Clipping Diário

07 | Janeiro | 2026

SIDERURGIA

Valor - SP   07/01/2026

Pela proposta, a SGH adquiriria todos os ativos da BlueScope e, em seguida, venderia os negócios norte-americanos para a Steel Dynamics, incluindo a usina North Star

A Steel Dynamics intensificou os esforços para comprar a usina siderúrgica North Star em Ohio, fazendo parceria em uma oferta de US$ 8,8 bilhões para adquirir sua proprietária australiana, no exemplo mais recente de tarifas remodelando um setor outrora em dificuldades.

A Steel Dynamics, sediada em Indiana, nos Estados Undos, fez três ofertas malsucedidas pela North Star e outros ativos pertencentes à BlueScope Steel, começando no final de 2024. Ontem, a Steel Dynamics informou que se uniu ao conglomerado australiano SGH no mês passado para fazer uma quarta tentativa de comprar o negócio.

O negócio ainda não está fechado, com a BlueScope dizendo que está considerando a proposta mais recente, que avalia seu patrimônio em 13,2 bilhões de dólares australianos, o equivalente a US$ 8,8 bilhões. Pela proposta, a SGH adquiriria todos os ativos da BlueScope e, em seguida, venderia os negócios norte-americanos para a Steel Dynamics, incluindo a usina North Star.

A Steel Dynamics e outros produtores de aço americanos apoiaram com entusiasmo o uso expandido de tarifas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que encorajou a maior expansão da capacidade siderúrgica em décadas. A japonesa Nippon Steel adquiriu a U.S. Steel no ano passado e prometeu US$ 14 bilhões para uma nova usina siderúrgica e para a modernização de plantas mais antigas, particularmente uma perto de Pittsburgh que a U.S. Steel pretendia fechar.

A Steel Dynamics também apostou em uma maior demanda doméstica por aço ao longo do tempo, inclusive acelerando a produção em uma nova fábrica no Texas. Recentemente, adquiriu a New Process Steel, uma fabricante de produtos metálicos sediada em Houston.

“Acreditamos que a aquisição dos ativos norte-americanos da BlueScope será altamente complementar às nossas operações existentes e expandirá ainda mais nossas capacidades internamente”, disse o diretor-presidente da Steel Dynamics, Mark Millett, em um comunicado conjunto com a SGH.

As tarifas deram aos produtores de aço dos EUA mais poder, permitindo-lhes aumentar seus preços sem a ameaça de perder clientes para importações de menor custo, embora a demanda tenha sido fraca até agora.

A usina North Star foi responsável por cerca de 4% da produção de bobinas laminadas a quente dos EUA em 2024, de acordo com a BlueScope. A empresa expandiu significativamente a operação desde que Trump impôs uma tarifa de 25% sobre o aço estrangeiro em 2018. Essa tarifa foi dobrada para 50% no ano passado.

A BlueScope está trabalhando atualmente para aumentar a capacidade na North Star em 10% nos próximos anos, depois que a expansão anterior aumentou a produção em quase 50%.

A usina fica próxima das operações da Steel Dynamics em Indiana e da indústria automotiva de Detroit, grande consumidora de aço.

“A usina de chapas Delta [referência à North Star, localizada em Delta, Ohio] é um dos únicos ativos de chapas de carbono de alta qualidade (e não sindicalizados) dos EUA que ainda não foi adquirido”, disseram os analistas da KeyBanc Capital Markets Philip Gibbs e Samuel McKinney.

Um acordo bem-sucedido significaria que os quatro maiores produtores de chapas de aço dos EUA, o que inclui a Steel Dynamics, teriam quase 90% do mercado em 2027, acima dos mais de 80% no final de 2024, disseram eles.

Além da North Star, a Steel Dynamics ficaria com os negócios de produtos de construção e revestidos da BlueScope na América do Norte como parte do acordo proposto.

Para a BlueScope, crescer nos EUA fazia parte de uma estratégia de vários anos para diversificar-se fora da Austrália. Ela tem estado otimista em relação à demanda de aço nos EUA, impulsionada pelas indústrias de construção e automobilística.

A Steel Dynamics e a SGH argumentam que as operações da BlueScope na América do Norte não são estrategicamente compatíveis com seus outros negócios “e se beneficiariam como negócios independentes sob nova propriedade”. A SGH é controlada pelo bilionário Kerry Stokes e possui várias empresas de serviços industriais, energia e mídia.

“As siderúrgicas norte-americanas veem a usina North Star da BlueScope em Ohio como um ativo atraente há algum tempo”, escreveu o analista do Citi Alexander Hacking. “O desafio era separar os ativos norte-americanos do restante da empresa.”

A BlueScope disse que rejeitou as três abordagens anteriores, que incluíram duas ofertas separadas de um consórcio diferente liderado pela Steel Dynamics no final de 2024, avaliadas em 27,50 e depois 29 dólares australianos por ação.

No início do ano passado, a Steel Dynamics propôs comprar toda a BlueScope. Ela pretendia manter as operações norte-americanas e distribuir os outros ativos aos acionistas da BlueScope, avaliando o negócio da América do Norte em 24 dólares australianos por ação e implicando um valor de pelo menos 9 dólares australianos por ação para os ativos restantes, disse a BlueScope.

A BlueScope disse que as ofertas anteriores eram muito baixas e subavaliavam suas perspectivas. Também destacou o risco de execução, sem entrar em detalhes.

Pela nova proposta, os acionistas da BlueScope receberiam 30 dólares australianos por ação em dinheiro, representando um prêmio de 27% sobre o último preço da ação antes que a oferta fosse feita em 12 de dezembro.

A SGH ficaria com as operações da BlueScope fora da América do Norte, incluindo seus produtos siderúrgicos australianos, produtos revestidos na Ásia e negócios na Nova Zelândia e Ilhas do Pacífico.

ECONOMIA

Globo Online - RJ   07/01/2026

A despeito do tarifaço imposto pelos Estados Unidos e de um cenário externo mais adverso, a balança comercial brasileira encerrou o ano passado com um resultado acima do esperado. O desempenho, no entanto, não afasta riscos à frente, avalia o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Segundo ele, enquanto o país segue fortemente dependente de commodities, a tensão geopolítica agravada pela intervenção americana na Venezuela - que pode afetar o preço e a produção de petróleo - amplia as incertezas sobre o resultado.

A balança comercial brasileira fechou o ano com superávit, mesmo com o tarifaço. O temor foi maior do que o efeito prático?

Era de se imaginar que a imposição de tarifas bloquearia importações e reduziria o comércio. Na prática, isso não ocorreu. Algumas empresas conseguiram redirecionar mercados, enquanto outras foram beneficiadas por efeitos de preço, especialmente no petróleo.

O resultado superou todas as expectativas. Esperávamos redução do superávit, menor comércio global e queda nos preços das commodities, mas nada disso aconteceu. Os dados foram positivos. Para 2026, é incerto. O resultado pode se repetir, mas também pode ser completamente diferente.

O que impediu o tarifaço de surtir efeito? Foi redirecionamento de mercados, efeito de preços ou mudanças na pauta exportadora?

Foi mais o redirecionamento de mercados e de commodities, principalmente. A carne bovina, por exemplo, é um produto que o Brasil sempre teve como tradicional, mas esse ano superou todos os recordes. O petróleo ainda é o principal item da pauta de exportação, seguido por carne e outros produtos.

As empresas todas buscaram fazer alguma coisa. Possivelmente também houve operações entre empresas e matrizes no exterior, mas não dá para mensurar esse movimento.

Que cenário se desenha para a balança comercial em 2026, diante das tarifas ainda vigentes dos EUA, do governo Trump e da situação agora na Venezuela?

Se 2025 foi marcado por indefinição e insegurança, esse ano segue no mesmo caminho. Até agora, não temos segurança de nada. Não temos base para planejamento de longo prazo. Veja, o próprio ministro (Geraldo Alckmin) quando divulgou o resultado da balança, trabalha com uma projeção com margem ampla. Ele próprio reconhece que o cenário está difícil. E, essa insegurança, nem o Brasil nem outro país tem como eliminar.

Será um ano difícil. Isso sem contar com algum problema mais sério no mundo. Já se fala na moratória dos agricultores dos Estados Unidos e, se vier um número negativo, pode ter um impacto na inflação americana e eventualmente também no comércio mundial, porque os Estados Unidos vão ter que rever algumas atividades para atender demandas internas. A China também tem indefinições e grandes riscos internos de "default" no sistema imobiliário. Esperamos não ter que acompanhar de perto para saber o estrago que isso pode fazer no comércio mundial.

A guerra da Rússia e Ucrânia também é outro fator. Essa decisão do Trump no fim de semana, invadindo a Venezuela, em tese traria impacto forte sobre o preço do petróleo. Não podemos esquecer que não temos OMC (Organização Mundial do Comércio), uma ONU mais ou menos. Tudo tem indefinição. Nada tem uma decisão segura. As decisões de Trump também carecem de embasamento técnico e jurídico. O Trump está mexendo com um país da América do Sul que tem capacidade de produzir muito petróleo e, se isso acontecer, podemos ter uma queda de preço na exportação de petróleo. E isso afeta o Brasil.

O ministro Alckmin falou que em 2026 a gente deve ainda ter um resultado positivo vindo do petróleo por conta da exploração do pré-sal...

Você pode dizer que a produção de petróleo está aumentando e isso tende a sustentar a receita mesmo em um cenário de queda de preços. Essa é a tendência. O problema é que a gente está sempre contando com produtos sobre os quais não temos nenhum controle, nem de preço nem de quantidade.

Veja o dado, por exemplo, da corrente de comércio do Brasil. Ela não sai de lugar praticamente. Nós estamos rodando, rodando, rodando. Desde o boom das commodities, no início dos anos 2000, o país incorporou bilhões de dólares em exportações, mas seguimos patinando entre a quarta e a sexta posição no ranking mundial e com uma corrente de comércio em torno de US$ 600 bilhões. Ou seja, tem alguma coisa errada. Nós não nos dedicamos full time à exportação. Apenas acompanhamos o que está acontecendo. O cenário hoje não foi criado pelo Brasil, o Brasil apenas se alimenta desse novo cenário.

O que poderia ser feito de forma estrutural para mudar esse quadro?

A gente tem a expectativa que com a reforma tributária, implementação da reforma tributária, o cenário vai mudar, porque pelo menos o custo do Brasil deve diminuir e talvez com isso o Brasil possa começar a pensar em exportar um pouquinho mais de manufaturado, principalmente na América do Sul.

Mas temos que ver como será feita a implementação da reforma tributária até agora porque ela tem um período de transição. E não podemos esquecer que estamos em ano eleitoral, onde decisões nem sempre estão de acordo com a parte técnica. Mas é uma expectativa que temos que ter, senão continuamos eternamente só com o “antes”.

IstoÉ Dinheiro - SP   07/01/2026

Pressionada pelo crescimento das importações e pelo barateamento das commodities (bens primários com cotação internacional), a balança comercial encerrou 2025 com superávit menor que em 2024, apesar de registrado o melhor resultado para um mês de dezembro desde 1989. No ano passado, as exportações superaram as importações em US$ 68,293 bilhões, uma queda de 7,9% em relação ao superávit registrado em 2024.

Os números foram divulgados nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Apesar do recuo, esse foi o terceiro maior superávit comercial anual desde o início da série história, em 1989.

Os maiores foram o de 2023, quando o superávit chegou a US$ 98,903 bilhões, e o de 2024, quando o resultado positivo ficou em US$ 74,177 bilhões.

Tanto as exportações como as importações bateram recorde. Mesmo com o tarifaço dos Estados Unidos e com a queda no preço das commodities, principalmente do petróleo, as vendas para o exterior somaram US$ 348,676 bilhões, com alta de 3,5% em relação a 2024.

Beneficiadas pelo crescimento da economia, no entanto, as importações aumentaram em ritmo maior. No ano passado, o Brasil comprou US$ 280,382 bilhões do exterior, alta de 6,7%.

Projeções

O saldo comercial veio bastante superior às projeções. O Mdic projetava superávit comercial de US$ 60,9 bilhões em 2025, com US$ 344,9 bilhões em exportações.

Já as importações ficaram abaixo da projeção de US$ 284 bilhões. O fato de as importações terem ficado inferiores ao previsto ajudou a elevar o superávit da balança no fim de 2025.

Resiliência

Em entrevista coletiva, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse que o comércio exterior brasileiro cresceu em 2025, mesmo com o tarifaço e as dificuldades geopolíticas.

“O nosso volume em termos de exportação cresceu 5,7%. O comércio global cresceu 2,4%. Então, crescemos mais que o dobro do comércio global. Isso mostra a resiliência e a boa competitividade dos produtos brasileiros”, declarou.

Apenas em dezembro, a balança comercial registrou superávit de US$ 9,633 bilhões, alta de 107,8% em relação ao mesmo mês de 2024. Esse foi o maior resultado para o mês da série histórica, iniciada em 1989, superando o recorde anterior, de superávit de US$ 9,323 bilhões, em dezembro de 2023. As importações também atingiram valor recorde para o mês.

O valor das exportações e das importações em dezembro ficou o seguinte:
Exportações: US$ 31,038 bilhões, alta de 24,7% em relação a dezembro do ano passado; Importações: US$ 21,405 bilhões, alta de 5,7% na mesma comparaçãoSetores

Na distribuição por setores da economia, as exportações em dezembro cresceram da seguinte forma:
Agropecuária: +43,5%, com alta de 35,2% no volume e de 6,7% no preço médio; Indústria extrativa: +53%, com alta de 58,1% no volume e queda de 3,2% no preço médio; Indústria de transformação: +11%, com alta de 14,9% no volume e queda de 4,2% no preço médio.Produtos

Os principais produtos responsáveis pelo crescimento das exportações em dezembro foram os seguintes:
Agropecuária: soja (+73,9%); café não torrado (+52,9%) e milho não moído, exceto milho doce (+46%); Indústria extrativa: óleos brutos de petróleo (+74%) e minério de ferro (+33,7%); Indústria de transformação: carne bovina (+70,5%) e ouro não-monetário (+88,7%).

No caso do petróleo bruto, a retomada da atividade das plataformas, após um período de manutenção programada em novembro, foi o principal fator para o crescimento.

Em relação às importações, o crescimento está vinculado à recuperação da economia, com o aumento do consumo e dos investimentos.

Na divisão por categorias, os produtos importados foram os seguintes:
Agropecuária: soja (+4.979,1%) e trigo e centeio não moídos (+24,6%) Indústria extrativa: fertilizantes brutos, exceto adubos, +222,4%; carvão não aglomerado (+26,3%); Indústria de transformação: combustíveis (+42,9%) e medicamentos, incluindo veterinários (+47,7%).

O Estado de S.Paulo - SP   07/01/2026

A injeção de R$ 114 bilhões na economia por meio de incentivos públicos corresponderá, pelo menos, à metade da taxa média de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) projetada para 2026 por um grupo de seis instituições financeiras, informa reportagem publicada pelo Estadão/Broadcast. São estímulos vindos principalmente de programas do governo federal, mas também de Estados e municípios. Em ano eleitoral, esses aportes devem fabricar uma sensação de aquecimento econômico, mesmo com os juros nas alturas. O custo da ilusão, porém, será cobrado do próximo governo.

Impulsionado por benesses como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, o PIB deve crescer 1,7% neste ano, segundo a média dos cálculos de Bradesco, Santander, Itaú Unibanco, BTG Pactual, XP Investimentos e Monte Bravo, sendo 0,9% decorrente de estímulos governamentais. Ou seja, o dinheiro público que bancará a distribuição de botijões de gás, descontos e gratuidades em contas de luz, reformas de casas, crédito imobiliário e ampliação do Minha Casa, Minha Vida, entre outros, deve forjar o resultado econômico ilusório pretendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ano em que tentará a reeleição.

Mas, como dinheiro não dá em árvore, a conta chegará – e talvez antes do que se imagina, dado o cada vez mais tumultuado cenário internacional, que tende a mexer com a economia no mundo todo. Crescimento econômico baseado em estímulos governamentais, com aumento de gastos públicos e redução de impostos, fórmula que o governo federal adota sem moderação, traz riscos amplamente conhecidos, sendo os principais o aumento da inflação, dos juros e o desequilíbrio fiscal.

Os estímulos são ferramentas úteis para lidar com crises econômicas, em tempos de recessão, para reduzir os prejuízos causados por fenômenos naturais, como enchentes ou secas severas, ou para enfrentar emergências sanitárias, como a pandemia de covid-19. O uso em excesso de subvenções ou o prolongamento desnecessário de medidas de incentivo é uma armadilha para o futuro. Uma bomba de efeito retardado que o próximo presidente da República terá muita dificuldade para desarmar a partir de 2027.

Há muitos meses, o Banco Central (BC) tem alertado para o perigo de a economia estar operando acima de sua capacidade de produção, um dos principais motivos que elevaram a taxa de juros a exorbitantes 15% ao ano. É um modelo econômico que dissemina a alta de preços por uma lógica básica: há mais dinheiro circulando para uma quantidade de bens e serviços que não aumentou. Para tentar controlar a inflação, o BC apela aos juros altos, o que encarece o crédito, afasta o investimento privado, aumenta o endividamento das famílias e desestabiliza a economia a médio e longo prazos.

Para financiar os estímulos, o governo federal eleva tributos e aumenta seu próprio endividamento, o que, com os juros já nas alturas, ameaça a sustentabilidade fiscal e acende o alerta da inadimplência. É uma aposta de risco, com roteiro para lá de conhecido. Esse quadro deu origem, por exemplo, à grave crise econômica de 2014 a 2016, no governo de Dilma Rousseff.

Neste ano, o risco torna-se ainda maior diante das estimativas de queda da produtividade do setor agrícola, que sustentou a economia brasileira no ano passado. A estimativa da Fundação Getulio Vargas é de que, depois do avanço de dois dígitos em 2025 (10,6%), o agro cresça somente 0,4% neste ano. A projeção é corroborada por bancos e entidades do setor, em razão de questões climáticas.

Ao freio do agro, juntam-se os estímulos mal direcionados que o governo Lula cria com subsídios permanentes – que não raro sustentam setores ineficientes. O quadro de instabilidade está posto, mantendo baixa a produtividade da economia brasileira e aumentando a dependência doméstica de fatores externos. Em meio à expansão de conflitos internacionais, acentuada pela recente ação dos Estados Unidos na Venezuela, com a captura do ditador Nicolás Maduro, afigura-se no horizonte próximo um cenário tenebroso.

IstoÉ Dinheiro - SP   07/01/2026

A projeção do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é de que o superávit da balança comercial fique entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões neste ano.

Para as exportações, a expectativa é de um valor entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões, e para as importações, entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões.

Os resultados da balança comercial em 2025 foram divulgados nesta terça-feira, 6, pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do MDIC.

Foi registrado superávit comercial de US$ 68,3 bilhões no ano passado, resultado que ficou acima das expectativas de mercado (de US$ 65,0 bilhões) e é o terceiro melhor da série histórica, atrás apenas de 2023 e 2024.

O resultado de 2025 foi 7,9% menor do que o registrado em 2024 (US$ 74 bilhões).

IstoÉ Dinheiro - SP   07/01/2026

O Brasil deve terminar 2026 com superávit comercial de US$ 70 bilhões a US$ 90 bilhões em 2026. As estimativas foram divulgadas nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a previsão indica um resultado superior ao registrado em 2025, quando a balança comercial brasileira fechou com saldo positivo de US$ 68,3 bilhões.

Apesar do superávit elevado, o resultado do ano passado representou uma queda de 7,9% em relação a 2024, quando o saldo foi de US$ 74,2 bilhões.

Para 2026, o Mdic estima exportações entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões. As importações devem variar de US$ 270 bilhões a US$ 290 bilhões. Com isso, a corrente de comércio (soma de exportações e importações) pode alcançar entre US$ 610 bilhões e US$ 670 bilhões.
Superação de expectativas

O superávit de 2025 ficou acima das expectativas do mercado, que projetavam cerca de US$ 65 bilhões, e é considerado o terceiro melhor resultado da série histórica, atrás apenas dos saldos registrados em 2023 e 2024.

As projeções oficiais para a balança comercial são atualizadas trimestralmente. Segundo o Mdic, novas estimativas mais detalhadas sobre exportações, importações e saldo comercial de 2026 serão divulgadas em abril.

IstoÉ Dinheiro - SP   07/01/2026

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,32% em dezembro, acelerando em relação ao avanço de 0,20% de novembro, segundo dados publicados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) nesta terça-feira, 6.

O resultado de dezembro igualou o piso das estimativas de instituições de mercado consultadas pelo Projeções Broadcast, que variavam de altas de 0,32% a 0,40%, com mediana de 0,35%.

Ao longo de 2025, o IPC-Fipe acumulou inflação de 3,83%, abaixo dos 4,68% de 2024. A taxa anual também ficou aquém da mediana das expectativas, de 3,87%.

Apenas no mês passado, cinco dos sete componentes do IPC-Fipe ganharam força, migraram para inflação ou caíram em ritmo mais lento: Habitação (de -0,34% em novembro a -0,10% em dezembro), Alimentação (de -0,27% a 0,16%), Transportes (de 0,78% a 0,93%), Saúde (de -0,37% a 0,02%) e Vestuário (de 0,27% a 0,68%).

Por outro lado, houve arrefecimento nas categorias Despesas Pessoais (de 1,94% a 0,92%) e Educação (de 0,05% a 0,04%).

Veja abaixo como ficaram os componentes do IPC-Fipe em dezembro:

– Habitação: -0,10%

– Alimentação: 0,16%

– Transportes: 0,93%

– Despesas Pessoais: 0,92%

– Saúde: 0,02%

– Vestuário: 0,68%

– Educação: 0,04%

– Índice Geral: 0,32%

Veja - SP   07/01/2026

Sacrificadas pelo tarifaço do presidente norte-americano, Donald Trump, as vendas de produtos brasileiros para os Estados Unidos, que vinham renovando recordes em anos anteriores, sofreram um freio brusco em 2025: as exportações daqui para lá caíram 6,6%, de 40,4 bilhões de dólares em 2024 para 37,7 bilhões de dólares em 2025.

Já as importações de lá para cá subiram 11%, para 45,2 bilhões de dólares. Com isso, a vantagem dos Estados Unidos no comércio com o Brasil, que é historicamente positiva para eles, se ampliou e chegou a 7,5 bilhões de dólares. Trata-se de um valor 26,5 vezes maior do que o déficit comercial que o Brasil teve com o mercado americano em 2024, quando essa diferença foi de 283 milhões de dólares, também negativa para o Brasil – ou seja, valor de tudo o que o Brasil importa dos EUA é maior do que tudo o que exporta para lá.

Os Estados Unidos são – e mesmo com o forte recuo, continuam a ser – o segundo maior comprador de produtos brasileiros, atrás apenas da China. Os chineses compram 28% de tudo o que o Brasil vende para o resto do mundo, enquanto os americanos ficaram com uma fatia de 10,8% em 2025. Em 2024, essa participação era de 12%.

As perdas no mercado americano, entretanto, não impediram as exportações brasileiras totais de continuarem crescendo. Elas avançaram 3,5% no ano passado e chegaram a 348 bilhões de dólares, o maior valor já registrado.

Depois de taxar as importações do mundo todo com uma tarifa mínima de 10% em seu grande anúncio de abril, o presidente Donald Trump, que tomou posse em janeiro passado, aplicou, em agosto, uma taxa adicional de 40% sobre boa parte das importações do Brasil. Com isso, diversos produtos brasileiros passaram a pagar 50% de tarifa para entrar nos EUA, recebendo uma das sanções mais altas do mundo. Após conversas com o presidente Lula, o tarifaço de 40% acabou sendo aliviado por Trump mais tarde.

De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, após os recuos de Trump, o Brasil tem agora 22% de sua pauta exportadora para os EUA ainda pagando a tarifa de 50%. No pior momento, em agosto, essa proporção chegou a 37%. A conta considera a participação dos valores exportados dos itens taxados.

“O presidente Lula tem com o presidente Trump um bom relacionamento. Eles tiveram vários encontros, as conversas avançaram e a nossa tarefa é avançar ainda mais”, disse Alckmin em coletiva a jornalistas nesta terça-feira, 5. “O trabalho continua e vai ser acelerado para que esses 22% que ainda enfrentam a tarifa de 50% sejam reduzidos ainda mais”, acrescentou.

Também de acordo com as contas do governo, 51% da pauta de exportações brasileiras aos Estados Unidos, hoje está com a tarifa padrão de 10%, aplicada por Trump a todos os parceiros, ou está entre os produtos que os Estados Unidos mantiveram isentos, como o petróleo. Outros 27% estão enquadrados na chamada Seção 232, a ação de Trump que aplicou tarifas específicas para produtos selecionados, e iguais em todo o mundo. Automóveis, aviões e siderurgia são algumas das indústrias nessa cesta.

MINERAÇÃO

Exame - SP   07/01/2026

O minério de ferro abriu a semana em alta e renovou o maior patamar em mais de cinco meses nesta terça-feira, impulsionado pela demanda firme da China e pelo bom humor nos mercados acionários asiáticos.

Na bolsa de Dalian, na China, o contrato mais negociado para maio avançou 0,69% e fechou a 801 iuanes (US$ 114,77) por tonelada. Durante a sessão, os preços chegaram a tocar 806 iuanes, nível que não era visto desde o fim de julho, refletindo a expectativa de consumo aquecido no principal mercado global da commodity.

O movimento dá continuidade ao desempenho positivo registrado no encerramento de 2025. Com a proximidade do feriado do Ano Novo Lunar, previsto para fevereiro, siderúrgicas chinesas intensificaram a reposição de estoques, mantendo a procura pelo minério em patamares elevados.

Dados do setor indicam que, entre 26 e 31 de dezembro, a taxa de utilização da capacidade subiu tanto nos altos-fornos quanto nos fornos elétricos a arco, sinalizando maior ritmo de produção e, consequentemente, maior necessidade de matéria-prima.

O cenário favorável foi reforçado pela valorização das bolsas asiáticas. Os mercados chineses avançaram e atingiram níveis não vistos em mais de uma década, puxados principalmente pelos papéis ligados a metais não ferrosos e ao setor financeiro.

Em Hong Kong, o pregão também foi de alta, em um ambiente de otimismo que se manteve após o período de festas.

Outros insumos usados na fabricação de aço tiveram comportamento misto. Na Bolsa de Dalian, os contratos de carvão metalúrgico e de coque recuaram levemente. Entre os produtos siderúrgicos, o vergalhão registrou pequena queda, enquanto a bobina laminada a quente, o fio-máquina e o aço inoxidável encerraram o dia em alta, acompanhando a melhora do sentimento do mercado.

Valor - SP   07/01/2026

Após as festas de fim de ano, a volta de um fluxo um pouco mais intenso para a bolsa pode estar ajudando a trazer um fluxo mais “comprador” para o papel, segundo analistas

Os papéis da Vale estenderam os ganhos durante a tarde e chegaram a tocar os R$ 75,98, na máxima do dia, em um dia favorável para ações ligadas a metais. Após as festas de fim de ano, a volta de um fluxo um pouco mais intenso para a bolsa pode estar ajudando a trazer um fluxo mais “comprador” para o papel, segundo analistas.

Por volta das 16h05, as ações da Vale tinham alta de 3,87%, a R$ 75,98. Papéis, como CSN, também subiram 3,98%. No mesmo horário, o Ibovespa avançava 1,21%, aos 163.833 pontos, com a ajuda de blue chips de bancos e da Vale.

O analista de metais e mineração da Genial Investimentos Igor Guedes observa que, desde o feriado do Natal até agora o preço do minério de ferro subiu 3% e que o papel da Vale subiu aproximadamente o mesmo valor no período. “Como nos últimos dias do ano, as negociações na bolsa do Brasil foram fracas por conta do feriado prolongado, o minério de ferro estava subindo em Dalian, mas o fluxo comprador não estava vindo para as ações da Vale”, diz. “Nesta semana, com o fluxo da bolsa voltando ao normal, o papel tende a subir um pouco mais para fazer esse ‘catch-up’ [recuperação]”, acrescenta o analista.

O profissional da Genial afirma que os papéis podem estar se beneficiando do fato de as usinas de aço estarem puxando a demanda pelo processo de estocagem antes do ano novo chinês, que será dia 17 de fevereiro. “Além disso, outros insumos para a produção do aço estão ficando mais baratos, como o carvão metalúrgico, o que ajudaria a aliviar a pressão na margem das usinas.”

CNN Brasil - SP   07/01/2026

As exportações de minério de ferro do Brasil cresceram 7,1% em 2025 na comparação com o ano anterior, para 416,4 milhões de toneladas, registrando um recorde anual, de acordo com dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) publicados nesta terça-feira (6).

O Brasil, um dos maiores exportadores globais, ao lado da Austrália, ampliou seus embarques com um crescimento da produção de mineradoras como a Vale, além da firme demanda da China, maior importador global, e de outros mercados.

O recorde aconteceu após um quarto trimestre forte, com as exportações do país superando 40 milhões de toneladas em outubro e dezembro, números próximos da melhor marca mensal do setor brasileiro.

A máxima anual anterior do Brasil havia sido registrada em 2018, quando os embarques de minério de ferro brasileiro somaram quase 390 milhões de toneladas. Aquele ano antecedeu o desastre em uma barragem da Vale em Brumadinho (MG), que resultou em uma série de revisões em segurança que impactaram a produção no país.

Nos últimos anos, a produção da Vale vem se recuperando. A companhia registrou entre julho e setembro o maior volume trimestral produzido de minério de ferro desde 2018, com 94,4 milhões de toneladas.

No ano de 2025, a produção de minério de ferro da Vale estava estimada para crescer cerca de 7 milhões de toneladas ante 2024, para 335 milhões de toneladas, segundo projeção divulgada no início de dezembro.

Do lado da demanda, expectativas no mercado indicam que a China fecharia o ano com importações recordes, refletindo diversos fatores, como um movimento de reconstrução de estoques, preços competitivos no mercado transoceânico e programas de estímulo do governo chinês para impulsionar a demanda.

Nesta terça-feira, o preço do minério de ferro na bolsa de contratos futuros de Dalian atingiu uma máxima de mais de cinco meses, sustentado pela resiliente demanda chinesa.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   07/01/2026

A Toyota está dando um passo importante na preservação de sua tecnologia e produção de motores para futuros veículos, apesar da rápida eletrificação da China, seu principal mercado. A empresa vislumbra um caminho a seguir equilibrando as diversas necessidades de propulsão de diferentes mercados.

Em 5 de dezembro, a Toyota revelou três carros esportivos ultraluxuosos para lançamento futuro. O GR GT, um veículo híbrido com previsão de chegada ao mercado por volta de 2027, será o primeiro carro de varejo da montadora com um motor V8 de 4 litros.

O Prius híbrido da Toyota possui motores de 1,8 ou 2 litros. Com as regulamentações ambientais cada vez mais rigorosas em todo o mundo, por que a Toyota está apostando no GR GT — posicionado como o ápice dos carros esportivos de produção — e em seu enorme motor?

O GR GT dá continuidade à linhagem dos carros esportivos emblemáticos da Toyota, mas difere de seus antecessores em um aspecto fundamental: foi desenvolvido inteiramente pela própria Toyota, em vez de em parceria com a Yamaha.

"Os automóveis, como produto industrial, correm o risco de se tornarem uma commodity", afirmou Akio Toyoda, presidente da Toyota.

Na era dos veículos elétricos e dos carros autônomos, a superioridade dependerá do desempenho das baterias e da inteligência artificial. A Toyota, uma fabricante de motores tradicional, teme que isso possa custar à montadora sua essência.

A empresa vê um caminho a seguir na combinação de motores e tecnologia ambiental utilizada no GR GT híbrido, que atende às normas ambientais. "O motor ainda tem um papel a desempenhar", disse Toyoda.

Em junho de 2025, fornecedores da Toyota se reuniram em um encontro de fabricantes de motores a combustão interna, onde executivos da Toyota afirmaram que a empresa desenvolveria novos motores, incluindo modelos de alta potência, mantendo o número total de motores até 2030.

Essa estratégia de preservar motores também é uma forma de sobreviver em um mercado automobilístico global cada vez mais dividido entre a China, com seu impulso rumo à eletrificação, e o resto do mundo, onde a transição para veículos elétricos desacelerou ou retrocedeu.

Quando a Toyota inaugurou uma fábrica de baterias no estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, em 12 de novembro, o presidente da Toyota Motor North America, Tetsuo Ogawa, declarou que se tratava de "um momento crucial na história da nossa empresa".

Naquele mesmo dia, a Toyota anunciou planos para investir até US$ 10 bilhões nos próximos cinco anos para aumentar a produção de híbridos e outros veículos nos Estados Unidos.

A empresa pretende impulsionar a produção de motores e componentes híbridos de última geração em cinco fábricas nos Estados Unidos, intensificando as compras locais e reduzindo as importações de peças-chave do Japão.

A decisão foi motivada pela forte demanda. Os híbridos representaram cerca de 13% das vendas de veículos novos por tipo de motorização nos Estados Unidos no trimestre de julho a setembro de 2025, a maior porcentagem entre todos os tipos de veículos eletrificados, segundo a empresa de pesquisa americana Cox Automotive.

O utilitário esportivo RAV4 da Toyota, lançado em dezembro com seu primeiro design totalmente reformulado em seis anos, é o primeiro híbrido padrão da montadora vendido nos Estados Unidos cujas unidades não são mais exportadas do Japão. Esta versão é fabricada na América do Norte.

Na China, onde a transição para veículos elétricos está progredindo rapidamente, a Toyota enfrenta dificuldades.

A BYD implementou cortes de preços e descontos no mercado de sedãs na faixa de 100 mil yuans (cerca de US$ 14 mil), segmento no qual as montadoras japonesas se especializaram. As vendas de veículos novos da Toyota na China totalizaram 1,77 milhão de unidades em 2024, marcando o terceiro ano consecutivo de queda.

"Na China, nosso foco não será em carros para o mercado global, mas em carros fabricados especificamente para a China", disse um executivo da Toyota, sob aplausos entusiasmados, em um evento para seus fornecedores japoneses na China, realizado em Xangai no verão passado. "Se vocês encontrarem nossa sede japonesa pouco cooperativa em relação a investimentos na China, explicarei a situação diretamente a eles."

Na China, frequentemente existe uma desconexão entre as operações locais das montadoras japonesas, que testemunham em primeira mão a evolução da eletrificação e da direção autônoma em um mercado gigantesco, e suas sedes no Japão, que tendem a observar apenas a crescente concorrência.

A observação do executivo da Toyota foi certeira nesse problema e surpreendeu os fornecedores presentes na plateia.

O desenvolvimento de veículos da Toyota na China busca produzir veículos elétricos sob medida para o mercado chinês. O SUV elétrico bZ3X, lançado pela GAC Toyota Motor em março de 2025, foi desenvolvido em conjunto com a parceira local Guangzhou Automobile Group, que possui conhecimento em desenvolvimento e produção de veículos elétricos.

O bZ3X utiliza baterias de fosfato de ferro-lítio, uma fonte de energia mais barata que permitiu que o preço inicial do carro fosse fixado em 109.800 yuans. As vendas ultrapassaram 10 mil unidades em novembro, e a Toyota pretende lançar o sedã elétrico bZ7 ainda este ano.

Construir carros com tantas fontes de energia diferentes é uma proposta dispendiosa. A Toyota corre o risco de ficar para trás em relação às concorrentes que estão investindo pesado em novas tecnologias.

O Estado de S.Paulo - SP   07/01/2026

Os caminhões pesados continuam sendo a “galinha dos ovos de ouro” das montadoras, mas em 2025 quem segurou o caixa das fabricantes foram os modelos médios. Em um ano de crédito restrito, o segmento intermediário não apenas resistiu à crise, como atingiu seu maior volume de vendas dos últimos dez anos.
Médios (alta de 32,5%): surgiram como a alternativa econômica. No atual contexto de juros altos, tornou-se mais lógico investir em um caminhão médio do que operar vários veículos leves, gerando economia real de combustível e manutenção.Leves (queda de 14%): Perderam espaço para os médios, que transportam mais carga com custo operacional proporcionalmente menor.
Renovação de frota e o setor de bebidas

Para David Wong, consultor da Alvarez & Marsal, o fenômeno também é uma questão de ciclo. “A frota de médios estava mais envelhecida em comparação aos pesados, que foram renovados recentemente com a chegada do Euro 6. Era natural que esse movimento de troca ocorresse agora”, analisa.

O setor de distribuição de bebidas e as compras governamentais foram outros pilares desse crescimento. Márcio Querichelli, presidente da Iveco na América do Sul, destaca que grandes frotistas de bebidas — que historicamente utilizam modelos médios para o “porta a porta” urbano — foram às compras em 2025. “As prefeituras também deram ritmo aos negócios ao longo do ano”, completa o executivo.

Valor - SP   07/01/2026

Novas ferramentas serão usadas pela primeira vez no projeto de implantação em larga escala de caminhões autônomos da Aurora, empresa de transporte de cargas, a partir de 2027

A unidade de computação em nuvem da Amazon firmou uma parceria com a fornecedora alemã de hardware automotivo Aumovio para apoiar o lançamento comercial de veículos autônomos, começando com o da Aurora, informaram as empresas nesta terça-feira (6).

Como parte da expansão de uma parceria de longa data, a Amazon Web Services (AWS) se tornará o provedor de nuvem preferencial da Aumovio para o desenvolvimento de direção autônoma impulsionada por ferramentas de inteligência artificial.

As novas ferramentas serão usadas pela primeira vez no projeto de implantação em larga escala de caminhões autônomos da Aurora, empresa de transporte de cargas, a partir de 2027. Suas ações subiram mais de 8% nesta terça-feira.

As montadoras de todo o mundo investiram bilhões em sistemas de inteligência artificial que impulsionam as tão aguardadas tecnologias de direção autônoma, que enfrentaram diversos desafios técnicos.

A colaboração reflete uma mudança mais ampla na condução autônoma, da pesquisa para a implantação comercial, particularmente no transporte de cargas. A Aurora já iniciou operações limitadas de veículos autônomos nos EUA.

“O grande acelerador na indústria tem sido o uso de IA na engenharia, porque permite o desenvolvimento e a validação com recursos significativamente menores”, disse Ozgur Tohumcu, gerente geral de automotivo e manufatura da Amazon Web Services, à Reuters.

Utilizando os sistemas de nuvem da AWS, os engenheiros da Aumovio conseguem analisar grandes quantidades de dados de condução com IA generativa e ativa para detectar situações raras, como detritos na estrada e pedestres nas faixas de tráfego, e acelerar o treinamento e a validação de sistemas autônomos.

“Ao validar um sistema de Nível 4, você está tentando provar que ele se comporta corretamente em situações extremamente raras, muito difíceis de encontrar no mundo real”, disse à Reuters Jeremy McClain, chefe de sistemas e software da unidade de mobilidade autônoma da Aumovio. “Sem IA, encontrar esses casos extremos em conjuntos de dados massivos seria muito difícil.”

A Aumovio, empresa desmembrada da fabricante alemã de pneus Continental no ano passado, fornece a plataforma de hardware para o sistema de direção autônoma da Aurora e um sistema “decontingência” separado, projetado para parar um caminhão com segurança caso o sistema principal de direção autônoma falhe, disseram executivos da empresa em entrevista.

O Estado de S.Paulo - SP   07/01/2026

O mercado brasileiro de veículos comerciais presencia uma “segunda onda” chinesa, agora com uma estratégia mais agressiva: o controle da operação local pelas matrizes. As montadoras chinesas JAC Motors, Foton e Sinotruk iniciaram ofensiva para conquistar o transportador nacional, apostando no fim dos intermediários e em componentes de “grife” para conquista a confiança.

A JAC Motors é a mais recente a oficializar esse movimento. A fabricante passará a vender no país, a partir de 2026, quatro novos modelos de caminhões diesel — do leve ao pesado — com operação 100% própria. A linha inclui o N9170 (9 toneladas), o N13210, o médio A18290 e o pesado A25290, capaz de tracionar até 25 toneladas.
Powertrain consagrado para vencer o preconceito

Para enfrentar marcas veteranas como Mercedes-Benz, Volvo e Scania, a JAC adotou a mesma receita da compatriota Foton: equipar seus veículos com o que há de mais conhecido no mercado global.

Os novos modelos chegam ao Brasil com motores Cummins e caixas de transmissão fornecidas pela ZF ou Eaton. “Essa escolha é vital para o pós-venda. O frotista tem a segurança de encontrar peças de reposição e mão de obra qualificada em qualquer região do país, algo que era o ‘calcanhar de Aquiles’ das marcas chinesas no passado.

Rede de atendimento e fabricação local

A JAC planeja iniciar sua operação com 30 concessionárias e unidades importadas, mas a montagem nacional já está no cronograma. A ideia é aplicar o regime SKD (Semi Knock-Down), utilizando peças importadas para montagem local o mais breve possível.

“Nossa meta é conquistar 1,5% de market share no primeiro ano e chegar a 3% até o fim do terceiro”, afirma Miguel Xun, diretor-geral da companhia.
Por que a aposta na operação própria?

O avanço de marcas como Foton e Sinotruk, além da JAC, revela uma mudança de postura: as fabricantes perceberam que, para obter êxito no Brasil, precisam controlar o pós-venda. No modelo antigo, com representantes locais, a descontinuidade de serviços e a falta de peças minaram a reputação de muitas marcas.

Agora, com as matrizes assumindo o risco, o cenário muda. “O mercado hoje tem mais condições de aceitar o caminhão chinês porque o padrão de qualidade se equiparou ao europeu. O preço competitivo surge como uma alternativa atraente em um momento de crédito escasso para renovação de frota”, explica o consultor David Wong, da Alvarez & Marsal.
Gigantes globais na disputa

A ofensiva não é por acaso. Essas empresas têm força fora do Brasil:
JAC: Já comercializou mais de 1,5 milhão de caminhões em 130 países.Foton: Registrou mais de 11 milhões de veículos comerciais vendidos globalmente entre 1996 e 2023.Sinotruk: Exportou mais de 290 mil unidades da China apenas nos últimos quatro anos e agora busca retomar espaço no mercado brasileiro com estrutura própria.

Exame - SP   07/01/2026

A General Motors (GM) e diversas montadoras tiveram queda nas vendas nos EUA no último trimestre de 2025, um sinal preocupante de que o mercado de automóveis no país deve desacelerar em 2026 à medida que os consumidores reagem aos preços mais altos.

A GM, a maior montadora dos EUA em vendas e uma espécie de indicador para a indústria americana, informou nesta segunda-feira que as vendas caíram 7% no último trimestre de 2025. Honda, Hyundai e Mazda também disseram que suas vendas nos EUA caíram no final do ano.

Segundo informações do The Wall Street Journal, a desaceleração deve se estender para este ano. Analistas e montadoras preveem que as vendas anuais nos EUA cairão em 2026 após três anos consecutivos de crescimento. Consumidores estão cada vez mais preocupados com o orçamento doméstico - o tarifaço do governo Trump também deve ser absorvido pelas empresas e repassado ao consumidor.

A Toyota, que registrou um aumento de 8% nas vendas nos EUA durante o quarto trimestre, afirmou estar se preparando para um "ano difícil". A montadora conseguiu manter o ritmo de vendas no final do ano passado absorvendo os custos das tarifas americanas e porque os compradores de carros se voltaram para os modelos de entrada da empresa, como o sedã Corolla. No entanto, os executivos disseram que as empresas não poderão continuar arcando com os custos das tarifas.

"Os preços vão subir para nós e para nossos concorrentes", disse David Christ, chefe de vendas da Toyota nos EUA, em uma teleconferência com jornalistas.

Piores resultados

As vendas de automóveis nos EUA no ano passado desafiaram os piores cenários da indústria, desencadeados pelos planos iniciais de tarifas do governo Trump.

Em vez disso, o governo flexibilizou as tarifas e os consumidores correram para comprar veículos elétricos antes do fim dos créditos fiscais federais em setembro.

No geral, as vendas de automóveis nos EUA aumentaram cerca de 2% em relação a 2024, chegando a aproximadamente 16,3 milhões de unidades, de acordo com a consultoria J.D. Power.

Tesla deixa de ser a maior fabricante de veículos elétricos em 2025

A Tesla deixou de ser a maior fabricante de veículos elétricos do mundo em 2025 ao reportar sua segunda queda consecutiva nas entregas. A chinesa BYD assumiu a liderança global do setor.

A companhia americana entregou 1,64 milhão de veículos no ano passado, uma retração de quase 9% frente a 2024. A BYD, por sua vez, somou 2,26 milhões de unidades puramente elétricas, crescimento que a posiciona como a nova líder global no segmento. Também considerando híbridos, a chinesa entregou 4,6 milhões de veículos no ano passado.

No quarto trimestre, a Tesla registrou 418.227 veículos vendidos, abaixo da expectativa de analistas. O resultado foi pressionado pelo fim do crédito tributário de US$ 7.500, encerrado pelo governo de Donald Trump em setembro. Junto com os resultados, Musk destacou avanços em seu esforço para lançar um negócio de robotáxis.

Infomoney - SP   07/01/2026

As ações da montadora norte-americana de carros â  elétricos Tesla recuavam mais de 4% nesta terça-feira, depois que o presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, anunciou na segunda-feira um conjunto de modelos e ferramentas de inteligência artificial automotiva de código aberto.

A Tesla espera expandir o lançamento de um serviço de robotáxi este ano e iniciar as entregas de seu veículo autônomo Cybercab.

As ações da montadora norte-americana exibiam queda de 4,5% às 17h27 (horário de Brasília), cotadas a US$430,71.
O Mercedes-Benz CLA 2025 será o primeiro veículo de produção a ser fornecido com o conjunto completo de software de direção autônoma da Nvidia, com entregas a partir do primeiro trimestre nos Estados Unidos.

A empresa disse que a plataforma DRIVE AV está ‘em produção’ e posicionou suas ferramentas como um ‘kit inicial’ para autonomia de Nível 4.

Musk afirmou que ‘talvez isso seja uma pressão competitiva sobre a â  Tesla em â  cinco ou seis anos.

As vendas da Tesla na Alemanha caíram quase pela metade em dezembro em relação ao mesmo mês de 2024, de acordo com a agência alemã de tráfego rodoviário KBA. Os emplacamentos de carros da Tesla no Reino Unido também caíram mais de 29% no mesmo período, segundo dados do setor.

Em 2025, as ações da Tesla acumularam valorização de 11,4%.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Valor - SP   07/01/2026

Setor espera recuperação da classe média em 2026, enquanto Minha Casa, Minha Vida e alto padrão seguem atraindo empresas

No acumulado de 2025, até outubro, dado mais recente divulgado, os lançamentos imobiliários em São Paulo cresceram 41% em comparação com o mesmo período de 2024, para 109,9 mil unidades. Já as vendas subiram 10%, para 94,1 mil unidades, de acordo com pesquisa realizada pelo Secovi-SP (sindicato do setor imobiliário).

Em nível nacional, os lançamentos também tiveram uma alta mais forte do que as vendas, embora de forma menos drástica. De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), os lançamentos cresceram 8,4%, para 307,4 mil unidades, enquanto as vendas subiram 5%, para 312,2 mil unidades.

Parte importante desse movimento se deve ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Com condições de financiamento de obra e ao consumidor muito melhores do que no mercado tradicional, ainda mais em período de Selic em 15% ao ano, a política habitacional atraiu mais empresas em 2025, que correram para colocar seus projetos na rua.

A expectativa do setor é que o programa continue favorável neste ano, com uma tração maior da faixa 4, a mais nova e que atende famílias com renda de R$ 8,6 mil a R$ 12 mil. Ela começou a operar em maio de 2025. “Acreditamos que vamos ter um resultado positivo em 2026, porque as empresas prepararam produtos para se enquadrarem na faixa 4”, afirmou Yorki Estefan, presidente do Sinduscon-SP, em coletiva de imprensa realizada em dezembro.

Cyro Naufel, diretor institucional do grupo imobiliário Lopes, concorda. “[O início da faixa 4] pegou o incorporador no meio do processo de aprovação”, afirma, e em 2026 mais projetos devem estar maduros para chegar ao mercado.

Naufel destaca que um “grande desafio” para este ano é justamente trazer a classe média de volta à compra do imóvel, já que o segmento ficou pressionado pelos juros em 2025.

Enquanto isso, a Lopes tem como uma das metas para 2026 estruturar uma área dedicada para os lançamentos do segmento popular, de olho no crescimento contínuo esperado para o MCMV. A empresa está seguindo uma lógica também adotada por outros negócios do setor: buscar se concentrar na camada popular e no alto padrão, escapando da classe média, aquela que precisa ser reconquistada.

O ano de 2025 foi o primeiro de atuação da linha de propriedades de luxo da imobiliária, e o resultado foi satisfatório, segundo Naufel, com mais de R$ 1 bilhão em lançamentos intermediados pela Lopes.

É o segmento no qual a plataforma Pilar, que funciona como uma rede entre corretores autônomos, imobiliárias e compradores, se concentra desde a sua fundação, em 2022 - só comercializa propriedades que custem a partir de R$ 1 milhão e no mercado de usados.

A empresa participou da venda de R$ 2,5 bilhões em imóveis em 2024 e esperava ultrapassar os R$ 3 bilhões em 2025 - os dados ainda não estão fechados. Para o ano atual, a meta é chegar nos R$ 5 bilhões, conta o cofundador Felipe Abramovay.

Mesmo com o crescimento, que também foi baseado em um incremento do número de corretores associados ao negócio, a Pilar percebeu uma pressão sobre os preços dos imóveis de alto padrão.

As propriedades voltadas para clientes de alta renda seguem resilientes, mas foi preciso enfrentar a competição com o rendimento oferecido pelas aplicações financeiras. “Acabou que as pessoas estão pensando mais antes de imobilizar uma parte do patrimônio”, afirma Luiz Gilbert, também cofundador da Pilar. Isso se traduziu em uma queda no preço médio da venda. Segundo ele, no entanto, esse cenário já começou a se amenizar no último trimestre do ano passado.

A perspectiva de uma queda de juros, nos próximos meses, anima o setor. O difícil é saber quando isso irá ocorrer.

O Sinduscon-SP espera que o PIB nacional da construção cresça 2,7% em 2026, ante 1,8% em 2025. Porém, como explica o vice-presidente de economia da entidade, Eduardo Zaidan, isso vai depender da velocidade da queda da Selic. “Se esse movimento acontecer no primeiro trimestre, podemos ter um efeito mais positivo, fortalecendo nosso cenário-base”, disse.

A expectativa de Naufel é que os lançamentos sejam concentrados até outubro, para evitar o período eleitoral, o que potencializaria o efeito de uma queda mais rápida dos juros - e também de uma queda mais tardia, que traria menos benefícios aos projetos. “A imprevisibilidade e a disputa entre os lados preocupam mais do que o resultado”, afirma, sobre a próxima eleição presidencial.

Infomoney - SP   07/01/2026

O mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com alta de 6,52%, a segunda maior variação dos últimos 11 anos, ficando atrás apenas de 2024, quando os preços avançaram 7,73%. O resultado apresentado pelo Índice FipeZAP mostra a resiliência do mercado imobiliário, mesmo diante da alta taxa de juros registrada ao longo do último ano.

O aumento consolida mais um ano de ganho real para o setor, superando com folga tanto a inflação ao consumidor medida pelo IPCA do IBGE, estimada em 4,18% até novembro, e contrasta ainda mais com a queda de 1,05% registrada pelo o IGP-M/FGV no ano passado.

O ganho aconteceu mesmo a desaceleração dos preços de venda de imóveis residenciais registrada em dezembro, com alta de 0,28% no último mês, mas abaixo do avanço registrado em novembro de 0,58% — e inferior ao resultado de dezembro de 2024, quando chegou a subir 0,66%.

De acordo com a economista do Grupo OLX, Paula Reis, apesar dos juros altos, a economia brasileira como um todo deve fechar 2025 com bons resultados, especialmente no mercado de trabalho, o que ajudou o mercado imobiliário.

“O crescimento do PIB deve ficar em torno de 2,3%, de acordo com o Boletim Focus. Essa taxa é inferior à do ano passado (de 3,4%), porém pode ser considerada de moderada a boa tendo em vista o histórico da última década. O financiamento imobiliário ficou mais caro, mas continuou cabendo no orçamento de parte das famílias”, explica Paula.
Perda de fôlego em dezembro

O aumento mais leve em dezembro indica um movimento de acomodação dos preços, compatível com um mercado mais maduro após dois anos consecutivos de forte valorização, conforme os dados da pesquisa. A variação mensal do FipeZAP ficou ligeiramente acima da prévia da inflação medida pelo IPCA-15, que avançou 0,25% no período, e bem acima do IGP-M, que permaneceu praticamente estável (-0,01%).

Mesmo com a desaceleração em dezembro, a alta foi amplamente disseminada. Em 44 das 56 cidades monitoradas pelo indicador foram registradas valorizações no mês, incluindo 18 das 22 capitais da amostra.

Os maiores avanços mensais foram observados em Belém com alta de 1,54%, Salvador com 1,25% e Brasília com 1,09%. Na outra ponta, houve recuo em cidades como Campo Grande (-1,23%), Curitiba (-0,61%) e Recife (-0,23%).

Aumentos anuais

O movimento de valorização foi generalizado em todas as 56 cidades acompanhadas pelo índice ao longo do ano. Entre as capitais, os destaques ficaram com Salvador com alta de 16,25%, João Pessoa com 15,15% e Vitória com 15,13%. Em mercados mais maduros, como São Paulo, a alta chegou a 4,56% e Rio de Janeiro de 5,21%, o avanço foi mais moderado, mas ainda positivo.

No recorte por tipo de imóveis, aqueles com um dormitório encerraram 2025 com a maior valorização, subindo 8,05%, enquanto unidades com quatro ou mais dormitórios tiveram o menor avanço médio (+5,34%), reforçando a tendência estrutural de maior liquidez e demanda por imóveis compactos.

Em dezembro, o preço médio nacional de venda de imóveis residenciais atingiu R$ 9.611 por metro quadrado. Unidades de um dormitório apresentaram o maior valor médio, ficando em R$ 11.669/m², enquanto imóveis de dois dormitórios tiveram o menor de R$ 8.622/m².

Ao encerrar o ano de 2025 em patamar tão elevado, com valorização real e ampla disseminação geográfica, o mercado imobiliário indica uma consolidação. A desaceleração observada em dezembro sugere, segundo a FipeZap, um ajuste natural após dois anos de forte alta, mas não aponta, ao menos por ora, para que haja alguma reversão de tendência.

“O mercado imobiliário tem apresentado um bom desempenho desde a pandemia. Em 2025, vimos uma redução da variação do preço de venda residencial por conta das condições do crédito imobiliário. Além do aumento da Selic, a queda do saldo da poupança também contribuiu para encarecer o financiamento e levou uma parte das famílias a desistir ou postergar a compra da casa própria”, explica a economista.

Por outro lado, no mercado de trabalho, a taxa de desemprego atingiu o mínimo histórico de 5,2% em novembro com a massa real de renda crescendo desde fevereiro. “Isto significa que o efeito do aumento dos juros foi parcialmente compensado pelo aumento da renda em geral.”

Para 2026, a economista acredita que o comportamento dos preços deve depender do ritmo da atividade econômica, das condições de crédito imobiliário e da trajetória dos juros. Mas ainda assim o desempenho recente indica que o imóvel segue como um dos ativos mais resilientes do mercado brasileiro, preservando valor mesmo em cenários macroeconômicos desafiadores.

“A tendência é que o mercado imobiliário continue se valorizando em 2026, porém em ritmo mais moderado, pelo menos no primeiro semestre”, disse.

A economista afirma que, com a previsão de um início do ciclo de cortes da Selic em março, a taxa deve chegar em dezembro próxima de 12,5%. “O efeito disso nos financiamentos demora um pouco para ser sentido e deve aparecer, com mais intensidade, no terceiro ou quarto trimestre”, acrescenta.

A especialista também cita o início dos testes do Banco Central com um novo modelo de crédito imobiliário para tentar substituir a poupança, uma fonte que está se esgotando. “Na metade de 2026 teremos uma ideia melhor sobre a resposta dos bancos comerciais ao novo modelo, se haverá mais recursos para emprestar e se as taxas ficarão mais baixas”, afirma.

Valor - SP   07/01/2026

Companhias de capital aberto ficam no limiar entre o mercado e a tradição familiar

As incorporadoras brasileiras listadas em bolsa são como um ornitorrinco, o animal que bota ovos, tem bico similar ao de ave, mas é um mamífero. A analogia, que aparece em artigo publicado por pesquisadores da UFABC (Universidade Federal do ABC), vem do fato de essas empresas terem se aberto ao mercado de ações e ao setor financeiro, mas continuarem sob controle familiar e com práticas tradicionais de proximidade com a política.

Autor principal do artigo, o economista Carlos Alberto Penha pesquisa as incorporadoras desde seu doutorado, defendido em 2020, e registrou que havia 21 companhias do tipo listadas na bolsa brasileira, das quais 16 tinham grande parte das ações concentradas nas mãos dos fundadores e de seus familiares, que também ocupam cargos de relevância na estrutura administrativa do negócio.

Para as companhias, é algo que parece estar longe de ser um problema. Os autores também destacam que as maiores empresas do setor, hoje, são familiares e permaneceram assim após o IPO (oferta pública inicial de ações, em inglês). Já entre aquelas que perderam força desde a abertura de capital, há casos emblemáticos de “corporations”, as empresas com controle disperso.

“A PDG talvez seja o melhor exemplo, no começo aparece como grande inovadora, que se adapta a essa dinâmica supermoderna de financeirização, mas depois também dá ‘com os burros n’água’”, afirma Beatriz Tamaso Mioto, economista, professora do curso de Planejamento Territorial da UFABC e uma das autoras do artigo, além de orientadora da tese de Penha.

O pesquisador também cita a Gafisa como exemplo de empresa pulverizada que passa “por um momento bastante complicado”, depois da tomada de controle pelo fundo GWI, em 2018, e de ter se desfeito de negócios relevantes, como a Tenda - exemplo raro de incorporadora sem controle familiar que tem conseguido bons resultados nos últimos anos.

A correlação parece ser real. “O mercado imobiliário é especial, porque é de muito longo prazo, é altamente cíclico e precisa de capital intensivo”, afirma Lígia Maura Costa, coordenadora do Centro de Estudos em Ética, Transparência, Integridade e Compliance da Fundação Getulio Vargas (FGV), que não teve relação com a pesquisa. “Pelo fato de ser uma família, ela consegue enfrentar crise, tomar decisões impopulares no curto prazo, segurar lançamentos.”

Há um controle em evitar o avanço de grandes investidores na estrutura patrimonial” Carlos Penha

— Carlos Penha

Miguel Mickelberg, diretor financeiro e de relações com investidores da Cyrela, que tem a família Horn atuante na gestão, afirma que a necessidade de se divulgar balanços trimestrais “pode gerar pressões internas e fazer os gestores da empresa tomarem decisões que beneficiam os resultados de curto prazo, mas que não são necessariamente as melhores no longo prazo”. A presença dos acionistas fundadores ajuda a “levar o foco das decisões para prazos mais longos”, diz, o que contribui para resultados mais sustentáveis. “No caso da Cyrela, isto sempre ocorreu nos 20 anos desde que a empresa abriu capital”.

Mioto destaca outro motivo para a proximidade dos fundadores: a atividade imobiliária, no Brasil, tem forte relação com o setor público, seja por meio da criação de programas habitacionais - o Minha Casa, Minha Vida (MCMV) já responde por dois terços dos lançamentos feitos em São Paulo - seja pelas fontes de financiamento de obras e clientes, como o FGTS, ou por depender de regulações de nível nacional, estadual e municipal.

“Elas têm poder político mesmo, de mudar as regras na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), mudar a Lei de Distrato” afirma Mioto. “É um setor que é da economia, mas também está fortemente na política, tem associações patronais.”

Costa concorda e ressalta a importância de ter a figura do fundador presente nesses momentos. “No setor imobiliário, o dono da empresa faz diferença, ele é a cara da empresa, é quem vai falar com órgão regulador, porque você precisa buscar aprovações, ter um bom relacionamento, conhecer pessoas”.

Justamente por ser um setor no qual a “cara” da empresa está associada ao fundador, a sucessão se transforma em um risco, já que nada garante que a nova geração seguirá os passos da anterior, lembra a coordenadora.

Para evitar cortes abruptos no comando, é comum ver, no setor, os filhos assumirem a direção enquanto os pais-fundadores ainda estão atuantes em algum nível. É o que ocorre, por exemplo, na MRV e na Cyrela, maiores incorporadoras listadas, em volume anual de lançamentos.

Ainda um setor fortemente masculino, Mioto chama a atenção para o fato de predominar a passagem de bastão para descendentes homens. “Mesmo quando as filhas são mulheres, são os genros, os sobrinhos [que assumem]”.

A pesquisa feita por Penha e Mioto também identificou que a parcela de “free float” (ações disponíveis para negociação pública) é menor nas incorporadoras que seguem sob controle familiar do que nas empresas listadas que não possuem controle definido: em média, era de 50% nas incorporadoras familiares, enquanto se aproximava de 95% em empresas com fundos de investimento como os maiores investidores.

“Há um certo controle em evitar que você tenha um avanço de grandes investidores dentro da estrutura patrimonial [da incorporadora]. Tem uma margem de ações, de 25% a 35%, que fica na mão dos fundadores e dá muito poder de gestão”, explica Penha.

Costa analisa que isso não é algo que afasta investidores, necessariamente. O problema é quando esse controle vem associado a falta de transparência e de mecanismos de compliance. “Um controle sem governança é um privilégio”, diz, e essa insegurança costuma ser precificada no papel da companhia.

Outro risco de empresas com controle forte no núcleo familiar - que pode ser direto ou aparecer segmentado em vários investidores ligados à família, ressaltam os pesquisadores - é de que outros investidores sejam “espremidos”, diluídos por novos aumentos de capital. No entanto, se houver governança, esses movimentos podem ser captados pelo investidor e precificados na ação, afirma Costa. “Não vejo o investidor tendo preconceito com controle familiar, mas com falta de transparência”.

Apesar de estarem integradas ao mercado financeiro, o fato de as incorporadoras seguirem tão próximas do núcleo fundador ajuda a mantê-las fortemente ligadas a sua atividade fim, algo que os autores afirmam ir contra o que a literatura aponta como o caminho natural para companhias que se abrem a fundos de investimento e investidores estrangeiros, e reforça o argumento da “empresa-ornitorrinco”.

“Para as empresas, no limite, tanto faz se ela está investindo na construção de um edifício ou em swap cambial, o que ela está olhando é liquidez e rentabilidade. Mas, na prática, não é isso o que acontece”, pondera Mioto.

Não quer dizer que essas companhias não se expandam para outras áreas, mas tendem a fazer isso em negócios complementares, como estratégia para avançar na atividade principal. É o caso da Cyrela, com a financeira CashMe, de crédito imobiliário, e investimentos em outras incorporadoras, e da MRV, que tem a marca de imóveis para renda Luggo e a ‘spin-off’ (companhia que se origina de outra) LogCP, de galpões logísticos. O grupo da família Menin também tem expressão na mídia e no setor bancário.

Procuradas, MRV, PDG e Gafisa não comentaram.

NAVAL

Portos e Navios - SP   07/01/2026

A movimentação de cargas nos Terminais de Uso Privado (TUP) alcançou 78,7 milhões de toneladas em outubro de 2025, com crescimento de 13,6% em relação ao mesmo mês de 2024, informou nesta segunda-feira (5) a Associação de Terminais Portuários Privados (ATP). Segundo a entidade, o destaque do mês ficou com o Porto Chibatão, em Manaus, no Amazonas, com aumento de 322,6% e 725,5 mil toneladas, segundo dados do Estatístico Aquaviário da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). De acordo com a ATP, outros destaques em outubro foram as movimentações do Terminal Fronteira Norte, que registrou alta de 285%, e do Terminal Portuário Graneleiro de Barcarena, que cresceu 217,5%.

O resultado de outubro reflete, de acordo com a ATP, o crescimento de movimentação de vários tipos de carga. No caso dos granéis sólidos, o volume chegou a 47,5 milhões de toneladas, com crescimento de 15,7%, enquanto os granéis líquidos somaram 23,1 milhões de toneladas, com alta de 16,7% na comparação com o mesmo mês de 2025. A movimentação de carga conteinerizada cresceu 12% em outubro, atingindo 5,1 milhões de toneladas.

Para o presidente da ATP, Murillo Barbosa, os resultados evidenciam a importância dos TUP para o sistema portuário brasileiro, o comércio exterior e a economia do país. “O desempenho observado em outubro reforça o papel estratégico dos TUPs na movimentação portuária nacional”, disse ele.

PETROLÍFERO

O Estado de S.Paulo - SP   07/01/2026

Autoridades da Venezuela e dos Estados Unidos negociam para que o país sul-americano exporte petróleo cru para ser refinado em território americano, afirmou a agência Reuters nesta terça-feira, 6.

A Venezuela tem milhões de barris de petróleo carregados em navios petroleiros e tanques de armazenamento ainda sem serem enviados a algum comprador devido ao bloqueio das exportações do combustível imposto pelo governo americano desde dezembro.

A China tem sido o principal comprador do petróleo venezuelano desde que os Estados Unidos impuseram sanções às empresas envolvidas no comércio de petróleo com a Venezuela em 2020.

O embargo à exportação de petróleo foi uma das ações do governo de Donald Trump para pressionar o regime comandado por Nicolás Maduro. No último sábado, 3, militares americanos capturaram Maduro em território venezuelano e o levaram para Nova York sob acusações relacionadas ao tráfico de drogas.

A petrolífera estatal venezuelana PDVSA já teve que cortar a produção devido ao embargo, devido à falta de espaço para armazenar o petróleo. Se a PDVSA não encontrar uma maneira de exportar petróleo em breve, terá que cortar ainda mais a produção, segundo uma das fontes consultadas pela Reuters.

Trump citou diversas vezes o controle do petróleo venezuelano como a principal razão para a derrubada de Nicolás Maduro. Segundo Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e especialista no setor de óleo e gás, o plano do presidente norte-americano é ter poder no mercado do petróleo internacional, com a possibilidade de ingerência nas grandes reservas do mundo e maior controle sobre os preços e a oferta.

CNN Brasil - SP   07/01/2026

A Venezuela possui a maior reserva de petróleo do mundo, com aproximadamente 303 bilhões de barris, mas sua exploração enfrenta diversos desafios técnicos e geopolíticos. Após a captura de Nicolás Maduro, Donald Trump mencionou 18 vezes a palavra "petróleo" ou "petrolíferas" em seu primeiro pronunciamento público sobre o assunto, revelando o interesse americano nesse recurso natural venezuelano. No Live CNN, Diego Pavão, editor de Internacional, e Pedro Côrtes, analista de Clima e Meio Ambiente, explicam os desafios para a exploração de petróleo no país.

De acordo com especialistas, Trump pretende usar o petróleo venezuelano como uma forma de reembolso por prejuízos causados aos Estados Unidos. Empresas americanas que operavam na Venezuela foram nacionalizadas durante o período do chavismo, gerando perdas significativas para os investidores norte-americanos. No entanto, essa intenção encontra resistência de países como China e Rússia, principais credores da Venezuela, que veem nesse petróleo a garantia para os empréstimos concedidos ao país sul-americano.

Desafios técnicos e investimentos necessários

A infraestrutura da Petróleos de Venezuela (PDVSA), estatal venezuelana do petróleo, está extremamente defasada após anos de má gestão, poucos investimentos e corrupção. Além disso, a qualidade do petróleo venezuelano representa outro obstáculo significativo. "Eu não diria que ele é um petróleo pior, mas um destinado a produtos específicos, como o diesel, que é extremamente importante, ou outros tipos de combustível ou óleos mais densos", explica Pedro Côrtes, analista de Clima e Meio Ambiente da CNN.

Esse tipo de petróleo não pode ser processado em qualquer refinaria, necessitando de instalações específicas. Sua alta viscosidade faz com que, em temperatura ambiente, chegue a entupir oleodutos, exigindo o uso de solventes como o nafta para facilitar seu transporte e processamento. Atualmente, a China é o principal cliente desse petróleo, absorvendo cerca de 70% das exportações venezuelanas.
Prazos e viabilidade econômica

Para retomar a exploração vigorosa do petróleo venezuelano, seriam necessários aproximadamente cinco anos de trabalho e bilhões de dólares em investimentos. "Cinco anos para você remontar a infraestrutura, isso porque os postos já são conhecidos", afirma Pedro Côrtes. Diferentemente de novas áreas de exploração, como a margem equatorial brasileira, que pode levar até oito anos para iniciar a produção, a Venezuela já tem seus campos mapeados e estudados.

O cenário atual de baixa cotação do petróleo também dificulta os investimentos, já que a geração de caixa das empresas está reduzida. Entretanto, nenhuma companhia petrolífera quer abrir mão de ter acesso a 17% das reservas conhecidas no mundo. "As petrolíferas americanas pensam nisso ao longo de vários anos à frente, como qualquer empresa de mineração faz. A exploração de petróleo é uma atividade de mineração e elas fazem o planejamento de longo prazo, de 10, 20, 30 anos", explica o especialista.
Instabilidade política como obstáculo

Um dos maiores impedimentos para a exploração do petróleo venezuelano é a instabilidade política do país. As empresas não estão dispostas a investir bilhões de dólares sem garantias jurídicas e políticas de longo prazo. "Existem empresas, consultorias, que cobram milhões e milhões de dólares para estudar exatamente esse fator de risco político", explica Diego Pavão, editor de Internacional da CNN, destacando que não há garantia nenhuma de segurança política no momento.

Atualmente, a Chevron é a única empresa americana com licença especial para explorar o petróleo venezuelano, o que gera preocupações sobre possível concorrência desleal caso outras companhias americanas entrem no mercado. Qualquer decisão sobre a exploração desse recurso natural terá que considerar não apenas os desafios técnicos e financeiros, mas também as complexas relações geopolíticas envolvendo China e Rússia, que têm interesses diretos nas reservas petrolíferas como garantia para as dívidas contraídas pela Venezuela.

O Estado de S.Paulo - SP   07/01/2026

A operação dos Estados Unidos na Venezuela, que terminou com a captura de Nicolás Maduro, poderá ter efeitos profundos, principalmente no longo prazo, na indústria petrolífera global, uma vez que o país sul-americano é dono das maiores reservas de petróleo do mundo. Mas o processo de recuperação desse setor na Venezuela, completamente sucateado nas últimas décadas, passa por grandes desafios políticos e econômicos. E pode ter reflexo também para a Petrobras, embora a estatal não tenha operações na Venezuela.

A empresa brasileira chegou a pensar em criar uma Petrobras Venezuela no primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, o que acabou não indo para a frente. Nos primeiros mandatos de Lula, os dois países chegaram a fazer uma parceria para construir a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, ao mesmo tempo em que a estatal brasileira iria explorar o campo gigante de Carabobo, na faixa do Orinoco, onde repousa grande parte da reserva de petróleo da Venezuela. Ambos os projetos também não foram para a frente - a Petrobras acabou tocando sozinha a bilionária e polêmica refinaria pernambucana.

Segundo Edmar Almeida, professor e pesquisador do Instituto de Energia da PUC-Rio, o cenário para a Venezuela aponta, em um primeiro momento, que as petroleiras que têm dívidas com a estatal venezuelana PDVSA podem se interessar em investir para tentar recuperar perdas passadas. Mas os grandes investimentos para aumentar a produção, o que poderia atrair a Petrobras, devem ficar para depois.

Após invadir a Venezuela e capturar o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que petroleiras norte-americanas que foram prejudicadas pela estatização do setor no governo Hugo Chávez estariam interessadas em recuperar perdas. Uma maneira de ressarcir a dívida com as empresas seria a entrega do petróleo venezuelano.

“O acordo (entre os Estados Unidos e a Venezuela) vai ser para elas (empresas americanas) voltarem para a Venezuela, e essas empresas irem recebendo essa dívida do passado em óleo. Mas a PDVSA está totalmente quebrada, com gasodutos e refinarias deterioradas, então essas empresas vão ter de investir para poder receber a dívida, ou seja, vão ter de dar mais dinheiro para depois receber lá na frente”, explica Almeida, estimando pelo menos dois anos para que a produção ultrapasse 1 milhão de barris por dia (bpd). Hoje, a produção da Venezuela está em torno dos 700 mil bpd.

Já para o aumento da produção, com a perfuração de mais poços na maior reserva da commodity no mundo, a previsão é de investimentos vultosos, “algo em torno dos US$ 50 bilhões a US$ 80 bilhões”, avalia Almeida. É um processo que pode levar mais de cinco anos. Na avaliação do acadêmico, essa fase poderia despertar o interesse da Petrobras, apesar dos esforços que a empresa poderá ter de fazer nos próximos anos na Margem Equatorial brasileira.

“E, para aplicar esse montante, as empresas não vão aceitar o atual arranjo jurídico em que a PDVSA é a operadora única. Será preciso mudar o marco legal, e isso com certeza não deve acontecer nesse governo”, afirma, ressaltando que a tanto a PDVSA como a Venezuela estão em default, o que impede o país de obter dinheiro no mercado. “É muito provável a volta das empresas nesse arcabouço atual, para manter a produção, mas a mudança da lei para atrair novos investidores como a Petrobras é difícil acontecer tão cedo”, avalia.

Procurada, a Petrobras reafirmou que não tem operações na Venezuela e que “permanece acompanhando o mercado”.

Incertezas na Margem Equatorial

Na avaliação de Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos trouxe instabilidade à região Norte do Brasil, adicionando preocupação adicional para a exploração da Margem Equatorial brasileira - com reflexos nos investimentos da Petrobras.

Apesar de a bacia da Foz do Amazonas, onde a Petrobras está atuando no momento, ficar distante da Venezuela - com as Guianas entre os dois países -, Ardenghy vê as ações do governo americano gerando instabilidade no Norte do Brasil.

“Para o Brasil não tem impacto direto, mas trouxe insegurança naquela região da Margem Equatorial, que é bem próxima. Tem as Guianas antes, mas é claro que tem uma preocupação de uma certa instabilidade lá, é motivo de preocupação que a América do Sul nunca teve”, afirmou.

Para ele, dificilmente a Petrobras terá interesse em explorar os campos de petróleo da Venezuela, e essa tarefa deve ficar mesmo para as petroleiras americanas, que têm dívidas reconhecidas nas cortes dos Estados Unidos e poderão recuperar prejuízos, o que não é o caso da Petrobras.

“Muitas empresas americanas que foram desapropriadas têm milhões de dólares a receber dos venezuelanos, com decisões judiciais já definidas nas cortes americanas. A Chevron, por exemplo, está na Venezuela porque ela alegou que tinha de recuperar o investimento feito”, explicou o executivo, ressaltando que a Chevron estava no final do investimento de cerca de oito anos quando o presidente Hugo Chávez estatizou o setor.

Ardenghy disse ainda que, aos poucos, a consequência da invasão dos Estados Unidos vai impactar os preços do petróleo, dos fretes e dos seguros do setor. Nesta terça-feira, o preço do barril do óleo tipo brent operou por volta de US$ 61, depois de fechar em torno de US$ 60 na sexta-feira. Para Ardenghy, os preços serão contaminados pelas incertezas geradas pelas mudanças na Venezuela, porque ninguém ainda sabe como será a transição do governo.
Exportação para a China

Para Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras e ex-senador, a Petrobras deve começar a dialogar com calma com a China para suprir uma eventual redução de envio de petróleo pela Venezuela. “Mais de 80% do petróleo da Venezuela vai para China, e uma das razões dessa ação dos Estados Unidos é justamente ter o controle da torneira (de petróleo). Ele (Donald Trump) pode até não quebrar os contratos atuais, mas pode, pelo menos, impedir que novos contratos e novos investimentos apareçam por lá“, diz Prates.

Ele avalia também ue uma possível reabertura da Venezuela no setor de petróleo pode atrair outras empresas, incluindo a Petrobras, mas que de maneira nenhuma isso colocaria em risco o apetite pela Margem Equatorial.

“Você está configurando ali (na Venezuela) uma província offshore, onde você vai ter interesse americano, interesse chinês e interesse brasileiro. Ou seja, a possível reabertura da Venezuela não interfere em nada na nossa exploração da Margem Equatorial e nem tira interesse de outras empresas”, afirma.

Segundo ele, a exploração da Margem Equatorial brasileira tem mais chances de entrar com maior velocidade, mesmo sendo daqui a 5 ou 7 anos, além de ser uma produção mais consistente, “com óleo de melhor qualidade em um país não embargado e sem problemas políticos como a Venezuela, que além do mais tem um problema tecnológico”.

Exame - SP   07/01/2026

A Petrobras suspendeu temporariamente as atividades de perfuração na Bacia da Foz do Amazonas após detectar um vazamento de fluido em tubulações auxiliares. O incidente ocorreu no domingo (4) durante operações no poço Morpho, situado a aproximadamente 175 quilômetros do litoral do Amapá.

De acordo com a estatal, o vazamento foi identificado em duas linhas auxiliares que fazem a conexão entre o navio-sonda e o poço exploratório. Em nota, a empresa informou que as operações foram paralisadas para permitir a retirada das tubulações afetadas, que serão levadas à superfície para análise e reparos necessários.

"Segurança da operação está mantida"

De acordo com o texto enviado pela companhia para EXAME, a situação foi imediatamente contida e isolada. "Não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração", afirma a nota oficial.

Por fim, a empresa afirmou que não houve dano ao meio ambiente ou às pessoas, já que "o fluido utilizado atende aos limites de toxicidade permitidos e é biodegradável."

As operações na Margem Equatorial começaram após liberação do Ibama em outubro de 2025, que permitiu uma primeira etapa exploratória em águas profundas na área.

A decisão gerou controvérsia entre ambientalistas, que criticam a atividade na região amazônica, e defensores da exploração, que ressaltam a importância estratégica da área.

O trabalho atual é exclusivamente de pesquisa, sem produção de óleo. A expectativa inicial era de que as sondagens durem cerca de cinco meses, período necessário para avaliar o potencial comercial da reserva através da coleta de informações geológicas.

Ibama acompanha apuração

Também em nota, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que recebeu no domingo a Comunicação Inicial de Incidente da Petrobras via Sistema Nacional de Emergências Ambientais (Siema), canal oficial para acidentes deste tipo.

Segundo o documento, durante a circulação de fluido de perfuração do poço (fluido de perfuração de base não aquosa), foi observado indício de perda e, após inspeção, constatou-se descarga do fluido para o mar. As causas estão em apuração na área competente do Ibama, que acompanha o caso.

Fontes afirmaram para EXAME reservadamente que a causa do incidente pode estar relacionada a dando em alguma mangueira, mas que de fato não há desastre no local.

Potencial bilionário em jogo

A Margem Equatorial representa uma das maiores apostas do setor energético brasileiro para as próximas décadas. Segundo análises de especialistas, a região possui potencial de 10 bilhões de barris recuperáveis, sendo aproximadamente 6 bilhões concentrados na Foz do Amazonas.

Considerando o barril de Brent a 70 dólares e o dólar cotado em torno de 5,40 reais, o ativo bruto poderia superar 3,8 trilhões de reais. Após descontar custos operacionais e considerando margens de 50%, o Brasil teria condições de capturar mais de 2 trilhões de reais ao longo de três ou quatro décadas – montante equivalente a 16% do PIB atual do país.

A urgência para desenvolver a região também tem componente fiscal. A produção nacional deve entrar em declínio entre 2030 e 2035, quando os campos do pré-sal começarem a perder capacidade.

Com a Margem Equatorial em operação, projeções indicam que a receita petrolífera poderia se estabilizar entre 2,5% e 3% do PIB, gerando de 250 bilhões a 350 bilhões de reais por ano.

Globo Online - RJ   07/01/2026

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira que o governo projeta um aumento nas exportações de petróleo brasileiro neste ano, impulsionado por um crescimento na produção do pré-sal.

Segundo Alckmin, em 2026 o petróleo deve seguir sendo o principal item da pauta exportadora nacional.

— Então o primeiro é petróleo, e deve crescer, não pela margem equatorial, mas sim pelo pré-sal. Então há uma expectativa de crescimento do petróleo em relação ao pré-sal — disse Alckmin durante entrevista coletiva dos dados da balança comercial brasileira de 2025.

O vice-presidente minimizou um potencial impacto da crise na Venezuela sobre o desempenho do petróleo brasileiro no mercado internacional no ano que vem. O país sul-americano é dono de uma das principais reservas de petróleo no mundo. O líder da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa foram capturados pelo governo americano neste domingo.

— A Venezuela tem uma grande reserva de petróleo, mas essas coisas não são feitas em 24 horas, é preciso haver investimento. Claro que preço de barril de petróleo é geopolítica, guerra, conflito, vale a pena mencionar que o FEB exclui do centro da meta da inflação o preço do petróleo, porque isso não depende de taxa de juros, depende de geopolítica global — disse.

Alckmin ainda disse que o governo brasileiro “torce” por uma recuperação da economia venezuelana.

— Nós torcemos pela Venezuela, que possa se recuperar, crescer, aumentar sua importação, sua exportação, todo mundo torce para que o país possa se recuperar. Foi uma das economias mais pujantes da América do Sul durante a década de 1970.

Exportações

Segundo os dados apresentados nesta terça, o petróleo seguiu como o principal item da pauta exportadora brasileira em 2025, totalizando US$ 44,6 bilhões no ano passado, apesar de ter registrado uma queda de 0,65% em relação ao valor exportado de 2024.

Apesar das altas expectativas em relação à exploração da Margem Equatorial, em 2026 a principal fonte do produto no Brasil seguirá sendo o pré-sal. No ano passado, a Petrobras anunciou uma de suas maiores descobertas do ano, identificando a presença de petróleo no pré-sal da Bacia de Santos, em um poço exploratório no bloco Aram.

A estimativa da Agência Nacional de Petróleo é que Aram tenha 29 bilhões de barris de petróleo in place, volume considerado excepcional por técnicos da ANP. Segundo especialistas do setor, em geral cerca de 20% a 30% é produzido ao longo da vida útil do campo. Como base de comparação, a estatal chegou ao fim de 2024 com reservas provadas de 11,4 bilhões de barris de óleo equivalente (boe).

Infomoney - SP   07/01/2026

No início do ano passado, a Chevron parecia estar com os dias contados na Venezuela.

A empresa era a última grande petrolífera americana ainda produzindo no país sul-americano, anos depois de outras, como Exxon Mobil e ConocoPhillips, terem saído. Por anos, a Chevron operou com isenções temporárias das sanções dos EUA. Mas, no fim de fevereiro de 2025, o então presidente Donald Trump disse que bloquearia a produção da empresa na Venezuela.

Dez meses depois, a situação mudou completamente. Trump voltou atrás no meio do ano e permitiu que a Chevron continuasse operando no país. Agora, a empresa está em posição privilegiada para se beneficiar depois que as forças americanas capturaram o presidente Nicolás Maduro no último fim de semana em Caracas e aumentaram a pressão para que o país receba mais investimentos das empresas de energia dos EUA.

Essa reviravolta aconteceu, em parte, graças a um forte trabalho de lobby, que incluiu várias conversas no último ano entre Trump e Mike Wirth, o discreto CEO da Chevron.

Mas foi uma aposta feita há cerca de 20 anos que diferenciou a Chevron das outras produtoras americanas na Venezuela. Na época, Hugo Chávez, presidente do país, estava nacionalizando partes da indústria petrolífera, obrigando investidores estrangeiros a aceitarem participações menores nos projetos, sem compensação.

A Exxon, maior empresa de petróleo dos EUA, e a ConocoPhillips saíram do país e vêm tentando, sem muito sucesso, receber bilhões de dólares em indenizações da Venezuela. A Chevron viu uma oportunidade.

“Se a gente saísse toda vez que tivesse um desentendimento com o governo, estaríamos saindo de todo lugar, inclusive daqui”, disse Wirth ao The Wall Street Journal no mês passado.

A Venezuela é conhecida por ter as maiores reservas de petróleo do mundo e, por um tempo, explorou seus recursos com força — em 1997, produzia quase 5% do petróleo mundial. Mas má gestão, corrupção e descaso enfraqueceram a indústria, e hoje o país produz cerca de 1% do petróleo global.

Para a Chevron, a justificativa para continuar na Venezuela era simples, explicou Ali Moshiri, que comandava as operações da empresa no país na época. Em 2006, a empresa assinou um novo contrato que lhe dava participação acionária em um projeto importante, em vez de receber uma taxa pela produção, disse Moshiri, que tinha boa relação com Chávez.

Outras empresas não gostaram das mudanças que Chávez queria porque ganhariam menos do que seus contratos previam. Mas Moshiri viu o lado positivo: os lucros da Chevron poderiam crescer se o preço do petróleo subisse no futuro.

“A gente tinha participação nas reservas e também aproveitava a valorização”, contou Moshiri em entrevista recente ao The New York Times, lembrando como explicou isso para o conselho da Chevron. “A alternativa era fazer como a Conoco: sair do país e esperar para receber.”

A Chevron tem uma visão de longo prazo em vários países, além da Venezuela, como no Cazaquistão, na Ásia Central, que tem alguns dos maiores campos de petróleo do mundo, e em Israel, onde desenvolve dois grandes campos de gás.

Continuar na Venezuela pode trazer ainda mais vantagens para a Chevron. Como a única empresa ocidental autorizada pelo governo dos EUA a exportar petróleo venezuelano, ela está em posição, se as condições políticas melhorarem, para aumentar a produção mais rápido do que empresas que não têm presença no país.

Os investidores estão otimistas. As ações da Chevron subiram mais de 5% na segunda-feira (5), superando o mercado em geral, enquanto Maduro era indiciado em Nova York. A empresa, que não disponibilizou Wirth para entrevista, disse que continuou operando na Venezuela “em total conformidade com todas as leis e regulamentos”.

As ações da SLB e da Weatherford, empresas que fazem grande parte da perfuração e outros serviços para produtores como a Chevron, tiveram ganhos ainda maiores, em torno de 9%. Os investidores apostam que essas empresas de serviços vão lucrar bastante com o maior acesso aos campos petrolíferos venezuelanos.

Mas qualquer aumento significativo na produção de petróleo da Venezuela vai levar anos e exigir investimentos na casa das dezenas de bilhões de dólares. Por enquanto, as sanções dos EUA continuam valendo, assim como a “quarentena” para muitos navios-tanque usados para exportar o petróleo venezuelano.

Também há o preço do petróleo, que na segunda-feira estava abaixo de US$ 60 o barril, mesmo depois de uma alta de quase 2%. Sem preços mais altos, as empresas dificilmente vão se apressar para novos projetos, ainda mais em um país com tantos riscos políticos como a Venezuela.

Mesmo que operar na Venezuela fique mais fácil, as empresas americanas dificilmente vão investir muito sem garantias de que poderão atuar no país por muitos anos sem risco de mudanças nos contratos ou nacionalizações.

Wirth explicou esse dilema em uma teleconferência de resultados em 2023, dizendo que, por operar com uma licença temporária do Departamento do Tesouro, a Chevron não estava fazendo “investimentos grandes” na Venezuela.

Globo Online - RJ   07/01/2026

A operação conduzida pelo governo americano na Venezuela pode levar a oscilações de preços do petróleo como vimos nesta segunda-feira em que teve leve alta e nesta terça quando abriu numa curva ascendente que acabou cedendo ao longo dia. Na avaliação de Fernando Siqueira, CFA e head de research da Eleven, no curto prazo, a combinação produzida pelo conflito pode reduzir a produção venezuelana e aumentar custos logísticos e operacionais, como mostramos aqui no blog, pode até pressionar os preços do petróleo para cima, após um longo período de recuo — a queda acumulada no último ano foi de cerca de 20%. No médio prazo, porém, a perspectiva é de queda.

— A Venezuela produz atualmente cerca de um milhão de barris por dia, pouco mais de 1% da produção mundial. Ou seja, hoje o país é pouco relevante do ponto de vista da oferta. No entanto, possui reservas estimadas de aproximadamente 300 bilhões, as maiores do mundo, o equivalente a cerca de 20% das reservas globais. Caso a intervenção dos Estados Unidos contribua para elevar a produção e as exportações venezuelanas, isso pode gerar uma pressão de baixa sobre os preços do petróleo no médio prazo — explica Siqueira.

Coordenador do Grupo de Economia da Energia da UFRJ e ex-diretor da ANP, Helder Queiroz diz que retomar a produção de petróleo da Venezuela ao que ela foi no passado, quando chegou a produzir três milhões de barris, não será barato - há estimativa de que seria necessário investir US$100 bilhões em dez anos - e não será rápido, ele avalia que serão necessários de quatro a cinco anos. É que apesar de haver ainda alguma infraestrutura no país, ela está ultrapassada e com o barril do petróleo valendo menos, o preço encolheu 20% ano ano passado, é preciso que essa renovação seja feita para a viabilidade econômica. E ainda há um outro ponto, apesar do ímpeto do presidente americano, Queiroz diz que as empresas petrolíferas americanas não embarcaram nesse projeto sem ter certeza de que lhes serão garantida uma estabilidade no país, inclusive jurídica.

- Com o petróleo valendo menos, as empresas tem menos caixa livre para investir e portanto mais seletivas. Se não enxergarem um cenário de estabilidade vão investir em outros locais, inclusive no Brasil - explica.

E num cenário em que há aumento de produção em vários países, incluindo, o Brasil, o Cazaquistão e outros, qual será o interesse em alavancar a produção venezuelana e pressionar ainda mais os preços para baixo? Afinal, se voltasse ao seu tempo auge, a Venezuela poderia colocar no mercado mais dois milhões de barris por dia, num contexto de Europa crescendo pouco, China em patamares menores, o que significaria uma sobreoferta. Helder explica que nesse ponto o interesse de Donald Trump e das pretrolíferas colidem.

- Para o país, isso é bom, pois representa inflação mais baixa. Para as empresas, a queda de preços não interessa.

Em entrevista a Míriam Leitão, David Zylbersztajn, especialista do setor, lembrou que o preço atual do petróleo é inferior à metade do valor praticado entre 2010 e 2014, quando ajustado a preços de hoje — o que equivaleria a cerca de US$ 140 o barril. Nesta terça-feira, de acordo com reportagem da Bloomberg, Donald Trump teria sinalizado a possibilidade de subsídios a esses investimentos.

Infomoney - SP   07/01/2026

O presidente americano, Donald Trump, anunciou há pouco que as autoridades interinas da Venezuela entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo “de alta qualidade e sancionado” aos EUA.

“Este petróleo será vendido a seu preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como Presidente dos Estados Unidos da América, para garantir que seja usado para beneficiar o povo da Venezuela e dos Estados Unidos!”, acrescentou Trump em postagem na Truth Social.

O republicano ainda pediu que o secretário de Energia Chris Wright execute o plano “imediatamente” e comentou que os barris serão transportados por navios de armazenamento e levados diretamente para docas de descarregamento dentro do país.

O Estado de S.Paulo - SP   07/01/2026

Desde que o governo americano atacou a Venezuela e aprisionou o então presidente, Nicolás Maduro, um dado que vem sendo muito repetido é o de que o país sul-americano tem as maiores reservas petrolíferas do mundo. Com um total de 303 bilhões de barris, está à frente até da Arábia Saudita, com 267 bilhões.

Para a Rystad Energy (consultoria internacional no setor energético), no entanto, as reservas de petróleo venezuelanas, no conceito mais amplo, se limitam a 29 bilhões barris de petróleo, ou cerca de 10% do número oficial.

Este conceito mais amplo é definido como a "estimativa mais provável para campos existentes, acrescida de recursos contingentes em descobertas e de recursos prospectivos, com risco, em campos ainda não descobertos."

Nesse conceito (todos os números se referem a 2024), as maiores reservas do mundo são as da Arábia Saudita, com 247 bilhões de barris. Em seguida vêm os Estados Unidos e a Rússia, com respectivamente 156 bilhões e 143 bilhões. Entre os países da OPEP, o segundo e terceiro lugares, depois da Arábia Saudita, ficam com o Iraque e o Irã, com respectivamente 106 bilhões e 86 bilhões de barris. No mesmo conceito, as reservas do Brasil são de 58 bilhões de barris.

Os números menores da Rystad para as reservas provadas da Venezuela (em relação à estimativa oficial) refletem um foco no petróleo economicamente recuperável sob as condições atuais. Já os dados oficiais frequentemente incluem vastas quantidades de petróleo pesado de difícil e cara extração, como o betume da Faixa do Orinoco. Os números da Rystad seguem padrões mais rígidos, como as regras da Sociedade de Engenheiros de Petróleo, organização internacional com 132 mil membros em 146 países.

Embora os números oficiais tenham sido inflados quando a alta nos preços do petróleo tornou parte desse óleo pesado economicamente viável, a Rystad enfatiza que a extração exige a instalação maciça de infraestrutura e elevados investimentos, algo dificultado pelo cenário econômico e político de sanções e má gestão da Venezuela, o que reduz o montante efetivamente considerado "provado".

Assim, as principais diferenças de metodologia entre a Rystad e os números oficiais são de que estes últimos tendem a incluir grandes volumes de óleo extrapesado, classificando-os como provados sempre que os preços sobem. Em contraste, a Rystad Energy utiliza definições mais rigorosas, focando no que é tecnicamente e economicamente recuperável com a tecnologia e o mercado atuais, excluindo recursos de produção excessivamente complexa. Essa discrepância ocorre devido à natureza do petróleo venezuelano, que em sua maioria é extrapesado e requer processamento intenso e diluentes, diferentemente do petróleo leve.

Além disso, a viabilidade econômica flutua; se os preços altos permitiram reclassificar esses recursos nos anos 2000, a queda nos preços ou o aumento dos custos pode reverter esse status. Somado a isso, décadas de desinvestimento e sanções paralisaram a PDVSA, dificultando até a extração convencional, e mais ainda a do óleo pesado, que demanda muito capital. Em essência, enquanto os números oficiais destacam o potencial da base de recursos do país, a Rystad oferece uma visão mais realista e reduzida do que pode ser efetivamente produzido e comercializado do ponto de vista atual.

Naturalmente, com a deposição de Maduro e a posse de Delcy Rodríguez como nova presidente da Venezuela, o cenário pode mudar. Rodríguez é tida como mais pragmática e Trump diz que vai forçá-la a seguir os planos dos Estados Unidos para a Venezuela, que incluem a recuperação do combalido setor petrolífero do país. Tudo isso, porém, são hipóteses por enquanto. O quadro econômico e político da Venezuela ainda está muito longe de qualquer clareza.

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