Clipping Diário

07 | Julho | 2026

SIDERURGIA

Money Times - SP   07/07/2026

O BTG Pactual elevou a recomendação da Gerdau (GGBR4) de neutra para compra nesta segunda-feira (6), considerando a companhia como uma das “melhores teses” para o atual momento do mercado.

O banco também revisou para cima o preço-alvo de GGBR4 de R$ 25 para R$ 28 no fim de 2026, o que representa um potencial de valorização de 30,6% sobre o preço de fechamento da última sexta-feira (3).

Para os analistas, os resultados da operação nos EUA, fundamentos domésticos em melhora gradual e um perfil atrativo de geração de caixa no médio prazo mostram que a empresa está bem-posicionada para entregar retornos sólidos aos acionistas.

“A tese agora combina momentum de resultados com suporte de valuation, e enxergamos espaço para um retorno total ao acionista de cerca 10% nos próximos 12 meses, impulsionado por dividendos e recompras de ações”, destacaram os analistas Leonardo Correa, Marcel Zambello, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo em relatório.

Em reação, as ações operam entre as maiores altas do Ibovespa (IBOV) desde o início do pregão. Por volta de 14h15 (horário de Brasília), GGBR4 subia 0,93%, a R$ 21,64. Na máxima intradia, os papéis atingiram alta de 2,15% (R$ 21,90). Acompanhe o Tempo Real.

A Metalúrgica Gerdau (GOAU4) acompanha o tom positivo e operava com alta de 1,16%, a R$ 9,59, no mesmo horário.
Por que comprar GGBR4 agora?

Segundo relatório, a visão construtiva do BTG Pactual para a Gerdau se apoia em três pilares:

a rentabilidade nos EUA deve seguir notavelmente resiliente; o Brasil está atingindo o ponto mais negativo do ciclo, ajudado por menores importações e alguma capacidade de precificação; e proteção cambial (USD) em um ambiente eleitoral incerto, já que 75% do Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) é dolarizado.

O banco considera que a Gerdau é a uma das siderúrgicas de maior qualidade na cobertura da instituição, beneficiada pela exposição diferenciada ao mercado norte-americano e por um negócio no Brasil que, segundo os analistas, parece estar atingindo o ponto mais negativo do ciclo.

A equipe de analistas destaca que a operação brasileira tem sido pressionada por maiores importações, principalmente de aços planos, e um cenário mais desfavorável de oferta e demanda em aços longos. Contudo, as medidas antidumping recentes já melhoraram o sentimento e a expectativa é de que o “momentum continue se fortalecimento gradualmente”.

“As pressões de custo que pesaram sobre os resultados do primeiro semestre devem se aliviar ainda mais no segundo semestre, enquanto a continuidade da agenda antidumping (com o caso do HRC esperado até o fim do ano) deve oferecer um vento favorável adicional”, afirmam os analistas.

Eles ainda chamam a atenção para o início de operação do projeto Miguel Burnier, que, apesar de um pequeno atraso, ainda deve contribuir com cerca de R$ 200 milhões para o Ebitda do Brasil neste ano, com o benefício pleno se aproximando de R$ 1 bilhão em 2027, uma vez totalmente maturado.

“No geral, seguimos cautelosos com o mercado brasileiro, mas acreditamos que o pior já passou e esperamos uma recuperação gradual dos resultados daqui em diante”, destacaram os analistas.

Nas contas do BTG Pactual, a operação brasileira da Gerdau responde a 23% do Ebitda consolidado – o que é um fator muito menos relevante para a tese de investimento do que para a maioria dos pares locais.

Além disso, os analistas esperam que resultados do segundo segundo trimestre mostrem uma melhora na qualidade dos números da companhia.

“Mais importante, não vemos isso como uma tese restrita a 2026, já que esperamos que a maior parte dessas tendências permaneça em vigor ao longo de 2027, acrescentaram.

Já em relação às operações nos EUA, os analistas avaliam que o principal ponto de atenção dos investidores é quanto a elevada rentabilidade é sustentável no longo prazo. “Acreditamos que o mercado ainda subestima a durabilidade do ciclo atual de resultados da Gerdau nos EUA.”

O BTG projeta margens Ebitda nos EUA de 25% em 2026, reduzindo para um patamar mais conservador de 22% em 2027.

O futuro do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) também está no radar. “Mesmo que um novo acordo seja eventualmente firmado, acreditamos que os fundamentos regionais devem permanecer sólidos, ainda que com alguma normalização em relação aos níveis atuais”, afirmaram em relatório.
Ação descontada

Em relatório, o BTG Pactual também destaca que o desconto do valuation da Gerdau em relação aos pares norte-americanos “provalmente” está ligado a um efeito de localização geográfica no Brasil, com os investidores precificando as operações locais como se fossem permanecer em “crise perpetuamente”.

“Caso os investidores passassem a atribuir à Gerdau um múltiplo mais próximo de uma tese norte-americana, uma simples soma das partes sustentaria uma expansão de múltiplos de mais de 25%”, calcula o banco.

Hoje, a siderúrgica negocia a 3,8x Ebitda projetado para 2026, enquanto os pares norte-americanos negociam entre 6x e 8x, implicando um desconto de mais de 40%.

Os analistas ainda consideram que Gerdau é “um dos poucos nomes” capaz de retornar cerca de 10% em caixa, ao mesmo tempo em que oferece um momentum de resultados favorável no curto prazo.

Além disso, a companhia é um “ativo com bens tangíveis no exterior e uma leitura cambial simples, já que não há dúvidas quanto ao repasse de preços, dado que a sensibilidade dos resultados é, em grande parte, função de efeitos de conversão cambial”.

Para o banco, a companhia é um dos “um dos hedges em dólar mais sensíveis”, sendo uma das empresas que podem se beneficiar de uma eventual valorização da divisa norte-americana.

Em outras palavras, as ações da companhia funcionam como uma espécie de proteção (hedge) contra a desvalorização do real ante o dólar.

Nas contas do BTG, uma variação de 10% na taxa de câmbio impacta aproximadamente 20% o valor justo das ações (equity value) de GGBR4. “Gostamos dessas características em um ambiente mais incerto, especialmente com tantas leituras cambiais desafiadoras no Ibovespa.”

Valor - SP   07/07/2026

Candidato a sobretaxa de 25% pelos EUA, produto vende 7,8% menos em junho que no mesmo mês de 2025, mas cotação sobe 42%

As exportações brasileiras de ferro-gusa caíram em volume no mês de junho, em comparação ao mesmo período do ano passado. O dado chama a atenção pois o produto, que foi o quinto mais vendido pelo Brasil para os EUA em 2024, está sob ameaça de taxação de 25% desde o início de junho, quando o presidente americano, Donald Trump, anunciou um novo tarifaço contra uma série de mercadorias brasileiras.

Os dados do Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), apontam que as exportações do item “Ferro-gusa, spiegel, ferro-esponja, grânulos e pó de ferro ou aço e ferro-ligas”, tiveram queda de 7,8% no volume exportado em relação a junho de 2025. O preço do produto subiu 42% na exportação em relação a junho do ano passado.

Welber Barral, sócio do Barral Parente Pinheiro Advogados e ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil, afirma que ainda é cedo para inferir que a nova ameaça tarifária seja a principal causadora da queda em volume ou do aumento no preço. O especialista avalia que ainda pode ocorrer um movimento de antecipação de compras pelos importadores em busca de mitigar as consequências da sobretaxa, que está prevista para entrar em vigor no dia 15 de julho.

“A siderurgia americana é dependente do ferro-gusa brasileiro. Então, os importadores americanos podem acelerar as compras, até para fazer estoque, esperando que eventualmente isso possa não ser aplicado”, avalia Barral. Mantida a medida, o ferro-gusa brasileiro poderá ser taxado em até 37,5%. A matéria-prima já é tarifada em 12,5% pelos Estados Unidos.

A primeira audiência pública da ação movida com base nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA ocorreu na segunda-feira (6). A reivindicação principal das empresas do setor é que o ferro-gusa seja incluído na lista de isenções.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, ressalta que qualquer anúncio de medida tarifária “afeta automaticamente o ferro-gusa”, já que se trata do principal mercado para este produto brasileiro.

“É uma preocupação no sentido de que isso pode segurar a expansão das exportações. O mercado hoje está muito indeciso. Você não tem nenhuma segurança do que vai acontecer amanhã. Às vezes antecipa embarque, às vezes adia embarque, como forma de estar presente no mercado”, afirma.

Além disso, Castro avalia que a alta de 42% no preço dos envios de ferro-gusa ainda é consequência do aumento recente nos preços do petróleo.

Segundo ele, à medida que o acordo entre Irã e EUA saia do papel e faça os preços baixarem novamente, o ferro-gusa pode se beneficiar de uma queda na cotação. “Salvo se tiver algum outro cenário diferente que mude a perspectiva e volte a ter aumento no preço do petróleo.”

Ambas as análises são corroboradas pelo presidente do Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer-MG), filiado à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Fausto Varela Cançado. O representante do setor avalia que ainda há muita incerteza por porte de produtores e compradores.

“A gente até torceria para que alguma antecipação de envios estivesse acontecendo. Porque isso aconteceu no ano passado, em julho, quando todo mundo tinha estoque. Aí realmente foi muito relevante, chegou a mais de 40% de aumento”, afirma.

Ele se refere ao período em que já vigorava a sobretaxa americana de 10% e havia o anúncio de elevação para 50% a partir de agosto, o que não se concretizou. Em julho de 2025, o aumento nas exportações de ferro-gusa chegou a 62,8% na comparação com o mesmo período de 2024, segundo dados do Comex Stat.

O mercado hoje está muito indeciso. Você não tem nenhuma segurança do que vai acontecer”

— José Augusto de Castro

Para o presidente do Sindifer-MG, ainda que a nova tarifa entre em vigor em 15 de julho, a expectativa é que os primeiros impactos na balança comercial sejam de fato sentidos só em agosto. O representante da indústria do ferro também reitera que até o momento nenhum envio foi suspenso, como ocorreu em 2025.

O setor aposta que as audiências e negociações com o governo americano podem novamente mudar o cenário de maneira favorável. “Nós temos uma expectativa muito boa, porque ano passado nós fomos considerados isentos por uma necessidade, nós somos importantes no contexto econômico dos Estados Unidos (...) Nossos concorrentes principais são a Rússia e a Ucrânia. A Rússia está sancionada e a Ucrânia está debilitada, possivelmente ela não conseguiria suprir”, avalia.

Cançado também afirma que o setor não está satisfeito com o ritmo do governo federal nas negociações e que o contato direto entre os países é fundamental para “reverter politicamente esse processo”.

“Também pedimos que, caso não haja sucesso nessas conversas, que eles [governo] protelem e adiem a entrada das tarifas por pelo menos três meses, para a gente equilibrar o nosso processo e toda a nossa conversa comercial”, afirma o presidente do Sindifer-MG.

No caso da taxação sobre o ferro-gusa ser confirmada, os produtores teriam que mover esforços para promover um rearranjo dos envios para outros países compradores. Vale destacar que, em 2024, antes da volta de Donald Trump ao poder e seu tarifaço, o Brasil exportou US$ 1,4 bilhão do item, só atrás de petróleo, outros produtos semimanufaturados de ferro ou aço, celulose e café.

O desempenho do segmento entre janeiro e maio também evidencia a relevância das exportações. Em 2025, a produção nacional totalizou cerca de 5,4 milhões de toneladas. Cerca de três quartos do volume produzido foi destinado à exportação, sendo mais de 80% para os EUA.

A respeito do possível impacto da taxação, Barral ressalta que, apesar de a relação comercial com os Estados Unidos ser importante para a exportação do ferro-gusa, o produto segue com demanda no mundo inteiro.

“Evidentemente, se os EUA taxarem o Brasil, o Brasil vai começar a exportar para outros destinos, e os Estados Unidos vão começar a importar mais da Ucrânia e do Canadá, rivais brasileiros no mercado americano. Como é uma matéria-prima essencial para a indústria, uma commodity industrial, fundamentalmente você tem uma realocação de destino. A demanda não vai acabar”, afirma o ex-secretário de Comércio Exterior.

Segundo levantamento do Sindifer-MG, caso as tarifas sejam implementadas, cerca de 55% das usinas brasileiras poderiam paralisar suas atividades. Minas Gerais lidera a produção nacional, com 48 usinas e 63 fornos, somando capacidade instalada de cerca de 420 mil toneladas por mês, aproximadamente 70% da produção nacional e 60 mil empregos diretos e indiretos.

Para reduzir os efeitos do tarifaço, a entidade diz em comunicado que contratou um escritório de advocacia nos Estados Unidos para buscar a reversão do processo e negociar exceções para o ferro-gusa, além de manter diálogo permanente com compradores e autoridades americanas. Os impactos esperados incluem paralisação de usinas, redução de empregos, queda no PIB e comprometimento da competitividade brasileira no mercado internacional, segundo o Sindifer-MG.

ECONOMIA

CNN Brasil - SP   07/07/2026

Durante as primeiros cinco horas de audiência do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (em inglês, United States Trade Representative), os americanos deram um tom mais técnico, com perguntas profundas e embasadas no impacto econômico da entrada de produtos do agro brasileiro sem e com taxas.

Como isso pesa na indústria americana e chega até o consumidor final? Como é o processamento industrial desse produto?

Estas duas questões marcaram a primeira parte da audiência, que começou nesta segunda-feira (6) em Washington, evidenciando que a representação americana também mudou de perfil em relação à primeira audiência pública realizada em 2025, na ocasião do primeiro anúncio de tarifas feito por Donald Trump.

"Há uma diferença de perfil. Foi construída uma narrativa, uma explicação para que haja um entendimento maior sobre a agregação de valor e o papel da indústria dos EUA tem sobre a estabilidade de preço ao consumidor americano", afirmou ao CNN Agro o diretor-executivo do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), Marcos Matos.

O representante participa da audiência até a terça-feira (7), quando os painéis serão mais voltados às questões políticas, como o caso do Pix. Até agora, frisou Matos, o clima é de menor tensão entre a iniciativa privada e "régua mais elevada" do debate.

Por lá, representantes de entidades agropecuárias do Brasil estavam com argumentação "na ponta da língua" para justificar a importância do produto brasileiro na economia dos americanos. A inflação de alimentos foi uma das justificativas para pedir a isenção de sobretaxas, contaram fontes.

“Comparado com setembro do ano passado, foi muito mais equilibrado. A gente sentiu, da parte dos representantes do comércio, da agricultura, do Tesouro, do trabalho e da área de saúde e bem-estar, pessoas mais seniores. Então as perguntas foram mais técnicas, mais profundas, mais voltadas para aspectos de competitividade, da agregação de valor para a indústria dos Estados Unidos, para a questão do consumidor e dos preços ao consumidor”, afirmou Matos.

Segundo o diretor do Cecafé, embora representantes da pecuária e do etanol tenham mantido um discurso mais crítico em relação ao Brasil, o saldo geral da audiência foi mais favorável ao país.

“Tivemos menos críticas ao Brasil. Obviamente, o pessoal da pecuária e do etanol veio com tons bem críticos sobre o impacto negativo para eles. Mas, em geral, muita gente defendeu o Brasil, inclusive contrapartes norte-americanas fazendo a defesa do país”, disse.

No painel voltado ao café, a discussão reuniu Cecafé, Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) e a NCA (National Coffee Association), dos Estados Unidos.

De acordo com Matos, o foco das intervenções foi o pedido para que a USTR mantenha a isenção tarifária já proposta para cafés verdes, torrados e moídos, e amplie o benefício também ao café solúvel brasileiro.

“Nós pedimos primeiramente que fossem mantidas as isenções para os cafés verdes, torrado e moído, como foi proposto na resolução 931, e que isso também fosse ampliado para o café solúvel”, afirmou.

Segundo ele, boa parte das perguntas feitas pelos representantes americanos buscou entender justamente qual é a importância do café solúvel brasileiro para a indústria local e para a formação de preços ao consumidor.

Matos argumentou que o café solúvel brasileiro é um insumo relevante para a indústria de bebidas nos Estados Unidos, especialmente em segmentos de maior valor agregado.

“A gente falou muito que o café solúvel é a base para a preparação de bebidas importantes, com agregação de valor, como ready to drink, cold brew, e também bebidas voltadas para populações mais sensíveis à renda. Então ele atende diferentes públicos da população norte-americana”, disse.

“A ideia foi mostrar para eles que o café solúvel é um insumo importante para a indústria preparar diversos tipos de bebidas.”

Segundo o executivo, a participação conjunta de Cecafé, Abics e National Coffee Association ajudou a detalhar aos representantes da USTR como a cadeia do café está integrada entre Brasil e Estados Unidos e por que a manutenção das isenções pode ajudar a preservar competitividade, oferta e estabilidade de preços no mercado americano.

A investigação da Seção 301 segue em andamento até esta sexta-feira, quando devem ser concluídas as oitivas desta rodada.

Infomoney - SP   07/07/2026

Representantes de empresas brasileiras e entidades setoriais participam, a partir desta segunda-feira (dia 6), de audiências em Washington, nos Estados Unidos, em um esforço para impedir a adoção de tarifas de 25% propostas pelo Escritório do Representante Comercial americano (USTR, na sigla em inglês).

O principal argumento é que, além de prejudicar negócios no Brasil, a taxação elevará custos para empresas e para o consumidor americano, além de reduzir investimentos e empregos no país.

Pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Patrícia Gomes, diretora de Comércio Exterior da entidade, vai defender que mais de 80% do comércio bilateral do setor ocorre entre companhias coligadas — matriz e filial — e que a taxação afetaria a própria indústria americana em setores como infraestrutura e energia:
— Em componentes para a produção nos EUA, seria difícil fazer uma substituição rápida (de importações), dando oportunidade a outros países como a China.

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Máquinas e equipamentos

A importação de máquinas e equipamentos do Brasil pelos EUA somou US$ 3,2 bilhões em 2025, com superávit de US$ 1,2 bilhão para os americanos. Número que, segundo Patrícia, mostra que a taxação não se justifica.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), representada pelo embaixador Roberto Azevedo, ex-presidente da Organização Mundial do Comércio (OMC), vai questionar a tarifa adicional de 25%, argumentando que a medida não se justifica sob os aspectos jurídico, econômico e estratégico e que o Brasil tem avançado nos temas sob investigação do USTR.

Pelos cálculos da entidade, mais de 35,2% das manufaturas exportadas pelo Brasil seriam alvo de novas tarifas.

A WEG (WEGE3), cuja subsidiária americana é a segunda maior fabricante de motores elétricos dos EUA, leva à audiência o presidente de sua filial estadunidense, Peter Barry, que vai citar os 2.300 colaboradores da empresa nos EUA e sua integração a cadeias de energia, indústria e infraestrutura.

Outro argumento da empresa é que a tarifa “reduziria a competitividade da economia americana e prejudicaria os trabalhadores, sem promover os objetivos da investigação ou corrigir as práticas que ela busca combater”.

No mês passado, a WEG fechou contrato para fornecer cerca de 600 motores ao Thacker Pass, unidade de processamento de lítio em construção em Nevada com US$ 2,23 bilhões em financiamento do Departamento de Energia americano.

Pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o ex-secretário de Comércio Exterior Welber Barral vai apontar falhas no relatório do USTR, inclusive em relação à lei americana e às exigências da OMC:

— Mas também em relação às exigências da OMC, aos dados que não foram considerados, principalmente os de desmatamento, que estão desatualizados.

Geração de empregos da Bauducco

A Bauducco vai centrar sua argumentação na nova fábrica de US$ 200 milhões inaugurada pela subsidiária americana da empresa na Flórida no mês passado, segundo documento de solicitação para testemunhar na investigação.

A unidade dobra a capacidade de produção da companhia nos EUA, concentra toda a linha de wafers em um único local e deve gerar 600 empregos em plena capacidade, além de reduzir custos e prazos ligados à importação de insumos.

Com base nesse investimento, o CEO Stefano Mozzi vai pedir exclusão dos produtos da empresa do tarifaço por três a cinco anos, argumentando que a taxação resultaria em menos investimento, menos empregos e mais custo para o consumidor americano.

A Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci), por sua vez, vai destacar que metade das exportações brasileiras do setor vai para os EUA, supridas principalmente por florestas plantadas com manejo sustentado e sistemas de rastreabilidade.

Manutenção de isenção para o café

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), representado por seu diretor-geral, Marcos Matos, vai buscar manter a isenção tarifária para o café verde brasileiro e ampliar a lista de exceções da Seção 301 para incluir o café solúvel — estratégia construída junto com a National Coffee Association (NCA), entidade da indústria cafeeira americana que apoia a posição brasileira:

— O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, enquanto os Estados Unidos são o maior consumidor. Quando surgiu a perspectiva de tarifas sobre o café brasileiro, a inflação do produto chegou a ser oito vezes maior que a inflação média americana.

A Associação Brasileira de Rochas Ornamentais (Controrochas), pelo vice-presidente Fábio Cruz, vai levar argumento semelhante: o Brasil fornece insumo essencial para a indústria americana de rochas ornamentais, que depois transforma e distribui o produto — quem pagaria a conta seria o consumidor dos EUA.

Segundo a entidade, cerca de 85% das pedras naturais consumidas pelos americanos são importadas, e um quarto desse volume vem do Brasil, principal fornecedor.

Já a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) argumenta que as críticas às tarifas preferenciais, ao acesso ao mercado de etanol e ao combate ao desmatamento não têm respaldo em evidências econômicas nem nas regras da OMC, defendendo solução por cooperação bilateral.

A Associação Brasileira da Propriedade Intelectual (ABPI), por sua vez, sustenta que os avanços do Brasil no combate à pirataria e na redução do tempo de análise de patentes tornam desatualizado o diagnóstico do USTR.

O Estado de S.Paulo - SP   07/07/2026

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65 — que garante a autonomia orçamentária, financeira e administrativa do Banco Central — ficou de fora da pauta do Senado desta semana, a penúltima antes do início do recesso de meio de ano. Sem data prevista para a votação, a tendência é que o texto siga travado pelo menos até o fim das eleições, que ocorrerão em outubro.

O recesso só começa oficialmente em 18 de julho, mas, às vésperas do período e em meio às festas juninas, o Congresso Nacional já está esvaziado. Conforme a pauta, as sessões desta semana, de 6 a 10 de julho, serão semipresenciais.

Em um ano comum, a PEC poderia voltar no início do segundo semestre, mas, com as eleições, a tendência é que o projeto siga sem resolução. Para pessoas a par do assunto consultadas pelo Estadão/Broadcast, é difícil que o texto entre em pauta antes do pleito.

A PEC foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado no início de junho, depois de dois anos e meio de discussão. Na ocasião, o relator, senador Plínio Valério (PSDB-MA), rejeitou emenda apresentada pelo então líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA).

Wagner argumentou que a equipe econômica tinha dúvidas em relação ao texto e, antes da votação, pediu que o projeto fosse adiado por duas semanas, para que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, pudesse conversar com o relator sobre alguns pontos.

Uma semana depois de a proposta ser aprovada, em 17 de junho, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que a PEC está madura e apta para ser votada em Plenário. Disse, então, que definiria até a sexta-feira seguinte, 19, a data de votação em Plenário. Ainda não houve, porém, a definição dessa data.

“O prazo dado para o governo, a pedido, foi de duas semanas. Agora é cobrar. Tem que ser agora. Vamos nos movimentar para isso”, afirmou Plínio à reportagem, ao ser questionado sobre a ausência do projeto na pauta e a possibilidade de a votação ficar travada no segundo semestre.
Governo diz que proposta aumentaria volatilidade dos resultados primários

A proposta aprovada na CCJ transforma o BC em uma “entidade pública de natureza especial”. A autoridade monetária teria autonomia para formular o próprio orçamento, que seria apreciado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e por uma comissão do Senado. O Pix também seria incluído na Constituição.

O governo resiste à proposta com o argumento de que ela aumentaria a volatilidade dos resultados primários. Como o BC deixaria de ser uma autarquia, qualquer transferência entre Tesouro e banco passaria a ser contabilizada como um fluxo primário, e não mais financeiro, como é hoje.

A equipe econômica chegou a desenhar uma proposta alternativa, que resultou na emenda apresentada por Wagner. O texto manteria o BC como autarquia federal, endereçando as preocupações com a volatilidade dos resultados primários, e deixaria a aprovação do orçamento da autoridade monetária a cargo apenas do CMN.

O Estado de S.Paulo - SP   07/07/2026

A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 diminuiu de 5,33% para 5,30%. A estimativa está 0,83 ponto porcentual acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,50%. Considerando apenas as 45 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana diminuiu de 5,36% para 5,23%.

A estimativa intermediária do mercado para o IPCA de 2027 oscilou de 4,17% para 4,18%. Um mês antes, era de 4,03%. Considerando apenas as 44 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, seguiu em 4,20%.

A mediana do Focus para a inflação de 2028 permaneceu em 3,70%. Um mês antes, era de 3,65%. Para 2029, seguiu em 3,50%, pela 44ª semana consecutiva.

A trajetória prevista pelo mercado segue acima da esperada pelo Banco Central. Conforme o Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre, publicado no último dia 25, a autoridade monetária prevê alta de 5,2% do IPCA em 2026, 3,7% em 2027 e 3,1% em 2028 - última estimativa disponível.

A partir de 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o BC perdeu o alvo.
Mediana da taxa Selic

A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 permaneceu em 14,00%. Há um mês, era de 13,50%. Considerando só as 33 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana para a Selic no fim deste ano também permaneceu em 14,00%

A estimativa intermediária do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2027 seguiu em 12,00%. Um mês atrás, era de 11,50%. Levando em conta apenas as 32 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana caiu de 12,25% para 12,00%.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC promoveu cortes de 0,25 ponto porcentual dos juros nas três primeiras reuniões de 2026, que levaram a Selic a 14,25% ao ano.

No comunicado da reunião de junho, publicado na última quarta-feira, o colegiado voltou a enfatizar a incerteza do cenário e disse que, em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, a magnitude total do atual ciclo de calibração da Selic será estabelecida “à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”.

A mediana do mercado para a Selic no fim de 2028 permaneceu em 10,50%. Há um mês, era de 10,00%. A estimativa para 2029 continuou em 10,00% pela nona semana consecutiva.
Mediana do dólar

A mediana do relatório Focus para a cotação do dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20 pela terceira semana seguida. Um mês antes, era de R$ 5,15. Considerando apenas as 26 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a estimativa intermediária oscilou de R$ 5,23 para R$ 5,20.

A mediana para a cotação da moeda americana no fim de 2027 seguiu em R$ 5,28. Quatro semanas atrás, era de R$ 5,20.

A projeção para o fim de 2028 continuou em R$ 5,35. Há um mês, era R$ 5,30. Já a estimativa para 2029 permaneceu em R$ 5,40. Há um mês, era de R$ 5,35.

A projeção anual de câmbio publicada no Focus é calculada com base na média para a taxa no mês de dezembro, e não no valor projetado para o último dia útil de cada ano, como era até 2020.

MINERAÇÃO

CNN Brasil - SP   07/07/2026

As exportações brasileiras de minério de ferro somaram US$ 13,4 bilhões nos seis primeiros meses de 2026, alta de 5,2% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da CNN Infra com dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

Em volume, os embarques chegaram a 189,4 milhões de toneladas, avanço de 2,4% na mesma comparação. No primeiro semestre de 2025, o Brasil havia exportado 184,9 milhões de toneladas de minério de ferro.

O resultado considera as vendas de minério de ferro não aglomerado, principal item da pauta, e de minério aglomerado, como pelotas, sínteres e briquetes.

No minério de ferro não aglomerado, as exportações passaram de US$ 11,46 bilhões para US$ 11,85 bilhões, alta de 3,4%. O volume embarcado subiu de 173,4 milhões para 175,3 milhões de toneladas, avanço de 1,1%.

Já as vendas de minério aglomerado cresceram em ritmo mais forte. O valor exportado passou de US$ 1,31 bilhão para US$ 1,58 bilhão, alta de 20,5%. Em volume, os embarques foram de 11,5 milhões para 14,1 milhões de toneladas, crescimento de 22,6%.

Os números indicam que o avanço da receita com minério de ferro no semestre foi puxado tanto por aumento de volume quanto por uma melhora no valor médio da pauta, especialmente no minério não aglomerado, que concentra a maior parte das exportações brasileiras do setor.

A China seguiu como principal destino do minério de ferro brasileiro. Apenas nas vendas de minério não aglomerado, os chineses compraram US$ 9,15 bilhões no primeiro semestre, ante US$ 8,37 bilhões em igual período de 2025. O avanço foi de 9,3%.

Com isso, a China respondeu por cerca de 77% das exportações brasileiras de minério de ferro não aglomerado no período, reforçando a dependência do setor em relação à demanda asiática, especialmente da indústria siderúrgica chinesa.

Outros destinos relevantes foram Malásia e Japão. As vendas para a Malásia recuaram de US$ 575,7 milhões para US$ 466,9 milhões. Já os embarques para o Japão cresceram de US$ 323,3 milhões para US$ 376,3 milhões.

Os dados também mostram forte crescimento nas exportações de minérios de cobre e seus concentrados. As vendas externas do produto somaram US$ 3,87 bilhões no primeiro semestre de 2026, contra US$ 2,10 bilhões em igual período de 2025. A alta foi de 84%.

Em volume, os embarques de minérios de cobre passaram de 652 mil toneladas para 848,5 mil toneladas, crescimento de 30,1%. A receita cresceu em ritmo superior ao volume, o que indica aumento relevante no valor médio exportado.

No caso do cobre, a pauta aparece mais distribuída entre compradores europeus e asiáticos. A Alemanha liderou as compras, com US$ 865,1 milhões, mais que o dobro dos US$ 389,4 milhões registrados no primeiro semestre do ano passado. A China aparece em seguida, com US$ 712,2 milhões.

Também houve avanço nas vendas para Polônia, Suécia e Índia. As exportações para a Índia, por exemplo, saltaram de US$ 50,1 milhões para US$ 376,4 milhões, em um movimento que reforça a diversificação dos destinos para minerais usados em cadeias industriais e de transição energética.

A alta ocorre em meio à demanda global crescente por cobre, considerado um dos principais metais da eletrificação. O insumo é usado em redes de transmissão, cabos, motores, veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e sistemas de armazenamento de energia. Com a transição energética e a expansão da infraestrutura elétrica, grandes economias têm buscado ampliar e diversificar o acesso ao metal, o que aumentou a relevância de países produtores como o Brasil.

Globo Online - RJ   07/07/2026

A Vale informou nesta segunda-feira que Daniel Stieler anunciou sua renúncia ao cargo de membro e de presidente do Conselho de Administração da companhia.

A crise no Conselho de Administração de uma das maiores mineradoras do mundo veio a público no mês passado, quando a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (BB), pediu a convocação de uma assembleia para substituir Daniel Stieler antes do fim de seu mandato, previsto para abril de 2027.

Segundo a colunista do GLOBO Malu Gaspar, o pedido feito pela Previ é reflexo de disputas internas no fundo de pensão do BB, que estariam sendo marcadas pelo envolvimento do grupo do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Stieler foi indicado pela própria Previ, quando presidia a fundação, cargo que ocupou até 2023.

A Previ tem 6,82% das ações da Vale, segundo o site da mineradora. O fundo de pensão do BB também é acionista da Litel e da Litela, que faziam parte de antigo grupo de controle da mineradora. Com isso, estima-se que a fatia chegue a quase 10%. Além da Previ, a Vale tem entre os maiores acionistas Blackrock (7,1%), Mitsui&co (6,4%) e Capital World Investors (5,1%).

Stieler chegou a acusar a Previ de "falsidade ideológica administrativa", em razão das justificativas apresentadas pelo fundo, além de "abuso do direito de voto". Do outro lado, a Previ afirmou, ao justificar o pedido de mudança, que a medida visa reforçar o caráter independente dos membros do Conselho de Administração da Vale.

Segundo o fundo, a alteração "se insere em um processo natural de renovação e no contexto de evolução das demandas do mercado por maior independência e robustez institucional".

Para a presidência do conselho, o fundo de pensão indicou Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, que tem experiência no setor de mineração e é conselheiro da empresa desde 2021.

Além disso, a Previ indicou José Maurício Pereira Coelho, presidente da fundação entre 2018 e 2021, para ocupar uma vaga no conselho de administração. A indicação ocorre porque Stieler acumulava os cargos de conselheiro e presidente do colegiado.

Em uma reunião do Conselho de Administração da Vale, porém, os conselheiros recomendaram que Stieler permanecesse no cargo até que os acionistas decidam sobre a mudança em assembleia marcada para o dia 22 deste mês.

Além disso, o colegiado indicou Ieda Gomes Yell para disputar a vaga de conselheira com Coelho e aceitou a candidatura do atual vice-presidente do conselho, Marcelo Gasparino, para a presidência do colegiado, concorrendo com Ollie.

Em nota, a Vale disse que o Conselho de Administração agradece Daniel Stieler pela liderança, dedicação e contribuições prestadas à companhia durante seu mandato como membro do Conselho, desde 2021, e, especialmente, como presidente do colegiado, desde 2023.

“Ao longo deste período, sua atuação foi essencial para o fortalecimento da governança corporativa, o aprimoramento contínuo dos trabalhos do colegiado e a tomada de decisões estratégicas que contribuíram para a geração sustentável de valor, fortalecimento institucional e a consolidação da visão de longo prazo da Vale.”

AUTOMOTIVO

CNN Brasil - SP   07/07/2026

O Move Brasil segue movimentando o segmento dos motoristas de aplicativo e taxistas de todo o Brasil. Para se ter uma ideia, os carros contemplados pela iniciativa do Governo Federal tiveram um aumento de 14% na procura.

O levantamento é da Webmotors Autoinsights e utiliza como base o número de buscas e visitas a esses veículos na primeira semana de vigência do programa, de 19 a 26 de junho, em relação à semana anterior (antes do programa).

Ainda de acordo com a pesquisa, o modelo mais procurado é o BYD Dolphin Mini. Segundo a Webmotors Autoinsights, o compacto elétrico cresceu no número de buscar e visitas em quase 20%.

“É uma medida que contribui para a renovação de uma das frotas mais ativas do país. Isso se reflete diretamente no comportamento de busca dos consumidores e deve impactar positivamente as vendas e a produção automotiva”, explica o CEO da Webmotors, Eduardo Jurcevic.
Confira os carros mais procurados na primeira semana do Move Brasil

Crescimento comparativo com a semana anterior ao programa:
BYD Dolphin Mini - 19,2% Hyundai Creta - 21% Hyundai HB20 - 12,8% BYD Dolphin - 25% Honda City Sedan - 18,6% Chevrolet Tracker - 20,3% Honda WR-V - 22,6% Chevrolet Onix - 17,1% Honda City Hatch - 14,9% Nissan Versa - 3,2% O que é o Move Brasil?

O Move Brasil Entregadores e Táxi e Aplicativos oferece financiamentos especiais para motoristas de aplicativo, profissionais que trabalham com entregas e taxistas.

A ideia do programa é auxiliar na renovação de frota, com uma linha de financiamento que opera apenas para veículos novos.

O programa inclui veículos até R$ 150 mil de montadoras habilitadas no programa Mover (Volks, Fiat, Renault, GM, Honda, Hyundai, Nissan, Peugeot, Toyota, BMW, BYD e GWM), custar até R$ 150 mil e ser enquadrado como sustentável (flex, elétricos e híbridos a etanol).

Valor - SP   07/07/2026

Donald Trump tem pressionado as montadoras a transferirem mais produção de automóveis para o país, aumentando tarifas sobre automóveis, aço, alumínio e autopeças

A Toyota Motor Corporation disse, nesta segunda-feira (6), que construirá nova fábrica de automóveis, de US$ 3,6 bilhões, no Estado americano do Texas e transferirá ao país uma parte da produção de picapes, vinda do México. A montadora japonesa informou que o novo prédio de 2,5 milhões de pés quadrados [232.257 metros quadrados] ficará localizado em seu campus de manufatura em São Antonio e será inaugurado até 2030, criando 2 mil empregos.

A empresa automotiva declarou que vai mover a produção de sua picape média Tacoma da fábrica da Toyota Manufacturing Baja California, no México, para a unidade do Texas quando esta estiver concluída. A companhia continuará produzindo picapes Tacoma em sua fábrica de Guanajuato, no México.

A Toyota já produz picapes Tundra e utilitários (SUVs) em sua atual fábrica de montagem em São Antonio, no mesmo terreno onde a nova unidade será construída, e uma nova fábrica de eixos traseiros de 500 mil pés quadrados [46.451 metros quadrados] está programada para abrir no outono do Hemisfério Norte.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem pressionado as montadoras a transferirem mais produção de automóveis para o país e aumentou as tarifas sobre automóveis, aço, alumínio e autopeças. A Toyota afirmou que segue comprometida com suas operações em todo o México, Canadá e Estados Unidos, e pediu a Trump que estenda um acordo de livre comércio da América do Norte que, segundo as montadoras, é crítico para a produção automotiva integrada.

Em 2020, a Toyota havia movido a produção da Tacoma de São Antonio para a fábrica de Guanajuato, juntamente com a unidade de Baja que vinha produzindo a picape desde 2004.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   07/07/2026

O mercado brasileiro de locação de máquinas, equipamentos e ferramentas segue em expansão e reforça seu papel como um dos principais vetores de produtividade da construção civil, da indústria e dos projetos de infraestrutura.

Segundo a Associação Brasileira dos Sindicatos e Associações Representantes dos Locadores de Equipamentos, Máquinas e Ferramentas (Analoc), o segmento movimenta cerca de R$ 70 bilhões por ano, reúne aproximadamente 50 mil empresas e gera mais de 200 mil empregos diretos no país.

Esse cenário estará em evidência na Analoc Rental Show 2026, considerada a principal feira de locação da América Latina, que será realizada entre os dias 6 e 8 de julho, no Expo Center Norte, em São Paulo.

O evento reunirá fabricantes, locadoras, distribuidores, fornecedores e especialistas para apresentar tecnologias, discutir tendências e promover negócios em um mercado que amplia sua participação na economia brasileira.

Soluções para o mercado de locação - Segundo a Analoc, mais de 80% das empresas do setor são de pequeno porte ou microempreendedores individuais (MEIs), perfil que evidencia a diversidade do mercado brasileiro de locação.

Para atender às demandas de empresas de diferentes portes, desde pequenas locadoras até grupos de atuação nacional e internacional, a Mecan leva à feira um portfólio de soluções para acesso, fôrmas e escoramentos metálicos destinado à construção civil e a obras de infraestrutura.

Entre os equipamentos em exposição estão andaimes multidirecionais, escoramentos metálicos, plataformas elevatórias e sistemas modulares para aplicações de diferentes níveis de complexidade.

Outro diferencial é o processo de fabricação, que incorpora automação industrial, soldagem robotizada, modelagem 3D e tecnologia BIM.

Para o diretor comercial da Mecan, Renison Moreira, a evolução do mercado de locação também tem transformado o perfil das empresas fornecedoras e a adoção dessas tecnologias contribui para ampliar a vida útil dos equipamentos e garantir desempenho em operações de maior exigência.

"O crescimento do mercado de locação tem elevado o nível de exigência das locadoras. Hoje, elas buscam equipamentos que ofereçam maior durabilidade, disponibilidade para operação e menor custo ao longo da vida útil, porque isso impacta diretamente a rentabilidade do negócio", explica Moreira.

"Esse movimento também impulsiona a evolução dos fabricantes, que precisam investir continuamente em tecnologia, processos produtivos e qualidade para entregar soluções cada vez mais eficientes", completa.

CONSTRUÇÃO CIVIL

O Estado de S.Paulo - SP   07/07/2026

A disparada da inflação da construção civil pegou de surpresa o mercado imobiliário e pode ser mais um complicador para as vendas do setor, que já enfrenta a barreira dos juros elevados. Com a guerra no Oriente Médio, aumentaram os preços das matérias-primas de vários materiais usados para erguer edifícios.

Essa alta de custos dos materiais, antes fora do radar das construtoras e incorporadoras, pode pressionar os orçamentos das obras em andamento e levar a uma correção de preços dos imóveis.

Isso pode atingir diretamente também os interessados em comprar um apartamento na planta, já que a pressão de custos turbina o índice que corrige o valor das prestações e pode adiar o sonho da casa própria.

Até fevereiro, antes do início da guerra, a perspectiva era de que a inflação geral da construção civil em 2026 ficasse próxima da registrada no ano passado.

Em 2025, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC) - Disponibilidade Interna (DI), apurado no mês fechado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), teve alta de 5,9%. Agora, porém, as projeções para o ano de 2026 estão de um a dois pontos porcentuais acima dessa marca.

A consultoria 4intelligence projeta que o INCC-DI encerre 2026 em 8,3%, com alta de 9% nos preços dos materiais e serviços e de 7,5% na mão de obra. No ano passado, a inflação dos materiais e serviços havia sido de 3,8%; e da mão de obra, 9%.

Se a estimativa para o INCC-DI deste ano se confirmar, será o maior resultado do indicador desde 2022 (9,3%), observa Fabio Romão, economista sênior da consultoria.

Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos de Construção do FGV Ibre, calcula que o INCC feche este ano próximo de 7% e antes da guerra esperava que o indicador acompanhasse a inflação geral do País, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), projetada em 5,30%, de acordo com o mais recente Boletim Focus do Banco Central. “Acho que (o INCC) vai ficar acima do ano passado, mesmo com a desaceleração da mão de obra, por conta do componente materiais e equipamentos.”

Os materiais e os serviços respondem por mais da metade (58%) do INCC e, no curto prazo, em abril e maio a pressão de preços nesse grupo por causa da guerra ficou nítida. A inflação dos materiais foi de 1,35% em abril e de 1,15% em maio.

Nas contas de Romão, esses resultados ficaram muito acima da mediana da inflação dos preços dos materiais e serviços dos últimos dez anos, de 0,40% para os meses de abril e de 0,23% para maio. Ana Maria ressalta que a imprevisibilidade da inflação do setor no momento está sendo dada pelos preços dos materiais de construção.

Mesmo que o conflito no Oriente Médio cesse definitivamente, Romão acredita que o estrago da guerra nos preços dos materiais de construção está feito. “Pode, de algum modo, ter alguma moderação na evolução desses preços em 2027, agora em 2026 é lógico que está dado”, diz ele.

A economista da FGV concorda com Romão. “É difícil que a alta seja devolvida.” Ela acredita que os custos da construção vão continuar evoluindo acima da inflação geral medida pelo IPCA.

Descolamento entre a inflação geral e a do setor preocupa

O mundo ideal para a incorporação imobiliária é o no qual os custos do setor acompanhem a inflação geral da economia. Isso porque, dessa forma a população que tem o salário corrigido pelo índice geral de inflação consegue manter o seu poder de compra para fazer frente às prestações de um imóvel na planta.

O que se vê hoje, no entanto, é um descolamento entre a inflação geral e a inflação do setor. Ao lado da taxa básica de juros elevada, hoje em 14,25% ao ano, esse descolamento é outro obstáculo aos negócios, tanto para as construtoras e incorporadoras quanto para o brasileiro que deseja comprar a casa própria.

“Nós temos a expectativa de ter um aumento do INCC maior do que o aumento da inflação, os materiais estão subindo mais que a inflação”, afirma Celso Petrucci, diretor de Economia do Secovi-SP.

Guardadas as devidas proporções, Petrucci observa que o momento atual de descolamento entre a inflação geral (IPCA) e o a inflação do setor (INCC) é um pouco parecido com o que aconteceu na pandemia. Em 2021, o IPCA foi de 10,06% e o INCC-DI atingiu 13,84%, uma diferença de quase quatro pontos porcentuais.

Para Petrucci, o aumento de custos é “bastante preocupante, mas não a ponto de dar desespero.” Ele observa que o impacto da alta de custos para as construtoras depende do estágio do andamento da obra e da fatia de imóveis vendidos. Quanto mais adiantada a obra estiver e maior for a parcela de imóveis vendidos na planta, mais as construtoras estarão preservadas da elevação abrupta de custos.

O economista também não acredita que o aumento no índice de reajuste das parcelas do imóveis vendidos na planta fará o comprador desistir de fechar negócio. Ele argumenta que, em termos absolutos, isto é, em reais, o acréscimo na prestação por conta da correção será pequeno.

De toda forma, nos últimos 12 meses até abril, a velocidade de vendas de imóveis novos na cidade de São Paulo, o principal mercado do País, sobre a oferta, acumula queda de 10,1%, segundo pesquisa do Secovi-SP.

A retração é mais acentuada entre as famílias de classe média, com renda mensal entre R$13 mil e R$ 30 mil, muito afetadas pela taxa de juros elevada, diz Petrucci. “Tem uma queda que era anterior a (pressão de custos) e que já vem acontecendo desde o semestre passado.”
‘É uma luz amarela’, diz CEO de incorporadora

Com sete empreendimentos de médio e alto padrões na cidade de São Paulo, Claudio Carvalho, CEO da AW Realty Incorporadora, diz que, apesar da puxada no INCC por causa da alta de preços de materiais, como tubos e conexões de PVC, aço, cimento, argamassa e bloco de concreto, entre outros, não está tendo problemas em suas obras nem necessidade de aumentar preços dos imóveis.

A incorporadora já trabalhava com perspectiva de um INCC para este ano de 7%, a 8%, que comporta essa alta recente de custos dos materiais. “A gente aprendeu a colocar sempre um pouquinho de gordura, tanto em relação a inadimplência, quanto em relação a custo de obra”, conta o empresário.

No entanto, ele tem visto algumas empresas do setor uma preocupação um pouco maior do que o normal com os custos. São companhias que tinham como referência em seus orçamentos um INCC de 6% para este ano. “Mas, no geral, ainda não é uma luz amarela, a gente tem de acompanhar para ver como é que vai se desenrolar nos próximos meses”, pondera.

Ana Castelo diz que em princípio, não tem notícias de que esteja havendo atraso ou paralisação de obras por causa dessa alta inesperada de custos. Mas ela destaca que quem está fazendo obra — construtora, incorporadora ou até pessoa física tocando uma reforma — pode ter o orçamento estourado porque os materiais estão mais caros.

Em maio, por exemplo, tubos e conexões de PVC ficaram 2,82% mais caros, depois de terem subido 5,11% em abril, aponta o INCC. A massa de concreto teve alta 1,39% e já tinha aumentado 4,39% mo mês anterior. O cimento Portland comum, outro material básico, subiu 2,51% em maio e tinha sido reajustado em 3,02% em abril.

“A construtora ou incorporadora vai repassar o INCC para o valor da obra, mas ela está preocupada, obviamente, com a capacidade de pagamento de quem comprou o imóvel”, observa Ana Maria.

No caso dos imóveis do Minha Casa, Minha Vida, programa habitacional do governo e um dos pilares de crescimento do mercado atualmente, como o valor do imóvel é determinado e não pode ser ajustado, uma alta inesperada de custos comprime ainda mais as margens das construtoras, explica a economista.

Saídas para atenuar alta de custos

Uma das saídas para compatibilizar a alta de custos da construção com os orçamentos traçados pelas construtoras antes da guerra e a capacidade compra dos brasileiros seria diversificar os fornecedores.

Essa alternativa, no entanto, na maioria das vezes, não é viável. No caso do aço, exemplifica Carvalho, da AW Realty, só há dois fornecedores, a Gerdau e a Arcelor. “Não tem muita opção, não tem para onde correr.”

Petrucci, do Secovi-SP, reforça a avaliação de Carvalho. Diz que um dos problemas do País hoje é ter poucos fornecedores para insumos básicos usados na construção, como aço, concreto, tubos, por exemplo.

Por conta dessas restrições, as empresas do setor tentam inovar os métodos construtivos. “O nosso setor passa por um processo de inovação e de industrialização e acho que cada vez mais as construtoras vão continuar buscando isso. A cada três, quatro, cinco anos, a gente tem o INCC se descolando da inflação”, observa o economista do Secovi-SP.
Uso da IA para construir busca menor gasto

Para escapar da imprevisibilidade da alta de custos de materiais básicos e das ineficiências de construção civil, estão surgindo alternativas que usam a inteligência artificial para erguer imóveis de forma mais econômica. A construtech GetHome é uma delas.

A startup que recentemente entrou em operação se propõe a dar previsibilidade de orçamento e de prazo na produção de casas de alto padrão, com uso de IA. “A gente queria dar garantias de quanto o imóvel vai custar e quando ele vai ficar pronto”, diz Vinícius Bozzi Nonato, CEO e um dos fundadores.

Na plataforma, o cliente escolhe o projeto da casa e os materiais de acabamento. Com o uso da IA, é feita a cotação dos materiais. E, como a compra é em grande escala, é possível obter preços menores.

Conforme Nonato, o custo para erguer a casa fica, em média, 10% abaixo dos imóveis semelhantes feitos por construtoras tradicionais e a execução da obra não passa de 12 meses, a metade da média do setor.

FERROVIÁRIO

Revista Ferroviaria - RJ   07/07/2026

A Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF) lançou o processo de licitação para a compra de 15 novos trens, anunciado pela governadora Celina Leão (PP) na última sexta-feira (3/7). O aviso de abertura foi publicado na edição desta segunda-feira (6/7) do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF).

O objetivo da licitação é contratar uma empresa ou um consórcio de engenharia para o desenvolvimento, fabricação, testes e entrega operacional de 15 Trens Unidade Elétrica (TUEs).

As empresas interessadas têm até as 10h do dia 15 de setembro de 2026 para entregarem as propostas. O edital completo e seus anexos já estão disponíveis para consulta no site oficial do Metrô-DF.

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O processo de contratação será realizado de forma presencial, adotando o modo de disputa aberto e o critério de julgamento por menor preço.
Reduzir tempo e atender mais passageiros

A assinatura da ordem de serviço para o lançamento do edital ocorreu na última sexta-feira (3/7), durante cerimônia oficial conduzida pelo Governo do Distrito Federal (GDF).

Durante o evento, a governadora Celina Leão afirmou que o investimento é crucial para a modernização da mobilidade urbana da capital. A ampliação da frota visa reduzir o tempo de espera nas plataformas e, consequentemente, dobrar a capacidade atual de transporte de passageiros.

Celina explicou, ainda, que o processo licitatório chegou a passar por análise do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que havia questionado os valores estimados. Segundo a governadora, o governo apresentou as justificativas técnicas necessárias para demonstrar que os preços estão compatíveis com os praticados no mercado, permitindo, assim, o prosseguimento seguro do edital publicado nesta segunda.

O planejamento de expansão do GDF também engloba projetos executivos, a serem desenvolvidos posteriormente, direcionados para a abertura de novas linhas rumo a Samambaia, Ceilândia, Recanto das Emas, Riacho Fundo II e Pôr do Sol.

Monitor Digital - RJ   07/07/2026

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apoia a Brado Logística com R$ 377,2 milhões em financiamentos destinados à modernização da operação ferroviária, ampliação da capacidade logística e fortalecimento do transporte multimodal no país. Os recursos serão aplicados em obras de infraestrutura, aquisição de equipamentos e desenvolvimento tecnológico da companhia.

A Brado é operadora de contêineres, sendo responsável por 86% da movimentação ferroviária (em TKUs) e conta com estrutura própria composta por locomotivas, vagões, contêineres, terminais, armazéns e parcerias estratégicas nos principais centros consumidores do país.

Do montante total, R$ 305,2 milhões foram contratados por meio da linha Ferrovias do Finem e do programa Mais Inovação. Outros R$ 72 milhões foram viabilizados via Finame e são destinados exclusivamente à aquisição de locomotivas, possibilitando a ampliação de capacidade da empresa. Os contratos foram assinados em agosto e setembro de 2025 e ambos possuem o prazo de 10 anos. A expectativa é de geração de 586 empregos ao longo do projeto, sendo 171 diretos e 415 indiretos, entre operação, cadeia de fornecedores e regiões próximas aos terminais.

O principal financiamento será direcionado ao Projeto Carrossel, iniciativa que reúne obras civis, automação e novos equipamentos para criar um corredor central de distribuição de cargas no eixo Santos, Sumaré (SP) e Rondonópolis (MT). A proposta é criar um corredor de distribuição de cargas entre Santos, Sumaré e Rondonópolis, ampliando a capacidade operacional do sistema logístico, com redução de custos logísticos e menor emissão de gases de efeito estufa.

Entre os maquinários adquiridos estão os pórticos, estruturas utilizadas para movimentação de contêineres nos terminais ferroviários. Com maior capacidade de carga e precisão operacional, eles permitem acelerar os processos de carregamento e descarregamento, além de elevar os níveis de segurança e produtividade da operação. Além dos equipamentos, o projeto também prevê investimentos em sistemas de informação e tecnologias voltadas ao monitoramento e otimização operacional, bem como adequações físicas e obras de infraestrutura nos terminais.

“O projeto reduz custos e prazos, além de emitir até sete vezes menos CO2 em comparação ao transporte 100% rodoviário”, observou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

No primeiro trimestre deste ano, o orçamento previsto para o Projeto Carrossel foi de R$ 23 milhões, os investimentos foram distribuídos entre três principais frentes: engenharia, ativos e tecnologia. Para o período entre abril e dezembro, a previsão é dar continuidade ao cronograma já iniciado, com orçamento previsto de R$ 35 milhões, distribuído entre investimentos nos dois terminais e nas mesmas frentes estratégicas.

O CEO da Brado Logística, Luciano Johnsson, afirma que este é um marco na jornada de inovação da empresa, unindo tecnologia e sustentabilidade no transporte multimodal. “Somos a primeira empresa do país a realizar um projeto nesse modelo e acreditamos que ele se tornará referência em eficiência logística para futuras operações”, afirma.

Os investimentos reforçam a atuação da companhia na logística ferroviária de cargas conteinerizadas e ampliam a infraestrutura necessária para o crescimento do transporte multimodal no Brasil. Historicamente concentradas no transporte de granéis minerais e agrícolas, as ferrovias passam a ampliar sua participação no escoamento de cargas gerais e produtos de maior valor agregado, como industrializados, refrigerados e mercadorias de importação e exportação.

A liberação dos recursos ocorrerá por meio de reembolso dos valores executados. Conforme as etapas previstas em cronograma forem concluídas, a companhia poderá solicitar ao BNDES o desembolso dos recursos financiados.

O Estado de S.Paulo - SP   07/07/2026

Responsável pela construção da Linha 17-Ouro, o monotrilho que vai até o Aeroporto de Congonhas, na zona sul da São Paulo, o Metrô espera entregar até 2034 a expansão do ramal até as linhas 1-Azul, na Estação Jabaquara, e 4-Amarela, na São Paulo-Morumbi.

Esse era o trajeto original da linha, com 18 estações, e deveria ter sido entregue em 2013, a tempo da Copa do Mundo de 2014, sediada no Brasil. Mas o projeto foi reduzido e apenas oito paradas foram erguidas, após mudanças, atrasos e problemas no contrato.

O monotrilho foi inaugurado em março com sete estações. A oitava foi entregue na semana passada. O transporte ainda funciona de forma parcial, em fase de testes: só abre das 9h às 16h de segunda a sexta-feira.

O diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô, Roberto Torres Rodrigues, afirma que o itinerário completo da Linha 17 segue nos planos da companhia. A estatal dividiu em duas etapas a expansão da linha — a primeira fase envolveu as oito estações já entregues:
Fase dois: Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista (quatro estações);Fase três: Estádio Morumbi, São Paulo-Morumbi, Vila Babilônia, Cidade Leonor, Hospital Sabóia e Jabaquara (seis estações).

No próximo dia 14, o governo realiza a licitação para contratar a adequação do projeto original das estações da fase dois e a elaboração do projeto executivo para a obra desta etapa. O ajuste é necessário, já que se passou mais de uma década em relação ao desenho da linha. Isso deve levar dois anos.

Após isso, será realizada a licitação para construção, o que deve ocorrer em 2028. Caso não ocorram imprevistos, a expectativa do Estado é começar a obra em 2029. O empreendimento deve levar três anos para ser concluído. “A ideia é entrar em operação em 2032”, diz o diretor do Metrô.

Neste momento, a companhia pretende já ter iniciado a fase três. “Enquanto estiverem acontecendo as obras do trecho de Vila Paulista até Américo Maurano, paralelamente estaremos fazendo a contratação de projeto executivo e obras do trecho adjacente.”

Monotrilho até Aeroporto de Congonhas estreia formato inédito em SP: o que é operação em Y?

Dessa forma, o Metrô pretende entregar a fase três até 2034. “Não vou esperar terminar o trecho dois para iniciar a licitação, projeto executivo e obras do outro trecho. Isso vai acontecer concomitantemente.”

Nessa etapa, o transporte sobre trilhos vai chegar ao entorno do Estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi). Essa era a promessa original do monotrilho, que deveria ter ficado pronto antes da Copa de 2014.

Hoje, a estação mais próxima é a São Paulo-Morumbi, da Linha 4-Amarela, a cerca de 1,5 quilômetro da arena do São Paulo Futebol Clube. Leva aproximadamente 20 minutos de caminhada ou 10 minutos de carro para chegar ao estádio.

Obra sai do papel 13 anos após o prazo prometido

O monotrilho foi anunciado em janeiro de 2010. Depois, a organização do Mundial trocou o Morumbi pelo Estádio do Corinthians, em Itaquera, para receber as partidas. As obras perderam financiamento federal e, em 2014, as construtoras responsáveis pelas obras, Odebrecht e Andrade Gutierrez, ainda foram atingidas pela Operação Lava Jato.

O Metrô de São Paulo rescindiu o contrato com as empresas em 2016. A obra parou por anos, e o impacto da Lava Jato no setor dificultou uma nova contratação.

O projeto só foi retomado em 2020 e, ainda assim, passou por novas trocas de empresas e paralisações. “Tivemos problemas com várias contratadas e superamos esses desafios”, disse Rodrigues, do Metrô.

A equipe de Geraldo Alckmin, governador pelo PSDB na época da promessa do monotrilho, diz que o prazo foi estipulado após ouvir o mercado. A assessoria de Alckmin — hoje vice-presidente da República pelo PSB — também afirma que a Lava Jato impactou as condições financeiras do setor.

Em 2010, o projeto de 18 estações era orçado em R$ 2,9 bilhões (cerca de R$ 7,1 bilhões em valores corrigidos pela inflação), que seriam divididos entre os governos federal, estadual e municipal.

O custo total da primeira etapa da obra ficou em R$ 5,97 bilhões. Conforme o governo do Estado, o valor atual inclui estruturas que atenderão à linha e despesas dos contratos paralisados.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, tem usado a entrega do primeiro trecho do monotrilho como um contraponto às gestões passadas. Na semana passada, ele disse que “obra parada é desperdício de dinheiro público”.

O chefe do Executivo, porém, também admitiu desafios para a gestão da Linha 17. Tarcísio afirmou que pretende rever o contrato com a concessionária Motiva, que seria a responsável pela operação da linha após a fase de testes com o metrô.

A avaliação é de que o monotrilho será deficitário — haverá mais gasto para operá-lo do que as futuras receitas com passagens (o bilhete custa R$ 5,40). Segundo Tarcísio, a retirada da Linha 17 do contrato permitiria que a sobra do valor ficasse disponível para a Motiva melhorar o serviço em outras linhas concedidas, como a 8-Diamante e 9-Esmeralda, de trens, e a 4-Amarela e 5-Lilás, de metrô.

O governador afirma que a medida, porém, só ocorrerá se houver interesse da empresa e não há prazo para a decisão. Em nota, a Motiva informa acompanhar as manifestações do governo e reconhece o interesse já demonstrado nesse sentido.

NAVAL

Valor - SP   07/07/2026

A Guarda Revolucionária Islâmica disparou ao menos dois mísseis contra navios comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz na noite de segunda-feira (6), informou o site de notícias Axios, citando dois funcionários do governo dos Estados Unidos.

Segundo a reportagem, dois navios mercantes sofreram danos significativos, mas não houve vítimas. Separadamente, a agência britânica de segurança marítima informou que um navio-tanque pegou fogo após ser atingido por um projétil não identificado na madrugada de terça-feira (7), a leste de Limah, em Omã.

A United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) informou que a embarcação foi atingida no lado de bombordo enquanto navegava em direção ao sul, a cerca de 8 milhas náuticas (15 quilômetros) a leste de Limah, provocando um incêndio. Não houve registro de feridos nem de impactos ambientais.

A Reuters não conseguiu verificar de forma independente a reportagem do Axios nem confirmar se os navios mencionados pelo veículo incluem o petroleiro citado pela Agência de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido.

O Comando Central dos Estados Unidos não respondeu de imediato aos pedidos de comentário.

Os relatos reforçam os riscos à navegação no Estreito de Ormuz, corredor estratégico entre o Irã e Omã por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Embarcações comerciais voltaram a ser alvo de ataques durante o conflito iniciado após ações militares conjuntas dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, apesar de um acordo provisório que previa garantias de passagem segura.

As negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã terminaram na semana passada sem sinais públicos de avanço rumo a um acordo duradouro, embora um cessar-fogo de 60 dias tenha sido estabelecido para abrir espaço à diplomacia após o conflito desencadeado pelos ataques americanos e israelenses.

O presidente Donald Trump afirmou na segunda-feira (6) que os Estados Unidos chegarão a um acordo com o Irã ou "terminarão o trabalho", renovando a ameaça de ação militar enquanto Teerã mantém um discurso desafiador após o funeral do ex-líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

Advertência

A Guarda Revolucionária advertiu embarcações por rádio marítimo no fim de semana de que "nossos mísseis e drones estão prontos para atirar em vocês", informou o The Wall Street Journal, citando uma gravação obtida pelo jornal.

Segundo a publicação, um dos navios atingidos seria o Al Rekayyat, um navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL) pertencente à Nakilat, também conhecida como Qatar Gas Transport Company, uma das maiores operadoras de navios de GNL do mundo. A embarcação teria sido atingida na parte superior da casa de máquinas, no lado de bombordo.

"Ocorreu um incêndio na casa de máquinas e há muita fumaça. Ainda não foi possível avaliar os danos. Toda a tripulação está em segurança e reunida no lado estibordo", diz a gravação citada pelo Wall Street Journal.

O navio estava na entrada do Estreito de Ormuz, no Golfo de Omã, quando foi atingido, segundo o jornal.

A Nakilat, a QatarEnergy e o escritório de imprensa internacional do Catar não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Os investidores acompanham de perto as negociações entre Estados Unidos e Irã sobre a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, ao mesmo tempo em que monitoram a recuperação das exportações de petróleo dos países do Golfo.

Jornal de Brasília - DF   07/07/2026

O Ministério de Portos e Aeroportos (Mpor) afirmou nesta segunda-feira, 6, que sua equipe técnica irá se reunir com a do Paraguai para uma nova reunião a fim de avançar com as tratativas do leilão da hidrovia do Rio Paraguai. Como o canal abrange o território dos países, e da Bolívia, os três precisam estar de acordo para o avanço do remate.

“Foi reafirmado o interesse mútuo em dar prosseguimento ao processo de concessão e acordada a realização de uma nova reunião técnica no fim deste mês para avançar nas tratativas”, afirmou a Pasta por meio da nota enviada à Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).

Uma reunião bilateral foi realizada na semana passada, durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, em Assunção, no Paraguai.

Após a conclusão das negociações técnicas e a definição dos ajustes necessários no projeto, o governo pretende avançar com as etapas regulatórias e administrativas que antecedem a publicação do edital. Esse seria o primeiro leilão de hidrovias realizado pelo Brasil.

Pelo cronograma oficial apresentado pela Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação em maio, o edital da concessão da Hidrovia deve ser publicado no segundo semestre de 2026, enquanto o leilão estava previsto para o primeiro semestre de 2027.

Já o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, afirmou no fim de junho que o governo pretende lançar o edital entre o segundo semestre deste ano e o início de 2027, ressaltando que a definição depende do avanço das negociações com Paraguai e Bolívia

A iniciativa é tratada pelo governo como um dos projetos mais relevantes da agenda de hidrovias e pode abrir caminho para novos modelos de concessão voltados à gestão da infraestrutura de navegação interior no País.

CNN Brasil - SP   07/07/2026

A Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) respondeu à manifestação da Casa Civil e recomendou a retirada de todas as restrições previstas no leilão do Tecon 10 (Terminal de Contêineres) do Porto de Santos. A posição surpreendeu ao contrariar o modelo já aprovado pela própria agência, pelo MPor (Ministério de Portos e Aeroportos) e pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

Segundo Isadora Cohen, colunista da CNN Infra, o projeto vem sendo estruturado desde 2019 e envolve investimentos de quase 7 bilhões de reais, com capacidade de movimentação de 3,5 milhões de contêineres. Trata-se da maior concessão do portfólio de concessões do Brasil, o que torna o impasse em torno de sua modelagem ainda mais relevante.

Leilão em duas etapas e a questão dos incumbentes

O modelo aprovado previa um leilão estruturado em duas etapas. Na primeira, empresas que já operam terminais no Porto de Santos — os chamados incumbentes — estariam impedidas de participar. Apenas se essa etapa não fosse bem-sucedida, o certame seria aberto a esses agentes, desde que se comprometessem a se desfazer de seus investimentos já existentes no porto.

O TCU analisou o projeto e, após divergências internas entre seus membros, manteve o modelo bifásico, inclusive recomendando que empresas de navegação (armadores) também fossem impedidas de participar da primeira etapa, por questões de verticalização.

A Casa Civil, por meio do PPI (Programa de Parcerias e Investimentos), interveio no processo e solicitou à Antaq que esclarecesse que o leilão em duas etapas não tinha como objetivo restringir a concorrência. A orientação era de que incumbentes dispostos a se desfazer de seus investimentos no porto pudessem participar já na primeira fase, ampliando assim a competição. A recomendação era que a agência fizesse os esclarecimentos necessários e publicasse o edital.
Resposta da Antaq surpreende e mantém impasse

No entanto, a Antaq surpreendeu ao responder ao PPI com uma nota técnica questionando a orientação da Casa Civil e recomendando a retirada de todas as restrições do certame. "A agência teria autonomia para desenhar como que é a concorrência dessa modelagem", destacou Isadora Cohen ao explicar o argumento contido na nota técnica encaminhada pela Antaq.

Para Isadora Cohen, a expectativa agora é de que o Ministério de Portos e Aeroportos tome a palavra e oriente a Antaq a seguir com a publicação do edital alinhada à política pública definida pela Casa Civil.

"A gente tem aqui uma janela de oportunidade para que o leilão seja realizado nos próximos tempos", afirmou. Ela ressaltou que, com as eleições de outubro de 2026 no horizonte, o momento é de agir com urgência, especialmente considerando que o estrangulamento da infraestrutura portuária já era apontado desde 2019.
Contraste com o terminal de Itajaí

Isadora Cohen também chamou atenção para um contraste relevante: na semana anterior à gravação do programa, a Antaq publicou para consulta pública o edital de concessão do terminal de contêineres de Itajaí sem qualquer restrição à participação de incumbentes, adotando uma modelagem completamente diferente da aplicada ao Tecon 10.

"Por que faz sentido ter duas etapas em Santos e não faz sentido em Itajaí, sendo que as duas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo?", questionou a colunista, apontando a necessidade de alinhamento regulatório entre os dois processos.

Ao concluir, Isadora Cohen reforçou a importância de que o leilão do Tecon 10 seja realizado o quanto antes. Segundo ela, o projeto representa uma ampliação de mais de 30% da capacidade do Porto de Santos, num contexto de estrangulamento da infraestrutura, e sua realização é fundamental para que o Brasil mantenha competitividade no cenário do comércio exterior global.

A Tribuna - SP   07/07/2026

A modernização da infraestrutura portuária brasileira nunca foi tão necessária. Impulsionados pelo crescimento do comércio exterior, operadores portuários e investidores ampliam aportes em novos terminais, equipamentos de alta tecnologia e soluções logísticas. No entanto, um antigo desafio continua limitando esse avanço: a burocracia estatal e a insegurança jurídica.

Embora instrumentos como o Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (Reporto) e o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi) reduzam os custos dos investimentos, especialistas da Advocacia Ruy de Mello Miller (RMM) alertam que a falta de previsibilidade regulatória e a baixa integração entre órgãos públicos atrasam projetos estratégicos ao setor.

Para o sócio da RMM Fernando Moromizato Jr., esses programas seguem essenciais para a renovação tecnológica dos terminais portuários. “O Reporto reduz significativamente o custo dos investimentos ao suspender tributos importantes, como Imposto de Importação, IPI e PIS/Cofins. O Reidi exerce papel estratégico ao diminuir o custo das obras de implantação e ampliação da infraestrutura portuária”.

Mas, apesar da importância desses mecanismos, Moromizato destaca que a constante incerteza sobre a continuidade dos benefícios prejudica o planejamento empresarial. “Empresas que realizam investimentos de longo prazo precisam de estabilidade regulatória. A dúvida sobre a manutenção desses programas compromete decisões que envolvem milhões de reais”.

Renovação tecnológica

A necessidade de modernização também é impulsionada por exigências da Receita Federal. Diversos terminais alfandegados precisam substituir escâneres por modelos mais modernos e compatíveis com os atuais padrões de fiscalização. Segundo Moromizato, muitos dos equipamentos em operação hoje têm mais de dez anos de uso e já não atendem às exigências técnicas do órgão. O problema é quando esses equipamentos precisam ser importados.

Grande parte dos atrasos ocorre no exame de similaridade, conduzido pelo Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex), responsável por verificar se existe produto nacional equivalente ao equipamento importado. Embora a legislação estabeleça prazos para a análise, o procedimento frequentemente se prolonga diante da exigência de laudos técnicos, consultas públicas, avaliação de catálogos e pedidos de complementação documental.

Enquanto isso, equipamentos avaliados em milhões de reais permanecem parados em áreas portuárias, expostos ao ambiente marítimo, sem operação e sujeitos à deterioração, aguardando autorização para nacionalização.

Desafio amplo
O sócio da RMM José Carlos Higa de Freitas, responsável pelo Núcleo de Direito Público, pontua que renovar equipamentos representa apenas uma parte do desafio. “A modernização precisa contemplar todo o sistema portuário, envolvendo acessos terrestres e aquaviários, integração logística, tecnologia, governança e planejamento de longo prazo”.

Higa destaca que o Brasil vive uma expansão dos investimentos privados, com novos arrendamentos portuários e crescimento dos Terminais de Uso Privado (TUPs). Entretanto, a insegurança regulatória ainda afasta investidores. Para transformar o potencial brasileiro em resultados concretos, é indispensável reduzir a burocracia, fortalecer a segurança jurídica e garantir previsibilidade às regras que orientam os investimentos.

Estados
Os obstáculos não se restringem ao âmbito federal. Mesmo após cumprir todas as exigências obter os benefícios fiscais previstos na legislação, o investidor ainda pode enfrentar dificuldades para conseguir a isenção de ICMS junto às secretarias estaduais da Fazenda. Segundo Moromizato, documentos aceitos por um órgão muitas vezes não são reconhecidos por outro, criando um ciclo de exigências que amplia custos, compromete cronogramas e reduz a eficiência dos investimentos. “O Judiciário tem concedido liminares, assegurando direitos dos investidores, sem interferir no mérito administrativo dos órgãos públicos”.

PETROLÍFERO

Petro Notícias - SP   07/07/2026

A Pré-Sal Petróleo (PPSA) concluiu a assinatura dos contratos de partilha de produção dos cinco blocos arrematados no 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção: Esmeralda, Ametista, Citrino, Itaimbezinho e Jaspe. Os documentos foram assinados eletronicamente pelo Ministério de Minas e Energia (MME), Agência Nacional do Petróleo (ANP), PPSA e pelas empresas vencedoras.

Com a formalização dos contratos, a PPSA passa a administrar 29 contratos sob o regime de partilha de produção. Desse total, nove estão em produção, 13 na fase de exploração e sete em processo de devolução.

Na Bacia de Santos, o bloco Esmeralda foi arrematado pela Karoon, enquanto Ametista ficou com o consórcio formado pela CNOOC (70%) e pela Sinopec (30%). Já na Bacia de Campos, a Equinor venceu o bloco Itaimbezinho, a Petrobrás ficou com Citrino e o bloco Jaspe foi arrematado pelo consórcio formado por Petrobras (60%) e Equinor (40%).

A sessão pública do 3º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha da Produção foi realizada em outubro do ano passado. Nessa rodada de licitações, foram arrematados cinco blocos, todos no polígono do Pré-Sal: Esmeralda e Ametista, na Bacia de Santos; e Citrino, Itaimbezinho e Jaspe, na Bacia de Campos.

Valor - SP   07/07/2026

Queda nas cotações do Brent abre espaços para que Petrobras reduza preços dos combustíveis, dizem especialistas

O aumento na produção de petróleo pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+), anunciado neste fim de semana, não deve trazer impactos ao mercado brasileiro a curto prazo. Porém, a queda nas cotações do barril do tipo Brent, referência mundial, abre espaços para que a Petrobras venha a reduzir os preços dos derivados nas refinarias, avaliam especialistas. O cartel anunciou que aumentará as cotas de produção em 188 mil barris por dia a partir de agosto.

É o quinto mês consecutivo de alta da produção, que desta vez se deu no momento que o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da oferta global de petróleo, é reaberto, mesmo que ainda existam tensões entre Estados Unidos e Irã. Na segunda-feira (6), o petróleo Brent com contratos vencendo em setembro fechou cotado US$ 71,99 por barril, queda de 0,18%.

A decisão da Opep+ ainda não significa um aumento automático da oferta, afirma Bruno Cordeiro, da StoneX. Segundo ele, as cotas de produção indicam os limites máximos que os países podem alcançar, mas não necessariamente que os produtores irão realizar. “A decisão traz a percepção dos países membros da organização de que as negociações entre Estados Unidos e Irã e o aumento de fluxo no Estreito de Ormuz devem representar um aumento da produção nos próximos meses. Isso respalda a expectativa de maior oferta pelo grupo daqui em diante e um avanço das exportações de países membros.”

Segundo Cordeiro, o aumento das exportações por parte de países do Golfo Pérsico tem ocorrido por queima de estoques formados ao longo da guerra, mas ainda não apontam uma produção adicional. No caso do Brasil, um Brent mais baixo contribui para a redução dos preços da gasolina e do diesel, mas há fatores que limitam a queda. “A margem de refino do diesel e da gasolina ainda está elevada, refletindo a percepção de que o balanço global de derivados de petróleo se mantém mais pressionado a médio e longo prazos.”

Para Daniel Osorio, analista da Hedgepoint, o Brasil tem ganhado com as movimentações do petróleo nas últimas semanas, dado o menor custo de produção e o perfil de petróleo com baixo teor de enxofre. “O perfil de petróleo do pré-sal brasileiro é altamente cobiçado pelas refinarias europeias, que estão carentes de componentes para a produção de diesel. Os barris físicos exportados pelo Brasil continuarão a comandar fortes prêmios à vista em relação ao Brent no mercado de derivados.”

Por outro lado, alerta, o Brent abaixo de US$ 72 exerce pressão política sobre a Petrobras para que reduza os preços domésticos dos combustíveis, a fim de igualar a paridade de importação. “Se a Petrobras reduzir os preços de forma muito agressiva com base em um desconto de curto prazo do petróleo bruto, a janela de importação para distribuidores privados se fechará instantaneamente, pois os produtos refinados globais estão estruturalmente em escassez. Os players privados não importarão com prejuízo, podendo expor os setores agrícola e de transporte do Brasil a escassez localizada de diesel no final do terceiro trimestre.”

Sérgio Araújo, presidente executivo da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), diz que a decisão da Opep pode pressionar menos o preço do petróleo, mas com pouco impacto, a curto prazo, sobre os combustíveis importados pelo Brasil. O comportamento dos derivados nem sempre acompanha o desempenho do Brent, afirma.

Segundo a Abicom, a Petrobras negociava o diesel em média 30% abaixo (ou R$ 0,99/litro) do praticado no mercado externo. A gasolina era vendida 23% abaixo da paridade internacional, ou R$ 0,59 por litro.

Money Times - SP   07/07/2026

A Vast Infraestrutura e a Petrobras (PETR4) assinaram nesta segunda-feira, 6, um novo contrato de longo prazo para operações de transbordo de petróleo no T-Oil, Terminal de Petróleo da Vast. Esse é o primeiro acordo que prevê compromissos mínimos de utilização da infraestrutura, localizada no Porto do Açu, no norte do Estado do Rio de Janeiro. Os valores não foram informados.

As companhias têm firmado contratos de transbordo desde 2019. Com o primeiro contrato na modalidade take-or-pay, a relação evolui para uma “maior previsibilidade operacional e garantia de capacidade para ambas as partes”, diz em nota a empresa do Grupo Prumo.

“O novo contrato reflete a confiança mútua desenvolvida ao longo dessa trajetória com a Petrobras e reforça o papel estratégico do T-Oil no escoamento da produção brasileira de petróleo. A modalidade take-or-pay irá garantir mais eficiência para as operações de exportação da Petrobras”, afirma o CEO da Vast, Victor Snabaitis Bomfim.

Além da Petrobras, o T-Oil atende 11 das principais operadoras de óleo e gás que atuam no Brasil, respondendo por cerca de um terço de toda a exportação de petróleo brasileira. A estrutura, que conta com três berços de atracação de embarcações, tem licença para movimentar até 1,8 milhão de barris de petróleo por dia. Em 2025, o terminal realizou 229 operações de transbordo.

Exame - SP   07/07/2026

Os preços do petróleo operam em queda nas negociações internacionais desta segunda-feira, 6, pressionados pela decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) de elevar suas metas de produção e pelos sinais de recuperação das exportações via Estreito de Ormuz.

Por volta das 7h40 (horário de Brasília), o contrato futuro do petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência de preços nos Estados Unidos, recuava 0,55%, a US$ 68,31 por barril. Já o Brent, parâmetro global, caía 0,55%, negociado a US$ 71,72 por barril.

A estratégia da Opep+ e o fluxo no Golfo

A Opep+ confirmou no último domingo, 5, um novo aumento em suas metas de produção, com acréscimo de 188 mil barris por dia a partir de agosto. O volume se soma aos aumentos implementados em junho e julho, como parte da estratégia do cartel para reverter os cortes de produção.

Desde o início do conflito no Oriente Médio, a adição acumulada chega a 940 mil barris por dia, de acordo com informações da imprensa internacional.

Analistas, porém, observam que boa parte desse aumento permaneceu apenas no papel devido às restrições logísticas provocadas pela guerra no Irã. O conflito chegou a fechar o Estreito de Ormuz para o tráfego de petroleiros.

Os dados mais recentes, por outro lado, mostram uma recuperação do fluxo, com as exportações de petróleo do Golfo avançando mais de três milhões de barris em junho, superando dez milhões de barris por dia.

O volume, porém, permanece cerca de 40% abaixo dos níveis registrados antes da guerra.

Analista da PVM, Tamas Varga afirma que os produtores estão vendendo em um mercado em trajetória de queda, o que reduz as perspectivas de recuperação dos preços no curto prazo.

"No entanto, preços mais baixos do petróleo sem dúvida estimularão a demanda mais adiante", disse à Reuters.

O fator chinês e a transição energética

Outro desafio para a sustentação dos preços está na China, maior importadora mundial de petróleo bruto, que vem demonstrando menor apetite por combustíveis fósseis.

O presidente emérito da FGE NexantECA, Fereidun Fesharaki, pontuou que os chineses não têm mostrado interesse em realizar compras volumosas de qualquer fornecedor, frustrando as expectativas de uma recuperação consistente da demanda asiática.

As importações chinesas de petróleo despencaram 29% em maio na comparação anual, atingindo o menor nível desde fevereiro de 2018. Já os fluxos provenientes do Irã caíram pela metade em junho.

E a guerra parece ter acelerado o foco da China na expansão de fontes renováveis e na construção de um novo sistema energético baseado em inovação, segundo o Instituto de Segurança e Política de Desenvolvimento.

Esse cenário também dificulta o escoamento dos estoques de países sob sanções, como o Irã, que acumulou mais de 40 milhões de barris de petróleo armazenados em navios desde a suspensão do bloqueio naval estadunidense.

Dinâmicas de exportação e riscos geopolíticos

Enquanto a demanda chinesa perde força, a oferta global recebe pressão adicional de outros grandes produtores. A Rússia atingiu níveis recordes de exportação de petróleo bruto em junho, tendência que deve se manter em julho.

O aumento dos embarques é consequência dos ataques ucranianos com drones que danificaram refinarias russas, obrigando o país a exportar parte do petróleo que deixou de ser processado internamente.

Ao mesmo tempo, a Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc) tem vendido milhões de barris de petróleo com descontos agressivos em leilões no mercado spot, reforçando o cenário de excesso de oferta no curto prazo.

Mas o Irã "deixou bem claro que a atual passagem 'livre' pelo Estreito de Ormuz está disponível apenas por 60 dias, após os quais começará a cobrar pedágios escalonados", detalhou Fesharaki à CNBC.

"Se você for meu amigo, paga menos. Se não for meu amigo, paga mais. Se eu não gostar de você, talvez nem permita que você transporte seu petróleo por lá", acrescentou o especialista.

Demanda: 1,5 milhão de barris por dia

O banco ANZ revisou suas estimativas e passou a prever uma contração de 1,5 milhão de barris por dia na demanda global de petróleo em 2026, refletindo a forte retração observada no segundo trimestre deste ano.

Ainda assim, a instituição espera que essa perda seja parcialmente compensada no segundo semestre, à medida que a oferta se estabiliza e parte do consumo diferido retorne ao mercado.

Valor - SP   07/07/2026

Governo avalia se manterá a taxa, criada por ocasião da guerra no Oriente Médio; na mesa, a possibilidade de manter com alíquota menor ou encerrar de vez a cobrança

O Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP) manifestou preocupação sobre a possibilidade de manutenção do imposto de exportação de petróleo. Segundo o IBP, ainda que haja redução gradual das alíquotas a depender da evolução do petróleo Brent, a medida irá configurar "continuidade da inconstitucionalidade, dado o caráter assumidamente arrecadatório, ampliando ainda mais a insegurança jurídica no país".

"O sistema fiscal brasileiro já possui mecanismo de captura das elevações dos preços internacionais do petróleo, o que torna o imposto de exportação redundante, desnecessário e injustificado", disse o IBP em nota.

"O setor de petróleo e gás demanda investimentos de elevada intensidade de capital, realizados sob horizontes de longo prazo e baseados na estabilidade das regras jurídicas. Além disso, o petróleo representa um dos principais produtos da pauta exportadora brasileira e responde por parcela significativa da geração de divisas, do superávit da balança comercial e da arrecadação de participações governamentais, já contribuindo fortemente para o equilíbrio fiscal", afirmou o instituto.

O governo ainda avalia se manterá o Imposto de Exportação sobre óleo bruto, criado para ajudar a compensar os subsídios sobre os derivados com o início da guerra no Oriente Médio. Uma possibilidade é manter o tributo com uma alíquota menor ou encerrar de vez a cobrança. Os dois cenários serão avaliados.

Infomoney - SP   07/07/2026

A equipe de análise do Goldman Sachs elevou suas projeções para a produção de petróleo no Brasil e avalia que o país ganhará protagonismo no mercado global nos próximos anos, com impactos positivos para a balança comercial, as contas públicas e empresas do setor.

O banco estima que a produção brasileira aumente de 3,8 milhões de barris por dia em 2025 para 4,8 milhões em 2028, impulsionada principalmente pelo desempenho da Petrobras (PETR3; PETR4), cuja produção deve superar em 11%, em média, o ponto médio do guidance entre 2026 e 2028. Com isso, o Brasil deverá responder por cerca de 4% da produção mundial de petróleo e por aproximadamente 20% do crescimento da oferta fora da Opep em 2027.

Na avaliação do Goldman Sachs, a expansão da produção deve elevar as exportações líquidas de petróleo e derivados de US$ 28 bilhões em 2025 para US$ 47 bilhões em 2028, fortalecendo a balança comercial e contribuindo para uma valorização de 5% a 6% do valor justo do real frente ao dólar, mantidos os demais fatores constantes.
O banco também projeta um aumento expressivo da arrecadação do governo com o setor. As receitas ligadas ao petróleo devem atingir R$ 277 bilhões em 2026, alta de R$ 85 bilhões em relação ao ano anterior, o equivalente a cerca de 10,6% do orçamento federal.

Apesar disso, parte desse ganho será compensada pelo programa de subsídios aos combustíveis anunciado pelo governo, cujo custo fiscal é estimado em R$ 36 bilhões. Ainda assim, o saldo líquido positivo para as contas públicas seria de aproximadamente R$ 49 bilhões em 2026.

Segundo o Goldman Sachs, essa receita extraordinária amplia a margem do governo para cumprir a meta de resultado primário sem a necessidade de cortes adicionais de gastos em um ano eleitoral.

Impacto na Petrobras

No mercado de ações, o banco mantém recomendação de compra para Petrobras (PETR4), destacando a combinação entre crescimento da produção e retorno elevado aos acionistas, com dividend yield estimado em 18% para 2027, considerando o Brent a US$ 72 por barril.

O banco trabalha com uma produção de petróleo cerca de 10% acima do guidance da companhia para 2026 e 2027, impulsionada pelo aumento gradual da produção das plataformas recentemente inauguradas e pela entrada em operação de diversas novas unidades ao longo do período.

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O Goldman Sachs ressalta que suas estimativas não incorporam um eventual aumento da capacidade de produção das plataformas que começarão a produzir petróleo no próximo ano. “Essa possibilidade foi mencionada pela administração da Petrobras durante uma recente teleconferência de resultados e, se confirmada, poderá representar um potencial adicional de alta para suas projeções.”

O banco também destaca que as eleições presidenciais no Brasil, marcadas para outubro, podem funcionar como um catalisador para as ações da Petrobras, caso haja uma mudança para um governo considerado mais favorável ao mercado.

Por outro lado, o Goldman Sachs alerta que um fortalecimento do real frente ao dólar pode representar um fator negativo para a Petrobras e para outras exportadoras brasileiras de petróleo, uma vez que a maior parte das receitas é denominada em dólar, enquanto uma parcela relevante dos custos está atrelada ao real.

O banco também segue com recomendação de compra para Shell e Galp, que devem se beneficiar da expansão da produção brasileira.

AGRÍCOLA

Diário de Cuiabá - MT   07/07/2026

A combinação de margens cada vez mais apertadas nas lavouras de soja e milho, juros elevados e valorização do real frente ao dólar deve provocar uma retração de até 20% nas vendas de tratores e colheitadeiras em 2026. A projeção é da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), que avalia que o mercado de máquinas agrícolas atravessa um dos momentos mais difíceis dos últimos anos.

O cenário preocupa especialmente Mato Grosso, maior produtor nacional de grãos e um dos principais mercados consumidores de máquinas agrícolas do país. O Estado concentra a maior área cultivada de soja, milho e algodão do Brasil, o que faz com que oscilações na renda do produtor rural tenham impacto direto sobre os investimentos em renovação de frota e aquisição de equipamentos.

Dados divulgados pela Abimaq mostram que, entre janeiro e maio deste ano, as vendas de tratores ao consumidor final somaram 16.199 unidades, queda de 9,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram comercializados 17.900 equipamentos.

A retração foi ainda mais intensa no segmento de colheitadeiras. Nos cinco primeiros meses do ano foram vendidas apenas 1.045 máquinas, frente às 1.719 negociadas no mesmo período do ano passado, redução de 39,2%.

Segundo o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão, não há, neste momento, fatores capazes de reverter o cenário.

"O mercado continua muito difícil. Hoje acumulamos queda superior a 20% e não enxergamos nenhum gatilho que possa impulsionar uma recuperação. A expectativa é encerrar o ano com retração entre 15% e 20%", afirmou.

Na avaliação da entidade, a principal razão para a desaceleração está na perda de rentabilidade dos produtores rurais, especialmente daqueles dedicados ao cultivo de soja e milho.

"A rentabilidade caiu. Os preços das commodities estão em um patamar inferior ao observado nos últimos anos e a taxa de câmbio também penaliza o produtor, reduzindo sua capacidade de investimento", explicou Estevão.

Nos últimos ciclos agrícolas, produtores mato-grossenses vêm enfrentando uma combinação de custos elevados de produção, queda nas cotações internacionais da soja e do milho e aumento do endividamento, cenário que levou parte deles a adiar investimentos em tecnologia e renovação da frota de máquinas.

O desempenho do setor também depende do acesso ao crédito rural. Nesta terça-feira (30), o governo federal lançou o Plano Safra 2026/2027, destinando R$ 525,1 bilhões para a agricultura empresarial, valor ligeiramente superior aos R$ 516 bilhões disponibilizados no ciclo anterior.

Para a Abimaq, porém, o programa não deve alterar significativamente o comportamento do mercado.

Segundo Pedro Estevão, o novo Plano Safra mantém a mesma estrutura dos anos anteriores e representa uma política de continuidade.

"Não houve grandes mudanças, mas também não houve decepção. O plano é muito parecido com o do ano passado. É uma continuidade da política que vinha sendo adotada", avaliou.

A entidade considera positivo o esforço do governo em reduzir em um ponto percentual as taxas de juros em diversas linhas de financiamento, mas ressalta que os recursos destinados ao Moderfrota — principal programa voltado à aquisição de máquinas agrícolas — ficaram abaixo da expectativa do setor, com previsão de R$ 5,8 bilhões.

Mesmo assim, a avaliação é de que o Plano Safra não deverá agravar a retração do mercado.

"É um plano neutro. Não cria estímulos suficientes para aumentar as vendas, mas também não representa uma má notícia para a indústria. Em um ano difícil para o produtor, manter as condições já é um fator positivo", concluiu o dirigente.

Para Mato Grosso, onde a mecanização é uma das bases da competitividade do agronegócio, a desaceleração nas vendas de máquinas é vista como mais um reflexo do momento de cautela vivido pelos produtores, que priorizam a recomposição do caixa antes de realizar novos investimentos.

O Estado de S.Paulo - SP   07/07/2026

Representantes do setor privado do Brasil estão em Washington, nos Estados Unidos, neste início de semana, para tratar das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.

Trata-se de uma audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que vai abordar a chamada investigação da “Seção 301”.

Os EUA questionam políticas e práticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — em especial o Pix, tarifas preferenciais, aplicação de leis anticorrupção, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.

O agronegócio está em alerta em relação a este importante debate, marcando presença na capital norte-americana. A Sociedade Rural Brasileira (SRB), entidade com mais de 100 anos de história e pioneira na representação de produtores rurais, está submetendo ao USTR uma resposta formal à investigação.

Um dos recados principais é lembrar que EUA e Brasil colaboram para abastecer o mundo com produtos voltados para enfrentar a insegurança alimentar e reduzir a instabilidade no suprimento global de alimentos.

O Brasil é o terceiro maior exportador mundial de produtos agrícolas e mantém relações comerciais de exportação com mais de 200 países, incluindo a mais antiga parceria comercial com os EUA.

Na relação entre os dois países, há um superávit comercial para os EUA. O Brasil é o 9º maior destino das exportações dos EUA, enquanto ocupa o 18º lugar entre os exportadores para a América do Norte.

É crucial para a economia dos EUA reconhecer que a relação comercial é necessária para manter a estabilização do poder de compra dos cidadãos americanos, para comerem melhor e com alta qualidade, através de uma parceria forte.

O Brasil exportou US$ 12,1 bilhões em produtos agrícolas para os EUA em 2024 (soja, café, carne bovina, suco de laranja, açúcar), mantendo os preços dos alimentos acessíveis para as famílias americanas.

Já os Estados Unidos exportaram US$ 54,38 bilhões em mercadorias para o Brasil em 2025, incluindo máquinas, fertilizantes, defensivos e tecnologia agrícola que impulsionam a produtividade das fazendas brasileiras. O Brasil é o nono maior destino das exportações americanas.

Uma narrativa de perdas comerciais não condiz com uma balança favorável a quem aplica a tarifa.

O Brasil mantém uma política comercial transparente e não discriminatória, em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e seus compromissos internacionais.

Nossa legislação ambiental é uma das mais rigorosas do mundo, estabelecendo parâmetros para preservação e uso sustentável da terra que, em muitos casos, superam as exigências internacionais.

Aproximadamente 66% do território do país permanece coberto por vegetação nativa, e o Código Florestal Brasileiro exige a manutenção de áreas de preservação permanente e reservas legais, mesmo em propriedades privadas. Em alguns biomas, como na Amazônia, o produtor rural deve preservar 80% de sua propriedade e só utilizar os 20% restantes para a atividade agropecuária.

Estes dados de preservação foram confirmados pela Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa), indicando que apenas 7,6% das terras brasileiras são usadas para cultivo agrícola. Além disso, os dados recentes de monitoramento por satélite mostram que o desmatamento vem caindo por três anos consecutivos no Brasil, sem relação com o aumento da produção agrícola.

Brasil e EUA não competem. Eles completam as cadeias de suprimento um do outro.

Uma tarifa que enfraquece a agricultura brasileira enfraquece, ao mesmo tempo, os exportadores de insumos americanos, os fabricantes de máquinas americanos e os consumidores americanos.

A SRB reitera que o Brasil mantém práticas comerciais e ambientais consistentes com seus compromissos internacionais, e que quaisquer medidas restritivas unilaterais contra produtos brasileiros podem afetar o cidadão e a economia dos EUA. Tal ação, caso venha a ser adotada, representa uma barreira comercial injustificada, com impactos negativos para os consumidores e para o comércio bilateral.

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