Clipping Diário

10 | Junho | 2026

SIDERURGIA

Automotive Business - SP   10/06/2026

A transformação da indústria automotiva passa por eletrificação, conectividade e novas tecnologias. Mas existe um elemento estrutural, presente historicamente no desenvolvimento do setor, que se torna cada vez mais estratégico nessa jornada: o aço.

Para aprofundar o debate sobre sustentabilidade, economia circular e descarbonização na cadeia automotiva, a Gerdau apresenta uma websérie especial em três episódios que explora a relação entre a produção de aço e o futuro da mobilidade.

A série reforça como aço reciclado e energia proveniente de fontes renováveis podem contribuir para a descarbonização da indústria e para uma mobilidade mais sustentável. A iniciativa ocorre em um momento em que a companhia amplia sua atuação em soluções voltadas à descarbonização com o lançamento da Gerdau NewEco, linha de produtos criada para apoiar a jornada de descarbonização da cadeia do aço, com produtos de menor pegada de carbono e alto desempenho para diferentes aplicações.

Os episódios mostram como reciclagem, redução de emissões de gases de efeito estufa, tecnologia e rastreabilidade vêm ganhando importância para a indústria automotiva e sua cadeia de fornecedores.
Uma das maiores recicladoras de sucata metálica da América Latina

O primeiro episódio da série mostra como a reciclagem de sucata faz parte da essência da Gerdau e sustenta uma produção de aço alinhada aos princípios da economia circular. A produção destaca o papel da companhia na descarbonização e na transformação de sucata em novos produtos de aço para diferentes segmentos da indústria.

Uma das maiores recicladoras de sucata metálica da América Latina, a Gerdau mostra na série como a circularidade faz parte da essência de sua operação. Atualmente, cerca de 70% do aço produzido pela companhia tem origem em sucata reciclada, processo que contribui para reduzir emissões de gases de efeito estufa e diminuir a utilização de recursos naturais ao longo da produção.

Segundo a empresa, cada tonelada de sucata reciclada evita a emissão de aproximadamente 1,5 tonelada de CO‚ quando comparada a processos tradicionais de fabricação do aço.

A websérie também mostra como esse modelo de produção se conecta às novas demandas da indústria automotiva, especialmente diante do avanço de iniciativas voltadas à descarbonização e à avaliação do ciclo de vida dos veículos, como o Programa Mover, política industrial do governo federal voltada ao incentivo de tecnologias mais sustentáveis e eficientes no setor automotivo.

A combinação entre matéria-prima reciclada e uso de energia elétrica proveniente de fontes renováveis permite entregar ao setor automotivo um aço de menor intensidade de carbono, capaz de contribuir para veículos mais sustentáveis e competitivos.

Além da circularidade, a série destaca os investimentos da Gerdau em inovação e modernização industrial. Equipamentos de última geração aparecem nos episódios para mostrar como tecnologia e eficiência produtiva caminham ao lado da sustentabilidade na fabricação do aço.

Outro ponto discutido é a importância da transparência e a necessidade de mensuração e certificação das emissões ao longo da cadeia automotiva. A série mostra o trabalho realizado para desenvolver metodologias e indicadores capazes de comprovar os ganhos ambientais associados ao aço de baixa emissão de carbono.

Valor - SP   10/06/2026

Analistas da agência explicaram que o processo de gestão das dívidas de curto e médio prazo no nível da companhia tem se mostrado desafiador

A Moody’s Local Brasil cortou a nota de crédito nacional da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de “AA-.br” para “BBB.br” e a manteve em revisão para novo rebaixamento.

Os analistas Alain Nicolau, Patrícia Maniero e Felipe Lima escrevem que o processo de gestão das dívidas de curto e médio prazo no nível da companhia tem se mostrado desafiador.

Isso acontece por conta da avaliação da agência de uma política financeira agressiva conduzida pela diretoria da CSN e de um cenário de elevada aversão ao risco nos mercados.

Esses fatores, aliados à expectativa de queima de caixa operacional no curto prazo, pressionada também por indicativos de demanda fraca no mercado de aço, apontam para crescentes pressões de refinanciamento.

A nota permanece em revisão para rebaixamento, incorporando as incertezas relacionadas ao processo de gestão de passivos da companhia, bem como ao equacionamento da estrutura de capital.

Ele notam que esse processo permanece altamente dependente da execução e da concretização da venda de participações, processo sujeito a riscos relevantes de cronograma e valores.

Adicionalmente, a revisão dos analistas também acompanhará a evolução da recuperação nos resultados operacionais e consumo de caixa da CSN ao longo dos próximos meses.

O Estado de S.Paulo - SP   10/06/2026

As ações da Usiminas (USIM5) operavam em queda nesta terça-feira (9), descolando-se do forte avanço do Ibovespa. Por volta das 12h30 (de Brasília), os papéis da siderúrgica recuavam cerca de 1,25%, a R$ 11,04, em um pregão marcado por uma mudança de posicionamento dos investidores dentro da Bolsa brasileira.

O movimento não está ligado a nenhum fato corporativo específico da companhia. Segundo analistas, o dia é marcado por uma rotação setorial. Em vez de manter exposição a empresas ligadas ao ciclo de commodities, investidores direcionam recursos para ações que tendem a se beneficiar mais diretamente da queda dos juros futuros, em meio a sinais de possível distensão nas tensões entre Estados Unidos e Irã.

A correção atinge boa parte do setor siderúrgico. Além da Usiminas, Gerdau e Metalúrgica Gerdau também operavam no vermelho durante a manhã. A exceção era a CSN, que conseguia sustentar ganhos apesar do ambiente menos favorável para as empresas do segmento.

O movimento chama atenção porque ocorre poucas semanas após uma forte recuperação das siderúrgicas na Bolsa. A própria Usiminas foi uma das protagonistas da alta do setor em maio, impulsionada pela melhora dos resultados trimestrais, expectativas de medidas antidumping contra o aço importado e revisões positivas de analistas para o papel.

Agora, porém, o mercado parece mais interessado em capturar oportunidades em setores ligados ao mercado doméstico. Com os juros futuros em queda, empresas de consumo, varejo e construção ganham atratividade relativa, enquanto parte dos investidores realiza lucros em ações que acumularam desempenho expressivo nas últimas semanas.

ECONOMIA

Money Times - SP   10/06/2026

A economia brasileira continua desafiando as previsões de desaceleração. Diante de uma atividade mais resiliente do que o esperado, estímulos fiscais e de crédito em curso e uma inflação que segue pressionada, o BNP Paribas revisou para cima suas projeções para crescimento econômico, inflação e juros no Brasil.

Em relatório divulgado nesta semana, o banco elevou sua estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 de 2,0% para 2,3%, ao mesmo tempo em que aumentou sua projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,2% para 5,6%. Para a Selic, a expectativa passou de 13,5% para 14% ao final do próximo ano.

Segundo os economistas Fernanda Guardado e Laiz Carvalho, que assinam o relatório, o desempenho da atividade econômica tem sido sustentado principalmente pelo consumo das famílias, favorecido por medidas de estímulo adotadas pelo governo federal.

“A atividade e a inflação brasileiras estão mais resilientes do que amplamente esperado”, afirmam no documento.

Os dados do primeiro trimestre reforçaram essa percepção. O PIB cresceu 1% na comparação com os três meses anteriores e 1,8% em relação ao mesmo período de 2025. O destaque ficou com o consumo das famílias, que voltou a acelerar após a fraqueza observada no fim do ano passado.

Além disso, o mercado de trabalho segue apresentando expansão do emprego e crescimento da renda real, ainda que em ritmo mais moderado.
Estímulos do governo devem impulsionar consumo

Na avaliação do BNP Paribas, boa parte do impulso econômico ainda está por vir. O banco estima que as medidas anunciadas pelo governo nos últimos meses terão seu pico de impacto entre o segundo e o terceiro trimestres de 2026, fortalecendo a renda disponível das famílias e ampliando o acesso ao crédito.

Entre os fatores apontados estão a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com rendimentos de até R$ 5 mil mensais, programas voltados ao crédito habitacional, linhas para reforma de imóveis, iniciativas de renegociação de dívidas e expansão de financiamentos para empresas.

Somadas, as medidas representam um impulso equivalente a cerca de 1,3% do PIB, segundo cálculos da instituição.

Diante desse cenário, o BNP elevou sua projeção para o crescimento do consumo das famílias de 1,3% em 2025 para 2,1% em 2026.
Inflação segue preocupando

Se por um lado a atividade econômica surpreende positivamente, por outro a inflação continua sendo motivo de preocupação.

O banco destaca que os últimos indicadores vieram acima das expectativas do mercado, impulsionados principalmente pelos preços dos alimentos e pelos serviços relacionados ao mercado de trabalho.

Os economistas observam que a inflação de serviços permanece elevada em razão do mercado de trabalho aquecido, enquanto os alimentos têm sido impactados por fatores climáticos e pelo aumento dos custos globais associados ao conflito no Oriente Médio.

Como resultado, o BNP Paribas elevou sua projeção para a inflação de alimentos consumidos no domicílio para 8,5% em 2026.

Um dos fatores que motivaram a revisão das projeções foi o aumento da probabilidade de ocorrência de um forte fenômeno El Niño entre o final de 2026 e o início de 2027.

Segundo o relatório, os modelos climáticos passaram a indicar maior risco de secas em importantes regiões agrícolas brasileiras, especialmente no MATOPIBA e no Norte do país, além de alterações no regime de chuvas em áreas produtoras do Sul.

Na avaliação do banco, o evento climático pode pressionar ainda mais os preços dos alimentos, justamente em um momento em que a inflação já se encontra acima da meta.

Com isso, a projeção para o IPCA foi elevada para 5,6% em 2026 e 4,6% em 2027, níveis que permanecem acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.
Menos espaço para cortes da Selic

O cenário de crescimento resiliente e inflação persistente também levou o BNP Paribas a rever sua expectativa para a política monetária.

A instituição ainda espera um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para junho, o que levaria a Selic para 14,25%.

No entanto, os economistas avaliam que o Banco Central deverá interromper o ciclo de flexibilização logo em seguida.

Segundo o relatório, os dados recentes de atividade, a inflação de serviços resistente, a deterioração das expectativas e os riscos associados ao cenário externo tornam difícil justificar novos cortes de juros nos meses seguintes.

“O Banco Central não pode mais se dar ao luxo de continuar reduzindo juros sem correr o risco de desancorar as expectativas de inflação”, afirmam os economistas.

Dessa forma, o BNP Paribas projeta uma pausa prolongada nos cortes até dezembro, quando poderia ocorrer uma redução adicional de apenas 0,25 ponto percentual. O movimento deixaria a Selic em 14% ao final de 2026, patamar superior ao previsto anteriormente e que reforça a percepção de que o processo de convergência da inflação para a meta será mais lento do que o esperado.

O Estado de S.Paulo - SP   10/06/2026

A aceleração nos índices de preços ao consumidor e a piora das expectativas de inflação, desde o início da guerra no Irã, estão forçando uma mudança de postura nos principais bancos centrais do mundo: alguns deles se anteciparam e elevaram os juros preventivamente; outros até tentaram esperar passar o choque de oferta do petróleo e de outras matérias-primas, mas devem embarcar em breve num ciclo de aperto monetário; e os que já haviam começado a cortar os juros estão sob pressão crescente para pausar, como é o caso do Brasil.

Os que ainda estavam pregando paciência, à espera de uma resolução iminente no conflito do Oriente Médio, com a reabertura do Estreito de Ormuz, querem evitar a repetição da disparada da inflação em 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia gerou um choque de preços de combustíveis.

Naquela época, vários bancos centrais demoraram a reagir e acabaram tragados numa espiral inflacionária. Foi o caso do Banco Central Europeu (BCE), que viu a inflação na Zona do Euro atingir 10,6% em outubro de 2022. Não à toa, o BCE vem sinalizando que irá elevar os juros em 0,25 ponto porcentual, para 2,25%, na sua reunião de política monetária na próxima quinta-feira. Até o fim do ano, o mercado aposta em outras duas altas de juros pelo BCE.

Entre os países desenvolvidos, a Austrália e a Noruega foram os primeiros a ajustar os juros. O BC australiano já elevou sua taxa básica três vezes neste ano, para 4,35%, visando conter a escalada dos preços de energia sobre o custo de vida. Em abril, a inflação ficou em 4,2%, bem acima da meta de 2% a 3% do BC australiano.

A Noruega também elevou os juros, para 4,25%, em meio ao aumento no custo dos combustíveis e à pressão de reajustes salariais. Já a Nova Zelândia só manteve os juros inalterados na sua reunião de junho com um voto de desempate do presidente de seu banco central, mas o mercado precifica 90% de chance de elevação da taxa em julho. No Japão, é praticamente garantida uma alta dos juros neste mês.

Já entre os países emergentes, a lista dos bancos centrais que começaram a aumentar os juros é maior: Indonésia, África do Sul, Singapura e Filipinas. Muitos deles estão sofrendo com a desvalorização de suas moedas ante o dólar, o que torna as importações mais caras.

Nos EUA, a chance de o Federal Reserve voltar a cortar os juros, como quer Donald Trump, virou pó após os últimos dados do emprego e da inflação. O risco agora é de elevação da taxa básica até o fim do ano. Sem um recuo maior no preço do petróleo, vem aí uma era de aperto global dos juros.

Monitor Digital - RJ   10/06/2026

O comércio exterior da China manteve um impulso de crescimento constante em maio, ressaltando a resiliência da economia em geral e sua integração crescente com os mercados globais.

O valor total das importações e exportações de bens em termos denominados em yuan (moeda chinesa) cresceu 16,9% ano a ano, atingindo 4,45 trilhões de yuans (US$ 653 bilhões) no mês passado, permanecendo acima de 4 trilhões de yuans por três meses consecutivos, segundo dados da Administração Geral das Alfândegas (AGA) divulgados nesta terça-feira.

As exportações subiram 13,8% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto as importações aumentaram 21,5%, mostraram os dados da AGA. Nos primeiros cinco meses do ano, o comércio exterior total atingiu 20,68 trilhões de yuans, um aumento de 15,3% ano a ano.

Lyu Daliang, diretor do Departamento de Estatísticas e Análise da AGA, disse que o comércio exterior manteve um bom impulso este ano. “A China está aprofundando ativamente a cooperação prática com parceiros comerciais globais, injetando uma força estabilizadora no comércio internacional.”

Alta no comércio exterior com Ásia, UE e Cinturão e Rota; queda com os EUA

Os dados de terça-feira mostraram que os laços comerciais da China com os principais parceiros comerciais permaneciam robustos. Nos primeiros cinco meses, o comércio com a Associação das Nações do Sudeste Asiático aumentou 16,6% ano a ano, enquanto o comércio com a União Europeia subiu 10,3% e o comércio com os países do Cinturão e Rota aumentou 13,6%. Enquanto isso, o comércio com os Estados Unidos caiu 6,6%.

“Os mercados emergentes estão se tornando um novo motor de crescimento para o comércio exterior da China”, disse Chen Xi, pesquisador da Academia Chinesa de Pesquisa Macroeconômica, sob a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma.

Chen acrescentou que a busca do país por uma abertura de alto padrão, incluindo a cooperação do Cinturão e Rota e a implementação da Parceria Econômica Abrangente Regional (RCEP), melhorou a conectividade comercial e facilitou os negócios transfronteiriços.

Em maio, a China começou a implementar um tratamento ampliado de tarifa zero sobre importações de todos os 53 países africanos com os quais mantém relações diplomáticas.

Como resultado, as importações chinesas da África atingiram 95,13 bilhões de yuans no mês passado, um aumento de 15% ano a ano. Nos primeiros cinco meses do ano, o comércio China-África ultrapassou a marca de 1 trilhão de yuans pela primeira vez para o período.

A escolha do consumidor na China continua crescendo à medida que o mercado do país se abre ainda mais, com produtos que vão desde frutas tropicais e grãos de café até artesanato dos países do Cinturão e Rota.

“À medida que a economia chinesa continua a avançar e o padrão de vida das pessoas melhora ainda mais, o aumento das importações do país criará oportunidades de mercado mais amplas para o resto do mundo”, disse Liao Zhengrong, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências Sociais.

Além da expansão do volume comercial, o comércio exterior da China também está passando por uma transformação estrutural – mudando de bens tradicionais intensivos em mão de obra para produtos de maior valor e intensivos em tecnologia, como veículos elétricos e painéis solares.
Mais de 60% das exportações são produtos de maior valor agregado

Produtos mecânicos e elétricos agora representam mais de 60% das exportações chinesas, com valor agregado significativamente maior. As exportações desses produtos cresceram 18,4% nos primeiros cinco meses, enquanto as importações subiram 25,3%. As exportações de produtos intensivos em mão de obra, em contraste, caíram 3,1% ano a ano durante o período.

O forte crescimento dos produtos mecânicos e elétricos reflete os amplos vínculos da China com indústrias tanto upstream quanto downstream em todo o mundo, criando melhores condições para a coordenação entre as redes globais de cadeias de suprimentos, disse Zhou Mi, pesquisador da Academia Chinesa para Cooperação Comercial e Econômica Internacional do Ministério do Comércio.

A integração da China às cadeias industriais globais continuou a se aprofundar, fortalecendo ainda mais suas vantagens competitivas, disse Liao.

Apesar das crescentes pressões sobre as cadeias industriais e de suprimentos internacionais em meio à volatilidade global, o compromisso da China com a abertura de alto padrão, aliado ao seu sistema industrial completo e à melhoria da qualidade dos produtos e serviços, ajudou a sustentar um crescimento relativamente alto do comércio exterior e a injetar estabilidade e certeza na economia global, disseram especialistas.

O Estado de S.Paulo - SP   10/06/2026

As projeções para a inflação deste ano subiram pela 13.ª semana consecutiva e atingiram 5,11%, segundo a edição mais recente do Boletim Focus. A mediana das estimativas supera a meta e o limite de tolerância e afasta paulatinamente a chance de o Banco Central (BC) continuar a reduzir os juros nos próximos meses. Se há um mês o mercado projetava a Selic em 13% no fim deste ano, os analistas elevaram a previsão para 13,25% na semana passada e para 13,5% nesta semana.

Há cada vez menos motivos para imaginar que a inflação possa desacelerar nos próximos meses, mas a ficha do mercado parece ter caído apenas na semana passada. Diversas instituições revisaram suas estimativas para a taxa básica de juros, hoje em 14,5%, e passaram a acreditar que a Selic encerrará o ano em 14% ou até acima disso. Para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 16 e 17 de junho, as apostas, que até então se concentravam majoritariamente em mais um corte de 0,25 ponto porcentual, passaram a se dividir e incluir a possibilidade de manutenção da taxa.

Os problemas começaram com a guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, e o consequente avanço nas cotações do barril do petróleo. O conflito segue sem perspectiva de acabar, bem como a retomada do tráfego no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de abastecimento da commodity. Na improvável hipótese de que um acordo entre Estados Unidos e Irã fosse anunciado hoje, os impactos do confronto nos preços de combustíveis e fertilizantes e nas cadeias produtivas levariam meses para serem revertidos.

O clima tampouco deve ajudar. A perspectiva de um super El Niño no segundo semestre pode causar secas severas, ondas de calor e temporais a depender da região do País, com impactos na safra agrícola e na produção de energia. Não à toa, o Banco Central incluiu perguntas sobre os efeitos do fenômeno climático na inflação no questionário pré-Copom enviado a analistas no início deste mês. O objetivo é saber se suas estimativas de inflação já consideram ou não esses problemas em potencial.

Não bastassem a guerra e o clima, o governo federal tem tudo a seu alcance para agravar um quadro que a reportagem do Estadão corretamente classificou de “tempestade quase perfeita”. A despeito do mercado de trabalho aquecido, com desemprego próximo das mínimas históricas e salários em elevação, e da inflação mais elevada no setor de serviços, o Executivo age como se o País estivesse em crise e não para de anunciar medidas para estimular a demanda e a economia.

Renúncias tributárias e subvenções para o diesel até teriam justificativa num país em que o transporte de cargas se dá majoritariamente por modal rodoviário, mas a inclusão da gasolina, do gás de cozinha e do querosene de aviação mostrou que a porteira de gastos tinha sido aberta. O anúncio da segunda etapa do Desenrola e a abertura de linhas de crédito subsidiadas para a compra de caminhões, automóveis e, em breve, motos evidenciou que as medidas visam a, basicamente, reverter o mau humor do brasileiro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva até outubro.

Tudo isso tem impacto na demanda e, consequentemente, na inflação e, por tabela, nas taxas de juros. O período do chamado defeso eleitoral, quando o governo fica impedido de anunciar novas medidas, começa apenas no dia 4 de julho e, até lá, a farra não deve acabar. É tempo mais que suficiente para que os estragos aumentem também no Congresso, onde tramitam o fim da escala 6x1, o aumento do teto do regime do Microempreendedor Individual (MEI) e a renegociação das dívidas rurais.

Mesmo com juros tão elevados há tanto tempo, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% no primeiro trimestre, ante os três últimos meses do ano passado, e 1,8%, em relação ao mesmo período de 2025. Até o dólar, que ajuda a conter a inflação no mercado interno, disparou na semana passada com a perspectiva de alta dos juros nos Estados Unidos. Fica cada vez mais difícil, para não dizer impossível, defender juros mais baixos nesse cenário – a não ser para um presidente em campanha pela reeleição.

Infomoney - SP   10/06/2026

O economista-chefe da XP e head do Lide Economia, Caio Megale, disse nesta terça-feira, 9, que o Brasil terá que se acostumar com taxas de juros altas por mais tempo, não só por pressões externas e inflação, mas sobretudo por influências advindas da política fiscal implementada pelo governo brasileiro.

Megale é um dos mediadores do painel “Parceria Econômica Brasil & EUA em Debate”, evento organizado pelo Grupo Lide, em São Paulo.

“Vamos ter que nos acostumar com taxas de juros mais altas por mais tempo, não só por pressões externas e inflação, mas, sobretudo, por conta da nossa política fiscal”, disse o economista no evento.

Money Times - SP   10/06/2026

O cenário econômico brasileiro ficou mais desafiador após a piora das perspectivas para a inflação e as contas públicas, segundo atualização das projeções do BTG Pactual. O banco revisou para cima suas estimativas para o IPCA e para a dívida bruta, enquanto reduziu a expectativa de crescimento econômico para 2027.

A principal mudança ocorreu nas projeções de inflação. O BTG passou a estimar alta de 5,3% para o IPCA em 2026, acima dos 4,9% projetados anteriormente. Para 2027, a expectativa subiu de 4,2% para 4,5%.

Segundo o banco, a revisão reflete o recente choque nos preços do petróleo, que impacta diretamente os alimentos por meio do aumento do diesel e pressiona os bens industriais por conta da elevação dos custos. O cenário também contribui para uma maior persistência da inflação de serviços e para a desancoragem das expectativas.

“O balanço de riscos permanece inclinado para cima tanto neste ano quanto no próximo”, destacou o BTG no relatório.
Selic deve cair uma última vez e permanecer estável

Mesmo reconhecendo que a deterioração do cenário inflacionário já justificaria uma interrupção imediata do ciclo de afrouxamento monetário, o BTG manteve como cenário-base um último corte de 0,25 ponto percentual na reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom).

Caso a previsão se confirme, a Selic cairá para 14,25% ao ano.

Após esse movimento, o banco espera que os juros permaneçam estáveis até o fim de 2026.

“O principal risco é que continuar cortando juros amplifique a desancoragem das expectativas e reduza o espaço para flexibilização monetária em 2027”, afirmou a instituição.
Dívida pública avança e déficit segue pressionado

No campo fiscal, o banco também piorou suas projeções para a dívida pública. A expectativa para a dívida bruta do governo geral passou para 80,9% do PIB em 2026 e 85% do PIB em 2027.

A revisão ocorre em meio ao aumento dos gastos parafiscais anunciados desde meados de 2025, que, segundo o BTG, já somam cerca de R$ 275 bilhões. Apenas neste ano, essas medidas devem injetar mais R$ 142 bilhões na economia.

Com isso, o banco projeta déficit nominal equivalente a 8,9% do PIB em 2026 e 8,4% do PIB em 2027, refletindo principalmente o aumento das despesas com juros.

Na avaliação da instituição, o acúmulo de estímulos à demanda reduziu o espaço para novos cortes da taxa Selic, ao mesmo tempo em que elevou os desafios para a trajetória fiscal.
Crescimento mais forte em 2026, mas desaceleração em 2027

Apesar do cenário mais pressionado para inflação e contas públicas, o BTG elevou ligeiramente sua projeção de crescimento para 2026.

A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,9% para 2%, após a divulgação de um primeiro trimestre mais forte e indicadores preliminares que apontam continuidade da resiliência da atividade econômica.

Por outro lado, a visão para 2027 ficou mais cautelosa. A projeção de crescimento foi reduzida de 1,6% para 1,1%, diante da expectativa de juros elevados por mais tempo e de um impulso fiscal próximo da neutralidade.
Petróleo, Oriente Médio e câmbio no radar

No cenário externo, o BTG destacou que o conflito no Oriente Médio segue como um dos principais fatores de risco para a economia global. As restrições no Estreito de Ormuz mantêm a preocupação com novas pressões sobre os preços da energia e os custos de transporte.

Para o Brasil, contudo, a alta do petróleo tem efeito ambíguo. O banco avalia que os preços mais elevados da commodity, combinados ao aumento dos volumes exportados, reforçam a perspectiva de um superávit comercial de US$ 90 bilhões tanto em 2026 quanto em 2027.

Com isso, a instituição manteve sua projeção de câmbio em R$ 4,90 por dólar ao final de 2026, apoiada por um cenário de fluxo comercial robusto, termos de troca favoráveis e diferencial de juros ainda elevado.

Investing - SP   10/06/2026

O IGP-DI do Brasil registrou alta de 0,87% em maio de 2026 na comparação mensal, de acordo com relatório do Citi divulgado nesta terça-feira. O resultado veio acima da expectativa do mercado, que era de 0,79%, e seguiu uma alta de 2,4% em abril. Na comparação anual, o índice agora acumula 2,5%, ante 0,8% em abril.

O componente atacadista subiu 0,95% no mês em maio, recuando frente aos 3,1% de abril. O subcomponente agrícola do atacado ficou estável em 0,0%, comparado a 1,0% no mês anterior, enquanto o subcomponente industrial do atacado avançou 1,3%, desacelerando ante os 3,8% anteriores. O componente do consumidor subiu 0,6% em maio, após 0,9% em abril, e o componente da construção registrou 0,9%, abaixo dos 1,0% do mês anterior.

No México, a inflação quinzenal cheia referente à segunda quinzena de maio ficou em -0,13%, abaixo da projeção do Citi de -0,08% e do consenso da Bloomberg de +0,05%. O resultado foi impulsionado principalmente pela queda de 4,08% nos preços de frutas e legumes do componente não básico. A inflação básica ficou em 0,08%, abaixo da estimativa do Citi de 0,14% e do consenso de 0,12%.

A inflação anual cheia no México atingiu 3,77% na segunda quinzena de maio, recuando ante os 4,11% da primeira quinzena. A inflação básica foi de 4,15%, ante 4,22%. Para o mês de maio completo, a inflação cheia ficou em -0,21% no mês, ou 3,94% no ano, enquanto a inflação básica foi de 0,22%, ou 4,19%.

MINERAÇÃO

Infomoney - SP   10/06/2026

Nesta terça-feira (9), os contratos futuros de minério de ferro caíram pela quinta sessão consecutiva nesta terça-feira, em meio à fraca demanda sazonal por aço na China, enquanto os preços do carvão metalúrgico e do coque despencaram com a reabertura de mais minas de carvão após inspeções de segurança na sequência de um acidente fatal em maio.

O contrato de minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian, da China, fechou o pregão com queda de 0,2%, a 760 yuans (US$ 112,22) por tonelada métrica, próximo às mínimas de dois meses.

O contrato de referência para julho, minério de ferro, na Bolsa de Cingapura, subiu 0,52%, para US$ 100,7 por tonelada, mas nas mínimas desde o início de março — devido às margens mais baixas das siderúrgicas e à recente queda nos fretes.
Embora os embarques de minério de ferro continuem a aumentar, a queda no volume de retirada nos portos reflete a desaceleração da demanda das siderúrgicas, segundo nota do Mercado de Metais de Xangai.

A demanda sazonalmente fraca por aço, vinda do maior consumidor mundial do metal, deve pressionar os preços do minério de ferro no curto prazo, situação ainda mais agravada pela compressão das margens de lucro do aço em meio ao aumento dos custos do carvão metalúrgico e do coque, afirmaram analistas do ING.

As vendas de automóveis na China caíram 22,3% em relação ao ano anterior, para 1,53 milhão de veículos no mês passado, marcando o oitavo mês consecutivo de queda, segundo dados da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros (CPCA) divulgados na segunda-feira.

O setor manufatureiro chinês tornou-se um grande consumidor de aço, absorvendo a oferta que antes era ocupada pelo setor imobiliário. Em 2025, o setor manufatureiro representará cerca de 53% do consumo total de aço na China, enquanto o setor da construção civil responderá por 36%, de acordo com a consultoria Mysteel.

O Bradesco BBI reforça a visão de que o setor siderúrgico global voltou a dar sinais de deterioração recente, com queda de rentabilidade e pressão sobre margens. Os dados mais recentes mostram que a atividade nas usinas segue elevada, mas já há sinais claros de perda de fôlego, tanto do lado de preços quanto de demanda.

De acordo com o banco, as taxas de utilização dos altos-fornos recuaram ao longo da última semana, ainda que permaneçam acima de 90%. Ao mesmo tempo, a parcela de siderúrgicas operando com lucro caiu pela terceira semana consecutiva, atingindo 59%, refletindo o enfraquecimento do ambiente operacional.

A compressão das margens tem sido impulsionada por dois fatores principais: a queda nos preços do aço e a elevação dos custos, especialmente do carvão metalúrgico. Esse cenário também ocorre em meio a mudanças relevantes na dinâmica logística global. Os fretes na rota entre Austrália e China registraram forte queda semanal, enquanto os custos entre Brasil e China seguem em níveis elevados, criando uma distorção que tende a exercer pressão deflacionária adicional sobre o minério de ferro brasileiro.

Do lado da oferta, o avanço do projeto de Simandou — um dos maiores desenvolvimentos de minério de ferro do mundo — voltou ao radar. Após um início mais lento, prejudicado por gargalos logísticos, as exportações da região se recuperaram em maio. A SimFer reiterou a meta de atingir a capacidade total no segundo semestre de 2028, o que pode aumentar a competição global no médio prazo.

Sinais de melhora?

Apesar do cenário mais desafiador, há sinais pontuais de melhora. O Bradesco BBI destaca a redução dos estoques de aço e insumos ao longo da cadeia produtiva como um fator construtivo, sugerindo um ajuste mais saudável entre oferta e demanda em algumas regiões.

Nos Estados Unidos, o cenário permanece relativamente equilibrado. O spread do aço para vergalhão se manteve estável, enquanto os preços da sucata pouco variaram, indicando uma dinâmica mais balanceada entre oferta e consumo no mercado local.

No Brasil, o quadro é misto. As siderúrgicas seguem tentando repassar custos por meio de aumentos de preços, mas os resultados são desiguais entre os produtos. O aço laminado a quente (HRC) mostrou estabilidade, influenciado pelo ritmo mais lento da demanda durante o período de festas, enquanto o vergalhão registrou alta, acompanhando o avanço dos custos dos insumos.

UBS BB muda estratégia em commodities e prefere petróleo e aço a minério; veja ações

Mesmo com alguma melhora recente nos fundamentos — como preços internacionais mais elevados, maior suporte de custos e restrição na oferta de importados —, o banco avalia que a demanda doméstica ainda fraca pode limitar novos reajustes de preços no curto prazo.

Diante desse cenário, o Bradesco BBI mantém uma postura seletiva no setor. A preferência do banco segue concentrada em Ternium e Vale (VALE3), ambas com recomendação outperform (desempenho acima da média, equivalente à compra), enquanto Gerdau (GGBR4), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5) permanecem com recomendação neutra. A leitura reflete a busca por empresas mais bem posicionadas diante de um ambiente de maior volatilidade, custos elevados e menor visibilidade de demanda.

Diário do Comércio - MG   10/06/2026

As exportações de minério de ferro de Minas Gerais recuaram 5,5% nos primeiros cinco meses de 2026 em relação a igual período de 2025, totalizando US$ 4,3 bilhões. Em maio, na mesma base de comparação, a redução foi de 21,7%, para US$ 752,7 milhões.

Os dados constam na plataforma Comex Stat, da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic).

Segundo o analista de negócios internacionais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Felipe Ramon, o resultado negativo no acumulado do ano decorreu, principalmente, da guerra no Oriente Médio. Os conflitos afetaram os embarques para Bahrein e Omã, que ocupam o top três de destinos da commodity produzida no Estado e, juntos, concentraram 67,5% de todas as quedas observadas.

Contribuindo para que a queda geral não fosse maior, as vendas de minério de ferro para a China, principal cliente de Minas Gerais, aumentaram 2,6% entre janeiro e maio deste ano, ante o mesmo intervalo do ano passado. Da mesma forma, houve alta nas compras de países importantes como Índia, de 492%, Turquia, de 107%, e Japão, de 27%.

Por outro lado, em maio, as exportações para os chineses caíram 18,9% sobre o mesmo período do ano anterior. “Esse é um momento em que a China está com uma produção de aço menor, com o mercado imobiliário pressionado. Vínhamos falando desde o ano passado sobre a desaceleração do crescimento da economia chinesa, que é basicamente o que domina os fatores para as altas ou baixas do preço do minério de ferro”, explica Ramon.
Expectativa para os próximos meses

Conforme o analista da Fiemg, é preciso ficar atento aos movimentos do gigante asiático, além de observar os desdobramentos da guerra no Oriente Médio. Em maio, o Bahrein não recebeu embarques, assim como não havia recebido em abril. No entanto, Omã voltou a importar minério de ferro de Minas Gerais após dois meses sem compras. De acordo com ele, esse movimento pode ter relação com a diminuição dos conflitos, porém não dá para afirmar que continuará ocorrendo nos próximos meses.

“Estamos há um longo tempo tendo vários cessar-fogo anunciados, mas, na prática, alguns bombardeios seguem acontecendo. O que ocorreu nesse período foi que um pouco do susto do conflito passou e o próprio Irã começou a liberar navios de entrarem. Estavam sendo cobrados altos prêmios de risco pelas mercadorias, mas elas estavam entrando e saindo com um pouco mais de frequência”, ressalta.

Ramon pontua que Omã voltou a receber minério de ferro do Estado em razão dessa flexibilização e da liberação do Estreito de Ormuz. Contudo, o especialista pondera que não é possível dizer se isso será mantido e por quanto tempo. “De início muitos previam que seria um conflito breve, mas já estamos vendo que essa hipótese foi rechaçada”, salienta.

Valor - SP   10/06/2026

Para a empresa, no futuro, a mineração terá o mínimo de pessoas localmente, com mais centros de controle e operação de equipamentos autônomos

A Vale vê, no futuro de seus negócios, possibilidades de 100% de automação em minas; e de elevar a atual fatia, de cerca de 25%, destinada a investimentos em pesquisas de descarbonização — parcela dentro de um total de US$ 700 milhões, alocado em projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). As informações partiram de Rafael Bittar, diretor de tecnologia da empresa. Além disso, continuou ele, a companhia enxerga, cada vez mais, uso de inteligência artificial (IA) em suas práticas. “IA é caminho sem volta [nos negócios da Vale]”, afirmou.

O executivo deu as declarações durante o segundo dia do Web Summit Rio 2026, edição latino-americana da maior conferência global de tecnologia, inovação e empreendedorismo, que vai até 12 de junho. O executivo foi questionado sobre a possibilidade de, “em um futuro breve”, a empresa poder receber prêmio por minério, cuja elaboração seja feita de forma mais “verde”, com poucas emissões danosas ao meio ambiente. O “prêmio por minério” (ou quality premium) é um valor extra pago pelo comprador ao vendedor devido à alta qualidade, à pureza ou a características ambientais específicas do minério adquirido.

Após palestrar no evento, o especialista explicou que não prevê prazos específicos para recebimento de prêmio por tal produto. E que, caso essa possibilidade se confirme, o minério poderia receber prêmio tanto por baixo nível de emissões por tonelada produzida, além de menor quantidade de elementos contaminantes ao meio ambiente, como sílica, alumina, magnésio.

Para desenvolver produtos mais sustentáveis, o executivo explicou que a empresa já aloca investimentos relevantes em empreendimentos de descarbonização. Quando questionado sobre se não descarta aumento, em parcela de 25% no total de investimentos em P&D, destinada à descarbonização, nos próximos anos – tendo em vista o contexto atual de mercado, que demanda mais soluções afáveis a uma transição energética, menos agressiva ao meio ambiente –, Bittar foi taxativo. “Eu acredito que a gente deve aumentar ainda assim essa parcela”, disse.

“A gente analisa sempre os projetos. E tem entrado mais projetos [verdes, na Vale]. E, na medida em que os projetos vão amadurecendo, também, na cadeia do P&D, eles vão ficando em níveis mais avançados e requerem um pouco mais de capital”, disse. “Então, devem naturalmente exigir um pouco mais de capital na frente”, disse.

No evento, Bittar aproveitou a ocasião para comentar sobre como visualiza processo de avanços tecnológicos, dentro do “core business” da Vale, que é exploração mineral. Ao ser questionado sobre se visualiza uma mina “100% automatizada”, não descartou a possibilidade. Ele disse que já existem operações da empresa, com centros de controle que permitem a teleoperação de equipamentos a centenas de quilômetros de distância. Para ele, no futuro, a mineração terá o mínimo de pessoas localmente, com mais centros de controle e operação de equipamentos autônomos, como caminhões, perfuratrizes, escavadeiras, tratores de esteira.

O uso de IA também já está sendo testado na logística da companhia, disse. Caminhões autônomos já representam parte da frota. Há plano para adicionar mais 150 equipamentos autônomos, na frota da Vale até o final do próximo ano, completou ele.

AUTOMOTIVO

Jornal de Brasília - DF   10/06/2026

A nova linha de crédito para aquisição de motos que está sendo preparada pelo governo Lula (PT) deve prever cerca de R$ 4 bilhões em financiamentos para entregadores de aplicativo, segundo duas pessoas a par das discussões ouvidas pela reportagem.

Segundo um integrante do governo, a taxa de juros deve ficar próxima de 12,6% ao ano -percentual já praticado na linha para motoristas de aplicativo lançada em maio-, com cerca de R$ 20 mil por CPF.

Considerando esse valor médio, seriam 200 mil potenciais beneficiários.

Os empréstimos devem ter garantia do FGO (Fundo de Garantia de Operações), e o governo discute se fará aportes adicionais no fundo, que é administrado pelo Banco do Brasil, para aumentar o alcance da linha. Eliminar a necessidade de entradas é outra possibilidade na mesa, já que muitos motoboys não têm dinheiro para arcar com a parcela inicial do financiamento.

As regras de enquadramento também devem ser parecidas com as da linha para motoristas de aplicativo.

Nesse modelo, a verificação de elegibilidade é feita pelas plataformas, como iFood, 99, Keeta e Rappi, com anuência do trabalhador, e comunicada ao governo.

A linha de crédito para aquisição de motos faz parte de um pacote de bondades lançadas pelo governo Lula em ano eleitoral.

Nos últimos dois meses, o governo anunciou crédito subsidiado para taxistas, motoristas de aplicativo, e caminhoneiros, além de um novo programa de negociação de dívidas. Integrantes do governo federal negam que as medidas sejam eleitoreiras, e dizem que o governo trabalha de forma consistente desde o primeiro dia do mandato.

Com os R$ 4 bilhões anunciados para aquisição de motos, o valor total de créditos pode chegar a R$ 75,2 bilhões -contando motoristas de aplicativo, máquinas agrícolas, caminhões e indústria 4.0.

Na reunião ministerial da última quarta-feira (3), a ministra Miriam Belchior confirmou o lançamento do programa. “Temos uma próxima entrega prevista, com essa mesma lógica, que é o Move Motos, com essa mesma lógica de veículos, financiamento para os motociclistas de aplicativos”, disse.

Os detalhes da nova linha para motos estão sendo discutidos por Fazenda, Planejamento e Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), como já mostrou reportagem da Folha de S. Paulo. Escalado para negociação entre trabalhadores e aplicativos, o secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos, também participa da discussão, além da Casa Civil.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil tinha 1,7 milhão de pessoas que trabalhavam por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços em 2024. Desse total, 58,3% (ou 964 mil) exerciam o trabalho principal por meio de aplicativos de transporte, incluindo os de táxi. Outros 29,3% (ou 485 mil) eram trabalhadores de aplicativos de entrega.

Valor - SP   10/06/2026

Seria a reedição do programa federal que vigorou entre o início de 2013 e o fim de 2017 com objetivo de rediscutir a tributação dos importados

Em poucas palavras, Gastón Diaz Perez, CEO da Bosch América Latina, conseguiu ilustrar o dilema que mais incomoda a indústria automobilística no Brasil hoje. Ele disse que os carros chineses que vemos no país têm grande conteúdo de peças produzidas pela empresa alemã, maior fabricante de autopeças do mundo. “Mas esses componentes não foram fornecidos pela Bosch Brasil, mas pela Bosch China”, completou.

Gastón foi um dos participantes do Anfavea Visions, evento organizado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores para tentar encontrar respostas para perguntas como a que presidente da Bosch fez: como colocar mais peças produzidas no Brasil nos carros que rodam no país hoje? Ou, ainda, como a questão trazida por Roberto Cortes, presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus e também do Anfavea Visions, na abertura do evento: “que indústria queremos ser, a que produz ou a que faz simples montagem?”

Num painel cujo tema sugeria a busca de caminhos e reuniu CEO de três montadoras, Herlander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul, citou as vantagens dos concorrentes que hoje ameaçam o parque industrial brasileiro: enquanto na China o custo do dinheiro gira em torno de 1,5% ao ano, a taxa Selic se acomodou em 14,5%. Além disso, no país asiático, o preço do aço, que representa 15% do custo de um carro, é 30% mais baixo. Sem contar a diferença com custo de mão de obra.

“Se olharmos quem cresce e de onde vem esse crescimento vamos enxergar que o nosso modelo de nacionalização [de veículos] está em jogo”, destacou Zola. “A competitividade mundial mudou de patamar”, acrescentou Ariel Montenegro, presidente Renault Geely, empresa criada recentemente a partir de uma parceria entre a montadora francesa e a chinesa para compartilhar estrutura da Renault no Brasil.

Para Montenegro, mesmo a exportação, que em algumas fases da história do setor respaldou o dinamismo das linhas de produção de veículos no Brasil, também passou a ser um desafio à medida que os mercados vizinhos são pequenos e estão cada vez mais abertos.

“Enquanto México e Coreia do Sul estão próximos de grande mercados consumidores, o Brasil é o maior na América do Sul. Para crescer na exportação, temos que atender primeiro ao mercado interno. A equação não é simples”, disse.

Para Evandro Maggio, presidente da Toyota do Brasil, a indústria precisa se valer de atributos que conquistou ao longo dos anos, como o desenvolvimento da tecnologia flex, que permite uso de etanol na maior parte dos carros produzidos no país, além do arsenal que construiu com uma engenharia forte e inovadora.

Os participantes do evento foram unânimes na constatação de que modelos do passado, adotados ao longo de anos por essa indústria, não vão servir para garantir a continuidade do vigor da manufatura automotiva brasileira.

Que indústria queremos ser, a que produz ou a que faz simples montagem?”

— Roberto Cortes

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, que mediou alguns painéis, provocou os participantes na tentativa de, juntos, buscarem caminhos para evitar o risco de a indústria local perder força diante da ágil concorrência chinesa.

“Não estamos diante de uma simples mudança de produto. Estamos diante de uma mudança de paradigma”, disse Calvet na abertura do evento.

Ao Valor, Calvet mostrou-se decidido a buscar a participação do governo nesse debate. Segundo o dirigente, esse é um setor que sempre contou com programas governamentais. Mas, desta vez, há urgência para acelerar ajustes.

Calvet defende a criação do que ele chama de “Inovar 2”. Seria uma reedição do programa governamental que vigorou entre o início de 2013 e o fim de 2017 e se destacou como um dos que mais protegeram o parque da indústria automotiva.

Para Calvet, a nova edição de uma programa nessa linha deveria rediscutir a tributação dos produtos importados, sejam os carros completos ou semimontados.

Além disso, ele considera importante a criação de linhas de crédito para a indústria de autopeças conseguir fazer os investimentos necessários para produzir localmente componentes para carros híbridos e elétricos.

“A maior parte dos fabricantes de autopeças é composta por empresas pequenas, muitas vezes familiares”, disse Calvet. “Nos interessa fazer esses novos produtos nacionais”, afirmou o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes (Sindipeças), Cláudio Sahad.

A ideia de pedir linhas de financiamento para as autopeças precisa, no entanto, enfrentar obstáculos difíceis. Na abertura do evento, especialistas, como o economista Eduardo Giannetti, lembraram a necessidade de conter o aumento da dívida pública, tema que se destacará como um dos principais desafios do próximo governo.

Seja como for, é bem provável que muito do que for discutido no Anfavea Visions, que reuniu 900 pessoas ontem e se encerra nesta quarta-feira, servirá de inspiração para os dirigentes da indústria automobilística encaminharem reivindicações aos candidatos à eleição presidencial.

Auto Industria - SP   10/06/2026

Após participar do evento Anfavea Visions 2026 na capital paulista, o presidente da Stellantis América do Sul, Herlander Zola, admitiu que a parceria global da companhia com a chinesa Dongfeng irá contemplar o Brasil.

A engenharia da região, inclusive, já participa do desenvolvimento de produtos globais que têm potencial para venda em mercados da América do Sul.

“Vamos ampliar portfólio no Brasil a partir de parcerias”, informou o executivo, não descartando que acertos com a Dongfeng podem envolver produção em alguma fábrica da Stellantis no Brasil, como já programado com a também chinesa Leapmotor, que terá linha em Goiana, PE.

>Stellantis e Dongfeng criarão joint venture para atuação nos mercados internacionais

Sobre a venda de produtos com a marca Dongfeng ou alguma submarca do grupo, Zola assegura que ainda nada está definido. Mas deixou claro que explorar parcerias no atual mundo automotivo é essencial para garantir competitividade, principalmente no Brasil, onde verifica-se uma invasão de carros chineses.

Sobre o plano global anunciado recentemente pela Stellantis, o principal executivo da montadora na região garantiu que os R$ 32 bilhões de investimentos estão preservados, com algumas mudanças de foco justamente em função das aceleradas transformações no setor.

“São três pilares”, comentou. “Vamos investir forte em modelos compactos, principalmente da Fiat, e picapes, segmentos nos quais os chineses ainda não atuam com força no mercado brasileiro. Também vamos fortalecer nossa atuação em SUVs, especialmente com a marca Jeep, e, por fim, explorar mais as parcerias do grupo no âmbito regional.”

Zola também comentou sobre a proposta do governo brasileiro de acabar com a escala semanal 6×1. Ele admitiu que isso pode piorar a produtividade em relação à China, mas disse que a empresa não discute regras do governo. “Vamos nos adapatar, assim como as demais empresas aqui instaladas.”

Valor - SP   10/06/2026

Com isso, empresa estreia no mercado de carros flex, que podem ser abastecidos com etanol

A chinesa BYD fez estreia no segmento de carros que mais vende no Brasil, o de SUVs compactos. E, com o novo modelo, a BYD também estreia no mercado de carros flex, que podem ser abastecidos com etanol.

Com muito barulho, comparando o novo carro a “um craque que chega para virar o jogo”, a montadora fez a apresentação oficial do chamado Atto 2 DM-i flex em plena arena do Nubank Parque, estádio do Palmeiras, em São Paulo.

O modelo será o primeiro híbrido plug-in do segmento que representa 40% do mercado brasileiro e chega com preço competitivo em relação aos concorrentes: R$ 149.990.

“Há três anos diziam que ninguém ia comprar carro elétrico no Brasil porque não havia infraestrutura de carregamento”, lembrou o vice-presidente da BYD Brasil, Alexandre Baldy.

O modelo da marca chinesa percorre 110 quilômetros no modo elétrico e mais de mil no modo combinado híbrido e elétrico.

O novo carro tem outros atributos que podem ser um diferencial em relação aos concorrentes, como detecção de ponto cego e de placa de trânsito e freio regenerativo para descida de serra, que, além de dispensar a necessidade de o motorista frear, regenera a bateria.

Esse é mais um modelo que sai da fábrica da BYD em Camaçari (BA).

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Blogs do Globo - RJ   10/06/2026

O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, afirmou que a entidade está recomendando que as empresas antecipem embarques para os Estados Unidos diante da possibilidade de mudanças nas tarifas de importação aplicadas aos produtos brasileiros. Segundo Velloso, ainda há tempo para que mercadorias enviadas por via marítima, especialmente pela Costa Leste dos Estados Unidos, cheguem ao destino antes de uma eventual alteração tarifária.

A recomendação leva em conta o cronograma do processo conhecido como Seção 301. Empresas e entidades têm até 1º de julho para apresentar manifestações por escrito na consulta pública aberta pelo governo norte-americano. Já no dia 6 de julho está prevista uma audiência pública em Washington, salienta.

Pelo calendário divulgado, a partir de 15 de julho será encaminhada ao governo dos Estados Unidos uma nova recomendação sobre as tarifas aplicadas ao Brasil. Atualmente, a recomendação é de uma tarifa de 25%, mas o percentual ainda pode ser alterado, já que a decisão final não foi tomada.

Diante desse cenário, Velloso avalia que ainda é possível realizar embarques marítimos e garantir a entrada dos produtos sob as condições tarifárias atualmente em vigor. No caso de cargas transportadas por via aérea, o prazo é ainda mais confortável.

- É totalmente possível os embarques via marítima e chegar a tempo de pegar ainda a tarifa de 10%. Então, é, o que nós estamos recomendando é que as empresas antecipem.

Segundo Velloso, a antecipação é mais viável para operações de transferência de estoques entre matrizes e filiais de empresas brasileiras e norte-americanas. Já produtos fabricados sob encomenda, especialmente máquinas com ciclos longos de produção, têm menor flexibilidade para adequar os prazos de entrega.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Jornal de Brasília - DF   10/06/2026

A alta ligeiramente mais branda no custo dos materiais desacelerou a inflação da construção no Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de maio, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira, 9.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) passou de um avanço de 1,00% em abril para uma elevação de 0,88% em maio.

O índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços saiu de uma alta de 1,35% em abril para uma elevação de 1,15% em maio. O custo dos Materiais e Equipamentos passou de um aumento de 1,38% em abril para elevação de 1,21% em maio, enquanto os Serviços saíram de alta de 1,12% para elevação de 0,57%.

Já o índice que representa o custo da Mão de Obra saiu de uma elevação de 0,52% em abril para uma alta de 0,50% em maio.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   10/06/2026

O Governo de São Paulo decidiu suspender o leilão de concessão da Estrada de Ferro de Campos do Jordão, que estava previsto para ocorrer no fim deste mês de junho.

De acordo com a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), o adiamento do certame é temporário e ocorre em razão das contribuições e solicitações apresentadas por potenciais interessados no projeto.

Até que uma nova data seja anunciada, o governo realizará avaliações e ajustes na modelagem contratual, com o objetivo de aprimorar a estrutura da concessão e adequá-la às demandas do mercado para a transferência da operação do serviço turístico à iniciativa privada.

O projeto atualmente em análise prevê a concessão da administração de 47 quilômetros de via férrea por um período de 24 anos, além da realização de investimentos estimados em R$ 317 milhões.

Pelas regras estabelecidas, o futuro concessionário será responsável por promover melhorias na infraestrutura, operar os trens turísticos entre Campos do Jordão e Pindamonhangaba, além de revitalizar estações, sistemas operacionais e o material rodante.

A concessão é classificada como um ativo do tipo brownfield, modelo em que o operador assume uma estrutura já existente. O pacote inclui ainda o Parque Reino das Águas Claras, com área de 38 mil metros quadrados, e o Museu de Memória Ferroviária, ambos inseridos em uma região consolidada como destino turístico, especialmente durante a temporada de inverno.

Quanto às fontes de receita, o vencedor poderá contar não apenas com a venda de passagens dos serviços ferroviários e dos bondes turísticos, mas também com receitas acessórias, como cobrança de estacionamento, acordos publicitários de curto e longo prazo, oferta de novas atrações turísticas, exploração de naming rights e outras oportunidades comerciais previstas no contrato.

Monitor Digital - RJ   10/06/2026

O ministro dos Transportes, George Santoro, traçou, nesta terça-feira, durante participação no programa Bom Dia, Ministro, um panorama dos investimentos realizados por esta gestão do Governo Federal em ferrovias no país. Para George Santoro, sem o apoio do Estado não é possível reverter o longo ciclo de desinvestimentos em ferrovias que o Brasil enfrentou. Ele afirmou que serão realizados oito leilões ainda este ano.

“A gente tinha 35 mil quilômetros de ferrovia. Construímos mais ferrovia no Império que na República. E abandonamos as ferrovias no Brasil. Hoje a gente tem 10 mil quilômetros operacionais”, revelou

Segundo George Santoro, a retomada das obras gerou um cenário de mais confiança no país. “Quando o presidente retoma o governo, a gente retoma obras que estavam paradas há anos, sonhos antigos dos brasileiros. Hoje, as pessoas voltaram a sonhar com um Brasil grande, um Brasil que tenha logística eficiente, em que a carga não vai poder custar no transporte, por exemplo, do Mato Grosso para Santos, mais caro que de Santos para Xangai. A gente precisa acabar com isso”, destacou George Santoro.

“Ainda temos que melhorar em alguns estados, como, por exemplo, Minas Gerais. Porque Minas Gerais não tinha nem metade da sua malha coberta com contrato de manutenção. A gente teve que fazer os contratos, fazer projetos, isso leva um tempinho. E a gente está melhorando para entregar um Brasil muito melhor do que recebeu”, afirmou.

Oito leilões em 2026

Ao debater a atual realidade das ferrovias no Brasil, George Santoro ressaltou a importância da Política Nacional de Concessões Ferroviárias. Considerado um dos maiores ciclos de investimentos do setor ferroviário nas últimas décadas, a política prevê oito leilões em 2026 nos seguintes estados: Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Mato Grosso, Ceará e Pernambuco.

Cerca de R$ 160 bilhões estão sendo investidos. Os projetos integram a estratégia do Governo do Brasil para ampliar a participação do modal ferroviário na matriz logística brasileira, elevando-a dos atuais 17,7% para 34,6% até 2035, conforme metas estabelecidas no Plano Nacional de Logística (PNL 2035). As iniciativas são estruturantes para a logística nacional e têm potencial para movimentar cerca de R$ 600 bilhões nos próximos anos.

“Fizemos a primeira política pública de concessões ferroviárias da história do Brasil. Melhoramos a regulação. Assumimos que o setor privado, sozinho, não é capaz de tocar uma carteira de ferrovias. A carteira de ferrovias do mundo inteiro foi desenvolvida com o governo entrando em ferrovia. Não existe ferrovia no mundo em que o governo não entrou. Para ter só o setor privado são pequenos projetos, short lines, que carregam cargas próprias em casos excepcionais. A regra geral no mundo é que o governo participa. E isso o Brasil tinha vergonha. Na retomada do presidente Lula ao governo a gente retomou isso”, explicou.

“Os técnicos sempre sonharam com isso, o setor ferroviário sonhava com a retomada das ferrovias. E para retomar a ferrovia o governo precisa colocar dinheiro. Não tem como desenvolver ferrovias sem diminuir o risco desse empreendedor. Depois que isso funcionar, vai engrenar e vai soltar mais projetos. Esses são os primeiros oito.”

CNN Brasil - SP   10/06/2026

O governo federal e o BNDES lançam, nesta quinta-feira (11), uma nova linha de financiamento para projetos ferroviários com prazo mais amplo de pagamento. A informação foi dada pelo ministro dos Transportes, George Santoro, durante participação no programa “Bom Dia, Ministro”.

Procurado pela reportagem, o Ministério dos Transportes informou que a expectativa é que o prazo máximo de pagamento seja de 40 anos. O anúncio deve ser feito durante o evento “Novos Caminhos sobre Trilhos: O Futuro das Ferrovias no Brasil”, na Arena B3.

Recentemente, o ministro já havia sinalizado à CNN que a pasta e o banco de desenvolvimento estavam discutindo a estruturação dessa nova política de crédito para o setor ferroviário. Porém, Santoro pedia financiamentos de até 60 anos e carência ampliada.

A iniciativa tem como objetivo adequar o financiamento público à realidade dos empreendimentos ferroviários, que demandam elevados investimentos iniciais e possuem retorno financeiro em períodos mais longos. A expectativa é que a nova modalidade também conte com prazos ampliados de carência, reduzindo a pressão financeira durante a fase de implantação das obras.

A criação da linha faz parte da estratégia do governo para aumentar a participação, principalmente, do investidor internacional em projetos como a Ferrogrão e a EF-118 (Anel Ferroviário do Sudeste), que demandam um alto volume de recursos para serem construídos.

A avaliação da pasta é que os mecanismos tradicionais de financiamento não refletem as características do setor ferroviário e que as novas condições seriam mais compatíveis com o perfil dos empreendimentos, o que poderia ampliar a competitividade dos próximos projetos previstos.
Anel Sudeste

Durante o programa, o ministro também afirmou que o pedido de pesquisas arqueológicas, exigidas pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), não devem atrasar mais ainda o cronograma da EF-118.

Segundo ele, o TCU (Tribunal de Contas da União) deve finalizar a análise do projeto até, no máximo julho, e o edital poderá ser publicado ainda em 2026.
O leilão do Anel Ferroviário do Sudeste é um dos mais aguardados pelo setor e pode ser o primeiro a ir à leilão neste ano. Porém, o cronograma da licitação - inicialmente previsto para ser levado para a B3 em junho - já está atrasado.

Caso o TCU conclua a análise da concessão em julho sem recomendar alterações no projeto — cenário pouco comum em processos dessa complexidade —, o governo poderá publicar o edital na sequência. Nesse cronograma, o leilão seria realizado em outubro, respeitando o prazo de aproximadamente 90 dias normalmente concedido ao mercado para avaliar as condições da licitação e estruturar propostas.

A ferrovia deverá receber R$ 6,6 bilhões de investimentos — com aportes cruzados de R$ 4,1 bilhões provenientes do pagamento de outorga de outras concessões — em sua fase de implantação.

Na primeira etapa, ela terá 246 quilômetros entre Santa Leopoldina (ES) e São João da Barra (RJ). Poderá, no futuro, ser estendida até Nova Iguaçu (RJ).

Jornal de Brasília - DF   10/06/2026

O ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou nesta terça-feira que o trecho da Transnordestina que conecta a ferrovia ao Porto de Pecém, em Ceará, será entregue até o final de 2026.

“Conforme avançam as obras da Transnordestina em direção à Pecém, a gente entrega até o final do ano”, disse em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, da EBC.

O ministro também destacou o avanço dos projetos para a retomada da ligação ferroviária até o Porto de Suape, em Pernambuco. De acordo com ele, após a retirada do trecho pernambucano da concessão durante o governo anterior, a atual gestão assumiu a responsabilidade pela execução do projeto, elaborou os estudos executivos e realizou a licitação da obra. A expectativa é iniciar os trabalhos após a conclusão de pendências junto aos órgãos de controle.

Segundo Santoro, o governo também está incorporando ao Plano Nacional de Logística (PNL) um corredor ferroviário que conectará a Ferrovia Norte-Sul à Transnordestina por meio de Salgueiro (PE), município que ele classificou como o principal entroncamento logístico do Nordeste.

O ministro acrescentou que a região deverá atrair a instalação de operadores logísticos e portos secos ao longo da ferrovia, ampliando a capacidade de escoamento da produção agrícola e industrial do Nordeste. “A conexão ferroviária é fundamental para o desenvolvimento de toda aquela região”.

NAVAL

Exame - SP   10/06/2026

A China iniciou a construção do maior navio transportador de gás natural liquefeito (GNL) do mundo. A embarcação faz parte de uma encomenda de 24 navios da nova classe QC-Max, contratada pela QatarEnergy junto à China State Shipbuilding Corporation (CSSC) em um acordo avaliado em mais de RMB 56 bilhões (US$8,3 bilhões).

A construção do primeiro navio começou nesta terça-feira, 9, no estaleiro Hudong-Zhonghua Shipbuilding, em Xangai. Segundo a CSSC, os dois contratos assinados com a QatarEnergy em 2024 representam a maior encomenda de construção naval já registrada no mundo.

Cada embarcação da classe QC-Max terá 344 metros de comprimento, 53,6 metros de largura e capacidade para transportar 271 mil metros cúbicos de GNL. O volume supera em cerca de 57% a capacidade dos navios convencionais do segmento, que normalmente transportam até 174 mil metros cúbicos.

De acordo com a CSSC, uma única viagem poderá transportar aproximadamente 155 milhões de metros cúbicos de gás natural, volume equivalente ao consumo mensal de cerca de 4,7 milhões de famílias em Xangai.

A encomenda faz parte da estratégia da QatarEnergy para ampliar sua capacidade de exportação de gás natural liquefeito. A estatal do Catar é responsável pelas atividades de petróleo e gás do país e figura entre as principais fornecedoras globais de GNL.

A construção ficará a cargo da Hudong-Zhonghua Shipbuilding, subsidiária da CSSC especializada em navios transportadores de gás natural liquefeito. O estaleiro está entre os poucos do mundo com capacidade para desenvolver esse tipo de embarcação e já entregou dezenas de navios de GNL para clientes internacionais.

O projeto também reforça a cooperação entre China e Catar na área de energia e transporte marítimo, em um momento de expansão da demanda global por gás natural liquefeito e de ampliação da infraestrutura destinada ao comércio internacional do combustível.

Monitor Digital - RJ   10/06/2026

Entre 2023 e 2026, foram contratados R$ 14,43 bilhões com recursos do Fundo de Marinha Mercante (FMM), para a execução de 849 obras, com impacto direto na criação de 48.708 empregos e no desenvolvimento de projetos estratégicos para a navegação e a logística nacional.

Entre os projetos em execução, destaca-se a atuação do Juruá Estaleiro e Navegação, localizado em Iranduba (AM), na Região Metropolitana de Manaus. Com mais de três décadas de atuação, a empresa desenvolve embarcações e estruturas voltadas à navegação interior, incluindo balsas, empurradores, rebocadores e sistemas de transbordo de cargas.

Atualmente, o estaleiro executa a construção de 108 balsas mineraleiras para a LHG Mining, empreendimento de R$ 767,2 milhões com potencial para gerar 5.616 empregos diretos. Também está em andamento a construção de três empurradores fluviais, projeto de R$ 327,6 milhões que deverá criar outros 2.037 postos de trabalho diretos.

“Estamos impulsionando projetos que modernizam a frota, fortalecem os estaleiros, movimentam as economias regionais e contribuem para uma logística mais eficiente, sustentável e integrada. Esses investimentos conectam oportunidades e promovem desenvolvimento em todas as regiões do Brasil”, afirmou o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca.

Para o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier, os investimentos também estimulam cadeias produtivas locais, movimentando fornecedores, serviços especializados e mão de obra qualificada. “Os investimentos apoiados pelo Fundo geram emprego, renda e oportunidades, além de contribuir para a modernização da frota nacional e para o aumento da competitividade do transporte aquaviário”, destacou.
Quem renuncia à indústria naval renuncia a parte da soberania | Monitor Mercantil Investimentos chegam a todo o País

Os valores contratados pelo Fundo da Marinha Mercante alcançam diferentes regiões brasileiras. O Amazonas lidera em número de empreendimentos apoiados, com 233 obras contratadas e investimentos de R$ 1,68 bilhão. Em seguida aparecem o Pará, com 173 obras e R$ 1,62 bilhão em recursos, e o Rio de Janeiro, com 135 obras e R$ 1,63 bilhão contratados.

Em volume de investimentos, Santa Catarina se destaca com R$ 5,73 bilhões aplicados em 91 obras. Bahia, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul também integram o conjunto de estados beneficiados pelos recursos do Fundo, evidenciando a abrangência nacional da política pública.

A distribuição dos investimentos reafirma o papel estratégico da indústria naval para o desenvolvimento regional, especialmente em áreas onde a navegação desempenha função essencial para a movimentação de cargas, o abastecimento e a integração territorial.
Logística mais eficiente

Nos primeiros meses de 2026, o Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM) aprovou R$ 11,65 bilhões para novos projetos voltados à construção e modernização de embarcações, estruturas de transbordo, fortalecimento da navegação interior e infraestrutura aquaviária.

Entre as iniciativas aprovadas está o projeto para construção de 36 embarcações destinadas à Transpetro, empresa responsável pela logística de combustíveis do Sistema Petrobras. O empreendimento contempla a construção de 18 barcaças em Manaus (AM) e de 18 empurradores em Santa Catarina, contribuindo para ampliar a capacidade operacional do transporte aquaviário e fortalecer a segurança logística do país.

“Ao apoiar a construção de embarcações e a expansão da capacidade operacional do setor, o Fundo fortalece corredores logísticos essenciais, estimula a indústria nacional e contribui para uma logística mais eficiente, competitiva e sustentável para o país”, destacou o diretor de Navegação e Fomento da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, Daniel Aldigueri.

Valor - SP   10/06/2026

Chris Wright acrescentou que serão necessários muitos meses para que os fluxos de energia e de matérias-primas críticas retornem aos níveis normais

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou nesta terça-feira (9) que o tráfego marítimo no Golfo e as exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz estão aumentando, mesmo enquanto Washington e Teerã seguem tentando chegar a um acordo para encerrar a guerra que já dura mais de três meses.

“Eu diria que estão aumentando de forma bastante significativa”, disse Wright ao ser questionado sobre como o fluxo de embarcações pelo estreito se compara ao de uma ou duas semanas atrás. Segundo ele, as exportações de petróleo através de Ormuz e do Golfo aumentaram e “continuarão aumentando”.

Wright fez os comentários durante um evento do Atlantic Council e acrescentou que serão necessários muitos meses para que os fluxos de energia e de matérias-primas críticas, como enxofre, hélio e lubrificantes, retornem aos níveis normais após a consolidação de uma paz duradoura.

A circulação de embarcações pelo estreito permaneceu amplamente bloqueada desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, interrompendo cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Desde então, alguns navios voltaram a atravessar a estreita via marítima que margeia o território iraniano, frequentemente com os sistemas de rastreamento desligados e sob a cobertura da escuridão.

As interrupções nos fluxos normais de energia provocaram uma disparada dos preços globais, afetando economias ao redor do mundo e criando uma vulnerabilidade política para o presidente Donald Trump e seu Partido Republicano às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Washington pressiona por um acordo de paz com Teerã que inclua a reabertura completa do Estreito de Ormuz.

Os preços do petróleo Brent caíram mais de 3% nesta terça-feira, para US$ 91,34 por barril, depois que Irã e Israel interromperam os ataques mútuos em resposta a um apelo de Trump, embora ambos os lados tenham advertido que podem retomar as hostilidades.

Wright afirmou que os preços do petróleo não subiram ainda mais durante a guerra porque os estoques globais, especialmente os da China, estavam “maiores do que imaginávamos”.

Segundo ele, as importações chinesas de petróleo caíram cerca de 4 milhões de barris por dia em maio, à medida que o país passou a utilizar estoques acumulados. O secretário ressaltou, porém, que essa mudança não representa destruição de demanda causada pelos preços elevados.

PETROLÍFERO

IstoÉ Dinheiro - SP   10/06/2026

Os preços do petróleo caíram cerca de 3% nesta terça-feira, 9, atingindo o menor nível em sete semanas, apesar das novas ameaças do presidente americana, Donald Trump, contra o Irã.

Os futuros do Brent caíram US$ 2,80, ou 3%, fechando a US$ 91,45 o barril. O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA recuou US$ 3,10, ou 3,4%, fechando a US$ 88,20. Veja cotações.

Trump afirmou que o Irã abateu um helicóptero dos EUA no Estreito de Ormuz e ameaçou que Washington iria responder. Os preços do petróleo se recuperaram das mínimas da sessão após suas declarações.

Foi o fechamento mais baixo para o Brent desde 17 de abril e para o WTI desde 29 de maio. Foi também a primeira vez desde janeiro que o Brent fechou abaixo de sua média móvel de 100 dias, que representa o suporte técnico.

“O mercado de petróleo está em queda à medida que o mais recente confronto armado entre Israel e Irã foi [dissipado] em favor de um cessar-fogo e conforme Trump continua pressionando o mercado para baixo ao sugerir que o fim da guerra com o Irã poderia ser alcançado em dois a três dias, com as negociações em seus estágios finais”, disseram analistas da consultoria de energia Ritterbusch and Associates em nota.

Israel e o Irã suspenderam os ataques diretos um contra o outro na segunda-feira, depois que Trump os instou a parar. Teerã disse que retomaria as hostilidades se Israel continuasse a atacar a milícia Hezbollah no Líbano.

O Irã, até o momento, se absteve de atacar, embora Israel tenha bombardeado a histórica cidade portuária de Tiro, no sul do Líbano, matando pelo menos oito pessoas. Enquanto isso, o Irã continuou a bloquear a maior parte do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, que antes da guerra transportava um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do mundo. Washington impôs seu próprio bloqueio aos portos iranianos.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse nesta terça-feira que o tráfego de navios no Golfo e as exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz estão aumentando, mesmo enquanto Washington e Teerã lutam para chegar a um acordo para encerrar a guerra que já dura mais de três meses.

Em outras partes do mundo, as importações de petróleo da China em maio caíram 29%, atingindo o nível mais baixo em oito anos, prolongando uma queda acentuada no maior importador de petróleo do mundo, o que está ajudando a conter os preços globais do petróleo.

Petro Notícias - SP   10/06/2026

Novidades que devem movimentar o mercado de óleo e gás nesta semana: a Petrobrás iniciou nesta segunda-feira (9) duas licitações importantes relacionadas ao projeto Sergipe Águas Profundas (SEAP). A primeira concorrência (nº 7004609335) prevê a contratação de serviços de inspeção para as atividades de construção dos FPSOs do projeto SEAP II. Já a segunda licitação (nº 7004609336) tem como objetivo a contratação de serviços de suporte técnico para os projetos das plataformas do mesmo empreendimento. A abertura das propostas está marcada para 8 de julho.

A petroleira também dará início nesta terça-feira (10) a uma licitação para a elaboração do projeto executivo, construção, implantação da infraestrutura, operação, manutenção e posterior desmobilização de um pátio de armazenamento de tubos que serão utilizados no trecho terrestre do gasoduto do SEAP. O edital e os demais documentos da concorrência (nº 7004601825) já estão disponíveis no portal da Petronect. A abertura das propostas está prevista para 22 de julho.

Vale lembrar que a Petrobrás anunciou recentemente a assinatura dos contratos para a construção das plataformas P-81 e P-87, destinadas ao projeto Sergipe Águas Profundas. Juntas, as unidades terão capacidade para produzir até 240 mil barris de petróleo por dia e processar 22 milhões de metros cúbicos de gás natural diariamente. A P-81 será instalada no projeto SEAP I, enquanto a P-87 atuará no SEAP II.

O projeto SEAP I contempla jazidas de óleo leve localizadas nos campos de Agulhinha, Agulhinha Oeste e Palombeta, situados nas concessões BM-SEAL-10 e BM-SEAL-11. A Petrobrás é operadora da BM-SEAL-11, onde possui 60% de participação em parceria com a IBV Brasil Petróleo Ltda. (40%), e detém 100% da concessão BM-SEAL-10.

Já o SEAP II reúne jazidas de óleo leve nos campos de Budião, Budião Noroeste e Palombeta, localizados a cerca de 80 quilômetros da costa, nas concessões BM-SEAL-4, BM-SEAL-4A e BM-SEAL-10. A Petrobrás opera a BM-SEAL-4 com participação de 75%, em parceria com a ONGC Campos Ltda. (25%), além de deter integralmente as concessões BM-SEAL-4A e BM-SEAL-10.

A previsão é que a produção de petróleo tenha início em 2030, enquanto o escoamento de gás natural está previsto para começar em 2031. O empreendimento inclui ainda a perfuração e interligação de 32 poços, além da instalação de um gasoduto com aproximadamente 134 quilômetros de extensão.

Valor - SP   10/06/2026

Uma queda acentuada nas importações de petróleo da China está mantendo os preços globais sob controle, apesar da crise de oferta que já dura mais de 100 dias devido ao fechamento do Estreito de Ormuz.

Ainda assim, analistas, operadores e empresas petrolíferas começam a alertar que o mercado está se aproximando de um ponto de inflexão, com os preços correndo o risco de subir caso o apetite da China retorne nas próximas semanas e meses.

Em maio, as importações de petróleo bruto da China caíram para o menor nível em oito anos, à medida que as refinarias reduziram suas taxas de operação durante a guerra com o Irã, ajudando a compensar a alta dos preços globais. As importações totalizaram 33,08 milhões de toneladas no mês passado, uma queda de 14% em relação a abril e de 29% em relação ao ano anterior, de acordo com dados alfandegários divulgados na terça-feira.

O petróleo Brent, referência internacional, está sendo negociado abaixo de US$ 100 o barril há mais de uma semana. Os preços ainda estão mais de 50% acima dos níveis pré-guerra, mas recuaram dos picos de mais de US$ 110 no início de maio.

"A China está atuando como a principal força de reequilíbrio do mercado", escreveu Mike Haigh, chefe global de pesquisa de commodities do Société Générale, em um relatório divulgado na segunda-feira. Ele observou que a queda nas importações de petróleo da China, de cerca de 3 milhões de barris por dia, de 11,7 milhões de barris em fevereiro para pouco menos de 9 milhões no fim de maio, é próxima de toda a demanda de petróleo bruto do Japão.

"Isso representa uma das maiores compensações ao choque, perdendo apenas para o redirecionamento dos fluxos da Arábia Saudita e sendo maior do que as liberações coordenadas de reservas estratégicas de petróleo dos Estados Unidos’, Europa e Japão", acrescentou.

A utilização das refinarias chinesas caiu de 73,2% no início da guerra com o Irã, no final de fevereiro, para 61% no início de junho, segundo a OilChem. Refinarias independentes, conhecidas como "refinarias de pequeno porte", que são grandes compradoras de petróleo bruto iraniano com desconto, parecem ter sido particularmente afetadas, disse Duncan Wrigley, da Pantheon Macroeconomics.

Os preços elevados, no entanto, estão impactando a atividade econômica na China.

As companhias aéreas estão entre as mais atingidas. A média diária de voos domésticos caiu para 11.873 em maio, uma queda de 6% em relação a abril e de 8,3% em relação ao ano anterior, segundo a VariFlight.

Analistas do JP Morgan, que visitaram a China no fim de maio, disseram que a principal conclusão de suas reuniões foi "não simplesmente que a demanda por petróleo caiu. Foi que ela pode ter caído até 9%, ou 1,5 milhão de barris por dia — abruptamente, inesperadamente e com pouquíssima interrupção visível."

Eles acrescentaram: "A queda não parece ser produto de uma campanha formal de conservação do governo. Parece que os consumidores fizeram uma escolha econômica silenciosa. Diante do aumento dos preços da gasolina, do diesel e das passagens aéreas, muitos parecem ter abandonado o transporte movido a petróleo em favor de alternativas mais baratas e com menor emissão de carbono."

Os preços mais altos do petróleo também estão afetando a demanda industrial e de consumo, à medida que as empresas enfrentam custos crescentes de logística e matérias-primas.

A produção industrial cresceu 4,1% em abril em comparação com o mesmo período do ano anterior, o ritmo mais lento em quase três anos, segundo dados oficiais. Um funcionário da Petalent, fabricante de produtos para animais de estimação com sede em Zhejiang e que vende em plataformas como a Amazon, disse que os pedidos de clientes dos Estados Unidos’ estão diminuindo. "Os custos de frete têm sido instáveis e as matérias-primas têxteis subiram bastante", disse a fonte ao “Nikkei Asia” em Ningbo no mês passado.

Analistas da Jefferies observaram na semana passada "quedas acentuadas" nas vendas de eletrodomésticos no JD.com e no Tmall, apesar do início antecipado do festival de compras 618.

As importações totais de bens da China aumentaram 27,4% em maio em relação ao ano anterior, em termos de dólares, segundo dados divulgados na terça-feira, enquanto as exportações cresceram 19,4%.

Refletindo as recentes quedas de preços, o governo reduziu na quinta-feira o teto do preço da gasolina no varejo em 525 yuans por tonelada, enquanto as companhias aéreas reduziram as sobretaxas de combustível em até 20 yuans a partir de sexta-feira.

No entanto, especialistas do setor alertam para uma maior volatilidade, à medida que os estoques globais são reduzidos em ritmo recorde.

Muito agora depende de a China aumentar ou não as importações nos próximos meses, uma questão que divide os analistas. A incerteza sobre o tamanho de suas reservas estratégicas restantes complica as previsões.

Embora se acreditasse que os estoques ultrapassassem 1 bilhão de barris no início da guerra com o Irã, a falta de dados oficiais torna seu nível atual incerto, assim como a incerteza sobre se o governo autorizou as empresas a utilizá-los. "Ninguém sabe ao certo a quantidade real", disse um gestor de investimentos de Hong Kong.

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