre principalmente da visão mais cautelosa do Safra sobre a capacidade de geração de resultados da Usiminas nos próximos anos.

O banco destaca que parte relevante da sua projeção depende de uma melhora gradual dos custos de produção, especialmente ligados ao carvão metalúrgico e ao frete marítimo. Atualmente, ambos continuam em níveis considerados elevados, o que reduz a rentabilidade da operação.

Além disso, o Safra avalia que o mercado ainda parece excessivamente otimista com as perspectivas de lucro da empresa.

Para 2027, as estimativas do banco para o Ebitda permanecem cerca de 17% abaixo da média das projeções do mercado. Em um cenário mais desafiador, no qual os custos permanecessem elevados por mais tempo, essa diferença poderia chegar a 26%.
Revisão de expectativas passa pelo setor automotivo

Outro ponto de atenção está na relação da Usiminas com a indústria automobilística, um dos seus principais clientes.

Os contratos de fornecimento para montadoras serão renegociados no início do próximo ano, e o Safra trabalha com a expectativa de reajustes de preços de aproximadamente 5%. O problema, porém, é que o cenário para o setor automotivo não é dos mais favoráveis.

Segundo o banco, o avanço dos veículos chineses importados e o elevado nível de estoques das montadoras brasileiras reduzem o poder de barganha das siderúrgicas.

Além disso, mudanças recentes na política tarifária para importação de veículos também adicionam incertezas sobre a demanda por aço nos próximos trimestres.
Há espaço para melhora

Apesar do tom cauteloso, o Safra não chega a recomendar venda da ação. A principal razão disso é que parte das pressões de custos já começou a se normalizar e existe a possibilidade de novas medidas de proteção à indústria siderúrgica nacional. Caso esse cenário se confirme, a Usiminas poderia apresentar uma recuperação mais robusta dos resultados.

Na visão do banco, um ambiente mais equilibrado permitiria à companhia atingir um Ebitda “normalizado” próximo de R$ 3,5 bilhões, valor cerca de 30% superior à projeção atual do banco para 2026.

Ainda assim, o Safra considera que essa recuperação permanece cercada de incertezas e que o retorno esperado para os acionistas não é suficiente para tornar o papel uma oportunidade particularmente atraente neste momento.

ECONOMIA

Infomoney - SP   11/09/2026

A atividade de serviços no Brasil voltou a patinar em julho, com estabilidade no mês (0,0%) após uma leve alta (0,1%) em julho e uma queda (-0,2%) e maio. Para os economistas, o comportamento é mais uma prova a desaceleração da economia, moderação que permitirá ao Banco Central continuar a cortar os juros, hoje em 14% ao ano.

André Valério, economista sênior do Inter sobre PMS, destacou em análise que a alta de 2,4% do setor de serviços nos últimos 12 meses até julho é a menor desde setembro de 2024.

Além disso, ele citou que o resultado de julho mostrou a grande dependência do setor aos serviços de informação e comunicação. No ano, apenas os serviços de TI, uma subdivisão dos serviços de informação e comunicação, é responsável por dois terços do crescimento total observado.
“Ainda vemos sinais de arrefecimento na dinâmica do setor como um todo, reflexo da política monetária contracionista, o que ajuda a explicar a importância dos serviços de TI no desempenho do setor, tendo em vista que é um setor ‘asset light’, pouco sensível às taxas de juros e mais correlacionado com o ciclo econômico internacional”, explicou.

Confiança de serviços no Brasil volta a subir em agosto, diz FGV

Para Valério, os dados recentes de atividade são unânimes em indicar uma moderação do ritmo de crescimento da economia. “Na nossa visão, esse movimento deve persistir pelos próximos meses, entrando em 2027, o que permitirá ao Copom seguir com os ajustes na Selic. Para a reunião de setembro, outro corte de 25 pontos base é consenso, mas esperamos que o Copom siga cortando nas reuniões restantes do ano, com a Selic alcançando 13,25% em dezembro”, projeta.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, concorda com essa leitura. Para ele, a maior fraqueza do setor de serviços, quando analisado sob a ótica do hiato do produto, abre espaço para o Banco Central dar prosseguimento ao ciclo de calibragem em suas próximas reuniões, “embora a maior rigidez dos preços deste setor, que no curto prazo devem ser afetados em proporção diminuta pela desaceleração da economia, sigam como impeditivo para um avanço mais significativo do que apontam as projeções atualmente”.

Para o PicPay, a projeção para o PIB de 2026 (+1,70%) e perspectiva para a Selic até o final do ano (+13,50%) permanecem inalteradas.

Na avaliação da XP, os resultados desagregados da PMS em julho foram quase a imagem espelhada dos números de junho. ‘Quatro dos cinco grandes segmentos de atividades registraram alta na comparação mensal, mas os Serviços de Comunicação e Informação — que vinham sendo o motor do setor — deram uma pausa. Enquanto isso, o Transporte Aéreo registrou seu primeiro ganho mensal em várias leituras.”

A principal surpresa negativa, segundo a XP veio dos Serviços de Comunicação e Informação, que caíram 2,5% na comparação mensal, após liderarem o setor durante a maior parte do ano. Os Serviços de TI caíram 3,0% e os Serviços Audiovisuais recuaram 3,7% M/M, após um junho excepcionalmente forte. “Interpretamos isso como um ajuste parcial, e não como um ponto de inflexão. Em termos anuais, o grupo ainda subiu 4,6% e registrou a maior contribuição positiva isolada para o resultado principal.”

A XP diz continuar vendo uma tendência de crescimento moderado para o setor de serviços no ano, embora o mercado de trabalho ainda apertado deva continuar sustentando a demanda das famílias — os Serviços Prestados às Famílias cresceram em quatro dos últimos cinco meses em termos anuais.

“Por outro lado, as altas taxas de juros e a crescente carga do serviço da dívida das famílias continuam sendo ventos contrários relevantes. Projetamos que as receitas totais do setor de serviços cresçam cerca de 2,0% em 2026, após um aumento de 2,9% em 2025”, estima a XP.

O Monitor XP para o crescimento do PIB do 3º trimestre de 2026 está em 0,0% na comparação trimestral e de 1,6% na anula. A projeção para o PIB de 2026 está mantida em 1,7%, arrefecendo para 1,0% em 2027.

Na opinião de Leonardo Costa, economista do ASA, com a estabilidade observada na margem, a PMS de julho mostrou-se mais fraca que o esperado. “O quadro segue apontando para atividade mais fraca na segunda metade de 2026, apontando para continuidade da desaceleração gradual. Projetamos crescimento de +0,2% para o PIB do 3º trimestre de 2026”.

Na visão de Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimento, a estagnação dos serviços por dois meses seguidos é um sinal de perda de ritmo e aumenta a chance de um terceiro trimestre mais fraco, embora ainda seja cedo para falar em retração do PIB.

“O ponto importante é que o setor continua operando perto das máximas da série, então não há uma queda disseminada, mas uma desaceleração que já aparece com mais clareza, esse crescimento não é só efeito de preços. Hoje, olhando para juros ainda altos, crédito mais caro e consumo perdendo força, esse ritmo parece difícil de sustentar. A leitura é de crescimento ainda positivo, mas mais fraco do que o observado na primeira metade do ano”, analisa.
Inflação de serviços no foco

Já André Matos, CEO da MA7 Capital, o dado de julho responde à pergunta sobre preço de forma quase brutal, porque o volume de serviços cresceu 0,9% em doze meses enquanto a receita cresceu 7,1%. “Ou seja, de cada R$ 10 a mais que o setor faturou, quase R$ 9 são preço e pouco mais de um é serviço efetivamente prestado. O setor está faturando mais sem produzir muito mais, e isso é exatamente a inflação de serviços que o Banco Central aponta como principal risco de alta”, comenta.

Sobre o terceiro trimestre, Matos não considera que haverá retração, uma vez que o setor está apenas 0,2% abaixo do topo histórico, mas ele observa que o sinal de tendência piorou, porque a média móvel do trimestre ficou zerada e, dentro dela, quatro das 5 atividades já apresentam comportamento negativo.

“Vale notar que o mês positivo veio de recomposição, com transporte e serviços profissionais devolvendo perdas anteriores, enquanto informação e comunicação, que era o motor do setor, caiu 2,5%. Isso sugere um setor girando em torno de um patamar, não avançando”, argumenta.

A avaliação de André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital, vai na mesma linha. Ele diz que a estabilidade dos serviços em julho reforça um sinal de perda de fôlego da economia, ainda que seja cedo para falar em retração do PIB no terceiro trimestre.

“O setor continua crescendo no acumulado do ano, mas em ritmo moderado, e isso ganha relevância num ambiente em que o custo do crédito permanece elevado. Existe crescimento real: o volume de serviços acumula alta de 1,9% no ano, já descontado o efeito dos preços. Ao mesmo tempo, a receita nominal cresce em ritmo superior, o que mostra que parte relevante do avanço do faturamento ainda vem da inflação”, explica.

Para Caruso, esse cenário também coloca uma discussão importante sobre financiamento do crescimento. Com juros em patamar elevado e maior seletividade bancária, sustentar investimento e capital de giro exige ampliar as alternativas de funding. “Mercado de capitais, securitização, FIDCs, crédito estruturado e instrumentos lastreados em recebíveis tendem a ganhar importância, especialmente para empresas médias que não podem depender exclusivamente do crédito bancário tradicional”, lista.

“O desafio não é apenas gerar demanda, mas também garantir condições financeiras para que as empresas consigam transformar essa demanda em investimento e expansão”, diz Caruso.

Já Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, observa que a estagnação dos serviços brasileiros ocorre em um momento no qual o crescimento mundial também se tornou menos uniforme. “Investimentos em tecnologia sustentam parte da atividade global, mas conflitos, protecionismo e inflação resistente dificultam uma redução contínua dos juros. Para o Brasil, esse ambiente chega pelo dólar, pelas commodities, pelo custo do financiamento e pelo comportamento dos fluxos internacionais de capital”, avalia.

Além disso, ele comenta que, internamente, o resultado de julho aumenta a probabilidade de desaceleração do PIB no terceiro trimestre, já que os serviços representam a maior parcela da economia.

“Não é possível concluir que haverá retração, porque a atividade ainda opera em nível elevado e o mercado de trabalho continua relevante para o consumo. O alerta está na falta de força para avançar. O setor cresce de fato, mas o aumento do faturamento dependeu muito mais de preços e composição do que de volume”, afirma.

Exame - SP   11/09/2026

A balança comercial brasileira registrou um superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto de 2026, o que representa um crescimento de 23,8% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. O resultado, divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), configura o terceiro maior saldo positivo para meses de agosto na série histórica, ficando atrás apenas dos recordes de 2023 e 2021.

No oitavo mês do ano, as exportações brasileiras totalizaram US$ 33,16 bilhões, registrando uma alta de 12,2%. As importações também avançaram, somando US$ 25,76 bilhões, uma expansão de 9,2%. Com isso, a corrente de comércio (a soma de todas as exportações e importações) alcançou o recorde de US$ 58,92 bilhões para o período.

O impulso nas vendas externas veio principalmente da indústria extrativa, que cresceu 16,4% (atingindo US$ 8,35 bilhões), seguida pela agropecuária, com alta de 11,4% (US$ 7,39 bilhões), e pela indústria de transformação, que avançou 10,2% (US$ 17,17 bilhões).

Entre os produtos que mais se destacaram no mês estão os óleos brutos de petróleo, a soja, o café não torrado e os minérios de cobre e níquel. Por outro lado, a carne bovina recuou 19,7%, pressionada pelo atingimento da cota de exportação estabelecida pela China no final do ano passado.

Impacto europeu e cenário com parceiros comerciais

No cenário dos parceiros comerciais, a União Europeia se destacou com um salto de 46,4% nas compras de produtos brasileiros, totalizando US$ 5,82 bilhões, desempenho que, segundo o MDIC, já reflete os primeiros reflexos práticos do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu.

Em contrapartida, as exportações para a China recuaram 10,9% (US$ 8,34 bilhões) e para a Argentina caíram 9,6% (US$ 1,48 bilhão). Com os Estados Unidos, o Brasil registrou um déficit comercial de US$ 824 milhões em agosto, em meio às recentes sobretaxas impostas pelo governo norte-americano, embora as exportações brasileiras para o mercado americano tenham subido 12,1%.

No acumulado de janeiro a agosto de 2026, a balança comercial acumula um superávit de US$ 55,32 bilhões, alta de 28,2% frente a igual período de 2025. O montante é o segundo maior para o período desde o início da série histórica, em 1989. Diante do ritmo forte da atividade externa, o governo revisou recentemente sua projeção oficial de superávit para o fechamento de 2026 de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões, mantendo-se mais otimista que as estimativas do mercado financeiro consolidadas no boletim Focus.

Money Times - SP   11/09/2026

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve registrar deflação em agosto, puxado principalmente pela queda nas contas de luz. Apesar do alívio no índice cheio, a inflação de serviços e a perspectiva de uma retomada dos preços dos alimentos ainda exigem atenção.

O dado será divulgado nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As projeções de Daycoval, Santander e UBS variam entre queda de 0,31% e 0,26%, com média de deflação de 0,28%.

Em julho, o IPCA avançou 0,07%, acumulando alta de 4,39% em 12 meses, abaixo do esperado.
Energia, alimentos e passagens devem puxar índice para baixo

O principal vetor de queda deve ser a energia elétrica residencial, beneficiada pelos descontos temporários decorrentes do bônus de Itaipu. O movimento já havia aparecido no IPCA-15 de agosto, que recuou 0,40%.

O Daycoval, que prevê deflação de 0,31%, também espera contribuições negativas dos alimentos, especialmente dos produtos in natura, além das passagens aéreas, da gasolina e do etanol.

“Os preços dos alimentos devem se manter em terreno deflacionário, sobretudo pela queda sazonal dos itens in natura”, afirma o banco. A instituição ressalta, porém, que esse comportamento benigno já vem perdendo força.

Com isso, o Daycoval projeta que a inflação acumulada em 12 meses desacelere de 4,4% para 4,2%. O UBS trabalha com uma leitura um pouco mais alta, de 4,27%, após queda mensal de 0,28%.

Deflação não encerra preocupações com os preços

Apesar do número negativo esperado, parte do alívio deve ser temporária. O desconto nas contas de luz não representa uma redução permanente das pressões inflacionárias, enquanto a queda dos alimentos pode perder força nos próximos meses.

O Daycoval prevê que os preços da alimentação voltem a acelerar a partir do último trimestre. A instituição também alerta para o risco de um evento climático adverso intenso, como o El Niño, afetar os preços no segundo semestre. A projeção do banco para o IPCA ao final de 2026 é de 5%.

A maior atenção, porém, estará nos serviços. O Santander espera que os núcleos — medidas que retiram itens mais voláteis e ajudam a mostrar a tendência da inflação — permaneçam estáveis. Segundo o banco, o resultado deve ficar “em linha com a melhora observada nas últimas divulgações”.

Já o Daycoval adota uma leitura mais cautelosa. O banco prevê leve aceleração dos serviços, com pressão dos itens mais sensíveis à atividade econômica, apesar do alívio vindo das passagens aéreas.

Para a instituição, os serviços subjacentes devem registrar “alta importante”, com destaque para os serviços automotivos, e interromper a trajetória de arrefecimento, “configurando desafio relevante para o Banco Central”.

Assim, embora a deflação de agosto reforce o processo de desinflação no curto prazo, a composição do indicador será mais importante do que o número cheio.

Uma nova melhora dos núcleos e dos serviços fortaleceria uma leitura mais favorável para os preços. Caso essas medidas continuem pressionadas, o resultado negativo pode ser interpretado apenas como um alívio pontual.

CNN Brasil - SP   11/09/2026

O mercado dá como certa uma queda dos preços em agosto, favorecendo o cenário para um novo corte de juros pelo Copom (Comitê de Política Monetária) no dia 16 de setembro.

Antes da "superquarta" - quando os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos anunciam suas decisões de política monetária -, teremos hoje uma "supersexta" da inflação. Tanto aqui, quanto lá serão divulgados os respectivos Índices de Preços ao Consumidor, os últimos indicadores antes do anúncio das taxas de juros.
IPCA

Os analistas brasileiros carregam a expectativa de que o IPCA de agosto trará uma continuidade da deflação registrada pela prévia da inflação do mês. As apostas variam de queda de 0,2% (metade do anotado pelo IPCA-15) até mais de 0,3%.

Energia elétrica (puxados para baixo pelo Bônus de Itaipu), transporte (com passagens aéreas, viagens de aplicativo e etanol entre os destaques), alimentos e até vestuário e artigos de residência são citados pelos agentes do mercado como os possíveis "amigos" da queda dos preços.

Porém, o quadro cheio é "algo bem pontual mesmo", enfatiza Gustavo Cruz, CIO da Sincra.

Isso porque agosto é sempre um mês de sazonalidade favorável a preços mais baixos, explica Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Investimentos. Entre os fatores de alívio temporário já observados ao longo dos anos aparecem a conta de luz mais barata, melhor oferta de alimentos e liquidações no varejo.
Núcleo de inflação

Kawauti compara o trabalho dos economistas com o de um arqueólogo num sítio de escavação: é preciso tirar a sujeira por cima com uma escova e observar com delicadeza o que está por baixo.

Nesse caso, os olhos se voltam para os núcleos de inflação - que ignoram itens mais voláteis como alimentos e energia - e os preços de serviços.

"A inflação de serviços, se continuar trazendo a desaceleração, é muito positivo. É o que o Copom precisa para começar a baixar juros com mais confiança. Na minha cabeça, o Banco Central vai continuar pisando em ovos, pois ele vive uma dualidade com pressão do mercado de trabalho, do cenário fiscal e do El Niño que vai começar a pesar agora", observa a economista-chefe da Lifetime.

"Mas os juros estão muito altos. Se vier o IPCA com uma deflação como o mercado está esperando e serviços caminhando para 5,5% no acumulado em 12 meses, o Copom pode levar a taxa de juros a 13,25% no final do ano", pondera.

Por outro lado, apesar de reconhecer que a inflação subjacente deve permanecer abaixo do teto-alvo do BC, o JP Morgan indica, em relatório de terça-feira (8), que o indicador deve seguir elevado e acima dos níveis consistentes com a meta.
Expectativas do mercado

A mediana do mercado colhida pelo boletim Focus do BC mostra que os agentes econômicos apostam, até o momento, em um último corte de 0,25 ponto percentual neste ano na reunião de setembro. Desse modo, a Selic encerraria 2026 no patamar de 13,75% ao ano.

Mas, isso até o momento. Kawauti acredita que se os dados de inflação vierem alinhados com as expectativas ou ainda mais benignos, o mercado deve correr para revisar suas posições - antes mesmo de ler o comunicado do Copom.

Os economistas ressaltam que a desaceleração da economia observada nos últimos números do PIB (Produto Interno Bruto) pavimentam um caminho ainda mais liso para o BC seguir rumo ao corte de juros.

"Esperamos que o ritmo de crescimento se desacelere ainda mais durante o terceiro trimestre, ficando claramente abaixo da tendência, à medida que a atividade enfrenta dificuldades devido às condições financeiras domésticas restritivas, à alta inflação, aos elevados níveis de endividamento das famílias e do serviço da dívida, ao aumento da inadimplência e dos calotes de famílias e empresas e à deterioração da confiança do consumidor e das empresas, tudo isso em um ambiente externo desafiador e volátil", escreveram os analistas do Goldman Sachs em relatório do dia 4 de setembro.

Contudo, o banco ressalta que as expectativas de inflação seguem desancoradas - com "particular preocupação" para o biênio 2027/28 - e as projeções de inflação do Banco Central sigam acima da meta em todo o horizonte de política monetária relevante - o período futuro para o qual o BC considera os efeitos dos juros ao tomar suas decisões.

Em junho, a autoridade monetária projetava as variáveis de inflação entre 3,7% e 3,9% no horizonte relevante. Em agosto, passou a precificá-las de 3,1% a 3,5%.

A referência atual é 2028, quando o mercado vê a inflação em 3,8%, ainda acima da meta de 3% perseguida pelo BC.

Mas olhando para fatores além da inflação, o Sachs avalia que cortes de juros ao longo do último trimestre não podem ser descartados se o câmbio seguir estável e o Federal Reserve, o Banco Central dos EUA, manter sua taxa de juros inalterada.

É aí que mora a incerteza.
Como a decisão de juros dos EUA afeta o Brasil?

Nesta sexta-feira (11), a BLS (Secretária de Estatísticas do Trabalho dos EUA) divulga o CPI (Índice de Preços ao Consumidor) referente ao mês de agosto.

É o último dado de inflação antes de o Fed se reunir para sua decisão de juros em 16 de setembro, e vem após o principal indicador acompanhado pelo BC norte-americano, o PCE (Despesas de Consumo Pessoal), acumular alta de 3,7% nos 12 meses até julho.

Engrossando ainda mais o caldo, os preços ao produtor nos Estados Unidos da véspera aumentaram, acumulando nos 12 meses até agosto alta de 5,4%, em meio a uma recuperação no custo dos produtos de energia. O dado levou os operadores a elevarem as apostas por uma alta de juros do Fed.

Para o dado desta "supersexta" da inflação, a expectativa também é por preços pressionados. E como isso afeta o Brasil?

"A inflação norte-americana influencia diretamente as condições financeiras globais e, consequentemente, o comportamento do câmbio e dos fluxos de capital para economias emergentes como o Brasil. Dependendo do resultado, o mercado pode revisar suas expectativas para a trajetória dos juros americanos, produzindo impactos sobre o dólar e sobre os ativos brasileiros", responde Thaís Zara, economista-chefe da 4intelligence.

Ainda assim, a casa avalia que ainda existe espaço para que o Copom siga calibrando sua política monetária, realizando mais um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião.

MINERAÇÃO

Globo Online - RJ   11/09/2026

A Vale está considerando a ideia de ingressar no mercado de títulos da China já neste ano, possivelmente seguindo os passos do governo brasileiro ao atrair investidores chineses. A China é a principal consumidora de minério de ferro da Vale, representando cerca de 50% da receita da mineradora. Isso torna “natural” para a siderúrgica brasileira explorar o mercado de dívida do país, afirma o CFO da companhia, Marcelo Bacci.

O país asiático tem trabalhado para desenvolver seu mercado de dívida interna, e o Banco Popular da China afirmou em junho que vê com bons olhos a entrada de tomadores brasileiros nesse mercado.

— Estamos preparando a empresa para isso — disse Bacci durante uma entrevista na quarta-feira ao programa “Bloomberg Open Interest”, acrescentando que a venda de títulos poderia acontecer “possivelmente ainda em 2026”.

A Vale está de olho na China ao mesmo tempo em que o governo brasileiro planeja captar cerca de 10 bilhões de yuans em sua primeira emissão de “panda bonds”, prevista para ocorrer ainda este ano. A iniciativa faz parte de um esforço para diversificar as fontes de financiamento do Brasil, reduzir sua dependência de dívidas denominadas em dólares e fortalecer os laços financeiros com Pequim, sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva.

O CFO da Vale afirmou que o mercado de títulos domésticos da China ainda está em desenvolvimento para emissores internacionais, e que o tamanho típico das emissões tende a ser pequeno, em torno de US$ 400 milhões a US$ 500 milhões cada, com prazo curto para os títulos.

— Normalmente, as empresas consideram um prazo de dois, três, cinco anos. Estamos testando o mercado para ver se é possível ir além disso — disse ele.

IPO da Base Metals

Bacci afirmou que uma oferta pública inicial de ações (IPO) da Vale Base Metals, sua subsidiária de cobre e níquel, não é uma prioridade para pelo menos os próximos um ou dois anos. Embora o minério de ferro continue sendo o principal produto da Vale, a empresa está diversificando seus negócios.

Os ativos de cobre estão desempenhando um papel cada vez mais importante em seu portfólio, impulsionados pela demanda da transição energética, com a Vale acelerando projetos no Brasil. O foco, por ora, é aumentar a produção nos próximos anos, afirmou Bacci.

O valor de mercado da Vale segue entre os mais baixos entre as mineradoras diversificadas, provavelmente refletindo a dependência da mineradora brasileira em relação ao minério de ferro, escreveram analistas Bloomberg Intelligence em uma nota nesta semana.

A Vale Base Metals tem como meta dobrar a produção de cobre para 700.000 toneladas até 2035. O CEO, Shaun Usmar, assumiu o comando em 2024 para reestruturar o negócio de cobre e níquel e prepará-lo para uma possível abertura de capital, com o objetivo de deixar a empresa pronta para o IPO por volta de meados do ano, ele disse em março.

Bacci afirmou que a Vale tem capital suficiente para o crescimento no setor de metais básicos, mas, caso o mercado de cobre permaneça forte, a empresa poderá reconsiderar a abertura de capital.

— Se o mercado continuar a trajetória atual, poderão surgir oportunidades de crescimento adicional, incluindo fusões e aquisições, que poderiam justificar um IPO no futuro — afirmou.

CNN Brasil - SP   11/09/2026

Os preços do minério de ferro caíram pela segunda sessão consecutiva nesta quinta-feira (10), atingindo o nível mais baixo em quase uma semana, pressionados por preocupações com a queda na demanda da China, à medida que as margens do setor siderúrgico chinês se reduzem.

O contrato de minério de ferro para outubro na Bolsa de Cingapura recuava 1,02%, para US$98,45 por tonelada, no nível mais baixo desde 3 de setembro.

Nos últimos quatro pregões, o contrato vinha se mantendo acima do importante nível psicológico de US$100, apoiado pelo aumento dos custos de frete causado pelos preços elevados da energia.

O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian (DCE) na China fechou o pregão diurno com queda de 0,95%, a 730,5 iuanes (US$108,93) por tonelada, após atingir o menor nível desde 4 de setembro, a 727 iuanes.

“Espera-se que a produção de ferro-gusa caia, à medida que as perdas se ampliaram entre as siderúrgicas após o mais recente aumento nos preços spot do coque”, afirmaram analistas da corretora Everbright Futures em uma nota.

O ferro-gusa é um produto do alto-forno, e sua produção é normalmente usada para avaliar a demanda por minério de ferro.

Cerca de 30% das siderúrgicas operavam com lucro em 4 de setembro, contra 32,5% na semana anterior e 61% no mesmo período do ano anterior, segundo dados da consultoria Mysteel.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   11/09/2026

Entre janeiro e agosto foram montadas 1,46 milhão de unidades no Polo Industrial de Manaus

A produção de motocicletas no Brasil acumula alta de 9,9% nos oito meses de 2026, acompanhando recordes de vendas. Entre janeiro e agosto foram montadas 1,46 milhão de unidades no Polo Industrial de Manaus, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (10) pela Abraciclo, associação que reúne os 11 maiores fabricantes com cerca de 97% do mercado total.

O volume produzido em 2026 só fica abaixo da produção no mesmo período em 2008, de 1,61 milhão de motocicletas, até hoje o melhor ano da história do setor. Apesar do desempenho acumulado até agora se manter perto da casa dos 10%, a Abraciclo ainda não alterou a estimativa de crescimento de 4,5% para o ano, com a montagem de 2,07 milhões de unidades.

Em agosto a produção somou 204,1 mil motos, alta de 9,8% na comparação anual e de 7% sobre julho. A expectativa agora fica para o desempenho das montadoras a partir de setembro, quando chega o período de seca na região Norte, afetando a logística em Manaus para escoamento da produção e abastecimento de peças e insumo.

Vendas recordes

A produção tem acompanhado o bom desempenho das vendas. Nos oito meses de 2026 foram emplacadas 1,579 milhão de motocicletas, volume recorde para o setor nesse período e com expansão de 12,1% na comparação anual. A expectativa da Abraciclo para o ano é de alta de 4,6% nos licenciamentos, somando 2,3 milhões ao fim de 2026.

Somente no mês passado foram comercializadas 205,3 mil motocicletas, alta de 10,6% sobre agosto de 2025 e de 3% na comparação com julho. O volume é recorde para um mês de agosto. Com 21 dias úteis no mês, a média foi de 9.775 motos emplacadas por dia.

Também no acumulado de oito meses, as exportações do setor crescem 30,7%, com o embarque de 31.663 motocicletas. Em agosto foram exportadas 4.290 unidades, crescimento de 45,8% sobre o mesmo mês do ano passado e de 30,4% sobre julho.

Automotive Business - SP   11/09/2026

A General Motors vem demonstrando em movimentos recentes que quer aumentar a sua oferta de veículos no país. Depois de anunciar produção de modelos na Pace, no Ceará, a fabricante sinalizou o desenvolvimento de veículos na China para o mercado sul-americano. Agora, a montadora quer importar veículos dos Estados Unidos, mas há entraves.

O principal deles, segundo Fabio Rua, vice-presidente da fabricante na América do Sul, está no campo regulatório. A regulamentação de segurança veicular e de emissões em vigência nos EUA não é a mesma que aquela que rege o setor automotivo nacional. De acordo com o executivo, a GM já está em conversas com o governo federal para que isso de alguma forma seja viabilizado.

O Brasil adotou o padrão europeu e nós estamos conversando com os reguladores em Brasília para que o padrão dos EUA seja aceito por aqui também, disse o executivo na quarta-feira, 9, durante evento de premiação de fornecedores da General Motors na América do Sul.

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Padrão dos EUA já foi aceito em países vizinhos

Caso o pedido da GM seja acatado pelo poder público, Rua afirma que seria possível importar por ano 3 mil veículos produzidos nos Estados Unidos, sobretudo picapes. O padrão já foi aceito em países vizinhos como Chile e Uruguai. Não estamos falando de grandes volumes, mas de uma oportunidade de aumentar a variedade da nossa oferta local, completou o vice-presidente.

Há outra barreira também, no caso, comercial. Importar veículos dos Estados Unidos para o Brasil não é algo proibido, mas oneroso, uma vez que incide sobre a operação uma série de tributos, como imposto de importação, PIS/Cofins e ICMS a mesma cesta de impostos recolhida pelas montadoras de veículos premium com operação no país.

O Brasil também não possui um acordo de livre comércio automotivo com os Estados Unidos que permita importar veículos americanos com tarifa zero, assim como deverá acontecer com a Europa via acordo firmado pelo bloco Mercosul.

Valor - SP   11/09/2026

Plano de eletrificação da americana define Nordeste como polo de produtos vindos da China

Em menos de um ano, a General Motors terá três modelos eletrificados saindo de linhas de montagem brasileiras. O terceiro deles, o Captiva híbrido “plug-in”, chega em novembro, segundo o presidente da GM na América do Sul, Thomas Owsianski. Planos para o quarto modelo já estão adiantados, disse ele. Dessa vez, será um elétrico puro compacto. O cronograma de lançamentos foi citado por Owsianski durante seu discurso em evento de homenagem a fornecedores na noite de quarta-feira (9). Praticamente nenhum dos homenageados, no entanto, fornecerá peças para os modelos eletrificados porque todos chegam semimontados da China.

O acabamento final dos veículos que vêm da China, com carroceria pronta e pintados, também não será feito em nenhuma das três fábricas de carros que a GM tem no Brasil e que marcam a história de 101 anos da montadora no Brasil. A empresa optou por terceirizar a montagem dos seus eletrificados.

A produção de toda a linha híbrida e elétrica da GM está a cargo da brasileira Comexport na chamada PACE (Planta Automotiva do Ceará) em Horizonte, região metropolitana de Fortaleza.

Segundo Owsianski, a GM optou pela produção da linha híbrida e elétrica na Comexport, uma empresa multimarcas focada nesse tipo de veículo, porque os volumes ainda são baixos e, por isso, não justificam a complexa operação de manufatura que caracteriza as fábricas que a companhia já possui no país.

A PACE ocupa a instalação onde a antiga linha de veículos Troller foi produzida até 2021, quando a Ford, então proprietária da Troller, decidiu fechar todas as suas fábricas no Brasil.

Como acontece desde que a Ford adquiriu a Troller, o Ceará atrai a indústria automobilística por estar incluído no Regime Automotivo do Nordeste, que desde meados da década de 1990 dá direito a incentivos fiscais com vistas à descentralização do polo automotivo no país.

A esses benefícios agora se soma outro: a isenção de Imposto de Importação para carros que entram no país semimontados. No primeiro semestre, o governo federal estendeu a isenção do tributo até o fim do ano.

Ao ser questionado se os fornecedores da plateia do evento de quarta-feira estariam preocupados com a chegada de modelos que não usarão peças produzidas por eles localmente, Owsianski disse: “eles não estão preocupados porque estamos crescendo”.

De janeiro a agosto, foram vendidos no país 1,88 milhão de carros e comerciais leves, um aumento de 19,78% na comparação com igual período. A GM ficou em terceiro lugar do ranking, com 10,46%, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos (Fenabrave).

Segundo Owsianski, a produção de veículos da GM no Brasil cresceu 20% este ano. “Isso representa 30 mil veículos a mais, que nossos clientes teriam comprado de alguma outra marca se não tivéssemos a capacidade de produzir”, destacou Carlos Bibi, diretor de compras da GM na América do Sul.

E sobre o avanço da concorrência de marcas chinesas, como a BYD, no quarto lugar do ranking de vendas nacional e que em agosto chegou mais próxima da GM, Owsianski disse: “é muito melhor competir num mercado que fica cada vez maior”.

O executivo não elimina a possibilidade de, futuramente, carros híbridos e elétricos da GM serem produzidos em suas próprias fábricas, que hoje só produzem veículos a combustão. Mas não detalha planos a respeito. Por outro lado, ele destaca a estratégia que tem guiado a GM, quarto maior fabricante de veículos do mundo, de produzir nos mercados onde vende.

Mas, em “um momento de transformação profunda”, como disse Owsianski aos fornecedores, a empresa não esconde que precisa dos chineses. Recentemente, o executivo alemão viajou à China para discutir como ampliar a oferta de produtos eletrificados na América do Sul. Lá, assinou memorandos de entendimento com os parceiros locais.

A GM está em duas joint ventures na China. Uma é com a SAIC, umas das maiores montadoras do país, e a outra é a SGMW, formada pela GM China, pela SAIC e pelo Guangxi Automobile Group.

A GM também tem um memorando de entendimento com coreanos. Em setembro de 2024, quando a presença das marcas chinesas no mercado brasileiro começava a despontar, GM e Hyundai, terceiro maior fabricante de veículos do mundo, assinaram um entendimento para o desenvolvimento conjunto de novos veículos para a América do Sul. Os futuros projetos deveriam estar hoje na fase de detalhamento de produtos, segundo expectativas iniciais.

Mas nenhum dos dois lados praticamente fala sobre esse assunto. Ou fala sem dar uma única pista. “Temos um memorando de entendimento com a Hyundai. É possível haver sinergias entre os fornecedores? Hoje, não. Parcerias trazem vários benefícios, trazem escala e eficiência. Mas não podemos falar sobre algo que hoje não existe”, afirmou Bibi, ao ser questionado sobre a expectativa em torno de sinergias na área de compras.

Com quatro fábricas de veículos na América do Sul - São Caetano do Sul (SP), São José dos Campos (SP), Gravataí (RS) e Rosário (Argentina) - e uma de motores em Joinville (SC), a GM emprega 14 mil funcionários na América do Sul. O mais recente ciclo de investimentos no Brasil, de R$ 10,5 bilhões, se encerrará em 2028.

Somente no Brasil, a companhia tem 1,5 mil fornecedores e seu volume de compras chega quase a R$ 30 bilhões por ano. Dez fornecedores receberam prêmio internacional da companhia americana por estarem entre os melhores do mundo.

Ao homenagear esse grupo, Owsianski disse que o Brasil ocupa posição estratégica na companhia. “E queremos ampliar a nacionalização e aumentar a competitividade do que produzimos aqui”, disse. “Temos investimentos chegando e novos produtos chegando”, completou.

Mas, ao mesmo tempo, toda a transformação da indústria automobilística, com ciclos de desenvolvimento de produtos mais rápidos e aumento de tecnologia e conectividade, destacou, exige “uma velocidade China”.

CONSTRUÇÃO CIVIL

IstoÉ Dinheiro - SP   11/09/2026

O JPMorgan, um dos maiores bancos de investimento do mundo, avalia que o desempenho das construtoras residenciais brasileiras será cada vez mais influenciado pelo sentimento em relação às eleições de 2026. A instituição reitera sua recomendação de compra para a Tenda (TEND3), destacando-a como a principal escolha entre as empresas do setor, com potencial de alta de 59%.
O que aconteceu
A Tenda (TEND3) é eleita a principal escolha do JPMorgan, com potencial de valorização de 59% para suas ações. O banco projeta que o cenário das eleições de 2026 impactará diretamente as construtoras residenciais do país. Recomendações variam entre compra para baixa renda e neutra para média/alta renda, com ressalvas e riscos apontados.

A análise do JPMorgan sugere que uma eventual mudança de governo no Brasil favoreceria as empresas de média e alta renda, como Cyrela (CYRE3) e EZTEC (EZTC3), em função de uma possível intensificação do ajuste fiscal. Por outro lado, a permanência da atual administração tenderia a beneficiar as companhias de baixa renda, a exemplo de Tenda (TEND3), Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3), que são impulsionadas por programas governamentais como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

Com base na projeção de continuidade do governo atual, o banco de investimento reiterou sua recomendação de compra para Tenda, Direcional e Cury. Para Cyrela e EZTEC, a recomendação permanece neutra devido às incertezas para 2027, embora exista a possibilidade de valorização das ações em um cenário de mudança no sentimento do mercado.
Cenário para mrv e riscos

A MRV (MRVE3) se destaca com uma recomendação neutra, diferentemente das outras empresas de baixa renda. A previsão de novas perdas na Resia, sua subsidiária de imóveis para locação nos Estados Unidos, é um fator determinante para essa avaliação no segundo semestre. As perdas estimadas são de aproximadamente US$ 50 milhões.

Entre os riscos para o cenário positivo das empresas de baixa renda, o JPMorgan aponta a pressão inflacionária, especialmente com a cotação do petróleo acima de US$ 80 por barril. Uma desaceleração temporária nos repasses de financiamentos imobiliários da Caixa Econômica Federal (CEF) também é considerada, assim como uma greve de funcionários da Caixa, prevista para começar em 10 de setembro, mas com expectativa de curta duração.

O JPMorgan definiu preços-alvo para dezembro de 2027, indicando um potencial de valorização de 50% a 60% para as ações com recomendação de compra. Para os papéis classificados como neutros, a expectativa de alta é de 40% a 50%.

Por que a tenda é a principal escolha?

A Tenda (TEND3) é a principal escolha do banco, com um potencial de valorização de 59% até o preço-alvo de R$ 52,50. A preferência é justificada pelo seu valuation atrativo, negociando a 4,8 vezes o preço sobre lucro (P/L) estimado para 2027, e pela possibilidade de recuperação operacional da Alea, sua subsidiária de estruturas de madeira, que o mercado ainda não teria precificado totalmente.
Direcional em destaque

A Direcional (DIRR3) aparece logo em seguida, com potencial de alta de 60% até o preço-alvo de R$ 17,50. O banco ressalta o valuation de 5,4 vezes o P/L estimado para 2027, com um desconto de 22% em relação à Cury. A companhia também se beneficia do potencial de valorização do seu banco de terrenos em Belo Horizonte, impulsionado pela nova legislação de zoneamento, e da parceria com a Moura Dubeux para projetos de baixa renda no Nordeste.

Qualidade da cury

Para a Cury (CURY3), o JPMorgan enfatiza a elevada qualidade da companhia e sua notável conversão de lucro líquido em fluxo de caixa livre, que alcança 75%, sendo a maior entre as empresas de baixa renda acompanhadas pelo banco. O preço-alvo foi ajustado de R$ 43,50 para R$ 48, o que implica um potencial de alta de 49%. A ação negocia a 6,9 vezes o P/L estimado para 2027, cerca de 25% abaixo do pico de 9,5 vezes registrado no início do ano. O banco ainda projeta um dividend yield de aproximadamente 8% para 2026.
Perspectivas para cyrela

No segmento de média e alta renda, o JPMorgan mantém recomendação neutra para a Cyrela (CYRE3), com preço-alvo de R$ 34,50. Contudo, a análise aponta para uma forte valorização em caso de mudança no governo, cenário em que a ação poderia atingir 1,7 vez o valor patrimonial por ação (P/VPA), contra cerca de 1 vez atualmente. A venda da torre corporativa Pininfarina por R$ 1,4 bilhão é outro ponto destacado, com potencial de resultar em uma distribuição de dividendos equivalente a um yield de aproximadamente 11%.

Desempenho da eztec

Para a EZTEC (EZTC3), a recomendação neutra reflete principalmente o cenário macroeconômico, com juros elevados por mais tempo, que tende a impactar o segmento de média e alta renda. Apesar disso, a companhia demonstrou crescimento de 53% nos lançamentos no primeiro semestre. Nos últimos 30 dias, a ação acumulou alta de 19%, superando a Cyrela (16%) e o Ibovespa (8%). O novo preço-alvo é de R$ 19.
Por que a mrv continua neutra?

A MRV (MRVE3) persiste como uma exceção entre as empresas de baixa renda analisadas. Embora o negócio principal apresente recuperação, com crescimento de lançamentos e melhora das margens, o JPMorgan prevê novas perdas na Resia, estimadas em US$ 50 milhões (aproximadamente R$ 260 milhões), para o segundo semestre. A operação nos EUA busca vender terrenos, instalações, equipamentos e participações minoritárias em projetos, com desinvestimentos projetados em cerca de US$ 165 milhões.

A MRV negocia a 4,7 vezes o P/L estimado para 2027, alinhada à Tenda, mas com um desconto de 15% a 30% em relação aos pares. Para o JPMorgan, esse desconto é justificado pela incerteza e baixa visibilidade sobre os resultados futuros. A dívida líquida da companhia, incluindo passivos de cessão de créditos, alcançou R$ 10,6 bilhões no segundo trimestre, equivalente a 2,3 vezes o patrimônio líquido, o maior patamar do setor.

Infomoney - SP   11/09/2026

O JPMorgan avalia que o desempenho das construtoras residenciais brasileiras deverá ser cada vez mais influenciado pelo sentimento em relação às eleições de 2026.

Uma eventual mudança de governo tende a favorecer as empresas de média e alta renda, como Cyrela (CYRE3) e EZTEC (EZTC3), diante da expectativa de um ajuste fiscal mais intenso.

Já a continuidade do atual governo seria mais favorável às companhias de baixa renda, como Tenda (TEND3), Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3), beneficiadas pelo apoio ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
Considerando a manutenção do atual governo, o banco reiterou recomendação de compra para Tenda, Direcional e Cury. Para Cyrela e EZTEC, a recomendação segue neutra, diante das incertezas para 2027, embora as ações possam reagir positivamente a uma eventual mudança no sentimento do mercado.

O JPMorgan também mantém recomendação neutra para MRV (MRVE3), diferenciando a companhia das demais empresas de baixa renda devido à expectativa de novas perdas na Resia, sua operação de imóveis residenciais para locação nos Estados Unidos, no segundo semestre.

Entre os principais riscos para a tese positiva sobre as empresas de baixa renda estão a pressão inflacionária, especialmente com o petróleo acima de US$ 80 por barril, e uma desaceleração temporária nos desembolsos de financiamentos imobiliários da Caixa Econômica Federal (CEF). O banco também cita a greve dos funcionários da Caixa, prevista para começar em 10 de setembro e que deve ser de curta duração.

O JPMorgan estabeleceu ainda preços-alvo para dezembro de 2027. Entre as ações com recomendação de compra, o potencial de valorização chega a aproximadamente 50% a 60%. Para os papéis com recomendação neutra, o potencial é de 40% a 50%.
Tenda (TEND3)

A Tenda é a principal escolha do banco, com potencial de alta de 59% até o preço-alvo de R$ 52,50. A preferência é sustentada pelo valuation atrativo, de 4,8 vezes o preço sobre lucro (P/L) estimado para 2027, e pela possibilidade de melhora operacional da Alea, subsidiária de estruturas de madeira. O JPMorgan avalia que o mercado ainda não incorpora uma recuperação relevante da operação.
Direcional (DIRR3)

A Direcional aparece logo depois, com potencial de alta de 60% até o preço-alvo de R$ 17,50. O banco destaca o valuation de 5,4 vezes o P/L estimado para 2027, com desconto de 22% em relação à Cury. Também vê potencial de valorização no banco de terrenos da companhia em Belo Horizonte, diante da nova legislação de zoneamento, além da parceria com a Moura Dubeux para projetos de baixa renda no Nordeste.

Cury (CURY3)

Para a Cury, o JPMorgan destaca a elevada qualidade da companhia e a conversão de lucro líquido em fluxo de caixa livre de 75%, a maior entre as empresas de baixa renda acompanhadas pelo banco. O banco elevou preço-alvo de R$ 43,50 para R$ 48, implicando em um potencial de alta de 49%, enquanto a ação negocia a 6,9 vezes o P/L estimado para 2027, cerca de 25% abaixo do pico de 9,5 vezes registrado no início do ano. O banco também estima dividend yield de aproximadamente 8% em 2026.
Cyrela (CYRE3)

Na média e alta renda, o JPMorgan mantém recomendação neutra para a Cyrela, com preço-alvo de R$ 34,50, mas vê espaço para uma forte valorização em caso de mudança no governo. Nesse cenário, a ação poderia chegar a 1,7 vez o valor patrimonial por ação (P/VPA), ante cerca de 1 vez atualmente. O banco destaca ainda que a venda da torre corporativa Pininfarina, por R$ 1,4 bilhão, poderia resultar em distribuição de dividendos equivalente a um yield de aproximadamente 11%.
EZTEC (EZTC3)

Para a EZTEC, a recomendação neutra reflete principalmente o cenário macroeconômico, com juros elevados por mais tempo, que tende a pressionar o segmento de média e alta renda. Ainda assim, a companhia apresentou crescimento de 53% nos lançamentos no primeiro semestre. Nos últimos 30 dias, a ação acumulou alta de 19%, ante 16% da Cyrela e 8% do Ibovespa. O novo preço-alvo é de R$ 19.

MRV (MRVE3)

Já a MRV continua sendo uma exceção entre as empresas de baixa renda. Embora o negócio principal apresente recuperação, com crescimento dos lançamentos e melhora das margens, o JPMorgan espera novas perdas da Resia de aproximadamente US$ 50 milhões, ou R$ 260 milhões, no segundo semestre. A operação pretende vender terrenos, instalações, equipamentos e participações minoritárias em projetos, com desinvestimentos estimados em cerca de US$ 165 milhões.

A MRV negocia a 4,7 vezes o P/L estimado para 2027, em linha com a Tenda e com desconto de 15% a 30% em relação aos pares. Para o JPMorgan, o desconto é justificável diante das incertezas e da baixa visibilidade sobre os resultados futuros. Além disso, a dívida líquida da companhia, incluindo o passivo relacionado à cessão de créditos, chegou a R$ 10,6 bilhões no segundo trimestre, equivalente a 2,3 vezes o patrimônio líquido, o maior nível do setor.

Globo Online - RJ   11/09/2026

O Conselho Curador do FGTS aprovou nesta quinta-feira proposta do governo que amplia em mais R$ 500 milhões os recursos subsidiados para o Minha Casa Minha Vida. Neste ano, já foram liberados para essa finalidade R$ 12,5 bilhões, dos quais R$ 8 bilhões já foram aplicados. Com a decisão, a verba soma R$ 13 bilhões, valor recorde, às vésperas das eleições.

A verba é utilizada para dar descontos nos contratos para famílias enquadradas nas Faixas 1 e 2 do programa, com renda de até R$ 5 mil. O valor do subsídio por família é de até R$ 55 mil.

Para ampliar as disponibilidades do FGTS, os conselheiros aprovaram também resgaste de R$ 5,8 bilhões do fundo de infraestrutura (FI-FGTS), referente ao retorno de projetos antigos. Durante a reunião, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, reclamou que ao invés de aplicar em novos projetos, o FI está devolvendo recursos.

O ministro pediu sugestões ao setor privado. O FI-FGTS foi criado do PAC 1, no segundo mandato do presidente Lula.

Na tentativa de destravar obras de saneamento e infraestrutura com recursos do Fundo, o Conselho aprovou mudanças nas linhas de financiamento do FGTS, destinadas a agentes públicos e privados. Foram ampliados os prazos de carência e de pagamento. As condições variam de acordo com os projetos.

FERROVIÁRIO

CNN Brasil - SP   11/09/2026

A Ferrogrão voltou a ser apontada pelo setor privado como um dos projetos mais importantes de infraestrutura para o agronegócio brasileiro. Durante o Bradesco BBI Agro Summit 2026, um painel que reuniu representantes do governo, da indústria e da logística.

A ferrovia foi apresentada como uma alternativa para conectar a região produtora do norte de Mato Grosso aos terminais de Miritituba, no Pará, criando um novo corredor para o transporte de soja e milho até a saída para o mercado internacional.

Para o setor privado, o impacto da obra vai além da retirada de caminhões das rodovias. A Ferrogrão poderia aumentar a competição entre os corredores de transporte utilizados pelo agronegócio e, consequentemente, pressionar para baixo o custo do frete.

Paulo Sousa, CEO da Cargill, afirmou que a Ferrogrão é hoje o projeto mais relevante para o agronegócio brasileiro. “O principal projeto que tem hoje, o mais relevante para o agro brasileiro, não é novidade para ninguém. É um tema que já discutimos há 15 anos praticamente, que é a Ferrogrão”, afirmou Sousa durante o painel.

A avaliação ocorre em um momento em que a infraestrutura passou a ser um dos principais desafios para o crescimento da produção brasileira. O Plano Nacional de Logística, apresentado pelo governo, trabalha com um cenário de pelo menos duplicação do volume de cargas destinadas à exportação até 2050. Em algumas regiões, a projeção é de triplicar a movimentação.

O problema é que parte desse crescimento está concentrada justamente em áreas que ainda não possuem infraestrutura suficiente para acompanhar a expansão da produção. Mato Grosso é um dos principais exemplos. O Estado é o maior produtor de grãos do país e vem ampliando a produção de soja e milho, mas depende de corredores cada vez mais eficientes para levar essa carga aos portos.

A BR-163 exerce papel central nesse sistema, especialmente no transporte até os terminais do Arco Norte. Mas, na avaliação do setor privado, somente a rodovia não será suficiente para absorver o crescimento futuro. “A BR-163 é a peça-chave. Sem uma BR-163 eficiente, não vai ter ferrovia que vai salvar, nem hidrovia na ponta aqui que vai melhorar essa história”, afirmou Sousa.

Ao criar uma alternativa ferroviária para conectar o norte de Mato Grosso a Miritituba, o projeto pode reduzir a dependência do transporte rodoviário em longas distâncias e aumentar a capacidade do Arco Norte.

A mudança também pode alterar a dinâmica de formação do frete. Segundo Sousa, o preço internacional das commodities é determinado pelo mercado global, o que deixa o custo logístico como uma das principais variáveis sobre as quais o Brasil pode atuar para preservar sua competitividade.

“Tem que existir ramais, tem que ter modais que possam competir”, afirmou.

A lógica econômica é aumentar as opções disponíveis para o embarcador. Com mais de um corredor capaz de transportar grandes volumes, tradings e produtores ganham alternativas para decidir por onde escoar a produção, enquanto os operadores passam a disputar cargas.

Além da soja e do milho, a Ferrogrão pode ter impacto sobre outro ponto considerado crítico para o setor, como de fertilizantes. O projeto pode facilitar a entrada de fertilizantes pelo Arco Norte e permitir que parte desses produtos percorra o caminho inverso da produção agrícola, chegando às regiões produtoras por uma alternativa ferroviária.

“Ferrogrão também facilita e aumenta a nossa competitividade trazendo fertilizantes”, afirmou Sousa.

Esse fluxo de ida e volta é considerado importante para aumentar a eficiência econômica do corredor. Uma ferrovia que transporta apenas cargas de exportação em uma direção tende a ter menor aproveitamento de sua capacidade no sentido contrário. O transporte de fertilizantes pode ajudar a melhorar a utilização da infraestrutura.

A discussão sobre a Ferrogrão também ocorre em paralelo à expansão de outros projetos ferroviários no país. A Rumo, por exemplo, ampliou a capacidade do corredor que conecta Mato Grosso ao Porto de Santos. Após investimentos na Malha Paulista, o volume transportado passou de aproximadamente 30 milhões para 60 milhões de toneladas, segundo executiva da companhia.

Durante o evento, representantes do setor estimaram que o Brasil poderá se aproximar de 400 milhões de toneladas de grãos em poucos anos.

NAVAL

Valor - SP   11/09/2026

Número ficou abaixo da média de 14 navios que passaram pelo estreito nos últimos dez dias

O número de embarcações que atravessaram o Estreito de Ormuz caiu para sete na quarta-feira, ante 12 no dia anterior, mostraram dados preliminares de rastreamento de navios nesta quinta-feira. O nível também ficou abaixo da média de 14 dos últimos dez dias.

Das sete embarcações, quatro saíram do estreito e três entraram, segundo os dados. Algumas embarcações podem estar navegando pela passagem com seus transponders desligados e, portanto, não seriam contabilizadas nos totais.

Entre as embarcações que saíram, uma era um petroleiro de grande porte para transporte de petróleo bruto (VLCC), o Finland Prosperity, que transportava quase 2 milhões de barris de petróleo.

Nenhum navio-tanque transportando gás natural liquefeito (GNL) deixou o estreito.

As outras três saídas foram de dois navios graneleiros e um navio-tanque de curto alcance para transporte de derivados de petróleo não refinados.

Entre as três embarcações que entraram, por sua vez, uma era um graneleiro e as outras duas eram navios-tanque, um de curto alcance e outro de médio alcance.

A redução do número de navios que trafegam pela estratégica via marítima, considerada essencial para o comércio global de petróleo e gás natural, ocorreu após EUA e Irã protagonizarem a maior troca de ataques navais desde o início da guerra, em 28 de fevereiro.

No Estreito de Bab el-Mandeb, 28 navios de transporte de commodities atravessaram a passagem na quarta-feira, número semelhante à média de 27 dos últimos dez dias. Do total, 16 embarcações entraram e 12 saíram.

Os carregamentos de petróleo bruto e condensado da Arábia Saudita no porto de Yanbu, no Mar Vermelho — um importante centro para contornar o Estreito de Ormuz —, recuperaram-se até agora em setembro, após atingirem em agosto o menor nível em seis meses, segundo dados de rastreamento de navios da Kpler e da Vortexa.

Em Yanbu, os embarques subiram para 3,7 milhões de barris por dia (bpd) em setembro, ante 3,2 milhões de bpd em agosto, o menor nível desde o início da guerra no Irã, segundo a Vortexa.

A Kpler estimou carregamentos menores, de 2,9 milhões de bpd em setembro, em comparação com apenas 1,5 milhão de bpd no mês anterior.

Os carregamentos em Yanbu caíram no fim de julho e em agosto devido à intensificação dos ataques dos houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, nas proximidades do Estreito de Bab el-Mandeb.

Revista Mineração - SP   11/09/2026

A Vale fechou com a sul-coreana HMM um contrato de aproximadamente US$ 3,5 bilhões para o transporte marítimo de minério de ferro. O acordo, anunciado em 8 de setembro, prevê oito novos graneleiros da classe Newcastlemax, que serão colocados em operação a partir de 2030.

Cada navio terá capacidade de cerca de 210 mil toneladas de porte bruto e será contratado pela Vale por um período de 25 anos. A entrega das embarcações ocorrerá de maneira escalonada, acompanhando o início dos contratos.

Considerando a entrada dos oito navios em operação, o acordo terá vigência global estimada entre abril de 2030 e outubro de 2056, com possibilidade de extensão por até cinco anos. Os navios deverão atuar principalmente no transporte de cargas entre o Brasil e os mercados consumidores, com destaque para a China.
Frota terá tecnologia para reduzir emissões

Um dos principais destaques do contrato é a tecnologia empregada nos novos graneleiros. As embarcações terão motores capazes de funcionar com três tipos de combustível: metanol, etanol e combustível marítimo convencional.

Segundo as informações divulgadas pela HMM, será uma configuração inédita em navios desse porte. Os graneleiros também serão projetados para permitir uma futura adaptação para GNL ou amônia, o que amplia a flexibilidade da frota diante da transição energética no transporte marítimo.

Os navios ainda contarão com rotor sails, equipamentos que utilizam a força do vento para auxiliar a movimentação das embarcações. A solução foi incorporada ao projeto com o objetivo de melhorar a eficiência energética, reduzir o consumo de combustível e diminuir as emissões de carbono.
Parceria com a Vale ganha escala

O contrato é o terceiro acordo de longo prazo entre HMM e Vale. Os dois primeiros foram assinados em maio e setembro de 2025, com duração de dez anos e valor conjunto próximo de US$ 800 milhões.

Para viabilizar o novo compromisso, a HMM encomendou em junho os oito graneleiros que serão destinados à operação. A empresa vem aumentando a participação dos contratos de longo prazo em sua carteira como forma de buscar maior estabilidade de receitas e reduzir a dependência de negócios de curto prazo.

A estratégia também faz parte de um movimento de diversificação da companhia, que tem ampliado sua atuação para além dos graneleiros de carga seca e petroleiros, incluindo navios gaseiros, transportadores de veículos e embarcações multipropósito.

Com o novo acordo, HMM e Vale aprofundam uma parceria que já vinha sendo ampliada desde 2025, combinando transporte de minério de ferro de longo prazo, expansão da capacidade marítima e incorporação de tecnologias voltadas à eficiência e à redução de emissões.

O Estado de S.Paulo - SP   11/09/2026

Entidades do setor portuário alertaram o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, que a paralisação das obras de aprofundamento do canal do Porto de Santos (SP) impacta investimentos bilionários e pode ter consequências irreversíveis.

A empresa Jan de Nul foi contratada por R$ 620 milhões para aprofundar o canal de acesso de 15 para 16 metros no porto, mas o processo foi suspenso pelo TCU no mês passado. A Corte de Contas questionou trechos do edital.

“A suspensão do contrato de dragagem de aprofundamento no valor de R$ 619,7 milhões, vital para o aprofundamento do canal, neutraliza investimentos privados bilionários”, afirmaram ao TCU os presidentes de seis entidades do setor portuário, citando “consequências práticas gravosas e irreversíveis” com a indefinição do caso.

Segundo o grupo, o adiamento indefinido das obras “perpetua custos severos de tempo de fundeio na barra, filas de atracação e vultosas penalidades de sobreestadia de navios, vulnerabilizando o Porto de Santos perante rotas internacionais concorrentes e aumentando o já elevado Custo-Brasil”.

Assinaram o documento os representantes das seguintes entidades: Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec); Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra); Associação Brasileira de Terminais Líquidos (ABTL); Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP); Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop); e Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp).

A Tribuna - SP   11/09/2026

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) criou um grupo de trabalho para mapear a infraestrutura dos portos públicos e terminais privados, além dos acessos rodoviário, ferroviário e marítimo, para identificar a saturação em relação à demanda de cargas. O objetivo, diz o Governo Federal, é direcionar investimentos para soluções de gargalos.

A medida, implantada no mês passado, visa saber onde a infraestrutura poderá ficar deficiente frente ao aumento da movimentação de mercadorias. Com esse diagnóstico, será possível antecipar problemas e direcionar investimentos antes que a falta de capacidade prejudique o funcionamento dos portos, o transporte de cargas e o escoamento da produção.

A primeira reunião do grupo será no próximo dia 18. A diretora de Gestão e Modernização do MPor, Ana Carolina Souza do Bomfim, disse que o planejamento prevê entregas de resultados ao final de cada ano. “Sendo esperado que o primeiro resultado seja publicado ao final de 2027”.

Ela explicou que “os resultados visam subsidiar um conjunto de políticas públicas do setor portuário, como a de investimentos em oferta de capacidade portuária.

Vai participar?

A Autoridade Portuária de Santos (APS) pretende participar do grupo de trabalho. “A portaria prevê a possibilidade de participação de representantes de entidades públicas ou privadas, mediante convite, conforme a necessidade das discussões. Dessa forma, as companhias docas poderão participar nesse formato. A APS irá compor o grupo assim que for convidada”.

Setor privado

A Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) já enviou ofício à Secretaria Nacional de Portos (SNP) manifestando interesse em contribuir com os trabalhos. “A ABTP reúne 110 grupos empresariais associados, com 258 terminais portuários em 22 estados. Temos uma pluralidade e uma capilaridade em todo o Brasil, portanto, condições de contribuir muito com informações sobre cada uma dessas localidades”, declarou o diretor-presidente da ABTP, Jesualdo Silva.

Jesualdo afirmou que o monitoramento da saturação deve estar alinhado ao planejamento logístico nacional. “O PNL (Plano Nacional de Logística) 2050 avalia os pontos de produção, a origem das demandas e a infraestrutura necessária para atendê-las. Esse planejamento de longo prazo precisa ser desdobrado em ações de curto e médio prazos. Por isso, existem os planos setoriais e, nesse contexto, o MPor está criando o grupo para monitorar a saturação dos portos e direcionar os investimentos”.

Segundo ele, não se trata apenas de avaliar o porto ou o terminal, se precisa de mais equipamentos ou de expansão, é preciso olhar também para os acessos. “O que dificulta a carga de entrar ou sair de determinado porto? É uma questão terrestre ou aquaviária?”, salientou Jesualdo.

Para o presidente da ABTP, identificar a saturação é fundamental. “Porque também se identificam as opções para resolver aquilo, seja desenvolvendo mais a questão hidroviária, seja investindo na ferrovia”, afirmou.

Setor aguarda resultados

O diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), Mario Povia, comentou que o monitoramento da saturação pelo Governo Federal auxiliará os portos. Povia avalia que a importância maior está no planejamento ordenado e hierarquizado das expansões necessárias.

“O indicador funciona como elemento objetivo norteador de prioridades. A atração dos investimentos ocorre a partir desse próprio diagnóstico, que é compartilhado com o setor produtivo e já demonstra a viabilidade de realização de investimentos”.

O diretor-presidente do IBI destacou que o monitoramento ocorre a partir de condições fáticas. “É inevitável, a meu juízo, que ele se valha de informações atualizadas e de premissas contempladas no PNL 2050”.

Segundo ele, o pano de fundo consiste na alocação de recursos humanos e financeiros, geralmente limitados, preferencialmente e prioritariamente nas áreas que possuam indicadores de saturação mais severos. “Há que se considerar que o enfrentamento de gargalos reflete diretamente no nível de eficiência das infraestruturas de transporte, o que torna o País mais competitivo”, disse.

O consultor portuário Luís Claudio Montenegro disse que o monitoramento busca preencher uma lacuna. “Hoje não existe um indicador consolidado, nem do ponto de vista conceitual, nem metodológico. Porém, várias iniciativas já tentaram construir indicadores relevantes no passado”.

Para Montenegro, um trabalho bem-feito, com ampla participação social, “tem potencial para mudar o rumo da formação de políticas públicas e da regulação portuária nacional”. Montenegro disse que é preciso aprender a planejar. “Isso está relacionado à dificuldade estrutural do País em planejar. A cultura nacional é agir de forma reativa diante de problemas”.

PETROLÍFERO

Valor - SP   11/09/2026

País produziu apenas 6,2 milhões de barris por dia em agosto, o menor volume mensal de 2026 e 23% abaixo do registrado em julho

A Arábia Saudita informou nesta quinta-feira à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) que produziu 6,2 milhões de barris por dia em agosto, o menor volume mensal de 2026 e 23% abaixo do registrado em julho.

Os dados, que constam em um relatório publicado pela Opep, foram divulgados depois que os rebeldes houthis do Iêmen, grupo apoiado pelo Irã, ameaçaram os embarques de petróleo a partir da costa oeste da Arábia Saudita, priorizados pelo país depois da paralisação do Estreito de Ormuz em meio à guerra na região.

Os houthis anunciaram em julho um embargo marítimo contra os portos da Arábia Saudita, afastando operadores de navios da região e reduzindo a capacidade do país de exportar petróleo. Nos últimos dias, o grupo rebelde iemenita lançou ataques contra infraestruturas energéticas sauditas e vem avançando para controlar posições mais próximas ao Estreito de Bab el-Mandeb, outra rota vital para o comércio global de petróleo.

Segundo dados da consultoria Kpler publicados pelo Financial Times, as exportações de petróleo bruto da Arábia Saudita caíram para 3,1 milhões de barris por dia em agosto, o menor nível desde 2013. Em julho, o país havia exportado 5,1 milhões de barris por dia.

Logo depois do início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, no fim de fevereiro, a estatal Saudi Aramco começou a transportar por oleodutos o maior volume possível de petróleo bruto até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, para a exportação.

A decisão ajudou o país a recuperar parcialmente a produção, parca cerca de 80% do volume anterior à guerra. No entanto, com a capacidade limitada para armazenar petróleo e com a principal rota alternativa de exportação ameaçada pelos houthis, a Arábia Saudita foi obrigada a reduzir novamente a produção.

Como maior produtora da Opep e maior exportadora de petróleo do mundo, a produção da Arábia Saudita tem um impacto desproporcional sobre os mercados da commodity.

Em meio às ameaças dos houthis e a sequência dos ataques entre EUA e Irã nos últimos dias, o barril do petróleo Brent, referência mundial, está sendo negociado na sessão desta quinta-feira acima de US$ 105, enquanto o WTI, referência nos EUA, superou os US$ 100 por barril.

Veja - SP   11/09/2026

A escalada no preço do barril do petróleo voltou a assustar os mercados internacionais. Nesta quinta-feira, 10, o preço chegou a US$ 105 por barril, reacendendo as preocupações com a inflação e provocando uma nova onda de vendas de títulos públicos.

O Brent, referência internacional, chegou a subir mais de 4%, para US$ 105, enquanto o petróleo negociado nos Estados Unidos avançou 4,4%, aproximando-se de US$ 100 pela primeira vez desde maio.

A alta ocorreu depois de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) informar uma queda na produção de petróleo da Arábia Saudita.

O movimento aumentou a percepção de que a energia mais cara poderá alimentar a inflação e dificultar o trabalho dos bancos centrais para reduzir os juros.

Nos Estados Unidos, o rendimento do título do Tesouro de dez anos, referência para os custos de financiamento na maior economia do mundo, subiu 0,07 ponto percentual, para 4,9%, o maior nível desde o fim de 2023.

O rendimento dos papéis de 30 anos avançou 0,05 ponto, para 5,34%, atingindo o maior patamar desde 2007.

A piora no mercado de títulos ocorreu também após o anúncio do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, de um programa de recompra de US$ 6 bilhões em títulos, que não convenceu os investidores.

Horas depois, o presidente Donald Trump prometeu distribuir um “dividendo” de US$ 5 mil a cada cidadão americano caso os republicanos mantenham o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato. O custo estimado da medida supera US$ 1 trilhão.

Na Europa, o Banco Central Europeu elevou a taxa de juros para 2,5% e alertou que a inflação da zona do euro deverá permanecer acima da meta de 2% por um período prolongado.

No Reino Unido, o rendimento dos títulos de dez anos também avançou 0,07 ponto percentual, para 5,34%, o maior nível desde 2007.

Os dados de inflação americana reforçaram a preocupação.

O índice de preços ao produtor subiu 5,4% em agosto na comparação anual, ante 4,7% em julho e acima da expectativa dos analistas de Wall Street. O avanço ocorreu em meio à alta dos combustíveis, que encareceu o transporte de mercadorias no país.

O movimento atingiu também as bolsas. Os contratos futuros do Nasdaq 100 recuavam 1,3% pouco antes da abertura dos mercados americanos, enquanto os futuros do S&P 500 caíam 0,5%. Na Europa, o índice Stoxx Europe 600 perdia 0,6%.

Jornal de Brasília - DF   11/09/2026

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) manteve a estimativa de crescimento da produção brasileira de combustíveis líquidos para 2026 e 2027. A entidade prevê expansão de 450 mil barris por dia (bpd) em 2026, mantendo a média para 4,8 milhões de bpd. Para 2027, a expectativa de crescimento também se manteve em 110 mil bpd, com a produção média projetada em 4,9 milhões de bpd.

Segundo o cartel, a produção brasileira de petróleo bruto aumentou em 21 mil bpd em julho ante junho, para uma média de 4,5 milhões de bpd. A produção de líquidos de gás natural caiu 10 mil bpd, enquanto a produção de biocombustíveis, principalmente etanol, ficou estável, em aproximadamente 700 mil bpd.

Com isso, a produção total de combustíveis líquidos aumentou cerca de 11 mil bpd na margem em julho, para uma média de 5,3 milhões de bpd – 600 mil bpd superior ao registrado um ano antes Segundo a Opep, os principais motores do crescimento da produção de líquidos este ano devem ser Brasil, EUA, Canadá e Argentina.

Apesar do potencial de planos de start-ups em regiões offshore do Brasil, custos crescentes de desenvolvimento e a inflação dos custos unitários incorridos podem apertar a conta dos projetos, resultando em atrasos nas decisões finais de investimento, alerta a Opep.
PIB

Na esfera macroeconômica, a entidade manteve as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2,0% em 2026 e 2,2% para 2027.

A organização avalia que crescimento econômico deve permanecer positivo, sustentado pelo afrouxamento monetário, investimento e atividade doméstica robusta contínua.

Entretanto,algumas incertezas permanecem, incluindo o impacto defasado da política monetária restritiva e a possibilidade de uma política fiscal mais rígida.

Valor Investe - SP   11/09/2026

Nesta quinta, preços saltaram 6%, maior alta diária em quase dois meses; efeitos da guerra com o Irã sobre a oferta global de energia e sobre a inflação e os juros ao redor do mundo acendem alerta

O petróleo disparou mais de 6% nesta quinta-feira (10), levando o tipo Brent a US$ 107,63 por barril e ampliando para cerca de 77% a alta acumulada no ano. A nova arrancada acendeu ainda mais o alerta dos mercados para os efeitos da guerra com o Irã sobre a oferta global de energia e, por consequência, sobre a inflação e os juros ao redor do mundo.

O Brent, referência internacional e brasileira, avançou 6,34%, no maior nível desde meados de maio, conforme dados da agência Reuters. Nos Estados Unidos, o WTI subiu 6,7%, a US$ 102,48, e rompeu a marca de US$ 100 pela primeira vez desde maio. Os dois contratos tiveram a maior alta diária em quase dois meses.

O gatilho desta quinta foi uma nova escalada dos ataques a navios e instalações de energia no Oriente Médio. Os houthis, alinhados ao Irã, tomaram o controle do porto de Mocha, no Iêmen, aumentando o risco para o tráfego no Mar Vermelho justamente quando a circulação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz já está muito abaixo dos níveis anteriores à guerra.

Na quarta-feira, o Irã afirmou ter atacado dez navios próximos a Ormuz, depois de os Estados Unidos atingirem cinco petroleiros iranianos. O presidente americano, Donald Trump, também voltou a ameaçar novos ataques ao território iraniano e afirmou que a guerra provavelmente continuará além das eleições legislativas de novembro.

A preocupação do mercado é que o risco de interrupção no fornecimento deixe de estar concentrado em Ormuz, uma das principais rotas mundiais de petróleo, e se espalhe para outras rotas de exportação, instalações de produção e infraestrutura de energia da região.

Esse cenário ajuda a explicar por que o petróleo acumula uma valorização tão forte em 2026. Além dos problemas de circulação no Golfo, a produção da Opep caiu 640 mil barris por dia em agosto, segundo levantamento da Reuters, com as exportações sauditas afetadas pela guerra e os embarques iranianos pressionados pelo bloqueio americano.

Do lado da demanda, a China voltou a aumentar suas compras nas últimas semanas. Analistas avaliam que uma recuperação mais firme do maior importador mundial de petróleo pode amplificar o impacto de novas interrupções de oferta e manter os preços elevados.

Para os mercados, petróleo acima de US$ 100 aumenta o temor de uma nova pressão inflacionária global. Combustíveis e custos de transporte mais caros podem dificultar o trabalho dos bancos centrais e manter os juros elevados por mais tempo — combinação especialmente ruim para bolsas e outros ativos de risco.

Por outro lado, as produtoras de petróleo têm um ganho de receita significativo, o que impacta na demanda por papéis do segmento. No ano, as ações ordinárias (com direito a voto nas assembleias de acionistas) da Petrobras (PETR3) acumulam ganho de 76%, acompanhando a variação de preço da commodity. As preferenciais (PETR4) registram valorização de 68%.

Valor - SP   11/09/2026

Certame será conduzido pela Pré-Sal Petróleo, para entrega nos anos de 2026 a 2030, segundo portaria

O governo federal pretende realizar, em outubro deste ano, o primeiro leilão para comercialização da parcela de gás natural pertencente à União. O certame será conduzido pela Pré-Sal Petróleo (PPSA), para entrega nos anos de 2026 a 2030, segundo portaria publicada nesta quinta-feira (10). As normas propostas serão submetidas à consulta pública até 14 de setembro.

A proposta vem na esteira de decisão tomada em julho pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que aprovou uma nova política de comercialização do gás natural da União. A medida permite à PPSA vender diretamente ao mercado livre, por meio de leilões, a parcela de gás pertencente à União.

A estimativa do Ministério de Minas e Energia (MME) é que a medida reduza em pelo menos 50% o preço do gás da União.

A PPSA gerencia os contratos de partilha de produção, que estabelecem que parte do petróleo e do gás natural extraídos do pré-sal pertence à União. Cabe à estatal comercializar esses volumes. Atualmente, porém, o gás natural da União é vendido diretamente e com exclusividade à Petrobras.

O governo aponta que o gás natural da União, hoje vendido no mercado brasileiro pelo agente dominante, a Petrobras, por cerca de US$ 12 por milhão de BTU, poderá chegar à indústria nacional a cerca de US$ 5 por milhão de BTU.

O MME propõe que os leilões sejam realizados uma vez a cada ano, com entrega do gás natural da União até 31 de dezembro do ano subsequente ao da realização do certame. Leilões adicionais poderão ser realizados, devendo a entrega do insumo ocorrer, nesse caso, até 31 de dezembro do ano de realização do certame extra.

Para o leilão de outubro, poderão ser habilitados a participar os consumidores livres do setor industrial. Conforme previsto pelo CNPE, dentre esses consumidores, terão prioridade na aquisição dos volumes de gás as indústrias de produtos químicos e petroquímicos, fertilizantes, ceramistas e vidreiros, além dos setores siderúrgico, metalúrgico e de mineração.

As empresas deverão comprovar que têm registro nas atividades elegíveis à prioridade e somente poderão concorrer em um único setor da indústria de base, ainda que exerçam outras atividades. A restrição, contudo, não afasta a possibilidade de habilitação da empresa para aquisição de contratos remanescentes, sem prioridade.

O texto ainda propõe que caberá à PPSA elaborar o edital, bem como adotar medidas para a organização e promoção do leilão, conforme as regras aprovadas pelo CNPE.

O volume a ser ofertado pela PPSA deverá ser convertido em número de contratos, sendo cada contrato padronizado com volume unitário fixo de 20 mil metros cúbicos por dia (m³/dia). O número total de contratos deverá ser dividido, de forma igualitária, entre os setores da indústria de base.

O MME propõe que cada empresa participante do certame possa adquirir, no máximo, oito contratos, com volume unitário fixo de 20 mil metros cúbicos por dia cada, equivalente ao volume total máximo de 160 mil metros cúbicos por dia por certame.

Caso haja contratos não arrematados pelos participantes que possuem prioridade, a PPSA deverá realizar uma nova rodada do certame, na qual poderá dispensar tanto o teto de oito contratos por empresa quanto a divisão igualitária entre os setores.

Caso ainda persistam contratos não arrematados, os contratos de gás natural da União remanescentes deverão ser ofertados pela PPSA em uma nova rodada do certame, destinada aos consumidores livres do setor industrial não integrantes dos segmentos que possuem prioridade. Caso ainda haja sobra, o insumo será ofertado ao mercado em geral.

AGRÍCOLA

CNN Brasil - SP   11/09/2026

O produtor rural brasileiro ainda enfrenta crédito caro, endividamento e dificuldade para financiar a próxima safra, mas o ciclo agrícola pode estar entrando em uma fase de virada. Para Alexandre Mendonça de Barros, sócio da consultoria E&Y, a combinação de menor crescimento da oferta mundial de grãos, estoques mais baixos e aumento do risco climático pode abrir espaço para uma recuperação dos preços e, consequentemente, devolver fôlego financeiro ao campo na safra 2026/27.

A mudança, porém, não deve ser imediata. Segundo Mendonça de Barros, os próximos dois a três meses ainda tendem a ser difíceis para o produtor, principalmente por causa da restrição de crédito. O sistema financeiro, depois de ampliar fortemente a oferta de recursos durante o ciclo de preços elevados, passou a cortar crédito à medida que aumentaram a inadimplência e o endividamento no campo.

Esse processo já começa a afetar as decisões para a próxima safra. A expectativa apresentada pelo economista é de que as vendas de fósforo possam cair entre 20% e 25%, reflexo da redução do poder de compra do produtor e da necessidade de cortar custos. A consequência é direta: menor utilização de tecnologia e de insumos pode limitar o crescimento da produtividade justamente quando o mercado começa a dar sinais de menor folga.

É esse movimento que pode alterar a dinâmica da safra 2026/27. Nos últimos anos, os preços elevados estimularam os agricultores a aumentar área, produtividade e investimentos. O Brasil adicionou cerca de 50 milhões de toneladas de soja e milho ao mercado mundial em um intervalo de dois a três anos, segundo a avaliação apresentada por Mendonça de Barros. "O aumento expressivo da oferta ajudou a pressionar os preços dos grãos e, ao mesmo tempo, levou produtores a se alavancarem para expandir a produção", afirmou.

Mudança de ciclo

O problema é que o ciclo mudou. Com a queda dos preços dos grãos, as margens diminuíram justamente quando os produtores ainda carregavam investimentos feitos no período de bonança, como máquinas, terras e aumento de área. A elevação dos juros, de cerca de 3% para níveis próximos de 15%, agravou o quadro de alavancagem e reduziu a capacidade de financiamento.

Agora, a reação do produtor começa a produzir um efeito contrário sobre a oferta. Com menos dinheiro disponível, ele reduz investimentos, corta a utilização de fertilizantes e diminui o ritmo de expansão. Ao mesmo tempo, as empresas de insumos haviam aumentado a capacidade de produção durante o ciclo de preços altos, criando excesso de oferta em alguns segmentos.

O resultado é uma combinação de menor demanda do produtor e maior oferta de insumos, que ajuda a aliviar parte dos custos, mas também evidencia o enfraquecimento da capacidade de investimento no campo.

Para Mendonça de Barros, contudo, o ponto central agora está do outro lado da equação: a oferta de grãos parou de crescer no mesmo ritmo. Enquanto isso, o consumo mundial continua avançando e os estoques foram sendo reduzidos. Durante o período de juros elevados, importadores tiveram incentivo para manter estoques menores e deixar parte do produto nas mãos dos fornecedores. Essa estratégia funcionou enquanto havia abundância de produção, mas aumenta a vulnerabilidade do mercado diante de qualquer problema de oferta.

Clima como fator primordial

É nesse ponto que entra o clima. A avaliação apresentada pelo economista é de que os modelos meteorológicos apontam para um El Niño potencialmente muito forte, embora a interpretação precise considerar o aquecimento global dos oceanos e a diferença de temperatura entre regiões. A leitura para o Brasil indica maior risco de excesso de chuva no Sul e de períodos mais secos no Norte e Nordeste.

O paralelo, segundo o economista, é o El Niño de 2015. Naquele ano, o plantio antecipado e as chuvas iniciais favoreceram áreas como Mato Grosso, enquanto regiões do Matopiba, que normalmente plantam mais tarde, foram atingidas pela seca durante o desenvolvimento das lavouras. Em algumas áreas, as perdas de produtividade chegaram a 40%, 50% ou até 60%.

Para a próxima safra, portanto, o risco não está apenas na quantidade total de chuva, mas principalmente na distribuição das precipitações ao longo do ciclo. Um cenário de chuvas acima da média no início do plantio poderia favorecer a implantação da soja e a recuperação de pastagens. Mais adiante, porém, a concentração das chuvas no Sul e períodos de estiagem em outras regiões poderiam elevar o risco para determinadas lavouras e comprometer a safrinha.

Provável quebra de safra

A modelagem apresentada pela equipe de Mendonça de Barros na E&Y reforça a dimensão desse risco. A probabilidade é de uma possível quebra de 12 milhões de toneladas na produção brasileira de soja, embora a estimativa ainda esteja em elaboração. A metodologia considera calendário de plantio, ciclo das sementes, área cultivada, chuva e temperaturas em cada município brasileiro, além de ajustar os resultados pela evolução tecnológica da agricultura.

Alívio para os preços

O cenário de preços também começa a mostrar sinais de mudança. Segundo Mendonça de Barros, investidores que atuam no mercado futuro — os chamados não comerciais — passaram recentemente de posições vendidas para compradas em produtos como soja e milho. "Esse movimento indica uma mudança na percepção do mercado sobre o equilíbrio entre oferta e demanda", disse.

A lógica é importante porque, depois de um período de abundância, o mercado começa a perceber que a oferta pode não crescer o suficiente para acompanhar o consumo. Se um problema climático atingir uma região relevante, o impacto sobre os preços pode ser maior justamente porque os estoques estão mais baixos. “O mercado está virando”, é a síntese da avaliação apresentada pelo economista.

Isso não significa, porém, que o produtor esteja entrando imediatamente em um novo ciclo de bonança. A recuperação dependerá de uma combinação de fatores: preços dos grãos, comportamento dos custos, disponibilidade de crédito, produtividade e intensidade dos problemas climáticos.

"O produtor chega à safra 2026/27 descapitalizado e ainda precisa vender parte da produção para gerar caixa, mesmo quando o preço não é o ideal, porque tomar dinheiro emprestado pode ser ainda mais caro."

A diferença em relação ao ciclo anterior é que, desta vez, a restrição financeira do produtor pode justamente contribuir para reduzir a expansão da oferta. "Se a produção mundial deixar de crescer enquanto o consumo continua avançando, os estoques tendem a cair. E, com estoques mais baixos, um choque climático que em um cenário de abundância seria absorvido pelo mercado pode provocar uma reação muito mais forte nos preços", explicou.

Esperança de melhora na margem

É essa combinação que pode devolver margem ao produtor rural. O fôlego não viria apenas de uma eventual alta da soja ou do milho, mas da mudança estrutural da relação entre oferta, demanda e estoques.

Depois de um ciclo em que a expansão da produção pressionou preços e margens, a próxima safra pode inaugurar uma fase em que a oferta mais limitada volte a dar poder de preço ao agricultor.

A ressalva é que a mesma dinâmica pode elevar os custos das cadeias de proteína animal. Quando o preço dos grãos sobe, aumenta a pressão sobre produtores de frango, suínos e ovos, justamente em um momento em que essas cadeias ainda operam com preços relativamente elevados.

"O ciclo, portanto, pode estar mudando de direção para os grãos antes de produzir uma correção equivalente nas proteínas."

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