Clipping Diário

06 | Fevereiro | 2026

SIDERURGIA

IstoÉ Dinheiro - SP   06/02/2026

A Axia Energia fechou uma parceria com a Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit GmbH), para erguer a primeira planta de hidrogênio verde dedicada à produção de aço de baixo carbono no País.

O projeto integra o programa develoPPP, financiado pelo Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento da Alemanha (BMZ), e busca posicionar o Brasil como referência global em siderurgia sustentável.

Com potência de até 10 megawatts (MW), a unidade transformará energia solar, eólica ou hídrica em hidrogênio destinado a uma usina parceira, reduzindo drasticamente as emissões se comparado ao alto-forno tradicional movido a coque ou gás natural. O plano é provar a viabilidade econômica em escala comercial, estruturar metodologias de certificação e capacitar profissionais, fortalecendo toda a cadeia do hidrogênio verde e do aço de baixa emissão de carbono.

“A Axia Energia tem como propósito oferecer soluções sustentáveis que impulsionem a descarbonização de diferentes cadeias produtivas e reforcem seu protagonismo na transição energética”, afirmou em nota o vice-presidente de Inovação, P&D, Digital e TI da companhia, Juliano Dantas.

Para Jochen Quinten, diretor nacional da GIZ Brasil, “com a Axia, damos agora um passo decisivo ao levar esse acúmulo de conhecimento e experiências para uma indústria-chave como a siderurgia”.

A Agência Internacional de Energia Renovável estima que a produção de aço responde por 7% do CO2 global. No Brasil, apesar dos recursos renováveis abundantes, a produção ainda depende fortemente do uso de combustíveis fósseis. Essa dependência expõe o setor siderúrgico a riscos regulatórios e de mercado, como taxação do carbono e barreiras comerciais em países que exigem produtos de baixa emissão de carbono.

O processo de produção de aço com participação do hidrogênio verde começa com a geração de eletricidade renovável a partir de fontes como solar, eólica ou hidrelétrica. Essa energia é utilizada por plantas de eletrólise da água, aplicando-se a corrente elétrica na molécula de água, dissociando-a nos gases oxigênio (O2) e hidrogênio (H2).

Na etapa seguinte, o hidrogênio é integrado ao processo de fabricação do aço, substituindo total ou parcialmente fontes fósseis como o coque de carvão ou o gás natural, em altos-fornos ou em sistemas adjacentes e auxiliares, gerando aço de baixa emissão de carbono e seus produtos intermediários, informou a Axia.

Valor - SP   06/02/2026

Siderúrgica com sede em Luxemburgo obteve lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de US$ 6,54 bilhões em 2025

A ArcelorMittal afirmou que as medidas europeias para proteger a produção nacional de aço podem impulsionar sua participação de mercado no continente, enquanto a empresa busca estancar a queda nos lucros registrada no ano passado.

A siderúrgica com sede em Luxemburgo obteve lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de US$ 6,54 bilhões em 2025, segundo atualização de resultados publicada na quinta-feira. Esse valor ficou ligeiramente acima das expectativas dos analistas, mas representa uma queda em relação aos mais de US$ 7 bilhões em Ebitda registrados no ano anterior, com o Ebitda do quarto trimestre caindo para US$ 1,59 bilhão.

A produtora afirmou, no entanto, estar confiante em conquistar uma maior participação de mercado na Europa no próximo ano, devido às medidas da União Europeia destinadas a proteger uma indústria siderúrgica que tem enfrentado dificuldades em um mercado global de alta capacidade, especialmente entre os concorrentes chineses.

Em outubro, a Comissão Europeia propôs medidas que incluem uma tarifa de 50% sobre as importações de aço acima de uma determinada cota, com a redução pela metade dos volumes isentos de tarifas. O bloco também implementou um mecanismo de ajuste de carbono na fronteira, conhecido como CBAM, que visa reduzir a vantagem competitiva concedida aos produtores externos não sujeitos às regulamentações mais rigorosas da Europa sobre emissões de carbono.

"A ArcelorMittal espera se beneficiar à medida que as fábricas nacionais recuperarem progressivamente a participação de mercado das importações, com o efeito combinado do CBAM e do novo mecanismo [de cotas tarifárias] se fortalecendo ao longo do ano", disse a empresa.

Jornal de Brasília - DF   06/02/2026

O Conexões MME – Encontro Nacional de Grandes Compradores da Indústria do Petróleo, Gás e Naval no Vale do Aço, promovido pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, teve início nesta quinta-feira (5) com grande adesão, consolidando-se como marco para a retomada da indústria naval e o fortalecimento da cadeia industrial brasileira.

Cerca de 500 pessoas participam do evento, entre representantes do setor metalmecânico, autoridades, deputados estaduais e federais, prefeitos, lideranças empresariais e grandes companhias nacionais. O encontro visa aproximar a capacidade produtiva do Vale do Aço às demandas de empresas dos setores de petróleo, gás natural e indústria naval, criando oportunidades de negócios, investimentos, empregos e inovação, além de estimular o conteúdo local.

Na abertura, o ministro Alexandre Silveira destacou o sucesso do primeiro dia e a escolha de Ipatinga como sede, evidenciando a força industrial da região. “O Conexões MME nasce exatamente para alavancar o setor metalmecânico do Vale do Aço, conectando as demandas do petróleo, do gás natural e da indústria naval à enorme capacidade produtiva de Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano e de toda a região, gerando encomendas, emprego e desenvolvimento”, afirmou.

Silveira enfatizou que as políticas de conteúdo local ampliam oportunidades para a indústria mineira, com a produção estrutural de navios e embarcações no Brasil significando mais aço de Minas e encomendas para siderúrgicas e metalúrgicas.

A diretora executiva de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia dos Anjos, ressaltou a relevância estratégica do Vale do Aço para a companhia e o país. “O Vale do Aço é um berço de fornecedores de alto nível e estratégico para a Petrobras e para o desenvolvimento nacional. Investir em conteúdo local e produzir no Brasil é uma questão de segurança de suprimento e de estabilidade para o futuro. Estamos aqui com nossa equipe de Suprimentos para ampliar ainda mais uma parceria histórica com as empresas da região”, disse.

O presidente da FIEMG Regional Vale do Aço, João Batista Alves, destacou o papel da entidade na articulação entre indústria e grandes cadeias produtivas. “O Conexões MME materializa o papel da FIEMG de conectar a indústria mineira às grandes cadeias nacionais. O Vale do Aço tem capacidade técnica, escala produtiva e mão de obra qualificada para ser protagonista na cadeia de petróleo, gás e naval, e este encontro transforma esse potencial em negócios, investimentos e geração de empregos”, afirmou.

O evento alinha-se às políticas do Governo Federal para a retomada da indústria naval e expansão do setor de petróleo e gás, incluindo o Programa de Renovação da Frota Naval do Sistema Petrobras, o Programa Mar Aberto para construção de novas embarcações e a Política de Depreciação Acelerada, que reduz de 20 para dois anos o prazo para abatimento do custo de navios-tanque, condicionada ao conteúdo local.

Nesta quinta-feira, foram realizados painéis sobre demanda estruturante como instrumento de política industrial, fortalecimento das cadeias produtivas do aço nos setores de óleo e gás e indústria naval, além de perspectivas para fornecedores nacionais e planejamento setorial. A programação prossegue nesta sexta-feira (6), com rodadas de negócios, painéis temáticos, debates técnicos, apresentações de oportunidades e uma feira com estandes de empresas da região. As informações foram retiradas do Governo Federal.

CNN Brasil - SP   06/02/2026

A Nippon Steel ampliou nesta quinta-feira (5) sua previsão de â  prejuízo líquido para o ano fiscal que se encerra em março para 70 bilhões de ienes (US$ 446,1 milhões), em parte devido a um incêndio em um alto-forno, após ter registrado prejuízo nos nove meses até dezembro.

A maior siderúrgica do Japão previa anteriormente um prejuízo de 60 bilhões de ienes devido a despesas relacionadas a um acordo de US$ 15 bilhões para comprar a U.S. Steel, fechado em junho, e após a saída de â  ativos siderúrgicos no Brasil.

O desempenho anual da empresa também será prejudicado pelas exportações de aço da China, pela demanda interna fraca e por um custo decorrente de um incêndio em sua fábrica â  de aço em Muroran, em Hokkaido.

O alto-forno de Muroran, fechado em dezembro e com previsão de retomada das operações em março, deve afetar os lucros da Nippon Steel em 40 bilhões de ienes, disse o diretor financeiro Takahiko Iwai em uma coletiva de imprensa sobre os resultados.

Nos nove meses até dezembro, a empresa registrou um prejuízo líquido â  de 45 bilhões de ienes, contra um lucro de 362,1 bilhões de ienes no ano anterior.

Iwai disse que o desempenho da U.S. Steel deve se recuperar no próximo ano fiscal, com a recuperação do mercado siderúrgico dos EUA, embora tenha se recusado a dar uma estimativa concreta de lucro.

Para a Nippon Steel, as operações no exterior, particularmente â  nos EUA e na Índia, continuam sendo os principais impulsionadores do crescimento.

"O negócio de aço na Índia registrou uma queda nas margens, mas vem se recuperando desde que atingiu o fundo do poço em dezembro", disse Iwai, acrescentando que a empresa pretende acelerar a expansão da capacidade no país.

A Reuters informou nesta quinta-feira, citando fontes, que a Nippon Steel está considerando vender até 500 bilhões de ienes em títulos â  conversíveis, pois precisa de capital para expandir seus negócios no exterior e para iniciativas de descarbonização.

A empresa também precisa de financiamento de longo prazo para substituir um empréstimo-ponte que â  contraiu para a aquisição da U.S. Steel no ano passado, que totalizou cerca de 2 trilhões de ienes, disseram as fontes.

A Nippon Steel seguirá com as opções de financiamento ideais, já que o empréstimo-ponte expira em junho, disse Iwai, acrescentando que nada foi decidido em relação ao financiamento.

ECONOMIA

O Estado de S.Paulo - SP   06/02/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que diz todos os dias ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que os juros estão altos, mas que confia em seu trabalho e que “o Brasil haverá de agradecer” à sua atuação. As declarações ocorreram em entrevista ao UOL News, nesta quinta-feira, 5.

“Bendito seja Deus de me dar a possibilidade de ter um quadro da capacidade do Gabriel Galípolo no Banco Central”, declarou Lula. “Mesmo com juros de 15%, eu falo para ele todo dia que o juro está alto. Eu falo como eu dizia para o Meirelles. O Meirelles não tinha autonomia, mas o Meirelles me dizia: presidente, olha, eu vou falar uma coisa para o senhor, se eu baixar a guarda, vai acontecer isso, se eu não baixar, vai acontecer isso.”

Na sequência, Lula afirmou que tem confiança no trabalho do presidente do Banco Central. “Como eu trabalho numa relação de confiança, eu acredito naquilo que o Galípolo está fazendo. Acredito, confio, agora eu não posso nem tirar ele, porque eu indiquei ele, mas o mandato tem autonomia”, afirmou.

O petista acrescentou: “Mas ele é uma pessoa que… Feliz do País que tem um menino, um jovem, da qualidade, com a expertise do Galípolo, no Banco Central. Eu tenho certeza que o Brasil haverá de agradecer”.

Mercado financeiro

Lula atacou o mercado financeiro e disse que “essa gente não pensa no Brasil, só pensa no seu lucro”. “É a mesma coisa sempre. Começa janeiro e o sistema financeiro começa a dizer que vai ter um déficit fiscal. Eles querem garantir o que a gente tem de pagar a eles. Eles não pensam no social. Tudo o que a gente faz para cuidar da vida do povo mais humilde, eles acham que é gasto”, declarou.

“Quando aumenta R$ 100 no salário mínimo aparece um monte de gente do mercado dizendo que vai estourar a economia, vai ter inflação. Essa gente não pensa no Brasil, só pensa no seu lucro. Eles têm que compreender que o papel do presidente não é pensar no lucro deles, é pensar na melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro”, completou.

A crítica se iniciou após o presidente ser questionado sobre a razão para os dados positivos da economia brasileira, como queda da inflação e do desemprego, aumento da massa salarial e da bolsa de valores, não se refletirem em sua popularidade. Lula disse que a campanha ainda não está em andamento, mas que esses dados ainda farão a diferença até outubro.

“(Os números não refletem na popularidade) porque não tem campanha ainda, deixa começar a campanha. Você quer que vire voto faltando oito meses para a campanha? Você vai ver como vai virar voto”, disse.

Lula lembrou sobre sua política fiscal nos primeiros mandatos. Disse que perdeu apoio dentro do PT pelos superávits promovidos à época. Aproveitou também para criticar o governo de Jair Bolsonaro. Afirmou que o mercado financeiro não teve o mesmo grau crítico que tem com o PT na gestão do ex-presidente.

“No meu primeiro mandato, elevei o superávit primário a 4,25% (do PIB). Muita gente saiu do PT por conta dessa minha atitude. Eu fiz isso perto da eleição, porque não estou preocupado com a eleição para dirigir o País. O que não posso é cometer um genocídio com o País em meu benefício. Fazer um déficit fiscal de 2,5% (do PIB), como fez o governo passado, e que o sistema financeiro não falou nada. Quando ele deixou de pagar precatórios, o sistema financeiro não falou nada. Quando ele resolveu distribuir dinheiro de graça porque era o ano eleitoral, ninguém falou nada”, declarou.

IstoÉ Dinheiro - SP   06/02/2026

As exportações de produtos brasileiros para a China cresceram 17,4% em janeiro de 2026 (somando US$ 6,47 bilhões no mês, ante US$ 5,51 bilhões em janeiro de 2025). Pelo lado das importações, houve diminuição de 4,9% nas compras vindas da China em janeiro (totalizando US$ 5,75 bilhões, ante US$ 6,05 em igual mês do ano passado).

Com isso, o Brasil teve superávit de US$ 720 milhões com a China no primeiro mês deste ano.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 5, pela Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

O Estado de S.Paulo - SP   06/02/2026

A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 4,343 bilhões em janeiro de 2026, após saldo positivo de US$ 9,633 bilhões em dezembro de 2025.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) divulgados nesta quinta-feira, 5, o valor foi alcançado com exportações de US$ 25,153 bilhões e importações de US$ 20,81 bilhões.

O resultado do último mês veio abaixo da mediana apontada na pesquisa Projeções Broadcast, de superávit comercial de US$ 4,8 bilhões em janeiro. As projeções para esta leitura variavam de US$ 3,46 bilhões a US$ 6,10 bilhões.

Em janeiro, as exportações registraram queda de 1,0% na comparação com janeiro de 2025, com crescimento de 2,1% em Agropecuária, que somou US$ 3,872 bilhões; queda de 3,4% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 7,072 bilhões; e, por fim, queda de 0,5% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 14,082 bilhões.

As importações também caíram, 9,8% na comparação mesmo mês do ano passado, com queda de 28,7% em Agropecuária, que somou US$ 439 milhões; queda de 30,2% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 770 milhões; e, por fim, queda de 8,02% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 19,446 bilhões.
EUA

As exportações de produtos brasileiros para os Estados Unidos caíram 25,5% em janeiro de 2026 (totalizando US$ 2,40 bilhões no mês passado, ante US$ 3,22 bilhões em janeiro de 2025).

As importações diminuíram 10,9% e chegaram a US$ 3,07 bilhões (foram US$ 3,44 no mesmo mês de 2025). Assim, a balança comercial com este parceiro comercial resultou num déficit de US$ 670 milhões.

Esta é a sexta queda consecutiva nas vendas aos EUA, após a imposição da sobretaxa de 50% aplicada pelo governo Donald Trump aos produtos brasileiros, em meados de 2025.

No fim do ano passado, alguns produtos brasileiros foram retirados das tarifas, mas o MDIC calcula que 22% das exportações brasileiras ainda estão sujeitas às tarifas estabelecidas em julho, incluindo nesse grupo tanto os produtos que pagam apenas a alíquota extra de 40%, quanto os que pagam os 40% mais a taxa-base de 10%.

Já as exportações de produtos brasileiros para a China cresceram 17,4% em janeiro de 2026 (somando US$ 6,47 bilhões no mês, ante US$ 5,51 bilhões em janeiro de 2025).

Pelo lado das importações, houve diminuição de 4,9% nas compras vindas da China em janeiro (totalizando US$ 5,75 bilhões, ante US$ 6,05 em igual mês do ano passado). Com isso, o Brasil teve superávit de US$ 720 milhões com a China no primeiro mês deste ano.

CNN Brasil - SP   06/02/2026

O crescimento do PIB costuma ser tratado como sinônimo automático de progresso. Mas essa associação pode ser enganosa. Um país pode crescer por anos explorando intensamente seus recursos naturais — florestas, água, solos, minérios — sem transformar essa riqueza em investimentos duradouros em infraestrutura, saúde e educação.

Quando esses recursos se esgotam ou se degradam, o crescimento perde base, a produtividade cai e o custo econômico aparece mais à frente.

É justamente para expor esse risco que as Nações Unidas passaram a trabalhar com o conceito de Riqueza Inclusiva. A ideia central é simples: medir quanto do PIB convencional está sendo convertido em melhoria sustentável da qualidade de vida das pessoas, e quanto está sendo apenas consumido no presente, sem deixar ativos para o futuro.

Diferentemente do PIB tradicional, que registra apenas o fluxo anual da produção, a Riqueza Inclusiva olha para o estoque de riqueza que sustenta o bem-estar ao longo do tempo.

Ela combina três elementos: infraestrutura e capital produtivo, capital humano (educação e saúde) e capital natural. O crescimento só é considerado saudável quando o avanço econômico fortalece — ou ao menos preserva — esses três pilares.

Na prática, o indicador ajuda a responder duas perguntas-chave. A primeira: quanto do crescimento econômico está, de fato, melhorando de forma duradoura a vida das pessoas?

A segunda: quanto desse crescimento está sendo usado para criar alternativas econômicas futuras, capazes de manter esses ganhos quando os recursos naturais atuais deixarem de sustentar a expansão?

Os relatórios internacionais mostram que, em muitos países, parte relevante do crescimento vem do consumo acelerado de recursos naturais sem contrapartida equivalente em educação, saúde ou diversificação produtiva.

No curto prazo, o PIB sobe. No longo prazo, porém, o país se torna mais vulnerável a choques climáticos, perde produtividade, enfrenta maior pressão fiscal e vê seu potencial de crescimento diminuir.

Esse alerta é particularmente relevante para o Brasil, que perdeu participação no PIB global — de patamares próximos a 3,5% no início dos anos 1980 para cerca de 2% recentemente — pressionado por entraves fiscais, baixa produtividade e dificuldades estruturais para sustentar ciclos de investimento de longo prazo, ao mesmo tempo em que o bônus demográfico se esgota e o envelhecimento da população avança.

Nesse contexto, ampliar a Riqueza Inclusiva passa necessariamente pela reindustrialização do país em bases modernas, sem abandonar outras atividades econômicas.

Não se trata de substituir o agronegócio, os serviços ou a economia de recursos naturais, mas de ampliar o leque de alternativas produtivas, incorporando mais tecnologia, valor agregado e encadeamentos industriais.

Uma indústria mais sofisticada aumenta a produtividade, gera empregos de maior renda, estimula a inovação e cria fontes mais estáveis de arrecadação — fundamentais em uma sociedade que envelhece e demanda mais gastos em saúde e previdência.

Sem um esforço consistente de diversificação e sofisticação produtiva, o risco é que o crescimento econômico fique excessivamente dependente de poucos motores, ainda que eficientes e competitivos, limitando o avanço sustentado da renda e a capacidade de absorver choques externos.

A ampliação da Riqueza Inclusiva passa justamente por agregar valor às cadeias já existentes, fortalecer encadeamentos industriais e expandir atividades intensivas em tecnologia, de forma a transformar crescimento em qualidade de vida duradoura.

O indicador ajuda a tornar visível se o PIB está sendo usado para ampliar a robustez econômica do país ou se está deixando de construir bases adicionais para o futuro.

O debate não propõe abandonar o PIB, mas explicitar seus limites. Crescer explorando rapidamente o que não se renova, sem investir em pessoas, infraestrutura e capacidade produtiva, pode inflar estatísticas hoje — e comprometer o crescimento justamente quando esses recursos deixarem de sustentar a economia.

A Riqueza Inclusiva busca revelar esse risco antes que ele se transforme em um problema econômico estrutural.

Infomoney - SP   06/02/2026

A XP Investimentos avalia que o cenário de curto prazo segue favorável para o Brasil, embora as incertezas permanecem elevadas no médio prazo, destacou a casa em relatório macroeconômico mensal.

A atividade econômica perdeu fôlego, mas permanece sólida, sustentada por um mercado de trabalho forte e maiores transferências de renda do governo para as famílias. Diante disso, a XP elevou projeção de crescimento do produto interno bruto (PIB) em 2026, de 1,7% para 2,0%.

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Para 2027, a XP projeta impulsos fiscais e parafiscais menores, o que se traduz em uma expectativa de crescimento menor, de 1,2%.
Por outro lado, as leituras de inflação têm sido benignas, “beneficiadas pela valorização do real, oferta robusta de alimentos no mercado local e bens industrializados baratos importados da China”, explica analistas.

Logo, apesar de prever maior crescimento econômico, a XP reduziu sua estimativa para o IPCA deste ano, de 4,0% para 3,8%.
Contas públicas

A política fiscal continua sem novidades. As receitas crescem de forma expressiva, financiando a tendência de alta das despesas. Dessa forma, o governo deve cumprir as metas fiscais sem grande esforço — o que diz pouco, dado que a relação dívida/PIB seguirá em trajetória ascendente.

As despesas parafiscais também estão em alta, como seria esperado em um ano
eleitoral. Na avaliação da instituição financeira, a execução fiscal não deve gerar volatilidade relevante nos mercados em 2026.

No entanto, olhando para os próximos anos, reformas fiscais, especialmente pelo lado das despesas, serõa centrais para o desempenho econômico brasileiro no próximo mandato presidencial (2027–2030).

Até o momento, há pouca visibilidade sobre quem serão os candidatos, e menos ainda sobre se o vencedor implementará as reformas necessárias.

Além disso, segundo a XP, o estímulo fiscal em 2026 pode levar a uma reaceleração inflacionária em 2027, quando os efeitos positivos de oferta sobre os preços ao consumidor se dissiparem. “Isso pode limitar o espaço para o ciclo de corte de juros que está prestes a se iniciar.”

O time da XP segue prevendo um corte da taxa Selic em 0,50 ponto percentual (p.p.) em março e nas reuniões subsequentes, até que a taxa básica de juros atinja 12,50%. A partir deste nível, analistas acreditam que será necessário um cenário mais claro — e mais favorável — para reduções significativas de 2027 em diante.
Câmbio

No ambiente global, o presidente dos EUA, Donald Trump, continua gerando ruídos geopolíticos, o que tem levado investidores a aumentar posições em ativos de mercados emergentes (EMs). Na esteira deste movimento, a taxa de câmbio brasileira acumula valorização de 4% no ano.

A XP Investimentos avalia que fatores globais sustentam um câmbio mais apreciado na primeira metade deste ano. Ainda assim, incertezas políticas e fiscais tendem a pressionar a moeda mais adiante.

A instituição manteve as projeções de R$ 5,60 por dólar ao final de 2026 e de R$ 5,80 ao final de 2027.

IstoÉ Dinheiro - SP   06/02/2026

Pelo sexto mês seguido desde o tarifaço do governo de Donald Trump, as exportações brasileiras para os Estados Unidos acumularam queda. As vendas para a China, no entanto, continuaram a subir, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (5), em Brasília, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Em janeiro, as vendas para os Estados Unidos totalizaram US$ 2,4 bilhões, recuo de 25,5% em relação aos US$ 3,22 bilhões no mesmo mês de 2025. As importações de produtos norte-americanos também caíram 10,9% para US$ 3,07 bilhões. O resultado foi um déficit de US$ 670 milhões na balança comercial bilateral em desfavor do Brasil.

Esta foi a sexta retração consecutiva nas vendas brasileiras aos EUA desde a imposição da sobretaxa de 50% aplicada pelo governo de Donald Trump a produtos do Brasil, em meados de 2025. Apesar de a tarifa ter sido parcialmente revista no fim do ano passado, o Mdic estima que 22% das exportações brasileiras ainda estejam sujeitas às alíquotas extras, que variam entre 40% e 50%.

China

Na contramão do desempenho com os Estados Unidos, o comércio com a China apresentou resultado positivo. As exportações brasileiras ao país asiático cresceram 17,4% em janeiro, somando US$ 6,47 bilhões, contra US$ 5,51 bilhões um ano antes. As importações caíram 4,9% para US$ 5,75 bilhões, o que garantiu ao Brasil um superávit de US$ 720 milhões no mês.

Entre os principais parceiros comerciais, a corrente de comércio – soma de importações e exportações – com a China alcançou US$ 12,23 bilhões, alta de 5,7%. Já o intercâmbio com os Estados Unidos somou US$ 5,47 bilhões, queda de 18%, refletindo a redução tanto nas exportações quanto nas importações.
Outros mercados

O comércio com a União Europeia gerou superávit de US$ 310 milhões para o Brasil, embora a corrente comercial tenha recuado 8,8% em relação a janeiro de 2025. As exportações para o bloco caíram 6,2%, enquanto as importações diminuíram 11,5%.

Com a Argentina, o Brasil registrou superávit de US$ 150 milhões, mesmo com a forte retração de 19,9% no comércio bilateral. As exportações brasileiras ao país vizinho caíram 24,5% e as importações recuaram 13,6% na comparação anual.

MINERAÇÃO

Money Times - SP   06/02/2026

A Rio Tinto encerrou nesta quinta-feira (5) as negociações para uma aquisição da rival Glencore, afirmando que as duas empresas não conseguiram chegar a um acordo que entregasse valor suficiente aos acionistas.

A movimentação criaria a maior mineradora do mundo e, com isso, a Vale (VALE3) deve seu primeiro lugar no pódio (posição que a companhia retomou na semana passada).

A fusão proposta, anunciada pela primeira vez em janeiro, teria criado a maior empresa de mineração do mundo, com um valor de mercado superior a US$200 bilhões.

Esta é a segunda rodada de negociações fracassadas em pouco mais de um ano, após uma abordagem anterior da Glencore no final de 2024. As negociações no final do ano passado também foram iniciadas pela Glencore, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto.

A Rio também rejeitou uma proposta de fusão da Glencore em 2014, alegando que não era do interesse dos acionistas.

No entanto, a última rodada de discussões representou uma mudança em relação aos esforços anteriores. A fonte descreveu-a como “a primeira vez que houve um processo de due diligence realmente sério e rigoroso”.

Embora o cobre, um metal da transição energética, fosse uma motivação óbvia para o negócio, a Rio Tinto buscava adquirir a Glencore em sua totalidade, incluindo seus ativos de carvão e negócios de marketing.

“Concluímos que a aquisição proposta não reflete nossa visão de longo prazo, através do ciclo de valor relativo, incluindo a avaliação inadequada de nossos negócios de cobre e seu importante pipeline de crescimento”, afirmou a Glencore em comunicado.

A Glencore elogiou seus ativos de cobre em um evento para investidores em dezembro, quando afirmou que pretende atingir 1,6 milhão de toneladas até 2035 por meio de minas novas e reiniciadas e operações otimizadas, ante 852.000 toneladas no ano passado.

A demanda global por cobre deve aumentar 50% até 2040, beneficiando-se da transição energética e da demanda por inteligência artificial, e as mineradoras globais estão correndo para aumentar sua produção.

As empresas não revelaram os termos propostos e rejeitados.

As negociações agora abandonadas ecoam outros acordos ambiciosos de mineração que fracassaram, incluindo a oferta de US$ 49 bilhões da BHP pela Anglo American, que desmoronou devido a preocupações com a estrutura da oferta, mesmo com o setor pressionando por uma consolidação em meio à crescente demanda por metais.

O único acordo ainda em andamento é um plano de fusão de US$ 53 bilhões, totalmente em ações e sem prêmio, entre a Anglo American, listada na bolsa de Londres, e a canadense Teck Resources, que criaria a quinta maior produtora de cobre do mundo.

Por Reuters

A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.

Revista Mineração - SP   06/02/2026

A Anglo American encerrou 2025 com resultados positivos em suas operações no Brasil, impulsionada pelo desempenho do Sistema Minas-Rio e pelo crescimento da produção de níquel em Goiás.

No acumulado de 2025, a produção do Minas-Rio alcançou 24,75 milhões de toneladas de minério de ferro, superando a estimativa inicial da companhia para o ano. Diante desse desempenho, a Anglo American revisou para cima o guidance de produção para 2026, elevando a projeção de 23 a 25 milhões de toneladas para uma faixa entre 24 e 26 milhões de toneladas.

No quarto trimestre de 2025 (4T25), o Minas-Rio produziu 6,5 milhões de toneladas de minério de ferro premium, volume 1% superior ao registrado no mesmo período de 2024.

Segundo a companhia, o resultado reflete um desempenho operacional consistente da planta, com maior utilização dos ativos e aumento da recuperação mássica do minério ao longo do período.

O negócio de níquel da Anglo American no Brasil, que engloba as operações de Barro Alto e Codemin, em Goiás, também apresentou evolução positiva. No 4T25, a produção atingiu 10,3 mil toneladas, um crescimento de 3% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, impulsionado por teores mais elevados de minério e melhores recuperações metalúrgicas.

Ao longo de todo o ano, a produção de níquel somou 39,7 mil toneladas, alta de 1% na comparação com 2024. O resultado reforça a estabilidade e a resiliência operacional dos ativos, que estão entre os mais antigos da empresa no país. Conforme já anunciado, a Anglo American segue avançando no processo regulatório para a venda do negócio de níquel, prevista para 2026.

Para a presidente da Anglo American no Brasil, Ana Sanches, os números refletem o comprometimento das equipes e o foco em uma mineração responsável. “Encerramos 2025 com um desempenho sólido e consistente de nossas operações no Brasil. Tanto o Minas-Rio quanto o negócio de níquel demonstraram resiliência operacional e foco em segurança”, afirmou.

Segundo a executiva, a empresa seguirá priorizando excelência operacional, geração de valor e desenvolvimento sustentável dos territórios onde atua. “Para 2026, permanecemos comprometidos com a construção de uma mineração segura, responsável e sustentável”, completou.

Quer conhecer o Sistema Minas-Rio? Confira a reportagem do Expedição Mineração, programa da TV Mineração, que visitou, em setembro do ano passado, o complexo da Anglo American em Conceição do Mato Dentro (MG), para mostrar, em detalhes, como funciona a operação. A reportagem mostra, ainda, a tecnologia por trás do maior mineroduto do mundo, com 529 km de extensão, que vai até o Porto do Açu, em São João da Barra (RJ).

Valor - SP   06/02/2026

Contratos futuros com vencimento em maio fecharam cotados a US$ 110,6

O preço do minério de ferro voltou a recuar nesta quinta-feira (5), em mais um dia de desvalorização generalizada das cotações de metais.

Os contratos futuros do minério de ferro com vencimento em maio — os mais negociados — fecharam em queda de 1,73% na Bolsa de Dalian, na China, cotados a 768,5 yuans (US$ 110,6).

Segundo analistas de commodities, também tem pesado sobre a cotação um acúmulo de estoques de minério em portos da China, enquanto a demanda se arrefece no país antes da celebração do Ano Novo Lunar, em 17 de fevereiro.

AUTOMOTIVO

O Estado de S.Paulo - SP   06/02/2026

A fabricante de automóveis Stellantis, líder de mercado no Brasil e na América do Sul, onde comercializou mais de 1 milhão de veículos no ano passado, tem um programa de investimentos em curso no País de R$ 30 bilhões. Porém, a grande preocupação é o avanço das marcas chinesas no mercado brasileiro, que já atingiram 11% de participação em dezembro.

“A maior eficiência sob o ponto de vista financeiro para eles, sem dúvida alguma, está na lógica de produzir o máximo que puderem lá e trazer para cá para terminar, usando o que estiver disponível de incentivos”, diz Herlander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

“Se as barreiras não forem fortes o suficiente para fazer com que localizem a produção aqui, vão fazer o mínimo necessário, porque o custo na China é muito menor do que no Brasil”, ressalta o executivo, que é o primeiro brasileiro a assumir o comando da empresa, desde outubro, após a presidência de dois italianos. “Não estamos querendo vantagem, só queremos uma regra que seja a mesma para todos, para não estabelecer uma vantagem para alguém. Ter uma regra que garanta que vamos continuar jogando o jogo”, acrescenta.

A Stellantis, formada há cinco anos, opera com as marcas Fiat, Jeep, Citroën, Peugeot e RAM, tem uma grande presença também na Argentina, onde produz cinco modelos de carros e detém 30% do mercado. Em 2025, a companhia anunciou a chegada no Brasil da Leapmotor, uma joint venture chinesa, que está trazendo a tecnologia de fabricação de carros elétricos e híbridos. Em um ano deve começar a montar carros na fábrica de Goiana (PE).

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:
A Stellantis anunciou há dois anos o plano de investir R$ 30 bilhões no Brasil. De lá para cá, os juros subiram e o setor lida com indefinições como a alíquota do imposto seletivo na reforma tributária. Os investimentos estão avançando dentro do ritmo previsto?

Nós temos um compromisso muito forte com a América do Sul. Lideramos o mercado na região com quase 23% de participação. O peso da América do Sul é de mais ou menos 5% da indústria global. Para nós, da Stellantis, é muito mais relevante. Nós vendemos para nossos concessionários e importadores da região mais de um milhão de automóveis no ano passado. Isso deve representar, pelos volumes da Stellantis, algo próximo de 12% a 13% do total. Então, isso já deixa claro que a importância da região é muito alta para a empresa. Em virtude disso, temos os investimentos, que estão aprovados, decididos já há algum tempo, para viabilizar uma série de lançamentos e tecnologias.

A recuperação do mercado argentino contribuiu aos resultados do grupo na região?

O mercado argentino cresceu, no ano passado, 54%. Saímos de uma indústria de mais ou menos 350 mil carros, em 2024, para uma indústria de 580 mil carros no ano passado. Um crescimento muito expressivo, que obviamente é também muito importante para nós, que somos líderes nesse mercado. Era um mercado fechado, e hoje — desde, obviamente, a entrada do Milei (Javier Milei, presidente da Argentina) —, vem se tornando cada vez mais um mercado aberto. Dá a possibilidade para aqueles que produzem, inclusive no Brasil, entrar no mercado argentino com uma facilidade que não tinham antes. E a Argentina já passou por esse tipo de movimento algumas vezes, com governos que trabalhavam com o mercado fechado e governos que trabalhavam com o mercado aberto.
Como é essa abertura, na visão do grupo Stellantis?

Isso também é algo que nós, do ponto de vista de geografia industrial, precisamos pensar. Hoje, produzimos cinco modelos no mercado argentino. É um cenário que, teoricamente, nos favorecia com o mercado fechado: produzindo lá eu tinha um nível de competitividade que nem todos conseguiam ter. Com o mercado aberto, o cenário é outro, a lógica é diferente. Isso também precisa ser considerado para nós em relação aos investimentos. O que vamos fazer aqui, o que nós vamos fazer ali? Acreditamos muito na força e na complementariedade das marcas para continuar investindo no Brasil, para continuar investindo em tecnologia adequada ao mercado brasileiro. E isso é muito relevante para nós, especialmente diante daquilo que envolve a evolução do híbrido flex aqui no Brasil, que, de fato, acreditamos ser uma tecnologia muito adequada à necessidade do brasileiro. Os investimentos que estão planejados se mantêm absolutamente inalterados. Mesmo que, e isso é mais do que claro para nós, tenhamos um cenário competitivo desafiador.

A concorrência dos chineses força o grupo a investir mais?

Não é forçado. Enfrentamos a concorrência dos chineses aqui e em outros mercados. O mercado americano já estabeleceu barreiras mais intensas para frear a penetração chinesa. A Europa tem feito movimentos nessa direção, apesar de ainda não ter conseguido estabelecer barreiras que sejam, de fato, efetivas para impedir ou diminuir a velocidade do crescimento chinês. Temos observado, no Brasil, ao longo desses últimos anos, um crescimento muito forte dos chineses. Entre 2019 e 2025, as marcas chinesas saíram, basicamente, de zero para 9% de participação no Brasil, considerando que a participação delas em dezembro, já era superior a 11%. Claramente, eles têm hoje uma equação que parece ser muito eficiente para todos os mercados: um produto com tecnologia muito interessante, qualidade muito adequada, um preço super competitivo. É uma equação que tem dado a eles a possibilidade de entregar um produto de um segmento superior pelo preço de um segmento inferior. E essa é uma equação que, em qualquer lugar do mundo, funciona bem.
Como indústria automotiva chinesa impacta no mercado brasileiro?

Eles têm uma capacidade instalada de quase 50 milhões de automóveis de produção por ano, para um mercado interno de 28 milhões. Isso impõe a necessidade de exportar. No momento atual, eles têm conseguido fazer isso de maneira muito eficiente com o que eles produzem lá. Não tenho dúvida em afirmar que todos os chineses que buscam alternativas para produzir no Brasil vão buscar as que vão trazer a maior eficiência financeira. A maior eficiência sob o ponto de vista financeiro para eles, sem dúvida alguma, está na lógica de produzir o máximo que puderem lá e trazer para cá para terminar, usando o que estiver disponível de incentivos. Se as barreiras não forem fortes o suficiente para fazer com que eles localizem a produção aqui, vão fazer o mínimo necessário, porque o custo na China é muito menor.

Quais barreiras deveriam, então, ser colocadas pelo Brasil?

Esta é uma discussão que precisa passar por uma análise do governo, para entender, com clareza, quais são os riscos para a indústria nacional. Temos tentado fazer esse trabalho, também com a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), de esclarecer quais são os riscos na mesa. Para cada emprego direto, geramos mais 10 na cadeia em virtude do nível de localização. O nível de localização de peças que temos num produto da Fiat é de 95%. Basicamente, quase tudo é produzido aqui. Sempre buscamos o maior índice de localização possível, por sempre acreditar que isso vai nos dar um custo de produção mais efetivo em cada um dos lugares onde atuamos. E isso sempre funcionou em todos os lugares. Porque os governos sempre buscaram uma lógica que favorecesse essa dinâmica.
E como a indústria se vê hoje no País?

Hoje, a grande verdade é que a gente se vê ameaçado. Essa lógica passa a ser ameaçada por alguém que tem um custo de produção muito vantajoso. Se, sob o ponto de vista governamental, não conseguirmos ter algo que, no mínimo, equalize o jogo para aqueles que estão colocando muito dinheiro aqui, investindo pesado aqui, inevitavelmente, teremos de nos adequar a isso.

Hoje, se fala de investimentos que, somando montadoras e fornecedores, chegam a R$ 190 bilhões...

É um investimento muito relevante, muito pesado, daqueles que já estão há muito tempo aqui, estão investindo em todo o parque de fornecedores. Agora, se a regra do jogo passa a favorecer outro modelo, cabe a nós todos rever a lógica daquilo que estamos fazendo. Em cinco anos, os chineses saíram de zero para 9% de participação de mercado. Quem vai perder? Obviamente, são aqueles que estão dentro de uma dinâmica desfavorecida sob o ponto de vista de custos. Se nós, da indústria tradicional, não formos capazes de nos readaptar a uma nova regra do jogo, teremos problemas sérios. Não estamos querendo vantagem, só queremos uma regra que seja a mesma para todos, para não estabelecer uma vantagem para alguém. Ter uma regra que garanta que vamos continuar jogando o jogo, que dê vantagem competitiva para aqueles que investem e produzem localmente. Se passarmos a dar vantagem competitiva a quem está gerando emprego lá fora, aí ou nos adaptamos ou perdemos.
O governo brasileiro mostra sensibilidade a essas colocações do setor?

O governo tem se mostrado sensível, porém a lógica dos interesses do País é complexa. Entendemos isso. Mas é muito importante identificar riscos e consequências para que, de fato, o País possa ganhar.
A Stellantis concorre com marcas chinesas, mas também está trazendo ao Brasil a Leapmotor, uma marca chinesa. A China é mais uma concorrente ou uma solução à falta de competitividade do Brasil?

A complementariedade das nossas marcas é muito relevante. A capacidade de entender qual é a melhor composição de marcas em cada mercado é um fator chave no nosso sucesso. Por isso, não atuamos com todas as marcas em todos os mercados. Na parceria com a Leapmotor, é a mesma coisa. Falamos de algo complementar, que vai nos ajudar a preencher uma necessidade importante. Não estamos trazendo todos os produtos da Leapmotor, estamos trazendo alguns que são complementares. Outro aspecto muito importante da parceria, para nós, é aprender aquilo que pode ser vantajoso. Muitas montadoras estão buscando, hoje, associações com marcas chinesas, dentro dessa lógica. Então, não olhamos como uma competição entre nós e os chineses. Pelo contrário, olhamos pelo lado de qual é a melhor composição, de como podemos aprender, de como podemos evoluir com parcerias ou movimentos estratégicos que permitem uma situação mais competitiva nos mercados onde atuamos.

Qual vai ser o modelo de produção da Leapmotor em Pernambuco, na fábrica de Goiana?

Vai ser um modelo KD (Knocked-Down, de montagem de peças importadas). Se vai ser CKD (montagem de carros que chegam à fábrica totalmente desmontados) ou SKD (modelo no qual os carros chegam parcialmente montados), vai depender de algumas decisões que estão próximas de serem tomadas. Devemos divulgar em breve. Mas o que é mais importante para nós é garantir que sejam montados aqui no Brasil.
Vai depender de quê essa decisão?

Obviamente, depende de qual é a regra do jogo. Se confiarmos que a localização (produção no País) continuará sendo chave para ser mais competitivo, nosso rumo deve ser um. Se identificarmos que a localização, eventualmente, não vai contribuir para um resultado melhor, talvez o rumo seja outro. Esse é um fator que pode influenciar as nossas decisões daqui a algum tempo.

Já está definido quando começa a produção da Leapmotor?

Não está definido de forma exata. Estamos trabalhando para avançar, mas é algo entre o fim deste ano e o início do ano que vem.

Por enquanto vocês estão importando carros prontos?

Sim, hoje é a importação direta, e obviamente eu trago o carro pronto de lá (da China).
Como está o desenvolvimento da rede de concessionárias?

Hoje são 36 lojas da Leapmotor. Vamos expandir ao longo deste ano. Acho que a Leapmotor começou muito bem, em relação ao desempenho das vendas. Vamos começar a receber agora uma quantidade maior, vamos ter uma disponibilidade maior de produtos, o que também vai demandar a expansão da rede.
Qual seria a alíquota de importação necessária para a indústria nacional concorrer em iguais condições com os chineses?

Não quero estabelecer um número, até porque existem muitos movimentos que podem ser avaliados para encontrar, de alguma forma, um equilíbrio adequado. O mais importante é encontrar uma equação que favoreça a localização, esteja ligada a conteúdo local e a investimentos no País. Quanto mais o rumo da discussão for por esse lado, melhor será o resultado. Só precisamos ter uma regra que seja justa, e não que favoreça mais aquele que produz e gera emprego lá fora. Sob o ponto de vista de custo, é o que está acontecendo.
Para um grupo que tem operações dos dois lados do Atlântico, o acordo Mercosul-União Europeia vai trazer oportunidades para uma maior integração?

Tudo aquilo que tem sido discutido e que tem potencial para favorecer a indústria nacional é muito bem-vindo. Esse é, sem dúvida, um movimento que pode favorecer a competitividade dos produtos nacionais, e também pode favorecer, vamos dizer assim, a discussão sobre sinergias. Entendemos ser positivo, embora seja algo que não deve mudar o jogo no curto prazo.

A concorrência dos produtos europeus, num mercado aberto, preocupa? Produtos brasileiros podem ser substituídos por europeus?

Vai depender de cada realidade. Cada empresa tem uma lógica produtiva, que pode favorecer mais esse ou aquele mercado, a depender da dinâmica que existir lá na frente. Se estamos falando que daqui a 15 anos, teoricamente, a tarifa será zero, abre-se a discussão sobre o que é mais competitivo para produtos fabricados tanto lá quanto aqui, para entender se vale ou não a pena ter só uma fonte produtiva. Isso desde que se tenha a garantia de que a tarifa é zero e que as variações cambiais não vão destruir a sua competitividade aqui ou ali. Mas, como disse, acho que é uma discussão ainda muito preliminar. O acordo é uma pauta positiva, pode contribuir muito no futuro, mas tem pouca chance de influenciar, por enquanto, qualquer decisão.
Como a Stellantis está posicionada no Brasil e América do Sul?

No Brasil, temos quase 30 mil pessoas empregadas diretamente. A fábrica de Betim é a nossa fábrica de maior capacidade produtiva no País, próximo de 600 mil carros. Hoje, emprega cerca de 18 mil pessoas. Num raio de 100 quilômetros de Betim, temos mais de 350 fornecedores. Com as três plantas produtivas que temos Brasil (Porto Real, Betim e Goiânia) são mais de mil. Olhando para a cadeia inteira na América do Sul, com as duas plantas na Argentina, e a do Uruguai, chegamos próximo de 1,5 mil fornecedores.

Valor - SP   06/02/2026

A Toyota planeja produzir cerca de 30% mais veículos híbridos em 2028 em comparação com os níveis atuais e expandir significativamente sua fabricação nos Estados Unidos, em resposta à redução dos incentivos para a compra de veículos totalmente elétricos em diversos países.

A maior montadora do mundo em vendas espera produzir 6,7 milhões de veículos híbridos globalmente em dois anos, um avanço em relação aos 5 milhões de híbridos e híbridos plug-in planejados para 2026, segundo fornecedores familiarizados com os planos da Toyota.

O aumento de aproximadamente 30% se compara a uma previsão de crescimento de 10% na produção total e significaria que os híbridos representariam de 50% para cerca de 60% dos 11,3 milhões de carros que a Toyota espera produzir globalmente em 2028.

Os híbridos combinam um motor de combustão interna com um motor elétrico e uma bateria para melhorar significativamente a eficiência de combustível em comparação com os movidos a gasolina. A demanda por híbridos tem crescido à medida que os subsídios para elétricos mais caros são reduzidos, tornando-os ainda mais dispendiosos.

Nos Estados Unidos, o governo do presidente Donald Trump tomou medidas para desmantelar as políticas de incentivo a elétricos de seu antecessor, Joe Biden, incluindo o fim dos créditos fiscais para a compra. Em outros lugares, a União Europeia reverteu a proibição da venda de novos veículos com motor de combustão interna, que entraria em vigor em 2035.

A Toyota expandirá a produção de híbridos nos Estados Unidos, onde modelos como o sedã Camry e a picape Tacoma estão vendendo bem. A montadora japonesa registrou uma alta de 8% nas vendas no país em 2025, totalizando 2,51 milhões de veículos vendidos.

A empresa anunciou em novembro que planeja investir 1,5 trilhão de ienes (US$ 10 bilhões) nos Estados Unidos nos próximos cinco anos. Inicialmente, investirá 140 bilhões de ienes na produção de motores e peças híbridas em cinco fábricas. Para expandir sua linha de produtos, a Toyota lançou uma versão híbrida do utilitário esportivo RAV4 em dezembro passado e começará a produzir o sedã híbrido Corolla em sua fábrica no Mississippi após 2028.

A Toyota detém uma participação de 58% no mercado mundial de veículos híbridos até o final de 2025, de acordo com dados da empresa e da GlobalData. A firma de pesquisa britânica revisou para cima sua previsão no fim do ano passado para as vendas globais de híbridos e híbridos plug-in. Agora, espera que todas as montadoras vendam 29 milhões desses veículos em 2030, um ganho de 2,8 milhões em relação à previsão do ano anterior.

Outras grandes montadoras têm ajustado suas estratégias em resposta ao declínio do ímpeto dos carros elétricos. A Ford Motor está reduzindo o desenvolvimento e a produção de modelos importantes e registrará baixas contábeis de US$ 19,5 bilhões relacionadas até o ano fiscal de 2027.

A General Motors também está reestruturando sua produção de elétricos e desenvolverá híbridos em conjunto com a sul-coreana Hyundai Motor, enquanto a Volkswagen está lançando, pela primeira vez, um sistema de propulsão totalmente híbrido, semelhante ao do Toyota Prius.

A Tesla, principal fabricante de veículos elétricos dos Estados Unidos, anunciou no mês passado que encerrará a produção de seus modelos premium S e X e converterá sua fábrica na Califórnia para a produção de robôs humanoides. A empresa sofreu uma queda de 9% nas vendas no ano passado, para 1,63 milhão de veículos.

Embora a demanda por elétricos esteja desacelerando, a GlobalData prevê que eles representarão 29% de todas as vendas de automóveis em 2030, um salto em relação aos 16% em 2025.

Valor - SP   06/02/2026

Galpões de pintura, solda e estamparia da fábrica de Camaçari (BA) devem ser inaugurados em julho; além do SUV, King e Dolphin Mini serão produzidos no local até o fim do ano

O novo BYD Song Pro já havia sido mostrado pela marca chinesa em outubro passado, inclusive com a confirmação de estreia do conjunto híbrido flex e a montagem na fábrica de Camaçari (BA). Agora, há mais detalhes sobre a chegada do modelo. O lançamento será no segundo semestre. A razão é que o SUV será, junto com Dolphin Mini e King, o responsável por iniciar a produção completa na unidade baiana.

A informação foi confirmada pelo vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy, em visita às instalações da marca na Bahia. De acordo com o executivo, a produção completa — já com solda e pintura feitas no Brasil — tem previsão de início em julho, mesmo que em fase de testes.

IstoÉ Dinheiro - SP   06/02/2026

Para o CEO da Scania para a América Latina, Christopher Podgorski, não há uma ‘bala de prata’ para resolver o problema da renovação da matriz energética nos transportes. A tese do executivo é de que o futuro é ‘eclético, e não elétrico’ – e de olho nisso, a companhia planeja aumentar seu share de produção de veículos e componentes elétricos nos próximos anos.

Em participação no Dinheiro Entrevista, Podgorski relata que os dados apontam que, até 2040, a matriz de transporte será neutra em termos de emissão de carbono – do total, 40% da composição da matriz será de soluções eletrificadas.

Os desafios para aumentar a frota de caminhões elétricos, entretanto, são muito mais de viabilidade econômica e de mudança de mercado – e de comportamentos de consumo – do que te de tecnologia, uma batalha que a indústria considera vencida.

“O carbono é um inimigo difícil de abater e o tema não é mais tecnologia; a tecnologia é dominante, é provada. Nós não falamos hoje de protótipos, estamos falando de produtos disponíveis comercialmente, com escala industrial e com toda a confiabilidade. Já estamos produzindo chassis de ônibus elétricos aqui em São Bernardo do Campo, e à medida que negócios potenciais se concretizem com alguns players importantes, nós também vamos passar a produzir os os caminhões elétricos no Brasil”, diz.

O prognóstico é de que os primeiros países a serem eletrificados serão os que desenvolveram, além da tecnologia, o ‘aprendizado e as melhores maneiras de criar a infraestrutura’ – com uma rede de carregadores sustentável financeiramente e com escala, por exemplo.

“Você precisa criar políticas públicas, instrumentos de financiamento e uma nova estrutura de transporte que tem que competir com uma que já tem 120 anos”, avalia o CEO da Scania.

Atualmente a Scania ainda não produz caminhões elétricos em solo brasileiro, apenas componentes.

A empresa anunciou um ciclo de investimentos de R$ 2 bilhões no Brasil para o período 2025-2028, cujo foco principal é a eletrificação e descarbonização, visando a produção de veículos pesados elétricos em São Bernardo do Campo (SP), consolidando a planta como líder tecnológica na América Latina.

Desde março de 2025 os chassis de ônibus elétricos são produzidos na planta fabril.

Fora da América Latina, a empresa realiza a produção e montagem de caminhões elétricos pesados (Battery Electric Vehicles, ou BEV) em Södertälje, na Suécia, onde a montadora tem capacidade para produzir caminhões elétricos completos e também uma fábrica dedicada à montagem de baterias para esses veículos. O primeiro modelo do tipo foi montado em meados de setembro de 2020.

Globalmente falando, com base nos dados mais recentes da Agência Internacional de Energia (IEA) e relatórios de mercado como o BloombergNEF, de 3% a 5% das vendas anuais de novos caminhões são elétricos.

Em se tratando da frota total em circulação, o número é consideravelmente menor, de menos de 1%.
Comprar um caminhão elétrico é trocar Capex por Opex

Em se tratando da conta financeira sobre os caminhões elétricos, Podgorski relata que, no fim do dia, é uma questão de a companhia priorizar retornos de prazos mais longos.

A matemática da coisa consiste na troca entre Capex por Opex. Capex é o dinheiro investido em ativos ou bens e projetos de longo prazo, ao passo que o Opex é o gasto do dia a dia para manter a operação rodando – um constrói o futuro da empresa, o outro mantém o presente funcionando.

Nesse caso, o Capex seria a compra de um caminhão, ao passo que o Opex seria o custo de manutenção e o combustível.

“Se você compra um veículo diesel hoje, você vai pagar um X e você vai ter um custo de manutenção Y. Se você compra um elétrico, você vai pagar 2,5 X, mas você vai reduzir substancialmente o seus custos operacionais, tanto no custo da energia, com o preço do quilowatt-hora (kWh) quanto na manutenção, já que tem menos peças móveis”, explica o executivo.

“É uma equação que muda, dependendo do tamanho da sua carteira. Se você puder investir mais, você terá um retorno maior ao longo do tempo”, completa.

Ele também detalha que essa troca é mais vantajosa a depender dos clientes, quanto há mais acesso a cargas de empresas que ‘reconheçam o valor de uma operação descarbonizada’.
Scania vê concentração na infraestrutura de elétricos

Em termos de rede de infraestrutura, o executivo vê uma eletrificação começando ‘principalmente em zonas conurbadas’, tanto no transporte de passageiros quanto no de cargas, com veículos mais leves.

Depois disso, paulatinamente a distribuição é intensificada.

No momento, a visão é de que existe um polo no Sudeste, e que a densidade de carregadores e outros itens só deve aumentar ao longo dos próximos anos.

“Quando olhamos o mapa do Brasil, que na prática funciona como vários países dentro de um só, vemos dois grandes eixos: Rio–São Paulo e São Paulo–Campinas, ou regiões próximas. É nessas áreas que a maior parte dos data centers está instalada ou em processo de instalação, o que significa maior disponibilidade de energia elétrica e infraestrutura. Hoje, já é possível afirmar que existe um corredor eletrificado nesses dois eixos, que concentram cerca de um terço da economia brasileira, em termos de PIB.”

O tema já foi abordado por outros executivos que participaram do Dinheiro Entrevista. O CEO da Indigo avaliou que faltam carregadores de ‘meio de jornada’ e que há concentração em estabelecimentos como shoppings, ao passo que o Vice-Presidente Sênior da BYD no Brasil alegou que há ausência de políticas públicas que incentivem uma renovação da frota nacional.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Jornal de Brasília - DF   06/02/2026

O mercado imobiliário da capital paulista encerrou 2025 com lançamento de 139,7 mil unidades residenciais no acumulado de 12 meses, um crescimento de 34% em relação de 2024. O maior volume já registrado pela PMI (Pesquisa do Mercado Imobiliário) do Secovi-SP foi impulsionado de forma decisiva pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

De acordo com os dados apresentados, as unidades enquadradas no programa habitacional responderam por 61% dos lançamentos (85,4 mil unidades) e 64% das vendas (72 mil unidades) na cidade. O tíquete médio do MCMV em São Paulo ficou em torno de R$ 270 mil, permitindo que cerca de 1,2 milhão de pessoas acessassem a moradia própria na capital nos últimos dez anos.

“Se nós pensarmos que em 2016 a gente lançou 3.500 unidades do programa Minha Casa, Minha Vida e depois de dez anos nós estamos lançando 85 mil unidades, não há dúvida de que as empresas que estão participando desse processo tiveram uma evolução de produtividade muito grande”, afirmou Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, durante a apresentação dos dados.

Segundo ele, a produtividade na construção civil permitiu que o preço do MCMV subisse significativamente abaixo da inflação na última década, ampliando o acesso das famílias.

O perfil do imóvel que lidera as vendas em São Paulo é o de unidades de dois dormitórios e metragens entre 30 m² e 45 m². Em dezembro de 2025, os apartamentos de dois quartos representaram 66% das vendas, enquanto as unidades compactas (até 45 m²) abocanharam 64% do mercado mensal.

“Não fabricamos o que queremos. Fabricamos o que as pesquisas de consumidor dizem que temos que fabricar”, afirmou Ely Wertheim, presidente executivo do Secovi-SP, destacando que o setor se adaptou à renda da classe média e popular.

Geograficamente, a zona sul lidera o volume de atividade, com 40% dos lançamentos e 33% das vendas da capital. A zona norte, no entanto, se destacou pela maior velocidade de vendas (VSO) no último mês de 2025, atingindo 11,9%.

O setor atribui o bom desempenho ao alinhamento entre os governos federal (MCMV), estadual (Casa Paulista) e municipal (Pode Entrar). “Em todos esses anos, nunca vi os três órgãos alinhados dessa maneira para estimular o acesso à moradia”, declarou Jorge Cury, que acaba de assumir a presidência do Secovi-SP, citando que o orçamento do FGTS para o ano atingiu R$ 160 bilhões.

Apesar do otimismo no segmento econômico, o financiamento via SBPE (poupança) enfrentou retração, com queda de 13% no volume financiado em 2025. Segundo Wertheim, antes da liberação do compulsório da poupança, o recuo chegou a 50% em relação ao ano anterior.

Em contrapartida, recursos do mercado de capitais e tesouraria, conhecidos como “recursos livres”, saltaram de R$ 6 bilhões para R$ 29 bilhões no financiamento à construção devido às mudanças regulatórias.

Para 2026, a projeção é de estabilidade, mas o setor demonstra apreensão com a reforma tributária e a escassez de mão de obra. Estimativas preliminares do Secovi-SP indicam que a reforma pode elevar os custos de produção em, no mínimo, 7% a 8%, que devem ser repassados ao preço final para o consumidor.

Além disso, a falta de profissionais qualificados e o debate sobre a redução da jornada de trabalho (escala 6x1) preocupam as construtoras. Segundo o Secovi-SP, se a redução da jornada for aplicada sem regulamentação específica, haverá um inevitável alongamento dos prazos de entrega e aumento de custos.

No campo macroeconômico, a expectativa é de que a queda dos juros ao longo do ano e uma sinalização de ajuste fiscal pelos candidatos à Presidência possam destravar a demanda reprimida da classe média a partir de 2027.

Cury corroborou a visão, indicando que o mercado reagirá prontamente a qualquer sinalização positiva. “Se os candidatos derem, pelo menos, um sinal de responsabilidade fiscal, o mercado reage muito bem”, disse.

O estoque final na cidade fechou o ano em 85,2 mil unidades, um aumento impulsionado pelo volume de lançamentos superior ao de vendas. No entanto, o Secovi-SP descarta riscos de crise de oferta, dado que o tempo de escoamento permanece saudável, especialmente no segmento econômico, onde o estoque duraria apenas oito meses caso os lançamentos fossem interrompidos hoje.

Exame - SP   06/02/2026

Quando os avós de Leonardo Yoshii chegaram ao Brasil, entre as décadas de 1910 e 1920, não havia qualquer plano de construir prédios, condomínios de luxo ou obras bilionárias. Vieram do Japão em um dos grandes fluxos migratórios do século passado, atraídos pela promessa de trabalho e pela chance de recomeçar do outro lado do mundo.

A disciplina japonesa, no entanto, veio junto na bagagem. Educação virou prioridade dentro da família. Décadas depois, Atsushi Yoshii, filho desses imigrantes, se formaria engenheiro civil pela Universidade Federal do Paraná e seguiria um caminho improvável para a época: faria uma pós-graduação no Japão, em 1963, viajando de navio a partir do porto de Santos. Foram quase três meses de travessia.

De volta ao Brasil, Atsushi começou pequeno. Trabalhou em prefeituras no interior do Paraná e, no tempo livre, passou a construir casas para amigos. O que era favor virou negócio. Em 1965, nascia a construtora que carregaria o sobrenome da família — um gesto que, para os Yoshii, sempre significou responsabilidade antes de ambição.

Sessenta anos depois, aquela empresa familiar do interior do Paraná virou um grupo com mais de 6 milhões de metros quadrados construídos, presença em 12 estados e 1,8 bilhão de reais em receita líquida em 2025.

À frente do negócio desde 2015, Leonardo Yoshii, filho do fundador, conduz uma expansão acelerada — mas com uma decisão clara: crescer sem abrir o capital.

“Colocar o nome da família na empresa sempre foi um compromisso com algo perene”, diz Yoshii. Em 2026, a A.Yoshii prevê 2,2 bilhões de reais em receita, crescimento de 22%, e 2,1 bilhões de reais em VGV em lançamentos. Tudo isso mantendo o controle fechado, mesmo com bilhões em obras.

Qual é a história da A.Yoshii

A A.Yoshii nasceu em 1965, em Apucarana, no interior do Paraná, em um Brasil que ainda se urbanizava fora dos grandes centros. O fundador, Atsushi Yoshii, era filho de imigrantes japoneses e carregava uma obsessão que marcaria a empresa desde o início: educação como base para qualquer projeto de longo prazo. Ele estudou engenharia civil e fez uma pós-graduação no Japão.

Quando voltou ao Brasil, Atsushi começou a trabalhar na construção civil. A construtora, que inicialmente levava o nome completo do fundador, logo passou a se chamar A.Yoshii.

O crescimento veio acompanhando os ciclos do país. Nos anos seguintes, a empresa construiu agências bancárias, lojas de varejo e acompanhou a expansão das cidades do interior. Depois, entrou forte no agronegócio, com obras para cooperativas agrícolas, silos e indústrias ligadas à produção rural.

“A agricultura começou a ganhar outra dimensão no Brasil, mais tecnológica, maior, e nós fizemos muitas obras nesse segmento”, diz Yoshii.

Vieram, na sequência, projetos industriais, educacionais e corporativos. A A.Yoshii construiu escolas, universidades e, mais recentemente, grandes plantas industriais para setores como papel e celulose, saúde, alimentos e logística.

Hoje, o portfólio inclui obras para empresas como Klabin, Suzano, Embraer e Unimed.

“A empresa foi crescendo à medida que o Brasil se desenvolvia. Cada ciclo econômico abriu uma nova frente”, afirma.

Qual é a estratégia atual

A A.Yoshii chega a 2025 como um grupo diversificado, mas com o imobiliário como principal motor.

Cerca de 80% da receita vem da incorporação residencial. Os outros 20% são gerados pela A.Yoshii General Construction, braço de obras corporativas e industriais.

“Essa composição mudou muito a partir dos anos 2000. O segmento imobiliário passou a ganhar cada vez mais relevância”, diz Yoshii.

Dentro da incorporação, o grupo atua em faixas distintas. A A.Yoshii Engenharia foca no alto padrão e no superluxo. A Yticon Construção e Incorporação atende o segmento médio, incluindo produtos voltados ao primeiro imóvel e ao investidor. Já a A.Yoshii Urbanismo, criada em 2023, desenvolve condomínios horizontais de alto padrão.

Em 2025, o grupo realizou 11 lançamentos, com 1,8 bilhão de reais em valor geral de venda, e entregou 12 empreendimentos, somando mais de 240 mil metros quadrados. Atualmente, mantém 1,1 milhão de metros quadrados em construção, com 3,5 bilhões de reais em obras em execução.

A decisão de seguir lançando passa por uma leitura conservadora — e constante — do mercado.

“A gente sempre busca boas localizações. Produtos vocacionados para cada região”, afirma o CEO. Segundo ele, viabilidade é palavra-chave. “Estudo de viabilidade tem que fechar. Linha de custo precisa estar controlada.”

Mesmo em períodos de incerteza, o grupo identifica oportunidades, especialmente no perfil investidor.

“Em anos eleitorais, como qualquer ano com incerteza, o mercado imobiliário ganha força como forma de preservação patrimonial”, diz Yoshii. Por isso, a Yticon vem ampliando produtos com maior liquidez, tíquete mais acessível e foco em renda.

No outro extremo, o luxo segue resiliente. “O mercado de luxo e superluxo sempre foi mais resistente às crises. É um mercado de desejo”, afirma. Segundo ele, o pós-pandemia reforçou a busca por qualidade de vida, o que influenciou diretamente o desenho dos novos projetos.

Quais são os próximos passos

Para 2026, a A.Yoshii projeta 2,2 bilhões de reais em receita líquida, crescimento de 22%, impulsionado por lançamentos que devem somar 2,1 bilhões de reais em VGV.

No calendário de entregas, estão previstos 16 empreendimentos, totalizando cerca de 374 mil metros quadrados.

A estratégia passa por aprofundar a presença nos mercados onde o grupo já atua, especialmente no Paraná e no interior de São Paulo, em cidades como Londrina, Maringá, Curitiba e Campinas. Diversificação geográfica é tratada como regra, não como exceção. “Concentração em um único mercado traz risco. Por isso a gente olha sempre para outras regiões”, diz Yoshii.

Mesmo com escala bilionária, a abertura de capital segue fora dos planos.

“Essa questão de IPO sempre ronda empresas do nosso porte. Já analisamos diversas vezes, mas até o momento não achamos interessante”, afirma. Segundo ele, manter a independência pesa mais do que acessar o mercado de ações. “A gente valoriza muito a autonomia na tomada de decisão.”

Isso não significa rejeitar crescimento. Pelo contrário. “Empresa que não cresce começa a andar para trás”, diz Yoshii. A diferença está no ritmo e na forma. O grupo prefere avançar com controle, funding alternativo e decisões centralizadas na família.

Sessenta anos depois da chegada dos primeiros Yoshii ao Brasil, a empresa segue operando sob a mesma lógica que marcou sua origem: disciplina, visão de longo prazo e pouca pressa — mesmo quando os números já são bilionários.

Valor - SP   06/02/2026

"Qualquer candidato vai ter dentro do seu programa a habitação como alavanca do governo”, avaliou Celso Petrucci, economista-chefe da entidade

Para a diretoria do Secovi-SP, entidade que reúne construtoras e incorporadoras de São Paulo, não há risco de redução no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV) a partir de 2027, com uma possível mudança de governo no país.

Durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL), de 2019 a 2022, o programa foi renomeado para Casa Verde e Amarela e perdeu força.

Segundo Ely Wertheim, presidente-executivo da entidade, “esse nome não tinha história” no setor, mas “todos os outros candidatos, inclusive o presidente atual, têm história”.

Ainda de acordo com ele, são governadores que possuem uma atuação já reconhecida no segmento habitacional, o que daria “tranquilidade” para o mercado imobiliário de que o programa deve ao menos continuar como é hoje.

“O sonho do nosso setor é que o MCMV fosse visto como programa de Estado, não de governo, e ele já é, está consolidado”, disse Celso Petrucci, economista-chefe da entidade. “Qualquer candidato vai ter dentro do seu programa a habitação como alavanca do governo”.

Ainda de acordo com eles, o que limita o crescimento do MCMV é a oferta de “funding” do FGTS, principal origem de recursos do programa.

“A demanda está ali, é um programa acertado”, disse o novo presidente da entidade, Jorge Cury.

Participação nos projetos

A preocupação com o futuro do MCMV se dá pela grande representatividade que o programa tomou na produção imobiliária do país.

Em São Paulo, maior mercado para lançamentos e vendas de apartamentos, 61% dos lançamentos realizados no ano passado, e 64% das vendas, integravam a política habitacional.

Sem o desempenho dos imóveis ligados ao programa, teria havido uma queda no volume de vendas na cidade. O segmento de médio e alto padrão, que fica fora do MCMV, apresentou recuo de 11% nas vendas, embora seus lançamentos tenham avançado 41% em um ano, o que também ampliou a oferta de imóveis disponíveis.

NAVAL

A Tribuna - SP   06/02/2026

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, informou há três semanas que o leilão do Terminal de Contêineres (Tecon) Santos 10, no cais do Saboó (STS10), no Porto de Santos, ocorreria até abril. Contudo, a promessa não deve ser cumprida. A Tribuna apurou que Costa Filho pediu à área técnica do MPor o adiamento do certame para maio. Depois disso, porém, um impasse sobre o megaterminal se instalou no governo, o que gera incertezas sobre o cronograma do leilão.

Reunião
Na segunda-feira, Silvio Costa Filho foi convocado para uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com o ministro da Casa Civil, Rui Costa. A pauta de discussão não foi divulgada, mas a Reportagem apurou que o Tecon Santos 10 esteve no centro do debate.

A proibição da participação de armadores (donos das frotas de navios) no leilão, recomendada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e que o MPor disse que vai acatar, desagradou a gigante chinesa Cosco, interessada no ativo. A armadora é controlada pelo governo da China, principal parceiro comercial do Brasil e com quem Lula tem excelente relação.

Em meio às tratativas para escolher quem vai substituí-lo no ministério, já que ele precisa sair até abril para ser candidato ao Senado, Costa Filho foi chamado para apagar esse incêndio. Nesta quarta-feira (4), ele se reuniu com os ministros do TCU Bruno Dantas e Antônio Anastasia, que divergiram sobre o modelo de licitação do Tecon Santos 10 durante análise da matéria na Corte de Contas no ano passado. Além de armadores, o TCU vedou ainda a participação de empresas que já possuem terminais de contêineres em Santos.

Modelagem
A modelagem estará no edital, que ainda não foi lançado. O MPor foi procurado diversas vezes pela Reportagem, mas optou pelo silêncio diante dos questionamentos.

O terminal ocupará área de 621,9 mil metros quadrados (m²) para operação de 3,25 milhões de TEU (medida equivalente a um contêiner de 20 pés) e 91 mil toneladas de carga geral por ano. O contrato é de 25 anos, com investimento de R$ 6,45 bilhões.

Centronave pede reavaliação
Para o diretor-executivo do Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave), Claudio Loureiro, a paralisação do cronograma do leilão seria positiva. Ele, que defende os interesses dos armadores, espera que, após uma reanálise pelo Governo Federal e pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a opção seja pela ampla concorrência.

“Nossas associadas são empresas afeitas ao risco, estão acostumadas e equipadas para isso. Então, em uma concorrência livre, a tendência seria oferecer bons valores de outorga porque as empresas têm muita confiança naquilo que elas conhecem e naquilo que elas sabem”.

Loureiro reiterou que as empresas não se opõem às regras impostas. “Adeririam de bom grado às regras regulatórias que o Governo assim determinasse. Se a regra for desinvestir ou submeter preço, não teria problema, porque o grave problema hoje é capacidade, temos que aumentar a capacidade. Todos os outros problemas deixam de ter relevância, porque o que nós precisamos muito é de capacidade, melhorar a infraestrutura. Esse é o problema crítico do País e do Porto de Santos também”.

TCU e APS
Procurado, o TCU não respondeu aos questionamentos da Reportagem sobre o leilão do Tecon Santos 10 até o fechamento desta edição.

O presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Anderson Pomini, também foi procurado para comentar o caso, mas não foi localizado.

PETROLÍFERO

Money Times - SP   06/02/2026

O Brasil será o principal responsável pelo aumento da produção de petróleo na América Latina em 2026, com uma produção prevista acima de 4,2 milhões de barris por dia, afirmou relatório da consultoria Rystad Energy, nesta quarta-feira (4).

Tal crescimento, segundo a consultoria, será “respaldado pela escala, resiliência e competitividade de custos de seus desenvolvimentos no pré-sal”.

O crescimento da produção do Brasil este ano está ligado à aceleração e início de novas unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência (FPSO), apontou a Rystad.

No ano passado, a Petrobras colocou três novas plataformas em operação, sendo duas no campo de Búzios e uma no campo de Mero, ambos os ativos importantes produtores do pré-sal da Bacia de Santos. A norueguesa Equinor, por sua vez, iniciou a produção em seu campo de Bacalhau, também em Santos.

Em toda a América Latina, a previsão da consultoria é que a produção de petróleo ultrapasse 8,8 milhões de barris por dia este ano, impulsionando a maior parte do crescimento da oferta fora da Opep+.

A Rystad ressaltou que a América Latina não atua mais como uma única região petrolífera, e disse que vários participantes estão ficando para trás enquanto os “três grandes” Brasil, Argentina e Guiana “ditam seu futuro”, mesmo que o possível retorno dos barris venezuelanos levante questões sobre a estratégia de investimentos de longo prazo na região.

A análise da Rystad Energy estima que projetos na Argentina, Guiana e Brasil, que devem adicionar mais de 700 mil barris por dia (bpd) de produção de petróleo este ano, continuarão superando a Venezuela pelo menos até 2030.

No curto prazo, 300 mil bpd de oferta venezuelana podem ser acrescentados ao mercado, mas a possibilidade de redirecionar investimentos das potências atuais da América Latina para a infraestrutura venezuelana, que enfrenta dificuldades em um ambiente de negócios incerto, permanece limitada, segundo a Rystad.

“Uma reestruturação da indústria petrolífera venezuelana será cara e demorada, com os três grandes da região – Argentina, Guiana e Brasil – permanecendo amplamente indiferentes ao retorno estimado, em curto prazo, do petróleo venezuelano”, disse Radhika Bansal, vice-presidente de Oil & Gas Research, Rystad Energy, no relatório.

A Rystad acrescentou que projetos com longos prazos de execução e altos investimentos iniciais, como os offshore no Brasil, Guiana e Suriname, permanecem viáveis economicamente diante das variações atuais dos preços do petróleo e são sustentados por preços competitivos de equilíbrio, tornando mudanças de curto prazo em direção à Venezuela menos relevantes.

O campo de Vaca Muerta, na Argentina, embora seja um desenvolvimento de shale de ciclo mais curto, comprometeu-se com a construção de novas infraestruturas, de modo que também deverá reagir ao potencial retorno da Venezuela com resiliência, mesmo diante da queda dos preços, disse a consultoria.

Por Reuters

A Reuters é uma das mais importantes e respeitadas agências de notícias do mundo. Fundada em 1851, no Reino Unido, por Paul Reuter. Com o tempo, expandiu sua cobertura para notícias gerais, políticas, econômicas e internacionais.

Valor - SP   06/02/2026

Commodity representa 43% do saldo positivo do país, e especialistas alertam para riscos em caso de queda do preço

Em 2025 o resultado da balança comercial brasileira ficou mais dependente das trocas em petróleo de derivados. O superávit desses produtos alcançou US$ 29,6 bilhões em 2025, recorde da série histórica. O pico anterior foi em 2024, com US$ 28,2 bilhões. O saldo em petróleo e derivados em 2025 foi equivalente a 43,3% dos US$ 68,3 bilhões de superávit total da balança comercial do ano, ultrapassando os 38% de 2024.

Os dados são do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), levantado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic). O aumento do superávit em petróleo e derivados tem sido puxado pela exportação do óleo bruto, aponta Lia Valls, professora na UERJ e pesquisadora associada do FGV Ibre.

“Mesmo com preços não tão favoráveis, o volume de exportação do petróleo bruto é que impulsionou o superávit de petróleo e derivados”, diz Valls. Os termos de troca, que é a relação entre preços de exportação e importação, diz, estão relativamente estáveis nos últimos quatro anos.

Segundo dados da Secex, os preços médios de exportação de petróleo caíram 9,8% em 2025 contra o ano anterior. O volume de embarque da commodity foi em sentido inverso aos preços. O Icomex mostra alta 10,7% no volume embarcado de petróleo em 2025 ante 2024. O aumento de quantidade vem no decorrer da última década. A alta do ano passado foi de praticamente 150% (148%) em relação a 2016, quando a balança de petróleo e derivados passou a ser superavitária, com a produção do óleo bruto impulsionada pelo pré-sal.

Em 2025, a produção média anual de petróleo foi recorde, de 3,77 milhões de barris/dia, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP). A produção de gás natural atingiu média anual de 179 milhões de metros cúbicos/dia, também recorde histórico. Juntos, petróleo e gás cresceram 12,7% ante o pico de produção de 2023. Contra 2024 a alta foi de 13,3%.

Enquanto a produção maior tem sustentado aumentos da quantidade exportada de petróleo, diz Valls, a balança de derivados permanece deficitária. Em 2025, segundo o Icomex, o déficit comercial em derivados foi de US$ 8,5 bilhões, resultado semelhante aos de 2023 e 2024.

Estamos dependendo basicamente de commodities agrícolas e petróleo”

“O Brasil tornou-se exportador líquido de petróleo, com volumes consideráveis e crescentes. É bom para o país. O problema é que não beneficiamos o produto. Não aumentamos a capacidade de refino e não temos como elevar produção de derivados”, diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Para Welber Barral, sócio da BMJ e ex-secretário de Comércio Exterior, a falta de capacidade de refino se destaca ainda mais num país em que o modal de transporte rodoviário é importante. Segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT), o modal rodoviário é responsável por 65% da movimentação de cargas e 95% do transporte de passageiros no país.

Os dados da ANP mostram que o volume de importação de derivados de petróleo também subiu em 2025. A quantidade de compra externa de gasolina A, que é o combustível puro, sem etanol, cresceu 27,6% ante 2024. A importação do diesel A, também puro, sem adição de biodiesel, cresceu 19,4%. Dados da Secex também mostram aumento na importação de derivados de petróleo, com alta de 11% em volume, em 2025, ante 2024. Os preços foram caíram 8,2%, o que ajudou a segurar o déficit da balança de derivados.

Há expectativa de que os volumes de produção de petróleo bruto cresçam até pelo menos o início da próxima década, mas eventual exploração da Margem Equatorial pode estender isso. O argumento do governo para a extração na nova região, diz Valls, é ter recursos para o financiamento da transição energética, mas a questão da destinação de recursos é um tema ainda a ser debatido.

Qualquer que seja o cenário ainda a ser definido na Margem Equatorial, os dados atuais da balança mostram que é preciso diversificar mais a pauta de exportação, diz Valls. “Não podemos ficar só no petróleo.”

Castro, da AEB, diz que o petróleo contribuiu para tornar a exportação brasileira ainda mais básica, com menor valor agregado. “Tiramos do poço, entra no navio e vai embora.” Ele faz um paralelo com a soja, grão cuja produção também tem se expandido, com recorde de safra em 2025, gerando também embarques crescentes. “Temos exportado mais soja em grão e menos o produto beneficiado, na forma de farelo ou óleo.”

Considerando uma cesta da exportação brasileira de soja e derivados - farelo, óleo, grão para semeadura, farinha e molho -, a fatia do grão, mesmo triturado, subiu de 76% para 82,3% de 2016 para 2025. A de farelo caiu de 20,4% para 15% e a de óleo de soja bruto, de 3,2% para 2,5%.

Em 2025 o petróleo foi o produto líder da exportação brasileira, com 12,8% do valor embarcado. A soja veio logo depois, com fatia de 12,5%. Juntos, os dois itens são responsáveis por um quarto - 25,3% - das vendas externas do país.

“Estamos dependendo basicamente de commodities agrícolas e do petróleo. E com qualquer efeito global que eventualmente reduza as cotações dessas commodities, estamos sujeito a efeitos negativos no desempenho balança comercial”, diz Barral.

E no caso do petróleo, as cotações são extremamente sensíveis, diz Castro, podendo oscilar com qualquer conflito ou qualquer decisão dos países que integram a Opep+, que reúne os maiores produtores globais da commodity.

A concentração da pauta exportadora vem sendo acompanhada também de maior concentração de embarques para a China, que no ano passado absorveu 45% de toda o petróleo bruto exportado pelo Brasil. Os Estados Unidos, segundo maior comprador da commodity brasileira, ficaram com 10,6%. Na soja, a fatia chinesa foi de 79,3%.

Para Castro, a diversidade de pauta se faz ainda mais necessária no atual ambiente geopolítico, em que as relações comerciais estão sendo redesenhadas. Para ele, a intervenção americana na Venezuela pode ter, eventualmente, impacto na exportação brasileira de petróleo, mas isso deve ser a médio e longo prazo e depende do efetivo aumento da produção venezuelana da commodity.

Petro Notícias - SP   06/02/2026

A produção das empresas ligadas à Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás (ABPIP) fechou 2025 com média de 364,3 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d), uma alta de 22,8% em relação a 2024. O resultado foi impulsionado principalmente pela expansão no Rio de Janeiro, mas também refletiu ganhos relevantes em outros estados produtores, consolidando a contribuição da produção independente para o aumento da oferta nacional de energia.

Em dezembro de 2025, a produção alcançou 384,9 mil boe/d, crescimento de 48,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O volume corresponde a um “exit rate” 5,7% acima da média anual, indicando uma base de produção mais elevada para o início de 2026, caso esse nível seja mantido.

“O resultado de 2025 confirma a maturidade e a resiliência da produção independente no Brasil. Mesmo em um ambiente econômico mais desafiador, os associados da ABPIP ampliaram de forma consistente a oferta nacional de petróleo e gás, fortaleceram a base produtiva para 2026 e mantiveram uma contribuição relevante para a geração de empregos e renda nos estados produtores. É um desempenho que reforça a importância de políticas públicas e de um ambiente regulatório estável, capazes de sustentar investimentos e preservar a competitividade do setor nos médio e longo prazos”, afirma Marcio Felix, presidente da ABPIP.

Considerando a média entre janeiro e dezembro, a produção de petróleo atingiu 273,0 mil barris por dia, crescimento de 25,0% em relação a 2024. A produção de gás natural, por sua vez, chegou a 14,5 milhões de metros cúbicos por dia, avanço de 16,6% no mesmo intervalo. Em dezembro, o crescimento do gás foi mais moderado, influenciado por fatores operacionais e regionais, enquanto o petróleo respondeu pela maior parte do aumento registrado no mês.

A produção onshore registrou alta de 9,9% em 2025, adicionando mais de 12 mil barris de óleo equivalente por dia à média nacional e respondendo por 18% do incremento total observado no ano. O desempenho reforça o papel dos ativos em terra como uma base estável e descentralizada da produção independente, especialmente em campos maduros e em áreas produtoras tradicionais.

CNN Brasil - SP   06/02/2026

Os contratos futuros de petróleo fecharam em baixa de mais de 2% nesta quinta-feira (5) em uma sessão marcada pelas sinalizações diplomáticas de Washington e Teerã. O acirramento do conflito entre os dois países nos últimos dias aumentou os prêmios de risco da commodity. Por sua vez, com a desescalada e possíveis negociações, inclusive potencialmente envolvendo questões nucleares, a tendência foi revertida.

O petróleo WTI para março negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) fechou em baixa de 2,84% (US$ 1,85), a US$ 63,29 o barril. Já o Brent para abril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), recuou 2,83% (US$ 1,91), a US$ 67,55 o barril.

Trump voltou a dizer que as negociações estão em andamento com o Irã. Representantes dos dois países devem se reunir nesta sexta-feira (6), em Omã, de acordo com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi. Washington também confirmou o diálogo, após impasses nesta semana sobre o local das negociações - o que gerou temores de que o encontro poderia não ocorrer.

Interrupções no fornecimento e riscos geopolíticos manterão os preços elevados no primeiro trimestre, avalia a Eurasia. Os principais fatores são interrupções inesperadas, especificamente no Cazaquistão e nos EUA e o alto nível de tensão entre Washington e Teerã, aponta. Se os preços permanecerem altos, a Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) provavelmente aumentará a produção no segundo trimestre, projeta.

A produção dos EUA se recuperará da crise de inverno, mas está a caminho de se estabilizar ou cair ligeiramente em 2026. Depois de manter níveis recordes ao longo de 2025, aproximando-se da previsão inicial da Eurasia de 14 milhões de bpd, os EUA provavelmente verão seu nível de produção geral estagnar em 2026, próximo à média de 2025 de 13,4 a 13,5 milhões de bpd, à medida que o período prolongado de preços baixos desacelera o investimento em nova produção, diz a consultoria.

Já a Capital Economics avalia que a produção de petróleo do Cazaquistão deverá se recuperar após a significativa interrupção. Isso ajudará a pressionar os preços do petróleo para baixo, aproximando-os de US$ 50 por barril até o final de 2026, projeta.

A Tribuna - SP   06/02/2026

Um acordo firmado pelo Governo de São Paulo com o Swedfund International AB, instituição financeira de desenvolvimento do governo da Suécia, permitirá novos estudos técnicos para dimensionar os investimentos necessários à implantação de novos gasodutos de biometano no Estado.

O trabalho técnico também irá propor modelos de negócio para a produção e comercialização de biofertilizantes orgânicos em plantas de biometano. O investimento nos estudos será de R$ 5 milhões — custeados integralmente pelo governo sueco e com foco em consultorias de especialistas nas áreas de energia, infraestrutura e biometano.

O potencial de geração de valor na cadeia de biometano em São Paulo resultou na parceria internacional. “A colaboração entre São Paulo e Swedfund tem relevância principalmente em razão do elevado potencial de produção de biometano em território paulista, importante instrumento para a redução de gases de efeito estufa, podendo impulsionar a geração de emprego e renda”, disse a secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende.

O Swedfund financia estudos e realiza investimentos sustentáveis em países em desenvolvimento nas áreas de energia, clima e saúde. Em parcerias passadas com o governo paulista, o objeto foi o desenvolvimento de dois estudos de caso para produção de biometano a partir de resíduos de estação de tratamento de esgoto e de aterro sanitário para uso em transporte coletivo de passageiros, em substituição ao óleo diesel.

“Buscamos promover o uso eficiente e sustentável do biogás, contribuindo para o desenvolvimento econômico sustentável e para a transição rumo a tecnologias limpas e renováveis no transporte paulista. Esses esforços possibilitarão a expansão das redes de gás para acomodar volumes crescentes de gás renovável no futuro”, afirmou Maria Hakansson, CEO do Swedfund.

A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) publicou em dezembro uma norma que viabilizará a interconexão de plantas de biometano à rede de gás canalizado sem causar impacto aos demais usuários. Por meio da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição - Verde, investimentos e custos operacionais da interconexão serão remunerados exclusivamente pelos fornecedores de biometano.

A regulação implementa as políticas públicas aplicáveis aos serviços regulados, com destaque para a Política Estadual de Mudanças Climáticas, que tem entre seus objetivos aumentar a participação das fontes renováveis de energia na matriz energética do Estado e reduzir a emissão de gases de efeito estufa, e para o Plano Estadual de Energia, que apresenta o biometano como uma das principais estratégias para esses objetivos.

Oportunidade

Um estudo contratado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com apoio técnico e institucional da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, Indústria e Logística, mostrou as potencialidades de biogás e biometano em São Paulo. A pesquisa concluiu que o potencial de produção de biometano no Estado é de 6,4 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), podendo gerar até 20 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, impulsionando uma nova cadeia industrial de equipamentos e serviços.

Entre os ganhos adicionais, destaca-se a substituição parcial de combustíveis no transporte, com potencial de redução de até 16% nas emissões de carbono em comparação ao óleo diesel.

RODOVIÁRIO

Veja - SP   06/02/2026

O Paraná reuniu o maior volume de investimentos para um mês de janeiro de toda a sua história em 2026. Foram mais de 776 milhões de reais empenhados já no primeiro mês do ano, valor 181% maior do que o recorde anterior, registrado em 2025, quando o Estado destinou 276 milhões de reais para este fim.

Em janeiro, foram alocados cerca de 270 milhões de reais para trabalhos de infraestrutura em todo o Estado, sendo a construção, manutenção e duplicação de rodovias o principal destino desses investimentos.

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