Clipping Diário

05 | Março | 2026

SIDERURGIA

Grandes Construções - SP   05/03/2026

A indústria global do aço atravessa uma mudança estrutural que combina política climática, regulação econômica e transformação tecnológica.

Segundo a International Energy Agency (IEA), o setor siderúrgico responde por cerca de 7% das emissões globais de CO2 relacionadas à energia, o que o posiciona entre as atividades industriais mais intensivas em carbono do mundo.

O tema ambiental deixou de representar apenas compromisso institucional e passou a influenciar diretamente preços, investimentos e competitividade internacional.

No centro dessa transição está a necessidade de reduzir emissões em uma das cadeias produtivas mais intensivas em carbono do planeta.

Esse é o contexto em que ganha cada vez mais relevância o pellet feed, concentrado de minério de ferro de alto teor e baixa sílica, considerado essencial para processos siderúrgicos mais eficientes.

De acordo com o relatório Iron and Steel Technology Roadmap, da IEA, a adoção de matérias-primas de maior qualidade está entre os fatores que contribuem para reduzir a intensidade de emissões na produção de aço.

A qualidade do material permite maior aproveitamento energético e menor intensidade de emissões ao longo da produção, característica que passa a representar vantagem competitiva diante das novas exigências regulatórias.

O principal vetor dessa mudança vem da União Europeia, com a criação do Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM), mecanismo idealizado para incorporar o custo das emissões de carbono em produtos importados como ferro e aço.

Segundo a Comissão Europeia, o CBAM busca equiparar o preço do carbono entre produtos europeus e importados, com o objetivo declarado de evitar a chamada "fuga de carbono", situação em que empresas transferem produção para países com regras ambientais menos rígidas.

Na prática, a medida altera a lógica do comércio global. Conforme cronograma oficial do CBAM disponível na Comissão Europeia, a fase definitiva do mecanismo entrou em vigor em 2026, quando o custo das emissões passou a ser incorporado progressivamente às importações de setores como ferro e aço.

Produtos fabricados com maior intensidade de emissões tendem a perder competitividade no mercado europeu, enquanto cadeias produtivas mais eficientes passam a ganhar espaço. Especialistas em comércio internacional apontam que a precificação do carbono consolida a política climática como variável econômica direta nas decisões industriais e logísticas.

A pressão regulatória encontra respaldo técnico em estudos internacionais. O relatório Iron and Steel Technology Roadmap, da International Energy Agency (IEA), aponta que a siderurgia ocupa posição central na agenda climática global e precisará adotar novas tecnologias e matérias-primas mais eficientes para reduzir as emissões de dióxido de carbono.

A agência, uma das principais instituições globais em análise energética e industrial, destaca no documento que a transformação do setor depende tanto da inovação tecnológica quanto da qualidade dos insumos utilizados na produção.

A transformação não se limita à Europa. Segundo diretrizes divulgadas pelo Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China, o país estabeleceu metas para modernizar sua capacidade siderúrgica e reduzir emissões do setor, reforçando o alinhamento com padrões ambientais mais rigorosos.

Quando os principais polos produtores e consumidores caminham na mesma direção regulatória, toda a cadeia internacional de mineração passa por reorganização.

O avanço das tecnologias voltadas à produção de aço de baixo carbono altera também o perfil das matérias-primas utilizadas pela indústria.

Processos mais eficientes exigem minérios com maior pureza química e menor presença de impurezas, condição que amplia a procura por insumos de alto teor, como o pellet feed, cuja oferta global permanece mais restrita em comparação ao minério convencional.

Para Lucas Kallas, presidente do Conselho da Cedro Participações, a descarbonização do aço marca uma mudança estrutural e redefine critérios de competitividade global.

"O setor irá priorizar eficiência ambiental e desempenho técnico. Assim, o minério de alto teor vai deixar de ser diferencial e se tornar condição para empresas que querem permanecer relevantes nos próximos anos", afirma.

ECONOMIA

IstoÉ Online - SP   05/03/2026

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quarta-feira (4) que as tarifas gerais de 15% sobre as importações anunciadas pelo presidente Donald Trump provavelmente serão implementadas ainda esta semana.

O mandatário tenta reconstruir sua política protecionista após a derrota judicial sofrida no mês passado, quando a Suprema Corte declarou ilegais grande parte das tarifas que ele havia imposto aos seus parceiros comerciais, tanto a países aliados quanto a adversários.

Trump disse então que recorreria a outra lei para impor uma taxação adicional de 10%, que depois anunciou que seria de 15%.

Ao ser questionado, durante uma entrevista à CNBC, quando o aumento será aplicado, Bessent respondeu: “Provavelmente em algum momento desta semana”.

Ele acrescentou que isto será feito com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 – a mesma base para a nova tarifa de 10% de Trump -, que só permite uma taxa com duração de 150 dias, exceto em caso de prorrogação por parte do Congresso.

Durante o período de cinco meses, o governo Trump buscará concluir as investigações relacionadas a preocupações com segurança nacional e comércio desleal que motivaram a imposição de tarifas, disse Bessent.

As investigações, por sua vez, poderão dar origem a novos pacotes de tarifas.

“Estou firmemente convencido de que as tarifas voltarão ao nível anterior em um prazo de cinco meses”, declarou Bessent.

“E são faculdades muito amplas”, acrescentou, em referência às leis que justificam as investigações. “Sobreviveram a mais de 4.000 contestações judiciais. Avançam com mais lentidão, mas são mais sólidas”, afirmou.

O aumento das tarifas gerais não afeta os taxas setoriais impostas por Trump, em particular sobre o aço e o setor automotivo.

O Estado de S.Paulo - SP   05/03/2026

Não havia como ser diferente. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro desacelerou em 2025 e teve expansão de 2,3%, bem abaixo dos 3,4% de 2024, segundo o IBGE.

Como o governo gasta demais, restou ao Banco Central (BC) cumprir seu papel e apertar os juros para conter a inflação, medida necessária e amarga que trava o crescimento econômico. O problema é que, quando se esmiúçam os dados recém-divulgados pelo IBGE, fica claro que a “tradição” do Brasil de crescer pouco tem ficado pior.

E poucos números escancaram isso tão bem quanto o indicador de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que despencou de 6,9% em 2024 para 2,9% no ano passado. Em consequência, a taxa de investimento brasileira, já abaixo da média de 20% para países com o mesmo nível de desenvolvimento, caiu de 16,9% em 2024 para 16,8% em 2025.

Sem investimento não há crescimento, para o qual a FBCF é determinante. O indicador mede o quanto as empresas ampliaram seus bens de capital – maquinários e equipamentos, por exemplo –, ou seja, o quanto investiram em bens que produzem outros bens.

Em 2025, um artigo do economista Rogério Nagamine Costanzi para o boletim da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) chamava a atenção para o fato de os indicadores de FBCF no Brasil serem inferiores não só aos de países desenvolvidos, mas também aos de nações sabidamente mais pobres, como Paraguai e Bolívia.

No mesmo artigo, o economista comparou ainda a taxa de poupança no Brasil com a de outras nações e também constatou que por aqui se poupa menos do que no Paraguai, em Honduras e em El Salvador.

Embora tenha aumentado de 14,1% em 2024 para 14,4% em 2025, a taxa de poupança interna segue sendo muito baixa. A combinação baixo investimento e baixa poupança condena o País a um ciclo de crescimento medíocre, na casa dos 2% ao ano.

Romper com esse cenário exige um grande esforço do governo, a começar pelos gastos. Não há, porém, por parte da gestão Lula, qualquer sinal de que uma mudança rumo a uma política de crescimento sustentado virá a ser colocada em prática. Ao contrário. No ano passado, o consumo do governo cresceu 2,1%.

Em vez de rever e reorientar seus gastos, o governo pisa no acelerador, complicando os esforços do BC para controlar a inflação. O resultado disso são juros altos por mais tempo, o que, como se viu, derruba o investimento produtivo.

Como se não bastasse, discute-se agora no País a redução da escala de trabalho 6x1, como se isso fosse garantir qualidade vida a uma força de trabalho mal instruída e, por isso mesmo, menos produtiva que a de diversos outros países.

Sem melhora efetiva na educação e sem controle dos gastos governamentais, de modo que os juros possam cair, não há como aumentar produtividade nem promover crescimento sustentado.

É uma questão de escolha. O investimento e o PIB fracos de 2025 são consequências das políticas públicas adotadas até aqui. Há como ser diferente, desde que finalmente se compreenda que o modelo vigente é uma receita certeira para a mediocridade.

Investing - SP   05/03/2026

A China afirmou que está almejando um déficit orçamentário anual de 4% do produto interno bruto, em linha com o ano passado. A meta indicou que o estímulo fiscal de Pequim provavelmente permanecerá próximo aos níveis observados nos últimos anos.

A China abriu sua reunião das "duas sessões" em Pequim na quarta-feira, com a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês o principal órgão consultivo do país dando início à sua sessão anual na quarta-feira.

O país se comprometeu a aumentar seus pagamentos mensais de pensão e subsídios de seguro médico, especialmente para cidadãos rurais que não trabalham.

A meta de PIB da China para 2026 indica uma tolerância ligeiramente maior para um crescimento mais lento em Pequim, especialmente enquanto o país lida com anos de desempenho econômico fraco. Grande parte disso decorre da demanda doméstica e dos gastos lentos, com as medidas de Pequim para impulsionar os gastos do consumidor tendo gerado resultados limitados nos últimos anos.

Mas a indústria de exportação da China permanece robusta, tendo superado em grande parte as interrupções causadas pelas tarifas comerciais dos EUA em 2025, já que a demanda no resto do mundo permaneceu resiliente.

O país atingiu sua previsão anual de PIB de 5% em 2024 e 2025, embora analistas tenham alertado que o número geral de crescimento ainda escondia alguma fraqueza subjacente na economia.

Investing - SP   05/03/2026

Após a forte pressão de alta da véspera, as taxas dos DIs fecharam a quarta-feira em baixa no Brasil, em um dia de relativo alívio nos mercados globais, ainda que a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã siga em curso.

Com o dólar em queda firme ante o real, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 12,78% no fim da tarde, em baixa 9 pontos-base ante o ajuste de 12,871% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,445%, com recuo de 10 pontos-base ante 13,549%.

Na terça-feira, na esteira da busca global por ativos mais seguros, as taxas futuras dispararam no Brasil, com investidores elevando as apostas de que o Banco Central cortará a taxa básica Selic -- hoje em 15% -- em 25 pontos-base este mês, e não em 50 pontos-base.

O conflito no Oriente Médio, iniciado no sábado, continuou nesta quarta-feira. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que o país está vencendo a guerra e que pode lutar pelo tempo que for necessário.

Do lado iraniano, reportagem da Reuters informou que a Guarda Revolucionária reforçou seu controle sobre as decisões no cenário de guerra, impulsionando a estratégia linha-dura que está por trás da campanha de drones e mísseis de Teerã em toda a região.

Apesar de as operações militares de EUA e Israel contra o Irã seguirem em curso, os investidores também se apegaram a notícia de que agentes iranianos entraram em contato secretamente com os norte-americanos para buscar negociações para encerrar o conflito -- mas as autoridades norte-americanas seguiram céticas quanto à possibilidade de o governo Trump ou o Irã estarem preparados para uma redução do conflito no curto prazo.

Os mercados estão tão sensibilizados que qualquer notícia positiva pode trazer uma pressão compradora (de ativos de maior risco), porque houve uma pressão vendedora muito forte, comentou durante a tarde o analista Matheus Spiess, da Empiricus Research. Mas do ponto de vista prático, nada mudou (em relação à guerra).

No Brasil, isso se traduziu na alta da bolsa, na queda do dólar ante o real e na baixa firme das taxas dos DIs. Na mínima do dia, às 13h03, a taxa do DI para janeiro de 2028 marcou 12,760%, em queda de 11 pontos-base ante o ajuste anterior.

No mercado, os agentes também seguiram divididos sobre qual será o tamanho do corte da taxa básica Selic, hoje em 15%, na reunião deste mês do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central: 25 ou 50 pontos-base.

Ficou caro para o BC começar o ciclo de baixas com um corte de 50, opinou Spiess, citando os últimos dados de inflação, acima do esperado, e os efeitos da guerra no Oriente Médio. O BC pode de fato cortar 50 pontos-base, mas se foi tão cauteloso até agora, ele vai mudar?

No exterior, os rendimentos dos Treasuries sustentaram altas ao longo de todo o dia, em meio à menor demanda por proteção nos títulos norte-americanos e às preocupações com os efeitos inflacionários da guerra. Às 16h31, o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- subia 2 pontos-base, a 4,077%.

No noticiário brasileiro, sem efeitos sobre a curva, o destaque foi a nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que levou à prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e também teve como alvos o ex-diretor do Banco Central Paulo Souza e o servidor da autarquia Bellini Santana. Souza foi afastado do BC e precisará usar tornozeleira eletrônica.

O Estado de S.Paulo - SP   05/03/2026

O Brasil vive uma inflexão na forma como estrutura seus projetos de infraestrutura. O que antes era marcado por concessões pontuais, planejamento fragmentado por modais e forte dependência de obras públicas passou a incorporar modelagens mais sofisticadas, integração logística e novas estratégias de financiamento. Esse movimento, consolidado a partir de 2023, inaugura um ciclo que combina maior participação privada, inovação contratual e centralidade da agenda ambiental.

Desde então, a Infra S.A. desenvolveu estudos que resultaram em 26 leilões no setor de transportes, somando cerca de R$ 150 bilhões em investimentos contratados em rodovias e portos. Para 2026, a carteira de projetos da empresa conta com mais de 20 empreendimentos, entre ferrovias, rodovias, hidrovias e terminais portuários. A escala é relevante, mas o diferencial está na forma como esses empreendimentos vêm sendo estruturados.

Para o diretor-presidente da Infra S.A., Jorge Bastos, esse novo ciclo representa uma transformação estrutural no planejamento da infraestrutura brasileira. “Estamos consolidando uma visão sistêmica, que integra modais, antecipa desafios regulatórios e ambientais e cria condições para ampliar a participação privada com segurança e previsibilidade. A infraestrutura precisa ser pensada como vetor de competitividade e desenvolvimento sustentável, e é isso que orienta a atuação da Infra S.A.”, afirma.

“A agenda é extremamente desafiadora. Hoje, temos inovações tecnológicas e mudanças às quais precisamos nos adaptar, considerando o presente e o cenário futuro da infraestrutura”, explicou Lilian Campos, superintendente de Inteligência de Mercado da Infra S.A., durante palestra no P3C – maior evento sobre concessões e PPPs do Brasil, realizado em fevereiro, em São Paulo.

Como principal estruturadora de projetos do governo federal na área de transportes, a Infra S.A. atua na modelagem econômica, nos estudos de demanda e na simulação de cenários que sustentam os novos contratos. “Trabalhamos de maneira meticulosa, prestando assessoramento aos Ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos, considerando todos os elementos para integração e interoperabilidade”, disse Lilian.

Visão de rede

Um dos elementos centrais desse ciclo é a mudança na lógica de planejamento. Historicamente, os modais eram tratados de forma isolada. A nova abordagem parte de conectividade e complementaridade entre os modos. “Posicionar a ferrovia para o escoamento, as rodovias com o papel de distribuição de médias e curtas distâncias e o aquaviário transportando grandes volumes de carga, criando corredores verdes e multimodais”, explicou Lilian.

A visão de rede altera tanto a eficiência operacional quanto a equação ambiental. Durante o P3C, representantes do Ministério dos Transportes destacaram que, na comparação com o modal rodoviário, o transporte ferroviário, em longas distâncias, pode reduzir significativamente os custos logísticos e emissões de gases de efeito estufa. Para Lilian, esse alinhamento é estrutural. “A sustentabilidade ambiental tem que ser considerada em todos os aspectos”, afirmou.

Um exemplo é o Arco Norte. A região se consolida como rota estratégica para o escoamento da produção do Centro-Oeste, impulsionando investimentos em portos, ferrovias e acessos rodoviários. “São empreendimentos complexos, que exigem modelos econômicos bem estruturados, fornecendo sustentabilidade ambiental e financeira”, disse Lilian. “É a nossa saída que mais atrai cargas, favorecendo o crescimento de uma nova fronteira agrícola. De 2010 a 2025, o crescimento anual médio é de 4,5%.”

Ela ressalta que o crescimento da movimentação portuária e ferroviária na região é acompanhado por dados históricos monitorados pela área de Inteligência de Mercado da Infra S.A., por meio do Observatório Nacional de Transporte e Logística (ONTL), do qual é coordenadora. Além da infraestrutura física, entram em cena desafios como financiabilidade, governança e gestão de controvérsias socioambientais.

Inovação contratual

O novo ciclo também se diferencia pelo modelo das concessões. Em discussão recente, integrantes do ministério ressaltaram a adoção de projetos ferroviários no modo “greenfield”, concedidos antes da construção, com maior participação privada desde o início. Outra diretriz mencionada foi a assunção, pelo governo federal, do licenciamento ambiental prévio em projetos estratégicos.

Para Lilian, essa evolução institucional tem reflexo direto na atratividade. “Temos visto uma maturidade maior, de segurança jurídica regulatória, de controle interno e externo e de expertise das equipes técnicas”, afirmou. Segundo ela, o sucesso dos leilões recentes e a renovação de grupos participantes indicam um ambiente mais consistente. “Temos carteira recorde de investimentos no Brasil.”

Ao integrar modais, sofisticar contratos e incorporar sustentabilidade desde a modelagem, a Infra S.A. consolida seu papel na estruturação dessa nova etapa da infraestrutura brasileira. O desafio, agora, não é apenas ampliar a carteira de projetos, mas garantir que a pauta seja pensada como sistema, com previsibilidade regulatória, eficiência logística e alinhamento às exigências ambientais do século 21.

IstoÉ Dinheiro - SP   05/03/2026

O fluxo cambial está positivo em US$ 10,496 bilhões em 2026 até o dia 27 de fevereiro, segundo dados preliminares divulgados nesta quarta-feira, 4, pelo Banco Central (BC). Em janeiro, houve entrada de US$ 5,067 bilhões.

O canal financeiro apresenta entradas líquidas de US$ 9,128 bilhões. Já o fluxo comercial é positivo, somando US$ 1,368 bilhões no ano.

O segmento financeiro tem compras de US$ 117,803 bilhões e vendas de US$ 108,675 bilhões no período. Esse canal inclui investimentos diretos e em carteira, remessas de lucro, pagamento de juros e outras operações.

O canal comercial tem importações de US$ 37,332 bilhões e exportações de US$ 38,700 bilhões. Nas exportações, estão inclusos US$ 4,825 bilhões em adiantamento de contrato de câmbio, US$ 7,077 bilhões em pagamento antecipado (PA) e US$ 26,798 bilhões em outras operações.

Mensal

O Brasil registrou fluxo cambial positivo de US$ 5,429 bilhões em fevereiro, até o dia 27, segundo dados preliminares divulgados pelo Banco Central (BC). Em janeiro, houve entrada de US$ 5,067 bilhões.

O canal financeiro registrou entrada líquida de US$ 2,906 bilhões. Isso é o resultado de compras no valor de US$ 52,862 bilhões e vendas no total de US$ 49,956 bilhões. O segmento reúne os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucro e pagamento de juros, entre outras operações.

No comércio exterior, o saldo do mês foi positivo em US$ 2,523 bilhões, com importações de US$ 16,554 bilhões e exportações de US$ 19,077 bilhões. Nas exportações, estão incluídos US$ 2,476 bilhão em Adiantamento de Contrato de Câmbio, US$ 3,348 bilhões em Pagamento Antecipado e US$ 13,253 bilhões em outras entradas.

Semanal

O Brasil registrou fluxo cambial positivo de US$ 2,071 bilhões na semana passada, informou o BC. Entre os dias 23 e 27 de fevereiro, o canal financeiro apresentou entradas líquidas de US$ 992 milhões. O valor é o resultado de compras de US$ 15,241 bilhões e vendas no total de US$ 14,249 bilhões. O segmento reúne os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucro e pagamento de juros, entre outras operações.

No comércio exterior, o saldo da semana passada foi positivo em US$ 1,079 bilhão, com importações de US$ 5,311 bilhões e exportações de US$ 6,390 bilhões. Nas exportações, estão incluídos US$ 681 milhões em Adiantamento de Contrato de Câmbio, US$ 1,246 bilhão em Pagamento Antecipado e US$ 4,463 bilhões em outras entradas.

CNN Brasil - SP   05/03/2026

A inflação e outros riscos decorrentes do conflito militar dos Estados Unidos com o Irã não alteraram a necessidade de o Federal Reserve (o banco central americano) aprovar cortes contínuos na taxa de juros este ano, com a expectativa de que as pressões sobre os preços diminuam e o mercado de trabalho ainda esteja em risco, disse o diretor do Fed Stephen Miran nesta quarta-feira.

Os preços mais altos do petróleo devido ao conflito “alimentarão a inflação, mas as evidências de que isso alimenta o núcleo da inflação... são bastante limitadas...É difícil para mim ficar muito animado com as implicações para a política monetária do que aconteceu até agora”, disse Miran.

Ele acrescentando que, em sua opinião, o Fed deveria fazer quatro cortes de 0,25 ponto percentual nos juros este ano para atingir um nível aproximadamente neutro, um ponto que alguns de seus pares mais "hawkish" acreditam já ter sido alcançado com a taxa básica de juros na faixa de 3,5% a 3,75%.

MINERAÇÃO

Money Times - SP   05/03/2026

A mineradora Vale (VALE3) está prestando suporte à sua força de trabalho no Oriente Médio, onde mantém ativos estratégicos, e suspendeu as viagens de seus empregados à região enquanto monitora os impactos da escalada do conflito no Irã, informou a companhia em nota à Reuters.

“A Vale está monitorando de perto a situação no Oriente Médio e divulgará ao mercado quaisquer desdobramentos relevantes oportunamente”, acrescentou a empresa, sem dar mais detalhes.

A companhia mantém uma fábrica de pelotas e um centro de distribuição em Sohar, em Omã, com capacidade para distribuir 40 milhões de toneladas de produtos de minério de ferro por ano, segundo informações em seu site.

A pelotizadora no país tem capacidade de produção de 9 milhões de toneladas anuais.

O centro de distribuição é considerado estratégico por sua localização geográfica, próxima à Europa, à Ásia e à África. O porto de águas profundas na região pode receber navios de grande porte.

A empresa também vinha ampliando sua atuação no Oriente Médio, com planos para desenvolver “Mega Hubs” voltados à produção de aço de baixo carbono na Arábia Saudita, em Omã e nos Emirados Árabes Unidos.

Money Times - SP   05/03/2026

A Vale (VALE3) cumpriu exigências e recuperou seu alvará de funcionamento no município de Congonhas (MG), após chuvas volumosas ao final de janeiro causarem transbordamentos de cavas nas áreas e alagamentos de operações na região, informou a prefeitura local em nota nesta quarta-feira (4).

As atividades nas minas de Fábrica, entre Ouro Preto e Congonhas, e Viga, em Congonhas, estão suspensas desde 27 de janeiro, depois que houve transbordamento de água e sedimentos nas instalações, levantando preocupações relacionadas à segurança de comunidades e do meio ambiente no entorno.

Não há informações, entretanto, sobre quando a empresa deve voltar a operar as minas. Anteriormente, as operações também foram impedidas pela Agência Nacional de Mineração (ANM), pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Minas Gerais e por decisões judiciais.

A decisão da prefeitura de Congonhas ocorre ainda após a mineradora pagar multa integral de R$13,71 milhões devido ao ocorrido.

“A decisão foi tomada após vistoria da equipe técnica, que constatou o atendimento às medidas corretivas estabelecidas devido às ocorrências registradas nas Minas de Fábrica e Viga, no mês de janeiro”, disse a prefeitura de Congonhas.

Entre as ações executadas pela empresa, segundo Congonhas, destacam-se a apresentação e implementação de medidas de contenção e limpeza de estruturas, desobstrução de vias, limpeza de córregos atingidos por resíduos e atualização do plano de emergência, com reforço ao Programa AGIR e monitoramento diário da qualidade da água.

As duas unidades têm uma produção combinada de 8 milhões de toneladas por ano, ou o equivalente a 2,4% do volume médio do guidance de minério de ferro da Vale para 2026, conforme analistas do Santander disseram na oportunidade.

Entretanto, o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou no mês passado que tais operações têm “naturalmente” um volume de produção muito menor nesse período do ano, justamente porque é uma época chuvosa.

Por isso, justificou ele, a Vale não fez alterações no guidance de produção para o ano.

Valor - SP   05/03/2026

Contrato futuro com vencimento em maio, o mais negociado, fechou cotado a US$ 108,9

O preço do minério de ferro voltou a avançar nesta quarta-feira (4). Uma ampliação temporária da produção de ferro-gusa pode estar relacionada ao movimento, apontam analistas da Nanhua Futures.

O contrato futuro com vencimento em maio, o mais negociado na bolsa de Dalian, fechou em alta de 0,40%, cotado a 752 yuans (US$ 108,9).

Por outro lado, os especialistas da Nanhua afirmaram que a pressão de oferta permanece, com mineradoras continuando a maximizar a produção, mesmo enquanto os embarques de produtores menores permanecem elevados.

AUTOMOTIVO

Diário do Comércio - MG   05/03/2026

O número de emplacamentos de veículos novos no Brasil cresceu 4,13% no mês de fevereiro, comparado ao mesmo mês de 2025, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (4) pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que representa as concessionárias.

O montante inclui diversos tipos de veículos, como comerciais leves, automóveis, caminhões, ônibus, motocicletas e implementos rodoviários, como reboques e carrocerias.

O total de veículos novos vendidos foi de 374.931, o que também representa aumento de 2,25% em comparação a janeiro de 2026.

Segundo a federação, a alta se deve principalmente aos emplacamentos de automóveis e comerciais leves, que cresceram 8,82% no mês, além de implementos rodoviários, com aumento de 15,3% na comparação com janeiro.

Programa Carro Sustentável

Um dos responsáveis pelo impulso nas vendas dos automóveis e comerciais leves é o programa Carro Sustentável, do governo federal, lançado em meados do ano passado.

A iniciativa reduziu as alíquotas de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros mais leves, econômicos e movidos a energia limpa.

Segundo o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, os emplacamentos dos modelos incluídos nessa categoria cresceram em quase 25% por causa do programa.

De acordo com a Fenabrave, os modelos que fazem parte do programa somaram 301.977 emplacamentos entre julho de 2025 e fevereiro deste ano, contra 241.906 unidades do mesmo tipo emplacadas em período igualmente anterior, quando não havia o programa.

Caminhões

Considerando-se apenas o emplacamento de automóveis, veículos comerciais leves, caminhões e ônibus, foram comercializadas 185.150 unidades em fevereiro, o que representou aumento de 0,12% em relação a fevereiro do ano passado, e de 8,57% em relação a janeiro.

Um dos destaques entre esses veículos foi o segmento de caminhões, que começou a demonstrar um sinal de recuperação principalmente pelo impacto do Move Brasil, programa criado em janeiro deste ano e que oferece crédito para a compra de caminhões.

Na comparação mensal, o segmento apresentou aumento de 3,73%, embora ainda acumule retração de 24,15% na comparação anual.

O presidente da Fenabrave explica que o transporte de cargas é historicamente mais sensível às condições macroeconômicas, como a disponibilidade de crédito.

“A decisão de investimento nesse segmento depende diretamente do custo do crédito e das expectativas em relação à atividade econômica, além de iniciativas de estímulo às vendas, como o programa Move Brasil”, analisa Arcelio Junior.

O Move Brasil deve disponibilizar R$ 10 bilhões em créditos, sendo que, até o momento, foram contratados R$ 4,2 bilhões.
Motos

O segmento de motos, por sua vez, continua sendo o grande motor do mercado automotivo em 2026, com crescimento de 9,97% em relação a fevereiro do ano passado.

“A motocicleta continua sendo uma solução eficiente de mobilidade individual e para serviços de transporte, que cresceu desde a pandemia. Ela também tem sido considerada como segundo veículo da família”, comenta o presidente da Fenabrave.

Projeções

Para 2026, a Fenabrave disse esperar um crescimento do setor como um todo em torno de 6,10%, puxado principalmente pela venda de novas motocicletas, que deve crescer 10% neste ano.

Já para os automóveis e comerciais leves, a expectativa é de crescimento em torno de 3%, com um total de 2,62 milhões de unidades comercializadas.

CONSTRUÇÃO CIVIL

Money Times - SP   05/03/2026

A temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 (4T25) entra na reta decisiva para o setor imobiliário, e, segundo o Itaú BBA, as construtoras de baixa renda devem liderar o desempenho do período.

De acordo com o banco, o segmento ligado ao programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) tende a apresentar os resultados mais robustos, com crescimento consistente de receita, lucro líquido, geração de caixa e retorno sobre o patrimônio acima do custo de capital na maior parte das companhias.

“No geral, esperamos que a unidade de habitação popular reporte os números mais fortes, com as empresas registrando um aumento sólido de desempenho”, afirmou a instituição em relatório.
As empresas em destaque

Entre as incorporadoras específicas, o Itaú BBA aponta a Cury (CURY3) como um dos possíveis destaques positivos, projetando uma alta de 46% no lucro líquido na comparação anual.

A construtora divulgará seus resultados em 10 de março, após o fechamento do mercado, e a expectativa do banco é de avanço de 36% na receita líquida.

“Esperamos um crescimento robusto nos números da Cury, impulsionado por receitas mais fortes”, disse a casa.
Direcional também deve brilhar

Os analistas da instituição também aguardam mais um trimestre forte para a Direcional (DIRR3), com ganho de eficiência operacional.

O banco projeta aumento de 31% na receita líquida da construtora, refletindo o avanço do reconhecimento contábil por percentual de obra (PoC).

A estimativa também é de alta de 36% no lucro por ação ajustado (LPA), com margem bruta de 40,3%, acima dos 37% registrados no mesmo período de 2024. A divulgação do balanço está prevista para 9 de março.

MRV pode reverter prejuízo

No caso da MRV (MRVE3), a casa aponta para uma possível recuperação relevante, com crescimento anual de 26% na receita líquida e expansão de cerca de 3 pontos percentuais na margem bruta.

A projeção é de lucro líquido de R$ 70 milhões ante o prejuízo de R$ 250 milhões visto no 4T24. A divulgação também está prevista para 9 de março.
Plano&Plano e Tenda

Para o Itaú BBA, a Plano&Plano (PLPL3) também deve apresentar forte crescimento de receita entre outubro e dezembro de 2025, com alta de 53% na base anual e de 26% frente ao trimestre anterior, impulsionada por vendas robustas.

Por outro lado, a casa projeta queda de aproximadamente 3,5 pontos percentuais na margem bruta, pressionada por descontos comerciais agressivos.

Por sua vez, a Tenda (TEND3) deve mostrar melhora operacional relevante: a expectativa é que o resultado líquido saia de R$ 21 milhões, no 4T24, para R$ 107 milhões, no 4T25, divididos em R$ 160 milhões positivos no negócio principal, mas parcialmente compensado por prejuízo de até R$ 40 milhões na divisão Alea.
Médio e alto padrão devem ter desempenho mais seletivo

Para as construtoras voltadas à média e à alta renda, o Itaú BBA avalia que o desempenho tende a ser mais heterogêneo.

Segundo o banco, os volumes de vendas permanecem resilientes e, com o avanço das obras, as receitas devem crescer de forma agregada.

“Os custos de construção permanecem sob controle, o que nos leva a prever margens brutas amplamente estáveis e um ROE [Retorno sobre o Patrimônio Líquido] anual a um nível saudável de cerca de 30,8% para o segmento.”

A Cyrela (CYRE3), segundo a casa, deve registrar alta de 20% tanto na receita líquida quanto no lucro por ação ajustado.

Já a Eztec (EZTC3) pode apresentar queda de 12% na receita líquida, impactada por menor volume de entregas e menor avanço do PoC, mas com forte geração de caixa, estimada em R$ 323 milhões.
Veja as datas dos balanços das construtoras:

Empresa Código Divulgação do resultado
Tenda TEND3 05/03/2026
Direcional DIRR3 09/03/2026
MRV MRVE3 09/03/2026
Cury CURY3 10/03/2026
Lavvi LAVV3 11/03/2026
Moura Dubeux MDNE3 11/03/2026
Plano&Plano PLPL3 11/03/2026
EZTec EZTC3 12/03/2026
Cyrela CYRE3 19/03/2026

Globo Online - RJ   05/03/2026

Para ampliar o teto do valor do imóvel no financiamento habitacional para famílias de classe média no programa Minha Casa, Minha Vida, o governo vai usar mais uma vez recursos do Fundo Social do Pré-Sal. Segundo técnicos a par das discussões, o plano é retirar da conta entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões porque o FGTS, que custeia o programa habitacional, não tem recursos extras disponíveis.

Proposta enviada pelo Ministério das Cidades ao grupo de apoio técnico do Conselho Curador do FGTS prevê elevar de R$ 500 mil para R$ 600 mil o teto de valor do imóvel na faixa 4 do programa e de R$ 350 mil para R$ 400 mil na Faixa 3.

Além disso, a pasta propõe corrigir todas as faixas de renda de renda familiar do programa, podendo chegar a até R$ 13 mil. O limite atual é de R$ 12 mil (faixa 4). Esta faixa foi incorporada ao Minha Casa, para atender famílias de classe média.

Contudo, os técnicos reclamaram que a proposta do ministério não foi acompanhada de estudos de impacto. Alegaram ainda que o orçamento do FGTS para habitação foi em novembro de 2025, sem essas alterações.

No ano passado, o governou usou R$ 15 bilhões do Fundo Social para atender a classe média (renda de até 12 mil). Posteriormente, foram destinados mais R$ 30 bilhões para financiamento de reforma de moradias. O fundo é abastecido por royalties do petróleo do pré-sal para apoiar principalmente as áreas de educação e saúde.

O objetivo do Ministério das Cidades ao fazer as alterações é entregar mais 100 unidades habitacionais para a classe média no ano eleitoral. A meta inicial de 750 mil moradias pode chegar a 850 mil, segundo técnicos.

Nas faixas 3 e 4 não há subsídios, diferentemente das faixas 1 e 2, que são beneficiadas por R$ 12 bilhões em descontos nos contratos a fundo perdido por ano.

Pela proposta, na faixa 1, a renda passa de R$ 2.850 para R$ 3.200; na faixa 2, de R$ 4,7 mil para R$ 5 mil; e, na faixa 3, de R$ 8,6 mil para R$ 9,6 mil.

A correção dos valores é um pleito do setor da construção civil e a nova tabela sugerida pelo Ministério das Cidade para cada faixa foi baseada na quantidade de salários mínimos.

Conforme revelou O GLOBO, os conselheiros do FGTS estão preocupados com o impacto de medidas tomadas pelo governo nas contas do Fundo, como saques emergenciais e empréstimos para santas casas. A projeção aponta para uma retirada de R$ 60,8 bilhões nos próximos cinco anos.

Em novembro, os conselheiros aprovaram orçamento de R$ 160,5 bilhões para habitação em 2026 e 207. Para os anos seguintes, o valor baixa para R$ 155,5 bilhões. As tabelas indicam recuo nas aplicações do FGTS em títulos públicos, que ampliam as disponibilidades de caixa, de R$ 24,762 bilhões neste ano para R$ 22,951 bilhões em 2029.

FERROVIÁRIO

Grandes Construções - SP   05/03/2026

Depois de mais de uma década de atrasos, a Linha 17-Ouro deve ficar pronta ainda neste mês.

Segundo o Metrô, as obras do monotrilho devem ser concluídas até o fim de março.
A linha, inicialmente prevista para operar na Copa do Mundo de 2014, deve começar a funcionar três Copas depois, às vésperas do torneio que será disputado na América do Norte.

De acordo com o Metrô, a obra já ultrapassou 95% de execução. A previsão é que a operação comece gradualmente, em horário reduzido, enquanto os testes são finalizados. Inicialmente, funcionamento será de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h.

“Ela está com mais de 95% de conclusão. A gente deve começar funcionando de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, até porque é uma operação controlada, onde a gente está vendo as condições de operação e as características dos passageiros, para gradativamente colocar em operação cheia”, afirmou Roberto Torres Rodrigues, diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô.

A Linha 17-Ouro será a primeira do sistema metroviário paulista a se conectar diretamente a um aeroporto.

Passageiros do Aeroporto de Congonhas poderão acessar a estação por um túnel subterrâneo que passa sob a Avenida Washington Luís, na Zona Sul da capital.

Na segunda-feira (2), o túnel, a cerca de 12 metros de profundidade, já contava com acabamento, iluminação e escadas rolantes em funcionamento.

Ainda faltam detalhes como o forro do teto e o acabamento do elevador. A expectativa do Metrô é concluir todos os serviços na Estação Congonhas até o próximo domingo (8). Do lado de fora, restam ajustes na calçada e no paisagismo.

Estações e integração - Todas as estações da Linha 17 também funcionarão como passarelas sobre a Avenida Jornalista Roberto Marinho. Quem quiser apenas atravessar a via poderá usar as estações sem pagar passagem.

Assim como já havia sido antecipado pela TV Globo, a linha não terá bilheterias físicas, apenas máquinas de autoatendimento. Das oito estações previstas, quatro já estão prontas.

Entre elas, a Vereador José Diniz, que está em fase de limpeza e ajuste das catracas, e a Campo Belo, que fará integração com a Linha 5-Lilás.

A expectativa é de que cerca de 30 mil passageiros passem por essa conexão diariamente.

Segundo o Metrô, o cronograma segue apertado porque a obra está na chamada fase crítica, dedicada aos testes de aceitação.

“Estamos testando os trens e todo o sistema de sinalização. Dependendo dos testes e do quão seguro a gente estiver para entrar em operação, isso vai definir a data exata e em que condições a linha vai operar”, explicou Roberto Torres Rodrigues.

NAVAL

Investing - SP   05/03/2026

A guerra entre os Estados Unidos e o Irã se intensificou nesta quarta-feira, depois que um ataque norte-americano atingiu um navio de guerra iraniano ao largo do Sri Lanka, aprofundando uma crise que paralisou o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz pelo quinto dia consecutivo e interrompeu o fluxo vital de petróleo e gás do Oriente Médio.

O ataque do submarino norte-americano ao navio iraniano ocorreu no momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu fornecer seguro e escolta naval aos navios que exportam petróleo e gás do Oriente Médio, em uma tentativa de conter a alta dos preços da energia.

Pelo menos 200 navios, incluindo petroleiros e navios-tanque de gás natural liquefeito, bem como navios de carga, permaneceram ancorados em águas abertas ao largo da costa dos principais produtores do Golfo, incluindo Iraque, Arábia Saudita e Catar, de acordo com estimativas da Reuters baseadas em dados de rastreamento de navios da plataforma MarineTraffic.

Centenas de outras embarcações permaneceram fora de Ormuz, sem conseguir chegar aos portos, segundo dados de transporte marítimo. A hidrovia é uma artéria fundamental para cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo e GNL.

O navio porta-contêiner Safeen Prestige, com bandeira de Malta, também foi danificado por um projétil enquanto navegava em direção ao extremo norte do Estreito de Ormuz, levando a tripulação a abandonar o navio, segundo fontes do setor de transporte marítimo.

O Catar suspendeu sua produção de gás e o Iraque reduziu sua produção de petróleo, pois ambos ficaram sem espaço para armazenamento. A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Kuweit também estavam com dificuldades para carregar petróleo, mas ainda não estava claro se eles reduziram a produção.

A Tribuna - SP   05/03/2026

Desde a Lei dos Portos (12.815), em 2013, que criou o atual modelo de terminal de uso privado (TUP) fora dos portos organizados, 17 empresas do País que tiveram a construção dos terminais autorizados pelo Governo Federal não tiraram os projetos do papel. Foram mais de R$ 36,8 bilhões em investimentos não realizados, além de 533,1 mil empregos que deixaram de ser gerados.

Os dados estão no relatório Diagnóstico sobre a Implantação de Terminais de Uso Privado, publicado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) no final do ano passado. Ele traz um panorama sobre os TUPs. Dos 70 autorizados após 2013, 17 não operam. Dois deles estão na Baixada Santista: o Terminal Portuário Brites (TPB) e o Terminal Marítimo da Alemoa.

Foram analisados os terminais autorizados entre 2013 e 2019, que não iniciaram suas operações dentro do prazo de cinco anos previsto no Decreto 8.033/2013. Também foram levantados os motivos para os atrasos, os pedidos de prorrogação de prazo, os tipos de carga previstos, além dos investimentos e áreas que deixaram de ser utilizados.

De acordo com o relatório, as principais causas dos atrasos são questões ambientais, financeiras e judiciais, responsáveis por mais da metade dos obstáculos identificados.

No caso das ambientais, dos 17 TUPs não operacionais com outorgas pós-2013, oito relataram dificuldades na obtenção do licenciamento ambiental, o que equivale a 27,59% dos entraves informados. “Esses empreendimentos, que normalmente envolvem a utilização de grandes áreas, estão frequentemente localizados em regiões ambientalmente sensíveis, com grande biodiversidade, como áreas de preservação, restingas, manguezais, foz de rios e ilhas”, diz o relatório.

Além disso, o documento pontua que a presença de populações tradicionais nessas áreas “aumenta o grau de exigência e rigor na análise dos pedidos de licenciamento ambiental, o que dificulta ainda mais o início, o desenvolvimento e a conclusão desses empreendimentos”.

Perfil

Entre os 17 terminais autorizados que não saíram do papel após 2013, 14 (82,35% das menções) indicaram a intenção de movimentar granel sólido; 12 (70,59%) granel líquido e/ou gasoso; 10 (58,82%) carga geral; e apenas 4 (23,53%) têm a intenção de movimentar carga conteinerizada. A maioria das instalações declarou, quando requereu a outorga, o interesse em movimentar mais de um perfil.

Outro dado do relatório dá conta de que, sobre a prorrogação do prazo legal dos 17 terminais não construídos, 11 deles (equivalente a 64,71%) já tiveram os seus prazos para entrar em operação prorrogados e três (17,65%) já solicitaram a prorrogação do prazo. Outros três terminais não disponibilizaram informações quanto à solicitação de prorrogação até a conclusão do estudo.

Causas

De acordo com o relatório da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), as principais causas dos atrasos são questões ambientais, financeiras e judiciais, responsáveis por mais da metade dos obstáculos identificados.

Áreas não construídas equivalem a 6.769 campos

Juntos, os 17 terminais privados não construídos representam a indisponibilidade de cerca de 48,33 milhões de metros quadrados (m²) de área portuária, o que equivale a cerca de 6.769 campos de futebol oficiais.

O levantamento da Antaq diz que “os impactos econômicos e sociais de um TUP que não inicia suas atividades no prazo legal são substanciais. Economicamente, o atraso resulta em perdas financeiras significativas para o operador do terminal, clientes e parceiros comerciais, incluindo custos adicionais de armazenamento, uso de vias alternativas de transporte mais dispendiosas e perda de oportunidades de negócios, afetando negativamente a competitividade e a eficiência logística”.

O relatório da Agência conclui, ainda, que “a falta de operação do terminal impacta o planejamento setorial, a logística e a eficiência do transporte aquaviário no País, podendo resultar em congestionamentos e sobrecarga de outros portos”.

Posicionamentos

De acordo com o diretor da empresa responsável pelo Terminal Marítimo da Alemoa, João Maria Menano, o espaço está com o cronograma de obras renovado. Os licenciamentos regulatório e ambiental já foram finalizados e estão em fase final para início da execução.

“O terminal pronto terá 90 mil m² a mais de área e três berços de atracação com calado de 14 metros. O investimento no que se chama superestrutura será da ordem de R$ 300 milhões”, pontua. Segundo Menano, foram necessários 16 anos para que a tramitação dos licenciamentos fosse concluída.

No caso do Terminal Portuário Brites (TPB), o atraso por quase 8 anos foi por conta de uma “ação civil pública que foi vencida e já com trânsito em julgado”, diz a empresa responsável. “O requerimento inicial da Licença de Instalação (LI) foi feito em 23 de março de 2023, e a empresa vem atendendo as solicitações do órgão ambiental a cada emissão de parecer - processo complexo e demorado, mas inerente a um projeto de infraestrutura portuária de grande porte”, afirma.

As exigências do quarto parecer de análise do requerimento de LI junto ao Ibama foram atendidas e protocoladas em janeiro deste ano. Após a aprovação do Ibama, começa o prazo de um ano para execução de condicionantes ambientais, período em que também serão providenciados a autorização para supressão vegetal e o alvará de construção. Após a aprovação do projeto, as obras serão iniciadas.

ATP contesta números apresentados pela agência

A Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) contesta os números apresentados pela Antaq em seu diagnóstico sobre os TUPs. De acordo com a diretora-executiva, Gabriela Costa, de 287 terminais privados, estão em operação 221, sendo que, dos 66 restantes, 54 estão regulares, ou seja, cujos contratos estão dentro dos prazos estabelecidos. Apenas 12 estariam irregulares, fora de prazos e sem nenhuma cobertura.

“Desses 12, sete já estão com encaminhamento, três pediram renúncia, desistiram da outorga. Há quatro que pediram alteração no cronograma, embora ainda sem resposta do poder concedente (União). Assim, a gente tem realmente um percentual de irregularidade de 12 em 287, o que equivale a 4,2%”, afirma.

Segundo ela, são considerados regulares os contratos que estão dentro do prazo, sendo que há dois deles: o inicial, de cinco anos para finalização da obra e começo das operações; e o de aditivos, pois, em alguns casos, os cinco anos não são suficientes.

Gabriela explica que a entidade vem trabalhando muito de perto com os terminais, associados ou não, para entender como está funcionando o modelo de contrato de adesão de terminais privados e torná-lo mais forte.

“Sobre as razões pelas quais os terminais têm dificuldade, às vezes, na execução dentro do prazo concedido, identificamos três causas principais: atrasos nos processos de licenciamento ambiental; e processos junto à SPU (Secretaria de Patrimônio da União), porque a gente tem uma demora muito significativa para a concessão de (espaço em) água”.

Ela ressalta que a ideia de que o Terminal de Uso Privado tem um contrato de adesão mais rápido e mais flexível do que os de arrendamento esbarra em um aspecto importante. “Quando você assina o contrato de adesão, não é um ponto de chegada, mas de partida. A partir da assinatura é que se começa a fazer as gestões para obtenção das licenças em órgãos ambientais e patrimoniais”.

A preocupação, segundo ela, está em fortalecer o entendimento sobre como funciona o setor portuário para esses órgãos. “A ATP vem tentando fortalecer esses laços, tanto com o Ibama quanto com a SPU, para passar a muitos desses técnicos esse olhar da importância do setor portuário”.

A questão patrimonial, no seu entender, merece especial atenção. “Para ter uma instalação portuária, é natural que você precise da parte em água. Não faz sentido você ter uma autorização para a parte em terra e ter tanta dificuldade para obter a parte em água. Então, a gente está tentando fazer com que essas coisas conversem”.

Crescimento

De acordo com estudo enviado pela ATP para a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), os terminais autorizados já respondem por 64,6% de toda a movimentação portuária do País. Os TUPs avançaram 7% em 2025, movimentando 906,1 milhões de toneladas.

Além disso, o aumento de 7% na movimentação de cargas em 2025 foi puxado por granel sólido (538,1 milhões de toneladas, com crescimento de 7,19% sobre o ano anterior), granel líquido e gasoso (271,7 milhões de toneladas, alta de 7,87%) e carga conteinerizada (56,9 milhões de toneladas; avanço de 6,09%).

Portos e Navios - SP   05/03/2026

O Conselho Mundial de Navegação (WSC) elogiou, nesta quarta-feira (4), o foco anunciado pela da Comissão Europeia no fortalecimento da segurança portuária e no avanço da descarbonização marítima em sua Estratégia Portuária da UE e Estratégia Industrial Marítima. Em relação à segurança, a entidade apoia a forte ênfase no combate ao crime organizado e na proteção das principais vias de acesso ao comércio europeu, defendendo parcerias público-privadas e o compartilhamento de informações entre autoridades, companhias de navegação e outros parceiros do setor.

O presidente e CEO do WSC, Joe Kramek, afirmou que os portos europeus e as cadeias de suprimentos marítimas são tão seguros quanto seu elo mais fraco e que sem cooperação público-privada e implementação em todos os Estados-membros, a atividade criminosa migrará para outros lugares. “Os eventos recentes nos lembraram, mais uma vez, que a resiliência marítima e comercial europeia vai muito além do seu litoral. As estratégias reconhecem, acertadamente, a importância de garantir a segurança da navegação ao longo das principais rotas marítimas para manter o comércio em movimento”, disse.

Joe Kramek elogiou também o foco da Estratégia Portuária na disponibilidade de combustíveis renováveis, a abordagem multicombustíveis e na aceleração do uso em terra de energia renovável. “O transporte marítimo de linha regular investiu mais de 125 mil milhões de euros em mais de 1.100 navios bicombustíveis entregues ou encomendados. A infraestrutura portuária deve acompanhar o investimento na frota com o fornecimento de combustível e a eletrificação”, acrescentou Kramek.

A WSC também saudou o reconhecimento, na Estratégia Marítima Industrial, da necessidade de simplificar os requisitos do EU ETS e do FuelEU Maritime. Mas ressaltou que essas estratégias não são suficientemente abrangentes na simplificação do comércio para apoiar a agenda de competitividade da União Europeira, lembrando que os serviços de transporte marítimo de linha regular movimentam cerca de 2,5 biliões de euros em comércio todos os anos, mas os navios ainda podem ser obrigados a submeter até 1.200 elementos de dados para uma única escala portuária.

De acordo com o Conselho, a implementação completa da Janela Única Marítima da UE, prevista para agosto passado, poderia poupar entre 2,2 e 2,5 milhões de horas de trabalho por ano. Segundo a entidade, o comércio marítimo intra-UE ainda enfrenta barreiras alfandegárias nas fronteiras externas, o que torna o comércio dentro da Europa mais difícil do que deveria ser.

Joe Kramek afirmou que, num verdadeiro mercado único, o transporte de mercadorias por navio dentro da Europa deveria ser tão simples quanto o transporte por caminhão. “Reduzir as barreiras aduaneiras e os entraves administrativos seria uma das maneiras mais rápidas de fortalecer a competitividade da Europa, e saudaríamos ações mais claras nessa área”, disse.

A Tribuna - SP   05/03/2026

O Porto de São Sebastião, no Litoral Norte, registrou em janeiro deste ano a maior movimentação de cargas da história para o mês. Foram 133,7 mil toneladas movimentadas, volume 57% maior do que janeiro de 2025, quando foram 85,1 mil toneladas. Além disso, o montante é quase cinco vezes superior ao de janeiro de 2016, quando o terminal operou 28 mil toneladas.

O desempenho consolida uma trajetória consistente de expansão ao longo da última década. Em 2016, o porto movimentou 606,7 mil toneladas no ano. O volume avançou gradualmente nos anos seguintes, alcançando 741,7 mil toneladas em 2019, antes de registrar aceleração mais expressiva no período recente.

Em 2024, o terminal atingiu 1,52 milhão de toneladas, o maior volume anual já registrado. Em 2025, o total foi de 1,44 milhão, o segundo melhor resultado da série histórica. Com o início mais forte em 2026, a administração estima encerrar o ano com até 1,6 milhão de toneladas, patamar que poderá estabelecer um novo recorde anual.

A expansão coincide com o aumento da participação do Porto na exportação de açúcar — principal produto movimentado no terminal — e de gado bovino. São Sebastião aparece como o segundo maior porto do País em embarques de açúcar, com 292,3 mil toneladas programadas, atrás apenas de Santos.

Para o presidente da Companhia Docas de São Sebastião, Ernesto Sampaio, o desempenho reflete um ciclo de modernização e ganho de eficiência. “O resultado de janeiro confirma que estamos em um novo patamar operacional. Ampliamos a capacidade, aprimoramos processos e fortalecemos a relação com o setor exportador. O porto se consolidou como alternativa competitiva para o escoamento do agronegócio, especialmente do açúcar, e a expectativa é manter esse ritmo ao longo do ano”, afirmou.

Parte do crescimento registrado em janeiro está associada à conclusão da dragagem do berço de atracação, que ampliou a capacidade operacional e aumentou a frequência de navios. Também contribuiu a melhoria no acesso rodoviário, com a nova ligação direta à Rodovia dos Tamoios, já em funcionamento.

A expectativa é que o ganho operacional seja ampliado com a inauguração, prevista para este ano, de uma nova alça de acesso exclusiva ao Porto. A estrutura deve facilitar a entrada e saída de caminhões.

Valor - SP   05/03/2026

Suspensão de reservas e sobretaxas impostas por Maersk, COSCO e MSC refletem riscos de guerra

A escalada da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã ampliou a pressão sobre a logística marítima global na quarta-feira (4). A dinamarquesa Maersk anunciou a suspensão temporária da aceitação de novas reservas de cargas de e para Emirados Árabes Unidos, Omã (exceto Salalah), Iraque, Kuwait, Catar, Bahrein e Arábia Saudita (Dammam e Jubail), até novo aviso.

Na mesma linha, a chinesa Cosco Shipping Lines suspendeu reservas de contêineres em diversos mercados do Golfo Pérsico, citando a escalada do conflito e restrições ao tráfego marítimo.

O bloqueio prático do Estreito de Ormuz já dura cinco dias, com trânsito de navios comerciais quase paralisado, segundo a Reuters. Ataques a embarcações e instalações elevaram o alerta de seguradoras e pressionam prêmios nas rotas do Golfo Pérsico. Especialistas ouvidos pelo Valor afirmam que a redução de oferta tende a irradiar efeitos para além da região, com redistribuição de capacidade e possível encarecimento do frete em rotas Ásia-Brasil.

A suíça Mediterranean Shipping Company (MSC) anunciou sobretaxa emergencial de combustível a partir de 16 de março: US$ 60 por TEU padrão e US$ 90 por TEU refrigerado na rota Europa-sul da África; US$ 25 por TEU padrão e US$ 35 por TEU refrigerado na rota Norte do Continente/Ilhas Canárias.

Jackson Campos, diretor de Relações Institucionais da AGL Cargo, diz que navios estão buscando abrigo, itinerários foram reorganizados e escalas podem ficar menos previsíveis. Rotas alternativas, como pelo Cabo da Boa Esperança, aumentam o tempo e o consumo de combustível, elevando os fretes e prolongando os prazos.

Além dos impactos operacionais, o conflito reativa cláusulas contratuais típicas do transporte marítimo. Mayra Mega Itaborahy, sócia do Murayama, Affonso Ferreira e Mota Advogados, explica que contratos preveem risco de guerra, exonerando armadores de responsabilidade por danos em áreas de conflito, desde que haja diligência para proteger a carga.

PETROLÍFERO

Valor - SP   05/03/2026

Escalada de conflitos entre Estados Unidos, Israel, Irã e mais países da região merece acompanhamento de perto dos investidores

Os preços dos contratos futuros do petróleo operam em alta nesta quarta-feira, e o Brent segue acima de US$ 80 o barril, à medida que as exportações e a produção de petróleo no Oriente Médio sofrem interrupções significativas. O Goldman Sachs elevou suas projeções para os preços do petróleo este ano e no próximo, ainda que os riscos continuam significativamente inclinados para cima.

Por volta das 9h, na Intercontinental Exchange (ICE), o petróleo Brent para entrega em maio subia 1,68% a US$ 82,80 por barril. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril avançava 0,83% a US$ 75,18.

“Assumimos que o Brent deverá negociar na faixa dos US$ 80 em março, enquanto o mercado processa sinais mistos — algum alívio com uma possível recuperação gradual dos fluxos pelo Estreito de Ormuz, mas também renovadas preocupações à medida que aumentam as evidências de cortes na produção”, diz o Goldman Sachs em nota.

O banco elevou sua previsão para o preço médio do Brent no segundo trimestre de 2026 de US$ 66 US$ 76 por barril, e para o WTI de US$ 62 para US$ 71, assumindo que a persistente incerteza geopolítica continuará sustentando o prêmio de risco, e quedas nos estoques da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), além de perdas de 200 milhões de barris na produção do Oriente Médio, à medida que a capacidade de armazenamento se aproxima do limite.

Para o quarto trimestre de 2026, o Goldman Sachs elevou sua projeção para o Brent de US$ 60 para US$ 66, e para o WTI de US$ 56 para US$ 62. Para 2027, as estimativas subiram de US$ 65 para US$ 70 para o Brent de US$ 61 para US$ 61 para o WTI, já que um excesso temporário de exportações via Ormuz no segundo trimestre ajudaria a recompor parcialmente os estoques da OCDE.

IstoÉ Dinheiro - SP   05/03/2026

Os contratos futuros de petróleo fecharam perto da estabilidade nesta quarta-feira, 4, com tráfego pelo Estreito de Ormuz como o grande tema para o setor, com as medidas anunciadas na terça-feira, 3, pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, colaborando para amenizar os temores pelos efeitos do fechamento da rota pela qual passam cerca de 20% dos hidrocarbonetos do mundo. O tema ofuscou uma alta acima do esperado nos estoques semanais de barris nos EUA.

Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril fechou em alta de 0,13% (US$ 0,10), a US$ 74,66 o barril, revertendo queda vista mais cedo.

Já o Brent para maio fechou estável, a US$ 81,40 o barril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

A Capital Economics aponta que, na ausência de uma minimizada da escalada militar, não há solução rápida para a questão do Estreito. O anúncio de que os EUA poderiam fornecer seguros e garantias para empresas de navegação, e que as forças armadas americanas poderiam começar a escoltar petroleiros e navios-tanque de gás pelo Golfo Pérsico “se necessário”, parecem oferecer uma solução, avalia. “Faltam detalhes, mas o anúncio evoca memórias das operações militares americanas de 1987-88 para proteger a navegação na região durante a guerra Irã-Iraque”, aponta.

A Maersk informou que suspendeu a aceitação de reservas de carga para sete países do Oriente Médio. Já o navio porta-contêineres Safeen Prestige, de bandeira maltesa, foi danificado por um projétil enquanto navegava em direção à entrada do Estreito, levando a tripulação a abandonar a embarcação, segundo a Reuters.

A Fitch avalia que o fechamento efetivo do Estreito deve ser temporário e ter impacto limitado sobre os preços. A agência afirma que a importância econômica da rota e o atual excesso de oferta no mercado global de petróleo tendem a conter uma escalada mais forte das cotações. A Fitch diz não esperar alta significativa em relação à sua projeção de preço médio do Brent de US$ 63 por barril em 2026, estimada em dezembro do ano passado.

Autoridades do Catar rejeitaram a afirmação do Irã de que ataques recentes de mísseis tinham como alvo apenas interesses americanos e não o território do país. A alegação é de que claramente atingiram áreas civis, incluindo zonas industriais com instalações de produção de gás natural liquefeito (GNL).

O Estado de S.Paulo - SP   05/03/2026

Todos os dias, cerca de 80 navios petroleiros e gaseiros normalmente passam pelo Estreito de Ormuz, a estreita via navegável na costa sul do Irã que transporta um quinto do petróleo mundial e uma quantidade significativa de gás natural.

Na segunda-feira, 2, apenas dois petroleiros e gaseiros parecem ter cruzado o estreito, de acordo com uma análise do New York Times sobre dados da Kpler, empresa que monitora a atividade marítima. Desde então, só um petroleiro passou pelo local.

“É um fechamento de fato”, disse Dan Pickering, diretor de investimentos da empresa de serviços financeiros Pickering Energy Partners, de Houston. “Há um número significativo de navios em ambos os lados do estreito, mas ninguém está disposto a atravessá-lo.”

Os petroleiros têm se mantido longe de Ormuz desde os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, que começaram no sábado, 28. Um conflito prolongado pode causar um efeito cascata na economia global, ameaçando o abastecimento de energia de países do outro lado do mundo e alimentando a inflação.

Os preços internacionais do petróleo subiram 12% desde o início dos combates, sendo negociados nesta quarta-feira, 4, a cerca de US$ 81 o barril, e os preços do gás natural dispararam na Europa e na Ásia.

Um alto oficial militar iraniano ameaçou na segunda-feira “incendiar” qualquer navio que atravessasse o Estreito de Ormuz. Navios na região já foram atacados. Várias instalações de petróleo e gás também foram atingidas ou afetadas por bombardeios nas proximidades, embora os danos inicialmente não parecessem ser catastróficos.

Um incêndio começou na terça-feira em um importante centro de energia em Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, causado pela queda de destroços de um drone abatido, disseram as autoridades. Na segunda-feira, o Catar interrompeu a produção de gás natural liquefeito, o combustível que foi resfriado para poder ser transportado em navios, após ataques às suas instalações.

A forte redução no tráfego de petroleiros está diminuindo o fornecimento de petróleo e gás aos mercados mundiais, elevando os preços de ambas as commodities. E quanto mais tempo os navios ficarem longe do Estreito de Ormuz, menos petróleo e gás chegarão ao mundo, o que poderia elevar ainda mais os preços.

As empresas de navegação suspenderam seus navios-tanque para proteger suas tripulações e cargas, e também porque as seguradoras estão cobrando significativamente mais para cobrir embarcações na área de conflito.

Na terça-feira, o presidente Donald Trump disse que, “se necessário”, a Marinha americana começaria a escoltar navios-tanque pelo estreito. Ele também disse que uma agência do governo dos EUA começaria a oferecer “seguro contra riscos políticos” às companhias de navegação na área.

Além dos petroleiros, outros grandes navios passam regularmente pelo estreito, incluindo navios transportadores de automóveis e navios porta-contêineres. Em condições normais, cerca de 160 fazem a viagem todos os dias.

Alguns navios na região desligam os dispositivos que transmitem suas posições, enquanto outros transmitem localizações falsas — tornando difícil ter uma visão completa do tráfego no estreito.

O Shiva é um pequeno petroleiro que falsificou repetidamente sua localização, de acordo com o site TankerTrackers.com, que rastreia os embarques globais de petróleo. Ele é suspeito de transportar petróleo iraniano que está sob sanção, de acordo com a Kpler. O Shiva foi um dos dois petroleiros que cruzaram o estreito na segunda-feira.

O petróleo e o gás que normalmente passam pelo estreito vêm de grandes países produtores como Arábia Saudita, Iraque, Irã e Emirados Árabes Unidos, e são exportados para todo o mundo.

Em 2024, mais de 80% do petróleo e gás transportados pelo Estreito de Ormuz foram para a Ásia. China, Índia, Japão e Coreia do Sul foram os principais importadores, de acordo com a Administração de Informação Energética dos EUA.

Os países têm reservas de energia que podem durar até os próximos meses, mas o fechamento contínuo do estreito pode prejudicar suas economias.

Várias grandes interrupções abalaram as cadeias de abastecimento nos últimos anos, mas a paralisação dos petroleiros no Estreito de Ormuz pode ter um impacto desproporcional.

Valor - SP   05/03/2026

Analistas esperam ainda que a companhia anuncie dividendos. As expectativas variam de US$ 1 bilhão a US$ 1,3 bilhão em remuneração aos acionistas

Os resultados da Petrobras do quarto trimestre de 2025 devem trazer números melhores do que os registrados em igual período de 2024, segundo levantamento do Valor com base em análises de quatro bancos. Apesar da queda de 14,8% na média da cotação do petróleo Brent no período, a alta das exportações da companhia deve impulsionar seus números.

Analistas esperam ainda que a companhia anuncie dividendos. As expectativas variam de US$ 1 bilhão a US$ 1,3 bilhão em remuneração aos acionistas.

A estatal deve ter um lucro líquido de cerca de R$ 18,9 bilhões no quarto trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 17,04 bilhões em igual período de 2024. Naquela ocasião, a Petrobras informou que o resultado negativo refletia a desvalorização cambial, maiores provisões, sem efeito caixa, e despesas operacionais.

As estimativas são calculadas baseadas em projeções dos seguintes bancos: Citi, UBS BB, Itaú BBA e Ativa Investimentos.

A Petrobras divulga o resultado financeiro na quinta-feira (5), após o fechamento dos mercados. Na teleconferência de resultados no dia seguinte, há a expectativa de que a diretoria da companhia dê mais detalhes sobre os impactos da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã sobre a petroleira. O cenário de incertezas e de alta do preço do petróleo pode trazer benefícios para a Petrobras sob o ponto de vista da exportação da commodity, mas pode pressionar os preços de derivados, na visão de especialistas.

Analistas já apontam algumas expectativas para o primeiro trimestre de 2026 em relatórios. Para Gabriel Barra, do Citi, a entrada de fluxo estrangeiro no Brasil e o aumento do preço do petróleo no primeiro trimestre devem beneficiar a Petrobras: “Ainda vemos um grande interesse em investir no Brasil por parte dos investidores estrangeiros e, nessa tendência, a Petrobras pode ser uma das principais beneficiadas, dada a liquidez da companhia e a presença nos índices mais relevantes da região, apesar do risco eleitoral brasileiro”.

Por outro lado, o Santander prevê perspectivas financeiras mais apertadas no período: “Esperamos que as perspectivas financeiras continuem apertadas devido ao alto ciclo de investimentos da Petrobras e ao descompasso entre dividendos e geração de fluxo de caixa livre. Isso, combinado com possíveis atividades de fusões e aquisições, pode exercer pressão adicional sobre os dividendos”.

A receita da petroleira no quarto trimestre deve crescer 1,9%, para cerca de R$ 123,5 bilhões. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), deve chegar aos R$ 59 bilhões, um aumento de 44,1%.

No quarto trimestre, a produção de petróleo, gás natural e líquido de gás natural (LGN) da Petrobras foi de 3,081 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/dia), uma alta anual de 18,6%. A venda de derivados somou 1,771 milhão de barris/dia, aumento de 0,7% frente a igual período em 2024.

A exportação de petróleo por parte da estatal marcou recorde no quarto trimestre, com 999 mil barris por dia exportados, aumento de 96,7%. Segundo a companhia, o crescimento se deu por conta da maior produção, do menor processamento das refinarias e da menor venda de óleo no mercado interno.

Para os analistas, alguns fatores devem pesar nos resultados da Petrobras no período de outubro a dezembro de 2025. “Alguns eventos pontuais devem ser considerados no trimestre, incluindo um pagamento de US$ 1,3 bilhão pelo leilão do pré-sal do final do ano passado e um desembolso de US$ 285 milhões referente ao campo de Jubarte”, sinalizou o Itaú BBA em relatório.

O valor de Jubarte se refere à equalização de gastos após um acordo com a Pré-sal Petróleo (PPSA) na jazida compartilhada desse campo do pré-sal, na Bacia de Campos, em que a Petrobras devia R$ 1,54 bilhão. Desse volume, R$ 1,47 bilhão foi provisionado nos resultados do segundo trimestre de 2025. O restante deve ser registrado no balanço do quarto trimestre.

Para os resultados do ano de 2025, a expectativa, com base em três bancos, é de um aumento de 211,5% no lucro líquido, para R$ 114 bilhões, uma vez que o resultado de 2024 havia sido afetado pelo prejuízo do quarto trimestre. Na receita, a expectativa é de que a Petrobras registre cerca de R$ 493,4 bilhões, um aumento anual de 0,5%. O Ebitda ajustado deve ficar em R$ 235,7 bilhões, aumento de 9,9% em relação a 2024.

AGRÍCOLA

IstoÉ Dinheiro - SP   05/03/2026

As vendas de máquinas agrícolas começaram o ano com queda expressiva, refletindo o alto custo do crédito, segundo a Fenabrave, entidade que, além das concessionárias de carros, representa revendedores de equipamentos usados no campo. Balanço da associação mostra que as vendas de tratores recuaram 17,1% em janeiro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. No total, 3,2 mil tratores foram vendidos em janeiro, número que, frente a dezembro, corresponde a uma queda de 15,9%.

Já as vendas de colheitadeiras, de 513 unidades no primeiro mês do ano, encolheram 12% no comparativo interanual. Na margem – ou seja, de dezembro para janeiro -, as vendas de colheitadeiras de grãos subiram 88,6%.

Segundo o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, as vendas de tratores mostram sensibilidade à piora nas condições de financiamento e ao custo do crédito rural.

“Mesmo com a manutenção de uma safra robusta, as taxas de juros impactam nas decisões de investimento por parte dos produtores rurais”, comenta Arcelio.

Enquanto as vendas de carros podem ser atualizadas diariamente com base nos licenciamentos de veículos, os números de máquinas agrícolas precisam ser levantados com os fabricantes. Por isso, as estatísticas têm defasagem de um mês em relação ao balanço das vendas de automóveis, divulgado nesta quarta pela Fenabrave com dados já relativos a fevereiro.

Canal Rural - SP   05/03/2026

Na balança comercial, o mercado chinês ficou à frente de países da União Europeia (US$4,1 bilhões); os Estados Unidos (US$3,5 bilhões) e a Índia (US$904,4 milhões). Para o secretário da SAA, Geraldo Melo Filho, o país asiático lidera o ranking dos que mais importam os produtos agrícolas de São Paulo, porém, o setor vem diversificando cada vez mais os acordos bilaterais.

Os dados reforçam não apenas o peso da China como parceira comercial, mas também a forte inserção do agro paulista no mercado internacional. O desafio agora é continuar abrindo novos mercados para consolidar relações comerciais e ampliar ainda mais a presença do agro paulista no cenário global, destacou.
Principais produtos exportados

Dos produtos agrícolas de São Paulo enviados ao mercado chinês, o mais rentável, em 2025, ficou com o setor de carne (US$2 bilhões), com um aumento financeiro de 24,6%. Enquanto, os complexos de soja (US$1,6 bilhão), e sucroalcooleiro (US$1,2 bilhão), segundo e terceiro colocados, tiveram uma elevação, no período, de 12% e 24%, respectivamente.

Os quatro principais produtos da nossa pauta de exportação, a China lidera o setor sucroalcooleiro, 18%, o setor de carnes, 29,8%, o complexo soja, 22,8% e nos produtos florestais 17%, ou seja, é um parceiro muito estratégico para o agro paulista, reforçou o diretor da Diretoria de Pesquisa do Agronegócios (APTA) da SAA, Carlos Nabil.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, destaca o resultado positivo, perante as adversidades enfrentadas pela cadeia produtiva.

Mesmo com um cenário mais desafiador, marcado por questões geopolíticas e pela menor produção de carne em vários países. a carne bovina brasileira, hoje, chega a 177 países, o que ajuda a sustentar o ritmo dos embarques e a presença do produto nos principais mercados, afirmou.

Enquanto, o pesquisador do IEA, Celso Vegro, reforça principalmente a entrada de café no mercado chinês (5,6 mil toneladas).

Apesar de ser uma nação consumidora de chá, as exportações da bebida brasileira já colocaram a China, em 2025, entre os 10 maiores clientes do produto. Em breve, o país se consolidará como um dos principais clientes nos próximos anos, devido ao aumento do consumo per capita que saiu de 4 a 5 xícaras em 2020 para 16 a 22 xícaras em 2025, explicou.
Crescimento do café paulista no mercado

Segundo o analista de mercado de café da StoneX, Fernando Maximiliano, um dos principais motivos do crescimento do café paulista no mercado chinês, deve-se à expansão acelerada da cafeteria chinesa Luckin Coffee.

Fundada em Pequim, em 2017, a empresa cresceu expressivamente no último ano, ao saltar de 8 mil lojas no início de 2023, para 20 mil, atualmente, em toda a China.

De acordo com o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, os exportadores brasileiros conseguiram aproveitar esta oportunidade de negócio. Hoje, 50% de todo o café que a Luckin Coffee compra é só do Brasil. O resto é dividido com outros países, conta.

GauchaZH - RS   05/03/2026

Com o crescimento da instabilidade no mercado internacional e a manutenção de altos estoques no mercado interno, o setor brasileiro de máquinas e implementos agrícolas precisou recalibrar suas expectativas para 2026. Nesta terça-feira (3), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) admitiu que a projeção inicial de crescimento de 3,4% nas vendas já não se sustenta. No lugar da alta, entra uma estimativa de retração de 5%.

Segundo Pedro Estevão, presidente da Câmara de Máquinas Agrícolas da entidade, as vendas estão “muito abaixo das expectativas”.

— Elas começaram a retrair ainda no segundo semestre do ano passado, em razão do câmbio. E o câmbio faz muita diferença na rentabilidade do agricultor. Grande parte do que é negociado no agro é em dólar, que está desvalorizado. Para algumas culturas, a rentabilidade caiu bastante.

O freio ocorre justamente quando a indústria ensaiava uma retomada. Em 2025, o setor cresceu 7,4% no faturamento, alcançando R$ 66,7 bilhões. O resultado ajudou a amenizar as perdas acumuladas em 2023 e 2024, anos marcados por quedas expressivas de 21% e 19%, respectivamente. Mas ainda não totalmente.

No Rio Grande do Sul, a leitura é semelhante. A vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers), Carolina Rossato, avalia que o cenário também mudou no Estado. Mesmo com boa perspectiva para a safra de grãos e uma demanda por máquinas represada há cerca de cinco anos, fatores como juros elevados, commodities em baixa e o ambiente geopolítico passaram a pesar mais.

— Com o conflito entre Estados Unidos e Irã, os pilares mudam rapidamente. O petróleo, por exemplo, é fundamental tanto na manufatura das máquinas quanto na logística. Outro ponto central será o comportamento das commodities em meio a esse ambiente instável — diz Carolina.

A projeção de 5% da Abimaq, no entanto, ainda não considera os possíveis desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

— Para mensurar o impacto, precisaríamos saber quanto tempo a guerra vai durar — pondera Estevão.

IstoÉ Dinheiro - SP   05/03/2026

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) prevê crescimento de 1,22% do Produto Interno Bruto (PIB) da Agropecuária neste ano, ante alta de 11,7% em 2025. A estimativa da entidade é preliminar e deve ser revisada após os resultados anuais divulgados na terça-feira, 3, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “Vemos desenvolvimento positivo da safra e projeção de crescimento de todos produtos da pecuária, à exceção da carne bovina que entra em ciclo baixista”, disse o coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon.

Em dezembro, a CNA previa avanço de 2,3% para o PIB da agropecuária. “A partir do aumento acima do esperado em 2025, vamos recalibrar as projeções para o ano”, apontou Conchon, sobre a base maior que o esperado no ano passado. Conchon destaca que a primeira safra está sendo colhida, enquanto o segundo ciclo está sendo implantado nas lavouras. “É preciso ver ainda como vai se desenrolar o andamento da safra e como ficará em cada região. A previsão é boa, mas temos que acompanhar o progresso da safra”, ponderou Conchon.

Para o PIB nacional, a CNA também vê crescimento mais moderado, de 1,95% neste ano, ante 2,3% de alta no ano passado. “A desaceleração ante 2025 deve-se à previsão de maior inflação, dúvidas quanto aos efeitos do conflito no Irã no petróleo e, se prolongado, sobre uma inflação mais salgada e a uma estimativa de Selic ainda elevada ao fim do ano”, explicou Conchon. Com crescimento do agro inferior aos demais setores, a participação da agropecuária no PIB Brasil deve sair de 7,54% em 2025 para próximo de 6,9% neste ano, em previsão preliminar da CNA.

Em relação a 2025, o crescimento do PIB agro da ordem de 11,7% superou a previsão da entidade de 8,3% em dezembro. De acordo com Conchon, a safra recorde e o bom desempenho da pecuária no ano passado explicam o resultado expressivo da agropecuária. “Esperava-se desaceleração do PIB Brasil no ano, sobretudo em virtude dos juros, mas também pela retração da confiança do consumidor, com avanço mais moderado da despesa das famílias, mesmo com estímulo de renda visto. No agro especificamente, o desempenho refletiu a supersafra”, explicou.

Além da soja e do milho, a CNA destaca como fatores positivos as safras de café conilon, laranja e arroz. “Já feijão contribuiu negativamente”, pontuou. “A pecuária, tanto de corte quanto leiteira, ajudou a impulsionar o desempenho, com bons números das exportações”, observou.

A participação da agropecuária no PIB Brasil ficou em 7,54% em 2025 ante 6,91% em 2024. “Se não fosse o crescimento da agropecuária, se o setor tivesse ficado estável, o PIB do Brasil não teria crescido nem 1,5%. O resultado do agro corresponde a 0,8 ponto porcentual do PIB”, acrescentou.

Para 2026, a CNA vê como pontos de atenção para o comportamento do PIB da agropecuária as incertezas climáticas, as salvaguardas chinesas sobre a importação de carne bovina, o crescimento das tensões no Oriente Médio com reflexo nos preços de fertilizantes e nos embarques de produtos agropecuários, a volatilidade do dólar frente às principais cestas de moedas estrangeiras, o cenário de juros elevados, o estímulo governamental à transferência de renda, a atratividade do Brasil como moeda emergente, a redução do poder de compra das famílias e do crescimento real do salário mínimo.

Para o primeiro trimestre deste ano, a tendência é positiva, aponta Conchon, com a entrada da soja da safra 2025/26. “A soja enfrentou muita umidade, a ver como a qualidade será e como vai fechar o primeiro trimestre, período também de plantio da segunda safra de milho que reflete no desempenho no segundo trimestre deste ano”, observou Conchon.

Sazonalmente, lembra Conchon, o PIB da agropecuária tende a ter desempenho mais forte no primeiro trimestre do ano puxado pela colheita da safra de verão, seguido por arrefecimento no segundo trimestre, um terceiro trimestre mais fraco e retomada da aceleração no quarto trimestre do ano, impulsionado pela colheita das culturas de inverno e aumento do abate pecuário em meio às festas de fim de ano.

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