IstoÉ Dinheiro - SP 08/10/2025
A União Europeia apresentou, nesta terça-feira (7), propostas para dobrar as tarifas aduaneiras à importação de aço, imitando o presidente americano, Donald Trump, em uma tentativa de proteger a indústria do bloco – em dificuldades – da concorrência chinesa de baixo custo.
“Em 2024, foram eliminados 18 mil postos de trabalho diretos na indústria siderúrgica, o que é excessivo e devia cessar”, ressaltou o vice-presidente da Comissão Europeia (braço executivo do bloco), Stéphane Séjourné, ao apresentar estas medidas à imprensa.
Em primeiro lugar, a Comissão pretende reduzir em 47% as cotas de aço estrangeiro que podem ser importadas a cada ano para a UE livres de tarifas.
Estas cotas livres de impostos seriam reduzidas, assim, a 18,3 milhões de toneladas, ou seja, o volume total de aço que a União Europeia importava em 2013, antes que o mercado se visse desequilibrado de forma duradoura pelo desenvolvimento de um importante excesso de capacidade de produção.
“Em nome de todos os funcionários da AcelorMittal na Europa, me sinto sinceramente aliviado”, disse Aditya Mittal, diretor da gigante da siderurgia, agradecendo à UE por “ter compreendido a gravidade da situação e agido com firmeza e de forma adequada”.
“O excesso de capacidade mundial é cinco vezes superior ao consumo anual de aço da UE”, lembrou o Comissário do Comércio, Marcos Sefcovic.
Além disso, as importações que superarem as cotas terão as tarifas dobradas, passando de 25% a 50%.
Deste modo, vão atingir níveis similares aos impostos por Estados Unidos e Canadá, segundo as propostas da Comissão, que deverão ser validadas pelos 27 países-membros da UE e pelo Parlamento Europeu.
Por último, os importadores de produtos de aço transformado serão obrigados a declarar em qual país o metal inicial “foi fundido e moldado”, uma cláusula que visa a evitar evasões das barreiras tarifárias.
– “À beira do colapso” –
Este novo plano para “salvar nossas siderúrgicas e empregos”, segundo Séjourné, substituirá a “cláusula de salvaguarda” estabelecida em 2019 pela UE para ajudar os produtores europeus, que expira em meados de 2026.
“A indústria siderúrgica europeia estava à beira do colapso. Vamos protegê-la para que possa investir, se descarbonizar e se tornar competitiva”, havia prometido anteriormente o vice-presidente da Comissão antes dos anúncios.
O setor siderúrgico recebeu imediatamente com satisfação o plano e pediu que seja aplicado o quanto antes. A organização profissional do setor, a Eurofer, o qualificou de um “salva-vidas”.
Bruxelas quer implementar estas medidas o quanto antes e no mais tardar antes de expirarem as medidas de proteção existentes, em 1º de julho de 2026.
“Devemos agir agora”, insistiu, em um comunicado, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, pedindo aos 27 membros da UE e aos eurodeputados que aprovem as medidas “rapidamente”.
Bruxelas está negociando em paralelo com Washington uma isenção das tarifas ao aço europeu, a fim de que Estados Unidos e União Europeia se apoiem mutuamente para resistir à pressão da China.
– Indústria desestabilizada –
Os números falam por si: no ano passado, a China fabricou mais de 1 bilhão de toneladas de aço, ou seja, mais da metade da produção mundial, muito acima da Índia (149 milhões), do Japão (84 milhões) e dos Estados Unidos (79 milhões), segundo dados da organização profissional World Steel.
Comparativamente, os países europeus ficaram muito atrás: a Alemanha produziu apenas 37 milhões de toneladas; a Espanha, 12; e a França, menos de 11.
A indústria europeia há anos sofre forte desestabilização pela concorrência das fábricas chinesas, que recebem muitas subvenções.
E também sofrem com as enormes capacidades de produção do gigante asiático, que derrubam os preços mundiais.
Juntamente com o aumento dos preços da energia provocada pela guerra na Ucrânia e a frágil demanda na Europa (que reflete as dificuldades de setores como o automobilístico e da construção), estas práticas que a UE considera desleais fizeram as siderúrgicas europeias mergulharem em números negativos.
Como resultado, estas últimas estão multiplicando seus planos de proteção ao emprego e o fechamento de instalações, o que gera o temor de uma reação em cadeia em um setor que conta com 300 mil empregos diretos e 2,5 milhões de indiretos na UE.
Na Alemanha, o conglomerado Thyssenkrupp está considerando inclusive vender sua divisão de aço para a indiana Jindal Steel, enquanto na França, a ArcelorMittal acaba de suprimir 600 postos de trabalho e ameaçou abandonar um importante projeto de descarbonização.
O Estado de S.Paulo - SP 08/10/2025
A dívida global atingiu o recorde de US$ 337,7 trilhões no final do segundo trimestre, segundo recente relatório do Institute of International Finance (IIF). Em dólares, os maiores aumentos de endividamento foram da China e de países ricos como França, Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Japão.
A preocupação com a alta do endividamento pós-pandemia tem sido um fator de pressão dos juros internacionais, com efeitos particularmente intensos nos papéis de governo da França e Japão.
Mas como essa alta da dívida e a perspectiva (ou não) de ajustes fiscais afetam as percepções das pessoas? Segundo a teoria econômica, essas percepções sobre a dívida pública influenciam as expectativas dos agentes econômicos em relação ao futuro da política fiscal, incluindo gastos e tributos. E essas expectativas, por sua vez, influenciam vertentes da economia real como consumo, poupança, oferta de trabalho e a dinâmica da inflação.
Com base numa pesquisa junto a mais de 27 mil entrevistados em 13 países avançados e emergentes, os economistas Francesco Bianchi, Era Dabla-Norris e Salma Khalid, do FMI, chegaram a vários achados relevantes sobre a relação entre percepções sobre o endividamento público e as expectativas sobre política fiscal e indicadores econômicos.
Os países envolvidos são Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, França, Alemanha, Hungria, Itália, Japão, Países Baixos, Polônia, Reino Unido e Estados Unidos.
Em particular, os pesquisadores encontraram que pessoas com uma longa exposição na sua vida a processos de ajuste fiscal - pensem no Brasil, em que o nunca alcançado ajuste estrutural das contas públicas é tocado com a barriga há décadas - não apenas esperam que a dívida pública aumente no futuro, como são bastante pessimistas em relação à sua própria expectativa econômica e à capacidade do governo de gerir a dívida de forma efetiva.
As pessoas que vivenciaram episódios de ajuste fiscal nos seus países consideram provável que isso levará a aumento de impostos e corte de gastos (o que é previsível), mas com um detalhe importante: esses indivíduos acham que o ajuste vai afetar particularmente o seu bolso.
Assim, pessoas de alta renda acham que haverá mais tributação da riqueza e das empresas, enquanto os mais pobres acreditam que serão feitos cortes em benefícios sociais e da Previdência.
Outro achado é que pessoas que vivenciaram mais processos de ajustes fiscais também tendem a fazer uma associação mais forte entre aumento da dívida pública e alta da inflação.
O estudo mostra que, de maneira geral, o entendimento das pessoas sobre a relação entre impostos, gastos e dívida pública é deficiente. Há inclusive uma assimetria. A associação entre corte de gastos/aumento de impostos e redução da dívida é menor do que vice-versa.
Em relação ao Brasil, o trabalho traz uma informação sintomática. Enfatizando as grandes variações entre as percepções dos indivíduos sobre gastos do governo em diferentes países, os autores assinalam que norte-americanos e brasileiros se destacam por acreditar pouco em cortes de gastos. Nos Estados Unidos, 30% dos respondentes acham muito pouco provável que o governo venha a cortar despesas, proporção que sobe para 32% no Brasil - são os maiores percentuais entre todos os países.
No caso brasileiro, esse número faz pensar na combinação entre rigidez do orçamento e economia política populista, pela qual "governar bem" é usar o cofre do Tesouro para distribuir cada vez mais benefícios para um número cada vez maior de pessoas.
Money Times - SP 08/10/2025
O Santander revisou para baixo suas projeções de inflação, avaliando que o processo de queda dos preços no Brasil ganha consistência, impulsionado por um câmbio mais valorizado, recuo das commodities e melhora na oferta de alimentos.
A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,9% para 4,7% em 2025 e de 4,5% para 4,2% em 2026.
Segundo a diretora de macroeconomia do banco, Ana Paula Vescovi, a desinflação tem se tornado mais qualitativa, com avanços além dos efeitos de bens comercializáveis, ainda que os serviços sigam pressionados por um mercado de trabalho aquecido.
Ela destaca que a política monetária segue disciplinada, mesmo diante de sinais de desaceleração da atividade e de um processo de desinflação consolidado.
“O Banco Central manteve a taxa Selic em 15,00% e reconheceu o progresso inicial em direção à desinflação, mas reiterou sua política de comunicação ‘contracionista por tempo prolongado'”, afirmou.
O Santander projeta manutenção dos juros básicos até o fim de 2025, com cortes graduais apenas a partir do início de 2026.
No cenário cambial, o dólar mais fraco globalmente e o ambiente favorável a emergentes trouxeram alívio, mas o fluxo cambial negativo e as incertezas fiscais ainda limitam ganhos do real. A projeção do banco para o câmbio passou para R$ 5,60 no fim de 2025 e R$ 5,90 no fim de 2026.
Do lado fiscal, o Santander projeta superávit primário de R$ 30 bilhões em 2025 — 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) –, mas prevê déficit de 0,9% em 2026.
“A dívida permanece em trajetória ascendente: deve fechar próximo de 80% do PIB este ano, aumentando para 99% em meados da década de 2030”, alertou a economista.
O banco manteve a projeção de crescimento do PIB em 2% para 2025 e 1,5% para 2026, com moderação do impulso fiscal e menor espaço para expansão do crédito e do emprego.
Segundo Vescovi, a economia brasileira vem se afastando gradualmente do viés contracionista, embora o quadro fiscal ainda seja apontado como o principal entrave a uma recuperação mais sólida e à continuidade do ciclo de cortes de juros.
O Estado de S.Paulo - SP 08/10/2025
A Organização Mundial do Comércio (OMC) elevou as projeções para o crescimento do comércio global de mercadorias neste ano, mas cortou a do próximo, em relatório divulgado nesta terça-feira, 7. Segundo a organização, o ajuste reflete que o impacto completo das tarifas dos Estados Unidos será sentido apenas em 2026.
O comércio global de mercadorias crescerá 2,4% em 2025, estima a OMC, nível bem acima do previsto em agosto, de 0,9%, e distante da contração de 0,2% apontada no relatório original, de abril. Em 2026, contudo, a organização espera desaceleração a 0,5%, abaixo do estimado em agosto (1,8%) e em abril (2,5%).
Segundo a OMC, esta “inversão de cenários” ocorre após o comércio global de mercadorias crescer mais rápido que o esperado no primeiro semestre de 2025, conforme importadores americanos tentavam se antecipar aos aumentos de tarifas. O comércio também teve apoio de condições macroeconômicas “favoráveis”: a desinflação, política fiscal expansiva e mercados de trabalho apertados impulsionaram a renda e os gastos nas maiores economias.
“O avanço do comércio de mercadorias irá desacelerar em 2026, à medida que a economia global arrefece e o impacto completo das tarifas seja sentido por um ano inteiro”, destaca o relatório.
Já o comércio global de serviços crescerá 4,6% em 2025 e 4,4% em 2026, segundo a OMC, desacelerando em relação ao avanço de 6,8% em 2024. A projeção também foi revisada em comparação ao levantamento de abril, que considerava a influência de tarifas dos EUA, levemente mais forte que os 4% e 4,1% previstos, respectivamente.
Apesar do primeiro semestre forte e da melhora nas perspectivas, os fluxos de comércio da América do Norte ainda devem cair 3,1% em 2025 e 1% em 2026, contribuindo negativamente para os números globais. Já a Ásia deve ter a maior contribuição positiva em 2025, de 5,3%, mas ficará estável em 2026. A América do Sul terá alta de 2,4% no comércio neste ano, contudo, deve registrar contração de 1,9% no próximo ano.
Os gastos com produtos relacionados a inteligência artificial saltaram no primeiro semestre, particularmente na Ásia e na América do Norte. A OMC projeta que o setor continuará apoiando o crescimento do comércio global e nota que, na América do Sul, o Brasil e o Chile estão se destacando na importação de equipamentos de computação para montar hubs regionais de serviços em nuvem.
IstoÉ Dinheiro - SP 08/10/2025
O Banco Mundial divulgou, nesta terça-feira (7), que a economia brasileira crescerá 2,4% em 2025, enquanto as projeções para 2026 são de 2,2%. A América Latina e o Caribe crescerão 2,3% este ano, um leve aumento em relação a 2024, mas novamente o pior desempenho regional do mundo.
A região cresceu 2,2% no ano passado. Em sua projeção anterior para 2025, divulgada em abril, o BM previa um crescimento de 2,1%, dois décimos percentuais a menos do que a nova previsão.
Para 2026, o crescimento será de 2,5%, de acordo com os cálculos atualizados da entidade.
Este ano “espera-se que a taxa de crescimento regional aumente ligeiramente”, explicou a instituição, embora tenha alertado que “várias economias individuais estão enfrentando revisões para baixo em suas projeções”.
A Argentina se destaca com uma projeção de crescimento de 4,6%, em comparação com -1,3% de 2024.
Das duas maiores economias da região, o Brasil perde fôlego (2,4% em relação aos 3,4% de 2024) e o México cresce 0,5%.
“Isso reflete, em parte, um ambiente externo que oferece apoio limitado, caracterizado por um esfriamento da economia mundial, queda nos preços das commodities e maior incerteza”, afirmou o Banco Mundial.
“As autoridades monetárias da região continuam gerindo a inflação de forma competente”, considerou o BM, que realizará sua assembleia geral na próxima semana juntamente com o Fundo Monetário Internacional.
No entanto, “o ‘último quilômetro’ está se mostrando mais longo e difícil do que o esperado”, indicou o texto.
A recém-nomeada vice-presidente do BM para a região, Susana Cordeiro Guerra, destacou que, embora os governos da região “tenham guiado suas economias através de crises repetidas, preservando ao mesmo tempo a estabilidade”, agora devem “acelerar as reformas”.
“O ambiente externo continua complexo, com queda na demanda global e nos preços das commodities, cuja previsão é diminuir cerca de 10% em 2025 e mais 5% em 2026, prejudicando setores-chave”, acrescentou o relatório.
– ‘Empatados’ com a África –
O BM recomendou estimular o crescimento das empresas “transformadoras”, que sejam mais ambiciosas que as microempresas familiares, que chegam a representar em alguns casos 70% da economia nacional.
Essas empresas “gostam da flexibilidade, gostam da independência, algumas dizem que ganham mais, mas nenhuma delas planeja crescer. Essas não são as empresas que vão criar empregos, e não são as empresas que vão trazer novas tecnologias para a região”, explicou à AFP o economista-chefe do BM para a América Latina e o Caribe, William Maloney.
Na América Latina, “temos 30% de empresas que dizem que querem crescer, mas não podem por falta de mão de obra qualificada”, detalhou o economista.
O impacto da inteligência artificial (IA) nesse cenário ainda não é preocupante no que tange à região, segundo este especialista.
Em termos de eliminação de postos de trabalho, “a resposta é que, a médio prazo, provavelmente não serão muitos”.
A questão é mais “vamos participar de tudo isso?”, acrescentou.
Segundo Maloney, as universidades da região “não são particularmente produtivas em termos de novas invenções” e “não estão muito integradas com o setor privado”.
“Estamos empatados com a África no grau de cooperação com os setores privados, e isso simplesmente não pode continuar assim”, expressou.
Infomoney - SP 08/10/2025
O faturamento das fábricas brasileiras caiu 5,3% em agosto, de acordo com os Indicadores Industriais divulgados nesta terça-feira, 7, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O desempenho negativo em relação a julho já considera os dados dessazonalizados.
Na comparação com agosto do ano passado, a queda nas vendas do setor foi de 7,6%. Mesmo com a quarta queda no indicador em seis meses, o desempenho de janeiro a agosto deste ano ainda é 2,9% melhor que o registrado nos primeiros oito meses de 2024.
Segundo a especialista em Políticas e Indústria da CNI, Larissa Nocko, a tendência de queda no faturamento industrial é consequência de vários fatores. “O primeiro deles é o patamar elevado dos juros, que impacta o crédito e o crescimento econômico, como um todo. Um segundo elemento é a entrada de bens importados, especialmente de bens de consumo, capturando boa parte do mercado consumidor da indústria nacional e prejudicando o setor. Além disso, a valorização do real torna os produtos brasileiros mais caros lá fora, impactando as empresas exportadoras”, afirmou, em nota.
As horas trabalhadas na indústria caíram 0,3% na passagem de julho para agosto, com queda de 1,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado. No acumulado de 2025, ainda há crescimento de 1,6% no tempo gasto na produção. A Utilização da Capacidade Instalada no setor aumentou 0,2 ponto porcentual em agosto, para 78,7%. No oitavo mês de 2024, estava 79,0%.
Já o emprego industrial ficou estagnado pelo quarto mês consecutivo. Na comparação com agosto do ano passado, o crescimento é de 1,5%, com alta de 2,2% no acumulado de 2025 em relação ao mesmo período de 2024. Em paralelo, a massa salarial real na indústria caiu 0,5% no mês e recua 2,0% no ano, enquanto o rendimento médio real dos trabalhadores do setor tem quedas de 0,6% e 4,1%, respectivamente.
Valor - SP 08/10/2025
Maior mineradora do mundo tem manifestado abertamente oposição às recentes tarifas e barreiras comerciais, depois que os EUA impuseram impostos elevados sobre aço e alumínio
A diretora de estratégia da BHP alertou que a “politização” de minerais essenciais está tornando os acordos de mineração mais “complexos”, no momento em que a consolidação do setor de recursos naturais encontra-se em alta.
Catherine Raw, diretora de desenvolvimento da maior mineradora do mundo, disse que a intervenção crescente dos governos — à medida que os países tentam exercer mais controle sobre seus recursos nacionais — vem adicionando atritos às conversas e poderá elevar os custos para as empresas.
“A voz das partes interessadas, especialmente os governos e as autoridades reguladoras, está ficando mais forte e, por isso, a natureza de qualquer acordo tende a se tornar mais complexa”, disse Raw, em entrevista ao Financial Times.
“Algumas dessas tendências mais nacionalistas podem gerar atritos, dificultando a redução dos custos de forma geral”, disse ela, acrescentando que a polarização e a competição entre os países poderão levar a “resultados econômicos pouco eficientes”.
Onda de fusões e aquisições
As declarações de Raw surgem num momento em que o setor minerador vive uma onda de fusões e aquisições, enquanto governos se empenham mais em garantir cadeias de suprimentos de minerais e controlar operações nacionais de mineração e processamento, o que muitas vezes torna os acordos mais difíceis de concretizar.
A Anglo American, alvo de uma tentativa fracassada de aquisição pela BHP no ano passado, concordou com uma fusão amigável de US$ 53 bilhões com a Teck Resources no mês passado, despertando a atenção de investidores, analistas e comentaristas políticos no Canadá. A Rio Tinto e a Glencore desistiram de discussões sobre uma fusão no início deste ano.
Raw esteve envolvida na proposta de 39 bilhões de libras da BHP pela Anglo American, que foi rejeitada pela companhia no ano passado e gerou oposição de políticos sul-africanos.
Outros grandes negócios que foram frustrados por interferência governamental incluem a oferta hostil da Glencore pela canadense Teck Resources em 2023, que foi duramente contestada pelo governo canadense.
Em 2023, o Panamá forçou o fechamento de sua maior mina de cobre, controlada pela First Quantum, listada no Canadá, em parte devido a preocupações com a propriedade estrangeira e protestos públicos generalizados.
Os Estados Unidos — que recentemente passaram a ter participações diretas em companhias mineradoras como MP Materials e Lithium Americas — interferiram no ano passado para impedir a venda da Chemaf, dona de uma mina de cobre e cobalto na República Democrática do Congo, para a fabricante chinesa de armamentos Norinco.
Raw, 44, entrou para a BHP em abril de 2024 em meio à sua oferta pela Anglo American, e havia sido anteriormente diretora financeira da Barrick Mining. Ela comanda a divisão de estratégia, que inclui fusões e aquisições, desenvolvimento de negócios e planejamento de longo prazo.
A companhia, avaliada em US$ 140 bilhões, está mudando seu foco do minério de ferro, um ingrediente essencial na siderurgia e sua maior fonte de receita, para o cobre, usado em redes e fiação elétrica.
“O setor de mineração está entrando na fase de investimento, entrando em um período de reinvestimento, e poderá haver consolidação para lidar com isso”, disse Raw, acrescentando que a BHP sempre está em busca de novas oportunidades. Questionada, ela não quis comentar se a BHP poderá lançar uma proposta pela Anglo American.
Tarifas dos EUA
A maior mineradora do mundo tem se manifestado abertamente sobre sua oposição às recentes tarifas e barreiras comerciais, depois que os EUA impuseram impostos elevados sobre aço e alumínio.
“A politização do controle sobre esses fluxos de commodities se torna mais desafiadora para nós enquanto organização global”, disse Raw.
Valor - SP 08/10/2025
Segundo a pesquisa, as cidades de Santiago, São Paulo e Bogotá lideram os investimentos
A América Latina investiu mais de R$ 23 bilhões, equivalentes a US$ 4,4 bilhões, em ônibus elétricos entre 2017 e 2025. É o que aponta levantamento feito pela Parceria Zebra, coliderada pela rede global de cidades C40 e pelo Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT).
O relatório levou em conta as frotas de Brasil, Chile, Colômbia e México. Segundo a pesquisa, as cidades de Santiago (Chile), São Paulo e Bogotá (Colômbia) lideram os investimentos, representando quase 75% do total.
Em números totais, o país que tem a maior frota de e-ônibus é o Chile, com 2.696, seguido por Colômbia, com 1.590; e Brasil, com 898. Em último lugar está o México, com 407.
De acordo com a Zebra, há uma predominância do financiamento por dívida no investimento para a frota de transportes públicos sustentáveis. Entre as entidades de fomento, os principais investidores via empréstimos no período para a compra de ônibus elétricos foram o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco Mundial, o BNP Paribas, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Société Générale (SG). Os cinco bancos concentraram mais de 50% dos investimentos na região.
“Acreditamos que a transição para uma mobilidade mais sustentável é fundamental para o futuro das cidades brasileiras. Por isso, desde 2023, o BNDES aprovou R$ 3,9 bilhões para aquisição de 1,7 mil ônibus elétricos, contribuindo diretamente para a redução das emissões no transporte público. Esse investimento colocou o BNDES na posição de maior financiador de ônibus elétricos da América Latina, com 12% do mercado”, diz o chefe do Departamento de Mobilidade Urbana do banco, Pedro Henrique Marques.
O relatório também aborda outros modelos de investimento, como o desagregado, mais comum no Chile e na Colômbia. Nesse modelo, a propriedade dos ativos de ônibus elétricos, como infraestrutura de recarga, baterias e os próprios veículos, é transferida para terceiros que possuem capital para fazer os investimentos iniciais.
Esses terceiros, segundo o relatório, financiam, adquirem, possuem, mantêm e arrendam os ativos às cidades ou aos operadores, permitindo uma alocação mais lógica dos riscos entre as partes envolvidas e reduzindo os custos iniciais para cidades e operadores.
Financiada pela organização ClimateWorks Foundation, a Parceria Zebra é um acrônimo em inglês de acelerador de implantação rápida de ônibus com emissão zero. A iniciativa foi criada em 2019 para incentivar a implementação de ônibus de zero emissões nas principais cidades da América Latina.
“Com as crescentes frotas de ônibus elétricos nas ruas, temos a certeza de que assegurar financiamento para projetos de ônibus de zero emissões é um elemento-chave para ampliar o potencial da eletrificação de frotas em toda a região nos próximos anos”, afirma a diretora de programas de financiamento em cidades da C40 Cities, Claire Markgraf.
O relatório, porém, aponta que cidades menores ainda enfrentam desafios para conseguir investimentos na modernização da frota de ônibus. “Embora o financiamento tenha aumentado, a maior parte dos investimentos ainda é canalizada para grandes cidades devido à capacidade e às necessidades financeiras”, diz a pesquisa.
CNN Brasil - SP 08/10/2025
Há apenas alguns anos, a indústria automobilística norte-americana tinha visões de um futuro totalmente elétrico. Desde então, abandonou essa ideia depois que o governo Trump eliminou os incentivos do governo federal para a tecnologia.
O futuro próximo não parece nada promissor. O fim do crédito tributário federal de US$ 7.500 para veículos elétricos deve fazer com que as vendas despenquem nos próximos trimestres e talvez anos.
Mas a indústria automobilística global não desistiu completamente dos veículos elétricos. As montadoras continuam investindo em um futuro elétrico — mesmo que não seja totalmente elétrico, como esperavam.
O setor permanece incerto quanto ao futuro regulatório dos carros movidos a gasolina em grande parte dos Estados Unidos, bem como em outros mercados ao redor do mundo. E elas não querem ficar muito atrás do enorme aumento de veículos elétricos na China.
“Eles suavizaram sua postura em relação a um futuro totalmente elétrico”, disse Daniel Ives, analista de tecnologia da Wedbush Securities.
“Acredito que Ford, GM, Stellantis e muitas outras montadoras continuarão a trilhar agressivamente o caminho dos elétricos. Mas estão trilhando esse caminho com mais cautela do que há alguns anos.”
Vendas de veículos elétricos nos EUA devem cair drasticamente
O fim de um crédito tributário federal de US$ 7.500 há uma semana causou um aumento nas vendas de veículos elétricos durante o terceiro trimestre, com compradores interessados correndo para adquirir um carro antes que o desconto expirasse.
Tesla, Ford e General Motors venderam mais carros elétricos do que nunca, com a GM, em particular, vendendo mais que o dobro de veículos elétricos nos EUA do que no ano anterior. O salto nas vendas da Tesla ocorreu após meses consecutivos de números em queda.
Mas, após o forte aumento, as vendas de veículos elétricos no restante do ano provavelmente voltarão com força total. E é improvável que voltem a crescer por muito tempo depois.
Embora 10% de todos os carros vendidos nos EUA no último trimestre tenham sido elétricos, o CEO da Ford, Jim Farley, afirmou no mês passado que espera que as vendas de veículos elétricos caiam para 5% do mercado norte-americano, o que representaria uma queda em relação aos cerca de 7% do mercado no ano passado.
O CFO da General Motors, Paul Jacobson, afirmou que sua empresa também espera que "a demanda por veículos elétricos caia bastante".
Ainda fazendo grandes apostas
Mas, apesar da perspectiva sombria, a Ford anunciou em agosto um investimento de US$ 5 bilhões na produção de veículos elétricos, uma iniciativa que chamou de "próximo momento Modelo T", uma referência ao carro Ford que ajudou a introduzir veículos de combustão interna no mercado de massa há mais de um século.
“Acho que será uma indústria vibrante, mas será menor, muito menor do que pensávamos, especialmente com a mudança de política”, disse Farley em um evento recente da empresa.
A Hyundai também disse que não vai recuar em seus planos de investimento em veículos elétricos no mercado dos EUA, mesmo depois que autoridades de imigração prenderam 475 trabalhadores em uma de suas novas fábricas de veículos elétricos e baterias em construção na Geórgia.
Mas o CEO da Hyundai, José Muñoz, enfatizou em um evento recente do dia do investidor que a fábrica será capaz de alternar entre a produção de veículos elétricos e carros tradicionais movidos a gasolina com mais facilidade, dependendo da demanda do mercado, o que faz parte do plano da empresa.
Mudanças nas regulamentações de emissões
Parte do que forçou as montadoras a migrarem para veículos elétricos em primeiro lugar foram as regulamentações federais do governo Biden, que tinham como meta que os veículos elétricos representassem 50% dos carros novos até 2030, e teriam imposto penalidades pesadas às montadoras que não atingissem a meta.
Essas regulamentações foram, em grande parte, revogadas durante o governo Trump. As penalidades financeiras por violação dos limites de emissão também foram eliminadas no projeto de lei de impostos e gastos de julho, aprovado pelos republicanos.
A Califórnia e outros oito estados – Massachusetts, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon, Rhode Island, Vermont e Washington – também impuseram decretos que essencialmente proibiriam a venda de veículos movidos a gasolina até 2035. Juntos, esses estados respondem por cerca de um quarto das vendas de automóveis nos EUA.
Mas o Congresso recentemente decidiu acabar com a capacidade da Califórnia e de outros estados de impor suas próprias regras de emissões, mais rigorosas.
Essa disputa foi levada a um tribunal federal, e a batalha pode levar um tempo considerável para ser resolvida – tanto tempo que mudanças de governo na próxima década podem, em última análise, trazer essa proibição de volta à ativa já em 2035.
Europa e China também estão avançando com suas próprias regras de emissões mais rigorosas, que podem forçar a compra de veículos elétricos.
As montadoras também buscavam preços de ações muito mais altos com seus planos para veículos elétricos.
A Tesla tem uma capitalização de mercado muito maior do que qualquer outra montadora, embora venda apenas uma fração dos carros que qualquer uma delas vende.
Isso já acontece há anos, mesmo antes de o CEO Elon Musk e os fãs da empresa em Wall Street começarem a falar sobre seus planos ambiciosos, mas ainda não concretizados, de robotáxis e robôs que elevarão o valor da empresa no futuro.
Carros a gasolina
Em vez de apostar tudo em carros totalmente elétricos, as montadoras estão se concentrando em veículos híbridos, que têm motores elétricos e MCI (motores de combustão interna).
E as montadoras norte-americanas estão dizendo que não viram a mesma demanda de mercado por veículos totalmente elétricos como por carros movidos a gasolina.
As regulamentações que estavam em vigor durante o governo Biden estavam "nos colocando em uma situação que acabaria resultando em uma indústria automobilística dos EUA significativamente menor, porque não teríamos permissão para vender veículos de combustão interna em um volume próximo ao que teríamos vendido", disse o CFO da GM, Jacobson, na apresentação da GM para investidores no mês passado.
Ele disse que, apesar dessas regulamentações e do apoio aos veículos elétricos, incluindo o crédito fiscal de US$ 7.500, "os clientes não estavam adotando na taxa que o governo queria".
Mas Jacobson disse que a GM ainda vê um crescimento de longo prazo na demanda por veículos elétricos, mesmo sem o crédito fiscal e outros apoios para um futuro totalmente elétrico, e que a empresa está trabalhando para atender a essa crescente demanda por veículos elétricos.
“Precisamos deixar a situação se estabilizar e entender onde está essa demanda natural [por veículos elétricos] daqui para frente e como podemos atendê-la”, disse ele. “Isso vai levar um tempinho. Provavelmente teremos que ajustar um pouco nossa pegada.”
Os veículos elétricos continuam atrativos
As montadoras também consideram os veículos elétricos atraentes por razões competitivas: são necessárias menos horas de trabalho para produzir um veículo elétrico do que um carro movido a gasolina — com seu motor e transmissão complicados —, o que os torna potencialmente mais lucrativos para as montadoras do que os carros tradicionais movidos a gasolina.
E a demanda por veículos elétricos pode voltar a crescer se o custo de produção desses veículos, especialmente das baterias, que representam grande parte do custo dos veículos elétricos, continuar caindo. E praticamente todas as montadoras estão anunciando planos para tecnologias de baterias mais baratas.
Como parte de seu plano de investimento de US$ 5 bilhões em veículos elétricos, anunciado no mês passado, a Ford anunciou que em breve venderá uma picape elétrica por US$ 30.000, tornando-a uma das mais acessíveis disponíveis. Em comparação, a picape Ford F-150 Lightning tem um preço inicial de cerca de US$ 55.000.
A nova linha para construir essa picape elétrica mais acessível deve estar em operação até 2027, anunciou a Ford no mês passado.
E Ford ainda acha que o mundo está mudando, mesmo que esteja mudando mais lentamente do que as pessoas pensavam originalmente.
“Nos inspiramos no Modelo T — o carro universal que mudou o mundo”, disse Doug Field, diretor de design e digital de veículos elétricos da Ford. “Acreditamos que hoje será um ponto de virada para a Ford Motor Company e a indústria automobilística.”
Valor - SP 08/10/2025
Para tentar ajudar os fornecedores de autopeças, a JLR também anunciou que fornecerá a algumas dessas empresas pagamentos adiantados por peças durante a fase de reinício da produção
A maior montadora do Reino Unido, a Jaguar Land Rover (JLR), disse nesta terça-feira (7) que algumas fábricas reiniciarão a produção amanhã, após uma paralisação de quase seis semanas devido a um dos ciberataques mais disruptivos na história do país.
Para tentar ajudar os fornecedores de autopeças que foram levados ao limite após semanas sem negócios, a JLR também anunciou que fornecerá a algumas dessas empresas pagamentos adiantados por peças durante a fase de reinício da produção.
A montadora, de propriedade da indiana Tata Motors, tem três fábricas na Grã-Bretanha, que juntas produzem cerca de 1.000 carros por dia, e economistas haviam alertado sobre o impacto de uma paralisação prolongada na produção industrial do país.
O incidente com à JLR foi o mais recente ciberataque de alto perfil no Reino Unido este ano, e ocorre depois que uma das maiores varejistas do país, a Marks & Spencer, perdeu cerca de 300 milhões de libras após um ataque forçá-la a fechar sua loja on-line por dois meses.
Os ataques destacam a vulnerabilidade dos negócios globais a ataques cada vez mais sofisticados e frequentes. No mês passado, um ataque de ransomware a serviços de check-in deixou passageiros retidos nos principais aeroportos europeus.
A JLR, que analistas estimaram estar perdendo cerca de 50 milhões de libras por semana com a paralisação, recebeu uma garantia de empréstimo de 1,5 bilhão de libras do governo britânico no final de setembro para ajudá-la a apoiar seus fornecedores.
O governo queria proteger os 104 mil empregos que a JLR diz sustentar em toda a Grã-Bretanha e estiveram envolvidos em negociações para ajudar a reiniciar a produção.
A JLR disse em seu comunicado que suas unidades de motores e baterias reiniciarão o trabalho na quarta-feira, bem como partes de sua fábrica de produção de veículos, incluindo a funilaria e a pintura, o que significa o retorno de parte de seus 33 mil funcionários ao trabalho.
As linhas de produção dos veículos Range Rover e Range Rover Sport em sua fábrica principal em Solihull começarão no final desta semana, acrescentou a empresa.
Fornecedores qualificados de peças usadas nas linhas de produção “just-in-time” da empresa serão agora pagos logo após o ponto do pedido, disse a JLR, em comparação com um arranjo anterior de 60 dias após a fatura, ajudando a aliviar os temores de que algumas empresas menores pudessem falir.
“Nossos fornecedores são centrais para o nosso sucesso, e hoje estamos lançando um novo arranjo de financiamento que nos permitirá pagar nossos fornecedores antecipadamente, usando a força de nosso balanço para apoiar seus fluxos de caixa”, disse o diretor-presidente da JLR, Adrian Mardell, em um comunicado.
Inicialmente, apenas os fornecedores qualificados da JLR, críticos para o reinício da produção, poderão acessar o esquema, mas ele será expandido posteriormente, acrescentou a JLR.
IstoÉ Dinheiro - SP 08/10/2025
A alta mais branda no custo do material de construção e da mão de obra desacelerou a inflação da construção no Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de setembro, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira, 7.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) passou de um avanço de 0,52% em agosto para uma elevação de 0,17% em setembro.
O índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços saiu de uma alta de 0,29% em agosto para uma elevação de 0,17% em setembro. O custo dos Materiais e Equipamentos passou de um aumento de 0,26% em agosto para elevação de 0,18% em setembro, enquanto os Serviços saíram de alta de 0,52% para elevação de 0,16%.
Já o índice que representa o custo da Mão de Obra saiu de uma elevação de 0,83% em agosto para uma alta de 0,16% em setembro.
CNN Brasil - SP 08/10/2025
Entidades do setor de construção veem um FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) mais resiliente após ser limitada a antecipação do saque-aniversário.
"É uma medida positiva, pois vem ao encontro da necessidade de estabilidade dos recursos do Fundo de Garantia para orçamentos futuros", avalia Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP.
"O saque-aniversário é um problema para o setor porque, aliada à instabilidade orçamentária, direciona recursos que originariamente seriam destinados à habitação e infraestrutura fundamentais - para a dignidade humana - para bens de consumo", pontua.
A modalidade permite ao trabalhador retirar determinado valor do saldo do seu FGTS, anualmente, no mês de seu aniversário. Ela equivale a um empréstimo, de modo que o indivíduo não precisa esperar o mês do seu aniversário para sacar o dinheiro do fundo.
Hoje, os bancos oferecem a antecipação das parcelas do saque-aniversário, o que tornou o benefício um atrativo ao trabalhador, mas gerou distorções ao propósito do fundo, segundo os empreiteiros.
"O setor sempre defendeu que o FGTS fosse utilizado para as suas funções originais de salvaguardar o trabalhador e financiar habitação, saneamento e mobilidade, que são as premissas desde a fundação do FGTS. Qualquer outro uso acaba descobrindo um santo e cobrindo outros", afirma Renato Correia, presidente da CBIC (Confederação Brasileira da Indústria da Construção).
"Defendemos sim a restrição, [...] 75% do dinheiro antecipado fica com os bancos, é uma forma de ilusão ao trabalhador."
Com as novas regras, o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) estima que cerca de R$ 84,6 bilhões deixarão de ser direcionados às instituições financeiras e serão repassados diretamente aos trabalhadores até 2030.
O Conselho Curador do FGTS pretende, com as restrições, preservar as contas do fundo e evitar que o trabalhador comprometa todo o seu benefício, que é utilizado como garantia em caso de demissão. O ponto de vista é compartilhado pelo setor de construção.
"Traz sustentabilidade para o Fundo, longevidade para que o trabalhador de baixa renda possa comprar sua primeira moradia. A medida vem a beneficio da baixa renda, trazendo mais longevidade e sustentabilidade para financiar num país que o déficit habitacional da ordem de 6 milhões de moradias", pondera Luiz França, presidente da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias).
"É importante para o funding de recurso do FGTS, que financia o comprador do imóvel. [Com a limitação] terá mais sustentabilidade dos recursos do Fundo para financiamento habitação", reforça França.
As outras funcionalidades para as quais o trabalhador acaba redirecionando o saque-aniversário antecipado não devem ser prejudicadas, segundo o presidente da Abrainc, graças à disponibilização do crédito consignado, alternativa para que as pessoas com carteira assinada possam levantar recursos com garantia e taxas melhores que nas instituições financeiras.
A limitação era um pleito do setor, estudado pela iniciativa privada junto do ente público. Yorki, França e Correia concordam que a limitação é suficiente para sanar distorções geradas pela antecipação do saque-aniversário.
"Fazendo essa correção, o saque-aniversário pode continuar dessa forma", pontua o presidente da CBIC.
As mudanças entram em vigor no dia 1º de novembro, prazo necessário para que a Caixa Econômica Federal adapte seus sistemas às novas regras.
Com os ajustes, o limite mínimo é de R$ 100 e o máximo de R$ 500 por saque-aniversário. O trabalhador poderá antecipar até cinco saques-aniversário em um período de 12 meses. Dessa forma, o trabalhador poderá antecipar até cinco parcelas de R$ 500, totalizando R$ 2.500.
O Estado de S.Paulo - SP 08/10/2025
A nova política de crédito habitacional do governo federal prevê a liberação imediata de R$ 20 bilhões em recursos da poupança e a criação de um novo modelo de financiamento com regras mais flexíveis para os bancos. O lançamento do programa, uma das principais apostas na busca de reeleição, será na próxima sexta-feira, 10, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo, sede do governo do seu provável principal adversário nas urnas em 2026.
Os bancos poderão usar parte dos depósitos compulsórios, desde que ampliem a concessão de crédito para a compra da casa própria. O detalhamento foi obtido pelo Estadão/Broadcast com pessoas a par do assunto.
Essa liberação imediata acontece porque a nova política de crédito habitacional não depende de uma lei aprovada no Congresso, seja por meio de um projeto de lei, seja via medida provisória. A mudança será feita a partir de regulações internas do governo.
Como vai funcionar na prática o novo modelo
A proposta, desenvolvida em conjunto por Banco Central (BC), Ministério da Fazenda, Ministério das Cidades e Caixa Econômica Federal, busca corrigir o esgotamento da poupança como fonte de funding (fonte de recursos) e criar uma transição para um modelo mais flexível e sustentável.
O novo sistema permitirá que, a cada real emprestado em crédito habitacional, o banco libere o mesmo valor em recursos da poupança para uso livre por até cinco anos, prazo prorrogável mediante a concessão de novos financiamentos.
Na fase inicial, o Banco Central deve liberar 5 pontos porcentuais do compulsório, hoje fixado em 20% sobre os depósitos da poupança, reduzindo-o para 15% no caso das instituições que aderirem ao modelo. O impacto imediato dessa liberação é estimado entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões, com potencial de chegar a R$ 37,5 bilhões, a depender da adesão dos bancos. A Caixa, principal agente do setor, será a primeira a adotar o novo sistema.
O governo também deve elevar o valor máximo dos imóveis financiados pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH), que atualmente é de R$ 1,5 milhão, para cerca de R$ 2 milhões. O ajuste atualiza o limite estabelecido em 2019 e busca adequar o modelo à valorização do mercado imobiliário e à inflação acumulada no período.
O novo modelo prevê maior flexibilidade para o uso dos recursos da poupança dentro do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Hoje, os bancos precisam direcionar 65% dos depósitos para o crédito imobiliário e manter 20% no Banco Central. Com a mudança, o dinheiro da caderneta deixará de ter “carimbo”, podendo ser utilizado livremente, desde que o banco mantenha o mesmo volume em novas concessões de financiamento.
Os prazos de uso flexível dos recursos variam conforme o valor do imóvel financiado, com o objetivo de privilegiar operações no SFH. Para imóveis de até R$ 1 milhão, o prazo será de sete anos; entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões, de seis anos; e de cinco anos para valores acima de R$ 2 milhões. Ao final desse período, os bancos precisarão conceder novos financiamentos para manter o acesso aos recursos livres.
A lógica do modelo é permitir que os ganhos obtidos com aplicações mais rentáveis sejam usados para manter juros menores nos financiamentos habitacionais, preservando a atratividade do crédito mesmo em um cenário de juros altos. Simulações internas apontam que essa equalização é suficiente para manter estável o custo dos empréstimos.
Outra mudança importante será a redistribuição do uso dos recursos liberados: 80% deverão ser aplicados no SFH, com taxa de juros máxima de 12% ao ano, e os 20% restantes no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), que opera a taxas de mercado. A divisão valerá inclusive para os valores liberados do compulsório.
Segundo o ministro das Cidades, Jader Filho, a medida é essencial para atender a faixa de renda média, hoje sem acesso ao crédito. “As famílias com renda de até R$ 12 mil estão cobertas pelo Minha Casa, Minha Vida. As de alta renda têm alternativas. Mas quem ganha R$ 16 mil não consegue financiamento porque a poupança secou. Essa política vem para corrigir essa lacuna”, afirmou.
O novo modelo será implementado gradualmente até o fim de 2026, em fase de testes, e deve entrar em pleno funcionamento em 2027. O período de transição foi um pedido do setor da construção civil, que alertou para o risco de rupturas bruscas no sistema de crédito.
Com o funcionamento integral do novo desenho, as estimativas técnicas indicam que o volume de recursos disponíveis para o crédito imobiliário poderá saltar dos atuais R$ 90 bilhões para cerca de R$ 200 bilhões em dois anos.
Jornal de Brasília - DF 08/10/2025
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, da cúpula dos Transportes, um panorama geral sobre o projeto da Ferrogrão e como a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre os limites do Parque Nacional do Jamanxim, localizado no Pará, pode mexer com o futuro da ferrovia.
O projeto foi tema de um encontro entre Lula e o ministro dos Transportes, Renan Filho, nesta terça-feira (7), no Palácio do Planalto. A ordem é aguardar a decisão do ministro do STF Edson Fachin, que é relator do processo. Independentemente do desfecho, porém, já se avaliam alternativas para manter o projeto nos planos do governo.
O STF retoma nesta quarta-feira (8) o julgamento da ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) que trata de uma lei aprovada pelo Congresso Nacional em 2017, que alterou os limites do Parque Nacional do Jamanxim. Essa lei reduziu os limites da unidade de conservação, retirando dela uma área de 862 km², com o objetivo de permitir a passagem do traçado da ferrovia.
Na semana passada, quando o julgamento foi iniciado, a própria AGU (Advocacia-Geral da União), que representa o governo, chegou a dizer que a lei seria inconstitucional, porque mudanças feitas no texto pelo Congresso enfraqueceram a proteção ao meio ambiente que estava prevista, fazendo o recorte de áreas, sem compensá-las em outros locais.
Ainda assim, a AGU afirmou que o projeto seria viável, por ter seu traçado redefinido e calibrado para passar ao lado de uma rodovia que já existe no local, a BR-163.
Conforme informações obtidas pela Folha, o posicionamento da AGU causou desconforto em parte do governo, por reforçar um viés visto como obstáculo à construção da ferrovia. Por outro lado, a ideia é demonstrar que os temas estariam, hoje, contaminados, e que o projeto ferroviário já não dependeria da lei ou da redução do Jamanxim.
Todos esses argumentos são refutados pela ala ambiental do próprio governo, que vê no projeto um vetor de aumento de desmatamento e de pressão sobre a região amazônica. Mesmo assim, o projeto sempre foi abraçado por Lula.
Defendida por entidades do agronegócio e grandes empresas de comercialização e logística, como Cargill, Bunge e Amaggi, a Ferrogrão foi lançada no governo de Michel Temer (MDB), mas não conseguiu deslanchar. Novas tentativas ocorreram na gestão de Jair Bolsonaro (PL), com promessas não cumpridas pelo então ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas.
Hoje é encampada pelo governo Lula, que tratou de incluir o projeto no Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Por lei, uma obra de infraestrutura, como rodovias, ferrovias, linhas de transmissão e gasodutos, não pode ter impacto direto em uma unidade de conservação de preservação integral, categoria em que se encaixa o Parque Nacional do Jamanxim.
Quando Temer decidiu reduzir o Jamanxim, fez um texto que compensava suas reduções com acréscimo em outras unidades, medida que também foi criticada, já que não se repõe um bioma amazônico com um pedaço de terra do cerrado.
O Congresso, porém, tratou de complicar ainda mais a situação, mantendo no texto apenas a redução do Jamanxim, sem nenhuma compensação.
Com 933 quilômetros de extensão, a ferrovia foi planejada para ligar Sinop (MT) ao porto de Miritituba (PA), para criar um corredor logístico de exportação de grãos e insumos agrícolas, conectando o agronegócio do Centro-Oeste aos portos do Arco Norte.
Nos cálculos do governo, a Ferrogrão poderia reduzir em até 3,4 milhões de toneladas por ano as emissões de dióxido de carbono (CO?), substituindo parte do transporte de cargas feito por caminhões que cortam a BR-163. Até 1,2 milhão de viagens de caminhões por ano deixariam de ocorrer na rodovia.
Revista Ferroviaria - RJ 08/10/2025
A ViaQuatro assinou contrato com o Consórcio Expresso Linha 4, que será responsável pela construção da extensão de 3,3 km da Linha 4-Amarela até Taboão da Serra.
Formado pelas empresas EGTC Infra e Teixeira Duarte Engenharia, o consórcio sagrou-se vencedor da concorrência realizada em setembro com um valor de R$ 3,27 bilhões, batendo os consórcios Expansão Via Amarela (R$ 3,47 bilhões) e ECB-Comsa, que não foi homologado.
O escopo da obra inclui não apenas as estações Chácara do Jockey e Taboão da Serra como também os VSEs José Soarez de Azevedo e Yoshiharu Ogawa, a SE José Braz, uma nova subestação primária, os túneis, a via permanente e a execução de todos os sistemas, com exceção da sinalização e de comunicação wireless (SCMVD).
O prazo para entrega é de até 64 meses, o que supõe-se projeta a inauguração do trecho de 3,3 km até o início de 2031.
A concessionária da Linha 4-Amarela assinou um aditivo contratual com a ARTESP no mês passado, que viabiliza o prolongamento do ramal mediante a extensão da concessão até 2060. A maior parte do investimento será feito pelo estado, cabendo à concessionária a gestão da obra, a operação do novo trecho e a compra de trens extras e outros sistemas.
A concorrência, embora feita pela ViaQuatro, obedeceu a modalidade licitatória do Banco Mundial.
Portal Fator Brasil - RJ 08/10/2025
O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, apresentou na manhã do dia 06 de outubro (segunda-feira), na sede do Porto de Itajaí (SC), uma prestação de contas dos três primeiros trimestres de gestão, assumida em 01 de janeiro de 2025 após o fim da cessão do Porto ao município.
Segundo Pomini, o Porto de Itajaí vive um novo ciclo de crescimento e competitividade: —O Porto voltou a atrair cargas e, até julho de 2025, já tinha movimentado 2,3 milhões de toneladas, com projeção de ultrapassar a movimentação dos últimos três anos em toneladas e em número de contêineres —apontou.
A gestão da APS à frente do porto catarinense foi marcada pela retomada da dragagem, com homologação dos calados operacionais após o restabelecimento das profundidades do canal interno, externo e da bacia de evolução.
Os investimentos na infraestrutura de Itajaí continuam, com um plano de investimentos que ultrapassa R$ 844 milhões. Destaque para a retirada dos destroços do navio Pallas: investimento estimado em R$ 68 milhões e aguardado há 100 anos. A expectativa da APS é já realizar os mergulhos de avaliação no próximo mês e concluir a retirada do casco soçobrado ainda no primeiro semestre de 2026. Para isso já estão sendo feitas tratativas junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), para a recuperação arqueológica da embarcação.
Obras em implementação no Porto de Itajaí.: • Readequação dos molhes: Norte (Navegantes) e Sul (Itajaí), para ampliar a segurança e capacidade de manobra de embarcações.
• Sistema VTMIS: tecnologia de monitoramento do tráfego aquaviário, com investimento de R$ 65 milhões.
• Modernização energética: R$ 20 milhões para readequação de subestações e iluminação, possibilitando operações noturnas mais seguras.
• Adensamento e expansão da área alfandegada: 60 mil metros quadrados adicionais, novos scanners (R$ 12 milhões) e modernização de gates (R$ 3 milhões).
• Sistema rodoviário integrado: monitoramento em tempo real de caminhões, reduzindo gargalos logísticos e impacto urbano.
• Implantação do SmartPorto: R$ 30 milhões para câmeras inteligentes e monitoramento integrado de segurança.
• Terminal de Cruzeiros: projeto de R$ 300 milhões, com Master Plan previsto para fevereiro de 2026, visando consolidar Itajaí como polo de turismo marítimo.
Outro destaque é desempenho financeiro, que no primeiro semestre do ano já superou todo o faturamento do ano anterior. Apenas em ISS, o Porto já gerou R$ 2,4 milhões para o município.
Além da performance operacional e administrativa, a Autoridade Portuária de Santos (APS) destaca o investimento em capacitação, com cursos profissionalizantes para 50 jovens e adultos pela Fundação Cenep, e patrocínios culturais e esportivos que somam cerca de R$ 280 mil em 2025.
O Estado de S.Paulo - SP 08/10/2025
Resolução recente do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) elevou para 50% o índice de conteúdo local na construção de navios-tanque acima de 15 mil toneladas. Antes, o porcentual girava em torno de 30%. Trata-se de um tipo de embarcação de menor complexidade tecnológica do que equipamentos de exploração e produção, como sondas e plataformas, mas a exigência de alta proporção nacional na indústria naval em gestões do PT carrega um histórico temerário que não pode ser ignorado.
A produção centrada em equipamentos locais é defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a campanha eleitoral de 2002. A reativação forçada de estaleiros, sem a necessária capacitação prévia da indústria naval, se coaduna com a agenda desenvolvimentista do PT, que já se provou atrasada e prejudicial ao País. A política de conteúdo local ganhou destaque na exploração dos campos de petróleo do pré-sal e, mais tarde, no governo Dilma Rousseff, chegou ao irrealizável patamar de 65%.
Foi uma imposição sem lastro técnico, destinada a encher de encomendas estaleiros – antigos e novos – claramente incapazes de atender à demanda. O resultado foram atrasos monumentais nas atividades de produção da Petrobras e equipamentos com inúmeros defeitos de fabricação. O esvaziamento posterior dos estaleiros foi a consequência previsível de uma política mal planejada e executada a toque de caixa para forjar a imagem de um governo gerador de empregos.
O índice de 50% fixado agora pelo CNPE é alto, mas ao menos se limitará às embarcações usadas como apoio. Mesmo de grande porte, os navios, nesse caso, operam na cabotagem, transportando petróleo e derivados, entre a plataforma e a refinaria e entre as refinarias e o mercado consumidor.
Na Noruega, após a descoberta de gás no Mar do Norte, na década de 1970, houve investimento pesado em capacitação na produção de equipamentos e, ao longo dos anos, as exigências de conteúdo local aumentaram gradativamente de 5% ao patamar atual em torno de 80%. Trata-se de um modelo de planejamento de longo prazo sustentável, ao contrário do que pretende o governo petista, que acredita ser capaz de estimular o desenvolvimento de um setor apenas com base em sua vontade, com retornos rápidos e vistosos – muito úteis em época de eleição.
Os exagerados porcentuais de nacionalização desorganizaram a indústria petroleira no passado recente. Na gestão de Dilma, muitas empresas reclamavam da dificuldade de conseguir comprar equipamentos no Brasil, que ficaram mais caros do que no exterior. O governo de Michel Temer reduziu os índices de conteúdo local, atendendo a apelos da indústria, e adotou escalas conforme a fase de exploração e de desenvolvimento da produção de petróleo.
A indústria nacional pode ser competitiva na fabricação de equipamentos para a indústria de petróleo – em alguns, inclusive, já é –, mas para isso não precisa de voluntarismo, e sim de planejamento, investimento e qualificação, o que não acontece do dia para a noite.
O Estado de S.Paulo - SP 08/10/2025
A estabilização do preço do petróleo na casa dos US$ 60 o barril do tipo Brent, com possibilidade de uma queda maior, trouxe um dilema para a Petrobras na elaboração do seu Plano de Negócios 2026-2030. O mais recente orçamento foi formulado para os próximos anos tomando como base um petróleo bem mais elevado, em torno de US$ 80 o barril. Diante desse cenário, especialistas acreditam que a estatal terá de optar entre se endividar ou reduzir investimentos em pleno ano eleitoral.
Se não quiser se endividar ou cortar projetos, a companhia teria de, no mínimo, adiar alguns investimentos diante de uma drástica queda de receita. Na cúpula da empresa, apurou o Estadão/Broadcast, a disposição é manter o portfólio, mas, ao mesmo tempo, reduzir um pouco o valor de US$ 111 bilhões previstos no plano anterior, para um nível mais próximo dos US$ 100 bilhões. O martelo, porém, ainda não foi batido pela petroleira.
Em ano eleitoral, a percepção do mercado é de que dificilmente projetos sejam totalmente abandonados, mas sim adiados, com aumento de projetos em avaliação — hoje da ordem de US$ 16 bilhões —, assim como é esperada a otimização de custos, como tem propagado a própria presidente da companhia, Magda Chambriard. Aumentar o endividamento, o que poderia reduzir dividendos, não é uma opção, na avaliação de alguns analistas, já que o patamar da dívida é um dos pilares do Plano da estatal.
Um analista, pedindo anonimato, observa que o plano é autofinanciado, ou seja, não requer tomar dívida, e um pilar importante é não mexer na política de dividendos. Com isso, a geração de caixa menor por conta de um preço de petróleo mais baixo precisa ser compensada de outra forma. Ele ressalta que um fator positivo, que compensa parcialmente o preço em baixa, é a produção, que está crescendo.
E se o petróleo cair para US$ 50?
De alguma maneira, será necessário ajustar o novo plano, de acordo com Adriano Pires, o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie) e colunista do Estadão. Conforme Pires, que por pouco não foi presidente da estatal, os mais otimistas preveem a commodity (matéria-prima cotada em dólar) operando no ano que vem abaixo dos US$ 60 o barril — entre US$ 55 e US$ 58 —, enquanto os mais pessimistas já projetam barril de US$ 50. Apesar de o plano da estatal ser quinquenal, por conta das eleições os olhos do mercado estarão voltados mais para 2026 do que para o fim da década.
“Está tendo uma oferta de petróleo maior do que a demanda. A Rússia continua vendendo petróleo por causa da guerra, o Brasil está com a produção crescente, a Guiana está produzindo, o shale americano (petróleo não convencional) está produzindo, e o mundo não está crescendo”, avalia Pires. “É preciso reduzir o preço (do petróleo) para voltar a ter o equilíbrio entre a oferta e a demanda”, explica.
Ele prevê que no próximo ano, as petroleiras, de maneira geral, terão de ter muita disciplina de capital, e é possível ver novamente um movimento de fusões e aquisições, onde as empresas mais endividadas serão compradas. No caso da Petrobras, os acionistas podem ser prejudicados pela queda de receita, que pode reduzir dividendos, e devem ficar atentos por se tratar de um ano eleitoral.
“Não interessa quem está sentado na cadeira, mas a Petrobras é um instrumento importante para ajudar a ganhar a eleição. Mas usar a empresa em um momento de petróleo baixo pode prejudicar os resultados”, alerta. Por outro lado, destaca Pires, o preço baixo do petróleo pode ajudar o governo, à medida que será possível reduzir o preço dos combustíveis em um ano eleitoral.
Outro ponto relevante, destaca Arbetman, poderá ser a revisão do teto de endividamento bruto, atualmente em R$ 75 bilhões, com dívida líquida de cerca de R$ 68 bilhões. “É possível que esse limite seja estendido, aumentando a flexibilidade financeira para investimentos estratégicos sem comprometer a solidez da companhia. Com essas medidas, o Plano Estratégico da Petrobras deve reforçar sua resiliência operacional e financeira, permitindo enfrentar volatilidade no preço do petróleo e mantendo geração de valor para acionistas”, diz.
Já para o professor e pesquisador no Instituto de Energia da PUC-RJ Edmar Almeida, desde o início do governo Trump foi dado o sinal para preços menores do petróleo, com um certo alinhamento entre a Casa Branca e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep +).
Do lado do governo norte-americano, a preocupação é com a inflação. Da parte da Opep, um preço menor da commodity dá um freio na produção de petróleo não convencional (shale) nos Estados Unidos.
Almeida destaca que a retração da economia global tem ajudado a manter a demanda por petróleo em baixa, ao mesmo tempo que conflitos geopolíticos não deixam o preço ceder demais. No caso do fim dos conflitos, como da guerra entre Israel e o Hamas, que vem sendo costurado, a tendência é de que o preço caia ainda mais. “Você mira US$ 60, US$ 70, e isso escorrega para US$ 40, US$ 50”, explica, lembrando que no choque do petróleo em 2014, os preços saíram de US$ 100 para US$ 30 o barril.
“A Petrobras dispõe de caminhos diversos para se ajustar. A escolha dependerá das prioridades da companhia em meio a um 2026 eleitoral e de elevada incerteza econômica. Nós estamos num momento de mudança do cenário macroeconômico, não é um bom momento para o setor de petróleo, o céu está bem nublado”, diz Almeida.
Petro Notícias - SP 08/10/2025
A Petrobrás conseguiu novos resultados promissores em seu programa de perfuração na Bacia de Campos. A empresa notificou a Agência Nacional do Petróleo (ANP) sobre a descoberta de indícios de petróleo no bloco de Água Marinha, no poço 1-BRSA-1401DA-RJS, em lâmina d’água de 2.601 metros, que foi perfurado pelo navio-sonda Deepwater Aquila no mês de julho.
O bloco de Água Marinha está no pré-sal da Bacia de Campos. A área foi arrematada em 2022, durante o primeiro ciclo da Oferta Permanente de Partilha. A Petrobrás é a operadora do bloco, com 30% de participação, em parceria com TotalEnergies (30%), Petronas (20%) e QatarEnergy (20%).
A estatal brasileira pretende dobrar sua produção de petróleo e gás natural na Bacia de Campos nos próximos dez anos, saltando dos atuais 500 mil barris de óleo equivalente por dia (boed) para 1 milhão de boed até 2035. Além disso, a companhia prevê investir US$ 23 bilhões até 2029 no chamado Programa de Revitalização da Bacia de Campos.
TN Petróleo - RJ 08/10/2025
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou, na última sexta-feira, 3, a realização do Leilão de alienação dos direitos e obrigações decorrentes dos Acordos de Individualização da Produção (AIPs) das Jazidas Compartilhadas de Mero, Atapu e Tupi (Leilão de Áreas Não Contratadas) e fixou em R$ 10,2 bilhões o valor mínimo total de oferta a ser pago à União pela alienação dos referidos direitos e obrigações. O Leilão de Áreas Não Contratadas será realizado no dia 4 de dezembro na B3, em São Paulo. Atualmente, a União detém participações de 3,5% na jazida compartilhada de Mero, 0,551% em Tupi e 0,950% em Atapu.
Para a participação da União em Mero foi estipulado o maior valor mínimo de R$ 7.646.556.900,00 (sete bilhões, seiscentos e quarenta e seis milhões, quinhentos e cinquenta e seis mil e novecentos reais). Para a participação da União em Tupi, o valor mínimo fixado foi de R$ 1.692.050.700,00 (um bilhão, seiscentos e noventa e dois milhões, cinquenta mil e setecentos reais), enquanto que para Atapu, a oferta mínima estipulada foi de R$ 863.324.700,00 (oitocentos e sessenta e três milhões, trezentos e vinte e quatro mil e setecentos reais).
O despacho do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) definiu também que, além da oferta mínima, poderá haver, no futuro, o pagamento de um valor adicional à União, denominado earn-out. Trata-se de um dispositivo contratual que condiciona o pagamento de uma parcela variável conforme a ocorrência de certos eventos futuros, como apreciações no preço do barril de petróleo (Brent) e futuras redeterminações das parcelas de participação nas jazidas, que podem resultar em um aumento da participação percentual das áreas não contratadas.
O Diretor-Presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli, destaca que a cláusula de earn-out é essencial para assegurar uma remuneração adicional à União, preservando o valor da operação ao longo do tempo. "Nossa equipe buscou valorar o ganho advindo de eventos futuros de forma a equilibrar os ganhos para o país — e, consequentemente, para a sociedade brasileira — com a manutenção da atratividade do certame, compartilhando benefícios de forma justa com os compradores", explicou Paroli.
A Diretora Técnica da PPSA, Tabita Loureiro, destacou que os estudos técnicos da empresa já indicam potencial de incremento das participações das áreas não contratadas nas Jazidas de Mero e Atapu. "No caso de Tupi já há uma nova participação negociada. Trata-se de uma oportunidade singular em ativos de classe mundial, nas maiores jazidas do pré-sal em produção, sem risco exploratório e com upsides relevantes", explicou.
Na quarta-feira (8), a PPSA publicará em seu site o edital do leilão, acompanhado da minuta do Termo Aditivo do Acordo de Individualização da Produção (AIP) de cada jazida e do respectivo Contrato de Alienação, além de outros documentos pertinentes.
As empresas interessadas já podem acessar o Pacote de Dados, que estará disponível para consulta até 5 de novembro, tanto em plataforma virtual quanto em formato presencial. Além do conteúdo disponibilizado, as empresas poderão solicitar reuniões técnicas e gerenciais sob demanda, para esclarecimentos específicos.
O acesso ao Pacote de Dados é opcional e não condiciona a participação no leilão, mas constitui uma oportunidade estratégica para que os potenciais investidores conheçam em profundidade os aspectos técnicos, econômicos e contratuais das áreas ofertadas.
Informações complementares
Os campos de Tupi, Mero e Atapu estão entre os seis maiores produtores do Brasil na atualidade, de acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Os três campos são operados pela Petrobras e possuem como parceiros empresas de porte mundial – Shell, Total, CNODC, CNOOC e Galp. A PPSA atua como representante da União nas áreas não contratadas nas Jazidas Compartilhadas de Mero, Tupi e Atapu e é responsável pela comercialização da produção das parcelas de petróleo e gás natural da União nestas áreas.
Infomoney - SP 08/10/2025
O governo fixou em R$ 10,2 bilhões o valor mínimo total a ser pago à União em leilão que prevê a oferta de três fatias em campos do pré-sal já em produção, mas que ainda não foram contratadas, informou nesta terça-feira a estatal Pré-Sal Petróleo (PPSA).
A Petrobras, que opera nas áreas que serão leiloadas, é candidata natural a participar do certame. A presidente da companhia, Magda Chambriard, já afirmou anteriormente que avalia todos os leilões de áreas de petróleo e gás.
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O leilão, que será realizado em 4 de dezembro, na bolsa paulista B3, oferecerá participações de 3,5% na jazida compartilhada de Mero, 0,551% em Tupi e 0,950% em Atapu, que hoje pertencem à União, detalhada a PPSA, responsável por representar a União em contratos de partilha de produção.
Para a fatia da União em Mero foi estipulado o maior valor mínimo de R$ 7,65 bilhões, enquanto para a participação em Tupi, o valor mínimo estabelecido foi de R$ 1,69 bilhão. Para Atapu, a oferta mínima estipulada foi de R$ 863,32 milhões.
O edital do leilão será publicado pela PPSA em seu site na quarta-feira, acompanhado da minuta do Termo Aditivo do Acordo de Individualização da Produção (AIP) de cada jazida e do respectivo Contrato de Alienação, além de outros documentos.
A realização da política do leilão foi autorizada na última sexta-feira pelo Conselho Nacional de Energética (CNPE), que reúne ministros e outros representantes do governo e da sociedade civil para aconselhamento do presidente da República.
FUTURO POTENCIAL
Além da oferta mínima, o CNPE também define que poderá haver, no futuro, o pagamento de um valor adicional à União, denominado “earn-out”, caso algumas perspectivas futuras se concretizem e agreguem mais valor aos ativos.
O “earn-out”, segundo a PPSA, é um dispositivo contratual que condiciona o pagamento de uma parcela variável conforme a ocorrência de certos eventos futuros, como apreciações no preço do barril de petróleo Brent e futuras redeterminações das parcelas de participação nas jazidas, que podem resultar em um aumento da participação percentual das áreas não contratadas.
No mês passado, representantes da PPSA afirmaram em evento que a via estatal é potencial para que os ativos em oferta tenham mais petróleo do que o previsto inicialmente. Caso a perspectiva se confirme posteriormente, os vencedores do leilão poderão ter uma participação na jazida elevada, mediante pagamentos adicionais.
“Nossa equipe buscou valorizar o ganho aconselhado de eventos futuros de forma a equilibrar os ganhos para o país — e, consequentemente, para a sociedade brasileira — com a manutenção da atratividade do certame, compartilhando benefícios de forma justa com os compradores”, disse o diretor-presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli, em nota, nesta terça-feira.
A diretora Técnica da PPSA, Tabita Loureiro, reiterou em nota que os estudos técnicos da empresa já indicam potencial de incremento das participações das áreas não contratadas nas jazidas de Mero e Atapu.
“No caso de Tupi já há uma nova participação negociada. Trata-se de uma oportunidade singular em ativos de classe mundial, nas maiores jazidas do pré-sal em produção, sem risco exploratório e com upsides relevantes”, explicou.
Valor - SP 08/10/2025
O petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em dezembro anotou queda marginal de 0,03% e o WTI (a referência americana) com entrega prevista para novembro registrou leve alta de 0,06%
Os contratos futuros do petróleo fecharam perto da estabilidade nesta terça-feira (7), após oscilarem durante o dia.
O aumento na produção da commodity anunciado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) segue no radar dos investidores, que também acompanham a escalada de tensões geopolíticas.
No fechamento, o petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em dezembro anotou queda marginal de 0,03%, cotado a US$ 65,45 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (a referência americana) com entrega prevista para novembro registrou leve alta de 0,06%, a US$ 61,73 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
"Acredito que a decisão da Opep+ de continuar adicionando oferta ao mercado é o principal fator por trás da expectativa de aumento dos estoques de petróleo bruto”, afirmou Matt Muenster, economista-chefe da Breakthrough.
Ele acrescentou que, embora a Rússia tenha conseguido redirecionar seu petróleo bruto e produtos refinados para contornar as sanções econômicas, ataques ucranianos à infraestrutura energética russa podem limitar a oferta e levar a um mercado mais apertado. "Pode ainda haver um excedente internacional de petróleo, mas, provavelmente, menor do que o previsto”, disse.
Jota - DF 08/10/2025
O Brasil tem mais de 1,7 milhão de quilômetros de rodovias. Mas só cerca de 12% desse total é pavimentado, segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT)[1]. Nas rodovias estaduais, o cenário é ainda mais desafiador. Cerca de 75% da malha sob gestão dos estados apresenta algum tipo de deficiência no pavimento, na sinalização ou na geometria (perfil do traçado, curvas, drenagem etc.), conforme levantamento da Pesquisa CNT de Rodovias 2024.
O reflexo aparece na vida e no bolso de todos: elevado custo logístico, perda de competitividade e riscos para motoristas, passageiros e cargas nas estradas estaduais.
Os estados enfrentam forte dificuldade para reverter esse quadro. O espaço fiscal é curto, engessado por despesas obrigatórias. O ICMS, principal fonte de arrecadação própria, sofre oscilações cíclicas que comprometem qualquer planejamento de longo prazo. Projetos rodoviários combinam com previsibilidade orçamentária, algo raro nas contas estaduais.
O cenário deixa claro a necessidade de fontes alternativas de financiamento e de modelos de gestão capazes de promover com eficiência a recuperação e manutenção das estradas estaduais.
É nesse contexto que se insere a recente iniciativa do governo federal, por meio do Decreto 12.626, publicado em 17 de setembro. A norma criou uma política nacional para apoiar projetos estaduais e distritais de recuperação e manutenção de rodovias, por meio do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).
Na prática, significa que a União passará a apoiar os estados a atrair investimentos privados para enfrentar o problema histórico da falta de investimentos na malha viária local.
O PPI foi criado em 2016 com o objetivo de ampliar e fortalecer a interação entre o setor público e o privado em projetos de infraestrutura. Funciona como uma plataforma de governança para desenvolver as chamadas parcerias de investimentos, que envolvem instrumentos como concessões e parcerias público-privadas.
O Programa, atualmente vinculado à Casa Civil, já contribuiu para viabilizar diversos empreendimentos em setores como energia, saneamento e mobilidade. Sua força está em oferecer previsibilidade regulatória, segurança jurídica e acompanhamento estratégico, por meio de equipes multidisciplinares de elevada qualificação técnica.
A novidade do Decreto está em trazer para dentro do PPI a política de fomento a parcerias em estradas dos estados e do Distrito Federal. A lógica é simples, mas poderosa: usar a experiência e os instrumentos do programa federal para auxiliar estados e o Distrito Federal na estruturação de projetos de recuperação e manutenção viária.
Experiências anteriores mostram que concessões podem contribuir para o avanço da infraestrutura brasileira, desde que bem planejadas, com adequadas regras de incentivo ao desempenho e à qualidade. Também revelam que muitos estados ainda não possuem estruturas administrativas suficientes para desenvolver projetos complexos para atrair investimentos privados para o desenvolvimento da infraestrutura local. O novo decreto busca equilibrar esse jogo, permitindo que a União compartilhe conhecimento e governança.
De acordo com o novo Decreto, em um primeiro momento, até cinco projetos-piloto serão selecionados, distribuídos pelas diferentes regiões do país. A prioridade será para trechos contínuos de corredores estratégicos, com tráfego intenso e impacto econômico imediato. Isso deve garantir que ao menos seja contemplada uma rodovia estadual estratégica de cada região.
Esses projetos não substituem a responsabilidade local, mas criam condições para que novas modelagens de contrato, mais eficientes e sustentáveis, sejam testadas e disseminadas. A ideia é combinar tecnologia e gestão para oferecer mais eficiência e melhor serviço ao usuário.
A norma publicada definiu três eixos para os projetos-piloto: gestão rodoviária; mudanças climáticas e segurança viária; e obras avaliadas por desempenho. Cada iniciativa precisa abranger pelo menos quatro medidas de melhoria da qualidade das estradas. Isso inclui ações como restauração e manutenção, implantação de sistemas de drenagem e sinalização, pesagem de veículos, contagem de tráfego, videomonitoramento e sistemas de alerta de desastres naturais.
A seleção dos projetos será realizada pela Secretaria Especial do PPI. Cabe a ela também acompanhar as diversas etapas dos projetos, desde os estudos de viabilidade até a operação dos contratos. Por isso, a qualidade dos projetos apresentados pelos estados será decisiva. Estudos consistentes, dados atualizados e modelagens adequadas do ponto de vista jurídico, econômico e ambiental elevam as chances de seleção pelo PPI e também atraem investidores.
O Decreto trouxe outro ponto importante: a possibilidade de usar recursos de fundos públicos ou privados para financiar a fase de estruturação dos projetos. Isso sinaliza que haverá fontes para custear as despesas iniciais dos empreendimentos, que geralmente são elevadas e envolvem consultorias especializadas, levantamentos técnicos e modelagens de concessões.
A expectativa é que, após a avaliação dos primeiros resultados, o PPI edite diretrizes gerais para apoiar novos empreendimentos estaduais. Com isso, criam-se as bases de uma política nacional de cooperação federativa em infraestrutura rodoviária.
O sucesso da medida passa pela submissão de boas propostas pelos estados, pela adequada escolha dos trechos e pela qualidade dos estudos. Também dependerá da confiança transmitida ao setor privado. Os investimentos necessários são significativamente altos e o retorno ao particular apenas ocorre no longo prazo. Por isso, é preciso garantir segurança jurídica e mecanismos adequados de equilíbrio econômico-financeiro durante a execução dos contratos.
O certo é que a malha rodoviária estadual ganha novo caminho para diminuir sua dependência dos limitados recursos orçamentários dos estados. Uma oportunidade para o país reduzir custos para o escoamento da produção agrícola e industrial, aumentar a competitividade, preservar vidas e integrar o território por meio da recuperação e manutenção das estradas estaduais.
Para os estados, representa receber apoio técnico e institucional para acessar capital privado. Para os investidores, contar com segurança e previsibilidade. Para a população, trafegar em rodovias locais mais seguras, rápidas e eficientes. Para todo o país, pavimentar o progresso e avançar na rota do desenvolvimento.
[1] Pesquisa CNT de Rodovias 2024. Brasília: CNT: SEST SENAT: ITL, 2024.
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Agrolink - RS 08/10/2025
A Agritechnica 2025, maior feira mundial de tecnologia agrícola, promete ser um marco para o setor de máquinas agrícolas. O evento, que ocorre em novembro na Alemanha, reunirá os principais fabricantes de tratores do mundo com uma nova geração de motores, transmissões, sistemas hidráulicos e soluções eletrificadas. Segundo o engenheiro agrícola Roger J. Stirnimann (HAFL, Suíça), a indústria vive uma fase de transição: menos foco em emissões de NOx e partículas e maior atenção à redução de CO2, com destaque para o uso de combustíveis alternativos como biodiesel (RME), HVO e etanol — este último especialmente relevante para países produtores, como o Brasil.
Entre as inovações, a Case IH apresentará um trator Puma 240 movido a etanol, com motor de seis cilindros adaptado para o combustível. Fendt e CNH também introduzem melhorias em motores a diesel, priorizando eficiência e segurança, com sistemas de freio motor por válvula de descompressão e freio hidráulico auxiliar. A Fendt adiciona ainda o recurso “AdaptivePower”, que ajusta automaticamente a potência do trator conforme o implemento utilizado, reduzindo consumo e desgaste.
No campo das transmissões, a Fendt amplia o conceito VarioDrive de tração integral até 25 km/h para diversas séries, enquanto CNH e JCB aprimoram caixas continuamente variáveis (CVT) para modelos de maior potência. A suíça AEBI apresenta um sistema revolucionário de tração (LT3), que elimina diferenciais convencionais, garantindo tração uniforme e mais segurança em terrenos inclinados.
A eletrificação surge como um dos grandes destaques. A John Deere levará a Hannover seu trator elétrico E-Power de 130 cv, com arquitetura modular de baterias NCM de até 195 kWh e capacidade para condução autônoma. Fabricantes chineses e indianos, como ZSHX e TAFE, também avançam nesse campo, oferecendo modelos elétricos e híbridos a custos mais competitivos. Embora o preço das baterias ainda represente um desafio, a expectativa é que o avanço tecnológico reduza custos e amplie a viabilidade operacional desses equipamentos.
Por fim, os sistemas de assistência ao operador ganham espaço. Claas e Deutz-Fahr apresentam soluções inteligentes de gerenciamento de transmissão e segurança, com sensores, câmeras e piloto automático adaptativo. Funções como o “SmartLift2”, da Lindner, prometem mais precisão no uso de carregadores frontais, enquanto novos sistemas de freio automático para reboques aumentam a estabilidade em descidas.