Clipping Diário

09 | Abril | 2026

SIDERURGIA

Valor - SP   09/04/2026

Empresa lança linha de aço mais “sustentável”, de olho no longo prazo e em data centers

A Gerdau já sente pressão de preço por parte de fornecedores de combustíveis, afirmou ao Valor o CEO Gustavo Werneck. Eles estão fazendo “pedidos recorrentes” de alta, por causa do aumento do preço do petróleo.

A commodity recuou 13,28% nesta quarta-feira (8), com o Brent a R$ 94,75, motivado pelo cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O acordo, no entanto, é considerado “frágil” pelo próprio governo americano.

Essa demanda dos fornecedores da Gerdau ocorre em um momento no qual a indústria siderúrgica precisa reduzir custos para se tornar mais competitiva, lembra o executivo, diante da competição com aço importado, vindo principalmente da China.

Relatório do Itaú BBA aponta que as importações subiram 32% no primeiro trimestre. Outro relatório, do J.P. Morgan, estima a alta na importação de aços longos em 136% em março, para 142,7 mil toneladas.

O frete marítimo mais alto, outro reflexo da guerra, não tem causado o efeito de reduzir as importações, na percepção de Werneck. “Talvez, toda essa confusão no mundo possa ser um fator que os importadores considerem como risco adicional para seguir importando”, pondera, embora reforce que ainda não há sinais disso no momento.

O impacto na operação, via aumento de custo com fornecedores, deve ser repassado para o restante da cadeia, afirma. Seria apenas uma questão de tempo.

“À medida que você for vendo um crescimento no custo, em momento em que já está com dificuldade para crescer as vendas no Brasil, é quase inevitável ter que passar isso de alguma forma”, afirma, porque as margens do setor já estão “muito corroídas”.

Werneck espera uma melhora no mercado doméstico brasileiro a partir de meados do ano, quando devem entrar em vigor medidas antidumping impostas pelo governo, para frear a importação do material.

A América do Norte, onde os Estados Unidos impuseram há anos tarifas contra a importação de aço, respondeu por 50% da receita líquida da Gerdau e por 42% das suas vendas em 2025. Analistas colocam a empresa como a preferida entre as siderúrgicas justamente por causa da sua operação na região, que balanceia o cenário mais apertado no Brasil e na América do Sul.

Para Werneck, as dinâmicas opostas vistas no ano passado, com América do Norte forte e Brasil mais desafiador, vão seguir “como tônica de agora para a frente”.

“A demanda de aço na América do Norte segue muito sólida”, afirma, impulsionada pela construção de data centers e de usinas de energia renovável - fatores interligados. “Estamos trabalhando com a capacidade produtiva das nossas plantas no limite”.

Os data centers também são uma fonte de demanda para aço com baixa pegada de carbono, conta a gerente geral de meio ambiente da Gerdau, Cenira Nunes. É uma linha na qual a companhia está investindo.

A siderúrgica criou um material que utiliza 100% de energia renovável e mais de 70% de sucata na sua composição - a média global da empresa é 70%. Os dados de emissão de carbono serão auditados por companhias especializadas. Segundo a Gerdau, serão duas, mas a empresa não abre os nomes, por enquanto.

Nos Estados Unidos e no Canadá, o maior diferencial será o uso de energia renovável, uma vez que a produção já se baseia toda em sucata, explica Nunes. A Gerdau tem uma planta de energia solar em Midlothian, no Texas, que pode gerar a eletricidade. Outra opção é comprar créditos de energia renovável, afirma a gerente. A nova linha de aço, chamada NewEco, já está disponível.

Werneck destaca que a empresa não recuou em seus investimentos para produzir aço com menor impacto ambiental. A adoção pelos clientes, no entanto, tem seguido um ritmo mais lento do que o previsto. “Imaginamos, há uns anos, com toda a temática de ESG (meio ambiente, social e governança, na sigla em inglês), que esse crescimento seria mais acelerado”, diz. “Mas ele também não parou”.

Segundo Nunes, alguns nichos da construção civil e o setor de mobilidade já adotam a descarbonização como diferencial de competitividade. Há ainda políticas públicas que privilegiam esse tipo de material, principalmente na Europa.

A expectativa da Gerdau é que, com o tempo, esse tipo de aço passe a ser uma exigência de parte da clientela. Então, quem tiver o produto disponível sairá na frente. “Queremos estar preparados para o longo prazo”, afirma Werneck. “As empresas que não se prepararem e não estiverem alinhadas com um futuro mais sustentável para o planeta vão ficar pelo caminho”.

ECONOMIA

Exame - SP   09/04/2026

A ata da reunião do Federal Reserve de março revelou que alguns membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) defenderam a necessidade de deixar explícita a possibilidade de elevação dos juros americanos caso a inflação permaneça persistentemente acima da meta de 2%. O documento mostra que a discussão sobre uma alta de juros não é apenas especulação de mercado — ela chegou à mesa do próprio Fed.

A decisão em si foi de manutenção: por 11 votos a 1, o Comitê manteve a taxa dos Fed Funds no intervalo de 3,50% a 3,75%. O único voto dissidente partiu de Stephen Miran, que defendia um corte de 0,25 ponto percentual, por entender que a política monetária atual ainda pesa sobre o mercado de trabalho.

O pano de fundo que tornou a conversa mais tensa foi o conflito no Oriente Médio, que irrompeu durante o período entre as reuniões de janeiro e março e provocou uma alta de cerca de 50% nos preços do petróleo nos contratos de curto prazo. A maioria dos participantes reconheceu que é cedo demais para avaliar o efeito pleno do conflito sobre a economia americana, mas que os riscos já são concretos.

A vasta maioria dos participantes avaliou que os riscos de a inflação se manter acima da meta aumentaram, embora a maioria ainda espere que ela retorne a 2% até o fim do próximo ano — com um calendário, porém, mais incerto do que o projetado em janeiro.

No mercado de trabalho, a taxa de desemprego ficou em 4,4% em fevereiro, o mesmo nível de setembro de 2025. O Fed avalia que geração de empregos segue fraca e alguns membros apontaram a concentração da criação de vagas em poucos setores, um possível sinal de vulnerabilidade no mercado de trabalho como um todo.

Um tema que ganhou destaque na ata foi a inteligência artificial. Ações de empresas de software sofreram quedas expressivas pelo temor de disrupção tecnológica, e os spreads de crédito do setor se alargaram de forma relevante. A ata registra ainda um aumento significativo de resgates em fundos de crédito privado com alta exposição a empresas de software. Nas conversas com o setor produtivo, o Fed ouviu que muitas empresas estão postergando contratações diante da incerteza sobre o impacto de longo prazo da IA.

Para a próxima reunião, marcada para os dias 28 e 29 de abril, todos os participantes concordaram que a política monetária não segue um curso predeterminado e será decidida reunião a reunião, com base nos dados e na evolução do cenário.

Diário do Comércio - MG   09/04/2026

O tema da vez no mercado voltou a ser a desancoragem das expectativas de inflação. Assunto que, inclusive, já abordei neste espaço. Ainda assim, trata-se de um ponto que merece atenção redobrada, dada sua capacidade de influenciar a trajetória dos juros no Brasil.

Os observadores mais atentos devem ter notado, sobretudo a partir dos dados do relatório Focus, um afastamento persistente e disseminado das projeções para o IPCA em relação à meta estabelecida para o índice. Para este ano, por exemplo, a mediana das expectativas já escalou para 4,36%, marcando a quarta alta consecutiva nas estimativas de mercado. Esse movimento também se repete nos horizontes de 2027 e 2028, reforçando a percepção de que o mercado passou a duvidar de uma convergência plena da inflação no curto e médio prazo.

O perigo desse fenômeno reside no fato de que as expectativas de inflação funcionam como uma profecia autorrealizável. Quando empresas, trabalhadores e famílias deixam de confiar na meta, eles passam a incorporar essa descrença em suas decisões cotidianas: preços são remarcados preventivamente, reajustes salariais tornam-se mais agressivos e o consumo é antecipado. Esse mecanismo cria uma “inflação contratada”, cuja intensidade ainda é desconhecida, mas cujos efeitos já começam a se propagar pelas cadeias produtivas através de insumos críticos como petróleo, fertilizantes e energia.

Mais preocupante do que o nível atual das projeções é a percepção de que o mercado passou a “normalizar” esses desvios. Desde 2021, as expectativas longas têm se mantido sistematicamente acima do alvo, sugerindo que o retorno à meta deixou de ser visto como um compromisso inegociável da autoridade monetária. Em um regime de metas, tratar o excepcional como padrão é um sinal de alerta máximo, pois eleva o custo futuro de qualquer tentativa de estabilização. O Brasil enfrenta esses choques globais em uma posição de vulnerabilidade, sem ociosidade econômica e sem uma âncora fiscal que ofereça o suporte necessário para ancorar a confiança dos agentes. Isso abre espaço para o questionamento clássico de que o problema pode não estar na nossa capacidade de controlar essa dinâmica e sim no fato de que tal meta pode ser ambiciosa demais para nossa estrutura.

Nesse contexto, a comunicação do Banco Central torna-se uma ferramenta tão importante quanto a própria taxa de juros. Não basta apenas observar a inflação corrente, é preciso reagir com firmeza às expectativas que fogem ao controle. A autoridade monetária precisa eliminar ambiguidades que possam sugerir qualquer nível de tolerância com desvios persistentes. Se a narrativa de que a inflação é um fenômeno meramente externo ou inevitável prevalecer, corremos o risco de consolidar um ambiente de preços permanentemente elevados, minando o crescimento sustentável e a previsibilidade necessária para o desenvolvimento do país.

O Estado de S.Paulo - SP   09/04/2026

Segundo economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro, sem desaceleração do gasto no próximo ano, não há como ter ter juro de um dígito.

Uma das questões mais importantes para a economia brasileira nos próximos anos é a de saber se o governo que administrará o País a partir de janeiro de 2027 vai ou não fazer um ajuste fiscal estrutural no início de mandato. É bem possível que, nesta reta final até a eleição de outubro, o mercado venha a reagir à combinação de suposições sobre se este ou aquele candidato fará o ajuste, de um lado, e as pesquisas de opinião, de outro.

O atual governo, neste mandato, optou por dar a partida pisando no acelerador do expansionismo fiscal. Esta postura inverteu o ciclo político clássico, pelo qual se aperta o cinto de início - quando o capital político do recém-eleito é maior e pode ser gasto em medidas mais complicadas politicamente - para poder gastar mais na eleição subsequente. A interrogação, portanto, é se o ciclo político clássico vai voltar em 2027.

Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional, pensa que o próximo presidente, seja quem for, deve apresentar alguma proposta de controle do gasto público em 2027.

"Se não fizer, não há como voltarmos a ter taxa de juros de um dígito", diz o economista.

Ele aponta que a equipe econômica que estiver no governo em 2027 terá que fazer um esforço para convencer o presidente e os políticos da necessidade do ajuste fiscal. Por outro lado, acrescenta, depois de um crescimento real da despesa pública próximo de 20% em quatro anos, não deve ser tão difícil segurar o crescimento do gasto.

Segundo o analista, no Brasil não é possível fazer o que Javier Milei fez no seu primeiro ano de governo na Argentina, com um corte de 25% do gasto público.

"Aqui o que dá para fazer é desacelerar o crescimento real do gasto, como fizemos no governo Temer", ele avalia. Mansueto foi secretário do Tesouro de abril de 2018 até julho de 2020, um período que abrange os governos Temer e Bolsonaro.

O economista assinala que o ambiente hoje é bem melhor do que o de 2015-16, período em que se iniciou o ajuste fiscal que se seguiu a uma das maiores recessões da história econômica brasileira. Ele aponta que hoje não há recessão, o mercado imobiliário cresce fortemente há vários anos, o setor petrolífero e a Petrobrás estão em boa parte, a Eletrobrás é uma empresa privada, o investimento em infraestrutura aumentou e 2026 se encerrou ainda com pleno emprego.

Para Mansueto, "se segurar o crescimento do gasto, o cenário de inflação pode melhorar rapidamente e abrir espaço para corte rápido de juros, como foi no governo Temer".

Pelo lado da preocupação, o problema, explica o analista, é que, depois de vários anos de surpresas positivas de crescimento econômico, é possível que os políticos não tenham a percepção da necessidade de maior controle do crescimento da despesa.

Por isso mesmo, ele destaca a importância de que os governantes sejam convencidos de que as reformas propostas pela maioria dos economistas são boas.

"Acho que muitas vezes falhamos em explicar os problemas e as soluções", ele reconhece, numa referência à categoria dos economistas em geral.

Segundo Mansueto, a reforma da Previdência em 2019 foi aprovada porque houve um debate público de três anos sobre a proposta, que foi encaminhada em dezembro de 2016 e aprovada no segundo semestre de 2019. Ele observa que a equipe envolvida com o tema nos governos Temer e Bolsonaro era muito parecida.

"Saiu o Marcelo Caetano, que era o secretário da Previdência no governo Temer, e entraram Rogério Marinho [secretário especial de Previdência e Trabalho em 2019-20] e Leonardo Rolim [presidente do INSS em 2020-21]; o resto do grupo era praticamente o mesmo", aponta Mansueto.

O economista acrescenta, finalmente, que o debate que criou o ambiente propício à reforma da Previdência teve grande ajuda da imprensa (e a coluna lembra que o mesmo pode ser dito do debate, ainda mais longo, que levou à aprovação da reforma tributária).

Diário do Comércio - MG   09/04/2026

O Banco Mundial revisou para baixo a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026. A projeção de avanço do Produto Interno Bruto (PIB), conjunto de bens e serviços produzidos) passou de 2% para 1,6%.

A estimativa consta no relatório Panorama Econômico da América Latina e o Caribe, lançado nesta quarta-feira (8), em Washington, nos Estados Unidos.

A previsão anterior havia sido divulgada em janeiro. O Banco Mundial é uma instituição financeira internacional formada por 189 países. A instituição faz parte do sistema das Nações Unidas e fica sediada na capital americana.

Ao comentar a redução do crescimento, o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, William Maloney, apontou efeitos externos, como o choque no preço do petróleo, e elementos internos.

“Tem muita preocupação por parte do consumidor com as taxas de juros altíssimas que afetam consumidores endividados”, diz Maloney em entrevista online a jornalistas.

O nível de endividamento das famílias tem sido uma das preocupações do governo, que estuda medidas como o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como forma de trabalhadores quitarem dívidas.

A projeção de crescimento do Banco Mundial está alinhada à do Banco Central (BC) brasileiro, mas abaixo do boletim Focus, que retrata o humor do mercado financeiro, que espera 1,85%. Fica abaixo também da projeção do Ministério da Fazenda, de 2,3%.

América Latina

Para a América Latina, o Banco Mundial também revisou a projeção de crescimento da economia, passando de 2,3% para 2,1%.

Entre os motivos apontados para a desaceleração está a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que levou caos à cadeia produtiva do petróleo.

A região concentra países produtores de petróleo e rotas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, ao sul do Irã.

“Os impactos imediatos da crise são através dos preços de petróleo e do gás”, avalia o economista-chefe.

Com menos produção nos países do Golfo Pérsico e o grande obstáculo logístico em Ormuz, o preço do barril de petróleo escalou no mercado internacional.

Mais do que na América Latina, William Maloney assinala que o choque do preço do petróleo chegará ao mundo todo, fazendo com que países sejam mais cautelosos na derrubada dos juros.

Os juros altos, utilizados para esfriar a inflação, funcionam como freio na economia, com encarecimento do crédito e pressionando a política fiscal (gestão de gastos públicos) de países.

“São impactos significativos nas economias como um todo e na questão fiscal, por isso que fizemos um downgrade [rebaixamento] da nossa previsão”.

Dos 29 países latino-americanos e caribenhos, o crescimento brasileiro é o 22º. A primeira posição é da Guiana, que deve saltar 16,3%, empurrada pela exploração de petróleo na Margem Equatorial, região geográfica próxima à Linha do Equador, também desejada pela Petrobras.

Em 2025 o país cresceu 15,4% e para 2027, a projeção é ainda maior: 23,5%. Os números da Guiana são tão superlativos que o Banco Mundial os deixou de fora ao calcular os números globais da América Latina.
Embrapa e Embraer

Apesar de estar na parte baixa do ranking, o Brasil recebeu elogios por destaques na indústria de aviões e agricultura.

“A Embraer é um exemplo, o Brasil tem uma indústria muito boa”, afirmou o economista, quando comentava a necessidade de mão de obra qualificada para a indústria como um todo.

“A agricultura é uma área, particularmente no Brasil e na Argentina, onde tem altíssima tecnologia e altíssima produtividade. O Uruguai e o Chile também”, afirmou Maloney.

No texto publicado no site do Banco Mundial é referência também à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária, que leva inovação e tecnologia para a agropecuária.

“A Embrapa se destaca justamente porque incorporou o aprendizado científico, a experimentação descentralizada e o desenvolvimento de capital humano no centro de sua estratégia, possibilitando ganhos de produtividade que persistiram mesmo além do apoio direto do Estado”, assinala o relatório.

IstoÉ Dinheiro - SP   09/04/2026

A alta de 3,85% no preço da gasolina puxou a inflação no varejo medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) em março, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quarta-feira, 8.

Houve pressões também de serviços bancários (2,80%), tomate (18,19%), batata-inglesa (21,45%) e cinema (13,99%). Na direção oposta, figuraram entre os principais alívios passagem aérea (-13,53%), perfume (-5,73%), maçã (-4,83%), café em pó (-1,13%) e açúcar refinado (-3,28%).

“No varejo, o principal impacto ocorreu por meio da gasolina, que registrou alta média de 3,85%, com comportamento heterogêneo entre as capitais e variações superiores a 10% em algumas localidades”, justificou Matheus Dias, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-DI) passou de uma queda de 0,14% em fevereiro para uma alta de 0,67% em março.

Sete das oito classes de despesa registraram taxas de variação mais elevadas: Transportes (de 0,04% em fevereiro para 1,51% em março), Alimentação (de 0,07% para 1,31%), Educação, Leitura e Recreação (de -2,81% para -0,97%), Despesas Diversas (de 0,37% para 1,70%), Vestuário (de -0,24% para 0,48%), Comunicação (de 0,05% para 0,10%) e Habitação (de 0,34% para 0,36%).

A taxa foi mais branda apenas em Saúde e Cuidados Pessoais (de 0,12% para 0,05%).

O núcleo do IPC-DI teve alta de 0,37% em março, após um aumento de 0,27% em fevereiro. Dos 85 itens componentes do IPC, 33 foram excluídos do cálculo do núcleo. O índice de difusão, que mede a proporção de itens com aumentos de preços, passou de 57,10% em fevereiro para 65,48% em março.

Investing - SP   09/04/2026

Entre os principais vetores de alta, a alimentação no domicílio deve registrar aceleração relevante, com pressão de alimentos in natura, carnes e laticínios. Também devem contribuir para a alta os combustíveis, refletindo a elevação recente do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio. Passagens aéreas, vestuário e alguns serviços pessoais também aparecem como fatores altistas.

Por outro lado, parte da pressão deve ser compensada pela desaceleração de educação, após os reajustes sazonais de fevereiro, além de menor impacto em higiene pessoal e alguns serviços. Bens industriais também devem apresentar alta mais moderada.

A inflação subjacente, no entanto, continua elevada. A Warren projeta média dos núcleos em 0,39% no mês e 4,40% em 12 meses, patamar ainda acima do nível compatível com a meta. Os serviços subjacentes devem desacelerar na margem, para cerca de 0,46% mensal, mas a taxa anual permanece elevada, ao redor de 5,3%.

As estimativas também indicam persistência da inflação de serviços, especialmente nos itens mais sensíveis à atividade econômica e intensivos em trabalho. Segundo o Daycoval, esses componentes seguem pressionados e continuam sendo um dos principais desafios para a convergência da inflação.

No caso dos preços administrados, combustíveis e energia elétrica devem exercer pressão adicional. Já os bens industriais devem registrar alta moderada, com destaque para vestuário.

Para o horizonte mais longo, as projeções seguem acima do centro da meta. A Warren estima IPCA de 4,5% em 2026. O Daycoval trabalha com inflação próxima de 4,2%, com viés de alta diante dos riscos associados ao conflito no Oriente Médio e a possíveis condições climáticas adversas.

Na avaliação dos economistas, o dado de março deve marcar o primeiro índice a capturar de forma mais clara a reversão do cenário benigno de inflação de curto prazo. A combinação de alimentos e combustíveis aumenta a volatilidade do índice, enquanto a inflação de serviços permanece resiliente.

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O resultado tende a reforçar a cautela do Banco Central. A aceleração do índice cheio, somada à persistência dos núcleos e dos serviços subjacentes, reduz o espaço para uma flexibilização mais rápida da política monetária. Além disso, o choque externo via commodities eleva o risco altista para a inflação no curto prazo.

Com isso, o IPCA de março deve consolidar a percepção de inflação ainda resistente, com composição menos favorável e pressões persistentes cenário que mantém a política monetária sob cautela e reforça a necessidade de juros elevados por mais tempo.

Infomoney - SP   09/04/2026

O recente alívio nas tensões diretas envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã trouxe um fôlego momentâneo de esperança para a economia global, mas a trégua será suficiente para reverter a deterioração das expectativas no Brasil?

Embora o arrefecimento geopolítico seja visto com bons olhos, as principais casas de análise do mercado financeiro alertam que as cicatrizes deixadas pela disparada de 50% do petróleo neste ano já alteraram a rota da inflação e da taxa Selic, e a cautela continua sendo a palavra de ordem.

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Para a XP Investimentos, a pausa no conflito é importante, mas as incertezas persistem no Oriente Médio. Segundo a avaliação da casa, o encarecimento da energia ao longo dos últimos meses já contratou uma pressão global sobre os preços, levando as taxas de juros globais a um patamar que provavelmente será mais alto do que o projetado antes da crise.

Por conta desse choque já absorvido pela economia, a XP mantém uma projeção de inflação mais alta para o Brasil em 2026, de 4,8% (ante 3,8% na estimativa prévia ao agravamento das tensões).

A corretora Warren Rena também ajustou suas projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que passou de 4,3% para 4,50%, incorporando os resultados do IPCA-15 de março. A casa alerta ainda que, em um cenário de agravamento total do conflito — batizado de “IPCA de Guerra” —, o índice inflacionário poderia atingir a marca de 5,30%.

A análise da Warren mostra que o estrago inflacionário não se desfaz imediatamente com a trégua porque os efeitos do petróleo já transbordaram para a ponta consumidora. A instituição destaca que parte expressiva da alta recente da gasolina não decorre apenas do custo do barril, mas também da ampliação das margens ao longo da cadeia. Os economistas chamam isso de “rigidez de preços para baixo”: o repasse da alta do petróleo é rápido, mas o movimento preventivo de antecipação a reajustes nas refinarias dificilmente é revertido na bomba da noite para o dia.

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Ainda assim, o mercado trabalha com cenários de descompressão caso o alívio evolua para uma resolução definitiva. O Itaú traçou um panorama no qual a normalização das relações no Oriente Médio pode derrubar o preço do barril para a casa dos US$ 75 ao longo do ano, embora ressalte que o preço de equilíbrio do petróleo deve permanecer mais alto do que o previsto anteriormente à crise.

Contudo, o banco alerta que o caminho até essa estabilização pode ser ruidoso. Caso a diplomacia fracasse e o fechamento no Estreito de Ormuz persista, o Itaú avalia que o petróleo, que já operava acima de US$ 100, poderia saltar para US$ 180 em três meses, configurando um risco de oferta severo.

A tensão na região atingiu seu ápice às vésperas da trégua. David Chang, especialista em fundos de investimento do Banco Sofisa, lembra que as autoridades dos Estados Unidos haviam endurecido o discurso, estabelecendo um ultimato até o dia 7 de abril para a liberação total do Estreito de Ormuz. “Nesse contexto, os comunicados dos bancos centrais reforçaram uma postura cautelosa e fortemente dependente de dados”, explica.
Corte de juros e resiliência econômica

Diante desse balanço de riscos, o afrouxamento da política monetária sofreu impacto direto. Atualmente, a taxa Selic está em 14,75% ao ano e o mercado revisou o tamanho do ciclo de cortes.

Enquanto o Itaú já descartou a possibilidade de cortes de juros nos Estados Unidos para este ano, citando a resiliência da atividade econômica atrelada ao risco inflacionário, no Brasil o cenário também é mais contracionista. A maioria das instituições abandonou a projeção de que a Selic encerraria o ciclo em 12%. Itaú e Warren Rena agora preveem uma taxa terminal de 13%, com cortes mais graduais de 25 pontos-base.

A gestora Azimut Wealth Management aponta que a percepção real de risco é pior: o mercado de juros futuros já precifica taxas acima de 13,50%. O Banco Daycoval manteve sua projeção em 12%, mas ressaltou um viés forte de cautela, indicando que o ritmo de flexibilização pode acabar sendo menor que o previsto em seu cenário base.

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Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Forum Investimentos, avalia que houve uma mudança significativa de rota do Banco Central.

“Na nossa visão, bem em linha com o que a maior parte do mercado enxerga hoje, o cenário de curto prazo está contaminado pelos impactos diretos e indiretos do conflito no Oriente Médio, principalmente pela alta do petróleo e seus desdobramentos”, explica o especialista.

Refletindo essa contaminação, a Forum elevou sua projeção para a taxa básica de juros ao fim de 2026 de 12,00% para 13,00%, além de cortar a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,2% para 1,8%.

Apesar do corte da Forum, as projeções para o PIB seguem demonstrando certa força na maioria das casas consultadas. Itaú e Daycoval mantiveram a estimativa de crescimento em 1,9%, explicando que o impacto negativo dos juros altos e da desaceleração global está sendo compensado pelo aumento nas receitas de exportação de petróleo brasileiro, embora o Itaú observe que o “viés de alta” que existia anteriormente diminuiu consideravelmente.

Esse colchão econômico brasileiro também é visível no fluxo de capitais. David Chang, do Banco Sofisa, destaca que, apesar do clima de incerteza global e da mudança para um viés mais inflacionário, o Brasil se beneficiou. “Os fluxos para mercados emergentes continuaram relativamente favoráveis ao Brasil, mitigando parte dos impactos negativos”, pontua. Ele ressalta que o Ibovespa registrou entrada de R$ 11,65 bilhões de capital estrangeiro recentemente, limitando a queda do índice a 0,70% (187.462 pontos), enquanto no mercado de câmbio o dólar avançou para R$ 5,17.

Sobre o alívio que a calmaria geopolítica pode trazer para o longo prazo, Perri aponta que a resultante da crise para 2027 parece ser mais limitada, mas com uma ressalva: tudo dependerá da profundidade e duração dos gargalos, e de quão perenes serão seus impactos sobre as cadeias de suprimentos globais.

O consenso das instituições é de que a economia brasileira segue resiliente, impulsionada por ganhos de arrecadação. No entanto, o custo da energia já corroeu parte do poder de compra e gerou uma nítida desancoragem das expectativas do mercado, estreitando fortemente as margens de manobra do Banco Central. Para os analistas, o alívio nas tensões no Oriente Médio ajuda, mas não apaga o efeito sobre a inflação e os juros mais altos que o conflito já embutiu na economia de 2026.

MINERAÇÃO

Valor - SP   09/04/2026

As principais produtoras de recursos naturais da Austrália estão sob pressão da China em relação aos preços do minério de ferro. Uma compradora estatal chinesa reduziu as compras do Grupo BHP, enquanto outras gigantes da mineração australianas teriam concordado em alterar seus parâmetros de preços.

Com a queda na demanda chinesa e a pressão para consolidar as compras, o ímpeto nas negociações de preços passou a favorecer os compradores.

"As negociações com a CMRG estão em andamento, então não entrarei em detalhes sobre isso", disse Brandon Craig, futuro executivo-chefe (CEO) da BHP, em uma entrevista coletiva em março, quando questionado sobre as negociações de preços com a empresa estatal chinesa de comércio exterior China Mineral Resources Group. A mídia australiana noticiou em janeiro que as exportações dos principais produtos de minério de ferro da BHP caíram 80% no ano.

"Acho que todos entendem a importância dessas negociações e o valor que elas representam", acrescentou.

Segundo relatos da mídia chinesa, a BHP e a CMRG negociaram os preços do minério de ferro fornecido pela BHP entre junho de 2025 e 2026. As negociações estagnaram e, em setembro de 2025, a CMRG restringiu as compras de certos produtos da BHP.

Há muito tempo se acredita que a China esteja insatisfeita com o comércio de minério de ferro. Embora as compras do país representem 70% do comércio global de minério de ferro por via marítima, os preços são definidos com base em referências internacionais que não refletem os descontos por volume. Mesmo com a desaceleração da economia chinesa, os preços do minério de ferro permaneceram relativamente estáveis em torno de US$ 100 por tonelada, alimentando a percepção de que esses preços não refletem a demanda real.

A China depende da Austrália para a maior parte de suas importações de minério de ferro. Mesmo quando as relações bilaterais se deterioraram em 2020, o minério de ferro foi excluído das restrições comerciais, pois sua inclusão prejudicaria a própria economia chinesa.

O fornecimento de minério de ferro é controlado por um pequeno grupo de grandes empresas, incluindo BHP, Rio Tinto e Vale. Mas, do lado da demanda, as siderúrgicas adquirem o produto de forma independente, dando aos vendedores vantagem nas negociações de preços.

Buscando mudar isso, a China estabeleceu a CMRG em 2022. Ao centralizar a aquisição de minério de ferro, anteriormente gerenciada por empresas siderúrgicas individuais, a China visava fortalecer sua posição de negociação com as mineradoras globais. Em 2025, a produção começou na mina de Simandou, na Guiné, África Ocidental, um projeto desenvolvido com a participação da maior siderúrgica da China, o Grupo Baowu Steel.

Ao mesmo tempo, a crise do mercado imobiliário doméstico da China se agravou. A produção de aço bruto atingiu o pico em 2020, com cerca de 1,065 bilhão de toneladas, e desde então tem apresentado tendência de queda, chegando ao menor nível em sete anos em 2025. Com menos pressão para adquirir minério de ferro, a China mudou as condições de um mercado de vendedores para um de compradores. Os negociadores chineses estariam solicitando mudanças como maior uso de pagamentos em yuan, alterações nos parâmetros de preços e descontos por volume.

As mineradoras australianas reagiram de maneiras diferentes. Rio Tinto e Fortescue (concorrentes da BHP) concordaram com a CMRG em alterar os parâmetros de referência de preços, segundo a mídia australiana.

As duas empresas, que se recusaram a comentar o assunto, parecem estar se aproximando da China.

A Rio Tinto desenvolveu a mina de Simandou em parceria com a Baowu Steel. Em 2025, também iniciou as operações em uma nova mina na Austrália Ocidental, em conjunto com a Baowu, que se comprometeu a comprar até 126,5 milhões de toneladas de minério de ferro ao longo de 13 anos. O número de pagamentos em yuan também aumentou gradualmente desde 2019.

A Fortescue adotou equipamentos fabricados na China, incluindo grandes caminhões de mineração, além de painéis solares e turbinas eólicas, introduzidos como parte das iniciativas de descarbonização da empresa. Em agosto de 2025, garantiu cerca de US$ 2 bilhões em financiamento em yuan de bancos chineses para dar continuidade aos seus planos de descarbonização.

Ambas as empresas estão trabalhando com as principais siderúrgicas chinesas no desenvolvimento de "aço verde" ecologicamente correto, investindo em minério de ferro de alta qualidade necessário para a produção de aço a hidrogênio e outras tecnologias de baixo carbono.

Em contraste, a BHP continuou negociando preços com a China.

"A BHP provavelmente tem o relacionamento mais distante" com a China entre as quatro principais produtoras, disse Eli Hayes, da Universidade Nacional da Austrália, especialista em segurança econômica. A postura intransigente da BHP é motivada por sua estratégia de usar sua operação de minério de ferro como uma fonte de renda.

Simon Nicholas, do Instituto de Economia Energética e Análise Financeira (IEEFA), um centro de estudos com sede nos Estados Unidos, explicou que a BHP está seguindo seu próprio caminho.

"A Rio Tinto, a Fortescue e a Vale, no Brasil, estão todas focando em minério de ferro de alta qualidade porque veem a demanda por esse minério crescendo à medida que a tecnologia siderúrgica se afasta do carvão", disse Nicholas. "A BHP não está fazendo isso. Eles estão mantendo o carvão de qualidade inferior que vai nos altos-fornos e esperando que o mundo continue usando altos-fornos. A BHP também é a única dessas mineradoras que ainda produz carvão metalúrgico para altos-fornos."

A BHP se distanciou da possibilidade de priorizar as matérias-primas para a produção de aço verde, o que exigiria novos investimentos.

Ao mesmo tempo, a BHP trabalhou para reduzir seu quadro de funcionários e avançar na automação, mantendo seus custos de produção de minério de ferro em US$ 18,56 por tonelada. Nesse patamar, a empresa ainda atingiria o ponto de equilíbrio mesmo se os preços de venda caíssem para cerca de um quinto dos preços atuais do mercado internacional.

Os lucros do altamente rentável negócio de minério de ferro estão sendo redirecionados para áreas de crescimento. A receita com cobre — uma das novas principais fontes de receita da empresa — representou mais da metade dos lucros totais da BHP pela primeira vez no período de julho a dezembro de 2025.

Com a população chinesa começando a diminuir e o crescimento econômico desacelerando, observadores do setor acreditam amplamente que a demanda por minério de ferro não crescerá significativamente. As grandes empresas de recursos naturais consideram a manutenção dos preços essencial para a preservação dos lucros.

"Observamos que a BHP está muito empenhada em manter sua posição sobre essa questão, pois suspeito que eles a vejam como: 'Vocês suportam um prejuízo a curto prazo agora para garantir uma estrutura de mercado favorável por 10 anos'", disse Hayes, da Universidade Nacional da Austrália.

Mas há preocupações de que a China possa intensificar suas próprias exigências. Andrew Forrest, fundador e presidente da Fortescue, alertou recentemente a China contra a "formação de um cartel para derrubar o preço do minério de ferro".

"Formar um cartel para forçar a queda do preço do minério de ferro impactará completamente a economia", disse Forrest à Bloomberg. "Quando você ameaça alguém que não tem nada a perder, pode obter qualquer tipo de resposta, e tudo o que estou dizendo é que o preço do minério de ferro é crucial para a economia australiana."

A BHP e outras grandes empresas australianas de recursos naturais provavelmente enfrentarão pressão adicional sobre o minério de ferro — o principal produto de exportação da Austrália — daqui para frente.

Investing - SP   09/04/2026

Os preços futuros do minério de ferro caíram nesta quarta-feira, como reflexo do aumento dos embarques pelos principais fornecedores mundiais de minério e após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter concordado com um cessar-fogo de duas semanas com o Irã.

O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian Commodity Exchange (DCE) da China encerrou as negociações do dia com queda de 1,44%, a 789 iuanes (US$115,60) a tonelada. No início da sessão, atingiu seu valor mais baixo desde 11 de março, em 785,5 iuanes.

O minério de ferro de maio, referência na Bolsa de Cingapura, caía 0,97%, a US$105,65 a tonelada, depois de atingir o valor mais baixo desde 2 de abril, a US$104,8.

Os embarques de minério de ferro dos principais fornecedores, Austrália e Brasil, aumentaram 30,5% em relação à semana anterior, atingindo 24,48 milhões de toneladas em 7 de abril, segundo dados da consultoria Mysteel, uma vez que cessaram as interrupções no fornecimento relacionadas ao clima na Austrália.

"Os embarques e estoques portuários altos, juntamente com as dificuldades esperadas para uma melhora substancial do consumo de aço downstream, pressionaram os preços do minério", disseram os analistas da corretora Galaxy Futures em nota.

A Rio Tinto disse no mês passado que as operações em três de seus quatro terminais portuários de minério de ferro de Pilbara foram retomadas após o ciclone tropical Narelle.

Além disso, o anúncio de Trump fez com que os preços do petróleo despencassem e diminuiu temporariamente as preocupações com o aumento dos custos de frete.

Tecnicamente, o primeiro nível de suporte de preços está em US$104,78, uma retração de 23,6% da tendência de alta de US$94,89 para US$107,84, de acordo com o analista da Reuters, Wang Tao.

Nas próximas duas semanas, o mercado pode se retrair em direção à faixa de US$101,36 a US$102,89, disse Tao.

AUTOMOTIVO

Veja - SP   09/04/2026

A montadora Ford Motor intensificou a pressão sobre o governo de Donald Trump por alívio nas tarifas sobre alumínio, após uma crise na cadeia de suprimentos elevar custos e afetar a produção de veículos nos Estados Unidos.

O problema foi desencadeado por incêndios em uma fábrica da Novelis, no estado de Nova York, considerada a principal fornecedora de chapas de alumínio para a indústria automotiva americana.

A unidade segue parcialmente fora de operação, gerando gargalos na produção, especialmente da picape F-150, modelo mais vendido da Ford.
Incêndios expõem fragilidade da cadeia industrial

Os incêndios ocorreram no fim de 2025 em uma etapa crucial da produção, onde o alumínio é transformado em chapas usadas na carroceria de veículos.

Sem capacidade doméstica suficiente para substituir rapidamente a produção perdida, a Novelis passou a importar alumínio de fábricas na Europa e na Ásia.

O problema é que esse material está sujeito a tarifas de até 50%, dentro do regime comercial adotado pelo governo Trump.

Na prática, o custo adicional é repassado às montadoras, ampliando a pressão sobre margens e preços.
Ford acumula prejuízos bilionários

A Ford Motor estima já ter absorvido um impacto de cerca de US$ 2 bilhões com a interrupção da produção e prevê gastar mais US$ 1 bilhão neste ano com a importação de alumínio mais caro.

A empresa solicitou ao governo uma suspensão temporária das tarifas até que a fábrica da Novelis retome plenamente as operações, o que pode levar meses.

Até agora, porém, a Casa Branca tem resistido aos pedidos, argumentando que já concedeu flexibilizações parciais em outras tarifas do setor automotivo.
Tarifas elevam custos mesmo com produção doméstica

Especialistas apontam que o impacto das tarifas vai além das importações diretas.

Mesmo o alumínio produzido nos Estados Unidos incorpora um “prêmio” de mercado que reflete o custo das tarifas, o que significa que fabricantes pagam mais caro pelo insumo independentemente de sua origem.

Esse efeito encarece toda a cadeia produtiva e reduz a competitividade da indústria americana, especialmente em comparação com mercados onde o custo de insumos é menor.
Política comercial amplia tensões no setor

A crise ocorre em um momento de endurecimento da política tarifária dos Estados Unidos.

Recentemente, o governo ampliou a incidência de tarifas sobre produtos que utilizam aço e alumínio, passando a taxar o valor total dos bens — e não apenas o conteúdo metálico. A mudança pode elevar ainda mais os custos para montadoras e outros setores industriais.

A estratégia faz parte de uma agenda mais ampla de proteção da indústria doméstica, mas tem gerado críticas de empresas que enfrentam aumento de custos e dificuldades logísticas.
Impacto pode chegar ao consumidor

O aumento dos custos tende a ser repassado, ao menos parcialmente, aos consumidores finais.

No setor automotivo, isso pode significar veículos mais caros ou margens menores para as montadoras, em um momento em que a indústria já enfrenta desafios como a transição para veículos elétricos e a desaceleração da demanda global.

Para analistas, o caso da Ford ilustra como choques industriais, como incêndios, podem se amplificar em ambientes de alta proteção comercial, criando efeitos em cadeia sobre preços, produção e emprego.

Crise revela limites do protecionismo

O episódio reforça um dilema central da política econômica americana: ao mesmo tempo em que busca fortalecer a indústria local, o aumento de tarifas pode tornar cadeias produtivas mais caras e menos resilientes.

No curto prazo, a falta de flexibilidade tarifária tende a manter a pressão sobre montadoras.

No médio prazo, o caso pode reacender o debate sobre os custos e benefícios do protecionismo em um cenário global ainda marcado por instabilidade e reorganização das cadeias industriais.

Globo Online - RJ   09/04/2026

Nos três primeiros meses de 2026, o Brasil emplacou 100 mil veículos eletrificados, segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O número surpreendeu a entidade que representa as montadoras, já que no mesmo período do ano passado foram emplacados 54 mil eletrificados. O número considera vendas entre janeiro e o último dia 6 de abril.

— Cem mil emplacamentos de eletrificados é um número bastante surpreendente e temos que observar que eles se consolidam mês após mês como realidade no mercado brasileiro — disse Igor Calvet, presidente da Anfavea, lembrando que a média mensal dos emplacamentos de eletrificados vem mantendo ritmo de crescimento de 15% nos últimos meses.

O executivo lembrou que 42% dos eletrificados emplacados no período foram produzidos no Brasil, enquanto nos três primeiros meses de 2025 esse percentual era de 23%.

— O interesse dos chineses se dá também em outros segmentos da economia e não há vedação para isso. O que defendemos é que a chegada dos chineses não se dê apenas na linha de comercialização — afirmou o presidente da Anfavea, que defende a produção local de veículos.

Ele lembrou que as empresas que estão no país há muitos anos têm uma cadeia de produção robusta para atender o mercado brasileiro, conhecem bem o mercado e o apetitte do consumidor local.

— Empresas chegando com carros elétricos estão testando o novo mercado e haverá uma acomodação natural. Mas defendemos que as empresas enraizem sua produção por aqui, o que será saudável para o mercado brasileiro — disse Calvet.

A Anfavea divulgou que entre os veículos importados vendidos no país nos três primeiros meses do ano, 54,2 mil vieram da China. No mesmo período de 2025, esse número foi de 32 mil unidades, o que sinaliza um crescimento de 68,9%. A Argentina que era o país que mais exportava veículos para o Brasil até o início do ano passado, perdeu esse posto.

— Há oito meses consecutivos que os chineses são os maiores exportadores de veículos para o Brasil — disse Calvet.

Calvet voltou a afirmar que a Anfavea não faz distinção de origem do capital para investimento, "até porque grande parte das montadoras associadas têm capital estrangeiro" e que não existe um capítulo de guerra da Anfavea contra os chineses.

Ele lembrou que a isenção de imposto de importação para kits CKD (completamente desmontados) e SKD (semidesmontados) de veículos eletrificados terminou em 31 de janeiro passado e que não acredita que o governo retome esse benefício. O modelo de montagem com essas estruturas vem sendo usado pela chinesa BYD em sua unidade de Camaçari, na Bahia.

— Trabalhamos com o cenário de que a isenção não será retomada e o compromisso do governo (de isenção por apenas seis meses) está sendo cumprido. Mas se o assunto voltar, a Anfavea não mudou de posição — disse o presidente da Anfavea, lembrando que o modelo de produção das montadoras que se instalaram no país há anos implementou nas plantas processos de pintura, soldagem, estamparia, com pesquisa e desenvolvimento sendo feitos aqui e uso de fornecedores locais.

— Esse modelo que foi criado no Brasil emprega 1,3 milhão de pessoas e representa 20% do Produto Interno Bruto Industrial (PIB) industral no setor automotivo. Foi a escolha de um modelo de produção que não pode ser mudado da noite para o dia. Não é um embate com China, mas sim uma discussão sobre qual modelo de produção queremos ter. Se é importar, parafusar os carros e vender ou ter um processo produtivo completo — disse.

Regulamentação: Câmara aprova projeto que reforça fiscalização da ANP contra combustíveis adulterados

Ele afirmou que a Anfavea vem desenvolvendo com o governo um estudo sobre a competitividade da indústria nacional, comparada a outros mercados. Ontem, o presidente global da Stellantis, Antonio Filosa, disse que o governo deveria criar um mecanismo de equalização de competividade da indústria automobilística nacional com as fabricantes chinesas que estão chegando ao Brasil.

Para ele, assim como Estados Unidos, que impôs tarifa de 100% aos veículos chineses, e Europa, que também estuda impor medidas, essa medida é fundamental para garantir a sustentabilidade do ecossistema de produção brasileiro, que tem centenas de fornecedores e gera milhares de empregos.

— Já estamos trabalhando com o governo, em vários grupos de trabalho, discussões sobre o Custo Brasil, conteúdo local. A anfavea é o player mais importate do setor automotivo, mas não o único. Vamos dar nossa constribuição — afirmou Calvet.

O executivo afirmou que uma das principais agendas da entidade é tributária, com a reforma chegando em 2027, e o imposto seletivo incidindo sobre veículos leves. Ele garantiu que a batalha da entidade é para que as etapas fabris sejam um critério para definir as alíquotas do imposto seletivo.

O imposto seletivo, apelidado de "imposto do pecado", é um tributo federal criado pela Reforma Tributária para desestimular o consumo de produtos nocivos à saúde e ao meio ambiente. Vai incidir sobre bens como cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas, combustíveis fósseis e veículos poluentes, seu objetivo é extrafiscal (regulatório) e não apenas arrecadatório.

— Há imprevisibilidade e insegurança no setor sobre o assunto.O setor automotivo tem um grande porfólio de produtos e ainda não sabemos qual imposto incidirá sobre eles. O IPI verde é a base e lá tem vários critérios de enquadramento diferentes por produto. Mas não temos informação e acesso sobre o texto que está sendo discutido — afirmou Calvet.

Melhor março em vendas desde 2013

Março foi o melhor mês em emplacamentos desde 2013, mostraram os números da Anfavea. Foram emplacadas 269,4 mil unidades frente a 185,2 mil em fevereiro, alta de 45% na comparação entre o mês anterior e crescimento anual de 37,5%. Entre janeiro e março, foram emplacadas 625,1 mil unidades frente a 551,8 mil no mesmo período do ano passado, alta de 13,3%.

Já a produção de veículos no Brasil atingiu 264,1 mil unidades no mês passado, consolidando o melhor resultado mensal para o setor desde outubro de 2019, segundo a Anfavea. O volume representa uma alta de 27,6% em relação a fevereiro passado e 35,6% em relação a março de 2025. No acumulado do primeiro trimestre de 2026, a fabricação nacional somou 634,7 mil autoveículos, um crescimento de 6% na comparação com o mesmo período do ano passado.

— Março surpreendeu, mas o foco está em abril. Março foi diferente do que estávamos esperando, mas não dá ainda para dizer que é uma tendência pro restante do ano — afirmou Calvet, lembrando que a taxa de juros Selic caiu 0,25 ponto percentual, mas ainda está em 14,75% ao ano. Ele também lembrou das oscilações do preço do petróleo e do dólar causadas pela guerra no Irã, sinalizando ainda cautela para o setor.

O Estado de S.Paulo - SP   09/04/2026

As vendas de caminhões e ônibus cresceram no Brasil em março de 2026, com 11.240 unidades emplacadas, alta de 34,56% em relação a fevereiro. Os dados são do Renavam, compilados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) e divulgados em abril.

O resultado foi impulsionado principalmente pelo segmento de caminhões, que somou 8.766 unidades no mês, avanço de 32,60%, enquanto os ônibus registraram crescimento ainda mais expressivo, de 42,02%, com 2.474 veículos licenciados, indicando uma retomada no ritmo de emplacamentos no setor de transporte.

Apesar da recuperação mensal, o desempenho no acumulado do ano ainda é inferior ao de 2025. Entre janeiro e março, foram emplacados 27.649 caminhões e ônibus, queda de 18,06% na comparação com o mesmo período do ano passado.

No recorte por segmento, os caminhões somam 21.750 unidades no acumulado de 2026, retração de 19,28% frente ao mesmo intervalo de 2025. Já os ônibus registram 5.899 unidades, recuo de 13,19%.
Caminhões puxam volume e seguem dominando mercado

Os caminhões continuam sendo o principal motor do segmento, representando a maior parte dos emplacamentos. Em março, responderam por cerca de 78% do total de veículos pesados vendidos no País.

Dentro do segmento, os pesados concentram a maior fatia do mercado, com 47,23% de participação em março, seguidos pelos semipesados, com 31,32%.
Elétricos têm baixa participação, mas avançam no mês

O mercado de caminhões eletrificados segue com participação reduzida, mas apresentou crescimento em março. Foram 39 unidades elétricas emplacadas no mês, alta de 44,44% em relação a fevereiro.

No acumulado do ano, os eletrificados somam 82 unidades, ainda abaixo do registrado no mesmo período de 2025, o que indica que a eletrificação no transporte pesado segue em estágio inicial no País.

Entre as fabricantes, a JAC lidera o segmento no mês, seguida por Foton e Sany, enquanto marcas tradicionais ainda aparecem com participação menor nesse nicho.
Mercedes-Benz lidera entre as montadoras

No ranking por marcas, a Mercedes-Benz ficou na liderança em março, com 2.468 caminhões emplacados e participação de 28,15%.

A Volkswagen Caminhões e Ônibus aparece na segunda posição, com 2.115 unidades e 24,13% do mercado, seguida pela Volvo, com 1.695 veículos e 19,34% de participação.

O desempenho reforça a disputa entre as montadoras tradicionais no mercado brasileiro, com concentração nas fabricantes europeias e alemãs.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Exame - SP   09/04/2026

O crédito imobiliário deve ganhar tração em 2026, com expectativa de crescimento relevante e até recorde histórico no país, segundo executivos de dois dos maiores players de crédito imobiliário no país. Enquanto a Caixa projeta o melhor ano de sua história na concessão de financiamentos, o Bradesco estima uma expansão de 10% a 15% no mercado como um todo, sinalizando um cenário mais favorável após um início ainda tímido na avaliação do banco.

Pela Caixa, segundo o diretor-executivo de habitação, Roberto Ceratto, o desempenho já observado no início do ano, combinado com ajustes recentes na política de crédito, já foram positivo, ao contrário do Bradesco .

"Há um crescimento bastante relevante e a nossa expectativa é termos o melhor ano da história do crédito imobiliário na Caixa e possivelmente no país", afirmou nesta quarta-feira, 8, durante o segundo dia da 12ª edição do Brazil Investment Forum, evento do Bradesco BBI.

Ceratto atribui esse avanço a medidas como a ampliação das condições para aquisição de um segundo imóvel, a elevação de tetos de financiamento e o retorno de operações no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI).

No ano passado, o banco lançou uma nova linha de crédito voltada à habitação popular, com foco em imóveis de até R$ 350 mil, dentro do Programa Apoio à Produção, utilizando recursos livres para financiar construtoras.

Mais recentemente, no mês passado, retomou o financiamento de imóveis acima de R$ 2,25 milhões para pessoas físicas via Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

"Todas essas medidas trouxeram aí um incremento bastante importante nesse primeiro trimestre", disse Ceratto.

O executivo também ponderou que o comportamento dos juros segue como variável-chave, ainda que com perspectivas de estabilidade no curto prazo.

"Falar do mercado de juros é complexo, salvo se houver mudanças mais disruptivas no processo de redução de taxa, eu acredito que a gente deva continuar ao longo do ano mais ou menos nesse patamar", disse, destacando que a estratégia da Caixa é manter taxas competitivas, alinhadas ao custo de captação.

Bradesco projeta expansão de até 15%

Do lado do Bradesco, a leitura é igualmente construtiva, mas com foco na trajetória de aceleração ao longo do ano. O diretor de Crédito Imobiliário do banco, Romero Albuquerque, projeta expansão relevante do mercado em 2026, em linha com dados da associação do setor.

"Prevemos esse ano, na média, 10% a 15% maior do que foi 2025", afirmou. Albuquerque ressalta, porém, que os dados iniciais ainda não capturam plenamente essa tendência.

Mas a expectativa, segundo o diretor, é de que o ritmo ganhe tração com a combinação de demanda reprimida e um ambiente de juros mais favorável às decisões de longo prazo. Nesse contexto, o executivo também reforça o potencial estrutural do setor no Brasil, ainda abaixo em relação a outras economias.

No ano passado, a carteira de crédito imobiliário somada de Caixa e Bradesco supera R$ 1 trilhão, mas representa cerca de 10% do PIB, patamar considerado baixo em comparação internacional, o que sugere espaço relevante para expansão.

Jornal de Brasília - DF   09/04/2026

O setor da construção civil veio a público se posicionar contra a proposta em estudo pelo governo federal de liberar uma parte dos recursos dos trabalhadores depositados no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para o pagamento de dívidas.

A informação foi confirmada na terça-feira, 7, pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo o ministro, a proposta está em discussão conjunta com o Ministério do Trabalho e Emprego, e ainda não há uma medida definida.

Para os empresários do setor da construção, a proposta causa preocupação porque o FGTS é a principal fonte de recursos para a compra e a construção de moradias no País, especialmente dentro do Minha Casa Minha Vida (MCMV). O programa vem crescendo nos últimos anos e já responde por mais dos lançamentos e vendas de imóveis novos no País.

A Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) emitiu uma nota na qual manifesta “forte preocupação” com as discussões em curso no governo federal. A associação afirmou que a medida pode reduzir significativamente o volume de recursos disponíveis para o financiamento da casa própria, afetando especialmente a população de menor renda.

“É preciso cautela para não descaracterizar o papel do FGTS. Estamos falando de um instrumento essencial para o acesso à moradia no País. Qualquer medida que reduza sua capacidade de financiamento traz impactos diretos sobre o déficit habitacional, o emprego e o crescimento econômico”, afirmou o presidente da Abrainc, Luiz França.

O Sindicato da Habitação (Secovi-SP) foi na mesma linha. Em uma carta aberta, o sindicato patronal manifestou “profunda preocupação” e oposição à proposta de liberação do saldo do FGTS para quitação de débitos em atraso. “Além de desviar a finalidade do fundo, a medida ignora o papel estruturante que esses recursos exercem na economia real e nas politicas públicas na habitação, saneamento e na infraestrutura”, afirmou a entidade.

O Secovi-SP citou que a cada R$ 1 aplicado pelo FGTS em empreendimentos imobiliários, são gerados 22 empregos diretos, criando um efeito multiplicado na economia. “Ao permitir a pulverização desses recursos em saques para consumo imediato, o governo coloca em risco a manutenção desses milhões de postos de trabalho formais e a própria execução de projetos essenciais”.

O orçamento do FGTS para o Minha Casa Minha Vida vem crescendo anualmente. Em 2026, R$ 144,5 bilhões do fundo irão para o programa habitacional na forma de financiamentos e subsídios. Em 2025, foram R$ 142,3 bilhões, e em 2024, R$ 102,4 bilhões, de acordo com dados do Ministério das Cidades.

Exame - SP   09/04/2026

O redesenho do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) abriu uma janela rara para o mercado de habitação popular. Para Edmil Antonio, diretor de crédito e relacionamento institucional da MRV (MRVE3), a combinação de juros mais baixos, subsídios elevados e regras mais amplas criou um ambiente sem precedentes recentes.

“É o melhor momento da história para o sistema de habitação popular”, afirma o executivo à EXAME.

A leitura parte de um ponto central: o programa passou a funcionar como uma engrenagem mais eficiente entre política pública e crédito. Na prática, mais famílias conseguem financiar — e em melhores condições. Edmil resume o mecanismo como um “relógio”: a queda dos juros amplia o valor financiável, enquanto o subsídio cobre a diferença que a renda não alcança.

“Você junta juros mais baixos com subsídio maior e traz milhões de pessoas para dentro do sistema financeiro”, diz.

Esse movimento ganhou força com as mudanças aprovadas pelo Conselho Curador do FGTS, que ampliaram limites de renda e tetos dos imóveis, reposicionando o programa também para parte da classe média.

Na prática, a Faixa 1 passou de R$ 2.850 para R$ 3.200, enquanto a Faixa 4 alcança famílias com renda de até R$ 13 mil. No topo, os imóveis podem chegar a R$ 600 mil — abrindo espaço para produtos antes fora do programa.

A ampliação de acesso já se reflete no mercado. Em algumas capitais, o MCMV concentra a maior parte dos lançamentos, sinalizando uma mudança estrutural na oferta. Ainda assim, para a MRV, o principal efeito está menos no volume e mais no perfil do comprador.

Famílias antes excluídas — por renda ou falta de crédito — passam a acessar financiamento com juros subsidiados.

Esse avanço da demanda traz uma consequência direta para as construtoras, sobretudo a necessidade de previsibilidade. Com ciclos longos, que vão da compra do terreno à entrega das chaves, o setor depende da visibilidade sobre recursos para definir o ritmo de lançamentos.

É nesse ponto que entra a discussão sobre um novo aporte ao programa. O governo avalia liberar cerca de R$ 10 bilhões adicionais ao MCMV, entre subsídios e financiamento.

Para o executivo da MRV, o timing desses recursos é determinante. “O recurso disponível hoje é mais fomentador do que uma promessa futura”, afirma Edmil.

O número ganha relevância diante da escala do programa: os subsídios do FGTS somaram cerca de R$ 11,6 bilhões em 2025 e devem chegar a R$ 12,5 bilhões em 2026, enquanto o Fundo Social, cotado como reforço, tem orçamento de R$ 30,9 bilhões.

Com previsibilidade, empresas destravam projetos, contratam obras e aceleram lançamentos. Sem isso, o movimento se inverte.

Para o comprador, porém, a lógica é outra — e mais imediata. No crédito imobiliário, a taxa contratada é fixa ao longo de todo o financiamento, que pode superar 30 anos. Isso transforma a decisão de compra em uma trava de condições.

Somam-se a isso os subsídios, que funcionam como ganho direto de renda. Em alguns casos, chegam a R$ 55 mil — valor relevante para famílias de menor renda.

Adiar a compra pode significar perder enquadramento em faixas mais vantajosas ou enfrentar preços mais altos.

Esse cenário já aparece nos números das empresas. A demanda mais forte acelera vendas e facilita o repasse para os bancos, etapa central para o caixa. Ainda assim, o ponto de atenção permanece.

Relatórios de BTG Pactual e Itaú BBA indicam que, apesar do avanço operacional, a geração de caixa segue pressionada no curto prazo. A MRV registrou queima de caixa na operação brasileira no primeiro trimestre, parcialmente compensada pela subsidiária americana Resia.

O desafio agora é transformar o crescimento em geração consistente de caixa. A expectativa do mercado é que o novo ciclo do MCMV ajude nesse processo — à medida que os projetos avançam e os repasses ganham tração.

FERROVIÁRIO

Exame - SP   09/04/2026

O debate sobre a Ferrogrão (EF-170) precisa superar a tese de que o projeto visa apenas a melhorar a conectividade ferroviária das regiões produtores do Centro-Oeste com as hidrovias na Amazônia e passar a questionar em termos objetivos a viabilidade econômico-financeira do projeto e seu impacto socioambiental.

É fundamental compreender que a proposta já completa mais de 12 anos sem avançar, não por entraves burocráticos, mas porque nunca se mostrou viável técnica e ambientalmente, com um histórico de baixas taxas de retorno social e subestimação sistemática de custos e prazos.

Essa fragilidade é corroborada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que indicou que o projeto, nos moldes propostos, não se sustenta. O órgão de controle evidencia que o problema central não reside no licenciamento ou na norma vigente, mas, sim, na qualidade do projeto, desatualizado e que não apresenta evidência crível nem argumentos técnicos de que não irá reproduzir um padrão recorrente no país: a dependência de recursos públicos em escala que não têm base legal.

Os estudos que dariam em tese racionalidade à Ferrogrão apresentam indicadores desconectados com a realidade de mercado e os parâmetros de engenharia necessários para implantar uma ferrovia de quase 1.000 km no bioma amazônico.

Os gastos de capital (Capex) previstos originalmente em R$ 11,45 bilhões são objetivamente fictícios quando comparados aos gastos realizados de forma íntegra em ferrovias na região, a exemplo da FICO 1. Adotando os parâmetros deste projeto, o custo real para a via permanente e material rodante da Ferrogrão salta para R$ 36,86 bi.

Pelo lado da receita, dado o ambiente competitivo rodoferroviário – e, logo, o imperativo de cobrar tarifas que viabilizem a comercialização dos serviços de transporte da Ferrogrão –, a taxa interna de retorno (TIR) real estimada seria de apenas 1,6%. É evidente que o negócio se torna inviável para o setor privado sem subsídios estatais massivos. Na realidade, estamos diante de uma obra pública travestida de concessão.

Para atrair investidores, o Tesouro Nacional precisaria injetar nada menos do que estimados R$ 32,5 bi, cobrindo quase a totalidade dos custos de implantação da ferrovia. Apenas a título de exemplo, esse montante equivaleria a cerca de 70% do necessário para recuperar a malha rodoviária federal do país em quatro anos.

Em certa medida, é surpreendente o apoio ao projeto por segmentos do setor agro, já que a BR-163, concessão rodoviária com tráfego expressivo que liga Sinop (MT) a Miritituba (PA), seria usada de “estrada de serviço” na execução da obra. Para isso, seria necessário inviabilizar por anos a operação dessa que é uma das principais artérias de exportação de grãos pela bacia Amazônica, pela necessidade de mover estimados 176 milhões de metros cúbicos de terra, com um movimento destrutivo de caminhões, tratores e máquinas.

Finalmente, no Brasil, é fato que projetos mal concebidos com falhas de origem, “abraçados” pelo setor público por serem “estratégicos” – expressão sistematicamente mal definida e que serve para justificar projetos inviáveis –, inevitavelmente exigirão renegociações constantes e pedidos de reequilíbrio contratual pela exacerbação, num primeiro momento, de custos e prazos e, depois, fuga de demanda na operação.

É essencial que o país dê um salto de qualidade na governança dos investimentos em projetos de infraestrutura terrestre e logística de transportes, priorizando soluções multimodais de maior racionalidade econômica e sustentabilidade socioambiental, minimizando eventuais aportes públicos, inclusive pela fragilidade fiscal.

O interesse público é mais bem servido quando se prioriza os melhores projetos, elimina-se aqueles insustentáveis e se garante uma execução íntegra, em custos, tempos e impacto na vida das pessoas, nas áreas sob proteção e nos biomas essenciais à vida.

NAVAL

Valor - SP   09/04/2026

Segundo a plataforma de navegação marítima MarineTraffic, movimentos de embarcações foram retomados no Ormuz após anúncio de cessar-fogo de duas semanas entre os EUA e o Irã

A Marinha do Irã ameaçou destruir os navios que tentassem atravessar o Estreito de Ormuz sem a permissão de Teerã, acrescentando que o trânsito pela via marítima permanecia fechado, segundo informaram diversas fontes do setor marítimo à agência Reuters.

"Qualquer embarcação que tentar navegar no mar será alvejada e destruída", dizia a mensagem. Até a publicação desta matéria, o Irã não confirmou oficialmente este comunicado.

Segundo a plataforma de navegação marítima MarineTraffic, movimentos de embarcações foram retomados no Estreito de Ormuz após anúncio de cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã, na terça-feira, em que foi definido que o estreito precisa ser reaberto neste período.

“Os primeiros sinais de atividade de embarcações estão surgindo no Estreito de Ormuz após o anúncio de um cessar-fogo”, em post da plataforma MarineTraffic no X.

Dados mais recentes da MarineTraffic e de outra empresa de monitoramento da navegação marítima Vessel Finder, mostravam um tráfego ainda tímido no estreito. Entre os navios que arriscavam a passagem estava o graneleiro maltês Iolcos Destiny, com destino ao Porto de Santos, no Brasil.

Jornal de Brasília - DF   09/04/2026

Empresas de navegação disseram nesta quarta-feira (8) que precisam de mais clareza sobre os termos do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã antes de retomar o trânsito pelo estreito de Hormuz, enquanto Teerã afirmou que a via permanece fechada a embarcações sem autorização.

O conflito de seis semanas levou o tráfego pelo estreito -um gargalo por onde passa cerca de 20% das remessas globais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL)- a quase parar, impulsionando os preços globais de energia.

O Irã afirmou que oferecerá passagem segura em coordenação com suas Forças Armadas, embora sua guarda costeira tenha alertado nesta quarta-feira que qualquer navio que tente navegar sem permissão será “alvejado e destruído”.

“O trânsito no estreito de Hormuz ainda está fechado, e é necessário obter autorização da Marinha do Sepah iraniano”, dizia uma mensagem de rádio recebida por dois armadores e compartilhada com a Reuters.

A primeira embarcação teria atravessado o estreito com autorização do Irã após o cessar-fogo, informou a TV estatal nesta quarta-feira.

A identidade do navio não foi imediatamente confirmada, mas dados da plataforma MarineTraffic mostram dois navios de armadores gregos e dois de armadores chineses passando pela região desde o início do dia.

O Irã já havia firmado acordos de passagem segura com vários países, incluindo Índia e Iraque.

As grandes companhias de navegação, porém, seguem cautelosas.

A dinamarquesa Maersk afirmou que o cessar-fogo pode abrir oportunidades de trânsito, mas ainda não oferece segurança marítima plena.

A alemã Hapag-Lloyd disse precisar verificar se o cessar-fogo se sustenta antes de começar a aceitar pedidos para mercados selecionados.

A normalização dos fluxos pode levar ao menos de seis a oito semanas, disse o CEO da Hapag-Lloyd, Rolf Habben Jansen, em teleconferência com clientes.

Lars Barstad, CEO da companhia de petroleiros Frontline, afirmou que a empresa ainda avalia o impacto do cessar-fogo sobre o transporte marítimo. “Quero ver as letras miúdas”, disse à Reuters.

Jakob Larsen, diretor de segurança da Bimco, alertou que embarcações que deixarem o Golfo sem coordenação prévia com autoridades dos EUA e do Irã enfrentarão risco elevado.

Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, quase 30 incidentes marítimos envolvendo navios comerciais e infraestrutura offshore foram registrados na região, segundo o Joint Maritime Information Center, liderado pela Marinha dos EUA, em nota de 7 de abril.

Cerca de 187 petroleiros carregados, transportando 172 milhões de barris de petróleo bruto e derivados, estavam no Golfo até terça-feira, segundo a consultoria Kpler.

Fontes do setor disseram que o interesse por cargas do Golfo aumentou entre refinarias asiáticas, além da trading Glencore e da francesa TotalEnergies, que não comentaram.

As economias asiáticas são as principais compradoras do petróleo transportado pelo estreito e têm sido especialmente afetadas pela interrupção.

“Esperamos que petroleiros com destino a países alinhados ao Irã sejam os primeiros a retomar o trânsito”, disse Anoop Singh, chefe global de pesquisa de transporte da Oil Brokerage, acrescentando que mais de 50 VLCCs e cerca de 15 navios do tipo Suezmax podem deixar o Golfo em breve.

O Reino Unido afirmou nesta quarta-feira que trabalhará com os setores de transporte marítimo, seguros e energia para tentar restaurar a confiança no uso do estreito de Hormuz.

PETROLÍFERO

TN Petróleo - RJ   09/04/2026

O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) avalia que a criação do Imposto de Exportação de 12% sobre o petróleo bruto, via MP nº 1.340/2026, impõe uma carga desnecessária a um setor que já destina cerca de 70% de sua renda a tributos e participações governamentais. Somente entre 2010 e 2025, a indústria recolheu mais de R$ 1 trilhão em compensações financeiras, evidenciando sua alta contribuição fiscal. Nesse contexto, a criação do imposto de exportação, além do caráter meramente arrecadatório, representa uma sobreposição a mecanismos já existentes e amplia a percepção de risco sobre o ambiente de negócios no Brasil.

Estudo do IBP demonstra que os mecanismos de arrecadação vigentes — Royalties, Participação Especial e Excedente em Óleo — são mais que suficientes para capturar eventuais ganhos extraordinários com a alta do barril. Com o Brent a US$ 90, esses instrumentos geram uma arrecadação adicional de pelo menos R$ 50 bilhões, valor que supera com folga os R$ 40 bilhões estimados pelo governo para custear as medidas de mitigação do diesel. Assim, o novo imposto configura uma medida tributária meramente arrecadatória.

Além disso, a medida compromete a segurança jurídica e a competitividade do petróleo brasileiro, sinalizando instabilidade para investimentos em uma indústria de maturação longa e intensiva em capital. O setor é responsável por 53% do saldo da balança comercial e por 17,2% do PIB industrial, com previsão de US$ 183 bilhões em investimentos até 2031. Alterações imprevistas nas regras afastam o capital necessário para sustentar esses projetos e os cerca de 445 mil postos de trabalho gerados anualmente.

Por fim, o IBP reafirma que políticas públicas para mitigar choques geopolíticos devem preservar a estabilidade regulatória para garantir investimentos e a necessária reposição de reservas. Em síntese, a criação de um imposto de exportação, sem debate prévio com o setor produtivo e sem prazo claro de vigência, gera insegurança e afasta investimentos. Sem previsibilidade, o Brasil corre o risco de enfraquecer sua posição como fornecedor estratégico global e comprometer sua produção futura, podendo voltar à até mesmo à condição de importador de petróleo no médio prazo.

IstoÉ Dinheiro - SP   09/04/2026

A China importou em março um volume recorde de petróleo do Brasil, impulsionando as exportações brasileiras da commodity ao segundo maior nível da série histórica, em meio a uma reorganização dos fluxos globais de energia após as disrupções no Oriente Médio.

O país asiático comprou 1,6 milhão de barris por dia (bpd) de petróleo brasileiro no mês passado, maior volume já registrado e equivalente a 67% de todas as exportações do Brasil, segundo dados oficiais do governo federal. O montante superou o recorde anterior, de cerca de 1,46 milhão de bpd, registrado em maio de 2020.

“O avanço das exportações já era esperado, conforme o fechamento do Estreito de Ormuz resultou em uma busca intensa de países importadores por produtos providos por outras origens, encontrando no mercado brasileiro parte da oferta perdida no Oriente Médio”, afirmou Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Ele observou, com base em dados do governo, que a Índia foi o segundo maior destino das exportações de petróleo do Brasil em março, respondendo por 7% das cargas, com país asiático buscando também alternativas para lidar com as dificuldades para atravessar o Estreito de Ormuz, por onde passava antes da guerra no Irã cerca de 20% dos fluxos globais da commodity.

“Essa maior participação da Ásia acaba refletindo a necessidade do continente de diversificar ainda mais os seus fornecedores, com o Brasil se beneficiando desse cenário e escoando um maior volume de petróleo para o exterior.”

Na sequência da China e Índia, aparece entre os principais destinos do petróleo brasileiro a Espanha, com 6,7%, e Estados Unidos, com 6,1%, disse Cordeiro.

As exportações totais de petróleo do Brasil atingiram 2,5 milhões de bpd em março, alta de 12,4% sobre fevereiro e o segundo maior da história, atrás apenas de março de 2023.

Cordeiro ponderou que a abertura do Estreito de Ormuz, com a trégua na guerra anunciada na véspera, deve aliviar a pressão asiática, o que poderia resultar em uma menor busca do petróleo brasileiro — dada a proximidade geográfica e os benefícios logísticos desse comércio dos países do Golfo Pérsico com o continente.

“Ao mesmo tempo, a retomada gradual dos fluxos pelo Estreito de Ormuz é um fator que deve garantir a manutenção de volumes elevados de vendas do Brasil para alguns consumidores da região, principalmente China e Índia”, acrescentou.

Diesel

Enquanto as exportações de petróleo avançaram, o Brasil reduziu de forma significativa as importações de diesel, um alerta para o país que importa cerca de 25% de suas necessidades.

De acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as compras externas do combustível somaram 1,05 bilhão de litros em março, queda de 25% em relação a fevereiro.

Para Cordeiro, “a redução expressiva das cargas destinadas ao Brasil reflete tanto um aumento significativo da competição pelo produto no mercado internacional, quanto pelo avanço dos preços do produto importado que chega aos portos brasileiros”.

A redução foi sentida principalmente nas cargas provenientes dos Estados Unidos, apontaram os dados. A participação do diesel norte-americano nas importações brasileiras caiu para menos de 1% em março, ante 8,3% no mês anterior.

Segundo o analista da StoneX, “a diminuição do share norte-americano reflete, provavelmente, um redirecionamento das cargas de diesel exportado pelo país para outras regiões que vêm pagando prêmios maiores ao combustível, principalmente a Ásia — que vem sentindo mais os impactos com a suspensão dos fluxos de derivados fósseis pelo Estreito de Ormuz.

Em meio à menor oferta norte-americana, a Rússia ampliou sua presença no mercado brasileiro, passando de uma participação de 58% em fevereiro para 75% em março, mesmo com volume semelhante de exportações realizadas em fevereiro, segundo Cordeiro.

“Apesar dos ataques ucranianos contra portos ocidentais estratégicos da Rússia em meados de março e uma redução temporária das exportações de combustíveis, é esperado que os impactos dessa menor oferta sejam sentidos nas cargas programadas para abril”, disse Cordeiro.

Outro ponto de destaque foi a manutenção da participação da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, com cada um respondendo por cerca de 130 milhões de litros exportados ao Brasil no mês.

“Tal cenário reflete ou impactos maiores do fechamento do Estreito de Ormuz para as cargas previstas para abril, ou uma capacidade de escoamento desses produtos pelo Mar Vermelho”, afirmou o analista.

Para os próximos meses, o cenário segue cercado de incertezas.

“Para abril e maio, as incertezas persistem. O acordo de cessar-fogo temporário entre EUA e Irã deve aliviar no curtíssimo prazo essa disputa pelas cargas no mercado internacional, com o Golfo Pérsico escoando um montante maior de produtos para outras regiões. Ainda assim, a falta de uma resolução definitiva para o conflito pode resultar em novos bloqueios no Estreito de Ormuz, o que manteria um balanço global bem estressado”, disse Cordeiro.

O Estado de S.Paulo - SP   09/04/2026

Reabrir o Estreito de Ormuz — um objetivo central dos Estados Unidos quando concordaram com um cessar-fogo com o Irã — seria o primeiro passo para aumentar o fluxo de energia pelo Golfo Pérsico.

Mas apenas o primeiro passo.

Isso porque dezenas de refinarias, instalações de armazenamento e campos de petróleo e gás em pelo menos nove países, do Irã aos Emirados Árabes Unidos e além, foram alvo de ataques. No total, 10% ou mais do abastecimento mundial de petróleo foi interrompido. Retomar essas operações exigirá não apenas a passagem segura pelo Estreito de Ormuz, mas também a inspeção de bombas, a substituição de equipamentos de processamento personalizados e o retorno de funcionários e navios que se espalharam pelo mundo.

“Não é uma questão de simplesmente apertar um botão e tudo voltar ao normal”, disse Martin Houston, um executivo de longa data do setor de petróleo e gás que atualmente atua como membro do conselho de várias empresas de energia.

O prazo para que o sistema energético do Golfo volte a ter alguma aparência de normalidade é altamente incerto. Para começar, a guerra está suspensa há apenas duas semanas.

No acordo de cessar-fogo, anunciado pelo presidente Trump na noite de terça-feira, o Irã concordou em permitir que navios passassem pelo estreito sem serem atacados. Mais cedo naquele dia, Trump afirmou que, se a via navegável permanecesse fechada, “uma civilização inteira morreria esta noite, para nunca mais ser recuperada”. Ele também ameaçou repetidamente atacar usinas de energia iranianas e outras infraestruturas críticas caso o Irã não permitisse a passagem de embarcações pelo estreito — atos que poderiam ser considerados crimes de guerra.

Os ataques a instalações de energia continuaram nos dias que antecederam o cessar-fogo, incluindo uma refinaria de petróleo no Kuwait e complexos petroquímicos no Irã. É difícil saber quanto dano já foi causado à infraestrutura da região, pois muitos países compartilharam poucas informações.

Assim que as empresas recuperarem a confiança de que seus navios podem transitar pela estreita via navegável que se estende entre o Irã e a Península Arábica, a primeira prioridade provavelmente será o transporte do petróleo e de outros combustíveis que os países próximos ao estreito acumularam em tanques de armazenamento. Em seguida, desde que as hostilidades não sejam retomadas, é provável que alguns poços voltem a produzir em questão de dias ou semanas, afirmam analistas do setor e executivos da indústria petrolífera do Golfo.

Mas uma recuperação mais completa será um processo que levará meses, alertaram. E, mesmo assim, espera-se que a reparação de algumas infraestruturas que sofreram danos extensos leve anos.

Para os consumidores, isso significa que os preços da gasolina nos postos — que recentemente ultrapassaram os US$ 4 por galão, em média, nos Estados Unidos — provavelmente não voltarão aos níveis pré-guerra tão cedo, mesmo que os preços internacionais do petróleo tenham caído consideravelmente na terça-feira à noite. Os países estão esgotando os estoques de energia que possuíam antes da guerra; portanto, quanto mais a guerra se prolongar, mais persistentes esses preços altos provavelmente serão.

O fechamento de poços de petróleo traz outras consequências. Uma vez paralisados, os poços de petróleo e gás podem ser difíceis de reiniciar, e quanto mais tempo permanecerem fechados, mais dificuldade as empresas poderão ter para reativá-los.

A pressão subterrânea pode ficar desequilibrada enquanto os poços estão fechados; pode haver acúmulo de água. Se as paralisações se prolongarem, os equipamentos podem sofrer corrosão após ficarem expostos ao sulfeto de hidrogênio por muito tempo. O gás tóxico, que cheira a ovos podres, é frequentemente encontrado misturado com petróleo e gás natural. A Arábia Saudita e o Iraque injetam gás ou água em muitos de seus poços para extrair mais petróleo, o que adiciona outra camada de complexidade ao restabelecimento da pressão correta quando chega a hora de reabri-los, escreveu recentemente a empresa de pesquisa BloombergNEF.

O Kuwait, situado entre a Arábia Saudita e o Iraque na ponta do Golfo Pérsico, é o décimo maior produtor de petróleo do mundo. Antes da sexta-feira, quando sua refinaria de Mina al-Ahmadi foi atingida por um drone, o diretor executivo da petrolífera estatal Kuwait Petroleum disse que esperava conseguir “retomar uma parte considerável da produção imediatamente, dentro de alguns dias” após o fim da guerra. O xeque Nawaf Al Sabah, diretor executivo, acrescentou durante comentários no final do mês passado em uma conferência sobre energia, a CERAWeek da S&P Global, em Houston, que “a produção total será alcançada dentro de três ou quatro meses”.

A grande questão é qual a extensão dos danos sofridos por toda a infraestrutura necessária para transportar petróleo e gás das fontes até os mercados mundiais. Analistas afirmam que poucas instalações parecem ter sofrido danos catastróficos, mas estão trabalhando com informações limitadas sobre a maioria das instalações.

Um dos ativos energéticos mais importantes da região é a usina de exportação de gás natural do Catar, Ras Laffan. O local, que se estende por pelo menos 8 km² em uma grande cidade industrial, abastece países da Ásia e da Europa com gás natural usado para cozinhar, aquecer residências e gerar eletricidade.

Antes de ser carregado em um navio, o gás natural precisa ser transformado em líquido por meio de resfriamento a cerca de -162 °C (menos 162 graus Celsius). O Catar interrompeu a produção desse gás natural liquefeito, ou GNL, nos primeiros dias da guerra. Posteriormente, mísseis destruíram 17% da capacidade da instalação.

As partes não danificadas da instalação seriam reiniciadas primeiro, provavelmente ao longo de semanas ou meses. As etapas incluem a reabertura dos poços de gás offshore que abastecem o terminal de exportação; a reinicialização de quaisquer serviços públicos que tenham sido desligados; a reposição do estoque de combustíveis usados para resfriar o gás, conhecidos como refrigerantes; e, então, o resfriamento propriamente dito do gás, disse Mehdy Touil, que passou mais de uma década em Ras Laffan e agora é o principal especialista em GNL da Calypso Commodities, uma empresa de Berlim.

As áreas danificadas são outro problema. A QatarEnergy, que opera Ras Laffan, afirmou que levará vários anos para reparar essas áreas e colocá-las em operação. (A empresa não respondeu aos pedidos de comentários.) Ras Laffan possui 14 unidades de produção de GNL. Os ataques do mês passado destruíram o coração de duas delas — as gigantescas estruturas nas quais o gás é resfriado —, disse o diretor executivo da QatarEnergy à Reuters. Esses equipamentos podem ter a altura de um prédio de 18 andares, e o prazo de entrega de um novo pode chegar a dois anos ou mais, disseram autoridades do setor.

“Essas instalações foram projetadas sob medida e integradas ao complexo mais amplo de Ras Laffan, tornando-as substancialmente mais difíceis de substituir” do que tipos mais simples de infraestrutura energética, disse Najmedin Meshkati, professor de engenharia da Universidade do Sul da Califórnia.

Pouco se sabe sobre a extensão dos danos às instalações de processamento de petróleo em toda a região. Uma refinaria na costa oeste da Arábia Saudita vinha operando em níveis muito mais baixos após um ataque com drones em meados de março, de acordo com a Rystad Energy, uma empresa de consultoria com sede em Oslo. A Rystad estimou que a refinaria provavelmente poderia ser totalmente restaurada dentro de um ano.

O Irã também sofreu ataques à sua infraestrutura energética, incluindo ataques a depósitos de petróleo em Teerã que escureceram o céu sobre a capital.

Uma preocupação para a reconstrução é que as cadeias de abastecimento de algumas peças especializadas já estão sobrecarregadas. A corrida para construir centros de dados para inteligência artificial criou uma demanda por usinas de energia a gás e outras infraestruturas energéticas. Muitas dessas instalações dependem de equipamentos, como turbinas a gás, que também podem ser necessários para realizar reparos no Golfo.

“Se você tiver a cadeia de suprimentos certa, é possível reconstruir tudo bem rapidamente”, disse Mike Stice, professor da Universidade de Oklahoma que atua no conselho de empresas de energia, incluindo a gigante americana de refino Marathon Petroleum. Mas, acrescentou ele, os prazos dependerão muito do que foi danificado. “Basta uma peça crítica de equipamento com prazo de entrega de dois anos.”

No fim das contas, independentemente de como o conflito se desenrolar, os analistas esperam que os preços da energia acabem caindo em relação aos níveis de tempo de guerra, mas permaneçam mais altos do que teriam sido na ausência de guerra.

Analistas do banco francês Société Générale afirmaram recentemente que esperam que o petróleo seja negociado em torno de US$ 80 o barril no final de 2026, acima de sua previsão anterior de US$ 65. Os traders estarão precificando um risco maior de perturbações geopolíticas no futuro.

Exame - SP   09/04/2026

A Petrobras encaminhou ao Ibama as informações técnicas necessárias para obter autorização de perfuração de três novos poços no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, costa do Amapá.

O movimento consolida mais uma etapa de uma campanha exploratória que vai muito além de uma aposta corporativa: é parte de um debate nacional sobre onde o Brasil quer se posicionar no tabuleiro energético global nas próximas décadas.

Os poços, denominados Manga, Crotalus e Extensão (PAD) de Morpho, já estavam contemplados no licenciamento ambiental original concedido pelo Ibama em outubro de 2025. As locações ficam entre 173 e 181 quilômetros da costa amapaense, em profundidades que variam de 2.811 a 2.991 metros, com previsão de 150 a 160 dias de perfuração cada.

Vale lembrar que a licença em vigor é estritamente exploratória. Ela autoriza a investigação do subsolo para determinar se há petróleo na região, qual sua qualidade e se o volume encontrado tornaria viável uma operação comercial futura.

Em paralelo às operações em curso, o Ibama está na fase final de um processo mais abrangente, cuja conclusão marcará o limite entre a pesquisa e qualquer decisão de caráter definitivo: o estudo de viabilidade sobre a presença de petróleo na Margem Equatorial como um todo.

Nesta etapa se avalia se o recurso existe na região, qual sua qualidade e se o volume justificaria exploração comercial em larga escala. Enquanto isso, a perfuração do poço pioneiro Morpho segue em andamento, com conclusão agora esperada para meados do ano.

O atraso decorre do incidente registrado em janeiro, quando um navio-sonda derramou cerca de 18 metros cúbicos de fluido de perfuração a aproximadamente 2,7 mil metros de profundidade, forçando a paralisação imediata das atividades.

O episódio não apenas afetou o cronograma como evidenciou, na prática, os riscos inerentes a operações dessa magnitude em um ecossistema tão sensível quanto a Foz do Amazonas.

Após avaliação técnica identificar risco de danos à fauna marinha local, o Ibama notificou a companhia e, semanas depois, aplicou um auto de infração de R$ 2,5 milhões, enquadrando o material extravasado na categoria de risco médio para a saúde humana e para o ecossistema aquático.

A Petrobras contestou a gravidade do episódio, sutentando que o fluido tinha composição biodegradável e que a situação foi controlada sem consequências ao ecossistema, avaliação que a ANP posteriormente endossou.

Ainda assim, a agência reguladora condicionou o retorno das atividades - liberado em fevereiro -, ao cumprimento de exigências que incluíram revisão documental da operação, adequação dos equipamentos da sonda e capacitação renovada das equipes de campo.

O incidente veio confirmar o que especialistas e entidades científicas já apontavam há tempos: operar na Margem Equatorial exige protocolos rigorosos, monitoramento permanente e transparência nas decisões.

Mais do que uma exigência regulatória, a segurança ambiental é um pilar fundamental da viabilidade política e econômica de todo o avanço na região e a condição que torna o projeto socialmente legítimo e financeiramente sustentável a longo prazo.

Nos tribunais e no território

Na esfera judicial, o Ministério Público Federal recorreu à Justiça Federal pedindo a suspensão da licença ambiental com base em três frentes: os riscos ao ecossistema evidenciados pelo acidente, a alegada omissão no processo de escuta das populações tradicionais e indígenas da área de influência do projeto e dúvidas sobre a solidez jurídica do licenciamento emitido.

O governo do Amapá se posicionou favoravelmente à continuidade das operações. A partir deste mês, o suporte logístico às plataformas passou a ser concentrado em Macapá e Oiapoque, integrando a exploração à dinâmica econômica regional.

Para o estado, o projeto representa uma oportunidade concreta de geração de empregos, ampliação da arrecadação e diversificação produtiva em uma economia historicamente dependente do funcionalismo público.

O interesse pelo bloco FZA-M-59 não é isolado. A Margem Equatorial, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte, ganhou projeção internacional após as grandes descobertas realizadas na Guiana e no Suriname, regiões que compartilham a mesma formação geológica.

Estimativas do Ministério de Minas e Energia apontam um potencial de até 16 bilhões de barris na área, volume que poderia alterar o peso do Brasil nas discussões globais sobre produção de energia e compensar o envelhecimento progressivo de campos já em operação.

A dimensão estratégica do projeto ultrapassa a questão do barril. Com o acesso à energia condicionado cada vez mais a autonomia das nações, ampliar reservas próprias significa ganhar tempo e recursos para estruturar uma mudança de matriz sem depender exclusivamente do ritmo imposto por crises externas.

Países produtores ao redor do mundo têm adotado essa lógica, de manter a produção de petróleo enquanto direcionam parte das receitas geradas para acelerar a construção de uma base energética mais limpa.

RODOVIÁRIO

Portal Fator Brasil - RJ   09/04/2026

Em março de 2026 o governo de São abriu crédito de R$ 2,6 bilhões e garantiu cronograma de obra do túnel Santos-Guarujá, agora como a obra é entre o governo de São Paulo e União, houve garantia do Tesouro Nacional que permiriu o empréstimo para a realização da obra.

O despacho da liberação de R$ 2,6 bilhões destinado à obra do Túnel Santos-Guarujá foi publicada no dia 06 de abril (segunda-feira), no Diário Oficial da União, um despacho do Ministério da Fazenda, cujo valor refere-se à parte de participação do governo paulista no empreendimento.

Estruturado como uma parceria público-privada (PPP), pela Secretaria de Parcerias em Investimentos do Estado de SP (SPI), o projeto envolve a participação do Governo de São Paulo, da União e da iniciativa privada. O leilão foi realizado em setembro de 2025, com vitória do grupo Mota-Engil, por meio uma parceria público-privada (PPP), e será responsável pela construção, operação e manutenção do túnel. Com 1,5 quilômetros de extensão, 870 metros sob o mar, e investimentos em cerca de de R$ 6,8 bilhões, com concessão de 30 anos. Documentos oficiais do projeto indicam cerca de R$ 5,13 bilhões a R$ 5,2 bilhões em aportes de Estado de São Paulo e União, enquanto a concessionária completa o valor restante.

— O Túnel Santos-Guarujá já está acontecendo, por meio desta boa parceria, inédita, entre União, APS e governo do estado— afirma o o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini. — a garantia dada pelo Tesouro Nacional reforça a certeza do cumprimento do cronograma da obra.

A Autoridade Portuária de Santos já destinou, também R$ 2,6 bilhões para a implantação do túnel Santos-Guarujá, como previsto no Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado entre a União, por meio do Ministério de Portos e Aeroportos, e o Estado de São Paulo, por intermédio da Secretaria de Parcerias em Investimentos(SPI). Os recursos serão repassados para a obra conforme for formalizada a participação da APS em aditivo ao contrato, uma determinação do Tribunal de Contas da União (TCU).

A APS sugeriu ao TCU medidas de governança para a fiscalização do recurso disponibilizado pela companhia. —Junto com este documento, pedimos que o TCU já autorize o depósito em conta-garantia, antes mesmo da resposta sobre nossas medidas de governança. Ou seja, faríamos o depósito já, atendendo cronograma previsto na ACT, até porque o dispêndio só ocorrerá entre fevereiro e março de 2027 —explicou Pomini.

O ACT do túnel Santos-Guarujá tem como intervenientes a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). A APS também implementou um Comitê de Impactos Ambientais para acompanhar a implantação do túnel. O objetivo é ser um apoio para as comunidades do entorno durante toda a execução da obra, verificando os reflexos na vida dos moradores e das demais pessoas que passam pelo Porto de Santos.

Além de melhorar a mobilidade urbana, a obra terá impacto direto na logística do Porto de Santos, o maior da América Latina, ao facilitar o fluxo de cargas e reduzir gargalos operacionais na região.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apresentou o projeto do Túnel Santos–Guarujá a investidores da Dinamarca, Holanda e Noruega durante o 3º Roadshow Internacional de 2025. A iniciativa buscava atrair cerca R$ 6 bilhões em investimentos para a obra por uma concessão por 30 anos. O leilão está marcado para para 1° de agosto do mesmo ano.

Na época, o projeto já desenhava como concessão patrocinada, uma modalidade da Parceria Público-Privada (PPP), onde o estado arcar com um percentual da remuneração da empresa, que tem como complemento as taxas obtidas com as tarifas.

—O Túnel Santos-Guarujá, aguardado há quase 100 anos, finalmente sairá do papel, trazendo investimentos e geração de emprego para a Baixada — disse o governador Tarcísio de Freitas, em nota, na ocasião.

Vários passos foram dados até o o leilão realizado em setembro de 2025, durante cerimônia na B3, em São Paulo, Tarcísio ressaltou que a obra é um sonho antigo, discutido desde 1927, e só pôde avançar graças à mobilização conjunta.

Diário do Comércio - MG   09/04/2026

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, anunciou, nesta terça-feira (7/4), um pacote de obras para a melhoria da infraestrutura rodoviária no Sul do Estado. A estimativa inicial do investimento é de R$ 300 milhões, contemplando trechos estratégicos na região. O anúncio foi feito em Pouso Alegre, capital provisória do Estado, em mais uma edição da Praça de Serviços – Governo Presente.

“Teremos a primeira fase do Contorno de Andradas, a obra de Piranguçu até a divisa com o Estado de São Paulo, a obra de recuperação funcional de Maria da Fé até Itajubá, a obra da AMG-1935, de Tocos do Moji até Borda da Mata, essa, inclusive, já iniciou. E, ainda, talvez a mais importante, a recuperação do trecho Pouso Alegre a Alfenas”, destacou o governador Mateus Simões.

De acordo com o governador Mateus Simões, parte dos recursos que irão viabilizar as obras está associada ao processo de desestatização da Copasa, que determina a destinação dos recursos para investimentos em infraestrutura. O pacote foi definido a partir de reuniões com prefeitos e deputados da região, com a priorização de trechos considerados estratégicos para mobilidade, segurança viária e desenvolvimento econômico.

O conjunto de intervenções reúne obras de implantação, recuperação e revitalização de rodovias, além da elaboração de novos projetos estruturantes para a região e realização de convênios com prefeituras para a execução. As ações estão distribuídas em diferentes etapas: já iniciadas, em fase de planejamento e parte em elaboração de projetos técnicos. A previsão é que o conjunto seja executado ao longo de quatro anos, considerando o cronograma de cada obra.

Parcerias com prefeitos

Entre os exemplos da necessidade de assinatura de convênio, está o previsto com a Prefeitura de Cambuí. “O objetivo é que a prefeitura faça o Contorno de Cambuí e termine a ligação da AMG-295 até a Fernão Dias”, explicou Simões.

“Ainda temos o projeto e a pavimentação de Careaçu até Silvianópolis e a realização do projeto de um trevo no distrito de São José do Pantano. Nós vamos fazer o projeto e a prefeitura vai executar o trevo para que a gente possa facilitar o acesso da população ao distrito”, completou.

O governador também ressaltou que o Estado já aprovou a segunda fase do Contorno de Andradas, após a conclusão da primeira etapa. “Temos também a ponte sobre o Rio Corrente entre Munhoz e Toledo, a recuperação da LMG-882 entre Turvolândia e Silvianópolis, a recuperação de três trechos diferentes da MG-295, Paraisópolis-Consolação-Cambuí, Senadora Amaral e Consolação-Cambuí vão ser todos recuperados”, prosseguiu.

Serviços em um só lugar

Os anúncios aconteceram durante a ação da Praça de Serviços, que integra o projeto Governo Presente, que tem o objetivo de facilitar o acesso a serviços do Estado e que transferiu a capital provisoriamente para Pouso Alegre, na segunda-feira (6/4). A Praça de Serviços teve início nesta terça-feira (7/4) e segue na quarta-feira (8/4), das 9h às 16h, na Praça de Esportes Prefeito Alvarim Vieira Rios, reunindo atendimentos gratuitos e serviços essenciais à população.

“É uma satisfação saber que todos os serviços do Estado estão aqui, desde as demonstrações dos equipamentos e serviços da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, até a emissão da carteira de identidade na Polícia Civil. Aliás, para quem está em casa, um chamado. Se você trouxer a certidão de nascimento e certidão de casamento, se você já foi casado, mais uma foto 3×4, você consegue tirar a sua nova carteira de identidade, aquela que já vai direto para o gov.br”, explicou o governador.

O evento segue nesta quarta-feira (8/4), das 9h às 16h, na Praça de Esportes Prefeito Alvarim Vieira Rios. A Praça de Serviços – Governo Presente aproxima a administração estadual da população, com acesso a diversos atendimentos, como emissão de documentos, serviços de saúde, orientações sobre regularização, apoio ao produtor rural, oportunidades de trabalho, negociação de contas e ações de cidadania.

A documentação pode variar conforme o serviço solicitado, mas, de forma geral, é recomendado apresentar documento oficial com foto, CPF e comprovante de residência. O Governo de Minas não solicita pagamentos ou dados pessoais fora dos canais oficiais. Em caso de dúvida, a orientação é procurar a equipe no local ou acessar os canais institucionais.

O catálogo completo de serviços oferecidos, assim como a documentação necessária para cada um, está disponível neste link.

Polo regional do Sul de Minas

Com cerca de 152 mil habitantes, Pouso Alegre é um dos principais polos econômicos do Sul de Minas.

A cidade se destaca pela localização estratégica, cortada pela rodovia BR-381 (Fernão Dias), e pela forte presença industrial, com empresas dos setores alimentício, farmacêutico e de máquinas, além da relevância no agronegócio, com uma produção expressiva no campo, especialmente de morangos.

AGRÍCOLA

Valor - SP   09/04/2026

Setor pode até superar indústria nos próximos anos em peso na economia, alertam especialistas

A economia brasileira passa por um processo de mudança estrutural na participação das atividades econômicas no Produto Interno Bruto (PIB) e esse movimento, que ocorre de maneira lenta e gradual, pode conduzir a um perfil diferente do PIB nos próximos anos, segundo especialistas.

Uma parte desse processo pode ser visualizada no resultado do PIB de 2025. Pelo lado da oferta, a participação da atividade agropecuária no PIB do país terminou o ano passado em 7,1% do total. Não somente acima da fatia de 2024 (6,7%), mas a maior desde 2000, início da série do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em contrapartida, a indústria da transformação terminou o ano passado com fatia de 13,7% do PIB. Além de ser menor do que a proporção observada em 2024 (14,1%), foi o patamar mais baixo desde 2020 (12,3%). “Eventualmente podemos chegar a um momento em que a gente possa ver o tamanho do agro ser maior em participação do que a indústria de transformação”, disse o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. Ele ponderou, que, caso isso realmente ocorra, seria em horizonte de longo prazo. A médio prazo, Vale comentou que a fatia da indústria pode diminuir para cerca de 10%. “E agro está subindo. Vai ficar entre 7% e 8%.”

Vale fez outra ressalva: atividades industriais e de serviços relacionadas ao agro não entram na composição agropecuária do valor adicionado dessa atividade no PIB. “A indústria total no Brasil hoje é 23,4% [do PIB]”, disse. “Parte dessa indústria tem composição agrícola. Se juntarmos toda a cadeia da agroindústria, comparada com indústria total, ela [a agroindústria] já está acima como participação da indústria total no [PIB do] Brasil.”

O percentual oficial da agropecuária no PIB foi de 7,1%, mas cálculos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - Cepea-Esalq/USP mostram que o espalhamento na economia é bem maior. A expectativa é que a participação do setor alcance 24,4% em 2025, ante 22,9% em 2024. Para 2026, a projeção é de 24,2% em 2026. A conta engloba todo o agronegócio, como em serviços e indústria voltados ao campo.

“A agropecuária no Brasil tem se mostrado muito competitiva nos últimos anos. Tivemos muito investimento, muita expansão de área”, disse Armando Castelar, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

Castelar, ex-chefe do Departamento Econômico do BNDES, disse que houve direcionamentos para que tal movimento ocorresse: alocação de recursos, pesquisas genéticas de sementes, de adubos, entre outras estratégias que elevaram a produtividade no campo. Em contrapartida, continuou, a perda de participação da indústria de transformação no PIB tem ocorrido de forma contínua há alguns anos. O movimento no setor industrial brasileiro difere um pouco do que ocorre em países de perfil semelhante. Historicamente, países pobres dependem mais da agropecuária. Porém, quando a economia se desenvolve, a indústria ganha participação no PIB. Foi o que ocorreu no Brasil entre 1930 e 1980.

Quando os países atingem perfil de alta renda, o setor de serviços cresce significativamente. Mas no Brasil a agropecuária e a indústria extrativa ganham participação no PIB de forma consistente. Um dos aspectos que explicam esse quadro é o mercado internacional. Ocorreram nos últimos anos constantes e crescentes valorizações de preços de commodities agrícolas e minerais que têm no Brasil um forte produtor. O que impulsionou o valor adicionado dessas atividades. E as mudanças, na composição do PIB, não abrangem somente agropecuária e indústria, disse Castelar.

Ele chamou atenção para a evolução da participação da atividade de serviços na economia. Em 2025, a fatia de serviços representou 69,5% do PIB, levemente acima de 2024 (68,9%).

Castelar destacou que, embora a participação dos serviços como um todo possa não subir muito mais nos próximos anos, o mesmo não pode ser dito do que ocorre “por dentro” da atividade. Para ele, há uma “sofisticação” interna na economia de serviços do país, influenciada por novas tecnologias. Ele não descartou que alguns subsetores, como o comércio, possam cair dentro do PIB nos próximos anos. E, ao mesmo tempo, podem crescer os serviços de informação, comunicação e financeiros.

Sinais desses movimentos podem ser vistos nas contas nacionais de 2025. O comércio respondeu por 11,6% do PIB. Além de inferior a 2024 (12,1%), foi o menor desde 2005 (10,8%). Por outro lado, serviços de informação e de comunicação atingiram 3,6% do PIB, igual a 2024 e o maior desde 2021 (3,9%). “Minha percepção é que, sim, há mudança estrutural [no PIB do Brasil]”, resumiu Castelar.

Nem mesmo a pandemia em 2020 teve força para mudar de forma estrutural o PIB, acrescentou Claudio Considera, economista e coordenador do Núcleo de Contas Nacionais (NCN) do FGV Ibre. “A pandemia certamente atrapalhou um pouco, principalmente o setor de serviços. Toda essa parte de restaurante, viagem, isso tudo foi mudado pela pandemia”, lembrou. Isso foi perceptível na fatia de serviços no PIB na época. A participação de serviços na economia saiu de 73,3% em 2019 para 70,9% em 2020 e recuou em 2021, para 66,5%, a menor desde 2005 (66%). Mas Considera ponderou que a atividade voltou a se mostrar forte: “Não acho que a pandemia tenha tido papel tão importante nessa mudança estrutural”.

Valor - SP   09/04/2026

Recursos serão utilizados para empresa italiana investir em pesquisa e inovação de novas máquinas agrícolas para o Brasil

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 129 milhões para a multinacional italiana CNH Industrial investir em pesquisa e inovação de novas máquinas agrícolas para o mercado brasileiro. A operação, realizada no âmbito do programa BNDES Mais Inovação, contempla oito projetos com foco em colheitadeiras, tratores e equipamentos para aplicação de insumos.

Segundo o banco, os investimentos estão em linha com tendências globais de digitalização e agricultura de precisão. A empresa aplicará os recursos em projetos para o desenvolvimento de soluções que ampliem a eficiência operacional, reduzam emissões de gases de efeito estufa das máquinas e antecipem demandas regulatórias, como as relacionadas ao mercado de carbono e a combustíveis de baixo impacto ambiental.

A operação vai financiar o desenvolvimento de uma plantadeira com sistema de aplicação simultânea de sementes, fertilizantes sólidos e inoculantes, o que permitirá a realização de múltiplas operações de uma só vez. A iniciativa prevê ainda a adequação da unidade fabril de Piracicaba (SP).

O projeto prevê ainda a modernização das colheitadeiras da empresa, com a incorporação de novas arquiteturas eletrônicas, softwares mais intuitivos, sensores e sistemas de automação capazes de otimizar parâmetros de operação em tempo real. Segundo a CNH, as melhorias reduzem perdas na colheita, aumentam a eficiência no consumo de combustível e elevam o conforto e a segurança do operador. As inovações também deverão ampliar o potencial de exportação das máquinas produzidas no Brasil.

O financiamento apoiará também o desenvolvimento de um trator acessível para operadores com mobilidade reduzida. A máquina terá sistema de elevação integrado e comandos adaptados.

“Esse projeto contribui para uma economia de baixo carbono, aumenta a competitividade da agricultura brasileira e movimenta a cadeia de fornecedores, proporcionando a criação de mais de 500 empregos”, afirmou, em nota, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Paulo Máximo, diretor de Serviços Comerciais e Planejamento de Operações e líder de Inovação da CNH para a América Latina, disse que o financiamento será importante para a estratégia de inovação da companhia no Brasil. “É uma iniciativa que fortalece nossa região como polo relevante de desenvolvimento tecnológico e contribui para a competitividade do agronegócio”, afirmou, em nota.

A CNH deverá contratar 180 novos funcionários para a fase de implantação dos projetos, além de outros 180 após a conclusão. Indiretamente, a previsão é criar 540 postos de serviços durante a implantação e mais 540 quando o projeto for concluído.

Por ano, a CNH investe mais de US$ 900 milhões em pesquisa e desenvolvimento nas áreas de agronegócios e construção em todo o mundo. Em 2025, a empresa lançou mais de 30 produtos para os agricultores. Na lista estão, entre outros, o maior drone de aplicação disponível comercialmente hoje no país e as máquinas movidas a etanol, totalmente desenvolvidas no Brasil.

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