Clipping Diário

08 | Outubro | 2026

SIDERURGIA

O Estado de S.Paulo - SP   08/10/2026

A concessionária de rodovias Arteris estabeleceu uma parceria com a siderúrgica ArcelorMittal para o uso de aço reciclado para vergalhões em suas obras, em substituição a modelos tradicionais. Segundo informações da concessionária, o investimento total da iniciativa é de R$ 330,7 milhões.

O material está sendo implementado em fase piloto nas obras de duplicação da rodovia SP-255, entre os municípios de Igaraçu do Tietê e Avaré, no interior de São Paulo, e usado na implantação e remodelação de dispositivos de retorno, em um trecho de 57 quilômetros. A obra está prevista para ser concluída em 2030.

Para os trabalhos de duplicação na região, estão sendo utilizados vergalhões modelo 50 S XCarb®, lançado comercialmente no Brasil em setembro de 2022, que, de acordo com a ArcelorMittal, são produzidos com 100% de matéria-prima reciclada e 100% de energia elétrica proveniente de fontes renováveis e desenvolvidos especialmente para aplicações na construção civil.

“O principal diferencial está na rota de produção”, explica o gerente de Desenvolvimento de Produto para Construção Civil da ArcelorMittal Brasil, Antônio Pereira, ao Estadão.

“O produto é fabricado em aciaria elétrica, utilizando 100% de sucata metálica reciclada como matéria-prima e 100% de energia elétrica renovável, certificada e registrada. A utilização da sucata reduz a necessidade de matérias-primas primárias e a energia renovável reduz as emissões associadas ao consumo de eletricidade no processo.”

Segundo Pereira, mesmo com as diferenças no modo de produção, o produto mantém as mesmas características técnicas e normativas do vergalhão convencional. “A redução do impacto ambiental está relacionada principalmente à forma como o aço é produzido, e não a uma mudança na finalidade ou no desempenho estrutural do vergalhão. Não (há) alteração de sua vida útil.”

Cálculos da siderúrgica estimam que a substituição do aço convencional pelo aço reciclado e produzido com energia renovável na duplicação da SP-255 deve reduzir em aproximadamente 68% o total de emissões de gases de efeito estufa (GEE).

A redução proposta dialoga com metas de ecoeficiência das duas companhias, como afirma a gerente de Sustentabilidade da Arteris, Débora Della Nina, ao Estadão.

“A iniciativa reúne a experiência das duas companhias na busca por soluções inovadoras e mais sustentáveis para projetos de infraestrutura. A Arteris decidiu utilizar o vergalhão 100% reciclado como parte de sua estratégia de promoção da ecoeficiência e da economia circular em sua cadeia de valor, contribuindo para a redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) associadas aos materiais utilizados em suas obras.”

Sem detalhar valores, Nina explica que a aquisição do material reciclado tem um custo superior ao material convencional, mas diz que a adoção representa um investimento em sustentabilidade.

“Apesar de apresentar custo de aquisição superior ao do aço convencional, o material proporciona benefícios ambientais relevantes, alinhados aos compromissos ESG e à geração de valor de longo prazo.”
Planos de ampliação de uso

Dados internos da ArcelorMittal informam que, desde o seu lançamento, o vergalhão “verde” já vem sendo utilizado em diversas obras e aplicações em diferentes regiões do Brasil. Isso inclui projetos de edificações, infraestrutura, energia, saúde e arquitetura.

Entre os projetos citados estão: a expansão da Estação Santo Amaro do Metrô de São Paulo, o Complexo Eólico Babilônia Centro, o Complexo Hospitalar Pequeno Príncipe Norte, o Edifício Jardim, em Belo Horizonte (Minas Gerais), entre outros.

Durante o projeto-piloto, o aço fornecido para a parceria com a Arteris deve ser avaliado pela concessionária nos quesitos de resultados ambientais, técnicos, operacionais e econômicos, com destaque para a avaliação da redução das emissões de CO2 associadas ao uso do material, afirma Nina.

Com isso, é possível que o material possa ser utilizado de forma definitiva no portfólio da companhia. “A partir dos resultados e aprendizados obtidos ao longo do projeto, a Arteris poderá avaliar a possibilidade de ampliar a utilização do material para outras obras previstas, bem como sua eventual incorporação ao portfólio de materiais adotados pela companhia.”

ECONOMIA

Infomoney - SP   08/10/2026

O ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos deve ser mais persistente e os juros podem ter pelo menos mais uma elevação até o fim do ano, de acordo com a ata da reunião do Federal Open Market Comittee (Fomc) do Federal Reserve, o banco central americano, divulgada nesta quarta-feira (7).

“A ata do Fomc referente à decisão de setembro confirma a mudança para uma postura mais restritiva, diante da persistência da inflação, da atividade sólida e de um mercado de trabalho próximo do pleno emprego”, avalia Leandro Padulla, economista do ASA.

Ata do Fed: todos os integrantes apoiaram aumento de juros e maioria vê nova alta
Ele destaca que todos os participantes apoiaram a alta de 25 bps na última reunião, enquanto a maioria avaliou que ao menos outro aumento seria apropriado até o fim do ano.

Na avaliação de Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, o documento indicou que o mercado de trabalho deixou de ser uma preocupação persistente, e o Fed passou a mirar na inflação, que segue com riscos altistas. Os efeitos desinflacionários do boom de inteligência artificial saíram do documento, para entrar as preocupações de curto prazo que vão além do choque de oferta.

O Fomc tem mais duas reuniões agendadas para este ano, marcadas para 27 e 28 de outubro e 8 e 9 de dezembro. A ata não indica a preferência dos integrantes do comitê sobre quando haveria mais um aumento de juro, e reforçou que a decisão vai depender de dados indicativos da economia.

Juros ‘levemente restritivos’

Na avaliação de Padulla, chamou a atenção que vários participantes indicaram que a taxa de juros ainda não era restritiva o suficiente. Além disso, o staff revisou para cima as projeções de inflação entre 2026 e 2028 e passou a prever convergência para a meta de 2% somente em 2029. Atualmente, a inflação está em 3,4% no acumulado de 12 meses até agosto, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor (CPI).
“Direção e timing” na política de juros dos EUA

Para Leonardo Mendes, economista, financial advisor Manchester, a ata indica que o Fed não considera o trabalho de combate à inflação concluído, apesar de divergir no diagnóstico.

O documento mostrou que parte do Comitê interpretou a alta de juros feita em setembro como um movimento preventivo para evitar que choques de energia, tarifas e outros fatores de oferta contaminar as expectativas e a inflação de forma mais persistente, segundo Mendes.

Já outro grupo mais hawkish viu sinais de que a pressão sobre os preços pode estar começando a refletir também uma demanda ainda forte, o que justificaria um aperto monetário adicional.

“Eu separaria duas coisas: a direção e o timing. A direção continua sendo hawkish, porque o Fed mantém aberta e relativamente provável a possibilidade de uma nova alta de juros. Mas o timing ficou mais flexível. Os dados de emprego e inflação divulgados depois da reunião vieram mais fracos e permitem ao Fed observar um pouco mais a economia antes de tomar uma nova decisão”, afirma Mendes.
Pausa em outubro, com aperto por mais tempo

Neste contexto, Mendes avalia que o cenário de pausa em outubro é mais provável, com a projeção para dezembro permanecendo em aberto.

A pausa, neste caso, não deverá ser vista como o fim do ciclo de aperto, mas indica que não há intenção de fazer uma sequência agressiva de aumentos de juros.

“Em resumo, vejo a ata como hawkish, mas não agressiva. O Fed mantém a porta aberta para mais uma alta em 2026, provavelmente em dezembro, porém pode utilizar a reunião de outubro para observar os próximos dados e avaliar quanto do aperto necessário já está sendo produzido pela própria curva de juros”, diz Mendes.

Para Felipe Mecchi, economista do C6 Bank, o texto mostrou uma preocupação grande coma inflação, que segue elevada e acima da meta há mais de cinco anos – e com vários membros do Comitê assumindo a possibilidade de mais pressões inflacionárias. Por outro lado, há uma visão de manutenção de um bom desempenho da atividade econômica e do mercado de trabalho.

“O texto da ata é condizente com a possibilidade de mais uma alta de juros à frente, que provavelmente deve ocorrer nesse ano – na nossa visão, na reunião de dezembro”, afirma Mecchi.

O Estado de S.Paulo - SP   08/10/2026

Com crédito caro e custo de vida pressionado, o cenário projetado para 2027 permanece desconfortável para as famílias no Brasil

Com superávit de US$ 7,74 bilhões em setembro e US$ 62,39 bilhões em nove meses, o comércio exterior brasileiro tem superado as projeções num ano de grande insegurança internacional e protecionismo crescente no mundo rico. O saldo acumulado é 34,8% maior que o obtido entre janeiro e setembro do ano passado. A projeção oficial para o ano foi reduzida de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões, mas esse valor, se confirmado, ainda será 24% maior que o de 2025. As estimativas são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

O superávit projetado vai depender principalmente do sucesso das exportações de mercadorias, estimadas em US$ 382,5 bilhões, valor 9,8% maior que o alcançado um ano antes. As vendas externas têm crescido bem mais que a atividade econômica e isso deve repetir-se neste ano. Segundo projeção do mercado financeiro divulgada no início do mês, o Produto Interno Bruto (PIB), valor adicionado da produção de todos os setores, deve aumentar 1,85% em 2026.

Há quatro semanas o crescimento era estimado em 1,93%, mas as previsões têm sido afetadas pelas incertezas políticas e pela instabilidade internacional. Pouco mais otimista que as projeções do mercado brasileiro, o cenário recém-divulgado pelo Banco Mundial indica para o Brasil uma expansão de 2,1% neste ano, pouco inferior à calculada para o conjunto da América Latina e do Caribe, 2,2%. Juros altos, incerteza política e investimentos públicos mais fracos são apontados como entraves ao crescimento de alguns países da região, incluídos Brasil e México.

No caso brasileiro, a incerteza quanto à inflação dificulta um corte mais veloz da taxa básica de juros, a Selic. Desde o começo do ano essa taxa foi reduzida de 15% para 13,75%. Para dezembro, o mercado estima 13,50%. A projeção para o fim do próximo ano permanece em 12% há várias semanas, com inflação de 4,30%, ainda longe da meta central, 3%, e perto do teto, 4,50%. Com crédito caro e custo de vida pressionado, o cenário projetado para 2027 permanece desconfortável para as famílias. Nada, por enquanto, indica mudança relevante depois das eleições.

Infomoney - SP   08/10/2026

A China tem mantido sua máquina de exportações em ritmo acelerado por meio de uma combinação de incentivos fiscais e uma moeda desvalorizada, ajudando a sustentar o crescimento econômico doméstico enquanto envia uma onda de produtos chineses para mercados no exterior.

Mas essa estratégia está alimentando tensões com seus parceiros comerciais. E, nesta semana, autoridades de Bruxelas que chegam a Pequim se preparam para pressionar o governo chinês sobre um déficit comercial europeu com a China que supera US$ 1,1 bilhão por dia.

Líderes europeus afirmam que a China desequilibra a concorrência ao oferecer subsídios governamentais e empréstimos a juros baixos aos fabricantes, inundando os mercados europeus com produtos baratos.

Mas os subsídios são apenas parte da vantagem desfrutada pelos exportadores chineses. O renminbi, a moeda da China, continua excepcionalmente desvalorizado, tornando os produtos chineses mais baratos no exterior. Ao mesmo tempo, Pequim devolve aos exportadores centenas de bilhões de dólares em impostos todos os anos, reduzindo ainda mais seus custos.

As duas políticas se tornaram difíceis de desmontar para a China.

O renminbi acumula queda de mais de 14%, em termos ajustados pela inflação, desde o início de 2022 em relação a uma cesta ampla de moedas. No mesmo período, aproximadamente, o superávit comercial da China quase dobrou. Embora a moeda fraca ajude os exportadores, ela também encarece produtos estrangeiros para consumidores e empresas chineses.

Os incentivos fiscais às exportações da China também dispararam. As devoluções de impostos sobre valor agregado às empresas exportadoras chegaram a US$ 318,2 bilhões no ano passado, o equivalente a 1,5% da economia chinesa, segundo dados do Ministério das Finanças do país.

Juntos, a moeda desvalorizada e os amplos incentivos fiscais expõem o dilema enfrentado pelos formuladores de políticas chineses. As exportações são um dos poucos pontos positivos de uma economia afetada pela queda dos preços dos imóveis e pelo fraco consumo. Manter o ritmo das exportações é importante para a meta de Pequim de crescimento econômico entre 4,5% e 5%. Mas sustentar essas exportações traz custos elevados, tanto dentro quanto fora do país.

Um renminbi fraco eleva o custo do petróleo e de outras importações, pressionando famílias que já estão relutantes em gastar. Os incentivos fiscais às exportações reduzem as receitas do governo justamente quando muitos governos locais enfrentam dificuldades financeiras decorrentes da crise imobiliária.

Para os parceiros comerciais da China, especialmente na Europa, o ressentimento vem crescendo e provocando a adoção de políticas mais protecionistas.

“Precisamos reequilibrar nossas relações econômicas para garantir que sejam justas, sustentáveis e mutuamente benéficas — a situação atual é insustentável”, disse Caspar Veldkamp, embaixador da União Europeia na China, em um discurso em 22 de setembro.

Com a China a caminho de igualar ou superar o recorde de US$ 1,19 trilhão de superávit comercial global registrado no ano passado, permitir que o renminbi se valorize e reduzir os incentivos fiscais poderia aliviar parte da pressão internacional. Mas qualquer uma dessas medidas também poderia prejudicar uma das poucas fontes restantes de crescimento da economia.

Alguns economistas chineses de destaque começaram a defender que uma moeda mais forte poderia beneficiar o país ao reduzir o custo do petróleo e de outras importações cotadas em dólar. O banco central chinês e bancos estatais intervêm fortemente no mercado de câmbio para definir o valor do renminbi, embora as forças de mercado também tenham influência.

“Precisamos reavaliar a questão das taxas de câmbio: uma valorização do renminbi não é necessariamente algo totalmente negativo, enquanto uma desvalorização pode não impulsionar as exportações de maneira eficaz”, disse Shen Guobing, professor de economia da Universidade Fudan, em Xangai, em um discurso em dezembro.

Pequim tem sido cautelosa em permitir uma valorização significativa. Os formuladores de políticas estão cientes da insatisfação europeia, mas continuam receosos de que uma alta rápida do renminbi desacelere a enorme máquina exportadora do país.

A mesma cautela se aplica aos incentivos fiscais às exportações. Antes da pandemia de Covid-19, eles consumiam cerca de um décimo das receitas tributárias. Agora, enquanto as exportações disparam e grande parte da economia doméstica permanece estagnada, eles representam quase um oitavo.

A China anunciou planos para interromper, no próximo ano, os incentivos fiscais destinados a exportadores de baterias. Alguns economistas influentes defendem que o governo vá muito além.

“Os incentivos fiscais às exportações, que são essencialmente uma forma de subsídio às exportações, deveriam ser reduzidos”, disse Huang Qifan, ex-prefeito de Chongqing e influente economista chinês, em um discurso em maio.

As razões para a relutância de Pequim em colocar as exportações em risco podem ser vistas em Guangzhou, metrópole no delta do Rio das Pérolas, no sul da China, e centro da indústria chinesa de exportação de roupas.

Na ilha de Haizhu, dezenas de homens e mulheres permaneciam em uma área externa de contratação no fim de uma tarde, depois de esperar horas por alguém disposto a pagar entre US$ 45 e US$ 60 por um dia de trabalho de costura.

“O movimento diminuiu — o primeiro semestre foi um pouco melhor, mas agora as coisas estão realmente ruins”, disse um trabalhador da área de contratação que forneceu apenas seu sobrenome, Liu.

A crise imobiliária chinesa paralisou a demanda doméstica por roupas novas, enquanto tarifas e a concorrência de países com salários mais baixos prejudicaram as exportações. As diárias chegaram ocasionalmente a US$ 150 alguns anos atrás, quando as exportações e a demanda doméstica eram muito mais fortes, disse o proprietário de uma distribuidora de máquinas de costura, que forneceu apenas seu sobrenome, Yi.

“Comparado aos anos anteriores, nosso negócio caiu pelo menos um terço este ano — você poderia até dizer que está perto da metade”, disse ele.

Essa fraqueza ajuda a explicar por que Pequim reluta em arriscar políticas que poderiam enfraquecer ainda mais as exportações. Até 2022, a moeda havia se valorizado gradualmente em termos ajustados pela inflação durante muitos anos, segundo o Banco de Compensações Internacionais, com sede na Basileia, na Suíça, que acompanha a desvalorização do renminbi.

Isso mudou depois que um rígido lockdown contra a Covid começou em Xangai, em março de 2022. A confiança dos consumidores despencou para o menor nível em 36 anos de registros oficiais, enquanto empresas e famílias tentavam transferir suas economias para fora da China. O renminbi iniciou uma longa trajetória de queda que, ao fim, levou a uma desvalorização de cerca de 20%.

A queda coincidiu com o colapso do mercado imobiliário chinês. Os preços de imóveis usados caíram cerca de 40% desde o verão de 2021, corroendo a poupança das famílias e enfraquecendo ainda mais o consumo.

O renminbi se valorizou um pouco nos últimos 15 meses, mas continua muito abaixo dos níveis anteriores à Covid quando ajustado pela inflação.

Movimentos cambiais podem levar tempo para alterar as decisões das empresas sobre onde comprar componentes e outros insumos. Importadores americanos tendem a não procurar novos fornecedores a menos que uma moeda sofra uma forte valorização em relação ao dólar, disse Joe Jurken, diretor-gerente da ABC Group, uma consultoria de cadeia de suprimentos de Milwaukee.

“Uma valorização de 15% abriria os olhos das pessoas e iniciaria algumas discussões”, disse.

Uma moeda fraca não é a única razão para a força das exportações chinesas. Empresas chinesas se tornaram concorrentes formidáveis graças à inovação em setores como baterias, veículos elétricos e painéis solares. A forte concorrência doméstica também levou os fabricantes a reduzir custos e preços.

Mas alguns economistas argumentam que esses preços baixos também refletem fragilidades da economia doméstica, incluindo pressão sobre os salários e as margens de lucro das empresas.

“A alta qualidade e o baixo preço dos produtos chineses são uma vitória global, mas foram construídos sobre os salários comprimidos dos trabalhadores chineses e as margens apertadas das empresas”, escreveu Zhao Jian, fundador e reitor do Xijing Research Institute, uma instituição de pesquisa comercial, em um comentário publicado em 22 de setembro na Caixin, uma publicação chinesa de negócios.

Bert Hofman, ex-diretor do Banco Mundial para a China, disse que reduzir os incentivos fiscais poderia ter um impacto maior do que permitir a valorização do renminbi na liberação de receitas do governo para prioridades domésticas.

“A China se beneficia ao aumentar suas receitas, que podem ser usadas para ampliar os gastos públicos com saúde e educação”, disse.

Monitor Digital - RJ   08/10/2026

A diversificação de destinos sustentou o crescimento das exportações brasileiras em 2026, de acordo com análise feita pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em cima dos dados da balança comercial divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Entre janeiro e setembro, as vendas para a Índia subiram 85,5%; para a Europa, 20,2%; para a Oceania, 20,8%; para a América Central e Caribe, 14,9%; e para a África, 9,7%.

No mesmo período, os embarques para os Estados Unidos recuaram 6,5% e para a Argentina, 18,5%. O resultado ajudou a levar as exportações a US$ 284,65 bilhões no acumulado do ano, alta de 10,4% sobre 2025.

“Os números mostram que o exportador brasileiro está ocupando mais espaço no mundo. Crescemos na Índia, na Europa, na África, no Oriente Médio e na América Central. Abrir e diversificar mercados é a melhor forma de proteger o Brasil de oscilações em parceiros específicos, e é nisso que a ApexBrasil vem trabalhando”, afirma o presidente da Agência, Laudemir Müller.

A balança comercial acumula superávit de US$ 62,4 bilhões no ano. A corrente de comércio, que soma exportações e importações, chegou a US$ 506,9 bilhões, crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Índia lidera expansão das exportações brasileiras

O maior avanço proporcional entre os principais destinos foi registrado na Índia. As exportações brasileiras para o país asiático passaram de US$ 4,44 bilhões para US$ 8,23 bilhões entre janeiro e setembro, um acréscimo de US$ 3,8 bilhões. Com isso, a Índia já está entre os mercados que mais contribuíram para o crescimento das vendas externas do Brasil no ano.

“O crescimento de mais de 85% nas vendas para a Índia não é por acaso. É um mercado de 1,4 bilhão de pessoas que vê o Brasil como parceiro confiável”, diz Müller.

Ainda na Ásia, a China segue como principal destino das exportações brasileiras. As vendas para o país somaram US$ 84,68 bilhões no acumulado do ano, alta de 12%. Japão (+14,2%), Singapura (+12,1%) e Bangladesh (+25,8%) também ampliaram as compras de produtos brasileiros.
Europa, África e Américas ganham peso

Na Europa, o crescimento foi distribuído entre vários países. Os Países Baixos ampliaram as compras em 16,6%, a Itália em 31,7%, a Turquia em 37,3%, a Polônia em 73,5% e a Alemanha em 15,8%. Minérios de cobre, soja, ouro, petróleo e carne bovina estão entre os produtos que puxaram a alta no continente.

Na África, os destaques foram o Egito, com aumento de 25,2%, e a África do Sul, com 28%. Soja, minério de ferro, milho e animais vivos lideraram o avanço na região. Na América Central e Caribe, o Panamá ampliou as compras em 47,9%, e República Dominicana, Honduras e El Salvador também registraram crescimento expressivo. No Oriente Médio, as vendas subiram para Arábia Saudita (+13,8%), Jordânia (+54,9%) e Emirados Árabes Unidos (+7,4%).
Sinal positivo nos EUA em setembro

Embora o acumulado do ano mostre retração nas vendas para os Estados Unidos, setembro trouxe uma recuperação. As exportações para o mercado norte-americano somaram US$ 3,52 bilhões no mês, alta de 31,9% em relação a setembro de 2025. Carne bovina, aeronaves e café foram os principais responsáveis pelo resultado.

“A recuperação das vendas para os Estados Unidos em setembro mostra não só a resiliência das empresas brasileiras, mas também que as empresas americanas continuam interessadas em negociar com as empresas brasileiras, apesar do aumento de tarifas impostos pelo atual governo dos EUA”, avalia o presidente da ApexBrasil.

No total, as exportações brasileiras alcançaram US$ 34,42 bilhões em setembro, 12,9% a mais que no mesmo mês do ano anterior, com saldo comercial positivo de US$ 7,74 bilhões. Indústria extrativa (+39,8%), indústria de transformação (+5,3%) e agropecuária (+4,8%) cresceram no período.
Proteínas e manufaturados em alta

A pauta exportadora também se ampliou no ano. Na indústria de transformação, as vendas de carne bovina cresceram 14,1%, um acréscimo de US$ 1,6 bilhão. As de carne de aves subiram 20,7%, as de farelo de soja, 21,3%, e as de óleos combustíveis, 32,6%. Em setembro, as exportações de aeronaves e partes avançaram 41,9% e as de celulose, 27,4%. Na agropecuária, soja (+14,9%), algodão (+15%), frutas (+20,9%) e animais vivos (+71,7%) se destacaram no acumulado. O petróleo bruto também teve papel relevante, com alta de 28,6% no ano.

CNN Brasil - SP   08/10/2026

O rendimento do título de 30 anos dos EUA atingiu uma nova máxima em 24 anos nesta quarta-feira (7), em meio à retomada de uma liquidação nos mercados mundiais de títulos um dia após uma breve trégua nas preocupações com o aumento da inflação e o endividamento público.

O rendimento do título de 30 anos chegou brevemente a 5,7041% antes da divulgação da ata da reunião de setembro do Federal Reserve.

Os rendimentos globais retomaram a alta, revertendo parte do alívio sentido na sessão anterior, sob o peso das preocupações com a inflação e as finanças públicas e com os preços do petróleo voltando a subir.

Os futuros do petróleo Brent registravam alta de mais de 1% no dia, cotados em cerca de US$101,54 o barril.

Infomoney - SP   08/10/2026

As expectativas dos americanos para a inflação no curto prazo aumentaram no mês passado, enquanto a percepção sobre o mercado de trabalho melhorou, segundo uma pesquisa do Federal Reserve Bank de Nova York divulgada nesta quarta-feira.

As estimativas dos consumidores para a inflação nos próximos 12 meses subiram para uma mediana de 3,9% em setembro, ante 3,6% no mês anterior, atingindo o maior nível desde maio de 2023. Já a avaliação sobre o mercado de trabalho melhorou, à medida que os trabalhadores passaram a enxergar menor probabilidade de perder o emprego e maiores chances de pedir demissão voluntariamente, de acordo com a pesquisa mensal de expectativas dos consumidores do Fed de Nova York.

Divulgado a menos de um mês das eleições legislativas de novembro nos Estados Unidos, o levantamento é o mais recente a destacar o pessimismo persistente dos americanos em relação a uma economia que continua crescendo. Dados divulgados nas últimas semanas mostraram que a confiança do consumidor caiu ao menor nível em quatro meses em setembro e que a taxa de desemprego avançou levemente, embora permaneça historicamente baixa.
O relatório desta quarta-feira também mostrou que as expectativas para a inflação em três anos avançaram para uma mediana de 3,3%, ante 3,2% em agosto. Já as estimativas para a inflação em cinco anos permaneceram estáveis em 3%.

As autoridades do Fed elevaram a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual em setembro, uma decisão que, segundo alguns dirigentes, dá mais tempo para que o banco central avalie os rumos da economia. A próxima reunião da instituição está marcada para os dias 27 e 28 de outubro, em Washington.

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Perspectivas melhores para o mercado de trabalho

Apesar da inflação elevada, a percepção das famílias sobre o mercado de trabalho melhorou. A parcela dos entrevistados que espera uma alta da taxa de desemprego nos próximos 12 meses recuou para cerca de 44%. Já a percepção das chances de encontrar um novo emprego nos três meses seguintes a uma eventual demissão aumentou para 46%.

As expectativas de perda de emprego no próximo ano também diminuíram, com a melhora mais acentuada entre trabalhadores de 40 a 60 anos e aqueles com renda familiar anual superior a US$ 100 mil. As chances de deixar um emprego voluntariamente também aumentaram, especialmente entre trabalhadores sem diploma universitário e com mais de 40 anos.

Autoridades do Fed vêm afirmando há algum tempo que o mercado de trabalho atravessa um equilíbrio de baixas contratações e baixas demissões. Em setembro, a taxa de desemprego subiu para 4,2%, à medida que as empresas reduziram o ritmo de contratação e os desempregados passaram, em média, seis meses procurando trabalho.

A pesquisa do Fed de Nova York mostrou ainda que a percepção dos consumidores sobre a própria situação financeira piorou pelo segundo mês consecutivo. Cerca de 42% das famílias disseram estar em situação muito ou um pouco pior do que há um ano, enquanto aproximadamente 18% afirmaram ter registrado melhora.

Mais famílias também passaram a esperar uma deterioração de suas finanças nos próximos 12 meses, e um número maior de consumidores afirmou que está mais difícil obter crédito do que há um ano.

Ainda assim, há sinais de que os consumidores continuam encontrando maneiras de manter os gastos. A expectativa de crescimento das despesas nos próximos 12 meses atingiu o maior nível desde maio de 2023, em um avanço observado entre diferentes grupos etários e níveis de escolaridade. Os consumidores seguem projetando que seus gastos crescerão mais rapidamente do que sua renda. Ao mesmo tempo, a percepção da probabilidade de atrasar pagamentos de dívidas nos próximos três meses recuou ligeiramente para 12%.

Infomoney - SP   08/10/2026

Após uma sequência de surpresas baixistas na inflação que vinha desde maio, o IPCA-15 mostrou uma alta de 0,70% na comparação mensal de setembro, num sinal de “a lua de me acabou”, segundo análise do boletim Brasil Macro Mensal, que a XP divulgou nesta quarta-feira (7). Também é feito o alerta de riscos para a inflação estão se acumulando para 2027, mas a projeção é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) continuará a reduzir a taxa Selic cautelosamente (em 25 pontos-base) nas próximas reuniões.

A análise sobre o cenário para a inflação, assinada pelos economistas Basiliki Litvac e Alexandre Maluf, destaca que a aceleração já era esperada, refletindo o rebote do fim do crédito do Bônus de Itaipu nas contas de energia elétrica.

No entanto, também foram citados outros aumentos antecipados, como na alimentação no domicílio e itens voláteis de serviços de transporte, como passagens aéreas, transporte por aplicativo e seguro de automóvel, que superaram as estimativas iniciais. “Da mesma forma, a inflexão esperada na trajetória de queda das medidas de inflação subjacente refletiu esses movimentos de forma um pouco mais forte do que o antecipado”, disseram.

Para o IPCA cheio de setembro, os economistas esperam  um aumento semelhante ao da prévia, impulsionado pelo rebote nos preços de energia elétrica, pela incorporação de surpresas altistas recorrentes e pela retomada dos aumentos de preços de alimentos in natura — devido às chuvas acima da média histórica na região Sudeste — e da carne.

“As perspectivas permanecem sob pressão. A inflação acumulada em 12 meses voltará a ultrapassar o limite superior da faixa da meta no 4º trimestre. Os preços dos alimentos aumentarão ainda mais, refletindo condições climáticas adversas sob a influência do El Niño, que pode se intensificar até o final do ano, combinadas com sazonalidade menos favorável e preços mais altos da carne”, listaram.

Segundo Litvac e Maluf, esses aumentos devem superar significativamente os observados no 4º trimestre de 2025. E a inflação de serviços, especialmente em categorias intensivas em mão de obra, deve permanecer resiliente, dado o mercado de trabalho ainda robusto e as medidas de estímulo fiscal e quase fiscal anunciadas.

A projeção é de que os preços do petróleo permanecendo próximos a US$ 100 por barril — acima da premissa da XP, de US$ 85 para este semestre — pressionam os reajustes dos preços dos combustíveis, que devem novamente se refletir nos custos de insumos de bens industriais e nos preços das passagens aéreas. “As chuvas mais intensas interromperam a moagem da cana-de-açúcar, revertendo grande parte da queda nos preços do etanol nas usinas observada entre o final de março e agosto — uma fonte adicional de pressão sobre os bens industriais e os preços da gasolina na bomba”, explicam.

Sobre os preços regulados, a análise é que os subsídios estão domando o repasse. Assumimos que os subsídios e as isenções fiscais serão renovados mensalmente até o final do ano, impedindo que as flutuações nos preços internacionais da gasolina e do diesel cheguem aos consumidores”, estimaram, acrescentando que está mantida a projeção de bandeira tarifária verde para as contas de energia elétrica em novembro e dezembro.

Por conta dessa análise, a XP elevou a previsão do IPCA para 2026 de 5,0% para 5,1%, incorporando as recentes surpresas inflacionárias. E a projeção de inflação para 2027 foi elevada de 4,2% para 4,4%, uma vez que os riscos permanecem inclinados para cima.
El Niño e combustíveis

Sobre a possibilidade de um fenômeno climático El Niño mais forte e persistente do que o antecipado, a avaliação é de que isso pode afetar a oferta de alimentos por um período mais longo, tornando tanto o momento quanto a magnitude da reversão dos aumentos de preços mais incertos.

“Nesse caso, nossas estimativas apontam para um aumento de 0,20 a 0,25 p.p. no índice cheio. Segundo, tarifas de energia elétrica: as condições hidrológicas podem se tornar mais desfavoráveis se o El Niño for mais intenso, acionando bandeiras tarifárias com custos adicionais para os consumidores. Por exemplo, uma bandeira tarifária amarela em dezembro de 2027 adicionaria 0,10 p.p. à inflação”, escreveram.

Sobre os preços dos combustíveis, os economista da XP acreditam que um período prolongado de conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, com instabilidade nos fluxos de transporte de petróleo e danos à infraestrutura de refino, pode ampliar ainda mais a defasagem entre as referências internacionais e os preços domésticos dos combustíveis.

“Se essa situação persistir, um realinhamento dos preços nas refinarias será inevitável. Um aumento de 10% nos preços da gasolina e do diesel nas refinarias adicionaria 0,16 p.p. e 0,01 p.p. ao IPCA, respectivamente.”

Outra fonte de incerteza a ser monitoradas pela XP é a implementação da nova estrutura do IPCA a partir de janeiro de 2027, com base na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) realizada entre 2024 e 2025. “Um aumento no peso dos serviços pode adicionar 0,10 a 0,20 p.p. à inflação cheia do próximo ano”, advertem.

Eles também citam outro fatores a serem observados: a possível mudança no regime de jornada de trabalho semanal e os estágios iniciais da reforma tributária, que podem afetar os preços de serviços e bens.

Sobre os fatores atenuantes, são citados um Real (BRL) mais forte, refletindo um ajuste crível da política fiscal, uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica e a possível manutenção de uma postura de política monetária mais restritiva do que a assumida em nosso cenário base.
Copom “cauteloso”

Sobre as decisões de política monetária, a XP continua projetando cortes graduais nas taxas de juros nos próximos meses. Isso apesar dos sinais contrários, adverte o economista Rodolfo Margato. “Considerando o recente fortalecimento da taxa de câmbio e as indicações do Banco Central de efeitos de segunda ordem limitados — sobre preços e salários — decorrentes do choque energético global, não esperamos mudanças relevantes em seu “plano de voo” de cortes de juros.”

A XP, portanto, mantém suas projeções para a taxa Selic em 13,25% até o final de 2026 e 11,50% em 2027. Esse cenário considera reduções de 25 pontos-base nas próximas três reuniões do Copom (novembro, dezembro e janeiro), seguidas por cortes de 50 pontos-base até o final do primeiro semestre do próximo ano (março, abril e junho).

Na avaliação de Margato, tanto o ambiente doméstico quanto o global apresentam vetores opostos para as perspectivas da política monetária no Brasil.

Em relação ao front doméstico, ele cita que o enfraquecimento da atividade econômica está se tornando mais claro. “A desaceleração econômica é cada vez mais evidente e generalizada entre os setores. O baixo dinamismo da demanda doméstica e o aumento dos custos de produção dificilmente serão revertidos tão cedo”, afirma

Segundo o economista, espera-se que o PIB permaneça estagnado (ou se contraia moderadamente) no semestre atual, e que o próximo ano provavelmente será marcado por um crescimento econômico abaixo do potencial, “empurrando o hiato do produto para território negativo, o que contribui para o afrouxamento da política monetária.”

Por outro lado, os riscos de inflação estão aumentando, conforme a análise e as projeções da XP para 2026 e 2027.

Além dos fatores cíclicos, é citado o debate eleitoral e seu impacto sobre as perspectivas de reformas fiscais podem levar a diferentes trajetórias de taxas de juros, especialmente no médio prazo — a partir do segundo semestre de 2027).

É feita a ponderação de que, se a dinâmica cambial continuar favorável e as expectativas de inflação recuarem, o Copom poderia optar por acelerar o ritmo de afrouxamento monetário (para 50 pontos-base) já na reunião de dezembro.

“De acordo com nossas simulações, o modelo de projeção do Banco Central mostraria inflação em 2,9% no horizonte relevante atual para a política monetária (2º trimestre de 2028) se a taxa de câmbio permanecer em torno de 5,00 reais por dólar. Assumindo 4,80, por exemplo, a projeção de inflação do IPCA cairia para 2,7%. Tudo o mais constante, essa dinâmica permitiria uma queda adicional de cerca de 100 pontos-base na taxa básica de juros”, escreve Margato.

Segundo ele, as perspectivas de uma taxa Selic terminal mais baixa podem ganhar impulso se houver progresso na agenda de ajuste fiscal. “O cenário de continuação do afrouxamento monetário até meados de 2027 tem sido sustentado, por vários meses, pela expectativa de crescimento econômico abaixo do potencial e pela resiliência da taxa de câmbio em meio à turbulência global. Na ocorrência de medidas robustas de ajuste fiscal e uma consequente redução nos prêmios de risco, acreditamos que o Copom encontraria maior espaço para cortes de juros ao longo de 2027”, conclui.

MINERAÇÃO

O Estado de S.Paulo - SP   08/10/2026

As ações da Vale (VALE3) operavam em forte queda na tarde desta quarta-feira (7), a caminho do pior nível de fechamento desde dezembro de 2025. Às 14h19 (de Brasília), os papéis da mineradora recuavam 2,2%, cotados a R$ 68,82, e pressionavam o desempenho do Ibovespa, que cedia 0,17%, aos 205.485,24 pontos.

O dia é negativo para ações do setor de siderurgia da B3. Os papéis da Usiminas (USIM5), Gerdau (GGBR4) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) registravam perdas de 1,09%, 0,71% e 1,37%, respectivamente, no mesmo horário. Já o Índice de Materiais Básicos (IMAT) cedia 0,2%, aos 6.312,7 pontos.

O setor sofre com uma combinação de minério de ferro fraco e rotação de portfólio, avaliou o sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, ao Broadcast. “Depois do primeiro turno eleição, o fluxo migrou fortemente das exportadoras para ações domésticas mais sensíveis à queda dos juros. Isso explica as baixas de Vale e CSN Mineração, mas também ajuda a entender a Gerdau caindo mesmo com fundamentos relativamente melhores”, disse.

O Morgan Stanley, inclusive, reduziu a exposição à Vale, que registra a terceira baixa seguida hoje. O banco afirma estar privilegiando empresas domésticas em detrimento dos nomes ligados a commodities, diante da possibilidade de mudança econômica no Brasil a partir de 2027.

Lemos, da Fatorial, destaca ainda que, na quinta-feira (8), a Bolsa chinesa de Dalian reabre suas negociações de minério de ferro. Dessa forma, o mercado terá novamente formação de preço na China com o final do feriado da Golden Week.

Em Singapura, nesta quarta-feira, o minério encerrou próximo à estabilidade. O contrato futuro de novembro de 2026 subiu apenas 0,04%, cotado a US$ 91,60 por tonelada.

AUTOMOTIVO

Auto Industria - SP   08/10/2026

Com 268,3 mil unidades, a produção de veículos em setembro, apesar de registrar pequena queda de 1,1% sobre agosto, foi a maior para o mês desde 2014.

No acumulado dos nove meses, já saiu das linhas de montagem das montadoras aqui instaladas um total de 2,166 milhões de veículos, expansão de 8,7% sobre o mesmo período de 2025 (1,99 milhão).

Números positivos, sem dúvida, mas motivo de preocupação do presidente da Anfavea, Igor Calvet, frente ao aumento da participação de unidades SKD/CKD nos números finais da indústria local.

“Boa parte da alta na produção se dá por veículos totalmente desmontados, os chamados SKD, que chegam da China sem utilizar o parque de autopeças nacional e com pouca mão de obra envolvida”, destacou o executivo.

Além disso, lembrou, a balança comercial do setor sofre com a alta das importações e a queda expressiva das exportações, o que faz com que o mercado interno cresça bem acima da produção. No caso dos emplacamentos, a alta foi da ordem de 18%.

Conforme dados da Anfavea, das 173 mil unidades produzidas a mais no comparativo de 2026 com o ano passado, apenas 50 mil foram de produção local plena.

Outros 123 mil veículos foram montados a partir de unidades CKD e SKD vindas da China, um número que supera o volume individual de 60% das fábricas instaladas no Brasil. BYD e GWM são as marcas chinesas que estão operando localmente a partir da importação de peças e conjuntos desmontados.

Assim como a produção, setembro também registou o maior volume de emplacamentos em um mês desde dezembro de 2014 (281,4 mil veículos).

Valor - SP   08/10/2026

A diferença é que os fabricantes instalados no país dominaram as vendas durante quase toda a década passada. Agora, um mercado do mesmo tamanho tem de ser dividido com os importadores, chineses na maioria

O mercado brasileiro de veículos voltará a passar de 3 milhões de unidades este ano. Isso não acontecia há 12 anos. A diferença é que os fabricantes instalados no país dominaram as vendas durante quase toda a década passada. Agora, um mercado do mesmo tamanho tem de ser dividido com os importadores, chineses na maioria. A Anfavea ampliou sua projeção de aumento de vendas de veículos em 2026 de 12,1% para 15,2%, totalizando 3,09 milhões de veículos.

Em 2014, foram vendidos no país 3,49 milhões de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus. Para este ano, a estimativa é chegar perto de 3,1 milhões. Esse total é o resultado de uma nova projeção, apresentada nesta quarta-feira, 6, pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

O recorde de vendas foi em 2012, quando foram comercializados 3,8 milhões de veículos, o maior volume da história da indústria automobilística no país, que começou no fim da década de 1950. De 2015 em diante, o mercado brasileiro nunca voltou a alcançar 3 milhões de unidades.

O auge de vendas naquele momento estimulou investimentos que levaram o setor a construir novas fábricas.

Como os números desde então foram sempre menores, o resultado foi um excesso de capacidade, que prevalece até hoje. O parque fabril brasileiro tem espaço hoje para produzir 4,6 milhões de veículos.

No caso da produção, no entanto, não será neste ano que a marca de 3 milhões voltará a ser alcançada. A última vez foi em 2014, com 3,15 milhões. O recorde foi também em 2013 (3,71 milhões de unidades).

Embora a Anfavea tenha aumentado ligeiramente a projeção de produção em relação à projeção de junho, o volume ainda ficará distante dos picos de 12 e 13 anos atrás. A expectativa da entidade é que 2,82 milhões de unidades deixem as linhas de montagem este ano, um crescimento de 6,7% em relação a 2025. A projeção anterior era de 5,8%.

Em parte, a produção crescerá menos do que o mercado interno em razão do avanço de importados. E também pela queda das exportações, provocada pela perda de competitividade nos mercados vizinhos, para onde os chineses também avançam.

Os volumes de exportação também foram revisados. No caso, para baixo. Há quatro meses, a Anfavea calculava uma queda de 12,9% no total vendido ao exterior. Mas o ritmo nos últimos meses mostrou que os volumes serão menores e agora a entidade estima recuo de 17,7%, com previsão de embarcar 435 mil veículos. O auge da exportação da indústria automobilística no Brasil foi em 2005, quando foram embarcadas 897,1 mil unidades.

Ao apresentar as novas estimativas, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, disse que o período eleitoral nada tem a ver as projeções. “As revisões foram feitas de forma técnica”, disse. “A Anfavea trabalha com qualquer governo eleito”, completou.

As vendas acumuladas no ano alcançaram 2,2 milhões de unidades, alta de 18,1% em comparação com o mesmo período de 2025. Já a produção subiu 8,7 % para 2,17 milhões de veículos no acumulado do ano.

O Estado de S.Paulo - SP   08/10/2026

A gigante chinesa Zhongtong, que produz ônibus elétricos e faz parte do mesmo grupo da Sinotruk e da Weichai, vai fincar os pés no Brasil.

A empresa será representada no país pelo grupo TEVX, que já trabalhou com outra marca chinesa, a Higer.

Segundo o CEO da TEVX, Carlos Eduardo Souza, a marca chinesa já bateu o martelo para sua representação brasileira e tem planos ambiciosos: “Queremos 15% do mercado brasileiro e, em breve, vamos anunciar nossos planos para uma produção local, com capacidade para pelo menos 900 unidades por ano”, disse o executivo à reportagem em uma visita ao Grupo Cabal, em Santiago, no Chile.

O Grupo Cabal, que faz a distribuição de veículos no país sul-americano, já comercializou 895 ônibus elétricos da Zhongton no Chile, que atualmente atendem a um público de 3,5 milhões de pessoas no sistema RED Santiago. Eles também venderam 100 ônibus elétricos da marca no Chile para o fretamento na mineração.

A empresa também representa as marcas Caio, encarroçadora brasileira de ônibus, e Irizar, no mercado chileno.

Soluções completas

Souza explica que a TEVX é capacitada e tem experiência para oferecer soluções completas para os operadores brasileiros, indicando os modelos ideais para cada operação e, principalmente, atuando na curadoria e na consultoria para as infraestruturas de carregamento dos ônibus.

“Implementamos um grande número de ônibus elétricos no Brasil de outra marca e fazemos consultoria, inclusive, para as soluções financeiras. Temos também clientes brasileiros na manutenção de baterias para caminhões elétricos CATL das marcas XCMG e Sany”, diz o executivo.

A TEVX Zhongton ainda faz mistério sobre as 10 unidades já comercializadas no Brasil que começarão a rodar no primeiro semestre do ano que vem e não revela, mas afirma que já tem local definido para sua fábrica no Brasil.

“Teremos fábrica no Brasil e, para ter um processo de fabricação local, é necessário haver transferência de tecnologia. Tive contato com as dez maiores fabricantes de ônibus elétricos da China e quando conheci a Zhongtong e tive a primeira reunião, fui convidado pela diretoria da empresa para assinar contrato e já definir a produção local, graças à expertise da TEVX e à nossa experiência no mercado”, conta Carlos Eduardo.

Ele conta que a empresa quer conquistar 15% do mercado brasileiro, cerca de 900 unidades por ano. “Este é um volume que justifica a implementação de uma fábrica e uma produção local”, complementa o executivo.

Segundo o CEO da TEVX, a Zhongtong é uma das três maiores fabricantes de ônibus elétricos da China e já entregou mais de 100 mil unidades, com capacidade para fabricar 30 mil unidades por ano.

Os ônibus da marca contam com baterias CATL do tipo LFP com autonomia de até 350 km, de acordo com o modelo e aplicação.

Inicialmente, a empresa vai trabalhar no Brasil com seis modelos elétricos: o TZ9, um miniônibus de 9 metros, o o TZ10, midi de 10 metros, o TZ12, básico de 12 metros, o TZ13, padron de 13 metros e o TZ18, articulado de 18 metros, todos voltados para o transporte urbano. Também está nos planos o modelo rodoviário TZR.

As primeiras unidades da TEVX Zhongtong a desembarcar no Brasil serão ônibus completos, com chassi e carrocerias em monobloco. “Mas serão modelos desenvolvidos e fabricados para a realidade brasileira, já com o projeto exclusivo para o Brasil”, conta Carlos Eduardo Souza.

Segundo o executivo, o plano é também fazer a importação de chassis para serem encarroçados no Brasil, e, quando houver a produção local, atuar como as tradicionais, fabricando os chassis para receber as carrocerias de implementadoras como Caio, Marcopolo, Busscar, entre outras.

Automotive Business - SP   08/10/2026

As montadoras de veículos parecem ter encontrado um caminho para combater a queda das exportações que se acentuou nos últimos meses de forma quase que crônica, derrubando os volumes de unidades Made in Brazil nos navios e, também, nas linhas de produção.

Na quarta-feira, 7, a Anfavea, que é a associação que representa o setor, afirmou que no ano que vem vai imprimir ritmo em uma espécie de agenda setorial que trata da busca por novos mercados para o veículo nacional. A ideia será obter apoio junto ao futuro governo federal para a costura de acordos comerciais.

Temos uma grande dependência da Argentina e tudo que estamos vendo na queda e na nova projeção podem ser explicadas pela queda do mercado argentino, disse Igor Calvet, presidente da Anfavea. Sem dúvidas, em 2027, um dos trabalhos que a Anfavea vai ter que fazer é ir atrás de novos mercados, trazer acordos de volta, como uma agenda estratégica para garantir nossa competitividade na região.

Entre janeiro e setembro, as exportações brasileiras caíram 23% em relação ao mesmo período de 2025, com resultados negativos em praticamente todos os mercados. A retração foi mais acentuada na Argentina, após a abertura do mercado local a veículos importados reduzir o espaço dos modelos produzidos no Brasil.

O quadro, inclusive, levou a Anfavea a revisar para baixo suas projeções para o ano. O prognóstico mais recente era de uma queda de 12,8% nas exportações este ano ante 2025. O novo cenário traçado aumentou o pessimismo: queda de 17,7%.

No acumulado do ano, os embarques brasileiros caíram para todos os destinos, exceto a Colômbia, informou a Anfavea. As exportações para a Argentina, principal destino dos embarques dos veículos brasileiros, caíram 37,7% no acumulado do ano até setembro, somando 158.500 unidades.

O mercado argentino caiu 13%, mas nossas exportações caíram 37,7%, cerca de três vezes mais. Assim como no México, o mercado local cresceu 5%. Mas nossas exportações caíram, explicou Calvet. Mesmo para a Colômbia, onde crescemos 3,9%, o mercado colombiano cresceu 40%.

As exportações de veículos realizadas no Brasil no acumulado do ano até setembro somaram 334 mil unidades, resultado que representou queda de 23% ante aquele registrado pelo setor no mesmo período em 2025. Apenas em setembro, os embarques somaram 40 mil unidades, queda de 24% ante setembro do ano passado.

Em comparação com agosto deste ano, a variação foi positiva, de 5,6%.
Exportação de automóveis cai 24%

No acumulado do ano, a exportação de automóveis caiu 24,5%, com 251.600 unidades embarcadas, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Apenas em setembro, foram 30.800 embarques, recuo de 26,4% em relação ao mesmo mês de 2025. No entanto, no comparativo com agosto deste ano, o resultado teve leve alta de 5,6%.

Já a exportação de comerciais leves recuou 16,4%, com 61.800 embarques. Apenas em setembro, foram 6.700 unidades, queda de 10,2% em relação a setembro do ano passado. Em comparação com agosto, a retração foi de 16,4%.

Caminhões e ônibus também enfrentam desafio nas exportações

No setor de caminhões e ônibus os resultados também continuam desanimadores. No acumulado do ano, foram exportados 17 mil caminhões, queda de 21,3% em relação a 2025.

Apenas em setembro foram 2.100 veículos embarcados, queda de 22,9% no comparativo com o mesmo mês do ano passado. Em comparação com agosto deste ano, a variação negativa é de 6,3%.

Os ônibus também tiveram retração de 32,6% nas exportações de janeiro a setembro de 2026 em comparação com o período de 2025.

Apenas em setembro, foram 354 embarques, queda de 47,7% sobre o mesmo mês do ano passado. No comparativo com agosto deste ano, a queda foi de 28,3%, com 494 unidades exportadas.

Globo Online - RJ   08/10/2026

Com o maior número de emplacamentos de veículos registrado em setembro, desde 2014, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revisou para cima suas estimativas de vendas e de produção para este ano. A expectativa agora é que 3,09 milhões de veículos sejam vendidos este ano, uma alta de 15% em relação à estimativa anterior de venda de 3,01 milhões de unidades prevista em junho. Já para a produção, a previsão subiu 6,7% de 2,79 milhões de unidades, em junho, para 2,82 milhões agora.

— As revisões foram feitas de forma técnica, independente do cenário eleitoral. Não há variável política no cálculo. A Anfavea trabalha com qualquer governo eleito — disse Igor Calvet, presidente da Anfavea.

No mês passado, foram emplacados 281,4 mil veículos , segundo a Anfavea. No acumulado do ano (em janeiro e setembro) o total de emplacamentos chega a 2,2 milhões de unidades, alta de 18,1% frente ao mesmo período de 2025, quando foram emplacados 1,9 milhão de unidades.

Calvet explica que a sequência de meses com médias diárias de vendas crescentes, impulsionada pelo ritmo forte dos veículos leves e pela rápida aceitação de novas tecnologias de eletrificação ampliaram as vendas e levaram à revisão das projeções, mesmo num cenário de juros elevados e restrições ao crédito. Calvet lembrou que nos primeiros nove meses deste ano, foram emplacadas 242 mil unidades de veículos leves eletrificados no Brasil, sendo 167 mil elétricos puros no período, o triplo do registrados nos primeiros nove meses de 2025. A alta do preço do petróleo, provocada pela guerra no Oriente Médio, também é um fator que estimula a eletrificação da frota, disse o presidente da Anfavea.

— Há muito tempo não tínhamos um mês de setembro tão positivo — disse Calvet, que lembrou também que o programa do carro sustentável também contribuiu para o aumento das vendas. Esse programa é uma iniciativa do Governo Federal (vinculada ao Programa MOVER - Mobilidade Verde e Inovação) que zera ou reduz o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros compactos e de entrada produzidos no Brasil. Desde o início do programa, em julho de 2025, foram 632 mil emplacamentos.

Calvet disse que entre janeiro e setembro deste ano, cerca de 51,6% das vendas de veículos leves aconteceram no varejo (o equivalente a 374 mil unidades), reativando um canal importante que são as concessionárias. Geralmente, a maior parte dos veículos é vendida diretamente das fábricas (a chamada venda direta).

Entre os veículos vendidos no país no acumulado do ano, 463,9 mil foram importados, sendo a maior parte da China (254,9 mil unidades). A importação de veículos da China cresceu 106,4% nos primeiros nove meses do ano, superando o mesmo período de 2025 quando foram importados 125,5 mil unidades. Da Argentina, houve queda nas importações de 14,3% no mesmo período (de 150,3 mil no mesmo período do ano passado para 128,7 mil unidades).

Já as exportações nos primeiro nove meses do ano caíram 23%, de 433,8 mil unidades em 2025 para 334 mil unidades este ano. Para a Argentina, a queda das exportações foi de 37,7%, de 254,4 mil unidades nos primeiros noves meses de 2025 para 158,5 mil unidades no mesmo período deste ano. Por isso, a Anfavea revisou para baixo a estimativa de exportações este ano. A projeção caiu para 435 mil unidades, o que representa uma queda de 17,7% no ano (ante a estimativa anterior de 461 mil unidades).

Automotive Business - SP   08/10/2026

A indústria brasileira de veículos produziu 2,166 milhões de unidades de janeiro a setembro, alta de 8,7% sobre o volume fabricado pelas montadoras no mesmo período do ano passado. Apenas em setembro, foram 268,3 mil veículos, avanço de 10,2% na comparação anual. Na comparação com agosto, porém, houve leve recuo de 1,1%.

O resultado acumulado é sustentado principalmente pelos veículos leves. Automóveis tiveram produção de 1,671 milhão de unidades nos nove primeiros meses do ano, crescimento de 11,4% sobre 2025. Em setembro, foram 209 mil unidades, alta de 14,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado, embora com queda de 2,8% ante agosto.

Nos comerciais leves, a produção acumulada chegou a 381,2 mil unidades, expansão de 3,1% sobre os 369,7 mil veículos fabricados entre janeiro e setembro de 2025. O comportamento em setembro, contudo, foi mais fraco: foram 46,2 mil unidades, queda de 2,4% na comparação anual. Na relação mensal, houve recuperação de 8,6% ante agosto.

Entre os veículos pesados, o cenário foi negativo no acumulado. A produção de caminhões somou 92,3 mil unidades até setembro, recuo de 6,4% sobre as 98,6 mil de um ano antes. Setembro, porém, apresentou reação, com 11,6 mil caminhões produzidos, alta de 15% sobre setembro de 2025. Em relação a agosto, houve queda de 1,3%.

Já a produção de chassis de ônibus acumulou 21,3 mil unidades, queda de 11,2% na comparação com os nove primeiros meses de 2025. Em setembro, a retração foi ainda mais acentuada: foram 1.425 chassis, contra 2.787 unidades um ano antes, uma queda de 48,9%. Na comparação com agosto, a produção recuou 23,3%.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

CNN Brasil - SP   08/10/2026

A tecnologia tem ganhado espaço também na operação de máquinas pesadas, com recursos voltados a aumentar a precisão e facilitar o trabalho nos canteiros de obras. É nesse contexto que a John Deere lança a nova geração de escavadeiras DEX, primeira da história da companhia desenvolvida com tecnologia e engenharia própria.

Produzida em Indaiatuba, no interior de São Paulo, a linha é composta pelos modelos 210 P, 230 P e 260 P e chegou ao mercado latino-americano em setembro. Antes do lançamento, as máquinas passaram por mais de 165 mil horas de testes em diferentes países e aplicações.

Entre as tecnologias disponíveis está o SmartGrade 2D, sistema de nivelamento inteligente que utiliza referências digitais do terreno para auxiliar o operador durante a escavação. Já o SmartWeigh, um sistema de pesagem inteligente que realiza a pesagem do material movimentado em tempo real. As máquinas também podem contar com recursos que criam limites virtuais de operação e auxiliam a evitar colisões com estruturas, obstáculos ou áreas restritas.

Conectividade chega à operação e à manutenção

As escavadeiras são conectadas ao John Deere Operations Center, plataforma que permite monitorar remotamente as máquinas, analisar dados operacionais e realizar diagnósticos e suporte técnico à distância. Recursos de acesso remoto também permitem que técnicos acompanhem a tela do equipamento, orientem ajustes e façam atualizações de software sem estar dentro da cabine.

A nova geração também recebeu mudanças estruturais voltadas à durabilidade. O sistema de pinos e buchas pode ampliar a vida útil desses componentes em até cinco vezes, enquanto o conjunto rodante teve aumento de 20% na durabilidade. As caçambas, por sua vez, receberam novo design e materiais que podem prolongar sua vida útil em até 12%. Para dar suporte às operações, a John Deere conta com mais de 140 pontos de atendimento de sua rede de Construção no Brasil.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   08/10/2026

Resultado por trabalhador brasileiro é inferior a da maioria dos países, inclusive na América Latina, aponta levantamento da Fiesp

A produtividade da construção civil brasileira caiu 25,8% entre 2016 e 2023, segundo dados do levantamento “Mãos à Obra: Emprego e Produtividade na Construção”, elaborado pelo Departamento da Indústria da Construção e Mineração (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Conforme mostram os dados, a construção civil brasileira enfrenta um impasse estrutural que vai além da escassez de trabalhadores no setor. Em 2023, cada trabalhador da construção brasileira gerou, em média, US$ 19 mil por ano, patamar inferior ao de outros países da América Latina como Chile (US$ 27 mil) e México (US$ 26 mil).

A distância é ainda maior quando comparada a mercados mais avançados, como Estados Unidos (US$ 84 mil) e Dinamarca (US$ 100 mil).

De acordo com a Fiesp, o cenário é agravado por outros fatores como o envelhecimento da força de trabalho formal e pela alta rotatividade.

Em 2024, segundo o levantamento, 75,1% dos profissionais formais tinham entre 30 e 64 anos, enquanto a participação dos jovens de 18 a 29 anos caiu de 33,4% em 2010 para 22,2% em 2024.

A construção civil lidera o ranking de rotatividade de trabalhadores no mercado formal brasileiro. A taxa era de 63% entre junho de 2024 e maio de 2025, o que, segundo a Fiesp, impede o acúmulo de aprendizado, reduz a produtividade do trabalho e eleva os custos de recrutamento e treinamento.

Entre as empresas que relatam dificuldades de contratação, 55,1% apontam a falta de interesse dos candidatos, 55% também se queixam da escassez de profissionais qualificados, e 42,1%, a ausência de experiência.

Disputa com serviços

O levantamento destaca que a perda de atratividade do setor tem sido acentuada pela concorrência de serviços por aplicativos. O contingente de trabalhadores por aplicativos de transporte e entrega, por exemplo, cresceu 170% em dez anos, passando de 770 mil em 2015 para 2,1 milhões no segundo trimestre de 2025.

“Esse mercado atrai um perfil socioeconômico semelhante ao da construção - majoritariamente masculino (83,9%), jovem e com ensino médio completo -, oferecendo maior flexibilidade, autonomia e rendimento habitual médio mensal superior (R$ 2.996 no setor de plataformas contra R$ 2.786 na construção em números de 2024)”, aponta o estudo da Fiesp.

Para reverter esse cenário, o estudo propõe uma agenda de modernização do setor no Brasil. O relatório aponta como estratégia a aceleração da industrialização e da digitalização, incluindo a ampliação do uso de Building Information Modeling (BIM), com maior nível de padronização, mecanização, pré-fabricação e construção modular.

Além disso, referências internacionais analisadas pelo estudo indicam que métodos industrializados podem reduzir entre 60% e 80% as horas de trabalho no canteiro de obras e entre 14% e 50% a necessidade de mão de obra - medidas que poderiam aumentar a produtividade do setor no Brasil, caso sejam implementados a implementação dos métodos construtivos mais modernos aumentar nos próximos anos.

FERROVIÁRIO

Veja - SP   08/10/2026

A concessionária Trivia Trens iniciou nesta terça-feira (6) o processo de retomada gradual da operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, além do Expresso Aeroporto, no sistema de trens metropolitanos de São Paulo.

O retorno do consórcio privado foi autorizado pela Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) após a apresentação de um plano de readequação operacional e a realização de mais treinamentos com as equipes.

Nesta primeira etapa, a Trivia Trens reassumiu o controle da Linha 13-Jade e do Expresso Aeroporto, atuando sob supervisão e acompanhamento presencial de técnicos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Segundo o cronograma estabelecido pela Artesp, no dia 26 de outubro a empresa começará a operar de forma assistida nas linhas 11-Coral e 12-Safira, com previsão de assumir a gestão integral de todos os ramais em 26 de novembro.

Estreia marcada por caos

A concessão do Lote Alto Tietê foi arrematada pelo consórcio controlado pela Comporte Participações em março de 2025, prevendo 14,3 bilhões de reais em investimentos ao longo dos 25 anos de contrato. Após o período de transição, a Trivia Trens assumiu oficialmente a operação dos ramais da Zona Leste e do Alto Tietê na madrugada de 21 de julho de 2026.

No entanto, os primeiros dias sob gestão privada foram marcados por transtornos e protestos de passageiros.

Logo na estreia, a Estação Brás registrou superlotação e filas com tempo de espera superior a 15 minutos nas plataformas.

No dia seguinte (22), a Linha 12-Safira operou com velocidade reduzida devido a uma falha em equipamento de via.

Incêndio em vagão

O ápice da crise ocorreu em 23 de julho de 2026, no terceiro dia de operação da concessionária. Uma falha no fornecimento de energia interrompeu a circulação entre as estações Brás e Tatuapé, enquanto um curto-circuito provocou um princípio de incêndio que carbonizou por dentro um trem da Linha 12-Safira na altura da Estação Bresser-Mooca.

Diante da paralisação e da falta de luz, centenas de passageiros precisaram desembarcar e caminhar sobre os trilhos.

O episódio levou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) a instaurar inquérito civil para apurar as falhas.

Em 24 de julho de 2026, a Artesp aplicou uma medida cautelar que retirou temporariamente a Trivia Trens e devolveu a operação das três linhas à CPTM por até 90 dias.

As exigências para a retomada

Durante o período em que permaneceu afastada da operação, a Trivia Trens teve que enviar para a Artesp um plano de ação focado na reciclagem das equipes operacionais, na revisão dos procedimentos de manutenção e no aprimoramento dos protocolos de emergência, evacuação e comunicação com os passageiros.

A devolução das linhas está condicionada ao cumprimento das metas de segurança e desempenho avaliadas pela CPTM e fiscalizadas pela Artesp durante esta nova fase.

CNN Brasil - SP   08/10/2026

A VLI iniciou a movimentação ferroviária de sorgo em três corredores logísticos e realizou os primeiros embarques do grão com destino à China e à África. A companhia prevê transportar mais de 800 mil toneladas da commodity até o fim de 2026, utilizando a FCA (Ferrovia Centro-Atlântica) e o tramo norte da Ferrovia Norte-Sul.

O primeiro embarque pelo sistema integrado da empresa ocorreu em setembro, no Porto de Tubarão, em Vitória (ES), com destino à China. Até o mesmo mês, a VLI havia movimentado mais de 250 mil toneladas de sorgo, sendo cerca de 90 mil toneladas pelo Porto de Santos (SP) e mais de 160 mil toneladas pelo terminal capixaba. As cargas tiveram a China como destino.

No Corredor Sudeste, o sorgo é transportado de Uberaba (MG) até o Porto de Santos pela FCA. Já no Corredor Leste, o fluxo parte de Araguari (MG) em direção ao Espírito Santo. Segundo a companhia, a operação faz da VLI a pioneira no transporte ferroviário de sorgo no Brasil destinado à exportação.

Em setembro, a empresa também iniciou a movimentação da commodity pelo Corredor Norte, que atende produtores da região do Matopiba. A primeira carga seguiu para o Porto do Itaqui, em São Luís (MA), e a previsão é que os primeiros embarques sejam realizados em outubro, com destino ao norte da África e novamente à China.

Para viabilizar a operação, a VLI realizou capacitações técnicas e promoveu ajustes nos processos e na infraestrutura existente para adequá-los ao transporte do grão.

No Sudeste e no Centro-Oeste, a malha ferroviária da companhia atende importantes regiões produtoras de sorgo. Dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) apontam que Goiás responde por 26% da produção nacional e Minas Gerais por 19%. No Corredor Norte, a operação atende produtores da Bahia, Maranhão e Tocantins.

Segundo Carolina Hernandez, diretora-executiva Comercial, de Projetos e Planejamento Estratégico da VLI, a inclusão do sorgo amplia o portfólio de cargas da companhia e permite aproveitar a infraestrutura já disponível nos corredores logísticos.

“Ao diversificar as cargas movimentadas, aumentamos a competitividade dos nossos clientes, otimizamos o uso da nossa infraestrutura e ampliamos as oportunidades de crescimento dos nossos corredores logísticos”, afirmou.
Alternativa ao milho

A expansão do transporte ocorre em um momento de maior utilização do sorgo como alternativa ao milho. O grão é empregado tanto na alimentação humana quanto na formulação de ração animal e na produção de silagem.

O sorgo também é utilizado como matéria-prima para bioenergia e produção de etanol, além de bebidas fermentadas. No mercado internacional, a commodity tem relevância especialmente em países da Ásia, África e do mundo árabe, onde integra a alimentação de centenas de milhões de pessoas.

Com a entrada do Corredor Norte e a ampliação dos fluxos pelos corredores Leste e Sudeste, a VLI passa a oferecer três rotas ferroviárias para a exportação de sorgo, conectando regiões produtoras brasileiras a portos com acesso aos mercados internacionais.

PETROLÍFERO

Valor - SP   08/10/2026

Os preços do petróleo subiram na Ásia na manhã desta quinta-feira, à medida que as tensões no Oriente Médio intensificavam as preocupações com interrupções no fornecimento na região.

Milicianos Houthis escalaram o conflito com a Arábia Saudita, atacando dois aeroportos no reino. O ataque ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riad, matou um cidadão sudanês e feriu outras oito pessoas. Um ataque separado ao aeroporto na cidade de Abha, no sul do país — a cerca de 400 milhas (aprox. 640 km) da fronteira com o Iêmen —, matou duas pessoas e feriu outras 28, informou a Autoridade Geral de Aviação Civil da Arábia Saudita.

Os dois ataques, ocorridos na terça e na quarta-feira, aprofundaram o conflito entre a Arábia Saudita e os Houthis, o que ameaça perturbar ainda mais o fornecimento de petróleo através do Estreito de Bab el-Mandeb, um ponto de estrangulamento na rede energética global.

"Os ataques a embarcações no Oriente Médio continuaram", afirmaram analistas da ANZ Research em um relatório. "A organização de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) relatou pelo menos nove ataques no Estreito de Ormuz até agora neste mês", observaram os analistas, acrescentando que esse número já representava metade do total registrado em todo o mês de setembro.

Os contratos futuros de petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) para novembro subiram 1,3%, para US$ 89,40 o barril, e os contratos futuros de petróleo Brent para dezembro avançaram 1,4%, para US$ 101,56 o barril, segundo dados da ICE.

Os mercados de ações em toda a Ásia caíram na esteira das quedas registradas na quarta-feira nas bolsas da Europa e dos EUA. O índice Nikkei, do Japão, recuava 0,9%; o Kospi, da Coreia do Sul, caía 0,4%; e o índice FTSE Straits Times, de Cingapura, registrava baixa de 2,0%.

"O tema principal foi um tom moderado de aversão ao risco", disseram analistas do Commerzbank Research em um relatório. "O receio persistente de uma crise fiscal na França foi o principal fator por trás da onda de vendas na Europa", acrescentaram os analistas.

O rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos manteve-se próximo de máximas de várias décadas na Ásia nesta quinta-feira, enquanto investidores analisavam a ata da reunião de setembro do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), na qual o Federal Reserve (Fed) apertou a política monetária.

"A ata da reunião de setembro do Fomc trouxe poucas surpresas", afirmaram estrategistas do OCBC Group Research. "As autoridades reiteraram que o aumento de 0,25 ponto percentual na taxa de juros visava apoiar um retorno mais rápido da inflação à meta de 2% do Fed, ao passo que a maioria dos participantes avaliou que outro aumento da taxa provavelmente seria adequado antes do final do ano", acrescentaram os estrategistas.

O rendimento do título do Tesouro de 10 anos subia recentemente 2 pontos-base, para 5,299%, após atingir uma máxima de 24 anos de 5,361% durante a noite. No entanto, os rendimentos dos títulos públicos de 10 anos da Austrália caíram 2 pontos-base, para 5,380%, e os da dívida soberana de 10 anos da Nova Zelândia recuaram 1 ponto-base, para 5,103%, segundo dados da FactSet.

O rendimento dos títulos públicos de 10 anos do Japão estava 2 pontos-base mais baixo, em 3,085%, de acordo com a provedora de dados Quick. Os rendimentos dos títulos movem-se de forma inversa aos preços.

O Estado de S.Paulo - SP   08/10/2026

O governo brasileiro realiza na quarta, 7, dois leilões de áreas de petróleo e gás natural, em meio ao otimismo trazido por indícios de descobertas de petróleo na Margem Equatorial e outros fatores surgidos desde o último leilão, em 2025. Na época, a previsão era de que o petróleo tipo Brent seria negociado em torno de US$ 50 o barril em 2026, mas o conflito no Oriente Médio restringiu a oferta e fez o preço disparar para o dobro do previsto.

Mesmo sem ofertar áreas na Margem Equatorial ou na Bacia de Pelotas, consideradas novas fronteiras do País após o declínio do pré-sal, previsto para meados da década de 2030, especialistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast estão otimistas. O Brasil é visto no mundo como um local sem guerras e com segurança jurídica.

Os dois leilões serão realizados na sede da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no Centro do Rio. Pela manhã, a partir das 9h, a Oferta Permanente de Partilha (OPP, em que a produção é dividida entre a empresa vencedora e a União) terá 13 blocos, sendo cinco na Bacia de Campos e oito na Bacia de Santos. À tarde, a Oferta Permanente de Concessão (OPC, vencedora paga bônus de assinatura e adquire propriedade do petróleo e gás extraídos) terá 308 blocos em 22 setores, dos quais 13 no Nordeste.

O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) mantém uma leitura otimista para o certame. Mesmo em um cenário global volátil e em um ano com eventos regulatórios, como a cobrança do imposto de exportação do petróleo, a estabilidade regulatória segue como principal fator para o Brasil despontar na corrida global por investimentos da indústria, segundo Cláudio Nunes, diretor de Exploração e Produção (E&P).

“Mesmo num mundo em convulsão, o Brasil tem um histórico de estabilidade regulatória e confiança no jurídico, inclusive no tributário. Isso é muito bom”, diz.

Para o ex-diretor-geral da ANP e ex-presidente da Brava Energia, Décio Oddone, a busca por segurança energética trouxe as grandes petroleiras de volta à exploração de petróleo e gás natural, e o Brasil se destaca pela oferta de blocos em áreas sem conflito.

Segundo ele, empresas que, antes da pandemia e da guerra entre Ucrânia e Rússia, haviam migrado para energias renováveis, hoje voltam a olhar para as ofertas públicas de petróleo e gás.

“Shell, BP, Total, Equinor, todo mundo estava migrando para renováveis com muito pessimismo em relação ao petróleo. Esse quadro se reverteu completamente; as empresas mudaram a estratégia e voltaram a investir em exploração. O último leilão da ANP foi fruto da estratégia das companhias e da percepção de que ainda vamos ter petróleo por muitos anos”, diz Oddone.

Além disso, afirma ele, desde o último leilão brasileiro, em 2025, a guerra entre Estados Unidos e Irã gerou maior preocupação com segurança energética. “Existe uma maior vontade de diversificação de fontes, o que traz maior interesse para o Brasil, que não tem horizonte de guerra”, afirmou.

Enquanto a OPP recebeu inscrição de 19 grandes petroleiras, a OPC conta com 46 inscritas, recorde para leilões da ANP. Os especialistas destacam a diversidade do grupo.

“O conjunto de áreas de produção marginal e em terra mostra o interesse de empresas de menor porte em fazer parte desse ciclo produtivo. A produção, mesmo que a partir de um ou dois poços, traz dinamismo para a indústria, gera empregos locais e renova a cadeia de fornecedores”, afirma Nunes, do IBP. “Não é apenas com bônus de assinatura e royalties que a indústria contribui para a economia.

”Para Luiz Felipe Monteiro Seixas, consultor do Bocater Advogados e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a participação de empresas de diferentes portes e focos pode ampliar competências e elevar a qualidade dos operadores.

“A competitividade está se traduzindo em desenvolvimento tecnológico para o setor. São competidores que têm experiência, demonstram boas práticas e estão cumprindo as obrigações previstas na Lei do Petróleo. Não estamos mais no cenário que vimos em 2010, com a OGX, por exemplo”, disse Seixas, em referência à petroleira de Eike Batista, que foi à falência após não produzir o óleo previsto.

O leilão ocorre entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais. Para Oddone, a vantagem do candidato da oposição no primeiro turno também aumenta a atratividade.

“A possibilidade de ter um governo mais liberal, com menos intervencionismo, que não aposte na Petrobras como o grande fator de desenvolvimento do governo, como a esquerda faz no Brasil, aumenta a atratividade para as empresas internacionais. Há agora um cenário melhor para atração de capital, sem a manutenção do imposto de exportação e outras medidas que são ruins para a atração de capital”, afirma.

O professor e pesquisador do Instituto de Energia da PUC-Rio, Edmar Almeida, prevê que o leilão atraia mais empresas que os anteriores, diante da maior importância do petróleo e do número recorde de interessadas. Como a Oferta Permanente depende de manifestação de interesse, alguns blocos já têm a venda garantida, avalia.

“A manifestação de interesse já é um indicador, e a gente sabe que o interesse na exploração está associado à expectativa de preço do petróleo. E a gente mudou radicalmente a perspectiva de preço do petróleo entre o último leilão e este”, diz. “A tendência é ter um resultado bom.”

Assim como Oddone, Almeida considera o Brasil estável do ponto de vista jurídico e prevê mais investimentos das grandes petroleiras e independentes.

“É uma região muito estável do ponto de vista político e do ponto de vista regulatório, bem mais estável do que trabalhar em regiões como a Venezuela, por exemplo”, explicou Almeida. “Aqui no Brasil, quando você acha um projeto offshore (mar) em um campo razoável, você necessariamente ganha muito dinheiro. Por isso o Brasil é atrativo.”

Além da aquisição das áreas, o IBP defende o aprimoramento de mecanismos do Programa Exploratório Mínimo (PEM) para estimular campanhas exploratórias. A regulamentação da ANP já permite, em determinadas condições, cumprir o PEM de um contrato de concessão em outra área.

“Estamos no momento de repor reservas, e arrematar um bloco demonstra a expectativa de um projeto de 30 anos. A indústria tem diálogo com a ANP para encontrar soluções, otimizar processos e estimular as empresas a perfurar poços nesses blocos que elas arrematam”, afirma Nunes.

Para o diretor-sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Pedro Rodrigues, o desempenho da bolsa na segunda-feira, 5, após a eleição mostrou o efeito que uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro poderia trazer ao mercado, com alta da bolsa e queda do dólar e dos juros.

“O imposto de exportação de petróleo estaria fora da mesa no caso de eleição do Flávio, mas ainda existe incerteza em relação ao regime de Partilha, se vai continuar ou não. São incertezas que estão na mesa”, diz Rodrigues, que defende um calendário prévio de leilões da ANP para dar maior previsibilidade ao investidor.

Valor - SP   08/10/2026

Medida ocorre em meio aos preços recordes dos combustíveis, que se transformaram em uma preocupação política e econômica global

Os membros da Agência Internacional de Energia (AIE) manifestaram nesta quarta-feira apoio à aceleração da liberação no mercado de cerca de 100 milhões de barris de estoques de petróleo, dando prioridade aos estoques de diesel, informou a agência.

A medida faz referência ao plano anunciado na sexta-feira pelo Grupo dos Sete (G7, que reúne economias capitalistas mais desenvolvidas do mundo) de liberar mais barris de petróleo no mercado, depois que o presidente Donald Trump alertou que poderia proibir as exportações de diesel dos Estados Unidos caso os países não agissem nesse sentido.

As guerras com o Irã e na Ucrânia danificaram refinarias e interromperam o tráfego de navios-tanque por rotas cruciais, como o Estreito de Ormuz, contribuindo para levar os preços do diesel a níveis recordes e afetando a inflação e setores como transporte rodoviário e agricultura.

A AIE realizará uma reunião de seu conselho diretor na próxima semana para avaliar a situação. Seus membros ainda têm o equivalente a cerca de 1,1 bilhão de barris em reservas, incluindo mais de 200 milhões de barris de diesel.

Em março, a AIE anunciou uma liberação recorde de 400 milhões de barris de petróleo de estoques estratégicos para conter a disparada dos preços do petróleo bruto e as perdas de oferta. Desse total, cerca de 325 milhões de barris já foram liberados, segundo a agência, restando aproximadamente 75 milhões.

Países da União Europeia esperam que esses 75 milhões de barris ainda não liberados sejam contabilizados no volume de cerca de 100 milhões de barris anunciado na sexta-feira, disseram dois diplomatas europeus. Isso significa que o anúncio mais recente não representa necessariamente 100 milhões de barris adicionais.

Analistas do JP Morgan também afirmaram que boa parte da liberação anunciada na sexta-feira representaria a conclusão da medida acertada em março.

“Nossa interpretação do comunicado é que o volume anunciado de 100 milhões de barris não representa 100 milhões de barris de uma nova intervenção”, afirmou o banco em relatório.

O ministro da Energia da Polônia, Milosz Motyka, afirmou nesta quarta-feira que o país estava pronto para liberar estoques de petróleo e diesel caso houvesse consenso.

O Ministério da Economia da Alemanha também disse estar trabalhando na aprovação da liberação de reservas de energia, sem mencionar nenhum novo volume.

“A Alemanha participará da nova liberação do volume já determinado pela AIE em março”, afirmou o ministério em comunicado.

Petro Notícias - SP   08/10/2026

O mercado ainda está repercutindo muito o resultado dos leilões da Oferta Permanente realizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), realizados ontem (7). O grande destaque da licitação foi o movimento da Petrobrás na Bacia de Campos, que desembolsou mais de R$ 3 bilhões em blocos no leilão do regime de concessão. Além disso, a petroleira também adquiriu o bloco de Azurita, também na Bacia de Campos, sob o regime de partilha. Na avaliação de especialistas ouvidos pelo Petronotícias, o resultado mostra que a Bacia de Campos ainda possui espaço relevante para novos investimentos e pode continuar contribuindo para a economia brasileira e fluminense nos próximos anos. A leitura é de que a infraestrutura já instalada, a existência de campos maduros com potencial de revitalização e a presença de novos reservatórios tornam a região uma fronteira ainda atrativa para as empresas.

O consultor Carlos Mastrangelo, nome reconhecido pela indústria pelo papel pioneiro e fundamental que desempenhou na consolidação do uso de FPSOs em escala mundial, também avaliou positivamente o resultado do leilão e destacou o apetite da Petrobrás pela Bacia de Campos.

“Vi com muita satisfação o forte interesse da Petrobrás no pós-sal da Bacia de Campos no leilão de hoje. Para mim, esse resultado representa muito, porque foi justamente na Bacia de Campos que comecei a minha vida offshore”, declarou. Mastrangelo lembrou que, historicamente, a Bacia de Campos sempre foi conhecida como um verdadeiro laboratório em escala real, desenvolvendo tecnologia de ponta não apenas para o Brasil, mas para o mundo inteiro.

Representante da Petrobrás no leilão da ANP

“E agora, ao ver esses novos blocos arrematados em águas ainda mais profundas — indo além dos 3.000 metros — e com a Petrobrás avançando como operadora única, com 100% de participação, fica evidente a total tranquilidade e o domínio tecnológico que a companhia possui para seguir em frente, desbravando novas fronteiras nessa região”, ponderou.

Mastrangelo também fez uma leitura crítica do resultado da rodada sob o regime de partilha, que teve áreas do pré-sal sem ofertas. Para ele, o cenário pode indicar a necessidade de uma reavaliação do modelo regulatório desse regime da produção, especialmente para áreas menores ou marginais do pré-sal. Na avaliação do consultor, uma mudança nesse sentido poderia destravar o interesse das empresas e melhorar a economicidade de determinados projetos.

Já para o consultor do setor de óleo e gás Filipe Rizzo, a decisão da Petrobrás de continuar investindo na Bacia de Campos é fundamental justamente porque a região reúne ativos maduros e infraestrutura já instalada.

“A Petrobrás tomou a decisão de continuar investindo na Bacia de Campos. Isso é muito importante porque, apesar de termos muitos campos maduros, ainda existem faixas de pré-sal e reservatórios menores. Além disso, a infraestrutura já está instalada, o que significa que o custo de desenvolvimento será menor”, afirmou.

Na avaliação do especialista, esse movimento também tem importância estratégica diante do tempo necessário para o avanço de novas fronteiras exploratórias, como a Margem Equatorial. Enquanto novos projetos ainda demandam anos de desenvolvimento, Campos já conta com uma infraestrutura consolidada e uma cadeia produtiva instalada.

Rizzo também chama atenção para o potencial de revitalização dos campos maduros. Segundo ele, a Petrobrás entra em uma fase de utilização de plataformas menores para recuperar áreas já descobertas, mas que ainda possuem potencial econômico. Essa estratégia, na avaliação do consultor, pode prolongar a vida útil dos ativos e manter a atividade econômica nos municípios produtores.

“É importante ter uma política definida para isso, talvez até com redução proporcional de royalties, porque isso estende o período de aproveitamento econômico dos campos. Isso é bom para toda a região, para os municípios e para o Estado”, afirmou.

BACIA DE CAMPOS AINDA É IMPORTANTE PARA A ECONOMIA DO PAÍS

A gerente geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan, Karine Fragoso, também avalia que o resultado do leilão demonstra que ainda existem oportunidades relevantes na Bacia de Campos.

“O resultado do leilão foi muito bom para a Bacia de Campos como um todo. Ele demonstra que ainda existem muitas oportunidades a serem desenvolvidas a partir dessa bacia e também evidencia o compromisso da Petrobrás com a região. Mas não apenas da Petrobrás: outras operadoras também participaram do leilão e arremataram blocos na Bacia de Campos, trazendo mais investimentos para essa região”, afirmou.

A executiva destaca ainda o efeito potencial sobre a cadeia produtiva. Os investimentos associados aos novos blocos não se limitam à etapa de exploração, mas podem se estender ao desenvolvimento da produção e, posteriormente, à manutenção das operações, criando demanda para fornecedores e diferentes segmentos industriais.

“A Bacia de Campos tem muita competência e ainda pode contribuir para a economia do Brasil e de toda a região do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. O resultado é fundamental para as indústrias, para a continuidade dos investimentos da cadeia produtiva e também para as cadeias de valor associadas ao desenvolvimento dessa produção”, disse Karine.

R$ 3 BILHÕES EM NOVOS BLOCOS EXPLORATÓRIOS

O grande destaque do resultado do leilão do regime de concessão da ANP ficou para o Setor SC-AUP1 da Bacia de Campos, onde a Petrobrás arrematou os oito blocos colocados em disputa: C-M-113, C-M-115, C-M-161, C-M-163, C-M-165, C-M-216, C-M-281 e C-M-283. Juntas, as áreas representam 9.295,76 km² e têm investimento mínimo previsto de R$ 1,323 bilhão na fase de exploração. O bônus de assinatura alcançou R$ 3,014 bilhões.

A Petrobrás também arrematou três blocos no Setor SC-AP1 — C-M-111, C-M-159 e C-M-214 — e outro no SC-AUP2, o C-M-352. As quatro áreas somaram R$ 23,91 milhões em bônus de assinatura e investimentos mínimos previstos de R$ 144,77 milhões na fase de exploração.

No total, considerando os três setores que receberam propostas, a Bacia de Campos teve 12 blocos arrematados entre os 28 colocados em disputa. O bônus de assinatura alcançou aproximadamente R$ 3,038 bilhões, enquanto os compromissos mínimos de investimento na fase de exploração chegam a cerca de R$ 1,468 bilhão.

Valor - SP   08/10/2026

O diretor-geral da ANP, Artur Watt, disse que a agência vai continuar trabalhando para avançar com a regulação para que se eleve a exploração para patamares mais eficientes

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Artur Watt, disse que a agência vai continuar trabalhando para ofertar blocos de óleo e gás e avançar com a regulação para que se eleve a exploração para patamares mais eficientes.

A oferta contínua de blocos é um dos pleitos da indústria para garantir a continuidade dos investimentos.

Segundo ele, que participa da sessão pública da oferta permanente de partilha, na manhã desta quarta-feira (7), o pré-sal continua sendo uma “interessante” fronteira exploratória no país: hoje, serão negociados 13 blocos nas Bacias de Campos e Santos.

Já o secretário de petróleo, gás natural e biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Renato Dutra, disse que o petróleo se consolidou como principal item da pauta de exportação do país. Disse também que o governo busca permanente diálogo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA) para preservar a segurança energética nacional.

Disse também que espera para breve a conclusão de manifestação conjunta entre MME e MMA sobre a viabilidade ambiental de mais de 50 blocos na Bacia de Pelotas, uma das novas fronteiras petrolíferas, a fim de colocar essas áreas em leilões futuros.

Dutra afirmou ainda que o MME buscou interlocuções com o Superior Tribunal de Justiça (STJ) para que a decisão sobre a exploração não convencional de petróleo em áreas terrestres, conhecida pelo jargão em inglês “fracking” se dê por meios administrativos, não no tribunal.

Globo Online - RJ   08/10/2026

Manifestantes ligados a entidades ambientais, organizações da sociedade civil e comunidades indígenas fazem protesto nesta quarta-feira, no Rio, antes do início dos leilões de petróleo e gás promovidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Os atos são organizados pelo Sindipetro e pela Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), além de organizações como Não Fracking Brasil, Arayara, Observatório do Petróleo e Gás e Monitor do Oceano.

No fim de setembro, o Instituto Internacional Arayara ingressou com cinco ações na Justiça para tentar barrar o certame. Segundo o instituto, 74 blocos apresentavam sobreposição direta com comunidades indígenas, quilombolas ou assentamentos da reforma agrária, além de áreas utilizadas pela pesca artesanal. Parte dos blocos foi removida do leilão.

Os cartazes levados pelos manifestantes trazem mensagens como "O petróleo tem que ser nosso" e "não aos leilões".

A licitação será dividida em dois momentos. Primeiro, na parte da manhã, será feito o 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha, com a oferta de 13 blocos no pré-sal em duas bacias. Em seguida, às 14h, acontece o 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, com áreas em nove bacias.

Serão os primeiros certames desde que o Ibama autorizou a Petrobras a perfurar o primeiro poço na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial, no litoral do Amapá. Com a guerra do Oriente Médio, a cotação do barril está acima dos US$ 100, o que vem ampliando o apetite das companhias, dizem especialistas.

Dezenove empresas estão aptas a participar do leilão de partilha e 46 da rodada de concessão. Além de brasileiras, como a Petrobras, há petroleiras de 11 países, como EUA, China, Portugal, Reino Unido, Kuwait, Catar, Noruega, França, Malásia, Austrália e Colômbia, segundo a ANP.

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