Money Times - SP 08/07/2026
O BTG Pactual espera uma temporada de resultados fraca para as empresas de materiais básicos sob sua cobertura no segundo trimestre de 2026. Na avaliação do banco, receitas pouco pressionadas pela estabilidade dos preços das commodities, valorização do real e inflação de custos devem limitar o desempenho da maior parte das companhias.
A principal exceção deve ser o setor siderúrgico, com a Gerdau (GGBR4) permanecendo como a principal escolha defensiva do banco.
Segundo o BTG, o principal tema da temporada será a inflação de custos, refletindo os efeitos da guerra sobre insumos ligados ao petróleo e ao diesel. O banco destaca, por exemplo, a alta de 37% dos fretes entre Brasil e China, além da menor diluição dos custos fixos em razão de volumes abaixo do esperado. A valorização de cerca de 4% do real frente ao dólar também deve pressionar as exportadoras.
Embora produtoras de cobre e celulose tenham sido beneficiadas por preços realizados mais altos no trimestre, o BTG avalia que esse efeito deve ser compensado pelo câmbio desfavorável e pelo aumento dos custos. Já empresas de minério de ferro e ouro devem enfrentar um cenário mais difícil, combinando preços realizados menores e despesas operacionais mais elevadas.
Do lado positivo, o banco acredita que as siderúrgicas serão o destaque da temporada, beneficiadas pelo maior poder de precificação e pela recuperação dos volumes, fatores que devem mais do que compensar a inflação de custos. Nesse contexto, a Gerdau segue como a favorita do BTG, sustentada pela alta dos preços do aço no México, no Brasil e nos Estados Unidos.
Entre os destaques negativos da temporada, o banco cita Suzano (SUZB3), Vale (VALE3), Aura Minerals (AURA33), CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3). A expectativa é que a Vale seja pressionada pelo aumento do custo caixa C1 do minério de ferro, enquanto a CSN Mineração deve sofrer com a maior exposição aos fretes no mercado à vista. Já a Suzano deve sentir os efeitos de menores volumes, da valorização do real e de maiores gastos com manutenção.
Por outro lado, o BTG vê um cenário mais favorável para Klabin (KLBN11) e Irani (RANI3), impulsionadas pelo bom momento dos mercados de embalagens e papelão ondulado.
As projeções do BTG
Entre as empresas acompanhadas pelo banco, a Vale deve reportar receita líquida de US$ 10,5 bilhões, alta de 19% em relação ao segundo trimestre de 2025. O Ebitda, porém, deve crescer em ritmo menor, para US$ 3,83 bilhões, avanço de 12% na mesma comparação, refletindo a pressão dos custos. O lucro líquido é estimado em US$ 2,81 bilhões, alta de 33%, enquanto as vendas de minério de ferro devem alcançar 79 milhões de toneladas, crescimento de 2%.
Para a CSN Mineração, o BTG projeta receita líquida de R$ 4,25 bilhões, avanço de 5% na comparação anual. Em contrapartida, o Ebitda deve recuar 20%, para R$ 1,02 bilhão, em meio ao aumento dos custos, enquanto os volumes de minério devem cair 3%. O lucro líquido é estimado em R$ 499 milhões.
No caso da CSN, a expectativa é de estabilidade operacional. O banco estima receita líquida de R$ 10,8 bilhões, alta de 1% na comparação anual, e Ebitda de R$ 2,69 bilhões, avanço de 2%. A companhia deve reduzir o prejuízo para R$ 58 milhões, ante perdas de R$ 95 milhões no segundo trimestre de 2025, enquanto os volumes de aço devem crescer 6%.
A Gerdau, principal recomendação do BTG para o setor, deve apresentar um dos melhores desempenhos da temporada. O banco projeta receita líquida de R$ 17,4 bilhões, praticamente estável na comparação anual, enquanto o Ebitda deve avançar 27%, para R$ 3,26 bilhões, e o lucro líquido alcançar R$ 1,55 bilhão.
Já para a Usiminas (USIM5), o BTG estima receita líquida de R$ 6,14 bilhões, queda de 7% na comparação anual. Ainda assim, a companhia deve registrar forte expansão da rentabilidade, com Ebitda de R$ 716 milhões, alta de 75% em relação ao mesmo período do ano passado, e lucro líquido de R$ 341 milhões, ante R$ 95 milhões um ano antes. Os volumes de aço, por sua vez, devem recuar 6%.
Automotive Business - SP 08/07/2026
A produção de aços especiais para a indústria automotiva exige muito mais do que matéria-prima de qualidade. Controle rigoroso dos processos, investimentos em tecnologia e equipamentos de última geração são fatores decisivos para atender às exigências de um setor cada vez mais competitivo e voltado à sustentabilidade.
Esse é o tema do terceiro e último episódio da websérie Aço e Mobilidade, apresentada pela Gerdau. A produção mostra como inovação, modernização industrial e excelência operacional contribuem para a fabricação de aços especiais utilizados em componentes críticos de veículos, como motores, transmissões e sistemas de tração.
Embora a carroceria seja o elemento mais visível de um automóvel, o episódio destaca que grande parte da engenharia responsável pelo desempenho dos veículos está presente em componentes fabricados com aços especiais, desenvolvidos para oferecer resistência, durabilidade e alta performance.
Tecnologia para transformar sucata em aço de alta qualidade
Um dos destaques do episódio é a capacidade de produzir aços especiais utilizando sucata metálica como principal matéria-prima sem comprometer os padrões de qualidade exigidos pelo setor automotivo.
Segundo a Gerdau, cerca de 70% do aço produzido pela companhia tem origem em sucata reciclada. Para garantir as propriedades necessárias aos produtos finais, a empresa investe continuamente em tecnologias capazes de controlar a composição química, a pureza do material e todas as etapas do processo produtivo.
A produção mostra como esse conjunto de investimentos permite transformar materiais reciclados em aços aptos a atender aplicações industriais de alta complexidade, reforçando a relação entre economia circular, inovação e competitividade.
Equipamentos de última geração elevam padrão de qualidade
O episódio também apresenta algumas das tecnologias utilizadas pela Gerdau para ampliar a qualidade e a confiabilidade de seus produtos.
Entre elas está o processo de lingotamento contínuo, que contribui para elevar o nível de pureza do aço e garantir maior uniformidade do material. A produção também destaca investimentos em equipamentos como a nova linha de descascadeira e um dos mais modernos fornos de tratamento térmico do mundo, utilizados para fornecer materiais tratados e certificados destinados a aplicações de elevado grau de exigência técnica.
Segundo a empresa, esses investimentos permitem ampliar a precisão dos processos produtivos e oferecer soluções que atendem aos requisitos da indústria automotiva e de outros segmentos que demandam materiais de alta performance.
Economia circular impulsiona a produção de aços especiais
Além dos investimentos em tecnologia, o terceiro episódio mostra como a utilização de sucata reciclada faz parte da estratégia produtiva da Gerdau. A companhia destaca que esse modelo, aliado à modernização industrial, permite fabricar aços especiais de alta qualidade para aplicações exigentes, conciliando desempenho e menor intensidade de emissões.
Ao mostrar como processos industriais avançados contribuem para produzir aços especiais com alto padrão de qualidade, o episódio evidencia que a competitividade da indústria automotiva também depende da evolução dos materiais utilizados na fabricação dos veículos.
O Estado de S.Paulo - SP 08/07/2026
Há um novo risco de alta para a inflação em 2027 e que pode tornar defasadas as projeções do mercado. Trata-se de uma eventual alteração na estrutura de pesos do IPCA, caso o IBGE consiga concluir até o fim do ano os resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), deixando o seu índice oficial de preços mais fiel aos hábitos atualizados de consumo das famílias brasileiras.
A dúvida é se questões orçamentárias poderão atrasar o trabalho do IBGE, que indicou para novembro a divulgação desses dados. A POF anterior era de 2017 a 2018.
Todavia, já é possível ter uma ideia do impacto da nova ponderação do IBGE. É que a Fipe concluiu, em janeiro deste ano, uma mudança na estrutura de pesos para o seu Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com base numa POF realizada entre abril de 2023 e março de 2025 para as famílias na cidade de São Paulo.
A pesquisa anterior, de 2011 a 2013, nem incluía, por exemplo, serviços de “streaming” ou transporte de aplicativo. Usando a POF de 2026 e a nova ponderação do IPC-Fipe como parâmetro, os economistas Basiliki Litvac e Alexandre Maluf, da XP, calcularam qual seria o impacto sobre as projeções do IPCA em 2027, com a ressalva de que o IPC se limita às famílias paulistanas e o IPCA reflete todo o País.
A reponderação da Fipe foi resultado não somente da mudança de hábitos do paulistano, mas também da recomposição de preços relativos. Com isso, houve a migração — com maior peso no índice — para o componente de serviços em detrimento dos itens de bens industrializados e de preços monitorados.
Na conjuntura atual, os preços de serviços são os que têm estimativas mais elevadas pelos analistas, em razão de um mercado de trabalho ainda robusto e dos estímulos fiscais do governo. Sem falar que, com o novo perfil de consumo coletado pelo IBGE, a cesta de serviços do IPCA poderá incluir gastos que vêm abocanhando o orçamento das famílias, como as “bets” esportivas. Ao contrário das loterias da Caixa, contabilizadas como preços monitorados, as “bets” poderão entrar na categoria de serviços.
Conforme o estudo dos economistas da XP, a projeção deles do IPCA de 2027, hoje em 4,24%, subiria para 4,52%, caso fossem aplicados os pesos da estrutura de ponderação da Fipe deste ano.
Para a inflação de serviços em 2027, a previsão da XP é de 5,1%, ante a estimativa de 3,6% para preços monitorados e de 2,4% para bens industrializados. Mesmo com todas as ressalvas entre as POF da Fipe e IBGE, uma conclusão é clara: o viés é de alta para as projeções de inflação em 2027.
Diário do Comércio - MG 08/07/2026
O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu mais do que o esperado em junho, a uma taxa de 0,79%, depois de avanço de 0,87% no mês anterior, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira.
A expectativa em pesquisa da Reuters era de uma deflação de 0,60%. O resultado do mês levou o índice a acumular em 12 meses avanço de 3,59%.
Impacto no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI)
No período, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que responde por 60% do indicador geral, caiu 1,36%, de alta de 0,95% no mês anterior.
“No IPA, a queda do índice foi influenciada principalmente pelas commodities minerais e agrícolas”, destacou Matheus Dias, economista do FGV IBRE.
Os dados do IGP-DI mostram que o minério de ferro passou a recuar 4,12% em junho, de alta de 0,31% em maio, enquanto o café em grão teve queda de 8,68%, após taxa negativa de 7,69% no mês anterior.
Desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor (IPC)
Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) — que responde por 30% do IGP-DI — mostrou que a pressão aos consumidores diminuiu ao desacelerar a alta a 0,36% em junho, de 0,60% em maio.
Esse resultado reflete a desaceleração dos grupos Alimentação e Habitação, que representam, em conjunto, 40% do IPC, segundo Dias. Enquanto o primeiro teve alta de 0,47% em junho, de 1,29% antes, o segundo avançou 0,37%, ante 1,18%.
Análise do Índice Nacional de Custo de Construção (INCC)
O Índice Nacional de Custo de Construção (INCC), por sua vez, registrou desaceleração da alta a 0,78% em junho, de 0,88% antes.
O IGP-DI calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre o 1º e o último dia do mês de referência.
O Estado de S.Paulo - SP 08/07/2026
O Comitê de Política Monetária (Copom) ainda deve ter espaço para reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual (pp) na reunião de agosto, na avaliação da XP Investimentos. A casa manteve a projeção de Selic em 14,00% ao fim de 2026 e afirma que o alívio recente do petróleo e a revisão para baixo das projeções de inflação de curto prazo aumentaram a probabilidade de um novo corte.
Apesar desse alívio, a XP avalia que os desafios para a inflação convergir à meta permanecem relevantes e, por isso, espera uma postura cautelosa do Banco Central. No cenário-base, após o corte de agosto, a Selic deve ficar estável até o início de 2027, em linha com a referência a “pausas e retomadas” no processo de calibração de juros mencionada na ata da última reunião, segundo o economista Rodolfo Margato.
Em simulações que buscam replicar o modelo de projeção de inflação do Banco Central, a XP estima que a inflação implícita para o primeiro trimestre de 2028 (horizonte relevante atual) seria de 3,1% no cenário de referência (trajetória de Selic do Focus), ligeiramente abaixo dos 3,2% divulgados no último Relatório de Política Monetária.
Ainda assim, a corretora destaca que as expectativas seguem desancoradas, inclusive para horizontes mais longos como 2028, e que a volatilidade tende a aumentar com a aproximação das eleições e a incerteza sobre a política econômica.
A XP também aponta que a economia ainda opera acima do potencial, que o câmbio deixou de ajudar a desinflação e que riscos externos continuam no radar, incluindo custos ligados à Inteligência Artificial (IA), efeitos do El Niño e a discussão sobre o fim da escala 6 por 1.
Para 2027, a XP projeta a retomada do ciclo de cortes condicionada a três fatores: algum ajuste fiscal que melhore a trajetória das contas públicas; desaceleração mais forte da atividade, com abertura de hiato do produto; e dissipação relativamente rápida da pressão do El Niño sobre alimentos.
Com essas premissas, a casa mantém a estimativa de Selic em 11,50% ao fim de 2027.
Diário do Comércio - MG 08/07/2026
Uma lista de 335 empresas e organizações brasileiras e americanas se manifestaram formalmente sobre a medida do governo dos Estados Unidos de propor uma tarifa de 25% sobre os produtos brasileiros, anunciada em julho deste ano, com base na Seção 301.
Outras 30 manifestações de pessoas físicas foram registradas, como a do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL). (Veja uma lista mais abaixo).
O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) abriu um espaço em seu portal para receber comentários sobre a medida e o prazo para envio das manifestações terminou em 1º de julho. A Seção 301 é um dispositivo legal que permite aos americanos impor tarifas coercitivas sobre mercadorias de países cujas atividades estariam supostamente prejudicando o setor comercial dos Estados Unidos.
Entre as empresas que se manifestaram estão gigantes de seus setores, como a Coca-Cola, eBay, Nestlé, Faber-Castell e Tesla. Além do posicionamento do governo brasileiro, diversas entidades setoriais do País também registraram posicionamento no portal do USTR, como a Confederação Nacional da Indústria (CNA) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
O governo Trump justificou a taxação em razão de “políticas e práticas relacionadas ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais injustas; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal”.
As empresas contrárias à resolução alegam que este novo tarifaço pode trazer ônus a curto prazo nas cadeias de produção e, além disso, que a medida também prejudica os americanos em detrimento dos investigados. Pode-se dizer que boa parte das manifestações registradas são contrárias à medida, visto que a maioria são de empresas brasileiras e americanas apontando pontos desfavoráveis para sua atividade específica.
Veja 30 empresas que se manifestaram:
Archer Daniels Midland (ADM) – agronegócio
Bauducco Foods Inc. – alimentos
Becton, Dickinson and Company – tecnologia médica
Builders FirstSourc – materiais de construção
Caterpillar Inc. – máquinas e equipamentos
Celanese Corporation – química
Cleveland-Cliffs Inc. – mineração e siderurgia
Coca-Cola Company – bebidas
Companhia Siderúrgica Nacional – siderurgia
Dow – química
Eastman Chemical Company – química
eBay – comércio eletrônico
Faber-Castell – papelaria e materiais de escrita
Incepa Revestimentos Cerâmicos Ltda. – materiais de construção
JBS S.A. – alimentos
Kimberly-Clark Corporation – higiene
Klabin S.A. – papel e celulose
Louis Dreyfus Company – agronegócio
Nestlé – alimentos
Nucor Corporation – siderurgia
Olin Winchesater, LLC – defesa e munições
Philip Morris – tabaco
Siemens Energy – energia
Steel Dynamics, Inc. – siderurgia
Suzano S.A. – papel e celulose
Sylvamo – papel e celulose
Taurus Holdings, Inc. – defesa e armas
Tesla, Inc. – indústria automotiva
Tramontina – bens de consumo
WEG Electric Corp. – máquinas e equipamentos
Veja 10 organizações ou entidades que se manifestaram:
A lista completa pode ser encontrada no site do USTR.
Money Times - SP 08/07/2026
O Citi projeta que a Vale (VALE3) registre lucro líquido de US$ 1,8 bilhão no segundo trimestre de 2026, queda de cerca de 14% em relação aos US$ 2,1 bilhões apurados no mesmo período de 2025.
A receita deve alcançar US$ 10,4 bilhões, avanço de aproximadamente 18% na comparação anual, enquanto o Ebitda é estimado em US$ 3,8 bilhões, alta de cerca de 15% sobre os US$ 3,3 bilhões registrados um ano antes.
A mineradora divulga o balanço do segundo trimestre em 30 de julho e o relatório de produção e vendas no dia 21.
O Citi estima produção de minério de ferro de 85 milhões de toneladas e embarques de 80 milhões de toneladas no período, ambos com avanço modesto na comparação anual.
Segundo o Citi, o preço realizado do minério deve permanecer relativamente estável, em torno de US$ 96 por tonelada. Por outro lado, os custos tendem a aumentar, refletindo efeitos defasados do primeiro trimestre, valorização do real, além de maiores despesas com combustíveis e fretes. O banco projeta custo C1 de US$ 25 por tonelada.
Para as operações de cobre e níquel, a expectativa é de resultados em grande parte estáveis em relação ao trimestre anterior. A instituição avalia que uma produção ligeiramente menor deve ser compensada por preços mais elevados das commodities.
O Citi reiterou a recomendação de compra para a Vale. Na avaliação do banco, a companhia está relativamente mais protegida do que outras mineradoras por priorizar a geração de fluxo de caixa livre (FCF), em vez de grandes projetos de expansão, além de contar com um cenário ainda favorável para o minério de ferro, cuja cotação deve permanecer na faixa entre US$ 90 e US$ 110 por tonelada.
O banco também vê uma perspectiva mais construtiva para os preços do níquel nos próximos anos, diante das mudanças na política da Indonésia para o setor.
De olho nos números
As projeções do Citi são, em linhas gerais, semelhantes às divulgadas mais cedo pelo BTG Pactual para a mineradora. O banco estima receita líquida de US$ 10,5 bilhões no segundo trimestre, alta de 19% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o Ebitda deve atingir US$ 3,83 bilhões, avanço de 12%, refletindo a pressão dos custos.
O BTG, no entanto, é mais otimista em relação ao lucro líquido, projetando US$ 2,81 bilhões, alta de 33% na comparação anual. A instituição também espera vendas de minério de ferro de 79 milhões de toneladas, crescimento de 2%.
Infomoney - SP 08/07/2026
Os contratos futuros do minério de ferro caíram nesta terça-feira, já que as perdas financeiras nas siderúrgicas e a demanda fraca na China superaram o apoio aos preços proporcionado pelas restrições em vigor impostas por Pequim a suprimentos australianos.
O contrato de minério de ferro para setembro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) da China caiu 0,47% na sessão desta terça-feira, a 735,5 iuanes (US$108,18) por tonelada.
O contrato de referência de minério de ferro para agosto na Bolsa de Cingapura recuava 0,36%, a US$97,85 por tonelada.
As margens das siderúrgicas ficaram no vermelho, com os produtores de vergalhões perdendo, em média, 71 iuanes por tonelada no final de junho, e as usinas de bobinas laminadas a quente tendo prejuízo de 26 iuanes por tonelada, de acordo com uma pesquisa da consultoria Mysteel.
Esses são níveis em que, segundo os operadores, as siderúrgicas podem cortar a produção e reduzir sua demanda por minério de ferro, um ingrediente fundamental.
A desaceleração sazonal na demanda chinesa, agravada pelas margens apertadas das siderúrgicas, pressionadas pelos altos preços do carvão de coque, está pesando sobre o sentimento em relação ao minério de ferro, afirmaram analistas da ANZ Research em uma nota.
As perdas no minério de ferro foram limitadas, no entanto, pelas preocupações contínuas com a redução da oferta, segundo os analistas.
A China Mineral Resources Group, compradora estatal de minério de ferro, restringiu várias siderúrgicas chinesas de adquirir quaisquer cargas denominadas em dólares do produto “Super Special Fines” da Fortescue, ampliando restrições anteriores que visavam cargas portuárias.
As chegadas marítimas de minério aos principais portos chineses na semana passada também diminuíram em 2,916 milhões de toneladas em relação à semana anterior, de acordo com dados da Mysteel, oferecendo algum suporte aos preços no curto prazo.
Exame - SP 08/07/2026
A Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) publicou no último sábado, 4, os critérios de distribuição da nova cota que zera o imposto de importação sobre veículos elétricos desmontados (CKD) e semidemontados (SKD) até dezembro. A norma privilegia as montadoras que mais importaram veículos entre 2023 e maio deste ano para a distribuição do benefício comercial, entre as quais estão a BYD e a GWM.
A cota para a importação desses veículos passou a valer no dia 1º de julho, mas, como a EXAME noticiou, ainda não podia ser usada porque estava pendente a regulamentação sobre como os US$ 463 milhões (cerca de R$ 2,38 bilhões) em valores FOB (que não incluem frete e seguro) seriam distribuídos entre as montadoras.
As montadoras tradicionais, o setor de autopeças e sindicatos ligados à indústria automotiva já instalada no Brasil criticaram a publicação da nova cota, aprovada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), mesmo sem ter sido solicitada oficialmente por nenhuma empresa, nem discutida previamente com elas. O benefício, segundo executivos do setor automotivo e integrantes do governo Lula, foi proposto pela Casa Civil e atenderia aos interesses comerciais da BYD, principal importadora de SKDs e CDKs no país.
Como fica a distribuição
Pelo critério da portaria, 40% da cota serão distribuídos na proporção das importações anteriores realizadas entre janeiro de 2023 e maio de 2026. Outros 35% serão distribuídos proporcionalmente aos licenciamentos veiculares de cada marca nesse período.
Uma outra parcela, de 15%, será distribuída de maneira igualitária às montadoras que importaram nesse intervalo de tempo.
Os 10% restantes da cota não serão distribuídos previamente e serão concedidos por ordem de chegada de pedidos feitos à Camex por empresas que não tenham recebido uma parcela na distribuição inicial ou que já tenham consumido a parte que lhes cabia. Esse saldo remanescente será distribuído a partir de 1 de novembro deste ano.
O novo critério foi uma espécie de solução de meio-termo do MDIC. As montadoras tradicionais pleiteavam que o MDIC considerasse, na distribuição, apenas o desempenho exportador dos últimos seis meses, quando já havia montadoras estabelecidas no país que concorriam com a BYD, líder de mercado no segmento.
Havia no mercado um temor de que a nova cota repetisse a formulação de um benefício anterior similar, também de US$ 463 milhões de isenção, que foi anunciado pelo governo no ano passado e que valeu entre julho e dezembro de 2025. O critério de distribuição da isenção anterior era a performance importadora registrada em 2023, o que, na prática, fez com que a BYD tivesse a maior parte da cota.
Desta vez, o benefício tem como critério um período de três anos e quatro meses, até maio deste ano. Reservadamente, montadoras tradicionais ainda veem a distribuição de forma crítica, porque a gigante chinesa seguirá com uma parcela importante da cota de isenção. A GWM, outra pioneira na importação, também poderá ter participação relevante. Novos entrantes, como Leapmotor e Geely, devem ficar com uma fatia menor da distribuição.
À época, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) pedia a antecipação do cronograma de recomposição do imposto de importação de veículos elétricos e a BYD pedia uma cota de isenção. As montadoras tradicionais argumentam que a isenção desincentiva investimentos na industrialização do país, ao passo que os chineses afirmam que têm um cronograma de aportes em sua fábrica em Camaçari, na Bahia, e que a isenção é temporária.
"Os dois lados têm pontos importantes, mas, do ponto de vista da política industrial, vale ressaltar que o desenho da cota não exigiu nenhum compromisso de que a isenção de imposto tenha contrapartida em preço menor ao consumidor, por exemplo. Isso pode virar margem de lucro dos importadores", ressalta Vito Villar, coordenador de Comércio Internacional na consultoria BMJ.
Cronograma do imposto
A cota de 2025 foi uma contrapartida à antecipação, em um ano e meio, do cronograma de recomposição do imposto de importação de veículos elétricos para 35% em janeiro de 2027.
Pelo cronograma, a alíquota de 35% já está sendo aplicada desde 1º de julho para veículos importados montados (CBUs). Os semidesmontados (SKDs) importados fora da cota também pagam alíquota de 35%. Já os CKDs importados fora da isenção têm imposto de 14% atualmente, alíquota que subirá para 25% a partir de 1º de janeiro de 2027.
Jornal de Brasília - DF 08/07/2026
O mercado de caminhões encerrou o primeiro semestre como começou: em queda. Nos seis meses do ano foram emplacadas 48.030 unidades no Brasil, 9,4% a menos do que no mesmo período de 2025. Os dados são do Renavam (Registro Nacional de Veículos Automotores), divulgados pela Fenabrave (associação dos distribuidores nacionais) na primeira semana de julho.
Não bastasse o volume negativo no período, o panorama para o ano também é de vendas menores na comparação com as realizadas no ano passado. A indústria deixou de lado o tom otimista que compartilhava com os concessionários no começo do ano, quando o programa federal de incentivos fiscais Move Brasil foi apresentado.
Se as projeções feitas pela Fenabrave em janeiro indicavam um mercado de caminhões zero-quilômetro 3,5% maior do que em 2025, a revisão feita agora indica queda de 7,8% na comercialização. O novo cálculo é baseado no cenário de crédito restrito e no avanço estimado do PIB (Produto Interno Bruto).
“O Move Brasil com certeza ajuda, mas não resolve”, disse o presidente da Fenabrave, Arcelio Jr., na quinta-feira (2). Para a entidade, o programa federal, de certa forma, ajuda a diminuir as perdas em um cenário onde o transportador ainda enfrenta entraves para renovar a frota. Além do crédito, os preços do diesel, do frete e das commodities influenciam na decisão de compra de um veículo zero-quilômetro.
A queda nos emplacamentos de caminhões reverbera em outros setores, como é o caso de implementos rodoviários. Segundo balanço da Anfir, a associação dos produtores locais desses equipamentos de carga, as vendas no setor somaram 66,7 mil unidades no primeiro semestre. O resultado representa retração de 7,5% na comparação com o mesmo período de 2025.
Na lista dos caminhões mais vendidos no primeiro semestre figuram o líder Volkswagen 11.180, com 2.976 unidades licenciadas no período; o pesado Volvo FH 540, com 2.569 unidades; o médio Mercedes-Benz Accelo 1117 (1.811 unidades licenciadas); o semipesado Volvo VM 290 (1.657 unidades) e o semipesado Volkswagen Constellation 26.260 (1.619 unidades vendidas).
Há, contudo, uma boa notícia. O mercado de caminhões reagiu em junho, mês em que foram licenciadas 9.419 unidades —volume 13,5% superior às 8.299 registradas no mesmo mês do ano passado. Em relação a maio, quando 8.200 veículos foram vendidos, o avanço foi de 14,9%.
Na segunda etapa do programa Move Brasil, conduzida pelo BNDES, foram disponibilizados R$ 21,2 bilhões destinados ao financiamento da renovação da frota de caminhões, ônibus, microônibus e implementos rodoviários produzidos no país.
Os dados do banco indicam que, até junho, R$ 10 bilhões já haviam sido aprovados, sendo R$ 3,1 bilhões contratados em operações distribuídas por 1.373 municípios, o que corresponde a 47,2% do total disponibilizado.
Os recursos usados pelos frotistas que acessaram o programa federal foram destinados em sua maioria à compra de veículos posicionados nos segmentos mais afetados pela crise que envolve o setor. Do montante utilizado até junho, 58% foram direcionados à renovação de caminhões pesados, 25% aos semipesados, 12% aos médios e 5% aos leves.
Do total de R$ 10 bilhões já aprovados ou comprometidos nesta fase do programa, 84% foram destinados à compra de caminhões e implementos rodoviários, enquanto os 16% restantes financiaram ônibus.
Valor - SP 08/07/2026
O que a entidade fará é ingressar com representação no Tribunal de Contas da União (TCU) contra a Câmara de Comércio Exterior (Camex), de quem partiu a medida
A Anfavea, entidade que representa os fabricantes de veículos no Brasil, disse que não irá judicializar a medida do governo federal que renovou por seis meses as cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semi desmontados (SKD).
A renovação, em vigor desde 23 de junho, soma nova cota de US$ 463 milhões em importação com alíquota zero. No sistema SKD, o veículo chega montado ao país e recebe acabamento final de peças, como pneus. Já no caso do CKD, kits de componentes ou peças avulsas são importados para montagem local.
“Não vamos judicializar. Como é uma medida de seis meses, a eficácia de uma judicialização nesse contexto não faria sentido”, disse Igor Calvet, presidente da entidade, nesta terça-feira (7).
Segundo o dirigente, o que a entidade fará é ingressar com representação no Tribunal de Contas da União (TCU) contra a Câmara de Comércio Exterior (Camex), de quem partiu a medida, para fomentar “melhorias de governança”.
A medida reacendeu a disputa entre a chinesa BYD e as montadoras representadas pela Anfavea, que anteriormente disse que a decisão contrariava a política tarifária definida pelo próprio governo e gerava insegurança para investimentos baseados no cronograma anterior da entidade.
“Estamos em vias de fazer representação no TCU, que não vai reverter a decisão, mas pode ajudar a melhorar a governança [do órgão]. Entendemos que não houve discussão prévia do tema e que o contraditório não aconteceu”, acrescentou o dirigente.
Globo Online - RJ 08/07/2026
As vendas de veículos no Brasil devem passar de 3 milhões de unidades este ano, marca que não era atingida desde 2014, e que representa um crescimento de 12,1% em relação a 2025, segundo nova estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgada nesta terça-feira. A produção nacional também vai crescer 5,8% (chegando a 2,7 milhão de veículos), mas há um descolamento em relação aos emplacamentos, aponta a Anfavea, reflexo do crescimento expressivo das importações.
— Sempre os resultados do emplacamento e da produção nacional caminham juntos. Mas este ano, o emplacamento será bem maior, reflexo do crescimento das importações. A produção cresce, mas proporcionalmente menos que o tamanho do mercado. Há um descolamento — disse Igor Calvet, presidente da Anfavea ao apresentar os novos números do setor.
A entidade, que representa as montadoras instaladas no país, previa no início do ano que as vendas de veículos chegariam a 2,7 milhões de unidades, alta de 2,7% em relação a 2025. Mas os emplecamentos de de veículos leves tiveram um dinamismo neste primeiro semestre (crescendo dois dígitos em alguns meses), levando a uma revisão da projeção.
Já as exportações brasileiras de veículos devem ficar em 462 mil unidades, queda de 12,18%. A estimativa inicial era vender ao exterior, este ano, 532 mil unidades, o que seria uma alta de 1,3%.
Já no primeiro semestre deste ano, o emplacamento de veículos alcançou a melhor marca desde 2014. Foram 1,42 milhão de unidades, aumento de 18,5% sobre o mesmo período de 2025. No primeiro semestre deste ano, foram importados 280 mil importados, sendo 140 mil da China, um crescimento de 98,5% em relação ao mesmo período de 2025, quanto 71 mil unidades chinesas desmbarcaram no Brasil.
A importação de veículos eletrificados, no mesmo período, ficou em 145,9 mil, superando a importação de veículos a combustão (134,5 mil) e sinalizando a preferência do consumidor por essa tecnologia.Também no primeiro semestre, os veículos montados no Brasil pelo sistema CKD e SKD (kits de veículos que chegam semimontados ao país) chegaram a 54 mil unidades.
Não se pode brigar com a realidade
Calvet, da Anfavea, afirmou que não se pode brigar com a realidade neste cenário de mudança de tecnologias de propulsão, onde os veículos eletrificados vêm crescendo na preferência do consumidor. Ele, entretanto, pondera que o que chama a atenção é o ritmo acelerado dessa mudança.
— O que eu chamo a atenção é a rapidez (dessa mudança). Para sistemas de produção complexos como o nosso é preciso de tempo. Talvez o setor automotivo nunca tenha passado por uma mudança tão rápida — avalia.
Calvet voltou a citar a preocupação com o sistema produtivo nacional, especialmente após a renovação das cotas sem impostos dos CKDs e SKDs importados, decisão tomada pelo governo em junho, que beneficiou especialmente a montadora chinesa BYD.
— Não adianta ter no Brasil uma produção sofisticada e complexa e ao mesmo tempo ter incentivos para fazer outra coisa (montagem por CKDs a SKDs). Nossa briga não é com a tecnologia, mas sim contra o incentivo dado a isso. A luta é por condições iguais de competividade — disse Calvet, que lembrou que no sistema de kits semi montados são necessários apenas três trabalhadores para montar um veículo, enquanto numa montadora tradicional, são dez trabalhadores por unidade.
Ele vê risco de outras montadoras migrarem para o sistema de CKDs e SKDs
— A decisão é global das montadoras, mas ninguém vai ficar de braços cruzados vendo o outro ganhar mercado. Vejo o risco, sim. E se o modelo de produção for SKD e CKD, o posicionamento da Anfavea deixa de fazer sentido. Mas enquanto, isso não acontecer, a Anfavea vai lutar pela produção nacional — disse.
Sem ação na Justiça
Ele afirmou que a Anfavea decidiu não judicializar a decisão do governo da renovação das cotas. Segundo Calvet, uma ação contra a Câmara de Comércio Exterior (Camex) poderia levar anos, enquanto a decisão de renovação das cotas é de apenas seis meses. Mesmo assim, a Anfavea vai fazer uma representação junto ao Ministério Público de Contas para pedir a melhoria da governaça do órgão.
— O rito de governança da Camex precisa ser aprimorado. Não houve publicação prévia da agenda, e não houve contraditório — afirmou sobre a decisão que renovou as cotas.
G1 - RJ 08/07/2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (7) que a decisão da Toyota de investir US$ 3,6 bilhões na construção de uma nova fábrica no Texas e transferir parte da produção de caminhonetes do México para os Estados Unidos é um grande acontecimento.
Em publicação na Truth Social, Trump escreveu: "A Toyota está se mudando do México para os Estados Unidos (Texas!). Grande negócio. Tarifas em ação!".
Anunciado pela montadora japonesa na segunda-feira (6), o investimento prevê a construção de uma unidade de aproximadamente 232 mil metros quadrados no campus industrial da empresa em San Antonio. A fábrica deve entrar em operação até 2030 e criar cerca de 2 mil empregos.
Quando a nova unidade estiver concluída, a Toyota transferirá para o Texas parte da produção da picape média Tacoma atualmente realizada em Baja California, no México.
A montadora continuará produzindo a Tacoma em sua fábrica de Guanajuato, também no México. Em San Antonio, onde a nova instalação será construída, a empresa já fabrica as picapes Tundra e os SUVs Sequoia. Além disso, uma nova fábrica de eixos traseiros, com aproximadamente 46,5 mil metros quadrados, deve ser inaugurada no local no outono do Hemisfério Norte.
O anúncio ocorre em meio à pressão de Trump para que montadoras ampliem a produção nos Estados Unidos. Desde o início de seu mandato, o governo norte-americano elevou tarifas sobre automóveis, aço, alumínio e autopeças.
A Toyota afirmou que permanece comprometida com suas operações no México, no Canadá e nos Estados Unidos e defendeu a prorrogação do acordo de livre comércio da América do Norte, considerado essencial pelas montadoras para a integração da cadeia produtiva na região.
Em 2020, a empresa havia transferido a produção da Tacoma de San Antonio para Guanajuato, que passou a dividir a fabricação do modelo com a unidade de Baja California, responsável pela picape desde 2004.
O governador do Texas, Greg Abbott, informou que o projeto poderá receber uma subvenção estadual de US$ 20 milhões, além de outros incentivos.
Segundo a Casa Branca, o anúncio da Toyota é "um entre muitos" investimentos impulsionados pela agenda do governo Trump, baseada em tarifas, desregulamentação e cortes de impostos.
No ano passado, o presidente da Toyota, Akio Toyoda, apareceu usando uma camiseta "Trump-Vance 2024" e um boné vermelho com o slogan "Make America Great Again" ("Torne a América Grande Novamente"), gesto que recebeu elogios de Trump e críticas de ambientalistas.
A montadora também atuou junto ao Congresso e à Casa Branca para reverter regras de emissões da Califórnia e outras exigências relacionadas aos veículos elétricos. Ao mesmo tempo, a empresa afirma ter arcado com bilhões de dólares em custos adicionais em razão das tarifas impostas pelo governo Trump.
Valor - SP 08/07/2026
Para a Abimaq, a taxação também afetaria empresas brasileiras que estão investindo em território americano e americanas que investem no Brasil
A Abimaq, que representa fabricantes de máquinas e equipamentos brasileiros, disse que um dos argumentos levados à audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) sobre tarifas contra produtos brasileiros, nesta nesta terça-feira (7), é a possibilidade de o Brasil acabar substituído na balança comercial americana pela China, país do qual os EUA tentam diminuir a dependência em diferentes segmentos. A agenda com os americanos reuniu desde segunda-feira (6) representantes de diferentes setores econômicos nacionais.
“Trouxemos esse argumento de que taxar o Brasil para máquinas e equipamentos possibilitaria que o país fosse deslocado e que quem pode ocupar é a China. Outros setores também trouxeram esse argumento. Para alguns, apenas a China pode substituir, mas em outros, Índia e Coreia do Sul, por exemplo, também poderiam”, disse, ao Valor, Patrícia Gomes, diretora executiva de mercado externo da entidade, que esteve na audiência.
Ela afirmou que a percepção foi a de uma audiência mais técnica do que discussões anteriores com o governo americano. “As perguntas estavam mais técnicas e detalhadas. Os representantes do governo americano pareciam mais seniores e experientes dentro dessa discussão, fazendo perguntas de alguém que entende o assunto”, afirmou.
Segundo ela, questionamentos levantados na audiência incluíram pontos como se havia produção doméstica nos EUA do material exportado pela indústria brasileira e se era suficiente para atender à demanda americana. “Mas falamos da dificuldade de se substituir esse tipo de fornecimento de máquinas que fazemos, já que se trata de produtos customizados feitos sob demanda e que atendem certificações extremamente rigorosas que são difíceis de serem obtidas”, afirmou Gomes, argumentando que substituir o fornecimento brasileiro poderia levar tempo.
Segundo a entidade, 82% das exportações do setor brasileiro de máquinas e equipamentos em 2024 ocorreram entre empresas do mesmo grupo econômico, ou seja, que têm sede no Brasil e subsidiária nos EUA, ou vice-versa. Para a Abimaq, a taxação afetaria brasileiras que estão investindo em território americano e americanas investindo no Brasil. “Esse tipo de comércio complementa a produção americana”, afirmou.
O superávit comercial de US$ 1,2 bilhão a favor dos EUA na balança comercial de máquinas e equipamentos do Brasil também foi mencionado, disse Gomes. “Não dá pra ser otimista ainda com a audiência ou com o resultado, que temos a expectativa de que seja concluído no dia 15, porque a decisão final é do presidente Trump. O USTR recomenda, mas a decisão é dele”, completou.
Revista Manutenção e Tecnologia - SP 08/07/2026
O mercado brasileiro de equipamentos para construção e mineração atravessa um momento de transição. Fatores como juros elevados, incertezas econômicas e o cenário eleitoral adiam decisões de investimento.
Por outro lado, segmentos como infraestrutura, mineração e agronegócio continuam sustentando a atividade. Mas esse equilíbrio deve permanecer até o fim do ano? Quais setores podem puxar a retomada? E onde estão as melhores oportunidades para fabricantes, locadores e compradores de máquinas?
Essas e outras respostas serão apresentadas na 2ª edição do Radar Tendências, da Associação Brasileira de Tecnologia e Gestão de Equipamentos (Sobratema), a ser transmitida no dia 23 de julho, às 15h, pelo canal da entidade no YouTube.
O evento reunirá especialistas de diferentes áreas do mercado para analisar os resultados do primeiro semestre e apresentar projeções para os próximos meses, com base em uma ampla pesquisa realizada com compradores e dealers de equipamentos.
“No primeiro semestre, a utilização de máquinas foi praticamente estável. Com isso, há uma oferta importante de equipamentos, com fabricantes oferecendo condições comerciais bastante competitivas”, avalia Eurimilson Daniel, vice-presidente da Sobratema, que estará no 2º Radar Tendências.
Segundo Daniel, o Brasil reúne hoje uma carteira de aproximadamente R$ 300 bilhões em investimentos previstos para infraestrutura, o maior volume da história. “Contudo, esse montante ainda está distante da necessidade estimada para o país, de cerca R$ 500 bilhões", ressalta.
A apresentação dos dados ficará a cargo de Claudio Schmidt, coordenador do Estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos. Em cada bloco, especialistas dos segmentos de construção, locação, mineração e mercado financeiro discutirão os principais indicadores levantados pela pesquisa, abordando comportamento da demanda, investimentos, fontes de financiamento, renovação de frota, perspectivas de vendas e os impactos do cenário econômico sobre o setor.
Além do vice-presidente da Sobratema, participam do debate: Domage Ribas, gerente de Equipamentos da Crasa Infraestrutura; Felipe Frazão, sócio-diretor da MGM Locações; Jordão Coelho Duarte, diretor de Operações da Skava-Minas; e Mairon Karr, diretor de Negócios da Armac.
Voltado a profissionais dos segmentos de construção, locação, mineração e equipamentos, além de fornecedores, prestadores de serviços, instituições financeiras, agentes públicos e representantes de entidades setoriais, o Radar Tendências conta com o apoio da Komatsu, Volvo, JCB, Trimble e Putzmeister.
Valor - SP 08/07/2026
Tempo necessário para escoar as unidades de três e quatro quartos em São Paulo subiu de 18,5 meses para 26 meses
Um aumento no número de apartamentos novos de médio e alto padrão em estoque na cidade de São Paulo, maior mercado para a incorporação no país, chamou a atenção de analistas do setor imobiliário no último mês.
O tempo necessário para escoar as unidades de três e quatro quartos na cidade subiu de 18,5 meses para 26 meses, como apontou o relatório do Citi. O documento destaca, ainda, um crescimento de 40% na oferta de imóveis novos de médio e alto padrão em um ano na capital - o dado vai até abril. “Consideramos essa maior oferta como o risco mais relevante para o mercado”, escreveram.
O segmento de média e alta renda é o mais impactado pela taxa do financiamento imobiliário, já que fica de fora do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que atende famílias compradoras do primeiro imóvel e que tenham renda de até R$ 13 mil.
Uma queda mais lenta da taxa Selic ajuda a pressionar o custo do financiamento, que também é influenciado pela retirada de volumes da poupança, principal insumo para o crédito imobiliário de média e alta renda.
Como aponta relatório do BTG Pactual, também publicado no mês passado, a caderneta de poupança registrou R$ 53 bilhões em retiradas nos últimos 12 meses, embora tenha apresentado um fluxo positivo de R$ 2,3 bilhões em aportes em maio. “Portanto, acreditamos que as perspectivas para o segmento de média e alta renda provavelmente seguirão desafiadoras”, escreveram os analistas do banco.
Com esse prospecto, o Citi reduziu em junho o seu preço-alvo da Cyrela, principal incorporadora de médio e alto padrão, de R$ 35 para R$ 32, reafirmando indicação de compra. Também reduziu o preço-alvo da Eztec, outra companhia tradicional do segmento, de R$ 17 pra R$ 15, com recomendação neutra. “A Cyrela está mais bem posicionada por causa da sua escala e diversificação, mas não é imune à redução da velocidade de venda”, afirmam os analistas. Já a Eztec é “mais exposta a pressões de acessibilidade financeira”.
Executivos da Eztec comentaram, em teleconferência de resultados do primeiro trimestre, que estavam com uma campanha para conceder milhas a clientes que comprarem imóveis, para estimular as vendas.
As perspectivas para o setor de média e alta renda seguirão desafiadoras”
— BTG Pactual
No último mês, o Santander também reduziu o preço-alvo da Cyrela, de R$ 43 para R$ 41, reforçando a indicação de compra.
Ainda em relação aos papéis das incorporadoras, os analistas do Itaú BBA destacaram, em relatório, que a acessibilidade financeira aos imóveis de média e alta renda continua dominando o debate, mas que “um ‘valuation’ descontado fala mais alto” para alguns investidores, que seguem atraídos por Cyrela.
A Moura Dubeux, incorporadora que atua na média e alta renda no Nordeste, também tem suscitado interesse, afirmam. A empresa divulgou seus dados operacionais do segundo trimestre na segunda-feira (6), considerados “sólidos” por analistas. Houve queda de 46% no valor geral de venda (VGV) dos lançamentos, mas as vendas recuaram em menor proporção, de 15%.
Ao menos a inflação do setor parece ser uma fonte menor de preocupação. No mesmo relatório, os analistas do Itaú BBA ressaltam que os reajustes anuais de salários no segmento, feitos em maio, foram benignos, e que não há efeitos relevantes de segunda ordem sobre fornecedores. Com a perspectiva de fim do conflito entre Estados Unidos e Irã, também se alivia a preocupação sobre um aumento de custo de materiais. O pior parece ter passado.
O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 6,71% em junho, no acumulado de 12 meses, menos do que os 7,19% do mesmo período de 2025.
Valor - SP 08/07/2026
Donas de centros comerciais buscam incorporadoras para rentabilizar áreas que já possuem e elevar o padrão dos seus ativos
O lançamento pela Allos, em junho, de um bairro planejado em Campinas (SP), no entorno do seu shopping Parque Dom Pedro, com 17 torres e R$ 4,5 bilhões em valor geral de venda (VGV) previsto, é o mais novo projeto do tipo entre desenvolvedoras e administradoras de centros comerciais, que querem atrair um público mais constante e qualificado para os shoppings.
Com grandes áreas em estoque, essas empresas estão fazendo parcerias com incorporadoras, para dar mais celeridade aos desenvolvimentos e desembolsar menos capital próprio.
“Há 30 anos, os shoppings eram uma caixa voltada para dentro, com pouca luz natural, uma catedral do consumo. E nossa visão, que já vem de algum tempo, é que o shopping precisa fazer parte da cidade”, afirma Mário Oliveira, diretor de desenvolvimento e novos negócios da Allos.
No projeto de Campinas, a empresa planeja ter moradia, hotel e escritórios, em uma área de 476 mil metros quadrados ao redor do centro comercial, que hoje é usada como estacionamento. Ao todo, a Allos já fez oito torres multiuso em seus shoppings e tem outras 64 com contratos já assinados. Os projetos são feitos por 19 incorporadoras.
A apenas 12 quilômetros dali, o Iguatemi lançou em 2024 o seu bairro planejado, o Casa Figueira. O desenvolvimento completo, que deve levar 20 anos, prevê mais de uma centena de torres e um VGV de R$ 10 bilhões, dos quais R$ 350 milhões serão do próprio Iguatemi - o restante deve ficar com os parceiros.
Caio Teles, diretor de desenvolvimento e gestão imobiliária do Iguatemi, conta que as obras de infraestrutura da primeira etapa do projeto estão em finalização, com instalação de ruas, paisagismo e sistemas de água, esgoto e rede elétrica subterrânea. Há um prédio em construção, com a incorporadora Building. “Temos algumas incorporadoras parceiras em fase final de assinatura de alguns dos lotes do bairro”, diz.
Como explica o arquiteto e urbanista Valter Caldana, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, os shoppings vêm enfrentando uma crise de modelo ao redor do mundo, porque “se autoisolaram excessivamente”. A pandemia e o crescimento do comércio virtual só contribuíram para esse cenário.
“Os shoppings precisam se reinventar e descobriram que isso passa por melhorar a relação com a cidade”, diz, diversificando seu uso. Ser uma destinação multiuso, para além das compras, é o objetivo de todas as companhias de shopping consultadas pelo Valor.
Nesse intuito de rentabilizar os espaços, entram na conta as áreas no entorno dos projetos, como aquelas usadas para estacionamento. Ainda mais porque, como conta o diretor-financeiro da Multiplan, Armando D’Almeida Neto, há uma mudança de hábito dos clientes, que passaram a usar mais carros de aplicativo para ir aos shoppings, o que reduz a necessidade de garagem.
“Muitas vezes você precisa de menos vagas, porque tem público que vem andando e um efeito cada vez maior das pessoas vindo com carro de aplicativo”, afirma.
A Multiplan nasceu como incorporadora, mas agora faz projetos em parceria com outras construtoras, no mesmo modelo adotado por Allos e Iguatemi.
A empresa fechou parcerias para torres nos centros comerciais de Jacarepaguá (RJ), Canoas (RS) e Campo Grande (MS), e vendeu terrenos no entorno do shopping de Ribeirão Preto (SP).
A pessoa que vai comprar o imóvel tem que ter renda superior ao nosso público médio”
— Mário Oliveira
Já no empreendimento Golden Lake, ao lado do Barra Shopping Sul, em Porto Alegre, os prédios residenciais são construídos pela própria Multiplan. A empresa lançou a terceira fase do projeto, enquanto a segunda está em obras. A primeira fase, já entregue, resultou em R$ 434 milhões em receita apropriada.
D’Almeida explica que a decisão de atrair parceiros para os projetos busca dar mais agilidade aos desenvolvimentos. “Temos inúmeros projetos aprovados, que muitas vezes não dá tempo de fazer, então trazemos parceiro para desenvolver conosco”, diz. “Em alguns lugares, começamos a ver que, com a grande quantidade de terrenos que temos, estávamos atrasando o próprio desenvolvimento da região, que poderia crescer mais rápido”.
O modelo contribui com uma nova forma de receita para essas empresas, que têm no aluguel dos espaços comerciais sua maior fonte de lucro. Para construir, as incorporadoras precisam pagar pelo terreno. A Allos prevê que esses imóveis vão gerar R$ 539 milhões em caixa até 2036.
É algo que “acrescenta valor em dupla face”, como define Oliveira: as companhias rentabilizam um espaço que já possuem e ainda conseguem aumentar o fluxo de visitantes.
Com os projetos já entregues, a Allos percebeu que moradores de empreendimentos residenciais anexos aos centros comerciais os frequentam até cinco vezes mais do que outros clientes, e gastam 47% mais.
As companhias de shopping consultadas já contam com vastas áreas para serem desenvolvidas: a Multiplan tem 864 mil metros quadrados de projetos aprovados e outros 1,45 milhão de metros quadrados para o futuro. A Allos tem 740 mil metros quadrados já aprovados e também mais 1,4 milhão em estoque. No Iguatemi, são 1,59 milhão de metros quadrados de área privativa que podem ser desenvolvidos nos shoppings já existentes.
Nenhuma companhia consultada tem plano de comprar novas áreas para começar um “masterplan” do zero, com um novo shopping e mais espaço para desenvolvimento imobiliário.
Tudo isso tem a ver, ainda, com o alto custo de capital nos últimos anos. Ao rentabilizar áreas que já estão dentro de casa e chamar sócios para os projetos, as empresas poupam recursos, que podem ser investidos nos próprios centros comerciais - há uma série de expansões e remodelações em andamento.
Franco Pasquali era CEO da 3Z, incorporadora da região de Campinas que pertence ao grupo farmacêutico EMS, e fundou uma empresa de estruturação de projetos imobiliários, a Hub, para atuar em projetos na área, de olho na quantidade de novos bairros planejados.
Ele avalia que o ritmo de lançamento das torres está abaixo do que era esperado pelas empresas, por causa do momento econômico mais desafiador para compradores de imóveis de médio e alto padrão, que são o público-alvo desses empreendimentos. “Temos visto que alguns desses projetos têm postergado lançamentos que já deveriam estar acontecendo”, diz.
Não à toa, as primeiras torres que serão lançadas no projeto da Allos não são de apartamentos, mas um edifício corporativo e um hotel. O primeiro começa a ser construído neste semestre.
“Como são projetos que vão atravessar 20 ou 30 anos, você pode desacelerar os lançamentos”, afirma, ressaltando que as obras de infraestrutura estão acontecendo nesses bairros.
A reinvenção dos shoppings passa por melhorar a relação com a cidade”
— Valter Caldana
Além de residenciais, hotelaria e escritório, cresce a presença de centros de saúde em projetos desse tipo. Também há residenciais para locação e escolas.
A chave é atrair um público que frequente o espaço do shopping não só porque precisa comprar algo, mas porque já está circulando pela região.
“Isso reduz a dependência do fluxo exclusivamente ligado ao varejo e cria uma dinâmica de demanda mais estável ao longo do dia”, afirma Marcos Carvalho, co-presidente da Ancar, que tem 23 shoppings em seu portfólio.
A empresa está em negociação para construir um complexo residencial com 500 apartamentos no Shopping Nova América, no Rio de Janeiro. O shopping já tem três torres de salas comerciais, um prédio de lajes corporativas e dois hotéis da rede Ibis.
Mesmo atuando por meio de parceiros, as desenvolvedoras tentam controlar o padrão do projeto que será realizado. “A pessoa que vai comprar aquele apartamento tem que ter renda superior ao nosso público médio”, explica Oliveira. Assim, quando o projeto for entregue, será formado um bolsão com capacidade de gasto maior do que a média do shopping.
“Estou aumentando a relevância do ativo”, diz, ressaltando que o foco da empresa sempre será a atividade do shopping.
Dessa forma, apesar de serem bairros abertos ao público, os shoppings mantêm um grau de espaço fechado, afirma o urbanista Caldana, que considera um passo positivo que haja uma maior integração com as cidades. “Mas eles ainda fazem isso com uma mentalidade ‘shoppiniana’, de fechamento”, afirma, enquanto “a palavra-chave da sociedade contemporânea é diversidade”.
Os bairros planejados pelos shoppings também contam com segurança privada, o que é um chamariz para compradores, avalia Pasquali.
Ele conta que apenas no eixo da rodovia Dom Pedro, onde estão os bairros da Allos e do Iguatemi, há mais dois bairros planejados grandes em andamento. O faseamento da construção é importante para que o mercado local consiga absorver essa oferta e também dar conta de construir os projetos, afirma.
O empresário alerta que, ao trabalhar com incorporadoras parceiras, as desenvolvedoras precisam estar atentas à manutenção de uma identidade comum aos prédios, o que vai além da arquitetura e envolve até a convenção de condomínio. “É o grande desafio das incorporadoras, de entenderem que fazem parte de um ecossistema”, diz.
Com esses cuidados, ele acredita que esse tipo de projeto tem potencial, com o tempo, de se transformar nas futuras áreas mais nobres, e caras, das cidades.
A Tribuna - SP 08/07/2026
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) formalizou o 5º Termo Aditivo ao contrato de concessão da Malha Oeste. Segundo a ANTT, a medida garante que a operação da ferrovia permaneça sob responsabilidade contratual, “preservando a infraestrutura, as condições de segurança e o interesse público durante o período de transição até a definição de uma solução definitiva para a concessão”.
Com 1.625 quilômetros de extensão, a Malha Oeste liga Mairinque (SP) a Corumbá (MS), na fronteira com a Bolívia, formando um importante corredor logístico para o transporte de cargas do Centro-Oeste. A ferrovia se conecta à Malha Paulista, que dá acesso ao Porto de Santos, principal complexo portuário do País, sendo estratégica para o escoamento da produção agrícola, mineral e de outras cargas destinadas à exportação.
Segundo a ANTT, o aditivo evita qualquer descontinuidade na administração da ferrovia e mantém a responsabilidade pela gestão e preservação dos ativos ferroviários durante o período transitório. A Agência destaca que a medida proporciona segurança jurídica, estabilidade regulatória e continuidade institucional, consideradas fundamentais para a adequada gestão de uma infraestrutura estratégica para o Brasil.
A autarquia ressalta que as discussões sobre o futuro da Malha Oeste vêm sendo conduzidas há vários anos, com análises técnicas, jurídicas, operacionais e econômicas voltadas à construção de uma solução consistente para a ferrovia.
Nesse contexto, a prorrogação temporária da vigência contratual garante a manutenção das responsabilidades sobre a malha enquanto são concluídas as avaliações e os procedimentos necessários para a definição do modelo definitivo.
Paralelamente, o Poder Público avança na modelagem de uma nova concessão para a Malha Oeste, processo que segue em análise nas instâncias competentes e deverá observar todos os ritos legais e regulatórios.
CNN Brasil - SP 08/07/2026
Pelo menos quatro petroleiros e navios transportadores de gás deram meia-volta e desistiram de cruzar o Estreito de Ormuz até a manhã desta quarta-feira (8), segundo dados de rastreamento marítimo, à medida que novos ataques a embarcações na estratégica hidrovia aumentaram as preocupações com segurança.
A mudança de rota ocorreu após um navio-tanque catariano de GNL (gás natural liquefeito) e um petroleiro de bandeira saudita terem sido danificados perto do estreito na terça-feira (7), depois de relatos de que o Irã disparou mísseis contra embarcações na região. O episódio levou autoridades marítimas a elevar o nível de risco para navios em trânsito para "grave".
Os navios de GNL Al Ghariya, Duhail e Al Ruwais navegavam em direção ao Estreito de Ormuz antes de mudarem de rota e se afastarem da região no fim da terça-feira, segundo dados das empresas de análise Kpler e LSEG. As três embarcações, controladas pela QatarEnergy, estavam vazias e seguiam para o terminal de exportação de Ras Laffan, no Catar, para carregar cargas.
Enquanto isso, dados da LSEG e da Kpler também mostraram que um petroleiro de bandeira indiana, transportando 2 milhões de barris de petróleo bruto do Kuwait carregados no fim da semana passada, fez um retorno em "U" na ponta de Omã, junto ao Estreito de Ormuz, nesta quarta-feira.
Desde o início do conflito, no fim de fevereiro, pelo menos 16 carregamentos de GNL partiram de Ras Laffan e outros 10 do terminal de Das Island, da ADNOC, nos Emirados Árabes Unidos, atravessando o estreito. Ainda assim, esse volume representa apenas uma fração das cerca de 7 milhões de toneladas métricas embarcadas, em média, por mês a partir dos dois polos de exportação.
Também aumentou a fila de navios vazios aguardando para carregar em Ras Laffan, que ultrapassou dez embarcações no início de julho, segundo analistas da Vortexa.
Mais de 50 embarcações vazias controladas pela QatarEnergy e pela ADNOC estão posicionadas na região do Golfo, na Índia e no Estreito de Malaca. Algumas delas mantêm desligados, há mais de dez dias, os AIS (sistemas automáticos de identificação), acrescentou a Vortexa.
Apesar das tensões, pelo menos dois superpetroleiros conseguiram deixar o Estreito de Ormuz. O VLCC Tenjun, administrado pela japonesa Nippon Yusen KK e transportando 2 milhões de barris de petróleo bruto do Catar carregados no fim de fevereiro, deixou o estreito no fim da terça-feira.
O VLCC Pertamina Pride, administrado pela estatal indonésia de energia Pertamina, também saiu do estreito na terça-feira com o transponder desligado, segundo dados de navegação. A embarcação transporta 2 milhões de barris de petróleo bruto da Arábia Saudita carregados no início de março.
A Nippon Yusen recusou-se a comentar sobre o navio Tenjun. A Pertamina não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Globo Online - RJ 08/07/2026
O Global Infrastructure Partners — controlado pela BlackRock — e o Stonepeak estão entre os fundos que avaliam fazer propostas para comprar o Porto Sudeste, avaliado em cerca de US$ 5 bilhões, de propriedade da Trafigura e do Mubadala, segundo pessoas a par do assunto.
O GIP está formando um consórcio com a produtora de minério de ferro Vale e a siderúrgica Gerdau para apresentar uma oferta, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas ao discutir negociações que não são públicas. A Stonepeak está se unindo à M Resources, empresa de logística sediada em Brisbane, na Austrália, para fazer uma proposta, afirmaram as pessoas.
A expectativa é receber ofertas vinculantes até o final do mês, disseram as pessoas. O I Squared Capital também está entre os interessados, disseram anteriormente pessoas a par do assunto.
Representantes do GIP, Stonepeak, Mubadala, Vale, Gerdau e Trafigura não quiseram comentar. M Resources não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.
Mais fundos de infraestrutura estão entrando na disputa pelo importante porto brasileiro. O Porto Sudeste movimentou um volume recorde de 27,8 milhões de toneladas de minério de ferro em 2025, um aumento em relação aos 21,9 milhões de toneladas do ano anterior. Esse volume continua abaixo de sua capacidade de cerca de 50 milhões de toneladas, de acordo com seu relatório financeiro mais recente.
O porto é um importante hub logístico que oferece às mineradoras brasileiras uma rota para os mercados internacionais, especialmente no Sudeste Asiático. Ele possui capacidade ociosa para aumentar suas exportações de minérios e está conectado por ferrovia ao estado de Minas Gerais, uma das principais regiões produtoras de minério de ferro.
A Trafigura e o Mubadala — braço de investimentos de um fundo soberano de Abu Dhabi — adquiriram uma participação majoritária no porto do Rio de Janeiro em 2014 da MMX Mineração & Metálicos, um dos empreendimentos de mineração do ex-bilionário Eike Batista.
O Estado de S.Paulo - SP 08/07/2026
Isenção anunciada em junho havia permitido inicialmente que a República Islâmica produzisse, vendesse e entregasse petróleo bruto e produtos relacionados até o dia 21 de agosto
O governo dos Estados Unidos revogou nesta terça-feira, 7, uma licença que suspendia temporariamente as sanções ao petróleo do Irã, classificando as ações de Teerã no Estreito de Ormuz como “totalmente inaceitáveis”.
“As ações do Irã no estreito foram totalmente inaceitáveis para os Estados Unidos e terão consequências”, afirmou à AFP um funcionário do Departamento do Tesouro norte-americano.
A isenção anunciada em junho havia permitido inicialmente que a República Islâmica produzisse, vendesse e entregasse petróleo bruto e produtos relacionados até o dia 21 de agosto.
O chefe da equipe negociadora do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou na última semana, que o país não conseguiu exportar petróleo durante o bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos seus portos e destacou que as exportações haviam disparado desde a suspensão das sanções.
“Desde o dia em que o bloqueio foi suspenso até hoje, exportamos mais de 40 milhões de barris de petróleo”, declarou em entrevista à televisão estatal no dia 30 de junho. “Em contrapartida, durante os 50 a quase 60 dias anteriores, realmente não conseguimos exportar um único barril de petróleo”, acrescentou.
Petroleiro é atingido no Estreito de Ormuz
Um navio petroleiro foi atingido na segunda-feira, 6, por um projétil não identificado em frente à costa de Omã, na região do Estreito de Ormuz, afirmou a agência marítima britânica UKMTO.
Na última semana, o comando militar conjunto do Irã advertiu que todos os petroleiros que atravessarem o Estreito de Ormuz deverão utilizar as rotas aprovadas por Teerã ou estarão sujeitos a uma “resposta imediata e enérgica”, aumentando novamente a tensão em torno da hidrovia, considerada estratégica para o abastecimento global de energia.
Valor - SP 08/07/2026
Ataques a navios no Estreito de Ormuz e revogação da licença para venda da produção iraniana pressionam ativos
Os preços do petróleo voltaram a disparar no mercado internacional, ampliando o movimento de aversão global a risco global, diante da escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Ataques conduzidos a navios comerciais que atravessavam o Estreito de Ormuz levaram a uma alta de mais de 6% nos preços do petróleo. O sentimento piorou ainda mais após a decisão de Washington de revogar a licença que autorizava a venda de petróleo iraniano.
A disparada nos preços do petróleo voltou a provocar um ajuste na renda fixa doméstica com a alta das taxas locais, especialmente nos vencimentos mais longos. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2031 subiu de 13,995% para 14,37%. As incertezas com a perspectiva de um cessar-fogo duradouro no Oriente Médio provocaram uma deterioração no mercado de Treasuries (títulos do Tesouro americano), enquanto o dólar subiu frente ao real e a bolsa recuou.
Em Wall Street, os índices de ações cederam devido à combinação de aumento da aversão a risco e a realização de lucros nos papéis do setor de tecnologia.
Encerrados os negócios, o contrato do petróleo Brent (referência mundial) com vencimento em setembro subiu 3,01%, cotado a US$ 74,16 por barril, enquanto o do WTI (referência americana) para o mesmo mês avançou 2,76%, a US$ 70,44.
“A atividade no Estreito de Ormuz continuará no centro das atenções ao longo da semana, especialmente porque o fluxo de notícias sobre as negociações entre Irã e Estados Unidos tem sido limitado, enquanto os ataques a embarcações representam o principal desdobramento recente no Golfo Pérsico”, afirmam os estrategistas de renda fixa do BMO Capital Markets, Ian Lyngen e Vail Hartman.
Em meio ao aumento da cautela provocado pela volatilidade dos preços do petróleo, os rendimentos dos Treasuries americanos registraram forte alta. A taxa da T-note de 2 anos subiu de 4,116% para 4,197%, enquanto a do papel de 10 anos passou de 4,474% para 4,520%.
Segundo os profissionais do BMO Capital Markets, os rendimentos dos títulos de 10 anos atingiram os níveis mais elevados desde o início do cessar-fogo de 60 dias entre Irã e Estados Unidos, apesar de o petróleo já ter devolvido os ganhos acumulados durante o conflito.
Rendimentos dos Treasuries de 10 anos atingiram os níveis mais elevados desde o início do cessar-fogo
No mercado de ações, o índice Dow Jones da bolsa de Nova York fechou em queda de 0,25%, o S&P 500 recuou 0,45% e o Nasdaq perdeu 1,16%. Na bolsa brasileira, o Ibovespa caiu 0,25%, enquanto o dólar comercial avançou 0,39%, cotado a R$ 5,1522.
Apesar do quadro externo mais adverso, o Deutsche Bank mantém um viés positivo para o real no curto prazo. Segundo o banco, o carrego de juros em relação ao dólar deve seguir como suporte à moeda local, que também se beneficia de uma melhor balança comercial em um contexto de menor volatilidade nos mercados de câmbio.
No entanto, com a proximidade das eleições presidenciais de outubro, os riscos de médio prazo aumentam. “Além do curto prazo, no entanto, as perspectivas tornam-se menos claras. O aumento das chances de reeleição do presidente Lula poderia elevar tanto o prêmio de risco fiscal quanto o político, enquanto os fatores sazonais devem se tornar menos favoráveis, já que o comércio e os fluxos financeiros costumam enfraquecer no segundo semestre do ano”, ponderam os profissionais em relatório.
Na renda fixa doméstica, a sessão foi marcada por uma forte volatilidade. Pela manhã, os juros futuros avançaram em reação aos ataques iranianos, mas perderam força após declarações do subsecretário da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Francisco Segundo, à Bloomberg. Ele afirmou que o órgão tem caixa para enfrentar episódios de estresse e pode recomprar NTN-Bs, se necessário. As declarações reforçaram a mensagem transmitida na sexta-feira pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron.
Para o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, as sinalizações verbais do Tesouro são positivas, por indicarem que a autoridade acompanha o problema de perto. “Seria preciso entender quais seriam as condições de compra em uma eventual intervenção nas NTN-Bs, mas o Tesouro tem mérito por tentar endereçar o problema que está colocado. Se é a melhor decisão, eu não sei, porque é uma questão muito delicada. O mercado está parado e o Tesouro não consegue emitir NTN-B”, completa.
TN Petróleo - RJ 08/07/2026
A TBG e a Usina Termelétrica (UTE) Paulínia Verde firmaram, em junho, Termo de Compromisso para Contratação de Transporte Firme de Gás Natural, etapa prevista no Edital nº 2/2026-ANEEL, referente ao Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP 2026).
O documento formaliza o compromisso entre as empresas para o atendimento ao suprimento de gás natural da usina, com início previsto para 1º de agosto de 2026, data estabelecida para o início da disponibilidade da potência contratada no leilão.
A assinatura, de acordo com a TBG, representa um avanço no atendimento às exigências regulatórias do certame e assegura maior previsibilidade quanto à disponibilidade da infraestrutura de transporte necessária para a operação do empreendimento.
Para a UTE Paulínia Verde, a formalização do compromisso é uma etapa importante para a operação da usina e para o cumprimento dos requisitos previstos no LRCAP 2026, contribuindo para o cronograma de início da operação comercial.
A iniciativa também reforça a integração entre os setores de gás natural e energia elétrica, destacando a relevância da infraestrutura de transporte para ampliar a confiabilidade e a flexibilidade do sistema energético brasileiro.
Diário do Comércio - MG 08/07/2026
O Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) relativo à possível duplicação de um trecho de 74 quilômetros da BR-381, entre os municípios de Belo Oriente e Governador Valadares, no Leste de Minas Gerais, foi recebido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) na quarta-feira (1º) e terá um custo previsto de R$ 1,4 bilhão.
A documentação da futura obra, que ainda não tem confirmação oficial de prazos e cronogramas, já está em posse do poder público. O material foi entregue pela concessionária Nova 381 à prefeitura de Governador Valadares, e agora segue para análise técnica e regulatória por parte da ANTT.
Essa avaliação servirá de base para uma futura decisão sobre a incorporação da obra ao contrato de concessão, conforme os trâmites previstos na regulamentação em vigor.
Benefícios
As projeções das obras indicam que, se a duplicação for efetivamente incluída no contrato e realizada, o trecho poderá registrar uma queda em torno de 45% no número de mortes ao longo da vigência contratual, além de uma redução de 36% nos casos de ferimentos graves.
Os estudos de viabilidade apontam ainda a diminuição do tempo de deslocamento para motoristas e transportadoras, bem como a redução das emissões de poluentes, resultado de melhores condições de tráfego na rodovia.
Segundo as estimativas da concessionária, caso o projeto seja aprovado e passe a integrar o contrato, as obras poderão ser finalizadas em um prazo de até seis anos.
Rota importante
A duplicação desse trecho da BR-381 não fazia parte do escopo original do contrato de concessão. Em dezembro de 2025, a ANTT havia autorizado a concessionária a elaborar o EVTEA, seguindo os instrumentos regulatórios cabíveis.
A BR-381 é uma rota importante, que conecta Minas Gerais a portos no Rio de Janeiro, Espírito Santo e ao Nordeste do País, além de ser um corredor para polos industriais dessas localidades, com transporte de passageiros e cargas.
Próximos passos
Com o EVTEA em mãos, a ANTT dá início à análise técnica e regulatória do documento. Serão examinados aspectos como engenharia, viabilidade econômica, impactos socioambientais, modelagem regulatória e possíveis efeitos sobre as tarifas.
Concluídas essas etapas, o estudo poderá ser levado à Diretoria Colegiada da ANTT, responsável por decidir sobre a eventual inclusão da duplicação no contrato de concessão.
CNN Brasil - SP 08/07/2026
O agronegócio brasileiro sentiu os efeitos da retração no comércio entre Brasil e Estados Unidos no primeiro semestre de 2026. Dados do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil, mostram que a participação do mercado norte-americano nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, o menor percentual registrado para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 1997.
O comércio bilateral entre os dois países movimentou US$ 36,4 bilhões entre janeiro e junho, uma queda de 12,8% em relação ao mesmo período do ano passado. As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 13%, para US$ 17,4 bilhões, enquanto as importações diminuíram 12,5%, totalizando US$ 19 bilhões.
No primeiro semestre, as exportações brasileiras para o mundo cresceram 11,5%, impulsionadas principalmente pelo aumento das vendas para a China, com alta de 21,9%, e para a União Europeia, com avanço de 12,8%.
Dentro da pauta do agronegócio, produtos relevantes para a relação comercial com os Estados Unidos registraram queda nas vendas. As exportações de café não torrado recuaram 34,8% na comparação anual, enquanto a celulose teve redução de 9,4% no período. Os dois produtos estão entre os principais itens agropecuários embarcados pelo Brasil ao mercado norte-americano.
A redução das vendas ocorre em meio ao aumento das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. Segundo a Amcham, os itens submetidos às sobretaxas apresentaram uma retração mais intensa, com queda de 16,6% nas exportações no primeiro semestre, enquanto os produtos sem tarifas adicionais recuaram 8,7%.
Para a entidade, a manutenção ou ampliação dessas medidas pode pressionar ainda mais setores que dependem do mercado americano. O agronegócio está entre os segmentos que acompanham com atenção as negociações, já que os Estados Unidos são um destino importante para produtos de maior valor agregado e com forte presença da indústria de alimentos.
“O primeiro semestre confirma que o comércio bilateral atravessa um período de forte pressão e reforça a necessidade de um acordo que evite a aplicação de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301. Caso sejam implementadas, as sobretaxas poderão comprometer ainda mais as trocas entre Brasil e Estados Unidos”, afirmou o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto.
Entre os produtos afetados pelas tarifas adicionais, as maiores retrações foram registradas em segmentos como semiacabados de ferro e aço, com queda de 21,7%, caminhões, com recuo de 46,7%, madeira, com baixa de 40,5%, e cobre, com redução de 37,4%.
Apesar do desempenho negativo no acumulado do semestre, junho trouxe um sinal de recuperação para o comércio bilateral. As exportações brasileiras aos Estados Unidos cresceram 3,7% na comparação com junho de 2025, interrompendo uma sequência de dez meses consecutivos de queda.
O avanço, no entanto, foi concentrado principalmente em produtos que não estão sujeitos às sobretaxas, que registraram alta de 35,8% no mês, impulsionados por itens como aeronaves e óleos combustíveis de petróleo. Já os produtos submetidos às tarifas adicionais continuaram em retração, com queda de 17% em junho.
InfraRoi - SP 08/07/2026
A John Deere anunciou a incorporação da Agrosul e da M.A. Máquinas à sua rede de distribuidores de Construção e Pavimentação. As duas empresas, que já têm trajetória consolidada como concessionárias da linha agrícola da marca, passam a representar também a divisão de Construção e ajudam a marcar a solidificar seu posicionamento como a maior estrutura de atendimento do setor, com mais de 140 pontos de venda entre seus distribuidores. Segundo a John Deere, o movimento é calculado, já que as duas novas dealers já estão familiarizadas com o modelo de atendimento ao cliente da marca. A expectativa é de que essa expertise, somada à forte presença capilar que elas possuem, vai permitir à fabricante levar soluções integradas de construção para novas regiões importantes do País.
Parceiro já está consolidado no mercado na Região Sul
Parceira da John Deere na linha agrícola desde 1996, a M.A. Máquinas agora expande seus horizontes para representar também a divisão de Construção e Pavimentação da marca nos estados do Paraná e Santa Catarina. A fabricante diz que locais estratégicos foram escolhidos para garantir um atendimento seguro e completo aos clientes desse segmento.
O novo distribuidor operará a partir de suas lojas em Cascavel, Palotina, Medianeira, Assis Chateaubriand, Umuarama, Ubiratã, Goioerê, Campo Mourão, Marechal Cândido Rondon, Toledo, Cianorte, Vitorino, Realeza, Palmas, Dois Vizinhos e Mangueirinha, incorporando à operação cinco novas lojas em Maringá, Telêmaco Borba, Chapecó, Palhoça e Curitiba — que será o centro principal das operações para o negócio de construção.
Ao longo de sua trajetória, a M.A. Máquinas recebeu oito vezes o título de Concessionário Classe Mundial e três vezes o prêmio Leaders Club — reconhecimentos que destacam sua excelência em gestão, atendimento, serviços e resultados. A estrutura da companhia conta com mais de 750 colaboradores e uma frota de 308 veículos, além de investimentos que somam mais de R$ 100 milhões em infraestrutura nos últimos anos.
Expansão no Nordeste complemente rede de dealers da John Deere
Concessionária John Deere há mais de 30 anos, a Agrosul agora assume a divisão de construção no Piauí e no Oeste da Bahia. A empresa foi fundada em 1991, em Barreiras (BA), como um escritório de referência de adubos e sementes. Quatro anos depois, ingressou na rede de concessionários da John Deere e abriu sua primeira filial em Luís Eduardo Magalhães, cidade que hoje abriga sua matriz.
Desde então, ampliou sua presença na região com unidades modernas em Bom Jesus, Formosa do Rio Preto, Uruçuí, Roda Velha, Rosário e Baixa Grande, e agora se prepara para abrir sua primeira loja focada na linha de construção em Teresina, no Piauí.
Além da M.A. Máquinas e da Agrosul, completam o grupo os distribuidores SLC, Terraverde, Inova, Veneza Equipamentos, RZK, Nissey, Iguaçu e Agro Baggio, que juntos somam mais de 140 lojas no País.