Diário do Comércio - MG 07/10/2026
O vice-presidente da ArcelorMittal Brasil e CEO Aços Longos Latam, Everton Negresiolo, reconhece os recentes avanços do País no combate às importações predatórias de aço, com a cota-tarifa, a elevação tarifária e as medidas antidumping. Ele avalia, porém, que essas ações ainda são insuficientes e pede continuidade, independentemente do que aconteça nas eleições, e maior agilidade na tomada de decisões do governo federal.
O executivo conversou com a imprensa mineira durante o Congresso Aço Brasil 2026, realizado pelo Instituto Aço Brasil, na última semana, em São Paulo. A análise dele vai de encontro ao que o setor siderúrgico defendeu durante todo o evento.
O governo fortaleceu a defesa comercial do setor siderúrgico neste ano, o que ajudou a frear as importações de laminados. No entanto, o volume de aço importado segue bem acima da média histórica. Além disso, dispararam as importações indiretas, ou seja, o aço que entra no País contido, por exemplo, em veículos, máquinas e equipamentos.
Números apresentados pelo Aço Brasil, em coletiva de imprensa no congresso, mostram que as importações de laminados devem fechar 2026 com queda de 15,1%, somando 4,9 milhões de toneladas. Ainda assim, esse volume é 121% maior que a média anual de 2,2 milhões de toneladas importadas entre 2000 e 2019. Ao mesmo tempo, a previsão é que as importações indiretas de aço cresçam 19,9% no ano, para 7,2 milhões de toneladas.
Segundo Negresiolo, o comércio global passa por uma transformação fortemente pautada por interesses e conflitos geopolíticos. Há menos multilateralismo e mais acordos bilaterais e entre blocos regionais. Ele ressalta que o Brasil tem que agir diante da nova realidade para não colocar em risco a sustentabilidade da siderurgia e de outros setores industriais.
Para o executivo, já é notória a evolução do País no fortalecimento da defesa comercial do setor siderúrgico, com instrumentos aplicados a partir de decisões técnicas que confirmam a falta de isonomia na competição contra o aço subsidiado. Entretanto, essas medidas ainda estão aquém do necessário e é preciso que o governo siga atuando e com mais celeridade.
“É necessário que o país olhe para sua indústria, para as vantagens comparativas que possui e para aquilo que é estratégico, definindo como política de Estado, o que espera no longo prazo e quais cadeias serão defendidas para brigar nesse cenário global”, pondera.
Planos de investimentos da empresa no País
Há pouco mais de um ano, Negresiolo informou que a ArcelorMittal estuda investir mais de R$ 10 bilhões no Brasil nos próximos anos, sendo cerca de R$ 3 bilhões em Minas Gerais. O novo ciclo de investimentos foi condicionado à aplicação de medidas mais robustas de defesa comercial do setor siderúrgico em relação às que existiam na época.
Agora, a companhia anunciou que investirá entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões na instalação de um laminador de tiras a frio e uma linha de revestimento contínuo na unidade de Tubarão, no Espírito Santo. Também avançou nos estudos para instalar uma linha de laminação para transformar placas em produtos laminados na usina de Pecém, no Ceará, no qual deve ser investido cerca de R$ 5 bilhões, conforme noticiado pela imprensa.
De acordo com o executivo, os dois projetos, um definido e o outro mapeado, são os principais dentro da análise que a empresa conduz para novos investimentos no País.
Sobre Minas Gerais, ele salienta que a ArcelorMittal concluiu recentemente aportes significativos na usina em Sabará, no complexo fotovoltaico em Paracatu e na mina Serra Azul em Itatiaiuçu, e, neste momento, está focada na entrega dos resultados desses projetos.
Especificamente sobre a unidade de mineração, o investimento foi destinado para uma nova planta de beneficiamento de minério de ferro. A operação começou no fim de 2025 e está em fase de ramp-up, com conclusão prevista para ainda neste ano.
O mercado de minério de ferro está sofrendo pressões de preço e de custos, sobretudo relacionadas ao frete marítimo, o que levou empresas a reduzirem operações no Estado. Porém, o cenário não afeta diretamente a nova planta da companhia, conforme Negresiolo.
“É uma planta cativa de pellet feed que vai exportar 100% do volume para o México, onde temos uma pelotizadora que transforma o material em pelota para consumo no alto-forno e na redução direta da nossa operação mexicana. Então não tem impacto direto, pois a planta está vinculada a uma operação própria”, esclarece.
Infomoney - SP 07/10/2026
As exportações de produtos brasileiros para a China caíram 7,6% em setembro de 2026 na comparação interanual, somando US$ 7,89 bilhões no mês passado, ante US$ 8,69 bilhões em setembro de 2025.
Pelo lado das importações, houve crescimento de 12,6% nas compras vindas da China em setembro, totalizando US$ 7,06 bilhões no mês, ante US$ 6,377 bilhões em igual mês do ano passado.
Com isso, o Brasil teve superávit de US$ 0,83 bilhão com o país asiático no nono mês deste ano.
O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, explicou, durante entrevista coletiva relativa à balança comercial de setembro, que as exportações brasileiras para a China foram afetadas por uma queda nas vendas de carne bovina, soja, minério de ferro e milho.
Na venda de carne bovina, houve redução de 93,5%, devido ao atingimento da cota comercial, que gera uma sobretaxa sobre o produto, reduzindo o volume de vendas ao país, explicou o diretor.
Brandão afirmou ainda que parte da queda do volume de carne vendida à China é compensado por EUA e outros países, mas não em sua totalidade.
“Esse volume, para os Estados Unidos, ajuda a mitigar essa queda, mas o tamanho do mercado não é suficiente para absorver todo esse volume que caiu mais de 90% para a China”, disse.
O diretor ressaltou ainda que, no ano passado, os chineses compraram 53% da carne brasileira.
A queda na exportação de milho ao país asiático, pode ter sido influenciada por uma crescente na demanda interna pelo produto, segundo Brandão.
Ele também analisou que o Brasil segue muito competitivo na exportação da soja e não teria dificuldade de redirecionar o produto para além desse mercado chinês.
Acumulado do ano
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, em relação a igual período do ano anterior, as vendas para a China cresceram 12% e atingiram US$ 84,64 bilhões.
As importações cresceram 9,9% e totalizaram US$ 58,62 bilhões. Consequentemente, neste período, a balança comercial com a China apresentou superávit de US$ 26,05 bilhões.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex) e pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Jornal de Brasília - DF 07/10/2026
A queda nas projeções do preço do petróleo levou o governo a reduzir a estimativa de superávit da balança comercial brasileira em 2026, de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões, segundo revisão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Mesmo com o corte, o resultado projetado ainda representa alta de 24% em relação ao superávit registrado em 2025. Se confirmado, será o segundo maior saldo da série histórica, atrás apenas de 2023, quando o resultado foi de US$ 98,9 bilhões.
A nova projeção considera exportações de US$ 382,5 bilhões e importações de US$ 298,1 bilhões. Na revisão anterior, as estimativas eram de US$ 394,4 bilhões para as vendas externas e US$ 304,4 bilhões para as compras. Com isso, a previsão de exportações caiu US$ 11,9 bilhões, enquanto a de importações recuou US$ 6,3 bilhões.
Segundo o MDIC, a revisão está relacionada principalmente à redução dos preços do petróleo. O barril chegou a atingir US$ 138 em abril, após a entrada dos Estados Unidos na guerra com o Irã, mas recuou posteriormente. Nas últimas semanas, houve alta na cotação, mas o Brent, referência para as negociações internacionais, segue em torno de US$ 100.
A queda afeta tanto as exportações quanto as importações brasileiras, já que o país vende petróleo bruto ao exterior e também compra derivados. Ainda assim, o governo estima que as exportações projetadas para 2026 terão crescimento de 9,8% sobre 2025, enquanto as importações devem avançar 6,4%.
Esta é a segunda revisão da estimativa feita pelo MDIC em 2026. A projeção inicial era de um superávit de US$ 72,1 bilhões e, depois, foi elevada para US$ 90 bilhões em julho.
Para alcançar o novo resultado projetado, o Brasil precisará acumular um superávit de aproximadamente US$ 22 bilhões entre outubro e dezembro. O valor é próximo ao registrado no último trimestre de 2025, quando o saldo positivo foi de US$ 21,8 bilhões.
Segundo Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, a estimativa está próxima do desempenho observado até setembro. “Estamos prevendo três meses à frente. Então, é natural que esses números se aproximem e tenhamos já um cenário bastante consolidado para o que vai ser o fechamento do ano”, afirmou.
Em setembro, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,74 bilhões, alta de 146,4% em relação aos US$ 3,14 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. Foi o maior saldo mensal desde junho, quando o resultado positivo chegou a US$ 9 bilhões.
No mês, as exportações somaram US$ 34,42 bilhões, avanço de 12,9% na comparação anual, enquanto as importações ficaram em US$ 26,68 bilhões, queda de 2,4%.
O crescimento das exportações em setembro foi influenciado principalmente pela alta dos preços dos produtos vendidos ao exterior. Em média, os preços das mercadorias exportadas aumentaram 9,9%, enquanto o volume embarcado cresceu 2,3%. Considerando a média diária, as exportações apresentaram crescimento de 18,3%.
O petróleo bruto foi um dos principais responsáveis pelo desempenho das vendas externas no mês. As exportações do produto totalizaram US$ 6,49 bilhões, alta de 77,3% em relação a setembro do ano passado.
O Estado de S.Paulo - SP 07/10/2026
O governo que comandará o Brasil entre 2027 e 2030 herdará uma carteira de dezenas de bilhões de reais em projetos de concessão de infraestrutura que seguem sem sair do papel, prejudicando a competitividade do País e pressionando o chamado “custo Brasil” – o conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que torna mais caro fazer negócios por aqui do que em outros países.
De estradas em más condições ou sem duplicação a portos operando no limite da capacidade, passando por aeroportos sobrecarregados, o Brasil acumula problemas logísticos e de infraestrutura que, em menor ou maior grau, prejudicam a população e o País como um todo.
Mas o setor não vive apenas de más notícias ou de diagnósticos do que não funciona. Ainda que sejam insuficientes para acabar de vez com o gargalo de infraestrutura no Brasil, os investimentos na área têm sido os maiores em muitos anos. No ano passado, segundo a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), somaram R$ 280 bilhões, a maior parte dos quais (84%) capitaneada pelo setor privado.
É salutar que o setor privado esteja liderando os investimentos em infraestrutura no País, tendência que, segundo o próprio setor, veio para ficar. Isso, porém, não exime o poder público de fazer a sua parte e aportar recursos e ofertar modelos atraentes de concessão para que rodovias, portos, aeroportos e ferrovias estejam à altura do Brasil, uma das principais economias do mundo.
Durante um fórum sobre infraestrutura promovido pela Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Brasil, o presidente-executivo da Abdib, Venilton Tadini, questionou: “Como é que o orçamento da União tem R$ 23 bilhões para infraestrutura e R$ 60 bilhões para emendas parlamentares, sendo 90% sem vinculação a programa nenhum?”. A provocação é boa: destinam-se mais recursos para obras paroquiais do que para investimentos que efetivamente impulsionam o desenvolvimento.
De fato, o volume desproporcional de emendas – que, para piorar, são distribuídas sem qualquer critério e sem rastreamento – sequestra recursos do Orçamento e compromete seriamente a capacidade do País de financiar políticas públicas efetivas. No entanto, apenas moralizar as emendas parlamentares não basta para que os gargalos de infraestrutura finalmente sejam eliminados. É preciso trabalhar, por exemplo, para que o patamar de juros praticado no País seja civilizado. Taxas acima de dois dígitos, como as que o Brasil pratica há tanto tempo, diminuem a capacidade de investimento e impedem que projetos de longo prazo vejam a luz do dia.
Não menos importante é a questão das agências reguladoras. Criadas há cerca de 30 anos para regulamentar, fiscalizar e garantir a qualidade dos serviços públicos prestados à população brasileira – em outras palavras, proteger o interesse do cidadão –, as agências sofrem com a falta de pessoal, o aparelhamento político e o constante contingenciamento de recursos.
Somente a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável pela regulação e a supervisão dos serviços de transporte terrestre e da infraestrutura de rodovias e ferrovias federais no Brasil, enfrenta um déficit de pessoal de pelo menos 44%. Entidades como a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) enfrentam problemas similares.
O sucateamento das agências cobra um preço extremamente elevado do País. Sem recursos financeiros e operacionais, os órgãos reguladores não têm condições de realizar estudos de concessões bem desenhados, o que atrasa o cronograma de leilões de concessão.
Não bastasse tudo isso, o Brasil marca passo em setores que hoje mobilizam o protagonismo econômico de grandes potências globais, como EUA e China, a exemplo do mercado de terras raras.
Sem infraestrutura adequada, não é possível acelerar o crescimento do País. Se queremos um desenvolvimento sustentável, é preciso melhorar as condições básicas para o setor produtivo. Da estrada esburacada que atrasa e encarece o escoamento da produção ao porto que não tem estrutura adequada para atender à demanda, tudo conspira para nos manter no atraso. O próximo governo precisa mudar isso.
Agência Brasil - DF 07/10/2026
O Banco Central (BC) passará a divulgar mensalmente um novo conjunto de indicadores sobre reajustes salariais negociados em convenções coletivas de trabalho. A iniciativa deve ampliar a capacidade de monitorar as condições do mercado de trabalho e seus efeitos sobre a inflação.
Com base em informações do Sistema de Negociações Coletivas de Trabalho (Mediador), do Ministério do Trabalho e Emprego, os indicadores mostrarão os percentuais de reajustes negociados e a proporção de acordos que resultaram em aumentos acima, abaixo ou em linha com a inflação.
As estatísticas incluirão os reajustes nominais, que representam o aumento dos salários em valores correntes, e os reajustes reais, que descontam a inflação e indicam se houve ganho efetivo de poder de compra para os trabalhadores.
A nova base permitirá ao BC acompanhar com maior precisão o comportamento das negociações salariais e avaliar como as condições do mercado de trabalho influenciam a dinâmica dos salários.
Estudo divulgado pelo BC mostra que ganhos reais de salário tendem a ser mais frequentes em períodos de mercado de trabalho aquecido e de baixa taxa de desemprego.
De acordo com a autoridade monetária, esse movimento foi observado entre 2012 e 2014 e voltou a aparecer a partir de 2023, quando cresceu a proporção de convenções coletivas com reajustes acima da inflação.
Segundo a análise, os reajustes negociados mantêm forte relação com a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Embora não haja obrigação legal de reposição integral das perdas inflacionárias, a inflação acumulada continua sendo uma das principais referências para trabalhadores e empregadores durante as negociações.
Ferramenta adicional
A divulgação regular dos indicadores ampliará o conjunto de informações disponíveis para a sociedade acompanhar a evolução dos salários negociados no país e sua relação com a inflação.
Os dados abrangem convenções coletivas de todas as regiões e dos principais setores da economia, como agropecuária, indústria, construção, comércio e serviços, e estarão disponíveis no Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do Banco Central.
CNN Brasil - SP 07/10/2026
A Itaúsa, uma das maiores holdings de investimentos do Brasil, tem passado por uma transformação estratégica significativa ao longo dos anos.
Em entrevista ao CNN Cast, durante o encontro anual da companhia, Raul Calfat, presidente do Conselho de Administração, explicou como a empresa deixou de ser uma holding tradicional para se tornar uma gestora de portfólio, com participações em empresas líderes de setores como financeiro, saneamento, infraestrutura e bens de consumo.
Calfat destacou que a escolha por empresas de infraestrutura se deve à resiliência que esse segmento oferece, ainda que exija compromissos elevados de capital.
Como exemplo, mencionou o setor de saneamento, no qual as empresas investidas precisam atingir metas estabelecidas pelo marco regulatório até o final de 2033. "Tem que atingir 99% de água potável e 90% de esgoto tratado. Então, você tem demanda contratada", explicou.
Já as empresas de bens de consumo, segundo ele, são mais sensíveis às oscilações da economia — podendo ser tanto prejudicadas quanto beneficiadas pelo momento econômico.
"É importante você ter esse mix, esse blend dentro do portfólio", disse Calfat, ressaltando que essa combinação foi cuidadosamente construída ao longo do tempo.
Segundo o executivo, a construção desse portfólio diversificado foi deliberada e orientada por critérios claros de resiliência e crescimento.
"O banco, logicamente, é a principal empresa que participa da Itaúsa", afirmou, acrescentando que as demais participações foram estruturadas para equilibrar diferentes perfis de risco e retorno.
Governança ativa e criação de valor
A Itaúsa atua, na maior parte dos casos, como sócia minoritária das empresas investidas. De acordo com Calfat, a companhia seleciona sócios controladores sólidos e bem-sucedidos, e contribui com conhecimentos em governança, compliance, estratégia e visão de negócio.
Essa atuação é formalizada por meio de acordos de acionistas, que garantem representação nos conselhos de administração e nos comitês das investidas.
O presidente do CA ressaltou, no entanto, que a participação da Itaúsa frequentemente ultrapassa o que está previsto nesses acordos. "Muitas vezes nós acabamos ultrapassando o que está definido no acordo de acionistas, porque realmente a Itaúsa acaba agregando valor", afirmou.
Segundo ele, representantes da holding chegam a chefiar comitês e a ter presença ampliada nos conselhos das empresas do portfólio.
Modelo sofisticado de análise de risco-retorno
Uma das iniciativas mais recentes destacadas por Calfat é o modelo de análise de risco-retorno desenvolvido pela Itaúsa. Por meio de um gráfico que cruza rentabilidade e risco de cada empresa, a holding consegue avaliar com precisão o impacto de novos investimentos sobre o portfólio consolidado.
"Nós sabemos exatamente, você aumentando o investimento em uma determinada empresa, se piora o risco, se melhora o retorno", explicou.
Calfat observou que, diferentemente do que ocorre em muitas empresas — que tendem a se aprofundar apenas na análise de retorno —, a Itaúsa dedica atenção equivalente à avaliação dos riscos envolvidos.
Esse critério foi determinante em uma decisão recente, na qual a companhia optou por ampliar a participação em uma empresa já existente no portfólio, em vez de realizar uma aquisição em novo setor, por considerar a combinação de risco-retorno mais favorável.
Perspectivas e pipeline de oportunidades
Ao ser questionado sobre os setores que a Itaúsa observa com interesse para os próximos anos, Calfat afirmou que a companhia mantém um pipeline de oportunidades em análise.
"Nós estamos aguardando modificações que, eventualmente, possam existir no sentido macroeconômico. Então, nós estamos prontos", disse, sem especificar quais setores estão sendo monitorados.
O executivo também destacou aspectos do funcionamento interno do conselho de administração da Itaúsa. Segundo ele, 50% do tempo das reuniões é dedicado à discussão estratégica das empresas investidas, e em cada reunião é convidado um representante de uma das companhias do portfólio.
Além disso, reuniões do comitê de estratégia são realizadas com uma semana de antecedência em relação às reuniões do conselho, de modo a preparar os conselheiros para os principais temas em pauta. "Se por acaso o CEO não abordar um determinado tema, nós vamos abordar", concluiu.
CNN Brasil - SP 07/10/2026
As exportações brasileiras de minério de ferro e seus concentrados caíram 20,5% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025, em meio à queda dos preços da commodity e à pressão do frete marítimo sobre as margens das mineradoras.
Dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) mostram que as vendas externas do produto somaram US$ 2,02 bilhões no mês, ante US$ 2,54 bilhões em setembro do ano passado.
A retração foi provocada tanto pela redução dos preços quanto pelo menor volume embarcado. O preço médio do minério exportado caiu 15,1%, enquanto a quantidade enviada ao exterior recuou 6,3%.
O movimento ocorre em um momento de forte pressão do custo de transporte sobre o setor.
Mineradoras com operações de menor margem e minério de qualidade mais baixa vêm reduzindo ou interrompendo produção diante da combinação entre preços mais baixos e fretes elevados.
A queda dos preços do minério de ferro também ocorre em meio à demanda mais fraca da China, principal compradora da commodity brasileira, especialmente diante da desaceleração do setor imobiliário e da menor produção de aço. Ao mesmo tempo, a oferta global segue elevada, com grandes produtores mantendo volumes robustos, o que aumenta a pressão sobre as cotações.
No fim de setembro, por exemplo, a CSN Mineração informou em fato relevante que decidiu reduzir temporariamente a produção de minério de menor qualidade na planta seca de Pires, em Ouro Preto (MG), diante de um cenário de mercado mais apertado e pressionado pela alta do custo do frete.
A companhia também reduziu sua projeção de produção e compras de terceiros em 2026, de 45 milhões a 47 milhões de toneladas para 39 milhões a 41 milhões de toneladas.
A pressão também atingiu mineradoras menores.
À CNN, o CEO da Cabo Verde Mineração, Túlio Rivadávia Amaral, afirmou que a companhia decidiu paralisar temporariamente sua operação de minério de ferro diante da deterioração das margens.
“O preço do minério de ferro está ruim. O mercado está difícil. A companhia está priorizando o projeto de terras raras. A paralisação da operação de minério de ferro é estratégica por um momento de mercado em que a operação fica insustentável”, afirmou.
Segundo o executivo, manter a produção nas condições atuais significaria operar com prejuízo.
Queda concentrada em setembro
A deterioração de setembro contrasta com o desempenho acumulado do ano.
Entre janeiro e setembro, as exportações brasileiras de minério de ferro somaram US$ 20,13 bilhões, queda de apenas 2,2% em relação ao mesmo período de 2025.
No período, o volume exportado recuou 1,3%, enquanto o preço médio caiu 0,9%.
Valor - SP 07/10/2026
Comercialização de eletrificados ganha ritmo, surpreende montadoras e chega a 19,8% no país
Um milhão de veículos híbridos e elétricos já circulam no Brasil. A marca foi alcançada em setembro, mas o dado mais relevante é a velocidade dessa transformação. Em um ano, a participação dos eletrificados nas vendas mais do que dobrou, de 9,2% para 19,8%. O avanço surpreendeu a própria indústria instalada no país, que perdeu terreno para os chineses.
Executivos do setor admitem ter errado nos cálculos: o volume atual era esperado apenas entre 2029 e 2030. Agora, as marcas chinesas partem para uma nova etapa, com produção no Brasil.
Às vésperas da eleição presidencial, a principal discussão no setor não é mais se os chineses vieram para ficar, mas quais serão as regras do jogo. O mercado aguarda sinais sobre a disposição do próximo governo de manter incentivos para a importação de veículos semimontados ou adotar políticas que privilegiem conteúdo local.
O volume da frota eletrificada ainda é pequeno quando comparado à frota nacional de veículos leves, que passa de 44 milhões. Mas, nas vendas, já representa um quinto. Além disso, a velocidade do crescimento chama a atenção.
Levou 13 anos e sete meses para que os primeiros 500 mil carros híbridos e elétricos fossem vendidos no país. O segundo meio milhão veio em apenas 14 meses, entre agosto de 2025 e setembro de 2026. O brasileiro levou algum tempo para sentir segurança para trocar o carro a combustão por um híbrido ou abastecido numa tomada. Mas, quando tomou gosto pela novidade não voltou mais atrás. Foi atraído pelo pacote que soma tecnologia, energia alternativa a custo mais baixo e carros com design avançado a preços do convencional a combustão. Só chineses conseguiram fazer isso.
“Em alguns lugares o cara que compra um carro a combustão deveria receber um prêmio”, disse o presidente da Stellantis na América do Sul, Herlander Zola, na terça-feira (6), logo depois que o marco de um milhão foi divulgado pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). O executivo refere-se a locais como Pernambuco e Distrito Federal, que oferecem isenção de IPVA por mais tempo para quem tem um eletrificado.
A Stellantis, maior montadora do país, não tem ainda carros que podem ser carregados em tomadas, o segmento que mais cresce entre os eletrificados. Os 100% elétricos e os chamados híbridos “plug-in” somaram 80% das vendas em setembro. “Isso demonstra que as pessoas já estão familiarizadas com os carros nas tomadas. Conheceram, gostaram e estão apostando cada vez mais na eletrificação”, afirma Ricardo Barros, presidente da ABVE.
Segundo a ABVE, se os híbridos leves entrassem na conta a participação dos eletrificados no mercado alcançaria 23% em setembro. Mas a entidade não considera esse tipo de veículo eletrificado por não contar com tração elétrica.
Bastos também se surpreendeu com a velocidade da eletrificação no Brasil. Ele diz que as previsões iniciais indicavam chegar aos números de hoje em 2030. Zola esperava que isso acontecesse em 2029.
“O que mais preocupa não é a velocidade do crescimento, mas o mix”, diz Zola. As montadoras previam que a eletrificação no país começaria por híbridos leves (veículo no qual o motor elétrico só ajuda o motor a combustão para garantir mais economia) e anos depois passaria para os que podem ser abastecidos em tomadas. Ao oferecer preços competitivos, os chineses aceleraram o processo.
O aumento dos preços do petróleo contribuiu ainda mais. “Se o sujeito pode ter um carro que carrega na tomada pelo mesmo preço de um a combustão, qual ele vai escolher?”, diz Zola. “A indústria ocidental errou na leitura.”
Praticamente donas da tecnlogia da eletrificação e confiantes, as marcas chinesas começaram a partir para a produção local. No ano passado, BYD e GWM inauguraram fábricas próprias. Em setembro deste ano, começaram as parcerias com montadoras já instaladas. A Geely começou a produzir carros elétricos na mesma linha onde são fabricados modelos a combustão da Renault, em São José dos Pinhais (PR). Até o fim deste ano, a GAC iniciará a produção na unidade onde o grupo brasileiro HPE fabrica carros da Mitsubishi, em Catalão (GO).
A Stellantis ainda vai anunciar quando começará a produzir modelos da parceira Leapmotor e Zola diz que fará parcerias com “mais uma, duas ou até mais 10 chinesas para garantir nível de competição na região”. Uma delas pode ser com a Dongfeng. A General Motors também iniciou a produção de elétricos de sua parceira na China, a SAIC, numa fábrica multimarcas no Ceará.
A instalação industrial dos chineses levantou uma discussão que se tornou polêmica em julho, quando o governo brasileiro estendeu, até o fim do ano, a entrada de carros semimontados com isenção de Imposto de Importação. A BYD, líder do mercado de elétricos e quarta colocada no ranking geral do mercado, foi a mais beneficiada pela medida por já ter uma fábrica pronta e usar esse método.
Agora, às vésperas da eleição, o debate ganha maior proporção. “Seja de esquerda, seja de direita, o importante é identificar as conversas que teremos com o governo. Caso aumente a produção do que vem da China em SKD (veículo semimontado), teremos um leque de opções. Nós também podemos produzir em SKD com 10% dos 35 mil funcionários que temos na América do Sul”, diz Zola.
Outras chinesas anunciaram planos para produzir no país. “Por que estamos tão confiantes? É por causa do nosso volume de vendas. Com fábrica própria, poderíamos nos beneficiar de diversas políticas governamentais ou municipais, como reduções de impostos. Isso nos permitiria reduzir custos, oferecer mais vantagens aos nossos clientes e ainda apoiar a economia da região”, afirma Peng Hu, CEO da Chery no Brasil.
Segundo Bastos, da ABVE, em 2027, a entidade quer conversar com os ministérios para avançar na infraestrutura pública de recarga, aproveitando a oferta de energia. Além disso, diz, independentemente do governo eleito, ele defende a criação de meios para atrair para o país fabricantes de componentes tecnológicos, hoje concentrados na China. Para isso, segundo o dirigente, a eletrificação precisa estar melhor inserida nos programas do governo voltados para o setor, como o Mover.
Automotive Business - SP 07/10/2026
A abertura do mercado reduziu a competitividade da produção na Argentina, o que obrigou a Stellantis a ajustar os volumes de suas fábricas por lá, sobretudo a de El Palomar, onde são produzidos os Peugeot 208 e 2008. A pressão exercida pelos veículos importados chegou a tal ponto que a montadora estuda se mantém ou não produção local no país vizinho.
Dependendo daquilo que for acontecendo no mercado, dependendo das regras e dependendo do nível de competitividade que a gente é capaz de manter com os produtos que a gente produz lá, tudo pode acontecer. Podemos tomar a decisão, eventualmente, de fechar uma e manter a outra, ou fechar as duas, disse Herlander Zola, presidente da empresa na América do Sul, na terça-feira, 6.
Nos últimos meses os veículos produzidos no Brasil, e aqueles produzidos localmente na Argentina, têm perdido espaço no mercado para os modelos importados chineses, que aumentaram a sua participação após a abertura do mercado promovida pelo governo do presidente Javier Milei.
Pelos números da Stellantis, a participação da Peugeot no mercado argentino o maior para a marca na região caiu de 9% para 5% nos últimos dois anos, e isso fez com que a companhia reduzisse o ritmo de produção da fábrica de El Palomar. O menor volume de vendas, além de reduzir o ritmo das linhas, soma-se a outros fatores que levaram a companhia a promover mudanças, como o custo de fabricação como um todo.
O custo da mão de obra na Argentina é o dobro do custo da mão de obra no Brasil. Então, o custo para se produzir na Argentina, se você considerar que o parque de fornecedores da Argentina é limitado, não é competitivo, comentou o executivo na oportunidade. Com o mercado fechado, funcionava e nos trazia um bom nível de competitividade. Mas, com o mercado aberto, definitivamente nos tira do jogo, afirmou.
Indústria ocidental errou na leitura do mercado
Zola também voltou a falar sobre como as montadoras ocidentais se equivocaram na avaliação a respeito do avanço global dos carros chineses. Para o executivo da Stellantis, o setor não ignorou a possibilidade de crescimento dos fabricantes chineses, mas subestimou a rapidez com que eles ganhariam espaço e avançariam em tecnologias eletrificadas.
A indústria ocidental errou na leitura de mercado, daquilo que poderia se estabelecer em termos de velocidade de avanço de algumas tecnologias, disse.
O executivo atribui parte dessa mudança à combinação entre eletrificação, escala industrial e verticalização da produção na China. Enquanto montadoras ocidentais terceirizaram atividades ao longo das últimas décadas, fabricantes chineses mantiveram sob controle mais etapas do negócio, o que contribui para o seu nível atual de competitividade.
Zola mencionou que as marcas chinesas passaram de 9% de participação no mercado brasileiro, no ano passado, para 17% neste ano. Em setembro, seguiu o executivo, a fatia teria superado 25%. Essa aceleração ninguém conseguia prever desse jeito, disse.
Imposto de 35% não garante vantagem à produção local
Para o executivo, a alíquota de 35% do imposto de importação que incide sobre os veículos produzidos na China não é suficiente para garantir o nível de competição que as montadoras instaladas há mais tempo no país alegam ser o mais saudável. Zola, porém, não defende a elevação da tarifa.
Eu não estou dizendo que a gente precisa aumentar a taxa. Eu disse que 35% é insuficiente para que a gente garanta que o modelo de localização é mais adequado, afirmou.
Na visão da Stellantis, o governo pode recorrer a outros mecanismos para estimular a fabricação local, incluindo incentivos à produção e à instalação de operações industriais. O objetivo seria evitar que a diferença de custos favoreça modelos de importação ou montagem com menor conteúdo local.
O executivo cita a estrutura produtiva da companhia como exemplo da importância da cadeia instalada no país. Segundo ele, a Stellantis tem cerca de 35 mil funcionários na América do Sul e, em Betim (MG), mantém uma operação com mais de 90% de localização de peças e uma rede de mais de mil fornecedores.
Se esse modelo começa a migrar realmente para CKD e SKD, essa é a cadeia que está em risco nesse negócio, afirmou, referindo-se aos sistemas de importação de veículos parcialmente ou totalmente desmontados para montagem local.
Custo de matérias-primas amplia pressão sobre fornecedores
A competitividade da indústria também depende dos custos de matérias-primas e componentes. O executivo afirma que as montadoras tradicionais instaladas no Brasil precisam lidar com fornecedores locais, mas não há mecanismos que incentivem de forma suficiente a compra de insumos nacionais.
Não tem nenhuma regra que incentive as montadoras tradicionais aqui do mercado brasileiro a comprar aço no Brasil, disse. Segundo ele, o mesmo vale para pneus, amortecedores, molas e plásticos. A diferença de preço do aço é um dos pontos de pressão. O aço chinês é muito mais barato que o aço brasileiro, disse o executivo.
A entrada de veículos importados amplia o impacto sobre a cadeia local. O executivo estima que o Brasil receberá mais de 700 mil veículos importados neste ano, com participação expressiva dos modelos chineses. Como cada automóvel utiliza, em média, cerca de uma tonelada de aço chinês, o volume também representa demanda industrial que deixa de ser atendida por fornecedores locais.
A capacidade que eles têm de negociar aço lá com os produtores chineses é muito diferente da que a gente tem aqui para garantir que o nível de competitividade seja o mesmo, contou.
Valor - SP 07/10/2026
Efeito é pequeno, mas analistas creem que concorrência ajuda a segurar preços industriais
A onda de carros chineses no Brasil, que tem causado uma forte disputa entre marcas, promoções e descontos agressivos tanto para automóveis novos quanto no mercado de usados, já é captada pela inflação oficial do Brasil. O efeito é modesto, dado o pouco peso dos itens na cesta do IPCA, mas analistas avaliam que a concorrência acirrada tende a continuar ajudando a inflação de industriais a permanecer mais comportada adiante.
De janeiro a agosto, o automóvel zero km acumula alta de 0,84% no IPCA, ante uma alta de 2,32% no mesmo período do ano passado. Para fins de comparação, entre 2010 e 2025, o grupo registrou variação média anual de 1,84%.
Apenas em julho e agosto, os novos veículos registraram deflação de 0,36% e 0,48% respectivamente, contra uma mediana de 0,06% e 0,24% entre 2010 e 2025.
No caso do automóvel usado, o IPCA registra deflação de 1,01% no acumulado de janeiro a agosto deste ano, ainda maior que o recuo de 0,87% registrado no mesmo período do ano anterior. Somente nos meses de julho e agosto, eles caíram 0,22% e 0,61%, respectivamente, um resultado também mais intenso que a mediana do período entre 2010 e 2015.
Quem quer comprar um híbrido tem que vender o seu a combustão; o mercado está exigindo um deságio muito grande”
— Carlos Thadeu
“Tivemos taxas mensais do automóvel novo em 2026 inferiores aos meses homólogos de 2025 em sete dos oito meses registrados até agora. E olha que 2025 é uma fraca base de comparação, pois os carros chineses já estavam no cenário - ainda que não com a força de 2026”, nota o economista Fábio Romão, da 4intelligence. Ele pondera que o enfraquecimento dos preços também é motivado em parte pela própria desaceleração da atividade econômica, especialmente a partir do segundo trimestre do ano.
Os automóveis têm peso relativamente baixo na cesta de itens que compõe o IPCA. O carro zero responde por aproximadamente 3% do índice cheio, e o usado, por 1,5%. No entanto, seu peso conjunto dentro de bens industrializados é maior, de quase 20%.
Para Carlos Thadeu, economista para inflação e commodities da BGC Liquidez, o impacto da entrada de carros chineses no Brasil deve ser “material” neste ano e no próximo.
De maio a junho, veículos usados caíram 4% ao ano na média móvel de três meses anualizada e dessazonalizada, métrica usada por economistas para compreender melhor variações na ponta dos preços, nota. “Ninguém esperava variação deste tamanho. E até o fim do ano”, diz.
Segundo ele, dinâmica semelhante à vivida no Brasil tem passado o México, outro país com forte penetração das montadoras chinesas. “E é algo que deve se alongar por anos, uma vez que a China está ganhando o mundo e os carros são muito superiores aos que a gente vê aqui. Faz com que os veículos não híbridos tenham que ter baixar seus próprios preços para competir nesse mercado”, diz, acrescentando que este movimento acaba afetando o mercado de usados. “Quem quer comprar um híbrido tem que vender o seu a combustão. E o mercado está exigindo um deságio muito grande para aceitar esses modelos.”
Em seus cálculos, o IPCA de veículos novos deve ficar zerado este ano e contrair 2% em 2027, enquanto o dos usados marcar -3% e -4%, respectivamente. Somados, estes fatores devem tirar 0,1 ponto da inflação cheia este ano e até 0,2 ponto ano que vem.
Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren, relativiza o impacto sobre o IPCA este ano, mas nota que ele pode ficar mais visível a partir de 2027. Isso porque, por metodologia, explica, a cesta de veículos novos cujos preços o IBGE acompanha muda ao final de cada ano, para refletir mudanças no ranking anual dos mais vendidos da Fenabrave, a federação das concessionárias.
“Só que essa cesta tem variado bastante. Naquele momento por exemplo, não havia um BYD entre os mais vendidos”, exemplifica.
O IBGE não divulga exatamente quantos carros acompanha, mas na lista dos 20 mais vendidos da Fenabrave de 2025, no entanto, não havia modelos chineses. Nos primeiros oito meses de 2026, por outro lado, eles já são quatro dos 20 primeiros colocados. E, olhando apenas para o mês de agosto, os chineses alçaram cinco à lista dos 20 mais vendidos, quatro somente no top 10.
Como forma de contornar a questão e projetar eventuais efeitos adiante, a Warren fez um exercício em que considera os preços em agosto dos mais vendidos - dos quais aproximadamente 10% são de marcas chinesas - e pondera cada marca pela quantidade de emplacamentos no ano. O resultado encontrado foi uma queda de 2,45% considerando todos os carros novos; - 2,50% entre chineses e -2,45% entre não chineses.
Esse efeito equivaleria a retirar 0,07 ponto percentual (p.p.) no IPCA. E, caso os patamares mais baixos de preços se sustentem até o fim do ano, haveria um efeito adicional sobre emplacamento e licença em 2027, o que retiraria outro 0,6 p.p. Ou seja, se a lista usada pelo IBGE fosse a atual, o impacto total chegaria a -0,13 p.p. na inflação cheia entre este ano e o próximo, diz Angelo. Haveria também, provavelmente, algum efeito em automóveis usados, cujo preço costuma ser influenciado pelos novos, mas difícil de ser estimada.
Coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fipe (IPC-Fipe), Guilherme Moreira admite que a chegada dos chineses afeta a formação de preços até certo ponto, mas relativiza o repasse dos veículos novos sobre os usados. Primeiro, porque a maior concorrência é concentrada sobretudo no segmento de SUVs - que representam perto de 60% dos novos veículos vendidos. Segundo, porque o preço de usados saltou durante a pandemia e desde então permanece em patamares altos. Desde 2022, são três anos seguidos de deflação da categoria no IPCA. Por fim, ele nota que a idade média da frota brasileira é de 11 anos.
“Ou seja, a frota é envelhecida e não disputa tanto com esses novos. A queda que vemos em segmentos específicos atinge parte do mercado de usados, mas é uma realidade mais distante da média”, diz.
Indicador criado pelo banco BV para monitorar o comportamento dos preços de automóveis leves usados, o IBV Auto apontou alta de 0,30% em setembro e acumula 3,86% no ano, abaixo dos 4,05% de igual período de 2025.
Por questões metodológicas, como levar em conta a depreciação dos veículos, no entanto, o IBV Auto não é diretamente comparável ao IPCA, diz o economista-chefe do BV, Roberto Padovani. Ele avalia, ainda assim, que o indicador também reflete o efeito da disputa mais acirrada no mercado, junto da desaceleração econômica.
“A gente não consegue separar muito bem o que é atividade e o que é competição, mas esses efeitos estão acontecendo”, opina. “Isso é algo que deve reforçar a deflação que ocorre há algum tempo nos veículos usados dentro do IPCA e, pelo peso que os automóveis têm em bens industriais, deve ajudar o grupo a ficar mais bem comportado adiante.”
IstoÉ Dinheiro - SP 07/10/2026
O resultado do primeiro turno das eleições deflagrou um rali expressivo para as ações do setor da construção civil na Bolsa de Valores, com destaque para as incorporadoras voltadas para a média e alta renda. Segundo levantamento do Goldman Sachs, o setor registrou o melhor desempenho relativo ao Ibovespa em um pregão pós-primeiro turno entre os últimos ciclos eleitorais, superando o índice em média por 3,2 pontos percentuais.
Com a forte valorização de papéis como Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3), que superaram o Ibovespa em 10,7 e 9,2 pontos percentuais respectivamente, o mercado financeiro recalibra suas carteiras. A dúvida central dos investidores agora é onde ainda reside o potencial de alta para o setor.
Média e alta renda ganham protagonismo
A reavaliação de cenários favoreceu os papéis mais sensíveis às taxas de juros de longo prazo. Em relatório recente, o JPMorgan promoveu uma rotação estratégica dentro da sua cobertura, elevando as recomendações de Cyrela e Eztec para overweight (desempenho acima da média do mercado, equivalente à compra).
A tese do banco fundamenta-se na maior probabilidade de uma trajetória fiscal que permita o fechamento das taxas de juros longas. O movimento beneficia diretamente o financiamento imobiliário e expande os múltiplos de avaliação do segmento de média e alta renda. Em contrapartida, a instituição rebaixou os papéis de Cury (CURY3), Direcional (DIRR3) e Tenda (TEND3) para neutro.
Cyrela é a única unanimidade entre as casas
A Cyrela desponta como a tese de maior convergência no mercado:
JPMorgan: Definiu preço-alvo de R$ 34,50 para dezembro de 2027. O banco destaca a diversificação do grupo, a contribuição estimada de mais de R$ 550 milhões via equivalência patrimonial em subsidiárias (como Cury, Lavvi e Plano&Plano) e o valor oculto da operação da CashMe, avaliada em cerca de R$ 3 bilhões.
Goldman Sachs: Mantém recomendação de compra. Mesmo após atingir a casa dos R$ 33 no rali pós-eleitoral, a ação negociava a 6,5 vezes o lucro projetado para 12 meses — o menor múltiplo histórico comparativo da empresa em períodos eleitorais passados.
Divergência sobre Eztec e a baixa renda
Se a Cyrela reúne consenso, o restante da cobertura gera divisão entre os analistas:
Eztec (EZTC3): É a segunda preferida do JPMorgan, com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 19, sustentada pelo desconto patrimonial e o potencial de monetização da Esther Tower. Já o Goldman Sachs reitera recomendação de venda para a ação, fixando o preço-alvo em R$ 13 diante de métricas operacionais menos atrativas.
Segmento de Baixa Renda (CURY3, DIRR3, TEND3): O JPMorgan aponta riscos operacionais no setor, citando a restrição no crédito concedido pela Caixa Econômica Federal e eventuais mudanças na política habitacional. Em contraste, o Goldman Sachs preserva visão otimista e mantém recomendação de compra para Cury (preço-alvo de R$ 43), Direcional (R$ 18) e Tenda (R$ 33), argumentando que os múltiplos atuais já embutem um desconto excessivo.
MRV (MRVE3): Permanece com avaliação neutra por ambos os bancos. O mercado vê com cautela a alavancagem financeira da companhia e a dependência de resultados da Resia, sua operação nos Estados Unidos.
Monitor Digital - RJ 07/10/2026
O mercado imobiliário brasileiro anda em duas velocidades. No segundo trimestre de 2026, o Minha Casa, Minha Vida respondeu por 58% dos lançamentos do país, o maior patamar da série histórica iniciada em 2019, segundo a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e a Brain Inteligência Estratégica: 62 mil das 107 mil unidades lançadas.
No mesmo período, o apartamento de classe média, que já foi o carro-chefe das incorporadoras, encolheu ao pior nível já registrado. O retrato é do Cimi Invest, do Congresso Internacional do Mercado Imobiliário.
O programa financiou 482 mil imóveis neste ano, segundo o Ministério das Cidades, depois de mais de 4,4 milhões entre 2016 e 2025, que somaram R$ 572 bilhões. Em São Paulo, 73,9% das unidades lançadas no primeiro trimestre se enquadravam no Minha Casa, Minha Vida, recorde histórico. As vendas de imóveis novos no país cresceram 5,3% no segundo trimestre na comparação anual, mesmo com a Selic elevada.
Os imóveis de R$ 500 mil a R$ 2 milhões, que já chegaram a mais da metade das vendas do país, hoje respondem por 18,9% dos lançamentos e 24,1% das vendas nas capitais, após quatro anos seguidos de queda, segundo a Brain. Em São Paulo, o médio padrão caiu de 32,8% dos apartamentos lançados em 2021 para 12,7% no último trimestre, o pior momento em 20 anos.
A conta não fecha por obra cara e juro alto. Os custos de construção subiram acima da inflação e o preço médio dos imóveis avançou 16% nas principais capitais em um ano, segundo a Abecip, enquanto o financiamento segue entre 12% e 14% ao ano, mesmo com a liberação de recursos da poupança. A Setin deixou de lançar na faixa de R$ 600 mil a R$ 800 mil em São Paulo, e a Moura Dubeux reduziu a cerca de 20% dos negócios sua linha de R$ 500 mil a R$ 1 milhão no Nordeste.
O tamanho e a previsibilidade do programa também abriram espaço para uma nova geração de incorporadoras. A Holos, fundada em 2021 já voltada ao Minha Casa, Minha Vida, projeta R$ 500 milhões em lançamentos neste ano, e a Canopus, R$ 2,43 bilhões. Nomes tradicionais do médio e alto padrão também migraram: a Cyrela criou a Vivaz, marca voltada ao segmento econômico. O FGTS, que financiou cerca de R$ 138 bilhões em 2025, 43% do crédito imobiliário do país, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), já opera perto do limite de captação, na leitura do Cimi Invest.
A demanda, porém, não sumiu: 52% das famílias pretendem comprar um imóvel nos próximos 24 meses, o maior nível da série, segundo a CBIC, e as concessões do SBPE somaram R$ 93,7 bilhões no primeiro semestre, alta de 29%.
Mercado imobiliário desafia juros altos e cresceu 5,4% no primeiro semestre
Mesmo com os juros elevados, o mercado imobiliário brasileiro manteve crescimento no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, foram comercializadas 226.536 unidades residenciais novas, alta de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025, segundo os Indicadores Imobiliários Nacionais da CBIC. O resultado ocorre em meio à expansão do crédito habitacional, com diferentes fontes de recursos sustentando a demanda.
O financiamento pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) destinado à aquisição de imóveis chegou a R$ 67,2 bilhões, alta de 12% no primeiro semestre. Considerando aquisição e construção, o volume alcançou R$ 93,7 bilhões, crescimento de 29%.
O movimento também foi impulsionado pelos recursos do FGTS. Segundo a Abecip, o crédito imobiliário total somou R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre, alta de 23%. As concessões com recursos do FGTS, principalmente por meio do Minha Casa, Minha Vida, avançaram 22%, acima dos 12% registrados pelo SBPE na aquisição de imóveis.
A combinação entre o crescimento das vendas e a expansão das concessões indica que a demanda por imóveis permanece relevante mesmo diante dos juros elevados. Para quem pretende financiar, o cenário mostra que adiar a decisão apenas à espera de uma Selic menor também tem um custo, já que o aumento futuro da procura pode elevar os preços dos imóveis.
O Estado de S.Paulo - SP 07/10/2026
O programa habitacional Minha Casa, Minha Vida se tornou um dos principais pilares do governo Lula (PT) em seus três mandatos. O sucesso do projeto é reconhecido pelo setor imobiliário como um dos motores do mercado imobiliário nos últimos anos. Com o presidente atrás na corrida pelo executivo, os incorporadores defendem que a iniciativa se torne política de Estado e não de governo.
Diante dos resultados do primeiro turno das eleições, um relatório da J.P. Morgan prevê uma valorização expressiva do mercado acionário brasileiro, impulsionada pela perspectiva de correção de preços e medidas fiscais.
Entre as companhias em destaque, aparecem Cyrela e Eztec, incorporadoras com atuação expressiva no alto padrão. Empresas com foco exclusivo no segmento econômico não foram citadas.
“O setor reconhece que o governo deu muito espaço para o MCMV. Agora o mercado imobiliário está de olho para entender a postura do governo Bolsonaro em relação ao programa. É uma preocupação”, afirma Gustavo Favaron, CEO do GRI Club, um grupo de relacionamento de empresários do setor imobiliário. “O Minha Casa, Minha Vida precisa ser um programa de Estado”, defende.
Entre setembro de 2025 e agosto de 2026, o MCMV representou 86,7% das unidades lançadas e 83% das unidades vendidas no País, de acordo com dados da Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc). O bom momento do segmento econômico provocou o surgimento de novas companhias e atraiu incorporadoras tradicionais para atuar no setor.
Apesar disso, Ely Wertheim, presidente-executivo do Secovi-SP, afirma que o mercado não teme os dois cenários possíveis.
“Não temos uma preferência, desde que o MCMV seja sempre preservado, os recursos do Fundo de Garantia (FGTS) e da caderneta de poupança sejam direcionados e os juros caiam”, comenta. “Nenhum dos dois candidatos disse que vai interromper o programa ou mexer na poupança.”
Juros altos geram preocupação
Se o Lula tem a simpatia do setor pela expansão do MCMV, a alta de juros observada durante o governo petista gera preocupações. “O mesmo governo que acena de forma positiva para o mercado imobiliário, passa os pés pelas mãos em relação aos gastos e controle das contas públicas. Isso faz com que a gente tenha uma das taxas de juros mais altas do mundo”, diz Favaron.
Segundo ele, desenvolver projetos imobiliários com juros neste patamar traz uma série de desafios. “Quando a gente ouve um candidato que prega responsabilidade fiscal e ajuste de contas, há a expectativa de que possa trazer alívio”, complementa. “É um sentimento misto de parceria com o MCMV e a preocupação de poder operar numa taxa de juros mais adequada”.
Para o economista Alberto Ajzental, coordenador do curso de negócios imobiliários da FGV-SP, a projeção de um governo petista não atenderia a essa demanda de diminuição dos juros. “A continuidade do governo atual sinaliza aumento contínuo do déficit fiscal, maior endividamento do País, juros permanentemente elevados e inflação fora da meta de 3%”, afirma.
Ajzental analisa que iniciativas como o programa Desenrola foram insuficientes para resolver o endividamento estrutural das famílias e empresas. “É necessário sair de um ciclo vicioso de gastos descontrolados, inflação e juros altos para um ciclo virtuoso de recuperação e estabilização econômica gerado pelo compromisso com a responsabilidade fiscal.”
Demandas do mercado imobiliário
Durante a corrida eleitoral, o Secovi-SP afirma ter se reunido com todos os candidatos para apresentar sugestões, dados e propostas. O grupo pede um ajuste fiscal para viabilizar a redução das taxas de juros e um reforço do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), tradicionalmente a maior fonte de recursos para financiamento habitacional da classe média.
Também demandam a manutenção do Minha Casa, Minha Vida e a garantia de que os recursos do FGTS continuem destinados ao setor imobiliário. “Independentemente do resultado das eleições, a gente vai ver um corte de despesas. Os dois candidatos terão de fazer isso porque é preciso melhorar o fiscal para abrir espaço para a queda dos juros”, comenta Wertheim.
No entanto, o representante do setor acredita que o segmento não deve sentir tanto a diferença entre os dois governos. “O mercado imobiliário tem um ciclo de sete a oito anos, não pensamos muito no dia a dia. Quem trabalha no setor vai pegar sempre mais de um governo entre a aprovação e a entrega do projeto”, complementa o executivo.
Agrolink - RS 07/10/2026
O governador eleito do Rio Grande do Sul, Zucco, colocou a infraestrutura entre as prioridades de sua futura gestão e afirmou que pretende retomar o debate sobre as ferrovias como alternativa para facilitar o escoamento da produção. A agenda anunciada também inclui melhorias nas estradas, uma solução para a dívida estadual e medidas voltadas à recuperação da capacidade de investimento do Estado. Em pronunciamento após a eleição, Zucco afirmou ter recebido mais de 3,5 milhões de votos e disse que o primeiro movimento será organizar a transição de governo. Segundo ele, já houve uma conversa com o governador Eduardo Leite e uma agenda entre as equipes deverá ocorrer ao longo da semana.
O governador eleito sinalizou que programas e iniciativas da atual administração que apresentem resultados poderão ser mantidos e aprimorados. Ele também afirmou que pretende ouvir contribuições de Juliana, Gabriel e Maranata durante o processo de preparação para o novo governo. Entre os temas com impacto direto sobre a atividade econômica e o agronegócio gaúcho, Zucco destacou os gargalos de infraestrutura. A intenção apresentada é melhorar as condições das estradas e recolocar a malha ferroviária no centro das discussões, com o objetivo de ampliar as condições de transporte da produção do Estado.
A pauta ferroviária também deverá integrar uma articulação entre os estados do Sul. Zucco informou que tem reuniões previstas com o governador de Santa Catarina, Jorginho Melo, e com o governador eleito do Paraná, Sérgio Moro. A proposta, segundo o pronunciamento, é fortalecer a atuação conjunta da região.
Além das ferrovias, essa articulação deverá abordar a criação de um Fundo Constitucional do Sul e Sudeste. O governador eleito não detalhou, no material apresentado, o formato, os recursos envolvidos ou os mecanismos previstos para a eventual criação do fundo.
Outro ponto apontado como estratégico para a capacidade de investimento do Rio Grande do Sul é a situação fiscal. Zucco afirmou que pretende trabalhar por uma solução para a dívida estadual e pela prorrogação do VURIGS, medida que, segundo ele, permitiria ampliar investimentos e recuperar a capacidade de desenvolvimento do Estado.
A formação da futura administração ainda está em avaliação. O governador eleito afirmou que pretende escolher integrantes da equipe com base em eficiência, qualificação e capacidade de entregar resultados, independentemente de filiação partidária ou indicação política.
Além das questões econômicas e de infraestrutura, Zucco relacionou entre as prioridades a redução das filas para consultas com especialistas, exames e cirurgias, a melhoria da educação e a ampliação da formação de mão de obra.
Na agenda política nacional, Zucco informou que irá a Brasília para uma reunião com Flávio Bolsonaro na quarta-feira. De acordo com o pronunciamento, o encontro deverá tratar tanto da disputa presidencial em segundo turno quanto de pautas consideradas de interesse do Rio Grande do Sul.
Ao apresentar os principais desafios da próxima gestão, o governador eleito apontou a retomada do crescimento econômico como objetivo central. Para o setor produtivo, as ações anunciadas concentram atenção especialmente sobre a recuperação da capacidade de investimento estadual e sobre a infraestrutura necessária ao transporte e ao escoamento da produção gaúcha.
Canal Rural - SP 07/10/2026
O estado do Rio Grande do Sul contratou um estudo para avaliar a malha ferroviária do Sul do Brasil, com o objetivo de propor um sistema integrado entre os três estados do Sul e Mato Grosso do Sul. A iniciativa visa contrabalançar o projeto do governo federal que prevê a divisão da concessão do trecho ferroviário.
Objetivos do estudo
A proposta do estudo é garantir um escoamento mais eficiente e econômico dos produtos do agronegócio, com foco na integração da malha ferroviária. Os principais pontos abordados incluem:
Traçado de cerca de 4.000 km da malha ferroviária sul. Divisão da nova concessão em três corredores, com 880 km ligando a região noroeste ao porto de Rio Grande. Expectativa de apresentação dos primeiros resultados em dezembro. Impacto no agronegócio
As autoridades e entidades do estado, como a AFARSul, defendem que um transporte ferroviário operante reduziria significativamente os custos de produção e frete, facilitando o escoamento da produção agrícola. O principal produto do estado é a soja, que tem como destino principal a exportação através do porto de Rio Grande.
Concessão atual e futuro
A atual concessão, administrada pela Rumo, vence em fevereiro, mas pode ser prorrogada por até dois anos. Desde a privatização em 1997, a malha ferroviária no Rio Grande do Sul opera apenas 75% de sua capacidade. A proposta do governo gaúcho é que a nova concessão integre cadeias de exportação e importação, considerando a evolução do setor agropecuário nos próximos 30 anos.
CNN Brasil - SP 07/10/2026
A tripulação de um navio mercante foi declarada como desaparecida nesta terça-feira (6) após a embarcação afundar no Mar Negro, ao largo da costa da Bulgária, um país que integra a Otan, a aliança militar ocidental.
Isso aconteceu após um ataque com drones que o primeiro-ministro Rumen Radev descreveu como uma violação flagrante do direito internacional.
Não ficou claro quem realizou o ataque com drones aéreos e marítimos a cerca de 130 km da cidade costeira de Byala, no leste da Bulgária, mas crescem as preocupações com ataques híbridos por parte da Rússia.
Fontes do setor de navegação indicaram que este parece ter sido o primeiro ataque do gênero nas águas da zona econômica exclusiva da Bulgária.
Radev afirmou que não estava claro se os drones partiram de Moscou ou de Kiev, segundo a agência de notícias BTA.
O país não faz fronteira com nenhum dos dois, mas ocupa uma posição estratégica no Mar Negro, onde tanto a Ucrânia quanto a Rússia possuem portos importantes.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse em seu pronunciamento noturno em vídeo que uma investigação realizada em conjunto com a marinha búlgara apontou a Rússia como responsável pelo ataque.
"As Forças de Defesa da Ucrânia não estavam realizando nenhuma operação nesta parte do mar", afirmou ele.
"Esta tragédia mais recente envolvendo navios civis é uma continuação da tentativa da Rússia de tornar a parte ocidental do Mar Negro totalmente insegura para a navegação... Nossa marinha entrou em contato com seus colegas na Bulgária e constatou que se tratou de um ataque russo combinado, utilizando drones marítimos e aéreos", adicionou.
A Rússia não comentou sobre o caso.
Dois navios foram atingidos no ataque, disse Radev em um pronunciamento televisionado.
A tripulação de uma das embarcações, que transportava grãos, foi resgatada; dois tripulantes ficaram feridos. O outro navio, que afundou, navegava sob a bandeira do Togo e transportava uma carga não revelada. Não está claro quantas pessoas estavam a bordo.
O caso ocorreu a cerca de 260 quilômetros da costa ucraniana.
Buscas foram iniciadas para localizar tripulantes desaparecidos e verificar possíveis sinais de ameaça ambiental.
O Estado de S.Paulo - SP 07/10/2026
O secretário nacional de Portos do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), Alex Ávila, disse nesta terça-feira, 6, que o relatório do Grupo de Trabalho (GT) sobre a modelagem competitiva do megaterminal de contêineres no Portos de Santos (Tecon-10) já está na reta final para o recebimento e encaminhamento à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), como antecipou o Estadão/Broadcast.
“O Tecon-10 é um assunto complexo sob o ponto de vista técnico e de tomada de decisões. As equipes que precisavam se reunir já se reuniram, já debateram. O que eles estão fazendo agora é lapidando a manifestação final. Uma vez concluído, me encaminham e a gente emite uma manifestação e devolve para a Antaq. Efetivamente, não consigo te dizer se será amanhã, na quinta ou na sexta-feira. Eu digo que são poucos dias, mas não consigo precisar nem cravar a data”, afirmou o secretário, em entrevista ao Estadão Broadcast durante o Fórum Nacional de Infraestrutura de Transportes, Energia e Mineração.
O Tecon Santos 10 (STS10), a ser instalado na região do Saboó, em Santos, em uma área de 622 mil metros quadrados, é o maior projeto de contêineres em construção no País, com investimentos previstos da ordem de R$ 6,5 bilhões. O terminal terá capacidade de movimentar por ano 3,5 milhões de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, ou cerca de seis metros), além de carga geral.
O desenho do Tecon Santos 10 prevê a construção de quatro berços de atracação e aproximadamente 1,5 quilômetro de cais para recebimento de embarcações. O terminal, após iniciar a operação, será o maior do Porto de Santos e vai ampliar sua capacidade para cerca de 11 milhões de TEUs. No ano passado, Santos embarcou 5,9 milhões de TEUs. A concessão tem prazo de 25 anos e o lance mínimo da outorga foi estipulado em R$ 500 milhões.
A modelagem da licitação foi alvo de divergências, pois inicialmente a Antaq definiu que os incumbentes (grupos que já operam em Santos) não poderiam participar do certame. A argumentação era de que isso evitaria concentração no porto. Atualmente, são donos de terminais em Santos as gigantes Maersk e MSC (no BTP), CMA-CGM (Santos Brasil) e a DP World Santos.
Em maio, após muitos questionamentos, o governo decidiu flexibilizar as restrições aos atuais incumbentes. Com isso, a outorga na licitação dobrou o valor para R$ 1 bilhão e definiu que, se um dos atuais operadores sair vitorioso, ele terá de vender sua operação atual e ficar apenas com STS10. A mais recente previsão de data para a licitação é início de 2027.
Modelagem de leilão totalmente aberta
O secretário está encerrando os trabalhos à frente da Secretaria de Portos. Ainda sem data certa para a saída, acredita que deverá ser ele o responsável pelo envio do encaminhamento (da manifestação) à autarquia. “A minha programação é muito vinculada à do ministro (Silvio Costa Filho). Já estou na reta final do curso de prazo, e é natural, mas a data de desembarque efetiva ainda não consigo te dizer. Mas creio que seja eu quem ira receber a questão do GT e dar o encaminhamento”, disse Ávila.
Sobre o modelo de competitividade no terminal, ele afirma que ainda não teve acesso à versão final do relatório do GT e, por isso, evitou antecipar suas conclusões. Ele avaliou que uma modelagem de leilão totalmente aberta para o Tecon-10 é uma alternativa factível e que poderá avançar caso seja a recomendação do grupo.
“Essa modelagem de fazer totalmente aberto é perfeitamente possível. É um modelo que faz sentido, é um modelo que tem os seus benefícios, obviamente. Mas, na minha avaliação, precisa cumprir o rito burocrático para poder ser levado a efeito (...) Se essa for a recomendação do grupo de trabalho, vamos fazer o encaminhamento respeitando o que estabelecem as diretrizes, as normas e os regulamentos da Antaq, os acórdãos do TCU e a legislação”, afirmou o secretário do MPor.
Valor - SP 07/10/2026
Companhia investiu R$ 43 milhões na compra de frota própria de 33 caminhões-tanque movidos a diesel R
A Transpetro, subsidiária de logística da Petrobras, vai passar a transportar combustíveis por caminhões a partir de janeiro de 2027. Hoje, a companhia opera uma malha de 8,5 mil quilômetros de dutos e tem uma frota de 32 navios, entre embarcações próprias e afretadas. A entrada no modal rodoviário busca atender a demanda da chamada “última milha”, para alcançar locais que não têm acesso com a infraestrutura existente.
O diretor de dutos e terminais da Transpetro, Márcio Guimarães, disse que a companhia investiu R$ 43 milhões na compra de uma frota própria de 33 caminhões-tanque movidos a diesel R, combustível desenvolvido pela Petrobras com parcela renovável.
“O transporte rodoviário é pouco eficiente para grandes distâncias, mas há características singulares. A implantação é mais rápida do que a de outros modais. Temos flexibilidade para adequar à última milha, seja um terminal ou uma refinaria”, afirmou Guimarães.
Segundo o executivo, a entrada da Transpetro no modal rodoviário não caracteriza uma atividade de distribuição de combustível. A Petrobras ainda não pode atuar neste segmento por conta do contrato feito à época da privatização da BR Distribuidora (atual Vibra), o qual prevê cláusula de “non-compete”. A Transpetro vai atuar no modal rodoviário entre o ponto de produção e os terminais, enquanto as distribuidoras conectam ao varejo. Esse é o mesmo modelo logístico que a estatal usa no transporte via dutos e navios.
O primeiro contrato da Transpetro por caminhão será com a Petrobras para o transporte de óleo combustível produzido nas refinarias Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul, e Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. A previsão é movimentar 50 mil toneladas de produto por mês. “O plano é não parar nessa operação [com a Petrobras]. Buscamos ter os ativos à disposição dos nossos 150 clientes, além da Petrobras. Queremos ter portfólio para dar alternativas que levem o produto do local de produção até onde precisa entregar”, disse Guimarães.
O executivo afirmou que os dutos e navios ainda se mantêm como os ativos principais da companhia. “Dutos ainda são nosso ‘core business’. São os mais eficientes para grandes distâncias e grandes volumes, mas não são a única solução.”
Na visão dele, o tamanho do país e a expansão econômica no Centro-Oeste, com acessos nem sempre fáceis, contribuíram para a decisão da companhia. “Há grandes corredores que precisam ser desenvolvidos no país. Nem toda a população ou grande consumidor vai ter uma instalação de dutos por perto. A última milha precisa de um modal mais flexível, que é como o rodoviário atende bem. O importante é ter soluções integradas. Por isso também escolhemos o diesel R, para reduzir a pegada de carbono.” Uma possível expansão da frota ou do volume de combustível transportado vai depender da demanda, afirmou Guimarães.
Entre os benefícios da rota rodoviária, o executivo cita o chamado frete de retorno, quando um caminhão leva determinada carga a um destino e retorna com outra. “Quando vamos a uma região produtora de etanol, podemos levar diesel e retornar com o etanol, por exemplo. Estamos explorando essas possibilidades”, disse.
CNN Brasil - SP 07/10/2026
A PPSA (Pré-Sal Petróleo) publicou nesta terça-feira (6) o edital do primeiro leilão de gás natural da União. Entre os destaques está que a empresa exigirá dos compradores o pagamento por pelo menos 95% do volume contratado, mesmo que não o retirem.
Na primeira rodada, cerca de 61% da oferta ficará reservada aos setores químico e petroquímico e ao grupo que reúne siderurgia, metalurgia e mineração.
O preço do gás será calculado mensalmente com base em 115% da média das cotações dos contratos futuros de Henry Hub, referência do mercado americano, acrescidos de um valor adicional definido na disputa.
O documento estabelece que a obrigação de pagamento continuará valendo, a partir do início do fornecimento, mesmo se o comprador não estiver pronto para contratar ou utilizar a infraestrutura necessária à movimentação do gás.
A contratação de transporte, a conexão à rede de distribuição e os demais elementos necessários à entrega do combustível à indústria ficarão sob responsabilidade e risco do comprador ou do comercializador indicado pela indústria, conforme o modelo de contratação escolhido.
O gás será disponibilizado na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, da Petrobras. A movimentação a partir desse ponto não integra o objeto do leilão e deverá ser providenciada por quem adquirir o combustível.
O leilão será realizado em 22 de outubro, com oferta de até 1,1 milhão de metros cúbicos por dia, dividida em 110 lotes de 10 mil metros cúbicos diários. O início do fornecimento está estimado para 1º de março de 2027, com término em 31 de dezembro do mesmo ano.
A distribuição inicial segue a Portaria Normativa MME nº 141, publicada em 22 de setembro, que estabelece quantidades diferentes para os cinco setores prioritários da indústria de base:
Químico e petroquímico - 35 lotes (350 mil m²/dia) Siderúrgico, metalúrgico e mineração - 32 lotes (320 mil m²/dia) Ceramista - 20 lotes (200 mil m²/dia) Fertilizantes - 13 lotes (130 mil m²/dia) Vidreiro - 10 lotes (100 mil m²/dia)
Cada grupo econômico poderá adquirir, somadas suas empresas, no máximo 16 lotes, equivalentes a 160 mil metros cúbicos por dia, independentemente dos segmentos em que estejam enquadradas. Poderão participar empresas brasileiras dos setores habilitados, na condição de consumidor livre de gás natural.
Os volumes adquiridos deverão ser destinados ao consumo como insumo produtivo nas unidades vinculadas às ofertas, observadas as exceções contratuais.
Esta será a primeira vez que a PPSA oferece diretamente aos consumidores o gás natural processado pertencente à União. A empresa publicou o pré-edital em 22 de setembro e, após receber 320 contribuições de 22 agentes, realizou aprimoramentos ao documento final. Segundo o Diretor-Presidente da PPSA, Luis Fernando Paroli, os ajustes visaram conferir maior flexibilidade às empresas no processo de habilitação e maior eficiência ao certame.
“Entre as principais alterações realizadas no edital em função das contribuições, destaca-se a possibilidade de participação de indústrias ainda em migração para o mercado livre, prorrogando o prazo para a apresentação da comprovação”, disse.
Ele acrescenta que as empresas passaram a ter mais tempo para definir se comprarão o gás diretamente da PPSA ou por meio de uma comercializadora.
Money Times - SP 07/10/2026
O Brasil realizará na quarta-feira dois dos maiores leilões de blocos exploratórios de petróleo e gás dos últimos anos, sendo um deles focado em pré-sal, sob expectativa de forte interesse de investidores, em meio à busca global por novas fontes de suprimento fora do Oriente Médio e ao crescente apetite de grandes petroleiras por ativos brasileiros.
Dezenove empresas, incluindo Petrobras, Chevron, BP, TotalEnergies e Shell, estão aptas a participar do leilão do pré-sal, que licitará um total de 13 blocos sob regime de partilha de produção. Enquanto isso, 46 companhias estão listadas para o outro leilão no mesmo dia, que contará com a oferta de 22 setores exploratórios, englobando mais de 300 blocos, sob o regime de concessão.
As rodadas no Brasil acontecem em um contexto de alta dos preços do petróleo e ampliação da relevância estratégica do Atlântico Sul para o abastecimento global de energia, enquanto petroleiras ampliam esforços para diversificar portfólios e reduzir a dependência de regiões mais sujeitas a tensões geopolíticas.
“O Brasil é naturalmente parte do portfólio das empresas que não querem concentrar seus projetos em países de elevado risco geopolítico ou em áreas de óleo e gás não convencional na América do Norte e, agora, Argentina”, afirmou o professor e pesquisador no Instituto de Energia da PUC-RJ Edmar Almeida, à Reuters.
“Além disso, as empresas brasileiras independentes precisam renovar seu portfólio exploratório Portanto, é esperado este grande interesse das empresas no leilão da ANP.”
Os dois leilões, de concessão e de partilha, serão realizados por meio de rodada de oferta permanente, atualmente considerado o principal modelo de licitação de áreas para exploração e produção de petróleo e gás natural no Brasil.
Nesse sistema, os blocos ficam à disposição de agentes que manifestam interesse, o que explica o grande número de áreas que vão a leilão.
“Todas as áreas colocadas em leilão têm algum interessado. O que a gente não sabe ainda é se tem múltiplos interessados em todas essas áreas. Então o nível de disputa sobre elas é uma incógnita que a gente vai descobrir na hora”, disse o sócio de Óleo e Gás do Lobo de Rizzo Advogados Thiago Silva.
Silva ressaltou que o ambiente mais atrativo para negócios no petróleo também poderá contribuir para uma retomada de investimentos em ativos em terra, uma vez que há mais agentes dispostos a financiar a indústria.
“Agora você voltou a ter uma conversa com o mercado de capitais, que voltou a olhar para o fóssil, algo que antes era proibitivo”, afirmou o especialista.
Áreas em oferta
As áreas em oferta no pré-sal estão nas já tradicionais bacias de Campos e Santos, enquanto o leilão de concessão também ofertará áreas em ambas as bacias e em outras, dentre elas Potiguar, Recôncavo, Parnaíba, Ceará, Espírito Santo e Tucano Sul.
A ausência de áreas na Bacia da Foz do Amazonas, considerada a mais promissora para a abertura de nova fronteira exploratória no Brasil, foi apontada como um fator negativo por especialistas. Blocos na região precisam de uma renovação de pré-autorização conjunta dos ministérios de Minas e Energia e Meio Ambiente para serem colocadas em leilão.
O presidente da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás e ex-secretário de petróleo e gás do Ministério de Minas e Energia, Marcio Felix, afirmou que é notório o interesse internacional no Brasil como fornecedor confiável de petróleo e gás.
“O Brasil é um local que tem os nossos paradoxos, mas é um terreno seguro Os conflitos que estão acontecendo e as necessidades do mundo têm atraído investimentos para o Brasil”, afirmou.
Impacto do novo Congresso
O ex-diretor da ANP Décio Oddone ressaltou o ambiente atrativo para investimentos no Brasil, citando a questão da segurança energética e as recentes descobertas da Petrobras na Foz do Amazonas.
Ele afirmou também que os resultados das eleições brasileiras até agora também contribuíram para reforçar as perspectivas para o setor.
“O fato novo é a eleição. Primeiro, você já tem um Congresso mais à direita, mais pró-negócios, que dificilmente vai facilitar a aprovação de medidas como imposto de exportação, esse tipo de coisa que a gente tem visto mais recentemente”, afirmou.
O comentário faz referência ao resultado do primeiro turno das eleições, que definiu um Congresso no Brasil majoritariamente à direita, enquanto a disputa presidencial segue acirrada para o segundo turno.
“Se o Flávio Bolsonaro ganhar (a disputa presidencial), você vai ter um governo possivelmente nos moldes lá do que era na época do pai dele, numa linha diferente do PT. Então, é um ambiente mais pró-negócio, mais atração de investimento. Acho que tudo isso ajuda, então quando você soma isso: atratividade exploratória, interesse das companhias por exploração, interesse por lugares longe do conflito e um ambiente de negócio mais favorável no Brasil, tem tudo para ajudar.”
Infomoney - SP 07/10/2026
Os preços do petróleo caíram nesta terça-feira, à medida que as exportações resilientes de petróleo bruto do Oriente Médio e a liberação de estoques estratégicos de emergência pelo G7 aliviaram as preocupações com a oferta. Ainda assim, os ataques dos houthis do Iêmen contra alvos sauditas mantiveram os investidores atentos aos riscos para o abastecimento no Golfo.
Os contratos futuros do petróleo Brent recuavam 2,04%, para US$ 98,27 por barril, às 12h17 (horário de Brasília), enquanto os futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, também caíam 1,7%, para US$ 87,90 por barril.
“O petróleo apresenta pouca variação após a queda de ontem, enquanto os traders continuam avaliando uma moderada redução da ansiedade em relação à oferta”, disse Tim Waterer, analista-chefe da KCM Trade.
“O aumento dos números de exportação da Arábia Saudita e a decisão do G7 de liberar reservas estratégicas estão ajudando a limitar os preços por enquanto, mesmo com o Brent permanecendo próximo ao nível de US$ 100 por barril”, acrescentou.
Dados de transporte marítimo divulgados na segunda-feira mostraram que as exportações de petróleo bruto do Oriente Médio superaram os níveis registrados antes da guerra em quatro dias da última semana de setembro, destacando a resiliência dos fluxos regionais de petróleo apesar dos ataques a navios que transitam pelo Estreito de Ormuz.
Reforçando o alívio das preocupações com a oferta, os países do G7 concordaram na sexta-feira em liberar 100 milhões de barris de diesel e petróleo bruto de reservas emergenciais e se comprometeram a evitar restrições às exportações de energia, após pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
No entanto, o conflito entre a Arábia Saudita e os houthis do Iêmen apoiados pelo Irã continuou alimentando temores de possíveis interrupções no fornecimento do maior exportador de petróleo da região, em meio ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
Os houthis afirmaram na segunda-feira ter realizado ataques contra diversos locais na Arábia Saudita, incluindo o Aeroporto Internacional King Khalid, em Riad, uma refinaria da Aramco em Rabigh e o aeroporto de Abha. Não houve confirmação imediata por parte das autoridades sauditas.
Sem um avanço diplomático claro ou uma melhora material adicional na eficiência das exportações, o piso para os preços do petróleo continua relativamente sólido, avaliou Waterer.
Veja - SP 07/10/2026
Com um aumento de 12,9% nas exportações e queda de 2,4% nas importações, o saldo comercial brasileiro somou 7,7 bilhões de reais em setembro, um avanço de 146,4% na comparação com um ano antes. Os dados fazem parte da balança comercial divulgada nesta terça-feira, 6, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
As exportações somaram 34,42 bilhões de reais no mês, puxadas principalmente pelas vendas de petróleo bruto, que avançaram 77% em relação a setembro de 2025 e somaram 6,5 bilhões de dólares, ou cerca de um quinto de tudo o que o país exportou. A alta foi estimulada pelo preço do barril do petróleo, que voltou a passar dos 100 dólares no mês passado com o aumento de ataques no Oriente Médio em meio à guerra entre Irã e Estados Unidos.
De outro lado, as importações caíram 2,4% e somaram 26,68 bilhões de dólares. O saldo comercial é a diferença entre as exportações e as importações.
No acumulado de janeiro a setembro, as exportações crescem 10,4% na comparação com os mesmos meses em 2025, para 284,6 bilhões de dólares, enquanto as importações foram de 222,3 bilhões de dólares, alta de 5% em relação ao ano passado. Com isso, o saldo da balança comercial acumula um resultado positivo de 62,4 bilhões de dólares, 35% mais que nos mesmos meses uma no antes.