IstoÉ Dinheiro - SP 06/04/2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ajustou tarifas sobre importações de aço, alumínio e cobre nesta quinta-feira, reduzindo sobretaxas que incidem sobre bens acabados feitos com esses metais. A decisão simplifica o cobrança e evita subnotificação dos valores de importação.
Em uma proclamação assinada por Trump, os EUA manterão a tarifa de 50% sobre as importações de aço, alumínio e cobre, de acordo com a Seção 232 da Lei de Comércio de 1974 que trata de segurança nacional, mas aplicarão a taxa aos preços pagos pelos clientes dos EUA, disse uma autoridade sênior do governo Trump. Não ficou imediatamente claro como o preço de venda – e a tarifa resultante – será determinado.
A autoridade disse que alguns importadores estão citando valores de importação artificialmente reduzidos para diminuir o pagamento das tarifas. Outras mudanças anunciadas pelo governo Trump incluem:
Os EUA eliminarão a tarifa anterior de 50% sobre produtos acabados feitos com aço, alumínio e cobre se o conteúdo do produto com esses metais for inferior a 15% em peso. O funcionário do governo disse que isso eliminará as tarifas da Seção 232 de produtos com conteúdo mínimo de metais, como um frasco de perfume com tampa de alumínio ou um recipiente de fio dental com uma pequena lâmina de corte de aço. Os produtos derivados com mais de 15% de aço, alumínio oucobre em peso terão tarifa reduzida de 25%, mas sobre o valortotal da importação, não apenas sobre o conteúdo de metal.Assim, uma máquina de lavar roupa ou um fogão fabricadossubstancialmente em aço terão uma tarifa fixa de 25%. O objetivo das mudanças é simplificar um regime tarifárioexcessivamente complicado que causava dor de cabeça aosimportadores ao tentar determinar o valor do conteúdo metálicode milhares de produtos acabados, desde peças de tratores atépias de aço inoxidável e equipamentos ferroviários.
“Portanto, é mais fácil, mais simples, mais direto. Para muitos produtos, o valor será menor. Para alguns produtos, será um pouco mais alto, mas, na maioria das vezes, não há problema”, disse o funcionário, acrescentando que a administração analisou as mudanças com o setor e recebeu um feedback positivo.
As mudanças em geral não devem ter nenhuma diferença econômica material em relação ao regime tarifário anterior, disse o funcionário. No entanto, com a cobrança do imposto de 50% sobre o valor total das vendas de metais básicos, pode haver um aumento na receita tarifária.
Investing - SP 06/04/2026
Os preços domésticos de bobinas laminadas a quente na Índia subiram aproximadamente 4% na comparação semanal para Rs 60.000 por tonelada, marcando um aumento de 31% desde as mínimas de meados de dezembro, segundo o Morgan Stanley. Os preços do vergalhão também registraram ganhos de cerca de 5% na semana para Rs 51.400 por tonelada, alta de 20% em relação aos níveis de meados de dezembro.
Os preços domésticos de HRC agora são negociados com um prêmio de aproximadamente 1% em relação aos preços de paridade de importação, incluindo a tarifa de proteção, em comparação com um desconto de 4% na semana anterior.
Os preços CFR China de minério de ferro com teor de 61% Fe permaneceram estáveis na comparação semanal em aproximadamente US$ 108 por tonelada. Os preços domésticos de minério de ferro da NMDC são negociados com um desconto de cerca de 60% em relação à paridade. Os preços do carvão metalúrgico australiano subiram aproximadamente 1% na semana para US$ 237 por tonelada, alta de 7% no mês.
Os spreads domésticos de aço aumentaram cerca de 7% durante a semana, subindo aproximadamente 43% desde as mínimas de meados de dezembro e sendo negociados cerca de 12% acima do pico de abril de 2025.
Os níveis de estoque diminuíram e as importações estão em tendência de queda após a implementação da tarifa de proteção, conforme refletido nos dados do Joint Plant Committee. O Morgan Stanley observou que um ambiente de demanda sazonalmente forte deve absorver os aumentos de produção após as recentes adições de capacidade.
As ações de siderúrgicas superaram o mercado em 2025, subindo aproximadamente 27% em comparação com o ganho de 9% do Sensex, apoiadas por uma tarifa de proteção provisória de 12%. No acumulado do ano, as ações de aço ganharam cerca de 4%, enquanto o Sensex recuou aproximadamente 14%.
A tarifa de proteção permanece em vigor até abril de 2028.
Valor - SP 06/04/2026
A agência de classificação de risco aponta que a gestão dos passivos da companhia permanece “altamente dependente” da concretização da alienação de fatias de negócios do grupo
A Moody’s Local rebaixou, nesta quinta-feira (2), a nota de crédito da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de “AA.br” para “AA-.br”, refletindo incertezas relacionadas ao refinanciamento das dívidas de médio prazo da empresa. O “rating” continua classificado como em revisão para rebaixamento.
A agência de classificação de risco aponta que a gestão dos passivos da companhia permanece “altamente dependente” da concretização da alienação de fatias de negócios do grupo. No início do ano, a CSN anunciou um plano de venda de ativos, que inclui uma participação na CSN Infraestrutura e o controle da CSN Cimentos, com o objetivo de reduzir a alavancagem em até R$ 18 bilhões. A Moody’s afirma que esse processo está sujeito “a riscos relevantes de cronograma e ‘valuation’ [avaliação]”.
A agência avalia positivamente a carta-compromisso assinada pela empresa para viabilizar uma linha de crédito de US$ 1,2 bilhão, com garantia da CSN Cimentos, que deve facilitar a rolagem de dívidas. “Por outro lado, ponderamos que a estrutura com garantias sinaliza uma redução da flexibilidade financeira da companhia, além de favorecer determinados credores em detrimento de outros”, aponta.
Ao longo de 2025, a CSN mostrou melhora nos resultados, com iniciativas de redução de custos e investimentos se refletindo no menor custo caixa por tonelada de aço dos últimos quatro anos, destaca a Moody’s Local. O ambiente de precificação do aço também apresentou alguma recuperação, com a expectativa de medidas antidumping contra importações chinesas. Apesar disso, a agência nota que o volume de aço vendido pela CSN seguiu pressionado pela perda de participação no mercado siderúrgico.
“A CSN continua consumindo caixa, em função do desempenho ainda pressionado da siderurgia, das elevadas despesas financeiras associadas à alta alavancagem e do elevado nível de investimentos”, resume a Moody’s Local.
IstoÉ Dinheiro - SP 06/04/2026
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) afirmou ter realizado ataques com mísseis e drones contra instalações ligadas aos Estados Unidos no Golfo, incluindo setores siderúrgico e de alumínio em países como Emirados Árabes Unidos e Bahrein. Segundo o comunicado, a ofensiva integra a 90ª onda de ataques da operação “Promessa Verdadeira 4” e foi conduzida por forças aeroespaciais e navais do grupo.
A IRGC disse que os alvos incluíram indústrias siderúrgicas dos EUA em Abu Dhabi e “partes intactas das instalações de alumínio” americanas no Bahrein, além de posições militares dos Estados Unidos próximas a Manama. A ação foi descrita como resposta a ataques anteriores contra a indústria iraniana. “Havíamos advertido que, em caso de repetição de ataques às indústrias do Irã, destruiríamos as instalações americanas na região”, afirmou.
O comunicado também menciona vítimas entre forças americanas, dizendo que dezenas de militares teriam sido mortos ou feridos. Segundo a IRGC, áreas atingidas foram isoladas e houve fluxo contínuo de ambulâncias após os bombardeios.
A Guarda Revolucionária classificou a operação como um “aviso” e elevou o tom contra Washington. “Se as indústrias iranianas forem atingidas novamente, a próxima resposta será muito mais dolorosa”, declarou, acrescentando que novos ataques poderão mirar “infraestruturas principais” e instalações econômicas dos EUA na região.
O grupo também alertou o presidente dos EUA, Donald Trump, contra a ampliação do conflito, afirmando que novas ameaças podem “tornar o mundo inseguro para os EUA”. Ontem, o republicano afirmou em discurso à nação que iria intensificar os ataques contra o país persa nas próximas semanas.
O Estado de S.Paulo - SP 06/04/2026
Andrei Spacov, da Exploritas Investimentos, vê câmbio comportado e nível muito elevado do juro real como fatores que podem ajudar o BC. Silvia Matos, do IBRE, se preocupa com expectativas desancoradas.
A mediana das expectativas para o IPCA deste ano subiu de 3,91% há quatro semanas para 4,31% na última leitura do Focus. A alta se deve basicamente à elevação do preço do barril de petróleo em consequência da guerra no Oriente Médio. A grande questão, porém, é se haverá, e qual será, o impacto mais de médio e longo prazo na inflação de 2027 e adiante.
Andrei Spacov, sócio e economista-chefe da gestora Exploritas Investimentos, nota que o impacto primário (direto) da alta do petróleo no Brasil dependerá bastante do que a Petrobrás decidir fazer em termos de elevação dos combustíveis. O alívio na tributação no qual o governo vem trabalhando (e que pode ter adesão dos Estados) ajuda, mas não é suficiente para neutralizar o grosso do impacto da alta do petróleo.
Ele lembra, a propósito, o repasse recente no Chile da alta do petróleo para os combustíveis, de até 50%. O gestor supõe, ressalvando que há grande incerteza, que, no Brasil, a Petrobras deve distender o aumento de forma gradualista ao longo do ano.
De qualquer forma, diz Spacov, "o IPCA de 2026 deve ficar mais próximo de 5% do que de 4%".
Evidentemente, ele acrescenta, o choque atinge também itens como passagens aéreas, frete, alimentos e outros.
Em relação aos impactos em prazos mais longos, o gestor nota que este é "um clássico choque de oferta e um BC com credibilidade pode trabalhar na comunicação para mostrar que só vai reagir aos efeitos secundários [repasse da alta para setores da economia não diretamente expostos ao preço do petróleo e dos combustíveis]".
Na prática, ele continua, isso implica que o Banco Central cortará menos a Selic do que faria num cenário sem choque. A primeira demonstração disso foi a reunião de março, em que o corte foi de 0,25 ponto porcentual (pp), para 14,75%, e não o 0,5pp que era esperado antes da deflagração do conflito no Oriente Médio.
O ciclo total, que muitos no mercado esperavam que levasse a taxa básica para 12%, ou até 11%, agora deve possivelmente se concluir no intervalo de 12-13%, acrescenta Spacov.
O gestor considera que há dois fatores que podem ajudar o BC a conter os efeitos secundários do choque de petróleo. O primeiro é o bom comportamento do câmbio, que não se depreciou (como ocorreu em outros emergentes), e o segundo é o nível ainda extremamente alto do juro real.
O juro real elevado, aliás, é um dos fatores para o bom desempenho do câmbio, e outro é o fato de o Brasil ser exportador líquido de petróleo e seus derivados.
Já a economista Silvia Matos, coordenadora de pesquisa econômica conjuntural do FGV-IBRE, preocupa-se com o fato de que, segundo recentes exercícios detalhados no Boletim Macro IBRE de fevereiro deste ano, "tanto as expectativas de prazos mais curtos, quanto as de prazos mais longos, encontram-se desancoradas, com desvios relevantes".
Ela nota que, com expectativas desancoradas, torna-se mais difícil para a autoridade monetária conter o repasse do choque de oferta, isto é, conter os chamados efeitos secundários. A economista lembra, que na pesquisa Focus, a expectativa mediana para a inflação de 2027 se elevou de 3,8% para 3,84% entre a penúltima e a última leitura; e a de 2028, de 3,52% para 3,57%. A de 2029 se manteve em 3,5%, um nível razoavelmente acima da meta de 3%.
Matos ressalva que a taxa de juros no Brasil já é muito alta, e que "é difícil deixar todo o trabalho para o BC", isto é, a ajuda da política fiscal seria decisiva neste momento. Dessa forma, ela se preocupa com os estímulos do ano eleitoral, num contexto de hiato do produto ainda positivo, mercado de trabalho aquecido e uma inflação de serviços que, na sua visão, deve rodar a pelo menos 5,5% anuais em 2026.
Investing - SP 06/04/2026
O Liberation Day ou Dia da Libertação, data em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), impôs tarifas sobre importações completou 1 ano nesta 5ª feira (2.abr.2026).
A medida tinha como objetivo remodelar a política comercial norte-americana e afetou diversos aspectos da economia global.
Em 2 de abril de 2025, Trump estabeleceu tarifas recíprocas com base inicial de 10% para 125 países, incluindo o Brasil. Ao todo, 185 nações e territórios foram afetados pela medida, que, segundo o governo norte-americano, buscava reduzir o déficit comercial do país.
À época, Trump afirmou que a taxação seria necessária porque cidadãos norte-americanos trabalhadores foram forçados a ficar à margem enquanto outras nações enriqueciam e se tornavam poderosas.
Segundo o presidente, o Liberation Day será para sempre lembrado como o dia em que a indústria norte-americana renasceu.
As tarifas entraram em vigor 3 dias depois do anúncio, em 5 de abril de 2025. Segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), as medidas visavam à independência econômica do país. O objetivo declarado era criar condições mais equitativas no comércio global e fortalecer a manufatura norte-americana.
No caso do Brasil, além da tarifa mínima de 10%, havia taxação de 25% sobre aço e alumínio, em vigor desde 12 de março de 2025. À época, o país estava entre os que receberam a alíquota mínima.
Em 3 de junho de 2025, Trump assinou decreto para dobrar as tarifas de importação de aço e alumínio de 25% para 50%. O Brasil foi um dos afetados. A decisão teve como base a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, que autoriza o presidente a ajustar importações em caso de ameaça à segurança nacional.
A medida entrou em vigor 1 dia depois, em 4 de junho. O aumento impactou fornecedores brasileiros, já que os Estados Unidos são o maior comprador de aço do Brasil e o 2º maior de alumínio.
Um mês depois, a situação se intensificou para as exportações brasileiras. Em 9 de julho de 2025, a Casa Branca anunciou tarifa de 50% sobre produtos do país. Segundo Trump, a decisão se deu em razão do tratamento dado pelo governo brasileiro ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O presidente norte-americano também acusou o Supremo Tribunal Federal de promover uma caça às bruxas e de emitir ordens de censura secretas e ilegais contra o ex-chefe do Executivo. As tarifas de 50% passaram a valer em 1º de agosto de 2025.
A situação se manteve até o encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 26 de outubro de 2025, em Kuala Lumpur, na Malásia.
Dias depois, em 15 de novembro, Washington formalizou a redução de tarifas de importação sobre carne bovina, café, tomate e banana, entre outros produtos. O decreto assinado por Trump cancelou a tarifa recíproca de 10% imposta inicialmente em abril, mas manteve a taxa adicional de 40%, decretada em agosto.
Em 20 de novembro, os Estados Unidos revogaram a tarifa de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros, como carne, café e frutas. Essa foi a última medida adotada em 2025 em relação ao país.
Em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu por 6 votos a 3 que as tarifas globais impostas por Trump eram ilegais. No mesmo dia, o presidente assinou decreto para impor tarifa global de 10% a todos os países.
A nova taxa entrou em vigor em 24 de fevereiro de 2026. Para implementá-la, Trump invocou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que autoriza a medida por até 150 dias. Após esse período, o Congresso deve decidir sobre sua continuidade.
O republicano afirmou que pretende elevar a tarifa global para 15%, o que ainda não foi implementado. Assim, 1 ano depois do Liberation Day, as tarifas voltaram ao patamar inicial de 10% para países e territórios estrangeiros.
IstoÉ Dinheiro - SP 06/04/2026
O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que a economia dos Estados Unidos apresentou “bom desempenho” em 2025, com crescimento de 2%, sustentado por forte produtividade, apesar de mudanças relevantes na política econômica e de um shutdown parcial do governo no fim do ano.
O Fundo projeta aceleração moderada do PIB em 2026, a 2,4%, medido no quarto trimestre contra igual período do ano anterior, e crescimento próximo a 2,1% em 2027. Já a inflação medida pelo PCE, métrica de preços favorita do Federal Reserve (Fed), deve ficar em 2,8% em 2026, antes de desacelerar a 2% em 2027, nível compatível com a meta da autoridade monetária americana.
Segundo o relatório, a trajetória de desinflação deve ser favorecida pela dissipação dos efeitos das tarifas e pela expectativa de recuo dos preços do petróleo, o que deve permitir que o núcleo do PCE retorne a 2% no primeiro semestre de 2027. Ainda assim, o FMI ressalta que a inflação tem mostrado comportamento resiliente no curto prazo.
O crescimento do emprego deve seguir desacelerando, em ritmo inferior ao observado antes da pandemia, refletindo, entre outros fatores, a menor expansão da população em idade ativa. Mesmo assim, a taxa de desemprego deve permanecer próxima de 4% nos próximos anos, projeta o Fundo.
Os riscos de curto prazo para crescimento e mercado de trabalho são considerados “amplamente equilibrados”, mas o Fundo alerta que a alta dos preços de energia representa um vetor de pressão inflacionária. Diretores também destacaram preocupações com o aumento das incertezas domésticas e globais, incluindo o conflito no Oriente Médio.
No campo fiscal, a avaliação é mais cautelosa: a dívida do governo geral dos EUA deve ultrapassar 140% do PIB até 2031, em meio a déficits persistentes. O FMI também projeta que a taxa efetiva de tarifas de importação deve se estabilizar entre 7% e 8,5%, com a entrada em vigor de novas medidas tarifárias.
Sobre política monetária, os diretores avaliaram que os cortes de juros realizados pelo Fed em 2025 foram apropriados, mas indicaram espaço limitado para novas reduções em 2026, diante de pressões inflacionárias ainda presentes.
Agência Brasil - DF 06/04/2026
Há quinze dias no cargo, o novo ministro da Fazenda, Dario Durigan, assumiu o comando da equipe econômica em meio a um cenário de forte pressão sobre as contas públicas.
Segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil, ele assume o comando da área econômica combinando desafios fiscais estruturais herdados da gestão de Fernando Haddad com demandas emergenciais típicas de um ano eleitoral.
Logo nos primeiros dias à frente da pasta, Durigan anunciou um bloqueio de R$ 1,6 bilhão no Orçamento de 2026, valor considerado modesto por analistas diante da necessidade de cumprir o arcabouço fiscal.
O bloqueio foi necessário para acomodar o avanço de despesas obrigatórias dentro do limite de crescimento real de gastos, fixado em até 2,5% acima da inflação. Oficialmente, a equipe econômica projeta um superávit primário de apenas R$ 3,5 bilhões. No entanto, ao incluir precatórios e gastos fora do arcabouço fiscal, o próprio governo prevê déficit primário de R$ 59,8 bilhões.
Pressão por gastos
Ao mesmo tempo em que anuncia o bloqueio de gastos, o ministro articula medidas de impacto imediato, como a criação de um subsídio ao diesel importado e um pacote ainda em elaboração para reduzir a inadimplência das famílias.
Entre as primeiras iniciativas, Durigan confirmou a edição de uma medida provisória que prevê subsídio de R$ 1,20 por litro para o diesel importado, com custo estimado de R$ 3 bilhões, dividido entre União e estados.
Originalmente prevista para a semana passada, a medida provisória (MP) de subvenção ao diesel sai nesta semana porque o ministro esperava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornar das recentes viagens pelo Brasil. O governo busca segurar a alta dos combustíveis em meio à elevação dos preços internacionais do petróleo.
Inadimplência
O novo ministro também trabalha na formulação de políticas para enfrentar o avanço da inadimplência, que já compromete mais de 27% da renda mensal das famílias brasileiras, segundo dados recentes do Banco Central.
Em tese, o pacote não gerará custo para as contas públicas se envolver apenas medidas de renegociação de crédito, mas pode criar despesas caso o governo decida ampliar os subsídios ao crédito.
Taxa das blusinhas
Outra medida que pode pressionar os gastos do governo seria uma possível redução, durante a campanha eleitoral, da taxa das blusinhas, como ficou conhecida a alíquota em 20% de compras do exterior de até US$ 50.
No ano passado, o governo arrecadou R$ 5 bilhões com o tributo, ajudando a cumprir a meta fiscal – ao desconsiderar os precatórios.
Imposto de Renda
Paralelamente, o novo ministro da Fazenda propôs mudanças estruturais, como a automatização da declaração do Imposto de Renda, numa tentativa de simplificar o sistema tributário.
Essa medida, no entanto, não diminui as receitas do governo, porque envolve apenas a redução da burocracia e a evolução da atual declaração prepreenchida do Imposto de Renda.
Desafios de credibilidade
Os desafios enfrentados por Durigan refletem, em grande medida, limitações já observadas na gestão anterior. Para a doutora em Economia Virene Matesco, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV), o principal problema está na dificuldade que o governo tem de cumprir as próprias metas fiscais.
“O governo atual não consegue cumprir as metas que ele mesmo estabeleceu no arcabouço”, afirmou, ao analisar o desempenho recente das contas públicas.
Segundo Matesco, a fragilidade do arcabouço fiscal e o crescimento da dívida pública, que saltou para 78,7% do PIB, comprometem a confiança na política econômica e limitam a capacidade de ação do ministro.
Ela também aponta que o avanço dos gastos obrigatórios e a rigidez orçamentária reduzem o espaço para investimentos, criando um cenário de baixo crescimento. “Existe uma crise de credibilidade fiscal”, alertou, destacando que o país enfrenta um desequilíbrio entre despesas com juros e investimentos públicos.
Baixo crescimento
Já o economista André Nassif, professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), avalia que parte das dificuldades atuais decorre de metas fiscais excessivamente ambiciosas definidas no início da gestão Haddad.
Originalmente, o governo tinha estabelecido meta de déficit zero em 2024 e superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e de 1% do PIB em 2026, também com a margem de tolerância de 0,25 ponto percentual. O resultado primário representa o déficit ou superávit nas contas do governo sem os juros da dívida pública.
Na LDO de 2025, o governo prolongou a meta de déficit zero para 2025 e reduziu para 0,25% do PIB a meta de superávit para 2026 . Na época, a mudança das metas gerou mal-estar no marcado financeiro.
“O mercado entenderia se o governo estabelecesse meta de pequeno déficit em 2025, zerando o resultado primário em 2026. O importante era que houvesse um compromisso em reduzir o rombo”, afirmou.
Pouco investimento
Para Nassif, o aperto fiscal acabou limitando investimentos públicos, que seguem em patamar baixo, cerca de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), insuficiente para sustentar um crescimento econômico mais robusto.
Ele também ressalta que o país segue preso a um ciclo de crescimento irregular. “O país não está entregando crescimento econômico. Continuamos no ‘stop and go’”, disse.
Segundo o professor, com medidas emergenciais já em andamento e margem fiscal estreita, o novo ministro terá como principal desafio reconstruir a credibilidade das contas públicas sem comprometer o crescimento econômico. A equação permanece em aberto desde a gestão anterior.
O Estado de S.Paulo - SP 06/04/2026
O custo do querosene de aviação (QAV), que foi reajustado em 54,6% pela Petrobras de março para abril, será um importante vetor de pressão inflacionária, segundo a Warren Investimentos.
Em comunicado a clientes, a plataforma diz que dados recentes indicam aumento significativo do combustível, com alta acumulada superior a 60% na passagem mensal. Nos cálculos da Warren, o movimento eleva a participação de combustíveis nos custos das companhias aéreas de cerca de 30% a 45%.
“Mesmo com medidas mitigadoras, como o escalonamento de pagamentos anunciado pela Petrobras, a tendência é de repasse gradual às passagens aéreas”, afirma a Warren.
A corretora projeta que os bilhetes aéreos terão avanço de 36% dentro do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026, o que, segundo a instituição, reforça o quadro de inflação pressionada, principalmente em um cenário no qual “o IPCA de guerra” já ronda patamares acima de 5%.
Segundo levantamento do Estadão/Broadcast com base em dados da petroleira, o reajuste efetuado neste mês é o maior da série histórica, que teve início em 2019.
O movimento ganha ainda mais relevância devido a um estudo realizado pela Warren sobre sensibilidade a choques de guerra. “Passagens aéreas estão classificadas no grupo de alta sensibilidade, com histórico de resposta relevante e defasada a choques de petróleo. Assim, a pressão recente sobre o QAV reforça o risco de aceleração desse componente ao longo dos próximos meses.”
Agência Brasil - DF 06/04/2026
A produção industrial avançou 0,9% na passagem de janeiro para fevereiro, segundo crescimento consecutivo. Com o resultado, o setor acumula expansão de 3% este ano.
A produção industrial se encontra 3,2% acima do patamar pré-pandemia de fevereiro de 2020, mas ainda está 14,1% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.
Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quinta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O gerente da PIM, André Macedo, avalia que a indústria recupera as perdas assinaladas nos últimos meses de 2025, com perfil disseminado de crescimento.
“Enquanto janeiro foi caracterizado pela retomada da produção, após um dezembro marcado pela maior frequência de férias coletivas e paralisações técnicas, fevereiro se destaca pelo avanço da produção, possivelmente associado a um processo de recomposição de estoques em diferentes setores industriais”, explica o pesquisador.
Segundo o IBGE, o crescimento da produção industrial foi registrado nas quatro grandes categorias econômicas e em 16 dos 25 ramos pesquisados.
Entre as atividades, as influências positivas mais importantes foram observadas em veículos automotores, reboques e carrocerias (6,6%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,5%).
“Nesses setores, as principais pressões positivas vêm de automóveis e autopeças, na indústria automobilística, e derivados do petróleo e álcool etílico, na atividade dos derivados do petróleo e biocombustíveis”, disse André Macedo.
"A atividade de veículos automotores, reboques e carrocerias acumula expansão de 14,1% nos dois primeiros meses de 2026 e elimina o recuo de 9,5% verificado nos dois últimos meses de 2025”, mostra o IBGE.
“A produção de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, marcando o terceiro mês consecutivo de crescimento, registrou ganho de 9,9% neste período", aponta o IBGE.
Entre as atividades que apresentaram recuo, a principal influência veio da produção de farmoquímicos e farmacêuticos (-5,5%), que intensificou a queda verificada no primeiro mês do ano (-1,4%).
“Na indústria farmacêutica, caracterizada pela maior volatilidade de seus resultados, observa-se o segundo mês consecutivo de queda, influenciado, em grande medida, pela elevada base de comparação, em função do avanço de 19% acumulado nos dois últimos meses de 2025", explica o gerente da pesquisa.
A pesquisa também destaca os impactos negativos observados nos setores de produtos químicos (-1,3%) e de metalurgia (-1,7%).
Infomoney - SP 06/04/2026
Há alguns anos, tive o pressentimento de que a cultura de longa data da China de debates acalorados sobre política econômica iria desaparecer. E agora isso aconteceu. Essa é a mensagem transmitida pelo triste fim do Fórum de Desenvolvimento da China (China Development Forum – CDF, na sigla em inglês), encontro do qual tive o privilégio de participar desde sua criação.
Pelo menos até este ano. Depois de participar em 25 CDFs consecutivos – o que faz de mim o delegado estrangeiro com mais tempo de participação –, não fui convidado em 2026. Os organizadores me enviaram, tardiamente, uma nota formal agradecendo pela minha participação ao longo dos anos, juntamente com seus votos de “um Ano do Cavalo muito saudável, feliz e próspero”.
China protesta contra alerta dos EUA sobre mudança em regras de Hong Kong
Fiquei desapontado, mas dificilmente chocado. Em 2024, fui informado de que, embora ainda pudesse participar no CDF, não me seria permitido falar em nenhuma sessão pública.
Minhas opiniões sobre a China (e especialmente sobre Hong Kong) tinham se tornado mais cautelosas, e me foi dito que meus comentários sobre a economia chinesa tinham “gerado escrutínio intenso e até controvérsia” entre a imprensa chinesa e estrangeira, o que lhes sugeriu que quaisquer comentários que eu fizesse no CDF seriam “mal interpretados e até mesmo explorados de forma sensacionalista” pelos meios de comunicação social. Os organizadores foram explícitos ao afirmar que isso não seria do meu interesse – nem do da China.
Ainda assim, participei no fórum como espectador em 2024 e de novo no ano passado. Como escrevi na época, o objetivo era continuar a comparecer e testemunhar o destino do CDF.
Embora não tenha conseguido fazê-lo este ano, meus amigos na China me deram um resumo de como foi o evento. O CDF tem agora um dia a menos, tendo sido reduzido de três para dois dias em 2024, e o primeiro-ministro Li Qiang fez um discurso de abertura pelo terceiro ano consecutivo, em vez de organizar um diálogo interativo no final.
Uma cópia pirata da agenda revela 13 seminários com duração média de 90 minutos, contando com um total de 117 oradores. Tendo em conta as falas de abertura dos moderadores das sessões e os ajustes de tempo de cortesia para oito oradores principais, quatro laureados com o Prêmio Nobel e um discurso especial do CEO da Apple, Tim Cook, isso se resume a uma média de cerca de seis minutos por orador. Isso torna quase impossível dizer algo de significativo e deixa pouco espaço para perguntas, quanto mais para debate.
Estas sessões em ritmo acelerado dificilmente fizeram justiça ao tema importante do CDF deste ano: como garantir um desenvolvimento de alta qualidade e criar novas oportunidades à medida que a China inicia seu 15.º Plano Quinquenal.
O início de um novo plano é um momento crucial para a liderança chinesa ponderar — e, sim, debater — as oportunidades e desafios estratégicos que se avizinham. Infelizmente, o CDF, em sua forma atual, está mal equipado para cumprir essa função crítica.
Uma agenda fragmentada, repleta de contribuições com a duração de frases de efeito de uma multidão de oradores — muitos dos quais sabem pouco sobre os temas sobre os quais foram designados a opinar — é incapaz de fomentar debate sobre qualquer coisa, especialmente um novo plano quinquenal.
Na minha opinião, se é que ela conta (claramente não muito na China hoje), o 15.º Plano Quinquenal é decepcionante, pois basicamente repete o 14.º Plano Quinquenal que acaba de terminar.
A principal prioridade continua a ser novas forças produtivas de alta qualidade, especialmente tecnologia avançada. Com a demanda interna em declínio, isto deixa a economia chinesa fortemente dependente das exportações, numa época em que a demanda externa enfrenta fortes ventos contrários, devido a tensões geopolíticas e ao aumento do protecionismo.
Contudo, o novo plano se limita a palavras vãs em relação ao consumidor chinês, há tempos o candidato mais óbvio para preencher o vazio deixado pela fraqueza do mercado imobiliário pós-crise e pelo excesso de investimento nos setores público e privado.
No que diz respeito ao reequilíbrio impulsionado pelo consumo, os líderes chineses no topo continuam a falar muito, mas não estão dispostos a agir de acordo.
Em vez de abordar os excessos da poupança preventiva motivada pelo medo, que trava o consumo discricionário no longo prazo, o novo plano, como o antigo, promove campanhas de troca de automóveis, eletrodomésticos e outros bens duradouros que simplesmente se servem da procura que, de qualquer forma, teria sido satisfeita. Se eu estivesse no CDF este ano, teria levantado essa questão pelo enésimo ano consecutivo.
Será rancor meu porque não fui convidado este ano? É mais uma sensação de desilusão diante da negação, por parte do governo chinês, de um problema grave de crescimento e de sua fixação em reprimir o debate em favor das “boas histórias da China”.
Sempre me lembrarei da minha primeira participação no CDF, em 2001. O então premiê, Zhu Rongji, tinha lançado a conferência um ano antes como uma plataforma de interação e debate entre ministros do governo chinês, acadêmicos (estrangeiros e nacionais) e alguns executivos empresariais.
Isso sublinhou a genialidade de Zhu como pensador estratégico: se os líderes seniores da China não conseguissem lidar com feedback difícil imediatamente após a conclusão do Congresso Nacional do Povo, a maior reunião política do ano, a lógica era que não mereciam seus lugares no Conselho de Estado.
Naquela ocasião, tive longas discussões com Zhu e seu sucessor, Wen Jiabao, sobre a necessidade imperativa de um reequilíbrio impulsionado pelo consumo. Fiel ao espírito original do CDF, nem sempre concordávamos. Mas nunca houve problema em ser franco e aberto ao expressar discordâncias.
Os líderes chineses reconheciam a importância do debate construtivo. Infelizmente, isso foi antes, e não agora. O resultado é que a China vai sofrer.
Infomoney - SP 06/01/2025
O setor industrial dos Estados Unidos ficou mais próximo de voltar a se expandir em dezembro, com a produção se recuperando e o volume de novos pedidos crescendo ainda mais, embora as fábricas tenham enfrentado preços mais altos para os insumos no final do ano.
O Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM) informou nesta sexta-feira (3) que seu PMI de manufatura subiu para 49,3 no mês passado, a leitura mais alta desde março, de 48,4 em novembro.
Uma leitura do PMI abaixo de 50 indica contração no setor industrial, que responde por 10,3% da economia norte-americana. Dezembro foi o nono mês consecutivo em que o PMI permaneceu abaixo do limite de 50. Economistas consultados pela Reuters previam que o PMI permaneceria inalterado em 48,4.
O setor manufatureiro foi prejudicado pelo aperto agressivo da política monetária do Federal Reserve em 2022 e 2023. Mas as pesquisas, incluindo o PMI, têm exagerado a magnitude do declínio na produção industrial.
Dados do governo no mês passado mostraram que a produção industrial cresceu a uma taxa anualizada de 3,2% no terceiro trimestre e contribuiu para o ritmo de expansão de 3,1% da economia durante esse período.
O banco central dos EUA está cortando a taxa de juros, tendo a reduzido em 25 pontos-base para a faixa de 4,25% a 4,50% no mês passado. Esse foi o terceiro corte consecutivo desde que o Fed iniciou seu ciclo de afrouxamento monetário em setembro.
A promessa do presidente eleito Donald Trump de cortar impostos pode impulsionar o setor de manufatura. Mas outras promessas, incluindo tarifas mais altas sobre produtos importados, podem aumentar os preços das matérias primas.
O Fed projetou mais dois cortes de juros este ano, menos do que os quatro previstos em setembro, devido à resiliência da economia e à incerteza sobre o impacto das medidas do governo Trump.
O subíndice de novos pedidos da pesquisa ISM aumentou de 50,4 para 52,5. A produção nas fábricas se recuperou depois de ter se contraído durante meses.
A medida de preços pagos pelos fabricantes subiu para 52,5, de 50,3 em novembro. O indicador de importações subiu para 49,7, de 47,6 no mês anterior. Os fabricantes podem estar trazendo mais produtos estrangeiros na expectativa de tarifas mais altas.
O indicador de entregas de fornecedores da pesquisa aumentou de 48,7 em novembro para 50,1. Uma leitura acima de 50 indica entregas mais lentas. O emprego nas fábricas se contraiu ainda mais, com o índice de empregos no setor industrial da pesquisa caindo para 45,3, de 48,1 em novembro.
Infomoney - SP 06/04/2026
O Bank of America (BofA) elevou a recomendação para Vale (VALE3) de neutro para compra, destacando que a queda recente das ações não reflete a valorização do minério de ferro. Desde o início do conflito com o Irã, os papéis recuaram 6,6%, enquanto o minério subiu cerca de 8%, o que, na visão do banco, abre uma oportunidade. Às 11h18 (horário de Brasília) desta quinta-feira (2), as ações da mineradora caíam 0,40%, cotadas a R$ 82,67.
O preço-alvo foi elevado de R$ 95 para R$ 100, considerando maior produção de cobre no longo prazo, capaz de compensar pressões de custos relacionadas ao conflito.
O BofA ressalta que, com o minério a US$ 103 por tonelada (spot em US$ 108), a Vale apresenta um fluxo de caixa livre (FCF) com yield de cerca de 10%, considerado atrativo. Além disso, a tese de execução operacional segue sólida, e a mineradora está bem posicionada para lidar com os impactos do conflito.
O banco também destaca cinco pilares na tese de investimento: flexibilidade de portfólio, que permite adaptação ao mercado; crescimento em minério de ferro e cobre com produtos de maior valor agregado; disciplina em custos e investimentos; forte geração de caixa em relação aos pares; e avanços na redução de riscos.
1- Flexibilidade de portfólio
Uma das principais forças da Vale é a flexibilidade de seu portfólio de minério de ferro, que permite à companhia se adaptar a mercados em constante mudança. Segundo o BofA, a empresa tem reforçado a estratégia de priorizar valor em vez de volume, enxergando o aumento de capacidade não apenas como expansão de tonelagem, mas, principalmente, como ganho de opcionalidade.
2- Crescimento sólido
O BofA destaca que a Vale projeta atingir produção de 360 milhões de toneladas de minério de ferro até 2030 (ante 335-345 milhões atualmente) e 700 mil toneladas de cobre até 2035 (ante cerca de 350 mil). A estratégia prioriza crescimento com alto retorno, aproveitando sua ampla base de recursos e infraestrutura logística. O plano amplia a flexibilidade operacional, aumenta a oferta de produtos premium e expande a capacidade em cobre, metal cada vez mais estratégico.
3- Disciplina de custos e investimentos
De acordo com o banco, ganhos de eficiência e uma abordagem disciplinada de investimentos levaram à redução de custos e capex nos últimos anos. Com investimentos projetados abaixo de US$ 6 bilhões e perspectivas de crescimento da produção mantidas, a Vale tende a gerar mais fluxo de caixa livre do que seus pares australianos, abrindo espaço para maiores retornos aos acionistas à medida que a participação de passivos não financeiros na dívida líquida diminui.
4- Redução de riscos
O BofA ressalta que cerca de US$ 5,4 trilhões em ativos sob gestão de fundos institucionais ainda estão impedidos de investir na Vale devido a questões ESG, até dezembro de 2024. O avanço na redução de riscos, incluindo acordos relacionados a Brumadinho e Samarco, descaracterização de barragens e redução dos níveis de emergência, é visto como essencial para destravar essas restrições. Um próximo gatilho relevante seria um possível acordo no processo de Mariana no Reino Unido, que pode liberar novos fluxos de investimento para as ações da companhia.
5- Melhor posicionada
O banco ainda avalia que a Vale está melhor posicionada que concorrentes para enfrentar os impactos do conflito. O aumento nos custos de diesel, bunker e frete afeta o setor, mas a empresa é menos exposta, já que a maior parte dos contratos de frete é de longo prazo. Além disso, o Brasil importa apenas entre 20% e 25% do diesel consumido, bem abaixo da dependência da Austrália, que varia entre 80% e 90%.
Investing - SP 06/04/2026
Os emplacamentos de carros, picapes, utilitários esportivos (SUVs) e vans comerciais novos dispararam em março frente a fevereiro e ao mesmo mês do ano passado, apoiados em fatores que incluem sazonalidade e vendas a grandes frotistas como locadoras, segundo dados de consultorias especializadas no setor divulgados nesta quarta-feira.
Os licenciamentos de veículos leves somaram cerca de 258 mil unidades em março, de acordo com as consultorias K.Lume e BrightConsulting, crescimento de aproximadamente 40% sobre o mesmo mês de 2025. No trimestre, as vendas de novos somaram cerca de 596 mil unidades, segundo as consultorias, expansão de 15% sobre um ano antes.
"O mercado brasileiro continua girando majoritariamente em torno de compactos, SUVs de entrada e picapes leves, isto é, produtos de maior liquidez comercial e ticket relativamente mais defensável", afirmou a BrightConsulting em relatório.
Segundo a K.Lume, a venda por dia útil em março, de 11.718 veículos, representou um crescimento de 19,5% ante fevereiro e expansão de 33,5% em relação a março do ano passado.
A associação de concessionários Fenabrave deve divulgar na próxima terça-feira os fechamentos de vendas de veículos em março e do primeiro trimestre e a associação de montadoras Anfavea deve publicar seus dados de produção e exportações no dia seguinte.
Para ambas as consultorias, que trabalham sobre análise de dados do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam), as vendas diretas tiveram aumento na participação sobre o total vendido no mês ante fevereiro, mas os percentuais variam.
No caso da K.Lume, a participação das vendas diretas em março foi de 51,7%, leve crescimento percentual em relação aos últimos meses. Já a BrightConsulting calculou a participação do segmento saindo de 45,2% em fevereiro para 47,2% em março.
"O mercado segue contando com uma base importante de varejo, mas março também mostrou retomada relevante do canal direto, o que ajuda o volume total, embora não mude a leitura de fundo de um crescimento ainda dependente de execução comercial e menos de uma expansão estrutural da demanda", afirmou a BrightConsulting.
Das vendas totais, os veículos eletrificados - totalmente elétricos ou híbridos - ficaram com participação ao redor de 14,8%, segundo os dados das consultorias, somando cerca de 40 mil unidades.
No acumulado dos três primeiros meses do ano, segundo a BrightConsulting, as vendas de eletrificados somam 91,9 mil veículos, um crescimento de 85,9% sobre o primeiro trimestre de 2025.
Veja - SP 06/04/2026
A General Motors (GM) registrou queda de 9,7% nas vendas de veículos nos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2026, totalizando 626.429 unidades comercializadas. O recuo foi atribuído principalmente às fortes tempestades de inverno que atingiram o país no início do ano e reduziram o movimento nas concessionárias em janeiro e fevereiro.
Segundo a montadora, o ritmo de vendas começou a se recuperar ao longo do trimestre, com melhora gradual após o período mais crítico do inverno e um desempenho mais forte em março. “Observamos um aumento constante no movimento das concessionárias e nas vendas após as tempestades de janeiro, e março foi um mês muito mais forte”, disse Duncan Aldred, presidente da empresa na América do Norte, em comunicado divulgado na quarta-feira, 1.
O ambiente para o setor, no entanto, segue desafiador. Além das condições climáticas adversas, a escalada recente dos preços da gasolina influenciada pela guerra no Oriente Médio tem afetado o comportamento dos consumidores, especialmente nas compras de maior valor. “De forma anedótica, ouvimos muitos concessionários dizerem que os consumidores estão mencionando os preços da gasolina”, disse David Christ, gerente-geral da Toyota na América do Norte, em entrevista à imprensa americana durante o Salão Internacional do Automóvel de Nova York.
Além da GM, outras montadoras apresentaram resultados mistos nas vendas nos EUA nos primeiros três meses do ano. A Toyota registrou leve queda de 0,1%, pressionada principalmente pelo desempenho mais fraco da marca Lexus, enquanto a Honda Motor reportou retração de 4% no trimestre e de 12% apenas em março. Já a Hyundai Motor teve queda de 3% nas vendas em março, mas ainda conseguiu encerrar o trimestre com alta de 1%.
Tradicionalmente, março costuma ser um mês forte para a indústria automotiva nos Estados Unidos, já que muitos consumidores utilizam restituições de imposto como entrada para a compra de veículos. As vendas, porém, são dificultadas por uma combinação de pressões: os preços dos veículos seguem elevados, os juros continuam altos e, mais recentemente, o custo da gasolina também avançou por conta da guerra no Irã.
Empresas do setor apontam que a base de comparação elevada do primeiro trimestre de 2025 contribuiu para o desempenho mais fraco em 2026. No ano anterior, as vendas haviam sido impulsionadas por consumidores que anteciparam compras antes da entrada em vigor de tarifas sobre veículos e peças importados nos Estados Unidos.
O Estado de S.Paulo - SP 06/04/2026
Com um corte de 100 mil empregos, cerca de 10% de sua força de trabalho, a BYD fechou o ano de 2025 com 870 mil funcionários. Segundo a companhia, a redução foi motivada por reestruturação, melhorias de eficiência e medidas de gestão de custos, e não uma queda na demanda por seus veículos eletrificados.
De acordo com os executivos, a eficiência operacional representa a próxima etapa na disputa pela liderança do mercado. Os dados são do portal de notícias chinês iFeng.
Os envios de veículos para o exterior ultrapassaram pela primeira vez a marca de 1 milhão de unidades. Segundo o site de notícias local Sina, foram aproximadamente 1,05 milhões de veículos exportados.
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No Brasil, a BYD superou a marca de 100 mil carros elétricos e híbridos vendidos em 2025, um crescimento de mais de 30% em relação aos mais de 76 mil vendidos em todo ano de 2024.
Apesar dos bons resultados em exportações, o lucro registrado pela empresa em 2025 foi de 326,2 bilhões de yuans (ou 45,6 bilhões de dólares), uma queda de cerca de 19% em relação ao ano anterior. A redução, segundo a BYD, foi atribuída à pressão sobre os preços no mercado doméstico de veículos de nova energia, como são conhecidos os eletrificados, e pelo investimento em tecnologias de carros e baterias.
De acordo com a CarNewsChina, as vendas domésticas de veículos de nova energia caíram 41% em fevereiro deste ano, principalmente devido a fatores sazonais ligados a feriados chineses.
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O lançamento de novas tecnologias para baterias, como a Blade 2.0, revelada pela BYD no início de março, que permite o carregamento de 10% a 70% em cerca de 5 minutos e de 10% a 97% em 9 minutos, bem como a expansão da infraestrutura de carregamento, devem manter a demanda por esses veículos estável nos próximos meses.
CNN Brasil - SP 06/04/2026
O Ceará quer voltar ao mapa da indústria automobilística brasileira e se consolidar como um dos principais polos do setor no Nordeste. Para isso, o estado aposta na produção de veículos elétricos, incentivos fiscais e na infraestrutura logística para atrair montadoras.
Hoje, os principais polos industriais ligados ao setor automotivo no país estão concentrados em São Paulo, no ABC Paulista e no interior do estado; na Bahia, em Camaçari; em Minas Gerais, em Betim; e no Rio de Janeiro, em Resende.
O Ceará já teve um polo automotivo no passado. A atividade estava concentrada na antiga fábrica da Troller, em Horizonte, na região metropolitana de Fortaleza, que produziu jipes até 2021, quando a Ford encerrou as operações no Brasil.
Agora, o estado tenta retomar essa vocação industrial. Segundo o presidente da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), Danilo Serpa, o governo estadual conseguiu atrair um parceiro para reativar o complexo.
A empresa Comexport inaugurou em dezembro de 2025 o Polo Automotivo do Ceará (Pace), instalado na antiga planta da Troller. A fábrica opera em modelo multimarcas, permitindo que diferentes montadoras utilizem a estrutura.
“Começou-se a produzir, em parceria com a GM, o Spark, um veículo 100% elétrico. E um segundo modelo da GM começa em junho, a Captiva, também elétrico. Estamos negociando outros modelos, mas também com outras montadoras para se instalarem em nosso polo automotivo”, afirmou Serpa à CNN.
A primeira parceria com a General Motors envolveu um investimento de R$ 400 milhões. Segundo Serpa, ainda neste semestre uma segunda montadora será anunciada para operar no polo. “O negócio está fechado e está agora em fase de contratos”, disse.
A expectativa é ampliar rapidamente o número de empresas instaladas no local. De acordo com o dirigente, outras duas marcas podem se instalar no polo até o fim do ano. Para viabilizar a expansão do complexo, o governo estadual desapropriou 2,2 milhões de metros quadrados destinados à criação de uma nova zona industrial voltada à cadeia automotiva.
O Ceará também aposta em incentivos fiscais e programas federais para atrair investimentos. O estado está inserido no Regime Automotivo Regional e no Mover (Programa Mobilidade Verde e Inovação), política do governo federal voltada ao estímulo à indústria automotiva e à produção de veículos menos poluentes.
Outro fator considerado estratégico é a logística. O polo automotivo fica próximo ao Porto do Pecém, um dos principais terminais portuários do Nordeste. Além disso, o estado tem forte presença na geração de energias renováveis, o que pode favorecer projetos ligados à produção de veículos elétricos e à indústria de baixo carbono.
IstoÉ Dinheiro - SP 06/04/2026
A decisão do governo dos Estados Unidos de ajustar as tarifas sobre importações de aço, alumínio e cobre é vista como positiva pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) pois reduz a burocracia do regime anterior, mas a entidade avalia que as novas regras seguirão pesando sobre as vendas externas do setor ao país.
“A notícia boa é que não vai ter mais aquela burocracia de calcular o quanto o aço significa no custo da máquina. O lado ruim é que a alíquota das máquinas que estão na lista passam de 10% para 25%”, disse José Velloso, presidente-executivo da Abimaq, à Reuters.
Entre as mudanças aprovadas nesta quinta-feira pelo governo dos EUA está a eliminação da tarifa anterior de 50% sobre produtos acabados feitos com aço, alumínio e cobre se o conteúdo do produto com esses metais for inferior a 15% em peso.
Os produtos com mais de 15% de aço, alumínio ou cobre em peso terão tarifa reduzida de 25%, mas sobre o valor total da importação, não apenas sobre o conteúdo de metal. Assim, uma máquina de lavar roupa ou um fogão fabricados principalmente com aço terão uma tarifa fixa de 25%.
“Como todas as máquinas da lista tem um peso de aço superior a 10% ou 15%, entendo que todas as máquinas da lista vão passar para uma alíquota de importação de 25%”, disse o presidente da Abimaq.
Segundo o governo norte-americano, as mudanças têm como objetivo simplificar o atual regime tarifário.
“Então, a notícia boa é o fim da burocracia. A notícia ruim é que a alíquota vai ser de 25%”, disse Velloso.
Segundo dados da Abimaq, as exportações de máquinas e equipamentos para os EUA em 2025 caíram 9,1%, diante das tarifas impostas por Trump. Além disso, os EUA perderam participação no total das vendas externas de máquinas do Brasil, passando de 27% em 2024 para 23% no ano passado.
Porto Gente - SP 06/04/2026
A TCP levará à Intermodal South America investimentos em infraestrutura, com destaque para expansão ferroviária e aquisição de equipamentos, totalizando cerca de R$ 160 milhões.
Maior terminal de contêineres do Sul do Brasil participa no estande E100.
Entre os dias 14 e 16 de abril, a TCP, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, participa da 30ª edição da Intermodal South America, maior evento de logística, transporte de cargas e comércio exterior das Américas. Durante a feira, a companhia apresentará ao mercado um novo ciclo de investimentos em infraestrutura e eficiência operacional, que inclui a expansão da operação ferroviária e um pacote de aproximadamente R$ 160 milhões para a aquisição de maquinário.
A Intermodal South America reúne cerca de 50 mil profissionais de logística e cadeia de suprimentos, além de mais de 500 empresas expositoras. Neste ano, a TCP retorna no estande E100, com 102 m², e contará com a participação de cerca de 30 profissionais das áreas comercial, comercial armadores, logística, operações, engenharia, meio ambiente, atendimento, institucional, entre outros.
xpansão ferroviária: Nova linha férrea interna deve elevar em cerca de 20% a capacidade de movimentação no terminal.
Entre os projetos anunciados está a construção de uma terceira linha férrea dentro da área operacional, iniciativa realizada em parceria com a Brado Logística e que deve elevar em cerca de 20% a capacidade de movimentação ferroviária no Terminal. O plano de investimentos também contempla a aquisição de dois novos guindastes STS, além de Terminal Tractors e reach stackers, ampliando a capacidade operacional do porto.
Segundo Giovanni Guidolim, gerente comercial, de logística e de atendimento da TCP, a feira será uma oportunidade para discutir novas oportunidades logísticas com clientes e parceiros. "A Intermodal é um momento importante para dialogarmos com o mercado e apresentarmos os avanços que vêm fortalecendo a infraestrutura e os serviços da TCP. Além da expansão da ferrovia, vamos compartilhar outras melhorias operacionais e soluções logísticas que consolidam o Terminal como um dos principais hubs do comércio exterior brasileiro", afirma.
Entre os principais mercados atendidos pela ferrovia estão os exportadores de papel e celulose da região de Ortigueira (PR) e os polos agroindustriais de frango em Cascavel e Cambé. O modal também vem se consolidando como alternativa para importação de contêineres destinados ao interior do Paraná, ampliando a integração logística entre porto e hinterlândia.
Outro projeto em andamento é a ampliação da infraestrutura para contêineres refrigerados, prevista para ser concluída até o final de 2026. A expansão do número de tomadas do pátio reefer reforçará a posição da TCP como o maior complexo de armazenagem de contêineres refrigerados da América do Sul, ampliando a capacidade de atendimento às cadeias exportadoras de proteínas e alimentos congelados.
Infraestrutura e conectividade reforçam competitividade do Terminal
Com uma trajetória consolidada desde 1998, a TCP já movimentou mais de 20 milhões de TEUs (medida equivalente a um contêiner de 20 pés) ao longo de seus 28 anos de história. Em 2025, o Terminal registrou movimentação recorde de 1,663 milhão de TEUs, consolidando-se pelo segundo ano consecutivo como o maior terminal portuário do Sul do Brasil.
Movimentação recorde:
1,663 milhão de TEUs em 2025, consolidando liderança no Sul do Brasil.
â „ï¸ Reefer:
Maior complexo de armazenagem de contêineres refrigerados da América do Sul.
Além do pátio reefer, a estrutura do Terminal inclui armazém alfandegado próprio, área especializada para cargas perigosas e equipe dedicada à operação de cargas de projeto. O Terminal também se consolidou como o maior corredor de exportação de carnes e congelados do país, com mais de 3,5 milhões de toneladas embarcadas apenas em 2025.
Outro avanço recente foi a ampliação do calado operacional, como é conhecida a profundidade entre a linha da água e a parte mais funda do navio. Desde 2024, o calado do Porto de Paranaguá foi ampliado de 12,10 metros para 13,30 metros. Com 1,20 metros adicionais, estima-se que os navios porta-contêineres possam transportar mais de 900 TEUs cheios adicionais por viagem, reduzindo custos, aumentando a competitividade e a capacidade operacional do Terminal.
Segundo Carolina Merkle Brown, gerente comercial de armadores e de inteligência de mercado da TCP, a combinação entre infraestrutura portuária, conectividade marítima e soluções logísticas integradas fortalece o posicionamento do Terminal no comércio exterior. "Hoje contamos com um dos mais completos portfólios de serviços marítimos entre os portos brasileiros, com 23 serviços semanais regulares, entre longo curso e cabotagem. Essa conectividade garante maior competitividade, flexibilidade, previsibilidade e eficiência para armadores, exportadores e importadores que utilizam o corredor de Paranaguá para fazer negócios com o mundo", afirma.
Modernização operacional e eficiência energética
Entre os investimentos recentes também estão a ampliação da área de triagem para caminhões, que passou de duas para quatro pistas, dobrando a capacidade de acesso de veículos ao gate do Terminal. A TCP também conta com três escâneres de alta capacidade para inspeção de cargas dentro da área portuária.
Sustentabilidade: Conversão de equipamentos para sistemas elétricos pode evitar até 257 mil kg de CO2 por unidade ao ano.
No campo da sustentabilidade, a empresa foi o primeiro terminal portuário do Brasil a conquistar a certificação ISO 50001, voltada à gestão eficiente de energia. A TCP também avança no plano de eletrificação das operações de pátio. Em janeiro deste ano, o Terminal abriu concorrência pública para converter equipamentos movidos a diesel em sistemas elétricos, iniciativa que faz parte da estratégia de redução de emissões da companhia. Cada equipamento convertido pode evitar a emissão de aproximadamente 257 mil quilos de CO2 por ano.
O Terminal possui ainda as certificações ISO 9001, ISO 14001, ISO 45001, ISO 50001, além do ISPS Code e do status de Operador Econômico Autorizado (OEA).
Análise Portogente:
Os investimentos anunciados pela TCP reforçam a tendência de integração logística e ganho de eficiência nos portos brasileiros. A expansão ferroviária, aliada à modernização operacional e às iniciativas de sustentabilidade, posiciona o Terminal de Paranaguá como um dos principais hubs logísticos do país, ampliando sua competitividade no comércio internacional.
CNN Brasil - SP 06/04/2026
Maior operadora de ferrovias de carga do país, a Rumo Logística prevê investir entre R$ 5,5 bilhões e R$ 6,1 bilhões em 2026, segundo o CEO da companhia, Pedro Palma.
Em entrevista à CNN, o executivo destacou um aporte de mais R$ 1 bilhão neste ano para concluir as obras do primeiro trecho da Ferrovia Estadual de Mato Grosso -- na prática, um prolongamento da Malha Norte, que hoje vai de Rondonópolis (MT) ao Porto de Santos (SP).
Palma é o entrevistado desta edição do Conexão Infra, programa semanal que discute os gargalos e soluções para a infraestrutura brasileira.
De acordo com ele, esse trecho de 162 quilômetros deverá ser inaugurado no terceiro trimestre do ano, encurtando o caminho dos produtores rurais para escoar seus grãos com um frete mais barato do que o rodoviário.
"Entre julho e agosto, no máximo em setembro, a primeira operação comercial começa a funcionar", afirma o CEO da Rumo.
A Ferrovia de Mato Grosso é um megaempreendimento com 743 quilômetros de extensão e capital 100% privado, que promete levar os trilhos da Malha Norte até Lucas do Rio Verde, no coração do agronegócio.
Serão, ao todo, três fases de obras. Palma evita cravar uma data para o início dos trabalhos efetivos de execução da segunda etapa, que irá do Terminal BR-070 até Nova Mutum.
Segundo o executivo, os estudos e preparativos estão em andamento, mas os desembolsos maiores e a mobilização mais intensa de pessoal "possivelmente vão ficar mais para frente".
A Rumo, diz Palma, pretende ultrapassar a marca de 90 bilhões de TKU (toneladas por quilômetro útil) em 2026. No ano passado, foram 82 bilhões de TKU -- indicador de referência no setor.
"Vemos crescimento. Temos uma safra de grãos robusta, que deve trazer um horizonte de exportações saudável para o Brasil, e os próprios projetos de expansão ferroviária entrando em operação."
Hoje a Rumo detém 14 mil quilômetros de ferrovias, 35 mil vagões e 1.400 locomotivas. As operações incluem a Malha Paulista e a Malha Central (trecho da Ferrovia Norte-Sul).
Valor - SP 06/04/2026
Apesar do crescimento de passagens, o número é baixo em comparação com o período anterior à guerra iniciada em 28 de fevereiro
O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz aumentou nesta semana, com a média móvel de sete dias para travessias atingindo, na sexta-feira, o nível mais alto desde o início da guerra.
Mais embarcações estão cruzando a região, incluindo navios sem ligação clara com o Irã ou a China, à medida que países negociam com Teerã para garantir a passagem de seus navios. As travessias no último dia foram lideradas por navios transportadores de gás liquefeito de petróleo, incluindo um com destino à Índia e outros com vínculos iranianos.
Um total de 13 embarcações cruzaram o estreito desde a manhã de sexta-feira, sendo 10 saindo do Golfo Pérsico e três entrando a partir do mar aberto, segundo dados de rastreamento compilados pela Bloomberg.
Ainda assim, esse número é baixo em comparação com o período anterior à guerra iniciada em 28 de fevereiro. Em tempos normais, cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural liquefeito do mundo passa diariamente pelo estreito.
O Irã tem reforçado seu controle sobre a via marítima, estabelecendo um sistema de cobrança (pedágio) e orientando a maioria dos navios a seguir uma rota específica próxima à sua fronteira. No último dia, todas as travessias registradas ocorreram por essa passagem estreita ao norte, situada entre as ilhas iranianas de Larak Island e Qeshm Island.
Travessias recentes incluem um navio porta-contêineres francês e um petroleiro de gás natural liquefeito de propriedade japonesa, aparentemente as primeiras desse tipo desde o início da guerra. Não está claro se essas viagens foram resultado de negociações diplomáticas ou de acordos feitos por empresas de transporte marítimo e seus intermediários.
Segundo a agência, o rastreamento de navios-tanque tem sido dificultado por interferências eletrônicas nos sinais das embarcações, e alguns navios desligam seus transponders AIS (equipamentos de bordo que transmitem e recebem automaticamente dados de navegação) em áreas de alto risco, reduzindo ainda mais a precisão e a confiabilidade dos dados.
Cinco navios graneleiros e um petroleiro de derivados de petróleo se juntaram a quatro navios de gás liquefeito de petróleo na saída do Golfo Pérsico desde a manhã de sexta-feira. Três dos graneleiros e o petroleiro deixaram a região na manhã de sábado. Com exceção do navio de gás liquefeito de petróleo indiano, os demais têm ligação com interesses chineses ou iranianos.
Como alguns navios “somem” dos radares em áreas de risco, o número de travessias pode inicialmente parecer menor e ser revisado para cima conforme dados atrasados são disponibilizados.
Dois navios de gás liquefeito de petróleo e um petroleiro com vínculos iranianos estão entre as embarcações que entraram na região desde a manhã de sexta-feira.
Valor - SP 06/04/2026
Tensão pode ser ligada a contrato anulado da operadora chinesa de portos CK Hutchinson, que agora busca arbitragem internacional
Os Estados Unidos acusaram a China de assediar e deter navios com bandeira do Panamá após o país da América Central anular contratos com um conglomerado de Hong Kong que operava portos em ambos os lados do Canal do Panamá.
As alegações, levantadas inicialmente pela Comissão Marítima Federal dos EUA e reforçadas nesta quinta-feira (2) pelo secretário de Estado Marco Rubio, adicionam mais um ponto de tensão entre EUA e China antes da visita programada do presidente Donald Trump a Pequim em maio.
“As recentes ações da China contra embarcações com bandeira do Panamá levantam sérias preocupações sobre o uso de instrumentos econômicos para enfraquecer o estado de direito no Panamá, uma nação soberana e parceira vital para o comércio global”, afirmou Rubio em comunicado.
“Detenções, atrasos ou outros impedimentos ao movimento de navios prejudicam a estabilidade das cadeias globais de suprimentos, aumentam os custos para empresas e consumidores e reduzem a confiança no sistema de comércio internacional”, acrescentou.
A Suprema Corte do Panamá decidiu em janeiro que o contrato concedido à CK Hutchison Holdings Ltd. para operar dois portos próximos ao Canal do Panamá era inconstitucional, representando uma vitória para os esforços de Trump de limitar o controle da China sobre infraestruturas estratégicas na América Latina.
O canal tem estado em evidência desde dezembro de 2024, quando Trump — então a um mês de retornar ao cargo — começou a ameaçar “retomar” a hidrovia do Panamá, alegando tarifas injustas. Ele também afirmou falsamente que o canal estava sendo operado pela China, o que aumentou as tensões entre as potências geopolíticas.
A China negou as acusações dos EUA relacionadas à detenção de navios com bandeira panamenha. “As repetidas acusações infundadas dos EUA apenas revelam sua tentativa de assumir o controle do canal”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, na semana passada.
No mês passado, a CK Hutchison entrou com um processo de arbitragem internacional contra o Panamá, buscando pelo menos US$ 2 bilhões em indenizações e alegando uma “apropriação estatal ilegal” dos portos.
Diário do Comércio - MG 06/04/2026
A carteira bilionária de concessões de portos no cronograma do governo Lula (PT) inclui uma dúzia de projetos que correm o risco de parar na Justiça, seja pelas regras incluídas nos leilões seja por questionamentos específicos de cada projeto.
Nesta lista está o megaterminal de contêineres Tecon Santos 10, projetado para o Porto de Santos (SP).
O levantamento de risco de judicialização foi elaborado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), a partir de informações pedidas pela Advocacia-Geral da União (AGU). O órgão que atua na defesa do governo federal procura se antecipar a possíveis disputas judiciais que envolvam as licitações consideradas mais importantes em cada setor.
Os projetos mais sensíveis envolvem 12 grandes terminais de cargas, concessões de canais de acesso e arrendamentos portuários em diferentes regiões do país. O Tecon Santos 10, previsto para ser instalado na região do Saboó, na margem direita do porto de Santos, é o mais visado.
Planejado para fazer a movimentação e armazenagem de contêineres e carga geral em uma área de 622 mil metros quadrados, o Tecon Santos 10 ainda não tem uma data fechada para seu leilão. Empresas do setor portuário já admitem a possibilidade de que a licitação não ocorra mais em 2026, diante das sucessivas mudanças de datas anunciadas pelo governo.
Desde o ano passado, várias previsões foram citadas para o lançamento do edital ou realização do certame, entre o segundo semestre de 2025 e este ano.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, disse recentemente que o leilão deverá ocorrer “ao longo do ano” e que pretende se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir o cronograma final do projeto. A declaração foi recebida com cautela por operadores portuários interessados no terminal.
As mudanças de calendário passam pelas divergências internas do governo sobre o modelo de licitação. O MPor e a Antaq querem o formato de disputa em duas fases, no qual armadores que já estão em Santos não participariam da primeira rodada. A Casa Civil, bem como o TCU, defendem um modelo sem restrições à participação de operadores. O tema também envolve pressões de gigantes internacionais interessadas no projeto.
A lista de potenciais alvos de judicialização elaborada pela Antaq inclui, no Norte do país, o terminal MCP01, no Porto de Santana (AP), e o projeto IQI16, no Porto do Itaqui (MA).
No Nordeste, aparecem os projetos NAT01, no Porto de Natal (RN); TMP Recife, no Porto do Recife (PE); MUC04, no Porto de Fortaleza (CE); e SUA01, no Porto de Suape (PE).
Fazem parte da lista o SSD-A3, no Porto de Salvador (BA), e projetos no Sul e Sudeste, como POA26, no Porto de Porto Alegre (RS), ITJ01, no Porto de Itajaí (SC), o arrendamento SSB01, no Porto de São Sebastião (SP), e a concessão do canal de acesso ao Porto de Itajaí.
A lista foi pedida pela AGU em janeiro e respondida pela Antaq na última semana. Neste intervalo, alguns terminais já começaram a ser levados a leilão ao mercado. Em fevereiro, o governo federal realizou na B3, em São Paulo, o leilão de três terminais: MCP01, POA26 e NAT01.
O resultado teve baixa concorrência. O terminal MCP01, no Porto de Santana, foi arrematado pela empresa CS Infra pelo lance simbólico de R$ 2, único apresentado, porque o que o ativo prevê são investimentos estimados em R$ 150,2 milhões, num contrato de 25 anos.
Dias antes do leilão, uma decisão da 4ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal chegou a suspender o certame após ação movida pela empresa Rocha Granéis, que atua no porto. A Antaq recorreu e conseguiu reverter a liminar, permitindo que o leilão fosse realizado.
Outro projeto da lista levado a leilão foi o POA26, no Porto de Porto Alegre, arrendado por R$ 10 mil ao Consórcio Portos do Sul, formado pelas empresas Soluções Inteligentes Operadores Portuários e Simetria Logística. O terminal prevê cerca de R$ 21 milhões em investimentos e contrato de dez anos.
Foi leiloado ainda o NAT01, no Porto de Natal, adquirido pela empresa Fomento do Brasil com lance de R$ 50 mil. O terminal tem previsão de R$ 55,17 milhões em investimentos e contrato de 25 anos.
Um quarto projeto, o TMP Recife, deveria ter sido leiloado na mesma sessão, mas acabou retirado da disputa. A própria autoridade portuária local pediu a suspensão para revisar as informações técnicas do projeto.
Na área das hidrovias, o MPor já teve de abrir mão do cronograma que previsa a oferta de cinco rios federais, após manifestações de povos indígenas contrários à concessão de rios na região amazônica.
Os adiamentos representam um atraso de até dois anos em relação ao cronograma inicial, como ocorreu no caso da licitação planejada para a hidrovia do rio Madeira, que chegou a ser prevista para ocorrer em julho do ano passado, mas agora foi deixada para 2027.
Os 12 projetos com risco de judicialização
– Tecon Santos 10 – Porto de Santos (SP)
– SSB01 – Porto de São Sebastião (SP)
– MCP01 – Porto de Santana (AP)
– NAT01 – Porto de Natal (RN)
– TMP Recife – Porto do Recife (PE)
– MUC04 – Porto de Fortaleza (CE)
– IQI16 – Porto do Itaqui (MA)
– SUA01 – Porto de Suape (PE)
– SSD-A3 – Porto de Salvador (BA
– POA26 – Porto de Porto Alegre (RS)
– ITJ01 – Porto de Itajaí (SC)
– Canal de Acesso – Porto de Itajaí (SC)
Infomoney - SP 06/04/2026
O principal porto russo no mar Báltico, Ust-Luga, retomou o carregamento de petróleo bruto após dias de interrupções em meio a múltiplos ataques de drones ucranianos na região.
O navio Jewel, da classe Aframax, iniciou o carregamento de carga no sábado, de acordo com informações de navegação vistas pela Bloomberg News.
Navio russo carregado com trigo afunda no mar de Azov após ataque de drone
Navio graneleiro russo que levava trigo afundou no mar de Azov após ataque atribuído a drones ucranianos; um tripulante morreu e dois seguem desaparecidos, segundo autoridades pró-Moscou
Os embarques em Ust-Luga, um importante ponto de escoamento de petróleo no oeste da Rússia, foram interrompidos no fim de março, quando a Ucrânia intensificou ataques à infraestrutura de energia ao longo da costa do Báltico.
A Transneft, operadora russa de oleodutos, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário feito fora do horário comercial.
A Ucrânia continua a atacar a infraestrutura russa de petróleo no Báltico, com instalações danificadas no porto de Primorsk mais cedo neste domingo.
Os movimentos da Ucrânia têm como objetivo conter a receita de exportações da Rússia em um momento em que os preços globais de energia subiram devido à guerra no Oriente Médio.
Ainda assim, se a Rússia normalizar o fluxo de petróleo bruto a partir de Ust-Luga, isso pode trazer algum alívio aos mercados globais abalados pelo controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz.
Valor Investe - SP 06/04/2026
Em discurso feito na noite de ontem (1), o presidente norte-americano elevou o tom e disse que atingirá o país 'com extrema força' nas próximas duas ou três semanas
Na falta de sinais de trégua na guerra entre Estados Unidos e Irã, o petróleo disparou nesta quinta-feira (02). A alta veio após novas declarações do presidente americano, Donald Trump, que subiu o tom e prometeu intensificar os ataques para que a guerra chegue ao fim. Assim, tensão no mercado aumentou e elevou o temor de interrupções no fornecimento global de energia.
No fechamento da sessão, o barril do Brent, referência internacional, para junho, avançou 7,77%, a US$ 109,03 por barril, enquanto o WTI, referência americana, para maio subiu 11,41%, a US$ 111,54 por barril, segundo o Valor Pro.
O que está no radar?
Em discurso feito na noite de quarta-feira (01), Trump afirmou que os objetivos dos EUA na guerra estão próximos de serem concluídos, mas não mencionou qualquer possibilidade de cessar-fogo. Pelo contrário, indicou que os ataques devem continuar nas próximas duas a três semanas.
O presidente também sugeriu que a infraestrutura energética do Irã pode se tornar alvo, caso o país não avance em um acordo com os americanos. “Vamos atingi-los com extrema força nas próximas duas a três semanas. Vamos levá-los de volta à Idade da Pedra, onde pertencem”, declarou.
E você com isso?
Com a possibilidade de ataques à infraestrutura energética iraniana (especialmente considerando que o país é um dos principais produtores de petróleo do mundo) cresce o risco de redução na oferta global. Isso pressiona os preços da commodity para cima.
Como o petróleo é essencial para combustíveis e transporte, a alta impacta diretamente os custos de produção e logística em diversos setores. Na prática, isso pode significar preços mais altos para o consumidor final, desde combustíveis até alimentos e outros produtos do dia a dia.
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Valor - SP 06/04/2026
Em função disso, a petrolífera também pagou R$ 600 milhões à União
A Petrobras recebeu aproximadamente R$ 3 bilhões das empresas com quem compartilha a jazida de Tupi, na Bacia de Santos, em razão das liquidações financeiras relacionadas à primeira redeterminação do ativo – no setor de energia, um ajuste financeiro do ativo após um período de produção ou operação inicial.
Em função disso, a petrolífera também pagou R$ 600 milhões à União, conforme comunicado ao mercado desta quinta-feira (2). Os valores já foram reconhecidos nas demonstrações do quarto trimestre.
A aprovação do quarto termo aditivo ao Acordo de Individualização da Produção (AIP) da jazida alterou as parcelas da Petrobras de 67,216% para 67,457%, a partir de 1º de dezembro do ano passado. Shell e Petrogal, que é detida pela Galp, tiveram as participações reduzidas para 22,65% e 9,06%, respectivamente.
A União, por meio da Pré-Sal Petróleo, tem a fatia restante de 0,833%, que foi aumentada de 0,551%.
O Estado de S.Paulo - SP 06/04/2026
Os oito países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decidiram neste domingo, 5, aumentar a sua produção em 206 mil barris de petróleo por dia no mês de maio, conforme anúncio feito pelo organismo internacional.
O grupo é formado pela Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Casaquistão, Argélia e Omã.
Os países reafirmaram, no comunicado, a importância de adotar uma abordagem cautelosa e manter total flexibilidade para aumentar, suspender ou reverter a eliminação gradual dos ajustes voluntários de produção.
Eles reiteraram ainda a declaração do Comitê Ministerial Conjunto de Monitoramento (JMMC, na sigla em inglês) em sua 65ª reunião, destacando a importância de salvaguardar as rotas marítimas internacionais para garantir o fluxo ininterrupto de energia, diante de um cenário de guerra entre Irã, EUA e Israel, que vem mantendo fechado o Estreito de Ormuz.
Pelo estreito passam cerca de 20% de todo o petróleo global, o que pode fazer com que o aumento agora anunciado pela Opep+ seja praticamente inócuo, dada a dificuldade de transporte de cargas marítimas pela via usada pela maior parte dos membros da Opep+.
Infraestrutura
O bloco também expressou preocupação, diante do conflito no Oriente Médio, em relação aos ataques à infraestrutura energética dos países produtores do combustível fóssil, e pontuou que a restauração da capacidade total dos ativos energéticos danificados é demorada.
Os países também enfatizaram que quaisquer ações que comprometam a segurança do fornecimento de energia aumentam a volatilidade do mercado e enfraquecem os esforços coletivos no âmbito da Declaração de Conformidade para apoiar a estabilidade do mercado em benefício dos produtores, consumidores e da economia global.
Os oito países da Opep+ farão reuniões mensais para revisar as condições de mercado, sendo que a próxima está marcada para 3 de maio.
O Estado de S.Paulo - SP 06/04/2026
Com menos de três meses no cargo, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, vive um cenário que seu antecessor, o ditador Nicolás Maduro, viu muitas vezes. O preço do petróleo venezuelano disparou, em virtude de uma crise causada pela guerra no Oriente Médio.
A disparada do preço do barril fortalece o governo interino que precisa de receita para sua a colapsada economia, mas também dá gás à tutela dos Estados Unidos ao país, que é quem controla o dinheiro das vendas de petróleo venezuelano, avaliam analistas consultados pelo Estadão.
Após o Irã fechar a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, como forma de retaliação pelos ataques de Estados Unidos e Israel, o barril ultrapassou a barreira dos US$ 100. Por ali passam 20% da produção de petróleo do mundo. A este cenário se soma o fato de que a Rússia, uma grande produtora de combustíveis, estava sancionada desde 2022 pela sua guerra na Ucrânia – uma situação aliviada há poucos dias.
Com isso, a Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo do mundo, volta com vigor ao cenário internacional. Este fato em si não é novo. No início da guerra na Ucrânia, com o petróleo russo fora de cogitação, o então ditador Nicolás Maduro foi recebido com sorrisos e apertos de mãos em fóruns internacionais, como se nunca tivesse sido um pária. De tempos em tempos, as crises no setor revivem as chamadas petroditaduras.
Desta vez, porém, o aumento cai como uma luva para o novo governo venezuelano. Logo após a extração de Nicolás Maduro em uma operação militar em 3 de janeiro, os EUA tentaram convencer as petroleiras americanas a investir na recuperação da indústria venezuelana. As empresas, porém, estavam reticentes. O passado de expropriações de empresas americanas na Venezuela chavista ainda é uma memória recente. A alta do petróleo, no entanto, alterou esse cálculo.
“A Venezuela é vista de uma maneira com o petróleo a US$60 por barril e de outra maneira completamente distinta a mais de US$100 por barril. Isso não quer dizer que os riscos não estejam lá, mas sim que o cálculo de risco é diferente porque acontece com esse tipo de dinâmicas”, observa Luisa Palacios, pesquisadora no Centro de Política Energética Global (CGEP) da Universidade de Columbia e ex-presidente do conselho da Citgo, subsidiária da PDVSA (Petroleos de Venezuela S.A.) em Houston.
Tutela americana
Contudo, algo extraordinário no caso de agora é a tutela dos Estados Unidos sobre o governo de Delcy Rodríguez. O governo Donald Trump flexibilizou algumas sanções para autorizar a venda de petróleo venezuelano, mas as receitas deste negócio não seriam enviadas diretamente para o chavismo, e sim seriam controladas por Washington.
Primeiro, contas bancárias no Catar serviram temporariamente para armazenar o dinheiro, mas agora ele já flui diretamente para contas administradas pelo Departamento de Tesouro. Washington é quem decide quando enviar dinheiro para a Venezuela e como ele deve ser gasto. Em 3 de fevereiro, os EUA desembolsaram US$ 500 milhões que deveriam ser utilizados no sistema cambiário venezuelano, segundo a agência Reuters.
A prática, de um país controlar o uso do dinheiro de outro, é sem precedentes e vem sofrendo críticas pela falta de transparência. O governo americano a justifica alegando evitar que o dinheiro seja mal utilizado ou seja meio de corrupção.
“Na verdade, não sabemos como esses recursos estão sendo utilizados. Não há transparência nesse sentido porque agora estamos sob uma tutela ainda mais opaca em termos de transparência e prestação de contas”, afirma a cientista política venezuelana María Isabel Puerta Riera, professora no Valencia College da Flórida.
“A oposição, do Partido Democrata, afirmou que há total opacidade em relação à forma como os Estados Unidos estão administrando todos esses recursos. Ou seja, o que estão fazendo com esse dinheiro? Como estão enviando? E, sobretudo, se estão enviando para a Venezuela, em que está sendo investido?”, continua.
O secretário de Estado Marco Rubio respondeu a essas críticas dizendo que os líderes interinos da Venezuela apresentarão um orçamento mensal detalhando suas necessidades de financiamento e a partir disso Washington decidirá como destinar o dinheiro. “A Venezuela”, afirmou ele, “usará esse dinheiro em benefício do povo venezuelano”.
Em um comitê do Senado para esclarecer a tutela americana a Caracas, Rubio assegurou que a medida é provisória. “É uma conta que pertence à Venezuela, mas está bloqueada pelas sanções dos EUA”, disse. “Controlamos apenas a distribuição do dinheiro, não controlamos o dinheiro em si.”
“Esse dinheiro é da Venezuela, não é dos EUA. Os Estados Unidos não estão lucrando com isso”, defende Luisa Palacios. “Quanto à questão de se a Venezuela vai poder receber efetivamente os benefícios disso, vai depender do governo da Venezuela e se ele tem regras claras, se move para um sistema mais transparente de distribuição das receitas petrolíferas para melhorar a vida de todos os venezuelanos.”
Para o economista venezuelano Asdrúbal Oliveros, essa tutela tem seus prós e contras. “Por um lado, reduz de maneira importante as perdas de renda produto da dinâmica de sanções, de intermediários e de descontos que tinha o petróleo venezuelano”, diz.
“Por outro, esse mecanismo de controle é burocrático, é lento, tem diferentes ramificações e isso faz que o fluxo dessas rendas para a Venezuela seja muito mais lento do que em condições normais e por isso, de alguma forma, sente-se que não chegam com a celeridade que o país demanda”, completa.
Uma oportunidade
A América Latina é a região que mais tende a se beneficiar da alta do preço dos produtos devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, por ser uma região produtora de commodities. Cerca de 10% da produção de petróleo do mundo está na América Latina, acima do que produz a Arábia Saudita. Os números são ainda maiores se forem consideradas só as reservas, com a Venezuela concentrando 17% da reserva mundial.
“Para a Venezuela isto deveria ser um momento único. Mas, assim como aconteceu após a guerra na Ucrânia, a Venezuela tem perdido as oportunidades que historicamente lhe foram apresentadas. Isto não quer dizer que vai perder novamente, as circunstâncias são um pouco diferentes, mas não está claro quanto a Venezuela vai poder aproveitar esta oportunidade”, observa Luisa Palacios.
Dias após o início da guerra, Delcy Rodríguez fez questão de colocar a Venezuela como uma alternativa segura aos combustíveis, já prevendo a disparada de preços. “Nós, nestes quase dois meses, estamos demonstrando que a diplomacia, o diálogo político e diplomático devem ser o espaço para resolver as diferenças”, afirmou a interina.
“As expectativas que temos é que a produção de petróleo este ano possa aumentar entre 25 e 30%, o que, em um contexto de preços de petróleo altos, ajuda muito o país, primeiro, a apoiar este aumento de produção, e segundo , com um fluxo maior de renda”, estima Asdrúbal Oliveros.
“Adicionalmente, coloca a Venezuela como um fornecedor confiável, um país que não está em guerra, e que tem capacidade de aumentar sua produção no curto prazo”.
A dificuldade do governo venezuelano, contudo, é recuperar os níveis de produção do país diante de uma infraestrutura sucateada por anos de má administração e pelas sanções americanas ao setor venezuelano.
Para isso, defende Luisa Palacios, as petroleiras estrangeiras são fundamentais. No entanto, a segundo dificuldade é convencer essas empresas de que a Venezuela é juridicamente segura para investimentos.
“Por causa desse desmantelamento da indústria petrolífera na Venezuela, o seu resgate será extremamente custoso em termos de tempo e investimento”, pontua María Isabel Puerta Riera.
“Isso poderá levar até 10 anos, requer um investimento maciço, e a Venezuela encontra-se numa desvantagem significativa porque, por um lado, possui uma dívida externa exorbitante e, por outro, não existem condições ou garantias legais, razão pela qual muitos se mostram relutantes em investir na Venezuela.”
Como parte da aproximação com os Estados Unidos, o governo Delcy aprovou uma lei de hidrocarbonetos que desfez a hegemonia da estatal PDVSA na exploração e produção e abriu caminho para empresas estrangeiras investirem em petróleo e gás no país.
“A reforma da lei de hidrocarbonetos, para o que se tinha, é um grande avanço, mas é insuficiente, pode-se fazer muito mais”, afirma Asdrúbal Oliveros.
“São necessários incentivos adicionais, que provavelmente possa vir uma segunda onda de outros atores que queiram entrar no setor petrolífero e que realizem investimentos importantes para permitir um aumento em termos de produção. Também faz falta mais clareza no marco legal, melhores incentivos e menor discricionariedade”, completa.
O Estado de S.Paulo - SP 06/04/2026
Segundo a Motiva, rodovia está em um ‘corredor econômico relevante’, e transação representa ‘aquisição de um ativo premium alinhada ao planejamento estratégico’ da empresa
A Motiva Infraestrutura de Mobilidade assinou contrato com a Arteris para aquisição da totalidade das ações da Autopista Fernão Dias, concessionária da BR-381 em Minas Gerais e São Paulo. O valor da transação é de R$ 381.375.069,26, que será pago à vista, informou a empresa por meio de fato relevante, divulgado nesta quinta-feira, 2.
Além do valor principal, o acordo prevê “eventual ajuste de preço” de R$ 19.587.000,00, cuja exigibilidade está em análise por causa de uma medida cautelar do Tribunal de Contas da União (TCU).
A compra ocorre no âmbito do Processo Competitivo 04/2025, conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A Motiva afirmou que a transação “representa a aquisição de um ativo premium alinhada ao planejamento estratégico” da empresa e que a rodovia está em “um corredor econômico relevante”, com polos “industriais, agrícolas e logísticos”.
Com a conclusão do negócio e a assinatura de um termo aditivo de modernização do contrato de concessão, a Motiva passará a operar “em uma nova região geográfica, Minas Gerais”, ampliando a escala de sua plataforma de rodovias.
“Trata-se da maior rodovia federal em volume de eixos equivalentes pedagiados em 2025, com demanda amplamente conhecida e investimentos de baixa complexidade”, acrescenta a Motiva no documento.
Jornal de Brasília - DF 06/04/2026
O Ministério dos Transportes autorizou nesta semana o avanço da pavimentação da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho. A medida foi baseada na Lei Geral do Licenciamento Ambiental (lei 15.190), flexibilizada no final de 2025 diante da pressão do Congresso.
A nova regra, criticada por organizações da sociedade civil e partidos políticos, dispensa o licenciamento ambiental de “obras de manutenção e melhoramento da infraestrutura em instalações preexistentes ou em faixas de domínio e de servidão, incluídas rodovias anteriormente pavimentadas e dragagens de manutenção”.
Esse novo marco legal flexibiliza etapas e amplia autorizações automáticas para obras e empreendimentos —como o caso da BR-319, que enfrentava impasse para a pavimentação do “trecho do meio”. A mudança introduz, ainda, novos tipos de licenças ambientais, isenta o agronegócio e determina a consulta apenas a terras indígenas e quilombos já demarcados.
O Observatório do Clima, rede que reúne 161 ONGs ambientalistas, afirma que o asfaltamento do trecho necessita passar pelo devido licenciamento ambiental do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
Segundo a rede, o atestado emitido pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), anexado à autorização da obra, não é o documento adequado para caracterizar a não sujeição ao licenciamento ambiental. A decisão do governo Lula (PT), segundo o Observatório, vai motivar mais conflito e judicialização.
“Esse empreendimento vai gerar grande aumento do desmatamento na região, como mostram vários estudos e análises que constam no próprio processo de licenciamento”, disse à reportagem Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima e ex-presidente do Ibama (de 2016 a 2018).
Segundo Araújo, o Ibama já considerou o empreendimento como de significativo impacto ambiental, o que demanda de estudo de impacto ambiental e relatório de impacto ambiental (EIA/Rima), de acordo com a Constituição Federal.
“Há também impactos nas populações indígenas, as quais nem sequer foram consultadas como exigido pela Convenção 169 da OIT [Organização Internacional do Trabalho para Povos Indígenas e Tribais]”, complementou.
O Ministério do Meio Ambiente diz, em nota, que o Ibama avalia a licença de instalação para a construção de quatro pontes na rodovia e destaca que o processo de licenciamento para a pavimentação está judicializado.
Afirma, ainda, que “desde janeiro de 2023 o governo tem intensificado as medidas de controle do desmatamento no eixo da BR-319, ampliando a fiscalização e articulando a atuação conjunta de diferentes instituições”. A força-tarefa é coordenado pela Casa Civil e composta pelos ministérios dos Transportes e do Meio Ambiente.
A AGU (Advocacia-Geral da União), responsável por emitir o parecer ao Ministério dos Transportes, defende que a nota técnica do Dnit atesta que as obras na BR-319 configuram manutenção e melhoramento da infraestrutura em instalações preexistentes, conforme a nova lei, não se tratando de implantação de nova rodovia.
“Os pareceres emitidos pela AGU, no âmbito da Consultoria-Geral da União e da consultoria jurídica junto ao Ministério dos Transportes, se limitaram a reconhecer o enquadramento do caso à previsão legal. Não houve, portanto, qualquer tipo de excepcionalidade ou dispensa discricionária de licenciamento”, disse, em nota.
A BR-319, construída entre 1968 e 1976 pelo regime militar, possui 885 km de extensão, mas cerca de 400 km ainda são de estrada de terra. A obra é alvo de críticas de ambientalistas, que argumentam que a rodovia causa o efeito de desmatamento chamado espinha de peixe, em alusão à cicatriz da floresta vista de cima.
Acontece Paraná - PR 06/04/2026
A crescente demanda por produtividade e eficiência no campo tem impulsionado uma nova geração de máquinas agrícolas no Brasil. Em meio a esse movimento, a fabricante de tratores Valtra aposta na tecnologia desenvolvida na Finlândia para ampliar a eficiência das operações no agronegócio nacional.
Segundo o diretor comercial da empresa, Cláudio Esteves, a evolução das máquinas acompanha a própria transformação da agricultura brasileira, considerada uma das mais competitivas do mundo. “A agricultura brasileira é pujante e demanda muita tecnologia. O Brasil é visto por muitos como o celeiro do mundo, e a Valtra se coloca ao lado do produtor para entender essas demandas e ajudá-lo a produzir mais, com menor custo”, disse Esteves em entrevista à Gazeta do Povo durante o test drive em Londrina (PR), onde a marca apresentou os lançamentos previstos para as feiras agropecuárias no primeiro semestre deste ano.
De acordo com ele, os novos equipamentos incorporam soluções voltadas principalmente à eficiência energética e ao aumento da produtividade no campo. Entre os avanços estão sistemas de agricultura de precisão e piloto automático com mapeamento do campo por satélite.
Dentro da cabine, o operador tem acesso a informações em tempo real sobre o funcionamento do trator e sobre a atividade no campo, como consumo de combustível, desempenho da operação e dados sobre o plantio. “O operador tem todas as informações importantes em telas ao alcance da mão. Isso inclui consumo, dados da operação e quantidade de sementes por segundo”, explicou Esteves.
Conforme informação da empresa, os tratores de entrada para a agricultura familiar custam R$ 200 mil em média, com potência de aproximadamente 80 cv. Para os grandes produtores, a série S possui tratores que custam cerca de R$ 2 milhões, com potência de 345 cv a 425 cv.
Feiras agrícolas impulsionam lançamentos de tratores
A estratégia de divulgação dos novos equipamentos passa principalmente pelas feiras agrícolas, consideradas pela empresa um dos principais pontos de contato com produtores rurais. A fabricante apresentou ao mercado brasileiro a nova linha de tratores de média potência da série A5 e A5 Hitech, quinta geração da tradicional linha da marca, com mudanças no design, melhorias no desempenho do motor e novos recursos de agricultura de precisão.
Os equipamentos foram apresentados na Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque (RS). Visualmente, os tratores passam a adotar um capô redesenhado e linhas mais modernas, alinhadas ao padrão internacional da empresa, mantendo a tradicional cor amarela.
No campo da engenharia, a série A5 passa a utilizar a nova geração de motores AGCO Power, com potências que variam de 105 a 145 cavalos. “A série A5 representa uma virada de chave para o segmento de média potência. Conseguimos integrar um visual moderno a uma engenharia de motor que entrega exatamente o que o produtor busca hoje, que é força e desempenho com o menor custo operacional”, afirma Winston Quintas, coordenador de Marketing e Produto Trator da Valtra.
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Trator de ponta recebe prêmio internacional de design
Lançado na edição 2025 da Agrishow, feira de Ribeirão Preto (SP), o modelo S6, produzido na Finlândia, recebeu o prêmio internacional de design Red Dot Design Award, considerado um dos mais importantes da categoria. “O prêmio celebra a melhor relação entre o homem e a máquina. Apenas três marcas de automotores ganharam esse prêmio, entre elas o trator Valtra S6”, disse Cláudio Esteves.
Com origem na antiga estatal finlandesa Valmet, a Valtra mantém seu principal centro de desenvolvimento tecnológico em Suolahti, na Finlândia, sendo que parte dos tratores vendidos no Brasil é produzida diretamente na planta europeia. A empresa chegou ao país no início da década de 1960 e foi uma das primeiras plantas de tratores instaladas no Brasil.
Apesar da origem europeia, Esteves afirma que a empresa faz adaptações para atender às condições do agronegócio brasileiro. “Fazemos a tropicalização desses produtos no Brasil, porque nossa agricultura e nosso clima exigem um trabalho muito mais robusto do que as exigências europeias”, explica. Os modelos vindos da Finlândia são voltados principalmente para grandes operações agrícolas, como a produção de grãos, cana-de-açúcar e algodão.
G1 - RJ 06/04/2026
O setor de máquinas e equipamentos agrícolas brasileiro vem enfrentando uma baixa que se confirmou no início deste ano.
Indústrias do segmento faturaram entre janeiro e fevereiro cerca de R$ 8 bilhões, 17% a menos do que em 2025.
Desafios que vêm pela frente, segundo Abimaq, passam por entender como os juros, a taxa cambial e o preço das commodities impactam na rentabilidade do produtor rural.
Além de representar 20% dos negócios monitorados pela Abimaq, o movimento da indústria de máquinas agrícolas é um importante termômetro para feiras como a Agrishow.
Na última edição, mais de R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios foram movimentados com o evento.
Nos últimos meses, o setor de máquinas e equipamentos agrícolas brasileiro vem enfrentando uma baixa que se confirmou no início deste ano: as indústrias do segmento faturaram entre janeiro e fevereiro cerca de R$ 8 bilhões, 17% a menos do que em 2025, em um cenário marcado por problemas macroeconômicos que devem se manter ao longo de 2026.
Os desafios que vêm pela frente, segundo Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), passam por entender como os juros, a taxa cambial e o preço das commodities impactam na rentabilidade do produtor rural.
"O setor de máquinas agrícolas é um dos setores que têm registrado pior desempenho nesse início de ano, nesse primeiro bimestre", confirmou Cristina Zanella, diretora da Abimaq.
Além de representar 20% dos negócios monitorados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o movimento da indústria de máquinas agrícolas é um importante termômetro para feiras como a Agrishow, um dos maiores eventos de tecnologia agrícola do mundo que acontece entre 27 de abril e 1º de maio em Ribeirão Preto (SP).
Na última edição, mais de R$ 14,6 bilhões em intenções de negócios foram movimentados com o evento.
A seguir, entenda os principais fatores determinantes para as vendas de máquinas agrícolas:
Câmbio e commodities
A questão mais determinante para o setor nesse momento é a valorização do real diante do dólar . Se,. por um lado, isso ajuda a dar mais acesso a insumos importados e até facilita as exportações, por outro, reduz a rentabilidade dos produtores com a produção das commodities, desvalorizadas no mercado internacional.
"O câmbio em janeiro do ano passado estava a R$ 6,20, ele veio caindo e chegou a R$ 5,10 agora em janeiro. E isso diminui muito a rentabilidade do agricultor", afirma Pedro Estevão Bastos de Oliveira, presidente da câmara setorial de máquinas agrícolas da Abimaq.
Taxa de juros e prioridade no custeio
Os recentes anúncios do Banco Central ainda são insuficientes para amenizar a elevada taxa de juros do país, hoje acima dos 14%, e que representam um problema para quem precisa investir em equipamentos caros e que demandam financiamentos para serem adquiridos.
Mesmo em linhas com juro subsidiado pelo governo, como o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), do Plano Safra, a taxa está na casa de 13,5%, analisa Bastos de Oliveira.
Com isso, segundo ele, o produtor acaba priorizando o custeio da produção. "Porque, se ele for a mercado pegar esse dinheiro, é um dinheiro muito caro, então ele prefere pegar o dinheiro próprio dele. Então, ele começa a dar prioridade para custeio."
Atrelado a isso, o representante da câmara setorial de máquinas agrícolas avalia que os bancos estão mais cautelosos em conceder linhas de crédito, principalmente por um aumento na inadimplência.
"Os investimentos acabam travando porque o banco está bastante seletivos."
Guerra EUA/Israel x Irã
Os impactos da guerra para a produção agrícola e consequentemente para a comercialização de máquinas ainda são desconhecidos, mas Bastos de Oliveira teme problemas relacionados ao preço do diesel e a produtos de adubação se a crise diplomática se prolondar.
"Se a guerra terminar logo você não tem um efeito muito prolongado, agora, se a guerra esticar, aí vamos ter um efeito prolongado, que é aumento de custo lá para o agricultor."
O Estado de S.Paulo - SP 06/04/2026
A Massey Ferguson, fabricante de máquinas agrícolas do grupo AGCO, vê o Brasil como motor de crescimento na América Latina. Além de os produtores precisarem renovar a frota, a produção de máquinas cresce para fazer frente à expansão da área plantada e à conversão de pastos, diz Rodrigo Junqueira, vice-presidente da Massey Ferguson América Latina.
Ele projeta vendas de 3% a 4% maiores no mercado nacional neste ano. Para tal, a companhia aposta em um portfólio que vai de novos modelos de tratores compactos a máquinas de altíssima potência.
Em 2026 estão previstos lançamentos de três tratores e uma colheitadeira. O Brasil perfaz cerca de 12% das vendas globais da AGCO, que faturou US$ 10,1 bilhões em 2025 no mundo.
Brasil é hub na América Latina
A Massey Ferguson exporta máquinas agrícolas produzidas no Brasil para EUA, México, África e Ásia. “É um negócio relevante, com a participação se mantendo ano após ano”, diz Junqueira. Além dos equipamentos, a partir da operação brasileira, a companhia comercializa tecnologias de precisão para outros mercados.
Produzir mais
Apesar dos juros, do crédito restrito e da conjuntura adversa do agro no mercado de máquinas agrícolas, produtores perseguem o investimento em tecnologias para maior produtividade, diz Junqueira.
Tecnologia permite ser mais rentável, produzir melhor, com eficiência e com retorno no curto prazo, diz. Hoje, cerca de metade da frota nacional tem idade média acima de 16 anos, o que exige a renovação pelos produtores rurais. “O aporte se dá em escala menor do que seria ideal, mas não deixa de ocorrer.”
Olho na Europa
Com o regulamento antidesmatamento da União Europeia, o EUDR, impondo exigências rigorosas de rastreabilidade para exportações ao bloco, a MBRF, das marcas Sadia, Perdigão e Qualy, monitora 44 milhões de hectares de pecuária no Brasil em parceria com a Serasa Experian.
A plataforma cruza imagens de satélite e dados do Inpe para verificar se cerca de 70 mil fazendas fornecedoras têm alguma irregularidade — desmatamento ilegal ou trabalho análogo à escravidão.
Desde o início da iniciativa, 4.300 propriedades se regularizaram e voltaram a fornecer gado à companhia, que acumula 13 anos de aprovação total em auditorias.
Importância
O agro já responde por 40% dos negócios da Vertem, que tem entre os clientes Basf, Syngenta, Cargill e Bayer. A empresa de fidelidade, inicialmente voltada para grandes empresas de serviços financeiros, movimentou em 2025 R$ 1,4 bilhão em GMV (valor das transações em recompensas).
Vinícius Ricarte, sócio e diretor de negócios, conta que o agro se destaca pelo tíquete elevado. “O setor é potente e uma das alavancas de crescimento”, afirma. A meta mínima da Vertem para o ano é crescer 15%.
Sempre avançando
Ricarte estima que o setor movimente cerca de R$ 5 bilhões no País e avalia que programas de fidelidade devem seguir crescendo em 2026, mesmo sendo um ano desafiador para o agro. A combinação de benefícios, crédito e uso de dados para personalizar ofertas ajuda a destravar vendas e a fidelizar produtores, afirma.
In loco
O Brasil recebe nesta semana uma missão do Japão para auditoria do sistema sanitário nacional. A vistoria faz parte do processo de abertura do mercado japonês para a carne brasileira.
A comitiva passará, de 6 a 13 de abril, pelos Estados do Sul, os primeiros a obter o reconhecimento de livres de febre aftosa sem vacinação. O roteiro deve incluir ainda visitas a frigoríficos nacionais. A análise é considerada a principal etapa do processo, que inclui 12 fases ao todo.
Longo processo
Quanto à possibilidade de embarques ao Japão, exportadores brasileiros de carne bovina dizem adotar um “otimismo cauteloso”. Citam que já são mais de 20 anos de tratativas e a expectativa agora é de quase um ano para conclusão. “O tema técnico será superado, mas falta uma decisão política em um assunto delicado”, resume um executivo da indústria.
Hoje, os EUA são o principal fornecedor da proteína vermelha ao Japão, ao mesmo tempo em que o país depende do mercado americano para exportações de carros e artigos militares. “Eles estão tentando se aproximar de Trump, o que pode ser um entrave para a abertura ao Brasil”, diz a fonte./Isadora Duarte, Gabriel Azevedo e Leandro Silveira