Valor - SP 10/10/2025
Controlador da Gerdau também fala da aproximação entre Lula (PT) e Donald Trump como gesto diplomático importante para tentar reverter a tarifa de 50% sobre o aço brasileiro
O empresário Jorge Gerdau Johannpeter, acionista controlador da Gerdau e presidente do Movimento Brasil Competitivo (MBC), afirmou, nesta quinta-feira (9), que o Brasil precisa adotar uma postura mais assertiva na defesa de sua indústria siderúrgica, diante da escalada global de medidas de defesa comercial e da superoferta de aço subsidiado pela China.
Durante o 26º Congresso do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Gerdau classificou como “extremamente relevante” a decisão da Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia (UE), de propor o aumento da tarifa fora da cota sobre aço e alumínio para 50%, o dobro da atual. A medida, segundo ele, é um “exemplo de mobilização” da economia europeia em defesa de sua competitividade industrial.
“Esse exemplo da Europa, dos 27 países que a compõem — e a Inglaterra e a Grécia normalmente acompanham esses processos —, é extremamente importante porque mostra a mobilização da economia europeia em relação à agressividade e, inclusive, decisões políticas que acontecem no mundo siderúrgico. Essa medida afeta o setor, mas é, de forma mais ampla, uma proteção da competitividade industrial da Europa”, disse ao Valor.
Atualmente, as importações ocupam um terço do mercado brasileiro de aço. De janeiro a agosto, as importações de aço laminado do Brasil cresceram 30% em relação a igual período de 2024, e a previsão é de alta de 32,2% no ano, o triplo da média histórica, segundo dados do Instituto Aço Brasil. A alta ocorre mesmo após o Brasil ter reforçado as defesas comerciais em relação a 14 NCMs (Nomenclaturas Comuns do Mercosul), de 273 disponíveis, com a renovação do mecanismo Cota-Tarifa.
Cenário levou a revisões de investimento
As empresas brasileiras têm feito pleitos para que o governo implemente também medidas de defesa comercial – algumas saíram, e o setor considera que não foram tão relevantes porque o aço chinês subsidiado continua entrando de maneira relevante. Algumas companhias, como a própria Gerdau e a Usiminas, já revisaram os planos de investimentos e diminuíram.
Para o empresário, a União Europeia está “sabendo se defender da agressão chinesa sobre os mercados”. Ele avalia que o Brasil ainda não alcançou o mesmo nível de resposta observado em economias desenvolvidas.
“O Brasil tem uma estrutura tecnológica competente no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), mas a guerra hoje é total. O país ainda não atingiu os patamares de proteção que o mundo desenvolvido, o econômico ocidental, tomou”, afirmou.
Para Gerdau, o Brasil vive um momento que exige decisões fora do padrão histórico do país na área comercial e defendeu que o governo siga o exemplo de Europa e Estados Unidos, adotando medidas mais firmes de proteção ao mercado e à indústria nacional.
Aproximação entre Lula e Trump
Gerdau também comentou a recente aproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente americano, Donald Trump, vista como um gesto diplomático importante para tentar reverter a tarifa de 50% sobre o aço brasileiro.
A Gerdau, que mantém operações industriais nos Estados Unidos, foi menos afetada que outras siderúrgicas nacionais pela medida e tem focado as operações nos EUA, mas segue atenta aos desdobramentos da política comercial americana e à necessidade de preservar a competitividade de suas exportações a partir do Brasil, diante de um cenário internacional cada vez mais protecionista.
“A abertura de diálogo é extremamente importante. Temos esperança de que, através do diálogo, se encontrem caminhos para ajustar, no curto prazo, esse conflito de interesses que temos vivido nas últimas semanas”, disse o empresário.
Venda de minério de ferro a partir de 2026
No campo estratégico, a empresa anunciou recentemente que deve iniciar a venda de minério de ferro a partir de 2026, ampliando sua atuação no setor de mineração.
“Isso vai permitir atender toda a nossa demanda interna e ainda gerar excedente para exportação”, afirmou, ressaltando que o movimento reforça a competitividade global da empresa e amplia sua diversificação de receitas.
Valor - SP 10/10/2025
O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) exigiu que seja feito o cálculo por atraso na venda das ações
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) terá de incluir na sessão de 22 de outubro o caso em que obrigou a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) a reduzir sua participação na Usiminas, inclusive julgando a multa que a CSN precisará pagar. É o que determina decisão do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6) a qual o Valor teve acesso. A aplicação de multa havia sido descartada pela área técnica do órgão antitruste, que pretende recorrer.
Em agosto, o Tribunal do Cade julgou recurso em que a Usiminas questionava se a CSN estaria cumprindo determinação de desinvestimento das ações que tinha na companhia mineira. Ficou determinado prazo de cinco dias para que a área técnica do Cade apurasse a multa a ser paga pela CSN. Mas, para os técnicos do órgão, a multa não seria devida, porque o desinvestimento foi feito. Agora, a decisão do TRF-6 determina que seja feito o cálculo da multa.
Há um desconforto no Cade com relação a esse assunto, segundo fontes, em decorrência de despacho anterior do TRF-6 que intimou pessoalmente os conselheiros a analisarem o caso. Agora, a nova decisão intima pessoalmente o presidente do órgão antitruste, Gustavo Augusto.
A desembargadora federal Mônica Sifuentes aponta na decisão que, neste momento processual, não se discute mais a obrigatoriedade de atuação do Cade, mas “a forma e o tempo em que a autarquia deve adotar” uma série de medidas ligadas ao caso.
A desembargadora aponta ainda que o não cumprimento das determinações resultará no envio do caso à Procuradoria da República no Distrito Federal para apuração de “eventual responsabilidade penal e administrativa por desobediência à ordem judicial”.
O pano de fundo dessa disputa é um acordo de desinvestimento firmado para minimizar as preocupações concorrenciais identificadas na aquisição, pela CSN, de ações que não integram o bloco de controle da Usiminas. O prazo para o desinvestimento foi prorrogado em 2019 e, em 2022, repactuado, com tempo indeterminado para venda.
Em junho de 2025, tendo em vista decisão judicial para que a CSN vendesse a participação, o Tribunal do Cade aprovou prazo de 60 dias para que a siderúrgica apresentasse um cronograma de desinvestimento “no menor tempo possível”. O prazo final seria 1º de setembro.
No julgamento do recurso em agosto, a CSN informou ao Cade que reduziu a participação, como determinado. Mesmo com a venda, a Procuradoria Federal especializada junto ao Cade e o Ministério Público Federal (MPF) recomendaram o cumprimento de medidas de multa e intervenção judicial, alegando que havia demora para a venda e para cumprimento de decisão judicial.
A disputa na esfera administrativa é uma ponta dos desentendimentos entre CSN e o grupo ítalo-argentino Ternium. Esses desentendimentos são decorrentes da compra de participação na Usiminas pela CSN e da aquisição de ações pela Ternium. Em outra frente da disputa, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), depois de idas e vindas, a Terceira Turma considerou que a CSN deve ser indenizada devido à compra de ações da Usiminas pela Ternium em 2011. O valor seria bilionário, pelas contas da CSN. O caso ainda tramita no STJ, por recursos.
Por meio de nota, o Cade afirmou que recebeu com naturalidade a intimação dirigida ao seu presidente, já que ele é o representante legal do conselho. O órgão informou que vai recorrer da decisão, por entender que ela contraria as conclusões de sua área técnica e invade competências legais de seu Tribunal, autoridade responsável pelo julgamento dos processos administrativos no âmbito da defesa da concorrência.
A Usiminas informou em nota que o Cade já decidiu que a compra de ações ocorreu de forma “ilegal e contrária à legislação brasileira”. Segundo a Usiminas, a CSN só vendeu as ações por causa de ordem judicial após mais de 11 anos. A companhia destacou que os recursos provenientes da multa serão destinados aos cofres públicos. A CSN não se manifestou.
O Estado de S.Paulo - SP 10/10/2025
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou setembro com alta de 0,48%, ante um recuo de 0,11% em agosto, informou nesta quinta-feira, 9, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A taxa acumulada pela inflação no ano ficou em 3,64%. O resultado acumulado em 12 meses foi de 5,17% até setembro, ante taxa de 5,13% até agosto.
O porcentual de setembro ficou abaixo da mediana das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, de 0,52%, com intervalo entre 0,46% e 0,58%.
O grupo Habitação foi o responsável pela maior variação (2,97%) e maior impacto (0,45 p.p.) no índice de setembro. Foi a maior alta do grupo desde fevereiro de 2025 (4,44%). “Considerando os meses de setembro, a alta do grupo foi a maior desde 1995, quando subiu 4,51%”, afirmou Fernando Gonçalves, gerente do IPCA.
A principal influência veio da energia elétrica residencial, que saiu de -4,21% no mês anterior para 10,31% em setembro, registrando o maior impacto individual (0,41 p.p.) na taxa de setembro.
Os preços de Transportes subiram 0,01% em setembro, após queda de 0,27% em agosto.
Os preços de combustíveis tiveram alta de 0,87% em setembro, após recuo de 0,89% no mês anterior. A gasolina subiu 0,75%, após ter registrado queda de 0,94% em agosto, enquanto o etanol avançou 2,25% nesta leitura, após queda de 0,82% na última.
O Estadão/Broadcast calcula o impacto de cada grupo no IPCA com base na variação mensal e no peso mensal disponíveis no Sistema IBGE de Recuperação Automática (Sidra). O resultado pode ter divergências pontuais com o impacto divulgado pelo IBGE, que considera mais casas decimais do que as disponibilizadas publicamente na taxa de cada item.
Os preços de Alimentação e bebidas caíram 0,26% em setembro, após queda de 0,46% em agosto. O grupo deu uma contribuição negativa de 0,06 ponto porcentual para o IPCA.
Entre os componentes do grupo, a alimentação no domicílio teve queda de 0,41% em setembro, após ter recuado 0,83% no mês anterior. A alimentação fora do domicílio subiu 0,11%, ante alta de 0,50% em agosto.
Diário do Comércio - MG 10/10/2025
O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton José David, afirmou nesta quinta-feira (9) que a instituição não terá “nenhum problema” em subir novamente a Selic se necessário, mas reiterou a mensagem de manutenção da taxa básica em 15% por um período prolongado.
Em participação em evento da Câmara Espanhola, em São Paulo, David afirmou que o ciclo de política monetária atual está diferente de outros ciclos, citando o nível de incerteza “bastante maior”.
“Neste cenário de incerteza, a condução da política monetária que se requer é algo mais restritivo do que se teria em outros casos”, pontuou David, acrescentando: “Se houver alguma alteração do curso, não teremos nenhum problema em ou subir, ou ajustar”, ressaltou.
David afirmou ainda que a decisão tomada pelo BC de interromper as elevações da Selic demanda um período mais prolongado de estabilidade da taxa básica, para que a inflação seja trazida à meta.
“Esse ‘bastante’ (prolongado) é basicamente o trade-off de não termos ido além dos 15%”, disse David.
O centro da meta contínua de inflação do Banco Central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta quinta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), o índice oficial de inflação, subiu 0,48% em setembro, abaixo do 0,52% projetado por economistas consultados pela Reuters. Em 12 meses até setembro a inflação atingiu 5,17%, ante projeção de 5,22%.
Moderação
Ao avaliar o cenário atual, David lembrou que o Brasil passou por quatro anos de crescimento econômico “bastante robusto” e “além do esperado” e que a atividade ainda está acima do potencial, mas que o BC espera que haja alguma moderação.
“O cenário prospectivo é de arrefecimento deste crescimento, o suficiente para trazer a inflação para a meta”, disse David, acrescentando que a inflação está “razoavelmente contida”, ainda que acima do intervalo de tolerância da meta.
O diretor defendeu ainda que a decisão de julho de interromper o processo de elevações da Selic – em um momento em que muitos agentes ainda enxergavam a necessidade de mais altas até que as expectativas de inflação caíssem mais – foi “muito bem aceita” pelo mercado.
Em outro momento, o diretor lembrou que as expectativas de inflação do mercado no relatório Focus trazem informações não consideradas pelo BC em suas projeções, como alterações do cenário fiscal e a movimentação da política comercial norte-americana.
David afirmou que o BC não quer “correr o risco de reagir a ruídos” e que não vai “colocar volatilidade no mercado”.
Valorização do real frente ao dólar é significativa, afirma David
O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton José David, avaliou nesta quinta que metade do ganho de valor do real este ano se deve à valorização da própria moeda brasileira, enquanto a outra metade se deve ao enfraquecimento do dólar.
Desde o início de 2025 o dólar acumula queda de cerca de 13% ante o real, acompanhando um movimento mais amplo visto também em outras praças, de recuo da moeda norte-americana ante divisas de países emergentes. No ano passado, o dólar havia subido 27% ante o real.
“A valorização do real deste ano vem metade da valorização do real per se e metade do enfraquecimento do dólar”, disse David durante evento da Câmara Espanhola, em São Paulo, acrescentando que o dólar está atualmente no mesmo nível de 15 meses atrás. “Houve um ruído de volatilidade e um retorno”, observou.
David afirmou ainda que as reservas internacionais do Brasil estão em nível “bastante razoável” e que isso não lhe “tira o sono”.
“As reservas cresceram quase 10% este ano, por rentabilidade. Não compramos dólares”, lembrou David. “Elas são reservas para o caso de necessidades.”
O diretor do BC citou ainda uma característica do mercado de câmbio brasileiro, que tem mais de 90% da liquidez concentrada nos derivativos, contra cerca de 10% do segmento spot (à vista) – ao contrário do que se vê em outros países, que concentram cerca de 50% em cada um dos segmentos.
Além disso, David ponderou que os canais de comunicação entre os mercados spot e de derivativos cambiais no Brasil são “razoavelmente estreitos”.
Por conta disso, segundo ele, quando ocorre alguma disfuncionalidade no mercado de câmbio, atuar no spot não é o mais eficiente.
De fato, historicamente, esta característica do mercado brasileiro tem levado o BC a atuar mais por meio de swaps cambiais – um tipo de derivativo que influencia os preços no mercado futuro de dólar – do que por meio da venda direta da moeda norte-americana.
Questionado se, em função das características do mercado brasileiro, ele observa principalmente as reservas brutas ou as reservas líquidas (com o desconto da posição do BC em swaps), David defendeu que “o mundo de swap é apartado das reservas”.
Os dados mais recentes do BC mostram que as reservas internacionais somam cerca de US$357 bilhões atualmente, contra US$330 bilhões do fim de 2024.
CNN Brasil - SP 10/10/2025
O banco central dos Estados Unidos deve agir com cautela em relação a novos cortes na taxa de juros, disse o diretor do Federal Reserve Michael Barr nesta quinta-feira (9), em um discurso que se inclinou fortemente para os riscos da inflação, mesmo reconhecendo as possíveis vulnerabilidades em um mercado de trabalho "praticamente equilibrado".
"O Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto) deve ser cauteloso quanto ao ajuste da política monetária para que possamos coletar mais dados, atualizar nossas previsões e avaliar melhor o equilíbrio de riscos", disse Barr em comentários preparados para o Economic Club of Minnesota, seu primeiro discurso sobre política monetária desde junho.
Com os riscos de alta para a inflação e negativos para o mercado de trabalho, o Fed está em uma "posição desafiadora", sem um caminho livre de riscos para definir a política monetária, disse Barr, repetindo explicitamente a forma como o chair do Fed, Jerome Powell, formulou o dilema atual do banco central.
Barr disse que defendeu a redução de 0,25 ponto percentual na taxa de juros pelo Fed no mês passado, mas concentrou muitos de seus comentários nos riscos que as tarifas do governo Trump representam para a inflação, sugerindo que não está convencido da necessidade de uma série de cortes nos juros, como os mercados financeiros esperam atualmente.
Ele disse que prevê que a inflação subjacente pela principal medida do Fed, o núcleo do índice de preços PCE, suba para mais de 3% até o final deste ano, e observou que as autoridades do banco central não esperam que a inflação geral caia para a meta de 2% até o final de 2027.
Esse seria o período mais longo de inflação pelo PCE acima de 2% desde um período de sete anos que terminou em 1993, disse Barr.
"Depois da alta inflação que os norte-americanos suportaram, mais dois anos seria muito tempo para esperar um retorno à nossa meta, e essa possibilidade pesa em meu julgamento sobre a política monetária apropriada", disse ele.
O Estado de S.Paulo - SP 10/10/2025
A disputa judicial sobre as tarifas impostas sob a lei de emergências econômicas (IEEPA) pode beneficiar o Brasil nas negociações com os Estados Unidos. Se a Suprema Corte americana confirmar as decisões já tomadas em instâncias inferiores, declarando ilegais as tarifas criadas por Donald Trump, o Brasil passará a negociar em condições menos desfavoráveis — ainda que as chances de um acordo amplo para reduzir tarifas permaneçam remotas. Isso pode ocorrer ainda em 2025, possivelmente em novembro.
Hoje, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), quase três quartos das exportações brasileiras para os EUA enfrentam sobretaxas, combinando as medidas da IEEPA com as tarifas sobre aço e alumínio da chamada Seção 232. Uma eventual invalidação dessas tarifas emergenciais eliminaria boa parte dessa barreira, abrindo espaço para que setores específicos — como calçados, têxteis e máquinas — recuperem parte da competitividade perdida. A decisão também poderia obrigar os EUA a reembolsar importadores e a redesenhar sua política comercial, já que a Suprema Corte indicará limites claros ao poder presidencial de tributar por decreto.
Ainda assim, o alívio não seria total. Caso perca na Corte, Trump tem à disposição outros instrumentos legais, como as investigações sob a Seção 301, que permitem tarifas temporárias ou medidas punitivas contra países considerados “injustos” no comércio. A muralha tarifária, portanto, seria reerguida por outros meios. É nesse intervalo, contudo, que o Brasil pode agir. O governo e o setor privado têm a oportunidade de pressionar Washington para poupar segmentos mais afetados na eventual formulação de uma nova rodada de medidas.
O diálogo direto entre Lula e Trump já ajudou a reduzir o risco de uma escalada política e comercial. A relação entre os países parece ter se estabilizado em um patamar pragmático, em que nenhum dos lados deseja agravar tensões. Mas um acordo abrangente que reduza tarifas de forma ampla dependeria de concessões estruturais — em temas como tarifas, compromissos de investimento e compras governamentais — que são difíceis e improváveis neste momento.
Por isso, mesmo que a Suprema Corte invalide as tarifas emergenciais, as barreiras mais altas devem continuar sendo o “novo normal” do comércio bilateral. O possível revés jurídico de Trump, contudo, traria um novo ponto de partida para as negociações: em vez de reagir a uma ofensiva tarifária já consolidada, o Brasil poderia negociar a partir de uma posição menos defensiva, com tempo para construir alianças e coordenar estratégias com outros exportadores. Essa margem, embora estreita, seria valiosa nas negociações.
O Estado de S.Paulo - SP 10/10/2025
É digna de nota a segurança demonstrada pelo presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, ao defender a política monetária em um evento organizado pela Fundação Fernando Henrique Cardoso. Para quem foi chamado de “menino de ouro” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes mesmo de ser indicado para a função, Galípolo tem provado estar à altura do desafio a despeito das pressões que aumentaram e certamente aumentarão ainda mais nos próximos meses.
Se a maioria do mercado aposta que o Banco Central (BC) manterá a taxa básica de juros em 15% até o fim deste ano, boa parte deles prevê que um ciclo de redução da Selic possa ser iniciado ainda no primeiro trimestre de 2026. No boletim Focus, a mediana das projeções estima que os juros chegarão a 12,25% ao fim do ano que vem, período que exigirá nervos de aço dos integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom).
O presidente Lula nunca escondeu a preocupação com o crescimento da economia, mas até o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, passou a deixar claro seu incômodo com os juros nos últimos meses. A questão é que o afrouxamento monetário esperado para o ano que vem certamente não será suficiente para alavancar o crescimento econômico em um nível muito além das projeções atuais, de 1,5%, segundo o Relatório de Política Monetária do BC, de 1,80%, conforme o boletim Focus, de 2,2%, de acordo com o Banco Mundial, e de 2,4%, para o Ministério da Fazenda.
É importante, assim, que Galípolo tenha aproveitado o momento para dizer que uma de suas funções, como presidente do BC, é “saber dizer ‘não’” para pessoas importantes. Ele disse já saber que manter os juros em patamar restritivo por certo tempo seria mais difícil que aumentá-los. “A expressão que eu usei foi ‘a gente vai ter que trincar os dentes’. E é isso mesmo”, afirmou, ao lembrar de uma frase que havia dito em dezembro do ano passado, quando o Copom elevou os juros a 12,25% ao ano.
Os indicadores reforçam a prudência do presidente do BC. Mesmo com a Selic no nível mais elevado desde 2006, a inflação resiste a se aproximar da meta de 3%. O boletim Focus mostra que a projeção para o IPCA é de 4,80% neste ano e de 4,28% em 2026, e mesmo para horizontes mais longos, como 2027 e 2028, a previsão é de 3,90% e de 3,70%, respectivamente.
A taxa de desemprego, por sua vez, fechou o trimestre encerrado em agosto em 5,6%, menor nível da série histórica, iniciada em 2012. O resultado, no entanto, se deve mais à queda da taxa de participação no mercado de trabalho do que ao aumento da produtividade, fenômeno praticamente restrito ao agronegócio.
Não resta dúvida de que o BC tem feito sua parte para levar a inflação à meta – e, como Galípolo fez questão de destacar, ao centro da meta, e não ao seu limite superior. O problema é que o Executivo não ajuda em nada nessa tarefa – pelo contrário. A despeito dos questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU), o governo insiste em perseguir o piso da meta fiscal, em vez de seu centro, e é improvável que mude de atitude em um ano eleitoral.
IstoÉ Dinheiro - SP 10/10/2025
Na avaliação da economista-chefe do JPMorgan para o Brasil, Cassiana Fernandez, a inflação se tornou uma variável menos preocupante na conjuntura econômica atual, especialmente comparando com o início do ano de 2025 – cenário que corrobora a tese da casa de um corte de 25 pontos base (bps) na Taxa Selic ainda em dezembro.
Ao Dinheiro Entrevista, Cassiana Fernandez comenta que, em partes, isso se dá pela retração na cotação do dólar, dado que a moeda estava na casa dos R$ 6 há meses atrás e atualmente opera na faixa dos R$ 5,30, reduzindo drasticamente a pressão do câmbio na inflação.
“Percebemos isso tanto na dos bens, os transacionáveis de uma forma geral, mas também em alimentação. Todo mundo que acaba sofrendo mais esse repasse cambial benéfico. Quando a gente estava no final do ano passado com dólar acima de R$ 6, o medo era muito maior, e agora com dólar a R$ 5,30, a preocupação é menor nessa parte, onde [a inflação] ainda é muito resiliente”, analisa.
O dólar tem perdido força globalmente, estando em apreciação ante poucas moedas das principais economias globais. O DXY, que mensura a força do dólar ante uma cesta de moedas, cai cerca de 10% no acumulado de 2025 até então.
A especialista ainda recorda que há cerca de três meses atrás o mercado precificava uma inflação consideravelmente elevada, com NTN-Bs (títulos de renda fixa que remuneram o investidor com a variação da inflação) rodando acima de 7%.
“Você tinha o consenso do mercado, no [Boletim] Focus em 6% para esse ano e acabou surpreendendo de uma forma bastante significativa. Hoje o Focus está em 4,8%. Você acabou tendo uma surpresa benéfica para a inflação esse ano. Ela foi muito abaixo do que se temia no começo do ano, e um dos fatores para isso foi a taxa de câmbio.”
Acerca dos dados de inflação mais recentes, Fernandez aponta que uma das surpresas positivas da última leitura da prévia de inflação (IPCA-15) foi o núcleo de serviços, que ‘continua muito forte’ e é uma resposta natural dentro de um mercado de trabalho que continua aquecido.
“Tem aí um fator específico na parte de seguros de automóveis, mas mesmo se você tirar isso, acho que para para a gente o grande destaque da leitura do IPCA 15 acabou sendo a surpresa em relação às nossas projeções na parte do núcleo inflação, mostrando uma desinflação mais robusta, uma tendência desinflação mais confiável para a frente.”
Apesar disso, frisa que os dados recentes de desemprego – nas mínimas históricas – não necessariamente traduzem uma economia a plenos pulmões.
A visão é de que a economia brasileira tem ‘testado’ a importância de todas as reformas que foram aprovadas desde 2016, incluindo a própria reforma trabalhista.
“A gente possa talvez, sim, ter uma percepção que o mercado de trabalho está aquecido, mas talvez não esteja tão aquecido, porque a nossa taxa de desemprego neutra, que é aquela que não aumenta e nem diminui a inflação, talvez seja um número mais baixo ainda a ser verificado.”
Leitura da inflação de setembro deve mostrar ‘reversão’ no grupo de habitação
Acerca da leitura de IPCA a ser divulgada nesta quinta-feira, 9, Fernandez avalia que espera uma certa reversão no grupo de habitação, dado que na leitura anterior, referente ao mês de agosto, foi visto um impacto atrelado ao desconto dos preços de eletricidade.
No caso do grupo de alimentação, por conta do cenário global de preços, commodities e taxa de câmbio, a expectativa é de uma perpetuidade na desinflação – endossando os prognósticos da casa, que são mais otimistas do que a média do mercado.
A projeção do JPMorgan é de um IPCA de 4,7% para este ano e de 3,6% para o ano de 2026.
Corte da Selic ainda neste ano
Na contramão do consenso do mercado financeiro e apesar de um Banco Central (BC) que tem falado em juros altos ‘por período bastante prolongado’, o banco projeta um início de ciclo de cortes ainda neste ano, na reunião de dezembro.
A expectativa é de uma redução de 0,25 ponto percentual (p.p.), jogando a Selic para 14,75%, com o ciclo continuando em 2026, fechando o ano com juros básicos em 10,75%.
Assim, a expectativa é de que a autoridade monetária ajuste sua comunicação já em novembro, em uma mudança de postura para iniciar a flexibilização monetária.
“Acho que tem uma série de fatores que levariam esse cenário. O primeiro deles é do lado da economia global. A continuação da tendência de enfraquecimento do dólar abre espaço para uma apreciação da moeda e redução da inflação de bens comercializáveis. A gente também tem a perspectiva de um número de preços mais baixos na parte de commodities de uma forma geral, principalmente o preço de petróleo do ano que vem, o que levaria uma inflação mais baixa aqui no Brasil”, explica.
A tese é de que tanto os patamares restritivos dos juros quanto uma aceleração do impulso fiscal também abrem espaço para a desaceleração da economia brasileira.
“Acho que isso já vem acontecendo, você já tem números que mostram isso.”
A respeito dos números do mercado de trabalho, a visão é de que já há certa desaceleração, todavia o processo ‘nunca é homogêneo’, fazendo com que os indicadores mais globais ainda não reflitam isso.
“Inflação mais baixa com enfraquecimento do mercado de trabalho já abre espaço para o Banco Central começar o início de corte de juros já no final do ano. Acho que é importante enfatizar que, se não encontrarmos essas condições ainda em dezembro, você pode sim ter um atraso no início do corte de taxa de juros, mas você abre espaço para um corte maior ao longo de 2026, conclui a economista-chefe do JPMorgan.
Infomoney - SP 10/10/2025
Os contratos futuros do minério de ferro avançaram nesta quinta-feira, apoiados pela reposição de estoques nas usinas siderúrgicas chinesas após o feriado do Dia Nacional, embora as margens de lucro e preocupações com restrições comerciais ao aço tenham pesado sobre o sentimento do mercado.
O contrato de janeiro do minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou a sessão do dia com alta de 0,96%, a 790,5 iuanes (US$110,90) a tonelada.
O minério de ferro de referência de outubro na Bolsa de Cingapura subiu 0,34%, a US$104,55 a tonelada.
Algumas usinas siderúrgicas começaram a reabastecer estoques após o feriado do Dia Nacional da China, embora as margens de lucro continuem sob pressão devido aos elevados preços do coque, de acordo com a corretora Hexun Futures.
A atividade de negociação no mercado de minério de ferro foi moderada na semana passada, em meio ao fechamento dos mercados chineses. No entanto, os analistas da ANZ observaram que o mercado provavelmente se preocupará com os esforços adicionais para limitar as exportações de aço da China.
Na Europa, a Comissão Europeia propôs redução das cotas de importação de aço isentas de tarifas em quase metade para apoiar a competitividade dos fabricantes de aço da UE.
O aumento das importações e as tarifas dos EUA deixaram os produtores de aço da UE operando com apenas 67% da capacidade, enquanto essas medidas visam aumentar esse percentual para 80%.
No final de setembro, a UE havia anunciado planos para impor tarifas de 25% a 50% sobre o aço chinês e produtos relacionados.
A China enviou aproximadamente 4% de suas exportações de aço para a UE em 2024, ou o equivalente 368.000 toneladas.
Enquanto isso, o comprador estatal de minério de ferro da China interrompeu as compras de cargas da mineradora australiana BHP durante as negociações anuais de preços no início deste mês. O impasse corre o risco de exercer mais pressão sobre as margens do aço.
IstoÉ Dinheiro - SP 10/10/2025
A BYD anunciou nesta quinta-feira, 9, o plano de chegar a uma capacidade de produção de 600 mil carros na fábrica inaugurada oficialmente nesta mesma data em Camaçari, na Bahia. A unidade arranca com capacidade instalada de 150 mil veículos por ano e já tinha, no projeto original, a previsão de chegar a 300 mil unidades numa segunda etapa.
Antes da cerimônia de inauguração da fábrica, porém, o CEO da BYD, Wang Chuanfu, anunciou ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o compromisso de dobrar esse volume, para 600 mil automóveis.
A meta da BYD é ser uma das três maiores montadoras do País até 2028 e se tornar a número um até 2030.
Nesta quinta, a BYD inaugurou a linha que finaliza a produção dos carros que a marca importa parcialmente montados da China.
A cerimônia reuniu, além de Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e o prefeito de Camaçari, Luiz Carlos Caetano.
A fábrica, conforme informa a montadora, já emprega mais de 1,5 mil trabalhadores. A promessa é avançar gradualmente no uso de componentes nacionais dos automóveis. A marca chinesa investirá R$ 5,5 bilhões no complexo de Camaçari.
Quando concluído, assegura a BYD, o complexo realizará a fabricação completa dos principais modelos da marca.
Os carros que são montados da fábrica chegam praticamente prontos. Isso porque, durante um ano, a operação vai funcionar no sistema SKD (Semi Knocked-Down), ou seja, com peças semidesmontadas, e importadas da China. A BYD promete que a planta evolua gradualmente para uma produção nacional completa – que inclui estampagem, soldagem, pintura e aumento do conteúdo local.
Adiamentos e problemas
Em julho deste ano, a BYD chamou a imprensa para um evento que seria a inauguração de sua fábrica em Camaçari (BA). Apesar de ter os primeiros protótipos de carros montados na linha de montagem, foi apenas o “início da operação da fábrica”. À época, ainda faltavam licenças para a liberação dos veículos.
A planta baiana passou por outros adiamentos e mudanças de planos. A primeira data de estreia a ser projetada foi “final de 2024”, depois “primeiro semestre de 2025”.
Além de ter um problema de maquinário parado no Porto de Salvador por meses em 2024, houve a descoberta de trabalhadores em situação análoga à escravidão nas obras da fábrica, no final do mesmo ano.
Valor - SP 10/10/2025
Queda nos preços dos veículos elétricos se deve em grande parte aos esforços dos fabricantes chineses de baterias automotivas para se expandir globalmente
A guerra de preços de veículos elétricos está se expandindo além da China, à medida que a demanda enfraquecida leva montadoras como Tesla e Nissan a cortar preços.
A Tesla anunciou na terça-feira novas versões de dois modelos emblemáticos nos Estados Unidos com preços cerca de 10% mais baixos do que as opções mais baratas existentes, com autonomia reduzida e interiores mais básicos. O novo utilitário esportivo Model Y tem preço inicial de US$ 39.990, US$ 5 mil a menos que a versão atual de menor preço.
A medida ocorre depois que o governo do presidente americano Donald Trump, cético em relação às mudanças climáticas, cancelou uma isenção fiscal de US$ 7.500 para veículos elétricos, introduzida pelo antecessor Joe Biden no fim de setembro, tornando o Model Y existente e outros modelos populares cerca de 20% mais caros. A Tesla está se apressando para lançar opções mais acessíveis para evitar a perda de clientes.
As ações da montadora caíram 4% na terça-feira. A Tesla, que controlava mais de 80% do mercado de veículos elétricos dos Estados Unidos há cinco anos, agora está abaixo de 50%, e muitos investidores consideram sua recente iniciativa insuficiente para uma retomada efetiva. O executivo-chefe (CEO) da Tesla, Elon Musk, há muito tempo fala sobre o lançamento de modelos com preços abaixo de US$ 30 mil.
Embora a Tesla lide com as etapas que vão da produção de baterias à montagem de automóveis nos Estados Unidos para o mercado americano, ela possui uma cadeia de suprimentos global de peças e materiais. Em particular, depende das importações da China para metais de terras raras necessários para baterias e motores.
Pequim reforçou o controle sobre a produção de terras raras para garantir uma vantagem nas negociações comerciais com os Estados Unidos. Mesmo para a Tesla, uma grande compradora dos minerais, encontrar fontes alternativas não é fácil. As tensões comerciais prolongadas entre os Estados Unidos e a China limitam as opções da montadora para cortar custos.
A General Motors (GM) e a Ford vêm reduzindo gradualmente os preços dos veículos elétricos. Ambas planejam lançar modelos abaixo da marca de US$ 30 mil.
A Hyundai está reduzindo os preços de novos modelos elétricos nos Estados Unidos em até 20% em comparação com sua linha atual. O executivo-chefe (CEO), José Munoz, disse que a montadora sul-coreana busca lançar veículos elétricos mais acessíveis e competitivos na Europa, Índia e China.
Cortes de preços também estão surgindo no Japão, que tem a menor taxa de adoção de veículos elétricos entre as economias avançadas. A Nissan anunciou na quarta-feira um preço de varejo sugerido de cerca de 5,19 milhões de ienes (US$ 34 mil) para a versão padrão de seu Leaf remodelado, cerca de 60 mil ienes mais barato que o equivalente atual.
Essa decisão ocorre num momento de pressão competitiva da BYD e de outras montadoras chinesas, que estão usando preços baixos para avançar no vizinho Japão, à medida que o crescimento do mercado chinês de veículos elétricos desacelera. No mês passado, a BYD ofereceu um desconto temporário de até 1,17 milhão de ienes em modelos elétricos populares no Japão.
A queda nos preços dos veículos elétricos se deve em grande parte aos esforços dos fabricantes chineses de baterias automotivas para se expandir globalmente. A Contemporary Amperex Technology Ltd. (CATL), principal fornecedora global, está investindo em uma fábrica de baterias com a montadora europeia Stellantis.
O Goldman Sachs prevê que, embora os veículos elétricos representem apenas 15% das vendas globais de automóveis este ano, o crescimento começará a acelerar por volta de 2030, elevando o número para 52% em 2040. Na Europa, a adoção de veículos elétricos estagnou temporariamente com o fim dos subsídios governamentais, mas empresas como a Volkswagen recentemente voltaram à ofensiva com modelos compactos.
"A longo prazo, os preços dos veículos elétricos cairão em todo o mundo", disse Sanshiro Fukao, membro executivo do Instituto de Pesquisa Itochu. "Haverá uma mudança da fase em que o mercado é moldado pelos primeiros a adotar veículos para uma segunda fase, em que ele é moldado pelos veículos elétricos acessíveis se tornando o mainstream."
Muitas montadoras europeias e americanas, além da Tesla, estão perdendo dinheiro com operações de veículos elétricos. O fim dos subsídios de compra nos Estados Unidos afetará a lucratividade das empresas que dependiam do apoio do governo, deixando mais claro quem são os vencedores e os perdedores e potencialmente levando à reestruturação do setor.
Exame - SP 10/10/2025
As principais montadoras globais, incluindo General Motors, Ford, Toyota, Honda, Hyundai, Kia, Volkswagen e Volvo, devem registrar um prejuízo de mais de US$ 30 bilhões nos lucros operacionais neste ano devido às tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, segundo relatório da Moody’s Ratings e divulgado pelo Yahoo Finance.
O valor corresponde a mais de 20% do lucro operacional registrado pelas empresas no ano passado.
A análise da agência considera que as tarifas reduzirão as margens de lucro em 100 a 150 pontos-base. Apesar de alguns acordos comerciais com a União Europeia e o Japão oferecerem certa estabilidade, negociações com México, Canadá e Coreia do Sul permanecem incertas, aumentando a complexidade para as fabricantes.
Ajustes na produção e medidas de mitigação
Para reduzir o efeito das tarifas, as montadoras têm adotado medidas como a realocação de áreas de produção e ajustes na cadeia de suprimentos. A General Motors, por exemplo, planeja investir US$ 4 bilhões para aumentar a produção e incorporar novos veículos em suas fábricas nos EUA.
Segundo a Moody’s, essas medidas estruturais levam tempo para serem implementadas e podem exigir investimentos adicionais por parte das montadoras e fornecedores. Enquanto isso, ajustes mais imediatos incluem redução de comodidades nos veículos e aumento de preços, soluções mais simples de aplicar frente à incerteza tarifária.
Até mesmo a Tesla, que fabrica todos os veículos nos EUA, foi afetada por impostos sobre peças, incluindo baterias, estimando um aumento de custos de cerca de US$ 300 milhões nos trimestres seguintes.
O impacto tarifário acumulado até junho de 2025 das maiores montadoras que operam nos EUA foi estimado em aproximadamente US$ 11,7 bilhões, com Toyota, Volkswagen, GM, Ford e Honda entre as mais expostas.
A Moody’s prevê que, à medida que as montadoras ganhem clareza sobre os níveis tarifários futuros, continuarão implementando soluções estruturais de longo prazo, incluindo ajustes nas cadeias de suprimentos.
Valor - SP 10/10/2025
As tarifas automotivas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentam um obstáculo adicional em um mercado global hesitante
As entregas de carros da Porsche caíram 6% nos primeiros nove meses do ano, para 226.026 veículos, com o crescimento na América do Norte não conseguindo compensar uma queda acentuada na China.
A queda nas entregas ocorre no momento em que a fabricante alemã de carros esportivos enfrenta a transição global para veículos elétricos e os contínuos desafios de mercado na China, enquanto as tarifas automotivas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentam um obstáculo adicional em um mercado global hesitante.
As entregas em sua maior região de vendas, a América do Norte, subiram 5% no ano, para 64.446 veículos, enquanto as condições de mercado ainda desafiadoras na China viram as entregas no país despencarem 26%, para 43.280 veículos.
As montadoras na China enfrentam uma intensa guerra de preços, com uma lista crescente de fabricantes locais disputando clientes, enquanto um mercado imobiliário chinês em dificuldades e preocupações com a perspectiva de crescimento econômico no país levaram os compradores a recuar nos gastos de luxo.
As marcas alemãs BMW e Mercedes-Benz também registraram recentemente quedas acentuadas nas vendas na China.
Na Europa, as entregas da Porsche caíram 4%, para 50.286 carros, excluindo seu mercado doméstico, a Alemanha, enquanto as entregas alemãs caíram 16%, embora a companhia tenha notado que no ano passado houve um crescimento desproporcionalmente forte em ambos os mercados.
A empresa espera que o ambiente de mercado permaneça desafiador no futuro, disse ela.
“Mais do que nunca, estamos focando em gerenciar a demanda e a oferta em linha com nossa estratégia de ‘valor sobre volume’”, disse o chefe de vendas e marketing, Matthias Becker. “Também estamos respondendo à demanda cada vez maior dos clientes por individualização de nossos veículos, expandindo ainda mais nesta área.”
A Porsche cortou suas metas várias vezes este ano, alertando sobre os impactos das tarifas de importação dos EUA, investimentos em novos motores a combustão e modelos híbridos em meio à lenta adoção de veículos elétricos e à acirrada concorrência na China.
A empresa realizou recentemente uma revisão abrangente de seu portfólio de produtos, depois de reduzir suas ambições para veículos elétricos e prometer expandir sua oferta para incluir mais modelos com motores a combustão e trens de força híbridos plug-in do que o planejado originalmente.
No entanto, em seu comunicado hoje, a empresa disse que aumentou significativamente a participação de veículos eletrificados que vendeu nos primeiros nove meses do ano. Cerca de 35,2% dos carros que entregou no período foram eletrificados, sendo 23,1% veículos totalmente elétricos e 12,1% híbridos.
O Macan registrou o maior crescimento entre as seis séries de modelos da fabricante de carros esportivos, com um aumento de 18%.
A Porsche revelou recentemente um novo modelo de seu carro-chefe, o 911, e a demanda é “muito forte”, disse a empresa.
Monitor Digital - RJ 10/10/2025
Em setembro, o Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) variou 0,50%. A taxa é 0,29 ponto percentual (p.p) abaixo da registrada em agosto, que foi 0,79%. O acumulado nos últimos 12 meses ficou em 5,58%, resultado acima dos 5,42% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em setembro de 2024, o índice foi de 0,35%. Os dados foram divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O custo nacional da construção, por metro quadrado, que em agosto fechou em R$ 1.863, passou para R$ 1.872,24 em setembro, sendo R$ 1.068,14 relativos aos materiais e R$ 804,10 à mão de obra.
A parcela dos materiais variou 0,38%, apresentando queda tanto em relação ao mês anterior (0,50%), quanto ao índice de setembro de 2024 (0,49%), 0,12 e 0,11 pontos percentuais respectivamente.
“Já a mão de obra, com menos acordos coletivos firmados em comparação ao mês anterior, ficou com variação de 0,65%, apresentando queda de 0,53 ponto percentual quando comparada a agosto (1,18%), e alta de 0,49 ponto percentual em relação a setembro de 2024 (0,16%)”, explica o gerente da pesquisa, Augusto Oliveira.
O terceiro trimestre do ano fechou em 3,20% para os materiais e de 6,42% para a mão de obra. Já os acumulados em 12 meses ficaram em 4,79% na parcela dos materiais e 6,66% na parcela da mão de obra.
A Região Centro-Oeste, com alta na parcela dos materiais em todos os estados e influenciada pela alta nas categorias profissionais no Mato Grosso, ficou com a maior variação regional em setembro, 1,90%. As demais regiões apresentaram os seguintes resultados: 0,26% (Norte), 0,66% (Nordeste), 0,23% (Sudeste) e 0,11% (Sul). E com alta na parcela dos materiais e acordo coletivo firmado nas categorias profissionais, Mato Grosso foi o estado que registrou a maior taxa em setembro, 5,45%.
Valor - SP 10/10/2025
O financiamento poderá ser solicitado por famílias residentes em áreas urbanas com renda mensal bruta familiar de até R$ 9.600
A linha de crédito para reforma de casas do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) vai oferecer financiamento entre R$ 5 mil a R$ 30 mil, de acordo com portaria publicada pelo Ministério da Cidades. O programa, que será lançado oficialmente nesta sexta, é uma das apostas eleitorais do governo Lula para 2026.
O financiamento poderá ser solicitado por famílias residentes em áreas urbanas com renda mensal bruta familiar de até R$ 9,6 mil. Os recursos poderão ser usados para gastos com materiais de construção, mão de obra, projeto e orientação técnica da reforma.
As famílias serão divididas em duas faixas, com taxa de juros diferentes. A faixa 1 terá taxa nominal de 1,17% ao mês e será destinada a famílias com renda bruta mensal até R$ 3,2 mil. A faixa 2 terá taxa nominal de 1,95% ao mês, para famílias com renda de R$ 3.200,01 até R$ 9,6 mil.
De acordo com as regras publicadas, as famílias poderão contratar somente um financiamento por vez, sendo vedada a contratação de novo financiamento enquanto houver contrato vigente.
O valor da parcela de financiamento ficará limitado a 25% da renda familiar, e o prazo de amortização da dívida será no mínimo de 24 meses e no máximo de 60 meses, com prestações calculadas pelo Sistema de Amortizações Constantes (SAC) ou Tabela Price, a critério do agente financeiro.
Os recursos para o financiamento virão do Fundo Social do Pré-Sal. Os imóveis que poderão ser reformados por meio do programa deverão estar em área urbana, em capitais ou municípios com arranjos populacionais com mais de 300 mil habitantes.
As mudanças vinham sendo trabalhadas pelo governo junto com alterações no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A expectativa é de injeção de R$ 20 bilhões em crédito imobiliário no sistema financeiro.
CNN Brasil - SP 10/10/2025
O prefeito da cidade de São Paulo, Ricardo Nunes, mencionou durante o Incorpora 2025 — principal evento anual do segmento — nesta quinta-feira (9) a possibilidade de realizar um novo leilão de certificados que permitem a construção de prédios mais altos na região da Faria Lima.
Em agosto deste ano, a Prefeitura realizou um leilão de títulos de Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção) e arrecadou um total de R$ 1,6 bilhão. Acontece, porém, que dos 164 mil certificados disponibilizados, somente 94 mil foram arrematados.
Nunes sinalizou, à época, que a falta de demanda teria como motivação movimentações nos tribunais: quatro dias antes do leilão, a Justiça suspendeu parte de suas regras — mas na véspera do certame voltou atrás.
“Se houve impacto com relação à segurança jurídica, eu não tenho como cravar cem por cento, mas eu acredito que sim. Do que o mercado precisa? Quem vem aqui comprar um bilhão e seiscentos milhões em certificados são grandes empresas, e elas precisam de segurança jurídica”, disse à CNN Brasil no dia do leilão.
No Incorpora, Nunes indicou que fatores externos impactaram o resultado do leilão e na sequência exclamou: “a gente lança outro leilão mais para frente”.
Em sua participação, o emedebista ainda falou que o projeto de reurbanização de Paraisópolis será um “case mundial”. A arrecadação do leilão vai viabilizar regularizações fundiárias, projetos, obras de infraestrutura e implantação de equipamentos culturais e esportivos na favela.
O Estado de S.Paulo - SP 10/10/2025
O ministro das Cidades, Jader Filho, afirmou que a estimativa do governo é que o novo modelo do crédito imobiliário resulte em torno de 80 mil contratações de financiamento pela Caixa Econômica Federal ao longo de um ano após entrar em vigor.
Segundo ele, o novo modelo tem como objetivo atender às famílias que buscam comprar a casa própria e que vinham enfrentando dificuldades para obter crédito em virtude dos juros altos.
“O que nós buscamos é trazer mais recurso para que todas as famílias, não só as das classes mais baixas (...) encontrem uma alternativa de financiamento que caiba no bolso delas”, afirmou o ministro.
Ele lembrou que as famílias com renda até R$ 12 mil já contam com opções de financiamento a juros reduzidos dentro do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Já as famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 20 mil estão desatendidas.
O ministro observou que essas famílias, embora tenham renda superior à boa parte da população, não podem ser consideradas ricas. Para elas, o juro alto tem sido um limitante para a aquisição de imóveis.
Jader Filho disse que o Minha Casa, Minha Vida passará por elevações nas faixas de renda e no teto do preço de imóveis nas faixas mais baixas (1, 2 e 3, com exceção da 4). As alterações já foram definidas e vão passar a valer ainda neste ano.
“São alguns arranjos populacionais em que nós identificamos que existe a necessidade do aumento, porque isso está limitando que as famílias alcancem o financiamento”, afirmou, sem mais detalhes sobre o teor dos ajustes que serão adotados. “Agora, nas próximas semanas, nós vamos tratar para que isso entre em linha, que aconteça”.
O ministro afirmou que as medidas não incluem a recém-lançada faixa 4 do MCMV, que atende famílias com renda de até R$ 12 mil.
Orçamento do FGTS
O ministro disse a empresários que a pasta vai defender que o orçamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de 2026 direcione em torno de R$ 150 bilhões para o segmento da habitação.
Se confirmado, o montante será recorde, refletindo a demanda aquecida de contratações de moradias dentro do programa Minha Casa, Minha Vida. “Este será um recorde histórico no orçamento para habitação”, declarou o ministro. “Não vai faltar recurso para habitação”, emendou, diante de uma plateia repleta de empresários do mercado imobiliário.
O Conselho Curador do FGTS já aprovou, em julho, uma suplementação de R$ 10 bilhões do orçamento para habitação em 2025, que passou de R$ 126,8 bilhões para R$ 136,8 bilhões, devido à demanda por mais contratações no MCMV.
Jader Filho estimou que o orçamento total do FGTS no próximo ano será de R$ 160 bilhões, englobando também os setores de saneamento e infraestrutura.
O ministério das Cidades é um dos membros do conselho curador do FGTS, que engloba representantes do governo, empresas e trabalhadores. A próxima reunião do colegiado será em 13 de novembro, quando o orçamento do ano seguinte deve ser colocado em pauta.
Contratações no MCMV
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As contratações dentro do Minha Casa, Minha Vida devem chegar a 3 milhões até o fim de 2026, estimou o ministro.
A previsão inicial do governo era realizar 2 milhões de contratações dentro dos quatro anos de mandato, mas essa marca será atingida já no fim deste ano. Até aqui, 1,8 milhão de unidades já foram contratadas, das quais 1,1 milhão estão em obras.
“Os números mostram que estamos na era de ouro do Minha Casa, Minha Vida”, afirmou Jader Filho, referindo-se às condições favoráveis de contratação pelas empresas e ao crescimento dos lançamentos e das vendas desses imóveis.
O programa habitacional representou 47% dos lançamentos totais do mercado imobiliário nacional no segundo trimestre e 46% das vendas, de acordo com números da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
O ministro destacou os ajustes nas faixas de renda e nos tetos de preços ao longo do atual governo. Além disso, elogiou os cheques Estados e municipais que servem como subsídios adicionais para as famílias de baixa renda darem entrada na compra da moradia. “Se não fosse a ajuda dos Estados e municípios, não estaríamos conseguindo alcançar essas metas”.
Jader observou ainda que a recém-criada faixa 4 do MCMV já realizou R$ 4 bilhões em contratações desde seu lançamento, em maio. O montante corresponde a pouco mais de 10% do orçamento total do setor, que é de R$ 30 bilhões. Na visão do ministro, a nova faixa está evoluindo, mas ainda é preciso que haja aumento na oferta de empreendimentos pelas incorporadoras para esse público.
O ministro participou hoje do Fórum Brasileiro das Incorporadoras, organizado pela Abrainc.
CNN Brasil - SP 10/10/2025
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, disse durante o Incorpora 2025 — principal evento anual do segmento — nesta quinta-feira (9) esperar que as taxas de juros no Brasil caiam em breve, levando um impulso ao mercado imobiliário.
“É um movimento que deve acontecer em breve, distensionamento da política monetária. Os dados mostram uma queda da inflação, e algumas casas aqui da Faria Lima já preveem inflação dentro da tolerância da meta [...] Essa queda nos preços e redução dos juros são obviamente muito importantes para o setor de construção”, disse.
A taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, está em 15% ao ano, o maior patamar em duas décadas. Parte do mercado financeiro acredita que o início do ciclo de cortes pelo Banco Central terá início no início do ano que vem — ou mesmo antes.
Guilherme Mello também mencionou a nova política imobiliária do governo, que será lançada na sexta-feira (10) pelo presidente Lula. Segundo o secretário, este será mais um item do “arsenal” da gestão federal para a frente habitacional, junto ao fortalecimento do FGTS e uso do Fundo Social.
Apesar da solução a ser apresentada pelo governo, o economista destacou que o Brasil ainda precisa projetar o futuro do crédito imobiliário do país e encontrar fontes de financiamento alternativas à poupança, que se esvazia ano após ano.
“Temos um cenário em que um dos principais fundings, a poupança, está perdendo captação. Há um cenário de juros mais elevados e maior educação financeira que leva as pessoas a investirem suas reservas financeiras em outros ativos”, disse.
“Isso exige que pensemos em uma forma de financiar habitação que não dependa da poupança. É preciso trazer novas formas de funding para esta finalidade”, completou.
Nova política de habitação
Hoje, 65% dos recursos captados pelos bancos da poupança precisam ser direcionados ao crédito imobiliário; 15% estão livres para operações mais rentáveis; e 20% ficam com o BC (Banco Central) na forma de compulsório.
A política do governo será permitir a livre utilização dos recursos pelos bancos em operações rentáveis, com a contrapartida de as instituições concederem crédito imobiliário em montante equivalente ao captado.
Assim, serão inicialmente liberados 5% do compulsório e, caso não haja intercorrências, os 20% estarão disponíveis a partir de 2027.
Durante as discussões da proposta, o setor imobiliário avisava ao governo que temia impactos de uma mudança abrupta e pedia uma regra de transição.
Atualmente o SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) acumula em torno de R$ 750 bilhões. Assim, num primeiro momento a injeção poderia chegar a R$ 35 bilhões, e quando a política estiver estabelecida, a R$ 150 bilhões.
CNN Brasil - SP 10/10/2025
A Siemens, através da sua subsidiária Siemens Mobility, assinou um contrato com a Trivia Trens para modernizar três linhas de trens metropolitanos de São Paulo, anunciou a empresa alemã nesta quinta-feira (9).
A empresa não revelou o valor do contrato.
A Siemens vai fornecer e implementar um sistema completo de sinalização digital com operação automática de trens para as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, cobrindo ao todo 140km de trilhos e 46 estações.
O contrato inclui o equipamento de 107 trens, nove locomotivas e 17 veículos auxiliares, disse.
O escopo do acordo abrange o projeto, fornecimento, instalação, comissionamento e operação assistida do sistema de sinalização nas três linhas, equipando vários tipos de trens de vários fabricantes com unidades de bordo Trainguard ETCS de última geração, disse a Siemens.
Diário do Comércio - MG 10/10/2025
A Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra) solicitou, nesta quinta-feira (9), que a empresa Metrô BH elabore um projeto executivo da Linha 2 do metrô de Belo Horizonte, considerando duas vias em todo o trajeto da malha metroviária. Com a decisão, agora, toda a extensão da nova linha será construída com duas vias como previa o projeto original.
A decisão ocorre porque, nas configurações atuais, cerca de dois quilômetros entre as estações Ferrugem e Barreiro, seriam projetados em linha singela, com somente uma via – o que poderia atrapalhar a fluidez do transporte no trecho. A configuração deficitária, conforme a Seinfra, foi fruto de um pedido feito pela concessionária que argumentava limitações técnicas para a execução da linha dupla, prevista no projeto original.
A partir da solicitação feita pela Metrô BH, a Seinfra demandou que a empresa apresentasse estudos que comprovassem a inviabilidade da linha dupla e a viabilidade da linha singela. No pedido, a secretaria exigiu que o novo projeto provasse que seria assegurado o cumprimento de todos os indicadores de desempenho previstos no contrato e manutenção da qualidade do serviço prestado à população.
No entanto, após a análise dos estudos, a Seinfra entendeu que há viabilidade para o trecho de linha dupla entre as estações Ferrugem e Barreiro. Dessa forma, com a exigência feita pelo governo estadual para o início do projeto executivo, a intervenção voltada para linha dupla no trecho avança para parte de detalhamento da obra.
Valor - SP 10/10/2025
Há vários planos de linhas intercidades em SP, no governo federal e na iniciativa privada
O segmento de trens de passageiros, um dos modais mais negligenciados no Brasil nas últimas décadas, vive um ciclo de novos projetos. O governo de São Paulo, que no ano passado licitou o trem São Paulo-Campinas, prepara a Parceria Público-Privada (PPP) de uma rota ferroviária até Sorocaba. No governo federal, há outros seis projetos em estudo, e grupos privados também buscam viabilizar empreendimentos. No entanto, as iniciativas ainda enfrentam desafios financeiros, operacionais e regulatórios para de fato sair do papel.
Na carteira do Ministério dos Transportes, o projeto mais avançado é o da rota Brasília-Luzitânia, um trecho de 60 km com previsão de R$ 1,7 bilhão de investimentos, além dos gastos operacionais estimados em R$ 3,7 bilhões. Os estudos estão sendo finalizados, e a ideia é fazer o leilão em 2026, segundo Leonardo Cezar Ribeiro, secretário nacional de Transporte Ferroviário.
Para tirar a concessão do papel, será preciso fechar um déficit de viabilidade de R$ 1,2 bilhão. Uma das alternativas em análise é incorporar receitas imobiliárias no cálculo. O uso de recursos públicos também é uma opção para fechar a conta, disse Ribeiro.
Para ele, um dos trunfos do projeto é que a malha não teria que ser construída do zero. O trecho hoje integra a concessão da Ferrovia Centro-Atlântica, da VLI, com foco em carga. O trecho entre as duas cidades é um dos devolvidos pela empresa ao governo, em meio a seu processo de renovação antecipada do contrato, que deverá ser fechado em 2026.
Além do trem Brasília-Luzitânia, o governo federal estuda outros cinco trajetos, também com trechos a serem devolvidos por concessionárias de carga. “A ideia é criar um banco de projetos, com uma preocupação sobre a viabilidade econômica. Por serem ferrovias existentes, têm condições econômicas mais vantajosas”, afirmou o secretário.
No governo de São Paulo, os trens intercidades em estudo têm sido viabilizados por recursos do Estado e pelo compartilhamento de riscos. No caso do Trem Intercidades (TIC) até Campinas, conquistado em 2024 por um consórcio da Comporte com a chinesa CRRC, a rota também foi licitada em bloco com a linha 7-Rubi de trens metropolitanos, já operacional, o que ajudou na atratividade do contrato.
Agora, o Estado prepara o leilão do TIC até Sorocaba, que deverá ser uma extensão da linha 8-Diamante, operada pela Motiva (ex-CCR). A ideia é fazer a licitação do empreendimento entre o fim deste ano e o início de 2026.
No mercado, há também projetos de ferrovias privadas, a serem construídas em regime de autorização, no qual não há participação do governo. O caso mais emblemático é o do trem de alta velocidade São Paulo-Rio de Janeiro, embora no setor haja descrença quanto à viabilidade do empreendimento bilionário.
O trem demandaria investimento estimado em R$ 50 bilhões, além de outros R$ 10 bilhões necessários em desapropriações e desenvolvimento imobiliário - um aspecto importante para sua viabilidade.
Bernardo Figueiredo, presidente da TAV Brasil, empresa responsável pelo projeto, afirma que o grupo está tirando a licença prévia junto aos órgãos ambientais, e que tem um acordo com um grupo chinês. Porém, há dificuldades de avançar pela falta de sinalização de apoio do governo ao projeto. “O que estamos buscando, que é difícil, é um investidor. Somos um grupo de profissionais que estrutura projetos, não somos investidores desse porte. A conversa com os chineses estava avançando, mas eles precisariam que o governo sinalizasse interesse”, disse.
Questionado sobre o empreendimento, Ribeiro afirmou que o governo vê com bons olhos a iniciativa, mas que como se trata de uma infraestrutura totalmente privada, há limites nesse apoio, e citou o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como um dos canais de incentivo para ferrovias dessa natureza.
Recentemente, o governo do Rio Grande do Sul também deu autorização para outro projeto ferroviário privado, do trem entre Porto Alegre e Gramado, em estudo pela Sultrens. A estimativa de investimento gira entre R$ 4 bilhões e R$ 4,5 bilhões, segundo Renato Sucupira, presidente BF Capital, uma das três empresas que compõem a Sultrens.
O grupo também terá o desafio de atrair recursos. “Estamos conversando com possíveis investidores, sejam financeiros ou estratégicos, alguém que queira construir e operar”, afirmou.
Com projetos de diferentes perfis em curso, Ana Patrizia Lira, diretora-executiva da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), vê uma onda de expansão do segmento se formando.
“Vivemos um momento diferenciado, temos projetos em diversas fases, isso é importante para, em algum momento, haver um desenvolvimento. O setor precisa amadurecer mais, obter mais fontes de financiamento e investidores. Mas já há uma preocupação em segurança jurídica para que isso se concretize. Em São Paulo, o setor ferroviário foi incorporado à agência reguladora, no âmbito federal está em construção uma política com diretrizes de compartilhamento de via, garantias ao usuário”, afirmou.
Já analistas veem o movimento com mais ceticismo. Para David Goldberg, diretor-sênior da A&M Infra, os projetos do governo paulista têm desafios, mas estão mais maduros e trazem mecanismos que ajudam a atrair investidores - como o modelo de proteção contra o risco de demanda de passageiros e uma estrutura de garantias dos pagamentos públicos bem organizada.
As iniciativas federais, por sua vez, ainda geram dúvidas. Juan Landeira, também diretor-sênior da A&M Infra, afirma que transformar trilhos de carga em vias voltadas a passageiros não é simples, em especial nos trechos hoje voltados à movimentação de carga e que serão devolvidos, pois, em geral, são estruturas que estão em pior estado. “Quando se fala em trem de passageiros, há uma série de questões a serem consideradas em termos de conforto, velocidade e segurança”, disse.
Para Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes, para além do TIC Campinas, os demais projetos da área ainda são embrionários e não há clareza sobre sua viabilidade. “Resta saber se haverá interessados. São empreendimentos de grande porte, e o dinheiro privado sozinho não vai sustentar.”
Goldberg, da A&M, destaca que até o governo paulista enfrenta dificuldades. “Não é fácil encontrar atores com capacidade de administrar esses riscos, que combinam tanto os desafios de operação da malha quanto os de investimento na infraestrutura. As empresas têm tido dificuldade para encontrar construtoras com liquidez”, afirmou.
O modelo de transporte de passageiros por trilhos começou a se enfraquecer no Brasil a partir dos anos 1950, na esteira de uma decisão política de impulsionar o modal rodoviário. Com a redução dos subsídios públicos, problemas na operação e a decisão de fazer a concessão dos trens para carga, nos anos 1990, o uso dos trilhos pela população praticamente se encerrou, segundo Quintella.
Hoje, os trechos que ainda transportam passageiros são operados pela Vale, na Estrada de Ferro Carajás, entre São Luís (MA) e Parauapebas (PA) e a Vitória-Minas. Porém, trata-se de serviços secundários na operação.
Para ele, a principal diferença do Brasil em relação a outros países que utilizam o modal é a carência de investimento público. “Os projetos ferroviários demandam muito investimento, e os custos de operação também são altos. A tarifa não vai remunerar o investimento, precisa de subsídio.” Por outro lado, Goldberg destaca que hoje o modelo de PPPs está mais maduro no país, o que ajuda a impulsionar esses empreendimentos.
IstoÉ Dinheiro - SP 10/10/2025
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, prometeu nesta quinta-feira, 9, ampliar investimentos na Bahia e em estaleiros. A declaração foi feita na assinatura do contrato para a construção de seis novas embarcações do tipo ORSV (Oil Spill Response Vessel). Os barcos de apoio, especializados em atividades de controle de vazamentos em alto-mar, serão executados no Estaleiro Enseada, em Maragogipe, no Recôncavo Baiano, pela CMM Offshore Brasil (Compagnie Maritime Monégasque).
“Estamos retomando os investimentos na Bahia, depois de 8 anos sem que a Petrobras fizesse uma única encomenda para indústria naval. Vamos fazer ainda mais pela Bahia e pelo estaleiro Enseada, com entregas importantes além das que estamos divulgando hoje”, disse a executiva. “Temos muito a fazer pela frente para a Petrobras dos próximos 70 anos”, afirmou.
Magda reforçou a mensagem de que os barcos prometidos pela companhia estarão contratados ou em fase de contratação até o final do ano. “Prometemos encomendar 48 barcos de apoio, e não são pequenos, são grandes. Esses 48 barcos estarão contratados ou em contratação até o final deste ano, faltam 4. Estamos adiantados um ano”, disse. “Os seis barcos de apoio serão produzidos aqui nesse estaleiro, gerando 5.400 postos de trabalho. Um investimento de R$ 2,6 bilhões nos próximos quatro anos. Vocês vão ver esse estaleiro, em breve, com uma nova cara”, acrescentou.
Ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a executiva também assinou um protocolo de intenções com o governo da Bahia para avaliar a viabilidade de uso do canteiro de obras de São Roque do Paraguaçu.
O objetivo é usar o local como alternativa para o descomissionamento de plataformas flutuantes de produção de petróleo e gás. Atualmente sem utilização, o canteiro tem um cais com capacidade para atracação de embarcações do tipo FPSO e semissubmersíveis.
“Em princípio, será um descomissionamento parcial. Mas esperamos que vocês estejam preparados para que aqui se transforme numa nova plataforma a ser produzida aqui na Bahia”, pontuou.
A executiva ainda ressaltou que parte do canteiro de São Roque será destinado ao governo baiano em apoio à construção da ponte Salvador-Itaparica.
Valor - SP 10/10/2025
Em cerimônia no Estaleiro Enseada, da Novonor, presidente pede que estatal faça mais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou ontem um evento sobre anúncios de investimentos de Petrobras na Bahia para cobrar a empresa: “Estou convencido de que a Petrobras ainda não deu tudo o que ela tem que dar ao povo brasileiro”, disse Lula ao discursar na cerimônia em que a estatal se comprometeu a aportar R$ 2,6 bilhões no Estado.
O evento reuniu representantes da empresa, incluindo a presidente, Magda Chambriard, ministros, sindicalistas e petroleiros no Estaleiro Enseada, da Novonor (ex- Odebrecht), em Maragogipe, no Recôncavo Baiano.
Ao discursar, Lula retomou temas que remetem às tentativas de interferência do governo na empresa, que é controlada pela União, mas tem ações em bolsa. O presidente voltou a defender, por exemplo, o desenvolvimento da indústria naval brasileira via Petrobras: "Temos que fazer sonda aqui. Para a Petrobras seria mais barato [construir no exterior], mas fazendo aqui vamos recolher imposto e gerar emprego."
Nada de ansiedade. Vamos ver o que o futuro traz para a gente”
— Magda Chambriard
O Enseada, escolhido para os anúncios de ontem, foi um dos grandes estaleiros que gestões petistas anteriores tentaram fazer deslanchar. A maior parte deles, porém, inclusive o próprio Enseada, enfrentou problemas uma vez que as encomendas esperadas não se confirmaram. Os estaleiros contavam com pedidos de construção de sondas pela Sete Brasil, mas a empresa terminou envolvida em denúncias de corrupção investigadas pela Lava-Jato. No processo, a Petrobras disse ser vítima.
No evento, Magda Chambriard anunciou investimentos na retomada da fábrica de fertilizantes da empresa na Bahia, que estava paralisada, e na construção de seis navios de apoio offshore que serão feitos no Enseada. Ao fim da fala de Chambriard, trabalhadores que estavam na audiência pediram a reestatização da Refinaria de Mataripe, antiga Refinaria Landulpho Alves (Rlam), vendida pela Petrobras para Mubadala em 2021. “A Rlam é nossa”, gritaram, ao que Chambriard respondeu: “Nada de ansiedade. Vamos ver o que o futuro traz para a gente”.
Essa não foi a primeira vez que a presidente da Petrobras foi cobrada pelo assunto. Em agosto de 2024, três meses depois de assumir o cargo, Chambriard chegou a dizer que, quando chegou à companhia, encontrou uma carta de proposta de Mubadala Capital, controlador da Acelen, dona da usina, para que a estatal recomprasse a Rlam. Na ocasião, Chambriard disse que a eventual recompra da refinaria de Mataripe não era prioridade para ela. Segundo a executiva, a eventual reentrada da estatal na unidade na Bahia foi um negócio proposto “como outro qualquer”.
Desde a gestão de Jean Paul Prates, antecessor de Chambriard, a Petrobras tinha conversas com o fundo dos Emirados Árabes para avaliações técnicas e financeiras para uma possível recompra da refinaria, mas que até hoje não tiveram desfecho.
Também presente ao evento ontem, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, que tem no Estado seu reduto político, cobrou Chambriard: “Quero cumprimentar todas as mulheres e trabalhadores aqui, em nome da presidenta da Petrobras, Magda. Ela, que tem me maltratado um bocado, mas eu gosto dela”.
Lula, por sua vez, aproveitou o evento para elogiar o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, que comandou a estatal entre 2005 e 2012. “Gabrielli foi o mais extraordinário presidente da Petrobras de todos os tempos. Magda vai ter a tarefa de ser melhor que ele. Junto com ele, outros companheiros foram perseguidos. Boto a mão no fogo que esse companheiro jamais desviou 1 centavo da Petrobras em benefício dele.”
IstoÉ Dinheiro - SP 10/10/2025
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reiterou nesta quinta-feira, 9, que a empresa está focada em aumentar sua capacidade de refino. Ela participou do anúncio de investimentos na indústria naval e em fábrica de fertilizantes em Maragogipe (BA). “Com os investimentos do Complexo de Energias Boaventura no RJ e com a Refinaria Abreu e Lima (Rnest), serão R$ 42 bilhões investidos para aumentar nosso refino”, disse.
A executiva afirmou que a empresa está ampliando a produção e, assim, trabalhando em benefício da balança comercial. “Esse aumento de receita vai permitir produzir combustíveis cada vez mais verdes”, disse ao se reportar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Já contratamos um primeiro trem na Rnest e estamos contratando o segundo. Em meados do ano que vem, devemos estar produzindo 50 mil barris desse segundo trem e, a seguir, no outro ano, 130 mil barris por dia”, enfatizou.
Em uma refinaria, um “trem” refere-se a um conjunto de equipamentos e unidades de processamento que operam em série para processar o petróleo bruto e transformá-lo em produtos derivados.
Em alguns momentos da cerimônia, a executiva ouviu gritos do público: “A RLAM é nossa”. A Refinaria Landulpho Alves (RLAM), atual Refinaria de Mataripe, foi privatizada durante o governo de Jair Bolsonaro. Em resposta, a executiva afirmou: “Nada de ansiedade, vamos ver o que futuro trás para nós.”
IstoÉ Dinheiro - SP 10/10/2025
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) deu mais um passo na regulamentação dos critérios para cálculo das tarifas de transporte de gás natural e o procedimento para a aprovação de tarifas propostas pelos transportadores para gasodutos de transporte, com a realização da primeira audiência pública sobre o tema na quarta-feira, 8. Devido ao grande número de inscritos, a agência decidiu fazer mais uma audiência, no próximo dia 15. A minuta de resolução com as novas regras passou por consulta pública de 60 dias, na qual foram recebidas 513 contribuições, de 42 participantes.
Na abertura da audiência, a diretora da ANP Symone Araújo destacou que a revisão da resolução ocorrerá em duas etapas, sendo que o processo atual de consulta e audiência públicas abordou os tópicos apontados como prioritários pelo mercado, em consulta prévia realizada pela agência.
“Essa primeira etapa focou grandes temas: o conceito de receita máxima permitida, incluindo a metodologia de valoração da base regulatória de ativos e a definição da taxa de retorno de investimentos; os elementos da conta regulatória; e procedimentos para aprovação e atualização das tarifas de transporte. Outros temas, como regulação por incentivo, tarifas setoriais e tipologias de investimentos, poderão e deverão ser abordados numa segunda etapa, prevista para 2026”, afirmou a diretora.
Entre outras, a minuta da ANP propõe mudança do regime de outorga de concessão para o de autorização de gasodutos; introdução dos regimes de tarifação e contratação por entradas e saídas (sistema pelo qual a entrada e a saída de gás natural do gasoduto poderão ser contratadas independentemente uma da outra); atualização dos critérios para aprovação, pela ANP, das tarifas de transporte de gás natural; procedimentos de valorização da Base Regulatória de Ativos (BRA) – a BRA determina qual o valor de um ativo (neste caso, gasodutos de transporte) trazido aos dias atuais, com base no custo histórico depreciado corrigido pela inflação desde sua construção; entre outros.
“A atualização do regulamento tem como finalidade manter um ambiente de negócios sólido, voltado à promoção de investimentos em infraestrutura e com tarifas de transporte eficientes. Visa também ampliar a transparência quanto às condições da prestação dos serviços de transporte e à efetividade do direito de acesso ao sistema de gasodutos, de forma a refletir as reais condições de mercado, viabilizar a entrada de novos agentes e estimular a concorrência”, explicou a ANP em nota.
Valor - SP 10/10/2025
Governo espera levantar pelo menos R$ 10,2 bilhões com o negócio, já que este é o valor mínimo total estabelecido para os três lotes
A Pré-Sal Petróleo (PPSA) publicou, na edição do Diário Oficial da União desta quinta-feira (9), o edital do leilão de áreas não contratadas. O certame ocorrerá em 4 de dezembro, na B3, e envolve os direitos da União sobre áreas não contratadas das jazidas compartilhadas dos campos do pré-sal de Mero, Tupi e Atapu, todos no pré-sal da Bacia de Santos.
O certame foi autorizado, na semana passada, pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Os percentuais ofertados são de 3,5% em Mero, 0,551% em Tupi e 0,950% em Atapu. O governo espera levantar pelo menos R$ 10,2 bilhões com o negócio, já que este é o valor mínimo total estabelecido para os três lotes.
A previsão é que a assinatura dos contratos seja feita em março de 2026, mas há expectativas de que o pagamento seja feito em dezembro, de modo que os recursos sejam injetados no caixa do Tesouro ainda este ano.
Para a área de Mero, o valor mínimo definido pelo edital foi de R$ 7,6 bilhões. A área de Tupi licitada tem lance mínimo de R$ 1,7 bilhão, e a de Atapu, de R$ 863,3 milhões.
“Estamos alienando participações nas maiores jazidas do pré-sal, que estão entre as províncias petrolíferas de maior produtividade do mundo e que apresentam potencial de incremento das participações das áreas não contratadas nas jazidas de Mero e Atapu", disse Luis Fernando Paroli, diretor-presidente da PPSA, estatal responsável pela gestão dos contratos de partilha de produção nas áreas do pré-sal.
O modelo desenhado pelo governo envolve jazidas de petróleo que hoje estão em áreas do pré-sal e sob contratos de partilha. Só que essas jazidas ultrapassam a “fronteira” dos campos, “invadindo” uma área vizinha. Quando isso acontece, o governo firma acordos de individualização da produção (AIP).
Os AIPs estabelecem a parcela de óleo proporcional aos campos que dividem a área “invasora”. Quando os campos vizinhos possuem contratos, sejam de concessão, sejam de partilha, os AIPs são firmados entre os “donos” dos campos.
Neste caso, como as áreas "invadidas" pelas jazidas não foram licitadas, os acordos são firmados com a União, “dona” desses campos. O que o governo quer fazer, para levantar dinheiro e reduzir o déficit fiscal, é vender em um leilão o direito da União nessas jazidas compartilhadas.
As empresas interessadas devem enviar documentos de qualificação até 10 de novembro, e as propostas devem ser apresentadas até a véspera do leilão, 3 de dezembro.
Além do pagamento do valor proposto no leilão, os vencedores dos lotes estão sujeitos a “earn-out”, um recurso adicional a ser pago para a União, caso seja verificada alta na produção de petróleo, na cotação do Brent ou do câmbio, entre outros pontos, em reavaliações periódicas das jazidas.
Grandes Construções - SP 10/10/2025
A modernização promovida nas rodovias do Alto Tietê, Baixada Santista e Vale do Ribeira, por meio da concessão do Lote Litoral Paulista, já demandou investimentos de mais de R$ 264 milhões em apenas 10 meses, desde que a Concessionária Novo Litoral (CNL) assumiu as operações.
Nesta etapa inicial, as intervenções estão focadas em obras e serviços que prometem elevar os padrões de segurança, conforto e eficiência para os usuários.
Entre as melhorias realizadas estão a recuperação de 212 km de pavimento e reforço da sinalização vertical e horizontal, com a substituição de 3.300 placas de sinalização, instalação de 3.000 m de cercas antiofuscantes e substituição de 9.300 m de defensas.
Também está sendo implantada uma nova iluminação em diversos trechos urbanos e realizadas obras para melhorar a drenagem e a contenção das vias.
A modernização inclui ainda o monitoramento por CFTV e conectividade para garantir um padrão mais seguro.
O setor de conservação realizou ainda a roçada de 11 milhões de metros quadrados, além de revitalizar 17.180 m de cercas.
Com um pacote de R$ 4,3 bilhões, as melhorias seguem para novas etapas, com foco nas intervenções estruturantes.
Um exemplo é a duplicação de 90 km de rodovias, ou 42% de toda a extensão da malha concessionada, que possui 212 km.
Além dos trechos duplicados, o pacote de obras inclui novas marginais, ciclovias, passarelas, recuperação do pavimento
Os investimentos realizados antecedem a implantação do Siga Fácil, sistema que substitui as praças de pedágio por pórticos eletrônicos inteligentes.
Supervisionado pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), o. sistema será implantado gradualmente nos projetos de concessão mais recentes, como Novo Litoral Paulista, Nova Raposo e Rota Sorocabana, além dos contratos já existentes.