Clipping Diário

10 | Dezembro | 2025

SIDERURGIA

Diário do Comércio - MG   10/12/2025

A ArcelorMittal iniciou a operação da nova planta de beneficiamento de minério de ferro da Mina de Serra Azul, no município de Itatiaiuçu, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A empresa investiu aproximadamente R$ 2,5 bilhões no projeto. Com a expansão, a capacidade instalada do empreendimento praticamente triplicou. O potencial de produção anual subiu de 1,6 milhão de toneladas para 4,5 milhões de toneladas.

Além disso, a previsão de vida útil da mina foi estendida até 2056, já que a unidade que entrou em funcionamento consegue processar itabirito compacto. Esse material até então não era aproveitado, já que antes apenas o itabirito friável poderia ser processado.

A planta produzirá pellet feed. O fino de alto teor, produto considerado nobre, será utilizado como matéria-prima na produção de pelotas da companhia no México, destinadas à redução direta, o que contribui para o processo de descarbonização da siderúrgica.

“O primeiro navio com minério deve sair entre dezembro e janeiro”, revelou o CEO da ArcelorMittal Aços Longos LATAM, Everton Negresiolo, ao Diário do Comércio.

Novo ciclo de investimentos em estado de espera

O investimento realizado na ampliação da Mina de Serra Azul é parte dos aportes programados pela ArcelorMittal para o Brasil, que totaliza R$ 25 bilhões entre 2022 e 2028. Desse montante, em torno de R$ 11,5 bilhões se destinam a Minas Gerais e abrangem outros projetos já concluídos, além de Itatiaiuçu, como a expansão da usina de Sabará (RMBH) e a construção do parque solar em Paracatu (região Noroeste).

Já o novo ciclo de inversões da companhia no País, em discussão interna, estimado entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões, dos quais cerca de R$ 3 bilhões são endereçados ao território mineiro, segue em estado de espera. O valor a ser investido está atrelado à melhoria das condições de defesa comercial da siderurgia nacional em relação às importações de aço.

“Continuamos analisando e discutindo, mas, para que esse ciclo aconteça, ele necessariamente depende de novas medidas, tanto em quantidade quanto em amplitude, que equilibrem o mercado nacional e defendam a indústria brasileira da importação desleal e predatória de aço asiático”, afirmou Negresiolo.

O Estado de S.Paulo - SP   10/12/2025

O grupo indo-europeu ArcelorMittal, gigante mundial na produção de aço comandado pela família Mittal, tem planos de investir mais no Brasil para ampliar seus negócios. Mas colocou algumas condicionantes. Até o fim do primeiro trimestre vai encerrar um ciclo que vai consumir R$ 25 bilhões, iniciado em 2022 com uma grande aquisição no País.

A companhia, que atualmente é a líder na fabricação de aço no Brasil, com cerca de 42%, já tem um valor definido — R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões, até 2029/2030. Apenas um dos projetos listados, o de expansão da usina capixaba Tubarão, no Espírito Santo, vai demandar R$ 4 bilhões. No Brasil, o grupo tem operações industriais em oito Estados e gerou receita de R$ 70 bilhões em 2024.

O pacote de investimento corre risco de não sair do papel, alerta Jorge Oliveira, presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO de ArcelorMittal Aços Planos América Latina. “Se as importações de aço não caírem de forma relevante, coloca em risco novos planos de investimentos do grupo no Brasil. Medidas de defesa comercial são fator prioritário para permitir investimentos”, afirma o executivo.

Segundo Oliveira, a empresa está trabalhando para ter a conclusão dos estudos dos projetos ao longo de 2026. “Queremos estar com os estudos prontos, porém, a decisão final de investir, se não forem removidos esses riscos, pode se postergada ou até cancelada”.

O executivo destacou que 2025 foi marcado, por dois fatores: no mercado interno, a continuidade da entrada de aço importado, principalmente da China, com alta de 20%; no cenário externo, pelo tarifaço de Donald Trump, que afetou as exportações de aço aos EUA e causou decréscimo nos preços de aço semiacabado no mercado mundial.

Abaixo, íntegra da entrevista:

Como a siderurgia brasileira encerra o ano de 2025?

O ano termina com crescimento das importações de aço, de pelo menos 20%, no mercado brasileiro. Hoje, o ritmo de importação está na faixa de 6 milhões de toneladas e isso continua preocupando muito a indústria. Esse é, talvez, o ponto de maior relevância no setor em 2025.
O que impactou mais? O tarifaço de 50% do governo americano ou a continuidade das importações, principalmente da China?

Se olharmos para o mercado doméstico, o ritmo de importação é o que afetou mais as produtoras de aço do País. Obviamente, a tarifa, como efeito colateral, fez com que países exportadores buscassem mercados com menor defesa comercial. Um país que exportava aos EUA e enfrentava barreira de 50%, redireciona para o Brasil, que colocou tarifa de 25% acima das cotas definida pelo governo brasileiro. Ou seja, o risco interno aumentou com a política comercial americana, dado que a defesa do Brasil é de intensidade menor.

Há uma expectativa, principalmente da ArcelorMittal, de reversão dessa tarifa, já que o grupo é o maior exportador de aço semiacabado para os EUA?

O setor já vinha debatendo com o governo brasileiro e as nossas autoridades com os EUA antes da tarifa recíproca ser elevada a 50%. Mas a prioridade mudou a partir de julho. Agora, com a reabertura do diálogo (entre Brasil e EUA), voltamos ao governo e fomos bem recebidos pelo ministro Mauro Vieira (das Relações Exteriores), que se mostrou propenso a retomar as discussões sobre a tarifa do aço com o governo americano. Esse foi o tom da reunião que tivemos com ele, logo após seu retorno da viagem que fez à Ásia (junto com o presidente Lula e quando houve o encontro com Trump).
Para as exportações de aço aos EUA a tarifa é específica, com base na Seção 232?

Sim, fixada em 25% a partir de 12 de março e elevada a 50% em 4 de junho. Lembrando que esse mesmo porcentual, com exceção da Inglaterra, foi aplicado para todos os países do mundo. Mas continuamos na busca de retirar essa tarifa, ao menos do aço semiacabado (placas, principalmente, e tarugos).
As exportações de aço semiacabado ao mercado americano não tiveram queda até outubro, últimos dados divulgados pelo governo.

Para os EUA houve uma ligeira queda. Já o Canadá zerou as compras do Brasil. O país também foi afetado com a tarifa imposta por Trump. Estamos buscando outros mercados, mas a dinâmica do comércio mudou. Como a tarifa é igual para todos, o poder de barganha do importador americano aumentou. Com isso, o preço de venda nos EUA sofreu uma queda de aproximadamente 20% segundo as informações de publicações especializadas.

Qual o rearranjo que a ArcelorMittal fez para contornar o impacto das tarifas nas exportações a partir do Brasil?

No geral, o mercado de placas ficou bem afetado pela tarifa, a competitividade baixou em razão do recuo dos preços. Estamos buscando novos mercados, inclusive na Ásia. E vendo alternativas na demanda da Europa. Por isso, nosso esforço junto ao governo, porque os EUA precisam de aço semiacabado. O país está comprando menos esse tipo de aço. O fato é que a dinâmica do mercado mudou e a competitividade caiu.

Toda a exportação aos EUA de placas é feita para a laminadora do grupo no Estado do Alabama, que demanda por ano 5 milhões de toneladas.

A demanda dessa unidade, abastecida por nossas operações do Brasil e do México, vai cair a partir de 2026 para 3,5 milhões de toneladas, porque a ArcelorMittal, nos EUA, investiu em uma planta à base de forno elétrico para fazer placas, com 1,5 milhão de toneladas de capacidade. Começou a produzir em junho.
Voltando ao tema das importações de aço pelo Brasil, o sistema de cota-tarifa não foi capaz de conter a entrada de material estrangeiro, principalmente da China, que escalou a partir de 2023?

Eu diria que sem o sistema — implementado em abril de 2024 e reformado em maio deste ano — a situação poderia estar mais deteriorada. O sistema, de fato, não tem uma eficácia para trazer o nível de “import penetration” (penetração dos importados) aos patamares anteriores, de 12%. Antes da pandemia de covid-19, a média desse índice, em dez anos, era de 10%. Agora está em 28%. Quase 30% do consumo aparente do País é de aço importado. Ficou muito difícil de administrar o mercado nesse cenário.
Já que a medida conteve parcialmente as importações, o que teria de ser feito para criar uma barreira efetiva ao aço importado?

Estão em curso pedidos de ações antidumping. Esperamos que o governo aplique a medida adequada ao final dos vários processos em fase final de investigação. Por exemplo, de fio-máquina, bobinas a frio, bobina galvanizada e aço pré-pintado. Nas bobinas a frio e galvanizadas, em março o governo publicou o potencial dano, acima de 67%. A expectativa é que as importações desses produtos sejam penalizadas. Até fevereiro, ou março, esse antidumping tem de ser concluído pelo prazo regulamentar.

Medidas antidumping são as medidas que o setor aguarda do governo para equilibrar o mercado? É sabido que o principal alvo é o aço oriundo da China.

Nesse momento, ações mais relevantes são as contra práticas desleais de dumping. O preço praticado pela China não é uma concorrência leal, está longe disso. Esperamos que até o final do primeiro trimestre as taxas contra danos de aço chinês sejam já aplicadas para alguns produtos. As evidências estão públicas e cremos que o governo vai tomar as medidas, como recentemente fez para importações de chapa grossa.
A América Latina como um todo sofre esse peso das importações?

A região é alvo de importações de aço direto e indireto (produtos fabricados em aço). No Brasil são 6 milhões de toneladas de aço e outro tanto de indiretos, na forma de produtos diversos. Na América Latina, respectivamente, chega a 14 milhões e 12 milhões. A região precisa encontrar soluções para defender sua indústria. Países como o México e Colômbia estão adotando tarifas de 25%, 35%.

Todo esse cenário afeta os planos futuros da ArcelorMittal no Brasil?

Se as importações não caírem de forma relevante, coloca em risco novos planos de investimentos do grupo no Brasil. A defesa comercial é fator prioritário para permitir investimentos. O risco existe, mas ainda não tomamos nenhuma decisão definitiva.
A empresa anunciou o projeto de colocar uma nova planta industrial na usina de Tubarão, em Serra (ES).

Continuamos os estudos, mas é um risco. Quanto mais cedo tivermos a equação das medidas de defesa comercial, menos risco terá o projeto. Estamos trabalhando, ao longo de 2026, para os estudos serem concluídos e estarmos prontos no momento certo. A decisão final de investir, no entanto, poderá sofrer mudanças na implantação.

O grupo está encerrando um ciclo com pacote de investimentos de R$ 25 bilhões.

O ciclo de investimentos, de 2022-2026, será concluído no fim do primeiro trimestre de 2026. Neste semestre colocamos em operação a expansão e modernização da usina de Barra Mansa, no Rio de Janeiro, e a nova unidade de mineração de Serra Azul (MG) e estamos em fase final dos projetos de geração de energia eólica e solar em Minas Gerais e na Bahia. Nesse pacote, foram cinco grandes empreendimentos, incluindo a compra da siderúrgica de Pecém, no Ceará, e a expansão da unidade de laminação Vega, em Santa Catarina.
Qual o montante do novo ciclo, que está pendente de condições favoráveis que você mencionou para saírem do papel?

São investimentos entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões para serem concluídos até 2029/2030.
Quais sãos as expectativas do grupo para 2026?

A companhia continua acreditando no Brasil, que está na sua estratégia de investimentos. Porém, espera que as medidas de defesa comercial, que estão chegando ao final, sejam adotadas para haver uma competição mais eficaz, e o grupo possa continuar crescendo de maneira sustentável.

ECONOMIA

Globo Online - RJ   10/12/2025

O Brasil deve ser o país que apresentará maior corte na taxa de juros em 2026. A avaliação é de Leonardo Porto, economista-chefe do Citi Brasil, durante o evento “Macro em Perspectiva”, realizado nesta terça-feira, em São Paulo. Segundo ele, esse movimento se explica, em parte, porque o país elevou a taxa básica num momento em que grande parte das economias reduzia juros.

— Pouquíssimos países vão apresentar corte de taxa de juros e o Brasil certamente é o que vai mais cortar taxa de juros no mundo. Uma das razões é porque, neste ano, o Brasil foi um país que subiu a taxa de juros desde o final do ano passado, enquanto o resto do mundo estava em um ciclo de corte de taxa de juros.

Porto disse ainda que 2025 surpreendeu pela resiliência da economia global. O Citi projeta crescimento do PIB mundial de 2,8% em 2025 e de 2,7% em 2026, números acima do que se estimava há um ano. Os motores dessa resiliência foram, principalmente, Estados Unidos e China, cujas economias continuaram avançando.

Um dos fatores que explicam essa força é a diferença de desempenho entre setores. Globalmente, os serviços têm crescido de forma consistente acima da indústria, explica Porto. O setor de serviços é intensivo em mão de obra, ao contrário da indústria, que depende mais de capital e tecnologia. Assim, quando os serviços puxam o crescimento, a demanda por trabalhadores aumenta, o mercado de trabalho se aquece e a renda avança.

Esse mesmo fenômeno ajuda a explicar a resiliência da economia brasileira, que continua crescendo mesmo após um período prolongado de juros elevados.

— É comum falar que a resiliência da economia brasileira é por conta do fiscal. O fiscal é uma explicação, mas não é suficiente, porque a gente está vendo no mundo também.

Sobre o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos no último ano, Porto disse que elas contribuíram para alguma pressão inflacionária, mas o efeito foi limitado. Por isso, o Citi acredita que o Fed deve iniciar os cortes de juros até março de 2026.

No Brasil, o economista afirma que o cenário inflacionário vem melhorando de forma “inequívoca”, o que aparece em diferentes indicadores, como a ancoragem das expectativas do mercado — isso quer dizer que os analistas já começam a projetar dados de inflação mais alinhados à meta do Banco Central, de 3%. O Citi prevê início do ciclo de cortes da Selic já em janeiro.

Ele cita que a inflação de serviços, considerada um componente sensível ao mercado de trabalho, parece ter deixado para trás a tendência de alta e agora opera com certa estabilidade:

— O patamar da inflação de serviços ainda é bem elevado, 6%, incompatível com a meta de 3% do Banco Central, mas a trajetória ascendente parece ter se estabilizado.

Já Eduardo Miszputen, chefe de mercados globais do Citi, comentou receios de uma possível bolha no setor de tecnologia, especialmente em empresas ligadas à inteligência artificial. Ele reconhece que há um “dilema”: os preços seguem subindo, e o "P/E ratio" (que relaciona o preço da ação ao lucro da empresa) está acima do que muitos analistas consideram razoável.

— Os ativos continuam se valorizando. Alguns analistas acham que estão esticados. Poderia ter algum tipo de ajuste de preço, mas acho que é difícil dizer. Acho que existe uma preocupação, sim, mas é difícil dizer que isso é algo que poderia ser emergente ou acontecer em 2026 — disse.

Sobre o mercado acionário brasileiro, Miszputen lembrou que a Bolsa de Valores teve uma forte valorização ao longo de 2025 e ainda é considerada barata quando se observa a precificação individual das empresas. O Citi avalia que há espaço para crescimento ainda maior.

— Ela pode chegar a 180 mil, a 200 mil? Sim, pode chegar. É difícil ter uma previsão exata. Obviamente isso depende muito do ambiente macro, dos riscos da eleição, dos cenários que os investidores locais e internacionais colocam na mesa para olhar esse ativo como prioridade.

Miszputen acrescentou que a baixa participação do investidor local na bolsa continua sendo um tema relevante, mas que não deve mudar de forma decisiva em 2026. Isso porque a realocação para renda fixa e crédito continua atraente enquanto a taxa de juros for alta.

— O investidor local está muito pouco alocado na bolsa. Essa é uma outra discussão que a gente vai ter. Eu não acho que a gente vai ter essa discussão em 2026, porque muito dessa realocação do investidor local de bolsa para outros ativos, principalmente de renda fixa e de crédito, aconteceram e acontecem porque a taxa de juros é alta. Então, a taxa nominal já é alta, a taxa nominal mais um risco de crédito ainda faz o ativo mais interessante e ativos isentos ainda mais interessantes.

O Estado de S.Paulo - SP   10/12/2025

Com a inflação resistente, mas o mercado de trabalho em desaceleração, o Federal Reserve (Fed) deve anunciar nesta quarta-feira, 10, o terceiro corte consecutivo de juros nos Estados Unidos, em seu último ato de 2025. O encontro, porém, tende a tornar mais clara a divisão de opiniões entre os dirigentes e a indicar novos cortes em 2026, com a troca de comando da autoridade monetária no governo do presidente Donald Trump.

Segundo a plataforma CME Group, Wall Street estima em mais de 89% a probabilidade de o Fed reduzir os juros americanos em 25 pontos-base (0,25 ponto porcentual), o que levaria as taxas do Fed Funds para a faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Se confirmado, será o terceiro corte seguido promovido pela autoridade monetária neste ano.

Desde a última reunião de setembro, houve uma reviravolta nas expectativas dos investidores. Na ocasião, o Fed cortou as taxas, mas o presidente Jerome Powell disse que uma nova tesourada no último encontro de 2025 não estava “garantida”.

No entanto, diferentes visões dos dirigentes do BC dos EUA alteraram a percepção do mercado. Os agentes passaram a prever mais uma redução neste ano, apesar da carência de dados, com o calendário ainda impactado pelo shutdown no país.

O Morgan Stanley, por exemplo, chegou a retirar sua previsão de corte de juros em dezembro após a divulgação atrasada do relatório payroll (de acompanhamento do mercado de trabalho) de setembro, considerado o principal termômetro laboral nos EUA.

Agora, o time de economistas do banco admite que se precipitou. “Achamos que deveríamos ter sido mais pacientes”, diz o economista-chefe do Morgan Stanley para os EUA, Michael T Gapen.

Segundo ele, dada a comunicação do Fed antes do período de silêncio, as expectativas e o fato de que o BC dos EUA não costuma surpreender o mercado, o banco voltou para a previsão anterior. O Morgan Stanley espera cortes em dezembro, janeiro e abril para um intervalo terminal de 3,0% a 3,25% ao ano.

Outro cálculo que Wall Street tem feito nas últimas reuniões é quanto à quantidade de dissidentes nas decisões do Fed. Desta vez, a divergência de opiniões (ver tabela abaixo), tanto para o lado “hawkish”, ou seja, menos propenso a corte de juros, quanto do “dovish”, mais inclinado a cortes, deve ficar ainda mais evidente.

Uma casa dividida

Os americanos Bank of America (BofA) e Morgan Stanley esperam três dissidentes, enquanto o holandês Rabobank vê apenas dois, como na reunião de setembro.

“As dissidências em ambas as direções já sugeriam dificuldades na formação de consenso no Fomc (Federal Open Market Committee, o comitê que define as taxas de juro)”, diz o estrategista sênior do Rabobank para os EUA, Philip Marey.

O TD Bank classificou a reunião de dezembro como uma “casa dividida”, referindo-se às diferentes opiniões dos dirigentes do Fed sobre a saúde financeira dos EUA. “O presidente Powell está enfrentando o comitê mais dividido na história recente”, diz o BofA.

Em paralelo à decisão de juros, o mercado também vai olhar com lupa as projeções econômicas do Fed. Em setembro, a maioria dos membros indicaram um corte em 2026 e outro em 2027. No entanto, essa é uma visão tida como pouco realista para operadores em Wall Street, ainda mais com a proximidade de uma maior influência de Trump no Fed. “Se isso aparecerá nas projeções de dezembro, ainda é uma questão em aberto”, diz Marey, do Rabobank.

Trump disse que o apoio ao corte de juros deve fazer diferença na escolha do nome do futuro presidente do Fed. Questionado se esse seria um “teste decisivo”, ele respondeu: “Sim”, em entrevista ao Político, publicada nesta terça-feira, 9.

Por sua vez, o conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, favorito na corrida para substituir Powell, afirmou que “chegou a hora de o Fed reduzir as taxas de juros com cautela”.

O Goldman Sachs avalia que o Fed tem um “argumento sólido” para um novo corte nos juros em dezembro diante dos últimos sinais da inflação e do mercado de trabalho nos EUA, desde que depois faça uma pausa. O gigante de Wall Street projeta uma única redução em 2026 e outra em 2027, mesmo cenário previsto pela maioria dos dirigentes em setembro.

“Os membros do Fomc provavelmente terão uma variedade de opiniões sobre a taxa terminal apropriada, e esperamos que eles cheguem a um consenso entregando mais dois cortes de 25 pontos-base (0,25 ponto porcentual) para 3% a 3,25% ao ano”, diz o economista do Goldman Sachs, David Mericle.

Quanto à coletiva de imprensa, Powell tentará equilibrar o corte de taxa esperado com uma postura ‘hawkish’, como fez na reunião de outubro, na visão do BofA. “Mas somos céticos quanto à sua capacidade de se afastar de uma interpretação de dependência de dados”, afirmam os economistas do banco americano, em nota a clientes.

Para Thomas Simons e Michael Bacolas, do Jefferies, Powell pode soar “hawkish”, mas manterá a porta aberta para mais cortes em 2026. “Não esperamos que ele diga que as taxas estão ‘em um bom lugar’, mas essa é a frase a ser observada”, sugerem.

O Fed divulga a última decisão de política monetária de 2025 nesta quarta-feira, 10, às 16h, no horário de Brasília. Powell comenta os resultados da reunião em coletiva de imprensa, 30 minutos depois.

O Estado de S.Paulo - SP   10/12/2025

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que pretende manter a política de tarifas como instrumento central de sua estratégia econômica e industrial. Ao ser questionado se descartaria reduzir tarifas em mais produtos, o republicano deu uma resposta dúbia, em entrevista ao Politico: “Em alguns. E em alguns eu vou aumentar tarifas”. Segundo ele, as tarifas estariam trazendo de volta montadoras ao país.

Trump citou ainda o retorno de fábricas de semicondutores, afirmando que a IA “está chegando em níveis nunca vistos antes” e que o país terá “empregos como nunca se viu”. O republicano ainda reiterou que pretende continuar ajustando tarifas caso considere necessário.

Sobre a guerra na Ucrânia, Trump voltou a criticar a condução europeia do conflito, declarando que “é um grande problema para a Europa. E eles não estão lidando bem”. Ele afirmou também que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, “ainda não leu” a proposta de paz apresentada por sua equipe, embora, segundo ele, os assessores de Kiev “tenham gostado muito” do texto.

Questionado se a Ucrânia deveria realizar eleições, respondeu: “Sim, acho que chegou a hora”, dizendo que o país “fala sobre democracia, mas chega a um ponto em que não é mais uma democracia”.

Trump reforçou ainda sua visão de que a Ucrânia está perdendo terreno: “Você certamente não diria que é uma vitória” sobre a Rússia, afirmou, destacando que o país “perdeu muita terra, e terra muito boa”. Ao comentar a estratégia da Casa Branca, o presidente voltou a dizer que este “não é o meu conflito, é o conflito de Joe Biden”, mas que busca evitar mais mortes.

O presidente também reiterou ameaças ao regime de Nicolás Maduro, declarando que “os dias dele estão contados” e acusando o líder venezuelano de enviar “milhões de pessoas, muitas vindas de prisões” para os Estados Unidos. Questionado sobre a possibilidade de uma intervenção militar, limitou-se a dizer que “não falaria sobre estratégia militar”.

Investing - SP   10/12/2025

O Índice Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) anual de novembro deve ter ficado dentro da margem de tolerância da meta de inflação pela primeira vez desde setembro de 2024, quando registrou alta de 4,42 no acumulado em 12 meses. A mediana da expectativa do mercado é de que o IPCA de novembro tenha subido 4,49% no acumulado em 12 meses, no limite do teto superior de 1,5 ponto percentual acima do centro da meta de 3% ao ano.

As estimativas indicam uma leve aceleração do IPCA mensal no mês passado em relação a outubro, de um avanço de 0,09% para 0,2%, puxado por uma inflação de serviços ainda elevada. "Alimentação fora do domicílio teve uma surpresa altista no IPCA-15, e há uma incerteza se haverá um retorno a um comportamento benigno como visto em leituras recentes", avalia a XP Investimentos.
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"Alguns itens deverão pressionar a inflação como passagens aéreas, gastos com hospedagem, pacote turístico e entretenimento (cinema e teatro)", projeta Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, que prevê alta mensal de 0,35% na inflação de serviços.

"Será importante observar a evolução dos itens mais sensíveis ao ciclo econômico, como os intensivos em trabalho que ainda devem permanecer em patamar elevado", aconselham os economistas do Banco Daycoval. A XP Investimentos tem uma estimativa de alta de 0,61% nos itens de serviços intensivos em trabalho, com uma leve redução da alta anual de 7% para 6,7% na média ponderada trimestral.

"O núcleo da inflação de serviços (serviços subjacentes), embora mostre desaceleração na comparação anual, ainda deve constituir desafio para o banco central", completa o Banco Daycoval, que prevê manutenção da taxa Selic em 15% ao ano na reunião do Copom desta quarta-feira (10). A mediana das projeções dos economistas compiladas pela Bloomberg prevê uma alta mensal de 0,37% para a inflação subjacente.

Por outro lado, o desconto de gasolina, a deflação de bens devido à Black Friday - como eletroeletrônicos, móveis e produtos de informática - e a uma nova queda dos preços de alimentos no domicílio contribuíram para um IPCA mensal mais baixo em novembro deste comparado a anos anteriores. "Os bens industriais deverão registrar deflação como resultado dos descontos da Black Friday", explica da Costa, da Monte Bravo.

Já os preços administrados devem ter alta puxados por energia elétrica e planos de saúde, segundo o Banco Daycoval. Porém, estas altas devem ser contrabalanceadas pela deflação em gasolina.

O IBGE divulga o IPCA de novembro nesta quarta-feira (10), às 9h.

Infomoney - SP   10/12/2025

Em reunião com clientes institucionais da XP, especialistas discutiram as perspectivas para a política monetária brasileira nos próximos meses, com foco na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) que será a última de 2025. A expectativa, conforme destacado em relatório, é de que a taxa Selic seja mantida em 15% ao ano até o final deste ano, conforme consenso entre economistas da XP e da Santander Asset Management.

Segundo Eduardo Jarra e Luciano Rais, da Santander Asset, e Rodolfo Margato, da XP, o Copom deve adotar uma postura cautelosa, mantendo a Selic mesmo diante de sinais de desaceleração da inflação. Desde junho, o Banco Central tem sinalizado que a taxa permanecerá em níveis elevados por “período bastante prolongado”, adotando uma estratégia de “esperar para ver” os dados econômicos antes de qualquer ajuste.

O cenário atual é considerado positivo, com desaceleração da atividade econômica e inflação controlada, mas o início do ciclo de cortes nos juros ainda gera debate. A maioria dos especialistas aposta que o primeiro corte ocorrerá em março de 2026, com redução de 0,50 ponto percentual, embora a possibilidade de flexibilização já em janeiro não esteja descartada.

Para a XP, com fatores como a inflação ainda acima da meta, o mercado de trabalho aquecido e o período eleitoral, que pode trazer estímulos fiscais, a recomendação é de cautela e de um início mais tardio para o afrouxamento monetário. Além disso, a saída de membros mais conservadores do Banco Central adiciona incertezas ao processo decisório.

O ambiente político pós-eleições de 2026 será crucial para definir a extensão do ciclo de cortes, que pode variar entre 2,00 e 3,00 pontos percentuais, segundo Luciano Rais. O câmbio também é apontado como risco relevante, já que juros elevados funcionam como proteção contra volatilidades externas, e cortes prematuros poderiam enfraquecer essa defesa.

Outro fator externo importante é o movimento do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, cujo início dos cortes nos juros deve influenciar as decisões do Copom. No campo dos riscos financeiros, destaca-se o aumento do valuation das empresas ligadas à inteligência artificial e o crescimento do mercado de crédito nesse setor, que podem representar desafios futuros.

A projeção da XP indica um ciclo de afrouxamento composto por seis cortes consecutivos de 0,5 ponto percentual, iniciando em março de 2026, até que a Selic atinja 12% ao ano.

O Estado de S.Paulo - SP   10/12/2025

O que todo mundo quer saber, ao final da reunião do Copom nesta quarta-feira, 10, é se o Banco Central poderá sinalizar se começará a cortar os juros em janeiro ou em março de 2026. Mas o desfecho mais provável é o mercado se agarrar — em vão — a eventuais pistas no comunicado que acompanhará a decisão de manter a taxa Selic em 15%: qualquer alteração no texto ou na projeção de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

A estratégia do Copom, neste momento de transição para o início de um ciclo de corte de juros, parece ser a de deixar investidores e analistas num lusco-fusco, à espera de que os próximos dados de atividade e de inflação joguem luz sobre o momento mais apropriado para começar a afrouxar a política monetária de seu nível restritivo.

Não à toa, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, vem minimizando o peso da sinalização dada no comunicado do Copom justamente nesta encruzilhada de mudança de marcha da política monetária.

Na semana passada, ele alertou que, embora o mercado queira “uma seta”, o Copom não vê a necessidade de ter um “código” sobre o que vai fazer. Até mesmo a sinalização de manter os juros por “um período bastante prolongado” não quer dizer mais nada, já que Galípolo avisou que “bastante não zera a cada reunião”. Assim, mesmo que o comunicado fique igual ao da decisão anterior, dá para se fiar em qualquer recado implícito dessa sinalização ao mercado?

Pouca coisa mudou no cenário macroeconômico desde a última reunião do Copom em novembro: a inflação corrente segue em queda, porém gradual; as expectativas inflacionárias melhoraram, mas pouco; a economia desacelerou, embora mais lentamente do que o BC desejaria.

E o câmbio segue relativamente comportado. Como as projeções de inflação do mercado ainda estão acima da meta no horizonte relevante, é preciso cautela ao Copom para dar o próximo passo.

Mesmo porque, há outros eventos relevantes para a decisão de política monetária: o Federal Reserve vai cortar os juros americanos amanhã e sinalizar uma pausa? Poderá haver, até o fim do ano, um aumento forte nas remessas de dividendos e lucros ao exterior? Tudo isso afeta o câmbio, um fator importante para a inflação.

No fundo, está chegando a hora de o Copom começar a cortar a Selic, mas o BC quer ter um grau de flexibilidade maior para tomar essa decisão com segurança. É provável que deixe chegar mais próximo de 28 de janeiro, data da sua reunião, para dizer o que vai fazer. Se até lá os dados permitirem, o BC dará “uma seta”. Caso contrário, o mercado fica num nevoeiro.

MINERAÇÃO

Valor - SP   10/12/2025

As preocupações com o aumento dos estoques persistem, com os estoques totais nos portos chineses subindo devido às fortes importações

A perspectiva de mais estímulos fiscais na China não conseguiu melhorar o sentimento nos mercados de aço e minério de ferro, comenta a ANZ Research, segundo o Dow Jones Newswires.

As preocupações com o aumento dos estoques persistem, com os estoques totais nos portos chineses subindo devido às fortes importações, complementam os analistas.

O minério de ferro para maio, o mais negociado, fechou em queda de 0,72% na Bolsa de Dalian, cotado a 757,50 yuans (US$ 107,10) a tonelada.

AUTOMOTIVO

Diário do Comércio - MG   10/12/2025

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou nesta terça-feira (9) a aprovação de um novo financiamento para a produção do carro voador da Eve, subsidiária da Embraer. O valor do crédito é de R$ 200 milhões.

Conforme o BNDES, a empresa deve trabalhar na fase de integração e funcionamento dos motores elétricos e nos testes do protótipo de certificação do eVTOL, como é chamada a aeronave. As fontes do financiamento são o Fundo Clima (R$ 160 milhões) e a linha Finem (R$ 40 milhões).

O banco afirma que, desde 2022, já aprovou R$ 1,2 bilhão em crédito para a Eve em diferentes fases do desenvolvimento do eVTOL, incluindo a construção de fábrica em Taubaté, no interior de São Paulo (a cerca de 130 km da capital paulista).

Além disso, em agosto deste ano, o BNDES anunciou cerca de R$ 405 milhões em investimento direto na subsidiária da Embraer. A operação fez parte da retomada da compra de ações de empresas pelo banco.
O BNDES diz que o carro voador da Eve terá capacidade para quatro passageiros, além do piloto, alcance de cem quilômetros e espaço para duas malas ou quatro bagagens de mão.

Também contará, segundo a instituição, com oito motores elétricos elevadores nas asas, o que busca aumentar o nível de segurança e controle para o voo na vertical, e um motor na parte traseira para a navegação horizontal.

“A fabricação do eVTOL é uma inovação disruptiva no conceito de mobilidade urbana, com um veículo que vai conectar os principais pontos das grandes cidades e regiões metropolitanas, com menor emissão de gases de efeito estufa que helicópteros e carros convencionais”, afirmou em nota o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

De acordo com ele, o projeto tem 2.800 pedidos de encomenda de clientes em nove países.
“Queremos que o primeiro voo aconteça em 2026, 120 anos após o voo do 14 Bis, um feito histórico de Santos Dumont e legado para o mundo”, acrescentou.

No mesmo comunicado, o CFO (diretor financeiro) da Eve, Eduardo Couto, disse que o financiamento acelera uma “etapa crítica” do projeto que é a integração do sistema de propulsão elétrica.
O governo Lula (PT) defende uma atuação fortalecida do BNDES, com medidas de apoio a diferentes setores da economia, incluindo a indústria.

A posição é vista com ressalvas por uma ala de analistas. Eles temem um inchaço do banco e uma volta de políticas adotadas por gestões petistas no passado.

A direção do BNDES já rebateu as críticas em mais de uma ocasião, dizendo, por exemplo, que aposta em segmentos considerados estratégicos, como inovação e transição energética.

Valor - SP   10/12/2025

A União Europeia planeja criar uma nova categoria para veículos elétricos compactos com requisitos técnicos mais flexíveis do que os veículos elétricos de tamanho padrão, buscando reduzir os custos de fabricação e competir com os chineses.

A Comissão Europeia, braço executivo do bloco, planeja divulgar em breve uma proposta preliminar, com a nova categoria "E car" (carro elétrico) a ser lançada nos próximos anos, após aprovação por instituições-chave. A proposta deverá definir a classe por tamanho, peso e cilindrada do motor. Os estados-membros da União Europeia também discutirão um mecanismo de isenção de impostos para a nova classe de veículos.

Até agora, a União Europeia exigia que os veículos elétricos fossem equipados com sistemas para detectar sonolência do motorista, manter o veículo na faixa e sinalizar paradas bruscas. Esses requisitos, projetados para viagens de longa distância, contribuíram para custos mais elevados.

"A configuração geral do veículo será de um nível inferior, o que reduzirá os custos, já que o veículo será menos complexo", disse Beatrix Keim, do Centro de Pesquisa Automotiva da Alemanha. Prevê-se que os preços de venda desses carros caiam entre 10% e 20%, ficando na faixa de 15 mil a 20 mil euros (US$ 17.500 a US$ 23.200).

A União Europeia impõe taxas de importação de até 45,3% sobre veículos elétricos fabricados na China. A nova classificação permitirá que as montadoras europeias concorram melhor em preço. Isso será uma grande vantagem para as fabricantes europeias de veículos elétricos compactos, incluindo a alemã Volkswagen, a multinacional europeia Stellantis e a francesa Renault.

A participação das montadoras chinesas no mercado europeu de automóveis subiu para 7% no trimestre de julho a setembro deste ano, dobrando em relação ao ano anterior, de acordo com uma pesquisa da empresa alemã Schmidt Automotive Research. Considerando apenas os veículos elétricos, a participação das montadoras chinesas subiu para 12%, ante 9% no ano anterior, com a BYD na liderança.

Incentivos como subsídios para desenvolvimento e créditos fiscais para a categoria de carros elétricos provavelmente serão condicionados à produção dentro da União Europeia. Tais condições significariam que a BYD, que opera uma fábrica na Hungria, seria a única montadora chinesa a desfrutar desses benefícios.

No Japão, os kei cars ultracompactos são limitados pelo tamanho do veículo, emissões e outros atributos. A categoria representou 35% dos carros novos vendidos no país em 2024. A União Europeia já criticou a categoria no Japão, caracterizando o segmento como uma barreira não tarifária.

A nova classificação afetará as estratégias das montadoras japonesas focadas em kei cars. Elas poderão exportar alguns modelos para a Europa sem quaisquer ajustes de especificação.

Carros compactos adequados para o uso diário na cidade também estão atraindo atenção nos Estados Unidos. Na última quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que havia instruído o secretário de Transportes, Sean Duffy, a aprovar a produção doméstica de "carros minúsculos".

Esse anúncio abriu a possibilidade para que os carros japoneses, há muito criticados por serem muito especializados para exportação, sejam aceitos no mercado americano.

O Estado de S.Paulo - SP   10/12/2025

O Salão do Automóvel de São Paulo voltou a acontecer em 2025 após hiato de sete anos. E o evento garantiu boa atratividade para o público. Entre 22 e 30 de novembro, a mostra recebeu 516 mil visitantes, o que torna o auto show o segundo maior evento de carros do mundo, à frente de iniciativas similares da Europa e dos Estados Unidos.

O Salão só perdeu o evento de Pequim, na China, que recebeu 892 mil pessoas. A exibição de São Paulo ficou à frente da realizada em Paris, que atraiu 508 mil visitantes, da mostra de Munique, que teve 500 mil espectadores e do Detroit Auto Show, que vendeu 275 mil ingressos.

As informações são da Anfavea, associação que representa as montadoras do Brasil, que dá apoio institucional ao evento organizado e promovido pela RX. “Foi um retorno histórico”, afirmou Igor Calvet, presidente da entidade, em referência à volta do Salão.

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Apesar do resultado, expectativa para o Salão era maior

Embora o dirigente da Anfavea tenha celebrado, o resultado do evento ficou 26% abaixo do esperado. Inicialmente a organização divulgou a expectativa de receber 700 mil visitantes. A última edição do Salão realizada até então, em 2018, atraiu 742 mil pessoas.

Naquele ano, no entanto, o evento teve 11 dias de duração, enquanto a edição de 2025 foi realizada ao longo de 9 dias, entre 22 e 30 de novembro. Outra mudança que pode ter impactado a venda de ingressos é a estratégia adotada pela organização de limitar o volume de tíquetes oferecido diariamente para evitar uma superlotação do evento.

Vale lembrar que o Salão deste ano teve área menor. O evento ocupou 64 mil metros quadrados do Distrito Anhembi, sendo 14 mil deles dedicados somente à pista de test drive. Já a mostra de 2018 se espalhou ao longo de 110 mil metros quadrados.

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Valor - SP   10/12/2025

Medida beneficiaria profissionais de entregas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revelou nesta terça-feira (9) que o governo está avaliando um programa de crédito barato para a compra de motos elétricas por entregadores.

“Uma coisa que a gente quer fazer é baratear o financiamento de uma ‘motozinha’ para que os entregadores tenham o direito de ter uma moto, de preferência elétrica, para economizar a emissão de gás de efeito estufa”, disse Lula durante cerimônia de regulamentação da nova Carteira Nacional de Habilitação (CNH), no Palácio do Planalto, em Brasília.

Lula disse que não sabe ainda se será possível anunciar o novo programa ainda neste ano. Mas disse que vários ministros de seu governo, como Rui Costa (Casa Civil), o vice-presidente Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral), estão trabalhando numa proposta nesse sentido.

“Está todo mundo [ministros do governo] tentando encontrar um jeito de financiar [motocicletas]. E é possível financiar baratinho. Esse é o nosso próximo compromisso”, acrescentou o presidente. “Ele tem direito de financiar uma motozinha com uma CNH nova, ganhando um pouco mais.”

A gente quer é baratear o financiamento de uma ‘motozinha’”

— Lula

Lula e o ministro dos Transportes, Renan Filho, também assinaram uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que dispensa a obrigatoriedade de autoescolas no país (ver na página A2).

Também foi editada uma medida provisória, a “MP do Bom Condutor”, que reduz o custo de exames médicos e psicológicos cobrados nos Estados pelo Departamento de Trânsito (Detran) aos motoristas.

A MP também dispensa a renovação da carteira de habilitação de motoristas (CNH) para “bons condutores” que não tem pontos na carteira e nem acumulam infrações de trânsito -uma espécie de cadastro positivo de motoristas.

A ideia do governo, explicou Renan Filho, é baratear o custo para que motoristas irregulares possam finalmente conseguir pagar para tirar uma carteira de habilitação.

“Custava R$ 4 mil para tirar uma carteira. Quem tem R$ 4 mil? Porque o povo não tem emenda parlamentar”, afirmou Lula, numa provocação indireta ao Congresso Nacional.

O presidente disse ainda que, assim, os motoristas que são entregadores de aplicativos passam a ser cidadãos mais completos, com direito a habilitação mais barata e não precisarão mais escolher entre comer ou tirar a carteira.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Valor - SP   10/12/2025

A meta da chamada 'Fábrica do Futuro' é capacitar colaboradores e alunos das Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatecs) em 6 mil horas de treinamento por ano até 2030. A meta é elevar em 50% a produtividade de toda a operação fabril no país

A Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul, está investindo R$ 3 milhões em gastos de capital (Capex) em um centro de capacitação em manufatura avançada, localizado na fábrica da Whirlpool em Rio Claro, onde se encontra a produção de lavadoras, fogões, fornos e cooktops.

A meta da chamada 'Fábrica do Futuro' é capacitar colaboradores e alunos das Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatecs) em 6 mil horas de treinamento por ano até 2030, elevando em 50% a produtividade de toda a operação fabril da empresa no Brasil. A Whirlpool conta com 12 mil funcionários no país, sendo 3 mil em Rio Claro. A empresa ainda conta com mais duas unidades industriais, uma em Manaus (AM) e outra em Joinville (SC).

Segundo o diretor-geral da Whirlpool no Brasil, Gustavo Ambar, a empresa já investiu R$ 1,3 bilhão no Brasil nos últimos cinco anos. Globalmente, a Whirlpool dedicou US$ 4 bilhões (R$ 21,7 bilhões) em pesquisa e desenvolvimento e em Capex nos últimos cinco anos. "Hoje temos 97% dos produtos fabricados no Brasil", disse Ambar durante a inauguração do centro de capacitação, em Rio Claro. Os produtos têm 82% de índice de nacionalização.

Questionado se o centro de inovação é uma resposta ao avanço das concorrentes asiáticas no mercado brasileiro de linha branca, Ambar disse que a empresa “já vem trabalhando nisso há muitos anos (…) no intuito de melhorar a vida do consumidor brasileiro”. Ele reconheceu, no entanto, que a concorrência também é um motivador das iniciativas de inovação. “Quando acirra a competição, a gente tem que buscar formas de se diferenciar. E diferenciação tecnológica também pra nós, é um caminho para manter a nossa vantagem”, completou.

A escassez de mão de obra qualificada é um dos desafios da indústria, afirmou a vice-presidente da cadeia de suprimentos da Whirlpool para América Latina, Evelyn Veronese, durante a apresentação do projeto. "A transformação industrial está acontecendo. As empresas têm a tendência de trazer mais automação, digitalização e inteligência artificial fazendo parte desta rotina", disse a executiva. "Cada vez mais este mercado está exigindo novas competências".

Entre as disciplinas oferecidas pela 'Fábrica do Futuro' estão capacitações em robótica e automação, análise de dados, inteligência artificial e aprendizado de máquina (machine learning), visão computacional, gêmeos digitais (digital twins), internet das coisas (IoT), realidade aumentada e virtual.

A fábrica de Rio Claro conta com 188 mil metros quadrados, o equivalente a 27 estádios do Maracanã. Produz 10 mil unidades por dia entre lavadoras, fogões e cooktops.

Atualmente 2,5% da produção da Whirlpool no Brasil se destina a exportações com foco na Argentina, Colômbia e México, informa Ambar. Elevar o índice de exportações para 5% em três anos e chegar a 10% é a meta da empresa, informa Ambar.

A “fábrica do futuro” também busca aumentar a produtividade das unidades fabris da Whirlpool no país. “A gente precisa de mais competitividade para não só desfazer o custo do Brasil, mas para chegar lá fora em condições melhores”, disse o executivo ao Valor.

A Whirlpool conta com 12 mil colaboradores no país, sendo 3 mil em Rio Claro. A empresa ainda conta com unidades industriais em Manaus (AM) e Joinville (SC).

Desempenho

No acumulado de 9 meses deste ano, a empresa teve lucro líquido de R$ 425,256 milhões, com queda de 32,8% em relação a igual período de 2024. A receita líquida caiu 0,6% para R$ 9,08 bilhões, segundo relatório enviado para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A Whirlpool global, por sua vez, encerrou o terceiro trimestre com lucro líquido de US$ 73 milhões, com queda de 33% em relação a igual período de 2024. A receita líquida avançou 1%, para US$ 4,03 bilhões. As vendas na América do Norte somaram US$ 2,7 bilhões, alta de 2,8% ante o terceiro trimestre do ano passado, enquanto as vendas na América Latina caíram 5,2%, na mesma base de comparação, para US$ 802 milhões.

CONSTRUÇÃO CIVIL

O Estado de S.Paulo - SP   10/12/2025

Cinco linhas de metrô, uma de trem e nove estações. A longo prazo, o distrito de Pinheiros pode se tornar o maior polo metroferroviário fora do centro de São Paulo. Para além do incremento em mobilidade, contudo, um acréscimo de três linhas ao distrito da zona oeste já tem chamado a atenção para outra consequência: uma nova onda de transformação urbana, especialmente de verticalização.

Esse fenômeno no entorno de metrô já ocorria historicamente, mas foi “turbinado” na última década, com Plano Diretor e Lei de Zoneamento direcionando novos apartamentos para os “eixos de mobilidade”, por meio de incentivos e flexibilização. Basta andar pelo entorno de estações já existentes para notar os tantos prédios entregues e em obras nos últimos anos, como mostrou o Estadão.

Publicamente, ainda não se fala do distrito como um “hub” de mobilidade e de “super estações” (com várias linhas). Na prática, contudo, o distrito deverá ter essa função caso os projetos prosperem. Duas linhas — a 16-Violeta (Pinheiros até Vila Formosa) e a 20-Rosa (Lapa até Santo André) — publicaram Declarações de Utilidade Pública (DUPs) neste ano, de modo a facilitar futuras desapropriações.

Embora essas linhas sejam cogitadas na cidade há anos, Pinheiros tinha presença menor: não estava no traçado da 16-Violeta até meses atrás e, no caso da 20-Rosa, mudou de traçado. A situação já tem mobilizado o mercado imobiliário, assim como movimentos de oposição.

A expectativa é de que ao menos uma parte dessa expansão metroviária seja colocada para leilão no ano que vem, especialmente a Linha 16-Violeta. O desenvolvimento da 20-Rosa e 22-Marrom (Cotia até Sumaré) também tem avançado.

Especialistas avaliam que essa concentração faz sentido, por envolver uma importante centralidade de escritórios, comércios e serviços, ligada à Faria Lima, Rebouças e Teodoro Sampaio. Por outro lado, questionam o motivo de linhas mais periféricas não terem uma expansão igualmente robusta, como até o extremo leste ou cruzando mais bairros da zona norte, por exemplo.

Em relação à transformação urbana, há a avaliação de que o distrito segue em transformação. Assim como pode-se esperar uma nova onda de verticalização caso a chegada do metrô altere o zoneamento de mais áreas, como no entorno das futuras estações Girassol, na Vila Madalena, e Teodoro Sampaio. Esses locais são hoje restritos a prédios medianos.

Uma possível nova classificação no zoneamento desses locais precisa ser feita por meio de projeto de lei, o que não está previsto no momento. Até 2029, contudo, a Prefeitura deve, por lei, propor um novo Plano Diretor.

Por que Pinheiros está virando polo de trilhos? Metrô responde

Oficialmente, o Metrô defende que a presença de várias linhas no distrito é “resultado do traçado natural do sistema de trilhos de São Paulo e tem como função interligar a rede que atende diferentes áreas da cidade”. “A futura configuração tem como objetivo melhorar a conectividade no sistema e reduzir congestionamentos no centro expandido”, completou.

A companhia pública lidera o desenvolvimento das Linhas 20-Rosa e 22-Marrom. Já a 16-Violeta teve estudos recentemente entregues pela Acciona, multinacional espanhola selecionada pelo Governo de São Paulo e que já manifestou a intenção de assumir a obra e operação do trajeto (a exemplo do que faz na Linha 6-Laranja).

Ao Estadão, o Metrô destacou que “não haverá mudanças significativas no traçado ou nas estações” hoje indicadas para essas linhas, mas “apenas ajustes técnicos pontuais podem ocorrer”. Também disse que mantém diálogo permanente com moradores e que escolheu os trajetos previstos por “razões técnicas e operacionais”.

Também respondeu que “não comprovou viabilidade técnica” a proposta da Ame Jardins, de deslocamento da Linha 2O-Rosa para um maior trecho da Avenida Brigadeiro Faria Lima, como chegou a ser cogitado anos atrás (com cinco em vez de duas estações na via). “O traçado definido no anteprojeto de engenharia será mantido, pois atende aos critérios técnicos e ambientais”, justificou. A sugestão estava em um estudo feito pela consultoria do ex-presidente do Metrô, Sergio Avelleda, contratada pela associação.

Em audiência pública no ano passado, Luiz Antonio Cortez Ferreira, gerente de Planejamento e Meio Ambiente do Metrô, chegou a falar em “dificuldade técnica” para mais estações na Faria Lima. Outro ponto que poderia impactar é o custo do metro quadrado na região.

Além disso, o estudo de impacto da Linha 20-Rosa indica que o traçado e estações foram indicados a partir dos seguintes fatores:
demanda do traçado escolhido;aspectos geográficos (como topografia e hidrografia); “sítio urbano construído” (redes viárias, arruamento e edificações); barreiras físicas naturais e construídas; tipologias de ocupação de solo e ambiente urbano; características e tipologias das atividades sociais e econômicas urbanas;características das populações residentes.
O que pode mudar no distrito?

Há o entendimento de que a implantação de uma nova linha tem influência direta nos usos dos terrenos de seu entorno, com aumento de comércios, serviços e moradia. O próprio Metrô fala em “valorização” de áreas, destacando principalmente o perímetro de influência direta, usualmente estimado em um raio de 600 metros.

Hoje, no entorno das novas estações previstas para Pinheiros, há casas, comércios baixos e edifícios de pequeno e médio porte. Essas tipologias tendem a facilitar uma futura verticalização.

O estudo de impacto ambiental do Metrô estima que a maior parte do entorno dessas estações passe a ser Zona Eixo de Estruturação e Transformação Urbana (ZEU). Essa nova classificação dá incentivos a prédios altos em quadras em um raio de cerca de 700 metros. Essa classificação tem atraído o mercado e concentra grande parte da produção imobiliário da cidade.

Uma futura mudança no zoneamento deverá, contudo, considerar a revisão da legislação urbanística (de 2024), que impede “eixo de verticalização” em ruas estreitas, com alta declividade e outras características de exceção. Essa mudança na lei resultou em restrições no entorno da estação Vila Madalena, por exemplo.

Além disso, também em Pinheiros, a gestão Ricardo Nunes (MDB) avalia a implantação de um VLT na Avenida Brigadeiro Faria Lima, como o Estadão revelou. Procurada novamente, respondeu apenas que estuda “soluções integradas de urbanismo e mobilidade no âmbito da Operação Urbana Consorciada Faria Lima”.

Antes de uma possível onda de verticalização, contudo, a chegada do metrô deve extinguir casas (algumas de vila), pequenos comércios e outras construções baixas, que passarão por desapropriações. Somente na Linha-Rosa-20, por exemplo, indica-se cerca de 20 mil m² de desapropriações em Pinheiros, deslocando diretamente 209 moradores, de 61 famílias.

Além disso, pela primeira vez, as linhas estão sendo pensadas para a implantação de possíveis “empreendimentos associados”, em parceria privada, como forma de financiamento de parte dos custos. Isto é, a construção de comércios, serviços, escritórios e até moradias construídos sobre as áreas desapropriadas.

Pesquisador em mobilidade e doutorando na Unesp, o geógrafo Oliver Cauã Cauê contextualiza que, historicamente, o chamado “vetor sudoeste” é priorizado em obras de infraestrutura, atendendo mais bairros de classe média do que periféricos. Também destaca que a implantação desse modo de transporte costuma ser vista como uma forma de desafogar o trânsito, como foi tratado na implantação da Linha 3-Vermelha.

Igualmente geógrafo e pesquisador de mobilidade urbana, Lúcio Guimarães considera que Pinheiros tende a se tornar “uma das maiores centralidades” da rede de transporte. Ele percebe, contudo, que a distribuição de parte dos estudos entre Metrô e Acciona pode gerar um planejamento nem sempre voltado ao todo.

Outro ponto que salienta é que não se trata “puramente de uma questão de ir e vir”, mas também de impactos na cidade. E, nesse cenário, entram diferentes tipos de disputas e influências: social, econômica e política. Isto é, envolvem decisões não apenas técnicas. “Quando se coloca uma estação, interfere na dinâmica, nos fluxos, nas atividades econômicas, no tipo de residência.”

Pesquisador de Engenharia de Transportes e professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Claudio Barbieri da Cunha aponta diferentes aspectos ligados ao novo panorama de Pinheiros. Por um lado, entende que o incremento de linhas e conexões é positivo para a rede (encurtando trajetos até dentro do transporte sobre trilhos), assim como envolve um distrito com grande oferta de empregos, serviços e comércios.

“Será que construir uma linha e limitar a construção de prédios seria o melhor uso de dinheiro público? Metrô custa caro?”, questiona. “Mais linhas de metrô são um incentivo para as pessoas deixarem de andar de carro.”

Por outro, reconhece os motivos para um movimento contrário: afinal, o distrito já vem passando por intensa verticalização. “Será que aquela região tem viário adequado para tantos prédios?”, questiona. “Entendo a questão da população da região estar preocupada, também estaria se morasse lá.”

Consultor e pesquisador em planejamento urbano, o arquiteto e urbanista Marcos Kiyoto considera que “a questão imobiliária é muito importante” quando se trata de metrô, e também um tema latente em Pinheiros há anos. Ele sinaliza que, nesse sentido, a transformação envolve duas esferas públicas (Estado e Município), que não costumam fazer um planejamento urbano conjunto, embora tenham certo diálogo.

Outro ponto importante é que envolve mudanças a longo prazo, considerando que novas linhas de metrô podem levar quase uma década de obras, com um ritmo inconstante. Também ressalta que, historicamente, várias linhas em estudo passaram por alterações, grande parte com a retirada ou adiamento de trechos mais periféricos. “Por quê? Em termos de passageiros, também tem muitos em Cidade Tiradentes (no extremo leste).”

No caso do distrito da zona oeste, o urbanista considera que uma concentração faz sentido por envolver uma importante centralidade, mas questiona o motivo de ser tão maior do que em outras áreas da cidade. “Não acho um problema ali ter bastante. A questão é: por que outros lugares não têm? Por que tanto em Pinheiros e não tanto em outros lugares?”, indica. “Há um desequilíbrio na rede.”

O especialista considera, ainda, que há algumas “sobreposições um pouco estranhas” no traçado das linhas. Nesse sentido, salienta que a Linha 16-Violeta será uma experiência inédita do privado liderar o desenho, enquanto, até então, essa decisão era principalmente do Metrô.
Associações se mobilizam contra estações Girassol e Teodoro Sampaio

Essas possíveis transformações são criticadas por uma parte dos moradores. Como usual, fala-se das desapropriações, movimentação de pessoas e outros impactos. Além disso, com os reflexos do zoneamento, a possível mudança para “eixo de verticalização” se tornou um dos principais pontos de oposição.

Na revisão da Lei de Zoneamento e do Plano Diretor, em 2023, Pinheiros esteve entre os distritos mais mobilizados. Por outro lado, diferentemente de seus vizinhos Alto de Pinheiros e Jardins (em grande parte restritos a casas), tem bem menos restrições urbanísticas.

No entorno da Girassol, por exemplo, um grupo prepara a criação de um abaixo-assinado. “Não queremos essa estação. Não faz sentido colocar estação no miolo do bairro, um bairro pequeno dentro do distrito de Pinheiros”, diz a produtora cultural e empresária Beatriz Torres, de 58 anos, uma das lideranças do movimento.

Ao Estadão, a moradora apontou que outros vizinhos estão igualmente preocupados com a possível verticalização trazida pelo metrô. O principal exemplo citado é a estação Vila Madalena, onde casinhas e construções baixas foram abaixo para a construção de prédios altos.

“Vimos ruas inteiras serem completamente descaracterizadas”, diz Beatriz. “A vila já está bastante saturada”, completa.

Por outro lado, uma possível nova classificação de zoneamento pode agradar a uma parte dos proprietários de imóveis, considerando uma provável valorização. Essa posição geralmente envolve quem aceitaria mais facilmente se mudar de vizinhança.

A situação tem envolvido até mesmo associações de bairros vizinhos. A Ame Jardins se posicionou especialmente contrária à estação na Teodoro Sampaio, com a defesa de deslocamento para a Faria Lima, dizendo que a proposta atual do Metrô “atende poucos usuários e causa impacto negativo na região”. Obteve apoio de outras organizações de bairros vizinhos, como Alto de Pinheiros e Jardim Lusitânia.

Da mesma vizinhança, o Coletivo Jardins também se posicionou contrariamente. Afirmou que a linha pode “intensificar a especulação imobiliária e trazer impactos ambientais e sociais preocupantes”.

Em audiências públicas, no ano passado, foram feitos questionamentos diversos sobre mudanças feitas ou que poderiam ocorrer no projeto. Houve a defesa, por exemplo, da extensão até Congonhas, assim como associações de bairros da região defenderam que o Estado deveria priorizar a periferia, não a “parte mais rica da cidade”.

Parte desses grupos mencionou um trecho do EIA/Rima, de que a mudança no traçado “deixa de atender o trecho de maior concentração de empregos da Avenida Faria Lima, alterando uma das principais funcionalidades previstas para a Linha 20-Rosa”.
Como está a Linha 20-Rosa? Onde serão suas estações em Pinheiros?

A previsão é que a linha tenha 32,6 quilômetros de extensão, com 24 estações, distribuídas entre as zonas oeste e sul de São Paulo, São Bernardo do Campo e Santo André, na região metropolitana. A demanda diária estima é de 1,29 milhão de passageiros.

Todas as estações paulistanas tiveram Declaração de Utilidade Pública veiculada neste ano. Os distritos paulistanos com paradas serão:
LapaAlto de PinheirosPinheirosItaim BibiMoemaSaúdeCursinoSacomã

Por enquanto, a última estimativa do Governo de São Paulo é de custo de cerca de R$ 35 bilhões. O governador Tarcísio Freitas (Republicanos) chegou a declarar a intenção de que as obras comecem a partir do ABC Paulista. O Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) — completo no ano passado — indica, contudo, o oposto: uma primeira etapa da Santa Marina até Saúde, com o restante para a fase dois. Por outro lado, o Metrô já chegou a declarar que a tendência é que sejam trabalhos simultâneos, em ambas as pontas.

A projeção é que as obras necessárias durem cerca de oito anos, com a utilização de quatro tuneladoras (“tatuzões”) simultaneamente. A expectativa é que as estações mais movimentadas sejam Lapa (161,5 mil pessoas por dia), Fradique Coutinho (145,8 mil) e Moema (160,5 mil).

Em nota, o Metrô indicou que as obras e projetos executivos serão licitados após a conclusão do projeto básico, o que é previsto para o segundo semestre do ano que vem. Também destacou que já tem licença ambiental prévia, emitida no ano passado e que as declarações de utilidade pública foram veiculadas já em março porque “o projeto está mais avançado”.

Já a Secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo (SPI) reforçou que a linha está em fase de estudos, mas não informou uma previsão de data para o leilão. A página do programa de expansão metroviária do Governo ainda indica estimativa de leilão no terceiro trimestre do ano que vem.

Em Pinheiros, nessa linha, o maior movimento esperado é na Fradique Coutinho, com 145,8 mil pessoas por dia. Há o entendimento que essa conexão vai reduzir uma apontada sobrecarga da Linha 4-Amarela.

De acordo com o EIA/Rima, a estação Girassol ficaria localizada na via homônima, com acessos nas esquinas com a ruas Purpurina e Fidalga, a poucas quadras do miolo mais turístico e boêmio da Vila Madalena. “A principal funcionalidade da estação é atender à centralidade da Vila Madalena e às residências do entorno”, justifica. Calcula-se que quatro lojas, um comércio, 18 casas e três imóveis variados sejam desapropriados.

Com expectativa de 12,2 mil passageiros por dia e 37,1 metros de profundidade, indica-se que tenha apenas duas escadas rolantes, com a priorização do uso de elevadores de alta capacidade (que transportem várias pessoas por vez). Essa solução que tem sido apresentada pelo Metrô para estações profundas e menos movimentadas, como em parte da Linha 22-Marrom. Há a discussão futura de que tenha “empreendimentos associados”, com usos a definir.

Já a estação Teodoro Sampaio dessa linha deve ficar entre as ruas Joaquim Antunes, Doutor Virgílio de Carvalho Pinto, Teodoro Sampaio e Cardeal Arcoverde. Há a previsão de uma galeria comercial no nível térreo, porém uma maior definição de “empreendimentos associados” ainda será feita. Calcula-se que quatro lojas, 29 casas e cinco imóveis variados sejam desapropriados.

Há uma estimativa de 9,7 mil embarques diários, o que não considera as outras duas linhas previstas para o local (22-Marrom e 16-Violeta). Por isso e pelos 33,7 metros de profundidade, também vai priorizar elevadores de alta capacidade. O estudo destaca a necessidade de “cuidados na execução e projeto”, por conta de incluir trecho com solo argiloso, com a previsão de “medidas de contenção de recalques” (afundamentos).

Por fim, a parte dessa linha na Fradique Coutinho será na Avenida Rebouças, na altura da Rua Capitão Antônio Rosa. “A principal funcionalidade da estação é atender a integração com a estação de mesmo nome da Linha 4-Amarela”, destaca o EIA/Rima. Como as demais, não há previsão sobre como seriam “empreendimentos associados”. Calcula-se que quatro lojas, três restaurantes, 19 casas e cinco imóveis variados sejam desapropriados.

Essa linha é discutida há mais de uma década. Em 2011, ocorreu uma Manifestação de Interesse Privado (MIP) do Grupo Invepar (do MetrôRio), que buscava desenvolver os projetos e estudos necessários para uma futura Parceria Público Privada (PPP), de implantação e operação. O grupo chegou a apresentar um estudo cerca de dois anos depois. Questionado pela reportagem se ainda teria interesse, não respondeu.

Antes disso, nos anos 1990, discutiu-se uma linha com algumas características semelhantes à 20-Rosa, passando por Lapa, Pinheiros, Moema e Itaim Bibi. A ideia passou por alterações, inclusive com traçado pela Cidade Universitário e até Diadema.

Os estudos para a composição da linha somente foram iniciados, de fato, em 2019. Desde então, passou por diversas alterações: em 2020, por exemplo, tinha 25 estações previstas, algumas posteriormente excluídas, como a Jardim Europa.
Como está a Linha 16-Violeta? Onde será a estação de Pinheiros?

Com leilão previsto para o 1º semestre de 2026, a Linha 16-Violeta tem avançado no último ano, com trajeto alterado recentemente após a entrega de estudos pela Acciona. Uma das principais mudanças foi a extensão até a futura estação Teodoro Sampaio. Antes indica-se que o trajeto iniciaria na Oscar Freire, no distrito Jardim Paulista, sem passar por Pinheiros.

A previsão é que a 1ª fase da linha comece a operar em 2035, com 16 estações. O extremo leste ficará para uma 2ª etapa. A previsão é que a primeira fase da linha tenha 19 quilômetros de extensão, com 16 estações, distribuídas entre as zonas oeste, sul e leste de São Paulo. Os distritos paulistanos com paradas serão:
PinheirosJardim PaulistaMoemaVila MarianaIpirangaMoemaÁgua RasaVila Formosa

O leilão da linha é previsto para o 1º semestre de 2026. Segundo a SPI, os apontamentos feitos nas audiências públicas (em outubro) e na consulta pública (encerrada no dia 24) “estão em análise” e poderão ser incorporados à versão final do edital.

Com investimento previsto de R$ 37,5 bilhões, a primeira etapa da nova linha contempla 19 quilômetros de extensão e 16 estações. Nesse trecho, a expectativa é de transportar, até 2040, uma média de 475 mil passageiros por dia.

O Estado tem destacado que os perímetros não são definitivos, visto que a minuta do edital está em fase de debate público e que alterações podem ser feitas pela concessionária. A Teodoro Sampaio não está entre as estações dessa linha que tiveram DUP publicada, mas se estima 7,6 mil m² de desapropriações.

No mesmo distrito, estão incluídas desapropriações para três poços de Ventilação e Saída de Emergência (VSE). Estarão em trechos da Teodoro Sampaio com a Rua Cunha Gago, Rua João Moura e Rua Capote Valente — respectivamente com 2,7 mil m², 1,3 mil m² e 1,7 mil m².

A estimativa é que a linha tenha aporte estadual (investimentos iniciais) de R$ 27,1 bilhões, com R$ 97,9 bilhões em contraprestações (distribuídas ao longo do contrato). Isto é, custo total estimado de R$ 125,1 bilhões, conforme a modelagem econômico-financeira. Os valores não incluem a implantação e operação da fase dois.
O que sabe sobre Linha 22-Marrom? Onde serão as estações de Pinheiros?

A previsão é que a linha tenha 29,75 quilômetros de extensão, com 19 estações, distribuídas entre a zona oeste paulistana e as cidades de Osasco e Cotia, na Grande São Paulo. O desenvolvimento da nova linha foi retomado há cerca de um ano e meio, segundo o Metrô, com o anteprojeto de engenharia entregue em setembro.

Ao todo, terá três estações dentro e no entorno da Cidade Universitária da USP. Estima-se uma média de 678 mil passageiros por dia. Os distritos da capital com paradas serão:
PinheirosButantãRio PequenoRaposo Tavares

Procurada, a SPI reforçou que a linha está em fase de estudos, mas não informou uma previsão de data para o leilão. A página do programa de expansão metroviária do Governo ainda indica estimativa de leilão no 3º trimestre do ano que vem.

Já o Metrô respondeu que o anteprojeto de engenharia foi concluído em setembro, como mostrou o Estadão, e que o projeto básico será contratado em seguida. O material traz indicações de engenharia inéditas no Metrô paulista, como vagões e túneis mais estreitos — com o chamado “layout asiático”.

Após essa fase, é esperada a publicação do edital para a obra. Por enquanto, ainda não foram publicadas as declarações de utilidade pública da linha, embora a localização provável das estações esteja definida. “Serão publicadas conforme o andamento do projeto”, completou.

Em 15 anos, diferentes modos de transporte, traçados e estações estiveram nos planos. Cogitou-se até mesmo um monotrilho na Rodovia Raposo Tavares, mas logo essa alternativa foi descartada e posta “na geladeira” por anos.

Valor - SP   10/12/2025

Especialistas avaliam que o movimento reflete a percepção do mercado de melhora na procura por imóveis, condições de financiamento e políticas habitacionais

As ações de empresas do setor de construção civil foram as que mais valorizaram na bolsa de valores no acumulado do ano, segundo levantamento do Valor Data com dados de até 24 de novembro. As ações dos setores de indústria e educação também aparecem na liderança.

Entre os 20 papéis com maior alta, oito são de empresas que atuam na construção civil. Com a atualização até dia 8 de dezembro, a valorização dos papéis no ano são: Moura Dubeux ON (154,15%), Lavvi ON (143,78%), Cury ON (126,28%), Direcional ON (113,93%), Helbor ON (98,13%), JHSF ON (124,19%), Trisul ON (112,47%) e Cyrela ON (121,20%).

No período base para o levantamento, de 2 de janeiro a 24 de novembro, o Ibovespa, índice com as ações mais negociadas, acumulou alta de 29,25%. No acumulado até 8 de dezembro, o índice marca 31,51% de valorização. O desempenho do setor de construção civil, portanto, superou com folga a valorização média do mercado.

Para Juliana Inhasz, professora de Economia do Insper, o movimento reflete a percepção do mercado de melhora na demanda por imóveis, nas condições de financiamento e nas expectativas para as políticas habitacionais.

“O setor de construção civil é muito sensível à conjuntura macroeconômica. O mercado vê para o ano que vem as taxas de juros caindo, o que vai levar a um aumento no número de financiamentos”, diz Juliana. “Quando o mercado projeta crescimentos maiores, os investimentos sobem.”

Segundo André Mazini, head de equities research para América Latina do Citi, a construção civil para baixa renda está tendo o melhor formato da história no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

Recentemente, o Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) aumentou o limite do valor dos imóveis que podem ser financiados por famílias de baixa renda no programa Minha Casa, Minha Vida. O limite máximo passa a ser de R$ 275 mil.

Essa mudança beneficia famílias enquadradas nas faixas 1 e 2 do programa, aquelas com renda mensal de até R$ 2.850 e entre R$ 2.850 e R$ 4.700 em áreas urbanas. No meio rural, são contempladas famílias com renda anual de até R$ 66 mil.

E foi sobretudo o segmento de construção e incorporação voltado ao mercado de baixa renda que mostrou resiliência no terceiro trimestre de 2025, com empresas apresentando resultados sólidos.

A Cury, por exemplo, registrou geração de caixa livre de R$ 233 milhões no período, completando 26 trimestres consecutivos com resultado positivo. O fluxo de caixa livre representa o montante que permanece disponível após a empresa arcar com todas as despesas operacionais e realizar os investimentos necessários para manter ou expandir suas atividades. É, portanto, um indicador importante da capacidade de a companhia gerar recursos próprios.

Relatórios dos últimos meses emitidos por Itaú BBA, Santander, BB Investimentos e Citi reforçam a boa avaliação da empresa devido ao “valuation” atrativo, ao crescimento dos lucros e ao impulso do Minha Casa, Minha Vida.

Para o head do setor imobiliário da XP, Ygor Altero, “o segmento de baixa renda, especialmente o MCMV, continuará ganhando força”. Ele diz que as melhorias do programa têm aumentado lançamentos, vendas e rentabilidade. Altero ressalta ainda que, mesmo com juros altos, o setor mantém bom desempenho por depender do FGTS, “menos sensível às taxas de mercado do que a média e alta renda”.

Já os segmentos de média e alta rendas, conforme explica Mazini, sentem mais os efeitos dos juros altos, mas as construtoras listadas em bolsa costumam ser menos afetadas do que empresas menores do setor.

A Cyrela, por exemplo, consegue captar recursos a um custo menor — sua dívida marginal é remunerada a taxas abaixo do CDI. Já uma empresa de menor porte paga um custo bem mais alto, como CDI mais 4%. Essa diferença, conforme explica o head do Citi, dá às companhias listadas uma vantagem competitiva, pois elas têm acesso a crédito mais barato e, com isso, conseguem ganhar espaço no mercado em relação às não listadas.

A continuidade do bom desempenho das ações de empresas do setor de construção civil no próximo ano dependerá da confirmação da trajetória de queda dos juros, das condições de crédito e da manutenção ou expansão dos programas habitacionais, afirma Juliana Inhasz.

A professora diz, também, que não só as empresas e seus acionistas ganham com as ações da construção civil em alta, mas a população como um todo. “Além do impacto na maior disponibilidade de unidades habitacionais, há também o lado do emprego. O setor aquecido movimenta muito a economia direta e indiretamente, porque envolve um conjunto grande de serviços e cadeias produtivas atreladas. Mantendo um ganho duradouro e sustentável, a sociedade ganha com mais emprego e uma economia mais dinâmica.”

O setor industrial também aparece entre os que tiveram ações mais valorizadas no ano, com três representantes: Tekno PN (285,54%), Recrusul PN (502,83%) e Minupar ON (122,07%). Estas cotações também foram atualizadas até 8 de dezembro.

A Tekno teve alta expressiva. A empresa, contudo, tem um histórico particular. No início de novembro, a Tekno decidiu fechar o capital e avançar na venda de ações para a Dânica Soluções Termoisolantes Integradas, controlada pela ArcelorMittal Brasil. Em julho, as duas empresas haviam assinado o contrato de compra e venda.

A operação foi concluída em 3 de novembro, quando a Dânica adquiriu 89,69% das ações que pertenciam aos controladores e aos acionistas Carlos Alberto Almeida Borges e João Alberto Almeida Borges.

Para os especialistas ouvidos pela reportagem, a presença da Tekno entre as maiores valorizações de ações do ano não impacta a análise positiva sobre o setor industrial e a economia brasileira como um todo no período.

“A redução da taxa de inflação ao longo do tempo alivia custos para a indústria e o alívio de custos favorece o mercado, que está apostando numa atividade econômica moderada e consistente”, diz Juliana. Para a professora do Insper, porém, não se trata de um momento de euforia no mercado sobre o setor, mas que essas empresas estão refletindo uma boa expectativa para o ano que vem.

Outro setor com representantes entre as 20 maiores altas da B3 até 24 novembro é o de educação, com três ações. Até 8 de dezembro, esses papéis subiram bem acima do índice geral: Cogna ON (249,59%), Ânima ON (122,74%) e VitruEduca ON (125,47%).

As empresas do setor vêm apresentando um desempenho mais favorável na Bolsa, segundo André Mazini, impulsionadas por uma dinâmica operacional sólida, especialmente no ritmo de captação de novos alunos. Ele destaca que as empresas têm surpreendido positivamente na geração de caixa operacional, o que reforça a confiança do mercado.

Além disso, a menor incerteza regulatória após o novo marco do ensino a distância também contribui para um ambiente mais previsível e atraente para os investidores.

O consenso entre os analistas conforme relatórios recentes de grandes instituições, como o BTG Pactual, Santander e Citi, é de que o setor de educação está em uma fase de estabilidade operacional e desalavancagem financeira. A visão predominante é de que 2026 deve ser um ano de melhorias incrementais sustentada pela forte geração de fluxo de caixa livre, uma prioridade destacada em todas as empresas.

Para Juliana, o comportamento das ações de todos esses setores reforça a leitura de sensibilidade ao ciclo econômico. “Estamos vendo atividades mais ligadas ao ciclo crescerem com a melhora da economia. Quando há mais estabilidade, há mais consumo, mais demanda industrial e mais investimento das famílias em educação”, afirma.

*Participante do Curso Valor de Jornalismo Econômico sob supervisão de Nelson Rocco

Exame - SP   10/12/2025

A metragem supercompacta é um padrão que tem se tornado tendência na cidade de São Paulo. As construtoras estão apostando cada vez mais em projetos com ênfase nas áreas de lazer e convivência, conectados ao transporte e dentro do teto de financiamento do programa habitacional.

De acordo com dados do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP), os apartamentos compactos seguiram como o formato predominante dos lançamentos residenciais na capital em 2025.

Os relatórios mais recentes apontam que unidades entre 30 m² e 45 m² continuam respondendo por cerca de dois terços das novas ofertas, média observada desde 2024. De janeiro a julho de 2025, foram entregues 15,6 mil metragens reduzidas na capital, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2024.
O que está por trás da popularidade dos supercompactos?

“As pesquisas com potenciais compradores mostraram que ampla área de lazer, serviços e coworking fariam a diferença. Além disso, muitos abrem mão da vaga de carro porque estão próximos a um eixo de transporte público. Assim, o custo final também fica menor”, analisa o diretor-executivo da construtora Citz, Rafael Coelho.

Mês passado, a auxiliar administrativa Nete Vitória, 29, assinou o contrato de seu primeiro imóvel. “Foram dois anos de buscas. Expectativa! Nesse projeto, achei o que eu queria. Um sonho! Nem caiu minha ficha!”, disse a compradora de unidade no Verticá Jardim Prudência, projeto da Citz na zona sul paulistana.

Para Nete, as vantagens do apartamento escolhido, que possui 25,5 m², se encontram nos mais de 30 itens de lazer, incluindo rooftop com churrasqueira, academia, lavanderia coletiva e coworking.

O apartamento fica em um prédio com 23 andares e 322 unidades. Algumas delas têm dois quartos e até 35 m². São apenas 19 vagas para carro.

“Está perto do metrô, do meu trabalho, da casa da minha irmã. Além disso, eu consegui financiar pelo Minha Casa Minha Vida, que ajuda muito”, contou. O valor das unidades do Verticá Jardim Prudência varia de R$ 210 mil a R$ 320 mil.

Cresce também a oferta de prédios planejados sem garagem

Dos empreendimentos lançados no último ano, 43% não incluem vaga, percentual que sobe para 78% entre os projetos enquadrados no Minha Casa Minha Vida (MCMV).

Diversas construtoras vêm ampliando sua presença na capital. A exemplo da Citz, Plano&Plano, Viva Benx, EPH, Canopus e Cury, entre outras, anunciaram recentemente lançamentos com metragem reduzida e foco em lazer completo e pouca ou nenhuma vaga, sempre próximos a linhas estruturantes de mobilidade.

“A moradia funcional e com opções de lazer, antes vista como tendência, hoje se afirma como padrão predominante da habitação paulistana”, afirma Coelho, diretor da Citz.

A empresa de São José do Rio Preto (SP), que já construiu mais de 1 milhão de m² em projetos pelo país, lançou seu primeiro empreendimento na capital em 2024, o Bliss Concept Rio Pequeno, na zona oeste.

Agora, com o Verticá Jardim Prudência, avança em seu plano de expansão. Há outros dois projetos previstos nas zonas norte e leste, e a meta é alcançar R$ 1 bilhão em VGV até 2030.

NAVAL

TN Petróleo - RJ   10/12/2025

A Transpetro deu mais um passo para ampliar sua atuação na logística de petróleo e derivados ao incorporar a Petrobras Logística de Exploração & Produção S.A. (PB-LOG) à sua estrutura. Com a mudança, a Transpetro passa a atuar também no apoio marítimo e no controle de emergências em áreas exploradas por consórcios que são operados e liderados pela Petrobras.

A PB-LOG era uma subsidiária integral da Petrobras e passa a integrar a estrutura de gestão da Transpetro. A mudança foi aprovada por todas as instâncias de governança necessárias. É uma operação entre subsidiarias integrais, em que haverá aumento de capital na Transpetro, sem a necessidade de emissão de novas ações.

"Essa mudança está em linha com a principal meta da nossa gestão: ampliar a atuação da Transpetro para torná-la uma estatal forte, lucrativa e ofertar cada vez mais serviços logísticos multimodais e integrados para os nossos clientes. A incorporação da PB-LOG se junta aos nossos investimentos em dutos e terminais, na ampliação da frota e na entrada em novos modais, como o de barcaças. Sem dúvida, a Transpetro está no caminho certo para conquistar cada vez mais clientes", afirma o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci.

Como resultado desse movimento estratégico, a Transpetro amplia sua presença na área de exploração de petróleo, aproveitando as sinergias que terá com a PB-LOG para prestar serviços logísticos integrados.

Desde o início da atual gestão da Transpetro, a estratégia de crescimento dos negócios tem sido suportada por novos investimentos. A companhia tem aumentado a capacidade operacional dos seus terminais, investido na modernização dutoviária para ampliar a disponibilidade de transporte, ampliado sua frota própria e feito contratações para ingressar em novos mercados.

Desde o ano passado, a Transpetro já lançou licitações para contratação de 16 embarcações (quatro navios handy, oito navios gaseiros e quatro navios MR1), que vão ampliar a capacidade de transporte de derivados de petróleo pela costa brasileira. Além disso, recentemente foi ao mercado para contratar 18 barcaças e 18 empurradores para expandir seus negócios na navegação interior. E, também, vai aumentar sua capacidade de alívio nas plataformas operadas pela Petrobras com a contratação de nove navios aliviadores de posicionamento dinâmico.

Sobre a PB-LOG - A PB-LOG é uma sociedade anônima de capital fechado, criada em 2012 como subsidiária integral da Petrobras. A empresa oferece dois tipos de serviços logísticos: o Controle de Emergências, que inclui o combate a possíveis derramamentos de óleo no mar, disponibilidade dos recursos e equipamentos de combate ao blowout submarino e centros de defesa ambiental; e Logística Integrada, que contempla soluções logísticas de recebimento de material, guarda e transporte (terrestre, marítimo e aéreo).

Atualmente, a PB-LOG concentra suas operações na região Sudeste, próximo das grandes bacias produtoras de Santos e Campos. Em 2024, a empresa registrou lucro líquido de R$ 533 milhões a partir da prestação de serviços a 21 consórcios que envolvem 12 empresas.

Sobre a Transpetro - Operando 48 terminais (27 aquaviários e 21 terrestres), cerca de 8,5 mil quilômetros de dutos e 33 navios, a Transpetro é a maior subsidiária da Petrobras. A empresa é a maior companhia de logística multimodal de petróleo, derivados e biocombustíveis da América Latina.

A Transpetro presta serviços a distribuidoras, à indústria petroquímica e demais empresas do setor de óleo e gás. A carteira da subsidiária da Petrobras conta com mais de 170 clientes.

CNN Brasil - SP   10/12/2025

O Ministério de Portos e Aeroportos informou nesta terça-feira (9) que o leilão do novo superterminal de contêineres no Porto de Santos (SP) deve ser realizado na primeira quinzena de março de 2026.

A previsão foi divulgada após deliberação do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre o tema.

De acordo com o secretário nacional de Portos, Alex Ávilla, a equipe do Ministério de Portos e Aeroportos fará ajustes técnicos ao modelo do leilão do Tecon Santos 10. O órgão planeja publicar o edital até o final de janeiro.

"Faremos os ajustes técnicos e adequação para a publicação do edital até o final de janeiro. Esperamos uma ampla participação no leilão, já que há muitas empresas nacionais e internacionais interessadas no certame. Sem dúvida, será o maior leilão da história e bastante competitivo”, disse o secretário em nota.

A tendência é que Ministério de Portos e Aeroportos defenda, nas discussões internas do governo, acatar a decisão do TCU e impor restrições no leilão do novo superterminal de contêineres no Porto de Santos, segundo apuração do CNN Money.

Na última segunda-feira (9), o TCU aprovou um modelo de concessão do Tecon Santos 10 em duas fases, tal como proposto pela Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários).

Na prática, a recomendação do tribunal barra a participação de gigantes do setor, como a suíça MSC e a dinamarquesa Maersk, no leilão.

O modelo proposto pela agência já previa um leilão em duas fases, com veto à entrada dos atuais operadores de terminais em Santos, na primeira etapa. Mas a decisão do TCU é mais restrita e estabelece barreiras de participação direcionadas às companhias de navegação em geral na primeira fase do leilão.

Mas há uma ala do governo que avalia haver brecha que pode contrariar a decisão do TCU e levar adiante um leilão sem restrições. Esses setores, incluindo a Casa Civil, entendem que o tribunal fez uma recomendação (de cumprimento não obrigatório) sobre o veto às companhias de navegação -- e não uma determinação (de caráter vinculante).

Caso o governo opte por um leilão aberto, poderá haver um desgaste político do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho. O chefe da pasta já afirmou publicamente que respeitaria a decisão que o TCU tomasse sobre a concessão do superterminal.

Em nota divulgada nesta terça-feira (9), o Ministério de Portos informou que "irá acolher as recomendações do TCU, entre as quais está o estabelecimento de uma outorga mínima, cujo principal objetivo é conciliar a atratividade do ativo para o mercado com o recebimento de um valor mínimo de outorga razoável para o erário, compatível com o porte do empreendimento."

O leilão do Tecon Santos 10 prevê mais de R$ 6 bilhões em investimentos e será o maior arrendamento da história do setor portuário brasileiro.

O novo terminal ampliará em cerca de 50% a capacidade de movimentação de contêineres no Porto de Santos, que está à beira de saturação para esse tipo de carga. O terminal acrescentará uma capacidade de 3,5 milhões de TEUs.

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, será realizado em janeiro um roadshow com embaixadas e empresas interessadas no leilão e, em seguida, será publicado o edital de licitação.

A Tribuna - SP   10/12/2025

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) informou nesta segunda-feira (8) que a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) em favor do leilão do Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10 em duas fases, com restrições na primeira, reforça o entendimento técnico da agência na regulação do setor portuário brasileiro. O modelo, que foi aprovado e apresentado pela Antaq, proíbe que operadores de contêineres no Porto de Santos disputem o arrendamento na primeira etapa do certame. O TCU ainda recomendou, adicionalmente, a proibição de armadores (donos de navios).

“A partir do julgamento de nesta terça-feira (9) fica claro que as preocupações da agência eram pertinentes e que havia a necessidade de preservar a concorrência na prestação dos serviços no processo do Tecon Santos 10”, diz a agência, em nota.

A Antaq reafirma que suas ações sempre se pautaram pelo rigor técnico e pela defesa do interesse público. “Em alinhamento com os posicionamentos já manifestados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e, agora, pela Corte de Contas”.

A Antaq propõe licitação em duas etapas. A modelagem permite a participação de empresas que operam contêineres no Porto de Santos somente em uma eventual segunda rodada, sob a condição de desinvestimento, ou seja, de desistência dos contratos vigentes em caso de vitória. Dessa forma, companhias como a suíça MSC, a dinamarquesa Maersk e a francesa CMA CGM ficam fora da primeira etapa. A agência alega que o objetivo é impedir a concentração de mercado no Porto de Santos.

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, reiterou diversas vezes que o ministério acompanharia a decisão da Corte de Contas. A Reportagem solicitou um posicionamento do MPor, bem como a previsão para a realização da licitação do Tecon Santos 10, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.

O presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), Edson Vismona, declarou que “a restrição a armadores já estabelecidos no Porto de Santos é um pilar inegociável para a ética concorrencial e a competitividade nacional. Essa medida estratégica garante a pluralidade de operadores, evitando que o megaterminal se torne um instrumento de abuso de poder de mercado. O sucesso reside na estrutura de mercado que emergir, com custos menores e mais flexibilidade para o País”.

Interessada em participar do leilão do Tecon Santos 10 e presente no Brasil desde 2021, a operadora independente International Container Terminal Services (ICTSI) — responsável por 33 terminais de contêineres em seis continentes — afirmou que a decisão do TCU atende ao interesse público e possibilita a “entrada de um novo player no Porto de Santos, com bilhões em investimentos privados, mais concorrência e eficiência aos clientes finais, a todos os armadores em geral e, consequentemente, à economia nacional”.

A empresa Maersk reiterou sua defesa por “regras claras no edital do Tecon Santos 10 que garantam a livre concorrência” e criticou o veto a grupos com experiência internacional. “Isso contraria estudos técnicos de órgãos do Estado brasileiro e reduz o potencial do projeto no maior porto da América Latina”.

A armadora declarou ainda que o modelo de certame recomendado viola princípios constitucionais de isonomia e legalidade, “contrariando análises técnicas da Antaq, do TCU, do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), do parecer da Subsecretaria de Acompanhamento Econômico e Regulação (Seae) do Ministério da Fazenda e do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU), com o objetivo de garantir ampla concorrência e igualdade aos participantes que atenderem às exigências publicadas”.

Centronave
O Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave) afirmou que “a crise nos portos brasileiros, incluindo Santos, decorre da falta crônica de infraestrutura e não de práticas concorrenciais dos armadores. Há ampla competição na navegação de linha regular e acordos operacionais entre empresas são reconhecidos globalmente sem afetar a concorrência. Além disso, a chamada ‘omissão de escala’ não é estratégia comercial, mas recurso extremo devido às longas filas provocadas pela incapacidade física dos portos. Investigações do Cade, Antaq e órgãos internacionais já descartaram suspeitas de conluio ou manipulação de oferta”.

O Centronave defende ainda que “terminais operados por grupos de armadores aumentam eficiência, ampliam capacidade e reduzem filas, enquanto restringir sua participação em leilões portuários prejudicaria o País”, complementando que “a raiz do problema é a estagnação das obras de expansão de cais há mais de uma década, mesmo com navios maiores e demanda crescente, gerando perdas bilionárias ao comércio exterior e impacto ao consumidor. O Brasil precisa de mais investimentos, infraestrutura e segurança jurídica — não de barreiras regulatórias baseadas em riscos já descartados pelas instâncias técnicas”.

PETROLÍFERO

Valor - SP   10/12/2025

Receita varia de R$ 1,05 trilhão a R$ 1,32 trilhão, a depender dos cenários previstos pela PPSA, gestora de contratos de partilha

A União pode arrecadar mais de R$ 1 trilhão nos próximos dez anos em royalties, participações governamentais, tributos e receitas adicionais que podem ser obtidos com o petróleo dos campos do pré-sal. A receita varia de R$ 1,05 trilhão a R$ 1,32 trilhão, a depender do cenário considerado, de acordo com projeções da Pré-Sal Petróleo (PPSA), gestora dos contratos de partilha de produção dos campos do pré-sal. Os números foram apresentados nesta terça-feira (9) pela estatal em fórum técnico, no Rio.

A arrecadação considera, entre outros fatores, a comercialização do óleo e do gás que pertencem à União. Na quinta (4), o governo arrecadou R$ 8,8 bilhões em leilão da PPSA na B3, quando foram ofertados direitos da União sobre áreas não contratadas das jazidas compartilhadas de Mero, Tupi e Atapu, na bacia de Santos. A arrecadação ficou abaixo da projeção tida como crucial pela equipe econômica para viabilizar a meta fiscal.

No contrato de partilha de produção, o Estado brasileiro é proprietário do petróleo e gás natural produzidos em áreas do pré-sal, de modo que as petroleiras atuam como operadoras. A PPSA é a responsável pela gestão de 24 contratos no regime de partilha.

Segundo a diretora técnica da PPSA, Tabita Loureiro, a União terá para si um total de 1,4 bilhão de barris de óleo e 9 bilhões de metros cúbicos por dia (m3 /dia) de gás natural a serem ofertados ao mercado entre 2026 e 2035.

As projeções da PPSA consideram três cenários: pessimista, de referência e otimista. Caso o cenário pessimista se concretize, o governo poderá levantar R$ 1,05 trilhão em royalties, tributos e venda de óleo e gás. Só a comercialização dos insumos do pré-sal pode gerar, nesse cenário, R$ 464 bilhões.

Temos que empreender esforços de todas as instituições”

— Renato Dutra

No cenário de referência, a estatal projeta uma arrecadação total de R$ 1,21 trilhão, sendo R$ 518 bilhões com a venda de óleo e gás entre 2026 e 2035. O otimista prevê uma receita total para a União de R$ 1,325 trilhão, sendo R$ 575 bilhões oriundos da comercialização de petróleo e gás.

Nos leilões dos contratos de partilha, as petroleiras disputam áreas no pré-sal. Vence as áreas quem oferecer à União o maior percentual de excedente em óleo ou gás, parcela da produção a ser repartida entre a União e a empresa vencedora. Esse excedente é comercializado em certames específicos realizados pela PPSA.

Em 2026, a estatal vai oferecer um total estimado em 106,5 milhões de barris de óleo da produção de seis áreas, diz Guilherme Pontes Galvão França, superintendente de comercialização de petróleo da PPSA. São elas: Mero, Itapu, Atapu, Sépia, Búzios e Bacalhau. França afirmou que o pré-edital do leilão, a ser colocado em consulta pública e avaliado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), deve ser divulgado entre março e abril. Em maio, deve ser publicado o edital definitivo. O modelo do leilão está em estudo.

No fórum, ontem, o secretário de petróleo, gás natural e biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Renato Dutra, disse que um dos principais desafios do Brasil nos próximos anos será aumentar a oferta de novas áreas de petróleo para manter o nível de reservas e a autossuficiência na produção de óleo bruto.

Dutra destacou que as projeções oficiais apontam declínio da produção de petróleo em 2031 se nada for feito e chamou outras instituições para discutir como ampliar a perfuração de poços exploratórios: “A ampliação de áreas significa que temos que empreender esforços de todas as instituições.”

Tabita Loureiro, da PPSA, acrescentou que o cenário de petróleo tende a ser mais desafiador. A PPSA projeta o barril a US$ 58 em 2026, considerando o cenário de referência. O valor varia para baixo ou para cima em US$ 5 no ano que vem, dependendo do cenário (pessimista ou otimista).

A volatilidade das cotações, por sinal, deve estar presente no mercado, segundo previu a presidente da Equinor Brasil, Veronica Coelho. A empresa, disse, trabalha com fatores com os quais pode controlar, como custos e eficiência. O cenário não levará, porém, a Equinor a rever investimentos em andamento, como o desenvolvimento dos campos de Bacalhau e de Raia, nas bacias de Santos e Campos, respectivamente.

Coelho reconheceu, no entanto, que a empresa vai fazer contas e ser cautelosa em novos projetos, a partir de 2026. “Vemos um futuro com muita volatilidade no preço. Imaginamos que o ano que vem será, muito provavelmente, mais desafiador”, afirmou.

A diretora de transição energética e sustentabilidade da Petrobras, Angélica Laureano, disse que a estatal está em busca de parceiros para crescer na produção de biocombustíveis. As parcerias, segundo Laureano, seriam para a produção de biodiesel, de etanol e de biometano. Laureano afirmou que a petroleira quer parceiros “relevantes” para o mercado de etanol, segmento no qual a empresa estuda entrar com participação minoritária em joint-ventures. A empresa quer adotar desenho semelhante para o biometano, que é o biogás com alto grau de pureza.

Money Times - SP   10/12/2025

A estatal Pré-Sal Petróleo (PPSA) vai comercializar 106,5 milhões de barris de petróleo da União que serão produzidos em seis campos do pré-sal, em leilão marcado para 29 de julho de 2026, na bolsa paulista B3, disse o superintendente de Comercialização de Petróleo da companhia, Guilherme França, nesta terça-feira.

Os contratos de partilha de produção contêm cláusulas que preveem que as companhias que exploram os ativos devem pagar um percentual de lucro em óleo à União. A PPSA é a responsável por representar a União nesses contratos e comercializar esses volumes.

No leilão do próximo ano, serão ofertados 64 milhões de barris de petróleo do campo de Mero, 21,5 milhões de barris de Búzios, 13 milhões de Bacalhau, 4 milhões de Itapu, 2 milhões de Sépia e outros 2 milhões de Atapu, detalhou o executivo da PPSA.

“Estes volumes a serem comercializados no leilão de 2026 correspondem às nomeações a serem feitas de janeiro de 2027 a dezembro de 2027, ou seja, os carregamentos de março de 2027 a fevereiro de 2028”, disse França, que não deu estimativas de arrecadação com o leilão.

Em seu último leilão de petróleo realizado em junho de 2025, a PPSA gerou uma arrecadação potencial de R$28 bilhões, com a comercialização de sete lotes nos campos de Mero, Búzios, Itapu e Sépia.

Projeções

A PPSA projeta que até o fim da década deverá figurar como a segunda companhia com a maior produção de petróleo do Brasil, atrás apenas da Petrobras.

A PPSA projeta que a produção de petróleo da União alcançará seu pico de produção em 2033, com 506 mil barris por dia (bpd) no cenário mais otimista, ou 499 mil bpd no cenário de referência. Em 2025, a previsão é alcançar 138 mil bpd.

Já a parcela diária de gás natural da União produzida em partilha deve saltar dos 480 mil m³/dia registrados em setembro de 2025 para 2,1 milhão m³/dia em 2028, atingindo o pico em 2034, com 3,8 milhões m³/dia.

A partir de 2028, os contratos de partilha estarão produzindo como um todo cerca de 2 milhões de bpd, volume que representará mais de 40% da produção nacional, segundo estudo da PPSA.

Para o desenvolvimento dos campos que possuem contrato de partilha, são previstos investimentos de US$71 bilhões nos próximos cinco anos, incluindo a entrada em operação de sete navios-plataformas do tipo FPSO e a perfuração de 182 poços entre 2026 e 2030.

A PPSA projeta ainda uma arrecadação potencial de R$518 bilhões com a comercialização das parcelas da União no período 2026-2035. Considerando a arrecadação total aos cofres públicos, a PPSA estima R$1,2 trilhão em dez anos, considerando os resultados da comercialização, o pagamento de royalties e de tributos.

Por Reuters

A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.

Money Times - SP   10/12/2025

A norueguesa Equinor prevê que a plataforma do campo de Bacalhau, no pré-sal da Bacia de Santos, atinja sua capacidade máxima de produção de 220 mil barris por dia de petróleo em cerca de 12 meses, disse a presidente da petroleira no Brasil, Verônica Coelho, nesta terça-feira.

Bacalhau, que iniciou a produção em outubro, é o maior campo offshore internacional desenvolvido pela Equinor até o momento, com reservas recuperáveis superiores a 1 bilhão de barris de óleo equivalente (boe), segundo a empresa.

Atualmente, a Equinor está produzindo apenas por meio de um poço entre 20 mil e 25 mil barris de óleo equivalente por dia em Bacalhau, disse a presidente no Brasil, pontuando que a empresa está restringindo a produção desse poço, devido a atividades que precisam ser realizadas na parte superior da plataforma, como comissionamento de turbinas e compressores.

“Estamos trabalhando em duas frentes: a continuada campanha de perfuração e o comissionamento do navio O nosso ‘timeline’ esperado (é atingir a capacidade máxima da plataforma) em cerca de 12 meses”, disse Coelho, a jornalistas, após participar de fórum técnico realizado pela estatal PPSA.

A operadora Equinor detém uma participação de 40% no campo, enquanto a ExxonMobil Brasil detém 40% e a Petrogal Brasil, uma joint venture entre a portuguesa Galp e a chinesa Sinopec, detém os 20% restantes.

A estatal PPSA é parceira no campo como representante da União pelo contrato de partilha de produção.

A executiva reiterou que na primeira fase de seu desenvolvimento, Bacalhau produzirá apenas petróleo, e o gás natural será reinjetado com o objetivo de manter a pressão no reservatório. A produção de gás, segundo ela, deverá ocorrer posteriormente, em momento ainda difícil de precisar.

Coelho afirmou que a estratégia de iniciar com a produção de petróleo vem a partir da experiência da companhia em campos da Noruega, onde há um reconhecimento internacional por ter alcançado fatores de recuperação de até 60% em campos de óleo e gás.

“A gente imagina, sim, que no futuro o gás (de Bacalhau) vai ser produzido também. Agora, nesse momento é difícil dizer quando”, afirmou Coelho.

A executiva ponderou que o cenário de preços de petróleo para 2026 será provavelmente “mais desafiador que 2025”, mas que não impacta os investimentos previstos para Bacalhau.

“Os projetos offshore têm essa natureza, não dá para você puxar o freio de mão a qualquer momento. Então, uma vez iniciado, ele vai em frente.”

Por Reuters

A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.

Valor - SP   10/12/2025

Renato Dutra disse que que as projeções apontam declínio da produção de petróleo em 2031, caso nada seja feito, e sugeriu a discussão sobre como ampliar a perfuração de poços exploratórios

O secretário de petróleo, gás natural e biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, Renato Dutra, disse que a opção de não se investir hoje em novas reservas de petróleo é a mais cara para o Brasil no futuro.

Segundo ele, que participa do Fórum Técnico PPSA 2025, realizado nesta terça-feira (9), um dos primeiros desafios do país será aumentar a oferta de novas áreas de petróleo para exploração e produção, a fim de manter o nível de reservas e a autossuficiência do país.

Dutra destacou que as projeções oficiais apontam declínio da produção de petróleo em 2031 “se não fizermos nada” e chamou à conciliação de outras instituições para discutir como ampliar a perfuração de poços exploratórios. “A ampliação de áreas significa que temos que empreender esforços de todas as instituições”, disse Dutra.

O secretário salientou ainda que a oferta permanente de partilha (OPP), uma modalidade mais simplificada de leilão de áreas de petróleo do pré-sal, para 2026 pode ter até 26 novas áreas para negociação, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A oferta desse conjunto de áreas depende, porém, de manifestação conjunta do MME e do Ministério do Meio Ambiente (MMA). A manifestação conjunta é um aval inicial para a negociação das áreas, pelas duas pastas.

A manifestação não substitui a licença ambiental, apenas dá uma sinalização de que não há entraves iniciais para a exploração e produção.

Infomoney - SP   10/12/2025

Os contratos futuros do petróleo encerraram a sessão desta terça-feira, 9, em queda, à medida que investidores mantêm certo ceticismo sobre um possível acordo entre Rússia e Ucrânia e avaliam um possível excesso de oferta da commodity. O mercado também aguarda a decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e sinalizações da trajetória de juros nos próximos meses.

O petróleo WTI para janeiro, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou em baixa de 1,07% (US$ 0,63), a US$ 58,25 o barril. Já o Brent para fevereiro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), teve queda de 0,88% (US$ 0,55), a US$ 61,94 o barril.

O Ritterbusch avalia que o mercado de energia está demonstrando “otimismo excessivo” em relação a um acordo de paz que abriria caminho para a redução das sanções contra a Rússia, o que justifica a queda nos preços. Por outro lado, a empresa menciona que qualquer progresso não deve ser descartado, já que o presidente dos EUA, Donald Trump, parece disposto a ceder às exigências de seu homólogo russo, Vladimir Putin.
Contudo, o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, afirmou que se recusa em ceder qualquer território, resistindo à pressão dos EUA por um compromisso com a Rússia, após reunião com líderes europeus. “A Rússia insiste para que cedamos territórios. Não queremos ceder nada. É por isso que estamos lutando”, mencionou. A afirmação de Zelenski afasta ainda mais as esperanças de uma distensão no Leste Europeu.

O MUFG pondera ainda que os investidores permanecem cautelosos depois que a Agência Internacional de Energia (AIE) previu um excedente recorde de petróleo no próximo ano. Nesta terça, o Departamento de Energia dos EUA (DoE) manteve sua projeção de que o petróleo Brent deve registrar preço médio de US$ 69 em 2025 e US$ 55 em 2026, segundo o relatório Short-Term Energy Outlook (STEO, na sigla em inglês).

AGRÍCOLA

Diário do Comércio - MG   10/12/2025

Por mais um ano, o agronegócio brasileiro foi um pilar fundamental para a economia do País. Em 2025, o setor impulsionou o Produto Interno Bruto (PIB) nacional e desempenhou papel crucial na contenção da inflação dos alimentos. No entanto, para 2026, desafios como endividamento elevado, custos altos e mercado externo instável exigirão atenção e políticas estruturantes para garantir o crescimento. A expectativa é que o agronegócio encerre o ano com alta de 9,6% no PIB, percentual que deve cair para 1% em 2026.

Na manhã desta terça-feira (9), durante a divulgação do Balanço 2025 e Perspectivas 2026 da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o presidente da entidade, João Martins, classificou 2025 como um ano bom para o agronegócio.

“Estamos terminando mais um ano considerado normal na nossa avaliação, porque conseguimos fazer algo considerado impossível. Mesmo com restrição de crédito e problemas climáticos, batemos recorde de produção. Por isso, para nós, foi um ano bom”, avaliou.

Ainda conforme Martins, o produtor rural segue consciente da responsabilidade de ampliar a produção agropecuária para atender a demanda mundial crescente por alimentos. Por isso, a CNA seguirá trabalhando em prol do setor.

“O Brasil é um país sui generis na produção agropecuária, porque temos terra, clima e produtores que realmente desafiam a natureza. O que o mundo precisa saber é que o Brasil está consciente de ser um grande produtor de alimentos. A CNA trabalha há muitos anos para dar suporte aos produtores rurais, para que, cada dia mais, sejam eficientes no que fazem: produzir alimentos a preços competitivos e de qualidade. Esperamos que 2026 seja um ano bom para a agricultura”, completou.
PIB do agronegócio crescerá menos em 2026

Ao longo de 2025, conforme o diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio — que envolve as cadeias de insumo, produção primária, agroindústria e agrosserviços — deve encerrar o ano com crescimento em torno de 9,6%, sendo um pilar fundamental para a expansão do PIB nacional, cuja projeção é de 2,25%.

Já para 2026, as estimativas econômicas apontam para um crescimento mais modesto, de 1,8% no PIB nacional e de 1% no PIB do agronegócio.

“Em 2025, o crescimento do PIB nacional teve uma contribuição muito grande do PIB do agronegócio. Mas os fatores que, em 2025, ajudaram a ter uma produção maior de alimentos estarão mais comedidos, entre eles, o clima. Tivemos uma apreciação do real frente ao dólar, muito mais pelos problemas dos Estados Unidos do que pelo fortalecimento da nossa moeda. Há ainda o grande problema atual, que é a taxa Selic em 15%. Em 2026, a Selic deve cair para 12,5%, mas continuará alta”, explicou Lucchi.

Como desafios, Lucchi também cita a insegurança jurídica no agronegócio, com demarcação de terras indígenas e invasões de propriedades aumentando, além da elevação do custo de produção — os fertilizantes, por exemplo, subiram quase 20%.

Há ainda a preocupação pelo fato de 2026 ser um ano eleitoral, o que pode dificultar cortes de gastos governamentais e aumentar o risco de inflação, prejudicando o consumo e a redução da taxa Selic.

CNN Brasil - SP   10/12/2025

O agro brasileiro pode perder até US$ 2,7 bilhões em 2026 com o tarifaço dos Estados Unidos. O alerta foi feito nesta terça-feira (9) pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) durante a apresentação do balanço de 2025 e das projeções para o próximo ano.

O governo americano avalia tarifas adicionais de até 40% sobre produtos que não estiverem nas listas de exceção, o que pode atingir cerca de 22% das exportações do setor para o país.

Os embarques do agro brasileiro para os EUA já mostram desaceleração. Entre agosto e novembro, as vendas caíram 37,85% frente ao mesmo período de 2024.

A CNA afirma que a previsibilidade comercial está em risco e que produtores podem ser obrigados a redirecionar cargas para mercados com menor margem. A reconfiguração do fluxo global é vista como provável em caso de confirmação das tarifas.

Além dos EUA, o ambiente externo traz outras pressões: avanço do acordo Mercosul-União Europeia com possibilidade de salvaguardas sobre produtos agrícolas; adiamento da Lei Antidesmatamento Europeia; e o 15º Plano Quinquenal da China, que prevê redução da dependência de importações e revisão de estoques e exigências sanitárias.

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