Valor - SP 08/08/2025
Na quarta (6), as ações ON da Usiminas movimentaram R$ 10,1 milhões em volume financeiro, quase dez vezes o giro completo do dia anterior
A Usiminas disse, nesta quinta-feira (7), que as oscilações atípicas de suas ações ordinárias dos últimos dias podem estar relacionadas com a redução de participação acionária pela CSN.
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Em resposta ao ofício da B3 e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que questiona a oscilação, a empresa afirmou não ter conhecimento de qualquer fato ou informação relevante não pública que possa justificar o movimento de seus papéis.
Na quarta (6), as ações ON da Usiminas movimentaram R$ 10,1 milhões em volume financeiro, quase dez vezes o giro completo do dia anterior, após a empresa informar que a CSN vendeu 36.235.837 ações ordinárias e 472.200 ações preferenciais da Usiminas ao Vera Cruz Fundo de Investimento Financeiro Multimercado Crédito Privado — constituído em 4 de julho, com a Reag Trust como administradora.
Na semana passada, a CSN havia vendido R$ 263,3 milhões em ações da Usiminas para a Globe Investimentos, veículo de investimentos financeiros relacionado a família Batista, dona da JBS e Eldorado Celulose.
Agora, a CSN detém 4,99% do capital social total da Usiminas — 4,99% das ações ordinárias e 4,99% das ações preferenciais. Antes das movimentações, a siderúrgica de Benjamin Steinbruch aparecia com aparecia com uma participação de 12,9%.
Infomoney - SP 08/08/2025
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta quinta-feira que a autarquia fez uma interrupção no ciclo de alta da taxa Selic, e não uma pausa, avaliando que o plano de combate à inflação está se desenrolando mais ou menos como o esperado.
Em evento promovido pela Porto Asset, David ponderou que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC precisa de um intervalo de tempo mais prolongado e mais dados para construir a hipótese de que está no caminho certo.
“Dado que a incerteza segue presente, a gente fez a continuação da fase de interrupção. Ou seja, não foi uma pausa, foi uma interrupção”, disse.
“Várias coisas mexeram muito, e em intensidade elevada, em um curto intervalo de tempo. Por isso, o BC decidiu fazer uma interrupção para tentar sentir e perceber as consequências de tudo o que foi feito até aqui antes de dar o próximo passo. É nessa fase que a gente está ainda”, disse.
O BC decidiu em julho interromper o ciclo de alta nos juros básicos ao manter a Selic em 15% ao ano e ressaltou que antecipa uma manutenção da taxa por período longo, pregando cautela diante de incertezas geradas pela tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros.
David disse que o esperado pela autoridade monetária é que o nível de juros esteja em nível contracionista – e mais contracionista do que em momentos com incerteza menor. Ele ponderou que o cenário é fluido.
“Pode ser que eu descubra que eu esteja mais (contracionista) do que eu deveria, ou menos. Para isso que a gente precisa de um tempo, é daí a interrupção, e não pausa, e a continuação da fase da interrupção”, afirmou.
No evento, o diretor disse que é preciso ter paciência para ver o efeito do aperto monetário e que o esperado é que haja arrefecimento do crescimento da atividade, com o efeito nos preços sendo um dos últimos estágios do processo.
Ele disse que é natural que alguns setores econômicos sejam afetados primeiro pelo aperto monetário, acrescentando que setores intensivos em mão de obra, em serviços e em construção tendem a levar mais tempo para sentir o impacto da alta dos juros.
O diretor avaliou ter ficado para trás uma dúvida observada no mercado sobre a capacidade do Banco Central de promover uma política monetária eficaz.
“Houve um esvaziamento desse nível de risco. Acho que a percepção de que o BC está bastante comprometido em trazer inflação à meta também ajuda.”
David destacou uma melhora na inflação implícita – expectativa para os preços embutida nos juros futuros de títulos de mercado -, o que, segundo ele, pode ser atribuído à credibilidade do BC.
Ele disse esperar que as expectativas de mercado medidas pelo boletim Focus do BC também sigam o movimento de melhora.
Tarifas
No evento, David disse que o BC já pregava cautela antes do anúncio pelos Estados Unidos da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Agora, o tom é de “cautela, cautela e cautela”, afirmou, vendo que os riscos se espalharam.
Para o diretor, uma definição sobre a política tarifária dos EUA ainda está distante, especialmente para o Brasil, com expectativa de incertezas “por bastante mais tempo”.
Ele ainda acrescentou que em eventuais cenários de volatilidade gerada pela questão tarifária a primeira linha de defesa do país é a flutuação do câmbio.
O Estado de S.Paulo - SP 08/08/2025
Entrevista comMansueto AlmeidaEconomista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional
Ex-secretário do Tesouro Nacional, o economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, diz que o tarifaço de Donald Trump, a curto prazo, pode ajudar a reduzir a inflação no Brasil por conta do aumento da oferta de produtos. Já sobre o crescimento econômico, o efeito é limitado. Empresas como a Embraer poderiam ser severamente afetadas, mas foram poupadas, ao serem excluídas da taxação adicional de 40% sobre produtos brasileiros importados pelos Estados Unidos. “Provavelmente, essa lista de exceções vai aumentar”, diz.
Mansueto afirma que, apesar da alta taxa de juros, a economia cresce, enquanto a inflação dá sinais de desaceleração. “A boa notícia é que a política monetária está funcionando. A ruim é que estamos pagando um preço muito alto”, disse, referindo-se ao juro real elevado e impacto desigual nos setores econômicos, especialmente os mais dependentes de crédito.
Veja a seguir os principais trechos da entrevista.
Qual o efeito do tarifaço de Trump no Brasil? Ajuda a reduzir a inflação?
No curto prazo, sim, porque há uma oferta maior de produtos aqui. No crescimento, pela modelagem que quase todo mundo fez, colocar uma tarifa em 50% resulta, em 12 meses, numa queda de 0,2 a 0,4 ponto porcentual, portanto, muito pequena. Se os 50% fossem aplicados na sua totalidade, em vez de crescer 2,1%, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceria 2% ou 1,9%. Já vimos que quase metade da pauta ficou de fora, o que diminui ainda mais o impacto. Se for crescer menos, vai até ajudar o Banco Central. O efeito é mais na inflação do que no crescimento, mas também não diminui muito a inflação, não.
O impacto ocorre mais em alguns setores, certo?
Sim. É brutal para algumas empresas. Para a Embraer, era brutal, porque a empresa produz aviões nos Estados Unidos, mas só jatos executivos. Jatos comerciais, que são grande parte das vendas e cujos compradores são companhias americanas, são produzidos no Brasil. Ao final, deixaram a Embraer de fora, como eu previa. Excluíram alguns itens muito importantes para os EUA. E eu achava que fariam isso. Se não, seria um tiro no pé deles.
Quais itens da lista de exceções ao tarifaço o sr. destacaria?
Os EUA são o país que mais investe em inteligência artificial. Em decorrência disso, investem muito em energia e em data centers. Para investir em data centers, precisam comprar transformadores de alta potência de energia. E eles compram esses transformadores da União Europeia e do Brasil, mais baratos do que nos próprios EUA. No Brasil, há fábricas de transformadores de alta potência, com 100% da produção que vai para os EUA. Hoje, para comprar um transformador de alta potência nos EUA, a espera é de quatro anos. Se eles aumentassem a tarifa de importação para 50%, atrapalhariam o investimento em data centers ligados à inteligência artificial. Por isso, ficaram de fora, como também ficou de fora o suco de laranja consumido no café da manhã. Provavelmente, essa lista de exceções vai aumentar.
O sr. vê melhora, então?
Trump estendeu o prazo de negociação com a China, com o México... no Brasil, esperávamos tarifas de 50%, mas quase 45% da pauta ficou de fora. De repente chegamos a um meio-termo. Mas vamos sair de tudo isso com algumas coisas muito claras: primeiro, o mundo daqui para a frente terá juro maior. Segundo, preços mais altos. Haverá mais fricção no comércio, mais dificuldades do que antes da pandemia, por todo esse movimento protecionista, porque mesmo com esses acordos, que retiram risco, é tarifa de 15%. Antes da pandemia, a tarifa média nos EUA era de 2%, 2,5%. Agora vai para 17%. É alto para caramba. Há um bocado de coisas incertas e guerras, mas é impressionante que o mundo vai crescer 3%, com tanta confusão tarifária. Diria que nossos maiores problemas são internos. Se houvesse perspectiva de melhora fiscal, inflação e juros estariam mais baixos e o Brasil, melhor. Trump atrapalha, mas nosso maior problema é resolver o fiscal, como sociedade.
O Estado de S.Paulo - SP 08/08/2025
O pacote para auxiliar empresas que são afetadas pelo aumento das tarifas dos Estados Unidos e mitigar impactos sobre a economia doméstica será divulgado pelo governo nesta sexta-feira, 8, mas apenas em linhas gerais, conforme apurou o Estadão/Broadcast.
Os detalhes do plano de contingência, como vem sendo chamado pela equipe econômica, serão conhecidos pouco a pouco, segundo explicaram pessoas a par da elaboração do plano, porque levará em conta a demanda das companhias, as necessidades por setores e a demonstração por parte de seus líderes de que há empenho em manter ao máximo o quadro de trabalhadores existente antes das sanções americanas, preservando os empregos.
Conforme já registrou o Estadão/Broadcast, além de linhas de crédito que devem ser feitas via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), está prevista no pacote a ampliação de compras governamentais — principalmente no caso de alimentos perecíveis. O instrumento usado deve ser a medida provisória por causa de seu caráter imediato de aprovação em função da avaliação de que o cenário é de relevância e urgência.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) elabora um mapa do que devem ser os setores e empresas mais atingidos pelas elevações de alíquotas de importação de produtos brasileiros feitas pelo presidente americano Donald Trump.
O Ministério da Fazenda, por sua vez, calcula os impactos da medida sobre a economia e avalia com o Tesouro Nacional os fluxos de caixa. O desenho geral de como o governo deve agir já foi apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No início de abril, Trump criou o que chamou de tarifas recíprocas, uma taxa de 10% que seria aplicada em praticamente todas as exportações de produtos brasileiros para os Estados Unidos (nesta quinta-feira, 7, uma tabela atualizada das tarifas recíprocas, para quase uma centena de países, entrou em vigor).
No início de julho, uma outra rodada de tarifas para o Brasil — de 40% — também foi anunciada, totalizando uma alíquota de 50%.
Ainda no mês passado, a Casa Branca recuou, colocando 694 produtos brasileiros na lista de exceção, o que trouxe algum alívio para o País. Entre as empresas e setores que mais aguardavam essa redução estavam a Embraer e a indústria de suco de laranja, que passaram a ter seus produtos taxados ainda nos 10% iniciais.
O governo e os produtores de café, frutas tropicais e cacau ainda aguardam a mesma redução de tarifas. A expectativa era de que o anúncio fosse feito por Trump ainda na semana passada por causa do impacto que a alta dos preços pode ter para a inflação americana, mas até o momento ainda não ocorreu. Ainda se espera uma sinalização nessa linha pelo republicano.
Globo Online - RJ 08/08/2025
O crescimento das exportações da China acelerou inesperadamente no mês passado, registrando o maior avanço desde abril, à medida que a demanda global compensou a contínua queda nos embarques para os Estados Unidos.
As exportações totais subiram 7,2% em julho em relação ao ano anterior, alcançando US$ 322 bilhões, surpreendendo a maioria dos economistas, que previam uma desaceleração após o aumento revisado de 5,9% em junho. O efeito estatístico de uma base fraca no ano passado provavelmente explica parte do crescimento em termos anuais.
Os dados divulgados nesta quinta-feira pelas autoridades aduaneiras mostram que o aumento foi impulsionado pelo forte crescimento dos embarques para a União Europeia, Sudeste Asiático, Austrália, Hong Kong e outros mercados — o que mais do que compensou o quarto mês consecutivo de quedas de dois dígitos nas compras dos EUA.
— O que realmente sustentou os embarques internacionais mais fortes que o esperado nos últimos três meses foram as exportações para mercados fora dos EUA — disse Jacqueline Rong, economista-chefe para a China no BNP Paribas SA.
A resiliência dos embarques internacionais ocorre apesar das altas tarifas impostas pelos EUA, demonstrando que a demanda global por produtos chineses continua forte e ainda representa um impulso significativo para a economia doméstica.
Pequim e Washington enfrentam um prazo até 12 de agosto para prorrogar a trégua tarifária de 90 dias. Enquanto o lado chinês afirmou que os dois países concordaram em estendê-la após conversas na Suécia no mês passado, autoridades dos EUA sinalizaram que o presidente Donald Trump tomará a decisão final sobre a manutenção do acordo.
— A leitura de julho reforça nossa visão de que as exportações podem permanecer amplamente resilientes, apesar do comércio mais fraco com os EUA. O principal risco depende de se e como outros países podem apertar os controles sobre transbordo sob seus acordos comerciais com os EUA — avalia Eric Zhu, Bloomberg Economics
A melhora na demanda fora dos EUA significa que o valor das exportações em 2025 já está acima de qualquer ano anterior e poderá atingir quase US$ 3,8 trilhões, mantido o ritmo atual. No entanto, alguns economistas preveem uma desaceleração no segundo semestre.
"Esperamos uma desaceleração das exportações na segunda metade do ano, devido às tarifas, esgotamento de antecipações de pedidos e menor demanda dos EUA,” escreveram analistas do Morgan Stanley. “A intensidade dessa desaceleração também dependerá de mercados alternativos, como África e certos setores específicos”, diz o relatório.
A China tem dependido cada vez mais de terceiros países para contornar barreiras tarifárias e para a fabricação de produtos finais ou componentes. No entanto, essa tendência agora enfrenta o teste do maior escrutínio dos EUA sobre o redirecionamento de embarques chineses, o que pode afetar as exportações nos próximos meses.
Impulso do câmbio
Os EUA ameaçaram aplicar tarifas adicionais a qualquer produto considerado como "transbordado" por outro país. A participação da China no valor agregado total da manufatura de bens com destino aos EUA por meio de países como Vietnã e México saltou de 14% em 2017 para 22% em 2023, segundo a Bloomberg Economics.
A moeda chinesa também tem ajudado as exportações. O yuan se recuperou levemente desde julho, mas continua mais fraco do que nos últimos anos em relação a uma cesta de moedas concorrentes.
— Embora algumas vendas para países da Asean estejam ligadas a redirecionamento, as exportações para a América Latina e África, menos associadas ao transbordo, foram ainda mais robustas — disse Rong. — Os produtos chineses são muito competitivos e, nos últimos meses, o yuan se desvalorizou frente a moedas não americanas, o que também ajudou.
Os embarques para os EUA caíram 22% em relação ao ano anterior, após uma queda de pouco mais de 16% em junho. As empresas chinesas conseguiram aumentar as vendas para outros mercados para compensar a queda com os EUA, com exportações para a UE subindo 9,3% e quase 17% para os 10 países da Asean (grupo de economias da região Ásia-Pacífico).
As exportações de navios caíram pela primeira vez em cinco meses, enquanto as vendas de veículos ao exterior continuaram fortes, com aumento de quase 19% em julho. Os embarques de máquinas e produtos de alta tecnologia também cresceram, mas as vendas externas de terras raras caíram pelo sexto mês consecutivo.
As importações subiram 4,1%, com o volume de compras de circuitos integrados atingindo o maior nível em quatro anos. As exportações de chips da China também foram fortes, refletindo o bom momento do setor global de semicondutores e o boom da inteligência artificial, segundo Rong.
As importações chinesas de commodities-chave permaneceram firmes em julho, com cobre, minério de ferro, soja e petróleo bruto registrando ganhos anuais.
No entanto, Rong, do BNP, alertou que esse crescimento mais forte das importações pode não durar, observando que a crise prolongada no setor imobiliário chinês se agravou no mês passado.
No total, o superávit comercial da China foi de US$ 98,2 bilhões, menor que em junho, mas ainda bem acima da média histórica. Caso a tendência se mantenha, o superávit poderá ultrapassar US$ 1 trilhão em 2025, oferecendo um suporte essencial para uma economia que ainda enfrenta fraca demanda interna.
Mas a falta de clareza sobre tarifas pode frear o crescimento nos próximos meses, segundo a Pantheon Macroeconomics, já que Trump ainda não aprovou a extensão da trégua tarifária com a China.
“Os dados mais recentes apontam para um esgotamento do estoque acumulado e da demanda por transbordo, à medida que o fim da trégua temporária se aproxima — com poucas exceções,” disse Kelvin Lam, economista sênior da Pantheon, em relatório. “Mesmo que a trégua seja prorrogada por mais três meses, a incerteza persistente e as tarifas já elevadas provavelmente pesarão sobre o crescimento da China no segundo semestre.”
IstoÉ Dinheiro - SP 08/08/2025
O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, recomendou nesta quinta-feira, 7, que se tenha paciência para ver o juro fazer efeito. “Esse foi primeiro Copom sem alta”, disse ao se referir ao ciclo de alta da Selic e à mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que manteve a Selic nos atuais 15% ao ano.
Nilton participou, em São Paulo, de evento sobre política monetária organizado pela Porto Seguro Asset.
O diretor reconhece que houve sinais, ainda que incipientes, de alteração nas expectativas de inflação, mas ponderou que a queda da inflação implícita significa que agentes notam compromisso do BC com a meta. Mesmo porque, de acordo com ele, é unânime no Copom o desconforto com as medianas do Focus acima da meta.
“Não vamos hesitar se percebermos que a alta dos juros até aqui não foi suficiente. Existe a possibilidade de mudança nas medianas de inflação do Focus. Quando a incerteza cair, é inexorável ver pessoas revisitando projeções de inflação”, disse ele, acrescentando que a Focus alongou o prazo de Selic em 15% ao ano.
Crescimento da economia acima do potencial
O diretor de Política Monetária do Banco Central afirmou ainda que a instituição tem a convicção de que a economia cresceu acima do potencial e precisa voltar.
Nilton reiterou que o BC não vai e não deve reagir a ruídos. “A convicção é de que a política monetária está apertada e funcionando existe. Vamos passar por período de incerteza e sinais díspares por bastante mais tempo”, previu.
Fluxo negativo de crédito às famílias
O diretor de Política Monetária do Banco Central disse também que o mercado de crédito tem mostrado sinais de moderação. Essa avaliação já havia sido mencionada na última ata do Copom, publicada na terça-feira, 5.
“As famílias, hoje, já estão gastando mais dinheiro pagando os serviços da dívida e pagando os créditos do que com novos créditos. A gente chama de fluxo negativo para as famílias. Isso já foi observado no Copom anterior, e foi aumentado agora”, comentou o diretor.
Excluindo os efeitos da resolução número 4.966 do Conselho Monetário Nacional (CMN), também é possível observar um pequeno incremento na inadimplência, segundo o diretor. Todo esse comportamento está em linha com o funcionamento da política monetária no canal de crédito, afirmou.
Nilton lembrou, ainda, que o novo crédito consignado privado teve, até agora, concessões menores do que o esperado, juros maiores do que se previa e um maior faseamento nas contratações. Ele considerou que a cautela demonstrada pelo BC ao não reagir ao anúncio do programa foi acertada.
Indagado sobre o projeto que isenta do imposto de renda (IR) quem ganha até R$ 5 mil por mês, o diretor respondeu que o BC só reagiria à medida quando ela estiver completamente definida. “A gente espera que as coisas sejam concretas e objetivas antes de tomar qualquer atitude”, afirmou.
Globo Online - RJ 08/08/2025
Hoje vou precisar de um pouco mais de colaboração que a habitual do leitor não especializado, porque vou abordar um tema fundamental, mas terei que contar com a boa vontade do público leigo para adentrar um pouco no terreno da matemática. Tentarei ser o mais didático possível. A importância da taxa de juros para a economia é algo óbvio, que é conhecido por todos.
Observemos o que aconteceu com a taxa de juros nominal de médio prazo (5 anos) no mercado secundário. Na média anual de 2019, antes da pandemia, ela estava em apenas 7,5%. Em termos nominais! Agora está em quase o dobro disso, perto de 14%.
Esta taxa nominal, por sua vez, é composta de dois elementos: a taxa real das NTN-Bs — títulos indexados ao IPCA e protegidos da inflação — e o que no jargão se chama de “inflação implícita”, ou seja, o complemento dessa parcela real, que corresponde ao que o mercado considera que será a inflação no período correspondente.
Isso quer dizer o seguinte: se as taxas de juros dispararam nos últimos anos, isso foi por duas razões. A primeira é que as taxas reais de fato subiram muito, por diversas razões — risco fiscal, aumento dos juros externos, etc. E a segunda é que, além desse fato, aumentou bastante a inflação que o mercado considera que ocorrerá até o vencimento dos títulos.
Na média de 2019, em termos aproximados, a taxa real de 5 anos era em torno de 3,5% e hoje é em torno de 7,5%. Reduzir essa taxa é condição sine qua non para o país se desenvolver nos próximos 10 a 20 anos e isso passará pelas medidas fiscais que o próximo governo terá que tomar. Adicionalmente, porém, precisamos trazer para baixo as expectativas inflacionárias.
E aqui compartilho com o leitor uma pequena tecnicalidade. Se assumirmos que as taxas entre os meses 1 e 36 (três anos) estão “contaminadas” pelo curto prazo, dada a taxa média dos anos 1 a 3 e a dos anos 1 a 5 é possível, com algum algebrismo, chegar (implicitamente) às taxas projetadas especificamente para os anos 4 e 5, que se supõe que estariam “expurgadas” desses efeitos de curto prazo e representariam uma expectativa de inflação de médio prazo dos agentes econômicos, deixando de lado alguns detalhes técnicos.
Fazendo essa conta, conclui-se que a inflação implícita para a média dos anos 4 e 5 à frente foi inferior a 4% em dois momentos nos últimos 20 anos: i) em 2007, um mês, no auge da credibilidade do Banco Central de Meirelles; e ii) alguns meses de 2019/2020, antes da pandemia, quando o país também de beneficiou de um conjunto de reformas nos anos de 2016 a 2019. Hoje, essa inflação implícita para os anos 4 e 5 está em torno de 6% a 7%.
Se um pequeno empresário quiser fazer algum investimento que não poderá pagar no curtíssimo prazo, mas ele não tiver acesso a mecanismos de financiamento mais longo permitidos a quem tem um fôlego financeiro maior, o prazo de 5 anos — 60 meses — é uma boa referência para ele considerar para um empréstimo.
Hoje, por esse prazo, ele no mercado tem uma taxa de referência nominal de 14%. O país deveria se colocar como objetivo para a economia acelerar seu ritmo de crescimento diminuir essa taxa para perto da metade.
Grosso modo, isso significa duas coisas: i) reduzir a taxa de juros real nesse prazo de algo próximo de 7,5% para perto da metade disso; e ii) igualmente, conseguir diminuir a inflação implícita do mesmo patamar de 6% a 7% para também perto da metade disso.
Por razões que não há como detalhar aqui, haverá sempre um prêmio de risco que impedirá que essa inflação implícita seja estritamente os 3% da meta de inflação, mas uma política econômica sólida poderia sim aspirar a que essa inflação implícita se situe perto de 3,5% a.a.
Conclui-se que, no próximo governo, o país precisa elencar uma nova agenda de reformas. Quando o Brasil fez isso no passado, os juros reais e a inflação cederam. Não há por que supor que em 2027 não poderia acontecer a mesma coisa.
CNN Brasil - SP 08/08/2025
O déficit da balança comercial entre Brasil e Estados Unidos subiu 1.338,6% em julho, na comparação com o mesmo período de 2024.
No mês passado, o déficit com o país comandado por Donald Trump foi de cerca de US$ 560 milhões ante US$ 38,9 milhões de julho de 2024. No acumulado do ano, a balança comercial entre os dois países registrou déficit de US$ 2,26 bilhões para o Brasil.
A balança comercial foi listada por Trump como um dos fatores que motivaram a implementação de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Na carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente norte-americano afirma que as barreiras tarifárias brasileiras causaram déficits "insustentáveis" aos EUA.
"Entenda que essas tarifas são necessárias para corrigir os muitos anos de tarifas e barreiras tarifárias e não tarifárias do Brasil, que causaram esses déficits comerciais insustentáveis contra os Estados Unidos. Esse déficit é uma grande ameaça à nossa economia e, de fato, à nossa segurança nacional", diz a carta.
Somente em julho de 2025, a importação de produtos americanos subiu 18,2%, totalizando US$ 4,27 bilhões. Já as exportações brasileiras aos EUA cresceram 3,8%, totalizando US$ 3,71 bilhões.
A corrente de comércio com os EUA também cresceu em julho. Subiu em 11%, chegando a US$ 7,98 bilhões.
Balança comercial do Brasil
Ao considerar as importações e exportações para todos os países, balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,1 bilhões em julho de 2025, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (6) pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
O resultado representa uma queda 6,3% frente ao registrado no ano passado, quando o saldo foi de US$ 7,6 bilhões.
No mês, exportações somaram US$ 32,3 bilhões e importações de US$ 25,2 bilhões. A corrente de comércio totalizou US$ 57,5 bilhões no mês, com crescimento de 6,3% na comparação com julho de 2024.
Valor - SP 08/08/2025
Contratos para setembro, os mais negociados, fecharam cotados a US$ 110,39 por tonelada
Os futuros do minério de ferro caem com fundamentos mais fracos e um sentimento mais cauteloso do mercado, dizem os analistas da Guotai Junan Futures, citados pelo Dow Jones Newswires. A oferta e a demanda gerais não mudaram significativamente para a commodity, mas a desaceleração da economia da China pesou sobre o sentimento do mercado, explicam.
Os contratos do minério para setembro, os mais negociados, fecharam em queda de 0,25% na Bolsa de Dalian, cotados a 793 yuan (US$ 110,39) a tonelada.
Valor - SP 08/08/2025
Ação judicial decorre do rompimento, em 2015, da barragem do Fundão (MG), operada pela Samarco, joint venture da BHP e da Vale
As mineradoras globais BHP Groupe e Vale ofereceram cerca de US$ 1,4 bilhão para encerrar uma ação coletiva no Reino Unido relacionada a um dos piores desastres ambientais da história do Brasil, informou o “Financial Times” nesta quinta-feira (7).
A ação judicial decorre do rompimento, em 2015, da barragem do Fundão, em Mariana (MG), operada pela Samarco, joint venture da BHP e da Vale. O desastre motivou ações judiciais de centenas de milhares de pessoas.
A BHP enfrenta atualmente uma ação judicial em Londres avaliada pelos advogados autores em até 36 bilhões de libras (US$ 48,29 bilhões).
O acordo proposto inclui cerca de US$ 800 milhões em indenização às vítimas e US$ 600 milhões para cobrir os custos legais associados aos procedimentos judiciais, informou a reportagem, citando pessoas familiarizadas com o assunto.
A oferta teria sido feita durante uma reunião em junho, em Nova York, com o Pogust Goodhead, o escritório de advocacia britânico que representa os reclamantes, e seu principal financiador, o fundo de hedge americano Gramercy, segundo a reportagem.
A BHP e a Vale não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Reuters.
Auto Industria - SP 08/08/2025
O aumento de 14,5% nas importações de veículos, com 273.656 unidades comercializadas este ano ante total de 238.953 nos primeiros sete meses de 2024, é um dos entraves para um melhor desempenho produtivo das montadoras locais.
É que em contraste com essa elevada expansão dos estrangeiros, a venda de modelos nacionais teve alta de apenas 1,9%, passando de 1.146.356 para 1.168.671 unidades no mesmo comparativo. Na soma dos dois, o mercado interno teve alta de 4,1%, de 1.385.309 para 1.442.327 emplacamentos.
No contexto das importações, o grande destaque são os modelos chineses, cujas vendas cresceram 41,2% no acumulado do ano, para quase 88 mil unidades nos primeiros sete meses, com market share de 6% nos emplacamentos do período (veja quadro abaixo).
“E o estoque de carros vindos da China ainda é elevado, acima de 100 mil unidades”, revela o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet.
Infomoney - SP 08/08/2025
A Toyota reduziu sua previsão anual ao alertar sobre um impacto de ¥1,4 trilhão (US$ 9,5 bilhões) em seu resultado final devido às tarifas dos EUA que abalaram a indústria automotiva global.
A maior fabricante de automóveis do mundo agora prevê um lucro operacional de ¥3,2 trilhões para o ano fiscal que termina em março de 2026, informou na quinta-feira. Isso representa uma queda em relação à previsão inicial de ¥3,8 trilhões e também ficou abaixo das expectativas dos analistas.
A montadora reportou um lucro operacional de ¥1,17 trilhão no primeiro trimestre, uma queda de 11% em relação ao ano anterior, embora tenha superado as previsões dos analistas, que esperavam ¥890 bilhões. Enquanto aumentos de preços em algumas regiões ajudaram esse indicador, o impacto das tarifas foi de ¥450 bilhões no período.
A perspectiva, que coincide com o início das novas tarifas abrangentes do presidente Donald Trump, representa o relato mais completo da montadora sobre o provável impacto, além da estimativa anterior de um impacto de ¥180 bilhões apenas em abril e maio.
A estimativa da Toyota supera as previsões recentes de grandes empresas globais, enquanto a indústria automotiva lida com políticas em rápida mudança que estão elevando os custos. A Ford disse na semana passada que prevê um impacto líquido de tarifas de US$ 2 bilhões, cerca de US$ 500 milhões a mais do que a empresa esperava anteriormente. Enquanto isso, a Stellantis prevê que as tarifas reduzirão os lucros em cerca de €1,5 bilhão, e a General Motors afirmou que sua exposição está entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões.
Ainda assim, a Toyota tende a adotar uma abordagem conservadora em suas previsões e “tendências recentes sugerem potencial de alta, com Japão, América do Norte e China liderando o movimento”, disse Tatsuo Yoshida, analista sênior de automóveis da Bloomberg Intelligence. “A Toyota parece estar trabalhando em iniciativas para mitigar o peso das tarifas — como revisar sua cadeia de suprimentos para veículos destinados aos EUA.”
Sua previsão também é mais pessimista do que a de seus pares japoneses. A Subaru estima o impacto das tarifas em ¥210 bilhões, a Nissan prevê ¥300 bilhões e a Honda antecipa ¥450 bilhões. As ações da Toyota caíram até 2,4% em Tóquio, antes de fechar em queda de 1,5%.
As montadoras japonesas agora enfrentam uma tarifa de 15% sobre veículos enviados para os EUA, após os dois países fecharem um acordo comercial no mês passado que também inclui planos para o Japão criar um plano de investimento americano de US$ 550 bilhões.
Embora a taxa seja menor do que os 25% adicionais antecipados pela indústria, ainda há incertezas sobre os detalhes da implementação — os descontos tarifários para a UE, Japão e Coreia do Sul ainda não foram formalizados e, até que isso ocorra, os carros enfrentarão a cobrança mais alta.
Em julho, em resposta ao acordo, a Toyota disse esperar uma melhora nas relações entre os EUA e o Japão, e pediu novas reduções tarifárias.
Apesar da turbulência, a Toyota registrou vendas globais recordes no primeiro semestre de 2025, graças à forte demanda por seus híbridos a gasolina-elétricos nos mercados principais. Vendeu 5,5 milhões de unidades entre janeiro e junho, um aumento de 7,4% em relação ao ano anterior, principalmente devido às vendas robustas nos EUA, Japão e China.
A montadora espera vendas do grupo de 11,2 milhões este ano. A Toyota também planeja construir uma nova fábrica de veículos em Aichi, no Japão, com operações previstas para começar no início da década de 2030, visando manter a produção doméstica em 3 milhões de veículos.
Valor - SP 08/08/2025
Em um ano, as vendas de veículos produzidos no Brasil para a Argentina aumentaram 156,5%
Os fabricantes de veículos se preparam para uma diminuição na expectativa de crescimento do mercado interno. Mas vão conseguir manter o ritmo da produção por conta do aumento da exportação para a Argentina.
Graças à demanda mais aquecida no país vizinho, a participação das vendas externas na indústria automobilística passou de 14% para 25% em um ano.
Ao perceber a recuperação do mercado argentino, principal destino externo do setor, as montadoras se preparavam, desde janeiro, para aumentar os volumes Em janeiro a Anfavea anunciou a expectativa de uma expansão de 7,8% das exportações em 2025.
Mas o resultado dos últimos meses surpreendeu, diz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet. A entidade reviu os cálculos e na quinta-feira (7) anunciou uma projeção de exportação muito mais alta, de 38,4% em 2025.
Em um ano, as vendas de veículos produzidos no Brasil para a Argentina aumentaram 156,5% (183,9 mil unidades), o que elevou a fatia do país vizinho de 35% para quase 59% do total exportado pelo setor. Embora as vendas para outros mercados vizinhos, como Colômbia e Chile, também tenham crescido, é a demanda argentina o principal motivo que leva a Anfavea a tratar o resultado como “alta surpreendente”.
De janeiro a julho, o volume de veículos exportados pelo Brasil somou 312,1 mil unidades, alta de 52,7% ante 2024. A receita com as vendas externas das montadoras somou US$ 8,33 bilhões, crescimento de 43,9% na comparação com o mesmo período de 2024.
A demanda externa foi o principal motivo, segundo Calvet, que levou a indústria a contratar mais nas últimas semanas. Em apenas um mês, as montadoras abriram 400 vagas. Com 109,1 mil funcionários, o emprego nas montadoras aumentou 4,4% em 12 meses.
As perspectivas de vender mais no exterior ajudam o setor a compensar a expectativa de ritmo de crescimento mais lento no mercado interno e, assim, manter as projeções de produção anunciadas no início do ano.
A Anfavea diminuiu a previsão de expansão do mercado interno em 2025 de 6,3% para 5% (2,765 milhões de unidades). Mas manteve a expectativa de aumento da produção em 8,4% (2,749 milhões de unidades).
Nem mesmo o programa de incentivos fiscais federais Carro Sustentável ajudará a reverter a tendência. O programa isentou de IPI uma lista de carros básicos e, no primeiro mês de vigência, provocou um aumento de vendas desses modelos em 16,7%.
Tarifas dos EUA prejudicarão venda de caminhões, que transportam os produtos afetados”
— Igor Calvet
A direção da Anfavea aponta a alta dos juros como um dos principais fatores que provocam a retração de demanda, sobretudo de caminhões. A entidade está pessimista em relação à demanda por veículos de transporte de carga, principalmente da linha pesada.
Desde o inicio do ano, a demanda por caminhões caiu 4,1% e o quadro pode piorar nos próximos meses. A entidade alterou a projeção de vendas internas de caminhões em 2025 de alta de 0,2% para queda de 8,3%. “A instabilidade nos machuca e a alta dos juros nos mata”, diz Calvet.
Mas não é só a alta da taxa básica de juros, a maior desde 2006, que pode afetar o ritmo das linhas de montagem. Segundo Calvet, o mercado de caminhões tende a sofrer o impacto do aumento das tarifas de importação dos EUA, em vigor desde quarta-feira. O dirigente lembra que praticamente todos os produtos exportados pelo Brasil para o mercado americano são transportados em caminhões até os portos.
O “tarifaço” divulgado pelo presidente Donald Trump também prejudicará a exportação de componentes fabricados pelas montadoras, como motores. Nesse caso, a tarifa subiu de 2,5% para 27,5%, o que, segundo cálculos da Anfavea, provocará impacto de US$ 268 milhões caso o ritmo de embarques seja mantido, o que Calvet duvida que ocorra.
Ao divulgar os resultados do setor, Calvet voltou a se queixar da entrada de produtos chineses. A importação de carros da China está se aproximando do volume que vem da Argentina.
De janeiro a julho foram vendidos 87,8 mil carros chineses no Brasil, 41,2% mais do que no mesmo período de 2024. Da Argentina, vieram 121,4 mil, um aumento de 11% na comparação com o acumulado em 2024.
“A importação da Argentina é benéfica porque nós também exportamos para lá, mas não vendemos nada para a China”, destaca.
Ao mesmo tempo, Calvet elogia a recente decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que limitou a seis meses o período de isenção do Imposto de Importação de veículos semidesmontados. A BYD, que se prepara para produzir no país, havia pedido um período maior, de um ano. A Camex também limitou o volume de entrada desses veículos a cotas que poderão ser usadas por todas as marcas, incluindo sócios da Anfavea.
Infomoney - SP 08/08/2025
Os fabricantes de veículos no Brasil reduziram nesta quinta-feira sua projeção de vendas para 2025, revisando a expectativa de crescimento de 6,3% para 5%, o que representa 2,765 milhões de unidades, segundo dados apresentados pela associação Anfavea.
A revisão ocorreu em meio à alta dos juros no país, que impacta financiamentos, especialmente no segmento de caminhões, além dos possíveis efeitos econômicos gerados pelo tarifaço dos Estados Unidos, afirmou a entidade em apresentação para jornalistas.
“Há uma grande instabilidade em relação ao que vai acontecer com o mercado diante das tarifas (de importação) dos Estados Unidos. Cerca de 60% a 70% dos produtos brasileiros são escoados por via rodoviária e isso (tarifas) produz um impacto indireto nos emplacamentos do segmento”, disse o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
Ainda assim, a projeção para a produção total de veículos no país foi mantida pela entidade, com crescimento de 7,8%, para 2,749 milhões de veículos. Isso porque a Anfavea fez um forte ajuste para cima na estimativa de exportações, que passou de alta de 7,5% para 38,4%, totalizando 552 mil veículos.
Calvet explicou que a revisão nas exportações reflete o expressivo crescimento do mercado argentino. De janeiro a julho, as exportações brasileiras para a Argentina saltaram 156,5% em relação ao ano anterior, para 183,9 mil unidades. Com isso, a participação da Argentina nas exportações de veículos do Brasil subiu de 35,1% para 58,9%, segundo dados da Anfavea.
A entidade calculou as novas projeções com base em uma expectativa de crescimento do PIB de 2,3% para este ano. A previsão para as vendas de caminhões foi reduzida de estabilidade para queda de 8,3%, a 114,5 mil unidades, enquanto a estimativa para ônibus foi elevada de alta de 7% para 25,3%, totalizando 25,3 mil veículos.
Mercado em julho
Em julho, a produção de veículos no Brasil cresceu 15,7% em relação a junho, enquanto as vendas avançaram 14,2%, impulsionadas em parte pelo programa do governo federal que reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e por três dias úteis a mais de vendas em comparação com junho, segundo dados da Anfavea.
O programa, chamado “Carro Sustentável” pelo governo, gerou um crescimento de 16,7% nas vendas dos modelos beneficiados, geralmente veículos compactos. A iniciativa vai até o final de 2026.
A produção em julho somou 237,8 mil veículos e as vendas, 243,2 mil. Na comparação com julho do ano passado, o volume produzido recuou 3,6%, e os licenciamentos ficaram praticamente estáveis, com leve alta de 0,8%.
No acumulado de janeiro a julho, a produção avançou 6,1%, para 1,47 milhão de veículos, e os emplacamentos cresceram 4,1%, totalizando 1,44 milhão.
As exportações de veículos em julho subiram 22,4% em relação ao mesmo mês de 2024, para 47,9 mil unidades. No acumulado do ano, a participação das exportações na produção nacional passou de 14% para 20%.
A Anfavea afirmou que o impacto do tarifaço imposto por Donald Trump soma US$ 1,3 bilhão, afetando as exportações brasileiras de máquinas autopropulsadas, como tratores e retroescavadeiras, e de autopeças, incluindo motores.
A tarifa de importação dos EUA para máquinas agrícolas e rodoviárias subiu de 0% para 50%. Em autopeças, o imposto passou de 2,5% para uma faixa entre 27,5% e 52,5%.
IstoÉ Dinheiro - SP 08/08/2025
Como reflexo da elevação de tarifas de importação, a alta no custo do material de construção acelerou a inflação da construção no Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de julho, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Ao mesmo tempo, o custo da mão de obra permaneceu em alta significativa, embora com menos fôlego que no mês anterior.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) passou de um avanço de 0,69% em junho para uma elevação de 0,91% em julho.
“O INCC subiu puxado pelo encarecimento de produtos de PVC, reflexo direto do aumento das tarifas de importação de resinas, destacando tubos, conexões e eletrodutos como os itens que mais pressionaram o índice da construção civil”, justificou Matheus Dias, economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), em nota oficial.
O índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços saiu de uma alta de 0,24% em junho para uma elevação de 0,85% em julho. O custo dos Materiais e Equipamentos passou de um aumento de 0,12% em junho para elevação de 0,86% em julho, enquanto os Serviços saíram de alta de 1,26% para elevação de 0,78%.
Já o índice que representa o custo da Mão de Obra saiu de uma elevação de 1,32% em junho para uma alta de 1,00% em julho.
Valor - SP 08/08/2025
Proposta a ser discutida pelo CMN também acaba com compulsório e incentiva funding com instrumentos de mercado
O novo modelo de crédito imobiliário brasileiro deve dar fim ao direcionamento da poupança para o financiamento e permitir que bancos usem esses recursos, que são mais baratos, desde que eles concedam crédito habitacional no mesmo montante. A proposta deve ser discutida na próxima reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), no fim deste mês.
Atualmente, 65% dos recursos da poupança precisam ser direcionados para o crédito imobiliário, 20% têm de ficar no Banco Central (BC) na forma de recolhimento compulsório e outros 15% são de uso livre pelos bancos. A ideia é que essas obrigações não existam mais, tanto de direcionamento quanto de compulsórios, e que as concessões sejam feitas a partir de instrumentos de mercado. As informações foram publicadas pela “Folha de S.Paulo” e confirmadas pelo Valor.
Entre esses instrumentos, estão as letras de crédito imobiliário (LCI) emitidas pelos bancos. Os papéis têm sido “um instrumento importante na transição da poupança”, segundo definiu o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Sandro Gamba, no fim de julho.
Porém, uma das questões relacionadas a esses títulos - que ainda não está solucionada - é o prazo, visto como longo pelo mercado. Originalmente, o vencimento dos papéis era de três meses, mas chegou a 12 meses após decisão do próprio CMN em meio a mudanças nos títulos incentivados. Depois, passou a nove meses e atualmente está em seis meses.
Outro empecilho é que pode haver a taxação desses títulos a partir do próximo ano se o Congresso aprovar proposta do governo para uma alíquota de 5%. A continuidade da isenção foi defendida durante as conversas entre o BC e representantes do mercado, mas o tema é visto como mais difícil de ser solucionado.
A regulamentação do novo modelo de crédito imobiliário deve estabelecer alguns parâmetros, até mesmo para que as taxas não mudem em relação ao que é praticado pelo mercado. O banco captaria recursos com instrumentos de mercado e concederia o crédito imobiliário. A partir dessa concessão, o mesmo montante, só que vindo dos depósitos da poupança, ficaria de uso livre pelo banco para aplicar a taxas de mercado.
Ou seja, caso o banco capte R$ 1 mil com instrumentos de mercado e conceda esse valor em crédito imobiliário, teria R$ 1 mil em recursos da poupança, que têm um custo menor, para usar como desejar. Com isso, a ideia é que a poupança sirva como um equalizador das taxas, mantendo o custo de crédito próximo ao que é praticado no modelo atual.
O fim do compulsório da poupança, uma demanda antiga do setor, também seria possibilitado pela mudança no modelo. Atualmente, o compulsório existe para estabilidade financeira porque há um descasamento de prazos entre o funding e o crédito imobiliário. A poupança tem liquidez diária, pode ser sacada a qualquer momento pelos clientes, enquanto o crédito imobiliário tem prazos mais longos. Como a poupança não será mais a fonte de recursos o compulsório não seria mais necessário.
Outro parâmetro da regulação é o prazo de flexibilidade dos recursos da poupança, que deve ser de cinco anos. Depois desse prazo, caso o banco queira manter livre o uso desses recursos, deverá conceder um novo crédito, apurou o Valor. Do contrário, os recursos serão recolhidos em uma conta no BC com uma remuneração no patamar da poupança, que é da Taxa Referencial (TR) mais 6,17% ao ano, ou abaixo. A forma de remuneração ainda está sendo discutida.
A medida também traz mudanças para os recursos do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS). Atualmente, esse montante é considerado no cálculo de direcionamento para o crédito imobiliário, dentro dos 65%, mas o entendimento é que esses valores não são efetivamente um crédito para habitação. O FCVS serviu como uma forma de cobrir prejuízos dos bancos em contratos imobiliários firmados entre o fim dos anos 80 e os anos 90 e que acabaram se desequilibrando como efeito da hiperinflação.
Estimativa é que, no custo atual, novo modelo contribua para, em 10 anos, dobrar saldo do financiamento imobiliário no país
A avaliação de quem está envolvido nas discussões é que, mesmo sem o direcionamento, a dinâmica de mercado mostra que há interesse em continuar trabalhando com o financiamento imobiliário, com as instituições concedendo, mais recentemente, acima do patamar de direcionamento obrigatório. Uma das razões para essa dinâmica é a busca pelo chamado “cross-sell”. Ou seja, um cliente que tem um financiamento em um banco tem mais chance de usar outros serviços ou produtos da mesma instituição.
A redução do tamanho da poupança nos últimos anos trouxe desafios aos bancos. Como mostrou o Valor, as instituições financeiras estão cada vez mais priorizando o uso desse dinheiro para operações com pessoas físicas e financiando as incorporadoras com empréstimos atrelados às taxas de juros de mercado. A leitura é de que enquanto as empresas podem usar outros modelos para obter recursos, como o mercado de capitais, as pessoas físicas não têm a mesma opção.
As alterações podem ser feitas apenas com resoluções do CMN e do Banco Central, a depender do desenho final do modelo, sem necessidade de mudanças legislativas. Quando publicada, a norma deve prever um período até que entre em vigor, para que o mercado consiga adaptar seus sistemas.
A estimativa é que o novo modelo contribua para, em dez anos, dobrar o saldo do crédito imobiliário no país, a depender da oferta e demanda do mercado e ao custo similar ao que é praticado hoje. Atualmente, o saldo de crédito imobiliário está em cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB). Com isso, chegaria em patamares próximos a de outros países emergentes, como Tailândia, que está em 20%, e África do Sul, em 18%. O Chile tem cerca de 30% do PIB.
A transição para esse novo modelo deve ser feita gradualmente no ritmo do vencimento da carteira de crédito imobiliário atual. Considerando os recursos da poupança e aqueles de uso livre, excetuando os do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), há cerca de R$ 800 bilhões na carteira do sistema financeiro. Cerca de 7% a 8% são rolados anualmente.
A visão de técnicos é que essa solução é mais estrutural. Uma redução dos compulsórios de 20% para 15%, como já foi pedido pelas instituições financeiras, seria uma liberação imediata. Porém, não resolveria o problema de funding no longo prazo.
O saldo do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) vem caindo seguidamente desde 2021. Em 2021, 2022 e 2023, houve uma saída líquida da poupança, resultado das aplicações menos as retiradas, de R$ 188 bilhões. No ano passado, a saída líquida foi de R$ 21,7 bilhões. Só neste ano, até junho, o montante retirado da caderneta foi de R$ 38,4 bilhões, segundo dados do BC.
A mudança para instrumentos de mercado também pode possibilitar a securitização desse crédito, com a venda em um mercado secundário. No modelo atual, o mercado secundário tem dificuldades de crescer por conta do indexador da poupança, a TR, que não remunera outros ativos, dificultando o casamento do passivo com outros ativos no balanço dos bancos.
Com o uso de instrumentos de mercado, esse casamento é facilitado e os bancos podem já captar pensando em securitizar a operação posteriormente.
Globo Online - RJ 08/08/2025
O novo modelo de crédito imobiliário em estudo pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva deve dobrar o volume de recursos disponíveis para o financiamento da casa própria com juros próximos aos atuais. De maneira geral, a proposta amplia o direcionamento obrigatório dos depósitos de poupança pelos bancos para a concessão de crédito imobiliário, ao mesmo tempo em que libera uma espécie de “bônus” no mesmo valor para o uso livre pelo período de cinco anos.
O Banco Central verifica se a exigibilidade foi cumprida comparando o saldo devedor da carteira de crédito imobiliário da instituição financeira com o seu respectivo saldo da caderneta. Essa proporção tem que estar sempre em 65% — ou seja, a cada parcela quitada, o banco tem que conceder novo empréstimo habitacional, caso contrário, a diferença é recolhida pelo BC e fica sujeita a remuneração punitiva de 80% do custo da poupança. Outros 20% do saldo da poupança são recolhidos ao BC em forma de depósito compulsório (instrumento para controlar a liquidez na economia) e o restante (15%) é de uso livre pela instituição financeira.
O que está em discussão
No modelo em discussão, a ideia é inverter essa dinâmica. Todo crédito imobiliário originado destravaria o acesso do banco ao mesmo montante de recursos da poupança para uso em qualquer operação por cinco anos. Ao final desse período, a instituição financeira terá que conceder novo financiamento imobiliário para renovar o acesso. Esse mecanismo vai funcionar como um “multiplicador” dos recursos da poupança, porque vai acelerar a obrigação de contratar crédito imobiliário pelos bancos.
O que muda?
Como efeito colateral da mudança, a poupança ficaria disponível para dar sustentação ao crédito imobiliário pelo prazo de cinco anos, e não mais pelo prazo total do financiamento. Dessa forma, os bancos terão que aumentar o uso de outras fontes mais caras, como a LCI, para conceder os empréstimos. O mecanismo, no entanto, é pensado para manter as taxas de juros próximas daquelas que são cobradas atualmente nos contratos lastreados na poupança.
A ideia é que parte dos ganhos com a aplicação dos recursos da caderneta em operações mais rentáveis sejam usados como redutor da taxa do crédito imobiliário. Isso não será obrigatório, o que preocupa o setor da construção, mas os técnicos envolvidos nas discussões acreditam que os incentivos do novo modelo serão suficientes.
Como a exigibilidade para o crédito imobiliário tende a dobrar, os bancos terão que cobrar juros atrativos para conseguir atender o direcionamento. E caso escolha ficar abaixo, a instituição não terá acesso aos recursos da poupança para uso livre.
Monitoramento do mercado
De qualquer maneira, integrantes do governo afirmam que irão monitorar o comportamento do mercado após o lançamento do novo modelo. Caso haja um aumento injustificado dos juros, garantem que há ferramentas necessárias para lidar com a situação, criando uma remuneração punitiva aos moldes da existente hoje, por exemplo.
Irão contar para o cálculo do direcionamento todas as operações que estejam ligadas à atividade imobiliária de fato, tanto para pessoa física quanto para construtoras. No caso do crédito para apoio à construção de empreendimentos imobiliários, no entanto, o prazo de uso livre dos recursos da poupança pode ser menor do que cinco anos, já que essas operações normalmente são mais curtas, de cerca de três anos.
Quando sai o novo modelo?
O novo modelo está praticamente fechado, em fase de ajustes finais com os setores interessados. Os bancos e a construção civil devem receber uma minuta do texto final ainda este mês e a expectativa é que a nova norma possa ser publicada até o fim de setembro. Só passaria a valer, porém, no primeiro trimestre de 2026.
Além da medida, o governo também trabalha em mudanças nos contratos indexados ao IPCA. As propostas não estão vinculadas, mas fazem parte do mesmo esforço de transição para um novo modelo de crédito imobiliário, com menor dependência da poupança.
Nesse caso, a ideia é criar um adicional de amortização a cada parcela do financiamento para suavizar a influência de um eventual repique da inflação no saldo devedor do financiamento.
Globo Online - RJ 08/08/2025
Os planos da prefeitura do Rio para expandir a rede de VLTs na cidade incluem uma proposta para conectar os trens que já circulam pelo Centro e a Zona Portuária até São Cristóvão. A previsão consta de um projeto de lei que o prefeito Eduardo Paes encaminhou no fim da tarde de terça-feira à Câmara de Vereadores do Rio. No documento, o prefeito pede autorização ao legislativo para o Executivo a fazer parcerias público privadas para esse serviço; bem como para viabilizar a progressiva conversão dos BRTs Transcarioca (Barra-Fundão) e Transoeste (Jardim Oceânico/ Campo Grande e Santa Cruz) para o novo modal.
O texto, no entanto, deixa em aberto que outras tecnologias possam ser usadas no modal. Uma das alternativas seria a implantação do que é conhecido como Veículos Leves sobre Pneus, cujos veículos também trafegam por trilhos eletrificados cujo custo de implantação é mais baixo.
Paes propõe um Bilhete Único Metropolitano para integrar passageiros da Baixada ao BRT do Rio; ele promete ‘dar um jeito’ se estado não apoiar
Na mensagem, Paes diz que o objetivo da proposta seria integrar o serviço com as estações do Metrô e de Trens de São Cristóvão com a antiga estação da Lepoldina, na Avenida Francisco Bicalho, onde se conectaria com a malha de VLT já existente. A proposta pegou alguns vereadores de surpresa, já que no recém -divulgado Plano Estratégico 2025-2028 só previa até dezembro de 2028, a assinatura de uma concessão para iniciar a conversão de uma das linhas que opera na Barra.
Plano Conceitual
A proposta para São Cristóvão por enquanto é conceitual, ao contrário das iniciativas para o Transoeste e o Transcarioca, que aproveitariam o traçado já implantado para o BRT . No texto encaminhado ao legislativo, Paes inclui no roteiro do serviço: o Centro de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga, o Hospital Quinta DOr , a Quinta da Boa Vista e o Bioparque.
O Bairro Imperial passou a ser estratégico porque foi incluído entre as áreas da operação urbana que viabilizou a revitalização da Zona Portuária na década passa e que podem receber Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cpacs), recurso que permite a construção de prédios residenciais e comerciais com regras mais flexíveis.
Expansão estratégica
Para essa expansão em direção a São Cristóvão dois projetos são considerados estratégicos. Um deles é a reforma da Estação da Leopoldina, suspensa desde junho; e a Fábrica do Samba, onde estão sendo construídos barracões para as escolas da Série Ouro, da segunda divisão do Carnaval do Rio.
— A Câmara foi fundamental para recuperar o sistema BRT, aprovando empréstimo para reforma das estações e compra de 500 novos ônibus. Agora, ao analisar esse novo projeto vai contribuir com sugestões e emendas que possam aprimorar proposta. o presidente da casa, Carlo Caiado (PSD).
Concessão patrocinada
O modelo de PPP proposto para os novos VLPS/VLTs é de concessão patrocinada, ou seja exigiria subsídios públicos, seja para a realização da obra ou pagamento de passagens.
Da bancada de oposição, Paulo Messina (PL) faz algumas criticas ao projeto. Um dos pontos é que o texto já prevê que os vereadores autorizem nessa proposta eventuais expansões dos serviços, que sequer foram implantados:
— Desde o início, a prefeitura deveria ter optado pelo transporte sobre trihos. O governo está fazendo uma correção de rumos. Antes tarde do que nunca —disse Messina.
Empréstimo de R$ 882 milhões
Outro projeto apresentado por Paes pede autorização para a prefeitura contrair um novo empréstimo agora de R$ 882 milhões. Parte dos recursos serão usados para canalizar 3,8 kms da bacia do Rio Acari,entre a Avenida Martin Luther King e o Rio Pavuna-Meriti. No caso do Complexo Alemão, seriam investidos em projetos de regularização fundiária e melhorias das redes de drenagem e construção de praças. Já na Rocinha, há propostas para implantar um plano inclinado, ampliação de vias, entre outros projetos:
—Na revisão do Plano Diretor (concluída no ano passado), graças a uma iniciativa da Câmara, pela primeira vez foi incluído um capítulo sobre as favelas para que as comunidades recebam mais recursos para urbanização e outras melhorias. É muito positivo que o projeto enviado já preveja isso com a destinação dos recursos do empréstimo para essas duas comunidades e para uma região que sofre com inundações — disse Carlo Caiado.
Agência Camara - DF 08/08/2025
O presidente da comissão especial criada pela Câmara dos Deputados para analisar um novo marco regulatório do setor portuário no Brasil, deputado Murilo Galdino (Republicanos-PB), afirmou que a proposta deverá ser votada até fim do ano.
Em entrevista à Rádio Câmara nesta quarta-feira (6), Galdino lembrou que o Projeto de Lei 733/25 é resultado do trabalho de um grupo de juristas convidados pela Câmara para propor mudanças na Lei dos Portos. Agora, segundo o deputado, a comissão especial vai debater o tema com os diferentes setores envolvidos.
Ouça a íntegra da entrevista com Murilo Galdino
Murilo Galdino ressaltou que 95% das riquezas comercializadas pelo Brasil passam pelos portos e defendeu a atualização do marco legal do setor portuário. “Queremos melhorar esse setor, modernizar, mas, acima de tudo, sem precarizar a atuação dos trabalhadores, sem diminuir a questão das exigências ambientais," explicou.
CNN Brasil - SP 08/08/2025
A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 26,65 bilhões no segundo trimestre, informou a petroleira estatal na noite desta quinta-feira (7). O resultado marca reversão do prejuízo de R$ 2,6 bilhões anunciado no mesmo período de 2024.
Entre os destaques operacionais observados no período, a companhia destaca o aumento de 5% na produção total de óleo e gás natural ante o primeiro trimestre deste ano, atingindo 2,91 milhões boed (barris de óleo equivalentes por dia).
A petroleira avalia que a "expressiva" produção de óleo e gás contribuiu para compensar o cenário de queda do preço do petróleo no exterior, medido pelo valor do barril Brent, negociado na ICE (Intercontinental Exchange).
Ademais, a Petrobras registrou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 52,3 bilhões no período e receita líquida de R$ 119,1 bilhões no segundo trimestre.
A Petrobras ainda registrou recordes na produção total operada (4,19 milhões boed) e, em específico, também no pré-sal (2,39 milhões boed).
A companhia relatou um capex (despesa de capital, os investimentos realizados pela empresa) de US$ 4,4 bilhões nos três meses encerrados em junho.
Nesse sentido, destaca o início da produção do FPSO Alexandre de Gusmão, no campo de Mero, em maio; novas descobertas de "excelente qualidade" no Bloco de Aram, na Bacia de Santos; a aquisição de dez blocos exploratórios na Margem Equatorial e três na bacia de Pelotas; e a obtenção de licenças relevantes para o plano de negócios para o quadriênio até 2029.
A estatal ainda chama atenção para a retomada de investimentos em seu parque de refino e a volta da produção de fertilizantes; além da produção de derivados de petróleo de alto valor agregado.
A chegada de um novo navio plataforma no quarto trimestre, iniciativas de descarbonização do transporte marítimo, novos contratos de gás, a antecipação da vigência de contratos de leilão, a criação de uma corregedoria nacional e até a aquisição de dois supercomputadores também aparecem entre os destaques operacionais apontados pela Petrobras.
"Nossa performance operacional sustentou resultados financeiros sólidos e geração de caixa robusta", indica a estatal no balanço.
Produção
A Petrobras ainda prevê que sua produção média de petróleo e gás em 2025 deverá ficar próxima da faixa superior da meta traçada para o ano.
Em julho, a produção média de petróleo da estatal somou 2,47 milhões bpd (barris por dia), 380 mil bpd a mais em relação ao quarto trimestre do ano passado, disse a companhia.
Em seu balanço do segundo trimeste, a companhia ainda destacou ter colocado em operação neste ano dois navios plataformas de produção no pré-sal da Bacia de Santos - FPSO Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, em fevereiro, e a plataforma de Mero.
O Almirante Tamandaré já chegou a 200 mil barris por dia com quatro poços produtores e, em breve, chegará ao topo de produção com 225 mil barris por dia, segundo a empresa. Enquanto isso, Alexandre de Gusmão entrou em operação mais de dois meses antes do esperado, segundo a empresa.
Dividendos
A companhia também informou que seu conselho de administração aprovou R$ 8,66 bilhões em remuneração a seus acionistas na forma de dividendos e JCP (juros sobre capital próprio). A informação consta em fato relevante publicado pela companhia na noite desta quinta.
O valor equivale a R$ 0,67192409 por ação ordinária e preferencial em circulação. O repasse se dá como antecipação da remuneração relativa ao exercício de 2025, com base no balanço de 30 de junho de 2025.
Infomoney - SP 08/08/2025
Os contratos futuros de petróleo reverteram a alta de 1% de mais cedo e fecharam em baixa pela sexta sessão consecutiva nesta quinta-feira, 7, com investidores acompanhando os desdobramentos geopolíticos entre Rússia e EUA.
Por um lado, há expectativa de avanços em direção a um encontro entre os líderes, por outro, o presidente norte-americano, Donald Trump, pode adicionar mais sanções à Moscou até a sexta-feira, 8. A recuperação do dólar desta quinta também ficou em foco.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para setembro recuou 0,73% (US$ 0,47), a US$ 63,88 o barril. Já o Brent para outubro, negociado na Intercontinental Exchange (ICE) teve queda de 0,68% (US$ 0,46), a US$ 66,43 o barril.
O estrategista Mohit Kumar, do Jefferies, vê o mercado muito atento aos desdobramentos geopolíticos. Para ele, avanços em direção a um cessar-fogo na Ucrânia seriam negativos para os preços da commodity.
Ibovespa Ao Vivo: Bolsa tenta buscar os 137 mil; VALE3 e PETR4 sobem mais de 1%
Bolsas dos EUA voltam a perder força com as tarifas em foco
A Casa Branca desmentiu nesta quinta-feira alegações do Kremlin de que um encontro entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, já estaria acertado e com local definido. Um funcionário da Casa Branca disse que, para que o encontro aconteça, Putin precisa se reunir antes com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky – algo que Moscou ainda não demonstrou disposição para aceitar.
Paralelamente, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira à noite que o republicano tomará uma decisão sobre as sanções à Rússia “nas próximas 24 a 36 horas”, dependendo de como as negociações progredirem.
As opiniões do mercado divergem sobre se a Índia vai ou não parar de comprar petróleo bruto russo, embora a tarifa adicional de 25% de Trump sobre o país esteja a semanas de distância e Moscou ainda possa se entender com Washington, diz a Ritterbusch. “Aumentos adicionais na produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) são uma consideração negativa predominante”, acrescenta.
Exame - SP 08/08/2025
A ausência de concorrência nos primeiros leilões de repactuação das rodovias federais pode ser superada, pelo menos, no próximo certame.
A avaliação é do advogado Fernando Vernalha, sócio-fundador do escritório Vernalha Pereira Advogados, especializado na estruturação jurídica de grandes projetos de infraestrutura há mais de duas décadas. Para ele, a disputa pela BR-381 (Fernão Dias) tem potencial para atrair novos players.
“Não vejo a falta de competição como algo negativo, desde que a repactuação esteja bem calibrada. Se o atual concessionário permanece, pode ser sinal de que a modelagem está adequada. Mas a Fernão Dias, pelas características do projeto, deve provocar concorrência”, afirmou o especialista em entrevista ao videocast EXAME INFRA.
Os leilões de repactuação de concessões rodoviárias federais é um novo mecanismo adotado pelo governo, com aval do Tribunal de Contas da União (TCU), para reestruturar contratos em crise e com passivos para serem equacionados.
Vernalha explica que o mecanismo surgiu como uma alternativa à relicitação, que foi a primeira solução pensada pelo governo para resolver os chamados ativos estressados, mas que se mostrou pouco eficiente.
“Admiro muito essa iniciativa da repactuação, é uma forma de o governo reconhecer que o problema existe e ter que enfrentá-lo. E eu acho que eles estão sendo bem sucedidos”, diz o advogado.
No caso da Fernão Dias, operada atualmente pela Arteris, o contrato foi reconfigurado para receber R$ 15 bilhões em investimentos adicionais e terá sua vigência estendida em sete anos, até 2040.
Entre os compromissos, estão 108 quilômetros de faixas adicionais, construção de túneis e recuperação do pavimento entre São Paulo (SP) e Belo Horizonte (MG), com aporte estimado de R$ 3 bilhões nos primeiros três anos.
Além da infraestrutura tradicional: o potencial transformador das PPPs sociais no Brasil
A rodovia é considerada um dos principais corredores logísticos do país, com 569 quilômetros de extensão, cruzando 33 municípios e registrando tráfego médio diário superior a 61 mil veículos por praça, sendo 37% de veículos de carga.
A assinatura do novo contrato, com validade de 15 anos, dependerá do resultado de um leilão simplificado previsto para ser realizado neste ano. O modelo segue o critério de menor tarifa e prevê a possibilidade de lances em viva-voz, em igualdade de condições para outros interessados além da atual operadora.
A estruturação do acordo foi construída com participação da ANTT, do Ministério dos Transportes e da própria Arteris, com aval do Tribunal de Contas da União (TCU) no final de junho. Foi o primeiro caso em que todos os integrantes da comissão formada pela Secex Consenso, secretaria de soluções consensuais do TCU, concordaram integralmente com os termos negociados.
Três leilões de repactuação no ano
A Fernão Dias será o terceiro leilão de repactuação a ser realizado. Os dois primeiros — BR-163/MS e BR-101/BA-ES — foram vencidos pelos atuais operadores, as concessionárias Motiva e EcoRodovias, respectivamente, sem concorrência.
No primeiro, a antiga CCR MSVia venceu o leilão com novo plano de investimentos em 847 quilômetros de rodovia. No segundo, a EcoRodovias garantiu a continuidade da BR-101 com um contrato de 24 anos e aporte de R$ 10,3 bilhões.
Apesar de prever uma disputa aquecida na repactuação da Fernão Dias, segundo Vernalha, a tendência é que a maioria dos leilões siga com esse perfil: pouca ou nenhuma competição.
Mas a desinteresse do mercado por esses projetos não necessariamente revela que a repactuação está mal feita ou que o processo de consulta ao mercado foi mal conduzido.
“É do jogo mesmo”, afirma o advogado no videocast da EXAME em parceria com a empresa Suporte. “Podemos esperar alguma competição em um ou outro caso, mas regra geral, na minha percepção, teremos pouca ou nenhuma competição. Porque esses são contratos que já têm um histórico, passivos regulatórios, é muito custoso também para os entrantes aí, os candidatos, assumirem o controle dessas operações. Estamos falando de uma transferência de controle”, diz ele.
Vernalha acrescenta que o mercado aquecido, com mais de um leilão a cada 4 dias, como mostrou a EXAME, também explica a baixa competição nas repactuações. A leitura é que as empresas preferem novos leilões.
“Esses leilões de repactuação concorrem com os leilões de projetos novos. Por isso também que o mercado tem preferido disputar os novos leilões do que disputar esses leilões de repactuação”, afirma.
Agrolink - RS 08/08/2025
Apesar dos desafios do cenário externo e interno, o agro segue impulsionando o PIB brasileiro. O ano 2026 será tumultuado e com eleições, mas o setor está na fase ganhadora, crescendo 9% em 2025 e devendo manter esse índice em 2026, contribuindo positivamente. As previsões para este ano elevam o PIB em 2,2%. Essa é a avaliação de Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, que ministrou palestra no Congresso Andav 2025, nesta quarta-feira (6/8). O evento é uma realização da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), organizada pela Zest Eventos, e segue até amanhã, quinta-feira, 7 de agosto.
O ajuste fiscal é o ponto focal e deve acontecer em 2027, não porque o governo deseje, mas porque o cenário é complicado e, no entendimento do economista, isso é primordial para que o ciclo siga positivo.
Para Vale, os fatores geopolíticos externos têm papel importante nessas previsões, mas o Brasil tem ativos de interesse global, como petróleo, terras raras e alimentos, e um agro que responde por ¼ do PIB. Ele reconheceu ainda que a economia nacional segue com dificuldades, mesmo com reformas importantes tendo sido realizadas. “O presidente do Estados Unidos usa as tarifas porque é o que tem a mão sem precisar do congresso, mas não significa que funcione”, disse o economista, que fundamenta sua análise pelo fato de que a tarifa empobrece o país, que hoje tem sua economia centrada em serviços, e depende de importação em muitas áreas.
Com o aumento dos preços devido às tarifas, o produto importado custa mais, a inflação aumenta no curto prazo e aumenta o risco de recessão. Desse modo, Vale ponderou que o pacote fiscal provocará aumento da dívida pública. “A alternativa, que não se sabe se Trump acatará, é aumentar impostos, porque não têm onde cortar despesas”, acrescentou.
Para o Brasil, Vale recomendou a necessidade de acelerar acordos comerciais com países ricos. “O Brasil precisa se afastar do “choque Trump”, e os empresários têm de aproveitar a nossa dinâmica interna e buscar reduzir ainda mais o que exporta para os EUA. Nesse sentido, o agro se sai melhor do que a indústria, mas é preciso buscar novos mercados. Vamos sofrer no curto prazo, mas precisamos ter consciência de que o tumulto externo não nos pertence”, finalizou.
O Congresso Andav 2025 acontece até o dia 7 de agosto, no Transamerica Expo Center, em São Paulo e está reunindo 250 marcas nacionais e internacionais e 15 mil profissionais, um público altamente qualificado, formado por distribuidores, agrônomos, consultores, representantes técnicos de vendas, pesquisadores e especialistas das áreas relacionadas. O principal ponto de encontro para networking e atualização de conhecimento do setor de Distribuição de Insumos Agropecuários no país conta com o patrocínio da BASF, Bayer, GiroAgro, Ourofino, Syngenta, Ceres Agrobank, Ecoagro e Aliare.