Diário do Comércio - MG 09/03/2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta sexta-feira (6) da cerimônia de inauguração da Escola Técnica Roberto Rocca, acompanhado do presidente do Grupo Techint, Paolo Rocca, e do CEO da Ternium, Máximo Vedoya. Construída pela siderúrgica Ternium em Santa Cruz, no Rio de Janeiro, a iniciativa privada e de cunho social do Grupo Techint oferece Ensino Médio Técnico exclusivamente para jovens da região, com formações em Eletromecânica e Mecatrônica. A unidade foi construída com um investimento privado de R$ 260 milhões.
Além do Presidente da República, participaram da agenda outras autoridades, como o Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, o Ministro da Educação, Camilo Santana, e a Ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. As obras da escola começaram em 2023 e atualmente a unidade já conta com 384 alunos em formação. Em 2027, com a plena capacidade atendida, serão 576 estudantes de Ensino Médio. Todos têm bolsas de estudo, reforçando o compromisso da companhia de integrar a comunidade com a indústria.
“Foi muito importante receber o presidente Lula na inauguração da nossa Escola Técnica Roberto Rocca em Santa Cruz, onde temos um centro industrial que emprega 8 mil pessoas e produz aço competitivo para o Brasil e para o mundo. Investimos na educação técnica porque acreditamos no papel central da indústria no desenvolvimento econômico e social do Brasil e de todos os países onde operamos”, afirmou o presidente do Grupo Techint, Paolo Rocca.
O presidente Lula falou sobre a importância dos investimentos privados em educação para o desenvolvimento do Brasil. “Eu quero que os empresários brasileiros aprendam uma lição. Essa escola não é para ensinar as pessoas só para trabalhar para eles, é para garantir o futuro da comunidade. Investir em educação é necessário, não é déficit. Você está investindo no futuro da sua empresa, dos seus profissionais e do país”, destacou em mensagem aos empresários.
A iniciativa da Ternium e do Grupo Techint permite a formação em áreas-chave da indústria para jovens dos bairros de Santa Cruz, Paciência, Sepetiba e Itaguaí, regiões entre as mais populosas e com o menor índice de desenvolvimento social do estado do Rio. A escola tem 9 mil metros quadrados de estrutura, 18 laboratórios, equipamentos de última geração e uma proposta pedagógica que integra teoria e prática.
A Ternium é uma das maiores produtoras de aços da América Latina e, junto ao Grupo Techint, já investiu mais de R$ 25 bilhões no Brasil.
Valor - SP 09/03/2026
Companhia vive uma das piores crises de sua história e colocou ativos à venda para reduzir dívida
As medidas do governo brasileiro contra fabricantes de aço da China podem dar um respiro à CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), que vive uma das piores crises financeiras de sua história. Criada ainda na Era Vargas, a empresa está sob pressão de investidores devido a altíssimas dívidas geradas a partir de projetos de expansão do grupo e da forte concorrência chinesa no mercado nacional.
Analistas de mercado apontam que a CSN já vai se beneficiar nos próximos meses das medidas anunciadas pelo governo federal em fevereiro contra siderúrgicas chinesas. Na ocasião, o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) impôs tarifas antidumping por cinco anos ao aço vendido por empresas da China.
No comércio exterior, dumping é quando uma empresa exporta produtos por preços abaixo do custo de produção, provocando competição desleal no mercado internacional. A prática é considerada ilegal por organismos internacionais, e desde 2024 vinha sendo atribuída a siderúrgicas chinesas por parte das companhias brasileiras.
O impacto do aço barato chinês no mercado nacional afetou praticamente todas as siderúrgicas brasileiras, que viram os produtos importados alcançarem 30% das vendas internas de aço e, consequentemente, diminuírem seus lucros. O efeito é ainda maior na CSN: como produz aços com maior valor agregado, vê o frete dos concorrentes ser menos significativo no preço final.
"Estamos vivendo um desafio de juros estratosféricos e competição de produtos importados de forma desorganizada e desnecessária que compromete muito o eventual crescimento e investimentos das empresas empreendedoras", afirmou o presidente e controlador da CSN, o bilionário Benjamin Steinbruch, a investidores um mês antes do governo federal impor as medidas antidumping.
Agora, com tarifas adicionais que variam de US$ 323 a US$ 670 por tonelada de aço chinês importado, a CSN deve voltar a ver suas receitas subirem no curto prazo. Procurada, a empresa não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre os efeitos das medidas.
"Essas medidas antidumping podem ajudar um pouco o setor como um todo, ainda que tenha riscos de os volumes que vêm da China hoje serem substituídos por outras regiões, como Coreia do Sul", afirma Daniel Sasson, analista de commodities do Itaú BBA. Os sul-coreanos são o segundo maior exportador de aços planos para o Brasil, justamente o produto comercializado pela CSN.
Até o terceiro trimestre de 2025, a CSN tinha uma dívida líquida de R$ 37,5 bilhões, 3,14 vezes o Ebitda da empresa, uma métrica que calcula os lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Em comparação, Usiminas e a Gerdau, concorrentes brasileiras da CSN, têm alavancagens de 0,16 e 0,81, respectivamente.
Pesa ainda o fato de que cerca de 75% da dívida da CSN precisa ser paga até 2028. Dados mais recentes serão divulgados na próxima quarta-feira (11), quando a empresa apresentará o balanço do quarto trimestre de 2025 e o consolidado anual.
Para diminuir a dívida, a CSN anunciou em janeiro que pretende ainda neste ano se desfazer de ativos importantes do grupo, como a produção de cimento e parte de suas operações em infraestrutura, como portos e ferrovias no Sudeste. De acordo com Steinbruch, a CSN está em busca de parceiros até mesmo para a produção de aço, o setor-mãe da companhia.
A crise financeira da CSN fez o bilionário voltar atrás nos planos de crescimento do grupo. Nos últimos cinco anos, a empresa gastou ao menos R$ 9,7 bilhões com aquisições de empresas de energia, logística e cimentos, operações que analistas veem como uma das causas do alto endividamento da companhia.
Agora, o bilionário procura interessados em comprar toda sua operação de cimentos e parte da logística para arrecadar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões. As vendas, segundo a CSN, permitiriam à companhia reduzir sua dívida para R$ 19,5 bilhões, 1,95 vez maior que seu Ebitda. A métrica agradaria as principais agências de rating do mundo -nas últimas semanas, Moody's e Fitch rebaixaram as notas da companhia.
Steinbruch também quer encontrar parceiros para a siderurgia, que na visão de uma pessoa a par do assunto precisa de ao menos US$ 1 bilhão para se modernizar. No final do ano passado, a CSN fechou um acordo com o BNDES para investir R$ 1,13 bi na modernização da planta em Volta Redonda (RJ), a mais importante da companhia.
Mas a missão para diminuir as dívidas não deve ser fácil. Apesar de ter ativos importantes de infraestrutura, analistas avaliam que a CSN terá dificuldades em vender uma carteira tão heterogênea para um mesmo comprador, como é desejo do grupo - ainda mais de forma minoritária.
"Talvez não seja tão trivial você achar algum investidor que queira ser seu parceiro e ter exposição a esse grupo de ativos tão diferentes. Já a venda do negócio de cimento, por ser um negócio só, parece mais simples", afirma Sasson. Nas contas do Itaú BBA, a venda total dos ativos de cimento poderia gerar R$ 10 bilhões ao grupo.
Além disso, uma outra pessoa que acompanha o setor de aço há décadas diz ser improvável que alguma empresa opte por ser parceira minoritária de Steinbruch, que ganhou fama de brigão nos últimos anos com sucessivas disputas empresariais. Ele carrega no currículo desavenças com Vale, Ternium, Gerdau e as japonesas Nippon Steel e Sumitomo.
Hoje, mais da metade do lucro da CSN vem da mineração. Artur Bontempo, analista de minério de ferro e aço na Wood Mackenzie, lembra que para se manter firme no setor, a CSN precisará nos próximos anos modernizar sua planta de processamento de minério. A empresa também pretende investir R$ 13 bilhões em um projeto de expansão, o que tende a pressionar ainda mais as contas do grupo.
"A CSN primeiro precisa cuidar dessa expansão para depois cuidar da operação antiga e ver o que eles vão fazer para continuidade da operação", afirma Bontempo. A empresa é a sétima maior exportadora de minério de ferro do mundo e a segunda maior produtora do Brasil, atrás da Vale.
O Estado de S.Paulo - SP 09/03/2026
A atenção de toda a sociedade está focada na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do BC, entre os dias 17 e 18 deste mês, que pode decidir, finalmente, o início do processo de flexibilização da política monetária. Apesar da escalada dos conflitos no Oriente Médio e seus efeitos no preço do petróleo, a perspectiva de afrouxamento se mantém.
A expectativa generalizada é pelo início de um ciclo gradual e seguro de cortes na taxa básica de juros, hoje em 15%. O debate agora é sobre qual será a velocidade da queda. Há espaço para uma redução continuada. O IPCA-15 de fevereiro registrou uma queda na inflação dos últimos 12 meses, que foi de 4,10%, abaixo dos 4,50% do mesmo período anterior.
Esse movimento vai significar o primeiro passo na direção de um retorno organizado às condições normais da economia desde setembro de 2024, quando o atual ciclo de alta de juros teve início em razão das pressões inflacionárias na época.
Agora, será possível inverter a curva de forma serena e pacificada. A atuação do Banco Central foi determinante na tarefa de trazer o índice de preços para dentro da banda de tolerância da meta.
As projeções apuradas pelo Boletim Focus demonstram a confiança de que, neste e nos próximos três anos, a inflação deverá ficar abaixo de 4%, podendo convergir para a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
As expectativas de inflação e juros têm sido revisadas para baixo, e esse processo não deverá sofrer mudança em razão dos conflitos do Oriente Médio. Os líderes dos EUA e de Israel já sinalizaram que a operação militar tem começo, meio e fim, e os efeitos do juro restritivo se acumulam e se espalham no tempo.
Isso é positivo para os mercados como para os setores produtivos e o crédito público e privado. A economia do Brasil poderá exercer sua vocação de crescimento. Mesmo enfrentando juros em alta nos últimos 20 meses, vem provando a sua resiliência ao obter recordes em ocupação, renda e lucratividade.
Poucos países no mundo têm o potencial de reagir rapidamente aos estímulos econômicos como o Brasil. Pela sua diversidade, espírito empreendedor, amplas cadeias produtivas e atualização tecnológica, a nossa economia tem elasticidade para ampliar a atração de novos investimentos produtivos e oportunidades de negócio.
Ajustar a política monetária de forma gradual e tempestiva, sem abrir mão de manter a vigilância sobre os preços, irá referendar o trabalho realizado pelo BC até aqui. É realista imaginar, a partir daí, um cenário de otimismo crescente na economia.
IstoÉ Dinheiro - SP 09/03/2026
A presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de Boston, Susan Collins, afirmou nesta sexta-feira, 6, que não vê urgência para alterar a política monetária e defendeu uma abordagem paciente enquanto autoridades avaliam a trajetória da inflação nos Estados Unidos. Segundo ela, o Fed precisa observar sinais mais claros de desaceleração dos preços antes de considerar mudanças nos juros.
“Não vejo urgência para ajustes adicionais de política” e estarei “buscando evidências claras de que a inflação está se movendo de forma duradoura para a meta de 2%”, disse Collins em discurso preparado.
A dirigente avaliou que a política monetária está atualmente bem posicionada e que as taxas devem permanecer em níveis moderadamente restritivos por algum tempo, enquanto o Fed acompanha os dados econômicos.
Sobre o mercado de trabalho, Collins afirmou que a taxa de desemprego, em 4,4% em fevereiro, segue baixa em termos históricos e permaneceu relativamente estável nos últimos meses.
Ela acrescentou que o enfraquecimento observado no mercado de trabalho em 2025 ocorreu em meio à desaceleração das contratações, mas destacou que o quadro geral ainda parece equilibrado.
Para 2026, a dirigente disse esperar crescimento econômico sólido, apoiado por condições financeiras favoráveis, cortes de impostos e investimentos empresariais, incluindo gastos ligados à inteligência artificial. Ainda assim, ela avalia que o ritmo de criação de empregos pode continuar moderado, embora exista a possibilidade de alguma aceleração após o recente período de baixa contratação.
No campo da inflação, Collins ressaltou que as perspectivas permanecem incertas e com riscos de alta. Segundo ela, tarifas comerciais recentes já pressionaram os preços de bens e novos aumentos nas tarifas poderiam gerar pressões inflacionárias adicionais.
Apesar desses riscos, a dirigente disse esperar que a inflação diminua gradualmente ao longo do tempo. Em seu cenário-base, o processo de desinflação deve retomar ainda este ano, embora a demanda possa continuar exercendo alguma pressão sobre os preços e retardar o retorno à meta de 2%.
Perspectivas econômicas incertas
A presidente do Federal Reserve afirmou nesta sexta-feira que as perspectivas econômicas dos Estados Unidos seguem cercadas por incertezas, agravadas por fatores geopolíticos recentes, como as hostilidades no Oriente Médio. Segundo a dirigente, o crescimento econômico em 2025 foi mais forte do que muitos analistas esperavam, mesmo diante de fatores adversos como mudanças nas políticas tarifárias, restrições à imigração e um prolongado shutdown do governo.
Ainda assim, Collins destacou que diferentes setores da economia têm experimentado condições distintas, com algumas famílias de renda mais baixa enfrentando pressões financeiras.
Apesar da expansão da atividade, o mercado de trabalho apresentou sinais de moderação ao longo do último ano. Collins afirmou que a criação de empregos ficou bem abaixo do ritmo observado em anos recentes, mesmo sem a economia estar em recessão.
A dirigente ressaltou que parte desse movimento pode refletir tanto a incerteza econômica quanto ganhos de produtividade em empresas. Segundo ela, avanços tecnológicos – incluindo a adoção de inteligência artificial (IA), automação e melhorias em processos produtivos – têm contribuído para tornar as operações mais eficientes.
Na avaliação de Collins, a produtividade do trabalho tem crescido em ritmo mais forte desde a pandemia de covid-19 em comparação ao período anterior, refletindo mudanças tecnológicas e organizacionais em diversas empresas. Ela acrescentou que ainda é cedo para avaliar plenamente como essas transformações afetarão a demanda por mão de obra no futuro.
O Estado de S.Paulo - SP 09/03/2026
Estados Unidos e Israel desencadearam um ataque generalizado ao Irã, com o objetivo explícito de derrubar o regime teocrático dos aiatolás. No início da manhã de domingo, a TV oficial do regime informou que o líder supremo aiatolá Ali Khamenei, assim como vários oficiais importantes das Forças Armadas do país, foi morto no ataque.
O Irã retaliou utilizando uma onda de drones e mísseis balísticos contra vários países do Oriente Médio (Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, entre outros) considerados pelo Irã como apoiadores dos Estados Unidos e Israel.
Com o assassinato do líder, o regime dos aiatolás ficou acéfalo, o que, se persistir, deverá gerar perda de controle da Guarda Revolucionária Islâmica, aumento da violência e a extensão da guerra para toda a região.
Um triunvirato provisório, composto pelo presidente do país, pelo chefe do Judiciário e por um membro do Conselho dos Guardiões, foi formado para escolher um novo líder.
O efeito para a economia mundial está relacionado ao preço do petróleo. Além do risco de a guerra se estender por toda a região e desorganizar a produção e transporte do petróleo, o Irã produz 4% do petróleo mundial e controla o Estreito de Ormuz, por onde passa de 20% a 30% do petróleo mundial.
Caso a guerra se prolongue e o Estreito de Ormuz permaneça fechado por um longo período de tempo, ou se a infraestrutura para a produção do petróleo for comprometida, os preços do petróleo podem atingir níveis acima de US$ 100 o barril, com forte efeito inflacionário global.
Como o Brasil é um grande produtor e exportador de petróleo, os efeitos sobre a balança comercial e sobre as receitas tributárias deverão ser positivos.
Porém, o aumento do preço do petróleo terá efeito negativo para o comportamento da taxa de inflação. As primeiras reações dos investidores em busca de segurança fez com que os fluxos de recursos financeiros voltassem a se direcionar para os Estados Unidos, gerando forte volatilidade e desvalorização do real frente ao dólar.
Um prolongamento da guerra pode inverter a tendência de valorização do real frente ao dólar de forma mais consistente, revertendo a tendência de queda da taxa de inflação nos próximos meses, o que poderia reduzir a velocidade da redução da taxa de juros e aumentar o nível da Selic no final do atual ciclo de queda da taxa de juros no Brasil.
CNN Brasil - SP 09/03/2026
Ao definir a meta de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) entre 4,5% e 5% para 2026, a mais baixa desde os anos 1990, o governo da China reconheceu desafios como o consumo interno moderado, o investimento desaquecido e a debilidade do setor imobiliário.
Se o resultado ficar abaixo de 5%, será o desempenho anual mais fraco em mais de três décadas, sem contar o período da pandemia de covid-19.
A economia chinesa avançou 5% em 2025, apoiada por um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão, a despeito da guerra tarifária deflagrada pelos Estados Unidos.
O alvo menos ambicioso deste ano também abre espaço para que Pequim administre tensões externas, como o conflito no Oriente Médio e os embates com o presidente americano, Donald Trump.
O 15º Plano Quinquenal (2026-2030), lançado nesta quinta-feira, 5, mantém a aposta na manufatura de ponta e na autossuficiência tecnológica.
Mas, apesar da liderança chinesa em setores como veículos elétricos, inteligência artificial e robótica, o mercado interno sofre com deflação, excesso de oferta, lucros pressionados, estagnação salarial e desemprego juvenil próximo das máximas históricas.
Para reacender a demanda interna, Pequim lançou instrumentos de financiamento que somam 800 bilhões de yuans. O pacote inclui 250 bilhões de yuans em bônus especiais para o programa de troca de eletrodomésticos e veículos e 100 bilhões de yuans em linhas de crédito para famílias e empresas.
Ao mirar crescimento entre 4,5% e 5%, a liderança chinesa se aproxima do piso de 4,17% necessário para atingir a renda per capita de um país desenvolvido até 2035, meta política central da China.
O Estado de S.Paulo - SP 09/03/2026
Para o economista e escritor Eduardo Giannetti, o saldo da economia do terceiro governo Lula é “muito positivo”. Entre os fatores que dão base para essa avaliação, ele destaca o bom desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) dos últimos anos, a queda do desemprego para a mínima histórica, o resultado da inflação dentro do intervalo do sistema de metas e a melhora do quadro social.
“Não é pouco. Nós temos um rol de coisas que não são só mérito do governo, são da sociedade brasileira, mas que aconteceram durante esse governo”, afirma.
Por outro lado, Giannetti demonstra preocupação com o fato de que a redução da pobreza tem ocorrido mais em razão das transferências de renda do que por meio de mudanças estruturais e aponta para a fragilidade das contas públicas.
“Nós não estamos à beira de um precipício fiscal. Nós estamos caminhando para ele. Claramente, o País está vivendo uma perda de horizonte de solvência em relação à dívida pública”, diz.
“Vai se abrir uma janela curta de oportunidade para endereçar a questão fiscal no início do mandato do próximo governo, seja qual for. É muito importante para o País utilizar essa janela com credibilidade e coragem”, acrescenta.
A seguir, trechos da entrevista concedida ao Estadão.
Estamos no último ano do terceiro mandato do presidente Lula. Qual o saldo que o sr. faz até agora desse governo na condução da economia?
Olhando friamente os números, o saldo é muito positivo. O Brasil cresceu acima de 3% durante quatro anos. Mesmo com um aperto brutal da política monetária, o País ainda cresceu 2,3% no ano passado. Em qualquer país normal, uma puxada de juros, como a que foi feita no Brasil, levaria a economia para depressão, um desemprego altíssimo. Não foi o caso no Brasil. O desemprego está no mínimo da série histórica, a inflação voltou a convergir para o intervalo definido pelo sistema de metas. O Brasil saiu do mapa da fome, os índices de pobreza também estão no mínimo histórico, nós subimos cinco posições no IDH, o Brasil reduziu o desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Não é pouco. Nós temos um rol de coisas que não são só mérito do governo, são da sociedade brasileira, mas que aconteceram durante esse governo.
E o que preocupa?
Primeiro, a questão da pobreza. Outro dia eu vi um dado que achei muito interessante. A pobreza brasileira, de fato, está na mínima histórica, mas ela é muito mascarada pelas transferências governamentais, pelos programas de assistência que transferem renda intermediada pelo Estado para grupos vulneráveis. Isso é prática civilizada de uma sociedade organizada. Famílias vulneráveis, em situação de privação material, recebem algum tipo de auxílio da sociedade produtiva organizada. Só que chegou a uma escala muito além do que seria normal no Brasil. Nós somos aproximadamente 215 milhões de habitantes; mais da metade — 112 milhões, 113 milhões de brasileiros — recebe mensalmente dinheiro do Estado. Estou incluindo aqui os funcionários públicos. Se você tirar as transferências, a pobreza no Brasil está alta. Não houve uma melhora estrutural permanente, conquistada à base de geração de renda no mercado. O ideal é que o país tivesse reduzido a pobreza, mesmo descontando a assistência, os auxílios, o Bolsa Família. Isso tem de ser alertado. E tem a questão fiscal, com a qual o Brasil tem um encontro marcado.
Qual o tamanho desse encontro?
Nós não estamos à beira de um precipício fiscal. Nós estamos caminhando para ele. Claramente, o País está vivendo uma perda de horizonte de solvência em relação à dívida pública. Não vai acontecer nada relevante no ano eleitoral. Pode ter certeza disso. Vai se abrir uma janela curta de oportunidade para endereçar a questão fiscal no início do mandato do próximo governo, seja qual for. É muito importante para o País utilizar essa janela com credibilidade e coragem.
Qual é a magnitude do ajuste que o Brasil precisa?
Hoje, o Brasil tem um déficit primário de 0,5% do PIB. Só que, como gasta com juro 7% do PIB, isso dá um déficit nominal de 7% do PIB, 7,5% do PIB. É um dos maiores do mundo. Nós temos de fazer uma virada de um déficit primário de 0,5% do PIB para um superávit de 2% do PIB. O delta é 2,5% do PIB. Não é uma coisa do outro mundo, não é uma coisa heroica ter um superávit primário de 2% do PIB. Vamos lembrar que o Lula, quando assumiu em 2003, elevou o superávit primário para 4,2% do PIB. É o dobro do que eu estou falando. E veja que resultado extraordinário ele colheu. Foi a aceitação desse sacrifício no início do mandato que abriu espaço para que o governo Lula, depois, fizesse as políticas sociais. Tem de haver uma percepção muito clara de que o início do mandato é o momento em que você, com firmeza, conquista a credibilidade de que o endividamento público tende a uma estabilidade e, lá na frente, passa, eventualmente, a cair. Agora, tudo isso acompanhado de uma queda sustentada da taxa de juros.
O juro já deveria ter caído?
Eu acredito que está atrasado. Eu teria começado mais cedo e teria sido mais ousado. Mas o Banco Central não errou no sinal. Ele, na minha opinião, errou na dosagem.
Qual é o caminho desse ajuste?
Tem alguns itens que elencaria como fundamentais. Primeiro, desvincular pensões e benefícios sociais do salário mínimo. Essa indexação não pode continuar porque leva a um crescimento descontrolado do gasto. E não se justifica economicamente. Aumento de salário mínimo tem a ver com produtividade no trabalho. Quem está recebendo benefício social e quem está aposentado não está inserido nesse contexto. Tem de desvincular.
Segundo, nós vamos ter de rever os pisos legais de gasto da União e dos Estados com saúde e educação. Eles engessam demais o gasto público no Brasil. O número de crianças entrando na escola está caindo fortemente por uma questão demográfica — o número médio de filhos por mulher está diminuindo. Ter um piso de gasto de educação não faz sentido. O gasto per capita por aluno vai aumentar e já está aumentando fortemente. É pertinente fazer essa revisão. O mito de que gastar mais com educação, automaticamente, se traduz em qualidade e resultado educacional cai por terra de maneira conclusiva quando você observa os municípios da Baixada Fluminense, que receberam royalties do petróleo e tiveram um aporte enorme de recursos, mas tudo isso não se traduziu em melhoria da educação. A melhoria da educação tem de ser obtida com incentivos e com um sistema de monitoramento da qualidade e de exigência de resultados educacionais.
E a terceira coisa é a Previdência. Nós vamos ter de passar por mais uma rodada, porque o Brasil ainda é um país demograficamente jovem, mas com um gasto em Previdência de país demograficamente maduro. São essas três pernas para começar. Tem muita coisa de fraude também em gasto público, que eu acho que tem de ser revisto e fazer um Orçamento base zero, começar a olhar item por item. Outra coisa são os gastos tributários, eu colocaria como um quarto elemento. Tem tabus no Brasil que, em algum momento, vamos ter de discutir.
Quais são esses tabus, por exemplo?
Um deles é a Zona Franca de Manaus. É o emprego mais caro do mundo, é uma exorbitância, e é uma situação irreal. Economicamente falando, não tem sustentação, não tem raízes. E não é uma maneira, na minha avaliação, correta e bem desenhada de ajudar a região Norte para valer, inclusive na preservação do meio ambiente.
Esse ajuste que tem de ocorrer no próximo governo pode ser faseado ou precisa ser imediato?
Eu tenho claríssimo que o endereçamento da questão fiscal não é uma coisa que o novo governo vai estudar como fazer no momento que assumir. Ele tem de entrar sabendo o que vai fazer e fazer de uma vez só. Aproveitar o momento político favorável, o capital político forte do início do mandato, para fazer o ajuste. Não faseado. Fazer integral. É o momento em que o Executivo tem a iniciativa para fazer o que importa. O primeiro ano de mandato equivale à metade ou mais do mandato. O resto do mandato é administrar as iniciativas que tomou ou assumiu. Não pode perder essa chance, seja qual for o governo.
Eu não tenho nenhuma ilusão de que esse assunto vai ser profundamente debatido na campanha. Ninguém vai querer fazer uma campanha em cima de não correção dos benefícios sociais e das aposentadorias pelo salário mínimo. E é natural. Mas o governo que entrar tem de saber no dia 1 como produzir um superávit primário de 2% do PIB. Têm de ser coisas críveis. Não podem ser promessas, do tipo vamos coibir as fraudes, fazer uma reforma administrativa lá para frente. Isso não cola. É preciso virar o jogo das expectativas, especialmente no mercado financeiro.
E como o sr. avalia a viabilidade de toda essa agenda? Em entrevistas passadas, o sr. já havia dito que o País teria um ganho se o Lula e Bolsonaro não fossem candidatos e, hoje, caminhamos para esse cenário, só que com Flávio Bolsonaro como o candidato da oposição.
Eu teria preferido um quadro sucessório de página virada da polarização que vem dominando a política brasileira. Tudo indica que não será o caso. No entanto, acredito que tanto no campo lulista como no campo bolsonarista existem lideranças que compreendem corretamente a necessidade desse endereçamento da questão fiscal. Elas não são, em cada um dos casos, a totalidade, mas existem. E eu acredito que muito vai depender da capacidade dessas lideranças de persuadir o presidente eleito de que o mandato inteiro dependerá de uma iniciativa corajosa e difícil a ser tomada bem no início da gestão. Se eu puder participar dessa campanha, meu único desejo seria fortalecer esses grupos dentro de cada um dos lados que trabalham para que o governo responda corretamente ao desafio que está colocado na frente fiscal.
O sr. tem sido consultado por alguns dos lados?
Eu esgotei a minha participação fazendo três campanhas ao lado da Marina Silva. Eu acho que já sofri o suficiente, já apanhei o suficiente. Aliás, diga-se de passagem, eu defendi publicamente, com o respaldo da nossa equipe econômica, na campanha de 2018, o desatrelamento dos benefícios sociais e das aposentadorias do salário mínimo. Era parte do nosso programa. Mas, hoje, dentro do governo do Lula, já há lideranças muito relevantes que estão perfeitamente alinhadas com essa necessidade. Eu ousaria dizer que o Fernando Haddad, o Geraldo Alckmin e a Simone Tebet têm uma clara percepção de que o início do mandato é um momento para se agir e para fazer essa virada no jogo das expectativas.
Mas essas vozes são ouvidas tanto do lado lulista como dentro do bolsonarismo? O governo Bolsonaro, por exemplo, furou o teto de gastos várias vezes e adotou medidas fiscais agressivas numa tentativa de ser reeleito, e a atual equipe econômica enfrentou duros debates com a ala política do governo Lula.
Eu acho que são dois casos diferentes. No caso do Bolsonaro, teve a covid e a ameaça de impeachment. E a (campanha) reeleição. E ele realmente desautorizou por completo o caminho que parecia estar se esboçando no início do mandato, antes da covid. E, como você disse, prevaleceram o populismo e a irresponsabilidade fiscal, o que deixou um legado muito complicado para o governo Lula, que venceu a eleição.
E o governo Lula cometeu um equívoco, que foi um expansionismo fiscal muito forte no primeiro ano do mandato. Depois, se você for olhar os números, não foi extravagante. Ele até conteve. Está certo que criou muitas exceções, o arcabouço fiscal ficou meio desacreditado, está meio cambaleante, mas houve uma contenção depois daquele impulso fiscal muito forte do primeiro ano. Realmente, ali eu acho que eles cometeram um equívoco. Mas, veja, preservou a independência do Banco Central e fez uma reforma tributária cujos frutos virão, eventualmente, até na redução da informalidade, que ainda é um problema grave na economia brasileira, e na melhoria do ambiente de negócios. Tem essa bem-vinda e correta medida do Imposto de Renda. Eu acho que é correto isentar quem ganha até R$ 5 mil.
Por que os bons indicadores econômicos do governo Lula não se traduzem em elevada popularidade?
Primeiro, eu acho que há uma má vontade generalizada com o incumbente. Há um descrédito da política institucionalizada. É geral. Não sei se, para um brasileiro comum, fica claro que um problema como o do Banco Master não é uma responsabilidade do Executivo, mas da política e do Judiciário, em grande medida. Eu tenho impressão que as coisas ficam muito misturadas, muito confusas. E o outro aspecto é que não é só economia. Tem a questão que vai ser muito proeminente na campanha que é da segurança, do crime organizado e do medo. As pessoas estão com medo de sair na rua. Compreensivelmente. De novo, tem uma dissociação, porque, se olhar o número estatístico, a violência está caindo no Brasil. Mas não é a percepção geral. Em economia, isso é muito comum: a percepção domina o fato. O fato da percepção é um fato, às vezes, maior do que o próprio fato.
O sr. disse que, se o Brasil endereçar essa questão fiscal, pode se beneficiar de um novo movimento geopolítico. Poderia detalhar essa visão?
Nós estamos vivendo um momento de profunda mudança na ordem econômica internacional. Eu chamo esse momento de fim da hiperglobalização. Houve um longo ciclo de hiperglobalização, que teve início em meados da década de 1980, começou a se enfraquecer com a crise financeira de 2008, sofreu um baque com a covid e sofreu, provavelmente, a sua degola final com o voluntarismo destrambelhado protecionista do governo Trump.
O que é a hiperglobalização?
É uma situação em que a lógica fria do cálculo econômico domina tudo mais: onde é mais barato produzir e onde rentabilidade é maior? Você busca retorno, eficiência e competitividade. Essa lógica levou a China a se tornar responsável por um terço da produção industrial do mundo em poucas décadas e a incorporar centenas de milhões de trabalhadores asiáticos ao mercado global de trabalho, com abalos profundos nas sociedades dos outros países e na classe trabalhadora, que sofreu um brutal deslocamento e terremoto ao passar a ter de competir com centenas de milhões de trabalhadores asiáticos, altamente disciplinados, produtivos e dispostos a trabalhar por uma fração do que recebem seus pares no resto do mundo. Essa lógica econômica fria, acima de qualquer outra consideração, não volta tão cedo.
E o Brasil nesse cenário?
O Brasil, não por coincidência, perdeu o pé em termos de crescimento e expansão da atividade econômica justamente nessa fase do auge da hiperglobalização. Nós não acompanhamos esse processo. A Coreia do Sul acompanhou, assim como a China, a Índia e os países emergentes mais dinâmicos. Continuamos sendo uma das economias mais fechadas do planeta. Com o fim da hiperglobalização, isso abre uma enorme oportunidade de repensar e reconfigurar a inserção do Brasil na economia mundial, considerando as nossas tremendas vantagens naturais e geopolíticas diante desse mundo conturbado, em que todos buscam segurança, diversificação de fornecedores nas cadeias produtivas, acesso a recursos naturais e minérios. Se o Brasil estiver organizado, ele pode se reposicionar para uma inserção muito mais dinâmica nos fluxos globais de capital. Os ventos do mundo são favoráveis ao Brasil.
Se o Brasil entrar nesse novo momento da economia mundial orientado para uma maior exportabilidade do PIB, eu acho que nós podemos recuperar o dinamismo e o aumento da produtividade que perdemos durante muito tempo. Uma das razões pelas quais a produtividade não aumenta no Brasil é o fato de a nossa economia ser muito fechada. Não tem pressão para ser produtivo. Agora, o governo Lula cometeu um erro — que está reconsiderando e revendo — ao aumentar as tarifas de importação de bens de capital, de informática e de comunicações.
O acordo entre União Europeia e Mercosul vai nessa direção correta?
É parte desse quadro. E também acordos de comércio com a Índia, com o Canadá, com as potências médias, além do comércio Sul-Sul. A África é um enorme potencial. A demanda por alimentos das classes médias emergentes da Ásia é extraordinária, e o Brasil está posicionado como nenhum outro país no mundo para atendê-la.
E como tem sido a resposta da diplomacia brasileira ao governo Trump, seja no tarifaço ou na questão envolvendo a Venezuela, por exemplo?
O Brasil se saiu muito bem como um país que soube lidar com essa situação de uma maneira sóbria, firme e, no final das contas, vitoriosa. Na política externa, o Brasil tem de manter essa independência pragmática. O conflito entre as potências do mundo nos faculta poder negociar melhor os nossos interesses econômicos, explorando justamente as tensões. Há um interesse europeu em áreas de mineração no Brasil, há um interesse chinês, há um interesse americano. Nós podemos negociar. Vamos saber usar isso a nosso favor. E vamos agregar valor aqui dentro. Eu acho que uma das maneiras de negociar bem isso é não ficar produzindo bens primários para serem processados fora. Vamos usar nossa energia renovável aqui, vamos usar os nossos minerais críticos aqui, com acordos de longo prazo de tecnologia e de investimento para poder obter o capital que nos falta e o conhecimento que nos falta.
O atual governo Trump tem sido muito mais agressivo do que o primeiro. Como avalia esse primeiro ano do segundo mandato dele e o que pode servir de limite para esse governo?
O Trump é um bully de Ensino Médio. Ele acha que vai intimidar e vai poder negociar com alguém humilhado. É um desastre. Ele bagunçou as regras do jogo, causou um dano de reputação e de confiabilidade do mundo em relação aos Estados Unidos que vai demorar muito tempo para se recuperar. Quando eu vejo a figura do Trump, sempre penso na ideia do neolítico moral. O fato de que a humanidade avançou extraordinariamente, mas continua, no terreno dos valores e da ética, na idade da pedra lascada, que é a guerra, que é o bullying, que é a agressão, a intimidação.
Olhando para a humanidade, há uma dissociação com consequências trágicas para o mundo, entre a nossa destreza e proficiência em relação aos meios e a nossa precariedade regressiva em relação aos fins. No século XXI, estamos assistindo à terceira guerra internacional. Houve a invasão da Ucrânia, o Hamas produzindo uma resposta desproporcional e, agora, sem falar na intervenção cirúrgica na Venezuela, uma guerra de grandes proporções num país que tem espinha dorsal, que é o Irã. Não é uma Venezuela. Não é uma casca vazia. Ali tem fundamentalismo, tem gente que acredita. Isso não vai ser simples de resolver. É realmente espantoso, no século XXI, enquanto a gente discute inteligência artificial, engenharia genética, medicina regenerativa e energia nuclear, o território dos valores e da moral continuar preso aos atavismos do psiquismo arcaico, que é o neolítico moral.
O Estado de S.Paulo - SP 09/03/2026
Nesta semana, o IBGE mostrou que o crescimento do Brasil em 2025 foi de 2,3%, depois de três anos crescendo na casa de 3%. A previsão para 2026 é de alta de 1,8%. São taxas de crescimento abaixo das nossas necessidades para que possamos sair da situação de um país de renda média e caminhar rumo à redução da profunda desigualdade socioeconômica que vivemos.
Além de ser um crescimento baixo, ele veio do consumo das famílias, da expansão do crédito, das exportações agrícolas e de estímulos fiscais, sem impulso do investimento produtivo.
Um problema central é que o Brasil investe muito pouco para um país emergente. A nossa taxa média de investimento gira em torno de 17% do PIB. Para que possamos crescer de forma consistente, entre 3% e 4%, teríamos de investir de 22% a 25% do PIB. A título de comparação, a média mundial de investimentos é próxima de 21%. A China investe 42%, e a Índia, 33%.
O artigo Para entender por que países crescem, observe suas empresas, publicado nesta semana na The Economist, afirma que, para compreender como os países crescem, é preciso olhar menos para os governos e mais para as empresas que produzem dentro deles. Essa visão pode ajudar a entender o caso brasileiro.
A questão não é apenas quanto se investe, mas onde e como se investe. Os países que cresceram de forma consistente combinaram alguns elementos básicos: investimento elevado, ambiente competitivo, educação de qualidade, integração internacional e instituições que favorecem a expansão das empresas mais produtivas.
O Brasil avançou em algumas dessas dimensões, como na recente reforma tributária, mas ainda enfrenta desafios importantes. No entanto, há um “elefante na sala”: num país com nossa fragilidade fiscal, o investimento privado fica caro e incerto, porque o risco país sobe, a curva de juros se eleva, o crédito encurta e a confiança cai.
A questão é como elevar o investimento sem esperar que a situação fiscal se torne equivalente à da Suíça. Isso exigiria a adoção de um caminho realista que combine três elementos.
Primeiro, credibilidade fiscal: uma regra fiscal com metas e bandas, executada de forma coerente ao longo do ano.
Segundo, mudança na composição do ajuste: trocar gastos ruins por gastos que aumentem o PIB potencial, racionalizar gastos tributários e enfrentar a rigidez orçamentária.
Terceiro, destravar a produtividade empresarial: crescimento vem de um ecossistema que permite que boas empresas cresçam.
O Brasil não precisa escolher entre fiscal e crescimento, mas escolher entre um ajuste que destrói investimento e um que compra produtividade. O verdadeiro teste será criar um ambiente em que empresas inovadoras, eficientes e capazes de competir globalmente possam surgir e ganhar escala dentro da economia brasileira.
Diário do Comércio - MG 09/03/2026
A produção industrial no Brasil registrou alta acima do esperado em janeiro, iniciando 2026 com o crescimento mais forte em cerca de um ano e meio depois de ter apresentado fraqueza ao longo do ano passado, embora o resultado ainda não seja visto como uma mudança de trajetória.
Em janeiro, a indústria teve alta de 1,8% sobre o mês anterior, resultado que ficou bem acima da expectativa em pesquisa da Reuters de ganho de 0,7% e marcou o maior avanço desde junho de 2024 (+4,4%).
Os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda que, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve aumento de 0,2% na produção industrial, interrompendo três meses seguidos de queda, contra expectativa de retração de 0,7%.
“O cenário para nós não muda: o saldo negativo permanece, temos excedentes de estoques, seguem os efeitos negativos da política monetária”, disse André Macedo, gerente da pesquisa no IBGE. “O crescimento de 1,8% não pode ser considerado de forma isolada. Basta olhar para meses anteriores e se vê que não é uma mudança de trajetória da indústria.”
Segundo ele, o resultado de janeiro pode ser parcialmente explicado pelo comportamento do setor em dezembro, quando a produção teve queda de 1,9%, a mais forte desde março de 2021, devido a férias coletivas.
“Com a retomada das atividades produtivas no início do ano, ocorre uma recuperação de parte dessa perda”, disse ele.
A indústria está 15,3% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.
De acordo com os dados do Produto Interno Bruto divulgados nesta semana, a indústria teve crescimento de 1,4% em 2025, enfraquecendo depois de ter avançado 3,1% em 2024, em um ano marcado principalmente pela política monetária restritiva.
Com a taxa básica de juros Selic em 15%, a expectativa para 2026 é de cortes, começando na reunião de 17 e 18 de março, o que pode ajudar o setor industrial em meio a uma inflação mais baixa e a um mercado de trabalho forte. No entanto, a guerra no Oriente Médio agora afeta as perspectivas.
“Mesmo com o provável início do ciclo de cortes da Selic em março, os juros ainda permanecerão em patamar restritivo, pesando sobre a indústria. Apesar do bom desempenho em janeiro, a perspectiva para os próximos meses é de desaceleração, puxada principalmente pela indústria de transformação”, disse Heliezer Jacob, economista do C6 Bank.
Em janeiro, 19 das 25 atividades industriais pesquisadas tiveram resultados positivos na comparação com dezembro, um espalhamento que, segundo o IBGE, não era visto desde junho de 2024, quando 23 das atividades avançaram.
As principais influências positivas foram dadas pelos setores de produtos químicos (6,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (6,3%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,0%).
Entre os produtos químicos, os que mais impulsionaram o resultado foram adubos e fertilizantes, herbicidas e fungicidas, todos ligados ao setor agrícola, que tradicionalmente ganha impulso no início do ano.
Entre os resultados negativos, destacam-se máquinas e equipamentos (-6,7%), influenciadas por bens de capital para fins industriais e também para fins agrícolas. “Lembrando que o comportamento negativo do setor guarda relação com o movimento de aumento de taxas de juros”, explicou Macedo.
Em relação às categorias econômicas, todas apresentaram altas em janeiro na comparação com o mês anterior — bens de consumo duráveis (6,3%), bens de capital (2,0%), bens intermediários (1,7%) e bens de consumo semi e não duráveis (1,2%).
O Estado de S.Paulo - SP 09/03/2026
A China anunciou que buscará crescer entre 4,5% e 5% em 2026, uma redução de até meio ponto porcentual em relação à meta de crescimento de cerca de 5% que perseguiu entre 2023 e 2025.
Ao estabelecer a meta de expansão do PIB mais baixa desde o início dos anos 1990, Pequim reconhece que navega num “cenário grave e complexo, no qual choques e desafios externos se entrelaçam com dificuldades internas e escolhas políticas difíceis”.
Uma China que cresce menos é um alerta para parceiros comerciais como o Brasil e tantos outros, que nos últimos anos tornaram-se extremamente dependentes das exportações para o gigante asiático. Mas do ponto de vista chinês um rearranjo econômico interno faz todo o sentido.
Para além do caos comercial instalado por Donald Trump desde que retornou à Casa Branca, Pequim está ciente de que sua grande batalha é interna. Mais do que crescer de forma acelerada exportando toda sorte de produtos para o mundo, modelo que permitiu à China a transição de um modelo de quase subsistência para o posto de segunda maior economia do mundo, Pequim sabe que precisa estimular seu mercado doméstico. O desafio agora é crescer menos quantitativamente e mais qualitativamente.
Para isso, o governo de Xi Jinping aposta em medidas de estímulo ao consumo interno, como um programa de financiamento de troca de bens usados por novos, orçado em cerca de US$ 36 bilhões. Se funcionará, é outra questão. Nos últimos anos, o governo vem adotando medidas graduais para tentar convencer os chineses a gastarem mais, sem ter tido muito sucesso. Para especialistas, as políticas de estímulo ao consumo seguem sendo tímidas.
Por não contarem com uma rede de proteção social significativa, os chineses são tradicionalmente cautelosos em relação ao consumo, tendência reforçada pela recente pandemia de covid-19. Traumatizados pelo severo lockdown imposto pelo governo e por uma crise no mercado imobiliário que se arrasta há anos, os chineses resistem a gastar.
Embora a meta oficial de inflação para este ano seja de 2%, instituições financeiras como o ING estimam que o índice de preços ao consumidor encerrará 2026 bem abaixo disso, em 0,9%. A China, contudo, tem metas para atingir até 2035, e a que realmente lhe importa é dobrar o PIB per capita do país. De acordo com dados do Banco Mundial, o PIB per capita chinês equivalia a US$ 13.300 em 2024, enquanto o do Brasil era de US$ 10.310.
Pequim aposta fortemente em setores como inteligência artificial, robótica e biomedicina, nos quais já vem se destacando, e se comprometeu a aumentar em 10% o orçamento anual para ciência e tecnologia.
A burocracia chinesa almeja a vanguarda global em segmentos tecnológicos de alto valor, o que garantiria a prosperidade da população e, sobretudo, a manutenção do regime de governo.
Obviamente, o alto grau de incerteza econômica e geopolítica atuais desafia a estratégia chinesa. Mas convém não duvidar de um país que, poucas décadas atrás, tinha um PIB inferior ao do Brasil e hoje já rivaliza com os EUA.
Investing - SP 09/03/2026
Os preços do minério de ferro subiram nesta sexta-feira, depois que a China ampliou suas restrições de compra de algumas cargas marítimas da BHP, gerando preocupações com a oferta que superaram a queda da demanda.
O contrato de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China encerrou as negociações do dia com alta de 1,38%, a 772 iuanes (US$111,90) a tonelada. Na semana, o contrato registrou ganho de 2,54%.
O minério de ferro de referência para abril na Bolsa de Cingapura avançou 1,53%, para US$101,55 a tonelada. O contrato subiu 3,24% até o momento na semana.
Ambas as referências do minério atingiram máximas de um mês no início das negociações nesta sexta-feira.
O comprador estatal de minério de ferro da China disse a vários traders esta semana para comprarem menos cargas marítimas dos principais produtos da BHP, incluindo finos Mac e finos Newman, disseram à Reuters pessoas com conhecimento do assunto, à medida que uma disputa contratual de meses se arrasta.
A China já havia impedido as siderúrgicas nacionais e traders de comprarem os finos Jimblebar da BHP desde setembro e estendeu a proibição a outra marca da BHP, os finos Jinbao, em novembro.
As restrições mais recentes alimentaram temores sobre a disponibilidade de algumas cargas marítimas, disseram traders, já que a BHP é a terceira maior produtora de minério de ferro do mundo e importante fornecedora para o mercado global.
No entanto, os ganhos foram limitados pela demanda vacilante por minério em meio a restrições de produção persistentes em usinas siderúrgicas no norte da China.
A produção média diária de ferro-gusa, um indicador da demanda de minério de ferro, caiu 2,4%, atingindo o nível mais baixo desde dezembro, a 2,28 milhões de toneladas em 5 de março, segundo dados da consultoria Mysteel.
Além disso, a China reiterou sua promessa de combater o excesso de capacidade de aço e em outros setores, de acordo com um relatório divulgado durante a reunião parlamentar anual, uma medida que poderia reduzir o apetite por matérias-primas.
Money Times - SP 09/03/2026
A direção da Anfavea, entidade que representa as montadoras, monitora e acompanha com preocupação a escalada dos conflitos no Oriente Médio, mas ainda não tem uma avaliação sobre o impacto potencial nos custos e no abastecimento de peças nas fábricas.
“A resposta mais simples é: sim, pode nos afetar, não só pelo preço do petróleo e pela disparada do dólar — influenciando as importações de componentes —, mas também pelos custos logísticos de partes e peças de que precisamos”, comentou o presidente da Anfavea, Igor Calvet, durante a apresentação dos resultados do setor em fevereiro.
Além do impacto nos custos dos materiais e do frete, há preocupação no setor produtivo com atrasos no fornecimento de peças em decorrência de obstruções em rotas de transporte marítimo que dependem, por exemplo, do Estreito de Ormuz e do Canal de Suez.
“Temos conversado com algumas montadoras, mas essa mensuração do impacto ainda não é muito clara. Pode nos afetar, mas não sei quando nem quanto”, declarou Calvet.
Ele acrescentou que não chegaram à Anfavea relatos de interrupção no fornecimento. “Estamos fazendo o monitoramento, mas ainda não temos ideia de quando isso pode acontecer e muito menos do impacto geral no nosso setor, sobretudo em caminhões”, finalizou o executivo.
Preço de veículos usados desacelera para alta de 0,55% em fevereiro, aponta IBV Auto
Os preços de automóveis leves usados desaceleraram em fevereiro no País. O IBV Auto, produzido pelo banco BV, registrou alta de 0,55% no segundo mês de 2026, após expansão de 0,90% em janeiro, quando havia alcançado a maior variação para o mês em seis anos.
No entanto, no acumulado em 12 meses encerrados em fevereiro, o índice avançou 6,60%, o nível mais elevado nessa métrica desde março de 2023, conforme relatório antecipado ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
Segundo o economista-chefe do BV, Roberto Padovani, o indicador mostra uma alta persistente, sugerindo força, resiliência e um possível reaquecimento econômico.
Apesar de a inflação de automóveis em fevereiro ter sido mais branda na comparação com o mês anterior, a taxa acumulada em 12 meses corrobora a avaliação de um cenário em franca expansão, afirma.
“Mais do que apenas pela alta da inflação do automóvel usado, chama a atenção o ritmo de aceleração, já que o registrado até dezembro foi de 5,31%”, diz Padovani.
Ele alerta que, se outros indicadores de atividade no Brasil confirmarem um quadro de reaquecimento econômico, será necessária atenção por parte do Banco Central.
Essa vigilância ocorreria num momento em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC está prestes a iniciar o processo de queda da taxa Selic. A expectativa no mercado é de que o ciclo de baixa da taxa, atualmente em 15,00% ao ano, comece neste mês.
De acordo com o Índice BV Auto, o veículo que mais contribuiu para a alta dos preços em fevereiro foi o Chevrolet Onix, com variação de 2,06%. Na contramão, o modelo que registrou a queda mais significativa foi a Hilux SW4, com recuo de 3,30%.
Fora da sazonalidade
Os dados do IBV Auto no primeiro bimestre contrariam a sazonalidade, mesmo em um momento de juros elevados, quando, tradicionalmente, as vendas de veículos usados são mais moderadas no período em relação aos demais meses do ano.
Outro ponto destacado pelo banco é que, em uma conjuntura em que os preços dos automóveis zero-quilômetro estão pressionados, é esperado que parte dos compradores migre para o mercado de usados, em um movimento que contribui para o fortalecimento dessa dinâmica.
“A maior alta de preços para fevereiro desde 2022, somada ao avanço em janeiro, reforça o aquecimento do mercado de veículos usados neste início de ano”, afirma a nota.
Regiões
Por região, o Centro-Oeste foi o que apresentou a maior inflação de veículos usados entre janeiro e fevereiro, de 0,77%. A alta foi influenciada principalmente pelos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Houve avanço generalizado do IBV Auto em fevereiro ante janeiro de 2026 nos Estados brasileiros, com destaque para a alta de 1,19% registrada no Amazonas, enquanto a menor variação foi apurada em Rondônia, com elevação de 0,06%.
Em 12 meses encerrados em fevereiro deste ano, as três maiores variações foram registradas em Rondônia (7,67%), Amazonas (7,63%) e Tocantins (7,49%). A menor, por sua vez, foi observada no Espírito Santo, de 4,46% (0,21% na margem).
Automotive Business - SP 09/03/2026
O arrefecimento do mercado de veículos da Argentina impactou diretamente as exportações a partir do Brasil. No primeiro bimestre de 2026, a queda nos embarques foi de 28%, retração levemente aliviada pelas vendas para o México.
Os números foram revelados pela Anfavea, entidade que reúne as fabricantes. Nesses primeiros dois meses de 2026, as exportações de veículos somaram 59,4 mil unidades, contra 82,4 mil do janeiro-fevereiro de 2025.
Argentina acende alerta para exportações de veículos
A diminuição nos embarques para a Argentina puxou os números negativos. Foram 14,4 mil unidades enviadas para o país vizinho em fevereiro, 7,5% a menos que em janeiro.
Ainda que com uma base forte em 2025 o mercado interno argentino fechou quase o dobro do que se imaginava -, a Anfavea diz estar atenta ao comportamento do principal parceiro comercial do país.
A Argentina continua com incertezas. Ainda não se consegue ter uma visão do todo, mas já chama a atenção, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea, em coletiva para divulgação do balanço do bimestre nesta sexta-feira, 6.
México é para valer ou alta pontual?
Em contrapartida, as exportações de veículos para o México tiveram forte alta. Em fevereiro, foram 9,1 mil unidades embarcadas para lá, 318% a mais que as poucas 2,2 mil unidades enviadas em janeiro.
Outros números positivos nas exportações se deram nas vendas para o Chile, que somaram 2,2 mil (+34%) e para o Uruguai, com 1,6 mil (+50%). Já as exportações de veículos para a Colômbia, com 2,1 mil unidades, tiveram leve recuo de 3,7%.
Apesar da reação das vendas para o México, a Anfavea vê com cautela tais números, que podem ser exportações pontuais. E apesar de os embarques para o país terem arrefecido de certa forma os números da Argentina, o presidente da entidade não enxerga esta compensação ao longo do ano.
Não vamos conseguir compensar o México com a Argentina, pois são condições diferentes. Com a Argentina temos uma integração produtiva que faz com que essa relação seja mais robusta, pondera Igor Calvet.
Mesmo assim, a Anfavea espera que as exportações se estabilizem ao longo de 2026.
Tivemos um grande número para a Argentina no ano passado. Estamos em um bom nível e com uma base mais alta. A gente espera número mais estável das exportações ao longo do ano, afirmou o executivo.
Importações também recuam
Um ponto de inflexão é o comportamento das importações. As exportações de veículos da Argentina para o Brasil, por exemplo, também caíram. Foram 11,6 mil unidades em fevereiro, queda de 13,6% ante janeiro.
O que chama a atenção é que tanto exportação quanto importação caíram. O fluxo comercial com a Argentina no primeiro bimestre não foi legal, ressaltou Igor.
Por falar em importações, a chegada de veículos de outros países teve recuo nos números do bimestre. Foram, 71,8 mil veículos trazidos de fora, 4,5% a menos que nos dois meses iniciais de 2025.
A importação de carros chineses em fevereiro somou 15 mil unidades, 11% a menos que em janeiro. O que pode ser explicado pelo início da produção local de algumas marcas da China, mas também pelo volume de estoque.
Segundo a própria Anfavea, o estoque de veículos importados em fevereiro é de mais de 172 mil unidades e 182 dias, contra 26 dias dos produtos nacionais.
Auto Industria - SP 09/03/2026
O nível das atividades da produção de caminhões ainda se mostram atípicos em função da baixa demanda do mercado. Em fevereiro, o ritmo no chão das fábricas foi mais animado em relação a janeiro com um crescimento de 14,5%, de 6.811 para 7.797 produzidas, no entanto, 35% inferior ao mesmo mês do ano passado.
A Anfavea avalia que há o componente da sazonalidade de início de ano, tradicionalmente mais fraco. “O segmento ainda nos preocupa, mas o resultado de fevereiro indica melhoras, além disso há a perspectiva de recuperação com o impulso do Move Brasil”, resumiu Igor Calvet, presidente da Anfavea, durante apresentação do balanço do setor automotivo, na sexta-feira,6.
Diário do Comércio - MG 09/03/2026
A produção de veículos teve queda de 8,2% no mês passado, frente a fevereiro de 2025, somando 204,3 mil unidades, entre carros de passeio, utilitários leves, caminhões e ônibus. Na comparação com janeiro, houve alta de 24,9% na produção das montadoras, conforme balanço divulgado nesta sexta-feira (6) pela Anfavea, entidade que representa o setor.
No primeiro bimestre, foram montados 368 mil veículos no País, 8,9% a menos do que entre janeiro e fevereiro de 2025.
Vendas
As vendas de fevereiro, de 185,2 mil veículos, ficaram praticamente no mesmo nível do número apurado no segundo mês de 2025 (185 mil), com crescimento mínimo de 0,1%. No mês passado, o calendário teve menos dias de venda em razão do feriado do Carnaval, que em 2025 aconteceu em março.
Segundo a Anfavea, o mercado interno vem mostrando comportamento resiliente, registrando em fevereiro a segunda melhor média para o mês dos últimos dez anos: 10,3 mil veículos vendidos por dia.
Na margem – ou seja, na comparação com janeiro -, as vendas subiram 8,6%. Com isso, os emplacamentos nos dois primeiros meses do ano ficaram praticamente estagnados – queda 0,1% no comparativo interanual -, somando 355,7 mil unidades.
Exportações
As exportações, de 33,5 mil veículos em fevereiro, caíram 34% ante o mesmo mês de 2025. A Anfavea expressa preocupação com a retração expressiva nas exportações para a Argentina, principal destino dos carros brasileiros no exterior.
Apesar disso, na comparação com janeiro, os embarques subiram 29,6%. O primeiro bimestre teve 59,4 mil veículos exportados, 28% a menos do que em igual período de 2025.
Emprego
O balanço da Anfavea mostra ainda que 407 vagas de trabalho foram abertas nas fábricas de veículos em fevereiro. As montadoras empregam agora 110,8 mil pessoas.
IstoÉ Dinheiro - SP 09/03/2026
A alta mais branda no custo da mão de obra e dos materiais desacelerou a inflação da construção no Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de fevereiro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV).
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) passou de um avanço de 0,72% em janeiro para uma elevação de 0,28% em fevereiro.
Segundo André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), a desaceleração na mão de obra reflete “o fim do período mais intenso de acordos coletivos, o que abriu espaço para uma variação menos pronunciada dos custos desse componente”.
O índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços saiu de uma alta de 0,36% em janeiro para uma elevação de 0,26% em fevereiro. O custo dos Materiais e Equipamentos passou de um aumento de 0,35% em janeiro para elevação de 0,26% em fevereiro, enquanto os Serviços saíram de alta de 0,49% para elevação de 0,27%.
Já o índice que representa o custo da Mão de Obra saiu de uma elevação de 1,22% em janeiro para uma alta de 0,30% em fevereiro.
O Estado de S.Paulo - SP 09/03/2026
Enquanto a classe média enfrenta desafios na hora de comprar um imóvel, o alto padrão vive seu apogeu. O mercado de luxo e de superluxo em São Paulo movimentou mais de R$ 28 bilhões em 2025 e o número de apartamentos lançados saltou quase 60%. Esse crescimento é impulsionado por um público menos sensível aos juros altos e por estratégias de atração das incorporadoras.
Dos mais de 146 mil apartamentos vendidos na cidade, 4.090 pertencem ao segmento de luxo e superluxo, de acordo com um levantamento realizado pela consultoria Brain Inteligência Estratégica. O número representa um avanço de 21,5% em relação a 2024, quando 3.365 unidades desses segmentos foram vendidas.
Apesar do número representar apenas 2,8% do total de unidades vendidas, o dinheiro movimentado pelo alto padrão representa 32,7% do Valor Geral de Vendas (VGV) de todos os apartamentos negociados na cidade. Isso porque o ticket médio de um imóvel de luxo está avaliado atualmente em R$ 2,7 milhões, ao passo que no superluxo o valor médio é R$ 9,7 milhões.
“Ao contrário da classe média, prejudicada pelos juros altos, a classe alta se beneficia. Esse público tem bastante capital investido e o aumento da taxa Selic elevou seus rendimentos”, explica Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain Inteligência Estratégica. “Em 2025, vimos muitos compradores utilizarem a rentabilidade das aplicações em renda fixa para pagar as parcelas do imóvel”.
O executivo também destaca o direcionamento das incorporadoras para este perfil de comprador. “O preço do metro quadrado no mercado em geral aumenta levemente acima da inflação, porém é possível subir mais o preço no alto padrão, o que incentiva as empresas a produzirem mais projetos neste segmento”, afirma. “É um setor que só perde para o Minha Casa, Minha Vida”, diz.
Fruto desse ambiente, nasceu o Casa Arbo, empreendimento desenvolvido pela Meta Incorporadora no Jardim Guedala, bairro do Morumbi. Com arquitetura assinada pelo escritório Perkins & Will, o empreendimento tem unidades com plantas de 400 m² a 655 m². Os apartamentos custam de R$ 8 milhões a R$ 15,7 milhões.
O projeto comporta apenas 10 apartamentos em um terreno de 1,4 mil metros quadrados e tem o metro quadrado negociado por R$ 20 mil a R$ 24 mil. “Esse equilíbrio entre metragem ampla e número reduzido de unidades garante exclusividade e privacidade reais”, afirma Alexandre Souza Lima, CEO da Meta Incorporadora.
Mercado de lançamentos
No rastro da alta nas vendas, em 2025 São Paulo observou um aumento de 59,9% no número de unidades lançadas. Foram 4.964 novos apartamentos de alto padrão anunciados na cidade, em comparação a 3.104 em 2024, de acordo com dados da Brain.
Esses lançamentos devem movimentar mais de R$ 30 bilhões na capital paulista e representar 34,1% do valor dos lançamentos realizados na cidade em todos os segmentos de renda.
No topo da pirâmide financeira de São Paulo, os apartamentos têm arquitetura assinada, estão em condomínios com quadra de tênis e podem custar mais de R$ 15 milhões. Um dos exemplos é o Enora Residence, projeto de alto padrão fruto de parceria entre as incorporadoras Barbara e Lucio na região dos Jardins com assinatura do arquiteto Jader Almeida.
Localizado na esquina da Alameda Itu, em um terreno de 3.275 m², o empreendimento tem 52 unidades residenciais, com plantas de 314 m² a 400 m² e coberturas entre 612 m² e 787 m². O preço médio do metro quadrado no empreendimento está sendo negociado a R$ 40 mil. Ou seja, os maiores apartamentos podem custar mais de R$ 30 milhões.
“Com a perspectiva de queda nos juros, os compradores entendem que pode existir uma valorização deste tipo de imóvel. Junto a isso, você vê muitos lançamentos com bastante inovação, trazendo novos nomes, conceitos e diferenciais que os prédios antigos não têm, o que atrai o público”, analisa Ely Wertheim, presidente-executivo do Secovi-SP.
No entanto, ele ressalta que proporcionalmente esse crescimento não muda o ponteiro do mercado imobiliário paulistano. “Subir de 2% para 3% não representa o mercado completo. A vocação da cidade continua sendo a produção de imóveis para o Minha Casa, Minha Vida e a classe média”, afirma o executivo.
O luxo e o superluxo
O estudo realizado pela Brain define os imóveis de luxo como aqueles avaliados entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões. Já o superluxo engloba imóveis acima de R$ 4 milhões.
“Em São Paulo, o mercado de superluxo é vasto, mas em outras capitais ele ainda é restrito. Em Curitiba, por exemplo, o superluxo representa apenas cerca de 2% do mercado. Em Recife, apenas 1%”, diz Araújo.
O executivo comenta que, devido à magnitude do mercado paulistano, já é possível traçar uma nova faixa em imóveis acima de R$ 8 milhões, entendido como o topo da pirâmide imobiliária.
É neste patamar que se apresenta o Arbórea Vista Jardim Europa, empreendimento lançado pela Benx Incorporadora na Avenida Nove de Julho.
Os apartamentos de 490 m² a 937 m² partem de R$ 20 milhões e podem custar até R$ 60 milhões. De acordo com Larissa Farrapo Tannus, diretora de incorporação da Benx, uma das marcas mais significativas desse mercado é a exclusividade.
“São prédios com no máximo 20 ou 30 apartamentos, quase sempre com uma unidade por andar, o que garante que poucas famílias compartilhem as áreas comuns”, diz.
Entre as áreas comuns do Arbórea estão uma piscina com raia de 25 metros, academia de ginástica, spa com sauna, adega climatizada e uma quadra de tênis. Tannus destaca, também, as vagas mais espaçosas para caber carros maiores, o uso de materiais nobres como pedras naturais e madeira maciça nos acabamentos e a exposição de obras de arte em espaços compartilhados.
No entanto, um dos maiores diferenciais do segmento, segundo a executiva, é a personalização. “Os apartamentos geralmente são entregues sem nada porque os clientes preferem contratar seus próprios arquitetos para personalizar revestimentos, louças e metais”, comenta.
A própria venda também costuma seguir um caminho diferente do tradicional. Em vez de estandes de vendas ou grandes campanhas publicitárias, os apartamentos mais caros costumam ser negociados por meio de relacionamento.
“São clientes que têm acesso antecipado por serem amigos ou conhecidos de executivos da diretoria e presidência, ou via corretores de imóveis especializados”, afirma Tannus. “Esse comprador não quer essa exposição. Ele vem ao nosso escritório acompanhado do corretor e faz uma reunião a portas fechadas com nossa diretoria. Às vezes, com o próprio CEO”, ilustra a executiva.
Segundo Araújo, da Brain, os compradores muito ricos são vistos também como investidores e, em alguns casos, funcionam como fonte antecipada de capital para as incorporadoras.
“Não é que alguém passou na frente do estande e pensou ‘vou comprar esse imóvel de oito milhões’. A grande maioria compra porque o incorporador bateu na porta dele e ofereceu condições especiais”, afirma. “Ele compra por acreditar no potencial de valorização a longo prazo, especialmente com esse desconto”.
Localização, localização, localização
À medida que itens como piscina aquecida, academias e grandes metragens se tornam commodities no mercado de alto padrão paulistano, a localização passa a ser o principal diferencial. Em meio à disputa por terrenos em bairros nobres, o CEP é o principal ativo imobiliário das incorporadoras.
De acordo com o levantamento da Brain, o metro quadrado mais caro da cidade de São Paulo está no bairro Vila Nova Conceição. O preço médio do metro quadrado no bairro custa cerca de R$ 46.620.
“É um bairro que tem público cativo. As pessoas gostam da proximidade com o Ibirapuera e por ser um bairro verde e tranquilo, vizinho ao Itaim”, diz Tamara Stief, sócia fundadora da imobiliária Tamaras.
“A joia da coroa do bairro é a praça Pereira Coutinho. Torres de alto padrão, construídas ao longo das décadas, consolidaram o bairro como um refúgio de alta classe”, complementa a corretora especializada no mercado de luxo.
Só em 2025, o preço do imóvel novo na Vila Nova Conceição valorizou 16,6%. É a maior valorização de São Paulo no período. “Não é para todo mundo. É para quem quer, sabe que está pagando caro, mas está confortável com isso”, diz.
Na sequência, aparece Pinheiros, distrito paulistano que registrou o maior número de lançamentos de apartamentos de luxo e superluxo em 2025.
“O crescimento de Pinheiros é resultado de uma transformação natural da cidade. O bairro reúne mobilidade, oferta cultural consistente, gastronomia relevante, serviços qualificados e proximidade com importantes polos corporativos, o que o torna extremamente estratégico”, diz Rodolfo Del Valle, sócio da Toca55, incorporadora que atua na região.
Para Stief, o trunfo de Pinheiros é justamente a localização. “Fica perto de tudo”, afirma. No entanto, ela alerta que esse movimento está descaracterizando o bairro.
“Com as alterações no Plano Diretor, as incorporadoras sempre conseguem o que querem, independentemente do que a população deseja. Com isso, Pinheiros passou a ter um potencial de construção muito maior, o que viabiliza grandes empreendimentos.”
“Esses grandes prédios são inovações na concepção do bairro e acabam gerando um processo de deslocamento da população”, critica a corretora. “A vinda dos novos edifícios é objetivamente ruim? Não. Porém, é necessário cuidado para que essa ocupação não seja excessiva e expulse os moradores mais antigos. Infelizmente, é o que normalmente acontece”, afirma Stief.
Exame - SP 09/03/2026
É difícil caminhar pelas ruas de São Paulo sem notar a quantidade de prédios sendo construídos, tendência desde as regiões periféricas até os grandes centros financeiros. Um movimento parecido acontece em boa parte das capitais brasileiras, apesar da desaceleração do setor no último ano.
No terceiro trimestre de 2025, a construção civil chegava a 1,7% de alta acumulada em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados coletados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Em 2024, o setor fechou com um crescimento de 4,3% e um Produto Interno Bruto acima de R$ 359 bilhões, acima das previsões da associação. O bom desempenho, de acordo com economistas, se explica pelo aumento do dinamismo na economia nacional, nas movimentações no mercado de trabalho e, principalmente, pela retomada das obras no programa Minha Casa, Minha Vida.
No Brasil, esse ritmo ainda acompanha um diferencial em relação ao cenário mundial: o menor impacto ambiental. Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras (ABRAINC), explica que a construção civil no país corresponde a 5,3% das emissões nacionais, enquanto nos demais países o índice chega a 40%, segundo estudo realizado com a consultoria Deep ESG. “Essa vantagem competitiva é sustentada por fatores estruturais, como uma matriz elétrica majoritariamente renovável e condições climáticas favoráveis que reduzem a necessidade de sistemas de calefação”, explica.
Os principais desafios estão, segundo o presidente, na integração de informações ao longo de toda a cadeia produtiva. Por exemplo, um prédio novo pode ser produzido com o concreto e o cimento com menor taxa de impacto ambiental do mercado, mas não considerar fatores como infraestrutura para energia solar, reuso de água pluvial e outras práticas não apenas benéficas para o meio ambiente, mas também para o bolso do cliente.
“O foco atual é converter essas vantagens estruturais em uma estratégia industrial de baixo carbono que envolva toda a cadeia de suprimentos”, conta.
A EXAME conversou com as construtoras MRV e Tegra para entender como as companhias equilibram o crescimento no setor, a pressão econômica e tributária e o atingimento de metas ESG.
Setor aquecido, emissões em baixa
O aquecimento do setor é percebido nas companhias, mas não vem refletindo na alta de emissões — pelo contrário. A Tegra lançou 36 novos empreendimentos e entregou 50 entre 2021 e 2025, mas conseguiu reduzir em cerca de 20% a sua intensidade de carbono, ou seja, emissões por metro quadrado construído. “Em 2020, a intensidade era de 197,31 kg de CO2e por m² de área construída. Já em 2024, último dado auditado, a intensidade caiu para 158,06 kg de CO2e por m², considerando 179.017,47 m² construídos no ano”, afirma a gerente de sustentabilidade da Tegra, Vitória Damasceno.
O diretor de operações do Green Building Council Brasil, organização especializada em certificar a sustentabilidade na construção civil, afirma que o setor pode crescer sem multiplicar o impacto na mesma proporção quando ele troca o volume por desempenho. “Basta projetar melhor, medir melhor e operar melhor os nossos edifícios”, conta.
França, da ABRAINC, aponta que os aspectos sociais também são levados em conta dentro do crescimento do ESG nas construtoras. “Com um déficit de 6 milhões de moradias, a expansão é uma necessidade social que, no Brasil, encontra um ambiente técnico e estrutural propício para ocorrer com baixa intensidade de carbono”, afirma.
A MRV, que viu um crescimento de 12,7% na produção de unidades habitacionais entre 2024 e 2025, conseguiu reduzir a intensidade de emissões por unidade produzida de 5,89 toneladas de CO2 em 2022 para 3,17 toneladas em 2024.
“Estamos finalizando as apurações dos dados de 2025, mas posso adiantar que tivemos uma redução absoluta de 21,78% de toneladas de CO2e se comparado ao ano anterior”, diz Raphael Lafetá, diretor-executivo de relações institucionais e sustentabilidade da MRV.
Trabalho na cadeia de valor
A grande parcela de emissões no setor de construção civil ainda reside no escopo 3, relacionado às emissões indiretas e fornecedores.
É aí que a MRV ataca: das 112,3 mil toneladas de CO2 equivalente emitidas em 2024, mais de 100 mil estão relacionadas à cadeia de valor. “Esses dados refletem o esforço da companhia em reduzir a pegada de carbono com produtos mais sustentáveis e buscar um maior engajamento dos fornecedores com o tema”, explica Raphael Lafetá, diretor-executivo de relações institucionais e sustentabilidade da MRV.
A companhia ainda conta com um grupo permanente de pesquisa focado no desenvolvimento de matérias-primas alternativas focadas na redução do impacto. “Trabalhamos com a avaliação de alternativas mais sustentáveis para o aço e o concreto, buscando constantemente inovações e produtos que reduzam o impacto ambiental das nossas operações”, explica.
Nelson Sarti, vice-presidente de meio ambiente e sustentabilidade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, contextualiza que "no Brasil, dados de referência mostram que a emissão média de carbono na construção de edificações gira em torno de 220 kg de CO2 equivalente por metro quadrado construído, um indicador que sustenta a necessidade de ação estruturada para reduzir emissões incorporadas”, afirma.
Não por acaso, um cenário similar à MRV acontece na Tegra: do total de 28 mil toneladas de CO2 equivalente emitidas em 2024 pela companhia, cerca de 70% são referentes às emissões de insumos como aço, cimento, concreto e argamassa, inseridas no Escopo 3.
“Por isso, a Tegra prioriza materiais de menor intensidade de carbono, como o aço e o concreto, além de fortalecer critérios socioambientais na seleção de fornecedores, exigindo certificações como FSC para madeira e a práticas de logística reversa e reaproveitamento de resíduos”, conta a gerente de sustentabilidade, Vitória Damasceno.
Gestão de resíduos
Cuidar de todo o lixo produzido durante a construção imobiliária — que por vezes levam de 3 a 8 anos para serem entregues — é um dos desafios do setor.
A Tegra atingiu em 2024 o marco de 88% de resíduos reciclados. “Esse resultado é fruto de um trabalho estruturado de controle, segregação e destinação adequada dos materiais, com monitoramento contínuo nos empreendimentos”, conta Damasceno.
A companhia ainda busca aumentar em 15% o uso de materiais de fontes renováveis durante a construção dos empreendimentos com base na economia circular até 2030. O processo, de acordo com a especialista, passa não só pela destinação correta dos resíduos, mas desde a escolha dos insumos e ao repensar os processos construtivos para reduzir impactos desde a origem do projeto.
Parcerias estratégias ajudam a companhia a acelerar o trabalho, conta Damasceno. “Realizamos projetos de logística reversa com companhias parceiras, como ArcelorMittal (reaproveitamento de aço), a System Clean (reciclagem de fios e cabos), a Portobello (retorno de embalagens e materiais cerâmicos) e a RioMix (reaproveitamento de sacarias de cimento)”, explica.
Em 2024, a MRV gerou 342 mil metros cúbicos de resíduos, destinando cerca de 15 mil metros cúbicos para operações de reutilização, doação ou venda dos materiais.
A companhia integra um programa que exige que os canteiros de obras adotem obrigatoriamente ao menos três práticas entre quatro opções para o uso eficiente de recursos, incluindo a redução do uso de materiais e da geração de resíduos sólidos, o reaproveitamento de materiais/resíduos, a logística reversa e reciclagem e o uso de materiais reciclados.
Foco no cliente — e na economia
Em meio a essa conta, a sustentabilidade também entra como um fator decisivo para o cliente. Ações como reuso de água, infraestrutura para energias limpas e de eficiência de recursos são escolhas da etapa de construção que reduzem o peso no bolso para quem se instala no imóvel.
Enzo Tessitore, da Green Building Council, afirma que a ideia de que a sustentabilidade encarece automaticamente o empreendimento já não se sustenta de forma generalizada.
“O que encarece não é a sustentabilidade em si, mas quando essas decisões são feitas de forma tardia. Quando essas estratégias são incluídas no início, isso permite que as equipes integrem arquitetura, engenharia e orçamento de uma forma mais inteligente”, explica.
Na Tegra, a companhia instalou projetos que economizam 22% no consumo de energia, além de 48% de economia de água nas áreas comuns e 29% nas unidades autônomas, em comparação a um empreendimento convencional. “Esses ganhos são viabilizados por soluções como sistemas de medição individualizada, dispositivos economizadores, iluminação LED, melhor desempenho da envoltória para conforto térmico, aproveitamento de ventilação e iluminação natural e infraestrutura preparada para tecnologias mais eficientes”, explica a gerente.
Diferentes perfis de projetos ainda podem incluir iniciativas como reaproveitamento de águas pluviais, sistemas de irrigação eficiente e preparação para energia solar nas áreas comuns.
A lógica, segundo a gerente da Tegra, é estruturar o edifício para que o morador tenha um custo operacional menor ao longo do tempo, com redução de consumo e maior eficiência no uso de recursos.
A MRV atua por meio de um marketplace para facilitar o acesso dos clientes à energia renovável. “Oferecemos descontos de até 25% na conta de luz para clientes em 13 estados brasileiros, fruto de parcerias estratégicas com empresas de geração distribuída”, conta Lafetá.
Além disso, em 2024, a companhia certificou 23 empreendimentos em critérios de economia de energia, orientação solar e elevadores eficientes. Só em 2024, as iniciativas de reaproveitamento nas obras da construtora permitiram a reutilização de 1.098,73 m³ de água.
Para a companhia, os atributos ambientais ainda ajudam a valorizar o imóvel no momento da compra, uma vez que a conscientização ambiental e a economia no dia a dia reforçam uma imagem positiva e sem aumentos proporcionais na hora da assinatura de aquisição do imóvel.
Redução de custos no longo prazo
Embora o consumidor se atente mais à critérios de sustentabilidade, o que define a assinatura de contratos de compra de imóveis segue critérios como preço, localização e opções de financiamento.
Para Nilson Sarti, da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, é natural que, no curto prazo, algumas práticas sustentáveis acarretem custo adicional — especialmente quando se trata de tecnologias e materiais ainda em fase de adoção inicial. O ciclo de vida é onde os valores são compensados.
“Quando avaliamos o consumo de energia e água, manutenção, saúde e bem-estar dos ocupantes, há ganhos tangíveis: redução de custos operacionais em médio e longo prazo; valorização patrimonial por desempenho ambiental superior e melhor acesso a financiamentos verdes e incentivos públicos”, afirma.
Para as companhias, a adição dos critérios e ESG não gera custos expressivos frente aos ganhos operacionais obtidos ao longo da vida útil do empreendimento, mas representam um diferencial competitivo, como explica Damasceno. “As certificações são um ponto positivo inclusive em linhas de financiamento com condições mais atrativas oferecidas por instituições financeiras parceiras”, explica.
Segundo a gerente, dessa forma, a sustentabilidade passa a integrar a lógica econômica do produto.
Investimentos e metas em sustentabilidade
A MRV trabalha para reduzir as suas emissões de escopo 1 e 2 em 28,8% e de escopo 3 em 27,5% até 2030. Só em 2024, a companhia já conseguiu reduzir em 25% das emissões do escopo 3 na comparação com 2023, enquanto utiliza de créditos de carbono para compensar as emissões próprias e relacionadas ao consumo energético desde 2015.
Na Tegra, a meta é de cortar 15% das emissões indiretas e compensar 110% das emissões residuais. No escopo 1 e 2, o objetivo é reduzir em 50%.
No fim, tudo depende do dinheiro. O quanto e como as companhias investem e priorizam a sustentabilidade impacta diretamente no atingimento das metas implementadas para os três escopos de emissões e na redução do impacto ambiental.
Para Enzo Tessitore, a falta de incentivos econômicos às empresas brasileiras que incorporam a sustentabilidade — em comparação com os instrumentos aplicados na Europa — pode acabar gerando ações mais pontuais e menos em um movimento de setor. Por isso, é menos raro encontrar soluções inovadoras por lá.
“Nos países onde as soluções de menor impacto escalam rápido, você tem uma combinação clara tanto de exigência de desempenho quanto de benefícios fiscais ou critérios de financiamento que vão ali premiar quem reduz o risco. E no Brasil isso ainda é mais pontual”, afirma.
Globo Online - RJ 09/03/2026
As construtoras Montserrat e Calçada vão construir empreendimento residencial com 131 “estúdios” com vista para o mar em plena Avenida Niemeyer, em São Conrado, Zona Sul do Rio. Com cerca de R$ 100 milhões de Valor Geral de Vendas (VGV), o projeto aposta na demanda de investidores por imóveis de apelo turístico, que podem gerar renda por meio da locação de curta temporada em plataformas como Airbnb.
Batizado de Costa Niemeyer, o empreendimento ficará em um terreno de 3 mil metros quadrados quase em frente ao Hotel Sheraton, na altura da Praia do Vidigal. Hoje, parte do terreno é ocupada por um hotel para pets. A obra vai durar 30 meses, e o preço médio por unidade é de R$ 760 mil.
Segundo as construtoras, as unidades terão plantas com espaços entre 32 e 63 metros quadrados, todas com vista frontal para o mar. As 131 unidades serão distribuídas em três prédios, cada um com três andares. O projeto prevê ainda “rooftop” com piscina de borda infinita e vista para as Ilhas Cagarras, sauna, bar e academia. Em um dos edifícios, onze estúdios terão acesso a piscina e deck molhado privativos.
Segundo João Paulo Matos, CEO da Calçada, o projeto é o primeiro em dois anos na Zona Sul entre a construtora e a Montserrat, após um projeto no Flamengo. Para atrair investidores interessados no potencial turístico, a estratégia das companhias é agregar serviços típicos de hotelaria, como bikes compartilhadas, lavanderia e locação de cadeiras de praia e guarda-sol. O empreendimento também vai manter estrutura permanente de transfer para praias e estações de metrô do Leblon.
O projeto de arquitetura será de Sergio Gattas, enquanto o design da fachada caberá à Feu Arquitetura. Os interiores serão da Manga Rosa Arquitetura.
Revista Ferroviaria - RJ 09/03/2026
Visando a manutenção do contrato de concessão da malha ferroviária no trecho sul em Santa Catarina, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) marcou para este mês de março duas consultas públicas para ouvir a sociedade civil sobre a Ferrovia Tereza Cristina.
De acordo com a entidade pública, a ferrovia que possui 163 km de trilhos pode ter o seu contrato firmado em 1997, prorrogado de maneira antecipada, antes do vencimento do tempo vigente no acordo atual.
Mas para tomar uma decisão a respeito, a população tem a oportunidade de presencialmente nos dias 11 em Criciúma (SC) e 13 de março, em Brasília, este também online, se expressar e expor sua opinião sobre o futuro da ferrovia.
Não apenas as manifestações pessoais, é esperada também a contribuição técnica de empresas, especialistas e gestores públicos para aprimorar o novo contrato e determinar onde e quanto será o investimento ao longo dos próximos anos.
A proposta de ampliar a duração do contrato prevê uma atualização das regras contratuais e novos mecanismos de governança, gestão de riscos e auditoria independente de desempenho. Entre alguns deles se destaca a atualização da matriz de riscos do contrato, solução de disputas e diretrizes sobre sustentabilidade e à resiliência climática, incluindo programas voltados à redução de emissões de gases de efeito estufa.
Quem não conseguir acompanhar presencialmente os encontros, pode participar através do canal no Youtube da ANTT.
Sobre a Ferrovia Tereza Cristina
A Ferrovia Tereza Cristina tem seu início em Imbituba na região do porto, cortando o trecho do estado até Forquilhinha e Siderópolis (área carbonífera), passando por cidades como Criciúma, Tubarão e região da Esplanada.
São 14 municípios cortados pelos trilhos permitindo o transporte eficiente da carga até os portos. No seu trajeto corta áreas urbanas e a consulta pública deve direcionar soluções para estes cruzamentos com avenidas garantindo uma convivência mais amigável entre os meios de transporte e as cidades.
Construída ainda no século XIX pelos Ingleses que obtiveram permissão do Império, desde o seu início em meados de 1880, atende a produção de carvão e o seu escoamento pára atender o mercado internacional.
O seu nome foi uma ação direta do Imperador Dom Pedro II que na época interveio para homenagear a sua esposa, a imperatriz dona Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias.
A Tribuna - SP 09/03/2026
A movimentação ferroviária alcançou 555,48 milhões de toneladas úteis (TU) no País em 2025, o que representa alta de 2,57% na comparação com 2024, das cargas escoadas pelos trilhos para abastecimento interno e comércio exterior.
“Pela terceira vez consecutiva, batemos o recorde de movimentação de cargas por ferrovias no Brasil, em um momento em que também registramos um volume de investimentos privados histórico no setor. Esses resultados mostram que o planejamento, a previsibilidade regulatória e o diálogo com o mercado estão produzindo efeitos concretos”, destacou o secretário Nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro.
Segundo ele, os esforços da pasta concentraram-se em aprimorar as cadeias de deslocamentos terrestres para que os insumos escoados pelo Brasil contem com estrutura adequada e sejam conduzidos por caminhos de menor custo e maior eficiência.
“Por exemplo, nos trajetos de longa distância, os grãos de Mato Grosso, principal produtor nacional, podem ser enviados ao Sudeste e aos portos da região por meio das ferrovias, o que reduz a circulação de caminhões nas estradas e a emissão de gases de efeito estufa (GEE)”, afirma o Ministério dos Transportes, em nota.
Levantamento da Infra S.A. sobre a movimentação por trilhos em 2025 mostra que o setor agrícola apresentou o melhor desempenho, com avanço de 4,62%, seguido por outras mercadorias, que cresceram 3,43%. O minério de ferro manteve protagonismo ao atingir 401,35 milhões de TU, com elevação de 2,72%.
“O crescimento do transporte pelas ferrovias reforça o papel estratégico do modal diante da expansão da atividade econômica, que não para de aumentar, e vai além de uma tendência”, Ribeiro.
O Estado de S.Paulo - SP 09/03/2026
Marcado por esqueletos de concreto abandonados por anos na Avenida Jornalista Roberto Marinho, zona sul de São Paulo, o monotrilho da Linha 17-Ouro se encontra na reta final para inauguração. A previsão é de começar a transportar passageiros de forma parcial (com maior intervalo entre trens e em horário restrito) no fim março.
A abertura do modal, que liga o Aeroporto de Congonhas à rede metrôferroviária, ocorre com 13 anos de atraso. A obra deveria ter ficado pronta em 2013.
O contrato foi assinado em 2011, na gestão do então governador Geraldo Alckmin (na época no PSDB). O projeto, porém, foi fatiado: a prioridade passou a ser um trecho menor, de oito paradas (ligando Congonhas apenas até a Avenida das Nações Unidas).
“O monotrilho é mais barato e mais rápido para ser feito. O trecho vai ser concluído em 2013”, disse Alckmin em 11 de agosto de 2023.
Procurada pelo Estadão, a equipe dele, hoje vice-presidente da República pelo PSB, diz que o prazo foi estipulado ouvindo o mercado e que a Lava Jato impactou o setor, atrasando a obra.
A gestão atual, de Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirma que retomou as obras em 2023, após interrupções no trabalho, e diz ter atingido 95% de conclusão.
Copa do Mundo
A Linha 17-Ouro era uma das promessas para a Copa do Mundo de 2014. Em 13 de janeiro de 2010, Prefeitura, Estado e governo federal assinaram um termo de compromisso para a execução de uma lista de melhorias essenciais para a capital sediar o evento.
Entre as iniciativas, constava a “construção do monotrilho (Linha Ouro)”. Tratava-se de um trem aéreo, construído sobre um elevado, com 18 estações.
A ideia era conectar o aeroporto de ao Estádio do Morumbi e também ao Terminal Rodoviário do Jabaquara. O objetivo: facilitar o trajeto de torcedores e turistas, já que os jogos seriam no Estádio Cícero Pompeu de Toledo.
Mas os planos mudaram. Seis meses depois, em junho de 2010, o Morumbi foi excluído da Copa. Os jogos da Fifa seriam na arena do Corinthians, então em construção. Apesar disso, o projeto da Linha 17 seguiu, assim como a promessa de entrega antes de 2014.
As obras começaram em 2012, com prazo de dois anos, a tempo da Copa. Sem os jogos no Morumbi, contudo, a linha saiu do foco.
As desapropriações e licenças ambientais demoraram. Houve disputas judiciais movidas por moradores contrários à linha aérea, que criaria um elevado na Roberto Marinho.
“Transportes de massa, como linhas de metrô ou monotrilho, correm risco de atraso porque exigem muita intervenção no tecido urbano — desapropriações, obras”, diz Claudio Barbieri, professor de Engenharia de Transporte na USP. “Isso não é exclusividade nossa”, destaca, afirmando que o mesmo ocorre nas outras grandes metrópoles pelo mundo.
Barbieri, no entanto, afirma que a Linha 17 foi “projetada de sopetão” quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa. “Se pensou num transporte público que pudesse ser construído rapidamente e que pudesse ligar um aeroporto — no caso, Congonhas — ao estádio que se imaginava que abrigaria os jogos."
No momento em que o Morumbi deixou de participar do evento, continua o engenheiro, a linha deixou de ser prioridade.
Depois da Copa, a Lava Jato
A Copa passou. O projeto perdeu o financiamento federal, válido apenas para entregas até o evento. E aí veio a Lava Jato.
As empreiteiras responsáveis pela construção (Andrade Gutierrez, CR Almeida e MPE) foram alvos da operação. Isso comprometeu a situação financeira das empresas, dificultando a obtenção de empréstimos, e os canteiros foram abandonados. Procurada, a Andrade Gutierrez não quis se manifestar. Já a CR Almeida e a MPE não responderam.
“A obra se arrastou ao longo do tempo, com grande sofrimento para quem mora na região. A Avenida Roberto Marinho teve faixas interditadas, trazendo congestionamento, por anos. O abandono causou degradação do entorno do canteiro. A população pagou custo muito elevado pelo atraso”, acrescenta Barbieri.
O Metrô de São Paulo anunciou a rescisão do contrato em 2016 e a obra ficou parada por anos.
Novas trocas e paralisações
Para o engenheiro e mestre em Transportes pela USP Sergio Ejzenberg, em princípio atrasos são compreensíveis pela complexidade dos projetos de mobilidade. “Se alguma empresa quebra, se algum fornecedor descontinua seu fornecimento e sai do mercado, como aconteceu com os trens da linha 17, isso atrasa a obra.”
Por exemplo: a empresa inicialmente contratada para fornecer os veículos, a Scomi, faliu. O problema depois disso? A estrutura das vigas foi projetada para os veículos da marca. Monotrilhos de outras empresas teriam tamanhos diferentes. A reportagem não conseguiu contato com a Scomi.
O empreendimento só foi retomado em 2020 e, ainda assim, passou por novas trocas de empresas e paralisações.
A chinesa BYD foi contratada para construir os trens. Para isso, teve de adaptar seu monotrilho de forma a caber nas vigas que já haviam sido construídas para a Scomi.
“Tivemos de criar uma linha de teste na China, com os moldes da Linha 17, para conseguirmos adaptar o nosso trem. Gastamos horas e horas de engenharia. Fizemos inúmeros testes”, diz Alexandre Barbosa, diretor técnico da BYD Skyrail, monotrilho da marca.
Barbosa explica que o trem da BYD é maior que o da Scomi, já a viga chinesa é mais estreita que a da empresa anterior. “Sem essa solução tecnológica, a Linha 17-Ouro seria uma catástrofe.”
Agora, a construção está na fase final. A previsão é de que o público possa usar o monotrilho a partir de março de 2026, ainda sob operação assistida, com horários reduzidos e intervalo maior entre trens.
A linha será inaugurada com oito estações: Washington Luís, Congonhas, Brooklin Paulista, Vereador José Diniz, Campo Belo, Vila Cordeiro, Chucri Zaidan e Morumbi.
Custo
Em 2010, o projeto de 18 estações era orçado em R$ 2,9 bilhões, que seriam divididos entre governos federal, estadual e municipal. A cifra representa R$ 7,1 bilhões, corrigidos pela inflação até dezembro de 2025.
O governo já gastou R$ 4,2 bilhões com a obra até outubro de 2025. A previsão é de que o custo total chegue a R$ 5,9 bilhões para a conclusão apenas do primeiro trecho da linha (com só oito estações).
Para construir só oito estações, o governo de São Paulo gastou 83% do valor orçado em 2010 para 18 paradas.
“O monotrilho que era para ser uma linha rápida, barata e bonita é uma tragédia econômica com custos estratosféricos”, resume Sergio Ejzenberg.
Segundo a gestão Tarcísio disse ao Estadão, orçamento atual considera custos de estruturas que atenderão a linha futuramente e despesas decorrentes dos contratos paralisados.
Resto do trajeto
O Metrô afirma que ainda há intenção de construir as outras dez paradas, completando o trecho até as estações São Paulo-Morumbi, da 4-Amarela, e Jabaquara, da 1-Azul.
Em 2026, há previsão de contratar o projeto técnico para quatro dessas unidades: Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista.
A expectativa é de começar a construção em 2029, com estimativa preliminar de entrega em 2031, informou ao Estadão o diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô, Roberto Torres Rodrigues.
Infomoney - SP 09/03/2026
A recente derrota chinesa na disputa pelo controle de terminais no Canal do Panamá – caso que ainda terá novos capítulos judiciais – é apenas uma ponta da política externa da China de marcar posição em portos estrategicamente localizados em todo o planeta. Um novo relatório compilado pela AidData, um laboratório de pesquisa e dados da universidade americana William & Mary, aponta que entre 2000 e 2025 o gigante asiático destinou cerca de US$ 24 bilhões entre empréstimos e subsídios para 168 portos de 90 países.
O Brasil é citado no relatório “Anchoring Global Ambitions” tanto em projetos de participação direta — como nos casos da aquisição majoritária de participação no Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) e nos planos da estatal chinesa COFCO de abrir seu maior terminal portuário de exportação no Porto de Santos – como em planos de estabelecer um corredor bioceânico, ligando um porto no Peru ao Porto Sul, na Bahia.
Projeto de corredor Peru-Brasil
“O Brasil se tornou um importante polo dos investimentos chineses relacionados a portos marítimos: financiadores chineses comprometeram quase US$ 505 milhões em financiamento para projetos portuários no país entre 2009 e 2023. A China cultivou uma relação próxima com o Brasil para aumentar seu acesso a recursos naturais — principalmente soja, mas também, no Porto Sul, ao minério de ferro da mina Pedra de Ferro”, destaca o estudo.
Segundo os autores, a presença e o acesso crescentes da China à América do Sul — especialmente no Brasil e, desde novembro de 2024, no Porto de Chancay, no Peru — permitem à China assegurar cadeias de suprimento críticas e reforçar sua própria posição em termos de segurança. “Embora ainda permaneça incerto se esse corredor bioceânico idealizado virá de fato a se concretizar, os desdobramentos devem ser acompanhados de perto”, recomendam.
China usa rede de portos para ganhar vantagem sobre EUA
No geral, o relatório mostra que, nas últimas duas décadas, agências e empresas chinesas têm se voltado cada vez mais para financiar portos marítimos para manter o acesso e exportar commodities críticas.
“Esses polos de conectividade incluem a construção, expansão ou financiamento de portos próximos ou conectados a outros investimentos estratégicos. Um exemplo recente desse modelo “porto-ferrovia-mina” é a oferta de financiamento por Pequim para o Porto de Chancay, no Peru, em combinação com o financiamento das operações minerais em Las Bambas e Toromocho, além de financiamento para portos no Brasil”, explica Lea Thome, coautora do relatório e gerente de programa da AidData.
No total, credores e doadores estatais chineses financiaram mais de 363 projetos e atividades portuárias únicas ao redor do mundo, sendo as unidades mais financiados o Porto Internacional de Hambantota no Sri Lanka (US$ 1,97 bilhão), o Porto de Newcastle na Austrália (US$ 1,32 bilhão), o Porto Autônomo de Kribi em Camarões (US$ 1,17 bilhão), o Porto de Melbourne na Austrália (US$ 1,14 bilhão), e o Porto de Haifa, em Israel (US$ 1,13 bilhão). Nessa lista, Paranaguá aparece no 17° posto, com US$ 483 milhões.
Maiores Investimentos da China em projetos portuários (Em US$)
PosiçãoPortoPaísCompromisso (2025 US$)
1Hambantota InternationalSri Lanka$1,97 bilhão
2NewcastleAustrália$1.32 bilhão
3KribiCamarões$1.17 bilhão
4MelbourneAustrália$1.14 bilhão
5HaifaIsrael$1.13 bilhão
6Terminal Universal – JurongSingapura$994 milhões
7Terminal de carvão de Wiggins IslandAustrália$946 milhões
8AshdodIsrael$806 milhões
9CaioAngola$804 milhões
10AbidjanCosta do Marfim$792 milhões
11Bata EquatorialGuiné$733 milhões
12Queen Elizabeth II QuaySerra Leoa$682 milhões
13PiraeusGrécia$660 milhões
14Lekki Deep SeaNigéria$635 milhões
15ChancayPeru$631 milhões
16GwadarPaquistão$522 milhões
17ParanaguáBrasil$483 milhões
18NouakchottMauritânia$444 milhões
19Doraleh e Damerjog LivestockDjibouti$418 milhões
20TemaGana$398 milhõesFonte: AidData’s CPORTS Dataset, Version 2.0.
“Um quinto de todos os projetos de portos chineses estavam em portos com proprietários e operadores chineses, sugerindo que as prioridades de Pequim podem ir além da participação acionária para garantir o controle operacional”, disse Sheng Zhang, outro coautor do relatório e analista sênior de pesquisa da AidData.
“A China está investindo em uma rede global de portos que pode receber suas vastas exportações e facilitar a importação de minerais e commodities essenciais, como soja, minerais críticos, gás natural liquefeito, petróleo e mais”, complementou.
O estudo também aponta que o financiamento chinês para portos globais é quase igualmente dividido entre países de alta renda e países de baixa e média renda. Na verdade, cerca de US$ 10,8 bilhões apoiam 29 locais portuários em 20 países de alta renda — incluindo Grécia, Espanha, Austrália, Nova Zelândia, Singapura e Brunei — e para projetos onde a intenção é geralmente comercial, e não geopolítica.
O relatório também sugere que, quanto maior o nível de envolvimento chinês em determinado porto, maior a probabilidade de que ele receba algum tipo de atividade naval chinesa — incluindo escalas ou atracações, visitas a navios médicos e exercícios militares conjuntos.
O Estado de S.Paulo - SP 09/03/2026
Ninguém em sã consciência arriscaria ordenar que um navio que custa milhões de dólares, transportando uma carga que vale outros tantos milhões, fizesse essa travessia sob guerra
Outro dia escutei num evento do mercado segurador que quem fechou o Estreito de Ormuz não foi o Irã, foram as seguradoras. Em princípio, a afirmação pode parecer megalomaníaca ou falta de noção, mas, se analisarmos a colocação e os fatos, veremos que ela tem muito de verdade.
Não há dúvida, o Irã ameaçou fechar o estreito por onde passam 20% do petróleo do mundo. O resultado foi o aumento imediato do seu preço, mas até aí, na medida que os Estados Unidos afirmaram que garantiriam a segurança dos navios, o fechamento prometido pelo Irã deixou de ser uma certeza. Pode ser que sim, pode ser que não.
Além disso, um navio pode realmente ser incendiado como foi prometido pela Guarda Revolucionária, mas isso não quer dizer que todas as embarcações serão atingidas, ou afundadas.
Quem interrompeu o tráfego de navios na região realmente foram as seguradoras que, tão logo as coisas esquentaram, suspenderam as coberturas securitárias das embarcações e cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz e Golfo Pérsico.
Ninguém em sã consciência arriscaria ordenar que um navio que custa milhões de dólares, transportando uma carga que vale outros tantos milhões de dólares, se aventurasse a cruzar o Estreito de Ormuz sem seguro, tanto para o navio, como para a carga.
O seguro existe para proteger patrimônios, especialmente em situações de risco mais agudo. Quando, em função de algum evento que ameace a estabilidade dos fundos das seguradoras, elas suspendem a oferta de seguros, fica difícil correr o risco sem a sua proteção e o resultado é pessoas e empresas deixarem de fazer o que pretendiam, inclusive no seu negócio, pela falta da garantia da reposição de seus prejuízos.
Situações de guerra aumentam exponencialmente os riscos e, quando esta situação envolve uma região dramaticamente perigosa, como é o Estreito de Ormuz, estes riscos ficam ainda maiores, daí as seguradoras terem suspendido as coberturas para navios e cargas nas águas no Oriente Médio.
Mas isto não quer dizer que elas não possam voltar a operar, oferecendo proteção para os navios e cargas na região. Diz a lenda que Winston Churchill teria afirmado que, sem as seguradoras inglesas, a Batalha do Atlântico teria sido perdida e os submarinos alemães teriam estrangulado a Grã-Bretanha.
Quer dizer, durante a Segunda Guerra Mundial as seguradoras britânicas continuaram a oferecer cobertura de seguros para os navios e cargas dos comboios que se dirigiam para a Inglaterra. E não há nada de errado nisso. Seguro é cálculo atuarial. Estatística.
Uma seguradora sabe qual a sua sinistralidade, tanto em número de eventos, como em valor médio de cada um. Com estes dados ela tem como calcular o preço de cada seguro, mantendo a estabilidade de suas reservas técnicas. Se o risco aumenta, o preço do seguro sobe, se o risco diminui, ele cai.
Em pouco tempo as seguradoras devem voltar a oferecer cobertura para os navios e cargas que navegam pelas águas do Estreito de Ormuz. É só uma questão de precificação do risco. O seguro vai custar mais caro? Com certeza, mas as coberturas serão dadas, permitindo o fluxo da navegação e o abastecimento de petróleo para o mundo.
Jornal de Brasília - DF 09/03/2026
Com investimento de R$ 23 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), o novo terminal hidroviário de passageiros de Santana, no Amapá, foi inaugurado para ampliar a mobilidade fluvial e aprimorar o transporte na região.
A estrutura, com cerca de 4 mil metros quadrados de área, integra a rede de Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4) e atende rotas diárias utilizadas por passageiros e embarcações que conectam municípios e comunidades ribeirinhas. Projetado para ampliar a capacidade de atendimento, o terminal melhora as condições de operação das embarcações regionais, onde os rios são as principais vias de deslocamento na Amazônia Legal.
O terminal pode receber embarcações com capacidade de até 1,2 mil passageiros e permite a atracação simultânea de até cinco embarcações. A infraestrutura também suporta o embarque e desembarque de cargas de até 30 toneladas, organizando as operações e reduzindo o tempo de espera.
“O terminal hidroviário de Santana representa um avanço importante para a mobilidade fluvial no Amapá. A estrutura amplia a capacidade de atendimento aos passageiros e melhora as condições de embarque e desembarque nas rotas que conectam municípios e comunidades ribeirinhas”, afirmou o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.
No município de Santana, a atividade portuária já movimenta volumes expressivos. Somente em 2025, o Porto de Santana registrou cerca de 3,5 milhões de toneladas de cargas movimentadas, reforçando o papel do município na logística da Região Norte.
“A IP4 de Santana permite estruturar melhor os pontos de embarque na hidrovia e dar mais previsibilidade às operações. Esses terminais fazem parte da estratégia do Governo Federal para qualificar a infraestrutura hidroviária e fortalecer a logística nas regiões atendidas pelos rios”, destacou o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier.
Na Amazônia Legal, os rios são essenciais para o transporte de milhares de pessoas, garantindo o deslocamento entre municípios e o abastecimento de alimentos, combustíveis e outros produtos. Em 2025, o Ministério de Portos e Aeroportos investiu R$ 292,8 milhões na implantação e modernização de IP4 na Região Norte, ampliando a infraestrutura para o transporte fluvial de passageiros e cargas.
“O fortalecimento da infraestrutura hidroviária na Amazônia é essencial para melhorar a mobilidade da população e a logística da região. A ampliação da rede de IP4 leva mais segurança e melhores condições para o transporte nas hidrovias amazônicas”, enfatizou o ministro Silvio Costa Filho.
Segundo o diretor de Gestão Hidroviária do Ministério de Portos e Aeroportos, Eliezé Bulhões, a expansão desses terminais impacta diretamente o cotidiano das comunidades ribeirinhas. “As IP4 ampliam o acesso da população ribeirinha ao transporte fluvial e ajudam a melhorar o dia a dia de quem depende das hidrovias para se deslocar entre municípios, trabalhar e acessar serviços. É uma política pública que leva mais segurança e melhores condições de mobilidade para a região”, concluiu.As informações foram retiradas do Governo Federal.
IstoÉ Dinheiro - SP 09/03/2026
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a política interna da companhia persiste “íntegra e sólida”, em um cenário de volatilidade. “Nós observamos as paridades internacionais de preços de petróleo derivados sem repassar a volatilidade para o mercado interno brasileiro”, afirmou.
Para ela, não há dúvida nenhuma de que o momento é de alta instabilidade geopolítica. Nesse contexto, ela afirma que a preocupação é deixar a empresa preparada para qualquer cenário que ocorra em relação ao preço do petróleo. “Se ele for US$ 85 por barril, nós temos que estar preparados, se for US$ 55, temos que estar igualmente preparados”, disse.
Ela lembrou que, no ano passado, a companhia conviveu com um preço do petróleo superior a US$ 80 no início do ano e terminou com uma cotação de US$ 60 a US$ 59.
“A companhia entregou seus resultados e mostrou ser, vamos dizer assim, resiliente o suficiente para enfrentar essa variação de cenário. No começo deste ano, essa volatilidade está exacerbada por questões de guerra, mas a nossa política interna persiste íntegra e sólida”, afirmou Magda Chambriard.
Para ela, a Petrobras conciliar a observação de paridades internacionais, a valorização dos seus produtos e ao mesmo tempo atentar para o seu espaço em termos de ocupação do mercado brasileiro, “não é mais um tema”.
Ela diz que tem recebido muitas perguntas sobre se a política de preços que valeu na queda do petróleo vai valer na alta. “E a nossa resposta é sim, vale a mesma coisa até agora”, disse.
Magda afirmou que é preciso uma tendência mais clara sobre os preços do petróleo para que a estatal decida fazer ajustes em seus preços. Contudo, ponderou que a persistência da volatilidade demanda atenção. “Se essa volatilidade for tão grande, essa subida do preço for tão grande assim, certamente vai exigir, vamos dizer assim, respostas mais rápidas que exigiriam se a subida fosse mais lenta”, disse.
O preço do Brent chegou a ficar acima de US$ 90 ao longo da manhã desta sexta-feira. “No momento, a gente não tem certeza se é essa a premissa”, destacou a executiva.
O diretor de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser, endossou que, como parte da estratégia de ser “a melhor alternativa do cliente”, o olhar para as cotações internacionais faz parte do trabalho diário da estatal.
“Nós estamos com uma produção bastante significativa de óleo, as refinarias estão com uma performance padrão classe mundial. A estratégia comercial tem, como princípio fundamental, não transferir então essa volatilidade. O fator tempo é o que temos de mais relevante no momento”, pontuou ele.
Magda ainda acrescentou que a companhia continua a importar o que precisa e exportar o que precisa no cenário atual. “E o nosso caixa continua objeto da nossa atenção para garantir a resiliência da companhia”, disse.
Lucro em 2025
A Petrobras encerrou 2025 com lucro líquido de US$ 19,634 bilhões, 160,8% maior que o registrado em 2024.
A produção total de óleo e gás natural da Petrobras alcançou 3 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) no ano passado.
Período ‘inusitado’
Schlosser enfatizou que o Plano de Negócios da estatal de 2026-2030 já previa uma faixa de preço de petróleo larga para “cobrir” as necessidades da empresa. Já ao analisar o cenário de curto prazo para a commodity, diante da ofensiva dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, definiu como um “período inusitado”.
“Temos fotos de oferta e demanda diferentes a cada momento. Há pouco tempo se falava de petróleo a US$ 50 e, há poucos dias, vimos o mercado congelado diante do choque de derivados”, analisou, durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025. “Agora vemos os fretes se ajustando e a foto do momento é que isso se reflete favoravelmente à Petrobras, mesmo com a alta do frete.”
Ele ainda disse que a estatal tem posição privilegiada em relação a outros pares por estar fora da zona de conflito e garantiu que não há reflexos no planejamento logístico dos derivados. “Otimizamos nossa infraestrutura robusta, identificamos as frentes de importação de derivados mais atrativas e conseguimos fazer as negociações dentro do planejamento. Os navios que estão apontados para cá (Brasil) vão chegar normalmente”, enfatizou.
O diretor de Processos Industriais e Produtos, William França, reforçou a mensagem. “O refino está sendo otimizado, vamos fechar o trimestre de 2026 com 95% de Fator de Utilização (Fut)”. No quarto trimestre de 2025, o Fut das refinarias caiu para 89%, ante 95% no mesmo trimestre um ano antes.
Sobre abastecimento, os executivos enfatizaram que a Petrobras não é o único ator do mercado.
Oportunidades de crescimento
Magda enfatizou que ainda há grandes oportunidades de criação de crescimento para a empresa e geração de valor mesmo em meio às instabilidades geopolíticas que acentuam a volatilidade do mercado de petróleo.
“A Petrobras está imbuída do propósito de fazer essa uma empresa cada vez maior, que cresce junto com o Brasil”, disse ela, durante a teleconferência. “Estamos construindo uma empresa diversificada, preparada para enfrentar a volatilidade do mercado de petróleo, tão instável quanto o que estamos vivendo hoje.”
A executiva reiterou que a empresa está preparada para fazer uma transição energética justa e o posicionamento tem apresentado resultados financeiros positivos.
“Estamos fazendo um bom dinheiro colocando bunker (combustível para transporte marítimo) com 24% de combustível renovável no mercado asiático”, exemplificou. “Tivemos ótimas notícias em 2025 na área de gás, especialmente com o Complexo de Boaventura”, complementou.
Exportações
A presidente da Petrobras enfatizou a reposição de reservas da estatal em 2025, ano de recorde de produção e exportação de petróleo. “Exportamos quase 1 milhão de barris por dias. A P-79 está ancorada e em breve irá começar a produzir de forma antecipada, o Campo de Tupi/Iracema se recuperou e voltamos a produzir 1 milhão de boed”, destacou.
Magda afirmou ainda que a superação de metas tem sido constante na companhia, na produção, refino e exportação. Ela disse também que a gestão fechou contratos de obras de refinarias abaixo do valor previsto. “Temos produzido mais e melhor, com menos recursos”, disse.
Celebração dos resultados em 2025
Magda celebrou o resultado da companhia alcançado em 2025. Ela enfatizou que a estatal teve um ano “sem precedentes na produção” mesmo num cenário de pressão por conta do preço do petróleo brent. “Estamos extremamente orgulhosos do nosso trabalho técnico. Repito algo que não me canso: quem apostar contra a Petrobras vai perder”, disse.
E enfatizou: “Foi o crescimento da produção que permitiu mitigar a grande queda do preço do petróleo. Superação de metas tem sido algo constante na companhia na produção, refino, exportação.”
Petro Notícias - SP 09/03/2026
A Petrobrás avalia aumentar a capacidade de produção de três plataformas que serão instaladas no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. As unidades P-80, P-82 e P-83 foram projetadas para produzir até 225 mil barris de petróleo por dia cada, mas a companhia estuda elevar esse limite para cerca de 270 mil barris diários.
A empresa já conseguiu feito semelhante com o FPSO Almirante Tamandaré, que alcançou, em outubro do ano passado, a marca recorde instantânea de 270 mil barris por dia. De acordo com a presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, o aumento de capacidade dessas três plataformas, somado ao desempenho do FPSO Almirante Tamandaré, representaria um acréscimo de cerca de 180 mil barris por dia na produção. “É como se fosse uma grande plataforma nova, como a P-78 ou P-79”, afirmou.
A plataforma P-80 deverá iniciar o deslocamento do estaleiro em direção ao Brasil em agosto de 2026. Em seguida, a P-82 tem saída prevista para setembro do mesmo ano, enquanto a P-83 deve realizar essa etapa em fevereiro de 2027.
Valor - SP 09/03/2026
“Mais óleo significa mais geração de caixa, mais capacidade de investimento, mais tributos e mais dividendos", afirma Magda Chambriard
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse, nesta sexta-feira, que 2025 foi um ano “sem precedentes” no crescimento da produção de óleo e gás. As afirmações foram feitas em teleconferência com analistas sobre os resultados do quarto trimestre e do ano passado fechado.
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A executiva destacou que o crescimento da produção de petróleo em 11% no ano passado, ante 2024, permitiu mitigar a queda do barril Brent em 2025.
“Mais óleo significa mais geração de caixa, mais capacidade de investimento, mais tributos e mais dividendos. A superação de metas tem sido uma constante na companhia”, afirmou.
Chambriad: temos produzido “mais, melhor e com menos recursos”
Segundo Chambriard, o índice de reposição de reservas de petróleo e a relação entre as reservas provadas e a produção têm se mostrado maiores do que os indicadores verificados por outros pares da indústria. A executiva disse que a empresa tem produzido “mais, melhor e com menos recursos”.
A executiva destacou que a estatal incorporou em 2025 um volume de 1,7 bilhão de barris. Segundo ela, com esse resultado, a companhia alcançou o melhor nível de reservas provadas nos últimos dez anos.
Geração de caixa em "cenários desafiadores"
O diretor financeiro e de relacionamento com investidores da Petrobras, Fernando Melgarejo, disse que o resultado da companhia no ano passado reforça a qualidade dos ativos e a capacidade de gerar caixa, mesmo em cenários desafiadores.
O executivo salientou que o Brent apresentou queda de 14% nas cotações em 2025 – um fator fora de controle da petroleira.
Porém, ressaltou ele, a Petrobras tem se movimentado para atuar no que pode controlar. “Estamos trabalhando para extrair o potencial máximo dos ativos da companhia”, disse.
Petro Notícias - SP 09/03/2026
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã já dura mais de uma semana e o principal efeito já sentido é a elevação no preço do barril do petróleo, que já no final da noite de domingo (8) passou da barreira dos US$ 117. São valores que não são vistos desde 2022. A segunda-feira (9) promete um dia de mercado nervoso, após a última escalada do confronto durante o fim de semana, após ataques aéreos atingirem instalações petrolíferas iranianas em Teerã e na província de Alborz. Para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o aumento no preço do barril é temporário e tende a recuar rapidamente após o fim da “ameaça nuclear iraniana”. Para Trump, o impacto no valor representa um custo pequeno diante do objetivo de garantir a segurança e a estabilidade para os Estados Unidos e para o restante do mundo.
Mas para além da alta no preço da commodity, vários outros elos do setor também podem sofrer consequências severas, a depender da duração da guerra. O segmento de perfuração, por exemplo, possui várias sondas jackup (autoelevatórias) ativas sob contratos no Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita. Um novo relatório Rystad Energy estima atualmente que existam cerca de 112 sondas contratadas e em perfuração nos três países. Se as operações forem reduzidas entre 15% e 20% ao longo do ano, o relatório prevê que o número de poços pode diminuir em uma quantidade equivalente e que os planos de perfuração offshore rolassem para 2027.
“Isso também afetaria diretamente o gasto de capital (CAPEX) com poços, com os setores de perfuração, intervenção e embarcações absorvendo o maior impacto, levando a uma contração total do mercado de cerca de US$ 2,4 bilhões”, aponta a Rystad.
No elo dos produtos, as operações offshore representam a maior parte da demanda total de OCTG (produtos de tubulação utilizados na produção de petróleo e gás) do Catar, com 94% da previsão de mercado para este ano. Os Emirados Árabes Unidos também têm uma participação majoritária de sua demanda de OCTG offshore, com pouco menos de 58%. A Arábia Saudita está menos exposta ao mercado offshore em termos de OCTG, embora ainda represente consideráveis 35%.
Com o risco de uma queda de até 25% na perfuração offshore este ano, caso o conflito persista, a Rystad prevê que isso poderia levar a um declínio anual de pouco mais de 40.000 toneladas de OCTG tanto na Arábia Saudita quanto nos EAU, com o Catar vendo uma queda estimada de cerca de 15.000 toneladas. Em termos de fornecimento de OCTG, a maioria das empresas nacionais de petróleo no GCC mantém atualmente estoques de reserva equivalentes a cerca de três a seis meses de consumo. No caso de interrupções logísticas no Estreito de Ormuz — e já há interrupção na navegação — tanto o Catar quanto os EAU precisariam redirecionar rotas de importação para quase todos os seus requisitos de OCTG”.
“Não esperamos interrupção no fornecimento, pois as embarcações que transportam carga de OCTG podem ser redirecionadas para portos do Golfo de Omã, como Sohar ou Duqm, mais abaixo na costa de Omã, enquanto o porto de Fujairah dos EAU no Golfo de Omã também pode ser utilizado. Essas rotas alternativas resultariam, no entanto, em um aumento significativo nos custos”, avaliou a consultoria.
LOGÍSTICA OFFSHORE
O impacto imediato na cadeia de suprimentos da escalada entre os EUA-Israel e o Irã está sendo sentido mais nos segmentos de logística offshore. A Rystad aponta que embarcações de posicionamento dinâmico (DP) — incluindo embarcações de apoio offshore (OSV), embarcações de fornecimento de reboque de manuseio de âncoras (AHTS) e embarcações de construção submarina — teriam sido instruídas a sair das posições de campo ativas. Isso suspende efetivamente as operações dependentes de DP, como instalação submarina, inspeção e algumas atividades marítimas de carga pesada ou de precisão. Uma retirada temporária de tonelagem de DP, portanto, atrasa principalmente as campanhas de instalação.
Enquanto isso, o relatório indica que os empreiteiros de engenharia, aquisição e construção (EPC) conseguiram, no entanto, proteger suficientemente os seus trabalhos de fabrico contra a atual interrupção, recorrendo a um estaleiro de fabrico e a uma base de embarcações substancialmente localizados. As plataformas fixas e os ativos de produção continuam a operar, mas as campanhas marítimas e submarinas não essenciais estão provavelmente suspensas e serão avaliadas nos próximos dias.
“Os estaleiros de fabricação em terra estão amplamente protegidos no curto prazo. A fabricação de jaquetas, topsides e módulos ocorre em ambientes controlados e não está diretamente exposta às restrições de segurança offshore. Os planos de demanda de embarcações e as janelas de instalação estão sendo reavaliados pelas empresas de serviços para se ajustarem a mudanças de rota, atracação e janelas de instalação perdidas”, concluiu.
Diário do Comércio - MG 09/03/2026
O governador em exercício de Minas Gerais, Mateus Simões, anunciou, nesta quinta-feira (5/3), o repasse de R$ 100 milhões do Governo de Minas para o asfaltamento da rodovia MGC-251, no trecho que liga a cidade Almenara ao distrito de Pedra Grande, no Vale do Jequitinhonha.
Os recursos serão utilizados para o asfaltamento de 35 quilômetros da via. As obras devem começar no segundo semestre de 2026, com duração prevista de dois anos.
De acordo com o governador em exercício do Estado, é necessário atualizar o projeto para a revitalização da rodovia junto à Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais (Seinfra), o que deve ocorrer até junho. “Mas não é o projeto que interessa, e sim o asfalto. Por isso determinei a inclusão de R$ 100 milhões no orçamento da Seinfra para tirar essas obras do papel. A poeira vai ficar para trás”, disse Mateus Simões.
Ele percorreu o trecho da rodovia em Almenara, ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira e de lideranças da região, que destacaram a importância da obra, em especial para o escoamento da produção agrícola da região Centro-Oeste do Brasil.
O Estado de S.Paulo - SP 09/03/2026
Há poucos dias o IBGE informou que a variação do PIB brasileiro de 2024 para 2025 foi de 2,3%. Não é um número ruim, mas é preciso crescer mais. Do contrário, o fosso de progresso entre os países desenvolvidos (bem como de muitos em desenvolvimento) e nós vai se aprofundar e iremos ficando cada vez mais para trás.
Já está bastante claro que um dos fatores a ser olhado com atenção é a produtividade do trabalho, que tem a ver com sistemas educacionais mais eficientes, especialmente no ensino básico.
No entanto, a agropecuária cresceu 11,7% do ano passado para este, 5 vezes mais do verificado com o PIB total. O setor industrial cresceu 1,4%; e o de serviços, 1,8%. Óbvio que a agropecuária sustentou os 2,3% de avanço do PIB nacional.
O que permitiu este crescimento do agro foi uma safra recorde de grãos (por causa do clima favorável e da tecnologia tropical sustentável utilizada), somada a bons preços de alguns produtos, com destaque para o café. Isso viabilizou um recorde nas exportações, o que ajuda no cálculo do PIB.
Mas teria sido um ano fora da curva? Nos anos anteriores o agro teria ficado abaixo da variação do PIB total?
Uma rápida olhada nos números mostra que não. De 2015 a 2025, por exemplo, o PIB brasileiro variou positivamente em 15,1%, enquanto a agropecuária aumentou 41,8%, com a tecnologia sendo a maior responsável. E a variação também positiva da indústria e dos serviços foram, respectivamente, de 4,5% e 16,6%.
Portanto, é possível afirmar que o setor rural tem sustentado o crescimento econômico do País nos últimos anos. Na realidade, apenas em 2016 e 2024 (por questões climáticas), e em 2022 (por causa da pandemia) o PIB agro cresceu menos do que o PIB total. Mas tirou a diferença nos demais anos, com folga.
Isto é então uma conta definitiva? Também não é: a CNA informou na semana passada a que o valor bruto da produção agropecuária em 2026 deve cair 4,6% em relação ao ano passado, fundamentalmente por causa da quebra de produção agrícola em diferentes regiões, da queda de preços de alguns produtos, como café, cana de açúcar e soja, importantíssimos inclusive para a balança comercial.
Acrescido ao aumento dos custos de produção (ênfase para juros muito altos), às tarifas de importação interpostas pelos EUA, e às guerras em andamento no Oriente Médio e na Ucrânia, pode-se dizer que 2026 será um ano de margens muito estreitas no campo, de modo que, como se diz na roça, é tempo “colocar as barbas de molho” e tratar de sobreviver.