Clipping Diário

06 | Março | 2026

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   06/03/2026

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 4,208 bilhões em fevereiro de 2026, após saldo positivo de US$ 4,343 bilhões em janeiro de 2026.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) divulgados nesta quinta-feira, 5, o valor foi alcançado com exportações de US$ 26,306 bilhões e importações de US$ 22,098 bilhões.

O resultado do último mês veio acima da mediana apontada na pesquisa Projeções Broadcast, de superávit comercial de US$ 4,12 bilhões em janeiro. As projeções para esta leitura variavam de US$ 3 bilhões a US$ 4,6 bilhões.

Em fevereiro, as exportações registraram alta de 15,6% na comparação com janeiro de 2025, com crescimento de 6,1% em Agropecuária, que somou US$ 5,140 bilhões; crescimento de 55,5% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 6,633 bilhões; e, por fim, crescimento de 6,3% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 14,372 bilhões.

Em relação às importações, houve queda de 4,8% na comparação mesmo mês do ano passado, com redução de 20,0% em Agropecuária, que somou US$ 423,194 milhões; redução de 12,1% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 831,907 milhões; e, por fim, redução de 4,0% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 20,747 bilhões.

Exportações aos EUA caem 20,3%

As exportações de produtos brasileiros para os Estados Unidos caíram 20,3% em fevereiro de 2026, totalizando US$ 2,523 bilhões no mês passado, ante US$ 3,167 bilhões em fevereiro de 2025. As importações diminuíram 16,5% e chegaram a US$ 2,788 bilhões, frente a US$ 3,337 bilhões no mesmo mês do ano anterior. Assim, a balança comercial com os EUA resultou num déficit de US$ 265 milhões.

Esta é a sétima queda consecutiva nas vendas ao mercado norte-americano, após a imposição da sobretaxa de 50% aplicada pelo governo Donald Trump aos produtos brasileiros, em meados de 2025.

No fim do ano passado, alguns produtos brasileiros foram retirados das tarifas, mas o MDIC calcula que 22% das exportações brasileiras ainda estão sujeitas às tarifas estabelecidas em julho, incluindo nesse grupo tanto os produtos que pagam apenas a alíquota extra de 40%, quanto os sujeitos a 40% mais a taxa-base de 10%.

Exportações para a China crescem 38,7%

As exportações de produtos brasileiros para a China cresceram 38,7% em fevereiro de 2026 (somando US$ 7,220 bilhões no mês, ante US$ 5,206 bilhões em fevereiro de 2025).

Pelo lado das importações, houve diminuição de 31,3% nas compras vindas da China em fevereiro (totalizando US$ 5,494 bilhões, ante US$ 7,978 bilhões em igual mês do ano passado). Com isso, o Brasil teve superávit de US$ 1,73 bilhão com o país asiático no segundo mês deste ano.

O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, explicou que o principal produto importado pelo Brasil em fevereiro foi uma plataforma de petróleo, um equipamento com valor alto, de US$ 2,5 bilhões. “Embora a China tenha caído [em valor nas importações], a Ásia não, por conta do fenômeno da importação da plataforma da Coreia do Sul”, explicou Brandão.
União Europeia e Argentina

As exportações de produtos brasileiros para a União Europeia subiram 34,7% em fevereiro deste ano e somaram US$ 4,232 bilhões, ante US$ 3,141 bilhões em fevereiro de 2025. As compras caíram 10,8% (somando US$ 3,301 bilhões, ante US$ 3,700 bilhões no mesmo mês do ano passado). A balança comercial com este bloco resultou num superávit de US$ 931 milhões.

No caso da Argentina, as exportações caíram 26,5% e somaram US$ 1,057 bilhão. As importações também diminuíram 19,2% e totalizaram US$ 850 milhões. Logo, a balança comercial com este parceiro comercial apresentou superávit de US$ 207 milhões.

Argentina e UE, ao lado da China e dos Estados Unidos, são os principais parceiros comerciais do Brasil.

O Estado de S.Paulo - SP   06/03/2026

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Geraldo Alckmin, deverá se despedir da pasta que acumula com a Vice-Presidência nesta quinta-feira, 5. Ele precisa se desincompatibilizar do cargo de ministro seis meses antes da eleição. Alckmin fará a abertura da entrevista à imprensa para apresentar os dados da balança comercial de fevereiro, a partir das 15h15, na sede do ministério.

A despedida será feita nesta quinta, mas ainda não é certa a data que ele deixará a pasta — a data limite para desincompatibilização é início de abril, seis meses antes das eleições, marcadas para 4 de outubro (1º turno) e 25 de outubro (2º turno).

Segundo pessoas a par do tema ouvidas pelo Estadão/Broadcast, a ideia é que Alckmin deixe o Mdic apresentando recordes no comércio exterior conquistados durante sua gestão. Mesmo sob cenário internacional desafiador, com o tarifaço dos Estados Unidos e conflitos no Oriente Médio, as exportações brasileiras alcançaram recorde em 2025, somando US$ 348,7 bilhões, superando em US$ 9 bilhões o recorde anterior, que era de 2023. Os últimos três anos apresentam os melhores resultados históricos para a balança comercial.

Alckmin também deverá celebrar a aprovação, pelo Senado, do projeto que ratifica o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O texto havia sido aprovado pela Câmara em 25 de fevereiro e agora segue para promulgação. Essa ratificação — já concluída pelos sócios Argentina e Uruguai — abre espaço para a vigência provisória do pacto comercial. A expectativa do governo brasileiro é que o acordo entre em vigor a partir de maio.

Segundo estimativas do Mdic, o acordo Mercosul-UE terá um efeito positivo de 0,34% (R$ 37 bilhões) sobre o PIB brasileiro, com aumento de 0,76% no investimento (R$ 13,6 bilhões) e redução de 0,56% no nível de preços ao consumidor. A ele se somam outros dois acordos celebrados pelo Mercosul neste governo, com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), em 2025, e com Singapura, em 2023.

Com os três pactos, a corrente de comércio do Brasil coberta por acordos comerciais aumenta em duas vezes e meia. O acesso a mercados facilitados pelos três acordos deverá gerar um aumento de R$ 67,6 bilhões no PIB e de R$ 25,3 bilhões nos investimentos, além de reduzir os preços ao consumidor brasileiro. Em conjunto, os acordos promoverão um aumento das exportações de R$ 76,6 bilhões, ligeiramente maior que o aumento previsto das importações (R$ 72,6 bilhões).

IstoÉ Dinheiro - SP   06/03/2026

As exportações de produtos brasileiros para os Estados Unidos caíram 20,3% em fevereiro de 2026, totalizando US$ 2,523 bilhões no mês passado, ante US$ 3,167 bilhões em fevereiro de 2025. As importações diminuíram 16,5% e chegaram a US$ 2,788 bilhões, frente a US$ 3,337 bilhões no mesmo mês do ano anterior. Assim, a balança comercial com os EUA resultou num déficit de US$ 265 milhões.

Esta é a sétima queda consecutiva nas vendas ao mercado norte-americano, após a imposição da sobretaxa de 50% aplicada pelo governo Donald Trump aos produtos brasileiros, em meados de 2025.

No fim do ano passado, alguns produtos brasileiros foram retirados das tarifas, mas o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) calcula que 22% das exportações brasileiras ainda estão sujeitas às tarifas estabelecidas em julho, incluindo nesse grupo tanto os produtos que pagam apenas a alíquota extra de 40%, quanto os sujeitos a 40% mais a taxa-base de 10%.

China

As exportações de produtos brasileiros para a China cresceram 38,7% em fevereiro de 2026 (somando US$ 7,220 bilhões no mês, ante US$ 5,206 bilhões em fevereiro de 2025).

Pelo lado das importações, houve diminuição de 31,3% nas compras vindas da China em fevereiro (totalizando US$ 5,494 bilhões, ante US$ 7,978 bilhões em igual mês do ano passado). Com isso, o Brasil teve superávit de US$ 1,73 bilhão com o país asiático no segundo mês deste ano.

O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, explicou que o principal produto importado pelo Brasil em fevereiro foi uma plataforma de petróleo, um equipamento com valor alto, de US$ 2,5 bilhões.

“Embora a China tenha caído em valor nas importações, a Ásia não, por conta do fenômeno da importação da plataforma da Coreia do Sul”, explicou Brandão.

União Europeia e Argentina

As exportações de produtos brasileiros para a União Europeia subiram 34,7% em fevereiro deste ano e somaram US$ 4,232 bilhões, ante US$ 3,141 bilhões em fevereiro de 2025. As compras caíram 10,8% (somando US$ 3,301 bilhões, ante US$ 3,700 bilhões no mesmo mês do ano passado). A balança comercial com este bloco resultou num superávit de US$ 931 milhões.

No caso da Argentina, as exportações caíram 26,5% e somaram US$ 1,057 bilhão. As importações também diminuíram 19,2% e totalizaram US$ 850 milhões. Logo, a balança comercial com este parceiro comercial apresentou superávit de US$ 207 milhões.

Argentina e UE, ao lado da China e dos Estados Unidos, são os principais parceiros comerciais do Brasil.

O Estado de S.Paulo - SP   06/03/2026

Historicamente, três tipos de eventos levaram os Estados Unidos à recessão: crises financeiras, choques nos preços do petróleo e pandemias.

Os ataques dos EUA e de Israel ao Irã já provocaram a segunda circunstância dessa lista e, se as coisas piorarem, a primeira pode chegar.

Muito dependerá da duração e da gravidade do conflito. O impacto aumentou à medida que os ataques se expandiram para além do Irã, paralisando aeroportos e danificando instalações industriais em todo o Oriente Médio. Se houver um cessar-fogo na próxima semana, os fluxos comerciais poderão voltar ao normal rapidamente.

Mas, se as bombas continuarem caindo por mais semanas ou meses - como o presidente Donald Trump previu -, o impacto econômico poderá se tornar muito mais pesado e o custo para os contribuintes americanos, muito maior. Aqui estão os principais canais pelos quais os americanos podem sentir os efeitos:

Estrangulamento do abastecimento de petróleo

Nos dias após o início da guerra, os petroleiros pararam de entrar no Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã e por onde passa 20% do petróleo mundial. Cerca de 200 navios estão parados na região do Golfo Pérsico, de acordo com a Lloyd’s List, e as taxas de transporte de petróleo dispararam. A maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita e a maior instalação de exportação de gás natural liquefeito do Catar foram fechadas após ataques com drones.

Os preços do petróleo subiram e estão cerca de 10% mais altos desde o início dos combates, a cerca de US$ 80 o barril. Os preços do diesel subiram para mais de US$ 4 o galão (equivalente a 3,8 litros), em média, o nível mais alto desde abril de 2024, de acordo com a American Automobile Association (AAA). O preço médio da gasolina saltou para US$ 3,21 o galão, ante US$ 2,99 na semana passada, de acordo com a GasBuddy. Mesmo que os combates cessem, os preços do petróleo permanecerão elevados até o final do ano, estima o Goldman Sachs, e se o estreito permanecer fechado por semanas, eles poderão chegar a US$ 100 por barril.

É claro que não estamos na década de 1970, quando a turbulência no Oriente Médio levou à escassez de combustível, fazendo a inflação disparar e criando filas nos postos de gasolina. A economia dos EUA se tornou menos dependente do petróleo devido ao aumento da eletricidade gerada por energia eólica e solar, bem como ao boom do xisto, que tornou os Estados Unidos um exportador líquido de energia. Algumas empresas americanas de gás já procuraram capitalizar os preços mais altos.

Espera-se que a inflação aumente, diminuindo a probabilidade de que o Federal Reserve reduza as taxas de juros nos próximos meses. Como de costume, as empresas menores estão mais expostas à volatilidade dos preços, porque não podem arcar com contratos de longo prazo ou instrumentos financeiros que as protejam contra flutuações.

“Qualquer tipo de empresa industrial vai proteger toda a sua exposição energética”, disse Chris Hodge, economista-chefe da Natixis Corporate & Investment Banking nos EUA. “O custo dessa proteção aumentará um pouco, mas provavelmente não impedirá nenhum tipo de plano de investimento.”

O mesmo vale para os consumidores: aqueles com baixa renda tendem a gastar uma parcela maior de seus ganhos com gasolina. À medida que os preços aumentam, as pessoas reduzem outras prioridades. Com a taxa de poupança pessoal em seu nível mais baixo em mais de três anos e as taxas de inadimplência em cartões de crédito e empréstimos para automóveis subindo para níveis nunca vistos desde a Grande Recessão, não há muito espaço para manobra.

Varejistas e restaurantes que atendem clientes de baixa renda e consumidores em subúrbios que precisam dirigir para todos os lugares são os mais expostos, disse Michael Gunther, vice-presidente sênior de pesquisa da empresa de dados de cartões de crédito Consumer Edge. Ele espera que a diferença nos gastos entre pessoas de baixa e alta renda aumente, como aconteceu em 2022, quando a inflação ultrapassou 9%.

“Quando há um choque geral de inflação e os preços da gasolina também sobem muito, essa diferença realmente aumenta”, disse Gunther. “Não é como se os gastos tivessem caído drasticamente, mas certamente enfraqueceram em relação ao que eram antes.”

Atritos comerciais

O Estreito de Ormuz não é uma rota essencial para mercadorias além do petróleo. E embora toda a região seja agora mais arriscada para navegar, o comércio já havia se deslocado do Canal de Suez, nas proximidades, devido ao risco de ataques dos rebeldes houthis nos últimos anos, limitando o impacto negativo imediato.

Ainda assim, sem o surto de novas hostilidades, as condições poderiam ter melhorado.

“Em vez de provocar um novo e perturbador desvio do transporte de contêineres, o conflito irá principalmente adiar os planos que as empresas de transporte marítimo tinham de retornar à rota comercial do Canal de Suez no final deste ano”, escreveu Simon MacAdam, economista-chefe adjunto da Capital Economics, em uma nota na quarta-feira.

Além disso, a incerteza sobre se a guerra vai se espalhar e se as perturbações persistirão surge num momento em que as empresas de bens de consumo dos EUA estão comprando matérias-primas para os produtos natalinos. Para além do panorama tarifário, que foi novamente alterado quando Trump se apressou a substituir as taxas invalidadas pela Suprema Corte, a guerra torna ainda mais difícil a tomada de decisões dos importadores.

“Estamos em um momento delicado, em que qualquer impacto significativo pode ter repercussões importantes na temporada de festas de fim de ano”, disse David Warrick, vice-presidente executivo da Overhaul, empresa que atua no gerenciamento de cadeias de suprimentos.

Riscos sobre riscos

Nunca há um bom momento para iniciar uma guerra sem fim. Neste caso, os Estados Unidos já estão sob forte pressão por conta do alto endividamento, com uma economia que se tornou fortemente dependente de um setor e um mercado de ações que parece supervalorizado.

Apesar de alguns anos de crescimento saudável e baixo desemprego, os profundos cortes de impostos e os elevados gastos durante a pandemia mantiveram a dívida federal em níveis historicamente altos em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). As altas taxas de juros fizeram disparar o custo do serviço dessa dívida. Os investidores venderam títulos do Tesouro americano após o início dos ataques, em vez de investir neles como costumam fazer em tempos de instabilidade global.

“Os estrangeiros estão começando a duvidar se somos um devedor confiável”, disse Desmond Lachman, pesquisador residente do American Enterprise Institute. “A última coisa de que precisamos é uma ação militar que provavelmente exigirá mais gastos com defesa.”

Enquanto isso, o crescimento econômico tem sido impulsionado de forma desproporcional por investimentos em data centers que atendem à inteligência artificial e nos equipamentos complexos que os compõem - muitos dos quais são transportados da Ásia, através de rotas comerciais agora perigosas e caras.

Se os investidores perderem a confiança na capacidade de algumas empresas de tecnologia de cumprir suas promessas, os mercados de ações, que se tornaram fortemente concentrados em suas ações, podem ser afetados. Como as pessoas que desfrutam dos benefícios desse boom das ações têm sustentado os gastos do consumidor há meses, uma queda acentuada poderia levar rapidamente a demissões.

“Quando você junta tudo isso, há o risco de que isso possa causar muitos problemas”, disse Lachman.

IstoÉ Dinheiro - SP   06/03/2026

O diretor de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, reforçou nesta quinta-feira, 5, que a autarquia não tem meta de expectativa, e sim meta de inflação. Contudo, disse que “o fato é que a expectativa tende a complicar a minha busca pela meta de inflação”.

Ainda assim, Nilton relembrou que, conforme brincou em outras oportunidades, “a política monetária funciona até para quem não acredita”.

Para o diretor, a formação das expectativas de inflação vai um pouco em linha com o que o Fundo Monetário Internacional (FMI) mencionou, de que a maioria dos países que tiveram inflação acentuada por período prolongado de tempo tem essa característica de ser mais sensível à inflação corrente.

“Isso aí é um pouco de passado que talvez demore para, para se ajustar. E vamos conviver com isso. Se a inflação tiver rodando a 3%, a expectativa está a 3% e a gente fica quatro, cinco, seis anos assim, eu imaginaria que em algum momento a expectativa vai voltar. Um pouco de paciência, né?”, disse, no evento “LATAM Macro Conference 2026” organizado pelo Goldman Sachs, em São Paulo.

Sem conforto

O diretor de Política Monetária do Banco Central afirmou ainda que “não há conforto com nada” em termos de inflação e que o Comitê de Política Monetária (Copom) está “com a lupa em tudo”. Por mais que “seja muito bem-vinda a inflação para baixo agora”, Nilton cravou que o horizonte relevante da autarquia é de 18 meses, período que transcende uma baixa que pode ser temporária.

“Quando se tem esse nível de juros, e estamos vendo sinais mais evidentes da propagação da política monetária, o esperado é que isso convirja. Portanto não adianta imaginar que vou trazer a inflação para 3% se eu estiver acima do potencial. Se for por questão de demanda, é natural esperar que não vá ficar em 3%. Esse é o ponto”, destrinchou o diretor.

Nilton também relembra que em 2025 o BC foi ajustando o hiato ao longo do ano, quando o crescimento se mostrou mais forte do que o imaginado. “Obviamente, se a economia está acima do potencial e houver aumento da demanda, acaba sendo um ponto de exclamação. Estamos seguindo o curso correto? A despeito das rendas terem aumentado, o desembolso com crédito também cresceu, as pessoas estão mais endividadas. Isso desde junho do ano passado”, disse.

O diretor ponderou, ainda, que a despeito da taxa Selic estar em 15% ao ano, o Brasil está no nível mais alto de emprego, menor desemprego e mais alto de renda.

Globo Online - RJ   06/03/2026

A economia é afetada por tudo. O escândalo do Banco Master e a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã podem ter efeitos que impactam a todos, com reflexos nos juros, inflação e crescimento. Em meio a este cenário incerto, as contas públicas também preocupam, já que a dívida pública já chega a 80% do PIB, e vai ser um tema debatido, especialmente, neste ano eleitoral.

Para analisar este momento, conversei no meu programa da GloboNews com o economista Manoel Pires, do FGV Ibre, e coordenador do Observatório Fiscal da FGV. Pires é autor de um estudo, junto com o economista Bráulio Borges, que conclui que, em vez de discutir um novo teto de gastos, é melhor aperfeiçoar o atual arcabouço fiscal que está em vigor.

Eu queria começar falando do Banco Master, porque o caso está afetando tanto a política quanto a economia. Do seu ponto de vista, como economista, era possível prever que o Banco Master quebraria?

Manoel Pires: O caso do Banco Master é um exemplo de livro-texto de como um banco pode quebrar. Inclusive, na Universidade de Brasília, quando lecionei macroeconomia, uma parte do curso era exatamente explicar como um banco quebra. Hoje dá para usar o Banco Master como exemplo.

Quando você desenhava um banco hipotético com problemas, cabia exatamente no caso do Banco Master.

Manoel Pires: Você tem um banco com custo de captação muito alto. O Banco Master chegou a emitir CDB a 140% do CDI. O CDI é a Selic do mercado bancário. Então estamos falando de 140% sobre 15%, que é a taxa Selic hoje. Ele captava esse dinheiro e aplicava em negócios muito questionáveis: comprava precatórios de governo, que não têm prazo definido para pagamento, não tem previsibilidade, comprava ações de empresas em recuperação judicial na expectativa de que se recuperassem e gerassem ganho extraordinário. Mas esses eventos são muito arriscados.

Na prática, o que foi acontecendo? O banco emitia mais CDBs para pagar os que estavam vencendo antes e ficava carregando ativos com baixo potencial de valorização e difícil liquidez.

Ou seja, a dívida era cara e de curto prazo. Qualquer pessoa que quisesse resgatar seu CDB tinha que receber. Já os ativos eram duvidosos e de longo prazo. Agora, por que você acha que demorou tanto para isso acontecer? Existe sempre a discussão sobre o momento ótimo de intervenção? Já conversei muito sobre isso com pessoas do Banco Central. Eles acham que se precipitassem e fechassem o banco antes, poderiam ter suas ações questionadas, especialmente diante das conexões políticas envolvidas. Então precisaram esperar o momento em que o banco estivesse, de fato, quebrado.

Manoel Pires: Exatamente. O modelo de negócio do Banco Master era absolutamente inviável. Um sinal de alerta importante foi a proposta de emenda constitucional apresentada pelo senador Ciro Nogueira, que aumentava a garantia do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, o que era dar mais segurança ao investidor para continuar aplicando no Banco Master.

Isso é muito importante e se conecta com a dimensão política do caso. O senador Ciro Nogueira propõe o “mundo dos sonhos” do Daniel Vorcaro, permitindo que o FGC garantisse até R$ 1 milhão.

Manoel Pires: Garantido pelo Fundo Garantidor, que, na verdade, é uma garantia dos outros bancos. Então o crédito fica mais caro para todo mundo.

Agora, entrando nessa questão do Banco Central, vendo de fora, acho que muita gente ficou insatisfeita com a demora para tratar desse assunto. Olhando retrospectivamente, eu acho que essa preocupação com a conexão política fez sentido. Porque, mesmo tendo feito mais tarde, com mais evidências, com uma atuação muito mais robusta, ainda assim as ações do Banco Central, a intervenção foi duramente questionada, tanto no âmbito político quanto no âmbito do Judiciário.

Acho que o Banco Central teve um certo comedimento, uma certa preocupação que, a posteriori, se mostrou adequada. Mas eu acho que esse episódio, de todo modo, mostra como a gente tem que fortalecer as instituições, como a gente tem que dotar o Banco Central de mais instrumentos para ter mais garantia para agir, porque fazer antes é muito melhor para a economia do que fazer em um momento mais tardio.

Eu quero até lembrar que houve um momento em que, quando o Banco Central ia negar a operação, ia recusar que o BRB comprasse o Banco Master, fizeram ameaça explícita no Congresso de convocar Gabriel Galípolo e de demitir diretores, quebrando o mandato. Do ponto de vista da economia, esse assunto está em andamento. Amanhecemos com a operação, inclusive investigações no Banco Central e dois funcionários afastados. Mas o impacto na economia vai ficar restrito a esses bancos que tiveram negócio direto com o Banco Master ou existe risco sistêmico?

Manoel Pires: Essa é uma pergunta porque, para quem está assistindo ao noticiário, os valores são realmente muito grandes. São R$ 50 bilhões do Banco Master, etc. Para a economia, isso é pequeno. A economia vai absorver isso bem.

O Banco Master é um banco pequeno dentro do sistema bancário, então não vai trazer risco sistêmico. O que vai acontecer é a questão dos saques e dos pagamentos feitos no âmbito do FGC. O fundo vai precisar ser capitalizado para manter seu papel de dar confiança ao sistema bancário, fornecendo as garantias devidas. Sofreu uma perda grande e vai precisar ser capitalizado, eventualmente isso pode ter algum impacto em taxas de juros nos empréstimos bancários. O ideal é que isso seja feito de forma gradual para atenuar esse impacto negativo na política de crédito comercial.

Já existe uma engenharia financeira para recapitalizar o Fundo Garantidor de Crédito. Eu queria ir para a guerra agora. Quais são os efeitos dessa guerra na economia brasileira? Você acha que vai ter inflação? Vai haver alguma mudança na política monetária, na trajetória de queda de juros que já estava contratada e anunciada?

Manoel Pires: Acho que existem duas perspectivas diferentes sobre essa questão da guerra. Uma é o processo de mudança de política econômica no mundo inteiro, com questões geopolíticas surgindo. O mundo está se tornando menos liberal, revertendo a tendência de liberalismo dos últimos 30 anos, com política comercial mais protecionista. A estrutura está mudando. A gente não sabe muito bem para onde isso vai, mas precisa entender essas mudanças estruturais para saber como se posicionar e que tipo de ganho pode obter.

No caso específico da guerra, o principal efeito é o aumento do preço do petróleo. No curtíssimo prazo, o mercado financeiro reage mal como um todo, porque ninguém entende muito bem o que está acontecendo. A sensação de risco aumenta, há retração dos investimentos, o câmbio dispara um pouco e assim por diante.

Mas o principal efeito vai ser o aumento do preço do petróleo. O Brasil é produtor de petróleo, produz mais do que consome, então isso vai gerar um efeito benéfico para o país, estimular a economia e gerar renda um pouco mais elevada. As contas do governo vão melhorar, porque o governo arrecada bastante com as vendas desse setor.

Agora, há, sim, um impacto sobre a inflação, principalmente via preço da gasolina e da depreciação cambial decorrente desse choque.

O Banco Central vai ter que avaliar, ele tem algumas semanas, porque a última decisão foi recente, e ele tinha sinalizado uma redução na próxima reunião. Vai ter um tempo para absorver e entender melhor o que está acontecendo, para avaliar se mantém a tendência normal ou se isso já começa a impactar os cálculos e projeções de inflação.

Essa crise, esse choque, chega em um momento em que a economia está desacelerando fortemente, como foi mostrado no PIB divulgado na terça-feira, e a inflação também está cedendo. Cedeu, em parte, por causa dessa desaceleração e da atuação do Banco Central. Então, isso altera o projeto de reduzir em meio ponto percentual? Porque ontem, no mercado, muita gente já estava revendo de 0,50 para 0,25, ainda que a maioria continue achando que será meio ponto de corte. O que você acha?

Manoel Pires: Acho que o dado do PIB veio bastante aquém do que se esperava. É natural haver preocupação com relação à desaceleração da economia. E não é só o número agregado do PIB: a composição veio muito ruim, com forte desaceleração do consumo das famílias e, principalmente, queda do investimento acima do que já estava projetado.

Para 2026, já se espera um PIB crescendo menos do que em 2025. Então, a desaceleração da economia deve entrar, sim, no radar do Banco Central nesse período.

Agora, o efeito de curto prazo da inflação pode sim sobressair na avaliação do Banco Central e fazer com que ele reveja. Mas, com a informação que temos hoje, acho precipitado mudar a postura do Banco Central, porque não é uma postura sujeita a mudanças de curtíssimo prazo. Há todo um trabalho, uma lógica por trás da comunicação do que ele faz. Então, com as informações atuais, ainda entendo que há espaço para reduzir meio ponto. Se ele achar que reduziu de forma precipitada, pode reverter isso nas reuniões subsequentes, diante de um conjunto de informações um pouco mais preciso.

Junto com o Bráulio Borges, você fez um estudo em que defendem que é melhor aperfeiçoar o atual arcabouço fiscal do que fazer um novo esforço político para aprovar uma nova regra de teto de gastos. Mas muita gente acha que houve tantos furos nesse teto, da mesma forma que o outro caiu por excesso de exceções, que este também já está cheio de brechas. Como seria esse aperfeiçoamento? Como melhorar para aguentar o risco de sempre que é o aumento da dívida pública?

Manoel Pires: Existe nesse universo da política econômica, há um conjunto de prioridades que precisam ser estabelecidas para resolver os problemas e obter resultados. O pano de fundo dessa discussão é perceber que o governo tem capacidade limitada de fazer as coisas. Portanto, discutir uma nova regra fiscal no primeiro ano de governo enseja consumir tempo para preparar essa nova legislação. Negociar politicamente, o que desgasta e consome capital político. Fazer isso no primeiro ano de mandato concorre com outras agendas de reformas que também são importantes para o país. A regra fiscal não vai resolver o problema sozinha. Junto com a regra fiscal, é preciso fazer uma série de reformas para que o Orçamento do governo caiba dentro da regra e seja possível cumpri-la.

O primeiro ponto que a gente destaca nesse estudo é inverter o que foi feito em 2023. No primeiro ano do governo Lula, mudou-se o teto e criou-se a regra atual. Ficou-se o ano inteiro fazendo a mudança legal da regra e não conseguiram viabilizar reformas. Elas ficaram para o segundo ano, que já tinha eleições municipais, o que acaba congestionando a agenda econômica.

Fez-se a Reforma Tributária, que levou bastante tempo.

Manoel Pires: Esse é o primeiro ponto: organização da agenda de política econômica e reconhecimento de que, discutir uma regra fiscal a cada quatro anos gera ineficiência.

O que significa consertar a regra fiscal? Acho que há três críticas à regra atual que tratamos nesse estudo. A primeira é como a regra conversa com a estratégia de ajuste econômico. No teto de gastos, a premissa era reduzir despesa pública para fazer o ajuste. A regra impunha isso ao governo.

No governo Lula, a premissa se inverteu: como passou alguns anos tentando ajustar pela despesa, a estratégia passou a ser ajustar pelo lado da arrecadação, reduzindo incentivos tributários ineficientes, melhorando o efeito distributivo da tributação e coisas desse tipo.

Isso também está gerando uma certa fadiga na agenda, com muita gente criticando a estratégia de aumento de carga tributária, que é o que está acontecendo na prática. Dentro dessa lógica, acho que essa é uma discussão errada no Brasil nos últimos dez anos, desde que começou essa questão do ajuste fiscal. Não se deve discutir ajuste apenas pela despesa ou apenas pela receita. É preciso discutir o mérito dos assuntos que estão tratando.

Há várias medidas que o ministro Haddad adotou pelo lado da arrecadação que fazem sentido e revertem incentivos muito ruins. Ao mesmo tempo, temos que lidar com um país que está envelhecendo rapidamente e que precisa tratar de forma madura o tema da Previdência Social, além de outras questões relacionadas ao gasto público.

Essa é a primeira discussão da estratégia de ajuste. Acho que, em um próximo ciclo governamental, é preciso amadurecer esse debate para focar nas questões realmente importantes.

Você acha que talvez seja necessário fazer uma nova Reforma da Previdência?

Manoel Pires: A Reforma da Previdência feita em 2019 estava dentro do que se esperava de uma boa reforma. Mas, no processo político, algumas medidas se perderam e a qualidade do debate caiu.

Por exemplo, há o problema da fila do INSS, que desde a pandemia é gigante. É preciso alguma reforma para tratar melhor esse tema. Há também a questão dos benefícios da Previdência Rural, que estão subindo muito depois da última reforma, porque houve aumento da assimetria de regras.

Uma crítica que se faz ao governo Lula é que ele não desvinculou os benefícios previdenciários do salário mínimo e retomou o aumento real do salário mínimo. Eu fiz essa pergunta ao ministro Haddad, e ele respondeu: “Alguém desvinculou?” Não, ninguém desvinculou. Mas, quando além de não desvincular você passa a elevar muito o salário mínimo, que é indexador de benefícios, acaba criando uma pressão fiscal crescente, uma bola de neve.

Manoel Pires: O salário mínimo tem um custo fiscal relevante, isso é inegável. Ele passou por um processo de recuperação desde a redemocratização, no começo dos anos 90. Com a queda da inflação no Plano Real, a tendência tem sido de alta. Então, o reajuste do salário mínimo hoje pesa muito mais do que pesava fiscalmente há 20 anos.

E o Brasil é o único país que discute salário mínimo pelo custo fiscal do salário mínimo. Nos outros países, discute-se se o salário mínimo gera desemprego ou não. Mas essa é uma particularidade brasileira, porque realmente o salário mínimo virou um indexador de toda a política previdenciária e de uma parte importante da política assistencial.

Politicamente, porém, é muito difícil cortar esse cordão que liga o salário mínimo aos benefícios previdenciários.

Manoel Pires: Eu acho que existem duas soluções para isso. Uma mais intermediária, que eu veria sendo adotada por um governo de esquerda. Outra mais extrema, que eventualmente poderia ser adotada por um governo de direita.

A intermediária permitiria um reajuste módico do salário mínimo. No passado, o governo Lula adotou aquela regra de reajustar pelo crescimento do PIB. Pode-se encontrar um fator intermediário de reajuste para continuar valorizando o salário mínimo, mas com menor custo fiscal. Vale lembrar que o governo Lula retomou a regra antiga, mas o quadro fiscal ficou difícil e, depois do primeiro ano, ele já mudou a regra novamente. Teve que bolar uma regra que dava um reajuste um pouco menor. Ainda assim, eu acho que ficou insuficiente.

Numa solução mais extremada, seria natural discutir a desvinculação do salário mínimo. O salário mínimo ser balizador do mercado de trabalho.

O problema é político. Depois de 40 anos de uma determinada política, convencer as pessoas, que estão acostumadas com ela e que se beneficiam dela, de que vão perder esse benefício tem um custo político muito significativo. Por isso, o momento da conjuntura econômica em que se faz essa proposta também é muito importante para conseguir justificar uma solução ou outra.

Este ano vamos discutir muito contas públicas. O fato é que quem está na oposição, os candidatos que vão competir com o governo, vão dizer que o governo gastou demais, que ampliou muito o gasto e que aumentou a dívida pública. E de fato, a dívida pública aumentou. Por outro lado, quem está no governo vai dizer: “Eu recebi uma bola quadrada do governo Bolsonaro. Ao contrário do que se diz, não fes superávit em seu último ano; houve repressão de despesas. Recebi despesas reprimidas e um orçamento que não dava para executar”. Quem tem razão nesses dois pólos?

Manoel Pires: O interessante desse debate, quando ele é politizado dessa forma, é que ele se engaja num certo extremismo retórico. Cada lado assume uma posição mais extrema. Eu sempre olho para esses argumentos e vejo um caminho do meio.

O ministro Paulo Guedes entregou um superávit ao governo. Mas aquele superávit foi muito circunstancial. Quando você sai da pandemia, a arrecadação cresce muito porque a inflação foi alta e houve aquele boom do preço do petróleo, do qual a economia brasileira se beneficia do ponto de vista arrecadatório.

A carga tributária que Paulo Guedes entregou ao Brasil em 2022, no último ano do mandato dele, foi maior que o ministro Haddad entregou aumentando impostos. Com o passar do tempo, aqueles fatores extraordinários que impulsionavam a arrecadação foram se normalizando. Então, aquele superávit foi efêmero, circunstancial.

Além disso, houve a postergação dos precatórios, a conta foi deixada para o ministro Haddad, que tem reclamado disso.

Você está usando palavras neutras; eu chamaria de calote dos precatórios.

Manoel Pires: Agora, onde o ministro Guedes pôde apertar, ele apertou. Foi muito duro com a política de pessoal. Não concedeu reajustes salariais para parte dos servidores durante os quatro anos de mandato, o que é insustentável. É natural que o governo Lula chegue e conceda alguns reajustes, mas isso faz com que as pessoas critiquem essa normalização que o governo Lula praticou, sem contextualizar. Acho que a verdade está um pouco dos dois lados.

Tenho um olhar muito focado em como resolver o problema. Acho que é difícil avaliar a política fiscal do Paulo Guedes, porque a pandemia atrapalhou qualquer planejamento econômico que ele poderia ter feito. Ele foi duro em algumas áreas em que conseguiu atuar, mas teve pouca capacidade de aprovar reformas pelo lado do gasto e contou um pouco com a sorte desses ventos favoráveis da arrecadação.

O ministro Haddad herdou esse cenário, normalizou o orçamento de certa forma, mudou a estratégia de ajuste, conseguiu arrecadar um pouco mais e aprovar algumas medidas meritórias. Agora, depois desses dois ciclos, o fato é que o problema fiscal continua sendo muito grande. E é esse o problema que a gente precisa enfrentar.

O governante eleito em 2026 terá que começar seu governo fazendo um ajuste fiscal ou, pelo menos, dizendo como fará o ajuste fiscal?

Manoel Pires: Ele será muito cobrado para apresentar uma solução para esse problema. Hoje temos um déficit nominal de mais de 8,5% do PIB.

Em parte também porque os juros são muito altos.

Manoel Pires: Exatamente. Vou decompor isso agora, porque é fundamental para identificar o tamanho do problema.

O ministro Haddad vai entregar um resultado primário ainda deficitário, mas melhor, na média do mandato, do que o dos últimos governos. Isso é um fato. No ano passado tivemos um déficit primário.

Então, quando ele diz que seu resultado é melhor do que o do governo Temer e do governo Bolsonaro, isso está correto?

Manoel Pires: Está correto. Ele deve terminar este ano com um déficit primário próximo de zero. Em 2025, terminou com um déficit primário de 0,4% do PIB. Nos dois anos do mandato dele, o déficit primário foi menor do que nos dois primeiros anos do teto de gastos, por exemplo. Houve uma melhora que considero significativa.

O problema é que a conta de juros está muito salgada. Por um lado, é preciso fazer um resultado primário ainda melhor para neutralizar essa conta e impedir o crescimento da dívida. Por outro, é preciso discutir por que o país tem juros tão altos. Essa é uma pergunta que todo mundo deveria estar fazendo e que é pouco discutida.

A conta de juros no Brasil sempre foi alta. E, com o crescimento da dívida, aplica-se juros sobre uma base maior.

Vale lembrar que, no governo Bolsonaro, houve um momento em que os juros ficaram bem baixos por causa da pandemia. Então, o déficit nominal também caiu temporariamente.

Manoel Pires: Exatamente. Ficou temporariamente mais baixo por causa daquele evento. Por isso digo que a gestão do Paulo Guedes é difícil de avaliar, porque a pandemia bagunça as interpretações.

Mas o fato é que não existe ajuste fiscal razoável com a conta de juros que temos hoje no Brasil. Isso precisa ficar claro. Ninguém fará um ajuste fiscal de 4% ou 5% do PIB para neutralizar esses juros. Criar condições para que os juros caiam também é fundamental.

IstoÉ Dinheiro - SP   06/03/2026

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, afirmou nesta quinta-feira, 5, que, apesar das mudanças recentes no cenário, mantém uma boa convicção nesse instante de que será possível começar a reduzir a Selic na reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom) de março, que ocorrerá em duas semanas. Ele frisou não estar “antecipando o Copom” e, ao ser questionado sobre o ritmo que será adotado, de 0,25 ponto porcentual ou de 0,50 ponto, disse que o ciclo atual é bastante particular e requer que “tudo seja feito sob medida”.

Nilton David participou de evento do Goldman Sachs, em São Paulo. Momentos antes, foi questionado se o Copom ainda estaria confortável com um corte de 0,50 ponto nesta reunião. Sem citar a magnitude citada na questão, Nilton repetiu que o BC “não fica confortável” – a mesma máxima foi dita em outras falas durante o mesmo evento – e emendou que isso deveria ser lido com algo bom.

“É uma construção. A sinalização foi dada para a próxima reunião, não é um forward guidance de quero abaixar ao longo da curva em hipótese alguma. O nosso nível de convicção foi suficiente para a próxima reunião naquele instante”, afirmou o diretor.

Efeitos das tensões do Oriente Médio

Questionado sobre os efeitos do aumento das tensões no Oriente Médio, Nilton ponderou que o evento causa uma “alteração” nas condições, em relação ao que havia em janeiro, que não pode ser ignorada. “Você tem que estar em outro planeta para ignorar uma coisa dessas. Óbvio que está entrando nas equações.”

Ainda sobre o conflito, Nilton afirmou não ser possível saber se o Copom teria tomado uma decisão diferente se o ataque realizado pelos Estados Unidos e Israel ao Irã tivesse ocorrido antes.

Em referência a um momento anterior da palestra, no qual afirmou que questões geopolíticas são inerentes a história da humanidade, Nilton esclareceu que não gostaria de ser mal interpretado pelos participantes e enfatizou que a guerra é relevante para o cenário e não pode ser ignorada. Na sequência, voltou a enfatizar que há uma incerteza sobre como o conflito pode afetar o horizonte relevante de 18 meses.

MINERAÇÃO

Valor - SP   06/03/2026

Contrato futuro com vencimento em maio, o mais negociado, fechou cotado a US$ 110

O preço do minério de ferro voltou a avançar nesta quinta-feira (5) na China, em meio à volatilidade que atinge as commodities com o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

O contrato futuro com vencimento em maio, o mais negociado, fechou em alta de 1,27% na bolsa de Dalian, cotado a 759 yuans (US$ 110).

No início desta quinta-feira, o contrato futuro do petróleo WTI para abril avançavam aproximadamente 2,5%. O ouro e a prata também operavam em alta.

Segundo analistas da Nanhua Futures, não parece haver um fator que sustente o preço do minério no longo prazo, embora usinas de ferro-gusa na China venham reestabelecendo estoques em meio a um preço ainda contraído.

Valor Investe - SP   06/03/2026

Investidores repercutem conflito no Oriente Médio e ação judicial envolvendo operação da mineradora

As ações da Vale (VALE3) fecharam em queda de 3,33% nesta quinta-feira (5), a R$ 81,29, em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e a uma ação judicial movida pelo Ministério Público Federal (MPF).

Na semana, as perdas já chegam a 8,12%. No acumulado de 2026, porém, a ação ainda registra alta de 12,97%

Guerra no Oriente Médio

Parte da pressão sobre os papéis ocorre após a companhia informar que está monitorando os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, região onde mantém ativos estratégicos.

Em nota à Reuters, a mineradora afirmou que suspendeu viagens de funcionários à região enquanto acompanha os possíveis impactos da escalada de tensões envolvendo o Irã.

A Vale possui uma planta de pelotização e um centro de distribuição em Sohar, em Omã, com capacidade de distribuir cerca de 40 milhões de toneladas de produtos de minério de ferro por ano, segundo informações da companhia. A pelotizadora tem capacidade de produção anual de 9 milhões de toneladas.

O hub logístico é considerado estratégico por estar próximo aos mercados da Europa, Ásia e África, além de contar com um porto de águas profundas capaz de receber navios de grande porte.

A empresa também vinha ampliando sua presença na região, com projetos de “Mega Hubs” para produção de aço de baixo carbono na Arábia Saudita, Omã e Emirados Árabes Unidos.

Ação do MPF

Além do cenário geopolítico, investidores também repercutem uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) no Pará contra a Vale e o Ibama.

O MPF pede a suspensão do funcionamento de um trecho da Estrada de Ferro Carajás que atravessa a terra indígena Mãe Maria, no município de Bom Jesus do Tocantins (PA).

Segundo os procuradores, a mineradora estaria operando a via duplicada sem licença de operação do Ibama e sem consulta prévia aos povos indígenas afetados. O órgão também solicita que a empresa seja condenada ao pagamento de indenização por danos morais coletivos.

Em comunicado ao mercado, a Vale informou que já se manifestou nos autos e apresentará sua defesa oportunamente. A companhia afirmou ainda que, no momento, o tema não representa impacto operacional relevante.

*Com informações do Valor PRO, plataforma de notícias em tempo real do Valor Econômico.

Valor - SP   06/03/2026

Sultanato é o local onde mais avançou o projeto da mineradora para erguer um complexo industrial siderúrgico no Oriente Médio

O Oriente Médio, tomado pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, é um mercado visto como promissor pela Vale para o minério de ferro nos próximos anos. A empresa tem no Sultanato de Omã uma unidade de pelotização e um centro de distribuição que seguem operando, apesar da guerra. Mas a médio e longo prazos, a principal aposta da Vale na região está no desenvolvimento dos chamados “megahubs”, complexos industriais pensados para fazer produtos metálicos elaborados a partir de pelotas de minério de ferro. A aposta da mineradora é que esses metálicos serão estratégicos na descarbonização da indústria siderúrgica nos próximos anos.

Em 2022, a Vale anunciou acordos com os governos da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e de Omã para desenvolver “megahubs”. Especialistas da indústria e fontes ouvidas pelo Valor dizem que Omã é o projeto mais avançado. A visão da empresa é que não houve mudança de direção em relação a projetos de descarbonização pela indústria siderúrgica global, mesmo depois de investidores terem desistido de avançar em projetos de transição energética após a posse do presidente Donald Trump, em 2025.

Um ponto central para o desenvolvimento dos “megahubs” é a oferta de gás natural barato, condição que o Oriente Médio oferece. Com a guerra, os preços do petróleo dispararam e há também preocupações com o mercado do insumo. Em Omã, clientes da Vale interessados em investir no “megahub” conseguiram negociar com o governo contratos de suprimento de gás de longo prazo, a preços competitivos, disse uma fonte. E acrescentou: “É um ‘trade off’”, referindo-se ao fato de que o governo abre mão de receber preços mais altos pelo gás a curto prazo, mas garante a venda do insumo por prazos longos (25 anos ou mais), em projeto que gera investimentos e empregos locais.

A Vale anunciou em 2022 o memorando de cooperação com o Ministério do Comércio, da Indústria e Promoção do Investimento de Omã para estudar em conjunto o desenvolvimento do “megahub” na Zona Econômica Especial em Duqm. O Valor apurou que a Vale negocia com quatro ou cinco clientes sua instalação no local, sendo que dois deles podem tomar uma decisão ainda este ano.

Em Omã, a mineradora tem hoje uma usina de pelotização na localidade de Sohar, com capacidade de 9 milhões de toneladas por ano. Conta ainda com uma parceria com a chinesa Jinnan Iron & Steel Group para erguer uma unidade de concentração de minério de ferro. O investimento estimado é de mais de US$ 600 milhões e a previsão de início da operação é no ano que vem, com capacidade de processar 18 milhões de toneladas de minério de ferro de baixa qualidade e produção de 12,6 milhões de toneladas por ano de concentrado de alta qualidade.

No “megahub” de Duqm, por sua vez, o plano da Vale é fornecer pelotas de minério de ferro para que o cliente fabrique um produto metálico de baixo carbono em usina com tecnologia de redução direta. Esse produto serviria de insumo para a produção de aço nos países de origem dos clientes, sobretudo na Ásia. “O Oriente Médio é a melhor localização para fornecimento da Ásia”, disse uma fonte, acrescentando que Omã é considerado um dos países mais estáveis da região, com a vantagem de estar mais ao sul e não depender de passagem pelo Estreito de Ormuz, fechado com a guerra.

Nos últimos anos, a mineradora fez acordos com Omã, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita

As operações no Oriente Médio representaram 3% da receita da Vale em 2025, segundo dados da companhia. A China lidera a lista, com 51%, seguida por Ásia ex-China, Europa, América do Sul e América do Norte.

A Vale também tem memorando de entendimento com o Saudi Arabia’s National Industrial Development Center (NIDC) para a construção de outro “megahub” na cidade industrial saudita de Ras Al Khair. O NIDC é ligado ao Ministério da Indústria e Recursos Naturais saudita e tem como objetivo impulsionar o desenvolvimento industrial do país. O terceiro complexo industrial foi pensado para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A questão é que, como esses projetos envolvem bilhões de dólares em investimento, a tendência é que o foco seja em um projeto por vez. Neles, a Vale entra como “facilitadora” entre as partes e fornecedora de aglomerados (pelotas), mas não investe nas usinas que vão elaborar os metálicos.

Uma fonte afirma que, exceto por Omã, os demais projetos estão “embrionários” na região. Outro interlocutor diz que a Vale aposta que a descarbonização da siderurgia vai representar ganhos para o minério de ferro no futuro em termos de prêmios (sobrepreços em determinados produtos).

Um analista de banco afirmou: “Essas unidades [“megahubs”] são importantes porque aproximam as operações dos clientes na Ásia. Ter estoque no Oriente Médio ajuda na decisão de venda e no frete mais favorável.” O analista diz que o impacto da guerra para a Vale é sobre os preços do frete. Em nota, a companhia disse que monitora a situação no Oriente Médio, está prestando suporte à força de trabalho local e suspendeu voos de seus empregados para a região.

AUTOMOTIVO

Valor - SP   06/03/2026

A bateria Blade, de segunda geração, pode carregar de 20% a 97% em menos de 12 minutos, mesmo a -20°C, proporcionando uma autonomia de 777 quilômetros

A BYD revelou nesta quinta-feira (5) a primeira grande atualização de sua tecnologia de bateria em seis anos, buscando recuperar força na China após uma queda acentuada nas vendas de seus carros elétricos.

A bateria Blade, de segunda geração, pode carregar de 20% a 97% em menos de 12 minutos, mesmo a -20°C, proporcionando uma autonomia de 777 quilômetros, disse o presidente da BYD, Wang Chuanfu, em Shenzhen.

As baterias de maior densidade podem levar os modelos premium Denza Z9GT e Yangwang U7 da BYD a uma autonomia superiora 1.000 quilômetros, disse Wang, e foram aprovadas em testes de segurança que excedem os mais recentes padrões nacionais da China.

A BYD também pretende expandir sua rede de “carregamento rápido” para 20 mil estações até o final de 2026, incluindo 2 mil em rodovias. A empresa tinha mais de 4 mil estações até 5 de março.

O anúncio ocorre no momento em que Pequim pressiona por uma mudança para um mercado automotivo orientado para o valor no país, afastando as montadoras de veículos de guerras de preços e incentivando o setor a oferecer produtos mais diferenciados e de melhor qualidade.

A BYD também está se alinhando com a mais recente iniciativa da China de dobrar o número de instalações de recarga de bateria de carros elétricos em três anos.

As propostas de inovação da BYD no início de 2025 não conseguiram conter a queda nas vendas, que começou no segundo semestre, e os volumes caíram ainda mais em janeiro e fevereiro deste ano, quando a BYD foi ultrapassada pela rival local Geely.

O fim da isenção do imposto sobre a compra de veículos elétricos e híbridos plug-in na China também beneficiou montadoras tradicionais como a Volkswagen, que recuperou sua posição de líder em vendas na China em janeiro.

No ano passado, a BYD buscou impulsionar a inovação com recursos avançados de direção assistida em modelos acessíveis com preços abaixo de US$ 10 mil.

A empresa também divulgou um sistema de supercarregamento de cinco minutos no ano passado para competir com a Tesla em velocidade de recarga e lançou dois modelos de veículos elétricos — o sedã Han L e o SUV Tang L — em abril.

Mas as vendas combinadas de ambos totalizaram apenas 49 mil unidades até janeiro, uma pequena fatia das vendas totais da BYD, de 3,76 milhões de veículos, no mesmo período.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

Revista Manutenção e Tecnologia - SP   06/03/2026

A Schwing-Stetter anunciou o início da produção nacional de autobetoneiras em sua fábrica no Brasil, localizada em Mairiporã, na região metropolitana de São Paulo.

Desde outubro de 2025, a empresa opera uma nova linha automatizada para produção local, reforçando seu compromisso com o atendimento às demandas do mercado nacional.

Segundo Renato Torres, que assumiu a Presidência da Schwing-Stetter no ano passado, a implantação da linha automatizada representa um marco estratégico para a companhia no país.

“A produção interna permite otimizar custos de fabricação, desenvolver um modelo alinhado às necessidades do mercado local e ampliar a competitividade da marca. Além disso, a fabricação nacional facilita a customização dos layouts de pintura, atendendo aos padrões visuais específicos de cada cliente, agregando valor e identidade às frotas”, afirma.

Capacidade produtiva - A produção local contempla dois modelos, ou seja, a AM8FHC, autobetoneira com capacidade de 8m³, e a AM10FHC, autobetoneira com capacidade de 10m³, a qual vem tendo uma maior demanda.

“Para este ano, a linha inicia suas operações com capacidade para produzir duas autobetoneiras por dia, 40 unidades por mês. A capacidade pode ser ampliada conforme a demanda do mercado nacional”, enfatiza Torres.

Diferenciais tecnológicos - De acordo com Ralf Mota, gerente comercial da Schwing-Stetter, as autobetoneiras produzidas pela empresa no Brasil incorporam importantes diferenciais técnicos, como:

Balão e facas em aço de liga especial - material com excelente soldabilidade e alta resistência à abrasão, proporcionando vida útil estimada entre 30.000m³ e 35.000m³ — desempenho de 30% a 35% superior em comparação aos balões fabricados em aço carbono, considerando o mesmo tipo de concreto.

Conjunto hidráulico de alta performance - redutor da marca “ZF” e bomba e motor hidráulico da Bosch Rexroth. O sistema hidráulico foi projetado para garantir arrefecimento eficiente do óleo, mesmo com reservatório de menor capacidade, utilizando menor volume de fluido.

“Diferentemente de outros modelos do mercado, que apresentam problemas recorrentes de superaquecimento mesmo com reservatórios maiores, o sistema Schwing assegura maior confiabilidade operacional”, destaca Mota.

Maior eficiência na mistura - o desenho especial do perfil das facas e das pás intensificadoras permite redução de até 35% no tempo de homogeneização do concreto em comparação a outros modelos. Isso resulta em menor consumo de diesel, menor desgaste do balão e das facas e maior produtividade operacional.

“Com essa iniciativa, a Schwing-Stetter reforça sua posição como referência em tecnologia, qualidade e inovação no segmento de equipamentos para transporte e mistura de concreto, contribuindo para o desenvolvimento da indústria da construção no Brasil”, conclui Mota.

CONSTRUÇÃO CIVIL

CNN Brasil - SP   06/03/2026

O ministro das cidades, Jader Filho, afirmou que o programa Minha Casa, Minha Vida está “executando tudo aquilo que está dentro do orçamento”.

A afirmação do ministro ocorreu nesta quinta-feira (5), em entrevista exclusiva ao CNN Money, após pergunta se a ampliação das faixas de renda do programa geraria algum impacto fiscal.

“Não haverá nenhum sobressalto, e nós temos na verdade é que passar segurança para aquelas construtoras que estão dentro do MCMV, que hoje nós temos saúde financeira do fundo do FGTS, que atende o MCMV”, disse Jader.

O ministro apontou que, para 2026, o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) tem R$ 145 bilhões disponíveis para o programa.

Ele completou ainda que o FAR (Fundo de Arrendamento Residencial), onde o MCMV é encaixado no Orçamento da União, tem depositado cerca de R$ 18 bilhões.

NAVAL

Jornal de Brasília - DF   06/03/2026

Durante a abertura do Fórum Pernambuco Export, nesta quinta-feira (5), no Recife (PE), o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou investimentos de mais de R$ 3,6 bilhões nos setores portuário, aeroportuário e hidroviário de Pernambuco nos últimos três anos. “Prova de que seguimos acreditando na capacidade produtiva do estado e na força do turismo nordestino, que é fundamental para o desenvolvimento do Brasil”, afirmou o ministro.

Ele ressaltou indicadores econômicos positivos para atração de investimentos no país. “Estamos no melhor momento do setor portuário, batendo recordes na movimentação ao alcançarmos um crescimento médio de 5% ao ano e apostando numa atração de investimentos de forma regionalizada, sem concentração em polos já consolidados”, declarou.

No Porto de Suape, localizado no litoral sul de Pernambuco, o Ministério de Portos e Aeroportos realizou a dragagem do canal interno e a recuperação estrutural dos molhes 2, 3 e 4, com aproximadamente R$ 300 milhões aplicados. O Porto do Recife recebe R$ 115 milhões para dragagem, readequação de infraestrutura aquaviária e modernização de defensas.

Costa Filho também analisou os aportes em aeroportos, essenciais para o turismo. “Só no terminal internacional do Recife investimos mais de R$ 500 milhões e temos aproximadamente mais R$ 600 milhões garantidos. Os aeroportos de Garanhuns, Serra Talhada e Araripina se preparam para receber, juntos, mais R$ 100 milhões que vão permitir a criação de novas rotas e a prestação de um serviço aéreo de qualidade ao povo pernambucano, do litoral ao sertão”, concluiu.

O evento, promovido pelo Grupo Brasil Export, reúne autoridades, associações, gestores públicos e empresários do setor logístico até esta sexta-feira (6), para debater ações e programas voltados ao desenvolvimento com foco em projetos de infraestrutura. Entre os temas abordados estão sustentabilidade, multimodalidade na matriz de transportes, presença da mulher e oportunidades no setor de energia.

A secretária executiva adjunta do Ministério de Portos e Aeroportos, Thairyne Oliveira, destacou o papel da mulher na área portuária. “Precisamos cada vez mais ocupar espaços de liderança para que nós, mulheres, possamos mudar o setor de dentro para fora, com sensibilidade, liderança e foco no desenvolvimento sustentável”, afirmou.

Investing - SP   06/03/2026

Os preços do petróleo bruto recuaram e os mercados acionários dos EUA avançaram na tarde de quinta-feira após relatos de que a China está em negociações com o Irã para garantir passagem segura para navios de petróleo bruto e gás natural liquefeito através do Estreito de Ormuz. As discussões ocorrem enquanto um conflito entre EUA e Israel com Teerã entrou em seu sexto dia. A reação do mercado à notícia destacou o foco dos investidores nas preocupações com o transporte marítimo na região.

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A passagem marítima crítica tem estado amplamente fechada, cortando o acesso a um quinto do fornecimento global de petróleo e GNL. O desenvolvimento pareceu aliviar as preocupações sobre interrupções prolongadas de fornecimento que têm agitado os mercados de energia.

A China, que mantém relações amigáveis com o Irã e depende fortemente de suprimentos energéticos do Oriente Médio, está pressionando Teerã para permitir a passagem segura de navios, de acordo com três fontes diplomáticas citadas pela Reuters. A segunda maior economia do mundo recebe aproximadamente 45% de seu petróleo através do Estreito.

Dados de rastreamento de navios mostraram que uma embarcação chamada Iron Maiden passou pelo Estreito durante a noite após alterar sua sinalização para proprietário chinês, embora navegações adicionais sejam necessárias para estabilizar os mercados globais.

A potencial ruptura diplomática entre a China e o Irã ofereceu aos mercados a esperança de que os fluxos de energia através da via navegável vital possam ser retomados apesar do conflito em andamento.

O Estreito de Ormuz é um dos pontos de estrangulamento de petróleo mais importantes do mundo, conectando produtores do Oriente Médio aos principais mercados na Ásia e além. Qualquer fechamento prolongado ameaça interromper os suprimentos globais de energia e elevar os preços.

Essa notícia foi traduzida com a ajuda de inteligência artificial. Para mais informação, veja nossos Termos de Uso.

PETROLÍFERO

Petro Notícias - SP   06/03/2026

A Petrobrás acelerou o ritmo de seus investimentos no último ano. Ao todo, a companhia desembolsou US$ 20,3 bilhões em 2025, alta de 22,2% em relação ao ano anterior. Além disso, esse é o maior nível de investimentos da companhia desde 2019. O valor também ficou 9,7% acima do previsto no plano de negócios 2025-2029 da companhia, permanecendo dentro da faixa de variação do guidance divulgado para o ano. Segundo a empresa, o avanço dos investimentos foi impulsionado principalmente pela evolução das campanhas de perfuração de poços, pelo progresso físico e financeiro na construção de plataformas destinadas aos campos de Búzios, Atapu e Sépia e pelo recorde de interligações de poços registrado ao longo do ano.

A maior parte dos recursos foi direcionada ao segmento de exploração e produção (E&P), que respondeu por cerca de 84% do total investido em 2025, contribuindo para o crescimento da produção da companhia no período. Durante o ano, também entraram em operação novas unidades de produção, como os FPSOs Almirante Tamandaré (Búzios 7), Alexandre de Gusmão (Mero 4) e a plataforma própria P-78 (Búzios 6). Juntas, essas três unidades acrescentaram 585 mil barris de óleo por dia de capacidade nominal de produção operada pela Petrobrás.

No quarto trimestre de 2025, os investimentos da Petrobrás no segmento de exploração e produção somaram US$ 5,1 bilhões. Os recursos foram direcionados principalmente ao desenvolvimento do polo do pré-sal da Bacia de Santos, que recebeu US$ 2,6 bilhões, com destaque para o avanço na construção de novos FPSOs nos campos de Búzios e Atapu. Também houve aportes de US$ 1 bilhão para projetos de desenvolvimento no pré e pós-sal da Bacia de Campos, incluindo o projeto de revitalização de Marlim 1, além de US$ 700 milhões destinados a atividades exploratórias.

Em comparação com o terceiro trimestre, os investimentos no segmento cresceram 9,7%. O aumento foi impulsionado principalmente pelo avanço na construção do FPSO P-78 e por maiores aportes em exploração, especialmente na Margem Equatorial.

No segmento de refino, transporte e comercialização, os investimentos totalizaram US$ 760 milhões no período, alta de 26,7% frente ao trimestre anterior. Entre os projetos destacados pela companhia estão os aportes na refinaria Abreu e Lima e no polo Refino Boaventura. Já na área de gás e energias de baixo carbono, os investimentos somaram US$ 180 milhões no quarto trimestre, aumento de 68,8% em relação ao terceiro trimestre. O crescimento foi impulsionado principalmente por investimentos em bens patrimoniais nas usinas termelétricas de Cubatão e Termobahia.

A companhia também informou que, no quarto trimestre, foram reconhecidos US$ 26 milhões referentes ao bônus de assinatura de dez blocos exploratórios na Bacia Foz do Amazonas, em parceria com a ExxonMobil, e de três blocos na Bacia de Pelotas, em parceria com a Petrogal. Os ativos foram arrematados em leilões recentes da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Além disso, em dezembro de 2025, a Petrobrás desembolsou US$ 1,3 bilhão para adquirir os direitos e obrigações da União nos acordos de individualização da produção das jazidas compartilhadas de Mero e Atapu, ampliando sua participação nesses ativos. Segundo a empresa, o reconhecimento desse valor no Capex ocorrerá em 2026, após a assinatura dos contratos.

Valor - SP   06/03/2026

No ano passado e em 2024 o petróleo já foi o principal produto das vendas externas brasileiras, mas este ano a liderança pode ser disparada

A exportação brasileira avançou em fevereiro puxada pelas principais commodities que o Brasil exporta, com destaque para o avanço do petróleo, que promete ser a grande estrela dos embarques em 2026. No ano passado e em 2024 o petróleo já foi o principal produto das vendas externas brasileiras, mas este ano a liderança pode ser disparada. A avaliação é de José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior (AEB).

Segundo dados divulgados hoje pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic), a balança comercial fechou fevereiro com superávit de US$ 4,2 bilhões ante déficit de US$ 0,5 bilhão em igual mês do ano passado. No primeiro bimestre o saldo positivo alcançou US$ 8 bilhões, mais de quatro vezes o superávit de US$ 1,9 bilhão de igual período de 2025. O saldo deste ano resultou de US$ 50,9 bilhões em exportações e US$ 42,9 bilhões em importações.

“Fevereiro foi o mês das commodities”, diz Castro, considerando as exportações brasileiras. Petróleo, soja e minério de ferro elevaram o valor exportado em fevereiro, com altas respectivas de 76,5%, 15,5% e 20,9% ante igual mês de 2025. O destaque, diz Castro, foi para petróleo, cuja receita de exportação aumentou no período, mesmo com queda de 16,3% no preço. A quantidade mais que compensou a queda da cotação, com alta de 110,8%.

O petróleo mostra, diz, o aumento de volume já esperado. O embarque pode ainda ser potencializado pelos efeitos da guerra no Oriente Médio, que já tem pressionado os preços do barril do brent para cima. Os primeiros sinais das cotações mais altas, diz ele, devem aparecer já na balança de março.

Também olhando para o primeiro bimestre, o petróleo tem desempenho notável, ressalta Castro, com alta de receita de exportação de 14,5%. A quantidade embarcada aumentou 39,5% contra iguais meses de 2025, o que mais do que compensou a queda de 17,9% nos preços médios do período. “No ano passado o petróleo foi o item mais exportado pelo país, mas a soja ficou quase empatada. Este ano tudo indica que o petróleo ficará na frente, disparado”, diz. Pelos dados do Mdic o petróleo foi responsável por 12,8% das exportações brasileiras em 2025, seguido de 12,5% da soja.

Com o forte desempenho das commodities, a China também ganha cada vez mais protagonismo como destino das exportações brasileiras, diz Castro. Pelos dados da Secex, os valores embarcados rumo à China no primeiro bimestre subiram 25,7% contra iguais meses de 2025. Para os Estados Unidos, a queda foi de 23,2% e para a Argentina, de 25,4%.

Nas importações totais, os dados da Secex mostram queda de 7,3% no primeiro bimestre, com redução que incluiu os principais países e regiões fornecedoras do Brasil, inclusive a China, com recuo de 19,9% no primeiro bimestre ante igual período do ano passado. As compras externas vindas dos Estados Unidos, Argentina e União Europeia também caíram em taxas de 13,7%, 16,6% e 11,1%, respectivamente. Trata-se de reflexo da desaceleração da demanda doméstica brasileira, diz Castro.

Valor - SP   06/03/2026

Iniciativa reflete uma corrida em toda a Ásia para priorizar as necessidades internas à medida que a crise no Oriente Médio se aprofunda

O governo da China determinou que as maiores refinarias de petróleo do país suspendessem a exportação de diesel e gasolina, a fim de preservar os estoques para consumo doméstico. A orientação surge em meio ao avanço do conflito no Golfo Pérsico, que interrompeu a circulação de petróleo em uma das maiores regiões produtoras do mundo. As informações são da agência de notícias Bloomberg.

Embora a China seja apenas a terceira maior fornecedora de derivados de petróleo para a região — seu vasto setor de refino atende principalmente a demanda interna —, as restrições impostas refletem uma corrida em toda a Ásia para priorizar as necessidades domésticas.

Autoridades da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, na sigla em inglês), principal órgão de planejamento econômico do país, pediram uma suspensão temporária dos embarques de produtos refinados, com início imediato, segundo fontes familiarizadas com o assunto ouvidas pela Bloomberg. As pessoas pediram para não serem identificadas, pois as discussões não são públicas.

Em uma reunião realizada no início desta semana, as refinarias foram instruídas a parar de assinar novos contratos e a negociar o cancelamento de embarques já acordados, disseram as fontes. Uma exceção foi feita para o combustível de aviação e o bunker (combustível para navios) armazenados em depósitos alfandegados, além de suprimentos para Hong Kong e Macau, acrescentaram.

PetroChina, Sinopec, CNOOC, Sinochem Group e a refinaria privada Zhejiang Petrochemical obtêm regularmente cotas de exportação de combustível do governo. Nenhuma das cinco empresas respondeu a pedidos de comentários da Bloomberg. A NDRC também não respondeu imediatamente às perguntas.

Mesmo em tempos normais, a China não permite exportações irrestritas de produtos refinados como gasolina, diesel e combustível de aviação. O país utiliza um sistema de cotas, no qual o Ministério do Comércio seleciona um pequeno grupo de grandes refinarias e traders. Esse regime serve a múltiplos objetivos: proporciona a Pequim um mecanismo para equilibrar a oferta e a demanda internas e permite que o governo responda dinamicamente às condições de mercado.

Desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, que também desorganizou o comércio global de energia, as autoridades chinesas têm frequentemente reduzido as cotas de exportação ou adiado as alocações, resultando em remessas menores.

Com praticamente nenhum petróleo ou combustível saindo do Golfo Pérsico desde que os ataques dos EUA e de Israel começaram no fim de semana, refinarias do Japão à Indonésia e à Índia começaram a reduzir o ritmo de operação e a suspender as exportações.

A China tem buscado ativamente diversificar seu abastecimento de hidrocarbonetos nos últimos anos, mas ainda recebe quase metade de suas importações de petróleo do Golfo, incluindo praticamente todos os embarques do Irã.

Exame - SP   06/03/2026

O petróleo tipo Brent, principal referência para o mercado internacional, fechou hoje na maior cotação em quase dois anos. O barril terminou a sessão regular cotado a US$ 85,41, com alta de 4,93%. O WTI, petróleo produzido nos Estados Unidos e referência para a inflação americana, fechou em alta ainda mais expressiva, de 8,51%, a US$ 81,01. Desde julho de 2024, a commodity não era negociada acima de US$ 80. Apenas nesta semana, o petróleo americano acumula valorização de mais de 20%, refletindo a preocupação do mercado com possíveis interrupções prolongadas na oferta global.

A escalada do conflito envolvendo o Irã tem provocado fortes movimentos no mercado internacional de energia. A alta já começa a aparecer também no preço dos combustíveis da economia americana. Nos Estados Unidos, o valor médio da gasolina subiu quase 27 centavos de dólar por galão em relação à semana passada, chegando a US$ 3,25, segundo dados da associação de motoristas AAA. O salto é comparável ao observado em março de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia provocou uma disparada nos preços globais de energia.

O aumento da tensão ganhou novos capítulos após relatos de ataques a embarcações na região. A imprensa estatal iraniana afirmou que um petroleiro foi atingido por um míssil, enquanto a Guarda Revolucionária do país ameaçou fechar o Estreito de Ormuz e advertiu que navios que tentarem atravessar a passagem poderão ser alvo de ataques.

Autoridades marítimas também registraram novos incidentes. A Marinha britânica informou ter recebido relatos de uma grande explosão em um petroleiro ancorado em águas territoriais do Iraque. Segundo o comandante da embarcação, uma pequena embarcação deixou o local logo após o incidente. A tripulação não ficou ferida e não houve registro de incêndio.

Com o aumento do risco, armadores e operadores logísticos têm evitado enviar navios para a região, o que reduziu drasticamente o fluxo de petroleiros pelo Estreito de Ormuz. A passagem é estratégica para o mercado global: cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo passa pela rota, que conecta o Golfo Pérsico aos principais mercados internacionais.

Diante da crise, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo americano poderá oferecer seguro contra risco político para navios que operarem na região. Segundo ele, a Marinha dos EUA também poderá escoltar embarcações no Golfo Pérsico, caso seja necessário garantir a segurança da navegação.

Apesar das medidas, autoridades americanas ainda não indicam quando o fluxo comercial poderá ser normalizado. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o governo acompanha o cenário em conjunto com os departamentos de Defesa e de Energia, mas evitou estabelecer um prazo para a retomada segura do transporte marítimo. Segundo ela, a avaliação sobre quando a rota voltará a operar normalmente segue em análise pelas autoridades.

Investing - SP   06/03/2026

A Petrobras registrou lucro líquido de R$15,56 bilhões no quarto trimestre, contra prejuízo líquido de R$17,04 bilhões do mesmo período de 2024, com apoio de exportações de petróleo recordes e menores despesas, apesar de um recuo do barril do petróleo, publicou a companhia em relatório financeiro nesta quinta-feira.

Ao excluir eventos exclusivos, a companhia apurou lucro líquido de R$25,65 bilhões entre outubro e dezembro, acima dos R$17,7 bilhões no mesmo período de 2024.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou R$59,9 bilhões entre outubro e dezembro, alta de 46,3% ante um ano antes, quando o resultado foi amplamente afetado por itens não recorrentes.

"O aumento do volume de óleo e gás nos permitiu compensar os efeitos da queda do Brent e alcançar resultados financeiros robustos", disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, no documento, ao comentar os resultados de 2025.

O avanço no resultado no quarto trimestre ocorreu apesar de uma queda do preço do Brent no período, de US$74,69 por barril no quarto trimestre de 2024 para US$63,69 por barril no mesmo período de 2025, enquanto o dólar médio de venda recuou 7,7% para R$5,39 no período.

Ainda assim, a Petrobras afirmou que elevou em 5% a receita de vendas para R$127,37 bilhões, com um aumento da receita no mercado externo de 41,7%, para R$42 bilhões, enquanto o mercado interno caiu 6,8%, para R$85,38 bilhões.

A receita de exportação de petróleo especificamente avançou 59,9%, para R$33,33 bilhões. A estatal somou um recorde de vendas externas de petróleo de 999 mil barris por dia no último trimestre do ano passado, à medida que novas plataformas entraram em operação no ano passado.

As despesas operacionais recuaram 33,1% no quarto trimestre para R$28,83 bilhões.

Com isso, o lucro líquido da Petrobras chegou a um total de R$110,1 bilhões em 2025, alta de 200,8% em relação a 2024.

DIVIDENDOS E ALTA DE INVESTIMENTOS

A geração de caixa operacional subiu 15,2% no trimestre, para R$54,92 bilhões, enquanto o fluxo de caixa livre ficou em R$19,34 bilhões, recuo de 10,9% ante um ano antes, em meio a maior volume de investimentos, informou a empresa.

Em 2025, os investimentos da companhia totalizaram US$20,3 bilhões, um aumento de 22,2% em relação a 2024. O montante é 9,7% acima do previsto no plano de negócios da Petrobras, permanecendo porém dentro da faixa de variação do guidance, que era de 10% para cima ou para baixo.

No documento, a empresa disse que o conselho aprovou o encaminhamento à assembleia de proposta de remuneração aos acionistas de R$8,1 bilhões relacionada ao resultado do quarto trimestre.

A dívida bruta da Petrobras encerrou o ano em US$69,8 bilhões, acima dos US$60,3 bilhões de um ano antes, impactada principalmente pela adição de afretamentos que compõem a dívida por determinação de norma contábil, com a entrada em operação de novos navios-plataformas, segundo a empresa.

AGRÍCOLA

O Estado de S.Paulo - SP   06/03/2026

Diante do arrefecimento do consumo e do investimento doméstico, o crescimento do PIB em 2025 tornou-se profundamente dependente de componentes exógenos, como agro e petróleo.

O desempenho da economia brasileira em 2025 foi marcado por forte desaceleração da componente cíclica do PIB - aquela que reage mais diretamente à política monetária. Esse segmento, que havia registrado uma expansão de 4,5% em 2024, viu seu ritmo cair para apenas 1,5% em 2025. O movimento sinaliza que o aperto monetário conduzido pelo Banco Central cumpriu seu papel de desaquecer a demanda interna, somando-se a uma postura fiscal que variou entre a neutralidade e uma leve contração, dependendo da métrica utilizada.

Diante do arrefecimento do consumo e do investimento doméstico, o crescimento do PIB em 2025 tornou-se profundamente dependente de componentes exógenos. Trata-se de setores cujas dinâmicas dependem menos das taxas de juros locais e mais de fatores climáticos e da demanda externa, como a agropecuária e a indústria extrativa mineral (impulsionada pelo petróleo).

A agropecuária, isoladamente, saltou expressivos 11,7% em 2025. Contudo, olhar apenas para a porteira da fazenda pode ser redutor. Como destaca Fernando Rocha, sócio e economista-chefe da gestora JGP, o peso direto do setor no PIB (7,1%) não traduz sua real influência. Ao considerar o agronegócio como um todo - englobando a indústria alimentícia, o comércio de insumos e a vasta rede de serviços e logística voltada à exportação -, o complexo responde por aproximadamente 25% da economia nacional. Mesmo que o agronegócio expandido não tenha acompanhado o ritmo frenético da produção primária, ele foi o pilar que sustentou o crescimento de 2,3% do PIB total no ano passado.

Apesar do crescimento de 2,3% do PIB em 2025, a expansão na margem está quase parada há três trimestres. Os dados mostram um PIB "andando de lado" nesse período, com variações dessazonalizadas ante o trimestre anterior de 0,3%, 0,0% e 0,1% no segundo, terceiro e quarto trimestres do ano passado, respectivamente. Essa estagnação, entretanto, criou um efeito de base deprimida que pode facilitar uma surpresa estatística no início de 2026. Segundo Rocha, se o primeiro trimestre apresentar um crescimento de 1,8% em relação ao mesmo período de 2025, a variação dessazonalizada contra o trimestre imediatamente anterior poderá se aproximar de 1%, interrompendo a sequência de inércia.

As perspectivas para o novo ano estão ancoradas na reanimação econômica típica de anos eleitorais. O gestor da JGP vê uma política fiscal mais expansionista, menos por uma questão de volumes e mais pela composição. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil (e redução até R$ 7 mil) deve injetar algo entre20 bilhões e R$ 25 bilhões na economia. Por ser direcionado a faixas de renda com maior propensão marginal a consumir, esse recurso tende a retornar quase integralmente ao comércio e serviços, estimulando o PIB de forma mais eficaz.

Complementando o estímulo fiscal, o cenário aponta para uma aceleração do crédito direcionado e do consignado privado. Para maximizar o impacto político e econômico, o governo pode antecipar o cronograma de pagamentos de emendas e precatórios, concentrando a injeção de recursos no primeiro semestre para contornar as restrições da legislação eleitoral. O desafio, portanto, será converter essa injeção de curto prazo em crescimento sustentável sem pressionar a inflação.

CNN Brasil - SP   06/03/2026

As exportações do agronegócio brasileiro totalizaram US$ 5,14 bilhões em fevereiro de 2026, alta de 6,14% na comparação com fevereiro de 2025 (US$ 4,84 bilhões), segundo os dados da balança comercial divulgados nesta quinta-feira (5) pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), via Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Com isso, o agronegócio respondeu por 19,54% das exportações totais do Brasil no mês. No período, o país exportou US$ 26,31 bilhões.

Principais produtos do agronegócio em fevereiro (valor e participação no setor):
Soja: US$ 2,94 bilhões (57,15% do agronegócio) Café não torrado: US$ 1,02 bilhão (19,88%) Algodão em bruto: US$ 413,0 milhões (8,04%) Milho (não moído, exceto milho doce): US$ 347,8 milhões (6,77%) Frutas e nozes (não oleaginosas), frescas ou secas: US$ 114,6 milhões (2,23%)
Entre os destaques, a soja cresceu 15,48% em valor na comparação anual, enquanto o milho avançou 8,04%. Já o café não torrado recuou 1,07% em valor, com queda de 17,44% em volume, segundo a Secex.
Dados gerais

No total, o país exportou US$ 26,3 bilhões em fevereiro, alta de 15,1% frente aos US$ 22,8 bilhões registrados um ano antes.

No recorte por setores da economia, a agropecuária aparece atrás da indústria de transformação, que respondeu por 54,6% das exportações, e próxima da indústria extrativa, com 25,2% da pauta exportadora.

O desempenho do campo continua fortemente ligado à demanda internacional, sobretudo da Ásia. A região respondeu por 43,3% das exportações brasileiras em fevereiro, com destaque para a China, principal destino dos produtos agropecuários brasileiros.

O país asiático concentrou 27,4% das vendas externas do Brasil no mês, reforçando seu papel como principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro.

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