O Estado de S.Paulo - SP 11/06/2026
A inflação disparou em maio nos Estados Unidos para o maior nível em três anos devido ao aumento nos preços da energia por conta da guerra contra o Irã iniciada pelo presidente americano, Donald Trump, o que representa um desafio para os republicanos com vistas às eleições de meio de mandato.
O índice de preços ao consumo (IPC) subiu para 4,2% no índice interanual, acima dos 3,8% de abril, informou o Escritório de Estatísticas de Trabalho dos Estados Unidos nesta quarta-feira, 11. Trata-se do maior número desde abril de 2023, mas está alinhado com as expectativas dos analistas.
Este repique é explicado em grande medida pelo encarecimento da gasolina provocado pela guerra no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro com o ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Em represália, o Irã bloqueou o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, por onde transitam cerca de 20% do petróleo mundial.
Os dados de maio mostram que os preços da energia aumentaram 23,5% em relação ao mesmo período do ano passado, com um aumento de 40,5% na gasolina. Os preços dos alimentos subiram de forma significativa pelo segundo mês consecutivo, 2,7%.
Trump tem insistido que o impacto nos preços será temporário e que em breve será assinado um acordo de paz, mas a alta dos preços é um tema-chave para os eleitores à medida que se aproximam as eleições de meio de mandato, em novembro.
O Partido Republicano de Trump pretende manter o controle do Congresso, mas enfrentará uma prova difícil enquanto os preços impactam as famílias americanas. Se os legisladores democratas recuperarem a Câmara, o Senado, ou os dois, limitarão a capacidade de Trump de levar adiante suas políticas no Congresso.
‘Eu amo a inflação’
“Os números foram magníficos... eu amo a inflação”, respondeu Trump aos jornalistas que perguntaram se ele estava preocupado com os dados divulgados nesta quarta. No Salão Oval da Casa Branca, ele insistiu que “a inflação vai cair como uma pedra” quando a guerra terminar.
“Consideramos que a inflação atingiu um teto e deveria desacelerar durante o segundo semestre, com a condição de que se encontre um acordo rapidamente com o Irã para reabrir o Estreito de Ormuz”, disse, em nota, Kathy Bostjancic, economista da Nationwide.
Outros preços que subiram foram o do atendimento médico, das tarifas aéreas e do lazer. Há anos, os americanos enfrentam preços mais altos que o esperado, com uma inflação que tem se mantido elevada muito após a pandemia.
No começo do ano, a inflação nos Estados Unidos se manteve estável, em 2,4% tanto em janeiro quanto em fevereiro. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) trabalha com uma meta de inflação de 2% no longo prazo, e a comissão encarregada de fixar a principal taxa de juros se reunirá na próxima semana.
Os mercados esperam que esta reunião mantenha os juros inalterados, mas agora estão estimando aumentos dos juros mais à frente no ano, o que inquieta quem investe em renda variável.
Antes da guerra, os mercados tinham estimado cortes nos juros mais adiante no ano, com a expectativa de que a inflação impulsionada pela política tarifária de Trump começasse a se atenuar.
O índice de inflação preferido pelo Fed, o índice de preços dos Gastos de Consumo Pessoal (PCE, na sigla em inglês), também alcançou um máximo em três anos em sua última leitura. “O Fed não estará na posição de cortar os juros se isto continuar”, afirmou Chris Zaccarelli, diretor de investimentos da Northlight Asset Management.
“O mercado acionário vem escalando um muro de preocupações e foi capaz de se recuperar graças a lucros mais sólidos e a taxas de juros estáveis, mas um ambiente com juros em alta é algo completamente diferente”, acrescentou.
Infomoney - SP 11/06/2026
Os preços ao produtor na China subiram pelo terceiro mês consecutivo em maio, atingindo o nível mais alto desde julho de 2022, enquanto a inflação ao consumidor permaneceu elevada uma vez que os preços da energia aumentaram as pressões de custo sobre os fabricantes e elevaram o custo de vida das famílias.
As pressões de custo decorrentes da guerra no Irã podem comprimir os lucros das empresas e reduzir ainda mais o consumo interno, embora a demanda global relacionada à IA tenha impulsionado alguns setores.
Para os fabricantes que não atuam na indústria de ponta, repassar os preços mais altos dos insumos aos consumidores pode continuar sendo difícil, destacando os desafios que as autoridades enfrentam em seus esforços para apoiar o mercado de trabalho e fortalecer a demanda interna, que ainda se mantém fraca.
O índice de preços ao produtor subiu 3,9% em maio em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas, acima da previsão de 3,8% em uma pesquisa da Reuters e do aumento de 2,8% registrado em abril.
“Em setores onde a demanda é sólida, como IA, as empresas podem repassar o custo mais alto dos insumos e até mesmo cobrar um sobrepreço dos consumidores finais”, disse Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit. Esse não é o caso de setores como o automotivo, afirmou ele.
A demanda mais forte por poder de computação contribuiu para o aumento dos preços ao produtor, informou o escritório em comunicado. O índice dos preços ao produtor subiu 0,5% em relação ao mês anterior, menos do que o aumento de 1,7% registrado em abril.
Os preços da energia dispararam desde que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra o Irã no final de fevereiro, e as pressões de custo provavelmente persistirão, já que o fechamento do Estreito de Ormuz continua a interromper os fluxos de petróleo e gás do Golfo Pérsico. A retomada dos fluxos levará tempo, mesmo após a reabertura da via navegável.
Os preços ao consumidor subiram 1,2% em maio em relação ao ano anterior, principalmente devido ao aumento dos preços da gasolina, das joias de ouro e dos serviços, de acordo com o departamento de estatísticas. O indicador registrou um aumento de 1,2% em abril, e os economistas esperavam alta de 1,3% para maio.
Os preços dos alimentos caíram 1,7% em relação ao ano anterior, com os preços da carne suína caindo 16,1%. Os preços domésticos da gasolina recuaram em relação ao mês anterior, mas subiram 23,5% na base anual.
“Os preços dos alimentos e dos imóveis estão ajudando a conter a inflação geral por enquanto. Mas o aumento mais generalizado dos preços sugere que estamos saindo de um ambiente de deflação para um de inflação baixa”, disse Lynn Song, economista-chefe da ING para a Grande China.
Infomoney - SP 11/06/2026
O ano começou com perspectivas favoráveis: o real se valorizava, a economia global desacelerava a inflação e o mercado antecipava cortes de juros no Brasil e no mundo. Em poucos meses, esse cenário mudou.
Na edição 188 do Outliers InfoMoney, Clara Sodré e Fabiano Cintra conversam com Andre Raduan e Jose Luiz Torres, sócios da Genoa Capital, para entender os motivos da mudança – e como navegar daqui para frente.
Desde 2020, a economia global acumulou choques em sequência: efeitos da pandemia de Covid-19, guerra na Ucrânia, tarifas impostas pelo governo Donald Trump e, mais recentemente, a guerra no Irã. A cada choque, esperava-se uma desaceleração que justificasse cortes de juros. Não foi o que aconteceu.
“Mesmo com o choque, de novo a gente está vendo a economia americana surpreender”, afirma Raduan, gestor macro da Genoa. “Você saiu do mundo que era crescimento robusto com desinflação para um mundo de crescimento robusto, apesar de todos os choques, e uma inflação mais pressionada. Aí você não tem como falar de corte de juros mesmo, a taxa de equilíbrio tem que ser mais alta.”
EUA: crescimento com juros altos
Na avaliação de Raduan, cortes de juros estão descartados e, mais do que isso, o Federal Reserve deverá elevar taxas. A combinação de crescimento robusto, inflação pressionada e dívida pública elevada – os juros dos títulos americanos de 30 anos estão em torno de 5%, o maior patamar em 20 anos – cria um ambiente estruturalmente diferente do que prevaleceu na última década.
“À medida que o mundo inteiro está fazendo fiscal ruim, o valor das moedas vai perdendo o valor e os ativos reais ganham”, afirma Raduan. “Se você tem mais dívida para rolar, acaba pagando mais caro. Provavelmente, a gente vai ter que conviver com juros reais altos.”
Para Torres, gestor de ações da Genoa, um ambiente de juros altos altera a hierarquia dos investimentos. Levam vantagem negócios menos alavancados, ou com crescimento grande o bastante para superar o elevado custo de financiamento. “Empresas que crescem muito, ou que crescem sem tomar dívida, sofrem menos com esse custo de capital mais alto”, afirma.
Resultados acima das taxas de juros são um atrativo do setor de tecnologia nos Estados Unidos, impulsionado pela revolução da inteligência artificial. Torres cita a Nvidia como exemplo: no último trimestre reportado, a empresa registrou seu maior crescimento de lucros em relação aos sete ou trimestres anteriores. “Não será absurdo projetar o nível de receita dela dobrando, ano contra ano, em relação a 2026”, diz.
“Os EUA ganharam a guerra tecnológica. As empresas americanas estão liderando a IA”
— Andre Raduan, sócio, cofundador e gestor macro na Genoa Capital
É possível surfar a onda da IA sem investir diretamente em empresas de tecnologia. “A revolução tecnológica é uma revolução de infraestrutura também”, afirma Torres. Meta, Microsoft, Google, Amazon e Oracle estão investindo, somadas, cerca de US$ 730 bilhões em ativos de longo prazo em 2026 – o dobro do que investiram no ano passado. Parte relevante desse capital vai para terrenos, energia e infraestrutura de dados.
“Dá para fugir só da parte tecnológica e pegar esses associados que funcionam como segunda ou terceira derivada dessa revolução”, diz Torres. Nessa linha, a Genoa tem preferido apostar em quem fornece para os grandes investidores em IA – em vez de tentar prever qual modelo de inteligência artificial vencerá a corrida.
Brasil: “tempestade perfeita”
Um cenário global de juros altos, afirma Torres, é desfavorável aos investimentos locais: “O Brasil, quase que por natureza, é mais sensível a juro, então as empresas acabam sofrendo mais”.
Na avaliação de Raduan, o cenário benigno do início do ano mudou. “Tudo se reverteu. Parece uma história de tempestade perfeita”, afirma.
A inflação acelera para cerca de 5% a 5,5% e, na avaliação do gestor, ainda não sofreu os impactos da guerra no Irã. Somam-se ao quadro a possibilidade de El Niño e medidas parafiscais do governo.
No plano fiscal, Raduan é pessimista: “Não vejo forças aqui no Brasil para ajudar o Legislativo a fazer um ajuste fiscal. Acho que vai ter que piorar para a gente chegar à conclusão de que precisa fazer alguma coisa.”
No cenário atual, a Genoa está com alocação reduzida no mercado local. “Para que eu vou tomar risco na bolsa brasileira, quando nos EUA eu tenho juros e empresas ainda que crescem a 20% ao ano?”, afirma Torres.
A baixa exposição da Genoa a Brasil é momentânea, e não conceitual. “A virada acontece do dia para a noite”, lembra Torres. “A gente fica com o dedo no gatilho esperando essa virada.”
Veja - SP 11/06/2026
O comércio entre Brasil e Estados Unidos segue em desaceleração em 2026. De acordo com o Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil, a corrente de comércio bilateral somou cerca de 29 bilhões de dólares entre janeiro e maio, uma queda de 14,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
O resultado reflete a retração tanto das exportações brasileiras para o mercado norte-americano quanto das importações de produtos dos Estados Unidos. Nos cinco primeiros meses do ano, as vendas brasileiras aos EUA totalizaram 14 bilhões de dólares, recuo de 16% na comparação anual e o menor valor para o período desde 2022. Já as importações caíram 12,6%, somando 15,5 bilhões de dólares. Com isso, o déficit brasileiro na balança comercial bilateral aumentou 43,3%, alcançando 1,5 bilhão de dólares.
Entre os principais fatores que explicam o desempenho mais fraco das exportações estão as quedas nas vendas de petróleo bruto, café não torrado, produtos semiacabados de ferro ou aço e celulose. Do lado das importações, houve redução nas compras de motores e máquinas, aeronaves e partes, além de óleos brutos de petróleo.
Somente em maio, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram 3,1 bilhões de dólares, uma retração de 14% na comparação com o mesmo mês de 2025. O resultado marcou o décimo mês consecutivo de queda das vendas ao mercado norte-americano. As importações também recuaram 11%, registrando o sexto mês seguido de retração. “O comércio bilateral continua operando abaixo do seu potencial. Os resultados no acumulado de 2026 reforçam a importância de avançar nas negociações em curso para evitar novas tarifas e criar condições para a retomada do comércio entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
O dado chama atenção porque contrasta com o desempenho geral do comércio exterior brasileiro. Enquanto as exportações totais do país cresceram 8,7% entre janeiro e maio, os embarques destinados aos Estados Unidos recuaram 16% no mesmo período. Entre os produtos sujeitos a sobretaxas adicionais, a queda foi ainda mais intensa, de 22,6%.
O cenário ocorre em meio às investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos no âmbito da Seção 301. Caso as medidas sugeridas avancem, determinados produtos brasileiros poderão enfrentar tarifas adicionais de até 37,5%, reduzindo a competitividade nacional frente a concorrentes internacionais.
Infomoney - SP 11/06/2026
A inflação voltou a ocupar o centro das preocupações no Brasil. Juros altos, mercado de trabalho aquecido, estímulos do governo, expectativas de inflação em piora e a alta do petróleo formam uma combinação que, na avaliação da XP Asset Management, acende um alerta para os próximos meses.
O diagnóstico foi feito durante live promovida pela XP Asset Management no YouTube, com a participação do economista-chefe Thales Maion, do CIO da XP Inc. (XPBR31), Arthur Wichmann, e do gestor de capital de risco Romero Rodrigues.
Maion não poupou palavras para descrever o cenário. “Todos os vetores estão andando na direção errada e estão atingindo patamares preocupantes”, afirmou.
A projeção da casa é de inflação de 5,4% em 2026 e de 4,5% em 2027 — números próximos ao teto da meta e com riscos adicionais no radar. Para o economista, o quadro reúne pressões domésticas persistentes e choques externos que podem dificultar o trabalho do Banco Central.
Um pé no freio e outro no acelerador
Segundo Maion, o Banco Central enfrenta um paradoxo. Enquanto a autoridade monetária mantém juros elevados para tentar conter a demanda e trazer a inflação de volta à meta, o governo atua na direção oposta, com medidas de estímulo à economia.
“A gente está num cenário em que tem um pé no freio e o outro no acelerador”, resumiu.
De acordo com o economista, só em 2026 o governo já anunciou mais de R$ 180 bilhões em medidas de estímulo, incluindo corte de imposto de renda, crédito para caminhoneiros, Minha Casa Minha Vida e outros programas.
Na prática, esse impulso fiscal tende a sustentar a atividade econômica e o consumo, justamente no momento em que o Banco Central busca esfriar a demanda. O resultado é um ambiente mais difícil para reduzir a inflação de forma consistente.
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O ponto mais sensível, segundo Maion, não está apenas no preço dos combustíveis ou nos efeitos da guerra no Irã. A principal preocupação é a inflação de serviços — componente mais ligado ao mercado de trabalho, à renda das famílias e ao ritmo da demanda interna.
Esse tipo de inflação costuma ser mais persistente, porque depende menos de choques pontuais e mais da dinâmica da economia doméstica. Segundo o economista, a inflação de serviços está rodando próxima de 6% ao ano e voltou a acelerar nos últimos meses.
“A gente não consegue ver uma desinflação sustentada de serviços na economia brasileira”, disse Maion.
O mercado de trabalho aquecido ajuda a explicar essa resistência. Com o desemprego perto das mínimas históricas, na casa de 5,5%, os salários crescem quase 5% ao ano em termos reais. A renda maior sustenta o consumo, o que é positivo para as famílias, mas também aumenta a pressão sobre os preços.
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Guerra no Irã piora cenário já pressionado
A guerra no Irã entrou nessa equação como um agravante. O conflito pressiona o preço do petróleo, que afeta diretamente combustíveis e derivados, além de encarecer custos de transporte, produção industrial e itens ligados à cadeia petroquímica, como plásticos.
Para Maion, porém, a piora não começou com o conflito. A guerra apenas intensificou um quadro que já vinha se deteriorando desde a virada do ano.
“A guerra exacerbou apenas a piora que a gente estava vendo na virada do ano”, afirmou.
Esse ponto indica que o problema inflacionário não depende apenas de um choque externo passageiro. Na avaliação da XP Asset, há fatores domésticos e externos sustentando a pressão sobre os preços.
Expectativas também preocupam
Outro sinal de alerta está nas expectativas de inflação. Quando consumidores, empresas e investidores passam a esperar inflação mais alta no futuro, a própria dinâmica de formação de preços pode mudar.
Empresas tendem a antecipar reajustes, trabalhadores buscam recomposição salarial e contratos passam a incorporar uma inflação mais elevada. Com isso, a inflação esperada pode acabar alimentando a inflação efetiva.
“Isso sugere que o choque da guerra está tendo um efeito que o livro-texto diz que deve ser combatido pela política monetária”, disse Maion.
Para o Banco Central, esse é um ponto especialmente sensível. Se as expectativas seguem pressionadas, fica mais difícil adotar uma postura mais branda na política monetária, mesmo em um ambiente de juros já elevados.
Banco Central fica sem espaço para alívio
A combinação de serviços pressionados, mercado de trabalho forte, estímulos fiscais, petróleo mais caro e expectativas elevadas reduz o espaço para um alívio monetário mais rápido.
Esse quadro tende a reforçar a necessidade de cautela do Banco Central, justamente para evitar que a inflação volte a se afastar da meta de forma mais persistente.
O alerta de Maion é que o cenário ainda não representa uma explosão imediata dos preços, mas reúne ingredientes suficientes para preocupação. A bomba-relógio da inflação, na leitura da XP Asset, já está armada.
E, se todos os vetores continuarem andando na direção errada, o trabalho para desarmá-la pode ficar cada vez mais difícil.
Exame - SP 11/06/2026
Em uma sala cercada por telas que exibem indicadores de produção, qualidade do minério e desempenho dos equipamentos, operadores acompanham em tempo real o funcionamento da usina Conceição2, da Vale. A poucos quilômetros dali, motores, válvulas e sistemas de beneficiamento executam comandos que, em muitos casos, dispensam a presença constante de trabalhadores em campo.
Foi a partir desse centro de controle que a Vale passou a concentrar 100% das decisões operacionais críticas da unidade, transformada na primeira Usina Modelo da companhia com uso intensivo de inteligência artificial, automação e análise de dados.
A escolha de Itabira, cidade localizada a cerca de 100 quilômetros de Belo Horizonte e berço da mineradora há 84 anos, não foi casual. A unidade Conceição2 tornou-se o laboratório da estratégia da empresa para digitalizar suas operações de beneficiamento de minério de ferro.
Ao longo de um ano e meio, a usina passou por um processo de retrofit que custou R$ 200 milhões e hoje tem capacidade de processar 22 milhões de toneladas de minérios em duas áreas de usina.
A transformação pode ser percebida nos números. Mais de 100 câmeras foram instaladas para monitorar a operação, enquanto cerca de 7.300 instrumentos passaram a funcionar de forma automatizada. Sensores e sistemas digitais acompanham continuamente mais de 400 variáveis do processo industrial.
Segundo a Vale, a camada de inteligência artificial atua sobre esses dados para realizar ajustes em tempo real, levando em consideração características do minério recebido e as especificações do produto final.
"Chegamos a um limite do que era possível avançar apenas com o conhecimento tradicional de mineração. A inteligência artificial abre uma nova fronteira de entendimento sobre o potencial da planta e sua operação. Ainda estamos descobrindo tudo o que essa tecnologia pode entregar em termos de eficiência, previsibilidade e otimização dos processos", afirma Carlos Medeiros, vice-presidente de Operações da Vale.
Em menos de dois anos de operação piloto, a produtividade da usina aumentou 25%, permitindo que a planta alcançasse sua capacidade de 11,2 milhões de toneladas por ano.
Em 2024, a unidade produziu 9 milhões de toneladas. Neste ano, já opera com capacidade plena, segundo a companhia.
Outro resultado observado foi a ampliação da produção de pellet feed de redução direta, matéria-prima de alto valor e utilizada na fabricação de aço com menor emissão de carbono. De acordo com a Vale, a participação desse produto no mix da usina cresceu 40% após a modernização.
A companhia também afirma ter obtido ganhos na recuperação mineral, processo que busca extrair mais ferro do material processado. Tecnologias de análise online passaram a medir continuamente o teor do minério durante o beneficiamento, permitindo correções imediatas na rota de processamento.
Como resultado, o teor de ferro presente nos rejeitos da usina foi reduzido em 26%, aumentando o aproveitamento do recurso mineral e diminuindo perdas ao longo da operação.
Além dos ganhos produtivos, a modernização busca reduzir riscos associados ao trabalho em campo. Parte das atividades antes executadas presencialmente passou a ser realizada de forma remota, incluindo a operação de equipamentos elétricos e mecânicos.
Quando intervenções são necessárias, operadores contam com imagens e dados atualizados em tempo real para planejar as atividades.
Para Rafael Bittar, vice-presidente Técnico da Vale, a digitalização amplia a previsibilidade da operação e reduz a dependência de decisões tomadas exclusivamente com base na observação humana.
"Integrando diferentes tecnologias, entre elas gêmeos digitais, câmeras, veículos autônomos e os conceitos de ponta da IA industrial, criamos uma planta muito previsível e com muito menos pausas e interrupções", afirma Bittar.
Treinamento e reaproveitamento de água fazem parte da estratégia
A transformação da usina exigiu também mudanças na capacitação dos trabalhadores. Segundo a Vale, os 122 operadores, instrumentistas e líderes da Conceição2 participaram do processo de preparação para o novo modelo operacional.
Ao todo, foram mais de 2.800 horas de treinamento, incluindo o uso de simuladores e ferramentas de realidade virtual que reproduzem condições reais da operação industrial.
A estratégia de modernização também inclui metas ambientais. Atualmente, segundo a Vale, 92% da água utilizada na usina é reaproveitada. Após as etapas de filtragem do minério e dos rejeitos, o recurso retorna ao processo produtivo.
A própria compactação dos rejeitos é mapeada em uma espécie de gêmeo digital, que registra os lotes por camadas e permite rastrear o que está sendo depositado no solo em cada período
A implantação da Usina Modelo contou com apoio da ABB, multinacional suíça especializada em automação e eletrificação, que criou um time para a Usina Modelo, além de gerar toda a integração dos sistemas já utilizados pela mineradora.
A expectativa da companhia é aproveitar a experiência de Itabira como base para a expansão do modelo em outras operações, como as de Brucutu e Vargem Grande.
O Estado de S.Paulo - SP 11/06/2026
Os preços do minério de ferro devem permanecer limitados a uma faixa entre US$ 100 e US$ 105 por tonelada no curto prazo, diante de uma combinação de demanda ainda enfraquecida na China e condições de oferta global consideradas confortáveis, segundo avaliação da XP.
Embora a commodity tenha demonstrado resiliência ao longo de maio, os preços recuaram recentemente para cerca de US$ 101 por tonelada. Na avaliação dos analistas Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernanda Urbano, o suporte atual dos preços tem sido cada vez mais sustentado por pressões de custo - como fretes mais elevados e custos de energia mais altos - do que por uma recuperação consistente da demanda.
“O suporte recente parece estar mais ligado ao aperto nos mercados de frete e aos custos de energia mais firmes do que a uma reaceleração relevante da demanda por aço”, afirmam os analistas.
Do lado da demanda, o cenário segue desafiador. O Índice de Gerentes de Compras (PMI) do setor siderúrgico chinês permaneceu em território de contração em maio, refletindo a fraqueza do consumo doméstico de aço. Além disso, fatores sazonais, como o período de chuvas no sul da China, temperaturas elevadas no norte do país e a persistente crise do setor imobiliário, continuam limitando uma recuperação mais robusta.
A XP observa que as exportações de aço seguem como um dos principais fatores de sustentação da atividade siderúrgica chinesa, operando em ritmo anualizado próximo de 100 milhões de toneladas. Ainda assim, os novos pedidos externos permanecem abaixo dos níveis que indicariam expansão.
No lado da oferta, os embarques globais seguem robustos. As exportações australianas de minério de ferro e pelotas atingiram 81 milhões de toneladas em maio, enquanto o projeto Simandou, na Guiné, continua ampliando gradualmente sua produção. Os embarques da operação alcançaram cerca de 2,2 milhões de toneladas no mês, ante 1,3 milhão de toneladas em abril.
Além disso, os estoques de minério nos portos chineses permanecem elevados, próximos de 160 milhões de toneladas, reforçando a avaliação de que a disponibilidade de produto não representa atualmente um gargalo para o mercado.
Outro ponto monitorado envolve as negociações entre a chinesa CMRG e a Fortescue. Segundo relatos do mercado, a CMRG teria orientado algumas siderúrgicas chinesas a evitar compras do novo produto de menor teor da mineradora australiana, o Fortune Fines, em meio às negociações de contratos de longo prazo. Na visão da XP, o episódio adiciona ruído ao mercado, mas não altera significativamente o quadro de oferta.
Apesar da demanda mais fraca, a rentabilidade das siderúrgicas chinesas apresentou melhora em maio. Os preços do vergalhão e da bobina laminada a quente avançaram 5% e 4% no mês, respectivamente, permitindo a continuidade da absorção de matérias-primas pelas usinas.
“A demanda continua fraca e a oferta permanece confortável, o que reforça nossa expectativa de preços do minério de ferro negociando dentro de uma faixa relativamente estreita no curto prazo”, destacam os analistas.
Valor - SP 11/06/2026
Contrato futuro com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa, fechou cotado a US$ 113,9
O preço do minério avançou com força nesta quarta-feira (10 ) na China, interrompendo uma sequência de pregões de queda desde a semana passada.
O contrato futuro do minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em alta de 1,51%, cotado a 771,5 yuans (US$ 113,9).
Segundo analistas da consultoria Nanhua Futures, a tendência é que o preço do insumo caminhe de lado no curto prazo, à medida que a oferta global continua relativamente elevada.
Exame - SP 11/06/2026
O Pentágono adicionou a BYD à sua lista de empresas consideradas risco à segurança nacional dos Estados Unidos, e a montadora chinesa "respondeu" anunciando que pretende ser a maior fabricante de carros do mundo em cinco anos.
A declaração veio do fundador e presidente do conselho, Wang Chuanfu, na assembleia anual de acionistas na cidade de Shenzhen. "A BYD se tornará verdadeiramente a montadora número um do mundo em termos de escala em cinco anos", disse. As informações são do The Guardian.
O alvo é a Toyota, que vendeu 11,3 milhões de veículos em 2025, enquanto a BYD vendeu 4,8 milhões.
A distância para a líder é grande, mas o ritmo de expansão chama atenção. Em maio, a BYD vendeu mais de 160 mil veículos fora da China, uma alta de 80% sobre o mesmo mês do ano anterior.
A meta para 2026 é exportar 1,5 milhão de unidades, crescimento de mais de 40% sobre as 1,05 milhão vendidas no exterior em 2025.
Nesta quarta-feira, 10, as ações da montadora chinesa fecharam em queda de 2,04% em Hong Kong.
Europa é prioridade para BYD
Para sustentar esse crescimento, a BYD anunciou um investimento de 1,8 bilhão de euros na Europa para construir infraestrutura de carregamento rápido, os chamados "flash chargers", que prometem recarregar um veículo em cinco minutos.
A executiva responsável pelas operações internacionais, Stella Li, disse à Reuters em Londres que a fábrica na Hungria é "a prioridade número um agora" e deve iniciar a montagem de veículos no quarto trimestre deste ano.
"A segunda prioridade será encontrar uma segunda unidade de produção na Europa", acrescentou. A empresa pausou as obras de uma fábrica na Turquia para concentrar esforços na produção europeia.
Produzir localmente é uma resposta direta às tarifas que a União Europeia (UE) impôs sobre elétricos fabricados na China há dois anos. Carros montados na Hungria escapam dessa sobretaxa, o que muda o custo competitivo da BYD no continente.
Riscos e sanções no radar
A fábrica húngara, em Szeged, carrega passivos que investidores precisam monitorar na avaliação de fontes consultadas pelo The Guardian. Há alegações de descumprimento de leis trabalhistas da UE no uso de trabalhadores migrantes chineses, além de denúncias de contaminação de terras agrícolas vizinhas ao canteiro de obras.
Autoridades do condado de Csongrád-Csanád confirmaram ao veículo que sanções foram aplicadas a três empresas envolvidas na construção e que ao menos uma foi multada. Os resultados da investigação ainda não foram tornados públicos.
Há também um risco geopolítico novo. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos incluiu a BYD em sua lista de "empresas militares chinesas" consideradas risco à segurança nacional.
A designação não impõe sanções automáticas, mas aumenta o análise sobre a companhia e pode dificultar parcerias com empresas estadunidenses.
Valor - SP 11/06/2026
Discussão esbarra na questão fiscal do país, mas setor busca alternativas para evitar o aumento da concorrência dos modelos importados
As montadoras iniciaram conversas com o governo para que os próximos programas voltados ao setor ou mesmo os atuais sejam ajustados para que a tributação leve em conta o conteúdo local. Ou seja, quanto mais peças nacionais contidas no veículo, menor seria a carga de impostos e vice-versa. A discussão esbarra na questão fiscal do país. Mesmo assim, o setor busca alternativas para evitar o aumento da concorrência dos modelos importados.
A discussão, que ganhou corpo com o avanço da participação de carros produzidos na China no mercado local, tenta encontrar opções. Uma delas seria ajustar o atual programa federal para o setor automotivo, o Mover. Outra possibilidade é aproveitar a iminência da criação do Imposto Seletivo, que entrará em vigor em 1º de janeiro, para alterar regras tributárias.
Criado na reforma tributária, o Imposto Seletivo, também chamado de “imposto do pecado”, visa elevar a tributação de produtos nocivos à saúde ou ao meio ambiente. Os carros estão na mira do governo. Mas, do lado da indústria, a ideia é propor que compromissos com redução de emissões venham acompanhados de incentivos à produção local.
Paralelamente, no próximo 1º de julho, o Imposto de Importação de carros híbridos e elétricos vai aumentar para o teto de 35%. Houve antecipação de importação para evitar o aumento. Dados da indústria indicam que há, hoje, 300 mil veículos importados em estoque, enquanto o de produtos locais está em pouco mais de 70 mil.
Para o presidente da Volkswagen do Brasil, Ciro Possobom, é a necessidade de desovar esse estoque alto que leva a uma redução de preços, o que pressiona a indústria local. O executivo lembra, ainda, que o imposto para veículos que chegam ao país no sistema CKD (em kits de peças) será de 14% por mais tempo, até janeiro, o que, segundo ele, traz mais pressão aos fabricantes locais.
Para o executivo, com a soma de um estoque de importados alto com mais seis meses de imposto para CKD que ele considera baixo, tanto o segundo semestre como a primeira metade de 2027 serão “períodos difíceis”.
A concorrência chinesa voltou a marcar, nesta quarta-feira (10), grande parte das discussões no segundo dia do Anfavea Visions, evento organizado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. Outros temas, como uso de combustíveis alternativos, conectividade e os efeitos do avanço da inteligência artificial no setor também foram temas de debate.Cultura
No comando da operação brasileira de uma empresa alemã, Possobom diz que se vê hoje no desafio de mudar conceitos culturais de uma multinacional. A disciplina e a perfeição são virtudes dos alemães. Mas os chineses dão banho em velocidade. “Como CEO, eu tenho que combinar a disciplina alemã com a velocidade chinesa e o jeitinho brasileiro”, diz.
Segundo o executivo, a Volks do Brasil vai entrar na era da eletrificação, mas com a certeza de “fazer o produto certo”. Nesse sentido, para agilizar essa entrada, a montadora poderia até recorrer ao conhecimento que já dispõe no exterior, seja na Europa ou mesmo da China, onde tem 36 fábricas. Uma possibilidade é adaptar projetos do exterior para o mercado brasileiro.
Existe o risco de a Volks concluir que é mais barato importar do que produzir aqui? Possobom acha que o risco existe. Mas, ao mesmo tempo, ele, que diz ser “fruto da indústria brasileira” não quer acreditar nessa possibilidade, principalmente, afirma, numa empresa que está em meio a um ciclo de investimentos de R$ 16 bilhões, que engloba o período de 2024 a 2028.
“Eu acredito em grandes volumes (de vendas). E para isso tem que ter indústria, produção local. É uma proteção à variação do câmbio. Qualquer confusão que afete o cambio “desmorona a importação”, diz.
O Estado de S.Paulo - SP 11/06/2026
Akio Toyoda, assim como uma atriz global, tem medo. Mas de um movimento diferente. O presidente da Toyota disse temer uma migração acelerada para os carros elétricos. Para o executivo, isso pode deixar para trás consumidores que ainda dependem, ou simplesmente gostam, de modelos a combustão.
“Todo mundo está migrando para os BEVs, e esse é o meu maior medo”, afirmou Toyoda ao site britânico Carwow. “Três ou quatro anos atrás, eu era o único a dizer à mídia que amo cheiro, amo som e amo motores a combustão, e que quero manter os empregos dos fornecedores de motores. Mas parece que sou o único. Eu me sinto muito sozinho.”
A fala não é exatamente nova no repertório da Toyota. A fabricante japonesa é, há anos, a voz mais insistente da estratégia que prega a ideia de que a descarbonização não precisa passar por uma única estrada. Nessa conta entram híbridos, híbridos plug-in, elétricos a bateria e, claro, motores a combustão cada vez mais eficientes.
É uma posição confortável, evidentemente, para quem construiu um império em cima dos híbridos. Mas também é uma postura cada vez mais curiosa em mercados onde os elétricos deixaram de ser promessa e começaram a ocupar a rua, o shopping, o condomínio e o ranking de vendas.
O Brasil é um bom exemplo. A infraestrutura de recarga ainda está longe do ideal, especialmente fora dos grandes centros, mas isso não impediu a BYD de virar assunto de varejo. A marca chinesa chegou ao topo das vendas a consumidores finais embalada pelo Dolphin Mini e pela família Song. Ou seja. mesmo em um mercado complexo como o nosso, os BEVs já demonstram força.
E é por isso que a fala de Toyoda soa menos como negação dos elétricos e mais como uma tentativa de conter a empolgação alheia. A Toyota não quer ser BYD, Tesla ou qualquer outra fabricante que apostou quase todas as fichas na bateria. Quer vender Corolla híbrido onde faz sentido, Hilux onde o consumidor exige robustez, plug-in onde houver incentivo e elétrico onde o mercado já estiver pronto para pagar a conta.
A própria fabricante está prestes a entrar nessa conversa no Brasil. O bZ4X, SUV elétrico de nome estranho e importância simbólica enorme, deve ser lançado em breve por aqui. Será o primeiro Toyota elétrico vendido oficialmente no país e chega em um momento em que a marca não pode mais apenas observar a cruzada chinesa.
Na Austrália, por exemplo, a Toyota já eliminou versões puramente a gasolina de boa parte de sua linha de passeio e SUVs quando há opção híbrida. Toyoda, no entanto, insiste que a transição não pode matar o prazer de dirigir nem a diversidade técnica do automóvel.
“Se disserem para mim: ‘Ei, você está atrasado, deveria ter migrado para os BEVs’, bem, nós somos pessoas que amam carros, e essas pessoas e eu brigamos até dentro da empresa”, brincou. “Se eu tiver apenas que fazer um bom balanço, coisas lucrativas, ou apenas tornar tudo carbono neutro, isso não é empolgante.”
É uma frase com cheiro de gasolina e certa dose de provocação e que também carrega uma verdade conveniente. A eletrificação não é igual em todos os lugares. O problema para a Toyota é que, no Brasil, por exemplo, a BYD está mostrando que a bateria pode avançar mais rápido do que muita gente imaginava.
O bZ4X, portanto, chega com uma missão dupla. Não será apenas mais um SUV elétrico importado de preço alto. Será o teste de fogo da Toyota em um terreno onde ela sempre preferiu caminhar devagar. Toyoda pode amar o cheiro de gasolina e o ronco dos motores a combustão. No entanto, tem a consciência de que vai ter de aprender a vender silêncio.
CNN Brasil - SP 11/06/2026
Durante o fórum Anfavea Visions, nesta quarta-feira (10), o presidente e CEO da Volkswagen do Brasil, Ciro Possobom, traçou o diagnóstico sobre as forças que estão redesenhando a indústria automotiva nacional.
Para o executivo, o mercado vive uma revolução dupla que vai além da simples troca dos motores a combustão pelos elétricos. De acordo com o presidente, a engenharia de software e a digitalização das cabines também ganharam um grande peso estratégico junto à transição energética nas decisões das montadoras.
"A transição energética é o principal fator na mudança do mercado, sem dúvida, mas não é só isso. Há uma transformação muito grande também na parte de conectividade, infotainment, na relação do software com a pessoa e com o celular. É uma revolução à parte. Antigamente não se tinha isso, essa relação era mais distante. Hoje os carros têm uma tecnologia embarcada muito forte. Esse é o segundo grande eixo. A eletrificação e a conectividade são as duas grandes mudanças do setor."Ciro Possobom, presidente e CEO da Volkswagen Brasil O novo conceito de luxo e a fragmentação do consumidor
Essa injeção de tecnologia eletrônica transformou diretamente as exigências do mercado brasileiro. O representante da alemã apontou que o novo consumidor começa a balizar sua escolha por parâmetros que não faziam parte do ecossistema automotivo tradicional em décadas passadas, como a interatividade digital.
Para ilustrar o ritmo dessa mudança de comportamento, o executivo brinca ao referenciar outro momento da indústria. "Antigamente, luxo era ter ar-condicionado no carro. Hoje em dia todo carro tem, e o que se espera é cada vez mais interatividade com a parte eletrônica", comparou Possobom.
Ele pondera que o perfil do público se fragmentou conforme as novas opções de deslocamento urbano e rodoviário amadureceram no país:
"Não diria que o comportamento do consumidor mudou, mas, diante dessas novas tecnologias, o consumidor está mais aberto e procura não somente um carro que tenha itens de segurança e dirigibilidade. Ele busca outros tipos de conteúdo que não existiam no passado. O perfil do consumidor muda junto com as mudanças de mobilidade. Hoje muita gente usa carro de aplicativo para se locomover, ou prefere o carro elétrico, pois não pega estrada e fica mais no ambiente urbano. Para as pessoas que viajam mais, a preferência seria o híbrido. Acho que é esse o tipo de mudança que está acontecendo."
"Não diria que o comportamento do consumidor mudou, mas, diante dessas novas tecnologias, o consumidor está mais aberto e procura não somente um carro que tenha itens de segurança e dirigibilidade. Ele busca outros tipos de conteúdo que não existiam no passado. O perfil do consumidor muda junto com as mudanças de mobilidade. Hoje muita gente usa carro de aplicativo para se locomover, ou prefere o carro elétrico, pois não pega estrada e fica mais no ambiente urbano. Para as pessoas que viajam mais, a preferência seria o híbrido. Acho que é esse o tipo de mudança que está acontecendo."
Way To Zero: A descarbonização além do escapamento
Outro tema central abordado pelo líder da VW BR foi o cronograma de neutralidade ambiental da companhia. O grupo opera globalmente sob a meta "Way To Zero", que prevê a neutralidade total de emissões de carbono até o ano de 2050.
No entanto, Possobom chamou a atenção para um detalhe que muitas vezes é ignorado: a sustentabilidade não se restringe ao produto, mas começa no chão de fábrica.
"O Grupo VW tem a meta Way To Zero; em 2050, ele vai ser neutro em carbono. Todas as filiais do grupo a seguem, e nós, da VW, melhoramos nossa emissão de carbono todo ano, não só na parte dos carros, dos produtos, mas também na parte da produção dos veículos. Como deixar a cadeia de produção mais sustentável? Esse é o nosso trabalho, que envolve fornecedores, etc. Então falam muito de produto, mas não é só isso. Tem que olhar principalmente para a fábrica, para a produção. Boa parte do gás que utilizamos, por exemplo, vem do Biometano, que tem um menor nível de poluição."
A busca por condições iguais de competição no mercado
O executivo encerrou suas considerações abordando um dos tópicos mais complexos da geopolítica automotiva recente no Brasil: a entrada massiva de novas marcas estrangeiras, sobretudo asiáticas. Possobom adotou uma postura de neutralidade comercial em relação à concorrência, afirmando que novas opções são saudáveis para o mercado, mas fez uma cobrança firme por regras fiscais e cambiais equivalentes para proteger a indústria que investe em manufatura local.
O Estado de S.Paulo - SP 11/06/2026
O CEO Ciro Possobom afirma que a montadora alemã vai adaptar plataformas do mercado chinês para o consumidor local
Se não pode vencê-los, junte-se a eles. É na pegada desse ditado popular que a Volkswagen planeja seus próximos passos no Brasil. Diante do avanço das marcas chinesas, o CEO da companhia no País, Ciro Possobom, admitiu que a montadora vai passar a vender no mercado brasileiro projetos desenvolvidos por suas bases de engenharia na China.
“A Volkswagen tem 36 fábricas lá. Vamos trazer modelos que sejam simples de adaptar à realidade brasileira e adequados ao consumidor local”, revelou o executivo em conversa com a imprensa durante o Anfavea Visions, em São Paulo, na quarta-feira, 10. Ele enfatizou que, embora o desenvolvimento inicial seja internacional, o objetivo final é a produção nacional em larga escala: “Quando fazemos um carro, não vamos produzir 10 mil unidades por ano. Queremos fazer 50 mil.”
‘Não vamos dever em nada aos chineses’
O executivo se diz otimista com a nova geração de modelos e mandou um recado direto à concorrência: “Não vamos dever em nada em preço e tecnologia para os chineses”. Segundo ele, o setor automotivo exige investimentos massivos e vive uma evolução constante, e não saltos tecnológicos repentinos.
“Temos os produtos certos, mas há um desafio cultural de combinar a vocação alemã de engenharia da Volkswagen com a agilidade chinesa de ciclos mais curtos de desenvolvimento, além do jeitinho e da flexibilidade brasileiros”, analisou Possobom.
Ele admitiu que a montadora alemã não costuma ser a mais ágil do mercado para estrear em novos segmentos, mas que dita o ritmo quando entra. “Levamos mais tempo para lançar SUVs, mas quando aconteceu, fizemos muito bem. O mesmo funciona para picapes”, ponderou. Os próximos passos da marca no País estão voltados à eletrificação através de modelos híbridos flex.
Como tem feito em suas falar públicas recentes, Possobom não perdeu a oportunidade de criticar a estratégia das novas marcas baseada em veículos importados. “Existe um risco real de desindustrialização por causa da importação de carros e de peças voltadas para fazer apenas a montagem final aqui.”
Para o CEO, as políticas públicas vigentes, como o programa Mover, ainda não são capazes de conter a agressividade das marcas entrantes, o que pode sufocar o modelo de negócios de quem investe em fábricas completas no País.
“Há hoje 300 mil veículos importados em estoque no Brasil. Desse total, 60% são de marcas chinesas”, aponta. Com esse volume armazenado nos portos e pátios, a nova alta do Imposto de Importação para carros elétricos e híbridos, que passa a valer agora em julho, deve demorar a fazer efeito prático no mercado. “E ainda seguiremos com o desconto no imposto de importação para kits desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), que fica em 14% até o fim do ano”, lembrou o executivo.
Lucratividade recorde e saldo no azul
Apesar das duras críticas ao cenário de concorrência, o presidente da Volkswagen Brasil tem números robustos para comemorar dentro de casa. Enquanto as vendas gerais de veículos leves no Brasil cresceram 18% de janeiro a maio, os emplacamentos da Volkswagen saltaram 20% no mesmo período. “Estamos em um dos momentos de melhor resultado financeiro e comercial da nossa história no Brasil”, celebrou.
Para Possobom, a própria competição feroz tem um lado positivo ao forçar a queda dos preços médios e atrair novos consumidores para as concessionárias. Os bons resultados são impulsionados também pela maior oferta de crédito e pelas vendas corporativas (frotas). Entre dores e conquistas, o saldo da alemã fica no azul: “Estou muito otimista com o que está por vir”, concluiu.
Diário do Comércio - MG 11/06/2026
Há momentos em que a indústria não apenas produz. Ela se apresenta ao mundo. É o caso da participação da indústria brasileira de máquinas e equipamentos na Hannover Messe e na Agrishow, que ocorreram em abril, e na Feimec, que aconteceu em maio, reiterando que as grandes feiras internacionais cumprem exatamente esse papel. São palcos onde máquinas falam mais alto do que discursos, onde a engenharia ganha forma concreta e onde o futuro é anunciado por meio de protótipos, demonstrações e negócios capazes de redefinir setores inteiros.
A Hannover Messe, realizada anualmente na Alemanha, é há décadas um dos principais termômetros da indústria global. O evento, do qual participamos, reúne centenas de milhares de visitantes de diferentes continentes, além de expositores de áreas como automação, energia, digitalização e engenharia de precisão. É um ambiente em que parcerias estratégicas surgem com rapidez e onde inovação e negócios caminham lado a lado.
Seria um equívoco, no entanto, imaginar que esse protagonismo está restrito à Europa ou à Ásia. O Brasil tem demonstrado, de forma consistente, sua capacidade de realizar feiras de nível internacional, promover negócios e apresentar soluções tecnológicas competitivas.
A Feimec (Feira Internacional de Máquinas e Equipamentos), realizada em São Paulo, é hoje uma das principais vitrines do setor metalmecânico no hemisfério sul. A cada edição, reforça a percepção de quem acompanha a indústria brasileira de perto, de que há uma base tecnológica sólida, com capacidade de inovação crescente. Fabricantes nacionais dividem espaço com empresas globais não como coadjuvantes, mas como protagonistas de um mesmo movimento de avanço industrial.
No agronegócio, a Agrishow ocupa uma posição singular no cenário internacional. Realizada em Ribeirão Preto, a feira se consolidou como uma das maiores e mais relevantes do mundo em tecnologia agrícola. Em um país que desempenha papel estratégico na segurança alimentar global, o evento vai além da exposição de máquinas. Ele mostra toda a capacidade do Brasil de liderar discussões sobre produtividade, inovação e sustentabilidade no campo.
Quando um produtor rural acompanha, em uma demonstração prática, uma máquina capaz de colher, processar e transmitir dados em tempo real para um dispositivo móvel, ele está diante do que há de mais avançado em tecnologia agrícola no mundo.
As feiras têm importância estratégica porque condensam oportunidades em um curto espaço de tempo. Em poucos dias, concentram interações que, em condições normais, levariam meses para acontecer, reunindo fornecedores compradores e soluções em um mesmo ambiente.
A indústria nacional de máquinas e equipamentos opera em padrão global, sustentada por engenheiros, técnicos, empresários e trabalhadores altamente qualificados. O setor alavanca o desenvolvimento do país, e as feiras realizadas refletem essa realidade e se posicionam como eventos de classe mundial justamente por representarem uma indústria igualmente competitiva.
O Brasil não fica devendo nada ao mundo em termos de avanço tecnológico e a indústria brasileira demonstra, ano após ano, sua capacidade de competir em alto nível, seja nas feiras, nas fábricas ou nos resultados que entrega ao mercado global.
Agência Brasil - DF 11/06/2026
A indústria da construção civil no Brasil ocupava 2,5 milhões de pessoas em 2024 e pagava remuneração média de 2,1 salários mínimos. Eram 191 mil empresas que injetavam R$ 95,6 bilhões nos bolsos dos trabalhadores.
Os dados fazem parte da Pesquisa Anual da Indústria da Construção, divulgada nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento traz informações de empresas de três grandes grupos de atividade: construção de edifícios (inclui residenciais, comerciais, industriais e reformas); obras de infraestrutura, como pontes, rodovias e praças; e serviços especializados para construção, que englobam pintura e instalação elétrica, por exemplo.
A edição de 2024 do levantamento absorveu mudanças de metodologia, de forma que o IBGE não aplica comparações com anos anteriores. A série histórica anterior era iniciada em 2007.
Onde estão os empregos
O levantamento revela que as empresas classificadas no grupo construção de edifícios são as maiores empregadoras. Nesses empreendimentos estão 894,8 mil pessoas, o que representa 35,7% dos ocupados.
Logo em seguida figuram as firmas de serviços especializados, com 34,4% da mão de obra do setor. Já as obras de infraestrutura empregavam 29,9% dos trabalhadores em 2024.
Apesar de estarem no grupo com o menor número de ocupados, as empresas de obras de infraestrutura têm a maior média de funcionários por empresa: 39 pessoas.
Nos empreendimentos destinados à construção de edifícios, o contingente médio é de 13 trabalhadores. Nos de serviços especializados, oito funcionários.
Salários
As companhias que trabalham com obras de infraestrutura são as que pagam maiores remunerações, com média de 2,6 salários mínimos.
As empresas de atuam na construção de edifícios pagaram 1,9 salário mínimo, à frente das de serviços especializados (1,8). Em 2024, o salário mínimo nacional era R$ 1.412.
Valor de obra
Os pesquisadores do IBGE chegaram ao valor total de incorporações, obra e serviços de construção, que alcançou R$ 522,5 bilhões em 2024.
Veja o valor de obra por segmento:
Infraestrutura: R$ 200,9 bilhões; Construção de edifícios: R$ 1989 bilhões; Serviços especializados: R$ 122,8 bilhões.
Com os dados sobre valor de obra, a pesquisa chegou ao RC8, indicador que aponta o tamanho do mercado abocanhado (grau de concentração) pelas oito principais empresas do setor, que ficou em 3,1%. Esse patamar indica uma indústria pouco concentrada, sem monopólios.
Obras entregues
A pesquisa revela os principais empreendimentos entregues no país pelo setor de construção civil em relação ao valor de obra. Confira o ranking:
Rodovias, ferrovias, obras urbanas e obras de arte especiais: 22,8%; Obras residenciais: 22,2%; Serviços especializados para construção: 19,2% Obras de infraestrutura para energia elétrica, telecomunicações, água, esgoto e transporte por dutos: 12,8%; Edificações industriais, comerciais e outras edificações não residenciais: 10,7%; Construção de outras obras de infraestrutura: 10,5%; Incorporação de imóveis construídos por outras empresas: 1,9%. Custos
Sob a ótima dos custos, a mão de obra é o que mais pesa no orçamento das empresas, com 30,7% do total.
Logo em seguida, a maior fatia ficou com o chamado "consumo intermediário", que reúne despesas operacionais como combustíveis, manutenção, aluguéis de máquinas e serviços prestados por terceiros (excetuando materiais e empreiteiras), respondendo por 22,5%.
Os demais custos foram materiais de construção (22,3%), demais despesas - compostas por impostos, taxas, custos com terrenos, depreciação e gastos financeiros - (14,7%) e obras e serviços contratados a terceiros (9,7%).
Contratantes de obras
De acordo com o IBGE, de cada R$ 3 em valor de obra em 2024, R$ 1 foi demandado pelo setor público, ou seja, 33%, cabendo 67% à iniciativa privada.
No caso específico das obras de infraestrutura, o setor público representa 48,2% da demanda por construção. Na atividade construção de edifícios, a participação dos governos como contratante se reduz a 22,9%. Em serviços especializados, 19,5%.
Para o analista do IBGE Marcelo Miranda Freire de Melo, esses dados revelam a relevância do setor público para a construção civil no país.
“Essa demanda está muito concentrada no segmento de obras de infraestrutura, onde quase metade da demanda é feita pelo setor público. Nos outros dois segmentos, essa relevância do setor público é um pouco menor, a grande parte é o setor privado”, avalia.
Revista Ferroviaria - RJ 11/06/2026
O ministro dos Transportes, George Santoro, apresentou nesta terça-feira, 9 de junho, um panorama dos projetos ferroviários em andamento no país, detalhando as perspectivas para novos leilões e os investimentos previstos para os próximos anos.
Durante participação no programa Bom Dia, Ministro, Santoro destacou que a atuação do Governo Federal tem sido determinante para recuperar o protagonismo das ferrovias na matriz logística brasileira. Segundo ele, a retomada de obras paralisadas e a ampliação dos investimentos em infraestrutura contribuem para fortalecer a confiança no país e reduzir custos de transporte.
Quando o presidente retoma o governo, a gente retoma obras que estavam paradas há anos, sonhos antigos dos brasileiros. Hoje, as pessoas voltaram a sonhar com um Brasil grande, um Brasil que tenha logística eficiente, em que a carga não vai poder custar no transporte, por exemplo, do Mato Grosso para Santos, mais caro que de Santos para Xangai. A gente precisa acabar com isso, afirmou.
Entre as principais iniciativas previstas para o setor está a realização de oito leilões ferroviários ao longo de 2026. Os projetos abrangem trechos localizados nos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Mato Grosso, Ceará e Pernambuco.
As concessões fazem parte da estratégia federal para ampliar a participação do transporte ferroviário na movimentação de cargas. Atualmente, o modal responde por 17,7% da logística nacional, percentual que o Governo Federal pretende elevar para 34,6% até 2035, conforme as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Logística (PNL 2035).
A expectativa é que os projetos mobilizem cerca de R$ 600 bilhões em investimentos ao longo dos próximos anos, combinando recursos públicos e privados para expandir e modernizar a malha ferroviária brasileira.
Fizemos a primeira política pública de concessões ferroviárias da história do Brasil. Melhoramos a regulação. Assumimos que o setor privado, sozinho, não é capaz de tocar uma carteira de ferrovias. A carteira de ferrovias do mundo inteiro foi desenvolvida com o governo entrando em ferrovia. Não existe ferrovia no mundo em que o governo não entrou, declarou o ministro.
Modelo de ferrovias inteligentes
Santoro também destacou o avanço do modelo das chamadas ferrovias inteligentes, uma estratégia que busca acelerar a implantação de novos projetos por meio da simplificação de etapas burocráticas e da recuperação prévia de ativos ferroviários.
Nesse formato, o poder público participa diretamente da reestruturação da infraestrutura existente, reduzindo o tempo necessário para a preparação dos empreendimentos e tornando os projetos mais atrativos para a iniciativa privada.
Segundo o ministro, enquanto um processo convencional de concessão pode levar entre três e quatro anos para ser estruturado, o novo modelo permite concluir essa etapa em cerca de um ano.
O governo, em parceria, coloca dinheiro no projeto para recuperar o ativo ferroviário brasileiro. Ou seja, a gente vai colocar dinheiro para quem entrar no leilão e ganhar o leilão para ele recuperar o trecho. A gente faz isso de forma simplificada. Se eu fosse fazer um processo tradicional de concessão, iria levar três, quatro anos. Nessa modelagem, a gente conseguiu fazer o projeto em um ano, explicou.
Para viabilizar a iniciativa, o Ministério dos Transportes realizou um levantamento que identificou aproximadamente 25 mil quilômetros de trilhos sem utilização em todo o país. A partir desse mapeamento, foram estruturadas carteiras de ativos destinadas a futuros leilões.
A gente mapeou esses 25 mil quilômetros sem uso do país e fizemos vários projetos. Vamos soltando essas carteiras. Dando certo esse leilão, a gente vai soltar outros projetos em trechos menores. Pegamos trechos que hoje estão sem uso e colocamos a iniciativa privada, afirmou.
Transnordestina avança
Outro destaque apresentado por Santoro foi o andamento das obras da Ferrovia Transnordestina, considerada uma das principais iniciativas logísticas do país.
O empreendimento ligará o interior do Nordeste aos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco, além de atender áreas do cerrado piauiense.
De acordo com o ministro, os investimentos federais destinados à obra vêm acelerando o ritmo de execução. Nesta semana, a construção alcançou um marco relevante com a instalação de 1.700 metros de trilhos em um único dia. A previsão é de que mais de 200 quilômetros de via permanente sejam implantados ao longo de 2026.
Num país que passou oito anos sem colocar quase nenhum metro de trilho, colocar mais de 200 quilômetros de trilhos novos na ferrovia é um recorde histórico importante para desenvolver o Nordeste, destacou.
Nova linha de crédito para o setor
Para ampliar a capacidade de investimento das concessionárias e estimular novos projetos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prepara uma linha específica de financiamento voltada ao setor ferroviário.
Segundo Santoro, a modalidade contará com condições diferenciadas, incluindo prazos mais longos para pagamento, o que poderá aumentar a atratividade dos empreendimentos para investidores nacionais e internacionais.
O BNDES vai anunciar uma linha de financiamento específica para ferrovias. Estamos tratando de uma linha de financiamento muito especial, com amplo prazo para pagar, e isso vai atrair novos investidores da Europa e os chineses para poder entrar em projetos de ferrovias no Brasil, concluiu o ministro.
Exame - SP 11/06/2026
Minas Gerais, um dos principais polos minerais do país, vai ganhar um novo corredor logístico para reduzir a dependência das rodovias no transporte de minério de ferro.
A Cedro Participações recebeu autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para desenvolver a Ferrovia Serra Azul, projeto de R$ 2 bilhões que pretende ligar a produção mineral da Grande Belo Horizonte à malha ferroviária nacional.
Com 26,4 quilômetros de extensão, o ramal pretende conectar a zona rural de Mateus Leme à atual linha férrea em Mário Campos, próximo à MG-040. A partir daí, a carga seguirá pela malha nacional até o Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro.
A proposta é retirar cerca de 5 mil caminhões por dia da BR-381, uma das rodovias mais movimentadas e perigosas de Minas Gerais. Conhecida como “Rodovia da Morte”, a estrada acumulou mais de 7 mil ocorrências nos últimos três anos, incluindo 440 acidentes fatais.
Segundo Lucas Kallas, fundador da Cedro Mineração, o projeto responde a um dos principais gargalos da mineração mineira: a necessidade de escoar grandes volumes de carga com mais segurança, previsibilidade e menor impacto ambiental.
O empreendimento surge em um momento de expansão da mineração brasileira. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, o país exportou 416 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, alta de cerca de 7% em relação ao ano anterior. Em valor, o produto movimentou US$ 28,9 bilhões e ficou atrás apenas de petróleo e soja na pauta de exportações brasileira.
Nesse cenário, a ampliação da infraestrutura logística se tornou um dos principais desafios do setor, especialmente em Minas Gerais, onde boa parte do transporte ainda depende das rodovias.
Menos caminhões, mais trilhos
Estruturada no modelo short line — ferrovias de curta distância voltadas à conexão entre áreas produtivas e grandes corredores logísticos —, a Serra Azul será a primeira iniciativa do tipo no país voltada ao minério de ferro.
A expectativa é movimentar até 25 milhões de toneladas por ano. O plano operacional prevê cinco trens diários, cada um com cerca de 14,7 mil toneladas distribuídas em 136 vagões. Segundo a empresa, uma única composição poderá substituir até 525 caminhões nas estradas.
A expectativa é que as obras tenham início em 2028, com operação prevista para 2031.
Para a Cedro, a mudança de modal pode aumentar a competitividade da produção mineral da Serra Azul, especialmente para pequenas e médias mineradoras que enfrentam limitações logísticas para escoar a produção. A ferrovia também deve reduzir a circulação de carretas entre minas, terminais de carga e rodovias da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Segurança, emissões e desenvolvimento local
Além da eficiência logística, o projeto prevê ganhos ambientais e de segurança viária. A estimativa da empresa é de que a ferrovia evite a emissão de até 44 mil toneladas de dióxido de carbono por ano.
Segundo a Confederação Nacional do Transporte, o modo ferroviário emite cerca de seis vezes menos CO2e por TKU do que o rodoviário.
A construção e a operação do ramal vão gerar mais de 4 mil oportunidades de trabalho, entre empregos diretos e indiretos. A expectativa é movimentar cadeias locais de construção, logística, manutenção e serviços, além de ampliar a arrecadação municipal.
O traçado inclui seis viadutos rodoviários, um túnel ferroviário em Igarapé, oito passagens inferiores para pedestres e veículos e oito passagens exclusivas para travessia de fauna. A faixa de domínio terá cerca de 25 metros de cada lado e será cercada ao longo de todo o perímetro.
Além da redução no fluxo de caminhões, a companhia aposta na ferrovia como forma de aumentar a competitividade da mineração mineira em um momento de expansão das exportações e pressão crescente por soluções logísticas mais eficientes e menos poluentes.
Para a Cedro, o projeto representa uma tentativa de combinar ganho operacional, segurança viária e redução de emissões em uma das regiões mais estratégicas da mineração brasileira.
Revista Ferroviaria - RJ 11/06/2026
A Rumo, operadora ferroviária de cargas, e a Olfar, grupo industrial com atuação nos segmentos de biodiesel e processamento de soja, iniciaram os primeiros embarques em fase de comissionamento do novo terminal rodoferroviário de Porangatu (GO). A estrutura amplia a conexão logística do norte de Goiás e do sul do Tocantins com o corredor ferroviário que liga a região ao Porto de Santos (SP).
Localizado em área com acesso à BR-153 e conexão direta com a Malha Central, o terminal foi projetado para apoiar o escoamento de grãos e atender à produção agroindustrial de uma região em expansão no Centro-Norte do país. A unidade possui capacidade de transbordo de 1,5 milhão de toneladas de grãos e operação de carga e descarga de até 1.000 toneladas por hora.
A entrada em operação do terminal ocorre em um momento de crescimento da atuação da Rumo em Goiás. Em 2025, a companhia movimentou cerca de 5,7 milhões de toneladas de grãos no estado e alcançou participação de 28% nas exportações goianas, acima dos 25% registrados em 2024.
Porangatu amplia a presença da Rumo em uma região estratégica para o agro e reforça a capacidade da Malha Central de atender a produção do norte de Goiás e do sul de Tocantins com mais previsibilidade e competitividade. A conexão ferroviária com Santos encurta distâncias logísticas, amplia as alternativas de escoamento e fortalece a integração da produção regional aos principais mercados do país, afirmou Diogo Velloso, diretor comercial da Rumo.
Segundo a Olfar, a nova operação ferroviária representa um avanço para a integração logística da região. A operação ferroviária em Porangatu consolida um avanço estratégico para a Olfar, para a região e para o estado de Goiás. Esse projeto fortalece a produção local, impulsiona a integração da cadeia produtiva e cria novas condições para o desenvolvimento regional. É gratificante ver essa estrutura se concretizando e contribuindo para o crescimento do agronegócio brasileiro, afirmou José Carlos Weschenfelder, presidente do Grupo Olfar.
O projeto amplia a integração entre a atividade industrial e o transporte ferroviário em uma região considerada estratégica para o agronegócio. Em Porangatu, a Olfar vem expandindo suas operações desde 2021, quando reativou sua usina de biodiesel. Em 2026, a empresa concluiu a implantação de um complexo industrial de soja no município.
Com a nova operação ferroviária, o empreendimento passa a contar com um terminal que possui volume contratado de 3 mil toneladas por dia de farelo de soja, ampliando a infraestrutura logística disponível para a movimentação da produção regional.
Exame - SP 11/06/2026
O Irã declarou que o Estreito de Ormuz está fechado e atacou dois navios americanos, como uma resposta à ofensiva dos Estados Unidos realizada uma hora antes. No início da noite, os EUA lançaram ataques aéreos adicionais contra Teerã, como havia sido informado pelo Comando Central do Exército norte-americano.
Segundo o comunicado do Centcom, “as forças do Comando Central dos EUA começaram a lançar ataques adicionais de autodefesa hoje às 18h15 [no horário de Brasília], contra múltiplos alvos no Irã, por ordem do comandante em chefe. Os ataques são uma resposta à agressão injustificada e contínua do Irã”.
Em entrevista à emissora americana Fox News, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que caças estariam voando sobre o território iraniano e que teria conversado nesta quarta-feira com “autoridades iranianas” que, segundo ele, teriam pedido a suspensão dos bombardeios. O republicano também disse que Israel não participava da operação e que novas ações militares não estavam descartadas. No entanto, Teerã nega a ocorrência dessas conversas, segundo informações da agência Reuters.
Nova fase do conflito entre Irã e EUA
Os novos bombardeios marcam o segundo dia consecutivo de ataques americanos contra alvos no Irã desde o cessar-fogo iniciado em abril, acordo que já vinha sendo considerado frágil antes dessa nova escalada. Washington afirma que a primeira série de ataques foi lançada em retaliação à derrubada de um helicóptero Apache pelos iranianos perto do Estreito de Ormuz. Ainda não há clareza sobre como esses ataques recentes afetarão a trégua em vigor.
Veículos estatais do Irã relataram explosões em Bandar Abbas, Minab, Kargan e Sirik, todas cidades portuárias próximas ao Estreito de Ormuz, e ativação de defesas aéreas em Isfahan. A agência Mehr mencionou “combates no mar” entre forças iranianas e norte-americanas, sem fornecer detalhes adicionais.
Uma fonte norte-americana disse ao Axios que os alvos atingidos pelos EUA estavam no sul do Irã, incluindo “sistemas de defesa aérea, radares e unidades de comando e controle de drones”.
Quase duas horas depois da ação dos EUA, o governo iraniano reiterou que o Estreito de Ormuz está fechado a qualquer tipo de embarcação, informando que disparou contra dois navios que, segundo Teerã, desrespeitavam seu bloqueio marítimo.
Troca de ameaças
Mais cedo nesta quarta, o Irã havia prometido uma “resposta dura” contra alvos norte-americanos no Oriente Médio e advertiu que uma nova escalada não se limitaria apenas à região. Na terça-feira, Teerã havia atacado uma base militar dos EUA no Bahrein em retaliação a ações anteriores, informou a Reuters.
O ataque desta quarta-feira dos EUA foi anunciado poucas horas depois de Trump afirmar que seu Exército voltaria a atingir o Irã “ainda hoje”.
O secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, declarou que os bombardeios seriam “fortes e claros” e atingiriam “instalações-chave” iranianas, sem especificar quais. Hegseth disse ainda que os ataques serviriam para “avançar os interesses militares dos EUA no Oriente Médio e ajudar Washington a alcançar uma solução diplomática da guerra”. O Irã, porém, repetiu que não negociaria sob ameaça militar.
Impactos no mercado
Os mercados já começaram a reagir na noite desta quarta-feira, 10, após novos ataques envolvendo Estados Unidos e Irã. O regime dos aiatolás anunciou que fechou o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, depois da escalada da crise na região.
O petróleo do tipo Brent subia 2,9% às 21h (horário de Brasília), sendo cotado a US$ 92,73 o barril. Em três meses, a alta é de 7,7%. O conflito entre Irã e Estados Unidos começou no final de fevereiro.
O preço dos combustíveis, como gasolina e diesel, deve seguir em alta nos próximos meses, pois os efeitos da guerra no Irã ainda levarão algum tempo para serem mitigados, segundo empresas e especialistas.
Os novos ataques entre Israel e Irã atrasam ainda mais a solução. "Cada dia que passa é mais um dia de produção perdida", disse Eleanor Budds, diretora de pesquisa em combustíveis na consultoria S&P, durante evento da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata).
O conflito na região tem dificultado tanto a extração quanto o refino e a exportação de petróleo e combustíveis, como gasolina, diesel e querosene de aviação (QAV). A produção de petróleo no Oriente Médio teve queda de 45% em maio de 2026, e passou de 25,5 milhões de barris por mês, em 2025, para 13,9 milhões, segundo a S&P.
Com isso, o preço do petróleo atingiu cerca de US$ 120 por barril, mas depois se estabilizou entre US$ 95 e US$ 115. Há um ano, estava a US$ 60.
Infomoney - SP 11/06/2026
A Petrobras (PETR4) afirmou nesta quarta-feira que assinou contrato com a Equinor para aquisição de 50% de participação do bloco Itaimbezinho, no pré-sal da Bacia de Campos.
Com a conclusão da transação, o consórcio do bloco passará a ser composto pela Equinor (operadora, 50%) e Petrobras (50%), além da estatal Pré-Sal Petróleo (PPSA), como gestora do contrato de partilha.
A companhia não divulgou valores da transação.
‘A operação reforça a importância e relevância da atividade exploratória no Brasil e está alinhada à estratégia de longo prazo da companhia, visando à recomposição das reservas de petróleo e gás por meio de exploração de novas fronteiras e atuação em parceria’, afirmou a Petrobras.
Segundo a Petrobras, o acordo ‘maximiza sinergias’ na Bacia de Campos, região onde a companhia já desenvolve ativos vizinhos, também em parceria com a Equinor, como o projeto Raia e a licença exploratória de Jaspe.
Investing - SP 11/06/2026
A produção de petróleo da Opep em maio atingiu o nível mais baixo em mais de 20 anos, de acordo com uma pesquisa da Reuters.
Um bloqueio naval dos EUA reduziu as exportações do Irã, enquanto o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz pelo país cortou os embarques de outros produtores do Golfo.
A produção dos 11 membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo caiu 1,06 milhão de barris por dia em relação ao mês anterior, chegando a 16,13 milhões de bpd, informou o levantamento com base em dados da pesquisa.
O número mensal ficou abaixo dos níveis registrados durante a pandemia de COVID-19 em 2020, quando a demanda entrou em colapso. Os dados não incluem os Emirados Árabes Unidos, que deixaram a Opep a partir de 1º de maio.
De acordo com a Reuters, o Irã registrou o maior declínio, refletindo o impacto do bloqueio dos EUA iniciado em 13 de abril. As exportações iranianas de petróleo bruto e condensado caíram ao nível mais baixo em pelo menos seis anos.
A Arábia Saudita registrou nova queda, enquanto o Iraque aumentou a oferta devido ao maior consumo interno, disseram fontes consultadas na pesquisa. Venezuela e Nigéria também elevaram sua produção.
Oito membros do grupo produtor Opep+, que inclui a Opep mais aliados como a Rússia, haviam concordado em aumentar a produção em maio. A guerra no Irã e o bloqueio dos EUA impediram esse aumento.
Petro Notícias - SP 11/06/2026
Pressionados pelo fechamento do Estreito de Ormuz, infestado de minas submarinas iranianas, os países árabes exportadores que usam o Golfo Pérsico para escoar sua produção de petróleo estão recorrendo ao velho Pipeline para reduzir as suas perdas. Um dos exemplos vem da gigante petrolífera estatal saudita Aramco. Ela ajustou seu sistema de exportação em função das tensões entre o Irã e os Estados Unidos, que continuam afetando as rotas de navegação pelo Estreito de Ormuz. Ao direcionar grande parte de seu petróleo bruto para o Mar Vermelho, em vez de depender exclusivamente da estreita passagem marítima, a empresa aumentou o uso do oleoduto Leste-Oeste para manter o fluxo contínuo de petróleo.
Os Emirados Árabes Unidos aceleram a construção de um oleoduto que contornará o Estreito de Ormuz. A construção do gasoduto Oeste-Leste está cerca de metade concluída e a previsão é de que seja finalizada em 2027, de acordo com o presidente da gigante petrolífera estatal ADNOC. Os Emirados Árabes Unidos concluíram cerca de metade de um novo oleoduto projetado para contornar o Estreito de Ormuz. O projeto está sendo acelerado para uma previsão de inauguração em 2027. Sultan Ahmed Al Jaber, CEO da empresa petrolífera estatal ADNOC (Abu Dhabi National Oil Company), afirmou em um evento do Atlantic Council em 20 de maio que a construção do Gasoduto Oeste-Leste, acelerada pelo príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed Al Nahyan, para dobrar a capacidade de exportação através de Fujairah, está “quase 50% concluída”.
Al Jaber afirmou que os fluxos globais de petróleo podem levar pelo menos quatro meses após o fim da guerra com o Irã para se recuperarem a 80% dos níveis pré-conflito e que é improvável que se normalizem completamente antes do primeiro semestre de 2027. Após os ataques conjuntos EUA-Israel em 28 de fevereiro, Teerã fechou em grande parte o Estreito de Ormuz à navegação estrangeira, permitindo a passagem principalmente de embarcações aprovadas pelo Irã, enquanto atacava ou ameaçava navios para impor o controle sobre a hidrovia. Posteriormente, Washington impôs um bloqueio aos portos iranianos.
Al Jaber afirmou que o oleoduto de petróleo bruto de Abu Dhabi, que transporta até 1,8 milhão de barris por dia, tem se mostrado crucial, visto que os Emirados Árabes Unidos buscam maximizar as exportações da costa do Golfo de Omã, fora do Estreito. “Uma vez que se aceite que um único país possa manter como refém a via navegável mais importante do mundo, a liberdade de navegação como a conhecemos estará simplesmente acabada. Se não defendermos este princípio hoje, passaremos a próxima década a defender-nos das consequências.”
Valor - SP 11/06/2026
As Forças Armadas dos EUA vêm escoltando embarcações na região, por rota mais próxima da costa de Omã; mas Trump não detalhou em que período essa missão ocorreu
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que ordenou uma missão para auxiliar navios-tanque e outras embarcações comerciais a transitarem pelo Estreito de Ormuz, permitindo o escoamento de mais de 100 milhões de barris de petróleo para o mercado mundial.
“Mais de 200 navios comerciais já passaram com segurança pelo Estreito de Ormuz. Esse esforço altamente bem-sucedido foi possível porque os Estados Unidos da América controlam o Estreito de Ormuz — não o Irã”, escreveu Trump na plataforma Truth Social. “Seus militares foram derrotados e sua economia está arruinada. Acabou para o Irã!”, acrescentou.
Trump não detalhou em que período a missão ocorreu. Ele já havia mencionado a operação para garantir o escoamento de petróleo do Golfo Pérsico durante entrevista na Casa Branca, em uma cerimônia de assinatura da lei que destinou US$ 70 bilhões ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, na sigla em inglês).
As Forças Armadas dos EUA vêm escoltando embarcações pelo Estreito de Ormuz, utilizando uma rota mais próxima da costa de Omã. Não ficou claro se essas escoltas estão relacionadas à missão sigilosa anunciada pelo presidente americano.
SEGS.com.br - SP 11/06/2026
O Consórcio New Holland marca presença na 20ª edição da Bahia Farm Show, uma das maiores feiras de tecnologia agrícola do Brasil, que acontece entre os dias 8 e 13 de junho, em Luís Eduardo Magalhães (BA). O objetivo da participação é aproveitar a visibilidade do evento para fortalecer o consórcio como alternativa estratégica e planejada para aquisição de drones, máquinas e equipamentos voltados ao agronegócio.
De acordo com Eyji Cavalcante, gerente comercial do Consórcio New Holland, a feira é um espaço propício para apresentar ao público os benefícios e diferenciais do produto, que contribui para a ampliação e modernização das operações rurais. Durante o evento, a equipe da marca estará disponível para apresentar modalidades de crédito destinadas à aquisição de soluções ligadas à produtividade no campo.
Com a crescente demanda por inovação, o acesso a produtos tecnológicos exige planejamento financeiro. É justamente nesse contexto que o produto vem ganhando espaço como uma solução capaz de potencializar os investimentos no agronegócio. O consórcio permite ao produtor investir no campo de forma planejada, com parcelas compatíveis com o fluxo de caixa da atividade rural. Isso reduz a necessidade de descapitalização imediata e traz mais previsibilidade para modernizar a operação, especialmente em períodos de maior incerteza econômica, afirma.
Considerada uma das principais vitrines de inovação e negócios do setor agropecuário nacional, a Bahia Farm Show conta com 380 mil m2 de área de exibição, mais de 500 expositores e 1.400 marcas que apresentarão soluções, serviços e tecnologia para o agro.
Região aquecida
Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) mostraram que, no quarto trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio baiano registrou crescimento. O setor avançou 4%, considerando a produção descontada a variação de preços. Em valores correntes, o agronegócio no estado movimentou R$ 118,4 bilhões no ano, frente a R$ 108,6 bilhões em 2024.
Setor em crescimento
Dados da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que, nos primeiros quatro meses de 2026, o segmento de veículos pesados, que reúne caminhões, tratores, implementos rodoviários e agrícolas, disponibilizou mais de R$ 8,5 bilhões em créditos, o que aponta 14,8% a mais em relação ao mesmo período de 2025.
Os resultados foram impulsionados pelo bom desempenho do agronegócio, sendo que somente o Consórcio New Holland movimentou, até abril deste ano, mais de R$ 380 milhões em créditos comercializados, valor aplicado, em maior parte, na alta tecnologia no campo.
Serviço
Bahia Farm Show 2026
Data: 8 a 13 de junho de 2026
Local: Luís Eduardo Magalhães (BA)