IstoÉ Dinheiro - SP 05/05/2026
A Thyssenkrupp anunciou a suspensão das conversas com a indiana Jindal Steel International sobre a venda de uma participação em sua divisão siderúrgica, citando mudanças recentes no ambiente de negócios e regulatório.
A Jindal havia feito uma oferta não vinculante pela unidade em setembro de 2025, mas representantes dos trabalhadores alemães sinalizaram que as discussões tinham estagnado. A empresa alemã afirmou que tornar o negócio siderúrgico autônomo continua sendo uma meta de médio prazo, e que poderá reter uma participação após a separação.
Entre os fatores que alteraram o cenário estão um acordo de reestruturação com o sindicato IG Metall, um entendimento com a Salzgitter sobre o futuro de uma planta em Duisburg e medidas de proteção comercial adotadas pela União Europeia. “As condições para a continuidade lucrativa da Thyssenkrupp Steel estão melhores do que há muito tempo”, afirmou o CEO Miguel Lopez.
Ambas as empresas disseram ter conduzido negociações construtivas e que a decisão de pausar foi conjunta.
A Thyssenkrupp tenta há anos se desfazer da divisão, pressionada pela concorrência chinesa, demanda fraca e tarifas dos EUA.
Tentativas anteriores, com a Liberty Steel em 2021, com a Tata Steel – bloqueada pela UE em 2019 – e com o bilionário tcheco Daniel Kretinsky, também fracassaram.
*Com informações da Dow Jones Newswires
CNN Brasil - SP 05/05/2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a tecer críticas ao presidente do Fed (Federal Reserve), Jerome Powell, ao afirmar na Truth Social que o "Atrasado Demais" é um "desastre para os EUA" e que os juros estão "altos demais".
A publicação foi acompanhada por uma imagem editada em que Powell aparece de terno, com os braços erguidos, em queda dentro de uma lata de lixo aberta, em uma representação simbólica de descarte. Ao fundo, o nome "Jerome Powell".
A ofensiva ocorre em meio à pressão reiterada da Casa Branca por cortes nas taxas e ao processo de transição no comando do Fed, com a indicação de Kevin Warsh, que defende uma espécie de "mudança de regime" na instituição.
rump tem elevado o tom contra Powell nas últimas semanas, chegando a afirmar que o dirigente deseja permanecer no Fed porque "não consegue emprego em outro lugar", além de dizer que não se importa com sua continuidade no conselho.
As críticas se concentram na avaliação de que o BC mantém juros excessivamente elevados, o que, na visão do presidente, prejudica o crescimento econômico.
Do lado do Fed, Powell tem sinalizado cautela, destacando que a inflação segue "desajustada" e que um eventual corte pode levar meses para ser considerado.
Ele indicou que pretende permanecer no conselho de governadores por um período após o fim de seu mandato como presidente, em parte para resguardar a independência institucional diante de pressões políticas e de ações legais do governo Trump.
Em outra publicação, Trump afirmou ter gerado US$ 45 bilhões aos cofres dos EUA em oito meses, ao compartilhar um gráfico que mostra o investimento na Intel, anunciado em meados do ano passado, valorizando de cerca de US$ 20 por ação para US$ 97 por ação no período, com destaque para o ganho acumulado.
A publicação não traz mais detalhes sobre o valor.
Trump ainda compartilhou, em uma terceira publicação, uma montagem na qual aparece com o punho erguido sob a frase "líderes lideram", em contraste com imagens de Joe Biden ("covardes se ajoelham") e Barack Obama ("traidores se curvam") - este último em posição de submissão diante do ex-líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, reforçando a crítica a adversários de gestões democratas.
IstoÉ Dinheiro - SP 05/05/2026
A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, passou de 4,86% para 4,89% este ano. A estimativa está no Boletim Focus desta segunda-feira (4), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.
Com a guerra no Oriente Médio pressionando o preço dos combustíveis e a inflação, a previsão para o IPCA deste ano foi elevada pela oitava semana seguida, estourando o intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC. Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.
Em março, a alta dos preços em transportes e alimentação fez a inflação oficial do mês fechar em 0,88% – ante 0,7% em fevereiro. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,14%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para 2027, a projeção da inflação permaneceu em 4%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,64% e 3,5%, respectivamente.
Taxa Selic
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. Na última reunião, na semana passada, por unanimidade, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, pela segunda vez seguida, apesar das tensões em torno da guerra no Oriente Médio.
De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na reunião passada, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta o trabalho do Copom.
Em nota, o colegiado não deu pistas sobre a evolução dos juros. O texto informou que está monitorando o conflito e os efeitos de um possível prolongamento sobre a inflação.
O próximo encontro do Copom para definir a Selic será nos dias 16 e 17 de junho.
Nesta edição do Focus, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica até o fim de 2026 permaneceu em 13% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida para 11% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve ficar em 10% ao ano.
Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, o que causa reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.
Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
Quando a Taxa Selic é reduzida, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
PIB e câmbio
Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano permaneceu em 1,85%.
Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) caiu de 1,8% para 1,75%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos.
Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, de acordo com o IBGE. Com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária, o resultado representa o quinto ano seguido de crescimento.
No Focus desta semana, a previsão da cotação do dólar está em R$ 5,25 para o final deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,30.
O Estado de S.Paulo - SP 05/05/2026
Nas últimas três décadas, a indústria brasileira cresceu mais de 30% pelo IBGE. Essa informação pode te surpreender, porque estamos sempre falando em “desindustrialização”. De fato, um alienígena que visitasse o Brasil nos anos 90 e hoje em dia voltaria para o seu planeta relatando que o País se industrializou.
O ET olharia os domicílios. Em muitos, havia poucos eletrodomésticos décadas atrás. De lá para cá, universalizou-se o acesso a geladeiras e fogões — até máquinas de lavar se popularizaram —, tudo com enormes consequências para nutrição, higiene e uso do tempo. Mais recentemente, uma pequena máquina que faz o que várias máquinas grandes faziam no passado também passou a existir, inclusive nos lares mais pobres: os celulares.
O ET também relataria a abundância de outros produtos industriais, como roupas e utensílios domésticos. Falamos de desindustrialização não para a redução de produtos industriais na nossa economia, mas para a redução da produção deles aqui. O ET ficaria confuso com a ideia, e talvez até pontuasse que fosse bom para um país ter centenas de milhões de produtos industrializados sem precisar produzi-los.
Mas desindustrialização também não significa redução do PIB industrial ou mesmo da produção industrial; ambos aumentaram. O que é desindustrialização, afinal? A redução na participação da indústria no total do PIB. A indústria cresceu, mas outros setores cresceram mais.
Por esse raciocínio, qualquer economia sempre passará por uma “des” de alguma coisa, já que não tem como o crescimento relativo de todos os setores aumentar sempre. Mesmo dentro da indústria, algum setor perderá relevância.
Por isso, o conceito de desindustrialização me incomoda, mas queria propor outro. O de desbrasilização. O PIB brasileiro cresceu nas últimas décadas. Mas muito menos do que o de outros países.
Ao longo da nossa história, o Brasil ganhou participação na economia mundial. Nos anos 80, começou a desbrasilização: tínhamos mais de 3% do PIB global, estamos em queda livre desde então, já com menos de 2%.
A desbrasilização não foi prevista. A PwC, em 2008, previa que neste ano o crescimento do Brasil estaria ultrapassando o da China.
Depois de décadas crescendo a 4% ao ano, teríamos um PIB 80% maior que o atual. Seria outro país.
Por que o Brasil ficou para trás de países que tinham a mesma renda até o fim da ditadura, como a Coreia ou a Polônia? Não precisamos ir tão longe: por que, na América Latina, saímos do 3º PIB per capita para o 9º?
A desbrasilização deveria ser o tema dessas eleições.
CNN Brasil - SP 05/05/2026
A atenção do mercado financeiro se volta, nesta terça-feira (5), à publicação da ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central).
A expectativa é de que o documento reforce o tom cauteloso adotado na decisão de juros da última semana diante de um cenário marcado por incertezas externas e pressões inflacionárias persistentes, segundo avaliação de economistas e instituições financeiras consultadas pelo CNN Money.
"Deve reiterar o tom do comunicado ao enfatizar a necessidade de serenidade e cautela na condução da política monetária, em um ambiente de elevada incerteza associado ao conflito no Oriente Médio", ressalta relatório da equipe de assessoramento econômico do Banco do Brasil.
"O documento deve reforçar a possibilidade de ajustes no ritmo e extensão da calibração da política monetária, preservando flexibilidade para que o Comitê reaja à evolução do cenário e à incorporação de novas informações sobre os impactos econômicos e inflacionários da guerra", pontua.
Foi um detalhe sobre uma palavra o que mais chamou atenção do mercado no comunicado do Copom: a adição da palavra “extensão”.
Ao comunicar o corte de 0,25 ponto percentual na Selic, decisão que a levou ao patamar de 14,5% ao ano, o colegiado transmitiu ao mercado uma mensagem de que pode rever até quando vai o ciclo de corte de juros, o que significa o fim desse movimento antes do esperado e juros mais elevados por mais tempo que o previsto.
Não obstante, após o comunicado, diversas casas revisaram suas projeções para a Selic terminal. No boletim Focus, pelo qual o BC apura semanalmente as expectativas do mercado, a mediana para os juros ainda seguem iguais, mas as estimativas de inflação voltaram a subir, marcando o 8º reajuste consecutivo.
Antes de revisões mais profundas, parte dos investidores aguarda maiores esclarecimentos na ata sobre o que foi dito em relação à extensão do ciclo de cortes, como ressaltou Fernando Machado Gonçalves, superintendente de Pesquisa Econômica do Itaú, após a decisão do Copom.
A leitura predominante no mercado é de que a autoridade monetária segue em um processo de “calibragem”, mas com maior preocupação em relação ao ambiente inflacionário, como indica Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos.
"Vale a ressalva que essa projeção pode ser revista com a divulgação da ata, que nos informará melhor quanto à função de reação do BC", escreveu a analista ao revisar as estimativas para a Selic terminal da casa de 13% a 14% em 2026.
Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, destaca que a leitura da ata deve se concentrar em três pontos-chave.
"Primeiro, a avaliação mais qualitativa do Copom sobre o distanciamento das projeções de inflação em relação ao centro da meta e sobre indícios de retomada da atividade econômica observada nos últimos meses", indica Vital.
"Segundo, eventuais sinais de preocupação com um processo adicional de desancoragem das expectativas de inflação."
Por fim, ressalta que o mercado vai buscar entender se houve discussão sobre a possibilidade de interromper o processo de “calibração” da taxa de juros e, principalmente, como o Copom está avaliando a “extensão” do ciclo.
Globo Online - RJ 05/05/2026
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na noite de hoje que o governo espera conjugar os efeitos do Novo Desenrola Brasil com a queda da taxa básica de juros (Selic), que disse esperar seguir caindo nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC).
— Temos vários desafios pela frente, mas o que fizemos de esforço fiscal foi de dois pontos percentuais do PIB.
O ministro afirmou que sua gestão na Fazenda é uma continuidade da proposta do ex-ministro Fernando Haddad (que deixou o cargo para concorrer ao governo de São Paulo) para a economia, o que ele definiu como "gradualismo".
O ministro disse não acreditar em uma "bala de prata" capaz de cortar gastos públicos e endividamento em pouco tempo. E criticou mecanismos como o teto de gastos, que impedia o crescimento das despesas públicas acima da inflação nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.
O ministro afirmou que o aumento da dívida pública no país se deve principalmente à alta dos juros, não à forma como o governo vem buscando gradualmente o equilíbrio das contas públicas.
— Temos um desafio no Brasil que é equilibrar a demanda social e de infraestrutura para o desenvolvimento com a redução do endividamento.
Durigan destacou a aprovação no Congresso de um corte linear de 10% nos benefícios fiscais neste ano como um exemplo da efetividade da ação gradual do governo para a contenção de gastos. Ele afirmou que qualquer que seja o presidente em 2027 será necessário manter um esforço fiscal para aumentar a economia do governo da ordem de 2% do PIB, mas não vê necessidade de uma nova regra fiscal a partir do ano que vem:
— Eu não acho que uma nova regra fiscal seja necessária. O arcabouço funcionou, permite ajustes, não envelheceu. Está no começo dos seus efeitos.
O ministro defendeu a ação do governo para aumentar a arrecadação entre segmentos privilegiados que não são tributados como prevê a lei e previu que, no longo prazo, a Reforma Tributária dará maior racionalidade e previsibilidade ao ambiente de negócios no país.
Vagas na diretoria do BC
Sobre as duas vagas que estão abertas na diretoria do Banco Central, o ministro afirmou que não conversou com o presidente Lula sobre as indicações a serem feitas pelo governo. Ele indicou que o tema já foi definido pelo antecessor, Fernando Haddad, com o presidente Lula.
Haddad avia apontado o então secretário de Política Econômica da Fazenda e atual secretário-executivo do Ministério do Planejamento, Guilherme Melo, e o economista Tiago Cavalcanti. Durigan disse não ter conversado com Lula sobre esses nomes, mas indicou que Melo, que também assumiu recentemente a presidência do Conselho de Administração da Petrobras, deve ficar fora da lista.
Master: responsabilidade de Campos Neto
Sobre o caso do Banco Master, Durigan afirmou que é muito grave, o maior escândalo financeiro já registrado no país. O ministro da Fazenda afirmou que a "responsabilidade primordial" é da gestão do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.
— Acho que a responsabilidade primordial é de quem acompanhou esse processo no Banco Central, da autorização (de operação do Master) do BC até a ultima autorização (de aquisição de outras instituições), entre 2019 a 2024, na gestão do presidente anterior do BC, Roberto Campos Neto.
O ministro defendeu que as leis sejam "exercidas e aplicadas com rigor" neste caso e lamentou o rombo financeiro causado pelo ressarcimento dos clientes do Master pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que lembrou ser, no fundo "dinheiro do sistema financeiro, dos próprios poupadores".
Socorro ao BRB
Sobre o socorro ao BRB, banco estatal de Brasília que acumula prejuízos bilionários decorrentes de operações com o Master, o ministro disse ver com clareza que "este é um problema do Governo do Distrito Federal (GDF)".
Ele não afastou a possibilidade de o Tesouro Nacional garantir empréstimos que o BRB busca para reequilibrar seu balanço, como quer a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), mas disse não ver com bons olhos o uso de dinheiro público para resolver o problema do BRB
— A minha posição sobre isso é bem clara. O problema do BRB é um problema do GDF. Eu não estou dizendo que a União em algum momento não pode entrar, mas é um problema do GDF, a gente não pode esquecer isso. O BRB fez algumas operações, que estão nos jornais, que quebraram o banco — disse o ministro. — Se não tiver risco sistêmico, se for uma questão de banco com dificuldade, existem os mecanismos para lidar com isso. E aí não tem que se falar em intervenção especial, ajuda do Tesouro, não tem que se falar nisso. A única hipótese em que eu cogitaria, e de novo não estou dizendo que vou, é risco sistêmico, caso o Banco Central analise dessa forma.
Durigan afirmou que "não é o papel" do Tesouro Nacional salvar banco:
— Não posso pegar dinheiro público para cobrir um rombo que foi feito com um caso que dizer que é mal-explicado é o mínimo. Esse debate não pode ser empurrado como tem se pretendido pelo GDF com o governo federal porque é um problema do GDF. E acho inclusive que tem inclusive saídas que passam pelo fundo constitucional do GDF, que é dinheiro da União.
Perguntado pela repórter do GLOBO Thaís Barcellos como, o ministro respondeu:
— Como o Fundo Constitucional do GDF garantir a operação, se for o caso.
Correios: Não defendo estatal deficitária
Sobre a crise dos Correios, Durigan afirmou que é preciso encontrar alguma saída para a estatal, mas lembrou que a empresa tem uma obrigação de universalizar seus serviços, o que tem uma natureza deficitária. Disso não ser contra privatização em si, mas afirmou que não é uma "bala de prata" e precisa ser avaliada com atenção. Afirmou ser favorável a algum tipo de "flexibilização", como a crição de parcerias da estatal com o setor privado por meio de uma joint venture.
— Não defendo estatal deficitária, tem que ter solução.
Reação à crise no Oriente Médio
Durigan defendeu o projeto de lei proposto pelo líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), que reduz a alíquota de impostos federais, como PIS/Cofins, sobre combustíveis, como gasolina e etanol, com a arrecadação extra esperada no setor de petróleo com a disparada da cotação internacional do barril no mercado internacional provocada pela guerra no Oriente Médio.
Ele afirmou que o objetivo do governo é manter uma "neutralidade fiscal" no enfrentamento dos impactos provocados pela guerra no Oriente Médio, que desencadeou uma alta da cotação internacional do petróleo e pressiona o preço dos combustíveis. Ele afirmou que, a exemplo do que foi proposto no projeto, todas as medidas relacionadas a este tema serão planejadas para serem revistas a cada dois meses, dada a incerteza sobre o fim do conflito entre EUA e Irã.
— O Brasil não pode ser sócio da guerra. Não vou fazer mais fiscal por causa da guerra, mas também não vou fazer menos. Temos que cumprir o compromisso de neutralidade fiscal para cumprir o Orçamento aprovado para 2026 — afirmou Durigan.
Taxa das blusinhas
Durigan disse não ter conversado com o presidente Lula sobre uma eventual revogação da chamada taxa das blusinhas, a cobrança de impostos sobre encomendas importadas abaixo de US$ 50. O ministro defendeu o Remessa Conforme, que regulou esse comércio, e disse que "não tenho nenhuma novidade quanto a isso".
O ministro afirmou que tem um olha especial para a comunicação e que considera importante falar diretamente com a audiência do país, por exemplo, por meio das redes sociais.
A bancada de entrevistadores do Roda Viva que entrevistou o ministro da Fazenda foi formada por Thais Barcellos, repórter do GLOBO; Sergio Lamucci, editor-executivo do Valor Econômico; Christiane Pelajo, âncora do Times Brasil/CNBC; Luiz Guilherme Gerbelli, repórter de Economia do Estadão; Mariana Brasil, repórter da Folha de S.Paulo; e Thais Herédia, âncora da CNN Brasil.
O Estado de S.Paulo - SP 05/05/2026
Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta definir seus próximos passos em relação à guerra com o Irã, a China está tomando suas próprias medidas para garantir que se beneficie de qualquer que seja o desfecho.
Pequim está pressionando autoridades iranianas a negociarem com os Estados Unidos, ao mesmo tempo que permite discretamente que suas empresas forneçam apoio comercial ao Irã, o que poderia ajudar as forças armadas iranianas caso Trump retome a guerra.
O governo chinês não assumiu uma posição firme sobre o conflito. O país tem múltiplos objetivos e age com cautela, segundo autoridades e analistas.
A guerra será, sem dúvida, um tema importante nas conversas entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping, quando se encontrarem em Pequim para uma cúpula de dois dias, com início previsto para 14 de maio.
Por um lado, ter os Estados Unidos atolados em mais uma guerra no Oriente Médio é vantajoso para a China. Os militares americanos gastaram rapidamente uma enorme quantidade de munições, esgotando estoques que seriam cruciais em qualquer conflito futuro com a China. E a guerra desvia a atenção do governo Trump da Ásia.
Mas a China também vê benefícios em tentar ajudar a pôr fim à guerra, iniciada por Trump e Israel há mais de dois meses. No início do conflito, os militares iranianos fecharam efetivamente o Estreito de Ormuz para a maioria dos navios, permitindo a passagem de embarcações que transportavam petróleo iraniano, incluindo aquelas com destino à China. No entanto, a economia chinesa ainda sofre com a alta dos preços globais da energia, e o país também sente o impacto do bloqueio naval americano que impede alguns navios de deixarem os portos iranianos.
“Embora alguns observem que Pequim possa querer uma guerra prolongada no Irã, o discurso político em Pequim, na verdade, favorece a desescalada”, disse Yun Sun, especialista em China do Stimson Center, um grupo de pesquisa especializado em relações exteriores com base em Washington.
Negociações
Tanto a China quanto a Rússia pediram ao Irã que continue as negociações com os americanos, de acordo com dois oficiais iranianos. Na quarta-feira passada, Trump conversou com o presidente russo Vladimir Putin sobre a guerra. E o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e Wang Yi, seu homólogo chinês, discutiram o conflito em uma ligação telefônica na quinta-feira, segundo Liu Pengyu, porta-voz da embaixada chinesa em Washington.
O presidente americano já adiou a cúpula com Xi uma vez por causa da guerra. Ele quer ir a Pequim em uma posição de força, dizem autoridades, e não com um conflito não resolvido que continua a perturbar os mercados globais e a consumir recursos militares dos EUA.
“Para a China, há a questão do nosso bloqueio”, disse Rush Doshi, pesquisador da Universidade de Georgetown e do Conselho de Relações Exteriores, que trabalhou com políticas para a China no governo Biden. “Para nós, há a questão do apoio da China ao Irã.”
Agências de inteligência americanas têm informações de que uma empresa chinesa pode ter tentado enviar um carregamento de mísseis portáteis para o Irã. Companhias chinesas também enviaram ao Irã material considerado de dupla utilização, ou seja, que pode servir a fins civis ou militares, segundo autoridades americanas.
E depois que o bloqueio da Marinha dos EUA começou no mês passado, fuzileiros navais encontraram material em um navio com bandeira iraniana que Trump disse ser “nada agradável” e talvez “um presente da China”.
“Fiquei um pouco surpreso, mas — porque tenho um relacionamento muito bom e pensei que tinha um entendimento com o presidente Xi”, disse ele à CNBC em 21 de abril. “Mas tudo bem. É assim que a guerra funciona, não é?”
Isso aconteceu uma semana depois de Trump ter dito à Fox News que havia escrito uma carta a Xi pedindo-lhe que não enviasse armas ao Irã. Ele apontou que Xi respondeu com uma carta afirmando que “essencialmente não fará isso”.
Cúpula
A aparente indiferença de Trump foi mais um sinal de sua determinação em manter a cúpula com Xi nos trilhos. Meses atrás, Trump e seus principais assessores pretendiam se concentrar em tarifas e em um possível acordo comercial nas negociações com Xi, mas agora as discussões sobre a guerra com o Irã podem ofuscar esse objetivo.
Autoridades em Pequim estão “evitando pressionar seriamente o Irã até que haja um pedido direto do presidente Trump”, disse Yun, do Stimson Center, que realizou entrevistas na capital chinesa recentemente. Como as autoridades querem “amplificar as relações positivas” com os Estados Unidos, elas podem levar a sério qualquer pedido que Trump faça à China em relação ao Irã, afirmou ela.
O porta-voz da Embaixada da China nos EUA, Liu Pengyu, afirmou em comunicado que “manter a área segura e estável e garantir a passagem desimpedida serve ao interesse comum da comunidade internacional”. Ele criticou o bloqueio naval dos EUA como “uma medida perigosa e irresponsável”. Mas o porta-voz não mencionou, porém, os ataques militares iranianos contra navios que Teerã não havia concedido salvo-conduto.
Liu acrescentou que “a prioridade urgente é evitar a todo custo uma retomada dos combates”. O porta-voz da embaixada afirmou que o chanceler da China, Wang Yi, realizou 26 telefonemas com autoridades do Irã, Israel, Rússia, países árabes do Golfo e outros países antes de os Estados Unidos e o Irã chegarem a um frágil cessar-fogo no início de abril.
Duas dessas ligações foram com Abbas Araghchi, o ministro das Relações Exteriores do Irã. O enviado especial da China para o Oriente Médio também viajou para a região.
A China desempenhou um papel crucial nos bastidores para que o Irã aceitasse os termos do cessar-fogo, disseram várias autoridades estrangeiras, acrescentando que diplomatas de alguns dos países envolvidos no conflito estão incentivando a China a permanecer envolvida. Assim como outras autoridades entrevistadas para este artigo, elas falaram sob condição de anonimato para descrever a sensibilidade da diplomacia.
Quanto aos carregamentos chineses para o Irã, Liu disse que “lidamos com a exportação de produtos militares de forma prudente e responsável e controlamos rigorosamente a exportação de artigos de dupla utilização”.
Irã e China
No Irã, autoridades da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) estão discutindo a possibilidade de estreitar laços com a China após a guerra, para obter o tipo de ajuda militar que as autoridades chinesas têm fornecido ao Paquistão ao longo de muitos anos, afirmou Ali Vaez, diretor do projeto Irã do International Crisis Group.
“Vejo cada vez mais vozes ligadas à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), agora o verdadeiro poder no Irã, dizendo abertamente que o fracasso do Irã foi ter sido tímido demais em se alinhar com a China e a Rússia, preferindo tentar preservar sua independência”, disse ele. “Dizem que precisam hipotecar parte do país à China para acabar como o Paquistão.”
Do outro lado do Golfo Pérsico, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos estão tentando fazer com que a China desempenhe um papel diplomático maior. Em 20 de abril, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita, telefonou para Xi para conversar sobre a guerra.
Durante a guerra, a Arábia Saudita pediu à China que pressionasse o Irã a se abster de atacar o reino, disse um oficial saudita.
Em 2023, a China ajudou a finalizar uma retomada nas relações diplomáticas entre o Irã e a Arábia Saudita, depois que esses países discutiram um maior engajamento por anos. A China é vista em Riad como uma parte interessada nas relações entre a Arábia Saudita e o Irã, de acordo com o oficial saudita.
O Paquistão, que já sediou uma rodada de negociações de paz entre os EUA e o Irã, também conta com a China para ajudar a impulsionar as negociações. Em 31 de março, a China e o Paquistão divulgaram uma declaração de cinco pontos, exigindo um cessar-fogo imediato, negociações de paz, proteção de locais civis, abertura do Estreito de Ormuz e respeito à Carta das Nações Unidas.
Em 8 de abril, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, agradeceu a cinco países em uma publicação nas redes sociais pela ajuda prestada para a concretização do acordo de cessar-fogo. A China encabeçava a lista.
Naquela mesma semana, a China demonstrou publicamente seu apoio ao Irã ao se juntar à Rússia no veto a uma resolução da ONU que permitiria uma ação militar multinacional para forçar o Irã a abrir o estreito. Nos bastidores, a China disse ao Irã que o país deveria demonstrar flexibilidade e concordar com um cessar-fogo, afirmaram autoridades iranianas.
Contudo, alguns analistas argumentam que o interesse da China em expandir seu papel diplomático no Oriente Médio é provavelmente limitado.
“As prioridades de Pequim são mais práticas”, disse Ryan Hass, ex-diplomata de carreira e ex-funcionário de segurança nacional da Casa Branca, atualmente no Instituto Brookings. “Eles querem acesso confiável a insumos energéticos e mercados seguros para suas exportações. Não querem assumir os desafios de segurança de outra região como seus próprios problemas.”
Infomoney - SP 05/05/2026
A Samarco informou ter pago, em abril, a terceira parcela de R$ 6,82 bilhões prevista no cronograma do Novo Acordo do Rio Doce, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O pacto, firmado em novembro de 2024, renegocia R$ 170 bilhões entre o poder público e a mineradora – controlada por Vale e BHP – para reparar os danos do rompimento da barragem em Mariana (MG), em 2015.
Com o novo repasse, o total de recursos aportados desde a homologação chega a R$ 17,69 bilhões, destinados a entes federais, estaduais e municipais para financiar políticas públicas ao longo de 20 anos.
“Estamos avançando de forma consistente na execução do Novo Acordo, com aportes que reforçam uma agenda de longo prazo. São recursos que têm uma regularidade e, assim, viabilizam políticas públicas estruturantes e sustentáveis, com impacto positivo direto nas comunidades”, afirmou o diretor de Estratégia, Financeiro e Suprimentos da Samarco, Gustavo Selayzim.
As parcelas contribuem com o fortalecimento do SUS, saneamento básico, controle de enchentes, infraestrutura rodoviária e pagamentos de fortalecimento de renda, como o Programa de Transferência de Renda (PTR) e para pescadores mineiros e capixabas. Os valores têm aplicação obrigatória em projetos, obras e serviços executados nos municípios contemplados pelo Novo Acordo.
Paralelamente às obrigações de pagar, a Samarco tem obrigações como a entrega dos novos distritos de Novo Bento Rodrigues e Paracatu.
Money Times - SP 05/05/2026
As ações da Vale (VALE3) acentuaram as perdas e chegaram a recuar 2,77%, a R$ 78,93, com a saída de fluxo estrangeiro da B3 nesta segunda-feira (4). O movimento reflete a deterioração do sentimento por risco com a escalada das tensões no Oriente Médio.
Já o minério de ferro, por outro lado, fechou em alta de 1,6%, a 796 yuans por tonelada (US$ 116,39), na Dalian Commodity Exchange.
O papel aparece como o segundo mais negociado da bolsa, com 25,5 mil negócios e saída de capital de cerca de R$ 903,6 milhões.
Com a queda da Vale, o Ibovespa (IBOV), principal índice da bolsa brasileira, acelerou o ritmo de queda. Por volta das 14h20 (horário de Brasília, o Ibovespa recuava 0,89%, aos 185.650,08 pontos.
No mesmo horário, VALE3 recuava 2,32%, a R$ 79,30.
Dados operacionais do 1T26
Na semana passada, a Vale já havia recuado mais de 5% na última quarta-feira (29) após a divulgação dos resultados operacionais do primeiro trimestre de 2026 (1T26). Na avaliação do Itaú BBA, a companhia apresentou desempenho operacional misto.
O resultado operacional (Ebitda) proforma somou US$ 3,9, uma alta de 21% na comparação com o mesmo período do ano anterior, mas abaixo das expectativas do mercado, como reflexo, principalmente, de uma performance mais fraca do que o esperado em custos.
“Enquanto a divisão de metais básicos teve avanço relevante, impulsionada por preços e volumes maiores de cobre e níquel, o negócio de minério de ferro sofreu com deterioração de custos, pressionado por câmbio mais forte e petróleo mais caro”, detalha o BBA.
Para o banco de investimentos, esse conjunto de fatores levanta riscos para as metas de custos da Vale ao longo do ano e pode gerar revisões negativas de resultados, apesar do apoio vindo dee preços de minério mais elevados.
Ainda assim, o BBA manteve a recomendação de compra para VALE3, com preço-alvo de R$ 101 ao final de 2026, o que implica um potencial de valorização de 24,41% em relação ao fechamento anterior (30).
Investing - SP 05/05/2026
As ações de montadoras europeias despencaram na segunda-feira, pressionadas pelas fabricantes alemãs, depois que o presidente Donald Trump anunciou planos de aumentar as tarifas sobre automóveis e caminhões europeus importados para os Estados Unidos.
Continental caiu 5,4% às 07h39 (horário de Brasília), enquanto Porsche AG e Mercedes recuaram cerca de 3% cada. BMW e Volkswagen também caíram aproximadamente 2,9% e 3%, respectivamente.
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A venda generalizada ocorreu depois que Trump disse na sexta-feira que aumentaria as tarifas sobre automóveis europeus para 25%, acima dos 15% previamente acordados, acusando a União Europeia de não honrar um acordo comercial firmado no verão passado.
"Com base no fato de que a União Europeia não está cumprindo nosso acordo comercial totalmente acordado, na próxima semana estarei aumentando as tarifas cobradas da União Europeia para automóveis e caminhões", escreveu ele nas redes sociais, acrescentando que os fabricantes que produzem nos EUA não enfrentariam tarifa alguma.
Falando na Casa Branca, Trump disse que a medida tinha como objetivo acelerar uma mudança na produção para o solo americano.
O STOXX Europe 600 Automobiles & Parts Index pan-europeu caiu 0,7%, tornando-se o setor de pior desempenho da região.
A medida gerou rápida reação de autoridades europeias e grupos comerciais. A Comissão Europeia rejeitou categoricamente a afirmação de Trump de que Bruxelas havia violado o acordo, dizendo que manteria suas opções em aberto para defender os interesses da UE caso Washington avance.
Auto Industria - SP 05/05/2026
As vendas de veículos leves no Brasil em 2026 estão surpreendendo até agora e superando as projeções mais otimistas. Diante da projeção inicial da Anfavea, por exemplo, de avanço ao redor de 3%, até pouco menos, o primeiro quadrimestre exibiu vigoroso crescimento de 16,2%, com mais de 832,3 mil licenciamentos.
O ritmo de negócios mais acelerado foi verificado mais uma vez em abril, que registrou 235,9 mil unidades de automóveis e comerciais leves negociadas com os clientes finais, aponta levantamento da Bright, consultoria especializada na indústria automotiva.
Ainda que 8,7% menor do que no mês anterior, o resultado superou em 19,5% os 197,4 mil emplacamentos de igual mês do ano passado.
O recuo em relação a março, esclarece a Bright, deve-se, em boa medida, ao menor número de dias úteis: 20 em abril contra 22 em março.
“Ajustando por esse fator, a média diária de abril ficou em 11.797 unidades, praticamente estável frente às 11.744 de março e bem acima das 9.871 de abril de 2025. Ou seja, o mercado não perdeu tração.”
No acumulado do ano, as vendas no varejo enconstaram em 433 mil unidades, alta de 7,8% sobre o primeiro quadrimestre de 2025, enquanto as negociações diretas avançaram bem mais: 27%, para 399,5 mil licenciamentos.
Valor - SP 05/05/2026
Analistas apontam que General Motors, Ford e Stellantis podem ser obrigadas a reduzir descontos para compra de veículos e aumentar preços se o conflito no Oriente Médio se arrastar por mais de seis meses
As fabricantes de automóveis de Detroit avisaram que o impacto financeiro da alta dos preços das commodities crescerá para US$ 5 bilhões este ano, pois a guerra no Oriente Médio pressiona as cadeias de fornecimento de muitos materiais, que vão do alumínio aos plásticos e às tintas.
As três maiores do setor automobilístico dos Estados Unidos, General Motors, Ford e Stellantis, proprietária da Jeep, assinalaram a inflação nos preços das commodities ao divulgarem seus resultados do primeiro trimestre, e prometeram compensar isso com um controle de custos maior.
Segundo analistas, elas podem ser obrigadas a reduzir descontos para compra de veículos e aumentar preços se o conflito se arrastar por mais de seis meses, dadas suas margens de lucro apertadas.
“A guerra no Irã elevou nossos custos e sua duração continua incerta”, afirmou a executiva-chefe da GM, Mary Barra, em uma apresentação sobre resultados na semana passada. Ela acrescentou que o grupo passou a reduzir gastos em outras áreas para compensar o aumento dos preços do petróleo e de outras commodities.
A fabricante da Cadillac estimou que a inflação no preço das commodities – inclusive na parte de logística e dos custos maiores de chips de memória DRAM – pode reduzir seu lucro operacional ajustado em até US$ 2 bilhões este ano, em comparação com a previsão anterior de até US$ 1,5 bilhão. A Ford também alertou para custos nas cadeias de fornecimento de até US$ 2 bilhões, o que corresponde a um aumento de US$ 1 bilhão em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A Stellantis, proprietária da Fiat, da Peugeot e da Chrysler, informou que durante o primeiro trimestre esteve protegida na maior parte contra o aumento dos preços das commodities, mas sua projeção é de que o impacto pode chegar a cerca de 1 bilhão de euros (US$ 1,2 bilhão) em 2026.
Os custos adicionais estimados de US$ 5 bilhões por conta da inflação nos preços das commodities significam que seu impacto será equivalente ao prejuízo de US$ 6 bilhões que as montadoras esperam com o aumento das tarifas de importação americanas.
Como têm contratos de preço fixo com seus fornecedores, as fabricantes de veículos não sentiram o impacto imediato dos transtornos no transporte marítimo de cargas mundial causados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz na guerra do presidente dos EUA, Donald Trump, contra o Irã.
Mas se o conflito se estender por mais dois meses, a expectativa é de que mais fornecedores pressionem por novas condições contratuais, e esses preços maiores devem aparecer em cerca de seis meses.
“Acredito que já passamos do ponto em que eu diria que isso é apenas um contratempo. Que em algumas semanas tudo voltará ao normal e nós simplesmente compensaremos esse custo”, disse Albert Waas, sócio da consultoria BCG especializado no setor automotivo.
O maior problema para a indústria automotiva tem sido o alumínio, cujo preço na Bolsa de Metais de Londres subiu até 16% desde o início da guerra. O metal é usado de forma generalizada em veículos para compor painéis de carroceria, motores e portas.
Gerrit Reepmeyer, sócio da consultoria AlixPartners, estimou que o aumento nos preços do alumínio pode acrescentar algo entre US$ 500 e US$ 1.500 ao custo de um veículo, caso ele persista e nenhum tipo de proteção seja aplicado.
A diretora financeira da Ford, Sherry House, contou a investidores na semana passada que mesmo antes do conflito com o Irã já se podia observar problemas de falta de suprimento para o setor em escala mundial. “E então veio o Oriente Médio.”
Ainda antes da guerra, a empresa sofreu transtornos significativos na produção de suas picapes da Série F, campeãs de vendas, por conta de dois incêndios em uma fábrica de alumínio operada por sua fornecedora Novelis.
A Ford tem sido obrigada a importar alumínio do exterior enquanto a Novelis se recupera, o que implica um acréscimo de US$ 1 bilhão aos custos – que incluem o impacto das tarifas de importação de 50% sobre o metal previstas na Seção 232.
Essas tarifas são diferentes das anunciadas no “dia da libertação”, que foram anuladas pela Suprema Corte dos EUA em fevereiro, o que permite às montadoras requerer reembolsos do governo Trump. Na sexta-feira, o presidente ameaçou impor tarifas separadas sobre carros fabricados na Europa e importados para os EUA.
O aumento dos preços do petróleo e do gás e a escassez de nafta, um derivado do petróleo usado na produção de plásticos, também vão pressionar vários componentes automotivos, desde interiores e revestimentos até pneus.
“Nossa expectativa é sim de que os custos das matérias-primas aumentem ainda mais no que resta do ano, e acima do que prevíamos no início do ano”, disse o diretor financeiro da Mercedes-Benz, Harald Wilhelm, a investidores na semana passada.
Wilhelm acrescentou que se a guerra continuar por um “período mais longo, não podemos descartar a possibilidade de gargalos em commodities específicas”.
Outro problema levantado pelas montadoras é o do aumento dos custos dos módulos DRAM, já que as empresas de chips de memória têm redirecionado sua produção para abastecer centros de dados de inteligência artificial, afastando-se dos semicondutores menos avançados usados em carros.
As fabricantes de automóveis terão de decidir quando vão repassar esses custos para os consumidores. Na avaliação de Waas, a primeira a aumentar os preços corre o risco de perder vendas.
Os consumidores já estão no seu limite, dados os custos maiores dos veículos depois da pandemia de covid-19, o que limita a margem para aumentos de preços.
“Mas é óbvio que em algum momento você simplesmente será obrigado a aumentar os preços. E contanto que todos façam o mesmo, você, em essência, manterá sua participação de mercado”, afirmou.
(Tradução Lilian Carmona)
Agrofy - SP 05/05/2026
O Grupo AIZ avança em sua estratégia de crescimento e amplia a atuação no mercado brasileiro ao assumir a representação de marcas chinesas e entrar de forma mais estruturada no segmento da linha amarela.
O movimento reforça um posicionamento que a empresa já vinha consolidando: oferecer soluções completas ao cliente, com equipamentos prontos para uso e disponibilidade imediata.
“A gente é um solucionador de problemas. Na verdade, a gente é uma indústria de implementos rodoviários, de pipa, caçamba, prancha. E a nossa especialidade é a solução do problema. O cliente que tem hoje uma necessidade específica de ter um caminhão implementado, já pronto para o uso, para pronta entrega, essa é a nossa característica”, afirma Eguinaldo Silva, gerente comercial do grupo.
A trajetória do Grupo AIZ ajuda a explicar a expansão atual. Segundo Diego Vasconcelos, diretor comercial, o negócio nasceu de uma necessidade prática dentro da própria operação.
“Tínhamos uma transportadora, mas faltava a prancha. Aí compramos a Alfa Estilo. A Alfa Estilo originou nosso primeiro produto, que foi o carrega-tudo”, relembra.
A partir daí, o grupo evoluiu de forma gradual. Começou atuando com guarda de equipamentos e leilões, passou pela reforma de máquinas usadas — o chamado retrofit — e, na sequência, deu um salto para a fabricação própria de implementos rodoviários.
“Depois nós passamos a fabricar os implementos, dando um salto um pouco mais à frente, que foi a escavadeira anfíbia, que ficou uma solução muito utilizada em Brumadinho, em Mariana”, destaca.
O equipamento ganhou relevância em operações críticas, como nos desastres de Desastre de Brumadinho e Desastre de Mariana. “Nós já vendemos mais de 140 unidades”, completa.
Hoje, a estrutura industrial do grupo está instalada em São José dos Pinhais (PR), em uma área de aproximadamente 750 mil metros quadrados, dedicada à fabricação de implementos rodoviários como carretas, pranchas, pipas, guindastes e outros equipamentos integrados aos caminhões comercializados pela empresa.
Estrutura integrada e modelo de negócio
O Grupo AIZ atua de forma integrada em diferentes frentes, que incluem a fabricação de implementos, a comercialização de caminhões e a operação com máquinas pesadas. Essa estrutura permite à empresa entregar soluções completas, desde o fornecimento do veículo até o equipamento final pronto para uso.
Na prática, o cliente encontra no grupo a possibilidade de adquirir o caminhão já implementado e preparado para operação imediata, um modelo que reduz prazos, evita paradas prolongadas e reforça a estratégia de pronta entrega como diferencial competitivo.
Eae Máquinas - SP 05/05/2026
A gigante da intralogística aposta no fornecimento de equipamentos de alto padrão e tecnologia sob medida, apoiados por uma rede nacional de venda e pós-venda já consolidada por todo o Brasil, além de preços atrativos na fase de lançamento. A nova marca, HVR MAC, estreia no país com a meta de vender mil máquinas no primeiro ano de operação. A apresentação é direcionada ao público do agro, um setor cujo Valor Bruto de Produção (VBP) deve atingir R$ 1,39 trilhão neste ano-
O tempo de máquina parada somado à ineficiência operacional são os maiores inimigos da rentabilidade no campo. Para enfrentar esses gargalos, a nova marca de linha amarela do Grupo KMR, a HVR MAC, chega ao mercado com diferenciais como desenvolvimento 100% brasileiro, customização de equipamentos direto de fábrica, cabines com certificação máxima de segurança, configuração top de linha no mercado global e suporte de uma das maiores redes de vendas e pós-vendas do país.
Líder nacional absoluta em vendas de empilhadeiras, por meio da sua unidade Heli Brasil, a companhia escolheu a Agrishow 2026, principal vitrine de tecnologia agrícola da América Latina, para mostrar a nova bandeira no agronegócio, um setor estratégico para expansão do grupo e cujo Valor Bruto de Produção (VBP) deve atingir R$ 1,39 trilhão neste ano, segundo projeções da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A feira foi realizada de 27 de abril a 1 de maio, em Ribeirão Preto (SP).
A HVR MAC traz ao mercado a inversão da lógica tradicional: em vez de oferecer apenas máquinas de prateleira, a marca entrega engenharia premium com oferta de acessórios e configurações customizadas direto de fábrica. Essa inteligência de produto é apoiada por uma rede de vendas e pós-vendas já qualificada em todo o território nacional. A expectativa do grupo é atingir 1.000 máquinas vendidas no primeiro ano da marca, com ampliação gradual do portfólio para atender também grandes operações.
“Escolhemos a Agrishow para o lançamento da HVR MAC porque o agro é o motor da economia brasileira e um mercado estratégico para a nossa expansão. A nova marca chega para atender ao produtor com um portfólio de excelência, apoiado exatamente na mesma estrutura nacional de vendas e pós-venda de ponta a ponta que nos consolidou na liderança com a Heli Brasil. É um movimento estratégico para reforçar a nossa presença no mercado e a nossa capacidade de oferecer soluções inovadoras e de alta performance ao setor”, afirma Kelly Martins Rech, presidente do conselho do Grupo KMR.
Foco em mini máquinas e produtividade
O portfólio da HVR MAC entra em ação composto por 12 modelos voltados ao agronegócio e 7 para a construção civil, com um foco inicial e estratégico no segmento de “mini máquinas“. Segundo os executivos do Grupo KMR, essa categoria vive um salto de demanda graças à sua versatilidade para transitar entre o apoio em grandes propriedades rurais e obras de infraestrutura leve e média.
Durante a Agrishow, o Grupo KMR apresenta ao público seis máquinas de alta eficiência:
Mini Escavadeira HVR-ME18: Compacta e versátil, oferece maior alcance e estabilidade, sendo ideal para condomínios e pequenas obras como escavação de piscinas, paisagismo e serviços em espaços reduzidos. Mini Escavadeira HVR-ME45: Projetada para a força bruta. Possui estrutura reforçada e esteiras de aço, prontas para suportar o uso intensivo e os terrenos mais hostis. Retroescavadeira HVR-RE1700: O ápice da versatilidade. Funde a força de carregamento frontal (1.700 kg) com a precisão de escavação em até 4,4 metros de profundidade. Pá-Carregadeira HVR-CR300: Desenvolvida para operações que exigem potência e equilíbrio. O destaque fica para a cabine climatizada e o controle absoluto via joystick, além de câmera de ré e proteções estruturais inferiores. Mini Carregadeira HVR-MC1200: Altamente produtiva e robusta, ostenta a maior vazão hidráulica de sua categoria, o que se traduz em um desempenho superior e maior volume de material movimentado por hora trabalhada. Escavadeira HVR-ER65: Pesando 6.500 kg, o modelo foca em eficiência energética e baixo consumo. Conta com gradeabilidade de 36% e sistema hidráulico load sensing, para precisão cirúrgica e suavidade nos comandos.
Heli Brasil e Harden na Agrishow
Além da estreia da linha amarela, a companhia reforça as suas soluções que são referências em todo o Brasil por meio do portfólio da Heli Brasil. O foco estará nas empilhadeiras desenvolvidas para a intralogística do agro, com destaque para a empilhadeira elétrica a lítio (CPD70) com capacidade de 7 toneladas e garras para bags duplos até 11m, além da empilhadeira elétrica (CPD35) para 3,5 toneladas com torre de 6,5 m, mini fingers e balança nos garfos para maior precisão, e a empilhadeira para 3,5 toneladas off-road (CPCD35) com torre de 6 m.
O estande da empresa contará ainda com a presença da Harden, marca de ferramentas manuais e elétricas do Grupo (que já soma mais de 1.300 modelos no Brasil). A operação terá uma van itinerante high-tech dedicada à demonstração prática de produtos, onde as estrelas serão: a linha de ferramentas elétricas 20V Brushless com baterias intercambiáveis, e o carrinho completo com 465 itens, sete gavetas, trava com senha e rodízios que facilitam o transporte.
Sobre o Grupo KMR
O Grupo KMR é responsável pela divisão de empilhadeiras Heli no Brasil, liderando também a divisão de ferramentas manuais e elétricas Harden e a marca própria para linha amarela, HVR MAC. Com uma trajetória sólida e visão de longo prazo, o grupo é o responsável por consolidar as marcas globais no mercado nacional, unindo tradição industrial, inovação e excelência em atendimento. A Heli Brasil hoje conta com uma rede de mais de 150 pontos de venda de máquinas, peças e pós-vendas, com cobertura em todo o território nacional. O grupo garante capilaridade de atendimento e pós-vendas estruturado, com o maior estoque de peças do segmento. A fábrica Heli (Anhui Heli Forklift Group) está entre as sete maiores do mundo, com produção anual superior a 330 mil equipamentos e presença em mais de 180 países, o que reforça sua liderança global com 35 anos consecutivos na fabricação de empilhadeiras. No Brasil, a divisão de empilhadeiras da marca Heli é uma unidade de negócio do Grupo KMR, se consolidou como líder em empilhadeiras elétricas e pioneira em soluções sustentáveis, oferecendo o maior e mais diversificado portfólio, entre equipamentos elétricos, a combustão e rebocadores.
Valor - SP 05/05/2026
Poucas unidades para habitação social e uso para locação por temporada acendem alerta
Os projetos de retrofit (reforma) de imóveis no Centro de São Paulo estão crescendo e há potencial para chegar a quase 800 prédios. Medidas de incentivo têm atraído desenvolvedores especializados, síndicos de edifícios residenciais e também novos entrantes. Urbanistas alertam, no entanto, para o tipo de uso dado a esses imóveis.
Os programas Requalifica Centro, que oferece isenção de impostos e taxas municipais, e de subvenção de reformas, que paga até 25% do custo da obra, a depender da pontuação que o empreendimento atingir em editais, têm ajudado a “fechar a conta” dos empresários e tornar o retrofit competitivo em relação aos prédios novos. E não faltam candidatos para reforma: levantamento da DataLello, da Lello Condomínios, identificou que há, na região do Requalifica Centro, 774 prédios que poderiam ser beneficiados pelas medidas.
De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (Smul) de São Paulo, até março, 49 prédios foram selecionados para essas políticas.
Duas companhias atuantes em retrofits, a Ilion Partners e a Somaúma já têm prédios beneficiados pelos programas. A Ilion aprovou o seu terceiro com subvenção, o Anhumas, com 94 unidades residenciais para locação. Conseguiu 18,75% de subvenção (R$ 1,44 milhão). Os três projetos também estão no Requalifica Centro.
A Somaúma está entregando o edifício Virgínia, com unidades de 25 m2 a 180 m2, restaurantes e lojas. O prédio conseguiu 11% de subvenção, com R$ 2,37 milhões já pagos pela prefeitura.
Segundo as empresas, os incentivos têm feito com que a conta entre realizar retrofit ou projeto novo, ao menos no centro, seja mais próxima. O retrofit tem vantagens para além do lado financeiro, como consumo menor de material de construção, menos impacto ambiental, obras mais rápidas e o fato de dar uso para edificações abandonadas ou subaproveitadas.
No entanto, nada disso atrai o investidor se a comparação financeira com um projeto novo for discrepante. “O mercado investidor acha interessante essas camadas adicionais [de sustentabilidade e preservação do patrimônio] mas, no final do dia, temos que ter performance de rentabilidade competitiva”, diz Pedro Ichimaru, sócio-fundador da Somaúma.
Maxime Barkatz, sócio da Ilion Partners, já vê aumento na concorrência, o que considera positivo. “No mercado imobiliário, de um lado você não quer ter competidor, mas do outro não quer estar sozinho.” E prossegue: “da mesma forma que entra, tem que sair, e quanto mais ‘players’, mais liquidez, além de ajudar a ter transparência na precificação e profissionalização do setor”.
Se até então o retrofit só atraía empresas especializadas, hoje já atrai construtoras tradicionais, diz. Também está chamando a atenção de donos de imóveis. “Temos visto alguns prédios parados voltando ao mercado pelos proprietários originais”, afirma.
CNN Brasil - SP 05/05/2026
“Para quem depende de financiamento, é sem dúvidas um dos melhores momentos para comprar um imóvel”. A afirmação é de Edmil Adib Antonio, diretor de Crédito Imobiliário e Relações Institucionais com Bancos da MRV, uma das principais construtoras que atuam no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).
Por que este é considerado o melhor momento para comprar um imóvel?
Em entrevista à Veja, o executivo destacou que a combinação de juros mais baixos, aumento de subsídios, ampliação do teto dos imóveis e a inclusão de uma nova faixa de renda tornam o cenário atual especialmente favorável para quem deseja financiar a casa própria pelo programa federal.
"Não só quem está no Minha Casa, Minha Vida terá taxas baixas e subsídio alto, como também o mercado está com bastante recurso para financiamento e há muito imóvel disponível. Daqui um ano, pode estar tudo diferente", afirma.
Quais são as faixas de renda do MCMV em 2026?
Os limites de renda foram atualizados recentemente pelo Conselho Curador do FGTS, ampliando o alcance do programa:
Faixa 1: renda familiar mensal de até R$ 3.200 Faixa 2: até R$ 5.000 Faixa 3: até R$ 9.600 Faixa 4: até R$ 13.000 (faixa recentemente ampliada para incluir novas famílias) Teto do valor dos imóveis
Os valores máximos também foram reajustados e variam conforme a região:
Faixas 1 e 2: entre R$ 210 mil e R$ 275 mil Faixa 3: até R$ 400 mil Faixa 4: até R$ 600 mil Taxas de juros
As taxas do programa variam conforme renda, região e condições do financiamento, podendo incluir o uso do FGTS:
Faixa 1: Entre 4,00% e 5,25% ao ano Faixa 2: Entre 4,75% e 7,00% ao ano Faixa 3: Entre 7,66% e 8,16% ao ano Faixa 4: Cerca de 10% ao ano
De acordo com Edmil Adib Antonio, o efeito combinado das mudanças no Minha Casa, Minha Vida criou uma janela de oportunidade muito interessante para o comprador.
“Pessoas que antes estavam fora do programa agora virão para dentro, pela faixa 4, e todas as que já estavam dentro vão ser reescalonadas, e é aí que está o grande movimento. Todos esses pagarão menos juros e, no caso dos que entram para a faixa 1, ainda ganham subsídios maiores. Isso destrava uma demanda gigantesca. Muitas pessoas vão pagar menos e outras que nem conseguiriam comprar vão passar a conseguir.”
Qual é o papel do FGTS no programa?
O FGTS é um dos principais pilares do Minha Casa Minha Vida e financia grande parte das operações. Segundo o executivo, o fundo atende a maior parte dos trabalhadores formais elegíveis ao programa.
Para o comprador, o FGTS pode ser utilizado de diferentes formas:
Como entrada, reduzindo o valor financiado Para amortizar parcelas ao longo do contrato Pela modalidade FGTS Futuro, que permite antecipar depósitos Perguntas frequentes sobre o Minha Casa Minha Vida
Quem pode comprar pelo Minha Casa Minha Vida em 2026?
Famílias com renda mensal de até R$ 13.000 (área urbana) ou renda anual de até R$ 150.000 (área rural) podem se enquadrar no programa, conforme os critérios atualizados pelo Conselho Curador do FGTS.
Qual é o valor máximo do imóvel no MCMV em 2026?
Na Faixa 4, o teto pode chegar a R$ 600 mil. Na Faixa 3, até R$ 400 mil. Já nas Faixas 1 e 2, os valores variam entre R$ 210 mil e R$ 275 mil, dependendo do município.
Posso usar o FGTS para comprar pelo Minha Casa Minha Vida?
Sim. O FGTS pode ser utilizado como entrada, para amortização periódica ou, em alguns casos, por meio do FGTS Futuro. É necessário ter, no mínimo, três anos de contribuição e não possuir outro imóvel financiado pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH).
A taxa de juros pode mudar depois da contratação?
As taxas são definidas no momento da contratação e permanecem estáveis ao longo do financiamento, com possível variação limitada vinculada à TR.
Quanto tempo leva para aprovação?
O prazo varia conforme o banco e a documentação apresentada, mas a análise de crédito costuma levar entre 15 e 30 dias. Nas Faixas 2, 3 e 4, o processo é feito junto às instituições financeiras. Já na Faixa 1, a operação é concentrada principalmente na Caixa Econômica Federal.
Valor - SP 05/05/2026
Valorização do petróleo, na esteira da guerra no Irã, tem efeito direto sobre certos custos do setor
Os materiais de construção vinham segurando, nos últimos meses, a inflação do setor, que sofre uma pressão nos custos com mão de obra. A guerra no Irã pode mudar essa situação, o que já começa a preocupar empresas e analistas.
André Mazini, chefe da equipe de análise do Citi para a América Latina, afirmou ao Valor que deixou de ter ações das incorporadoras do segmento de baixa renda, que atuam no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), como as preferidas dentro do setor de “real estate” — agora, prefere os shoppings —, justamente por causa da exposição dessas empresas à inflação dos materiais.
Visão similar tem o Itaú BBA que, em relatório do dia 27 de abril, afirma estar “mais cauteloso” com os incorporadores, especialmente com o segmento de baixa renda. “Planejamos rever a nossa tese para o setor em breve”, escreveram.
Como essas empresas não podem ajustar o valor das unidades após a venda, e vinham tendo vendas fortes, pode haver um impacto na margem dos apartamentos que estão em construção.
O aumento no preço do petróleo está por trás dessas preocupações, uma vez que tem efeito direto sobre o custo de produção do cimento: o coque, combustível dos fornos das cimenteiras, é derivado do petróleo e 80% do consumo nacional é importado. Há também efeito indireto em vários outros materiais, por causa do transporte.
Executivo de uma grande incorporadora que atua no MCMV afirmou ao Valor, em anonimato, que as concreteiras já comunicaram uma alta de 8% no material. No entanto, no geral dos fornecedores de materiais, tem havido margem para negociação, diz. “Começam falando em números absurdos, de 17% [de alta], mas você fecha por 3% ou 4%”.
A dúvida é se construtoras menores também estão conseguindo negociações mais vantajosas.
Os fabricantes de material de construção terminaram o primeiro trimestre com queda de 4% no faturamento, na comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Material de Construção (Abramat).
Nos 12 meses até março, a queda é de 3,3%. O espaço para absorver aumentos de custo, sem repassá-los aos clientes, portanto, está menor. Houve uma alta de 1,6% no faturamento do setor em março, de acordo com a Abramat, mas o presidente da entidade, Paulo Engler, pondera que o dado ainda não reflete os impactos da guerra.
“A escalada do conflito no Oriente Médio tende a pressionar custos de insumos relevantes, como aço e cimento, o que pode impactar a atividade da construção e o desempenho da indústria nas próximas leituras”, afirmou, em nota.
A FGV divulgou também no dia 27 de abril o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) referente a abril. Houve uma aceleração do indicador, que subiu 1,04% no mês, ante 0,36% de alta em março.
Nos 12 meses até abril, o indicador ficou em 6,28%, frente a 7,52% no mesmo período de 2025. Os materiais e serviços tiveram 4,56% de alta, enquanto a mão de obra apresentou inflação de 8,71%. O relatório da FGV aponta que houve uma “forte aceleração nos preços” dos insumos, com destaque para os “materiais para estrutura”, que subiram 1,82% apenas em abril.
Já há uma expectativa de INCC mais alto também em maio, por ser mês de dissídio salarial, afirma o executivo da incorporadora. Se a situação no Estreito de Ormuz continuar instável, também pode haver um reflexo maior nos materiais.
“O INCC historicamente vem em 5%, 6%. Estamos nos preparando para que talvez vire 8%, em momento de estresse, e temos que nos readequar a isso e seguir a vida”, diz. A saída será repassar o aumento de custo no preço das unidades.
Em 22 de abril começaram a valer novas faixas de renda para o MCMV, com valores mais elevados. O teto de preço das unidades também foi ampliado. Isso deve garantir algum espaço para incrementos de preço, com efeito menor sobre a velocidade de venda, que já vem sendo um ponto de atenção para os incorporadores.
Fora do programa habitacional, as empresas terão que decidir se aumentam preços mesmo diante de financiamento imobiliário ainda caro, que pressiona o poder de compra do consumidor.
Globo Online - RJ 05/05/2026
A tentativa do presidente dos EUA, Donald Trump, de liberar a passagem de embarcações presas no no Golfo Pérsico nesta segunda-feira elevou as tensões na região ao nível mais alto desde a frágil trégua obtida há cerca de um mês, com incidentes violentos registrados ao longo da via. Enquanto o Comando Central dos EUA (Centcom) anunciou que dois contratorpedeiros entraram no Estreito de Ormuz e que dois navios mercantes teriam furado o bloqueio iraniano, militares em Teerã afirmaram ter feito disparos de alerta com mísseis, foguetes e drones contra embarcações militares americanas. Em meio a uma guerra de versões, Washington afirmou ter afundado seis lanchas rápidas iranianas, enquanto os Emirados Árabes Unidos acusaram ter sofrido ataques aéreos lançados pelo Irã, que teriam atingido um porto e um navio petroleiro do país.
"Contratorpedeiros com mísseis guiados da Marinha dos EUA estão atualmente operando no Golfo Arábico [Golfo Pérsico] após transitarem pelo Estreito de Ormuz em apoio ao Projeto Liberdade", apontou um comunicado divulgado pelo Centcom na manhã desta segunda, referindo-se ao plano anunciado pro Trump no dia anterior. "Forças americanas estão ativamente auxiliando os esforços para restaurar o tráfego para o transporte comercial. Como primeiro passo, 2 navios mercantes de bandeira americana atravessaram com sucesso o Estreito de Ormuz e estão a caminho de sua jornada em segurança".
O anúncio dos militares americanos foi feito em meio a uma disputa pela narrativa com as forças do Irã sobre o controle de Ormuz. A Guarda Revolucionária iraniana, citada pela agência de notícia estatal Tasnim, afirmou que nenhum navio comercial ou petroleiro passou por Ormuz nas últimas horas, e tratou as informações divulgadas por autoridades dos EUA sobre a travessia dos navios mercantes como "infundadas" e "mentiras descaradas".
O relato sobre a passagem dos contratorpedeiros, porém, não foi frontalmente desmentido. A Marinha do Irã, citada pela TV estatal, confirmou ter feito disparos de alerta com mísseis de cruzeiro, foguetes e drones ao redor de "embarcações inimigas agressoras". O Gabinete de Relações Públicas do Exército iraniano detalhou que contratorpedeiros americanos teriam "desligado seus radares" no Mar de Omã e se aproximado do Estreito de Ormuz, onde religaram o sinal.
"Imediatamente após religarem seus radares, foram detectados e receberam um aviso por rádio da Marinha da República Islâmica do Irã sobre os perigos de violar o cessar-fogo", informou o gabinete, acrescentando que os disparos de alerta foram autorizados após as embarcações ignorarem o aviso.
O Centcom afirmou que os navios chegaram ao Golfo Pérsico — na outra extremidade do Estreito de Ormuz. Mais cedo, agências de notícia iranianas publicaram relatos sobre contratorpedeiros dos EUA recuarem após alertas feitos pela Marinha do Irã, além de que uma fragata teria sido atingida por dois mísseis — informação esta que foi rejeitada pelo Centcom.
Os incidentes foram registrados após o anúncio da Trump, na noite de domingo, sobre a Marinha dos EUA começar a "conduzir" navios por Ormuz, por onde passavam 20% do petróleo e do gás natural produzidos no mundo antes do início da guerra. O anúncio, sem um detalhamento de como a missão seria cumprida, rapidamente levantou cogitações sobre uma escolta naval americana direta. Fontes ouvidas pelo portal americano Axios chegaram a afirmar que Trump recebeu na quinta-feira um plano para romper o bloqueio iraniano no estreito usando a Armada, mas preferiu, ao menos inicialmente, adotar uma posição mais cautelosa.
Especialistas apontam que a linguagem dos comunicados oficiais do Centcom aponta para uma atuação menos contundente, incluindo possivelmente o compartilhamento sobre rotas seguras, longe das minas navais lançadas pelo Irã , além da manutenção de uma presença ostensiva de suas tropas, a fim de dissuadir qualquer tipo de ataque iraniano às embarcações protegidas. Um comunicado inicial menciona 15 mil militares, 100 aeronaves e navios contratorpedeiros destacados para a missão.
Ainda assim, houve registro de choques diretos. O almirante Brad Cooper, chefe do Centcom, afirmou na tarde de segunda-feira que helicópteros americanos afundaram seis lanchas rápidas iranianas, que estariam atacando embarcações civis em Ormuz — em uma ação militar direta entre os inimigos após o cessar-fogo temporário. O militar também disse que os EUA tinham determinado uma rota livre de minas navais, afirmando que a passagem estaria livre para os navios bloqueados na região.
— O que nós vimos nesta manhã foi o Irã iniciando comportamentos agressivos. Nós simplesmente vamos responder a isso — disse Cooper.
Disputa por controle
Enquanto os americanos mantêm um bloqueio aos portos iranianos, as forças da República Islâmica impedem o tráfego de embarcações mercantes, condicionando a passagem a autorizações prévias por parte das autoridades do país. A Guarda Revolucionária iraniana chegou a divulgar um novo mapa entre a noite de domingo e a manhã desta segunda, mostrando a zona restrita à navegação sem autorização prévia.
A zona é limitada por duas linhas traçadas entre as duas margens de Ormuz: a primeira entre o Monte Mubarak, no Irã, e o sul de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, e a outra entre a Ilha de Qeshm, no Irã, e Umm al-Quwain, nos Emirados Árabes Unidos. Além disso, as forças militares transmitiram mensagens via rádio, desaconselhando o trânsito e prometeram atacar qualquer navio que desafiar suas ordens. Uma ameaça específica foi direcionada a navios militares.
O extremo de uma das pontas da zona sob bloqueio foi alvo de ataques nesta segunda. Em Fujairah, um incêndio atingiu em um porto essencial para o escoamento do petróleo produzido pelo país, com autoridades locais afirmando que o incidente foi provocado por um drone iraniano.
Antes, o governo dos Emirados Árabes Unidos, um aliado de Washington na região, já tinha afirmado que o navio petroleiro MV Barakah, da estatal Adnoc tinha sido bombardeado por drones do Irã , enquanto autoridades em Abu Dhabi afirmaram que o sistema de defesa antiaéreo do país precisou voltar a ser acionado, interceptando ao menos três projéteis — lembrando a dinâmica cotidiana de um mês atrás, quando projéteis iranianos cruzavam os céus de toda a região.
A Coreia do Sul também anunciou estar apurando sobre um possível bombardeio a um navio cargueiro em Ormuz, após a confirmação de um incêndio a bordo da embarcação da empresa HMM, após uma explosão. Não há confirmação de vítimas ou de relação com ações iranianas. O caso está sob revisão das autoridades.
O presidente da comissão do Parlamento iraniano responsável pela segurança nacional, Ebrahim Azizi, afirmou que qualquer "interferência" dos Estados Unidos em Ormuz seria uma violação do cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril. Estima-se que mais de 850 navios estejam presos na região do Golfo desde o início da guerra, totalizando cerca de 20 mil tripulantes à espera de uma reabertura de Ormuz.
Exigências excessivas
A via diplomática entre os países permanece estagnada desde a entrada em vigor da trégua de 8 de abril, após quase 40 dias de ataques de Israel e EUA contra o Irã e de represálias iranianas contra as monarquias do Golfo aliadas do governo americano. O Paquistão recebeu um ciclo de negociações em 11 de abril que terminou sem acordo, com as posições muito afastadas sobre o Estreito de Ormuz – onde o Irã pretende cobrar um pedágio pela passagem de navios – e o programa nuclear da República Islâmica.
O Irã pediu nesta segunda-feira que os EUA "adotem uma abordagem razoável" e abandonem as "exigências excessivas", após receber uma resposta de Washington à sua nova proposta no âmbito das negociações de paz entre os dois países.
— Nesta etapa, nossa prioridade é acabar com a guerra — afirmou em uma entrevista coletiva o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei. — Não podemos ignorar as lições do passado. Já negociamos em duas ocasiões sobre os aspectos nucleares e, ao mesmo tempo, fomos atacados pelos EUA.
Teerã transmitiu esta semana uma nova proposta de paz a Washington. Segundo a agência oficial Tasnim, a proposta de 14 pontos prevê o fim do conflito em todas as frentes e estabelece condições para a reabertura do Estreito de Ormuz. Trump disse no domingo que funcionários de seu governo estão mantendo "conversas muito positivas" com o Irã e que as negociações "podem conduzir a algo muito positivo para todos".
Portos e Navios - SP 05/05/2026
Cerca de 20 mil tripulantes permanecem a bordo de navios no Golfo Pérsico em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã que interrompeu operações marítimas na região. De acordo com informações divulgadas pelo site especializado em logística de transporte Shipping and Freight Resources, eles continuam nas embarcações aguardando suprimentos e enfrentando condições incertas.
Segundo dados da Organização Marítima Internacional (IMO), pelo menos 10 tripulantes foram mortos em 29 ataques a embarcações comerciais desde 28 de fevereiro de 2026, quando começaram os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã. A IMO alertou, no entanto, que o número de mortes pode ser ainda maior devido à natureza contínua dos incidentes.
Relatos indicam que alguns navios estão sendo reabastecidos a partir de portos na Arábia Saudita e em Omã. Mas No a situação não parece fazer parte de um sistema estruturado. De acordo o Shipping and Freight Resources, quando se relata que os navios estão sendo reabastecidos com alimentos, água e combustível, parece existir sistema organizado, mas provavelmente, ele não existe.
De acordo com a IMO, nem todos os navios retidos na área estão em instalações portuárias no porto, porque isso nem sempre representaria mais segurança. Na prática, segundo a entidade, as embarcações se deslocam pelo Golfo em busca de áreas consideradas mais seguras, seguindo protocolos definidos por seus operadores.
O mesmo relatório do site especializado indica que não há acordo para estabelecer corredores seguros ou mecanismos de identificação para proteger os navios. Nesse contexto, “não há garantia de que uma embarcação que transporta alimentos, água ou medicamentos para tripulações isoladas não será atacada”, afirma a publicação Entre os incidentes registrados, é citado o caso do rebocador de salvamento Mussafah 2, que foi enviado para auxiliar um porta-contêineres danificado e foi atingido por mísseis e naufragou.
De acordo com a publicação, companhias de navegação optaram por reposicionar seus navios em áreas consideradas mais seguras no Golfo, enquanto os de abastecimento operam apenas quando as condições permitem. A Arábia Saudita, por meio de sua autoridade portuária, lançou uma iniciativa para coordenar o fornecimento de combustível, água, alimentos, medicamentos e troca de tripulantes, com o apoio da IMO.
Mas essas ações são descritas como soluções contingenciais. "São improvisadas, impulsionadas pela vontade das autoridades portuárias e dos operadores e não por uma estrutura formal de proteção internacional”, observa o Shipping and Freight Resources. Organizações do setor relataram dificuldades no acesso a suprimentos básicos. Representantes de trabalhadores marítimos relataram casos de racionamento de alimentos e água a bordo, além de comunicação limitada com a costa devido a interrupções na rede.
Valor - SP 05/05/2026
Tensão no Oriente Médio leva a nova escalada dos preços da commodity e aversão a risco penaliza Ibovespa, juros e câmbio
A percepção de risco dos investidores quanto aos desdobramentos da guerra no Oriente Médio voltou a piorar na segunda-feira em meio ao impasse entre Estados Unidos e Irã nos esforços em direção a um acordo diplomático que encerre o conflito. Ativos de mercados mais ligados a risco sofreram com o mau humor dos agentes, que passaram a colocar nos preços a possibilidade de que a guerra - e seu impacto sobre a economia global - se estenda por um longo período.
Desta forma, o petróleo voltou a saltar e o contrato mais líquido do tipo Brent fechou em alta de 5,79%, a US$ 114,44 por barril. Já o petróleo do tipo WTI, referência nos EUA, subiu 4,39%, cotado a US$ 106,42 por barril.
Bastante sensível ao efeito da alta da commodity sobre a inflação, os mercados de juros tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos estiveram entre os de pior desempenho nesta segunda. Por aqui, a taxa do contrato de DI com vencimento de janeiro de 2028 avançou de 13,79% a 13,95%, e a do DI de janeiro de 2031 saltou de 13,73% a 13,86%. Nos Estados Unidos, a taxa da T-note de dez anos anotou forte alta de 4,379% a 4,442%.
Os mercados de ações também sofreram com a piora da percepção de risco, e o Ibovespa terminou o pregão com baixa de 0,92%, a 185.600 pontos. Em Nova York, o S&P 500 cedeu 0,41%, a 7.200,75 pontos.
O pregão foi negativo para os mercados desde o início da sessão, quando os investidores reagiam a relatos desencontrados de Irã e Estados Unidos acerca da passagem de cargueiros pelo Estreito de Ormuz e a presença de navios de guerra americanos no canal. O mau humor se intensificou com a notícia de que Teerã teria ordenado um ataque de mísseis contra os Emirados Árabes Unidos, algo inédito até então no atual conflito.
“As perspectivas de uma reabertura no curto prazo do Estreito de Ormuz diminuíram, e isso naturalmente tem levado os investidores a se preocuparem mais com a possibilidade de preços de petróleo elevados por um período prolongado”, comentam Ian Lyngen e Vail Hartman, estrategistas de mercados do BMO Capital Markets.
De fato, ao olhar os preços do petróleo para prazos mais distantes, nota-se uma mudança de comportamento. O barril do tipo Brent para dezembro, por exemplo, já é negociado na casa de US$ 91, quando o mais comum desde o início da guerra era o contrato oscilar entre US$ 80 e US$ 85, conforme nota um operador de renda fixa.
Com o mercado precificando um petróleo mais caro além do curtíssimo prazo, o ajuste nas expectativas para a política monetária tornam-se ainda mais justificado. Atualmente, a curva de juros futuros embute uma Selic ao redor de 14% no fim de 2026, o que configuraria um ciclo de apenas 1 ponto percentual de flexibilização monetária - já contando os dois cortes de 0,25 ponto nas reuniões de março e abril do Comitê de Política Monetária (Copom).
Para a próxima decisão do Copom, em 17 de junho, os investidores já preveem uma chance relevante de que a Selic siga parada em 14,50%, cenário cuja probabilidade subiu de 31% a 40% ontem, conforme mostra o mercado de opções digitais.
Gabriel Leal de Barros, economista-chefe da ARX Investimentos, mantém o seu cenário-base e prevê uma Selic de 12,50% ao fim do ciclo de flexibilização monetária. Ele, no entanto, revela que há uma propensão em aumentar essa estimativa a 13% e pondera que o tamanho do orçamento de cortes dependerá da evolução da guerra e da própria reação do Banco Central à desancoragem das expectativas de inflação.
“Podemos ter uma guerra muito intensa, mas de curta duração, e aí o efeito na inflação é marginal. Mas se [o conflito] tiver intensidade menor e duração longa, o repasse à inflação é maior”, diz o economista. Por ora, ele ainda diz enxergar incentivos para que os EUA e o Irã encerrem o quanto antes a guerra, em especial do lado americano, já que a popularidade do presidente Donald Trump tem caído bastante e pode resultar em perda da maioria republicana na Câmara e no Senado nas eleições legislativas deste ano.
“Quando olhamos o cenário político [nos EUA], tudo aponta para um término ou duração menos longa da guerra. Se houver uma resolução e o petróleo voltar, do jeito que está o câmbio, o BC entrega um ciclo de cortes maior que está precificado na curva”, avalia Leal de Barros.
Embora o recrudescimento das tensões no Oriente Médio tenha afetado o real no pregão de ontem, a moeda brasileira repetiu seu comportamento recente e desempenhou bem melhor do que outras classes de ativos domésticos. No mercado à vista, o dólar subiu 0,32% e fechou cotado a R$ 4,9677.
O gerente de câmbio da Tullet Prebon Brasil, Italo Abucater, diz que a combinação dos juros elevados no Brasil e das exportações estão protegendo o real. “Está chato falar de câmbio. Nem a guerra está fazendo o dólar subir muito aqui. Há uma forte venda de dólares no mercado”, afirma, fazendo referência à internalização de capital pelo setor agropecuário. Para o profissional, a sazonalidade das exportações de grãos neste primeiro semestre, ao lado dos juros elevados, pode continuar ancorando o real nesta primeira parte do ano, o que também abre espaço para o BC continuar reduzindo seu estoque de swap cambial.
“Eles devem reduzir tudo o que der enquanto tiver esse ambiente”, diz, apontando que no segundo semestre, sem a sazonalidade do fluxo ao país, o câmbio tende a não continuar apreciando. “Esse é o momento porque o dólar está parado. Em qualquer outra circunstância o BC não conseguiria reduzir [estoque de swap] sem gerar pressão”, acrescenta.
IstoÉ Dinheiro - SP 05/05/2026
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou que a produção de março foi recorde, em 5,531 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), alta de 4% contra o mês anterior, conforme antecipado pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) com números preliminares.
Com relação ao petróleo, foram extraídos 4,247 milhões de barris por dia (bpd), uma variação positiva de 4,6% na comparação com o mês anterior e aumento de 17,3% em relação ao mesmo mês de 2025.
Já a produção de gás natural em março foi de 204,11 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d). Houve crescimento de 3,3% frente a fevereiro e de 23,3% na comparação com março de 2025.
O pré-sal correspondeu a 79,9% do total produzido, ou 4,420 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d).
A Petrobras, maior produtora do País, registrou média de 3,362 milhões de boed, sendo 2,568 milhões de barris de petróleo por dia (bpd) e 126,2 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d) de gás natural.
Valor - SP 05/05/2026
O que precisa ser evitado a todo custo é que essa elevação temporária se propague por prazos mais longos, contaminando as expectativas, alimentando a indexação e forçando o Banco Central a uma resposta ainda mais dura
A guerra no Oriente Médio - envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã - reacendeu uma das variáveis mais sensíveis do sistema econômico internacional: o preço do petróleo. O barril tipo Brent, que oscilava entre US$ 65 e US$ 70 no início de 2026, disparou para a faixa dos US$ 110, com elevada volatilidade ao sabor do noticiário. O mercado futuro indica retorno gradual ao patamar anterior até o fim de 2027 - um choque temporário, portanto, mas longe de ser indolor.
Para o Brasil, os efeitos imediatos são favoráveis. O país consolidou sua posição como exportador líquido de petróleo: produzia menos de 1,5 milhão de barris equivalentes por dia em 2000 e deve chegar a 5,5 milhões em 2026, puxado pelo pré-sal.
O superávit na balança de petróleo e derivados, que era deficitário em US$ 13,2 bilhões em 2013, atingiu US$ 31,7 bilhões em 2025 e deve superar US$ 50 bilhões neste ano. O FMI reconheceu essa transformação ao elevar a projeção de crescimento do Brasil em 2026 em 0,3 ponto percentual, para 1,9%.
Ainda assim, mesmo em países exportadores líquidos, consumo e investimento domésticos tendem a ser afetados negativamente por choques dessa natureza. A melhora do PIB concentra-se no setor externo, e os benefícios são assimétricos: os ganhos vão para o setor exportador e para o governo, via arrecadação, enquanto famílias e empresas intensivas em energia arcam com o ônus do encarecimento. O Brasil está ficando mais rico com o petróleo caro - mas não sem custo.
O superávit crescente tem uma explicação que vai além do pré-sal, como mostra levantamento de Bráulio Borges. O etanol responde hoje por mais da metade do volume de gasolina e etanol consumidos no país; o biodiesel, fabricado principalmente a partir da soja, já representa 13% do diesel consumido internamente. Resultado: o consumo aparente de hidrocarbonetos manteve-se relativamente estável nos últimos anos, mesmo com o PIB crescendo. É essa “boca de jacaré” - produção em expansão acelerada, consumo estabilizado - que amplia o superávit e confere ao Brasil uma resiliência a choques externos de energia sem precedente histórico. No horizonte, a produção doméstica de amônia a partir do biometano poderia reduzir também a dependência de fertilizantes nitrogenados importados - mas essa transição ainda está no plano das possibilidades, não das realizações.
Essa nova posição externa, no entanto, não elimina fragilidades relevantes. O Brasil importa aproximadamente 25% do diesel consumido internamente e quase 60% da nafta. Mais grave: importa 93% do nitrogênio utilizado na produção de fertilizantes NPK. O agronegócio responde por cerca de 25% do PIB, e sua competitividade depende de insumos cujo fornecimento tem raízes no próprio Oriente Médio: países como Egito e Marrocos utilizam gás natural da região para produzir amônia e exportar fertilizantes nitrogenados ao Brasil. Segundo estudo do Insper Agro Global, 45% da importação brasileira de fertilizantes depende de países considerados geopoliticamente instáveis. A guerra no Irã pode, portanto, chegar à lavoura brasileira não pelo preço do diesel, mas pela disponibilidade dos insumos que alimentam as safras. O superávit crescente no petróleo bruto coexiste com uma vulnerabilidade estrutural que permanece em aberto - e que o conflito atual tornou mais visível.
O impacto inflacionário do choque é real e já se manifesta. Simulações baseadas em matriz de insumo-produto indicam que um aumento de 10% em todos os derivados eleva o IPCA em cerca de 0,9 ponto percentual, computados efeitos diretos e indiretos sobre toda a cadeia produtiva. Na prática, a projeção mediana para o IPCA de 2026 saltou de 3,9% no fim de fevereiro para 4,9% em fins de abril. Mais preocupante é o contágio nos horizontes mais longos: a estimativa para 2027 subiu de 3,8% para 4%, sinalizando inércia além do curto prazo. No Brasil, onde parcela relevante dos preços é indexada à inflação passada, esse tipo de propagação tem consequências concretas e duradouras.
É nesse contexto que o Banco Central age - com a cautela que a situação exige. Na reunião do Copom de 28/29 de abril, mesmo com a guerra em andamento, os dirigentes reduziram a Selic em 25 pontos-base, para 14,50% ao ano. O comunicado divulgado aponta um cenário “caracterizado por forte aumento de incerteza”, no qual “o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária”.
O conservadorismo é tecnicamente correto. O mercado de trabalho está apertado, as expectativas inflacionárias estão desancoradas - mais voláteis, mais dispersas entre os analistas e mais sensíveis a choques de curto prazo do que num regime de ancoragem sólida - e a política fiscal segue na direção oposta ao que a estabilidade de preços recomendaria. Em ano pré-eleitoral, Executivo e Legislativo têm aprovado medidas de estímulo via expansão de gastos e crédito subsidiado em diversos segmentos. Os ganhos extraordinários de arrecadação gerados pela alta do petróleo - que podem chegar a R$ 80 bilhões adicionais em relação a 2025, com barril médio a US$ 90 e câmbio em torno de R$ 5,40 - estão sendo parcialmente neutralizados por medidas compensatórias, como os pacotes de subsídio ao diesel, estimados em R$ 31 bilhões, e pelas desonerações fiscais previstas no PLP 114/2026. A bonança petrolífera, que poderia criar espaço para reforçar as contas públicas, é consumida antes de cumprir esse papel.
A alta do petróleo de 2026 vai elevar a inflação deste ano - isso é inevitável, e tentar suprimi-la integralmente via subsídios tem custos fiscais e distorções conhecidos. O que precisa ser evitado a todo custo é que essa elevação temporária se propague por prazos mais longos, contaminando as expectativas, alimentando a indexação e forçando o Banco Central a uma resposta ainda mais dura no futuro - que sairia muito mais cara do que a disciplina preventiva de agora. O Brasil tem hoje, pela primeira vez em décadas, uma posição estrutural que transforma choques do petróleo em oportunidade tanto quanto em ameaça. Desperdiçar essa vantagem por falta de coordenação entre políticas não seria azar - seria escolha.
Luiz Schymura é pesquisador do FGV Ibre e escreve mensalmente
E-mail: luiz.schymura@fgv.br
CNN Brasil - SP 05/05/2026
Em reunião na sede da SRB (Sociedade Rural Brasileira) em São Paulo na tarde desta segunda-feira (4) o Ministro da Agricultura e Pecuária André de Paula, afirmou que o governo federal trabalha para anunciar, no início de junho. O novo Plano Safra, segundo o Ministro, pode trazer recursos próximos ao pleito da CNA, que na semana passada fez um pedido de R$ 625 bilhões para a safra 2026/27.
"Outra prioridade será garantir boas condições de acesso ao crédito rural diante do atual cenário de juros elevados", disse, em entrevista coletiva.
O Ministro destacou ainda que o objetivo é construir um plano “consistente e vigoroso”, capaz de superar os R$ 516 bilhões disponibilizados na safra anterior.
O desafio central está na equalização das taxas de juros, fator que hoje limita a tomada de crédito por parte dos produtores.
“O esforço do governo precisa estar alinhado a soluções que permitam, de fato, o acesso do produtor ao crédito. Caso contrário, mesmo números expressivos podem não se traduzir em efetividade”, afirmou.
Endividamento do setor
As conversas entre os ministérios da Agricultura e da Fazenda, segundo ele, ocorrem de forma contínua em nível técnico, com reuniões frequentes. A etapa final envolve a participação direta dos ministros e do presidente, responsável por arbitrar prioridades e eventuais divergências.
A construção do novo Plano Safra ocorre em um momento considerado desafiador para o setor, marcado por custos elevados, crédito mais restrito e pressão sobre a rentabilidade.
A expectativa agora se concentra no anúncio oficial, que deve ocorrer nas primeiras semanas de junho e definir o direcionamento do crédito agrícola para a safra 2026/27.
O Ministro André de Paula, em visita à SRB, se reuniu com lideranças do agro para discutir questões macroeconômicas do setor. A entidade afirma que, nos últimos três anos, não teve a oportunidade de receber o ex-ministro Carlos Fávaro.
Outro ponto abordado foi o alto nível de endividamento do setor agropecuário. O ministro reconheceu a dificuldade enfrentada pelos produtores e indicou que mecanismos de renegociação de dívidas, nos moldes do programa Desenrola 2.0, lançado hoje, vai possibilitar a renegociação das dívidas de mais de 800 mil produtores, podem ser utilizados para aliviar a situação.
Embora a possibilidade de um “Desenrola Rural” maior esteja em discussão, o ministro evitou antecipar detalhes ou prazos. Segundo ele, qualquer anúncio só será feito quando houver definição consolidada dentro do governo.
“É um instrumento importante para mitigar os efeitos do endividamento, mas só falaremos quando estiver maduro”, disse.
CNN Brasil - SP 05/05/2026
A multinacional japonesa Yanmar inicia em maio as obras de sua nova fábrica no Distrito Industrial de Indaiatuba (SP), com investimento inicial de R$ 190 milhões nesta primeira fase do projeto. Ao todo, o aporte previsto é de R$ 280 milhões.
A previsão é que essa etapa seja concluída em 2027, quando terão início as operações e a transferência das atividades atualmente realizadas na unidade existente, incluindo a produção de tratores, motores e geradores, além do estoque.
O projeto será executado em etapas até 2030 e tem como objetivos ampliar a capacidade produtiva, unificar operações e aprimorar processos industriais. Segundo a empresa, a decisão de investir na nova unidade foi impulsionada pelo aumento da demanda por tratores agrícolas, miniescavadeiras, colheitadeiras, motores e peças de reposição, o que exige maior espaço e infraestrutura.
A nova fábrica ocupará um terreno de aproximadamente 140 mil metros quadrados, área três vezes superior à das instalações atuais da companhia em Indaiatuba. A primeira fase terá cerca de 36 mil metros quadrados de área construída.
Com a nova estrutura, a empresa projeta ampliar a produção anual de tratores de 5 mil para 7 mil unidades em turno único. A fabricação de modelos com maior índice de nacionalização deve passar de 10 para 15 unidades por dia na primeira etapa, com previsão de atingir 20 unidades diárias até 2029.
De acordo com a empresa, o projeto também busca resolver limitações relacionadas a espaço, armazenamento e logística, além de incorporar melhorias em segurança operacional.
“Hoje, temos 10% de market share no segmento de tratores e buscamos consolidar esse índice em 12% nos próximos anos”, disse Wagner Santaniello, gerente de Inovação e Marketing da Yanmar na América do Sul South America.
Mercado
No contexto do mercado de máquinas agrícolas, a demanda por tratores de menor potência tem crescido, em meio a um cenário de crédito mais restrito, juros elevados e maior cautela por parte dos produtores rurais. Segundo a empresa, há um aumento geral na procura por modelos com menos de 150 cavalos, segmento que concentra seus produtos.
A companhia informou que sua linha de tratores varia entre 26 e 100 cavalos. O foco permanece no atendimento a pequenos produtores e à agricultura familiar, que representa parcela relevante dos negócios. Para 2026, a expectativa é de “crescimento moderado, estimado entre 3% e 5%”, segundo a Yanmar.